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4612508 #
Numero do processo: 10166.009148/2003-21
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1997 Ementa: CSLL COMPENSAÇÃO — Incabível falar em compensação quando o montante de direito creditício aventado já fora suficientemente empregado na extinção de outros débitos. Extrato que comprova a integral utilização dos créditos do contribuinte, MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõe-se a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic esta em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina.
Numero da decisão: 1803-000.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior

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Extrato que comprova a integral utilização dos créditos do contribuinte, MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impffie-se a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic esta em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o resente julgado. Benedict° Celso Be cio Jilnior - Relator EDITADO EM: 1 2/1\1011 2010 Processo n. 10166,009148/2003-21 S1-.1 E03 Acórdão n° 1803-00,213 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Marco Antonio Pires, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Benedicto Celso Benicia Júnior e Luciano Inocéncio dos Santos. Relatório Versa o presente processo sabre Auto de Infração CSLL/1997 — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, ano-calendário de 1997, folha 13, no qual fora exigido da interessada supra identificada, originalmente, crédito tributário no valor de RS 4.537, 37, pelas razões constantes As fls. 14/17. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01 a 12), alegando, em síntese, que: - os valores constantes do auto de infração em testilha estão vinculados As retificações processadas nas DCTF e aos pedidos de compensação formulados pela impugnante, conforme faz prova os documentos ora colacionados aos autos; - a aplicação da multa é abusiva e tem caráter confiscatório. Para alicerçar seus argumentos cita vários acórdãos judiciais e pareceres de tributaristas; - é vedada a cobrança de juros acima de 12% ao ano. Para embasar seus argumentos, cita, também, vários acórdãos judiciais e pareceres de tributaristas; - a aplicação da Selic para correção dos valores de impostos e contribuições sociais é flagrantemente inconstitucional e representa um sacrifício para os contribuintes brasileiros. - por fim, requer o cancelamento do auto. Ao analisar os argumentos da impugnação apresentada pelo contribuinte, a 4' TURMA — DRJ EM BRASILIA manteve parcialmente o lançamento realizado, reduzindo o principal lançado de R$ 1 364,83 pan, R$ 1.167,70. Dita minoração teve por fulcra a constatação de crédito aproveitável equivalente a R$ 397,13 (conforme fls. 45 e 52), apurado em um dos quatro pedidos de compensação aventados pelo contribuinte em sede de impugnação. Intimado do acórdão em 2710612008, o interessado apresentou Recurso a este Conselho, em 24/07/2008, repisando, substancialmente, os mesmos argumentos trazidos na impugnação. o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedict° Celso Benicio Júnior, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu segmento. Dele conheço.. 0 auto de infração atacado lançou montante de CSLL que, embora declarado em DCTF (ano-calendário 1997), não fora quitado. Processo n° 10166 009148/2003-21 S1-TE03 Fl. 3 Acórdão n.° 1803-00.213 0 contribuinte, tanto em primeira quanta em segunda instâncias, reafirmou a necessidade de consideração de eventuais DCTF's Retificadoras, de um lado, e de pedidos de compensação apresentados ao Fisco, cobrindo todos os passivos apurados, de auto lado. Não obstante os argumentos do interessado, certo é que todo o crédito disponível para compensação, equivalente a R$ 397,13, já foi esgotadamente empregado para tal fim, nos moldes do acórdão proferido pela 4fl TURMA — DRJ EM BRASILIA. Todos os documentos juntados aos autos (Mr) conta do fato de os direitos creditórios apontados não serem suficientes para compensar inteiramente os débitos do contribuinte, remanescendo insolvido o valor que ora ainda é objeto do auto de infração guerreado. Este entendimento encontra claro respaldo no Extrato Completo juntado aos autos (fl. .45), bem como na manifestação de fls. 51 e ss. Por outro lado, no que atine às alegações de inconstitucionalidade dos encargos moratórios cominados, importa frisar, mais uma vez, a incompetência deste colegiado para afastar a aplicação da lei fiscal validamente inserida no ordenamento . Jamais poderia a Administração desvincular seus atos da legislação validamente posta pelo Poder Legislativo. Esta interpretação se encontra consagrada na Súmula n° 02 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1° CC n" 2.: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei in Em sentido idêntico aponta remansosa jurisprudência deste colegiado, conforme ementa exemplificativa abaixo transcrita: "MULTA DE OFICIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCiPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTARIA - IMPOSSIBILIDADE - Os principias constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizei - que estejam direcionados Administração Tributária, pois essa se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar ena aplicar a lei, Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que ,fitncioizott como base legal do lançamento da multa de oficio. Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse podei-. No caso especifico do Conselho de Contribuintes, adstrito as normas administrativas .fazendárias, tem aplicação o art.. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto." (Acs. 1°. CC - 106-17.143/08) Processo n° 10166.009148/2003-21 SI-TE03 Acórdão n '1803-00.213 Fl 4 A cominação de multa moratória e de juros a taxa SELIC é aplicável a todo tributo lançado de oficio, conforme disposições da Lei ri.° 9.430/96. Não incumbe a este órgão afastar disposições de lei validamente inseridas no ordenamento jurídico vigente. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o auto de infração, observada a redução do principal determirrlia em primeira instância administrativa. Benedict° Cels Júnior

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4612779 #
Numero do processo: 10435.001538/2004-17
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002 INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento na situação em que o Fisco Federal se vale de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual - G1AMN, se as telas impressas constantes :dos autos contêm detalhadamente os valores das receitas auferidas, e a descrição dos fatos c o enquadramento legal são claros, de forma a permitir ao contribuinte exercer amplamente seu direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da interessada. O empréstimo é da prova, não de eventuais conclusões. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,,-.115* PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10435.001538/2004-17 Recurso n° 163.069 Voluntário Acórdão n° 1301-00.204 — 3' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2009 Matéria IRRT E OUTRO Recorrente CENTRAL DE CALÇADOS PSL LTDA. Recorrida 4a TURMA! DRJ RECIFE / PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002 INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento na situação em que o Fisco Federal se vale de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual - G1AMN, se as telas impressas constantes :dos autos contêm detalhadamente os valores das receitas auferidas, e a descrição dos fatos c o enquadramento legal são claros, de forma a permitir ao contribuinte exercer amplamente seu direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da interessada. O empréstimo é da prova, não de eventuais conclusões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no méáto, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. PÀ„, 3, AL), 'CÂIL LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente i.„ „.--2- C WALDIR VEIGA/ OCHA - Relator ._ .• . nn An- EDITADO EM: 1 5 MAR cu IU Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha,, , Marcos Vinicius Panos Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogerio Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. , i I 2 Processo n°10435.001538/2004-17 SI-C3T1 Acórdão-e. 1301-00.204 H. 2 • Relatório CENTRAL DE CALÇADOS PSL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 11-20.181, de 06/09/2004, da 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, adoto o relatório elaborado pelo relator do processo em primeira instância. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 116 a 138, para exigência de crédito tributário referente aos anos calendários de 2000 e 2001, [...] Hl As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: 1 — ARBITRAMENTO DO LUCRO — AC 2000 E 2001 — RECEITAS OPERACIONAIS — REVENDA DE MERCADORIAS — WH E CSLL Durante o procedimento fiscal ficou constatado que a contribuinte deveria ser excluída do SIMPLES, tendo em vista que a empresa auferiu receita bruta no ano calendário de 1999 no valor de 125 427.706,00; superior, portanto, ao limite estabelecido para microempresa, c não efetivou alteração cadastral para a condição de empresa de pequeno porte. Foi emitido Ato Declaratório Executivo ri' 25 de 15/10/2004 anexado ao processo n° 10435.001284/2004-37, excluindo a empresa de SIMPLES a partir do mês de janeiro de 2000, o qual não foi impugnado e encontra- se no setor de arquivo da DRF/Caruaru-PE Ols. 168). Excluída do SIMPLES, a empresa ficou sujeita à tributação conforme as demais pessoas jurídicas. Intimada, em 28/10/2004, a apresentar sua documentação fiscal e contábil a fim de se calcular o seu Lucro Real; a contribuinte informou, em 03/11/2004, não possuir a documentação solicitada. Assim, foi procedida a apuração do RIR/ e da CSLL pelas regras do lucro arbitrado. Considerou-se como base para o arbitramento as receitas brutas conhecidas constantes das GIAM's obtidas junto ao sistema informatizado da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco — FISEP, onde constam as receitas de vendas da contribuinte para o período verificado de jan/2000 a dez/2001, confome planilha de apuração (fls. 115). Foi verificado, ainda, encontrar-se omissa a contribuinte quanto à entrega das DCTF s referente aos 1 0, 2 0, 3" e 4" trimestres de 2000 e 2001, alem de omisso quanto à apresentação das DIPI's dos anos calendário 2001 e 2002. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 145 a 162, nas quais questiona os Autos de Infração, alegando em síntese o seguinte: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 3 O lançamento de oficio foi efetuado sem obedecer ao Principio do Contraditório Pleno, o que implica em nulidade total do Auto de Infração em face da total impossibilidade de defesa da impugnante — art. 5 0, LV, Constituição Federal, e art. 59, II, Decreto n°70.235/72. O lançamento baseou-se em dados de supostas receitas omitidas constantes em GIAM's, que o auditor sequer traduziu o que significa, obtidas nos computadores da Fazenda Estadual e que não constam nos autos. A impugnante afirmou desconhecer essas GIAM' s, razão pela qual restou impossibilitado o pleno exercício da defesa. Não há como contestar o que não existe. 'Transcreveu ementa de decisão do Conselho de Contribuirdes que considerou haver cerceamento do direito de defesa em lançamento fundado em prova emprestada do fisco estadual. A Fazenda Pública não realizou um trabalho efetivo, restringindo a ação fiscal apenas à atuação com base em GIAM's que inexistenn. O Auto de Infração teve um formulação simplista, sendo repassado ao autuado apenas um sucinto relato, não sendo indicados os pontos de sustentação da exigência fiscal, seus fundamentos de fato e de direito, o que tornam ineficazes os procedimentos do fisco. TOTAL AUSÊNCIA DE PROVAS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A contribuinte questiona o fato de o fisco federal ter autuado a empresa utilizando informações obtidas em computador da Fazenda Estadual. Os únicos documentos que fundamentaram a autuação foram folhas impressas pela Fazenda Estadual com informações das CIAM' s. • Não haveria prova plausível e palpável de que a empresa auferiu receitas. A total ausência de provas inquina de nulidade o Auto de Infração. A descrição dos fatos que ensejaram o lançamento ex officio foi muito simplória e a infração imputada à contribuinte não está capitulada com precisão e objetividade, apresentando carência de legalidade. • Inexiste no Auto de Infração a caracterização da ocorrencia do Fato gerador de tributo ou contribuição que implica na exiLeneia fiscal, em razão da falta de prova documental da aquisição de receitas. O lançamento de oficio deve-se nortear sobretudo pelo Principio da Verdade Material. DO INCABIMENTO DO USO DA PROVA EMPRESTADA A assistência mútua entre as Fazendas Públicas não autoriza, com base exclusiva na prova emprestada, a emissão de Auto de Infração por outro ente tributante, já que afrontaria o principio da verdade real. No caso era questão, não se trata de infração constatada através de Auto de Infração lavrado pelo Estado, mas em mera informação obtida em telas de computador da Fazenda Estadual. A partir de voto da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma do STJ, contribuinte alegou que a cooperação entre as Fazendas Publicas das diferentes esferas administrativas se faça por meio de lei ou convênio, visto que há a transmissão de informações obtidas através de determinadas ações fiscais. É bem verdade que, a partir das informações do Fisco Estadual, poderia haver investigações dirigidas para, com as suas próprias provas, chegar-se à conclusão de que houve omissão de receita, "Em poucas palavras: empresta-se o fato. A prova, não. Há de ser colhida conforme o ritual juridico para determinado processo " — Ministro Luiz Vicente Cerniechiaro, Superior Tribunal dc Justiça — STj. 4 Processo e 10435.001538/2004-17 54-C311 Acórdã n.° 130 tA0.204 Fl. 3 O procedimento de adoção de prova emprestada do fisco estadual com o intuito de exigir tributo federal tem sido evitado. Entretanlo, tal não é o entendimento da Receita Federal de Caruaru/PE que utilizou, não informações de um Auto de Infração, e sim apenas in formação de uma tela de computador. O Conselho de Contribuintes tem rechaçado sistematicamente o lançamento • de oficio fundado exclusivamente na prova emprestada, tendo a contribuinte transcrito algumas ementas de julgados. Em seguida, a contribuinte afirma que se toma necessário que o fato imponível, caracterizador da omissão de receita detectada na área estadual, esteja inequivocamente demonstrado de modo a propiciar ao julgador a livre convicção de que realmente ocorreu omissão de receita também na área federal. As informações obtidas em telas de computadores do Fisco Estadual não podem ser admitidas como provas sem que esteja acompanhada dos elementos materiais que conduzam à caracterização do fato gerador de tributos e contribuições. Destarte, deve o julgador de primeira instância declarar liminarmente a nulidade do Auto de Infração. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, roga-se, por todas as razoes explicitadas, o reconhecimento da absoluta improcedência do Auto de Infração. A 41 Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 11-20.181, de 06/09/2004 (fls. 169/178), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — TRIO , Ano-calendário: 2000, 2001 M1CROEMPRESA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. microempresa que ultrapassai; no ano-calendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) estará excluída do SIMPLES nessa condição. Não exercendo, a contribuinte, o seu direito de efetuar nova opção como empresa de pequeno porte, verificam-se os efeitos do ato de exclusão a partir do ano- calendário subseqüente àquele em que foi superado o limite de receita bruta estipulado pura nficroempresas. ARBITR4MEN7'0 DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral implica no arbitramento do lucro. LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado respectivo prazo regulamentar de defesa. /1"-- 1 PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Não constitui prova emprestada a receita bruta informada nas • Guias de Informação Mensal de ICMS GIAM's prestada à Secretaria •de Fazenda do Estado. Os valores informados e atestados como verídicos ao fisco estadual, pelo contribuinte, mediante declaração ,firmada nas GIAM's, presumem-se verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. MATÉRIA NÃO CONTESTADA — OMISSÃO DE RECEITA Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Ciente da decisão de primeira instância em 26/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 183, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/11/2007 conforme carimbo de recepção à folha 187. No recurso interposto (fls. 187/203), reitera com as mesmas palavras os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. O primeiro ponto a ser apreciado é a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. Alega a recorrente que tal teria ocorrido porque os lançamentos se teriam baseado em G1AM's, obtidas junto à Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, as quais "o Auditor sequer deu-se ao trabalho de traduzir o que significa" c que não constariam nos autos. Compulsando os autos, encontro ás fls. 24/71 extratos de telas de sistema de processamento de dados da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, contendo informações declaradas pelo contribuinte na GIAM — Guia de InfOrmação e Apuração Mensal do ICMS. Esse documento e um demonstrativo mensal, destinado à apuração do ICMS das empresas, tendo com base a escrita fiscal do contribuinte, abrangendo os valores relativos a todas as entradas e saídas, discriminados por Unidade da Federação. Como se vê, e, de fato, um espelho, baseado na declaração do contribuinte, dos valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ICMS. A entrega dessa declaração mensal ao Fisco Estadual e um dever acessório, pelo visto cumprido pela interessada. Urna vez entregues, as informações uni meio eletrônico passam a integrar os bancos de dados da Secretaria Estadual de Fazenda, de onde figarn extraídas as telas utilizadas pelo Fisco Federal para embasar os presentes lançamentos. E acrescento que, corretamente, somente foram tidos como receitas os valores declarados sob os códigos CFOP 5.12 (Vendas no Estado) e 6.12 (Vendas para fora do Estado). Processo n° 10435.001538/2004-17 .1 G3 "I' 1 Acórdão m° 1301-00.204 Fl. 4 Ademais, deve-se registrar que o Fisco tentou identificar as receitas auferidas na própria escrita contábil/fiscal da então fiscalizada, conforme Termo de Intimação datado de 28/10/2004 (fl. 16). Em resposta (fl. 17), obteve a informação de que a empresa não possuía a documentação solicitada. Assim, correto o procedimento da fiscalização, de buscar as informações necessárias sobre o faturamento da fiscalizada junto à Secretaria Estadual de Fazenda, e de efetuar o lançamento com as informações de que dispunha, conforme determinação do art. 845, inciso I, do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199). Não vislumbro, destarte, o alegado cerceamento do direito à ampla defesa. As receitas tidas por omitidas estão bastante claras, bem assim a fonte da qual foram obtidas. A recorrente diz desconhecer as GIAM's, do que se depreende que nega tê-las entregado ao Fisco Estadual. Em assim sendo, caberia a ela apresentar suas notas fiscais emitidas, seus livros contábeis e fiscais, especialmente seu Livro de Registro de Apuração do ICMS — do qual as GIAM's seriam, em tese, espelho — de forma a demonstrar que as informações obtidas junto à Fazenda Estadual não correspondem às receitas efetivamente auferidas no período. Quanto à alegação de que as GIAM's não constam dos autos, não merece melhor acolhida. O processo esteve à disposição da interessada durante todo o prazo para impugnação, inclusive os impressos de fls. 24/71. E, em se tratando de declarações entregues por meio eletrônico, as telas impressas são pacificamente aceitas como representação do conteúdo declarado, cabendo a contraprova quanto a eventuais diferenças de valores ou mesmo sua inexistência. Contraprova essa que, conforme anteriormente ressaltado, não foi apresentada pela interessada em nenhum momento. Todos os fatos, inclusive a impossibilidade de acesso aos livros e documentos fiscais da então fiscalizada, se encontram adequadamente descritos no Relatório de Auditoria (fls. 116/121). Também o titulo da infração (Receitas Operacionais — Revenda de Mercadorias) e a descrição dos fatos (fl. 128), além dos demonstrativos (fls. 115 e 122/126) não deixam dúvidas de que a acusação fiscal é de omissão de receitas da revenda de mercadorias, quantificada a partir dos valores declarados à Secretaria Estadual de Fazenda. Todos os demais argumentos da recorrente esbarram no mesmo ponto: a prova acostada aos autos pelo Fisco é robusta, obtida a partir dc declarações da própria interessada ao Fisco Estadual, e nenhum elemento foi trazido que pudesse infirmá-la, seja no que toca à autoria, seja quanto à exatidão dos valores que ali constam. Também não merecem acolhida as alegações acerca do uso de "prova emprestada". Em primeiro lugar, a reclamação de que a troca de informações entre os Fiscos Estadual e Federal careceria de convênio que a regulasse já foi adequadamente refutada pela autoridade julgadora em primeira instância, à fl. 177, ao esclarecer sobre a existência e vigência de um convênio de mútua assistência para a fiscalização de tributos entre a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco SEFAZ/PE e a Secretaria da Receita Federal — SRE, assinado, respectivamente, pelos Secretários Jorge Jatobá c Everardo Maciel, em 19/04/1999. Fica assim demonstrada a plena licitude da obtenção das informações. Em segundo lugar, acerca do valor probatório das informações constantes das GIAM's, deve-se ressaltar que as alegações e jurisprudência trazidas pela recorrente se referem, riu sua maioria, à situação em que o Fisco se utiliza das conclusões de outro processo 7 administrativo. Por exemplo, quando, tendo sido lavrado um auto de infração de outro tributo, ICMS, por omissão de receitas, o Fisco Federal conclui pela ocorrência também de omissão de receitas para fins da tributação do Mn Não é esta a situação dos presentes autos. Aqui, diversamente, as informações utilizadas constam de declaração prestada à Administração Tributária Estadual pelo próprio sujeito passivo. Parte dessa informação diz respeito às receitas de revenda de mercadorias, e essa parcela é que foi utilizada pelo Fisco Federal para quantificação das receitas omitidas na base de cálculo dos tributos sujeitos à administração da RFB. Em nenhum momento houve empréstimo de conclusões, mas tão somente de provas, de documentos declaratórios, ainda que eletrônicos, cujo valor probatório é anterior ao seu ingresso no presente processo. E nunca é demais ressaltar, quanto à sua alegada insuficiência para comprovar o fato gerador tributário, que a interessada em nenhum momento, quer durante a fiscalização, quer na fase impugnatória, quer agora na fase recursal, trouxe sequer um inicio de prova que pudesse infirmar as declarações prestadas ao Fisco Estadual sobre as receitas auferidas. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. /21 / ztC WALDIR VElGÁ OCHA - Relator 1 8

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4619469 #
Numero do processo: 13053.000136/2001-35
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL - DECADÊNCIA - Declarada a inconstitucionalidade de lei pelo STF, mediante controle difuso de constitucionalidade, o prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma declarada inconstitucional. Publicada em 19/11/1996, a Resolução nº 82, do Senado Federal, suspendendo em parte o artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, é tempestivo o pedido de restituição de indébito feito até 18/11/2001. Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.930
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados, ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza

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Numero do processo: 11610.001475/00-25
Data da sessão: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Sun Nov 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame -Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo — edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário -Duplo Grau de Jurisdição. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU - ANÁLISE DE MÉRITO -Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.464
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, vencidos na primeira votação, acompanharam a tese vencedora. 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa (Relator), Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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Numero do processo: 35092.000444/2005-61
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2004 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUB-ROGAÇÃO A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:.Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2004 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUB-ROGAÇÃO A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:.Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 A  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  no  Recurso  Extraordinário  nº  363.852  não  produz  efeitos  aos  lançamentos  de  fatos  geradores  ocorridos  após a Emenda Constitucional nº 20/98.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado,  para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente  sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não  estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001.     Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:.Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Juliana  Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.  Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/2005­61  Acórdão n.º 2302­002.176  S2­C3T2  Fl. 675          3   Relatório  Trata a presente notificação, lavrada em 06/06/2005 e cientificada ao sujeito  passivo, através de registro postal em 07/07/2005, de contribuições previdenciárias relativas a  parte da empresa, do segurado empregado e do seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a  remuneração de funcionários comissionados, funcionários contratados por tempo determinado,  funcionários  caracterizados  como  segurados  empregados,  de  contribuintes  individuais  e  as  contribuições  relativas  a  aquisição  de  produto  rural  de  produtor  rural  pessoa  física,  nas  competências de 01/1996 a 12/2004.  O  relatório  fiscal,  fls.  86/91,  diz  que  não  foram  apresentados  todos  os  documentos,  o  que ocasionou o  lançamento  por  aferição  indireta  no  exercício  de  1996,  com  base nos documentos de 1997. Aduz que todos os créditos do contribuinte foram aproveitados  e abatidos dos valores lançados.  Após  a  impugnação,  foi  comandada  diligência,  fls.  531/533,  para  a  elaboração de relatório complementar que discriminasse a natureza das contribuições lançadas,  a forma de cálculo e os créditos do contribuinte considerados para a dedução do valor apurado.  Em  resposta,  o  Fisco  elaborou  informação  de  fls.  544/545,  aduzindo  que  anexou  em  mídia  digital  os  esclarecimentos  solicitados,  elaborou  as  planilhas  de  débito  revisadas  às  folhas  537/540,  e  aplicou  a  decadência  qüinqüenal,  com  base  na  Súmula  Vinculante n.º 08.  O contribuinte  tomou ciência do  resultado da diligência,  conforme Registro  Postal de fls. 597 e apresentou suas razões.  Acórdão  de  fls.  617/634,  julgou  o  lançamento  procedente  em  parte  para  acatar  a  decadência  qüinqüenal  e  excluir  do  lançamento  as  competências  até  06/2000,  pela  homologação tácita exposta no artigo 150,§4º do CTN, em vista da existência de recolhimentos  parciais  das  exações  lançadas  e  no  mérito,  excluir  o  lançamento  referente  aos  servidores  efetivos,  por  possuírem  regime  próprio  de  previdência  social,  restando  na  Notificação  as  contribuições  relativas  aos  segurados  empregados,  contribuintes  individuais,  aqueles  caracterizados como empregados e às aquisições de produto rural de produtor pessoa física.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega  em  síntese:  a)  o cerceamento de defesa, porque a decisão recorrida não  apreciou  os  aspectos  trazidos  na  impugnação  quanto  à  ilegalidade e inconstitucionalidade;  b)  o  cerceamento  de  defesa  pela  não  realização  de  perícia  contábil, não oportunizando a produção de provas;  c)  que  agora  possui  todos  os  documentos  para  a  indispensável realização da prova;  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 d)  que  os  serviços  prestados  na  construção  civil  tiveram  alguns  recolhimentos,  o  que  prova  a  necessidade  da  perícia contábil;  e)  que  a  lei  ordinária  n.º  9876/99  não  poderia  criar  nova  fonte  de  custeio  para  a  Seguridade  Social,  no  que  se  refere  aos  exercentes  dos  cargos  de  Secretários  Municipais;  f)  que a contribuição do empregador sobre a remuneração  dos  exercentes  de  mandato  eletivo  não  está  elencada  dentre aquelas do artigo 195, da Constituição Federal;  g)  que  agentes  políticos  não  são  empregados,  não  há  relação  profissional  ou  prestação  de  serviço  e  não  recebem salário, mas subsídios;  h)  que  a  nova  lei  que  tentou  restabelecer  a  contribuição  também  é  inconstitucional,  não  havendo  norma  válida  que fundamente a exação lançada;   i)  que  a  contribuição  sobre  produto  rural  também  é  inconstitucional;  j)  que o arbitramento não tem base jurídica para prosperar,  pois  não  identificado  vínculo  não  exigência  de  contribuição previdenciária;  k)  que agora os elementos estão disponíveis para o exame  da fiscalização sendo insubsistente o arbitramento;  l)  discorre  sobre  a  inconstitucionalidade  da  contribuição,  da multa, por ser confiscatória e dos  juros com base na  SELIC.  Requer que seja declarada a nulidade da decisão para que sejam apreciadas as  razões  da  impugnação,  inclusive  sobre  a  solicitação  de  perícia  contábil,  de  cujo  resultado  impende que se pronuncie,  e que  seja declarada  insubsistente  a exigência  contida na NFLD.  Alternativamente, requer a redução da multa para 20% e dos juros para 12%, com a exclusão  da SELIC.  É o relatório.    Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/2005­61  Acórdão n.º 2302­002.176  S2­C3T2  Fl. 676          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora  Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento  de fls. 639, conheço do recurso e passo ao seu exame.  Das Preliminares  Compulsando  os  autos  é  de  se  ver  que  a  decisão  recorrida  já  excluiu  do  lançamento  as  competências  até  06/2000,  de  forma  que  se  tornam  inócuas  as  alegações  da  recorrente  quanto  às  contribuições  apuradas  por  aferição  indireta  e  aquelas  relativas  à  solidariedade,  eis  que  já  atingidas  pela  fluência  do  prazo  decadencial.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal  de  fls.  86/91,  as  contribuições  do  exercício  de  1996  foram  aferidas  devido  a  falta de apresentação das folhas de pagamento e as contribuições relativas à responsabilidade  solidária nas obras de construção civil, referiam­se ao período de 01/1996 a 12/1998.   São  também  improcedentes  as  argüições  acerca  da  contribuição  do  empregador  sobre a  remuneração dos  exercentes de mandato  eletivo,  eis que  tal matéria não  consta da presente notificação.  Quanto  ao  alegado  cerceamento  de  defesa  pela  falta  de  apreciação  da  inconstitucionalidade  das  leis  pela  decisão  recorrida,  não  possui  razão  a  recorrente,  pois  a  apreciação  de  matéria  constitucional  em  tribunal  administrativo  exacerba  sua  competência  originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade  competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III  do  Título  IV,  especificamente  no  que  trata  do  controle  da  constitucionalidade  das  normas,  observa­se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle  constitucional  das  normas  jurídicas. Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao Poder  Judiciário  exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal.  Permitir  que  órgãos  colegiados  administrativos  reconhecessem  a  constitucionalidade  de  normas  jurídicas  seria  infringir  o  disposto  na  própria  Constituição  Federal,  padecendo,  portanto,  a  decisão  que  assim  o  fizer,  ela  própria,  de  vício  de  constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder.  O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria  Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu:  “A  conclusão  mais  consentânea  com  o  sistema  jurídico  brasileiro  vigente,  portanto,  há  de  ser  no  sentido  de  que  a  autoridade  administrativa  não  pode  deixar  de  aplicar  uma  lei  por considerá­la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que  a autoridade administrativa não tem competência para decidir se  uma lei é, ou não é inconstitucional.”  Ademais,  como  da  decisão  administrativa  não  cabe  recurso  obrigatório  ao  Poder  Judiciário,  em se permitindo a declaração de  inconstitucionalidade de  lei pelos órgãos  Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo  do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da  Constituição.  Poder­se­ia,  nestes  casos,  ter  a  absurda  hipótese  de  o  tribunal  administrativo  declarar  determinada  norma  inconstitucional  e  o  Judiciário,  em  manifestação  do  seu  órgão  máximo, pronunciar­se em sentido inverso.  Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF se auto­impôs com regra proibitiva nesse sentido:  Portaria MF n° 256, de 22/06/2009  (que aprovou o Regimento Interno  do CARF):  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob  fundamento de inconstitucionalidade.  SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383  – DOU de 14/07/2010)  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ainda no que se refere ao cerceamento de defesa por não acatar a solicitação  de perícia  contábil  para  afastar o  arbitramento  e  a  solidariedade,  além do que  já  foi  exposto  com relação ao assunto que não compõe mais o  lançamento,  em vista do período  lançado  já  estar  atingido  pela  fluência  do  prazo  decadencial,  é  de  se  ver  que  em  razão  da  natureza  do  lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das  bases de cálculo pelo próprio recorrente, eis que constante de documentos por ele elaborados, é  prescindível  qualquer  diligência  ou  perícia  para  a  necessária  convicção  no  julgamento  do  presente  recurso,  devendo­se  aplicar  o  disposto  nas  normas  que  disciplinam  o  processo  administrativo tributário, in verbis:  DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972.  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)  PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004  Art.  11.  A  autoridade  julgadora  determinará  de  ofício  ou  a  requerimento  do  interessado,  a  realização  de  diligência  ou  perícia,  quando  as  entender  necessárias,  indeferindo, mediante  despacho  fundamentado  ou  na  respectiva  Decisão­Notificação,  aquelas  que  considerar  prescindíveis,  protelatórias  ou  impraticáveis.  Portanto, foi correta a decisão recorrida ao indeferir o pedido de perícia, com  base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004,  já que não se constitui em direito  subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de  conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente.  Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/2005­61  Acórdão n.º 2302­002.176  S2­C3T2  Fl. 677          7 Com  referência  à  argüição  de  que  as  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  contribuintes  individuais  instituídas  pela  Lei  n.  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  n.º  9876/99,  são  inconstitucionais  e  por  isso  devem  ser  excluídas  da  presente  notificação, tenho a dizer que a Lei n. 9.876/99, acrescentou o inciso III ao artigo 22 da Lei n.  8.212/91,  fixando  em  20%  a  contribuição  devida  e  incidente  sobre  as  remunerações  dos  segurados contribuintes individuais que prestam serviço à empresa. O artigo 12, inciso V, letra  “f”, da Lei n.º 8.212/91, descreve quem são os contribuintes individuais. E, os diplomas legais  citados  não  foram  inquinados  de  inconstitucionalidade  pelo  Poder  Judiciário  ,  sendo  inteiramente acatados pela via administrativa.    Ainda,  é de  se destacar que  a partir  da Emenda Constitucional n.º  20/98,  a  contribuição  das  empresas  sobre  a  remuneração  de  pessoa  física  que  lhe  presta  serviço  sem  vínculo  empregatício  (autônomo,  empresário,  avulso,  etc.),  está  prevista  no  artigo  195  da  Constituição  Federal  de  1988,  deixando,  conseqüentemente,  de  ser matéria  privativa  de  Lei  Complementar. Nessas  condições,  a  Lei  n.º  9.876/99,  apesar  de  ser  ordinária,  é  instrumento  apto para revogar a Lei Complementar n.º 84/96, que tratava do assunto anteriormente.    A  recorrente  não  se  manifesta  sobre  o  mérito  dos  demais  levantamentos,  motivo pelo qual  também não  teço considerações  sobre os  temas, em virtude do disposto no  art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente  impugnada,  com  exceção  das  matérias  que  podem  ser  conhecidas  independentemente  de  impugnação, como a decadência:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    No  que  se  refere  a  multa,  ressalto  que  a  presente  notificação  não  traz  a  incidência de multa moratória, porque à época do  lançamento o entendimento vigente era no  sentido de que os Órgãos Públicos da Administração direta,  as  autarquias  e  as  fundações de  direito  público,  não  responderiam  por  multas  moratórias,  de  acordo  com  disposição  da  Instrução Normativa MPS/SRP, N.º 03/2005.  No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e  não recolhido,  incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei  8.212/91:    “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas  pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento,  pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas  aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13,  da  Lei  n.º  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.”  O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de  1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições  Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que  sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC.  Portanto,  está  correta  a  aplicação  da  referida  taxa  a  título  de  juros,  perfeitamente  utilizável  como  índice  a  ser  aplicado  às  contribuições  em  questão,  recolhidas  com atraso, objetivando recompor os valores devidos.   Ainda,  quanto  à  admissibilidade  da  utilização  da  taxa  SELIC,  ressaltamos  que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou ­  na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1,  pág. 28 ­ a Súmula 3, que dita:  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liqüidação  e  Custódia – Selic para títulos federais.  E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF,  tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.    Quanto à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais  adquiridos  de  produtor  rural  pessoa  física,  no  período  de  07/2000,  06/2001  e  05/2002  em  diante, entendo que a exceção da contribuição referente à competência 07/2000, as demais, à  época  do  fato  gerador,  já  estavam  sob  a  vigência  da  Emenda  Constitucional  n.º  20,  de  15/12/12998,  que  incluiu  a  receita  e  o  faturamento  como  base  de  incidência  contributiva  previdenciária.  Portanto,  é  de  se  asseverar  que  a  recente  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  pela  inconstitucionalidade  formal  do  artigo  25  da  Lei  n.º  8.212/91,  não  se  aplica ao presente processo.  Inclusive, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito às fls. 67/72,  verifica­se que  a contribuição  foi  lançada com  fundamento nos dispositivos da  redação dada  pela Lei nº 10.256/2001, para as competências acima citadas. E aquelas que não estavam sob a  égide  da  citada  Lei,  repito  à  exceção  de  07/2000,  já  foram  excluídas  do  lançamento  pela  decadência, como já exposto no início deste voto. As competências remanescentes de 06/2001,  e 05/2002 a 11/2004, estão fundamentadas na nova redação do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91,  dada pela Lei n.º 10.256/2001.  Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana  Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a  questão, cujos fundamentos passo a adotar:  É  sabido  que  está  em  julgamento  pelo  STF  o  Recurso  Extraordinário  nº  363.852,  cujo  Plenário  deu  provimento  ao  recurso em acórdão com a seguinte ementa:  Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/2005­61  Acórdão n.º 2302­002.176  S2­C3T2  Fl. 678          9 RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE –  CONCLUSÃO  –  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição,  adora  entendimento  quanto  à  matéria  de  fundo  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  –  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  –  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  –  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  –  SUB­ROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195,  INCISO I, DA  CARTA  FEDERAL  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA  –  EXCEÇÕES  –  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR –  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos,  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  os  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.)  Nota­se  que  o  objeto  do  RE  363.852  refere­se  à  discussão  da  constitucionalidade  dos  dispositivos  da  Lei  nº  8.212/1991  nas  redações  dadas  pelas  Leis  8.540/1992  e  9.528/1997,  ambas  anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998.  Ou  seja,  decidiu  o  STF  que  a  inovação  da  contribuição  sobre  comercialização de produção rural da pessoa  física não estava  albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98,  decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97.  Tal  inconstitucionalidade  residiria  no  fato  de  que  seria  necessária  lei  complementar para a  instituição da contribuição  incidente sobre a comercialização da produção do empregador  rural  pessoa  física. Esta  exigência  decorreria  do  art.  195,  §4º,  da  Carta  Magna  Até  a  edição  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98 o art. 195,  inciso I, da CF previa como bases tributáveis  de  contribuições  previdenciárias  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o  lucro, não havendo qualquer menção à  receita  como base tributável.  Assim,  a  Lei  nº  8.540/1992  ao  instituir  contribuições  sobre  receita  bruta  sobre  a  comercialização  da  produção  dos  produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre  sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do  STF no julgamento do RE 363.852.  No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação  ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998  Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição  Federal passa a admitir a receita como base tributável para as  contribuições previdenciárias.  Assim,  há  que  se  destacar  que  a Lei  nº  10.256/2001,  deu  nova  redação  ao  art.  25  da  Lei  nº  8.212/1991  que  passou  a  assim  vigorar:  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº  10.256, de 2001).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho.   Cumpre  enfatizar  que  o  fundamento  jurídico  adotado  pelo  Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi  abordada  a  constitucionalidade  da  redação  do  art.  25  da  Lei  8.212/91  conferida  pela  Lei  8.540/92,  não  havendo  apreciação  da  constitucionalidade  da  redação  atual  do  art.  25  da  Lei  de  Custeio,  conferida  pela  Lei  10.256/01  e,  segundo  o  Ministro  Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC  20/98  1998,  seria  suficiente  para  afastar  a  pecha  de  inconstitucionalidade  da  contribuição  previdenciária  do  empregador  rural  pessoa  física,  ao  menos  no  que  tange  à  necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme  se depreende do trecho abaixo transcrito:  ...conheço  e  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/2005­61  Acórdão n.º 2302­002.176  S2­C3T2  Fl. 679          11 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição,  tudo  na  forma do pedido  inicial,  invertidos os ônus da sucumbência.  (g.n.)  Assevere­se  que  a  contribuição  lançada  com  fulcro  no  dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a  constitucionalidade  confirmada  pelo  Judiciário  conforme  se  depreende da decisão abaixo colacionada:  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1­ O STF, ao julgar o RE  nº  363.852,  declarou  inconstitucional  as  alterações  trazidas  pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de  custeio  por  meio  de  lei  ordinária,  sem  observância  da  obrigatoriedade  de  lei  complementar  para  tanto.  2­  Com  o  advento  da EC nº  20/98, o  art.  195,  I,  da CF/88  passou a  ter  nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3­ Em  face  do  novo  permissivo  constitucional,  o  art.  25  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  10.256/01,  ao  prever  a  contribuição do empregador rural pessoa física como incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  não  se  encontra  eivado  de  inconstitucionalidade.”  (Apelação  nº  0002422­12.2009.404.7104,  Rel. Des.  Fed. Mª  de  Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF­4, julgada em 11/05/10)  No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à  lavratura  do  presente  Auto  de  Infração,  refere­se  a  período  posterior  à  edição  da  Lei  nº  10.256/2001,  portanto,  sob  a  vigência da mesma.  Além  disso,  no  anexo  Relatório  de  Fundamentos  Legais  do  Débito  que  ampararam  o  lançamento  da  obrigação  principal  correspondente,  cujo  recurso  também  foi  objeto  de  análise  por  parte  desta  conselheira,  verifica­se  que  a  contribuição  foi  lançada  com  fundamento  nos  dispositivos  já  na  redação  dada  pela Lei nº 10.256/2001.  Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em  razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do  art. 62­A do Regimento Interno do CARF.  Pelo  exposto,  voto  pelo  provimento  parcial  do  recurso  para  excluir  do  lançamento o levantamento RUG, relativo à sub­rogação na competência 07/2000.  Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora                Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI     12                   Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 13974.000059/2006-36
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PAF - NORMAS PROCESSUAL - RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, indicados como responsáveis nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN, estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, representado pelos sócios atuais, não ofereça impugnação. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1804-000.005
Decisão: ACORDAM os Membros da e Turma Especial da P Seção do CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PAF - NORMAS PROCESSUAL - RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, indicados como responsáveis nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN, estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, representado pelos sócios atuais, não ofereça impugnação. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.

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Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PAF - NORMAS PROCESSUAL - RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, indicados como responsáveis nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN, estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, representado pelos sócios atuais, não ofereça impugnação. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da e Turma Especial da P Seção do CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (VI .. Processo n° 13974.00005912006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 2 . . --- 7 MARC.;: , IUS NEDER DE LIMA Preside . NE FERREIRA DE MORAES Relatora Formalizado em: 19 juN 2009 Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Ausente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados em decorrência da apuração de omissão de receita, nos montantes de R$ 51.428,20, R$ 13.538,18, R$ 7.543,90 e R$ 34.818,27, respectivamente. A fiscalização apurou a omissão de receitas com base em informações prestadas em Dirf, sendo que em 2003 a interessada apresentou declaração com receita irrisória, e em 2004 apresentou declaração totalmente zerada. Intimada a apresentar a escrituração contábil e fiscal, a contribuinte declarou que não foi efetuada a escrituração para os anos de 2002 e 2003, e que os blocos de notas fiscais e parte da documentação da empresa foi extraviado por ocasião das alterações contratuais referentes a mudança de sócios, alteração de endereço e atividade (fls. 33). Desse modo, a fiscalização calculou o imposto de renda devido com base no lucro arbitrado, apurado a partir da receita bruta conhecida, nos termos do arts. 532 e 537 do RIR199. Foram lançados com multa qualificada o IRPJ omitido e os tributos reflexos. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde apresentou as seguintes razões: (i) nulidade do lançamento pelo fato da ciência ter sido efetivada em nome de Vanderlei Reitz, que não era mais sócio da empresa; (ii) inconstitucionalidade da Selic. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente com base nos seguintes fundamentos: a) Ao iniciar a ação fiscal, foram constatados os seguintes fatos: a inexistência da empresa; aos sócios atuais foi ocultada a existência de dividas anteriores da empresa e que tiveram muitos problemas, inclusive envolvendo inquérito policial; à época dos 072- • Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TEM Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 3 fatos geradores apenas Vanderlei Reitz era sócio de fato, e praticava os atos de gerência em nome da empresa. b) É válida a ciência pessoal a Vanderlei Reitz, que se qualificou como sócio-gerente, e que foi ratificada pela impugnação tempestiva apresentada em nome da autuada. c) A taxa Selic é cabível por expressa disposição legal. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, no qual alega em síntese que: a) O fato do recorrente apresentar impugnação em seu nome e da empresa, por precaução não pode por si só responsabilizá-lo pelos tributos, tendo em vista que está defendendo sua ilegitimidade em face da mais pura ausência de poderes legais para responder naquele ato da empresa. b) Os autos de infração exarados no presente processo são absolutamente nulos, uma vez que cientificados por pessoa que há muito tempo não tem poderes para responder pela pessoa jurídica, conforme alteração contratual anexa. c) Ressalte-se o voto do julgador Wanaldir Aparecido, que considerou não impugnada a exigência pela pessoa jurídica autuada, em face de o mandado haver sido conferido apenas pela pessoa fisica, onde percebemos mais uma ilegalidade que gera a nulidade da ação fiscal por vício formal. d) Requer a declaração de nulidade de todos os atos praticados pelo ex-sócio Vanderlei Reitz, declarando-o parte ilegítima no presente processo, e cancelando-se o lançamento por vício formal. e) Requer ainda, a substituição da taxa de juros Selic pela incidência de juros moratórios legais, nos moldes do art. 161 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. São três as questões a serem enfrentadas no presente recurso: (i) nulidade do auto de infração em virtude da ciência ter sido dada ao sr. Vanderlei Reitz; (ii) responsabilidade tributária do sr. Vanderlei Reitz; (iii) aplicação da taxa Selic. Desde o início do procedimento fiscal que levou à lavratura dos presentes autos de infração, além dos representantes legais da pessoa jurídica na época — Srs. Elias Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 4 . . Floriani e Lucio Floriani — foram intimados os antigos sócios da empresa nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN (fls. 26/29), que assim dispõem: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1- as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; 111 - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 131 A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; 111 - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo espec(co: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas." Ao constatar que havia sido notificado dos autos de infração apenas o sócio- gerente que figurava no quadro societário da empresa na época dos fatos geradores, a Delegacia de Julgamento encaminhou o processo para a repartição de origem, a fim de ser dada ciência aos sujeitos passivos — contribuinte e responsável tributário (fls. 222/223). A Delegacia de origem tomou as seguintes providências: "1) Ciência do responsável atual (Sr. Elias Floriam), ciência por edital, verils. 230 a 233; 2) Ciência do responsável à época (Sr. Vanderlei Reitz), ciência pessoal, ver fls. 146, 148, 152, 155, 163, 174, 177 e 187; 3) Ciência do sócio atual (Sr. Lúcio Florianz), ciência pessoal, ver fl. 188; 4) Ciência do sócio à época (Sr. Charles Geovani Grossi), ciência por AR, verfl. 189; Processo rr 13974.000059/2006-36 SI-TEM Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 5 . . 5) Ciência da empresa, por edital, verfis. 129, 234 e 235". O art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vicio formal: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula." No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, tendo sido efetuada a intimação pelos meios previstos no art. 23 do mesmo diploma legal, que assim dispõe: "Art. 23. Far-se-á a intimação: 1- pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. §12 Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: 1- no endereço da administração tributária na internei; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 6 111 - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; 111-se por meio eletrônico: a)quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b)na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea "a"; ou c)na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 32 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4' Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 52 O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar-lhe-á as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 62 As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária." De fato, no momento da lavratura do auto de infração apenas foi cientificado o responsável tributário, e não os representantes legais da empresa. Tal fato foi percebido pela Delegacia de Julgamento, que enviou os autos à Delegacia de origem a fim de ser sanado o vicio formal. Após a intervenção da Delegacia de Julgamento, a contribuinte foi cientificada dos autos de infração por edital, e os seus representantes legais - Elias Floriani e Lúcio Floriani — também foram intimados. Assim, eventual vicio no momento da lavratura do auto de infração foi inteiramente sanado, dentro do prazo decadencial (a ciência da contribuinte Processo n°13974.000059/2006-36 Sl -TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 7 - . por edital e de seus representantes legais ocorreram nos meses de julho, novembro e dezembro de 2006). Por conseguinte, não há que se falar em nulidade do auto de infração por vicio formal. De mais a mais, é perfeitamente possível a indicação no auto de infração de sócios ou representantes da pessoa jurídica que participaram das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, sendo que o responsável não só pode como deve ter garantido o exercício do direito de defesa, sob pena de nulidade dos atos que cercearam este direito. Nesse sentido, transcrevemos as ementas abaixo: "PAF — NORMAS PROCESSUAL — RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO — INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO — LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, participes das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, em face da lei geral do processo (lei 9.784/99, art. 9°, II e 58, c. c. art. 69) e do CTIV; art. 142 (que impõe à autoridade administrativa a indicação, no lançamento, do sujeito passivo - gênero, do qual contribuinte e responsável são espécies), estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, quanto aos tributos devidos, desista do processo. (Acórdão n° 107- 08791, 1° CC, sessão de 19/10/2006) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO - ARTS. 124 E 133 DO CTN - IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO - APRECIAÇÃO - Um terceiro que seja arrolado no lançamento de oficio como responsável passa a compor a relação jurídico tributária no seu pólo passivo. O inciso LV do artigo 5" da Constituição Federal determina que "aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Desse modo, o julgador administrativo tem competência para apreciar a impugnação e o recurso apresentado por esse terceiro acusado, tendo em vista que foi qualificado como sujeito passivo do débito tributário. Por unanimidade de votos, DECLARAR nula a decisão de 1° grau. ( Acórdão n°108-09.291, 1°CC, sessão de 25/04/2007) No tocante ao voto vencido que considerou não impugnada a exigência pela pessoa jurídica autuada, deve ser observado, que o sr. Vanderlei Reitz, arrolado no lançamento de oficio como responsável, passa a compor a relação jurídico tributária no seu pólo passivo, e tem o direito de impugnar o lançamento, não sendo parte ilegítima. Por fim, além dos casos de nulidade por vício formal, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. 92-3 • . Processo e 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 8 Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. Ante o exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 18 de março de 2009. ERREIRA DE MORAES 8 Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.006794/2007-67
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento em discussão se refere ao ano-calendário de 2001, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 31/12/2007. Como a ciência do lançamento se deu em 18/05/2007, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL. SEM PROVAS NOS AUTOS. O contribuinte afirma que os rendimentos recebidos em 2001 correspondem à devolução do capital social feita somente em 2002. Entretanto, as provas dos autos não confirmam essa hipótese, sendo forçoso reconhecer a natureza de acréscimos patrimoniais tributáveis, nos termos do art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 1988. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 226          1 225  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.006794/2007­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­002.142  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  MAURICIO NISSEL DE CARVALHO E SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.  MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543­C DO  CPC.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  REGRA  DO  ART. 173, I, DO CTN.  O art. 62­A do RICARF obriga a utilização da  regra do REsp nº 973.733  ­  SC, decidido na sistemática do art. 543­C do Código de Processo Civil, o que  faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em  que  o  sujeito  passivo  antecipar  o  pagamento  e  não  for  comprovada  a  existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173,  nas demais situações.  No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de  renda  retido  na  fonte,  carnê­leão,  imposto  complementar,  imposto  pago  no  exterior  ou  recolhimento  de  saldo  do  imposto  apurado,  sendo  obrigatória  a  utilização da  regra de decadência do  art.  173,  inciso  I,  do CTN, que  fixa o  marco  inicial  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do  dia 31 de dezembro de um ano­calendário, o  lançamento de ofício  somente  pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano­ calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o  primeiro  dia  do  segundo  ano­calendário  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador.  No  caso,  como  o  lançamento  em  discussão  se  refere  ao  ano­calendário  de  2001, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial  se  iniciou  em  01/01/2003  e  terminou  em  31/12/2007.  Como  a  ciência  do  lançamento  se  deu  em  18/05/2007,  o  crédito  tributário  não  havia  sido  fulminado pela decadência.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 67 94 /2 00 7- 67 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 227          2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL.  SEM PROVAS NOS AUTOS.  O contribuinte afirma que os rendimentos recebidos em 2001 correspondem à  devolução do capital social feita somente em 2002.  Entretanto, as provas dos autos não confirmam essa hipótese, sendo forçoso  reconhecer a natureza de acréscimos patrimoniais tributáveis, nos termos do  art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 1988.  Preliminar de decadência rejeitada.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  _____________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente    (assinado digitalmente)  ___________________________________  José Evande Carvalho Araujo­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente),  José  Evande  Carvalho  Araujo,  Gilvanci  Antônio  de  Oliveira  Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.  Relatório  AUTUAÇÃO  Contra o contribuinte acima  identificado,  foi  lavrado o Auto de  Infração de  fls.  18  a  23,  referente  a  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  exercício  2002,  para  tributar  rendimentos  omitidos  recebidos  de  pessoas  jurídica,  formalizando  a  exigência  de  imposto  suplementar no valor de R$6.680,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora.    IMPUGNAÇÃO  Cientificado do  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  1  a  15),  acatada  como  tempestiva.  O  relatório  do  acórdão  de  primeira  instância  descreve  os  argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 184­v a 185):  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 228          3 Alega  que  os R$  33.000,00  considerados  como  tributáveis  pelo  lançamento  não  estão  dentre  as  hipóteses  de  incidência  de  IR,  elencadas  no  art.  153,  II,  da  Constituição Federal, por serem decorrentes da redução do capital social da empresa  Factum,  transferidos  para  cada  sócio  no  “exercício  fiscal  de  2001”,  conforme  alteração contratual de fls. 28 e 29, a qual teria sido devidamente arquivada na Junta  Comercial do Paraná.  Ressalta  que  tal  transferência  foi  “devidamente  declarada  à  SRF/MF  consoante DIRF eletronicamente encaminhada (doc. 04), a qual constou a legítima  transferência  aos  sócios  do  valor  recebido  a  título  de  redução  do  capital  social,  receita identificada com o código “8045””.  Salienta não ter havido aumento patrimonial e, assim, incabível o lançamento  de tributo, multa e juros, em razão da não ocorrência do fato gerador.  Concorda  com  a  tributação  de  apenas  R$  3.000,00  recebidos  no  mês  de  janeiro  de  2001,  asseverando  que  os  R$  33.000,00  restante  foram  “recebidos  exclusivamente como sendo decorrentes de REDUÇÃO DE CAPITAL SOCIAL” e  não “DECORRENTE DE SEU TRABALHO OU MESMO DE REMUNERAÇÃO  POR SERVIÇOS PRESTADOS À SOCIEDADE EMPRESÁRIA”.  Informa  que  o  capital  social  integralizado,  desde  1996,  era  de  R$  2.598.000,00  e  poderia  ser  reduzido,  sem  qualquer  embargo  e  sem  cobrança  de  imposto.  Manifesta­se quanto à tempestividade da impugnação apresentada.  Suscita  decadência  do  lançamento  referente  ao  ano­calendário  de  2001,  em  razão de  ter  sido  cientificado em 18/05/2007,  transcrevendo os  arts.  156 e 173 do  Código Tributário Nacional – CTN, além de jurisprudência administrativa.   Aduz que, por ser referente a quotas sociais da empresa Factum, devidamente  consignadas  na  declaração  de  bens,  a  devolução  ao  sócio  do  capital  integralizado  reduzido não configuraria hipótese de acréscimo patrimonial e, portanto, não estaria  inscrita  na  matriz  de  incidência  do  IR,  definida  no  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional.  Para  corroborar  sua  alegação,  transcreve  jurisprudência  administrativa  sobre a matéria.  Insurge­se  contra  o  lançamento,  afirmando  haver  uma  exigência  ilegal  e  contrária  a  princípio  constitucional  que  veda  o  confisco,  art.  150,  IV,  da  Constituição Federal. Transcreve doutrina sobre esse princípio.  Finaliza solicitando:  ­ o recebimento da impugnação e a suspensão da exigibilidade;  ­  que  a  SRF  não  efetue  a  inscrição  no  CADIN  e  a  cobrança  judicial  dos  valores impugnados;  ­ decadência do direito de constituição do crédito tributário;  ­ o cancelamento do auto de infração em razão das alegações apresentadas;  ­ homologação da DIRPF/2002, em razão da inexistência de irregularidade.       Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 229          4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o  lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 184 a 188­v):  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2002  IMPUGNAÇÃO. EFEITOS.  As  reclamações  e os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade  do  crédito  tributário  e,  em  conseqüência,  impedem  a  cobrança  amigável  do  débito,  a  sua  inscrição  em  dívida  ativa  e  a  propositura de ação de execução fiscal.  LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA  DE PAGAMENTO. PRAZO.  O direito de constituir o crédito tributário decorrente da omissão  de  rendimentos,  quando  não  houve  pagamento  do  IR,  somente  decai  após  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que podia ter sido lançado.  DEVOLUÇÃO  DE  CAPITAL  AO  SÓCIO.  REDUÇÃO  DE  CAPITAL INTEGRALIZADO. PROVA.  A devolução de capital social  integralizado ao sócio deve estar  devidamente  comprovado  nos  autos,  ainda  mais  quando  as  alterações  contratuais  são  posteriores  ao  ano­calendário  do  lançamento.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO  DE APRESENTAÇÃO.  Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre  ao  contribuinte  instruir  a  peça  impugnatória  com  todos  os  documentos  em  que  se  fundamentar  e  que  comprovem  as  alegações  de  defesa,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  data  posterior.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.   As  decisões  administrativas  e  as  judiciais,  não  proferidas  pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade  das  normas  legais,  não  se  constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  àquela objeto da decisão.  Lançamento Procedente      Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 230          5 RECURSO  AO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS (CARF)  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  28/8/2009  (fl.  194),  o  contribuinte apresentou, em 17/9/2009, o recurso de fls. 195 a 213, onde defende:  a)  preliminarmente,  a  decadência  do  lançamento,  por  ser  relativo  ao  ano­ calendário de 2001 e ter sido cientificado apenas em 18/05/2007;  b)  que  os  valores  forem  erroneamente  tributados,  porque  se  referem  à  devolução do capital social da empresa Factum a seus sócios;  c)  que  a  redução  do  capital  social  foi  devidamente  arquivada  na  Junta  Comercial do Paraná, e informada à Receita Federal por meio de DIRF (código 8045);  d)  que  o  lançamento  está  correto  apenas  com  relação  a  R$3.000,00,  correspondentes à receita do mês de janeiro de 2001, indevidamente lançada como rendimento  não tributável.  O  processo  foi  distribuído  a  este  Conselheiro,  numerado  até  a  fl.  225,  que  também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Preliminar de decadência:  Preliminarmente,  o  recorrente defende a decadência do  lançamento,  por  ser  relativo ao ano­calendário de 2001 e ter sido cientificado apenas em 18/05/2007 (fl. 19).  Sabe­se  que  a  discussão  da  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  é  questão  tormentosa,  que  vem  dividindo  a  jurisprudência  administrativa  e  judicial há  tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes,  e agora no Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as  interpretações possíveis  já  tiveram  seu espaço.   É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato  do  nosso Código Tributário Nacional  ­ CTN possuir  duas  regras  de decadência,  uma para  o  direito de constituir o crédito  tributário  (art. 173), e outra para o direito de não homologar o  pagamento  antecipado  de  certos  tributos  previstos  em  lei  (art.  150,  §4o).  Apesar  de  serem  situações  distintas,  o  efeito  atingido  é  o  mesmo,  pois,  uma  vez  homologado  tacitamente  o  pagamento,  o  crédito  tributário  estará  definitivamente  extinto,  não  se  permitindo  novo  lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 231          6 Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos  nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data  no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou  no  dia  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do  fato gerador.  No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância,  uma vez que eram poucos os  tributos para os quais a  legislação atribuía ao sujeito passivo o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem prévio  exame da  autoridade  administrativa. Entretanto,  atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação  ocorrem  simultaneamente,  tornou­se  impossível  para  o  Fisco  efetuar  o  lançamento  direto,  e  praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de  apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior.  As  diversas  correntes  doutrinárias  passaram  a  se  digladiar  sobre  qual  das  regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação,  sendo que,  no  âmbito  da 2a  Seção  de  Julgamento  do CARF,  prevalecia  a  idéia  de  que  seria  sempre  a  do  art.  150,  §4o,  do  CTN,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Contudo,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  órgão  máximo  de  interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN,  só  deve  ser  adotada  nos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  antecipar  o  pagamento  e  não  for  comprovada  a existência de dolo,  fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173,  nos demais casos. Veja­se a ementa do Recurso Especial nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­0),  julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 232          7 2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  Observe­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  que  essa  interpretação deverá  ser  aplicada pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF, nos termos do art. 62­A do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Desta  forma,  este  CARF  forçosamente  deve  abraçar  a  interpretação  do  Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada  nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência  de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos.  Neste processo, ao contrário do afirmado no recurso, verifico que não existiu  antecipação de pagamento, pois o contribuinte não apurou ou compensou qualquer imposto na  declaração de ajuste do exercício de 2002 (fl. 177), e não existiram imposto de renda retido na  fonte, carnê­leão,  imposto complementar,  imposto pago no exterior ou recolhimento do saldo  de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I,  do  CTN,  que  fixa  o  marco  inicial  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 233          8 Como  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  é  complexivo  anual,  ele  só  se  aperfeiçoa  em  31  de  dezembro  do  ano­calendário,  tendo  ocorrido,  no  caso,  em  31/12/2001.  Logo, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 1/1/2002, sendo o primeiro dia do  exercício  seguinte  o  dia  1/1/2003,  marco  inicial  do  prazo  decadencial,  que  terminou  em  31/12/2007.  Como  a  ciência  do  lançamento  se  deu  em  18/05/2007  (fl.  19),  o  crédito  tributário não havia sido fulminado pela decadência.  Desta forma, rejeito a preliminar de decadência.  Mérito:  No mérito,  a  discussão  cinge­se  à  tributação  de  R$33.000,00  recebidos  da  empresa Factum Empreendimentos e Participações Ltda., que o contribuinte afirma se tratar de  devolução do capital social, e a autoridade fiscal considerou como pró­labore.  O lançamento não admitiu que o pagamento se referia a devolução de capital  social pelos seguintes argumentos (fl. 21):  a)  os  sócios  alegaram  recurso  de  contrato  de  mútuo  com  a  empresa  que  posteriormente foram quitados com redução do capital social;   b)  apresentaram  contrato  de  mútuo  sem  o  devido  registro  público,  não  fazendo prova contra terceiros;   c)  apresentaram  livro  diário  da  empresa  que  não  contém  históricos  que  esclarecem tais empréstimos e redução de capital social;   d) a empresa tem lucros acumulados e, no entanto, faz empréstimo a sócio.   Assim,  inicialmente  o  contribuinte  buscou  comprovar  os  valores  recebidos  em 2001,  como empréstimos  tomados  junto  à  empresa,  conforme contratos de mútuo de  fls.  131 a 141, que teriam sido quitados posteriormente em 2002 com a redução do capital social.  Concordo  como  os  argumentos  da  autoridade  fiscal  para  rejeitar  essa  argumentação. De fato, os contratos de mútuo sem registro público e a simples demonstração  dos  pagamentos  aos  sócios  são  insuficientes  para  comprovar  a  natureza  de  empréstimos  dos  valores recebidos.   Entretanto, em sede de impugnação e de recurso voluntário, o sujeito passivo  passa a afirmar que os valores recebidos correspondem à devolução do capital social.  Como prova do seu direito, o recorrente apresenta cópia da 19a Alteração de  contrato social, assinada em 15/08/2002, e registrada em 25/09/2002, que determina a redução  do  capital  social  de  R$  2.898.000,00  para  R$  2.634.000,00,  e  afirma  que  a  redução  de  R$  264.000,00 já foi efetivada em moeda corrente e legal do país a título de devolução de capital,  e distribuída proporcionalmente para todos os sócios (fls. 100 a 102).  Entretanto,  como  bem  observado  no  acórdão  recorrido,  o  lançamento  se  refere  ao  ano­calendário  de  2001,  e  a  alteração  contratual  está  datada  de  agosto  de  2002,  e  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/2007­67  Acórdão n.º 2101­002.142  S2­C1T1  Fl. 234          9 apesar  de  dizer  que  a  devolução  de  capital  já  havia  sido  feita  em  moeda  corrente,  não  estabelece a data exata dessa devolução.  A outra prova do direito seria a Declaração de Imposto de Renda Retido na  Fonte  –  DIRF  do  ano­calendário  2001  da  empresa  Factum,  que  informou  ter  pago  ao  contribuinte R$36.000,00 no código 8045 (fl. 38).  Entretanto,  o  julgador a quo  argumentou  (fl.  186­v)  que,  embora  se  alegue  que  o  código  8045  seria  próprio  para  documentar  a  devolução  de  capital  social  a  sócio,  verifica­se  que  ele  não  tem  qualquer  relação  com  o  motivo  alegado,  por  se  referir  a  “importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas a título de  comissões,  corretagens,  ou  qualquer  outra  remuneração  pela  representação  comercial  ou  mediação na realização de negócios civis e comerciais”.  O acórdão recorrido ainda analisa a  legislação tributária para concluir que a  alteração do capital social só pode produzir efeitos, na melhor hipótese, na data da assinatura  do instrumento, que se deu apenas no ano de 2002.  Assim, não há elementos nos autos que sustentem a tese do recurso de que os  valores  recebidos  em  2001  correspondem  à  devolução  do  capital  social  registrada  em  2002,  sendo forçoso reconhecer sua natureza de acréscimo patrimonial tributável, nos termos do art.  3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Evande Carvalho Araujo                                Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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Numero do processo: 11070.002996/2002-51
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00. SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00. DECISÃO EMBARGADA QUE EQUIVOCADAMENTE DETERMINOU A EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DEDUZIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INCIDÊNCIA INDEVIDA DO ART. 42, § 3º, II, DA LEI N° 9.430/96. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS NOMINADOS. MANUTENÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DO ANO-CALENDÁRIO 1998. Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapasse R$ 80.000,00, devem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos, não podendo ser aplicado o art. 42, §3°, II, da Lei n° 9.430/96. A decisão embargada que determinou a exclusão de rendimentos declarados já deduzidos pela autoridade lançadora, fazendo incidir indevidamente a norma legal ora citada, deve ser sanada na via dos embargos inominados, na forma do Anexo II, art.66, do Regimento Interno do CARF Embargos acolhidos para sanar lapso manifesto no Acórdão n° 106-17.186, de 16/12/2008.
Numero da decisão: 2102-000.575
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por imanimidade de votos, em ACOLHER os embargos inominados para manter a infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1998, retificando o Acórdão n° 106-17.186, de 16 de dezembro de 2008, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00. SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00. DECISÃO EMBARGADA QUE EQUIVOCADAMENTE DETERMINOU A EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DEDUZIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INCIDÊNCIA INDEVIDA DO ART. 42, § 3º, II, DA LEI N° 9.430/96. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS NOMINADOS. MANUTENÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DO ANO-CALENDÁRIO 1998. Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapasse R$ 80.000,00, devem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos, não podendo ser aplicado o art. 42, §3°, II, da Lei n° 9.430/96. A decisão embargada que determinou a exclusão de rendimentos declarados já deduzidos pela autoridade lançadora, fazendo incidir indevidamente a norma legal ora citada, deve ser sanada na via dos embargos inominados, na forma do Anexo II, art.66, do Regimento Interno do CARF Embargos acolhidos para sanar lapso manifesto no Acórdão n° 106-17.186, de 16/12/2008.

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Numero do processo: 10860.004850/2003-61
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira

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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS , . Processo n° 10860.004850/2003-61 Recurso n° 303-134.859 Especial do Procurador Acórdão ti° 9202-00.165 — 2aTurma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VERA LÚCIA BOTELHO RODRIGUES E SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. 10j 3 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 2 CARL • S Ai 1 • FREITAS BARRETO — Presidente 11:19/ .11 JULIO 1 S P.49 VI ' IRA GOME — Redator-Designado EDITADO EM: 2, 8 1 a9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. '31k 2 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 3 Relatório VERA LÚCIA BOTELHO RODRIGUES E SANTOS, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação iao exerctjcio de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Pinheirinhó“, localiiadó rio município de São José do Barreiro-SP, cadastro SRF n° 1.542.844-3, conforme peça inaugural do feito, às fls. 19/30, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 8.063/2005, às fls. 75/79, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3' Câmara, em 13/06/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 303-34.414, sintetizados ha seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR/1999. Auto de infração. Glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Afastada a preliminar suscitada. Para fins de isenção do ITR não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 7°, da lei n° 9.393/96. Comprovado habilmente e dentro do prazo legal, mediante ADA, certidões oficiais emitidas pelo órgão competente, mapas, laudo técnico e outros, devidamente revestidos de formalidades legais, faz comprovação hábil da existência das áreas isentas da propriedade, na época do fato gerador." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fis. 142/152, com arrimo no artigo 7 0, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 302-36585, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que impõe que a comprovação da eXistência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. (‘'Çj 3 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 F1. 4 Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da "Reserva Legal", traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, especialmente Código Florestal, aprovado pela Lei n° 4.771/1965, bem como Lei n° 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, notadamente a Lei n° 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144, do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente, consoante jurisprudência do STJ transcrita em sua peça recursial Infere que a Medida Provisória n° 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei n° 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em' nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei n°4.771/1965. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de Outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da Mesma matéria, qual seja, necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricida do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho n°480/2007, às fls. 162/165. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Faizenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 173/175, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão n° 302-36585, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigenia da previa averbação de reserva legal para fins da benesse isentiva, a 3a Câmara do então 3° Conselho de Contribuintes, contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei n° 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 40, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o paramento do ITR serão efetuados (1N/ pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homoloracão posterior. , 5 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 6 # 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- V'TN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservado permanente e de reserva le2al, previstas na Lei n° 4.771. de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecoló2ico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do timão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. 11.3 § 7°A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, 1°, deste artiro, não está sujeita à prévia comprovacão por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pazamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001)" (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural go lze do direito de isenção do ITR relativo a gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina-se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata-se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis — CRI,' como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada a proteção ambiental, muito menos Poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. 6 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 7 É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando- se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta- se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva, Tal alerta) Yâç lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando-lhe o beneficio fiscal se comprovada a observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforça-lhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal, é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito'. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório, ou ainda a não requisição atempada do ADA, condição le2a1 para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim, considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. 416Ç 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11* Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. 7 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 8 Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o, i requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. 1 1, Assim, realizado o lançamento de 1TR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não , estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nos 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez , demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência á fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I — os atos normativos expedidos pelas autoridades ,administrativas;[...] I I Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código TribUtário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, , que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: "Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as intruções I normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais, I atos normativos." 8 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 9 Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vineulação absoluta dos atos normativos à lei. "... 1 As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade 'está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPEC. L DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. - Rycardo 'que Magalhães de Oliveira — Relator 9 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Designado Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. 1. § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 10 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 11 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbaçã o das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 11 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 12 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta ' não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da 'sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 12 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 13 reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo ,¢ 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, IJO,sem que esteja identificada na sua — averbação (v.g MS 22.688) ( n .j'P Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento I tilt jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 13 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 14 1 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. , Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não' averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. Em razão di. -xposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à .e . legal não averbada à época do fato gerador. , M Julio Ces. i 41 a Gomes — Redator-Designado , I 1 , , , 141 1, I

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Numero do processo: 10209.000135/2005-13
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/03/2000 Taxa Selic A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 163          1 162  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10209.000135/2005­13  Recurso nº  344.679   Voluntário  Acórdão nº  3102­001.554  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de julho de 2012  Matéria  IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO  Recorrente  PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ­ PETROBRAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 10/03/2000  PREFERÊNCIA  TARIFÁRIA  CONCEDIDA  EM  RAZÃO  DA ORIGEM.  ALADI.  TRIANGULAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS.   O  descumprimento  das  exigências  documentais  fixadas  nos  acordos  celebrados no âmbito da Associação Latino­Americana de Integração impede  o aproveitamento da preferência tarifária.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 10/03/2000  FATURA COMERCIAL. EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES  A  fatura  comercial  apresentada  por  ocasião  da  formulação  do  despacho  de  importação  deve  atender  as  exigências  regulamentares,  sob  pena  da  imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 10/03/2000  TAXA SELIC  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 35 /2 00 5- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 164          2 Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano  Pontes  de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes  de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira,  Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.  Relatório  Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  Trata  o  presente  processo  de  exigência  do  Imposto  de  Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%,  e dos juros de mora, bem como da multa por descumprimento de  requisitos da fatura comercial, prevista no art. art. 106, inciso V,  do  Decreto  nº  37/1966,  perfazendo,  na  data  da  autuação,  o  crédito  tributário  no  valor  R$  309.764,66,  objeto  do  Auto  de  Infração de fls. 02­13.  2.  Conforme  relato  da  fiscalização,  o  contribuinte  acima  qualificado  promoveu  a  importação  de  mercadoria,  utilizando  indevidamente  a  preferência  tarifária  prevista  no  Acordo  de  Complementação  Econômica  nº  39  (ACE  39),  no  âmbito  da  Associação Latino­Americana de Integração (ALADI), por meio  da  DI  nº  00/0205441­2  .  Em  decorrência,  foi  lavrado  auto  de  infração para exigência de diferença do Imposto de Importação,  aplicando­se a alíquota  integral,  sem a preferência  tarifária. A  autuação se baseia nos seguintes fundamentos:  2.1  A  aplicação  da  alíquota  reduzida  prevista  no  ACE  39  fundamenta­se no tratamento favorecido em razão da origem da  mercadoria,  conforme  art.  434  do  Regulamento  Aduaneiro,  aprovado pelo Decreto  nº 91.030/1985  (art.  503 do Decreto  nº  4.543/2002);  2.2  Para  comprovação  de  que  a  mercadoria  é  originária  do  país signatário do acordo, exige­se o certificado de origem;  2.3  Conforme,  art.  8º  do  ACE  39  (Decreto  nº  3.138/1999),  o  regime de origem adotado é o estabelecido na Resolução 78 da  ALADI,  anexa  ao  Decreto  nº  98.874/1990,  e  no  Acordo  91,  apenso ao Decreto nº 98.836/1990, alterado pela Resolução 232,  firmados no âmbito da ALADI;  2.4  Conforme Resolução 252 da ALADI, apensa ao Decreto nº  3.325/1999  aprovou  o  texto  consolidado  da  Resolução  78,  contendo  ainda  as  disposições  das  Resoluções  227  e  232  bem  como  dos  Acordos  25,  91  e  215.  trazendo  normas  que  disciplinam  a  comprovação  da  origem  da  mercadoria  e  estipulando  requisitos  a  serem  atendidos  para  fruição  das  preferências  tarifárias  pactuadas  pelos  países  membros  da  ALADI;  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 165          3 2.5  O  certificado  de  origem  apresentado  não  obedece  ao  art.  10, parágrafo terceiro, da Resolução 252 da ALADI, no que diz  respeito à data de sua emissão, que é anterior a fatura comercial  que instruiu a Declaração de Importação quando deveria ser na  mesma data ou nos sessenta dias seguintes à emissão da fatura;  2.6  O  contribuinte  realizou  a  importação da  empresa PDVSA,  situada  na  Venezuela,  com  transporte  direto  para  o  Brasil,  porém  uma  terceira  empresa,  Petrobrás  International  Finance  Company (PIFCO), situada em Trinidad e Tobago,  foi indicada  como exportadora;  2.7  O  certificado  de  origem  registra  como  país  exportador  a  Venezuela,  fazendo  referência  expressa  à  fatura  comercial  emitida pela PDVSA, de nº 90415­0, porém a fatura que instruiu  a  DI  foi  a  de  nº  PIFSB­235/2000,  emitida  pela  PIFCO,  sendo  indicado Trinidad e Tobago como país de aquisição;  2.8  Na operação comercial, houve a intervenção de um terceiro  país não membro da ALADI;  2.9  O  art.  4º  da  Resolução  252  não  prevê  a  intervenção  de  terceiro  país,  não  membro  da  ALADI,  na  qualidade  de  exportador, do modo ocorrido na operação em comento;  2.10 Embora o art. 9º da Resolução 252 da ALADI permita que a  mercadoria  objeto  de  intercâmbio  possa  ser  fatura  por  um  operador  de  terceiro  país,  no  caso  concreto  não  houve  a  interveniência de um operador, nos termos da citada Resolução,  mas  a  participação  de  um  terceiro  país  na  qualidade  de  exportador, na medida em que uma empresa situada em Trinidad  e Tobago faturou e exportou para o Brasil uma mercadoria que  se  pretende  seja  objeto  da  preferência  tarifária  no  âmbito  da  ALADI;  2.11 Mesmo  que  a  empresa  exportadora  se  enquadrasse  como  operadora, seria necessário constar declaração no certificado de  origem  de  que  a  mercadoria  seria  faturada  por  empresa  de  terceiro país, indicando o nome, denominação ou razão social e  domicílio  do  operador  ou,  caso  ainda  não  fosse  conhecido  o  número da fatura comercial emitida pelo operador, o importador  deveria apresentar uma declaração juramentada que justificasse  o fato;  2.12 No  caso,  tanto  a  fatura  comercial  como  o  certificado  de  origem,  por  desatendem  à  legislação  de  regência,  não  se  constituem  documentos  hábeis  para  fruição  da  pretendida  redução tarifária e a operação comercial realizada, envolvendo  terceiro  país  não  membro  da  ALADI,  descaracteriza  a  participação de operador de terceiro país;  2.13 Na  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Importação  foi  computado  o  valor  do  frete,  que  deixou  de  ser  incluído  pelo  importador, e compensada a quantia recolhida no ato de registro  da DI e bem como o valor adicional pago posteriormente;  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 166          4 2.14 A  fatura  comercial  nº  PIFSB­235/2000,  emitida  pela  PIFCO,  está  em desacordo com as  exigências  estabelecidas no  art.  425,  alíneas  “a”,  “h”,  “i”  e  “m”,  do  Regulamento  Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985.  3.  Cientificado do lançamento em 24/02/2005, conforme fl. 03,  o  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  exigência,  apresentando  a  impugnação  de  fls.  43­53,  em  28/03/2005,  por  meio  da  qual  expõe as seguintes razões de defesa:  3.1  A  Petrobrás,  através  de  uma  empresa  integrante  de  seu  grupo econômico (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu  mercadoria  produzida  na  Venezuela,  junto  à  empresa  PDVSA,  sediada  nesse  mesmo  país,  mediante  a  utilização  de  alíquota  reduzida, com base no ACE 39;  3.2  O  envolvimento  de  três  empresas  na  operação  comercial  gerou a emissão de duas faturas, sendo a primeira expedida pela  PDVSA e a segunda expedida pela PIFCO, tendo esta instruído  a  DI  e  nela  constando  referência  expressa  à  fatura  comercial  originária;  3.3  A aludida operação é denominada triangulação comercial e  consiste numa prática internacional comum, adotada por razões  de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes  de captação de recursos;  3.4  Não  se  pode  afirmar  que  na  importação  não  há  a  interveniência  de  um  operador,  nos  termos  da  Resolução  252,  pois esta não definiu a  figura do operador nem informou como  deveria ser a operação;  3.5  A  impugnante realizou comércio com os países  integrantes  do  Acordo,  utilizando­se  de  sua  empresa  subsidiária,  sediada  nas  Ilhas Cayman, na qualidade de operadora comercial e não  de exportadora, tendo havido um equívoco no preenchimento da  DI;  3.6  A PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com  a sua revenda;  3.7  A  mercadoria  foi  transportada  diretamente  da  Venezuela  para o Brasil, conforme demonstram o certificado de origem e o  conhecimento de carga, bem como reconhece a fiscalização;  3.8  A  própria  Receita  Federal  não  prevê  procedimento  específico  s  ser  seguido  para  os  casos  de  triangulação  comercial, mesmo após a edição da Resolução 252 da ALADI;  3.9  O  certificado  de  origem  foi  expedido  na  Venezuela,  contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a  PDVSA, e a certificação propriamente dita, trazendo a indicação  da fatura comercial expedida pela citada empresa;  3.10 A  fatura emitida pela PIFCO traz  informações condizentes  com  as  contidas  no  certificado,  fazendo  referência  a  este  documento, em consonância com o art. 8º da Resolução 252;  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 167          5 3.11 A  suposta  irregularidade  atinente  ao  descumprimento  de  requisitos  da  fatura  está  vinculada  à  falta  de  previsão  de  procedimento  específico  para  os  casos  de  triangulação  comercial  pois,  na  ausência  de  normas  específicas  foi  apresentada  apenas  uma  fatura,  mas  o  importador  diligenciou  para  que  nela  fossem anotados  os  números  dos  certificados  de  origem e da fatura originária;  3.12 O  art.  425  do  Regulamento  Aduaneiro  impõe  regras  voltadas para o exportador, mas a PIFCO autuou na qualidade  de operadora;  3.13 O  Imposto  de  Importação  consiste  num  instrumento  regulador do comércio exterior, possuindo função extra­fiscal e  não arrecadatória;  3.14 É  inaplicável  a multa  de  ofício,  por  força  do ADI  SRF  nº  13/2002;  3.15 deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua  ilegalidade  e  inconstitucionalidade,  com  base  no  art.  146  da  Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN;  4.  Conforme despacho de fls. 61­62, foi determinada diligência  com vista a sanar e irregularidade na representação processual  do  sujeito  passivo,  tendo  sido  apresentado  requerimento  de  fls.  66­67, acompanhado da procuração e substabelecimento de fls.  68­69, em que o representante legal da impugnante convalida a  impugnação apresentada.  Ponderando as  razões aduzidas pela autuada,  juntamente  com o consignado  no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se  observa na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 10/03/2000  PREFERÊNCIA  TARIFÁRIA  NO  ÂMBITO  DA  ALADI.  DIVERGÊNCIA  ENTRE  CERTIFICADO  DE  ORIGEM  E  FATURA  COMERCIAL.  INTERMEDIAÇÃO  DE  PAÍS  NÃO  SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.  É  incabível  a  aplicação  de  preferência  tarifária  em  caso  de  divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem  como quando o produto importado é comercializado por terceiro  país,  não  signatário  do Acordo  Internacional,  sem  que  tenham  sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência.  MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.  Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44,  inciso  I, da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação  indevida,  feita  no  despacho  de  importação,  de  reconhecimento  de  preferência  percentual  negociada  em  acordo  internacional,  quando  o  produto  estiver  corretamente  descrito,  com  todos  os  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 168          6 elementos  necessários  à  sua  identificação  e  ao  enquadramento  tarifário  pleiteado,  e  não  ficar  caracterizado  intuito  doloso  ou  má fé por parte do declarante.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 10/03/2000  FATURA COMERCIAL.  A  apresentação  da  fatura  comercial  em  desacordo  com  as  exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista  na legislação.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 10/03/2000  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.  Falece  competência  à  autoridade  administrativa  para  apreciar  argüição  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  de  normas  legais.  Lançamento Procedente em Parte  Após  tomar  ciência  da  decisão  de  1ª  instância,  comparece  a  autuada  mais  uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações  manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa.  Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº  03,  de  03  de  janeiro  de 2008,  não  pende  recurso  de  ofício  da  fração  da decisão  de  primeira  instância que afastou parcialmente a exigência.  Considerando  que  a  análise  da  fatura  comercial  relativa  à  operação  entre  a  pessoa  jurídica PDVSA  e  a Petrobras  International  Finance Company  (Pifco)  seria  essencial  para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e  que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma  Ordinária,  por  meio  da  Resolução  3102­000.134,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento.  Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento.  É o Relatório.  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 169          7   Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator  1­ Demarcação do Litígio  Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada  no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e as determinações da resolução 252  da Associação Latino­Americana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº  3.325, de 30 de dezembro de 1999.  Segundo aduz a autoridade fiscal:  a)  há  um  descompasso  entre  o  certificado  de  origem  e  a  fatura  comercial  apresentados por ocasião do despacho de importação;  b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria;  c)  a  Petrobras  International  Finance  Company  ­  Pifco,  pessoa  jurídica  estabelecida  um  país  não  signatário  da  ALADI,  atuara  na  operação  na  qualidade  de  exportadora, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade  de “operador”;  d)  ainda  que  a  Pifco  atuasse  como  operador,  restariam  descumpridas  as  exigências  fixadas  pela  Resolução ALADI,  eis  que  o  certificado  de  origem  apresentado  não  consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem  identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador.  Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não  fora apresentada  declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental.  Cabe ainda analisar a insurgência acerca da imposição da multa de R$ 12,67,  por apresentação de  fatura comercial em descompasso com o que preceituava o  regulamento  aduaneiro vigente à época das operações.  2­ Mérito  2.1.1 ­ ­ Preferência Tarifária  Diferentemente dos demais processos  em que  a  juntada da  fatura  relativa à  operação entre a exportadora situada na Venezuela e a intermediária situada em país estranho à  Aladi  saneou as  falhas de  instrução do despacho,  entendo que, no presente processo, não há  como reconhecer a redução pleiteada.  Em  primeiro  lugar,  há  que  se  recordar  o  parágrafo  único  do  art.  434  do  Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos  controvertidos (original não destacado):  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 170          8 Art.  434.  No  caso  de  mercadoria  que  goze  de  tratamento  tributário  favorecido  em  razão  de  sua  origem,  a  comprovação  desta será feita por qualquer meio julgado idôneo  Parágrafo único. Tratando­se de mercadoria importada de país­ membro  da  Associação  Latino­Americana  de  Integração  (ALADI),  quando  solicitada  a  aplicação  de  reduções  tarifárias  negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado  de  origem  emitido  por  entidade  competente,  de  acordo  com  modelo aprovado pela citada Associação.  Como é possível concluir, nos termos do dispositivo transcrito, tratando­se de  preferência  tarifária  outorgada  no  âmbito  da  Aladi,  não  há  espaço  para  a  comprovação  do  cumprimento das regras de origem por qualquer meio, mas exclusivamente de acordo com as  regras, materiais e formais, próprias daquele acordo.  O  que  restará  demonstrado,  portanto,  é  que  não  foram  apresentados  os  documentos exigidos pela legislação que disciplina a preferência objeto do litígio, nem suprida  essa ausência pelos meios definidos no mesmo acordo.  Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me  levaram a adotar essa conclusão.  2.1.2 ­ Tipicidade e Relação Tributária  Interessa  à  solução  do  litígio,  a meu  ver,  avaliar  se  os  fatos  carreados  aos  autos  se  subsumem  à  hipótese  abstratamente  prevista  na  norma  negocial  que  estabeleceu  a  preferência  tarifária  objeto  do  presente  litígio. Caso  isso  não  se  verifique,  afastado  estaria  o  fundamento para sua concessão.  Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou  alíquota  diferenciada,  a  aplicação  da  preferência  tarifária  negociada  é  necessariamente  orientada  pelo  princípio  da  tipicidade  cerrada,  dogmatizado  pelos  arts.  97,  VI  e  111,  II  do  Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)   Vejamos o que diz Alberto Xavier1   Como  já mais  de  uma  vez  se  sublinhou,  o  lançamento  é  o  ato  administrativo  pelo  qual  a  Administração  aplica  a  norma  tributária  material  a  um  caso  concreto.  Nuns  casos,  essa  aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato  e,  portanto,  declarar  a  existência  de  uma  relação  jurídica  tributária  e  definir  o  montante  da  prestação  devida.  Noutras  hipóteses,  porém,  da  aplicação  da  norma  ao  caso  concreto  resulta  o  reconhecimento  da  não  tributabilidade  do  fato  e,  portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação  de  imposto. Nos  primeiros,  a  Administração  pratica  um ato  de  conteúdo positivo; nas  segundas,  um ato de  conteúdo negativo.  (destaquei)                                                              1 Do  lançamento:  teoria geral  do ato,  do procedimento e do processo  tributário. Rio de  Janeiro: Forense, 1998,  2.ed. p. 100.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 171          9 José  Souto  Maior  Borges  ,  a  seu  turno,  citando  Sainz  de  Bujanda,  não  destoa2:  É  o  fato  gerador,  consoante  se  demonstrou,  uma  entidade  jurídica  (supra,  III).  Por  força  do  princípio  da  legalidade  da  tributação,  o  fato  gerador  existe  si  et  ia  quantum  estabelecido  previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese  de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei  tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou  conjunto  de  fatos  que  legitimam  a  tributação  inexiste  portanto  fato gerador de obrigação tributária.  Por  isso,  afirma­se  corretamente  que  o  fato  gerador  é  fato  jurídico.  Sob  outro  ângulo,  a  análise  jurídica  revela  ser  a  extensão  do  preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma  que  isenta  é  assim  uma  norma  limitadora  ou  modificadora:  restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita  o âmbito material ou pessoal a que deverá estender­se o tributo  ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência.  A  norma  de  isenção,  obstando  o  nascimento  da  obrigação  tributária  para  o  seu  beneficiário,  produz  o  que  já  se  denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato  gerador do tributo. (destaquei)  Possivelmente,  a  principal  consequência  da  pré­falada  tipicidade  cerrada,  pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se recorrer à analogia, a  pretexto  de  suprir  supostas  lacunas  da  norma.  Nesse  caso,  há  que  se  aplicar  a  doutrina  do  Silêncio  Eloquente  do  Legislador,  com  as  restrições  brilhantemente  defendidas  pelo  Min.  Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.552­5 ­ DF (DJ de 28/06/1991):  “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o  que  os  alemães  denominam  ‘silêncio  eloqüente’  (Beredtes  Schweigen)  que  é  o  silêncio  que  traduz  que  a  hipótese  contemplada é a única a que se aplica o preceito  legal, não se  admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.”  É  defeso  ao  intérprete,  portanto,  considerar  suprida  eventual  falha  documental  por  meios  diversos  dos  previstos  no  Acordo,  invocando,  por  exemplo,  analogicamente, o comando do caput do art. 434.  Vendo  por  outro  ângulo,  para  efeito  de  reconhecimento  de  preferência  tarifária,  se  o  Acordo  que  a  concede  possuir  regime  próprio,  mercadoria  originária  de  país  signatário  é  aquela  que  preenche  as  condições  daquele  ato,  ainda  que  tais  condições  não  guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime  nacional de origem.  Ou  seja,  assim  como,  para  efeito  de  lei,  determinados  bens  evidentemente  móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias  evidentemente  extraídas  de  determinado  país  podem  deixar  de  ser  reconhecidas  como                                                              2 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191,   Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 172          10 originárias  ou,  em  sentido  inverso,  ainda  que  não  tenham  sofrido  qualquer  transformação  substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano.  Tanto em um quanto em outro exemplo, configurar­se­ia uma ficção jurídica,  onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico.  Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita  Ferragut , citando a obra de Perez de Ayala:  De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constitui­se  na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se  atribuem,  a  determinados  supostos  de  fatos,  certos  efeitos  jurídicos, violentando ou  ignorando a natureza real das coisas.  E  uma  técnica  que  permite  ao  legislador  atribuir  efeitos  jurídicos  que,  na  ausência  da  ficção,  não  seriam  possíveis  a  certos fatos ou realidades sociais.   2.1.3 Comprovação do Cumprimento das Exigências Inerentes ao Regime de Origem da  Aladi  No  caso  da  preferência  tarifária  em  debate,  o  regime  de  origem  a  ser  considerado, por determinação expressa do artigo 8 do Acordo de Complementação Econômica  (ACE)  nº  39,  é  o  estabelecido  na  Resolução  78  da  Aladi  e  pelas  demais  regras  que  a  complementam, dentre  as quais destaca­se a Resolução 252 do Comitê de Representantes da  Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999.  Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no  acórdão hostilizado, não vejo  a “triangulação”  comercial  represente uma violação à  regra do  artigo  Quarto  da  Resolução  Aladi  nº  78,  atualmente  consolidado  na  Resolução  nº  252,  que  condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria.   O que se discute, de fato, é o cumprimento ou não da Resolução nº 252, em  cujos art. 8º e 9º lê­se:  OITAVO ­ A descrição das mercadorias incluídas na declaração  que  acredita  o  cumprimento  dos  requisitos  de  origem  estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a  que  corresponde  à  mercadoria  negociada,  classificada  de  conformidade  com  a  NALADI/SH  e  com  a  que  se  registra  na  fatura comercial que acompanha os documentos apresentados  para o despacho aduaneiro.(grifei)  NONO  ­  Quando  a  mercadoria  objeto  de  intercâmbio  for  faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não  da  Associação,  o  produtor  ou  exportador  do  país  de  origem  deverá  indicar  no  formulário  respectivo,  no  campo  relativo  a  "observações",  que  a  mercadoria  objeto  de  sua  Declaração  será  faturada  de  um  terceiro  país,  identificando  o  nome,  denominação ou razão social e domicílio do operador que, em  definitivo, será o que fature a operação a destino.   Na  situação  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  e,  excepcionalmente,  se  no  momento  de  expedir  o  certificado  de  origem não  se  conhecer  o  número  da  fatura  comercial  emitida  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 173          11 por um operador de um  terceiro país,  o  campo correspondente  do  certificado  não  deverá  ser  preenchido.  Nesse  caso,  o  importador  apresentará  à  administração  aduaneira  correspondente  uma  declaração  juramentada  que  justifique  o  fato,  onde  deverá  indicar,  pelo  menos,  os  números  e  datas  da  fatura  comercial  e  do  certificado  de  origem  que  amparam  a  operação de importação.   Conclui­se, a partir da  leitura conjugada dos dois dispositivos, que a norma  condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação de Certificado de Origem revestido  das formalidades legais ou da apresentação de declaração juramentada.  Pois  bem,  trazendo  tal  legislação  para  o  presente  litígio,  apesar  da  possibilidade de se rastrear os demais elos da operação, mediante a juntada da fatura comercial  nº 90415­03, expedida pela pessoa jurídica PDVSA, há falhas de instrução que inviabilizam o  aproveitamento da preferência tarifária.  De  fato,  o  Certificado  de  Origem  nº  ALD  10003225344  não  faz  qualquer  referência à intervenção da PIFCO e, diferentemente do que se verificou em outros processos,  eventuais imprecisões desse documento não puderam ser supridas a partir da fatura acreditada  por esse documento. A fatura colacionada ao processo por meio da diligência também não faz  qualquer referência à intervenção do operador situado em terceiro país.  Reafirme­se,  o  regime  de  origem  fixado  pela  Resolução  252  é  aquele  cuja  prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas. Identificar o último porto de  embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras.  Assim,  não  seria  suficiente,  para  aplicação  do  tratamento  diferenciado,  a  demonstração,  por  outros  meios  documentais,  que  a  mercadoria  teria  sido  produzida  na  Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral, gizada no  caput do art. 434 do RA/85.   Por  outro  lado,  como  antecipado,  tratando­se  de  matéria  que  só  pode  ser  disciplinada  em  lei  ou  ato de  status  equivalente,  não  se pode partir  do pressuposto de que  a  sistemática definida na Resolução 252 conteria lacunas que pudessem ser sanadas por meio da  analogia..   2.2 ­ Multa por Falha na Fatura Comercial  Aponta ainda a autoridade que a fatura comercial apresentada para despacho  descumpria as exigências regulamentares fixadas nas alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do art. 425 do  Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 19855.                                                              3 Anexada à informação fiscal de fls. 139 a 159 (numeração digital)  4 Fl. 25 (arquivo digital)  5 Art. 425. O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que  conterá as seguintes indicações (Decreto­lei No 37/66, art. 45).  a) nome e endereço, completos, do exportador;  (...)  h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a  última transformação substancial;  i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil,  independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos;  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 174          12 O  sujeito  passivo,  a  seu  turno,  argumenta  que  o  dispositivo  legal  que  respaldaria a multa regulamentar teria sido revogado pela Lei nº 10.833, de 2003.  Analisando  a  fatura  comercial  PIFSB­235/20006,  apresentada  no  despacho,  conclui­se que, de fato, as informações elencadas no regulamento aduaneiro vigente não foram  cumpridas.   Por outro lado, não vejo como considerar que a Lei nº 10.833, de 2003, tenha  feito  algo  diferente  de  renumerar  o  dispositivo  e  impor  uma  multa  superior  à  fixada  no  Decreto­lei nº 37, de 1966.  Com efeito, a  infração, à época dos fatos era assim descrita no  inciso V do  art. 106 do Decreto­lei nº 37:  V ­ de 1% a 2% (um a dois por cento), não podendo ser, no total,  superior a Cr$ 100.000, pela apresentação da fatura comercial  em  desacordo  com  uma  ou  mais  de  uma  das  exigências  que  forem estabelecidas no regulamento, salvo o caso da letra "b" do  inciso anterior.  Com a entrada em vigor da Lei nº 10.833, de 2003, a  infração passou a  ser  assim descrita, no art. 107, X, “c”, do mesmo Decreto­lei nº 37/66:  X ­ de R$ 200,00 (duzentos reais):  (...)  c) pela apresentação de fatura comercial em desacordo com uma  ou mais de uma das indicações estabelecidas no regulamento; e  Ora, afora deixar de fazer menção à multa por  falta de  fatura, o dispositivo  novel mantém a previsão de multa para a apresentação de fatura em razão do descumprimento  com o previsto no regulamento e onera a multa e impõe a tal conduta a multa de R$ 200,00,  outrora fixara em R$ 12,67.  2.3­ Taxa Selic  Não vejo como afastar a  incidência da  taxa  referencial do Sistema Especial  de Liquidação e de Custódia ­ SELIC sobre os débitos tributários debatidos no presente recurso  Voluntário.  A  discussão  já  encontra­se  pacificada  nesta  corte  administrativa,  sendo  inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.                                                                                                                                                                                           (...)  m) frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura;  6 Fl. 24 (arquivo digital)  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/2005­13  Acórdão n.º 3102­001.554  S3­C1T2  Fl. 175          13 3­ Conclusão  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Sala das Sessões, 18 de julho de 2012  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro                                  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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