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Numero do processo: 10166.009148/2003-21
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1997
Ementa: CSLL COMPENSAÇÃO — Incabível falar em compensação
quando o montante de direito creditício aventado já fora suficientemente empregado na extinção de outros débitos. Extrato que comprova a integral utilização dos créditos do contribuinte,
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Havendo falta ou insuficiência
no recolhimento do tributo, impõe-se a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito
tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic esta em total consonância com o
Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina.
Numero da decisão: 1803-000.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1997 Ementa: CSLL COMPENSAÇÃO — Incabível falar em compensação quando o montante de direito creditício aventado já fora suficientemente empregado na extinção de outros débitos. Extrato que comprova a integral utilização dos créditos do contribuinte, MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõe-se a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic esta em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina.
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Extrato que comprova a integral utilização dos créditos do contribuinte, MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impffie-se a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic esta em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o resente julgado. Benedict° Celso Be cio Jilnior - Relator EDITADO EM: 1 2/1\1011 2010 Processo n. 10166,009148/2003-21 S1-.1 E03 Acórdão n° 1803-00,213 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Marco Antonio Pires, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Benedicto Celso Benicia Júnior e Luciano Inocéncio dos Santos. Relatório Versa o presente processo sabre Auto de Infração CSLL/1997 — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, ano-calendário de 1997, folha 13, no qual fora exigido da interessada supra identificada, originalmente, crédito tributário no valor de RS 4.537, 37, pelas razões constantes As fls. 14/17. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01 a 12), alegando, em síntese, que: - os valores constantes do auto de infração em testilha estão vinculados As retificações processadas nas DCTF e aos pedidos de compensação formulados pela impugnante, conforme faz prova os documentos ora colacionados aos autos; - a aplicação da multa é abusiva e tem caráter confiscatório. Para alicerçar seus argumentos cita vários acórdãos judiciais e pareceres de tributaristas; - é vedada a cobrança de juros acima de 12% ao ano. Para embasar seus argumentos, cita, também, vários acórdãos judiciais e pareceres de tributaristas; - a aplicação da Selic para correção dos valores de impostos e contribuições sociais é flagrantemente inconstitucional e representa um sacrifício para os contribuintes brasileiros. - por fim, requer o cancelamento do auto. Ao analisar os argumentos da impugnação apresentada pelo contribuinte, a 4' TURMA — DRJ EM BRASILIA manteve parcialmente o lançamento realizado, reduzindo o principal lançado de R$ 1 364,83 pan, R$ 1.167,70. Dita minoração teve por fulcra a constatação de crédito aproveitável equivalente a R$ 397,13 (conforme fls. 45 e 52), apurado em um dos quatro pedidos de compensação aventados pelo contribuinte em sede de impugnação. Intimado do acórdão em 2710612008, o interessado apresentou Recurso a este Conselho, em 24/07/2008, repisando, substancialmente, os mesmos argumentos trazidos na impugnação. o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedict° Celso Benicio Júnior, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu segmento. Dele conheço.. 0 auto de infração atacado lançou montante de CSLL que, embora declarado em DCTF (ano-calendário 1997), não fora quitado. Processo n° 10166 009148/2003-21 S1-TE03 Fl. 3 Acórdão n.° 1803-00.213 0 contribuinte, tanto em primeira quanta em segunda instâncias, reafirmou a necessidade de consideração de eventuais DCTF's Retificadoras, de um lado, e de pedidos de compensação apresentados ao Fisco, cobrindo todos os passivos apurados, de auto lado. Não obstante os argumentos do interessado, certo é que todo o crédito disponível para compensação, equivalente a R$ 397,13, já foi esgotadamente empregado para tal fim, nos moldes do acórdão proferido pela 4fl TURMA — DRJ EM BRASILIA. Todos os documentos juntados aos autos (Mr) conta do fato de os direitos creditórios apontados não serem suficientes para compensar inteiramente os débitos do contribuinte, remanescendo insolvido o valor que ora ainda é objeto do auto de infração guerreado. Este entendimento encontra claro respaldo no Extrato Completo juntado aos autos (fl. .45), bem como na manifestação de fls. 51 e ss. Por outro lado, no que atine às alegações de inconstitucionalidade dos encargos moratórios cominados, importa frisar, mais uma vez, a incompetência deste colegiado para afastar a aplicação da lei fiscal validamente inserida no ordenamento . Jamais poderia a Administração desvincular seus atos da legislação validamente posta pelo Poder Legislativo. Esta interpretação se encontra consagrada na Súmula n° 02 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1° CC n" 2.: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei in Em sentido idêntico aponta remansosa jurisprudência deste colegiado, conforme ementa exemplificativa abaixo transcrita: "MULTA DE OFICIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCiPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTARIA - IMPOSSIBILIDADE - Os principias constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizei - que estejam direcionados Administração Tributária, pois essa se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar ena aplicar a lei, Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que ,fitncioizott como base legal do lançamento da multa de oficio. Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse podei-. No caso especifico do Conselho de Contribuintes, adstrito as normas administrativas .fazendárias, tem aplicação o art.. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto." (Acs. 1°. CC - 106-17.143/08) Processo n° 10166.009148/2003-21 SI-TE03 Acórdão n '1803-00.213 Fl 4 A cominação de multa moratória e de juros a taxa SELIC é aplicável a todo tributo lançado de oficio, conforme disposições da Lei ri.° 9.430/96. Não incumbe a este órgão afastar disposições de lei validamente inseridas no ordenamento jurídico vigente. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o auto de infração, observada a redução do principal determirrlia em primeira instância administrativa. Benedict° Cels Júnior
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001538/2004-17
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002
INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL. NULIDADE
DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade do lançamento na situação em que o Fisco Federal se vale de
informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito
passivo ao Fisco Estadual - G1AMN, se as telas impressas constantes :dos
autos contêm detalhadamente os valores das receitas auferidas, e a descrição
dos fatos c o enquadramento legal são claros, de forma a permitir ao
contribuinte exercer amplamente seu direito de defesa.
PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO
ESTADUAL.
É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de
declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual,
obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de
apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da
interessada. O empréstimo é da prova, não de eventuais conclusões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002 INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento na situação em que o Fisco Federal se vale de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual - G1AMN, se as telas impressas constantes :dos autos contêm detalhadamente os valores das receitas auferidas, e a descrição dos fatos c o enquadramento legal são claros, de forma a permitir ao contribuinte exercer amplamente seu direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da interessada. O empréstimo é da prova, não de eventuais conclusões. Recurso Voluntário Negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,,-.115* PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10435.001538/2004-17 Recurso n° 163.069 Voluntário Acórdão n° 1301-00.204 — 3' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2009 Matéria IRRT E OUTRO Recorrente CENTRAL DE CALÇADOS PSL LTDA. Recorrida 4a TURMA! DRJ RECIFE / PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002 INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento na situação em que o Fisco Federal se vale de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual - G1AMN, se as telas impressas constantes :dos autos contêm detalhadamente os valores das receitas auferidas, e a descrição dos fatos c o enquadramento legal são claros, de forma a permitir ao contribuinte exercer amplamente seu direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da interessada. O empréstimo é da prova, não de eventuais conclusões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no méáto, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. PÀ„, 3, AL), 'CÂIL LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente i.„ „.--2- C WALDIR VEIGA/ OCHA - Relator ._ .• . nn An- EDITADO EM: 1 5 MAR cu IU Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha,, , Marcos Vinicius Panos Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogerio Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. , i I 2 Processo n°10435.001538/2004-17 SI-C3T1 Acórdão-e. 1301-00.204 H. 2 • Relatório CENTRAL DE CALÇADOS PSL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 11-20.181, de 06/09/2004, da 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, adoto o relatório elaborado pelo relator do processo em primeira instância. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 116 a 138, para exigência de crédito tributário referente aos anos calendários de 2000 e 2001, [...] Hl As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: 1 — ARBITRAMENTO DO LUCRO — AC 2000 E 2001 — RECEITAS OPERACIONAIS — REVENDA DE MERCADORIAS — WH E CSLL Durante o procedimento fiscal ficou constatado que a contribuinte deveria ser excluída do SIMPLES, tendo em vista que a empresa auferiu receita bruta no ano calendário de 1999 no valor de 125 427.706,00; superior, portanto, ao limite estabelecido para microempresa, c não efetivou alteração cadastral para a condição de empresa de pequeno porte. Foi emitido Ato Declaratório Executivo ri' 25 de 15/10/2004 anexado ao processo n° 10435.001284/2004-37, excluindo a empresa de SIMPLES a partir do mês de janeiro de 2000, o qual não foi impugnado e encontra- se no setor de arquivo da DRF/Caruaru-PE Ols. 168). Excluída do SIMPLES, a empresa ficou sujeita à tributação conforme as demais pessoas jurídicas. Intimada, em 28/10/2004, a apresentar sua documentação fiscal e contábil a fim de se calcular o seu Lucro Real; a contribuinte informou, em 03/11/2004, não possuir a documentação solicitada. Assim, foi procedida a apuração do RIR/ e da CSLL pelas regras do lucro arbitrado. Considerou-se como base para o arbitramento as receitas brutas conhecidas constantes das GIAM's obtidas junto ao sistema informatizado da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco — FISEP, onde constam as receitas de vendas da contribuinte para o período verificado de jan/2000 a dez/2001, confome planilha de apuração (fls. 115). Foi verificado, ainda, encontrar-se omissa a contribuinte quanto à entrega das DCTF s referente aos 1 0, 2 0, 3" e 4" trimestres de 2000 e 2001, alem de omisso quanto à apresentação das DIPI's dos anos calendário 2001 e 2002. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 145 a 162, nas quais questiona os Autos de Infração, alegando em síntese o seguinte: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 3 O lançamento de oficio foi efetuado sem obedecer ao Principio do Contraditório Pleno, o que implica em nulidade total do Auto de Infração em face da total impossibilidade de defesa da impugnante — art. 5 0, LV, Constituição Federal, e art. 59, II, Decreto n°70.235/72. O lançamento baseou-se em dados de supostas receitas omitidas constantes em GIAM's, que o auditor sequer traduziu o que significa, obtidas nos computadores da Fazenda Estadual e que não constam nos autos. A impugnante afirmou desconhecer essas GIAM' s, razão pela qual restou impossibilitado o pleno exercício da defesa. Não há como contestar o que não existe. 'Transcreveu ementa de decisão do Conselho de Contribuirdes que considerou haver cerceamento do direito de defesa em lançamento fundado em prova emprestada do fisco estadual. A Fazenda Pública não realizou um trabalho efetivo, restringindo a ação fiscal apenas à atuação com base em GIAM's que inexistenn. O Auto de Infração teve um formulação simplista, sendo repassado ao autuado apenas um sucinto relato, não sendo indicados os pontos de sustentação da exigência fiscal, seus fundamentos de fato e de direito, o que tornam ineficazes os procedimentos do fisco. TOTAL AUSÊNCIA DE PROVAS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A contribuinte questiona o fato de o fisco federal ter autuado a empresa utilizando informações obtidas em computador da Fazenda Estadual. Os únicos documentos que fundamentaram a autuação foram folhas impressas pela Fazenda Estadual com informações das CIAM' s. • Não haveria prova plausível e palpável de que a empresa auferiu receitas. A total ausência de provas inquina de nulidade o Auto de Infração. A descrição dos fatos que ensejaram o lançamento ex officio foi muito simplória e a infração imputada à contribuinte não está capitulada com precisão e objetividade, apresentando carência de legalidade. • Inexiste no Auto de Infração a caracterização da ocorrencia do Fato gerador de tributo ou contribuição que implica na exiLeneia fiscal, em razão da falta de prova documental da aquisição de receitas. O lançamento de oficio deve-se nortear sobretudo pelo Principio da Verdade Material. DO INCABIMENTO DO USO DA PROVA EMPRESTADA A assistência mútua entre as Fazendas Públicas não autoriza, com base exclusiva na prova emprestada, a emissão de Auto de Infração por outro ente tributante, já que afrontaria o principio da verdade real. No caso era questão, não se trata de infração constatada através de Auto de Infração lavrado pelo Estado, mas em mera informação obtida em telas de computador da Fazenda Estadual. A partir de voto da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma do STJ, contribuinte alegou que a cooperação entre as Fazendas Publicas das diferentes esferas administrativas se faça por meio de lei ou convênio, visto que há a transmissão de informações obtidas através de determinadas ações fiscais. É bem verdade que, a partir das informações do Fisco Estadual, poderia haver investigações dirigidas para, com as suas próprias provas, chegar-se à conclusão de que houve omissão de receita, "Em poucas palavras: empresta-se o fato. A prova, não. Há de ser colhida conforme o ritual juridico para determinado processo " — Ministro Luiz Vicente Cerniechiaro, Superior Tribunal dc Justiça — STj. 4 Processo e 10435.001538/2004-17 54-C311 Acórdã n.° 130 tA0.204 Fl. 3 O procedimento de adoção de prova emprestada do fisco estadual com o intuito de exigir tributo federal tem sido evitado. Entretanlo, tal não é o entendimento da Receita Federal de Caruaru/PE que utilizou, não informações de um Auto de Infração, e sim apenas in formação de uma tela de computador. O Conselho de Contribuintes tem rechaçado sistematicamente o lançamento • de oficio fundado exclusivamente na prova emprestada, tendo a contribuinte transcrito algumas ementas de julgados. Em seguida, a contribuinte afirma que se toma necessário que o fato imponível, caracterizador da omissão de receita detectada na área estadual, esteja inequivocamente demonstrado de modo a propiciar ao julgador a livre convicção de que realmente ocorreu omissão de receita também na área federal. As informações obtidas em telas de computadores do Fisco Estadual não podem ser admitidas como provas sem que esteja acompanhada dos elementos materiais que conduzam à caracterização do fato gerador de tributos e contribuições. Destarte, deve o julgador de primeira instância declarar liminarmente a nulidade do Auto de Infração. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, roga-se, por todas as razoes explicitadas, o reconhecimento da absoluta improcedência do Auto de Infração. A 41 Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 11-20.181, de 06/09/2004 (fls. 169/178), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — TRIO , Ano-calendário: 2000, 2001 M1CROEMPRESA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. microempresa que ultrapassai; no ano-calendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) estará excluída do SIMPLES nessa condição. Não exercendo, a contribuinte, o seu direito de efetuar nova opção como empresa de pequeno porte, verificam-se os efeitos do ato de exclusão a partir do ano- calendário subseqüente àquele em que foi superado o limite de receita bruta estipulado pura nficroempresas. ARBITR4MEN7'0 DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral implica no arbitramento do lucro. LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado respectivo prazo regulamentar de defesa. /1"-- 1 PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Não constitui prova emprestada a receita bruta informada nas • Guias de Informação Mensal de ICMS GIAM's prestada à Secretaria •de Fazenda do Estado. Os valores informados e atestados como verídicos ao fisco estadual, pelo contribuinte, mediante declaração ,firmada nas GIAM's, presumem-se verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. MATÉRIA NÃO CONTESTADA — OMISSÃO DE RECEITA Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Ciente da decisão de primeira instância em 26/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 183, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/11/2007 conforme carimbo de recepção à folha 187. No recurso interposto (fls. 187/203), reitera com as mesmas palavras os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. O primeiro ponto a ser apreciado é a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. Alega a recorrente que tal teria ocorrido porque os lançamentos se teriam baseado em G1AM's, obtidas junto à Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, as quais "o Auditor sequer deu-se ao trabalho de traduzir o que significa" c que não constariam nos autos. Compulsando os autos, encontro ás fls. 24/71 extratos de telas de sistema de processamento de dados da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, contendo informações declaradas pelo contribuinte na GIAM — Guia de InfOrmação e Apuração Mensal do ICMS. Esse documento e um demonstrativo mensal, destinado à apuração do ICMS das empresas, tendo com base a escrita fiscal do contribuinte, abrangendo os valores relativos a todas as entradas e saídas, discriminados por Unidade da Federação. Como se vê, e, de fato, um espelho, baseado na declaração do contribuinte, dos valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ICMS. A entrega dessa declaração mensal ao Fisco Estadual e um dever acessório, pelo visto cumprido pela interessada. Urna vez entregues, as informações uni meio eletrônico passam a integrar os bancos de dados da Secretaria Estadual de Fazenda, de onde figarn extraídas as telas utilizadas pelo Fisco Federal para embasar os presentes lançamentos. E acrescento que, corretamente, somente foram tidos como receitas os valores declarados sob os códigos CFOP 5.12 (Vendas no Estado) e 6.12 (Vendas para fora do Estado). Processo n° 10435.001538/2004-17 .1 G3 "I' 1 Acórdão m° 1301-00.204 Fl. 4 Ademais, deve-se registrar que o Fisco tentou identificar as receitas auferidas na própria escrita contábil/fiscal da então fiscalizada, conforme Termo de Intimação datado de 28/10/2004 (fl. 16). Em resposta (fl. 17), obteve a informação de que a empresa não possuía a documentação solicitada. Assim, correto o procedimento da fiscalização, de buscar as informações necessárias sobre o faturamento da fiscalizada junto à Secretaria Estadual de Fazenda, e de efetuar o lançamento com as informações de que dispunha, conforme determinação do art. 845, inciso I, do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199). Não vislumbro, destarte, o alegado cerceamento do direito à ampla defesa. As receitas tidas por omitidas estão bastante claras, bem assim a fonte da qual foram obtidas. A recorrente diz desconhecer as GIAM's, do que se depreende que nega tê-las entregado ao Fisco Estadual. Em assim sendo, caberia a ela apresentar suas notas fiscais emitidas, seus livros contábeis e fiscais, especialmente seu Livro de Registro de Apuração do ICMS — do qual as GIAM's seriam, em tese, espelho — de forma a demonstrar que as informações obtidas junto à Fazenda Estadual não correspondem às receitas efetivamente auferidas no período. Quanto à alegação de que as GIAM's não constam dos autos, não merece melhor acolhida. O processo esteve à disposição da interessada durante todo o prazo para impugnação, inclusive os impressos de fls. 24/71. E, em se tratando de declarações entregues por meio eletrônico, as telas impressas são pacificamente aceitas como representação do conteúdo declarado, cabendo a contraprova quanto a eventuais diferenças de valores ou mesmo sua inexistência. Contraprova essa que, conforme anteriormente ressaltado, não foi apresentada pela interessada em nenhum momento. Todos os fatos, inclusive a impossibilidade de acesso aos livros e documentos fiscais da então fiscalizada, se encontram adequadamente descritos no Relatório de Auditoria (fls. 116/121). Também o titulo da infração (Receitas Operacionais — Revenda de Mercadorias) e a descrição dos fatos (fl. 128), além dos demonstrativos (fls. 115 e 122/126) não deixam dúvidas de que a acusação fiscal é de omissão de receitas da revenda de mercadorias, quantificada a partir dos valores declarados à Secretaria Estadual de Fazenda. Todos os demais argumentos da recorrente esbarram no mesmo ponto: a prova acostada aos autos pelo Fisco é robusta, obtida a partir dc declarações da própria interessada ao Fisco Estadual, e nenhum elemento foi trazido que pudesse infirmá-la, seja no que toca à autoria, seja quanto à exatidão dos valores que ali constam. Também não merecem acolhida as alegações acerca do uso de "prova emprestada". Em primeiro lugar, a reclamação de que a troca de informações entre os Fiscos Estadual e Federal careceria de convênio que a regulasse já foi adequadamente refutada pela autoridade julgadora em primeira instância, à fl. 177, ao esclarecer sobre a existência e vigência de um convênio de mútua assistência para a fiscalização de tributos entre a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco SEFAZ/PE e a Secretaria da Receita Federal — SRE, assinado, respectivamente, pelos Secretários Jorge Jatobá c Everardo Maciel, em 19/04/1999. Fica assim demonstrada a plena licitude da obtenção das informações. Em segundo lugar, acerca do valor probatório das informações constantes das GIAM's, deve-se ressaltar que as alegações e jurisprudência trazidas pela recorrente se referem, riu sua maioria, à situação em que o Fisco se utiliza das conclusões de outro processo 7 administrativo. Por exemplo, quando, tendo sido lavrado um auto de infração de outro tributo, ICMS, por omissão de receitas, o Fisco Federal conclui pela ocorrência também de omissão de receitas para fins da tributação do Mn Não é esta a situação dos presentes autos. Aqui, diversamente, as informações utilizadas constam de declaração prestada à Administração Tributária Estadual pelo próprio sujeito passivo. Parte dessa informação diz respeito às receitas de revenda de mercadorias, e essa parcela é que foi utilizada pelo Fisco Federal para quantificação das receitas omitidas na base de cálculo dos tributos sujeitos à administração da RFB. Em nenhum momento houve empréstimo de conclusões, mas tão somente de provas, de documentos declaratórios, ainda que eletrônicos, cujo valor probatório é anterior ao seu ingresso no presente processo. E nunca é demais ressaltar, quanto à sua alegada insuficiência para comprovar o fato gerador tributário, que a interessada em nenhum momento, quer durante a fiscalização, quer na fase impugnatória, quer agora na fase recursal, trouxe sequer um inicio de prova que pudesse infirmar as declarações prestadas ao Fisco Estadual sobre as receitas auferidas. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. /21 / ztC WALDIR VElGÁ OCHA - Relator 1 8
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000136/2001-35
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL - DECADÊNCIA - Declarada a inconstitucionalidade de lei pelo STF, mediante controle difuso de constitucionalidade, o prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma declarada inconstitucional. Publicada em 19/11/1996, a Resolução nº 82, do Senado Federal, suspendendo em parte o artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, é tempestivo o pedido de restituição de indébito feito até 18/11/2001.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.930
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados, ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Numero do processo: 11610.001475/00-25
Data da sessão: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Sun Nov 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame -Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo — edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário -Duplo Grau de Jurisdição.
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU - ANÁLISE DE MÉRITO -Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.464
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, vencidos na primeira votação, acompanharam a tese vencedora. 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa (Relator), Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame -Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - Prescrição do direito de Restituição/Compensação - Inadmissibilidade - dies a quo — edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário -Duplo Grau de Jurisdição. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU - ANÁLISE DE MÉRITO -Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, vencidos na primeira votação, acompanharam a tese vencedora. 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa (Relator), Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
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Numero do processo: 35092.000444/2005-61
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2004
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUB-ROGAÇÃO
A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:.Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2004 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUB-ROGAÇÃO A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:.Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
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REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 2. 00 04 44 /2 00 5- 61 Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir a competência 07/2000, do Levantamento RUG, relativo à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, por não estar abrangida pela Lei n.º 10.256/2001. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:.Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/200561 Acórdão n.º 2302002.176 S2C3T2 Fl. 675 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 06/06/2005 e cientificada ao sujeito passivo, através de registro postal em 07/07/2005, de contribuições previdenciárias relativas a parte da empresa, do segurado empregado e do seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração de funcionários comissionados, funcionários contratados por tempo determinado, funcionários caracterizados como segurados empregados, de contribuintes individuais e as contribuições relativas a aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, nas competências de 01/1996 a 12/2004. O relatório fiscal, fls. 86/91, diz que não foram apresentados todos os documentos, o que ocasionou o lançamento por aferição indireta no exercício de 1996, com base nos documentos de 1997. Aduz que todos os créditos do contribuinte foram aproveitados e abatidos dos valores lançados. Após a impugnação, foi comandada diligência, fls. 531/533, para a elaboração de relatório complementar que discriminasse a natureza das contribuições lançadas, a forma de cálculo e os créditos do contribuinte considerados para a dedução do valor apurado. Em resposta, o Fisco elaborou informação de fls. 544/545, aduzindo que anexou em mídia digital os esclarecimentos solicitados, elaborou as planilhas de débito revisadas às folhas 537/540, e aplicou a decadência qüinqüenal, com base na Súmula Vinculante n.º 08. O contribuinte tomou ciência do resultado da diligência, conforme Registro Postal de fls. 597 e apresentou suas razões. Acórdão de fls. 617/634, julgou o lançamento procedente em parte para acatar a decadência qüinqüenal e excluir do lançamento as competências até 06/2000, pela homologação tácita exposta no artigo 150,§4º do CTN, em vista da existência de recolhimentos parciais das exações lançadas e no mérito, excluir o lançamento referente aos servidores efetivos, por possuírem regime próprio de previdência social, restando na Notificação as contribuições relativas aos segurados empregados, contribuintes individuais, aqueles caracterizados como empregados e às aquisições de produto rural de produtor pessoa física. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) o cerceamento de defesa, porque a decisão recorrida não apreciou os aspectos trazidos na impugnação quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade; b) o cerceamento de defesa pela não realização de perícia contábil, não oportunizando a produção de provas; c) que agora possui todos os documentos para a indispensável realização da prova; Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) que os serviços prestados na construção civil tiveram alguns recolhimentos, o que prova a necessidade da perícia contábil; e) que a lei ordinária n.º 9876/99 não poderia criar nova fonte de custeio para a Seguridade Social, no que se refere aos exercentes dos cargos de Secretários Municipais; f) que a contribuição do empregador sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo não está elencada dentre aquelas do artigo 195, da Constituição Federal; g) que agentes políticos não são empregados, não há relação profissional ou prestação de serviço e não recebem salário, mas subsídios; h) que a nova lei que tentou restabelecer a contribuição também é inconstitucional, não havendo norma válida que fundamente a exação lançada; i) que a contribuição sobre produto rural também é inconstitucional; j) que o arbitramento não tem base jurídica para prosperar, pois não identificado vínculo não exigência de contribuição previdenciária; k) que agora os elementos estão disponíveis para o exame da fiscalização sendo insubsistente o arbitramento; l) discorre sobre a inconstitucionalidade da contribuição, da multa, por ser confiscatória e dos juros com base na SELIC. Requer que seja declarada a nulidade da decisão para que sejam apreciadas as razões da impugnação, inclusive sobre a solicitação de perícia contábil, de cujo resultado impende que se pronuncie, e que seja declarada insubsistente a exigência contida na NFLD. Alternativamente, requer a redução da multa para 20% e dos juros para 12%, com a exclusão da SELIC. É o relatório. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/200561 Acórdão n.º 2302002.176 S2C3T2 Fl. 676 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 639, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Compulsando os autos é de se ver que a decisão recorrida já excluiu do lançamento as competências até 06/2000, de forma que se tornam inócuas as alegações da recorrente quanto às contribuições apuradas por aferição indireta e aquelas relativas à solidariedade, eis que já atingidas pela fluência do prazo decadencial. De acordo com o relatório fiscal de fls. 86/91, as contribuições do exercício de 1996 foram aferidas devido a falta de apresentação das folhas de pagamento e as contribuições relativas à responsabilidade solidária nas obras de construção civil, referiamse ao período de 01/1996 a 12/1998. São também improcedentes as argüições acerca da contribuição do empregador sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo, eis que tal matéria não consta da presente notificação. Quanto ao alegado cerceamento de defesa pela falta de apreciação da inconstitucionalidade das leis pela decisão recorrida, não possui razão a recorrente, pois a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda no que se refere ao cerceamento de defesa por não acatar a solicitação de perícia contábil para afastar o arbitramento e a solidariedade, além do que já foi exposto com relação ao assunto que não compõe mais o lançamento, em vista do período lançado já estar atingido pela fluência do prazo decadencial, é de se ver que em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, eis que constante de documentos por ele elaborados, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, foi correta a decisão recorrida ao indeferir o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/200561 Acórdão n.º 2302002.176 S2C3T2 Fl. 677 7 Com referência à argüição de que as contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais instituídas pela Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9876/99, são inconstitucionais e por isso devem ser excluídas da presente notificação, tenho a dizer que a Lei n. 9.876/99, acrescentou o inciso III ao artigo 22 da Lei n. 8.212/91, fixando em 20% a contribuição devida e incidente sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais que prestam serviço à empresa. O artigo 12, inciso V, letra “f”, da Lei n.º 8.212/91, descreve quem são os contribuintes individuais. E, os diplomas legais citados não foram inquinados de inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário , sendo inteiramente acatados pela via administrativa. Ainda, é de se destacar que a partir da Emenda Constitucional n.º 20/98, a contribuição das empresas sobre a remuneração de pessoa física que lhe presta serviço sem vínculo empregatício (autônomo, empresário, avulso, etc.), está prevista no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, deixando, conseqüentemente, de ser matéria privativa de Lei Complementar. Nessas condições, a Lei n.º 9.876/99, apesar de ser ordinária, é instrumento apto para revogar a Lei Complementar n.º 84/96, que tratava do assunto anteriormente. A recorrente não se manifesta sobre o mérito dos demais levantamentos, motivo pelo qual também não teço considerações sobre os temas, em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No que se refere a multa, ressalto que a presente notificação não traz a incidência de multa moratória, porque à época do lançamento o entendimento vigente era no sentido de que os Órgãos Públicos da Administração direta, as autarquias e as fundações de direito público, não responderiam por multas moratórias, de acordo com disposição da Instrução Normativa MPS/SRP, N.º 03/2005. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, no período de 07/2000, 06/2001 e 05/2002 em diante, entendo que a exceção da contribuição referente à competência 07/2000, as demais, à época do fato gerador, já estavam sob a vigência da Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, que incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária. Portanto, é de se asseverar que a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, não se aplica ao presente processo. Inclusive, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito às fls. 67/72, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos da redação dada pela Lei nº 10.256/2001, para as competências acima citadas. E aquelas que não estavam sob a égide da citada Lei, repito à exceção de 07/2000, já foram excluídas do lançamento pela decadência, como já exposto no início deste voto. As competências remanescentes de 06/2001, e 05/2002 a 11/2004, estão fundamentadas na nova redação do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, dada pela Lei n.º 10.256/2001. Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/200561 Acórdão n.º 2302002.176 S2C3T2 Fl. 678 9 RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35092.000444/200561 Acórdão n.º 2302002.176 S2C3T2 Fl. 679 11 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento o levantamento RUG, relativo à subrogação na competência 07/2000. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13974.000059/2006-36
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
EXERCÍCIO: 2003, 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto
de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.
PAF - NORMAS PROCESSUAL - RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros,
indicados como responsáveis nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN, estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, representado pelos sócios atuais, não ofereça impugnação.
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1804-000.005
Decisão: ACORDAM os Membros da e Turma Especial da P Seção do CARF, por
unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PAF - NORMAS PROCESSUAL - RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, indicados como responsáveis nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN, estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, representado pelos sócios atuais, não ofereça impugnação. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da e Turma Especial da P Seção do CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (VI .. Processo n° 13974.00005912006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 2 . . --- 7 MARC.;: , IUS NEDER DE LIMA Preside . NE FERREIRA DE MORAES Relatora Formalizado em: 19 juN 2009 Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Ausente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados em decorrência da apuração de omissão de receita, nos montantes de R$ 51.428,20, R$ 13.538,18, R$ 7.543,90 e R$ 34.818,27, respectivamente. A fiscalização apurou a omissão de receitas com base em informações prestadas em Dirf, sendo que em 2003 a interessada apresentou declaração com receita irrisória, e em 2004 apresentou declaração totalmente zerada. Intimada a apresentar a escrituração contábil e fiscal, a contribuinte declarou que não foi efetuada a escrituração para os anos de 2002 e 2003, e que os blocos de notas fiscais e parte da documentação da empresa foi extraviado por ocasião das alterações contratuais referentes a mudança de sócios, alteração de endereço e atividade (fls. 33). Desse modo, a fiscalização calculou o imposto de renda devido com base no lucro arbitrado, apurado a partir da receita bruta conhecida, nos termos do arts. 532 e 537 do RIR199. Foram lançados com multa qualificada o IRPJ omitido e os tributos reflexos. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, onde apresentou as seguintes razões: (i) nulidade do lançamento pelo fato da ciência ter sido efetivada em nome de Vanderlei Reitz, que não era mais sócio da empresa; (ii) inconstitucionalidade da Selic. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente com base nos seguintes fundamentos: a) Ao iniciar a ação fiscal, foram constatados os seguintes fatos: a inexistência da empresa; aos sócios atuais foi ocultada a existência de dividas anteriores da empresa e que tiveram muitos problemas, inclusive envolvendo inquérito policial; à época dos 072- • Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TEM Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 3 fatos geradores apenas Vanderlei Reitz era sócio de fato, e praticava os atos de gerência em nome da empresa. b) É válida a ciência pessoal a Vanderlei Reitz, que se qualificou como sócio-gerente, e que foi ratificada pela impugnação tempestiva apresentada em nome da autuada. c) A taxa Selic é cabível por expressa disposição legal. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, no qual alega em síntese que: a) O fato do recorrente apresentar impugnação em seu nome e da empresa, por precaução não pode por si só responsabilizá-lo pelos tributos, tendo em vista que está defendendo sua ilegitimidade em face da mais pura ausência de poderes legais para responder naquele ato da empresa. b) Os autos de infração exarados no presente processo são absolutamente nulos, uma vez que cientificados por pessoa que há muito tempo não tem poderes para responder pela pessoa jurídica, conforme alteração contratual anexa. c) Ressalte-se o voto do julgador Wanaldir Aparecido, que considerou não impugnada a exigência pela pessoa jurídica autuada, em face de o mandado haver sido conferido apenas pela pessoa fisica, onde percebemos mais uma ilegalidade que gera a nulidade da ação fiscal por vício formal. d) Requer a declaração de nulidade de todos os atos praticados pelo ex-sócio Vanderlei Reitz, declarando-o parte ilegítima no presente processo, e cancelando-se o lançamento por vício formal. e) Requer ainda, a substituição da taxa de juros Selic pela incidência de juros moratórios legais, nos moldes do art. 161 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. São três as questões a serem enfrentadas no presente recurso: (i) nulidade do auto de infração em virtude da ciência ter sido dada ao sr. Vanderlei Reitz; (ii) responsabilidade tributária do sr. Vanderlei Reitz; (iii) aplicação da taxa Selic. Desde o início do procedimento fiscal que levou à lavratura dos presentes autos de infração, além dos representantes legais da pessoa jurídica na época — Srs. Elias Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 4 . . Floriani e Lucio Floriani — foram intimados os antigos sócios da empresa nos termos dos arts. 135 e 137 do CTN (fls. 26/29), que assim dispõem: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1- as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; 111 - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 131 A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; 111 - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo espec(co: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas." Ao constatar que havia sido notificado dos autos de infração apenas o sócio- gerente que figurava no quadro societário da empresa na época dos fatos geradores, a Delegacia de Julgamento encaminhou o processo para a repartição de origem, a fim de ser dada ciência aos sujeitos passivos — contribuinte e responsável tributário (fls. 222/223). A Delegacia de origem tomou as seguintes providências: "1) Ciência do responsável atual (Sr. Elias Floriam), ciência por edital, verils. 230 a 233; 2) Ciência do responsável à época (Sr. Vanderlei Reitz), ciência pessoal, ver fls. 146, 148, 152, 155, 163, 174, 177 e 187; 3) Ciência do sócio atual (Sr. Lúcio Florianz), ciência pessoal, ver fl. 188; 4) Ciência do sócio à época (Sr. Charles Geovani Grossi), ciência por AR, verfl. 189; Processo rr 13974.000059/2006-36 SI-TEM Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 5 . . 5) Ciência da empresa, por edital, verfis. 129, 234 e 235". O art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vicio formal: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula." No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, tendo sido efetuada a intimação pelos meios previstos no art. 23 do mesmo diploma legal, que assim dispõe: "Art. 23. Far-se-á a intimação: 1- pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. §12 Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: 1- no endereço da administração tributária na internei; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Processo n° 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 -00005 Fl. 6 111 - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; 111-se por meio eletrônico: a)quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b)na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea "a"; ou c)na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 32 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4' Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 52 O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar-lhe-á as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 62 As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária." De fato, no momento da lavratura do auto de infração apenas foi cientificado o responsável tributário, e não os representantes legais da empresa. Tal fato foi percebido pela Delegacia de Julgamento, que enviou os autos à Delegacia de origem a fim de ser sanado o vicio formal. Após a intervenção da Delegacia de Julgamento, a contribuinte foi cientificada dos autos de infração por edital, e os seus representantes legais - Elias Floriani e Lúcio Floriani — também foram intimados. Assim, eventual vicio no momento da lavratura do auto de infração foi inteiramente sanado, dentro do prazo decadencial (a ciência da contribuinte Processo n°13974.000059/2006-36 Sl -TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 7 - . por edital e de seus representantes legais ocorreram nos meses de julho, novembro e dezembro de 2006). Por conseguinte, não há que se falar em nulidade do auto de infração por vicio formal. De mais a mais, é perfeitamente possível a indicação no auto de infração de sócios ou representantes da pessoa jurídica que participaram das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, sendo que o responsável não só pode como deve ter garantido o exercício do direito de defesa, sob pena de nulidade dos atos que cercearam este direito. Nesse sentido, transcrevemos as ementas abaixo: "PAF — NORMAS PROCESSUAL — RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO — INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO — LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, participes das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, em face da lei geral do processo (lei 9.784/99, art. 9°, II e 58, c. c. art. 69) e do CTIV; art. 142 (que impõe à autoridade administrativa a indicação, no lançamento, do sujeito passivo - gênero, do qual contribuinte e responsável são espécies), estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, quanto aos tributos devidos, desista do processo. (Acórdão n° 107- 08791, 1° CC, sessão de 19/10/2006) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO - ARTS. 124 E 133 DO CTN - IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO - APRECIAÇÃO - Um terceiro que seja arrolado no lançamento de oficio como responsável passa a compor a relação jurídico tributária no seu pólo passivo. O inciso LV do artigo 5" da Constituição Federal determina que "aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Desse modo, o julgador administrativo tem competência para apreciar a impugnação e o recurso apresentado por esse terceiro acusado, tendo em vista que foi qualificado como sujeito passivo do débito tributário. Por unanimidade de votos, DECLARAR nula a decisão de 1° grau. ( Acórdão n°108-09.291, 1°CC, sessão de 25/04/2007) No tocante ao voto vencido que considerou não impugnada a exigência pela pessoa jurídica autuada, deve ser observado, que o sr. Vanderlei Reitz, arrolado no lançamento de oficio como responsável, passa a compor a relação jurídico tributária no seu pólo passivo, e tem o direito de impugnar o lançamento, não sendo parte ilegítima. Por fim, além dos casos de nulidade por vício formal, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. 92-3 • . Processo e 13974.000059/2006-36 SI-TE04 Acórdão n.° 1804 - 00005 Fl. 8 Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. Ante o exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 18 de março de 2009. ERREIRA DE MORAES 8 Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.006794/2007-67
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento em discussão se refere ao ano-calendário de 2001, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 31/12/2007. Como a ciência do lançamento se deu em 18/05/2007, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL. SEM PROVAS NOS AUTOS.
O contribuinte afirma que os rendimentos recebidos em 2001 correspondem à devolução do capital social feita somente em 2002.
Entretanto, as provas dos autos não confirmam essa hipótese, sendo forçoso reconhecer a natureza de acréscimos patrimoniais tributáveis, nos termos do art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 1988.
Preliminar de decadência rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento em discussão se refere ao anocalendário de 2001, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003 e terminou em 31/12/2007. Como a ciência do lançamento se deu em 18/05/2007, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 67 94 /2 00 7- 67 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 227 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEVOLUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL. SEM PROVAS NOS AUTOS. O contribuinte afirma que os rendimentos recebidos em 2001 correspondem à devolução do capital social feita somente em 2002. Entretanto, as provas dos autos não confirmam essa hipótese, sendo forçoso reconhecer a natureza de acréscimos patrimoniais tributáveis, nos termos do art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 1988. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 18 a 23, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, para tributar rendimentos omitidos recebidos de pessoas jurídica, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.680,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 15), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 184v a 185): Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 228 3 Alega que os R$ 33.000,00 considerados como tributáveis pelo lançamento não estão dentre as hipóteses de incidência de IR, elencadas no art. 153, II, da Constituição Federal, por serem decorrentes da redução do capital social da empresa Factum, transferidos para cada sócio no “exercício fiscal de 2001”, conforme alteração contratual de fls. 28 e 29, a qual teria sido devidamente arquivada na Junta Comercial do Paraná. Ressalta que tal transferência foi “devidamente declarada à SRF/MF consoante DIRF eletronicamente encaminhada (doc. 04), a qual constou a legítima transferência aos sócios do valor recebido a título de redução do capital social, receita identificada com o código “8045””. Salienta não ter havido aumento patrimonial e, assim, incabível o lançamento de tributo, multa e juros, em razão da não ocorrência do fato gerador. Concorda com a tributação de apenas R$ 3.000,00 recebidos no mês de janeiro de 2001, asseverando que os R$ 33.000,00 restante foram “recebidos exclusivamente como sendo decorrentes de REDUÇÃO DE CAPITAL SOCIAL” e não “DECORRENTE DE SEU TRABALHO OU MESMO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS À SOCIEDADE EMPRESÁRIA”. Informa que o capital social integralizado, desde 1996, era de R$ 2.598.000,00 e poderia ser reduzido, sem qualquer embargo e sem cobrança de imposto. Manifestase quanto à tempestividade da impugnação apresentada. Suscita decadência do lançamento referente ao anocalendário de 2001, em razão de ter sido cientificado em 18/05/2007, transcrevendo os arts. 156 e 173 do Código Tributário Nacional – CTN, além de jurisprudência administrativa. Aduz que, por ser referente a quotas sociais da empresa Factum, devidamente consignadas na declaração de bens, a devolução ao sócio do capital integralizado reduzido não configuraria hipótese de acréscimo patrimonial e, portanto, não estaria inscrita na matriz de incidência do IR, definida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Para corroborar sua alegação, transcreve jurisprudência administrativa sobre a matéria. Insurgese contra o lançamento, afirmando haver uma exigência ilegal e contrária a princípio constitucional que veda o confisco, art. 150, IV, da Constituição Federal. Transcreve doutrina sobre esse princípio. Finaliza solicitando: o recebimento da impugnação e a suspensão da exigibilidade; que a SRF não efetue a inscrição no CADIN e a cobrança judicial dos valores impugnados; decadência do direito de constituição do crédito tributário; o cancelamento do auto de infração em razão das alegações apresentadas; homologação da DIRPF/2002, em razão da inexistência de irregularidade. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 229 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 184 a 188v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IMPUGNAÇÃO. EFEITOS. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário e, em conseqüência, impedem a cobrança amigável do débito, a sua inscrição em dívida ativa e a propositura de ação de execução fiscal. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. PRAZO. O direito de constituir o crédito tributário decorrente da omissão de rendimentos, quando não houve pagamento do IR, somente decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO. REDUÇÃO DE CAPITAL INTEGRALIZADO. PROVA. A devolução de capital social integralizado ao sócio deve estar devidamente comprovado nos autos, ainda mais quando as alterações contratuais são posteriores ao anocalendário do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 230 5 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/8/2009 (fl. 194), o contribuinte apresentou, em 17/9/2009, o recurso de fls. 195 a 213, onde defende: a) preliminarmente, a decadência do lançamento, por ser relativo ao ano calendário de 2001 e ter sido cientificado apenas em 18/05/2007; b) que os valores forem erroneamente tributados, porque se referem à devolução do capital social da empresa Factum a seus sócios; c) que a redução do capital social foi devidamente arquivada na Junta Comercial do Paraná, e informada à Receita Federal por meio de DIRF (código 8045); d) que o lançamento está correto apenas com relação a R$3.000,00, correspondentes à receita do mês de janeiro de 2001, indevidamente lançada como rendimento não tributável. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 225, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminar de decadência: Preliminarmente, o recorrente defende a decadência do lançamento, por ser relativo ao anocalendário de 2001 e ter sido cientificado apenas em 18/05/2007 (fl. 19). Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 231 6 Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. As diversas correntes doutrinárias passaram a se digladiar sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4o, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 232 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, ao contrário do afirmado no recurso, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois o contribuinte não apurou ou compensou qualquer imposto na declaração de ajuste do exercício de 2002 (fl. 177), e não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 233 8 Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, tendo ocorrido, no caso, em 31/12/2001. Logo, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 1/1/2002, sendo o primeiro dia do exercício seguinte o dia 1/1/2003, marco inicial do prazo decadencial, que terminou em 31/12/2007. Como a ciência do lançamento se deu em 18/05/2007 (fl. 19), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Desta forma, rejeito a preliminar de decadência. Mérito: No mérito, a discussão cingese à tributação de R$33.000,00 recebidos da empresa Factum Empreendimentos e Participações Ltda., que o contribuinte afirma se tratar de devolução do capital social, e a autoridade fiscal considerou como prólabore. O lançamento não admitiu que o pagamento se referia a devolução de capital social pelos seguintes argumentos (fl. 21): a) os sócios alegaram recurso de contrato de mútuo com a empresa que posteriormente foram quitados com redução do capital social; b) apresentaram contrato de mútuo sem o devido registro público, não fazendo prova contra terceiros; c) apresentaram livro diário da empresa que não contém históricos que esclarecem tais empréstimos e redução de capital social; d) a empresa tem lucros acumulados e, no entanto, faz empréstimo a sócio. Assim, inicialmente o contribuinte buscou comprovar os valores recebidos em 2001, como empréstimos tomados junto à empresa, conforme contratos de mútuo de fls. 131 a 141, que teriam sido quitados posteriormente em 2002 com a redução do capital social. Concordo como os argumentos da autoridade fiscal para rejeitar essa argumentação. De fato, os contratos de mútuo sem registro público e a simples demonstração dos pagamentos aos sócios são insuficientes para comprovar a natureza de empréstimos dos valores recebidos. Entretanto, em sede de impugnação e de recurso voluntário, o sujeito passivo passa a afirmar que os valores recebidos correspondem à devolução do capital social. Como prova do seu direito, o recorrente apresenta cópia da 19a Alteração de contrato social, assinada em 15/08/2002, e registrada em 25/09/2002, que determina a redução do capital social de R$ 2.898.000,00 para R$ 2.634.000,00, e afirma que a redução de R$ 264.000,00 já foi efetivada em moeda corrente e legal do país a título de devolução de capital, e distribuída proporcionalmente para todos os sócios (fls. 100 a 102). Entretanto, como bem observado no acórdão recorrido, o lançamento se refere ao anocalendário de 2001, e a alteração contratual está datada de agosto de 2002, e Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.006794/200767 Acórdão n.º 2101002.142 S2C1T1 Fl. 234 9 apesar de dizer que a devolução de capital já havia sido feita em moeda corrente, não estabelece a data exata dessa devolução. A outra prova do direito seria a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF do anocalendário 2001 da empresa Factum, que informou ter pago ao contribuinte R$36.000,00 no código 8045 (fl. 38). Entretanto, o julgador a quo argumentou (fl. 186v) que, embora se alegue que o código 8045 seria próprio para documentar a devolução de capital social a sócio, verificase que ele não tem qualquer relação com o motivo alegado, por se referir a “importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas a título de comissões, corretagens, ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou mediação na realização de negócios civis e comerciais”. O acórdão recorrido ainda analisa a legislação tributária para concluir que a alteração do capital social só pode produzir efeitos, na melhor hipótese, na data da assinatura do instrumento, que se deu apenas no ano de 2002. Assim, não há elementos nos autos que sustentem a tese do recurso de que os valores recebidos em 2001 correspondem à devolução do capital social registrada em 2002, sendo forçoso reconhecer sua natureza de acréscimo patrimonial tributável, nos termos do art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11070.002996/2002-51
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00. SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00. DECISÃO EMBARGADA QUE EQUIVOCADAMENTE DETERMINOU A EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DEDUZIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INCIDÊNCIA INDEVIDA DO ART. 42, § 3º, II, DA LEI N° 9.430/96. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS NOMINADOS. MANUTENÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DO ANO-CALENDÁRIO 1998.
Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapasse R$ 80.000,00, devem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos, não podendo ser aplicado o art. 42, §3°, II, da Lei n° 9.430/96. A decisão embargada que determinou a exclusão de rendimentos declarados já deduzidos pela autoridade lançadora, fazendo incidir indevidamente a norma legal ora citada, deve ser sanada na via dos embargos inominados, na forma do Anexo II, art.66, do Regimento Interno do CARF
Embargos acolhidos para sanar lapso manifesto no Acórdão n° 106-17.186, de 16/12/2008.
Numero da decisão: 2102-000.575
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por imanimidade de votos, em ACOLHER os embargos inominados para manter a infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1998, retificando o Acórdão n° 106-17.186, de 16 de dezembro de 2008, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00. SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00. DECISÃO EMBARGADA QUE EQUIVOCADAMENTE DETERMINOU A EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DEDUZIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INCIDÊNCIA INDEVIDA DO ART. 42, § 3º, II, DA LEI N° 9.430/96. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS NOMINADOS. MANUTENÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DO ANO-CALENDÁRIO 1998. Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00, cujo somatório ultrapasse R$ 80.000,00, devem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos, não podendo ser aplicado o art. 42, §3°, II, da Lei n° 9.430/96. A decisão embargada que determinou a exclusão de rendimentos declarados já deduzidos pela autoridade lançadora, fazendo incidir indevidamente a norma legal ora citada, deve ser sanada na via dos embargos inominados, na forma do Anexo II, art.66, do Regimento Interno do CARF Embargos acolhidos para sanar lapso manifesto no Acórdão n° 106-17.186, de 16/12/2008.
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Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS , . Processo n° 10860.004850/2003-61 Recurso n° 303-134.859 Especial do Procurador Acórdão ti° 9202-00.165 — 2aTurma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VERA LÚCIA BOTELHO RODRIGUES E SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. 10j 3 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 2 CARL • S Ai 1 • FREITAS BARRETO — Presidente 11:19/ .11 JULIO 1 S P.49 VI ' IRA GOME — Redator-Designado EDITADO EM: 2, 8 1 a9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. '31k 2 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 3 Relatório VERA LÚCIA BOTELHO RODRIGUES E SANTOS, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação iao exerctjcio de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Pinheirinhó“, localiiadó rio município de São José do Barreiro-SP, cadastro SRF n° 1.542.844-3, conforme peça inaugural do feito, às fls. 19/30, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 8.063/2005, às fls. 75/79, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3' Câmara, em 13/06/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 303-34.414, sintetizados ha seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR/1999. Auto de infração. Glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Afastada a preliminar suscitada. Para fins de isenção do ITR não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 7°, da lei n° 9.393/96. Comprovado habilmente e dentro do prazo legal, mediante ADA, certidões oficiais emitidas pelo órgão competente, mapas, laudo técnico e outros, devidamente revestidos de formalidades legais, faz comprovação hábil da existência das áreas isentas da propriedade, na época do fato gerador." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fis. 142/152, com arrimo no artigo 7 0, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão n° 302-36585, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que impõe que a comprovação da eXistência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. (‘'Çj 3 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 F1. 4 Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da "Reserva Legal", traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, especialmente Código Florestal, aprovado pela Lei n° 4.771/1965, bem como Lei n° 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, notadamente a Lei n° 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144, do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente, consoante jurisprudência do STJ transcrita em sua peça recursial Infere que a Medida Provisória n° 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei n° 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em' nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei n°4.771/1965. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de Outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da Mesma matéria, qual seja, necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricida do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho n°480/2007, às fls. 162/165. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Faizenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 173/175, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão n° 302-36585, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigenia da previa averbação de reserva legal para fins da benesse isentiva, a 3a Câmara do então 3° Conselho de Contribuintes, contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei n° 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 40, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o paramento do ITR serão efetuados (1N/ pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homoloracão posterior. , 5 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 6 # 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- V'TN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservado permanente e de reserva le2al, previstas na Lei n° 4.771. de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecoló2ico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do timão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. 11.3 § 7°A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, 1°, deste artiro, não está sujeita à prévia comprovacão por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pazamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001)" (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural go lze do direito de isenção do ITR relativo a gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina-se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata-se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis — CRI,' como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada a proteção ambiental, muito menos Poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. 6 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 7 É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando- se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta- se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva, Tal alerta) Yâç lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando-lhe o beneficio fiscal se comprovada a observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforça-lhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal, é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito'. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório, ou ainda a não requisição atempada do ADA, condição le2a1 para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim, considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. 416Ç 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11* Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. 7 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 8 Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o, i requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. 1 1, Assim, realizado o lançamento de 1TR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não , estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nos 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez , demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência á fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I — os atos normativos expedidos pelas autoridades ,administrativas;[...] I I Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código TribUtário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, , que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: "Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as intruções I normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais, I atos normativos." 8 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 9 Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vineulação absoluta dos atos normativos à lei. "... 1 As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade 'está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPEC. L DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. - Rycardo 'que Magalhães de Oliveira — Relator 9 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Designado Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. 1. § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 10 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 11 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbaçã o das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 11 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 12 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta ' não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da 'sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 12 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 13 reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo ,¢ 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, IJO,sem que esteja identificada na sua — averbação (v.g MS 22.688) ( n .j'P Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento I tilt jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 13 Processo n° 10860.004850/2003-61 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.165 Fl. 14 1 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. , Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não' averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. Em razão di. -xposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à .e . legal não averbada à época do fato gerador. , M Julio Ces. i 41 a Gomes — Redator-Designado , I 1 , , , 141 1, I
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Numero do processo: 10209.000135/2005-13
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2000
Taxa Selic A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ALADI. TRIANGULAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. O descumprimento das exigências documentais fixadas nos acordos celebrados no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração impede o aproveitamento da preferência tarifária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/03/2000 FATURA COMERCIAL. EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES A fatura comercial apresentada por ocasião da formulação do despacho de importação deve atender as exigências regulamentares, sob pena da imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2000 TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 35 /2 00 5- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 164 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, bem como da multa por descumprimento de requisitos da fatura comercial, prevista no art. art. 106, inciso V, do Decreto nº 37/1966, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor R$ 309.764,66, objeto do Auto de Infração de fls. 0213. 2. Conforme relato da fiscalização, o contribuinte acima qualificado promoveu a importação de mercadoria, utilizando indevidamente a preferência tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), por meio da DI nº 00/02054412 . Em decorrência, foi lavrado auto de infração para exigência de diferença do Imposto de Importação, aplicandose a alíquota integral, sem a preferência tarifária. A autuação se baseia nos seguintes fundamentos: 2.1 A aplicação da alíquota reduzida prevista no ACE 39 fundamentase no tratamento favorecido em razão da origem da mercadoria, conforme art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985 (art. 503 do Decreto nº 4.543/2002); 2.2 Para comprovação de que a mercadoria é originária do país signatário do acordo, exigese o certificado de origem; 2.3 Conforme, art. 8º do ACE 39 (Decreto nº 3.138/1999), o regime de origem adotado é o estabelecido na Resolução 78 da ALADI, anexa ao Decreto nº 98.874/1990, e no Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836/1990, alterado pela Resolução 232, firmados no âmbito da ALADI; 2.4 Conforme Resolução 252 da ALADI, apensa ao Decreto nº 3.325/1999 aprovou o texto consolidado da Resolução 78, contendo ainda as disposições das Resoluções 227 e 232 bem como dos Acordos 25, 91 e 215. trazendo normas que disciplinam a comprovação da origem da mercadoria e estipulando requisitos a serem atendidos para fruição das preferências tarifárias pactuadas pelos países membros da ALADI; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 165 3 2.5 O certificado de origem apresentado não obedece ao art. 10, parágrafo terceiro, da Resolução 252 da ALADI, no que diz respeito à data de sua emissão, que é anterior a fatura comercial que instruiu a Declaração de Importação quando deveria ser na mesma data ou nos sessenta dias seguintes à emissão da fatura; 2.6 O contribuinte realizou a importação da empresa PDVSA, situada na Venezuela, com transporte direto para o Brasil, porém uma terceira empresa, Petrobrás International Finance Company (PIFCO), situada em Trinidad e Tobago, foi indicada como exportadora; 2.7 O certificado de origem registra como país exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial emitida pela PDVSA, de nº 904150, porém a fatura que instruiu a DI foi a de nº PIFSB235/2000, emitida pela PIFCO, sendo indicado Trinidad e Tobago como país de aquisição; 2.8 Na operação comercial, houve a intervenção de um terceiro país não membro da ALADI; 2.9 O art. 4º da Resolução 252 não prevê a intervenção de terceiro país, não membro da ALADI, na qualidade de exportador, do modo ocorrido na operação em comento; 2.10 Embora o art. 9º da Resolução 252 da ALADI permita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser fatura por um operador de terceiro país, no caso concreto não houve a interveniência de um operador, nos termos da citada Resolução, mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada em Trinidad e Tobago faturou e exportou para o Brasil uma mercadoria que se pretende seja objeto da preferência tarifária no âmbito da ALADI; 2.11 Mesmo que a empresa exportadora se enquadrasse como operadora, seria necessário constar declaração no certificado de origem de que a mercadoria seria faturada por empresa de terceiro país, indicando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador ou, caso ainda não fosse conhecido o número da fatura comercial emitida pelo operador, o importador deveria apresentar uma declaração juramentada que justificasse o fato; 2.12 No caso, tanto a fatura comercial como o certificado de origem, por desatendem à legislação de regência, não se constituem documentos hábeis para fruição da pretendida redução tarifária e a operação comercial realizada, envolvendo terceiro país não membro da ALADI, descaracteriza a participação de operador de terceiro país; 2.13 Na base de cálculo do Imposto de Importação foi computado o valor do frete, que deixou de ser incluído pelo importador, e compensada a quantia recolhida no ato de registro da DI e bem como o valor adicional pago posteriormente; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 166 4 2.14 A fatura comercial nº PIFSB235/2000, emitida pela PIFCO, está em desacordo com as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m”, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985. 3. Cientificado do lançamento em 24/02/2005, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 4353, em 28/03/2005, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 3.1 A Petrobrás, através de uma empresa integrante de seu grupo econômico (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu mercadoria produzida na Venezuela, junto à empresa PDVSA, sediada nesse mesmo país, mediante a utilização de alíquota reduzida, com base no ACE 39; 3.2 O envolvimento de três empresas na operação comercial gerou a emissão de duas faturas, sendo a primeira expedida pela PDVSA e a segunda expedida pela PIFCO, tendo esta instruído a DI e nela constando referência expressa à fatura comercial originária; 3.3 A aludida operação é denominada triangulação comercial e consiste numa prática internacional comum, adotada por razões de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 3.4 Não se pode afirmar que na importação não há a interveniência de um operador, nos termos da Resolução 252, pois esta não definiu a figura do operador nem informou como deveria ser a operação; 3.5 A impugnante realizou comércio com os países integrantes do Acordo, utilizandose de sua empresa subsidiária, sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadora comercial e não de exportadora, tendo havido um equívoco no preenchimento da DI; 3.6 A PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda; 3.7 A mercadoria foi transportada diretamente da Venezuela para o Brasil, conforme demonstram o certificado de origem e o conhecimento de carga, bem como reconhece a fiscalização; 3.8 A própria Receita Federal não prevê procedimento específico s ser seguido para os casos de triangulação comercial, mesmo após a edição da Resolução 252 da ALADI; 3.9 O certificado de origem foi expedido na Venezuela, contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a PDVSA, e a certificação propriamente dita, trazendo a indicação da fatura comercial expedida pela citada empresa; 3.10 A fatura emitida pela PIFCO traz informações condizentes com as contidas no certificado, fazendo referência a este documento, em consonância com o art. 8º da Resolução 252; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 167 5 3.11 A suposta irregularidade atinente ao descumprimento de requisitos da fatura está vinculada à falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial pois, na ausência de normas específicas foi apresentada apenas uma fatura, mas o importador diligenciou para que nela fossem anotados os números dos certificados de origem e da fatura originária; 3.12 O art. 425 do Regulamento Aduaneiro impõe regras voltadas para o exportador, mas a PIFCO autuou na qualidade de operadora; 3.13 O Imposto de Importação consiste num instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatória; 3.14 É inaplicável a multa de ofício, por força do ADI SRF nº 13/2002; 3.15 deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua ilegalidade e inconstitucionalidade, com base no art. 146 da Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN; 4. Conforme despacho de fls. 6162, foi determinada diligência com vista a sanar e irregularidade na representação processual do sujeito passivo, tendo sido apresentado requerimento de fls. 6667, acompanhado da procuração e substabelecimento de fls. 6869, em que o representante legal da impugnante convalida a impugnação apresentada. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/03/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 168 6 elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/03/2000 FATURA COMERCIAL. A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2000 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica PDVSA e a Petrobras International Finance Company (Pifco) seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 3102000.134, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento. Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 169 7 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 1 Demarcação do Litígio Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e as determinações da resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobras International Finance Company Pifco, pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportadora, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Cabe ainda analisar a insurgência acerca da imposição da multa de R$ 12,67, por apresentação de fatura comercial em descompasso com o que preceituava o regulamento aduaneiro vigente à época das operações. 2 Mérito 2.1.1 Preferência Tarifária Diferentemente dos demais processos em que a juntada da fatura relativa à operação entre a exportadora situada na Venezuela e a intermediária situada em país estranho à Aladi saneou as falhas de instrução do despacho, entendo que, no presente processo, não há como reconhecer a redução pleiteada. Em primeiro lugar, há que se recordar o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos (original não destacado): Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 170 8 Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Como é possível concluir, nos termos do dispositivo transcrito, tratandose de preferência tarifária outorgada no âmbito da Aladi, não há espaço para a comprovação do cumprimento das regras de origem por qualquer meio, mas exclusivamente de acordo com as regras, materiais e formais, próprias daquele acordo. O que restará demonstrado, portanto, é que não foram apresentados os documentos exigidos pela legislação que disciplina a preferência objeto do litígio, nem suprida essa ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 2.1.2 Tipicidade e Relação Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) Vejamos o que diz Alberto Xavier1 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) 1 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 171 9 José Souto Maior Borges , a seu turno, citando Sainz de Bujanda, não destoa2: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal consequência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se recorrer à analogia, a pretexto de suprir supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloquente do Legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do caput do art. 434. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o Acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como 2 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 172 10 originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut , citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. 2.1.3 Comprovação do Cumprimento das Exigências Inerentes ao Regime de Origem da Aladi No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 8 do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. O que se discute, de fato, é o cumprimento ou não da Resolução nº 252, em cujos art. 8º e 9º lêse: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 173 11 por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Concluise, a partir da leitura conjugada dos dois dispositivos, que a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação de Certificado de Origem revestido das formalidades legais ou da apresentação de declaração juramentada. Pois bem, trazendo tal legislação para o presente litígio, apesar da possibilidade de se rastrear os demais elos da operação, mediante a juntada da fatura comercial nº 9041503, expedida pela pessoa jurídica PDVSA, há falhas de instrução que inviabilizam o aproveitamento da preferência tarifária. De fato, o Certificado de Origem nº ALD 10003225344 não faz qualquer referência à intervenção da PIFCO e, diferentemente do que se verificou em outros processos, eventuais imprecisões desse documento não puderam ser supridas a partir da fatura acreditada por esse documento. A fatura colacionada ao processo por meio da diligência também não faz qualquer referência à intervenção do operador situado em terceiro país. Reafirmese, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas. Identificar o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Assim, não seria suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria teria sido produzida na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral, gizada no caput do art. 434 do RA/85. Por outro lado, como antecipado, tratandose de matéria que só pode ser disciplinada em lei ou ato de status equivalente, não se pode partir do pressuposto de que a sistemática definida na Resolução 252 conteria lacunas que pudessem ser sanadas por meio da analogia.. 2.2 Multa por Falha na Fatura Comercial Aponta ainda a autoridade que a fatura comercial apresentada para despacho descumpria as exigências regulamentares fixadas nas alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 19855. 3 Anexada à informação fiscal de fls. 139 a 159 (numeração digital) 4 Fl. 25 (arquivo digital) 5 Art. 425. O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que conterá as seguintes indicações (Decretolei No 37/66, art. 45). a) nome e endereço, completos, do exportador; (...) h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 174 12 O sujeito passivo, a seu turno, argumenta que o dispositivo legal que respaldaria a multa regulamentar teria sido revogado pela Lei nº 10.833, de 2003. Analisando a fatura comercial PIFSB235/20006, apresentada no despacho, concluise que, de fato, as informações elencadas no regulamento aduaneiro vigente não foram cumpridas. Por outro lado, não vejo como considerar que a Lei nº 10.833, de 2003, tenha feito algo diferente de renumerar o dispositivo e impor uma multa superior à fixada no Decretolei nº 37, de 1966. Com efeito, a infração, à época dos fatos era assim descrita no inciso V do art. 106 do Decretolei nº 37: V de 1% a 2% (um a dois por cento), não podendo ser, no total, superior a Cr$ 100.000, pela apresentação da fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das exigências que forem estabelecidas no regulamento, salvo o caso da letra "b" do inciso anterior. Com a entrada em vigor da Lei nº 10.833, de 2003, a infração passou a ser assim descrita, no art. 107, X, “c”, do mesmo Decretolei nº 37/66: X de R$ 200,00 (duzentos reais): (...) c) pela apresentação de fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das indicações estabelecidas no regulamento; e Ora, afora deixar de fazer menção à multa por falta de fatura, o dispositivo novel mantém a previsão de multa para a apresentação de fatura em razão do descumprimento com o previsto no regulamento e onera a multa e impõe a tal conduta a multa de R$ 200,00, outrora fixara em R$ 12,67. 2.3 Taxa Selic Não vejo como afastar a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC sobre os débitos tributários debatidos no presente recurso Voluntário. A discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (...) m) frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; 6 Fl. 24 (arquivo digital) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000135/200513 Acórdão n.º 3102001.554 S3C1T2 Fl. 175 13 3 Conclusão Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 18 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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