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Numero do processo: 10111.000129/92-24
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 1993
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
O embarque de mercadoria importada no exterior, antes de emitida a carta de credenciamento, configura infração administrativa ao controle das importações, prevista no art. 526, inciso VI, do Regulamento Aduaneiro (Dec. 91.030/85).
Numero da decisão: 302-32.545
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passsam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUÍS CARLOS VIANA DE VASCONCELOS
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INFRAÇAO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇOES. O embarque de mercadoria importada no exterior, antes de emitida a carta de credenciamento, configura in- fração administrativa ao controle das importações, prevista no art. 526, inciso VI, do Regulamento Adua- neiro (Dec. 91.030/85). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimen- • to ao recurso, na forma do relatório e voto que passsam a integrar o presente julgado. Brasília-DF., em 16 de março de 1993. SERGIO D 'ASTRO EV - Presidente • , .4001. ,D CARLOS V ' DE VASCONIP LOS - Relator la ''COISO NEVE': BAPIddr NETO- Proc. da Faz. Nacional 1 VISTO EM - SESSA0 DE:AP+P”2 MI :jt13 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: Ubaldo Campello Neto, José Sotero Telles de Menezes, Wlademir Clovis Moreira, Elizabeth Emílio Moraes Chieregatto, Ricardo Luz de Barros Barreto e Paulo Roberto Cuco Antunes. 2 MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CUARA RECURSO N. 115.052 - ACORDO N. 302-32.545 RECORRENTE : S/A CORREIO BRAZILIENSE RECORRIDA : IRF - Aeroporto Internacional de Brasília- DF RELATOR : LUIS CARLOS VIANA DE VASCONCELOS RELATORI 0 Em ato de revisão aduaneira nas Declarações de Importa- ção de n. 02011/88, 02012/88 e 01959/88, S/A Correio Braziliense foi autuado pela fiscalização por infringência ao art. 10, inciso II, do Decreto-lei n. 2434/88 e art. 432 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n. 91.030/85. Em decorrência, foi lavrado o auto de infração de fl. 01, no qual a empresa acima mencionada foi responsabilizada por infra- ção administrativa ao controle das importações, exigindo-se-lhe, em consequência, o crédito tributário referente ao imposto de importação, I.P.I. e à multa prevista no art. 526, inciso VI do Regulamento Adua- neiro em vigor. As fls. 75/76 a autuada apresentou impugnação tempesti- va alegando em resumo: 1 - Que consoante se vê da descrição dos fatos e enquadra- mento legal, a infração fiscal prende-se a emissão de carta de credenciamento posterior ao embarque das mer- cadorias importadas; 2 - Que trata-se de formalidade necessária, mas não essen- cial. Passados, porém, mais de 5(cinco) anos, confessa que "ignora os motivos da apresentação dessa carta a destempo; 3 - Que as importações de bens e equipamentos destinados à empresa são realizadas através de despachantes no ramo e credenciados junto às repartições oficiais; 4 - Que parece exagero autuar uma empresa séria, correta e tradicional, por um fato que não acarretou prejuízo a ninguém e que decorreu de algum equívoco burocrático. As fls. 82, o fiscal autuante refutou as alegações da autuada, afirmando serem elas irrelevantes e carentes de amparo legal, acrescentando: I - Que o embarque de mercadoria antes de emitida a Carta de Credenciamento é infração administrativa ao controle das importações, sujeita à penalidade prevista no inciso VI, do art. 526, do Regulamento Aduaneiro; II - Que não transcorreram mais de cinco anos da impor- tação, conforme comprovam as cópias da D.I's anexas ao processo; III - Que o despachante aduaneiro, quando credenciado pe- lo importador, passa a ter poderes de agir em nome da empresa, através de procuração a ele outorgada. 3 Rec.: 115.052 Ac.: 302-32.545 Finaliza suas refutaçbes, manifestando-se pela manuten- ção do Auto de Infração. As fls. 84/86, ao apreciar as alegaçbes da impugnante, bem como o parecer do fiscal autuante, a autoridade "a quo" julgou procedente a ação fiscal, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão de primeira instância, a au- tuada interpers recurso tempestivo a este Egrégio Conselho, no qual reitera as alegaçbes trazidas na fase, impugnatória. E o relatório. 1/1/fr 4 RCC.;: 115.052 AC.N 302-32.5145 VOTO O art. 1432 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo De- creto n. 91.030/85 estabelece, no seu caput o seguinte g "O importador deverá apresentar, ainda, por ocasio do despacho, a guia de importa- Oo ou documento equivalente. emitido pelo Org .ão competente, quando exigível na forma da 1.egis1a0W on y¡govnu Do exame do processo verifica-se que o embarque das fa@FEãd gFiã§ Wh r@f@renciãy "mrAdms pela% D.I's n.s 1959/88, 002011/88 e 002012/88, ocorreu, respectivamente em 23/09/08, 23/09/88 e 26/09/08, anteriormente, portanto, á data de emisso da carta dé credenciamento, emitida pela CACEX, o que se deu em 02/11/8S, o que caracteriza a infra0Q administrativa ao controle das importaçffes ca- pitulada no inciso IV do art. 526 do Regulamento Aduaneiro em vigor. Pelo expoto, leujo provimento ao recurso. Sala das Se 3e .;, em 16 de março de 1993. . . . LIJI.08 VIANA DE VASCONCE_OS - Relator , I
score : 1.0
Numero do processo: 10480.006604/90-42
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 1996
Ementa: IPI - Levantamento da produção por elementos subsidiários. Faltas apuradas no confronto com a produção registrada e demais elementos fornecidos pela empresa. Imposto devido. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-08491
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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I 9 ... t ..... 1": Ru rica MINISTÉRIO DA FAZENDA , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4107 1 „, Processo : 10480.006604/90-42 Sessão 11 de junho de 1996 Acórdão : 202-08.491 Recurso : 097.704 Recorrente : METALGRÁFICA MATARAZZO S/A Recorrida : DRF EM RECIFE - PE IPI - Levantamento da produção por elementos subsidiários. Faltas apuradas no confronto com a produção registrada e demais elementos fornecidos pela empresa. Imposto devido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por METALGRÁFICA MATARAZZO S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 1, 4e junho de 1996. gosé ea • ra _ ano Presidente - exercício Tar:' io Campe o : o : - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Antônio Sinhiti Myasava e Ezio Giobatta Bernardinis (suplente). 1 ,„mksg MINISTÉRIO DA FAZENDA *r‘ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10480.006604/90-42 Acórdão : 202-08.491 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARÁSIO CAMPELO BORGES O recurso é tempestivo e dele conheço. Conforme relatado, a exigência fiscal teve origem em auditoria de produção, tendo como elemento subsidiário o produto intermediário "alça para lata de 5 galões", onde foi apurada a saída de produtos de classificação fiscal 73.23.02.01 (TIPI/83) sem emissão das Notas- Fiscais correspondentes. A infração foi apurada com base nas informações prestadas pela autuada às fls. 03 e 05, bem como no confronto de dados contidos no Livro Registro de Inventário, nas Fichas de Controle da Produção e do Estoque e na relação de Notas-Fiscais de Venda, também fornecidos pela interessada (cópias de fls. 11/42). O quantitativo de produtos saídos irregularmente foi determinado a partir do Demonstrativo da Relação Insumo/Produto de fls. 10, elaborado a partir do estoque inicial do produto intermediário adotado como elemento subsidiário. Anexa à impugnação de fls. 46/47, a ora recorrente contesta o demonstrativo citado no parágrafo anterior e apresenta o novo Demonstrativo de fls. 48, refutado pela autoridade monocrática na fundamentação da decisão recorrida, conforme trecho que adoto e transcrevo: "A fim de justificar os dados apresentados no demonstrativo trazido na fase impugnatória, que contrariam os que ela forneceu no decorrer da Ação Fiscal (latas que recebem alças pequenas vendidas no exercício de 1988 -fls. 29 e 30), a defendente apresenta as relações de fls. 49/50. Entretanto, obstante o arrazoado da defesa e a juntada de Notas Fiscais, de fls. 51 a 133, não pode prosperar a argumentação da autuada, senão vejamos: I - As Notas Fiscais de Venda anexadas não comprovam a saída dos insumos (alça pequena) dos estoques. Referem-se em grande parte a "embalagens metálicas diversas" (grifamos); 2 - A relação utilizada pela fiscalização é especifica para o referido produto intermediário aplicado na industrialização das latas, categorias A e C (classificação da autuada), e (Nn--":". • 3 4/ g ti MINISTÉRIO DA FAZENDA gr*** s:;11s: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10480.006604/90-42 Acórdão : 202-08.491 3 - As Notas Fiscais de saída por transferência para a filial em Fortaleza, por si só, não são bastante suficientes para comprovarem que tais produtos deram entrada na empresa e saíram posteriormente do estoque, transitando por sua escrituração contábil-fiscal.". No recurso voluntário a recorrente limita-se a reiterar suas razões iniciais, sem apresentar qualquer contestação objetiva no que respeita à fundamentação da decisão recorrida. Com estas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de junho de 1996. 09k te -No% - 4, Tarásio Cam • elo Borges 4
score : 1.0
Numero do processo: 10166.002709/00-93
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA.
A competência para o julgamento de questões relativas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é do Primeiro Conselho de Contribuintes (artigo 7º do Regimento Interno).
PIS E COFINS. MULTA DE MORA. CONFISSÃO ESPONTÂNEA.
Descabe, na confissão espontânea do débito (ato formal) acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, qualquer outra exigência de caráter material. Inteligência do artigo 138 do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-78.722
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em dar provimento ao recurso, quanto às matérias da competência deste Conselho; e II) em não conhecer do recurso, quanto à CSLL, declinando a competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Roberto Arruda.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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Recorrida : DRJ em Brasília - DF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPE- TÊNCIA. eetetitsfr. A competência para o julgamento de questões relativas à cp0,42o,•-- 1 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é do Primeiro 5.1 co rd Conselho de Contribuintes (artigo 7 2 do Regimento Interno). gt‘,0) 0,40 PIS E COFINS. MULTA DE MORA. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. Descabe, na confissão espontânea do débito (ato formal) acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, qualquer outra exigência de caráter material. Inteligência do artigo 138 do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TELE NORTE CELULAR PARTICIPAÇÕES S.A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em dar provimento ao recurso, quanto às matérias da competência deste Conselho; e II) em não conhecer do recurso, quanto à CSLL, declinando a competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Roberto Arruda. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2005. fr+ giVioctitLx, ~yr:.g osefá Maria Coe o Marques Presidente Rogério Gustavo Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Antonio Mario de Abreu Pinto, Maurício Taveira e Silva, Sérgio Gomes Velloso, José Antonio Francisco e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 1 -' • ' • S CC-MF ••• ir • Ministério da Fazenda • (?.. Segundo Conselho de Contribuintes j‘i ig 06 ' Processo n2 : 10166.002709/00-93 b.lárci:: Gris Nlisreira Gania Recurso n2 : 125.932 &Fp! Acórdão n2 : 201-78.722 Recorrente : TELE NORTE CELULAR PARTICIPAÇÕES S.A. RELATÓRIO A contribuinte em epígrafe formalizou denúncia espontânea para fins de informar não ter recolhido os valores relativos ao PIS e à Cofins, dos meses de dezembro de 1999 e janeiro de 2000, bem como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente ao mês de dezembro de 1999. Acompanham o ato comprovação dos recolhimentos, mediante Darf, com o acréscimo dos juros moratórias e encargos. Em despacho decisório de responsabilidade da DRF em Brasflia - DF foi decidido não homologar a não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados. A contribuinte, em manifestação de inconformidade, defende o recolhimento como efetuado, argumentando a impossibilidade da aplicação de qualquer tipo de penalidade na denúncia espontânea, conforme assegurado pelo artigo 138 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. O Acórdão ora recorrido manteve o entendimento firmado pelo Despacho Decisório, citando o artigo 61 da Lei n2 9.430/96. Em seu recurso voluntário a contribuinte repete as razões já expendidas em suas peças anteriores. O recurso vem acompanhado de depósito judicial. É o relatório. 2 • , - CEGIIND:- ; ::•.)N;:nE.M Ec ,.cc- Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 0.0 Processo n2 : 10166.002709/00-93 Márcia Cristin Garcia Recurso n2 : 125.932 Mal SIZN i :751:2 Acórdão n2 : 201-78.722 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER • Primeiramente, como matéria de ordem preliminar, devo referir que a denúncia espontânea relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é matéria de competência do Primeiro Conselho de Contribuintes, visto tratar-se de pagamento daquele tributo e seus efeitos. O artigo 72 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes estabelecie: "Art. 7° Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição: (..) c) os relativos à exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n2 7.689, de 15 de dezembro de 1988; e ...". (negritei) Por tal, de pronto, devem os autos ser remetidos para aquela Corte para análise da matéria citada. Já com relação ao PIS e à Cofins, entendo que a decisão compete a este Colegiada, tendo em vista não se tratar, como determinado pelo Regimento Interno, de exigências que estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. Na realidade, os fatos geradores e bases de cálculo dos tributos envolvidos, com toda a certeza, não são idênticos, não se tratando, por tal, a questão de apuração de valores constitutivos do crédito tributário e sim somente de falta de pagamento de tributo incontroverso sanada pela via da denúncia espontânea. Assim sendo, passo à decisão. Entendo que o deslinde da questão não comporta maiores digressões. Pauta-se pela clareza da regra insculpida no caput do artigo 138 do CTN, o qual transcrevo, litteris: "An. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante • do tributo dependa de apuração." Não vejo como permitir o alargamento da regra para exigir-se algo mais do que nela se contém. Impende reiterar que somente se exige, no cumprimento da obrigação material objeto da denúncia espontânea, que esta venha acompanhada de um apêndice, os juros de mora. Qualquer outro, seja a que título for, não encontra guarida na regra transcrita, sendo irrelevante o nomen juris que identifique. cb..k._ 3 , e MF -SEGUNDO 1:;(3?...f. Ne, GONTR!SUNT 40 • Ministério da Fazenda CONFERE COM 1..;R:3;W1. ' Ic Segundo Conselho de Contribuintes erasla, -14 /J.?. LQ-(:)---;:(.3.51t,5 Processo n* : 10166.002709/00-93 Márcia cr stin4Jíjpeini Garcia Recurso n* : 125.932 tow 117502 Acórdão n* : 201-78.722 Uma vez cumprido o requisito formal da oferta da denúncia espontânea, devidamente acompanhada do recolhimento do tributo e dos juros de mora, perfeitamente cumprida a obrigação tributária. Foi isto exatamente o que a contribuinte fez. Antecipando-se a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, recolheu o que entendia devido, obediente aos termos da norma já citada. • Pelo exposto, e nos termos do presente voto, dou provimento ao recurso para reconhecer a não incidência da multa de mora quanto ao recolhimento do PIS e da Cofins efetuado pelo contribuinte na denúncia espontânea e não conheço do recurso, quanto à CSLL, declinando a competência para o exame desta matéria para o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos regimentais. É COMO voto. Sala das Sessões, e 9 e outubro de 2005. ROGÉRIO GUSTAV DRE R 4 Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.002919/91-82
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - Só se concede a redução do imposto de que tratam os artigos 8, 9 e 10, do Decreto nr. 84.685/80, quando o imóvel em questão se encontra em dia com o pagamento do imposto. Decisão unânime. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-08011
Nome do relator: JOSÉ DE ALMEIDA COELHO
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O. U. 2.2 Do . Q . ‘2.. / / 199 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002919/91-82 Sessão de : 24 de agosto de 1995 Acórdão : 202-08.011 Recurso : 97.632 Recorrente : FRANCONIA - AGRÍCOLA E PASTORIL LTDA. Recorrida : DRF em Salvador - BA ITR - Só se concede a redução do imposto de que tratam os artigos 8°, 9° e 10, do Decreto n° 84.685/80, quando o imóvel em questão se encontra em dia com o pagamento do imposto. Decisão unânime. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FRANCONIA - AGRÍCOLA E PASTORIL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • Sala das Sessõ-s, -rn 24 de ago) e de 1995 Helvie Escv‘ed• Barcellm President • 41111, José d- Almeida I oelho Relato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Tarásio Campelo Borges, José Cabral Garofano e Daniel Corrêa Homem de Carvalho. jm/ld-ja/mas-rs 1 (4j x=4144:% MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002919/91-82 Acórdão : 202-08.011 Recurso : 97.632 Recorrente : FRANCONIA - AGRíCOLA E PASTORIL LTDA. RELATÓRIO A empresa acima identificada, foi notificada a pagar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, Taxa de Serviços Cadastrais, Contribuições Parafiscal e Sindical Rural CNA-CONTAG no montante de Cr$ 746.398,52 correspondente ao exercício de 1990, do imóvel de sua propriedade denominado "Nossa Senhora do Perpétuo Socorro", cadastrado no INCRA sob o Código 324 264 277 436 5, localizado no Município de Salvador - BA. Não aceitando tal notificação, a interessada procedeu à Impugnação (fls. 01) alegando que o INCRA não forneceu a notificação do ITR, dos anos 1987, 1988 e 1989, o que dá direito à redução de 50% do ITR ora notificado. O INCRA forneceu a Informação Técnica de (fls. 27), confirmando a existência de débitos anteriores e informando que para a emissão do ITR/90, tomou-se por base apenas o arquivo de débitos do exercício de 1989. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, a (fls. 09/11), julgou procedente a notificação, cuja ementa destaco: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DE IMPOSTO. A redução do imposto de que tratam os artigos 8°, 9° e 10°, do Decreto n° 84.685/80 só se aplicara ao imóvel que na data do lançamento do imposto não tenha débito de exercícios anteriores." Cientificada em 05/11/92, a requerente interpôs Recurso Voluntário em 20/11/92 (fls. 12), solicitando o aguardo de nova informação do INCRA (Petição n° 86/92 - cópia apensa ao Processo às fls. 13/14), mantendo paralisada a cobrança do ITR/90, até que seja 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA #14t4; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002919/91-82 Acórdão : 202-08.011 esclarecido, definitivamente, pelo INCRA o que realmente ocorreu, para que não sejam penalizados por fatos que não cabe culpa. É o relatório. 3 A,01 MINISTÉRIO DA FAZENDA kW" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002919/91-82 Acórdão : 202-08.011 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ DE ALMEIDA COELHO Conheço do presente recurso pela sua tempestividade, porém, no mérito, nego-lhe provimento, para manter a decisão recorrida. Não resta dúvida que a recorrente não conseguiu provar as suas alegações de que não tinha divida em atraso de impostos. Verifica-se dos autos que, a despeito dos argumentos apresentados não trouxe a recorrente qualquer elemento que pudesse desmerecer a decisão recorrida, pois dúvidas não há que nos Autos, às fls. 07, informa-se que a recorrente é devedora de impostos nos períodos ali mencionados. Ante o acima exposto e o que mais dos autos constam, conheço do presente recurso pela sua tempestividade, mas, no mérito, nego-lhe provimento para manter a decisão recorrida, em razão de não ter a recorrente trazido elementos que pudessem desmerecer a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessõ -m 2 4 de agosto de 1995 / JOSÉ D AL 1 D COELHO 4
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003793/00-74
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/1988 a 31/10/1994
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - Tendo o contribuinte optado pela via judicial, na qual, inclusive, se operou o trânsito em julgado da decisão que lhe foi favorável, operou-se a renúncia à esfera administrativa.
Recurso não conhecido face à opção pela via judicial.
Numero da decisão: 203-11442
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/1988 a 31/10/1994 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - Tendo o contribuinte optado pela via judicial, na qual, inclusive, se operou o trânsito em julgado da decisão que lhe foi favorável, operou-se a renúncia à esfera administrativa. Recurso não conhecido face à opção pela via judicial.
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CCO2/CO3 • Fls. 177 MINISTÉRIO DA FAZENDA --.• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ~1~4,, TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10280.003793/00-74 Recurso n° 130.550 Voluntário Matéria PIS - Pedido de Compensação (Ação Judicial) Acórdão n° 203-11.442 Sessão de 20 de outubro de 2006 Recorrente MERPRE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida DRJ-BELÉM/PA tribuintes WIF-Segtind° cor:" t2a una° Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep de Período de apuração: 31/05/1988 a 31/10/1994 Rubrica 44 sor Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - Tendo o contribuinte optado pela via judicial, na qual, inclusive, se operou o trânsito em julgado da decisão que lhe foi favorável, operou-se a renúncia à esfera administrativa. Recurso não conhecido face à opção pela via judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MERPRE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, Face a opção pela via judicial. ANY(5Nr BEZERRA NETO Presiden e atrO•rN- I DASSI GUERZONI LHO DA FAZENDA - 2.* CC Re .tor CONFERE AOM O ORIGIW,I, BRASILIAty/ v, Processo n.°10280.003793/00-74 CCO2JCO3 • Acórdão n.°203-1I.442 Fls. 178 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda Eaal/inp MIN. DA FAZENDA — 2.* CC CONFERE ps9M O ORIGINAL BRASILIA /Oh t • lippftte VI TO • •• - - - vi Processo n.°10280.003793/00-74 CCO2/CO3 Acórdão n.°203-11.442 Fls. 179 _ Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 132/138), apresentado contra o acórdão n. 3.405, da DRJ-BELÉM/PA (fls. 124/127), que não conheceu da manifestação de inconformidade em face da concomitância de objetos entre o pedido administrativo e a ação judicial, relativamente a pedido de restituição de PIS recolhido a maior com base nos DL n's 2.445 e 2.448, de 1988, seguido de declarações de compensação de débitos do PIS e de Cofins, indeferido por despacho decisório de 10/09/2002 fl. 45), apresentado em 08/09/2000, relativamente aos períodos de maio de 1988 a dezembro de 1994, nos seguinte termos: "Impugnação não conhecida, nos termos do voto do relator". — Segundo -o acórdão, a empresa fez - uso concomitante das vias judicial e administrativa tratando ambos os procedimentos do mesmo objeto. Informando não ter conhecimento de ter havido trânsito em julgado da referida ação judicial, fundamentou-se a instância de piso no Ato Declaratório Normativo n° 3, de 14 de fevereiro de 1996, em decisões do Conselho de Contribuintes e na Portaria MF n° 258, de 24/08/2001, que disciplina o funcionamento das DRJ. No recurso, a interessada repisou a argumentação de sua manifestação de inconformidade, acrescentando, porém, com documentos, a informação de que a ação judicial já havia transitado em julgado no dia 8de julho de 2004. Pede, ao final, que lhe sejam homologadas as compensações constantes do presente processo em decorrência de não mais haver a concomitância de objetos. É o Relatório. MIN. DA FAZENDA - 2. C CONFERE ,.ÇONI O ORIGINAL BRASILIAon j Lec)._ VI TO • • Processo m° 10280.003793100-74 CCO2/CO3 Acórdão n.°203-11.442 Fls. 180 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator Trata o presente processo de pedido de compensação de débitos com crédito de PIS/Pasep buscado na instância judicial, conforme informa o documento de fl. 1. Com o pedido formulado na ação ordinária visou eximir-se a empresa de recolher a contribuição do Pis/Pasep nos moldes dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.448, de 1988, em fase de sua inconstitucionalidade, bem como ser reconhecido o seu direito de compensar os créditos advindos do recolhimento feito a maior, mediante o instituto da compensação, com prestações vincendas do PIS/Pasep e da Cofias. Inconteste, portanto, a caracterização da concomitância de objeto, entre o pleito administrativo e o formulado perante o poder judiciário. A decisão judicial foi inteiramente favorável à interessada, tendo, inclusive, transitada em julgado, conforme documentos de fls. 146/158 e 162/167. Diante de inúmeros casos como esse e considerando que não poderia ter eficácia decisão administrativa sobre a mesma matéria levada à apreciação do Poder Judiciário, norteando-se pelo princípio da economia processual e, ainda, à vista do disposto no art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830 de 22 de setembro de 1980, foi editado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n2 03, de 1996, que tratou de esclarecer que a propositura de ação judicial pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, implica renuncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo ter seguimento no processo administrativo apenas a matéria que não tenha sido objeto da disputa judicial. Em face disso, não há que se conhecer aqui do recurso voluntário no que concerne às argüições de mérito que fundamentam o pedido de compensação, por restar configurada a opção pela via judicial, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 1980. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por opção • pela via judicial. Sala das Sessões, em O de outubro de 2006 ‘41 • ODAS S I GUERZON ILHO MIN. DA FA2tIVOA - 2.° CO CONFERE rçOM O -!GINAL ORA SELLA071/• le6._ Sie& A* ;lhe vo TO • • Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10943.000054/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO.
RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o
reconhecimento, de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que
tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao
Poder Judiciário.
JUROS E MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. As contribuições sociais
e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação
fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam
sujeitas à incidência de juros e de multa moratória, nos termos dos artigos 34
e 35 da Lei n°8.212/91, respectivamente.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. Ê cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de
tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.615
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos dos presentes, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Rogério de Lélis Pinto (suplente)
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. JUROS E MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas à incidência de juros e de multa moratória, nos termos dos artigos 34 e 35 da Lei n°8.212/91, respectivamente. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. Ê cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a Unido decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / /a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos dos presentes, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julg do. Ausente o Conselheiro Rogério de Lélis Pinto (suplente). Presidente ARLINDO DA SILVA - Relator. Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (suplente), Arlindo Costa e Silva, Thiago D'Avila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Período de apuração MPF : 01/11/2004 a 31/12/2005 Período de apuração do débito: 01/11/2004 a 31/12/2005 Data da lavratura da NFLD : 30/03/2006 Data da Ciência da NFLD: 03/04/2006 Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD lavrada em face da recorrente em referência, compreendendo as seguintes contribuições sociais: • Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre os seus respectivos salários de contribuição mensais .— Artigos 20 e 30, I, 'a' ambos da Lei n° 8.212/91; • Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo da empresa, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados empregados — Art. 22, I da Lei n° 8.212/91. • Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo da empresa, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços — Art. 22, III da Lei n° 8.212/91. • Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre as suas respectivas remunerações - art. 4° da Lei n° 10.666/2003. • Contribuições sociais destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados — Art. 22. II da Lei n°8.212/91. • Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos, a saber, Salário Educação (2,5%); INCRA (0,2%); SESI (1,5%); SENAI (1,0%) e SEBRAE (0,6%). Processo n° 10943.000054/2007-63 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.615 Fl. 139 As supra referidas contribuições sociais, conforme delineado no Relatório Fiscal a fls. 30/31, incidem sobre o Salário de Contribuição de segurados empregados e sobre a remuneração a titulo de pro labore paga aos sócios gerentes, nas competências 11/2004 a 12/2005, inclusive, o decimo terceiro salário de 2004 e 2005, conforme informado nas Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Relata o auditor fiscal notificante que os fatos geradores que deram origem ao presente crédito tributário foram apurados a partir da análise dos seguintes documentos : • Folhas de Pagamento de Salários dos Empregados e dos Contribuintes Individuais - sócios-gerentes; • GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social, • Dados constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS/GFIP do Sistema da Previdência Social; Informa o auditor fiscal notificante que as Guias da Previdência Social - GPS apresentadas pela Empresa e confirmadas no Sistema do INSS, foram devidamente consideradas na apuração do debito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA, a fls. 17/21. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 32/52. A Delegacia da Receita Previdencidria em Sao Bernardo do Campo/SP lavrou Decisão-Notificação (DN), a fls. 91/98, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. 0 Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1" Instância no dias 18 de abril de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 103. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 105/117, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a Taxa SELIC constitui-se efetiva e verdadeira taxa de juros remuneratórios, não podendo ser utilizada para a fixação de juros de mora relativos a tributos pagos em atraso. • Que é inconstitucional a imputação simultânea de juros de mora conjuntamente com a multa de mora: Ao fim, requer que o presente recurso seja julgado procedente, anulando-se a NFLD ora em exame. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro ARL1NDO DA COSTA E SILVA, Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 0 sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 18/04/2007, quarta-feira, iniciando-se pois o decurso do prazo recursal na quinta-feira seguinte, diga-se, 19/04/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente a análise do mérito. 2. DO MÉRITO O recorrente alega que a taxa SELIC constitui-se efetiva e verdadeira taxa de juros remuneratórios, não podendo ser utilizada para a fixação de juros de mora relativos a tributos pagos em atraso. Aduz ainda que a imputação simultânea de juros de mora conjuntamente com a multa de mora é inconstitucional. 0 apelo do recorrente não merece prosperar. A parcela de juros inseridos no montante do crédito consolidado foi apurada em estrita observância as disposições estabelecidas pelo art. 161 do CTN. Códijo Tributário Nacional - CTN Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados ã taxa de um por cento ao mês. Cumpre ressaltar que o percentual previsto no parágrafo primeiro acima transcrito sera o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdencidrio em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1" do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4a Regido ao proferir, ipsis litteris: "Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proibe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao 771êS. pois o art. 161, §1" desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1" do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal" (TRF- Processo n0 10943.000054/2007-63 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.615 _ Fl. 140 Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Alvaro Eduardo Junqueira; la Turma; DJ de 1510612005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do art. 34 da Lei n° 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente a época da lavratura do presente débito. Lei n°8.212, de 24 de Mho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importáncias arrecadadas pelo INSS, incluirias ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irreleváveL (Restabelecido com redação alterada peht MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97) (grifos nossos) A matéria relativa a. incidência da taxa SELIC já foi bater as portas da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. 0 artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos 170 vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que ct Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquida cão e de Custódia - SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo coin a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensacdo e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em, favor dos contribuintes, do mesmo nzodo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do principio da iS0170717ia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ - EREsp n" 396.554/SC, Rel. Min. TEOR1 ALBINO ZAVASCKI; I" SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA CARF N" 3 cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. De outro canto, enfocando-se a questão da inconstitucionalidade aventada pelo recon-ente de um outro angulo, revela-se mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constitui-se prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuírem-se ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento corno o acima esposado, a Súmula CARF n" 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Stimula CARF 1,02: O CARF acio é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada â. Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumpre-nos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, ate o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer seqüela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo recorrente, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, se nos afigura correta a incidência conjunta de multa de mora e juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei n°8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1 0 do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. ARLINDO DA OST SILVA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009315/2003-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É
lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar
n. º 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações
financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou
processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN).
AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS BANCÁRIOS E APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NULIDADE.
A utilização de saldos bancários e aplicações financeiras na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto não implica em nulidade do lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FORMA DE APURAÇÃO FLUXO
FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA Quando
a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se
todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte).
Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Cabe
à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos rendimentos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações
declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência.
RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS DISTRIBUIÇÃO
DE LUCROS COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE Os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio,
são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro de distribuição de lucros na escrituração da empresa e a respectiva informação na Declaração de Ajuste do sócio e/ou lançamento de ofício arbitrando o lucro da pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio, por si só, são insuficientes para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica e ingresso no patrimônio da pessoa física do sócio.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As
sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para
o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para que sejam consideradas como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.000
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegalidade na constituição do crédito tributário em razão da utilização dos saldos bancários e aplicações financeiras na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que fará Declaração de Voto. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Pedro Anan Júnior, que proviam parcialmente o recurso para acolher como origem de recursos, para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, os lucros distribuídos na pessoa jurídica da qual é sócio, em razão do arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, através lavratura de Auto de Infração, independentemente da comprovação da efetiva transferência dos recursos para a pessoa física da sócio. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP nº. 250.115.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. º 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN). AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS BANCÁRIOS E APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NULIDADE. A utilização de saldos bancários e aplicações financeiras na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto não implica em nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FORMA DE APURAÇÃO FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos rendimentos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE Os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro de distribuição de lucros na escrituração da empresa e a respectiva informação na Declaração de Ajuste do sócio e/ou lançamento de ofício arbitrando o lucro da pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio, por si só, são insuficientes para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica e ingresso no patrimônio da pessoa física do sócio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para que sejam consideradas como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. º 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN). AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS BANCÁRIOS E APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NULIDADE. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 A utilização de saldos bancários e aplicações financeiras na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto não implica em nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FORMA DE APURAÇÃO FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos rendimentos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais rendimentos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE Os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro de distribuição de lucros na escrituração da empresa e a respectiva informação na Declaração de Ajuste do sócio e/ou lançamento de ofício arbitrando o lucro da pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio, por si só, são insuficientes para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica e ingresso no patrimônio da pessoa física do sócio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para que sejam consideradas como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano calendário. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 2 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegalidade na constituição do crédito tributário em razão da utilização dos saldos bancários e aplicações financeiras na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que fará Declaração de Voto. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Pedro Anan Júnior, que proviam parcialmente o recurso para acolher como origem de recursos, para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, os lucros distribuídos na pessoa jurídica da qual é sócio, em razão do arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, através lavratura de Auto de Infração, independentemente da comprovação da efetiva transferência dos recursos para a pessoa física da sócio. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP nº. 250.115. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 286DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 DOVILIO BREGNOLI, contribuinte inscrito no CPF/MF 024.412.92820, com domicílio fiscal na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, à Rua Coronel Quirino, nº 736 – apto 09, Bairro Cambuí, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 194/203, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 209/218. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 11/12/2003, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 12/16), com ciência pessoal, em 11/12/2003 (fls. 12), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 353.412,89 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 1999, correspondente ao anocalendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada pela variação patrimonial a descoberto, onde se verificou o excesso de dispêndios/aplicações sobre recursos/origens, não respaldado por rendimentos declarados, apurados nos meses de fevereiro, março, abril e maio de 1998, nos valores respectivos de R$ 263.146,02, R$ 126.094,34, R$ 74.166,46 e R$ 35.675,84, conforme "Demonstrativo da Variação Patrimonial/Fluxo Financeiro Mensal" e Termo de Constatação e Intimação datado de 10.11.2003, para o qual o contribuinte apresentou resposta formalizada em 09.12.2003, não logrando êxito em comprová los. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2º, da Lei n° 8.134, de 1990 e artigo 21 da Lei nº 9.532, de 1997. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Constatação e Intimação de fls. 05/06, entre outros, os seguintes aspectos: que no exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em continuidade a ação fiscal iniciada em 01.09.2003, nos termos dos artigos 844, 904, 911, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (RIR/99), com base na documentação apresentada pelo contribuinte em 16 e 22.10.2003 em atendimento à intimação deste AuditorFiscal, datada de 25.09.2003, suportado inclusive pelos dados da planilharesumo dos Recursos/Origens e Dispêndios/Aplicações, apresentada pelo interessado juntamente com toda a documentação solicitada, este AuditorFiscal elaborou os "Demonstrativos da Variação Patrimonial/Fluxo Financeiro Mensal", para o 1° e 2°. Trimestres do ano de 1998, que seguem anexos a este Termo, onde foram relacionados, mensalmente, no item A, os Recursos/Origens e no item B, os Dispêndios/Aplicações, restando demonstrado para os meses de fevereiro, março, abril e maio, diferenças negativas entre os recursos disponíveis para o contribuinte e os dispêndios/aplicações efetuadas, cujo resultado da análise aparece como Variação Patrimonial a Descoberto os valores respectivos de R$ 263.146,02, R$ 126.094,34, R$ 74.166,46 e R$ 35.675,84; que em conformidade com a legislação pertinente (Arts. 2°, 3°, parágrafos 1° e 4°, da Lei 7.713/88, Arts. 1° e 2°, da Lei 8.134/90 e Arts. 58, inciso XIII e 855 do RIR/94), tais valores são considerados como Omissão de Rendimentos, servindo como base de cálculo para lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, pela falta de recolhimento do mesmo. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 3 5 Em sua peça impugnatória de fls. 167/178, instruída pelos documentos de fls. 179/192, apresentada, tempestivamente, em 09/01/2004, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, sem síntese, nos seguintes argumentos: que como se vê na descrição do auto de infração, o lançamento de ofício leva em consideração valores relativos aos meses de fevereiro a maio de 1998, concluído ter havido, nesses meses, a apontada "variação patrimonial a descoberto". Todavia, ainda que tratasse de caso de omissão de rendimentos, essa cobrança já não poderia ser realizada, em virtude do óbice da decadência; que, com efeito, por tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e tendo presente que o discutido acréscimo patrimonial se apura mensalmente, o equivocado lançamento foi expedido quando já consumado o prazo decadencial, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 11.12.2003 para atingir fatos dos 5 (cinco) primeiros meses de 1998; que deveras, no caso vertente, como devidamente demonstrado, a exigência referese ao imposto de renda apurados nos meses de fevereiro a maio de 1998, porém, o auto de infração lavrado para cobrar esses valores é de dezembro de 2003, momento em que o prazo previsto no 4°, do artigo 150 do CTN já estava ultrapassado. Significa dizer, portanto, que, quando o Fisco efetuou o lançamento ora em discussão, a decadência já estava materializada; que ainda que não seja acolhida a comprovada decadência, o que se admite apenas como recurso de argumentação, o crédito tributário exigido não pode perpetuarse, visto que sua constituição está centrada em prova nula de pleno direito, consistente no indevido uso dos extratos bancários originários das informações da CPMF, como demonstrado a seguir, uma vez que a apresentação dos referidos extratos bancários foi forçada pelos termos de intimação expedidos pelo Fisco; que nem se alegue, contudo, como fez o nobre autuante, que o acesso às informações bancárias encontra apoio na Lei Complementar n° 105, publicada em 11.01.2001, já que isto significaria dar curso retroativo à referida Lei, o que é constitucionalmente vedado; que dentre as novas presunções legais criadas pela Lei n° 9.430, de 27.12.1996, não se encontra a previsão para considerar renda o eventual acréscimo patrimonial a descoberto; que se tem como certo que a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundárioindiciários que apontam para o fato principal, totalmente desconhecido, mas necessária e diretamente relacionado com o fato conhecido; que a variação patrimonial a descoberto do contribuinte poderia ser, no máximo, o marco inicial de investigação, mas nunca seu ato final, vez que os valores aplicados podem estar relacionados com operações de natureza completamente diversa da imaginada pelo AuditorFiscal; que se não bastassem os argumentos já expendidos, quer, ainda, o Impugnante, advertir sobre o irreparável dano na classificação de depósitos e aplicações financeiras/movimentação bancária como "acréscimos patrimoniais", uma vez que o saldo Fl. 288DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 bancário é formado por operações realizadas em períodos anteriores, não podendo ser acolhidos como signos de renda no contexto da questionada variação patrimonial; que, desse modo, considerar os saldos bancários na apuração da questionada variação patrimonial é um erro palmar, posto que, como já ressaltado, o saldo bancário não tem o condão de revelar as operações anteriormente realizadas. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que no presente processo os extratos foram fornecidos pelo próprio contribuinte em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização. Assim, não há que se falar em provas obtidas por meios ilícitos ou irretroatividade da Lei Complementar n° 105, de 2001 e do Decreto n° 3.724, de 2001; que, na verdade, nenhum dos diplomas legais mencionados acima foi aplicado ao caso concreto, haja vista que a Receita Federal do Brasil — RFB não precisou utilizar os artifícios previstos neles para obter de forma administrativa os dados bancários do contribuinte; que não se admite que o fato gerador do IRPF seja mensal, isto porque, a SRF não exige do contribuinte, durante o anocalendário, a apuração e o pagamento do imposto mensalmente. Excetuamse os casos em haja a fiscalização do sujeito passivo durante o próprio anocalendário, então, sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas ou do exterior, poderá ser exigido o imposto incidente sobre os recebimentos mensais, acrescidos de multa isolada e demais acréscimos legais; que o período questionado corresponde aos ano(s)calendário de 1998, então, o(s) prazo(s) decadencial (is) terminará (ao) em 31/12/2003. Considerando que a ciência do lançamento se deu em 11/12/2003 (fl. 12), não há que se falar em decadência do direito de lançar o tributo, razão pela qual se rejeita a preliminar argüida; que a presunção legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem, pois, afinal, tratase de presunção relativa, passível de prova em contrário, cabendo ao contribuinte produzilas; que, de conseqüência, a este Colegiado compete apenas investigar se o fato concreto se subsume à previsão hipotética da lei, ou seja, se existiram os depósitos bancários, se o contribuinte foi notificado a comprovar a origem dos recursos respectivos e se essa comprovação foi produzida; que se ressalte, ademais, que, apesar de regularmente intimado durante a fase inicial do procedimento fiscal a apresentar esclarecimentos, o interessado não logrou comprovar a origem da movimentação financeira; que quanto às alegações da impugnante de que não restou provada a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, devese relembrar que o procedimento fiscal foi pautado pela apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, a qual é, em suma, um método indireto de averiguação da ocorrência de omissão de rendimentos, e que se apóia na legislação supracitada, estabelecedora da presunção legal acima explanada; Fl. 289DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 4 7 que se conclui, por fim, em vista do exposto e do que consta dos autos, que procedeu corretamente a Fiscalização ao constituir de oficio o presente crédito tributário, não havendo qualquer ressalva a ser feita; que no que tange à jurisprudência do Conselho de Contribuintes trazida aos autos pelo impugnante, verificase que não preenche os pressupostos de extensão às decisões administrativas do Decreto n. 2.346, de 10 de outubro de 1997. Ou seja, se aplica somente às partes ali envolvidas. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DIRETAMENTE PELO CONTRIBUINTE. NÃO OCORRÊNCIA DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. A apresentação espontânea dos extratos bancários diretamente pelo contribuinte ao ser solicitado pela Receita Federal do Brasil não constitui quebra do sigilo bancário. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. FATO GERADOR DO IRFP. ANUAL. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, que, no caso do imposto de renda pessoa fuxica é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada Anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei nº 9.430 no seu artigo 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Fl. 290DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/06/2008, conforme Termo constante às fls. 204/206, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (07/07/2008), o recurso voluntário de fls. 209/218, instruído pelos documentos de fls. 219/274, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que como se vê na descrição do auto de infração, a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto alcançou os meses fevereiro a maio de 1998. Além disso, pelo exame da planilha de apuração desse acréscimo, percebese que na realidade a tributação deuse em razão da movimentação bancária, já que em todos os meses autuados a variável determinante foi o saldo bancário do mês; que nos tópicos anteriores, foi destacado que há erro de direito no questionado lançamento de ofício, tendo em vista que o fato efetivamente autuado é a pretensa omissão de rendimentos, por depósitos bancários, não comprovados, formalmente enquadrados como acréscimo patrimonial a descoberto. Todavia, seja numa ou noutra rubrica, nada há por tributar porque os valores apontados pelo Fisco estão cobertos pelos lucros automaticamente distribuídos pela pessoa jurídica sob controle do ora Recorrente, por força do arbitramento determinado pela fiscalização; que, com efeito, em 06/08/2001, a pessoa jurídica da qual o ora Recorrente é sócio, com participação majoritária de 67% (sessenta e sete por cento – conforme contrato social anexo), teve o seu lucro arbitrado nos anos de 1996 até 2000; que a autuação da pessoa jurídica ocorreu, portanto, antes da autuação da pessoafísica, que é de novembro de 2003. Nos anoscalendário de 1997 e 1998, o lucro arbitrado atingiu as cifras abaixo, conforme a cópia anexa do auto de infração da pessoa jurídica; que desse lucro disponível, o ora Recorrente tem participação legítima de 67% (sessenta e sete por cento) que corresponde a R$ 498.795,69, valor suficiente para cobrir — o que dispensa a consideração dos lucros arbitrados do ano de 1996 a soma dos alegados acréscimos patrimoniais a descoberto, a saber: R$ 263.146,02, fevereiro de 1998, R$ 126.094,34, março de 1998, R$ 74.166,46, abril de 1998 e R$ 35.675,84 de maio de 1998; que é preciso recordar que no passado os lucros distribuídos eram tributados na pessoa física, inclusive os originários da omissão de receita da pessoa jurídica ou do arbitramento do lucro, que eram considerados automaticamente distribuídos, conforme dispunha o art. 673 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994. Agora, os lucros distribuídos não mais são tributados na pessoa física, como assim dispõe o artigo 10 da Lei n° 9.249/95. Todavia, a ausência dessa tributação, em especial no tocante ao lucro arbitrado, não retirou a condição de lucro automaticamente distribuído aos sócios mesmo porque nesta hipótese excepcional os valores são apurados extras contabilmente; que, no caso vertente, a integração à apuração do acréscimo patrimonial dos lucros disponíveis originários do lucro arbitrado da pessoa jurídica é reforçada pela circunstância de a fiscalização da pessoa física ter como base o acréscimo patrimonial que exige o cômputo de todos os direitos e recursos da titularidade do fiscalizado. Além disso, tratando de fatos correlacionados, a solução do problema da referida pendência deve resultar da aplicação conjunta das normas que regulam o arbitramento do lucro da pessoa jurídica e das normas que disciplinam a apuração da evolução patrimonial da pessoa física. Se não for assim, haverá um bis in idem, já que, no caso presente, a pessoa física tem como única fonte de rendimentos os resultados apurados pela pessoa jurídica. E também a negativa de vigência ao Fl. 291DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 5 9 art. 10 da Lei n° 9.249/95, já que a tributação pela via do acréscimo patrimonial, sem a consideração do lucro automaticamente distribuído, indiretamente, retira a eficácia desse dispositivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Fl. 292DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 10 O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Neste litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. Da análise preliminar da matéria, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos diante da constatação de variação patrimonial a descoberto, apurado através de “fluxo financeiro”, onde se verificou excesso de aplicações sobre as origens, não respaldados por rendimentos declarados ou comprovados. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, preliminarmente, a decadência e a nulidade do auto de infração amparado nas teses de quebra de sigilo bancário de forma irregular e da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 e da Lei Complementar n° 105, de 2001 e, no mérito, ataca a tributação, por presunção de omissão de rendimentos caracterizado por acréscimo patrimonial a descoberto. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 2º da Lei nº 7.713, de 1988, que dispõe que a omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto deve ser apurada mensalmente e tributada no ajuste anual, tomando por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do anocalendário. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário estou filiado a corrente que defende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no enceramento do anocalendário, ou seja, em 31 de dezembro de cada anocalendário. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. É de se esclarecer, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de Fl. 293DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 6 11 tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Não há dúvidas, que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuído das deduções pleiteadas. Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99, cuja base legal é o art. 2º da lei nº 8.134, de 1990, dispõe que: “O imposto será devido mensalmente na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere se à apuração anual do imposto de renda, da declaração de ajuste anual, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito, anteriormente, é de se observar que a Lei nº 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. No caso em discussão, vale a pena traçar alguns comentários acerca do denominado lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário Nacional, no qual o contribuinte auxilia ostensivamente a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco realizálo de modo privativo, homologandoo, conferindo a sua exatidão. Verificase, que o grau de participação do particular nesta espécie de lançamento atinge nível de suficiência capaz de compor a pretensão tributária limitandose a autoridade administrativa competente tãosomente a uma atividade de controle a posteriori do procedimento de apuração exercido. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 12 No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A jurisprudência pacificouse no sentido de que o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Ora, o próprio Código Tributário Nacional fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do Código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, a administração tributária preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o Código, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Nesta ordem, é de se refutar, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do Código Tributário Nacional. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Fl. 295DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 7 13 administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio Código Tributário Nacional. Fazse necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo períodobase, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. Assim sendo, ainda que não haja pagamento, ocorrendo o fato imponível, isto é, nascida à obrigação tributária, após o decurso de 5 (cinco) anos considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário se a Fazenda, nesse período, permanecer silente, privilegiando o princípio que o direito não socorre ao que dorme. Não há dúvidas, de que o legislador tributário, com a criação do lançamento por homologação, procurou uma forma de contornar a problemática da estrita vinculação do ato de lançamento à autoridade administrativa (daí a impossibilidade no direito pátrio de se falar no impropriamente denominado "autolançamento") a despeito da existência de tributos cuja natureza exige a sua apuração, quantificação e, conforme o caso, o seu recolhimento, sem prévia manifestação da administração (exs: tributos sujeitos à retenção na fonte e os impostos indiretos, tais como o ICMS e o IPI). A doutrina, no entanto, diante à insuficiência da construção normativa engendrada pelo legislador tributário, identifica contradições e incoerências no tratamento da matéria. Da mesma forma, não há dúvidas, que a homologação expressa ou tácita termina sendo a forma pela qual o fisco, concordando com a apuração realizada pelo contribuinte, realiza o lançamento tributário. Assim, objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. 1 É a atividade que, diante de determinada situação de fato, afirma existente o tributo e apura o montante devido, ou afirma inexistente o tributo e assim ausente a possibilidade de constituição de crédito tributário. É aquela atividade que, sendo privativa da autoridade administrativa, é em certos casos, por força de lei, desenvolvida pelo contribuinte e assim, para que possa produzir os efeitos jurídicos do lançamento carece da homologação. Com esta a autoridade faz sua aquela atividade de fato desempenhada pelo contribuinte. Assim, 1 SAKAKIHARA, 1999, p. 584 Fl. 296DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 14 se o contribuinte fez a apuração e informou o valor do tributo ao fisco, prestando a informação (DCTF, GIA, etc.), a autoridade administrativa pode fazer o lançamento, simplesmente homologando aquela apuração feita pelo contribuinte, e se não houve o pagamento, notificálo para pagar, tal como se houvesse terminado um procedimento administrativo de lançamento de ofício. Não obstante o art. 150, em seu parágrafo primeiro, refirase à homologação do lançamento, e em seu parágrafo quarto contenha a expressão “considerase homologado o lançamento”, na verdade não se homologa o lançamento, pois o lançamento, nesta hipótese, consiste precisamente na homologação.Homologação da atividade de apuração ou determinação do valor do tributo e, sendo o caso, da penalidade, que a final consubstanciam o crédito tributário. O que existe antes da homologação não é, em termos jurídicos, um lançamento. Toda a atividade material desenvolvida pelo contribuinte para a determinação do valor devido ao fisco não é, do ponto de vista rigorosamente jurídico, o lançamento, pois esta é atividade privativa da autoridade administrativa. Atividade que, em se tratado de lançamento por homologação, consiste simplesmente na homologação. (É certo que o § 1º, do art. 150, referindose à homologação do lançamento, parece admitir que se deva considerar a atividade de apuração, desenvolvida pelo contribuinte, como lançamento. Cuidase, porém, de simples impropriedade terminológica. A palavra lançamento, aí, está empregada no sentido de apuração do valor do tributo. Não no sentido técnico jurídico de constituição do crédito tributário). Neste momento, acreditamos ser interessante fazer uma abordagem nas formas de interpretações existentes: A) Sujeito passivo apura e recolhe integralmente ou parcialmente o tributo devido: Quando o sujeito passivo apura o valor devido, e recolhe integralmente o tributo, tratase da situação fática ideal que o legislador previu ao contemplar com um lapso temporal menor para a ocorrência da decadência. É a própria essência do lançamento por homologação. O dies a quo, ou o termo inicial para contagem do prazo decadencial, é a partir do fato gerador. Como suporte fático no do artigo 150, § 4.º do CTN. Quando o recolhimento é menor que o valor devido, ou seja, é parcial o posicionamento predominante na doutrina leva a considerar a hipótese como similar à anterior. Ou seja, independente se o recolhimento for integral ou parcial, o termo inicial para contagem se inicia da ocorrência do fato gerador. B) Sujeito passivo apura e não recolhe o tributo devido: Essa hipótese provoca divergência na doutrina dependendo do entendimento adotado com relação ao objeto da homologação. Quando o objeto da homologação é o pagamento, e não ocorrendo, a regra a ser aplicada é do artigo 173, I do CTN, sendo o termo inicial para contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte. Se, por acaso, o objeto da homologação é o procedimento realizado pelo sujeito passivo inclinase a aceitar que o termo inicial obedecerá ao artigo 150, § 4.º do CTN. C) Sujeito passivo não apura e não recolhe o tributo devido: Nessa situação, independentemente do posicionamento adotado com relação ao objeto da homologação, existem aqueles, que entendem que não há o que se homologar e nestes casos o Fisco deveria utilizar o lançamento de ofício, onde o dies a quo, para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN. Entretanto, a minha posição pessoal é que objeto da homologação é a atividade exercida pelo contribuinte, e não o procedimento de apuração ou o pagamento do tributo. Aliás, esta é a posição majoritária no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, órgão julgador de segunda instância dos processos em matéria tributária na área federal, conforme os acórdãos abaixo relacionados: Fl. 297DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 8 15 IRPF DECADÊNCIA – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento do tributo é irrelevante para a caracterização da natureza do lançamento tributário. O imposto de renda pessoa física é tributo que se amolda à sistemática prevista no art. 150 do CTN, chamado lançamento por homologação, de forma que o prazo decadencial é o previsto no parágrafo 4º do referido dispositivo. Recorrente : FAZENDA NACIONAL. Recorrida : 4ª CÂMARA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Sessão de : 22 de setembro de 2005. Acórdão nº : CSRF/0400.125. DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. Preliminar de decadência acolhida. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.Sessão de: 11 de agosto de 2003. Acórdão nº CSRF/0104.603. Necessário ressaltar, que o art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional excepciona de sua contagem os casos em que se constatarem procedimentos dolosos, fraudulentos ou de simulação. Nestes casos não se observará a contagem do prazo a partir do fato gerador. No que tange à fraude, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º, do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes Fl. 298DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 16 dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do CTN (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do CTN nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública. Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do CTN uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do CTN. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do CTN, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. No caso em exame, considerando que a autoridade lançadora imputou a multa de lançamento de ofício normal de 75%) e o fato gerador ocorreu em 31/12/1998, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir do anocalendário de 1999, tendo o prazo decadencial iniciado em 31/12/1998, vencendose em 31/12/2003 e a ciência do lançamento se deu em 11/12/2003 (fls. 12), afastada está a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Antes de prosseguir na análise das preliminares é de se esclarecer, que no presente processo os extratos foram fornecidos pelo próprio contribuinte em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização. Assim, a princípio, não há que se falar em provas obtidas por meios ilícitos ou irretroatividade da Lei Complementar n° 105, de 2001 e do Decreto n° 3.724, de 2001, entretanto, para que no futuro não se alegue cerceamento do direito de defesa a matéria será analisada na forma de preliminar de nulidade. Quanto as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei nº 10.174, de 2001 e Lei Complementar nº 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão ao suplicante pelos motivos que se seguem. O primeiro aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. O segundo aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que é público e notório que a fiscalização tem origem em utilização indevida pela Secretaria da Receita Federal das informações apresentadas pelos bancos com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996 e que correspondiam a CPMF, quando era vedada a sua utilização para qualquer outra finalidade que não fosse para fiscalização deste tributo. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos extratos bancários que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Fl. 300DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 18 Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resumese na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, inserese na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5º, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I – A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5º, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (...). (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ 897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94). Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n° 4.595, de 1964: Fl. 301DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 10 19 Art. 38 – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servirse para fins estranhos à mesma. § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximirse de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou Fl. 302DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 20 seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão “processo instaurado” se refere ao “processo administrativo fiscal”, já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5º e 6º do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n.º 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ... II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n.º 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2º daquele ato legal foi estabelecido: Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização. Já no comando da Lei n.º 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: Fl. 303DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 11 21 Art. 7° A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n.º 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º. Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontrase legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeitase o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n.º 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n.º 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5º e 6º que: 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 22 Resta claro, portanto, a possibilidade da administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n.º 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II – o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Fl. 305DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 12 23 Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo “processo”, empregado no artigo 38, § 5º, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativofiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão – que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei nº 4.595, de 1964 , de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leiase a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam do assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e Fl. 306DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 24 registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar, que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar nº 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, “caput”, do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar nº 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o “caput” do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1º do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu “caput”, notase que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra “Lançamento Tributário” 2ª edição, Malheiros Editores Ltda. – ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento Fl. 307DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 13 25 que o antecede. Diversamente, já no seu § 1º o art. 144 reporta se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1º, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplicase, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplicase legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1º do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico – enquanto in fieri o procedimento de lançamento – legislação nova, aplicarselheá também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento nº 2001.04.01.0451278/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5º, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei nº 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição Fl. 308DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 26 da lei, pois, nos termos do art. 144, § 1º, do CTN, aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento nº 2002.04.01.0030400/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valerse dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, § 1º). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. A questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, I), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A título de exemplo, vejase o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial nº 506.232 – PR (Diário da Justiça de 16/02/04 – p. 00211): EMENTA TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma Fl. 309DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 14 27 regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei nº 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6º dispõe: “Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 28 Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar nº 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. No mérito a pedra angular da questão fiscal trazida à apreciação desta Turma de Julgamento, se resume, como ficou consignado no Relatório, à Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Da análise dos autos do processo se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saídas de recursos – fluxo financeiro (“fluxo de caixa”), que o contribuinte apresentou, durante o anocalendário de 1998, saldos negativos, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, etc. Não há dúvidas, nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava “um acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo mensal”, ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este “acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo” cabe tecer algumas considerações. Sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em rendimentos auferidos (tributadas, não tributáveis, isentas ou tributadas exclusivamente na fonte) e/ou empréstimos, etc. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 15 29 No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo “acréscimo patrimonial”. Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos fluxo financeiro, que a recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: Lei n.º 7.713, de 1988: Artigo 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 30 Artigo 3º O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.º 8.134, de 1990: Art. 1º A partir do exercíciofinanceiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. (...). Art. 4º Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.º 8.021, de 1990: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Como se depreende da legislação, anteriormente mencionada, o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.º 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um Fl. 313DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 16 31 determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, temse que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei nº 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº 8.134, de 1990. É nessa oportunidade, que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, devese atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. É certo que a Lei n.º 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação Fl. 314DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 32 com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de “carnêleão”, apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. Desse modo, o imposto devido, a partir do períodobase de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.º 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.º 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.º 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente, que entende que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseouse em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, constatase que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. É entendimento pacífico, nesta Turma de Julgamento, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro (“fluxo de caixa”) do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributáveis, isentos e Fl. 315DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 17 33 os tributados exclusivamente na fonte), bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. Assim sendo, não há controvérsia que o lançamento foi realizado dentro dos parâmetros legais. Consta de forma clara, nos autos, que o suplicante foi tributado por presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizado através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, onde se constata um “acréscimo patrimonial a descoberto” “saldo negativo mensal”, ou seja, o suplicante aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada, sendo que nestes casos a responsabilidade pela apresentação das provas para elidir a presunção legal compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, não há dúvidas de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer, que o Direito Tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código de Processo Civil, que dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem Fl. 316DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 34 por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observese, que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceu, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). È ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas e das planilhas que atestam o acréscimo patrimonial, a autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. No que diz respeito da cobertura do acréscimo patrimonial a descoberto pela distribuição automática do lucro arbitrado da pessoa jurídica, é de se dizer no que se refere aos débitos incluídos no Parcelamento Excepcional da MP 303, de 29 de junho de 2006 (fls. 219/274), observase que o recorrente apresenta planilhas onde procura demonstrar que os valores tributáveis no auto de infração da pessoa física que teve como base a variação patrimonial a descoberto seriam totalmente cobertos caso a fiscalização tivesse aproveitado os valores considerados automaticamente distribuídos aos sócios nas omissões de receitas apuradas pela fiscalização da empresa Posto Jardim do Trevo Ltda. – CNPJ 45.994.951/0001 61 – no processo administrativo fiscal nº 10830.005178/0117. Nesta documentação observase que em 14/09/2006 a empresa Posto Jardim do Trevo Ltda. – CNPJ 45.994.951/000161 passou a integrar o Programa de Parcelamento Excepcional da MP 303 de 29 de junho de 2006. No entendimento do recorrente as omissões do anocalendário de 1997 e 1998, sofreram a incidência do imposto de renda na pessoa jurídica, sob a responsabilidade da empresa e por ela pagos ou em fase de pagamento no programa de Parcelamento Excepcional, e distribuídos automaticamente aos acionistas. Entendendo, que as omissões dos anos calendário de 1997 e 1998, foram tributadas como lucros da pessoa jurídica, pelo regime de arbitramento de ofício pela autoridade fiscal lançadora, o que levaria a se considerar que se transformou em “lucros”, os quais favorecem os sócios ou acionistas, sem mais tributação, quer na fonte, quer na declaração. Com a devida vênia, penso que tal fato não pode ser levado em consideração uma vez que no curso do processo não foi apresentado nenhum documento que demonstrasse que os valores omitidos haviam sido incorporados ao patrimônio do contribuinte coincidentes Fl. 317DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 18 35 em data e valores. Isto é, não houve apresentação de que o contribuinte dispunha deste numerário para fazer frente ao excesso de dispêndios em relação aos recursos. Como já dito, anteriormente, o ônus cabe à autoridade administrativa. Há, porém, as presunções legalmente estabelecidas. Estas têm o condão de inverter o ônus da prova como esclarece José Luiz Bulhões Pedreira (“Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas”, JUSTEC – RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Ora, por haver repercussão no cômputo de recursos na análise de evolução patrimonial, tornase imprescindível, no caso, a comprovação do ingresso dos recursos oriundos destes lucros considerados distribuídos pela empresa da qual o contribuinte é sócio. Ademais, se as omissões são consideradas no mês da ocorrência como será possível afirmar, que os valores omitidos, na pessoa jurídica, são recursos nos períodos da apuração da variação patrimonial. Além do mais, como seria possível se provar quais valores estavam disponíveis ainda em 1997 e 1998. Da mesma forma, teria que ser levado em conta que se os valores não estão declarados nos anos em que foram disponibilizados é por que foram consumidos no próprio ano e, portanto, haveria necessidade do contribuinte informar e comprovar quando e onde consumiu estes valores com documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valores, ou seja, seria somente possível com a apresentação de comprovantes destas disponibilidades. Assim sendo, entendo que não devem ser considerados os valores oriundos do arbitramento de lucros da pessoa jurídica do qual o recorrente é sócio, como necessários e suficientes para respaldar os indícios de variação patrimonial a descoberto que serviu de base para o atual lançamento ora questionado. Ora, o contribuinte foi autuado por acréscimo patrimonial a descoberto, através do levantamento do fluxo financeiro. Ou seja, através da análise das entradas e saídas de recursos à fiscalização apurou saldos negativos. Nesta situação o suplicante fica na obrigação de apresentar elementos comprobatórios de recursos com origem justificada para fazer frente ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, de nada adianta a simples alegação de que se fosse considerado isso ou aquilo à acusação fiscal não teria fundamento para sua aplicação, pois, estes supostos recursos, dariam causa ao dito “acréscimo patrimonial a descoberto apurado”. Por fim, é de se ressaltar, que o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributados, isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Fl. 318DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 36 Todas as informações registradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, até prova em contrário, são consideradas expressão da verdade. Por outro lado, se o contribuinte for intimado a fazer a comprovação dos valores lançados, tempestivamente, em sua Declaração de Ajuste Anual e/ou Declaração de Bens e Direitos e não o fizer é perfeitamente justificável a glosa destes valores. No que diz respeito à exclusão ou inclusão de recursos, bem como à consideração de dívidas e ônus reais no fluxo de caixa, seria ocioso mencionar que todos os valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a dinheiro em espécie, doações, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Declaração de Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga., Redatora Fl. 319DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 19 37 Em que pese o merecido respeito a que faz jus este Colegiado, peço vênia para discordar da decisão da maioria quanto ao procedimento adotado pela fiscalização na apuração da matéria tributável. Tratase de lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto apurado com base em documentos bancários, o que faz surgir alguns questionamentos. Mesmo depois da edição da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode uma omissão baseada apenas na movimentação financeira ser lançada como acréscimo patrimonial a descoberto? A movimentação financeira compõe o demonstrativo de evolução patrimonial? Em caso afirmativo, de que forma e em que condições? Para o deslinde da questão, impõese fazer uma retrospectiva da legislação, no que diz respeito ao uso da movimentação financeira como base para a caracterização de omissão de rendimentos. Antes da Lei no 8.021, de 12 de abril de 1990, não existia disposição legal específica sobre o uso da movimentação financeira como caracterizadora de omissão de rendimentos. Havia um entendimento de que depósitos bancários de origem não comprovada poderiam configurar acréscimo patrimonial a descoberto (art. 52 da Lei no 4.069, de 11 de junho de 1962, c/c art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN e art. 3o, §1o, da Lei no 7.713, de 1988) ou sinais exteriores de riqueza (art. 9o da Lei no 4.129, de 14 de julho de 1965), duas hipóteses de presunção de omissão de rendimentos. No caso de tributação fundamentada na presunção de acréscimo patrimonial a descoberto, a movimentação bancária era considerada, por um lado, uma aplicação (os depósitos) e, por outro, uma fonte de recursos (os saques), fazendo parte de um demonstrativo que cotejava todas as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos e, caso fosse constatada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, presumiase a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais incrementos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Na prática utilizavase o saldo inicial como recurso, e o saldo final, como aplicação, já que a diferença entre eles equivale à diferença entre o total dos depósitos e o total dos saques do mesmo período. Os depósitos bancários poderiam, ainda, servir de base para presumir rendimentos omitidos, como sinais exteriores de riqueza evidenciadores de renda auferida ou consumida, não submetida à tributação. Neste caso, o somatório puro e simples dos valores depositados cujas origens não fossem justificadas era suficiente para caracterizar a omissão de rendimentos. A Súmula no 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos foi editada nesta época, em que não existia uma presunção legal que versasse expressamente sobre omissão de rendimentos com base na movimentação financeira do contribuinte, considerando ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base exclusivamente em extratos ou depósitos bancários. Em seguida, promulgouse o Decretolei no 2.471, de 1o de setembro de 1988, a seguir reproduzido, determinando o cancelamento dos processos referentes a crédito tributário decorrente de valores arbitrados com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, conforme disposto em seu art. 9o, inciso VII: Fl. 320DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 38 Art. 9o Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VII do Imposto sobre a Renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. A partir de então, o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto decorrente de simples movimentação financeira deixou de ser exigível, visto que se baseava apenas em valores extraídos de documentos bancários (depósitos, saques ou diferenças entre saldos). Importa destacar que o mesmo entendimento deve ser adotado ao acréscimo patrimonial a descoberto lançado com fundamento no art. 3o, §1o, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, pois, embora a referida lei tenha sido editada posteriormente ao Decretolei no 2.471, de 1988, tal dispositivo somente ratificou a hipótese de incidência já prevista anteriormente (art. 52 da Lei no 4.069, de 11 de junho de 1962, c/c o art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN, consolidada no art. 39, inciso III, do Decreto no 80.450, de 4 de dezembro de 1980). Da mesma forma, o arbitramento da renda presumida pelo somatório puro e simples dos depósitos bancários, não caracterizava mais omissão de rendimentos, sendo necessária a existência de outros sinais exteriores de riqueza que evidenciassem a renda auferida ou consumida. Com o advento da Lei no 8.021, de 12 de abril de 1990, que revogou o art. 9o da Lei no 4.129, de 14 de julho de 1965 (sinais exteriores de riqueza), os depósitos bancários de origem não comprovada passaram a figurar expressamente como hipótese de omissão de rendimentos, conforme disposto em seu art. 6o, in verbis: Art. 6o O lançamento do ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1o Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2o Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do imposto de renda em vigor e do imposto de renda pago pelo contribuinte. § 3o Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4o No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5o O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 20 39 § 6o Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Atentese que o arbitramento com base em depósitos bancários, previsto no §5o acima transcrito, era aplicável no contexto definido pelo artigo que o contém (art. 6o da Lei no 8.021, de 1991), o que nos leva a conclusão de que não bastava apenas constatar a existência dos depósitos, mas deverseia estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de rendimentos. Este entendimento é corroborado pela jurisprudência dominante no âmbito deste Conselho. Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, revogouse o §5o, art. 6o, da Lei no 8.021, de 1990, e criouse uma presunção mais sumária que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não justificados pelo contribuinte, para que se estes sejam tributados como omissão de rendimentos, como se observa pelo teor do art. 42 do referido diploma legal: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...] (grifouse) De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar Fl. 322DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 40 apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Importa ressaltar, que o art. 42 da Lei no 9.340, de 1996, impõe, ainda, a adoção de critérios próprios na apuração da omissão: (i) os créditos devem ser analisados individualizadamente; (ii) as transferências entre contas de mesma titularidade devem ser excluídas; (iii) os valores cuja origem forem identificados devem ser tributados de acordo com a natureza do rendimento; (iv) no caso da pessoa física, os créditos inferiores ou iguais a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00, devem ser excluídos; (v) a omissão será tributada em nome do titular de fato da conta, quando provado a existência de interposta pessoa; e (vi) na hipótese de conta conjunta, cujos titulares apresentem declaração em separado, o valor da omissão será imputado proporcionalmente a cada titular. Diante de quanto se expôs, podese concluir que: o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto ou de sinais exteriores de riqueza, baseados exclusivamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, deixaram de ser exigíveis com a publicação do DecretoLei no 2.471, de 1988, até a edição da Lei no 9.430; o arbitramento da renda presumida, nos termos do art. 6o, §5o, da Lei no 8.021, de 1990, com base em depósitos bancários só poderia ser feito caso fosse demonstrada a conexão entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta que evidenciasse à omissão de rendimentos, até a revogação expressa do referido dispositivo legal pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei no 9.430, de 1996; a partir do anocalendário 1997, não cabe mais lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza apurados com base na movimentação financeira, devendo, nestes casos, eventual omissão ser apurada nos estritos termos da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Resta, ainda, investigar se a movimentação financeira pode compor o demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto e, se for o caso, de que forma e em que condições. Ao se incluir a movimentação financeira na análise da evolução patrimonial do contribuinte, representada pelos saldos inicial (recursos) e final (aplicações) das contas bancárias, caso o saldo final seja maior do que o saldo inicial (depósitos maiores do que os saques efetuados no mês), estarseá apurando um acréscimo patrimonial a descoberto baseado apenas em extratos ou documentos bancários, o que, já se viu, não se admite mais desde a edição do Decreto no 2.471, de 1988. Ainda que o demonstrativo da evolução patrimonial do contribuinte inclua outros itens referentes a recursos auferidos e aplicações efetuadas, a movimentação financeira não pode aumentar o valor da omissão que seria apurada sem a sua inclusão no fluxo mensal, pois esta diferença a maior decorre, exclusivamente, de valores extraídos das informações contidas em extratos ou outros documentos bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a tributação da movimentação financeira apurada por meio de acréscimo patrimonial a descoberto encontra mais um óbice. Além de utilizar uma presunção mais geral, quando já existe uma presunção específica, a matéria tributável é apurada pelo simples confronto mensal Fl. 323DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 10830.009315/200354 Acórdão n.º 220201.000 S2C2T2 Fl. 21 41 entre depósitos e saques (ou saldos final e inicial), enquanto que o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, como já se viu, possui critérios próprios para quantificação da omissão que podem conduzir a resultados bem diversos. Por exemplo, quando os saques forem superiores aos depósitos em determinado mês (saldo inicial maior do que saldo final), pelo critério de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não haveria valor a tributar, enquanto que, pelo art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, todos os depósitos cuja origem não fosse comprovada (feitas as devidas exclusões e observados os limites previstos para a pessoa física) deveriam ser tributados. Por outro lado, quando os depósitos forem superiores aos saques, não se pode simplesmente presumir que se trata de omissão de rendimentos, pois, ainda que aparentemente possa ser apurada uma omissão menor, podem existir valores que deveriam ser excluídos e não o foram (transferências, resgates de aplicação, valores cuja origem possa ser comprovada ou depósitos inferiores a R$12.000,00, cujo somatório anual não ultrapassem os R$80.000,00). Nesta hipótese, estarseia tributando indevidamente valores que, dentro dos critérios estabelecidos pelo art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, deveriam ser excluídos para fins de apuração da matéria tributável. Feitas estas considerações, vislumbramse duas situações em que os saldos das contas bancárias, de poupanças e outras aplicações financeiras podem compor a análise da evolução patrimonial. A primeira, quando a inclusão da movimentação financeira pela fiscalização não aumente o valor da omissão apurada. A segunda, quando for averiguada a regularidade dos depósitos efetuados nas contas bancárias do contribuinte (comprovado que os ingressos nas contas bancárias provêem de rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis) e/ou quando os depósitos de origem não comprovada forem tributados nos termos do art. 42, Lei no 9.430, de 1996, desde que os recursos correspondentes aos créditos cuja origem foi identificada sejam incluídos no demonstrativo da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, bem como o valor da omissão caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, neutralizando, assim, o efeito de uma diferença positiva entre depósitos e saques (depósitos maiores do que saques). Nas duas hipóteses, os valores sacados que puderem ser perfeitamente identificados (débito de contas de luz, condomínio, telefone, etc) devem também compor os dispêndios relacionados no demonstrativo da variação patrimonial. Há que se fazer, ainda, uma última observação. Toda a análise até aqui feita levou em conta apenas as situações em que a movimentação financeira foi incluída na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto pela fiscalização. Uma vez que em se tratando de acréscimo patrimonial a descoberto o ônus da prova da existência de recursos é do contribuinte, a inclusão a pedido deste (contribuinte) da movimentação financeira (representada pelos saldos inicial e final de cada mês) no demonstrativo da evolução patrimonial fica condicionada à comprovação de que os ingressos em cada uma destas contas provêm de rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou seja, devem ter sua origem comprovada ou terem sido tributados nos termos do art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. Se assim não o fosse, correrseia o risco de aceitar como recurso um rendimento que deveria ter sido tributado e não o foi (em razão de não se comprovar a origem dos créditos efetuados em conta corrente). Fl. 324DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 42 No caso em concreto, o acréscimo patrimonial a descoberto objeto de litígio decorre tão somente da movimentação financeira do contribuinte (diferença entre o saldo inicial e final das contas correntes e aplicações do contribuinte), razão pela qual não pode prosperar o presente lançamento. Quisesse a fiscalização apurar omissão de rendimentos a partir da movimentação financeira do contribuinte, deveria têlo intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não comprovada a origem dos depósitos bancários caberia a sua tributação, observados os limites e as exclusões estabelecidas no referido artigo. Pelos fundamentos expostos, encaminho meu voto no sentido de ACOLHER a preliminar de ilegalidade na constituição do crédito tributário, uma vez que o acréscimo patrimonial a descoberto objeto apurado decorre tão somente da movimentação financeira do contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 325DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN, 21/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.014429/91-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - ALUMÍNIO E SUAS OBRAS (7604 E 7606) LUMINÁRIAS. Sujeita-se à classificação TIPI com alíquotas positivas. Montagem (reunião de peças) é operação de industrialização definida no art. 3º, III, RIPI/82, não se caracterizando montagem sob encomenda se não comprovado serem utilizados materiais de propriedade exclusivamente de terceiros. Hipótese de aplicação do disposto no art. nº 63, parágrafo 2º, RIPI/82. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-06635
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
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O. U. d4 De 01 / 1r2/ / (C 1.1 ,_,.. MINISTÉRIO DA FAZENDAí C • 12 ca .:45 405: ,. .- _ • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n2: 10480.014429/91-11 Sessão de: 26 de abril de 1994 ACORDA° No 202-06.635 Recurso no: 95.848 Recorrente : TUBOLUX ILUMINAGMO CONTINUA LTDA. Recorrida : DRF EM RECIFE: - PE IPI - ALUMINIO E SUAS OBRAS (7604 E 7606) LUMINÁRIAS. Sujeita-se à classificação TIPI com allquotas positivas. Montagem (reunião de ~s) é operação de industrialização definida no art. 32, III, RIPI/02, não se caracterizando montagem sob encomenda se não comprovado serem utilizados materiais de propriedade exclusivamente de terceiros. Hipótese de aplicação do disposto no art. 63, parágrafo 22, RIPI/02. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TUBOLUX ILUMINAPIO CONTINUA LTDA. - ACORDAM os Membrot... da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Con.-ibuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro 30SE ANTONIO AROCHA DA CUNHA. Sala das SessC5es, em 26.e abril de 1994. • . f HELVIO ESCO I E: O BARCF... esidene /1 1.(;(7113 t) ,miner- ....- :JOSE CABRAL e<ROFANO - Relatar C24.4244 (.! ADRIA L_DE CARVALHO - Procuradora-Represeq tante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSM DE 1 7 JUN 1994 . . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, OSVALDO TANCREDO DE OlIVEIRA e TARASIO CAMPELO BORGES. hr/jm/cf/gb _ _ )1 5 V I MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ... al.,.;: f':*a' :-- Processo no: 10480.014429/91-11 Recurso no: 95.848 AcórdWo no: 202-06.635 Recorrente : TUBOLUX ILUMINAÇA0 CONTINUA LTDA. RELATORI O . A ora recorrente foi denunciada por ter praticado irregularidades fiscais na esfera do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Destaca-se da descriçao dos fatos narrados pela representante da Fazenda Nacionale "A empresa é conhecida fabricante de luminárias na praça do Recife (como indica o próprio nome original da empresa: Tubolux-Fábrica de Luminárias Fluorescentes Ltda.), e estabelecida numa das importantes avenidas da cidade. No entanto, nos exercicios fiscalizados de 1989 e 1990, nem destacou nem recolheu o IPI que incide sobre os produtos de sua fabricaçao, conforme determina a Tabela de IncidOncia do IPI. Surpreendentemente, em 1991, sem mudar de atividade e sem recolher o IPI referente aos exercicios anteriores, passa a dar uma classificaçao fiscal (7604.29.9900 e 7606.11.0000) diferente do que determina a Tabela de Incidencia do IPI, a apenas parte do seus produtos, aquelas partes que receberam a operaçao de beneficiamento, e, a lançar uma allquota de 15% sobre os seus produtos, sem reéolher aos cofres da Fazenda Nacional o IPI cobrado nas suas Notas Fiscais de salda, nos prazos e formas estabelecidos no Regulamento do IPI e legislaçao que rege a matéria. Para fabricar os seus produtos a empresa executa duas operaçffes determinada pelo Regulamento do IPI, Ar t,, 32, como operaçffes que caracterizam a industrializaçao, sao as operaçffes de beneficiamento e montagem. A empresa executa a operaçao de industrializaçao denominada beneficia- mento, ao modificar, aperfeiçoar, ou de qualquer forma alterar parte ou todo o alumlnio utilizado no processo de industrializaçao (art. 32 II), e, executa também a operaçao de montagem ao reunir as partes beneficiadas a outras partes, produtos ou peças para a obtençao de um novo produto (art. 3g III do RIPI), denominado luminária e classifi- - J-..15 1 MINISTÉRIO DA FAZENDAfIeL .Yr> SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *Ob'"%. . Processo no: 10480.014429/91-11 AcórdNo no: 202-06.635 cado na Tabela de Incidência do IPI na posição 9405.10.9900 (lustres e outros aparelhos de iluminação, elétricos, próprios para serem suspensos ou fixados no teto ou na parede), com uma aliquota de 10% até março de 1990, quando passou para uma ai. iquota de 15% a partir de abril . de 1990 conforme De c. 99.182/90. a) EXERCICIOS DE 1989 e 1990 - A empresa durante os exercícios fiscalizados de 1989 e 1990 não lança nem recolhe o IPI devido, que incide sobre os seus produtos que fabrica. Nas Notas Fiscais de saída discrimina os produtos, partes e peças que compCem as luminárias de sua fabricação, como se fossem produtos isolados, individualmente ~itificados (curvas flexíveis, reatores, Lermos tatos, placas, hastes, lâmpadas etc.). Esta fiscalização procedeu o levantamento de cada Nota Fiscal de salda para determinar o valor tributável, e excluiu. de cada dos valores de cada Nota Fiscal os valores referentes as lâmpadas utilizadas nos produtos. Os valores levantados foram separados por periodos de apuração quinzenal, como deternina a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Também foram levantados por esta fiscalização, todos os créditos referentes ao IPI dos produtos e matérias primas utilizados no processo de industrialização e também separados por periodos de apuração quinzenal correspondentes, como determinam os artigos 98, 81 e 82 S do Regulamento do IPI - RI PI. Os demonstrativos do valor tributável e dos créditos do IPI incidente sobre os produtos utilizados no processo de , industrialização, constam dos Demonstrativos de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, que compbem o Auto de Infração. Este procedimento foi realizado por . determinação das Notas Explicativas da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Notas Explicativas da Seção XX Capítulo 94 II) que determinam que classificam-se na posição 9405.10.9900, as partes não elétricas e as partes elétricas que comam os produtos, como suportes, . comutadores, interruptores, , ,transformadoreS estarte etc., e determina a , exclusão das lâmpadas utilizadas nos produtos, 1 desta posição. 1•. 1 _ _ . JA 5> . .. . . 't:ii. .L MINISTÉRIO DA FAZENDA •:::' ,W :tly ., .... SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Y.,OR.AT,:i Processo no, : 10480.014429/91-11 AcórcWo no n 202-06.635 b) - EXERCICIO DE 1991 - No exercício de 1991 apenas um item foi verificado por esta fiscalizaçãoN o do IP' lançado nas Notas Fiscais de saida e não recolhido aos cofres da Fazenda Nacional. Sendo portanto passível de fiscalização posterior do LEI o exerctcio de 1991. Neste exercicio foram levantados os débitos e OS créditos do IPT. até outubro de 1991, de conformidade com o escriturados nos Livros Fiscais Registro de Entradas e Registro de Saídas da empresa (copias dos livros em anexo). Tais valores foram agrupados por período de apuração quinzenal, COMO determina a legislação." Em sua impugnação tempestiva (fis. 79/06) argúi nulidade do Auto de Infração, por inobservância ao artigo 11 do Decreto no 70.235/72 o que enseia aplicação do disposto no artigo 59, do citado Decreto. Diz que o Auto de Infração capitulou dispositivo legal que não se aplica A espécie (art. 63, I, do RIPI/82), bem como a multa aplicada foi aquela disposta no art. 364, I, do RIP1/82 (50%), mas a fiscalização imputou 100% sobre o tributo apurado. Mo mais assevera não ser contribuinte do IPI como disciplinado nos arts. lo a 3g do RIPI/O2, porquanto apenas executa serviços de montagem, instalação, manutenção, restauração de luminárias, compra e venda no varejo ou atacado, a exposição de luminárias e perfis de alumínio. A montagem é sempre por encomenda e não transforma, beneficia ou aperfeiçoa os produtos que comercializa. Cita o Código Tributário do Município de Recife e insurge-se sobre erros de cálculos incorridos pela autuante, quando da apuração do imposto. A Informação Fiscal (fls. 144/145) contesta os argumentos oferecidos pela impugnante, bem como informa ter procedido a devida representação, nos termos do Decreto no 325/91 e que o erro de datilografia no enquadramento legal do Auto de Infração Wão trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. Decidindo o pleito em primeira instância administrativa, através da Decisão SESIT/SEWTD n2 1.094/72 (fls. 147/152), o Sr. Delegado da Receita Federal em Recife/PE não acolheu a preliminar de nulidade do Auto de Infração, vez que as irregularidades apontadas são sanáveis, nos termos do artigo 60, do Decreto n2 70.235/72. . . is 53 MINISTÉRIO DA FAZENDA 44(% SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.01/2 Processo no: 10480.014429/91-11 AcórdMo no : 202-06.635 Quanto ao mérito, na esteira da descriç go dos fatos da deneincia fiscal e contestaç go fiscal, por entender que a impugnante executa processo de industrializaçgo (montagem)w manteve integralmente o lançamento originário. Em suas razaes de recurso (fls. 160/166) sustenta os mesmos argumentos oferecidos na impugnaçgo. E o relatório. • A 5`i MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 !;:: J W• 1 . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ZYet. Processo no: 10480.014429/91-11 Acdr~ ng: 202-06.635 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSE CABRL GAROFANO O recurso voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele conheço por tempestivo. Apreciando a preliminar de nulidade do lançamento por imprecisXo no enquadramento legal, tanto em dispositivo de infring•ncia à legislaçào tributária como da multa lançada de oficio, cabe aqui tecer algumas consideraçHes necessárias que utilizo para construir meu Juizo. Reza o artigo . 59, do Decreto no 70.235/72u "Art. 59. SMo nulosg I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompe- tenteg II - Os despachos e decisilles proferidos por autoridade incompetente ou çqm proler. i,s?io çtg 1treÁI2 0.e 0.(2t22a-" ( dei destaque). Da forma como a recorrente argUi a nulidade, só restaria a hipótese contida na parte final do inciso II, do art. 59. Para apreciar esta matéria louvo-me nos doutos ensinamentos do Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda, ex-membro do Primeiro Conselho de Contribuintes e atual Coordenador do Sistema de Fiscalizaçào da Secretaria da Receita Federal, donde destacou "De plano, observa-se que, no tocante ao lançamento, esse dispositivo somente admite, literalmente, nulidade por incompetOncia do agente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do direito de defesa, nào se aplicaria a auto de infra nem notificaçao de lançamento, como apontado no seguinte acórdabg 'Preteri a° do direito de defesa decorre de despachos ou decis'efes e no da lavratura de ato ou termo como se materializa a feitura de auto de infraçXo. Cerceamento ou preteriçàb do direito de defesa, por falta de vistas dos autos, há de relacionar-se com o processo correspondente, no qual existem os elementos de prova necessários A soluçab do litígio. (Ac. 101-77056, de 25/02/87). _ , A 5 5 J" n.._ ~ISTMO DA FAZENDA 40; • 4 " 4.„44, :4.*4~ •*!* . i 45.*4. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 10480.014429/91-11 Acórdao no: 202-06.635 .................................................. A seaunda assertiva, todavia, não encontra apoio na- moderna e melhor doutrina administrativista, que recusa ao ato administrativo a aplicação da dicotomia importada do direito comum, classificatória dos atos jurídicos em nulos e anuláveis, como, elucida Hely Lopes Meirelles ao opinar: '...em direito público não há lugar para os atoa anuláveis, como Já assinalamos precedentemente. Isto porque a nulidade (absoluta) e a anulabilidade (relativa) assentam, respectivamente, na ocorrOncia do interesse público e do interesse privado na manutenção ou eliminação do ato irregular. Quando o ato é de exclusivo interesse dos particulares - o que só ocorre no direito privado - embora ilegítimo ou ilegal, pode ser mantido ou invalidado segundo o desejo das partes: quando é de interesse público - e tais são todos os atas administrativos - a sua legalidade se impine como condição de validade e eficácia do ato, não se admitindo O arbítrio dos interessados para a sua manutenção ou invalidação, porque isto ofenderia a exigOncia de legitimidade da atuação pública. O ato administrativo é legal ou ilegal: é válido ou inválido. ... . O que pode haver é corre0o de mera irregularidade que não torna o ato nem nulo nem anulável, mas simplesmente defeituoso ou ineficaz até a sua retificação." (Direito Administrativo Brasileiro, Revista dos Tribunais - SE - 1991, pág. 183/184) (o itálico consta do original). A partir dessa conclusão compreende-se que as expressrftea anular o ato ou declarar a nulidade do ato, ambas medidas de efeitos ex tunc, possuem identico significado e assim são empregadas, quer pela doutrina, quer nos textos legais, sem que se refiram a atos de efeitos, ou sujeitos a sançffes, diferentes, como se encontra, predominantemente, na literatura especializada." Mais à frente continua o ilustre processualiata de exigOncias tributárias em procedimentos fiscais-administrativos: _ - _ _ Jd5 h I S, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 10480.014429/91-11 AcórchWo no: 202-06.635 • "A expres~ vício formal (a.2), por seu turno, compreende as incorreçdes e omissdes de forma do ato (artigos 10 e 11), assim como as falhas ou omissdes quanto a formalidades que devem' ser respeitadas na feitura do lançamento. .................................................. Ressalte-se, ademais, que a distincMo entre formalidade extrínseca e intrínseca • indispensável, pois casos ha em que a omissao de forma, que nao configure a segunda, nao prejudica a validade do procedimento fiscal, como já decidido nos seguintes casos 'ARBITRAMENTO DO LUCRO - NULIDADE - A falta de indicaçao, no auto de infraçao, dos dispositivos legais infringidos nao acarreta sua nulidade quando, desde a fase impugnatória, o contribuinte demonstra, pelo teor de sua reciamaçao, que o direito de ampla defesa lhe foi assegurado mediante a precisa descriçao do ilícito cometido, contida naquela peça. (Ac. 103-11834, de 04/12/91). 'CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - A ausOncia do dispositivo legal infringido no auto de infraçao na° enseja sua nulidade quando a descriçao dos fatos autoriza o sujeito passivo a exercer amplamente seu direito de defesa, provado esse aspecto pelas alentadas petiçdes apresentadas nas fases impugnatória e recursal.' (Ac .103-11387, de 15/07/91). b) o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atencMo aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiOncia na de • criça • dos fatos, quer pela contradiçao entre seus elementos, efetivamente nVo permitir ao suieito passivo . conhecer com nitidez a acusaçao que lhe 6 imputada é igualmente nulo por falta de I _ , , j5 /-- 1... 0é. MINISTÉRIO DA FAZENDA ,th rY-.°, • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .;.,*'' ~." <0...:-. • Processo no: 10480.014429/91-11 AcórdMo , no: 202-06.635 conteúdo ou objeto, como preferem alguns, na medida que não restou provada a materialização da hipótese de incidOncia e/ou o ilícito cometidoy' PROCESO ADMINISTRATIVO FISCAL-MANUAL. PASS. 79 a 94, Lolz„ Henrique Barroso ge Arruda - Editora Resenha Tributária - Saro Paulo-Janeiro/93. São estes fundamentos que me levam à convicção de inocorrOncia de cerceamento do amplo direito de defesa do sujeito passivo, pelo que não acolho os elementos da preliminar argaida. No mérito, a apelante desde sua impugnação sustenta que sua atividade ó sempre montagem sob encomenda, inclusive na defesa fez constar sua Ultima aiteraçãb do contrato soe: ialA ... serviços de montagem, instala0o, manutenplo, restauraOio de luminárias, compra e venda no vareio ou atacado, a exposi0o de luminárias e perfis de alumínio." Nesta linha, ao citar o Código Tributário do Município de Recife, seu artigo 102, item 73, entende estar amparado por lei e não ser contribuinte do IPIn 73 - Instala0o e montagem de aparelhos, máquinas e equipamentos prestados ao usuário final do servi Ço s R'ççluqi,vaingn :te! ÇOM M4t2rj4A1 Inr gle forneçido." (grifei). Em seu Contrato Social fica claro que a mesma monta aparelhos e o dispositivo retro citado especializa, para trazer ao campo de incidencia do [9S, "...exclusivamente com material por ele fornecido." Em momento algum a autuada trouxe aos autos qualquer prova que apenas monta aparelhos com material de terceiros, o que deveria ser comprovado com notas fiscais de entrada em nome do remetente, ordens de serviços de montagem e F otas fiscais de entrega dos ditos materiais. Mesmo que assim fosse aplicar-se-ia o disposto no artigo 63, parágrafo 2g, do RIPI/82, como faz certo o entendimento constante no Acórdão no 201-66.128/90. Nada mais claro que a apelante adquire materiais, monta, vende produtos acabados e peças de reposição, tudo por conta própria. Mesmo que -fossem industrializados para atender projetos específicos, nã'o é a situação de encomenda definida em lei e que não constitui fato gerador e matéria tributável pelo IPI. _ A S2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES LS-wgk Processo no: 104S0-014429/9i —11 Acórdab no: 202-06.635 Como a recorrente if'áo ofereceu resistOncia à classificaçao fiscal do produto na TT.P1 imposta pela ti 5 C: gira !, bem como n'So c O I"; C.? 't OU o ifll1DOstC) ./. a FY f;: a Cl O e? 11 2(0 recolhido em certo período, estes itens da denúncia fiscal ficaram incontroversos e n2Co constituem razbes de recurso a serem apreciadas. E neste sentido e por acatamento às de cises unânimes deste Conselho de Contribuintes, sobre esta matcária, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessffes, 26 de abril de 1994. JOSE CA AROFANO
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Numero do processo: 10425.000606/96-97
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - I) LANÇAMENTO: nada impede o contribuinte, no âmbito do processo administrativo fiscal, de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR, desde que apresente os elementos de prova hábeis para tal; II) ENCARGOS MORATÓRIOS: incidem juros e multa de mora quando não pagos o tributo e seus consectários no prazo fixado na notificação original, mesmo se suspensa a exigibilidade dessas receitas pela apresentação de impugnação ou recurso, calculados sobre o valor corrigido nos períodos em que houver previsão legal de atualização monetária. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-09306
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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ementa_s : ITR - I) LANÇAMENTO: nada impede o contribuinte, no âmbito do processo administrativo fiscal, de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR, desde que apresente os elementos de prova hábeis para tal; II) ENCARGOS MORATÓRIOS: incidem juros e multa de mora quando não pagos o tributo e seus consectários no prazo fixado na notificação original, mesmo se suspensa a exigibilidade dessas receitas pela apresentação de impugnação ou recurso, calculados sobre o valor corrigido nos períodos em que houver previsão legal de atualização monetária. Recurso negado.
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PUBLICADO .NO ID;â ui. - C Sr-OaPAÁstiria...... ., .•;',4;.'"is MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubrica SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,2 rI 1V,,e Processo : 10425.000606/96-97 Sessão •. 12 de junho de 1997 Acórdão : 202-09.306 Recurso : 100.341 Recorrente : LAFAIETE MOREIRA AMORIM Recorrida : DRJ em Recife - PE ITR - I) LANÇAMENTO: nada impede o contribuinte, no âmbito do processo administrativo fiscal, de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR, desde que apresente os elementos de prova hábeis para tal; II) ENCARGOS MORATORIOS: incidem juros e multa de mora quando não pagos o tributo e seus consectários no prazo fixado na notificação original, mesmo se suspensa a exigibilidade dessas receitas pela apresentação de impugnação ou recurso, calculados sobre o valor corrigido nos períodos em que , houver previsão legal de atualização monetária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: LAFAIETE MOREIRA AMORIM. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos, Roberto Velloso e José Cabral Garofano, que davam provimento quanto à multa de mora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José de Almeida Coelho. Sala das Sessões, , '12 de junho de 1997 4/',. . /.1 . i , arco: inicius Neder de Lima ' res• .. , ... , •IC s u no eiro , ,w elator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Oswaldo Tancredo de Oliveira, Tarasio Campeio Borges e Antônio Sinhiti Myasava. 1 mdm/CF/GB 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA 0(4: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4cit;:#5tt Processo : 10425.000606/96-97 Acórdão : 202-09.306 Recurso : 100.341 Recorrente : LAFAIETE MOREIRA AMORIM RELATÓRIO O Recorrente, através da Impugnação de fls. 01/05, contesta o lançamento do 1TR195 e acessórios, relativamente ao imóvel inscrito na Receita Federal sob o n° 1762437.1, por considerar exorbitantes os valores cobrados em relação aos praticados no ano de 1994 e entender ilegal o percentual e a atualização aplicados sobre o VTN declarado. A Autoridade Singular julgou improcedente a impugnação, mediante a.Decisão de fls. 23/24 assim ementada. "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR é o Valor da Terra Nua - VTN constante da declaração anual apresentada pelo contribuinte retificado de oficio caso não seja observado o valor mínimo de que trata o § 2° do art. 3° da Lei n° 8.847194 e art. 1° da Portaria Interministerial MEFP/MARA N° 1.275/91. ALÍQUOTA DO IMPOSTO. O imóvel rural que apresentar percentual de utilização efetiva da área aproveitável igual ou inferior a trinta por cento, terá a aliquota calculada na forma do § 3° do art. 5° da Lei n° 8.847/94. AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE." Tempestivamente, o Recorrente interpôs o Recurso de fls. 28/30, onde, em suma, pleiteia a aplicação de outra aliquota, considerando não ser correto afirmar que a utilização do imóvel é inferior a 30%. Às fls. 34, em observância ao disposto no art. l a da Portaria MF na 260/95, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, manifestando, em síntese, pela manutenção integral da decisão recorrida. É o relatório. 2 4J Ir 1,Ç MINISTÉRIO DA FAZENDA " ti5"."1:4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10425.000606/96-97 Acórdão : 202-09.306 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Conforme relatado, o Recorrente se limita a manifestar o seu inconformismo com o lançamento em foco alegando ser absurdo e inaceitável considerar que a Fazenda 'Estância Continental" tenha mais de 70% de área não cultivada. Já é entendimento firmado neste Conselho que nada impede o Contribuinte, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITA. Contudo, como só ficou em alegações sem apresentar elementos de prova hábeis para infirmar tais informações, nas quais fundou o presente lançamento, nego provimento ao recurso. No tocante à multa e juros de mora, cuja aplicabilidade ao caso foi questionada na sessão de julgamento deste processo, registre-se que a Lei ri" 8.022/90, que transferiu para a Secretaria da Receita Federal a competência de administração das receitas arrecadadas pelo INCRA, já previa esses encargos, quando essas receitas não fossem recolhidas nos prazos fixados (art. 2' ), o que incluiu o ITR no mesmo regime dos demais tributos federais no que se refere aos acréscimos legais. Ou seja, sobre as referidas receitas incidem juros e multa de mora quando não pagas no prazo fixado na notificação, mesmo se suspensa a exigibilidade dessas receitas pela apresentação de impugnação ou recurso, calculados sobre o valor corrigido nos períodos em que houver previsão legal de atualização monetária. Sala das Sessões, em 12 de junho de 1997 BUENO • BEIRO 3
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Numero do processo: 36958.003616/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal
Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4º, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.511
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, devido a decadência das contribuições apuradas, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 4º, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36958.003616/2005-93 Recurso n° 147.042 Voluntário Acórdão n° 2402-00.511 — 4° Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2010 , Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente PEIXOTO COMÉRCIO INDÚSTRIA SERVIÇO E TRANSPORTES-LTDA E - OUTRO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCLARIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCLÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional; II - Seja pela regra do art. 173 do CTN, seja pela do art. 150, § 40, as contribuições ora lançadas estariam decadentes, tendo em vista o transcurso de ambos os prazos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade • - . o os, em • ar provimento ao recurso, devido a decadência das contribuições ap . e . - as twre os do v• o do relator. ....--- ............. .., é RCE 1 0 IVEIRA - Presidente , frin A I .. . eleROO tu' ii $ LELLIS PINTO—Relator 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mana (Suplente). 2 Processo n° 36958.00361612005-93 S2-C4T2 Acórdão n.° 240240311 Fl. 190 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa PEIXOTO COMÉRCIO INDÚSTRIA SERVICO E TRANSPORTES LTDA E OUTROS contra decisão de fls. retro, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD, contendo contribuições previdenciárias devidas por empresa por ela contratada, e as quais responde a notificada solidariamente. Em seu recurso a empresa solidária sustenta apenas que o débito seria inexigível posto estar totalmente decadentes nos termos do CTN. O recurso do contribuinte de direito diz que houve erro em na competência 01/99, já que neste mês não teria emissão de NF, mas apenas os meses anteriores. Reclama igualmente da decadências das contribuições lançadas, e no mérito diz que recolheu todas as contribuições aqui exigidas, para encenar requerendo o provimento do seu recurso. • Sem contra-razões me vieram os autos. É o essencial para se julgar. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço de ambos os recursos interpostos. Sustenta os recorrentes, em preliminar, que o crédito tributário ora em debate, seria inexigível, posto estar decadentes, o que acredito faz com razão. É sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento, em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, determinando a prevalência do prazo quinquenal previsto no CIN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes inserias no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadenciais das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que pudessem impedir a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje, resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 40 do art 150, cuja contagem (para fins de I homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias sà'o inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciáriap 4 Processo n°36958.003616/2005-93 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00311 Fl. 191 confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN. Vale mencionar que mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3 Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN esta, pois, no regime jurídico do tributo (...)". Todavia, a discussão em tomo de qual regra decadência deve prevalecer, se toma despiscienda no presente caso, tendo em vista que mesmo que consideremos o art. 173, I do CTN, as contribuições ainda estariam decaídas, já que o lançamento foi levado ao conhecimento do contribuinte em 22/06/2005 (fls. 39), abrangendo contribuições referentes ao período de 09/98 a 01/99. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, e acatar a preliminar aventada pelos contribuintes, e declarar a decadência de todas as contribuições lançadas. É como voto. Sala das Sesai ., em 22 de fevereiro de 2010 041; , ( I ROI : • ti;1 LELLIS PINTO - Relator 5 ay MINISTÉRIO DA FAZENDACONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISQUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 36958.003616/2005-93 Recurso if: 147.042 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria , Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.511 Brasili. e - abril de 2010 Vir ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara , Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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