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Numero do processo: 10215.720314/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
PROCEDIMENTO FISCAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACRÉSCIMO DE JUROS MORATÓRIOS.
O art. 138 do CTN afasta a aplicação de multa moratória se o contribuinte recolheu o imposto devido, acrescido de juros e correção monetária, espontaneamente, antes de qualquer medida administrativa por parte do fisco.
Numero da decisão: 2202-010.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACRÉSCIMO DE JUROS MORATÓRIOS. O art. 138 do CTN afasta a aplicação de multa moratória se o contribuinte recolheu o imposto devido, acrescido de juros e correção monetária, espontaneamente, antes de qualquer medida administrativa por parte do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto do Acórdão nº 01-25.045 (fls. 156 a 159) que improcedente a impugnação e manteve o crédito constituído por meio do auto de infração de IRPF, exercícios 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. De acordo com a autuação, o contribuinte: 1. Em relação ao ano-calendário de 2005, indevidamente promovido a dedução a título de: despesas médicas, no valor de R$ 9.367,76; e despesas com instrução, de R$ 565,00. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 03 14 /2 01 0- 41 Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.755 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10215.720314/2010-41 2. Já no que respeita ao ano-calendário de 2006, seguem os valores das deduções reputadas indevidas: despesas médicas, de R$ 7.208,88; e despesas com instrução, de R$ 606,00. 3. No tocante ao ano-calendário de 2007: despesas médicas, no valor de R$ 8.619,00; e contribuição de incentivo à cultura, de R$ 100,00. 4. Ano-calendário de 2008: despesas médicas, de R$ 6.408,73; e despesas com instrução, de R$ 754,58. 5. Já no ano-calendário de 2009: dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 4.174,26. 6. Finalmente, em relação aos anos-calendário de 2005, 2006 e 2008, consoante apurado pela autoridade fiscal, teria o contribuinte respectivamente omitido rendimentos sujeitos ao ajuste anual, nos valores de R$ 169,55, R$ 254,92 e R$ 201,24, recebidos da fonte pagadora FPC Corretora de Seguros (CNPJ n. 42.278.473/000103). O contribuinte foi cientificado em 09/08/2012 (fl. 164) e apresentou recurso voluntário em 06/09/2012 (fls. 190 a 193) sustentando que não perdeu a espontaneidade. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. DA PERDA DA ESPONTANEIDADE Sustenta o recorrente que o pagamento realizado até 20º dia após o termo de início de ação fiscal, deve excluir as penalidade. De acordo com o art. 47 da Lei 9.430: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. O art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), ao tratar da denúncia espontânea, pontua que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. O parágrafo único do dispositivo esclarece que a denúncia só é considerada espontânea se realizada antes do contribuinte sofrer fiscalização tendente à constituição do crédito tributário, in verbis: Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.755 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10215.720314/2010-41 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea, portanto, é o instituto jurídico que tem por objetivo estimular o contribuinte infrator a tomar a iniciativa de se colocar em situação de regularidade, pagando os tributos que omitira, com juros, mas sem multa. 1 Esclarece a Ministra Regina Helena que a denúncia espontânea visa prevenir conflito que possivelmente seria deflagrado após o início da atividade fiscalizatória, sendo interessante tanto ao contribuinte, quanto ao Fisco. Relaciona-se, exatamente, com os tributos sob regime de lançamento por homologação 2 . Tratando-se de lançamento por homologação, tem-se que o sujeito passivo deve apurar o tributo e fazer o pagamento, podendo o fisco lançar o saldo devedor faltante caso exista falha na apuração realizada pelo próprio contribuinte ou responsável tributário. O contribuinte está livre para, por si, apurar o valor devido e pagá-lo, sabendo que tal pagamento pode e deverá ser analisado pelo fisco a posteriori. Entendendo o Fisco que o contribuinte apurou o valor correto e realizou o pagamento integral, realiza a sua devida homologação. Por outro, concluindo pela insuficiência do valor apurado e pago, realiza o lançamento de ofício apontando o saldo devedor que entenda devido, em consonância com a regra estipulada no art. 150 do CTN combinada com aquela do art. 142 3 do mesmo Diploma. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destaquei) O art. 138 do CTN afasta a aplicação de multa moratória se o contribuinte recolheu o imposto devido, acrescido de juros e correção monetária, espontaneamente, antes de qualquer medida administrativa por parte do fisco. 1 PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário, 2020, p. 384. 2 COSTA, Regina Helena. Código Tributário Nacional Comentado: em sua moldura constitucional. 3. ed.. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2023, p. 320. 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.755 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10215.720314/2010-41 Nesse mesmo sentido é o entendimento do CARF: INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. TRIBUTO NÃO DECLARADO. O pagamento realizado até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, em relação a tributos não declarados antes do procedimento fiscal, não afasta o lançamento de ofício e a respectiva penalidade. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. APROVEITAMENTO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte após a ciência do início do procedimento fiscal podem ser aproveitados para amortização do crédito tributário lançado. Numero da decisão:2401-009.052 Assim, sem razão o recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 199DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722132/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/07/2009
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. APORTES REALIZADOS EM CONTA DE DIRETORES E GERENTES. SIMULAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. NATUREZA DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Considerando as circunstância quanto aos aportes realizados em conta de previdência complementar de diretores e gerente da recorrente, verifica-se que os valores aportados constituíram política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho de diretores e gerentes por meio de BÔNUS. Os aportes realizados a título de contribuição a plano de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à incidência do imposto de renda retido na fonte.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento de imposto de renda não retido na fonte passa a ser do beneficiário dos rendimentos, mas cabe a aplicação da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, à fonte pagadora, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A não retenção ou recolhimento do IRRF incidente sobre aportes realizados em plano de previdência complementar aberto que forem caracterizados como remuneração por serviço prestado, enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 1302-007.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O Conselheiro Marcelo Oliveira votou pelas conclusões do relator, quanto às razões para incidência do imposto de renda retido na fonte.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Período de apuração: 01/06/2009 a 31/07/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. APORTES REALIZADOS EM CONTA DE DIRETORES E GERENTES. SIMULAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. NATUREZA DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IRRF. Considerando as circunstância quanto aos aportes realizados em conta de previdência complementar de diretores e gerente da recorrente, verifica-se que os valores aportados constituíram política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho de diretores e gerentes por meio de BÔNUS. Os aportes realizados a título de contribuição a plano de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à incidência do imposto de renda retido na fonte. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento de imposto de renda não retido na fonte passa a ser do beneficiário dos rendimentos, mas cabe a aplicação da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, à fonte pagadora, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A não retenção ou recolhimento do IRRF incidente sobre aportes realizados em plano de previdência complementar aberto que forem caracterizados como remuneração por serviço prestado, enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O Conselheiro Marcelo Oliveira votou pelas conclusões do relator, quanto às razões para incidência do imposto de renda retido na fonte. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-05-27T22:37:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-05-27T22:37:16Z; Last-Modified: 2024-05-27T22:37:16Z; dcterms:modified: 2024-05-27T22:37:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-05-27T22:37:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-05-27T22:37:16Z; meta:save-date: 2024-05-27T22:37:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-05-27T22:37:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-05-27T22:37:16Z; created: 2024-05-27T22:37:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2024-05-27T22:37:16Z; pdf:charsPerPage: 2613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-05-27T22:37:16Z | Conteúdo => SS11--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10314.722132/2014-10 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1302-007.116 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 15 de maio de 2024 RReeccoorrrreennttee LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S.A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Período de apuração: 01/06/2009 a 31/07/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. APORTES REALIZADOS EM CONTA DE DIRETORES E GERENTES. SIMULAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. NATUREZA DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IRRF. Considerando as circunstância quanto aos aportes realizados em conta de previdência complementar de diretores e gerente da recorrente, verifica-se que os valores aportados constituíram política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho de diretores e gerentes por meio de BÔNUS. Os aportes realizados a título de contribuição a plano de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à incidência do imposto de renda retido na fonte. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento de imposto de renda não retido na fonte passa a ser do beneficiário dos rendimentos, mas cabe a aplicação da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, à fonte pagadora, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A não retenção ou recolhimento do IRRF incidente sobre aportes realizados em plano de previdência complementar aberto que forem caracterizados como remuneração por serviço prestado, enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O Conselheiro Marcelo Oliveira votou pelas conclusões do relator, quanto às razões para incidência do imposto de renda retido na fonte. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 21 32 /2 01 4- 10 Fl. 572DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S.A. contra o Acórdão 14-59.083, da 13ª Turma da DRJ/RPO, prolatado em 01 de julho de 2015, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra Auto de Infração contra ele lavrada relativa a multa isolada de 75% (R$ 1.378.672,44) e juros de mora isolados (R$ 111.369,13), totalizando R$ 1.490.041,57, relativos a fatos geradores ocorridos no ano- calendário de 2009. Segundo o que consta no Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 290 a 307), o lançamento foi decorrente do entendimento da Autoridade Fiscal autuante que os créditos aportados em conta de previdência privada de participantes (pessoas físicas vinculadas pela Recorrente, instituidora do plano de previdência) não se tratavam de contribuições para previdência complementar, mas pagamentos de remuneração variável em razão de metas atingidas – intitulado pela empresa de Programa de Bônus, em contrato firmado entre o empregado e a empresa. Como o pagamento da remuneração variável/bônus foi realizado em razão de atingimento de metas, ou seja, como contraprestação por serviço prestado, a Autoridade Fiscal entendeu que os pagamentos realizados não tinham natureza de contribuições a previdência complementar, mas se tratava de remuneração sobre os quais deveria incidir a retenção do imposto de renda na fonte. Considerando que a falta de retenção do IRRF sobre os pagamentos realizados foi constatada após o prazo final de entrega da declaração de ajuste anual das pessoas físicas beneficiárias do pagamento, sem o respectivo recolhimento do IRRF devido e cumulada com a falta/insuficiência de declaração do imposto na DCTF e em DIRF, foram lançados a multa de ofício isolada e os juros de mora isolados analisados nos presentes autos relativos aos períodos de 06/2009 a 07/2009. A Autoridade Fiscal consignou que a empresa fiscalizada oferecia a seus empregados, à época do procedimento fiscal realizado, 3 planos de Previdência Privada mas o objeto do auto de infração foi o PLANO DE PREVIDENCIA COMPLEMENTAR DE CONTRIBUIÇÃO VARIÁVEL (contrato 203)(FGB), assinado em 01 de Junho de 2007. Pelos mesmos fatos acima sintetizados foi lavrado Auto de Infração com exigência das contribuições sociais previdenciárias da parte da empresa, consubstanciado no processo n° 10314.722131/2014-75. Inconformada com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (e-fls. 323 a 364), alegando que o Plano de Previdência Privada mantido pela Impugnante, na modalidade FGB, atende a todas as condições constitucionais e legais exigidas para que os aportes Fl. 573DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 caracterizem contribuições a Planos de Previdência Privada aberta, de modo que não haveria se falar em falta de retenção na fonte sobre os aportes por ela realizados aos planos de previdência, e portanto seriam improcedentes as exigências da multa e juros isolados por falta de retenção do IRRF analisados nos presentes autos. Acrescentou que, mesmo que os valores depositados a título de previdência privada complementar tivessem natureza de remuneração, como sustenta a Autoridade Fiscal, não seria cabível a multa isolada porque o auto de infração foi lavrado depois de encerrado o prazo para a entrega da declaração do imposto de renda por parte das pessoas físicas. Também aduz ser indevida a exigência dos juros isolados porque de acordo com o artigo 61 da Lei n° 9.430/96, fundamento legal utilizado para a autuação, se aplica apenas à hipótese de recolhimento em atraso do tributo por iniciativa do próprio sujeito passivo, o que a Recorrente não seria mais sujeito passivo da obrigação, eis que o lançamento ocorreu depois de encerrado o prazo para a entrega da declaração do imposto de renda por parte das pessoas físicas. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela 13ª Turma da DRJ/RPO, tendo sido cancelados os juros de mora isolados. A ementa do acórdão, abaixo transcrita, resume os fundamentos da decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 Competência. Desconstituição de Ato Simulado. Compete a autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, contribuinte ou responsável, agiu com dolo, fraude ou simulação. Fiscalização. Planos de Previdência Complementar. As atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar exercida pelos competentes órgãos regulador e fiscalizador não afasta a competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. Plano de Previdência Complementar. Simulação. De acordo com os preceitos constitucionais, o regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, deve se basear na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado. Comprova-se a simulação, quando as cláusulas do contrato de plano de previdência complementar revelam a intenção oculta/subjacente de proceder a remunerações variáveis, mediante o pagamento de bônus salariais, a determinados empregados e dirigentes, tais como: (i) a ausência de vinculação obrigacional da pessoa jurídica instituidora com os aportes a serem efetuados ao plano; (ii) o fato de ficar, exclusivamente a critério da instituidora, a definição dos beneficiários, dos valores e da data dos aportes de recursos; e (iii) a possibilidade de resgates pelos participantes praticamente imediatos dos recursos porventura aportados pela instituidora. Tais cláusulas contraditam a intenção de contratar um plano de previdência complementar, haja vista que não há garantia de aportes de recursos, e que os recursos porventura aportados são imediatamente disponibilizados para resgates, não sendo possível a constituição de reservas necessárias a garantir os benefícios contratados. Fl. 574DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2009 Falta de retenção. Multa de Ofício Isolada. No caso de falta de retenção, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição, deve se sujeitar à multa de ofício isolada. A obrigação acessória ou dever instrumental de retenção de imposto é da pessoa jurídica que procede ao pagamento de rendimentos tributáveis pagos ou disponibilizados a terceiros - in casu, empregados e dirigentes, mediante os aportes de recursos a plano de previdência complementar, regularmente desqualificado pela fiscalização. Tal dever é completamente distinto e autônomo da obrigação tributária principal de pagamento do imposto de renda devido pelos beneficiários, assim como do dever da instituição financeira de proceder às retenções sobre os valores resgatados pelos beneficiários. Juros de Mora Isolados. Os juros de mora isolados cobrados entre a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e a data prevista para a entrega da declaração, se fazia com base no fato de que à época se constituía infração o pagamento de imposto, após o vencimento do prazo previsto, sem o acréscimo de multa de mora. Com a revogação de tal multa isolada e as orientações da PGFN acerca da impossibilidade jurídica da imputação linear, deve ser o cancelamento dos juros de mora isolados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com o r. Acórdão a contribuinte apresentou recurso voluntário (e-fls. 522 a 566), onde alega em síntese o seguinte: i)as contribuições realizadas ao plano de previdência aqui analisado não integram a remuneração dos participante do plano de previdência, por norma constitucional expressa, de modo que não poderiam compor a base de cálculo das contribuições e o artigo 6º, inciso VIII, do artigo 30 do RIR/99 prevê a isenção do imposto de renda da pessoa física beneficiária sobre as referidas contribuição ao plano de previdência; ii)as contribuições aqui analisadas foram vertidas para Planos de Previdência Privada estruturados e administrados pela ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S.A, empresa que se dedica a essa atividade conforme o que determina a Lei Complementar n° 109/01, ou seja: a) o regime de previdência privada só pode ser operado por entidades de previdência complementar (artigo 2°); b) que essas somente podem instituir e operar planos para os quais tenham autorização específica (artigo 6°); c) que as entidades de previdência privada são classificadas em fechadas e abertas (art. 4° c/c 31 e segtes e 36 e segtes); d) que os planos serão de várias modalidades conforme normas expedidas pelo órgão regulador (artigo 7°, parágrafo único); Fl. 575DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 e) que os planos das entidades fechadas podem ser instituídos por patrocinadores e instituidores devendo ser oferecidos a todos os seus empregados e dirigentes (art. 12 c/c 16); f) que os planos das entidades abertas podem ser individuais e coletivos e estes podem ser instituídos para grupos de pessoas constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador (art. 26, II, par. 3°); g) que o resgate é de previsão obrigatória, constituindo um direito do participante (artigos 14, inciso III, e 27, in fine) Especificamente em relação ao plano de previdência objeto dos presentes autos afirma a Recorrente que se trata de Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável, na modalidade FGB, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização, devidamente aprovado pela SUSEP nos termos do Processo SUSEP n° 1006647/1994-0, o qual contempla contribuições e Benefícios de Renda por Sobrevivência para gerentes e diretores da empresa. Assevera que as regras do plano estão definidas no Regulamento Básico do Fundo Corporate Itauprev e no Contrato e estão rigorosamente de acordo com a legislação previdenciária em vigor, sendo que as contribuições e o resgate, questionados pelo Fisco, estão previstos no Regulamento Básico e no Contrato, e em consonância com a Circular SUSEP n° 338/07, que altera e consolida regras e critérios de funcionamento e operação da cobertura por sobrevivência oferecida por planos de previdência. A Recorrente refuta a acusação fiscal de que os diretores e gerentes, beneficiários do plano de previdência aqui analisado, não tenham feito contribuições com o plano de previdência privada mantida pela Recorrente, alegando que é incontroverso que eles fizeram contribuições aos outros dois planos que integram o programa de previdência complementar mantido pela Recorrente. Quanto aos resgates do plano de previdência, a Recorrente defende que é um direito do beneficiário do plano de previdência que, além de assegurado pela legislação de regência, é de exclusivo arbítrio do beneficiário (ou seja, a Recorrente não tem qualquer ingerência quanto aos resgates), sendo certo que dos 230 resgates arrolados pela Autoridade Fiscal somente 16 foram de resgates totais, 209 corresponderam a resgates parciais e 5 a migração externa total. A Recorrente afirma que no Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável, as contribuições são livres, podendo ser efetuadas a qualquer tempo e em qualquer valor. E destinando-se tais contribuições à cobertura de Benefícios de Renda por Sobrevivência - Renda Temporária, Renda Vitalícia, Renda Vitalícia com Garantia, Renda Vitalícia Reversível - dão obrigatoriamente direito aos resgates. Além disso, a Recorrente aduz que os fatos apontados pela Autoridade Fiscal não autorizariam as exigência fiscais lançadas pelos seguintes motivos: 1)a contabilização do valor dos aportes para o plano de previdência privada em causa na rubrica "bônus" não autorizam a descaracterização dos aportes como contribuição para previdência privada e seu enquadramento como remuneração variável, porque a natureza jurídica da verba não decorre da sua contabilização, mas do seu regime jurídico, decorrente da relação jurídica estabelecida entre as partes e normas legais que lhe são aplicáveis; 2)a Autoridade Fiscal fundamentou a acusação em alegação totalmente dissociada dos fatos quando afirma que "o contribuinte efetuou pagamento de remuneração variável em razão de metas atingidas", afirmação feita sem o amparo de qualquer prova contida nos autos, já Fl. 576DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 que os aportes de previdência complementar desconsiderados pela fiscalização não são fixados em função de quaisquer metas acordadas (que não existem), mas em função da remuneração dos participantes, de forma a permitir que seus funcionários com maior remuneração possam depois de aposentados manter padrão semelhante ao fruído durante a vida profissional ativa; 3)tratando-se Plano de Previdência na modalidade de Contribuição Variável é inerente a ele a possibilidade de as contribuições da Instituidora serem feitas em qualquer valor e a qualquer tempo, constando expressamente do Regulamento do Plano aprovado pela SUSEP e no Contrato não haver obrigatoriedade de o participante contribuir; A Recorrente refuta a afirmação contida no acórdão recorrido que haveria urna "conta corrente paralela de pagamento de remuneração disfarçada' já que não faria sentido que os beneficiários esperassem dois, três ou mais anos para "sacar" dessa conta os valores depositados pela Recorrente, sendo que o período de carência para resgate observou o capit do artigo 19 da Circular SUSEP n° 228/07, que define que o prazo deverá estar compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC", é foi observado pela Recorrente na Cláusula 12 do Contrato, segundo a qual "Durante o período de diferimento será permitido ao Participante, após 60 (sessenta) dias a contar da data do protocolo da proposta de inscrição solicitar o resgate total ou parcial da Provisão do Participante”. Alega, ainda, a Recorrente que “A PROVA MAIOR DE QUE NÃO PROCEDE A ALEGAÇÃO DE QUE "AS CLÁUSULAS CONTRATUAIS ACERCA DOS RESGATES NÃO OBSERVARAM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA" É O FATO INCONTESTÁVEL DE QUE O PLANO EM QUESTÃO FOI APROVADO PELA SUSEP MEDIANTE O PROCESSO SUSEP N° 1006647/1994-0, O QUE EVIDENTEMENTE NÃO TERIA OCORRIDO SE ELE CONFLITASSE COM AS DETERMINAÇÕES DESSE ÓRGÃO”. Por fim a lega a Recorrente que a responsabilidade por fiscalizar o cumprimento dos prazos e procedimentos formais quanto aos resgates é da EAPP, no caso a Itaú Vida e Previdência S.A., e uma vez instituído o Plano, que deve trazer a previsão de resgate e os prazos e condições nos quais pode ser efetuado, não pode a Instituidora (Recorrente) impedir, obstar ou retardar o exercício desse legítimo direito dos participantes. A Recorrente alega nulidade do acórdão pelo fato da DRJ ter introduziu um novo fundamento fático que não tinha sido suscitado no auto de infração ao alegar que o Plano aqui analisado não estava disponível a todos os funcionário da Recorrente. Afirma a Recorrente que o fundamento legal mencionado na decisão recorrida, o artigo 28, §9°, “p" da Lei n° 8.212/91 é regra específica da contribuição sobre folha de salários, não se justificando sua aplicação ao imposto sobre a renda. Subsidiariamente a Recorrente alega que a multa de ofício isolada, exigida com base no art. 9º da Lei nº 10.462, de 2002, c/c art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diz que a multa do art. 44, I, somente poderia ser exigida em conjunto com o valor (principal) do tributo devido. Apenas a multa do art. 44, II, poderia ser exigida isoladamente. E embora o inciso I do artigo 44 permita a exigência da multa no caso de falta de recolhimento, ela evidentemente só pode ser cobrada de quem for o responsável pelo pagamento do tributo não recolhido. e considerando que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, depois desse prazo o imposto só pode ser exigido da pessoa física beneficiária do pagamento e não mais da fonte pagadora. Fl. 577DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Ao final requereu o provimento do recurso voluntário. É o Relatório, no essencial. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. Há que se esclarecer, de início, que a competência para julgamento do presente processo por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF é fundamentada na Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018 c/c a Portaria CARF n° 22.564, de 20 de outubro de 2020: Portaria CARF nº 146, Art. 1º Estender temporariamente à 1ª (primeira) Seção de Julgamento a especialização estabelecida no artigo 3º, inciso II, do Anexo II, do RICARF, e respectivas penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória, quando o requerente do direito creditório ou o sujeito passivo do lançamento for pessoa jurídica, inclusive quando o litígio envolver esse tributo e outras matérias que se incluam na competência das demais Seções. § 1º A competência atribuída à 1ª (primeira) Seção de Julgamento e à 1ª (primeira) Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para processar e julgar os recursos de sua alçada, que versem sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) especificada no caput, aplica-se, exclusivamente, aos processos ainda não sorteados na instância. § 2º No caso de retorno de diligência e embargos, o processo permanecerá na Seção de origem para julgamento. § 3º O exame de admissibilidade dos recursos especiais pendentes ao tempo da publicação desta Portaria, relativamente aos processos que versem sobre a matéria de que trata o caput, será realizado pelo Presidente da 1ª Seção ou seu substituto. Portaria CARF nº 22.564: A PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso da atribuição que lhe confere o art. 5º, do Anexo II, do Regimento Interno do CA R F, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Art. 1º Estender, temporariamente, à 2ª (segunda) Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, a competência para processar e julgar os recursos que versem sobre as matérias da 1ª (primeira) Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF constantes no Anexo Único desta Portaria. Parágrafo único. O disposto no caput aplica-se, exclusivamente, aos processos ainda não distribuídos às Turmas da CSRF. Art. 2º A Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018, aplica-se exclusivamente aos processos já sorteados e aos que aguardam sorteio para as Turmas Ordinárias e Extraordinárias. (grifei) Art. 3º Esta Portaria entra em vigor no dia 3 de novembro de 2020. Fl. 578DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Passo à apreciação do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos para admissibilidade. 1.Arguição de nulidade do acórdão recorrido A Recorrente alega que DRJ teria introduzido uma “nova tese” para fundamentar a decisão de manter o lançamento aqui questionado, argumento que, segundo a mesma, não teria sido suscitado pela Autoridade Fiscal: 1.6.5. INTRODUÇÃO PELA DRJ DE FUNDAMENTO NÃO CONSTANTE DO AUTO DE INFRAÇÃO: NULIDADE E IMPROCEDÊNCIA DA DECISÃO NA PARTE EM QUE ALEGA A IRREGULARIDADE DO PLANO POR SUPOSTAMENTE NÃO SER DISPONÍVEL PARA TODOS Nesse ponto, cabe alertar para o fato de que a r. decisão recorrida, possivelmente por reconhecer que os fundamentos do auto de infração lavrado não se prestam para justificar sua manutenção por este E. CARF, introduziu nova "tese" que jamais foi suscitada pelo i. fiscal autuante, “verbis”: "No caso dos autos, a contribuição extraordinária variável da empresa foi reconhecidamente aportada apenas em favor de seus administradores e empregados ocupantes de funções de gerência e direção, em desacordo, portanto, com a legislação pertinente (artigo 28, §9°, 'p' da Lei n° 8.212/91). A justificativa apresentada era permitir aportes de contribuições suplementares aos funcionários melhor remunerados, uma vez que seriam estes quem mais precisariam da complementação de aposentadoria porque seriam os que mais perderiam n a inatividade em termos percentuais. Segundo a defesa, como planos de previdência diferenciados eram oferecidos a todos os empregados e administradores, não haveria problema que o questionado Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável fosse oferecido a apenas determinado grupo. Na ótica da Impugnante, a determinação legal seria de que fossem oferecidos a todos os empregados e administradores planos de previdência complementar, mas não haveria obrigatoriedade de que o mesmo plano fosse oferecido a todos. Não se acata a tese da defesa justamente porque em relação aos planos oferecidos a todos os empregados e administradores (quais sejam, ao Plano Gerador de Benefício Livre - PGBL coletivo e ao Vida Gerador de Benefício Livre - VGBL coletivo) foi regularmente mantida a não incidência das contribuições previdenciárias e do imposto de renda sobre as contribuições pagas pela pessoa jurídica. Há uma clara falácia na argumentação da defesa, quando diz que por oferecer planos de previdência a todos os empregados e dirigentes, poderia destacar alguns privilegiados para participarem de um plano de previdência sui generis em que, apesar da falta de relação obrigacional, prevista no contrato, a Instituidora procedeu a relevantes aportes de recursos . financeiros, em favor de alguns participantes, por ela deliberadamente escolhidos, e que se tornaram quase imediatamente disponíveis para resgates." (fl. 50 da r. decisão recorrida — destaques nossos e no original) Com efeito, em nenhum momento o i. fiscal autuante questionou o Plano autuando por entender que ele não estaria disponível a todos, e que, como alega Fl. 579DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 a r. decisão recorrida, estaria "em desacordo, portanto, com a legislação pertinente (artigo 28, §9°, `p' da Lei n°8.212/91)". De fato, como visto acima foram as seguintes as únicas alegações fiscais para justificar o lançamento, "verbis": "1) Não informar os pagamentos de bônus (verbas remuneratórias) em DIRF. 2) Os lançamentos contábeis dos Bônus pagos através de aportes em previdência privada foram feitos em conta de bônus e de adiantamento de salário. 3)A rubrica Bônus é parcela integrante da base de cálculo do IRRF, mesmo que paga sob o artifício de depósito em Previdência Privada. 4) Nenhum aporte foi feito pelos segurados, para a Previdência Privada Variável. Houve o uso indevido da Previdência Privada como conta corrente. 5) Descumprimento das regras atuariais de Previdência Privada ao permitir resgates totais/parciais, em seguida dos aportes, transformando a Previdência Complementar em conta corrente paralela de pagamento de remuneração disfarçada. 6) Vantagens ao segurado para o não pagamento do imposto de renda devido." Dessa forma, o fato de a r. decisão recorrida ter introduzido "tese" que não consta do lançamento fiscal por si só acarreta, nessa parte, sua nulidade, sendo pacífica a jurisprudência deste E. CARF nesse sentido, valendo citar exemplificativamente a decisão assim ementada: Não assiste razão à Recorrente A Autoridade Fiscal, conforme a própria Recorrente afirma na defesa, reconheceu que a empresa, além do plano de previdência aqui analisado, nos quais participam apenas gerentes e diretores, instituiu e mantém outros dois planos de previdência complementar, estes disponível a todos os funcionários. A Autoridade Fiscal reconheceu que é um direito da Recorrente eleger qualquer empregado ao pagamento de Bônus, para tanto podendo se valer de qualquer tipo de critério, instituto ou valor, mas a natureza do valores depositados como contribuição à previdência complementar depende do atendimento de regras. O que a DRJ fez foi analisar se os valores aportados pela Recorrente no plano aqui analisado se tratavam de contribuição à previdência ou de remuneração, que é ao final a questão controversa a ser dirimida. É por isso que a DRJ, ao analisar as normas legais que isentam da tributação as contribuições ao plano de previdência complementar, verificou quais verbas integram a remuneração, concluindo então que os valores aportados nos planos não tinham natureza de contribuição a plano de previdência complementar mas de remuneração disfarçada, eis que o plano aqui analisado era disponibilizado apenas para diretores e gerentes. O fundamento utilizado pela DRJ foi para contrapor o argumento da Recorrente que ao refutar a acusação fiscal, alegou que havia um “programa de previdência complementar” oferecido a todos os funcionários. Fl. 580DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Entendo portanto que não houve inovação no argumento da DRJ, mas contrarrazões aos fundamentos trazidos pela Recorrente na impugnação. Rejeito, portanto, a alegação de nulidade da decisão de 1ª instância. 1.Delimitação da controvérsia A questão a ser apreciada nos presentes autos é relativa a natureza dos aportes realizados pela Recorrente no plano de previdência complementar de diretores e gerentes (Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável - Contrato 203 FGB). Tratam-se de contribuições ao plano de previdência dos funcionários e portanto isentos de tributação, ou trata- se de remuneração e por isso sujeitos à do IRRF? E se os aportes forem considerados remuneração, então caberia a exigência da multa isolada por falta de retenção do IRRF? Há que se consignar que os juros isolados exigidos no auto de infração foram exonerados pela decisão de 1ª instância. 2. Da natureza dos aportes realizados pela Recorrente Em razão dos mesmos fatos aqui analisados foi lavrado o auto de infração relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, que foi formalizada no processo n° 10314.722131/2014-75 porque a Autoridade Fiscal entendeu que os aportes realizados pela Recorrente na conta de previdência complementar de empregados, ocupantes de cargos de gerência e de diretoria, não tinham natureza de previdência complementar, mas de remuneração decorrente de contraprestação por trabalho realizado. O auto de infração de contribuições previdenciárias foi julgada em 1ª instância pela 10ª Turma da DRJ/RPO, tendo sido prolatado o acórdão 14-56.522 em 03 de fevereiro de 2015, tendo a impugnação sido julgada parcialmente procedente apenas para a exclusão do responsável tributário solidário. A ementa do acordo está transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 31/07/2009 SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. BÔNUS. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUSENTE DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR FORÇA DE LEI. As importâncias pagas a título de bônus integram o salário de contribuição quando não expressamente desvinculadas do salário por força de lei. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. O valor das contribuições pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, integra o salário-de contribuição, quando em desacordo com a legislação específica. PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICAÇÃO. Em matéria tributária aplica-se o princípio da primazia da realidade, segundo o qual a real essência do fato gerador é a que deve prevalecer. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. O pagamento de bônus através de crédito em conta de previdência complementar, em simulação de negócio jurídico, configura a prática de sonegação, situação para qual está prevista a aplicação de multa de ofício Fl. 581DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 qualificada, nos termos do artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71 da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REPRESENTANTE DA PESSOA JURÍDICA (PRESIDENTE). CONCATENAÇÃO ENTRE O FUNDAMENTO LEGAL E FÁTICO. AUSÊNCIA. A motivação da responsabilidade solidária do representante da pessoa jurídica deve ser efetuada através de uma concatenação lógica entre os fundamentos legais dessa responsabilidade e os correspondentes fundamentos fáticos apurados durante o procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido O recurso voluntário apresentado prela contribuinte no bojo do processo n° 10314.722131/2014-75 foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento em 04 de abril de 2018, tendo sido negado provimento ao recurso por voto de qualidade. A ementa do acórdão teve a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 31/07/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCESSÃO NA FORMA DE GRATIFICAÇÃO, BÔNUS OU PRÊMIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Após o advento DA Lei Complementar 109/2001, nos casos de plano de previdência complementar em regime aberto, pode-se oferecer planos diferenciados a categorias diferentes de trabalhadoras, mas desde que não utilizado como instrumento de incentivo ao trabalho, ou concedido a título de gratificação, Bõnus ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de4 ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. O pagamento de bônus através de crédito em conta de previdência complementar, em simulação de negócio jurídico, configura a prática de sonegação, situação para a qual está prevista a aplicação de multa de ofício qualificada, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/1996, combinado com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64. A contribuinte apresentou embargos de declaração em face do acórdão 2301- 005.238 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento, ao qual foi negado seguimento pela Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento. Fl. 582DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 A contribuinte também interpôs Recurso Especial contra a decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento ao qual foi negado seguimento pelo Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. A contribuinte não embargou o Despacho de Admissibilidade que não deu seguimento ao Recurso Especial, de modo que a decisão administrativa no processo n° 10314.722131/2014-75 foi definitiva, reconhecendo que as contribuições aportadas nas contas de previdência complementar dos diretores e gerentes (Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável - contrato 203 - FGB), eram remuneração sobre os quais cabia a incidência das contribuições previdenciárias patronais. Entendo que pelo fato dos fundamentos fáticos do lançamento aqui analisado serem o mesmo que no processo n° 10314.722131/2014-75, a decisão deve estar alinhada com a decisão proferida no Acórdão 2301-005.238 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento, que conclui que os aportes realizados pela contribuinte nas contas de previdência complementar dos diretores e gerentes se tratavam na verdade de remuneração. Decisão divergente seria afronta à coerência administrativa, o que de resto traria enorme insegurança jurídica. No CARF há decisões que adotaram o mesmo entendimento acima exposto. Confira-se: AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E IRRF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS ANTERIORES. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A coisa julgada administrativa implica em efeitos definitivos para a própria Administração, impedida de retratar-se administrativamente, salvo nas hipóteses da mudança ser justificada frente à ilegalidade da decisão anterior, devendo ser aplicada apenas aos casos futuros, em atendimento à irretroatividade como reflexo direto da tutela da confiança legítima do administrado. (Acórdão nº 2402-011.038, da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, de 02/02/2023). ======================================================= DECISÕES ADMINISTRATIVAS ANTERIORES. PROCESSOS COM O MESMO OBJETO DEMANDADOS CONTRA O MESMO CONTRIBUINTE. DECISÕES TERMINATIVAS DE MÉRITO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DA PROMOÇÃO DE NOVAS DEMANDAS. Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. As questões resolvidas na esfera administrativa, por decisão definitiva, não podem ser novamente discutidas no mesmo âmbito, de modo que, por analogia, considera-se a ocorrência de coisa julgada administrativa. Inteligência do artigo 337, § 3º, do CPC c/c o artigo 42 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão nº 2201-003.538, da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção, de 02/05/2017). Desse modo, entendo que deve ser adotado no presente processo a mesma conclusão quanto aos aportes realizados pela Recorrente nas contas de previdência complementar dos diretores e gerentes, i,e. , que os valores aportados nos plano de previdência complementar se tratavam na realidade de salário variável (Bônus), sobre os quais na realidade devem incidir os tributos devidos. Considero como razões de decidir os fundamentos do voto vencedor do acórdão 2301-005.238 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento, o qual aliás, foi baseado no acórdão n° 2401-004.939 que tratou de lançamento de outra empresa do mesmo grupo: Descaracterização de Plano de Previdência Complementar Fl. 583DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Incidência de Contribuições Previdenciárias Trata-se de lançamento de contribuições previdenciárias sobre pagamentos de remuneração, efetuados pela empresa, através de crédito nas contas de Previdência Complementar dos empregados e contribuintes individuais elegíveis a BÔNUS. Estes lançamentos referem-se ao Plano FGB de Contribuição Variável junto à seguradora ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S.A, no período de 06/2009 a 07/2009. Constatado o pagamento de previdência privada de forma dissimulada pela empresa, tais valores passaram a integrar o salário de contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. Afirma a recorrente que os valores pagos a título de previdência complementar aberta não integra o salário de contribuição por força dos artigos 26 e 29 da LC 109/01, e entende ser inaplicável a Lei 8.212/91, art. 28, § 9º , alínea ‘p’. Sobre a matéria transcrevo excertos do voto da Consleheira Miriam Denise Xavier Lazarini, no acórdão n° 2401004.939, de 04/07/2017, ao analisar lançamento idêntico de outra empresa do mesmo grupo: “Diante da possibilidade de se aplicar mais de uma lei perante um mesmo caso, os critérios clássicos de resolução do conflito sempre prezaram pela exclusão de uma das lei (critério hierárquico, da especialidade e cronológico), e não pela conformação de todas as existentes na busca de tutelar a relação jurídica posta na melhor forma possível, tornando o sistema jurídico harmônico. Sobre o tema, a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), Decreto 4.657/42, na redação dada pela Lei 12.376/10, estabelece que a lei nova nem sempre revoga ou modifica a anterior: Art. 2º. [...] §2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Percebe-se então a necessidade de o Direito ser analisado como um todo, viabilizando a aplicação conjunta das normas citadas, já que ambas tratam do sistema previdenciário. Assim, o disposto na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘p’, deve ser analisado em conformidade com o que determina a LC 109/01, artigos 16,26,68 e 69. Sobre a previdência complementar, a Constituição Federal em seu art. 202, dispõe: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de foram autônoma em relação ao regime geral da previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado , e regulado por lei complementar. (grifo nosso) § 1º. A lei complementar de que trata este artigo assegurarrá ao aprticpante de planos de benefícios de entidades de previdência privada Fl. 584DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivso planos. § 2º As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, á exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. Vê-se, portanto, que o regime de previdência privada deve estar baseado na constituição de reservas que garantam o benefício de caráter previdenciário contratado. Se assim o for, as contribuições vertidas pelo empregador (patrocinador do plano) não integrma a remuneração, logo, não são base de cálculo de contribuição previdenciária. Não cabe aqui interpretação diversa, pois somente cabe falar em previdência complementar quando suas características estão presentes. No caso da previdência complementar, deve ser observado o disposto na LC 109/01. Quanto à Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘p’, ela deve ser aplicada no que não for incompatível com a LC 109/01, pois esta é especial e posterior àquela. A LC 109/01, no que tange a previdência complementar, dispõe que: Art. 1º O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de foram autônoma em relação apo regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. (grifo nosso) Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1º O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere- se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrat plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas f´sicias vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresa coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou Fl. 585DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4º Para efeito do disposto no parágrafo anteior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes da pessoa jurídica contratante. § 5º A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. § 6º É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos. Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integrma a remuneração dos participantes. § 1º Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2º A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (grifo nosso) § 2º Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Da leitura dos dispositivos legais citados, conclui-se que para um plano ser considerado de previdência complementar, devem sr observdas as seguintes condições: i)constituição de reservas que garantam o benefício contratado; e ii)as entidades de previdência complementar têm por objetivo instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário. Pode-se observar ainda que a LC 109/01inovou ao dispor que os planos coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios Fl. 586DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente , a uma pessoa jurídica contratante, poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. E ainda determinou que as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos plano de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda e que sobre essas contribuições não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Contudo, não há como interpretar o art. 69 da LC 109/01, sem antes observar o comando constitucional (art. 202) e o disposto no art. 1º da própria LC 109/01, onde se impõe a necessidade do caráter previdenciário e a constituição de reservas. O caráter previdenciário está ligado à finalidade do sistema e não ao instrumento que o viabiliza. Tem como objetivo prover uma renda adicional aos trabalhadores quando do atendimento dos requisitos de elegibilidade aos benefícios previstos nos planos. Pressupõe o pagamento de contribuições, a constituição de reservas e a sua capitalização; o interesse deliberado em formar reservas, capitalizando contribuições, para uso futuro, quando ocorrerem eventos incapacitantes para o próprio sustento do segurado pelo produto do seu trabalho, seja por idade avançada, doença ou acidente. Assim, o caráter previdenciário de um plano de benefícios somente pode ser concretizado por meio da constituição de reservas, realizando-se aportes financeiros, que investidos, formarão a reserva matemática do plano, objetivando-se atender às necessidade futuras. A previsão legal do participante resgatar contribuições tem por objetivo resguardar seu direito de reaver as contribuições que verteu para o plano, caso não queira mais participar. Entretanto, a previsão de resgates da contribuição para o plano efetuado pela patrocinadora, na forma com ora se apresenta, retira, por completo, o caráter previdenciário do plano contratado, configurando, como demonstrou a fiscalização, que o plano foi usado simplesmente para remunerar os trabalhadores. Assim, os valores pagos a título de previdência complementar, regime aberto, não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, desde que não sejam caracterizados como instrumento de inc ientivo ao trabalho, situação que não se verifica no presente caso. Acrescente-se que para o plano em análise, também não restaram cumpridos os requisitos do art. 10 da LC 109/01; Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órão regulador e fiscalizador. § 1º A todo pretendente será disponibilizado e a todo participante entregue, quando de sua inscrição no plano de benefícios: Fl. 587DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 I certificado onde estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos benefícios; (grifo nosso) II cópia do regulamento atualizado do plano de benefícios e material explicativo que descreva , em linguagem simples e precisa, as características do plano; III cópia do contrato, no caso de plano coletivo de que trata o inciso II do art. 26 desta Lei Complementar; e IV outros documentos que vierem a ser especificados pelo órão regularo e fiscalizador. No item 3.1 do contrato firmado entre a Louis Dreyfus e a Itaú Vida, consta que o plano disponível a todos os empregados e/ou administradores da instituidora que sejam elegíveis. Esta cláusula é genérica, pois não há discriminação de quem são os empregados ou administradores elegíveis, ou seja, que podem ser admitidos no plano. (Grifos no orginal)” Portanto, a oferta do plano de previdência era feita a quem a empresa desejava, sem nenhuma previsão contratual, também efetuava as contribuições de forma totalmente discricionária. Plano Aprovado Pela Susep A recorrente alega que seui plano foi aprovado pela Susep e, por isso, está de acordo com a legislação. Saliente-se que a atividade da Susep como órgão reguladora e fiscalizador, previsto na LC 109/01, quis assegurar ao participante a solvência do plano, devendo sempre ser avaliado seu equilíbrio financeiro e atuarial. A fiscalização das entidades de previdência complementar aberta pela Susep não afasta a competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária, conforme determina o § 4º do art. 41 da LC 109/01: Art. 41 No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizando-se embaraço á fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. [...] § 4º O disposto neste artigo aplica-se, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. Portanto, não é porque a comercialização do referido plano de previdência foi autorizada pelo órgão competente e o contrato foi Fl. 588DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 celebrado com a entidade de previdência complementar regularmente constituída, que a autoridade fiscal não pode desqualificá-lo, para fis fiscais, se ficar comprovado que os valores pagos, o froam como instrumento de incentivo ao trabalho. Aporte e Resgates Sobre os valores aportados e resgatados nos Plano de Previdência Privada mantidos pela empresa fiscalizada, conforme consta no TVF, mediante diligência na seguradora ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, FOI CONTATADO QUE: - o Plano de Previdência Complementar de Contribuição Variável (Tipo FGB-Funo Garantidor de Benefício) só apresentava Contribuições Extraordinárias da Instituidora (LDCA). Os resgates eram constantes (Totais ou parciais), indicando desvirtuamento do instituo de Previdência Privada pois, atuariamente, inviabilizava renda futura aos beneficiários, diversos resgates quase que em seguida ao aporte. Analisando o contrato de previdência complementar anexado às efls. 91/104, verifica-se essa possibilidade, conforme as seguintes cláusulas: 12. RESGATE. Durante o período de diferimento será permitido ao Participante, após 60 (sessenta) dias a contar da data do protocolo da proposta de inscrição, solicitar o resgate total ou parcial da Provisão do Participante, observada a legislação vigente na ocasião da solicitação e o disposto na cláusula 12.3 adiante. ... 12.3 O resgate, parcial ou total, pelo Participante, de contribuições extraordinárias aportadas pela INSTITUIDORA poderá ser efetuado a qualquer momento a partir do 5º (quinto) dia útil contado da data em que a INSTITUIDORA fizer o aporte respectivo, mediante entrega da solicitação pelo participante. 12.3.2 O intervalo mínimo entre resgates das contribuições extraordinárias da INSTITUIDORA é de 03 (três) dias úteis contados a partir do último crédito. Vê-se que há autorização expressa para resgates logo após os aportes, contrariando, inclusive o disposto na Resolução CNSP 139/05, art. 56, § 4º: Art. 56. Durante o período de diferimento, e na forma regulada pela SUSEP, será permitido ao participante resgatar os recursos da provisão matemática de benefícios a conceder. [...] § 4º Os recursos correspondentes a cada uma das contribuições das pessoas jurídicas no plano de previdência somente poderão ser resgatados após período de carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição. Fl. 589DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Alega ainda a recorrente que as disposições contratuais sore contribuições e resgates estão em consonância com a Circular SUSEP n° 338/07, que altera e consolida critérios de funcionamento, operação e cobertura por sobrevivência oferecida por planos de previdência. Tal circular dispõe que: Art. 8º. Para planos estruturados na modalidade de contribuição variável, o valor e a periodicidade das contribuições poderão ser definidos na proposta de inscrição, sendo facultado ao participante efetuar pagamentos adicionais a qualquer tempo. ... Art. 19. O participante poderá solicitar, independentemente do número de contribuições pagas, resgate, parcial ou total, de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, que deverá estar compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. § 1º Não poderão ser estipulados resgates com intervalo inferior ao estabelecido no plano, que deverá estar compreendido entre 60(sessenta) dias e 6 (seis) meses. (Grifamos) Contudo, além de ter descumprido os prazos estabelecidos também na Circular SUSEP n° 338/07, ainda com base nesta Circular, o sentido de ‘saldo da provisão matemátcua de benefícios a conceder’ passível de resgate foi dado conforme abaixo: CAPÍTULO III DA PROVISÃO MATEMÁTICA DE BENEFÍCIOS A CONCEDER SEÇÃO I DAS DISPOSIÇÕES COMUNS Art. 13. Deverão ser mantidas aberturas do saldo de provisão matemática de benefícios a conceder que permitam o perfeito acompanhamento do plano e a imediata prestação de informações de caráter obrigatório. [...] DOS PLANOS COLETIVOS INSTITUÍDOS PERÍODO DE VESTING Art. 15 O saldo da provisão matemática de benefícios a conceder constituído pelo montante das contribuições pagas pela instituidora, líquidos de carregamento, quando for o caso, deverá ser integrado ao saldo da provisão matemática de benefícios a conceder a que fazem jus os participantes, com estrita observação e cumprimento das cláusulas do contrato que regem o vesting. Art. 16. Além do disposto nos art. 13 e 14 desta Circular, a EAPC deverá manter controle analítico da provisão matemática de benefícios a conceder constituído pelo montante das contribuições pagas pela instituidora, segregando os valores referentes a participantes que tenham descumprido as cláusulas de vesting. (Grifamos_ Fl. 590DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 Observe-se que as condições para o resgate do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, quando constituído pelo montante das contribuições pagas pela instituidora/patrocinadora, não se restringe à observância de prazos de carência mínimos (art. 19) e entre os resgates (art. 19, § 1º). De acordo com a Circular SUSEP n° 338/07, o resgate também estaria sujetio à observância de cláusulas de vesting, assim conceituadas no ato normativo: Art. 5º Considera-se vesting o conjunto de cláusulas constantes do contrato entre a EAPC e a instituidora, a que o participante, tendo expresso e p´revio conhecimento, está obrigado a cumprir para que lhe possam ser oferecidos e postos à sua disposição os recursos das provisões decorrentes das contribuições pagas pela instituidora, líquidos de carregamento, quando for o caso. No contrato do plano de previdência ora em análise, não se verificou a instituição de tais cláusulas de vesting, haja vista que bastaria a observância do prazo (5º dia útil contado da data em que as instituidoras fizessem os aportes respectivos), e que fosse formalizada a solicitação, para que o participante pudesse resgatar os recurso das provisões decorrentes das contribuições pagas pela instituidora. Mais um elemento a confirmar o caráter sui generis do contrato ora analisado. Daí que os preceitos relativos aos prazos de resgates previstos na Circular SUSEP n° 338/07, não podem ser interpretados isoladamente dos demais preceitos normativos ali contido, principalmente quando se verifica uma clara distinção de tratamento e destinação, estabelecida pelos atos normativos, entre os aportes de recursos feitos pelos próprios Participantes e pela Instituidora/Patrocinadora. Sem razão a recorrente ao alegar que após a remessa dos valores cabia à instituição seguradora a responsabilidade de zelar pelas regras instituidoras da previdência complementar e de seus órgãos regulamentadores e se os resgates ocorrerem em desacordo com a legislação, é de exclusiva responsabilidade da instituição seguradora, pois a possibilidade do resgate já estava prevista no contratos firmados, sem observar a legislação de regência. Na verdade, o plano foi desqualificado como um todo, porque, além de tudo que já foi dito, as cláusulas contratuais acerca dos regates não observaram a legislação de regência. O fato de os resgates terem ocorrido no ínfimo prazo previsto no contrato apenas confirmou que a contração do plano não visava a constituição de reservas que garantissem os benefícios contratados, mas apenas o pagamento de valores de natureza salarial. Ademais, da análise dos valores apresentados pela fiscalização, vê-se que na grande maioria dos casos, os resgates parciais representava, a quase totalidade dos recursos aportados pela autuada (cotejo entre DOC 03 (RESGATES efls. 246/257) e DOC 05 9APORTES PLANO FGB-efls. 259/260). Portanto, uma vez descaraterizado o plano de previdência complementar citado, todos os valores aportados foram considerados como salário de contribuição. Em resumo, não é porque o plano de previdência privada aqui analisado foi autorizado pelo órgão competente e foi celebrado contrato com uma entidade de previdência complementar regularmente constituída que a autoridade tributária estaria impedida de desqualificá-lo, tendo em vistas as circunstância analisadas em que os valores aportados Fl. 591DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 constituíram política remuneratória destinada a incentivar ou retribuir o trabalho de diretores e gerentes por meio de BÔNUS. E portanto, os aportes realizados a título de contribuição a plano de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à incidência do imposto de renda retido na fonte. 3.Da exigência da multa isolada pela falta de retenção do IR na fonte A autoridade fiscal considerou que os aportes realizados no plano de previdência complementar do diretor tratavam-se de remuneração disfarçada e por isso entendeu que sobre os valores depositados deveria incidir o IRRF. A responsabilidade pela retenção do IRRF é da fonte pagadora, nos termos dos artigos 717 e 722 do RIR/99. Responsabilidade da Fonte "Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Titulo, salvo disposição em contrário (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, arts. 99 e 100, e Lei n° 7.713, de 1988, art. 7 o , § 1 o )." Responsabilidade da Fonte no Caso de não Retenção "Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decreto-Lein° 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicar-se-á a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento dêste." No entanto, a Autoridade Fiscal não está exigindo o IRRF, mas a multa isolada, por falta de retenção, com base no Parecer Cosit n° 1/2002: Parecer Normativo Cosit n° 1 de 24/09/2002 "IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo-se do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação." A multa isolada está prevista no artigo 9 o da Lei 10.426/2002, combinado com o art. 44 da Lei 9.430/1996: Fl. 592DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 "Lei 10.426/2002 - Art. 9° Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007 Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." Em suas contrarrazões, alega a Recorrente que a multa isolada prevista no artigo 9° da Lei 10.426/2002 só poderá ser cobrada de quem for o responsável pelo pagamento do tributo não recolhido. E no caso de IRRF, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. Assim, ultrapassado o prazo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, o imposto não retido somente poderia ser exigido da pessoa física, e da mesma forma a multa do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que deve sempre acompanhar o tributo (principal) lançado, e no entender da Recorrente só poderia ser cobrada da pessoa física, e não mais da fonte: II— FUNDAMENTO SUBSIDIÁRIO DA IMPUGNAÇÃO: DO NÃO CABIMENTO DE MULTA ISOLADA Ainda que se entenda que os valores contribuídos pela Recorrente aos planos de previdência complementar integram a remuneração dos seus funcionários, o que se admite apenas para argumentar, de qualquer modo é incabível a cobrança da multa isolada, cuja imposição foi assim justificada pelo i. fiscal autuante, "verbis": "O lançamento correspondente à Infração apurada (Multa Isolada – Falta de Retenção ou Recolhimento do IRRF), referente às verbas de natureza salarial pagas, pela fiscalizada, mediante depósito em conta de previdência privada, está embasado no art. 9° da Lei n° 10.426/2002." (destaques nossos) Com, efeito, assim dispõe o artigo 90 da Lei n° 10.426/02, "verbis": “Art. 9° Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu §1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis O artigo 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, assim estabelece, "verbis": "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 593DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Como se pode observar, conquanto a multa prevista no inciso II possa ser exigida isoladamente, o mesmo não ocorre com a multa do inciso I, que só pode ser exigida em conjunto com o valor (principal) do tributo devido. Assim, conquanto o inciso 1 do artigo 44 permita a exigência da multa no caso de falta de recolhimento, ela evidentemente só poderá ser cobrada de quem for responsável pelo pagamento do tributo não recolhido. Ora, considerando-se que o próprio Parecer Normativo COSIT 01/2002 invocado pela d. autoridade fiscal e também pela r. decisão recorrida determina que "Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, é evidente que depois do prazo de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, quando o imposto só pode ser exigido desta e não mais da fonte, a multa do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, Que deve sempre acompanhar o tributo (principal) lançado, só poderá ser cobrada da pessoa física, e não mais da fonte. Não assiste razão à Recorrente. A multa que está sendo exigida não é a prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, esta aplicada ao beneficiário dos rendimentos, e conforme esclarecido pela autoridade Fiscal, encerrado o prazo para entrega da Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física (relativo ao fato gerador do imposto), a responsabilidade pelo pagamento do IRRF passa a ser do beneficiário dos rendimentos, e não da fonte pagadora. Ocorre que o que está sendo exigido no presente processo é a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora, da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. Penalidade esta aplicada à fonte pagadora, com fundamento no art. 9°, da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei n° 11.488, de 15/06/2007: Art. 9º Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1 o , quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). É evidente que a redação do art. 9°, da Lei n° 10.426/02 não comporta a interpretação que a Recorrente pretende lhe atribuir, ou seja, que ficaria exonerada da multa após o prazo de entrega da declaração. Como já exposto, a penalidade aplicada é decorrente de falta de cumprimento de obrigação acessória por parte da Recorrente, uma vez que contribuinte é o beneficiário do pagamento e não a Recorrente. Isso fica patente com a Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei n° 10.426, de 2002: Fl. 594DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 "Os arts. 7º a 9° ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindo-as ou, no caso do art. 9°, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior." A aplicação da multa isolada à fonte pagadora por não retenção do imposto, mesmo depois de ultrapassado o prazo da entrega da DIRPF, parece ser o entendimento majoritário no CARF, conforme se verifica pela ementas de julgado abaixo colacionados: IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente sobre valores atribuídos a colaboradores (empregados ou não) sob o título indevido de plano de previdência complementar aberto enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. (Acórdão 2402-006.064, de 07 de março de 2018 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. ======= PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS. SUJEIÇÃO AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho, nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.Integram a remuneração e sujeitam-se à incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF e ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF os aportes de contribuição feitos pela contratante de pessoas físicas a planos de previdência privada complementar quando não configurado o caráter previdenciário desses planos. MULTA ISOLADA. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. CABIMENTO. A falta de retenção ou recolhimento do IRRF incidente sobre valores atribuídos a colaboradores (empregados ou não) sob o título indevido de plano de previdência complementar aberto enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. (Acórdão 9101-004.656, de 16 de janeiro de 2020 da 1ª Turma da CSRF) ====== MULTA E JUROS ISOLADOS. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do imposto de renda passa a ser do beneficiário dos rendimentos. É cabível, no entanto, a aplicação, à fonte pagadora, da multa e juros isolados pela falta de retenção ou de recolhimento ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. (acórdão 1302-004.335, de 11 de fevereiro de 2020, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção). ================ OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os Fl. 595DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-007.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.722132/2014-10 rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. (Acórdão nº 9202- 005.326, de 30 de março de 2017 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Portanto a multa isolada por falta de retenção do IRRF sobre remuneração paga a pessoas físicas deve ser mantida. Lembrando que a exigência dos juros isolados foram exonerados pela DRJ. Conclusão Por todo o exposto voto em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 596DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720116/2012-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
Numero da decisão: 3002-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente suscitada e, por não conhecer do recurso voluntário quanto às alegações de mérito, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antonio Borges (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente suscitada e, por não conhecer do recurso voluntário quanto às alegações de mérito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antonio Borges (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata-se o presente processo de Auto de Infração lavrado em face do Contribuinte em epígrafe. O Auto de Infração lavrado se encontra às fls. 03 e seguintes (PASEP – valor com multa e juros de R$ 83.108,56). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 16 /2 01 2- 97 Fl. 556DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 (...) Do Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls.12 e seguintes transcrevese, sem prejuízo da sua leitura integral: “2. Base de Cálculo. 2.1 Com base nas verificações realizadas, constatou-se a insuficiência de recolhimento da contribuição para o PASEP pelo Município, em razão de DEDUÇÃO da Base de Cálculo dos valores das transferências destinadas à composição do FUNDEB e exclusão de receitas legalmente sujeitas à incidência da contribuição, bem como por ter considerado como "PASEP RETIDO" valores divergentes daqueles que foram efetivamente retidos, conforme Anexo II - Demonstrativo de Retenções do Pasep - Banco do Brasil. 2.1.1 Nos demonstrativos de apuração apresentados, verifica-se que o contribuinte efetuou indevidamente a dedução, da base de cálculo do PASEP, das receitas destinadas ao FUNDEF/FUNDEB, em especial os subgrupos 97.21.00.00 e 97.22.00.00, bem como deixou de incluir as receitas contabilizadas no grupo 24.00.00.00.00 - Transferências de Capital, legalmente sujeitas à incidência da contribuição. 2.2 O art. 2o' inciso III da Lei No 9.715/98, prevê que são base de cálculo do PASEP todas as Receitas Correntes Arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas enquadrando-se nesta classificação, as transferências constitucionais do FPE, FPM, cotas parte do ITR, IPI Exportação, ICMS, IPVA e análogos, por força do Art. 7o deste mesmo dispositivo legal. 2.3 Nos termos do Art. 7o da Lei No 9.715/98, somente podem ser excluídos da base de cálculo do PASEP as transferências efetuadas a outras entidades públicas. 2.3.1 Concernente a planilha de ANEXO IV - "Quadro Demonstrativo de apuração da Base de Cálculo e Contribuição e Recolhimento para o Pasep" apresentada pelo contribuinte relativo as colunas de "transferências para entidades de acordo com convênios" dos valores a "AMVAP", "CIS AMVAP", "EMATER" não puderam ser considerados, visto que não se enquadram como entidade públicas. As consultas ao CNPJ dessas entidades para verificação da natureza jurídica estão nos ANEXOS VIII, VIII-A e VIII-B. 2.4 O FUNDEF, criado pela Emenda Constitucional No. 14/96, regulamentado pela Lei No. 9.424/96 e, seu substituto, o FUNDEB, instituído pela EC N° 53/2006 e regulamentado pela Lei N° 11.494/2007, a partir de janeiro de 2007, não são considerados entidades públicas, mas fundos de natureza contábil, sem personalidade jurídica. 2.5 O Município, ao receber valores relativos às transferências constitucionais do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, deve incluí-los na sua totalidade na base de cálculo mensal de incidência da Contribuição para o Pasep, porque referidos valores enquadram-se nas disposições contidas no art. 7fi da Lei n° 9.715, de 1998. (...) 2.8 Quanto às deduções da base de cálculo, efetuadas pelo Município em seu demonstrativo, de receitas que são "em tese" objeto de retenção do PASEP pela Secretaria do Tesouro Nacional - STN, no caso desta retenção não ter sido efetuada por este órgão, a responsabilidade tributária é do Município. 2.8.1 Não se pode deduzir estas transferências recebidas, da base de cálculo do PASEP, se as retenções não ocorreram, conforme o disposto na Nota Técnica nº 1.432/2004/GENOC/CCONT-STN: Fl. 557DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 (...) 2.11 Em razão do exposto, a base de cálculo do PASEP foi reconstituída pela fiscalização, através do Anexo I - Demonstrativo de Apuração do PASEP, apurando-se o valor efetivamente devido da contribuição. Da irresignação. O Contribuinte, inconformado com a autuação, apresentou sua impugnação tempestivamente (fls. 386 a 403), nos termos do despacho de fl.508 (fl. 384 - ciência em 21/05/2012 (Termo de encerramento); fl. 386 – impugnação em 19/06/2012). Transcreve-se da impugnação, sem prejuízo da sua leitura integral, conforme segue: 1)Afirma que o lançamento contém vícios que comprometem sua validade, conforme demonstrará. 2)Alega a prática de ato de confisco (Art.150, IV da CF) e informa a respeito do devido processo legal (art.5o. inciso LV, da CF), devendo ser observado o contraditório e a ampla defesa. Informa que caberia se enfrentar as questões relativas a inconstitucionalidade das leis, pois lei em desacordo com a CF não deve ser cumprida. 3)Desenvolve a alegação da prática de ato confiscatório para informar sobre: a) o artigo 145 e 150 da CF, b) o princípio da garantia da propriedade privada de bens, c) a necessidade de respeito a capacidade contributiva do Contribuinte, d) o princípio do mínimo vital, e) os princípios da pessoalidade e proporcionalidade. 4)Identifica os valores lançados a título de juros de mora e multa de mora e aponta a desproporcionalidade entre o valor principal lançado e as sanções impostas. 5)Transcreve legislação, doutrina e jurisprudência sobre os temas. Conclui por pedir a nulidade do procedimento fiscal em razão de ser a multa confiscatório ou, alternativamente, a redução do seu valor. Tudo em razão dos motivos já expostos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento devidamente motivado, lavrada por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do qual o Contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa. PROVA. MEIOS. MOMENTO DE PRODUÇÃO. IRRESIGNAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal são admissíveis os meios documental e/ou pericial. Para evitar a preclusão o contribuinte deve apresentar juntamente com a sua irresignação a documentação que sustente as alegações ou demonstrar alguma das situações do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. Fl. 558DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 A multa de ofício deverá ser aplicada sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declarações inexata. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A Taxa SELIC encontra o fundamento de validade para sua aplicação no artigo 161 e no §3º do artigo 61 do CTN. PODER JUDICIÁRIO. COMPETÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a DRJ se manifestar acerca das alegações de que a multa aplicada e o juros incidentes violam o princípios constitucionais, mas ao Poder Judiciário, órgão competente para aferir a validade da norma posta pelo legislador ordinário em face de Lei Complementar ou da Constituição Federal e, se for o caso, afastá-la. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega preliminar de prescrição intercorrente e no mérito, pugna pela exclusão da base de cálculo do PASEP dos valores destinados a formar o FUNDEB, colacionando jurisprudência administrativa. É o Relatório. Fl. 559DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Preliminarmente, quanto a alegação de que o lapso temporal entre a impugnação e o seu julgamento acarretaria eventual prescrição intercorrente, não assiste razão ao recorrente. A demora excessiva por conta da administração pública na prática dos atos processuais, inclusive para proferir decisões, poderia, em tese, suscitar a ocorrência da prescrição intercorrente. Entretanto, a jurisprudência é pacífica quanto a inexistência desse instituto no âmbito do processo administrativo fiscal: RECURSO ESPECIAL - PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - PROCESSO ADMINISTRATIVO. 1. O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN só se inicia com a apreciação, em definitivo, do recurso administrativo (art.151, inciso III, do CTN). Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recurso especial conhecido e não provido .(STJ,REsp 1197885 /SC, DJe 22/09/2010) (grifou-se) Esse também é o entendimento da Primeira Seção do e. STJ, que, no julgamento do Recurso Especial nº 1.113.959/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos, na relatoria do Ministro Luiz Fux, assim decidiu: "(...) o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastando-se a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2010). Quanto a alegação de enquadramento na Lei nº 9.873/99 a própria norma traz dispositivo expresso afastando tal possibilidade, em seu art. 5º: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Ao excepcionar “processos e procedimentos de natureza tributária”, a referida Lei remete diretamente ao Decreto nº 70.235/72, que rege o PAF – Processo Administrativo Fiscal, Fl. 560DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 norma jurídica que trata dos “processos de natureza tributária” em âmbito federal e demais procedimentos submetidos ao seu rito processual, abrangendo o contencioso administrativo de competência desse Conselho, razão pela qual entendo que não se aplica ao caso. De qualquer forma esta matéria foi consolidada no CARF sob a Súmula nº 11 conforme Enunciado: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo-fiscal. No mérito, a recorrente pugna pela exclusão da base de cálculo do PASEP os valores destinados a formar o FUNDEB , alegando que a parte destinada a formar o FUNDEB não pode ser tributada, ao passo que os valores destinados para os Municípios a título de FUNDEB deverão ser tributados, colacionando jurisprudência administrativa. No caso, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações sobre a exclusão da base de cálculo do PASEP dos valores destinados a formar o FUNDEB. A falta de questionamento da matéria em instâncias anteriores, impede a instância ad quem de conhecê-la Fl. 561DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-002.820 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10970.720116/2012-97 sob pena de se subverterem as regras que comandam os pleitos e confrontam a jurisprudência pertinente à matéria processual.. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente suscitada e, por não conhecer do recurso voluntário quanto às alegações de mérito. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 562DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18470.720492/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO.
Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, “o auxílio-alimentação, destinado a cobrir as despesas alusivas à alimentação do servidor em atividade, não possui natureza remuneratória, mas tão-somente transitória e indenizatória” (AgRg no REsp 512.821/PR).
Numero da decisão: 2201-011.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Alvares Feital - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, “o auxílio- alimentação, destinado a cobrir as despesas alusivas à alimentação do servidor em atividade, não possui natureza remuneratória, mas tão- somente transitória e indenizatória” (AgRg no REsp 512.821/PR). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 52DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.739 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18470.720492/2011-43 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O lançamento formalizado pela Notificação de fls.04/08, lavrada pela DRF/Rio de Janeiro I em 04/01/2011, decorre da revisão efetuada pela autoridade lançadora na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2008 apresentada pela contribuinte retro identificada, cópia apensada às fls.09/13, que apurou “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal”, no valor de R$ 21.682,38, resultando, em consequência, a exigência de imposto de renda suplementar, no valor de R$ 4.809,97, acrescido de multa de ofício de 75% (passível de redução), no valor de R$ 3.607,47, e juros de mora, no valor de R$ 1.357,37, calculados até janeiro de 2011. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Omissão de rendimentos recebidos pessoa jurídica decorrentes de Ação da Justiça Federal. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 21.682,38, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 650,47. . . . . . . Rendimentos lançados conforme dados informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) pela Caixa Econômica Federal. Na peça impugnatória de fls.02, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que “os proventos recebidos da Caixa Econômica Federal foram provenientes de ação judicial conjunta promovida pelos seus funcionários, para recebimento de atrasados relativos ao Auxílio Alimentação”, ressaltando que seu recurso está amparado em dispositivos legais que dão isenção ao Auxílio Alimentação. A decisão de primeira instância manteve | manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 Fl. 53DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.739 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18470.720492/2011-43 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acórdão dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº 1.364 de 10/11/2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2014, o sujeito passivo interpôs, em 07/11/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os rendimentos relativos à auxílio alimentação são isentos do IRPF. É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Thiago Alvares Feital - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal”, no valor de R$ 21.682,38. Os documentos juntados pela recorrente aos autos (fls. 31-47), extraídos da ação trabalhista na qual pleiteou auxílio alimentação, são o suficiente para demonstrar a natureza da verba recebida, suprindo a deficiência probatória assim apontada pela primeira instância: Contudo, não trouxe ao presente processo, para apreciação da autoridade julgadora, nenhuma documentação relativa ao processo judicial em foco. Considero, portanto, que a impugnante não conseguiu demonstrar a veracidade de sua afirmativa, atendo-se ao campo das meras alegações e, como é público e notório, alegar não é provar. Constatada a natureza das verbas, aplica-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual, “o auxílio-alimentação, destinado a cobrir as despesas alusivas à alimentação do servidor em atividade, não possui natureza remuneratória, mas tão-somente transitória e indenizatória”. (AgRg no REsp 512.821/PR) Deste modo, diante das provas juntadas a este processo pela recorrente, deve-se reformar a decisão de origem. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Fl. 54DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.739 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18470.720492/2011-43 4 Thiago Alvares Feital Fl. 55DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13848.000127/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/08/1993 a 31/12/1995
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
De se considerar não homologadas as compensações de débitos lastreadas em pedido de ressarcimento de crédito de IPI que não foi reconhecido por meio de decisão definitiva na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3401-001.679
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 13839.002081/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IPI
EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS ENSEJADORES DOS
EMBARGOS. Verificada a inexistência de omissão, contradição ou
obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos
interpostos.
Numero da decisão: 3401-001.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, decidiram que os embargos podem ser submetidos ao Colegiado, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis, que entendiam que os embargos não podiam ser apreciados pelo colegiado. E por unanimidade de votos, os embargos não foram conhecidos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : IPI EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS ENSEJADORES DOS EMBARGOS. Verificada a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos interpostos.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS ENSEJADORES DOS EMBARGOS. Verificada a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos interpostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, decidiram que os embargos podem ser submetidos ao Colegiado, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis, que entendiam que os embargos não podiam ser apreciados pelo colegiado. E por unanimidade de votos, os embargos não foram conhecidos. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado. EDITADO EM: 20/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Fl. 429DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Por suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, na ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Em 19.07.2006, a contribuinte Sifco S.A. apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito do IPI advindo da aquisição, no valor de R$ 11.459.018,08, referente ao período de maio a dezembro de 2004, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem cuja tributação pelo IPI está suspensa e que são empregados na industrialização de produtos cuja saída é tributada pelo citado imposto. Na petição de ressarcimento, disserta a contribuinte sobre a adequação da via por ela utilizada para pleitear o ressarcimento, bem como sobre o IPI e suas características, bem como sobre a incidência de correção monetária e de juros compensatórios sobre os valores a serem ressarcidos. O pedido em questão refere-se ao disposto na Instrução Normativa SRF nº 600/05, qual transcrevemos o § 4º do art. 16, conforme redação vigente na época do pedido: “§4º Somente são passíveis de ressarcimento: I – Os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do §1º, escriturados no trimestre-calendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; II – os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário; e III – os créditos presumidos do IPI de que trata o art. 2º da Lei nº 6.542, de 28 de junho de 1978, escriturados no trimestre- calendário” Afirma também a contribuinte que não há processo judicial ou administrativo que verse sobre o crédito pleiteado. Conforme Despacho Decisório DRF/JUN/SAORT de abril de 2007, a Delegacia da Receita Federal de origem indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações pleiteadas, pois: a) a forma de pleitear o pretenso direito creditório é inadequada; b) não há norma prevendo o creditamento de valores decorrentes da aquisição de insumos com o IPI suspenso. Também foi observado que a existência do crédito deve ser provada por documentos Fiscais e ele deve estar devidamente escriturado; c) as normas infra-legais que definem as operações industriais/comerciais que suscitam o surgimento do crédito de Fl. 430DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.002081/2006-75 Acórdão n.º 3401-001.680 S3-C4T1 Fl. 2 3 IPI, bem como as hipóteses de cabimento do pedido de ressarcimento devem ser seguidas pela DRF, em face do efeito vinculante a que está sujeita. Em 02.07.2007, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade pedindo a reforma da decisão supra, na qual: a) afirmou que se valeu do instrumento jurídico correto para pleitear seu crédito, pois, de acordo com a IN SRF nº 600/2005: “Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (…) § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizá-los na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no §2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório” De acordo com a contribuinte, a IN SRF nº600/05 não aponta a situação geradora do crédito pleiteado pela contribuinte como uma das hipóteses passíveis de utilização do programa PER/DCOMP, assim a única forma de pleitear o presente ressarcimento é através de petição, como foi feito no caso. O mesmo art. 16 da já mencionada IN SRF nº 600/05 prevê, em seu parágrafo 4º, inc. II, que: “§ 4º Somente serão passíveis de ressarcimento: (…) II – os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário” Fl. 431DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Entende a contribuinte que, “pela clareza do texto, resta evidente que a hipótese geradora do crédito do pedido em comento, ou seja, crédito inerente à entrada com suspensão de IPI, se amolda com perfeição à descrita no inciso II, acima posto em destaque”. Reiterou ainda a contribuinte que acostou à sua petição farta documentação comprobatória do crédito. Invocou diversos julgados administrativos acerca da possibilidade da contribuinte creditar-se do IPI na entrada de produtos com alíquota zero e saída tributada b) discorreu acerca da matriz constitucional do IPI e seus princípios (em especial, sobre a seletividade e a não- cumulatividade), bem como sobre a incidência de correção monetária e juros compensatórios, repisando os argumentos de sua petição inicial a fim de comprovar a possibilidade de geração de crédito de IPI na entrada de insumos, matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem com suspensão de IPI e empregados no processo de industrialização de produtos tributados pelo referido imposto. Foi invocada jurisprudência sobre tema familiar. c) informou que não pediu a declaração de inconstitucionalidade das normas que o impedem de usufruiu do crédito pleiteado, visto que esta é apanágio do Poder Judiciário, mas apenas o reconhecimento de sua inconstitucionalidade para deixar de aplicá-la ao caso concreto. Foi trazida ampla jurisprudência acerca da possibilidade do julgador administrativo deixar de aplicar norma vigente na hipótese desta ser ilegal ou inconstitucional. d) requereu a realização de perícia para a verificação de seus créditos, caso os julgadores entendessem ser esta necessária. Em 5.12.2007, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto – SP acordou, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação do contribuinte, pelas razões abaixo: a) os julgados apresentados não possuem eficácia erga omnes, ou seja, só produzem efeitos entre as partes evolvidas, portanto, deve o julgador administrativo limitar-se a seguir as normas em vigor; b) o princípio da não-cumulatividade não é amplo e irrestrito como pretende a contribuinte, podendo ser limitado e regulamentado por legislação infraconstitucional. De acordo com este princípio, compensa-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Ou seja, se não foi cobrado imposto nas operações anteriores – como no caso de suspensão – não há direito ao crédito; c) é indispensável a comprovação da apuração do saldo credor de IPI em livro fiscal, para verificar a impossibilidade de sua compensação em conta gráfica e a caracterização destes como insumos, o que não foi feito pela contribuinte, que se limitou a apresentar planilha de cálculo dos insumos suspensos. Assim, não se trata de inadequação do pedido, mas do ônus da prova; Fl. 432DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.002081/2006-75 Acórdão n.º 3401-001.680 S3-C4T1 Fl. 3 5 d) não cabe atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic por não serem legítimos os créditos em causa e por ser tal taxa utilizada no caso de devolução de tributos pagos indevidamente pelo contribuinte em razão de erro de fato ou de direito. No caso de saldo credor de IPI, não há nenhum pagamento indevido, sendo o crédito meramente escritural, assim é incabível a utilização da Selic. Foi citada jurisprudência nesse sentido; e) a perícia se justifica apenas quando a prova não pode ser produzida pelas partes, ou não cabe a estas produzi-la e, ainda assim, apenas quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Nenhuma destas situações se enquadra no presente caso; f) o momento propício para a juntada de documentos é o da impugnação, sendo vedada a juntada posterior. Em 14.02.2008, a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário, no qual alega a desnecessidade de arrolamento de bens ou depósito como requisitos de admissibilidade recursal e repisa os argumentos já expostos em seu pedido de ressarcimento e sua manifestação de inconformidade.” Em julgamento de 3.9.2008, esta Câmara decidiu por negar provimento ao recurso em razão da Súmula nº 10 do CARF, que preconiza: “A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI” Em 9.4.2009 a contribuinte interpôs Embargos de Declaração nos quais alega, em síntese, que é necessário que toda a matéria seja devidamente pré-questionada e haja a devida manifestação sobre as mesmas. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciá-los. A recorrente alega que toda a matéria não foi devidamente pré-questionada, porém, as alegações da contribuinte parecem-me falaciosas, a decisão recorrida tratou da matéria discutida no processo, tendo sido devidamente fundamentada, o julgador não está Fl. 433DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 adstrito a responder a todos os argumentos das partes, desde que fundamente sua decisão, conforme jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, que reproduzo abaixo. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CORTE NO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. ART. 535, II, DO CPC NÃO VIOLADO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO HOSTILIZADO. ENERGIA ELÉTRICA. INTERRUPÇÃO DO FORNECIMENTO PELA CONCESSIONÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. INADIMPLÊNCIA DO CONSUMIDOR. DÉBITO SOB DISCUSSÃO JUDICIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. SUPORTE FÁTICO DESSEMELHANTE. 1. Cuida-se, na origem, de agravo de instrumento com pedido de efeito suspensivo interposto por CEAL - Companhia Energética de Alagoas contra decisão que, nos autos de ação declaratória negativa ajuizada por Exata Empreendimentos e Participações Ltda, deferiu a antecipação de tutela requerida, determinando a então agravante não suspender o fornecimento de energia elétrica na unidade consumidora da agravada, impedindo, ainda, a inclusão do nome desta no rol de devedores inadimplentes. 2. Não se vislumbra afronta aos arts. 165, 459, e 535, II, do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal local, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos apresentados pela vencida, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a questão controvertida. 3. Deve ser rejeitada a alegada violação ao art. 535 do CPC, uma vez que o acórdão recorrido está devidamente fundamentado. A jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que o julgador não está adstrito a responder a todos os argumentos das partes, desde que fundamente sua decisão. Precedente: AgRg no Ag 1124027, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 16/9/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte firmou o entendimento de que a empresa concessionária do serviço poderá suspender o fornecimento de energia desde que precedido de aviso prévio, no caso de inadimplemento da conta. Precedentes: REsp 460.271/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJU 21.2.2005; REsp 591.692/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJU 14.3.2005; REsp 615.705/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJU 13.12.2004. 5. Tal orientação não se aplica ao caso dos autos, tendo em vista que o Tribunal a quo não reconheceu a inadimplência da recorrida, já que as partes discutem, na via judicial, a existência e o valor da dívida. 6. O dissídio pretoriano não restou configurado ante a ausência de similitude fática e jurídica entre os casos confrontados, o que inviabiliza o conhecimento da divergência, porquanto Fl. 434DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.002081/2006-75 Acórdão n.º 3401-001.680 S3-C4T1 Fl. 4 7 desatendidos os requisitos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC, e 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 854.204/AL, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/11/2010, DJe 18/11/2010) Com isso é perceptível a inexistência de omissão no acórdão recorrido e que o animus da embargante, é o de querer rediscutir o mérito do processo, questão que não é possível por via de Embargo Declaratório. Em razão de todo o exposto, rejeito os presentes embargos. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 435DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.10570.M225. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 20/09/2012 12:29:39. Documento autenticado digitalmente por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 20/09/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 30/10/2012 e FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 20/09/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0120.10570.M225 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 366081EB1B34C679852EDE6361F194F71572C464 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13839.002081/2006-75. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10480.015941/2002-16
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COFINS.
COMPENSAÇÃO. EFEITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. EXTINÇÃO. Impossível utilização de compensação mediante o aproveitamento de valores, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, como forma de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. A compensação é um direito discricionário da contribuinte, não cabendo ao Fisco realizá-la de ofício, nem podendo ser usada, caso não tenha sido realizada antes do início do procedimento fiscal, como razão de defesa para elidir lançamento decorrente da falta de recolhimento de tributo devido.
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso, de matéria não suscitada na fase impugnatória, no caso, a redução da multa de ofício ao percentual de 50% com base no art. 35 da Lei nº 8212/1991.
Recurso não conhecido em relação à matéria preclusa e negado na parte remanescente.
Numero da decisão: 204-00.650
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto a matéria preclusa; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, na parte conhecida. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho e Flávio de Sá Munhoz.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Recorrida : DRJ em Recife - PE • COFINS. COMPENSAÇÃO. EFEITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. EXTINÇÃO. Impossível utilização de compensação mediante o aproveitamento de valores, objeto de MIN. DA FAZENDA • 2V CC contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em CONFERE,ç9è1 O RIGINAL„ julgado da respectiva decisão judicial, como forma de extinção .BRASALIA jeL7) /05 do crédito tributário. (XAAÇA' COMPENSAÇÃO. A compensação é um direito discricionário VISTO da contribuinte, não cabendo ao Fisco realizá-la de oficio, nem podendo ser usada, caso não tenha sido realizada antes do início do procedimento fiscal, como razão de defesa para elidir lançamento decorrente da falta de recolhimento de tributo devido. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso, de matéria não suscitada na fase impugnatúria, no caso, a redução da multa de oficio ao percentual de 50% com base no art. 35 da Lei n°8212/1991. Recurso não conhecido em relação à matéria preclusa e negado na parte remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ENGARRAFADORA IGARÃSSU LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto a matéria preclusa; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, na parte conhecida. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho e Flávio de Sá Munhoz. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005. • /#-IentiqUes Pigheiro Torre*;€' Presidente osiv_. Rela aVriy-Wa:IsrtYManatta ora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 idS CC-MF Ministério da Fazendam rst. DA FAZENDA - CC Fl. ) Segundo Conselho de Contribuintes NFERE,.ÇQM O RIGINAL BR Processo n2 : 10480.015941/2002-161 Recurso n2 : 129.755 VISTO Acórdão n2 : 204-00.650 Recorrente : ENGARIZAFADORA IGARASSU LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração objetivando a cobrança da Cofins relativa aos períodos de setembro/2001 a julho/2002 em virtude da divergência entre os valores pagos/compensados/parcelados/declarados e os valores devidos, apurados segundo balancetes mensais apresentados pela própria contribuinte e no LRAICMS. A contribuinte apresenta impugnação alegando em sua defesa: 1. todos os valores apurados são objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI e concomitante compensação. Indica processos administrativos; 2. conforme provimento judicial proferido nos autos do Agravo de Instrumento n° 42173, está autorizada a aproveitamento dos seus créditos do IPI, razão pela qual passou ao processamento de pedidos de ressarcimento do IPI cumulados com pedidos de compensação com débitos de tributos administrados pela SRF; 3. discorre -so'bre a ação judicial interposta relativa ao aproveitamento de créditos do IPI; 4. todos os débitos anteriores a fevereiro/2000 não poderiam ser objeto do lançamento já que incluídos no REFIS; 5. por equivoco além dos valores objeto do REFIS, no mesmo período, a empresa passou a efetuar recolhimentos relativo a parcelamento alternativo, razão pela qual existem valores recolhidos a maior. A DRJ em Recife - PE manteve o lançamento nos exatos termos em que foi efetuado. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial acerca da compensação com os créditos do IPI, acrescendo ainda: 1. de acordo com o disposto no art. 74 da Lei n° 9430/96, com redação dada pela Lei n° 10637/02, restou autorizada a compensação entre tributos administrados pela SRF a critério do contribuinte e sujeita a posterior homologação pela SRF, o que demonstra que, nestes casos a compensação prescinde de autorização da Administração; 2. diante das mudanças relativas à compensação o art. 170-A do CTN é inaplicável; 3. a contribuinte elegeu à via do mandado de segurança para garantir o seu direito de aproveitamento de indébito relativo ao IPI, razão pela qual não é g irM 2 2t CC-MF •••' Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2° CC E. "P-T.;.: Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREeÇQM O ORIGINAL 06- Processo n2 : 10480.015941/2002-16 BRASILIA Recurso n2 : 129.755 VISTO Acórdão n2 : 204-00.650 --- necessária a certeza e liquidez prevista no art. 170 do CTN para que se promova o encontro de contas materializado com base em decisão judicial que declara que o indébito é compensável, já que cabe à Administração auferir tal certeza e liquidez quando da homologação da compensação efetuada; 4. a contribuição lançada foi objeto de declaração em DCTF razão pela qual há de se aplicar a multa de 50% prevista no art. 35, §4° da Lei n°8212/91. Foi efetuado arrolamento de bens segundo documentos de fls. 263/267. É o relatório. rem 4 3 • 2R CC-MF - •••• '? Ministério da Fazenda A• '-'/,..;•-n;:15" Segundo Conselho de Contribuintes peig D FAZENDA . CCNFERE,M SR 2° Fl. Processo nQ : 10480.015941/2002-16 SRA SiL 14 IDINAL Recurso n2 : 129.755 Acórdão n2 : 204-00.650 VIS TO VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA • NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. O que concerne da questão a ser tratada no presente recurso diz respeito à compensação dos valores lançados a título da Cofins com créditos do IPI objeto de ação judicial não transitada em julgado, objeto de pedidos de ressarcimento formulados em processos administrativos diversos. O objeto da ação judicial interposta segundo documentos de fls. 80, 143 a 146 é a apropriação de créditos do IPI e a compensação de tais créditos com débitos do próprio IPI e de outros tributos e contribuições administrados pela SRF. A ação judicial interposta ainda não teve o seu trânsito em julgado. Verifica-se, portanto que não existe decisão judicial definitiva a amparar as pretensões da recorrente, por conseqüência os créditos a serem objeto da compensação não se encontram revestidos da certeza e liquidez necessárias. No caso, os créditos que a contribuinte alega possuir em seu favor não são líquidos e certos, uma vez que ainda dependem de confirmação por parte do Judiciário. Ademais disto o art. 170-A do CTN veda expressamente a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da ação: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Neste esteio é que se encontra inserido o art. 37 da LN SRF n°210/02: Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditó rio do sujeito passivo. § 12 A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 22 Na hipótese de titulo judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do titulo judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios. § 32 Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 42 A compensação de créditos'reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela tlèV 4 • 22 CC-MF Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA CC 9. Segundo Conselho de Contribuintes ..;.4;s".fr's• 4,4 CONFEREA9pAyfIGINAL BRASÍLIA j O Processo n2 : 10480.015941/2002-16 Recurso 11.2 : 129.755 .o Acórdão n2 : 204-00.650 - SRF dar-se-á na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. Observe-se que a Lei n° 10637/02 ao dar nova redação ao art. 74 da Lei n° 9430/96 não permitiu a compensação entre tributos administrados pela SRF, objeto de ação judicial antes do seu trâ,nsito em julgado como fez crer a recorrente. O que restou autorizado foi a compensação, após o trânsito em julgado da ação, por conta da própria contribuinte, sem previa autorização da Administração, a ser homologada a posteriori: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 12 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 22 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (grifo nosso) Verifica-se, ainda, que a compensação efetivada nos moldes acima transcritos deve ser, informada à SRF por meio de Declaração de Compensação a ser. entregue pelo sujeito . passivo com os débitos a serem compensados e os créditos utilizados. No caso dos autos não existe tal declaração. Até mesmo dos processos de ressarcimento de IPI citados pela recorrente e cujas cópias do protocolo e da origem dos créditos a serem ressarcidos encontram-se anexadas às fls. 80/105, não consta pleito compensatório, apenas pedido de ressarcimento. Constata-se, pois, da análise dos documentos acostados aos autos, que não restou evidenciado que os valores objeto do presente lançamento são objeto de compensação (efetuada ou requerida) por iniciativa da recorrente. Não há, pois, no processo, qualquer registro contábil, de a compensação que tivesse sido executada pela contribuinte e desconsiderada pelo Fisco. Mesmo na sua impugnação e no recurso a contribuinte apenas menciona a existência de créditos tributários, não fazendo prova da efetividade da compensação. O direito compensatório, não comprovadamente exercido pela recorrente antes do inicio da ação fiscal, não há de ser utilizado como argumento de defesa, na fase impugnatória ou recursal, para elidir cobrança de tributo devido e não recolhido. Ressalte-se que a compensação é um direito discricionário da contribuinte, cabendo a ela exercê-lo, como desejar, dentro das condições previstas na legislação que disciplina a matéria, não podendo o Fisco realizá-la de oficio. Ressalte-se, ainda que as DCTFs relativas aos períodos objeto do lançamento, nas quais consta a citada compensação foram entregues após o inicio da ação fiscal (10/09/2002), sendo, que à exceção daquela relativa ao 3° trimestre de 2002, entregue em 14/11/2002, as demais foram entregues após ciência do auto' de infração (25/11/2002) quando não mais gozava a " 5 2‘• CC-MF Ministério da Fazenda • %, MIN. DA FAZENDA - 2.1 CC j=CONFERE pp4t Fl. 't5*Ç Segundo Conselho de Contribuintes O IGINAL NASILIA °G' n Processo n2 1042 _80.015941/2002-16. :c:: n2 : 129.755 Acórdão n : 204 00 650 o contribuinte do instituto da espontaneidade, razão pela qual não foram consideradas na apuração dos valores devidos e não recolhidos. No que diz respeito à redução da multa ao percentual de 50% com base no art. 35 da Lei ri° 8212/91 é de se observar que tal matéria não foi objeto da impugnação, razão pela qual não pode ser conhecida por este Colegiado, uma vez que foi suscitada apenas em grau de recurso. A preclusão foi muito bem enfrentada pelo ilustre Conselheiro e Presidente Henrique Pinheiro Torres quando do julgamento do RV 118.446, assim, transcrevo parte daquele voto como razão de decidir: Explico: como é de todos sabido, só é lícito deduzir novas alegações, em supressão de instância, quando: - relativas a direito superveniente, - competir ao julgador delas conhecer de oficio, a exemplo da decadência; ou - por expressa autorização legal. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de, preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar-se questões já ultrapassadas em fases anteriores. Daí, não tendo sido deduzida a tempo, em primeira instância, a razão apresentada na fase recursal, não se pode dela conhecer. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso no tocante à matéria preclusa e negar provimento na parte remanescente, nos termos do voto. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005. WrIpx-VONtiat NAY BA TOS MANATTA i‘ 6 Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.903977/2018-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de saldo negativo do IRPJ, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. GLOSAS DE RETENÇÕES DE IRPJ. AUSÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO QUANTO ÀS GLOSAS.
Não combatendo o Manifestante as glosas individualizadas das retenções, feitas pela autoridade fiscalizadora, que comporiam o saldo negativo do IRPJ, os valores tornam-se incontroversos.
Numero da decisão: 1002-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jose Roberto Adelino da Silva, Luis Angelo Carneiro Baptista, Miriam Costa Faccin e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de saldo negativo do IRPJ, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. GLOSAS DE RETENÇÕES DE IRPJ. AUSÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO QUANTO ÀS GLOSAS. Não combatendo o Manifestante as glosas individualizadas das retenções, feitas pela autoridade fiscalizadora, que comporiam o saldo negativo do IRPJ, os valores tornam-se incontroversos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente (documento assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jose Roberto Adelino da Silva, Luis Angelo Carneiro Baptista, Miriam Costa Faccin e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de saldo negativo do IRPJ, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. GLOSAS DE RETENÇÕES DE IRPJ. AUSÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO QUANTO ÀS GLOSAS. Não combatendo o Manifestante as glosas individualizadas das retenções, feitas pela autoridade fiscalizadora, que comporiam o saldo negativo do IRPJ, os valores tornam-se incontroversos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente (documento assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 39 77 /2 01 8- 42 Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jose Roberto Adelino da Silva, Luis Angelo Carneiro Baptista, Miriam Costa Faccin e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 105-008.629 - 2ª Turma/ DRJ05, sessão de 16 de setembro de 2022, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida, nos termos abaixo: “O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório nº 2574239, de 08/02/2019, às fls. 91, que reconheceu parcialmente a existência de crédito tributário de R$ 197.085,83, referente a saldo negativo de IRPJ, ano- calendário 2013, homologou parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 27934.70661.280814.1.7.02-8703 e não homologou as declaradas no PER/DCOMP nº 15804.97431.030914.1.3.02-7338. O crédito tributário pretendido totalizava R$ 333.912,51, estando demonstrado no PER/DCOMP nº 18189.92856.010415.1.7.02-2399, sendo que as parcelas de composição confirmadas parcialmente ou não confirmadas pela autoridade administrativa estão detalhadas no demonstrativo abaixo reproduzido: A interessada foi cientificada do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) a manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente; b) a contribuinte solicitou compensações com créditos existentes através das PER/DCOMP nºs 18189.92856.010415.1.7.02-2399, 38664.50681.231014.1.7.02-1041, 27934.70661.280814.1.7.02-8703 e 15804.97431.030914.1.3.02-7338, sendo que as duas primeiras foram integralmente homologadas, a terceira foi parcialmente homologada e a quarta não foi homologada, pelos seguintes motivos que transcreve do despacho decisório; c) a homologação parcial decorreu da não identificação pela Receita Federal das retenções do imposto de renda pela Amazonas Distribuidora de Energia S/A, quando da prestação de serviços e aluguel de máquinas; Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 d) pode-se confirmar através da documentação fiscal juntada aos autos que a manifestante levou em consideração as retenções realizadas pela Amazonas Energia em todos os períodos de 2013, o que totalizou o valor de R$ 1.659.171,23, ao invés do valor destacado pela Receita Federal de R$ 1.524.674,91; e) nas notas fiscais de prestação de serviços e faturas de locação de equipamentos houve a retenção do imposto de renda que, mensalmente, constituiu o crédito utilizado para a compensação solicitada, sendo que, para facilitar, a manifestante elaborou a planilha onde se verifica o total do crédito, não tendo qualquer razão para a não homologação das compensações; f) a manifestante levou em consideração a totalidade das retenções realizadas pela Amazonas Energia, sendo que eventual divergência pode ter ocorrido por equívoco desta ao informar base/retenção inferior ao montante compensado na apuração do ano de 2013; g) a manifestante requer seja, caso entenda necessário, realizada perícia, consoante autoriza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, apresentando, em obediência ao inciso IV, os seguintes quesitos e protestando pela apresentação oportuna de novos que julgar pertinentes: a) Esclareça o Sr. Perito se os dados informados pela Impugnante em seus livros fiscais e declarações prestadas à Secretaria da Receita Federal, relativamente ao período objeto do presente Pedido de Compensação está em consonância com o que está em sua contabilidade; e b) Confirme o Sr. Perito se o crédito informado pela Impugnante é legítimo e está devidamente escriturado em sua contabilidade. h) a manifestante indica o nome, o endereço e a qualificação da profissional que deverá acompanhar a realização de perícia: Mayara Peixoto Quintino Martorelli, brasileira, casada, inscrita no CRC -PE 021099/O-5. i) diante de todo o exposto, a manifestante requer a procedência da manifestação de inconformidade, a fim de que sejam homologadas as compensações efetuadas; protesta ainda por demonstrar a verdade dos fatos pelos meios em direito permitidos, a realização de perícia contábil, inclusive juntada de novos documentos que se fizerem necessários além dos já anexados, bem como com os já transmitidos a essa Secretaria da Receita Federal.” Em sessão de 16 de setembro de 2022, a 2ª Turma/DRJ05, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Irresignado, o ora Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 115/131, buscando a reforma da decisão de primeira instância É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 43 c/c art. 65, da Portaria MF nº 1634/2023 (RICARF). O acórdão recorrido foi cientificado em 06/10/2022 (fl. 111), tendo sido apresentando o Recurso Voluntário (fls. 115/131), em 04/11/2022 (fl. 113), dentro do prazo recursal de 30 (trinta) dias. Assim, observo que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Em seu recurso voluntário, sobre a parte julgada improcedente na manifestação de inconformidade, esclarece a recorrente que, a decisão recorrida manteve parcialmente a não homologação suscitada, sob o argumento de que a Recorrente não havia comprovado nos autos, através dos documentos contábeis/fiscais cabíveis. Segue esclarecendo que os julgadores trouxeram a DIRF, relativa ao exercício de 2013, de onde afirmaram que, nos meses de novembro e dezembro, a retenção do IRPJ teria indicado um valor menor do que o assumido para fins de crédito da Recorrente, reconhecendo parte do crédito da Recorrente, que não havia sido assumido quando do despacho decisório, no valor de R$ 35.414,18, mantendo a não homologação do restante da compensação realizada. Alega que, diante da nova negativa apresentada quanto a tais créditos glosados, a empresa, no intuito de comprovar de forma inconteste o direito creditório por ela pleiteado, obteve acesso aos extratos bancários da época, de onde se pode atestar todos os recebimentos líquidos efetivamente auferidos pela Recorrente no exercício de 2013 (Doc. 01). Por sua vez, a decisão recorrida consigna que, de acordo com o art. 55, da Lei nº 7.450, de 1985, o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário; que a interessada não anexou ao processo comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras para confirmação do IRRF que alega ter em seu favor no ano-calendário de 2013; que na ausência dos comprovantes anuais de retenção, a contribuinte deveria comprovar de forma inequívoca a certeza e liquidez do direito creditório que Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 alega possuir, com o objetivo de atender ao previsto no art. 170 CTN; que a interessada limitou- se a apresentar demonstrativo e notas fiscais por ela emitidas, nas quais estão discriminados os valores retidos, sem demonstrar a efetiva retenção do imposto de renda; que, juntamente com a referida documentação, poderia ter apresentado os registros contábeis e extratos bancários, de forma a demonstrar que os valores recebidos estavam líquidos dos impostos e contribuições discriminados nas notas fiscais, o que não foi providenciado. Por fim, na ausência dos comprovantes de rendimentos e retenção na fonte, a autoridade julgadora promoveu consultas ao sistema DIRF relativas à fonte pagadora AMAZONAS ENERGIA S.A (CNPJ 02.341.467/0001-20), constatando divergência entre os valores das retenções nos meses de novembro e dezembro no valor de R$99.082,13, motivo pelo qual coube reconhecer a parcela do direito creditório de R$ 35.414,18 (134.496,31 - 99.082,13). Compulsando os autos, constata-se a juntada, somente agora com o Recurso Voluntário, de documentação comprobatória, notas fiscais e extratos bancários (fls. 132/223), apontadas pelo Recorrente capazes de comprovar que os valores recebidos foram líquidos dos impostos e contribuições discriminados nas notas fiscais. Por outro lado, verifica-se que a razão de decidir do acórdão recorrido, sob o fundamento de insuficiência de provas, foi justificada sob o argumento de que o contribuinte poderia ter apresentado os registros contábeis e extratos bancários, de forma a demonstrar que os valores recebidos estavam líquidos dos impostos e contribuições discriminados nas notas fiscais, razão posteriormente trazidas aos autos, somente na decisão ora recorrida. Cingindo-se a lide remanescente à comprovação dos valores líquidos auferidos, razão não constante do Despacho Decisório, afasta-se, assim, a aplicação da preclusão quanto a juntada de documentos em fase recursal, determinada no §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, tratando-se de situação que subsome-se à ressalva da alínea “c”, do citado parágrafo, resultando na ordem de que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse sentido, entendo que os documentos, juntados somente em fase recursal, no presente caso, podem ser conhecidos, cumprindo avaliar se realmente provam de forma inequívoca as alegações da Recorrente. Quanto ao mérito em si, a presente lide diz respeito ao não reconhecimento do direito ao crédito, informado na DCOMP nº 18189.92856.010415.1.7.02-2399 de Saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário de 2013, e consequente não homologação das compensações relacionadas. Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 Notar que, do valor total das retenções de IRPJ na fonte, no montante informado no PER/DCOMP de R$1.659.171,23, o Despacho Decisório confirmou R$1.524.674,91; e o Ac rdão D confirmo mais . tendo sido confirmadas retenç es de na fonte em enef cio do interessado no montante total de . . , dos R$1.659.171,23 informados, restando R$99.082,13 em retenções à serem provadas. Para fazer tal prova a ecorrente alega q e: “...as provas carreadas aos a tos possuem o condão de se contrapor às argumentações postas no acórdão em relação à ausência de comprovação dos recebimentos líquidos percebidos pela Recorrente, pagos pela Amazonas Energia. No documento em questão estão devidamente marcados, todos os dias e meses em que foram auferidos os valores transferidos pela Amazonas Energia, vinculadas ao número das notas fiscais/faturas de al g el já j ntadas nos a tos do processo.” (grifei) sem apontar especificamente quais provas se referem ao valor da diferença restante. No caso em tela, a Recorrente não se desincumbiu do seu mister de provar. Inicialmente, acompanhando a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte limitou-se a apresentar demonstrativo/planilha e Notas Fiscais por ela emitidas; adicionalmente, junto com o Recurso Voluntário, solicitou juntada dos mesmos demonstrativo/planilha e Notas Fiscais, além de Extratos Bancários, buscando esclarecer a divergência entre os valores das retenções nos meses de novembro e dezembro, segundo a DIRF, totalizando R$185.037,15, enquanto o pleiteado foi de R$284.119,28, ou seja, uma diferença referente à fonte pagadora AMAZONAS ENERGIA S.A (CNPJ 02.341.467/0001-20) no valor de R$99.082,13. Não há nos documentos acostados, a prova individualizada sobre o valor restante de R$99.082,13, em diferenças de retenções, nos meses de novembro e dezembro, à serem provadas; que tais valores foram efetivamente recebidos pelo seu líquido, através de apresentação dos extratos bancários, com a indicação clara do montante recebido e as respectivas contabilizações; não simplesmente lançar aos autos sessenta páginas de extratos bancários de todos os meses (fls. 164/223), sem nem mesmo apontar onde estaria a prova residual que precisa fazer, exclusivamente, nos meses de novembro e dezembro, em relação aos quais, compulsando- se os autos (fls. 183/190), nada é possível concluir, tanto quanto ao mês de novembro, quanto ao mês de dezembro, nesse último mês, inexistindo valores destacados e apontados, ainda que simples destaques, sem vínculos aos documentos contábeis e fiscais, e sem nenhum esclarecimento sobre como chegar ao valor que se deseja provar, também não configurem a prova inequívoca demandada. E, mais, a lista dos montantes não identificados foi apresentada à Recorrente, e não foi combatida de forma específica. Não combatendo a Recorrente as glosas individualizadas das retenções, feitas pelas autoridade fazendárias, que comporiam o saldo negativo do IRPJ, os valores tornam-se incontroversos, salvo apresentada a prova individualizada sobre o valor restante de R$99.082,13 em retenções, o que não foi feito. A própria Recorrente reconhece a carência probatória, pleiteando que se determine diligência/perícia para suprir eventual deficiências de instrução do processo, renovando o requerimento de diligência/perícia, elaborado na manifestação de conformidade, não atendidos os requisitos da legislação de regência (inc. IV e §1º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 - PAF), no recurso voluntário, não tendo sido elaborados os quesitos a serem respondidos, nem indicado assistente técnico. Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-003.449 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10283.903977/2018-42 Além do não atendimento aos requisitos formais da legislação, as questões controversas nos autos não demandam conhecimento técnico específico para solução, não dizendo respeito aos aspectos técnicos conceituais, referindo-se a matéria envolvendo prova documental, cuja solução demanda simples indicação, por parte do interessado, da prova específica, dentre as juntadas aos autos do processo. Ainda, analisado adequadamente o conjunto probatório existente e concluindo pela improcedência das alegações, é prerrogativa do julgador demandar por novas provas, e se este entende que constam dos autos as informações suficientes para prolatar a decisão, diligências e perícias não são necessárias, ao teor do livre convencimento motivado, do art. 29, do Decreto nº 70.235/72 - PAF. Deste modo, no mesmo sentido da decisão recorrida, sendo a produção das provas em comento de responsabilidade do contribuinte, não é razoável que sejam realizadas por meio de diligência/perícia contábil, daí, em conformidade com os arts. 18, caput, e 29, do PAF, mantêm-se o indeferimento do pedido de diligência/perícia, por considerá-la prescindível para a solução do litígio administrativo. Portanto, utilizando-se das razões de decidir acima expostas, e considerando que a Recorrente não trouxe comprovação documental inequívoca, levando-se em conta seu ônus da comprovação do direito creditório, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, e do art. 373, inc. I, c/c o art. 15, do CPC/15, entendo que o contribuinte não logrou êxito em desincumbir-se do ônus de provar seu direito de crédito, líquido e certo, assim como exigido pelo art. 170, do CTN. Assim, ratificando a decisão recorrida, entendo deva ser mantida a decisão de primeira instância, pelas razões expostas e pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 231DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11128.724066/2016-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/09/2013
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA MARÍTIMA. MULTA.
A apresentação de dados de cargas marítimas feita fora do prazo definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007 constitui infração. Devida, portanto, a multa regulamentar nos termos do art. l07, inciso IV, e do Decreto-Lei n° 37/1966.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA MARÍTIMA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 185.
A agência marítima, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, responde pela infração caracterizada pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3001-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Joao Jose Schini Norbiato - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisca Elizabeth Barreto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Celso José Ferreira de Oliveira (suplente convocado(a)), Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Joao Jose Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2013 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA MARÍTIMA. MULTA. A apresentação de dados de cargas marítimas feita fora do prazo definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007 constitui infração. Devida, portanto, a multa regulamentar nos termos do art. l07, inciso IV, e do Decreto-Lei n° 37/1966. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA MARÍTIMA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 185. A agência marítima, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, responde pela infração caracterizada pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-06-21T14:28:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-06-21T14:28:23Z; Last-Modified: 2024-06-21T14:28:23Z; dcterms:modified: 2024-06-21T14:28:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-06-21T14:28:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-06-21T14:28:23Z; meta:save-date: 2024-06-21T14:28:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-06-21T14:28:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-06-21T14:28:23Z; created: 2024-06-21T14:28:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-06-21T14:28:23Z; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-06-21T14:28:23Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11128.724066/2016-44 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-002.604 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 13 de junho de 2024 Recorrente ILS CARGO TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2013 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA MARÍTIMA. MULTA. A apresentação de dados de cargas marítimas feita fora do prazo definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007 constitui infração. Devida, portanto, a multa regulamentar nos termos do art. l07, inciso IV, “e” do Decreto-Lei n° 37/1966. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA MARÍTIMA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 185. A agência marítima, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, responde pela infração caracterizada pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Joao Jose Schini Norbiato - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 40 66 /2 01 6- 44 Fl. 284DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 (documento assinado digitalmente) Francisca Elizabeth Barreto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Celso José Ferreira de Oliveira (suplente convocado(a)), Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Joao Jose Schini Norbiato (Presidente). Relatório Por economia processual, transcrevo abaixo o relatório do Acórdão nº 16-077.805 - 21ª Turma da DRJ/SPO, que bem descreve a lide: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em19/12/2016, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. Empresa de transporte internacional/prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta/agente de carga, deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008. O Agente de Carga ILS CARGO TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA., CNPJ N°03519007000102, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305187583865 a destempo em/a partir de 13/09/2013 15:02, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305191240705. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) HLXU6717109 HLXU8717509 TEMU9025197, pelo Navio M/V MEHUIN, em sua viagem 1333NS, com atracação registrada em 14/09/2013 13:08. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 13000269249, Manifesto Eletrônico 1513502154879, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305187339794, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151305187583865 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305191240705. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305187583865 foi incluído em 10/09/2013 10:13, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. Diante do exposto, aplica-se a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para cada ocorrência relatada acima, pelo descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), com base na alinea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Fl. 285DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 08/03/2017 (fls. 43) o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 17/03/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 66 à 84, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: - A arguição de ilegitimidade passiva; - A arguição de ausência de prejuízo à fiscalização; - A arguição de denúncia espontânea; - A arguição de advento da Lei 1473/2014 - Retroatividade da Lei Tributária. É o relatório. A DRJ julgou a impugnação improcedente, tendo em conta a concomitância com a ação judicial 0005238-86.2015.403.6100, impetrada pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Cargas Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais – ACTC, conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2013 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. A multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Configurada a infração, não é passível de denunciação com adimplemento posterior. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do resultado do julgamento em 23/06/2017, a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 11/07/2017, informando que a ACTC ajuizou ação pela não aplicação de multas quando da configuração da denúncia espontânea; e alegando preliminarmente: (i) ilegitimidade passiva; e no mérito: (ii) houve adiantamento na atracação da embarcação; (iii) ausência de prejuízo à fiscalização; (iv) denúncia espontânea; e por fim, (v) advento da IN 1.473 de 2014. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 Conselheiro Francisca Elizabeth Barreto, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Com base no artigo 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. 2.1. Da concomitância entre a ação judicial coletiva e o presente processo administrativo A DRJ e o recorrente entendem haver concomitância parcial entre a ação judicial nº 0005238-86.2015.4.03.6100 e o presente processo. Trata-se de ação coletiva proposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), com pedido de antecipação de tutela para reconhecer a aplicação da denúncia espontânea para infrações aduaneiras, nos termos do § 2º do art. 102 do Decreto-lei nº 37/66. A ACTC pede a declaração de inexistência de relação jurídico-tributária, alegando a ilegalidade das multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias previstas na Instrução Normativa RFB 800/2007, artigos 18 e 22, bem como do ato declaratório executivo COREP nº 03/2008. Ao contrário da recorrente e da DRJ, entendo que não há concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, já que, por se tratar de uma ação coletiva, pode haver identidade quanto à causa de pedir e os pedidos, porém, como a ação foi proposta por substituto processual, não há identidade entre as partes do processo judicial e as partes do processo administrativo fiscal. Não existindo renúncia às instâncias administrativas em razão da propositura da ação coletiva pela ACTC, seria possível cogitar da devolução do processo à DRJ para que aquele colegiado proferisse decisão sobre o mérito da impugnação. Porém, tendo em conta que a Recorrente trouxe os argumentos novamente em seu Recurso Voluntário e que se trata de uma matéria de direito já sumulada por este Conselho, entendo que está o processo em condições de julgamento. Ademais, o novo RICARF dispensa o retorno do processo para a 1ª instância quando a matéria em julgamento for objeto de súmula, como é o caso da possibilidade da denúncia espontânea em penalidades aplicadas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos, bem como da não aplicação de multas nas retificações de informações prestadas tempestivamente: Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 Art. 111. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. [...] § 5º Fica dispensado o retorno do processo para julgamento em 2ª instância, quando a matéria remanescente na instância especial for objeto de Súmula do CARF ou Resolução do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais e versar exclusivamente sobre aplicação de direito. § 6º Aplica-se o disposto no § 5º, em relação ao retorno de processo para a 1ª instância, em se tratando de matéria objeto de Súmula do CARF ou Resolução do Pleno. Nesse sentido, conheço também a matéria objeto de ação judicial e passo a análise da preliminar suscitada pela recorrente. 3. Preliminar 3.1 Ilegitimidade Passiva Alega a recorrente que o Auto de Infração não merece prosperar, pois da simples leitura dos artigos 3º, 5º e 6º da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, verifica-se que o ônus da prestação da informação pertinentes a mercadoria seria da empresa transportadora, sendo agentes marítimos, agentes de carga e desconsolidadores meros mandatários, não havendo previsão legal para sua responsabilização. Colaciona súmulas sobre o tema. Sem muitas delongas sobre esse tema, registra-se que o entendimento quanto à responsabilidade dos agentes marítimos pela multa de que trata esses autos encontra-se atualmente consolidado na jurisprudência deste Conselho por meio do enunciado nº 185, o qual, nos termos do art. 85 do Anexo, do RICARF, é de observância obrigatória por seus membros. Súmula CARF nº 185 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes 9303-010.295, 3301-005.347, 3402-007.766, 3302-006.101, 3301-009.806, 3401-008.662, 3301-006.047, 3302-006.101, 3402-004.442 e 3401- 002.379. Nesses termos, voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 4. Mérito 4.1 Adiantamento na atracação da embarcação A recorrente informa que houve um adiantamento na atracação da embarcação, razão pela qual não conseguiu informar a desconsolidação no prazo previsto na legislação. Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 Sobre esse tema, cabe esclarecer que a penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n° 37/1966 é objetiva, ou seja, o agente responde pela conduta ainda que não haja culpa ou dolo. O artigo 94, do Decreto-Lei nº 37/66, ao tratar das penalidades nele previstas assim dispõe: Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse sentido, o argumento da recorrente não tem o condão de excluir a penalidade aplicada. 4.2 Ausência de prejuízo à fiscalização Nesse tópico, a recorrente defende que a carga não foi liberada sem anuência da fiscalização, que não teve intenção de obstruir os mecanismos da fiscalização e que todas as informações já estavam lançadas no Siscomex-Carga antes da liberação de embarque. Na verdade, a penalidade aplicada no Auto de Infração tem como base legal o artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n° 37/1966 e não o “c”. Assim, não há que se falar em embaraço à fiscalização. Ademais, como já pontuado no item 4.1, a responsabilidade pela referida penalidade é objetiva, sendo aplicada independentemente da intenção do agente. 4.3 Denúncia Espontânea A recorrente informa que a situação fática amolda-se ao disposto no artigo 138 do CTN, uma vez que não houve nenhuma provocação fiscal para que fosse incluída a informação no sistema, tendo esta sido realizada antes da lavratura do auto de infração e que, portanto, se estaria caracterizada a denúncia espontânea, suficiente para afastar a aplicação da penalidade. Colaciona decisões judiciais e do CARF. Ora, a conduta da recorrente descumpriu obrigação acessória autônoma, para a qual, conforme jurisprudência, não cabe a figura da denúncia espontânea. Ou seja, realizada a conduta, aplica-se a multa. Isso ocorre porque, mesmo que, em momento posterior, o sujeito passivo altere a informação, a infração já estará consumada, pois não será mais possível cumprir o prazo e o controle aduaneiro já terá sido colocado em risco. Entendimento este já sumulado pelo CARF, de observância obrigatória. Súmula CARF nº 126 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018 Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Nesse sentido, voto por negar provimento neste item 4.4 Advento da IN 1.473 de 2014. A recorrente informa que a IN RFB nº 1.473, de 2014 revogou os artigos 45 a 48 da IN RFB nº 680, de 2007, tornando inaplicável a multa de R$ 5.000,00 e invoca a retroatividade benigna da norma para que a multa seja cancelada. Embora a IN RFB Nº 1.473/2014 tenha revogado os artigos mencionados, não houve alteração nos prazos para prestação de informações à RFB. Eles continuam previstos no art. 22 da IN RFB Nº 800/2007 e seu descumprimento segue sendo passível da aplicação da multa prevista no Art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-Lei n° 37/66. Ademais, a revogação dos artigos pela IN Nº 1.473/2014 não poderia implicar a extinção da multa, pois por força do disposto no art. 5º, XXXIX, da Constituição Federal, não eram os dispositivos deste capítulo que fundamentavam a penalidade, oferecendo apenas a interpretação da Receita Federal quanto à aplicação da multa. O fundamento da penalidade em questão é o disposto no art. 107, inciso IV, alínea 'e’, do Decreto-Lei n° 37/66; norma com status de lei em sentido estrito que segue vigente. Nesse sentido, o argumento da Recorrente de que a própria Receita Federal estaria revendo a postura adotada em relação à aplicação de penalidades pela prestação de informações fora do prazo não procede. Portanto, voto por negar provimento aos argumentos contidos neste item. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Francisca Elizabeth Barreto Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.604 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.724066/2016-44 Fl. 291DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10380.909782/2015-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011
REUNIÃO DE PROCESSOS. PREJUDICIALIDADE NÃO CONSTATADA. DESNECESSIDADE.
A existência de vários processos de pedido de ressarcimento (de créditos de PIS e COFINS) de um mesmo contribuinte não implica a necessária reunião destes para julgamento de Recursos Voluntários em conjunto. No caso concreto, conquanto o assunto em comum, não há relação de prejudicialidade entre os processos. Por se tratar de vários períodos de apuração distintos, não há que se falar na ligação pelos mesmos elementos de prova, de modo que a comprovação do crédito demanda a apresentação de documentação inerente ao período a que se refere. Também os tipos de dispêndios que constituiriam insumos geradores de créditos não são exatamente os mesmo em todos os processos, o que necessariamente não levaria a uma decisão única a ser replicada indistintamente para todos eles. Por fim, não se trata de um único procedimento fiscal, já que para cada processo foi emitido um despacho decisório autônomo.
DIREITO CREDITÓRIO. ATIVIDADE PROBATÓRIA DEFICIENTE. CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO.
A conversão do julgamento em diligência no contencioso administrativo faz-se necessária quando, a despeito da instrução probatória adequada, ainda persistam questões que demandem esclarecimento adicional para que os julgadores administrativos formem seu convencimento. Tratando-se da não apresentação de prova essencial para a confirmação do crédito, que o contribuinte deveria ter juntado aos autos na impugnação (ou, excepcionalmente, no Recurso Voluntário), é caso de se negar provimento ao recurso e não de converter o julgamento em diligência.
Inteligência dos arts. 15, 16, IV e 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte demanda a comprovação inequívoca de sua liquidez e certeza. Quando não for possível determinar a existência do crédito a partir do simples cotejo das informações de que dispõe o Fisco no momento da análise do PER/DCOMP, caberá ao contribuinte, pela via do processo administrativo fiscal, fazer prova do seu direito por meio de documentação idônea, suficiente e adequada.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CORRESPONDÊNCIA ENTRE O VALOR PAGO E O DECLARADO. VALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO QUE INDEFERE O PEDIDO.
A constatação de que o pagamento indicado no pedido de restituição (PER) como sendo indevido ou a maior (indébito) encontra-se inteiramente alocado a débito declarado pelo contribuinte é motivo suficiente e adequado para o indeferimento do pedido. O despacho decisório que indefere o pedido de restituição, com base nessa constatação, é válido e motivado, dispensando-se, nesses casos, outras verificações.
INDÉBITO DECLARADO EM DCTF. DECLARAÇÃO NÃO RETIFICADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE FAZER PROVA POR OUTROS MEIOS.
A ausência de retificação de DCTF para corrigir informação indevidamente prestada acerca de débito tributário não impede o reconhecimento de direito creditório e o deferimento de pedido de restituição, desde que, a despeito da não retificação da declaração, o contribuinte apresente provas inequívocas, capazes de infirmar a informação que consta na DCTF e, por conseguinte, de comprovar a existência do direito reclamado.
Numero da decisão: 3001-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas, quais sejam a necessidade da reunião de processos para julgamento conjunto e a nulidade do despacho decisório, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antônio de Souza Côrrea, Celso Jose Ferreira de Oliveira (suplente convocado(a)), João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 REUNIÃO DE PROCESSOS. PREJUDICIALIDADE NÃO CONSTATADA. DESNECESSIDADE. A existência de vários processos de pedido de ressarcimento (de créditos de PIS e COFINS) de um mesmo contribuinte não implica a necessária reunião destes para julgamento de Recursos Voluntários em conjunto. No caso concreto, conquanto o assunto em comum, não há relação de prejudicialidade entre os processos. Por se tratar de vários períodos de apuração distintos, não há que se falar na ligação pelos mesmos elementos de prova, de modo que a comprovação do crédito demanda a apresentação de documentação inerente ao período a que se refere. Também os tipos de dispêndios que constituiriam insumos geradores de créditos não são exatamente os mesmo em todos os processos, o que necessariamente não levaria a uma decisão única a ser replicada indistintamente para todos eles. Por fim, não se trata de um único procedimento fiscal, já que para cada processo foi emitido um despacho decisório autônomo. DIREITO CREDITÓRIO. ATIVIDADE PROBATÓRIA DEFICIENTE. CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. A conversão do julgamento em diligência no contencioso administrativo faz-se necessária quando, a despeito da instrução probatória adequada, ainda persistam questões que demandem esclarecimento adicional para que os julgadores administrativos formem seu convencimento. Tratando-se da não apresentação de prova essencial para a confirmação do crédito, que o contribuinte deveria ter juntado aos autos na impugnação (ou, excepcionalmente, no Recurso Voluntário), é caso de se negar provimento ao recurso e não de converter o julgamento em diligência. Inteligência dos arts. 15, 16, IV e 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte demanda a comprovação inequívoca de sua liquidez e certeza. Quando não for possível determinar a existência do crédito a partir do simples cotejo das informações de que dispõe o Fisco no momento da análise do PER/DCOMP, caberá ao contribuinte, pela via do processo administrativo fiscal, fazer prova do seu direito por meio de documentação idônea, suficiente e adequada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CORRESPONDÊNCIA ENTRE O VALOR PAGO E O DECLARADO. VALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO QUE INDEFERE O PEDIDO. A constatação de que o pagamento indicado no pedido de restituição (PER) como sendo indevido ou a maior (indébito) encontra-se inteiramente alocado a débito declarado pelo contribuinte é motivo suficiente e adequado para o indeferimento do pedido. O despacho decisório que indefere o pedido de restituição, com base nessa constatação, é válido e motivado, dispensando-se, nesses casos, outras verificações. INDÉBITO DECLARADO EM DCTF. DECLARAÇÃO NÃO RETIFICADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE FAZER PROVA POR OUTROS MEIOS. A ausência de retificação de DCTF para corrigir informação indevidamente prestada acerca de débito tributário não impede o reconhecimento de direito creditório e o deferimento de pedido de restituição, desde que, a despeito da não retificação da declaração, o contribuinte apresente provas inequívocas, capazes de infirmar a informação que consta na DCTF e, por conseguinte, de comprovar a existência do direito reclamado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas, quais sejam a necessidade da reunião de processos para julgamento conjunto e a nulidade do despacho decisório, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antônio de Souza Côrrea, Celso Jose Ferreira de Oliveira (suplente convocado(a)), João José Schini Norbiato (Presidente).
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PREJUDICIALIDADE NÃO CONSTATADA. DESNECESSIDADE. A existência de vários processos de pedido de ressarcimento (de créditos de PIS e COFINS) de um mesmo contribuinte não implica a necessária reunião destes para julgamento de Recursos Voluntários em conjunto. No caso concreto, conquanto o assunto em comum, não há relação de prejudicialidade entre os processos. Por se tratar de vários períodos de apuração distintos, não há que se falar na ligação pelos mesmos elementos de prova, de modo que a comprovação do crédito demanda a apresentação de documentação inerente ao período a que se refere. Também os tipos de dispêndios que constituiriam insumos geradores de créditos não são exatamente os mesmo em todos os processos, o que necessariamente não levaria a uma decisão única a ser replicada indistintamente para todos eles. Por fim, não se trata de um único procedimento fiscal, já que para cada processo foi emitido um despacho decisório autônomo. DIREITO CREDITÓRIO. ATIVIDADE PROBATÓRIA DEFICIENTE. CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. A conversão do julgamento em diligência no contencioso administrativo faz-se necessária quando, a despeito da instrução probatória adequada, ainda persistam questões que demandem esclarecimento adicional para que os julgadores administrativos formem seu convencimento. Tratando-se da não apresentação de prova essencial para a confirmação do crédito, que o contribuinte deveria ter juntado aos autos na impugnação (ou, excepcionalmente, no Recurso Voluntário), é caso de se negar provimento ao recurso e não de converter o julgamento em diligência. Inteligência dos arts. 15, 16, IV e 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte demanda a comprovação inequívoca de sua liquidez e certeza. Quando não for possível AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 97 82 /2 01 5- 65 Fl. 282DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 determinar a existência do crédito a partir do simples cotejo das informações de que dispõe o Fisco no momento da análise do PER/DCOMP, caberá ao contribuinte, pela via do processo administrativo fiscal, fazer prova do seu direito por meio de documentação idônea, suficiente e adequada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CORRESPONDÊNCIA ENTRE O VALOR PAGO E O DECLARADO. VALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO QUE INDEFERE O PEDIDO. A constatação de que o pagamento indicado no pedido de restituição (PER) como sendo indevido ou a maior (indébito) encontra-se inteiramente alocado a débito declarado pelo contribuinte é motivo suficiente e adequado para o indeferimento do pedido. O despacho decisório que indefere o pedido de restituição, com base nessa constatação, é válido e motivado, dispensando-se, nesses casos, outras verificações. INDÉBITO DECLARADO EM DCTF. DECLARAÇÃO NÃO RETIFICADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE FAZER PROVA POR OUTROS MEIOS. A ausência de retificação de DCTF para corrigir informação indevidamente prestada acerca de débito tributário não impede o reconhecimento de direito creditório e o deferimento de pedido de restituição, desde que, a despeito da não retificação da declaração, o contribuinte apresente provas inequívocas, capazes de infirmar a informação que consta na DCTF e, por conseguinte, de comprovar a existência do direito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas, quais sejam a necessidade da reunião de processos para julgamento conjunto e a nulidade do despacho decisório, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antônio de Souza Côrrea, Celso Jose Ferreira de Oliveira (suplente convocado(a)), João José Schini Norbiato (Presidente). Fl. 283DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Relatório O processo em epígrafe trata da controvérsia instaurada a partir da expedição do DESPACHO DECISÓRIO nº 111808737 (DD - fls. 05), proferido em 06/01/2016, em resposta ao Pedido de Restituição (PER) nº 10026.96825.230415.1.2.04-1358 (fls. 02/04), que fora transmitido em 23/04/2015, na qual a Recorrente solicitou a restituição de crédito no valor de R$ 6.829,53, com a indicação de que se tratava de um de pagamento indevido ou a maior efetuado em 25/03/2011 por meio de DARF com código de receita: 6912 (PIS - Não Cumulativo), período de apuração: 28/02/2011 e vencimento em 25/03/2011, no valor total de R$ 282.412,22. Ao analisar as informações prestadas no PER e confrontá-las com os dados disponíveis nos sistemas da Receita Federal, a unidade de origem identificou um pagamento com as características informadas pelo contribuinte, porém, constatou que ele já havia sido inteiramente utilizado, parte em débito declarado (no valor de R$ 246.720,28, cód.: 6912, PA 28/02/2011), parte no PERDCOMP nº 33649.42641.240611.1.3.04-2328 (R$ 35.691,94). Diante de tal constatação, a unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Cientificada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10/27) na qual pugnou, preliminarmente, pela nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e análise meritória. No mérito, alegou que o direito creditório pleiteado é decorrente de “insumos que fazem parte do processo produtivo da empresa ou contribuem para sua geração de receita, observando-se as novas interpretações e conceitos admitidos pela Administração Tributária para este tema, em especial o CARF” (fls. 19). Alega que tais insumos não foram considerados à época em que ocorreu a apuração e recolhimento do PIS (02/2011), resultando no recolhimento de uma contribuição maior do que a efetivamente devida. Por fim, pleiteou que o pagamento indevido fosse corrigido pela taxa Selic. Ao decidir acerca da manifestação de inconformidade (acórdão n o 103-000.662, às fls. 194/204), a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 03 (Fortaleza/CE), por unanimidade de votos, julgou-a improcedente. O acórdão recorrido não foi ementado, mas de sua leitura podemos concluir que a suma da decisão do colegiado a quo é a seguinte: 1) com relação à preliminar de mérito, o colegiado a quo destacou a importância do processamento eletrônico de informações (batimento eletrônico) para a segurança e celeridade da análise de um número massivo de PERDCOMPs que são apresentadas. Enfatizou que se o pagamento apontado no PER encontrava-se totalmente apropriado a débito fiscal confessado, o motivo do despacho revelou-se correto. Ponderou que não há o dever de a Fazenda Pública impulsionar o contribuinte para que ele demonstre o crédito pleiteado e salientou o dever do interessado comprovar a existência do pagamento indevido; 2) No mérito, a câmara baixa destacou a necessidade de retificação de declarações (DCTF e Dacon) para aproveitamento de créditos extemporâneos do PIS e da COFINS; deu ênfase para a importância de que os créditos sejam apurados dentro do período a que se referem (princípio da competência), devido aos diferentes tipos de créditos (créditos vinculados à receita não Fl. 284DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 tributada no mercado interno, créditos vinculados à receita tributada no mercado interno, créditos sobre operações de importação, crédito presumido, créditos vinculados à receita não tributada no mercado externo) que podem ser apurados dentro de um período. De acordo com o colegiado a quo: Exige-se a segregação por períodos de apuração devido ao fato de os créditos, neste regime, serem passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). A dedução, ressarcimento ou compensação de eventuais créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) devem ser precedidos de revisão da apuração - confronto entre créditos e débitos - centrada no período a que pertencerem, se se pretende sejam pleiteados em procedimentos repetitórios/compensatórios delimitados temporal e quantitativamente. Na sequência, o acórdão recorrido discorreu sobre a evolução do conceito de insumo (do conceito físico das INs SRF nº 247/2002 e 404/2004 até o conceito pautado nos critérios da essencialidade ou relevância, trazido na decisão do REsp nº 1.221.170/PR pela a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça), para então concluir que: Em termos práticos, antes de se aferirem os requisitos da essencialidade e relevância do gasto, há que se verificar se o gasto se refere a bem ou serviço efetivamente aplicado ao processo produtivo da empresa. A questão da essencialidade e relevância do gasto para fins de aferição do direito ao crédito é pertinente tão somente para os gastos previstos no inc. II do caput do art. 3º das leis, ou seja, aquisição de bens e serviços “utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. E nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018, em relação a itens utilizados após a finalização do produto para venda, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos existe somente para aqueles exigidos por legislação específica, para que o bem produzido possa ser disponibilizado para venda. Infelizmente, os critérios da essencialidade e relevância erigidos pela jurisprudência pacificada do STJ têm sido suscitados pelos contribuintes e aqui e ali aplicados pelo CARF para aquém ou além do processo produtivo e, muitas vezes, fora das hipóteses do inc. II do art. 3º das leis, procedimento esse que redundará em infindáveis controvérsias em matéria de creditamento das contribuições. Está-se, portanto, em condições de analisar as hipóteses de crédito relacionadas na planilha elabora pelo contribuinte. Nesse passo, constata-se que as depspesas com a compra de refeições e com os serviços de processamento de dados, arte gráfica e de administração de convênios são completamente deslocadas espaço-temporalmente do processo produtivo do contribuinte, de modo que não configuram insumos nos termos do inc. II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Depois de analisar as deduções apresentadas, vislumbra-se que o contribuinte entregou- se à vã tentativa de gerar crédito de pagamento indevido de incerta legitimidade. Assim procurou fazê-lo trazendo para a apuração não-cumulativa das contribuições descontos de crédito caracterizadamente duvidosos. Explica a adoção da providência após avaliar o rumo que tomara a evolução jurisprudencial do conceito de insumo. Entretanto, como já demonstrado, o conceito de insumos consolidado pela jurisprudência do STJ, ao qual se filia a RFB, não contempla as despesas relacionadas. [grifo nosso] Fl. 285DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Dada a decisão pela improcedência do direito creditório, o colegiado a quo entendeu estar prejudicada a questão da correção do crédito com base na taxa Selic. Não satisfeito com a decisão de piso, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 215/240) no qual, preliminarmente, 1) defende ser necessária a reunião e julgamento conjunto deste e de mais de uma centena de outros processos, nos quais ele é parte e que tratam de Pedidos de Restituição de créditos de PIS/COFINS; 2) volta a pugnar pela nulidade do despacho decisório. No mérito, 3) defende a legalidade do procedimento por ele adotado e a desnecessidade de retificação das declarações e, por fim, 4) assevera a essencialidade dos créditos de insumos e a presença de documentos suficientes para análise do crédito. Por ocasião da interposição do recurso, o contribuinte fez a juntada de planilha (fls. 273/279) contendo uma relação de itens que alega serem dispêndios enquadrados no conceito de insumo (a mesma já apresentada na manifestação de inconformidade – fls. 33/39), além de cópia de seu estatuto social (fls. 246/261). Recebido o recurso, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Posto isso, passo à análise das razões de recurso sob os títulos e na sequência em que elas aparecem na peça recursal. 3. Das preliminares Antes de adentrar ao mérito, passo à análise das questões preliminares apresentadas: Fl. 286DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 3.1. Da necessidade de reunião desses autos com os processos relacionados para julgamento conjunto A Recorrente inicia suas razões de recurso, pugnando pela reunião e o julgamento em conjunto de 110 processos cujos números encontram-se elencados em sua peça recursal (fls. 220/221). Assevera que tal medida se faz necessária para evitar a prolação de decisões díspares em processos que tratam de uma mesma questão de mérito (a existência dos créditos pleiteados), e que isso representaria uma economia processual, já que, em suas palavras, “solucionando-se um, automaticamente dar-se-á solução ao outro” (fls. 219). Para respaldar seu argumento, cita o art. 6º do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (antigo RICARF) 1 , que trata da possibilidade da vinculação de processos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, reproduz a ementa do acórdão nº 1402-002.825, por meio do qual decidiu-se pela necessidade da reunião de um processo em que se discutia o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, em virtude da constatação da distribuição disfarçada de lucros (DDL), com outro processo referente a multa isolada por ausência de pagamento de estimativa de CSLL, decorrente da constatação da DDL. Por fim, menciona ainda o art. 55, § 1º, do CPC e a aplicação subsidiária deste ao processo administrativo; neste ponto cita o voto vencedor no acórdão nº 9303-003.834 da 3ª Turma da CSRF. Exposto o argumento, cumpre, primeiramente, destacar que dos processos citados pela Recorrente, nove (incluindo este) tiveram os recursos voluntários distribuídos à minha relatoria 2 . Observo que entre eles, conquanto o assunto em comum (créditos de PIS/COFINS sobre insumos que não teriam sido considerados quando da apuração e recolhimento dessas contribuições pelo regime da não-cumulatividade, o que teria acarretado pagamento a maior), não há uma relação de prejudicialidade. Os custos/despesas, que segundo a Recorrente constituiriam insumos, não são exatamente do mesmo tipo em todos os processos, o que necessariamente não levaria a uma decisão única a ser replicada indistintamente para todos eles. Ademais em alguns desses processos os custos/despesas (os alegados insumos) estão circunscritos ao período a que se refere o pedido de restituição enquanto que em outros foram indicados créditos decorrentes de dispêndios contabilizados em períodos anteriores (créditos extemporâneos), o que demanda uma abordagem diferenciada. Também não se trata de um único procedimento fiscal, já que para cada processo foi emitido um despacho decisório autônomo. Além disso, por se tratar de períodos de apuração distintos, também não há que se falar na ligação de tais processos pelos mesmos elementos de prova, já que, embora os tipos de dispêndios possam se repetir, a comprovação demanda a documentação inerente ao período a que se referem. Inclusive o próprio precedente deste Conselho citado na peça recursal (acórdão nº 1402-002.825) corrobora tais conclusões. Nele decidiu-se pela reunião e julgamento em conjunto de processos nos quais se discutia a exigência de tributos e a aplicação de multa em decorrência 1 Equivalmente ao art. 47 do anexo da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, que aprovou o Regimento Interno em vigência atualmente. 2 10380.909203/2015-84; 10380.909204/2015-29; 10380.909205/2015-73; 10380.909206/2015-18; 10380.909207/2015-62; 10380.909208/2015-15; 10380.909781/2015-11; 10380.909782/2015-65; 10380.910333/2014-89 Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 de um mesmo fato apurado pela fiscalização. Assim, naquele caso, a reunião dos autos era medida que se mostrava acertada. Por outro lado, pelos motivos já destacados, entendendo que, em relação aos processos da Recorrente, não exista a necessidade ou mesmo a viabilidade de reunião e julgamento em conjunto 3 , nos termos do art. 47 do anexo da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Por fim, acerca da aplicação das disposições do CPC ao tema, como a própria recorrente indica, o código processual civil é de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Havendo regra específica no RICARF, não há porque se utilizar da regra subsidiária. A propósito, a decisão citada pela Recorrente, trata especificamente da aplicação subsidiária do CPC para o conhecimento de ofício, também em âmbito de processo administrativo, das matérias que o Código estabelece como sendo de ordem pública; posição com a qual comungo, mas que não tem relação com o assunto aqui tratado. Posto isso, voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 3.2. Da nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e análise meritória Como segunda questão preliminar, a Recorrente reclama a nulidade do despacho decisório. Alega, em síntese, que a verificação do direito creditório não teria sido realizada com o aprofundamento necessário; que a autoridade administrativa deveria lançar mão de outros expedientes para se averiguar a existência do crédito, e não só a confrontação entre valor recolhido e valor declarado,. Diz que “anexou uma extensa planilha com as diversas contas contábeis que geraram o direito ao crédito, uma vez que estão diretamente atreladas ao seu processo produtivo” (fls. 224). Cita trecho de voto da lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan 4 , proferido no bojo do acórdão nº 3401-003.943, no qual ele trata de decisões proferidas em despachos decisórios eletrônicos e da atividade probatória superveniente (em âmbito de processo administrativo fiscal). Pede, ao fim, o cancelamento do despacho decisório. Sem razão a Recorrente. Compulsando os autos, mais especificamente o PER nº 10026.96825.230415.1.2.04-1358 (fls. 02/04) e o despacho decisório (fls. 05), constato que a decisão da unidade origem em nada destoa daquilo que se espera neste tipo de pedido. Embora a Recorrente reclame que seu direito decorre da apuração de créditos sobre dispêndios com insumos, não é isso que as informações indicadas no PER apontam. Em verdade, essa origem de 3 Parte dos processos dos quais a Recorrente reclama a reunião já foram obejto de julgamento por outras turmas desse conselho, por exemplo: PA nº 10380.909184/2015-96 (acórdão nº 3002-002.582); PA nº 10380.909185/2015- 31 (acórdão nº 3002-002.644); PA nº 10380.909188/2015-74 (acórdão nº 3002-002.583); PA nº 10380.909193/2015-87 (acórdão nº 3002-002.606); PA nº 10380.909201/2015-95 (acórdão nº 3002-002.640); PA nº 10380.905741/2018-42 (acórdão nº 3201-003.046); PA nº 10380.905742/2018-97 (acórdão nº 3201-003.045). 4 No recurso voluntário, a Recorrente alega tratar-se de um entendimento da Ilma. Conselheira Maria Cristina Sifuentes. Ao que tudo indica, trata-se de um lapso, já que na consulta pública das decisões deste Conselho, vê-se que o trecho reproduzido no Recurso Voluntário é do voto do nobre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que atuou como relator do acórdão nº 3401-003.943. https://acordaoscarf.carfdata.economia.gov.br/carf/pdfs/processados2/13603905784201269_5750193.pdf Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 crédito só veio a ser informada em momento posterior, já no âmbito da manifestação de inconformidade. Em PERDCOMPs que veiculam direitos creditórios decorrentes da não cumulatividade do PIS e da COFINS, há indicação do tipo de crédito, do período e do valor mensal dos créditos. Nesses casos, também é feita uma apuração pelo Sistema de Controle de Créditos e, eventualmente, caso seja necessário, a fiscalização aprofunda a análise, solicitando alguma informação adicional ao contribuinte. Porém, reforço, que esse não é o tipo de pedido contido no PER nº 10026.96825.230415.1.2.04-1358. Já em se tratando de pedido cuja origem do crédito informado é o pagamento indevido ou a maior, o procedimento aplicado (e que se observa nos inúmeros casos em que há Recurso para este Conselho) é justamente o adotado no despacho decisório contestado, ou seja, é feita a identificação do pagamento informado no PER, a verificação da utilização deste e a apuração da existência de eventual crédito. Em vários casos, o Sistema de Controle de Crédito (SCC) identifica a existência da diferença entre pagamento e débito declarado e defere o crédito. Nesses, não há maior controvérsia e a análise se encerra com a decisão formalizada pelo despacho decisório. Em outros, valendo-se exatamente do mesmo procedimento, o sistema não constata a existência do crédito, pois o pagamento informado como sendo a maior já se encontra inteiramente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Em geral, porque o contribuinte declarou o débito em DCTF, efetuou o pagamento, percebeu alguma incongruência em sua apuração que acarretou recolhimento a maior, encaminhou o PERDCOMP, mas não retificou a declaração de débito. Aqui convém destacar um trecho do voto do Ilmo. Conselheiro Rosaldo Trevisan no acórdão citado logo acima: No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornando-o diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). (grifo nosso) Vê-se que essa brilhante exposição do funcionamento do procedimento de análise dos pedidos de direito creditório apenas corrobora o que fora dito até aqui. Aliás, ouso dizer, com a devida vênia que o entendimento do nobre Conselheiro merece, que, se a análise do pedido da Recorrente fosse manual, não seria provável mas sim possível que o erro (ausência de retificação da DCTF) fosse identificado, já que, diante da identidade de valores (ausência do Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 crédito), a autoridade fiscal poderia cogitar a existência de um erro na declaração, mas não teria como ter certeza disso. Necessário destacar que, no caso em análise, como a própria Recorrente salienta em sua manifestação de inconformidade (fls. 11), a unidade de origem da RFB chegou a expedir um demonstrativo de análise preliminar do direto creditório (fls. 28), na qual indicou que o valor do DARF apontado como sendo um pagamento indevido ou maior estava inteiramente alocado a débito declarado e salientou a oportunidade que o contribuinte tinha para realizar retificações de suas declarações ou do próprio PER, conforme o caso. Em resposta, a Recorrente prestou as seguintes informações (fls. 30): Entretanto, diante da solicitação enviada pela Autoridade Administrativa, a ora Manifestante efetuou uma severa análise em suas escriturações/declarações contábeis, não compreendendo a necessidade de correções em sua escrita, pois que entende que os créditos lá declarados decorrem de Lei e são absolutamente passíveis da restituição pretendida. [...] Os créditos que deixaram de ser aproveitados referem-se a insumos que fazem parte do processo produtivo da empresa ou contribuem para sua geração de receita, observando- se as novas interpretações e conceitos admitidos pela Administração Tributária para este tema, em especial o CARF [...] (grifo nosso) Ora, se no PER há a indicação de que o crédito é oriundo de um pagamento maior do que o devido, mas quando se analisa a disponibilidade de tal pagamento constata-se que ele encontra-se inteiramente alocado a débito declarado pela Recorrente, resta no mínimo contraditória a afirmação de que não havia necessidade de correção das declarações, para que essas passassem evidenciar o crédito. Se os valores declarados e pagos são iguais e não se vê a necessidade de retificação das declarações, pois estão corretas, não haveria que se cogitar então da existência de um indébito (pagamento indevido ou a maior). Nesse contexto, não cabe acusar de ser imotivado o despacho decisório que, no confronto das informações prestadas pelo próprio contribuinte, não identificou um pagamento indevido. Sua motivação não só é expressa, como também coerente, a considerar o tipo de crédito indicado no PER. Vejamos: 3-FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 6.829,53 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, nao restando crédito disponível para restituição. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 28/02/2011 6912 282.412,22 25/03/2011 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 5587660832 282.412,22 PD: 33649.42641.240611.1.3.04- 2328 35.691,94 Db: cód 6912 PA 28/02/2011 246.720,28 VALOR TOTAL 282.412,22 Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Ademais, não vislumbro que tal ato tenha incorrido em nulidade, nos termo do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, visto ter sido proferido por autoridade competente e não ter havido cerceamento ao direito de defesa. Aqui vale destacar mais um trecho do voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan, em que ele trata do momento no qual o contribuinte é chamado a esclarecer eventuais divergências apuradas no despacho decisório, in verbis: Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). (grifo nosso) No caso concreto, o Contribuinte foi intimado de uma análise preliminar e depois teve ciência da decisão acerca do PER, tendo a oportunidade de se manifestar nas duas instâncias do processo administrativo. Logo, não há que se falar também em cerceamento ao direito de defesa. Posto isso, voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 4. Do Mérito Superadas as questões preliminares, passemos às de mérito. 4.1. Da legalidade do procedimento adotado e desnecessidade de retificação da DCTF No tópico IV.1 da peça recursal (que carrega o título acima), a Recorrente, em essência, defende a desnecessidade da retificação de suas declarações para que o direito creditório que diz possuir seja reconhecido. Sua tese é a de que a legislação permite que o crédito não apropriado no período estipulado em lei pode ser aproveitado em período de apuração posterior (crédito extemporâneo), desde que respeitado o prazo de 5 anos, sem a necessidade de retificação de demonstrativos e declarações (DACON e DCTF) para tanto. Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Acredito que, primeiramente, é preciso delimitar bem a discussão; créditos extemporâneos, pela acepção técnica do conceito, é “aquele cujo período de apuração ou competência do crédito se refere a período anterior ao da escrituração atual, mas que somente agora está sendo registrado”. A respeito da apuração e registro dos créditos extemporâneos do PIS, o Guia Prático da EFD Contribuições 5 esclarece o seguinte: Registro 1101: Apuração de Crédito Extemporâneo - Documentos e Operações de Períodos Anteriores – PIS/Pasep Crédito extemporâneo é aquele cujo período de apuração ou competência do crédito se refere a período anterior ao da escrituração atual, mas que somente agora está sendo registrado. O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através deste registro. Este registro deverá ser utilizado para detalhar as informações prestadas no campo 07 do registro pai 1100. (grifo nosso) Necessário ressaltar que na jurisprudência deste Conselho identificamos duas correntes conflitantes, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, quanto aos requisitos que o contribuinte precisa cumprir para o aproveitamento desses créditos. Uma delas é a que entende ser indispensável a retificação de DACON e DCTF para a demonstração e aproveitamento de créditos extemporâneos (v.g. acórdãos 9303-010.080; 9303-011.300 e 9303- 013.263). A outra encampa uma posição oposta e entende pela desnecessidade da retificação dos demonstrativos para que os créditos de períodos anteriores sejam aproveitados (v.g. 9303- 012.977, 9303006.248 e 9303-009.893). Saliente-se que, mesmo para a corrente que admite a desnecessidade de retificação das declarações, o reconhecimento do crédito extemporâneo depende da comprovação de que o contribuinte que não utilizou o crédito em períodos anteriores e, é claro, que o direito creditório existe. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não- cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. (Acórdão 9303-008.635, de 15 de maio de 2019, da 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS, Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos) (grifo nosso) 5 Guia Prático da EFD Contribuições – Versão 1.35. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/5836 Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Devo dizer que filio-me à parcela daqueles que julgam ser necessária a retificação de declarações e demonstrativos dos períodos envolvidos, para se evidenciar tais créditos. Não obstante, no caso específico desses autos, entendo que a discussão não envolve exatamente o registro e o aproveitamento de créditos extemporâneos. Não se trata de um crédito referente a um período anterior e que foi informado na escrita fiscal de outro posterior. O que se tem é um pedido de restituição em razão de um pagamento que teria sido realizado a maior, pois alguns custos/despesas, que a Recorrente alega serem insumos e que foram contabilizados no próprio período de apuração (em 02/2011, segundo as informações contidas na planilha às fls. 33/39), não teriam sido considerados na apuração do crédito da não- cumulatividade da contribuição. É óbvio que se considerarmos que os pedidos de restituição são sempre feitos em momento posterior ao pagamento e após transcorrido o período em que ocorreu a apuração do tributo, o crédito solicitado será sempre “extemporâneo”. Mas acredito que esse não é melhor raciocínio. Como se viu, o crédito extemporâneo tem uma conceituação própria e um modo particular de apropriação (crédito extemporâneo é aquele cujo período de apuração ou competência do crédito se refere a período anterior ao da escrituração atual, mas que somente agora está sendo registrado), acerca do qual existe toda uma controvérsia jurisprudencial no âmbito deste Conselho, inclusive com uma corrente que entende que a retificação das declarações é condição sine qua non para o aproveitamento do crédito. Entretanto, neste processo estamos diante de uma situação mais simples, que é a apuração, a declaração e o pagamento de um tributo (tudo isso circunscrito a um único período apuração) em valor que o contribuinte alega ser maior que o devido, o que teria gerado um indébito, o qual não foi reconhecido em um primeiro momento na análise eletrônica do PER nº 10026.96825.230415.1.2.04-1358 (fls. 02/04), pois o valor pago é igual ao declarado em DCTF, ou seja, o contribuinte alega que o valor pago é maior do que o devido, mas não retificou a declaração do período correspondente para informar o valor correto. Este é um tipo de caso bastante comum e que, frequentemente, é objeto de deliberação pelas turmas do CARF. Como tenho consignado em votos anteriores, entendo que a ausência de retificação da DCTF (para esses casos) não é entrave intransponível para o reconhecimento do direito creditório, desde que o contribuinte faça prova do direito alegado. Esse é o entendimento tanto da administração tributária federal, que o registra no item 22, “e”, do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, quanto de reiteradas decisões deste Conselho, das quais podemos citar dois exemplos recentes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 18/01/2011 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DESDE QUE SE FAÇA POSSÍVEL A PROVA POR OUTROS MEIOS. APRESENTAÇÃO DE LIVRO RAZÃO. PROVA INSUFICIENTE. A ausência de retificação da DCTF não pode servir de óbice à análise do direito creditório se este encontrar-se devidamente lastreado em outros meios de prova hábeis e suficientes. a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o Fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação e o descumprimento de uma obrigação acessória não pode ensejar, como penalidade, a Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 perda do crédito. No caso, o livro razão é insuficiente para comprovar inequivocamente a liquidez e certeza do direito creditório pretendido pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito, que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão 1002-001.908, de 14 de janeiro de 2021, da 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária, Relator: Marcelo Jose Luz de Macedo) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO POR OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. A ausência de retificação da DCTF, de modo a evidenciar direito creditório relacionado a pagamento a maior que o devido, não pode se constituir em óbice intransponível à restituição/compensação do referido crédito, quando haja a efetiva comprovação da existência deste, por meio de documentos hábeis e idôneos. (Acórdão 1302-006.259, de 20 de outubro de 2022, da 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo) [grifo nosso] Portanto, vê-se que a retificação da declaração para a comprovação de um indébito não constitui um impeditivo absoluto ao reconhecimento do direito, mas é inegável que acresce a necessidade de que o contribuinte supere, por meio da apresentação de provas, a confissão que ele mesmo prestou e não modificou pela via adequada da retificação. É nesse ponto que entramos na análise do segundo tópico da peça recursal a ser tratado no presente item deste voto (IV.2 – Da essencialidade dos créditos de insumos e a presença de documentos suficientes para análise do crédito). Antes, porém, entendendo ser necessário traçar breves considerações sobre o conceito de insumo e sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal. 4.2. Do conceito de insumo O Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, que trata das repercussões do julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR no âmbito da Secretaria da Receita Federal, já em sua ementa, apresenta as seguintes considerações acerca do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Nota-se que a decisão do STJ trouxe uma concepção intermediária quanto à abrangência do termo insumo, que fica entre a estabelecida pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializado (muito mais restritiva) e a prevista na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (bastante abrangente). Para fins de apuração do IPI, o conceito de insumo está intimamente relacionado àquilo que integra o produto novo fabricado ou que é consumido, por ação direta, no processo de industrialização deste (art. 226, I, do Decreto nº 7.212/2010). Já a legislação do IRPJ adota o chamado custo de produção de bens ou serviços vendidos, que engloba relação bem mais elástica de custos e encargos dedutíveis da receita bruta (art. 290 e seguintes do Decreto nº 3.000/99 e art. 302 e seguintes do DECRETO Nº 9.580/2018). Pela tese firmada pelo STJ, nos termos do voto da Ministra Regina Helena Costa, insumo, para fins de apuração das Contribuições para o PIS e COFINS, pela sistemática não cumulativa, é todo item (bem ou serviço) cuja subtração obstaria a atividade empresarial ou implicaria em perda sensível da qualidade do produto ou serviço (critérios da essencialidade) ou, ainda, que por imposição legal ou pela particularidade de determinada cadeia produtiva não possa ser dissociado do processo produtivo (critério da relevância). Em suma, somente podem ser considerados insumos geradores de crédito na apuração não cumulativa do PIS e COFINS, itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades, ou seja, deve estar comprovado que este item integra o processo de produção da pessoa jurídica. Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Trazendo tais conceitos para a prática, significa dizer que mesmo itens que não são diretamente empregados aos bens e serviços podem gerar créditos. Não se pode olvidar, contudo, que quanto mais remota for a relação do item com o produto ou serviço maior será a necessidade de traçar sua relação, ainda que indireta, com a produção. 4.3. Do ônus da prova Conforme já destacado acima, entendo que, conquanto no caso concreto não tenha havido a retificação da DCTF e DACON para evidenciar a existência do alegado pagamento indevido ou maior, é possível o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente desde que haja provas idôneas no processo da existência de tal direito. Evidentemente que o ônus probatório nesse caso é do contribuinte, que é quem alega a existência do direito. Nesse ponto, não se pode olvidar das normas contidas no art. 373, I, do Código de Processo Civil e no art. 28 do Decreto nº 7.574/2011, que incumbem àquele que alega ter um direito o ônus de comprová-lo. Vale dizer que a partir do momento em que a verificação do direito creditório escala do cotejo de informações declaradas e disponíveis no âmbito dos sistemas da Receita Federal para uma lide em torno da existência ou não do direito creditório pleiteado, passam a valer as regras do processo administrativo fiscal, entre elas, a necessidade documentos que comprovem a liquidez e a certeza do direito alegado. Embasam esse entendimento, as normas contidas no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, nos arts. 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 170 do CTN, in verbis: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifo nosso) Feitas essas considerações, passemos à análise da comprovação do direito creditório. 4.4. Da essencialidade dos créditos de insumos e a presença de documentos suficientes para análise do crédito Nesse tópico, a Recorrente passa a discorrer sobre a existência do crédito e de documentação necessária à sua comprovação. Nesse sentido: 1) diz que na apuração do PIS no período de 02/2011, deixou de considerar créditos a que faz jus, o que levou a um recolhimento a maior da contribuição. Diz que o balancete e o DACON do mês fazem prova a seu favor de que o crédito em questão não foi utilizado; 2) assevera que esses créditos referem-se a insumos que fazem parte do seu processo produtivo (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002) e traça considerações sobre o regime de apuração não cumulativa, em especial quanto a sua finalidade (não onerar as cadeias produtivas); 3) na sequência, aborda o conceito de insumo do art. 3º, inciso II. Destaca que “independente do conceito adotado de insumos, somente será considerado como tal se este custo/despesa for essencial à realização da atividade fim da empresa” (fls. 236); cita a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR e volta a contestar o procedimento adotado para verificação do direito creditório pela unidade de origem, “uma vez que a análise creditícia foi realizada de forma genérica e mecânica, sem o devido cotejo com o processo produtivo da empresa” (fls. 238); Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 4) afirma que “o princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados, não se limitando às provas produzidas pelas partes, nem se restringindo às suas alegações, de modo a se evitar a tributação de situações que não configurem fato gerador da obrigação tributária” (fls. 238); 5) Por fim, observa que “caso se entenda pela insuficiência de provas, em homenagem ao princípio da verdade material e razoabilidade, devem ser os autos baixados em diligência para que sejam comprovadas as alegações apresentadas pela RECORRENTE. Caso contrário, os créditos devem ser analisados em sua inteireza, onde se constatará sua intrínseca relação com o processo produtivo da RECORRENTE, configurando tais créditos em insumos, passíveis de serem deduzidos na sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS, nos termos das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03” (fls. 239). Sem razão a Recorrente. Em se tratando de direito creditório decorrente da aquisição de insumos aplicados no processo produtivo, duas comprovações são necessárias: 1) a primeira é a comprovação do custo/despesa, por meio da apresentação das notas fiscais correspondentes e da escrita contábil que demonstrem o registro desses dispêndios; 2) a segunda, é a de que esses custos/despesas enquadram-se no conceito de insumo. Para esta, incumbia à Recorrente a apresentação de um descritivo detalhado de sua atividade empresarial, demonstrando a essencialidade ou relevância de cada um dos bens e serviços arrolados na planilha para o processo de produção de bens ou de prestação de serviços por ela desenvolvidos (inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). No entanto, em relação à comprovação dos custo/despesas, apenas cinco notas fiscais foram apresentadas (fls. 162/166) e apesar de na planilha haver menção às contas contábeis nas quais esses itens teriam sido registrados, não constam nos autos excertos da escrita contábil para confirmar essa informação. Quanto à comprovação de que os custos/despesas enquadram-se no conceito de insumo, seria necessário, como destacado acima, um descritivo detalhado da atividade empresarial da Recorrente, o que não é suprido apenas com a apresentação do estatuto social (fls. 49/66 e 246/261), a transcrição de seu objeto social no recurso voluntário (industrialização e o comércio de calçados e artigos de vestuário) e a alegação de que esses dispêndios são necessários para a manutenção da Recorrente no competitivo nicho de mercado em que se encontra inserida (fls. 229). Além disso, analisando os dispêndios listados na indigitada planilha, constatei que a maior parte deles refere-se a despesas com gêneros alimentícios, propaganda, comunicação visual, vale refeição, vale transporte, montagem e instalação do show-room, pesquisa de mercado, estacionamento, telecomunicações, entre outras, ou seja, trata-se de itens que não são inequivocamente classificáveis como insumo para produção dos bens compreendidos no objeto social da Recorrente, o que acresce a necessidade da demonstração detalhada da pretensa essencialidade ou relevância desses itens para o processo produtivo. Fato é que essa comprovação dependia eminentemente da apresentação de prova documental, a qual, se não apresentada por ocasião da manifestação de inconformidade, poderia sê-lo, excepcionalmente, quando da interposição do Recurso Voluntário, conforme entendimento Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 que tem se consolidado neste Conselho, para os casos em que o indeferimento do direito pela unidade de origem ocorre por despacho decisório eletrônico. Ocorre que, nas duas oportunidades de comprovar o direito, a Recorrente restringiu-se a apresentar planilha contendo relação dos alegados insumos, sem o suporte documental adequado (notas fiscais e registros contábeis) e sem comprovação da satisfação dos critérios de essencialidade ou relevância. Posto isso, julgo ser inapropriada a conversão do julgamento em diligência. Tal providência seria imperiosa, caso, a despeito da apresentação de acervo probatório adequado, restasse alguma dúvida quanto à liquidez do crédito. Tratando-se de ausência de prova essencial para a confirmação do crédito, é caso de se negar provimento ao recurso e não de converter o julgamento em diligência, conforme se conclui da interpretação sistemática do disposto nos arts. 15, 16, IV e 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Também não há que falar em violação do princípio da verdade material, já que a própria Recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar seu direito. A busca pela verdade material é uma construção coletiva, cabendo à parte apresentar provas do direito alegado por meio de documentação hábil (escrituração contábil e fiscal, amparada pelos respectivos documentos que lhe dão suporte) e ao julgador avançar a partir dessas provas na busca de uma solução analítica e correta. Assim, não cabe ao julgador, a pretexto de estar perseguindo a verdade material, substituir a necessária ação probatória do contribuinte. Posto isso, não comprovada a ocorrência do pagamento indevido ou a maior alegado no PER, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as questões preliminares, que suscitam a necessidade da reunião de processos para julgamento conjunto e a nulidade do despacho decisório, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3001-002.621 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909782/2015-65 Fl. 300DF CARF MF Original
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