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Numero do processo: 10920.003162/2002-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/11/2002 a 10/12/2002
Ementa: IPI. CRÉDITO-PRÊMIO (ART. 1º DO DL Nº 461/69). CESSÃO DE DIREITOS DE AÇÃO JUDICIAL ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação é forma de extinção do crédito tributário e, como tal, submete-se à interpretação estrita. Os créditos e débitos compensáveis são do próprio contribuinte ou responsável em face da Fazenda, inexistindo autorização legal para que a parte compense seus débitos com créditos de terceiro, à luz da redação escrita dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei nº 10.637/2002.
DÉBITOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS ILÍQUIDOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS.
Embora a decisão judicial transitada em julgado, que declare ser compensável determinado crédito, sirva de título para a compensação no âmbito do lançamento por homologação, esta última somente se efetiva após a determinação do crédito, inexistindo possibilidade de efetuar a compensação na via administrativa de crédito que ainda está sendo apurado e liquidado na via judicial. Enquanto não apurado definitivamente apurado o direito creditório na via eleita (administrativa ou judicial), não se homologa a decorrente compensação, somente autorizada quando o crédito do contribuinte contra a Fazenda for líquido, certo e determinado em sua quantia, obviamente só apurável após o trânsito em julgado, através da liquidação
da decisão, que estabeleça com exatidão, a liquidez e certeza do indébito tributário compensando.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80546
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
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Sa2e 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 PRIMEIRA CÂMARA')--, Processo n° 10920.003162/2002-41 Recurso n° 138.690 Voluntário Matéria IPI conselho deMF-Segunrno Tetificial dalit R I Acórdão n° 201-80.546 de ubln_t Rumes A Sessão de 17 de agosto de 2007 Recorrente CIA. INDUSTRIAL H. CARLOS SCHNEIDER Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/11/2002 a 10/12/2002 Ementa: IPI. CRÉDITO-PRÊMIO (ART. 1 2 DO DL N2 461/69). CESSÃO DE DIREITOS DE AÇÃO JUDICIAL ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação é forma de extinção do crédito tributário e, como tal, submete-se à interpretação estrita. Os créditos e débitos compensáveis são do próprio contribuinte ou responsável em face da Fazenda, inexistindo autorização legal para que a parte compense seus débitos com créditos de terceiro, à luz da redação escrita dos arts. 73 e 74 da Lei n2 9.430/96, alterada pela Lei n2 10.637/2002. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS ILÍQUIDOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. .• Embora a decisão judicial transitada em julgado, que declare ser compensável determinado crédito, sirva de título para a compensação no âmbito do lançamento por homologação, esta última somente se efetiva após a determinação do crédito, inexistindo possibilidade de efetuar a compensação na via administrativa de crédito que • ainda está sendo apurado e liquidado na via judicial. Enquanto não apurado definitivamente apurado o direito creditório na via eleita (administrativa ou judicial), não se homologa a decorrente compensação, somente autorizada quando o crédito do contribuinte contra a Fazenda for líquido, certo e determinado em sua quantia, obviamente só apurável após o trânsito em julgado, através da liquidação Processo n.° 10920.003162/2002-41 ME . SEGUNCODNOFC0ERENSE:m CCO2/C01 Ac6rdâo n.° 201-80.546 OODOERCIGTRAL3UINTE- S Brasília, J 0-1.22°— Fls. 177 SilviSArbosa Mat.: ibEe 91745 da decisão, que estabeleça com exatidão, a liquidez e certeza do indébito tributário compensando. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o Relator pelas conclusões. » 1." OIVO,COU:cit, CO.Aar 8SE A MARIA COELHO MARQUES Presidente \ti/In/CM/Ida 1146i4K FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator , • .4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Antônio Ricardo Accioly Campos. • Processo n.° 10920.003162/2002-41 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C0 1iAL Acórdão n.° 201-80.546 CONFERE COMO ORIGI Fls. 178 Brasilia, j 1. / SQ____t 210 Silvto‘arbra Met Sepe 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 129/144) contra o v. Acórdão n 2 14-14.572, de 21/12/2006, constante de fls. 121/127, intimado por via postal em 30/01/2007 e exarado pela 22 Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP, que, por maioria de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 60/74, deixando de homologar a Declaração de Compensação constante de fl. 01, formulado em 06/12/2002 e indeferido por Despacho Decisório da Seort/DRF/Joinville-SC em 21/07/2003 (fls. 53/57), através do qual a ora recorrente pretendia ver compensados supostos créditos tributários de terceiro contra a Fazenda, relativos a crédito-prêmio de IPI (art. 1 2 do DL n2 461/69), adquiridos da firma Fábrica de Artigos de Couro Ltda. (CNPJ n 2 91.668.830/0001-47; R. Dr. Armando Schilling n2 • 449, Novo Hamburgo - RS), originários de sentença judicial exarada em Ação Declaratória transitada em julgado em 04/06/96 (Processo n 2 89.0013622-4, 1 2 Vara da Justiça Federal de Porto Alegre - RS; Apelação Cível n2 94.04.47321-9-RS, 1 2 Turma do TRF da 42 Região - fls. 04/30), cuja liquidação de sentença foi embargada pela União através dos Embargos à Execução n2 97.0027492-6, julgados procedentes por sentença mantida em sede de Apelação (cf. fls. 45/49 - Apelação Cível n2 2000.04.01.081033-0-RS - 1 2 Turma do TRF da 42 Região em 08/08/2002), com o débito vincendo de IPI com vencimento em 10/12/2002 no valor de R$ 2.806,95 (cf. Declaração de Compensação de E. 01). Por seu turno, a Decisão de fls. 121/127 da 22 Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP, por maioria de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 60/74, deixando de homologar a compensação pleiteada, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI , Período de apuração: 21/11/2002 a 10/12/2002 CRÉDITOS CEDIDOS POR TERCEIRO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É ilegal a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos . cedidos por terceiro. CONTENCIOSO FISCAL. SENTENÇA EM MANDADO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃO PROLATADO POR FORÇA DE ORDEM JUDICIAL. Se em sede de recurso, sem efeito suspensivo, a sentença proferida em mandado de segurança for reformada, o processo administrativo, retomará ao seu status quo ante. Solicitação Indeferida". Nas razões de recurso voluntário (fls. 129/144) oportunamente apresentadas a ora recorrente sustenta a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensado, tendo em vista: a) a desistência definitiva da execução fiscal por parte da ora recorrente; b) a possibilidade de compensação de créditos de terceiro que, a partir da cessão, ki passa a ser o titular de crédito próprio nos termos dos arts. 104, incisos I a III, 107, 286 e 290 l4f 01-1 RAF SEGUNDO CONSEL L10 DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10920.003162/2002-41 CCO2/C01 • Ac6rdâo n.°201-80.546 Brasilia, j 1 1 310 Fls. 179 Silvio egArbosa Mak: Siape 91;r5 do CC, c/c o art. 567, inciso II, do CPC, que seriam aplicáveis ao Direito Tributáfo nos termos do art. 109 do CTN; e c) mesmo admitindo a validade das IN SRF n 2s 41/2000 e 210/2002, a operação efetuada pela requerente não se referiria à compensação de débito próprio com crédito de terceiro, pois houve, anteriormente, uma cessão de direitos, nos termos da legislação civil, assunção do processo judicial mediante substituição de pólo ativo e, finalmente, o uso do crédito judicial próprio na compensação de débitos próprios, mediante Declaração de Compensação entregue à SRE'. V°01/1 É o Relatório. \ • . - - f, Processo n.° 10920.003162/2002-41 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n°201-80.546 CONFERE COM O ORIGINAL Eis 180• Brunia, 44 ,_____40 i 700 Silvio SOrosa Mat.: slape 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 129/144) reúne as condições de admissibilidade, mas, no mérito, não merece provimento, devendo a r. Decisão de fls. 121/127 da 25 Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP ser mantida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. Realmente, não se confundem os objetos da ação judicial de repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) e das formas de sua execução ou liquidação, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei n2 9.430/96), com as atividades administrativas de lançamento tributário, sua revisão e homologação, estas últimas atribuídas privativamente à autoridade administrativa, nos expressos termos dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN. A distinção entre estas atividades legalmente inconfundíveis encontra-se devidamente delineada pela jurisprudência. Embora não se ignore que "transitado em julgado, o acórdão que declare ser o crédito compensável servirá de titulo para a compensação no ámbito do lançamento por homologação" (REsp n2 78.270-MG, Reg. n2 95.56501-3, 22 Turma do STJ - rel. Ministro Ari Pargendler - j. unânime - 28/03/96 - DJU 1 - 29/04/96 - pág. 13.406/07), também não se pode ignorar que "o pagamento ou a compensação, propriamente, enquanto hipóteses de extinção do crédito tributário, só serão reconhecidos por meio da homologação formal do procedimento ou depois de decorrido o prazo legal para a constituição do crédito tributário, ou de diferenças deste (CTN, art. 156, incisos VII e II, respectivamente). O procedimento do lançamento por homologação é de natureza administrativa, não podendo o juiz fazer as vezes desta. Nessa hipótese, está-se diante de uma compensação por homologação da autoridade fazendária. (..). O juiz não pode, nessa atividade, substituir-se à autoridade administrativa." (cf. Acórdão da I R Seção do Egrégio STJ nos Embargos de Divergência no REsp n2 100.523-RS, Reg, n2 97.4646-0, em sessão de 11/07/97, rel. Min Ari Pargendler, publ. in DJU de 30/06/97). • Por outro lado, também já assentou o Egrégio STJ que "só pode haver compensação se o crédito do contribuinte for liquido e certo, isto é, determinado em sua quantia", sendo que "só após esse estado de liquidez e certeza é que o contribuinte pode fazer o lançamento, efetuando a operação de compensação, sujeita a homologação pelo Fisco", ou seja, "a liquidez e certeza só podem ser apuradas mediante operação que demanda provas e contas" (cf. Acórdão da 1R Turma do STJ no REsp n2 100.523, Reg. n2 96/0042745-3, em sessão de 07/11/96, rel. MM. José Delgado, publ. in DJU de 09/12/96), obviamente só apuráveis após o trânsito em julgado, através da liquidação da sentença que reconhece o direito à repetição do indébito tributário. No caso concreto, verifica-se que a recorrente sequer teve a liquidez e certeza do, • valor de seu crédito definitivamente fixado na via eleita (judicial), eis que, consoante informação do andamento do processo judicial, embora os supostos créditos compensandos fossem originários de sentença judicial exarada em Ação Declaratória transitada em julgado em 04/06/96 (Processo n2 89.0013622-4, 1-t Vara da Justiça Federal de Porto Alegre - RS; Apelação Cível n2 94.04.47321-9-RS, I R Turma do TRF da 41 Região - fls. 04/30), há notícia de que a liquidação da referida sentença foi embargada pela União através dos Embargos à Execução n2 97.0027492-6, julgados procedentes por sentença mantida em sede de Apelação (cf. fls. 45/49 - Apelação Cível n2 2000.04.01.081033-0-RS - 1! Turma do TRF da 4 2 Região em 08/08/2002), ainda que posteriormente anulada esta última decisão, o que, por si só, já • SEGUMX) CONSELHO DE OMERIBUINTES CONFEZE Ca..i O ORIGNAL Processo n.° 10920.003162/2002-41 CCO2/C0 I Acórdão n.°201-8O.546 efesilla, Fis. 181 Sãvlo hrbose Mat.: Sape 91745 desautorizava a homologação de compensação do suposto crédito ainda ilíquido contra a Fazenda, pois a jurisprudência desta Colenda Câmara já assentou que inexiste possibilidade de efetuar a compensação na via administrativa de crédito que está sendo apurado e liquidado na via judicial (cf. Acórdão n2 201-77.919, da 1 2 Câmara do 22 CC, em sessão de 19/10/2004, Recurso n2 119.203, rel. Antonio Carlos Atulim). Se não bastasse, irretocável a fundamentação da r. decisão recorrida quando reitera a impossibilidade de compensação com créditos adquiridos de terceiros, tal como já proclamou a jurisprudência do Egrégio STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPL 1NSUMOS E MATÉRIAS- PRIMAS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALIQUOTA ZERO. DIREITO AO CREDITA MENTO. COMPENSAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. NORMA NÃO ALCANÇADA PELA EXPRESSÃO 'LEI FEDERAL' CONSTANTE DO ART. 105,111. DA CF/I988. ARTIGO 170-A, DO C77V. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. •5. Os créditos e débitos compensáveis são do próprio contribuinte ou responsável em face da Fazenda. 6. Inexiste autorização legal para que a parte compense seus débitos com créditos de terceiro, à luz da redação escrita dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96, alterada pela Lei 10.637/02. 7.A compensação é forma de extinção do crédito tributário e, como tal, submete-se à interpretação estrita. 8. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido e desprovido o da empresa." (cf. Acórdão da 1 ! Turma do STJ no REsp n9 666.456-PE, Reg. n2 2004/0081878-1, em sessão de 06112/2005, rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 13/02/2006, p:673) Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 72 e 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96 (redação da Lei n2 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 129/144), mantendo integralmente r. Decisão de fls. 1211127 da 2 2 Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de agosto de 2007. \all/t/laM010 °da dr FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA U1/4" Page 1 _0070500.PDF Page 1 _0070700.PDF Page 1 _0070900.PDF Page 1 _0071100.PDF Page 1 _0071300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.011391/2006-61
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE.
PAF - NULIDADES — Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal.
PAF — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — FALTA DE ANÁLISE EXAUSTIVA DOS ARGUMENTOS EXPENDIDOS NAS RAZÕES OFERECIDAS - O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ — Resp 652,422 — (2004/0099087-0).
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Anocalendário:
2003 RECEITAS NÃO DECLARADAS, TRIBUTAÇÃO.
A falta de oferecimento à tributação, na DIN, de parcela das receitas de vendas auferidas pela empresa, apurada através do confronto entre o Livro de ICMS e os valores declarados, configura ilícito passível de lançamento de oficio.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LUCRO PRESUMIDO – MUDANÇA DA OPÇÃO NA FORMA DE TRIBUTAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE. – O § 1º do artigo 13 da Lei 9718/1998 dispõe que a opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo ano calendário. Com isso está revogada a faculdade prevista no artigo 26 § 3º , da Lei 9430/1996 para mudar a opção de lucro presumido para lucro real trimestral ou anual, no ano calendário ou por ocasião da entrega da declaração de rendimentos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA.
Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro fiscal (apuração do ICMS) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%.
MULTA DE OFICIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatário é dirigida ao legislador, e não ao aplicador da lei.
PM — INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL/IRRF/PIS/COFINS — Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino.
Preliminares Afastadas.
Numero da decisão: 1102-000.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e no mérito, por maioria de voto dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos a Relatora e o conselheiro João Otavio Opperman Thomé, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Sergio Gomes.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Recorrida 2a. TURMA DR.I SALVADOR/BA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário; 2003 NULIDADE. PAF - NULIDADES — Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. PAF — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — FALTA DE ANÁLISE EXAUSTIVA DOS ARGUMENTOS EXPENDIDOS NAS RAZÕES OFERECIDAS - O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ — Resp 652,422 — (2004/0099087-0). IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano- calendário: 2003 RECEITAS NÃO DECLARADAS, TRIBUTAÇÃO. A falta de oferecimento à tributação, na DIN, de parcela das receitas de vendas auferidas pela empresa, apurada através do confronto entre o Livro de ICMS e os valores declarados, configura ilícito passível de lançamento de oficio. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LUCRO PRESUMIDO – MUDANÇA DA OPÇÃO NA FORMA DE TRIBUTAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE. – O § 1 0 , do artigo 1,3 da Lei 9718/1998 dispõe que a opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo ano calendário. Com isso está revogada a faculdade prevista no artigo 26 § 3 0 , da Lei 94.30/1996 para mudar a opção de lucro presumido para lucro real trimestral ou anual, no ano calendário ou por ocasião da entrega da declaração de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. 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PM — INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidadeSÚMULA CARF N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a ineonstitueionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES - .CSLL/ IRRF/PIS/COFINS — Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o rfiesITIO destino, Preliminares Afastadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e no mérito, por maioria de voto dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado..Vencidos a Relatora e o conselheiro João Otavio Opperman Thomé, que negavam provimento ao recurso. Designado pata redis' o, voto vencedor o conselheiro José Sergio Gomes, IVTJ. ALI I ;-S--"SSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora kAkUUM», JOSÉ SERGIt GO ES — Redator designado n ymn EDITADO EM: li Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thome, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca e João Carlos Lima .Junior(Vice-Presidente) 2 Processo n" 10580.011391/2006-61 Sl-C1T2 Acórdão n." 1102-00,266 Fl 500 Relatório Trata de exigência consignadas nos lançamentos lavrados para a exigência de crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica , fis.03/07; e reflexos, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, fls,14/20;Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL fis,08/13; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COF1NS, fis,21/27, cujos fatos geradores dizem respeito ao ano calendário de 2003. No Termo de Verificação Fiscal de fis, 28/30 consigna o agente do fisco, como causa de lançar, as divergências identificadas entre a receita de venda de mercadorias do ano-calendário de 2003 declarada pela contribuinte na DIPI 2004 (Ils, 102/136) e a receita informada na Declaração de Apuração Mensal do ICMS – DMA, relativa ao mesmo período, apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia SEFAZ/BA 34),Infonna, também, que a contribuinte apurou o imposto de renda com base no lucro presumido. (Cópia do contrato social e alterações às fls. 37/59 e do Livro de Registro de Apuração de ICMS, 60/96). Ante a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais, foi efetuada a auditoria a partir das informações contidas no Livro de ICMS e nas declarações entregues pela contribuinte à Receita Federal. Tornando como base as receitas informadas no Livro de ICMS e as receitas informadas na DIPJ do ano-calendário de 2003, foi elaborada a planilha denominada Demonstrativo das Receitas Escrituradas e Não Declaradas (fl. ,31), A receita das vendas declaradas ao fisco estadual aponta o montante de R$9.630.340,08, entretanto, a contribuinte declarou às fis, 102/136, a importância de RUO2.722,65. Ante a reiterada omissão no período, há qualificação da multa, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n'9430, de 1996. Ciência do lançamento em 29/12/2006, apresenta, em 26/01/2007, a impugnação de fls. 140/164, acompanhada dos documentos de fls. 165/406, onde, após narrar os fitos, aduz que os valores tomados como base de cálculo não podem prosperar porque, em princípio todas as pessoas jurídicas estão sujeitas ao lucro real, Como a exigência fiscal se baseia em simples ilação, além de não propiciar a concretização do princípio constitucional que garante o contraditório e a ampla defesa, na forma do inciso LV do art, 5 0 da Constituição Federal, o ônus da prova é do fisco, nos termos do artigo 924/925 do RIR/99. Tal premissa confirma-se na doutrina e jurisprudência que apontam no sentido de que as presunções hominis ou facti não se prestam para alicerçar a incidência do IR, da CSLE„ da COF1NS e do PIS. Embora tenha solicitado prazo para a apresentação de sua contabilidade, a autoridade fiscalizadora não lhe concedeu, limitando-se, porém, a utilizar as receitas registradas no Livro de ICMS, como se lucro fossem, 3 Necessário o aprofundamento da ação fiscal, para colheita de elementos probantes que demonstrem se a divergência de informações se refere as suas receitas comerciais, pois, no caso, não houve omissões de receitas. Estas se encontram devidamente lançadas em seus livros fiscais (Registro de Apuração de ICMS RAICMS, Registro de Saídas de Mercadorias — RSM e Registro de Entradas de Mercadorias — REM).0 que de fato ocorreu foi a mudança de opção da tributação (do lucro presumido para o lucro real). Ausente ainda , de acordo com o art. 281 do R1R/1999, a caracterização da omissão no registro de receita pois não ocorreu qualquer das seguintes hipóteses: a) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; b) a falta de escrituração de I pagamentos efetuados; e e) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Ocorreu, de fato, a migração do regime de tributação, do presumido para o real. Destaca ter apresentado o REDARF na SRF, a imputação de omissão de receita não pode prevalecer. Por isto a conduta dolosa não aflora desses fatos, o que obriga o fisco a prová-la„ Mister os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa ou culposa, com nexo entre a participação do agente a configuração do resultado. Incumbência essa intransferivel, com a evidência de não só a materialidade do evento, como também do elemento volitivo que propiciou ao infrator seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente„Utilizar-se do artigo 136 para tal fim não prospera, pois este dispositivo trata de infrações objetivas, Cita decisão do STJ, para quem a "a simples falta de pagamento do tributo" não configure, por si só, nem em tese, situação que acarreta a responsabilidade subsidiária dos sócios. Além do mais os demonstrativo das supostas "omissões de receitas", se baseia exatamente nos dados obtidos dos livros fiscais para alegar a suposta prática de conduta delituosa tipificada como crime, o que, sem sombra de dúvida, fere os mais comezinhos princípios erigidos a dogmas com o atual texto constitucional. Outro erro se dá na utilização da prova emprestada da Secretaria da Fazenda Estadual, sem aprofundamento sobre os elementos de prova da efetiva ocorrência do fato gerador decorrente de ação dolosa. Omissão haveria se deixasse de emitir as notas fiscais, recibo ou documento equivalente no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias ou prestação de serviços, praticadas com vontade deliberada e inequívoca de promover a evasão fiscal, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Essas hipóteses não ocorreram , até porque mantém em ordem e guarda e segundo as normas fiscais os lançamentos nos livros de entradas e de saídas de mercadorias e o registro de apuração de ICMS utilizado para resumir e totalizar essas operações de vendas e aquisições de mercadorias — fato incontroverso Mesmo as aparentas divergências nas informações fiscais junto às Fazendas Públicas (Estadual e Federal), elas, por si só, não caracterizam a conduta tipificada no inciso I do artigo 1 0 da Lei n° 8A37, de 1990, cujos valores das receitas de venda estão devidamente registradas, Inadmissível pretender-se a responsabilidade por ato doloso, na lavratura de auto de infração com acusação de prática de crime de sonegação fiscal com fundamento no artigo art. 136 do Código Tributário Nacional, pois a responsabilidade por infrações tributárias 4 Processo 0" I 0580 01139 I /2006-61 S1-C1T2 Acórdão o.' 1102-00266 H 501 ali referida é objetiva, não se aplicando à espécie, linha na qual expende vasto arrazoado e colaciona jurisprudência. Discorre sobre a responsabilidade solidária e pessoal dos sócios, artigos 134 e 135 cio CTN, para concluir que os dispositivos deixam claro que a configuração da responsabilidade imprescinde não apenas da existência do nexo causal entre o crédito tributário e a conduta do agente, mas, também ação ou omissão culposa ou dolosa. Embora o AFRF se refira à hipotética conduta delituosa, supostamente perpetrada pelo sócio-gerente, não há qualquer prova de crime, porquanto, não poderá defender-se, violando princípios constitucionais e implicando, também por isso, em nulidade formal na constituição do crédito tributário. Ademais, tanto a acusação fiscal quanto a tipificação da multa devem merecer interpretação que se harmonize com os preceitos do Código Tributário Nacional, lembrando, ainda, que a matéria concernente à obrigação tributária está sob reserva de lei complementar (art. 146, III, b da CF e os arts, 124, II, 134 e 135 do Código Tributário Nacional); Reclama do equívoco utilizado nos critérios adotados para quantificar o ilícito utilizam as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas, deduzindo-se apenas as devoluções de vendas, corno se não houvesse despesas operacionais para a obtenção de receita, Não foi considerado seu custo e despesas. Considera improcedente a alegação do autuante de que o sócio-administrador DJALMA DE OLIVEIRA RIOS JÚNIOR, qualificado no Relatório do Auto de Infração, "teve o intuito de dificultar o conhecimento dos fatos geradores do imposto de renda e contribuições, e assim eximir a empresa do pagamento desses tributos", conduta essa que " tificaria o crime de sonegação .fiscal e crime contra a ordem tributária", Permanecer tal conclusão implica em violar as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal (art. 5°„, LIV e LV da Constituição Federal), Discorre sobre os princípios de regência do PAF , para dizê-los feridos neste procedimento fiscal, No mérito discorre sobre "fato gerador" para concluir que o simples descumprimento de um dever instrumental de comunicar à SRF sobre a mudança de critério de opção de tributação (de lucro presumido , para lucro real), não pode ser tomado como transgressão ao tratamento fiscal, com duras penalidades. Repisa os fundamentos da opção preferencial da apuração dos resultados da pessoa jurídica através do Lucro real, como estatuído no Decreto-lei n° 1.598/77, que é matriz do art. 247 do atual RIR, sempre precedida da apuração do lucro liquido, contabilmente apurado, com observância das disposições das leis comerciais. E continua para reclamar que na apuração do "malsinado lançamento fiscal", foram consideradas apenas as receitas declaradas no Livro de Registro de Apuração do ICMS. No tocante à alíquota da COHNS, a exigência se faz com base na aliquota de 3% sobre as receitas, enquanto o STF já decidiu que a mesma é de 2%. Pois o art. 80 e parágrafos da Lei if 9318, de 1998, elevou a aliquota da COFINS para 3%, sendo compensável o montante correspondente a tal aumento percentual de PA com o débito de mesma competência da contribuição social sobre o lucro da pessoa jurídica. 5 Daí é fácil perceber que sofrerão maior e mais pesada °iteração tributária as pessoas jurídicas de menor rentabilidade, porquanto se apurarem prejuízo não terão CSLL a recolheu, ou, se apurarem contribuição a pagar, será ela insuficiente para a efetivação da compensação permitida. Com a Lei n° 9.718, de 1998, a COFINS passou a ser exigida à aliquota de 3%, haja ou não compensação com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido das pessoas jurídicas — CSLL, Tal regime configura-se em uma indissociável interligação entre o aumento da COFINS e a decorrente redução da CSLL, Acarreta evidente afronta aos critérios constitucionalmente estipulados para a repartição, no seio da sociedade brasileira, dos ônus atinentes ao custeio da seguridade social. A Constituição de 1988 é taxativa em afirmar que "compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a _seguridade social, com base nos seguintes objetivos (.) IV - equidade na fbrina de participaçiio no custeio,- V - diversidade da base de financiamento, (art, 194, parágrafo único), Os contribuintes com prejuízo ou lucro menor que 12,5% do correspondente faturamento (considerada a terça parte do recolhido a titulo da COFINS como compensável com o débito da CSLL) passam a arcar com uma carga tributária destinada ao financiamento da seguridade social evidentemente maior que a exigida antes da edição da Lei n° 9:718, de 1998,0 que contraria, notoriamente, a eqüidade disposta no art. 194, parágrafo único, IV, da CF/1988, com inversão cio princípio da capacidade contributiva e afronta ao princípio da isonomia. Aduz o cabimento do princípio de vedação ao confisco cabível tanto quanto a esta exigência quanto em relação às multas aplicadas.. Conclui sua insatisfação na seguinte linha: a)a. Administração Fazendária, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, porque poderá utilizar qualquer dos meios de prova lícitos para comprovar' o fato doloso, sem transferir a sua tarefa para o contribuinte; b) não houve omissão de receitas, pois elas estão devidamente escrituradas nos livros fiscais e contábeis à disposição do Fisco, como comprovou a autoridade lançadora dos tributos, revelando a boa-fé. nas transações normais, sem trapaças, nem abusos, nem desvirtuamentos; c) a lavratura do auto de infração não é suficiente para a instauração de ação penal, notadamente pela ausência de elementos suficientes à caracterização de delito. A consumação dos crimes contra a ordem tributária só pode ser afirmada depois de esgotadas todas as instâncias administrativas de que dispõe o sujeito passivo para discutir a exação, Isto porque o lançamento tributário poderá perfeitamente ser deseonstituido, como na hipótese; d) falta ressaltar que simples alegação de matéria constitucional, evidentemente, não significa qualquer pretensão para que o órgão administrativo julgador declare a inconstitucionalidade de uma lei tributária ou do ato administrativo, apenas esta fundamentação poderá ser objeto de avaliação quanto à extensão da gravidade do ato administrativo impugnado; e) o processo administrativo não atende aos requisitos do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, para a cobrança dos tributos, tampouco para a instauração de ação penal; 6 Processo n" 10580.0 I t 391/2006-61 SI-Cl T2 Acórdão n " 1102-00,266 FI 502 f) à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a perícia necessária nos livros e documentos fiscais. A decisão de Ils,419/437, afasta as preliminares e, no mérito, considera procedente, os lançamentos, cuja a ementa a seguir se reproduz: ASSUNTO.. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário: 2003 NULIDADE O procedimento . fiscal efetuado por servidor competente, no eyercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Arhninistrativo Fiscal, não pode ser considerado nulo. ASSUNTO.' IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA Ano-calendário: 2003 RECEITAS NÃO DECLARADAS. TRIBUTAÇÃO A filha de oferecimento à tributação, na DIP.L de • parcela das receitas de vendas auferidas pela empresa, apurada através do confronto entre o Livro de ICMS e os valores declarados, configura ilícito passível de lançamento de oficio. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO_ A opção pela forma de tributação do imposto de renda com base no lucro presumido é definitiva e se opera com o pagamento rio imposto relativo ao primeiro período trimestral de apuraçcio. MULTA AGRAVADA. INCIDÊNCIA, Omitir da escrituração receitas de vendas, que representam 98% (noventa e oito por cento) da receita total auferida pela empresa constitui uma ação dolosa, com o intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade . frizendária, da ocorrência do , fato gerador da obrigação tributária justificando a imposição da penalidade agravada, de acordo COM a legislação de regência. MULTA DE OFICIO_ PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatário é dirigida ao legislador, e não ao aplicador da lei. INCONSTITUCIONALIDADE Deixa-se de examinar argüições de inconstitucionatidade de dispositivos legais, por tratar-se de matéria da estrita competência do Poder Judiciário. • LANÇAMENTOS DECORRENTES Contribuição para • o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Em se tratando de bases de 7 cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal deve ser observada para os lançamentos decorrentes o que fbi decidido para o matriz, no que couber Lançamento Pi acedente Ciência da decisão em 10/08/2007, fis.451 interpõe o especial em 06/09/2007, fls. 454/472, onde repisa os argumentos oferecidos em sede de impugnação, narra o procedimento fiscal, a decisão e oferece a preliminar de "ANULABILIDADE DO LANÇAMENTO". Embora o julgador afirme o contrário, houve cerceamento do seu direito de defesa ou inversão do ônus de prova, ao argumento de que a autuação partira de informações contraditórias entre as informações junto a SRF e as constantes na SEFAZ do Estado da Bahia e que o prazo suscitado pelo contribuinte careceria de comprovação.. De início, efetivamente acerta o julgador de que não haveria comprovação do pedido de dilação de prazo porque este ocorreu verbalmente, sendo que a legislação admite a prorrogação deste prazo a juízo da autoridade fiscal. O lançamento foi concluído através do confronto entre o Livro de 1CMS e os valores declarados na SRF, embora o Recorrente tenha renunciado ao lucro presumido e optado pelo lucro real. Conforme se verifica nos livros e documentos apresentados, para manter a unidade produtiva teve a Recorrente que efetivar despesas. Contudo os tributos foram calculados com base nos livros contábeis e fiscais escriturados de acordo com os preceitos legais. Ausente, também, a prova de que a suposta divergência de informações a que se refere o Auditor Fiscal de Tributos Federais constitua, de fato, lucro passível de tributação. As receitas de sua operações comerciais, supostamente omitidas, estão representadas pelas vendas de mercadorias devidamente lançadas em seus livro, fiscais e contábeis, cuja apuração decorreu do resultado liquido determinado pelo balanço, ajustado pelas adições, exclusões, compensações determinadas, com observância das normas estabelecidos pela legislação comercial e fiscal. Assim, como qualquer pessoa jurídica está sujeitas ao lucro real, daí que houve por bem mudar a opção da outra forma de tributação permitida. Diz esperar que a instância superior de julgamento decrete a nulidade do procedimento fiscal por violação do princípio da legalidade, do amplo contraditório, e da apuração da verdade material pois não compreendeu o julgador de primeiro grau o principal mandamento para efetuar o lançamento fiscal. A Fiscalização, pois tem de nortear o procedimento de lançamento na obrigatoriedade de identificar todos os elementos componentes dos fatos geradores, da base de cálculo, no sentido de possibilitar a defesa e o amplo contraditório ao contribuinte. Proibido, também ao agente público encarregado do lançamento do tributo, apenas, noticiar o fato gerador em descompasso com o elemento temporal, com a informação de suposta base de cálculo como aconteceu no caso ora rebatido.Portanto, sem razão a lógica adotada na decisão recorrida, porque sem apurar a verdade material, acha, simplesmente, que o aio de comparecimento do sujeito passivo à repartição fazendária na forma de entrega da petição de impugnação de lançamento, por si só, já representa a oportunidade da ampla defesa, Processo n o 10580 01 1391/2006-6 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-00.266 F I 503 do contraditório, do devido procesSo legal, e da segurança jurídica dos atos da administração pública. Deve a Fiscalização provar cabalmente o fato constitutivo do seu pretenso direito (art. 333, 1, do CPC). E o julgador da primeira instância administrativa, confundiu o inicio da fase litigiosa no âmbito administrativo com os requisitos, de forma que devem ser observados no ato administrativo de lançamento (art 142 do CTN, e o seu parágrafo unico).. No tocante ao mérito, o julgador de primeira instância não entendeu a ocorrência de qualquer cerceamento de defesa, ou inversão do anus da prova, sob a alegação de que o autuante partira de informações registradas no livro de Apuração do ICMS em confronto com os valores constantes da DIPJ do exercício de 2004, ano calendário de 200.3. Todavia, conforme se aduziu na impugnação, apesar de sua opção pelo lucro presumido, com a mudança de contador também mudou o regime de tributação para o lucro real. Forma que prestigia o fato gerador do Imposto de Renda, que é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, referindo-se ao o poder de dispor efetivo e atual por quem tem direito à renda - fato este que autoriza a instauração de uma relação jurídica em razão da incidência da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). De forma diversa o lançamento fiscal guerreado, ante a simples existência de declaração de receitas divergente da declaração junto ao Estado da Bahia serviu de base para exigência de tributo, supondo a ocorrência de omissões como conduta deliberada de sonegar, mormente admita a legislação a dedução de despesas ocorridas para a manutenção da fonte produtora, O descumprimento do dever de comunicar a sua mudança de critério de opção de tributação (de lucro presumido para lucro real) à SRF da sua jurisdição, foi considerado transgressão ao tratamento fiscal, com conseqüências graves, desde a imposição de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) e encaminhamento de representação fiscal para fins penais contra o sócio-gerente, pela prática de crime de sonegação. Todavia, a opção pelo lucro presumido não obstaculiza a mudança para o regime de lucro real, para a determinação do imposto. Basta, para tanto, que o contribuinte cumpra algumas obrigações acessórias, tais como retificação nos códigos dos DARFs, comunicação à autoridade do órgão local onde jurisdiciona a empresa, porque o imposto incide é sobre a renda e para a sua percepção a empresa despende valores que devem ser deduzidos, sob pena de inconstitucionalidade da norma que determinada a proibição. O lucro arbitrado, é uma regra excepcional que pode ser abandonada a qualquer tempo, desde que proceda a escrituração regular, assim como é certo que a comunicação da mudança de regime ao fisco é para impedir que erros de fato embaracem ações fiscais, mas nunca se pode partir para uma apuração da base de cálculo da IR, desconsiderando a realidade, para valorizar a forma, se existe a escrituração comercial e fiscal. Desse modo,comprovando-se a realização das despesas, sua natureza operacional, mister o reconhecimento de sua dedutibilidade. No entanto, as autoridades fiscais, como se verifica por via interpretativa, restringe a apuração dos tributos pelo regime do lucro real, 9 Aduz ser possível a mudança de um regime de tributação para outro. Tanto é que a SRF admite a retificação dos códigos dos DARFs, mediante a análise caso a caso e autorizada pelo órgão que jurisdiciona a empresa, É o que se infere da Instrução Normativa 40.3, de 1 .1 de março de 2004, da decisão n°46, de 21 de março de 2000, publicada no DOU de 27 de novembro de 2000 e do Ato Declaratório Normativo n° 03, de 1998. Demais disso, o art. 7° da Medida Provisória n° 206, de 06 de agosto de 2004, estabelece que a pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao terceiro e quarto trimestre, apurar o Imposto de Renda com base no lucro real trimestral Diferentemente, o simples erro na interpretação da legislação tributária, levou-se ao arbitramento perpetrado, quando sabemos que o arbitramento é que é excepcional. Na verdade, a fundamentação de que não se pediu prazo para apresentação de Livro Diário não carece de comprovação como afirmado pelo n. Julgador. O que ocorreu foi que além de pedir verbalmente a ampliação de prazo, o Diário e outros não foram apresentados por motivos de dificuldades de prepará-los, exatamente em razão do exíguo prazo de 05 (cinco) dias concedidos pela Fiscalização, e isto foi o que se mencionou na "Declaração" a que se refere o julgador (v. Cópia da declaração anexa), lembrando, ainda, que a Administração Federal admite a prorrogação cio prazo para apresentação de livros e documentos fiscais em até 20 dias ou mais a juizo da autoridade, embora tenha sido relegada esta norma. A apuração fiscal pelo confronto das informações constantes no órgão estadual e as da SRF diverge da orientação doutrinária e jurisprudencial já consolidada no sentido de que exitindo escrituração regular impede a aplicação do mecanismo de arbitramento, que substitui a base de cálculo do lucro real, por uma base de cálculo subsidiária (receita bruta).. Cita doutrina de Alberto Xavier, para dizer que não pode o fisco, por economia de tempo, em função de eventuais falhas na escrita ou informações fiscais, descumprir o seu dever funcional de investigar, pois, a verdade material é sempre o princípio fundamental que orienta a tributação com base no lucro real. Impossível se tomar este fato isolado como indício de omissão de receita, como" também 11C70 pode configurar indício simples divergências de valores constantes nas infirrmações fiscais ou denúncias anónimas que pode até partir de algum concorrente interessado em afastar do merecido o seu rival, para, por si só, configurar indicio de desvio de receitas Casos dessa natureza a fiscalizaÇãO deveria, com os poderes de investigação que possui, inspecionar com profimdidade, porque pode ensejar uma gama de ilações, inclusive antipodas," Discorre sobre o conceito de "indicios"cita Paulo de Barros Carvalho e diz que permanecer nessa linha equivale a uma restrição de direito, com feição penal e, assim, não poderia ser interpretada estritamente como o fizeram o autuante e os julgadores que apreciaram o ato. Por isto devem ser consideradas, no caso concreto, as reais circunstâncias táticas e jurídicas, ou seja, como há escrituração regular com base nas leis comerciais e fiscais, deve-se apurar os tributos com base no lucro real. Aduz que a determinação da base de cálculo da CSLL segue as regras IRPI e quanto ao PIS, cuja cobrança foi instituída pela Lei Complementar n°. 7/70, recepcionada pelo art. 239 da Constituição Federal de 1988, enquanto que a exação da COFINS instituída pela Lei Complementar n°, 70/91 encontra animo no art. 195 da Carta da República incidindo as referidas contribuições sobre o faturamento da Empresa. Com isso, conforme dispõe de rigidez lo Processo n" 10580 .011391/2006-61 SI-C1T2 Accirfflo $1" 1102-00.266 Fl 504 e supremacia constitucional, a base de cálculo das contribuições sociais é o valor do faturamento, que é a hipótese de incidência tributária, A base de cálculo da contribuição para a COFINS e o PIS, portanto, e o faturamento mensal, assim entendido como receita bruta de venda de mercadoria e de serviços de qualquer natureza, tal qual explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade n°, I - 1/DF (STF)„ Este Egrégio Supremo Tribunal Federal declarou, por maioria do Plenário, a inconstitucionalidade do §. I' do art. 30 da Lei Ordinária n°, 9318/98 que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). Esse dispositivo julgado inconstitucional dava novo conceito para o faturamento (receita bruta) sobre o qual incidiriam as contribuições, ou seja, incluía a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Porém, os valores do ICMS não compõem a base de cálculo das contribuições a título de PIS e COFINS, posto que esse imposto não é um ganho da empresa, que exerce apenas o papel de agente arrecadador para o governo, na medida em que o ICMS é repassado para os cofres públicos. Desse modo a cobrança do PIS e da COFINS, com a inclusão do ICMS em suas respectivas bases de cálculo, afronta os art. 2' da Lei Complementar n, 70/91 e o art. 6° da Lei Complementar n. 7/70, ao estatuírem que tais contribuições incidem sobre o faturamento, considerando este como sendo a receita bruta de venda de mercadoria, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. No conceito de receita operacional bruta deve ser considerada somente a soma do valor das operações negociais realizadas, excluído o igualmente o ICMS, que apenas transita em mãos do contribuinte, sem lhe pertencer, mas para ser recolhido aos cofres públicos, Contabilmente, tanto o IPI, retirado expressamente da base de cálculo da COFINS pelo inciso I, do art. 3°, da Lei n°, 9318/98, como o ICMS, não são computados • como receitas e, sim como passivos circulantes da Empresa. Quem fatura o ICMS é o Estado, não o vendedor de mercadoria. Linha do voto do Ministro Marco Aurélio no RE n o. 240385 no sentido de que o valor do ICMS deve ser excluído do valor da venda, ou faturamento, para que a COFINS seja calculada somente sobre o valor líquido. Na definição da base de cálculo da COFINS e do PIS, restou consagrada a incidência sobre o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. O legislador determinou expressamente a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados - IP1, da base de cálculo da COFINS, e, em relação ao ICMS, todavia, se manteve silente: Desta forma a Administração Fazendária passou a entender que a apuração do montante devido a título de COFINS e PIS deveria ser levada a efeito com a inclusão do valor referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, ou seja, a integração desse na base de cálculo da contribuição social. 11 Sistema que resulta em dois principais vícios: i) o conceito jurídico de faturamento não abriga a inclusão de outra noção no cômputo da base de cálculo e na obtenção do montante a ser recolhido; ii) o contribuinte estaria sendo compelido ao recolhimento da contribuição social sobre urna base para a qual não tenha revelado capacidade contributiva. Registra que o entendimento consolidado na jurisprudência da Suprema Corta da República consubstancia-se na circunstância de que o termo "faturamento" alcança vendas, quer sejam a vista ou a prazo, mas delimita seu conceito às receitas decorrentes das vendas ou da prestação de serviços_ Discorre sobre o conceito de receita , válida tanto para o Estado quanto para as empresas. Transcreve doutrinadores sobre o tema, No tocante à alíquota da COHNS, a exigência se faz com base na al1quota de 3% sobre as receitas, enquanto o STF já decidiu que a mesma é de 2%. Pois o art. 8' e parágrafos da Lei n° 9,718, de 1998, elevou a aliquota da COFINS para 3%, sendo compensável o montante correspondente a tal aumento percentual de 1% com o débito de mesma competência da contribuição social sobre o lucro da pessoa jurídica. Dai é fácil perceber que sofierão maior e mais pesada oneração tributária as pessoas jurídicas de menor rentabilidade, porquanto se apurarem prejuízo não terão CSLL recolher, ou, se apurarem contribuição a pagar, será ela insuficiente para a efetivação da compensação permitida. Com a Lei n° 9,718, de 1998, a COHNS passou a ser exigida à aliquota de 3%, haja ou não compensação com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido das pessoas jurídicas — CSLL., Tal regime configura-se em uma indissociável interligação entre o aumento da COHNS e a decorrente redução da CSLL, Acarreta evidente afronta aos critérios constitucionalmente estipulados para a repartição, no seio da sociedade brasileira, dos ônus atinentes ao custeio da seguridade social. A Constituição de 1988 é taxativa em afirmar que "compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: () IV - eqüidade na .tbrina de participação no custeio; V diversidade da base de financiamento; (.4" (art. 194, parágrafo único).. Os contribuintes com prejuízo ou lucro menor que 12,5% do correspondente faturamento (considerada a terça parte do recolhido a titulo da COHNS como compensável com o débito da CSLL) passam a arcar com uma carga tributária destinada ao financiamento da seguridade social evidentemente maior que a exigida antes da edição da Lei n° 9.718, de 1998,0 que contraria, notoriamente, a eqüidade disposta no art 194, parágrafo Único, IV, da CF/1988, com inversão do princípio da capacidade contributiva e afronta ao princípio da isonomia. Resume ter a Lei n° 9718/98 majorado a aliquota da COHNS com desrespeito aos princípios constitucionais da uniformidade da tributação e à vedação ao confisco tributário. A lei não pode ser aplicada, pelo que o cálculo sobre recolhimentos da COHNS, se validado o levantamento perpetrado, deverá ser refeito com base na aliquota 2%, nos termos da decisão proferida pelo STF.: Discorre sobre a presunção de fraude consignada no lançamento, para dizer que a "omissão no registro de receitas pela pessoa jurídica não evidencia o "intuito de fraude", e a circunstância que autoriza a exasperação da multa de 150°/o (cento e cinqüenta por cento) . 12 Processo n" 10580.011391/2006-61 SI -CI 12 Acóalão n." 1102-00,266 H 505 A declaração do IRP,J a margem da escrituração, pode caracterizar infração, porém não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, II, do RIR, pois em matéria de penalidade não cabe a simples inversão do ônus da prova, A produção da prova incumbe a quem acusa, o que lhe impõe o dever de indicar elementos seguros sobre a falta ocorrida e os elementos que servem de suporte à ocorrência dolosa de sonegação, fraude ou conluio. Logo, a autoridade tem o duplo dever de provar a ocorrência do fato gerador e de provar a fraude ou sonegação. A apresentação da DIPJ é apenas uma obrigação acessória, cujos valores ali constantes, ainda que divergentes do DMA entregue à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, não é suficiente para determinar o arbitramento do lucro para efeito de cobrança do imposto de renda, cio CSLL ou do PIS/COFINS, ainda que se considerasse o RAICMS. Para manutenção do tipo penal somente caberia quando restasse comprovado que o nexo causal entre as informações represente "intuito de omissão de receita para suprimir ou reduzir o tributo". Refere-se que à hipótese de incidência do Imposto de Renda, tal qual estabelece o Caput do art 43 do CTN, esta é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Por sua vez, há que se considerar os ajustes para a apuração do lucro e conseqüente tributação assim determinada com base na escrituração contábil e fiscal. Discorre sobre o Lucro real, como está estatuído no Decreto-lei 1.598/77, que é matriz do art,247 do atual RIR (art. 247), dizendo-a precedida da apuração do lucro liquido, contabilmente, com observância das disposições das leis comerciais. Contudo, para a apuração do malsinado lançamento fiscal considerou-se apenas as receitas declaradas no Livro de Registro de Apuração do ICMS. Registra que acreditava estar praticando suas obrigações fiscais em conformidade com o direito, inclusive quando da visita do preposto fiscal que, intimando para apresentação de livros e documentos fiscais, pois entregou o Livro de Apuração do ICMS e comunicou que deixava de apresentar os livros contábeis CAIXA; RAZÃO e DIÁRIO porque estava tendo dificuldades na preparação, quando então solicitou, verbalmente, uma prorrogação de prazo. Consigna ser normal se presumir o agir com retidão e o excepcional se provar a desonestidade, a negligência, o descumprimento da palavra empenhada,. No caso, há uma inversão desses valores ao tentar demonstrar-se, sem razão, a cobrança de tributos pela diferença das informações sem avaliar a escrita contábil. Quanto ao enfrentamento da constitucionalidade pelo órgão julgador administrativo, em decorrência do art 50 inciso LV da Constituição Federal, o processo • administrativo foi equiparado ao processo judicial, assegurando-se a ambos o devido processo legal, com obediência ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Deste modo, se há direito de impugnar o lançamento tributário, do modo mais amplo possível, sob pena de nulidade da decisão administrativa (a ser exercida pelo Poder Judiciário, no controle jurisdicional do ato administrativo), e o contribuinte pode ao se insurgir contra a imposição fiscal invocar nas suas razões fundamentos no ordenamento jurídico do país, conclusão que lhe parece mais lógica, 13 De outra forma, as decisões proferidas no processo administrativo fiscal, devem ser motivadas, ou seja, não é suficiente a fundamentação legal (apontar o texto da lei), mas impositivo que se apresente também os motivos que lhe formaram o convencimento, sob pena de invalidez do ato, ainda que o julgador administrativo decida de acordo com o seu livre convencimento, devendo deixar detalhadas as razões que o levaram a acolher ou rejeitar os argumentos expostos pelas partes, com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. Concluir caber análise de constitucionalidade pelo Colegiada administrativo, Invoca diferenças na apuração dos tributos e aponta na tabela de fls, 470, os valores que entende sejam devidos, na forma de apuração que diz ter privilegiado, o lucro real. Refere-se a necessidade de abater os valores recolhidos, mesmo se considerando o ICMS incluído na base de cálculo do PIS e COHNS e com a alíquota de 3% durante o ano de 2003, a apuração desses tributos federais é completamente diferente dos valores apurados pelo FISCO. Conclui dizendo demonstrar o desacerto da decisão combatida, o que implicaria neste Colegiado declarar a nulidade do lançamento ou, se ultrapassada a preliminar fosse julgado improcecente o auto de infração. O recurso tem seguimento através de liminar que desobriga a recorrente do depósito recursal. Despacho de fls,498 remetes os autos ao CARR Este é o relatório, 14 Pi ()cesso n" 10580 011391/2006-61 SI-CI T2 Acórdão n " 1102-041.266 Fl. 506 Voto Vencido Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Trata de exigência para quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, conforme anteriormente relatado, cujos fatos geradores dizem respeito ao ano calendário de 2003. A base de cálculo se dá nos valores consolidados na tabela de fls,31. Toda argumentação da recorrente se faz sob suposta nulidade do procedimento que "arbitrou" seu lucro, sem atinar que esta forma de apuração de resultados, se da em "casos excepcionais", Mas tal fato não se comprova, uma vez que não houve arbitramento dos lucros e sim a apuração dos resultados respeitando a opção do contribuinte pelo lucro presumido. No auto de infração, fls,08, constam os valores das diferenças apuradas e sobre estas se realiza o cálculo utilizando o coeficiente de 8%, c daí o valor tributável, apurado na modalidade presumida e não arbitrada. O fundamento legal da exigência é o artigo 224 e 518 do RIR/99. O artigo 22u trata do conceito de receita bruta, enquanto o 518 se refere à base de cálculo aplicável às receitas presumidas, cuja redação é a seguinte: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7do art 240 e . demais disposições deste Subtítulo (Lei n" 9249, de 1995, art. 15, e Lei n" 9.430, de 1996, arts. 1" e .25, e inciso 1). Desta forma restam prejudicados todos os argumentos expendidos quanto ao suposto arbitramento dos lucros, Outra pretensão que também não encontra guarida no direito positivo, é a possibilidade de alteração da forma de opção do lucro, na forma posta nas razões recursais. Isto porque, o § do artigo 13 da Lei 9718/1998, assim dispõe: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais .) multiplicado pelo número de meses de atividade do ano-calendário anterior, quando 15 inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tribulação com base no lucro presumido .1" A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o ano-calendário Comentando este artigo diz Hiromi Higuchi, (Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática 30 1 . ed.2005 IR .Publicações Ltda./SP, I1s,40)o seguinte: O ,5Ç- 1" do artigo 13 da Lei 9718/1998 dispõe que a opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo a110 calendário Com isso está revogada a faculdade prevista no artigo 26 3 0 da Lei 9430/1996 para mudar a opção de lucro presumido para lucro real trimestral ou anual, no ano calendário ou por ocasião da entrega da declaração de rendimentos. Por seu turno, a IN SRF 403 de 11/03/2004, que "Dispõe sobre a retificação de erros no preenchimento de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e dá outras providências," se referindo a retificação de :DARF com finalidade de alterar regime de apuração do lucro, assim dotou-nina: Art. 10. Serão indeferidos os pedidos de retificação de Dail ou DarrSimples que versem sobre (. V - ação de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por contrariar o disposto na legislação especifica, Volto a .Hiromi Higuchi, que na mesma obra acima citada, na pag 41, comenta: REDARF PARA MUDANÇA DE FORMA DE TRIBUTAÇÃO A legislação em vigor não permite mudar a forma de tributação de lucro In esumido para lucro real ou desta para aquela forma. A opção exercida no primeiro pagamento do imposto de renda ou da CSLL, em cada período de apuração é definitiva. Inúmeras empresas procuram fazer o REDARF , isto é ,retificação do código de pagamento de tributo para viabilizar a mudança da farina de tributação. 1N403, de 11-03-04, que disciplinou a retificação de erros no preenchimento do DARF, dispõe no seu artigo 10 que serão indeferidos os pedidos de retificação que de DARF ou DARF- SIMPLES que versem sobre alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do imposto de renda da pessoa jurídica, por contrariar o disposto na legislação especifica A recorrente ofereceu várias preliminares dentre essas, a de nulidade do procedimento, linha na qual expendeu vasto arrazoado,Contesta a decisão de primeiro grau por não admitir seus argumentos impugnativos, o que implicaria em cerceamento do seu direito de 16 Processo n" 10580 011391/2006-61 Sl-C1T2 Acórdão n " 1102-00,266 El 507 defesa, pediu diligência para ser confirmada a verdadeira base imponivel, invocou o princípio da verdade material e do não confisco. Quanto a nulidade argüida em relação a falta de análise dos argumentos expendidos na impugnação, pela autoridade de primeiro grau, o argumento não prospera. A decisão esta motivada e responde a todas as questões postas. Convém também lembrar que o julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte, quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ — Resp 652.422. — (2004/0099087-0) , cuja ementa se reproduz. "5691 — VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC — INOCORRÊNCIA — TRIBUTÁRIO — ICMS MANDADO DE SEGURANÇA — AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS — DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA — PRINCIPIO DO LIVRE EXER CICIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA ART 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL — SÚMULA No.547 DO STF —MATÉRIA CONSTITUCIONAL — NORMA LOCAL — RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR — 1 Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal origem , embora suscintamente, pronuncia-se de . forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a uni os , os argumentos trazidos pela parte, desde que os .fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.(,) 6 Recurso não conhecido. ( Revista dos Tribunais n.43 – maio/Junho /200,5, p 136) Em vasto arrazoado argumentativo traz a recorrente a tese de inobservância aos princípios de regência do processo administrativo fiscal, notadamente na desobediência ao Principio da verdade material. Mas como adiante se verá isto não ocorreu neste procedimento. E pelo contrário, os princípios, corno vetores interpretativos, serão (como são) respeitados sempre. Não há no procedimento nenhuma das máculas admitidas no Processo Administrativo Fiscal como causas de nulidade, determinadas no artigo 59 do Decreto 702.35/1972. Entendimento espelhado nas Ementas dos Acórdãos a seguir transcritas: "107-05,683 de 10/06/1999 PAF — NULIDADE — Não cabe argüição de nulidade do lançamento se os motivos em que se fundamenta o sujeito passivo não se subsumem aos fatos nem a norma legal citada, mormente se o auto de inflação .foi lavrado de acordo com o que preceitua o Decreto 70.235/1992; 108,05,937 — NULIDADE DE LANÇAMENTO — .A menção incorreta na capitulação legal da inflação ou mesmo a sua ausência, não acarreta a nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos das infrações nela contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defende-se de forma ampla das imputaçõe.s que lhe foram feitas " li No tocante à aplicação da multa, entendo que a qualificação é pertinente. A forma de agir da Contribuinte atentou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ao omitir de sua declaração receitas vendas que representam, em torno de 95% do valor do seu fáturamento. O fido de tributar parcela insignificante dos seus reais ganhos, durante todo ano calendário (tanto para o RN . quanto para as contribuições sociais)se enquadra na conduta tipificada no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo, portanto, perfeitamente cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso 11, da Lei n'9.430, de 1996, em sua redação original, sobre os tributos devidos. Ao argumento de que tal penalidade tem característica confiscatória se opõe a incompetência deste Colegiado para abordagem de temas que envolvam análise de legalidade e constitucionalidade de dispositivo legal validamente editado. O percentual aplicado pela autoridade administrativa, quando verificado o descumprimento da obrigação tributária, é aquele fixado na legislação pertinente, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o dispositivo constitucional à espécie dos autos. Ainda, a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150,1V, da Constituição Federal, impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte. Como norma programática, é dirigida ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis. Corno norma proibitiva, está afeita ao controle de constitucionalidade, de competência exclusiva do Poder Judiciário, Aqui também o motivo de não ser possível excluir da base de cálculo da exigência o valor referente ao ICMS, por falta de previsão legal. O artigo 224, base legal da exigência está assim vazado: AH. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos sei viços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n" 8.981, de 1995, art. 31). Por seu turno o § 1°,assim determina: Parágrafb único Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadainente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n" 8.981, de 1995, art 31, parágialb único). E note-se, que na página da fiscosoft , no comentário ao § único do artigo 224, há nota em destaque, na forma seguinte:" ICMS de obrigação própria da empresa, destacado na nota Fiscal não pode ser deduzido" O afastamento da aplicação de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. A matéria já se encontra sumulada nesta instância, na forma seguinte: 18 °cesso n" I 0580 011391/2006-61 S1-C1T2 Acói dão n " 1102-00,266 Fl 508 SÚMULA ('ARE N" .2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante aos lançamentos reflexos, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, da Contribuição para o Programa de Integração Social e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devem seguir, no que couber, o que foi decidido para o lançamento do imposto de renda pessoa jurídica, por serem dele decorrentes. Quanto aos argumentos referentes à Cofins, transcrevo os fundamentos da decisão combatida, por bem definirem a matéria: Especificamente quanto à Cotins, a interessada alega que o art. 8°, c/c seus parágrafos, da Lei n° 9.718, de 1998, elevou a ai/quota da COHNS para 3%, sendo compensável o montante correspondente a tal aumento percentual de I% com o débito de mesma competência da contribuição social sobre o lucro da pessoa jurídica, o que afrontaria incontáveis princípios constitucionalmente erigidos em favor dos contribuintes-, tais como o da capacidade contributiva, o tia estrita legalidade e o da isonoinia tributária, entre outros. Mais uma vez, está-se diante de argumentos que levam à análise da constitucionalidade de norma regularmente posta no ordenamento jurídico brasileiro, o que, • como já exposto, foge à competência dessa instância administrativa de julgamento. Ademais, a compensação a que alude a contribuinte não mais- se encontrava em vigor no período objeto do lançamento, ano- calendário de 2003, em . fanção da revogação dos parágrafos 1° a 40 do art. 8' da Lei n°9,718, de 1998, a partir de I° de janeiro de 2000, efetuada através do art. 93 tia Medida Provisória n° 2.1.58-35, de 24 de agosto de 2001, conforme transcrição: Ari. 93, Ficam revogados: III - a partir de I' de janeiro de 2000, os §§ I° a 4' do ar! 80 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; Nesta ordem de juízos, afasto as preliminares e , no mérito, Nego provimento ao recurso, !VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 19 Voto Vencedor JOSÉ SERGIO GOMES Redator designado No que trata à questão da multa agravada, em especifico, ousa-se divergir, concessa venia, do respeitável fundamento trazido no voto de lavra da ilustre Conselheira originária. À época do fato gerador (ano de 2003) assim dizia a Lei n" 9,430 de 27 de dezembro de 1996, verbis: "Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declamação inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11-cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos mis. 71, 72 e 73 da Lei n" 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabiveis ...,..... . ..,..,. ....... . As disposições legais referidas no parágrafo indicado têm a seguinte redação: "Lei n" 4. 502 de 1964. Ari 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais,- 11 - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de *tal- a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Ari. 72 - Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do jato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir- ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir- o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Ar!. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos eleitos referidos no art. 71 e 72". 20 Processo n" 10580 011391/2006-61 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-W266 F I 509 A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou fatos jurídicos à incidência fiscal, incólume, portanto, o fato gerador., enquanto na figura da fraude a ação ou omissão está direcionada ao obscurecimento da própria ocorrência do fato gerador. O Fisco e a decisão recorrida, bem assim o voto vencido adotaram a tese de sonegação em vista da declaração anual não ter apresentado o verdadeiro faturamento naquele ano de 2003, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Ocorre, todavia, que dita declaração de informações econômico-fiscais (DIPJ) não se presta ao lançamento fiscal a que alude o artigo 147 do Código Tributário Nacional-C -1-N (lançamento por declaração), segundo o qual o sujeito passivo ou terceiro prestam informações sobre matéria de fato indispensáveis à sua efetivação. Por sua vez, a declaração de créditos e débitos tributários federais (DCTF) constitui autêntica confissão de dívida, instituto estranho ao direito tributário, instituída para operacionalizar a administração dos tributos cobrados pela Receita Federal porque a legislação atualmente vigente adotou a modalidade de lançamento conhecida por . homologação (impropriamente chamado autolançamento), pela qual o próprio sujeito passivo recolhe antecipadamente ou periodicamente o quantum do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, ressalvado o controle posterior desta. De plano, pois, a conduta do sujeito passivo em omitir-se na confissão da dívida, ou de confessá-la em cifra de monta inferior à realidade, não soa perfeitamente sintonizada no tipo fraudulento descrito na norma. Em se tratando de pessoa jurídica, e tendo-se em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimir-se na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COFINS, IRPJ e da CSLL, afigura-me que à contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declará-la ao Fisco. Assim, penso que a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade. Já as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, que • só se exteriorizam quando regularmente cumpridas aquelas primeiras, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma que apenadas, em pecúnia, à razão de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. Reprise-se: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestação de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não há como o intérprete delas desconhecer. No caso dos autos restou inconteste que não foram escrituradas quaisquer operações indicativas de receitas, aliás, não há nenhuma escrituração, seja a comercial ou fiscal. Os livros fiscais exigidos por outros entes tributantes (v.g. livro de apuração do ICMS ou livro de apuração do ISS), quando apresentados isoladamente pela defesa não se prestam e nem tampouco poderiam prestar corno instrumentos de regularidade escriturai r\ porque não requisitados pela legislação tributária federal, que se encarregou de exigir outros, (.\ como os livros "diário", "razão" e "Ialur" no caso do regime do lucro real e os livros "caixa" e%,\ \\ . "registro de inventário" na hipótese de regime do lucro presumido. 21 Todavia, a Fiscalização entendeu pela eficácia da escrituração fiscal levada a efeito no livro Registro de Apuração do ICMS, tanto que justamente essas escritas alicerçaram a imputação fiscal de insuficiência nos recolhimentos. Ora, se assim é, não há como validá-la apenas parcialmente, no ponto que serve aos interesses do IRPJ, CSLL, COHNS e do PIS. Há também de produzir efeitos no que diz respeito à matéria aqui debatida, isto é, implica reconhecer que escrituração existe, ainda que precária, mas suficiente para depreender que houve inexatidão na DIPJ em face da escrita fiscal do ICMS. Filio-me, assim, ao entendimento esposado pela douta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do Acórdão CSRF/01-05, 4181, de 19/06/2006, quando asseverou: "As declarações inexatas do contribuinte, que diferem dos. documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicar-se a multa qualificada. O lançamento de oficio desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e fiscais, agindo nos termos do ar! 142 do C.TN,' se não há vício nos livros e documentos contábeis e .fiscais, não há que se falar eu: fraude."(ênfase acrescida) Em i dr exposto, orienta-se o VOTO pela redução da multa de ofício à ordem de 75% (setent1,, e ,. il o pOl• cento), i 1 ( JOS " SER( 10 GOMES 22 ocesso n" 10580.011391/2006-61 SI-C11-2 Acórdão 1" 1102-00,266 Fl 510 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado . junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 23
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000588/2002-11
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - REVISÃO
A exigência que resultar de revisão de lançamento de oficio, efetuada para
reduzir o valor do tributo inicialmente lançado, e exigir o saldo remanescente
com a multa de 75%, deve ser formalizada em auto de infração, e está sujeita
a prazo decadencial.
DÉBITOS CONFESSADOS - TRATAMENTO FISCAL
Os débitos confessados não devem ser trazidos para dentro de processo em
que se examina lançamento realizado pela Fiscalização, ao contrário, devem
ser deduzidos/excluídos dele. O contencioso administrativo não se presta para
convalidar débitos dessa natureza, que prescindem de lançamento.
Numero da decisão: 1802-000.449
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - REVISÃO A exigência que resultar de revisão de lançamento de oficio, efetuada para reduzir o valor do tributo inicialmente lançado, e exigir o saldo remanescente com a multa de 75%, deve ser formalizada em auto de infração, e está sujeita a prazo decadencial. DÉBITOS CONFESSADOS - TRATAMENTO FISCAL Os débitos confessados não devem ser trazidos para dentro de processo em que se examina lançamento realizado pela Fiscalização, ao contrário, devem ser deduzidos/excluídos dele. O contencioso administrativo não se presta para convalidar débitos dessa natureza, que prescindem de lançamento.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA " CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS fr PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10835.000588/2002-11 Recurso n° 165.624 Voluntário Acórdão n° 1802-00.449 — 2 Turma Especial Sessão de 17 de maio de 2010 Matéria IRPJ Recorrente SUPERMERCADO IRMÃOS NAGAI LTDA. Recorrida ia TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - REVISÃO A exigência que resultar de revisão de lançamento de oficio, efetuada para reduzir o valor do tributo inicialmente lançado, e exigir o saldo remanescente com a multa de 75%, deve ser formalizada em auto de infração, e está sujeita a prazo decadencial. DÉBITOS CONFESSADOS - TRATAMENTO FISCAL Os débitos confessados não devem ser trazidos para dentro de processo em que se examina lançamento realizado pela Fiscalização, ao contrário, devem ser deduzidos/excluídos dele. O contencioso administrativo não se presta para convalidar débitos dessa natureza, que prescindem de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1° QUE-SI:INS D ír• SA — Presiden . • J DE OLIVEIRA FERRARRÉA — Relator. EDITADO EM: 138 JUL 2nAn Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Tumia). Ausente justificadamente o Conselheiro, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou procedente a exigência fiscal a título de IRPJ/presumido referente ao segundo trimestre de 1997, no valor de R$ R$ 3.337,86, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros moratórios, conforme guia de recolhimento à fl. 51 Essa exigência fiscal é resultado de revisão de oficio de um lançamento anterior, realizado em procedimento de auditoria interna de DCTF, e relativo ao 'mesmo tributo e período. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n° 14-17.217, às fls. 67 a 72: Trata o processo de autuação para exigência de crédito tributário no valor de R$37.714,73, conforme auto de infração n°. 0000372 de fl.06, em razão de não ter sido localizado o pagamento do IRPJ, código 2089(IRPJ Lucro Presumido), no valor original de R$14.006,81 com vencimento em 31/07/1997, conforme declarado em DCTF do 2° trimestre de 1997. A interessada impugnou o lançamento, em 04/04/2002 «is. 01 e 02), alegando, em síntese, que efetuou o pagamento dos valores devidos em 30/05/2007, 30/06/2007 e 31/07/2007. Para comprovação anexou cópias dos documentos de fl. 03. Ao final, requereu a suspensão de qualquer medida restritiva em seu nome. A impugnação foi previamente analisada pela DRF de origem, conforme Parecer Sacat de fls. 38/40, no qual foi indicado que o contribuinte teria efetuado pagamento distintos para cada período de apuração e na DCTF informou apenas um pagamento, correspondente ao total do débito do trimestre, o que gerou o auto de infração. Entretanto, foi verificada divergência entre o valor consignado na DIRPJ/98, para o 2° trimestre de 1997(R$17.344,68) e o •declarado em DCTF(R$14.006,81) para o mesmo período, e efetivamente recolhido. Após a revisão de ofício efetuada pelo chefe da Sacat o valor foi reduzido para R$3.337,86 e acréscimos, que seria referente à (11., 2 Processo n° 10835.000588/2002-11 S1-TE02 Acórdão n.' , 1802-00.449 Fl. 2 diferença entre o valor declarado na DIPJ/98 e aquele constante da DCTF do 2° trimestre de 1997, acima mencionados. Regularmente cientificado ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 54/59 alegando em síntese que a DRF não poderia ter mudado o lançamento original, pois, no caso dos autos trata-se de diferença em DCTF, não tendo nenhuma relação com a DIPJ apresentada. Alega que a declaração competente para informar, trimestralmente, os valores devidos mensalmente das contribuições é a DCTF e que os valores ali informados foram devidamente recolhidos. Diz que quando existe divergência entre a DIRPJ e a DCTF deve prevalecer a segunda, até porque foi ela o objeto do auto de infração questionado. Aduz que este fato não pode ser modificado, posto que houve a consumação do lançamento na forma do art. 142 do CTN. Reproduz diversas ementas do Conselho de Contribuintes que versam sobre o assunto. Requer a vinculaçã o dos DARF 's no período de referência informados e esclarecidos, e a anulação do Auto de Infração de n° 372, pois a revisão não contém a descrição dos fatos, a capitulação legal e o demonstrativo dos valores adotados, e já se passavam de 9(nove) anos do efetivo recolhimento. Conforme mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. IMPOSTO DEVIDO DECLARADO EM DIRPJ. DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de imposto declarado em DIRPJ, apurada em procedimento fiscal de auditoria de DCTF enseja a cobrança do débito com os acréscimos legais e prescinde de lançamento de oficio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. . A revisão de oficio de lançamento realizada pela autoridade administrativa, diante da presença de fato novo e não conhecido à época do lançamento, encontra acolhida na Lei Complementar. • Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 NULIDADE. Obedecidos todos os preceitos previstos no PAF e não ocorrendo preterição do direito de defesa do contribuinte, não se justificam alegações genéricas de nulidade. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 03/12/2007, a Contribuinte apresentou em 28/12/2007 o recurso voluntário de fls. 76 a 82, onde reitera os mesmos argumentos de sua:impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. • 4 Processo n° 10835.000588/2002-11 S1-TE(12 Acórdão n.° 1802-00.449 Fl. 3 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte foi autuada inicialmente em decorrência de procedimento de auditoria interna de DCTF, por não ter sido localizado o pagamento referente ao IRPJ/lucro presumido do 2° trimestre de 1997, no valor de R$ 14.006,81. Apresentada impugnação ao lançamento de oficio, a Delegacia de origem verificou que na verdade a Contribuinte havia pago o tributo declarado em DCTF. O problema foi que ela realizou três pagamentos mensais, mas infoimou um único pagamento englobando o débito de todo o trimestre, o que deu causa à não localização do pagamento. Nessa mesma ocasião, entretanto, a Delegacia de origem também constatou que o valor declarado na DLRPJ para esse mesmo tributo era de R$ 17.344,68, e por essa razão revisou de oficio o lançamento anteriormente realizado, para exigir a diferença de R$ 3.337,86, conforme Parecer Sacat de fls. 38/40, cientificado à Contribuinte em 20/12/2006, e assim ementado: Assunto: Auto de Infração Eletrônico — DCTF — IRPJ — 2° trimestre de 1997. Ementa: Lucro Presumido — recolhimentos mensais antecipados. Através da análise entre DIRPJ e DCTF, ano base 1997, e respectivos pagamentos, é de se retificar de oficio o crédito tributário ora constituído. Em seu julgamento, a DRJ entendeu que a revisão do lançamento se deu exatamente de acordo com o que dispõe o Código Tributário Nacional — CTN (arts. 145, c/c 149, VIII). Além disso, considerou não ter havido alteração no critério do lançamento original, porque a revisão foi circunscrita à alocação de pagamentos, até então não vinculados • aos débitos declarados pela Contribuinte. Registrou ainda que até dezembro de 1998, os valores declarados em DIRPJ tinham a natureza de confissão de divida, não necessitando ser lançados de oficio para instrumentalizar sua cobrança. Deste modo, não haveria que se falar em decadência, posto que a confissão de divida prescinde de lançamento. E muito embora o tenha considerado desnecessário, a DRJ concluiu pela procedência do lançamento. Percebo vários problemas em relação à foima como foi conduzido esse caso. O primeiro deles é que com a instauração da fase litigiosa o processo não mais se encontrava na alçada da Delegacia de origem, e mesmo assim esta procedeu à revisão para alterar o lançamento anterior. Nessa revisão, de fato, não houve mudança de critério jurídico no lançamento original, como afirmou a DRJ. Ela significou, contudo, uma completa inovação, com a mudança total dos fundamentos da exigência fiscal, porque o auto de infração original referia- se a valor declarado em DCTF e não pago, enquanto que a segunda exigência diz respeito à diferença a maior entre DIRPJ e DCTF. Em relação ao primeiro lançamento, a providência cabível era tão somente a sua anulação, em razão da informação sobre a quitação do débito lançado, o que deveria ser feito, contudo, pela Delegacia de Julgamento, ainda que por provocação da Delegacia da origem. • Já o outro fato posteriormente apurado, ou seja, a diferença a maior entre DIRPJ e DCTF, representava débito adicional, mas autônomo em relação ao primeiro, com fundamento jurídico totalmente distinto e independente daquele outro. Assim, caso fosse necessário, não havia qualquer óbice para a realização de um segundo lançamento, mesmo que a DRJ ainda não tivesse apreciado o primeiro. Apenas seria exigido uma autorização para reexame de período já fiscalizado (art. 906 do RIR/99), o que não se verifica nos autos, configurando um outro problema deste processo. Mas embora pudesse ter realizado um segundo lançamento, a DRF optou por promover a revisão de ofício do primeiro auto de infração, trazendo para dentro deste processo, cujo objeto era um lançamento de oficio, um outro débito que, segundo a DRJ, prescindia de lançamento, porque já confessado, e que, por esse mesmo motivo, estava imune à decadência. A decisão, a meu ver, contém contradições. Primeiro, porque todo o procedimento foi encaminhado como uma revisão do lançamento anterior (realizado de oficio), e, como tal, só poderia resultar em algo de mesma espécie, posto que realizada unilateralmente pela Administração. • Com efeito, a revisão de lançamento de oficio, na forma como ocorreu, não poderia resultar em confissão de dívida, de onde já devo afinuar que este processo não poderá servir para a "constituição" de um título executivo dessa outra espécie. Basta verificar o conteúdo do Parecer Sacat (fls. 38 a 40), e também do Despacho Decisório que o seguiu (fls. 41), para perceber que o escopo do ato administrativo aqui examinado foi de retificação do lançamento original, para fins de reduzir o seu valor para R$ 3.337,86. Nesse sentido, observo também que a exigência decorrente do Despacho Sacat foi realizada com a multa de 75%, típica do lançamento de oficio, e mesmo assim a DRJ concluiu não haver aí um segundo lançamento, com o argumento de que o débito já estava anteriormente confessado em DIRPJ. Quanto a esse aspecto, é importante mencionar que não está em questão a confissão realizada em DIRPJ, até porque não há litígio para débitos confessados, e o contencioso não se presta a isso. 6 Processo n° 10835.000588/2002- I 1 S1-TE92 Acórdão n.° 1802-00.449 Fl. 4 Mas não se deve perder de vista que o objeto deste processo é uma revisão de lançamento de oficio, realizada conforme o parecer Sacat de fls. 38/40, para fins de reduzir o valor do tributo inicialmente lançado, e exigir o saldo remanescente com a multa de 75%. • Essa exigência, contudo, foi formalizada sem auto de infração propriamente dito, posto que consubstanciada apenas no referido parecer. E mesmo abstraindo dessa questão, não haveria como deixar de reconhecer a decadência da exigência, na forma em que foi realizada, enquanto ato administrativo resultante de revisão de lançamento de oficio. Isto porque a segunda exigência, após a revisão do primeiro lançamento, foi cientificada à Contribuinte somente em 20/12/2006, e o fato gerador é de 30/06/1997. Assim, a exigência fiscal sob exame, dada a forma em que foi elaborada, não pode dar azo à constituição de um título executivo, pelo menos por meio deste processo, sem prejuízo de outro título que a Receita Federal considere hábil a promover a cobrança, no caso, a DIRPJ apresentada pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal feita por meio do presente processo. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2010 J e se de Oliveira Ferraz Corrêa • .44̀ càI MINISTÉRIO DA FAZENDA 44* 2~, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 10835.000588/2002-11 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria ME n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.449. Brasília - DF, em 08 de julho de 2010 ;"_/r? L-„ José Roberto Fiãnça Secretári0 da 2a Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 10845.003447/00-16
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:1996
DECADÊNCIA
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial de cinco anos começa a fluir da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1803-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para retificar o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801-00.323, de 30.08.2010, e para dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a decadência dos lançamentos, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para retificar o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2010, e para dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a decadência dos lançamentos, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 34 47 /0 0- 16 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 543 2 I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1922, com a exigência do crédito tributário no valor de R$13.862,05, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente a 30.11.1995 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 OMISSA0 DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas de caracterizada pelo saldo credor de caixa, nos meses de maio/95, junho/95, julho/95, agosto/95, setembro/95, novembro/95 e dezembro/95, em que o contribuinte alega que tinha limite de crédito através de conta garantida. Em novembro/95 (maior saldo credor) de R$24.002,11. O contribuinte comprova através do Banco Bradesco apenas R$4.761,92, após saldo contábil conciliado (Termo de Verificação e Constatação Fiscal (vide saldo em 30/11/95) remanescendo R$19.240,19 [Demonstrativo do Fluxo de Caixa, fls. 4647]. [...] Arts. 523, § 3º , 739 e 892, do RIR/94 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os créditos tributários a seguir discriminados pelos lançamentos formalizados nesse processo. II O Auto de Infração às fls. 2326 a exigência do crédito tributário no valor de R$5.544,79 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OMISSÃO DE RECEITA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE RECEITAS OMITIDAS Omissão de receitas de caracterizada pelo saldo credor de caixa, nos meses de maio/95, junho/95, julho/95, agosto/95, setembro/95, novembro/95 e dezembro/95, em que o contribuinte alega que tinha limite de crédito através de conta garantida. Em novembro/95 (maior saldo credor) de R$24.002,11. O contribuinte comprova através do Banco Bradesco apenas R$4.761,92, após saldo contábil conciliado (Termo de Verificação e Constatação Fiscal (vide saldo em 30/11/95) remanescendo R$19.240,19. [...] Art. 2 ° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 2° e §§, da Lei n°7.689/88; Art. 2° e §§, da Lei n°7.689/88; Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com a redação do art. Art. 43 da Lei n°8.541/92, com a redação do art. 1 0 da Lei n ° 9.065/95 3°. da Lei n°9.064/95 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 544 3 III O Auto de Infração às fls. 2730 a exigência do crédito tributário no valor de R$19.219,67 a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE RECEITAS OMITIDAS E/OU REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LIQUIDO Omissão de receitas de caracterizada pelo saldo credor de caixa, nos meses de maio/95, junho/95, julho/95, agosto/95, setembro/95, novembro/95 e dezembro/95, em que o contribuinte alega que tinha limite de crédito através de conta garantida. Em novembro/95 (maior saldo credor) de R$24.002,11. O contribuinte comprova através do Banco Bradesco apenas R$4.761,92, após saldo contábil conciliado (Termo de Verificação e Constatação Fiscal) vide saldo em 30/11/95) remanescendo R$19.240,19. [...] Art. 739 do RIR/94; Art. 62 da Lei n ° 8.981/95; Art. 44 da Lei n° 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3 ° da Lei n ° 9.064/95. IV O Auto de Infração às fls. 3134 com a exigência do crédito tributário no valor de R$415,85 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA APURAÇÃO REFLEXA Omissão de receitas de caracterizada pelo saldo credor de caixa, nos meses de maio/95, junho/95, julho/95, agosto/95, setembro/95, novembro/95 e dezembro/95, em que contribuinte alega que tinha limite de crédito através de conta garantida. Em novembro/95 (maior saldo credor) de R$24.002,11. O contribuinte comprova através do Banco Bradesco apenas R$4.761,92, após saldo contábil conciliado (Termo de Verificação e Constatação Fiscal ) vide saldo em 30/11/95) remanescendo R$ 19.240,19. [...] Art. 3º , alínea "b", da Lei Complementar n°07/70; art. 1° , parágrafo único, da Lei Complementar n°17/73; Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n°142/82 Art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n ° 07/70, art. 1° , parágrafo único, da Lei Complementar n ° 17/73, Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, d Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n°142/82 Art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n°07/70, art. 1°, parágrafo único, da Le Complementar n°17/73, Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, d Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n 0 142/82 Art. 43 da Lei n°8.541/92 alterado pelo art. 3° da Lei n°9.064/95; Arts. 2°, inciso I, 3° , 8 ° , inciso I, e 9 ° , da Medida Provisória n°1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98 Arts. 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Medida Provisória n°1.249/95 e suas reedições. V O Auto de Infração às fls. 3538 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.108,95 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 545 4 001 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS OMISSÃO DE RECEITA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS OMISSÃO DE RECEITA Omissão de receitas de caracterizada pelo saldo credor de caixa, nos meses de maio/95, junho/95, julho/95, agosto/95, setembro/95, novembro/95 e dezembro/95, em que o contribuinte alega que tinha limite de crédito através de conta garantida. Em novembro/95 (maior saldo credor) de R$24.002,11. 0 contribuinte comprova através do Banco Bradesco apenas R$4.761,92, após,saldo contábil conciliado (Termo de Verificação e Constatação Fiscal) vide saldo em 30/11/95) remanescendo R$19.240,19. [...] Arts. 1º , 2° e 3°, da Lei Complementar n° 70/91; Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; Art. 10 da Lei Complementar n°70/91; Art. 43 da Lei n° 8.541/92 alterado pelo art. 3 ° da Lei n°9.064/95. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 7398, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DA INEXISTÊNCIA DE SALDOS CREDORES NA CONTA CAIXA. Com dito no subitem 1.1, supra, o maior saldo credor da conta "CAIXA" apontado pelo I. AFRF, no importe de R$ 24.002,11, em novembro/95, foi apurado nos termos do "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" que acompanha a autuação, e onde, partindo do saldo dessa conta, verificado no inicio de cada mês, a ele são acrescidos os valores das entradas (decorrentes, essencialmente, do recebimento das duplicatas emitidas), de cuja soma são excluídas as saídas (despesas), apurando o saldo final do mês. Data venta, ainda que correta a sistemática adotada pelo I. AFRF, para a apuração dos reais saldos da conta "Caixa", os números constantes do quadro demonstrativo "Fluxo de Caixa" [...], por ele elaborado, e que, sintetizado, deu origem ao quadro inserido no referido "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", não estão corretos, como a seguir se demonstra. De fato, de modo a confirmar a assertiva constante do subitem precedente, tomemos o levantamento referente ao mês de janeiro/ 95, constante do demonstrativo "Fluxo de Caixa": admitindose como corretos os valores correspondentes às despesas (códigos 10031 a 60015), e limitando o exame apenas 6 conta 10017 Duplicatas a Receber, verificase que, nesse mês, foi considerado como ingresso, a esse titulo, o valor de R$ 110.299,55, e, como saída, o valor de R$ 15.306,73 (relativo a estornos), quando, na realidade foi recebido o valor total de R$ 185.770,70, assim apurado, conforme cópia do livro "RAzii0" inclusa (doc. no 04): 1. Saldo da conta em 01/01/95 R$162.505,49 2. Duplicatas emitidas R$113.424,95 3. Valores a débito (estornos) R$15.306,73 4: Saldo da conta em 31/01/95 R$105.316,47 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 546 5 5. (1 + 2 + 3 4) duplicatas recebidas R$185.920,70 6. Lançamento de estorno (20/01/95) R$150,00 7. (4 —5) duplicatas recebidas — ingressos R$185.770,70. Ou seja, esse valor de R$185.770,70 corresponde ao montante das duplicatas efetivamente recebidas nesse mês de janeiro/95. Ressaltese que esse valor corresponde àquele resultante da soma, dia a dia, das quantias lançadas a crédito da conta ("10100 Duplicatas a Receber") e a débito das contas "Bancos" e "Caixa". Cumpre registrar que esse erro também foi cometido nos meses de fevereiro, março, junho, agosto, setembro e dezembro de 1995, motivo pelo qual a Impugnante, partindo dos valores constantes do referido demonstrativo "Fluxo de Caixa", elaborado pelo I. AFRF, onde se aceitam como corretos tanto os valores das contas de códigos 10031 a 60033 (entradas) quanto aqueles das contas de códigos 10031 a 60015 (saídas), promoveu a feitura dos quadros demonstrativos "Montantes das Duplicatas Efetivamente Recebidas" e "Fluxo de Caixa Efetivo” [...]. Pois bem, da simples análise desses demonstrativos, constatase que, em todos os meses, o saldo resultante é positivo, razão pela qual inexistem saldos credores a tributar. Entretanto, ainda que efetivamente ocorrida a omissão de receita visualizada pelo I. AFRF, decorrente dos saldos credores que julgou ter encontrado, o que a Impugnante aceita tão somente por amor ao debate, mesmo assim seria indevida a exigência tributária. É o que será adiante demonstrado. DAS INCONSTITUCIONAIS DISPOSIÇÕES DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541 192. Os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, com alterações introduzidas pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 492/94 (e sucessivas reedições), convertida pela Lei n° 9.064, de 21/06/95, e pelo artigo 62 da MP nº 812/94, convertida pela Lei n° 8.891, de 20/01/95, têm a seguinte redação:[...] Data maxima venia, ainda que as exigências tributárias referidas nos dispositivos legais transcritos tenham sido denominadas de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (artigo 43, caput), e de Imposto de Renda da Pessoa Física devido exclusivamente na fonte (artigo 44, e seu § 1°), o certo é que o fato gerador desses impostos não se coaduna com aquela expressamente prevista no artigo 43 do Código Tributário Nacional para esse tributo, o que caracteriza a criação de imposto ao arrepio do disposto no artigo 154, I, da CF/88. O mesmo ocorre com referência ao tributo ali denominado de Contribuição Social sobre o Lucro (artigo 43, § 2°), porquanto o seu fato gerador está em desconformidade com aquele estabelecido no artigo 195, I, da CF/88 e no artigo 1° da Lei n° 7.689/88, qual seja, o lucro das pessoas jurídicas, e cuja base de cálculo é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (artigo 2°) [...]. Ou seja, o artigo 153, III, combinado com o artigo 146, III, "a", da Constituição Federal de 1988, outorga competência à lei complementar para estabelecer a definição do fato gerador, base de cálculo e sujeito passivo do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. 0 Código Tributário Nacional, por Fl. 546DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 547 6 sua vez, definiu o núcleo do fato gerador (hipótese de incidência) desse tributo nos seguintes termos: [...]. Com outras palavras, o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza incide sobre o acréscimo patrimonial que esteja disponível econômica ou juridicamente à pessoa que o adquire, correspondendo, na pessoa jurídica, ao lucro obtido em período de tempo delimitado por lei. No que diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), conformase ela com as disposições do artigo 149, combinado com o artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, e Lei n° 7.689/88, incidindo, como o próprio nome indica, sobre o lucro da pessoa jurídica (artigo 1°) e tem como base de cálculo o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (artigo 2°). E dizer, possuem o Imposto de Renda e a CSLL a mesma base de cálculo, qual seja, o lucro, consoante pronunciamento do E. Supremo Tribunal Federa1. Ora, o imposto de que trata o artigo 43, caput, da Lei n° 8.541/92, à alíquota de 25%, tem como fato gerador a obtenção de receita bruta, sendo a sua base de cálculo o valor dessa receita, não correspondendo, pois, ao fato gerador do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), que é a aquisição de renda, considerada esta como a diferença entre a receita bruta e os custos e despesas, não obstante lhe tenha sido dada esta denominação. De outra parte, o imposto a que se refere o artigo 44, § 1°, da mesma Lei no 8.541/92, que tem como fato gerador o presumido auferimento, pela pessoa física do sócio, do mesmo montante de receita bruta omitida pela empresa da qual faz parte, tributada "exclusivamente" na fonte à alíquota de 35%, ainda que denominado Imposto de Renda na Fonte", não corresponde àquele Imposto de Renda previsto no artigo 43 do C.T.N., pois este, como já demonstrado, tem como fato gerador a renda liquida, que corresponde receita bruta menos as deduções e abatimentos. Por último, há de se convir que o tributo referido no artigo 43, § 2°, da Lei n° 8.541/92 (cujo fato gerador é o auferimento, pela pessoa jurídica, de receita bruta, tributada à alíquota de 10%), igualmente não corresponde à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), ainda que assim denominado, posto que esta tem como fato gerador, nos termos do artigo 2° da Lei no 7.689/88, o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda, resultado esse que, à evidência, não se confunde com a obtenção de receita [art. 4º do Código Tributário Nacional e art. 154 e art. 195 da Constituição Federal ...] Ora, a criação dos tributos constantes dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 incidiu na dupla proibição: além de terem sido instituídos mediante lei ordinária, têm fato gerador idêntico ao do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto Sobre Circulação De Mercadorias e Serviços (ICMS), qual seja o recebimento de receita pela prestação de serviços ou venda de bens, como também têm base de cálculo idêntica a destes impostos e das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o Programa de Integração Social (PIS), que é a receita bruta. Diante de todo o exposto [...] revelandose absolutamente inconstitucional a exigência tributária, relativa ao anocalendário de 1995, feita com base nos malsinados artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, o que retira a validade, nesse aspecto, dos autos de infração impugnados. Finalmente, cumpre acrescentar que o próprio Poder Executivo, ciente da inconstitucionalidade dos aludidos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, inseriu, no Fl. 547DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 548 7 artigo 35 do projeto que deu origem à Lei no 9.249/95, a revogação desses dispositivos legais tanto que, com referência ao anocalendário de 1996, como se pode ver dos autos de infração ora impugnados, a tributação da pretensa omissão de receita foi efetivada de acordo com o regime de tributação a que estava submetida a Impugnante (no caso, o lucro presumido), seja quanto ao Imposto de Renda, seja quanto à CSLL, e sem qualquer exigência quanto ao Imposto de Renda exclusivamente na Fonte. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: A vista de todo o exposto, verificase a total improcedência da exigência tributária, tendo em vista que inocorreu qualquer omissão de receita, já que inexistem os saldos credores apontados pelo I. ARFR. Igualmente, ainda que de omissão de receita se tratasse, não teria cabimento a exigência do IRPJ, do IRE e da CSLL, com relação ao anocalendário de 1995, calcada nos artigos 43 e 44 da Lei no 8.541/91, seja porque, com o advento da Lei n° 9.249/95, ditos dispositivos legais não mais podem ser aplicados, à vista do disposto no artigo 106 do C.T.N., seja porque são absolutamente inconstitucionais. Finalmente, ainda que possível a autuação, igualmente descaberia a incidência dos juros moratórios em percentual superior a 1% ao mês, já que é inconstitucional a cobrança da taxa Selic, razões essas mais do que suficientes para autorizar o cancelamento da exigência tributária, o que fica aqui requerido. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPOI/SP nº 16 23.462, de 12.11.2009, fls. 393404: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 SALDO CREDOR DE CAIXA Não sendo apresentados os documentos solicitados pela diligência, para provar, como alega a Impugnante, que o saldo apurado pela fiscalização estava errado, prevalece o apurado durante os trabalhos de auditoria fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. TAXA SELIC. Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados. AUTOS REFLEXOS IRRF, PIS, COFINS e CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente Fl. 548DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 549 8 Crédito Tributário Mantido Notificada em 01.12.2009, fl. 409, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.12.2009, fls. 410432, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: DA PERDA DO DIREITO DE LANÇAR (DECADÊNCIA) DE TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. QUE PODE SER ARGUIDA A QUALQUER TEMPO. Como se verifica nos autos de infração, correspondentes ao IRPJ, IRRF, CSLL, COFINS e PIS, foram eles lavrados em 28/12/2000 e notificados à RECORRENTE após essa data, tendo base no fato gerador de 30/11/1995. Ora, diante desse fato, constatase a ocorrência do instituto da decadência, já que dita notificação deuse após o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados do respectivo fato gerador. Com efeito, os artigos 898 e 899 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), que cuidam da decadência do direito de lançar tributo, calcados nas disposições do Código Tributário Nacional, estabelecem, [...] No caso do IRPJ e da CSLL com base no presumido, é certo que se tratam de tributos lançados por homologação, consoante determinado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, mediante a Nota MF/SRF/COSIT N° 577, de 24/08/2000, que trata dos "Tributos e contribuições federais. Decadência. Termo inicial", nos seguintes termos: (...) 6. Conjugada tal ilação com o disposto no art. 150 do CTN, temos que somente sujeitamse as normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. (...). 8. A vista dessas considerações, passase A definição individualizada do termo inicial para a contagem do prazo decadencial referente aos tributos e contribuições administrados pela SRF. 8.2 Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) a) com pagamento de imposto o prazo decadencial começa a fluir na data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40, do CTN); (...)." De outro lado, segundo a doutrina dominante, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL), aplicase o lançamento por homologação, cujo prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou, na falta de pagamento, o dia primeiro de janeiro do ano seguinte, nos termos do artigo 173, I, do mesmo Código. [...] Acrescentese, mais, que aquele Tribunal Administrativo, em decisões mais recentes, reafirmou a circunstancia de que o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 550 9 seja para o IRPJ, seja para a CSLL, tem inicio na data da ocorrência do respectivo fato gerador, consoante se pode observar das ementas a seguir transcritas: [...]. De outra parte, inexistem dúvidas quanto ao fato de que o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF), a Contribuição Para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), são tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, que, igualmente, amoldamse à sistemática do lançamento por homologação. [...] Sendo assim, e considerando que a Recorrente efetuou, nos prazos deferidos por lei, o pagamento dos tributos objeto da autuação, não restam quaisquer dúvidas quanto à fixação do termo inicial do prazo de decadência na data dos respectivos fatos geradores apontados nos autos de infração lavrados, qual seja, 30111/1995, com o que ocorreu, para a Fazenda Nacional, com referência aos mencionados tributos, na data de 30/11/2000, a perda do direito de lançar (decadência), tendo em vista que a notificação respectiva foi efetivada apenas em 30/12/2000. E, a comprovar a efetivação do recolhimento, em Dez/1995, dos aludidos tributos, a Recorrente anexa ao presente recurso cópias dos DARF respectivos [...], onde se constata que aqueles referentes ao fato gerador 30/11/1995, foram devidamente recolhidos nas datas dos também respectivos vencimentos. OS ARTS. 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95, NÃO TÊM APLICAÇÃO EM FACE DO DISPOSTO NO ARTIGO 106 DO CTN. [...] Na impugnação oferecida, a Recorrente, com referência à utilização dos artigos 43 e 44 da LEI N° 8.541/92 para fundamentar a autuação, argumentou: a) [...] que ditos dispositivos eram inconstitucionais; b) que dita tributação, neles baseada, tinha efeito confiscatório, e c) [...] que, "ainda que constitucionais, os arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, revogados pela Lei n° 9.249/95, não têm aplicação em face do art. 106 do CTN". A DECISÃO RECORRIDA E A INVALIDADE DO QUE NELA SE CONTÉM. DA OMISSÃO NELA EXISTENTE E 0 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE. [...] Como se observa, o I. Relator do processo na primeira instância administrativa, limitouse a examinar, exclusivamente, os argumentos [...] relativamente é alegação de inconstitucionalidade, deixando, convenientemente, de examinar aqueles constantes da alínea c, dada â sua inconveniência para os seus objetivos de manter a autuação a qualquer preço. Com efeito, [...], ainda que se admitisse a constitucionalidade dos referidos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, não teriam aplicação no caso da Recorrente, visto que, por tratarem de penalidade aplicada ao contribuinte, em face da omissão de receita, a sua revogação pela Lei n° 9.249/95 tem aplicação retroativa, à vista do disposto no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, [...]. Pois bem, ao não apreciar o referido argumento, que foge à discussão sobre inconstitucionalidade de lei, tanto que o Conselho de Contribuintes o vem fazendo em iterativa jurisprudência (adiante mencionada), a I. autoridade julgadora de primeira instância infringiu as disposições do artigo 31 do Decreto n° 70.235/72 ("A Fl. 550DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 551 10 decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de Intimação, devendo referirse, expressamente a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências"), o que caracteriza o cerceamento do direito de defesa da Recorrente. [...] Diante do exposto, e considerando a inobservância das disposições constantes do artigo 31 do Decreto n° 70.235/72, que acarretaram o cerceamento do direito de defesa da Recorrente, gerado pela omissão no julgamento da lide, cumpre seja decretada a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na devida forma [...]. Assim, mesmo que entenda essa C. Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não ter ocorrido a decadência (o que se admite tão somente para argumentar), ainda assim não teria validade a autuação realizada, em face da inaplicabilidade dos aludidos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, razão pela qual devem ser cancelados os autos de infração lavrados. DO MÉRITO. DA INEXISTÊNCIA DE SALDOS CREDORES NA CONTA "CAIXA". [...] Como argumentado na impugnação, e mencionado no [...], supra, o maior saldo credor da conta "Caixa" apontado pelo I. AFRF, no importe de R$24.002,11, em nov/95, foi apurado nos termos do "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" que acompanha a autuação, e onde, partindo do saldo dessa conta, verificado no inicio de cada mês, a ele são acrescidos os valores das entradas (decorrentes, essencialmente, do recebimento das duplicatas emitidas), de cuja soma são excluídas as saídas (despesas), apurando o saldo final do mês. Data venha, ainda que correta a sistemática adotada pelo I. AFRF, para a apuração dos reais saldos da conta "Caixa", os números constantes do quadro demonstrativo "Fluxo De Caixa" [...], por ele elaborado, e que, sintetizado, deu origem ao quadro inserido no referido "Termo de Verificação e Constatação Fiscal.", não estão corretos, como a seguir se demonstra. De fato, de modo a confirmar a assertiva, tomemos o levantamento referente ao mês de jan/95, constante do demonstrativo "Fluxo De Caixa": admitindose como corretos os valores correspondentes As despesas (códigos 10031 a 60015), e limitando o exame apenas A conta 10017 Duplicatas a Receber, verificase que, nesse mês, foi considerado como ingresso, a esse titulo, o valor de R$110.299,55, e, como saída, o valor de R$15.306,73 (relativo a estornos), quando, na realidade foi recebido o valor total de R$185.770 70, assim apurado, conforme cópia do livro "Razão" inclusa (doc. n° 04) anexo A impugnação): 1. Saldo da conta em 01/01/95 R$162.505,49 2. Duplicatas emitidas R$113.424,95 3. Valores a débito (estornos) R$15.306,73 4. Saldo da conta em 31/01/95 R$105.316,47 5. (1 + 2+ 3 4) duplicatas recebidas R$185.920,70 6. Lançamento de estorno (20/01/95) R$150,00 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 552 11 7. (4 5) duplicatas recebidas ingressos R$185.770,70. Ou seja, esse valor de R$185.770,70 corresponde ao montante das duplicatas efetivamente recebidas nesse mês de Jan/95. Ressalte se que esse valor corresponde àquele resultante da soma, dia a dia, das quantias lançadas a crédito da conta ("10100 Duplicatas A Receber") e a débito das contas "Bancos" e "Caixa". Cumpre registrar que esse erro também foi cometido nos meses de fevereiro, março, junho, agosto, setembro e dezembro de 1995, motivo pelo qual a Recorrente, partindo dos valores constantes do referido demonstrativo "Fluxo de Caixa", elaborado pelo I. AFRF, onde se aceitam como corretos tanto os valores das contas de códigos 10031 a 60033 (entradas) quanto aqueles das contas de códigos 10031 a 60015 (saídas), promoveu a feitura dos quadros demonstrativos "Montantes das Duplicatas Efetivamente Recebidas" e "Fluxo de Caixa Efetivo", apenso à impugnação [...]. Pois bem, da simples análise desses demonstrativos, constatase que, em todos os meses, o saldo resultante é positivo, razão pela qual inexistiam saldos credores a tributar. A DECISÃO RECORRIDA E A INVALIDADE DO QUE NELA SE CONTÉM. A D. autoridade julgadora de primeira instancia, ao analisar o processo, A vista da argumentação acima exposta, houve por bem determinar a realização de diligência, "de maneira a sanar as dúvidas então surgidas, diligência essa que visou esclarecer a ocorrência da efetividade dos recebimentos alegados pela interessada, de forma a propiciar condições a esta Turma de Julgamento de se manifestar, de forma segura, sobre a lide posta". Realizada dita diligência, houve por bem o I. Relator do acórdão recorrido ignorar, por completo, a argumentação oferecida pela Recorrente, seja na impugnação, seja na manifestação constante da petição protocolizada em 23/07/2009, e aceitar as ponderações pouco éticas efetivadas pelo AFRF que a realizou, para concluir pela existência de omissão de receitas, não obstante as impossibilidades materiais ali demonstradas. Com efeito, em resposta As intimações que lhe foram dirigidas, em 25/10/2005, 22/12/2005 e 17/01/2006, a Recorrente apresentou a petição de fls. 114/116, datada de 03/02/2006, onde demonstrou cabalmente, mediante a apresentação dos extratos das contascorrentes mantidas nas instituições financeiras Bradesco e Bamerindus que os recebimentos mensais, pela via bancaria, eram superiores aqueles indicados no demonstrativo "Fluxo de Caixa" levantado pela d. fiscalização. De fato, os extratos de fls. 117 a 236 (Bradesco) e aqueles de fls. 237 a 238 (Bamerindus) apresentam histórico onde claramente se observa que correspondem ao recebimento de duplicatas ("liquidação de cobrança"), ali devidamente assinalados, cuja soma, no mês de Jan/1995, de R$160.996,63, supera em R$49.197,08 aquela de R$111.799,55, incluída no aludido "Fluxo de Caixa", com o que aquele maior saldo credor, em nov/1995, de R$24.002,11, transformase no saldo devedor de R$25.194,97 ( R$24.002 11 + R$49.197,08). Com outras palavras, somandose os valores constantes dos extratos bancários fornecidos pelo Banco Bradesco (fls. 117/236), sob a rubrica "Liquidação de Cobrança", verificase que foi recebida, no mês JAN/95, a quantia de R$ Fl. 552DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 553 12 132.628.49. De outra parte, no que diz respeito ao Banco Bamerindus, somandose aquelas recebidas sob a rubrica "Liq. Cobr Dinhei", apurase um importe de R$ 28.368,14 (fls. 237/288), no total apontado de R$160.996 63. Cumpre salientar que tais valores foram devidamente contabilizados a débito das contas "10007 Banco Bradesco S.A." (fls. 289/310) e "10012 Banco Bamerindus S.A." (fls. 311/329), e a crédito da conta "10017 Duplicatas a Receber", cuja cópia constitui o doc. n° 04 anexo â impugnação oferecida, isto sem levar em conta outros valores recebidos a esse titulo, devidamente sublinhados em vermelho nos referidos extratos. Portanto, independentemente de quaisquer outras considerações, isto 6, sem se levar em conta os demais recebimentos de duplicatas, em cheque, pela empresa, posteriormente depositados, e admitindose apenas, aqueles efetivados pela via bancária, ocorridos no mês Jan/95, correspondente as duplicatas recebidas, temse, adotandose os critérios utilizados no referido "Fluxo de Caixa", comprovada a inexistência de saldos credores nessa conta, com o que restou plenamente caracterizando a improcedência da apuração do saldo credor em Nov/95, de R$24.002,11. Como se viu, a Recorrente demonstrou, plenamente, que o valor apontado, de R$110.299,55, no mês de JAN/1995, como "Entrada", sob a rubrica "Dup. a Receber", no demonstrativo "Fluxo de Caixa" que acompanhou o auto de infração lavrado, não correspondia ao efetivo valor ingressado, de R$ 160.996,63, o que fez mediante a juntada dos extratos bancários respectivos, onde constavam sob as rubricas "Liquidação de Cobrança" e "Liq. Cobr Dinhei", devidamente contabilizados [...] Não obstante tal demonstração, o I. AFRF autor da autuação e da diligência houve por bem intimála a apresentar "1. Expediente por escrito no qual esteja identificado o valor do saldo inicial da conta Duplicatas a Receber em 01/01/1995, relacionando cada uma delas pela ordem cronológica, com os respectivos valores, datas em que foram emitidas, datas em que foram recebidas e o efetivo ingresso dos correspondentes valores no Caixa/ Banco da empresa; indicar, ainda, os livros e fls. em que foram escriturados tais títulos." Data venha, esse pedido não teve outro objetivo que não o de criar dificuldades para o reconhecimento de urna realidade patente, visto que tais informações já se encontravam em seu poder, como se demonstra. De fato, no que respeito ao "valor do saldo inicial da conta Duplicatas a Receber em 01/01/1995", a informação já havia sido prestada quando da realização da fiscalização, que não a colocou em dúvida no momento da elaboração do auto de infração respectivo. De outra parte, no que diz respeito A emissão das aludidas duplicatas, cumpre salientar, como já feito anteriormente, que o recebimento delas ocorria, com raríssimas exceções, exclusivamente pela via bancária. Ora, se foram recebidas por tal via, como cabalmente demonstrado acima, não há como colocar em dúvida a sua efetiva existência, como não se pode por em dúvida o seu efetivo recebimento, a não ser que o I. AFRF suspeite do conteúdo dos extratos bancários ali referidos, onde ditos recebimentos estão claramente apontados. Ou seja, não há como duvidar do efetivo recebimento, no mês Jan/1995, no montante de R$160.996,63, das duplicatas emitidas até 31/12/1994 e no mês de janeiro de 1995, a não ser que se admita que o Banco Bradesco, assim como o Banco Bamerindus, tenham participado de um conluio com a Recorrente, de modo a apontar falsamente, nos extratos bancários que emitiram, o recebimento e respectivo Fl. 553DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 554 13 crédito desses valores nas suas contascorrentes, o que, evidentemente, não tem sentido. Desse modo, não há como concordar com as conclusões a que chegou o I. AFRF no "Termo de Diligência Relatório Conclusivo" (integralmente acatado pela I. autoridade julgadora de primeira instância), tendo em vista que se encontram no processo todos os elementos necessários A comprovação de que o valor por ele apontado no demonstrativo "Fluxo De Caixa", como "entrada", sob a rubrica "Dup. a Receber", de R$110.299,55, não correspondia à realidade o fática, posto que tal valor, como provado, foi de R$160.996,63, cuja diferença justifica plenamente o falso saldo credor tributado, de R$24.002,11. Depois, o mesmo se pode dizer com referência aos meses seguintes, cujos valores se encontram devidamente assinalados nos extratos bancários de fls. 117/236 e 237/288 do processo. Portanto, decididamente, as conclusões contidas tanto no aludido "Termo De Diligência Relatório Conclusivo" quanto no acórdão recorrido não refletem a realidade dos fatos, e decorrem da necessidade exclusiva de tentar manter uma autuação absolutamente nula, que assim deveria ter sido declarada pela Delegacia Da Receita Federal de Julgamento. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, a Recorrente pede aos I. Conselheiros encarregados do exame e julgamento deste processo que examinem detidamente toda a argumentação acima exposta, quando então, constatada a improcedência da autuação, darlheão provimento, para desobrigála do recolhimento de quaisquer quantias. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2010, fls. 443453: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando a decisão de primeira instância não modifica o fundamento legal originalmente indicado nos lançamentos. DECADÊNCIA. O início do prazo decadencial é determinado pelo inciso I do art. 173 do CTN, quando o pagamento antecipado não é comprovado. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para elidir a motivação fiscal do procedimento, Fl. 554DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 555 14 tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício não contém incorreções. CSLL, IRRF, PIS e COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Notificada em 08.07.2011, fl. 461, a Recorrente opôs embargos de declaração em 13.07.2011, fls. 462472 com seguintes alegações: A CONTRADIÇÃO E OMISSÃO EXISTENTES NO ACÓRDÃO EMBARGADO, RELATIVAMENTE A DATA DO FATO GERADOR EM FACE DA DECADÊNCIA. A Embargante [...] arguiu ter ocorrido, para a Fazenda Nacional, a perda do direito de lançar (decadência), com base nos seguintes fatos: a) os lançamentos tributários (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRFON) foram, todos, realizados com base no fato gerador de 30/11/1995, a incidir sobre a quantia de R$19.240.19, tida como omitida, como se vê nos autos de infração respectivos; b) argumentou, no recurso, que se aplicava, a esses tributos, o lançamento por homologação, o que foi admitido às fls. 427 do acórdão embargado; c) argumentou, mais, que, o termo final do prazo decadencial teria ocorrido em 30/1112000, por força do disposto no artigo 899 do RIR/99 (calcado no 150, § 4°, do CTN) visto que os aludidos autos de infração lhe foram notificados em 28/12/2000, e d) comprovou, mediante a juntada de copias dos DARF respectivos docs. nos. 01 a 05, anexos ao referido recurso), haver recolhido o IRPJ, a CSLL, Pis e a Cofins cujos fatos geradores ocorreram em 30/11/1995. No entanto, no referido acórdão, a sua I. Relatora, para afastar a incidência da decadência, assim se manifestou, às fls. 427: "Cabe esclarecer que os presentes Autos de Infração tratam de tributação com base no lucro presumido trimestral. E fato notório que os tributos constantes nos Autos de Infração estão sujeitos ao lançamento por homologação. O prazo decadencial referente ao quarto trimestre do anocalendário de 1995 tem inicio em 01/01/1996 e a Recorrente foi cientificada dos Autos de Infração em 28/12/2000, fls. 06, 10, 14, 18 e 22. Desse modo, como não transcorreu o prazo de decadência de cinco anos, não tem fundamento o reconhecimento da decadência." [...] Ora, é certo que a tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, vigorante no anocalendário de 1994, quer sobre o lucro real, quer sobre o lucro presumido, era mensal, em face do contido nos artigos 25, 26 e 27 da Lei n° 8.981/95 (conversão da Medida Provisória n° 812/94). O mesmo se aplicava à CSLL, em face do disposto no artigo 57 dessa mesma lei. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 556 15 Vale dizer, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, somente havia o fato gerador mensal, mesmo porque não estavam sujeitas A apuração de saldo a pagar, isto é, a qualquer ajuste, quer do IRPJ, quer da CSLL., por força do disposto no artigo 37 dessa mesma lei, nos seguintes termos: "Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar (...), apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano calendário (...) [...] De outra parte, e o mais importante, a tributação trimestral do IRPJ e da CSLL. somente foi introduzida a partir de 01/01/1997, por meio da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: "Art. 1° A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apurado trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta lei." Desse modo, quer crer a Embargante que a contradição existente no acórdão, quando a I. Relatora esclarece que o processo cuida de "tributação com base no lucro presumido trimestral" decorreu de mero descuido, que cumpre seja agora corrigido. Finalmente, no que diz respeito à invocada omissão, verificase que no acórdão a I. Relatora deixou de manifestarse quanto à decadência do Pis e da Cofins, cujos fatos geradores, ocorrido em 30/11/1995, eram e continuam sendo mensais. A CONTRADIÇÃO EXISTENTE NO ACÓRDÃO QUANTO A INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95. No acórdão embargado, a sua I. Relatora, para contestar o argumento da Embargante, quanto à inaplicabilidade dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, em face da sua revogação pela Lei nº 9.249/95, assim se manifestou: [...] Assim, a Lei n° 8.981, de 1995 e a Lei n°8.541, de 1992, aplicamse aos lançamentos, cujos fatos geradores ocorreram em 30/11/1995. Não se impõe, por isso, as disposições de retroatividade constantes no art.106 do CTN. Não devem ser aplicadas retroativamente as disposições da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. [...] Pois bem, ao examinar a decadência, arguida pela Embargante, a I. Relatora entendeu que os fatos geradores dos tributos exigidos ocorreram em 31/12/1995 ("o prazo decadencial referente ao Quarto trimestre do anocalendário de 1995 tem inicio em 01/01/1996, e a Recorrente foi cientificada dos Autos de Infração em 28/12/2000"), enquanto que, aqui, para negar a aplicação retroativa da Lei n°9.249, de 26112/1995, argumenta que o fato gerador deuse em 30/11/1995, contradição essa que cumpre seja esclarecida. A OBSCURIDADE DO ACÓRDÃO QUANTO A INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 557 16 Como se vê no acórdão embargado, parcialmente transcrito no SUBITEM 2.1, acima, a sua I. Relatora considera que a Lei n° 9.249/95 não poderia ser aplicada retroativamente por força do disposto no artigo 144 do CTN, porque esse diploma legal foi editado em 26/12/1995, enquanto o fato gerador ocorreu em 30/11/1995. Pelo que se depreende desse entendimento, que, ao que se presume, leva em conta, exclusivamente, a cronologia da edição, nenhuma lei posterior, que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, teria condições de incidir sobre a lei anterior, mais severa, o que tornaria absolutamente inútil as disposições do artigo 106, II, c, do CTN), obscuridade essa que cumpre esclarecer. A OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO A INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95. Como dito acima, a I. Relatora do acórdão embargado, para ação retroativa à Lei n° 9.249/95, que revogou os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 [...] expõe, como razão de decidir, que "Não devem ser aplicadas retroativamente as disposições da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995", sem fundamentar a assertiva, o que contraria, frontalmente, as disposições do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72 [...]. Assim sendo, e considerando que o acórdão embargado limitase a fazer afirmativas sem justificálas, cumpre seja ele reexaminado pa To que seja suprida a referida omissão. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Em face do exposto, espera a ora Embargante [...] que essa [...] Turma [...] receba e acolha os presentes embargos de declaração, para sanar as mencionadas contradições, obscuridade e omissões, com a conseqüente modificação do acórdão embargado, de modo que a decisão de segunda instância não corresponda à mera reprodução do que ficou decidido pela autoridade de primeira instância. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o princípio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência, em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801000.241, de 10.07.2013, fls. 477482: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios propostos pela contribuinte e, no mérito, converter o novo julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. [...] para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente instruir os autos com as cópias dos DARF que comprovem os pagamentos antecipados efetuados de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins e da DCTF entregue relativamente ao fato gerador ocorrido em 30.11.1995, informações estas extraídas dos registros internos da RFB. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 558 17 A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Foi proferido a Informação Fiscal, fls. 509512, da qual a Recorrente foi regularmente notificada, permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pela pessoa jurídica, TAF Indústria de Plásticos Ltd, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em preliminar, a Embargante destaca que os lançamentos de IRPJ, CSLL, IRRF, Pis e Cofins referentes ao fato gerador mensal ocorrido em 30.11.1995 foram alcançados pela decadência. Sobre a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, assim determina: Art. 27. Para efeito de apuração do Imposto de Renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Temse que no período de 01.01.1995 a 01.01.1996 a apuração do IRPJ e CSLL pelo regime de tributação com base no lucro presumido foi mensal, nos termos dos arts. 27 a 32 e 44 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que produziu efeitos a partir de 01.01.1995. A começar em 01.01.1997, ocasião em que iniciaram os efeitos dos art. 1º e 25 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a determinação do IRPJ e da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro presumido passou a ser trimestral. Atinente a ocorrência do fato gerador de PIS, a Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, prevê: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 559 18 Art. 1.º É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. [...] Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: [...] b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (Vide Lei Complementar nº 17, de 1973) [...] 4) no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,50%. Por sua vez a Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, fixa: Art. 1º A parcela destinada ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social, relativa à contribuição com recursos próprios da empresa, de que trata o art. 3º, letra b, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, é acrescida de um adicional a partir do exercício financeiro de 1975. Parágrafo único O adicional de que trata este artigo será calculado com base no faturamento da empresa, como segue: [...] b) no exercício de 1976 e subseqüentes 0,25 No que se refere a ocorrência do fato gerador de Cofins, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, prevê: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Relativamente a ocorrência do fato gerador de IRRF, a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, ordena: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 560 19 § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. Por seu turno, a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, prescreve: Art. 62. A partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do Imposto de Renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%. Em conformidade com os excertos da legislação transcrita, a ocorrência do fato gerador do PIS, da Cofins e do IRRF é mensal. Restou esclarecido que em 30.11.1995 houve a ocorrência dos fatos geradores de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, em conformidade os créditos tributários constituídos pelo lançamento de ofício nos presentes autos. Nesse sentido, a análise da decadência deve ter como parâmetro essa circunstância. O Código Tributário Nacional determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Analisando a objeção de decadência, vale esclarecer que é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial de cinco anos começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 561 20 Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. A Recorrente instruiu os autos com as cópias dos DARF de fls. 436437, oportunidade em apresenta um forte indício que conduz ao conhecimento da situação real do fato de que pode haver pagamentos antecipados efetuados em relação aos tributos objeto dos lançamentos no período objeto da ação fiscal. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é imprescindível a comprovação de que houve pagamentos antecipados efetuados de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins relativamente ao fato gerador ocorrido em 30.11.1995, como condição para aplicação do termo inicial de decadência previsto no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se tornou imprescindível para esclarecer a situação fática. Está registrado na Informação Fiscal, fls. 509512: Foram requisitados da recorrente, através de Intimação Fiscal que este prestasse os esclarecimento, bem como, cópias dos “Darf´s” que comprovem os recolhimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, do Pis e da Cofins alegados e que foram objeto daquela ação fiscal pretérita”. Simultaneamente, efetuamos pesquisas no Sistema da Receita Federal– SINAL08, 1RPE (Consulta Pagamento). No qual localizamos os registros de pagamentos efetuados pelo contribuinte, nas datas correspondentes às folhas (juntei folhas pesquisa SINAL 08), confeccionei Planilha, conforme quadro abaixo: DT ARREC BCO/AGEN DT VENC Cód Ref. VALOR SIT 28/12/1995 237/0229 28/12/1995 2089 1.670,35 ORI 28/12/1995 237/0229 28/12/1995 2484 1.336,40 ORI 13/12/1995 399/0207 13/12/1995 0561 3,19 ORI 28/12/1995 237/0229 28/12/1995 0561 182,16 ORI 3279 18,22 TOTAL 200,38 20/05/1996 237/0229 20/05/1996 8109 1.002,21 ORI 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 2 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 562 21 Confrontando os valores constantes dos documentos (Draf´s) fornecidos pelo contribuinte diligenciado, com os registro dos valores dos pagamentos/recolhimentos do SISTEMA SINAL 08, da Receita Federal, conforme Demonstrativo acima se constata que houve pagamentos antecipados efetuados em relação aos tributos lançados no período objeto da ação fiscal, conforme relato do terceiro parágrafo, fls. 482, da Resolução n° 1801000.241. Oficiamos o Senhor Gerente da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, da Seção Judiciária de SANTOS/SP, através do OFÍCIODRF/SANTOS/SEFIS N° 8/2014, para informar se o depósito o depósito judicial no valor de R$2.672,82, referente a COFINS, do Período de apuração 11/95 efetuado pela empresa ANTI QUEDA COMÉRCIO DO VESTUÁRIO LTDA, [CNPJ 60.143.104/000187] em 15/12/1995, à ordem da Justiça Federal, através da GUIA DE DEPÓSITO A ORDEM DA JUSTIÇA FEDERAL, PROCESSO N° 92.020.3207/6, se já tinha sido convertido em renda da União. Na reiteração do citado ofício a Caixa Econômica Federal informou, através do Ofício n 1317/2014 – Agência 2206 – CEF, que foi efetuado a conversão do depósito Judicial em favor da UNIÃO FEDERAL, através da guia DARF sob o código 2836 na data de 25/10/1999, por ordem da 1ª Vara da Justiça Federal em santos, ofício 1374/99, datado de 07/10/1999. Valor levantado R$3.446,60. Documento de Levantamentos Judiciais Para Arquivo de Agencia Conta Número Período Apuração Data Depósito Alvará n° PROCESSO N°. 92.02030276 14.6052 nov/95 15/12/1995 1374/99 1a. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL Valor Depositado R$2.672,82 Valor Levantado 3.446,60 Desta forma, concluída a presente diligência fiscal, constatado que houve recolhimentos dos imposto e contribuições, daqueles períodos de apurações e nas respectivas datas de vencimentos, bem como, o levantamento do deposito da Cofins, depositado à ordem da Justiça Federal e de sua conversão em renda da União. Juntei cópia dos documentos enviados pela Caixa Econômica Federal. Temse que os código referemse: (a) 0561 – IRRF, (b) 2089 – IRPJ, (c) 2484 – CSLL e (d) 8109 PIS. As exigências de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins dos créditos tributários referemse ao fato gerador ocorrido em 30.11.1995 e a Recorrente, CNPJ 60.143.104/000187, foi cientificada em 28.12.2000, fls. 06, 10, 14, 18 e 22. Temse como comprovados os pagamentos antecipados das exigências referentes ao período objeto da ação fiscal, conforme está explícito, claro e congruente na Informação Fiscal, fls. 509512. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e tendo em vista a existência de pagamentos antecipados, o prazo decadencial começou a fluir da ocorrência do fato gerador, e a data do qüinqüênio findouse em 01.12.2000. Desse modo, como a Recorrente, CNPJ 60.143.104/000187, foi cientificada em 28.12.2000, inferese que nesse dia já havia extinto o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10845.003447/0016 Acórdão n.º 1803002.486 S1TE03 Fl. 563 22 Temse que nos estritos termos legais que as exigências de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins dos créditos tributários referemse ao fato gerador ocorrido em 30.11.1995 foram alcançadas pela decadência, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para retificar o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.323, de 30.08.2010, fls. 443453 e para dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a decadência dos lançamentos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 563DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10183.006494/2005-10
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
Ementa:
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
No tocante à Área de Preservação Permanente, deve ser considerada a área de 200ha declarada pelo contribuinte e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada à margem da matrícula do registro do imóvel
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3201-000.137
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência
relativa a 200ha de área de preservação permanente, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros
Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli e Heroldes Bahr Neto, que davam provimento também nesta parte. Designada para redigir o voto vencedor, nesta parte, a Conselheira Anelise Daudt Prieto.A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que, quanto à área de reserva legal, dava provimento para acolher a área de 2.259,8ha, em segunda votação, aderiu à posição vencedora.
Nome do relator: José Luiz Feistauer de Oliveira – Relator ad hoc
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Recorrente MOZART ROSSI VILELA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. No tocante à Área de Preservação Permanente, deve ser considerada a área de 200ha declarada pelo contribuinte e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada à margem da matrícula do registro do imóvel Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência relativa a 200ha de área de preservação permanente, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli e Heroldes Bahr Neto, que davam provimento também nesta parte. Designada para redigir o voto vencedor, nesta parte, a Conselheira Anelise Daudt Prieto.A Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que, quanto à área de reserva legal, dava provimento para acolher a área de 2.259,8ha, em segunda votação, aderiu à posição vencedora. Joel Miyazaki – Presidente atual Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 164 2 José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luís Marcelo Guerra de Castro, Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Heroldes Bahr Neto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli , Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto na íntegra o relatório proferido pela DRJ/Campo Grande/MS, o qual passo a transcrever: “Exige-se do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR – DIAC/DIAT/2000, no valor total de R$ 681.558,90, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Jaçanã, com área total de 18.280,5 ha, com Número na Receita Federal – NIRF 0.744.099-5, localizado no município de Nova Maringá – MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 08, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03 e 06. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas, 200,0 ha de Preservação Permanente e 14.624,4 ha de Utilização Limitada, o interessado foi intimado a apresentar, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 18 a 20, diversos documentos. Alguns deles foram: Certidão ou Matrícula atualizada do imóvel, constando todas as averbações dos últimos 10 anos; relativamente às áreas de Utilização Limitada, documentos que as enquadrem como de Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou imprestável para atividade produtiva, declarada de interesse ecológico, tais como portarias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; Laudo técnico caracterizando as condições e dimensões da área de Preservação Permanente de acordo com a legislação pertinente, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA no prazo regulamentar para o exercício em análise, contendo as dimensões dessas áreas. Para comprovação da área objeto de implantação de Projeto Técnico, documentação por meio do qual o INCRA tenha, até 31/12/1999, reconhecido e declarado a área com tal características. Em resposta, através da carta de fls. 23, foram apresentados os documentos de fls. 24 a 77, entre eles: cópia de carta-laudo discriminando o imóvel, mapa da propriedade; cópia do Termo de Intimação; da DITR; do ADA e de matrículas do imóvel. No laudo, entre outros assuntos, foi explanado sobre imagem de satélite, que comprova a vegetação e pastagem. Explicou que foi autuado por suposta queimada sem autorização, cujo pagamento da multa está sendo discutido, bem como informa que o IBAMA não emitiu, até então, a certidão autorizando a averbação de 80,0% da área, por entender que existe uma pendência relativa ao Auto de Infração Ambiental. Esse fato, corroborado com as demais explicações, justifica a não averbação de Reserva Legal de 80,0% nas matriculas, não por falta de vontade e, sim, por impedimento do Órgão Ambiental. Relativamente à área objeto de implantação de projeto técnico comentou sobre a autorização para desmate de 30/04/1991, bem Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 165 3 como explicou o procedimento adotado na fazenda, destacando a recuperação natural de pastagem. Com a análise da documentação, relativamente às áreas isentas, a autoridade fiscal verificou que o laudo não discriminou, caso a caso, as de Preservação Permanente com base no enquadramento legal. Com referência à área de Utilização Limitada, apenas parte da dimensão declarada consta de averbação na matrícula do imóvel em data anterior à do fato gerador. Tendo em vista a referida constatação de ausência de comprovação no tocante à Preservação Permanente foi procedida à glosa da mesma; relativamente à área de Utilização Limitada foi aceita a dimensão constante de averbação e alterados demais dados conseqüentes. As razões de fato e de direito foram expostas pela autoridade lançadora para proceder às alterações. Apurado o crédito tributário foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência ao interessado, de acordo com o AR de fl. 78, foi dada em 26/12/2005. Em 23/01/2006 foi apresentado Laudo Técnico de Impugnação, fls. 82 a 91, no qual, após explanar sobre os fatos até aqui conhecidos, bem como reproduzindo parte do Auto de Infração, além da questão especifica do exercício 2000, área objeto de projeto técnico, o impugnante alegou, em síntese, o seguinte: Em da Área de Preservação Permanente, explanou sobre a legislação respectiva para dizer que a preservação permanente existe pelo só efeito da lei, não é preciso averbar e nem demarcar e prosseguiu no assunto, definindo esse tipo de área com base na lei e afirma que é exatamente o que ocorre no imóvel. Relativamente às matrículas comentou sobre as averbações. Lembrou da apresentação na primeira impugnação, inclusive com documentos comprobatórios e justificativas, que entende ser perfeitamente válidas a respeito do assunto. Disse resumir e reiterar sua argumentação, na qual, entre outros assuntos, afirma que em 2000, da área total, apenas 2.800,0 ha eram destinados à produção, vegetal e pastagem, o resto era mata nativa. Afirmou a existência de averbação de 50,0% de área de Utilização Limitada, que pela localização, Amazônia Legal, deverá ser de 80,0%. Na seqüência comentou sobre o ADA e, relativamente ao IBAMA, reiterou a questão da não emissão de certidão para averbação dos 80,0%. Repetiu que, como não foi ainda desmatada, ainda existe tal área, não havendo outra razão para não averbar na matrícula. Destacou que no ADA as áreas já estão declaradas e reiterou a questão da certidão do IBAMA. Nas considerações finais disse esperar ter expressado de forma compreensível a intimação e coloca-se a disposição para esclarecimentos que se fizerem necessários. Das fls. 95 a 98 constam providencias quanto à comprovação de identificação e assinatura do impugnante.” Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 166 4 Das fls. 111 a 120 constam o julgamento da DRJ Campo Grande – MS, o qual julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a qual passo a transcrever: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 Preservação Permanente - Reserva Legal Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matrícula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico específico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. Área Objeto de Projeto Técnico - Pastagem É possível considerar a parte da pastagem objeto de implantação de Projeto Técnico, a qual foi glosada pela ausência de comprovação do projeto, quando, na impugnação, se comprova que a mesma se tratava, de fato, de pastagem utilizada com animais e com recuperação natural. Lançamento Procedente em Parte” Às efls. 25/131 a 123, o Recorrente apresentou recurso voluntário, o qual sustenta que a ementa da decisão recorrida é clara no pertinente aos limites da controvérsia, no que tange a: (i) averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel; (ii) requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA, até seis meses após o prazo final para entrega da declaração do ITR e, por fim, (iii) laudo técnico específico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. O Recorrente ainda alega que as exigências apontadas nos itens “i” e “ii” foram sepultadas por verdadeira avalancha de decisões deste Conselho de Contribuintes, e quanto ao item “iii”entende bastante o que já está nos autos. Todavia, observado o princípio da verdade material, encomendou outro laudo técnico, constante em fls. 125 a 140. Por fim, em seu recurso, o Contribuinte requer o recebimento, processamento, conhecimento e, com fundamento no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que seja provido no mérito para julgar improcedente o lançamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 167 5 Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar o Acórdão nº. 3201-00.137, em razão de a relatora original deste processo, a ex- conselheira Nanci Gama, bem como a redatora do voto vencedor, a ex-conselheira Anelise Daudt Prieto, não mais integrarem nenhum dos Colegiados deste Conselho. Desta forma, tem-se que a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pela redatora designada para redigir o voto vencedor. A relatora original apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, a qual será integralmente adotada na presente formalização. Transcreve-se, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: “Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. Recorre o contribuinte do acórdão proferido pela 1ª turma da DRJ/CGE em Campo Grande – MS, que julgou o procedente lançamento, objeto do presente processo, consubstanciado no Auto de Infração em matéria de ITR – Imposto sobre Território Rural, exercício de 2001, referente ao imóvel denominado “Fazenda Jaçanã”, localizado no Município de Nova Maringá – MT. Com efeito, não foram aceitas pela fiscalização a área de preservação permanente, e área de reserva legal declaradas pelo Contribuinte, bem assim considerados em sua maior parte. Por conseguinte, no tocante à Área de Preservação Permamente, entendo por considerar a área declarada pelo contribuinte, e comprovada por laudo técnico produzido por engenheiro agrônomo com a devida ART, como sendo de 200,00 ha, e não de “zero” como considerado na decisão da DRJ de Campo Grande. Vale ressaltar, ademais, a não comprovação por parte do Fisco da inexistência da mata ciliar de Preservação Permanente, demonstrada em laudo técnico antes mencionado. Ressalte-se ainda que, não obstante entender que não há a necessidade de apresentação de ADA para comprovação da área de preservação permanente ou, até mesmo, da área de reserva legal, especialmente, quando demonstrada por outros meios de provas, o recorrente trouxe aos autos Ato Declaratório Ambiental – ADA, o qual consta a Área de Preservação Permanente como sendo de 200,00 ha, exatamente como por ele declarado. Quanto à Área de Reserva Legal entendo bastante o Laudo Técnico acostado aos autos e a Lei nº 4.771/65 – Código Florestal, para comprovar o sustentado pelo Recorrente no sentido de 80% da área do imóvel em questão ser de Reserva Legal devido ao fato da fazenda em voga encontrar-se em área de floresta localizada na Amazônia Legal, suprimindo, dessa forma, a exigência dos diversos documentos solicitados pelo Fisco para comprovação da Área de Reserva Legal, a ver: “Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 168 6 I-oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (...) §6 o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I-oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal;” Ressalto, ainda, que o Contribuinte alega que o IBAMA não emitiu a devida certidão autorizando a averbação de 80% da área de Reserva Legal, conforme disposto no art. 37 da Lei nº 4.771/65 – Código Florestal, devido a uma autuação por uma suposta queimada sem autorização, cujo pagamento da multa está sendo discutido em Auto de Infração Ambiental. Por todo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a Área de Preservação Permanente e a Área de Reserva Legal declaradas pelo Contribuinte.” Nestes termos, portanto, o voto proferido pela relatora original José Luiz Feistauer de Oliveira Voto Vencedor José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte já identificado, para exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo o total de R$ 681.558,90. Conforme se vê à efl. 5, o contribuinte teve glosada, em sua totalidade, a área de preservação permanente, declarada em 200ha, em razão de o laudo apresentado não haver discriminado a referida área. Foi também glosada a área de utilização limitada, declarada em 14.624,4ha, tendo a Fiscalização considerado a área de 6.220,07ha, em razão da não apresentação da averbação da área, em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, em data anterior ao fato gerador do ITR Este voto trata apenas da parte discordante em relação ao voto do relator, relativa à área de reserva legal, tendo em vista que a área de preservação permanente foi reconhecida por unanimidade de votos. Da Área de Reserva Legal Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 169 7 Razão não assiste ao contribuinte quanto à desnecessidade de averbação da área de reserva legal. Na apreciação de processos que tratavam dessa matéria, esta Conselheira, na linha do pensamento preconizado pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, vinha adotando o entendimento de que a comprovação da existência da área de reserva legal não estava condicionada à sua averbação na matrícula do registro do imóvel, podendo ser comprovada a sua existência por meio de outras provas idôneas. Todavia, refletindo melhor sobre o tema, passei a adotar entendimento diverso, firme em tal convicção e nos termos a seguir expostos. A Lei nº. 9.393/96 exclui a área de reserva legal da área tributável para fins de incidência do ITR, a saber: Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) A definição da área de reserva legal é dada pelo Código Florestal Brasileiro (Lei nº. 4.771/1965): Art. 1°. (...) (...) § 2 o Para os efeitos deste Código, entende-se por: (redação dada pela MP n o 2.166-67, de 24/8/2001) (...) III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; O art. 16 do Código Florestal normatiza a área de reserva legal em diversos aspectos, estabelecendo o seguinte: Art. 16 (...) § 2 o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (acrescentado pela MP n o 2.166-67, de 24/8/2001) Interpretar a norma é alcançar-lhe o sentido e não apenas ater-se ao mero significado literal das palavras. A lei não traz em si palavras inúteis, sendo que todos os termos nela utilizados desempenham uma função útil na disposição normativa. Assim, entender que o Código Florestal não cria a obrigação da averbação à margem da inscrição de matrícula do registro do imóvel da área de reserva legal é ater-se a uma interpretação extremamente Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 170 8 superficial e descabida. O fato de a lei utilizar-se da palavra “deve”, não quer dizer que não traz em si um comando. “Dever”, nos termos utilizados pela lei, não é mero aconselhamento, não é mero indicativo de uma possibilidade. Observe-se o disposto no §4º do mesmo artigo: § 4 o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (acrescentado pela MP no 2.166-67, de 24/8/2001) O mesmo diploma legal traz, neste parágrafo, outro momento em que se utiliza da palavra “deve” e, no entanto, não se há de interpretar que seja prescindível a aprovação da localização da reserva legal pelo órgão ambiental competente ou outra instituição devidamente habilitada, pois, se assim o fosse, qualquer pessoa poderia tomar uma área e atribuí-la como sendo de reserva legal, sem nenhuma aprovação prévia do Poder Público. Do mesmo modo, não pode o órgão responsável, ao aprovar a localização de uma reserva legal, prescindir de avaliar a função social da propriedade, simplesmente por entender que a palavra “deve” não lhe imputa uma obrigação. Assim, a pretensa área de reserva legal cuja localização não tenha sido aprovada pelo órgão ambiental competente, nos termos do §4º do art. 16 do Código Florestal, poderá ser qualquer outra área, mas nunca será a área de reserva legal caracterizada na lei, vez que para assim ser considerada e gozar de todas as prerrogativas que a legislação lhe confira, será necessário obedecer àquela determinação. Do mesmo modo, a pretensa área de reserva legal que não esteja averbada à margem da matrícula do registro do imóvel, nos termos do §8º do art. 16 da Lei nº. 4771/1965, também poderá ser qualquer outra área, mas nunca será área de reserva legal prevista na lei, por descumprir elemento essencial à sua caracterização, não podendo, portanto, gozar dos benefícios que a legislação porventura venha a lhe atribuir. Tal medida visa - e aí sim é captar a mens legis - não simplesmente que a área exista de fato, mas sim criar mecanismos de proteção da área para que ela exista de fato ao longo do tempo. O sentido da lei não é a mera existência de fato da área, mas a proteção para viabilizar a existência de fato da área. Retirar esse mecanismo de proteção que o legislador criou é esvaziar o conteúdo da lei. Nesse ponto, valho-me do posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, no Voto proferido pelo Exmº. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, nos autos do Recurso em Mandado de Segurança nº. 18.301-MG, processo nº. 2004/0075380-0, do qual transcrevo excertos: “ A controvérsia cinge-se à correta interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei nº. 4.771/65 (Código Florestal) (...) Como se dessume dos dispositivos transcritos, mormente o §8º do art. 16, há determinação de que a área de reserva legal seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Mencionada determinação existe desde o advento do Código Florestal. (...) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 171 9 O que se tem presente é o interesse público prevalecendo sobre o privado, interesse coletivo que inclusive afeta o proprietário da terra reservada, no sentido de que também será beneficiado com um meio ambiente estável e equilibrado. Assim, a reserva legal compõe parte de terras do domínio privado e constitui verdadeira restrição do direito de propriedade. Observa-se, inclusive que o legislador responsabilizou o proprietário das terras quanto à recomposição da reserva, que deverá ser feita ao longo dos anos, na forma estabelecida no art. 99 da Lei nº. 8.171/99. Trata-se, portanto, indubitavelmente, de legislação impositiva de restrição ao uso da propriedade, considerando que, assim não fosse, jamais as reserva legais, no domínio privado, seriam recompostas, o que abalaria o objetivo da legislação de assegurar a preservação e equilíbrio ambientais. (...) Nesse sentido, desobrigar os proprietários da averbação é o mesmo que esvaziar a Lei nº. de seu conteúdo. (...) Assim, entendo que não agiu o magistrado com acerto ao baixar uma portaria, com base em interpretação da Lei nº. 4.177/65, que desconsiderou o bem jurídico por ela protegido, como se averbação na Lei referida tratasse-se de ato notorial, e não obrigação legal.” Assim, entendo ser indubitável a obrigação da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do registro imobiliário para que referida área possa ser excluída da área tributável para fins de cálculo do ITR. Não se trata de prevalecer a forma sobre o fato, mas de cumprimento do comando da lei, visando a proteção de bem jurídico tutelado. No caso em questão, verifica-se que o contribuinte, à época do fato gerador do ITR/2000, possuía averbada uma área de utilização limitada de 50% do imóvel (vide efl. 80), que perfazia um total de 6.220,0ha, referentes aos imóveis constantes dos registros às efls. 78 e 79, de 6.134,ha e 6.306ha, respectivamente, razão pela qual somente esta área de 6.220,0 área foi excluída da incidência do ITR/2000. Nada há, portanto, o que se reparar na autuação. Restando a área averbada na matrícula do registro imobiliário como reserva legal, correto o entendimento da autoridade autuante que reconheceu apenas a área de 6.220,07ha como de utilização limitada (reserva legal) excluindo-a do cálculo do ITR-2000. Nestes termos, portanto, o Colegiado DEU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, tão somente para afastar a glosa relativa a 200,0ha de área de preservação permanente. Essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência dos votos vencidos e vencedor. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10183.006495/2005-56 Acórdão n.º 3201-00.137 S3-C2T1 Fl. 172 10 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 14/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA
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Numero do processo: 10183.005624/2007-51
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
Alegação de retenção de documento em processo judicial não é suficiente para fins de dedução. Não se admite dedução de despesas médicas sem a correspondente comprovação.
PARCELAMENTO.REMISSÃO.
Não compete ao CARF manifestar-se em pedidos de parcelamento ou de remissão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Alegação de retenção de documento em processo judicial não é suficiente para fins de dedução. Não se admite dedução de despesas médicas sem a correspondente comprovação. PARCELAMENTO.REMISSÃO. Não compete ao CARF manifestar-se em pedidos de parcelamento ou de remissão. Recurso negado.
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DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Alegação de retenção de documento em processo judicial não é suficiente para fins de dedução. Não se admite dedução de despesas médicas sem a correspondente comprovação. PARCELAMENTO.REMISSÃO. Não compete ao CARF manifestarse em pedidos de parcelamento ou de remissão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 56 24 /2 00 7- 51 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, devido a glosa de R$25.000,00 de despesas médicas por falta de apresentação de documentos comprobatórios. Na impugnação foi alegado que os documentos estavam em poder da Justiça o que impossibilitava apresentálos. A impugnação foi indeferida,em resumo, sob fundamento de que seria possível (a) obter cópias do processo judicial, além de o impugnante sequer demonstrar que tentou obter cópias ou indicou quais foram os documentos retidos; (2) obter segundas vias; (3) apresentar extratos bancários com os saques em dinheiro ou cheques compensados correspondentes. Ciência em 18/08/2009. O recurso voluntário foi interposto em 17/09/2009, que em síntese: 1. reitera os argumentos da impugnação; 2. a segunda via do comprovante da Unimed foi apresentada; 3. requer a remissão prevista na Portaria Conjunta PGFN/RFB 6/2009 pois o crédito tributário é de valor inferior a R$10.000,00; 4. não sendo provido o recurso, requer parcelamento; 5. o auditorfiscal desconsiderou todas as despesas médicas, sequer analisando os documentos apresentados, razão pela qual reapresenta o comprovante do Plano de Saúde Unimed; e apresenta argumentos para que sejam acatadas essas despesas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O contribuinte declarou R$28.840,00 de despesas médicas, sendo R$3.840,00 relativo à Unimed. O lançamento baseiase na glosa de R$25.000,00 das referidas despesas, além de descrever adequadamente quais foram as despesas glosadas e o motivo, qual seja: a não apresentação da documentação comprobatória. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005624/200751 Acórdão n.º 2802002.524 S2TE02 Fl. 60 3 O recorrente equivocase ao argumentar que foram “zeradas” suas despesas médicas. Equivocase também ao recorrer para que sejam admitidas as despesas com a Unimed, pois estas não foram glosadas pela autoridade fiscal. Ao recorrente cabia apresentar comprovação correspondente às demais despesas, porém limitouse a genericamente reiterar a argumentação da impugnação, sem qualquer contraponto aos fundamentos da decisão de primeira instância, a qual esclareceu que cabia ao recorrente o ônus de provar as despesas com documentação hábil e idônea e que, ainda que comprovada a apreensão em processo judicial, haveria outros meios de provar. O recorrente não se desincumbiu do ônus da prova. Não se admite dedução de despesas não comprovadas. Não cabe ao CARF manifestarse em relação aos pedidos de parcelamento ou de remissão de crédito tributário. Diante do exposto, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100434/2005-93
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS.
É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria.
COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO.
O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Presidente), Antonio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Maria Tereza Martinez Lopez e Tânia Mara Paschoalin.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria. COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. É devida a glosa de créditos decorrentes do PIS não cumulativo, quando não forem observadas as normas que regem a matéria. COMPENSAÇÃO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.8637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS do valor correspondente à cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais (Presidente), Antonio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Maria Tereza Martinez Lopez e Tânia Mara Paschoalin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 34 /2 00 5- 93 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100434/200593 Acórdão n.º 3301000.387 S3C3T1 Fl. 167 2 Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Trata o presente processo pedido de Restituição/Declarações de Compensação no qual a interessada busca a extinção de tributos administrados pela Receita Federal mediante a oposição de créditos originados de saldo credor do Pis nãocumulativo. A delegacia de origem reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao saldo credor de PIS não cumulativo , dado que a interessada deixou de oferecer à tributação as receitas decorrentes da transferência de créditos do ICMS a terceiros. A interessada apresentou, tempestivamente manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, alegando que a fiscalização identificou supostas receitas não submetidas à tributação, apurou o montante devido e deduziu dos créditos verificados o valor correspondente sem formalizar o lançamento, acarretando cerceamento da defesa administrativa do contribuinte e impossibilidade de exigência de crédito tributário. Alega também inocorrência do fato gerador do Pis e da Cofins, discordando da glosa efetuada alegando que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, se tratando de mero ingresso, recuperação de despesa/custo, decorrente da sistemática de apuração do imposto que visa atender o principio constitucional da não cumulatividade. Isso posto, requer seja excluída a glosa procedida e reconhecido integralmente o direito creditório em favor do contribuinte. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que indeferiu a solicitação restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando, preliminarmente, que os débitos apurados pela Fiscalização deviam ter sido objeto de lançamento e, no mérito, que a transferência de créditos de ICMS não configura fato gerador da contribuição. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100434/200593 Acórdão n.º 3301000.387 S3C3T1 Fl. 168 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto condutor do acórdão nº 3301.00.389, exarado na mesma data do presente e pela mesma turma julgadora, tratando da mesma matéria controvertida nestes autos: O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. A contribuinte se insurge, preliminarmente, contra a glosa de créditos pleiteados, entendendo que a exigência deveria ter sido formalizada por meio de lançamento. Não procede a alegação da recorrente, conforme se demonstrará. Se acaso a contribuinte fosse submetida a um procedimento de fiscalização e, no caso de contribuição não cumulativa, o auditor verificasse receita não oferecida à tributação, intimaria a contribuinte para refazer sua escrita fiscal, tendo em vista existência de crédito em valor superior ao débito. Contudo, se o débito fosse superior ao crédito, o agente fiscal efetuaria o lançamento da diferença, acrescido de multa. Portanto, no presente caso, tendo em vista que a interessada possuía créditos em montante superior à contribuição devida, corretamente procedeu o fisco ao glosar os créditos decorrentes do PIS não cumulativo, vez que não teriam sido observadas as normas que regem a matéria. No mérito a peticionante registra que a transferência de créditos de ICMS não configura fato gerador da Cofins e do PIS. Há de se reconhecer tratarse de assunto controvertido tendo posicionamento consoante ao da contribuinte o asseverado pelos ilustres autores Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi1, que em suas considerações registram não haver nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. Em sentido contrário se manifestou a autoridade administrativa por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 48, de 30/12/2004, a qual registra dentre outras considerações que: “Seja qual for o motivo que ensejou a cessão do crédito, v.g., decisão gerencial ou excessos resultantes de saídas por vendas para o exterior, a receita auferida na cessão daquele direito encontrase no campo de incidência das contribuições.” Por fim, a referida Solução de Consulta, quanto ao PIS, restou assim ementada: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100434/200593 Acórdão n.º 3301000.387 S3C3T1 Fl. 169 4 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Cessão de Créditos do ICMS (Tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins) CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, do IRPJ e da CSLL. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; 25 e 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; 36, 41 e 49 da Instrução Normativa nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 4º da Instrução Normativa nº 355, de 29 de agosto de 2003. Porém, em que pese se tratar de assunto polêmico, por meio do art. 1º, § 3º, inciso VII, da Lei nº 10.637/02, incluído pela Lei nº 11.945/09, art. 16, o legislador se posicionou no seguinte sentido: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: [...] VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). Contudo, a mesma Lei nº 11.945/09, por meio do seu art. 33 fixou a produção de efeitos do precitado inciso nos seguintes termos: Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de janeiro de 2009, em relação ao disposto: [...] c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100434/200593 Acórdão n.º 3301000.387 S3C3T1 Fl. 170 5 Portanto, tendo em vista a manifestação formal do legislador acerca do dies a quo como sendo 01/01/2009 e, no presente caso, se referir a fato anterior, não há como concordar com o pleito da contribuinte. Dessa forma, votase no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10805.000359/98-43
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento - expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1988 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento - expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10805.000359/9843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 9101001.645 – 1ª Turma Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria PRAZO PARA PLEITEAR REPETIÇÃO DE INDÉBITO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida QUATTOR QUÍMICOS BASICOS S/A (SUCESSORA DE PETROQUÍMICA UNIÃO S/A) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 03 59 /9 8- 43 Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000359/9843 Acórdão n.º 9101001.645 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000359/9843 Acórdão n.º 9101001.645 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório A FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 180100.463, de interesse da empresa QUATTOR QUÍMICOS BASICOS S/A (SUCESSORA DE PETROQUÍMICA UNIÃO S/A), proferido na sessão de 25/01/2011 da 1a. TURMA ESPECIAL DA 1a. SEÇÃO DO CARF, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 67, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. O Recurso Especial, protocolado teve seguimento conforme Despacho 150 2011 (fl. 728730), assim redigido (verbis): “(...) Argumenta, em síntese, que há jurisprudência pacífica no âmbito Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que“o prazo decadencial de repetição de indébito tributário extingue se em cinco anos a contar do pagamento, na forma do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional.” Para tanto, cita a ementa do acórdão nº 10708.744, prolatado pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: (...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidencia se que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, ou seja, CSLL, relativas ao anocalendário de 1997, chegouse a conclusões distintas. Segundo se depreende do voto da relatora do acórdão recorrido, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se dá a partir da edição de Resolução do Senado Federal. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, haja vista entender que o prazo para início da contagem do prazo decadencial se faz a partir da data do pagamento da referida contribuição. Ante ao exposto, o acórdão apresentado pela Fazenda Nacional, ao meu ver, cumpre a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...)” (Grifei). Cientificada, a empresa QUATTOR PARTICIPAÇÕES S.A. apresentou contrarazões ao recurso fls. 732 e seguintes. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído, a este Relator. É o breve relatório. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000359/9843 Acórdão n.º 9101001.645 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator. O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. No presente caso, a matéria admitida referese à forma de contagem de prazo para interposição de pedido de reconhecimento de direito creditório em face de tributo cuja exigência foi declarada inconstitucional pelo STF e reconhecida como indevida pela própria Administração Tributária, no caso a CSLL do ano de 1988. Pois bem, há milhares de julgados neste Conselho no qual foi adotada a data do reconhecimento de que a cobrança era mesmo indevida como marco inicial para contagem do prazo para pleitear a repetição do indébito. A grande maioria dessas decisões tornaramse definitivas e os contribuintes obtiveram o reconhecimento do direito creditório, inclusive aqueles cujo pedido foi interposto mais de 10 (dez) anos após o recolhimento. Essa matéria, no que concerne aos recolhimentos efetuados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, jamais chegou a ser pacificada no âmbito do CARF ou do antigo Conselho de Contribuintes, ensejando os recursos ao Pleno tanto por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional ou dos contribuintes (que é o presente caso). Ocorre que o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 259/2009, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal FederalSTF, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Consultando os julgados do Supremo Tribunal Federal verificase a seguinte decisão (RE 566.621): “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000359/9843 Acórdão n.º 9101001.645 CSRFT1 Fl. 6 5 para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (Grifei). Está patente na decisão do egrégio STF que a tese dos "cinco mais cinco”, aplicadas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, nas ações de repetição de indébito, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que tem como fundamento legal a interpretação dada ao art. 168, inciso I, combinado com o art. 156, inciso VII, todos do CTN, deve prevalecer nos pleitos interpostos antes da vigência da LC 118/2005. Frisese: o STF pacificou o entendimento de que nas ações ajuizadas até o período de cento e vinte dias da edição da LC 118, de 2005, aplicase a tese dos "cinco mais cinco", independentemente de o objeto da repetição de indébito ter como fundamento uma exação declarada inconstitucional pelo STF, ou da data de julgamento da decisão do STF ou ainda da causa do indébito, argüindo conferir mais segurança à prática tributária. Logo, não há se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000359/9843 Acórdão n.º 9101001.645 CSRFT1 Fl. 7 6 Conclusão Em face de todo o exposto, considerando que os fatos geradores em litígio ocorreram em dezembro/1988 e janeiro a março/1989, sendo que os recolhimentos foram efetuados no vencimento (vide fl. 12 do acórdão), considerando também que o pedido foi protocolado em 12 de março de 1998 (vide fl. 2 do acórdão recorrido), o pleito foi interposto no prazo de 10 anos referendado no Supremo Tribunal Federal . Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 10680.725066/2010-38
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF 15.534.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF 15.534. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF 15.534. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 25 06 6/ 20 10 -3 8 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.074 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) contra o Acórdão n.º 0251.332 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), f. 913924, que julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad nº 37.312.2306. De acordo com o relatório fiscal de fls. 1631, o lançamento trata de exigência de contribuições sociais a cargo das empresas, destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição ao salárioeducação, ao INCRA e SEBRAE, incidentes sobre valores pagos pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), aos empregados, a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, no período de 03/2005 a 12/2006. Segundo a fiscalização, os pagamentos feitos aos segurados empregados foram feitos sem que tenham sido estabelecidos objetivos e metas, mais de duas vezes ao ano e com base em acordo coletivo firmado no final do ano. Constam do pólo passivo do lançamento, na condição de contribuinte, a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), CNPJ 17.155.730/200164, e na condição de responsáveis solidárias integrantes do grupo econômico, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e CEMIG Distribuição S/A, CNPJ 06.981.180/000116. Os sujeitos passivos foram cientificados do lançamento em 21/12/2010 e apresentaram tempestivamente impugnação única. Em 29/10/2012, a DRJ converteu o julgamento em diligência, nos termos do despacho de fls. 566568. Em atendimento ao pedido de esclarecimentos, foi emitido relatório fiscal complementar de fls. 569574. Após, houve manifestação dos sujeitos passivos, fls. 575894. Os pontos controvertidos apresentados na impugnação e o resultado da diligência foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Afirma que ocorreu a decadência de parte do lançamento, nos termos do CTN, art. 150, § 4º. Como o lançamento ocorreu em dezembro de 2010, ele somente poderia alcançar os fatos geradores posteriores a dezembro de 2005; os fatos geradores de janeiro a novembro de 2005 estão extintos pela decadência. Cita doutrina e jurisprudência. Alega não ser possível a exigência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR. Aduz não haver obrigatoriedade de fixação de metas e objetivos, mas sim regras claras e objetivas que minimizem ou impeçam o cumprimento do acordado. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.075 3 Alega que a fixação de objetivos e metas é uma faculdade das partes envolvidas na negociação e não uma obrigatoriedade imposta pela lei. Cita decisão do Carf. Cita trechos do Acordo Coletivo do Trabalho de 2004/2005 e afirma que as cláusulas são diretas, redigidas em linguagem acessível e de fácil compreensão e estabelecem critérios objetivos e claros para a aferição do valor que cada trabalhador receberá a título de PLR. Entende que o requisito obrigatório exigido pela Lei 10.101/00 foi cumprido, não havendo respaldo legal para que sejam desconsiderados os pagamentos efetuados a título de PLR apenas em razão da ausência de objetivos e metas. Cita decisões do Carf e jurisprudência. Afirma que realiza apenas dois pagamentos por ano a título de PLR. O pagamento realizado em março de 2005 se refere à PLR de 2004. Os valores pagos em março e julho de 2005 não foram destinados aos mesmos funcionários, e também não se referem ao lucro apurado no ano de 2005, como é o caso dos pagamentos seguintes, efetuados em novembro e dezembro, que se referem a um único pagamento a título de PLR, porém dividido em duas parcelas.Os valores pagos nos outros meses apontados pela fiscalização decorrem de ajustes e correções. Apresenta tabela onde justifica os pagamentos. Pede que os autos sejam baixados em diligência . Argumenta que inexiste vedação legal à pactuação das regras para pagamento da PLR ao longo do ano que servirá de base para o pagamento. Diz que o acordo precisa apenas ser anterior ao pagamento da PLR, e não à percepção do lucro que será distribuído. Cita decisão do Carf. Alega que os pagamentos glosados foram efetuados com base na lucratividade da empresa, ou seja, tratase de verba que não remunerava o trabalho prestado. Diz estarem ausentes os requisitos da contraprestatividade e habitualidade. Cita jurisprudência. Quanto à multa, diz ser equivocada a aplicação da Lei 11.941/09 e impossível a aplicação da multa de ofício, pois não aplicável quando da ocorrência dos fatos geradores. Disserta sobre a matéria. Afirma que como a multa de mora aplicada com base no artigo 35 da Lei 8.212/91 teve sua aplicação limitada ao patamar de 20% pela MP 449/08, é compulsória a aplicação desse percentual em substituição a todos aqueles mais gravosos previstos anteriormente, caso contrário, restará afrontada a retroatividade benéfica determinada pelo art. 106, II, c do CTN. Cita jurisprudência. Alega não existir sujeição passiva solidária da Cemig Geração e Transmissão SA e da Cemig Distribuição SA. Afirma que a fiscalização não demonstrou qual seria o "interesse comum" que justifica, nos termos do art. 124, I do CTN a caracterização da responsabilidade solidária. Cita doutrina e decisão do Carf. Pede: seja reconhecida a decadência referente às competências março, julho, agosto e novembro de 2005; o cancelamento do lançamento das contribuições sociais lançadas; caso seja mantido o lançamento, que a Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.076 4 multa seja substituída pela multa de mora no patamar de 20%; seja reconhecida a inexistência de responsabilidade solidária; e o julgamento conjunto com os demais autos de infração conexos. Os autos foram baixados em diligência para manifestação do auditor fiscal autuante sobre parte do lançamento, conforme despacho de fls. 565/566. Em 16/11/12 o sujeito passivo diz juntar aos autos os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, fls. 574/893, onde pretende demonstrar que os pagamentos realizados no mês de julho/2005 não se referem à PLR de seus empregados, tratase de complemento devido a funcionários que trabalharam durante o período aquisitivo, mas que se desligaram da Cemig antes do pagamento da PLR, fazendo jus ao recebimento do benefício. Em Informação Fiscal de fls. 568/573 consta a análise realizada pela fiscalização dos argumentos apresentados na defesa e aditivo de fls. 574/893 e a conclusão de que o lançamento deve ser mantido. A fiscalização informa que procedeu à analise dos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho apensados ao processo, onde informa que constatou a veracidade dos termos, mas não cabe a alegação da empresa, pois estão a cargo da empresa as contribuições destinadas à outras entidades e fundos incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, conforme legislação previdenciária. Em despacho de fl. 909, datado de 26/9/13, o auditor fiscal autuante volta a afirmar que concluiu pela manutenção do lançamento e que o contribuinte e demais responsáveis solidários foram cientificados da Informação Fiscal em 23/8/13, sendo aberto o prazo de trinta dias para manifestação. Em 23/9/13, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 910/912, onde reitera os argumentos e pedidos apresentados na defesa. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, excluindo do polo passivo os responsáveis tributários, sob o fundamento de que a responsabilidade tributária não se aplica às contribuições relativas a outras entidades e fundos, e manteve integralmente o crédito tributário, com base nos seguintes fundamentos: a) incide a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, porque não houve antecipação de pagamento de contribuições incidentes sobre PLR; b) incide contribuições sociais sobre PLR pago em desacordo com a Lei 11.101/2009; c) a multa de 20% só incide nos casos de recolhimento espontâneo. Dessa decisão, o contribuinte e os responsáveis solidários foram intimados em 20/01/2014, fls. 927934. Em 19/02/2014, os sujeitos passivos interpuseram recurso voluntário único, fls. 935982, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Em preliminar, alega decadência qüinqüenal, com base no art. 150, § 4o, do CTN, afirmando que existe recolhimento parcial das contribuições previdenciárias. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.077 5 No mérito, sustenta que a Lei 10.101/2000 não prevê obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR. Afirma que os acordos coletivos firmados entre a empresa e os sindicatos definem com clareza a forma e o prazo de apuração e pagamento de PLR. Com relação à periodicidade dos pagamentos, explica que foi observada a regra temporal prevista em lei. Acrescenta que os pagamentos feitos em março e julho de 2005 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos se referem à PLR 2004 (resultado de 2004) e foram pagos em março/2005, exceto aos empregados que tinham se desligado da empresa ao longo de 2004, que tiveram seus pagamentos em julho/2005 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2004/2005). Que em novembro e dezembro de 2005 houve o pagamento a titulo de Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PRE, decorrente do resultado verificado em 2005 e correspondente a 4 remunerações, dividido em duas parcelas, conforme definido em comum acordo com os Sindicatos (Cláusula Septuagésima Nona do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os pagamentos feitos em março e julho de 2006 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos decorrem do resultado de 2005, mediante distribuição de 3% do resultado operacional da empresa e foram pagos em março de 2006, exceto aos empregados que haviam se desligado da empresa no decorrer do ano de 2005, que tiveram seus pagamentos em julho de 2006 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os valores pagos em janeiro e maio de 2006 referemse a ajustes e correções: a) janeiro/2006: diferença de PLR devida a 19 empregados que auferiram aumentos salariais com data retroativa a 1o de novembro de 2005 e a empregados que estavam cedidos a outras empresas e voltaram a prestar serviços à recorrente; b) maio/2006: parcela de PLR paga a trabalhadores readmitidos por força de decisão judicial e também para corrigir diferenças decorrentes de aumentos salariais retroativos. Os pagamentos em dezembro de 2006 referemse à Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PLRE, decorrente do resultado verificado em 2006 e correspondente a 2,8 remunerações (Cláusula Quinta do Acordo Coletivo 2006/2007). Argumenta que não há respaldo legal para se exigir que o acordo seja firmado antes do início do ano que servirá de base para a distribuição. Sustenta que não incide contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de PLR a administradores, diretores e membros do Conselho, sem vínculo empregatício, com base no art. 7o da Constituição Federal e Lei 101.101/2000, e art. 152 da Lei 6.404/76, não sendo aplicável a limitação do inciso X alínea “a” do inciso V do § 9o do art. 214 do Decreto 3.048/99. Entende que, de qualquer modo, caso afastada a sua natureza de PLR, esses pagamentos não integram o salário de contribuição porque são abonos pagos desvinculados do Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.078 6 trabalho e sem natureza contraprestativa e sem habitualidade, pois feitos com base na lucratividade da empresa. Alega que é indevida a incidência de multa de ofício. Requer a exclusão dos responsáveis solidários, considerando que a fiscalização deixou de demonstrar qual seria o interesse comum que justificaria a caracterização da responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Pede o reconhecimento da decadência parcial e o cancelamento do crédito tributário lançado sobre valores pagos a título de PLR. Subsidiariamente, requer que sejam mantidas somente as competências janeiro e maio de 2006, que seja aplicada a multa de mora de 20%, ou quando muito, os percentuais previstos na redação do art. 35, II, da Lei 8.212/91, vigente antes da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Requer, ainda, o julgamento concomitante dos processos conexos (nº 10680.725065/201093, 10680.725066/201038, 10680.725069/201071). É o relatório. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.079 7 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora. Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Decadência A Recorrente alega decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável nos casos de lançamento por homologação em que tenha havido pagamento antecipado do tributo, se não configurado dolo, fraude ou simulação. No relatório fiscal não ficou configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, mas não existe, nos autos, informação sobre a existência de recolhimentos espontâneos do contribuinte no período do lançamento. No voto condutor do acórdão recorrido, ao ser apreciada a alegação de decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, argumentouse ser desnecessário verificar se existem recolhimentos espontâneos no período do lançamento, uma vez que a antecipação do pagamento somente ocorreria no caso de recolhimento específico da parcela paga a título de PLR. Entretanto, no âmbito do CARF, a informação sobre recolhimentos espontâneos do contribuinte é relevante para a solução do litígio, uma vez que se considera pagamento antecipado parcial do crédito tributário constituído neste lançamento, o recolhimento efetuado antes do início do procedimento fiscal, da contribuição do salário educação e das contribuições devidas ao INCRA e SEBRAE, mesmo que a base de cálculo do recolhimento não contemple a parcela referente à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), conforme entendimento pacificado no CARF, consolidado no enunciado da Súmula nº 99, abaixo transcrito: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Os recolhimentos espontâneos do contribuinte estão disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo, ao órgão fazendário prestar essa informação, nos termos do art. 37 da Lei 9.784/99: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Considerando todo o exposto, antes do enfrentamento das questões do recurso fazse necessária manifestação da autoridade lançadora quanto à existência de recolhimentos espontâneos do contribuinte, no período de 03/2005 a 11/2005, identificandoos por competência, rubrica e data do pagamento. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725066/201038 Resolução nº 2301000.551 S2C3T1 Fl. 1.080 8 Em suma, a autoridade fiscal deverá prestar as informações solicitadas, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 13310.000100/2001-73
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CRÉDITOS BÁSICOS. ART. 11 DA LEI 9.779/99. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONTROLE DO ESTOQUE. PROVA. Quando envolve industrialização por encomenda, o controle da produção é mais trabalhoso e complexo, pois além dos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Cabe ao contribuinte demonstrar a existência e a consistência do controle do estoque e das operações de remessa de insumos para a industrialização por encomenda, bem como do retorno dos produtos industrializados. A falta de comprovação e controle destas operações impede a aferição da aplicação dos insumos na industrialização, impedindo o reconhecimento do crédito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela Recorrente o Sr. Walter Hubmann, RG. 5.653.978SSP/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 01 00 /2 00 1- 73 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento apresentado pelo contribuinte em 23/10/2001 (fl. 1), cumulado com Declarações de Compensação (fls. 168, 178, 182, 185, 186 e 200), por meio do qual solicita o ressarcimento de saldo credor de créditos básicos de Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) em relação ao período de apuração de abril a junho de 2001 (2º trimestre de 2001), com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE (DRF) entendeu que “o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrialização que teriam sido submetidos os insumos considerados nos Pedidos de Ressarcimento, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados. CONCLUSÃO. Desta forma, haja vista o Interessado não haver comprovado absolutamente o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação” (fl. 234; grifo editado – Termo de Verificação Fiscal; fls. 205/234), assim decidindo, ao final, pelo indeferimento da restituição e recusa de homologação à compensação (Despacho Decisório de fls. 423/426). A contribuinte foi notificada em 14/11/2006 (fl. 429), apresentando então manifestação de inconformidade (fls. 430/453), na qual alega que o Auditor Fiscal fez solicitações de documentos e informações que extrapolam qualquer medida de razoabilidade, devendose reconhecer que os insumos que adquiriu foram aplicados na industrialização dos sapatos que exportou. Requereu ainda, que seu crédito seja atualizado pela Taxa Selic entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Com a Impugnação, a Contribuinte apresentou cópia de decisões proferidas em outros processos da mesma natureza, nos quais solicitou o ressarcimento de IPI em relação a outros períodos de apuração, os quais foram deferidos integral ou parcialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Belém – PA (DRJ), manteve o indeferimento do pedido do contribuinte, por meio do Acórdão n° 019.643 (fls. 536/551), cujas razões são resumidas na seguinte ementa: IPI.CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. Só geram direito ao ressarcimento do crédito de IPI as matérias primas e os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que embora não se integrando ao novo produto, se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Rest/Ress. Indeferido – Comp. Não homologada A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 554/586), no qual: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.080 3 a) reitera que, em relação ao período de apuração tratado neste caso, a totalidade de sua produção, enquanto indústria de calçados, era destinada à exportação, produzindo dezenas de modelos de calçados distintos; b) reitera a descrição do seu processo produtivo (feita em resposta ao item 8 do Termo de Verificação Fiscal), explicando também que a industrialização é feita utilizando mãodeobra da Cooperativa de Calçados de Quixeramobim Ltda (Cocalqui), com as máquinas e equipamentos da Contribuinte; c) insurgese contra a alegação do Fisco de que não haveria prova de que os insumos teriam sido de fato destinados ao processo produtivo, argumentando que não há qualquer fundamento concreto que justifique esta dúvida, e que seria questão de bom senso aferir que os insumos compõem o produto final; a propósito do tema, questiona “se todas essas matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários não foram aplicados na produção, e se não constam do registro de inventário da empresa, o que foi feito com eles?” e argumenta que “se verificarmos superficialmente o demonstrativo nº 10, entregue à fiscalização em atenção ao Termo de Início e juntado ao Processo quando da Manifestação de Inconformidade, que relaciona TODOS OS MATERIAIS utilizados na produção para cada anocalendário que foi objeto de fiscalização, ficará constatado, até para um leigo, que tais materiais fazem parte da produção de calçados (couros, solados, forros, saltos, caixas, linhas, etc.), atendendo, inclusive, os preceitos contidos nos Pareceres CST nºs 65/79 e 181/74” (fl. 563) insistindo, assim, em que as informações solicitadas pela Fiscalização foram atendidas de forma suficiente; d) argumenta, também, que o direito de crédito do IPI é gerado na entrada do insumo no estabelecimento industrial, e não no consumo dos insumos na produção. Resolveram os membros deste Colegiado, por meio da Resolução nº 3403 00.044 do dia 26 de maio de 2010 (fls. 1015/1017), converter o julgamento do recurso em diligência a fim de certificar a regularidade fiscal das entradas de matériaprima e das saídas de produtos industrializados para o exterior, para que fosse verificado se o contribuinte lançou o crédito pela entrada dos insumos no valor pelo qual adquiriu, antes de remetêlos à Cocalqui, ou se creditou pelo valor das remessas recebidas da Cocalqui, bem como se o valor da atividade (prestação de serviço/industrialização por encomenda) da Cocalqui é lançado como crédito, e também se os produtos saídos da contribuinte foram exportados. O relatório da diligência ainda deveria dizer se os documentos apresentados pelo contribuinte na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário autorizam inferir a aplicação dos insumos nos produtos saídos da contribuinte. Requereuse, também, que o contribuinte fosse intimado a apresentar o contrato que tenha firmado com a Cocalqui, bem como providenciar a juntada de cópia do ato constitutivo desta cooperativa. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Consta do Termo de Informação Fiscal (fl. 1021) que, depois de intimada três vezes, a contribuinte “deixou de atender à Fiscalização limitouse a apresentar alguns Livros Fiscais e cópias de NF de Entrada de insumo (vide resposta à Fiscalização em anexo) , desta forma, não há nada a acrescentar à fiscalização realizada na empresa à época da análise do alegado direito, não há o que se manifestar”. A ciência ao contribuinte do Termo de Informação Fiscal foi dada por meio de Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em 27/11/2012 (fl. 1038). Os autos foram então devolvidos a estes Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 03/01/2008 (fl. 553), dentro do prazo de trinta dias contados da data da notificação do acórdão, ocorrida em 17/12/2007 (fl. 552). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. De um lado, assiste razão ao Recorrente quando alega que a Fiscalização foi excessivamente exigente nas suas diligências, como quando, por exemplo, pretende a entrega de relatório nos seguintes moldes (fls. 227/229): Para isto, solicitamos a apresentação de Relatório com as seguintes informações, anexadas cópias dos documentos comprobatórios das mesmas: 5.1. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda (discriminar os insumos adquiridos no mercado interno daqueles adquiridos no mercado externo): 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Entradas modelo 1; 3. CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do fornecedor; 8. CNPJ do fornecedor; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrado o cred́ito no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do cred́ito de IPI registrado; (do item 16 ao 18, para o caso previsto no artigo 391 nas operações em que o estabelecimento mandar industrializar Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.081 5 produtos, com insumos adquiridos de terceiros, os quais, sem transitar pelo estabelecimento adquirente, forem entregues diretamente ao industrializador estas informações devem constar na nota fiscal emitida em nome do adquirente, o estabelecimento em questão) 16. Razão Social do destinatário industrializador; 17. CNPJ do destinatário industrializador; 18. Endereço do destinatário industrializador; (do item 19 ao 33, para o caso em que o insumo ou o produto semiacabado transita pelo estabelecimento adquirente) 19. Número da nota fiscal de saída (para industrialização por encomenda); 20. Data de registro no Livro Registro de Saídas — modelo 2; 21. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 22. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque — modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 23. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 24. CFOP constante na nota fiscal de saída; 25. Razão social do industrializador; 26. CNPJ do industrializador; 27. Discriminação de cada produto; 28. Valor de cada produto; 29. Classificação fiscal de cada produto; 30. Alíquota de IPI de cada produto; 31. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 32. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 33. Valor do débito de IPI registrado; (a partir do item 34, os retornos da industrialização por encomenda, quer os insumos remetidos tenham transitado ou não pelo estabelecimento encomendante) 34. Número da nota fiscal de saída do estabelecimento industrializador (retorno de industrialização por encomenda); 35. Data de registro no Livro Registro de Entradas; 36. CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 37. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 38. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 39. CFOP constante na nota fiscal; 40. Razão social do industrializador; 41, CNPJ do industrializador; 42. Discriminação de cada produto industrializado; 43. Valor de cada produto industrializado; 44. Classificação fiscal de cada produto industrializado; 45. Alíquota de IPI de cada produto industrializado; 46. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo c do Ato Declaratório Valor dos produtos industrializados ou importados pelo estabelecimento industrializador, diretamente empregados na operação, se ocorrer essa circunstância 48. Período em que foi registrada a entrada no Livro Registro de Apuração do IRPJ; 49. Valor do crédito de IPI registrado. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos produtos finais vendidos referentes aos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda: 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Saídas modelo 2; 3. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do comprador; 8. CNPJ do comprador; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do débito de IPI registrado; (a partir deste item 16, para os casos de exportação); 16. Data da efetiva exportação; 17. Número do documento de exportação; 18. Valor em real; 19. Valor em dólar no caso de venda com fins à exportação, apresentar declaração da empresa compradora de que atende perfeitamente ao previsto no DecretoLei n". 1.248, de 29 de novembro de 1972, na condição de "Comercial Exportadora", se for o caso (apresentar documentação comprobatória) Ao ver deste Relator, a Fiscalização, ao depararse com uma escrituração que não seguiu os moldes adequados para formalizar as operações de industrialização por encomenda e para o controle do estoque, pretendeu buscar uma via alternativa, cujo cumprimento, no entanto, apenas é possível em teoria. Dos dados existentes nos autos, verificase que houve entrada de produtos aplicados na produção de calçados e que houve a saída de calçados do estabelecimento do Recorrente. Ocorre que a atividade de industrialização não era realizada pelo recorrente, mas por terceiro, em regime de industrialização por encomenda. E não foi demonstrada a existência de um controle de estoque dos insumos e dos produtos acabados, nem houve uma formalização adequada das operações que envolvem a industrialização por encomenda. O Recorrente explicou o seu processo produtivo da seguinte forma (fls. 223/224): 1. Recebimento do pedido do cliente; 2. De posse do pedido, emitese a ordem de produção, (OP); 3. Seguese o desenvolvimento técnico do produto, matrizes, formas, navalhas e compra da matériaprima; 4. Observação sobre a matériaprima couro: Beneficiamento do couro, significa dar o acabamento final, tipo de curtimento e cor. O couro é comprado em estágios précurtido ao cromo (WET BLUE), vegetal ou semiterminado. Ambos necessitam de acabamento final com fingimento e/ou pintura. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.082 7 O beneficiamento é feito por cortumes especializados, não é operação típica de empresa de calçados, e após é recebido no almoxarifado da Calçados Aniger Nordeste Ltda para classificação e ser aprovado para produção. 5. Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque. O material é devidamente conferido, tanto na qualidade quanto na quantidade. Logo em seguida é agrupado no que chamamos de ordens de produção (OP), a qual é remetida para a produção. A industrialização é efetuada pela Cocalqui (Cooperativa de Calcados Ouixeramobim Ltda), a qual recebe os insumos acompanhados de Nota Fiscal (Remessa p/ industrialização). A Fiscalização, no entanto, constatou o seguinte (fls. 224/): O Interessado afirma, no item 5, que "Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque", no entanto, verificamos, a partir da observação de documentos fiscais, que não, e demonstramos com a anexação das NF, como exemplo: da Curtume Panorama Ltda, 2861, em 20.02.2002, CFOP 6.11, venda para Calçados Aniger Nordeste Ltda, com a observação "Local de entrega da mercadoria p/ benef por conta e ordem do adquirente Firenze Acabam em Couros Ltda Picada 48 Alta s/n IvotiRS CNPJ 89.774.830/000180 conf nota fiscal de remessa 2862 de 20.02.2002"; da mesma empresa, a referida 2862; e, da Calçados Aniger Nordeste, a 6943, CFOP 693, de 20.02.2002, com a observação "Mercadoria adquirida pela NF 2861 de Curtume Panorama Ltda entregue a Firenze Acabamentos em Couro Ltda, conforme NF n° 2862". Argüida "Se realiza ou realizou operação(ões) de Industrialização por Encomenda como Encomendante", o Interessado respondeu que "Durante todo o período compreendido pelos processos em análise, a empresa efetuou operações de industrialização por encomenda de seus produtos produzidos", listando como Estabelecimento Industrial que realizou a Industrialização por Encomenda: Razão Social: COCALQUI – Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda (...) De fato, o Industrializador por Encomenda, Cocalqui, de acordo com a informação prestada pelo Interessado, e como verificamos no local, situase num edifício logo à frente da sede da Calçados Aniger do Nordeste Ltda, como se fora mesmo apenas um outro galpão da mesma, inclusive com acesso por ela controlado. Na Resposta ao Termo de Início, o Interessado declara, ainda, que "Não temos sistema de Custos Coordenado e Integrado com a Escrituração Fiscal" (grifo nosso) e que não escritura o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3, mas "Registro equivalente conforme modelo anexo" (grifo nosso). Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 A Fiscalização entende que as notas fiscais que formalizam a remessa e o retorno da industrializadora por encomenda não foram feitas de maneira adequada, não permitindo aferir a existência de controle de estoque (fl. 232): A RELAÇÃO ÍNTIMA E INFORMAL QUE O INTERESSADO MANTÉM COM O INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA, ESPECIALMENTE A COCALQUI COOPERATIVA DE CALÇADOS QUIXERAMOBIM, COMPROMETE A IDENTIFICAÇÃO E COMPROVAÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL, HAJA VISTA A IRREGULAR EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS, BEM COMO SEU REGISTRO, O QUE LEVA A SITUAÇÕES ABSURDAS, COMO: NÃO HAVER PRODUTO INDUSTRIAL SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA. HAJA VISTA A ANIGER CONSIDERÁLO APENAS COMO UM PRESTADOR DE SERVIÇOS; HAVER VENDA E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO PRODUZIDO. HAJA VISTA, SE FOSSE POSSÍVEL CONSIDERAR AS NOTAS DE RETORNO DA COCALQUI COMO COMPROBATÓRIAS DO PROCESSO PRODUTIVO, QUE O QUE SAI DA COOPERATIVA NÃO SAI ACOMPANHADO DA RESPECTIVA E DEVIDA NOTA FISCAL, ESTA EMITIDA, INDEPENDENTE DA DATA DE SAÍDA DO QUE QUER QUE SAIA DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (CONSIDERADO PRESTADOR DE SERVIÇO), PERIODICAMENTE, APENAS AO FINAL DE CADA MÊS OU SEJA, POR EXEMPLO, SAPATOS QUE NÃO FORAM FABRICADOS (PORQUE NÃO HÁ NOTA DE SAÍDA DE SAPATO DA COCALQUI SÓ DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO), E SE O TIVESSEM SIDO AINDA NÃO TERIAM SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (PORQUE SE SAÍRAM NÃO TERIAM SAÍDO ACOMPANHADO DE NOTA FISCAL) JÁ PODERIAM, VENDIDOS E EXPORTADOS, ESTAR PASSEANDO NUMA RUA DA EUROPA OU DOS EUA. A Fiscalização ilustra a falta de compasso entre as notas fiscais e a falta de controle eficiente do estoque no seguinte trecho (fls. 237/238): (...) Outrossim, hão bastasse isto, em documento do Interessado entregue à Fiscalização, "Assunto: Remessa e Retorno para industrialização por encomenda" (cópia anexa), o procurador Cursio José Juchem termina por concordar com os argumentos aqui expostos pelo Auditor, haja vista o texto, e seus anexos, apresentados: "A empresa promoveu a remessa de matériasprimas para industrialização por terceiros, mediante a emissão de Nota Fiscal CFOP 593 (atual 5901) com descrição e classificação fiscal das matériasprimas. A empresa executora dos serviços (grifo nosso) industrialização é Cooperativa de Calçados Quixeramobim Cocalqui. O retorno das mercadorias industrializadas é feito através de duas Notas Fiscais: retorno simbólico dos insumos utilizados na industrialização por encomenda, CFOP 594 (atual 5902). Exemplo anexo NF 616 da Cocalqui. Nesta nota fiscal de Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.083 9 retorno simbólico dos insumos está mencionada a quantidade de pares produzidos com estes insumos. o valor cobrado pela industrialização compreendendo os serviços prestados e mercadorias eventualmente empregadas no processo industrial, é feito pelo executante da encomenda (Cocalqui) com emissão de nota fiscal CFOP 5.13 (atual 5124), colocando o nome do modelo do calçado, a quantidade de pares e os valores monetários correspondentes. Exemplo NF 627 anexa. Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto. Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto (grifo nosso)". Sobre os exemplos, as notas fiscais anexadas pelo Interessado, há que se alertar, primeiro, para o fato de que se tratam de documentos emitidos no ano de 2004, fora do período que estamos verificando, portanto, mas que, ainda assim, podem servir de exemplo, sim, inclusive para demonstrar que o Estabelecimento Industrial, ao menos até junho de 2004, permaneceu com as mesmas práticas de emissão e registro de documentos e livros fiscais que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados, por alegado direito, senão vejamos: 1. A NF de Saída 2957, que seria o exemplo de Remessa para Industrialização por Encomenda, CFOP 5901, emitida em 30.06.2004, não parece referirse às NF 616 e 627, emitidas em datas anteriores, 18.06.2004 e 28.06.2004, da Cocalqui, que seriam exemplo de "retorno das mercadorias industrializadas", haja vista não estar listada em nenhuma destas, como pode ser verificado; 2. As NF que, juntas, seriam o exemplo de Retorno de Industrialização por encomenda, não podem assim ser consideradas, haja vista as divergências gritantes entre elas, além das datas de emissão: a NF 616 registra, em Descrição dos Produtos, "Remessa simbólica no total de insumos recebidos para industrialização de calçados através de s/ NFs n° 2660 a 2663, 2685 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, referente a 21.216 prs de calçados produzidos; diferentemente da NF 627, que deveria ser seu par, indissociável, na devolução do que quer que fosse, que registra "Ind. efetuada p/ outra empresa conforme insumos recebidos para industrialização de calçados atrav. de ssN/F n° 2493, 2524/25, 2527 a 2530/32, 2534 a 2567/74, 2579 a 2582/85/86/90/91, 2593 a 2597, 2609 a 2612, 2619 a 2623, 2631 a 2633/35/36, 2638 a 2646, 2650 a 2653, 2660 a 2663/85 2686 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, 2725/26, 2752 a 2759, 2767 a 2771, 2783 a 2787,2799 a 2806, 2820 a 2827, 2844 a 2849, 2862 a 2864" [ainda, como se fora Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 serviço mesmo, "() 1,5% IRRF"], totalizando 24.651 pares. (Há uma inscrição indecifrável na NF 627, no campo Insc. Estadual do Substituto Tributário lê "1124 3/3 cont. 109", talvez algum código acessível apenas às duas empresas.) O exposto é mais um exemplo da dificuldade que o Interessado encontra para demonstrar o processo de industrialização, comprovar a operação de industrialização por encomenda, atender, neste sentido, à solicitação da Fiscalização (mesmo, ao menos, apresentar uma única NF de Saída, sua, de venda definitiva, que pudesse ser associada a NF de Retorno de Produto Industrializado por Encomenda, emitida pela Cocalqui, nenhuma foi assim entregue à Fiscalização o Interessado só conseguiu fazer e apresentar um tipo de associação entre Notas Fiscais: associar, e apresentar à Fiscalização, NF, da Aniger, que seriam de saída de insumos, CFOP 5.93 Remessa para Beneficiamento, àquelas que seriam de devolução destes insumos, emitida pela cooperativa, ainda assim porque nas NF de Retorno de Industrialização por Encomenda, CFOP 5.13 e 5.94, da Cocalqui, constam, pelo menos isto, relacionadas, no campo "Descrição dos Produtos", os números das NF de Remessa para Beneficiamento emitidas pela Empresa Encomendante) diante dos documentos, que seriam comprobatórios da operação de industrialização por encomenda, o Representante da Empresa termina, por fim, por reconhecer que "Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto, Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto". O contribuinte, como visto, não conseguiu demonstrar o controle da matéria prima adquirida e efetivamente empregada na produção. Quando o contribuinte industrializa diretamente, basta demonstrar o seu processo produtivo e o seu controle de estoque de matériaprima e produtos acabados para que se identifique a agregação das aquisições ao produto final. Mas quando o processo produtivo envolve atividade de terceiros, deve haver um controle mais rigoroso, por meio do qual se consiga identificar a agregação dos insumos remetidos aos produtos industrializados recebidos. Neste sentido, faço minhas as seguintes palavras do Conselheiro Antonio Zomer, em julgamento de caso desta mesma Recorrente, embora envolvendo crédito presumido e outro período de apuração: Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.084 11 controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estenderse ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retomo dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceuse uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/104. Entre elas, destacase a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e viceversa. Se a requerente do crédito de IPI não manteḿ os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na sua fabricação, não há que se falar em direito ao ressarcimento dos cred́itos pagos na sua aquisição. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meios dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. (...) O indeferimento do ressarcimento dos cred́itos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os AuditoresFiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e a outra errada, ou viceversa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. (trecho do voto; Acórdão 20219.303, Processo nº 13310.000050/200213, Rel. Cons. Antonio Zomer, j. 04/09/2008) Caberia ao Recorrente, com efeito, demonstrar nestes autos a existência e a confiabilidade do seu controle de estoque, tanto dos insumos como dos produtos acabados, vinculando as operações de remessa para a industrialização com os retornos de produto industrializados e destes com as vendas realizadas ao exterior, o que, no entanto, verificouse ser inconsistente. Diante de tal panorama, entendo que também no presente caso não há como se reconhecer o direito de crédito do contribuinte. Voto, por isso, por negar provimento ao recurso. Ivan Allegretti Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000100/200173 Acórdão n.º 3403002.300 S3C4T3 Fl. 1.085 13 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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