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Numero do processo: 10580.728446/2009-19
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas´para o pagamento de PLR.
PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA
A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR.
A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha.
SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA - ÔNUS DO EMPREGADOR
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas´para o pagamento de PLR. PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA - ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Recurso Voluntário Negado.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas´para o pagamento de PLR. PLR AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. SEGURADOS EMPREGADOS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 46 /2 00 9- 19 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.201.9161, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados não retida pela empresa, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 12 a 20, o contribuinte apresentou Convenção Coletiva de Trabalho realizada entre a SERTEB Sindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/Ba Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008, cuja previsão de pagamento de PLR está na cláusula 9º (cópias anexas ao relatório fiscal). Apresentou também os regulamentos para o pagamento do PLR, relativos aos anos de 2005 a 2008, assinados no dia 1° de janeiro de cada exercício, porém protocolados no SINTERP/BA, a destempo, em 03/03/2009, ou seja, somente após o início desta ação fiscal, conforme Termo de Início Procedimento Fiscal anexo. Além disso, os acordos de 2005 e 2006 não estabeleceram de forma clara e objetiva, consoante legislação específica, as metas a serem atingidas, nem as regras de aferição. Já para os acordos de 2007 e 2008 estabeleceuse como meta o alcance das metas de despesas operacionais da empresa. Meta esta não definida claramente por setores da empresa. Quais as metas de despesas para o setor de execução, recursos humanos ou administração? Quais valores deveriam atingir? Quais seriam os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Desta forma, concluise que a empresa descumpriu a legislação sobre a matéria. Assim, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de parcela de natureza remuneratória, integrante, portanto, do salário de contribuição. Ressaltese, a título de esclarecimento, que a PLR foi instituída, no ordenamento jurídico pátrio, como incentivo à produtividade dos empregados, daí a necessidade de estabelecimento de regras claras, objetivas e, principalmente, prévias, para permitir que todos os colaboradores possam estar alinhados com os interesses do empregador e, assim, contribuírem para o seu sucesso na concretização das metas e objetivos almejados. Por óbvio, quando falamos em objetivos e metas, estamos tratando do futuro, jamais do passado, como no caso presente. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o valor das contribuições apuradas, e a aplicação, após a devida comparação, da multa de ofício de 24% sobre o valor das contribuições apuradas, por descumprimento da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 14/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/12/2009. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 125 a 145. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 233 a 243. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. É devida a cota dos segurados empregados consoante preceitua as alíneas “a” e “b”, do inciso I, do art. 30, da Lei n.º 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei n.º 10.101/2000, temse que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 250 a 273, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Impossibilidade de tributação previdenciária sobre o PLR – Participação nos Lucros e Resultados, posto que a verba não possui caráter remuneratório. Somente as remunerações pagas como retribuição pelo trabalho é que poderão ser objeto de incidência de contribuições, o que não é o caso. 2. Ademais, argumenta que a lei 10.101 e 8.212, apenas disciplinam a expressa ordem do legislador constituinte que , assegura no texto maior tal rubrica aos trabalhadores, excluindo da mesma o caráter remuneratório. Logo a norma infra que disciplina o pagamento da PLR surge em decorrência da CF, devendo regulamentála e não restringi la. 3. Da apreciação da referida lei, resta evidenciado que a participação do empregado nos lucros e resultados da empresa deve gozar de aprovação do sindicato, constando expressamente de acordo de vontade das partes (empregador e empregados) e não pode ser paga em período inferior a seis meses. 4. Pois então, quanto à disposição legal acerca do pagamento de PLR pela ora requerente, há que se frisar que as Convenções Coletivas de Trabalho firmado entre o SERTEB (sindicato patronal) e o SINTERP/BA (sindicato dos empregados) dispõe que podem as empresas negociar livremente com seus funcionários, apenas registrando o acordo no sindicato. 5. Nesta esteira, registrase que, conforme os documentos de formalização dos acordos para PLR, restou comprovado claramente que houve uma negociação entre a empresa e os representantes de seus empregados para o pagamento de PLR, atendendo ao requisito legal. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 4 5 6. Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. 7. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. 8. Com efeito, quanto à verificação efetiva dos resultados, ao final de cada ano calendário a gerência da empresa se reúne com o Setor Financeiro para a demonstração do cumprimento da meta supramencionada, de modo que seja determinado o pagamento da PLR aos funcionários. Válido se faz juntar as atas destas reuniões, elaboradas com cunho de determinar a realização dos pagamentos. 9. Ainda, há que salientar quanto ao segundo fator utilizado pela fiscalização para a descaracterização do PLR, que em relação aos acordos efetuados para com os funcionários, de fato houve atraso nos registros dos mesmos perante o sindicato. No entanto, ressaltese, que o fato do registro ter sido tardio junto ao sindicato não pode acarretar, de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR, até porque o acordo coletivo não determina um prazo peremptório para o arquivamento. 10. Jamais houve qualquer deliberação da ora Requerente no sentido de que fosse pago a funcionário algum qualquer valor a título de PLR em período inferior a seis meses, respeitando, portanto, as regras estabelecidas pela Lei n.° 10.101/2000. 11. Do quadro acima, percebese que nenhum dos empregados recebeu participação nos lucros e resultados em intervalo inferior a seis meses, à exceção de um único pagamento realizado em favor da funcionária Lilia Gramacho Calmon no mês de julho de 2005. Neste ponto, especificamente, há que se destacar que este fato decorreu de um caso isolado, posto que houve solicitação de um adiantamento no pagamento da PLR por parte da funcionária Lilia Gramacho Calmon por conta de problemas financeiros. Assim sendo, a ora Impugnante efetuou o pagamento na forma de empréstimo, e no mês subseqüente abateu do PLR que seria pago à funcionária. 12. No entanto, levando já em consideração o constante rigor da Administração Pública Federal, há que se destacar que nos casos em que houve pagamento de PLR sem que fosse respeitado o prazo mínimo de 6 (seis) meses, determinou o STJ que fosse desconsiderada a natureza jurídica do pagamento de PLR apenas daquela parcela que não observou o prazo mínimo legal. 13. O que se vê nos presentes autos é que os valores pagos aos empregados são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, e por isso mesmo esporádicos e motivados (lucros), as quantias, portanto, não se constituem em renda tributável pelas contribuições previdenciárias, pois não integra o conjunto salarial. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 14. Assim, mantém a ora Impugnante à disposição da fiscalização toda a documentação que esta entender por necessária a fim de comprovar que as metas para o pagamento de PLR não só eram negociadas, como eram de conhecimento de todos, podendo, inclusive, este Julgador determinar a ouvida de funcionários. 15. Portanto, estabelecese uma primeira premissa: o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, conseqüentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. 16. Ressaltase, assim, que somente com a lavratura do presente AI e de sua ciência pela ora recorrente foi que nasceu a obrigação tributária do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos então realizados a título de PLR. 17. Temse, desta sorte, que até a ciência da presente autuação, não havia obrigação tributária, por conseguinte, tão pouco crédito tributário. Logo, se não havia crédito tributário constituído, não existia também dever de recolhêlo, vencimento e muito menos inadimplemento tributário. 18. Temse, assim, que se firmar uma segunda premissa: sem que haja inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. 19. Desta forma, é flagrante a ilegalidade da exigência de multa de caráter moratório ou punitivo no presente Auto de Infração, devendo a mesma ser integralmente anulada. Primeiramente, há que se destacar a tamanha injustiça do tratamento dado pela Receita Federal na presente circunstância em comparação às demais autuações em que os contribuintes são autuados em virtude do não pagamento de tributos não declarados. 20. Na aludida circunstância, o agente administrativo lavra autuação fiscal exigindo do contribuinte inadimplente, frisese, que deixou de oferecer à tributação o fato gerador, uma multa punitiva de 75% (setenta e cinco por cento) além da cobrança do devido crédito tributário. 21. Desta forma, é forçoso evidenciar, compartilham o contribuinte autuado e a Receita Federal do Brasil que o pagamento de PLR não deve sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, restando como divergência o fato dos acordos efetuados atenderem ou não ao que determina a lei. 22. Estáse assim, diante de situações completamente distintas: a primeira, do contribuinte que omitiu o fato gerador da tributação, deixando de recolher e declarar tributos, e a segunda, da ora Impugnante, que agiu de acordo com a Lei, já que a PLR não constitui fato gerador das contribuições previdenciárias, mas que o Fisco não concorda com os termos do acordo firmado com os empregados (questão unicamente formal). A sutil diferença, ilustre julgador, reside no intuito do contribuinte, na completa ausência de dolo ou culpa da ora Impugnante, que sequer poderia imaginar em recolher o tributo ora exigido, uma vez que a Lei assim não o determina. 23. Assim, está cabalmente comprovado que a multa aplicada à ora impugnante afronta o texto constitucional, colidindo frontalmente com os princípios constitucionais da Razoabilidade, Proporcionalidade e do Não confisco, devendo, portanto, ser afastada. 24. Diante das razões apresentadas, requer: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 5 7 25. Seja declarada a improcedência do AI, haja vista que o pagamento de PLR não possui natureza salarial, na forma descrita acma. 26. Caso assim não entendam que se autue apenas a rubrica paga no período de julho de 2005, bem como sejam anuladas as multas aplicadas, uma vez que afrontam os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No mérito, foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários, bem como a inaplicabilidade da multa imposta. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 6 9 Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, também requer seja excluída a multa, face a ausência de intenção em fraudar e seu caráter confiscatório, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 7 11 Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. DA ESTIPULAÇÃO DE METAS Quanto a previsão em AC/CC, temos por entendido, que este é apenas um dos requisitos, sendo que não conseguiu o mesmo demonstrar que houve a estipulação de metas, quando da realização do referido acordo. Ainda conforme descrito na informação fiscal, outro ponto que justifica o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros é o fato que inexistia estipulação de metas claras e objetivas, destacando os instrumentos o pagamento de uma parcela fixa em meses determinados. O próprio recorrente traz em seu recurso que as metas era de conhecimento, não identificando face a prática realizada nos anos anteriores a necessidade das mesmas constarem de forma clara e objetiva no AC/CC. Vejamos? Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 8 13 ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. Nesse sentido, entendo que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, ou mesmo basear o pagamento em condições anteriores. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento, devendo as mesmas serem negociadas no acordo firmado e não posteriormente em documento apartado junto a empresa. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, conforme transcrito acima, “dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou apenas indicar os incisos I e II, como exemplos, mas de forma alguma, afastou o estabelecimento de critérios. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Bastanos apreciar tanto a convenção coletiva, quanto os acordos firmados, que identificamos não existir qualquer critério quanto a participação dos empregados nos lucros. DO ARQUIVAMENTO TARDIO. Outro ponto trazido pelo auditor para caracterizar a verba como salário de contribuição, foi o fato da empresa não ter cumprido a regra do arquivamento do acordo no sindicato respectivo. Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei: § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. É sabido, que o alcance de um acordo ou mesmo convenção coletiva restringese a categoria profissional abarcada na base territorial objeto do acordo dentro do seu prazo de vigência. Neste sentido, correto tratamento atribuído pela autoridade fiscal. Vejamos a Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 definição de acordos e conveções coletivas, que já foram esses os instrumentos adotados pela empresa. Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967). Art. 613 As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatòriamente:(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) I Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e emprêsas acordantes;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) II Prazo de vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) III Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) IV Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) V Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VI Disposições sôbre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VII Direitos e deveres dos empregados e emprêsas;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VIII Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as emprêsas em caso de violação de seus dispositivos.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem rasuras, em tantas vias quantos forem os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes, além de uma destinada a registro.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 614 Os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acôrdo, o depósito de uma via Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 9 15 do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º As Convenções e os Acôrdos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas respectivas sedes e nos estabelecimentos das emprêsas compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco) dias da data do depósito previsto neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 3º Não será permitido estipular duração de Convenção ou Acôrdo superior a 2 (dois) anos. Art. 615 O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acôrdo ficará subordinado, em qualquer caso, à aprovação de Assembléia Geral dos Sindicatos convenentes ou partes acordantes, com observância do disposto no art. 612.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º O instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação de Convenção ou Acôrdo será depositado para fins de registro e arquivamento, na repartição em que o mesmo originariamente foi depositado observado o disposto no art. 614.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º As modificações introduzidos em Convenção ou Acôrdo, por fôrça de revisão ou de revogação parcial de suas claúsulas passarão a vigorar 3 (três) dias após a realização de depósito previsto no § 1º.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Ora, alega a empresa que o arquivamento das mesmas após o início do procedimento fiscal, quase 3 anos após a realização do primeiro acordo, não fere a legislação, visto que a mesma não estabelece prazo para o arquivamento. No caso, a empresa formalizou o pagamento dos PLR por meio dos negociações coletivas, que possuem prazo de validade e referemse ao pagamento da verba em um determinado período. Como admitir que um acordo encontrase válido, se descumprido um requisito formal, que é o seu arquivamento no órgão competente. Se realmente a lei não exigisse o seu arquivamento para dar legitimidade, publicidade e vigência ao ato, qual sentido haveria na sua exigência. Ao arquivar os documentos no ano de 2009, não há que se falar que o acordo de 2005, 2006 ou 2007 ainda estivesse em vigor. Pelo contrário, haviam sido finalizados, os valores já haviam sido inclusive pagos. Não entendo que no presente caso, o arquivamento tardio, tenha convalidado um acordo, já inclusive sem validade! Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Ademais, as fls. 79 dos autos, conta cópia da Convenção coletiva, que em seu art. 9, possibilita o pagamento de PLR, podendo o mesmo ser negociado por meio de acordo coletivo, porém determina o seu arquivamento no sindicato e na DRT. Só para começar os acordos apresentados as fls. 118 a 125 não são acordos coletivos, portanto, não encontramse em consonância com a convecção coletiva firmada. Poderíamos entender tratarse então de acordo realizado entre a empresa e seus empregados, porém os mesmos não tem sequer a indicação do representante do sindicato, e ao não serem arquivados não possuem qualquer legitimidade, para determinar o pagamento de acordo com os propósitos da lei 10.101/2000. Ademais, ao apreciarmos o texto do art. 614, não nos restam dúvidas, a vigência de uma acordo só se inicia após 3 dias do seu arquivamento no órgão correspondente Nos termos do art. 616 da norma citada: “os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2ºNo caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. No que concerne a desnecessária participação do representante do sindicato, bem como do arquivamento do acordo, também não confiro razão ao recorrente. O sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 10 17 QUANTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Sendo válida a base de cálculo dos segurados, surge a obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerc do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 11 19 § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.728446/200919 Acórdão n.º 2401002.958 S2C4T1 Fl. 12 21 ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentanado que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o pagamento de PLR não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100659/2003-90
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DEPÓSITO JUDICIAL. DISPONIBILIDADE. ENCARGOS.
Não ocorrendo o depósito tal como previsto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, consideram-se disponíveis os valores depositados em favor da União, para efeito de cálculo dos encargos incidentes sobre o débito do contribuinte, apenas depois da sua conversão em renda.
PENALIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Indevida a alteração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da penalidade aplicada quando não se tratar da hipótese de cominação de penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Joel Miyazaki - Presidente em exercício
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros , Ricardo Paulo Rosa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Tatiana Midori Migiyama, Marcelo Ribeiro Nogueira e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DEPÓSITO JUDICIAL. DISPONIBILIDADE. ENCARGOS. Não ocorrendo o depósito tal como previsto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, consideram-se disponíveis os valores depositados em favor da União, para efeito de cálculo dos encargos incidentes sobre o débito do contribuinte, apenas depois da sua conversão em renda. PENALIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Indevida a alteração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da penalidade aplicada quando não se tratar da hipótese de cominação de penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DEPÓSITO JUDICIAL. DISPONIBILIDADE. ENCARGOS. Não ocorrendo o depósito tal como previsto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, consideramse disponíveis os valores depositados em favor da União, para efeito de cálculo dos encargos incidentes sobre o débito do contribuinte, apenas depois da sua conversão em renda. PENALIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Indevida a alteração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da penalidade aplicada quando não se tratar da hipótese de cominação de penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Joel Miyazaki Presidente em exercício Ricardo Paulo Rosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 06 59 /2 00 3- 90 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.100659/200390 Acórdão n.º 3201000.450 S3C2T1 Fl. 315 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros , Ricardo Paulo Rosa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Tatiana Midori Migiyama, Marcelo Ribeiro Nogueira e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente do lançamento de ofício (fls. 10/20) dos valores de Cofins dos períodos de apuração de abril a dezembro de 1998, declarados nas respectivas DCTF’s como extintos por compensação sem DARF através do Processo Judicial nº 89.00149865. A justificativa para o lançamento foi de Processo Judicial não comprovado. Na impugnação apresentada (fls. 01/09), a contribuinte alega ter créditos de Finsocial recolhidos a maior que o devido por conta da majoração indevida da alíquota, decorrentes de ação judicial que reconheceu tal fato em decisão transitada em julgado. Junta cópias da ação judicial – ação Ordinária de Repetição de Indébito, processo nº 89.0014986.5, através do qual foi reconhecido ter ocorrido pagamento a maior que o devido a título de Finsocial ante a inconstitucionalidade da majoração da alíquota da contribuição, cuja decisão estabeleceu as regras acerca do cálculo do indébito no que tange aos juros de mora e à correção monetária. As cópias dos DARF,s juntados à ação ordinária referemse aos pagamentos de Finsocial da Matriz (CNPJ 87.844.304/000113) e da Filial que responde ao presente processo (CNPJ 87.844.304/000466). A sentença teve trânsito em julgado em 01/07/1997. Já em fase de execução, chegou a ser emitido precatório, pelo valor calculado em 24 de novembro de 1999, tendo a interessada restituído os valores recebidos, através da Guia de Depósito Judicial em favor da União ( R$ 54.155,14 em 22/12/1999, equivalente a R$ 54.690,07, em 16/06/2000, data em que tal valor foi convertido em renda da União), ante a compensação que teria efetivado (fls. 188 e 190/194). O processo judicial foi desarquivado por requerimento neste sentido feito pela DRF em Porto Alegre, para ser examinado com o fim de subsidiar ação fiscal junto à empresa, conforme o Mandado de Procedimento citado, posteriormente retornando ao arquivo (fls. 195/196). A interessada junta também o Histórico Contábil das Compensações efetivadas e a listagem dos valroes que teria extinto pela compensação: Cofins dos períodos de maio de 1998 a novembro de 1999 (fls. 200/202). O presente foi encaminhado à DRF de origem (fls. 206/207) por esta 2ª Turma da DRJ/POA, através do Despacho Presidente nº 73, de 23/11/2006, para que aquela unidade da SRF prestasse esclarecimentos sobre extinções de outros débitos por compensação com os mesmos créditos de Finsocial, e a existência de saldo para a extinção dos créditos tributários lançados de ofício através do presente, bem como os montantes envovidos. Pediuse também para que fossem verificadas as conclusões no Processo de Acompanhamento. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.100659/200390 Acórdão n.º 3201000.450 S3C2T1 Fl. 316 3 A DRF em Porto Alegre fez juntada dos elementos de fls. 214 a 242, que originalmente deveriam estar no presente processo, dentre os quais se encontra o Relatório do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário daquela Delegacia, dando conta da efetiva existência de créditos favoráveis ao contribuinte provenientes do depósito que foi efetivado em favor da União relativo à restituição concedida judicialmente. A interessada pretendia a compensação daquels créditos com os de´bitos de Cofins dos períodos de apuração de abril a dezembro de 1998 (compensação sem DARF – débitos da filial) e de janeiro a agosto de 1999 (outrascompensações de deduções, débitos da matriz), porém todas vinculadas ao processo judicial nº 89.00149865, conforme DCTF’s apresentadas e juntadas. Efetuados os cálculos pela DRF em Porto Alegre, foi considerada como data de pagamento. Restaram a descoberto parte do débito de dezembro de 1998 em nome da filial e os referentes a janeiro até agosto de 1999 em nome da matriz. O Relatório em questão foi aprovado pelo Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, o qual considerou liquidados os débitos de Cofins da Filial dos períodos de abril a novembro e parcialmente o de dezembro de 1998. A Informação Fiscal de fls. 244/245 em resposta ao Despacho Presidente 73, de 2006, relata tais fatos, esclarecendo ainda que os débitos da matriz estão sendo cobrados através dos processos nº 11080.505137/200461 e nº 11080.507964/200490. Esclarece também que o Mandado de Procedimento Fiscal deu origem ao Auto de Infração dos valores de Cofins incidentes sobre o ICMS dos períodos de apuração de setembro de 1997 a dezembro de 2001. A interessada recebeu cópia tanto do pedido de Diligência quanto dos elementos fornecidos pela DRF em Porto Alegre, manifestandose dentro do prazo às fls. 248/250, alegando que a compensação foi efetivada quando declarada via DCTF e não como considerou a autoridade administrativa, quando da conversão em renda do depósito em favor da União. Não caberiam, desta forma os acrésicmos lançados pela SRF e nem a compensação com os débitos mais antigos que estavam com exigibilidade suspensa. Considera que seu procedimento estava emconsonância com as determinações do processo judicial nº 89.00149865. Quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal alega ter sido instaurado para exame do procedimento Judicial para modificar os efeitos do decidido na ação judicial, o que seria contrário à legislação processual, já que tratavase de sentença terminativa, transitada em julgado. Requer a anulação do Auto de Infração de que trata o presente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Insatisfeita com a decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este colegiado por meio do qual requer a reforma da decisão de piso, Em síntese, defende que pode efetuar a compensação sem prévia autorização da administração, bastando que o poder judiciário tenha reconhecido seu direito, e advoga que o direito creditório data do trânsito em julgado da sentença. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.100659/200390 Acórdão n.º 3201000.450 S3C2T1 Fl. 317 4 Como já relatado nos autos, a contribuinte declarou em DCTF débito seu, cuja extinção por compensação estaria autorizada em juízo. O crédito tributário correspondente ao débito informado como extinto por compensação foi lançado em auto de infração por considerarse não comprovado o processo judicial informado. Assim entendeuse por que o processo indicado pela autuada era de repetição de indébito e não de compensação. Mais tarde, quando emitido precatório naquele processo judicial de repetição de indébito, a interessada restituiu os valores mediante depósito judicial em favor da União, que, em 16 de junho de 2000, foi convertido em renda. A controvérsia gira em torno das datas de extinção do crédito, em função das quais calculamse os encargos moratórios. A recorrente considera que o débito foi extinto na data de apresentação da DCTF e a União na data da conversão em renda do depósito. Ao meu sentir, há algumas questões motivadoras de certa confusão no processo. Como bem apontado pelo i. Julgador de primeira instância no voto condutor da decisão recorrida, não há no presente caso o instituto do depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário com vistas à discussão de valores devidos, tal como previsto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, mas sim a disponibilização de crédito obtido em ação judicial transitada em julgado, cuja efetiva designação somente foi conhecida no momento em que os valores foram liquidados, pois até então não havia absolutamente nenhum expediente administrativo ou judicial que os vinculasse aos débitos da COFINS ora discutidos. Tudo isso assim ocorreu justamente por que a recorrente não cuidou de apresentar pedido de compensação pela via administrativa, valendo o mesmo para o processo judicial, destinado à restituição de valores e não à compensação de valores devidos. Disso decorreu que os débitos não liquidados na data do vencimento ficaram em aberto até que recursos financeiros específicos fossem destinados ao seu pagamento, o que só ocorreu quando da conversão dos depósitos em renda em favor da União. Resolvido isto, há que se fazer uma importante ressalva em relação à decisão tomada em primeira instância de exonerar a recorrente da multa de ofício no percentual de 75% do valor do Imposto, substituindoa pela multa no percentual de 20%. "Vejamos como expressou o i. Relator do voto vencido. De outra parte, o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, alterado pelo artigo 25, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, deu nova redação ao art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que trata do lançamento de ofício de valores declarados. Nesta nova determinação normativa, a aplicação da multa de ofício fica restrita à multa isolada nos casos de compensação em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4,502, de 30 de novembro de 1964, situação que não ocorreu no presente. No caso concreto, não há mais previsão legal para aplicação de multa de ofício face à nova determinação legal. Logo, a multa Fl. 317DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.100659/200390 Acórdão n.º 3201000.450 S3C2T1 Fl. 318 5 exigível deve ser a multa de mora, no percentual de 20% (vinte por cento), nos termos do art.106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, multa inerente à declaração auditada que deu origem ao lançamento." Data máxima vênia, não comungo da opinião que prevaleceu na decisão de piso. O inciso II, alínea “c”, do artigo 106 supracitado referese aos casos em que a lei nova comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática do ato ainda não definitivamente julgado. O que se tem aqui, no escopo daquilo que vinha sendo definido como violação de regras, é que não mais ocorre a infração nos casos de compensação sem a presença de fraude, simulação ou conluio, tal como especificado nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, consubstanciandose na hipótese prevista na alínea “a” e não na “c”. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa de 20% era préexistente e não substituiu a multa de 75% por declaração inexata, falta de declaração ou de pagamento. De fato, tratamse de penalidades distintas. Cada qual tem origem em disposição legal específica e não coincidente, e fundamentação próprias. A alteração pretendida representaria, a meu juízo, alteração de critério jurídico, procedimento vedado pelo próprio Código Tributário Nacional. "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para afastar a cobrança da multa de vinte por cento incluída na decisão de primeira instância, mantendose o restante do crédito da lide. Ricardo Paulo Rosa Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001637/2003-31
Data da sessão: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial de repetição
de indébito é a da data de extinção do crédito tributário, assim
entendido o pagamento antecipado, no caso dos tributos sujeitos
ao lançamento por homologação, sendo o termo final o dia em
que se completa o qüinqüênio legal, contado daquela data.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS.
DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se
manifestar sobre de inconstitucionalidade de normas tributárias.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO
REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
A isenção prevista no art. 6º, II da LC 70/91, garantida às
sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente
regulamentada, de que tratava o art. 1º do DL 2.397/87, foi
tacitamente revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 203-13.096
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dicler de Assunção
Nome do relator: Robson José Bayerl
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial de repetição de indébito é a da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo o termo final o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado daquela data. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se manifestar sobre de inconstitucionalidade de normas tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção prevista no art. 6º, II da LC 70/91, garantida às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que tratava o art. 1º do DL 2.397/87, foi tacitamente revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado.
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RReeccoorr rr iiddaa DRJ CURITIBA/PR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial de repetição de indébito é a da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo o termo final o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado daquela data. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se manifestar sobre de inconstitucionalidade de normas tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/12/1992 a 31/10/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção prevista no art. 6º, II da LC 70/91, garantida às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que tratava o art. 1º do DL 2.397/87, foi tacitamente revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.001637/2003-31 Acórdão n.º 203-13.096 CC02/C03 Fls. 206 _________ 2 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dicler de Assunção. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente ROBSON JOSÉ BAYERL – Redator Ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Consubstancia este processo pedido de restituição de Cofins, período dezembro/1992 a outubro/2002, formalizado em 14/02/2003. A DRF Curitiba/PR indeferiu o pedido, reputando o período anterior a 14/02/1998 alcançado pela decadência, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN e Ato Declaratório SRF nº 096/99, e, quanto ao período posterior, acentuou que, a partir da vigência do art. 56 da Lei nº 9.430/96, as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a se sujeitar à contribuição em epígrafe. Em manifestação de inconformidade o requerente defendeu o prazo decenal (5 + 5) para exercício do direito à repetição e, no mérito, sustentou a impossibilidade de lei ordinária (art. 56 da Lei nº 9.430/96) revogar lei complementar (art. 6º, II da LC 70/91). A DRJ Curitiba/RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente com os mesmos fundamentos do despacho decisório. O voluntário, grosso modo, reiterou a argumentação expendida no recurso inaugural, acrescentando que a Administração Pública Federal se vincularia ao entendimento dos tribunais superiores. É o relatório. Voto Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.001637/2003-31 Acórdão n.º 203-13.096 CC02/C03 Fls. 207 _________ 3 Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, Relator, p/ Conselheiro Robson José Bayerl, Redator ad hoc. Preambularmente, cumpre registrar que, tendo em conta o fato de o conselheiro relator não haver apresentado o competente voto à Secretaria da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, designou-me o Presidente da 3ª SEJUL/CARF para providenciar a sua redação, objetivando formalizar o Acórdão 203-13.096, julgado na sessão de 03/07/2008, motivo pelo qual a argumentação expendida não necessariamente reflete o entendimento do signatário. Neste diapasão, o recurso era tempestivo e preenchia os demais pressupostos de admissibilidade. Tocante à preliminar argüida (inocorrência) da decadência do direito de vindicar o suposto crédito, onde sustentou o recorrente que disporia de um prazo de 10 (dez) anos para exercer tal pretensão - fincado na tese alcunhada “5 + 5”, que considera extinto o crédito tributário com a homologação do lançamento, tomado este elemento como termo inicial do prazo decadencial previsto no art. 168, I do Código Tributário Nacional -, entendeu-se não assistir-lhe razão, como se expõe. Nada obstante a tese apresentada contar como principal defensor o egrégio Superior Tribunal de Justiça, que a aplicava reiteradamente, entendeu-se que esta exegese, ao menos em sede administrativa, encontraria empeço na dicção dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, mormente seu art. art. 4º, verbis: “Art. 3 o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o do art. 150 da referida Lei. Art. 4 o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 o , o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Mesmo que se cuide de norma superveniente aos fatos jurídicos tributários albergados neste feito, a própria lei estabeleceu seu caráter interpretativo e, conseqüente, efeito retroativo, de maneira que suas disposições alcançariam os fatos jurídicos que lhe são anteriores, ex vi ao art. 106, I do Código Tributário Nacional, citado textualmente. Tratando-se então de norma válida e vigente, irrefragável sua incidência no caso vertente, de maneira que a extinção do crédito tributário se concretizaria com o pagamento antecipado e não com a sua homologação, como sustentado, implicando no influxo dos arts. 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional para definição do dies a quo do interstício decadencial, de modo que os valores anteriores a 14/02/1998 encontram-se extintos pela decadência do direito à repetição. Respeitante à parcela remanescente, a isenção concedida pelo art. 6º, II da Lei Complementar nº 70/91 foi revogada tacitamente pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96, como consignado na decisão reclamada. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.001637/2003-31 Acórdão n.º 203-13.096 CC02/C03 Fls. 208 _________ 4 Era entendimento assente no Segundo Conselho de Contribuintes, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não competiria se manifestar sobre a inconstitucionalidade de leis, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. A súmula nº 2 do Conselho de Contribuintes assim dispunha: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Como dito, encontrando-se a norma válida e vigente, não sendo objeto de declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado, pelo Supremo Tribunal Federal, ou mesmo de suspensão de execução pelo Senado Federal (art. 52, X da CF/88), não seria possível aos órgãos administrativos de julgamentos negar-lhe eficácia, não havendo respaldo legal, normativo ou regimental a pretendida vinculação às decisões exaradas pelo STJ e STF, por mais respeito que mereçam. Em síntese, o despacho decisório e a decisão recorrida deveriam ser mantidos pelos próprios fundamentos. Com estas considerações, o colegiado votou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 de julho de 2008. ROBSON JOSÉ BAYERL Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10314.005195/2002-74
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 31/01/1985 a 30/09/1997
BEFIEX . DECADÊNCIA. PRAZO
Tratando-se de importação efetuada ao amparo do Programa Especial Befiex, o termo de início do prazo decadencial para lançamento dos impostos corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à data da comunicação do inadimplemento pela Coordenação Geral de Programas Befiex do MICT, nos termos do inciso I, do artigo 173, do CTN.
DESCUMPRIMENTO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. EXCESSO DE IMPORTAÇÃO.
A beneficiária descumpriu cláusula onerosa prevista no Termo de Compromisso, ao importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, partes e peças em valor superior ao limite máximo pactuado. A comprovação não pode ser considerada no cômputo global (soma das rubricas máquinas e equipamentos e partes e peças), uma vez que o próprio Termo de Compromisso autorizava importações de forma segregada para cada uma delas.
Numero da decisão: 3802-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (Relator) e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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DECADÊNCIA. PRAZO Tratandose de importação efetuada ao amparo do Programa Especial Befiex, o termo de início do prazo decadencial para lançamento dos impostos corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à data da comunicação do inadimplemento pela Coordenação Geral de Programas Befiex do MICT, nos termos do inciso I, do artigo 173, do CTN. DESCUMPRIMENTO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. EXCESSO DE IMPORTAÇÃO. A beneficiária descumpriu cláusula onerosa prevista no Termo de Compromisso, ao importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, “partes e peças” em valor superior ao limite máximo pactuado. A comprovação não pode ser considerada no cômputo global (soma das rubricas “máquinas e equipamentos” e “partes e peças”), uma vez que o próprio Termo de Compromisso autorizava importações de forma segregada para cada uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 51 95 /2 00 2- 74 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (Relator) e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Preliminarmente, ressalto que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado como redator ad hoc (fl. 223), para formalização do respectivo Acórdão, considerando a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ de São Paulo II – SP (fls. 170/178 do processo eletrônico), que por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em 15/09/1997, através do Ofício nº. 093/MICT/SPI/BEFIEX, encaminhado à Receita Federal pela Coordenação Geral de Programas Beñex, foi comunicado o encerramento do ato administrativo que concedeu incentivos fiscais à citada empresa, no tocante o programa Especial de Exportação Programa Befiex, nos termos do Certificado Befiex n° 288, de 30/01/1985. A fiscalização foi instada a proceder a verificações com o intuito de verificar o cumprimento das condições onerosas e demais compromissos assumidos, sob a égide do programa Befiex. O referido Certificado reportase ao Termo de Aprovação Befiex n° 233/85, que assegurou ao titular o direito de proceder a determinadas importações com redução de impostos condicionados à realização de correspondentes exportações, num período de dez anos, a contar do dia 30/01/1985.(fls. 12/14), documento este que foi aditivado pelos Termos Aditivos Befiex no. 151/86, 288/II/88, 288/III/89, 288/IV, 288/V/88, 288/V1/94, 288/VII/95 e 288/VIII/97 (fls. 15/38). Os procedimentos fiscais foram instaurados através do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº. 0815500.2002.00051 2, emitido em 24/01/2002, sendo que o contribuinte foi cientificado do mesmo em 10/04/2002. Em 05/12/2002, foram lavrados os Autos de Infração (fls. 84/101) para cobrança do Imposto de Importação, multa prevista no artigo 37 da Lei nº. 8.2148/91 e art. 44, I da Lei no, 9430/96 e juros moratórios; do Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005195/200274 Acórdão n.º 3802000.152 S3TE02 Fl. 225 3 Imposto sobre Produtos Industrializados, multa prevista no artigo 80, inciso I, da lei no. 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei no, 9430/96 e juros de mora. Aduz, em síntese, a fiscalização que: a Secretaria de Política Industrial comunicou através do Oficio MICT/SPI/BEFIEX nº. 092 de 15/09/97 o encerramento do Programa Befiex, sendo que a partir deste momento é que foi estabelecido o início do prazo decadencial para verificação do cumprimento do contrato, conforme artigo 173, incido I do CTN; foi elaborado Relatório Fiscal (fls. 114/126) onde demonstra e analisa todos os valores apurados durante os trabalhos de auditoria fiscal; no tocante as importações efetuadas ao amparo do programa Befiex, foram apurados os seguintes montantes por rubrica: Máquinas / equipamentos valor máximo permitido: US$ 2.350.000,00;Partes/peças valor máximo permitido: US$ 681.500,00; Máquinas/equipamentos valor lançado no último balanço de divisas US$ 1.889.431,00 apresentado:Partes/peças valor lançado no último balanço de divisas US$ 751.031,00 apresentado:Máquinas/equipamentos valor apurado pela fiscalização, pela somatória efetiva das declarações de importações:US$ 1.763.622,06 Partes/peças valor lançado no último balanço de divisas apresentado: US$ 770.919,00. Obs. Valores foram considerados após as prorrogações previstas nos Termos de Compromissos Aditivos no. 288/ VII/95 e 288/ VIII/97, que fixaram o limite de importação para US$ 3.031.500,00, montante este dividido entre “máquinas/equipamentos“ e “partes/peças”. Assim, concluiu a fiscalização que a beneficiária ultrapassou o limite de importação para “partes/peças” no montante de US$ 89.419,00, ou seja, o limite permitido era de US$ 681.500,00 e o valor constatado de importações foi de US$ 770.919,00. Ciente da exigência fiscal em 17/12/2002, a autuada apresentou tempestivamente, em 15/01/2003, a Impugnação de fls. 129/134, onde alega em síntese que: preliminarmente, alega que o prazo de decadência deverá ser contado do momento em que supostamente passou a Impugnante a importar com isenção do IPI e do I.I. e, assim o direito ao lançamento já havia decaído, quando da lavratura do auto de infração; no mérito, entende que a Comissão Befiex controlava os saldos em seus programas, portanto tomavase impossível a importação de itens sem a existência de saldo destinado a cada rubrica. Posteriormente, quando as importações eram realizadas, as declarações de importação eram lançadas nos relatórios de Balanços de Divisas, confirmando em caráter definitivo a realização das importações liberadas pela exi t” cia de saltos a importar; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ocorreu que para duas declarações de importações (no. 121049 e 112033) corretamente lançadas no Balanço de Divisas na rubrica de “partes/peças”, foram, no pedido de liberação da importação deduzidas do saldo da rubrica de máquinas. Tal fato ocasionou, posteriormente, um erro na utilização dos saldos de cada uma das rubricas; no Balanço de Divisas final as importações reais foram de US$ 1.889.431,00 na rubrica “máquinas” e US$ 770.919,00 na rubrica de “partes/peças”, restando no total um saldo não utilizado de US$ 371.163,00, portanto, o valor dentro dos limites aprovados e que, embora a existência de diferença nos saldos por rubrica, houve uma utilização abaixo do valor aprovado; conclui, solicitando que seja julgada a insubsistência do lançamento por ter ocorrido a decadência do direito. Caso não admitida a decadência, requer a insubsistência por ter no cômputo geral do programa apresentado saldo positivo de divisas. É o Relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram conhecidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 30/01/1985 a 12/09/97 BEFIEX DECADÊNCIA. Tratandose de importação efetuada ao amparo do Programa Especial BEFIEX, o termo de início do prazo decadencial para lançamento dos impostos corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à data da comunicação do inadimplemento pela Coordenação Geral de Programas Befiex / MICT. DESCUMPRIMENTO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. EXCESSO DE IMPORTAÇÃO. A beneficiária descumpriu cláusula onerosa prevista no Termo de Compromisso, ao importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, partes, peças, componentes, matériasprimas e produtos intermediários, em valor superior ao limite máximo pactuado. A comprovação não pode ser considerada no cômputo global (soma das rubricas ““máquinas/equipamentos” e “partes/peças”), uma vez que o próprio Termo de Compromisso autorizava importações de forma segregada para cada uma delas. Na cabe ao aplicador da norma dar interpretação diversa daquela prevista expressamente no texto interpretado, notadamente no que se refere à outorga de isenção fiscal_(art. 111, inciso Il, CTN). Lançamento Procedente Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005195/200274 Acórdão n.º 3802000.152 S3TE02 Fl. 226 5 Cientificada da referida decisão em 02/01/2008 (fls. 181 – embora não encontrado nos autos com precisão a data da ciência na intimação, considerase o dia do despacho de intimação que foi datado pela IRF São Paulo, em 02/01/2008), a Recorrente, tempestivamente, em 31/01/2008, apresentou o recurso voluntário de fls. 183/192, com as alegações abaixo transcritas: 1) preliminarmente, alega a decadência do direito do fisco em efetuar o lançamento – o prazo deverá ser contado do momento em que supostamente passou a Recorrente a importar com isenção do I.I. e do IPI e, assim o direito ao lançamento já havia decaído, quando da lavratura do auto de infração; 2) ainda em preliminar, alega erro formal atinente ao cálculo da suposta infringência, que caso cabível, deveria ter utilizado o índice de redução (tolerância legal de 10%), pois, em assim não procedendo, restou à fiscalização por tributar bens amparados pelos benefícios fiscais do Programa Befiex. 3) quanto ao mérito, aduz que: 3.1) o programa Befiex foi aprovado em 30/01/85 através do Certificado 288/85 com o Termo de Compromisso 233/85 e que foram efetuados diversos aditivos. Em face da necessidade de completar as importações previstas no programa Befiex, não ocorridas no prazo estabelecido, a Recorrente obteve a prorrogação do prazo do programa através do Termo de compromisso Aditivo SPI/Befiex/n° 288/VII/95, para o período de 30/01/1995 a 29/01/1998. 3.2) que a prorrogação do programa permitiu importar um total de US$ 3.031.500.00, sendo destinados inicialmente US$ l.800.000,00 para a rubrica de “máquinas e equipamentos” e US$ l.231.500,00 para a rubrica de “partes e peças” de reposição. 3.3) o saldo existente em cada rubrica de “maquinas equipamentos” e “partes e peças de reposição” eram deduzidos os valores das guias de importação e aditivos. Posteriormente, quando as importações liberadas pelo programa BEFIEX, eram realizadas, as Declarações de Importação que eram lançadas nos relatórios de Balanço de Divisas. 3.4) as DI’s n°s 121049, no valor de US$ 223.946,00 e nº 112033, no valor de US$ 111.973,00, indicadas no auto de infração e corretamente lançadas no Balanço de Divisas na rubrica de “partes e peças”, foram, no pedido de liberação da importação através de suas Guias de Importação, deduzidas do saldo da rubrica de “máquinas e equipamentos”. 3.5) requerida a liberação de nova guia de importação no valor de US$ l.415.425,87, o saldo restante nessa rubrica de “máquinas e. equipamentos” não era suficiente para essa importação. Tomandose necessário um pedido de remanejamento do saldo da verba de partes e peças de reposição para a verba de “máquinas e equipamentos”. Nesse momento, o confronto dos saldos, feitos através das liberações de guias de importações (nos quais foram deduzidos os US$ 335.9l9,00 correspondentes duas citadas DI's, mostrou uma posição errônea, provocando um pedido de remanejamento excessivo (em US$ 335.919,00) do saldo existente de “partes e peças” de reposição. 3.6) o valor, de US$ 335.919,00, somandose ao saldo negativo de US$ 89.970,00 verificado pela fiscalização através do Balanço de Divisas, mostra uma sobra de US$ 246.500,00 destinados originalmente à rubrica de “partes e peças” de reposição, enquanto Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 que o saldo final da rubrica de “máquinas e equipamentos” também apresentou uma utilização a menor que o permitido com um saldo não utilizado de US$ 460.569,00 (US$ 2.350.000,00 menos o valor de US$ 1.899.431,00 lançados no Balanço de Divisas). Deste saldo, deduzindo se os US$ 335.9l9,00, transferidos da rubrica de “partes e peças de reposição”, ainda mostra uma sobra de US$ 124.578,00. 3.7) considerandose os valores originais aprovados por ocasião da prorrogação do programa, podese comprovar que na rubrica de “máquinas e equipamentos” ficou estipulado uma importação total de US$ 1.800.000,00, enquanto que na rubrica de “partes e peças de reposição” a importação prevista de US$ 1.231.513,00. 3.8) no Balanço de Divisas final, as importações reais foram de US$ 1.889.431,00 na rubrica de “máquinas e equipamentos” e de US$ 770.919,00 na rubrica de “partes e peças de reposição” restando no total um saldo não utilizado de US$ 371.163,00, portanto, o valor dentro dos limites aprovados e que, embora a existência de diferença nos saldos por rubrica, houve uma utilização abaixo do valor aprovado. Ao final, conclui, solicitando a reforma da decisão de primeira instância, com a declaração de decadência do direito do Fisco, ou, alternativamente, nulidade do procedimento fiscal, e caso superados esses óbices, de improcedência no que concerne à questão de mérito, tendo em vista as razões apresentadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 223), uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. 1) Admissibilidade do recurso O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão pela qual, dele conheço. 2) Preliminar de decadência do direito do fisco em efetuar o lançamento Alega a Recorrente que contrariamente ao afirmado na decisão a quo, o direito ao lançamento de eventuais valores já havia decaído quando da iniciativa do Fisco relativamente ao Auto de Infração objeto do presente recurso. Isso porque o prazo de decadência deverá ser contado do momento em que supostamente passou a Recorrente a importar com isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, ou seja, que nos programas Befiex o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência de cada fato gerador. Notese que não assiste razão a Recorrente ao afirmar que ocorreu a decadência, o que impediria a constituição do crédito tributário pelo Fisco. No caso específico Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005195/200274 Acórdão n.º 3802000.152 S3TE02 Fl. 227 7 do Programa Befiex, o termo inicial para contagem da decadência não é a data de registro da Declaração de Importação. Neste sentido, para melhor esclarecer o fato, observese o trecho da decisão recorrida, conforme trecho abaixo reproduzido: No caso sob exame, tendo em vista as importações terem se processado ao amparo do Programa BEFIEX, não houve recolhimento integral dos impostos por ocasião do fato gerador, não cabendo, então, falar em homologação de pagamento que não foi realizado, pois estava condicionado a eventos futuros (cumprimento das condições fixadas no Termo de Compromisso) O que houve, na verdade, foi lançamento de ofício do I.I. e do IPI, consubstanciado no Auto de Infração do presente processo, em decorrência da omissão do contribuinte em recolher os impostos após ficar constatado que não foram cumpridas as condições onerosas do Programa, uma vez constatado que houve excesso de importações de bens na rubrica “partes/peças”. Antes da lavratura do Auto de Infração nenhum lançamento chegou a concretizarse. Assim, não havendo pagamento integral dos tributos, a situação não se enquadra na regra de contagem do prazo decadencial, estabelecida pelo § 4° do art. 150 do CTN, siijeitandose, então, à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal, reproduzido no art. 138 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, ou seja, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Notase, assim, do Befiex, que, para fins de aplicabilidade da decadência sobre esse regime especial, como não há e não houve efetivo pagamento antecipado do tributo devido no momento da ocorrência do fato gerador para ser homologado, devese afastar de plano a regra do parágrafo 4, do artigo 150, do CTN. Assim, no caso específico do Programa Befiex, uma vez que o encerramento do programa está vinculado ao cumprimento de condições onerosas previstas no Termo de Compromisso, o que somente poderá ser averiguado pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Industrial/MDIC, no prazo final de cumprimento do programa. O Programa Befiex da Recorrente poderia ter sido utilizado no período contado de 30/01/1985 a 29/01/1998, conforme especificado na cláusula primeira do Termo de compromisso Aditivo SPI/BEFIEX/nº. 288/VII/95 (fl. 41). O MDIC comunicou à Receita Federal o encerramento do programa da empresa, através do Ofício nº 092/MDIC/SPI/BEFIEX, datado de 15/09/1997. Assim, o prazo decadencial tem seu termo a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tenha ocorrido o evento tributário consumado, isto é, do evento fenomênico que permita constatar o descumprido contratualmente, pois, não houve pagamento e não há o que se homologar, sendo aplicada a regra geral, nos termos do inciso I, do artigo 173, do CTN. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 As lições dos professores Luciano Amaro e Eurico de Santi, que nessa parte comungam com esse entendimento, são sempre bem aplicadas ao presente caso, motivo pelo qual se faz remissão as citações de fls. 389 e 390, transcrevendose tãosomente esta última "regra de decadência do direito de lançar sem pagamento antecipado": Assim, o prazo decadencial tem seu termo a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tenha ocorrido o evento tributário consumado, isto é, do evento fenomênico que permita constatar o descumprido contratualmente, pois, repisase, não houve pagamento e não há o que se homologar, sendo aplicada a regra geral, nos termos do inciso I, do artigo 173, do CTN. As lições dos professores Luciano Amaro e Eurico de Santi, que nessa parte comungam com esse entendimento, são sempre bem aplicadas ao presente caso, motivo pelo qual se faz remissão as citações de fls. 389 e 390, transcrevendose tãosomente esta última "regra de decadência do direito de lançar sem pagamento antecipado": Portanto, no caso em tela, a contagem do prazo decadencial do correspondente crédito tributário regese pelo que está determinado no art. 173, inciso I do mesmo diploma legal, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Nessa configuração, o prazo decadencial é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que tenha ocorrido o evento tributário. Concluindo, a Administração Tributária tomou conhecimento de que poderia efetuar eventuais lançamentos de oficio em 15/09/1997, pela regra do inciso I, art. 173 do CTN, a contagem do termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/1998. Logo, a decadência ocorreria após o dia 31/12/2002. A lavratura do Auto de Infração ocorreu m 05/12/2002 (com ciência em 17/12/2002), portanto, se conclui por afastar a ocorrência de decadência, eis que o lançamento tributário não ultrapassou o termo legal de cinco anos. Preliminar de decadência rejeitada. 3) Do alegado erro de procedimento Ainda em fase preliminar, a Recorrente alega erro de procedimento quanto ao cálculo da suposta infringência, que caso cabível, deveria ter utilizado o índice de redução (margem de tolerância de 10%), pois, em assim não procedendo, restou à fiscalização por tributar bens amparados pelos benefícios fiscais do Programa Befiex, conforme a seguir retratado: “Com efeito, as normas instituidoras e regulamentadoras do Programa eram taxativas ao determinar que: Art. 58. O Ministro da Indústria e do Comércio aprovará as listas dos bens que poderão ser importados anualmente de acordo com o Programa BEFIEX. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005195/200274 Acórdão n.º 3802000.152 S3TE02 Fl. 228 9 Art. 59. Poderão ser importados, sem necessidade de aprovação de nova lista, matériasprimas, produtos intermediários, componentes e peças de reposição até o limite de dez por cento acima da quantidade fixada para importação de cada item lista aprovada, desde que o valor total anual de importação não ultrapasse o valor de um terso da exportação a que se refere o art. 62. Art. 62. O valor das matériasprimas, produtos intermediários, componentes e peças de reposição importados a cada ano, com os benefícios previstos nos itens II e IV do art. 45, não poderá ser superior à cota de um terço do valor líquido da exportação, no mesmo período, de produtos vinculados ao Programa BEFIEX. Assim, se excesso houve, haveria que ter efetuado o Sr. Fiscal o lançamento após o recálculo com base na tolerância de 10% da lei, o que não ocorreu na espécie. Assim, eventual lançamento caso cabível deveria ter utilizado o índice de redução, pois, em assim não procedendo, restou a fiscalização por tributar bens amparados pelos benefícios fiscais do Programa BEFIEX. Dessa forma, haverá falarse em erro in procedendo, de sorte a invalidar o lançamento fiscal. Notese que embora o Recorrente não tenha precisado o dispositivo legal ao qual faz menção, é possível concluir que se trata do Decreto nº 96.760, de 22 de setembro de 1988, que regulamenta o DecretoLei nº 2.433, de 19 de maio de 1988, alterado pelo Decreto Lei nº 2.451, de 29 de julho de l988, que dispõe sobre os instrumentos financeiros relativos à política industrial, seus objetivos, e dá outras providências. No entanto, constatase que este dispositivo legal foi REVOGADO pelo Decreto nº 949, de 05 de outubro de 1993, que em seu art. 41, estabelece que: Art. 41. Revogamse os Decretos nºs 96.760, de 22 de setembro de 1988, e 99.073, de 8 de março de 1990. Desta forma, concluise que, mesmo se baseado nos argumentos da Recorrente, não se caracteriza o erro procedimental alegado quanto ao crédito tributário lançado, uma vez que a legislação (supostamente) referenciada em seu recurso, se encontrava revogada desde 05/10/1993. Preliminar rejeitada. 4) Do mérito O litígio referese ao fato de que, segundo o Fisco, a beneficiária do Regime Aduaneiro (Befiex), ultrapassou o limite de importação para a rubrica “partes/“peças” no montante de US$ 89.419,00, ou seja, o limite permitido era de US$ 681.500,00 e o valor constatado pela fiscalização foi de US$ 770.919,00. A recorrente alega que no seu Balanço de Divisas final, as importações reais foram de US$ 1.889.431,00 na rubrica de “máquinas” e US$ 770.919,00 na rubrica de “partes e peças de reposição” restando no total um saldo não utilizado de US$ 371.163,00, portanto, o valor dentro dos limites aprovados e que, embora a existência de diferença nos saldos por rubrica, houve uma utilização abaixo do valor aprovado e que no final, os valores utilizados Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 para constar no aditivo de fechamento do programa foram buscados nos saldos utilizados para a aprovação das importações e não nos saldos decorrentes do efetivo lançamento no Balanço de Divisas, como deveria ocorrer. Isto mostra que a transferência real de saldo da rubrica de “partes para máquinas”, deveria ser simplesmente do valor detectado pela Receita ou seja US$ 1.889.431,00 menos US$ l.800.000,00, os US$ 89.431,00. Lembra ainda que o Programa Befiex somente liberava importações após constatar que a beneficiária tinha saldo para importar com os incentivos deferidos. Esclareça se, por oportuno, que o que afirma a ora Recorrente, no sentido da inexistência de afronta ao Programa diante do resultado global das importações, vem de encontro com a própria intenção do legislador ao instituir referido beneficio. Sobre tais argumentos, mais uma vez não assiste razão a Recorrente, pois esse ponto foi muito bem analisado pela decisão recorrida. Observese o trecho, conforme abaixo reproduzido: (...) Por sua vez, a Impugnante alega que em decorrência de meros equívocos na informação de dados à Comissão Befiex resultou em erros na utilização dos saldos de cada uma das rubricas, entretanto, no Balanço de Divisas final as importações reais foram de US$ 1.889.431,00 na rubrica “máquinas” e US$ 770.919,00 na rubrica de “partes/peças”, restando no total um saldo não utilizado de US$ 371.163,00. Assim, embora exista de diferença nos saldos por rubrica, houve uma utilização total abaixo do valor aprovado, portanto, entende ter cumprido o programa no cômputo geral do saldo positivo de divisas apresentado. Para dirimir tal conflito, devemos verificar as condições pactuadas no programa Befiex, no tocante especificamente às operações de importações autorizadas sob a égide do programa, e para tal, socorremonos das cláusulas específicas constantes dos documentos que embasaram tais benefícios: Q Para os 10 (dez) primeiros anos do Programa Befiex, o Termo de Compromisso Aditivo Befiex no. 288/V/90 (fl. 30) estabelecia: “CLÁUSULA QUARTA: As empresas beneficiárias poderão importar, com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, acessórios e ferramental novo, em valor FOB até o limite máximo de US$ 32.690 mil, observado 0 disposto no artigo 3°. do Decretolei no, 1.219/72 CLÁUSULA QUINTA: Dentro dos limites estabelecidos no artigo 3º do Decretolei nº. 1.219/72, as empresas beneficiárias poderão importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, partes, peças, componentes, matériasprimas e produtos intermediários, em valor FOB até 0 limite máximo de US$ 22.490 mil, observado o disposto no artigo 3°. do Decretolei nº, 1 .219/ 72” Para o período prorrogado (parágrafo 5°. do artigo 3°. do Decretolei nº, 1.219/79), o Termo de Compromisso Aditivo Befiex nº. 288/VIII/97 (fl. 37/38) estabelecia: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005195/200274 Acórdão n.º 3802000.152 S3TE02 Fl. 229 11 “CLÁUSULA TERCEIRA: As empresas beneficiárias poderão importar, com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, acessórios e ferramenta! novo, em valor FOB até o limite máximo de US$ 2.350 mil, referentes ao beneficio fiscal gerado no décimo ano do Programa (fevereiro de 1994 a janeiro 1995), sujeito a verificação fiscal. CLÁUSULA QUARTA: As empresas beneficiárias poderão importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, partes, peças, componentes, matérias primas e produtos intermediários, em valor FOB até o limite máximo de US$ 681,5 mil, referentes ao beneficio fiscal gerado no décimo ano do Programa (fevereiro de 1994 a janeiro 1995), sujeito a verificação fiscal. ” (grifei) A fiscalização após executar a auditoria fiscal na empresa beneficiária, constatou que: 1°.) Para os 10 (dez) primeiros anos do Programa Befiex,, os montantes de importação tanto na rubrica “máquinas/equipamentos”, como “partes e peças” estavam dentro dos valores previstos; 2°.) Para o período prorrogado, houve divergência. O limite permitido para a rubrica “partes/peças” era de US$ 681.500,00 e a empresa apresentou declarações de importações no valor de US$ 770.000,00, portanto, houve excesso de importações nesta rubrica de US$ 89.419, 00. A Impugnante não contesta que efetivamente importou na rubrica “partes/peças” o montante de US$ 770.000,00, apenas alega que tal fato ocorreu em função de “erros na utilização dos saldos de cada uma das rubricas”. Tais erros de controle nos saldos em seus programas não podem justificar importações acima dos limites previstos em cláusulas contratuais. Portanto, está correto o entendimento da fiscalização. Nesta esteira, a própria beneficiária não deixa dúvidas que efetivamente descumpriu o patamar definido no contrato Befiex. Ficou constatada a falta de recolhimento de Imposto de Importação II e de Imposto Sobre Produtos Industrializados –lPI e de seus encargos legais, em razão da inadimplência a Cláusula do Programa. Para tal, uma vez mais busco na decisão de primeira instância as palavras para explicar minha visão no particular: Ficou evidenciado que a beneficiária efetivamente descumpriu a CLÁUSULA QUARTA do Termo de Compromisso Aditivo Befiex nº 288/VIII/97 (fl. 37/38) que previa que a mesma poderia importar com isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, partes, peças, componentes, matérias primas e produtos intermediários, em valor FOB até o limite máximo de US$ 681,5 mil, referentes ao benefício fiscal gerado Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 no décimo ano do Programa (fevereiro de 1994 a janeiro 1995), sujeito a verificação fiscal. Também, não há como aceitar a afirmação da Impugnante de que no cômputo global (na soma das rubricas “máquinas/equipamentos” e “partes/peças”) houve cumprimento do programa, uma vez que o próprio Termo 'de Compromisso Aditivo Befiex no. 288/VIII/97 autoriza as importações de forma segregada para cada uma delas. (cláusula terceira para ““máquinas/equipamentos” e cláusula quarta para “partes/peças”). Na cabe ao aplicador da norma dar interpretação diversa daquela prevista expressamente no texto interpretado, notadamente no que se refere à outorga de isenção fiscal (art. 111, inciso II, CTN). Verificase que a questão é literal. Tratase de caso de descumprimento de compromisso contratual Termo de Compromisso Befiex, firmado entre a União e a Recorrente, restando comprovado que houve excesso de importações na rubrica “partes/peças” no montante de US$ 89.419,00, ou seja, o limite permitido era de US$ 681.500,00 e o valor constatado pela fiscalização foi de US$ 770.919,00. Correto o lançamento e o crédito tributário deve ser exigido. 5) Conclusão Posto isto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de mérito consubstanciada na decadência e erro formal; e no mérito propriamente dito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, confirmando a decisão de primeira instância administrativa e considerar procedente o lançamento de fls. 90/105. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000419/2007-66
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 04/03/2002, 15/10/2002
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PORTARIA SECEX 35/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Nada obstante o art. 230 da Portaria Secex 35/2006 dispor sobre a aplicação retroativa de obrigações acessórias, o art. 105 do Código Tributário Nacional é expresso ao dispor sobre a prospectividade das normas tributárias. Caso de ilegalidade de ato normativo administrativo (norma complementar, a teor do art. 100, I, do CTN), que deve ter sua aplicação obstada pela norma jurídica de maior força (no caso, lei materialmente complementar, constante da disposição do próprio diploma adjetivo).
Numero da decisão: 3802-001.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 04/03/2002, 15/10/2002 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PORTARIA SECEX 35/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nada obstante o art. 230 da Portaria Secex 35/2006 dispor sobre a aplicação retroativa de obrigações acessórias, o art. 105 do Código Tributário Nacional é expresso ao dispor sobre a prospectividade das normas tributárias. Caso de ilegalidade de ato normativo administrativo (norma complementar, a teor do art. 100, I, do CTN), que deve ter sua aplicação obstada pela norma jurídica de maior força (no caso, lei materialmente complementar, constante da disposição do próprio diploma adjetivo).
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PORTARIA SECEX 35/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nada obstante o art. 230 da Portaria Secex 35/2006 dispor sobre a aplicação retroativa de obrigações acessórias, o art. 105 do Código Tributário Nacional é expresso ao dispor sobre a prospectividade das normas tributárias. Caso de ilegalidade de ato normativo administrativo (norma complementar, a teor do art. 100, I, do CTN), que deve ter sua aplicação obstada pela norma jurídica de maior força (no caso, lei materialmente complementar, constante da disposição do próprio diploma adjetivo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 04 19 /2 00 7- 66 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pelo inadimplemento do compromisso de exportar no Regime de DrawbackSuspensão, atos concessórios nos 20020028806 e 20020160020. De Acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração em relação ao ato concessório n° 20020028806, no Sistema Siscomex Drawback encontrase registrado a manifestação do pedido de baixa em 02/02/2005, fls. 29, sendo que o prazo de validade do referido ato concessório expirou em 22/02/2004, fls. 29, concluindo a fiscalização que não houve a comprovação das importações e exportações vinculadas ao regime de drawback em questão junto ao Secex dentro do prazo regulamentar, nos termos do art. 131 da Portaria Secex n° 35/06. Em relação ao ato concessório n° 20020160020, no Sistema Siscomex drawback encontrase registrado a manifestação do pedido de baixa em 18/10/2004, fls. 49, sendo que o prazo de validade do ato concessório expirou em 11/10/2004, portanto apesar do pedido em questão estar tempestivo, a interessada apresentou cópias das telas do sistema drawback eletrônico "consulta a diagnóstico de baixa" verificandose que houve exigências pelo Decex, durante a analise do pedido de baixa, que julgou não terem sido cumpridas no prazo regulamentar, nos termos do art. 131 da Portaria Secex n° 35/06. Destacou a fiscalização que a Secretaria da Receita Federal foi comunicada pela Secex do inadimplemento total dos regimes de drawback através do registro no módulo drawback eletrônico do SISCOMEX, nos termos do art. 155 da Portaria Secex n° 35 de 24/11/06, fls. 28 e48. Foi cobrada a multa administrativa com base na letra "b", inciso III do art. 633 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02) por descumprimento do requisito do controle administrativo das importações pela não comprovação do cumprimento do regime de drawback no prazo estabelecido no art. 131 da Portaria Secex n° 35 de 24/11/06. E pelo fato da Secex declarar os Atos Concessórios em questão como inadimplente total, descaracterizando todos os atos referentes ao cumprimento do Regime, cobrouse também os tributos suspensos das importações realizadas com os acréscimos legais cabíveis Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.000419/200766 Acórdão n.º 3802001.443 S3TE02 Fl. 7 3 descontandose os valores recolhidos espontaneamente de II e IPI. A base de cálculo está demonstrada às fls. 20 do Auto de Infração. Ciente do Auto de Infração a interessada apresentou a impugnação de fls. 66/71, onde em síntese alegou: os atos concessórios 20020028806 e 20020160020 expiravam, respectivamente, em 22/02/2004 e 11/10/2004 data final para comprovação das exportações junto à Receita Federal; antes mesmo de tal prazo haver expirado, a Receita Federal, através do fluxo financeiro das importações e exportações, estava ciente de que a mercadoria importada sob o regime de drawback havia sido exportada dentro do prazo legal tendo inclusive a empresa intemalizado parcela não utilizada para as importações, pagando os tributos competentes; também informou a empresa, através do sistema eletrônico instituído pelo Siscomex, quanto às exportações efetuadas e se houve exigências de esclarecimentos por parte do Fisco, obviamente não se pode punir a empresa por isso sua obrigação acessória, para o cumprimento das exigências do regime de drawback, era aquela disposta no art. 339 do Decreto 4543/2002, e nenhuma outra, sob pena de violarse praticamente toda a seção do CTN que dispõe sobre interpretação e aplicação de a norma tributária; no relatório do auto de infração, além do Código Tributário Nacional, do Decreto 4543/2002, mencionase também a Portaria SECEX 35/2006, a qual não pode ser utilizada pelo simples fato, de, àquela época, não ter sido ainda editada. O Código Tributário Nacional tem disposição expressa quanto à matéria em seu art. 103 e 106; de acordo com o § único do art. 340 do mesmo Decreto 4543/2002, o prazo de um ano, prorrogável por mais um do regime concessório, terá como termo final "o fixado para o compromisso de exportação assumido na concessão do regime notese que em nenhum momento o Decreto fala em "aprovação da documentação apresentada", ou "protocolo de documentos" menciona pura e simplesmente a necessidade de haver "compromisso de exportação"; assim, a empresa efetuou as exportações concernentes aos atos concessórios em análise, tendo a Receita Federal conhecimento de tais exportações, nos termos do Decreto 4543/2002; esta é a obrigação acessória à qual obrigouse a empresa quando através dos atos concessórios, obrigação essa devidamente cumprida. A disposição expressa na Portaria SECEX 35/2006 não pode ser aplicada por tratarse de norma posterior ao próprio ato concessório; além disso, não pode uma Portaria da Secretaria de Comércio Exterior estipular exigências não contidas em normas hierarquicamente Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 superiores, sob pena de ferirse o Código Tributário Nacional em todos os artigos já elencados acima; o artigo 342 do Decreto 4543/02 dispõe quais as sanções no caso de inadimplemento do COMPROMISSO DE EXPORTAR jamais falando em inadimplemento do compromisso de comprovar as exportações efetuadas; em resumo, a única condição estabelecida pela legislação para que a empresa cumpra o disposto no ato concessório de drawback é a efetiva exportação o que de fato ocorreu; requer seja anulado o Auto de Infração. É o Relatório. Ao analisar a impugnação, a 2a Turma da DRJ de São Paulo rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/03/2002, 15/10/2002 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO REGIME. O inadimplemento do compromisso de exportação bem como o desrespeito ao prazo e às condições estabelecidas em Ato Concessório ensejam a cobrança de tributos, além das multas e juros moratórios, como também a multa administrativa prevista na letra "h", inciso III do art. 633 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4543/02).” Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos expendidos em sede de impugnação. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O recurso merece ser conhecido, por preencher os requisitos de admissibilidade e pela sua manifesta tempestividade, nos termos do Decreto nº 70.235/72. O cerne da controvérsia encontrase repousado na incidência da Portaria SECEX n° 35/2006, dado que efetivamente ocorreram as exportações dos produtos importados. Alega a recorrente a inaplicabilidade da referida portaria no caso apreciado, uma vez que, essa é posterior aos Atos concessórios n°s 20020028806 de 04/03/2002 e 20020160020 de 15/10/2002. De fato, entendo que assiste razão ao Recorrente. A Portaria Secex 35/2006, ao estabelecer novas obrigações acessórias, não deveria ter operado em caráter retroativo, sendo certo que não se trata de qualquer das hipóteses descritas no art. 106 do Código Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10314.000419/200766 Acórdão n.º 3802001.443 S3TE02 Fl. 8 5 Tributário Nacional, tampouco norma que simplesmente define poderes de fiscalização – a teor do art. 144, § 1o, do mesmo diploma. Assim, valhome do mesmo art. 105 do CTN citado pela decisão recorrida, que assim dispõe: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. Ora, os fatos geradores ocorreram em 2004, sendo certo que não me parece regular, diante do Código Tributário Nacional, considerar que há fato gerador “pendente” que viabilize a aplicação retroativa de uma obrigação acessória. Até porque o art. 116 é bem claro ao dispor sobre as situações de fato: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Assim, a Portaria Secex 35/2006 se afigura ilegal diante do art. 105 do Código Tributário Nacional, no quanto dispõe sobre a criação de obrigação acessória para fatos geradores ocorridos anteriormente ao início da sua vigência, de modo que, em prestígio à Lei Complementar (status do CTN no ordenamento constitucional de 1988), reputase ilegal a norma administrativa que a contrarie. Vale lembrar que não cabe ao CARF apreciar a constitucionalidade de normas tributárias, porém é poderdever do julgador observar a hierarquia das normas postas, guardando obediência àquela de maior talante – caso do art. 105 do CTN diante do art. 230 da Portaria Secex 35/2006. E, nesse aspecto, fundamental relembrar que a Portaria Secex 35/2006 nada mais é do que norma complementar de direito tributário, nos termos do art. 100, I, do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Ora, se é norma complementar da lei, e a lei exige a aplicação prospectiva da norma tributária, inelutável a irregularidade da aplicação retroativa do art. 230 da Portaria Secex nº 35/2006, que dispõe: Art. 230. As disposições desta Portaria relativas às operações de Drawback modalidade suspensão não se aplicam aos Atos Concessórios emitidos até 31 de outubro de 2001, prevalecendo o disposto nas Portarias SECEX nº 4, de 11 de junho de 1997; e 1, de 21 de janeiro de 2000, e os Comunicados DECEX nº 21, de 11 de julho de 1997; 30, de 13 de outubro de 1997; 16, de 30 de Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 julho de 1998; 2, de 31 de janeiro de 2000; 5, de 2 de abril de 2003. Por tais razões, entendo que merece acolhida o Recurso do sujeito passivo, de modo a reformar integralmente a decisão de primeira instância, dandose provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o crédito tributário exigido. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720188/2007-90
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
ÁREA NÃO TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUB-AVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. ÔNUS DA PROVA
A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT, quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 500,0 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
EDITADO EM: 12/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 ÁREA NÃO TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUB-AVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. ÔNUS DA PROVA A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT, quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. ÔNUS DA PROVA A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT, quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 88 /2 00 7- 90 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 243 2 Preservação Permanente de 500,0 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. EDITADO EM: 12/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Emitida Notificação de Lançamento para exigir do contribuinte, acima identificado, o crédito tributário de R$578.410,16, sendo R$282.426,84 de imposto, R$211.820,13 de multa de ofício de 75% e R$84.163,19 de juros de mora de 29,8%, calculados até 28/12/2007, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2005. Da DITR/2005 O contribuinte apresentou declaração ITR, exercício 2005, do imóvel rural denominado Fazenda Porto Alice, localizado no município de Rio Brilhante – MS, com 1.960,0 hectares de área total, sendo 500,0 hectares de área de preservação permanente, 392,0 hectares de reserva legal e 8,0 hectares com as benfeitorias resultando em área aproveitável de 1.060,0 hectares, 100% aproveitada com pastagens. Avaliou o imóvel em R$2.750.930,00 apurando VTN de R$1.140.930,00 e imposto devido de R$1.864,73. Do lançamento Glosadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal pela não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e do Laudo Técnico com a descrição e localização dessas áreas. Assim, a área tributável do imóvel foi alterada de 1.068,0 hectares para 1.960,0 hectares e sua área aproveitável de 1.060,0 hectares para 1.952,0 hectares. Com essa alteração, o grau de utilização foi reduzido de 100% (informado) para 54,3%, indicando alíquota de 3,40%. O valor da terra nua (VTN) informado pelo contribuinte na DITR foi considerado subavaliado em relação ao VTN médio por aptidão agrícola do Sistemas de Preços de Terras – SIPT para o Município de Rio Brilhante/MS (fl. 7). Assim, o VTN foi Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 244 3 alterado de R$1.140.930,00 para R$8.361.516,80 obtido da seguinte forma: Área total do imóvel x VTN médio/ hectare (aptidão agrícola “outras”) = R$4.266,08 x 1.960,0 hectares. Apurado imposto devido suplementar de R$282.426,84 que, com os acréscimos legais, resultou no crédito tributário de R$578.410,16 com os juros de mora calculados somente até 28/12/2007. Da Impugnação O contribuinte impugnou o lançamento apresentando, às fls. 143 a 147, as razões de fato e de direito a seguir resumidas. O lançamento não tem base legal, uma vez que fere os princípios constitucionais da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da ampla defesa e foi realizado sem que fossem considerados os documentos apresentados tempestivamente. Pede a nulidade do lançamento por vício formal e valor confiscatório do imposto apurado. Requer que sejam analisados os laudos protocolados tempestivamente junto à Receita Federal de Campo Grande/MS. Da decisão de 1ª instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE) julgou a impugnação parcialmente procedente e, por meio do Acórdão 0418.788, apresentou as razões de fato e de direito que justificaram a decisão e que são resumidas a seguir. Afastadas as preliminares de cerceamento de defesa e de nulidade pela falta de anuência prévia do contribuinte quando do lançamento, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. As alegações de inconstitucionalidade por possível violação ao princípio do não confisco não foram examinadas porque fogem à competência dos órgãos administrativos. Restabelecida a área de reserva legal de 392,0 hectares uma vez comprovada a sua averbação nas matrículas do imóvel e informada no ADA entregue em 2002. Mantida a glosa da área de preservação permanente por não ter sido suficientemente comprovada pelo Laudo apresentado. Ausentes elementos que indicassem a localização de cada área protegida dentro do imóvel, as dimensões e as características especificadas nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965. Quanto ao VTN, o contribuinte apresentou Laudo de avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo, estipulando o VTN de R$736.442,88. Entretanto, as autoridades julgadoras consideraram o documento ineficaz para modificar o VTN aplicado no lançamento, pois não foi elaborado em conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT sem os requisitos mínimos para o objetivo proposto. Após o julgamento, com o restabelecimento da área de reserva legal, o imposto suplementar foi reduzido de R$282.426,84 para R$105.162,69. Recurso Voluntário Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 245 4 Cientificado em 30/10/2009, AR fl. 191, o contribuinte apresentou, em 27/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 192 a 205, acompanhado dos documentos de fls. 206 a 238, visando a reformar a decisão de 1ª instância com os argumentos resumidos a seguir. Quanto à área de preservação permanente, o recorrente considera suficiente a comprovação realizada por meio do ADA (fl.210), que confirma a DITR. Junta documentos emitidos por autoridades ambientais que atestam a existência de áreas de preservação permanente na propriedade como o leito maior sazonal e as áreas de inundação. (fls. 211 a 214). Considera não justificada a exigência dos julgadores que o Laudo Técnico discrimine detalhadamente as áreas classificadas de preservação permanente, pois as próprias autoridades ambientais não exigem tal discriminação. Questiona a legalidade e a validade da tabela SIPT que é aplicada de forma unilateral pela RFB sem permitir ao contribuinte conhecer a metodologia, precisão, os dados em que se baseia para aferir preços de imóveis rurais. Requer que seja aceito o VTN avaliado pelo Laudo de avaliação apresentado. Informa, ainda, que refez os cálculos do ITR devido com o restabelecimento das áreas de reserva legal e preservação permanente e o VTN arbitrado. Efetuou o recolhimento do imposto apurado com os descontos de 100% da multa de ofício e de 45% dos juros de mora previstos na Lei nº 11.941, de 2009, conforme DARF juntado à fl. 238. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele conheço. Rejeito, por desnecessária, a perícia solicitada pelo recorrente face às conclusões que são relatadas adiante relacionadas à área de preservação permanente. O lançamento foi submetido ao julgamento de primeira instância que considerou comprovada a área destinada à Reserva legal a partir das averbações comprovadas no registro do imóvel que ratificaram as áreas informadas na DITR e no ADA entregue em 2002. Entretanto, foram mantidos a glosa da área de preservação permanente e a alteração do VTN declarado pelo VTN apurado com dados do SIPT. No recurso voluntário, o contribuinte informa que a área de preservação permanente está distribuída no imóvel protegendo os recursos naturais, da seguinte forma: a) 113,8 hectares de mata ciliar para proteção das margens do Rio Brilhante, considerando 100 metros ao longo do rio; b) 13,0 hectares de mata ciliar para proteção das margens dos córregos Gabiru, Félix Cuê e Vitória, considerando 30 metros ao longo dos referidos córregos e c) 373,2 hectares preservados em função da área de leito maior sazonal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 246 5 O Laudo Técnico Ambiental apresentado pelo interessado (fls. 18 a 23) faz uma referência genérica à área de preservação permanente, limitandose a informar que, após a entrega do ADA2002, não foi realizada nenhuma atividade/exploração que alterasse as condições ambientais da Fazenda Porto Alice, fl. 23, a conferir: DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE: As áreas de preservação permanente são constituídas de várzeas alagadas, mata ciliar dos córregos e do Rio Brilhante, áreas de preservação das nascentes, lagoas naturais e brejos, entre outros. Ressaltese que a área localizada em Angélica, em grande parte do ano, fica alagada. OBSERVAÇÕES: O proprietário deste imóvel apresentou ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente — IBAMA , o ADA 2002. A partir desta data não foi realizada nenhum tipo de atividade que altere as condições ambientais da Fazenda Porto Alice Portanto, referido Laudo apenas descreve os aspectos que possibilitariam conjeturar a existência de área de preservação permanente. Por outro lado, constatase que no mapa, fl. 225 e 226, estão indicadas as áreas protegidas destinadas para preservação permanente, conforme descrito na peça recursal. Assim, apesar da descrição sumária constante do laudo de fls. 18 a 23, as indicações dos recursos naturais protegidos e as respectivas áreas reservadas para esta proteção, indicadas no mapa de fl. 226, juntamente com as informações do ADA, fl. 210, e da DITR, permitem que se reconheça a comprovação da área de preservação permanente de 500,0 hectares, tornando desnecessária a indicação de qualquer procedimento de perícia ou levantamento correlato. Outro ponto merecedor de análise, referese à fixação do valor da terra nua, item que depende essencialmente de levantamento técnico especializado. Assim, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 2 e 3, foi solicitado ao declarante a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, tendo sido ressaltado que a não apresentação dos documentos solicitados ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB. O recorrente apresentou o laudo de avaliação de fls. 39 a 56, acompanhado de documentos de fls. 57 a 142, analisado pelo i. relator do voto condutor do acórdão recorrido, fl. 185 e 186, no trecho do seu voto que reproduzo a seguir. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 247 6 No caso em questão, o impugnante apresentou o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, elaborado por Engenheiro Agrônomo, estipulando, para o exercício em questão, um valor da terra nua de R$ 736.442,88, onde adotou o método comparativo de mercado. O laudo apresentado não atende a discriminação constante da intimação, pois não tem grau de fundamentação e precisão II, uma vez que o próprio Engenheiro Agrônomo diz que o nível de rigor do laudo é normal. Conspira também, contra o laudo, o fato de as amostras utilizadas não serem do mesmo município do imóvel em questão (Rio Brilhante), além do mais, a maior parte dos imóveis da amostra estão apenas em oferta e somente três deles foram vendidos, mas mesmo assim não há nenhum documento que comprove a veracidade destas amostras, tais como:: recorte de jornais, certidão da matrícula dos imóveis e/ou escritura pública de compra e venda, entre outros. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos, devendo ser considerado parecer técnico. Desta forma, o laudo se mostra ineficaz para modificar o VTN do lançamento, pois não foi elaborado de acordo com as normas técnicas da ABNT, como solicitado pela fiscalização, pois não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento, devendo ser mantido o VTN arbitrado com base na tabela SIPT pela autoridade fiscal. Contrapondo as afirmações do i. relator do acórdão guerreado, o recorrente se insurge contra, o que ele considera excesso de rigor, as exigências para que o laudo tenha grau de fundamentação e de precisão II, definidas pela ABNT, para a avaliação do valor de mercado do imóvel e da terra nua. Para subsidiar sua argumentação, junta ementas de julgados do antigo Conselho de Contribuintes, uma que não aceita a utilização do SIPT sem a devida publicidade das fontes e outras que mitigam os requisitos técnicos exigidos para a confecção dos laudos. Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art.. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de .22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009),é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. Na questão do VTN, é importante ressaltar que o art. 14, caput e §1º, da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12 da Lei nº. 8.629, de 1993. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 248 7 Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal (SIPT), pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Esse sistema foi estruturado para cumprir também papel importante na substituição de laudos de avaliação que, para muitos proprietários, são custosos ou de difícil contratação. São atividades de competência de engenheiros especializados, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7° e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução na 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução n a 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA nº 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente ''(art. 1º, alíneas "c" e "e"). Na elaboração dos Laudos 'Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, em especial a NBR 14.6533). Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8º, § 2º, da Lei na 9.393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel (art. 14, § 1º, da Lei nº 9.393, de 1996). Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 14.6533, os Laudos 'Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo 5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. O laudo apresentado às fls. 39 a 56 e seus anexos, apesar de ter sido elaborado por engenheiro agrônomo e estar acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART (fl. 60), pelas razões já relatadas neste voto e no voto do acórdão de 1ª instância, não alcança o objetivo a que se propõe. Por tais razões, não há nos autos elementos suficientes, capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão. Portanto, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 500,0 hectares. (Assinado digitalmente) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 249 8 Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720188/200790 Acórdão n.º 2201002.216 S2C2T1 Fl. 250 9 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.261. Brasília, 10 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 13888.000280/90-16
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 1992
Ementa: REFLEXO - Estende-se ao processo de reflexo
a decisão prolatada no processo matriz
do qual decorre.
Numero da decisão: 103-12.344
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Cantara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos ã repartição de origem para que nova decisão seja prolatada em consonância com o que vier a ser decidido no pro cesso matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Sônia Nacinovic
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Recorrida : DRF EM LIMEIRA (SP) REFLEXO - Estende-se ao processo de refle- xo a decisão prolatada no processo matriz do qual decorre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONFECÇÕES ELSA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Cantara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos ã repartição de origem para que nova decisão seja prolatada em consonância com o que vier a ser decidido no pro cesso matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 28 de maio de 1992 -a05237,U;kAaN41944711r--1110 " nn• ROI)* krrEUBER - PRESIDENTE - acre-net IA NA I NtIC - RELATORA r .• Á • le" '911 VISTO EM ZA NITO OLANDA : 411 .gA - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 75E11992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, PAULO AFFONSECADE BARROS FARIA JÚNIOR, ILCENIL FRANCO e DICLER DE ASSUNÇÃO. DAINEFP/DF- SECOS NE 054/90 1/4 •otz.i"..* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N° 13888/000.280/90-16 RECURSO N9; 68.061 ACORDÃONR: 103-12.344 RECORRENTE: CONFECÇÕES ELSA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO O presente processo é reflexo no Auto de Infração lavrado contra a mesma empresa protocolado sob o n9 13888/000.279/ /90-29, cujo recurso recebeu neste Conselho o n9 99.434, e foi objeto de apreciação por esta Câmara na sessão de 25.05.92 tendo sido determinado o envio do processo matriz à repartição de origem para ser refeito o aperfeiçoado o lançamento e nova decisão ser prolatada, tudo conforme o Acórdão n9 103-12.246 juntado por có- pia às fls. O reflexo refere-se à Contribuição Social e está )/4 amparada no artigo 29 e seus parágrafos da Lei n9 7.689/88. A empresa impugnou a exigência às fls. 12 e 13 di zendo que a decorrência só poderia ser instalada após o encerra- mento do procedimento fiscal, não sendo possível aceitar-se Pensa mento por mero reflexo de fato ainda em discussão informando às fls. 15 a 19 subiu o processo à apreciação da Autoridade Singular que indeferiu a impugnação apresentada, acompanhando o que decidi ra no processo matriz, conforme a Decisão às fls. 31 a 32. Notificada dessa decisão em 10.12.90conforte recito, às fls. 2- em '9/1/91 a empresa interpôs contra ela o'recurso de fls. 33 a 34 requerendo fosse o processo suspenso até que se - ultime em definitivo a decisão do processo matriz. É o relatório. DAMEFP/DP- MOI Mt O 45 *O N. SERVICO Moa) FEMINAt Processo n9 13888/000.280/90-16 3. Acórdão n9 l03-12.344 voTo Conselheira SONIA NACINOVIC, Relatora; O recurso foi interposto com guarda do prazo regu lamentar. Trata-se de processo reflexo. No processo matriz foi devolvido o processo ã repartição de origem para que seja pra latada nova decisão em consonância ao que vier a ser decidido no processo matriz, conforme o Acórdão n9 103-12.246 juntado cópia às folhas. A vista do exposto e do mais que do processo cons ta, conheço do recurso por ser tempestivo e voto no sentido de ser determinado o envio do processo â Repartição de origem para ser refeito e aperfeiçoado o lançamento e nova decisão ser prola- tada conforme foi decidido no Processo Principal, por força do Acórdão n9 103-12.246 do qual este decorre. o meu voto. Brasília-DF., em 28 de meio de 1992. SONIA .N&N;IC - RELATORA diçt- Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002976/2005-54
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN.
CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA.
O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA. O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, de acordo com o artigo 138 do CTN. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE A ENTREGA DA DCTF E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A RESPECTIVA MULTA. O exame de tais alegações demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. I' . „....------ / D ,4-1-Ndjglin R—CIA F4E- e11‘1n 2-1trRAJANO. D'AMORIM - Presidente\I '.._. - ......,..-- BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório _ Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao ano-calendário de 2000, nos termos da Instrução Normativa n° 126/98. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de - Julgamento de Curitiba/PR, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ de Curitiba, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias, fundamentando seu pedido na ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. Argumenta, outrossim, que a multa a ser aplicada deveria ser de 2% sobre o rriontante dos tributos informados, em razão do art. 112 do .. CTN. Dispõe, ademais, que com o advento da Instrução Normativa no 482/2004, a falta ou o atraso na entrega da DCTF deixou de ser definida como infração fiscal sujeita a multa. É o relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora. • Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. NãÕ procede a argumentação referente à denúncia espontânea. A denúncia espontânea pressupõe o desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. Nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN, a iniciativa do Fisco de iniciar a investigação sobre a existência do tributo elide, por si só, a possibilidade do contribuinte r V 2 d .... Processo n° 10950.002976/2005-54 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00340 Fl. 60 realizar a denúncia espontânea. Desse modo, não se faz possível acolher-se denúncia espontânea sobre créditos tributários já constituídos, sobre os quais já o Contribuinte já havia sido notificado a prestar esclarecimentos, como é o caso em comento. Quanto à legalidade da multa ora cobrada, melhor sorte não resta ao Contribuinte. Como é cediço, crédito tributário é uma estrutura relacional cujo objeto é patrimonial, líquido e certo. Considerando sua constituição, há, por sua vez, duas espécies de crédito tributário: "uma, formalizada por ato-norma administrativo, editado por agente público competente; outra, formalizada em linguagem prescritiva por ato-norma expedido pelo próprio particular e que, por isso, não é 'ato-norma administrativo'." (Eurico Marcos Diniz de Santi, Lançamento Tributário, r ed., p. 185). A modalidade mais comum de constituição do crédito tributário, excetuado o lançamento, feito por ente público, é a da apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF pelo contribuinte. Não se confunde tal declaração com o lançamento por homologação. Aqui há declaração sem haver, necessariamente, pagamento imediato, como na citada ultima hipótese. A possibilidade de constituição do crédito tributário por meio de DCTF, por sua vez, possui previsão legal em face do art. 50 do Decreto-Lei n° 2.214/84, que exige a entrega de DCTF e delegou competência ao Poder Executivo para instituir e cobrar multa na hipótese de inadimplemento dessa obrigação. Portanto, para a solução da lide, deve-se analisar se esse Decreto-Lei n° 2.214/84, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, em face do que dispõe o art. 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT. Dispõe o art. 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República de 1988: "Art. 25. Ficam revogados, a partir de cento e oitenta dias da promulgaçã o da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: 1- ação normativa; II - alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie." O dispositivo constitucional transitório acima transcrito veda a delegação de "competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional" no que tange a ação normativa. Ocorre que, no que tange à competência tributária, a legalidade estrita prevista no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal refere-se, tão somente, à instituição ou majoração de tributos. Não dispõe sobre a criação de obrigações acessórias e a respectiva punição por seu inadimplemento. Do mesmo modo, O artigo 146, que cuida da competência reservada às leis complementares, também não alude às obrigações acessórias. Portanto, não há que se falar em vedação à instituição da DCTF, que é uma obrigação acessória, por Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal, em face do disposto no artigo 25 do ADCT. Vale também enfatizar que a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DCTF, está prevista em lei, como já assinalado, calcada hoje não apenas no disposto no parágrafo § 3o do art. 50 do Decreto-Lei no 2.214/84, mas também no art. 16 da Lei n° 9.779/99: "Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as 3 obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável." Isso posto, deve-se exigir no caso concreto a entrega a tempo e modo da DCTF, nos termos do § 3° do art. 5° do Decreto-Lei n° 2.214/84, e do art. 16 da Lei n° 9.779/99, combinados com a Instrução Normativa n° 126/98, que regulamenta os referidos dispositivos a época dos fatos. Ressalte-se, por oportuno, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como a presente, como ocorreu nos julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. 1. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2. "A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 243241/RS, Rel. MM. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 83/STJ. _ , - E pacifico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/STJ, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, DJ de 24.3.2006). Ressalto, por fim, que o exame da apontada ofensa ao principio da proporcionalidade demandaria exame de inconstitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. _ _ BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 4
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Numero do processo: 19515.000415/2004-43
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL- COFINS
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 28/02/1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO
DO ART. 150, § 4' DO CTN. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO,
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, cio CTN),
SÚMULA VINCULANTE DO E. STF.
Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre
matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA
À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF 1\1° 1) Recurso parcialmente conhecido, e na parte conhecida dado provimento.
Numero da decisão: 3301-000.585
Decisão: Acordam os membros, do Colegiada por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso, em relação à competência fevereiro de 2002. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, em restante ao período restante
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 28/02/1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4' DO CTN. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO, Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, cio CTN), SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF 1\1° 1) Recurso parcialmente conhecido, e na parte conhecida dado provimento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:44:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:44:18Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:44:19Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:44:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c510ce74-0585-4ea1-b216-1b8bc09d77bc; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:44:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:44:19Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:44:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:44:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:44:18Z; created: 2010-12-15T10:44:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-12-15T10:44:18Z; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:44:18Z | Conteúdo => S3-C311 Fi 252 . .:..,'N... "ÁN:rOgi'á',E MINISTÉRIO DA FAZENDA ,I .Of . 7‘',` -ãjl/l.M.'':" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS --,:t_,.• TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515,000415/2004-43 Recurso n" 252,898 Voluntário Acórdão n" 3301-00385 — 3" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 29 de . julho de 2010 Matéria COFINS Recorrente VARBRA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 28/02/1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4' DO CTN. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO, Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, cio CTN), SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF 1\1° 1) Recurso parcialmente conhecido, e na parte conhecida dado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, r--‘• Acordam os membros ''', do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em relação à c i ompetência fevereiro de 2002. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, em rei s" 0 .pol-iodo restante, _ ..., /77---- 1 , . _... , r' n,, — Rodrigo da pstaPôásas - Presidente \\‘%1 ---Antonio Lis oa atc o . -V2i1 or. .' Participaram do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello (Suplente), Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente) Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (II), que manteve procedente o auto de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofms, dos períodos de apuração de 01/09/1998 a 30/09/1998 e 01/01/1999 a 28/02/1999, em razão da recorrente não ter incluído na base de cálculo da referida contribuição as operações de aquisição e venda de títulos representativos cia dívida pública da Argentina, denominados "ARGENTINE GLOBAL BONDS 27's", através de contrato particular de compra e venda, ensejando as diferenças exigidas no Auto de Infração de fls., 68/75, sintetizada na ementa a seguir reproduzida (fl. 194): "Assunto Contribuição para o Financiamento da Segui idade Social - Cotins Periodo de apuração " 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 28/02/1999 COFINS. DECADÊNCIA Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercido seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos da Lei n" 8,212/91, não se caracteriza a decadência. INCONS.TITUCIONALIDADE — Não compete à Autoridade Administrativa aprecia, arguições de inconstitucionalidade, bem como deixar de aplicar norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, poi o controle das leis acha-se reservado ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL —COFINS Período de apuração; 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 28/02/1999 COFINS — BASE DE CÁLCULO ii.........„ -..,., e_____ Processo ri" 19515 000415/2004-43 83-C3i1 Acórdão ri "3301-00535 Fl 253 A receita oriunda da atividade principal da empresa compõe a sua receita bruta estando sujeita à incidência da contribuição para a COFINS Lançamento Procedente." Cientificada em 23/11/2007 (AR — fi. 205-verso), a contribuinte apresentou o recurso de fls. 209/228, em 11/12/2007, alegando, em síntese, o seguinte: a) Preliminar de decadência: suscita a decadência de parte do crédito tributário, nos termos do art. 150, § 4" do CTN; b) Em relação ao mérito, alega que impetrou em 11/06/1999 com o Mandado de Segurança n" 1999,61.00.026560-0, contra o alargamento da base de cálculo do PIS e Cotins, promovido pela Lei n° 9,718/98 (petição fls. 123/135), resultando no RE IV 483.0.35) — doc. 1, petição de fls. 123/1.35), nos seguintes termos (fl. 230): Em consonância com os precedentes referidos, conheço parcialmente do recurso na parte em que suscitada a inconstiurcionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, porque declarada pelo Supremo Tribunal a inconstitucionalidade do § 1", do art. 3", da Lei n' 9,.718/98 ( ..)" Ressalta, por fim que o extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em casos análogos ao presente, em que se discutiu, inclusive a natureza jurídica da receita decorrente da venda de títulos da dívida pública Argentina, decidiu no sentido de cancelar o auto de infração respectivo, transcrevendo a seguinte ementa: "COFINS EMPRESA NÃO FINANCEIRA. RESULTADOS COM VENDAS DE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS EM MOEDA ESTRANGEIRA. CARACTERIZAÇÃO COMO FATURAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Os resultados com operações de venda e compra de títulos da dívida pública em moeda estrangeira caracterizam-se como receitas financeiras, não .sujeilas à incidência da Cotins, no caso de pessoa jitridi0 não financeira, anteriormente a fevereiro de 1999. Recnrso de oficio negado", (Ac, .201-78971, rd Conselheira Josqfil Maria Coelho Marques, de 08 12.2005, DOU, Si, de 15 .0._3_20 63). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, • Preliminar de Decadência Inicialmente deve ser acolhida a preliminar de decadência suscitada pela recorrente, em conformidade com a Súmula Vinculante n° 8, editada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, em 12 de Junho de 2008, estendendo os efeitos do julgado a todos os casos ainda não definitivamente julgados, na via judicial e também administrativa com efeitos "erga amues" (cf. art. 103-A da Constituição Federal), declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n" 8212, de 1991, nos seguintes termos: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4" do ar! 2" da Lei n°11 417/2006. Súmula vincular:te n" 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n°1 569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8 212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Precedentes: RE 560.626, rel. Min Gilmar Mendes, j, 12/6/2008, RE 556.664, rei, Min Gihnar Mendes, j. 12/6/2008, RE 559.882, rel. Min Gilmar Mendes, j 12/6/2008; RE .559.943, rel. Min,Cármen Lúcia, j, 12/6/2008, RE 106.217, te! Min Octavio DJ 12/9/1986; RE 138,284, rel Min Carlos Venoso, DJ 28/8/1992 Legislação Decreto-Lei n" 1 569/1997, art. 5", parágralb único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF', ar! 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes. Presidente (DOU 12" 117, de 20/06/2008, Seção!, pág. 1) Assim sendo, de acordo com o art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula editada pelo STF, tem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública direta e indireta, in verbis: Art. 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovai . ' súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá eleito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, tias esfiras federal, estadual e municipal, bem como proceder à revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluldo pela Emenda Constitucional n°45, de 2004) (Vide Lei n" 11,417, — de 2006). § 1" A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos . judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança juridica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Piocesso n" 19515 000415/2004-43 S3-C311 Acórdão n." 3301-00385 A . 254 § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar; caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso." Portanto, com razão a recorrente quanto à decadência dos fatos geradores ocorridos até a competência 01/1999, inclusive, tendo em vista que a ciência ao auto de infração se deu em 27/02/2004 (t1. 7.3), Mérito Em relação ao período remanescente, 02/1999, a recorrente noticia que requereu em juízo, através do Mandado de Segurança rf 1999,61,00.026560-0, contra o alargamento da base de cálculo do P15 e Cotins, promovido pela Lei n°9.718/98 (petição fls. 123/1.35), cuja decisão definitiva prolatada pelo Min, Eros Grau, do STF, nos autos do RE- 483.035, foi no seguinte sentido: RE/48303.5 - RECURSO EXTRAORDINÁRIO Procedência: SÃO PAULO Relator MIN. EROS GRAU Partes RECTE,(S) - S.P. EL. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A ADV(A/S) - JOSÉ ARNALDO DA FONSECA FILHO ADV(A/S) - ANGELA PAES DE BARROS Dl FRANCO RECDO (AIS) - UNIÃO ADV.(A/S) - PFN - PATRÍCIA MELLO DE BRITO Matéria: DIREITO TRIBUTÁRIO 1 Crédito Tributário1Base de-.. Cálculo . i, . ., DIREITO TRIBUTÁRIO 1Contribuições 1 Contribuições Sáciais. ,./ 1Colins • ,- V DECISÃO . Discute-se nestes autos a constitucionalidade da .,ei Il. 9..718, de .27 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo e a alíquota da contribuição para o PIS e a COFINS 2. O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade elo § 1" do artigo 3" da Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 346.084, 358 27.3, 3.57,950 e 390.840, sessão do dia 09.11.2005 3. Este Tribunal entendeu que a Lei n. 9.718/98 ampliou o conceito de. ._ [aturamento que estava expresso no artigo 2" da Lei Complementar n. 701 ao defini-lo co1110 "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade par ela exercida e a classificação comábil adotada para as receitas". 4 A redação original do artigo 19.5, I, da Constituição do Brasil estabelecia que a contribuição incidiria sobre o [aturamento. A EC 20/98 deu nova redação a esse preceito constitucional ao ampliar a incidência para a receita ou para o fattu aumento. A Lei n. 9.718/98, artigo 3", inciso I, ofendeu o disposto no § 4" do artigo 19.5 da Constituição do Brasil ao criar a nova . fonte de contribuição por não ter observado a técnica de competência residual da União [CB/88, artigo 154, I, c/c. artigo 195, § 47 5. O Tribunal declarou a inconstinecionalidade do § 1" do artigo 3" da Lei n. 9 718/98 na parte em que acrescentou receitas diversas daquelas do produto da venda de mercadoria, de mercadoria e serviços e de serviço de qualquer natureza ao conceito de receita bruta do contribuinte [LC 70/91, artigo 27 A instituição de nova fonte destinada à manutenção da seguridade social somente seria admissivel pela via de lei complementar [CB/88, artigo 195, § 47 6. No que concerne à aliquota da contribuinte para a COTINS, a Lei Complementar n. 70/91 estabelecia a percentagem de 2% [dois por cento] sobre o faturamento, assim entendida a receita bruta decorrente ria venda de mercadoria, de mercadorias e serviços ou de serviços A Lei n 9 718, publicada em 28.11.98, em seu artigo 8", majorou a aliquota para 3% [três por cento]. Sustenta-se a inobservância do prazo nonagesimal previsto no artigo 195, § 6", da Constituição e, conseqüentemente, a inexigibilidade da exação a partir do (ha I" de fevereiro de 1999 7. A Lei n. 9.718/98 é lei de conversão da Medida Provisória n. 1.724/98. Assim, o prazo nonagesimal a que se refere o artigo 195, § 6", da Constituição há de ser contado a partir da edição desse primeiro ato legislativo, consoante decidiu o Plenário do Supremo no julgamento RE 11 197.790, Relatar o Ministro limar Gaivão, DJ de 2,1 /1.97. São reiteradas as decisões. deste Tribunal nesse sentido . RE 11 232.896/PA, Relator o Ministro Carlos Velloso, DJ de 1"10.1999; RE n, 205.060/RS-ED-ED-AgR, Relatar o Ministro Nelson Jobim, DJ de 23.02 2001, RE n. 283,739/RS, Relatar o Ministro Moreira Alves, DJ de 06 11.2001. 8. Tem-se que a exigibilidade da exação a partir de 1" de fevereiro de 1999 [Lei n. 9 718/98, artigo 17, I] encontra amparo na jurisprudência do Tribunal, contado o prazo nonagesimal a partir da edição da Medida Provisória n. 1 724, de 29 de outubro de 1998. Insubsistente, nesse ponto, a impugnação extraordinária. .9. No que concerne ao direito à compensação prevista no iirtigo 8 §,/ 1", da Lei n, 9.718/98 e à alegação de ofensa ao principio4., isonomia tributária, recordo que a matéria passou pelo-c100--__ deste Tribunal no julgamento do RE n. 336 134/RS, Relato,. o • . Ministro limar Gaivão, DJ de 16 05.2003. O Supremo refutou a tese do contribuinte não há similitude entre a situação do contribuinte sujeito à COFINS e à CSLL, ao qual deferiu-se o direito à compensação, e a do que está obrigado tão-só à COTINS Em consonância com os precedentes referidos, conheço parcialmente do recurso na parte em que suscitada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do • PIS/COTINS, porque declarada pelo Supremo Tribunal a Processo n" I 95 I 5 .000415/2004-43 S3-C3T1 Acól dão n " 3301-00.585 F1 255 inconstitucionalidade do § 1" do artigo 3" da Lei n 9.718/1998 [RREE n,s. 346.084, 3.58.273, 357.950 e 390.840, sessão do dia 09.11,2005], e, nessa parte, dou-lhe provimento (CPC, artigo 557, § 19. Publique-se. Brasília, .24 de março de 2006 Ministro Eros Grau — Relatar) De fato, todas as receitas que não dizem respeito às atividades normais da empresa, isto é, que não fazem parte de seu objeto social, não devem compor a base de cálculo do PIS e COHNS, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3 0, §1°, da Lei IV 9,718, de 1998, pelo Pleno do STF, ao julgar os Recursos Extraordinários n2s 346..084, 357,950, 358273 e 390,840, que considerou inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento para abarcar a totalidade das receitas das empresas, por entender que a majoração da base de cálculo da contribuição por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A partir dessas decisões, o STF vem aplicando reiteradamente a mesma interpretação em seus julgados, conforme demonstram, por exemplo, as seguintes ementas: "1 Recurso extraordinário. 2 PIS - Programa de Integração Social. Aheração da base de cálculo. Conceito de faturamento Lei IP 9.718/98 e Lei Complementar 11.2 07/70.3 Inconstitucionalidade do § 1" do artigo 3" da Lei n" 9.718/98, 4. Recurso extraordinário conhecido e provido," (RE 388830 / RJ. Relatar Min GILMAR MENDES Julgamento: 14/0.2/2006) '1. Recurso extraordinário: inépcia ' inocorrência. Histórico da causa e demonstração do cabimento do recurso - que, na hipótese da alínea a, se confunde com 'as razões do pedido de reforma da decisão recorrida' - suficientemente delineados nas razões da recorrente, possibilitando a pedèlta compreensão da controvérsia, 2 COFINS: base de cálculo.' L. 9.718/98, ar/. 3", § 1": inconstitucionalidade. Ao Julgar os RREE 346 084, limar,. 357.9.50, 358..273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9,11.2005 (Inf/STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3", § 1", da L. 9,718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 19.5, I, da COilSiiillição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal." (RE-AgR 308882/PR Relatar: Min. SEPÜLVEDA PERTENCE. Julgamento: 14/03/2006) "AÇÃO CAUTELAR. Tributo. Contribuição social. COP(175"\„ Majoração da alíquota Art 8" da Lei n" 9,718/98, Pretensão de outorga de efeito suspensivo a recurso extraordiná0 iyInadmissibilidade. Norma declarada constitucional Per Supremo, Agravo improvido. Não se admite tutela cautela,- c J. atribuição de efeito suspensivo a recurso extraordinário que argúi inconstitucionalidade de norma que o Supremo reputou constitucional." (AC-AgR 8921SP. Relatar' Min. CEZAR FEL USO. Julgamento: 14/02/2006) A definitividade da decisão do STF é comprovada pela proposta de edição de Súmula Vinculante que se encontra em tramitação naquela corte, com o seguinte teor, verbis: ./2....i.j:i... \\ -\\ -- 7 'Enunciado. 'É inconstitucional o parágrafo 1 2 do art. 32 da Lei n29,718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais Precedentes . RE n2 346 084 Rei orig Min limar . Gaivão, Dl 01.09.2006; RE n2 357.950, Rei Min Marco Aurélio, Dl 15.08 2006; RE n2 358.273, Rei, Min Marco Aurélio, .D.J de 15/08/200& RE n2 390,840, Rel. Min Marco Aurélio, .D..1 de 15/08/2006." Para regulamentar as situações em que tenha havido decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o Poder Executivo expediu o Decreto n 2 2.346/97, que assim dispôs, no seu art. 42, parágrafo único, verbis: "Art. 4" (...) Parágralb único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação tia lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal." O art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97 tomou vinculante para a Administração Pública as decisões definitivas do STF que fixem a interpretação do texto constitucional, enquanto que o parágrafo único do seu art, 4 2 impõe aos órgãos administrativos de julgamento o afastamento, nos casos pendentes de julgamento, da norma declarada inconstitucional, Esse entendimento pode ser confirmado pelo atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009, através do inciso I, do parágrafo único, do art. 62, nos seguintes termos: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único, O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou 11 - que !Uru-lamente crédito tributário objeto de: 5 5/a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório,l.(,1x--J Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts 19 da Lei n" 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n"73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na fOrma do art. 40 da Lei Complementar n" 73, de 199.3." (grifbs acrescidos). 2 ,"---------- ',,. ., Processo n" 19515 000415/2004-43 S3-C3TI Acádão n " 3301-00,585 Fl. 256 Entretanto, no presente caso, em que o contribuinte fez a opção por discutir o alargamento da base de cálculo perante o Poder Judiciário, impossibilitando a discussão concomitante na via administrativa, ensejando em não conhecimento do recurso, nessa parte, em razão do disposto no art. 78, § 2" do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria ME n" 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. .34/39, retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, ti 2.3): "Art. 78, Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação, ,sç 1 0 A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. ,sç 20 O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.." A esse respeito, o assunto encontra-se inclusive pacificado através da Consolidação das Súmulas do CARF: "Súmula CARF N" 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de Julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Em face do exposto, voto no sentido de afastar a exigência em relação aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 09/1998 a 01/1999, inclusive, por estarem extintos pela decadência, urna vez que a recorrente teve ciência/do auto de infração somente em 27/02/2004 (fl. 73), e, quanto ao período remanescente (02/1999), voto por não conhecer do recurso, em razão da recorrente ter optado pela discussão do-Margamento da base de cálculo determinado pela da Lei n° 9.718, de 1998, através da via jtg c'ál /1' ônio Lisbda ', idos, n , 9
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000424/90-33
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 1991
Ementa: NULIDADE - é nula a decisão que deixa de apreciar
os fundamentos da impugnação do
lançamento.
Numero da decisão: 103-11.655
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar
a nulidade da decisão de primeiro grau que não exauriu todos os
argumentos dispendidos na impugnação.
Nome do relator: Ilcenil Franco
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MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Processo n9 13708/000.424/90-33_ . MFCT / Sendo de 08 de outubro de 1991 AtonanN9 103-11.655 Recunont 64.561 - IRF - ANOS DE 1985 a 1988 Recorrente: VECTOR ULTRALIGHT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida : DRF no RIO DE JANEIRO — RJ' ' NULIDADE - é nula a decisão que deixa de apre- ciar os fundamentos da impugnação do lançamento. " Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . de recurso interposto por VECTOR ULTRALIGHT INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeiro' grau que não exauriu todos os argumentos dispendidos na impugnação.• . , Sala das Sessões-DF., em 08 de outubro de 1991 aallilli"̂ "1 <—', A v t•rio rif• • • DO CALDEIRA — PRESIDENTE 1 'I Pisfrs, 4 (II,' NI lir CO ?'I - RELATOR 4 VISTO EM ZAINI e e •I D , RAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NA SESSÃO DE. • O 7 NOV 1991 CIONAL __ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: JOSÉ GERALDO PE FARIAS(Suplente), DICLER DE ASSUNÇÃO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE e LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA. Au sentes por motivo justificado, os Conselheiros MARIA DE FÁTIMA PES SOA DE MELLO CARTAXO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. • DAMErP/DF- SECO. N t 034190 • k .V:110/i >. SERVIÇO PUDLICO FEDERAL PROCESSO Nt 13708/000.424/90-33 RECURSO Ne: 64.561 ACORDA° NE: 103-11. 655 RECORRENTE: VECTOR ULTRALIGHT INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA RELATÓRIO O Auto de Infração de fls. 04 exige da empresa Vec tor Ultralight Indústria e Comércio Ltda., Ca: n9 28.123.420/0001-84, o imposto de renda na fonte incidente sobre omissão de receitaras anos de 1985 a 1988 apurada conforme consta de processo n9 13708/000.423/90-71. Dentro do prazo prorrogado, portanto tempestiva- mente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 10/13, arguindo • que o lançamento contestado somente poderia ser efetuado após a de cisão final no processo principal e ainda que a tributação por via reflexa exige uma prova inequívoca de que a pessoa física recebeu a disponibilidade jurídica ou econômica que se pretende tributar. A decisão de fls. 21/22 julgou procedente a ação fiscal fundada no seguinte: "CONSIDERANDO que aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento ma- triz, em razão de sua intima relação de causa e efeito; CONSIDERANDO que a autuação que deu origem ao procedimento fiscal em tela foi julgada proceden te conforme decisão inserida neste processo ã; fls. 16/20." O recurso de fls. 26/29 interposto tempestivamen- \--___-_ (27-: DANIFP/ DF SECO9 I49 063 / 90 SERVIÇO PUBLIW FEDERAL Processo n9 13708/000.424/90-33 2. Acórdão n9 103-11.655 te é cópia da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro ILCENIL FRANCO, Relator. Recurso tempestivo, dele conheço. A decisão recorrida limitou-se a aplicar ao julgamen- to do presente processo o decidido nos autos que tratam da tributa- ção sobre imposto de renda da pessoa jurídica, sem apreciar os argu- mentos constantes da peça impugnatória. Entendo que a decisão monocrãtica é nula, pois ao omi tir-se na apreciação da impugnação tirou da contribuinte o direito consadrado no processo administrativo fiscal, do duplo grau de juris dição. Ante o exposto, voto no sentido de que seja declarada • nula a decisão de fls. 21/22, para que outra seja deferida em boa forma. Ilii B.., em 08 de outubro de 1991 • II . . Ce RELATOR MFCT. Page 1 _0056100.PDF Page 1 _0056300.PDF Page 1
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