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Numero do processo: 10932.000777/2007-91
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. BASE DE CÁLCULO.
O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações especificadas em Lei não integra a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Remessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Tatiana Midori Migiyama, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. BASE DE CÁLCULO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações especificadas em Lei não integra a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Remessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. BASE DE CÁLCULO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações especificadas em Lei não integra a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 77 /2 00 7- 91 Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.792 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator Charles Mayer de Castro Souza Presidente Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Tatiana Midori Migiyama, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente à época do julgamento). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o processo de auto de infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE (Incidente sobre Remessas ao Exterior) anos calendário 2002, 2003 e 2004, lavrados em 13/11/2007, cientificados em 28/11/2007, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 16.265.645,69, com os acréscimos legais cabíveis até 31/10/2007. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 1522/1523) o Auditorfiscal relata o seguinte: Por meio do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Fiscalização n° 08.1.19.00210/2007 foi autorizada a fiscalização quanto ao contribuinte em epígrafe. Constatou que o contribuinte efetuou recolhimento de Imposto de Renda sobre Royalties e Assistência Técnica a residentes e ou domiciliados no Exterior (código 422) aplicando a alíquota de 25%. O contribuinte foi intimado em 11/07/2007 para esclarecer, comprovando com documentação hábil e idônea a falta de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), código 8741, instituída pela Lei n. 10.168 e alterada pela Lei 10.332 de 19/12/2001 com nova redação dada aos parágrafos 2o. e 3o. Após a análise do atendimento à intimação o Auditorfiscal constatou que o contribuinte errou na interpretação das normas legais, de vez que, a atual redação dada ao parágrafo 3o. da Lei 10168 pela lei 10332 de 19/12/2001, evidencia a Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.793 3 existência de duas hipóteses de incidência, sendo uma prevista no caput da Lei 10.168/00 e outra acrescida pela nova redação dada ao parágrafo 2o.. Portanto, a partir de 01/01/2002, a CIDE será exigida em todas as remessa em pagamento de ROYALTIES e de SERVIÇOS DE ASSITÊNCIA TÉCNICA, independente de o contrato prever ou não a “transferência de tecnologia”. Em oposição à exigência fiscal, em 28 de dezembro 2007, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1567/1607. Preliminarmente, aduz a ilegalidade da base de cálculo utilizada e da necessidade de anular o auto de infração, com base na Lei 10.332/01 e, continua defendendo a possibilidade de tributar apenas renda e não valor da operação. Nesse sentido, surpreendendose as planilhas acostadas no Termos de Constatação Fiscal, por si só, já verificaríamos a impossibilidade de subsistência do lançamento da forma como foi perpetrado, tendo em vista que a base de cálculo utilizada foi supostamente (em verdade não foi) o valor do negócio jurídico, ou seja, valor total da operação (bruto). Assim, deveria o agente fiscal, diante do permissivo legal acima estampado, qual seja, tributar o valor liquido atinentes a pagamentos, creditamentos, entregas, empregos e remessas de tecnologias, verificar, caso a caso, o valor LÍQUIDO de cada operação e sobre ela lançar a alíquota escolhida pelo legislador, qual seja, 10%, o que, em verdade, não foi feito. Como se pode verificar das planilhas acostadas ao termo de Constatação Fiscal, o agente fiscal não apenas não utilizouse de pagar, creditar, entregar, empregar, remeter, como também utilizouse do valor da operação BRUTO, acrescido do valor retido a título de Imposto de Renda. (...) O que se quer afirmar é que o agente fiscal utilizase de como base de cálculo de valor que jamais foi eleito pela Lei como signo presuntivo de riqueza, ou seja, jamais foi indicado que deveria ser acrescido o valor retido a título de imposto de renda ao valor bruto da operação. Argúi sobre a EC 33 de 11 de dezembro de 2001 e da possibilidade de tributar apenas valor da operação e não valor da operação acrescido de imposto de renda retido invalidade da lei n. 10.168/00, e denotase claramente que a partir da vigência da mencionada Emenda Constitucional passou a ser totalmente inconstitucional o signo traçado como base de cálculo traçado na Lei 10.332/01. Argumenta, também, que a autoridade fiscal, nos termos do artigo 142, deve pautarse pela verdade material, intitulando como da ofença ao princípio do ato vinculado e da realidade material. ... denotase claramente que atividade de lançamento além de ser privativa, é. totalmente vinculada, ou seja, só há lançamento quando e toda vez que for verificada clara e nitidamente a ocorrência no mundo fenomênico de fato ou fatos que estejam tipificados no antecedente de uma norma tributária vigente. Nessa linha de raciocínio denotase facilmente que, em um primeiro momento, cabe ao fisco comprovar a existência da ocorrência dos fatos no mundo dos fenômenos que estivessem descritos no antecedente de uma norma tributária pré existente, para que assim, e somente assim, pudesse verter em linguagem competente, lançando o tributo (principio do ato vinculado). Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.794 4 Em um segundo momento, após a intimação, abrirseia ao contribuinte prazo para manifestarse sobre a lavratura perpetrada, possibilitando que o mesmo juntase amplas provas demonstrando a inexistência da obrigação ou, comprovando a existência da mesma (ampla defesa realidade material). Na sua defesa afirma que há incongruências entre valor lançado e valor dos contratos e que: ...apurou base de cálculo de determinadas competências com operação aritmética completamente estranha à questão, operando da seguinte forma: verificou o valor do contrato utilizado para fins de IR, somou a esse valor o IR retido (primeiro vicio), após apurou o suposto imposto devido, descontou o valor recolhido a titulo de CIDE e após, verificando suposto recolhimento a menor, multiplicou tal valor por 10 vezes (segundo equivoco) apurandose assim a suposta base de cálculo para fins da CIDE. Inicia a defesa de mérito argüindo a inconstitucionalidade da CIDE, conforme tópicos abaixo relacionados: A) DA EMENDA CONSTITUICIONAL 33; DA INOVAÇÃO DA REGRA MATRIZ CONSTITUICIONAL PARA AS CIDE; DA INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE PARA A CIDE ROYALTIE (...) B) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA CIDE AUSÊNCIA DE REFERIBILIDADE E DO IMPOSTO COM DESTINAÇÃO (...) C) DA INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL: AUSÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR (...) D) DA INEXISTÊNCIA DO FNDCT (...) E) DA AUSÊNCIA DE ÁREA ESPECÍFICA Prosseguindo na seqüência de críticas e conclusões pela inconstitucionalidade da CIDE ROYALTIE da forma como foi criada e, conseqüentemente, criticandose a autuação da forma como perpetrada, devese indicar a ausência de outro importante elemento para aferição de constitucionalidade para a mencionada contribuição, qual seja, área especifica da atuação estatal. F) DA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA (...) Continua, na seara da inconstitucionalidade, tratando da não aplicabilidade das normas relativas a CIDE e afirma que: A contribuição não atinge um tipo de contrato nem um tipo de rendimento em si. Alvo da Lei 10.168/00 é apenas o contrato que tenha por objeto a tecnologia ou o rendimento que se origine da negociação tendo por objeto a própria tecnologia. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.795 5 Seguindo mesma linha de raciocínio, não são todas as licenças de uso que dão ensejo à incidência de CIDE, sendo somente aquelas que resguardem pertinência com a transferência de tecnologia. (...) É nesse sentido que entendesse que a interpretação dada ao caso pelo agente fiscal é equivocada e ilegal, posto que perpetra a incidência de CIDE sobre todas as operações de royaltie, dando vida própria ao § 2° da Lei, bem como vai contra dos ditames da lei complementar 95/98. Solicita o reconhecimento de seu direito à compensação e do protesto pela interrupção de prescrição: Tal pedido, tem lastro no seguinte fato: segundo o agente fiscal, mesmo não tendo demonstrado de forma cabal, como deveria, que houve presença de contratos com transferência de tecnologia, a ora impugnante teria efetivado operações com incidência de CIDE, recolhendo 25% a título de Imposto de renda. Nesse sentido, caso admitase realmente que houve transferência de tecnologia em determinada operação, verificarseia apenas e tão somente o pagamento equivocado do tributo, destinando 10% a titulo de Imposto de Renda, onde deveria, em tese, ter recolhido 10% a título de CIDE ROYALTIE. Tal constatação nos remete à figura do pagamento a maior, via mero erro material, e portanto, a possibilidade de se efetivar a compensação dos valores recolhidos nesse importe (imposto de renda) com os valores devidos (supostamente) a título de CIDE. (...) Ora, uma vez que foi supostamente observado pelo fiscal que existem operações com naturezas sujeitas à incidência de CIDE e que em tais operações foram recolhidas indevidamente o importe de 25% a titulo de imposto de renda, e não 15% como em tese deveria ser feito, tais recolhimentos passam a ser verdadeiros créditos. Aproveita a ora impugnante para manifestar aqui seu, protesto pela interrupção do prazo prescricional do direito à compensação dos valores supostamente recolhidos à maior a titulo de imposto de renda com os valores supostamente devidos a título de CIDE ROYALTIE. Defendese quanto à aplicação da multa de ofício de 75% sob a alegação de que tem efeito confiscatório: Em que não bastasse o fato de se ter lançado em face da Impugnante multa sem que tenha havido qualquer irregularidade nos recolhimentos e procedimentos desta, ainda a referida multa foi quantificada à percentagem de 75% sobre o valor do suposto débito, o que vai totalmente de encontro aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade que devem guiar todas as penalidades tributárias. Também defende que não é possível a aplicação de juros que só podem e devem incidir a partir do momento em que tal ou qual obrigação passa a ser exigível, além de alegar a inconstitucionalidade da taxa selic quando aplicada para correção de tributos supostamente devidos. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.796 6 Ao final pede que seja declarada a insubsistência do presente auto de infração pelas razões exposta na impugnação e: xvi) requer a produção de perícia contábil para que sejam apurados a natureza de todos os contratos envolvidos na questão, o que possibilitará a verificação de quais deles realmente incide a contribuição interventiva, e quais não, bem como podendose avaliar exatamente os valores recolhidos a maior a titulo de imposto de renda passiveis de compensação com a suposta CIDE devida, sendo declinado os seguintes quesitos ao perito: Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CIDEROYALTIES. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 2002 há incidência da CIDE na remessa de royalties para beneficiário residente ou domiciliado no exterior, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato. CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida. INCIDÊNCIA DA CIDE. MULTA. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não suspende a fluência dos juros moratórios. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. QUESITOS. Indeferese a solicitação de perícia que não atende aos requisitos previstos na legislação que regula o contencioso administrativo fiscal. Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, repisando argumentos presente na impugnação ao lançamento. Preliminarmente, alega cerceamento do direito de defesa ante a negativa à solicitação de realização de perícia contábil dos lançamentos para fins de constatação de vício, conforme requerera na impugnação ao lançamento. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.797 7 Também requer anulação do auto de infração por ilegalidade na apuração base de cálculo. Segundo entende, e ampara seu entendimento em julgamento proferido no Supremo Tribunal Federal, os verbos utilizados no texto legal, quais sejam, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, remetem à figura da tributação da renda, ou seja, valor líquido de cada operação e não o valor bruto escolhido pela fiscalização como base de cálculo do Imposto. Referese à determinação constitucional introduzida pela Emenda Constitucional nº 33. Alega inobservância da verdade material e do ato vinculado, tendo em vista a decisão de tributar com base, simplesmente, em contratos, sem que se procedesse ao devido exame do verdadeiro objeto de cada contrato. Da mesma forma, refuta a interpretação dada pela fiscalização à Lei, que considera o royalties como sujeito à tributação da Contribuição. Requer a anulação do AI em função do que considera importantes erros cometidos na apuração da base de cálculo da CIDE. Considera inconstitucional a base de cálculo definida pela Lei 10.168/00 com alterações introduzidas pela Lei 10.332/01, assim como a própria CIDE, inclusive pela inexistência do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT e a forma como foi instituída sem Lei Complementar. Requer novamente compensação e interrupção da prescrição. Considera que a multa aplicada tem efeito confiscatório. Não concorda com a cobrança de juros de mora desde o momento do lançamento e advoga a inconstitucionalidade da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Há preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por preterição do direito de defesa ante a negativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ao pedido de realização da perícia contábil dos lançamentos tributários. É consabido que a decisão objetada constituise em prerrogativa da autoridade julgadora. Conforme entenda necessário obter informações adicionais, baixará o processo em diligência ou, em caso contrário, indeferirá o pedido, bastando, para tanto, que fundamente sua decisão. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.798 8 Assim determina a legislação de regência, Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Ao longo do voto condutor da decisão recorrida, a i. Julgador de primeira instância deixa claro as razões por que considera desnecessário a realização da perícia. Para demonstrar que o ato discricionário foi exercido com excesso ou em prejuízo das melhores condições para a solução da lide, é necessário que o administrado identifique de forma objetiva e consistente quais esclarecimentos essenciais deixaram de ser obtidos. No caso concreto, consta do recurso apenas uma reclamação nada esclarecedora da ocorrência destas circunstâncias, restando o pedido de perícia não formulado, conforme definido no Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(grifos meus) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(grifos meus) Superada a preliminar, ocupome do mérito. Quanto à alegada ilegalidade na base de cálculo adotada pela fiscalização, mister que se diga, de plano, que este Tribunal Administrativo não está vinculado às decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, a menos que estas se enquadrem nas condições descritas no artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.799 9 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Nestes termos, a jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal presta se, exclusivamente, como fonte de consulta à formação de convicção do julgador administrativo, sem olvidar que àquela Corte impõemse limites de considerável largura se comparados com os que pautam as decisões tomadas no âmbito deste Colegiado, não sendo, de forma alguma, aconselhável que se adotem conceitos de lá oriundos sem antes certificarse de que isso é possível e, ainda mais, recomendável no caso concreto. Também não devemos passar à margem do fato de que a decisão apontada pela recorrente é datada de 31 de agosto do ano de 1973. Além de bastante antiga, por certo não referese à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, mas sim ao Imposto de Renda. Desta forma, nada estranho que a decisão considere, para o caso do Imposto de Renda, que os verbos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos remetam à figura da tributação da renda. Contudo o presente litígio versa sobre a CIDE e não sobre o Imposto de Renda. Outrossim, não socorre à recorrente o disposto na Emenda Constitucional nº 33. O que se tem, ao contrário do que advoga a contribuinte, é, sim, uma alíquota ad valorem incidente sobre uma base de cálculo, cuja monta aqui se discute. Não faz sentido a afirmação de que a partir da Emenda nº 33 “passou a ser totalmente inconstitucional o signo traçado como base de cálculo traçado (sic) na Lei 10.332/01, por esta delimitar valores de rendas e não ad valorem ou específicos”. Ora, há uma clara confusão entre alíquota e base de cálculo. Os alegados valores de rendas são a base de cálculo do imposto e não a alíquota. Feitas essas necessárias ressalvas, passase à questão central do litígio. Tal como devidamente lembrado nos autos, a exação tem origem na Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001. Conforme preceituam, a base de cálculo são os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no parágrafo segundo do artigo Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.800 10 segundo. Qualquer das cinco operações identificadas na norma constitui fato gerador da Contribuição e deve compor a base de cálculo. Certamente, a parcela correspondente ao imposto de renda retido na fonte não enquadrarseia em todas hipóteses elencadas na Lei. A priori, não haveria razão para considerar que este valor tenha sido remetido ou entregue à pessoa residente ou domiciliada no exterior. Inobstante, é claro que basta a operação enquadrarse em uma das cinco ações especificadas para que o fato gerador da Contribuição aconteça. Admitir o contrário levaria à improvável condição de que as cinco operações ocorressem concomitantemente, o que não faz nenhum sentido e exigiria, fosse essa a intenção do legislador, a conjunção “e” e não “ou”. Disso resta que a questão crucial da lide gira em torno da definição do que está compreendido no conceito dessas cinco operações definidas em Lei, mais especificamente no que diz respeito à possibilidade de que os valores retidos a título de imposto de renda sejam ou não considerados incluídos em qualquer uma delas, integrando, assim, a base de cálculo sub examine. Liminarmente, cumpre relembrar que não é incomum a legislação tributária atribuir à fonte pagadora a obrigação de reter o montante equivalente aos tributos incidentes sobre o valor devido à pessoa física ou jurídica por força relação contratual estabelecida entre as partes. Não fosse assim, aquela receberia o valor integral da transação, para, depois, ela própria, contribuinte do imposto, efetuar o recolhimento devido. A dedução do imposto de renda do valor que é remetido à pessoa contratada, pareceme claro, não constitui em subtração ao valor pago em cumprimento às condições contratuais, mas mera medida acautelatória com vistas a garantir o recolhimento da exação fiscal. Não fosse tal medida, não haveria qualquer razão para que se discutisse se o valor que será recolhido a título de imposto de renda pela pessoa que recebe o pagamento foi ou não parte do pagamento realizado pela contratante. De fato, a razão de o imposto de renda retido na fonte ser deduzido do valor pago a terceiro devese ao fato de tratarse de tributação incidente sobre a renda auferida por terceiro e não sobre valores efetivamente transferidos a terceiro. Em caso contrário, o valor dos tributos seriam calculados pela aplicação da alíquota ao quantum efetivamente transferido e não mediante desconto e retenção de uma fração do valor contratado, com inevitável redução do valor efetivamente transferido. Isto posto, considerando que a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte é, em um primeiro momento, idêntica à base de cálculo da CIDE (valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos), é de se perguntar qual seria a razão para exclusão do valor do imposto de renda retido, considerando que a retenção, como visto acima, não modifica a matéria tributável. Para responder a essa questão é necessário adentrar na análise do método específico segundo o qual é calculada a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte neste tipo de operação. Ao valor “x” definido em contrato como pagamento que o importador brasileiro deverá fazer ao exportador estrangeiro é acrescentado um valor que representará o Imposto de Renda Retido na Fonte, de tal sorte que o primeiro seja preservado em seu Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.801 11 montante original e o segundo seja o produto da aplicação da alíquota sobre o valor majorado, numa operação contábil conhecida como groosup. Por esse método, o valor contratado é divido pela fração que ele efetivamente representa do total, uma vez considerado que do total deverá ser excluído o Imposto de Renda devido pelo beneficiário do pagamento. Assim, fosse a alíquota de 15%, o valor contratado deverá ser dividido por 0,85 (100% 15% ou 1 – 0,15), conforme abaixo. Valor contratado = Base de cálculo do IRRF 0,85 Essa metodologia justificase no caso do IRRF, quando o valor do tributo integra o valor pago a terceiro, mas esse último não deve ser reduzido por força da retenção do primeiro, porém, perde o sentido quando o contribuinte do tributo deixa de ser outra pessoa, como no caso da CIDE. Neste último caso, basta que seja aplicada à base de cálculo correspondente a alíquota definida em lei e estará finalizado o cálculo, sem a necessidade de qualquer artifício matemático. Por estas razões, segundo me parece, não há qualquer justificativa para que o valor artificialmente majorado para obtenção da base de cálculo do IRRF seja considerado como base de cálculo da CIDE. Primeiro, porque ele não representa o valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, mas esse acrescentado do valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, numa operação completamente desvinculada da operação comercial em si e motivada por razões próprias da metodologia de cálculo do IRRF. Segundo, porque tratase de um cálculo impensável acaso estivéssemos tratando apenas da CIDE. Terceiro, porque a legislação jamais determinou ou que fosse acrescentada à base de cálculo da CIDE o valor retido a título de IRRF, ou que a base de cálculo fosse majorada tal como é definido em lei para o IRRF. Além do mais, vejase que a idéia de majorar a base de cálculo da CIDE é de tal sorte precária, que se quer se viabiliza acaso a tributação da Contribuição preceda à do Imposto. Encerrada esta questão, passase a decidir sobre as demais matérias abordadas no recurso voluntário. Não assiste razão à autuada em relação aos protestos dirigidos à inobservância da verdade material e do ato vinculado, pelo fato de a fiscalização ter tributado com base nos valores especificados nos contratos firmados com as empresas estrangeiras. Primeiro, por que está correta a interpretação dada à legislação pela fiscalização da Receita Federal do Brasil ao considerar que, a partir de 1º de janeiro de 2002, qualquer pagamento de de royalties está sujeito à incidência da Contribuição. É nesse sentido o comando textual contido na norma: bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou beneficiados no exterior. Já em relação à utilização de valores consignados em contratos supostamente sem um exame adequado da natureza de cada operação, o que se constata nos autos é que a Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.802 12 fiscalização considerou tais operações como enquadradas na hipótese prevista em lei para incidência tributária. Caso a recorrente tivesse elementos capazes de desconstituir o entendimento do Fisco, deveria apresentar com clareza objetiva seus argumentos e provas em lugar de uma contestação genérica e uma reclamação dirigida à metodologia utilizada, sem apontar em qual caso as constatações da fiscalização não correspondem à realidade e por quê. Ademais, o lançamento teve por base resposta da própria empresa à intimação solicitando comprovantes de custos e despesas com royalties e assistência técnica. Após, solicitaramse esclarecimentos sobre a razão do não recolhimento de parte da Contribuição devida. Em resposta, a empresa expressa seu entendimento sobre o assunto, sem jamais contestar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo defendeu, considerava não haver incidência tributária da CIDE nestas operações por trataremse de contratos sem transferência de tecnologia. Na descrição dos fatos do auto de infração, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil especifica que as planilhas utilizadas para a apuração do valor devido foram elaboradas “com base nos contratos de câmbio sobre valores remetidos para o exterior, correspondente ao pagamento de ROYALTIES e de SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA”, restando improcedentes os protestos apresentados quanto a este tópico. No que se refere à argüição inconstitucionalidade da base de cálculo definida pela Lei 10.168/00 com alterações introduzidas pela Lei 10.332/01, assim como da própria CIDE, inclusive pela inexistência do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, à ausência de Lei Complementar, o suposto efeito confiscatório da multa aplicada e da taxa Selic, cumpre apenas relembrar que falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. No que diz respeito aos juros de mora exigidos, há que se observar, ainda mais, que a legislação não exclui em nenhum momento a exigência de juros do auto de infração, se não vejamos. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.803 13 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995) II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.804 14 § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula 3ºCC nº 4 A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. No que concerne ao pedido de compensação apresentado, o voto condutor da decisão recorrido foi preciso a respeito. Demais disso, o pronunciamento inicial acerca de Dcomp e os reflexos dos atos quanto a sua apreciação, cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil com competência quanto ao domicílio tributário do contribuinte, nos termos do Regimento Interno, Portaria do Ministério da Fazenda n. 95, de 30 de abril de 2007, no qual consta que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro da Fazenda, tem por finalidade, de forma geral planejar, coordenar, supervisionar, executar, normatizar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal, inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da previdência social e de outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, dentre outras atividades. (art. 1º) O Capítulo II, da norma citada, trata da organização, contemplando no seu art. 2º a estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, na qual consta, dentre outros, as Delegacias Da Receita Federal Do Brasil, que são classificadas por Classe, começando na "A" até a “E”, além das Delegacias Especiais, subordinadas às Superintendências da Receita Federal do Brasil segundo a circunscrição estabelecida. Atualmente, são 10 Regiões Fiscais e o Estado de São Paulo é a 8a. Região Fiscal. Tais Delegacias, além de outras competências, executam as atividades relacionadas à restituição, compensação, nos termos do artigo 160, do referido Regimento Interno: Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 3201000.437 S3C2T1 Fl. 1.805 15 Art. 160. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização e, especificamente: [...] X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária; XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários; (grifos nossos) [...] Assim, eventuais pedidos de restituição ou Declarações de Compensação devem ser encaminhados para a autoridade competente. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para excluir da base de cálculo da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico os valores correspondentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Ricardo Paulo Rosa Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 36266.010115/2006-32
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/07/1997
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-003.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 01 01 15 /2 00 6- 32 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.010115/200632 Acórdão n.º 2301003.601 S2C3T1 Fl. 203 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.015.0902, lavrado em 15/09/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias , adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) e contribuições de terceiros incidentes sobre remunerações, no período de 06/96 a 07/97, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 94.697,27, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 22/09/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 31/70, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/São Paulo II, no Acórdão de fls. 108/125, julgou o lançamento procedente em parte. A interessada foi cientificada em 14/07/2009, fls. 157. O Acórdão a quo retificou a base de cálculo segundo conteúdo de informação fiscal. O recurso voluntário, apresentado em 12/08/2009, fls. 159/196, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.010115/200632 Acórdão n.º 2301003.601 S2C3T1 Fl. 204 5 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.010115/200632 Acórdão n.º 2301003.601 S2C3T1 Fl. 205 7 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.010115/200632 Acórdão n.º 2301003.601 S2C3T1 Fl. 206 9 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36266.010115/200632 Acórdão n.º 2301003.601 S2C3T1 Fl. 207 11 Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 06/96 a 07/97. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos para a competência 07/1997 o início da contagem decadencial em 01/01/1998, o que resultaria no prazo final de 31/12/2002. Portanto, o lançamento cientificado em 22/09/2009 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 18088.000378/2008-11
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005,2006
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
MULTA AGRAVADA
O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
MULTA QUALIFICADA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Preliminar rejeitada
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%., nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005,2006 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Recurso provido em parte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA AGRAVADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 03 78 /2 00 8- 11 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%., nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18088.000378/200811 Acórdão n.º 2202002.379 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, WALDIR JANÇANTI, foi lavrado contra o contribuinte acima identificado por omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários correspondentes aos anos calendários de 2003 a 2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 13/18, o contribuinte em 06/02/2008 foi cientificado do início dos trabalhos e regularmente intimado a apresentar relação de todas as contas correntes, poupança e investimentos, contendo banco agência e números das contas mantidas no período de 2003 a2006, bem como extratos bancários. O contribuinte apresentou os documentos que constam às fls. 52/199 e 202 a 340. Informa a Auditora Fiscal que de posse dos extratos bancários procedeu à análise e depois de excluir os estornos, cheques devolvidos de sua emissão, empréstimos e financiamentos, elaborou planilha de fls. 344 a 369, com os valores dos depósitos a serem comprovados mediante intimação em 23/05/2008, fls. 370, da qual o impugnante solicitou sucessivas prorrogações de prazo em 12/06 e 14/07, porém, não apresentou nenhum documento. Diante disso, houve nova intimação ao contribuinte em 07/08/2008, que por sua vez permaneceu silente a despeito das advertências de que a não comprovação das origens dos recursos utilizados nas operações de crédito ensejaria o lançamento de oficio por omissão de receita/rendimentos, nos termos do artigo 849 do RIR199. Esclarece ainda em relação à multa de oficio a aplicação das disposições da Lei 9.430/96, artigo 44, II, com a agravante do § 2° e acrescenta que elaborou Representação Fiscal para Fins Penais pelo disposto no artigo 1° da Lei 8.137/90. Acrescenta que aproveitou em favor do contribuinte as deduções consideradas pelo desconto de 20% da base de cálculo em face da opção pelo modelo simplificado. O valor do Auto de Infração é de R$ 4.189.376,94, consolidado em 19/08/2008 e fundamentado no art. 42, da Lei n° 9.430/96; art. 4° da Lei n° 9.481/97; art. 1° da Lei n° 9.887/99 e art. 849 do RIR199. Inconformado, o contribuinte apresentou defesa de fls. 404 a 451, em que, após resumir os fatos, alega: Quebra de sigilo bancário Afirma que a autoridade fazendária já tinha devassado as contas bancárias do contribuinte sem decisão judicial. Sustenta tal alegação sob argumento de que ao intimar para apresentar a relação de contas bancárias com indicação de extratos, a fiscalização já detinha as informações e infere que estamos diante de quebra de sigilo bancário por parte de autoridade fiscal. Falta de nexo causal entre os depósitos e o lançamento Alega que não foi feita uma análise dos depósitos para identificar acréscimo de riqueza nova e acrescenta que a Constituição e o CTN não admitem lançamento com base em depósitos bancários. Alega ainda que há lançamento tributário sobre empréstimos contraídos diretamente do Banco do Brasil e aponta planilha. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Acrescenta que a aplicação da Lei 10.174/01 contraria o bom senso e que não era exigido do contribuinte pessoa fisica, possuir escrita fiscal bem como organização contábil com guarda de documentos que possibilitassem demonstrar movimentação bancária para atender a fiscalização. Nesse contexto aduz que a multa de 225% é injustificável e insustentável. Falta de comprovação de sinais exteriores de riqueza Afirma que não foi comprovado como renda consumida e nem evidenciou sinais exteriores de riqueza e os depósitos bancários por si só não caracterizam disponibilidade econômica no conceito jurídico de renda e aduz que o fiscal introduziu na base de cálculo regate de poupança. Inexistência de análise preliminar Sustenta que a fiscalização deixou de proceder a uma análise preliminar dos valores creditados e assim incluiu na base de cálculo valores que não são fatos geradores do tributo como resgate de poupança e empréstimo. Ofensa ao conceito de renda Reitera neste ponto a afirmação de que a fiscal não se ateve ao conceito jurídico de renda não a distinguindo do patrimônio e aduz que somente seria ca1 ível a tributação se houvesse imposto sobre grandes fortunas. Inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/01 e Lei 10.174/01 Alega ainda o impugnante que a administração deve apreciar e deixar de aplicar conteúdo de Lei com indicativos de inconstitucionalidade. Nesse diapasão, mediante extenso arrazoado, sustenta que a legislação em epígrafe é inconstitucional e que não se pode quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial. Inexistência do fato gerador Depois de novas considerações acerca do sigilo bancário, acrescenta que a presunção de ocorrência do fato gerador é indevida e que a Constituição Federal/88, no artigo 153, III, outorga tãosomente competência ao legislador para instituir o imposto sobre a renda, não lhe sendo dado poder de determinar evento que não se subsuma a esta materialidade. Assim, em meio a considerações acerca da Lei Complementar 105/01 e retroatividade da Lei 10.174/01, bem como do artigo 6° da Lei 8.021/90 afirma que os depósitos bancários, como fato isolado, não configuram o fato gerador do imposto de renda nos termos do artigo 43 do CTN. Lançamento com base em indícios Alega ainda que o lançamento foi feito com base em meros indícios e que não refletem a real situação do contribuinte pois distorce a real capacidade contributiva do impugnante. Necessidade de Lei Complementar Afirma que para fazer o lançamento há necessidade de Lei Complementar que determine a obrigação do contribuinte ter Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18088.000378/200811 Acórdão n.º 2202002.379 S2C2T2 Fl. 4 5 contabilidade registrada com datas, procedências, e retiradas de seus depósitos bancários. No tocante à Lei Complementar 105, esta determina que o exame dos documentos, livros e registros de instituições financeiras somente pode ser feito quando houver processo administrativo ou procedimento fiscal instaurado e que tais exames sejam considerados indispensáveis. Efeito confiscatório da multa Alega ainda que a multa de 225% é confiscatória e que não há fraude praticada pelo impugnante. Ilegalidade da aplicação da Taxa Selic Aponta ilegalidade na aplicação da Taxa Selic como juros moratórios pugnando pela aplicação do artigo 161, §1° do CTN e 192,§3° da CF/88. Ao final requer o cancelamento do Auto de Infração. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Não configura violação de sigilo a prestação de informações pelas Instituições Financeiras, que estas estão obrigadas, dentro de parâmetros estipulados, a dar à Administração Tributária da União, acerca da movimentação financeira dos usuários dos seus serviços. As informações permanecerão sob sigilo fiscal. Lei Complementar 105/2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Somente as referidas provas podem refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovado nos autos a omissão de rendimentos nas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, consubstanciada por não oferecer à tributação valores que ingressaram em suas contas bancárias, cabe a qualificação da multa de oficio visto que a conduta, em tese, caracteriza sonegação. Art. 44, II, Lei 9430/96. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. Constitui circunstância agravante o não atendimento a intimação regularmente efetuada, mormente quando o contribuinte solicita prorrogação de prazo que embora deferida Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 o interessado quedase inerte. Artigo 959 do Decreto n° 3000/99 RIR199. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não configura confisco o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos, bem como impôs multa de oficio que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. A vedação constitucional do artigo 150, IV, se aplica ao legislador na instituição de tributo e não à cominação de penalidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS SELIC A aplicação da Taxa SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, acumuladas mensalmente, decorre de expressa previsão legal. Artigo 13 da Lei 9.065. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida reconheceu com base nos extratos das contas bancárias entregues, verificase, às fls. 26, que no dia 01/10/2004, foi indevidamente relacionado entre os créditos o valor de R$ 1.392,00 referente a SAQUE C/ CHEQUE tal como consta no extrato fornecido, cuja cópia encontrase às fls. 115 dos autos. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18088.000378/200811 Acórdão n.º 2202002.379 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de nulidade do Auto de Infração – Quebra do Sigilo Bancário Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. No que se refere ao quebra do sigilo bancário, merece ser comentado que foi o próprio contribuinte que trouxe aos autos os extratos bancários. Não houve utilização de RMFs sem prévia autorização judicial. Da Ilegitimidade Passiva Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas conclusivas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ao apreciar as razões do contribuinte assim se pronunciou a autoridade recorrida: Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18088.000378/200811 Acórdão n.º 2202002.379 S2C2T2 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Da Provas Apresentadas É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Agravada Constatase que o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de oficio na sua forma agravada. Segundo o Termo de verificação fiscal o recorrente não atendeu alguns Termos. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a não apresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como consequência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ao não atender o pedido de esclarecimentos, fez com que a autoridade fiscal presumisse que tivessem sido omitidos rendimentos. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de oficio ser desagravado. Da Multa Qualificada Segundo a fiscalização a recorrente teria omitido receitas no período de 2003 a 2006, adotando conduta no sentido de impedir o lançamento e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Inobstante respeitável entendimento da autoridade fiscalizadora, não vejo circunstâncias que caracterizem um evidente intuito de fraude. Entendo que configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. No caso concreto não tenho como presumir que a conduta foi eivada de vício, mas tão somente de omitir do fisco com conhecimento de fato relevante. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Da Multa Confiscatória No que toca a suposta natureza inconstitucional da multa, e eventuais efeitos confiscatórios.. Citese,ainda, a súmula n 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar e desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18088.000378/200811 Acórdão n.º 2202002.379 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000367/2003-53
Data da sessão: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/2002
FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Somente os valores referentes a custos e despesas expressamente previstos em lei geram créditos passíveis de dedução da contribuição para o PIS, apurada sobre o faturamento mensal sob o regime da não cumulatividade.
Numero da decisão: 201-81.755
Decisão: Acordam os membros da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-11-17T16:57:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: APV201_13830000367200353; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2015-11-17T16:56:38Z; Last-Modified: 2015-11-17T16:57:10Z; dcterms:modified: 2015-11-17T16:57:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: APV201_13830000367200353; xmpMM:DocumentID: uuid:abeb9862-8fa7-11e5-0000-00b6accf0665; Last-Save-Date: 2015-11-17T16:57:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-11-17T16:57:10Z; meta:save-date: 2015-11-17T16:57:10Z; pdf:encrypted: true; dc:title: APV201_13830000367200353; modified: 2015-11-17T16:57:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-11-17T16:56:38Z; created: 2015-11-17T16:56:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2015-11-17T16:56:38Z; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-11-17T16:56:38Z | Conteúdo => S3-C1T0 Fl. 120 1 119 S3-C1T0 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000367/2003-53 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 201-81.755 – 1ª Câmara / Colegiado único Sessão de 6 de fevereiro de 2009 Matéria PIS - AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente RODANY CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente os valores referentes a custos e despesas expressamente previstos em lei geram créditos passíveis de dedução da contribuição para o PIS, apurada sobre o faturamento mensal sob o regime da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Josefa Maria Coelho Marques (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Éça (Relator), José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Ausentes Conselheiros Walber José da Silva e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000367/2003-53 Acórdão n.º 201-81.755 S3-C1T0 Fl. 121 2 Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Ribeirão Preto/SP, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Contra a empresa acima qualificada, foi lavrado o auto de infração, às fls. 04/08, em virtude da apuração de insuficiência no recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 05/06. Segundo a Auditora Fiscal autuante, no mês de competência de dezembro de 2002, quando entrou em vigor a Lei n° 10.637, de 2002, que instituiu o regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS, a interessada apurou, declarou e recolheu a menor a contribuição devida, que foi apurada por ela, com base nos valores escriturados. Assim, lavrou o presente auto de infração, exigindo-lhe a diferença apurada, acrescida de multa de oficio. De acordo com os demonstrativos de Apuração do PIS à fl. 07 e de Multa e Juros de Mora à fl. 08, o crédito tributário constituído totalizou R$ 1.422,99, sendo R$ 813,14 de contribuição e R$ 609,85 de multa proporcional passível de redução. A base legal do lançamento foi quanto à contribuição; Lei Complementar (LC) n° 7, de 07 de setembro de 1970, art. 1°, c/c a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e a multa proporcional: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, I. Devidamente cientificada do lançamento, a interessada interpôs a impugnação, às fls. 36/43, requerendo o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, que a Autuante não demonstrou nem informou as despesas incorridas no mês, cujos valores não foram considerados por ela, na apuração da contribuição devida, limitando-se a anexar ao auto de infração apenas algumas contas contábeis, cujos valores foram considerados, deixando, contudo de considerar as seguintes despesas e respectivos valores: a) comissões pagas a pessoas jurídicas, no valor de R$ 26.004,40; b) serviços prestados por pessoas jurídicas, no valor de R$ 1.067,55; c) despesas bancárias, no valor de R$ 22.211,68; e, d) IPI sobre compras, no valor de R$ 28,39, que, nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, geram créditos a serem deduzidos da contribuição apurada. Se deduzir os créditos apurados sobre esses valores nenhuma diferença seria apurada. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou procedente o lançamento restou ementada da seguinte forma: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2002 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000367/2003-53 Acórdão n.º 201-81.755 S3-C1T0 Fl. 122 3 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. PIS NÃO-CUMUATIVO. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. Somente os valores referentes a custos e despesas expressamente elencados em lei geram créditos passíveis de dedução da contribuição para o PIS, apurada sobre o faturamento mensal sob o regime da não-cumulatividade. Lançamento Procedente Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Considerando o teor da decisão final da turma julgadora, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido da DRJ Ribeirão Preto/SP, dispensando-se a reprodução, neste voto, do inteiro teor do voto condutor do acórdão recorrido presente às fls. 72 a 74. Dessa forma, vota-se por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000731/2003-65
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS
ADMINISTRATIVAS.
A apreciação de argumentações que se refiram a inobservância de princípios
constitucionais, ou de alegações de existência de inconstitucionalidades ou
ilegalidades, essas contidas em leis ou atos, está deferida ao Poder Judiciário,
por força do texto constitucional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002
RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO
SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de
cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham
sido objeto de substituição.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002
RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO
SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA.
O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de
cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham
sido objeto de substituição.
Numero da decisão: 202-19.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (Relator). Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A apreciação de argumentações que se refiram a inobservância de princípios constitucionais, ou de alegações de existência de inconstitucionalidades ou ilegalidades, essas contidas em leis ou atos, está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham sido objeto de substituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham sido objeto de substituição.
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COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A apreciação de argumentações que se refiram a inobservância de princípios constitucionais, ou de alegações de existência de inconstitucionalidades ou ilegalidades, essas contidas em leis ou atos, está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham sido objeto de substituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMERCIANTE VAREJISTA OPTANTE PELO SIMPLES. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. O comerciante varejista optante pelo Simples não poderá excluir da base de cálculo do Simples a receita auferida com a venda dos produtos que tenham sido objeto de substituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10140.000731/2003-65 Acórdão n.º 202-19.595 S3-C2T2 Fl. 387 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (Relator). Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (Presidente), Antonio Zomer, Gustavo Kelly Alencar, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Domingos de Sá Filho, Maria Teresa Martínez López. Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Campo Grande/MS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Remotor's Ltda. - ME apresentou manifestação de inconformidade (fls. 344/348), acompanhada de documentos (fls. 349/358), contra o Despacho Decisório de 13/01/2004, da DRF em Campo Grande/MS (fl. 337), que, adotando razões do Parecer SAORT/DRF/CGE n° 013, de 12/01/2004 (fls. 335/337), indeferiu o pedido de restituição de PIS e Cofins de fl. 01, não reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor originário de R$ 41.439,58. 2. A contribuinte apresentou junto com o seu pedido inicial (fl. 01) os documentos de fls. 02/332. 3. A análise do pedido de restituição foi efetuada pela DRF/Campo Grande no Parecer SAORT/DRF/CGE n° 013, de 12/01/2004 (fls. 335/337), e aprovada pelo Despacho Decisório exarado aos 13/01/2004, anexado à fl. 337, donde se concluiu que o pedido devia ser indeferido,uma vez que restou claro não terem sido indevidas as retenções de PIS e Cofins pleiteadas. 4. Tendo tomado ciência do referido Despacho Decisório em 23/01/2004, conforme A. R. (fl. 339), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em apreço em 25/02/2004 (fl. 334/348), acompanhada de cópia de documentos (fls. 349/358), alegando, resumidamente, que: 4.1 A IN/SRF no 112/2000, especialmente o art. 6° e § 2°, em que se baseou o Parecer ora atacado, não se equipara às leis, pois tem mera função de regulamentar aquilo que já foi inovado pelas leis a que corresponda, não podendo instituir deveres e obrigações ainda não existentes em nossa legislação, sob pena Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10140.000731/2003-65 Acórdão n.º 202-19.595 S3-C2T2 Fl. 388 3 de violar o dispositivo constitucional da estrita legalidade tributária (art. 150, I, da Constituição Federal); 4.2 O art. 44 da Medida Provisória n° 1.991-15, de 2000, disciplinou a atividade das pessoas jurídicas fabricantes de motocicletas, prescrevendo que estas passariam à condição de sujeitos passivos da obrigação tributária oriunda da atividade de revenda das motocicletas, atividade que, diga-se de passagem, é realizada pelas denominadas concessionárias; 4.3 Isto quer dizer que a lei optou por trocar as pessoas jurídicas que deveriam residir na condição de sujeito passivo dessa obrigação tributária do PIS e Cofins relacionada à segunda operação de circulação de mercadorias; 4.4 A mera imputação da responsabilidade de recolher esses tributos às pessoas jurídicas fabricantes das motocicletas, na qualidade de substitutos das pessoas jurídicas revendedoras desses automotores, já excluiu por si só a obrigatoriedade destas últimas, tudo porque, como dito, conduta distinta configuraria a prática de bis in idem; 4.5 O fato de ser a requerente optante pelo Simples ou não é indiferente para efeito de saber se as regras impostas pelo nosso ordenamento são ou não aplicáveis, eis que o pagamento simplificado conhecido como Simples, pode sim ser considerado um beneficio, o que legitimaria a exclusão pela autoridade concedente de gozo de outro beneficio, quando já na fruição deste; 4.6 Todavia, sem sombra de dúvida, não assume a natureza de beneficio, como dito, a não incidência do PIS e Cofins sobre a atividade varejista de venda de motocicletas, quando esta tenha sido objeto de substituição tributária, razão pela qual essa não incidência não pode ser deixada de lado sob o argumento de que a requerente já goza de um favor tributário que é o Simples. 5. Finaliza pedindo a reforma da decisão atacada para efeito de determinar a imediata restituição dos valores recolhidos pela requerente a titulo de PIS e Cofins, e que já haviam sido objeto de substituição tributária. A DRJ Campo Grande/MS decidiu rejeitar a preliminar de ilegalidade e inconstitucionalidade arguida e, no mérito, indeferir a manifestação de inconformidade apresentada, considerando que os comerciantes varejistas de produtos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8703 e 8711 da TIPI, embora optantes pelo Simples, sujeitam-se à norma da substituição tributária, visto que a lei não os exclui da incidência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o deferimento da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10140.000731/2003-65 Acórdão n.º 202-19.595 S3-C2T2 Fl. 389 4 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele toma-se conhecimento. Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido da DRJ Campo Grande/MS, tanto no que se refere à preliminar de ilegalidade e inconstitucionalidade, quanto ao mérito, dispensando-se a reprodução, neste voto, do inteiro teor do voto condutor do acórdão recorrido presente às fls. 361 a 368. Dessa forma, o voto é encaminhado no sentido de, preliminarmente, afastar a arguição de ofensa ao princípio da legalidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13894.001223/2003-70
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
Alteração do Limite de Alçada. Efeitos. A alteração do limite de alçada revela mudança nos critérios delineadores do interesse processual por parte da Administração Pública. De se aplicar, portanto, o novo limite aos recursos de oficio pendentes de julgamento por este Colegiado. Homenagem ao princípio da eficiência administrativa, definido no art. 37 da Constituição Federal de 1988.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
Denúncia Espontânea. Multa de Mora. Tributos Declarados. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo
Recurso de Oficio Não Conhecido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.779
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Efeitos. A alteração do limite de alçada revela mudança nos critdrios delineadores do interesse processual por parte da Administração Pública. De se aplicar, portanto, o novo limite aos recursos de oficio pendentes de julgamento por este Colegiado. Homenagem ao principio da eficiência administrativa, definido no art. 37 da Constituição Federal de 1988. ASSUNTO: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 Denúncia Espontânea. Multa de Mora. Tributos Declarados. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Recurso de Oficio Não Conhecido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Assinado digitolmenle am 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado di9IM1meMe em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emil/doom 29/12/2010 pelo MinisCorio da Fazondo DF CAR! FL 407 DP CARY M 403 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimnto, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever Troia o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o P1S/Pasep, lavrado em 18/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (11. 150,), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 785.059,88, corn os acréscimos legais cabíveis até a data da Icrvratura, ern virtude dos seguintes fatos; • não confirmação do Processo Judicial n° 97.0013773-2 indicado para fins de suspensão da exigibilidade de débitos dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998; não localização dos pagamentos vinculados a débitos dos períodos de janeiro a novembro de 1998; • recolhimento em atraso, sem multa de mora, de débitos de janeho a maio de 1998 e outubro e novembro de 1998, o que gerou o lançamento de multa isolada. O lançamento de oficio tomou por base débitos declarados nas DCTF originais e complementares, relativos aos códigos de receita 8109, 8002 e 8205. As DCTF complementares foram apresentadas em 06/09/2000.. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, protocolizou a impugnação de fls. 1/10, em 11/08/2003, juntando os documentos de fls. 11/119 e alegando que o suposto débito . foi apurado em razão de equivocas cometidos no preenchimento das DCTF, Explica que, no período autuado, sujeitava-se ao PIS- Faturamento (código 8109), mas no preenchimento da DCIF reconheceu como devidos PIS-Repique (código 8205) e PIS- Dedução (código 8002). A seguir, afirma o que segue: Ocorre que, embora estivesse sujeita ao PIS-faturamento, por equivoco, com base no Processo Judicial n° 97.0013773-2 (citado na autuação), a impugnante recolheu o PIS, na modalidade repique, reference ao período de julho/97 a junho/98. Não obstante, além desse PIS-Repique, a impugnante recolhia corretamente todo o IRPJ devido e, também, em outro DARF, recolhia parcela do PIS-Dedução. Portanto, nesse periodo, a impugnarrte recolheu todo o imposto de renda e uma parcela a mais de imposto de renda (como se fosse PIS -Dedução). Assinado dI2i 1InenJe ern 11111 12010 por LUIS MARCELO CUERRA DE CASTRO Autenticado dipitalmonte um 11/ 11/2010 1 WS MAICELO GUERRA DE C ASTRO 2 Emitido era 20 12/2010 pet() MiniRtdlio da F Saguia 3 Fl. 409 DF CAM: Processo n° 13894.001223/2003-70 S3-C1 12 Acôrd5o n.°3102-00.779 Fl. 2 Na DCTF desse período, no campo do valor devido de IRPJ, a impugnante informava erroneamente aquele valor recolhido como PIS-Dedução, como suspenso por medida judicial. Declarava também os valores do PIS-Repique e PIS-dedução recolhidos, com os respectivos Darfs de pagamento. Alem desses valores de PIS, a impugnante, por equivoco, declarava em DCTF, os valores apurados de PIS — Faturamento (que não estavam sendo recolhidos) somados aos valores de PIS- Dedução, alocando como pagamento os mesmos DARFS de pagamento de PIS-Repique e PIS-Dedução Com esse procedimento errôneo, a impugnante duplicava a declaração dos valores supostamente devidos de PIS (repique e dedução). Incorrendo em erro novamente, em 0609.00, a impugnante entregou DCTF complementar contendo equivocas, quando deveria ter apresentado DCTF retificadora, corrigindo todos os equivocas (doe- 02). Nessa nova DCTF, o valor total do PIS devido foi declarado como PIS-faturcunento corretamente, entretanto, erroneamente, com a informação de que estava suspenso por medida judicial.. Errou novamente a impugnante, pois declarou nessa nova DCTF o PIS-repique e o PIS-dedução como devidos, informando os mesmos DARES de pagamento anteriormente mencionados (DARES de PIS-repique e PIS- dedução) Dessa forma, os valores já erroneamente declarados foram novamente aumentados, em razão dessa DCTF complementar, que deveria ter sido retificadora. Salienta, então, que o PIS-Repique lançado não e devido, conforme comprova a DIPJ do período, que demonstra todo o valor devido Como PIS-Faturamento. Assevera que, do mesmo modo, como estava sujeito ao PIS-Faturamento, não procede o lançamento de PIS-Dedução, que erroneamente foi declarado em duplicidade e recolhido, conforme Doll em anexo (fls. 56/60), Observa, ainda, que os valores duplicadas de PIS-Repique e PIS-Dedução, relativos ao primeiro semestre de 1998, foram inscritos em divida ativa da União (Processo Administrativo 10980,500790/00-04). Prossegue afirmando que recolheu integralmente o PIS devido no período, sob o código 8205 e 8109, conforme guias de recolhimento as fis, 41/52 e afirma que os recolhimentos efetuados em atraso foram feitos sem a multa de mora, haja vista a denúncia espontânea. Nesse aspecto, alega que recolheu o tributo fora de prazo, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, antes da pratica de qualquer ato de ,fiscalização por parte da Receita Federal, consoante se observa pelo protocolo de processo de denúncia espontânea anexado Entende que, nos termos do art. 136, do CTN, à exceção dos juros de mora, nenhum outro ónus pode recair sobre o contribuinte que denunciou espontaneamente seu débito e que, conseqüentemente, teve Assinado difjitalmente em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenticado digilrilmenle ern 11/11/201 (1 poi LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Einilido ern 29112/2010 pall) MinislCrio cio Fazonda DP CAR! MI' 1:1.4i0 excluída a responsabilidade pela infração cometida. Transcreve doutrina e jurisprudência a corroborar seu entendimento. Em 29/05/2006, par ter sido cientificado de "Termo de Comunicação", no qual lhe eram exigidos saldos devedores após revisão de oficio do presente lançamento, o contribuinte apresentou a petição de fls. 122/148, alegando já ter impugnado a exigencia . A fl 193 a autoridade preparadora informa o seguinte: Tendo em conta tratar-se de impugnação tempestiva de AUTO DE INFRAÇÃO ELETIONICO DCTF consubstanciada em erro na elaboração da DCTF (lis. 1/10) e levando em consideração que os créditos tributários efetivamente devidos, segundo o contribuinte (lis. 04) são o de PIS faturamento, que foi declarado erroneamente em DCTF complementar e ainda com a exigibilidade suspensa ah. 15/18) e que nestas circunstancias não há possibilidade de alocar (Recalculo) os pagamentos de fi r. 41/52 aos respectivos débitos, pois a funcionalidade do Recálculo somente pode ser utilizada para comprovações que envolvam o mesmo tipo de vinculagdo e o mesmo período de apuração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 DCTF. REVISÃO 1NTERNA, PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGO 8002 E 8205. Frente a indícios de erro no preenchimento da DCTF de débitos declarados a titulo de PIS/Repique e PIS/Dedução, e ausente motivação especifica para as imputações de pagamento realizadas, cancela-se a exigência, PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS DÉB1TOS DECLARADOS SOB CÓDIGO 8109, Frente a duplicidade da exigência de débitos declarados a título de PIS/Faturamento, cancela-se o lançamento. Ainda, se confirmado o recolhimento dos valores exigidos, não prospera a exigência. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA Dg MORA DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGO 8109. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. In existindo decreto legislativo a disciplinar as relações jurídicas provenientes da edição da Medida Provisória n° 303/2006, aplica-se o seu regramento mais benéfico as penalidades de mesma hipótese de incidência daquelas previstas em seus artigos 18 e 19, ainda não definitivamente julgadas e cujos fatos geradores tenham ocorrido até 27 de outubro de Assinacio ctioi atinente ern 11111(2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenlicado digitalmente em 11/11/2010 por LUIS MARCH.° GUERRA DE CASTRO Emilicio ern 29112/2010 pelo MinistOrio thi Fazendo 4 no vot observ C ARi" M I- H. :11 I Processo n° 13894.00122312003-70 S3-C1T2 Acórdão n '3102-00.779 FL 3 2006, mormente em face da edição da Medida Provisória n° 35112007. MULTA DE MORA A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submete-se it gradação definida no art, 61 da Lei n°9 430/96. DENONCIA ESPONTINEA. Estando a multa moratória regularmente prevista em lei ordinária vigente para sancionar o pagamento voluntário de tribute's efetuado a destempo, a apreciação de alegações para seu eventual afastamento circunscreve-se no âmbito do controle da legalidadelconstitucionalidade das leis, atribuição privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1' instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações acerca da exclusão da multa de mora em razão do pagamento anterior à instauração da ação fiscal, bem assim e sustentar a decadência do direito de promover o lançamento, em face do que dispõe o art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional. Dado que o montante exonerado (R$ 780.779,41) era superior ao limite fixado na Portaria MF que, b. época do julgamento, dispensava a apresentação de recurso de oficio, a decisão de primeira instância foi submetida a reexame. o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Cabe a este colegiado, como antecipado no relatório, analisar recurso de oficio manejado pelo órgão julgador de piso e voluntário, apresentado pelo sujeito passivo, relativo à fração do lançamento que remanesce litigiosa, qual seja, a incidência de multa de mora sobre recolhimentos realizados em atraso. Analiso separadamente tais recursos. 1- Recurso de Oficio. Antes de discutir o mérito do presente recurso de oficio, cabe a este colegiado decidir se dele se deve tomar conhecimento . Tal manifestação tornou-se necessária em função da recente alteração no "limite de alçada", fixado nos termos do inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme a redação atribuida pelo art. 67 da Lei n° 9.532,de 1997 1 . Art.. 34. A autoridade de primeira instancia recorrera de oficio sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal c decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97) Assinado dpitnimeme ern 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 5 AulonlicadO dipilalmente em 1 I/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido am 20/1212010 polo Ministario da Fazonda DV CAM' rvlF ii 412 A época da prolação da decisão de la instância, vigia a portaria MF n° 375 de 2001, q..re determinava a apresentação do correspondente recurso de oficio de acórdão que exonera se o contribuinte de exigência superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Antes da data do presente julgamento, entrou em vigor a Portaria MF n° 3, publicala no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu um novo limite para interposição de recurso de oficio. A partir de então somente caberia manifestação deste órgão de 2a instancia nas hipótesis em que a desoneração superasse R$ L000.000,00 (um milhão de reais), valor que não é atingindo pela exigência debatida no presente processo. A dúvida que se impõe 6, sabendo-se que, à luz do art. 1211 2 do Código de Process? Civil, a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, tuas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais, conforme ratifica Dinamarco 3, qual seria a norma a considerar no momento em que se julga a admissibilidade do recurso. A que vigia no momento da sua apresentação ou no do seu julgamento. E.. fato que a jurisprudência tem se inclinado no sentido de que a lei disciplinadora do cabimento do recurso é aquela que vige no momento da publicação da senten64, conforme ponderam Entretanto, há que se relembrar que, no vertente processo, não esta se discutindo o cabimento do recurso como ato de insurgência da parte vencida, mas de remessa oficial, onde a própria administração pública submeteu a sua decisão à consideração de insane a superior, como meio de evitar que, eventuais equívocos do julgador levem a prejuízo de mai r vulto ao Erário Público. Nessa esteira, penso que a discussão acerca da exegese do art. 1211 não pode olvidar da revisão dos critérios orientadores do interesse processual da administração pública promo ido pelo ato inovador e, principalmente, do principio da eficiência administrativa, gizado io art. 37 da Constituição Federal de 1988. Acerca do Interesse Processual, trago à colação as ponderações de José Robertà Bedaque, que, com a habitual precisão pondera 5 O interesse processual está ligado à idéia de a via processual somente set utilizada quando realmente necessária, mediante a adoção de técnica adequada aos objetivos visados, sem desperdício de tempo e energia. É a concep cão de utilidade do processo, informada pelo binómio necessidade/adequação) Ora, se a administração definiu que os processos cujo montante exonerado não su erasse R$ 1.000,000,00, julgados a partir da data de publicação da norma, não deveriam ser submetidos b. consideração da instancia superior é porque o interesse processual no prosseguimento de processos com idênticas características efetivamente encontra-se mitigado. Por outro lado, não se pode olvidar a necessidade de se observar o principio da eficiência administrativa. 2 Art 1 211. Este Código regera o processo civil em todo o território brasileiro, Ao entrar em vigor, suas disposices aplicar-se-Ao desde logo aos processos pendentes, 3 Candid° Rangel Dinamarco. Teoria geral do processo. São Paulo. Malheiros Editores, 14 ed. p.99: 4 Curso Avançado de Direito Processual Civil P. 61 5 Efelividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, p. 359 Assinado digitalmente em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado d gitaltnente em 1111112010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido em 2 /12/2010 polo Ministório de Fazoncla 6 DE CA RI Fl 413 Processo n°13894.001223/2003-70 83-CIT2 Acórdao n.° 3102-00.779 Fl. 4 Sabendo-se que os recursos disponíveis são limitados, a decisão de julgar a lide referente ao presente processo, implica necessariamente deixar de julgar, naquele momenta, outro processo onde o interesse das partes permanece inalterado. Sabre o principio da eficiência, lembra Maria Sylvia Zanella di Pietro 6 Hely Lopes Meirelles (1996:90-91) fala na eficiência como um dos de veres da Administração Pública, definindo-o coma ''o que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições coin presteza, perfeição e rendimento funcional. E o mais moderno principio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros", Ante ao exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do presente recurso de oficio. 2- Recurso Voluntário. Multa de Mora e Denúncia Espontânea. Remanesce litigiosa portanto a fração da exigência fundada em multa de mora, pelo recolhimento em atraso dos montantes efetivamente devidos a titulo de PIS relativamente As competências 01 a 05/1998, em relação A. qual foi apresentado o tempestivo recurso voluntário. Acerca dessa fração, sustenta o sujeito passivo que promoveu o recolhimento dos impostos em data anterior a qualquer ação fiscal e, consequentemente, faria jus ao beneficio da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTNI 7 . Com a devida vênia, não vejo como acatar tal fundamento. Em primeiro lugar, o art. 61, combinado com o 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, estabelecem uma graduação clara entre as penalidades impostas pelo pagamento em atraso. Veja-se, em primeiro lugar, o que diz o art. 44, I, na versão que vigia na data dos fatos geradores e que, nesse particular, não foi atingido pelo instituto da retroatividade benigna (os destaques não constam do original): 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição.. I • de setenta e cinco por cento, nos casos de falia de pagatnento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento axis o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte 6 Direito Administrativo, So Paulo Ed. Atlas 15" edigilo p. 83 7 Art. 138.. A responsabilidade é excluida pela denUncia espontfinea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importtincia arbitrada pela autoridade administrative, quando o montante do tributo dependa de apuração. Assinado dipitalmente em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenlicade f digilolmenle em 11/1112010 per LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Einilicie ern 29/12/20 10 polo tvlioisterie d razemln , • , Dr ('\pJ v1F FL 411 ,1 Já o art. 61 da mesma Lei, estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada ei taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, § 1 0 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeha dia subseqfiente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme é possível perceber, a lei estabeleceu uma clara graduação entre duas condutas: a do art. 44, I, não pagar, e a do art. 61, pagar em atraso. A primeira, evidentemente, admite a denúncia espontânea, pois a omissão (não pagar) pode ser saneada a qualquer tempo, usufruindo-se, por conseqüência, o beneficio pleiteado pelo sujeito passivo. JA a segunda, evidentemente não pode ser "saneada" eis que o atraso quando do pagamento, já está configurado. Ou seja, não há como saneá-lo, eis que o ato em si (pagar em atr.so) é a tipificação da conduta. Por outro lado, a par da opinião deste relator, no caso em tela, há circunstância apta a atrair a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, materializada na Súmula 360 daquela corte , O beneficio da denúncia esponta'nea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Com efeito, como já relatado no voto condutor do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo informou os débitos para com o PIS em sua Declaração do Imposto de Renda de Pes oa Jurídica no ano de 199 8,8 Diante de tal circunstância, é possível concluir que, qualquer que seja a corrente adotada, não há como caracterizar a denúncia espontânea e afastar a multa de mora. 8 Does As lis, 87 a 91 Assinado dialialmente em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO AulenIicado < iffitalinenlo cm ti1il1f2010 poi LUIS MARCELO GUERRA DE CASIRD Emilia° dal 2 /12/2010 polo Ministdrid da Fazonda 8 tvlF H. 415 Processo n°13894 001223/2003-70 S3-C1 1 2 Acárdao n '3102-00,779 Fl 5 3- Conclusão Com essas considerações, deixo de tomar conhecimento do recurso de oficio e nego provimento ao recurso voluntário, Sala das Sessões, em 1 de outubro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Di CAR! Assinado digitilmente em 11/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenticado digitalineote ern 1 Li 1 1/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emilido Om 291212010 pelt) Moistõrio da Fozonda 9
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Numero do processo: 11030.901105/2006-41
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. É possível a apuração do crédito analisando DCTF apresentada após o despacho decisório. Retorno dos autos a unidade de origem para análise.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3102-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para devolver o processo a unidade de origem, para análise do mérito da compensação.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. É possível a apuração do crédito analisando DCTF apresentada após o despacho decisório. Retorno dos autos a unidade de origem para análise. Recurso Voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para devolver o processo a unidade de origem, para análise do mérito da compensação. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. É possível a apuração do crédito analisando DCTF apresentada após o despacho decisório. Retorno dos autos a unidade de origem para análise. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para devolver o processo a unidade de origem, para análise do mérito da compensação. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 11 05 /2 00 6- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1810.046 da 2ª Turma da DRJ/STM, que indeferiu a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: A contribuinte supra identificada teve nãohomologada, por meio do despacho Decisório n° de rastreamento 740382443, cuja cópia se encontra à fl. 04, a compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 32395.04868.271003.1.3.041411, transmitido em 27/10/2003, cuja cópia se encontra às fls. 01 a 03, em virtude de ter sido constatado que o pagamento que teria originado o crédito pleiteado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos confessados, não restando crédito disponível para a compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que se encontra às fls. 07 e 08, argumentando, em síntese, que: Após ter sido intimada, verificou que os valores devidos, que haviam sido informados em DCTF, em relação ao PIS/Faturamento dos meses aos quais se referem os créditos apurados e compensados, estavam incorretos, tendo sido recolhidos valores maiores que os devidos, conforme os registros contábeis da empresa. Em virtude da constatação desse erro, a DCTF foi retificada em 19/02/2008, conforme cópia que anexa. Tendo havido recolhimentos a maior, o despacho decisório é improcedente, devendo ser aceita a compensação declarada, não restando débito em aberto. Às fls. 15 a 21, foi anexada cópia da DCTF retificadora que foi transmitida eletronicamente em 01/04/2005. Às fls. 24 a 31, foi anexada cópia da DCTF retificadora que foi transmitida eletronicamente em 19/02/2008. A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl. 23. Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DRJ, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Estando o pagamento apontado com origem do crédito vinculado, pelo documento de arrecadação, a determinado débito confessado, inexiste crédito a ser utilizado em futura compensação. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11030.901105/200641 Acórdão n.º 3102001.781 S3C1T2 Fl. 101 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte alega em suma que: 1) O crédito requerido existe na escrituração contábil, e na retificação da DCTF apresentada em 19/02/2008; 2) O débito do período foi corretamente informado através da DIPJ retificadora no valor de R$ 2.100,24, porem foram realizados os pagamento dos DARF’s no montante de R$ 3.264,59 e 14/02/2003 e R$ 508,68 em 13/05/2003, assim há um saldo a ser compensado de R$ 1.673,03. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado, a Recorrente realizou um declaração de compensação em 27/10/2003, demonstrando que havia realizado pagamento a maior, entretanto a delegacia regional não homologou a compensação sob o argumento de que apesar de identificar o pagamento do montante de R$ 3.264,59(três mil, duzentos e sessenta e quatro reais e cinquenta e nove centavos), observou que o montante foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo assim crédito disponível para ser compensado com dos débitos informados no PER/DCOMP. Acontece, como bem salientou o acórdão recorrido, que após o despacho decisório foi transmitida outra DCTF retificadora(fls. 24) compreendendo o mesmo período, no entanto a DRJ não apreciou a retificação realizada sob o argumento de que “apresentação de nova DCTF retificadora após ciência do despacho decisório constitui fato novo no process, que não havia sido apreciado quando da emissão do despacho decisório...” “... e não pode a DRJ manifestarse a respeito da retificação da DCTF, em virtude de não ser matéria de sua competência”. Ora, a declaração retificadora é uma faculdade do contribuinte, a partir dela aquele presta novas informações perante a Receita, e a essa cabe ou não homologar no prazo de 05(cinco) anos, a partir da nova declaração, nos termos do § 5º do art. 74 da lei nº. 9.430/96. Assim, realizada a retificação da DCTF antes da sua homologação, é possível a compensação de crédito com base na retificadora, mesmo que a retificadora tenha sido realizada após o despacho decisório. Ressaltese que a norma administrativa que disciplina a retificação da DCTF, não estabelece nenhuma restrição quanto a sua realização, mesmo após o despacho decisório, consoante prescreve o §2º do art. 10 da Instrução Normativa º 482/2004, in verbis: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II cujos valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Analisando os autos, confirmase a informação descrita no acórdão recorrido, no sentido de que foi apresentada uma DCTF retificadora em 19/02/2008 discriminando o débito de PIS no montante de R$ 4.974,61(quatro mil, novecentos e setenta e quatro reais e sessenta e um centavos), para o período relativo ao 1º trimestre de 2003, enquanto na DCTF(fls. 15), transmitida em 01/04/2005, o débito de PIS para o mesmo período era de R$ 9.245,38(nove mil, duzentos e quarenta e cinco reais e trinta e oito centavos), portanto percebe se que há uma diferença de R$ 4.270,77(quatro mil, duzentos e setenta reais e setenta e sete centavos), que não foi observada pela DRJ para fins de analise da compensação pretendida. Diante do exposto, observando que não há óbice em apresentar a DCTF retificadora, mesmo após o despacho decisório, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para devolver os autos a unidade de origem com a finalidade de apreciar a homologação pretendida, com base na DCTF retificada. Sala de sessões 28 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11030.901105/200641 Acórdão n.º 3102001.781 S3C1T2 Fl. 102 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000774/2002-80
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Oferecido o apelo após o prazo de 30 (trinta) dias determinado pela legislação de regência, dele não se conhece.
Numero da decisão: 3803-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Maurício Fedato (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima.
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Oferecido o apelo após o prazo de 30 (trinta) dias determinado pela legislação de regência, dele não se conhece.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Maurício Fedato (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima.
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Numero do processo: 10935.004205/2006-71
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA.
Não devem ser conhecidos os embargos que suscitam nulidade de decisão proferida em sede de recurso voluntário, sob a alegação de que o argumento que fundamentou a decisão o acórdão de recurso voluntário não foi trazido na impugnação, mormente quando a matéria foi objeto de decisão em sede de decisão de DRJ.
Numero da decisão: 9101-002.057
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em não conhecer dos embargos
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). . Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 EMBARGOS. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. Não devem ser conhecidos os embargos que suscitam nulidade de decisão proferida em sede de recurso voluntário, sob a alegação de que o argumento que fundamentou a decisão o acórdão de recurso voluntário não foi trazido na impugnação, mormente quando a matéria foi objeto de decisão em sede de decisão de DRJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em não conhecer dos embargos (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). . Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
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INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO ARGUMENTATIVA. Não devem ser conhecidos os embargos que suscitam nulidade de decisão proferida em sede de recurso voluntário, sob a alegação de que o argumento que fundamentou a decisão o acórdão de recurso voluntário não foi trazido na impugnação, mormente quando a matéria foi objeto de decisão em sede de decisão de DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em não conhecer dos embargos (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). . Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 42 05 /2 00 6- 71Fl. 764DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Os presentes embargos foram interpostos pela PGFN ao Acórdão n. 9101001.940, de minha relatoria, exarado por esta Primeira Turma, na sessão plenária de 15 de maio de 2014, tendo o Colegiado decidido, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pelo representante da Fazenda Nacional. Neste Acórdão, a 1a Turma da CSRF confirmou o decisum recorrido, referente ao tema que foi objeto de admissibilidade em sede de recurso especial interposto contra acórdão de recurso voluntário que dera provimento ao recurso do sujeito passivo na parte que continha o entendimento de que não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário. A ementa do Ac. embargado tem a seguinte redação: FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº. 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº. 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. A PGFN protocolizou tempestivamente embargos de declaração sob o argumento de que o tema da cumulação das multas, não teria sido objeto de questionamento na impugnação, sustentando que: Contudo, verificase que essa matéria, que não se enquadra como de ordem pública, não foi questionada na impugnação. Desse modo, sendo esse ponto do citado julgado extra petita, pode ser declarado nulo a qualquer momento, inclusive de ofício. (Grifos no original). Acrescenta aos argumentos jurisprudência judicial (AC 420386 PE 2003.83.00.0192820 e REsp 1205340/PE; AC 20099887), sustenta que se trata de decisão extra petita e pede a revisão do acórdão embargado e a nulidade da decisão da Turma Especial no que se refere ao tema da cumulação de multas. Como fui relator do acórdão embargado, foi incumbido da análise de sua admissibilidade, nos termos do art. 49, § 7º do RICARFAnexo II. Os embargos de declaração são previstos no artigo 65 do RICARFAnexo II, sendo possível nos casos de “omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Os embargos foram admitidos em virtude de ter sido considerado haver omissão em relação ao ponto suscitado. O Presidente desta 1ª Turma da CSRF deu seguimento aos embargos, pelo veio para ser submetido a julgamento. É o relatório. . Voto Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10935.004205/200671 Acórdão n.º 9101002.057 CSRFT1 Fl. 3 3 Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator. Com relação à omissão apontada paira uma dúvida que entendo deve ser sanada, ainda que para efeito didático. O argumento básico do embargo é de que a matéria está preclusa em vista de que o tema da cumulação de multas não foi objeto de impugnação pelo contribuinte. Primeiramente, repisese que cabem os embargos de declaração previstos no artigo 65 do RICARFAnexo II nos casos de “omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Embora os argumentos da PGFN não sejam claros no que se refere à que ponto do caput art. 65 incidiria o Acórdão embargado, pareceme que as argumentações da PGFN apontam no sentido de que haveria omissão sobre um ponto em que o Colegiado deveria ter se manifestado de maneira objetiva, qual seja, o reconhecimento de ofício da preclusão material e suas consequências processuais (nulidade), em relação ao tema da cobrança cumulativa das multas, dado que este tema não teria sido objeto de impugnação. As PGFN argumenta também que por não se tratar de matéria de ordem pública, e como não foi questionada na impugnação, resultou em julgamento extra petita, devendo ser anulado o acórdão embargado, trazendo jurisprudência judicial sobre o tema. O objetivo do conhecimento deste embargo é suprir uma suposta omissão no recorrido, de forma a não pairar dúvida sobre a correção da decisão, mas que em nada vai alterar seu resultado, em vista de que os argumentos trazidos pela PGFN não procedem, como se demonstra adiante. Ocorre que a matéria da multa da estimativa foi sim impugnada pelo sujeito passivo, e objeto de análise pela DRJ. O fato dos argumentos ali expendidos não serem os mesmo daqueles trazidos posteriormente não invalida a impugnação e muito menos pode conduzir ao entendimento de que matéria não teria sido objeto de impugnação. A constatação de que a matéria foi impugnada junto à DRJ é simplesmente verificada em vista do trecho da impugnação em que o contribuinte sustenta que não deve os valores constates do auto de infração referentes à CSLL, no seguinte trecho (fls. 38). Da mesma forma, cabe ressaltar que a empresa realizou diversos recolhimentos por meio de DARF para fins de pagamento por estimativa da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL no decorrer do ano em discussão. Assim, o passivo a recolher encerrado em 2002, referente ao imposto em matéria encontrase relativamente acobertado pelos valores pagos, sob o código de receita 2484. Ao que a DRJ ao proferiu em julgamento (fls. 302 e 303): 8. Quanto à CSLL, afirma que, conforme consta na ficha 17, linha 42 "Contribuição Social a Pagar", da declaração do imposto de renda, o valor de R$ 56.437,71 está incorreto, sendo o valor correto R$ 1.387,93. Deveser considerar o lucro anual R$ 627.085,68 adicionados mais R$ 9.591,87 referente às despesas indedutíveis, subtraídos a compensação da base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 191.003,27, resultando num lucro real de R$ 445.674,29. Aplicandose a alíquota de 9%, gera um passivo a recolher de R$ 40.110,69. Repete que a empresa efetuou diversos recolhimentos por meio de DARF para fins de Fl. 766DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 recolhimento por estimativa da CSLL no decorrer do ano. Assim, o passivo a recolher encerrado em 2002 encontrase acobertado pelos valores pagos, sob o código de receita 2484. E adiante: 13. [...] A suposta compensação de de base de cálculo negativa da CSLL não pode ser aceita, uma vez que a autuação efetuada pela autoridade fiscal não alterou o lucro real apurado pela empresa; ao invés disso, o autuante partiu do lucro real apontado na DIPJ e limitouse a deduzir os valores recolhidos a título de estimativa de CSLL. Assim, não é possível aceitar, em sede de impugnação, uma alteração da apuração de lucro real, mediante pela simples informação de que dispunha de prejuízos fiscais a compensar, sem qualquer comprovação. O contribuinte argumentou que em virtude dos recolhimentos por estimativa já efetivados e da possibilidade alegada da compensação entre os valores a pagar e os efetivamente pagos, decorrentes de erros de preenchimento, não devia os valores lançados. Ou seja, as multas da estimativa foram objeto de impugnação, apenas o argumento da concomitância não foi suscitado, o que só foi feito quando da apresentação do recuso voluntário (argumento constante de fls. 319), em face da decisão da DRJ, que cuidou do tema (embora de maneira sucinta, apenas menciona a lei de referência da multa isolada), e reduziu os valores devido a título de CSLL, mas manteve integralmente a multa isolada, nos seguintes termos (Ementa do Acórdão 0616.152 2 a Turma da DRJ/CTA): [...] MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA DO IRPJ. E devida a incidência de multa isolada, no patamar de 50%, sobre os valores de estimativa da CSLL não recolhidos, conforme expressa previsão legal. Ou seja, o argumento de que a matéria não foi impugnada não procede. O que se impugna é a matéria objeto de lançamento. Não há preclusão de fundamentos jurídicos no caso. Ao ver mantida a integralidade da multa isolada, prossegue o contribuinte em sua inconformidade, agora sob o argumento da concomitância em sede recurso voluntário. Não houve preclusão, não houve julgamento extra petita. A PGFN traz decisões judiciais que se estribam no CPC para corroborar seu argumento. Neste ponto há que se concordar com a posição de Sérgio André Rocha, quando, lastreado em jurisprudência do CC/CARF e outros autores, sustenta que: [...] De fato, parecenos que a matéria de preclusão do direito de apresentação de provas e argumentos que demonstrem a consistência do auto de infração com os dispositivos legais que lhe serviram de suporte representa uma incorporação indevida de institutos aplicáveis no campo do processo civil ao processo administrativo fiscal. 1 Um segundo argumento é que esta matéria deveria ter sido arguida pela PGFN quando da interposição do especial, posto que decisão da DRJ (decorrente da impugnação tida como incompleta pela PGFN) e que foi reformada pelo acórdão do recurso voluntário, proferido pela 3a Turma Especial da Ia Seção de Julgamento do CARF, teve neste acórdão (Ac. 180300.191) a efetiva discussão do tema, o que resultou na reforma da decisão da DRJ neste aspecto. Deste acórdão do voluntário é que a PGFN recorreu de especial, mas a PGFN não arguiu a preclusão, seja na fase da discussão do voluntário (via sustentação oral ou por via de embargos) seja quando da interposição do recurso especial por divergência, o que torna, portanto, esta matéria preclusa como matéria de alegação pela própria PGFN. Não pode 1 ROCHA, Sérgio André. Processo Administrativo Fiscal: Controle Administrativo do Lançamento Tributário. 4a ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 357. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10935.004205/200671 Acórdão n.º 9101002.057 CSRFT1 Fl. 4 5 agora, depois de toda a matéria julgada duas vezes, quando não há dúvidas sobre a materialidade do tema em discussão, suscitar ausência de questionamento quando da primeira impugnação. Neste caso, ainda que assim fosse (ausência de impugnação), preclusa a matéria estaria para a PGFN. Do mesmo modo não faz sentido o pedido da PGFN de revisão infringente da decisão embargada pedindo a anulação do Ac. 180300.191 da 3ª TE, sendo que o suposto vício, caso existisse, atingiria também a decisão da DRJ. Em consequência, conheceria dos embargos para negarlhe provimento, mantendo a decisão embargada nos exatos termos em que foi proferida, porém, nos debates que se travaram durante a sessão de julgamento fui convencido, pelos meus pares da 1ª Turma da CSRF, de que se trata de caso de não conhecimento, pois a omissão, de fato, é inexistente. Ocorreu também que a alegada omissão restou preclusa e não mais poderia ser alegada, mormente quando o embargante poderia trazido o argumento quando do julgamento do especial em sede e contrarrazões, sustentação oral ou por via de memoriais, mas em nenhum momento o fez. Como não há contradição no acórdão embargado, os embargos não devem ser conhecidos em casos que tais. Assim, voto no sentido de não conhecer dos embargos. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 13884.001471/2007-63
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
DCTF- DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. A responsabilidade acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.144
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária/ 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTON., -.-.....-0 ..,......-:-... ,e. Processo n° 13884.001471/2007-63 Recurso n° 142.745 Voluntário Acórdão n° 3102-00.144 — 1* Câmara /2* Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente R.S. ZELADORIA PATRIMONIAL LTDA. Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005 DCTF- DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. A responsabilidade acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Turma Ordinária/l a Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. CO-da-.5"Ni'--- RA4C H LENAtaNO D'AMORIMs r idente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. • Processo n° 13884.001471/2007-63 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.144 Fl. 48 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, à fl. 21- verso, que transcrevo, a seguir: "Trata-se de exigência relativa à multa por atraso na entrega de DCTF. Impugnando, argumenta o contribuinte, em síntese, a denúncia espontânea (art. 138 do C77V). " O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/CPC n2 05-20.476, de 07/12/2007 (fls. 21/22), proferido pelos membros da 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento da obrigação acessória - apresentação de declaração - fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Lançamento Procedente." Cientificada do acórdão de primeira instância conforme AR, à fl. 25, datado de 11/01/2008; a interessada apresentou, em 07/02/2008, o recurso de fls. 26/40, em que repisa praticamente as razões contidas na impugnação. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 46 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. É o Relatório. - 2 _ Processo n° 13884.001471/2007-63 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.144 Fl. 49 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMOR1M, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo, da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF. A recorrente não objeta o atraso na entrega da declaração, porém alega que a multa é inaplicável em face do disposto no art. 138 do CTN. O atraso na entrega da declaração foi confirmado pela própria recorrente e é obrigação acessória decorrente de legislação tributária, ou seja, daquele elenco de espécies normativas descritas no art. 96 do CTN. Consiste na prestação positiva (de fazer, ou seja, de entrega de declaração em tempo hábil) de interesse da fiscalização e o seu descumprimento gera penalidade para o sujeito passivo, desde que esteja previsto em lei e a penalidade imputada converte-se em obrigação principal. O lançamento teve fulcro nas seguintes disposições legais, citadas no referido auto: Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional -CTN), art. 113, § 3° e 160; Instrução Normativa (IN) SRF n° 73, de 1996, art. 4° c/c art. 2°; IN SRF n° 126, de 1998, arts. 2° e 6°, c/c Portaria MF n° 118, de 1984; Decreto-lei n° 2.124, de 1984, art. 5'; Medida Provisória n° 16- 01, convertida na Lei n° 10.426, de 2002. Embora a DCTF tenha sido entregue antes de qualquer procedimento fiscal, sua apresentação deu-se após o prazo estabelecido na legislação tributária, o que torna aplicável penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória. Concluindo, pois, a penalidade aplicada foi de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do C'TN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. O disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não obstante o argumento da recorrente de que entregou espontaneamente a sua DCTF. Dispõe, ainda, o § 2° do art. 113 do CTN, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. A Egrégia P Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n° 195161/G0 (98/0084905-0), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de Processo n° 13884.001471/2007-63 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.144 Fl. 50 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 - A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 - As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 - Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 - Recurso provido." São casos, também, dos acórdãos proferidos nos Recursos Especiais n° 208.097-PR, de 08/06/1999 (DJ de 01/07/1999) e 190.388-GO, de 03/12/1998, (DJ de 22/03/1999), cuja ementa transcreve-se: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do C7X (.) Recurso provido." Também há decisões do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido, a exemplo do Acórdão n.° 02-0.829, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 'DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento.'" O Acórdão CSRF/02-01.096 de 22/01/2002. DOU em 04.07.2003, dispõe: "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora de prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo atraso. Recurso de divergência provido — CSRF — Segunda Turma". 4 Processo n° 13884.001471/2007-63 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.144 Fl. 51 O Acórdão n° 102-43711, de 14/04/1999, também dispõe: "IRPF — MULTA — FALTA DE ENTREGA DA DIRF: Tratando- se de obrigação de fazer até determinada data e não sendo cumprida por parte da contribuinte, no momento do início da inadimplência ocorre o fato gerador da obrigação acessória, que pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em . obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ESPONTANEIDADE — INAPLICABILIDADE DO ART. 138 DO C7'N — A entrega da declaração é uma obrigação acessória a ser cumprida anualmente por todos aqueles que se encontrem dentro das condições de obrigatoriedade e, independe da iniciativa do sujeito ativo para seu implemento. A vincula ção da exigência da multa à necessidade de procedimento prévio da autoridade administrativa fere o artigo 150 inciso II da Constituição Federal na medida em que, para quem cumpre o prazo e entrega a declaração acessória não se exige intimação, enquanto para quem não a cumpre seria exigida. Se esta fosse a interpretação estaríamos dando tratamento desigual a contribuintes em situação equivalente. Recurso negado." Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso e procedência do lançamento para considerar devida a multa legalmente prevista para a entrega a destempo da DCTF, pois trata-se de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. Sala das Sessões, em 27 de março de 2009. )7-eltisQ -c__ 4.7-> O M RCIA H L NA T JANO D'AMORIM • -s -
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