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Numero do processo: 10680.002568/2001-04
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1994
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 4°, e 173).
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante nº 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional.
Recurso extraordinário conhecido e negado no mérito.
Numero da decisão: PLENO/00-00.081
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1)Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela ConselheiraSusy Gomes Hoffmann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Ivete malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1994 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante nº 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. Recurso extraordinário conhecido e negado no mérito.
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 4,,?-e-gra• PLENO Processo n° 10680.002568/2001-04 Recurso n° 107-129.580 Extraordinário Matéria PRAZO DECADENCIAL Acórdão n° 00-00.081 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida AUTOCAR S/A - VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1994 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante n2 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. Recurso extraordinário conhecido e negado no mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Processo rt° 10680.002568/2001-04 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.081 Fls. 3 Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Viníc'us Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela ConselheiraSusy Gomes Hoffinann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANT Pre dente CARLOS ALBERTO G7NnvEsES Redator Designado FORMALIZADO EM: 2 a JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Trata-se de Recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/01-04.582, de 10 de junho de 2003, de fls. 347/357, no qual, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, mantendo a decisão exarada no acórdão 107-06.669, de 19/06/2002, fls.274/283, que reconheceu a decadência do lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro, março, maio e novembro do ano calendário de 1994., para a CSLL, posto que a ciência do mesmo se deu em 30/03/2001. O acórdão está assim ementado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Ex. 1995 - Ano Calendário 1994 - Preliminar de decadência - A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei 8383/91, o 1RPJ e a CSLL sujeitam-se a lançamento por homologação. Assim sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar do fato gerador. Recurso negado. 2$y • Processo n° 10680.002568/2001-04 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.081 Fls. 4 Inconformado com o decidido o digno representante da Fazenda Nacional junto à Primeira turma apresenta recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 381/388). Entende que, ao concluir nesse sentido, o acórdão, diverge, frontalmente, com a interpretação que lhe deu a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que o prazo para Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente as contribuições é de dez anos, contados a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. Das razões recursais apresentadas pelo representante da Fazenda Nacional, depreende-se que a divergência pretendida encontrar-se-ia amparado no Acórdão n° CSRF/02- 01.655, apresentado como paradigma da matéria recorrida. O despacho CSRF n° 188/2007, fls. 4031407, dá seguimento ao recurso. A Interessada foi regularmente notificada e apresentou contra-razões em tempo hábil às fls.414/422 pugna pela manutenção do julgado recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora Entendo que o conhecimento deste recurso encontra-se prejudicado, ante a declaração de .inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8212/91, todavia, vencida nesta preliminar, passo a análise do mérito. Busca a i.Procuradoria da Fazenda Nacional rever decisão que reconheceu a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro, março, maio e novembro do ano calendário de 1994., para a CSLL, posto que a ciência do lançamento só se efetivou em 30/03/2001. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n°8.212/91. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n2 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: e, 051 3 • Processo n°10680.002568/2001-04 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.081 F. 5 Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; IW 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n°8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Nesta conformidade, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212/91, nego provimento ao recurso. Sala d. S ssões, em 15 de dezembro de 2008 I é ~111,0 I Vf EM PESSOA MONTEIRO ft .' Processo n°10680.002568/2001-04 CSRF/M0 Acórdão o.° 00-00.081 Eis 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vonculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 90 e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § l° O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argiiida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2°A cópia de publicação de ementa referida no § 2", quando extraída da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: 47 5 ." Processo n° 10680.002568/2001-04 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.081 Eis. 7 1 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. O A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7° Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar -enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. i 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte ,sç 3°: 4?"Artigo56. (.) 6 • Processo n° 10680.002568/2001-04 CSRFa00 Acórdão n.° 00-00.081 Fls. 8 ,sç 3 0 Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (NR) Art. 90 A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-11: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-13. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito a preliminar em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. Yfatitt*.i,cea CARLOS ALBERTO GONÇALVES IJNES 7 Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10665.000022/2003-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de
Contribuintes para o julgamento dos processos que tratam de
imposto sobre produtos industrializados-IPI, exceto IPI cujo
lançamento decorra de classificação de mercadorias e IPI nos
casos de importação.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 302-40.072
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AÇUCAREIRA RIO GRANDE Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG • ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes para o julgamento dos processos que tratam de imposto sobre produtos industrializados-IPI, exceto IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e IPI nos casos de importação. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do go da relatora. 01./C JUDITH DI Ai ARAL MARCONDES ARMANDO - Presidente M RCIA HEL NA TRAJANO 'AMORIM - Relatora CA,4-62 it-- C=62-1-zree\- YN--) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corinth° Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve present a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. Processo n° 10665.000022/2003-61 Acórdão 0. 0 302-40.072 CC03/CO2 Fls. 188 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integralmente da decisão recorrida, as fls.152/154, que transcrevo, a seguir: "0 presente processo originou-se do Auto de Inflytção de fls. 04/30, lavrado contra a interessada, em decorrência de saída de produtos seu estabelecimento com emissão de nota fiscal sem lançamento cio imposto por entender que seus produtos estariam sujeitos à aliquota zero, conforme Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal (fls. 07/09). No Auto de Infração se exigiu, no período compreendido entre 01/01/1998 e 31/12/1998, o seguinte montante: Imposto RS 1.135.826,56 Juros de Mora 'ca/cu/ad/os até 30/12/2002) R$ 940.238,48 Crédito Tributário RS 2.076.065,04 O lançamento foi formalizado sem constituição da multa de oficio por força c/a previsão legal contida no artigo 63 da Lei 11" 9.430, de 1996, conforme evidenciado pelo autuante ()VIA.. 07/09. Nas fls. 07, onde constam a Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal, a auditoria verificou que a empresa promoveu a saída de produtos classificadas na posição 1701.11.01, não efetuando o lançamento cio IPI devido. A fiscalização informa tcunbém que a empresa impetrou Mandado de Segurança n" 1998.38.00016080-2 e obteve liminar que lhe assegurou o direito de não recolher IPI em aliquota superior a zero nas saídas de aoicar. Os débitos não .foram declarados em DCTF, porém, o auditor esclareceu haver "extraído da DIPJ — Declaração c/c Informações- Económico-Fiscais da Pessoa Jurídica" os valores lançados, ressaltando a não apresentação pelo contribuinte, mesmo após intimação, do Livro Registro de Apuração do IPI A Delegacia Receita Federal ern Divinópolis/MG formulou consulta Procuradoria da Fazenda Nacional — D1JUD/PFN/MG, cuja resposta se encontra ás fis. 105/110 e que resumidamente concluiu, com base na análise das três ações judiciais inipetradas : - o MS 92.00.03348-2/MG, questionou "o pagamento do IPI incidente sobre a saída de açúcar de cana, pela aliquota de 18%, instituída pelo Decreto 420/92 de acordo coin a Lei 8.393/91... A Fazenda Nacional 2 Processo n° 10665.000022/2003-61 Acórd5o n. ° 302-40.072 recorreu da decisão ao TRF (93.01.11878-5)", que lhe fora desfavorável, " e em 16/05/1994 a remessa foi provida e denegada a segurança concedida." E os embargos apostos contra a cassação da segurança foram rejeitados à unanimidade. - na seqüência foram interpostos recurso extraordinário e recurso especial que restaram inadmitidos e, o juizo de inadmissibilidade foi agravado pela autora e receberam os seguintes números AG/RE 2002.01.00.024373-2 e AG/RESP 2002.01.0024379-4 no STJ; - a ação "declaratória de inexistência de relação jurídica com pedido de tutela antecipada, 95.00.21661-2/MG, distribuída por dependência ao MS anterior CM 18/09/1995," foi julgada procedente, sendo que "a Fazenda Nacional recorreu ao TRF 96.01.40597-6, em 19/08/1996, quando a turma deu provimento à apelação, à unanitnidade. Em 09/07/2002 ,foram opostos embargos de declaração", estes rejeitados. " Dois recursos, um extraordinário e outro especial, foram então interpostos e acham-se sujeitos ao juizo de admissibilidade, conclusos ao Vice-presidente do TRF" - o MS 1998.38.00.016080-2/AIG, "distribuído por dependência declaratória de inexistência de relação jurídica (a segunda ação).Este MS teve liminar concedida em 13/01/1999 e sentença proferida nos seguintes termos : 'Resolvo julgar procedente o pedido (..) autorizando as Impetrantes a não procederem ao recolhimento do tributo denominado IPI, COM aliquota superior ao previsto na Lei 7.798/89 (aliquota zero), declarando inconstitucional incidenter tannin, com repercussão iii easu et inter partes, os Decretos n" 2.092/96 e 2.501/98" (negrito original) - embora o juiz tenha entendido como M10 obrigatório o duplo grau de jurisdição, a Fazenda Nacional apelou da decisão, sendo que até a data da resposta a consulta o AMS n" 1999.01.00.048950 encontrava- se no gabinete do juiz Carlo Olavo. - " a suspensão da exigibilidade do crédito não deve impedir o fisco de constituir o crédito tributário; o auto c/c infração deve ser lavrado e o contribuinte comunicado quanto à suspensão de sua exigibilidade. Isto vale para o período abrangido pela decisão no MS 1998.38.00016080-2, ou seja parct os créditos constituídos com fundamento nos Decretos 2.092/96 e 2.501/98."; - " a fundamentação do sentença proferida no MS 1998.38.00016080-2 reconduz à declaração incidenter tannin, die inconstitucionalidade dos. Decretos 2.092/96 e 2.501/98. Ocorre que tais decretos .foram revogados, e a partir de 01.01/1999 .foram as aliquotas fixadas pelo Decreto 2.917, de 31/12/98, que não foi objeto c/c questionamento judicial pehts impetrantes." - "a sentença proferida no MS 1998.38.00016080-2 não tem o condão c/c suspender a exigibilidade dos créditos fitnclamentados no Decreto vigente a partir c/c 01.01.1999" Insurgiu-se a contribuinte contra a autuação através de sua impugnação (fls. 113/122), argumentando em resumo que : • CC03/CO2 Fls. 189 3 Processo n° 10665.000022/2003-61 Acórdão n.° 302-40.072 CC03/CO2 Fls. 190 - "o auto c/c infração deve ser declarado inexigível, tuna vez que a matéria, esta sendo discutida no Mandado de Segurança registrado sob o n" 1998.38.00.016080-2 (12" V.F. Belo Horizonte), em trfimite atualmente na 4" Turma do E. Tribunal Regional Federal da Primeira Região sob o n" 1999.03.00.048950-4..." - " a lavratura do presente Auto de Infra cão esbarra na ordem judicial emanada pelo I. Juiz , tuna vez que expressamente esta determinado que a linpugnante não poderia sofrer QUALQUER MEDIDA DE NATUREZA COATIVA, o que nao foi respeitado"; - "sempre informou em suas D.C.T.F.'s a suspensão da exigibilidade tributciria"; - "conto a propositura da ação judicial é anterior a realização cio auto (le infração, este não poderia ser lavrado, ainda mais com imposição de juro.s"; - a jurisprudência administrativa, trazida ao processo, corrobora seu entendimento expresso nas alegações constantes de stta impugnação, relativamente cst anulação do auto de infração e à não aplicação dos juros; - por força dos Decretos n':v 2.092, cie 1996; 2.501, de 1998 e 2.917, de 1998, ficou obrigada a pagar o IPI nas aliquotas de 18%, 12% e 5%, superiores ao estabelecido pela Lei n" 7.798, c/c 1989; - referidas a//quotas contrariam os artigos 5°c 145, o § 1" do inciso II cio artigo 150, o inciso I do artigo 151 e §3", inciso I do artigo 153, todos. c/a Constituição Federal, de 1988, bem conto o artigo 4" do Decreto-lei n" 1.199, de 1971; -foram ofendidos os princípios da isonomia e c/a uniformidade; - os decretos que majorarcun as aliquotas são inconstitucionais; - " seletividade do IPI não é uma fctcuhlade"; - "a exigência do IPI em relação a produto essencial conto o aoicar fere o art. 153, §3, I da Constituição Federal" Requer, in fine, o cancelamento do auto de it?fraçao, por ilegal ou sua improcedência. É o relatório." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA n 09-17.331, de 27/09/2007 (t1s. 151/160), proferida pelos membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA COM AP-0 JUDICIAL. 4 Processo n° 10665.000022/2003-61 AcórcHio n. ° 302-40.072 CC03/CO2 Fls. 191 A submissão de matéria ã tutela autônotna e superior do Poder Judiciório importa CM renúncia ou desistência a via administrativa, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. Lançamento Procedente. " A interessada apresenta recurso voluntário, repisando praticamente os mesmos argumentos anteriores, As fls. 163/176 e documentos As fls. 177/182. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 183, que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. o relatório. • 5 Processo n° 10665.000022/2003-61 Actirdzio n. 0 302-40.072 CC03/CO2 Rs. 192 Vo to Conselheira Mércia Helena Traj ano D'Amorim, Relatora Corno relatado, o auto de infração ern questão é decorrente de auditoria onde se verificou que a empresa promoveu a saída de produtos classificados na posição 1701.11.01, não efetuando o lançamento do IPI devido, bem como, impetrou Mandado de Segurança de n° 1998.38.00016080-2 e obteve liminar que lhe assegurou o direito de não recolher IPI em aliquota superior a zero nas saídas de açúcar. Antes de qualquer discussão, a despeito do mérito, é pertinente verificar a competência desta Câmara para apreciar a matéria litigiosa. A Competência para julgamento de Recursos Voluntários é decorrente do crédito alegado no Auto de Infração, assim definido pelo Regimento Interno do Conselho dos Contribuintes: "Art. 23. Incluem-se na competência dos Conselhos os recursos voluntários interpostos em processos administrativos de restituição, ressarcimento e compensação, bent como de reconhecimento de isenção ou imunidade tributária. § I"A competência pant ojulgamento de recurso voluntário em processo administrativo de apreciação de compensação é definida pelo crédito alegado." Esse mesmo regiment o, também define estritamente a competência do Terceiro Conselho: "Art. 22. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instãncia sobre a aplicação da legislação referente a: I - imposto sobre a importação e a exportação; II - imposto sobre produtos incht.s.trialiaulos nos casos de importação; III apreensão de inercadorias estrangeiras encontradas em situação irregular, prevista no art. 87 da Lei n."4.502, de 30 de novembro de 1964; IV - contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; V - classificação tarifária cle mercadoria estmngeira; 6 Processo n° 10665.000022/2003-61 AcOrd5o n.° 302-40.072 CC03/CO2 Hs. 193 VI isenção, redução e suspensão de impostos de importação e exportação; VII - vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de merccidoria; VIII - 0117iSSC70, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem C01110 falta de volume manifestado; IX - infragao relativa a fatura comercial e outros documentos tanto na na importação quanto na exportação; X- tránsito aduaneiro e demais regimes especiais e atípicos, salvo a hipótese prevista no inciso .XVII, do art. 105, do Decreto-lei n°3 7, de 18 de novembro de 1966; XI - remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos. XV e do art. 105, do Decreto-lei n°37, de 1966.; XII - valor aduaneiro; XIII - bagagem; XIV - imposto sobre propriedade territorial rural (ITR); XV - imposto sobre produtos industrialLados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias; XVI - contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocicd), quando sua exigéncia não esteja lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração dispositivos legais do imposto sobre a renda; XVII - contribuições de intervenção no dominio econômico; XVIII - contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins clevidas na importação de bens e serviços; XIX - direito antidumping ou compensatório; XX - exclusão e vedação de empresas optantes do Simples, exceto na hipótese de lançamento; e XXI - tributos, empréstimos compulsórios, contribuições e matéria correlata não incluidos na competéncia julgadora dos. demais Conselhos." Assim sendo, compete a este Conselho a apreciação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados se e quando tratar-se de sua incidência na zona primária, ou sej • • • Processo n° 10665.000022/2003-61 Acórddo n. ° 302-40.072 CC03/CO2 Fls. 194 quando estiver relacionado com a classificação fiscal de mercadorias, como exatamente explicitado no texto do Regimento. Logo, quando se tratar de imposição de penalidade e/ou exigibilidade do tributo por fatos ou atos ocorridos no mercado interno (zona secundária), a competência é do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, nos tennos do art. 21 do Regimento Interno: "Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação c/a legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - às Primeira, Segundo, Terceira e Quarta Ciimaras, os relativos a: imposto sobre produtos industrializados (IP1), inclusive adicionais e empréstimos compulsórias a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos c/c importa cão; Como se verifica do texto, a norma é inequívoca, estabelecendo a competência ao Segundo Conselho de Contribuintes para o julgamento dos processos que tratam cuja competência está estabelecida no art. 21 da referida Portaria. Desta forma, diante do exposto, voto no sentido de declinar da compe ência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 ac-c_z 4\2i)rzn M RCIA HELENA TR JANO D'AMORIM - Relatora • 8
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000273/2001-08
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tomou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros • o colegiado de otos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. I CARLOS „ REITAS BA r RETO — Presidente \!,4 JULIO CkSRI I • GOMES — Relator EDITADO EM: 18 SEI 2009 Processo n° 10620.000273/2001-08 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.023 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que deve prosperar o entendimento consubstanciado nos acórdãos paradigmas que reconhecem a aplicação do artigo 10, §4°, inciso I da instrução Normativa SRF n° 43/97. Também que em nenhuma das sucessivas instruções normativas que foram posteriormente editadas tal obrigação fora dispensada e nem mesmo após a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001 que acrescentou o parágrafo 70 no artigo 10 da Lei n° 9.393/66: Artigo 10 (.) §7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas li de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1° deste artigo não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto fjÇ correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o desciimprimento dé exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10620.000273/2001-08 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.023 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Verifico que foram atendidos os pressupostos para admissibilidade do recurso; portanto, passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, capuz', da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 11\ 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. sç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: 3 Processo n° 10620.000273/2001-08 CSFtF-T2 Acórdão n.° 9202-00.023 Fl. 4 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA T, e a distribuição das áreas, à situação existente em I° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAIVIA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n° 10620.000273/2001-08 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.023 Fl. 5 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do C'TN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150(.) § 6.° Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 5 i , Processo n° 10620.000273/2001-08 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.023 Fl. 6 IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o MAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. *** Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão 'o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nac ! .1 \ 1 lit ,ktil, Julio Ce. i .,'' a Gomes - Relator ,,,.. •, . . • • )1,.... * - .....,,:. 6 i
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000835/2002-61
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Devem constar da declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoa jurídica no ano-calendário correspondente ao do seu recebimento.
Na hipótese, o contribuinte não comprovou que os rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício auferidos de pessoa jurídica correspondem a ano-calendário diverso daquele considerado pela Fiscalização.
APOSENTADORIA COMPLEMENTAR.
Exclui-se da tributação do imposto sobre a renda o valor dos proventos de previdência complementar auferidos na proporção correspondente às contribuições feitas a esse título com recursos próprios na vigência da alínea b do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988, em relação ao total das contribuições feitas ao plano, desde a adesão até a data do início do benefício, tanto pelo participante do plano quanto pela patrocinadora.
Numero da decisão: 2101-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da tributação do imposto sobre a renda a parcela do valor dos proventos de aposentadoria complementar auferidos na porporção:
a) das contribuições feitas com recursos próprios, pelo participante, a esse título, no período de vigência da alínea b do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988 (1.º.1.1989 a 31.12.1995)
b) em relação às contribuições totais ao fundo (desde a adesão ao plano até a data do início do benefício), realizadas tanto pelo participante quanto pela patrocinadora.
(assinado digitalmente)
___________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
___________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Devem constar da declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoa jurídica no ano-calendário correspondente ao do seu recebimento. Na hipótese, o contribuinte não comprovou que os rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício auferidos de pessoa jurídica correspondem a ano-calendário diverso daquele considerado pela Fiscalização. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. Exclui-se da tributação do imposto sobre a renda o valor dos proventos de previdência complementar auferidos na proporção correspondente às contribuições feitas a esse título com recursos próprios na vigência da alínea b do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988, em relação ao total das contribuições feitas ao plano, desde a adesão até a data do início do benefício, tanto pelo participante do plano quanto pela patrocinadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da tributação do imposto sobre a renda a parcela do valor dos proventos de aposentadoria complementar auferidos na porporção: a) das contribuições feitas com recursos próprios, pelo participante, a esse título, no período de vigência da alínea b do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988 (1.º.1.1989 a 31.12.1995) b) em relação às contribuições totais ao fundo (desde a adesão ao plano até a data do início do benefício), realizadas tanto pelo participante quanto pela patrocinadora. (assinado digitalmente) ___________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Devem constar da declaração de ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoa jurídica no anocalendário correspondente ao do seu recebimento. Na hipótese, o contribuinte não comprovou que os rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício auferidos de pessoa jurídica correspondem a ano calendário diverso daquele considerado pela Fiscalização. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. Excluise da tributação do imposto sobre a renda o valor dos proventos de previdência complementar auferidos na proporção correspondente às contribuições feitas a esse título com recursos próprios na vigência da alínea “b” do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988, em relação ao total das contribuições feitas ao plano, desde a adesão até a data do início do benefício, tanto pelo participante do plano quanto pela patrocinadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da tributação do imposto sobre a renda a parcela do valor dos proventos de aposentadoria complementar auferidos na porporção: a) das contribuições feitas com recursos próprios, pelo participante, a esse título, no período de vigência da alínea “b” do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988 (1.º.1.1989 a 31.12.1995) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 08 35 /2 00 2- 61 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 b) em relação às contribuições totais ao fundo (desde a adesão ao plano até a data do início do benefício), realizadas tanto pelo participante quanto pela patrocinadora. (assinado digitalmente) ___________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CESAR PAULO DE MEDEIROS GUEDES, advogado, foi emitido o Auto de Infração de fls. 3 a 8, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) correspondente aos anoscalendário 1999 e 2000 (exercícios 2000 e 2001) nos valores de R$ 5.074,01 e R$ 6.546,30, respectivamente, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e de classificação indevida de rendimentos na DIRPF (complemento de aposentadoria previdência privada). Em 29 de junho de 2002, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 37 a 39), na qual argumenta, em síntese, que: a) o rendimento originário do Banco do Brasil, no valor de R$1.600,00, foi recebido em 2000 e oferecido à tributação naquele mesmo ano calendário; b) o rendimento originário da empresa Generalli do Brasil Cia. Nacional de Seguros, no valor de R$1.500,00, foi recebido e oferecido à tributação no anocalendário 2001; c) não procede a exigência de IRPF sobre 33,33% dos valores recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A PREVI, pois estes já teriam sido tributados, uma vez que se trata da parcela dos depósitos feita com recursos do funcionário. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis (SC) decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0710.414, de 10 de agosto de 2007, dispensado de ementa, nos termos da Portaria SRF n.º 1.364, de 10 de novembro de 2004. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.000835/200261 Acórdão n.º 2101002.060 S2C1T1 Fl. 3 3 Cientificado da Decisão em 19.9.2007, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16.10.2007 (fls. 70 a 92), no qual reitera as razões de impugnação e pede, ao final, a retificação de lançamento para os valores originais das Declarações de Ajuste dos anos calendário de 1999 e 2000. Os autos foram então encaminhados a este CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 29 de setembro de 2011, esta 1.ª Turma da 1.ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio da Resolução n.º 2101000.033, resolveu converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, a fim de esclarecer questões concernentes às razões suscitadas pelo recorrente, ante a decisão proferida pelo STJ no REsp 1001779/DF, de 25/11/2009 (Diário da Justiça Eletrônico de 18.12.2009), submetida ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil. Concluída a diligência, foi dada ciência ao interessado do Relatório de Diligência Fiscal emitido pela Safis da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba (PR), sendolhe concedido prazo de trinta dias para manifestação sobre seu conteúdo. Não tendo havido manifestação do recorrente, os autos foram encaminhados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. No lançamento constante deste processo foi apurada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos do Banco do Brasil, no anocalendário 1999, no valor de R$ 1.600,00 e de Generali do Brasil Companhia de Seguros, no anocalendário 2000, no montante de R$ 1.500,00. Além disso, a Fiscalização apurou classificação indevida de rendimentos recebidos a título de complemento de previdência privada, da PREVI, nos montantes de R$ 21.874,10 em 1999 e R$ 22.632,00 em 2000. No curso da ação fiscal, o contribuinte alegou (i) que os rendimentos decorrentes do trabalho não assalariado, informados em 1999 pelo Banco do Brasil e em 2000 pela Generali do Brasil Cia. de Seguros, foram recebidos e declarados nos anos calendários subsequentes (2000 e 2001); e (ii) que a parcela dos rendimentos recebidos da Caixa de Previdência do Banco do Brasil, nos anos calendários 1999 e 2000, referemse a rendimentos isentos por força do disposto no art. 6º, inciso VII, alínea “b”, da Lei 7.713, de 1988, tratando se de resgate de valores pagos anteriormente pelo contribuinte à PREVI. Os argumentos, não acolhidos pela Fiscalização, foram repisados em sede de impugnação. No entanto, mais uma vez, o interessado não logrou êxito e o órgão a quo julgou o lançamento procedente, conduzido pelo voto do relator, que assim o fundamentou: “O interessado argumenta que os rendimentos de R$1.600,00 e de R$1.500,00 lançados no auto de infração, respectivamente, nos anoscalendário 1999 e 2000 corresponderiam aos anos Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 calendário seguintes, nos quais teriam sido oferecidos à tributação. Como prova acostou aos autos as Declarações de Ajuste Anual de fls. 24 e 25, relativas aos anoscalendário 2001 e 2002. A pretensão do interessado não pode ser acolhida, pois não foram apresentadas provas de que tais rendimentos tenham sido recebidos como alegado. Notese que as Declarações de Ajuste Anual não constituem prova dos recebimentos, elas apenas registram informações prestadas pelo contribuinte, sujeitas a comprovação documental. Portanto, deveriam ter sido apresentados os documentos que dão suporte às informações declaradas, como contracheques ou informes de rendimentos. Por outro lado, o lançamento está embasado em informações prestadas pelas fontes pagadoras por meio das DIRF de fls. 16 e 20. Nessas condições, deve ser mantido o lançamento na parte que trata dos valores mencionados acima. Quanto à omissão de rendimentos recebidos a título de complementação de aposentadoria, nenhum reparo deve ser feito ao lançamento, pois o interessado equivocase ao se apoiar em legislação já revogada.” Em sua peça recursal, o contribuinte volta a sustentar que: (i) o rendimento recebido do Banco Brasil, no valor de R$ 1.600,00, corresponde ao calendário 2000, conforme lançamento efetuado e tributado no exercício competente; (ii) o rendimento originário da empresa Generalli do Brasil Cia. Nacional de Seguros, no valor de R$ 1.500,00, foi recebido e oferecido à tributação no anocalendário 2001; (iii) 33,33% dos valores recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A PREVI não sofrem incidência do IRPF, pois já foram tributados, uma vez que se trata da parcela dos depósitos feita com recursos do funcionário. Portanto, com base no art. 6°, VII, "b", da Lei n° 7.713, de 1988, apenas 2/3 dos rendimentos são tributáveis. No tocante aos itens (i) e (ii), constatamos que o rendimento de R$ 1.600,00, em nome do Recorrente, consta da DIRF – Declaração de Imposto de Renda na Fonte, correspondente ao anocalendário 1999, apresentada pelo Banco do Brasil (fls. 16). O mês do pagamento é abril de 1999, e foi feita retenção na fonte de R$ 105,00. O rendimento de R$ 1.500,00 consta da DIRF – Declaração de Imposto de Renda na Fonte apresentada por Generali do Brasil – Cia Nacional de Seguros e corresponde ao anocalendário de 2000 (fls. 20). O mês do pagamento é janeiro de 2000, e foi feita retenção na fonte de R$ 90,00. Ficou, portanto, comprovado nos autos, por meio das DIRF correspondentes, que os rendimentos foram auferidos tal como computados pela Fiscalização. Por outro lado, o contribuinte não comprovou a alegação que os rendimentos de R$ 1.600,00, do Banco do Brasil, e de R$ 1.500,00, da Generalli do Brasil foram auferidos em anoscalendários distintos daqueles informados nas respectivas DIRF. Juntou aos autos suas declarações de ajuste anual dos anoscalendários 2000 e 2001, nas quais informou ter auferido rendimentos dessas fontes pagadoras (vide fls. 24 e 25). No entanto, suas declarações de ajuste Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.000835/200261 Acórdão n.º 2101002.060 S2C1T1 Fl. 4 5 anual não se prestam a fazer a prova desejada, eis que simplesmente registram as informações prestadas pelo próprio contribuinte, e não estão acompanhadas de documentação que as embase. Com fundamento no artigo 6.º, VII, “b”, da Lei n.º 7.713, de 1988, o Recorrente argumenta que, por ter participado com 1/3 de recursos próprios para as contribuições para a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A – PREVI, os rendimentos de aposentadoria delas decorrentes seriam isentos do imposto sobre a renda. Como conseqüência, apenas 2/3 dos referidos rendimentos seriam tributáveis. Vejamos. O artigo 6.º, VII, “b”, da Lei n.º 7.713, de 1988 assim previa: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: [...] b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; [...] A Lei n.º 9.250, de 1995, revogou tacitamente o dispositivo, ao determinar a tributação de todos os valores que fossem auferidos pelos contribuintes a título de complementação de aposentadoria, nos seguintes termos: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Desde então, muito se discutiu sobre a incidência do artigo 33 da Lei n.º 9.250, de 1995, para as contribuições à previdência privada feitas anteriormente à sua vigência, até que, em 2009, o STJ decidiu a questão, no REsp 1001779/DF, de 25/11/2009 (Diário da Justiça Eletrônico de 18.12.2009), por meio do Acórdão cuja ementa a seguir transcrevese, submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO RESCISÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APLICAÇÃO DAS LEIS 7.713/88 E 9.250/96. SÚMULA 343/STF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACÍFICA NOS TRIBUNAIS À ÉPOCA DA PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RESCINDENDO (ANO DE 2003). DIREITO À RESTITUIÇÃO DECORRENTE DE LESÃO CONSISTENTE NA INOBSERVÂNCIA DA PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM. 1.[...]. 4. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 In casu, por ocasião da prolação da decisão rescindenda, vale dizer, no ano de 2003, a jurisprudência remansosa desta Corte Superior perfilhava o entendimento de que as contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88 para a formação do fundo de aposentadoria, cujo ônus fosse exclusivamente do participante, estariam isentas da incidência do imposto de renda, porquanto já teriam sido tributadas na fonte, quando da realização das mencionadas contribuições (Informativos de Jurisprudência nº 150, de 07 a 11 de outubro de 2002, e nº 174, de 26 a 30 de maio de 2003). 5. A jurisprudência desta Corte consolidouse no sentido de que, quer se trate da percepção de benefícios decorrentes de aposentadoria complementar, quer se trate de resgate de contribuições quando do desligamento do associado do plano de previdência privada, devese perquirir sob qual regime estavam sujeitas as contribuições efetuadas. 6. Portanto, tendo as contribuições sido recolhidas sob o regime da Lei 7.713/88 (janeiro de 1989 a dezembro de 1995), com a incidência do imposto no momento do recolhimento, os benefícios e resgates daí decorrentes não serão novamente tributados, sob pena de violação à regra proibitiva do bis in idem. Por outro lado, caso o recolhimento tenha se dado na vigência da Lei n.º 9.250/95 (a partir de 1.º de janeiro de 1996), sobre os resgates e benefícios referentes a essas contribuições incidirá o imposto. 7. Destarte, revelase inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, "b", da Lei 7.713/88, afigurandose evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 879.580/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 13/05/2009, DJe 25/05/2009; EREsp 946.771/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; EREsp 911.891/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; AgRg nos EREsp 908.227/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 14.11.2007, DJ 03.12.2007; e REsp 772.233/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 01.03.2007, DJ 12.04.2007). 8. Recurso especial provido, para determinar o retorno dos autos à instância ordinária para que o Tribunal de origem se pronuncie a respeito do mérito da ação rescisória, uma vez ultrapassado o óbice da Súmula 343/STF. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Sendo assim, com base no posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, externado na decisão acima, proferida na sistemática do artigo 543C do CPC, que vincula este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos do artigo 62A, caput, do seu Regimento Interno (Portaria MF n.º 586, de 2010), impõese a reforma da decisão a quo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.000835/200261 Acórdão n.º 2101002.060 S2C1T1 Fl. 5 7 O Recorrente alega ter contribuído à razão de 1/3 com recursos próprios, para o fundo de previdência complementar da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A – PREVI, do qual aufere, agora, proventos de aposentadoria. Por esse motivo, sustenta que 1/3 dos rendimentos auferidos a esse título não seriam tributáveis pelo imposto sobre a renda, devido ao fato de já terem sido tributados na fonte. Conforme informado pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba (PR), com base nas informações prestadas pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – PREVI, o contribuinte aderiu plano de aposentadoria em 28 de março de 1967 e aposentouse em 4.12.1991. O período de contribuição ao plano de previdência da Previ, ainda segundo informação prestada, iniciouse em 15.4.1967. Consta ainda que o recorrente contribuiu para a previdência privada daquela instituição, com recursos próprios, no período de janeiro de 1989 até dezembro de 1995, conforme quadros elaborados em sede de diligência fiscal, pela Safis da DRF em Joaçaba (PR). O regime do artigo 6.º, VII, “b”, da Lei n.º 7.713, de 1988, vigorou de 1.º de janeiro de 1989 até 31 de dezembro de 1995, quando foi então revogado e substituído pelo regime implementado pela Lei n.º 9.250, de 1995. Desse modo, nos termos da decisão proferida no REsp 1001779/DF, de 25/11/2009, o contribuinte adquiriu o direito à isenção de parte dos proventos auferidos a título de previdência complementar, na exata proporção do montante representativo do percentual das contribuições feitas com recursos próprios, na vigência daquele dispositivo, ante o total das contribuições ao plano de previdência complementar feitas durante todo o período de contribuição, consideradas tanto as contribuições com recursos próprios quanto as contribuições feitas pela patrocinadora. Sendo assim o percentual dos rendimentos isentos do imposto sobre a renda é o percentual representativo do somatório dos valores das contribuições feitas com recursos próprios no período de 1/1989 a 12/1995, frente ao total das contribuições feitas pelo interessado para o plano de previdência complementar, no qual se incluem as contribuições com recursos próprios e as contribuições feitas pela patrocinadora, durante todo o período de contribuição ao plano de previdência complementar, desde a adesão do participante ao plano até a data de início da fruição do benefício. Vejamos. X = percentual dos proventos de aposentadoria complementar isentos do imposto sobre a renda Y = somatório das contribuições para o plano de previdência complementar feitas pelo participante, com recursos próprios, na vigência do artigo 6.º, VII, “b”, da Lei n.º 7.713, de 1988; Z = somatório de todas as contribuições, feitas ao plano, desde a adesão até a data do início da fruição do benefício, realizadas tanto pelo participante quanto pela patrocinadora X = (Y / Z) x 100 O percentual assim calculado deve ser aplicado aos valores dos proventos de aposentadoria complementar auferidos em cada um dos anoscalendários em análise neste Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 processo. Os montantes que resultarem desse cálculo serão isentos do imposto sobre a renda, de acordo com a decisão no REsp 1001779/DF, de 25/11/2009, que, como visto, por ter sido proferida nos moldes do artigo 543C do CPC, vincula este Conselho, nos termos do artigo 62 A, caput, do seu Regimento Interno. Ressaltamos, por pertinente, que, para o fim de promover a adequada apuração do percentual a ser aplicado aos proventos auferidos a título de previdência complementar, para determinar o montante isento, conforme a citada decisão do STJ, é necessário que todos os valores de contribuições sejam convertidos para uma mesma unidade monetária, em uma mesma data de referência. Conclusão Isto posto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, para, de acordo com a decisão proferida no REsp 1001779/DF, de 25/11/2009, na sistemática do artigo 543C do CPC, por força do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, excluir da tributação do imposto sobre a renda o valor dos proventos de previdência complementar auferidos na proporção: a) das contribuições feitas com recursos próprios, pelo participante, a esse título, no período de vigência da alínea “b” do inciso VII do artigo 6.º da Lei n.º 7.713, de 1988 (1.º.1.1989 a 31.12.1995) b) em relação às contribuições totais ao fundo (desde a adesão ao plano até a data do início do benefício), realizadas tanto pelo participante quanto pela patrocinadora (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10530.720161/2006-82
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO DECLARADO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do direito do Fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator) que entende que esse prazo é de 5 anos contados da entrega da DIPJ. No mérito, por unanimidade de votos, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 282.371,47 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva dos Santos Lima - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARLOS PELA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720161/200682 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402000.787 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria Reconhecimento de Direito Creditorio IRPJ Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA. Recorrida 2ª Turma da DRJ/SDR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO DECLARADO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 61 /2 00 6- 82 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do direito do Fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator) que entende que esse prazo é de 5 anos contados da entrega da DIPJ. No mérito, por unanimidade de votos, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 282.371,47 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação n° 35075.12246.300104.1.3.024765, enviada em 30/01/2004, para compensação de débitos próprios de IRPJ do 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 1.711.767,49, com créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, exercício de 2000, correspondente a R$ 12.528.191,02. Conforme despacho decisório às fls. 135 a 141 (Despacho Decisório DRF/FSA n° 1.461), a DRF de Feira de Santana não confirmou o crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 1999, exercício de 2000, e indeferiu integralmente a pretensão da contribuinte, determinando a cobrança do débito que teria sido indevidamente compensado. Em face desta decisão a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 145/153) para retificação de erros materiais cometidos pela DRF/FSA na apreciação do pedido de compensação, na qual comprovava as despesas de juros sobre capital próprio e as estimativas pagas ou compensadas que validavam os créditos de saldo negativo de IRPJ apontados na PER/DCOMP. Apreciada a referida Manifestação de Inconformidade, a DRF/FSA proferiu novo despacho decisório às fls. 265/300 (Despacho Decisório DRF/FSA n°. 021, de 09/01/2007), homologando a compensação pleiteada pela empresa, porém, retificando os valores do saldo negativo de IRPJ da contribuinte, de R$ 12.528.191,02 para R$ 5.722.692,76. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4 3 Depois de notificado a contribuinte da referida homologação, o processo retornou à DRF/FSA para complementação do Despacho Decisório DRF/FSA n° 021, por ausência de manifestação daquele órgão sobre a PER/DCOMP Retificadora n° 1403824028.220906.1.7.026884 apresentada pela contribuinte. Assim, foi proferida nova decisão às fls. 383/384 (Despacho Decisório DRF/FSA n° 1.594, de 19/08/2008), alterando o Despacho Decisório DRF/FSA n° 021, para admitir a PER/DCOMP Retificadora e ratificar a homologação já anteriormente autorizada pela Autoridade Administrativa. Inconformada com a retificação de valores do seu saldo negativo de IRPJ, a Recorrente apresentou nova manifestação de inconformidade, sendo esta, indeferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por suposta ausência de comprovação do crédito informado na DIPJ (Acórdão 1517.529 fls. 389/393). Em vista do exposto, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que o reconhecimento de apenas R$ 5.722.692,76 do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, na monta de R$ 12.528.191,02, decorre da espúria retificação do saldo negativo de IRPJ, próprio e de empresa incorporada, relativo ao ano calendário de 1998, perpetrada pela própria DRF/FSA quando da análise do presente pedido de restituição/compensação. Ademais, alega que o r. acórdão deve ser reformado, pois, além de padecer de total nulidade por retificar valor de saldo negativo de IRPJ já definitivamente homologado, seria inequívoco o direito creditório da Recorrente. É o Relatório. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Da preliminar Consoante acórdão recorrido, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, na monta de R$ 12.528.191,02, não foi integralmente reconhecido pela impossibilidade de se "validar" as compensações dos débitos de estimativa do período de março e setembro de 1999, com créditos do contribuinte de saldo negativo de IRPJ próprio e de empresa incorporada, relativos ao anocalendário de 1998. Em contrapartida, alega a recorrente que todos os pagamentos e compensações realizadas a titulo de estimativa de IRPJ do anocalendário 1999 foram integralmente validados, bem como o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 que se encontra homologado tacitamente pela decadência. Ou seja, seria espúria a retificação perpetrada pelo Fisco relativamente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1998 da própria Recorrente e de empresa por ela incorporada (Pirelli Componentes Industriais Ltda.). Continua a recorrente afirmando que as DIPJ's relativas ao anocalendário de 1998, tanto da própria Recorrente (fls. 66), como da empresa por ela incorporada (fls. 205), foram regularmente transmitidas/entregues. Ainda assim, em contrapartida, a DIPJ do período mais próximo que a decisão recorrida pretende retificar é de mais de sete anos da data do primeiro despacho decisório (fls. 135 19/09/2006), estando, portanto, homologados todos os valores constantes daquelas declarações. Merece razão a contribuinte. A discussão preliminar dos autos é conhecida e se resume em saber se, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). Sobre o tema já me manifestei algumas vezes nesta Colenda Câmara. O primeiro ponto a ser considerado é o de que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo fiscal ou saldo negativo é apurado. Devese considerar ainda, que a redução no futuro do saldo de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL referente a períodos passados e alcançados pela decadência não pode ser admitida, já que se equipara a lançar valores naquele período. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 6 5 A esse respeito, converge a jurisprudência deste Conselho. Vejamos algumas decisões: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 7 6 orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 8 7 A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 10806.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 9 8 Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Que fique claro que, em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco não poderá refletir na composição das bases em anoscalendários anteriores já atingidos pela decadência. Com todo respeito às opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo ou do prejuízo fiscal e não com a sua apuração. Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela homologação tácita. A esse propósito, é necessário fazer constar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 10 9 da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. É exatamente o caso dos autos. A fiscalização deixou de homologar o crédito pleiteado pela recorrente (Saldo de prejuízo fiscal do anocalendário 1999), não foi integralmente reconhecido pela impossibilidade de se "validar" as compensações dos débitos de estimativa do período de março e setembro de 1999, com créditos do contribuinte de saldo negativo de IRPJ próprio e de empresa incorporada, relativos ao anocalendário de 1998, já alcançados pela decadência. Uma vez que tais créditos não podem ser questionados face à homologação tácita e decadência, há de ser confirmada a totalidade do crédito pleiteado pela recorrente, com a consequente homologação das compensações efetuadas. Do mérito Passo a analisar o mérito, considerando a hipótese de a maioria dos presentes superar a preliminar argüida pela Recorrente. Em suma, a Recorrente questiona o valor do crédito referente ao saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ/2000, ano calendário de 1999, porquanto embora homologada totalmente a compensação dos débitos com parte do saldo negativo de IRPJ (crédito) do exercício de 2000, ano calendário de 1999, objeto do Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, à fl. 02, o total do saldo negativo indicado na DIPJ/2000 foi reduzido de R$12.528.191,02 para R$5.722.692,76. A autoridade administrativa procedeu à análise dos saldos negativos dos anos calendário de 1998 e 1999 apurados nas DIPJ da Impugnante e bem assim o saldo negativo do ano de 1998 da incorporada Pirelli Component Industriais Ltda, em razão de ter a Recorrente realizado compensação de estimativa devida, relativa a março/1999, com o próprio saldo negativo do ano calendário de 1998 e ter compensado a estimativa de setembro/1999 com o saldo negativo do ano calendário de 1998, apurado na incorporada Pirelli Componentes Industriais, CNPJ 56.919.905/000114. Nesse passo, vale repisar as considerações tecidas pela decisão recorrida: Em relação ao exame da DIPJ/1999 da incorporada Pirelli Componentes Industriais, o sujeito passivo alega que o IRRF considerado pela autoridade administrativa no ano de 1998, na quantia de R$6.824.958,33, estaria incorreto visto que, somados todos os valores dos informes de rendimentos dos responsáveis pelas retenções no ano de 1998, foi recolhida a importância de R$9.194.620,82, ou seja, R$2.369.662,49 a mais do que o valor indicado no levantamento da DRF em Feira de SantanaBa, conforme documentos as fls. 293 a 300 (Demonstrativo do Imposto de Renda Aplicações por Banco 1999, totalizando a quantia de R$ Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 11 10 9.194.626,94, fl. 293; Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte do anobase 1998 do Banco CCF Brasil S/A, fl. 294; MERCANTIL FINASA, fl. 295; BANCO SUDAMERIS S/A, fl. 296; CITIBANK, fls. 297/298; BANCO PACTUAL, fl.299; e UNIBANCO, fl. 300), além de cópia da DIPJ/99 as fls. 301 a 309. ... A diferença questionada do IRRF, na quantia de R$2.369.662,50, que teria sido realizada pelo CITIBANK, indicada pela contribuinte no demonstrativo à fl. 293 e juntado o comprovante de rendimentos as fls. 297/298, não consta do sistema IRF/CONSULTA (fls. 263/264) e a contribuinte não demonstra que ofereceu à tributação as receitas correspondentes. Ademais, a receita financeira declarada na DIPJ/99 foi de R$35.786.443,29 (fl. 387), e o valor registrado de receita financeira no sistema IRF/CONSULTA é de R$37.289.150,69 (fls. 263/264). ... Dessa forma, ratifico o despacho decisório que reconheceu o crédito (saldo negativo do IRPJ) no ano calendário de 1998, exercício de 1999, de R$820.624,28. Em relação ao exercício de apuração do saldo negativo da Impugnante (Pirelli Pneus S/A), exercício de 1999, ano calendário de 1998, a autoridade administrativa confirmou os pagamentos dos valores relativos As estimativas mensais de IRPJ informados na DIPJ/1999, no valor de R$9.057.384,00 (vinculados em DCTF), mais a quantia de R$1.281.305,52, de pagamentos alocados no contacorrente referentes a débito apurados na DIPJ e não declarados em DCTF, no total de R$10.338.689,52. Foram confirmadas, também, as estimativas compensadas, objeto dos processos de tic's 10805.002479/9795 e 10805.003204/9813, na quantia de R$593.379,00. Quanto ao IRRF, foi comprovado o montante de R$1.561.296,07, correspondente A soma dos valores informados em DIRF, deduzido da parcela cuja receita não fora contabilizada na Demonstração do Resultado da DIPJ/1999, resultando ao final do período um saldo negativo de IRPJ, de R$630.188,65, valor esse compensado na DCTF dol° trimestre de 1999, conforme se demonstra: (...). A contribuinte alega que a conclusão da autoridade administrativa relativa ao IRRF, na quantia de R$1.561.296,07, está incorreta, visto que a soma dos informes de rendimentos dos responsáveis pelas retenções no ano calendário de 1998 teria sido de R$2.064.056,86, ou seja, R$502.760,79 a mais o que o valor indicado no levantamento da DRF Feira de Santana, conforme os seguintes documentos anexos às fls. 311 a 352: Demonstrativo do Imposto de Renda Aplicações por Banco 1998, totalizando a quantia de R$2.064.057,25, fl. 311; Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte do anobase 1998 do Banco Bradesco S/A, fls. 312, 313 e 314; CGF BRASIL, fl. 315 a 317; CRT/BANCO ITAU, fl. 318; BANCO SAFRA, fl. 319; SANTANDER, fls. 320 a 322; MERCANTIL FINASA, fl. 323 e 324; CITIBANK, fl. 325; ITAU BANKERS TRUST, fl. 326; UNIBANCO, fls. 327 e 328. As diferenças das retenções questionadas pelo sujeito passivo, que teriam sido realizadas pelo CRT/BANCO ITAU e CITIBANK (fl. 311), indicadas no demonstrativo A fl. 311, nas quantias de R$565.256,79 e R$268,98, cujos comprovantes de rendimentos foram anexados As fls.318 e 325, não constam do IRF/CONSULTA (fls. 111 a 114), além de a contribuinte não provar que ofereceu à tributação as receitas correspondentes. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 12 11 Quanto às estimativas compensadas, alega a contribuinte que a diferença entre a quantia informada na DIPJ/1999, de R$3.490.957,06, e o valor reconhecido, de R$593.379,00, decorre do fato de a Impugnante, por mero erro operacional, não ter informado nas DCTF relativas aos 1 0, 2°, 3° e 4° trimestres de 1998, compensações com saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 1995, totalizando R$2.795.023,98, tendo já retificado as referidas declarações corrigindo o equivoco. A contribuinte alega ter efetuado as retificações, sem trazer qualquer elemento ao processo que comprovasse suas alegações. Por outro lado, as retificações de DCTF do ano de 1998 não poderiam mais ser realizadas devido ao lapso de tempo. Além disso, seria imprescindível a comprovação do saldo negativo do ano de 1995 que a contribuinte diz ter utilizado para compensar estimativas devidas do ano de 1998. Dessa forma, em relação ao saldo negativo da Impugnante (Pirelli Pneus), exercício de 1999, anocalendário de 1998, ratifico o despacho decisório quanto à comprovação dos pagamentos dos débitos referentes às estimativas mensais do IRPJ dos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho e setembro de 1998, informados na DIPJ/1999 e em DCTF, na quantia de R$9.057.384,00, além das compensações confirmadas no valor de R$593.379,00 relativas aos meses de outubro e novembro de 1998 e dos pagamentos confirmados via conta corrente DIPJ, no montante de R$1.281.305,52. Quanto ao IRRF, fica mantida a quantia de R$1.561.296,07, resultando crédito de IRPJ, ao final do período, de R$630.188,65, valor esse compensado na DCTF do 1° trimestre de 1999. No exercício de 2000, anocalendário de 1999, a autoridade confirmou os pagamentos dos valores relativos As estimativas mensais de IRPJ informados na DIPJ/2000, na quantia de R$21.407.782,73, pagamentos vinculados em DCTF do ano calendário de 1999 e, ainda, as compensações realizadas via DCTF, no total de R$1.697.310,25. Em relação ao IRRF, o montante de R$6.327.698,04, correspondente à soma dos valores informados em DIRF, foi comprovado, resultando ao final um crédito de R$5.722.692,76, do qual foi compensada na DCTF do 3° trimestre de 2000, a parcela de R$870.725,60, restando saldo de R$4.851.967,16, conforme se demonstra: (...). A contribuinte alega que o valor apurado em relação ao IRRF não está correto, uma vez que a soma de todos os valores constantes dos informes de rendimentos emitidos pelos responsáveis pelas retenções no ano de 1999 foi de R$6.610.069,51, ou seja, R$ 282.371,47 a mais do que o levantamento realizado pela DRF em Feira de SantanaBa. A diferença estaria em três informes de rendimentos, nos valores de R$138.768,38, R$73.385,72 e R$70.217,80, referentes aos meses de novembro e dezembro de 1999, em nome da empresa Pirelli Componentes Industriais Ltda, incorporada pela Impugnante em 29/10/1999. A diferença questionada, de R$282.371,47 (fl. 226), decorrente de retenções em nome da incorporada, Pirelli Componentes Industriais, nos períodos de novembro e dezembro de 1999, após a data da incorporação, visto que a incorporação ocorreu em outubro de 1999, poderia ser aceita desde que comprovado que as receitas tivessem sido oferecidas à tributação. No entanto, os recolhimentos efetuados pelo Banco Sudameris Brasil (R$138.768,38, fl. 232), Citibank (R$73.385,72, fl. 235) e União de Bancos Brasileiros (R$70.217,86, fl. 238), conforme comprovantes de rendimentos, no total de R$282.371,96, não podem ser aceitos em razão do sujeito passivo não Fl. 461DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 13 12 comprovar ter oferecido à tributação os rendimentos em aplicações financeiras correspondentes ao IRRF retido. Dessa forma, ratifico o despacho decisório que reconheceu o crédito (saldo negativo do IRPJ), no ano calendário de 1999, exercício de 2000. Superada a preliminar de decadência, verificase, assim, que, no mérito, não merece parcial reforma a decisão recorrida. O valor apurado em relação ao IRRF não está correto, uma vez que a soma de todos os valores constantes dos informes de rendimentos emitidos pelos responsáveis pelas retenções no ano de 1999 foi de R$6.610.069,51, ou seja, R$ 282.371,47 a mais do que o levantamento realizado pela DRF em Feira de SantanaBa. A diferença de fato está confirmada em três informes de rendimentos, nos valores de R$138.768,38, R$73.385,72 e R$70.217,80, referentes aos meses de novembro e dezembro de 1999, em nome da empresa Pirelli Componentes Industriais Ltda, incorporada pela Impugnante em 29/10/1999. Destarte, exceto quanto aos valores de IRRF retidos e mencionados no item anterior, configurase a inexistência de prova inequívoca que implique descaracterizar os efeitos do despacho decisório, circunstância que prejudica a formação de convicção acerca da certeza e liquidez da parcela do crédito glosado pela autoridade administrativa. Posto isso, voto preliminarmente, por dar provimento ao recurso voluntário tendo em vista a impossibilidade de o Fisco efetuar ajustes em períodos já alcançados pela decadência e, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 282.371,47 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Designado para redigir o voto vencedor quanto a preliminar de decadência (preclusão), passo a discorrer sobre os fundamentos que acarretaram sua rejeição. DECADÊNCIA (PRECLUSÃO) DA POSSIBILIDADE DE AUDITORIA DOS ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA O ilustre relator entende que o fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito creditorio, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos.. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2006 o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no anocalendário 2000, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN conforme acima grifado. O “prazo de preclusão” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado a partir da data dos registros contábeis. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 15 14 O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frisese, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador.” A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSoft em junho de 2011. Para o Dr. Greco, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal. "Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável", diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas não existe direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador." Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. "O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. "Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si." Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. "As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas." Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. Vejamos, na prática, algumas situações abusivas que podem decorrer do entendimento defendido pelo nobre recorrente (contribuintes optantes pelo lucro real anual): i) No ano de 1998, determinado contribuinte adquire um bem não depreciável, composto por várias partes e peças, pelo valor total de $100, mas contabiliza no ativo por $200; nos anos seguintes permanece pelo mesmo valor em seus livros contábeis e Fl. 464DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 16 15 balanços. No ano 2007, vende esse bem por $180 e não apura ganho de capital. Sofre auditoria em 2010 e o Fisco solicita a comprovação do custo contabilizado, ele não apresenta notas fiscais de aquisição sequer das peças efetivamente compradas, alegando que o ano de 2001 já estava decaído, logo, ocorreu a preclusão do Fisco de verificar tais custos. É isso mesmo? O tempo pode homologar o que nunca existiu, e permitir que produza efeitos futuros, impedindo a constituição do crédito tributário devido ? Estou certo de que a resposta é não. ii) No ano de 1999 o contribuinte realiza a construção de uma planta industrial com vida útil de 20 anos e contabiliza regularmente os custos. No ano de 2001 inicia a depreciação a 5% ao ano. É Fiscalizado em 2008 e apresenta apenas parte dos custos da construção realizada. Então? o Fisco não poderia glosar o excesso os encargos de depreciação de 2003 a 2007? Evidente que sim, pois esses encargos submetemse ao regime de competência e o contribuinte deve fazer prova da efetividade dos mesmos o que só é possível mantendo em boa guarda os comprovantes dos custos e despesas incorridos. iii) No ano de 2000 o contribuinte adquire um imóvel por $1000. Contabiliza a aquisição por $12.000, utilizando para tanto um documento fraudado. Realiza uma incorporação em 2001, acrescentando diversos custos inexistentes. Vende esse imóvel, já fracionado, nos ano de 2001 e 2002, apurando um pequeno ganho em 2002 que é declarado e o tributo recolhido. É fiscalizado em 2008 (anocalendário 2002). De plano alega que o ano 2002 já está decaído, afinal passaramse mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, com receio de o Fisco apurar a verdade dos fatos, apresenta o aludido documento de aquisição. O Fisco efetua diligências e apura todas as fraudes tributárias. Em relação à 3a. situação hipotética acima (“iii”), cabe questionar: qual o amparo legal para o Fisco realizar em 2008 uma auditoria do ano de 2002, se o contribuinte estava em tese regular perante a Administração Tributária, inclusive tendo efetuado os recolhimentos? há vedação expressa em lei para a auditoria fiscal alcançar os anos de 2000 e 2001, nos quais apurou a verdade dos fatos? Respondo: a única vedação expressa nessa hipótese “ìii” é para constituição do crédito tributário relativo ao ano de 2001, em face da decadência. Este Conselho já se manifestou sobre alegações dessa natureza em diversos acórdãos. Em um deles, inclusive, o contribuinte alegou a preclusão para rever o ágio devidamente registrado na contabilidade. Tratase do acórdão 10709.545, cuja ementa é a seguinte: EMENTA DECADÊNCIA — OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa”. (Grifei) No aludido processo o contribuinte registrou o ágio de forma equivocada em 1995, mas apenas amortizou o valor em 2000. O contribuinte alegou que a fiscalização estaria proibida, face o prazo decadencial, de glosar esse ágio. Tal argumentação foi refutada pela Câmara. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 17 16 Noutro acórdão, de nº 10419.219, de 27/02/2003, que tratou da retificação de prejuízo fiscal da atividade rural de período anterior, com reflexo em outro período de apuração do tributo ainda não atingido pelo decadência, a decisão também foi favorável à tese defendida por este relator. Vejamos transcrições da ementa, dispositivo e voto condutor: Acórdão 10419.219 de 27/02/2003 EMENTA IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 – ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – DECADÊNCIA – ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de anocalendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatando se que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em ano calendário abarcado pela decadência. DISPOSITIVO ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VOTO CONDUTOR “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência.Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. (...) A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (Grifei) Vejase que na situação versada no Acórdão 10419.219, o contribuinte foi intimado a comprovar o saldo de prejuízos da atividade rural do ano de 1989 que foi aproveitado no anocalendário de 1996. Diante do fato de o contribuinte ter efetuado correções a maior do aludido valor no ano de 1990, a fiscalização glosou o excesso de compensações Fl. 466DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 18 17 utilizado para reduzir o tributo devido em 1996. O contribuinte alegou decadência nessa revisão, que foi rejeitada pelo Colegiado, haja vista que tais valores “influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente”. Analisemos o Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/2005. Vejamos sua ementa e dispositivo: Acórdão CSRF 0400.054 de 21/06/2005 EMENTA IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. DISPOSITIVO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente relatório. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, José Ribamar Barros Penha e Wilfrido Augusto Marques que negaram provimento ao recurso.. VOTO CONDUTOR No caso, a fiscalização verificou inicialmente que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A origem da incorreção seria o fato de a contribuinte haver procedido à atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anoscalendário de 1989 e 1990 (fls. 12 a 18). No acórdão recorrido, foi acolhida a arguição de decadência, sob o seguinte argumento (fls. 276) (...) De plano, verificase que tal entendimento carece de base legal. No caso em apreço, o lançamento, cientificado a contribuinte em 28/09/2000, abarcou os anos calendário de 1996 e 1999, que ainda não se encontravam atingidos pela decadência, seja qual for o angulo pelo qual se analise. Destarte, uma vez que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, não há óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltese que os anoscalendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos. 0 que houve foi tãosomente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 19 18 Nesse sentido é o Acórdão n° 10419.219, de 27/02/2003, cujo voto vencedor foi acatado por unanimidade de votos, assim ementado: (...) (Grifei) Apesar de ambos os acórdãos acima terem tratado de atividade rural na pessoa física, cumpre esclarecer que a Legislação sempre estabeleceu a obrigatoriedade de escrituração para os contribuintes que desejam aproveitar prejuízos de períodos anteriores. Aliás, na redação original da Lei 8.023/1990, acima de determinado valor de receitas era obrigatória a escrituração comercial. Outrossim, cumpre registrar que em situações análogas, nas quais a verificação de fatos, documentos e registros contábeis, de períodos atingidos pela decadência , com repercussão futura favorável ao contribuinte, ou seja, erros que lhe prejudicam, as decisões deste Conselho são sempre favoráveis à retificação dos lançamentos nos períodos ainda não atingidos pela decadência, inclusive para reconhecimento de direito creditório. Cite se como exemplo as seguintes situações em que se admite retificação favorável ao contribuinte: Lucro Inflacionário Inexistente. Fiscalização autua em 2000 a falta de realização do Lucro Inflacionário Diferido (parcelas realizáveis em 1996 a 1999. Somente em sede recurso, o Contribuinte verifica e alega que errou na apuração/declaração do LI de 1991, estando patente que seu Patrimônio Líquido era maior que o ativo imobilizado. Conselho exclui da base de cálculo o lucro inflacionário de 1991, e determina ainda, que as realizações mínimas de 1992 a 1995, porventura não efetuadas, sejam diminuídas do Saldo (existe inclusive súmula neste sentido). Ao fim e ao cabo, mantemse apenas a tributação do saldo do inflacionário efetivamente existe nos anos de 1996 a 1999. Custo de aquisição de imóvel declarado a menor. Pessoa Física e Jurídica. Contribuinte declara/contabiliza a menor o custo de aquisição de imóvel no ano de 1996 e seguintes. Em 2004 aliena o imóvel e não recolhe ganho de capital. Fiscalização autua em 2006 e toma como custo o valor declarado/contabilizado. Contribuinte faz prova do custo de aquisição real do imóvel. Conselho acolhe o custo efetivo, e reduz a exigência ainda que isso implique no reconhecimento de erros de escrituração e/ou declaração de períodos atingidos pela decadência. Nesse sentido vide acórdãos deste Conselho: Acórdão 10321611 processo 13925000136200129 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF – Havendo a pessoa jurídica, no períodobase de 1990, apurado saldo devedor de correção monetária e não possuindo lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, não há que se falar em adição ao lucro real, a partir do períodobase de 1993, do valor que corresponder à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário. Acórdão 10514773 processo 10166016076200115 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a Fl. 468DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 20 19 sua realização, e não imediatamente após o termo do anocalendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, rejeitando a preliminar de decadência e, no mérito, acatar o pleito no sentido de se excluir as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ser realizadas nos anos calendários de 1993 e 1994. Acórdão 10194663 processo 10410.001504/200168 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO DA CORREÇÃO IPC/BTNF. ERRO DE FATO. Não procede a exigência de crédito tributário decorrente de erro cometido pela pessoa jurídica no preenchimento da declaração de rendimentos, tendo informado a maior o saldo credor da diferença de correção IPC/BTNF. Acórdão 10193740 _ processo 10880.008657/9805 ERRO DE FATO. PREJUIZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. PREJUIZO FISCAL INSUFICIENTE. DECADÊNCIA: Apesar de não haver prejuízo fiscal suficiente para compensar o lucro real apurado em determinado período de apuração, deixase de propor a formalização da exigência em virtude de já ter transcorrido, nesta data, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário respectivo. ERRO DE FATO. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação da base negativa da contribuição social, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Acórdão 10416265, processo 10920.000343/9699 IRPF GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA Deve prevalecer para efeitos fiscais o custo de aquisição constante da Escritura Pública de Compra e Venda devidamente registrado no Registro de Imóveis, quando este for mais favorável ao contribuinte que o custo avaliado pelo valor de mercado, em 31/12/91, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. O fato gerador do imposto de renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10530.720161/200682 Acórdão n.º 1402000.787 S1C4T2 Fl. 21 20 Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondente; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar a auditoria dos elementos contábeis e fiscais dos anoscalendário anteriores a 5 anos, para verificar valores com repercussão tributária em períodos posteriores. Por fim, quanto as demais matérias, entendo que as razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator não merecem reparos e devem prevalecer neste julgado. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência do direito do fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; e, no mérito, por unanimidade de votos, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 282.371,47 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 13/02/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000010/2005-68
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NA ELABORAÇÃO DA DIRPF.
Tendo o contribuinte deduzido em sua defesa a existência de crédito por conta de equívoco no preenchimento de sua declaração, cabe a este fazer prova de suas alegações.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NA ELABORAÇÃO DA DIRPF. Tendo o contribuinte deduzido em sua defesa a existência de crédito por conta de equívoco no preenchimento de sua declaração, cabe a este fazer prova de suas alegações. Recurso a que se nega provimento.
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AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NA ELABORAÇÃO DA DIRPF. Tendo o contribuinte deduzido em sua defesa a existência de crédito por conta de equívoco no preenchimento de sua declaração, cabe a este fazer prova de suas alegações. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 20/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 00 10 /2 00 5- 68 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPF (fl. 02/03), relativo ao exercício do ano 2004, ano calendário 2003, decorrente de revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual, com o objetivo de modificar as deduções de contribuição à previdência privada, por ter ultrapassado o limite legal. O Contribuinte foi cientificado à fl. 10, e, inconformado, apresentou, tempestivamente, Impugnação (fls. 01), reconhecendo que prestou informações incorretas à Autoridade Fiscal, uma vez que os valores gastos com previdência privada em verdade são relativos à despesa médica, acostando, adicionalmente, lista contendo pagamentos e doações na declaração de ajuste original. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento a 6ª Turma da DRJ/BSA, em sessão realizada no dia 23/09/2008, resultando no Acórdão n.º 0327.015 6, que, por unanimidade, julgou totalmente improcedente a impugnação, manifestando entendimento segundo o qual a Autoridade Fiscal foi induzida a erro pelas informações prestadas pelo Contribuinte na época do lançamento, razão pela qual é cabível a manutenção do mesmo, em virtude da impossibilidade de correção do mesmo antes do decurso do prazo decadencial. Assim, a Autoridade Fiscal não considerou as deduções com despesas médicas, uma vez que aquelas são inferiores ao montante de dedução de previdência privada comprovada. O supramencionado Acórdão considerou, ainda, que a o órgão julgador é incompetente para efetuar a exclusão das deduções com previdência privada, uma vez que acarretaria na majoração do valor do lançamento. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 23, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a supramencionada decisão (fl. 26), aduzindo que as deduções efetuadas devem ser enquadradas como despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. A presente controvérsia gira em torno do fato de o Recorrente alegar que preencheu de forma equivocada a respectiva DIRPF, lançando no campor destinado á dedução com contribuições à previdência privada valores que diriam respeito à deduções referentes a despesas médicas. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10820.000010/200568 Acórdão n.º 2802001.279 S2TE02 Fl. 48 3 Neste sentido, entendo que a solução apresentada pela Delegacia de Julgamento é a que se revela correta para a para a presente hipótese, pois em nenhum momento o Recorrente comprova ter efetuado as despesas médicas que quer ver deduzidas da base de cálculo de seu IRPF do anocalendário de 2003. Assim, sendo vedado a este Colegiado inovar no lançamento, ou mesmo julgar, em reformatio in pejus, o Recurso em desfavor ao Contribuinte, deve ser o lançamento mantido tal qual o fez a DRJ, já que na peça de fls. 26, nenhum argumento é trazido de maneira a infirmar os fundamentos do bem lançado Acórdão de fls. 29/31. Isto significa dizer que não há nos autos nenhum elemento que autorize a este Colegiado modificar o lançamento ou a decisão que o manteve, restando certo que caberia ao Recorrente fazer prova de suas alegações, trazendo aos autos documentos que comprovassem a realização das despesas médicas no montante pleiteado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 17460.000270/2007-81
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio
tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.031
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, 1$ • ' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 17460.000270/2007-81 Recurso n° 153.316 Voluntário Acórdão n° 2402-00.031 — 4 a Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente META VEÍCULOS LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 431 ''/' • CELO OLIVEIRA - Presidente " A IRABAN EIRA — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. 2 Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 432 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto n° 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as 'contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal (fl. 06), a autuada efetuou pagamento de remunerações sob a forma de cartões de incentivo fornecidos pela empresa Incentive House S/A e não contabilizou tais fatos geradores em títulos próprios. A autuada apresentou defesa (fls. 44/57) alegando que sua conduta não se caracteriza como descumprimento de obrigação acessória uma vez que restou demonstrado nos autos da NFLD 37.029.241-3, base de todos os lançamentos, que as verbas pagas a título de incentivo aos funcionários, por meio dos cartões "Flex Card" e "Premium Card" contratados junto à empresa Incentive House S/A não podem ser consideradas remuneração. Considera que se não ocorreu o fato gerador da obrigação principal seria incabível que a impugnante informasse tais valores em sua folha de salário. Argumenta que inexiste previsão legal para aplicação de multa na conduta da autuada, vez que a previsão que embasou a autuação se deu por dispositivo contido em decreto o que inviabiliza a aplicação da penalidade. Aduz que ocorreu duplicidade de lançamento uma vez que foi objeto de penalização em outra situações, no caso, NFLD 37.029.241-3 e AI 37.029.245-6 e 37.029.242- 1. Finaliza com o argumento de que não ocorreu qualquer prejuízo ao erário. Pelo Acórdão n° 14-16.632 (fls. 247/253), a 9a Turma da DRJ/RPO julgou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 281/302) onde efetua repetição das alegações já apresentadas na defesa. Os recurso teve seguimento desacompanhado do depósito recursal por força de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n°2007.61.02.012103-5. É o relatório. 3 Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 433 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que sua conduta não se caracteriza como descumprimento de obrigação acessória uma vez que os valore pagos por meio de cartões de premiação não integrariam a remuneração. De fato, conforme alegado, a discussão a respeito da natureza remuneratória de tais pagamentos ocorreu nos autos da NFLD 37.029.241-3, cujo objeto são as contribuições decorrentes dos mesmos. Ocorre que a citada NFLD foi objeto de análise por parte desta conselheira, que entendeu e apresentou voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, reconhecendo que os valores pagos a titulo de cartões de incentivo integram o salário de contribuição, conforme trecho abaixo transcrito. "Em que pesem os argumentos apresentados pela recorrente, não lhe confiro razão. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracteriza-se pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: "Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, I)) 4 Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 434 ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. ". O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: "Prêmios. Salário-condição. Os prêmios constituem modalidade de salário-condição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição ".(RO-23976/97 — TRT 3" Reg. — l a T — relator juiz Ricardo Antônio Mohallem — DJMG 22-01-99)" "Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. E salário-condição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra". (Proc. n° 00693-2003-902-02-00-7 — Ac. 20030282661 — TRT 2" Reg. - 3" Turma — relator juiz Sérgio Pinto Martins — DOESP 24-.06-03)" Com base no entendimento de que os pagamentos efetuados por meio de cartões de incentivo e por intermédio de empresa interposta integram o salário de contribuição, não há que se falar em ofensa ao art. 142 do C1N ou ausência de demonstração de que tais valores integram a remuneração. Cumpre informar que a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Câmara, conforme se verifica nos julgados abaixo ementados: "ACÓRDÃO 206-00949 — Recurso 147059 Ementa: PREVIDENCIÁ RIO — REMUNERAÇÃO INDIRETA — UTILIDADES — PAGAMENTO DE PRÊMIO — PRODUTIVIDADE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO — DECADÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. (.)" "ACÓRDÃO 206-00286 — Recurso 141822 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 435 legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos." Dessa forma, entendo que o lançamento deve prevalecer." Como foi julgado procedente o lançamento das contribuições e, por conseqüência, ocorridos os fatos geradores é certo que a recorrente ao contabilizar tais valores em títulos impróprios de sua contabilidade, deixou de cumprir obrigação acessória, ficando sujeita à multa por tal descumprimento. Melhor sorte não merece a alegação de que houve duplicidade de lançamentos. De fato, a desconsideração, por parte da empresa, de que os valores pagos por meio de cartões de premiação integrariam a remuneração levou à auditoria fiscal a efetuar o lançamento das contribuições devidas, bem como efetuar a lavratura pelo descumprimento de obrigações acessórias distintas. A recorrente não deixou somente de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores em questão, também deixou de incluí-los na folha de pagamento, bem como de informá-los em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Cada uma das situações acima descritas representa o descumprimento de uma obrigação acessória distinta não sendo possível dizer que ocorreu duplicidade de lançamento. Quanto à alegação de ilegalidade atinente à instituição de multa por Decreto, cabe lembrar as disposições contidas no CTN, especificamente no § 2° do art. 113 e no art. 115 abaixo transcritos: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) § 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (.) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal (g.n)" Como se observa, no que tange à obrigação acessória, o Codex Tributário permite que a mesma decorra da legislação tributária e no presente caso, cabe salientar que o fato gerador da obrigação acessória decorreu de lei, especificamente o inciso I, do art. 32, da Lei n°8.212/91; O mesmo diploma legal define em seu art. 96 o que se considera "legislação tributária", in verbis: 6 Processo n° 17460.000270/2007-81 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.031 Fl. 436 "Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes" Portanto, o próprio Código Tributário Nacional dá sustentação à imposição de multa mediante decreto. No entanto, a multa não foi imposta mediante decreto, este apenas efetuou a graduação da mesma face à infração cometida, com amparo na competência estabelecida no próprio dispositivo de lei que instituiu a multa, no caso, o art. 92 da Lei n° 8.212/1991 que dispõe o seguinte: , "Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento (g. n.) Por fim, quanto à alegação de que não houve prejuízo ao erário, a mesma não pode desconstituir a presente autuação. A legislação não dispõe no sentido de que havendo o 11 lançamento ou mesmo o efetivo recolhimento das contribuições correlatas, estaria o sujeito passivo desobrigado de cumprir com as obrigações acessórias sem sofrer as penalidades • cabíveis. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. 1 É como voto. Sala das Sessões, em 9 de julho de 2009 A ARIA BA DEIRA — RelatoraOi , 7
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000761/2005-13
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
PRAZO RECURSAL - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE -
Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5º do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação.
O termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil
seguinte.
Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso
administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972.
A intimação pessoal do contribuinte é válida, nos termos do art. 23, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo desnecessária a intimação de advogado constituído, posto que o contribuinte tem capacidade postulatória nos processos administrativos.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3301-000.009
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinário da Terceira Câmara
da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 PRAZO RECURSAL - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE - Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5º do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação. O termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte. Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. A intimação pessoal do contribuinte é válida, nos termos do art. 23, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo desnecessária a intimação de advogado constituído, posto que o contribuinte tem capacidade postulatória nos processos administrativos. Recurso não conhecido.
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O termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte. Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 1972. A intimação pessoal do contribuinte é válida, nos termos do art. 23, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo desnecessária a intimação de advogado constituído, posto que o contribuinte tem capacidade postulatória nos processos administrativos. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • 4 Processo n° 13851.000761/2005-13 S3-C3T I Acórdão n°3301-00.009 Fl. 332 ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinário da Terceira Câmara da 3 Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da relatora. J. sia; y r. S PESSOA MONTEIRO Pr sidente VA ESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE Relatora FORMALIZADO EM: t) 3 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta, Silvana Mancini Karam, Nábia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Em 22/06/2005 o contribuinte foi autuado no valor total de R$ 527.661,28, sendo R$ 173.193,42 de imposto de renda pessoa fisica, R$ 94.677,74 de juros de mora e R$ 259.790,12 de multa proporcional. De acordo com o auto de infração de fls. 156/159, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: (I) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 174/199), sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 231/254) que considerou o lançamento procedente pelos motivos sucintamente expostos a seguir: Preliminarmente afastou a alegação de nulidade do lançamento, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. Ademais, o contribuinte teve, desde o início o processo de fiscalização, oportunidade para apresentar os esclarecimentos solicitados, exercendo inclusive com plenitude seu direito de defesa em sua impugnação. O julgador de primeira instância também afastou a argumentação de obtenção de prova ilícita por ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade e do sigilo 2 Processo n° 13851.000761/2005-13 83-C3T1 Acórdão n.°3301-00.009 Fl. 333 bancário, isto porque, inicialmente a Lei Complementar n° 105/2001 prescreve que o acesso às informações bancárias independe de autorização, não constituindo quebra de sigilo uma vez que as informações obtidas permanecem protegidas. Ademais, em relação à irretroatividade dos efeitos da referida Lei Complementar n° 105/2001, entende que esta traz apenas novos critérios de apuração e fiscalização, sendo, portanto, de aplicação imediata, ao tempo do lançamento, inclusive em relação a fatos jurídicos ocorridos em data anterior, isto com base no que dispõe o artigo 144, § 1° do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida também afastou a argumentação de decadência em relação ao ano-calendário de 2000. Neste caso, ressaltou o julgador que a decadência no lançamento de oficio é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do CTN, sendo que o prazo para se constituir o lançamento no caso em análise, relativamente ao ano- calendário de 2000, esgotar-se-ia em 31/12/2006, sendo que o lançamento foi cientificado em 24/06/2005, portanto, não havendo que se falar em decadência. Quanto às alegações de que os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos, a decisão explicitou que o procedimento fiscal foi levado a efeito sob a égide do artigo 42 da Lei 9.430/96, e nos termos deste normativo a existência de depósitos de origens não comprovadas toma-se hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, sendo que há a inversão do ônus da prova, ou seja, o contribuinte é quem deve comprovar a origem dos recursos, bastando á autoridade fiscal tão-somente a demonstração dos depósitos. Sendo assim, entendeu o julgador de primeira instância administrativa que não houve a comprovação pelo contribuinte por meio de documentação hábil e idônea da origem dos depósitos, sendo correto o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal. O contribuinte também se insurgiu em relação à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios, tendo em vista a sua inconstitucionalidade. Neste ponto a decisão recorrida ressaltou que a análise da constitucionalidade foge da alçada dos julgamentos administrativos, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade. Ademais, a aplicação da Taxa Selic tem respaldo no artigo 161, § 1° do CTN, bem como no art. 13 da Lei n°9.065/95 e art. 61, § 3° da Lei tf 9.430/96. Por fim, afastou-se a alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, visto que a multa de oficio consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, não estando abarcada pelo dispositivo do artigo 150, inciso IV da CF/88, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiu a utilização do tributo com efeito confiscatório. Inconformado com a decisão proferida em sede de primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fia 263/302, aduzindo em suma que: Preliminarmente: Da necessidade de intimação dos advogados: Inicialmente o contribuinte alega que há a necessidade de intimação do advogado para que tenha validade a ciência da decisão de primeira instância administrativa. 3 • o Processo n• 13851.00076112005-13 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.009 Fl. 334 Aduz que o advogado é indispensável à administração da justiça e por este motivo seria absolutamente necessária sua intimação. O contribuinte afirma pela possibilidade de intimação da parte, entretanto, o ato de intimação deve ser complementado com a intimação do patrono, tendo em vista que somente este é que poderá tomar as medidas necessárias. Assim, requer que seja reconhecida a nulidade do processo administrativo, tendo em vista a falta de intimação do procurador acerca do julgamento da Delegacia de Julgamento. Mérito: Da obtenção de prova ilícita por ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade e do sigilo: Neste ponto o contribuinte alega que em relação aos dados relativos ao ano de 2000 foram obtidos de forma ilícita, visto que à época não havia previsão legal que embasasse o aproveitamento de dados bancários para a efetivação de lançamento fiscal. Isto porque, em seu entendimento, com o advento da Lei Complementar 105/2001, somente os lançamentos posteriores à sua edição é que poderiam ser baseados em dados decorrentes de quebra de sigilo bancário. Para o contribuinte, as informações utilizadas pela autoridade fiscal para efetivação do lançamento são protegidas pela garantia constitucional do sigilo de dados, estampada no artigo 5°, inciso XII, da CF/88. Invoca também a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu artigo XII, também garante a inviolabilidade dos dados utilizados pelo Fisco. Ainda para o contribuinte, apenas determinação judicial é que poderia autorizar a utilização destes dados pelo Fisco, sendo que nem mesmo a Lei Complementar n° 105/2001 teria o condão de tomar o Fisco independente de autorização judicial para utilização dos dados bancários. Em suma, o contribuinte entende que foram desrespeitadas as cláusulas pétreas constitucionais da inviolabilidade do domicílio, direito à intimidade de dados, garantia da expropriação de bens só pela via do devido processo legal e a garantia de ineficácia das provas obtidas por meios ilícitos. Da decadência: Neste ponto o contribuinte aduz que nos termos do artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional, o prazo para o lançamento tributário é de 5 (cinco) anos, sendo que para o ano-calendário de 2000 caberia ao Fisco efetuar o lançamento até 31 de dezembro de 2004. Entretanto, o lançamento ocorreu apenas em 22 de junho de 2005, restando, assim, decaído o direito de lançar do Fisco. Nesse sentido, o recorrente pugnou pelo reconhecimento da decadência do lançamento em relação ao ano-calendário de 2000. 4 Processo n° 13851.000761/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.009 Fl. 335 Da impossibilidade da presunção de omissão de receitas com base em extratos bancários: De acordo com os argumentos trazidos pelo contribuinte, o Fisco não poderia ter se baseado unicamente nos extratos bancários para levar a efeito o lançamento, de forma que seria necessária a verificação do efetivo fato imponível tributário, determinando a matéria tributável, o montante devido, identificando o sujeito passivo. Entende o contribuinte que o lançamento não pode ser realizado com base em mera presunção, o que contraria o Estado Democrático de Direito. Para o contribuinte o ônus de provar e demonstrar os elementos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador é do Fisco. Conclui alegando que a presunção adotada não poderia prosperar, tendo em vista sua fragilidade em não levar em consideração as saídas e o fato da conta corrente estar freqüentemente negativa. Da Taxa Selic: Quanto à utilização da Taxa Selic como juros moratórios, o contribuinte argumenta que tal utilização não teria respaldo jurídico. Isto porque, em seu entendimento a Taxa Selic teria caráter remuneratório e não moratório, sendo que esta teria o condão de tão- somente recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir com sua obrigação. Ademais, o contribuinte alega que a Lei n° 9.065/95 não encontra fundamento no artigo 161, § 1° do CTN. Das multas confiscatórias: Por fim, o recorrente argumenta que a multa aplicada teria caráter confiscatório, ofendendo os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição ao confisco, todos estes princípios constitucionais. Com efeito, o contribuinte pugna pelo cancelamento da multa aplicada, ou então, no mínimo sua redução ao patamar de 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96, ou ainda ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), haja vista a ausência de comprovação de dolo, fraude ou simulação no presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora. De acordo com a redação do art. 210 do Código Tributário Nacional, art. 66 da Lei n° 9.784/2001 e art. 5° do Decreto n°. 70.235/72, os prazos processuais são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento, sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar em dia não útil ou sem expediente. • Processo n• 138$1.00076112005-13 53-C3T1 Acórdão ri.' 3301-00.009 Fl. 336 Nos termos do art. 33 do Decreto n°. 70.235/72 o Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo inadiável de 30 (trinta) dias e, no caso concreto, verifico que o seu protocolo se deu muito após este lapso temporal, motivo pelo qual é intempestivo. Conforme se verifica às fls. 258 o recorrente tomou ciência pessoalmente da decisão recorrida em 03/03/2006, entretanto, interpôs o Recurso Voluntário, tão-somente, em 02/06/2006, sendo que a data máxima para a interposição do referido recurso seria 04/04/2006, tendo sido, portanto, ultrapassado o prazo legal. Ademais, a contribuinte não apresentou qualquer motivo de força maior que justificasse o atraso em questão. Alegou apenas que a intimação deveria ter ocorrido na pessoa do advogado e não do contribuinte, mas sem explicar o motivo de ter sido notificado pessoalmente e mesmo assim não ter apresentado o Recurso Voluntário no prazo legal. Apenas a titulo de esclarecimento vale dizer que a alegação de necessidade de intimação do advogado não tem qualquer respaldo jurídico, isto porque, a intimação no processo administrativo deve ser feita na pessoa do interessado (contribuinte), até porque o contribuinte é totalmente capaz de apresentar sua defesa independentemente de advogado, visto que não se trata de processo judicial, no qual a capacidade postulatória é exclusiva do advogado na grande maioria dos casos, não podendo a parte (réu ou autor) conduzir por si só o processo judicial ou mesmo apresentar sua defesa sem a devida constituição de um patrono (advogado). Importante destacar, outrossim, que nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, artigo 23 e seguintes, a intimação deverá ser feita na pessoa do sujeito passivo, mediante verificação de sua assinatura, podendo ser efetuada também na pessoa de seu mandatário ou preposto. Não há, portanto, qualquer determinação de obrigatoriedade em relação à intimação do advogado do contribuinte neste caso. A intimação, inclusive, pode ser efetuada via postal, sem a necessidade de que seja recebida pessoalmente pelo contribuinte, sendo considerada válida a intimação encaminhada e recebida no domicilio fiscal declinado na declaração de rendimentos, mediante aviso de recepção. Sendo assim, por todo o exposto, NÃO CONH ECO DO RECURSO VOLUNTÁRIO por ser intempestivo. Sala das Sessões DF, em 04 de março de 2009 ) ESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE 6 Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1
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Numero do processo: 36624.011287/2006-15
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/08/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.556
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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''' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO -... . ..,- Processo n° 36624.011287/2006-15 Recurso n° 152.642 Voluntário Acórdão n° 2301-00.556 — 3* Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria Decadência Recorrente TEXTIL J. SERRANO LTDA. • Recorrida DRP/SÃO PAULO - OESTE/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/08/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 04 1 1 • , , . Processo n°36624.011287/2006-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.556 Fl. 174 ACORDAM os membros da 3 a Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un. . idade de votos, acatar a preliminar de decadência para 11provimento do recurso. , 1 ã Wil JULIO .SAR VIEI GOMES 1Preside,u,. =Ir P j' f-1 AR S LVA IDAL Relator - Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de oraes, Edgar Silva Vida! (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete :,-. Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). (.. 2 ' Processo no 36624.011287/2006-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.556 Fl. 175 • Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, empresa e segurados e ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração auferida pelos segurados empregados, apurada por aferição indireta, com base nas notas fiscais/faturas de serviços na área de informática, executados pela empresa Dataconsult Tecnologia da Informação Ltda., no período de 05/1998 a 08/1998. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 24/05/2006 (fls. 01) A prestadora Dataconsult Tecnologia da Informação Ltda., apresentou defesa intempestiva. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento. A recorrente não efetuou o depósito recursal no valor de 30% do lançamento, dispensada que foi da obrigação por liminar concedida em Mandado de Segurança no processo n°2006.61.00.009693-O, da 4a Vara F.j eral da Justiça Federal em São Paulo - SP. Pr É o relatório. • 3 Processo n°36624.011287/2006-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.556 Fl. 176 • Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: . Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.5 69/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigoA 03-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbi ."- I 4 Processo n° 36624.011287/2006-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.556 Fl. 177 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão . de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. -• • Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § lO enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 0), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do . 50, §40, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. .0" 5 . • Processo n°36624.011287/2006-IS S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.556 Fl. 178 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 24/05/2006. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 05/1998 a 08/1998, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessões, em 1 de agosto de 2009 e". E • I A IDAL - Relator • 6
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Numero do processo: 10166.008752/2002-50
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRFonte - Valores Lançados em Duplicidade em DCTF
O valores lançados em duplicidade em DCTF devidamente comprovados pelo contribuinte, não podem ensejar a cobrança do tributo sobre mesmo fato gerador. Devendo a exigência ser calcelada.
Numero da decisão: 2202-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
PEDRO ANAN JUNIOR RELATOR- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado Digitalmente) PEDRO ANAN JUNIOR RELATOR- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Devendo a exigência ser calcelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) PEDRO ANAN JUNIOR RELATOR Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 87 52 /2 00 2- 50 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração — IRRF/1997 Declaração de Contribuições e Tributos Federais, anocalendário de 1997, folha 11, no qual é exigido da Recorrente o crédito tributário no valor de R$ 16.341,80, pelas razões constantes às folhas 12/14. Cientificada, a Recorrente apresentou impugnação (folhas 01/08) alegando, em síntese, que: instrução normativa não é lei e ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se não em virtude de lei, como determina a Carta Magna; configurouse frontal violação ao art. 10, III c IV do Decreto n" 70.235/72, que regula o Processo Administração Fiscal; auto de infração impugnado é manifestamente ilegal, não alcançando a presunção de validade que lhe é característica; a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o autorizam e o embasam torna nulo todo o procedimento, não podendo tal equivoco ser posteriormente suprido por qualquer outra autoridade, porque fora de sua competência legal; Auto de infração fere o disposto no art. 37, caput, da CF/88 e o art. 142, parágrafo único do CTN; a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, capitulando fato que não enseja obrigação trinutária, exorbitou de seus poderes, razão porque a anulação do mesmo, o que desde já requer, sob pena dc se ferir o principio do contraditório e causar cerceamento de defesa à impugnante; pagou o imposto devido, conforme comprovam os DARF em anexo, recolhidos cm 10/12/1997. Alem disso foram pagos uma só cota, de acordo com a informação contida na DCTF, porém em 03 DARF; descaso do fisco e a falta de observência dos preceitos legais, pois sequer deu chance ao impugnante para prestar esclarecimento, conforme prevê o art. 44, § 2", da Lei n° 9.430/96; o fisco lavrou o Auto de infração, sem observar os requisitos legais, cobrando juros indevidos e multa absurda confiscatória de 75%; A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por negar provimento a impugnação através do acórdão DRJ/BSA n° 0322.231, de 31 de agosto de 2007, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10166.008752/200250 Acórdão n.º 2202002.039 S2C2T2 Fl. 206 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 NULIDADE DO LANÇAMENTO – DEFICIÊNCIA NA SUA FORMALIZAÇÃO E incabível a argüição de nulidade do lançamento se na sua formalização foram observados os preceitos do Art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Ainda mais quando constatase que nos autos existem os elementos de provas necessários solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipi ficada o que permitiu a impugnante articular perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários a solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF Constatado a falta de recolhimento do IRRF, há que se manter a exigência tributária. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA – A exigência da multa e dos juros, processados na forma dos autos, estão previstos cm normas regularmente editadas, não tendo os julgadores de 1 instância administrativa competência para apreciar argüições contra a sua cobrança. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS – A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação e alega que os valores foram lançados em duplicidade na DCFT, mas se tratam de mesmo fato gerador. É o relatório Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10166.008752/200250 Acórdão n.º 2202002.039 S2C2T2 Fl. 207 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de cobrança de IRFonte no valor de R$ 6.225,45, código 0561. O lançamento teve origem a revisão da DCTF entregue pela Recorrente. Alega a Recorrente que o valor objeto do lançamento foi lançado por equívoco na DCTF, em dois períodos distintos apuração 29 de novembro de 1997 a 3 de dezembro de 1997 e 06 de dezembro a 10 de dezembro de 1997, mas se tratam do mesmo fato gerador. A DRF ao analisar os DARF´s apresentados pela Recorrente, reconheceu e alocou como pagamento para o período de 06 de dezembro a 10 de dezembro de 1997, fls 57, ficando em aberto o período de 29 de novembro de 1997 a 3 de dezembro de 1997. Para comprovar que tratase de mesmo fato gerador, ou seja salário referente ao mês novembro de 1997, a Recorrente traz os documentos contábeis, que demonstram que o valor retido foi contabilizado em 30 de novembro de 2011 (fls. 87 a 92). Podemos verificar que não há retenção do IRFonte no valor de R$ 6.225,45, no período de 06 de dezembro a 10 de dezembro de 1997. O que no meu entender demonstra que a Recorrente lançou os valores em duplicidade na DCTF. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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