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Numero do processo: 11176.000369/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2401-000.026
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Ana Maria Bandeira
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ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente A j ,tcdet RIA BAN9RA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Cristiane Leme Ferreira (Suplente). Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Processo n" 11176 000369/2007- l 0 S2-C6T1 Resolução ri " 2401-00.026 PI 1.305 RELATÓRIO Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEST, SENAT, SENAR, SEBRAE e INCRA). O lançamento ocorreu em 31/08/2006, data da intimação do sujeito passivo, que recusou-se a assinar, conforme informado pela auditoria fiscal. O Relatório Fiscal (fls. 344/489 — Vol II) informa que durante os levantamentos de dados nos cadastros e ação fiscal nas empresas King Meat Alimentos do Brasil S/A e Monte Grappa S/A verificou-se a existência de empresas ocupantes dos mesmos endereços e com atividade semelhante às duas empresas, ainda ativas nos cadastros da Previdência Social e na Junta Comercial do Paraná, embora as atividades estivessem paralisadas. Tais empresas seriam a King Meat Alimentos do Brasil S/A, Comercial Agrícola Mangaluzza Ltda, Torregalli Comercial Ltda, Comercial e Distribuidora CD do Brasil Ltda, Monte Catine Logística Ltda e Monte Grappa Comercial S/A. Foi observado que as atividades das empresas acima se dividiam em comércio atacadista de produtos alimentícios e abate de eqüídeos e preparação de produtos de carne. Aprofundando a pesquisa, a auditoria fiscal concluiu que se tratava de sucessão comercial e caracterização de grupo econômico pelas razões que se seguem. Na atividade de comércio A empresa Comercial Importadora King Meat Ltda iniciou atividades, alterou a razão social em duas oportunidades, para Com. Importação King Meat do Brasil e, posteriormente, para Comercial e Distribuidora CD do Brasil Ltda. A partir de 31/07/2000, a CD do Brasil iniciou transferência de empregados para a empresa Torregalli Comercial Ltda, com atividades e endereços iguais. A partir de 31/12/2001, a empresa Torregalli iniciou transferência de segurados para a empresa Monte Catine Representações Ltda, anteriormente denominada Monte Catine Logística, também com atividades e endereços iguais. Em 30/04/2003, a empresa Monte Catine transferiu os segurados empregados para a empresa em atividade à época da ação fiscal, a Monte Grappa Comercial S/A, anteriormente Piombino Com. Ltda e Monte Grappa Com. Ltda. A empresa Monte Grappa transferiu alguns segurados empregados para empresas optantes pelo SIMPLES, interpostas para contratar segurados com redução de 2 Processo n" 11176 000369/2007-10 S2-C611 Resolução n " 2401-00.026 Fl. 1309 encargos, os quais foram demitidos num dia e readmitidos no dia seguinte nas optantes pelo SIMPLES. Tais empresas são as seguintes: Pegas° — Serviços de Empacotamento Ltda, Abrange — Serviços de Entrega Rápida Lida, Aspen — Empacotamento de Produtos Ltda, Orion Desossa de Eqüídeos Ltda. Mastercame — Serviços de Desossa Ltda e Nitridor — Serviços de Magarefetização de Eqüídeos Ltda. Na atividade de Abate de Reses/Frogorífico: Em 31/07/2000, a empresa Comercial Agrícola Mangaluzza Ltda, anteriormente, Frig King Meat do Brasil Ltda e King Meat do Brasil Lida, transferiu seus empregados para a empresa Torregalli que, por sua vez, os lotou nas atividades de abate de eqüídeos e preparação de carne na empresa King Meat Alimentos do Brasil S/A. A empresa King Meat foi fundada pelos sócios Umberto Bastos Sacchelli e Nilson Alves Ribeiro, os mesmos fundadores da Mangaluzza. Os empregados transferidos à Torregalli, continuaram lotados na King Meat, apesar de várias transferências para outras empresas do grupo no período. À época da ação fiscal alguns encontravam-se registrados na Torregalli, a maioria, porém, foi transferida para empresas optantes pelo SIMPLES. O que a auditoria fiscal verificou foi que as empresas tinham como sócios fundadores os Srs. Umberto Bastos Sacchelli e Nilson Alves Ribeiro. Posteriormente, os citados senhores saiam da sociedade e em seus lugares permaneciam ex-empregados ou empregados de empresas ou obras do grupo, dentre os quais, João Grubisich, Elsa Ribeiro de Freitas, Lourival Silva de Paula, José Brás de Paula, João Agi-ela, Abidão Mantins de Oliveira, José Carlos Ribeiro de Araújo. Após a saída dos sócios fundadores, iniciava-se a transferência de empregados para nova empresa findada, com a utilização em GF1P — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social do código de transferência "NI — Transferência de empregado para outro estabelecimento da mesma empresa". A data de admissão da empresa de destina permanecia igual à data de admissão na empresa de origem e os empregados continuavam no mesmo cargo, seção e com o mesmo salário. A transferência era anotada na Carteira de Trabalho, com a empresa sucessora assumindo, por solidariedade passiva, a relação empregatícia havida anteriormente com a antecessora. A empresa anterior mudava sua matriz para São Paulo ou Rio de Janeiro, permanecia com as atividades paralisadas, sem empregados e com débito de contribuições previdenciárias não recolhidas. De igual forma, a empresa Comercial e Distribuidora CD do Brasil Ltda efetuou transferência de segurados à empresa Torregalli nas mesmas condições já relatadas. Os segurados da empresa Tonegalli, posteriormente, também passaram a ser transferidos para a empresa Monte Catine Representações Ltda.. 3 Processo n" 11176000369/2007-10 S2-C6T1 Resolução n " 2-101-00.026 Fl. 1.310 Nova transferência de empregados foi feita, desta vez da empresa Monte Catine L,tda para Monte Grappa Comercial S/A. Não obstante todas as transferência efetuadas, a auditoria fiscal verificou na relação de fichas de registros de segurados empregados da empresa Monte Grappa, a admissão inicial na empresa Comercial Agrícola Mangaluzza Ltda, cuja data foi mantida nas empresas posteriores. Também foi observado que os cargos, seção de lotação e salários permaneciam os mesmos, Entretanto, a empresa Monte Grappa iniciou a transferência dos empregados para diversas empresas optantes pelo SIMPLES. A transferência foi feita da forma já relatada, mantendo-se a data de admissão cio empregado correspondente à primeira empresa contratante e utilizando-se o código de movimentação N 1 na GF IP. Foi apurado em diversas Reclamatórias Trabalhistas que os reclamantes indicavam como reclamadas as diversas empresas que integrariam o grupo econômico (sucessoras e sucedidas), bem como as pessoas físicas dos Srs. Nilson Umberto Sacchetti Ribeiro e José Nilson Sacchelli Ribeiro que, segundo os reclamantes seriam sócios ocultos do negócio e responsáveis pela administração das empresas. Verificou-se existência de procuração onde o Sr. Nilson Alves Ribeiro e sua mulher Maria Cristina Sacchetti Ribeiro outorgam amplos poderes a Nilson Umberto Sacchetti Ribeiro e José Nilson Sacchelli Ribeiro. Não obstante o número de abates mensais realizados, em torno de 4.000, a empresa King Meat registrou somente alguns segurados em funções administrativas. A empresa King Meat lançou em sua contabilidade várias operações financeiras efetuadas com empresas do mesmo grupo econômico, bem como efetuou pagamento dessas empresas. A auditoria fiscal relaciona às folhas 440/456-Vol-II, os pagamento efetuados. Outros fatores levaram à conclusão da ocorrência de grupo econômico e sucessão de fato. Atendendo solicitação dos dirigentes da empresa, a execução dos trabalhos de auditoria fiscal realizou-se nas dependências da empresa Monte Grappa Comercial S/A onde também estaria localizada a contabilidade da empresa King Meat Alimentos do Brasil S/A. Os assuntos relacionados a todas as auditorias fiscais (Mangaluzza, Torregalli, Monte Catine, Monte (3rappa, King Meat) eram tratados com o ser. Nilson Alves Ribeiro, Diretor-Presidente da King Meat Alimentos do Brasil S/A. Assim, a auditoria fiscal considerou a ocorrência de sucessão comercial entre as empresas da seguinte forma: Monte Grappa Comercial S/A sucessora da Monte Catine Representações Ltda. Monte Catine sucessora da Torregalli Comercial Ltda. Torregalli sucessora da Comercial e Distribuidora CD do Brasil Ltda. King Meat Alimentos do Brasil S/A sucessora da Comercial Agrícola Mangaluzza Ltda. 4 Processo n" 11176 000369/2007-10 52-C6TI Resolução n.° 2401-00.026 1:1 1 311 Demonstrada a caracterização de sucessão e grupo econômico, a auditoria fiscal informa que são objeto da presente notificação as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais das empresas Comercial e Distribuidora CD Brasil Ltda, Torregalli Comercial L,tda, Monte Catine Representações Ltda e Monte Grappa Comercial S/A. . Também são objeto de lançamento: • a contribuição adicional para o financiamento da aposentadoria especial de empregados da Twegalli e Monte Catine • Contribuições incidentes sobre os valores- gastos a titulo de vale compras e alimentação aos empregados da empt esa Monte Grappa que não comprovou possuir convênio com o PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador • Contribuições incidentes sobre os valores de diárias pagas, sem qualquer comprovação de despesas, aos empregados da Monte Grappa • Contribuições incidentes soble valores pagos a titulo de Plano de Saúde Unimed pela empresa Monte Grappa, a qual não comprovou a extensão do plano à totalidade dos empregados e dirigentes. • Contribuições incidentes sobre os valores pagas à cooperativa Unimed Aplicaram Cooperativa de Trabalho Médico Lida pela empresa Monte Grappa. • Contribuições a cargo do produtor rural pessoa lisica incidente sobre a eomercialização da produção rural relativamente a eqüídeos adquiridos pela King Meai Alimentas do Brasil S/A A auditoria fiscal informa que como não foram apresentados documentos referentes às empresas Comercial e Distribuidora CD do Brasil Ltda, Tonegalli Comercial L,tda e Monte Catine Representações Ltda, antecessoras da Monte Grappa Comercial S/A, as contribuições relativas às mesmas foram apuradas por aferição indireta tomando por base os valores declarados nas RAIS — Relação Anual de Informações Sociais, GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e guias de recolhimento. A notificada King Meat apresentou defesa (fis.. 1084/1097-Vol IV) onde apresenta preliminar de que a notificação seria nula por ter sido lavrada foram do estabelecimento fiscalizado. A notificada alega que a notificação teria sido produzida dentro da repartição fiscal e entregue à mesma apenas para coleta da assinatura. Também em sede de preliminar alega falta de clareza na descrição da suposta infração. Considera que houve cerceamento de defesa, uma vez que não lhe foi oportunizado manifestar-se antes do lançamento fiscal. Argumenta que há nulidade da notificação, pois o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal só poderia ter sido assinado pelo sócio gerente/administrador. 5 Processo n" I 11 76.00036912007-10 S2-C6T1 Resolução n " 2401-00.026 Fl 1 312 Aduz que a fiscalização, não tendo base legal alguma para o lançamento em questão, utilizou a aferição indireta. Afirma que não ocorreu nenhuma das situações que autorizariam tal procedimento. Considera nulo o lançamento pela ausência de arrolamento do contribuinte de fato. Argumenta que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do lançamento. Alega a impossibilidade de atribuição de responsabilidade à mesma e que não foram considerados os recolhimentos que teriam sido efetuados pelas empresas. Entende que inexiste grupo econômico ou solidariedade. Tece considerações a respeito. A notificada Monte Grappa Ltda também apresentou defesa (fls. 1133/1150-Vol IV) onde apresenta as mesmas alegações apresentadas pela King Meat Alimentos do Brasil S/A, porém, considera que houve cerceamento de defesa em razão de não lhe ter sido enviada cópia da notificação, mas tão somente correspondência emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Pelo Acórdão IV 06-16.023, a 5" Turma da DRI/Curitiba (fis. 1242/1260-Vol IV) considerou o lançamento procedente, para excluir as contribuições destinadas aos terceiros, urna vez que não são cabíveis nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, conforme dispõem o art. 178 da Instrução Normativa SRP ri' 03/2005. De decisão acima houve recurso de oficio. Os autos foram encaminhados ao 2° Conselho de Contribuintes que pelo Despacho n°206-197/2008 (fis. 1263-Vol IV) devolveu os autos à origem para a devida ciência do sujeito passivo para apresentação de recurso. A notificada king Meat apresentou recurso tempestivo (fis. 1289/1303-Vol V) onde alega nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que a mesma não teria apreciado toda a matéria apresentada na impugnação. No mais, efetua repetição dos argumentos já apresentados em defesa. Não houve apresentação de contra-razões.. É o relatório. Processo n" 11176 000369/2007-10 S2-C6T1 Resolução n.° 2401-00,026 Fl 1.313 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Analisando-se as pelas que compõem os autos, verifica-se situação que representa óbice ao julgamento. Não obstante tratar-se de lançamento com base no instituto da solidariedade, para o qual, as duas empresas notificadas apresentaram impugnação, somente foi dada ciência da decisão de primeira instância à empresa King Meat Alimentos do Brasil S/A. Não foi localizado nos autos qualquer recurso apresentado pela empresa Monte Grappa Comercial S/A e tampouco comprovação de que a mesma teria sido intimada da decisão de primeira instância com a abertura de prazo recursal. Nesse sentido, para fins de saneamento do processo Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a notificada Monte Grappa Comercial S/A seja intimada da decisão de primeira instância e lhe seja concedido prazo para apresentação de recurso, se assim o desejar. É como voto. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009 At1) #dee,,' ARIA BAND IRA - Relatora 7
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Numero do processo: 10380.014494/00-55
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003.PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos mais de cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação e a ciência do despacho da autoridade fiscal negando a legitimidade do encontro de contas, ocorre a homologação tácita da compensação, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003.PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando-se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontrava-se pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos mais de cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação e a ciência do despacho da autoridade fiscal negando a legitimidade do encontro de contas, ocorre a homologação tácita da compensação, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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COMÉRCIO E INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003.PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos mais de cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação e a ciência do despacho da autoridade fiscal negando a legitimidade do encontro de contas, ocorre a homologação tácita da compensação, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 44 94 /0 0- 55 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de restituição e compensação, protocolado em 06/09/2000, referente a créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Serviços prestados a Terceiros Pessoas Jurídicas, PIS e COFINS, crédito oriundo da Empresa "Grande Moinho Potiguar e Indústria de Massas Ltda.", incorporada em 28.01.2000, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária no valor nominal de R$6.607,48. O pedido referee a recolhimentos indevidos ou maior realizados de 16/06/1999 a 20/01/2000, alusivo a IRRF (1708), COFINS (2172) e PIS (8109), conforme discriminado na tabela de fls. 01. No pedido de compensação datado de 13/10/2000 estão débitos de IRRF da 4ª semana de setembro de 2000 e PIS e COFINS de setembro de 2000 (vide petição de fls. 26/27). Posteriormente o contribuinte requereu que fosse desconsiderado o pedido de compensação referente ao PIS, competência setembro de 2000, no valor de R$ 1.059,27, (fls. 50) Em diligência fiscal foi apurado o seguinte (fls. 73). 1. CÓDIGO 1708 — R$ 1.297,51 — 0 exame da documentação em poder da requerente (DARE e notas fiscais), comprovam o recolhimento indevido ou em duplicidade, conforme descrito no quadro inserido As fls. 01. 2. CÓDIGO 2172 — R$ 4.364,36 — No exame da escrituração da sucedida apurouse que o valor devido a titulo de COFINS, relativo ao período de apuração Dezembro/99, foi de R$ 15.948,38 conforme declarado na DCTF — cópia anexa. 3. CÓDIGO 8109 — R$ 945,61 No exame da escrituração da sucedida apurouse que o valor devido a titulo de PIS, relativo ao período de apuração Dezembro/99, foi de R$ 3.455,48 conforme declarado na DCTF — cópia anexa. Quanto aos acréscimos de juros SELIC pleiteados neste processo (demonstrativo de fls. 56 em diante), o montante dos mesmos foi contabilizado pela incorporada até o evento, e, após esta data, pela incorporadora, não tendo sido apuradas irregularidades também quanto a este item. Em 16/02/2005 foi expedido despacho decisório pela DRF Fortaleza, reconhecendo o direito creditório de R$6.607,48, acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic, Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 2802001.797 S2TE02 Fl. 234 3 na forma do art. 51 da IN SRF 460/2004, e homologada a compensação declarada no processo, até o limite do crédito reconhecido (fls. 79/82). Em 23/08/2007, a DRF Fortaleza constatou (fls. 100) que um dos pagamentos considerados indevidos não se encontra disponível nos sistemas de controle da Receita Federal, portanto, sendo impossível a utilização em procedimento de restituição/compensação. Segundo o contribuinte, o pagamento do código 1708, efetuado em 06/12/1999, valor R$ 300,00, efetuado pela empresa Grande Moinho Potiguar e Indústria de Massas LTDA, sua incorporada, foi recolhido em duplicidade com o pagamento do mesmo código, efetuado em 24/11/1999, no mesmo valor. 3. De acordo com as pesquisas de fls. 98/99, verificase que o primeiro pagamento se refere ao IRRF da terceira semana de novembro de 1999, com vencimento em 24/11/1999, apurado no valor de R$ 361,32; e o segundo se refere ao IRRF da primeira semana de dezembro de 1999, com vencimento em 08/12/1999, apurado no valor de R$ 542,62. Os pagamentos foram vinculados aos respectivos créditos tributários na DCTF, e foram devidamente validados pelo sistema de fiscalização eletrônica da RFB. Em razão da constatação acima, com base nos art. 53 e 54 da Lei 9.784/1999, e considerando que os pagamentos que o contribuinte afirmou ter feito em duplicidade foram alocados pelo próprio nas competências 0311/1999 e 0112/1999, foi retificado de ofício o valor do direito creditório reconhecido, de R$6.607,48 para R$6.307,48 (fls. 105/106). Então foi gerada uma carta cobrança e o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que, em síntese, assentouse na homologação tácita em 17/10/2005 da compensação declarada desde 17/10/2000, com base nos §4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei 10.383/2003, e em precedentes deste Conselho (fls. 121/122) e na nulidade dos atos administrativos expedidos pelo chefe do SEORT por não estarem amparados pela Portaria de delegação de competência que foi indicada para realizar a revisão de ofício(Portaria DRF/FOR 74/2007), uma vez que esta não estabelecia a referida competência ao chefe do SEORT e sim ao chefe do SECAT. A DRJ indeferiu o pedido de restituição (R$300,00) e não homologou a compensação indicando que as normas que dispuseram sobre a homologação tácita das declarações de compensação aplicamse somente a partir de 30/10/2003 e que era dever da autoridade que proferiu o despacho decisório revêlo de ofício , dentro do prazo de cinco anos contados a partir de 30/10/2003, data da edição da medida provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003 que deu nova redação ao §5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, indicando, quanto a este último ponto precedente deste Conselho e decisão do STJ por analogia (fls. 163). A ciência do acórdão de primeira instância ocorreu em 09/06/2008 (fls. 212 e 231), ao passo que a interposição do recurso voluntário foi em 09/07/2008, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e alegando aplicável a retroatividade das normas que instituíram a homologação tácita das declarações de compensação. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em suma, o recurso voluntário esteiase nas seguintes razões: 1. homologação tática da declaração de compensação; 2. inaplicabilidade da tese da irretroatividade dos efeitos do §5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei 10.833/2003; 3. inexistência de princípio absoluto da irretroatividade das leis, possibilidade de o poder público dar efeito retroativo a comando legal, inexistência de afronta ao CTN e à Lei de Introdução dão Código Civil pelo art. 70 das IN SRF 460/2004 e 600/2005; 4. incompetência do chefe do Seort para revisão de ofício de lançamento em ofensa ao parágrafo único do art. 149 do CTN; 5. inaplicabilidade das regras dos art. 53 e 54 da Lei 9.430/1999 ao caso concreto; e 6. inviabilidade da defesa em relação ao suposto aproveitamento de crédito em outras vinculações em relação a fatos consolidados nos pedidos de compensação já homologados. Em 11/02/2011 peticionou pela aplicação das normas que estabelecem a razoável duração do processo, tendo em vista o transcurso de mais de 2 anos desde a interposição do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria de competência desta Colegiado (art. 7º §3º, II, Anexo II do Regimento Interno do CARF), dele devese tomar conhecimento. Da competência do chefe do Seort Improcedentes as alegações de incompetência do chefe do Seort, uma vez que a autoridade competente para proferir o despacho decisório é também competente para rever esse despacho, nos termos dos art. 53 e 54 da Lei 9.784/1999, aplicável ao caso, situação distinta da revisão de ofício do lançamento a que se refere o recorrente. Da revisão do despacho decisório O pedido de restituição foi protocolado em 06/09/2000, ao passo que o pedido de compensação objeto do litígio foi feito em 13/10/2000 (fls. 26/27). Peço vênia para transcrever a legislação de regência (Lei 9.430/1996). § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 2802001.797 S2TE02 Fl. 235 5 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação – ao que se tem denominada de homologação tácita e os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, quando da entrada em vigor da Lei 10.833/2003, passaram a ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para todos os efeitos do art. 74. A lei ao considerar os pedidos anteriores como declarações de compensação, não fez qualquer ressalva de não aplicação, aos pedidos anteriores, das condições de homologação aplicáveis às declarações de compensação, em especial no tocante à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º acima transcrito. Não obstante a bem construída argumentação exposta no acórdão recorrido, que inclusiva aponta precedente deste Conselho (acórdão 20311.648), para delimitar a aplicação da homologação tácita somente a partir de 30/10/2003, data da edição da medida provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003 que deu nova redação ao §5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, este entendimento não deve prevalecer. A interpretação dada pelo acórdão recorrido conduzia a uma norma excepcional que deveria vir expressa no texto legal. A lei não faz essa ressalva, ao contrário dispõe que aos pedidos de compensação pendentes de apreciação seriam convertidos em declaração de compensação para todos os efeitos do artigo. Inúmeros precedentes deste Conselho apontam no sentido de afastar a tese da não aplicação retroativa do instituto da homologação tácita das declarações de compensação, a exemplo do acórdão 110200.649, cuja ementa transcrevo a seguir. Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitando se, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A Fazenda Nacional buscou reverter esse entendimento por meio de recurso especial, tendo a Câmara Superior ratificadoo conforme se demonstra por meio de transcrição de excertos do acórdão 910101.252, de 22/11/2011. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido convertido em declaração de compensação, nos termos dos §§ 4º e 5º do art.74 da Lei nº 9.430/1996, e que não tenha sido objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido. Voto condutor: A Fazenda Nacional insurgese em seu apelo contra a decisão da Câmara a quo que considerou expirado o prazo para a manifestação da autoridade administrativa, considerando ocorrida a homologação tácita do pedido de compensação apresentado pela Contribuinte. Sustenta, em síntese, que: i) o § 5º do art. 74 não pode ter sua aplicação retroativa, para alcançar as declarações de compensação apresentadas antes de sua vigência, a partir da publicação da Medida Provisória nº 135, de 20 de outubro de 2003, que o introduziu na redação do referido art. 74; ii) a norma em referência possui natureza processual, mas também material, uma vez que ela traz em si, modalidade de extinção do crédito tributário por compensação, prevista no art. 156, inciso II do CTN; e iii) que, até o advento da MP nº135/03, não se impunha à administração tributária prazo legal para manifestarse sobre os pedidos de compensação e, seu direito de formalização da exigência tributária submetiase unicamente ao correspondente prazo decadencial do tributo. Entendo que não assiste razão à Recorrente. A partir da edição da Medida Provisória nº 135/03, ocorrida em 30.10.2003, o prazo para o Fisco exercer seu direito de indeferir os pedidos de compensação realizados pelo contribuinte é de 5 (cinco) anos, contado da entrega da declaração de compensação, nos exatos termos do § 5º do mencionado artigo. Quanto à data da entrega da declaração de compensação, para efeito da contagem do prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser considerada a data do protocolo do pedido de compensação, já que, por força do § 4º Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 2802001.797 S2TE02 Fl. 236 7 do mesmo art. 74, este foi convertido em declaração de compensação para todos os fins. No caso concreto, o pedido de compensação objeto do litígio foi feito em 13/10/2000 (fls. 26/27) e estava pendente de apreciação quando entrou em vigor a Lei 10.833/2003, pois o primeiro despacho decisório somente foi proferido em 2005. Destarte, o despacho decisório, que implicou em não homologar em parte a compensação, proferido em 29/08/2007 (fls. 105/106), leva a uma única conclusão: a notificação desse despacho ocorreu após o qüinqüênio legal, operandose a homologação da compensação por força de lei (homologação tácita). Desnecessário, portanto, apreciar as demais alegações. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.014494/0055 Acórdão n.º 2802001.797 S2TE02 Fl. 237 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 16 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 17546.000250/2007-60
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
• Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-000.381
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS • Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-29T19:30:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-29T19:30:04Z; Last-Modified: 2010-03-29T19:30:04Z; dcterms:modified: 2010-03-29T19:30:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-29T19:30:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-29T19:30:04Z; meta:save-date: 2010-03-29T19:30:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-29T19:30:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-29T19:30:04Z; created: 2010-03-29T19:30:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-03-29T19:30:04Z; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-29T19:30:04Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl. 135 ÇfW0.4.,„L, siar>) ,__ ,:tzr4 -• MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 17546.000250/2007-60 Recurso n° 163.931 Voluntário Acórdão n° 2302-00.381 – 3' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente TOTAL PACK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA E OUTRO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA DE JULGAMENTO EM CAMPINAS / SP • • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS • Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. . I\ ,..---",- .----.-. -4------..--- zA - ./ z •7- - Meg -VIEIRA - Presidente em exercício e Relator (._.. - 4 /"7"—:-------, N ), \\ i \ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior, Leôncio Nobre de Medeiros (suplente), Marco André Ramos Vieira (presidente em exercício). Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social. O período compreende as competências JANEIRO a DEZEMBRO DE 1998, conforme relatório fiscal às fls. 27 a 33. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 37 a 48. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 87 a 89. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 93 a 115. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Stio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. 2 \ 1\!_i Processo n° 17546.000250/2007-60 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.381 Fl. 136 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 25 de outubro de 2006, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente, dezembro de 1998, o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2000, o que findaria em 1 de janeiro de 2005. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala daj_Ses- ":" 6-tle janeiro de 010 • • "-à = - 13 • I jr; eir • — N • , 3 •
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Numero do processo: 13804.001980/00-73
Data da sessão: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1989
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O direito de se pleitear o reconhecimento de credito com o
conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a
autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que
tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou
com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do
recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%.
PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404
e 301-31.321.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.851
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação das demais matérias. Vencidas as Conselheiras Anelise Daudt Prieto que dava
provimento ao recurso e as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Judith do Amaral Marcondes que davam provimento parcial, contando o prazo de dez anos para reconhecimento do direito a partir do recolhimento indevido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1989 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de se pleitear o reconhecimento de credito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso Especial do Procurador Negado.
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CSRF/T03 Fls. 194 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1989 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de se pleitear o reconhecimento de credito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge corn a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, ern ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação das demais matérias. Vencidas as Conselheiras Anelise Daudt Prieto que dava provimento ao recurso e as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Judith do Amaral Marcondes que davam provimento parcial, contando o prazo de dez anos para reconhecimento do direito a partir do recolhimento indevido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoftinann. A nonio Praga -.Presidente Rosa Maria 4e Jesus da Silva Costa de Castro - Relatora Susy Gom5s-Hoffinann - Redatora Designada EDITADO EM: 30/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffinann, Judith do Amaral Marcondes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência (fls. 129/137) interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 303-32.476 (fls. 97/126), exarado pela E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado na ementa abaixo transcrita: FINSOCL4L. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. DIES A QUO. EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO QUE DISPENSA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Em suas razões recursais, a i. Procuradoria alega, em síntese, que, nos termos do AD/SRF n" 96/99, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional), ocorrido com o pagamento do tributo. Regulan-nente intimada do supra citado recurso em 11 de maio de 2006, a contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada) apresentou suas contra-razões em 25 de maio de 2006. Nesta peça processual, a Interessada sustenta a manutenção do acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. o relatório. 2 Processo 0' 13804.001980/00-73 Acórdiio 0. 0 03-05.851 CSRF/T03 Fls. 195 Voto Vencido Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Relatora 0 recurso teve seus requisitos de admissibilidade analisados mediante Despacho no 044/2006 (fls. 167/169), proferido pela i. Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes e, portanto, deve ser conhecido. O cerne da questão que se discute no presente feito restringe-se ao termo inicial para a contagem do prazo que a Interessada possui para pleitear a restituição do Finsocial tendo como premissas que: (i) os recolhimentos se referem a fatos geradores ocorridos entre setembro e dezembro de 1989 (fls. 02); e (ii) o pedido de restituição/compensação foi protocolizado em 31 de agosto de 2000 (fl. 01). Durante vários meses defendi posicionamento segundo o qual, considerando que os textos legais têm pressuposto de legalidade e de constitucionalidade, o prazo de cinco anos para requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao Finsocial, somente poderia ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.621- 36 (ou seja, a partir de 10 de junho de 1998). Nesse esteio, o prazo somente se encerraria ern 10 de junho de 2003. Nada obstante, após muitas considerações e discussões com meus pares, acabei por acatar uma ponderação que entendo ser totalmente coerente: 0 Poder Executivo deve seguir as orientações pacificamente adotadas pelo Poder Judiciário. Assim sendo, alterei minha posição para acatar a linha de entendimento consolidado e recentemente confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos estabelecido para a decadência do crédito decorrente de indébito tributário (artigo 168, I, do CTN) deve ser somado ao interstício habit à homologação assinalada no § 40 do artigo 150 do CTN: "§ 4"• Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem z que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lancanzento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Se não se operou a homologação expressa ventilada em tal dispositivo, deflui dai a consumação tácita de tal expediente administrativo, dependente do transcurso de 5 (cinco) anos contados da ocorrência de cada qual dos fatos geradores do tributo considerado para ser reputado materializado. Antes de esgotados os prazos referidos (5 anos + 5 anos) não se pode cogitar de extinção do direito de a Interessada requerer a restituição de tributo indevidamente recolhido, sobretudo porque não transcorrido o período habit à constatação formal, pela Fazenda Pública, de que a mesma promoveu pagamentos indevidos. /A- 3 Consulte-se, nesta toada, o entendimento do STJ sobre o tema, que em tudo confirma as observações adredemente formuladas (RE n" 327043): "1. Questiona-se, aqui, (a) a natureza — se inteipretativa ou não - do art. 3" da LC 118/2005, segundo o qual, para efeito de contagem do prazo para a repetição do indébito, deve ser considerado que "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologa cão, no momento do pagamento antecipado", bem como (b) a legitimidade da art. 4", segunda parte, da mesma Lei, que determina a aplicação retroativa daquele artigo 3", tal como prevê o cwt. 106, I, do CTN. 6. Ainda que se admita a possibilidade de edição de lei interpretativa, como prevê o art. 106, I, do CTN, mas considerando o que antes se disse sobre o processo interpretativo e seus agentes oficiais (= a norma aquilo que o Judiciário diz que é), evidencia-se como hipótese paradignuitica de lei inovadora (e não simplesmente interpretativa) aquela que, a pretexto de interpretar, confere à norma interpretada um conteúdo ou um sentido diferente daquele que lhe foi atribuído pelo Judiciário ou que limita o seu alcance ou lhe retira uni dos seus sentidos possíveis. É o que ocorre no caso em exame. Com efeito, sobre o tema relacionado coin a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (I" Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tent inicio, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim z na data da homologação — expressa ou tácita - do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologa cão do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CT/V. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria inicio o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologa cão expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Ora, o art. 3" da LC 118/2005, a pretexto de inteipretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, 11111 sentido e um alcance diferente daquele dodo pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a lei inovou no piano normativo, pois retirou das disposições normativas interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Se, como se disse, a norma é aquilo que o Judiciário, como seu intérprete, diz que é, não pode ser considerada simplesmente inteipretativa a lei que dá a ela outro significado. EM outras palavras: não pode ser considerada inteipretativa a lei que tem o evidente objetivo de modificar a jurisprudência dos Tribunais. Somente a jurisprudência é que pode, legitimamente, alterar a jurisprudência. 7. Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se for o caso, também a interpretação formada em relação a ela). Pode, sim, faze-1o, mas não coin efeitos retroativos. 4 Processo no 13804.001980/00-73 Acórdão n.° 93 -05.851 CS RF/T03 Fls. 196 (..>" Ora, considerando que: (i) a solicitação efetuada pela Interessada foi protocolizada em 31 de agosto de 2000; (ii) os recolhimentos se referem a fatos geradores ocorridos entre setembro e dezembro de 1989, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional. /ro Rosa Mia de Jesus da Silva Costa de Castro /. Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora Designada A Turma entendeu, por maioria de votos, por negar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, restando vencida a eminente Conselheira Relatora. Designada para redigir o voto vencedor, passo a expor o meu entendimento a respeito do tema. Deixo consignado, entretanto, o meu respeito aos fundamentos do voto vencido. No presente caso, a discussão recai sobre o prazo a que se submete o pedido de restituição da contribuição ao Finsocial, recolhida no período de setembro a dezembro de 1989. A data do pedido de restituição é 31 de agosto de 2000. 0 meu entendimento firma-se no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória ri° 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo-se o prazo em 31 de agosto de 2000. Sobre este tema adoto como razões de decidir as razões bem colocadas na declaração de voto vencido do Conselheiro e Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes, Dr. Otacilio Dantas Cartaxo, no Processo 13899.000702/2002-48, nos termos a seguir transcritos: "A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditó rio de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoracdo da aliquota do FINSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n". 150.764-1, em 02/04/93, bent como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. Inicialmente é mister registrar a inexistência de Aviso de Recebimento — AR nos autos, hem como da data de ciência da decisão de primeira instância pela ora recorrente. Havendo o presente processo sido diligenciado a repartição de origem, por iniciativa da DRF/Osasco em 06/12/04, para informar a data em que o contribuinte foi cientificado do Acórdão DRJ/CPS n". 3.703 (fls. 80/88),/ 5 Posteriormente, foram os respectivos autos encaminhados a esta Corte com a informação de fi. 126, informando da impossibilidade do atendimento da demanda outrora formulada. Entende este Julgador, em caráter excepcional, a partir do infortuito ocorrido, por motivos devidamente justificados pela repartição preparadora, que se pode aplicar ao caso sob exame, os dispositivos contidos no art. 27 da Lei 9.784/99, que assim nos ministra: "Art. 27 — 0 desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos faros, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo Único — No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado." Isto posto, passa-se a apreciação dos autos. De antemão, assinale-se que a tese esposada pela decisão de primeira instância, apesar de reconhecer o direito creditório, nos termos do art. 165-1 cio CTN, defende que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, de acordo com o disposto no art. 168-I do mesmo mandamus, nele não influenciando a condição resolutória (a homologação). Observou-se, também, que a autoridade .fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n". 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF pela via incidental, é a data da publicação da MP n". 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n". 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. 6'01170 visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n`: 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o par itnetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. 6 Processo n° 13804.001980/00-73 Acórdao n.° 03-05.851 CSRF/T03 Fls. 197 Ao contrário do que expôs o juizo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz- se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição c/c valores, tuna vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito cio sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto a Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-I do CTN), para promover a ação de cobrança cio credito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se & baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caw de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga (mines a decisão proferida inter partes CM processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP n". 1.110/95, art. 17— III, DOU., de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento cio Finsocial a aliquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadencial. Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, c/c boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento clos pagamentos indevidos, com base nas al/quotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o FINSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. 0 reconhecimento desse indébito restou consolidado através clas reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os 11"S 1.1 4 2/9 5 , 1,175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96..... 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n". 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 8-111. 7 Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da n". 32, de 09/04/97, em seu artigo 2" convalidou a compensaça o efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da ('ofins, com fundamento no art. 9" da Lei n°. 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no C77V, para assumir os contornos de direito ã plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 60, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178). Finalmente, considerando que o pedido de restituição de Finsocial .forinulado junto a DRF/Niterói é de 03/04/02 «. 01). Considerando que o término da contagem do prazo sob a égide do raciocínio aqzti desenvolvido dá-se em 31/08/00. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos a sua admissibilidade para, no mérito, negar-lhe provimento, Oil razão de haver expirado o prazo concernente ao direito de a recorrente postular pela repetição do indébito tributário." Desta forma, como o pedido do contribuinte foi formulado em 31 de agosto de 2000, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação dos valores pagos a titulo de Finsocial. Isto posto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo à DRF para exame das demais questões de mérito. Susy G offmann 8
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Numero do processo: 10280.003848/2006-49
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Somente ensejam nulidade os
atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.
PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa o simples fato da autoridade
administrativa julgadora indeferir o pedido de perícia, quando constam dos autos elementos suficientes para a formação de sua convicção, além de não terem sido respeitados os requisitos do art. 16, IV do Decreto n°70.235/72.
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Tendo
sido devidamente comprovados pela fiscalização - via circularização com fornecedores -, que a contribuinte deixou de registrar compras, bem como os seus respectivos pagamentos, impõe-se a contribuinte provar a inocorrência da omissão de receitas.
CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS
LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURIDICO PÁTRIO. Súmula 1°CC
n° 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL -Tratando-se de
lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Valmir Sandri
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I SERRUYA COMÉRCIO Recorrida V TURMA/DRJ-BELÉM/PA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa o simples fato da autoridade administrativa julgadora indeferir o pedido de perícia, quando constam dos autos elementos suficientes para a fana() de sua convicção, além de não terem sido respeitados os requisitos do art. 16, IV do Decreto n°70.235/72. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Tendo sido devidamente comprovados pela fiscalização - via circularização com fornecedores -, que a contribuinte deixou de registrar compras, bem como os seus respectivos pagamentos, impõe-se a contribuinte provar a inocorrência da omissão de receitas. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURIDICO PÁTRIO. Súmula 1°CC n° 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL -Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. WALDIR VEIGAr4' OCHA - Presidente em Exercício VALMIR S DRI - EDITADO EM: 26 ABR 201G Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana de Barros Femandes, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, João Francisco Bianco, Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. Relatório S. I. SERRUYA COMÉRCIO, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém-PA, que por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou que a contribuintà, sujeita ao SIMPLES, omitiu receitas decorrente de pagamentos com recursos estranhos à escrituração, conforme circularização de documentos nas empresas Unilever Brasil Ltda. e Asa Indústria e Comércio Ltda., relativa aos meses de janeiro a maio e julho a dezembro de 2002. A fiscalização constatou, ainda, divergência entre o valor declarado e o valor pago pelos fornecedores, o que acarretou recolhimento a menor de tributo. Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 26/29), no valor de R$ 99.111,34, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 45/48), no valor de R$ 158.141,12, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 53/56), no valor de R$ 99.111,34, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 61/64), no valor de R$ 316.282,29 e Contribuição para a Seguridade Social (INSS, fls. 69/73), no valor de R$ 646.283,30, formalizando crédito tributário no montante de R$ 1.318.929,38, já incluídos os juros de mora calculados até 31.08.2006 e a multa proporcional de 75%. Cientificada dos lançamentos em 21.09.2006, a Contribuinte apresentou em 23.10.2006, tempestivamente, sua impugnação às fls. 212/232, alegando em síntese que: 2 Processo n° 10280.003848/2006-49 S1-C311 Acórdão n.° 1301-00.196 Fl. 2 Inicialmente, requer a nulidade dos autos de infração por considerar que houve cerceamento de defesa, uma vez que as diligências foram realizadas de forma unilateral pela autoridade administrativa. (ii) Corroborando seu entendimento transcreve doutrina sobre arbitramento do lucro e jurisprudência sobre cerceamento de defesa. Requer, ainda, a realização de diligência/perícia. (iii) Indaga a legalidade das informações obtidas acerca da movimentação bancária urna vez que estas informações são sigilosas. - (iv) Afirma que sua contabilidade está regular, que o Fisco não poderia presumir a omissão de receitas, sendo da fiscalização o ônus de provar as irregularidades tributárias. Salienta que inexiste correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos, razão pela qual é ilegítimo o arbitramento. (v) Ressalta que o lançamento efetuado a titulo de PIS e COFINS não encontram amparo legal. Corroborando seu entendimento transcreve jurisprudência. (vi) Ao final requer a improcedência do lançamento. À vista da Impugnação, a 3 a• Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém-PA, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Inicialmente, os julgadores rejeitaram a alegação da contribuinte de nulidade dos autos de infração por cerceamento de defesa, pois verificaram que ao contrário do que afirma a contribuinte em sua defesa, ela foi devidamente intimada a apresentar os documentos fiscais e contábeis sem, contudo o fazer. Ademais, observaram que a atividade de lançamento é privativa da autoridade administrativa nos termos do art. 142 do CTN e que todas as fases processuais foram respeitadas, razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa. Indeferiram, ainda, o pedido de diligência/perícia formulado pela contribuinte, por considerar tal mecanismo não se presta a produzir provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória, além de não constar os requisitos previstos no art. 16, III do Decreto n°70.235/72. Observaram que existem nos autos provas suficientes para o deslinde da questão, art. 18, caput do Decreto n°70.235/72. Esclareceram que não obstante a contribuinte se insuija face à suposta ilegalidade da quebra de sigilo bancário, os presentes autos de infração não trataram de depósitos bancários não comprovados, mas sim de "Pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração", devidamente comprovados pela fiscalização, com documentos fornecidos pelos fornecedores "Unilever Brasil Ltda. e Asa — Indústria e Comércio Ltda.", fls. 77/207. 3 Após transcrever trecho do Parecer Normativo COSIT/SRF n° 329/1970, destacaram que a autoridade administrativa não é competente para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas inseridas no ordenamento jurídico, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Salientaram que os julgados transcritos pela contribuinte em sua defesa, não tem eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário, somente produzindo efeitos entre as partes envolvidas nos litígios. Em relação à insuficiência de recolhimento, verificaram que dada à omissão de receitas praticada, a contribuinte calculou os valores devidos para o ano-calendário 2002, a partir do mês de fevereiro de 2002, com aliquotas inferiores às devidas, com base nas receitas declaradas. Daí que gerou diferenças entre o valor declarado e o valor devido, conforme demonstrado pela autoridade administrativa. Os julgadores objetivando rebater os argumentos apresentados pela contribuinte em relação aos lançamentos efetuados a título de PIS e COFINS, transcreveram o disposto no art. 3° da Lei n°9.317/96. Finalmente, observaram que apesar de requerer a improcedência do lançamento, em nenhum momento procurou comprovar que os pagamentos efetuados aos fornecedores decorreram de vendas efetuadas. Pelas razôes acima expostas é que a 3 a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém-PA, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 09.072007, às fls. 271, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 03.08.2007, às fls. 272/294, alegando em síntese o que se segue: Preliminarmente, afirma ser inconstitucional a exigência de depósito recursal como requisito de admissibilidade do recurso voluntário. Ainda em sede preliminar, requer a nulidade dos autos de infração por considerar que houve cerceamento de defesa uma vez que as diligências foram realizadas de forma unilateral pela autoridade administrativa. Corroborando seu entendimento transcreve doutrina e jurisprudência. Nesse sentido, requer, sejam os autos de infração julgados improcedentes, e, caso a fiscalização queria, inicie novo procedimento de fiscalização, analisando os livros e outros documentos da empresa. Requer, também, a realização de perícia/diligência para demonstrar todas as irregularidades apontadas, ressalvado seu direito de indicar assistente técnico e quesitos no momento processual oportuno. Transcreve jurisprudência. Afirma que o lançamento é ilegal, uma vez que a contribuinte teve seu sigilo financeiro violado, que a sua contabilidade está regular e que o Fisco não poderia presumir a omissão de receitas, sendo da fiscalização o ônus de provar as irregularidades tributárias. Salienta que inexiste correlação natural entre depósitos bancários e rendimentos omitidos, razão pela qual é ilegítimo o arbitramento. 4 Processo n° 10280.003848/2006-49 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.196 Fl. 3 Destaca que o lançamento efetuado a titulo de PIS e COFINS não encontram amparo legal Corroborando seu entendimento transcreve jurisprudência. Em relação ao lançamento efetuado a titulo de CSLL a contribuinte utiliza os mesmos argumentos apresentados em relação ao lançamento do IRPJ, ressaltando apenas que os cálculos de apuração dessa contribuição social estão errados. Isso porque, os critérios de incidência de aliquota, de adições e exclusões na base de cálculo da contribuição devem ser os vigentes em 2002 e não os que estão em vigor no momento da autuação. Ao final requer a improcedência do lançamento. É o relatório. 49.S- 5 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou que a contribuinte, sujeita ao SIMPLES, omitiu receitas decorrente de pagamentos de compras com recursos estranhos à escrituração, conforme circularização de documentos nas empresas Unilever Brasil Ltda. e Asa Indústria e Comércio Ltda., relativo ao ano-calendário de 2002, bem como recolheu tributo em valor inferior ao efetivamente devido, eis que se utilizou de aliquotas inferiores às devidas. Inconformada com a manutenção do lançamento pela autoridade administrativa de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: (i) é inconstitucional a exigência do depósito recursal como requisito de admissibilidade do recurso; 00 deve ser anulado o lançamento face ao cerceamento de defesa sofrido, pois a fiscalização realizou diligência de forma unilateral; (iii) deve ser determinada à realização de diligência/pericia; (iv) é ilegal o lançamento diante da quebra de sigilo fiscal, que o Fisco não poderia presumir a omissão de receitas apenas com base em depósitos bancários; (v) o lançamento efetuado a titulo de PIS e COFINS não encontra amparo legal; (vi) o lançamento de CSLL foi calculado de maneira equivocada. De plano, cumpre observar que após a publicação em 06 de junho. de 2007, do Ato Declaratório Interpretativo da SRF n° 09 de 05 de junho de 2007, não mais é exigido o arrolamento de bens.e direitos como requisito de admissibilidade do recurso voluntário, razão pela qual tenho como ultrapassada a preliminar argüida pela contribuinte. Relativamente ao segundo argumento utilizado pela contribuinte, cumpre observar que ao contrário do que afirmou em sua defesa, não há o que se falar em nulidade do auto de infração por suposto cerceamento de defesa, em razão de não ter ela participado de todos os atos realizados pela fiscalização durante o procedimento fiscal, eis que nesta fase não há qualquer imputação de infringência a legislação pela contribuinte, que só ocorre por ocasião do lançamento e, a partir dai é que começa a fase litigiosa do contencioso administrativo, que tem inicio com a apresentação da impugnação, nos termos do art. 14 do Decreto n° 70.235/72. Dessa forma não vislumbro no presente caso qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, e/ou outros que justifique a declaração de nulidade dos autos de infração lavrados, mormente quando a contribuinte teve pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Tenho por não formulado o pedido de diligência/perícia pleiteado pela contribuinte em sua defesa, nos termos do §1° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, tendo em vista que a mesma não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, não indicou o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito conforme determina o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Processo n" 10280.003848/200649 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.196 Fl. 4 Ademais, mesmo que a contribuinte tivesse cumprido os requisitos previstos no dispositivo legal acima citado, é de se observar que a mesma é despicienda para o deslinde da questão, eis que existem nos autos provas suficientes para formar a convicção dos julgadores administrativos. Quanto ao argumento despendido pela contribuinte no sentido de que houve ilegalidade no uso de informações obtidas acerca da movimentação bancária para viabilizar isoladamente acesso a dados pessoais e sigilosos, é de se observar que a recorrente está equivocada quanto a esse fato, eis que tal hipótese não ocorreu nos autos. O que ocorreu de fato foi uma circularização de informações junto às empresas fornecedoras da recorrente — Unilever Brasil Ltda. e ASA — Indústria e Comércio Ltda., quando foi constatado que a contribuinte omitiu receitas caracterizadas pela falta de registro de pagamentos de notas fiscais de compras, tendo em vista que os valores pagos sobre essas compras no período objeto do lançamento, foram muito além do que efetivamente por ela declarado Portanto, não procede os argumentos apresentados pela contribuinte quanto à suposta presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista que esta não é esta a hipótese dos autos, mas sim de omissão de receitas decorrente de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, conforme explicitado no Auto de Infração de fl. 54. Quanto à insuficiência de recolhimento de tributado apurado no item 02 do Auto de Infração, é de se observar que a recorrente tenta provar seu acerto tão somente com base em meras alegações, no sentido de que os acentos contábeis fazem provas a seu favor, ou seja, não enfrenta o cerne da questão que foi a diferenças de tributos apurados pelo fato de ter se utilizado de alíquotas inferiores às devidas. Se não a enfrentou, certamente concluiu pelo acerto da fiscalização quanto ao real valor devido a título de tributos. Quanto aos lançamentos reflexos, especificamente em relação ao PIS, a contribuinte apresenta argumentos completamente desassociados dos fatos para afastar a infração que lhe foi imputada, quando assevera que a presente exigência está calcada em saldos credores de caixa, quando na verdade e como visto acima, a infração diz respeito à omissão de receitas caracterizadas pela falta de registro de pagamentos de compras, ou seja, operações a margem da escrituração. Quanto ao argumento de que foi utilizada a alíquota de 0,75% já considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal — Decretos-leis ns. 2.445/88 e 2.449/88 — novamente a recorrente se equivoca, eis que da simples leitura das fls. 59/60 dos autos — Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos -, vê se que a fiscalização utilizou aliquota diferenciada pelo fato de a contribuinte estar enquadrada no SIMPLES, o que afasta de plano sua alegação. Da mesma forma a contribuinte se equivoca em relação à COFINS, seja em relação à infração, que se diga mais uma vez não é decorrente de Saldo Credor de Caixa, como também em relação ao "suposto crédito???" que esta contribuição pode gerar depois de 2 anos e, ainda, em relação à ilegalidade da majoração da aliquota de 2% para 3%. 7 Quanto a essa "suposta receita nova", a contribuinte não consegue apontar qual dispositivo que a criou, ou melhor, transferiu para a autoridade fazendária arcar com o ônus da prova pericial neste sentido. Nada mais Kafkaniano. Quanto à suposta irregularidade de majoração da aliquota, está esfera não é a adequada para tratar de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de lei, matéria essa privativa do Poder Judiciário, que por sinal já se posicionou pela legalidade da majoração da aliquota via lei ordinária. Com relação à contribuição social sobre o lucro, par se tratar da mesma infração no âmbito do IRPJ, a solução a ele dada, aplica-se ao lançamento decorrente — CSLL em razão da intima relação de causa e efeitos que os vincula. Isto posto, voto no sentido de AFASTAR as preliminares suscitadas, para no mérito, NEGAR provimento ao recurso. É como voto. • • • 1 ORI - Relator
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Numero do processo: 10680.013659/2006-71
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Não cabe manifestação de inconformidade ou recurso voluntário, no rito previsto pelo Decreto nº 70.235/72, contra o despacho decisório que considerou não declarada a compensação.
Numero da decisão: 1201-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Andre Almeida Blanco (Suplente convocado), Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Não cabe manifestação de inconformidade ou recurso voluntário, no rito previsto pelo Decreto nº 70.235/72, contra o despacho decisório que considerou não declarada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Andre Almeida Blanco (Suplente convocado), Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 59 /2 00 6- 71 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 3 2 Por meio de lançamento de ofício o Fisco exige da contribuinte o pagamento de IRPJ e CSLL relativos a fatos geradores ocorridos ao longo do ano de 2002. Conforme relatado no termo de verificação fiscal (fl. 10 e ss.), restou constatada diferença entre os valores de IRPJ e CSLL apurados pela pessoa jurídica em sua DIPJ/2003, e os valores informados nas respectivas DCTFs. Inconformada com a exigência, a interessada propôs impugnação ao lançamento (fl. 101 e ss.) alegando, em síntese, o seguinte: a) que o IRPJ e a CSLL ora exigidos foram objeto de compensações consideradas não declaradas, conforme despacho decisório exarado no âmbito do processo nº 10680.000847/200559; b) que contra o acima referido despacho decisório foi proposta manifestação de inconformidade, a qual, todavia, foi arquivada sem sequer ter sido levada a julgamento pela DRJ competente; c) que tal arquivamento é ilegal, posto que realizado com base em norma publicada após a transmissão das mencionadas DCOMPs, qual seja, a Lei nº 11.051, de 29/12/2004, que dando nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, instituiu o conceito de compensação não declarada, excluindo para estas o contraditório previsto na legislação que trata do processo administrativo fiscal; d) que, no tocante à legalidade do direito creditório utilizado nas mencionadas compensações, é de se dizer que somente com o advento da Lei nº 11.051/2004 passou a ser vedada a utilização de créditos de terceiros ou créditos que não se refiram a tributos e contribuições administrados pela SRF; e) que por força da nova redação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória nº 303/2006, à hipótese de compensação não homologada passou a não mais ser imputável a penalidade aqui imposta. Assim, em atenção ao princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN), a multa deve ser afastada; f) que revelase confiscatória a multa de 75% aplicada sobre os débitos objeto das compensações; g) que, mesmo considerandose indevida a compensação, a multa aplicável seria a de mora, e não a de ofício, eis que os débitos foram informados na DCOMP; h) que com a confissão dos débitos em DCOMP ocorreu a denúncia espontânea, a teor do disposto no art. 138 do CTN, devendo portanto ser excluída a penalidade; i) que, em caso de dúvida, é de se aplicar o disposto no art. 112 do CTN. Por fim, pediu a interessada fosse declarado nulo o auto de infração ou, ao menos, fosse julgado improcedente o lançamento. Pediu ainda que a impugnação ao lançamento fosse julgada em conjunto com a manifestação de inconformidade contida nos autos do processo nº 10680.000847/200559. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 4 3 Ao examinar as razões de defesa a DRJ de origem denegou o pedido para julgamento em conjunto da impugnação com a manifestação de inconformidade presente no processo nº 10680.000847/200559, e decidiu pela procedência do lançamento (fl. 220 e ss.). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 242 e ss.) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na impugnação. Levado o voluntário à sua apreciação, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência (fl. 285 e ss.), a fim de que a autoridade local informasse as datas em que foram transmitidas as DCOMPs consideradas não declaradas no âmbito do processo nº 10680.000847/200559, bem como para que o referido processo fosse desarquivado e enviado a este Conselho. Cumprida a exigência, relatou a autoridade local (fl. 301) que as mencionadas DCOMPs haviam sido transmitidas, respectivamente, em 26/11/2004 e 05/12/2004. Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência, a interessada apenas reiterou os termos de seu recurso voluntário. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72. 2) Do Processo nº 10680.000847/200559 No âmbito do processo nº 10680.000847/200559 foi examinada a regularidade da DCOMP nº 03159.76938.261104.1.3.575674, transmitida em 26/11/2004. No mesmo processo há também a DCOMP nº 16559.06191.051204.1.3.578002, a qual, todavia, foi cancelada por iniciativa da própria contribuinte em 09/02/2005 (fl. 247). Pois bem, por meio de despacho decisório exarado em 25/09/2005 (fls. 247 e ss.), a DRF em Belo Horizonte considerou não declaradas as compensações, com fundamento no art. 4º da Lei nº 11.051, publicada em 30/12/2004, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, bem como no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as modificações introduzidas até a Lei nº 11.051/2004, assim estabelece: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 932DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 5 4 (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1odo Decreto Lei no491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 933DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 6 5 c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifouse) Exatamente em razão do estabelecido na norma acima citada, cujo teor também está contido na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a autoridade administrativa expressamente ressaltou no já referido despacho decisório o seguinte (fl. 250): Com base nesses dispositivos, a compensação considerada não declarada: 1º) Não extingue o crédito tributário (§2° do artigo 26 da IN 460/04); 2º ) Não é confissão de dívida (§4° do artigo 26); 3º) Não pode ser tratada como as consideradas "não homologadas" para os créditos tributários passíveis de restituição/ressarcimento , inclusive não se aplicando o rito do PAF, nos termos do "caput" do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 (art. 29, 30 e 48). Em sua parte dispositiva o despacho decisório assim estabeleceu (fls. 253/254): Ante o exposto, RESOLVO: Nos termos do artigo 4º da Lei n° 11.051/04, que deu nova redação ao artigo 74 da Lei n° 9.430/96, considerar não declarada a compensação dos débitos acima referidos; (...) Uma vez consideradas não declaradas as compensações, e tendo em vista o disposto no art. 74, §§ 9º, 10, 11, 12 e 13 da Lei nº 9.430/95, não caberia à interessada a propositura de manifestação de inconformidade contra o respectivo despacho decisório, nos termos do rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Assim, as alternativas de que dispunha a interessada para contestar o despacho decisório eram: (i) pedido de reconsideração e, não sendo atendido, recurso hierárquico, conforme estabelecido no art. 56 e seguintes, da Lei nº 9.784/99, ou; (ii) propositura de ação judicial, como por exemplo o mandado de segurança. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 7 6 Contudo, contra aquele despacho decisório a interessada propôs justamente manifestação de inconformidade, solicitando expressamente que fosse esta processada no rito do Decreto nº 70.235/72 (fl. 255 e ss.). Tendo em vista ser processualmente incabível o pleito da interessada, a autoridade local não encaminhou a referida manifestação de inconformidade à DRJ, para julgamento. Ao contrário, exarou despacho determinando o envio do processo ao arquivo, sob o argumento de que encontravase “administrativamente concluído” (fl. 305). Isso posto, não havendo o despacho decisório em comento sido reformado administrativamente, ou mesmo cassado judicialmente, deve ser indeferido o pedido da ora recorrente para que o presente processo seja julgado em conjunto com o processo 10680.000847/200559, já que este último não pode ser processado no rito do PAF. Ademais, não serão conhecidas no presente julgado, haja vista já terem sido definitivamente decididas no âmbito do processo 10680.000847/200559, as seguintes questões levantadas no presente recurso voluntário: a) sobre a legalidade da aplicação da Lei nº 11.05/2004 às compensações examinadas naquele processo; b) sobre a legalidade do despacho decisório que considerou não declaradas aquelas compensações; c) sobre a ilegalidade, para fins de compensação tributária, da utilização do direito creditório informado naquelas DCOMPs; 3) Da Multa Aplicada Afastada a reapreciação, no presente julgado, das questões referidas ao final do item anterior deste voto, restam ainda ser aqui apreciadas as demais questões levantadas pela interessada em seu recurso voluntário, todas elas referentes à legalidade da multa aplicada. Pois bem, em primeiro lugar argumenta a recorrente revelarse confiscatória a imposição da multa de 75%, incidente sobre os valores dos tributos lançados. Ocorre que a referida multa foi imposta em razão de estrita observância ao disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Em assim sendo, e tendo em conta que o argumento da defesa necessariamente exigiria o exame da constitucionalidade desta norma legal frente ao estabelecido no art. 150, IV, da Constituição, este Conselho também não poderá dele conhecer, a teor do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e na Súmula nº 2 do CARF, verbis: Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula CARF nº 2 (D.O.U. de 22/12/2009, Seção 1) Fl. 935DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 8 7 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega também a interessada que, por força da nova redação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória nº 303/2006, à hipótese de compensação não homologada não mais passou a ser imputável a penalidade sob exame. Afirma que, em atenção ao princípio da retroatividade benigna, referida multa deve ser afastada. Quanto essa alegação há que se ressaltar, inicialmente, que no presente processo não está sendo exigida a multa isolada a que se refere o art. 18 da Lei nº 10.833/2003. A multa sob exame é a de ofício, proporcional aos tributos não pagos e nem declarados, a teor do prescrito no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, cuja redação original assim estabelece: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) A Medida Provisória nº 303/2006, aludida pela defesa, alterou a redação da norma acima, atribuindolhe o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Ora, ao contrário do afirmado pela recorrente, a norma em sua nova redação não lhe é mais benéfica do que a norma em sua redação original. De fato, a infração imputada à contribuinte (falta de pagamento e declaração de tributos) encontrase prevista tanto na redação original quanto na nova redação, bem assim a penalidade imputada a essa infração (multa de 75% sobre o valor dos tributos não pagos e não declarados). Quanto à alegação segundo à qual a multa aplicável seria a de mora, há que se dizer que, tendo sido consideradas não declaradas as compensações, os débitos informados nas DCOMPs tratadas no processo 10680.000847/200559 não constituem confissão de dívida (art. 74, §§ 6º e 13, da Lei nº 9.430/96, já transcrito no item anterior de voto). E uma vez que os tributos ora exigidos também não foram pagos e nem confessados por meio de DCTF, correto o lançamento de ofício, com imposição da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.013659/200671 Acórdão n.º 1201000.746 S1C2T1 Fl. 9 8 O mesmo também vale para a alegação da recorrente segundo a qual teria havido denúncia espontânea dos débitos aqui exigidos, daí porque não caberia sequer a imposição de multa de mora. De fato, requisito de validade da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN é que ela seja acompanhada do pagamento dos tributos devidos. No caso, consideradas não declaradas as compensações, não houve extinção dos débitos, daí porque incabível falarse, no caso, em denúncia espontânea. Por fim, é de se rejeitar o pedido da defesa para aplicação do disposto no art. 112 do CTN (princípio do in dubio pro contribuinte), haja vista que não há dúvida nem sobre a infração praticada nem sobre a penalidade a ela cominada. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 937DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15889.000183/2007-77
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento. II) por maioria de votos, acolher a decadência no período de 01/1999 a 05/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava o art. 173, I do CTN.. III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INDICAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Considerase comprovada a ocorrência dos fatos geradores quando o fisco discrimina as remunerações pagas aos segurados e a fonte de dados onde extraiu as mesmas. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 83 /2 00 7- 77 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento. II) por maioria de votos, acolher a decadência no período de 01/1999 a 05/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava o art. 173, I do CTN.. III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000183/200777 Acórdão n.º 2401002.659 S2C4T1 Fl. 129 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.075.3330, na qual são exigidas do sujeito passivo acima identificado as contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais a seu serviço. De acordo com o relatório fiscal, fls. 28/29, as diferenças de contribuições apuradas dizem respeito a pagamentos efetuados pelo estabelecimento matriz a contribuintes individuais, os quais não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Cientificado do lançamento em 22/06/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 33/55, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS), que declarou procedente o lançamento (ver fls. 76/88), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Não é competência desta instancia administrativa apreciação da constitucionalidade de atos legais. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 0 prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme artigo 45 da lei 8.212/91. CONCEITO DE EXERCÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA 0 conceito de exercício para contagem do prazo de decadência corresponde ao ano civil, de 01/01 a 31/12. Não se confunde com o período de apuração do tributo. DA DISCRIMINAÇÃO DOS VALORES COBRADOS NA NFLD Os beneficiários e os respectivos documentos que originaram o lançamento estão especificados no Relatório de Lançamentos (RL). Garantida a ampla defesa e o contraditório. Da discriminação dos valores cobrados na NFLD JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa SeI ic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ã lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. DA MULTA A cobrança de multa e juros está prevista na legislação. 0 contribuinte que faz a confissão espontânea tem o direito de pagar a multa dc mora. A cobrança majorada da multa de oficio é imposição do principio da isonomia. Lançamento Procedente Inconformado, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 96/121, no qual alegou que operouse a decadência para a maior parte das competências lançadas. Defende ainda que somente podem ser exigidas as contribuições em tela se forem discriminados um a um os segurados que tenham sido remunerados pela empresa. Afirma que o fisco deve trazer ao processo elementos seguros quanto à ocorrência dos fatos geradores. A recorrente assevera que a incidência da taxa SELIC sobre as contribuições lançadas carece de respaldo jurídico. Segundo a empresa a multa, por ser progressiva no tempo, é ilegal de deve ser expurgada do crédito. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ, com acolhida de todas as razões suscitadas no recurso. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000183/200777 Acórdão n.º 2401002.659 S2C4T1 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Falta de comprovação do fato gerador Inicio o recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da suposta falta de demonstração da ocorrência do fato gerador. Asseverase que o fisco não se desvencilhou do ônus de provar que o fato jurídico tributário efetivamente ocorreu, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. Na seqüência, indica expressamente as evidências que culminaram com a conclusão acerca da ocorrência dos mesmos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à empresa, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as folhas de pagamento. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. Observese que, ao contrário do que afirma a empresa, o Relatório de Lançamentos indica de forma individualizada cada um dos pagamentos que foram considerados na apuração. Sobre esses valores a empresa não trouxe nenhum argumento específico, mantendose nas alegações genéricas. Em adição a isso, o relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Vejase que se o fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000183/200777 Acórdão n.º 2401002.659 S2C4T1 Fl. 131 7 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico do relato do fisco que se tratam de diferenças de contribuição, assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências de 01/1999 até 05/2002, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 22/06/2007. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Verificase que a multa foi aplicada nonos moldes previstos no revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000183/200777 Acórdão n.º 2401002.659 S2C4T1 Fl. 132 9 pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por acolher a decadência no período de 01/1999 a 05/2002 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.000095/2004-51
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CSLL - COFINS E PIS.
Diante do teor da Súmula vinculante n2 8, do Supremo Tribunal
Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco
efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve
obedecer às regras previstas no CTN.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO//00-00.040
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CSLL-COFINS E PIS. Diante do teor da Súmula vinculante n2 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O 10 PRAGA Presidente 7jL Processo n° 16327 000095/2004-51 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.040 Fls. 2 fe.A-4A MARIA TERE A MARTINEZ LÓPEZ Relatora FORMALIZADO EM: O 8 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Trata-se de Recurso Especial ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/01-05.696, de 10 de setembro de 2007, que por maioria de votos, afastou a aplicação do art. 45 da Lei n9 8.212/91. A ementa do acórdão possui a seguinte ementa: DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF — A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do 4 0 do artigo 150 do CTN. Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando s matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. (STF TRIBUNAL PLENO — RE 407190/RS - SESSÃO DE 27-10-2004). Recurso especial negado. 2 Processo rr 16327.000095/2004-51 CSRF/T00 Acórdão o.° 00-00.040 Fls. 3 A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 403/407) alega divergência entre as Turmas da Câmara Superior, invocando como paradigma o Acórdão CSRF/02- 01.722, de 13/09/2004, que decidiu pela aplicabilidade do art. 45 da Lei n 9 8.212/91. Alegou que no Acórdão recorrido deixou-se de aplicar lei específica — Lei n°8.212/91, a qual estabelece, para o lançamento das Contribuições Sociais, o prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Afirma a existência de precedentes dos Tribunais Superiores no sentido de que as contribuições para a seguridade social cujo prazo para constituição, com a edição da Lei n° 8.212/91, passou a ser de dez anos. Diante da observância dos pressupostos regimentais exigidos para sua admissibilidade, por meio do Despacho CSRF n° 009/2008, foi acolhido e dado seguimento ao recurso especial ao Pleno da CSRF. A interessada foi regularmente notificada e apresentou contra-razões em tempo hábil, alegando o não cabimento de novo recurso especial e pugnando pela mantença do julgado recorrido. Trouxe ao conhecimento o teor da Súmula vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Aprecia-se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, pelo qual se discute a figura da decadência dos créditos lançados. A Câmara recorrida manteve a decadência pela regra do art. 150, §4° do CTN, após ter sido afastado do auto de infração, a multa qualificada de 150%. Tendo em vista que a contribuinte foi cientificada em 10/01/2004, o Acórdão recorrido manteve a decadência das exigências das contribuições (CSL,PIS e Cofins) referentes aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1998. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n°8.212/91. f 3 . . ,. 4 Processo e 16327.000095/2004-51 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.040 Fls. 4 O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n2 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do sÇ 4° do art. 2° da Lei n" 11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, D.1 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Venoso, LM 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n°8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146,111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n" 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. I) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212/91 não há como se acolher o pleito da Procuradoria da Fazenda Nacional no sentido de reformar a decisão recorrida para restabelecer a decisão de primeira instância. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. ital. .....—e".v. .MARIA TERES RT1NEZ LÓPEZ 4 Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.001881/2001-62
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.009
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada),
Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte.
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. / CARLOS ALB ' I* REITAS :ARRETO - Presidente 4101? n,* MARCOS P0 — " elator EDITADO EM:9 1 Ui) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n°303-33.369, exarado na sessão de julgamento de 13 de julho de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 541/543. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 522/532. O contribuinte, intimado, apresentou contra-razões às fls. 555/561. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10120.001881/2001-62 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.009 Fl. 2 Voto . • . Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Rtlatoe Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1° , da Lei n° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente, pois o contribuinte apresentou o ADA fora do prazo previsto na legislação de regência. Argumentou ainda que a glosa das áreas de reserva legal também devem ser mantida, tendo em vista a ausência de averbação da área declarada no Registro de Imóveis. Para comprovar as duas divergências apresentou como paradigma o acórdão n° 302-36.278, de 09 de julho de 2004, exarada pela 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Conforme visto, restou estabelecida as divergências de interpretação de lei tributária entre a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. 3 Previamente, há que se esclarecer que não se coaduna com a melhor interpretação a argumentação acerca da desnecessidade de produção de prova da existência das áreas declaradas tem base no disposto no § 70 da Lei n° 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: § 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Da simples leitura do dispositivo transcrito chega-se à conclusão de que o que não é necessária é a prévia comprovação das áreas declaradas. É da essência da atividade de fiscalização que a autoridade tributária, com o fito de comprovar informação constante das diversas declarações elaboradas pelos contribuintes, intime-os a proceder a comprovação daquilo que foi declarado. Assim, a lei desobriga da prévia comprovação, mas não limita a atividade de fiscalização, impedindo a autoridade tributária de proceder seu mister de averiguar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de outros aspectos que possam impactar o dimensionamento do crédito tributário devido. Sendo assim, há de se verificar se houve a comprovação nos autos da existência das áreas declaradas. No mérito. A primeira discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do ITR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n°9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (-) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 4 Processo n° 10120.001881/2001-62 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.009 Fl. 3 Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 2° e § 3° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (.) § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontra-se estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 43, de 1997, com redação da IN SRF n° 67, de 1997: Art 10, Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas; 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infra-legal, contrapõe-se ao princípio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1° do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (.) II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (.) § 1° Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 10 da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei e 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria." (NR) (.) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Assim, a área de preservação permanente deve ser excluída da tributação do ITR, salvo no tocante à área de reserva legal que passaremos a analisar. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbayao no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia 6 Processo n° 10120.001881/2001-62 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.009 Fl. 4 averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei no 7.803, de 1989: 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de 7 transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 8 Processo n° 10120.001881/2001-62 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.009 Fl. 5 Tendo em vista que a averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, se deu posteriormente à ocorrência do fato gerador, tais área deverão compor a base de cálculo para tributação do ITR. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recursos para manter a tributação do ITR sobre a área de reserva legal. 0 Caio arcos Candido - Rel.. r • 9
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Numero do processo: 10580.004181/2007-06
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS.
Em se confirmando falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, mas tendo essa constatação e a conseqüente imposição da multa isolada sido efetuada após o encerramento do período-base de incidência, oportunidade em que os tributos definitivos já teriam sido apurados e declarados na DIPJ, e ficado demonstrado que referidas antecipações correspondiam ao valor dos tributos que foram calculados e recolhidos em caráter definitivo, a imposição dessa penalidade, em face do inadimplemento de antecipação com base em valor que àquela época deixara de ser pago em montante estimado, merece ser afastada.
Numero da decisão: 1101-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente)
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Em se confirmando falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, mas tendo essa constatação e a conseqüente imposição da multa isolada sido efetuada após o encerramento do período-base de incidência, oportunidade em que os tributos definitivos já teriam sido apurados e declarados na DIPJ, e ficado demonstrado que referidas antecipações correspondiam ao valor dos tributos que foram calculados e recolhidos em caráter definitivo, a imposição dessa penalidade, em face do inadimplemento de antecipação com base em valor que àquela época deixara de ser pago em montante estimado, merece ser afastada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 12 1 11 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.004181/200706 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.784 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente CITELUZ SERVIÇOS DE ILUMINAÇÃO URBANA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Em se confirmando falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, mas tendo essa constatação e a conseqüente imposição da multa isolada sido efetuada após o encerramento do períodobase de incidência, oportunidade em que os tributos definitivos já teriam sido apurados e declarados na DIPJ, e ficado demonstrado que referidas antecipações correspondiam ao valor dos tributos que foram calculados e recolhidos em caráter definitivo, a imposição dessa penalidade, em face do inadimplemento de antecipação com base em valor que àquela época deixara de ser pago em montante estimado, merece ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 41 81 /2 00 7- 06 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 José Ricardo da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10580.004181/200706 Acórdão n.º 1101000.784 S1C1T1 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela CITE LUZ SERVIÇOS DE ILUMINAÇÃO URBANA S.A (fls. 102/119, v. 1), em face do acórdão 1519.465, proferido pela 2ª Turma da DRJ/SDR, em 29 de maio de 2009 que, ao apreciar sua Impugnação, a julgou improcedente, mantendo os autos de infração lavrados (fls. 86/98, v. 1) Consta dos autos que contra a Recorrente foram lavrados Autos de Infração (fls. 06/12, v. 1) para à imposição de multa de ofício isolada pela falta de recolhimento das estimativas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, incidentes sobre as bases de cálculo estimadas em função de balanço de suspensão/redução relativos aos meses de dezembro de 2002, conforme ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ/2003, e balancete transcrito no Livro Diário, nos valores, respectivos, de R$ 185.193,38 e R$ 71.434,20. Foram citados os seguintes dispositivos legais tidos como violados: art. 222 e 843, do RIR/99, c/c art. 44, §1º, IV, da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14, da MP 351/07, c/c art. 106, II, alínea “C”, da Lei 5.172/96. Ao tomar ciência dos autos de infração, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 29/55, v. 1), sob os seguintes fundamentos: a) de fato a matéria fiscalizada se refere à CSLL e ao IRPJ do mês de dezembro de 2002, e que não foram recolhidos tempestivamente. Contudo, parcelou a contribuição devida nos autos do processo 10580.003248/200335, com os acréscimos de multa e juros de mora; b) não há prova nos autos de alguma irregularidade passível da penalidade tipificada no art. 44, §1º, IV, da Lei 9.430/96, com as alterações do art. 14, da MP 351/07; c) o §1º do art. 44, da Lei 9.430/96 não contempla o inciso IV, que prevê a aplicação da multa isolada, não podendo haver a aplicação de penalidade sem que haja a exata tipificação legal; d) alega vício no procedimento fiscalizatório, pois inexistiu MPF, indicado no auto de infração para levar a efeito os atos de fiscalização e a constituição do crédito tributário; e) no mérito afirma que não seria aplicável a multa isolada no caso concreto, pois o art. 2º, da Lei 9.430/96 prevê a obrigação dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL por estimativa, mensalmente, calculados sobre a receita bruta. Essa antecipação pode ser reduzida desde que haja a demonstração do resultado por balancetes registrados no Livro Diário, conforme art. 230, do RIR/99; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 f) apresentou a fiscalização o balancete de dezembro de 2002, registrado no Diário. Desta forma, comprovou a apuração de IRPJ/CSLL devidos em valores inferiores aos calculados por estimativa; g) isso foi reconhecido pelo fisco, como se pode verificar das bases de cálculo utilizadas para os lançamentos de IRPJ e CSLL, que foram apuradas no Balanço de Redução de dezembro de 2002; h) atendeu aos requisitos legais de apuração do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 230, do RIR/99, inclusive o pagamento, não sendo aplicável a penalidade; i) é improcedente o entendimento da fiscalização de que houve falta de recolhimento, pois parcelou os débitos de IRPJ e CSLL, no próprio ano de 2003, com os acréscimos devidos; j) o fato gerador do IRPJ e da CSLL é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, e os recolhimentos mensais são antecipações que devem ser levadas à apuração final do anocalendário; k) ao final de cada exercício a aplicação da multa isolada perde sua significância, pois não mais são devidos as antecipações em face da apuração final; l) a multa isolada é devida quando o contribuinte deixa de pagar a estimativa no anocalendário correspondente. O IRPJ e a CSLL por estimativa apurados no mês de dezembro de 2002 não poderiam ser pagos no mesmo anocalendário, sendo a obrigação deslocada, automaticamente, para o anocalendário subseqüente, equivalente dizer quer não se aplica o tipo penal previsto no inciso IV, do §1º, do art. 44, da Lei 9.430/96 ao IRPJ e à CSLL por estimativa devidos no mês de dezembro; m) a interpretação do art. 138, do CTN, permite concluir que o contribuinte não pode ser apenado pelo fato de não ter promovido o pagamento de determinado tributo na data do seu respectivo vencimento, desde que tenha espontaneamente se antecipado à autuação fiscal; n) não é exigido que a denúncia se faça acompanhar de confissão, nem de pagamento; o) a denúncia espontânea afasta a responsabilidade pela sanção resultante do ilício. A multa moratória não traduz compensação pelo atraso no pagamento. Ela tem como objetivo punir o contribuinte que não cumpre a obrigação voluntariamente; p) como se antecipou e confessou o valor devido, providenciando o pagamento do crédito tributário, não se pode aplicar a multa de ofício ou da multa isolada, por exclusão da responsabilidade; Ao ser apreciada a Impugnação apresentada, os membros 2ª Turma da DRJ/SDR a julgaram improcedente, conforme se verifica da ementa do julgado: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10580.004181/200706 Acórdão n.º 1101000.784 S1C1T1 Fl. 14 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DISPENSA. É dispensada a exigência do MPF no caso de procedimento de fiscalização que visa unicamente à revisão interna das declarações do imposto de renda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DE DÉBITOS. IRPJ. CSLL. O parcelamento do imposto de renda e da contribuição social apurados na declaração anual de ajuste não caracteriza a denúncia espontânea de débitos relativos a estimativas não pagas, para efeito de inibir a aplicação da multa isolada decorrente da falta de recolhimento dos referidos tributos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual sujeitase à aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, relativa ao . mês de dezembro, ainda que tenha parcelado o saldo final do imposto apurado em 31 de dezembro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual sujeitase à aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa da CSLL, relativa ao mês de dezembro, ainda que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 tenha parcelado o saldo final da contribuição apurado em 31 de dezembro. Lançamento Procedente Ao ser cientificada da decisão proferida, em 28/07/2009 (AR. de fls. 89) e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2009 (fls. 90 e seguintes), sob os seguintes fundamentos: q) argüiu, em preliminar, a nulidade do auto de infração, pois ele se funda nos arts. 222 e 843, do RIR/99, c/c art. 44, §1º, IV, da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07, c/c art. 106, II, alínea “c”, da Lei 5.172/66, enquanto o §1º do art. 44, da Lei 9.430/96, não contempla o inciso IV, que prevê a aplicação da multa isolada. Logo, não se pode aplicar penalidade sem que haja a exata tipificação legal; r) para que a fiscalização reconhecesse a validade da redução/suspensão, que redundou na lavratura dos autos de infração em questão, necessário se faria a emissão do MPF, o que não houve no presente caso. Por conta disso, argüiu a nulidade do lançamento; s) não poderia o fisco saber que os valores foram incidentes sobre “as bases estimadas em função de balanço de suspensão/redução”, e que tais balanços foram transcritos no Livro Diário, se a fiscalização tivesse ocorrido em revisão interna; t) para atestar a elaboração do balanço e seu respectivo registro no livro diário, necessário se faria a verificação dos livros da Recorrente, bem como os cálculos dos balanços suspensão/redução; u) por conta disto é inaplicável o art. 11, IV, da Portaria 6.087/05 ao caso vertente; v) no mérito, alega que é fato que a Recorrente atrasou o pagamento do IRPJ e da CSLL devidas, em face da apuração em Balanço Redução, mas realizou o pagamento em atraso, com os acréscimos legais, o que afasta a incidência da multa isolada; w) informa que, tomandose como referência a locução “que deixar de faze lo” contida no inciso IV, do §1º, do art. 44, da Lei 9.430/96, impende ratificar que, no caso em tela, a Recorrente não deixou de fazelo, e sim o fêlo em atraso; x) o art. 2º, da Lei 9.430/96 prevê a obrigação dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL por estimativa, mensalmente, calculados sobre a receita bruta; y) que essa antecipação pode ser reduzida ou deduzida desde que haja demonstração do resultado por balancetes registrados no livro diário, conforme o art. 230, do RIR/99; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10580.004181/200706 Acórdão n.º 1101000.784 S1C1T1 Fl. 15 7 z) que apresentou à fiscalização o balancete de dezembro de 2002 registrado no Livro Diário, que comprova a que apuração do IRPJ/CSLL devidos é inferior ao calculado por Estimativa; aa) cumprida a obrigação acessória, automaticamente a obrigação principal ficou reduzida; bb) que a fiscalização reconheceu isto, tanto que a base de cálculo utilizada para o lançamento do IRPJ e da CSLL foi o apurado no Balanço Redução de dezembro de 2012; cc) a fiscalização não poderia dizer que não foi cumprida a obrigação prevista no art. 2º, da Lei 9.430/96, ao reconhece que a Recorrente deveria pagar o IRPJ e a CSLL com base no Balanço Suspensão/Redução, e não a estimativa pura e simples calculada sobre a receita bruta; dd) atendeu aos requisitos legais de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, na forma do art. 230, do RIR/99, inclusive o pagamento, não sendo, portanto, aplicável a penalidade isolada; ee) improcede o entendimento de que houve falta de recolhimento, pois a Recorrente parcelou os débitos de IRPJ e CSLL no ano de 2003, com os acréscimos legais, não podendo se falar em falta de pagamento; ff) não é possível aplicar duas penalidades sobre uma mesma ação, pois ingressou com pedido de parcelamento para adimplir os débitos, pedido este que foi deferido em 30/05/2003, no Processo 10580.003248/2003 53, com os acréscimos de multa de mora e juros de mora; gg) cita decisões proferidas nos acórdão 10708283 e 10321.143, que se alinham a tese de defesa da Recorrente; hh) o fato gerador do IRPJ e da CSLL é o lucro apurado no final do exercício, em 31 de dezembro de cada ano. Os recolhimentos mensais são, em verdade, antecipações que devem ser levadas à apuração final do anocalendário. Desta ao final de cada exercício, o valor devido passa a ser o IRPJ e a CSLL apurados no ano como um todo, e não mais a cada mês, pois, ali, os pagamentos serão ajustados ao resultado do exercício, apurandose IRPJ e CSLL a pagar, ou crédito para compensação com o devido no exercício seguinte; ii) assim, a aplicação da multa isolada perde sua significação, pois não mais são devidas as antecipações em face da apuração final; jj) no caso em tela, o valor apurado no balancete de dezembro de 2002 corresponde ao resultado do exercício apurado na DIPJ 2003, donde se conclui que a parcela de antecipação se confunde com o resultado do exercício; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 kk) a vedação de cobrança de multa isolada sobre falta de pagamento de estimativa após o encerramento do exercício se encontra pacifica no âmbito do contencioso administrativo, conforme decisões proferidas nos acórdãos 10515429 e CSRF/0105.327; ll) a norma penal aplicada prevê que a multa isolada será devida quando o contribuinte, em descumprimento ao art. 2º, da Lei 9.430/96, deixar de fazelo no anocalendário correspondente, ou seja, o valor do IRPJ e da CSLL, por estimativa do anocalendário de 2002, deve ser pago no ano calendário correspondente; mm) o IRPJ e a CSLL, por estimativa, apurados no mês de dezembro de 2002, não poderiam ser pagos no mesmo anocalendário. Isso porque, o encerramento do mês de dezembro se dá no dia 31, sendo impossível realizar o seu pagamento no próprio dia 31; nn) assim, a obrigação se desloca paga o anocalendário subseqüente, equivalendo a dizer que impede a aplicação do tipo penal previsto no inciso IV, do §1º, do art. 44, da Lei 9.430/96 ao IRPJ e à CSLL estimativa – redução/suspensão – devidos no mês de dezembro; oo) se entendermos que a locução “no anocalendário correspondente” deve ser aplicada ao mês de dezembro de cada ano, como sendo a “ano calendário subseqüente”, teremos que a multa isolada não pode ser aplicada a este caso em concreto, pois no anocalendário de 2003 houve o pagamento das obrigações; pp) a Recorrente entende que não há suporte fático bastante e suficiente para ensejar a incidência da norma penal tributária pretendida pelos autos de infração do Imposto de Renda e da Contribuição Social relativos à dezembro de 2002; qq) como se antecipou a fiscalização e promoveu a liquidação da obrigação por meio do parcelamento deferido pelo fisco, ocorreu a denúncia espontânea, que afasta a aplicação da multa em apreço, nos termos do art. 138, do CTN; rr) cita o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema Tributário nº, 57/79, item 7.2, onde se explicita a faculdade do contribuinte denunciarse espontaneamente; ss) cita decisão do STJ proferida no RESP 117.031/SC, além do acórdão 10708111, do extinto Conselho de Contribuintes; tt) ao final, pede o provimento de seu recurso. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10580.004181/200706 Acórdão n.º 1101000.784 S1C1T1 Fl. 16 9 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que a questão básica a ser discutida nesta assentada referese à imposição de multa de ofício isolada pela falta de recolhimento da estimativa do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, consoante art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, incidentes sobre bases de cálculo apuradas em balancete levantado em 31 de dezembro de 2002, transcrito no Livro Diário e consignado na ficha 11 da DIPJ do anocalendário 2002, exercício 2003, nos seguintes valores: · IRPJ a pagar: R$370.386,75 (auto de infração – fls. 05) · Multa (50%): R$185.193,38 · CSLL a pagar: R$142.868,40 (auto de infração – fls. 08) · Multa (50%): R$71.434,20 Consta do voto condutor da decisão recorrida que o fato de a contribuinte haver efetuado o recolhimento dos mencionados tributos apurados na DIPJ/2003, com vencimento em 31/03/2003, não a desobrigava do recolhimento das estimativas relativas ao mês de dezembro/2002, com vencimento no último dia do mês de janeiro de 2003, em conformidade com o disposto no artigo 6º, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Consta, ainda, do citado voto condutor que: No caso presente, a Autuada optou pela tributação com base no lucro real anual, submetendose, portanto, aos recolhimentos mensais por estimativa. A alternativa a tais recolhimentos repousa na elaboração de balanços ou balancetes de verificação, com força para suspender ou reduzir o pagamento, o que foi efetuado pela Impugnante, ao menos em relação ao mês de dezembro de 2002, e que: A Impugnante argumenta que se antecipou à Fiscalização, tendo parcelado tanto o IRPJ como a CSLL devidos, ainda durante o ano de 2003, não estando sujeita, dessa forma, à multa aplicada, uma vez que houve o recolhimento, com os acréscimos legais devidos, acrescentando que, após o encerramento do anocalendário e apurado o imposto final, descabe a aplicação da penalidade decorrente da falta de recolhimento das estimativas. A ciência dos lançamentos de ofício ocorreu em 23/05/2007 (AR. fls. 19 e 20), portanto após haver transcorrido mais de quatro anos do encerramento do períodobase em que foram apuradas as estimativas que deveriam ter sido recolhidas a título de antecipação do devido na DIPJ/2003. Vêse, pois, que em 23/05/2007, momento da lavratura dos autos de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 infração para cobrança da multa isolada pela falta do recolhimento das mencionadas antecipações, os tributos efetivamente devidos já haviam sido pagos, nada mais havendo a ser recolhido a esse título. Outra observação relevante é quanto ao pequeno intervalo de 2 (dois) meses entre a data de vencimento das estimativas/antecipações não recolhidas, 31/01/2003, e a data de vencimento dos tributos definitivos apurados na DIPJ/2003, em 31/03/2003, vindo essas mesmas antecipações não recolhidas a gerar multa de 50% nesse diminuto espaço de tempo, o que considero um gravame extremamente desproporcional à infração fiscal cometida. Para mim, esse é um caso típico a demonstrar claramente o quanto seria importante que o lançamento da multa isolada fosse efetuado somente enquanto ainda não encerrado o períodobase. Considero importantes essas observações para demonstrar o porquê do meu posicionamento no sentido de que, em se confirmando insuficiência no recolhimento de estimativas, mas tendo essa constatação e a conseqüente imposição da multa isolada sido efetuada após o encerramento do períodobase de referência, oportunidade em que os tributos definitivos já teriam sido apurados e declarados na DIPJ, e ficado demonstrado que referidas antecipações correspondiam ao valor dos tributos que foram calculados e recolhidos em caráter definitivo, a imposição de penalidade tão gravosa, em face do inadimplemento de antecipação com base em valor que àquela época deixara de ser pago em montante estimado, deve ser afastada. Ainda mais no presente caso em que, em 31/01/2003, data de vencimento da antecipação, já se tinha conhecimento do valor exato do IRPJ e da CSLL que deveriam ser recolhidos em 31/03/2003, ou seja, farseia o pagamento da antecipação e dois meses após procederseia a correspondente compensação desse mesmo valor com os tributos declarados na DIPJ/2003. No caso, a contribuinte não fez o pagamento das antecipações mas efetuou o pagamento dos tributos constantes da DIPJ/2003, cujo vencimento ocorreu apenas 60 dias após o vencimento das antecipações. Em se admitindo a procedência do lançamento estarseia impondo gravame de 50% sobre o valor dos tributos devidos, em face do atraso, repitase, de apenas 60 dias no recolhimento que deveria ter sido efetuado a título de antecipação. Acrescentese a esses o fato de após o encerramento do períodobase já ser conhecido o valor exato dos tributos devidos, declarados que foram na DIPJ/2003, não mais se tratando de valores estimados, mas definitivos. Portanto, poderia ser o caso de se exigir os acréscimos moratórios referentes ao intervalo de 60 dias entre janeiro e março de 2003, mas não o de impor gravame em patamar tão elevado sobre tributos que haviam sido apurados há mais de quatro anos e que se encontravam integralmente liquidados quando da lavratura do auto de infração. Por essas razões entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário. É como voto. José Ricardo da Silva Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10580.004181/200706 Acórdão n.º 1101000.784 S1C1T1 Fl. 17 11 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA
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