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Numero do processo: 11030.001044/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810),
havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei
9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado
(assistência à saúde), excluindo-se, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele.
Numero da decisão: 1103-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 262 2 documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Em foco recurso voluntário visando à reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa MariaRS que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 28/05/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo FundoRS com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na tributação, pelo regime do Lucro Presumido, dos valores das receitas constantes na escrita contábil da contribuinte ao coeficiente de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento) correlato à atividade de prestação de serviços gerais, na forma dos artigos 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, deduzidos dos valores apurados pela contribuinte mediante a aplicação do percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento) para o IRPJ e de 12% (doze por cento) para a CSLL, afetos às atividades de prestação de serviços hospitalares, em face da imputação fiscal de não enquadramento do sujeito passivo como prestadora desta atividade no período compreendido entre o primeiro trimestre civil de 2004 ao quarto trimestre civil de 2006. Houve, também, apuração de que no quarto trimestre do ano calendário de 2004 a contribuinte deixou de pagar e/ou confessar parte do IRPJ apurado em sua própria contabilidade. Impugnando os lançamentos a contribuinte alegou preliminar de nulidade do auto de infração por não ter sido observado que se encontra ao abrigo da Solução de Consulta nº 243, a qual lhe reconheceu o direito de aplicar o coeficiente de presunção do lucro de 8% e 12% (IRPJ e CSLL), bem assim, que não houve a prévia notificação quanto a alteração do entendimento fiscal para que somente a partir desta tivesse o dever de calcular os tributos pela base de 32%. Quanto ao mérito deduziu que atendeu as exigências do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, contratando médicos e com isso demonstrando que a prestação de serviços na área de diagnóstico não é exercida exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica, bem assim, que o fato de estar registrada no Registro Civil de Título e Documentos é presunção relativa de que se está diante da sociedade Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 263 3 simples, a qual é afastada diante do modo como é exercida a atividade e que sempre adotou as normas da sociedade limitada com relação à responsabilidade dos sócios, ou seja, já se enquadrava no conceito de atividade empresária (art. 966 do Código Civil), tanto que recolhe o Imposto Sobre Serviços sobre o seu faturamento (não como profissional) informando, ainda, que atualmente é registrada na Junta Comercial. Argüiu que formulou consulta a SRF acerca de qual base de cálculo deveria aplicar, se 8% (serviços hospitalares) ou se 32% (prestadores de serviços em geral). A resposta (Solução de Consulta n° 243, de 28 de novembro de 2003) foi de que poderia ser aplicado o percentual de 8% sobre a receita bruta relativa à prestação de serviços de raiosX, radiodiagnóstico e radioterapia, desde que fossem atendidos os requisitos incluídos no ADI SRF nº 18, de 2003, e que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas têm status de norma complementar, tal como ocorre com a Solução de Consulta n° 243, que veiculou norma individual e concreta, sendo que os efeitos desta perduram até que seja intimada da edição de nova norma que anuncie a alteração do entendimento anterior. Ao final requereu o reconhecimento da nulidade dos autos de infração e a improcedência da exigência ou, se assim não for entendido, a exclusão da multa, juros e correção monetária, na forma ditada pelo artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), tudo em vista do artigo 29 da Lei nº 11.727/2008 ter sedimentado a questão decretando que os percentuais desses serviços é de 8% e 12% (IRPJ e CSLL), norma esta que tem caráter meramente interpretativo. A douta 1ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e entendeu procedentes os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 1811.216, tomado por unanimidade de votos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos Autos de Infração. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS A solução de consulta formaliza o entendimento acerca da legislação tributária devendo ser observado pelo julgador, pois a ela está vinculada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DECLARADO A MENOR As diferenças de imposto declaradas a menor devem ser exigidas por intermédio de lançamento de ofício. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 264 4 Nos anoscalendário de 2004 a 2006, os serviços profissionais de medicina em radiologia, ultrassonografia, mamografia, tomografia computadorizada, densitometria óssea, ecocardiografia e ressonância magnética, não se enquadram no conceito de serviços hospitalares quando ausentes os requisitos previstos nas normas legais à época, devendo ser aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta auferida, para fins de apuração do lucro presumido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE Tratandose de exigência que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA TAXA SELIC E cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicála. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada por falta de previsão legal.” Cientificada em 17/09/2009, fl. 232, a contribuinte apresentou em 08 do mês seguinte o recurso de fls. 233/251 no qual reprisa suas razões e pedidos originários (exceto no tocante à nulidade dos autos de infração), acrescentando que a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu no RESP 951.251/PR que os serviços de diagnóstico por imagem possuem natureza hospitalar, ao mesmo tempo em que declarou ilegais as Instruções Normativas da Receita Federal nº. 480, de 2004, e nº 539, de 2005, as quais fixaram interpretações restritivas ao conceito desses serviços, entre elas a necessidade de estrutura para internação de pacientes, legislação esta justamente utilizada como fundamentação pela decisão recorrida. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 265 5 Registro, inicialmente, que a parcela do auto de infração condizente à exigência de tributo registrado na escrituração contábil mas não confessado/pago, apurada no quarto trimestre do anocalendário de 2004, não foi objeto de recurso. Cingese o litígio na apuração da natureza jurídica da receita de serviços prestados pela contribuinte, sobre a qual ela aplicou percentual de presunção de lucro de oito por cento ao pressuposto de se tratar de receita da atividade hospitalar, enquanto o entendimento do Fisco, abrigado pela r. decisão recorrida, foi a de que antes de 1º de janeiro de 2009, data a partir da qual a Lei nº 11.727/2008 fixou idêntico coeficiente de presunção aos serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, o lucro desses serviços deve ser presumido à ordem de trinta e dois por cento em face da Recorrente não se encontrar inscrita no Registro Público de Empresas Mercantis, não ter atendido às demais condições estatuídas pela Solução de Consulta nº 243/2003 da SRRF da 10ª Região Fiscal, não ter comprovado que era um estabelecimento hospitalar com estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes e ainda não ter comprovado que exercia uma ou mais das atribuições tratadas no subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 2002, alteradas pela RDC nº 307 de 2002 e RDC nº 189 de 2003. Em tema de serviços de saúde sempre entendi que o objetivo da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, ao diferenciar o coeficiente de presunção do lucro, base que serve ao cálculo do imposto de renda, se oito ou trinta e dois por cento, reside na questão dos custos incorridos pelo prestador. Assim, se uma sociedade de médicos realiza simples consultas o legislador estimou para ela custos até sessenta e oito por cento da receita auferida, inferiores, portanto aos noventa e dois por cento igualmente previstos para uma sociedade paradigma dotada de estrutura cuja teia de despesas abarca todo um arcabouço maquinário (instrumentos e equipamentos) e hoteleiro (alimentação e estadia) e não somente questões prediais e de pessoal, neste particular comuns à primeira. Ainda, firmo convicção que em caso de situação fática controvertida o Código Tributário Nacional, em seu artigo 111, veda interpretações ampliativas quando em análise a figura de benefício fiscal, mormente porque possui o contribuinte a opção legal de utilizar o regime do lucro real, onde a base de cálculo exsurge do confronto entre a receita e custos efetivos. Confortoume o advento da diretriz vinda com a Lei nº 11.727, de 23 de junho 2008, na medida em que deu ressonância àquele entendimento ao eleger os serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas como passíveis de presunção de oito por cento, exatamente porque estes serviços requisitam aparato maquinário com manutenção continuadamente dispendiosa, quiçá vultosa. Registro que este novo diploma legal não veiculou equiparação desses serviços aos hospitalares, ao contrário, excetuouos da regra geral autonomamente, criando nova relação jurídica, de sorte que não se trata de norma meramente interpretativa. No caso dos autos, a ver pelo instrumento de contrato juntado às fls. 153/159, não ficam dúvidas que a Recorrente exerce, por seus membros, simples atividade intelectual e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 266 6 isso atrai o coeficiente de presunção do lucro de trinta e dois por cento. Assim concluo porque a área física e os instrumentos destinados aos diagnósticos por imagem (radiologia geral, mamografia, ultrasonografia, tomografia computadorizada, densiometria óssea) e ainda o corpo funcional destinado à secretaria, recepção e limpeza, além dos técnicos em radiologia e de enfermagem, pertencem ou são alocados pelo hospital contratante (Hospital de Caridade de Erechim). Contudo, esta prova não há de ser considerada na medida em que dito instrumento fora firmado em 1º de maio de 2007 e os fatos geradores em discussão ligamse a períodos anteriores. Trago ao deslinde da controvérsia, então, a decisão proferida pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial nº 1.116.399 BA (2009/00064810), julgado em 28 de outubro de 2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves: ”DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 267 7 hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido.” Referido julgado operouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que alude o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte dicção: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.552 S1C1T3 Fl. 268 8 Por sua vez, os autos de infração identificaram valores trimestrais de receita, a título de serviços prestados, sem ventilar eventuais segregações (receitas de diagnósticos e receitas de consultas). Portanto, impõese o afastamento da exigência. Com tais razões VOTO pelo provimento parcial do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004708/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/01/2007
Ementa:
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/01/2007 Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.004708/200746 Acórdão n.º 230201.382 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 15/08/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em GFIP, nas competências de 01/2001, 03/2001 a 05/2001, 08/2001 a 05/2005 e 08/2005 a 01/2007. Referese ainda às diferenças de acréscimos legais nas competências alternadas do período de 12/2001 a 09/2004. O relatório fiscal de fl.116 a 122, diz que o lançamento referese as divergências apuradas no batimento dos valores declarados pelo contribuinte em GFIP, com as GPS recolhidas. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para apreciação dos documentos juntados pelo contribuinte. Informação fiscal de fls. 428 a 430, pugnou pela retificação do crédito lançado frente às GFIP’s retificadoras apresentadas pela impugnante. Cientificado do resultado da diligência o contribuinte apresentou suas razões e Acórdão de fls.473 a 479 julgou o lançamento procedente em parte para acatar o prazo decadencial e retificar o crédito nas competências em que foram comprovados recolhimentos havidos anteriormente ao lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo que ainda persistem valores lançados de forma errônea e que o acórdão não apreciou as alegações feitas na segunda impugnação quanto as competências lá elencadas, sendo que junta planilha para que o colegiado possa aferir a tese recursal de que o crédito é indevido. Requer o provimento do recurso e a exclusão da quantia de R$ 109.178,62. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme protocolo de fls. 502, conheço do recurso e passo ao seu exame. A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. No caso em tela, as alegações da recorrente trazidas em tempo hábil e confirmadas através da diligência efetuada pela autoridade fiscal, retificaram o valor lançado na presente NFLD. Portanto, os equívocos cometidos pela recorrente na elaboração da GFIP foram por ela retificados e as novas GFIP’s consideradas, excluindose dos valores lançados aqueles que não se mostraram procedentes. Na manifestação prestada após o resultado da diligência e em fase recursal a recorrente aponta que não foram considerados outros recolhimentos havidos em competências que nomina. Todavia, é de se notar que a informação fiscal (fls. 428/430) foi bastante conclusiva ao dizer e demonstrar os valores que efetivamente foram considerados e os que restaram na notificação. As guias de recolhimento apresentadas pela recorrente foram devidamente abatidas do valor devido, sendo que o saldo remanescente advém dos valores informados pela própria notificada em GFIP e efetivamente recolhidos, não havendo mais reparos a serem feitos. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.004708/200746 Acórdão n.º 230201.382 S2C3T2 Fl. 3 5 Ademais, quanto às provas, no processo administrativo, é de se salientar que a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portanto, as provas apresentadas no prazo da impugnação foram apreciadas pela autoridade fiscal e se prestaram a retificar o crédito lançado quando se mostraram procedentes. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. LIEGE LACROIX THOMASI Relatora Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003509/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los,
se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedando-se inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedando-se inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido.
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AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência nos autos de documentação apresentada pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 244 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 203/204 da instância a quo, in verbis: O interessado contesta auto de infração do imposto de renda calculado com base em depósitos bancários de origem não comprovada em 2006. O imposto resultante foi de R$ 571.999,31, elevandose a exigência para R$ 1.152.864,60 com os acréscimos legais. O impugnante traça, em síntese, os seguintes argumentos: 1. Os depósitos procedem em grande parte de movimentação de recursos de pessoas jurídicas da qual era sócio, a Vidros Monize Ltda. e a Distribuidora de Vidros Monize Ltda. Afirma que os livros fiscais e extratos bancários destas empresas, que já teriam sido anexados aos autos, comprovariam que grande parte do faturamento das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias das empresas, mas sim nas suas contas pessoais do sócio. 2. Esta confusão patrimonial não representa tentativa de elisão fiscal, pois os impostos das pessoas jurídicas e pelo sócio foram devidamente declarados e pagos. 3. Perícia contábil provará ainda que parte dos depósitos provinha de empréstimos e operações bancárias. 4. Os depósitos bancários seriam apenas indícios, insuficientes para determinar o fato gerador do tributo por mera presunção. 5. A multa de 75% é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. Requer, por fim, perícia contábil para comprovar individualizadamente as origens dos depósitos alegadas nos itens acima. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes Fl. 253DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 245 3 e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada com elementos de prova objetivos que permitam estabelecer correspondência individualizada entre os créditos e as origens alegadas. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 117 a 125, repetiu as alegações apresentadas na instância anterior, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Os depósitos procedem em grande parte de movimentação de recursos de pessoas jurídicas da qual era sócio, a Vidros Monize Ltda. e a Distribuidora de Vidros Monize Ltda. Afirma que os livros fiscais e extratos bancários destas empresas, que já teriam sido anexados aos autos, comprovariam que grande parte do faturamento das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias das empresas, mas sim nas suas contas pessoais do sócio. II. A confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas: Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize e a pessoa física do sócio ora recorrente (ocorrida por conta que parte dos faturamentos das empresas eram depositados na conta pessoal da sócia Ana Selma), não configura de forma alguma tentativa de elisão fiscal, eis que os Impostos de Rendas das pessoas jurídicas e física foram feitos nos exatos termos fáticos e legais. III. Caso, esse i. Conselho não acate os cálculos apresentados, será necessário realizar perícia contábil, o que se requer desde já. IV. De todo modo, não se sustenta a presunção a que se refere o Relatório da Ação Fiscal da existência de rendimentos omitidos a partir dos depósitos bancários. E assim o é porque a uma, parte dos referidos depósitos nunca foram rendimentos e sim débitos; a duas porque, longe de ser omitidos, estão eles amplamente lançados nas contas da empresa Vidros Monize e Distribuidora Monize, cujos respectivos extratos bancários foram entregues à Receita Federal, como atesta a própria autuação. V. Além de ser juridicamente insubsistente, a multa de ofício foi aplicada em evidente excesso (75%), um verdadeiro,confisco, a confrontar os princípios •clo não confisco, da moralidade, da proporcionalidade (CF arts. 5°, inciso e 37), dentre tantos outros contidos na Constituição Federal. VI. Por isso que é impertinente a imposição de qualquer multa, já que não se identifica na conduta do manifestante o intuito de fraudar ou de obter vantagem indevida, e isso é suficiente para inibir a aplicação de multa qualificada, conforme a jurisprudência maciça dos Conselhos de Contribuintes. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 246 4 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários e intimou a contribuinte a comproválos, fls. 32 e 170, considerados de origem não comprovada. Em resposta, às fls. 172 a 174 o contribuinte diz expressamente que essa movimentação bancária devese faturamentos das empresas Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize que eram depositados na conta pessoal do sócio Wilson, não configurando de forma alguma tentativa de elisão fiscal, eis que os Impostos de Rendas das pessoas jurídicas e física foram feitos nos exatos termos fáticos e legais (sic). Ao final dessa resposta do contribuinte, constou que foram anexados em cópias autenticadas os seguintes documentos: Doc. 1 do CPF do Sr. Wilson Nascimento Fonseca; Doc. 2 Livro Fiscal do ano de 2006 da Vidros Monize Ltda.; Doc. 3. dos contratos sociais e das cópias da inscrição no CNPJ/MF da Vidros Monize Ltda. e da Distribuidora de Vidros Monize Ltda.; Doc. 4 extratos bancários da Vidros Monize Ltda. e da Distribuidora de Vidros Monize Ltda. de todo o ano de 2006; • Doc. 5 termo de início de fiscalização da Secretaria do Estado da Fazenda de Sergipe na empresa Distribuidora de Vidros Monize Ltda. A autoridade fiscal, por sua vez, no Relatório Fiscal de fls. 176 a 179, fez constar o seguinte à fl. 177: No dia 18 de agosto, o sujeito passivo, em atendimento ao Termo de Intimação acima citado, apresentou a justificativa de que "os depósitos realizados nas contascorrentes foram provenientes das empresas VIDROS MONIZE LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 03.988.170/000114, e DISTRIBUIDORA DE VIDROS MONIZE LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 04.732.680/000199". Informa, ainda, que é sócio das referidas empresas e apresenta seus extratos bancários que, segundo ele, comprovam que grande parte dos faturamentos das pessoas jurídicas não era depositada nas contas bancárias da empresas, e sim na conta pessoal de seu sócio. De acordo com o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, Fl. 255DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 247 5 pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Deste modo, a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos bancários está prevista na própria lei tributária. A lei estabelece que os depósitos se presumem rendimentos do titular, salvo se este demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. O ônus da prova recai sobre o responsável pela conta bancária. Não se trata, portanto, de procedimento de arbitramento, em que caberia à autoridade lançadora comprovar, com base em outros indícios ou com base na variação patrimonial, a ocorrência do fato gerador. A única forma prevista na lei para se descaracterizar a presunção legal de rendimentos omitidos é a comprovação individualizada da origem dos depósitos (§3° do artigo 42 da Lei 9.430/1996), requerendose necessariamente documentação coincidente em data e valor com os créditos em conta. In verbis: Art. 42. (..) § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados 1NDIVIDUALIZADAMENTE. (O destaque não está no original). As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e o seu valor. Logo, é impossível uma comprovação individualizada se não for pela coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem, especialmente quando se considera que uma fonte de rendimento não exclui a possibilidade de outras, formais ou informais, lícitas ou não. A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica, sem lastros em provas hábeis, idôneas e robustas. Não pode prosperar a alegação de que a movimentação foi realizada a partir do faturamento das pessoas jurídicas, das quais o sujeito passivo é sócio, sem, apresentação de lançamentos individualizados dos créditos que corroborem tal assertiva. (grifei) E dessa forma especialmente pelo excerto grifado, procedeu o lançamento. O que vemos aqui nesse ponto que a fiscalização não descaracterizou de forma pontual a farta documentação juntada como base da prova do contribuinte, sequer a anexou aos autos e considerando que não houve a demonstração da relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, procedeu o lançamento. Entendo que no contexto dos lançamentos dos depósitos bancários, uma vez que o autuado era sócio das empresas, é factível a alegação do contribuinte e a autoridade fiscal com seu poder investigatório deveria ter se aprofundado nas provas juntadas aos autos para descaracterizar a alegação de forma específica demonstrando a incapacidade da documentação apensada para socorrer o fiscalizado, contudo, isso não foi feito e tampouco os documentos constam dos autos para a nossa análise. Essa linha de entendimento é conhecida nessa Turma e foi tratada no Acórdão 10617.164, de 6 de novembro de 2008, tendo como relator do voto o conselheiro Fl. 256DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 248 6 Giovanni Christian Nunes Campos, cujo julgado se amoldando ao caso em debate, utilizoo como fundamento para minha decisão, de forma livre com meus grifos: (...) Inicialmente, devese evidenciar que a autuação tomou por base o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, caso o contribuinte, regularmente intimado a comprovar a origem dos depósitos, com documentação hábil e idônea, não o faça, aperfeiçoase a presunção legal de que os depósitos bancários serão considerados omitidos. Como é de sabença geral, tratase de vetusta presunção legal, de longa data combatida pelos contribuintes, que obtiveram sucesso sob a égide anterior e posterior a Lei nº 8.021/90, quando se assentou, no âmbito judicial e administrativo, que depósito bancário, por si só, não poderia ser considerado como presunção de omissão de rendimentos. O sucesso dos contribuintes no âmbito da Lei nº 8.021/90, ressaltese, esteve associado a exigências próprias dessa Lei, que, na espécie, exigiu a comprovação dos sinais exteriores de riqueza, caracterizado pelo consumo ou incremento patrimonial, tudo em prol do contribuinte. Entretanto, esse cenário normativo mudou sensivelmente a partir da Lei nº 9.430/96, que passou a considerar os depósitos de origem não comprovada, desde que o contribuinte tenha sido regularmente intimado, como rendimentos omitidos. Nessa linha, os questionamentos sobre a essência dessa tributação perderam substância, e as discussões administrativas e judiciais penderam de forma uníssona em direção à pretensão do fisco, chancelando a tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, como descrita precedentemente. Entretanto, não se deve imaginar que tal tributação pode ser manejada pela autoridade fiscal sem um mínimo de cuidado ou compreensão dos fatos imponíveis sobre sua apreciação. Ora, no momento em que o contribuinte informa a origem do depósito bancário, quer especificando, individualizadamente, cada depósito, como expressamente exigido pela Lei nº 9.430/96, quer englobadamente, aqui justificando a impossibilidade de individualizar cada depósito, deve a autoridade fiscal perscrutar a procedência da afirmação do contribuinte. Caso o contribuinte indique a origem dos depósitos, mesmo que de maneira geral, não pode a autoridade fiscal, simplesmente, quedarse inerte, sequer circularizando as informações trazidas pelo fiscalizado, confirmando, ou não, suas assertivas. (...) Por tudo, percebese que o procedimento da fiscalização, que tinha obrigação de circularizar as informações do contribuinte, já que, desde o cumprimento da primeira intimação, este informara a origens dos depósitos bancários (nome, endereço, CNPJ e Inscrição Estadual dos depositantes – fls. 38), prejudicou sobremaneira o contribuinte, já que hoje é quase impossível se investigar a origem dos depósitos bancários, como pugnado pelo recorrente, que, de maneira quase pueril, apela para que esta Câmara intime “com FORÇA e veemência” (fls. 527) os curtumes citados. Considerando que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte, aliado à robustez das origens trazidas pelo recorrente, desde o primeiro momento da ação fiscal, aqui ressaltando que quase metade dos depósitos tem origem em um dos curtumes, forçoso reconhecer que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aperfeiçoou, sendo incabível imputar o ônus da presunção ao contribuinte. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003509/200954 Acórdão n.º 210201.600 S2C1T2 Fl. 249 7 Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Em nosso caso, o contribuinte vem insistindo desde a fiscalização que há confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas: Vidros Monize e Distribuidora de Vidros Monize e a pessoa física do sócio ora recorrente. Para isso juntou a documentação fiscal e extratos bancários. Em sede de recurso, juntou às folhas 129 a 140 Demonstrativos de Depósitos e Receitas mês a mês, indicando o movimento financeiro diária das pessoas jurídicas e a sua coerência com depósitos lançados como omissão de receitas. Registro que as quantidades de depósitos, seus valores e volume de cheques devolvidos configuram uma movimentação de atividade comercial exercida por pessoa jurídica. Considerando que os documentos das pessoas jurídicas apresentados pelo contribuinte não foram juntados aos autos para conferência das suas alegações e das planilhas que juntou com o Recurso e que tais documentos tampouco foram contestados de maneira específica pela fiscalização, entendo nos mesmos dizeres do acórdão transcrito que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, que deveria ter investigado a origem dos eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte e sob pena de cerceamento do direito de defesa. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelado lançamento, uma vez que não aperfeiçoou a presunção do art. 42 da lei nº 9.430, de 1996. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.009985/2002-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em
16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, conclui-se pela ocorrência da decadência.
Numero da decisão: 9202-001.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em 16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, conclui-se pela ocorrência da decadência.
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INTEGRAL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em 16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, concluise pela ocorrência da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I e II do Regimento Interno da Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 10616.854, de 24/04/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1990, 1991 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LIQUIDO — ILL — RESTITUIÇÃO DE VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PRAZO DECADENCIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em AD1N; da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo ou da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária (CSRF/0103.239). Quando o indébito se exterioriza a partir do reconhecimento da administração tributária devese tomar a data da publicação da norma que veiculou ser indevida a exação como o dies a quo para a contagem do prazo a que estava submetido o contribuinte para pleitear a restituição do indébito gerado com o entendimento veiculado por ela. Isto porque, antes da publicação da norma, não tinha o contribuinte o conhecimento do que era indevida a exação, e não se reconhecer tal fato seria penalizálo por ato que não praticou quando o seu direito não era reconhecido. Assim, em se tratando de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, para que não seja atingido pela decadência, o pedido de reconhecimento do direito creditório deve ter sido apresentado até cinco anos contados da data da publicação da IN SRF n°63, de 25/07/1997. Decadência afastada. A inconformidade da Fazenda Nacional referese ao acolhimento do recurso voluntário do contribuinte afastando a decadência do pedido de restituição. No caso, tratase de pedido de restituição de ILL pago em decorrência do art. 35 da Lei 7713/88. O requerimento foi negado sob o fundamento de que sua apresentação, em 15/07/2002, se deu após o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir da data da extinção do crédito tributário, conforme disposto pelo art. 168 c/c art. 165 do CTN. Entretanto, o órgão a quo deu Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10768.009985/200291 Acórdão n.º 920201.917 CSRFT2 Fl. 2 3 provimento ao pedido, sob o argumento de que o prazo para apresentação do requerimento se iniciaria na data de publicação da IN 63, de 1997. No entendimento da Fazenda Nacional, o acórdão contraria jurisprudência pacífica deste Conselhro (Acórdão 3023578), bem como viola dispositivos legais do CTN, art. 168, I. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 181/183, e encaminhado ao contribuinte para ciência, tendo sido facultadolhe a apresentação de contra razões que, por sua vez, sustentou a tese de que o entendimento predominante é que o dispositivo legal que deu esteio à exação em foco foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, através do RE 172.0581/SC, sendo a referida cobrança suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 19.11.1996 e, posteriormente, a SRF editou a resolução 63 em 24.07.1997, vedando a constituição dos créditos relativos ao ILL, em relação às sociedades por ações, e, para as demais sociedades que não prevêem em seu contrato social a imediata disponibilidade do lucro liquido. Razão pela qual o recurso da Fazenda Nacional não deve ser provido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que reputa violado. A questão controversa trazida a este colegiado referese ao termo inicial do prazo decadencial para a restituição de tributo indevidamente recolhido, na hipótese de reconhecimento, por parte da própria Administração Tributária, no caso por meio da Instrução Normativa SRF n° 63/97, que estabeleceu o seguinte: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação as sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica as demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro liquido apurado. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. Isto mesmo nas hipóteses, tal como a dos presentes autos, de tributo declarado inconstitucional. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido (incluindo a hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo), observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10768.009985/200291 Acórdão n.º 920201.917 CSRFT2 Fl. 3 5 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120 dias, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 27/06/2002. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram em 30/04/1990 e 30/04/1991, fl. 73, é de se reconhecer que houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, conheço do recurso para no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10630.720316/2007-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
PRELIMINARES DE NULIDADE – EXCESSO DE PRAZO NA FISCALIZAÇÃO FALTA
DE INTIMAÇÃO DO SOLIDARIAMENTE RESPONSABILIZADO CONFORME A LEI 9.784/99
Houve prorrogações de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, todas regulares. O prazo para a conclusão do procedimento fiscal que resultou nos lançamentos em dissídio é perfeitamente justificável, pelos detalhes que envolvem o caso para o aprofundamento da investigação que competiu à autoridade fiscal. Isso se constata inclusive pela quantidade de documentos
que instruiu os lançamentos, e conforme o Termo de Verificação Fiscal que os integra. Inexistência de nulidade.
A exegese extraível é a de que o processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 corresponde ao processo administrativo fiscal que se instala com a pretensão resistida (contencioso). A isso conduz também a interpretação sistemática daquela lei. Vício haveria, e substancial, nos lançamentos (fim do procedimento fiscal) se o contribuinte não tivesse sido intimado, por ex., para comprovação da origem dos depósitos bancários. Não é o caso dos autos.
Inexistência do alegado vício por não intimação dos Termos de Intimação prévios aos lançamentos ao responsabilizado solidariamente, sendo certo que houve a cientificação a esse dos lançamentos com seus motivos, para imputação da responsabilidade.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM
O órgão julgador a quo se manifestou sobre o referido pedido, que foi considerado inepto, por não se mencionar o nome, endereço e qualificação profissional do perito, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/72.
Inexistência de nulidade do acórdão de origem.
ILEGALIDADE NA QUEBRA DO SIGILO E NO USO DOS DADOS BANCÁRIOS
O fundamento para a ilegalidade se limita à insuficiência da intimação do contribuinte para que ele fornecesse os extratos bancários, impondo-se a intimação do recorrente, para lhe imputar a responsabilidade solidária. Não há a ilegalidade por não intimação do recorrente. A intimação deve ser feita ao contribuinte, como ocorreu.
WELLINGTON MARTINS DA CRUZ – ALEGAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO E DEPENDÊNCIA
O sr. Wellington Martins da Cruz confessou que os srs. Ronivon Alves Machado e Maria Lúcia Cândida dos Santos eram “sócios laranjas”, apenas emprestando seus nomes para a constituição da Datamicro. Também, pediu ao contador da empresa para preencher e enviar pela internet as DIRPF dos “sócios laranjas” (relativas aos anos-calendário de 2000 a 2004), além de
receber procuração pública outorgada pelo primeiro “sócio laranja” citado,
com amplos e ilimitados poderes. Há muitos cheques assinados pelo
recorrente e nominativos a ele, cada um de valor igual ou superior a R$
100.000,00, e que não contêm destinação escrita no verso. A atuação do
recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz denota a concorrência de interesse
comum com o do contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das
obrigações tributárias. Também, o comportamento do recorrente atina com a
hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN.
EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA – IRRESIGNAÇÃO
Há vários depoimentos, reduzidos a termo, que indicam que o sr. Edyr
Cordeiro era quem tinha a palavra final e era o responsável pelas decisões
mais importantes, enfim, que ele era proprietário da Datamicro. O conjunto
dos elementos probatórios denuncia que o sr. Edyr Cordeiro era o principal
proprietário da Datamicro e praticava atos com excesso de poderes e com
plena extravagância ao contrato social. Há elementos suficientes para
conclusão de que a atividade do sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva capitulou
a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Assim não fosse, o
mínimo seria a presença de interesse comum com o contribuinte nas situações
que constituíram fato gerador das obrigações tributárias.
MULTA QUALIFICADA – DOLO ESPECÍFICO
Da atividade dos srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da
Cruz, inclusive com simulação subjetiva dos sócios do contribuinte
(strohmann ou “testa-de-ferro”),
aflora o elemento subjetivo do tipo da multa
qualificada, para sua aplicação ao contribuinte.
Numero da decisão: 1103-000.538
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE – EXCESSO DE PRAZO NA FISCALIZAÇÃO FALTA DE INTIMAÇÃO DO SOLIDARIAMENTE RESPONSABILIZADO CONFORME A LEI 9.784/99 Houve prorrogações de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, todas regulares. O prazo para a conclusão do procedimento fiscal que resultou nos lançamentos em dissídio é perfeitamente justificável, pelos detalhes que envolvem o caso para o aprofundamento da investigação que competiu à autoridade fiscal. Isso se constata inclusive pela quantidade de documentos que instruiu os lançamentos, e conforme o Termo de Verificação Fiscal que os integra. Inexistência de nulidade. A exegese extraível é a de que o processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 corresponde ao processo administrativo fiscal que se instala com a pretensão resistida (contencioso). A isso conduz também a interpretação sistemática daquela lei. Vício haveria, e substancial, nos lançamentos (fim do procedimento fiscal) se o contribuinte não tivesse sido intimado, por ex., para comprovação da origem dos depósitos bancários. Não é o caso dos autos. Inexistência do alegado vício por não intimação dos Termos de Intimação prévios aos lançamentos ao responsabilizado solidariamente, sendo certo que houve a cientificação a esse dos lançamentos com seus motivos, para imputação da responsabilidade. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM O órgão julgador a quo se manifestou sobre o referido pedido, que foi considerado inepto, por não se mencionar o nome, endereço e qualificação profissional do perito, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/72. Inexistência de nulidade do acórdão de origem. ILEGALIDADE NA QUEBRA DO SIGILO E NO USO DOS DADOS BANCÁRIOS O fundamento para a ilegalidade se limita à insuficiência da intimação do contribuinte para que ele fornecesse os extratos bancários, impondo-se a intimação do recorrente, para lhe imputar a responsabilidade solidária. Não há a ilegalidade por não intimação do recorrente. A intimação deve ser feita ao contribuinte, como ocorreu. WELLINGTON MARTINS DA CRUZ – ALEGAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO E DEPENDÊNCIA O sr. Wellington Martins da Cruz confessou que os srs. Ronivon Alves Machado e Maria Lúcia Cândida dos Santos eram “sócios laranjas”, apenas emprestando seus nomes para a constituição da Datamicro. Também, pediu ao contador da empresa para preencher e enviar pela internet as DIRPF dos “sócios laranjas” (relativas aos anos-calendário de 2000 a 2004), além de receber procuração pública outorgada pelo primeiro “sócio laranja” citado, com amplos e ilimitados poderes. Há muitos cheques assinados pelo recorrente e nominativos a ele, cada um de valor igual ou superior a R$ 100.000,00, e que não contêm destinação escrita no verso. A atuação do recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz denota a concorrência de interesse comum com o do contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias. Também, o comportamento do recorrente atina com a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA – IRRESIGNAÇÃO Há vários depoimentos, reduzidos a termo, que indicam que o sr. Edyr Cordeiro era quem tinha a palavra final e era o responsável pelas decisões mais importantes, enfim, que ele era proprietário da Datamicro. O conjunto dos elementos probatórios denuncia que o sr. Edyr Cordeiro era o principal proprietário da Datamicro e praticava atos com excesso de poderes e com plena extravagância ao contrato social. Há elementos suficientes para conclusão de que a atividade do sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva capitulou a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Assim não fosse, o mínimo seria a presença de interesse comum com o contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias. MULTA QUALIFICADA – DOLO ESPECÍFICO Da atividade dos srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da Cruz, inclusive com simulação subjetiva dos sócios do contribuinte (strohmann ou “testa-de-ferro”), aflora o elemento subjetivo do tipo da multa qualificada, para sua aplicação ao contribuinte.
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RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS EDYR CORDEIRO DE PAULA E SILVA E WELLINGTON MARTINS DA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE – EXCESSO DE PRAZO NA FISCALIZAÇÃO FALTA DE INTIMAÇÃO DO SOLIDARIAMENTE RESPONSABILIZADO CONFORME A LEI 9.784/99 Houve prorrogações de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, todas regulares. O prazo para a conclusão do procedimento fiscal que resultou nos lançamentos em dissídio é perfeitamente justificável, pelos detalhes que envolvem o caso para o aprofundamento da investigação que competiu à autoridade fiscal. Isso se constata inclusive pela quantidade de documentos que instruiu os lançamentos, e conforme o Termo de Verificação Fiscal que os integra. Inexistência de nulidade. A exegese extraível é a de que o processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 corresponde ao processo administrativo fiscal que se instala com a pretensão resistida (contencioso). A isso conduz também a interpretação sistemática daquela lei. Vício haveria, e substancial, nos lançamentos (fim do procedimento fiscal) se o contribuinte não tivesse sido intimado, por ex., para comprovação da origem dos depósitos bancários. Não é o caso dos autos. Inexistência do alegado vício por não intimação dos Termos de Intimação prévios aos lançamentos ao responsabilizado solidariamente, sendo certo que houve a cientificação a esse dos lançamentos com seus motivos, para imputação da responsabilidade. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM O órgão julgador a quo se manifestou sobre o referido pedido, que foi considerado inepto, por não se mencionar o nome, endereço e qualificação Fl. 622DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 623 2 profissional do perito, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/72. Inexistência de nulidade do acórdão de origem. ILEGALIDADE NA QUEBRA DO SIGILO E NO USO DOS DADOS BANCÁRIOS O fundamento para a ilegalidade se limita à insuficiência da intimação do contribuinte para que ele fornecesse os extratos bancários, impondose a intimação do recorrente, para lhe imputar a responsabilidade solidária. Não há a ilegalidade por não intimação do recorrente. A intimação deve ser feita ao contribuinte, como ocorreu. WELLINGTON MARTINS DA CRUZ – ALEGAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO E DEPENDÊNCIA O sr. Wellington Martins da Cruz confessou que os srs. Ronivon Alves Machado e Maria Lúcia Cândida dos Santos eram “sócios laranjas”, apenas emprestando seus nomes para a constituição da Datamicro. Também, pediu ao contador da empresa para preencher e enviar pela internet as DIRPF dos “sócios laranjas” (relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004), além de receber procuração pública outorgada pelo primeiro “sócio laranja” citado, com amplos e ilimitados poderes. Há muitos cheques assinados pelo recorrente e nominativos a ele, cada um de valor igual ou superior a R$ 100.000,00, e que não contêm destinação escrita no verso. A atuação do recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz denota a concorrência de interesse comum com o do contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias. Também, o comportamento do recorrente atina com a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA – IRRESIGNAÇÃO Há vários depoimentos, reduzidos a termo, que indicam que o sr. Edyr Cordeiro era quem tinha a palavra final e era o responsável pelas decisões mais importantes, enfim, que ele era proprietário da Datamicro. O conjunto dos elementos probatórios denuncia que o sr. Edyr Cordeiro era o principal proprietário da Datamicro e praticava atos com excesso de poderes e com plena extravagância ao contrato social. Há elementos suficientes para conclusão de que a atividade do sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva capitulou a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Assim não fosse, o mínimo seria a presença de interesse comum com o contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias. MULTA QUALIFICADA – DOLO ESPECÍFICO Da atividade dos srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da Cruz, inclusive com simulação subjetiva dos sócios do contribuinte (strohmann ou “testadeferro”), aflora o elemento subjetivo do tipo da multa qualificada, para sua aplicação ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 623DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 624 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Cristiane Silva Costa. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 625 4 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ (fls. 7 a 13) no valor de R$ 1.467.437,56; PIS (fls. 24 a 30) no valor de R$ 423.430,82; COFINS (fls. 40 a 46) no valor de R$ 1.954.296,92; e CSL (fls. 56 a 63) no valor de R$ 703.546,86; além de multa qualificada e juros de mora. A autuação é relativa aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004. Foi verificada a não comprovação de depósitos bancários. O valor referente aos recursos creditados na conta bancária mantida o Banco do Brasil S/A e cuja origem não foi comprovada pela interessada. Houve o lançamento de falta de declaração e recolhimento do tributo, pois a interessada declarouse inativa através da apresentação de Declarações Simplificadas de Pessoas Jurídicas Inativas de 2001 a 2004, não recolhendo os tributos e contribuições, embora tenha emitido notas fiscais, escriturado alguns livros e declarado receitas à fiscalização do ICMS. Como não apresentou os livros contábeis, foi arbitrado o lucro. Foi considerada escrituração do Livro de Entradas e Saídas de ICMS. Foram arrolados como responsáveis pelo crédito tributário as pessoas: Wellington Martins da Cruz e Edyr Cordeiro de Paula Silva. DA IMPUGNAÇÃO Cientificados a interessada e os responsabilizados, apresentaram defesa os Srs. Wellington e Edyr que, em resumo, assim se manifestaram: O sr. Wellington – fls. 599 a 616, com juntada de documentos às fls. 617/646 alega que é empregado, sendo inexistente a responsabilidade solidária, pois havia relação de subordinação com o dono da empresa, sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Os atos de gerência foram atos praticados em razão da subordinação. As contas abertas em nome do recorrente, bem como os saques por cheques por ele assinados, demonstram apenas e tão somente a denominada sujeição em razão da relação de emprego. A sua condição social, econômica e financeira não são compatíveis com quem se beneficia de uma receita de milhões, visto que o recorrente é pobre, com residência na periferia, pouca movimentação bancária e pelas Declarações de PF. Que merecem ser considerados os sinais exteriores de “pobreza”. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 626 5 Requer seja excluído dos autos seu nome, reconhecendose a incapacidade jurídica para figurar como sujeito passivo solidário do crédito tributário lançado e ora impugnado, anulandose quanto a ele o correspondente lançamento. O sr. Edyr – fls. 647 a 675, com juntada de documentos às fls. 676 a 891, requer que seja reconhecida a insubsistência do auto de infração por vícios insanáveis, ante as preliminares de nulidade como a nulidade do lançamento por excesso de prazo ilegal, pois fere os princípios da Administração Pública haver infinitos MPF. Nulidade por ausência de intimação, pois o contribuinte não foi intimado do MPF e nem intimado acerca dos procedimentos realizados. No mérito alegou ausência de provas da responsabilidade do recorrente. Que a documentação prova a responsabilidade de Wellington Martins. Que os documentos e os depoimentos são imprestáveis. Ilegalidade na quebra do sigilo bancário, indicando a Lei 105/2001, dizendo que o recorrente não foi intimado para fornecer dados bancários, o que implica a ilegalidade o uso desses valores bancários. Inconstitucionalidade na quebra do sigilo bancário por conta do art. 5º da CF. Requer provar o alegado por todas as formas admitidas em direito, especialmente a prova documental e a produção de provas pericial e testemunhal. Às fls. 894 a 909, o Sr. Edyr trouxe cópias de peças do Mandado de Segurança nº 2007.38.13.0072819, da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Governador Valadares/MG, impetrado contra o Chefe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, objetivando a nulidade do auto de infração e do presente processo e, diante disto, o direito de defenderse mediante processo administrativo. Dentre as peças processuais consta a sentença homologatória do pedido de desistência do writ. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 28/02/2008, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Seguem os fundamentos. Iniciando com a preliminar de nulidade do lançamento em virtude do prazo de duração da fiscalização, a norma do art. 196 do CTN é dirigida ao legislador, não havendo prazo predeterminado para que a ação fiscal se encerre. Sobre a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Portanto, nessa etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública. Em relação à responsabilidade tributária do Sr. Wellington Martins da Cruz, os fatos narrados no TVF demonstram a autonomia do Sr. Wellington, que em diversas situações agiu em nome próprio e por sua conta, e não “em razão da subordinação e da Fl. 626DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 627 6 dependência decorrentes da condição de empregado”, como quis fazer crer o responsabilizado. Eventuais decisões de maior relevância que tenham sido tomadas pelo sr. Edyr não descaracterizam o poder de gerência do sr. Wellington. O que se evidencia do conjunto probatório acostado aos autos é que havia um conluio, uma sociedade de fato entre os Srs. Wellington e Edyr, em que ambos ocultados sob a forma jurídica da Datamicro obtinham, em maior ou menor grau, vantagens dessa situação. Dessa forma, também não prospera a alegação de incapacidade contributiva para arcar com o crédito tributário lançado, até mesmo porque houve a subsunção dos fatos aos dispositivos legais que fundamentaram a responsabilização, não cabendo ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma legal eficaz. Quanto ao sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, tenta desqualificar os depoimentos e os demais elementos probantes acostados aos autos, entretanto, as circunstâncias apontadas foram um feixe de provas que converge em sua direção e demonstram seu poder de gerência e interesse na disponibilidade financeira da Datamicro. A adoção de depoimentos como meio de prova pela fiscalização encontra respaldo no CPC e no Decreto 70.235/72, portanto, resta ausente qualquer indício de ilicitude. A alegação que era credor do sr. Wellington não elide a conclusão de que havia interesse comum entre administradores e sócios de fato da Datamicro. É fato inconteste nos autos que a interessada tinha pessoas interpostas (“laranjas”) como sócios. Com o aprofundamento da fiscalização foi demonstrado que as pessoas responsabilizadas, embora não constassem do contrato social da Datamicro, intervieram de modo decisivo em seus atos, agindo com excesso de poderes, infração à lei e ao contrato social, bem como se beneficiando das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Sobre a utilização de dados bancários, os extratos foram fornecidos pela própria interessada em resposta a intimações específicas para tanto. A RMF feita para a agência em Governador Valadares do Banco do Brasil, pela qual foram obtidos outros documentos bancários, se justifica em razão dos fatos revelados no curso da ação fiscal, como os fortes indícios de interposição de pessoas e a recusa da empresa em fornecer livros e documentos relativos à sua escrituração, bem como prestar informações sobre sua movimentação financeira, conforme demonstrado nos autos. Argumentou o sr. Edyr pela ilegalidade no uso dos “valores bancários”, entretanto, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários. A Lei Complementar 105/2001 fez modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, não cabendo ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. O pedido de perícia deve ser considerado não formulado, pois não foi mencionado o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. Cientificados da decisão em 12/03/2008, o sr. Wellington e o sr. Edyr apresentaram recurso voluntário de fls. 942 a 958 e 962 a 971, respectivamente, Fl. 627DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 628 7 fundamentalmente reiterando o alegado nas impugnações – porém, não há mais a alegação de inconstitucionalidade de quebra de sigilo, mas de ilegalidade na quebra de sigilo e no uso dos dados bancários por não ter sido intimado o recorrente, sr. Edyr. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 629 8 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Deles, pois, conheço. Acentuo que os recursos são os dos responsabilizados solidariamente ao contribuinte. Este não havia sequer impugnado os lançamentos. A responsabilidade solidária foi imputada aos srs. Wellington Martins da Cruz e Edyr Cordeiro de Paula Silva. Principio com a apreciação das preliminares de nulidade articuladas pelo recorrente, sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. As alegações são de nulidade por excesso de prazo no procedimento fiscalizatório que culminou nos lançamentos em causa, e por falta de intimação do recorrente, sobre processo de seu interesse, tendo lugar a aplicação dos arts. 3º, 26 e 28, da Lei 9.784/99. Ainda, alegase nulidade do acórdão a quo por não se manifestar sobre a necessidade da perícia pedida pelo recorrente. Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal, já tive oportunidade de me manifestar sobre certo vício a ele relativo dar causa a nulidade dos lançamentos, por ocasião em que fiz o voto vencedor do Acórdão 110300.0029, da sessão de 26/08/09, desta Turma. Transcrevo excertos do voto: “Os §§ 2º e 3º do art. 2º do Decreto 3.724/01 (atual caput e § 1º do art. 2º do Decreto 3.724/01 com a redação do Decreto 6.104/07) são preceptivos e vinculantes à atividade administrativa tributária. E é com esteio no art. 2º do Decreto 3.724/01, assim como no art. 196 do CTN1, que foi introduzida no ordenamento jurídico a Portaria SRF 3.007/01 (cujos arts. 4º e 5º, caput, já reproduzidos, reiteram os §§ 2º e 3º do art. 2º do Decreto 3.724/01). Posto isso, não tenho dúvidas de que o comando contido no § 2º do art. 2º do Decreto 3.724/01 (atual caput do art. 2º do Decreto 3.724/01 com a redação do Decreto 6.104/07) é preceptivo e vinculante para os procedimentos fiscais que culminam no ato de lançamento, na conformidade do art. 142, parágrafo único, do 1 Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Fl. 629DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 630 9 CTN. E, assim, igualmente preceptiva e vinculante para os procedimentos fiscais em questão a regra contida no art. 4º da Portaria SRF 3.007/01. Reforçam isso o § 3º do art. 2º do Decreto 3.724/01 (atual § 1º do art. 2º do Decreto 3.724/01 com a redação do Decreto 6.104/07) e o art. 5º da Portaria SRF 3.007/01, supratranscritos. (...) A partir do momento em que há, no exercício regulamentar do art. 196 do CTN, o estabelecimento pelo próprio Ente Político, mediante seu Poder Executivo (no que se inclui a Administração Pública), o delineamento de sua atividade tributária para os procedimentos fiscais a encerrarem o ato de lançamento, não pode a Administração Pública voltarse contra o delineamento feito por ela mesma. Esse delineamento ou como se pretenda, autolimitação, gera direito subjetivo público do contribuinte e, pelo já exposto, é vinculante para os procedimentos fiscais que desembocam no ato de lançamento. É indisfarçável que o delineamento em questão se presta como regramento protetivo do contribuinte, na medida em que confere maior transparência à atividade fiscal, garante autenticidade e exercício de poderdever naquele limite ou esfera, ao qual o contribuinte se sujeita na fase inquisitória (ou da chamada instrução primária) na formação da relação jurídicoformal do lançamento.” 2 No caso vertente, não há o vício acusado naquele feito. O que houve foram prorrogações de prazo do MPF, aliás, regulares. O prazo para a conclusão do procedimento fiscal que resultou nos lançamentos em dissídio é perfeitamente justificável, pelos detalhes que envolvem o caso para o aprofundamento da investigação que competiu à autoridade fiscal. Isso é facilmente constatável pela quantidade de documentos que instruiu os lançamentos (a chamada “instrução primária” que orienta o lançamento), e pelo Termo de Verificação Fiscal que integra os lançamentos. 2 Art. 2º. A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. § 1º. Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. § 2º. O procedimento de fiscalização somente terá início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º deste artigo. § 3º. Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que a retardação do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AuditorFiscal da Receita Federal deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Fl. 630DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 631 10 Não vejo, pois, vício por excesso de prazo. Rejeito essa preliminar de nulidade. O recorrente argui nulidade, com amparo nos arts. 3º, 26 e 28, da Lei 9.784/993, por falta de intimação à sua pessoa quanto aos atos praticados durante o procedimento que desembocou nos atos de lançamento. O procedimento fiscal que desemboca no ato do lançamento não se confunde com processo administrativo (na dicção do art. 142 do CTN, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”). O lançamento e o procedimento fiscal para tanto são governados pelo princípio inquisitório, ao passo que o contencioso inaugurado pela resistência à pretensão fiscal é dominado pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. Daí se dizer que o procedimento 3 Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1º. A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2º. A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3º. A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4º. No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5º. As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Fl. 631DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 632 11 fiscal para o lançamento é informado pelo princípio do formalismo, e o processo administrativo gerado pela pretensão resistida é dominada pelo princípio do informalismo. Não por menos, a doutrina italiana distingue a chamada instrução primária da instrução secundária. Aquela orienta a relação jurídicoformal do lançamento, e a última governa a relação jurídicoprocessual. A instrução primária é ônus da fiscalização. A instrução secundária é a decorrente do contraditório e da ampla defesa. Transplantando a aplicação subsidiária da Lei Geral do Processo Administrativo Federal (Lei 9.784/99) ao processo administrativo fiscal federal, a exegese extraível é a de que o processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 é a de que (Lei Geral do Processo Administrativo Federal) corresponde ao processo administrativo fiscal propriamente dito, i.e., ao que se instala com a pretensão resistida (contencioso). A isso conduz também a interpretação sistemática da Lei 9.784/99. O processo administrativo versado nesse diploma não é o procedimento fiscal que culmina no ato de lançamento. Isso fica claro até do art. 3º, II, dessa lei invocado pela recorrente (“tramitação dos processos”, “vista dos autos” – que só se formam após o lançamento, “decisões”). Conquanto seja comum se falar em fase inquisitória do processo administrativo, para designar o procedimento fiscal para o ato do lançamento, e em fase contenciosa do processo administrativo, para identificar o processo propriamente dito, não me resulta dúvidas de que o processo administrativo, tal como referido pela Lei 9.784/99, cuida do processo administrativo propriamente dito, em matéria tributária. Vício haveria, e substancial, nos lançamentos (fim do procedimento fiscal) se o contribuinte não tivesse sido intimado, por ex., para comprovação da origem dos depósitos bancários. Do quanto deduzi, rejeito a preliminar de nulidade por ausência de intimação do recorrente por ofensa aos arts. 3º, 26 e 28, da Lei 9.784/99. A preliminar de nulidade relativa ao pedido de perícia merece ser rechaçada. Diversamente ao arguido pelo recorrente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre o referido pedido, que foi considerado inepto, por não se mencionar o nome, endereço e qualificação profissional do perito, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/72 (PAF). Ademais, vêse a ausência de quesitos para a perícia, o que, por si, fulmina o pedido para tanto, conforme o mesmo art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/724. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 632DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 633 12 De mais a mais, a perícia não constitui direito subjetivo do contribuinte. O que há é o direito de pedir a perícia do contribuinte, e não o direito à perícia. Há um direito potestativo (direito formativo gerador, como diz o mestre Pontes de Miranda) do contribuinte de pedir a perícia, mas não um direito subjetivo do contribuinte à perícia. Além disso, a determinação de perícia, tal qual a diligência, se põe na esfera da formação do convencimento do órgão julgador, para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação (esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova. Colocandose a perícia no âmbito da formação do convencimento do julgador em matéria probatória, a ele compete sua determinação, inclusive de ofício, hipótese em que se dá o nome de diligência, quando reputar necessária para formação de sua convicção. Outrossim, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão de origem sobre a questão do pedido de perícia. Prossigo com o exame do mérito. De início, observo que nenhum dos recorrentes questiona a base de cálculo de IRPJ e CSL (lucro arbitrado) e de PIS e COFINS. Vale dizer, nenhum deles deduz algo a respeito da omissão de receitas apurada com base nos livros de ICMS de mesmo período ao das receitas omitidas por presunção legal por depósitos bancários de origem incomprovada. Em seu recurso, o sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva alega nulidade dos lançamentos por ilegalidade na quebra do sigilo e no uso dos dados bancários, sob o seguinte fundamento. A intimação da Datamicro (contribuinte) para que ela fornecesse os extratos bancários é insuficiente, impondose a intimação do recorrente, para lhe imputar a responsabilidade solidária ao contribuinte, como impõe a Lei Complementar 105/01 e o Decreto 3.724/01. Tal o fundamento da ilegalidade por quebra de sigilo. Se os autuantes imputavam ao recorrente a propriedade do dinheiro depositado nas contas da Datamicro, o recorrente, ao não ser intimado, violou o art. 42 da Lei 9.430/96 (fundamento para ilegalidade no uso dos dados bancários). Não há no recurso, arguição de ofensa a direito fundamental por aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 633DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 634 13 Não diviso vício na não intimação do recorrente. Como antedisse, a intimação deve ser feita ao contribuinte. Somente na não localização deste (que se pode dar em certos casos de dissolução irregular de fato da sociedade), cabe a intimação ao representante do contribuinte. Se o titular formal das contas bancárias é a pessoa jurídica (contribuinte), ainda que sócios ou administradores tenham se aproveitado da organização formal societária, é a pessoa jurídica que deve ser intimada, inclusive para fins do art. 42 da Lei 9.430/96. Não há as ilegalidades acusadas pelo recorrente. Outrossim, nego provimento sobre essas questões. Para além disso, nenhum dos recorrentes argumenta contra demais questões de mérito da pretensão fiscal. Não diviso vícios na aplicação da hipótese legal de presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96 foram preenchidos. Os requisitos para emprego dessa poderosa ferramenta colocada à disposição da fiscalização precisam estar devidamente preenchidos, sob pena de vício substancial que vitima a presunção legal. É como entendo. In casu, os requisitos foram concretizados devidamente. Houve a prévia e regular intimação do contribuinte para comprovar a origem dos créditos devidamente individualizados. Foram expurgados os créditos que decididamente não representam receitas como os de empréstimo, de estorno, de cheques devolvidos. O arbitramento do lucro, no caso vertente, é de rigor, pois o contribuinte não possuía nenhum livro contábil. Vejo que para o arbitramento do lucro foram aplicados os coeficientes de 9,6% para fins de IRPJ, e de 12% para efeitos da CSL. Vez que a atividade do contribuinte era de venda de mercadorias, não merece reparos a pretensão fiscal de IRPJ e de CSL. As exigências de PIS e de COFINS recaíram também sobre as receitas presumidamente omitidas por créditos bancários de origem incomprovada. Tais receitas igualmente se presumem como sendo da atividade ordinária da recorrente: é corolário da presunção de omissão de receitas por créditos bancários de origem incomprovada. Aqui, a presunção hominis ou facti tem lugar, pois o que não se poderia inferir, sem dados adicionais, seria a de serem as receitas de atividade extraordinária da recorrente. Competeme pontuar, nesse passo, que constato a ocorrência de dissolução irregular da Datamicro (contribuinte) ao tempo dos lançamentos, mas dissolução irregular de fato, não tendo havido a dissolução e liquidação de direito do contribuinte. Com isso quero dizer que não diviso, no caso vertente, ilegitimidade passiva do contribuinte, com erro na identificação do sujeito passivo. Ao tempo do aperfeiçoamento Fl. 634DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 635 14 dos lançamentos em causa o contribuinte existia de direito: não se dera a dissolução e liquidação de direito; o que se constatou foi a dissolução irregular de fato. Logo, reitero, não atino com erro na identificação do sujeito passivo, no caso em dissídio, malgrado essa questão não tenha sido suscitada pelos recorrentes. Nessa ordem de considerações, a pretensão fiscal de IRPJ, CSL, PIS e COFINS contra o contribuinte não merece reforma. Sobre a questão da multa qualificada tratarei alhures, após o exame da questão da responsabilidade solidária imputada aos recorrentes. O recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz, alega que sua “condição” era exclusivamente de empregado. Diz que sua “condição” de subordinação e dependência pode ser extraída dos autos. Assim, o recorrente: recebia ordens e estava diretamente subordinado ao apontado real dono da empresa; já tinha prestado serviços a outras empresas do mesmo empregador; assinava os cheques em branco, mas nunca os preenchia; o dinheiro depositado era sistematicamente sacado logo a seguir, ratificando a “condição de doleiro” do real proprietário da empresa, o que resultou em saldos negativos algumas vezes; ao final do expediente, diariamente, o dinheiro era apanhado na empresa pelo empregador do recorrente. Ainda, indica sua condição sócioeconômica, que denunciaria o acerto das afirmações acima descritas. Também argui que, assim como foram considerados os sinais exteriores de riqueza do art. 809 do RIR/99, para se concluir pela responsabilidade do recorrente, devemse considerar os sinais exteriores de pobreza ora demonstrados, a derruir o fundamento daquela responsabilidade. Às pessoas que emprestaram seus nomes para figurarem como sócios do contribuinte não foi imputada responsabilidade solidária, com o que invoca agressão ao princípio constitucional da isonomia. Pois bem. Notase que o recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz confessou que os srs. Ronivon Alves Machado e Maria Lúcia Cândida dos Santos eram “sócios laranjas”, apenas emprestando seus nomes para a constituição da Datamicro (DOC. AIII13 do Anexo). O recorrente pediu ao contador da empresa, sr. Mildo Dias, que preenchesse e enviasse pela internet as DIRPF dos “sócios laranjas” (relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004) – DOC. AIII03 do Anexo. Também o sr. Wellington Martins da Cruz recebeu procuração pública outorgada pelo “sócio laranja”, sr. Ronivon Alves Machado, com amplos, gerais e ilimitados Fl. 635DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 636 15 poderes, inclusive para abrir e movimentar contas bancárias, endossar, assinar, descontar e avalizar duplicatas (item 22 do TVF e DOC. P15). Ganha realce o fato de haver muitos cheques assinados pelo recorrente e nominativos a ele, cada um de valor igual ou superior a R$ 100.000,00. Esses cheques, sobre serem nominativos ao próprio recorrente, assinados no verso e no anverso, não contêm destinação escrita no verso, e foram todos sacados no caixa do Banco do Brasil. A maioria deles em números redondos. A amostra de tais cheques apresentada pelos autuantes totaliza R$ 17.344.731,79 (TVF – fls. 98 a 100 e DOC. AI19 do Anexo). Nada há nos autos a indicar que todos os recursos dos cheques assinados pelo e nominativos ao recorrente, sacados no caixa do banco, tenham sido transferidos outro recorrente, sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, a quem o sr. Wellington alega subordinação e dependência. Enfim, só o quadro supradescrito já é suficiente a derruir as alegações do recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz. Ainda, há depoimentos tomados a termo de diversas pessoas entre elas, funcionários – nos quais é dito que o sr. Wellington é o proprietário da Datamicro. Nesse sentido, o depoimento dos srs. Luiz Almir Dias Damasceno, Ilma Fernandes de Sá Rocha, Marlon Braga Silva (excertos dos depoimentos no TVF, fls. 107 a 109, 116 e 117; depoimentos completos nos DOCS. AIII07, AIII10 e AIII19 do Anexo). No depoimento do sr. Marlon Braga Silva, é dito que em “situação crítica de inadimplência” de algum cliente ou quando o valor de venda era muito alto o sr. Wellington não resolvia. Em tais casos, era o sr. Edyr Cordeiro que tinha a palavra final e determinava o que deveria ser feito. Também, no depoimento do sr. Bruno Alves de Oliveira, este diz que “o Sr. Edyr Cordeiro é que “tinha todo o poder na empresa” ”, reconhece o sr. Edyr Cordeiro como o proprietário da Datamicro e responsável pelas decisões mais importantes e que em algumas vendas o sr. Wellington tinha de pedir autorização ao sr. Edyr (excerto no TVF, fl. 118; depoimento completo no DOC. AIII20 do Anexo). Tais circunstâncias não afetam o juízo quanto à administração da empresa com excesso de poderes e com infração legal do recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz. O conjunto probatório constante nos autos me leva a concluir que o sr. Wellington Martins da Cruz era administrador da empresa com prática de excesso de poderes e com violação à lei, e também como sócio de fato, ou melhor, sócio efetivo do contribuinte. O fato de as decisões mais importantes serem de alçada do sr. Edyr não tem o condão de afastar a caracterização do sr. Wellington como sócio efetivo. A atuação do recorrente, sr. Wellington Martins da Cruz, inclusive com uso de “sócios laranjas” (“testadeferro” ou strohmann), denota a concorrência de interesse Fl. 636DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 637 16 comum com o do contribuinte na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. Hipótese de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN5. Também, o comportamento do recorrente chega a ponto de atinar com a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN6. O caso em dissídio não é a do art. 846 do RIR/99 (sinais exteriores de riqueza). E nem se fundou na preceituação nele contida a pretensão fiscal. Despropositada a alegação do recorrente quanto a sinais exteriores de pobreza. Ademais, não se sabe se há patrimônio oculto do recorrente. Igualmente infundada é a arguição do recorrente quanto à não responsabilização dos “sócios laranjas”, para pretender afastar a responsabilidade que lhe é imputada. Aliás, os “laranjas” são pessoas que foram, antes, utilizadas pelo recorrente, ludibriadas. O sr. Ronivon Alves Machado é pedreiro, tendo exercido a função de porteiro de edifícios na Conservadora Juiz de Fora em 2001, e a sra. Maria Lúcia Cândida dos Santos, exerceu as funções de conservação e limpeza de edifícios na mesma Conservadora. Nessa ordem de razões, nego provimento ao recurso do sr. Wellington Martins da Cruz. O recorrente, sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, alega que os dados que conduzem à sua responsabilização foram obtidos unilateralmente, não tendo ponto com a realidade. Assim, não teria sido demonstrado que o recorrente tinha interesse nos recursos depositados e sacados pelos srs. Wellington, Alexandre e Alysson Silva. O que há comprovado é o recorrente ser credor do sr. Wellington, como acusam as ações contra esse movidas por aquele. Pois bem. Já ficou visto e demonstrado que os srs. Ronivon Alves Machado e Maria Lúcia Cândida dos Santos, os únicos a figurarem como sócios da Datamicro, não os eram efetivamente, mas apenas “sócios laranjas”. Também, como já apontado acima, conforme o depoimento do sr. Marlon Braga Silva, em “situação crítica de inadimplência” de algum cliente ou quando o valor de venda era muito alto, era o sr. Edyr Cordeiro que tinha a palavra final e determinava o que deveria ser feito, e não o sr. Wellington. 5 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 6 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 637DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 638 17 No mesmo sentido, já se havia anotado que o sr. Bruno Alves de Oliveira, em depoimento reduzido a escrito, consignou que “o Sr. Edyr Cordeiro é que “tinha todo o poder na empresa” ”, e era o responsável pelas decisões mais importantes, sendo que, em algumas vendas, o sr. Wellington tinha de pedir autorização ao sr. Edyr Cordeiro. Todos, depoimentos reduzidos a termo. No depoimento do sr. Alexandre Passos Rodrigues, reduzido a termo, é dito que o sr. Alysson Silva Rocha era laranja do sr. Edyr Cordeiro, e que o sr. Alysson emprestava a conta dele para o sr. Edyr Cordeiro movimentála, e buscava dinheiro para o sr. Edyr nos diversos bancos de Governador Valadares. Nas exatas palavras do sr. Alexandre Passos Rodrigues, o sr. Alysson “era uma “mexerica de vários gomos” ”. Ainda, segundo depoimento do sr. Alexandre Passos Rodrigues, o sr. Edyr Cordeiro era o proprietário da Datamicro. E confessa que chegou a assinar os cheques 850.352, 850.355, 850.356, 850.359 e 850.478, que totalizam R$ 510.100,00, a mando do sr. Edyr Cordeiro (excertos no TVF fls. 108 e 109; depoimento completo no DOC. III08 do Anexo). O representante legal da Certa Imóveis Ltda., sr. Renato Gomes Gonçalves, apresentou cópias dos recibos de aluguel do imóvel no qual se encontrava estabelecida a Datamicro (contribuinte), em que se constata terem sido os aluguéis pagos com cheques da conta do sr. Alysson Silva Rocha. Segundo o sr. Renato Gomes Gonçalves, os locatários efetivos eram os srs. Edyr Cordeiro de Paula Silva e Wellington Martins da Cruz. Ainda, a fornecedora da Datamicro, a empresa Driveway Comercial Ltda. recebeu, em pagamento de venda feita àquela, os recursos da conta do sr. Alysson. O Ministério Público Federal encaminhou à Receita Federal cópia do Processo 189/07, promovido pela Câmara Municipal de Governador Valadares, referente à CPI dos fornecedores, instaurada para apuração de desvio de recursos de Governador Valadares. Nos documentos dessa CPI, consta o depoimento prestado pelo sr. Ricardo Alves da Silva, na qual é dito que o sr. Edyr era o proprietário da Datamicro (excerto no TVF, fl. 122; documento DOC. AIII22). Também, o sr. Edyr foi apontado como proprietário da Datamicro nos depoimentos reduzidos a termo prestados pelos srs. Alysson Silva Rosa, Lívia Gonçalves do Nascimento, Ilma Fernandes de Sá Rocha (DOCS. AIII09, AIII10 e AIII15, do Anexo). O sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva também preenchia diversos cheques da Datamicro e era quem ficava com os talões de cheque da empresa (DOCS. AI12, AI13, AI 14, 4I15, AI16, AIII08, AIII09, AIII10, do Anexo). Notese que não há contradição entre tais depoimentos, que são de inúmeras pessoas, quanto à indicação do sr. Edyr Cordeiro como proprietário da Datamicro (contribuinte). O conjunto dos elementos probatórios constantes nos autos indica que o sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva era o principal proprietário da Datamicro, responsável pelas Fl. 638DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 639 18 decisões mais importantes relativas a essa empresa, e que praticava atos com excesso de poderes e com plena extravagância ao contrato social e em infração legal. Todos os elementos probatórios estão a indicar que o sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva era o principal sócio efetivo do contribuinte (Datamicro) e exercia a direção da empresa em seu mais alto escalão, com excesso e extravagância de poderes ao contrato social. O fato de haver ações contra o sr. Wellington Martins da Cruz, ajuizadas pelo sr. Edyr Cordeiro, como pretenso credor daquele, em nada contribui para afastar o quadro que se desenha do conjunto de elementos probatórios existentes. Há elementos suficientes nos autos para se concluir também que os atos, ou melhor, a atividade do sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva capitulou a hipótese de responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Não fosse responsável conforme o art. 135, III, do CTN, o quanto consta nos autos convergiria para o juízo de que o sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva tinha, no mínimo, interesse comum com o contribuinte nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias, na conformidade do art. 124, I, do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso do recorrente, sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva, quanto à pretensão fiscal de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. No que concerne à aplicação de multa qualificada, apesar de não haver irresignação expressa dos recorrentes, observo o seguinte. As infrações pressupostas nos arts. 71 a 73, da Lei 4.502/647 constituem elemento normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. E as referidas infrações reclamam o concurso de dolo. O elemento subjetivo também integra o tipo da multa qualificada administrativa. Já tive oportunidade de dizer, em inúmeras ocasiões que, para mim, o elemento subjetivo do tipo exigido é o dolo específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual. Quer dizer, o tipo da multa qualificada em comentário reclama a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado condenado (que é o concurso do dolo específico). Vontade e intenção não se confundem. A vontade é muito mais psicológica ao passo que a intenção é racional. 7 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 639DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 640 19 Pois bem. A simulação subjetiva dos sócios do contribuinte (uso de “sócios laranja”, ou “testadeferro” ou strohmann) já é dado de fato de relevância jurídica para constatação de dolo específico no comportamento infracional. Os demais dados de fato, conforme já descritos, que me levaram a concluir pela responsabilidade do sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva e do sr. Wellington Martins da Cruz, associados à simulação subjetiva dos sócios do contribuinte, denunciam o concurso de dolo específico na conduta infracional em discussão. Assim, desde o uso da conta do sr. Alysson, pelo sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, para pagamento de aluguéis da Datamicro, de fornecedor dessa, passando pelos cheques assinados pelo sr. Wellington Martins da Cruz e nominativos a ele, sacados no caixa dos bancos, tudo isso se coloca em linha com a simulação subjetiva dos sócios empreendida pelos srs. Wellington Martins da Cruz e Edyr Cordeiro de Paula e Silva. Há elementos bastantes mesmo para se divisar entre os srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da Cruz conluio, como sócios efetivos do contribuinte (Datamicro Informática Ltda.). Através dos atos, mais, através da atividade dos srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da Cruz aflora o elemento subjetivo do tipo da multa qualificada, para sua aplicação ao contribuinte. Enfim, vejo elementos bastantes a concluir que houve concorrência de dolo específico no comportamento infracional condenado. Por conseguinte, tem cabimento a manutenção da multa qualificada infligida. Diante do quadro exposto, vejo lugar, inclusive, para manutenção da multa qualificada aos solidariamente responsabilizados, srs. Edyr Cordeiro de Paula e Silva e Wellington Martins da Cruz. Sob essa ordem de razões e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Fl. 640DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10630.720316/200733 Acórdão n.º 110300.538 S1C1T3 Fl. 641 20 Fl. 641DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/11/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10980.002421/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPÇÃO.
Não se conhece das razões de recurso voluntário que tenha sido apresentado após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1101-000.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 54 1 53 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.002421/200555 Recurso nº 500.985 Voluntário Acórdão nº 110100.639 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria Exclusão do SIMPLES Federal Recorrente SGUAREZI JARDINAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões de recurso voluntário que tenha sido apresentado após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.002421/200555 Acórdão n.º 110100.639 S1C1T1 Fl. 55 2 Relatório SGUAREZI JARDINAGEM LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra ato declaratório despacho decisório que a excluiu do SIMPLES Federal a partir de 01/05/2004, por incorrer nas vedações previstas no art. 9o, V, XII, “f” e §4o da Lei nº 9.317. de 1996, conforme despacho decisório proferido nos autos deste processo administrativo. O referido despacho, juntado às fls. 14/15 descreve a existência de contratação com a Prefeitura de Campo Magro, cuja natureza laboral dos préstimos focados denota que o compromisso firmado consubstanciase numa empreitada de mãodeobra. Demais disto, seu objeto social contemplaria atividades vedadas, consistentes em reforma de edificações, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas. A decisão recorrida foi assim ementada: EMPREITADA DE MÃODEOBRA. No caso de empreitada exclusivamente de mãodeobra, o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendose, assim, sua similitude com a locação de mão deobra, vedada ao Simples. A contribuinte foi cientificada da decisão, por via postal, em 13/07/2009 (fl. 38), formulou o recurso voluntário em 12/08/2009, mas somente o apresentou ao SECAT da DRF/Curitiba em 19/08/2009 (fls. 39/44). O despacho de fl. 53 confirma que o recurso somente foi protocolado em 19/08/2009. Aduz a recorrente que nunca em momento algum admitiu que executou obras complementares à construção civil, e jamais fez locação de mão de obra. Aborda cada um das atividades previstas em seu objeto social, e acrescenta que o contrato firmado com o Município de Campo Magro exige o uso de maquinário. Reportase a aspectos do serviço de roçada, menciona que os serviços não são realizados nas dependências da empresa contratante, e reafirma que eles, ante o prazo contratado, não poderiam ser realizados sem a utilização de maquinário. Acrescenta que era responsável pelo transporte, alojamento, alimentação e fiscalização dos serviços realizados, bem como pelo combustível necessário para as máquinas, e prossegue rebatendo individualmente as razões de decidir da autoridade julgadora de 1a instância. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.002421/200555 Acórdão n.º 110100.639 S1C1T1 Fl. 56 3 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, ao regulamentar o Processo Administrativo Fiscal, determina que o prazo para recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de 1ª instância (art. 33), devendose ter em conta que, a teor do seu art. 5º, parágrafo único, os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Também determina que, feita a intimação por via postal, considerase cientificada a contribuinte mediante prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, entendendose como tal o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal – SRF (artigo 23, inciso II, e § 4º, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). In casu, a ciência da decisão deuse por via postal, no domicílio da contribuinte, em 13/07/2009, segundafeira, razão pela qual o prazo para recurso voluntário tem sua contagem iniciada em 14/07/2009 e finda em 12/08/2009 (quartafeira). Contudo, como dito, embora a peça de defesa tenha sido elaborada nesta data, somente foi apresentada em 19/08/2009. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, diante dos fatos descritos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser ele intempestivo. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10670.000705/2001-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO
NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso provido.
Numero da decisão: 9202-001.389
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento ao recurso, para restabelecer o lançamento com relação à área declarada de reserva legal de 446,2 hectares. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento.
Matéria: ITR_AF_OUTR
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer o lançamento com relação à área declarada de reserva legal de 446,2 hectares. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. ELIAS SAMPAIO FREIRE – Presidente em Exercício Gonçalo Bonet Allage Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 319 2 EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Ronaldo Lima de Macedo e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em face de COMEP – Comercial Planalto Ltda., CNPJ n° 18.074.658/0032 00, foi lavrado o auto de infração de fls. 0206, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1997, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de utilização limitada e de produtos vegetais, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Bom Jardim do Rio Pardo, situado no município de São Francisco (MG). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 04): A Contribuinte acima identificada informou em sua declaração de ITR, do ano de 1997, uma área de quatrocentos e quarenta e seis vírgula dois hectares de utilização limitada. Intimado a apresentar o documento, matrícula do imóvel contendo a averbação da reserva legal, comprovando ter averbado em cartório essa área referida, a contribuinte não o apresentou. Informou outra área de um mil e dezessete hectares de produtos vegetais. Porém não apresentou o documento solicitado pela intimação (fls. 20), comprovando o plantio dessa área declarada. As áreas de utilização limitada e de produtos vegetais foram reduzidas de 446,2 ha para 0,0 ha e de 1.017,0 ha para 0,0 ha (fls. 05). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 7074). Por sua vez, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 30334.037, que se encontra às fls. 174191, cuja ementa é a seguinte: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Nos impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, a subrogação do crédito tributário na pessoa do adquirente está subordinada à carência Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 320 3 de prova da quitação do tributo no corpo do título aquisitivo. Certidão positiva com efeito de negativa expedida pelo órgão administrador do tributo e desvinculada do crédito tributário litigioso enquadra a situação fática nos limites impostos pela ressalva contida na parte final do caput do artigo 130 do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. Têm força normativa na data do lançamento as normas jurídicas vigentes à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, inclusive aquelas expressamente revogadas ou modificadas nesse interregno. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. É exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. PRODUTOS VEGETAIS. São áreas efetivamente utilizadas as plantadas com produtos vegetais, dependentes da produção de prova documental. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA. Ato Declaratório Ambiental. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO (75%). Tem fundamento no ordenamento jurídico a multa de ofício de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado: O princípio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 321 4 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e de ilegitimidade passiva. Por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário quanto às áreas ocupadas com produção vegetal. Por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário quanto às áreas de reserva legal, vencidos os Conselheiros Tarásio Campeio Borges (Relator) e Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente) que negaram provimento. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Marciel Eder Costa. Intimada do acórdão em 30/05/2007 (fls. 192), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 194203, acompanhado dos documentos de fls. 204211, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A decisão de segunda instância deu provimento ao recurso apenas para reconhecer as áreas indicadas pelo contribuinte como de reserva legal; b) Não pode prosperar este posicionamento; c) Divergindo da Câmara a quo, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 30236.585, exige a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao Cartório de Registro de Imóveis; d) Da análise das alegações e da documentação apresentada pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; e) A Lei n° 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR no artigo 10, inciso II. Considerando que esta regra trata da concessão de benefício fiscal, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o artigo 111 do CTN; f) No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis em data anterior à ocorrência do fato gerador, consoante determina a legislação; g) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 322 5 h) Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; i) À luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos setores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; j) Exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; k) Inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; l) Uma vez definidos pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar à margem da matrícula do imóvle, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de benefício; m) Tal benefício é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal; n) É preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; o) No caso em comento, a área declarada de reserva legal foi averbada posteriormente à ocorrência do fato gerador; p) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva, merece ser reformada a decisão recorrida. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 337/2007 (fls. 215217), o contribuinte foi intimado e apresentou, inicialmente, recurso especial às fls. 224236, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 323 6 acompanhado dos documentos de fls. 237259, onde defendeu a necessidade de reforma do acórdão recorrido, pois o lançamento seria totalmente improcedente. Protocolizou, também, suas contrarrazões às fls. 261270, pleiteando, fundamentalmente, a manutenção da decisão de segunda instância. Conforme despacho n° 096/2008 (fls. 335337), confirmado pelo despacho n° 21000065/2010, proferido em sede de agravo, o recurso especial do contribuinte não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar 446,2 hectares como área de reserva legal (o lançamento reduziu tal área de 446,2 ha para 0,0 ha). A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver promovido a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 302 36.585. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 324 7 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 325 8 cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 326 9 § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 327 10 Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR. Nos termos do documento de fls. 110, especificamente nas averbações Av.07/2960 e 2961, está destinada área de preservação permanente (e não de utilização limitada) de 153,74 hectares. Não localizei nenhuma averbação de área de reserva legal. Devo destacar, por fim e apenas para esclarecer, que, segundo penso, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Neste feito, contudo, inexiste averbação, seja em momento anterior ou posterior à ocorrência do fato gerador, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão recorrida, pois não pode prosperar a exclusão da base de cálculo do ITR da área declarada de reserva legal de 446,2 hectares. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000705/200187 Acórdão n.º 920201.389 CSRFT2 Fl. 328 11 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento com relação à área declarada de reserva legal de 446,2 hectares. Gonçalo Bonet Allage Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000085/2003-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Brespel Companhia Industrial Brasil Espanha (fls. 483 a 500) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF (fls. 470 a 475) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindose a lei a contribuições , "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. (grifos nossos) O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 520 a 523. Contrarrazões às fls. 526 a 537. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial merece ser conhecido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13501.000085/200388 Acórdão n.º 930301.462 CSRFT3 Fl. 539 3 Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida diz respeito à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas aos contribuintes do PIS/COFINS na base de cálculo do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96. Meu entendimento, no caso, coincide com o do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000701/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO.
Permitese
o crédito nãocumulativo
em relação aos valores da energia
elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total
constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços.
CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO.
Até 31/01/2004 não havia autorização legal para apropriação de créditos
sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em
imóveis próprios.
AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO.
À mingua de prova da aquisição de veículo escriturado no Ativo Imobilizado
da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à
despesa de depreciação do bem.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS.
A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura",
mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e
armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez
que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria
de origem animal ou vegetal (agroindústria).
VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL.
Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio
proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno,
aplicase
aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as
receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de
juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de
ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que davam
provimento parcial para autorizar o rateio de todas as despesas com direito a crédito.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. Até 31/01/2004 não havia autorização legal para apropriação de créditos sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em imóveis próprios. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. À mingua de prova da aquisição de veículo escriturado no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação do bem. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado
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CRÉDITO. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. Até 31/01/2004 não havia autorização legal para apropriação de créditos sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em imóveis próprios. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. À mingua de prova da aquisição de veículo escriturado no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação do bem. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que davam provimento parcial para autorizar o rateio de todas as despesas com direito a crédito. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 31/10/2005 a empresa AGRÍCOLA COLFERAI LTDA, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, relativo ao 1o trimestre de 2003. A autoridade administrativa competente indeferiu o pedido da interessada porque a mesma incluiu em seu pedido créditos das seguintes operações, tidos por indevidos: 1 aquisição de produtos farmacêuticos para revenda (tributação concentrada); 2 taxa de iluminação pública e outras despesas incluídas na nota fiscal de energia elétrica; 3 encargos de amortização de bens imóveis próprios e encargos de depreciação de veículos cuja propriedade não fora comprovada; 4 crédito presumido de aquisições de produtos agrícolas junto a pessoas físicas que a recorrente, cerealista que é, fez limpeza, padronização, secagem e armazenagem. Não há previsão legal para este tipo de crédito no período de apuração do pedido; Fl. 371DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000701/200505 Acórdão n.º 330201.181 S3C3T2 Fl. 371 3 5 inclusão no rateio de créditos (exportação e mercado interno) das contas “Custo Bens para Revenda” e “Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não Cumulativa”, todas operações no mercado interno. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações consta do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0628.421, de 29/09/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/ DEPRECIAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 foi autorizada a apropriação de créditos sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em imóveis próprios. AQUISIÇÕES DE VEÍCULOS. GASTOS COM OBRAS. COMPROVAÇÃO. O aproveitamento de créditos no sistema de nãocumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, fica condicionada à comprovação dos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados ã pessoa jurídica domiciliada no pais. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire produtos "in natura" de pessoas físicas residentes no País, realizando operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem para futura comercialização (cerealista), não faz jus ao crédito presumido (Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º), uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos apurados no sistema de nãocumulatividade do PIS/Pasep, por expressa vedação legal. Ciente desta decisão em 25/10/2010, a interessada ingressou, no dia 18/11/2010, com o recurso voluntário de fls. 325/355, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 com relação ao rateio das despesas vinculadas a receitas no mercado interno e a receitas de exportação a decisão recorrida fez uma interpretação pessoal e isolada posto que não existe nenhuma norma que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita. A opção pela forma de rateio é do contribuinte. 2 a totalidade da fatura de energia elétrica tratase de despesas com energia elétrica e sobre ela incide PIS e Cofins; 3 os veículos FIAT Strada e Volvo foram adquiridos com amparo em documentação fiscal, contabilizados e utilizados em atividades da recorrente. Portanto, tem direito ao crédito relativo à despesa de depreciação dos mesmos; 4 a autoridade equivocouse quanto ao direito ao crédito nas despesas de depreciação incidentes sobre os bens “Constr Base 02 Silos Cap 3000 Ton” e “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” porque os incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 autoriza o referido crédito; 5 os §§ 5º e 10º do art. 3º da Lei nº 10.637/02, antes da sua revogação pela Lei nº 10.925/2004, autorizava a escrituração de crédito presumido nas aquisições de produtos in natura diretamente de pessoas físicas; 6 a recorrente atende aos dois requisitos do § 10, acima citado, já que produz mercadorias de origem vegetal ali referidas e efetua o processo de produção/industrialização na modalidade de beneficiamento; 7 discorre sobre a intenção do legislador na concessão do crédito presumido; 8 reclama a correção monetária do valor solicitado por está a cinco anos aguardando um posicionamento da administração e se não for corrigido o seu crédito ficará caracterizado enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Discorre sobre a natureza do ressarcimento para concluir que é uma espécie de restituição e, portanto, sujeita à incidência dos juros Selic. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Fl. 373DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000701/200505 Acórdão n.º 330201.181 S3C3T2 Fl. 372 5 Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivo legais de regência. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos de PIS Exportação, apurado no regime da Lei nº 10.637/02, relativo ao 1º trimestre de 2003. Efetuado a diligência fiscal para comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, a autoridade diligente efetuou glosas de créditos sobre as seguintes despesas: 1 aquisição de produtos farmacêuticos para revenda (tributação concentrada); 2 taxa de iluminação pública e outras despesas incluídas na nota fiscal de energia elétrica; 3 encargos de amortização de bens imóveis próprios e encargos de depreciação de veículos cuja propriedade não fora comprovada; 4 crédito presumido de aquisições de produtos agrícolas junto a pessoas físicas que a recorrente, cerealista que é, fez limpeza, padronização, secagem e armazenagem. Não há previsão legal para este tipo de crédito no período de apuração do pedido; 5 inclusão no rateio de créditos (exportação e mercado interno) das contas “Custo Bens para Revenda” e “Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não Cumulativa”, todas operações no mercado interno. A empresa recorrente reconhece a procedência da glosa a que se refere o item 1 (um) acima e contesta as demais, pelas razões relacionadas no relatório. A decisão de primeiro grau indeferiu o pleito da recorrente e manteve as glosas efetuadas pela autoridade administrativa, nos termos dos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, que entendo procedente e ratifico. Passemos ao exame do mérito das razões do recurso voluntário. Com relação ao rateio das despesas vinculadas a receitas no mercado interno e a receitas de exportação a recorrente entende que a autoridade administrativa fez uma interpretação pessoal e isolada porque não existe nenhuma norma que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita e, no seu entender, a legislação autoriza o rateio integral de todas as despesas, citando como fundamento legal o art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.637/02, que abaixo se transcreve. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 374DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se questiona que é a empresa que escolhe o método de rateio: (i) apropriação direta ou (ii) rateio proporcional. No caso a empresa recorrente fez a opção pelo rateio proporcional. Conforme está claramente dito no inciso II, acima reproduzido, o rateio proporcional aplica “aos custos, despesas e encargos comuns” e não a todas as despesas. Portanto, ao contrário do alegado, é a recorrente que fez uma interpretação pessoal e isolada e as disposições legais acima reproduzidas autorizam o rateio exclusivamente das despesas comuns aos tipos de receita auferida. A vista do exposto, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Também não merece acolhida a pretensão da recorrente de creditarse do valor total da fatura emitida pelo fornecedor de energia elétrica. A lei autoriza o crédito relativo às despesas de energia elétrica consumida no estabelecimento da recorrente1 e não em relação ao valor total da fatura (ou nota fiscal) emitida pela empresa fornecedora de energia elétrica, que pode conter venda de outros serviços ou receita de terceiros. Aqui também não há reparos a fazer na decisão recorrida. A recorrente alega que os veículos FIAT Strada e Volvo foram adquiridos com amparo em documentação fiscal e contabilizados regularmente. Sua alegação, no entanto, continua desacompanhada das notas fiscais de aquisição desses veículos. Estas notas fiscais foram, inclusive, solicitadas no curso da diligência. À mingua de prova da regular escrituração dos referidos bens no Ativo Imobilizado da recorrente, não há como acolher seus argumentos para reconhecer o crédito relativo às despesas de depreciação. Ainda sobre este tópico, a recorrente alega que a autoridade administrativa equivocouse quanto ao direito ao crédito nas despesas de depreciação incidentes sobre os bens “Constr Base 02 Silos Cap 3000 Ton” e “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” porque os incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (abaixo transcritos) autorizam o referido crédito. 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000701/200505 Acórdão n.º 330201.181 S3C3T2 Fl. 373 7 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; A recorrente trata as despesas glosadas como se fossem despesas de depreciação e, conforme se pode constatar no relatório da diligência, tratase de despesas com benfeitorias em imóveis próprios. Para este tipo de despesa não existia, à época do período de apuração objeto deste pedido, previsão legal para aproveitamento do crédito, conforme bem disse a decisão recorrida. Alega a recorrente que §§ 5º e 10º do art. 3º da Lei nº 10.637/02, antes da sua revogação pela Lei nº 10.925/2004, autorizava a escrituração de crédito presumido nas aquisições de produtos in natura feitas diretamente de pessoas físicas. O Julgador relator do voto condutor do acórdão recorrido relaciona toda legislação pertinente à matéria e por ela fica claro que a pessoa jurídica cerealista (aquela que adquire cereais e os revende, efetuando, eventualmente, a secagem, a limpeza e a classificação dos mesmos), a que se refere a legislação do PIS e da Cofins, não tem direito ao crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas, nem antes e nem depois da edição da Lei nº 10.925/04, sendo certo que nas vendas realizadas por ela cerealistas, a partir de fevereiro de 2004, às pessoas jurídicas citadas no art. 8º da Lei nº 10.925/04, há a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins (§ 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04) nestas operações. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.327/02 se refere a pessoas jurídicas “produtoras” de mercadorias de origem vegetal e a recorrente não produz mercadoria alguma de origem vegetal: ela simplesmente adquire as mercadorias de produtores rurais e as revende a terceiros. O fato de secar, limpar e padronizar os grãos que adquire não a torna uma produtora rural de grãos (café, milho, soja, etc.) e muito menos uma produtora de “mercadoria de origem animal ou vegetal” destinada a consumo humano ou animal, a que se refere o dispositivo legal acima citado. Ela compra e revende grãos, uma atividade tipicamente comercial. Quanto à correção monetária no ressarcimento pleiteado, há expressa vedação legal que o administrador tributário, aí incluído a autoridade julgadora, dela não pode se afastar. Portanto, sem respaldo legal a pretensão da recorrente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 377DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13826.000209/2003-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1993 a 30/09/1995
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratandose
de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação
e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de
junho de 2005, aplicase
o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que
restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621.
PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE
OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998.
O Superior Tribunal de Justiça, em sede de reafirmação de jurisprudência em
recursos repetitivos, no Recurso Especial nº 1.136.210 PR,
já se manifestou
sobre a exigibilidade da Contribuição para o PIS para o período de outubro de
1995 a outubro de 1998. o que, nos termos do art. 62do
Regimento do
CARF, deve este conselho administrativo aplicar tal entendimento.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO
CARF.
Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo
único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês
anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data
do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp nº 144.708RS
e
Súmula 15 do CARF).
Numero da decisão: 3403-001.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito pelos pagamentos
indevidos efetuados a partir de 22/11/1993 nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 30/09/1995 PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de reafirmação de jurisprudência em recursos repetitivos, no Recurso Especial nº 1.136.210 PR, já se manifestou sobre a exigibilidade da Contribuição para o PIS para o período de outubro de 1995 a outubro de 1998. o que, nos termos do art. 62do Regimento do CARF, deve este conselho administrativo aplicar tal entendimento. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp nº 144.708RS e Súmula 15 do CARF).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 170 1 169 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13826.000209/200362 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.309 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria Restituição PIS Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS CONQUISTA Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 30/09/1995 PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de reafirmação de jurisprudência em recursos repetitivos, no Recurso Especial nº 1.136.210 PR, já se manifestou sobre a exigibilidade da Contribuição para o PIS para o período de outubro de 1995 a outubro de 1998. o que, nos termos do art. 62 do Regimento do CARF, deve este conselho administrativo aplicar tal entendimento. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp nº 144.708RS e Súmula 15 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito pelos pagamentos indevidos efetuados a partir de 22/11/1993 nos termos do voto da Relatora. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos, Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Adoto e transcrevo para compor esse julgado o relatório da decisão recorrida, fls. 125: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) que teriam sido recolhidos indevidamente no período entre 01/11/1993 e 30/09/1995, no valor de R$ 25.572,35. O pedido foi baseado na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Dando prosseguimento ao processo, a DRF/MaríliaSP emitiu Despacho Decisório de fls. 93 a 96, indeferindo o pedido de restituição pelo fato de os pagamentos efetuados até 12/06/1998 terem sido atingidos pela decadência, porquanto o pedido foi protocolizado em 12/06/2003. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 99/117, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS. Alegou, em resumo, que após a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na Adin no 1417–0, em 02/08/1999, criouse um período de vacância da lei entre outubro de 1995 e fevereiro de 1999, até a entrada em vigor da Lei nº 9.715, de 1998. Tal fato teria ocorrido porque a MP nº 1.212, de 1995, não respeitou o prazo nonagesimal de cobrança (90 dias) e o art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, cometeu o mesmo erro. Com a declaração de inconstitucionalidade do seu art. 18, essa lei somente teve vigência a partir de março de 1999, não havendo, portanto, fato gerador naquele período, assim os valores pagos seriam indevidos. Por outro lado, a cobrança com base na Lei n.º 7, de 1970, também seria incabível, pois não poderia haver dois diplomas legais normatizando o mesmo assunto no mesmo período e pelo fato de que não poderia haver a repristinação daquela lei complementar após a declaração de inconstitucionalidade do art. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13826.000209/200362 Acórdão n.º 3403001.309 S3C4T3 Fl. 171 3 18 da Lei no 9.715, de 1998, por ser instituto vedado no Direito brasileiro. Quanto ao prazo para se postular a restituição, argumenta que, nos tributos lançados por homologação, como é o presente caso, a extinção do crédito estaria sujeita a uma condição resolutória, qual seja, a homologação, tácita, após cinco anos, ou expressa, por parte do Fisco; assim, o prazo para se pleitear restituição/compensação é de cinco anos, contados da homologação do pagamento, que é quando ocorreria a extinção do crédito; como neste caso não houve homologação expressa, na prática o prazo para se exercer o direito à restituição/compensação do indébito seria de dez anos. Discorre ainda sobre o direito à compensação à luz da legislação de regência, bem assim dos seus fundamentos constitucionais, quais sejam, cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, mediante Acórdão nº 1433.253, de 07 de abril de 2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1993 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Cientificada da decisão em 16/05/2011, fls. 131, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 136/153, com alegações sob os mesmos fundamentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para concluir, espera e requer: Por todos os argumentos detalhadamente analisados e fundamentados na legislação e na jurisprudência, quer administrativa como no judiciário, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ser reconhecido seu direito à restituição do PIS. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Versa o litígio, conforme os autos, sobre o indeferimento de pedido de restituição de recolhimentos da Contribuição para o Programa de Integração Social, entre o Fl. 172DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 período de 01/11/1993 a 30/09/1995, considerados indevidos pela recorrente, com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, de 1988. A autoridade julgadora a quo, mantendo a decisão proferida pela unidade de origem, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os fundamentos de que o direito a pleitear a restituição extingue com decurso do prazo de cinco anos contados, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, da data da extinção do crédito tributário. Importa frisar que a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, limitouse a apreciação da preliminar de medito de decadência, não apreciando as questões se faria jus ou não a recorrente ao direito à restituição pleiteada por serem indevidos os recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no período de 11/93 a 09/95. Limitouse, portanto à análise do prazo legal para se postular a restituição de indébitos. A autoridade julgadora a quo por ter sido o pedido de restituição protocolizado em 12/06/2003, considerou que somente seriam tempestivos os recolhimentos realizados após 12/06/1998. Como o pagamento mais recente datava de 13/10/1995, todos os pagamentos foram atingidos pela decadência, sob os fundamentos a seguir: Como o art. 106 do CTN prevê a aplicação retroativa de lei meramente interpretativa tal lei aplicase ao presente caso. Uma vez caracterizada a data da extinção do crédito tributário no lançamento por homologação como a data do pagamento, seguese a regra sobre o prazo para o pedido de restituição insculpida no CTN: Art. 165 – O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 – O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; (grifei) (...) No presente caso, o pedido da interessada foi protocolizado em 12/06/2003 (fl. 1), assim somente seriam tempestivos os pagamentos ocorridos após 12/06/1998. Como o pagamento mais recente data de 13/10/1995 (fl. 56), todos os pagamentos foram atingidos pela decadência. Da leitura dos fundamentos do voto condutor, posição que também era a dotada por membros desse colegiado, tendo a protocolização do pedido ocorrido em 12/06/2003, apenas os valores referentes aos pagamentos realizados após 12/06/1998 seriam Fl. 173DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13826.000209/200362 Acórdão n.º 3403001.309 S3C4T3 Fl. 172 5 passíveis de restituição. No caso dos autos, todos os pagamentos estariam fulminados pela decadência. Recentemente, a matéria sobre o prazo para a repetição do indébito, tratada no recurso representativo da controvérsia, submetido ao regime de repercussão geral RE 556. 621 foi submetida a julgamento pelo plenário do Superior Tribunal Federal, tendo como relatora a ministra Ellen Gracie. Pondo fim a discussão sobre a matéria, os Ministros desse Egrégio Tribunal acordaram, por maioria de votos, sob a presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Eis parte do voto da relatora, Ministra Ellen Gracie, acompanhado pela maioria de seus pares que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005 por violação do princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expressa na Constituição Federal nos arts. 1º e 5º, inciso XXXV, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, no caso 9 de julho de 2005: (...) 8. Mas, não estamos diante de lei interpretativa, devendose considerar a LC 118/05 como lei nova que é, submetendoa a todos os condicionamentos a que está sujeita. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, considerando violado pelo art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, que repousam implícita e expressamente nos art. 1º e 5º, inciso XXXV, da Constituição. 9. Diante da inconstitucionalidade reconhecida, cabe, ainda, verificar a partir de quando e com que efeito o novo prazo pode ser validamente aplicado. (...) Tenho que o art. 4º da LC 118/05, na parte em que estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias, cumpriu tal função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes não apenas tomassem conhecimento do novo prazo, como para que pudessem agir, ajuizando as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Notese que foi significativa a avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005, sinal, aliás, de que tal prazo cumpriu sua finalidade, não havendo fundamento constitucional para proteger o contribuinte da sua própria inércia, cabendo dar aplicação ao velho brocardo latino: “Dormientibus non sucurrit jus”. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data. (...) Assim decidiu a Corte Superior no julgamento de mérito do RE 566.621, tema submetido ao regime de repercussão geral, realizado em 04 de agosto 2011, de acordo com a ementa que se transcreve a seguir: Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, Fl. 175DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13826.000209/200362 Acórdão n.º 3403001.309 S3C4T3 Fl. 173 7 mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Diante dessa decisão do STF, publicada no Dje nº 195 em 11/10/2011, e do disposto no art. 62A do RICARF, os membros desse colegiado estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso em exame, a data de protocolização do pedido de restituição, referente aos recolhimentos efetuados a titulo de Contribuição para o PIS no período 01/11/1993 a 30/09/1995, tidos por indevidos pela recorrente, ocorreu em 12/06/2003. Analisando a questão prejudicial de decadência, esta se encontra superada pelo julgamento de mérito do RE 566.621, porquanto a pretensão da recorrente foi ajuizada antes de 09 de junho de 2005, aplicandose, pois o prazo de dez anos anteriormente vigente no Tribunal a quo. Portanto, não há que se falar em decadência de o direito de repetição do indébito tributário pretendido pela recorrente, por ser inferior a 10 anos o prazo dos recolhimentos pleiteados, uma vez que o prazo do primeiro recolhimento efetuado, que ora pretende a recorrente sua restituição, ocorreu em 22/11/1993. Vencida a prejudicial de decadência, deve ser apreciada a matéria central que é o direito à restituição pretendida pela recorrente sob o fundamento de inexistir fato gerador para o período pleiteado, sendo, portanto indevidos os recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Vêse que tema central é saber se os recolhimentos efetuados pela recorrente a título de Contribuição para o PIS, durante o período pleiteado são indevidos por ausência de norma de incidência. Em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição ao qual se submete o Processo Administrativo Fiscal, superada a questão prejudicial de decadência que fundamentava o julgamento de primeira instância, caberia a devolução dos autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em sessão no dia 09 de dezembro de 2009 firmou posicionamento sobre essa matéria no Recurso Especial nº 1.136.210 – PR, representativo da controvérsia, segundo regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil que até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. Transcrevo ementa do Recurso Especial nº 1.136.210 PR, tendo como relator Ministro Luiz Fux, in verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 1.136.210 PR (2009/00741776) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : GAIGUER E TUDINO LTDA E OUTROS ADVOGADO : NESTOR FRESCHI FERREIRA E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. 2. A contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (RE 169.091, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 07.06.1995, DJ 04.08.1995). 3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: AI 713.171 AgR, Rel. Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgado em 09.06.2009, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 Fl. 177DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13826.000209/200362 Acórdão n.º 3403001.309 S3C4T3 Fl. 174 9 EMENT VOL0236819 PP04055; RE 479.135 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 26.06.2007, DJe082 DIVULG 16.08.2007 PUBLIC 17.08.2007 DJ 17.08.2007; AI 488.865 ED, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 07.02.2006, DJ 03.03.2006; AI 200.749 AgR, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 18.05.2004, DJ 25.06.2004; RE 256.589 AgR, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 08.08.2000, DJ 16.02.2001; e RE 181.165 EDED, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma, julgado em 02.04.1996, DJ 19.12.1996. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no REsp 531.884/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 25.11.2003, DJ 22.03.2004; Resp 625.605/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 08.06.2004, DJ 23.08.2004; REsp 264.493/PR, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.02.2006; AgRg no Ag 890.184/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20.09.2007, DJ 19.10.2007; e REsp 881.536/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 28.10.2008, DJe 21.11.2008). 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine , não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose a anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. (Grifei) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento do CARF, os conselheiros desse colegiado no julgamento dos recursos deverão reproduzir as decisões 1 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 178DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 10 definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Nessa linha, tendo o STJ já se manifestado em sede de reafirmação de jurisprudência em recursos repetitivos sobre a exigibilidade da Contribuição para o PIS, nos termos do art. 62 do Regimento do CARF, deve este conselho administrativo aplicar tal entendimento. Dessa forma, o crédito da recorrente a ser apurado referese à diferença entre os valores efetivamente recolhidos e os que seriam devidos pela aplicação da Lei Complementar nº 7/70, no período entre novembro de 1993 e setembro de 1995, tomando como base de cálculo o valor nominal do faturamento do sexto mês anterior, nos termos da Súmula CARF nº 15. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito pelos pagamentos indevidos ou a maior efetuados a título de Contribuição para o PIS a partir de 22 de novembro de 1993. Observo que o provimento foi parcial porque a apuração do indébito, o encontro de contas e a homologação das declarações de compensação até o limite do crédito apurado estão a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. O valor do indébito deve ser corrigido monetariamente até a data em que houve sua restituição ou o seu aproveitamento na compensação, sendo que em relação ao período até 31/12/1995 deve ser aplicada a tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 08, de 27/06/97. A partir de 01/01/96, passam a incidir exclusivamente os juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que ocorrer a restituição ou a compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. É como voto. Liduína Maria Alves Macambira Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010) Fl. 179DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13826.000209/200362 Acórdão n.º 3403001.309 S3C4T3 Fl. 175 11 Fl. 180DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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