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Numero do processo: 10980.720171/2010-04
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. RELATÓRIO E VOTO Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Tratase de lançamentos de PIS e de COFINS por recolhimento a menor apurado com base nos valores escriturados pelo contribuinte. Em sessão de julgamento realizada em 20 de fevereiro de 2013, este colegiado sobrestou o julgamento do feito em respeito ao §1º do art. 62A do RICARF, que então vigia, dado que uma das discussões travadas diz respeito à inclusão ou não do ICMS próprio na base de cálculo das contribuições. Como bem indicou o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator, o STF reconhecera a repercussão geral da matéria. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 17 1/ 20 10 -0 4 Fl. 5741DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401000.891 S3C4T1 Fl. 5.742 2 Revogado o dispositivo regimental, retornam os autos para julgamento, tendo sido a mim redistribuído em virtude de o relator de então não mais pertencer ao órgão. Apesar de os lançamentos terem tomado por base, segundo a própria autoridade fiscal responsável, valores escriturados pela empresa em sua contabilidade, a multa aplicada foi aquela prevista para infrações qualificadas (no percentual de 150% do tributo não recolhido). Justificouo a autoridade autuante, nos seguintes termos: Da multa Qualificada (...) tendo em vista que não é mencionado em sua escrita contábil o valor correto do PIS e COFINS incidente (sic) sobre a venda de álcool hidratado, conforme consta no livro Razão. Em suas DIPJs não consta qualquer valor declarado corretamente dessas contribuições incidentes sobre a venda de álcool hidratado, razão porque levantamos o crédito tributário pelas diferenças encontradas, mês a mês. Em que pese tal afirmação, nos autos não constam cópias nem do livro razão (há apenas cópias dos termos de abertura e de encerramento) nem das DIPJ. Por outro lado, ao descrever as "divergências entre os valores declarados ao Fisco e a contabilidade da empresa", a autoridade responsável pelo trabalho fiscal compara valores de receita escriturados no livro Razão (não juntado, como já dito) e "aqueles declarados em DCTF". Como sabido, nas DCTF não são declarados valores de receitas, mas sim os valores dos próprios tributos apurados pelo declarante. Por isso, a autoridade fiscal esclarece: que a comparação se fez "pela divisão do valor do imposto (sic) recolhido (PIS) pela correspondente alíquota de recolhimento". Ou seja, as receitas contabilizadas não foram confrontadas com os valores das receitas informados via DIPJ, nem os valores da contribuição declarados na DCTF o foram com os valores "a recolher" apurados na contabilidade. Ainda assim, concluiu a autoridade fiscal presente alguma das circunstâncias qualificativas previstas no § 1º do art. 44 da Lei 9.430 (arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64), embora sem especificar qual. Repisese, como já afirmado pelo dr. Emanuel quando do primeiro julgamento, que o presente lançamento não se louvou na quebra de sigilo bancário do contribuinte, mas apenas alcança diferenças não recolhidas sobre valores devidamente escriturados. Desse modo, a caracterização de qualquer das circunstâncias qualificativas previstas na lei 4.502, como exige o art. 44 da Lei 9.430 para aumentar o percentual da multa de 75% para 150%, requer, a meu sentir, que mais informações venham aos autos. É o meu voto, assim, por converter o julgamento em diligência em cumprimento da qual a unidade preparadora faça juntar: a) cópias do razão das contas de receitas que compuseram a base de cálculo elaborada pela fiscalização; b) cópias das fichas da DIPJ em que constem as receitas acima, bem como as demonstrativas das bases de cálculo de cada contribuição conforme declaradas pela empresa à RFB; c) cópias das contas do razão relativas às contribuições "a recolher", que demonstram o quanto o contribuinte reconheceu como devido em sua contabilidade. Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401000.891 S3C4T1 Fl. 5.743 3 Concluída a diligência, dêse ciência ao contribuinte para se manifestar no prazo de trinta dias retornando, após, para conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 5743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37324.013905/2006-09
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.104
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidad - e votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a decadência das contribuições • . I . CELO OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Processo n°37324.013905/2006-09 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.104 Fl. 1.945 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Campinas / SP, Decisão-Notificação (DN) , 21.424.4/0125/2007, fls. 01022 a 01039, que julgou procedente o lançamento, efetuado pela , Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0782 a 0788, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau ' de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 02/05/2004 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 041 e , 045. Em 16/11/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0791 a 0831, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 01043 a 01079, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP emitiu contra-razões e enviou o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). É o relatório. 2 , Processo n° 37324.013905/2006-09 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.104 Fl. 1.946 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Féderal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). (g) 3 Processo n°37324.013905/2006-09 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.104 Fl. 1.947 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do C'FN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.I 50 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 0 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. áç 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser apli ado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições om tidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições Previdenciárias. 4 Processo n°37324.013905/2006-09 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.104 Fl. 1.948 Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 11/2006, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 12/1998, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Sala das Sessõ - -m 8 de agosto de 2009 /1/ R " 1 OLIVEIRA — Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000408/2001-26
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento. 9 I O Í CARLOS ALBE ' T9 '1 ITAS BAktRETO — Presidente IP—....1 ELIAS SA ' 4401tir a : ' Re ator 1 EDITADO EM: 1 8 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para acatar as áreas de preservação permanente e da área de reserva legal. A Fazenda Nacional insurge-se em virtude de o acórdão recorrido ter descartado a exigência, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, a averbação da reserva legal para fins de não incidência do ITR. O contribuinte apresentou contra-razões clamando pelo desprovimento do recurso especial da Fazenda Nacional. 2 çç Processo n° 10108.000408/2001-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.213 Fl. 3 Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. De feito, a questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 ,55' 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: tÇ) 3• § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro dè imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFE1) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) 4 • Processo n° 10108.000408/2001-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.213 Fl. 4 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por to • exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, de odo a retificar o acórdão recorrido no que se refere à área de reserva legal. Elias S. a o Freire - elator 5
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Numero do processo: 14485.000072/2007-41
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 31/07/1997. Ementa: PEDIDO REVISIONAL CONHECIDO. DECADÊNCIA. STF. Conforme disposto no § 2º do artigo 5º do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido de revisão será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004). Pedido de Revisão conhecido para sanar acórdão anterior da então 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-000.766
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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Ementa: PEDIDO REVISIONAL CONHECIDO. DECADÊNCIA. STF. Conforme disposto no § 2º do artigo 5º do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido de revisão será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004). Pedido de Revisão conhecido para sanar acórdão anterior da então 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 14485.000072/200741 Acórdão n.º 230100.766 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima Dos Santos (Suplente), Damião Cordeiro de Moraes . Relatório 1.Tratase de pedido revisional apresentado pela empresa BUNGE FERTILIZANTES S/A contra o acórdão da antiga 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS de relatoria do Conselheiro Rogério Lellis Pinto, que negou provimento ao recurso voluntário da empresa, nos termos da ementa abaixo transcrita: “EMENTA. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DE 10 ANOS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. PEDIDO ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA EMENDA CONSTITUCIONAL – EC 20/1988. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, nos termos do que dispõe o artigo 45 da Lei 8.212/91. Cabe lançamento de ofício para constituir créditos previdenciários decorrentes de fatos geradores reconhecidos pela justiça trabalhista até a 15 de dezembro de 1988, data anterior ao inicio da vigência da EC 20. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.” 2. O pedido de revisão do acórdão, teve como fulcro o art. 60, inciso I e IV da Portaria 88, de 22 de janeiro de 2004, que aprovou do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 14485.000072/200741 Acórdão n.º 230100.766 S2C3T1 Fl. 3 3 3. Analisando os pressupostos de admissibilidade, a presidência desta Turma proferiu despacho acolhendo o pedido da empresa, nos seguintes termos: “ Apesar de a decadência não ter sido prequestionada pelo requerente em seu pedido de revisão original, o foi no pedido às fls. 166/170. Além disso, por se tratar de matéria de ordem pública e trazida aos autos por meio de pedido de revisão, não se pode negar que o acórdão vergastado, ao ratificar a decisão de primeira instancia, que julgou o lançamento procedente, acabou por reconhecer a aplicação do art. 45 da lei 8.212/91, considerado inconstitucional pela Súmula Vinculante nº 08 supracitada. Assim, uma vez que a decisão pela inconstitucionalidade tem efeitos retroativos, vale dizer que é como se à época o art. 45 da Lei 8.212/91 não existisse, aplicandose portanto o Código Tributário Nacional. Neste caso, por não ter havido pagamento, aplicase o art. 173, I, estando, portanto todo período questionado decadente. Reconheço cumpridos os pressupostos de admissibilidade do pedido de revisão apresentado. [...] DECIDO: ACOLHER o pedido de revisão apresentado.” 4. Por fim, após despacho do Presidente propondo o saneamento do acórdão em epígrafe, os autos foram encaminhados a este Conselheiro para proferir relatório. É o relatório. Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conforme disposto no § 2º do artigo 5º do RICC, Portaria MF n. 147/2007, o pedido revisional será analisado de acordo com o RICRPS (Portaria MPS n. 88/2004). 2. Nos exatos termos do art. 60 da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade do recurso revisional é medida extraordinária somente admitida nos casos de o Acórdão do CRPS divergir de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. 3. In casu, a recorrente apresentou pedido revisional de acórdão da antiga 4ª CRPS de relatoria do Conselheiro Rogério Lellis Pinto com o fulcro no art. 60, inciso I e IV da Portaria 88/2004, em face da decisão de fls. 146/152, que negou provimento ao recurso voluntário, incorrendo em violação de dispositivos legais e constitucionais. 4. Isso porque o acórdão revisado utilizou como prazo decadencial aquele previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91, qual seja, dez anos. No entanto, durante sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2008, foi editada a Súmula Vinculante nº 08, que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 14485.000072/200741 Acórdão n.º 230100.766 S2C3T1 Fl. 4 4 declarou inconstitucional o referido dispositivo, resultando, a partir daí, na obediência ao Código Tributário Nacional quanto às regras de decadência. 5. O Código Tributário Nacional prevê em seus dispositivos 173, I e 150 §4º o prazo decadencial quinquenal do crédito tributário, devendo, portanto ser aplicada a regra de imediato visto que a decisão pela inconstitucionalidade tem efeitos retroativos, é como se à época o art. 45 da Lei 8.212/91 não existisse. 6. Feitas essas considerações, acolho o despacho do eminente Conselheiro Presidente Julio Cesar Vieira Gomes, admitindo o pedido revisional para o devido saneamento do processo em epígrafe. DECADÊNCIA 7. Sobre a preliminar de decadência, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 8. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 14485.000072/200741 Acórdão n.º 230100.766 S2C3T1 Fl. 5 5 vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 9. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 10. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase no Relatório de Lançamentos e no Discriminativo Analítico de Débito que a recorrente não efetuou o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Então, devese prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. 11. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 21/12/2005, referente às contribuições do período de 01/04/1996 a 31/07/1997, fica alcançado pela decadência quinquenal o lançamento fiscal em sua totalidade. 12. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO 13. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S Processo nº 14485.000072/200741 Acórdão n.º 230100.766 S2C3T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/07 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAE S
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Numero do processo: 14751.000417/2008-50
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/05/2008
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
MESMA INFRAÇÃO OCORRIDA EM OUTRA AÇÃO FISCAL. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza bis in idem quando a empresa é autuada em fiscalizações distintas por infrações a um mesmo dispositivo legal.
INFRAÇÃO. REINCIDÊNCIA. ELEVAÇÃO DA MULTA.
A multa fica elevada em duas na vezes na ocorrência de reincidência genérica e em três vezes nos casos de reincidência específica. Constatando-se ambas, a elevação é aplicada cumulativamente.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. MESMA INFRAÇÃO OCORRIDA EM OUTRA AÇÃO FISCAL. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza bis in idem quando a empresa é autuada em fiscalizações distintas por infrações a um mesmo dispositivo legal. INFRAÇÃO. REINCIDÊNCIA. ELEVAÇÃO DA MULTA. A multa fica elevada em duas na vezes na ocorrência de reincidência genérica e em três vezes nos casos de reincidência específica. Constatandose ambas, a elevação é aplicada cumulativamente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 04 17 /2 00 8- 50 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000417/200850 Acórdão n.º 2401002.667 S2C4T1 Fl. 72 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.098.3521, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para imposição de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar informações cadastrais financeiras e contábeis no interesse da Administração Tributária, bem como de prestar esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento da ação fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa deixou de apresentar os arquivos digitais relacionados às contribuições sociais e de esclarecer as divergências entre os valores constantes nas folhas de pagamento e aqueles declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi calibrada no sêxtuplo do valor mínimo, em razão da ocorrência de reincidências genérica e específica, posto que a empresa já houvera sido autuada pela mesma e por outra fundamentação legal em fiscalização pretérita. Cientificada da autuação em 06/06/2008, a empresa ofertou impugnação, fls. 20/22, na qual alegou que a mera ocorrência de equívoco em não apresentar os arquivos digitais não pode dar ensejo a uma multa tão exorbitante, que inegavelmente fere os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Alega que não houve dolo ou máfé, tampouco prejuízo à Fazenda e que o erro em breve será saneado. Sustenta que já sofreu a mesma penalidade por idêntico fato gerador, representando a contestada lavratura em inconcebível bis in idem. Ao final, requer o reconhecimento da duplicidade de lavraturas ou, alternativamente, a redução da penalidade para o valor mínimo previsto na Lei. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Recife (PE), julgou parcialmente procedente a lavratura, ver fls. 47/51. Foi excluída, por transcurso do prazo decadencial, as falhas anteriores a 12/2002, mantendose, todavia, inalterada a multa fixada, posto que a mesma independe do número de ocorrências verificadas. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 54/61, no qual, em apertada síntese, alegou que, sendo as contribuições sociais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devese aferir a decadência pela regra do § 4.º do art. 150 do CTN, por isso, estão decadentes as contribuições lançadas até 06/2003 e, por conseguinte, o mesmo destino terá a multa por falta de declaração dos fatos geradores. No mais repete os argumentos defensórios da ocorrência de bis in idem e do caráter confiscatório da multa. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000417/200850 Acórdão n.º 2401002.667 S2C4T1 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Como bem asseverou o órgão de primeira instância, ainda que se reconheça a decadência para parte do período autuado, tal fato não terá influência na quantificação da multa, posto que para esse tipo de infração a multa não se altera em função da quantidade de competências em que tenha ocorrido as infrações. Observese que o fisco em 2008 requereu, mediante os Termos de Intimação de fls. 08 e 10, as informações relativas ao período de 01/2002 a 12/2006, portanto, mesmo com o reconhecimento da DRJ de que, para o período até 12/2002, a Autoridade Fiscal já não poderia mais requerer os documentos e arquivos, há competências posteriores em que o fisco não estaria impedido de solicitar os elementos, os quais, é lógico, a empresa teria a obrigação de disponibilizar. Assim, não há o que se falar cancelamento da multa em razão da decadência, uma vez que para o período a partir de 01/2003, a empresa efetivamente incorreu em descumprimento de dever legal ao deixar de apresentar os esclarecimentos solicitados e os arquivos digitais requeridos. A suposta ocorrência de bis in idem Consta às fl. 35/37, cópia do Auto de Infração 35.610.1169 e seus relatórios, o qual foi lavrado por fundamentação legal idêntica ao que ora se analisa, posto que a empresa houvera deixado de apresentar os arquivos digitais relativos às folhas de pagamento. Essa lavratura foi efetuada em 28/03/2006 e o crédito correspondente foi inscrito em dívida ativa em 16/03/2008, conforme se observo do extrato de fl. 38. Foram acostados ainda os AI n.º 35.114.6102 e 35.610.1134, pelas infrações de deixar de preparar as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela Administração Tributária e por deixar de declarar na GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em relação ao primeiro AI citado, o de n.º 35.610.1169, a recorrente afirma que não poderia ser penalizado pelo mesmo fato, representando a autuação bis in idem. Não hei de concordar com essa tese. O fornecimento de esclarecimentos ao fisco, bem como a apresentação de arquivos digitais, têm por objetivo tutelar o bem jurídico representado pela necessidade da Autoridade Fiscal de obter do sujeito passivo todos os dados necessários aos desenvolvimento da auditoria. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Desse modo, é de se observar que na primeira ação fiscal, encerrada em março ano de 2006, a empresa deixou de atender a solicitação para apresentação de arquivos digitais, o que configurou a infração que foi punida com o AI n.º 35.610.1169. Em 03/2008, eis que o fisco volta a empresa e requisita esclarecimentos sobre divergências entre a folha de pagamento e a GFIP e todos os arquivos digitais relativos às contribuições sociais e não apenas aqueles decorrentes da preparação das folhas. Mais uma vez a empresa não atende à requisição da Autoridade Fiscal. Não vejo como considerar a existência do alegado bis in idem. É que as infrações ocorreram em momentos distintos e estão relacionadas a termos de intimação diversos e também a períodos não coincidentes. Caso viesse a prevalecer a tese da empresa, o fisco somente poderia aplicar a penalidade em razão do cometimento de determinada conduta uma única vez, significando que o sujeito passivo, uma vez tendo cometido a infração, ficaria livre de ser punido novamente nas auditorias seguintes. Isso beira o absurdo. Até porque, como veremos no tópico seguinte, a própria legislação prevê o agravamento da penalidade nos casos de reincidência, seja genérica (decorrente de fundamentação legal diversa) ou específica (quando é motivada por infração ao mesmo dispositivo). Fixação da penalidade Conforme a narrativa dos fatos a empresa feriu o disposto no inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Essa obrigação de prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis, inclui, para as empresas que possuem sistema eletrônico de processamento de dados, a exibição dos arquivos digitais nos moldes determinados pela Administração Tributária, conforme prevê o art. 8.º da Lei n.º 10.666/2003, verbis: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Essa mesma previsão vêm apresentada no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999: Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000417/200850 Acórdão n.º 2401002.667 S2C4T1 Fl. 74 7 (...) §22A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Portanto, não tenho dúvida de que as condutas da empresa de não prestar os esclarecimentos solicitados pelo fisco acerca das divergências entre as remunerações lançadas nas folhas e os valores declarados na GFIP, além de deixar de apresentar os arquivos digitais requeridos feriram o comando normativo acima, sendo procedente a autuação. A multa para essa infração nos termos do art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, era aplicada no valor que podia variar entre R$ 12.548,77 e R$ 125.487,95 (atualização pela Portaria MPS/MF n.º 77/2008) Conforme já assinalado a empresa em ação fiscal pretérita foi punida por infração ao mesmo dispositivo legal que o presente AI, mas também deixou de observar deveres instrumentais outros, pelo que também foi apenada. Na data da lavratura, para gradação da penalidade, eram observados os dispositivos do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, conforme se vê: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: Itentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.(grifos nossos) (...) Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no §3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 II as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em três vezes; III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Parágrafo único.Na aplicação da multa a que se refere o art. 288, aplicarseá apenas as agravantes referidas nos incisos III a V do art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes. É de se ressaltar que, quando do cometimento da infração de que ora se cuida, não havia transcorrido cinco anos do trânsito em julgado administrativo dos processos relativos aos AI lavrados anteriormente, não havendo, assim, dúvida quanto à ocorrência da agravante de reincidência. Observese que, nos termos do inciso IV do art. 292 acima transcrito, havendo reincidência genérica e específica, a multa para a infração sob cuidado que consistia no valor mínimo de R$ 12.548,77, sofria uma elevação de seis vezes (duas vezes pela reincidência específica e três vezes pela genérica), resultando no montante de R$ 75.292,62, o qual corresponde exatamente ao valor da multa imposta. Verifico, assim, que a gradação da penalidade foi efetuada em consonância com a legislação de regência, não merecendo reparos o trabalho do fisco. Suposto caráter confiscatório da multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000417/200850 Acórdão n.º 2401002.667 S2C4T1 Fl. 75 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10880.727704/2011-80
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. JOGOS ELETRÔNICOS.
Os jogos eletrônicos que contém gravações de som, imagem e vídeo em seus softwares, cuja característica essencial é o entretenimento, não estão sujeitos a apuração da base de cálculo nos termos do que dispõe o artigo 81, caput, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), por expressa vedação do §3º do mesmo artigo.
A apuração do valor aduaneiro deve ser efetuada com base no 1º Método de Valoração Aduaneira – o valor da transação, ou seja, o preço total efetivamente pago pelas mercadorias (meio físico e direitos do autor/ “copyright fee”).
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A multa de ofício é devida uma vez que restou plenamente tipificada a conduta – falta de pagamento ou recolhimento dos tributos – prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96.
MULTA DO CONTROLE ADUANEIRO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A conduta praticada pelo contribuinte não se subsume a hipótese normativa prevista no artigo 633 do Decreto 4.543/2002 (artigo 169 do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 6.562/78), uma vez que houve a declaração correta nas faturas dos valores das mercadorias importadas, segregando o valor do suporte físico (CD/DVD) do valor do chamado “copyright free” (direitos de propriedade intelectual/direitos do autor). JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Os juros moratórios são cabíveis nos termos do que dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Súmula CARF no. 4.
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro es acompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele
produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil).
Recurso de ofício provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.546
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício.
Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Cleyton E. Soares, OAB/SP nº 252.784.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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GAMES & ARCADESCOMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E LOCAÇÃO DE FITAS E MÁQUINAS LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. JOGOS ELETRÔNICOS. Os jogos eletrônicos que contém gravações de som, imagem e vídeo em seus softwares, cuja característica essencial é o entretenimento, não estão sujeitos a apuração da base de cálculo nos termos do que dispõe o artigo 81, caput, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), por expressa vedação do §3º do mesmo artigo. A apuração do valor aduaneiro deve ser efetuada com base no 1º Método de Valoração Aduaneira – o valor da transação, ou seja, o preço total efetivamente pago pelas mercadorias (meio físico e direitos do autor/ “copyright fee”). MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A multa de ofício é devida uma vez que restou plenamente tipificada a conduta – falta de pagamento ou recolhimento dos tributos – prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. MULTA DO CONTROLE ADUANEIRO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A conduta praticada pelo contribuinte não se subsume a hipótese normativa prevista no artigo 633 do Decreto 4.543/2002 (artigo 169 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 6.562/78), uma vez que houve a declaração correta nas faturas dos valores das mercadorias importadas, segregando o valor do suporte físico (CD/DVD) do valor do chamado “copyright free” (direitos de propriedade intelectual/direitos do autor). JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 2 2 Os juros moratórios são cabíveis nos termos do que dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Súmula CARF no. 4. PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Recurso de ofício provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Cleyton E. Soares, OAB/SP nº 252.784. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, SP (DRJ/SP2), que julgou procedente a impugnação Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 3 3 (fls. 2443 a 2683) apresentada por NC GAMES & ARCADE – COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E LOCAÇÃO DE FITAS E MÁQUINAS LTDA. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “A impugnante, por meio das declarações de importação relacionadas nas fls. 604 a 623, dos anos de 2007 a 2010, importou as mercadorias descritas como: “JOGOS ELETRÔNICOS para computador e consoles das marcas NINTENDO WII, ND, NDS, SONY PLAYSTATION PS2, PS3, XBOX 360, entre outros” Os produtos foram classificados na NCM 8523.40.29, conforme orientação da própria Receita Federal emanada das Soluções de Consulta SRRF/8ª RF/DIANA nº 30 e 32 de 31/07/2008. Tal classificação fundamentou a aplicação do regime tributário do art. 81, caput, do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009 (mesma redação do art. 81 do antigo RA de 2002). A fiscalização responsável pela lavratura do presente auto de infração entende que tal procedimento estaria incorreto, pois os produtos importados estariam dentro da exceção ao art. 81 caput prevista no parágrafo 3º, por compreenderem gravações de som, de cinema ou de vídeo. Assim, lavrou a fiscalização o presente auto com a cobrança das diferenças de II, IPI, PIS, Cofins e respectivas multas e juros além da multa prevista no art. 633 do Decreto 4.543/2002 (art. 88 da MP nº 2.15835 de 2001). Intimada do Auto de Infração em 26/05/2011, a interessada apresentou impugnação e documentos em 27/06/2011, juntando às folhas 2443 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que as provas documentais grafadas em língua estrangeira não poderiam ser aceitas nos processo sem a devida tradução juramentada. Cita o art. 13 da CF, o art. 148 da Lei de Registros Públicos, o art. 157 do CPC e o art. 223 e 236 do CPP. 2. Alega que os produtos são de fato software e que se enquadram no caput do art. 81 do RA. 3. Alega que a NC Games & Arcades of América não é uma filial da empresa brasileira, possuindo apenas um sócio em comum. Alega que tal empresa fornece para outros países e também para o mercado americano. Alega que tal vinculação é regularmente informada no campo próprio do SISCOMEX. 4. Alega que possui as Soluções de Consulta de nº 30 e 32 de 2008 e nº 31 de 2007, todas da SRRF/8ªRF/DIANA, que amparam o tratamento Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 4 4 tributário utilizado pela impugnante. Alega que seguiu orientação da própria Receita Federal. Cita o art. 14, caput e §6º da IN RFB nº 740/2007. 5. Alega que a Solução de Consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 472/2009, citada pela fiscalização, foi exarada em relação a outra empresa, não vinculando a impugnante, além de ser publicada em 29/01/2010, posteriormente portanto às importações da impugnante. Cita o art. 146 do CTN que trata da mudança de critério jurídico. Cita doutrina sobre o tema. Alega que algumas importações foram desembaraçadas em canal vermelho de conferência aduaneira. 6. Alega que sofreu fiscalização da DEAINSP e que não foi questionada a regularidade de suas importações em relação à questão ora discutida. Alega estar sofrendo uma “refiscalização”, o que não seria cabível. 7. Alega que o caput do art. 81 do RA referese a software, nos termos do conceito implícito na própria “Lei do Software” (Lei nº 9.609/98) em seu art. 1º. Anexa laudo técnico do Instituto Mauá de Tecnologia que confirma que os jogos de computador importados são software. Cita doutrina sobre o tema. 8. Alega que os jogos de computador, assim como os demais softwares, são passíveis de upgrades, o que não ocorre com as gravações de filmes ou shows em DVD. Alega que a norma expressa no art. 81 do RA não distingue entre softwares para sistemas operacionais, aplicativos, jogos ou qualquer outro tipo. Alega também que não há distinção em função do tipo de equipamento ao qual se destina o software ou à forma de comercialização. 9. Alega a impugnante que as gravações de som, cinema e vídeo do §3º do mesmo art. 81 são simples captura de som e imagem e não se confundem com a programação de um jogo de computador que utiliza as técnicas de um software comum, como o Microsoft Windows ou Office. Cita trechos do laudo técnico acima citado. 10. Alega que os jogos de computador importados não estão enquadrados no conceito de “obra audiovisual” como alegado pela fiscalização. Alega que o jogo tem seu som e imagem decorrentes da interação com o jogador, ao contrário da mera gravação de som e imagem que apenas reproduz o conteúdo previamente gravado. Cita doutrina sobre o tema. 11. Alega que os programas de computador estão sujeitos ao pagamento de licença ou cessão de uso o que não ocorre com o CD de áudio ou DVD ou BlueRay de vídeo. 12. Cita o Parecer COSIT nº 22 de 16/04/99. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 5 5 13. Alega que tanto os softwares de prateleira como os softwares customizados são softwares, sendo irrelevantes tais conceitos para fins de tratamento tributário na importação. Tal discussão relacionase apenas com as incidências do ICMS e do ISS, o que não é o caso deste processo. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 14. Alega que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, em algumas importações a impugnante declara o valor integral pois os jogos estão gravados em circuitos integrados que contém semicondutores, conforme a exceção prevista no §2º do art. 81 do RA. 15. Apresenta a decisão judicial emanada no processo nº 0006315 49.2010.4.03.6119 da 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Guarulhos, que no mérito discutiu o enquadramento dos jogos de computador no art. 81 do RA, confirmando a tese da impugnante. Apresentada decisões do Tribunal Regional Federal, em sede de Agravo de Instrumento, também confirmando a tese da impugnante. 16. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o crédito tributário lançado por este auto de infração. É o relatório.” Em sua decisão, a DRJ/SPII houve por bem cancelar o lançamento através do acórdão n° 1755345, de 17 de novembro de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. JOGOS DE COMPUTADOR OU SOFTWARES DE JOGOS DE VÍDEO GAME. Os jogos de computador (softwares) gravados em meio físico são tributados com base no valor do suporte físico, nos termos do art. 81 caput do Regulamento Aduaneiro. Não se confundem os softwares de jogos com as gravações de som, cinema e vídeo do §3º do mesmo artigo. PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, nos termos da Solução de Consulta interna da Cosit da então SRF nº 21/2004, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 6 6 Tendo em vista a exoneração do crédito tributário, o artigo 34, I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelece que a autoridade da instância recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, conforme disciplina fixada pelo Ministro de Estado da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, assim sendo, dele tomo conhecimento. Tratam os autos de recurso de ofício da DRJ/SP2 que exonerou a Recorrida de crédito tributário superior ao limite estabelecido no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Passo a análise dos trechos da decisão recorrida que tratou da exoneração tributária, objeto desse recurso de ofício: DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O objeto central da lide é a discussão sobre o tratamento tributário dado às mercadorias importadas (jogos de vídeo games). A fiscalização considerou tributável parcela destacada nas faturas como copyright free amount recebidas pela Recorrida de sua irmã norteamericana NC GAMES & ARCADES OF AMERICA, INC., classificadas na posição NCM/SH 8523.40.29. A Recorrente oferece à tributação apenas o valor do suporte físico nas importações de jogos eletrônicos. Registra ainda a fiscalização que se dispensou tratamentos diversos na importação para produtos idênticos, ora classificandoos na posição NCM supracitada (notadamente, quando adquiridos pela Recorrida de sua irmã norteamericana, cujo traço de identidade entre as empresas é a presença de sócio comum), ora classificandose referidas mercadorias na posição NCM/SH 9504.10.91. Quando classificados nesta última NCM ou adquiridos de terceiros, a Recorrida oferecia à tributação o valor integral da mercadoria (suporte físico e os direitos de propriedade intelectual). A fiscalização entendeu, em síntese, que os jogos para vídeo games gravados em mídia óptica não se enquadrariam na regra definida no caput do artigo 81 do Decreto nº Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 7 7 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, mas sim na exceção prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, por compreenderem gravações de som, de cinema ou de vídeo. Ainda, afirma que os bens importados poderiam ser classificados como obra audiovisual, nos termos do artigo 1º, I, da Medida Provisória nº 2.219, de 4 de setembro de 2001. Contudo, cotejandose tais dispositivos, percebese claramente que o caput do artigo 81 do Regulamento Aduaneiro de 2002 referese a programas de computador (software), e que a MP nº 2.219/01 define o conceito de obra audiovisual, matéria que não se confunde com softwares ou jogos de vídeo games. Para que se faça clara a diferença, convém transcrever o artigo 1º, I, da MP nº 2.219, de 4 de setembro de 2001: “Art. 1º Para fins desta Medida Provisória entendese como: I obra audiovisual: produto da fixação ou transmissão de imagens, com ou sem som, que tenha a finalidade de criar a impressão de movimento, independentemente dos processos de captação, do suporte utilizado inicial ou posteriormente para fixálas ou transmitilas, ou dos meios utilizados para sua veiculação, reprodução, transmissão ou difusão;” O Parecer da Ilustre Advogada Patrícia Peck Pinheiro, apresentado pela Recorrida (fls.2631 a 2642), define com clareza o conceito de software: “É de se notar a profunda semelhança na redação do art. 81 do Regulamento Aduaneiro e o art. 1º da Lei 9.609/98, o qual não se dá por mero acaso, e sim porque os programas de computador ou softwares possuem alguns requisitos essenciais, os quais sedimentamos: a) São um conjunto de dados estruturados; b) que contém instruções; c) devem estar contidos em um suporte físico; e, d) funcionam apenas em conjunto com equipamentos de processamento de dados. O software é um artigo incorpóreo, o qual necessita de máquinas automáticas de tratamento da informação (hardware/computador/console/etc.) para sua execução podendo ser gravado em suportes físicos (mídias) de diversos formatos. A mídia serve apenas como o elemento para o armazenamento dos dados e instruções que, em ato contínuo, executadas nos computadores que resultarão no funcionamento do programa. A mesma definição se aplica aos jogos de videogame, em todos os sentidos, uma vez que basicamente são constituídos de informações e instruções para processamento em máquinas automáticas de tratamento da informação (console de videogame). Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 8 8 Partindose da definição legal, não existe forma de dissociar os jogos de videogames dos programas de computador, vez que, possuem as mesmas características de definições e atributos. Assim como os programas de computador, as informações contidas nas mídias dos jogos de videogame são executadas em máquinas de processamento (consoles). E estes últimos, nada mais são do que computadores, pois, possuem processadores, memórias, leitores de mídias, preparados para decodificar, processar executar o conteúdo gravado. Tanto quanto os demais programas de computador, para que se obtenha o produto final do jogo de videogame, as empresas desenvolvedoras necessitam de programadores em computação. ... Desta feita, os jogos de videogames, não podem ser compreendidos senão como um gênero do qual software seria espécie, pois sua criação, função e execução são absolutamente equivalentes às empregadas na definição estabelecida no artigo 1º da Lei nº 9.609/98. Por oportuno, não se pode questionar que os jogos de computador também são softwares, da mesma forma que aqueles desenvolvidos para consoles específicos, os quais podem constituir essencialmente o mesmo programa de computador desenvolvido para diferentes plataformas de hardware.” Ato contínuo, o laudo técnico do Instituto Mauá de Tecnologia de fls. 2620 a 2630, juntado pela Recorrida em sua impugnação, firma as seguintes conclusões: “ 1) os termos usuais aqui no Brasil ‘programa de computador’ e ‘software’ são sinônimos; 2) ‘Jogo de vídeo game’ ou ‘jogo de computador’ são casos particulares de ‘programa de computador’; 3) ‘Console de vídeo game’ apresentam toda a estrutura de um sistema computacional; 4) Os conteúdos das mídias destinadas para jogos de vídeo game são tecnicamente e substancialmente diferentes das destinadas para áudio/vídeo. A primeira possui, em sua grande massa, informações ativas que instruem um determinado processador a executar um algoritmo escrito em linguagem de programação. A segunda possui em seu inteiro teor, informações passivas que não instruem o processador a executar qualquer tipo algoritmo; 5) Os periféricos utilizados em conjunto com os consoles atuam como dispositivos Entrada/Saída, permitindo a interface do usuário (jogador) com o sistema.” Como se vê, a questão central para o deslinde da controvérsia foi enfrentada no laudo técnico, demonstrandose que a diferença entre o software em debate, o jogo de vídeo Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 9 9 game, e o suporte físico que contenham apenas gravações de som, de cinema ou vídeo, reside no fato de o primeiro apresentar informações ativas, que instruem um processador a executar um algoritmo escrito em linguagem de programação, enquanto que o segundo não possui essa propriedade, gerando ao usuário experiência passiva, não interativa. Sendo assim, em que pese o labor e cuidado da autoridade tributária ao confeccionar o auto de infração, não logrou afastar a aplicação da regra geral do artigo 81 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que, para fins de determinação do valor aduaneiro, colhe apenas o suporte físico como base tributável. Não tendo a fiscalização logrado comprovar que os referidos direitos de propriedade intelectual deveriam compor a base tributável dos jogos de vídeo game, softwares que são, o auto de infração não pode prosperar. DA DESCONSIDERAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA A fiscalização também desconsiderou Soluções de Consultas emitidas pela própria Receita Federal do Brasil apresentadas pela Recorrida (SRRF/8ªRF/DIANA nº 30 de 2008, nº 31 de 2007 e nº 32 de 2008), que consideraram que os softwares de jogos de videogames importados pela Recorrida são mídias ópticas, gravadas com dados e instruções para fins de entretenimento. Destaquese, a seguir, trecho da Solução de Consulta 31 de 2007: “9.2 A distinção entre serviço e mercadoria estabelecida nos referidos acórdãos vale também para o assunto ora versado, na medida em que o imposto de renda na fonte, a Cide, a contribuição para o PIS/Pasep (Importação) e a Cofins (Importação) incidirão quando o remetente dos valores estiver contratando direito autoral (royalty), que constitui serviço. Quando a operação relacionarse à compra de software enquanto mercadoria, incidirá o Imposto de Importação, o Imposto sobre Produtos Industrializados, a contribuição para o PIS/Pasep (Importação) e a Cofins (Importação) sobre o suporte físico, desde que tal valor esteja destacado no documento fiscal de aquisição.” Tenho que tal modus operandi viola a segurança jurídica, uma vez que os efeitos da consulta fiscal são amparados pela ordem jurídica em vigor, resguardando o consulente até que outra a substitua, na forma da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2 de maio de 2007. Não poderia a fiscalização substituir as referidas consultas, para adequar os fundamentos de seus argumentos, por outra que foi proferida em relação a terceiro contribuinte, determinando classificação e tratamento tributário diverso. Nesses termos, verificase o dispositivo contido na IN RFB nº 740/07: Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 10 10 “Art. 14 – A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. (...) §6º Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente. §7º Na hipótese de alteração ou reforma, de ofício, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicarseão as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação.” Portanto, incabível a apresentação da Solução de Consulta SRRF/8ªRF DISIT nº 472/09 para fundamentar a autuação, nos termos do art. 146 do CTN: “Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Ainda, vale destacar que a analogia disposta no art. 108, §1º, do CTN, é recurso frequentemente utilizado para garantir que esse instituto não seja empregado de modo mais gravoso, já que embora seja ela o primeiro dos meios de “integração” apontado pelo referido dispositivo, o seu §1º trata de imediatamente assegurar que dali não resulte a exigência de tributo não previsto em lei. Por fim, não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Por fim, afasto todas as multas lançadas pela fiscalização, tendo em vista que a autuação fiscal não se sustenta pelos motivos anteriormente expostos. Em vista do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 11 11 Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese à forma de apuração da base de cálculo na importação de jogos eletrônicos para computador e consoles, das marcas NINTENDO WII, ND, NDS, SONY PLAYSTATION PS2, PS3, XBOX 360. O Conselheiro Relator votou por negar provimento ao Recurso de Ofício, afastando integralmente o lançamento de ofício lavrado. A Turma, entretanto, por voto de qualidade, entendeu que deveria ser mantida a cobrança da diferença do imposto de importação (R$ 8.134.245,31), da multa de ofício (R$ 6.100.683,98) e juros de mora (R$ 1.956.424,55) e da diferença do imposto sobre produtos industrializados (R$ 8.845.991,57), multa de ofício (R$ 6.634.493,68) e juros de mora (R$ 2.123.262,12), em decorrência de erro na apuração da base de cálculo das mercadorias importadas, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor, nesta parte. Por outro lado, a Turma acompanhou, por unanimidade de votos, o voto do Conselheiro Relator no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício em relação à multa do controle administrativo (R$ 50.839.040,55). Portanto, o presente voto analisará especificamente a questão relativa à apuração da base de cálculo das mercadorias importadas. A empresa efetuou diversas operações de importação atribuindo o valor aduaneiro das mercadorias considerando somente o valor do meio físico (CD, DVD, cartuchos ou outros suportes físicos) utilizado para gravar os jogos eletrônicos, sendo que o restante do valor da fatura considerou como direitos do autor (“copyright fee”), com fundamento no artigo 81, caput, do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). A fiscalização, por sua vez, entendeu que as importações de CDs, DVDs, Cartuchos ou outro suporte físico, contendo software de jogos eletrônicos para equipamentos de processamento de dados, devem ser tributadas pelo seu valor total negociado e faturado entre as partes, com base no §3º do art. 81 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009. No meu entender assiste razão à fiscalização. Vejamos, ab initio, o dispositivo legal que está no cerne do litígio: Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 12 12 Art. 81. O valor aduaneiro de suporte físico que contenha dados ou instruções para equipamento de processamento de dados será determinado considerando unicamente o custo ou valor do suporte propriamente dito (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 18, parágrafo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994, e Decisão 4.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, aprovada em 12 de maio de 1995). § 1º Para efeitos do disposto no caput, o custo ou valor do suporte físico será obrigatoriamente destacado, no documento de sua aquisição, do custo ou valor dos dados ou instruções nele contidos. § 2º O suporte físico referido no caput não compreende circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ou bens que contenham esses circuitos ou dispositivos. §3º Os dados ou instruções referidos no caput não compreendem as gravações de som, de cinema ou de vídeo. Como bem destacado pela fiscalização, o dispositivo acima transcrito decorre da “Decisão 4.1”, emanada do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, decisão esta que foi inserida no Acordo de Valoração Aduaneira promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. O Brasil adotou estas diretivas normativas em seu ordenamento jurídico, através do Decreto 2.498/98, Decreto 4.543/02 e Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro/2009). A intenção clara do legislador do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira – AVA/OMA foi distinguir a valoração de “software” (propriedade intelectual) da valoração da mídia que o contém. Neste momento devemos perquirir qual a acepção de “software” para fins de tributação das mercadorias importadas. Para elucidar esta questão, trazemos a baila o dispositivo contido no artigo 1º da Lei no. 9.609/98 (que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País) para melhor esclarecer o sentido do termo “programa de computador” (software): “Art. 1º Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazêlos funcionar de modo e para fins determinados.” A meu sentir, os jogos eletrônicos importados não podem ser equiparados aos “programas de computador”/“software”, pelos seguintes motivos: Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 13 13 não contém meramente um conjunto de instruções codificadas, mas também gravações de sons, imagens e vídeos, atributos estes que lhe dão a sua característica essencial de jogos eletrônicos; necessariamente não são empregados em máquinas automáticas de tratamento de informação e processamento de dados, uma vez que podem ser utilizadas em aparelhos de reprodução de imagens/som – os consoles dos jogos, por exemplo; não têm a característica de fazer funcionar de modo e para fins determinados (programação) as máquinas automáticas de processamento (computadores). Os jogos eletrônicos em questão enquadramse na definição de obra audiovisual, constante do artigo 1º, inciso I, da MP 2.219/2001, verbis: I obra audiovisual: produto da fixação ou transmissão de imagens, com ou sem som, que tenha a finalidade de criar a impressão de movimento, independentemente dos processos de captação, do suporte utilizado inicial ou posteriormente para fixálas ou transmitilas, ou dos meios utilizados para sua veiculação, reprodução, transmissão ou difusão; Com toda razão a fiscalização quando argumenta que jogos eletrônicos importados, além de também conterem gravações de som, de cinema e de vídeo em seus softwares, visam exclusivamente o entretenimento, assim como os CDs de música e os DVDs de filmes. Os jogos eletrônicos importados (NINTENDO WII, ND, NDS, SONY PLAYSTATION PS2, PS3, XBOX 360) nada mais são do que a combinação de imagens e sons que têm a finalidade de criar a impressão de movimento. Destarte, em se tratando de jogos eletrônicos contendo gravação de som, imagem ou vídeo, a apuração da base de cálculo não pode ser feita nos termos do que dispõe o caput do artigo 81 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), por expressa vedação legal constante no §3º do mesmo artigo. A apuração do valor aduaneiro deve ser efetuada com base no 1º Método de Valoração Aduaneira – o valor da transação, ou seja, o preço total efetivamente pago pelas mercadorias (meio físico e direitos do autor/“copyright fee”), como corretamente apurou a fiscalização. Corrobora, ainda, este entendimento a jurisprudência já consolidada no Supremo Tribunal Federal (ADI 1945 MC/MT, de 26/05/2010, Ministro Octávio Gallotti; RE 285.870 AgR/SP, de 17/06/2008, Ministro Eros Grau; RE 199464/SP, de 02/03/1999, Ministro Ilmar Galvão; RE 176626/SP, de 10/11/1988, Ministro Sepúlveda Pertence) que faz a distinção Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 14 14 entre “software de prateleira”, tratado como “mercadoria” (com a incidência do ICMS e, por conseguinte, se mercadoria importada, do I.I.) e “software por encomenda”, tratado como prestação de serviços (com a incidência do ISS). Neste sentido, citase a ementa do RE nº 176.626 (SP), Ministro Relator Sepúlveda Pertence, verbis: I. Recurso extraordinário: prequestionamento mediante embargos de declaração (Súm. 356). A teor da Súmula 356, o que se reputa não prequestionado é o ponto indevidamente omitido pelo acórdão primitivo sobre o qual "não foram opostos embargos declaratórios". Mas se, opostos, o Tribunal a quo se recuse a suprir a omissão, por entendêla inexistente, nada mais se pode exigir da parte (RE 210.638, Pertence, DJ 19.6.98). II. RE: questão constitucional: âmbito de incidência possível dos impostos previstos na Constituição: ICMS e mercadoria. Sendo a mercadoria o objeto material da norma de competência dos Estados para tributar lhe a circulação, a controvérsia sobre se determinado bem constitui mercadoria é questão constitucional em que se pode fundar o recurso extraordinário. III. Programa de computador ("software"): tratamento tributário: distinção necessária. Não tendo por objeto uma mercadoria, mas um bem incorpóreo, sobre as operações de "licenciamento ou cessão do direito de uso de programas de computador" " matéria exclusiva da lide", efetivamente não podem os Estados instituir ICMS: dessa impossibilidade, entretanto, não resulta que, de logo, se esteja também a subtrair do campo constitucional de incidência do ICMS a circulação de cópias ou exemplares dos programas de computador produzidos em série e comercializados no varejo como a do chamado "software de prateleira" (off the shelf) os quais, materializando o corpus mechanicum da criação intelectual do programa, constituem mercadorias postas no comércio Em linha com a jurisprudência do STF, a Receita Federal manifestouse através da Solução de Divergência COSIT nº 27, de 30 de maio de 2008, no tocante à incidência do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) e de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre os valores remetidos ao exterior em pagamento pela aquisição ou pela licença de direitos de comercialização de softwares sob a modalidade de cópias múltiplas (“software de prateleira”), concluindo que não estão sujeitas à incidência de IRRF e de CIDE as remessas ao exterior realizadas como pagamento de aquisições de software, sob a modalidade de cópias múltiplas, pois que não se enquadram como remuneração de direitos autorais (royalties), negandose a condição de licenciado ou de cessionário de licença de uso ao comerciante que importa cópias múltiplas de softwares e as revende no mercado nacional. Portanto, por este entendimento, temos que os chamados “softwares de Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 15 15 prateleira” devem ser considerados como mercadorias em seu todo, recebendo o respectivo tratamento tributário. Importante destacar, também, que a Administração Tributária manifestouse especificamente sobre a importação de jogos de videogame, em consulta formulada por outro contribuinte (por óbvio não vincula o contribuinte que é parte nesse litígio, mas tem forte conteúdo orientativo), nos termos da Solução de Consulta SRRF/8ª RF DISIT nº 472/09 cuja ementa abaixo transcrevemos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II VALOR ADUANEIRO. JOGOS PARA VIDEOGAME As disposições do art. 81 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, Regulamento Aduaneiro em vigor, não se aplicam para determinação do valor aduaneiro de CDs, DVDs ou outros dispositivos (suportes), contendo jogos para videogame. Dispositivos Legais: Decreto nº 6.759, de 2009, art. 81; Decisão 4.1 do Comitê da Valoração Aduaneira, divulgada pela IN SRF nº 318, de 2003. Registrese, ainda, que não há como concordar com a argumentação de que a fiscalização desconsiderou Soluções de Consultas SRRF/8ªRF/DIANA nº 30 de 2008 e nº 31 de 2007 e nº 32 de 2008, uma vez que as mesmas versavam exclusivamente sobre “classificação de mercadoria”, matéria diversa da discutida nestes autos. De igual modo, em relação à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/ DISIT nº 31, de 02/02/2007, que versava sobre CIDE e IRRF. Portanto, todas elas fora do contexto da matéria objeto deste litígio – valoração aduaneira de jogos eletrônicos importados. A multa de ofício (75%) aplicada é devida uma vez que com a alteração da base de cálculo, sobre o qual incidiram os tributos, restou plenamente tipificada a conduta – falta de pagamento ou recolhimento dos tributos – prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Quanto à multa do controle aduaneiro (100% sobre o valor da mercadoria), entendemos que a mesma é incabível, pelo fato de que a conduta praticada pelo contribuinte não se subsume a hipótese normativa prevista no artigo 633 do Decreto 4.543/2002 (artigo 169 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 6.562/78). O contribuinte declarou corretamente nas faturas (vide cópias anexadas às fls. 128/1766) os valores das mercadorias importadas, segregando o valor do suporte físico (CD/DVD) do valor do chamado “copyright free” (direitos de propriedade intelectual/direitos do autor), entretanto, por entender que se tratava de software, sujeito à apuração da base de cálculo nos termos do que dispõe o artigo 81, caput, do Decreto nº 6.759/2009 (o que discordamos, como exposto linhas acima), deixou de oferecer à tributação parte dos valores informados nas faturas (os valores declarados como “copyright fee”). Portanto, houve uma divergência quanto à interpretação da norma de valoração aduaneira, não restando caracterizada a conduta prescrita na norma, qual seja: “diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação”. Não há Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.727704/201180 Acórdão n.º 3202000.546 S3C2T2 Fl. 16 16 provas nos autos que demonstrem que o preço declarado nas faturas não foi o efetivamente praticado nas operações de importações. No tocante aos juros moratórios, entendo que os mesmos devem ser mantidos nos termos do que dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Os juros de mora representam a indenização da mora. Constituem o rendimento que o credor teria se pudesse contar com o principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repitase, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. A adoção da taxa de referência SELIC como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o § 1º do art. 161 da Lei nº 5.172/1966. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF no. 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Ofício, para: i. manter a cobrança da diferença do imposto de importação (R$ 8.134.245,31), da multa de ofício (R$ 6.100.683,98) e juros de mora (R$ 1.956.424,55) e da diferença do imposto sobre produtos industrializados (R$ 8.845.991,57), multa de ofício (R$ 6.634.493,68) e juros de mora (R$ 2.123.262,12); ii. exonerar a cobrança da multa do controle administrativo (R$ 50.839.040,55) É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10835.000067/2006-89
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMPRESA INAPTA. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei nº 9.430/96. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002.
CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial.
RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento.
Recurso Provido em parte
Numero da decisão: 3102-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado: 1- por unanimidade de votos, em desconsiderar os créditos atrelados às notas fiscais relativas às aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas. Quanto a este ponto, os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama acompanharam o Relator pelas conclusões; 2- por maioria de votos, em afastar o acréscimo à base de cálculo fundado nos créditos presumidos do IPI. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Ricardo Paulo Rosa; e, 3- por voto de qualidade, em negar provimento com relação à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a esta fração do litígio, o Conselheiro Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Redator Designado
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei nº 9.430/96. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado: 1 por unanimidade de votos, em desconsiderar os créditos atrelados às notas fiscais relativas às aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas. Quanto a este ponto, os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama acompanharam o Relator pelas conclusões; 2 por maioria de votos, em afastar o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 67 /2 00 6- 89 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 acréscimo à base de cálculo fundado nos créditos presumidos do IPI. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Ricardo Paulo Rosa; e, 3 por voto de qualidade, em negar provimento com relação à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a esta fração do litígio, o Conselheiro Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Redator Designado EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1422.375 da 4ª Turma da DRJ/RPO, que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao programa de integração social PIS. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da • contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 945.912,35, relativo ao quarto trimestre de 2005, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos. A DRF/Presidente PrudenteSP, por meio do despacho decisório de fls. 1.925/1.927, deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, reconhecendo o crédito no valor de R$ 559.273,39. Segundo o relatório de fls. 1.891 a 1.924, o deferimento parcial do pedido foi devido, em parte, à inclusão na base de cálculo de valores relativos à venda de ativo imobilizado e ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.060 3 Também foram glosados créditos referentes a compras de matériasprimas de empresas com situação cadastral irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria de Fazenda estadual, omissa na entrega das declarações etc. Além das glosas, quanto às empresas inexistentes de fato, foram feitas representações propondo a sua inaptidão. Também foram glosados valores referentes a pagamentos feitos a sócios e com benfeitorias realizadas em seus imóveis. O despacho de fls. 2.190 a 2.192 homologou parcialmente as compensações declaradas até o limite do crédito deferido no despacho de fls. 1.925 a 1.927. Cientificada dos despachos acima e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2.206/2.243, alegando, em resumo, que o valor do crédito presumido de IPI não se trata de receita mas sim de recuperação de custos, assim não seria tributado pelo PIS e Cofins, conforme julgados que transcreve. Quanto às glosas das aquisições de empresas irregulares, alega que as operações de compra foram comprovadas, conforme documentos que demonstram o pagamento e o recebimento das mercadorias, que ora anexa. Argúi que a Instrução Normativa (IN) SRF n2 200, de 2002, em seu art. 43, dispõe que os documentos emitidos por empresa inapta somente são considerados inidôneos a partir da publicação do ato que declarou a inaptidão e que a maioria das declarações de inaptidão ocorreram a partir de dezembro de 2007, ou seja, posteriormente à realização das operações glosadas. Aduz que o art. 82 da Lei n2 9.430, de 1996, dispõe que os documentos emitidos por empresas inaptas produzem efeitos para terceiros desde que a operação seja comprovada, e que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme ementas de julgados que transcreve. Alega que agiu de boafé, pois pesquisou a regularidade dos fornecedores nos sítios da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Fazenda estadual antes de realizar as operações e que, à época das operações, as empresas estavam devidamente habilitadas, conforme cópias das telas do sítio da Receita Federal e do sistema Sintegra da Fazenda estadual, que anexa, pois as declarações de inaptidão ou inabilitação somente produzem efeitos após a publicidade dos respectivos atos, e ainda que não cabe ao contribuinte provar a existência e a regularidade dos emitentes das notas fiscais. Argúi ainda que não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Alega também que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, assim requer a aplicação de juros moratórios ao valor deferido, porquanto tratase de isonomia com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e os acresce às restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros equivalentes à taxa do Selic. Transcreve julgados nesse sentido. Por fim, requer diligência e perícia para atender aos quesitos contidos à fl. 2.243. Após analisar a manifestação de inconformidade apresentada em razão do não acolhimento total do pedido de ressarcimento, decidiu a 4ª Turma da DRJ/RPO, pelo indeferimento da manifestação, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMPRESA INAPTA. DOCUMENTOS. VALIDADE. Documentos fiscais emitidos por empresa inapta somente produzem efeitos tributários para terceiros caso a empresa beneficiária dos documentos prove a existência e a legitimidade das operações. FORNECEDORES. PAGAMENTOS A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Glosase o crédito referente ao PIS e à Cofins não cumulativos oriundo de compras cujo pagamento foi repassado a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negociai com a beneficiária do crédito. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da Cofins e do PIS na sistemática nãocumulativa de apuração dessas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.061 5 Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa do Selic a valores objeto de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – Realizou pedido de ressarcimento de PIS/PASEP não cumulativo, incidente sobre insumos de produtos exportados, o qual foi reconhecido pela Receita; 2 – A autoridade fiscal realizou à glosa de valores de compras de matérias primas e materiais secundários, reduzindo assim o crédito pretendido; 3 – De acordo com o item 9 do termo de verificação fiscal, a fiscalização através das informações contidas no “SISCOMEX” e do “SIGADW”, somadas as notas e livros fiscais apresentados, constatou que não há irregularidades nas exportações realizadas pela empresa no período fiscalizado.; 4 – O crédito presumido de IPI não configura receita, cabendo seu ressarcimento, não podendo, mesmo se considerado como receita, incidir sobre as exportações; 5 – O art. 3º da portaria 187/93, referese como ineficaz para todos os efeitos tributários os documentos emitidos por uma pessoa jurídica apta para uma empresa inapta, o que não é o caso dos autos; 6 – Resta comprovado nos autos a efetividade das operações de compras e o recebimento das mercadorias; 7 – De acordo com a instrução normativa INSF 200 de 13/09/2002 vigente a época dos fatos, a inidoneidade dos documentos só pode ser atribuídas após a publicação do ADE, o que só ocorreu após as operações; 8 – Não prospera a alegação de que os contribuintes não tinham existência fática, pois realizaram operações comerciais e estavam cadastrados junto a fazenda Estadual e a Receita Federal; 9 – As empresas afirmadas com inexistentes pela fiscalização, efetivamente efetuaram vendas para outros contribuintes, a assim são devedoras do PIS e COFINS, portanto o recolhimento ou não do tributo foge a alçada da recorrente; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 10 – Não procede a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e os beneficiáriocessionários, pois eles não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a recorrente. 11 – O fato dos cessionários serem pessoas físicas não impede o creditamento das contribuições do PIS/PASEP e COFINS; 12 – Sustenta que no caso em liça deve ser aplicado o art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, sob o argumento de que não há qualquer restrição quanto ao pagamento, sendo necessário apenas sua efetiva comprovação, independentemente se o mesmo foi realizado ao fornecedor ou a outra pessoa. 13 – Por fim busca a recorrente que os valores objeto do ressarcimento sejam atualizados pela taxa SELIC a partir da data do pedido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado no relato acima a recorrente visa o ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo pago nas etapas que antecedem a exportação, o deferimento foi parcial em razão da inclusão na base de cálculo de valores relativos ao crédito presumido do IPI. Também foram afastados os créditos provenientes de compras de matérias primas de empresas com situação cadastral irregular. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea” e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Percebese que a norma acima propõe duas formas em que os documentos serão considerados inidôneos, pois a declaração de inaptidão da empresa não exclui as outras formas de inidoneidade de documentos prevista na legislação, assim o fato da declaração de inaptidão ser posterior, não legitima os documentos emitidos no passado, caso estes preencham as hipóteses de inidoneidade prevista na norma. Observando o termo de verificação fiscal, percebese que as compras que foram objeto de glosa decorrem de empresas inaptas, inaptidão essa caracterizada em sua grande maioria por inexistência de fato, consoante se depreende do item 10 do referido termo: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.062 7 A empresa acima identificada adquiriu, de fornecedores localizados no estado de São Paulo e de outros Estados, matéria prima(couro verde), a ser utilizado na processo de Fabricação. Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretária da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. A Instrução Normativa nº 200/2002, em vigor a época dos fatos, ao dispor sobre o cadastro nacional da pessoa jurídica estabelece em seu art. 37 as hipóteses em que a pessoa jurídica será considerada inexistente de fato nos seguintes termos: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Quanto aos documentos emitidos por pessoa jurídica considerada inapta a mesma resolução, já os considerava inidôneos, mesmo antes da declaração da inaptidão, consoante prescreve os inciso III, IV e V do §3º e § 4º do art. 43, os quais assim definem: Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 3o O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I ... II ... Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 III a partir da data desde a qual se caracteriza a situação prevista no inciso III do art. 37; IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; V na hipótese do inciso IV do art. 29, desde a data de ocorrência do fato. § 4o A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3o deste artigo (Grifo nosso). No tocante ao argumento da recorrente de que a declaração de inidoneidade dos documentos apenas podem surtir efeitos após a publicação do ADE, este deve ser afastado, pois, só as hipóteses dos incisos I e II do § 3º do art. 43 estabeleciam tal marco temporal, sendo as situações respectivamente definidas nos inciso I e II do art. 29 da resolução nº 200/2002: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas nos itens 1 e 3 da alínea "c" do inciso I do art. 48, por cinco ou mais exercícios consecutivos e, intimada, não regularizou sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; Percebese, no caso nos autos que as operações comerciais realizadas pela recorrente foram acobertadas por notas fiscais emitidas por empresas inexistente de fato, aplicandose assim as disposições contidas no art. 37 da mesma norma em detrimento das hipóteses elencadas no art. 29: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.063 9 IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Sobre o terma é oportuno apresentar o posicionamento adotado pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção ao discorrer sobre a natureza declaratória dos atos de inaptidão da receita: Insurgese ainda a Recorrente contra os efeitos temporais do Ato Declaratório. Segundo ela, seus efeitos aplicarseiam somente após a edição do Ato Declaratório. Não prospera tal alegação. A esse respeito a princípio cabe enfatizar que a natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram, como é o caso da inexistência de fato dos estabelecimentos em comento. 1 Ressaltese que a instrução INSF de 200/2002, já disciplinava no § 5º do art. 43, que caberia ao terceiro interessado, o qual tenha adquirido bens, direitos e mercadorias ou tenha tomado serviços, comprovar que a operação tenha ocorrido, para assim ser possível o pedido de ressarcimento, portando acerta a decisão recorrida ao afirmar que: Desta forma, como se trata de pedido de ressarcimento postulado pela interessada, a ela cabe o ônus de demonstrar a ocorrência e a exatidão das operações geradoras de crédito fiscal, mormente quando sobre tais operações pairem dúvidas, como a possível inexistência de fato das empresas emissoras dos documentos fiscais... Já o parágrafo único do art. 82 estabelece que as hipóteses de inidoneidade de documentos fiscais será afastada quando o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviço comprove: 1) a efetivação do pagamento do preço respectivo; e 2) recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Assim, ao não satisfazer as condições simultaneamente, não há como prosperar os argumentos da recorrente no tocante ao pedido de ressarcimentos dos créditos relativos a aquisições de matéria prima de empresas inaptas. 1 Acordão 140100.536 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 1ª Seção Processo n 15940.000509/200794 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Em relação a cessão de crédito sustenta a recorrente que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos do art. 290 do Código Civil. O Código Civil em seu art. 2882 define que a mesma é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada através de instrumento público, ou em caso de instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos insculpidos no art. 6543 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Ressaltese ainda que a Lei de Registros Públicos nº 6.015/1973 que estabelece em seu art. 129 9º)4 que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros, devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Acontece, que no caso dos autos não foram obedecidas as exigências indicadas, tal assertiva também pode ser constatada pelas afirmações da própria recorrente ao dizer em suas razões recursais que “as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação do devedor/recorrente”. Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Quanto a exclusão da “receita” relativa ao crédito presumido de IPI da base de cálculo da PIS e COFINS, destaca a recorrente que o legislador procurou desonerar as exportações das contribuições de PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, e assim apresenta o crédito presumido de IPI não como receita e sim com recuperações de custo. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º5 que empresa produtora e exportadora de 2 Código Civil Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. 3 Código Civil Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. sç 1' O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, 411 a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga afirma reconhecida. 4 Lei de Registros Públicos Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). 9º) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. 5 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.064 11 mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Portanto, deve ser analisado se o Crédito Presumido seria “receita” ou “recuperação de custo”, ora se durante as aquisições os produtos não tivessem sofrido a exação das contribuições, o valor dos produtos indiscutivelmente seriam menores, portanto o crédito presumido permite que o contribuinte recupere suas despesas, consequentemente não possui natureza jurídica de receita, mas significa uma recuperação de custos. Pensar de outra forma, e considerar o crédito presumido de IPI, para fins da base de cálculo das contribuições, seria um contrassenso, pois o mesmo foi criado justamente para estimular as exportações e assim ao admitilo como receita se estaria neutralizando e retirando todo o benefício fiscal concedido por lei. Sobre o mesmo tema CARF já se posicionou no mesmo sentido, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PIS.COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. 6 O posicionamento acima é o mesmo adotado pelo STJ, conforme se depreende do julgamento do Resp 807130SC: TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001– NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 6 CARF Acórdão 180300.703 3ª Turma Especial. Primeira Seção de Julgamento. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. Ao final busca a recorrente que os valores objeto do pedido de ressarcimento sejam atualizados com a aplicação da taxa SELIC a partir da data da solicitação. Como já demonstrado a pretensão da recorrente decorre de pedido de ressarcimento, e não de repetição de indébito tributário, para a qual há expressa previsão legal de atualização nos termos do art. 39 da lei 9.250/95. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10835.000067/200689 Acórdão n.º 3102001.479 S3C1T2 Fl. 1.065 13 Não obstante a ausência de previsão legal, negar o pedido de atualização o crédito pretendido, e reconhecido pela própria fazenda, ensejaria enriquecimento sem causa da União, principalmente pelo fato da pretensão resistida percorrer diversos anos até o deferimento, como no presente caso. Sob este prisma o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.035.847 submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010. Assim, deve prevalecer o mesmo entendimento a caso em tela, aplicandose o disposto no art. 62A do regulamento do CARF, sendo, portanto devida a correção monetária dos créditos pretendidos que foram deferidos, e atualizálos a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, para deferir o ressarcimento do PIS ao excluir o crédito presumido do IPI da base de cálculo e reconhecer o direito a atualização dos créditos pretendidos a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Sala de sessões 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 Voto Vencedor Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento quanto à correção monetária e aplicação da taxa Selic aos créditos do PIS e COFINS no regime não cumulativo. A legislação expressamente veda a correção monetária e aplicação de juros sobre os créditos objeto do pedido de ressarcimento, conforme previsto no art. 13 e no art. 15 da Lei nº 10.833/2003. “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. .... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; IV nos arts. 7o e 8o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a quanto a possibilidade de correção dos créditos. Sala de sessões 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por W INDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000900/2004-31
Data da sessão: Sun Jul 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Sun Jul 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003
COFINS E PIS. AÇÃO FISCAL. EXCLUSÃO DE ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO.
Iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo perde a espontaneidade em relação à matéria, ao período e aos tributos objeto da ação fiscal, sujeitando-se, deste modo, à multa de oficio, independentemente do fato de poder parcelar ou não o crédito tributário que, eventualmente, venha a ser objeto de lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003
MULTA. CONFISCO.
São insuscetíveis de apreciação no processo administrativo fiscal as alegações atinentes à inconstitucionalidade de lei.
PAES INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. MULTA DE OFICIO. REDUÇÃO.
A adesão ao parcelamento especial toma, segundo a legislação tributária aplicável à matéria, a multa de oficio reduzida a cinqüenta por cento do valor que normalmente seria exigido.
LANÇAMENTO. PAGAMENTO. LITIGIO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste litígio administrativo, em sede de processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, relativamente a valores pagos pelo contribuinte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3302-00.201
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 50 % em razão da adesão ao Paes.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003 COFINS E PIS. AÇÃO FISCAL. EXCLUSÃO DE ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO. Iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo perde a espontaneidade em relação à matéria, ao período e aos tributos objeto da ação fiscal, sujeitando-se, deste modo, à multa de oficio, independentemente do fato de poder parcelar ou não o crédito tributário que, eventualmente, venha a ser objeto de lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003 MULTA. CONFISCO. São insuscetíveis de apreciação no processo administrativo fiscal as alegações atinentes à inconstitucionalidade de lei. PAES INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. MULTA DE OFICIO. REDUÇÃO. A adesão ao parcelamento especial toma, segundo a legislação tributária aplicável à matéria, a multa de oficio reduzida a cinqüenta por cento do valor que normalmente seria exigido. LANÇAMENTO. PAGAMENTO. LITIGIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste litígio administrativo, em sede de processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, relativamente a valores pagos pelo contribuinte. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida DRJ Belo Horizonte / MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003 COFINS E PIS. AÇÃO FISCAL. EXCLUSÃO DE ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO. Iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo perde a espontaneidade em relação à matéria, ao período e aos tributos objeto da ação fiscal, sujeitando- se, deste modo, à multa de oficio, independentemente do fato de poder parcelar ou não o crédito tributário que, eventualmente, venha a ser objeto de lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003 MULTA. CONFISCO. São insuscetíveis de apreciação no processo administrativo fiscal as alegações atinentes à inconstitucionalidade de lei. PAES INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. MULTA DE OFICIO. REDUÇÃO. A adesão ao parcelamento especial toma, segundo a legislação tributária aplicável à matéria, a multa de oficio reduzida a cinqüenta por cento do valor que normalmente seria exigido. LANÇAMENTO. PAGAMENTO. LITIGIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste litígio administrativo, em sede de processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, relativamente a valores pagos pelo contribuinte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, /r7 SILIP ! 1 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 50 % em razão da adesão ao Paes. O 4, . f 042,6tx&e. d2ahou - rll SEF MARIA COELHO MARQUES - Presente í - .. J~TONIO FRANCISCO - Relator• ,/ // articiparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 385 a 419) apresentado em 3 de abril de 2008 contra o Acórdão n°02-14.693, de 9 de julho de 2007, da DRJ Belo Horizonte / MG (fls. 325 a 331), do qual tomou ciência a Interessada em 4 de março de 2008 e que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 1999 a abril de 2003, não conheceu da impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003 Considerar-se-á não impugnada a matéria que foi objeto de parcelamento pelo contribuinte. O pedido de inclusão em regime de parcelamento especial (PAES) quando já iniciado o procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte e enseja a aplicação da multa de oficio. Impugnação não Conhecida O auto de infração foi lavrado em 9 de janeiro de 2004 e, segundo o teimo de fls. 18 a 42, verificou-se que as receitas relativas a juros, correção monetária, descontos obtidos, rendimentos de aplicações financeiras, variações cambiais ativas, receitas sobre alienações de ações no mercado, juros sobre a remuneração do capital próprio, juros Selic sobre impostos a recuperar, outras receitas financeiras, aluguéis, ajustes de exercícios anteriores e outras receitas operacionais não foram incluídas na base de cálculo da contribuição. Segundo a Fiscalização, foi esclarecido pela Interessada que, nos anos- calendários de 1998 a 2003, adotou a apuração do imposto de renda pelo lucro real e que não aderiu ao Refis. Apuradas as divergências, a Interessada foi intimada a manifestar-se, tendo justificado seu procedimento à vista da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo ..4?).L. 2 Processo n° 10680.000900/2004-31 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.201 Fl. 451 da Cotins efetuada pela Lei n. 9.718, de 1998, que fundamentou a exigência no período da autuação. A DRJ considerou haver a Interessada aderido ao Paes, conforme documentos de fls. 264 a 295, "demonstrando implicitamente estar de acordo com os valores lançados". A inclusão no parcelamento foi efetuada em 11 de agosto de 2008, conforme documento de fl. 165. Dessa forma, foram rejeitadas as alegações de nulidade e decadência e foi considerado não impugnado o lançamento uma vez que, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a fevereiro de 2003, houve adesão ao Paes, e, relativamente aos períodos de março e abril de 2003, houve pagamento, conforme Darf de fl. 263. No recurso, a Interessada destacou, inicialmente, a tempestividade do recurso e a inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens para seguimento do recurso. No mérito, alegou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins, destacando decisões do Supremo Tribunal Federal. Esclareceu que, no litígio, restaram "o débito apurado em 28.02.03 (com vencimento em 14.03.03) e a multa que foi considerada devida no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) calculado sobre o valor do débito principal, posto que já havia iniciado o procedimento fiscal, o que afastaria qualquer alegação de denúncia espontânea". Especificamente em relação ao débito mencionado, alegou que "o conceito de receita bruta não é equivalente àquele estabelecido para o faturamento". Tratou novamente da inconstitucionalidade da Lei n. 9.718, de 1998, e dos efeitos da lei e discorreu sobre a hierarquia entre lei complementar e ordinária. A seguir, tratou da denúncia espontânea, alegando que a multa de mora seria abrangida pelo beneficio. Tratou do parcelamento especial, afirmando que, "ao tempo da apresentação da Declaração Paes, não havia 'campo' (espaço) destinado (reservado) à declaração (confissão) da multa, devendo ser admitida sua inclusão". Citou decisão no Acórdão n. 201-80.133, de 2 de março de 2007, de relatoria do E. Conselheiro Walber José da Silva. Acrescentou que a multa aplicada afrontaria o princípio da vedação ao confisco. Por fim, requereu a declaração de nulidade do auto de infração, a suspensão da exigibilidade do crédito, o afastamento da exigência da Cofins relativa ao período de apuração de fevereiro de 2003, a declaração de nulidade da multa aplicada, em face da denúncia espontânea ou, alternativamente, sua redução a 50%. É o relatórit 41°k 3 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Embora o acórdão de primeira instância tenha não tomado conhecimento da impugnação, decidiu, por seus fundamentos, que, além de o pagamento e o parcelamento implicarem inexistência do litígio, não teria ocorrido denúncia espontânea e, assim, seria devida a multa de 75%. Quanto ao período de fevereiro de 2003, juntamente com o de abril, o acórdão considerou inexistir litígio em função do pagamento de fl. 263. A Interessada, por sua vez, alegou no recurso que tal período não estaria abrangido pela inexistência do litígio e requereu a aplicação da inconstitucionalidade da Lei n. 9.718, de 1998. Entretanto, o pagamento importa inexistência de litígio no âmbito de processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujo objeto é apurar se o valor lançado é ou não devido. A partir do momento em que há pagamento, as únicas formas de contestação do valor pago são o pedido de compensação e a declaração de compensação. Portanto, inexiste litígio em relação aà período de fevereiro de 2003. Assim, somente a questão da multa é que faz parte do litígio, questão que a primeira instância decidiu desfavoravelmente à Interessada, considerando "procedente o lançamento, na parte objeto de litígio (multa de oficio)". No tocante à confiscatoriedade da multa, em Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, o antigo 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n. 2, do seguinte teor: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto à denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento sobre a matéria na Súmula ri. 360, abaixo reproduzida: Súmula 360 Enunciado: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Ademais, trata-se de saber se a multa de mora seria inexigível em relação a pagamentos espontâneos, segundo o art. 138 do CTN, a denúncia espontânea deve ser acompanhada, "se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora", o que / Processo n° 10680.000900/2004-31 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.201 Fl. 452 implica reconhecer que a denúncia espontânea tem um componente formal, que é a comunicação à autoridade fiscal do ilícito praticado. Dessa forma, a denúncia deve ocorrer anteriormente a qualquer procedimento fiscal e deve ser acompanhada do pagamento integral dos valores devidos, o que não abrange, por exemplo, o parcelamento. Deduz-se tal conclusão da definição de denúncia, conforme o Dicionário Houaiss (httu://www.uol.com.br/houaiss): [..] ato verbal ou escrito pelo qual alguém leva ao conhecimento da autoridade competente um fato contrário à lei, à ordem pública ou a algum regulamento e suscetível de punição. Deve-se ressaltar que, no acórdão citado pela Interessada, a denúncia espontânea restou não reconhecida. • Entretanto, a redação da multa de oficio por conta da adesão ao Paes não decorre de denúncia espontânea, mas da própria legislação do parcelamento. • Quanto à matéria, no julgamento do recurso 230.924, relativo ao Acórdão n. 201-80.133, foi decidido ser cabível a redução da multa de oficio a 50%. No caso dos autos, restou demonstrada a adesão ao Paes. Conforme esclareceu o acórdão de primeira instância, o art. 1° da Lei n° 10.684, de 2003, assim dispõe: "Art. I° Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas". "§ 1° O disposto neste artigo aplica-se aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Divida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento". (.) § 7° Para os fins da consolidação referida no § 3 0, os valores correspondentes à multa, de mora ou de oficio, serão reduzidos em cinqüenta por cento. Portanto, a mencionada redução independe da denúncia espontânea, pois se aplica a todos os débitos incluídos no parcelamento. Em relação aos demais aspectos do lançamento, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1998. Por fim, sugere-se à Delegacia de Origem medidas para evitar a duplicidade da cobrança, em relação aos valores eventualmente já incluídos no parcelamento e os lançados nos presentes autos. LA\Y-I) 5 À vista do exposto, voto por não conhecer da matéria relativa ao lançamento dos débitos e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa em 50%. , JOS7~10 FRANCISCOtu_ •
score : 1.0
Numero do processo: 10945.002279/2007-34
Data da sessão: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.- Não há ilegitimidade passiva quando os resultados apurados em demonstrativos estão fundados em fatos e negócios praticados pelo contribuinte.
IRPF - CUSTO DE CONSTRUÇÃO - ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA DO SINDUSCON - Aplica-se a tabela do SINDUSCON ao arbitramento do custo de construção de edificações quando o contribuinte não declara a totalidade do valor despendido em construção própria, limitando-se a comprovar com documentos hábeis apenas uma parcela dos custos efetivamente realizados, em montante incompatível com a área construída.
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - O aumento de patrimônio da pessoa física não justificado com os rendimentos tributados na declaração, ou com os rendimentos não tributáveis, ou com os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do ano-base, está sujeito à tributação do imposto de renda.
JUROS - TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula l°CCn°4).
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Io CC n° 2).
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.250
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.- Não há ilegitimidade passiva quando os resultados apurados em demonstrativos estão fundados em fatos e negócios praticados pelo contribuinte. IRPF - CUSTO DE CONSTRUÇÃO - ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA DO SINDUSCON - Aplica-se a tabela do SINDUSCON ao arbitramento do custo de construção de edificações quando o contribuinte não declara a totalidade do valor despendido em construção própria, limitando-se a comprovar com documentos hábeis apenas uma parcela dos custos efetivamente realizados, em montante incompatível com a área construída. IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - O aumento de patrimônio da pessoa física não justificado com os rendimentos tributados na declaração, ou com os rendimentos não tributáveis, ou com os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do ano-base, está sujeito à tributação do imposto de renda. JUROS - TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula l°CCn°4). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Io CC n° 2). Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.
ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC.
Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio.
Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.442
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. 2) por unanimidade de votos, CONSIDERAR prejudicado o recurso especial do contribuinte, relativo a incidência da Taxa SELIC, tendo em vista que não restou crédito reconhecido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC. Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. 2) por unanimidade de votos, CONSIDERAR prejudicado o recurso especial do contribuinte, relativo a incidência da Taxa SELIC, tendo em vista que não restou crédito reconhecido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
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