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Numero do processo: 10640.001469/2007-69
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003,2004 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
Somente poderão ser deduzidos dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual os valores pagos a título de pensão judicial que estiverem nos exatos termos homologados em juízo.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de Io, 2° e 3o graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes.
DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO-PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS.
Justifica-se a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003,2004 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Somente poderão ser deduzidos dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual os valores pagos a título de pensão judicial que estiverem nos exatos termos homologados em juízo. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de Io, 2° e 3o graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO-PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS. Justifica-se a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10830.001928/99-60
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PDV — É de cinco anos o prazo para
repetição do indébito, contados da edição de ato normativo que , reconheça a ilegalidade da exigência.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/01-04.000
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva e lacy Nogueira Martins Morais
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva e lacy Nogueira Martins Morais E- IGUESID1OrPERE A-------ROD- PRESIDENTE M FRANCO JÚNIORÁR 1444474( // RE ATerjA4) Qi(1444 FORMALIZADO EM: 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, MARIA AMÉLIA FRAGA FERREIRA (Suplente Convocada), WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, NATANAEL MARTINS (Suplente Convocado), e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. Ausente justificadamente os Conselheiros JOSÉ CARLOS PASSUELLO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Processo n°. : 10830.001928/99-60 Acórdão n°. : CSRF/01-04.000 Recurso n°. : RP/102-0.417 Sujeito Passivo : OSVALDO ROSSI RELATÓRIO Trata-se recurso especial interposto peia Fazenda Nacional, com fulcro no permissivo constante do artigo 5°, inciso I, c/c artigo 7°, § 1° do RICSRF, aprovado peia Portaria Ministerial MF n° 55/98. A matéria subjacente diz respeito a restituição de IRF incidente sobre parcelas recebidas em programa de demissão voluntária — PDV, no ano- calendário de 1993. Nas alentadas e judiciosas razões de apelo, afirma o ilustre Procurador ter o Acórdão recorrido contrariado o disposto no artigo 168 do CTN, sendo certo que o prazo para repetir conta-se da extinção do crédito tributário, independentemente, inclusive, de a matéria ser de inconstitucionalidade e do tipo de controle, difuso ou concentrado, pelo qual tal inconstitucionalidade foi declarada. Relembra que tlormientibus non succurrit jus'. Contra-razões, fls.87, pedindo a manutenção do acórdão vergastado. É o Relatório. 2 Processo n°. : 10830.001928/99-60 Acórdão n°. : CSRF/01-04.000 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. A matéria não é nova a esta Egrégia Câmara Superior. Maciça jurisprudência tem orientado as decisões pela contagem do prazo, para repetir tributo indevido, a partir do ato administrativo que confere eficácia geral. No litígio em tela, tal ato é a Instrução Normativa 165/99, que se transcreve: "IN SRF 165/98 — O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso das suas atribuições e tendo em vista que, em decorrência de decisões definitivas das egrégias Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça, o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, por meio do despacho de 17 de setembro de 1998, publicado no Diário Oficial da União de 22 de setembro de 1998, baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98, devidamente aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, dispensou" a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não incidência do Imposto de Renda na fonte sobre verbas indenizatórias referentes" a programas de demissão voluntária, resolve: Art. 1° Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte 3 Processo n°. : 10830.001928/99-60 Acórdão n°. : CSRF/01-04.000 sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Art. 2° Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional. § 1 0 Na hipótese de créditos constituídos, pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a matéria de que trata o artigo anterior. § 2° As autoridades referidas no caput deste artigo deverão encaminhar para a Coordenação-Geral do Sistema de Arrecadação - COSAR, por intermédio das Superintendências Regionais da Receita Federal de sua jurisdição, no prazo de 60 dias, contado da publicação desta Instrução Normativa, relação pormenorizada dos lançamentos revistos, contendo as seguintes informações: I - nome do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas - CNPJ ou Cadastro da Pessoa Física - CPF, conforme o caso; II - valor atualizado do crédito revisto e data do lançamento; III - fundamento da revisão mediante referência à norma contida no artigo anterior. Art. 3° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação." Inúmeros são os Acórdãos desta Câmara que propugnam pela contagem do prazo para repetição do indébito a partir da edição do ato normativo transcrito, como os seguintes: "Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-03.335 em 17.04.2001 IRPF 4 Processo n°. : 10830.001928/99-60 Acórdão n°. : CSRF/01-04.000 IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO INCIDÊNCIA - Os rendimentos percebidos em razão da adesão aos planos de desligamento voluntário tem natureza indenizatória, inclusive os motivados por aposentadoria, o que os afasta do campo da incidência do imposto de renda da pessoa física. IRPF - RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31.12.1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165, de 31.12.1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso negado." "Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-03.339 em 17.04.2001 IRPF IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO INCIDÊNCIA - Os rendimentos percebidos em razão da adesão aos planos de desligamento voluntário tem natureza indenizatória, inclusive os motivados por aposentadoria, o que os afasta do campo da incidência do imposto de renda da pessoa física. IRPF - RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. Conta-se a partir da publicação da 5 tedi Processo n°. : 10830.001928/99-60 Acórdão n°. : CSRF/01-04. 000 Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31.12.1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165, de 31.12.1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso negado." A matéria tem como pressuposto o surgimento do direito tão- somente quando há no ordenamento ato de eficácia geral, como uma decisão em ADIN, decisão com caráter de definitiva proferida pelo pleno do STF ou Resolução do Senado Federal, suspendendo os efeitos de norma específica. Tais fundamentos já foram expostos no Acórdão 108-05.791, citado no recurso hostilizado, e da lavra do ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, para o qual concorri com meu voto na ocasião. Ex positis, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 18 de junho de 2002 14410 U4~ MÁRIO JU UE FRANCO JÚNIOR 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.901897/2006-68
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final.
ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 18 97 /2 00 6- 68 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O estabelecimento acima identificado apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, correspondente ao 3° trimestre de 2003, fls. 01/02, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de R$ 119.785,93, cumulado com declaração de compensação. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório n° 143/2008, fl. 36, de 28 de abril de 2008, com suporte na Informação fiscal das fls. 31/34, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pretendido, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 Os únicos produtos que a empresa dá saída são os jornais Zero Hora, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho, que, de acordo com o art. 150, VI, da Constituição Federal, são produtos imunes à tributação, não revestindo, por isso, a condição de estabelecimento industrial, nos termos da legislação do IPI. 2.2 O entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil é de que o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de novembro de 1999, não se aplica aos produtos amparados por imunidade. 3. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 09 de maio de 2008, conforme Aviso de Recebimento na fl. 38. Inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 39/55, firmada por procurador (Instrumento de Procuração na fl. 56) alegando, em síntese, o seguinte: a) direito ao crédito nas saídas de produtos imunes; b) vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n° 9.779/99 e, em especial, ao art. 4° da IN SRF n° 33, de 04 de março de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; c) aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional. 3.1 Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação das compensações efetuadas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. São inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação "NT" Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901897/200668 Acórdão n.º 3102001.133 S3C1T2 Fl. 3 3 (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação dos atos normativos. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Sustenta que os produtos de sua fabricação são produtos imunes e não produtos não tributados. Destaca a relevante distinção que há entre ambos. Que o direito ao crédito não surgiu com a Lei n o 9.779/99, mas do próprio princípio da nãocumulatividade, previsto na Constituição Federal. Que o direito ao credito no caso de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero foi explicitado na Instrução Normativa SRF nº 33/99, mais tarde ilegalmente modificada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 05, de 17 de abril de 2006. Cita “recente julgado, ocorrido em 18 de junho de 2008 [no qual] o Min. Ricardo Lewandovski” considera “patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa””. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes. Tratase de um assunto bastante controvertido, se não pela própria sistemática de apuração de tributos nãocumulativos e das tantas interpretações que comporta no tocante às conseqüências do aproveitamento de créditos quando a operação subsequente é desonerada do Imposto, então pelas divergentes decisões encontrados na jurisprudência. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Permitome iniciar a análise, partindo da decisão tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, colacionada pela própria empresa recorrente, de lavra do Exmo. Min. Ricardo Lewandovski, com o seguinte teor. Entendeu ser patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa” É de se admitir que a interpretação acima transcrita caminha no mesmo sentido da que é defendida pela recorrente. Tal como naquela, baseiase na premissa de que a Lei 9.779/99 não inovou no ordenamento jurídico pátrio, mas apenas determinou expressamente aquilo que já estava há muito consagrado pela própria Constituição Federal, derivando diretamente do princípio da nãocumulatividade. Inobstante, o fato é que nem mesmo a própria decisão do Recurso Especial em epígrafe terminou por adotar tal entendimento, se não vejamos. Antes da vigência Lei nº 9.779/99 não é possível o contribuinte se creditar ou se compensar do IPI quando incidente o tributo sobre os insumos ou matériasprimas utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados com alíquota zero. RE 562.980, Min. Ricardo Lewandowski e redator AC Min. Marco Aurélio Ou seja, a despeito do entendimento manifesto pelo Ministro Relator do processo no curso da decisão, conforme trazido aos autos pela recorrente, ao final prevaleceu a idéia contrária, a de que foi a Lei 9.779/99 responsável pela introdução no ordenamento jurídico da possibilidade de creditamento nas situações em que o produtos final não pague o Imposto. Pertinente trazer aos autos manifestação contida no voto condutor da decisão epigrafada, de autoria do Exmo. Min. Marco Aurélio. RECUSO EXRAORDINÁRIO 562.9805 SANTA CATARINA O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senhor Presidente, apenas dois esclarecimentos: os casos versam situação pretérita à lei, e, no meu voto, sustentei realmente que a Constituição Federal cogita de compensação, e compensação pressupõe algo devido que terá parcela subtraída mediante esse fenômeno – compensação. Há mais, Presidente. Há um aspecto muito interessante: se não entendermos dessa forma, o que ocorrerá, evidentemente por uma via diversa, quanto ao recolhimento anterior? Se se credita o valor recolhido anteriormente, quando a saída do produto é isenta, estarseá procedendo à retroação dessa mesma isenção a ponto de alcançar a primeira operação e, claro, isso não está previsto na Constituição Federal. A Constituição Federal visa, com o princípio da não cumulatividade, a evitar superposições, não a extensão retroativa de benefício, considerada a operação tributada anteriormente. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901897/200668 Acórdão n.º 3102001.133 S3C1T2 Fl. 4 5 Por isso mantenho, nos dois casos, os votos proferidos, ressaltando que, como não se reconhece o direito ao principal, não se pode cogitar de acessórios – correção monetária. As conseqüências de tal fato são claras. Se não é da índole do método de apuração baseado no princípio da nãocumulatividade a autorização para o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos utilizados para produtos isentos ou tributados com a alíquota zero, por certo também não o é nos casos de fabricação de produtos imunes ou nãotributados, de tal sorte que o aproveitamento do créditos nestas circunstâncias depende de expressa previsão legal. No mesmo diapasão, encontrase a orientação consignada em súmula editada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Todo exposto, salvo melhor juízo, afasta qualquer possibilidade de que se acolha o entendimento de que o aproveitamento de créditos em situações como a de que aqui tratamos seja um procedimento inerente à mecânica da nãocumulatividade. Em lugar disso, necessário admitir que ele decorre de Lei e dela depende. Neste sentido, identificase no comando legal contido na Lei 9.779/99 autorização para o aproveitamento de crédito apenas em dois casos: nos de fabricação de produtos isentos e nos de fabricação de produtos tributados à alíquota zero. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Embora a recorrente tenha colocado em destaque na parte introdutória da peça recursal a distinção entre produtos imunes e não tributados, nada acrescentou a respeito do assunto nas linhas subseqüentes. Observese como introduziu o assunto. 2. RAZÕES DO RECURSO 2.1 Do objeto da controvérsia 2.1.1 A empresa recorrente tem como objeto a exploração do ramo de jornalismo, distribuição de notícias e informações, bem como a edição e impressão de jornais e periódicos, ou seja, produtos imunes ao IPI. O acórdão, por sua vez, afirma que tais produtos seriam classificados como produtos nãotributados e constrói sua argumentação em cima dessa classificação, conforme se percebe na ementa do acórdão: "inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação NT (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)". Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 2.1.2 Resta evidente pela leitura do acórdão que o Relator estende a mesma fundamentação dos produtos nãotributados aos produtos imunes, declarando inexistir direito ao provimento de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados tanto na produção de produtos imunes como nãotributados. 2.1.3 Sobre o ponto, indiscutível tratarse de produtos imunes, porquanto a empresa dedicase à publicação de jornais e periódicos, cuja imunidade está constitucionalmente consagrada no art. 150, VI, d, e prevista no art. 18, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) Decreto n° 4.544/02. 2.1.4 A diferenciação se mostra relevante, à medida que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Não havendo, como se disse, considerações complementares capazes de elucidar a distinção anunciada, o argumento trazido pela própria recorrente, no sentido de que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99, termina por corroborar (embora não fosse essa a sua intenção) o entendimento de que a autorização para apropriação do crédito na escrita, em tais circunstâncias, está restrita àquilo expressamente determinado na Lei permissiva, a Lei 9.779/99. Importante destacar nesta altura, sem intentar a elaboração de uma tese conclusiva a respeito do assunto, que existem conhecidas distinções entre os fenômenos da isenção, da tributação à alíquota zero, da imunidade e da condição de produtos não tributáveis. Enquanto a isenção e a redução da alíquota são procedimentos ao alcance, um do legislador ordinário, outro muitas vezes da própria Administração, a imunidade é assunto tutelado pela Constituição Federal, ao passo que a condição de produto não tributado consubstanciandose em uma característica própria do produto definido como tal. Identificar tais distinções permite admitir que para uns o legislador tenha encontrado fortes razões para permitir o aproveitamento de créditos e para outros não, reforçando o entendimento de que a decisão deva ser tomada à luz do disposto na Lei 9.779/99, ausentes quaisquer razões para que se proceda a uma interpretação extensiva de suas disposições. Uma vez que isso tudo esteja decidido, é preciso, noutro giro, que se atente para as disposições infralegais trazidas ao mundo jurídico pelas deliberações emanadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Instrução Normativa nº 33/99 e do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06. A Instrução Normativa nº 33/99, ao tratar dos produtos passíveis de aproveitamento do crédito, referiuse expressamente àqueles identificados como imunes, se não vejamos. Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901897/200668 Acórdão n.º 3102001.133 S3C1T2 Fl. 5 7 estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifos meus) Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Mais tarde, o Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, com o fito de interpretar a Instrução Normativa nº 33/99, assim esclareceu. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo n° 10168.000853/200696, declara: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n°9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n°491, de 5 de março de 1969, e no art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. A litigante recorre a estas disposições em sua defesa, conforme excertos do recurso voluntário apresentado a este colegiado, a seguir transcritos. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, proibiu, em seu art. 2°, II, o creditamento do IPI envolvendo insumos empregados na industrialização de produtos imunes. 2.2.11 Não é possível que um ato supostamente interpretativo afaste expressa previsão legal e de fontes complementares das leis. A administração tributária está vinculada aos instrumentos normativos que produz, devendo atender à IN SRF n° 33/99, a qual foi exarada com a finalidade de regulamentar o art. 11 da Lei n° 9.779/99. (...) 2.2.13 O ADI n° 05/06 claramente não possui natureza interpretativa, pois modifica a legislação ao afastar o direito à manutenção do crédito de IPI aos produtos imunes. 2.2.14 Não havendo dúvidas quanto às disposições da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 33/99, não há falar em interpretação, pois o ADI n° 05/06 não pode "interpretar" inovando algo que está claríssimo nos referidos diplomas. 2.2.15 Logo, sequer há espaço para a edição de um ato normativo cuja finalidade é exclusivamente interpretativa. Viola o senso comum afirmar que a expressão "inclusive imunes" prevista no art. 4° da IN SRF n° 33/99 deve ser esclarecida por possuir sentido ambíguo. Assim sendo, se a única função do ADI é esclarecer a legislação, e isso sequer poderia ser feito, o ADI não é interpretativo e, conseqüentemente, não produz efeito algum porque sua função não lhe permite inovar a legislação permanecendo os efeitos da IN SRF n° 33/99. 2.2.16 Afastada a natureza interpretativa, o referido ato não é aplicável ao caso dos autos, porquanto, conforme previsão do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. 2.2.17 Segundo o princípio da legalidade, somente a lei pode instituir ou majorar tributos. Ao implicar em majoração de tributo, o ADI SRF n° 05/06 possui natureza modificativa, violando o art. 97 do Código Tributário Nacional, uma vez que isso somente poderia ser feito por meio de lei que alterasse a redação do art. 11 da Lei n° 9.799/99. (...) Liminarmente, imperioso que se reconheça a exata finalidade para a qual a Instrução Normativa SRF nº33/99 foi editada. Tal como claramente disposto no mesmo artigo 4º da IN, onde são mencionados os produtos imunes, o comando infralegal ali presente destinase a regulamentar o “direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI”. Foi no intento de regulamentar a apuração do Imposto, que terminou por acrescentar na relação de produtos nos quais as MP, PI e ME adquiridos seriam empregados, os produtos imunes, que não estavam especificados no artigo 11 da Lei a que se propunha regulamentar. A esse respeito, mister que se reconheça a incompetência da Administração para legislar sobre os critérios de apuração da base de cálculo dos tributos, nos termos do artigo 97 do Código Tributário Nacional. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901897/200668 Acórdão n.º 3102001.133 S3C1T2 Fl. 6 9 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Em consequência, o comando contido no artigo 4º da Instrução Normativa nº 33/99 transborda sua competência ao incluir dentre os produtos que ensejam a manutenção do crédito decorrente da aquisição de insumos, aqueles classificados como produtos imunes, na medida em que estes não estavam contemplados na Lei 9.779/99, restando a consequência do ali disposto, a meu ver, limitada àquela prevista no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por força do comando legal acima transcrito, entendo que a Administração está impedida de cobrar da litigante qualquer tipo de penalidade, assim como de proceder à correção do valor ou à exigência de juros em relação a eventual saldo devedor apurado. De resto, no que concerne ao Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, pareceme que a intenção da Administração foi, de fato, no sentido de esclarecer a razão para a inclusão de produtos imunes no texto da Instrução Normativa nº 33/99. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 A inclusão que, a priori, parece ser completamente desarrazoada, encontra provável justificativa na intenção de preservar às empresas exportadoras o direito à manutenção dos créditos na aquisição de insumos destinados à fabricação de produtos imunes. É que a imunidade concedida aos produtos exportados não se confunde com a imunidade objetiva, identificada com o produto em si. A manutenção dos créditos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados constituise em verdadeiro incentivo à exportação, não cabendo qualquer tipo de ilação quanto à pertinência do lançamento credor. Ao intentar resguardar tal direito, a IN 33/99 terminou por provocar certa confusão, cujos efeitos tentouse aplacar com a edição do ADI 05/06. Esse, contudo, seja ou não reconhecido como de caráter interpretativo ou não, não tem, segundo entendo, o efeito de afastar o disposto no artigo 100 do CTN, acima transcrito. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela recorrente, para excluir a incidência de juros sobre o saldo devedor não extinto com o crédito do contribuinte não reconhecido no presente processo. Sala de Sessões, 08 de julho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13819.003052/2002-35
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13819.003052/2002-35 Recurso n° 156.695 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.226 — 2" Turma Sessão de 21 de setembro de 2009 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BACARDI MARTINI DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, “m- maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso. /44 dffi CARLOS ALBER e ITAS B " ETO — Presidente 4"1.. GONÇALO BONE LLAGE — elator EDITADO EM:. - 2 h sE i 2009 Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl. 456 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacornelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário n° 156.695, interposto pela contribuinte Bacardi Martini do Brasil Indústria e Comércio Ltda., proferiu o acórdão n° 106-16.907, que se encontra às fls. 309-319, cuja ementa é a seguinte: PRESCRIÇÃO — TERMO INICIAL NO CASO DE TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL — ILL-IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. O prazo prescricional do direito de pleitear a repetição do indébito, no caso de tributo declarado inconstitucional, inicia-se no momento em que a exação é reconhecida como indevida. Tratando-se do ILL recolhido por sociedade limitada, nõa alcançada, portanto, pela Resolução n° 82/96 do Senado Federal, o reconhecimento se deu com a edição da Instrução Normativa Si?? n° 63, publicada no DOU de 25/07/97. SOCIEDADE LIMITADA — LUCROS SEM PREVISÃO CONTRATUAL DE DISPONIBILIDADE IMEDIATA — ILL — INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, em interpretação conforme a Constituição, declarou que ocorre inconstitucionalidade, na exigência do imposto sobre o lucro liquido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando o contrato social for omisso quanto à distribuição dos lucros apurados, ou não preveja a sua imediata disponibilidade, econômica ou jurídica, aos sócios. COMPROVAÇÃO DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO — PROCESSO APENSADO — HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Comprovada a legitimidade do crédito do contribuinte junto à Fazenda Pública restam homologadas as declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte no processo apensado. Recurso voluntário provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamentos efetivados entr. 2 Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl. 457 30/04/1991 e 31/05/1993, cujo pedido fora protocolizado em 23/07/2002, vencidos as Conselheiras Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Suplente Convocada) e Ana Maria Ribeiro dos Reis. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, o recurso foi provido. Intimada deste acórdão em 22/08/2008 (fls. 321), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 393-407, onde defendeu, em apertada síntese, que: a) O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos por sócios cotistas de sociedades limitadas a título de ILL tem como termo inicial a data de publicação da IN/SRF n° 63/97, ou seja, o dia 25/07/1997; b) Por sua vez, a 2' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 302-35.782, assentou o posicionamento de que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, do CTN), ocorrido com o pagamento do tributo, sendo que o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, a edição da Medida Provisória n° 1.110/95) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário; c) Merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma; d) O termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributos indevidos é a data da extinção do crédito tributário, que se dá de acordo com alguma das modalidades taxativamente elencadas pelo artigo 156 do CTN, e não da data da declaração de inconstitucionalidade da norma de incidência, ou do reconhecimento pela Administração que o tributo era indevido; e) A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou a Resolução do Senado Federal ou a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal não tomaram o tributo indevido. Ele já o era antes disso; f) Os contribuintes que não ajuizaram ações com o objetivo de alcançar ordem judicial declarando a inconstitucionalidade da lei tributária devem suportar o ônus da inércia; g) O entendimento da Fazenda Nacional encontra-se consubstanciado no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99 e no AD SRF n° 96, de 26/11/1999; h) Extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal ou pela Administração Pública. e. 3 I Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl. 458 i Admitido o recurso por meio do Despacho n° DEF106156695_398 (fls. z1109- 410), a contribuinte foi cientificada e, devidamente representada, apresentou contra-razões às fls. 414-423, acompanhadas dos documentos de fls. 424-452, onde deferideu, Ifundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do ILL e, por unanimidade de votos, reconheceu o direito creditório pleiteado. A insurgência da Fazenda Nacional cinge-se à questão da decadência, sendo que os pagamentos do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido foram efetuados pela interessada entre 30/04/1991 e 31/05/1993, enquanto o protocolo do pedido de restituição ocorreu em 23 de julho de 2002. O ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, ! § 40, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional — CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja . g, 4 I Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl. 459 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais conclui-se que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações representa o dies a quo do prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo indevidamente recolhido. Com o objetivo de ilustrar essa afirmação, trago à colação as ementas dos seguintes acórdãos proferidos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF-ILL. DECADÊNCIA, PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago indevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inicia-se na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, 1 na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários. Recurso especial negado. 5 Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 P11 460 1 (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.205, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.047, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08/05/2005) A restituição pretendida pela empresa está relacionada ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 35. O sócio-quotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC, o Egrégio STF , , reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Este acórdão gerou efeitos inter partes. Para conferir efeito erga omnes à decisão do Supremo Tribunal Federal, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações. Para as demais empresas, que não as sociedades por ações, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 63, em 24/07/1997, em cujo artigo 1° está expresso que: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. 6 1 Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl. 461 Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Portanto, a Instrução Normativa n° 63/97 reconheceu o caráter indevido da exigência do ILL para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, entre outras, desde que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração, não previsse a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Perfilhando o posicionamento dominante no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que a interessada é sociedade por cotas de responsabilidade limitada, entendo que o dia 25/07/97 — data de publicação da IN SRF n° 63 — marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, pois é nesse momento que a Administração Tributária reconhece o caráter indevido do ILL para as demais empresas, que não as sociedades por ações. Considerando que o pedido de restituição em apreço foi efetuado em 23/07/2002 (fls. 01), há que se concluir que a decadência não atingiu o direito creditório pleiteado. Segundo penso, o acórdão recorrido deve ser confirmado. Destaco, ainda, que o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, não justifica a aplicação retroativa do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, pois tal norma, evidentemente, não tem caráter interpretativo. Tenho como aplicável ao caso o princípio constitucional da irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, alínea "a", da Carta da República. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 só pode ser aplicado para fatos ocorridos a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos. O próprio STJ, quando apreciou a questão, concluiu que "(..) 4. A Seção de Direito Público, no julgamento dos EREsp n. 327.043/DF, em 27.4.2005, afastou a aplicação do art. 3° da LC n. 118/2005 às ações ajuizadas até o término da vacatió legis de 120 dias." (Primeira Seção, EREsp n° 489.703/MG, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJU de 10/10/2005, p. 211). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, Gonçalo Bonet A lage - Relator 7 Processo n° 13819.003052/2002-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.226 Fl 462 8
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Numero do processo: 10882.000966/2008-88
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, DE 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS.
As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981/1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430/1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento ou atendimento de forma parcial à intimação para apresentação de extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancária, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS. CSLL. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Preliminares de nulidade rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 1302-000.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, afastar as alegações preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício de 112,5% (agravada) para 75%, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, DE 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981/1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430/1996, aplicável especificamente à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 09 66 /2 00 8- 88 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 430 2 hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento ou atendimento de forma parcial à intimação para apresentação de extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancária, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS. CSLL. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Preliminares de nulidade rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 431 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, afastar as alegações preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício de 112,5% (agravada) para 75%, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 432 4 Relatório FACTEM FOMENTO MERCANTIL E COBRANÇA LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 04.887.686/000135, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Boa Vista, nº 186 – 10º andar – sala 3 Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 1651/1665, prolatada pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP I, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1673/1680. Contra a contribuinte, acima identificada, da foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP, em 09/04/2008, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Outros (PIS + CSLL + COFINS) (fls. 1504/1532), com ciência através de AR, em 11/04/2008 (fls. 1537), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 19.801.084,08, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal agravada de 112,5% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos e contribuições, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Infração capitulada no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 287, e 288, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal e Esclarecimento (fls. 54/55), entre outros, os seguintes aspectos: que o contribuinte movimentou R$ 26.307.433,19 ao longo de 2004, segundo informação das instituições financeiras, enquanto declarou em sua DIPJ receita total no valor de R$ 434.863,03, tendo optado pela apuração através do Lucro Real; que, em 07/12/2006, tentamos localizar o contribuinte em seu endereço cadastral à Av. Dionizia Alves Barreto número 500 conjuntos 808 e 809 em Osasco/SP e constatamos que este não mais ocupava aquele imóvel, lavrandose o Termo de Constatação naquela data; que, em 13/12/2006, localizado o procurador da empresa, cientificamos do Termo de Início de Fiscalização no qual solicitamos a apresentação dos livros Diário e Razão, dos extratos bancários de todas as contas movimentadas pela empresa no período em questão, assim como da relação individualizada das suas operações de "factoring" realizadas; que o atendimento deuse na data de 05/01/2007, para o qual foram apresentados os livros Diário e Razão e documentos intitulados Relatórios Financeiros de 2004, acompanhados dos extratos bancários dos bancos Itaú e HSBC; Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 433 5 que verificamos que os extratos, além dos relatórios financeiros apresentados, condiziam com os lançamentos escriturados nos livros contábeis, porém, conforme tabela a seguir apresentada, a movimentação financeira conhecida indicava a existência de contas em outras instituições financeiras além das apresentadas pelo contribuinte; que, em 18/01/2007, cientificamos ao contribuinte do Termo de Intimação Fiscal no qual solicitamos a manifestação da empresa relativa às movimentações financeiras informadas pelos bancos do Brasil, Bradesco e BCN, sendo que o contribuinte não apresentou qualquer resposta ao solicitado; que tendo em vista o conflito de informações entre a empresa que registrou em seus livros movimentação apenas dos bancos Itaú e HSBC e as prestadas pelas outras instituições bancárias, solicitamos diretamente a estas os respectivos extratos bancários; que obtidos os referidos extratos diretamente das instituições financeiras, selecionamos os lançamentos a crédito nas contas (depósitos) e, após eliminarmos os decorrentes de transferência entre contas de mesma titularidade e demais de origem justificada, elaboramos a relação individualizada de cada depósito que constou no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal do qual foi dada a ciência em 11/04/2007; que, em 25/05/2007, o contribuinte apresentou documentos representativos do seu movimento de cobrança do lº trimestre e solicitou prazo complementar de 20 dias para apresentação do restante. Analisandose os documentos apresentados, verificamos que não continham as informações mínimas solicitadas e necessárias para configurar cada operação, tais como CNPJ do cliente, datas, valor nominal e de compra do título, assim como nenhum documento comprobatório das operações foi apresentado; que, em 26/06/2007, demos ciência ao contribuinte do Termo de Intimação Fiscal no qual solicitamos disponibilizar imediatamente para verificação os documentos que estariam servindo de base para a elaboração das informações apresentadas relativas, ao 1º trimestre de 2004, sendo que não fomos atendidos e sequer nos foi informado o local onde se encontrariam tais documentos. Neste Termo também foi solicitado novamente ao contribuinte a sua regularização cadastral, apresentar os documentos solicitados em Termos anteriores e identificar a pessoa responsável pela administração da empresa à época (2004), sendo que lhe foi alertado que o não atendimento integral das solicitações agravaria a multa de ofício a ser lançada; que, em 05/07/2007, compareceu na repartição o representante da empresa apresentando documentos intitulados Relatórios de Operação que se constituíam de demonstrativos que supostamente compreenderiam todas as operações da empresa ocorridas durante o período fiscalizado que, totalizados, corresponderam a uma negociação de títulos no montante de R$ 7.569.087,95 (soma dos valores de face); que tais demonstrativos não vieram acompanhados de quaisquer documentos que comprovassem á efetividade de qualquer operação; que, aos 09/08/2007, foi apresentado pelo contribuinte o documento intitulado Relatório de Resumo de Operações acompanhado de Contratos de Fomento Mercantil celebrados com diversas empresas. O Relatório de Resumo de Operações apresentava a soma dos valores de face igual a R$ 6.333.461,73, sugerindo uma movimentação dessa ordem nas contas correntes da empresa. Cada contrato de fomento apresentado estava Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 434 6 acompanhado de folhas de Aditivos assinados, porém em branco nos campos correspondentes às características do título negociado. O aditivo, conforme previsto nos contratos documenta e quantifica cada operação de compra de títulos e, nenhum dos aditivos estando preenchido, não comprovavam a efetivação de qualquer operação; que, em 23/08/2007, o contribuinte apresentou planilhas intituladas "Posição de Duplicatas por Data de Liquidação" que supostamente incluiriam todos os recebimentos decorrentes das operações realizadas em 2004 e que somadas totalizaram R$ 15.201.540,69, porém, novamente nenhuma documentação foi apresentada para comprovar as operações contidas nas planilhas; que dos fatos acima descritos, em resumo, temos que o contribuinte limitou se a apresentar somente documentos de sua elaboração como planilhas e demonstrativos, além do que, ora em valores muito inferiores a sua movimentação financeira, ora apresentando operações referentes a períodos englobando somente parte do ano de 2004 e deixou de apresentar documentos comprobatórios das suas operações de factoring e que teriam servido ou estariam servindo de base para a elaboração das planilhas e demonstrativos apresentados. Quanto aos Contratos de Fomento Mercantil apresentados, estavam acompanhados dos Termos Aditivos em branco (não preenchidos), de modo que não comprovaram a efetivação de qualquer operação de compra de títulos. Ressaltamos que estão previstos nos contratos, nas suas cláusulas 4ª e 6ª, os documentos exigidos para a efetividade de cada operação, porém, relembramos que nenhum documento lá mencionado foinos apresentado até a lavratura do presente auto de infração; que em decorrência dos fatos acima narrados, a multa de ofício foi agravada por reiterado não atendimento das solicitações dos Termos de Intimação, conforme estabelecido no art. 44, § 20, da Lei no 9.430/96, sendo que a possibilidade de agravamento da multa fora alertada ao contribuinte no Termo de Intimação com ciência em 26/06/2007. Em sua peça impugnatória de fls. 1561/1594, instruída pelos documentos de fls. 1595/1650, apresentada, tempestivamente, em 13/05/2008, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o procedimento fiscal desenrolouse normalmente, tendo a Impugnante atendido aos sucessivos pedidos de apresentação de documentos e informações, o último deles de 30.10.2007, devidamente atendido pela Impugnante; que não tendo a Impugnante recebido qualquer intimação adicional ou pedido de esclarecimentos, foi surpreendida, mediante intimação postal encaminhada para sua sócia, com o encerramento da ação fiscal e com a lavratura, em 09.04.2008, de 4 (quatro) absurdos autos de infração, constituindo crédito fiscal de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e respectivos reflexos de PIS, de COFINS e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido, multa de ofício injustamente agravada e juros moratórios; que conforme se verifica da leitura do Auto de Infração, o crédito fiscal foi constituído em razão da apuração de suposta irregularidade, consistente na "omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários"; que, em síntese, e conforme se comprova do Termo de Verificação lavrado em 09.04.2008, apurada a suposta existência de movimentação bancária não contabilizada Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 435 7 (junto ao Banco do Brasil, Bradesco e Banco BCN), houve a fiscalização, por bem, considerar a totalidade dos lançamentos à crédito (depósitos) realizados em contas de titularidade da Impugnante nos referidos bancos (expurgados aqueles correspondentes às transferências entre contas bancárias da mesma titular) como receita omitida e sobre esta mesma receita realizar o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido; que é e evidente a nulidade do lançamento assim realizado. Isto porque, conforme verificase do respectivo Contrato Social anexo (doc. 02) e de sua inscrição perante o CNPJ (doc. 05), a Impugnante tem como atividade a prestação de serviços de fomento mercantil — factoring; que, tal atividade, como é publico e notório, consiste, basicamente, na aquisição de direitos creditórios decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, aquisição esta realizada com um deságio sobre o valor de face do título ou direito creditório pertinente; que a receita da empresa de factoring, legalmente definida, é a diferença entre o valor facial do título e o valor pago pela empresa de factoring ao respectivo credor original; que, por outro lado, é sabido que, em razão da aquisição do direito creditório pela empresa de factoring, o respectivo pagamento/liquidação é realizado pelo devedor diretamente à empresa de factoring; que, assim, os depósitos e créditos recebidos pela empresa de factoring em sua contacorrente não correspondem ao pagamento de serviços prestados, mas sim ao pagamento do título / direito creditório por ela adquirido; que, por evidente, o lançamento ora impugnado, ao pretender adotar como base de cálculo da CSLL o valor correspondente à somatória dos depósitos recebidos em conta corrente pela Impugnante, resulta contrário à Lei e, por conseqüência, nulo e insubsistente; que desnecessário alongar esta impugnação para demonstrar a absoluta ilegalidade e improcedência da ação fiscal e conseqüente insubsistência do crédito por seu intermédio constituído; que em razão da atividade empresarial exercida pela Impugnante é sabido que os depósitos recebidos em contacorrente bancária não correspondem a receita / faturamento e, portanto, absolutamente não podem ser adotados com base de cálculo da CSLL por ela devida, sendo evidente que o Fisco Federal pretende, aqui, exigir tributo que sabe (ou deveria saber) não ser devido (prática, esta, inclusive, definida como delito penal); que, na verdade, o lançamento não constitui crédito fiscal, mas sim "confisca" o patrimônio da Impugnante, posto que a lógica por traz da ação fiscal, em síntese, é: como a movimentação bancária não teria sido contabilizada, independentemente da efetiva receita / resultado gerado pela mesma movimentação bancária (que foi, de fato, integralmente contabilizado e regularmente tributado), constituise o crédito, retirando da Impugnante, sem qualquer fundamento legal válido, a livre disponibilidade de parte dos seus recursos, que revertem para o Fisco Federal; Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 436 8 que, aliás, o intuito confiscatório da ação fiscal resulta evidente, pelo simples fato de se pretender constituir crédito fiscal de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido tomandose como base de cálculo receita supostamente omitida; que tratase aqui de lançamento fiscal realizado sobre base de cálculo distinta daquela definida em Lei, estabelecida arbitrária e aleatoriamente no curso da fiscalização. Há que se lembrar que o lançamento fiscal regese pelo princípio da estrita legalidade, competindo à autoridade competente: verificar a ocorrência do fato gerador, apurar a base de cálculo e o tributo devido, dentro dos limites e de acordo com as normas legais pertinentes. Em matéria tributária, até os critérios de arbitramento são definidos em lei , não sendo facultado ao Fisco constituir crédito fiscal sobre base de cálculo aleatória, totalmente dissociada daquela especificamente definida por Lei para a atividade exercida pelo contribuinte; que, por evidente, reconhecida a insubsistência do crédito fiscal referente à contribuição, resultará igualmente improcedente a multa de ofício, posto que o acessório segue a sorte do principal; que, entretanto, na absurda hipótese de ser mantido, total ou parcialmente o crédito relativo à contribuição social sobre o lucro líquido é de se reconhecer não estar, in casu, caracterizada a situação descrita no Artigo 44, Parágrafo Segundo, inciso I da Lei nº. 9.430/96, indicado como fundamento para agravamento da penalidade; que, de fato, o mencionado dispositivo legal determina que as multas de ofício serão acrescidas pela metade quando o sujeito passivo da obrigação tributária não atender, no prazo marcado, as intimações recebidas para prestar esclarecimentos; que conforme se verifica do próprio Termo de Verificação Fiscal lavrado em 09.04.2008, a Impugnante não deixou de atender, ao menos de forma injustificada, as intimações recebidas, apresentando todos os esclarecimentos pertinentes; que se os esclarecimentos, documentos e informações não foram considerados "satisfatórios e suficientes" pela fiscalização, gerando inclusive a autuação ora impugnada, isto não significa que a Impugnante tenha se omitido de prestar os esclarecimentos, tentado se furtar ou impedir a fiscalização. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 17/11/2008, os membros da Décima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção integral do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. Tendo em vista que a contribuinte não comprovou a origem de parte dos valores creditados nas suas contas bancárias, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls.1499/1503), o Fisco, valendose da presunção legal estabelecida no art. 42, caput da Lei n° 9.430/96, abaixo transcrito, efetuou o lançamento de ofício ora em análise, justamente em razão da falta de apresentação de documentação hábil e idônea capaz de justificar a origem de parte dos depósitos bancários; Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 437 9 que do artigo acima exposto, depreendese que a lei estabeleceu uma presunção de omissão de receitas. Portanto, não logrando o titular comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos creditados representam rendimentos do contribuinte. Neste caso, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais; que fazse necessário destacar e reiterar que a contribuinte foi devidamente intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, porém, não o fez, permitindo, assim, ao Fisco lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose da presunção legal de omissão de receitas; que, nesse contexto, é lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos; que cumpre ressaltar que a existência das operações bancárias é fato inconteste. Em nenhum momento a impugnante se insurgiu contra os registros de operações bancárias discriminados às fls.912/927 do Anexo ao Termo de Intimação de fls.910/911 (consolidados pela Fiscalização às fls.1502 do Termo de Verificação Fiscal); que, ademais, é necessário observar que nenhuma das impugnações apresentadas trouxe novos elementos de prova que comprovassem a origem dos depósitos bancários, sendo que a impugnante se limitou a reproduzir documentos que já constavam dos autos e haviam sido previamente apreciados pela Fiscalização, conforme fica evidente pela análise dos documentos anexos às impugnações, fls.1595/1642; que é necessário destacar que a argumentação da contribuinte é fundamentada na premissa de que a empresa prestaria serviços de fomento mercantil. Contudo, com relação às operações bancárias objeto do auto de infração, as quais, reiterese, foram discriminadas às fls.912/927 do Anexo ao Termo de Intimação de fls.910/911, a contribuinte não apresentou provas documentais que demonstrassem que, de fato, tais operações bancárias estariam correlacionadas a serviços de fomento mercantil. Cabe repisar que a impugnante nem mesmo apresentou qualquer título referente aos eventuais serviços de fomento mercantil em questão; que a contribuinte alega ainda que a Fiscalização deveria ter arbitrado o lucro da empresa. Sendo assim, seria indevida a aplicação do art.42, da Lei n° 9.430/96 ao caso em tela; que cumpre inicialmente ressaltar que as hipóteses de arbitramento do lucro, conforme definidas pelo art.47, da Lei n° 8.981/95, possuem um caráter residual, ou seja, são aplicáveis de maneira subsidiária, principalmente em situações nas quais é verificada pela Fiscalização a imprestabilidade da documentação de uma determinada contribuinte; que, contudo, no caso concreto, verificase que a impugnante efetuou parcialmente a escrituração da movimentação financeira, conforme fica demonstrado pela planilha elaborada pela Fiscalização às fls.1499, da qual consta que parte dos valores das operações bancárias foi efetivamente contabilizada pela contribuinte; que a autuação se circunscreveu à parcela da movimentação financeira que não foi contabilizada e em relação à qual a contribuinte não apresentou comprovação Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 438 10 documental. Portanto, a aplicação da hipótese de arbitramento ao caso em tela restou incabível, já que a Fiscalização efetivamente considerou a parte da escrituração contábil devidamente escriturada pela empresa; que a contribuinte alega que o agravamento da multa de ofício seria indevido, pois não estaria caracterizada no presente caso a hipótese do inciso I, do §2°, do art.44, da Lei n° 9.430/96. A fim de abordar a questão é necessário fazer um resumo das intimações fiscais e das respostas apresentadas pela contribuinte; que por meio da análise da tabela acima, verificase que a contribuinte recebeu seis intimações da Fiscalização. Cabe ressaltar que, a partir da primeira intimação, as intimações subseqüentes reiteraram os termos das intimações anteriores, solicitando novamente o atendimento dos itens previamente não atendidos pela impugnante; que com relação às respostas da impugnante, é necessário observar que duas das intimações fiscais não receberam respostas específicas. Além disso, examinandose a documentação apresentada pela impugnante e trazida aos autos, é possível constatar que a empresa, basicamente, se limitou a trazer relatórios e planilhas de confecção própria; que efetivamente merece destaque é a falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos a fim.de amparar todos os relatórios e planilhas elaborados pela impugnante; que durante o processo de fiscalização, ocorreu apenas um caso em que a empresa trouxe documentos diferentes daqueles de elaboração própria, que se restringiu aos contratos de fomento comercial de fls.709/777. No entanto, como já observado pela Fiscalização, os termos aditivos dos referidos contratos não se encontram devidamente preenchidos, sendo que nem ao menos indicam os títulos a que se refeririam as operações de fomento comercial às quais hipoteticamente estariam relacionados; que, pelo exposto, resta claro o cabimento do agravamento da multa de ofício em questão, isso porque é inequívoco o diligente trabalho da Fiscalização no sentido de intimar e reintimar a contribuinte a fim de que fossem apresentados os documentos necessários para a comprovação da origem dos recursos objeto das movimentações bancárias auditadas e, mesmo assim, a impugnante reiteradamente descumpriu as intimações fiscais; que, por último, cabe ainda observar que a contribuinte foi explicitamente informada por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls.180/181, cuja ciência ocorreu em 26/06/2007, de que o não atendimento dos itens intimados sujeitaria a empresa a receber a penalidade de agravamento da multa de ofício. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 439 11 documentação hábil e idônea, pela contribuinte, regularmente intimada. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, o lançamento fiscal, este fica mantido em sua integralidade. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430/96 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981 /95. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art.47, da Lei n° 8.981/95 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art.42, da Lei n° 9.430/96, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO REITERADO DE INTIMAÇÕES FISCAIS. Demonstrado de maneira inequívoca o trabalho diligente da Fiscalização no sentido de intimar e reintimar o sujeito passivo a prestar esclarecimentos fiscais, é cabível o agravamento da multa de ofício, na hipótese de não atendimento reiterado de intimações por parte da contribuinte. DEMAIS TRIBUTOS. CSLL, PIS E COFINS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/03/2009, conforme Termo constante às fls. 1669/1672, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/04/2009), o recurso voluntário de fls. 1673/1680, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que conforme se verifica dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal correspondente, os lançamentos fiscais têm sua origem fática na constatação de movimentação financeiras em contas correntes bancárias de titularidade da Recorrente (junto Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 440 12 ao Banco do Brasil, Bradesco e BCN), movimentação esta supostamente não refletida em seus livros contábeis; que os lançamentos fiscais que deram origem ao presente processo administrativo houveram por bem considerar a totalidade dos valores creditados em contas correntes mantidas pela Recorrente junto ao Banco do Brasil, Bradesco e BCN como receita omitida , adotando a somatória pertinente como base imponível de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.; que em sede de impugnação, argüiu a ora Recorrente a ilegalidade de tal procedimento, haja vista que, tendo a Recorrente atividade de factoring (compra de direitos creditórios decorrentes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços), sua receita é composta pela diferença entre: (i) o valor nominal / facial dos direitos creditórios adquiridos; e (ii) o valor pago pelo mesmo direito creditório ao respectivo cedente (IN 247/2002 e Decreto nº. 4.524/2002); que a decisão recorrida com o evidente intuito de ilegalmente e sem fundamento, manter o lançamento fiscal confiscatório indevidamente realizado, busca, inocuamente, sustentar sua validade, ao argumento de não ter a Recorrente comprovado que a movimentação financeira utilizada como base imponível para apuração do suposto crédito fiscal teria origem em operações de factoring; que em qualquer processo, administrativo ou judicial, cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de impugnação, não é se as operações de factoring que deram origem aos depósitos foram ou não contabilizadas, mas sim se a ausência de contabilização autoriza o Fisco Federal a adotar, para o lançamento fiscal, base de cálculo diversa daquela prevista em Lei; que, na verdade, o artigo 42 da Lei nº. 9.430/1996 define um fato que, constatado, induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte. Verificado tal fato, cabe ao Fisco Federal, sob pena de evidente ilegalidade, apurar qual o montante da receita omitida (que, em determinadas situações, poderá, até, corresponder ao valor total i bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Não existe previsão legal, entretanto, que autorize ao Fisco Federal adotar, para realizar lançamento fiscal, base de cálculo aleatoriamente estabelecida; que se os esclarecimentos, documentos e informações não foram subjetivamente considerados "satisfatórios e suficientes" pela fiscalização, gerando inclusive a autuação em questão, isto não significa que a recorrente tenha, objetivamente, se omitido de prestar os esclarecimentos, buscando furtarse da ou impedir a fiscalização; que, portanto, na remota hipótese de remanescer qualquer crédito fiscal de imposto como resultado dos autos de infração que compõem o presente processo, a multa pertinente deverá ser limitada ao percentual de 75%, não tendo se verificado o evento objetivo definido em Lei como autorizador do agravamento da mesma penalidade. É o relatório Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 441 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No presente litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, amparado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Da analise dos autos, verificase que a fiscalização entendeu que a contribuinte não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, por entender que houve cerceamento no direito de defesa, bem como apresenta razões de mérito sobre o lançamento efetuado. 1 QUANTO AS PRELIMINARES: Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade fiscal lançadora feriu diversos princípios fundamentais, sob o argumento de que é ilegal tal procedimento, haja vista que, tendo a Recorrente atividade de factoring (compra de direitos creditórios decorrentes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços), sua receita é composta pela diferença entre: (i) o valor nominal / facial dos direitos creditórios adquiridos; e (ii) o valor pago pelo mesmo direito creditório ao respectivo cedente, não deve ser acolhida pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado com observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 442 14 O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Verificase que os Autos de Infração lavrados, identificam por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em Osasco SP, cuja ciência foi por AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários não justificados. Constam dos autos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca dos depósitos não contabilizados em sua escrituração contábil e não constantes na DIPJ. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 443 15 pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, já que a autoridade julgadora teria deixado de se manifestar sobre pontos importantes levantados em sua peça impugnatória, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. Alega a recorrente, que com o evidente intuito de, ilegalmente e sem fundamento, manter o lançamento fiscal confiscatório indevidamente realizado, busca, inocuamente, sustentar sua validade, ao argumento de não ter a Recorrente comprovado que a movimentação financeira utilizada como base imponível para apuração do suposto crédito fiscal teria origem em operações de factoring. Como visto relatório, no entendimento da suplicante a decisão da Turma Julgadora de Primeira Instância teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça impugnatória, em razão disso, a suplicante entende ser nula a decisão de Primeira Instância, eis que atenta contra a garantia do devido processo legal e o direito de ampla defesa da contribuinte. Ora, com todas as vênias, da análise dos autos, verificase que os pontos centrais do litígio estavam restritos a interpretação da tributação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovado. Não restam dúvidas, nos autos, que a acusação mais importante que pesa contra a suplicante é a de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos cuja origem dos recursos não foi devidamente comprovado. Ou seja, a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos bancários questionados pela autoridade lançadora. Evidentemente, levandose em conta os documentos que foram entregues no decorrer do procedimento fiscal. Na análise da comparação entre os fundamentos constantes da peça acusatória e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento. A preliminar levantada pela suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade da autuada. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. No voto recorrido consta a manifestação sobre as questões mais importantes do litígio, oferecendo o entendimento da Turma Julgadora, bem como a sua fundamentação. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão a suplicante, já que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, apreciou circunstânciadamente todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 444 16 resistência pela recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão de Primeira Instância. Ora, os autos demonstram claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância é cristalina e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pela suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento da suplicante, ou seja, o resultado não foi como o suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de receitas, caracterizados por depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Os artigos 29 e 30 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito, respectivamente, à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas. É claro que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pela impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 445 17 Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante. 2 QUANTO A TRIBUTAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A contribuinte alega, que em qualquer processo, administrativo ou judicial, cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de impugnação, não é se as operações de factoring que deram origem aos depósitos foram ou não contabilizadas, mas sim se a ausência de contabilização autoriza o Fisco Federal a adotar, para o lançamento fiscal, base de cálculo diversa daquela prevista em Lei. Expõe o seu entendimento de que o artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996 define um fato que, constatado, induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte. Verificado tal fato, cabe ao Fisco Federal, sob pena de evidente ilegalidade, apurar qual o montante da receita omitida (que, em determinadas situações, poderá, até, corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Não existe previsão legal, entretanto, que autorize ao Fisco Federal adotar, para realizar lançamento fiscal, base de cálculo aleatoriamente estabelecida. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 446 18 erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como se vê, no dispositivos legal mencionado, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 447 19 jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito os receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja da recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 448 20 tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, todos os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 449 21 Por fim, cumpre ressaltar que as hipóteses de arbitramento do lucro, conforme definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995, possuem um caráter residual, ou seja, são aplicáveis de maneira subsidiária, principalmente em situações nas quais é verificada pela Fiscalização a imprestabilidade da documentação de uma determinada contribuinte. Portanto, a aplicação da hipótese de arbitramento ao caso dos depósitos bancários não comprovados restou incabível, já que a Fiscalização corretamente arbitrou as vendas constantes das notas fiscais emitidas. O conflito aparente de normas é resolvido pela aplicação do critério da especialidade, segundo o qual a lei especial derroga, para o caso concreto, a lei especial, conforme o ensinamento de Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro. S. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p.231): Critério da especialidade — lex specialis derogat legi generali: o princípio de especialidade, único a ter aceitação pacífica, já era conhecido dos romanos — semper specialia generalibus sunt; generali per specien derogantur. A lei especial derroga, para o caso concreto, a lei geral, Entre a norma geral (gênero) e a especial (espécie) há uma relação hierárquica de subordinação que estabelece a prevalência da última, visto que contém todos, os elementos daquela e mais alguns denominados especializastes. No caso concreto, as hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados nas movimentações financeiras, conforme foi identificado pela Fiscalização. 3 – QUANTO AO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A contribuinte alega que o agravamento da multa de ofício seria indevido, pois não estaria caracterizada no presente caso a hipótese do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430, 1996. A fim de abordar a questão é necessário fazer um resumo das intimações fiscais emitidas pela autoridade fiscal lançadora: 1 – Intimação Fiscal de fls. 11: 1. Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), Livro Diário e Razão; 2. Balancetes Mensais; 3. Conciliação entre as linhas da DIPJ e as Contas da Contabilidade; 4. Relação das operações de "factoring" realizadas indicando 5. Informar se possui alguma ação judicial relativa aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 450 22 Federal. Em caso afirmativo apresentar a inicial e o estágio processual da ação; 6. Ato de constituição da empresa e alterações; 7. Apresentar os extratos bancários de todas as contas movimentadas pela empresa no período. 2 – Intimação Fiscal de fls. 21: 1 Tendo em vista as informações prestadas pelas instituições bancárias nas quais constam movimentações de numerários em contas correntes de titularidade da empresa , e, verificando se que não consta nos registros contábeis a totalidade dessa movimentação apresentar justificativa para tal fato. Acompanhar com documentação comprobatória das alegações . A movimentação financeira do ano de 2004 não encontrada na contabilidade da empresa diz respeito ao: Banco do Brasil R$ 3.164 . 668,36 ; Bradesco R$ 13.659 . 285,16 ; Banco BCN R$ 2.349.489,15; 2. Detalhar todos os lançamentos da Conta Contábil 006955, 2201040100, "ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL": comprovar a disponibilidade financeira do sócio e a sua transferência para a contacorrente da empresa; 3. comprovar a efetividade do lançamento de número 000089 efetuado na Conta Contábil 000116, 1101010100, "CAIXA MATRIZ" na data de 06/01/2004 no valor de R$ 37.361,14; 3 – Intimação Fiscal de fls. 40: 1. Esclarecer a origem dos recursos depositados nas contas correntes da empresa e ausentes dos livros contábeis e documentos apresentados na data de 05/01/2007 , conforme relação anexa a este Termo. 2. No caso de serem provenientes de operações de adiantamento de créditos , deverá ser apresentada planilha contendo no mínimo , para cada operação, a data, nome e CNPJ do cliente , valor de face, data de vencimento e valor pago pelo documento; apresentar os documentos comprobatórios das operações e fornecer a planilha também em meio magnético. 3. Reiteramos as solicitações presentes no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 17/01/2007 e não atendidas até o momento. 4. Tendo em vista que a empresa não foi encontrada no endereço supra, providenciar a regularização das informações cadastrais perante a Receita Federal; 4 – Intimação Fiscal de fls. 180: 1. Informar o endereço atual da empresa bem como apresentar a documentação que comprove as providências adotadas para a regularização do cadastro junto à SRFB; Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 451 23 2. Identificar a(s) pessoa(s) responsável (is) pela administração da empresa durante o anocalendário de 2004; 3. Disponibilizar para verificação desta Fiscalização no local os documentos que estão sendo utilizados para a elaboração das informações para as quais V.Sa. solicitou prazo adicional para atendimento na data de 28/05/2007 informar o local onde eles se encontram; IMPORTANTE 1: O não atendimento ou manifestação quanto à totalidade dos itens acima ensejará o agravamento da eventual multa de ofício a ser lançada. IMPORTANTE 2: a partir de 04/06/2007, o local para apresentação dos documentos passou a ser: Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco Serviço de Fiscalização Rua Avelino Lopes, 156 Centro Osasco/SP CEP 06090902 IMPORTANTE 3: Existem solicitações efetuadas nos Termos de Intimação anteriores que não foram atendidas até o momento. IMPORTANTE 4: As informações prestadas por V.Sa. para justificar a movimentação financeira que foram apresentadas de forma parcial (somente lº. trimestre) não atendem ao que fora solicitado, ou seja, "deverá ser apresentada planilha contendo no mínimo, para cada operação, a data, nome e CNPJ do cliente, valor de face, data de vencimento e valor pago pelo documento; fornecer a planilha também em meio magnético" 5 – Intimação Fiscal de fls. 910: 1. Informar o endereço atual da empresa , bem como apresentar a documentação que comprove as providências adotadas para a regularização do cadastro. Observação : tratase de reiteração do solicitado através do Termo lavrado em 14/06/2007 e que anteriormente já fora objeto de questionamento através do Termo lavrado em 20 / 03/2007 que, em decorrência da não localização da empresa em seu endereço de cadastro , havíamos solicitado "providenciar a regularização das informações cadastrais perante a Receita Federal ; informar o seu atual endereço e apresentar cópia do documento comprobatório da providência tomada”. A empresa não apresentou qualquer manifestação até o momento. 2. Apresentar Livros Diário e Razão que contemplem toda a movimentação financeira conhecida , assim como todos os lançamentos que permitam a correta determinação do lucro real do período fiscalizado. Obs: 0 Livro Diário apresentado reflete apenas a movimentação do Banco Itaú e HSBC, e omite a dos Bancos Bradesco , BCN e Brasil. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 452 24 3. Identificar as pessoas responsáveis pela administração da empresa durante o anocalendário de 2004 , informando nome, CPF e seu endereço atual. Observação: tratase de reiteração do solicitado através do Termo lavrado em 14/06/2007 e que até o momento não foi atendido. 4. Procuração específica outorgada pela empresa que dê poderes para seu representante "assinar auto de infração". 6 – Intimação Fiscal de fls. 1031: Ressaltamos que em resposta àquele Termo . de Intimação Fiscal somente foram apresentados os documentos intitulados "Movimento de Cobrança”, correspondentes ao primeiro trimestre de 2004 , devendo ser apresentados os dos demais períodos. A apresentação desses documentos deve vir acompanhada dos documentos nos quais foram baseados para a devida validação das operações e valores neles constantes. Desta forma , consideramos o referido Termo de Intimação Fiscal ' não atendido até o presente momento. Da análise do teor das intimações, verificase que a contribuinte recebeu seis intimações da Fiscalização. Observando, que, a partir da primeira intimação, as intimações subseqüentes reiteraram os termos das intimações anteriores, solicitando novamente o atendimento dos itens previamente não atendidos pela impugnante. O que significa, que, a princípio, a recorrente vinha atendendo de forma parcial as intimações. Analisando às respectivas respostas da recorrente, observase que duas das intimações fiscais não receberam respostas específicas. Porém, foram respondidas. Cabe, ainda, esclarecer que foi aplicada a multa de ofício de 75%, agravada em 50% pelo não atendimento a intimação, conforme previsto no art. 44, inciso I, § 2o, da Lei no 9.430, 1996. Ou seja, a recorrente foi intimada para que apresentasse os extratos bancários e já justificasse a origem dos depósitos ali constantes. Ora, a jurisprudência deste Tribunal Administrativo tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. Mesmo que fosse o caso, o não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os extratos bancários de suas contas, justificativas para os depósitos bancários não contabilizados, apresentação dos Livros Razão, Diário, Lalur, planilhas das operações realizadas pela empresa, não obstou o procedimento fiscal, pois a lei faculta ao fisco a possibilidade de requerêlos às instituições financeiras ante a recusa do contribuinte e os demais livros e documentos caso não apresentados tem conseqüências específicas na legislação de regência (arbitramento do lucro e/ou lançamento de ofício sobre os depósitos não justificados). Tanto é verdade que foi o próprio autuante que requereu as devidas providências para autoridade administrativa fiscal e foi esta que solicitou os extratos bancários diretamente aos estabelecimentos bancários. Por fim, intimou a contribuinte a comprovar a origem dos Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 453 25 depósitos por ele relacionados e, ante a falta de manifestação da mesma, efetuou o lançamento da omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A não comprovação da origem dos depósitos não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de ofício. Como se vê, ao não justificar a origem dos depósitos ou mesmo ao se recusar a apresentar seus extratos bancários, o contribuinte atua contra si próprio, não se podendo, nestes casos, terse como evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justifique a imposição da multa de agravada. Assim sendo, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação de extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancária, já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na legislação de regência. Diante do exposto, entendo de que não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício no percentual de 112,5%, devendo a mesma ser reduzida para o percentual de 75%. 4 – QUANTO O CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO Deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 454 26 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 455 27 ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada. 5 – JUROS MORATÓRIOS COM BASE NA TAXA SELIC A matéria já se encontra pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.000966/200888 Acórdão n.º 1302000.970 S1C3T2 Fl. 456 28 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” 6 – QUANTO A TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ Quanto aos Autos de Infrações de Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para a Seguridade Social (COFINS), em se tratando de tributação decorrente, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu lograr a comprovação de que não ocorreu a omissão de receitas das bases de cálculos do IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, devese manter, na íntegra, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 15540.000247/2008-51
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que davam provimento parcial apenas quanto ao auxílio-alimentação. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Thiago Taborda Simões - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Recurso Voluntário Provido.
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CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA SEGURADOS Recorrente VIAÇÃO NOSSA SENHORA DO AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). VALORES PAGOS A TÍTULO DE SUPRESSÃO DO INTERVALO DE ALIMENTAÇÃO (INTRAJORNADA). HORAS TRABALHADAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência da contribuição social previdenciária, dada a natureza indenizatória da verba nas horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 47 /2 00 8- 51 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira que davam provimento parcial apenas quanto ao auxílioalimentação. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Thiago Taborda Simões Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida aos cofres públicos, para as competências 01/2003 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 20/29) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregado, já que o sujeito passivo deixou de considerar como fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de indenização de intervalo suprimido e os valores efetivamente suportados pelo mesmo quando do fornecimento de cestas básicas de alimentação. Esse Relatório Fiscal informa que a rubrica "indenização intervalo suprimido" (código 17), constante da folha de pagamento, não estava sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Segundo informação do Departamento de Pessoal da empresa, os valores pagos a título de indenização pela supressão do intervalo alimentar estavam de acordo com a cláusula 2a (segunda) da Convenção Coletiva de Trabalho vigente à época. Todavia, tal rubrica se sujeita a incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/1991 e alterações posteriores, bem como não se encontra nas hipóteses de não incidência do § 9° do mesmo dispositivo legal. Além disso, o art. 71, § 4° da CLT dispõe que o pagamento da referida rubrica possui natureza salarial, nos moldes de horaextra. Da mesma forma, constatouse na folha de pagamento a rubrica "cesta básica" (código 71). Tais valores referemse às cestas de alimentos básicos fornecidos aos segurados empregados, de acordo com a Convenção Coletiva do Trabalho. Na folha de pagamento, consta o desconto do segurado equivalente a 20% do valor total da cesta básica. Ocorre que no ano de 2003, o contribuinte não se encontrava inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), logo não se enquadrando na hipótese de não incidência de contribuição previdenciária prevista no art. 28, § 9°, alínea "c" da Lei 8.212/1991. A base de cálculo do presente lançamento encontrase discriminada nas planilhas elaboradas pela fiscalização (fls. 31/363, processo 15540.000248/200804), com a explicitação da forma de cálculo da contribuição apurada (fls. 23/25). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/07/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 123/160) – acompanhados de anexos de fls. 161/172 –, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento por inexistência de motivos, visto que a matéria de fato é materialmente inexistente, pela ausência de fato gerador das contribuições previdenciárias; 2. ocorreu decadência parcial do direito da Receita Federal do Brasil de constituir os créditos tributários, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Os fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 06/2003 encontramse fulminados pela decadência em face da constituição do crédito tributário, com a ciência do contribuinte em 02/07/2008; 3. há inexistência do fato gerador no pagamento de cestas básicas de alimentação, estando a empresa inserida ou não no PAT. Este entendimento encontrase pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); 4. há inexistência do fato gerador em relação aos valores pagos a título de indenização de intervalo alimentar suprimido, segundo a cláusula 2a (segunda), parágrafo primeiro da Convenção Coletiva do Trabalho. O citado pagamento tem natureza indenizatória, sendo hipótese de exclusão do salário de contribuição, conforme art. 214, § 9°, V, alínea "m", do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O art. 28, I da Lei 8.212/1991 define o conceito de salário de contribuição. Este, considerado como base de cálculo da contribuição social, pode ser decorrente de lei, contrato ou convenção ou acordo coletivo de trabalho. A convenção coletiva tem natureza de norma jurídica, podendo definir as formas de remuneração, logo a rubrica "indenização intervalo suprimido" tem natureza indenizatória, não se inserindo no conceito de remuneração (art. 28, I da Lei 8.212/1991), não integrando o salário de contribuição e, por consequência, não sujeita à contribuição previdenciária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1221.375 da 11a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 181/194) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a retificação dos valores inicialmente apurados em decorrência da constatação da decadência até a competência 06/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). A Notificada apresentou recurso (fls. 197/210), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Niterói/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 223/224). É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: A Recorrente argumenta que não há incidência de contribuição previdenciária sobre as horas correspondentes ao intervalo intrajornada (alimentar). Assegura que tais pagamentos têm natureza indenizatória, por força normativa da cláusula 2a (segunda), parágrafo primeiro, da Convenção Coletiva do Trabalho. Não confiro razão a Recorrente, eis que a natureza remuneratória da parcela não é definida pelo seu nome, mas sim em decorrência da sua natureza jurídica. Ficou demonstrado nos autos (Relatório Fiscal, fls. 20/29, e planilhas, fls. 31/363, processo 15540.000248/200804) que os valores decorrentes da “indenização intervalo suprimido” (código 17), constante da folha de pagamento, são correspondentes à supressão do intervalo intrajornada (período fornecido para a alimentação dos segurados). Assim, como o intervalo para alimentação não foi concedido aos segurados empregados, tais valores possuem natureza de salário de contribuição (base de cálculo) para as contribuições sociais lançadas, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Portanto, foi correto o procedimento da Auditoria Fiscal em considerar como salário de contribuição os valores pagos a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17), identificados nas folhas de pagamento, uma vez que esses pagamentos não estão abarcados pela regra de isenção prevista no art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Extraise dessa regra que todas as importâncias que se destinem a retribuir o trabalho – que é caso os valores pagos a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17 da folha de pagamento), correspondentes ao intervalo intrajornada –, independentemente de sua denominação ou a forma como são pagas, deverão compor a base de cálculo das contribuições sociais apuradas no presente processo, eis que os valores pagos a título desse intervalo correspondem à remuneração oriunda de trabalho extraordinário. Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 71, § 4o, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente a cabeça do art. 71 e seu § 4o da CLT, in verbis: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4°.Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (g. n.) Nesse mesmo sentido, vejamos decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) tratando da matéria: “Concessão parcial de intervalo intrajornada – Horas extras. 1°. Combinando o caput com o § 4o do artigo 71 da CLT, a conclusão só pode ser uma. Nos casos em que a jornada de trabalho exceda de seis horas, o empregador está desincumbido da obrigação legal de remunerar como trabalho extraordinário o período de intervalo intrajornada, quando concedido o intervalo mínimo de uma hora para repouso ou alimentação. Usufruído o intervalo de tãosomente 20 minutos, deverá o empregador suportar o ônus de remunerar de forma integral o período do intervalo como trabalho em jornada extraordinária. 2°. Recurso de revista conhecido e desprovido” (TST – 1a T – RR n. 771886/20010 – Rel. Emmanoel Pereira – DJ 17.10.03 – p. 552). (g.n.) ......................................................................................................... “OJ SDI1 N° 342. INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. NÃO CONCESSÃO OU REDUÇÃO. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. VALIDADE. DJ 22.06.04 É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7°, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva.” ......................................................................................................... Fl. 464DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 5 7 “SÚMULA – 110 – TST. JORNADA DE TRABALHO. INTERVALO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 No regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como extraordinárias, inclusive com o respectivo adicional.” Os Enunciados das Orientações Jurisprudenciais (OJ’s) do TST de números 354 e 355 são expressos quanto à natureza salarial dos valores pagos em decorrência da não concessão do intervalo intrajornada e interjornada. Segue texto das OJ´s. “OJ SDI1 – 354. INTERVALO INTRAJORNADA. ART. 71, § 4º, DA CLT. NÃO CONCESSÃO OU REDUÇÃO. NATUREZA JURÍDICA SALARIAL (DJ 14.03.2008) Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.” “OJ SDI1 – 355. INTERVALO INTERJORNADAS. INOBSERVÂNCIA. HORAS EXTRAS. PERÍODO PAGO COMO SOBREJORNADA. ART. 66 DA CLT. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO § 4º DO ART. 71 DA CLT (DJ 14.03.2008) O desrespeito ao intervalo mínimo interjornadas previsto no art. 66 da CLT acarreta, por analogia, os mesmos efeitos previstos no § 4º do art. 71 da CLT e na Súmula nº 110 do TST, devendo se pagar a integralidade das horas que foram subtraídas do intervalo, acrescidas do respectivo adicional.” Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica e configura uma hipótese de trabalho extraordinário, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Ainda cumpre esclarecer que os acordos celebrados entre empresa e seus empregados não têm o condão de afastar o fato gerador da obrigação tributária, tendo em conta que seus efeitos operamse apenas entre as partes envolvidas na esfera civil. Não é vedado que alguém contrate com outrem a responsabilidade particular por determinado tributo. Vale registrar que caso qualquer cláusula do contrato firmado entre as partes determinasse expressamente que os valores pagos a título de indenização (cláusula 2a, parágrafo primeiro, da Convenção Coletiva do Trabalho, fls. 429/453, processo 15540.000248/200804) não representariam um pagamento de vantagem econômica para os segurados empregados, ainda assim tal afirmação seria totalmente inócua e absolutamente ineficaz em face do Fisco, nos termos do art.123 do CTN, que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante disso, pelos mesmos motivos anteriormente expostos e tendo em conta o que dispõe o art. 28 da Lei 8.212/1991 e o seu § 9o, já exaustivamente mencionado, mantémse a exigência oriunda da verba paga a título de “indenização intervalo suprimido” (código 17), constante da folha de pagamento, eis que essa verba decorre da supressão do intervalo intrajornada que deveria ter sido concedido aos segurados empregados. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal (fls. 20/29) nos seguintes termos: “[...] III.2 DIFERENÇA DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA (...) Ocorre que no ano de 2003 o contribuinte não se encontrava regularmente inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, condição primeira para a participação do programa. E assim vinha desde 1998... Desta forma, os valores efetivamente pagos e/ou gastos estavam em desacordo com o referido Programa, passando a se considerar como ganhos habituais sob a forma de utilidades e automaticamente a se considerar como salário de contribuição, ou seja, base de cálculo da contribuição social previdenciária. [...]” Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 6 9 § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Fl. 467DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 7 11 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser retirados dos valores apurados no presente processo aqueles oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – constante das folhas de pagamento sob o título “Cesta Básica” (código 71), fornecido aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Voto Vencedor Conselheiro Thiago Taborda Simões, Redator Designado. Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à discussão acerca dos valores decorrentes da “indenização intervalo suprimido” (código 17), cognominado de intervalo intrajornada, constante da folha de pagamento, entendo que tais valores não integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, pelas razões que passo a expor. Competência para apreciação da matéria Antes da apreciação da matéria fazse necessário enfrentar a possibilidade do próprio conhecimento, à vista da inexistência de jurisprudência pacífica e do aparente questionamento da legalidade de norma positiva. A convicção do julgador no tribunal contencioso administrativo deve obediência à delimitação de competência positivada, considerando os ditames constitucionais e legais. Nesse mister cuidou a Súmula 02 deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A norma indigitada é direcionada ao Conselheiro, e objetiva o não conhecimento de pretensões judicantes que encontram fulcro no questionamento da constitucionalidade ou legalidade de norma posta. Não se trata do caso. O comando determinado na súmula pressupõe a existência de uma norma impositiva de obrigação tributária principal ou acessória. É necessária a tipificação de uma conduta no antecedente normativo implicando a instauração da relação jurídica tributária. Ocorre que a discussão ventilada trata de hipótese de não incidência simples. Não se trata do questionamento da legalidade ou constitucionalidade normativa, mas do reconhecimento de que o evento não reflete o descritor hipotético. Se o fato social não se subsume à hipótese normativa, não se verte em fato jurídico, nem chega a instaurar a relação jurídica tributária, obrigação ou crédito. Nem o Judiciário necessita ser chamado para fulminar a norma individual e concreta e desconstituir o crédito, vez que não foi nascida. Fato é que quando não existe norma que prescreva a incidência tributária sobre o evento determinado, a apreciação da matéria pelo julgador administrativo não é obliterada pela Súmula 02. Isto posto, passo à análise do mérito. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 8 13 Mérito De acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação. O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 9 15 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: Dessa forma, independente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5 Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo 5 Considerando as grandezas proporcionais envolvidas na relação jurídica tributária de custeio da Seguridade Social, desconsideramos a gorjeta com vistas a fundamentar um arquétipo normativo que permita a análise do caso concreto. 6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e de da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abastratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hiótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 7 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Nesse conceito incluemse as verbas de caráter indenizatório, argumento frequentemente empregado sobretudo na jurisprudência para qualificar a incidência tributária das contribuições sociais. O caráter, indenizatório, entretanto, não é o qualificativo primário da exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que determina a não incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A lógica de classes permite dizer que a inexistência de contraprestação é gênero do qual a verba indenizatória é espécie. Dessa forma, todas as verbas indenizatórias demandam a inexistência de contraprestação pelo trabalho, mas nem todas as verbas pagas sem contraprestação pelo trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situamse no campo da não incidência. 7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 10 17 É o caso, por exemplo, dos valores pagos por mera liberalidade do empregador (abonos desvinculados de salário), que nada indenizam, mas não derivam do exercício do trabalho. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização e burocratização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em Fl. 475DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8: “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. 8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 11 19 Isenção Isenção é hipótese de não incidência legalmente qualificada. A norma isentiva atinge a regramatriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando lhe o vigor. A norma tributária portanto, nem chega a incidir, pois carente da completude imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência multilandoos, parcialmente” 9. Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza: “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que surja de modo mitigado (isenção parcial). Ou, se preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica tributária, que passa a ter seu âmbito de abrangência restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.” 10 Isenção, portanto, é norma de estrutura que impede o nascimento da obrigação tributária na hipótese vinculada. Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” A interpretação sistêmica dos dispositivos transcritos identifica norma que afeta o critério quantitativo da regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal, para excluir da base de cálculo: a) os ganhos eventuais; e b) os abonos expressamente desvinculados de salário. 9 Curso de Direito Tributário, p. 33. 10 Curso de DT. P. 829. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 A obliteração da incidência sobre os ganhos eventuais é isenção parcial na acepção técnica do termo. Sua dinâmica impede a incidência tributária sobre os valores pagos aos empregados e trabalhadores avulsos sem habitualidade, termo este também não definido pelo direito11. Disso derivase que as verbas pagas de maneira eventual devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal. Já a isenção dos abonos desvinculados de salário é norma vazia, pois pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do salário, carecem do elemento contraprestação, resultando no nãoser jurídico tributário12. Novamente, revelase a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta materialidade da incidência tributária. Em homenagem à boa hermenêutica, frisase que a norma de isenção é a constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e”, “7”, não demanda uma conjugação de normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o conteúdo meramente linguístico da segunda para completarlhe o sentido, da mesma maneira como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos). O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota se em si mesmo. Com isso queremos dizer que a norma geral e abstrata de tributação, bem como os contornos do seu conteúdo pecuniário potencial, estão encerrados na previsão hipotética legal, e podem ser conhecidos pela análise do binômio materialidade/base de cálculo. Incide novamente o princípio tributário da tipicidade cerrada ou numerus clausus, de acordo com o qual todos os elementos (critérios) determinantes da incidência devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor. Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo objeto é a obrigação tributária, devendo ser mensurado de acordo com a relação de refiribilidade materialidade/base de cálculo. Essa mensuração, portanto, esgotase no veículo introdutor (Art. 22), sendo descabido colher de suporte alheio (Art. 28) elementos supostamente capazes de mensurar o conteúdo financeiro do tipo. Assim sendo, concluo que: 11 A identificação do conteúdo semântico dos grafemas “ganhos eventuais” demanda verticalização da matéria, o que abstenhome de realizar à vista na inaplicação ao caso concreto. 12 A nãoincidência é simplesmente a explicação de uma situação que ontologicamente nunca esteve dentro da hipótese de incidência possível do tributo. Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume) a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...) Fica claro, desse modo, que, enquanto a isenção depende de lei (lato sensu) para validamente surgir, a não incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético. Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a nãoincidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou da impossibilidade jurídica de tributarse certos fatos, em face de a regramatriz constitucional do tributo a eles não se ajustar. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 12 21 Base de cálculo da contribuição social previdenciária Patronal Segurados e trabalhadores avulsos Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Da aparente identidade entre os conceitos decorre a imprecisão técnica de considerar os itens “a” a “x” do § 9º do Art. 28 como as únicas hipóteses de exclusão de valores da base de cálculo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 479DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 480DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 13 23 o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A lógica proposicional determina, pelo princípio da identidade, que “uma cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 13. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é. Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma. Resumo no seguinte quadro sinótico: Isto posto, temos a regramatriz de incidência da contribuição social previdenciária patronal: 13 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma. Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000247/200851 Acórdão n.º 2402003.002 S2C4T2 Fl. 14 25 Critério Material Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com habitualidade Critério Espacial Antecedente Território Nacional Critério Temporal Momento do pagamento Sujeito Ativo União Critério Pessoal Sujeito Passivo Empregador, empresa ou entidade equiparada Consequente Base de Cálculo Remuneração habitual e gorjetas Critério Quantitativo Alíquota 20% Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto. A matéria objeto de divergência resumese à tributação dos valores pagos a título da rubrica “indenização intervalo suprimido”. O dispositivo legal prescritor da imposição é o artigo 71 da CLT: Art. 71. Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. (...) § 4°.Quando o intervalo para repouso ou alimentação, previsto neste artigo, não for concedido pelo empregador, este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (g. n.) O caput do dispositivo é prescritor de direito trabalhista, consistente na concessão pelo empregador de intervalo de repouso ou alimentação considerado entre lapsos temporais determinados. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 O § 4°é norma sancionatória, cujo antecedente é o descumprimento da obrigação prescrita na endonorma. O conteúdo da sanção é pecuniário, consistente no pagamento do valor pactuado no contrato de trabalho adicionado de 50%. Tratase de clara hipótese de supressão de direito trabalhista, que no direito brasileiro, é reparado pelo pagamento de indenização. As verbas de caráter indenizatório carecem do elemento contraprestação pelo trabalho e são hipóteses de não incidência por via das contribuições sociais previdenciárias. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir. Ante todo o exposto, CONHEÇO do recurso e a ele DOU PROVIMENTO. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/12/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assina do digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.003484/2004-17
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000
COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO
Até o advento da Medida Provisória n° 1.858-6, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido.
Numero da decisão: 1202-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO Até o advento da Medida Provisória n° 1.858-6, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 84 /2 00 4- 17 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente sua impugnação contra auto de infração de CSLL, referente ao ano calendário de 1999. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 4952), foi constatada a compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL, em 31/12/1999, no valor de R$ 18.286.248,45, apurada por empresas incorporadas, em abril de 1999, pela Indústria de Bebidas Antarctica do NorteNordeste S/A, posteriormente sucedida pelo contribuinte em epígrafe. Em virtude de sua sucedida ter compensado, em 31/12/1999, base negativa de CSLL de períodos anteriores de pessoas jurídicas incorporadas em abril de 1999 (DIPJ/1999 fl. 46 e LALUR 11.12), no valor de R$18.286.248,45, o saldo dessa contribuição a compensar ou a restituir foi alterado de R$6.165.610,06 para R$3.926.201,38. O enquadramento legal do auto de infração abrangeu: art. 33 do DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 2°, e parágrafos da Lei n.° 7.689, de 1988, art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995, art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995, art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e reedições. Contra o contribuinte, na qualidade de sucessor por incorporação da Indústria de Bebidas Antárctica do NorteNordeste S/A, ainda foi lavrada multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de CSLL no mês de fevereiro de 1999, prevista no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996. Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que até a edição da Medida Provisória n° 18586, de 29 de junho de 1999, não existia previsão legal que impedisse o aproveitamento, pelas empresas incorporadoras, da base negativa da Contribuição social de companhias incorporadas, pois, em obediência ao § 6° do art. 195 da Constituição Federal, a regra somente produziu efeitos a partir de 1° de outubro de 1999. A 1ª Turma da DRJ/Santa Maria julgou parcialmente procedente a impugnação para a) manter a glosa da compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores no valor de R$18.286.248,45; b) cancelar a multa isolada no valor de R$167.235,26. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não e aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência e atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PESSOA JURÍDICA INCORPORADA. IMPOSSIBILIDADE. Para apuração da base de cálculo da contribuição, somente há autorização legal para deduzir a base de cálculo negativa apurada pela própria pessoa jurídica em período anterior. No caso de incorporação, a sociedade sucessora não pode compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Antes de 1999, a proibição era extraída da análise sistemática da legislação tributária atinente à matéria. A partir de 1999, com o advento da Medida Provisória n° 1.858 6, a vedação passou a ser por expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO DE UM TERÇO DA COFINS COM A CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA Durante o período de fevereiro a dezembro de 1999, a CSLL apurada mensalmente por estimativa podia ser compensada com até um terço do valor da COFINS efetivamente paga no próprio mês a que se referir ou a meses anteriores do mesmo ano calendário. Cientificado da decisão em 19/09/2008 (fl.178, verso), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 10/10/2008 (fls.205 e seguintes), em que sustenta as razões a seguir sintetizadas. Sustenta que, com relação ao saldo de base negativa de CSLL, não havia impedimento para sua transposição antes do advento da MP n° 185806/99. Segundo ele, a operação pode ser realizada regularmente até os dias de hoje, bastando que se invertesse a posição das empresas no processo de incorporação, de tal modo que a empresa que tivesse base negativa da CSLL fosse a incorporadora. Entende que, no presente caso, o procedimento fiscal feriu os princípios da irretroatividade da lei e do direito adquirido, previstos nos incisos XL e XXXVI do art. 5° da Constituição Federal. Até a edição da Medida Provisória n° 185806, de 29 de junho de 1999, inexistia previsão legal que impedisse o aproveitamento, pelas empresas incorporadoras, da base de cálculo negativa da Contribuição Social das companhias incorporadas. Aponta que, somente com a publicação da citada Medida Provisória é que passou a haver norma jurídica estendendo o tratamento já previsto para o Imposto de Renda, em razão do seu artigo 20, e que admitir a aplicação retroativa desse dispositivo fere frontalmente a nossa Constituição Federal. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 6 5 Contesta o argumento da decisão de que “o fato de não existir lei que proíbe determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza a contribuinte a fazêla” e que a proibição anterior à MP seria decorrente de uma interpretação sistemática da legislação tributária. Aduz que a ata de reunião que incorporou as empresas citadas foi realizada em 28 de abril de 1999, já a Medida Provisória 18586 somente passou a produzir efeitos a partir de 1° de outubro de 1999, ou seja, os dispositivos da referida MP não poderiam retroagir e prejudicar o direito adquirido. Cita decisões de outras DRJ e do Conselho de Contribuintes no sentido de que até o advento da Medida Provisória n° 18586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Posteriormente, a recorrente apresentou petição alegando que, à época do recurso, apesar de sua solicitação, a Receita Federal do Brasil — RFB não disponibilizava aos contribuintes o SAPLI Demonstrativo da base de cálculo da CSLL, e requereu a juntada do relatório emitido pelo órgão em 07/10/11, capaz de provar os saldos das empresas incorporadas pela IBA NORTE NORDESTE, sucedida pela Recorrente. Intimada, a PGFN se manifestou pela desconsideração da argumentação da recorrente, em face de sua extemporaneidade evidente, em respeito ao art. 16 do Decreto nº 70.235/72, vigente à época. Aduz, quanto ao mérito, que deve ser mantida a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. Inicialmente, é de se registrar que as alegações referentes a violação de princípios constitucionais deixam de ser apreciadas em razão da observância obrigatória da Súmula CARF nº 2, que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Antes de se adentrar na questão das provas e da eventual extemporaneidade da documentação acostada aos autos após o recurso voluntário, devese perquirir sobre o efetivo direito da recorrente à compensação pretendida. Como relatado, tendo sido verificada a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, em 31/12/1999, no valor de R$18.286.248,45, pela sucessora Indústria de Bebidas Antarctica do Norte Nordeste S/A, consideradas as base de cálculo negativa de períodos anteriores de pessoas jurídicas sucedidas por incorporação, efetuouse, em procedimento de ofício, a redução do saldo de CSLL a compensar ou a restituir, de R$6.165.610,06 para R$3.926.201,38. Considerandose que a sistemática de tributação adotada pela sucedida no ano calendário de 2000 foi o lucro real anual, por certo que o fato gerador da CSLL denominado "fato gerador complexivo", só se aperfeiçoou em 31 de dezembro do ano calendário de 1999. Na data da apuração da base de cálculo da CSLL vigia a Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, dispondo: Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. De fato, como bem observou a DRJ, é indiferente ao deslinde do caso se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99, pois a legislação apenas explicitou a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 8 7 Embora o ato de incorporação tenha ocorrido em abril de 1999, logo, antes da edição da medida provisória em comento, a compensação ocorreu em dezembro de 1999, quando já vigente a norma proibitiva. Nesse caso, sequer se faz necessário adentrar na discussão a respeito da existência ou não, antes da norma proibitiva, de impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida. Adotase como razão de decidir a fundamentação contida no voto do ilustre conselheiro Antônio Bezerra Neto, proferido no acórdão unânime nº 140100262, de 09/07/2010, acompanhadas por esta relatora enquanto no exercício da presidência da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, consoante trecho abaixo transcrito: O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5ª Turma da DRJRecife, através do Acórdão nº 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Anocalendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que legislação apenas explicitou uma proibição apurada pela incorporada que já era ínseta ao ordenamento. É que a Fl. 325DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 9 8 necessidade de vedação do art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. O art. 44 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.º 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ........................................ § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. ....” O parágrafo 5º acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 10 9 pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda que tal proibição só viesse a constar expressamente no art.33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria, O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n.° 1.8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes. De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 11 10 "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do .fato gerador', tanto do IRR1, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela recorrente em relação à direito adquirido e irretroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, .fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No caso dos autos, a situação é exatamente a mesma daquele processo. No momento da compensação, era plenamente vigente a norma proibitiva. Diante disso, a compensação não pode ser homologada e resta prejudicada a apreciação da juntada de documentos após o recurso. Votase por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 12 11 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Redator designado Em que se considere o claro entendimento da Relatora, é inegável que a incorporação se efetivou em abril de 1999, consumandose a existência da incorporada com o aproveitamento da base negativa da CSLL, portanto, ainda que a compensação se realizara em momento final do exercício correspondente a apuração, no ato da incorporação inexistia qualquer impedimento legal para que, naquela oportunidade, se procedesse o aproveitamento da base negativa da sucedida, na esteira do objetivo voto do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no processo 10725.002490/9906 e Acórdão 10806596, de 21 de maio de 2002, da antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, como se transcreve o inteiro teor do seu voto: Este Conselho de Contribuintes já decidiu já decidiu esta questão, podendose destacar a seguinte ementa, citada no recurso: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido." (Acórdão 10513.508/01) Despicienda maior consideração acerca da sucessão universal de direitos e obrigações que ocorre nos institutos da incorporação, fusão e cisão, na forma e na extensão determinada, para cada instituto pelos artigos 227 a 229 da Lei de Sociedades Anónimas Por essa razão é que se torna necessário vedar expressamente a sucessão de determinado direito para efeitos fiscais, assim como ocorre com os prejuízos acumulados pela sucedida, ex vi do disposto no artigo 33 do DecretoLei 2.341/87. Assim, somente com o advento de expressa vedação, imposta pela MP 1858 6, é que surgiu impedimento legal à compensação de bases de cálculo negativas, geradas a partir de 1992, em casos de sucessão. Neste sentido, a Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, assim dispôs: Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controrle societário e do ramo de atividade. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 1202000.891 S1C2T2 Fl. 14 13 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Não há como ser indiferente perante o fato jurídico societário da incorporação antes do advento da citada regra proibitiva, vale dizer, não se pode reconhecer o efeito retroativo em prejuízo da interessada para tal restrição de um direito anteriormente não vedado, não obstante a compensação tenha se realizado já na vigência da MP em comento. Assim, o ato societário passou a ter força vinculante quanto a tal restrição somente após a edição do citado diploma legal, e como o ato de incorporação ocorreu anteriormente a essa edição, não há como admitirse o efeito sobre ato consumado em face ao princípio da irretroatividade da lei tributária, salvo nas exceções previstas no art. 106 do CTN, e não se tratando de disposição legal meramente interpretativa, devem ser convalidada a compensação da base negativa nos moldes realizadas pelo contribuinte, ora Recorrente. Perante todo o exposto, é de se dar, no mérito, provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 22/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10880.000629/00-64
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 06 29 /0 0- 64 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Maria helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 126 a 142, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0305.866 e 0202.088, da Terceira e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0305.866 apresenta a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O termo a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos é a data da publicação da Medida Provisória n. 1.110/95, findandose 05 (cinco) anos após. Precedentes do Segundo Conselho de Contribuintes. Afastada a decadência do prazo para pleitear a restituição requerida, e para determinar o retorno do processo à DRJ de origem para apreciar o mérito do pedido no tocante aos demais aspectos concernentes ao processo de restituição/compensação. Recurso especial negado. (CSRF; Terceira Turma; Recurso n° 303128064, Rel. Cons.Carlos Henrique Klaser Filho, Ac. 0304.540, Sessão de 09 de agosto de 2005) Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10880.000629/0064 Acórdão n.º 9900000.461 CSRFPL Fl. 156 3 (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons.Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 148 a 150. Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição/compensação do FINSOCIAL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 16/02/2009, o contribuinte não ofereceu contrarazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10880.000629/0064 Acórdão n.º 9900000.461 CSRFPL Fl. 157 5 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 17/01/2000, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 17/01/1990 são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores do FINSOCIAL que ocorreram após 17/01/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 18471.000150/2008-06
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
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EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 18/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 50 /2 00 8- 06 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Originalmente, ao contribuinte autuado foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos calendário 2002 e 2003, em conta titularizada pelo fiscalizado e outros no exterior, em infração controlada no processo administrativo nº 18471.000894/200731. O imposto incidente sobre tal presunção omissão de rendimentos foi secundado por multa qualificada no percentual de 150% sobre o imposto lançado, exceto em relação ao imposto decorrente dos depósitos do mês de julho de 2003 (fl. 30), que sofreu a vinculação da multa de ofício ordinária no percentual de 75%. A conta corrente estrangeira era mantida no Delta National Bank and Trust Company em Nova Iorque, titularizada pelo fiscalizado e pelos Srs. John Erik Gustafson, Mauro Alvim Godoy e Vinicius Nunes da Silva, sendo que foi imputado ao fiscalizado a quarta parte dos créditos registrados nessa conta. Devese evidenciar que a documentação dessa conta foi enviada para a Receita Federal pelo Juízo Federal da 2 a Vara Criminal da Seção Judiciária do Paraná — PR. Ainda, tal conta bancária não constou na declaração de bens e direitos do fiscalizado. Considerando o equívoco na apuração da multa de ofício em face do imposto decorrente da presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários) no mês de julho de 2003, que deveria sofrer, na óptica da Autoridade Fiscal, a imputação de uma multa qualificada no percentual de 150%, ocorreu o presente lançamento, auto de infração complementar, com a cobrança de multa adicional no percentual de mais 75%. Por relevante, devese anotar que a multa de oficio foi qualificada, pois o fiscalizado negou a existência dessa conta, evidenciando a manutenção de conta bancária no exterior sem a devida comunicação à Receita Federal, procedimento que denotaria a intenção de excluir do fisco a existência de conta no exterior, bem como a origem dos recursos que a abasteceram. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janerio II (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 13 22.647, de 15 de dezembro de 2008 (fls. 58 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão acima em 15/01/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 03/02/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que a movimentação financeira desproporcional aos rendimentos declarados, em si mesma, não tipifica o evidente intuito de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000150/200806 Acórdão n.º 2102002.480 S2C1T2 Fl. 3 3 fraude, na forma do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, como assentado em remansosa jurisprudência administrativa. Ademais, na forma de enunciado sumular do CARF, a simples omissão de receitas ou rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo ser comprovado o evidente intuito de fraude, entendimento que se aplica ao caso retratado neste caderno processual, pois não se comprovou a conduta dolosa do fiscalizado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 15/01/2009, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 03/02/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/02/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, devese anotar que este Colegiado, apreciando o recurso voluntário tombado no processo administrativo nº 18471.000894/200731, na relatoria do Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, prolatou o acórdão nº 2102002.359, de 18 de outubro de 2012, quando reduziu a multa de ofício vinculada ao imposto incidente sobre a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada mantidos no Delta National Bank and Trust Company em Nova Iorque, titularizada pelo fiscalizado e pelos Srs. John Erik Gustafson, Mauro Alvim Godoy e Vinicius Nunes da Silva, para o percentual de 75%. Naquela oportunidade, o Conselheiro Rubens se fiou nas razões outrora prolatadas por este mesmo Colegiado, no Acórdão nº 210200.432, de 03/12/2009, relatoria deste Conselheiro Giovanni Campos, quando apreciou a mesma infração em face do recorrente Mauro Alvim Godoy, igualmente reduzindo a multa de ofício do caso presente para o percentual de 75%. Eis as razões lançadas no Acórdão nº 210200.432, de 03/12/2009, que aqui se toma como razão de decidir, mutatis mutandis: (...) Como já dito, a autoridade fiscal vinculou a multa de oficio qualificada de 150% ao imposto decorrente da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada mantidos no exterior, em decorrência de o fiscalizado ter negado a existência da conta mantida alhures, evidenciando a manutenção de conta bancária no exterior sem a devida comunicação à Receita Federal, procedimento que denotaria a intenção de excluir do fisco a existência de conta no exterior, bem como a origem dos recursos que a abasteceram. Ademais, a autoridade fiscal entendeu a manutenção de conta bancária no exterior sem a devida comunicação à Receita Federal espelhava a conduta tipificada no art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei n° 7.492/86 — Lei dos crimes contra o sistema financeiro nacional (fls. 339). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Pelo resumo acima, percebese que a qualificação da multa de oficio está vinculada essencialmente ao tipo penal previsto na Lei n° 7.492/86, já que não parece razoável o exasperamento pelo simples fato do contribuinte negar a titularidade de uma conta bancária, ou mesmo não comprovar a origem dos depósitos lá feitos. Pessoalmente, já tive a oportunidade de confessar entendimento similar ao da autoridade autuante, quando da prolação do Acórdão n° 10617.054, sessão de 11/09/2008, em que, relator do feito, restei vencido pela douta maioria da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que então desqualificou a multa de oficio, reduzindoa para 75%, já que entendeu, a maioria, que a questão tratada no art. 22, parágrafo único, da Lei n° 7.492/86 era estranha à lide tributária, já que se tratava de um crime contra o sistema financeiro e não contra a ordem tributária. Desde então, melhor ponderando sobre essa controvérsia, passei a acompanhar o entendimento da maioria que se formou naquele julgado. Inicialmente, não se pode negar que a exasperação da multa de oficio na área tributária indica a ocorrência de algum dos tipos previstos na Lei n° 8.137/90, que expressamente regula os crimes contra a ordem tributária. Ora, sempre que a autoridade fiscal perceber, em tese, a vulneraçã.o de tal subsistema jurídico, deve qualificar a multa de oficio. Na prática, passase a ter uma pena administrativa pecuniária majorada e, eventualmente, uma pena no juízo criminal. Na linha acima, soa estranho imaginar que uma vulneração da ordem financeira ou cambial, para a qual há sanções administrativas que serão aplicadas pelo Banco Central do Brasil, e penas, previstas na Lei n° 7.492/86, a serem aplicadas pelo juízo criminal, possa também implicar em sanções administrativas exasperadas no âmbito tributário. Ademais, mesmo no tipo do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei n° 7.492/86 (Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente), há fundada dúvida se a repartição competente a ser notificada para o caso do contribuinte ter depósitos no exterior é a Receita Federal, o Banco Central ou ambos. Em essência, no âmbito tributário, não há diferença entre a não comprovação de depósitos mantidos no Brasil ou no exterior. Ambas as hipóteses se subsumem ao comando do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, a fundada dúvida na qualificação da multa de oficio tributária em decorrência do tipo do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei n° 7.492/86 já seria, por si só, razão suficiente para afastar o exasperamento, exceto se houvesse algum elemento doloso adicional na movimentação da conta bancária alienígena. Aqui, ressaltese, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes eventualmente autoriza a qualificação da multa de oficio na tributação do art. 42 da Lei n° 9.430/96, normalmente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000150/200806 Acórdão n.º 2102002.480 S2C1T2 Fl. 4 5 voltada para contas correntes mantidas no Brasil, quando ocorre uma das hipóteses abaixo: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação de conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104 20.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 10422.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (Acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheira Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 106 16.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 101 93.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 10248.266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). Obviamente, os casos acima se aplicam as contas bancárias mantidas no exterior, já que onde há a mesma razão, devese ter a mesma decisão. Porém, observese, o caso dos autos, referente à titularidade das contas estrangeiras, não se amolda a quaisquer das situações acima. O recorrente timidamente negou a propriedade de contas no exterior (fls. 76), declaração que foi arrostada pela documentação da conta estrangeira juntada aos autos (vide o anexo I), que iniludivelmente implica o contribuinte na conta mantida no Delta Bank. Mutatis mutandis, o caso se assemelharia a uma malsucedida negativa de titularidade de conta mantida no Brasil, situação que não se amolda, como já dito, a quaisquer dos itens acima. Com as considerações acima, devese reduzir a multa de oficio de 150% para 75%. (...) Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000422/2008-07
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2005
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário
Nacional.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou
sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade
cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à
empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o
§ 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.219
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por voto de
qualidade, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências
até 11/1999, inclusive e 13/1999, com base no art. 173 do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo
Magalhães Peixoto. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso
para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei
8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro
de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo
Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/1999, inclusive e 13/1999, com base no art. 173 do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/1999, inclusive e 13/1999, com base no art. 173 do CTN. Votaram pelas conclusões os Fl. 927DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro, DecisãoNotificação n.° 17.401.4/0233/2006, que julgou procedente em parte o lançamento. Foi acatado a alegação de existência de funcionários de outra empresa funcionando no mesmo endereço da empresa notificada, pelo que alterou o critério de aferição indireta, reduzindo de 26 para 20 segurados. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: 1—CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES O presente relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de número supracitado, e tem por objeto a narrativa dos fatos geradores da obrigação tributária previdenciária, em atenção ao devido processo legal e de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito previdenciário e a lhe conferir os atributos de certeza e liquidez, essenciais a eventual execução fiscal. Contém, ainda, a narrativa das ocorrências verificadas no procedimento fiscal que deram origem ao lançamento, com a identificação específica do fato gerador da obrigação previdenciária principal inadimplida, o período de apuração do crédito previdenciário, bem como os fundamentos legais e as alíquotas aplicadas, que poderão constar no próprio corpo do relatório fiscal ou mediante remissão a um de seus anexos. 6 DOS FATOS E PROCEDIMENTOS. A presente ação fiscal foi deflagrada em razão da denúncia N° 4806.12.2004, apresentada ao Ilmo. Sr. Superintendente do INSS no Rio de Janeiro, aos 16 dias do mês de dezembro de 2004, na qual o denunciante declara que a empresa Vector Control Saúde Pública ltda., de propriedade do Sr. Flamarion Pereira de Souza, não vem cumprindo com suas obrigações trabalhistas, tais como recolhimento do FGTS; fornecimento de vale transporte e Ticketrefeição; pagamento do13° Salário, além de não assinar a carteira dos empregados a seu serviço. Declarou, ainda, o denunciante, que o Sr. Flamarion estaria pagando uma certa quantia a fiscais do INSS, para que os ilícitos por ele cometidos continuassem ocorrendo. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Assim, havendo recebido o Mandado de Procedimento Fiscal N°09225315, de 07 de março de 2005, o auditor fiscal notificante se dirigiu à sede do contribuinte, na avenida Paulo de Frontin, 480 — Rio Comprido , nesta cidade e, permanecendo do lado de na calçada da Avenida Paulo de Frontin, em frente ao número 480, procedeu a uma verificação prévia do local em que seria desenvolvida a ação fiscal para a qual havia sido designado. Na oportunidade, durante o período matutino, pôde o referido auditor fiscal verificar a chegada de cerca de 20 pessoas ao estabelecimento empresarial, cuja entrada era feita por um grande portão destinado à entrada e saída de motocicletas e automóveis de serviço. Aos 08 dias do mês de abril do corrente ano, o auditor fiscal notificante compareceu à sede da empresa em referência, no endereço citado, para dar ciência ao contribuinte, mediante entrega do citado Mandado de Procedimento Fiscal MPF, do início dos procedimentos de fiscalização. Foi atendido, na ocasião, por uma advogada de nome Lucinda a qual lhe informou que os representantes legais da empresa não se encontravam no estabelecimento, sendo, então, agendado o dia 12 de março de 2005 para a efetivação da entrega do aludido MPF. Nesta oportunidade, foram contabilizados acima de 20 (vinte) pessoas trabalhando no estabelecimento citado. Ocorre que no dia seguinte, sábado, o auditor fiscal notificante recebeu, em seu celular, ligação telefônica do sóciogerente da referida empresa, supostamente em outro estado da federação, informando que não poderia comparecer na data agendada e que, oportunamente, agendaria uma outra data, fato esse que jamais ocorreu. Diante das evidências, o auditor fiscal notificante remeteu, por via postal mediante Aviso de Recebimento AR, tanto o supracitado MPF, como também, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD , pelo qual intimava o contribuinte em epígrafe a apresentar, no prazo de dez dias, a contar da data do recebimento do AR (25/04/2005), os seguintes documentos: 1 Folhas de pagamento consolidada e analítica, em arquivo magnético, referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. 2 GFIP/SEFIP (arquivo magnético intitulado "SEFIPCR.RE"), referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive, bem como GRFC e • GRFP , com comprovantes de entrega e eventuais alterações. 3 Guias de Recolhimento da Previdência Social referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. 4 Relação Anual de Informações Sociais — RAIS referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 3 5 5 Fichas ou os Livro de Registro de Empregados. 6 Contrato social e alterações. 7 Livros Diário e Plano de contas da contabilidade. 8 Relação de trabalhadores avulsos, que prestaram serviços à empresa no período de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. No entanto, passados cerca de dois meses após o recebimento do AR (25/04/2005), nenhum representante da empresa compareceu à esta Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária — DRFB para apresentar os documentos solicitados, fato que obrigou o auditor fiscal notificante a comparecer novamente, ao estabelecimento do contribuinte para saber o porquê de os documentos não terem sido levados à DRFB. , ‘‘Nessa ocasião, no período entre 08 e 10 horas da manhã, foram contabilizadas, novamente, mais de 20 pessoas trabalhando nas dependências da empresa. Finalmente, a representante da empresa, de nome Maria, compareceu a esta DRFB, e apresentou parte dos documentos a que foi intimada. Nada obstante, tal documentação encontrava se deficiente, em razão de as informações nela contida serem diversas da realidade e, ainda, por omitirem informações verdadeiras, a teor do Art. 597, §1° da IN MPS/SRP N° 3, de 14/07/2005, como passaremos a demonstrar : As Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentadas pelo contribuinte, registram a partir da competência março de 2005, a existência, somente, de um único segurado empregado vinculado ao contribuinte em tela. No entanto, nas visitas anteriores à empresa foram observados mais de vinte pessoas lá trabalhando. Quando questionada acerca dessas outras pessoas, Maria informou que aquelas pessoas não eram empregadas da Vector Control Saúde Pública ltda, mas sim, da pessoa jurídica Vector Controle de Pragas ltda, que operava no mesmo endereço, e cujo quadro societário seria o mesmo da Vector Control Saúde Pública ltda. Intimada a apresentar documentação idônea acerca dessa outra pessoa jurídica, a citada representante comprometeuse a retornar a esta DRFB, com a documentação requerida. Entretanto, tal retomo jamais ocorreu. O auditor fiscal notificante compareceu, novamente à empresa, na primeira semana de julho, e observou, ainda do lado de fora do estabelecimento, no período de 7h3Omin às 9h3Omin, aproximadamente, a chegada de cerca de 25 pessoas às dependências da empresa, inclusive a de Maria, momento em que o citado auditor se anunciou na portaria e adentrou o prédio. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Cumpre ressaltar que várias dessas pessoas encontravamse trajando o uniforme da empresa, e que eram exatamente essas pessoas uniformizadas que saíam para executar o trabalho externo da atividade fim da empresa. As demais pessoas desempenhavam o trabalho interno. Ao requerer a Maria a apresentação de documentação relativa à empresa Vector Controle de Pragas ltda que supostamente seria sediada no mesmo endereço, ela informou que naquele estabelecimento inexistia qualquer documentação dessa suposta empresa, nem notas fiscais de serviço, nem papel timbrado, absolutamente nada que pudesse ensejar a existência daquela outra empresa Em seguida, Maria informou que, em realidade, aqueles outros empregados não se encontravam vinculados à Vector Controle de Pragas ltda., mas sim à Vector Control Saúde Pública ltda (a empresa sob fiscalização), mas que eles teriam sido contratados no mês de junho de 2005 e, por essa razão, não constavam nas GFIP's e nas FolhasdePagamento. Entretanto, ela não soube informar por qual motivo os mais de 20 empregados contabilizados pelo próprio auditor fiscal notificante, nos meses de abril, maio e junho, nas dependências da empresa, não foram inseridos nas GFIP's e Folhasde Pagamento daquelas competências. Naquela oportunidade, foi requerida a apresentação dos livros contábeis obrigatórios. No entanto, Maria alegou que a escrituração contábil estaria em atraso desde o final dos anos 90. Ao ser alertada acerca da obrigatoriedade de tal escrituração, Maria disse que, de fato, a escrituração estaria sendo feita, mas que não havia sido impressa nem registrada no órgão competente, e que tal regularização estaria prestes a ocorrer, nas próximas semanas. Quando lhe foi requerida cópia, em meio magnético, dos lançamentos contábeis (já que Maria havia assegurado que a contabilidade estaria sendo regularmente escriturada nos computadores da empresa), mais uma vez houve esquiva na apresentação da documentação, sob o argumento de que, por coincidência, o computador onde estariam registrados os lançamentos contábeis havia dado defeito justo naquela manhã. Maria informou que o técnico já havia sido chamado e que, tão logo fosse solucionado o problema, ela mesma levaria a requerida documentação a esta DRFB. Tal fato, obviamente, também não ocorreu. Mais uma vez compareceu o auditor fiscal notificante à sede do contribuinte e, permanecendo sem se anunciar, do lado de fora do prédio, contabilizou a chegada de 26 pessoas, varias delas com uniformes da empresa (em regra, do sexo masculino), no período de 7h0Omin a 9h3Omin, aproximadamente. À evidência, verificouse que as pessoas uniformizadas eram empregadas na atividade fim da empresa, executando atividades externas mediante saídas em automóveis, motocicletas, ambos estilizados nas cores comerciais da notificada, ou mesmo a pé. Por outro lado, as pessoas que não se apresentaram trajando uniforme empresarial, tinham sua mãodeobra utilizada na execução de atividades internas, tais como, serviços de portaria, Fl. 932DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 4 7 secretárias e atendentes de telemarketing que se mostrou ser a estratégia de vendas de serviços adotada, conforme se depreende das propagandas comerciais e do conteúdo da página na intemet : "www.insetfone.com.br ". Ao se anunciar na portaria, solicitou a presença do sócio gerente, Sr. Flamarion Pereira de Souza. Entretanto, lhe foi dito pela atendente da portaria que ele não se encontrava na empresa, porém, somente, a sua secretária. Tal alegação não correspondia à verdade, pois o auditor fiscal havia registrado a sua chegada, minutos antes. Foi requerida, então, a presença da citada secretária, mas esta se negou a comparecer alegando estar muito atarefada. Então, valendose de prerrogativa legal, o auditor fiscal se dispôs a ir, diretamente, à sala da referida secretária, momento este em que o Sr. Flamarion deu o ar de sua graça. Perquirido acerca dos documentos solicitados, o Sr. Flamarion informou que inexistia escrituração contábil, e que a empresa passava por dificuldades. Informou também que apenas cinco daquelas pessoas que haviam adentrado o prédio eram empregados da empresa, e que as demais eram clientes. Ora, tal alegação é totalmente descabida. Todas as pessoas que se anunciavam na portaria tinham a sua entrada imediatamente franqueada, sem qualquer questionamento. Já o auditor fiscal notificante, para entrar, tinha que aguardar, do lado de fora do portão, até receber autorização para tal. Mas não é só. Um entregador de água mineral, que lá compareceu para substituir o galão vazio por um cheio, teve que aguardar cerca de um minuto para ter sua entrada franqueada. E é de se supor que ele estivesse sendo aguardado, pois tal substituição deve ter sido solicitada pela empresa. Ou será que o entregador adivinhou que a água do galão antigo teria acabado e lá compareceu espontaneamente para oferecer a troca ? Tais constatações revelam a existência de um liame subjetivo entre aquelas mais de 25 pessoas com a empresa em comento. Ou seja, nada indica que elas seriam meros clientes, chegando às sete, oito horas da manhã, com uniforme e tudo o mais. Além disso, a empresa atua sob a designação empresarial "INSETFONE" e concentra suas relações comerciais através de telemarketing e por intemet, e não através de balcão de negócios. Além disso, quando o auditor fiscal solicitou fosse apresentado a um desses clientes, o Sr. Flamarion desconversou e se comprometeu a levar a esta DRFB os documentos requeridos, fato este que, até a presente data, não ocorreu, por óbvio. Corroborando o exame ora empreendido, no que tange à certeza de que a empresa não vem operando com apenas um único empregado, urge salientar que, na intemet, no endereço www.insetfone.com.br , em página datada de 2004, a empresa se apresenta como líder de mercado e oferece uma série de Fl. 933DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 produtos e serviços que seriam impossíveis de serem ministrados com um único funcionário, sem mencionar as atividades internas de secretaria, portaria, atendentes de telemarketing etc. Além disso, no pátio interno da empresa, são encontrados diversos veículos, entre carros e motocicletas, pintados de acordo com o seu padrão de identificação comercial, os quais são utilizados na execução das atividades fins. Ainda na busca de documentos idôneos que pudessem oferecer concretude a uma apuração direta dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, o auditor fiscal notificante intimou o contribuinte, mediante TIAD, a apresentar, no prazo de dez dias a contar do recebimento do AR. (01/08/2005), os seguintes documentos, conforme se lhes seguem: 1 Relação Anual de Informações Sociais — RAIS referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. 2 Livros Diário e Plano de contas da contabilidade. 3 Relação de trabalhadores avulsos, que prestaram serviços à empresa no período de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. 4 Cópia de documentos que especifiquem as pessoas jurídicas que operem no mesmo endereço da ora autuada. 5 Fichas ou os Livro de Registro de Empregados atualizadas. 6 cópia da DIRF, relativa ao período de 1995 a 2004. 7 Livro de apuração de ISS, relativo ao período de 1995 a 2005. 8 Blocos de notas fiscais de serviço, referentes aos serviços prestados pela autuada, no período sob fiscalização. Todavia, mais uma vez, vencido o prazo estipulado na TIAD, a empresa sequer entrou em contacto com o auditor fiscal notificante, ou com esta DRFB, nem apresentou os documentos a que foi intimada. Novamente, mediante TIAD, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de dez dias, a contar do recebimento do AR. (12/08/2005), os seguintes documentos: 1 Livros Diário e Plano de contas da contabilidade, referentes aos exercícios de 1995 até 2005. 2 Guias de Recolhimento da Previdência Social referentes às competências de janeiro de 1995 a março de 2005, inclusive. 3 Folhas de pagamento consolidada e analítica, preferencialmente em arquivo magnético, referentes às competências de janeiro de 1995 a março de 2005, inclusive. 4 Todos os Livros de Registro de Empregados ou as Fichas registro de empregados, se for o caso. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 5 9 5 Guias de Recolhimento da Previdência Social referentes às competências de janeiro de 1999 a março de 2005, inclusive. 6 Relação de trabalhadores autônomos, que prestaram serviços à empresa no período de janeiro de 1995 a março de 2005, inclusive. 7 Relação Anual de Informações Sociais — RAIS referentes às competências de janeiro de 1995 a março de 2005, inclusive. Contudo, mais uma vez, vencido o prazo estipulado na TIAD, a empresa sequer entrou em contacto com o auditor fiscal notificante, ou com esta DRFB, nem apresentou os documentos a que foi intimada. Dessarte, diante da conduta omissiva da direção da empresa na apresentação da documentação exigida, e em razão da deficiência das informações contidas nos documentos apresentados, nos termos do disposto no Art. 597, §1° da IN MPS/SRP N° 3, de 14/07/2005, procedeuse à lavratura da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, POR AFERIÇÃO INDIRETA DOS FATOS GERADORES, conforme permissivo legal estabelecido no artigo 33, § 3° da lei 8.212/91. LEI 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas de e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua 11115 competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal ORE podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo a empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... 7.2 DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Os fatos geradores das contribuições sociais a que se referem os incisos I e II do Art. 22, da lei 8.212/91, consistentes no valor da remuneração paga aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, em cada competência, foram apurados por aferição Fl. 935DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 indireta, consoante o permissivo legal inscrito no Art. 33, §3° da lei 8.212/91, na forma descrita no item "7.3 — DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA SEGURADOS EMPREGADOS". O SaláriodeContribuição dos segurados empregados foi apurado mediante aferição indireta, com base no quantitativo de 26 segurados empregados, contabilizados diretamente pelo auditor fiscal notificante nas visitas que efetuou na empresa notificada, valendo ressaltar que tal contabilização foi efetuada durante o período de 7h0Omin a 9h30min, aproximadamente. A empresa foi autuada por não apresentar documentos ao Fisco. Consta registro que o recurso foi apresentado sem o depósito recursal e de decisão judicial determinando o seguimento do recurso administrativo sem o depósito , folha 874. 1. O contribuinte apresentou recurso tempestivo em 08.05.2006, juntado às fls. 447 a 467, sem a comprovação do depósito prévio recursal de 30% (trinta por cento), instituído pelo artigo 126, § 1° da Lei nº' 8.213/91. 2. Houve, entretanto, decisão judicial favorável ao contribuinte no Mandado de Segurança n°2006.51.01.0075288, conforme fls. 712/715, para determinar o recebimento do recurso administrativo independentemente do depósito. Apresento abaixo síntese do recurso: • Auditor Fiscal bem como seus superiores e outros analistas, sequer examinaram com o devido cuidado a IMPUGNAÇÃO E CONTESTAÇÃO com documentos anexos, as fls. 248/287 que tornariam sem fundamento a presente NFLD — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO • No mesmo endereço, além da empresa objeto da fiscalização, existe outra empresa registrada, com a designação comercial de INSETFONE, especificamente no n° 478A, com objeto social de prestação de serviços de dedetização, em cujo portão grande foi citado pelo I. Auditor Fiscal às lis 3/22, com um contingente de 20 (vinte) funcionários, o que justifica o número excessivo de pessoal adentrando nas dependências do estabelecimento. • Até o fim de abril de 2005, a empresa objeto da aludida fiscalização tinha 01 (um) único funcionário e a partir de maio de 2005, começaram as contratações, chegando em novembro de 2005 a 08 (oito) funcionário Fl. 936DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 6 11 • A Insetfone até o fim de abril de 2005, a empresa tinha 07 (sete) funcionários e a partir de maio de 2005, começaram as contratações, chegando em dezembro de 2005 a 28 (vinte e oito) funcionários • As folhas de pagamento, guias de FGTS e INSS do período de 1995 a 2005, .demonstram a verdade do contingente de funcionários lotados na empresa. • O Livro de Inspeção do Trabalho, nas fiscalizações ocorridas no período, os fiscais que procedem as fiscalizações sinalizaram para o seguinte: a) Empregados em atividade em 14/09/01 01 (um); b) Empregados em atividade em 28/08/05 04 (quatro); Consta do processo um segundo recurso voluntário, folhas 723 a 742, recebido pelo Fisco em 30/01/2008, mais de 1 ano e meio após a apresentação do primeiro recurso , que será considerado intempestivo e não conhecido. É o relatório. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINAR DECADÊNCIA Preliminarmente, devese analisar a questão da decadência. O lançamento, para fins de decadência fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 938DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 7 13 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados apresenta um conjunto de guias apropriadas ao lançamento. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Todavia, o comportamento do contribuinte de não apresentar documentos para o Fisco, obstando assim a fiscalização, aliado ao convencimento deste relator, com base no Relatório Fiscal, da existência de empregados sem registro, são entendidos como dolosos. Disso resulta a aplicação da regra do artigo 173 do CTN. O período do lançamento é de 01/1995 a 05/2005 A ciência do lançamento ocorreu em 07/10/2005. Entendo decadentes as competências até 11/1999, inclusive e 13/1999. MÉRITO NÚMERO DE EMPREGADOS Em essência a recorrente alega que funcionava no mesmo endereço em que desenvolvia suas atividades, outra empresa, Vector Controle de Pragas, nome de fantasia INSETFONE e que os trabalhadores que o fiscal viu trabalhavam nessa outra empresa. Observo que as duas empresas são de propriedade e gerenciadas pelo senhor Flamarion. Afirma ainda que a Insetfone até o fim de abril de 2005 tinha 07 (sete) funcionários e a partir de maio de 2005, começaram as contratações, chegando em dezembro de 2005 a 28 funcionários. Para fazer prova dessa alegação juntou às folhas 607 a 629 a RAIS da empresa Vector Controle de Pragas Ltda – Insetfone. Entendo que não cabe razão à recorrente pelo abaixo exposto. A autuação abrange o período até 05/2005. Conforme consta do Relatório Fiscal, durante os meses de março a junho de 2005, o auditor fiscal autuante efetuou contagem do número de empregados que trabalhavam naquele endereço. Conforme Informação Fiscal, com base nas GFIP, documento produzido e entregue pelos contribuintes, o auditor fiscal autuante efetuou levantamento do número de empregados da Insetfone nos meses de janeiro a julho de 2005 e subtraiu do total de empregados que trabalhavam no endereço a média dos empregados da Insetfone. Para o mês de abril/2005, onde a recorrente afirma que a Insetfone tinha 7 empregados, a partir de informações da GFIP, o Fisco considerou 10 empregados. Considerar 10 no lugar de 7 empregados, resulta em benefício para a recorrente. O aumento do número de empregados da Insetfone a partir de maio de 2005, foi considerado no cálculo da média do número de empregados dessa empresa pelo auditor fiscal e resultou em benefício da recorrente. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 8 15 Por fim, conforme consta da Informação Fiscal e da decisão de primeira instância, o Fisco efetuou ajuste (reduziu de 26 para 20) no número de empregados considerados na aferição. Entendo o procedimento legal e correto. 2.4 Alegou que, no mesmo endereço, existe outra empresa registrada a "Vector Controle de Pragas ltda" o que justificaria o excessivo número de pessoas adentrando o prédio. A existência dessa segunda empresa, no entanto, não justifica, de forma alguma, o elevado número de trabalhadores constatado no local. A tabela abaixo apresenta, em cada competência (COMP), o contingente de pessoas da empresa "Vector Controle de Pragas ltda." (VCP), conforme declarações prestadas por essa empresa, em GFIP. Conforme se pode observar, mesmo subtraindose do número constatado pessoalmente no local (IN LOCO) o volume de trabalhadores declarados por essa outra empresa (VCP), a diferença encontrada ainda é bem superior ao contingente declarado pela "Vector Control Saúde Pública" (VCSP) em suas GFIP's. Por conseguinte, a existência dessa segunda empresa não explica o número expressivo de trabalhadores apurados no estabelecimento citado. ... 3 Considerando a existência da empresa VECTOR CONTROLE DE PRAGAS LTDA" operando no mesmo endereço do contribuinte em referência, e tomandose como base o contingente de segurados declarados em GFIP, por essa empresa, no período em que o auditor fiscal notificante procedeu à apuração in loco do número de empregados (março a junho de 2005), verificamos que, nesse mesmo período, o número médio de trabalhadores da sociedade empresarial "VECTOR CONTROL SAÚDE PÚBLICA LTDA" foi de 20 empregados, eis que o número médio de empregados daqueloutra foi de seis segurados. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Essa nova situação fática modifica diretamente o cálculo das contribuições sociais devidas pelo contribuinte em referência, já que o contingente paradigma da apuração por aferição indireta foi reduzido de 26 (vinte e seis) para 20 (vinte) segurados. O Assim sendo, utilizandose como valor do Saláriode Contribuição de cada um desses 20 segurados, a média aritmética simples dos saláriosdecontribuição pagos pela empresa, aos seus empregados, desde a competência janeiro de 1999, inclusive, conforme consignado nas Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, referentes a essas competências. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Fl. 942DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000422/200807 Acórdão n.º 2403001.219 S2C4T3 Fl. 9 17 Voto por, nas preliminares, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 11/1999, inclusive e 13/1999, com base no art. 173 do CTN. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 943DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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