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Numero do processo: 13833.000170/99-00
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/05/1989 a 31/07/1994
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N. 49, DE 1995.
A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.585
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Antônio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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Numero do processo: 10665.907636/2009-61
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos
aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3803-003.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 42488.48933.150906.1.1.019254(fls. 03 a 73), relativo a saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2004 pelo estabelecimento 19.543.206/000196, no valor de R$ 20.946,24. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 36 /2 00 9- 61 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 crédito demonstrado no referido PER foi utilizado na compensação declarada por intermédios da(s) DCOMP(s) 15952.70469.150906.1.3.010040. A verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento foi efetuada, inicialmente, pelo processamento eletrônico, tendo sido emitido o despacho decisório eletrônico de fls. 74, homologando parcialmente os valores requeridos. Posteriormente, foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 98 a 103. O auditor constatou que os produtos fabricados pela interessada (minério de ferro, NCM 2601.11.00, e pedra britada, NCM 2517.10.00) possuem notação NT na TIPI (não tributados), concluindo pela inexistência do direito ao crédito pleiteado. Em virtude das constatações acima a unidade de origem cancelou o despacho decisório emitido pelo processamento eletrônico e emitiu um novo despacho decisório de fls. 105/106, notificou o contribuinte, em 29 de junho de 2011, não reconhecendo o direito creditório alegado, em conseqüência, a compensação vinculada ao crédito em exame resultou não homologada. A empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 108 A 125, por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Insurgiuse, inicialmente, contra a revisão de ofício do despacho decisório eletrônico, alegando que o cancelamento do primeiro ato teria sido motivado, exclusivamente, pela mudança de entendimento da Receita Federal sobre as normas aplicáveis ao caso, o que não autoriza a revisão, nos termos do artigo 149 do CTN. No tocante ao mérito defende o direito ao crédito pleiteado, argumentando, resumidamente, que: a) a produção de minério de ferro, na etapa do processamento, envolve os subprocessos de britagem, peneiramento, hidroclonagem e filtragem a vácuo, processos esses que “evidenciam claramente o processo de beneficiamento”, caracterizado como industrialização segundo art. 4º do RIPI/2002; b) o minério de ferro está alcançado pela imunidade conferida pela Constituição Federal de 1998, sendo que a notação NT da TIPI não altera a verdadeira natureza de tratarse de um produto imune; c) a Receita Federal havia reconhecido, mediante a IN SRF nº 33, de 1999, o direito ao crédito do IPI oriundo das aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes, sendo que posteriormente, em 2006, editou o ADI nº05, não reconhecendo esse direito, o que representou mudança de entendimento e, portanto, não se aplicaria a fatos geradores anteriores à publicação do ADI; d) reconhecer o direito ao crédito aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade; e) mediante soluções de consulta, a Receita Federal reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária), o que ocasionou, para elas, que o ADI 05/2006 só se tornou aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representa afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracteriza tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal; f) que o Poder Judiciário já se pronunciou, em inúmeros julgados, favoravelmente ao reconhecimento do direito de aproveitamento do crédito do IPI nas aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.907636/200961 Acórdão n.º 3803003.430 S3TE03 Fl. 11 3 A DRJ em Juiz de Fora considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório e o Termo de Verificação Fiscal conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 25/01/2012, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, a suspensão da cobrança e homologação da DCOMP. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. O Regulamento do IPI (decreto 4.544, de 26/12/2002), vigente na data da transmissão dos pedidos, nos seus artigos 163 e 190, determinam que a aquisição de MP, PI e ME empregados na fabricação de produtos não tributados, não podem ser escriturados como créditos: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n— 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade:[...] § 1— Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal.” A classificação dos produtos objeto da glosa pela fiscalização, quais sejam. minério de ferro e a pedra britada (NCMs 2601.11.00 e 2517.10.00) estão incertos na Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 seção V capítulo 25 (Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento) e no capítulo 26 (Minérios, escórias e cinzas), vejamos: CM DESCRIÇÃO LÍQUOTA (%) 6.01 Minérios de ferro e seus concentrados, incluídas as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas). 601.11.00 Não aglomerados T 517.10.00 Calhaus, cascalho, pedras britadas, dos tipos geralmente usados em concreto ou para empedramento de estradas, de vias férreas ou outros balastros, seixos rolados e sílex, mesmo tratados termicamente T Entendemos que não é o fato do procedimento enquadrarse no conceito de industrialização que converteo, inexoravelmente, em produto industrializado tributado. Por isso os produtos dos capítulos iniciais da TIPI (produtos naturais) possuem, na sua esmagadora maioria, notação NT, independentemente do tipo de processo a que são submetidos pelas empresas que lidam com esses produtos. Ressaltese que o entendimento acerca dessa matéria encontrase pacificado no âmbito deste órgão administrativo de julgamento, através da Súmula nº 20 do CARF: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Quanto ao argumento da Manifestante de que o ADI SRF 05/2006 representa mudança de entendimento da administração e, como tal, só se aplicaria a partir de sua publicação, não alcançando créditos escriturados antes dessa data (como no caso presente), o ADI 05/2006 veio, tão somente, uniformizar o entendimento acerca da matéria abordada. Como se sabe, em regra, a norma jurídica projeta sua eficácia para o futuro. Assim, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência, não devendo se falar em aplicação retroativa da lei. Podese dizer que esta é a regra geral do direito intertemporal. Todavia, haverá situações, em que a lei, expressamente, poderá reportarse a fatos pretéritos, modificando seus efeitos jurídicos, elidindo a incidência da lei anterior. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio da irretroatividade relativa da lei ao determinar que esta não atingirá o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e coisa julgada (art. 5º XXXVI); ou mesmo quando prevê que "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal" (art. 5º XXXIX). No que diz respeito à matéria tributária, a Constituição proíbe a cobrança de tributos em relação "a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado" (art. 150, III, "a"). Por outro lado, diz o art. 106, I, do Código Tributário Nacional que a lei aplicase ao ato ou fato pretérito, ou seja, ocorrido antes do início de sua vigência, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, ressalvando a aplicação de penalidade pela infração dos dispositivos interpretados. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.907636/200961 Acórdão n.º 3803003.430 S3TE03 Fl. 12 5 Ademais, é manifestação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal que as leis interpretativas não são inconstitucionais: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA PROVISORIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO LEIS INTERPRETATIVAS A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CARÁTER RELATIVO LEIS INTERPRETATIVAS E APLICAÇÃO RETROATIVA REITERAÇÃO DE MEDIDA PROVISORIA SOBRE MATÉRIA APRECIADA E REJEITADA PELO CONGRESSO NACIONAL PLAUSIBILIDADE JURÍDICA AUSÊNCIA DO "PERICULUM IN MORA" INDEFERIMENTO DA CAUTELAR. E PLAUSÍVEL, EM FACE DO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, O RECONHECIMENTO DA ADMISSIBILIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS, QUE CONFIGURAM INSTRUMENTO JURIDICAMENTE IDONEO DE VEICULAÇÃO DA DENOMINADA INTERPRETAÇÃO AUTENTICA. – AS LEIS INTERPRETATIVAS DESDE QUE RECONHECIDA A SUA EXISTÊNCIA EM NOSSO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO NÃO TRADUZEM USURPAÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DO JUDICIARIO E, EM CONSEQUENCIA, NÃO OFENDEM O POSTULADO FUNDAMENTAL DA DIVISAO FUNCIONAL DO PODER. MESMO AS LEIS INTERPRETATIVAS EXPOEMSE AO EXAME E A INTERPRETAÇÃO DOS JUIZES E TRIBUNAIS. NÃO SE REVELAM, ASSIM, ESPÉCIES NORMATIVAS IMUNES AO CONTROLE JURISDICIONAL. A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA EDITADA PELO PRESIDENTE DA REPUBLICA. O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE "SOMENTE" CONDICIONA A ATIVIDADE JURÍDICA DO ESTADO NAS HIPÓTESES EXPRESSAMENTE PREVISTAS PELA CONSTITUIÇÃO, EM ORDEM A INIBIR A AÇÃO DO PODER PÚBLICO EVENTUALMENTE CONFIGURADORA DE RESTRIÇÃO GRAVOSA (A) AO "STATUS LIBERTATIS" DA PESSOA (CF, ART. 5. XL), (B) AO "STATUS SUBJECTIONAIS" DO CONTRIBUINTE EM MATÉRIA TRIBUTARIA (CF, ART. 150, III, "A") E (C) A "SEGURANÇA" JURÍDICA NO DOMÍNIO DAS RELAÇÕES SOCIAIS (CF, ART. 5., XXXVI). NA MEDIDA EM QUE A RETROPROJEÇÃO NORMATIVA DA LEI "NÃO" GERE E "NEM" PRODUZA OS GRAVAMES REFERIDOS, NADA IMPEDE QUE O ESTADO EDITE E PRESCREVA ATOS NORMATIVOS COM EFEITO RETROATIVO. AS LEIS, EM FACE DO CARÁTER PROSPECTIVO DE QUE SE REVESTEM, DEVEM, "ORDINARIAMENTE", DISPOR PARA O FUTURO. O SISTEMA JURÍDICO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, CONTUDO, "NÃO" ASSENTOU, COMO POSTULADO ABSOLUTO, INCONDICIONAL E INDERROGAVEL, O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. A QUESTÃO DA RETROATIVIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS” Grifo nosso. Aduz a Manifestante que, reconhecer o direito ao crédito em discussão aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade. Entretanto, o que temos neste processo é o simples fato que os produtos produzidos pela empresa, são de notação NT e não fazem jus ao crédito requerido, pelo que, entendemos não haver afronta ao principio da igualdade, mas tão somente a pura e simples aplicação da norma legal vigente. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 A Recusante ainda alegou que a Receita Federal teria afrontado o princípio da livre concorrência, quando, em decisões proferidas em processos de consulta, reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária). Ao assim proceder, fez com que, para essas mineradoras (consulentes), o ADI 05/2006 só fosse aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representaria afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracterizaria tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal. O presente processo pode apenas apreciar os fatos aqui contidos e não discorrer sobre julgados anteriores, e decisões diversas da Receita Federal. Tais decisões e julgados não possuem efeitos erga omnes, só alcançando os seus autores, erga singulum, como é o caso dos procedimentos de consulta. Ante o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntario, e manter a não homologação das compensações requeridas. É como voto. [Assinado Digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.001433/2002-81
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2000, 2001
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, de sorte que suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO ENTRE A ATIVIDADE EXERCIDA PELA PESSOA JURÍDICA E AS VIAGENS FEITAS POR SEUS SÓCIOS.
A falta de comprovação de que as despesas efetuadas pela pessoa jurídica com viagens feitas por seus sócios guardava relação com as atividades da empresa, e/ou que eram necessárias, não implica em desconsideração dos pagamentos efetuados, já que a causa destes pagamentos restou devidamente comprovada (realização de viagens). Hipótese que não se enquadra no art. 674, § Io do RIR/99.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.455
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (Relatora) e Rubens Maurício Carvalho. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Numero do processo: 11080.010553/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.517
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio césar Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio césar Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ que manteve despacho decisório da origem analisando Declaração de Compensação (DCOMP), onde reconhecido parcialmente o direito a crédito do PIS Faturamento nãocumulativo do 3º trimestre de 2005. Após ingressar com manifestação de inconformidade a empresa aderiu ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, permanecendo em litígio uma única glosa havida no indeferimento parcial, que corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório da DRFB de Porto Alegre. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010553/200648 Resolução n.º 3401000.517 S3C4T1 Fl. 168 2 Segundo o despacho decisório a contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes de recuperação de despesas. Considerou a DRFB que os valores contabilizados como recuperação de despesas integram o faturamento, inexistindo previsão para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição (ver item II.2.1 do despacho decisório). Após a desistência parcial da manifestação de inconformidade foi elaborado, pela DRFB, a planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 126), com duas colunas intituladas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.” e os respectivos valores em cada mês, subtotalizados pelos seguintes períodos: de jul/2004 a mar/2005, 2º trim/2005, 3º trim/2005 e 4º trim/2005. Depois de devolvido o processo pela DRJ, para ciência à contribuinte da planilha acima referida, em novo pronunciamento esta concordou com números apresentados pela DRFB, reiterando a parte da manifestação de inconformidade contra o item II.2.1 do despacho decisório. A 2ª Turma da DRJ manteve a glosa referente à recuperação de despesas, considerando que para excluíla da base de cálculo do PIS e Cofins seria necessária disposição expressa de lei, que no entanto inexiste no § 2º do art. 3° da Lei nº 9.718/1998 e § 3º do art. 1º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Segundo o acórdão recorrido os citados parágrafos não comportam interpretação extensiva, que deve se dar nos termos do art. 111 do CTN. Também mencionou também o inc. III do art. 44 da Lei nº 4.506/64, base legal do inc. II do art. 392 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda), pelo qual as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões integram a receita bruta operacional, e ainda considerou o seguinte: Ressaltese, também, que a autuada não comprovou, por meio de documentação idônea, que os valores correspondentes às mencionadas recuperações subsumemse às hipóteses legais de exclusão das bases de cálculo das contribuições. Se entendeu ter havido incorreções, deveria apontálas uma a uma. As contraposições formuladas genericamente, desprovidas de elementos probatórios que lhes dêem suporte, não têm o condão de infirmar o lançamento. Além de tratar do mérito, como resumido acima, a DRJ rejeitou a alegação de cerceamento de direito de defesa e de ausência de lançamento. O recurso voluntário, tempestivo, insiste na improcedência da inclusão de recuperação de despesas na base de cálculo da Contribuição, argüindo preliminarmente, tal qual na manifestação de inconformidade, a necessidade de lançamento para exigência de débito no regime nãocumulativo. Argúi que a ausência de lançamento impossibilita a defesa cabível, com afronta ao inc. LV do art. 5º da Constituição Federal. Ainda em sede preliminar, afirma que pelo despacho decisório e planilha que o o acompanha não havia condições de compreender as receitas computadas fiscalização. Assevera ter sido prejudicada em sua defesa e que, apesar de concordar expressamente com os cálculos realizados pela fiscalização após o ingresso no parcelamento, mantém a oposição à glosa relativa à recuperação de despesas. Para a Recorrente a glosa em questão não foi devidamente motivada, pelo que requer “a nulidade do despacho decisório, especificamente no ‘item 2.1’” Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010553/200648 Resolução n.º 3401000.517 S3C4T1 Fl. 169 3 No mérito, reitera que pela planilha juntada ao despacho decisório, resumindo os cálculos elaborados pela fiscalização, “não se consegue verificar quais as receitas consideradas como recuperação de despesas.” Questionando o julgado de primeira instância, no que considera que a empresa devia ter comprovado quais os valores de recuperações de despesas passíveis de exclusão da base de cálculo, indaga: “... como poderia a autuada fazer tal prova, se não pôde examinar quais seriam as receitas que originaram a glosa?” Argúi que a autoridade fiscal buscou ampliar a incidência do PIS e Cofins, ao interpretar que quantias recebidas pelo contribuinte, decorrentes de recuperação de despesas, configuram “receita” tributável. Para a Recorrente tal ingresso não é receita, mas “reembolso de custo despendido, como adiantamento, pelo contribuinte.”, que portanto não incorpora nenhum valor novo ao seu patrimônio, motivo pelo que não deve ser computado na base de cálculo do PIS e Cofins. Em prol da sua argumentação a contribuinte repudia a utilização da Lei nº 4.506/64, por ser específica do Imposto de Renda, e menciona a doutrina de Marcelo Knopfelmacher, citando o artigo ASPECTOS DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RECEITA NA EMENDA N° 20/98, bem como jurisprudência do TRF da 4ª Região e do STJ. Ao final requer a reforma o acórdão recorrido para: 1) Reconhecer a nulidade da glosa, por ausência de lançamento de ofício e por inexistência de comprovação das supostas irregularidades no item " 2 . 1 ". 2) No mérito, que seja afastada a glosa do "item 2 . 1 " , haja vista que a recuperação de despesas não se subsume ao conceito de receita e, por conseguinte, seja reconhecida a legitimidade do direito creditório pleiteado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar esclarecimento quanto às despesas recuperadas pela contribuinte, e por isso consideradas pela fiscalização como receitas tributadas. Observo, primeiro, que nem a planilha que acompanha o despacho decisório nem aquela elaborada posteriormente pela DRFB, após o ingresso da contribuinte no parcelamento, discrimina as receitas tributadas (ou despesas recuperadas). Segundo, que a ora Recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alega inexistência de comprovação quanto à glosa que continua no litígio e corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório, afirmando não ter compreendido quais as receitas recuperadas. E por último, que este Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010553/200648 Resolução n.º 3401000.517 S3C4T1 Fl. 170 4 Colegiado tem divergências sobre o tema e poderá decidir o litígio considerando quais, exatamente, são as despesas recuperadas. Destarte, carece seja identificada a origem (ou origens) das receitas recuperadas cujos valores constam das colunas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.”, na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 126). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para a DRFB informe, além da classificação contábil, a origem dos valores discriminados na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS”, descrevendo, se necessário ou julgar conveniente, as operações que resultaram em tais valores. Do resultado da diligência deve ser dada ciência à Recorrente para, querendo, se pronunciar sobre o feito no prazo de trinta dias. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11070.001675/2008-24
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007
RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992.
Numero da decisão: 2403-001.602
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso. Registra-se que o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros entendeu necessário declarar o vicio formal.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001675/200824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.602 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COOPERATIVA MISTA SÃO LUIZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007 RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso. Registrase que o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros entendeu necessário declarar o vicio formal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 75 /2 00 8- 24 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001675/200824 Acórdão n.º 2403001.602 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria, Acórdão 1810.646 da 3ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: 1. Ação fiscal iniciada em 15/08/2008, conforme Termo de Início da Ação Fiscal TIAF e encerrada em 23/10/08, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, compreendendo o período fiscalizado de 02/2004 a 07/2008. 1.1. Este relatório é integrante do Auto de Infração — AI de contribuições devidas Seguridade Social, referente Compensação de RURAL, contribuições incidentes sobre a comercialização de produtos rurais, correspondentes a parte subrogada da empresa quando da aquisição de produtos rurais e retida de segurados especiais e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social, referente ao período abrangido pelas competências 07/2006 a 02/2007. FATOS GERADORES 2. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas conforme rubricas: 2.1. RUR — PRODUTO RURAL COMPENSADO. 2.1.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas deste débito os valores referente a aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei no. 8.212/91 de 24 de julho de 1991, fundamentos legais em anexo, nas competências de 07/2006 a 02/2008 na matriz. ... 4. Verificado que a empresa não efetuou pagamentos a maior em relação a contribuições previdenciárias e utilizandose de um precatório de uma empresa localizada em São Paulo, no caso a empresa Metasil Química Ind Com Ltda, CNPJ 61.263.224/000180, os valores compensados e lançados na contabilidade da empresa foram glosados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 790DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Tem direito à compensação. · O Código Civil Brasileiro prevê amplamente a possibilidade de efetuarse a cessão de créditos. · A Recorrente passou a compor os processos executivos como titular dos créditos, logo não há terceiros envolvidos da relação processual tributária. · SELIC. · Multa. É o relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001675/200824 Acórdão n.º 2403001.602 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. 1. Com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177 o Supremo Tribunal Federal aplicou o rito da repercussão geral ao tema relativo à contribuição previdenciária incidente sobre o produtor rural pessoa natural. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Em 1º/8/11, o Plenário do STF, no julgamento do RE 596.177, por unanimidade e nos termos do voto do relator, deu provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, e determinou a aplicação desse entendimento aos demais casos, nos termos do art. 543B do CPC. (acórdão publicado em 26/8/11). Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Lei 8.212/91 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no"caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) ... Art. 30..................................................................................................... ........................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea"a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a"do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001675/200824 Acórdão n.º 2403001.602 S2C4T3 Fl. 5 7 Os fatos geradores das contribuições lançadas são a aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei n°. 8.212/91 de 24 de julho de 1991. Como visto acima, a determinação da incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física foi declarada inconstitucional. CONCLUSÃO Voto no sentido de dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 794DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901980/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.528
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência. Ângela Sartori – Relator Julio Cesar Alves Ramos – Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Simões Mendonça, Ângela Sartori e Julio Cesar Alves Ramos. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela Recorrente com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901980/200862 Resolução n.º 3401000.528 S3C4T1 Fl. 2 2 pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de inconformidade. Inicialmente, alega a Recorrente que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.° 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a Recorrente que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional. Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.° 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a Recorrente que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a Recorrente seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ decidiu em síntese: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901980/200862 Resolução n.º 3401000.528 S3C4T1 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. No Recurso Voluntário o Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade requerendo: “que esse Colendo Conselho dê provimento integral ao presente Recurso Voluntário, a fim de reformar a decisão prolatada pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) e, por conseqüência, reconhecer a legitimidade do crédito da Requerente e declarar homologada a compensação realizada. É o Relatório Voto Ângela Sartori Conselheira O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente fundamenta seu pretenso crédito na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n. 9.718/98 proferida pelo STF em sede de recurso extraordinário, mas, salvo melhor juízo, olvidouse de que a causa da não homologação de sua compensação, foi a inexistência de crédito, ou seja, a falta de comprovação de pagamento a maior. No despacho decisório (fls.05) a autoridade fiscal não adentrou no debate acerca da inconstitucionalidade, como quer debater a Recorrente. Simplesmente a autoridade fiscal informou que na data de transmissão foram localizados um ou mais pagamentos, todos utilizados para pagamento dos débitos em aberto na data. Vejase o teor do despacho decisório: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PERD/COMP. A partir das características do DARF discriminado no PERD/COMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901980/200862 Resolução n.º 3401000.528 S3C4T1 Fl. 4 4 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ainda que assistisse razão à Recorrente à luz do argumento da inconstitucionalidade, a mesma não apresentou a prova suficiente do crédito, mantendo sua tese de defesa, não apresentando documentação hábil (balancete, razão, etc) que demonstrasse a origem do pagamento que pretensamente teria resultado em crédito a ser compensado. Como o Despacho Decisório e Acórdão não trataram de matéria de direito, mas apenas de matéria de fato, a questão debatida (inconstitucionalidade da Lei n. 9.718/98) não se presta a levar ao reconhecimento do crédito, motivo pelo qual deixo de apreciar as matérias trazidas pela Recorrente, visto que não são relevantes para o deslinde do processo. Diante do exposto, tendo dúvida em relação ao direito voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para: que a Recorrente apresente os documentos necessários para apreciação do pedido como balancete, livro razão e outros. a Unidade de origem trazer informações precisas quanto aos valores que integram as referidas rubricas receitas financeiras e receitas não operacionais, isto é, se nelas estão mesmo contidos valores que nada têm a ver com o faturamento da empresa. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 35301.013570/2006-53
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 17/02/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 17/02/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 8 1 7 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.013570/200653 Recurso nº 249.842 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.413 – 2ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 35 70 /2 00 6- 53 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 17/02/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de MI Montreal Informática Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de fls. 01/24, objetivando a exigência de crédito correspondente a contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais e demais pessoas fisicas prestadoras de serviços. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20501.345, que se encontra às fls. 865/878 e cuja ementa é a seguinte: “DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, decidiu anular o auto de infração/lançamento. Intimada do acórdão em 10/03/2009 (fls. 889) a Procuradoria Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 882/898, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando ser a decisão manifestamente contrária às provas dos autos. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, sob o pretexto de não terem sido trazidos documentos que provassem as alegações (fls. 902/907). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35301.013570/200653 Acórdão n.º 9202002.413 CSRFT2 Fl. 9 3 Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Agravo às fls. 912/917 e em sede de reexame de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso especial, conforme Despacho nº 2401153/2009, de 21/08/2009 (fls. 919921). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões de fls. 931/944. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Verifico, inicialmente, que a decisão recorrida se deu pela maioria de votos, sendo o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional com base em divergência na interpretação da prova dos autos, nos termos do antigo regimento interno do CARF. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso especial. No mérito, a questão submetida a este Colegiado é a ocorrência de vício em decorrência da não aceitação do domicílio fiscal eleito durante a de fiscalização, e a consequente nulidade do lançamento. Como se verifica dos autos, a contribuinte foi devidamente intimada do início da fiscalização por meio dos documentos de fls. 26/33. Posteriormente, a partir de 30/05/2005, por meio dos TIADs de fls. 36/245 foram solicitados diversos documentos pela autoridade fiscal que deveriam ficar à disposição da fiscalização na “Rua São José, n. 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro, RJ”. Em decorrência da não apresentação da totalidade das informações, foi lavrada a presente NFLD, conforme se verifica do relatório fiscal de fls. 250/262. Ocorre que, após ser intimada do TIAD em 30/05/2005 a contribuinte apresentou o requerimento de fls. 383 e seguintes, por meio do qual esclarece que o seu estabelecimento centralizador está localizado na “Rua Capitão Soares, nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ”, sendo que toda a documentação solicitada pela fiscalização estaria disponível no referido endereço. Tal requerimento de alteração do domicilio fiscal foi recusado, insistindo a fiscalização que os TIADs determinaram que a documentação fosse disponibilizada no endereço do Rio de Janeiro. A contribuinte, então, buscou obter junto ao Poder Judiciário o reconhecimento da legitimidade de seu domicilio fiscal em Volta Redonda (fls. 388/397). Conforme se constata por meio dos documentos de fls. 398 e seguintes que a fiscalização prosseguiu com seus trabalhos no domicilio diferente daquele solicitado pelo contribuinte, tendo analisado diversos documentos apresentados pela contribuinte. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Após a lavratura da NFLD a contribuinte trouxe notícia de provimento judicial favorável, reconhecendo a legitimidade do estabelecimento eleito como domicílio fiscal na cidade de Volta Redonda. O acórdão recorrido, considerando a decisão proferida pelo E. TRF e a prova dos autos, entendeu que houve nulidade da autuação por ter a fiscalização ocorrido em domicílio diverso daquele eleito pelo contribuinte, sendo tal eleição legítima nos termos da legislação aplicável e do quanto decidido pelo Poder Judiciário. Diante deste quadrante fático permitome indagar – qual a conseqüência, para a higidez do lançamento, de a fiscalização ter sido efetuada em domicílio diverso do eleito, em desrespeito à legislação aplicável (mormente aquela de natureza geral veiculada pelo artigo 147 do CTN) e à decisão judicial? Tal consequência seria necessariamente a nulidade do lançamento, como decidiu o acórdão da turma recorrida nesta seara administrativa? Tenho para mim que, na esteira da jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, a nulidade apenas se declara se houver prejuízo aos fundamentos do lançamento, a seu conhecimento e/ou ao exercício do respectivo direito de contestar tias fundamentos (que por óbvio pressupõe seu conhecimento). Tal posição se resume no conhecido brocardo francês pás de nulité sin grif (não há nulidade se não houver prejuízo), que tenho aplicado para evitar a declaração de nulidades por vícios meramente formais que não comprometem a adequada fundamentação da autuação e seu devido conhecimento pela defesa. Não me parece, entretanto, ser este o caso dos autos, merecendo o lançamento ser considerado nulo e insubsistente com bem entendeu a decisão recorrido. Apoiome, para tal conclusão, em dois fundamentos principais. Primeiramente no descumprimento, pela autuação, à legislação que regula a eleição de domicílio fiscal, como decidiu o Poder Judiciário. Tal fundamento foi adotado como razão de decidir no julgamento de recurso especial envolvendo autuação similar à presente, lavrado contra o mesmo Recorrente dos presentes autos, julgado em 12 de abril de 2011 e formalizado no Acórdão n. 920201.438, de relatoria do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio, de cujo voto extraio: “Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.0224300 da Sétima Tutina do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMA TICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juizo da 19° Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: “M.I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial ajuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicilio Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35301.013570/200653 Acórdão n.º 9202002.413 CSRFT2 Fl. 10 5 fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127 do Código Tributário Nacional, e está ele submetido a fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua Sao José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares no 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE – DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicilio tributário, ex vi do inciso H, o local de sua sede. If — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O § 2° do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III —Recurso provido." Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 6941695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtem a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARE n° 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira)” De fato, a decisão judicial transitada em julgado, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, de fato houve por bem dar provimento ao recurso “para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n. 4, Centro, Município de Rio das Flores, RJ”. Entendeu a decisão que a eleição pelo contribuinte, ao amparo do artigo 127 do Código Tributário Nacional e do art. 741 da Instrução Normativa n. 3/2005, deveria ser respeitada pela fiscalização, não sendo lícita a imposição de domicílio diverso sem fundamentação. A postura do agente fiscal não atendeu ao entendimento que acabou prevalecendo no âmbito do Poder Judiciário, não tendo a fiscalização fundamentado a razão Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35301.013570/200653 Acórdão n.º 9202002.413 CSRFT2 Fl. 11 7 pela qual o domicílio eleito pelo contribuinte seria impugnado, em clara afronta ao artigo 127, caput e parágrafo 2º do CTN Em consequência, a declaração de validade do domicílio eleito pelo sujeito passivo, no âmbito do Poder Judiciário, vinculou a administração fiscal e torna ilegais os atos praticados pela administração que se amparam na recusa a tal eleição, inclusive o lançamento objeto dos presentes autos. Acresço a isto fundamento particular do caso em concreto que considero sobremaneira relevante. Embora a decisão judicial não tenha tratado diretamente do lançamento efetuado nos presentes autos, é fato que ele decorreu de arbitramentos efetuados pela fiscalização por falta de apresentação de documentação no domicílio fiscalizado (diverso do eleito). O fundamento da autuação – falta de apresentação de documentação comprobatória – tem assim relação direta com o vício de ilegalidade no exercício de fiscalização em domicílio diverso do eleito e em descumprimento a decisão judicial, consubstanciando situação em que o próprio lançamento, na origem, mostrase comprometido e eivado de vício. A postura da fiscalização de efetuar a fiscalização em domicilio diverso do eleito causou não só prejuízo à qualidade da acusação e da imputação infracional, mas inquinou de vício o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, medida que já é por si só extrema e admitida apenas em hipóteses excepcionais. Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância da imputação infracional. Nem se alegue que poderia o contribuinte, na defesa, ter trazido a documentação necessária a afastar o arbitramento. Isto porque o pressuposto lógico deste estava, na origem, viciado pela constatação de ausência de documentação em domicílio diverso do eleito e aceito judicialmente. Se assim não fosse seria possível aceitar que lançamentos viciados na origem pudessem ser aperfeiçoados durante a fase de julgamento administrativo, hipótese que viola os pilares o sistema de constituição e revisão de lançamento admitido no ordenamento. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13819.003966/2002-04
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTITUITO DE FRAUDE - PRAZO DECADENCIAL NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN
A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. A tributação do imposto de renda incidente sobre pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou para extinguir obrigação referente à operação não comprovada ou sem causa é exclusiva na fonte, e, assim, o fato gerador considera-se ocorrido na data do pagamento, conforme o art. 61 da Lei n° 8.981/95. Para esse tipo de, lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, espelhada no evidente intuito de fraude, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 2801-000.202
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Bernardo Augusto Duque Bacelar.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: Sandro Machado dos Reis
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MINISTÉRIO DA FAZENDAo ,,,..,.....„. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISev ...w. A'.' •4Stzg!ii;'. . ' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1 1 Processo n° 13819.003966/2002-04 Recurso n° 159.227 Voluntário Acórdão n° 2801-00.202 — 1" Turma Especial Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria IRF Recorrente BEMO DO BRASIL - SISTEMAS METÁLICOS LTDA. I Recorrida 2a TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 , 1 IRRF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO ' DO EVIDENTE INTITUITO DE FRAUDE - PRAZO DECADENCIAL NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. A tributação do imposto de renda incidente sobre pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou para extinguir obrigação referente à operação não comprovada ou sem causa é exclusiva na fonte, e, assim, o fato gerador considera-se ocorrido na data do pagamento, conforme o art. 61 da Lei n° 8.981/95. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato , gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, espelhada no evidente intuito de fraude, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Preliminar acolhida. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Bernardo Augusto Duque Bacelar. , 1 , , I 1 ,a Processo n° 13819.003966/2002-04 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.202 Fl. 176 , RAfAtab-- AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE rPresidente j ar S I\I-15C5---IVI . C ADOn3 • S REIS , Relator FORMALIZADO EM: 25 SET 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Suplente convocado), Marcelo Magalhães Peixoto e Júlio Cezar da Fonseca Furtado. Fez sustentação oral: Celso Alves Feitosa, OAB/SP 26464. 1 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado contra contribuinte em 30.10.02 (fls. 19), em razão da exigência de crédito tributário no valor de R$ 254.601,68 (duzentos e cinquenta e quatro mil, seiscentos e um reais e sessenta e oito centavos), decorrente de operação fiscal promovida pelo ora Recorrente envolvendo operações financeiras com moedas estrangeiras em 26/06/97. Sustenta a autuação que não houve a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte pelo ora Recorrente, ao passo que a peça recursal, em sede de preliminar, afirma ter havido 1 a decadência do direito da Fazenda Pública promover o lançamento do crédito tributário. Às fls. 137/143, decisão de primeira instância da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas que, por unanimidade, rejeitou a preliminar de decadência e negou provimento ao recurso, em decisão assim ementada: 1 1 "Nos tributos que importam em lançamento por homologação, 1 inexistindo pagamento antecipado do tributo, o direito de 1 constituir o crédito tributário pode ser exercido no lapso de, cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poder ser efetuado." "Constituição de Reserva em Moeda Estrangeira. Falta de Comprovação. Pagamento sem Causa. Lançamento. 2 Processo n° 13819.003966/2002-04 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.202 Fl. 177 Não comprovada a causa do pagamento alegado pela defesa, mantém-se a exigência do IRRF." Após, em Recurso Voluntário de fls. 148/159, o contribuinte reitera os argumentos de defesa aduzidos em sua impugnação, notadamente aqueles ligados à decadência, em preliminar, e ao fato de que permanecera com os valores supostamente pagos a terceiros, quanto ao mérito. É o Relatório. Voto Conselheiro SANDRO MACHADO DOS REIS, Relator Conheço do presente recurso, eis que preenche os requisitos de admissibilidade de que trata o Decreto n° 70.245/72. Como visto, trata-se de auto de infração lavrado contra contribuinte em 30.10.02 (fls. 19), em razão da exigência de crédito tributário no valor de R$ 254.601,68 (duzentos e cinquenta e quatro mil, seiscentos e um reais e sessenta e oito centavos), decorrente de operação fiscal promovida pelo ora Recorrente envolvendo operações financeiras com moedas estrangeiras em 26/06/97. Sustenta a autuação que não houve a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte pelo ora Recorrente, ao passo que a peça recursal, em sede de preliminar, afirma ter havido , a decadência do direito da Fazenda Pública promover o lançamento do crédito tributário. Em análise ao processo, resta claro e incontroverso que o fato gerador do tributo cobrado ocorreu em 26/06/97. Deve-se ressaltar, também, que o regime de apuração da Recorrente era mensal e, por fim, deve-se registrar que o Imposto de Renda é tributo cujo lançamento se dá, inquestionavelmente, na modalidade de homologação. Nesse sentido, sendo o tributo cobrado sujeito ao lançamento por homologação, cabe ao contribuinte informar ao Fisco o valor devido a titulo do tributo e, acaso haja controvérsia entre o valor declarado pelo contribuinte e o reputado justo pelo Fisco, deve este promover o lançamento de oficio a fim de cobrar a diferença entre tais valores. É certo, porém, que o lançamento de oficio a ser promovido pelo Fisco não poderá ocorrer a qualquer tempo, mas tão-somente no intervalo de tempo conferido pela legislação tributária para que proceda com esta autuação. Transcorrido o tempo legalmente previstO, estará homologada a declaração e o pagamento do contribuinte e, consequentemente, estará eXtinto o direito de se efetuar o lançamento de oficio pela Fazenda Pública. No presente caso, o dispositivo legal que disciplina o prazo para o lançamento de oficio da diferença tributária acima aludida é aquele previsto no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional, o qual trata especificamente do tributos sujeitos ao lançamento por homologação: 3 • Processo o° 13819.003966/2002-04 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.202 Fl. 178 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. áç 4"Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Dessa forma, resta evidente que, tendo o fato gerador do tributo ocorrido em 26/06/1997, deveria o Fisco ter efetuado o lançamento de oficio para cobrança do valor declarado e não pago pelo Recorrente até a data limite de 26/06/2002. Ocorre que, segundo pode ser constatado da primeira folha deste processo, o representante da Recorrente só foi intimado da existência do presente auto de infração em 30/10/2002, portanto, em data posterior ao limite legal previsto na artigo transcrito. Nem se diga, como feito pela decisão recorrida, que deve-se aplicar neste caso a regra prevista no art. 173, do Código Tributário Nacional, isso porque tal dispositivo não se aplica para tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal corno o IRRF. Por oportuno, veja-se decisão já proferida por este Egrégio Conselho de Contribuintes: "DECADÊNCIA. IRPI PRAZO - O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IRPJ extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional (C1 N). Com ciência da autuação em 11/04/2000 e apuração mensal, caracterizou-se a decadência para os fatos geradores ocorridos em 31/01/1995, 28/02/1995 e 31/03/1995." (RV n" 149.393, Sessão de 18/04/2009)." "IRRF — REMESSA A BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR — DECADÊNCIA - Por se tratar de tributação incidente exclusivamente na fonte, o fato gerador do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a beneficiários no exterior ocorre na data em que tal pagamento é efetuado. Assim, esta deve ser a data considerada para fins de se computar o prazo previsto no art. 150, § 4" do CTN (Sexta Câmara, ReL Cons. Roberta de Azeredo Ferreira, Acórdão n" 106-16406, Sessão de 24.05.07)." Em sendo assim, já que transcorrido mais do que cinco anos entre a data do fato gerador do tributo e a intimação do Recorrente acerca da lavratura do respectivo auto de infração, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco cobrar tal montante, acolhendo-se a preliminar suscitada na peça recursal. 1 4 1 , • , Processo n° 13819.003966/2002-04 S2-TE01 1, Acórdão n.° 2801-00.202 Fl. 179 1 , 1 1 , 1 Pelo exposto, ACOLHO a preliminar de decadência. . 1 i É corno voto. Sala das Sessões - DF, em 18 de agosto de 2009 IS 0111ri NDRO M , CHAD e -DOS REIS 1 , , , , , , , , 5
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Numero do processo: 18471.001586/2006-42
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ausentes o dolo, a fraude ou a simulação, aplica-te o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado.
Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade.
A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, I.
A interpretação do capta do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, capta e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1 0. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN.
Decadência acolhida.
Numero da decisão: 3301-000.006
Decisão: Por unanimidade de votos, DESQUALIFICAR a multa e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência.
Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Eduardo Tadeu Farah, que não acolhiam.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ausentes o dolo, a fraude ou a simulação, aplica-te o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, I. A interpretação do capta do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, capta e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1 0. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. Decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DESQUALIFICAR a multa e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Eduardo Tadeu Farah, que não acolhiam. Processo n°18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 403 • 1 I A • QUI: PESSOA MONTEIRO Pres' • ente 1: 1/ ALEXANDRE NAOKI SHIOICA Relator FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Silvana Mancini Karam e Vanessa Pereira Rodrigues Domene.. Fez sustentação oral a Dr Mariana Barreira Jatahy, OAB/RJ n° 104.168. Relatório Trata-se de recurso voluntário (ls. 352/397) interposto, em 1" de junho de 2007, contra o acórdão de fls. 338/348, do qual a Recorrente teve ciência em 10 de maio de 2007 (fl. 350, verso), proferido pela 3 3 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de tls. 291/292, lavrado em 08 de dezembro de 2006 (ciência em 15 de dezembro, fl. 297), em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, verificada no ano-calendário de 2000. O relatório contido no acórdão recorrido resume as infrações apontadas e as alegações da Recorrente da seguinte forma. "DA AUTUACÃO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao ano-calendário de 2000, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 291 a 294. 2. O valor lançado inclui imposto suplementar de R$ 30.971,16, multa proporcional de 150%, no valor de R$ 46.456,74, e acréscimos moratórios calculados até a data da lavratura. 3. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontram-se detalhados no demonstrativo às fls. 292 e 294 e Termo de Verificação de Infração às fls. 252 a 290, versando sobre omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. 4. De acordo com a fiscalização, os sócios que detinham 100% das quotas representativas do capital social da Bronstein Administradora Laborial S/C Ltda (AD LAB) e do Laboratório Bronstein Ltda (BRONSTEIN) - entre eles a impugnante, Mano Bronstein, Dulceia Radesca Figueira e Marcela Bronstein — realizaram um seqüência de operações simuladas durante o mês de dezembro de 2000 com o objetivo de não pagar o imposto de renda devido em decorrência do 2 Processo n° 1 8471.00 1586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n°3301-00006 E. 404 ganho de capital na alienação das referidas quotas à ATACAMA, que, por sua vez, as repassou à Diagnósticos da América S/A. 5. Os sócios, inicialmente, em 01/12/2000, assumiram o controle da empresa Managing do Brasil Ltda e aumentaram o seu capital social de R$ 100,00 para R$ 2.958.631,00, realizando a integralização com as quotas da AD LAI3 E BRONSTEIN. Mario e Dulcéia passaram a ser os dirigentes da Managing. 6. Da mesma forma, em 04/12/2000, a Managing assumiu o controle da ALC Holding S/A e aumentou o capital social desta de R$ 100,00 para R$ 2.958.631,00, realizando a integralização com as quotas da AD LAB E BRONSTEIN. Igualmente, Mario e Dulcéia passaram a ser os dirigentes da ALC. 7. Com Mario e Dulceia na direção, a ALC, nessa mesma data, aumentou seu capital social de R$ 2.958.631,00 para R$ 3.140.994,00, mediante emissão de 182.363 novas ações com valor nominal de R$ 182.343,00 e ágio de R$ 47.817.637,00, totalizando o valor de R$ 48.000,000,00. Tais novas ações foram subscritas e integralizadas mediante notas promissórias por uma nova acionista, a PADS do Brasil Ltda. 8. Em conseqüência desta integralização, a Managing aumentou o valor de seu investimento na ALC de R$ 2.958.631,00 para R$ 48.000.023.81, apurando ganho de equivalência patrimonial de R$ 45.041.392,81. Ainda em 04/12/2000, a Managing se retirou da ALC, resgatando suas ações pelo respectivo valor patrimonial de R$ 48.000.000,00, recebido mediante as notas promissórias emitidas pela PADS. Frisa a fiscalização que Mario e Dulceia, todavia, continuaram a dirigir a ALC, embora a PADS houvesse passado a ser a única acionista desta empresa. 9. Em 05/12/2000, a ALC foi extinta, sendo incorporada pela PADS. 10. Na data de 12/1212000, a PADS vendeu suas ações da AD LABS e BRONSTE1N à ATACAMA pelo preço de R$ 43.026.027,79, recebendo o valor em onze cheques, que acabaram parando nas mãos da Managing para quitação das notas promissórias emitidas pela PADS. 11. Em 13/12/2000, a Managing pagou à impugnante, Mario Bronstein, Dulceia Radesca Figueira e Marcela Bronstein, a titulo de distribuição antecipada de lucros, o valor total de R$ 41.512,617,72, tendo sido tais valores declarados como isentos por estas pessoas fisicas. 12. Analisando a questão, os autuantes concluíram que o ágio de R$ 47.817.637,00, pago pela PADS, foi exorbitante, e que esta teve prejuízo na operação. Além disso, a PADS, a MANAGING e a ALC teriam sido criadas no próprio ano-calendário de 2000 e seus instrumentos de constituição e de alteração teriam, como sócios originais e como advogados e testemunhas, pessoas que receberam rendimentos de trabalho assalariado da Deloitte Touche Tohmatsu, a quem a Managing teria pago, naquele ano, a título de consultoria, valores de R$ 875.000,00, R$ 106.175,10 e R$ 426.447,87, sendo que a consultora teria afirmado que não encontrou o contrato de prestação de serviços. 13. Nesse aspecto, a fiscalização ressalta que não houve movimentação financeira em quase todas as transações realizadas, sendo estas meramente escriturais. Além disso, os extratos do Sistema CPMF demonstrariam que toda a movimentação financeira da ALC e PADS foi nula em 2000 e que a da MANAG1NG só se iniciou em dez/2000. 3 Processo n° 18471.001586/2006-42 S3-C3T1 i Acórdão n°3301-00006 Fl. 405 14. Diante dos fatos, concluiu a fiscalização que as operações acima relatadas foram realizadas sem motivação negociai com o mero intuito de evitar o ganho de I capital na alienação da AD LAB e BRONSTEIN, tipificando-os como simulação, conforme art. 102 do antigo Código Civil. 15. No caso específico da contribuinte Kátia Bronstein, esta teria, na realidade, alienado, pelo preço de R$ 210.374,42, as suas cem quotas de capital do Bronstein, declaradas com o valor de R$ 3.900,00, auferindo ganho de capital tributável de R$ 206.474,42, omitidos em sua declaração de ajuste anual. 16. Entendendo que ficou caracterizada a intenção fraudulenta em suprimir o imposto, a fiscalização aplicou a multa de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA IMPUGNACAO 17. Cientificada do Auto de Infração em 15/1212006 (fl. 297), a contribuinte protocolizou impugnação em 12/01/2007 (fls. 299 a 331), em que apresenta, em i suma, as seguintes razões. 18. Alega, inicialmente, que é tempestiva a impugnação por ela apresentada. i 19. Em seguida, discute a simulação no direito brasileiro, afirmando que, nos seus elementos caracterizadores, por qualquer uma das três hipóteses previstas nos incisos I a III do art. 102, do Código Civil de 1916, vigente à época dos fatos, encontram-se apenas dados integrantes do próprio ato ou negócio jurídico e não de um conjunto de atos jurídicos, sendo errado afirmar que a intenção de afastar a incidência de imposto possa configurar simulação de ato ou negócio jurídico. O i objetivo visado com a celebração de negócios jurídicos não estaria previsto no, citado artigo 102, sendo necessário, para que se verifique a simulação, que o vício se i 1 situe no ato praticado. 20. No seu caso, entende que nenhuma das operações analisadas pelos fiscais autuantes poderia ser considerada simulada, porque produziram os efeitos nelas previstos, atribuindo direitos às pessoas nelas especificadas, não tendo também a fiscalização provado que os atos foram pós ou ante datados. 21. Cita diversas decisões do Conselho de Contribuintes para corroborar seu entendimento. 22. Em outro sentido, afirma que não é admissivel que o Poder Público imponha obrigações aos cidadãos, notadamente financeiras, salvo inequivocamente autorizado por lei, em sentido estrito, ou medida provisória (Constituição Federal de 1988, art. 5°, II, e 150, I), não . sendo também admissivel no direito brasileiro a interpretação segundo critérios económicos ou que os contribuintes fiquem sujeitos necessariamente à observância de determinados tipos de conduta, aos quais se reduzem as práticas que eventualmente deles difiram, e, conseqüentemente, devam pagar tributo que a lei prevê para esses tipos. 23. Nesse aspecto, alega que, em 2001, período posterior às operações questionadas, as autoridades fiscais teriam reconhecido publicamente que a legislação em vigor não lhes oferecia armas suficientes para combater os "planejamentos fiscais" e levaram o Congresso a romulgar a Lei Complementar n° • 4 Processo n°18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão ri.' 3301-00006 Fl. 406 104, de 10/01/2001, para introduzir no Código Tributário Nacional dispositivo — parágrafo único do art. 116 — que autorizasse o fisco a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 24. Tal dispositivo não seria auto-aplicável, visto que faria menção à necessidade de uma lei ordinária para que passasse a ter aplicação, que não existe, porque a regulamentação dada pela Medida Provisória n° 66 (arts. 13 e 14), de 28/08/2002, foi descartada na sua conversão em lei. Nesse diapasão, as operações questionadas poderiam, até ser rejeitadas pelos arts. 13 e 14 da MP n° 66/2002, por falta de propósito negociai (§ 2° do art. 14) e abuso de forma (§ 3° do art. 14), se estes tivessem sido acolhidos, mas nunca poderiam ser tratadas como simulação. 25. Alegando que as figuras de fraude e sonegação previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, correspondem apenas a tipos dolosos, e fazendo citações doutrinárias de Marco Aurélio Greco e decisões do Conselho de Contribuintes, contesta a multa de 150%, aplicada com base no art. 44, 11, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sobre a questão entende que dolo não deve ser inferido pela simples ausência de motivação negociai do procedimento adotado, pois sendo crime a sonegação, só deveriam ser tratados como criminosos os contribuintes que estivessem comprovadamente cientes de que cometem uma irregularidade, como os que emitem notas frias, falsificam documentos, etc. 26. Sob a alegação de que o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital é tributo lançado por homologação, e que, na ausência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4°, do CTN), entende, citando diversas decisões do Conselho de Contribuintes, que, tendo sido lícitas e legítimas as operações questionadas, o lançamento é decadente, por haver mais de cinco anos desde dezembro de 2000, quando ocorreu o fato gerador, até a lavratura do Auto de Infração em 15/12/2006. 27. Afirma que a doutrina de Marco Aurélio Greco, na qual se baseou a fiscalização é contestada por vários juristas de renome, e que, no entender deste doutrinador, as operações estruturadas não caracterizam uma simulação. Além disso, para enfatizar a polêmica que existe sobre a matéria, afirma que na obra "O Planejamento Tributário e a Lei Complementar n° 104" (Ed. Dialética, São Paulo, 2001) diversos juristas, dentre eles Greco, teriam considerado que as normas anti- elisão são inconstitucionais. • 28. Diante do que expõe, requer o cancelamento do Auto de Infração" (fls. 339/342). A Recorrida julgou procedente o lançamento, através de acórdão que teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. IRPF. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Aplica-se aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos casos de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial prevista no artigo 173 do CFN. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. 5 Processo n° 18471.00158612006-42 S3-C3TI Acórdão n°3301-00006 Fl. 407 Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996). SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. A liberdade de auto-organização não endossa a prática de atos sem motivação negociai, sob o argumento de exercício do planejamento tributário. Lançamento Procedente" (fl. 338). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 352/397, no qual reiterou os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão, grosso modo, envolve planejamento tributário realizado pela Sra. Katia Bronstein com o fim de alienar as quotas do capital social das empresas Bronstein Administradora Laboratorial S/C Ltda. e Laboratório Bronstein Ltda., doravante denominados simplesmente AD LAB e BRONSTEIN. A operação engendrada entre os antigos e únicos sócios das aludidas empresas, notadamente Mario Bronstein, Dulceia Radesca Figueira, Marcela Bronstein e a Recorrente, estruturou-se da seguinte forma, ora reproduzida sinteticamente: * em 01.12.2000, os sócios adquiriram o controle da sociedade Managing do Brasil Ltda., cujo capital social era de 100 quotas, cada qual no valor nominal de R$ 1,00. Ato continuo à aquisição, referidos sócios deliberaram, como novos diretores da companhia, aumentar o seu capital, mediante a conferência das ações que possuíam nas sociedades AD LAB e BRONSTEIN, para 2.958.631 quotas sociais, valendo mencionar que tal integralização foi feita com deságio, eis que o valor patrimonial das ações atingia o montante de R$ 8.591.716,00; * em AGE realizada no dia 04.12.2000, às 10:00h., a MANAGING assumiu o controle da ALC Holding S/A, igualmente aumentando o seu capital mediante a integralização das quotas sociais das empresas AD LAB e BRONSTEIN na mesma proporção da operação acima; 6 Processo n° 18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00006 Fl. 408 * no mesmo dia, em nova AGE realizada às 17:00h., com a participação dos novos diretores da ALC, deliberou-se novo aumento de capital para 3.140.994 ações, emitindo- se, pois, 182.363 novas ações com valor nominal de R$ 1,00, as quais foram subscritas e integralizadas por Meio de NP's por PADS do Brasil Ltda., valor este acrescido de ágio, fundamentado em laudo próprio (não entregue à fiscalização) e à luz do permissivo legal do art. 170, I, da Lei 6.404/76, no valor de R$ 47.817.637,00, totalizando o montante final de R$ 48.000.000,00; * em seqüência, a MANAGING aumentou a sua participação na ALC para R$ 48.000.023,81, apurando um ganho de equivalência patrimonial no valor de R$ 45.041.392,81; * ainda no referido dia, a MANAGING retirou-se da ALC, em AGE realizada às 19:00h., resgatando as suas ações pelo valor patrimonial, isto é, R$ 48.000.000,00, recebidos na forma de notas promissórias, anteriormente sob o domínio da ALC; * no dia subseqüente, a ALC foi incorporada à PADS; * em 12.12.2000, a PADS alienou a integralidade das ações que possuía (AD LAB e BRONSTEIN) para a ATACAMA, no valor de R$ 43.026.027,79; * os cheques utilizados para a aquisição foram, ao final, repassados à MANAGING a título de reembolso do capital resgatado, de modo que, em 13.12.2000 a empresa pagou, como distribuição antecipada de lucros, o valor total de R$ 41.512.617,72 aos seus sócios que, no exercício de 2001, declararam tais rendimentos como isentos do imposto de renda. Cumpre ressaltar, neste ponto, que o restante do valor dos R$ 48.000.000,00, devidos em virtude do resgate das ações, no valor de R$ 4.973.972,21 foi escriturado pela MANAGING na conta 1.1.2.01.001 (Ativo — Clientes — Contas a Receber — PADS do Brasil Ltda.). Alguns outros esclarecimentos de fato devem ser feitos. A ALC, conjuntamente com a operação de aumento de seu capital e posterior subscrição pela PADS, deliberou a criação de nova classe de ações, dividindo o seu capital em ações da classe "A", conversíveis em preferenciais, e ações do tipo "B", não conversíveis, sendo que estas últimas que permaneceram sob o controle da MANAGING. O valor do resgate, por seu turno, foi pago com o valor constante da conta de seu capital social, no exato valor originário de R$ 2.958.631,00 e o restante utilizando-se a conta Reserva de Ágio, em consonância com o que autoriza o art. 200, II, da Lei 6.404/76. Afirma a fiscalização, no termo de verificação fiscal de fls. 252/290, que a Deloitte, renomada empresa de auditoria, teve participação significante na implementação do negócio, eis que, segundo alega, os "empregados da Deloitte, como sócios originários da MANA GING e ALC, abriram caminho para que MARIO, DULCEIA, MARCELA e KATIA assumissem o controle da MANA GING, bem assim para que em seguida a MANA GING assumisse o controle da ALC' (fl. 275). Aduz, a supra referida autoridade fiscal, que as aludidas empresas não possuíam qualquer movimentação financeira até o referido período, sendo certo que constavam como ativas sem que houvesse qualquer indício de atividade negociai a ser nelas desenvolvida. Com base nestas constatações, a fiscalização exarou a seguinte assertiva, ora trazida à colação: 7 Processo ;C 18471.001586/2006-42 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 11. 409 "No caso presente, não se consegue vislumbrar qual o interesse negociai subjacente à sucessão de operações que se iniciou com aquela através da qual as • quatro citadas pessoas físicas — MAMO, DULCE1Lk MARCELA e ICATIA, alienaram à MANAGING, em integralização de aumento de capital desta, as quotas representando 100% do capital social da AD LAB e BRONSTEIN. Ao contrário, o que se enxerga, é a motivação única de evitar o ganho de capital tributável que ocorreria se a alienação das quotas de capital tivesse sido feita diretamente pelas referidas pessoas físicas à ATACAMA. Verificada a ausência de motivação extra-tributária nas operações, é inevitável a conclusão de que todas as transações, inclusive as ocorridas anteriormente à citada acima, já faziam parte de toda uma articulação, por parte das quatro pessoas físicas, no sentido único de esquivar-se do pagamento do Imposto de Renda" (fl. 278). Entendeu, ao final, a fiscalização que houve simulação no caso vertente, à luz do que dispunha o artigo 102 do Código Civil de 1916, vigente à época dos fatos, razão pela qual lavrou o presente auto de infração, aplicando a multa qualificada de 150%. Antes de adentrar no mérito da discussão, neste passo, entendemos imprescindível repisar alguns conceitos de direito civil que, aqui, não parecem ter sido tratados com a acuidade necessária. Com efeito, o Código Civil, à época da ocorrência dos fatos, dispunha que: "Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: 1— quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem; II — quando contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III- quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados." Dissertando a respeito do referido conceito, Alberto Xavier esclarece que "a simulação é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros" (XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2001. p. 52). A simulação, entende a doutrina, pode ser classificada em simulação relativa ou absoluta. Sobre a simulação absoluta, o Conselheiro João Francisco Bianco verbera que "o negócio jurídico é realizado para não ter eficácia alguma. A declaração de vontade destina-se a não produzir efeitos. As partes aparentemente querem algo; mas, na verdade, não querem nada. Seu objetivo é simplesmente enganar maliciosamente terceiros. (...)" (BIANCO, João Francisco. In: YAMASHITA, Douglas (coord.). Planejamento Tributário à Luz da Jurisprudência. São Paulo: Lex, 2007. p. 182). De outra sorte, a simulação relativa, corno preceitua Leonardo de Andrade Mattietto, "é aquela em que há um negócio simulado, que camufla um outro negócio, o qual é dissimulado, escondido ("colorem habet, substanciam vero alteram"). Por exemplo, as partes realizam uma compra e venda, com preço fictício, quando na verdade desejam celebrar um contrato de doação" (In: TEPEDINO, Gustavo (coord.). A Parte Geral do Novo Código Civil — Estudos na Perspectiva Civil-Constitucional. 3a edição. Rio de Janeiro: Renovar, 2007. p. 350). . 8 Processo n° 18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 • 19. 410 Na simulação, portanto, é essencial que haja uma completa dissociação entre o negócio jurídico que aparentou ter sido realizado e aquele que efetivamente o foi, sendo este ajuste, entabulado pelas partes em comum acordo, realizado com o intuito de prejudicar terceiros. Referido conceito, como é cediço, não se confunde com o de negócio jurídico indireto. Neste último, "as partes, ao adotarem essa estrutura jurídica típica, objetivaram atingir um fim diverso daquele para o qual o negócio jurídico foi criado. Em outras palavras, as partes realizam um negócio jurídico típico para atingir uma finalidade própria de outro negócio jurídico, também típico" (BLANCO, João Francisco. Op. cit. p. 184). Note-se, portanto, que há um limite tênue entre as referidas figuras que, no entanto, não se confundem. No negócio jurídico indireto, a declaração de vontade é exatamente igual ao intuito das partes. Referidos conceitos, por sua vez, diferem do conceito de fraude, ao qual a legislação tributária já se reportou de maneira expressa, consoante se extrai dos seguintes dispositivos legais: Lei 4.502/64: "Art . 72. Fraude é diria ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impósto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Lei 8.137/90: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (.) II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal". Fraude, portanto, nos termos da legislação tributária, é ato ou omissão do sujeito passivo que "visa reduzir [ou retardar] o montante do imposto devido [ou eliminá-lo], pela inserção de elementos que sabe inexatos" (excerto retirado do voto do Conselheiro Nelson Mallmann, proferido no Recurso Voluntário n o. 149.697, julgado pela 4° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 18 de outubro de 2006). É bem de ver, nesse passo, que o conceito de fraude demanda a demonstração de que o fim colimado pelas partes é vedado em direito. Por fim, cumpre distinguir tais figuras jurídicas daquilo que se designa "dolo", em sua acepção albergada pelo direito tributário. Com efeito, a respeito do referido conceito, Caio Mário verbera que: "O mecanismo psíquico do dolo, por ação ou omissão, é o mesmo, e se verifica na utilização de um processo malicioso de convencimento, que produza na vítima um estado de erro ou de ignorância, determinante de uma declaração de vontade que não seria obtida de outra maneira" (PEREIRA, Caio Mário da Silva. 9 Processo n°18471.001586/2006-42 53-C3TI Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 411 Instituições de Direito Civil — Introdução ao Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. 22 edição. Rio de Janeiro: Forense, 2007. p. 527). Uma breve leitura do que se encontra assente a respeito do conceito de "dolo" no direito civil é insuficiente para a sua compreensão no âmbito do direito tributário. Isto porque, à luz do que dispõe o atual artigo 147 do Código Civil, em consonância com aquilo que a doutrina e a jurisprudência consolidaram, o dolo tem por intuito induzir o outro contratante ou permitir que permaneça com uma noção distorcida da realidade. Isto é, o dolo, , para o direito civil, está adstrito à constatação que uma das partes tenha agido de forma a ludibriar a correta e integral concepção da realidade da outra ou das demais, impedindo-a(s) de ter a correta concepção dos fatos. A noção em direito tributário, ao contrário, é um pouco distinta, eis que a malícia volta-se a ludibriar o Fisco, ocultando-lhe, de forma comissiva ou otnissiva, aspectos relacionados com a real ocorrência do fato gerador. Concorda-se, portanto, neste ponto, com Heleno Taveira Tôrres, para quem "o dolo, em matéria tributária, não dispõe de autonomia para os fins de qualificar atos, comissivos ou omissivos, de exigibilidade de tributos" (TORRES, Heleno Taveira. Direito Tributário e Direito Privado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. p. 354). Isto é, o dolo, como figura autónoma, não se afigura suficiente para determinar a exigibilidade de tributos ou para desconsiderar negócios jurídicos válidos, mas para, a partir de sua verificação in concreto, determinar a ampliação do prazo decadencial, qualificar a multa imposta, dentre outros efeitos típicos. Sendo estes os principais pontos que entendemos relevante destacar, cumpre volver à análise do caso em tela. Nesse passo, analisando os documentos constantes dos autos, entendeu a Recorrida que: "No caso concreto em análise, de acordo com as considerações :interiores confiuura-se a simulação. As apurações feitas pela fiscalização demonstram que todas as etapas do processo de alienação das quotas foram antecipada e cuidadosamente planejadas mediante a utilização de empresas de fachada criadas especificamente para isso e de simulações de operações estruturadas sucessivamente para garantir que a AD LAB e o BRONSTEIN chegassem ao adquirente final. Resta, pois, claro que a intenção era efetivamente a venda das quotas representativas do capital social da Bronstein Administradora Laboratorial S/C Ltda (AD LAB) e do Laboratório Bronstein Ltda (BRONSTEIN) à ATACAMA, restando igualmente , claro que as pessoas envolvidas nas operações, incluindo-se aí a impugnante, agiram com a intenção livre e consciente de ludibriar a tributação, incorrendo em simulação prescrita no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei tf. , 5.172, de 25 de Outubro de 1966), que determina o lançamento de oficio neste caso" (fl. 347). Em . que pese a extensa justificativa conferida pela Recorrida ao enquadramento legal do caso como "simulação" propriamente dita, mais especificamente "simulação relativa", entendemos que tal conceituação não se afigura correta. Como já verberado linhas atrás, o ordenamento jurídico à época dos fatos, isto é, o artigo 102 do Código Civil de 1916, previa apenas três hipóteses em que se poderia vislumbrar a ocorrência da simulação, a saber (i) quando aparentassem conferir ou transmitir direitos a pessoas distintas daquelas que, efetivamente,\e conferem ou transmitem; (ii) quandor, 10 Processo n° 18471.001586/2006-42 83-C3T1 • Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 412 contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (HO quando os negócios jurídicos fossem antedatados ou pós-datados. Em súmula: seria preciso que restasse demonstrado que inocorreu, de fato, aquilo que as partes afirmaram haver ocorrido, ou, em outros termos, que a vontade declarada das partes se dissociasse de sua vontade real. Ora, não é este o caso dos autos. Conforme já visto e revisto, a reestruturação entabulada, muito embora com o exclusivo escopo de economizar tributos, efetivamente foi levada a cabo pelas partes. Não há, nem houve, qualquer dissociação entre o negócio jurídico pactuado e aquele "declarado" a terceiros, dentre os quais inclui-se o Fisco. Não há dúvidas, e nem sequer a fiscalização levanta tais dúvidas, de que, efetivamente, ocorreram as aquisições do controle da ALC Holding e da MANAG1NG, bem como de seus respectivos aumentos de capital. Igualmente resta indubitável que a ALC emitiu novas ações, adquiridas com ágio pela empresa PADS que, bem assim, após o resgate das ações da MANAG1NG na ALC, tornou-se única e exclusiva acionista da empresa, para depois incorporá-la. Por derradeiro, também não é posta em cheque a alienação das quotas de AD LAB e BRONSTE1N pela PADS para a ATACAMA. A própria fiscalização, após escorreita análise dos fatos, entendeu que "todas as transações efetuadas por MARIO, DULCEIA, MARCELA, KATIA, MANA GING, ALC, PADS e ATACAMA decorreram de acordos de vontade e que, efetivamente, nenhuma delas, isoladamente, poderia ser considerada ilícita" (fl. 268). E nem poderia ser diferente. Analisando-se, especificamente, a licitude das operações, cabe elaborar o seguinte resumo: * a convocação de assembléia geral extraordinária é considerada regular, ainda que não observadas as formalidades previstas no modo de convocação, se comparecerem a ela todos os acionistas (art. 124, capta e §4° da Lei 6.404/76, no caso das sociedades anónimas, e art. 1.072, capta e §2°, do Código Civil, no caso das sociedades limitadas); * cabe à assembléia geral (ordinária ou extraordinária) deliberar a respeito de aumento de capital, na forma do art. 166, capuz', e demais incisos, no caso das sociedades anônimas, e do art. 1.082, do Código Civil, no caso das sociedades limitadas; * é permitida a emissão e subscrição de ações com ágio, com fundamento no que dispõe o artigo 170, I, da Lei das S.A.; * é permitido o resgate das ações, quando de classes distintas, inclusive mediante o pagamento por meio de reserva de ágio, na forma do art. 200, II, da Lei 6.404/76; * cabe à assembléia geral a deliberação a respeito da incorporação, na forma do art. 121, VIII, da Lei 6.404/76. Nenhum problema há, portanto, no fato de que, "num curtíssimo espaço de tempo decorrido entre cada operação", como afirma a fiscalização (fl. 269), as quotas do capital social da AD LAB e da BRONSTEIN tenham mudado de mãos 4 (quatro) vezes, muito çI II Processo n° 18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Ac6rd5o n.° 3301-00006 Fl. 413 menos no fato de a ALC ter realizado três AGEs distintas no dia 04.12.2000 e duas em 05.12.2000, sendo certo que, como se viu, a celebração de referidas deliberações, no caso de comparecimento da integralidade dos sócios, toma despicienda qualquer convocação específica. Desta sorte, é incorreta a alegação da fiscalização de que a reestruturação engendrada tenha sido simulada. Não há que se falar ainda nem em fraude, nem em dolo, conforme expusemos linhas atrás. Ausentes, portanto, o dolo, a fraude e a simulação, o prazo decadencial no presente caso deve seguir a regra do artigo 150, §4", do CTN, e não a do artigo 173, I, ainda que não tenha havido no presente caso pagamento antecipado, já que os valores recebidos pela Recorrente foram qualificados em sua declaração de ajuste anual como rendimentos isentos e não tributáveis. De fato, antes de demonstrar a inaplicabilidade do artigo 173, I, do CTN, ad presente caso, necessário se faz transcrever alguns artigos do Código que tratam do lançamento e da decadência. São eles: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente„ determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo es sendo caso propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio autoridade administrativa nos seguintes casos: V — quando se comprove omissão ou inexatidão, mil: parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a gse refere o artigo seguinte; VII — quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1°. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extitteste o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. %\i/ 12 Processo n°18471.001586/2006-42 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 414 §4°. Se a lei não fixar prazo à homolocactio será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo fraude ou simula ao. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V — a prescrição e a decadência; VII — o pagamento antecipado e a homolozacão do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus 1°. e 4°.; Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Várias conclusões podem ser extraídas a partir da interpretação sistemática desses dispositivos do Código: (a) desde sua definição, o lançamento é considerado expressamente um procedimento administrativo (art. 142, capta) ou uma atividade administrativa (art. 142, parágrafo único), inclusive o lançamento por homologação (art. 149, V, e 150, caput); (b) esse procedimento ou atividade consiste em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo" (art. 142, caput), independentemente da modalidade de lançamento; (c) a diferença é que, no lançamento por homologação, praticamente toda essa atividade é realizada pelo contribuinte ou responsável, cabendo à autoridade administrativa homologá-la; (d) o artigo 149 trata das hipóteses que autorizam o lançamento de oficio, dentre as quais aquelas previstas nos incisos V e VII, ou seja, (d.1) "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação) e (d.2) ação do sujeito passivo ou de terceiro em beneficio daquele "com dolo, fraude ou simulação' 13 Processo n° 18471.001586/2006-42 53-C3T1 Acórdão n.°3301-00006 Fl. 415 (e) o lançamento por homologação está definido no artigo 150, sendo que "o dever de antecipar o pagamento", não o efetivo pagamento, faz parte do conceito legal daquele (art. 150, capta); i, (f) o pagamento antecipado é modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutiva da homologação do lançamento (150, §1°., c/c art. 156, VII); (g) no lançamento por homologação, homologa-se a atividade (art. 150, capta, in fine) ou o procedimento (art. 150, §§ 1°. e 4°., c/c art. 156, VII, in fine) realizado pelo sujeito passivo; (h) referida homologação pode ser tácita, com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4".); (i) se não homologado esse procedimento, necessário se faz o lançamento de oficio de que trata o artigo 149, V; 1 (j) o artigo 156 distingue os casos de decadência (V), de pagamento antecipado e de homologação do lançamento (VII); (k) o prazo de decadência a que se refere o artigo 156, V, é o do artigo 173, I, do CTN, enquanto que a homologação do lançamento se dá na forma do §4°. do artigo 150; (I) o artigo 150, §4°., é aplicável apenas ao lançamento de oficio previsto 1 1 expressamente no inciso V do artigo 149, decorrente de "omissão ou inexatidão, por parte da , pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" , (lançamento por homologação), não alcançando os casos de ação do sujeito passivo ou de terceiro em beneficio daquele "com dolo, fraude ou simulação"; (m) "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação) abrange tanto a falta de pagamento como o pagamento a menor de tributo; (n) apenas as circunstâncias que não se encaixem na expressa previsão contida no artigo 149, V, estão sujeitas ao artigo 173, I. A meu ver, essas constatações afastam a assertiva segundo a qual o artigo 173, I, regula indistintamente o prazo decadencial relativo a todos os lançamentos de oficio. Como se viu, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por força do artigo 149, V, o lançamento de oficio deve ser realizado pela autoridade administrativa tanto no caso de omissão como de inexatidão "por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação), o que significa dizer que quando houve falta de pagamento ou pagamento a menor, é obrigatório o lançamento de oficio. Para essas situações de ausência de pagamento ou de pagamento parcial de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Código estabelece o prazo do §4°. do artigo 150, ressalvando tão-somente aquelas em que se verifique "dolo, fraude ou simulação", que, nos termos do artigo 149, VII, também autorizaria o Iamento de oficio. 14 Processo n°18471.001586/2006-42 S3-C3TI Acórdão n.°3301-00006 Fl. 416 Aliás, se o artigo 173, I, abrangesse todas as hipóteses de lançamento de oficio, a ressalva contida na parte final do artigo 150, §4°., seria absolutamente desnecessária, uma vez que a comprovação de "dolo, fraude ou simulação" também impõe o lançamento de oficio pela autoridade administrativa, a teor do artigo 149, VII. Se o legislador não usa palavras inúteis, o disposto na parte final do § 4% do artigo 150 só pode significar que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o único caso de lançamento de oficio que autoriza a incidência do artigo 173, I, é o de "dolo, fraude ou simulação". Muito difundida também tem sido a idéia de que o artigo 150, §4"., aplica-se apenas quando tenha sido feito pagamento antecipado pelo sujeito passivo, pois, não havendo tal pagamento, qualquer que seja seu valor, a autoridade não terá o que homologar, submetendo-se a hipótese ao regime do artigo 173, I. Não obstante, conforme se procurou demonstrar, o Código exige . expressamente, nas situações do artigo 150, a homologação de todo o procedimento, de toda a atividade de "lançamento", que consiste, na definição do artigo 142, em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo" (art. 142, capta). A antecipação do pagamento é referida apenas como modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de lançamento, ou seja, de toda atividade que culminou no pagamento a menor ou mesmo no não recolhimento do tributo. O que importa, para o Código, é que a legislação do tributo atribua ao contribuinte ou responsável "o dever de antecipar o pagamento" do tributo, independentemente deste ser realizado ou não. É dizer, a exigência tributária é que deve estar sujeita ao lançamento por homologação, não sendo condição necessária para a incidência do artigo 150, §4°., a realização de qualquer antecipação. Até porque todas as vezes que o Código se referiu à homologação, nos artigos 150, capttt e §§1°. e 4°., e 156, VII, fez menção à atividade ou ao procedimento de lançamento, nunca ao pagamento antecipado. Se isso não bastasse, o CTN sempre distinguiu "pagamento antecipado" e "homologação do lançamento" (artigos 150, capta e §§1°. e 4°., e 156, VII), tendo utilizado essas expressões lado a lado, no mesmo dispositivo (artigo 150, §1"., e 156, VII), sem nunca se referir à homologação do pagamento antecipado. E não poderia ser de outra forma, pois, nos tributos sujeitos a essa espécie de lançamento, existem diversas situações que acarretam o não pagamento de determinada exação, como imunidades, isenções, não-incidências, aliquotas zero, créditos acumulados etc. Por vezes, o lançamento de oficio decorrente do não pagamento do tributo também tem origem em vicio na qualificação dos fatos pelo sujeito passivo. Em qualquer uma dessas hipóteses, a atividade do contribuinte ou responsável está sim sujeita à homologação pela auto "dade administrativa, de acordo com o artigo 150. 15 Processo n°18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 417 1 Um exemplo prático poderá ajudar a elucidar a questão: no caso do IRPF, tributo sujeito ao lançamento por homologação, determinado contribuinte assalariado não paga o tributo sobre determinado rendimento, declarando ao final do exercício que aquele 1 rendimento era isento ou não tributável. É correto dizer que, no caso, não se estaria sujeito ao prazo do artigo 150, §40., só porque não houve pagamento daquele específico rendimento? Seria possível desmembrar o fato gerador e considerar que apenas aquele rendimento não oferecido à tributação determinaria a aplicação do artigo 173, I, ainda que vários outros valores tenham sido recolhidos antecipadamente a título de IRPF ou mesmo IRRF? Outra pergunta se impõe: por que somente aqueles que não pagaram o 1 imposto estão sujeitos ao prazo do artigo 173, I, enquanto que todos os que recolheram a menor (inclusive valores ínfimos) devem observar o prazo do artigo 150, §4°., quando se sabe que ambos os casos ensejam o lançamento de oficio, nos termos do mesmo artigo 149, V, do CTN? 1 A propósito, deve-se ressaltar que o argumento segundo o qual o capta do1 1 artigo 150 determinaria a homologação do pagamento antecipado, já que a expressão "atividade assim exercida pelo obrigado" poderia referir-se à antecipação, é incompatível com o disposto no artigo 149, V, de acordo com o qual o lançamento de oficio deve ser efetuado pela autoridade administrativa "quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte". De fato, se a omissão ou a inexatidão mencionadas no artigo 149, V, dizem respeito ao "exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte", percebe-se que o pagamento em si não é requisito para que o tributo esteja sujeito ao lançamento por homologação. Homologa-se, isto sim, a atividade, o procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo, não o pagamento propriamente dito, que pode ou não ocorrer. O que se quer deixar muito claro é que a interpretação do capta do artigo 150 não pode ser feita isoladamente, pois, como se diz, "o direito não se interpreta em tiras". Deve ser feita em conjunto com o artigo 149, V, e com todos os outros dispositivos do Código que tratam da matéria, especialmente os artigos 142, capta e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°. e 4°., 156, V e VII, e 173, I. I i Ainda que não nos caiba "psicanalisar os eminentes representantes da Nação", não me parece, outrossim, que tenha sido intenção do legislador sujeitar todos os casos de lançamento de oficio (art. 149) ao artigo 173, I, do CTN. 1 Isto porque tanto o "Anteprojeto de autoria do Prof. Rubens Gomes de Sousa, que serviu de base aos trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional", de 1954, como o projeto de lei encaminhado ao Presidente da República previam apenas o prazo decadencial de que trata o artigo 173, I, do nosso Código em vigor. O disposto no atual artigo 150, §4°., quanto à homologação tácita não constou nem do anteprojeto nem do projeto de lei. Foi incluído posteriormente, como exceção ao nosso artigo 173, I, que seria aplicável indistintamente a todas as modalidades de lançamento. Assim, ao excepcionar o lançamento por homologação da regra geral até então projetada, o legislador pretendeu dar à hipótese prevista atualmente no artigo 149, V, tratamento diferenciado, consubstanciado no regime de que trat osso artigo 150, §4°. 16 Processo n° 18471.001586/2006-42 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00006 Fl. 418 Não se deve esquecer, ainda, que, além da interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, no caso especifico, tratando-se de exceção, deve-se interpretar restritivamente os artigos 149, V, e 150, caput e §§1°. e 4°., ou, nos dizeres do artigo 111 do Código, "literalmente". E a interpretação literal destes, como se viu, também nos permite concluir que tendo ou não havido pagamento antecipado, aplica-se aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contado a partir da data da ocorrência do fato gerador. Nem se alegue ainda que o legislador pretendeu estabelecer um prazo menor de decadência apenas para os casos em que o contribuinte tenha feito algum pagamento antecipado, pois tal antecipação facilitaria o trabalho de investigação da autoridade ' administrativa. Isto porque tal propósito, mesmo que tivesse existido, não se manifestou no texto do Código; ao contrário, como se extrai da interpretação sistemática e gramatical dos artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, capta e §§1°. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo do §4". do artigo 150 é aplicável inclusive quando não houver pagamento. Lembro aqui a advertência feita pelo Ministro Aliomar Baleeiro: "Não me cabe, Sr. Presidente, psicanalisar os eminentes representantes da Nação. Não entro, Sr. Presidente, na apreciação da justiça da lei. Desde que aceitei um posto neste Supremo Tribunal Federal, com muita honra para mim lembrei-me de que na minha mocidade me tinham ensinado aquela regra sovadissima, de D'Argentré: não julgo a lei, julgo segundo a leL Acho que os membros do Congresso, responsáveis pela política legislativa do País, podem exigir que apliquemos cegamente a todas as leis que forem constitucionais, boas ou ruins. Quem se queixtar da justiça da lei, que vá às eleições e substitua os Deputados e Senadores. Nosso papel não é fazer leis, mas justiça segundo as leis constitucionais." (STF, Tribunal Pleno, RE n.° 62.739-SP, Relator Ministro Aliomar Baleeiro, j. em 23.8.67, in RTJ 44/55-59) É por esses motivos que voto no sentido de dar provimento ao recurso para acolher a decadência, considerando-se que, no caso específico dos autos, o lançamento de oficio foi efetuado após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos de que trata o §4°. do artigo 150 do CTN. Sala das Sessões-DF, em 04 de março de 669 r 04,1 Alexandre Nao i Nishioka 17 Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.004925/2001-08
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997
SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO - EXIGIBILIDADE
DOS DÉBITOS DE PIS E COFINS
Nem um eventual pedido de parcelamento, nem uma ação judicial, por si só, independentemente do conteúdo da decisão nela proferida, justificam a suspensão do processo administrativo.
No primeiro caso, ocorre a mera transferência dos débitos parcelados para controle em outro processo, a serem exigidos na forma e no tempo do parcelamento. Já na ação judicial, é a decisão lá proferida que define a condição atual dos débitos, se são devidos ou não, se podem ser exigidos ou não. A suspensão da cobrança por parte da Administração Tributária, nesse
caso, configura mero ato de execução e cumprimento da decisão judicial atualmente válida, procedimento que está a cargo da Delegacia da Receita Federal de origem, e não do órgão administrativo de julgamento, encarregado da apreciação dos recursos administrativos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996,
30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E
JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula 1°CC n° 1).
Numero da decisão: 1802-000.066
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso, em relação à Cofins, diante da concomitância de processo judicial, e,negar provimento ao recurso quanto ao PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Jose de Oliveira Ferraz Correa
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I Lat. MINISTÉRIO DA FAZENDA / CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; rrrA 'tã :,air r PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .— , Processo n° 10830.004925/2001-08 Recurso n° 159.197 Voluntário Acórdão n° 1802-00.066 — 2 Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria PIS e COFINS Recorrente FERREIRA PIRES ADVOGADOS S/C Recorrida 3a. TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997 SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO - EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DE PIS E COFINS Nem um eventual pedido de parcelamento, nem uma ação judicial, por si só, independentemente do conteúdo da decisão nela proferida, justificam a suspensão do processo administrativo. No primeiro caso, ocorre a mera transferência dos débitos parcelados para controle em outro processo, a serem exigidos na forma e no tempo do parcelamento. Já na ação judicial, é a decisão lá proferida que define a condição atual dos débitos, se são devidos ou não, se podem ser exigidos ou não. A suspensão da cobrança por parte da Administração Tributária, nesse caso, configura mero ato de execução e cumprimento da decisão judicial atualmente válida, procedimento que está a cargo da Delegacia da Receita Federal de origem, e não do órgão administrativo de julgamento, encarregado da apreciação dos recursos administrativos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula 1°CC n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i i ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em relação à Cotins, diante da concomitância de processo judicial, e, negar provimento ao recurso quanto ao PIS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. M e: ES LINS DE SOUSA - 'residente E OU IRA j FERRAZ CO • r • - Relator pirEDITADO EM : 2 7 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo Lobo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Femandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que considerou procedente o auto de infração da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, às fls. 10 a 15, e parcialmente procedente o auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, às fls. 16 a 21, nos valores originais de R$ 10.076,45 e R$ 31.435,15, respectivamente, neles incluídos a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 a 29), em alguns meses de 1996 e 1997 foram apuradas diferenças entre as receitas declaradas pela contribuinte (DIRPJ) e as constantes das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, cujos valores foram confirmados em procedimento de circularização. Com base nessas diferenças, a fiscalização realizou o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, bem como dos chamados reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Na seqüência dos fatos, a contribuinte solicitou o parcelamento dos débitos de IRPJ e CSLL, que foram apartados destes autos, para efeito de controle, e ingressou com impugnação aos lançamentos de COFINS e PIS (fls. 108/116 e 132/136), cujos argumentos estão descritos na decisão de primeira instância, Acórdão n° 9.407 (fls. 240 a 250), nos seguintes termos, relativamente à COFINS: "A impugnante é sociedade civil prestadora de serviços de advocacia (..), cujos sócios são pessoa jisicas residentes e domiciliadas no Brasil (.). Com o advento da Lei Ordinária 9.430/96, a Impugnante equivocadamente, com restará demonstrado, passou a recolher a 2 Processo n°10830.004925/2001-08 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.066 Fl. 2 (.) COFINS. Recolhimento esse feito mensalmente desde 10.04.1991 Todavia, a Impugnante está isenta do pagamento da COF1NS desde sua instituição, motivo pelo qual os pagamentos já efetuados são indevidos e, pelo mesmo motivo, não está sujeita a pagamentos futuros. Sendo assim, em 11.06.2001 a Impugnante propôs (..) uma Ação Declaratória cumulada com Repetição do Indébito, sob n° 2001.61.05005414-9, visando a restituição da COFINS paga indevidamente e a declaração de inexistência de vínculo jurídico com relação aos meses vincendos. Essa ação encontra-se aguardando a citação da UNIÃO FEDERAL para contestação. Desde então, os pagamentos da COF1NS vêm sendo feitos através de depósito judicial. (•••) (.) o artigo 6° da LC 70/91 e o artigo 1° do Decreto Lei 2.397/87 criaram uma norma de isenção, afastando da regra matriz de incidência o sujeito passivo 'sociedades civis', desde que estas preencham três requisitos: a) prestem serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; b) sejam registradas no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; e c) sejam constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no país. (.) A Impugnante preenche os três requisitos descritos acima (.). É indiscutível, pois, que a Impugnante, por preencher os requisitos descritos na legislação, tem o direito de usufruir da isenção da COFINS (.). (•••) Não obstante tais considerações, cumpre ressaltar que a Lei ordinária 9.430/96 pretendeu revogar a isenção criada pela Lei Complementar 70/91, nos seguintes termos: [transcreve o art. 56 da Lei n° 9.430/96] Antes de adentrar na análise da revogação da isenção, cumpre ressaltar que o parágrafo único do art. 56 supra transcrito, determina que a incidência da COFINS para as sociedades civis dar-se-á a partir do mês de abril de 1997, todavia, conforme podemos verificar no Auto de Infração, a Ilustre Auditora Fiscal entendeu por bem autuar os meses de competência de 02/96, 03/96, 05/96, 07/96, 11/96 e 12/96 num evidente equívoco. • Até a promulgação da Lei 9.430/96, a Lei que regia a tributação da COFINS era somente a Lei Complementar 70/91, que, em seu art. 6°, previa a isenção das sociedades civis. A autuação foi fundamentada nos artigos 1° e 2° da Lei Complementar 70/91, mas não houve atenção com relação ao artigo 6°, o que compromete a procedência. Sf 3 _ Com relação a revogação da isenção, a Lei Ordinária 9.430/96 pretendeu alterar o texto da Lei Complementar 70/91 para aumentar o âmbito de incidência da COFINS, incluindo no pólo passivo da obrigação tributária as sociedades civis até então isentas, todavia, tal pretensão não pode prosperar, pois uma lei ordinária não pode alterar o teor de uma lei complementar (.). (.) Dessa forma, concluímos que o período que compreende os meses de competência de 01/96 a 02/97 são indiscutivelmente indevidos, pois a Lei 9.430/96 sequer havia começado a produzir efeitos. Da mesma forma, os meses de competência de 04/97, 08/97, 12/97 e 10/98 a 12/98 estão sujeitos à isenção, pois a Lei ordinária 9.430/96 não pode alterar o texto de uma Lei Complementar para pó,. fim a isenção. Ademais, a Impugnante já está discutindo o crédito tributário em questão nos autos do processo n° 2001.61.05005414-9, em trâmite na 3° Vara Federal em Campinas." Quanto ao PIS, a impugnação trouxe os seguintes argumentos: "A contribuição ao PIS sofreu significativas mudanças com o advento da Medida Provisória 1.212, de 28.11.95, e suas seguidas reedição (sic), culminando na edição da Lei 9.715/98, que fizeram com que a Contribuição passasse a incidir sobre o faturamento das sociedades prestadoras de serviços. (s) As sucessivas Medidas Provisórias e a Lei Ordinária 9.715/98 pretenderam alterar o texto da Lei Complementar 70/91 para tributar as sociedades prestadoras de serviços com base no faturamento e não mais na modalidade PIS/REPIQUE. Resta evidente o descabimento da alteração de uma lei complementar por uma medida provisória que depois foi convertida em lei ordinária. Outro aspecto a ser abordado é o princípio da anterioridade de 90 dias a que as contribuições estão sujeitas. Conforme dispõe o art. 62 da Constituição Federal, as medidas provisórias perdem a eficácia se não forem convertidas em lei dentro do prazo de 30 dias de sua edição. A Constituição também dispõe que as contribuições estão submetidas ao princípio da anterioridade de 90 dias (art. 195, 6°). (.) A reedição de MP's será sempre uma nova medida provisória e não uma prorrogação da anterior, uma vez que a Constituição Federal não prevê prorrogação, sendo assim, a Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições na verdade são uma série 4 Processo n°10830.004925/2001-08 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.066 Fl. 3 de Medidas Provisórias diferentes e autônomas, sujeitas também ao princípio da anterioridade. Passados os 30 dias da edição, a MP perderá a eficácia desde sua criação, não podendo ser prorrogada por uma reedição, que deverá ser considerada sempre uma nova MP com eficácia de apenas 30 dias. Em suma, a Impugnanti vem recolhendo o PIS/REPIQUE e não o PIS Faturamento pois, como demonstrado acima, uma Medida Provisória, mesmo que convertida em lei ordinária, não tem o condão de alterar uma Lei Complementar, ademais, uma MP não é o veículo hábil para criar uma Contribuição, pois sua eficácia é efêmera, não ultrapassando 30 dias, e as contribuições estão sujeitas ao princípio constitucional da anterioridade de 30• dias. (.) O lançamento em questão está eivado de ilegalidade e inconstitucionalidade por utilizar-se de um veículo normativo (Medida Provisória) que não pode alterar Lei Complementar e que não atende ao princípio da anterioridade de 90 dias." Como já mencionado, a DRJ Campinas considerou procedente o lançamento do PIS e parcialmente procedente o lançamento da COFINS, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997 Ementa: Legislação AplicáveL Medida Provisória. Possibilidade. O ordenamento jurídico brasileiro permite a instituição e alteração de tributos por meio de Medidas Provisórias e suas reedições, contando-se o prazo da anterioridade nonagesimal a partir da primeira edição. Lançamento de Oficio. Omissão de Receitas. Correta a constituição de oficio de crédito tributário decorrente da constatação de omissão de receitas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 29/02/1996, 31/03/1996, 31/05/1996, 31/07/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 30/09/1997, 31/12/1997 Ementa: Legislação Aplicável. Lei Complementar. Lei Ordinária. Materialidade. Possibilidade. f 5 Pode ser alterada por lei ordinária a lei complementar cuja matéria não estiver expressamente reservada constitucionalmente a tratamento qualificado. Sociedades Civis de Prestação de Serviços de Profissão Regulamentada. Isenção. Revogação. Vigência. A partir de abril de 1997, por força do artigo 56 da Lei n° 9.430/96, as sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada estão sujeitas à tributação da COFINS sobre sua receita. Deverão ser afastadas as exigências anteriores àquela data. Lançamento Procedente em Parte" Quanto à ação judicial referente à COFINS, a Delegacia de Julgamento consignou que não há, nos autos, comprovação da existência e teor da ação acenada pelo sujeito passivo. Registrou também que não há notícia de eventual manifestação do Juízo competente a respeito da matéria, seja em seu mérito ou a respeito da possibilidade de constituição do crédito tributário sob exame. Além disso, observou que, de acordo com as próprias afirmações da contribuinte, a ação teria sido proposta em data posterior ao início da ação fiscal, o que não resultaria em óbice ao lançamento da multa de oficio. Nesse contexto, a DRJ concluiu que as eventuais repercussões da ação proposta não poderiam ser determinadas, ressaltando que se a propositura de ação judicial configura fato com potencial de modificar a situação jurídica do sujeito passivo, caberia a este sua prova, o que não teria sido feito. Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual tomou ciência em 21/09/2006, a contribuinte apresentou em 19/10/2006 o recurso voluntário de fls. 263 a 279, onde transcreve a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3' Região no processo judicial n° 2001.61.05.005414-9, em que figura como autora, juntando cópia desta decisão (fls. 293 a 298). Trata-se de ação declaratória cumulada com ação de repetição de indébito, conforme fls. 283 a 292, por meio da qual a contribuinte questiona a revogação, pelo art. 56 da Lei 9.430/1996, da isenção da COFINS que estava prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar 70/1991. No presente recurso voluntário, a contribuinte solicita a suspensão do processo administrativo, até o trânsito em julgado da referida ação judicial. E para o caso de não se decidir deste modo, a contribuinte repete no recurso administrativo os argumentos de sua ação judicial, sustentando a ilegalidade da exigência a título de COFINS. Quanto ao PIS, informa que efetuou o parcelamento dos débitos referentes • aos períodos autuados, e que, de acordo com o CTN, o parcelamento é uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito. Assim, a contribuinte requer, também para o PIS, seja determinada a suspensão deste processo administrativo, até que fique comprovado o pagamento integral dos débitos. Este é o Relatório. 6 Processo n° 10830.004925/2001-CI8 SI-TE02 Acórdão n.• 1802-00.066 Fl. 4 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Em relação ao PIS, é importante registrar que a Delegacia de origem averiguou a condição do alegado parcelamento, visando evitar a duplicidade na cobrança dos débitos, e constatou que ele não abrange os débitos destes autos, embora haja coincidência de períodos. Conforme restou esclarecido às fls. 333 a 336, a ação fiscal resultou em dois autos de infração de PIS. Um deles, que está sendo aqui examinado, surgiu como reflexo do IRPJ, com base nas receitas não declaradas. O outro, independente da autuação do IRPJ, foi realizado por falta de recolhimento de PIS sobre as receitas declaradas na DIRPJ. E os débitos deste outro auto de infração, controlados pelo processo n° 10830.004927/2001-99, é que são objeto do alegado parcelamento. Deste modo, a Delegacia de origem efetuou a apartação dos débitos de PIS constantes destes autos, para providenciar a sua cobrança, uma vez que não houve propriamente um recurso em relação a eles. E ainda que os débitos estivessem incluídos no alegado pedido de parcelamento, a solução não seria a suspensão do presente processo, como reivindicou a contribuinte, mas a mera transferência dos débitos para controle em outro processo, a serem exigidos na forma e no tempo do parcelamento. Portanto, não merece acolhida o pedido de suspensão do presente processo, no que toca às exigências do PIS. Quanto ao lançamento relativo à COFINS, restou claro, com a apresentação do recurso voluntário, que as questões de mérito suscitadas nesse processo administrativo foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário, pelo processo n° 2001.61.05.005414-9. Nos termos da Lei n° 6.830/1980, art. 38, parágrafo único e do Decreto-Lei n° 1.737/1979, art. 1°, § 2°, a interposição de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia do direito de recorrer nesta esfera, ou em desistência dos recursos já interpostos. Trata-se, inclusive, de matéria já sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula MC n° I: Importa renúncia às instáncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." q. 7 Dessa forma, as questões de mérito suscitadas no recurso voluntário, contra a revogação da isenção da COFINS que estava prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar 70/1991, ficaram prejudicadas em face da concomitância e da preponderância da decisão judicial sobre a administrativa. Sobre o pedido de suspensão da exigência da COFINS, até o trânsito em julgado da referida ação judicial, cabe apenas esclarecer que tal medida não é obtida pelas vias do contencioso administrativo. Estando a exigência tributária sob a apreciação do Poder Judiciário, é a decisão judicial que vai definir a sua condição, se ela é devida ou não, se pode ser atualmente exigida ou não. A suspensão da cobrança dos débitos por parte da Administração Tributária, nesse caso, configura mero ato de execução e cumprimento da decisão judicial em vigor, procedimento que está a cargo da Delegacia da Receita Federal de origem. A este Conselho incumbe tão somente deixar de apreciar o recurso, posto que a matéria está sob exame do Poder Judiciário. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso acerca da COFINS, em razão da concomitância entre os processos administrativo e judicial, e quanto ao PIS, voto por negar provimento ao recurso. A— eA 7 ; • DE OLIVEIRA FE RREA •
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