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Numero do processo: 19679.005202/2005-16
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
MULTA POR ATRASO DA DITR- OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, Não tendo o contribuinte logrado comprovar através de prova documental
hábil a inexistência de vinculo com o fato gerador da obrigação tributária, não há como afastar a aplicação da multa por atraso na entrega de declaração.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO DA DITR- OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, Não tendo o contribuinte logrado comprovar através de prova documental hábil a inexistência de vinculo com o fato gerador da obrigação tributária, não há como afastar a aplicação da multa por atraso na entrega de declaração. Recurso negado.
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I .. .•...n.....:- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4,reo, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19679,005202/2005-16 Recurso n" 34L466 Voluntário Acórdão n" 2202-00.590 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria ITR Recorrente COMPANHIA DE EMPREENDIMENTOS SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL - ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO DA DITR- OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, Não tendo o contribuinte logrado comprovar através de prova documental hábil a inexistência de vinculo com o fato gerador da obrigação tributária, não há como afastar a aplicação da multa por atraso na entrega de declaração. Recurso negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. 7-',//'7,i7, . elso án/ al . án. -= 1-P resio entee ' 1A nio L),4 'M fft\inraelator EDITADO EM: 2 U AGO 21:31U Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente), i Relatório Exige-se do interessado supra o pagamento de multa por atraso na entrega da declaração do imposto sobre a propriedade tenitorial rural — 1"TR, Exercício 2000, no valor total de RS 7„000,00, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 4.833,376-0, localizado no município de Carutapera - MA, A base legal que fundamenta a exigência são os artigos 6.° ao 9.° da Lei n,° 9.393/96. Foi apresentada a impugnação de fis., 01110, Como preliminar, o impugnante levanta questões acerca do procedimento de oficio que apurou o imposto suplementar, sobre o qual foi calculada a multa objeto do presente processo. Alega ilegitimidade passiva. Afirma que a exigência da multa somente pode ser efetuada após o encerramento da discussão acerca da exigência do tributo. No mérito, afirma que a multa deve ser calculada sobre o imposto declarada - A DRJ-Campo Grande ao analisar o lançamento da multa entendeu que a mesma era devida, julgando o lançamento procedente, li-resignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário de fis.144 al49, alegando a nulidade do acórdão recorrido, a litispendência administrativa e a não incidência do ITR, 2 Processo o' 19679.005202/2005-16 S2-C2T2 Acórdão o o 2202-00.590 Fl 2 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço, Não há corno acolher a preliminar de nulidade argüida pela recorrente. Ao meu sentir, a preliminar não faz qualquer sentido no caso vertente. Em primeiro plano, porque não há provas conclusivas nos autos do alegado pela recorrente, No processo não ficou comprovado que a área mencionada não estava na posse do recorrente, ao tempo do fato gerador do ITR.Ou seja, não está claro se o contribuinte não fazia uso do referido imóvel, inobstante alegar que o mesmo encontrava-se dentro dos limites de reserva indígena. Em suma, entendo o Imposto Territorial Rural-ITR poderá incidir sobre área rural cujo acesso ainda que interditado ao seu proprietário por ato do Poder Público tributante, para fim de demarcação de reserva indígena, pois nada impede que o recorrente tenha tido a posse do imóvel. O contribuinte deve comprovar através de prova documental hábil a inexistência de vinculo com o fato gerador da obrigação tributária, diante da ausência de tal prova, não há como lhe eximir da cobrança da multa por atraso na entrega de declaração. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso, Atonio Loi O Mktinez 3
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001415/2001-90
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF
RECURSO ESPECIAL - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Na parte em que o acórdão foi decidido por unanimidade, não comprovada a divergência de interpretação promovida por outra Câmara dos Conselhos de Contribuintes ou pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, incabível o conhecimento de matéria constante de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista o não atendimento dos pressupostos de admissibilidade, previstos no Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF
n° 147, de 2007.
CONTA CONJUNTA - SÚMULA 29 DO CARF.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, negado
Numero da decisão: 9202-000.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação aos depósitos bancários e em negar provimento ao recurso e relação à co-titularidade.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF RECURSO ESPECIAL - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Na parte em que o acórdão foi decidido por unanimidade, não comprovada a divergência de interpretação promovida por outra Câmara dos Conselhos de Contribuintes ou pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, incabível o conhecimento de matéria constante de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista o não atendimento dos pressupostos de admissibilidade, previstos no Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. CONTA CONJUNTA - SÚMULA 29 DO CARF. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, negado
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Na parte em que o acórdão foi decidido por unanimidade, não comprovada a divergência de interpretação promovida por outra Câmara dos Conselhos de Contribuintes ou pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, incabível o conhecimento de matéria constante de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista o não atendimento dos pressupostos de admissibilidade, previstos no Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. CONTA CONJUNTA - SÚMULA 29 DO CARF. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação aos depósitos bancários e em negar provimento ao recurso e relação à co-titularidade. 40- CARLOS ALBER 1 FREITAS B RRETO - Presidente MOIS til ES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 114 MAIO, 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório O contribuinte foi intimado para prestar esclarecimentos correspondente a depósitos bancários no ano-calendário de 1998, no valor de R$ 2.199.499,46. Na primeira oportunidade em que se manifestou nos autos (fl. 24) infoiniou ser proprietário de estabelecimento agrícola e apresentou os extratos bancários de fls. 28 a 94. Junto com os extratos bancários, sem qualquer solicitação da fiscalização, juntou as notas de produtor rural de fls. 95 a 116 e as declarações de imposto de renda dos anos-calendário de 1999 e 1998 (fls. 167/174) que demonstra como única fonte de rendimentos os decorrentes da atividade rural, referente aos estabelecimentos dos quais é proprietário, conforme consta de sua declaração de ajuste anual. Após relacionar as notas fiscais de produtor rural, de posse dos extratos bancários, a fiscalização elaborou a planilha de depósitos bancários de fls. 180/182, no valor de R$ 1.942.596,98 e intimou o sujeito passivo para comprovar a origem dos valores tributados nas seguintes contas bancárias: Banco N° conta corrente Titularidade Bradesco — Ag. 1920-8 1.066-9 Olivar Barbosa Siqueira — fls. 28 a 66 Itaú 10.945-1 Olivar Barbosa Siqueira — fl. 77 Banco do Brasil 41.047-0 Olivar Barbosa Siqueira em conjunto com Tereza J. R. Siqueira — fls. 77 a 89 Banestado 00127-6 Olivar Barbosa Siqueira em conjunto com Tereza de Jesus Rego Siqueira — fls. 90 a 94 Por meio dos demonstrativos de fls. 185 a 186, o fiscalizado comprovou 81,32% dos valores, restando um saldo de R$ 410.907,89 (18,32%) de origem não justificada. Os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares e, por maioria, deram provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Tadeu Farah e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que negavam provimento em relação aos valores referentes às contas conjuntas. O acórdão de fls. 303 a 313, pode ser sintetizado com a seguinte ementa: 2 Processo n° 10820.001415/2001-90 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.565 Fl. 3 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. TRIBUTAÇÃO. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular intimação de todos os titulares pra comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS — ATIVIDADE RURAL — COMPROVAÇÃO DA RECEITA — Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Preliminares rejeitadas. Recurso Provido. Além do que consta da ementa, o acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: "Não ignoro que alguém que apresenta rendimentos declarados única e exclusivamente da atividade agrícola não possa ter omissão provenientes de outras fontes. No entanto, nestes casos, isto é, nas hipóteses em que o sujeito passivo somente possui rendimentos conhecidos provenientes da atividade agrícola e confessa que não possui documentos fiscais correspondente à parte destas receitas que foram omitidas, para que se possa tributar tais recursos como sendo omissão de outras fontes, que não da atividade agrícola, única conhecida, cabe à fiscalização demonstrar quais são as provas por meio das quais concluiu que os rendimentos omitidos são são provenientes da atividade agrícola, circunstância que não existe no caso dos autos. •••• Com efeito, além disso, os valores que resultaram sem comprovação efetiva são decorrentes de depósitos em conta bancária conjunta, devendo obrigatoriamente ter sido intimada a segunda titular da conta, sob pena de cerceamento de defesa. Intimada o acórdão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso com base no artigo 70, II, do Regimento Interno vigente à época, apontando como paradigma o acórdão n° 106-15426, cuja ementa segue transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.1997, o artigo 42 da lei n° 9430, de 1996, autoriza a presunção legal de - 3 omissão de rendimentos com base em depósitos cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos, quando devidamente intimado, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados. Argumenta a parte recorrente que a presunção relativa prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tornou-se definitiva na medida em que a parte recorrida confessou que não detinha documentação para comprovar a receita da origem dos R$ 410.907,89, para os quais não existiam documentos fiscais. Segundo a recorrente se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a origem dos recursos utilizados para acobertar depósitos bancários, que não pode ser substituídas por meras alegações. Quanto às contas conjuntas, com decisão por maioria, sustenta a recorrente que mesmo não intimada a co-titular, seria possível atribuir ao recorrente a metade dos valores. Admitido o recurso por meio do despacho de fls. 328/332, a parte recorrida apresentou as contra-razões de fls. 340 a 351, alegando, em síntese que a decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria CSRF, há de ser entendida no contexto da situação do caso paradigma com o contexto da decisão recorrida e que, no caso dos autos, trata-se de situação diversa. Com a finalidade de demonstrar que se tratam de decisões divergentes, a parte recorrida trouxe aos autos a íntegra do acórdão apontado como paradigma, de onde transcrevo passagem relativa a questão fática daquele processo: "Ainda, o impugnante no intuito de justificar os depósitos tributados argui que esses seriam oriundos de movimentação financeira, tara tanto elaborou tabelas que levam em consideração valores creditados e debitados em sua conta bancária, querendo que seja tributado apenas o valor de R$ 70.000,00 que é resultante do confrontamento de entrada e as 'da de valores nas contas. A relatora do r. acórdão rechaçou o argumento ate de aplicações financeiras mantidas pelo apresentado pelo impugnante no sentido de que em momento algum restou comprovado o nexo de causualidade entre tais operações, não tendo nos autos qualquer prova de que os depósitos em questão \ advieram de resgate de aplicações financeiras mantidas pelo contribuinte É o relatório. 4 Processo n° 10820.001415/2001-90 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.565 Fl. 4 Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator Da admissibilidade do recurso: O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25 de Junho de 2007, vigente à época da interposição do recurso, ao tratar da admissibilidade de Recursos Especiais à Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos artigos 7 0 , I e II e 15, previa textualmente: Art. 70• Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1— decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. •-•- Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. ,§ 1°. Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. ,5Ç 2°. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fitridamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. ,55' 3°. A cópia de publicação de ementa referida no s5S' 2', quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. (grifei) Apesar do recurso estar fundamentado com base no artigo 7°, II, do(' Regimento Interno vigente a época, isto é, decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, ele também ataca a questão das contas conjuntas, destacando nada obstar em se atribuir ao recorrente a metade dos valores creditados em tais contas. Quando se confronta a matéria fática do acórdão recorrido com a matéria fática do acórdão paradigma, embora a tributação decorra do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, verifica-se que este trata de questão relacionada a contribuinte que informa ter como única fonte de rendimentos a receita da atividade rural, não possuindo notas fiscais referente aos R$ 410.907,89 que serviram de base de cálculo. Por sua vez, o acórdão paradigma, conforme anteriormente relatado, tem como matéria fática, invocada pela parte autuada, que os rendimentos creditados em sua conta bancária são oriundos de resgate de aplicações financeiras. Ao meu sentir, o fato de um acórdão tratar de contribuinte que tem como única fonte de receita informada rendimentos da atividade rural e foi tributado com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e o do acórdão paradigma encontrar-se em situação diversa, informando que os rendimentos tributados advém de resgate de aplicações financeiras, não obsta o conhecimento do recurso, pois o que se discute é a tese jurídica para aplicação da presunção e não o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Em que pese o entendimento acima exposto, neste ponto sou voto vencido na medida em que o colegiado entende que em se tratando de presunção a partir de depósito bancário de origem não comprovada, a questão fática deve ser idêntica para caracterizar a interpretação divergente exigida pelo inciso II do artigo 7°, do Regimento Interno vigente à época da interposição do recurso. Em face ao entendimento da douta maioria, acima exposto, por racionalidade na prestação da atividade jurisdicional, ressalvo meu ponto de vista e sigo o entendimento da douta maioria para não conhecer do recurso em relação a este ponto. Isso posto, no que diz respeito às contas conjuntas em que o Colegiado, por maioria, afastou a tributação por não ter sido intimado um dos co-titulares alegando, em tese, violação à lei, neste ponto conheço do recurso e nego-lhe provimento, com base no disposto na Súmula n°29 do CARF. É o voto. - . Moisés tiTacome 1 Nunes da Silva. - • -lator 6
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Numero do processo: 10240.721110/2011-09
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO.
É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO.
É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição.
Numero da decisão: 3402-008.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata da Silveira Bilhim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição.
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AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 11 10 /2 01 1- 09 Fl. 1236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 01-25.870, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte. A decisão recorrida possui a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 Ementa: A instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, reproduzo o relatório desenvolvido pela DRJ de Belém/PA e retratado no Acórdão recorrido, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de autos de infração (fls. 572/594) lavrados pela DRF/Porto Velho/RO, em que foram lançados créditos de Cofins e PIS/Pasep nos valores respectivos de R$ 2.014.344,73 e R$ 437.324,83 (incluídos nesse montante os juros de mora e a multa proporcional aplicada). Fl. 1237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 2. Segundo a fiscalização (Termo de Verificação da Infração de fls. 597/607) os lançamentos decorreram da utilização indevida de créditos das contribuições em operações de revenda de mercadorias adquiridas através da Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim (ALCGM) sem incidência das contribuições (redução para zero – Lei nº 10.996, de 2004). 3. Ciente em 28/09/2011 (fls. 574 e 583), a interessada apresentou tempestivamente, em 27/10/2011, impugnação (fls. 626/644), na qual alega: a) “Vemos que a questão restringe-se à filial de Guajará-Mirim/RO por esta encontrar-se estabelecida na ALC Área de Livre Comércio e teria, supostamente, beneficiando-se indevidamente de créditos das contribuições sociais acima delineadas.”; b) “No entanto, em que pesem os fundamentos apresentados pelo Agente Fiscal, a atuação do Contribuinte, ora Impugnante, está em desacordo com a realidade fática, assim como em relação à legislação aplicável, visto que houve sim tributação das mercadorias com destino a ALC Área de Livre Comércio, ou seja, nos valores das notas fiscais de entrada de mercadoria na área da ALC estão embutidas as Contribuições sociais PIS/COFINS.”; c) “Evidente que a portaria 162/05, cujas disposições determinam a indicação expressa do abatimento do PIS/COFINS, esteve em vigor até a publicação da portaria 275/09, cujos efeitos passaram a surtir a partir de 14 de julho de 2009, assim, as notas fiscais das mercadorias com destino a ALC até a data da publicação da portaria 275/09 deveriam estar com a indicação do abatimento do PIS/COFINS para que fossem incentivadas pelo beneficio da alíquota zero, caso contrário o contribuinte não estaria cumprindo o requisito para usufruir tal beneficio.” d) “Portanto, apenas após a publicação em 14/07/2009 da portaria 275 as empresas deixaram de ser obrigadas a especificar nas notas fiscais de entrada de mercadoria com internamento na ALC, o benefício da alíquota zero, assim não há que se falar em beneficio fiscal anterior a data da publicação desta ultima portaria, sem o devido destaque do beneficio no corpo da NF's.”; e) “Pois bem, as notas fiscais de internamento de mercadoria na ALC que não constarem a determinação da portaria 162/05, bem como da lei 12.350/2010 não gozaram do benefício da alíquota zero, sendo devidamente tributada e embutida no valor total da nota fiscal.”; f) “Assim não há que se falar em incentivo presumido de PIS e COFINS, aliás, a portaria 275/09 passou a surtir efeitos tão somente em 14/07/2009, ou seja, os eventos anteriores seguiram nos ditames da portaria 162/05, sendo beneficiada do incentivo de alíquota zero tão somente quando especificada na nota fiscal tais incentivos.”; g) “Não obstante, revogação da Portaria 162 pela Portaria 275 da Superintendência da Zona Franca de Manaus, os fornecedores continuaram a destacar no corpo nas NF's, os incentivos fiscais, PIS/COFINS, no caso das mercadorias que usufruíram de tal benefício.”; h) “Em que pese o entendimento da Receita Federal do Brasil no que tange em reaver o crédito PIS/COFINS, os quais foram tributados na entrada das mercadorias, caracteriza-se o bis in idem, ou seja, a dupla tributação, figura inadmissível no Direito Tributário Brasileiro.”; i) “Por derradeiro, de imediato percebe-se a carência de fundamentos legais da autuação sofrida pelo Contribuinte, ora Impugnante, pois as NF's de entrada de Fl. 1238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 mercadoria que não especificarem os benefícios fiscais, ainda que destinadas as Áreas de Livre Comércio não estavam submetidas a redução de alíquota zero.”; j) “O Auditor em seu apontamento ignorou o registro de entrada de nota fiscal de terceiro na Matriz e considerou tão somente a entrada de nota fiscal na filial de Guajará-Mirim/RO, não gerando crédito na alegada dicção de incentivo por tratar-se de Área de Livre Comércio ALC.”; h) “Mister ressaltar que, a veracidade dos fundamentos ora declinados pelo Impugnante apresenta consistência e é por demais cristalina, que para tal, basta compulsar as NF's de transferências de mercadorias para Matriz, bem como as operações de mercancia realizada pela Filial, ou seja, não fora transferido na sua totalidade as mercadorias adquiridas nesta ultima.”; k) “Deste modo a Matriz de Porto Velho/RO, por não gozar de incentivo de PIS e COFINS, tendo suas mercadorias tributadas normalmente na saída pelo regime não-cumulativo faz jus a manutenção dos créditos tributários.”; l) “Assim as mercadorias que foram adquiridas com incentivo do PIS/COFINS pela filial ALC/ GM, ressaltando que neste caso as NF"s incentivadas com PIS e COFINS destacadas no próprio corpo como supramencionado, houve os devidos estornos, ou seja, não houve qualquer possibilidades de manutenção dos créditos nas operações, em conformidade com o art. 3o, §2°, I e II respectivamente da lei 10.637/02 e 10.833/03.” m) Afirma haver cumprido com suas obrigações acessórias no ano calendário 2009 e obedeceu a legislação em fazer as apurações dos créditos de forma consolidada. n) “Acontece que, no tocante a Área de Livre Comercio – ALC incorre em três erros na autuação fiscal, uma vez que considerou presumidamente a redução da alíquota zero para as mercadorias com internamento nessa área, causando ao Impugnante a incidência do bis in idem, considerou ainda, que todas as mercadorias foram transferidas para Matriz como se não houvesse operação na Filial ignorando as NF's de transferência Filial x Matriz, e por ultimo, a glosa dos créditos efetuado de forma equivocada.”; o) “A título de ratificação desta ultima, verificasse junto a tabela do Anexo I, fls.02 do Auto de Infração referente ano-calendário/2009, na coluna "Mercadorias adquiridas para revenda pela Filial', foi considerado a totalidade da transferência dessas mercadorias para Matriz, conforme percebe-se na coluna - "Bens para Revenda Mercado Interno", fato este que não ocorreu conforme constata-se junto as NF's de transferências de mercadorias Filial x Matriz que segue em anexo.”; p) “Em que pese o entendimento do fisco, o contribuinte que forneceu a mercadoria foi tributado nas mercadorias PIS/COFINS mesmo que destinadas à ALC, cujo o tributo está embutido no valor da nota fiscal.”; q) Requer a nulidade dos autos sob o argumento de que “restam ausentes dois elementos imprescindíveis para a excelência do ato administrativo, quais sejam, a devida descrição fática para a necessária compreensão da infração e a devida capitulação, a fazer jus à Penalidade que lhe foi imposta.”; r) Aponta caráter confiscatório da multa aplicada; s) Requer a improcedência dos lançamentos, pelos motivos expostos. Fl. 1239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 Cientificada dessa decisão em 29/05/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 1033, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, na data de 27/04/2013, pugnando pelo provimento do recurso e cancelamento da exigência fiscal, alegando, em síntese, que os créditos utilizados pela empresa referem-se exclusivamente a operações tributadas na origem, cujas notas fiscais não tiveram a indicação do benefício da alíquota zero do PIS e da COFINS, tendo direito ao creditamento em obediência ao princípio da não-cumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Renata da Silveira Bilhim, Relator. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Mérito Trata-se de Autos de Infração (fls. 572/594) lavrados em face da Recorrente, visando a cobrança de créditos de COFINS e de PIS, referente ao exercício de 2009, nos valores de R$ 2.014.344,73 e R$ 437.324,83, respectivamente. Conforme se depreende do Termo de Verificação da Infração, de fls. 597/607, que acompanha a autuação, os lançamentos decorreram da utilização indevida de créditos das contribuições em operações de revenda de mercadorias adquiridas através da Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim (ALCGM) sem incidência das contribuições (redução para zero – Lei nº 10.996, de 2004). A Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, preliminarmente, a nulidade da autuação, e, no mérito, explica que sua filial localizada em área de livre comércio apropriou-se adequadamente dos créditos de PIS e de COFINS, tendo em vista que alguns fornecedores, como a Aurora Alimentos, não se utilizavam do benefício da alíquota zero. Isso porque a Portaria nº 162/05 determinava que para o internamento de mercadoria na ZFM e nas áreas de livre comércio com os benefícios fiscais, as notas fiscais deveriam conter expressamente a indicação referente ao PIS e a COFINS incentivado. Assim, entende que, como nas notas de alguns fornecedores não constava essa informação, as contribuições foram recolhidas e ela faria jus aos créditos em nome da não cumulatividade. Pede, ainda o reconhecimento da inconstitucionalidade da multa aplicada. A DRJ manteve a autuação e julgou improcedente a impugnação por entender que, como todas as operações analisadas ocorreram em 2009, de acordo com a legislação vigente à época, existia a redução à alíquota zero das contribuições em relação a qualquer venda para consumo ou industrialização nas áreas de livre comércio, sendo vedado o aproveitamento do crédito por expressa disposição legal. Fl. 1240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 Em Recurso Voluntário a contribuinte, mais uma vez, destaca que os créditos utilizados pela empresa referem-se exclusivamente a operações tributadas na origem, cujas notas fiscais não tiveram a indicação do benefício da alíquota zero do PIS e da COFINS, tendo direito ao creditamento em obediência ao princípio da não-cumulatividade. Vejamos: Antes de analisar o mérito propriamente dito, necessário rememorara a legislação aplicável ao tema. Quanto à impossibilidade de creditamento nas operações não tributadas, os arts. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/01 e 10.833/03, assim determinam, verbis: Art. 3º. (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II. da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifou-se) Da leitura do dispositivo é clara a ilação de que é expressamente vedada a apropriação de créditos referentes às aquisições com alíquota zero. Quanto às receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização para empresas localizadas nas áreas de livre comércio, como é o caso da Recorrente, o art. 2º, e parágrafos, da Lei nº 10.996/04, estabelece a alíquota zero para o PIS e a COFINS incidente sobre estas receitas de venda, confira: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendem-se como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicam-se às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º As disposições deste artigo aplicam-se às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pelo art. 16 da Medida Provisória nº 451, de 2008, convertida na Lei nº 11.945, de 2009). § 4º Não se aplica o disposto neste artigo às vendas de mercadorias que tenham como destinatárias pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime de apuração Fl. 1241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão ‘Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins’, com a especificação do dispositivo legal correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifou-se) Vê-se, inicialmente, que Lei nº 10.996/04 reduziu a zero as alíquotas do PIS/Pasep e da COFINS apenas nas vendas para a Zona Franca de Manaus, deixando claro no § 2º, do art. 2º, que, para essas operações, seria aplicada a vedação de aproveitamento de crédito contida nos arts. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/01, e 10.833/03. Posteriormente, o art. 16, da MP nº 451/08, convertida na Lei nº 11.945/09, estendeu a redução à zero também para as vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio feitas por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. Destaca-se que referido dispositivo produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme art. 33, I, alínea “a”, da Lei nº 10.945/09. Apenas com a edição da Lei nº 12.350, do final de 2010, é que foram inseridos os §§ 4º e 5º ao art. 2º, da Lei nº 10.996/04, como destacado acima, excluindo da redução as vendas para varejistas e atacadistas das áreas de exceção que apurem as contribuições na forma não cumulativa, além da obrigação de inclusão pelo remetente, na nota fiscal, de texto informando a redução, quando aplicável. Postas estas considerações, como o período ora analisado diz respeito à operações ocorridas no ano de 2009, resta inconteste a aplicação da alíquota zero para as referidas contribuições incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias para consumo ou industrialização para empresas localizadas nas áreas de livre comércio, sendo, portanto, vedado por estas o aproveitamento dos créditos, diante de expressa disposição legal. A Recorrente alega que sua filial, localizada em área de livre comércio, apropriou- se adequadamente dos créditos de PIS e de COFINS, porque alguns fornecedores, especialmente a Aurora Alimentos, não se utilizavam do benefício da alíquota zero, uma vez que as notas fiscais não faziam constar a referência a referido benefício. Tal afirmação lastreia-se na Portaria nº 162/05 que determinava que para o internamento de mercadoria na ZFM e nas áreas de livre comércio com os benefícios fiscais, as notas fiscais deveriam conter expressamente a indicação referente ao PIS e a COFINS incentivado. Assim, a Recorrente entende que, como nas notas de alguns fornecedores não constava essa informação, as contribuições foram recolhidas e ela faria jus aos créditos em nome da não cumulatividade. A DRJ, ao analisar o argumento, assim argumenta: 15. Com relação a essa questão, cabe esclarecer que, na hipótese de um vendedor de fora da ALC vir a tributar indevidamente o seu faturamento decorrente das vendas para a área, tal fato não gera de modo algum direito a apuração do crédito pelo adquirente, Fl. 1242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 mas tão somente um direito de repetição de indébito pelo próprio remetente, por haver recolhido erroneamente a maior suas contribuições. 16. Assim, da mesma forma, cometendo o remetente da mercadoria a falha de não inserir na nota fiscal o texto informando o benefício, o mesmo ficará sujeito às sanções referentes a essa falha na emissão do documento, mas, de forma alguma tal erro terá o condão de permitir o aproveitamento de um crédito expressamente vedado pela lei, conforme acima demonstrado. (grifou-se) Foi contra estes exatos fundamentos que a Recorrente se insurge em seu Recurso Voluntário. Alega que, como não destacado na nota fiscal a referência ao benefício, não houve repasse de referida redução ao comprador situado na área de livre comércio. Conclui: “se o vendedor situado fora da ALC não repassou no preço o desconto obtido com a redução à zero da alíquota do PIS/COFINS, totalmente descabido que posteriormente ele seja beneficiado com a restituição do imposto que supostamente recolheu a maior e o comprador, o qual é o beneficiário da norma, não o seja”. Pois bem, apesar de me compadecer com os argumentos da Recorrente, a ela não assiste razão. É necessário lembrar que as contribuições em referência são tributos diretos e, portanto, o ônus de seu pagamento não é transferido a terceiro, contribuinte de fato, como ocorre na tributação indireta. O repasse do ônus tributário ao comprador, nestes casos, é técnica de formação de preço, como bem aduziu a Recorrente, e, dessa forma, apesar de ‘injusta’ a possibilidade de eventual repetição do indébito pelo vendedor, tal fato não se aproveita para legitimar a apropriação de crédito indevido por disposição legal. Inclusive, destaco que fala-se de “eventual recolhimento a maior”, sendo certo que não resta comprovado nos autos que os fornecedores da Recorrente, de fato, recolheram (ou não) indevidamente o tributo e, mesmo que se presuma que se tenha recolhido os tributos, por ausência de indicação das notas fiscais da fruição do benefício, fato é que a operação é tributada à alíquota zero e, portanto, não gera direito de crédito ao comprador. Ademais, como bem ponderado no acórdão recorrido, o erro cometido pelo remetente da mercadoria, ao não inserir na nota fiscal o texto informando o benefício, ficará sujeito às sanções pertinentes, de modo que, tal falha, por si só, não permite o aproveitamento de um crédito vedado pela lei, conforme acima explanado. Acertada a decisão da DRJ, não merecendo reparos. 3. Dispositivo Diante do exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim Fl. 1243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-008.865 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10240.721110/2011-09 Fl. 1244DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 36202.002481/2007-43
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/05/2001
Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se • de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.065
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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score : 1.0
Numero do processo: 12045.000483/2007-90
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior.
CO-RESPONSÁVEIS. POLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES.
Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o polo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no art. 2°, inciso I, § 5°, da Lei n°6.830/1980.
FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPREVIENTO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS.
Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8212/1991, com a seguinte redação original:
"Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:
II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social - CNSS, renovado a cada 3 (três) anos."
No presente caso, o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) verificou que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos.
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes ,aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na iroprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do -,Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
IUROS/SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA. APLICAÇÃO DA
*-LEGISLAÇÃO VIGENTE.
làujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou oeja, os juros e a multa legalmente previstos.
D- ESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO.
' Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os
segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212/1991.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.842
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. CO-RESPONSÁVEIS. POLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o polo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no art. 2°, inciso I, § 5°, da Lei n°6.830/1980. FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPREVIENTO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8212/1991, com a seguinte redação original: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social - CNSS, renovado a cada 3 (três) anos." No presente caso, o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) verificou que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes ,aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na iroprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do -,Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. IUROS/SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA. APLICAÇÃO DA *-LEGISLAÇÃO VIGENTE. làujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou oeja, os juros e a multa legalmente previstos. D- ESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. ' Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212/1991. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:05:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:05:03Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:05:03Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:05:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:05:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:05:03Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:05:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:05:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:05:03Z; created: 2010-06-16T12:05:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2010-06-16T12:05:03Z; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:05:03Z | Conteúdo => S2-C4T2 P1958 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS1,2 k - n . 1-7") SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12045.00048312007-90 Recurso n° 149418 Voluntário Acórdão n° 2402-00.842 — 4" Câmara ir Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PARTE EMPREGADOS - CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS Recorrente SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUÇÃO - SBI Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em reg/a, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. CO-RESPONSÁVEIS. POLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o polo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no art. 2°, inciso I, § 5°, da Lei n°6.830/1980. FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPREVIENTO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8212/1991, com a seguinte redação original: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social - CNSS, renovado a cada 3 (três) anos." No presente caso, o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) verificou que a recorrente não possui o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vineulantes ,aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na iroprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do -,Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas -- federal, estadual e municipal. IUROS/SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA. APLICAÇÃO DA *-LEGISLAÇÃO VIGENTE. làujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou l oeja, os juros e a multa legalmente previstos. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. - ' Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n" 8.212/1991. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. .• . • CELO OLIVEIRA - Presidente / RONALDO DE LIMA MACEDO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado -, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da - , Glória Faria (Suplente). 2 Processo no 12045.000483/2007-90 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 959 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco contra a empresa Sociedade Brasileira de Instrução - SB1, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos empregados, incidentes sobre os valores pagos, creditados ou devidos aos prestadores de serviço caracterizados como segurados empregados, e foram considerados indevidamente como contribuintes individuais pela-empresa, no período de 01/1999 a 03/2002. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 91 a 104) informa que as contribuições apuradas neste lançamento fiscal ora analisado referem-se a valores pagos aos trabalhadores, considerados indevidamente como contribuintes individuais pela notificada, mas preenchem os requisitos de segurados empregados, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/1991. A autuada apresentou impugnação (fls. 02 a 49 do anexo I), juntando documentos (anexo I), alegando, em síntese, que: (i) não há que se falar em co- responsabilidade dos professores Candido Antonio José Francisco Mendes de Almeida e Antonio Luiz Mendes de Almeida, eis que não se configura qualquer hipótese prevista no art. 135, inciso III, do CTN; (ii) houve violação à garantia da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e ainda do princípio da razoabilidade, tendo em vista que a impugnante foi concedido um prazo de 15 dias para apresentar defesa nas 43 NFLD's que foram apuradas pela autoridade fiscal em praticamente um ano; (iii) as contribuições previdenciárias têm natureza jurídica de tributo, sendo regulado pelo art. 173, I, combinado com o art. 153, §4, ambos do CTN, assim os valores lançados estão atingidos pela decadência até 15/07/1998, uma vez que a autuação foi realizada em 15/07/2003; (iv) a Sociedade Brasileira de Instrução é uma entidade reconhecida desde 1905 como de utilidade pública e detentora de certificado de fins filantrópicos, concedido desde 1971, pelo Conselho Nacional de Serviço Social; (v) a Academia de Comércio do Rio de Janeiro foi criada como órgão integrante da Sociedade Brasileira de Instrução, não possuindo personalidade jurídica própria. Assim, a Academia de. Comércio do Rio de Janeiro é a Sociedade Brasileira de Instrução, já que em 1905, data do Decreto 1.339, a única entidade mantida era a Academia de Comercio, e já foi resolvido pelo art. 40 do Decreto n° 752, de 16/02/1993, que o reconhecimento da utilidade pública federal vale para o todo ou para a parte, exatamente porque se comunica, para os efeitos legais, até mesmo em caso de cisão; (vi) a fiscalização da previdência social não é competente para retirar das entidades filantrópicas os favores concedidos por lei. Sociedade Brasileira de Instrução preencheu todas as condições de gozar do favor fiscal; (vii) não foram computados vários valores que a própria Caixa Econômica Federal recolhe, compensando créditos da SBI junto ao FIES com seus débitos junto à Previdência Social; (viii) a ilegalidade da aplicação da taxa de juros (SEL1C); (ix) a inconstitucionalidade/ilegalidade das normas tributárias que autorizam a fiscalização caracterizar prestadores de serviços como segurado empregado, já que isso, argumenta a recorrente, usurparia a competência da Justiça do Trabalho; (x) a contribuição patronal decorrente da remuneração paga aos autônomos não poderia ser cobrada para o período do lançamento fiscal, pois o art. 3°, inciso I, da Lei n° 7.787/1989, bemi como a norma do art. 20, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, foram julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E, mesmo em relação ao período posterior, não deve prosperar o 3 lançamento fiscal ora analisado, face à inconstitucionalidade do art. 1°, inciso I, da Lei Complementar n° 84/1996; (xi) por fim, a notificada apresenta trechos de jurisprudência e diversos dispositivos constitucionais, legais e normativos que entende amparar suas alegações, solicitando que o crédito previdenciário seja julgado improcedente. A DRP no Rio de Janeiro Centro-RI — por meio da Decisão-Notificação (DN) n° 17.401.4/0865/2003 — considerou o lançamento fiscal procedente (fls. 536 a 548). Tempestivamente, a notificada apresentou recurso (fls. 552 a 608), manifestando seu ineonformismo pela obrigatoriedade do recolhimento das contribuições e no mais efetua repetição das alegações de defesa. O Serviço de Análise de Defesa e Recursos no Rio de Janeiro Centro-RJ — fls. 614 a 620 — informa que o recurso interposto é tempestivo e apresenta contrarrazões informando que a inconstitueionalidade de dispositivo legal não se discute na esfera administrativa e os demais argumentos apresentados nos recursos examinados são incapazes de modificar o lançamento fiscal analisado, concluindo pela manutenção do crédito nos termos exarados pela DN n° 17.401.4/0865/2003 (fls. 536 a 548). É o relatório. )fri • 4 Processo n° 12045.000483/2007-90 — S2-C4[2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl, 960 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DAS PRELIMINARES Inicialmente em sede de preliminar, no que pertine a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Cumpre esclarecer que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) -veda aos Membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula n° 2, publicadas no DOU de 22/12/2009, ANEXO III - CONSOLIDAÇÃO DAS SÚMULAS DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF, pág. 71, transcrito a seguir: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1" e 2° Conselhos do antigo Conselho de Contribuintes. A recorrente manifesta inconfonnismo a respeito do relatório dos co- responsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos professores Condido Antonio José Francisco Mendes de Almeida e Antonio Luiz Mendes de Almeida. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios, cabe esclarecer que os co-responsáveis mencionados pela fiscalização não são responsáveis solidários e não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de co-responsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2°, inciso I, lj 5', da Lei n° 6.830/1980, que dispõe: "Art. 2° Constitui Divida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não-tributária na Lei n°4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, 42k( (.4 § 5 0 0 Termo de Inscrição de Divida Ativa deverá conter: 5 I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e sempre que conhecido, o domicilio ou residência de um e de outros (g.n);" Com isso, rejeito a preliminar. Quanto à preliminar de violação à garantia da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e ainda do principio da razoabilidade, razão não assite a recorrente, uma vez que o prazo de 15 dias para impugnação está previsto no art. 37, § -I°, da Lei n° 8212/1991. O início da ação fiscal foi em 28/05/2002, com a intimação para apresentação dos documentos que comprovassem o cumprimento das obrigações legalmente imposta, e NFLD foi recebida em 24/07/2003 (fl. 532), após decorrido quase 14 (catorze) meses. Com isso, este prazo foi suficiente para que a recorrente reunisse toda a documentação necessária para comprovação das obrigações tributária-previdenciárias. Ademais, verifica-se que a recorrente defendeu-se adequadamente da autuação, demonstrando ter compreendido perfeitamente a origem da autuação (fls. 02 a 49 do anexo I). Assim, não há que se falar em violação à garantia da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e ainda do principio da razoabilidade. Com relação às autuações anteriores em que os créditos tributários estavam eivados de vícios formais e, com isso, foram tomados nulos pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), esclarecemos que esses documentos lavrados anteriormente não afetam o prosseguimento deste lançamento fiscal ora analisado. Assim, em observância aos princípios da instrumentalidade das formas e da oficialidade, atinentes ao processo administrativo tributário, o lançamento fiscal deste processo deverá seguir seu trâmite administrativo normal, eis que não houve qualquer prejuízo para a recorrente. No que tange à alegação da recorrente que seria uma entidade reconhecida desde de 1905 como de utilidade pública e detentora de Certificado de Fins Filantrópicos reconhecido desde 1971 pelo Conselho Nacional de Serviço Social, razão também não assiste a recorrente, pois esta não possuía à época da entrada em vigor da Lei n° 8.212/1991, nem posteriormente adquirido, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Para melhor esclarecimento faz-se necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Para atingir esse intento, transcrevo histórico acerca das isenções, preparado pelo Conselheiro Marco André Ramos Vieira, representante da Fazenda, em casos que envolvam isenção, com pequenas adaptações no que tange à SBI. Primeiramente foi publicada a Lei n.° 3.577, de 04/07/1959, que concedeu o beneficio fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Nesta época a recorrente só possuía o Decreto n° 1.339, de 09/01/1905, que reconhecia a Academia de Comércio do Rio de Janeiro (entidade mantida pela SBI) como instituição de utilidade pública (fl. 105 e fls. 95 a 96 do anexo I). Como a Academia de Comércio do Rio de Janeiro e a SBI são pessoas jurídicas distintas, esse titulo de instituição de utilidade pública não poderia ser aproveitado pela notificada. Processo n° 12045.000483/2007-90 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Ft 961 Posteriormente foi publicado o Decreto n.° 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social — CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravam-se filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, que: estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou beneficios; que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o Decreto-Lei n.° 1.572, de 0110911977, revogou a Lei n.° 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: (i) Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; e (ii) Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: (i) de declaração de utilidade pública; e (ii) de certificado provisório de "Entidade de Fins Filantrópicos" expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195, §7°, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos ttil lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n ° 8.212, de 24/07/1991. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/1991, com a seguinte redação original: • Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os uns. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: 1- seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social - CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores mi benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; 7 V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § I° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: (i) renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos — CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação ate 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; e (ii) sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. No caso em questão, a recorrente não estava beneficiada com o direito à isenção anteriormente à publicação da Lei n° 8.212/1991. Não possuindo direito adquirido, a recorrente teria que cumprir os requisitos do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 e deveria ter solicitado a isenção por meio de requerimento ao INSS (art. 55, § 1", da Lei n°8.212/1991). Por meio da Lci n° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, criado pela Lei n.° 8.742, de 07/12/1993, prorrogando-se a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.° 9.429, de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n° 8.212/1991. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (..) II - seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei n" 9.429, de 26 de dezembro de 1996). a - Processo n° 12045.00048312007-90 82-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 962 Em 1997, por meio da Lei n°9.528, de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n° 1.523-9, de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8212/1991, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogando-se o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano nestas palavras: Art. 55 (..) V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). A recorrente ($M) não possuía os pressupostos, à época da entrada em vigor das legislações anteriormente mencionadas, nem tampouco, posteriormente adquiridos, da concessão ou renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Com a publicação da Lei n° 9.732, de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.° 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.028-5/1999. Aplicando-se portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei 1109.732/1998. Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.129-6, de 23/02/2001, reeditada até a de n° 2.187-13, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2' da Emenda Constitucional n° 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6° ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 30 da Constituição Federal, nestas palavras: § 3°- A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber beneficias ou incentivos fiscais ou crediticios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II-seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade, 'OrdiBeneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho fr n Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.787-13, de 24.8.01) 9 lii - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; 1V-não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, • instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de ia 12.97) §1 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2 °A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei n° 9.732, de 11.12.98 eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social-INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei n' 9.732, de 11.12.98-- eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos cio regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei n` 9.732, de 11.12.98— eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §eottl inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 30 do art. 195 da Constituição. (Parágrafo incluído pela Medida Provisória n` 2.187-13, de 24.8.01). Conforme demonstrado nos autos (Relatório Fiscal de fls. 91 a 104 e peças de k defesa de fls. 02 a 49 do anexo I e fls. 552 a 608), a recorrente não comprovou possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. O que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7', ao prever que o beneficio fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um • to Processo n° 12045.000483/2007-90— S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 963 dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Como se percebe, foi realizada a distinção de atribuições entre o INSS e o CNAS. No presente caso, o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) verificou que a recorrente deixou de cumprir os requisitos da Lei n ° 8.21211991, mais precisamente o art. 55, II, sendo competência dessa autarquia a verificação se as empresas possuem os requisitos para usufruir o beneficio fiscal. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para á seguridade social, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei n` 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei n°8.212191, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 81212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. ç\'') Logo, embora a SBI ainda faça parte do cadastro do Conselho Nacional de Assistência Social, não se encontra em situação regular para ser caracterizada como uma Entidade Beneficente de Assistência Social. Outra alegação da recorrente de que a Academia de Comércio do Rio de Janeiro não possuiria personalidade jurídica própria, pois esta seria apenas um órgão SBI. Tal afirmação deve ser refutada, pois o art. 1° do Regimento da Academia de Comércio do Rio de Janeiro (fl. 97 do anexo I) dispõe que esta foi devidamente constituída e registrada na forma da lei, atribuindo-lhe personalidade juridica própria, sem mencionar qualquer vinculação com a SBI e dando-lhe tratamento autônomo. Além disso, esse é o entendimento do C . ......„..onselho de 11°1 II Recursos da Previdência Social (CRPS) exarado por meio dos Acórdãos de números 1.653, 1.654, 1.655 e 1.656, datados de 23/08/2002, da 4a Câmara dc Julgamento. Em outro ponto, ainda nas preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência tributária. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do enunciado da Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública direta e indireta, devendo esta Corte Administrativa aplicá-la. Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras estabelecidas pelo Lei n° 5.172/1966 — Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Isso está em consonância ao principio da segurança jurídica. Esses fatores resultarão, para o sujeito ativo que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Assim, o instituto da decadência visa extinguir o direito de lançar o crédito tributário sobre o sujeito passivo. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no f;‘ \\ Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Aplica-se a regra do § 40 art. 150 do CTN ao lançamento por homologação, quando houve recolhimento parcial. Já a regra do inciso 1 art. 173 do CTN aplica-se ao lançamento de oficio, ou ao lançamento por homologação, sem qualquer recolhimento efetuado. Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. "Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CT.V....." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: 12 -- Processo n" 12045.00048312007-90 - S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 964 Min Eliana Calmo,,. r Turma. Decisão: 19/09/02. D.I de 21/10/02, p. 347.) 4.4 "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4 0, e 173,1, do Código Tributário Nacional, Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CIN. ...." (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1" Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Verifica-se que o lançamento fiscal em tela refere-se a período compreendido entre 01/1999 a 03/2002 e foi efetuado em 24/07/2003, data da intimação do sujeito passivo (fl. 532). No caso em tela, como a ciência ao sujeito passivo ocorreu em 24/07/2003, data da intimação, é irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que não haverá aplicação da decadência por qualquer das teorias existentes: seja com fundamento no art. 173 e seus incisos, seja com fundamento no art. 150, § 4°, ambos do CTN. Diante disso, não acato a preliminar, eis que as competências não foram atingidas pela decadência tributária quinquenal. Diante disso, não acato as preliminares ora examinadas e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO ' No aspecto meritório, o recurso voluntário can questão resumiu-se a atacar: (i) a ilegalidade da aplicação da taxa de juros (SELIC); (ii) a inconstitucionalidade/ilegalidade das normas tributárias que autorizam a fiscalização caracterizar prestadores de serviços como segurado empregado, já que isso, argumenta a recorrente, usurparia a competência da Justiça do Trabalho; e (iii) a contribuição patronal decorrente da remuneração paga aos autônomos não poderia ser cobrada para o período do lançamento fiscal, pois o art. 3°, inciso I, da Lei n° 7.787/1989, bem como a norma do art. 20, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, foram julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E, mesmo em relação ao período posterior, não deve prosperar o lançamento fiscal ora analisado, face à inconstitucionalidade do art. I°, inciso I, da Lei Complementar n° 84/1996. Percebe-se então que o recorrente não refutou qualquer dos valores pagos, creditados ou devidos aos segurados empregados enquanto fatos geradores da contribuição previdenciária. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN), verifica-se a../1 13 concordância da recorrente com a DN exarada sobre número n° 17.401.4/0865/2003 (fls. 536 a 548). No que tange a arguição de ilegalidade na aplicação da taxa de juros (taxa SELIC) e da correção monetária frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja ilegalidade questiona a recorrente, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Toda lei presume-se legitima, até que seja declarada sua ilegalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Assim, em aplicação ao art. 144 do CTN — estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e rege-se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada —, e com relação à cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC), esta estava prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sabre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter ~lavável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórias relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. g‘‘‘.. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de divida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SEL1C estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1°/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou o enunciado da Súmula n° 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: 14 Processo n° 12045.000483/2007-90 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 965 SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ânus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre .0 contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária, eis que que o art. 34 da Lei n°8212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Ainda, conforme estabelece os arts. 34 e 35, ambos da Lei n° 8212/1991, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n` 9876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. U, da Lei n°9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. da Lei n° 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. da Lei n°9.876/99,). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n' 9.876/99). ç) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias 15 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n" 9.876/99). III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de • parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. da Lei n°9876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1`, da Lei n" 9.876/99). § 1° Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9528/97) § 2 0 Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9528/97) § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97) § 4' Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o camit e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos na NFLD, bem como os seus fundamentos legais (fls 68 a 71), em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. 16 Processo n° 12045.000483/2007-90 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.842 Fl. 966 Com relação à caracterização da relação jurídica material dos prestadores de serviço como segurado empregado, constata-se que o Fisco desconsiderou o pacto firmado entre o segurado e a recorrente e considerou o vínculo como relação de emprego. Nada há que se discutir que essa atuação representa violação à competência da Justiça do Trabalho, eis que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material (arts. 142 e 149, IV do CTN), ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do Fisco-Previdenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar um pacto laborai empregaticio em que o contribuinte entendia não haver, e para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradamente ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Insta mencionar ainda que, ao considerar um pacto laborai empregatício em que o contribuinte entendia não haver, a fiscalização da Receita Federal do Brasil não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/1999. Assim, a legislação previdenciária possibilita que o Fisco proceda dessa forma. Decreto 3.048/1999: Art. 90 São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoasfísicas: I - como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (-) Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: §22Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9Ç deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no lançamento fiscal ora analisado, o Fisco verificou as características de segurado empregado na relação jurídica material estabelecida inicialmente entre empresário individual e a recorrente, desconsiderou o vinculo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n°8.212/1991. CeS- 17 No que tange a contribuição patronal decorrente da remuneração paga aos autônomos com fundamentos no art. 3°, inciso I, da Lei n° 7.787/1989, no art. 20, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, e no art. 1°, inciso I, da Lei Complementar n o 84/1996, é incabível a sua alegação, pois o lançamento fiscal ora analisado diz respeito às contribuições devida pela empresa e incidentes exclusivamente sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados, uma vez que estes atendem aos requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/1991. Logo, não se trata de remuneração paga aos segurados autônomos (contribuintes individuais) e sim de remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2010 RONALDO DE LIMA MACEDO - Relator 18
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Numero do processo: 10950.003679/2007-98
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2007
RELEVAÇÃO DA MULTA.
Não se aplica ao caso, haja vista tratar-se de lançamento que exige contribuições previdenciárias.
INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL
Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
INCONSTITUCIONALIDADE SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE.
Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2.
ILEGITIMIDADE TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4
Numero da decisão: 2301-002.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano Gonzales Silvério
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Férias e Rescisões Trabalhistas Recorrente MAGNIPPO DO BRASIL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2007 RELEVAÇÃO DA MULTA. Não se aplica ao caso, haja vista tratarse de lançamento que exige contribuições previdenciárias. INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE. Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2. ILEGITIMIDADE TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.095.3827, a qual exige contribuições previdenciárias devidas a Terceiros apuradas em razão de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho. Em sede de impugnação sustentou a ora recorrente que: (i) que a multa deve ser relevada pois a autuada é primária; (ii) as parcelas anteriores a julho de 2002 estão “prescritas” (sic); (ii) o Salário Educação é inconstitucional (iii) a cobrança do INCRA para empresas urbanas é ilegítima, (v) ilegitimidade da Taxa Selic. A DRJ de Curitiba manteve o lançamento na sua integralidade. Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos arrolados na impugnação, bem como suscitando a inconstitucionalidade do depósito prévio e da contribuição ao Sebrae. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso atende aos requisitos processuais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inexigibilidade de depósito prévio Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.003679/200798 Acórdão n.º 230102.258 S2C3T1 Fl. 158 3 Em relação à preliminar de desnecessidade de depósito prévio como condição para o processamento e conhecimento do presente recurso, destaco que o art. 19, inciso I, da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, publicada no DOU de 04/01/2008, revogou os §§ 1° e 2° do art. 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de1991, que determinavam a realização de depósito prévio, correspondente ao valor de 30% da exigência, como requisito de admissibilidade do recurso voluntário: "Art. 19. Ficam revogados: I a partir da data da publicação desta Medida Provisória, os §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei n2 8.213, de 24 de julho de 1991;” A mencionada Medida Provisória, por sua vez, foi convertida na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, cujo artigo 42, inciso I, manteve a citada revogação. Destarte, não é mais cabível o depósito recursal para o seguimento de recurso interposto em processo administrativo referente a créditos previdenciários. Relevação da multa A relevação da multa, até então prevista no § 1º do artigo 291 do Decreto nº 3.048/99, exigia do contribuinte que, no prazo da defesa, a falta fosse corrigida. Contudo, não há que se falar em relevação da multa, haja vista tratarse de lançamento o qual exige contribuições previdenciárias e não de descumprimento de obrigação acessória, ex vi do § 2º do citado artigo 291. Decadência Preliminarmente alega a decadência do direito do Fisco utilizar o prazo decenal, previsto no artigo 45 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cabendo, no caso, ser aplicado o prazo previsto no artigo 150 parágrafo quarto da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.003679/200798 Acórdão n.º 230102.258 S2C3T1 Fl. 159 5 § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura às fl. 70 desses autos, considerou “as GPS apresentadas durante a ação fiscal após serem analisadas e consideradas foram relacionadas no RDA — Relatório de Documentos Apresentados e apropriadas conforme constam no RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, em anexo.” Além disso, a apropriação pode ser verificada no RADA de fl. 44 a 51. Não há dúvidas, pois, diante de pagamento antecipado de que deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.003679/200798 Acórdão n.º 230102.258 S2C3T1 Fl. 160 7 Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre novembro de 2001 a julho de 2007 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 16 de agosto de 2007, verificase que está decaído o período de novembro de 2001 a julho de 2002. Inconstitucionalidade – Salário Educação, Sebrae e Incra. Ilegitimidade da Taxa Selic. Em relação à inconstitucionalidade das contribuições acima destacadas INCRA, bem como a respeito da incidência da Taxa Selic, destaco as Súmulas desse Sodalício: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Logo, falece a esse órgão afastar as legislações que regem as contribuições acima, pois para isso teria que declarar as suas respectivas inconstitucionalidade. Além disso, é cabível a incidência da Taxa Selic como fator de atualização das contribuições devidas. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para acolher a preliminar de decadência nos termos do artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, restando excluídas do lançamento as competências compreendidas entre novembro de 2001 a julho de 2002, não se incluindo a competência de agosto de 2002, sendo no mais mantida a autuação. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720560/2007-11
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ITR, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende,
exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). É também necessária a comprovação da extensão das áreas de preservação permanente, mediante laudo técnico.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária
VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE
Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência,
impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente
anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas
contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Rafael Pandolfo, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo Recorrente, em razão da apresentação do 2º Laudo Técnico.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). É também necessária a comprovação da extensão das áreas de preservação permanente, mediante laudo técnico. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720560/200711 Recurso nº 920.605 Voluntário Acórdão nº 220201.419 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2011 Matéria ITR Recorrente ALFREDO NARCHI FILHO E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). É também necessária a comprovação da extensão das áreas de preservação permanente, mediante laudo técnico. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso negado. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Rafael Pandolfo, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo Recorrente, em razão da apresentação do 2º Laudo Técnico. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor dos contribuintes, ALFREDO NARCHI FILHO E OUTROS foi lavrado no valor de R$ 1.015.243,76 consolidado em 12/2007, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2004. O contribuinte foi devidamente intimado (folhas 06 e 07), a apresentar: 1. Cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido junto Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; 2. Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista Lea de preservação permanente de que trata o artigo 2° da Lei 4.771/65, acompanhado de ART, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9° do decreto 4.449 de 30/10/2002; 3. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em Area declarada como de preservação permanente, nos termos do artigo 3 ° da Lei 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim o declarou; 4. Cópia da matricula atualizada no registro imobiliário, com averbação da reserva legal, caso o imóvel possua matricula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário; 5. Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. 6. Laudo de avaliação do imóvel conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica — ART registrada no CREA, contendo todos os documentos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra — SIPT da RFB; Em resposta ao termo de intimação (folha 15), o contribuinte apresentou diversos documentos. O AuditorFiscal emitiu a Notificação de Lançamento (folhas 01 a 05) onde consta, em apertada síntese, na descrição dos fatos que: O lançamento foi efetuado em nome do condomínio e os condôminos são responsáveis solidários; Fl. 317DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O ADA informa uma área de 780,0ha referente a Reserva Legal, menor que o declarado em DITR. Além disso, não há averbação da reserva legal em matricula em data anterior à do fato gerador do ITR; Em relação à Área de Preservação Permanente, o laudo apresentado não discrimina, caso a caso, cada área de preservação, detalhando os respectivos valores, não sendo possível a análise do mesmo, sendo desconsiderado o valor declarado; Em relação ao VTN, foi aceito o valor estipulado em laudo de avaliação apresentado para o VTN do imóvel de R$ 2.287.745,00; Em sua impugnação de folhas 199 a 214, o interessado alega que: Preliminarmente, o contribuinte alega que o imóvel está localizado no Município de Ribeirão CastanheiraMT embora na DITR/2003 tenha sido erroneamente informado o município de Barra do GarçasMT; Quanto à área de reserva legal, o contribuinte reconhece que não há averbação. Diz que houve erro material e que a área de reserva legal se confunde com a Área de preservação permanente para o imóvel dele; Quanto à área de preservação permanente, o contribuinte reconhece as limitações do laudo técnico assinado pelo Engenheiro Agrônomo "VELDENEZIO XAVIER DA SILVA", onde se denota, segundo ele, a falta de conhecimento técnico ao descrever e classificar as áreas de reserva legal e de preservação permanente. O presente imóvel apresenta características próprias e desfavoráveis, pois tem 90% de suas áreas alagadas, impróprias para utilização, com vegetação denominada IPUCA; 0 referido imóvel é abrangido pela lei estadual 7.520/2001, do Estado de Mato Grosso, instituída como Refúgio da Vida Silvestre e Quelônios do Araguaia; 0 imóvel está próximo à Reserva Indígena Pimenta Barbosa; A área aproveitável do imóvel é inferior a 20% de sua área total; O contribuinte apresenta novo laudo técnico elaborado com a observância das normas técnicas; Protocolou ADA tempestivamente em 24/03/2004; Cabe ao IBAMA através de vistoria "in loco" fazer a conferência das informações prestadas pelo sujeito passivo para posteriormente emitir o ADA. Assim, as informações prestadas pelo contribuinte são verdadeiras até que se prove o contrário com a vistoria do órgão competente; Quanto ao VIN, o Auditor Fiscal afirmou que não foi comprovado por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT. Apesar disso, o Fl. 318DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 3 5 Agente do Fisco utiliza o valor constante do laudo apresentado pelo contribuinte para atribuição do valor da terra nua; 0 laudo foi desconsiderado apenas na parte que, em tese, beneficiaria o contribuinte; O contribuinte reconhece as falhas e limitações do primeiro laudo apresentado que concluiu que o valor da terra nua é de R$ 2.287.745,00; O seu imóvel possui características diferenciadas dos demais imóveis e apresentou novo laudo técnico de acordo com os requisitos da norma técnica; Assim, solicita: O cancelamento da Notificação de Lançamento em face da verdade material provada, restabelecendose as glosas feitas pela Autoridade Fiscal, alterandose o GUT em face da existência de área de Preservação Permanente e seja revisto o VTN com base no Laudo Técnico apresentado; A DRJ/CampoGrande julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL 1TR Exercício: 2004 DA AREA DE RESERVA LEGAL A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A área de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, para fins de exclusão do ITR, deve ter sido reconhecida como de interesse ambiental ou, no mínimo, comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do competente Ato Declaratório, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Para efeito de exclusão do ITR. Não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de PRESERVAÇÃO PERMANENTE as áreas declaradas, em caráter geral, por regido local ou nacional, como as situadas em PARQUE Estadual, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter especifico, para determinadas áreas da propriedade particular dentro dos limites do referido PARQUE. Para comprovação da área de preservação permanente, há a necessidade de apresentação de laudo especifico que comprove as áreas, com sua discriminação, localização, características e enquadramento legal. Não pode ser aceito laudo genérico. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 DO VALOR DA TERRA NUA. VTN. Tendo o contribuinte apresentado laudo e o valor tendo sido aceito pela fiscalização, somente poderá o valor ser retificado através da apresentação de novo laudo apresentado com rigor técnico previsto nas respectivas normas. Segundo a Norma Técnica especifica, para o grau 2 é obrigatório, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. Lançamento procedente. Insatisfeito o contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação e questionando o entendimento da DRJ. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Da Área de Utilização Limitada Ainda que reconheçase a possibilidade do contribuinte ter se equivocado no preenchimento do ADA, incorporando a área de reserva legal , junto com a área de preservação permanente.Não há prova de averbação da área no registro de imóveis, aliás o próprio contribuinte reconhece que não o fez Para fins de não incidência do ITR, é indispensável a averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei nº 4.771, de 1965), incluída pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 1989. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja “área de reserva legal” encontrase estabelecida no § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Vejase o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área Fl. 321DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (...) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393, de 1996 e do § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei nº 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2º do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (…) 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 5 9 Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considerase constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Uma vez que na data do fato gerador da ITR, não estavam averbada a área, não há como acolher o pleito do contribuinte. Da Área de Preservação Permanente A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). É também necessária a comprovação da extensão das áreas de preservação permanente, mediante laudo técnico. No caso concreto, cabe registrar que o contribuinte reconhece as limitações do primeiro laudo técnico assinado pelo Engenheiro Agrônomo "VELDENÉZIO XAVIER DA SILVA", onde se denota, segundo ele, a falta de conhecimento técnico ao descrever e classificar as Areas de reserva legal e de preservação permanente. Diz ainda que o presente imóvel apresenta características próprias e desfavoráveis pois tem 90% de suas Areas alagadas, impróprias para utilização, com vegetação denominada IPUCA. Para justificar os seus argumentos, o contribuinte apresentou um segundo laudo técnico ambiental (folhas 64 a 81) elaborado pela empresa INFINITY ENGENHARIA AMBIENTAL assinado pelo Engenheiro Agrônomo JOSÉ LUÍS ELIAS e apresentou a ART (folhas 100 e 101). Cumpre registrar que o ADA protocolado em 24/04/2004 (folha 18) onde declarou que possui uma área de preservação permanente de 6.233,6ha. Ao apreciar o segundo laudo assim se manifesta a autoridade recorrida: Neste segundo laudo, o Engenheiro Agrônomo descreve várias hipóteses previstas na legislação de áreas de preservação permanente. Porém, tal laudo padece do mesmo vicio do laudo originalmente apresentado, ou seja, não discrimina cada Area de preservação, detalhando os respectivos valores e localização e em qual inciso do artigo 2° ou 3° da lei 4.771/65 cada área se enquadra, demonstrando os motivos do enquadramento. O laudo apresentado descreve de forma genérica as hipóteses em que a área total se enquadraria, não sendo possível precisar A qual artigo da legislação cada área se subsume. Como prova de fragilidade do laudo, urge registrar ponto suscitado pela autoridade recorrida, em suas considerações finais sobre essa matéria: Nas conclusões e considerações finais o laudo confirma este entendimento ao afirmar que a Area é utilizada como pasto: Fl. 323DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 "embora as formações campestres, em geral, serem utilizadas como área de pastoreio extensivo, em razão do denso tapete graminoso, as Ipucas, por serem áreas extremanente frágeis a intervenções antrópicas, e pouco interligadas, são consideradas áreas de preservação permanente, sendo estreitamente ligadas ao ciclo hidrológico sazonal desata Depressão." Veja que, mesmo considerando que a área é de preservação permanente, o laudo diz ao mesmo tempo, que a área é utilizada como pasto. Assim, não é possível aceitar os argumentos do contribuinte quanto A área de preservação permanente. Não vejo razões para discordar do arrazoado da autoridade recorrida. Inegavelmente os laudos apresentados pelo Recorrente não possibilitam firmar a convicção de que a referida área seja efetivamente de preservação permanente. Como outro fator que colabora para fragilizar os argumentos do interessado é o fato de que em 30/10/2007, este apresenta novo ADA onde reduziu a área de preservação permanente para 2.337,0ha e aumentou a área de reserva legal para 4.676,0ha. Tais informações foram baseadas no primeiro laudo apresentado à fiscalização elabora pelo Engenheiro Agrônomo Valdenezio Xavier da Silva e divergem do segundo laudo apresentado pelo interessado elaborado pela empresa Infinity. Diante da fragilidade dos laudos para atestar a área de preservação permanente, nego provimento nesta parte do recurso. Do Valor da Terra Nua O laudo técnico de avaliação hábil a comprovar o VTN pleiteado é aquele emitido por profissional habilitado, que faça ex pressa referência ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador. Cabe registra que não entendo que apenas pela fato de um laudo estar subscrito por profissional devidamente habilitado, atende ao disposto no artigo 3º , parágrafo quarto, da Lei nº 8.847/94, que assim estabelece: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare Fl. 324DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 6 11 da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte.” (grifamos) Com efeito, ainda que devidamente assinado por profissional habilitado, o Laudo Técnico somente terá o condão de modificar o VTN mínimo presumido da Região, na hipótese de alinhavarse com as normas procedimentais ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ITR/94. VALOR DA TERRA NUA VTNm. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. O laudo técnico de avaliação para que tenha validade e produza efeitos pretendidos através da revisão do VTNm, além de ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, deve revestirse de formalidades e exigências técnicas mínimas, que corroborem para a sua eficácia, não devendo limitarse a ser um mero documento informativo. A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua – VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. A data registrada no laudo técnico o torna inservível, por encontrarse em desacordo com a lei de regência sobre a matéria. Recurso especial provido.” (3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 325.167 – Acórdão nº CSRF/0304.255 – Sessão de 21/02/2005) (grifamos) “TR – EXERCÍCIO 1994. VALOR DA TERRA NUA. A revisão do VTN mínimo é condicionada à apresentação de laudo técnico de acordo com as exigências legais, especialmente as referentes ao valor e às fontes de sua pesquisa. JUROS DE MORA Os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. Sua fluência só se interrompe se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário considerado devido. MULTA DE MORA Nos lançamentos de ITR em que não exista a obrigação de antecipação do imposto, havendo impugnação, a multa de mora só é cabível após o vencimento do prazo de intimação de decisão final administrativa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 326.064, Acórdão nº 30130761, Sessão de 11/09/2003) Fl. 325DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 “ITR/95. VTN. REVISÃO. LAUDO. PROVA INSUFICIENTE. Laudo Técnico de Avaliação que não atenda às exigências legais, especialmente as relativas à pesquisa e comprovação das fontes, é prova insuficiente para a revisão do lançamento em que se adotou o VTNm. CNA. LEGALIDADE. As contribuições lançadas com o ITR têm natureza tributária e fundamento nos art. 149 e 8º, inc. V, parte final, da CF/88, e art. 10, § 2 º do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. MULTA DE MORA. A multa de mora só é exigível, na vigência da Lei 8.847/94, após a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS DE MORA. A fluência dos juros de mora só é interrompida se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário contestado. Recurso parcialmente provido por unanimidade.” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 322.872, Acórdão nº 30130534, Sessão de 25/02/2003) Destarte, o laudo apesar de descrever as dimensões do imóvel, os seus aspectos físicos e nível de manejo pela análise da vegetação, hidrografia, solos, relevo, tipo de exploração, clima, conservação do solo e recursos hídricos, quais as áreas são destinadas a pastagens, culturas, a preservação ambiental, inclusive as inaproveitáveis, pecou no sentido de trazer elementos imprescindíveis quanto a avaliação do VTN. Para tanto, deveria ter observado as normas constantes da ABNT/NBR 14.6533, especialmente o disposto nos itens 2 e 3, de modo que restasse devidamente comprovada a justificativa da fixação do VTN de forma individualizada e específica para a propriedade do contribuinte, confirase: “ 2 – Pesquisa de valores, com identificação das fontes pesquisadas, abrangendo: 2.1 – avaliação e/ou estimativas anteriores; 2.2 – valores fiscais; 2.3 – transações e ofertas; 2.4 – valor dos frutos; 2.5 – produtividade das explorações; 2.6 – formas de arrendamento, locação e parcerias; 2.7 – informações (bancos, cooperativas, órgãos oficiais e de assistência técnica); 3 – Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 4 – Homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 5 – Determinação do valor final com indicação da data de referência; 6 – Conclusões com os fundamentos resultantes da análise final; e 7 – Data da vistoria;” Fl. 326DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720560/200711 Acórdão n.º 220201.419 S2C2T2 Fl. 7 13 Ademais, referido laudo, igualmente, não fez menção detalhada a metodologia utilizada, seja para a coleta ou mesmo para a homogeneização dos dados levantados, com o fito de justificar a conclusão levada a efeito pelo perito, sobretudo em relação ao procedimento adotado para a demonstração do valor da terra nua que, de fato, deveria ser aplicável a propriedade rural do contribuinte. Ressaltese, que a metodologia dos trabalhos do perito engenheiro agrônomo, além de ser requisito expressamente exigido pela NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, é o ponto de partida para que terceiros, no caso a Secretaria da Receita Federal e este próprio CARF, faça uma correta valoração do laudo apresentado pelo contribuinte, porquanto é deste ponto que se extrai a forma de análise do conjunto fático das características da propriedade de maneira a se compreender como acertada ou não a conclusão do perito. Sobre o novo laudo apresentado assim se pronunciou a autoridade recorrida: O laudo de avaliação diz que a determinação de valores para o imóvel foi baseada em negociações (contemporâneas), na análise de ofertas e nas opiniões de corretores e pessoas atuantes no meio rural local como também de escrituras de compra e venda, e referese a um valor à vista . Em todas as Escrituras Públicas apresentadas (fls. 120 a 134) constam apenas a Area do imóvel rural objeto da compra e venda e o valor declarado pelos contratantes, sem maior detalhamento da situação de cada imóvel e o valor das benfeitorias. Além disso, é possível observar das Escrituras Públicas em que foi destacado o valor do ITBI que, pelos valores pagos, o órgão tributante considerou para a tributação um valor superior ao da transação declarada pelos contratantes. Diante dos fatos expostos, não há como acolher o novo laudo para o propósito de avaliar o VTN. Uma vez que o lançamento foi realizado com base na informação prestada pelo recorrente, é de se manter o valor lançado, uma vez que reflete a melhor informação disponível, aquela apresentada em determinado momento pelo recorrente. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 327DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Fl. 328DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/11/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 36514.000007/2006-82
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-000.479
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos conceder provimento quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator, Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Fábio Soares de Melo acompanharam o relator nas conclusões, pois entenderam que se
aplicava o artigo 150, § 40 do CTN,
Nome do relator: Adriana Sato
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos conceder provimento quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator, Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda .1unior e Fábio Soares de Melo acompanharam o relator nas conclusões, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 40 do CTN, —Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Suplente), Adriana Sato, Adindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco André Ramos Vieira (Presidente), A Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 23/12/2005, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 09/01/2006 (fis.30). De acordo com o Relatório Fiscal, o período do débito é de 01/1995 a 13/1995 e retere-se à verificação quanto à regularidade dos recolhimentos de contribuições para o Regime Geral da Previdência Social, no tocante a parte patronal (parte empresa e a destinada ao SAT) e do segurado empregado (de acordo com a faixa salarial) não recolhidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos ocupantes de cargos em comissão por servidores públicos não filiados ao regime próprio da Previdência Social. O Recorrente apresentou impugnação, a DN julgou o lançamento procedente, e, inconformado, interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: o Os comissionados encontravam-se sujeitos ao Regime Próprio por força das Leis Estaduais 4766/63 e 10219/92. A DRP apresentou contra-razões. É o Relatório. Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise, questão preliminar da decadência,. de oficio, a Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: o Supremo e 46 da Lei Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar. Resultam inconstitucionais, portanto, 05 artigos 45 e 46 da Lei n" 8 212/91 e o parágrafb único do art5" do Decreto-lei n° 1 569/77, que versando sobre normas gerais de Direito 'Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se 'rígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a- assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sideitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CTAI Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirnwr a proclamada Processo n" 36514.000007/2006-82 S2-C3 12 Acórclá'o n." 2302-00.479 11 2 inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8 212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77,.fiente ao_s s' I" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinco/ante n° 08. "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 82/2/9/, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11 L1-17, de 19/12/2006, ia verbis: Art. 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio mi por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumida que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinco/ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração publica direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004) Lei n° 11.417, de 19/12/2006. Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n' 9.784, de .29 de . janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vincuhmte. pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências Ar!. .2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de _súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas es1 èras federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. na forma prevista nesta Lei § le O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete. grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. SATO - Relatora Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8,212/91 resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento.. Daí deve prevalecer à regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 09/01/2006, ficam alcançadas pela decadência todas as contribuições da presente NFLD.. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2010. 4 Processo n°36514.000007/2006-82 S2-C3T2 Acórdão n " 2302-00.479 El 3 04 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS tNee, SEGUNDA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo .3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n," 2302-00.479. Brasília 15 de agosto de 2010 Patricia de Almeida Proença e Silva Chefe da Secretaria da Terceira Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Sem Recurso [ J Com Recurso Especial [ j Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional 5
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001318/2008-67
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO-PRESUMIDO. DIREITO
Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas.
Os produtos classificados como não-tributados (NT) pela legislação do IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido desse imposto.
CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS
O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cotins, a título de créditos presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior.
RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC
Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os
ressarcimentos de créditos-presumido de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martinez López votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO-PRESUMIDO. DIREITO Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas. Os produtos classificados como não-tributados (NT) pela legislação do IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido desse imposto. CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cotins, a título de créditos presumido de IPI, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os ressarcimentos de créditos-presumido de IPI. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10945.001318/2008-67 Recurso n" 515.972 Voluntário Acórdão n" .3.301-00.703 — .3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria RESSARCIMENTO CREDITO-PRESUMIDO DO IPI Recorrente AB COMÉRCIO DE INSUMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO-PRESUMIDO. DIREITO Somente faze jus ao crédito-presumido do IPI, como ressarcimento de PIS e Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais cujas industrializações foram efetivamente realizadas por elas. Os produtos classificados como não-tributados (NT) pela legislação do IPI, ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito-presumido desse imposto. CRÉDITOS PRESUMIDOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS O ressarcimento das contribuições para o PIS e Cotins, a título de créditos- presumido de 1P1, está condicionado à efetiva incidência dessas contribuições na etapa imediatamente anterior. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS À TAXA SELIC Incabível o pagamento de juros compensatório, à taxa Selic, sobre os ressarcimentos de créditos-presumido de IP L Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martinez López votaram pelas conclusões José ~Ano de Morais - Relator EDITADO EM: 07/12/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto, SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito-presumido de IPI reférente ao 3" trimestre de 2002, sob os fundamentos de que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado pelo fato de apenas beneficiar e exportar produtos não-tributados (NT) e, ainda, por ter emitido notas fiscais com destino à exportação com o código CFOP de produtos de revenda ou venda no mercado interno ou ainda por ter adquirido os produtos que teria exportado diretamente de pessoas fisicas. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela "a) Na lei inexiste previsão que diga que o beneficio é concedido ao produto classificado numa ou noutra posição da TIPI, ou que o produto deve ser tributado ou não tributado pelo 'PI, PIS/PASEP ou COFINS,- se trata ou não de contribuinte do IPI, se trata de produto industrializado, ou ainda, de as aquisições de pessoas .fisicas ou de cooperativas não ensejam direito ao crédito; b) Instruções Normativos são normas complementares das Leis (art. .100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar texto das normas que complementam. As leis são claras e em nenhuma delas há qualquer artigo que estabeleça qualquer condição em relação à origem dos insumos aplicados às mercadorias exportadas e tampouco em relação à incidência ou não de e) A empresa satisfiz os requisitos necessários definidos na Lei 9.363/96 e n" 10.276/01, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais; rs\ e) Para corroborar com a posição da empresa, apresenta diversos acói'd.rs do Conselho de Contribuintes acerca da matéria em discussão, além de wisA doutrina e julgados que cita. Por fim, protesta pela produção de todas as provas em direito ciánitidas, especialmente pela juntada ulterior de ovos documentos, ou se necessário fim-, sejam baixados os autos em diligência." d) Os créditos que vierem a ser identificados e ressarcidos deverão ser corrigidos, mediante a aplicação da taxa SELIC, a partir do mês subseqüente a cada período de apuração do crédito; 2 Processo n" 10945 .001.318/2008-67 S3-C3TI Acórdão o " .3301-00,703 Fl. 2 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DR' julgou-a improcedente e indeferiu o ressarcimento pleiteado, conforme acórdão IV 14-25.695, datado de 12/08/2009, às fls. 1.519/1..170, sob as seguintes ementas: "CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT A exportação de pi adulas NT não gera direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento do PIS/Pa.sep e da Cofias. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim especifico de exportação nos termos da legislação do IPI, CRÉDITO PRESUMIDO EMPRESA PRODUTORA- EXPORTADORA. A simpler revenda para o exterior .. de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIA5-PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS O valor dos instintos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cotins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI Também não infegi a a base de cálculo, o valor dos produtos adquirido y de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes á taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IP]. ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS 7-) A autoridade administrativa é incompetente para se nianifèstdr acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmer editados -‘1 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e 3 alegações com o condão de modUicar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário, PEDIDO DE DILIGÊNCIA PRESCINDIBIL IDADE INDEFERIMENTO Estando presentes 1105 autos todos os elementos de convicção necessários á adequada solução da lide, indelère-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia ÔNUS DÁ PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos .fatos constitutivo do direito que pleiteia Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário, requerendo a sua reforma a fim de que seja deferido o ressarcimento pleiteado, inclusive, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, desde o primeiro mês subseqüente ao da apuração do crédito, alegando, em síntese: a) que faz jus ao crédito-presumido, nos termos da Lei n" 10276, de 10/09/2001; b) ilegalidade das restrições do benefício, vedando sua extensão aos produtos NT; c) ilegalidade das INs S.RF que excluíram os produtos classificados nos códigos fiscais de operações (CF0P) de vendas de mercadorias; d) ilegitimidade da exclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas; e, d) que o ressarcimento a ser deferido deverá ser corrigido pela Selic em face do decurso temporal entre o pedido e seu ressarcimento nos termos da Lei n" 9..250, de 26/12/1995, art. 39, § 4". Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso anazoado sobre: i) o crédito-presumido do IP1 — histórico legal necessário; ii) ilegalidade da restrição às mercadorias com saída NT — não tributadas e conceito de receita de exportação; iii) a qualidade da empresa exportadora e vendas para comercial exportadora; iv) a ilegítima restrição aos créditos pela utilização de CFDP de venda de mercadorias; v) a ilegítima exclusão de insumos adquiridos de pessoas tísicas da base de cálculo do crédito presumido referente à exportação de mercadoria nacional; vi) a correção dos créditos pela Selic; vii) os óbices temporais e administrativos, concluindo, ao final, que faz jus ao ressarcimento pleiteado.: É o relatório.. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972.. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso arrazoado expendido pela recorrente, em seu reFurso voluntário, as questões opostas nesta fase recusai se restringem ao seu direito ou crédito-presumido do IPI pleiteado, decorrente de exportação de produtos não-industrializado, por ela e apurado sobre: a) produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que tivessem sido industrializados por ela; e, b) sobre aquisições de pessoas fisicas; e, ainda, ao pagamento de juros compensatório à taxa Selic sobre o ressarcimento.: i) crédito-presumido sobre matê s-prima. insumos e materiais intermediários utilizados em produtos NT exportados 4 Pi ()cesso o" 10945 00131812008-67 S3-C311 Acórdão o" 3301-00.703 FI 3 O beneficio fiscal denominado "crédito-presumido do IPI", a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias-prima.. insumos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados foi inicialmente instituído pela Lei n" 9,363, de 1.3/12/1996 e, posteriormente, por meio da Lei n" 10176, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo, adotado pela recorrente, estendendo esse beneficio a uma gama maior de insumos utilizados na industrialização de produtos exportados, assim dispondo in verbis: "Art. 12 Alternativamente ao disposto na Lei n 2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessodjurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo ás contribuições pala os Programas de Integração Social e de Formação do Património do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1 2 A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre as quais incidiram as contribuições refez idas no caput - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários- e a materiais de embalagem, bem assinz de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na . fbrina da legislação deste imposto ( A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente.' II - todo o ano-calendário, quando exercida nos aw subseqüentes ( ) " Posteriormente, foi editada a IN SRF if 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo, in verbis: "Ari 5" Faz á jus ao crédito presumido a que se refere o ar) I" a empresa produtora e exportadora de produtos inclusu ializados nacionais 1"O chreito ao crédito presumido aplica-se inclusive' 1 - a produto industrializado sujeito a aliquota zero,./ - nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação. §2" O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no ar,' 2" da Lei n" 8 023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados-, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, siy"eitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Co.fins.'' Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito- presumido do IPI contempla apenas e tão somente os produtos industrializados nacionais exportados para o exterior diretamente pelo próprio produtor exportador e/ ou via empresa comercial exportadora. Produtos não-tributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam corno produtos industrializados. Aliás, a própria recorrente reconheceu que os produtos beneficiados por ela e os adquiridos de terceiros, já beneficiados, soja, milho e trigo, todos "in ncnura", exportados por ela, estão classificados na TIPI como NT, ou seja, não-tributados pelo IPI, estando, portanto, excluídos do campo da incidência desse imposto e também excluídos do conceito de produtos industrializados., Dessa forma, não há que se falar em ressarcimento do crédito-presumido do IPI decorrente da exportação de tais produtos. ii) produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que tivessem sido industrializados por ela Ora conforme demonstrado no item anterior, o crédito-presumido do IPI contempla apenas e tão somente os produtos industrializados e exportados diretamente pelo próprio produtor exportador e/ ou via comercial exportadora. Produtos adquiridos de terceiros e exportados sem que tenham sido submetidos a quaisquer processos de industrialização nos termos da legislação do IPI, conforme previsto nos artigos I" da Lei n" 10,276, de 2001, e 5" da IN SR!' n" 69, de 2001, ambos citados e transcritos anteriormente, não foram contemplados com o crédito-presumido do IPI, III) aquisições de pessoas físicas. Também ao contrário do que defende a recorrente, as aquisições de pessoas físicas não geram crédito-presumido do IPI, a titulo de ressarcimento do PIS e Cofins, pelo fato de não terem sofrido a incidência dessas contribuições_ A Lei n" 9363, de 1996, que instituiu o crédito-presumido do IPI, para o ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins, como incentivos fiscais às empr sas /- produtoras e exportadoras de produtos industrializados e, posteriormente, a Lei n" 10.276, à 2001, que criou o regime alternativo, têm como objetivo incentivar as exportações de produtó <---... industrializados, reduzindo a carga tributária cumulativa sobre os custo de industrialização. Assim, por meio daquelas leis, criou-se um mecanismo pelo qual a carga tributária sobre os produtos industriais exportados ficou reduzida, permitindo ao produtor. exportador se ressarcir dos custos do PIS e da Cofins pagos, quando das aquisições das matérias-prima, insumos e materiais intermediários utilizados nas suas produções, evitando a exportação de tributos aumentando a capacidade de competência dos produtos nacionais nos mercados externos. 7., 6 PIOCCSSO n" 10945 001318/2008-67 Acórdão n " 3301-00303 S3-C3T1 1= 1 . 4 Como nas aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, no presente caso, de produtores rurais, não houve incidência de PIS e Cofins. Assim, não há que se falar em ressarcimento de tributos que não foram desembolsados. Além disto, o crédito-presumido do IPI instituído pela referida lei é um benefício fiscal e, sendo assim, a sua concessão deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Tratando-se de norma em que o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — Hl O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou coiporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inei entes ô autoridade suprema. A outorga deve ser Pita em termos claros, irretorquíveis; . ficar provada até a evidencia, e .s-e não estender além das hipóteses figuradas no texto, jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre, na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a firvor do . fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos "I O art. I" transcrito anteriormente restringe o beneficio fiscal ao "ressarcimento de contribuições [,] incidentes nas respectivas aquisições". O legislador referiu-se ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelos fornecedores para as empresas produtoras/exportadoras, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelos fornecedores não sofreram a incidência daquelas contribuições, não há como enquadrá-las naquele dispositivo legal, Há entendimentos, defendendo que o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive as que não sotieram incidência das referidas contribuições, Contudo, o fato de o crédito presumido visar à desoneração de mais de urna etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte, independentemente, de tais contribuições terem sido pagas ou não na etapa anterior, Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: ,"... na extensão não há interpretação, mas criação de regi i n jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fino pgj ele ficalizado não realiza a hipótese de incidência da regi m jurídica; entretanto, e virtude de certa analogia, o intérprek_ estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fido por ele focalizado Ora, isto é criar regra juildica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo interprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha " -) ---- Hermenêutica e Aplicação do DO eito, 12 2 , Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp 333/334 7 Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art., 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1" da Lei n° 9.363, de 1996, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto.. Portanto, se na etapa anterior da cadeia produtiva dos insumos não houve o pagamento de PIS e de Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança tais insumos. Se assim não fosse, não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições da empresa produtora/exportadora. Esse entendimento é reforçado pelo fato de o art. 5" da Lei n" 9,363, de 1996 prever o imediato estorno das parcelas do incentivo a que faz jus o produtor/exportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e Cotins pagas pelo fornecedor de matérias-primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedores que obtiveram a restituição ou a compensação dos referidos tributos. Havendo imposição legal para estornar as correspondentes parcelas de incentivos na hipótese em que as contribuições pagas pelo fornecedor lhes foram, posteriormente, restituídas, não se pode utilizar ., no cálculo do incentivo, as aquisições em que estes mesmos fornecedores não arcaram com os tributos incidentes nas vendas dos respectivos insumos. Dessa forma, não há que se falar em créditos-presumido de 1P1 decorrentes de PIS e Cofins nas aquisições de pessoas físicas, posto que não são contribuintes dessas contribuições. Ressalte-se, ainda que, intimada a apresentar os arquivos arquivo contendo as compras, com direito ao crédito-presumido, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, informando os totais mensais e relacionando as respectivas notas fiscais de entrada com todos os dados da compra, a recorrente atendeu à intimação e os apresentou. Contudo, de seus exame, verificou-se que todas as compras foram efetuadas diretamente de pessoas físicas, fato não contestado por ela e que implica no não- reconhecimento do seu direito ao ressarcimento pleiteado pelo seu total, independentemente das alegações de que produtos adquiridos de outras pessoas jurídicas e exportados por ela sem que tenham sofrido quaisquer tipos de industrialização em seu estabelecimento geraria crédito- presumido de d) juros compensatórios sobre ressarcimento Ainda, que fosse reconhecido o seu direito parcial e/ ou integral ao ressarcimento pleiteado, o que não é o caso, inexiste previsão legal para o pagamento de juÇõr compensatórios à taxa Selic sobre tais valores, Somente estão sujeitos a juros cornpensatóri os valores dos indébitos tributários repetidos/compensados, conforme determina a Lei n" 9.25d, de 1995, art. 39, § 4". O ressarcimento de IPI, não constitui indébito tributário decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior ., passível de repetição e/ ou compensação.. 'Trata-se de um beneficio fiscal concedido pelo Poder Executivo por meio de lei e tem como objetivo incentivar as exportações de produtos industrializados. Assim, ao contrário do entendimento da requerente, não se aplica a ele o disposto naquela lei. / a Processo n" I 0945.00 1.318/2008-67 S3-C3T1 Acórdão n " 3301-00703 F] 5 No caso de ressarcimento não há ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renúncia fiscal com o objetivo de estimular determinado seguimento da economia, cuja concessão se subsume estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente. Por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao intérprete ir além do que nela foi estipulado. A previsão legal para a incidência de juros à taxa Selic prevista na Lei n" 9,250, de 26/12/1995, art. 39, § 4", somente se refere aos casos de restituição de tributos. Ao mencionar a compensação, é claro que o dispositivo refere-se aos valores que podem ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. Também o texto daquela lei é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo legal aos casos de ressarcimentos de tributos, a título de incentivos fiscal. Além disto, o parágrafo 5" do art. 51 da IN SRF n" 460, de 2004, veda, expressamente, a atualização monetária de créditos de 1PI a serem ressarcidos: Ari .51. O crédito 'dativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa velei encial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Sent..) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: ) ..sç .52 Não incidirão pu Os compensatórios no ressarcimento de créditos do IN, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins, bem como na compensação de referidos créditos. Tal dispositivo .tbi mantido na IN SRF n" 600, de 2005, art, 52, parágrafo 5; Dessa forma, não há que se falar em incidência de juros compensab sobre ressarcimentos.. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao presente recurso voluntário. ino de MoraisJosé 9
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Numero do processo: 19515.002085/2003-40
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2001
AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência.
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Não se conhece de matéria, suscitada em recurso voluntário, que consta em debate pelo contribuinte no Judiciário. Recurso conhecido em parte, e, na parte conhecida negado provimento.
Numero da decisão: 3301-000.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria sub judice e, na parte conhecida negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação pela parte o advogado Dr. Cássio Sztokfiz, OAB/SP nº 257.324.
Nome do relator: ANTÔNIO LISBOA CARDOSO
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LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Não se conhece de matéria, suscitada em recurso voluntário, que consta em debate pelo contribuinte no Judiciário. Recurso conhecido em parte, e, na parte conhecida negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria sub judice e, na parte conhecida negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação pela parte o advogado Dr. Cássio Sztokfiz, OAB/SP nº 257.324. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Redator designado. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ/SP I de fls. 822/829, que manteve procedente o auto de infração de Cofins do período de apuração de 01/03/1999 a 31/12/2001, constituído com vistas à prevenir a decadência, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO AÇÃO JUDICIAL. Nos termos do art. 62 do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 151 do Código Tributário Nacional, é devida a constituição do crédito tributário durante a vigência de medida judicial. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Lançamento Procedente Os assuntos discutidos no presente processo ficaram circunscritos às argumentações constantes da impugnação de fls. 342 a 345, onde aduz que obteve concessão de liminares obstativas da exigência do tributo. A liminar deferida no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0219882, permitiulhe recolher a COFINS sem as majorações da base de cálculo e da alíquota impostas pela Lei n°9.718/98, assim como o direito de compensar as parcelas que a esse título tenham sido pagas pela Impugnante enquanto desamparada da tutela jurisdicional pleiteada, a outra mediante a propositura da MC, sob o n° 95.00404710, permitiulhe a compensação dos valores pagos a título de FINSOCIAL, excedentes à alíquota de 0,5%, com parcelas posteriores devidas ao próprio FINSOCIAL ou com parcelas vincendas da COFINS, conforme se verifica pela cópia das principais peças dos autos acostadas à presente, nas quais a Impugnante expõe, à exaustão, as razões de direito que justificam seus pedidos, razões que a Impugnante ora reitera em sua integralidade (docs. 6 a 18). Aduz que o deferimento das liminares implicou ordem judicial de sustar qualquer procedimento da Fazenda que tivesse por objetivo exigir o tributo, uma vez que este fora o pedido da Impugnante, significando, portanto, o Auto, desatendimento a essa ordem. Estando ainda os processos sub judice, havendo inclusive decisões favoráveis, as razões alegadas para a autuação, carecem de suporte jurídico, motivo pelo qual o presente processo administrativo merecerá desfecho favorável à Impugnante. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO Processo nº 19515.002085/200340 Acórdão n.º 330100.946 S3C3T1 Fl. 833 3 Não bastassem esses motivos, suficientes para tornar nulo o Auto de Infração, consideramse os argumentos jurídicos, arrolados nas Iniciais das Ações mencionadas acima, que demonstram a inconstitucionalidade da exação, aos quais a Impugnante ora se reporta para aduzilos como fundamentos de suas razões. De acordo com o acórdão recorrido, a alegação da recorrente de que "O deferimento das liminares implicou ordem judicial de sustação de qualquer procedimento da Fazenda que tivesse por objetivo exigir o tributo, unia vez que este fora o pedido da hnpugnante, significando, portanto, o Auto, desatendimento a essa ordem” é totalmente improcedente, pois, a Sentença proferida na Ação Cautelar 95.00404702 e Ação Declaratória n° 95.00427508, assim ficou decidido: "Dita compensação farseá perante a repartição competente, ou diretamente pelo contribuinte sujeito ao controle posterior. Ressalto que o fisco não fica inibido de exercer sua atividade de verificar a exatidão dos créditos compensados e dos valores devidos, nos termos do art. 66 da Lei e 8.383/91." (fl. 97). Logo, a lavratura do auto de infração com exigibilidade suspensa não significa desatendimento a essa ordem judicial, mas sim, exercer o cumprimento da legislação pela Fazenda Nacional no tocante a prevenção da decadência dos créditos tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos legais pertinentes. Não se conhece do mérito da dos assuntos discutidos no presente processo, tendo em vista que a constituição do crédito tributário objetivou, tão somente, a prevenir a decadência, porquanto o mesmo assunto foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, consoante Súmula CARF Nº 1, in verbis: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Em relação à irresignação da recorrente contra a constituição do crédito tributário, melhor sorte não assiste à recorrente, vez que a medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência, conforme art. 151 do CTN c/c art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso na parte em que há concomitância com o Poder Judiciário e, na parte conhecida para que seja negado provimento ao recurso. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 4 Sala das Sessões, em 2 de junho de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 15/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO
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