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Numero do processo: 00006.600503/73-80
Data da sessão: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 1980
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NA FONTE. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO A RESIDENTES NO ESTRANGEIROOR SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL. REAJUSTAMENTO DO RENDIMENTO.
Não cabe o reajustamento de que trata o artigo 365 do RIR, quando a fonte pagadora não assume tácita ou expressamente o ônus do imposto.
Numero da decisão: 102-17.712
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso.
Vencidos os Conselheiros César da Silva Ferreira e Alceu de Azevedo Fonseca Pinto que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco de Assis Praxedes
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ACORDÃON°...lR.2.::-J.7..,}l2 , Recursono 34 134 - IRPJ - FONTE: ANOS 1978 e 1979 Recorrente CBC INDOSTRIASPESADASS/A. • / Recorrido D.R. F. - em VARGINHA- MG IMPOSTODE RENDADEVIDONA FONTE. PAGA MENTODE REMUNERAÇÃOA RESIDENTES NO ESTRANGEIROPOR SERVIÇOSPRESTADOS NO BRASIL. REAJUSTAMENTODO RENDIMENTO. Não cabe o reajustamento de que trata o artigo 365 do RIR, quando a fonte p~ gadora não assume tãci ta ou express a- mente o ônus do imposto. • Vistos, :relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por CBC INDOSTRIASPESADASS/A • ACORDAMos Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos., dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros César da Silva Ferreira e Alceu de. ~.Azevedo Fonseca.Pinto que negavam provimento ao recurso. RELATOR PRESIDENTE o de 1980.Sala das Sessões, l~o~En' PROCURADORDA FAZENDA VISTO~.EM NACIONAL SESSÃODE: U 7 tJ. ~ O 1980 RECURSODA FA~ÉN~ANACIONALN9: RP/I02-0.043. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes conselheiros: Gilvanize Moreira da Silva, Waldevan Alves de Oliveira, Wagner Gonça! ves e Sebastião Rodrigues Cabral. • RP/l02-0.043 'Julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 23.04. 8I. DECISÃO: Por maioria de-votos, dar provimento ao-recurso esp~ cial. Vencido o Conselheiro Wagner Gonçalves. Acórdão n9 CSRF/Ol-0.~48. • • , AMADOR OUTERELO FERNÂNDEZ ADHEMILSON BASTOS DE CARVALHO \" PRESIDENTE E RE LATOR PROCURADOR DA_ FA Z. NACIONAL. • • • • • • • • •• SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO 111. 0660/050.373/80 RECURSO N.o:34 134 ACOROÃO Nco: 102-17.712 RECORRENTE N.o:CBC INDOSTRIAS PESADAS S/A . R E L A T O R I O CBC INDOSTRIAS PESADAS S.A., com sede na capital do Estado de são Paulo e com estabelecimento industrial em Varginha, no Estado de Minas Gerais, interpôs recurso da decisão proferida na impugnação do crédito tributário constituído por lançamento "ex officio" . o aludido crédito tributário decorreu de: "1 - Exercício de 1978 Falta de retenção do imposto dê renda - Fonte, nos meses de janeiro a dezembro, nos rendimentos. dos re sidentes no exterior, com menos de 12 (doze) meses no país e com visto temporário (alíquota de 25%). A fonte assumiu o ônus e em março de 1979 fez o reco- lhimento, conforme Documento de Caixa n. 4439, de 30.03.79, e DARFs; mas não reajustou o vencimento, o que foi feito pela fiscalização, apurando-se um imposto da ordem de Cr$ 135.377,00 (Vide Quatro de fls. 9). Foram levadas em consideração ,no cálculo do imposto acima, as informações prestadas pela empre- sa em resposta à intimação de fls. 6, deduzindo-se do imposto devido o descontado em folhas de pagamen to como assalariados, exceção feita ao IR - Fonte descontado do Sr. Kiyorahu Yamane, por haver se com pensado dele na declaração de rendimentos - pessoã física do exercício de 1979 - base 1978 - apresenta~. - Infração aos artigos 343, 344, 364, 365 e 366, item a) 39 do RIR/75. 11 - Exercício de 1979. Falta de retenção e recolhimento do imposto de ren- da - fonte, devido sobre os rendimentos dos residen tes no exterior (vide discriminação no quadro ~ D M F - DF/to C.C - S.cgro! - 1600/75 SERViÇO PUBLICO FEDERAL Acórdão n9 102-17.712 Processo n9 0660/050.373/80 . -2- • • • fls. lO} à alfquota de 25% (vinte e cinco por cen to), nos meses de janeiro a maio, não se }evando em conta a retenção feita de acordo com o artigo 306, do RIR (como assalariado, nas folhas. de paga mento) uma vez que a situação do estrangeiro é i~ previsível e assim ficam resguardados os interes- ses da Fazenda Nacional; foram reajustados os ren dimentos e apurado um imposto da ordem de Cr$ ..-:- 311.519,00. Infração aos artigos 34~J 344, 364, 36'5, 366, i- tem 111, letra "a", 39 do RIR/75". Na impugnação os fatos foram expostos assim: 1. Os técnicos estrangeiros, que foram .tratados como residentes no exterior, ingressaram no país com o visto.temp£ rário previsto no artigo 15, inciso V, do Decreto-lei n.94l/69 (Estatuto de Estrangeiros), mediante o contrato do trabalho compra zo de 2 (dois) anos, na forma do artigo 445 da CLT, devidamente re gistradd no Departamento da Justiça do Ministério da Justiça. 2. Todos os contratos de trabalho, ao estabelece- re.ma remuneração mensal do técnico estrangeiro, f'lencionamque "~.• esta empresa pagará remuneração mensal de Cr$ ..• (por extenso) ..." e não fazem nenhuma menção sobre a quem caberia o ônus do imposto de renda na fonte, quer como assalariados ou residentes no exterior. 3. Por outro lado, nesses contratos de trabalho que foram também objeto de fiscalização, não há nenhuma cláusula ou palavra pela qual a impugnante, na qualidade de fonte pagadora, tivesse assumido o compromisso de arcar o imposto, tampouco, não ~ xiste alguma menção de que a remuneração mensal fixada entre as:pa,E tes significa uma quantia líquida, isto é, livre de imposto e ou- tros encargos na fonte. 4. Ainda que nao houvesse mençao expressa no con- trato de trabalho, a remuneração mensal representa sempre uma quag tia bruta para todos os empregados da impugnante. Vale dizer. \ que da remuneração mensal são descontados imposto de renda na fonte. contribuição previdenciária, contribuição sindical etc. Assim na prática, o encargo do imposto de renda na fonte é sempre .assumido pelo beneficiário da importância paga. cVJt • 5. Nobendo a inadequação da mês de março de 1979, a impugnante, perce- retenção do imposto de renda na fonte r SERViÇO PUBLICO FEDERAL Processo n'? 0660/050.373/80 Acórdão n'? 102-17.712 -3- assumir ~ • • • • • assalariados (artigo 306), procedeu a novo calculo do imposto com a alIquota de 25%, e 'o recolhimento do imposto se deu todo de acor do com o disposto nos artigos 364, 531, 532, 534 e 535, com multa, juros e correção monetária . o Delegado da Receita Federal em, Varginha, em bem lançada decisão, confirmou o lançamento quanto ao reajustamento da remuneraçao paga aos considerados residentes no estrangeiro, com este fundamento: "Impo.rtante notar que não releva a ausência de ,cláu sula contratual prevendo a assunção do imposto por qualquer das partes. Basta que a fonte deixe de fa zer a retenção para responsabilizar-se implícita e legalmente pelo ônus e, consequentemente, pelo rea justamento do valor tributável previsto no art.365, do RIR/75. Segundo a Orientação Normativa Interna n. 34, de 10. 08.78, i tem 6, "duas são as modalidades de as- sunção do ônus: convencional, quando, por acordo e!!. tre as partes, e legal, quando derivado imediata ~ mente da lei, que impõe o encargo ã fonte que não desconta o imposto do beneficiado". E conclui essa ONI:' "Sempre que a fonte pagadora deix'ar de reter o im- posto sobre rendimentos' pagos, creditados, emprega . dos, remetidos ou entregues, assume, com ou sem,con trato, o ônus econômico do tributo, aplicando-se o disposto no art. 365 do RIR/75, ressalvàdas ,as ex- ceções expressamente referidas na legislação tribu tária". são os casos previstos no parágrafo 'único do próprio artigo 365, do RIR/75 e no, art. 15, "do Decreto-lei 1. 493/76" . No recurso, entende a recorrente que merece ser re formada a decisão proferida pelo Delegado da' Recei ta Federal em Varginha, na parte que considera devido o reajustamento do valor tributável, fundado no artigo 365 do RIR. Disse ela que inexiste previsão legal para o refe- rido reajuste, nas condições em que o caso se apresenta. Salientou que tal reajuste proveio do artigo 5'? da Lei n. 4.154 de 1962 (incorporado ao art. 365 do RIR), e nele está expresso que a importãncia paga, creditada, empregada, remetida ou entregue é considerada lIquida quando a fonte pagadora ônus do imposto devido pelo beneficiário . • .. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 102-17.712 Processo n9 0660/050.373/80 -4- • • • Analisando a norma do artigo 365 do RIR, obser- vou que a condição de contribuinte depende do fato de a fonte pag~ dora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário (que é ver dadeiro contribuinte). t necessário, pois, verificar o aspecto de assunção do ônus. Segundo ela, está provado que não assumiu, ex~ . pressa.ou tacitamertte. A exigência da Fazenda, conforme consta da decisão recorrida, baseia-se tão~somente na Orientação Normativa Interna n. 34, de 10.08.78 •• Afirmou que referida ONI, além de totalmente ile gal, viola o espírito da norma do artigo 365 do RIR, que não tem conotação punitiva, para ser simplesmente condicional, ou seja, se a fonte pagadora assumir o ônus do tributo, deve ser efetuado o reajuste ..E conclui que norma decorrente da lei não pode ser ampl~ ada:por mera orientação normativa interna. Alegou que o artigo 364 do RIR, contrariamentedo. disposto na referida ONI, determina que o imposto, ainda que .'nãb retido, é obrigação da fonte pagadora recolhê-lo. Mas a sanção,que é imposta pelo mencionado artigo, já foi amplamente satisfeita,uma vez que recolheu todos os tributos incidentes sobre os rendimentos pagos, e, por isso, não cabe a aplicação do artigo 365 . :e o relatório. VOTO. DO CONSELHEIRO FRANCISCO DE ASSIS PRAXEDES RELATOR • • O recurso foi manifestado no prazo legal. Por is so dele tomo conhecimento. Pelo que se colhe no relatório, a recorrente pa- gou remuneração mensal a residente nô, estrangeiro por serviço pre~ tado no Brasil. Descontou o imposto de renda na fonte, na forma do artigo 306 :do RIR, como se se '.tratassede rendimentos do trabalho assalariado, e recolheu-o regularmente. Percebeu posteriormente (mais de um ano do primeiro pagamento da remuneração), como 'ela disse, a inad~quação da retenção do imposto. Procedeu, então, a no vos cálculos do imposto, desta vez, à alíquota de 25%, e recolheu a diferança, antes de qualquer açao fiscal, com multas, juros e co~/ reção monetária. \tJ' ~ " .', '. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 102-17.712 Processo n9 0660/050.373/80 -5- • • • Como a recorrente nao reajustou o rendimento pago, o Fisco, descobrindo esse fato em ,ação fiscal, exigiu o imposto s£ bre o rendiment9' reajusta.do, mediante lançamento "ex officio". O imposto descontado pela recorrente foi ".admitido, parte pelo Fisco e parte na decisão recorrida. O Delegado da Receita Federal em Varginha, julgan- do a impugnação, e ante o argumento da recorrente, sustentou a le- galidade do reajustamento, invocando a Orientação Normativa Inter- na n. 34, de 10.08.78. O ilustre julgador "a quo", "data venia", apl:icc0.u <a norma legal muito objetivamente. Assim afirmou: "Basta que a fon te deixe de fazer a retenção para responsabilizar-se implicita e legalmente pelo ônus e, consequentemente, pelo reajustamento do va lor tributável previsto no .artigo 365, do RIR/75". Não concordo com esse raciocínio e nao discuto '.a validade de orientação interna, ainda que denominada de normativa, pelo menos para a aplicação na hipótese destes autos. Comefeito, preceitua o art'igo,365 do RIR: "Art.365 - Quando a forite pagadora assumir o .ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recai rá o tributo (Lei n. 4.154/62, art. 59)". Depreende-se do e.statuído no artigo retro tranScri to que é cabível o reajustamento, quando a fonte pagadora assumir o ônus' do imposto devido pelo beneficiado da importância paga, cre ditada, empregada, remetida ou entregue . Na espécie dos ônus do imposto, expressamente. a essa afirmação. autos, a recorrente nao assumiu o O julgador na quo" não opôs dúvida Dir-se-ia, pois, que a assunção do onus do imposto foi tácita. Entendo que a fonte pagadora do rendimento pode as sumir o onus expressa ou tacitamente. • Entretanto, neste caso concreto, nao vejo como ~ "" . -6- ." SERViÇO PUBLICO FEDERAL Processon9 0660/050.373/80 Acórdão n9 102-17.712 • vontade da recorrente se tenha manifestado no sentido de assumir o ônus do imposto. Pelo concurso das ci"rcunstâncias, sinto que a von tade _da recorrente é precisamente conduzida para não assumi-lo. ~ que ela, ao pagar a remuneração ao residente no estrangeiro, con- tratado por dois anos, descontou dele o imposto de renda, de acor- do com a regra estabelecida no artigo 306 do RIR. Entendeu ela, na ocasião, que os rendimentos pagos estavam sujeitos ao desconto do imposto mediante aplicação de alíquotas progressivas. • Acontece. que, mais tarde, verificou que o desconto do imposto nao era progressivo. Daí, antes de qualquer ação fiscal, promoveu o recolhimento da diferença do imposto, já admitido como devido, com os encargos legais. ~ evidente que esse proceder faz supor uma conduta que revela manifestaçã_o negativa em assumir o ônus do imposto. • Ela mesma disse porque recolheu a diferenç<;ido impo~ to. Estava ciente de que a fonte pagadora fica obrigada ao seu re- colhimento, ainda que não o tenha retido, cumprindo assim o dispo~ to no artigo 364 do RIR. Não há que se confundir assunçao do impo~ to com responsabilidade pelo recolhimento quando não haja retenção . Isto posto, concluo que não merece confirmação a be-m arrazoada decisão recorrida. Meu voto, pois, é pelo provimento do recurso. de 1980 . RELATOR.FRANCISCO D Brasília DF., de jul ./1.# • • 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 13828.000081/98-34
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 203-00.649
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanha
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 16 de março de 2004 p~~iJ--.1&4t;.,o ~~ ~que l'inheiro Torres Presidente h-:~~ . Wo~ Ana Ne~le Olí~Holanda Relatora cl/opr 1 Processo n° Recurso n° Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13828.000081/98-34 120.580 COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS RELATÓRIO ~Ld • ..~ • Reporto-me ao relatório da Resolução nO202-00.452, de fls. 206/210. Como antes gizado, trata o presente processo de pedidos de restituição/compensação de valores que o sujeito passivo teria recolhido a maior, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, pagos na forma dos Decretos-Leis nOs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por ocasião da sessão de 06 de novembro de 2002, resolveu este Colegiado converter o julgamento do recurso em diligência para que fossem trazidos aos autos elementos que possibilitassem a averiguação do teor da ação judicial em que a recorrente foi parte, e se de tal ação resultaram implicações acerca do recolhimento da contribuição objeto do pedido de restituição. . A recorrente trouxe aos autos: cópias das petições iniciais; da sentença e dos acórdãos que transitaram em julgado nos processos de nOs 89.0002539-2 (Ação Cautelar) e 89.0003763-3 (Ação Ordinária); cópia do despacho que determinou a conversão parcial, em renda da União, dos depósitos judiciais realizados; cópias dos demonstrativos juntados na ação cautelar, que discriminam, mensalmente, a participação de cada litisconsorte nos depósitos realizados, cópias de certidão de objeto e pé; cópia de petição apresentada pelas autoras, no sentido de requerer a expedição de alvará de levantamento das parcelas depositadas judicialmente, em que são apresentados os valores que caberiam a cada litisconsorte, tendo em vista a existência de uma única conta judicial, onde consta que a parcela a ser levantada referente à recorrente seria no valor de R$ 497.914,64 e outras peças dos processos judiciais, todos englobando os documentos de fls. 219/650. É o relatÓriO} f 2 Processo nO Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13828.000081/98-34 120.580 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA ~Ld • • O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como já evidenciado na manifestação anterior deste Colegiado, trata-se de pedido de restituição onde o cerne do dissídio cinge-se a que sejam consideradas as determinações do artigo 6°, e seu parágrafo único, da Lei Complementar nO 7, de 1970, adotando-se como base de cálculo da contribuição para o PIS o faturamento do sexto mês anterior àquele em que ocorreu o fato gerador (auferir faturamento), no período objeto da solicitação, o que resultaria em valores pagos a maior que os devidos, pois que recolhidos sob as determinações dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, ambos de 1988, onde o fato gerador era o faturamento e a base de cálculo a receita bruta do próprio mês. . Entretanto, os documentos que a recorrente trouxera aos autos não se faziam suficientes para que fosse averiguada a certeza e liquidez dos créditos alegados, havendo, ainda, indícios de que os recolhimentos tinham sido efetuados por meio de depósitos judiciais. Nesse mister, foi determinado diligência no sentido de que fossem trazidos aos autos os elementos referentes à ação judicial em que a recorrente fora parte e a precisa identificação da parte dos valores que foram convertidos em renda da União, que corresponderiam aos recolhimentos da recorrente, vez que a conversão em renda da União se deu de forma englobada, para todas as litisconsortes. Nesta última parte a diligência não foi capaz de fornecer dados conclusivos, pois os documentos trazidos aos autos não evidenciam o montante dos valores que foram convertidos em renda, a título de contribuição para o PIS, individualizado para cada contribuinte parte da ação judicial impetrada, o que impossibilita a averiguação acerca da existência de indébitos. Relevamos que será necessário um cotejamento entre os valores transformados em renda da União e aqueles que deveriam ter sido recolhidos sob a sistemática da semestralidade da base de cálculo, determinada pela Lei Complementar n° 7, de 1970, para que reste configurada a existência de indébitos. Neste mister, é importante anotar que a ação judicial reclamava justamente a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, de 1988. A restituição de indébitos condiciona-se à necessidade de comprovação da existência do crédito, ou seja, da sua certeza e liquidez, exigência determinada pela regra matriz do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, in casu, a recorrente trouxe aos autos um umco DARF, que engloba todos os valores que foram convertidos em renda da União, em nome de várias empresas, em decorrência de depósitos judiciais efetuados em ação onde questionava a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, ambos de 1988, sem quantificar a 1'1 3 I Processo nO Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13828.000081/98-34 120.580 12'~-MF IFI. • • parte dos valores convertidos em renda da União que corresponderia à contribuição devida por ela. Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material, e com esteio no artigo 29 do Decreto nO 70.235, de 1972, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam trazidas aos autos as comprovações dos valores que foram convertidos em renda da União, na ação judicial nO 89.2539-2, na qual a recorrente é parte, de maneira individualizada, de forma a que se possa quantificar os montantes que foram convertidos em renda em nome da recorrente. Também, que a autoridade preparadora apresente os cálculos do valor nominal da contribuição para o PIS, no período de março de 1989 a maio de 1995, considerando-se como base de cálculo o faturamento do sexto mês que antecedeu à ocorrência do fato gerador - faturamento do mês, cotejando-os com aqueles que foram convertidos em renda da União. Ressaltamos que as apurações devem ser demonstradas em planilhas apropriadas e acompanhadas ou com indicação da documentação de suporte. Sala das Sessões, em 16 de março de 2004 A ~{)~ • Wo~~{ ~ ~~LE OLIMPIO HOLANDA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000210/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1997
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO
GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM.
A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços nos serviços que envolvem construção civil até a entrada em vigor da Lei n ° 9.711/1998.
A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade.
Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil.
Numero da decisão: 2302-001.678
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços nos serviços que envolvem construção civil até a entrada em vigor da Lei n ° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD foi lavrada em substituição à de n º 37.048.3049 anulada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Por sua vez, a NFLD de n º 37.048.3049 substituiu à de n 35.007.3546 anulada pela 4ª CaJ do CRPS. O crédito foi apurado em função da aplicação de responsabilidade solidária na construção civil, conforme relatório fiscal às fls. 20 a 32. Em virtude de não se conformar com a notificação, foi apresentada defesa pela tomadora de serviços, fls. 41 a 64. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 122 a 134. A tomadora de serviços interpôs recurso na forma das fls. 139 a 161, alegando em síntese: a) não houve constatação da existência do débito; b) não havia dispositivo legal que obrigasse a empreiteira a apresentar guias de recolhimento; c) os débitos já foram quitados; d) é ilegal e inconstitucional a demora no julgamento; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000210/200959 Acórdão n.º 230201.678 S2C3T2 Fl. 370 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente conforme informação à fl. 368, pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Até a entrada em vigor da Lei n º 9.711 de 1998, os serviços que envolvem construção civil sempre implicam responsabilidade solidária por determinação do art. 30, inciso VI da Lei n º 8.212 de 1991. A notificada poderia elidir a solidariedade nos termos do art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 612/1991 ou art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 2.173/1997, ou art. 220, § 3º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, conforme a época de ocorrência do fato gerador, nestas palavras: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (...) § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) Como acima demonstrado, não é exigido da notificada o pleno conhecimento dos fatos ocorridos na empresa construtora, bastando a guarda da documentação: folhas de pagamento e guias de recolhimento do pessoal utilizado na obra. Com isso a recorrente poderia Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário, uma vez que não houve a utilização dessa prerrogativa pela notificada, a solidariedade persiste. A recorrente tem opção legal: guardar a documentação ou não guardála. Caso guarde, a responsabilidade será afastada; não guardando, arcará com os efeitos da solidariedade. A recorrente não fez prova do recolhimento de todas as contribuições previdenciárias devidas pela contratada em relação aos segurados que lhe prestaram serviços. Ao não realizar tal prova, consequentemente não pode invocar o benefício de ordem. A documentação juntada, fls. 197 a 346, não é suficiente para comprovar o recolhimento do tributo devido. Não foram colacionadas folhas de pagamento, nem guias específicas para o pessoal utilizado na prestação de serviços. A guia apresentada é uma GPS genérica cuja vinculação à obra é impossível realizar, sem o restante da documentação associada. Uma vez o recorrente não detendo a referida documentação, o órgão previdenciário passa a ter a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. Assim a legislação previdenciária oferece à Fiscalização Federal mecanismos para lavrar a Notificação, nesse caso utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal, pois embutido nesse valor há a parcela referente à mãodeobra utilizada. Portanto, era dever do contribuinte a guarda da referida documentação e apresentação à fiscalização quando solicitado, conforme previsto no art. 32 caput combinado com o § 11 da Lei n ° 8.212/1991. Uma vez não apresentando a documentação, a fiscalização não pode deixar de lavrar o débito, partindo nesse caso para aferição dos valores. Conforme dispõe o art. 128 do CTN, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Há um vínculo entre a notificada e os segurados que prestaram serviço ao construtor, pois o beneficiado por aquela utilização de mãodeobra foi o próprio recorrente, cujo produto dessa utilização é de sua propriedade, a edificação. Além disso, o disposto no art. 128 do CTN permite que a lei venha atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, assim o fez a Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 30, inciso VI, nestas palavras: Art. 30 A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620, de 05/01/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000210/200959 Acórdão n.º 230201.678 S2C3T2 Fl. 371 5 qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação alterada pela MP nº 1.5239, de 27/06/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528, de 10/12/97. Ver art. 29 da Lei nº 4.591/64) A redação original desse inciso era a seguinte: VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações; Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Previdenciária cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Quanto ao argumento de que a responsabilidade só poderia surgir após o lançamento do crédito na prestadora de serviços e não antes do surgimento desse crédito, também não procede tal argumento. A responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho de Contribuintes, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Assim, não procede o argumento da notificada de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Uma vez que não há como afastar a solidariedade, a recorrente deve provar que a prestadora já recolhera toda a contribuição devida em relação aos serviços prestados. Não havendo a guarda da documentação e restando configurada a prestação de serviços, a utilização de mãodeobra, a Receita Federal conseguiu demonstrar a existência do fato constitutivo do seu direito. E como princípio basilar do direito processual, cabe à outra parte, no caso o notificado, demonstrar fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito do Fisco, o que não foi realizado. Ao contrário do entendimento, não deve a fiscalização previdenciária diligenciar para examinar a contabilidade da construtora, pois se assim o fosse não haveria o benefício de ordem. Não existiria motivo para se efetuar o lançamento na tomadora de serviços, se em qualquer caso a Receita Previdenciária devesse diligenciar para examinar a contabilidade da construtora. Havendo inversão do ônus probatório, é imprescindível a colação aos autos da prova contábil pelos interessados. Nessa mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Desse modo, o próprio guardião judicial da lei federal, o Superior Tribunal de Justiça, ratifica o procedimento fiscal no caso dos lançamentos por solidariedade das contribuições previdenciárias. O argumento de que seria ilegal e inconstitucional a demora no julgamento, não nulifica o procedimento. Não há sanção legal para o fato de um processo demorar para ser apreciado definitivamente na esfera administrativa. CONCLUSÃO: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000210/200959 Acórdão n.º 230201.678 S2C3T2 Fl. 372 7 Voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento quanto ao mérito. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10840.000462/2004-21
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO.
Omissão de rendimentos apurados com base em extratos de cartão de crédito. Os valores sacados em dinheiro com cartão, quando não comprovada a destinação/efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. CRITÉRIOS OBJETIVOS. ART. 44, I DA LEI 9.430/1996.
O dispositivo legal citado determina a aplicação da multa de 75% pela constatação objetiva da infração, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou nos de declaração inexata. Não requer a valoração da intenção do agente nem a demonstração da ocorrência de dolo ou fraude, casos em que se deslocaria o enquadramento para o § 1º, onde é então duplicado o percentual da multa.
JUROS DE MORA. ART. 161 DO CTN. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, no montante de R$ 27.832,32, referente ao ano-calendário de 1998, exercício 1999, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO. Omissão de rendimentos apurados com base em extratos de cartão de crédito. Os valores sacados em dinheiro com cartão, quando não comprovada a destinação/efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CRITÉRIOS OBJETIVOS. ART. 44, I DA LEI 9.430/1996. O dispositivo legal citado determina a aplicação da multa de 75% pela constatação objetiva da infração, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou nos de declaração inexata. Não requer a valoração da intenção do agente nem a demonstração da ocorrência de dolo ou fraude, casos em que se deslocaria o enquadramento para o § 1º, onde é então duplicado o percentual da multa. JUROS DE MORA. ART. 161 DO CTN. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 62 /2 00 4- 21 Fl. 1011DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 773 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, no montante de R$ 27.832,32, referente ao anocalendário de 1998, exercício 1999, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro José Valdemir da Silva. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo aos exercícios de 1999 a 2003, anos calendário de 1998 a 2002. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que foi constatada “omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado...”. Consignou também o Auditor Fiscal que: “Após a análise dos documentos recebidos pelas administradoras de cartão de crédito, em 30/12/2003 foi elaborado termo de intimação n° 001 solicitando ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das faturas mensais efetuados, de acordo com o demonstrativo anexo ao termo de intimação n°001. ... Da análise de todos os documentos apresentados, inclusive os extratos bancários foram elaborados os demonstrativos de variação patrimonial que fazem parte do presente auto de infração.” O Auto de Infração foi impugnado, sendo conhecido e tratado pela DRJ, em primeira instância, tendose decidido pela rejeição das preliminares de decadência do exercício de 1999 e de nulidade do lançamento e, no mérito, pela procedência do lançamento. Transcrevo da fl. 678: Fl. 1012DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 774 3 “... os julgadores da Sexta Turma da DRJSPOII por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida e JULGAR\ procedente o lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Cientificado e inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, que, em síntese, assim dispôs: Inicialmente, entendo que se deve acolher a preliminar de decadência com relação ao ano calendário de 1998. 0 auto de infração foi lavrado em 18.02.2004 e a ciência ocorreu em 25.02.2004. Assim, considerando que o fato gerador do imposto de renda da pessoa fÍsica, "in casu", ocorreu em 31.12.1998 e considerando os termos do parágrafo 4 0 do artigo 150 do ao C.T.N. o prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário já se havia encerrado na oportunidade da lavratura do auto de infração. Afasto portanto, o lançamento do ano calendário de 1.998 por decadência. (...) Quanto à preliminar de nulidade também suscitada pelo interessado meu entendimento é diverso. Precisamente com fundamento no artigo 59, II e 9°. do PAF, Decreto 70.235 de 1.972, não há qualquer vicio no lançamento que possa ensejar sua nulidade. Todos os pressupostos de validade estão presentes no auto de infração. Os métodos utilizados pela autoridade fiscal são legítimos e e perfeitamente de acordo com a legislação vigente (artigo 10 do Decreto 70.235/72) para apurar a efetiva verba tributável auferida pelo contribuinte para oferecimento na DAA respectiva. Portanto, cabe afastar a referida preliminar. (...) De igual modo, correta a decisão da DRJ quanto à multa de 75%. Na há que se alegar caráter confiscatório posto que a penalidade decorre da aplicação da legislação pertinente, qual seja, o artigo 44, inciso I da Lei 9.430 de 1.996. De igual modo com relação aos juros morat6rios com base na variação da taxa SELIC. A imposição dos juros conforme o critério adotado decorre de determinação legal (Lei 9.065 de 1.995). Adentrando ao mérito da discussão propriamente dito, entendo que os valores relativos aos saques em dinheiro praticados com cartão de crédito devem constituir recursos na composição do fluxo financeiro para apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto. Ou seja, os valores que o interessado sacou com o próprio cartão de credito para pagamento das mesmas faturas de cartão de credito, são operações de empréstimos e devem ser incluídos corno recursos na composição do APD....(grifei) Fl. 1013DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 775 4 Na esteira do Voto relator, decidiu o Conselho, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar os saques realizados para pagamento dos cartões no fluxo financeiro, conforme acima transcrito. Em relação à decadência do exercício de 1999, declarouse por maioria de votos. Vejamos na fl. 745: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1998. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a acolhe. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o acréscimo patrimonial a descoberto em R$ 9.559,00, R$ 6.030,00, R$ 1.350,00 e R$ 1.500,00, relativos aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente, nos termos do voto da Relatora A União, representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, questionando o acolhimento da preliminar de decadência pela Câmara Julgadora. O recurso foi admitido e a Câmara Superior proferiu o Acórdão de fl. 3, onde assim dispõe: “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 1998, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 10). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/02/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. (grifei) Entenderam, portanto, que não existindo a decadência do exercício de 1999, deveriam os autos retornar a esta instância recursal, a fim de que se julgasse o mérito da controvérsia em relação aos valores apurados e questionados, naquele ano calendário de 1998. Transcrevo da fl. 08: Fl. 1014DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 776 5 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada, devendo os autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte, referente ao ano calendário de 1998. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 11/10/2004 (fl. 697) e o recurso voluntário foi protocolado, tempestivamente, em 09/11/2004 (fl. 701). Assim, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Bem, conforme relatado, tratase de retorno dos autos a este Colegiado após ter sido reformada decisão anterior do Conselho de Contribuintes, que entendera pela decadência dos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1998, exercício financeiro de 1999 e, dessa feita, não adentrou no mérito em relação a esse período, especificamente, por Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entendo, pela situação descrita, que estão superadas as questões preliminares de decadência e nulidade levantadas no recurso voluntário, sendo desnecessário tecer sobre elas qualquer consideração, prevalecendo o status quo pelas decisões já prolatadas. Assim, o exercício de 1999, ano calendário de 1998, não estava atingido pela decadência, nos termos do Acórdão 9202002.659, de 24 de abril de 2013, da CSRF e o procedimento fiscal não tem nenhum vício de nulidade, nos termos do Acórdão 10247.662 de 21 de junho de 2006, da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ipsis literis. Em relação à controvérsia hoje existente sobre o uso da RMF (Requisição de Movimentação Financeira) pelo Fisco, para obter diretamente das instituições financeiras os dados bancários do contribuinte, em sede de recurso extraordinário ao qual foi atribuída a repercussão geral pelo STF (RE 601.314) observo que, no caso, o expediente foi empregado mediante autorização judicial, conforme Ofício Criminal nº 617/2003, da Quarta Vara Federal de Ribeirão Preto, em 01 de julho de 2003. (fl. 115). MÉRITO. ANO CALENDÁRIO 1998. Primeiramente, ao contrário do que se diz no recurso, o contribuinte não apresentou declaração de rendimentos para o exercício de 1999, ano calendário de 1998, conforme atesta a Unidade de origem na fl. 93 e por tudo mais que consta nos autos, inclusive nas fundamentações que levaram ao juízo sobre a inexistência da decadência. Conforme Auto de Infração, foram apuradas as seguintes importâncias mensais, no ano calendário de 1998, a título de omissão de rendimentos caracterizada por excesso de aplicações em relação às origens de recursos: JAN 12.182,99; FEV 8.542,15; MAR 7.576,30; ABR 7.166,58; JUN 12.179,25; JUL 7.769,92 AGO 13.489,67; SET 4.965,86; OUT 7.021,42; NOV 2.742,49; DEZ 18.994,68. Fl. 1015DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 777 6 Total em R$ 102.631,31 A sistemática empregada para imputar a exigência ao contribuinte encontrase amparada pelos artigos 806 e 807 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 RIR/1999, conforme citado no “enquadramento legal” do Auto de Infração, dentre outros dispositivos ali indicados. Se com seus dispêndios o contribuinte não acumulou patrimônio, simplesmente “gastando” o dinheiro, isso não descaracteriza a presunção de que teve a disponibilidade de renda passível de tributação. Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n2 4.069, de 1962, art. 51, § 1 2). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa fisica está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte." Neste ponto entendo corretas as considerações efetuadas pelo julgamento de primeira instância. Nas folhas 25/26 encontrase o demonstrativo elaborado pela Autoridade Fiscal, onde, observo, foram considerados como “origem” de recursos apenas os saldos bancários verificados e como aplicações a indicação genérica “outros dispêndios/aplicações”. Na folha 536, existe o demonstrativo denominado “Demonstrativo Dos Valores Pagos Mensalmente às Administradoras” , que foram considerados como aplicação de recursos. O Recorrente alega que os valores sacados, designados como “saquescash” constantes das cópias dos extratos de cartões de crédito, juntados na impugnação, não poderiam integrar o valor dos pagamentos efetuados na amortização da dívida dos cartões de crédito, mesmo porque não são “saídas definitivas ou dispêndios efetivamente realizados”. Não obstante suas alegações de que sacava dinheiro com o cartão para pagar faturas do mesmo ou de outro cartão, é de se observar a Súmula CARF nº 67, que transcrevo: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. A Súmula, que consubstancia o entendimento convergente da instância administrativa e é de observância obrigatória pelos Conselheiros, diz que “saques” não podem ser presumidamente incluídos como dispêndio/aplicação em fluxo de apuração de acréscimo patrimonial. Assim, neste aspecto, assiste razão ao Recorrente, devendo os valores identificados como “saques” nas faturas de cartão de crédito, uma vez que não demonstrado o Fl. 1016DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 778 7 consumo ou aplicação da renda pela Fiscalização, serem excluídos do cômputo da variação patrimonial. Devem, portanto, ser excluídos os seguintes valores, no demonstrativo de variação patrimonial de fl. 25/26, da linha “outros dispêndios/aplicações”, por não ter restado demonstrado nos autos que consubstanciaram efetivo consumo/aplicação de recursos, constando dos extratos de pagamento do cartão de crédito como “saques”: Janeiro R$ 2.290,00 (fl. 334); fevereiro R$ 2.069,13 (fl. 338); março R$ 1443,75 (fl. 260) mais R$ 2.204,00 (fl. 340); abril R$ 1.308,74 (fl. 342); maio R$ 653,90 (fl. 344), junho R$ 2.106,00 (fl. 346); julho R$ 1.404,00 (fl. 268); agosto R$ 1.472,50 (fl. 270) mais R$ 2.065,00 (fl. 350); setembro R$ 2.439,50 (fl. 274); outubro R$ 1.492,50 (fl. 274) mais R$ 1.910,40 (fl. 354); novembro R$ 1.687,00 (fl. 356) e dezembro R$ 1.089,00 (fl. 278) mais R$ 2.196,00 (fl. 358). Pelo que consta dos autos, não é possível firmar convicção sobre a alegação do contribuinte de que a dívida contraída com o uso do cartão American Express do Brasil Tempo e Cia, nº 3764.412993.11003, no montante originário de R$ 37.670,74, sobre a qual tramitava Ação Ordinária de Cobrança judicial, foi toda ela decorrente de saques em dinheiro, utilizados para pagar as faturas dos outros dois cartões Visa (nº 4984.0750) e Mastercard (nº 5464.5295) considerados pela Fiscalização no fluxo financeiro. A alegação é genérica e as faturas mensais de tal cartão não foram apresentadas, para que se identificasse pontualmente cada um dos saques, devendo o contribuinte vinculálos aos gastos levantados. Observo ainda que na petição inicial da referida Ação consta que “a partir das faturas vencidas no dia 28 de julho 1998” é que o contribuinte não mais efetuou os pagamentos, o que acarretou o cancelamento do referido cartão. Então, até tal mês, estava utilizando o cartão (e pagando as faturas) e não se comprova que somente para efetuar saques e pagar faturas de outros cartões. DA MULTA APLICADA. O artigo 44, I da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação de multa, nos seguintes casos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007 Não requer a Lei que tenha havido intenção do agente, dolo ou fraude, quando, então constatados, remeteriam a situação ao § 1º, onde o percentual da multa é dobrado. Há de se considerar ainda que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme art. 142, § 1º do CTN, não cabendo à Autoridade Fiscal, a seu talante, aplicar raciocínios ou ilações lógicas, mas apenas verificar a ocorrência do fato Fl. 1017DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 779 8 gerador, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade legalmente prevista. Assim, verificando a situação concreta que constitui o fato gerador da obrigação tributária, calculou o tributo devido e aplicou a penalidade, objetivamente, nos termos da lei. Quanto ao percentual estabelecido em lei, não cabe a esta instância administrativa manifestarse sobre o cabimento ou a constitucionalidade da legislação tributária, conforme entendimento já sumulado (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. SELIC. Os juros de mora não são punitivos. Tem o objetivo de atualizar o valor devido, não pago no vencimento. A mora compensa o pagamento a destempo. A taxa Selic, empregada, é matéria que não mais se discute nessa instância administrativa, desde a edição da Súmula nº 04, de observância obrigatória pelos Conselheiros, já tendo também o STJ firmado entendimento pela sua legitimidade. Vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO. Devem ser excluídos da apuração da variação patrimonial os valores, especificados neste Voto, que somados importam em R$ 27.832,32, caracterizados como “saques” efetuados, que constam da faturas, uma vez que não foi demonstrada a efetiva aplicação/consumo da renda. Sobre o crédito tributário que restar em cobrança, incidem a multa de ofício de 75% e os juros de mora com base na taxa Selic, ambos decorrentes de aplicação da legislação tributária. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1018DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10840.000462/200421 Acórdão n.º 2801003.267 S2TE01 Fl. 780 9 Fl. 1019DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11020.007194/2008-18
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matérias-primas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não a suas revendas.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
Numero da decisão: 3301-000.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.09495.7Z41. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo decorrente de ato do servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Corresponde à fé pública do servidor. Histórico de ações sobre o documento: Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/12/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1219.09495.7Z41 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 55E73D4373CB53EEBEF5AC1502E5C6EFA2E135B2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11020.007194/2008-18. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.000781/93-28
Data da sessão: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 302-00.846
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES
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RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de juhho de 1997 c:A--"'~ HENRIQUE . O MEGDA Presidente ~.o ••... 7.~~~. u (},JIJ! 199 PrOCllra<lQr •.•.• ~ F&zond •. NaCional Participaram; ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGA TIO, UBALDO CAMPELLO NETO, ELIZABETH MARIA VIOLATIO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, ANTENOR DE BARROS LEITE FILHO E LUIS ANTONIO FLORA . trnc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.196 302-846 INDÚSTRIA MECÂNlICA BRASPAR LIDA IRF-SÃO PAULO/SP PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES RELATÓRIO E VOTO • Em sessão do dia 22/11/95 esta Câmara, pela Resolução nO302-0.757, converteu o julgamento em diligências, para obtenção de Pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia e à Coordenação Técnica de Tarifas, conforme exposto no Voto a seguir transcrito: "Como se depreende do Relatório ora apresentado, o litígio decorre do Laudo Pericial estampado às fls. 18-verso dos autos, elaborado pelo D.D. Perito nomeado pela repartição aduaneira, segundo o qual a mercadoria examinada diverge da licenciada e despachada pela Recorrente. No entender da fiscalização, com base no referido Laudo Técnico, as máquinas importadas pela Suplicante não se enquadram, respectivamente, no "EX" 001 criado pela Portaria MEFP 60/92, para o código tarifário 8462.10.0000 TAB/SH (adição 001) e no "EX" 001 criado pela Portaria MEFP 593/92, para o código 8462.49.0000 TAB/SH (adição 002). No primeiro caso (adição 001), o referido "EX" 001 do código TAB/SH 8462.10.0000, contempla: "ESTAMPADEIRA UNIVERSAL PARA PRODUÇÃO DE PARAFUSOS, ESFERAS, REBITES E SEMELHANTES, COM MAIS DE DUAS MATRIZES PARA PEÇAS DE DIÂMETRO ATÉ 14mm". Com relação à adição 002, o "EX" 001 do código TAB/SH 8462.49.0000, refere-se a: "MÁQUINA PARA CHANFRAR, APONTAR E ROSQUEAR PARAFUSOS, DE 4 ESTÁGIOS". Segundo o Laudo Técnico retro-mencionado (fls. 18-verso), além das máquinas propriamente ditas, foram encontrados outros equipamentos, de caráter opcionais, de acordo com catálogo do fabricante que se encontra em anexo, não descritos na D.I. Ainda de acordo com o mesmo Laudista, a máquina descrita na adição 002, embora desempenhe a função de chanfrar, apontar e rosquear, a mesma não possui os 4 (quatro) estágios descritos no "EX". 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.196 302-846 • • Conclui o mesmo Perito que: "trata-se de um sistema totalmente automatizado para a produção de parafusos, não caracterizando- se simplesmente como as duas máquinas descritas na Declaração de Importação, sendo este o motivo pelo qual o peso real do equipamento importado não corresponde ao descrito inicialmente na Guia de Importação, e nem com o peso individual das máquinas, apontado no catálogo técnico emitido pelo fabricante das máquinas". A Recorrente, por sua vez, não concorda com a individualização das peças pela fiscalização aduaneira e apresenta Laudo Técnico, emitido por Perito por Ela designado, procurando demonstrar que a máquina descrita na adição 001 se completa com as peças listadas pelo Perito da repartição fiscal. Com relação à máquina da adição 002, informa a Suplicante que o "EX" 001 criado pela Portaria MEFP 593/92, foi editado com erro quanto à existência de 4 (quatro) estágios, pois que não existe tal equipamento, comprovando-se tal erro pela edição, posteriormente, da Portaria MF 781/92, criando um novo "EX"OOl no mesmo código tarifário, onde desaparece a indicação de "04 (quatro) estágios" ..'."., .... :., "::~~.; As informações e ,documentos constantes dos autos não contemplam esclarecimentos técnicos suficientes o bastante para solução do presente litígio. Com efeito, os referidos "EX" criados pelas Portarias mencionadas são bastante singelos, apenas indicando os tipos de máquinas (estampadeira universal para produção de parafusos, esferas, rebites e semelhantes, com mais de duas matrizes para peças de diâmetro até 14mm; e máquina para chanfrar, apontar e rosquear parafusos), sem qualquer outra descrição quanto aos componentes de tais máquinas. Informa o Perito designado pela repartição aduaneira que alguns equipamentos encontrados são opcionais, enquanto que a Recorrente, também munida de Laudo Pericial, alega que se tratam de máquinas completas, sendo que todas as peças ou equipamentos encontrados são imprescindíveis para o funcionamento das mesmas máquinas. Ante o impasse existente e sem maiores elementos nesta Câmara para decidir a controvérsia, proponho que o julgamento do presente Recurso seja convertido em diligências, através da repartição aduaneira de origem, com os seguintes objetivos: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA • • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.196 302-846 • • 10.) AO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA (INT) Para que se digne de emitir Parecer Técnico a respeito do assunto, informando, detalhadamente: a) se os equipamentos listados pelo Perito nomeado pela repartição aduaneira, conforme Laudo às fls. 18-verso, são efetivamente considerados como "opcionais" ou seja, se as máquinas importadas pela Suplicante poderiam funcionar sem as referidas peças, exceto o jogo de peças sobressalentes, cumprindo perfeitamente a sua função; b) se existe a "maquina para chanfrar, apontar e rosquear parafusos, "de 4 estágios", como descrito no "EX" criado pela Portaria MEFP 593/92. 2°) À COORDENAÇÃO TÉCNICA DE TARIFA (CTT). - (ou órgão que a tenha substituído) - para juntar aos autos os processos (ou cópias completas do seu inteiro teor), relativos aos pleitos formulados pela Interessada que resultaram na edição das Portarias acima mencionadas, que criaram os respectivos "EX".; prestando outros esclarecimentos que julgar convenientes sobre o assunto. Concluída a diligência em questão, seja aberta vista dos autos à Recorrente com prazo fixado para que possa manifestar-se a respeito dos resultados alcançados, assim o querendo." Dando cumprimento à Resolução desta Câmara, foram emitidos, em 13 de junho de 1996, os Ofícios nOs. 198/96 ao INT/S.PAULO e 199/96 à Coordenação Técnica de Tarifa, acostados às fls. 251 e 252 dos autos, cujos textos leio nesta oportunidade, para melhor informação de meus I. Pares. (Leitura ...fls. 251/252). Não se tem notícia, nem existe nos autos qualquer indicação, de que os citados Ofícios tenham sido efetivamente expedidos. Nada foi informado nem juntado aos autos em atendimento à diligência supra. Em seguida, por provocação do OF.GAB/3CCIN° 92/96, de 15/10/96, do Sr. Presidente deste Conselho - cópia às fls. 253 - cuja texto leio nesta oportunidade ( .leitura ), foi o processo restituído a esta Câmara, da forma como se encontrava, ou seja, sem o cumprimento da mencionada diligência. À época em que foi baixada a Resolução acima indicada, como agora, encontra-se este Relator com dificuldades para resolver o litígio, dependendo de esclarecimentos complementares requeridos naquela oportunidade, principalmente no que conceme aos questionamentos formulados ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Diante do exposto, proponho o retomo dos autos à repartição de origem para que faça cumprir, com a necessária e devida brevidade, o decidido por esta 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA ".• '. RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.196302-846 •• Câmara através da Resolução 302-0.757, especificamente no que conceme a consulta formulada ao INT, estampada no tópico 1°) do Voto, às fls. 246/247. Concluída a .diligência, abra-se vista dos Autos à Recorrente, com prazo para conhecimento e pronunciamento a respeito do seu resultado, assim o querendo. Sala das Sessões, 18 de junho de 1997 O ROBERT 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10665.904437/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
REGIME NÃO-CUMULATIVO. DILIGÊNCIA FISCAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Tendo sido determinada a realização de diligência para verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e intimado o Recorrente a apresentar documentação comprobatória, faz-se necessário o seu atendimento. Sem a apresentação dos documentos solicitados, o pedido deve ser indeferido.
Numero da decisão: 3402-009.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 REGIME NÃO-CUMULATIVO. DILIGÊNCIA FISCAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Tendo sido determinada a realização de diligência para verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e intimado o Recorrente a apresentar documentação comprobatória, faz-se necessário o seu atendimento. Sem a apresentação dos documentos solicitados, o pedido deve ser indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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DILIGÊNCIA FISCAL. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Tendo sido determinada a realização de diligência para verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e intimado o Recorrente a apresentar documentação comprobatória, faz-se necessário o seu atendimento. Sem a apresentação dos documentos solicitados, o pedido deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Belo Horizonte (DRJ-BHE): A contribuinte acima qualificada apresentou, em 15/04/2008, DCOMP nº 14102.78520.150408.1.7.04-8819, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, realizado a título de PIS do período de apuração de maio de 2003 (fls. 6/11). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 44 37 /2 00 9- 09 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.176 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.904437/2009-09 Conforme Despacho Decisório de fls. 4, a compensação não foi homologada pela autoridade jurisdicionante, sob o fundamento de utilização integral do pagamento para quitação de débitos da contribuinte, pelo que não restaria crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Cientificada da decisão em 01/06/2009 (fls. 36), a contribuinte manifestou, em 29/06/2009, a fls. 2/3, sua inconformidade, alegando que: A Requerente, como contribuinte para o PIS/PASEP, com base em seu faturamento bruto, fez opção pelo Sistema Não Cumulativo, previsto na Lei 10.637, de 30.12.02. A contribuição devida no mês de fevereiro de 2003, apurada na forma do art. 1º da Lei 10.637, já mencionada, foi recolhida sem a dedução do crédito resultante da aplicação do previsto no art. 3º da mesma Lei. Disto resultou recolhimento a maior, passível de recuperação e assim demonstrado: Como já são decorridos mais 5 (cinco) anos da ocorrência deste fato, tentamos a retificação das DCTFs e dos DACON para que passassem a espelhar a realidade dos créditos a nosso favor de modo a dar lastro ao PER-DCOMP, mas não conseguimos. Instruem a manifestação de inconformidade, entre outros documentos, DCTF (fls. 14/25) e Dacon (fls. 26/35). A 4ª Turma da DRJ-BHE, em sessão datada de 22/10/2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 02- 41.045, às fls. 38/40, com a seguinte Ementa: Ausência de provas da existência do crédito. Na ausência de outras provas, o Dacon não pode ser considerado instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 14/11/2012 (conforme Aviso de Recebimento - AR, à fl. 42), apresentou Recurso Voluntário em 11/12/2012, às fls. 43/44, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. A Turma 3401 deste CARF, em sessão realizada em 21/06/2018, resolveu, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência (Resolução nº 3401-001.395, às fls. 57/61), verbis: A diligência solicitada foi realizada pela Unidade Preparadora (DRF – Belo Horizonte), com ciência do contribuinte sobre o resultado deste procedimento em 20/01/2020 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.176 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.904437/2009-09 (conforme Aviso de Recebimento - AR, à fl. 152). Tendo em vista que o contribuinte não apresentou manifestação sobre a Informação nº 3/2020-RFB/VR06A/DICRED/PGIMPJ, elaborada pela Autoridade Fazendária, o processo foi devolvido em 05/03/2020 a este Conselho por meio do Despacho de Encaminhamento à fl. 153. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Em atendimento ao quanto solicitado por este Conselho na Resolução nº 3401- 001.395, a Unidade Preparadora elaborou a Informação nº 3/2020- RFB/VR06A/DICRED/PGIMPJ, nos seguintes termos: 1. O presente processo cuida da declaração de compensação (DCOMP) nº 14102.78520.150408.1.7.04-8819, em que o sujeito passivo aproveita crédito no valor de R$ 166,34 (cento e sessenta e seis reais e trinta e quatro centavos), decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Pis/Pasep. 2. O contribuinte alega equívoco no preenchimento do débito de PIS/Pasep declarado em DCTF para o mês de maio/2003 (R$ 1.007,23), sob o argumento de que o valor informado não contemplou a dedução dos créditos (R$ 473,04) previstos na Lei 10.637/2002, sendo o valor devido R$ 534,19 (R$ 1.007,23 – 473,04). (...) 4. Mediante Resolução nº 3401-001.395 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, fls. 57 a 61, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) converteu o julgamento do processo em diligência, “para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito.” 5. O contribuinte foi, então, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 100/2019- RFB/VR06A/DICRED/PGIMPJ, fls. 68/69, intimado a apresentar: a) documentação comprobatória (notas fiscais, faturas comerciais, comprovantes de pagamento, recibos, contratos, etc.) dos lançamentos contábeis das despesas que deram origem ao crédito da contribuição para o PIS/PASEP, referente a maio de 2003, informados no Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 02-41.045 – 4ª Turma da DRJ/BHE, de 22 de outubro de 2012, quais sejam: - lançamentos relativos aos custos vinculados ao imóvel adquirido para revenda, no valor total de R$ 27.133,39, páginas 50, 52, 54 e 55 do Livro Diário; - lançamento relativo à energia elétrica consumida em seu estabelecimento, no valor de R$ 57,65, página 50 do Livro Diário; - lançamento relativo ao aluguel do prédio, pago a pessoa jurídica, utilizado nas atividades da empresa, no valor de R$ 223,11, página 48 do Livro Diário; e Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.176 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.904437/2009-09 - lançamento relativo a encargos de depreciação, no valor total de R$ 1.255,10, páginas 54 do Livro Diário. b) cópias do Livro Diário com informações relativas à apuração do débito de PIS do mês maio/2003, uma vez que as cópias juntadas às fls. 42 a 50 deste processo encontram-se inelegíveis. 6. Em atendimento à intimação, o interessado limitou-se a juntar cópias de páginas do Livro Diário, fls. 72 a 78. 7. Dessa forma, para atender à solicitação do CARF serão elencadas, a seguir, as informações prestadas pelo sujeito passivo em declarações (DCTF, DACON, DIPJ, DCOMP), bem como aquelas que foram possível colher das cópias do Livro Diário do mês maio/2003. 7.1 - INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DECLARAÇÕES: a) Em 23/08/2004, o contribuinte entregou DCTF Retificadora nº 0000.100.2004.41897115, declarando débito de PIS/Pasep do mês maio/2003, sob o código de receita 8109, no valor 1.027,68. A DCTF encontra-se na situação Liberada, fls. 80. (...) b) Não foi apresentada DCTF com débito no valor de R$ 534,19. O próprio contribuinte afirma que, em razão do transcurso do prazo de 5 anos, não foi possível entregar DCTF retificadora alterando o valor do débito, fls. 02. (...) 8. Registre-se que a Dcomp em análise, nº 14102.78520.150408.1.7.04-8819, transmitida em 15/04/2008, é retificadora da Dcomp nº 10601.46382.150604.1.3.04- 3813, transmitida em 15/06/2004. 9. Considerando que, para o caso em questão, o que se tem a informar e esclarecer com base nos documentos que instruem o processo encontra-se acima registrado, dê ciência ao contribuinte desta Informação para que se manifeste, se considerar necessário, no prazo de 30 (trinta) dias e, após, encaminhe o processo ao CARF, para prosseguimento. Como se verifica no item 5 da Informação Fiscal, o Recorrente, apesar de intimado, não apresentou a documentação comprobatória solicitada pela Auditora-Fiscal, limitando-se juntar cópias de páginas do Livro Diário, o que já havia sido considerado insuficiente pelo Colegiado, motivando a realização da diligência. Com efeito, apesar de afirmar que registrou no Livro Diário custos vinculados a imóvel adquirido para revenda, energia elétrica, aluguel de prédio e encargos de depreciação, não apresentou provas de que tais custos realmente existiram, muito menos de que possam ser considerados como insumos de sua atividade de prestação de serviços, aptos a gerar créditos das contribuições. Nesse contexto, não há como ser considerada superada a carência probatória já identificada no acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.176 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.904437/2009-09 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 37306.001560/2006-51
Data da sessão: Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo.
GFIP. CONFISSÃO.
Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.943
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. GFIP. CONFISSÃO. Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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GFIP. Recorrente COOPER 100 INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2005 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. GFIP. CONFISSÃO. Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membro •- À a Câmara / 2 Tutina Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimi. e de votos, e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. CELO OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Ronaldo de Lima Macedo e Ewan Teles Aguiar (Convocado). Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. JLJ - - 2 Processo n°37306.001560/2006-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.943 Fl. 218 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Guarulhos/SP, fls. 0149 a 0155, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 094 a 095, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GF1P), elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 22/11/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 098. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0105 a 0135, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0159 a 0184, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. As exigências de contribuição sobre a remuneração de autônomos e avulsos afronta à Constituição Federal; 2. As contribuições para o Salário Educação e para o SEBRAE são inconstitucionais; 3. A recorrente, como prestadora de serviços, está desobrigada ao pagamento de contribuições ao SESC e ao SENAC; 4. As exigências de contribuição ao INCRA e ao SAT são indevidas; 5. A multa e os juros foram aplicados de forma indevida; Diante do exposto, requer o recebimento e o acolhimento das ra o -s expressas no recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0216. - É o relatório. 3 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto ás preliminares, a recorrente alega que há exigências no lançamento que são inconstitucionais. Esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária,' que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a constitucionalidade de normas jurídicas é infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se auto-impôs regra nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARf) e dá outras providências): 4 Processo n° 37306.001560/2006-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.943 Fl. 219 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1- que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; • b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007 (Art. 73, Portaria Ministerial 256/2009): "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". Portanto, não há razão no argumento. Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das fointalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, em primeiro lugar, a recorrente alega que, como prestadora de serviços, está desobrigada ao pagamento de contribuições ao SESC e ao SENAC. Esclarecemos à recorrente que não há razão em seu argumento. As contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. Nesse -sentido é o entendimento atual do STJ, como exemplo segue ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 8409461RS, cuja relatora foi a Eminente Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras; 5 TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO — PRECEDENTES. I. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Quanto à improcedência de contribuição ao INCRA, esclarecemos à recorrente que não há razão na sua alegação. • A contribuição ao INCRA é uma contribuição social criada no interesse de promover e equilibrar o ambiente rural e não há exigência legal para que as empresas contribuintes tenham qualquer vínculo com o setor rural ou mesmo com o regime de previdência dos rurícolas. O próprio Supremo Tribunal Federal já analisou a questão e entendeu ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE's nos 225.368, Rel. Min. limar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. MM. Sydney Sanches) Assim, não há que se alegar improcedência dessa exigência. Quanto à improcedência da exigência da contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/RAT) temos que - seguindo os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) - a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos beneficios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. Fazemos referência a doutrina para reforçar que não houve ofensa aos princípios constitucionais ao ser delimitado por decreto os respectivos graus de risco das empresas, conforme ensinam MARCUS ORIONE GONÇALVES CORREIA e ÉRICA PAULA BARCHA CORREIA: "Incidindo a contribuição para a cobertura acidentária sobre o salário, perfeitamente legal a sua imposição mediante simples lei ordinária - art. 22, II, da Lei n. 8.212, de 1991, já que não estamos diante de fonte de custeio inédita. Por outro lado, ao tratar desigualmente situações desiguais, a gradação dos percentuais de contribuição, de acordo com o grau de risco da empresa, em verdade coaduna-se com o principio da igualdade - em vez de contra ele conspirar. Estamos diante da velha noção de justiça propagada por Aristóteles e incorporada aos ordenamentos modernos (inclusive o nosso): somente há justiça onde os desiguais são tratados de forma desigual. 6 Processo n° 37306.001560/2006-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.943 Fl. 220 Por fim, há autorizativo da própria lei - art. 22, § 3°, da Lei n. 8.212, de 1991 para que os decretos indiquem as atividades submetidas aos diversos níveis de risco. Destarte, nada há que conspire, ainda aqui, contra o princípio da legalidade. Logo, nada mais normal (sob o viés jurídico) que empresas, cujo risco de acidente do trabalho é menor, contribuam de forma menos significativa para a manutenção do sistema de atendimento aos que se acidentam no exercício de seu labor. E, por outro lado, que empresas, cujo risco de acidente em seu ambiente é maior, contribuam com mais. Inexiste, sob as óticas anteriores, qualquer pecha de inconstitucionalidade no dispositivo em comento". (Curso de Direito da Seguridade Social, 2001, Editora Saraiva, págs. 142/143) O decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na lei. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo pela desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4 0, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO- SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4'; art. 154,1; art. 5°, II; art. 150, I. 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. - O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. IIL - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, - - IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. 7 V. - Recurso extraordinário não conhecido". (RE 343.446-2/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) Assim, a contribuição ao SAT/RAT está de acordo com a legislação vigente, sendo perfeitamente exigível. Por fim, quanto à exigência de multas e juros, esclarecemos à recorrente que é a Legislação quem detenuina essas cobranças. Lei 8.212/1991: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do • vencimento da obrigação; II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; 8 Processo n° 37306.001560/2006-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.943 Fl. 221 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. § 1° Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. § 4 0 Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado • dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Outro ponto a ressaltar é que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou - na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 - a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Assim, não há que se falar em improcedência na exigência dos juros e multas presentes no lançamento. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Sala das Sessi : em 10 de j nho de 2010 MARCELO OLIVEIRA - Relator 9
score : 1.0
Numero do processo: 10120.913066/2011-10
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2006
RATEIO PROPORCIONAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO TIPO DE RECEITA. UNIFORMIDADE.
A adoção de critério de rateio dos créditos comuns por vinculação ao tipo de receita está em consonância com a legislação e os entendimentos da RFB sobre o tema. O requisito de uniformidade da aplicação do critério adotado refere-se à sua utilização para todo o ano calendário em análise.
RECEITA BRUTA PARA FINS DE RATEIO PROPORCIONAL. INCLUSÃO DA RECEITA COM VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação tributária define o conceito de receita bruta para fins de rateio proporcional relativamente à apuração de crédito da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) de maneira a impor limitação à inclusão da receita com venda de ativo imobilizado na receita bruta sujeita à incidência da contribuição.
ATO COOPERATIVO. RELAÇÃO COM O OBJETO SOCIAL DA COOPERATIVA. OUTRAS RECEITAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
O ato cooperativo, para ser tratado como tal, deve guardar relação com o objeto social da cooperativa. Demais receitas, que não guardam relação com o ato cooperativo, devem ser incluídas na apuração da base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) por não estarem isentas de sua incidência.
CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS À REVENDA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos apurados pela aquisição de bens destinados à revenda destinam-se ao abatimento das contribuições apuradas em decorrência da receita desta revenda e devem ser a ela apropriados diretamente.
RATEIO DOS CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITA NÃO TRIBUTADA.
A Solução de Divergência no. 3-Cosit, de 2016 permite que sejam ser incluídas no cálculo da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero, contudo trata-se de uma possibilidade e não uma obrigação.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas incide correção monetária somente quando verificar-se resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural; assim, conforme entendimento do STJ no REsp nº 1.767.945/PR, julgado em sede de recursos repetitivos, há resistência ilegítima após 360 dias contados da data do pedido de ressarcimento, configurando-se a partir de então a mora da Fazenda Pública.
Numero da decisão: 3301-009.899
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos créditos vinculados exclusivamente a receita não tributada/alíquota zero. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da correção monetária dos créditos após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.889, de 23 de março de 2021, prolatado no julgamento do processo 10120.913080/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO TIPO DE RECEITA. UNIFORMIDADE. A adoção de critério de rateio dos créditos comuns por vinculação ao tipo de receita está em consonância com a legislação e os entendimentos da RFB sobre o tema. O requisito de uniformidade da aplicação do critério adotado refere-se à sua utilização para todo o ano calendário em análise. RECEITA BRUTA PARA FINS DE RATEIO PROPORCIONAL. INCLUSÃO DA RECEITA COM VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária define o conceito de receita bruta para fins de rateio proporcional relativamente à apuração de crédito da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) de maneira a impor limitação à inclusão da receita com venda de ativo imobilizado na receita bruta sujeita à incidência da contribuição. ATO COOPERATIVO. RELAÇÃO COM O OBJETO SOCIAL DA COOPERATIVA. OUTRAS RECEITAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. O ato cooperativo, para ser tratado como tal, deve guardar relação com o objeto social da cooperativa. Demais receitas, que não guardam relação com o ato cooperativo, devem ser incluídas na apuração da base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) por não estarem isentas de sua incidência. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS À REVENDA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos apurados pela aquisição de bens destinados à revenda destinam-se ao abatimento das contribuições apuradas em decorrência da receita desta revenda e devem ser a ela apropriados diretamente. RATEIO DOS CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITA NÃO TRIBUTADA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 30 66 /2 01 1- 10 Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 A Solução de Divergência no. 3-Cosit, de 2016 permite que sejam ser incluídas no cálculo da “relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total”, mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero, contudo trata-se de uma possibilidade e não uma obrigação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas incide correção monetária somente quando verificar-se resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural; assim, conforme entendimento do STJ no REsp nº 1.767.945/PR, julgado em sede de recursos repetitivos, há resistência ilegítima após 360 dias contados da data do pedido de ressarcimento, configurando-se a partir de então a mora da Fazenda Pública. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos créditos vinculados exclusivamente a receita não tributada/alíquota zero. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da correção monetária dos créditos após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301- 009.889, de 23 de março de 2021, prolatado no julgamento do processo 10120.913080/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório relativo ao pedido de ressarcimento transmitido para pleitear ressarcimento de crédito CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) não cumulativa - mercado interno. Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Por meio do Despacho Decisório, a autoridade tributária deferiu parcialmente o pedido de restituição/ressarcimento, conforme com base em documento Relatório de Auditoria do Crédito, que fundamentou o referido Despacho Decisório. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente, conforme trecho da Ementa: RATEIO PROPORCIONAL. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO TIPO DE RECEITA. UNIFORMIDADE. A adoção de critério de rateio dos créditos comuns por vinculação ao tipo de receita está em consonância com a legislação e os entendimentos da RFB sobre o tema. O requisito de uniformidade da aplicação do critério adotado refere-se à sua utilização para todo o ano calendário em análise. RECEITA BRUTA PARA FINS DE RATEIO PROPORCIONAL. INCLUSÃO DA RECEITA COM VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária define o conceito de receita bruta para fins de rateio proporcional relativamente à apuração de crédito da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) de maneira a impor limitação à inclusão da receita com venda de ativo imobilizado na receita bruta sujeita à incidência da contribuição. ATO COOPERATIVO. RELAÇÃO COM O OBJETO SOCIAL DA COOPERATIVA. OUTRAS RECEITAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. O ato cooperativo, para ser tratado como tal, deve guardar relação com o objeto social da cooperativa. Demais receitas, que não guardam relação com o ato cooperativo, devem ser incluídas na apuração da base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) por não estarem isentas de sua incidência. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS À REVENDA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos apurados pela aquisição de bens destinados à revenda destinam-se ao abatimento das contribuições apuradas em decorrência da receita desta revenda e devem ser a ela apropriados diretamente. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL. CRÉDITO DECORRENTE DE VENDA EFETUADA COM SUSPENSÃO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado às pessoas jurídicas, inclusive às cooperativas de produção agropecuária, o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal para alimentação humana ou animal, por ser mandamento decorrente de norma posterior e específica em relação à outra norma, anterior e mais abrangente. Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 (...) CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, objetos de ressarcimento, não ensejam atualização monetária ou incidência de juros, por expressa determinação legal. (...) DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. NÃO VINCULAÇÃO. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa e não constitui norma geral de direito tributário se desatendidos os requisitos previstos na lei que disciplina o Processo Administrativo Fiscal. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Foi apresentado Recurso Voluntário, cujos questionamentos serão analisados no voto. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido Analisaremos cada um dos pontos constantes do Recurso Voluntário. I. PRELIMINARES 1.1 Das decisões Judicias e Administrativas Consta do início do voto da decisão recorrida que: Preliminarmente, esclareço que de acordo com a Portaria MF nº 341, de 2011, que disciplinou o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, determina que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.º 8.112, de 1990), bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos, nestes não se enquadrando julgados administrativos ou mesmo judiciários que, a despeito de sua importante contribuição para o entendimento do Direito, não vinculam as decisões desta Administração Tributária, ainda que, porventura, guardem relação com a matéria em apreço. Com exceção da jurisprudência vinculante, termos previstos no §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, e das súmulas vinculantes do CARF, assim entendidas as que foram aprovadas como tais por ato do Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 O julgador de primeira instância administrativa afirma que não está vinculado às decisões judiciais não relacionadas ao caso concreto ou sem efeitos erga omnes. Na verdade, trata-se de um introito de caráter meramente informativo, pois é próprio do Direito que o contencioso administrativo esteja absolutamente adstrito a algumas decisões judicias - como as decisões do STF sobre matéria na sistemática da repercussão geral- e não esteja subordinado a outras - sem efeitos gerais ou não relacionadas à lide em julgamento (exempli gratia, o REsp nº 1.035.847, mencionado pela Recorrente). A Recorrente traz essa questão em sua preliminar, mas esse ponto não merece maiores aprofundamentos. O julgador administrativo deve seguir a legislação, bem como as decisões judiciais concernentes à lide e assim o fez no presente p. Portanto, proponho negar provimento ao Recurso Voluntário nesta preliminar. 1.2 Do Onus Probandi Alega a Recorrente, ainda como preliminar, que esta comprovou seu direito ao respaldá- lo em sua escrituração fiscal e contábil. Defende que seus registros são fundados em documentos hábeis e idôneos e que seus créditos foram apropriados em conformidade com os preceitos legais. A Fiscalização não afastou a contabilidade da Recorrente, aceitou-a. No entanto, entendeu que os créditos lançados não estavam em conformidade com a legislação. Contudo, este ponto já configura mérito, que será analisado nos itens seguintes. II. MÉRITO 2.1 Do método de determinação dos créditos - critérios de rateio para segregação dos créditos aplicados comumente a mais de um tipo de receita Segundo a Recorrente, ela identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente à receita não tributada no mercado interno, como é o caso, por exemplo, das embalagens do leite UHT, e apropriou diretamente na coluna “Não Tributadas no Mercado Interno”; o mesmo teria sido feito com os custos e despesas vinculados à Receita Tributada. Em relação aos custos e despesas de uso em comum (como a energia elétrica), houve rateio proporcional à receita bruta auferida. No entanto, assevera a Recorrente, a fiscalização teria inovado, criando critérios de rateio diferentes para as diversas rubricas, e não teria considerado as vendas com suspensão no cálculo da proporção da receita não tributada aplicada sobre os bens e serviços utilizados como insumos de produção, distorcendo o cálculo da receita não tributada em relação à receita bruta total. Defende, a Recorrente, que os critérios de rateio devem ser uniformes e aplicados consistentemente para todos os créditos sujeitos ao rateio. O referido rateio está consignado no II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: (...) II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifou-se) A fiscalização conforme se pode verificar no Relatório de Auditoria do Crédito, levantou, com base nas informações e documentos prestados pela Recorrente, os custos, despesas e encargos comuns e procedeu ao rateio em termos percentuais com a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O método de determinação dos créditos encontra-se descrito de forma minuciosa pela Fiscalizção. A Fiscalização apresentou um resumo demonstrativo, minucioso e bastante acurado. Verifica-se, assim, que, em termos gerais, o critério de rateio adotado pela fiscalização revela-se consistente, adequado, uniforme e em consonância com a legislação e com a interpretação expressa nas Soluções de Consulta publicadas pela Receita Federal. Nos itens seguintes, passamos à análise de questões mais específicas. 2.2 Da venda de bens do ativo permanente nas receitas não cumulativas Defende, a Recorrente que as receitas de venda de ativo permanente, embora não façam parte da base de cálculo, caracterizam-se como receita não cumulativa, e, por isso, devem ser reintegradas ao cálculo da proporção para rateio dos créditos. A fiscalização, contudo, teve outro entendimento. Desconsiderou do cálculo da proporção entre as receitas tributadas por incidência não cumulativa da contribuição social e a receita bruta por entender que a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente não compõe a receita bruta, com base no §3º do artigo 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Vejamos as disposições legais: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (..) III - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária ; (..)VI - não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (grifou-se) Como se observou na decisão de piso, trata-se de situação de não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins sobre a venda de bens do ativo imobilizado. Dessarte, de forma correta, como se concluiu na decisão recorrida, a previsão para manutenção de créditos em relação às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência das Contribuições para o PIS e da Cofins, prevista no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, não se aplica ao caso de receitas decorrentes da venda Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 de bem do ativo imobilizado, pois não há necessariamente créditos vinculados a tais receitas. Transcrevemos as conclusões da decisão recorrida, com as quais assentimos: As receitas decorrentes da venda de bens do ativo imobilizado, por tratar-se de receitas não operacionais, apesar de esta terminologia não ser mais empregada na contabilidade atual, são, deste modo, não usuais e, ainda assim, o crédito decorrente da amortização ou depreciação destes bens permanece sendo apurado, mesmo que não ocorra nenhuma venda de bem de ativo imobilizado quando da apuração do crédito. Deste modo, incluir tais receitas na receita bruta total para fins de rateio entre as receitas tributadas no regime não cumulativo e não tributadas geraria distorções nas proporções calculadas, uma vez que, por exemplo, a amortização/depreciação é apurada mensalmente, independentemente de ter havido receita decorrente da venda dos bens em questão. Ademais, saliente-se que a Lei nº 11.033, de 2004, por meio da qual o mencionado art. 17 foi inserido no ordenamento jurídico nacional refere-se a um regime tributário especial para incentivo ao investimento, no caso, modernização e ampliação da estrutura portuária nacional. Trata-se, pois de um regime de exceção à regra geral. A regra aplicada ao caso, desde a origem do regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, instituído respectivamente pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é a de apuração de créditos relativos às despesas com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado. Por seu turno, a regra, também desde a origem do regime de incidência não cumulativa, é a de a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, atualmente denominado "não circulante", não integrar as bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Repise-se, a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente não foi e não é objeto de incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins. Assim, propomos manter, por seus próprios fundamentos, o entendimento da decisão a quo de que as receitas decorrentes da venda de bem do ativo imobilizado não podem ser incluídas no cômputo da receita bruta para finalidade de rateio de créditos comuns a mais de um tipo de receita (tributada ou não tributada). Dessa forma, cumpre negar provimento ao Recurso Voluntário neste item. 2.3 Do Ato Cooperativo e dos bens para revenda Com base em doutrina e jurisprudência que colaciona, a Recorrente defende que as operações com os cooperados não configuram hipótese de incidência das contribuições para o PIS e COFINS e devem ser consideradas como operação não tributada no cálculo da proporção para o rateio de que trata o inciso II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Contudo, a fiscalização teve outra interpretação: desconsiderou como ato cooperativo a revenda de mercadorias adquiridas para revenda. Conforme planilhas que constam do processo no. 10120.913068/2011-17 (fls. 547/977), julgado conjuntamente nesta sessão, esses bens revendidos eram notoriamente não relacionados às atividades típicas da Recorrente (cooperativa de produção de leite), eram mercadorias necessárias para o desempenho das atividades comerciais dos cooperados. Mister analisar o artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, que elenca as exclusões admitidas da base de cálculo das contribuições em pauta. . Reproduzimos trecho que nos interessa especificamente: Art. 6º A base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins é o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: (...) II -exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; (...) § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I -na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II -os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. (grifou-se) § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: (...). Consultando a lista de bens revendidos constante da planilha mencionada, encontramos os seguintes: absorvente feminino, achocolado, Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 açúcar, adoçante, água oxigenada, algodão, Ajinomoto, aguardente de cana, amaciante de carne, aveia Quaker, balas, batata, biscoitos, borracha, linguiça de porco, sorvetes, cafés, caldo de carne, caninha (bebida alcóolica), canetas, chocolates, fraldas, gelatina, geleias, goiabada, macarrão, iogurtes, leite em pó, água, ovomaltine, palmito, panela de pressão, pães, requeijão, peixe congelado, almôndegas, carne de frango, hamburger, pizzas, pratos, pregos, Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 ervilha, régua, amendoim, forma de assar, sal, salgados, sandálias havaianas, temperos, pipoca, pimenta, óleo de soja, sopa, sucos, vinhos variados, whiskies e outras bebidas alcóolicas, sabão, cadernos, leite de coco, ovos, massa para pastel, cereais, lençóis, vela, margarina, marrom glace, óleo de peroba, farinhas, aguardentes , e muitos outros, a lista é muito extensa. Cumpre lembrar que, conforme a própria Recorrente, uma cooperativa de produtores de leite, informa em seu Recurso Voluntário “Na consecução de seus objetivos a Recorrente industrializa e comercializa produtos de origem animal e vegetal”. Assim, é realmente muito difícil sustentar que as mercadorias elencadas estão “vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos”, como exige a legislação. Tanto tal argumentação é complicada, que não há no Recurso Voluntário qualquer menção aos bens e à comprovação de que estão vinculados diretamente atividade econômica desenvolvida pelos produtores de leite e que seja objeto da cooperativa. Nesse contexto, proponho negar provimento ao Recurso Voluntário nesta matéria. 2.4 Do Rateio Indevido dos Créditos Vinculados Exclusivamente a Receita Não Tributada – Alíquota Zero Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 A Recorrente afirma que identificou corretamente os custos e despesas vinculados exclusivamente à receita tributada (CST 50), os custos e despesas vinculados exclusivamente à receita não tributada (CST 51) e os custos e despesas que são de uso comum (CST 53) e que tais informações constavam de forma detalhada nos arquivos digitais fornecidos ao auditor fiscal. Dessa forma, a Recorrente, segundo informa, identificou como custos e despesas vinculados exclusivamente à receita não tributada, somente os itens empregados diretamente nas operações do leite industrializado, UHT ou pasteurizado sujeitos a alíquota zero, em nenhum momento foram considerados como exclusivos os custos vinculados às receitas com suspensão. A Fiscalização entendeu que as Receitas de Revenda de Produtos Monofásicos Tributados à Alíquota Zero e as Receitas com Suspensão da Contribuição foram contadas no cálculo do rateio relativo às despesas relacionadas nas Linhas 04 a 11 e 13 da Ficha 12ª, pelo fato de estas despesas serem consideradas comuns também aos bens para revenda com tributação monofásica à alíquota zero e às vendas com suspensão da contribuição. Na decisão recorrida, optou-se por manter o rateio da fiscalização porque se tratavam de despesas comuns, que deveriam ser incluídas na receita bruta da não cumulatividade para finalidade de cálculo do rateio dos créditos comuns e também porque a SD nº 3- Cosit, de 2016 determina que as receitas sujeitas à incidência monofásica, ainda que tributadas à alíquota zero, podem ser incluídas na receita bruta com a finalidade de cálculo do rateio. Segundo os julgadores a quo, este entendimento pode também ser aplicado às receitas com suspensão. Neste ponto, entendemos que assiste razão à Recorrente por duas motivos: a Recorrente segregou os custos e despesas vinculados exclusivamente a receita tributada (CST 50), os custos e despesas vinculados exclusivamente a receita não tributada (CST 51); a SD nº 3-Cosit, de 2016 permite que sejam ser incluídas no cálculo da “relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total”, mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero; trata-se de um “podem”, uma opção disponível para o contribuinte, não uma obrigação. Dessarte, proponho dar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos créditos Vinculados exclusivamente a receita não tributada/alíquota zero. 2.5 Do direito ao ressarcimento dos créditos vinculados a saída com suspensão No que toca ao direito ao ressarcimento dos créditos vinculados à saída com suspensão, a Recorrente repete as alegações constantes da Manifestação de conformidade, sem considerar que, na decisão a quo, foi explicada a evolução legislativa, a base legal vigente e também a regulamentação em instrução normativa que respaldam o posicionamento da fiscalização. Considerando que o entendimento da decisão recorrida está perfeito e não foi questionado pela Recorrente, adotamo-lo integralmente, pelos seus próprios fundamentos, e o reproduzimos: A interessada rebate alegando ser infundado o entendimento de que as saídas com suspensão impedem o aproveitamento de créditos a elas vinculados. A interessada alega ter direito a manter e utilizar os créditos da Contribuição para o PIS e da Cofins vinculados às vendas efetuadas com suspensão, pois, conforme afirma, o fundamento legal no qual se baseia a autoridade Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 tributária foi tacitamente revogado pelo art. 17 da Lei 11.033, de 2004, por ser norma posterior e específica àquela utilizada pela autoridade fiscalizadora. A verdade é que o dispositivo legal sob o qual a autoridade tributária fundamenta sua decisão, a saber: inciso II do §4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, possui redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, posterior, portanto, à Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Ademais, o teor do art. 8º da Lei nº 10.925, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, é mais específico que o do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Para melhor elucidar a análise, transcrevemos o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);(Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2oO direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no§ 4odo art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013)(Vide Lei nº 12.839, de 2013) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e(Vide Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2oda Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2oda Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) II - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2oda Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2oda Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9o-A;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2oda Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2oda Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9o-A.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1odeste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5oRelativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6oPara os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)(Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011)(Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7oO disposto no § 6odeste artigo aplica-se também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)(Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011)(Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). §8oÉ vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições.(Incluído Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 pela Medida Provisória nº 552, de 2011)(Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) §9oO disposto no § 8onão se aplica às exportações de mercadorias para o exterior.(Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011)(Produção de efeito)Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.(Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) A autoridade tributária acrescenta, ainda, o disposto no art. 34 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, pelo qual a RFB afirma claramente que as vendas de leite in natura a granel, efetuadas por cooperativas de produção agropecuária, com incidência suspensa das contribuições sociais em estudo, não permite o desconto dos créditos a estas vinculados. Ao ensejo: Art. 34 A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa em relação às receitas auferidas por sociedade cooperativa de produção agropecuária decorrentes da venda de: (..)II - leite in natura a granel, quando a cooperativa exercer cumulativamente as atividades de transporte e resfriamento do produto; (..)§4º Os custos, despesas e encargos vinculados às receitas das vendas efetuadas com a suspensão prevista no caput, não geram direito ao desconto de créditos por parte da cooperativa de produção. Resta clara, portanto, a vedação às cooperativas de produção agropecuária do aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão, por ser mandamento decorrente de norma posterior e específica em relação à outra norma, anterior e mais abrangente. Vale destacar que não são todas as vendas de leite in natura que impedem o desconto de créditos, mas apenas aquelas efetuadas com suspensão da incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido, a própria autoridade tributária, como transcrito a seguir, diferencia as vendas de leite in natura com suspensão do total de venda de leite in natura: 33. Assim, os estornos foram calculados, com base nas informações fornecidas pelos arquivos digitais de notas fiscais de saída apresentados à auditoria, a partir dos percentuais de venda do leite in natura com suspensão da contribuição sobre o total de venda de leite in natura: Dessa forma, propõe-se negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 2.6 Das alíquotas aplicadas no cálculo dos créditos a estornar vinculados a receita de vendas com suspensão Neste ponto, a Recorrente novamente repete as constantes da Manifestação de Inconformidade, sem se ater ao conteúdo da decisão recorrida. Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Os julgadores a quo entenderam que A interessada afirma que apurou créditos referentes às suas vendas com suspensão de incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins pela aplicação equivalente a 60% das alíquotas de 1,65% e 7,6% respectivamente. Alega, então, que a autoridade tributária, todavia, efetuou o entorno pela aplicação das alíquotas integrais. Todavia, de fato, da análise da documentação elaborada pela autoridade tributária o que se verifica é uma completa reapuração de ofício da Contribuição para o PIS e da Cofins. Verificamos, nesta reapuração, que não houve cálculo de crédito referente a vendas de leite in natura com suspensão da incidência das referidas contribuições sociais, portanto, não houve efetivo estorno de créditos, mas, repise-se, uma nova apuração. Não procede, deste modo, o alegado pela manifestante. Compulsando os autos, verifica-se que realmente houve uma reapuração de ofício, conforme se concluiu na DRJ, e, portanto, não assiste razão à Recorrente neste ponto. Assim, tendo em conta a retidão da decisão de piso e que esta não foi questionada no Recurso Voluntário, propõe-se mantê-la integralmente. 2.7 Do cálculo das exclusões - o valor repassado aos associados e de custo agregado Mais uma vez, a Recorrente retoma alegações constantes da Manifestação de Inconformidade, sem questionar o conteúdo da decisão da DRJ. Os termos constantes da decisão recorrida esclarecem de modo absolutamente satisfatório esta questão: A interessada alega que a soma das revendas realizadas para cooperados, efetuada após os ajustes feitos pelo auditor fiscal, fecha exatamente com o valor por ele excluído da base de cálculo das contribuições, deste modo, a contribuinte alega ficar evidente que a autoridade tributária não considerou no cálculo das exclusões, os valores repassados aos associados e o custo agregado aos produtos dos associados. No parágrafo 41 do Relatório de Auditoria, podemos verificar que o auditor-fiscal considera como receita de venda, no caso em apreço, o somatório das notas fiscais de vendas de mercadorias, reincluindo na base de cálculo aquelas que não guardam relação com o ato cooperativo. Está correta a autoridade tributária, uma vez que a base de cálculo das contribuições sociais em apreço é a receita bruta, no caso, da venda de mercadorias aos próprios cooperados, nos termos dos art. 1º, §2º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, tendo em conta que se refere a ato não cooperativo. Dessa forma, adotamos o entendimento da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, negando provimento ao Recurso Voluntário neste tópico. 2.8 Das exclusões da base de cálculo - desconsideração do valor repassado aos associados e de custo agregado Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 A interessada afirma que a autoridade tributária excluiu indevidamente da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins a venda de certas mercadorias por não guardarem relação com o ato cooperativo; argumenta que a fiscalização desprezou o fato dela ser uma sociedade cooperativa. No entanto, consignou-se na decisão de piso que se trata dos mesmos bens considerados no item 2.3 deste voto, ou seja, foram vendidos aos associados chocolates, bebidas alcólicas, comidas, absorvente feminino etc. A Recorrente não fez nenhuma menção a tais bens. Dessa forma, em relação a este item, cabe manter a mesma conclusão do item 2.3: negar provimento ao Recurso Voluntário porque as mercadorias vendidas não estão vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e nem ao objeto da cooperativa de produtores de leite, ou seja, não guardarem relação com o ato cooperativo. 2.9 Do direito à correção monetária Defende a Recorrente que é seu direito ter seus créditos da contribuição para o PIS e da COFINS corrigidos monetariamente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento até a data da sua efetiva utilização. Informa que a matéria já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo, que reconheceu o direito à correção monetária sobre os créditos de IPI, PIS e COFINS objeto de ressarcimento (REsp nº 1.035.847), determinando a incidência da SELIC a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento (Embargos de Divergência em Agravo nº 1.220.942) até a efetiva utilização (ressarcimento ou compensação). Nesse ponto, adoto entendimento que surgiu do aprofundamento e da discussão do tema durantes as sessões nesta turma, considerando também a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF. Mister, inicialmente, esclarecer alguns pontos, pois, especificamente para PIS e COFINS, este E. CARF editou uma súmula que afasta a aplicação de correção monetária ou juros aos pedidos de ressarcimento: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Peço vênia para transcrever os dispositivos mencionados na súmula acima: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa de que trata aLei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI - no art. 13 desta Lei. Contudo, referidos dispositivos têm aplicação apenas para os créditos escriturais do regime não cumulativo, utilizados para deduzir do PIS e da COFINS devidos pela incidência dos tributos em cada período de apuração. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Enquanto no regime da não cumulatividade, os créditos não podem ter correção monetária, já que não há mora da Fazenda. Dispositivo semelhante não existe para o IPI e gerou uma questão judicial até ser pacificada pelo REsp 1.035.847/RS, no sentido de que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No entanto, uma vez acumulados os créditos de IPI e formulado o pedido de ressarcimento, o obstáculo da Fazenda Pública representa a mora, sendo devida a aplicação da correção monetária, conforme entendimento firmado na Súmula STJ 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco Recentemente, esse mesmo racional adotado para o IPI foi adotado para os créditos não cumulativos do PIS e da COFINS, em sede de recursos repetitivos, no REsp nº 1.767.945/PR, relator ministro Sérgio Kukina, tendo sido fixada a seguinte tese: TESE FIRMADA: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)" (grifei) Utiliza como fundamento o decidido no EREsp 1.461.607/SC quando foi conferido o direito de aplicação da SELIC para créditos escriturais de PIS e COFINS após escoado o prazo de 360 dias para a Fazenda responder o pedido de ressarcimento. O voto ainda transcreve diversos outros julgamentos do STJ conferindo o direito aos juros e correção monetária para créditos de PIS e COFINS, utilizando como fundamento o artigo 24 da Lei n. 11.457/2007 e utilizando como base as decisões relativas ao crédito escritural de IPI, aplicando a Súmula STJ 411 e o repetitivo REsp 1.035.847/RS. O embate travado na corte não foi se a SELIC é ou não aplicável, mas, sim, a partir de quando a correção monetária e juros são aplicados: se do protocolo do pedido de ressarcimento (Min. Mauro Campbell e Min. Regina Helena Costa) ou após transcorrido os 360 dias, restando vencedor o entendimento pelos 360: "Com a devida vênia, tenho que esperar o transcurso do prazo de 360 dias não equivale a equiparar a correção monetária a uma sanção, mas sim conceder prazo razoável ao fisco para averiguar se o pedido de ressarcimento protocolado vai ser confirmado ou rejeitado." Consta do voto uma discussão sobre os artigos 13 e 15, VI, da Lei n. 10.833/2003 retro transcritos, inclusive mencionando a Súmula CARF n. 125, para contextualizar que os créditos escriturais do regime da não cumulatividade não podem sofrer correção monetária. No entanto, uma vez acumulados os créditos, como admitido pelo art. 6º, I, § 2º, da Lei 10.833/2003, e o contribuinte formula um pedido de ressarcimento, deve-se aplicar o artigo 14 da Lei n. 11.457/2007. Peço vênia para transcrever alguns trechos do voto: Assim, considerando que o STJ já havia decidido que: (I) os créditos decorrentes do princípio da não cumulatividade possuem natureza escritural; (II) essa natureza só pode ser desconfigurada acaso seja comprovada a resistência ilegítima do fisco; e (III) o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para analisar os pleitos de compensação/ressarcimento de créditos é 360 dias, começou a aportar ao Judiciário a seguinte questão: qual o marco inicial para eventual incidência de correção monetária nos pleitos de compensação/ressarcimento formulados pelos contribuintes: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007? [...] Foi então que essa questão controvertida foi novamente submetida à Primeira Seção deste STJ, pelo julgamento do EREsp 1.461.607/SC, tendo se sagrado vencedor o entendimento de que "o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco". [...] Consoante decisão de afetação ao rito dos repetitivos, a presente controvérsia cinge-se à "Definição do termo inicial da incidência de correção monetária no ressarcimento de créditos tributários escriturais: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007". Debatido artigo legal tem a seguinte redação: Art. 24 da Lei 11.457/2007. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. [...] Com efeito, a regra é que no regime de não cumulatividade os créditos gerados por referidos tributos são escriturais e, dessa forma, não resultam em dívida do fisco com o contribuinte. Veja-se o que dispõe o art. 3º, § 10, da Lei 10.833/2003, que versa sobre a COFINS: "O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição." (vide ainda o art. 15, II, dessa mesma lei: "Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei;"). Ratificando essa previsão legal, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou o Enunciado sumular n. 125, o qual dispõe que, "No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003." ... A leitura do teor desses artigos deixa transparecer, isso sim, a existência de vedação legal à atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do referido aproveitamento de crédito - seja qual for a modalidade escolhida pelo contribuinte: dedução, compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Convém ainda relembrar que a própria Corte Constitucional foi quem definiu que a correção monetária não integra o núcleo constitucional da não cumulatividade dos tributos, sendo eventual possibilidade de atualização de crédito escritural da competência discricionária do legislador infraconstitucional. ... Dessa forma, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de correção monetária do crédito escritural. ... Além disso, apenas como exceção, a jurisprudência deste STJ compreende pela desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização monetária, se ficar comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito, como, por exemplo, se houve necessidade de o contribuinte ingressar em juízo para ser reconhecido o seu direito ao creditamento (o que acontecia com certa frequência nos casos de IPI); ou o transcurso do prazo de 360 dias de que dispõe o fisco para responder ao contribuinte sem qualquer manifestação fazendária. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente quando caracterizado o ato fazendário de resistência ilegítima, no caso, o transcurso do prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo sem apreciação pelo Fisco. (grifei) A tese fixada se refere a qualquer tributo não cumulativo, na medida em que o artigo 24 da Lei n. 11.457/2007 não trouxe um tratamento para um tributo específico, como o IPI: 3. Tese a ser fixada em repetitivo Em suma, para os fins do art. 1.036 do CPC/2015, este relator propõe a fixação da seguinte tese em repetitivo, sem necessidade da modulação de que trata o art. 927, § 3º, do mesmo Codex: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)" (grifei) O REsp nº 1.767.945/PR, julgado em sede de recursos repetitivos, teve seu acórdão publicado em 06/05/2020 e transitado em Julgado em 28/05/2020, ou seja, após a Súmula CARF n. 125. Com isso, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, deverão ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62, § 2º, do Regimento Interno. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Assim, resistência ilegítima resta configurada após 360 dias contados da data do pedido de ressarcimento, configurando a partir de então a mora da Fazenda Pública, nos termos do que decido pelo STJ. Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-009.899 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.913066/2011-10 Portanto, cumpre dar parcial provimento ao Recurso Voluntário neste item. Diante do exposto, proponho dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos créditos vinculados exclusivamente a receita não tributada/alíquota zero, bem como para a aplicação da correção monetária dos créditos após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos créditos vinculados exclusivamente a receita não tributada/alíquota zero e para aplicação da correção monetária dos créditos após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15165.720940/2014-17
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 02/10/2012 a 08/07/2013
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - (MPF). NORMA PROCEDIMENTAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - (MPF) é um instrumento de controle administrativo não acarretando, eventual irregularidade nele detectada, nulidade do procedimento fiscal, além do que, no presente caso, há disposição expressa na legislação, de dispensa de MPF, quando da constatação pela fiscalização, de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. REVELIA. PRECLUSÃO.
É preclusivo o prazo de trinta dias, contado da data da ciência do auto de infração, facultado ao sujeito passivo para apresentação de impugnação contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, sem que o sujeito passivo tenha exercido esse direito, será declarada a sua revelia, em razão do que ficará impedido de intervir litigiosamente no processo, aproveitando-lhe, contudo, a suspensão da exigibilidade motivada por impugnação ofertada por qualquer dos demais sujeitos passivos solidários
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada a motivação na decisão de piso quanto às teses suscitadas, torna-se incabível a nulidade arguida. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 02/10/2012 a 08/07/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - NÃO CABIMENTO
Não restando comprovado nos autos, atos que demonstrem a efetiva participação da devedora solidária nos negócios tidos por irregulares, torna-se incabível a sua manutenção no pólo passivo do processo administrativo.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS.
É responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. ARTIGO 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
Diante da inexistência de dúvidas quanto: à capitulação legal dos fatos; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; nem à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, torna-se inaplicável o art. 112 e incisos do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Fernandes do Nascimento e Paulo Guilherme Dérouléde e, por unanimidade de votos, em negar provimento aos demais recursos voluntários. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Maria do Socorro Ferreira Aguiar
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TRIBUTOS E PENALIDADES Recorrente GARANTIA TOTAL LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/10/2012 a 08/07/2013 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NORMA PROCEDIMENTAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um instrumento de controle administrativo não acarretando, eventual irregularidade nele detectada, nulidade do procedimento fiscal, além do que, no presente caso, há disposição expressa na legislação, de dispensa de MPF, quando da constatação pela fiscalização, de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. REVELIA. PRECLUSÃO. É preclusivo o prazo de trinta dias, contado da data da ciência do auto de infração, facultado ao sujeito passivo para apresentação de impugnação contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, sem que o sujeito passivo tenha exercido esse direito, será declarada a sua revelia, em razão do que ficará impedido de intervir litigiosamente no processo, aproveitandolhe, contudo, a suspensão da exigibilidade motivada por impugnação ofertada por qualquer dos demais sujeitos passivos solidários NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada a motivação na decisão de piso quanto às teses suscitadas, tornase incabível a nulidade arguida. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/10/2012 a 08/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 54 /2 01 2- 13 Fl. 6783DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CABIMENTO Não restando comprovado nos autos, atos que demonstrem a efetiva participação da devedora solidária nos negócios tidos por irregulares, tornase incabível a sua manutenção no pólo passivo do processo administrativo. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. É responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. ARTIGO 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE. Diante da inexistência de dúvidas quanto: à capitulação legal dos fatos; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; nem à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, tornase inaplicável o art. 112 e incisos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Fernandes do Nascimento e Paulo Guilherme Dérouléde e, por unanimidade de votos, em negar provimento aos demais recursos voluntários. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. [assinado digitalmente] Walker Araujo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 38.378.645,22 Fl. 6784DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.779 3 referentes a: multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão face seu consumo; multa decorrente da omissão de prestação de informação relacionada à existência de vinculação entre comprador e vendedor nas operações de importação; diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado (multa da diferença de preço, diferença de contribuições, multa de ofício qualificada e juros de mora calculados até 31/03/2014). Depreendese do “Relatório Fiscal” do auto de infração (fls. 41 a 295), que a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. (CNPJ 10.197.224/000199) registrou 169 declarações de importação (listadas a folhas 42 a 45) indicando ser o importador e real adquirente das mercadorias declaradas (carne bovina e sebo bovino) e procedentes do Paraguai. A empresa foi inicialmente submetida a procedimento especial de controle (Instrução Normativa RFB n° 1.169/11), sendo então, posteriormente, objeto de ação fiscal mais ampla, com base na Instrução Normativa SRF n° 228/02, com vistas a verificar a origem dos recursos aplicados em todas as operações de comércio exterior. Entre os indícios que deram início ao procedimento especial de controle aduaneiro, a fiscalização cita o caso da declaração de importação n° 13/01863841 onde a fiscalização detectou que as mercadorias continham indicação expressa de outro importador (Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A – CNPJ 07.859.642/0005 13), o caso da Ação Judicial Cautelar de Arresto n° 0000303 88.2013.8.16.0017 (proposta por COBRACANÇÃO ASSESSORIA EM COBRANÇAS LTDA. – ME contra a Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A) onde o juízo singular reconheceu a existência de grupo econômico para incluir a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. no pólo passivo daquela ação judicial e, o caso da constatação realizada pelo Oficial de Justiça, de que no estabelecimento da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. haviam caixas de mercadorias onde constavam o nome do importador Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, bem como documento (romaneio) onde o exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A aparece como “TORLIM –PY”. A ratificar os indícios apontados a fiscalização cita uma série de notícias extraídas da internete, bem como tela de consulta ao sítio http://torlim.com.br/br/ (acesso em 10/09/2013), cuja tela inicial remete ao “FRIGORÍFICO CONCEPCION” com endereço no sítio www.frigorificoconcepcion.com.py.(sic). Aduz a fiscalização que a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. teve seu pedido de habilitação no comércio exterior negado por duas vezes, sendo então habilitada, de ofício, por ocasião do terceiro pedido. Os atuais sócios, Sr. JORGE MACHADO (CPF 766.978.19804) e Empresa MACHADO & GAETA LTDA. (CNPJ 12.504.161/000100, cujos sócios são o Sr. JORGE MACHADO e o Sr. CLÉBER GAETA (CPF 177.789.39843)) não demonstraram meios para a suposta transação envolvendo a Fl. 6785DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 compra da empresa cujo faturamento é milionário, sendo que tais pessoas físicas em momento anterior à entrada no quadro societário recebiam rendimentos do trabalho assalariado de empresas do mesmo ‘GRUPO TORLIM’. A ratificar a sua conclusão, a fiscalização indica que o Sr. JORGE MACHADO, em “Termo de Declaração” prestado à fiscalização, desconhecia dados básicos como a data de realização da compra da empresa, sua movimentação operacional (disse estar paralisada quando em verdade havia declarado faturamento superior a R$ 100.000.000,00 naquele ano), o local correto da sede cadastral da empresa (cidade), e ainda atestou a influência periférica do FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A., a quase total ausência de bens da empresa e, a dependência do Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (CPF 595.867.70982, exsócio da empresa) para obtenção de informações anteriores à venda da empresa. Em 08/05/13 a fiscalização realizou diligência ao estabelecimento filial de Curitiba da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. (responsável pela maior parte das operações de importação) sendo constatado que: a estrutura é compartilhada com a Empresa NORTESUL CONSTRUÇÕES E AGRO FLORESTAL LTDA. – ME (CNPJ 77.074.813/000150); externamente há indicação apenas da outra empresa; no prédio administrativo há uma divisão física entre as duas empresas, e a fiscalizada possuía funcionários desempenhando as diversas atividades (telemarketing, faturamento e depósito); no depósito de mercadorias (câmaras frigoríficas) foram encontradas apenas 3 câmaras para uso da fiscalizada, sendo encontradas mercadorias oriundas do mercado interno, porém a maioria importada com identificação da inscrição “AMAMBAÍ” e “FRIGORÍFICO CONCEPCION”. Resultado da diligência foram os materiais e documentos retidos, cuja análise permitiu a fiscalização concluir que: o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador), não detém qualquer poder de mando efetivo sobre as questões principais da pessoa jurídica, cita o caso da escolha de comissária de despacho aduaneiro, onde a palavra final da negociação é dada pelo Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (fl. 118) e, o caso da exportação para a Libéria, onde o representante do próprio exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A.determina os dados que devem ser consignados na Proforma (fl. 119); o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador), se identifica, em correspondência comercial eletrônica, não como sócio ou diretor da empresa, mas sim como alguém da área de “Vendas” no Paraná, tanto da filial Curitiba como do próprio exportador, FRIGORÍFICO CONCEPCION do Paraguai (fl. 121). A mercadoria objeto de correspondência restou importada pela Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A; Fl. 6786DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.780 5 o Sr. JORGE MACHADO, embora seja o sócio formal (administrador),presta contas de seus gastos ao Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI, inclusive solicitando autorização para o recebimento de valores (fl. 126) como registrado nas correspondências comerciais eletrônicas; À folhas 127 a fiscalização apresenta um quadro com o “Resumo da evolução societária da empresa” destacando que intimou os exsócios pessoas jurídicas a apresentar escrituração contábil, extratos bancários, atos constitutivos, laudos porventura lavrados, e aquisições de cotas: A) a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.389.460/000128), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA (CPF 817.078.07820), tem sede no mesmo local físico de outras 5 empresas (AMAMBAÍ INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA – ME, TORLIM ALIMENTOS S/A, IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., FRIGORÍFICO AMAMBAÍ S/A e VW BRASIL AGROPECUÁRIA LTDA. – ME). Embora protocolados pedidos de dilação de prazo, não houve objetivamente a apresentação de respostas de parte das informações requeridas; B) a Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.445.723/000179), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, tem sede no mesmo local físico de outras 2 empresas (IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. e VT BRASIL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.). A empresa jamais apresentou qualquer movimentação bancária em seu nome, possui capital de R$ 1.000.000,00 e não há indícios de efetivo funcionamento. Embora protocolados pedidos de dilação de prazo, não houve objetivamente a apresentação de respostas de parte das informações requeridas; C) a Empresa JVA TRANSPORTES LTDA (CNPJ 07.706.110/000112), sócios Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI (administrador) e Sr. JOSÉ EDIMICIO CARDOSO DA SILVA (CPF 091.889.98851), entregou extrato bancário e livros diário e razão, cujo conteúdo demonstram que a operação de compra e venda de cotas da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. jamais existiu (fls. 151), ademais a contabilidade apresentada não reflete algumas transações comerciais efetivamente ocorridas (transferências para a Empresa TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., CNPJ 03.426.346/000144). Embora atendido o requerido, foram protocolados pedidos de dilação de prazo; D) a Empresa MACHADO & GAETA LTDA., sócios administradores Sr. JORGE MACHADO e o Sr. CLÉBER GAETA, não logrou demonstrar a efetiva integralização de seu capital social nem o investimento realizado na Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. Fl. 6787DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Registra a fiscalização que a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. teve revertida a situação de suspensão de seu cadastro por caracterização de não localização no endereço cadastral de sua sede (inexistência de fato), objeto do processo administrativo fiscal n° 16095.720215/201300. Quanto à integralização do capital social da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., a fiscalização aduz que embora intimada, a empresa não logrou comprovar os aportes financeiros que dariam sustentação aos registros contábeis. Registra ainda que o Sr. ANTÔNIO VILHENA PAULA SOUZA (CPF 061.299.14822) não possuía capacidade econômica. Demonstra ainda, a fiscalização, que os registros contábeis realizados pela empresa não podem ser tomados como idôneos, vez que o cotejo realizado entre as contas contábeis bancárias e os extratos bancários possuem muitas inconsistências (cita exemplos à folhas 172 a 181, do qual destaca recebimentos da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A que não foram contabilizados). Assim, a conclusão da fiscalização à folhas 182: Conforme os fatos acima verificados, especialmente a NÃO ESCRITURAÇÃO 29 E/OU ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PARCIAL da movimentação financeira que deu suporte e permitiu a realização das operações de importação àquele momento sob análise, temse situação de NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM LÍCITA DOS RECURSOS UTILIZADOS EM TAIS OPERAÇÕES, que por si só já motiva a aplicação da pena de perdimento às respectivas mercadorias e a proposta de inaptidão da empresa perante o CNPJ, nos termos da legislação já anteriormente mencionada. ...(Grifos acrescidos) Prossegue a fiscalização informando que com vistas a verificar a regularidade de todas as operações de comércio exterior efetivadas até aquele momento lavrou o Termo de Intimação n° 190/13, contudo a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. não apresentou resposta, fato que motivou a expedição de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) a cinco instituições bancárias. À folhas 183 a 231 a fiscalização apresenta cópias, informações e considerações extraídas dos documentos recebidos das instituições bancárias que responderam às intimações. Em síntese faz as seguintes afirmações: a cópia da ficha cadastral encaminhada pelo Banco BANIF indica que o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA embora não pertencesse mais ao quadro societário daquela empresa foi quem firmou o documento, quando à época do fato deveria ter sido firmado pelo administrador designado no contrato social (Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI). O Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA autorizou vultoso TED (R$ 935.000,00), via fax, de local auto denominado como GRUPO TORLIM, e em papel timbrado da TORLIM ALIMENTOS S/A (fl. 187); restaram identificadas transferências eletrônicas advindas da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A e da Empresa TORLIM Fl. 6788DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.781 7 PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.(denominação anterior de IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.), registradas contabilmente como contas de mútuo mas que representam verdadeira “câmara de compensação”, situação caracterizadora de confusão patrimonial entre entidades; existe uma conta corrente em localidade que formalmente jamais abrigou estabelecimento da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., mas que já abrigou em diversas ocasiões sede da IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. – denominação anterior GARANTIA AGROPECUÁRIA LTDA.); as cópias de cheques encaminhadas revelam que: a imensa maioria é constituída de cheques endossados em favor da própria Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A (cujo motivo é de natureza desconhecida, não há registros contábeis); há endossos em favor da Empresa SQS TRANSPORTES EIRELI – ME (CNPJ 10.672.787/000191, acionista Sra. ALINE QUINTINO SILVA CPF 090.644.74966 com vínculo empregatício e exercendo atividades de balconista e auxiliar de escritório), 202 documentos, R$ 5.041.958,47. Endereço cadastral quase idêntico ao da Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.445.723/000179). A Sra. ALINE QUINTINO SILVA é filha de sócios da Empresa JVA TRANSPORTES LTDA. (CNPJ 07.706.110/000112), que por sua vez era sócia da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA.; há pagamentos ou repasses aos colaboradores ou beneficiários diretos e essenciais da atuação da empresa: Sr. JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA (CPF 091.889.98851, sócio da Empresa JVA TRANSPORTES LTDA.), Sra. MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA (CPF 152.155.27890, esposa do Sr.JAIR ANTONIO DE LIMA), Sra. ROSILENE GUERRA DE CARVALHO (CPF 596.192.79115, vínculo empregatício direto com o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Empresa CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. (CNPJ 06.145.648/000132, pessoa jurídica da família do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA – filhos), Sr. BRUNO PRADO DURAN DE LIMA (CPF 304.327.97866, filho do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Sr. ANTONIO VILHENA PAULA SOUZA (CPF 061.299.14822, sócio inicial da empresa), Sr. CLEBER GAETA, Sra. NATALIA DE PAULA MARQUES STABILE (CPF 291.961.49833, funcionária da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A), Sr. JORGE MACHADO, Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI. Questionada a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. sobre as negociações junto ao fornecedor estrangeiro, a mesma limitouse apenas a alegar que os contratos são firmados por meio de pedidos telefônicos e solicitações via faxsimile, não apresentando cópias de documentos que sustentem tais alegações. Em acordo com as decisões judiciais anteriormente citadas, para a Justiça, ainda que para efeitos de execução de Fl. 6789DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 dívida, o exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A transparecia ser totalmente vinculado aos participantes nacionais das operações de importação (administrador o Sr. EDEMILSON ANTÔNIO DE LIMA – irmão do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA). Também relata a fiscalização que, em todos os processos formalizados pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. para fins de obter sua habilitação para operar no comércio exterior, foi juntada declaração firmada pela Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, identificada como representante legal e Vice Presidente do exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A. A Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO é filha do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, figura mais relevante do grupo empresarial de fato que detém o real comando dos negócios de comércio exterior sob análise. Registra a fiscalização que a partir de julho de 2013, quando a Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. cessou suas importações, começaram a operar os importadores Empresa VL AGRO INDUSTRIAL LTDA (CNPJ 05.488.486/000172, ramo de criação e abate de suínos) e Empresa ROMÁRIO DE OLIVEIRA (CNPJ 08.073341/000107, ramo de pescados, nome fantasia PEIXEAR), empresas que embora não possuam quadro societário/informações vinculadas ao grupo empresarial, efetivamente participam ou colaboram nos negócios do grupo. O resultado de referidas importações foi repassado à empresas do grupo: BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI (CNPJ 18.236.111/000167, acionista o Sr.CLEBER GAETA), própria Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e, CÃS TRANSPORTE & LOGÍSTICA LTDA. (CNPJ 11.779.237/000139, sem empregados, inativa em 2012 e sem movimentação financeira desde então). As revendas para as empresas do grupo são praticamente sem lucro algum. Assim, conclui a fiscalização que as Empresas VL AGROINDUSTRIAL LTDA. e ROMÁRIO DE OLIVEIRA deram continuidade às operações de importação antes realizadas pela Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. Por sua vez, confrontando o Patrimônio Líquido da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. com os dispêndios incorridos para efetivação das importações no mesmo período, a fiscalização conclui que o capital próprio da empresa no início de cada ano era completamente incompatível com os vultosos gastos incorridos; a empresa não possuía capacidade econômica, carecia de recursos externos. Por outro lado, analisando as contas de passivo, a fiscalização conclui que , à mingua de qualquer outro registro de obtenção regular de empréstimos bancários ou de qualquer outra espécie, a justificativa econômica está basicamente concentrada na conta FORNECEDORES MATRIZ (cuja análise revelou a existência de simulação empregada para artificialmente criar um passivo inexistente (fl. 279)) Face ao fato de o exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A ser parte indissociável e indistinta do grupo empresarial, no ver da fiscalização, a conclusão é de que os impressos apresentados como faturas comerciais emitidos pelo exportador não podem ser tomados como provas da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor; Fl. 6790DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.782 9 da mesma forma, o preço da mercadoria lá constante não representa o acerto livre de vontades entre as partes indicadas (fls. 267 e 268). Assim, para as operações de importação na qual foi declarado o exportador acima indicado foi arbitrado o preço das mercadorias importadas em acordo com o artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01 (tabela fls. 272 a 274, critério adotado foi o preço de exportação para o país, de mercadoria idêntica ou similar, base de dados de importações brasileiras). Aplicada a multa decorrente da diferença de preço encontrada, bem como cobradas as diferenças de tributos em razão do arbitramento. Considerando que as declarações de importação, cujo exportador era o FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A, apresentavam indicação indevida de ausência de vinculação entre o importador nacional e o exportador, a fiscalização aplicou a multa prevista no artigo 69 da Lei n° 10.833/03. Registra a fiscalização que parte das mercadorias (submetidas a procedimento especial de controle) foi objeto de depósito junto a fiel depositário específico. Estas mercadorias serão objeto de pena de perdimento em autuação própria. A parte restante das mercadorias foi objeto de multa equivalente ao valor aduaneiro em face do consumo das mercadorias. A responsabilidade solidária restou assim estabelecida pela fiscalização (fls. 288 a 290): E. Da Responsabilização Solidária Os fatos e condutas anteriormente retratados, praticados com o fim de dar aparência de regulares a operações que, conforme demonstrado, foram efetivadas mediante uso de diversos artifícios simulatórios objetivando manter oculto grupo empresarial de fato, bem como a continuidade de seus negócios, e que ao fim possibilitaram o resultado almejado pelas infrações apontadas na presente autuação, além das demais conseqüências inerentes ao caso, torna obrigatória a inclusão da(s) seguinte(s) pessoa(s) jurídica(s) na qualidade de responsável(is) solidária(s) do crédito tributário ora constituído, conforme as razões especificadas nos tópicos anteriores, no detalhamento complementar abaixo e nos termos da legislação: Pessoa Jurídica TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ nº 07.859.642: multicitada no presente Relatório, tal entidade nacional, além de ser, atualmente, a principal e mais ostensiva componente do grupo empresarial de fato no Brasil, a teor do que foi apresentado e detalhado constituise em principal beneficiária do resultado das operações de importação efetivadas irregularmente mediante o emprego meramente formal da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoas Jurídicas JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.,CNPJ nº 09.389.460:(Sócia formal Fl. 6791DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 da GARANTIA TOTAL LTDA. entre 12/2008 e 08/2010), GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 09.445.723(Sócia formal da GARANTIA TOTAL LTDA. entre 02/2009 e 04/2009), J.V.A.TRANSPORTES LTDA., CNPJ nº 07.706.110 (Sócia formal da GARANTIA TOTAL LTDA. entre 04/2009 e 09/2010), e MACHADO & GAETA LTDA.,CNPJ nº 12.504.161(desde 08/2010 Sócia majoritária formal da GARANTIA TOTAL LTDA.): conforme o que foi apurado em diligências e detalhado em tópicos específicos do presente Relatório, para tais entidades, que foram em aparência se sucedendo no quadro societário da GARANTIA TOTAL LTDA.,sequer foi possível comprovar sua existência de fato, tampouco a efetiva participação societária indicada nos instrumentos públicos apresentados;entretanto, ao se apresentarem para possibilitar tais alterações, referidas entidades inegavelmente foram instrumentos úteis para possibilitar a ocultação dos reais interessados na sociedade formal GARANTIA TOTAL LTDA.,afigurandose também inegável, dessa forma, sua concorrência para a prática das infrações ora detectadas; Pessoa Jurídica SQS TRANSPORTES EIRELI – ME, CNPJ 10.672.787:entidade que, sem constar na documentação encaminhada pela GARANTIA TOTAL LTDA. como efetiva participante de qualquer negócio em seu nome efetuado, aparece como destinatária de grande quantidade de recursos financeiros repassados através de cheques, não regularmente identificados e escriturados, afigurandose, dessa forma, como evidente beneficiária do resultado das infrações apuradas; Pessoa Jurídica CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., CNPJ nº 06.145.648: como a anterior, tal entidade surge unicamente como recebedora, sem causa regular e justificada na documentação apresentada/obtida, de recursos financeiros provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA., sendo então também considerada como beneficiária do resultado das infrações; Pessoa Jurídica BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, CNPJ nº 18.236.111:entidade claramente vinculada ao grupo empresarial oculto, além de ter a si vinculadas várias pessoas identificadas como chave para o grupo (LUIZ ANTONIO LENTISCO, CPF nº 194.377.22820, NATALINO DOS SANTOS FILHO, CPF nº 994.854.27891, além de CLÉBER GAETA, CPF n° 177.789.39843, formalmente seu responsável); também foi apresentada como suposta compradora, no mercado nacional, das mercadorias que passaram a ser nacionalizadas em nome das entidades V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., CNPJ nº 05.488.486, e ROMARIO DE OLIVEIRA, CNPJ nº 08.073.341; além disso, do que foi levantado em relação a seu respeito, trata se de entidade recentemente formada, constituída e utilizada no interesse do grupo empresarial de fato oculto, tendo servido, também, como meio útil e inegavelmente consciente à internalização de mercadorias estrangeiras que, por força da fiscalização a que estava submetida a GARANTIA TOTAL LTDA., a esta deixaram de ser formalmente vinculadas; afigura se como obrigatória sua responsabilização solidária na presente autuação pois igualmente concorreu para a prática das infrações relatadas;(sic) Fl. 6792DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.783 11 [...]Finalmente, dadas as situações de irregularidade expostas no presente relatório, que ao final permitiram a prática das infrações aduaneiras apresentadas, é inafastável também o cabimento da responsabilização pessoal do(s) administrador(es) e pessoa(s) física(s) listado(s) abaixo, responsável(is) pela pessoa jurídica autuada e pela(s) acima apontada(s)como responsável(is) solidária(s), além de outra(s) que, sem se revestirem dessa condição de administrador(es), claramente concorreu(ram) para a prática das infrações detectadas ou delas foram beneficiárias, também nos estritos termos da legislação: Pessoa Física JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF nº 814.078.07820: Presidente da TORLIM ALIMENTOS S/A, Sócio Administrador da JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., Sócio Administrador da GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA.; Pessoa Física PEDRO CASSILDO PASCUTTI, CPF n° 595.867.70982: Sócio Administrador e Contador da JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., Sócio Administrador e Contador da GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., Sócio Administrador da J.V.A. TRANSPORTES LTDA., beneficiário de diversos e frequentes pagamentos em cheque, não regularmente identificados e escriturados, provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física JORGE MACHADO, CPF n° 766.978.19804: Sócio Administrador da GARANTIA TOTAL LTDA., Sócio Administrador da MACHADO & GAETA LTDA., beneficiário de diversos pagamentos em cheque, não regularmente identificados e escriturados, provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física CLÉBER GAETA, CPF n° 177.789.39843: Sócio Administrador da MACHADO & GAETA LTDA., empresário responsável pela BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, beneficiário de diversos e constantes pagamentos em cheque, não regularmente identificados e escriturados, provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA, CPF n° 091.889.988 51: Sócio da J.V.A. TRANSPORTES LTDA., ex Sócio Administrador da SQS TRANSPORTES EIRELI – ME e responsável legal (pai), à época da transferência de titularidade, daatual empresária responsável pela mesma empresa, ALINE QUINTINO SILVA, CPF nº 090.644.74966, beneficiário de pagamento em cheque, não regularmente identificado e escriturado, proveniente da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA (nome atual de MARIA ELISABETE GALVÃO PRADO DURAN), CPF n° 152.155.27890: esposa de JAIR ANTÕNIO DE LIMA, beneficiária de diversos e constantes pagamentos em cheque, não regularmente identificados e escriturados, provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA.; Fl. 6793DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Pessoa Física RENAN PRADO DURAN DE LIMA, CPF n° 230.267.26826: filho de JAIR ANTÕNIO DE LIMA e de MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA, Sócio Administrador da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.; Pessoa Física BRUNO PRADO DURAN DE LIMA, CPF n° 304.327.97866: filho de JAIR ANTÕNIO DE LIMA e de MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA, Sócio da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., beneficiário de pagamentos em cheque, não regularmente identificados e escriturados, provenientes da GARANTIA TOTAL LTDA.; Pessoa Física CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBURCIO, CPF n° 344.819.17873: filha de JAIR ANTÕNIO DE LIMA e de MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA, anterior Sócia da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., foi apresentada nos processos de habilitação da GARANTIA TOTAL LTDA. como representante legal e vice presidente da entidade FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A; ...(Grifos acrescidos) Ao processo foi apensado o processo administrativo fiscal n° 15165.720942/201414, relacionado a Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificados, a Empresa BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI e o Sr.CLEBER GAETA apresentaram impugnação conjunta de folhas 5.867 a 5.887, anexando os documentos de folhas 5.888 a 5.917. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, o Sr. Cleber Gaeta adquiriu experiência no setor mercadológico de derivados de carne (atividades de vendedor). Não é o administrador da Machado e Gaeta Ltda., seu encargo é de coordenador de vendas, incluindo as compras de produtos “nacionais”; Que, neste contexto passou a comprar no mercado interno com 30 dias e lista à folhas 5.874 mais de 40 fornecedores. Também aponta lista com mais de 40 clientes à folhas 5.877; Que, a Empresa Garantia Total Ltda. contava com cerca de 120 funcionários. Foi surpreendida com pedido de devolução do prédio onde se situava a matriz, o que provocou a mudança da sede para Curitiba; Que, os débitos relacionados a ação judicial n° 000303 88.2013.8.16.0017 são anteriores à aquisição da sociedade Garantia Total Ltda. por Machado e Gaeta. Tal fato culminou com a saída do Sr. Cleber Gaeta da sociedade em 04/06/2013, optando por constituir a empresa individual Best Boi Alimentos – Eireli na mesma data; Que, a impugnante Best Boi Alimentos – Eireli não pode ser responsabilizada pois foi constituída em momento posterior às alegadas irregularidades; Fl. 6794DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.784 13 Que, o Sr. Cleber Gaeta jamais teve qualquer participação nas importações realizadas pela empresa (fl. 984 do relatório). A conclusão da autuação é equivocada; Que, as aquisições realizadas das empresas VL AgroIndustrial Ltda e Romário Oliveira não se confundem com as que são objeto de autuação no presente processo administrativo fiscal. Tratouse de conclusão especulativa; Requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de cancelarse o débito fiscal. Cientificado, o interessado Sr. BRUNO PRADO DURAN DE LIMA apresentou impugnação de folhas 5.920 a 5.928, anexando os documentos de folhas 5.929 a 5.958. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, o impugnante nunca foi sócio gerente da empresa (CBR); Que, os repasses foram decorrentes de empréstimos financeiros feitos à Garantia Total e em datas bem anteriores às operações que se pretende a pena de perdimento por responsabilização solidária ao impugnante; Que, apresenta as tabelas com a evolução dos empréstimos e recebimentos; Que, tais empréstimos decorrem das relações pessoais entre os genitores dos sócios da CBR empresa da qual o impugnante é sócio e o sócioadministrador daquela empresa, que é conhecido daqueles e goza de sua plena confiança, posto que avalizado, nesse exclusivo sentido, inclusive, pelo seu genitor; Que, não houve o alegado benefício. Há erro de conclusão no relatório; Que, também é sócio da empresa MDP Arquitetura Ltda. (CNPJ 12.149.672/000142); Que, o fato de a CBR ter em seu quadro social pessoa da família do Sr. Jair Antônio de Lima não pode servir de fundamento para que a CBR, empresa que é terceira em relação à empresa Garantia Total, seja inserida no pólo passivo de uma relação jurídica que não compõe, não tem controle e sequer conhecimento; Que, os cheques recebidos pelo impugnante foram em decorrência de serviços prestados por sua empresa do ramo de arquitetura; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. Fl. 6795DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Cientificado, o interessado Sr. RENAN PRADO DURAN DE LIMA apresentou impugnação de folhas 5.990 a 5.999, anexando os documentos de folhas 6.000 a 6.012. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, o simples fato de ser sócio da empresa (CBR) não o coloca na condição de coresponsável, há que ser comprovada a prática ilícita, não se admite a responsabilização objetiva; Que, os repasses foram decorrentes de empréstimos financeiros feitos à Garantia Total e em datas bem anteriores às operações que se pretende a pena de perdimento por responsabilização solidária ao impugnante; Que, apresenta as tabelas com a evolução dos empréstimos e recebimentos; Que, tais empréstimos decorrem das relações pessoais entre os genitores dos sócios da CBR empresa da qual o impugnante é sócio e o sócioadministrador daquela empresa, que é conhecido daqueles e goza de sua plena confiança, posto que avalizado, nesse exclusivo sentido, inclusive, pelo seu genitor; Que, não houve o alegado benefício. Há erro de conclusão no relatório; Que, também é sócio da empresa MDP Arquitetura Ltda. (CNPJ 12.149.672/000142); Que, o fato de a CBR ter em seu quadro social pessoa da família do Sr. Jair Antônio de Lima não pode servir de fundamento para que a CBR, empresa que é terceira em relação à empresa Garantia Total, seja inserida no pólo passivo de uma relação jurídica que não compõe, não tem controle e sequer conhecimento; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. Cientificada, a interessada Empresa CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. apresentou impugnação de folhas 6.091 a 6.099, anexando os documentos de folhas 6.100 a 6.128. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, os repasses foram decorrentes de empréstimos financeiros feitos à Garantia Total e em datas bem anteriores às operações que se pretende a pena de perdimento por responsabilização solidária ao impugnante; Que, apresenta as tabelas com a evolução dos empréstimos e recebimentos; Que, tais empréstimos decorrem das relações pessoais entre os genitores dos sócios da CBR empresa da qual o impugnante é Fl. 6796DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.785 15 sócio e o sócioadministrador daquela empresa, que é conhecido daqueles e goza de sua plena confiança, posto que avalizado, nesse exclusivo sentido, inclusive, pelo seu genitor; Que, não houve o alegado benefício. Há erro de conclusão no relatório; Que, o Sr. Bruno Prado Duran de Lima também é sócio da empresa MDP Arquitetura Ltda. (CNPJ 12.149.672/000142); Que, o fato de a CBR ter em seu quadro social pessoa da família do Sr. Jair Antônio de Lima não pode servir de fundamento para que a CBR, empresa que é terceira em relação à empresa Garantia Total, seja inserida no pólo passivo de uma relação jurídica que não compõe, não tem controle e sequer conhecimento; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. Cientificada, a interessada Sra. MARIA ELIZABETE PRADO DURAN DE LIMA apresentou impugnação de folhas 6.129 a 6.136, anexando os documentos de folhas 6.137 a 6.205. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a penalidade não pode ser transmitida à impugnante, é terceira pessoa em relação ao infrator; Que, as multas fiscais e as penalidades administrativas, como as aplicadas no presente caso, tem natureza de punição administrativa. Inequívoca natureza penal, subordinamse aos princípios constitucionais que regem a imposição de sanções penais; Que, a impugnante é esposa de Jair Antonio de Lima, que foi um dos sócios da empresa Garantia Total Ltda. Por outro lado, tal empresa mantinha abertas e públicas relações comerciais com a Empresa Torlim Alimentos S/A, da qual o esposa ainda é acionista. Os repasses se tratavam de pagamentos diretos na conta da impugnante, mediante abatimento em suas retiradas mensais de prólabore. Eram pagamentos da Empresa Garantia Total Ltda. à Empresa Torlim Alimentos S/A, decorrentes das relações comerciais entre ambas; Que, o fato de a empresa fiscalizada não efetuar a contabilidade destes fatos não autoriza a responsabilização da impugnante por débitos daquela empresa; Que, a maior parte dos repasses são anteriores às operações que se dizem fraudulentas, o que evidencia o equívoco da autuação; Requer seja julgado procedente a presente impugnação. Cientificada, a interessada Empresa SQS TRANSPORTES EIRELI – ME apresentou impugnação de folhas 6.285 a 6.310, Fl. 6797DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 anexando os documentos de folhas 6.311 a 6.326. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à ora impugnante. Não teve chance de defesa ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade fiscal. É inquestionável o cerceamento de defesa e falta de atenção ao devido processo legal administrativo e contraditório. Cita os princípios da segurança jurídica e legalidade. A autuação é nula; Que, todo e qualquer valor eventualmente pago à ora impugnante tem por origem a prestação de serviços de transportes. Presta serviços para a empresa Garantia Total Ltda., como para vários outros frigoríficos e/ou empresas do ramo alimentício. A origem dos pagamentos foi a prestação de serviços. Contudo, não teve a oportunidade de comprovar tais fatos no curso da fiscalização (MPF); Que, deve ser respeitado o princípio da finalidade. A multa aplicada tem caráter confiscatório. Há ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Para a decretação da pena de perdimento devem ser respeitados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Que, ao caso é aplicável o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Requer seja acolhida a impugnação. Cientificado, o interessado Sr. JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA apresentou impugnação de folhas 6.329 a 6.355, anexando os documentos de folhas 6.356 a 6.381. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à ora impugnante. Não teve chance de defesa ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade fiscal. É inquestionável o cerceamento de defesa e falta de atenção ao devido processo legal administrativo e contraditório. Cita os princípios da segurança jurídica e legalidade. A autuação é nula; Que, foi incluído na autuação por ser destinatário de cheque no valor de R$ 6.000,00, datado de 19/10/2011. Tal cheque é referente à prestação de serviços de transporte, quando ainda era sócio da JVA Transportes Ltda. Contudo, não teve a oportunidade de comprovar tais fatos no curso da fiscalização (MPF); Que, o fato de ser sócio da JVA Transportes Ltda. (não é mais sócio desde 02/08/2013), exsócio administrador da SQS transportes Eireli – ME e responsável legal (pai), à época da transferência de titularidade, da atual empresária responsável, Aline Quintino Silva, não o coloca em qualquer das hipóteses do artigo 135 do Código Tributário Nacional; Fl. 6798DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.786 17 Que, para inclusão no pólo passivo deve ser apresentada prova da tipificação das hipóteses do artigo 135 do Código Tributário Nacional, o que não houve; Que, deve ser respeitado o princípio da finalidade. A multa aplicada tem caráter confiscatório. Há ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Para a decretação da pena de perdimento devem ser respeitados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Que, ao caso é aplicável o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Requer seja acolhida a impugnação. Cientificado, o interessado Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI apresentou impugnação de folhas 6.231 a 6.260, anexando os documentos de folhas 6.261 a 6.282. Em síntese apresenta os seguintes argumentos:(grifei) Que, não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à ora impugnante. Não teve chance de defesa ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade fiscal. É inquestionável o cerceamento de defesa e falta de atenção ao devido processo legal administrativo e contraditório. Cita os princípios da segurança jurídica e legalidade. A autuação é nula; Que, o impugnante além de empresário possui formação e larga experiência enquanto contador e administrador. Na qualidade de sócio efetivo das empresas que participou, o fez na condição de sóciominoritário e, nessa condição, exercia sempre a atividade de administração de tais empresas; Que, os adquirentes da empresa Garantia Total Ltda. embora possuíssem conhecimento do setor comercial, não possuíam experiência contábil, administrativa/financeira. Assim, a pedido dos novos sócios, concordou em continuar assessorando aquela empresa na área contábil e fiscal, firmando contrato; Que, os serviços prestados de assessoria em contabilidade não são vedados, comprova os fatos através dos recibos de pagamentos; Que, para inclusão no pólo passivo deve ser apresentada prova da tipificação das hipóteses do artigo 135 do Código Tributário Nacional, o que não houve; Que, deve ser respeitado o princípio da finalidade. A multa aplicada tem caráter confiscatório. Há ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Para a decretação da pena de perdimento devem ser respeitados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Que, ao caso é aplicável o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 6799DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Requer seja acolhida a impugnação. Cientificada, a interessada Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO apresentou impugnação de folhas 6.206 a 6.217, anexando os documentos de folhas 6.218 a 6.227. Em síntese apresenta os seguintes argumentos:(grifei) Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, o fato de a impugnante ter sido sócia da empresa (CBR) não a coloca na condição de coresponsável. A responsabilidade é objetiva; Que, os repasses foram decorrentes de empréstimos financeiros feitos à Garantia Total e em datas bem anteriores às operações que se pretende a pena de perdimento por responsabilização solidária ao impugnante; Que, apresenta as tabelas com a evolução dos empréstimos e recebimentos; Que, tais empréstimos decorrem das relações pessoais entre os genitores dos sócios da CBR empresa da qual o impugnante é sócio e o sócioadministrador daquela empresa, que é conhecido daqueles e goza de sua plena confiança, posto que avalizado, nesse exclusivo sentido, inclusive, pelo seu genitor; Que, não houve o alegado benefício. Há erro de conclusão no relatório; Que, também foi sócia da empresa MDP Arquitetura Ltda. (CNPJ 12.149.672/000142); Que, o fato de a CBR ter em seu quadro social pessoa da família do Sr. Jair Antônio de Lima não pode servir de fundamento para que a CBR, empresa que é terceira em relação à empresa Garantia Total, seja inserida no pólo passivo de uma relação jurídica que não compõe, não tem controle e sequer conhecimento; Que, o fato de a impugnante ter assinado declaração, na condição de representante legal, naquela oportunidade, da empresa estrangeira não a liga, de modo a criar vínculo jurídico, à empresa Garantia, apenas expressou a vontade da pessoa jurídica e não sua vontade pessoal. O Frigorífico Concepción concedeu à impugnante um crédito para a aquisição e venda das mercadorias. Os fatos são decorrentes de relações pessoais (de confiança), que davam apoio à relações comerciais, por isso que em boas condições de negociação; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. Cientificado, o interessado Sr. JAIR ANTÔNIO DE LIMA apresentou impugnação de folhas 5.961 a 5.973, anexando os documentos de folhas 5.974 a 5.986. Em síntese apresenta os seguintes argumentos:(grifei) Fl. 6800DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.787 19 Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Que, a empresa Garantia Total Ltda., em sua gênese, tinha como atividade central a produção charque, abrindo diversas filiais no País. Contudo o ramo de produtos derivados de abates de bovinos apesar de trabalhar com grandes volumes de mercadorias tem baixa lucratividade. Tal fato motivou o impugnante a vender suas cotas para o Sr. Jorge Machado. O valor da impugnante era apenas o seu valor comercial (cita o exemplo do Grupo Marfrig). O Sr. Jorge Machado ocupava a função de vendedor da empresa Torlim Produtos Alimentícios Ltda. e possuía créditos de comissão de vendas para receber dessa empresa. Assim, ponderando a baixa lucratividade e a obrigação de pagar crédito optou por vender as cotas sociais (os Srs. Jorge e Cleber atuavam há anos no mercado de carne e tinham grande conhecimento). Sob o comando de ambos a impugnante passou a adquirir produtos no mercado interno (apresentava “giro”), que ao final representava alguma lucratividade; Que, a Empresa Garantia tornouse, na verdade, uma concorrente da empresa Torlim Alimentos S/A. O próprio autuante confirma que ambas empresas funcionaram paralelamente, importando mercadorias do exterior; Que, inexiste prova cabal da coligação ou formação de grupo econômico (requer unidade de direção e confusão patrimonial, um plano único para atingir objetivos comuns). O único fato realmente demonstrado é que determinadas pessoas, que já fizeram parte do quadro societário da autuada têm relações com o atual sócioadministrador; Que, o fato de existir um sócio em comum entre a empresa Torlim Alimentos S/A e duas das empresas que eram costistas da peticionaria, Sr. Jair Antônio de Lima, não pode conduzir à essa conclusão; Que, não serve a acusação de que a Garantia seria mera empresa “de fachada”, criada apenas para ocultar os reais importadores, interessados e responsáveis pelas operações de internação de mercadorias e que estaria sob o comando do impugnante; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. Cientificada, a interessada Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A apresentou impugnação de folhas 6.015 a 6.027, anexando os documentos de folhas 6.028 a 6.088. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, em razão da natureza da pena de perdimento é impossível a pena extrapolar a pessoa do infrator; Fl. 6801DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Que, as transferências citadas pela fiscalização decorrem da atividade de compra e venda de derivados do abate de bovinos. Indica os cheques e notas fiscais relacionados; Que, a divergência de rótulos nas operações de importação mencionadas pelo autuante foram objeto de criteriosa investigação, levada a efeito pela SAANA de Maringá, e que concluiu pela inexistência de ligação entre ambas as empresas; Que, as decisões e ações judiciais indicadas (transitórias ou sem força para estabelecer vínculos) foram extintas, por uma ou por outra razão. Não houve juízo de mérito, são imprestáveis como provas da existência das relações buscadas pelo autuante. Devem ser desconsideradas como elementos probantes, afastando a pena de perdimento proposta; Que, de outra sorte, não sabe por que razões, a fiscalização não utilizou outras decisões que indicam que a empresa JBS S/A é sucessória do denominado “Grupo Torlim”; Que, inexistiam razões para a impugnante proceder a importação de mercadorias por interposta pessoa. Existiam importações realizadas pela própria impugnante; Que, inexiste prova cabal da coligação ou formação de grupo econômico (requer unidade de direção e confusão patrimonial, um plano único para atingir objetivos comuns). O único fato realmente demonstrado é que determinadas pessoas, que prestaram serviços à impugnante passaram a atuar no mesmo ramo, não mais como empregadas mas sim como empresários; Que, o fato de haver relação societária entre pessoas físicas e jurídicas não conduz à existência de coligação ou de grupo econômico; Requer seja acolhida a presente para o fim de cancelarse o débito fiscal. A Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., a Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., a Empresa JVA TRANSPORTES LTDA., a Empresa MACHADO & GAETA LTDA. e o Sr. JORGE MACHADO não apresentaram impugnação, sendo então lavrados os Termos de Revelia de folhas 6.388, 6410 a 6.414. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/10/2012 a 08/07/2013 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Fl. 6802DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.788 21 Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias tenham sido consumidas. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. De outra sorte, não restando comprovado o interesse comum ou o benefício com a prática da infração deve a responsabilidade solidária ser afastada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Observase que a decisão de piso afastou do pólo passivo os seguintes autuados solidários: 1) As Pessoas Jurídicas: · BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, · Empresa CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., Sr. BRUNO PRADO DURAN DE LIMA., · Empresa SQS TRANSPORTES EIRELI – ME e, 2) As Pessoas Físicas: · Sr. CLEBER GAETA · Sr. RENAN PRADO DURAN DE LIMA, · Sra. MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA, · Sr. JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA. Devidamente intimados da decisão de primeira instância apresentaram Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF os seguintes sujeitos passivos solidários: CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, após ciência da decisão de primeira instância 24/07/2015, AR, fl.6585(sextafeira), apresenta em 24/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.6631, o recurso de fls.6632/6656, nos seguintes termos: Nulidade do auto de infração, uma vez que não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à ora impugnante. Não teve chance de defesa ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade Fl. 6803DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 fiscal. É inquestionável o cerceamento de defesa e falta de atenção ao devido processo legal administrativo e contraditório. Cita os princípios da segurança jurídica e legalidade. Inexistência de prova, visto que não há prova que a recorrente tenha auferido vantagem pelas supostas infrações cometidas pela empresa autuada; também não há prova da prática de ato contrário à lei, aos estatutos ou com excesso de poderes. impossibilidade de responsabilização pessoal da recorrente. cita o artigo 135, III do CTN, ressaltando que para a inclusão da recorrente, pessoa física, como pessoa solidária a suportar os ônus decorrentes da prática da infração pela autuada, na condição de mera signatária de declaração firmada por outra pessoa jurídica, teria que se comprovar: a) que realmente existe o elo de ligação entre a empresa autuada e a empresa que firma a declaração assinada pela recorrente (que não consta dos autos, embora haja vagas afirmações nesse sentido); b) que a recorrente, na condição de signatária da declaração, o tenha feito com excesso de poderes ou contrariamente à lei ou aos estatutos e, nessa condição, poderia ser chamada a responder pessoalmente pelos supostos débitos, que seriam direcionados não à ela, pessoa física, mas à pessoa jurídica que firma a declaração e, apenas subsidiariamente à ela, acaso se comprovasse mesmo o requisito acima; O agente autuante limitouse a requerer a substituição no pólo passivo, de todos os envolvidos, pela recorrente, sem elemento probante algum. Ressalta que se o Auto de Infração lavrado não faz prova da suposta infração cometida pela recorrente ou de sua participação nos fatos apontados como ilícitos, é evidente a improcedência e conseqüente nulidade do auto de infração. (grifei). Por essa razão, o Auto de Infração traz consigo inegável presunção de prática de infração pela recorrente, sendo de rigor que se reconheça sua total improcedência tendo em vista que sua lavratura foi embasada por presunções que passam ao largo de traduzir a realidade fática. (...) Que, ao caso é aplicável o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, uma vez que não há qualquer certeza quanto aos fatos narrados pelo autuante nos presentes autos, pelo contrário, só há incertezas; não há fatos, mas meros indícios, sobre os quais o autuante pretendeu construir sua conclusão. Ao final requer: (i) preliminarmente, declarar, em relação à recorrente, a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DISCUSSÃO, Fl. 6804DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.789 23 EXTINGUINDOSE O LIAME DE SOLIDARIEDADE POR ELE INSTAURADO; ou (ii) subsidiariamente, no mérito, que sejam igualmente reconhecidos os fatos e fundamentos apresentados, afastando a responsabilização solidária e resultando na DECLARAÇÃO DE IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO, BEM COMO A EXTINÇÃO DO LIAME DE SOLIDARIEDADE POR ELE INSTAURADO em relação à recorrente; e PEDRO CASSILDO PASCUTTI, após ciência da decisão de primeira instância 23/07/2015, AR, fl. 6599, apresenta em 20/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.6748, o recurso de fls.6694/6741, reiterando os argumentos da impugnação. JAIR ANTÔNIO DE LIMA, após ciência da decisão de primeira instância 22/07/2015, AR, fl. 6624, apresenta em 21/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.6659, o recurso de fls.6749/6769, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória requerendo também a nulidade: (...) uma vez não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à ora impugnante. Não teve chance de defesa ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade fiscal.; o Auto de Infração traz consigo inegável presunção de prática de infração pelo recorrente, sendo de rigor que se reconheça sua total improcedência tendo em vista que sua lavratura foi embasada por presunções que passam ao largo de traduzir a realidade fática Com base em meras alegações e conclusões desprovidas de fundamento fático, mas meros indícios, o autuante concluiu precária e indiscriminadamente pela responsabilização solidária do recorrente. Apresentou também Recurso Voluntário, o sujeito passivo solidário JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, no entanto referido sujeito passivo não apresentou impugnação, tendo sido lavrado o Termo de Revelia de fl.6410. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Da Preclusão da Instância Administrativa Inicialmente cabe destacar que embora haja pluralidade de sujeitos passivos, conforme os respectivos termos de sujeição passiva, com ciência individualizada para cada Fl. 6805DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 sujeito passivo, os sujeitos passivos solidários, Empresa GARANTIA TOTAL LTDA., a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., a Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., a Empresa JVA TRANSPORTES LTDA., a Empresa MACHADO & GAETA LTDA. e o Sr. JORGE MACHADO não apresentaram impugnação, sendo então lavrados os Termos de Revelia de folhas 6.388, 6410 a 6.414. Segundo prescreve o art. 15, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, norma que rege de forma específica o rito do processo administrativo fiscal, a impugnação tempestiva é condição de admissibilidade para julgamento de processos fiscais, uma vez que instaura a lide no âmbito do contencioso administrativo é portanto, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal, requisito para submeterse ao duplo grau de jurisdição na via contenciosa administrativa. É digno de nota que a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, embora regularmente cientificada através do Termo de Sujeição Passiva, fl.6693, declinou do exercício do seu direito de defesa, já que não houve impugnação ao Auto de Infração, ensejando a lavratura do Termo de Revelia de fl. 6410, assim a petição apresentada de fls.6.660/6677, não será conhecida, já que não instaurado o litígio na via administrativa para o referido sujeito passivo solidário, haja vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, não comporta julgamento na esfera administrativa, uma vez que a competência dos órgãos julgadores, atribuída por lei, diz respeito à apreciação de processos em que tenha sido instaurada a lide administrativa, nos prazos e condições determinados pela norma processual de regência. Nesse mister, estabelece o Código Tributário Nacional CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Postos os fundamentos acima, deixo de conhecer a petição de fls.6.660/6.677, apresentada pela a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Analisarseá a seguir os Recursos Voluntários apresentados por CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, JAIR ANTÔNIO DE LIMA e PEDRO CASSILDO PASCUTTI, sendo porém analisadas conjuntamente as matérias que guardem similitude de fundamentos nos referidos recursos. Dos requisitos de admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Das matérias não impugnadas As peças recursais apresentadas por CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO e JAIR ANTÔNIO DE LIMA trazem matérias que não foram arguidas nas respectivas impugnações de fls.6.206/6.217 e 5.961/5.973 Fl. 6806DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.790 25 Com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)], as matérias (nulidade do auto de infração por ausência de MPF específico e da necessária incidência no caso, do art. 112 do CTN) não serão apreciadas, uma vez que por força do artigo 17 acima referido as matérias submetidas à primeira instância administrativa, determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pelos recorrentes somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição como já destacado na análise anterior. Assim, deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto às matérias acima destacadas. Da Contextualização fática É importante repisar que o lançamento formalizado diz respeito a: multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão face seu consumo; multa decorrente da omissão de prestação de informação relacionada à existência de vinculação entre comprador e vendedor nas operações de importação; diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado (multa da diferença de preço, diferença de contribuições, multa de ofício qualificada e juros de mora, no entanto, observase das peças recursais que o cerne do litígio prendese à contestação quanto ao vínculo de responsabilidade, seja quanto à base legal adotada pela fiscalização ou quanto à suposta ausência de prova que demonstre o vínculo. Antes porém, com vistas a enfatizar a situação fática demonstrada, notadamente quanto à responsabilização solidária arrolada pela fiscalização, sumarizase a seguir, excertos já relatados, bem como excertos do Relatório Fiscal. Esclarece a fiscalização no Relatório Fiscal de fls.41/295: A pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA., formalmente constituída em 18/07/2008 como VISCUTTI ALIMENTOS LTDA.4, apresenta dois estabelecimentos atuantes no comércio exterior como importadores, sendo que um deles, o matriz (10.197.224/000199), localizado cadastralmente na cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo, foi o responsável pelo registro de apenas 06 (seis) das DI listadas na Tabela A.3 anterior5. Já o principal estabelecimento atuante na importação (filial 10.197.224/000512), localizado na cidade de Curitiba, Paraná, foi o responsável pela imensa maioria dos registros. Além desses, o cadastro aponta ainda a existência de outros 03 estabelecimentos, em situação cadastral diferente de ativo (vide telas). [...] Por todo o exposto no presente Relatório, concluise, finalmente, que a atuação da pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA., elaborando e apresentando declarações, documentos contábeis e Fl. 6807DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 comerciais, bem como registrandoos junto aos diversos Órgãos envolvidos, foi toda ela direcionada para o fim único de simular existência de negócios que não existiram de fato, apenas no campo das aparências, em total incompatibilidade com seu fim declarado. Assim agindo, e no âmbito da presente autuação, buscou, e efetivamente conseguiu, como já discorrido anteriormente, alcançar os seguintes objetivos, danosos ao controle das operações de comércio exterior em sentido amplo: 1. Internalizar grande quantidade de produtos importados de origem bovina, procedentes de entidade estrangeira integrante de grupo empresarial de fato, do qual também fazia parte, e no interesse deste mesmo grupo, o qual, todavia, permaneceu oculto durante todo o processo; e 2. Com o uso e em decorrência da mesma sistemática utilizada para a consecução do objetivo anterior, também manter oculta a vinculação com a entidade estrangeira, situação que possibilitou a manipulação/ocultação dos valores de negociação e, por consequência, o indevido pagamento a menor dos tributos, quando devidos.(grifei). Em face da pluralidade sujeitos passivos na autuação e da argumentação central nas peças de defesas quanto ao vínculo de responsabilidade, reproduzse a seguir a demonstração da evolução societária na empresa GARANTIA TOTAL LTDA, conforme fl.127 do Relatório Fiscal. Fl. 6808DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.791 27 Ultrapassadas essas questões, analisarseá de per si os recursos apresentados quanto às matérias diferenciadas. O recurso apresentado por CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO traz um longo arrazoado quanto à impropriedade da base legal adotada pela fiscalização, artigo 135, inciso III do CTN, bem como quanto à inexistência de prova quanto à sua participação nos fatos apontados como ilícitos. Destaca a fiscalização no Relatório Fiscal de fl.247: Como fato adicional a confirmar a vinculação/participação do produtor estrangeiro no grupo de fato nacional, releva mencionar que, em todos os processos formalizados pela GARANTIA TOTAL LTDA. para o fim de obter sua habilitação para operar no comércio exterior (processos nº 10314.720604/201157, de 05/07/2011, nº 10314.722278/2012 01, de 04/04/2012, e nº 10314.725006/201255, de 26/07/2012), foi juntada declaração firmada pela pessoa física CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, lá identificada como representante legal e Vice Presidente do FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A. Ocorre que tal pessoa, cidadã brasileira já citada no presente relatório como anterior componente de pessoa jurídica recebedora de recursos da própria GARATIA TOTAL LTDA. (vide Tela C.159 anterior abaixo repetida), é filha do multicitado JAIR ANTÔNIO DE LIMA, figura mais relevante do grupo empresarial de fato que detém o real comando dos negócios de comércio exterior sob análise.(grifei). Esclarece a fiscalização no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls.5.799/5.800: Além disso, conforme também o que consta no Relatório Fiscal anexo à referida autuação, as situações verificadas e a legislação aplicável ao caso permitem responsabilizar, conjunta ou isoladamente, quem quer que tenha concorrido ou tenha se beneficiado da prática das infrações verificadas no curso da Ação Fiscal, motivo pelo qual é constituída a pessoa física CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, CPF 344.819.17873, anterior Sócia da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., CNPJ 06.145.648/000132, e que foi apresentada como representante legal e vicepresidente da entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCIÓN S/A, principal fornecedor da GARANTIA TOTAL LTDA., CNPJ 10.197.224/000199, como responsável na presente autuação. Face ao exposto na Descrição dos Fatos e o constante no Relatório Fiscal do Auto de Infração, ficou caracterizada a Responsabilidade de que trata o Art. 95 do DecretoLei n° 37/66, de 18/11/1966 transcrita abaixo: (grifei). "Art.95 Respondem pela infração: Fl. 6809DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Constatase dos excertos acima que a fiscalização não adotou como base legal para a responsabilização da autuada o artigo 135, III do CTN, mas tãosomente o artigo 95, I do DecretoLei n° 37, de 1966, visto que pelos fundamentos apresentados entendeu amoldarse à situação fática constatada. Observese que com a ordem jurídica inaugurada pela Constituição de 1988, por força do artigo 237, a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior sob a competência do Ministério da Fazenda têm sido objeto de regramento específico, sobressaindose no ordenamento jurídico pátrio um arcabouço normativo destinado a disciplinar as operações de comércio exterior que pela natureza eminentemente regulatória, situase além do disciplinamento no âmbito do Direito Tributário para alcançar sobretudo o controle das operações de comércio exterior em seu aspecto multidiscipliar, merecendo destaque a legislação aduaneira que trata das infrações aduaneiras e das penalidades a elas aplicáveis, no âmbito do controle aduaneiro. Com efeito, a lei aduaneira, com sucessivas alterações no decorrer de sua vigência, definiu as relações entre os coobrigados no caso de infrações conforme a seguir indicado: DecretoLei nº 37, de 1966 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)(grifei) Decreto nº 6.759, de 2009 Art.674.Respondem pela infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95): Fl. 6810DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.792 29 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; [...] Verificase dos dispositivos acima, que o instituto da solidariedade não está afeto apenas à coresponsabilidade quanto ao pagamento do tributo mas também com relação ao vínculo obrigacional entre os coobrigados responsáveis pela prestação pecuniária decorrente do cometimento de infrações, conforme definido em lei como acima exposto. No presente caso o núcleo infracional acima transcrito deixou evidente o seu alcance, [quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie], assim restou demonstrado pela fiscalização, através da situação fática retratada com relação à recorrente que esta concorreu para a prática da ocultação, situação necessária e suficiente para amoldarse à hipótese acima. Notese que a peça recursal não infirma a declaração juntada aos autos pela fiscalização que demonstra que a pessoa física CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, é identificada como representante legal e Vice Presidente do FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A, em todos os processos formalizados pela GARANTIA TOTAL LTDA. para o fim de obter sua habilitação para operar no comércio exterior, mas limitase a questionar a base legal adotada pela fiscalização e a ausência do referido documento nos autos. Embora afirme a recorrente que o documento que deu suporte aos fundamentos apresentados pela fiscalização não se encontre nos autos, constatase que referido documento está reproduzido à fl. 247, mencionando ainda a fiscalização: Tela C.207 – Documento juntado aos processos administrativos nº 10314.720604/201157, de 05/07/2011, nº 10314.722278/201201, de 04/04/2012, e nº 10314.725006/2012 55, de 26/07/2012. Depreendese do Relatório Fiscal de fls.41/295 que os destaques quanto à participação societária em momento anterior da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., CNPJ 06.145.648/000132, bem como quanto aos laços familiares fizeram parte da contextualização dos fatos retratados, sem contudo servirem de suporte fático ao vínculo de solidariedade. Nesse sentido, destaquese os excertos da decisão de piso: Quanto à sujeição passiva atribuída à Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, o entendimento é que a responsabilização solidária encontra amparo no fato de a mesma ser a pessoa do grupo econômico que ocupa, junto ao exportador (FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A – também pertencente ao grupo econômico), cargo da maior importância (vicepresidência). Restando inconteste nos autos a expedição de documento em nome do exportador com vistas a viabilizar a habilitação da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. no sistema de comércio exterior. Fato que em última análise contribuiu para a prática das infrações em apreço. Assim, como se observa, não é o parentesco com o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA (filha) o fator determinante para a sua manutenção no pólo passivo da Fl. 6811DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 30 autuação, mas sim a sua contribuição direta junto ao exportador e importador com vistas a viabilizar as operações de importação em análise. Mantémse portanto, conforme fundamentos e provas acima destacados no pólo passivo da autuação a Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO. O recurso apresentado por JAIR ANTÔNIO DE LIMA, apresenta como principal matéria arguida a falta de comprovação pela fiscalização do vínculo de solidariedade, nesse sentido, demonstrase a seguir a título exemplificativo os seguintes excertos do Relatório Fiscal. Esclarece a fiscalização no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls.5.741/5.742: De tal Ação, conforme Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração descrito no cabeçalho, constatouse a utilização da empresa GARANTIA TOTAL LTDA., CNPJ 10.197.224/0001 99, apresentada, formal e documentalmente, na figura de importadora e adquirente em um total de 169 (cento e sessenta e nove) declarações de importação, como mero anteparo de modo a ocultar as reais características das operações. Além disso, conforme também o que consta no Relatório Fiscal anexo à referida autuação, as situações verificadas e a legislação aplicável ao caso permitem responsabilizar pessoalmente os responsáveis/administradores, tanto da referida pessoa jurídica quanto daquela(s) apontada(s) como solidária(s), pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes dos atos verificados no curso da Ação Fiscal, motivo pelo qual é constituída a pessoa física JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF 814.078.07820, Presidente da empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ 07.859.642/000190, e Sócio Administrador das empresas JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 09.389.460/000128, e GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 09.445.723/0001 79, como responsável na presente autuação. (...) Face ao exposto na Descrição dos Fatos e o constante no Relatório Fiscal do Auto de Infração, ficou caracterizada a Responsabilidade de que trata o Art. 135 da Lei n° 5.172/66, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) transcrita abaixo: "Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cabe agora pontuar, de forma exemplificativa, excertos do Relatório Fiscal, com os esclarecimentos e referibilidade probatória acerca do vínculo de responsabilidade do Sr. JAIR: 1 Evolução e participação societária: Fl. 6812DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.793 31 a) a Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.(CNPJ 09.389.460/000128), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA (CPF 817.078.07820), tem sede no mesmo local físico de outras 5 empresas (AMAMBAÍ INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA – ME, TORLIM ALIMENTOS S/A, IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., FRIGORÍFICO AMAMBAÍ S/A e VW BRASIL AGROPECUÁRIA LTDA. – ME). Embora protocolados pedidos de dilação de prazo, não houve objetivamente a apresentação de respostas de parte das informações requeridas;(grifei). b) a Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 09.445.723/000179), sócios administradores Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI e Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, tem sede no mesmo local físico de outras 2 empresas (IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. e VT BRASIL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.). A empresa jamais apresentou qualquer movimentação bancária em seu nome, possui capital de R$ 1.000.000,00 e não há indícios de efetivo funcionamento.(grifei) 2 Recebimentos da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A que não foram contabilizados(fl.173): Tela C.90 – Parte final do mesmo extrato, onde são visíveis: (1) valores a crédito e a débito não retratados na conta contábil; (2) valores totais de movimentação diversos, à maior, que aqueles presentes na conta contábil (vide Tela C.83 acima); e (3) recebimento de valor da empresa TORLIM ALIMENTOS S/A que igualmente não se encontra retratado na contabilidade (vide tela abaixo)(grifei).. 3 Caracterização do grupo econômico de fato, fl.267: A entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A é parte indissociável e indistinta do grupo empresarial de fato que verdadeiramente conduz os negócios entabulados pelas entidades importadoras nacionais também participantes de tal grupo, dentre elas, por óbvio, a própria GARANTIA TOTAL LTDA., além da TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ 07.859.642, principal pessoa jurídica nacional importadora do grupo; isso, aliado ainda à evidente omissão da ora autuada em esclarecer minimamente os envolvidos na negociação que teria redundado nas operações de importação analisadas, e ainda levando em conta tudo o mais que já foi relatado até o presente momento, não permite outra conclusão que não a de que os impressos apresentados como Faturas Comerciais emitidos pela entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A45 NÃO PODEM SER TOMADOS COMO PROVAS DA OCORRÊNCIA EFETIVA DE 4 Modus operandi, fl.48: Fl. 6813DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 32 As etiquetas presentes na mercadoria claramente apresentavam como importador o estabelecimento da empresa TORLIM ALIMENTOS S/A situado em Paiçandu, Paraná (CNPJ 07.859.642/0005 13), não obstante os documentos apresentados nada indicassem nesse sentido. Tal pessoa jurídica (TORLIM ALIMENTOS), conforme seus dados cadastrais, apresenta, na figura de Presidente, a pessoa física JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF 814.078.0720, Administrador original do ora Sujeito Passivo (vide tela B.1 anterior), além de ser ou ter sido figura central de diversas outras pessoas jurídicas predominantemente ligadas ao ramo de carnes (telas apresentadas na sequência), além da empresa do ramo de transportes RÁPIDA LOGÍSTICA NACIONAL E INTERNACIONAL LTDA., que até o final de 2012 adotava como nome empresarial EMPRESA DE TRANSPORTES TORLIM LTDA. e que é a transportadora responsável por grande parte das operações de importação listadas na Tabela A.3. 4.6... .Por fim, cumpre destacar que a ligação das pessoas físicas já citadas, além de outras, bem como a própria existência do grupo empresarial de fato, fica ainda mais evidente quando se constata, no mesmo imenso conjunto de cópias de cheques encaminhado pelo Banco BRADESCO (Documento Comprobatório nº 21), outros 201 documentos endossados diretamente a nove pessoas físicas e uma pessoa jurídica específicas que, inobstante não estarem regularmente lançados na contabilidade da empresa mas considerandose o contexto e o quadro já apresentado, inegavelmente se referem a repasses/pagamentos aos colaboradores/beneficiários diretos e essenciais da atuação de tal entidade de fato; dentre os beneficiários de tais pagamentos, do qual também consta o acima citado JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA, ao menos três pessoas físicas, além da pessoa jurídica destacada, podem ser ligadas diretamente a JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF nº 814.078.07820, que, também a teor dos fatos já relatados, representa a principal e mais proeminente figura do grupo (vide as Telas e esclarecimentos respectivos apresentados na sequência);(grifei) 6 Movimentação financeira, fl.197: 4.1..............Já da análise especificamente das informações relativas à movimentação financeira verificada no extrato encaminhado pela instituição bancária, constatase situação semelhante às demais contas correntes: a existência de grande quantidade de transferências identificadas de recursos oriundos da TORLIM ALIMENTOS S/A que não se encontram retratadas na escrituração contábil respectiva;(grifei) 7 Beneficiários de cheques à margem da contabilidade , fl.198/231: a imensa maioria é constituída de cheques endossados em favor da própria Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A (cujo motivo é de natureza desconhecida, não há registros contábeis); Fl. 6814DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.794 33 há pagamentos ou repasses aos colaboradores ou beneficiários diretos e essenciais da atuação da empresa: Sr. JOSÉ EDIMÍCIO CARDOSO DA SILVA (CPF 091.889.98851, sócio da Empresa JVA TRANSPORTES LTDA.), Sra. MARIA ELISABETE PRADO DURAN DE LIMA (CPF 152.155.27890, esposa do Sr.JAIR ANTONIO DE LIMA), Sra. ROSILENE GUERRA DE CARVALHO (CPF 596.192.79115, vínculo empregatício direto com o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Empresa CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. (CNPJ 06.145.648/000132, pessoa jurídica da família do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA – filhos), Sr. BRUNO PRADO DURAN DE LIMA (CPF 304.327.97866, filho do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA), Sr. ANTONIO VILHENA PAULA SOUZA (CPF 061.299.14822, sócio inicial da empresa), Sr. CLEBER GAETA, Sra. NATALIA DE PAULA MARQUES STABILE (CPF 291.961.49833, funcionária da Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A), Sr. JORGE MACHADO, Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI. (grifei) Cabe ainda destacar excertos da decisão de piso: O Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA tem seu nome associado diretamente a diversas empresas citadas na autuação (Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, Empresa IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., Empresa GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., Empresa JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., Empresa de TRANSPORTES TORLIM LTDA.) , empresas tanto de logística, quanto de participações, como do ramo de carnes e derivados de bovinos; indiretamente existem outras empresas em que se observa na composição do quadro social pessoas familiares; até mesmo junto ao exportador FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A se observa a existência de pessoas próximas como a Sra. CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO (filha) e o Sr. EDEMILSON ANTÔNIO DE LIMA (irmão – fl. 53). Não menos importante é o fato de que os sucessores do Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA e Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI no quadro social da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. foram funcionários da Empresa IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., onde está presente no quadro social o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA. A alegada expertise de tais funcionários (Sr. JORGE MACHADO e o Sr.CLÉBER GAETA), o “desinteresse” na atividade da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. e a concorrência no mercado nacional (alegações ofertadas pelo Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA) não se coadunam com os repasses de recursos financeiros (abaixo citado) e a continuidade de seu interesse em empresas cuja atividade operacional é exatamente aquela da empresa repassada adiante. Também a concorrência entre as empresas deixa de fazer sentido quando se observa nos autos a existência de transações comerciais com a Empresa TORLIM ALIMENTOS S/A (notese que esta empresa ratifica tal fato em sua peça de defesa quando cita notas fiscais de revenda Fl. 6815DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 34 no mercado interno e que, em seu ver, dariam sustentação aos repasses financeiros realizados à margem da formalização contábil). O vasto suporte probatório trazido aos autos pela fiscalização, identifica o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA, como o principal membro do grupo, envolvendo TORLIM ALIMENTOS S/A e GARANTIA TOTAL LTDA, responsável formal atual, dentre outras, pelas pessoas jurídicas IRAPURU PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA.,TORLIM INDUSTRIA FRIGORÍFICA LTDA., TORLIM ALIMENTOS S/A e RÁPIDA LOGÍSTICA NACIONAL E INTERNACIONAL LTDA. (ex EMPRESA DE TRANSPORTES TORLIM LTDA). É digno de realce que o recorrente não infirma os fatos destacados na ação fiscal, tampouco o vínculo com a empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, limitase em sua defesa a arguir falta de comprovação pela fiscalização do vínculo de solidariedade no presente lançamento. O recurso apresentado por Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI, repisa os argumentos da impugnação, concentrando basicamente sua defesa em um suposto cerceamento de defesa pela ausência de MPF, pelas inconsistências probatórias apresentadas pela fiscalização quanto à sua participação nos fatos arrolados na ação fiscal, destacando ainda que a decisão de piso na análise da preliminar quanto à ausência de MPF não observou os principais argumentos impugnados. Da Natureza do procedimento fiscal Quanto a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF), é de se destacar que a fiscalização age em seus procedimentos fiscais segundo as normas pertinentes, haja vista que seus atos se configuram como atos administrativos, assim, no caso que ora se examina há disposição expressa no 1§ 2º do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, de dispensa de MPF quanto aos responsáveis, além de estar disposto no art. 2º, caput da referida portaria que os AuditoresFiscais, [...na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado]. Também não há na legislação imposição para intimação do sujeito passivo se a fiscalização já dispõe dos elementos necessários à formalização do crédito tributário, haja vista que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, de natureza inquisitorial, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Observase ainda da tramitação processual, fls.129/130, que os sujeitos passivos solidários foram intimados a prestar esclarecimentos, no decorrer da ação fiscal, além de terem sido cientificadas do auto de infração, o que lhes oportunizou o exercício do contraditório e ampla defesa, tanto que alguns dos intimados apresentaram impugnação e recurso, com alentada defesa das teses defendidas, restando assim no presente processo 1 Fl. 6816DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.795 35 plenamente assegurados aos recorrentes as garantias invocadas, no entanto é importante ressaltar que a fase de procedimento fiscal, se constituindo em uma fase inquisitorial, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco se vislumbra quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto ao instrumento procedimental do MPF. Da Preclusão da Instância Administrativa Ressaltese que embora haja pluralidade de sujeitos passivos, conforme os respectivos termos de sujeição passiva, com ciência individualizada para cada sujeito passivo, as peças de defesa foram apresentadas de forma individualizada. Nesse sentido observase que o recorrente traz ilações quanto à obtenção do suporte probatório pela fiscalização, bem como sobre a legalidade da diligência efetuada na empresa GARANTIA TOTAL LTDA, nos seguintes termos: Através de atos de intimidação e abuso de poder, a douta autoridade fiscal ultrapassou o limite de ordem comportamental a que deveria estar atento. Aliás, pelo que se depreende dos fatos narrados na autuação sobre a forma como foram obtidas as alegadas "provas", é possível constatar que a diligência realizada no estabelecimento da empresa GARANTIA TOTAL LTDA sequer estava amparada por MANDADO JUDICIAL (...) Com isso, para ingressar sem o consentimento, a fiscalização sempre precisará de ordem judicial. No caso em exame prevê o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I–a qualificação do autuado; II–o local, a data e a hora da lavratura; (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I–a autoridade julgadora a quem é dirigida; II, –a qualificação do impugnante; Assim para fins de litigância no âmbito do Processo Administrativo Fiscal PAF, existindo autuação com pluralidade de sujeitos passivos, todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação, conforme 2§§ 3º e 4º do art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, salvo quando haja 2 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. (...) Fl. 6817DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 36 expresso poderes de representação para apresentação de impugnação conjunta, o que não é o caso dos autos. Com efeito, observase que a peça impugnatória não foi apresentada de forma conjunta com a empresa GARANTIA TOTAL LTDA, arrolada também ao pólo passivo da autuação, tampouco há instrsumento procuratório da referida empresa conferindo poderes de representação processeual ao sujeito passivo solidário ora recorrente, logo não assiste razão ao recorrente em pleitear direito de outrem, que embora regulamente intimado, declinou do direito de apresentar a peça processual que instaura o litígio na via admnistrativa. Da fundamentação da decisão de piso Da leitura da decisão de piso constatase que os argumentos trazidos em sede impugnatória foram minudentemente analisados, com fundamentação pertinente à matéria apreciada, seja quanto a preliminar relativa à alegada necessidade de MPF, suscitada pela defesa, seja quanto as demais matérias postas em litígio. Observase ainda que os fundamentos apresentados estão amparados na legislação de regência da matéria, expressamente citada na referida decisão. Cabe também destacar que o recorrente traz transcrições da decisão de piso quanto ao contexto probatório dos autos referentes a outros sujeitos passivos, no entanto a fundamentação da r. decisão deve ser contextualizada e somente se aplica à análise do respectivo sujeito passivo solidário, não cabendo a extensão pretendida. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, as normas emanadas dos princípios constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente em seu Recurso Voluntário. Do Contexto probatório Elencase a seguir de forma exemplificativa alguns dos elementos probatórios acostados ao caderno processual que demonstram o vínculo com relação ao recorrente. 1 SELEÇÃO DE COMISSÁRIA DE DESPACHOS, FL.116; A pessoa física JORGE MACHADO, apresentada formal e documentalmente como Sócio Administrador e possuidor de grande parte das cotas sociais da empresa GARANTIA TOTAL LTDA., NÃO DETEM QUALQUER PODER DE MANDO EFETIVO SOBRE AS QUESTÕES PRINCIPAIS DA PESSOA JURÍDICA, não sendo sequer o responsável pela escolha da comissária de despachos prestadora de serviços de registro e acompanhamento das declarações de importação §3o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. §4o Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. Fl. 6818DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.796 37 apresentadas à Fiscalização Aduaneira em Curitiba: conforme a sequência de mensagens abaixo, iniciada em 19/02/2013, constatase que a palavra final da negociação é dada por PEDRO CASSILDO PASCUTTI, CPF nº 595.867.70982 (pascuttipc@gmail.com), figura central do denominado GRUPO TORLIM e que, formalmente, a teor de seus atos constitutivos, não faria parte da GARANTIA TOTAL LTDA. desde 03/200914; referidas mensagens sequer foram encaminhadas inicialmente à JORGE MACHADO, tendo sido tratadas primariamente com ELIZABETH COSTA, CPF nº 691.949.9886815 (torlimsp@terra.com.br), pessoa presente no local no momento da Diligência e que se identificou verbalmente apenas como prestadora de serviços para a empresa, e de cujo computador foram extraídas as mensagens16;(grifei) Esclarece a fiscalização quanto à participação do Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI: Referida pessoa física, além de constar como tendo sido um dos Sócio iniciais da GARANTIA TOTAL LTDA. (que no seu início adotou o nome empresarial de VISCUTTI ALIMENTOS LTDA.), atualmente, consta ainda como Sócio Administrador da J.V.A. TRANSPORTES LTDA., CNPJ 07.706.110/000112, JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.,CNPJ 09.389.460/000128, e GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 09.445.723/000179, todas pessoas jurídicas que formalmente já teriam feito parte e se retirado do quadro societário da GARANTIA TOTAL LTDA.(grifei). 2 FECHAMENTO DE NEGÓCIO, FL.118 Tela C.16 – Conclusão da tratativa, na qual PEDRO CASSILDO PASCUTTI ordena a JORGE MACHADO o envio das procurações, e à pessoa relacionada ao exportador paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCIÓN (adao@frigorificoconcepcion.com.py) para que efetue o carregamento para Curitiba Fl. 6819DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 38 3 PEDIDO DE COMPRAS PARA, FL.121 O verdadeiro papel da pessoa física JORGE MACHADO e, uma vez mais, o entrelaçamento das entidades formais do GRUPO, também são explícitas na mensagem abaixo, em que o, em tese, dono e administrador da GARANTIA TOTAL LTDA., que se identifica como alguém da área de vendas, tanto desta quanto do exportador paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCIÓN , formaliza pedido que ao fim redundou na DI nº 12/21752067; ocorre que tal DI apresenta a empresa TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ 07.859.642/000513, na figura de importador e adquirente, conforme telas apresentadas na sequência; Fl. 6820DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.797 39 Acrescentese ainda a PRESTAÇÃO DE CONTAS/ APROVAÇÃO DE CONTAS A PEDRO PASCUTTI fl.124, bem como a AUTORIZAÇÃO DE PAGAMENTOS, fl.125 Da natureza confiscatória das multas aplicadas Com relação à violação aos princípios constitucionais da proibição de confisco, razoabilidade e proporcionalidade por forma regimental, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Da inaplicabilidade do art. 112 do CTN Aduz o recorrente: Como já mencionado na presente peça recursal, reiterase que, deveria a douta autoridade julgadora de 1a Instância corretamente sopesar a prova carreada aos autos quanto ao ora Recorrente PEDRO CASSILDO PASCUTTI, considerando os fatos e fundamentos demonstrados em impugnação e reiterados nesta peça recursal. Frente à falta de elementos de prova esclarecedores dos reais motivos para redirecionamento ao recorrente, igualmente há que se aplicar o disposto no ARTIGO 112 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, que assim estatui(...): Notese que a interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN têm pressupostos de aplicabilidade, conforme dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.], os quais não se vislumbram no presente processo, uma vez que se encontra exaustivamente elucidado no Relatório Fiscal, os sujeitos passivos responsáveis solidários pelo crédito tributário em virtude de estar nitidamente aclarado pelo arcabouço probatório trazido aos autos pela fiscalização, o modus operandi e a participação em particular de cada um na situação fática dos autos, restando assim demonstrado por fundamentos fáticos e jurídicos a pertinência da exigência ora em lide, inexistindo portanto dúvida quanto à autoria, natureza da penalidade/gradação ou às circunstâncias materiais do fato e suas consequências. Dos meios de prova admitidos no ordenamento jurídico No que tange à admissibilidade de provas no processo administrativo fiscal, da leitura do Decreto nº 70.235, de 1972, precisamente quanto às determinações do art. 29, Fl. 6821DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 40 constatase que no âmbito da processualística fiscal são admitidos todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção hominis (presunção simples), desde que corroborada por indícios convergentes. A análise do conjunto probatório dos autos permitiu à fiscalização mapear o modus operandi entre as empresas e pessoas físicas autuadas restando evidenciada a natureza simulatória da exteriorização para a Aduana brasileira das operações de comércio exterior relativas às DI objeto da presente autuação. Vale destacar que entre a documentação colhida na ação fiscal e diligência no curso desta, identificou a fiscalização diversas correspondências eletrônicas (emails), acima exemplificativamente transcritas, que explicitam não apenas os fatos, quanto natureza das operações de comércio exterior, mas sobretudo a natureza das relações entre as pessoas físicas e as respectivas empresas, independente de estarem ou não formalizadas. Destaquese o art. 369 do Código de Processo Civil, o qual dispõe: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz Assim, a legislação processual admite todos meios de prova, desde que produzidos de forma lícita. Logo não há no ordenamento jurídico brasileiro, seja em sede constitucional ou infraconstitucional qualquer vedação à admissibilidade processual de mensagens eletrônicas nem previsão que desconstitua o documento eletrônico como meio de prova, o qual deve ser admitido pelo julgador, desde que inequívoca a sua autenticidade. Nesse sentido são pertinentes as considerações de 3Daniel Amorim, abaixo reproduzidas: “O conceito amplo de documento o define como qualquer coisa capaz de representar um fato...Da mesma forma, uma fotografia, uma tabela, um gráfico, gravação sonora ou filme cinematográfico também será considerado documento. Num conceito mais restrito, documento pe o papel escrito. Apesar de o conceito restrito representar a ampla maioria das espécies de documentos na praxe forense, o direito brasileiro adotou o conceito amplo, sendo significativa a quantidade de diferentes espécies de coisas que são consideradas como documentos para fins probatórios no processo.... Até mesmo as representações obtidas por meio eletrônico são considerados documentos, tais como os dados inseridos na memória do computador ou transmitidos por via eletrônica.”(gn). Portanto, o documento de origem eletrônica enquadrase perfeitamente no conceito acima exposto. À semelhança de outras provas, a apreciação dos documentos eletrônicos submetese ao princípio da liberdade de convicção do julgador (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972), segundo o sistema da persuasão racional, no qual, não existem formas absolutas a serem seguidas, que atribuam valor qualitativo aos meios de prova, mas, o julgador tem a faculdade de atribuirlhes o valor, conforme a influência que exercem em sua convicção, devendo motivar esse convencimento. 3 Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.448. Fl. 6822DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.798 41 Diante da norma que preconiza liberdade dos meios de prova, abrigando nesse aspecto a evolução da tecnologia, não há porque se negar efeitos jurídicos, validade ou eficácia à informação apenas porque esteja na forma de mensagem eletrônica. Ademais, ressaltese que o novo Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, preceitua em seu art. 225. “Art. 225 As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão". (gn) A norma legal consagra expressamente a realidade jurídica do documento eletrônico, admitindoo como existente e válido, bastando que retrate ou represente um fato para que ingresse, com o devido reconhecimento, no mundo jurídico. Desse modo todos os meios de prova aduzidos ao caderno processual pela fiscalização são aptos e válidos para a demonstração dos fatos que exteriorizam. Assim decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça: REsp 1381603(2013/00578761 de 11/11/2016) RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. PROVA ESCRITA. JUÍZO DE PROBABILIDADE. CORRESPONDÊNCIA ELETRÔNICA. EMAIL . DOCUMENTO HÁBIL A COMPROVAR A RELAÇÃO CONTRATUAL E A EXISTÊNCIA DE DÍVIDA. 1. A prova hábil a instruir a ação monitória, isto é, apta a ensejar a determinação da expedição do mandado monitório a que alude os artigos 1.102A do CPC/1.973 e 700 do CPC/2.015 , precisa demonstrar a existência da obrigação, devendo o documento ser escrito e suficiente para, efetivamente, influir na convicção do magistrado acerca do direito alegado, não sendo necessário prova robusta, estreme de dúvida, mas sim documento idôneo que permita juízo de probabilidade do direito afirmado pelo autor. 2. O correio eletrônico (email) pode fundamentar a pretensão monitória, desde que o juízo se convença da verossimilhança das alegações e da idoneidade das declarações, possibilitando ao réu impugnarlhe pela via processual adequada. 3. O exame sobre a validade, ou não, da correspondência eletrônica (email) deverá ser aferida no caso concreto, juntamente com os demais elementos de prova trazidos pela parte autora. 4. Recurso especial não provido. Excertos do voto: 2. Cingese a controvérsia em definir se a correspondência eletrônica email constitui documento hábil a embasar a propositura de ação monitória. Na parte que interessa, o acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 6823DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 42 No caso em questão, verificase que as transações comerciais realizadas entre as partes eram feitas por meio de mensagens eletrônicas, portanto, os documentos constantes da inicial devem ser consideradas provas escritas, sem eficácia de titulo executivo, a ensejar a propositura da ação monitória. Além disso, atualmente os emails tratamse do meio mais utilizado para uma simples conversa entre amigos até a realização de algum negócio comercial. Portanto, evidenciase que houve a compra de produtos, no valor de R$ 5.138,29 (cinco mil, cento e trinta e oito reais e vinte e nove centavos) e que a embargante se comprometeu em efetuar o pagamento da referida importância. Ademais, a ora embargante não se desincumbiu em provar a existência de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da ora embargada.(grifei). Da Responsabilização Solidária Prevê o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Constatase que o artigo em análise não aborda situações de simples ação ou omissão do terceiro, mas, sim, atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto dos quais resultem obrigações tributárias. Observese que o sóciogerente é responsabilizado pela sua condição de gerente e não pela sua condição de sócio, já que o art. 135, III, do CTN, elege como terceiro responsável os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado. Nesse mister, podese inferir à luz dos princípios condutores da Hermenêutica que o inciso III do citado artigo trata da responsabilidade dos administradores das pessoas jurídicas, sendo importante destacar que o fundamento dessa responsabilização de pessoas com poderes de gerência não é o fato de ser sócio. Ou seja, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 do CTN, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. À luz desse viés interpretativo, com base no detalhado Relatório Fiscal, cuja referifilidade da provas acostadas pela fiscalização torna inequívoca a situação fática constatada, notadamente quanto ao vínculo de responsabilidade dos sujeitos passivos solidários JAIR ANTÔNIO DE LIMA, na qualidade de diretor presidente da Empresa TORLIM Fl. 6824DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.799 43 ALIMENTOS S/A, principal beneficiária do resultado das operações de importação efetivadas por meio da empresa interposta, GARANTIA TOTAL LTDA, importadora ostensiva nas operações de importação discriminadas na tabela A.3, fl.42 e PEDRO CASSILDO PASCUTTI, administrador de fato da empresa GARANTIA TOTAL LTDA, inferese que ambos tinham capacidade decisória sobre as operações das referidas empresas, com poder de mando, exercendo de fato a gerência ou administração, ainda que tivessem participação minoritária como defende o Sr. PEDRO CASSILDO PASCUTTI. O conjunto probatório dos autos demonstrou portanto o vínculo de responsabilidade em função dos atos praticados acima especificados, no exercício da gerência/administração. Restou assim consignado no presente voto que os Recorrentes permaneceram silentes quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine, limitandose a arguir o vínculo de responsabilidade, desse modo subsiste o vasto conjunto probatório acostado ao caderno processual pela fiscalização. Ante o exposto, VOTO POR, NÃO CONHECER DO RECURSO APRESENTADO POR JPP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e NA PARTE CONHECIDA, REJEITAR AS PRELIMINARES, INCLUSIVE QUANTO AO VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE DOS SUJEITOS SOLIDÁRIOS, CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, JAIR ANTÔNIO DE LIMA e PEDRO CASSILDO PASCUTTI. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator designado Com todo respeito ao voto proferido pela i. Relatora, discordo quanto a manutenção do lançamento fiscal em relação a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio. Inicialmente, é imperioso destacar que a fiscalização incluiu a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio no polo passivo do presente processo, nos termos do artigo 95, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com base nos seguintes fatos apurados: Além disso, conforme também o que consta no Relatório Fiscal anexo à referida autuação, as situações verificadas e a legislação aplicável ao caso permitem responsabilizar, conjunta ou isoladamente, quem quer que tenha concorrido ou tenha se beneficiado da prática das infrações verificadas no curso da Ação Fiscal, motivo pelo qual é constituída a pessoa física CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, CPF 344.819.17873, anterior Sócia da CBR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA., CNPJ 06.145.648/000132, e que foi apresentada como representante legal e vicepresidente da entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCIÓN S/A, principal fornecedor da GARANTIA Fl. 6825DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. 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Restando inconteste nos autos a expedição de documento em nome do exportador com vistas a viabilizar a habilitação da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA. no sistema de comércio exterior. Fato que em última análise contribuiu para a prática das infrações em apreço. Assim, como se observa, não é o parentesco com o Sr. JAIR ANTONIO DE LIMA (filha) o fator determinante para a sua manutenção no pólo passivo da autuação, mas sim a sua contribuição direta junto ao exportador e importador com vistas a viabilizar as operações de importação em análise. Do que se extraí dos excertos acima, é que a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio responde pelas infrações exigidas neste processo por (i) ter participado da habilitação da empresa Garantia Total Ltda. no sistema de comércio exterior; (ii) manter parentesco com o Sr. Jair Antônio de Lima; e (iii) contribuir diretamente junto ao exportar e importador para viabilizar as operações de importação sob análise. Em relação ao primeiro ponto, entendo que tais fatos apurados pela fiscalização, por si só, não se prestam à imputar qualquer responsabilidade a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio, na medida em que a simples participação no processo de habilitação de uma empresa no sistema de comércio exterior que, posteriormente se envolveu em negócios tidos por irregulares, não caracteriza irregularidade passível de punição. Isto porque, são atos distintos e que não se confundem entre si. Do mesmo modo, entendo que o simples fato da devedora solidária manter grau de parentesco com o Sr. Jair Antônio de Lima, presumindo, assim, que ela (devedora principal) teve total conhecimento das irregularidades por ele praticadas, também não pode servir para lhe imputar qualquer responsabilidade. Neste ponto, entendo que a fiscalização deveria ter comprovado a efetiva participação da devedora solidária nos negócios sob análise, o que de fato não ocorreu. Já em relação ao terceiro ponto, insta tecer que a fiscalização também não demonstrou de forma cabal que os atos praticados nas operações tidas por irregulares, tiveram a participação efetiva da devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio, visto que no entendimento deste relator, todos os atos negociais foram praticados pelos demais devedores principal e solidários, especialmente pelos Srs. Jair Antônio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti. Em resumo, entendo que a acusação feita a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio, não foi o bastante para responsabilizála solidariamente por este Fl. 6826DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.722454/201213 Acórdão n.º 3302004.434 S3C3T2 Fl. 6.800 45 crédito, por ausência de fundamentação fática e de elementos probantes nesse sentido, devendo, ser excluída do polo passivo. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para excluir do polo passivo do processo administrativo a devedora solidária Carina Prado Duran de Lima Tibúrcio. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Fl. 6827DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0920.13414.MEU2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR em 11/07/2017 15:25:00. Documento autenticado digitalmente por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR em 11/07/2017. Documento assinado digitalmente por: PAULO GUILHERME DEROULEDE em 11/07/2017, WALKER ARAUJO em 11/07/2017 e MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR em 11/07/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/09/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0920.13414.MEU2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: F3C1A021E6CC94786325FDC54459DB51512255E2E13AA0602F43E21C2275DD02 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15165.720940/2014-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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