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Numero do processo: 14474.000033/2007-72
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2005
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES, VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vicio material, o Relatório Fiscal que não demonstra/explicita de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao
contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2005
PREVIDENCIÁRIO, PRAZO DECADENCIAL. FALTA DE
DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO
ANTECIPADO, CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, se houve ou não antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador,
PROCESSO ANULADO.
Numero da decisão: 2401-001.261
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos: I) em declarar a decadência até a competência 03/2000. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até a competência 11/1999. II) em anular, por vicio material, a NFLD. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por anular a NFLD por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber
Ferreira de Araújo
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2005 RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES, VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vicio material, o Relatório Fiscal que não demonstra/explicita de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO, PRAZO DECADENCIAL. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, se houve ou não antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, PROCESSO ANULADO.
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OMISSÕES, VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vicio material, o Relatório Fiscal que não demonstra/explicita de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO, PRAZO DECADENCIAL. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, se houve ou não antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4,' do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / 1" Turnia Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos: I) em declarar a decadência até a competência 03/2000. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até a competência 11/1999. II) em anular, por vicio material, a NFLD. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), e votou por ési2,1 ~i'j'' anular a NFLD por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo 109 ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente CCAÀ. ) ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora Wkïk - KLEBER FERREIRA DE A À k JO — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 2 Processo n° 14474 000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-01.,261 El 336 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinadas a terceiros, bem como, da parcela relativa aos segurados empregados não descontadas em época própria. O lançamento compreende competências entre o período de 01/1998 a 02/2005 incidentes sobre a remuneração de empregados terceirizados considerados segurados empregados pela fiscalização, devido a desconsideração de empresas de prestação de serviços de representação comercial. Segundo o relatório fiscal a empresa notificada atua no comércio de artigos médicos e hospitalares, não possuía vendedores no seu quadro de funcionários, apesar de tratar-se de uma empresa cujo objeto social é a venda de produtos hospitalares e do seu alto faturamento verificado nos registros contábeis. Descrevem ainda o relatórios fiscais, como elementos para caracterização do vínculo: 1. A inexistência de vendedores registrados como empregados na empresa notificada, sendo que no livro de Registro praticamente não existem vendedores registrados, tendo apenas auxiliares de vendas, 2, A numeração seqüencial das notas fiscais emitidas pelas empresas terceirizadas comprova na maior parte das fatos, que estes prestam serviços exclusivamente a notificada, caracterizando assim o vinculo de exclusividade e subordinação. 3. Os valores dos pagamentos ao vendedores mostram-se constantes, o que demonstra a não eventualidade, sendo que os serviços são ligados a atividade fim da empresa, Os valores considerados nesta NFLD como salário de contribuição foram apurados por meio dos registros contábeis da empresa — contas comissões — e pagamentos a pessoas fisicas e correspondem ao valor da nota fiscal emitidas pela empresa. Relevante destacar que o lançamento foi efetuado 18/04/2005, tendo o recorrente sido cientificado no dia 26/04/2005. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 140 a 145, porém colacionou diversos documentos para demonstrar a inexistência de vínculo entre os representantes e a empresa. O processo foi convertido em diligência para que o auditor traga outros elementos de demonstração da existência de vinculo de emprego, tendo o auditor se 3 ) manifestado as fls 273 a 277, inclusive emitindo relatório fiscal complementar às fls.. 279 a 280, bem como relatório fiscal consolidado às fls. 285 a 287. Devidamente cientificado o recorrente não se manifestou. Foi emitida Decisão-Notificação declarando a procedência total do lançamento, fls. 292 a 299. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações apresentadas em sua defesa: a) Não se nega que a atividade de vendas e atividade fim da notificada, porém cumpre salientar que nem todas as empresas listadas interrnediam o seu negócio, como ocorre com a Bluminpex b) Ademais outras empresas não executam apenas atividades de vendas, como pode-se observar pelos seus atos constitutivos. e) Ademais o exercício de atividade fim, por si só não demonstra a existência de relação de emprego, deve restar demonstrada a subordinação hierárquica. d) 'Também não é a ausência de mão de obra própria e permanente que transformará o representante em empregado e) O contrato de representação comercial é contrato não solene, ou seja, não tem forma especial e o fato da empresa não apresentá- los não torna os ditos representantes empregados da notificada. f) A representação comercial é uma atividade regulado por lei específica que autoriza o representante, a atuar na representação de negócios. g) Não se trata de desvirtuamento da espécie de contratação, ou mesmo de intermediação ilegal de mão de obra Os vendedores das notificadas não atuam nos centros onde atuam os prestadores,. h) A empresa realiza negócios com órgãos públicos, não havendo necessidade de ter empregados para tanto, bastando meros auxiliares de escritório para cumprir tais exigências i) Aceitar que a empresa não pode contratar representantes comerciais e imaginar que ela não pode também terceirizar seu transporte, tendo que contratar empregados diretamente, j) De nada vale comprovar a numeração sequencial de notas, se não comprovada a subordinação k) Na decisão destaca-se que a autoridade foi instada a informar quais seriam os trabalhadores para os quais se restou caracterizado o vínculo, mas limitou-se a dizer que não foi possível, a despeito da empresa ter apresentado vários contratos de prestação de serviços. 1) A não identificação dos trabalhadores torna o débito um verdadeiro absurdo jurídico afirmar que todos os trabalhadores 4y Processo n' 14474000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01.261 Fl. 3.37 vinculados as empresas são trabalhadores assalariados, da notificada, in) Diante de todo o exposto requer seja dado provimento ao presente recurso para reformar a decisão de primeira instância. O processo foi encaminhado a este conselho, tendo a SRP ofertado contra - razões, É o relatório A, (1/5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatara PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 334. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar entendo pertinente a apreciação da decadência, tendo em vista a data da lavratura da NFLD e os fatos geradores nela apurados. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento, O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n" 8"Siio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovai- súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n 766,050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL, TRIBUTÁRIO. ISS ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VALIDADE DA CDA, e #, Processo n° ]4474.000033/2007-72 S2-C4111 Acórdão n." 2401-01,261 Fl. 338 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68, ANALOGIA, IMPOSSIBILIDADE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE, HONORÁRIOS ADVOCATICIOS, FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO, OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA SÚMULA 07 DO STJ DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.. INOCORRÊNCIA, ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN, 1. O hnpo,sto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cuja fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento ,fixo, 2. A lista de serviços anexa ao • Decreto-lei 11, " 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ; publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 7701 70/SC, publicado no DJ de 2 6,10...2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ. de 28.08.2006), 3, Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fálico probatório dos autos, insindicówel ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 7701 70/SC, publicado no DJ de 26.102006; e REsp 44513 7/MG, publicado no DJ de 01,09.2006)„ 4, Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitas em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fálico-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STI).. 5, Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor; seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu ,fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2 628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscinios" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam,: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência, 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4', do CPC (Precedentes; AgRg no AG 623,659/RJ, publicado no DJ de 06,06.2005; e AgRg no Resp 592,430/MG, publicado no DJ de 29,11.2004), 7, A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra k' óbice na Súmula 07, do SEI, e no entendimento sunndado do Pretória Excelso. "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF ).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício . formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9, A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (1) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao Lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por. homologação em que blocam o pagamento antecipado; (ih) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (h) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com .fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (li, Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Linionad, págs. 163/210). 10, Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos, 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 1 73, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular', cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inihtdivehnente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, 4", e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal 12. Por seu turno, nos 8 k/ Processo Tf 14474,000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão n .° 2401-01261 H. 339 casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitas (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 40, do artigo 150, do Códex Tributário, segundo à qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar e.xpres..samente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos DilliZ de Santi, 3" Ed, Max Limonad pág. 170), 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com .fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado, Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação .formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art.. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos DiniZ de Santi, in obra citada, pág. 171). 1.5. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, .judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16.. In casu... (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimpfida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo ,fiscal; (c) a notcação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09..1999. 17 Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 2 7.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18, Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direita Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitas a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar . perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed„, Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito 10 ('/ Processo n°14474 000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão fl.' 2401-01.261 Fl. 340 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4', do artigo 150, do CTN, seguindo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição tesolutória da ulterior homologação do lançamento.. § 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3"- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação § 4' - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do , fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previ denci árias, No caso, a aplicação do art. 150, § 4', é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe retira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4". Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. , No caso ora em análise, observamos a caracterização de vinculo de emprego, tendo em vista a desconsideração do pacto realizado na empresa notificada e as empresas de representação comercial que lhe prestavam serviços. Assim, não há de se falar em antecipação de pagamento, tendo em vista que o recorrente não reconhece os pagamentos efetuados como fato gerador de contribuições previdenciárias. No caso, o dispositivo legal mais adequado a aplicação do instituto da decadência vem a ser o art. 173, I do CTN, De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES, CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO ETC), Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera.. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, ou mesmo qualquer recolhimento mesmo que de fato gerador diverso pela empresa; mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laborai, Não há como engajar-se em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § do art. 150 do CT'N, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art, 173 do referido diploma. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173 do CTN, só passando para o § 4° do art, 150, nos casos em que se comprova o efetivo recolhimento, ou melhor, a antecipação de um recolhimento. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 18/04/2005, tendo o recorrente sido cientificado no dia 26/04/2005. Os fatos geradores 1 2 Processo n° 14474.000033/2007-72 S2-C4T I Acórdão n ° 2401-01261 Fl. 341 ocorreram entre as competências 01/1998 a 02/2005, dessa forma, deve ser declarada a decadência a luz do art, 173, I do CTN até a competência 11/1999. Já quanto ao argumento da recorrente, de que a fiscalização previdenciária demonstrou de forma equivocada a existência de vínculo de emprego para trabalhadores sem vínculo, entendo que razão em parte assiste ao recorrente. Cumpre-nos esclarecer, em primeiro lugar, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. I' da Lei 11M98/2005: Art I o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizai; lançar e normalizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8 212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art. 243, Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Contudo, apesar de possuir toda a autorização legal inclusive para formação de vínculo empregatício para "efeitos previdenciários", entendo que o auditor não logrou êxito em demonstrar da forma devida a caracterização do vínculo de emprego entre as empresas de representação comercial e a empresa notificada. Até concordo que não pode a empresa utilizar mão de obra de terceiros (seja na modalidade de serviços terceirizados, cooperativas, autônomos, ou mesmo pessoa jurídica) na totalidade de sua mão de obra, em se tratando de atividade fim do estabelecimento, porém esse elemento associado aos demais descritos no art. 3 da CLT é que ensejará o enquadramento do segurado como empregado (CONTINUIDADE (NÃO-EVENTUALIDADE), SUBORDINAÇÃO, PESSOALIDADE E ONEROSIDADE. Quanto a esses elementos torna-se simples a autoridade fiscal, demonstrar a continuidade, pessoalidade e onerosidade, com bem o fez, contudo, sem a demonstração da subordinação, não há que se falar na figura de empregado. Entendo que o fato de declarar que a consideração do vínculo e emprego direto entre os trabalhadores deu-se em função das notas de 13 prestação de serviços emitidos por tais empresas e contabilizadas, não é suficiente para determinar a vinculação dos sócios de pessoas jurídicas como empregados na notificada. O que demonstra a existência de uma relação de emprego é a dita subordinação jurídica, que nada mais é do que um conjugado de subordinação horária, disciplinar, cumprimento de ordens, ou mesmo alteridade da prestação de serviços, onde o empregado não pode assumir os riscos do empreendimento. Na forma como descrito pelo auditor e rebatido pelo recorrente não há elementos suficientes para caracterização dos vínculos enquanto empregados. Faz-se necessário trazer outros elementos de prova, seja a descrição de serviços, qualquer elemento que ligue a pessoa fisica dos empresários a execução dos serviços. Às fls. 237 a 243 trouxe o recorrente ações jucidiais de indenização pelo descumprimento de contrato comercial de representação. Na verdade da análise dos autos não é possível identificar como se davam os trabalhos, existia subordinação a horário, definição de metas de vendas, existia que espécie de contrato? Existiu alguma reciamatória trabalhista para corroborar a conclusão do auditor? Restou demonstrado por meio de conversas com os "ditos empregados", elementos de comprovação do vinculo de emprego. São essas informações, é que juntas poderiam demonstrar a existência do vinculo, Era cumprida jornada integral nas empresas cujo vínculo empregatício foi mencionado, ou parte da jornada era cumprida na empresa autuada. Em assim sendo, entendo que não há como manter o lançamento em questão, visto que não restaram devidamente comprovados os elementos ensejadores do vínculo de emprego. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram caracterização do vínculo de emprego. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NF LD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18 a edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: "Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato." Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato_ O motivo, por seu rumo, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de 14 á)) _ . _ Processo n° 14474.000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão n° 2401-01.261 Fl. 342 acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito, Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n (} 8212, CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 1111999, e no mérito voto por ANULAR A NFLD POR VÍCIO FORMAL. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de junho de 2010 _ ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora /LG4_ J 1 5 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito aos critérios para fixação do prazo decadenciã. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. Verifica-se na espécie, conforme consta no Relatório Fiscal da NFLD que os fatos geradores considerados foram as remunerações pagas pessoas fisicas tidas pela empresa como autônomos e caracterizados como segurados empregados pelo fisco, os quais referem-se ao período de 01/1995 a 02/2005. Assim, ao contrário do que manifestou a Relatora, embora o contribuinte não tenha reconhecido a correta incidência de contribuições sobre esses pagamentos, deve-se considerar para fins de fixação do prazo decadencial a ocorrência dos demais recolhimentos efetuados para as competências apuradas. É que nas guias de pagamento previdenciárias não há como identificar a quais fatos geradores as mesmas estão vinculadas. Reforçando, não é demais lembrar que na Guia da Previdência Social — GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único — "Valor do INSS" — todas as contribuições previdenciárias, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as guias por fato gerador específico. Nesse sentido, deve ser aplicado para a contagem do prazo decadencial o critério do art. 150, § 40 do CTN. Assim, verificando-se que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 04/2005, vislumbro que a decadência operou-se para o período de 01/1995 a 03/2000. É esse o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça,, conforme se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp IP 1034520/SP, Relatora: Ministra Temi Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL TERMO INICIAL (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN ART. 173, 0, (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART 150, § 40) PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE', DESPROVIDO. - Peço vênia para concluir de forma diversa no que diz respeito à declaração de nulidade do crédito, posto que, para mim, o vício apontado é do tipo material. Passo a fundamentar, 16 Processo n° 14474.0000.33/2007-72 S2-C4T1 Acórdão a° 2401-01,261 R 343 Para a relatora e para mim também, a autoridade notificante não logrou demonstrar a ocorrência dos pressupostos necessários a caracterização do vínculo empregatício para as pessoas físicas, cujas remunerações deram origem ao presente crédito Sobre essa imperfeição do trabalho fiscal não tenho muito a acrescentar, posto que a Conselheira Elaine Cristina foi feliz na sua análise, concluindo acertadamente quanto à imprecisão do fisco na caracterização da relação empregatícia. Diante desse fato, forçoso concluir que o lançamento fiscal, ao não descrever com precisão as circunstâncias que envolveram a ocorrência dos fatos geradores, violou normas de cogentes que determinam que o ato administrativo de constituição dó crédito tributário deve se cercar de cautela de modo a conferir liquidez e certeza ao quantum lançado e, ainda, propiciar ao sujeito passivo todas as informações necessárias ao amplo exercício do seu direito de defesa Nessa toada, não vejo como possa prosperar tal lançamento, devendo ser declarada a sua integral nulidade Passo a análise do tipo de vício presente na espécie. O vício formal, no entendimento deste julgador, relaciona-se aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Em outras palavras, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Os artigos 1 0 e 1 1 , do Decreto tf 70,235/72, são os exemplos mais nítidos que podemos encontrar a respeito do tema, in verbis: "Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente,- 1- a qualificação do autuado; 11 - o local, a data e a hora da lavratura; III- a descrição do fato,. IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente. 1- a qualificação do notificado; - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação,. III - a disposição legal infringida, .se for o caso,. 17 IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou . função e o número" Ao tratar da matéria, a Lei n° 4.717/65, que regulamenta a Ação Popular, em seu artigo r, parágrafo único, alínea "b", estabelece que o vício formal é: " [. a omissão ou observância incompleta ou irregular de .formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato," Como se observa, o ato administrativo somente terá validade se observados os pressupostos formais, extrínsecos, previstos nos dispositivos legais supra, entre outros, sob pena de ser anulado por vício formal. Repita-se, o requisito formal do lançamento representa a observância dos ditames estabelecidos por lei no momento de sua exteriorização. A jurisprudência administrativa, que se ocupou do tema, é mansa e pacífica nesse sentido, senão vejamos: "PROCESSUAL — LANÇAMENTO — VÍCIO FORMAL — NULIDADE — É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, do Decreto n" 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial improvido." (33 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 201-108717 — Acórdão CSRI/03-01305, Sessão de 09/07/2002) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - VÍCIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INEXISTÊNCIA - Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos .fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, tuna nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do C7N " (8' Câmara do 1° Conselho, Recurso n° 143,020 — Acórdão rf 108-08.174, Sessão 'de . 23/02/2005) (grifamos) O Acórdão n° 107-06695, da lavra do então Conselheiro representante da Fazenda, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, nos traz com muita propriedade a diferenciação entre vício formal e material, nos seguintes termos: "[..1 RECURSO EX. OFFICIO — NULIDADE DO LANÇAMENTO — VICIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional — CIN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, 18 Processo n° 14474 000033/2007-72 S2-0111 Acórdão n.° 2401-01.261 Fl 344 sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elemenots básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou /unção e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matriculai.] " (7' Câmara do 1' Conselho de Contribuintes — Recurso n° 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade a autoridade fiscal descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível," Aliás, o artigo 37 da Lei n" 8,212/91, com mais especificidade, impõe ao fisco que discrimine clara e precisamente os fatos geradores do débito constituído, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos ,fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento."' (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei n° 9.784/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade. "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e Andamentos jurídicos [. §1"A motivação deve ser explícita, clara e congruente [ Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá a autoridade fiscal descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício mateniaL 19.7A Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex- presidente do 1 0 Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra "O Vicio Formal no Lançamento Tributário", nos seguintes termos: „r O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizar-se mero vício . formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato .jurídico, requisito fimdamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática." (Urres, Heleno Taveira et al. — coordenação "Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados — São Paulo : Quartier Latim, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: " PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar-, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Trata-se, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência." (1° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso n° 132.213 — Acórdão n° 101-94049, Sessão de 06/12/2002, unânime) "LANÇAMENTO — NULIDADE - VICIO MATERIAL — DECADÊNCIA - Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do ,fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, sç 4, do C7/V." (2° Câmara do 1° Conselho, Recurso IV 138.595 — Acórdão n° 102-47201, Sessão de 10/11/2005) Antes de fechar a questão, cabe aqui fazer um parêntese, relativamente ao efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vicio formal ou material. No primeiro caso, na forma proposta pela nobre relatora, o prazo decadencial é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, É o que se extrai do artigo 173, inciso II, do CTN. Por outro lado, tratando-se de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4°, do CTN, ou do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratando- se dos artigos 173 do CTI\L Ou melhor, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial acima estipulado, 20 Processo n 0 14474.000033/2007-72 S2-C4T1 Acórdão n,' 2401-01.261 FI 345 Assim, deve ser declarada a nulidade do lançamento, por vício material, em observância à legislação de regência, mais precisamente do artigo 142 do CTN e demais dispositivos das Leis 8,212/91 e 9384/99 encimados, uma vez que referida incorreção contamina a exigência fiscal, tomando-a precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto, voto pelo reconhecimento da decadência para as competências de 01/1995 a 03/2000 e no sentido de declarar a NFLD integralmente nula por erro/vício material, posto que o lançamento sub examine encontra-se em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria. Sala das Sessões, em 09 de junho de 2010 \kkâU - KLEBER FERREIRA DE A P. 11:LIO — Redator Designado 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA Reèí'''1,1" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISJY QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo 14474.000033/2007-72 Recurso n': 147,361 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se °(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado , junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.261 Brasília, 9 de agosto de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [J Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000544/2001-36
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA, CSLL.
Urna vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06,08, a Súmula Vinculante n° 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma.
Recurso do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9101-000.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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CSRF-T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10882.000544/2001-36 Recurso n° 181,829 Especial do Procurador Acórdão te 9101-00.677 — 1 8 Turma Sessão de 31 de agosto de 2010 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERSA PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA, CSLL. Urna vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei if 8,212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06,08, a Súmula Vinculante n° 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma. Recurso do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos ternios do relatório e voto que integram o presente julgado. A (AA/ CARLOS ALBER 9 ITAS 13 - Relatar. EDITADO EM: 8 NOV 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe recurso especial, insurgindo-se contra o acórdão n" 105-14.178, proferido pela Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência do lançamento de CSLL O recurso foi interposto com fulcro no art, 7', inciso 1, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 147/2007, que continha previsão para o Procurador da Fazenda Nacional interpô-lo em caso de "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova". Alega à douta PFN que ao acolher a decadência suscitada, a decisão foi contrária à lei, e pede sua reforma, pelos argumentos que aduz. É o relatório 2 Processo n" 10882 000544/2001-36 Acórdão n 9101-00.677 CSRF-T1 F.. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O presente recurso foi interposto com base nos permissivos do art. 7, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n. 147/2007, tendo a D. Procuradoria da Fazenda Nacional demonstrado fundamentadamente o dispositivo de lei contrariado pelo acórdão, atendendo, portanto, o pressuposto para sua admissibilidade, razão pela qual o conheço. Conforme se depreende do Relatório, cinge-se a controvérsia ao acolhimento pelo acórdão recorrido da preliminar de decadência para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, tendo em vista o fato de a ciência do lançamento ter sido dado ao contribuinte quando já decorridos mais de cinco anos dos fatos geradores, A questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8,212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social Entretanto, ante a Súmula Vinculante n° 08 editada pelo E. Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência e prescrição de crédito tributário, o recurso ora interposto não deve ser conhecido, eis que prejudicado o argumento da D. Procuradoria em relação ao malferimento do art. 45 da Lei n°, 8,212/91, porquanto, todos os atos praticados com base no referido dispositivo estão eivados de iliceidade, tendo em vista ter o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso, Dessa forma, por encontrarem-se não só os órgãos do Poder Judiciário, mas principalmente a Administração Pública Direta e Indireta vinculada à referida súmula, voto no sentido de não conhecer do recurso especial. Sala das Sessões, .31 de agosto de 2010. VATMIR SANDRI Relator 3
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Numero do processo: 11020.005876/2008-96
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.208
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 405 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 09/09/2008. Foram lançadas contribuições sobre serviços contratados por intermédio de cooperativa de trabalho. Seguem transcrições de alguns trechos pontuais do relatório fiscal que melhor sintetizam os fatos e a lide: Relatório Fiscal 4 Constituem Fatos Geradores das contribuições lançadas: 4.1 Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente crédito previdenciário foram apurados com base nas faturas de cooperativas de trabalho, na área médica, pela Unimed Nordeste RS. 4.2 — As faturas, acima citadas, foram lançadas em sua contabilidade, na conta n° 1.1.3.01.00005 — Associados Conta Unimed. 4.3 — Conforme os Contratos de Assistência Médica de ifs 424.968/99 2 e 430.851/004 e Termo de Adesão 4617 e 4616, no Capítulo Quinto, Cláusula Vigésima Sexta, letra "b", de ambos contratos, define os Atos Cooperativos Principais ACP, como a remuneração dos serviços médicos. 4.4 As bases de cálculo encontramse demonstradas no "DAD Discriminativo Analítico de Débito", e no "RL Relatório de Lançamentos", anexos ao Auto de Infração, contendo informações por tipo de levantamento e por competência. 5 — Foi criado o "Código de Levantamento" para os lançamentos do crédito previdenciário: COO Cooperativa de Trabalho Médico — não declarado em GFIP. ... 7 A alíquota aplicada foi de 15% sobre o valor referente ao ACP Ato Cooperativo Principal, constante em campo próprio da fatura emitida pela Unimed. Segue transcrição da ementa e trechos do acórdão: AÇÃO JUDICIAL. .ÔNUS DA PROVA. A impugnante não se desincumbiu do ônus que lhe cabia, relativo à comprovação da abrangência da ação judicial e seus efeitos no presente processo, uma vez que não foi anexada cópia da petição inicial, conforme determina a legislação que trata da matéria. 2. CONSTITUCIONALIDADE. É vedada à Administração Pública a apreciação de matéria relativa à constitucionalidade e à legalidade das leis. 3. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configurado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autuação e os discriminativos que a compõem contém todos os requisitos para sua validade. 4. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. A base de Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 406 3 cálculo correspondente aos serviços prestados pelos cooperados decorre de previsão legal específica. 5. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Código Tributário Nacional CTN. Decadência não configurada. 6. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÕES. Discriminados, na nota fiscal/fatura de prestação de serviço, o valor correspondente aos serviços dos cooperados, não há reparos a serem feitos na base de cálculo. 7. ISENÇÃO. Não comprovado o cumprimento dos requisitos legais necessários para que a empresa usufrua da isenção das contribuições patronais previdenciárias. 8. PERÍCIA. Indeferido o pedido de perícia formulado em desacordo com a legislação. Prescindível a perícia, quando a solicitação deixa de indicar os pontos que pretende sejam esclarecidos, e, sobretudo, quando visa o exame de documentos que poderiam ter sido juntados por ocasião da impugnação. 9. ACRÉSCIMOS LEGAIS. São devidos os juros e a multa, sobre o valor originário do crédito, ambos de caráter irrelevável. 10. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspende a exigibilidade do crédito tributário a apresentação de impugnação tempestiva. O direito de lançar o crédito tributário não se confunde com o de exigir a contribuição em tela, o qual só se inicia ao término da discussão administrativa, podendo a decisão final, a ser proferida na ação judicial, relativa à constitucionalidade da exação interferir, posteriormente, no desfecho a ser dado ao presente processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Da análise das faturas anexadas, constatase ter havido a discriminação dos valores dos serviços prestados pelos cooperados, na medida em que os valores do campo "ACA" dizem respeito aos materiais e equipamentos utilizados, enquanto os valores do campo "ACP", correspondem aos serviços médicos. As bases de cálculo indicadas pela empresa como corretas, correspondem aproximadamente a 30% do valor das faturas. Contudo, somente poderia ter sido utilizada a base de cálculo de no mínimo 30% do valor da fatura de prestação de serviço, na ausência de discriminação na fatura do valor relativo aos materiais utilizados ou do valor dos serviços prestados pelos cooperados, o que não ocorreu no presente caso. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: Aduz tratarse de entidade sem fins lucrativos de caráter assistencial, atuando no sentido de congregar pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades comerciais, industriais ou de prestação de serviço. Alega, em preliminar, a nulidade da autuação por ter deixado de observar os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72, tendo sido considerado, equivocadamente, como base de cálculo, o valor informado no campo Ato Cooperativo Principal — ACP, desconsiderando os valores informados no campo "dados Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 407 4 complementares". A imprecisão e a falta de clareza na descrição dos fatos impossibilita à impugnante a correta identificação dos valores exigidos, acarretando cerceamento do direito de defesa. A base de cálculo utilizada resulta, igualmente, em violação ao princípio da legalidade, insculpido no caput do artigo 37 da Constituição Federal CF, e artigo 142 Cio Código Tributário Nacional CTN, ao afastar o ato vinculado da lei, e em exigência de tributo ou penalidade tributária sem lei, conforme vedado pelo inciso I do 150 da CF. Impõese assim, a anulação da autuação, uma vez que não enseja a obrigação tributária, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa. Ainda, em preliminar, aduz terem sido atingidos pela decadência os valores lançados nas competências anteriores a 08/2003, à luz do que prescreve o parágrafo 4° do artigo 150 combinado com o caput do artigo 173, ambos do CTN. Ademais disso, o Supremo Tribunal Federal STF, através da Súmula Vinculante n° 08/2008, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/77. No mérito, alega impossibilidade da incidência de contribuição tributo previdenciária sobre os serviços prestados por cooperados, pelo fato de tratarse a autuada de instituição sem fins lucrativos, de natureza assistencial, cuja incidência tributária é vedada pela alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, da CF. Entende estar perfeitamente enquadrada nos requisitos legais previstos para usufruir da imunidade constitucional, pois tratase de instituição que atua na área da assistência social, principalmente de promoção do setor da indústria e comércio, destinando o eventual resultado para a manutenção e desenvolvimento de seus objetivos, conforme comprovam os documentos em anexo. Afirma que ao longo de mais de 20 anos, vem utilizandose do benefício fiscal da imunidade, mesmo antes do disciplinamento da matéria através da alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, combinado com o parágrafo 7° do artigo 195, ambos da CF, os quais exigem o cumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN. Aduz a necessidade de previsão em Lei Complementar dos requisitos legais sobre a matéria da imunidade. Ressalta a posição dos Tribunais pela não incidência de tributos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da entidade de assistência social que desempenhe funções supletivas do Estado e pela imunidade sobre as receitas obtidas por estas entidades, quando revertidas em prol de suas finalidades (Súmula 724). O Superior Tribunal de Justiça STJ, vem entendendo ser cabível a aplicação dos requisitos previstos na Lei n° 8.212/91, somente às fundações e associações constituídas após a vigência desta Lei, em razão de terem adquirido o direito à imunidade em data anterior a edição desta Lei e dos Decretos n°s 752/93 e 2.536/98, ao preencherem os requisitos da Lei n° 3.577/59 e do DecretoLei n° 1.572/77. Aduz ter reunido todas as condições, objetivas e subjetivas, para o gozo da imunidade tributária, sendo imprópria a presunção da fiscalização de que a atividade de assistência social desenvolvida pela impugnante não estaria ao abrigo da imunidade tributária. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 408 5 Afirma que os documentos anexados comprovam que a impugnante é tida como entidade beneficente de assistência social, em pleno gozo da imunidade constitucional, o que deve ser reconhecido pela fiscalização fazendária. As conclusões do relatório fiscal são unilaterais, sem qualquer dado objetivo que as ampare, especialmente em relação à natureza dos serviços prestados pela impugnante. Não há nenhum indicativo de que as atividades desenvolvidas se caracterizem como sem fins lucrativos. Afirma ser inconstitucional a contribuição em tela, em razão de ter sido estabelecida por lei ordinária afrontando a alínea "a" do inciso III do artigo 146 da CF. Entende estar incorreta a base de cálculo adotada pela fiscalização, com base nos valores informados como Ato Cooperativo Principal, sendo o correto os valores informados no campo "dados complementares". Requer a realização de perícia para apuração dos valores que entende devidos. Elenca algumas competências com divergência de valores. Aduz que a multa de até 60% sobre os valores das contribuições tidas como devidas, levando em conta as atuais taxas de inflação, configura se confiscatória, tendo também incidido, ilegalmente, a correção monetária sobre a penalidade cominada, cuja insubsistência vem sendo considerada pela jurisprudência, devendo ensejar a revisão dos cálculos. Indevidos também os juros aplicados sobre a correção monetária. Conforme se depreende do artigo 161 do CTN, somente ocorre a permissão da cobrança simultânea dos juros (SELIC) com correção monetária e da multa, sem autorizar a possibilidade da cobrança dos juros sobre a multa, sendo, portanto, ilíquidos os cálculos da peça fiscal. Informa estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em razão da existência de decisão judicial proferida pelo STF, na Ação Cautelar n° 1.9745, relativa ao Mandado de Segurança n° 2000.71.00.024970 5 (1 Vara Federal do Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre/RS) impetrado pelo Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande de Sul — CIERGS, do qual a impugnante é associada desde 30/08/2000. E mais que: Considerando os termos da r. decisão recorrida, convém observar que embora conste faturas com divergência entre os valores indicados no campo ACP com aqueles indicados no campo Informações Complementares, estes são aplicáveis, posto que, ao contrário das conclusões apontadas pela r. decisão, o valor do ACP não é composto unicamente pelos serviços médicos, mas também pelos serviços hospitalares, com atendimentos em hospitais da rede UNIMED, laboratoriais, CDI UNIMED e plantões de urgência. Ao revés, os valores mencionados nos Atos Cooperativos Auxiliates ACA referem se a despesas de terceiros, que não compõem a rede UNIMED. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 409 6 Observase ainda que as divergências apontadas pela r. decisão recorrida normalmente são constatadas nas faturas correspondentes ao valor da mensalidade. Isto porque é nesta fatura que ocorre a cobrança dos valores das despesas relacionadas aos serviços médicos, serviços hospitalares, laboratoriais, plantões de urgência e CDI UNIMED, que estão compreendidos na rede UNIMED (ACP), e os serviços de terceiros (ACA), através da projeção do custo operacional. Desta forma, em virtude desses valores não corresponderem à efetiva prestação dos serviços, mas ao valor da mensalidade, a base de cálculo da contribuição tributoprevidenciária é apurada na proporção de 30% (trinta por cento) do valor integral da nota fiscal. Nas demais faturas, em que há a cobrança das diferenças pela utilização dos serviços fora da área de cobertura da UNIMED NORDESTE RS, o valor indicado a título de ACP referese exclusivamente a serviços médicos. Em razão disto, o valor do ACP é a própria base de cálculo da contribuição tributoprevidenciária. É o Relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005876/200896 Resolução n.º 2402000.208 S2C4T2 Fl. 410 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. Alega a recorrente impropriedade da base de cálculo considerada pela fiscalização coincidente com os valores registrados nas faturas de serviços emitidas pela cooperativa no campo ACP – ato cooperativo principal. Defende que nele são incluídos entre outros os custos hospitalares e ambulatoriais e que o correto seria adotar como base o valor discriminado no campo “Informações Complementares”. Justifica que somente há coincidência entre os dois valores nas faturas de cobrança exclusivamente das diferenças pela utilização dos serviços fora da área de cobertura da cooperativa. Por outro lado, a fiscalização justifica a adoção do valor no campo ACP – ato cooperativo principal pela interpretação do contrato de prestação de serviço: b) Mensalidade: a ser pactuada no ato da assinatura do Termo de: Contratação, Opção e Adesão a ser paga. no respectivo mês. Os Valores de pagamento de mensalidades, aqui previstos, são cálculos atuariais próprios da CONTRATADA, proporcionalmente destinados à remuneração dos atos cooperativos principais (serviços médicos) e ao ressarcimento dos atos cooperativos auxiliares (Serviços indispensáveis ao atendimento médico, tais como despesas hospitalares, laboratoriais, de raiox e de urgência) e dos custos administrativos. Considerando a informação prestada pela cooperativa às fls. 393, responsável pela emissão das faturas, de que o valor no campo ACP – ato cooperativo principal também contempla todos os custos quando o serviço é prestado pela rede própria do cooperado, UNIMED Nordeste/RS, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência a fim de que a fiscalização se manifeste sobre as informações prestadas pela cooperativa e, após, também o recorrente para suas considerações finais. Voto no sentido de converter o julgamento em diligência. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003012/2008-58
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/11/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.207
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/11/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.006457/2007-39
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/04/2007
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.` 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido.
NCrédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.973
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2099 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/04/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.` 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido. NCrédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:01:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:01:14Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:01:14Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:01:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:01:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:01:14Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:01:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:01:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:01:14Z; created: 2010-06-16T12:01:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-06-16T12:01:14Z; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:01:14Z | Conteúdo => S2-C3T1 ri 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS )) ) SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 10380.006457/2007-39 Recurso n° 159.726 Voluntário Acórdão n° 2301-00.973 — r Câmara I 1.° Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DIRIGENTE PÚBLICO. Recorrente URIAS ALVES MOREIRA - Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/04/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.` 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido. NCrédito Tributário Exonerado. \. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CAR_F n° 83 ( 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos [\recursos repetitivos. t [ r \ I ', , r‘11 t r _‘.,,Lik. C SA yLo JUAN/ R. VIEIRA GOMES Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior Julio César Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de auto-de-infração lavrado em desfavor de sujeito passivo na condição de responsável pessoal atribuída pelo art. 41 da Lei n ° 8.212/91, em virtude de infração à legislação previdenciária. Apôs impugnação e decisão desfavorável, interpôs recurso voluntário para que seja afastada a sua responsabilidade pessoal pela infração. Cabe ressaltar que se adotará no julgamento o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a todos os demais recursos repetitivos incluídos na mesma pauta de julgamento: 84 - Recurso a' 147.250 Processo n' 13558.000689/2007-01 Recorrente:- WAGNER RAMOS -DE MENDONÇA- Recorrida: SRP-SECRETA RIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA É o relatório. . Voto • Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso lido CTN. . A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. 2 Processo no 10380.006457/2007-39 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.973 Fl. 2 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n` 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional - CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definido como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "h" do CTN. A Medida Provisória 11 0 449/2008 ,449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n° 8.212191, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva t ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo, em função da MP n ° 449/2008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sepc emSs - ' 25 de janeiro de 2010., , n ' I ) t1\ til; n JULIO CES'AR y IRA GOMES - Relator • -çode.k, (Folha rP %+'11 5:5+ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO— TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01— BL. "P' — ED. ALVORADA—ir ANDAR— CEP 70396-900 — BRASÍLIA — DF liame Page: hetps://carEfazenda.gov.br Recurso: 159726 Processo: 10380.00645712007-39 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no artigo 11, inciso VII, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n.° 2301-00.973 Brasília, 30 de março de 2010 Patricia AlnSa Proença e Silva Chefe da Secretaria da r Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ I Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10711.006547/2004-98
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, ern converter o
julgamento do recurso em diligência A Procuradoria da Fazenda Nacional.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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I Fl 488 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10711,006547/2004-98 Recurso n° 506.517 Rest/WO° n° .3101-00.118 — 1° Câmara / I° Turma Ordinária Data 27 de outubro de 2010 Assunto Diligencia fl Procuradoria da Fazenda Nacional Recorrente MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos es presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, ern converter o julgamento do recurso em diligência A Procuradoria da Fazenda Nacional. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator. EDITADO EM: 23/12/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corinth° Oliveira Machado, Elias Fernandes Eufrisio, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarisio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relató rio Cuida-se de recurso voluntario contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que rejeitou [ I ] manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuição para o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf) do período de novembro 1994 a julho 2003 [2], recolhida para o ressarcimento de despesas administrativas corn os serviços de fiscalização aduaneira ern terminal retroportuário alfandegado (TRA). I Inteiro teor do acórdao recorrido üs folhas 315 a 320 (volume 11). Aviinado diqitatrnonte i?rn 2.0clido:doTestituiçacr;protocoladort inCl0aieX1eZartdarcude g01311 ,,Efo1has.br241.1EIRO TOR RES Autenticado di0italmente em 23112/2010 por TARASIO CAMPELO BORGES EmlUic em 05/01/2011 pelo Ministdrio oa Fézencla 11 2 DE CARP; MP Processo 10711.006547/2004-98 S3-C11 1 Resoluçao n 3101-0%118 Fl 489 Aduz a peticionaria que a contribuição para o fundo especial instituído pelo Decreto-lei 1.437, de 17 de dezembro de 1975, artigo 6° el, estabelecida pelo Secretário da Receita Federal com base no artigo 566 do RA 1985 [ 4] [I, que regulamenta o artigo 22 do Decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976 el tem natureza tributiria mas "tal gravame no se mostra adequado ao Sistema Jurídico Positivo, pois apresenta vícios de ilegalidade e de inconstitucionalidade" [7], porque "instituída por pessoa incompetente, por veículo inadequado e recai sobre materialidade inatingível por gravames tributários" [ B]. Ampara seu pedido, principalmente, no artigo 150, inciso 1, da Constituição da República [ 9] e nos artigos 3° [ia], 45 [u ] e 97, inciso IV [ 12] [53 ], do Código Tributário Nacional. 3 DL 1.437, de 1975, artigo 6°: Fica instituido, no Ministério da Fazenda, o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalizagao - FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reapareihamento e reequipamento da Secretariu da Receita Federal, a atender aos demais encargos especllicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalizaçao dos tributos federais c, especialmente, a intensificar a rcpressao ás infragaes relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituiçao de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais (Parágrafo único.) O FUNDAF destinar-se-4, também, a fornecer recursos pare custear: (a) o funcionamento dos Conselhos de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, inclusive o pagamento de despesas com diaries e passagens referentes aos deslocamentos de Conselheiros e da gratificaçao de presença de que trata o parágrafo único do art I° da Lei re 5708, de 4 de outubro de 1971; (b) projetos e atividades de interesse ou a cargo da Secretaria da Receita Federal, inclusive quando desenvolvidos por pessoa jurídica de direito público interno, organismo internacional ou administraçao fiscal estrangeira (parágrafo único incluIdo pela lei 9,532, de 1997) 4 RA 1985, artigo 566: 0 Secretário da Receita Federal estabelecera a contribuiçao que sera devida ao Fundo de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalizagao - FUNDAF, criado pelo Decreto-Lei n' 1 437, de 17 de dezembro de 1975, pelos permissionários de entreposto aduaneiro de uso público, de lojas francas e de outros locais alfandegados, e pelos beneficiários do regime de transit() aduaneiro ou de outros regimes aduaneiros especiais ou atípicos, se for o cam (§ 11 O Secretário da Receita Federal poderá dispensar da contribuiçao de que trata este artigo os permissionfulos do regime de entreposto aduaneiro na exportaçao. (§ 2°) A contribuiçáo destina-se ao ressarcimento das despesas administrativas com os serviços de fiscalizaçao decorrentes das permissaes, concessaes e beneficios autorizados. 5 IN SRF 45, de 1977, atualizada pela IN /SRF 14, de 1993, com vigancia e eficacia validada pole IN SRF 85, de 2000, que previu "a definiçao de fato gerador, dos sujeitos passivo e ativo da relaçao obrigacional, o critério temporal para o recolhimento da Contribuiçao, a fixaçao das bases de cálculo e allquotas, bem coma a penalidade no caso de recolhimento em atraso ou nao recolhimento" (pedido de restittsigao, folha 8, ultimo parágrafo, e folha 9, primeiro paragrafo) . Em complementa a sistemática anterior, nova modalidade de recolhimento foi institufda pelas IN SRF 38, de 1995, IN SRF 37, de 1996 e IN SRF 48, de 1996 6 DL 1.455, de 1976, artigo 22: 0 regulamento fixará a forma de ressarcimento pelos permissiontirios beneficiários, concessionários ou usuários, das despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalizaçao, nos casos de que tratam os artigos 9° a 21 deste Decreto-lei, quo constituirá receita do Fundo Especial de Desenvolvimento c Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalizaçao - FUNDAF, criado pelo Decreto-lei número 1.437, de 17 de dezembro de 1975 7 Pedido de restituiçao, folha 3, segundo parágrafo. Pedido de restituktio, folha 17, terceiro parágrafo. o Constituiçao da República, artigo 150: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado Uniao, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (I) exigir ou aumentar tributo sem lei que o Assinado diaikimente em :CStabOleo;a4ARASIO CAMPELO BORGES 05/0112011prHENRIQUE PINHEIRO TOR RES Autenticaclo cloilalmenie em 2311212010 por TARASIO CAMPELO GORGES 2 Einitido em 0d10112011 paid kltnistério da Fazenda DF CAR(' MF FI, 3 Processo n° 10711 00654712004-98 S3-C1T 1 Resolução n *3101-00.118 Fl 490 Indeferido o pedido pelo competente órgão da Receita Federal [ 14 ], tempestiva manifestação de inconformidade, com as razões de folhas 181 (volume I) a 208 (volume 11), ataca o indeferimento e reprisa os fundamentos do pedido inicial. Submetido o litígio à DRJ Florianópolis (SC), esta entendeu a matdria estranha competência dos órgãos judicantes de primeira instância administrativa em despacho com o seguinte teor: De acordo com o estabelecido no art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, conforme o anexo V (alterado pela Portaria n° 6174 de 7/12/2005) do mencionado Regimento, a competencia desta Delegacia é para o julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais de determinação e exigencia de créditos tributários, dos relativos a exigência de direito antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativo, a restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, it suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados peta SRF. Dessa forma, de se concluir que o pedido formalizado diz respeito a matéria cuja competência para julgamento não se encontra afeta as Delegacias de Julgamento, razão pela qual, deve o presente processo ser encaminhado, em devolução, para a unidade de origem. C 51 Com o intuito de definir o órgão competente para o enfrentarnento da demanda, a Divisão de Tributação da 7' RF formulou consulta dirigida à cosit [16] indagando se esse pedido de restituição deve ser processado com o rito do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, ou o da Lei 9,784, de 29 de janeiro de 1999. CTN, artigo 3°: I ributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituida em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada C IN, artigo 4 0: A natureza juridica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respective obrigação, sendo irrelevantes para qualifica-la: (I) a denominação e demais características formais adotadas pela lei; (II) a destinação legal do produto da sua arrecadação CTN, artigo 97: Somente a lei pode estabelecer: (I) - a instituição de tributos, ou a sua extinção; (III) a definição do fato gerador da obrigação tributaria principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3 ° do artigo 52, e do seu sujeito passivo; (IV) a fixação de aliquota do tributo e da sua base de calculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; [ ..] (§ 1 °) Equipara-se á majoração do tributo a modificação da sua base de calculo, que importe em torná-lo mais oneroso. [..J , 13 O artigo 57 do C IN foi revogado pelo DL 406, de 1968. Os artigos 21, 26, 39 e 65 cuidam de casos especiais relativos ao impostos incidentes sobre: importação, exportação, transmissão de bens imóveis e operações financeiras Indeferimento do pedido as folhas 174 a 177 (volume I), com expressa abertura do prazo de trinta dias para recorrer dessa decisão perante a DRJ Florianópolis (Sc). Despacho DIU Florianópolis (SC) acostado a folha 209. Assinado cii niaimerito jAilateirchteolOa -consultasiolhas2:12kal21S:.s 05/01/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Adnan:icado digitatmen1:-.) en) 23 1 1212010 por TARASIO C./IMPEL.° BORGES 3 Emitido 5/01/2011 pen.) tv1inistririo da Ftard Is DI; CART' MP FL 4 Processo n° 10711.006547/2004-98 Resoloot) n° 3101-00,118 83-C11 / 11 491 Sobre esse tema, a Solução de Consulta Interna Cosit 9, de 30 de abril de 2007, conclui: 15, Diante do exposto, conclui-se que as URI não têm competência para apreciar manifestaçães de inconformidade contra decisães proferidas pelas autoridades administrativas da SRF que indeferem pedidos de restituição de quantias referente ao Fundaf, devendo essas manifestag8es serem apreciadas pela instância rcvisional a que estão sujeitos os atos administrativos em geral praticados pelas referidas autoridades administrativas, nos termos do art, 56, § 1°, da Lei n° 9.784, de 1999, qual seja, pelo titular da SRRF da respectiva região fiscal [ 171 Não satisfeita, a interessada interpbe recurso administrativo com pedido de reconsideração [ 18], apoiada no artigo 56 e seguintes da Lei 9.784, de 1999. Preliminarmente, reclama não ter tomado ciência do despacho da DM Florianópolis (SC) em que declina de sua competência no julgamento desse assunto, e pronuncia: "Essa conduta fere o principio do contraditório e da ampla defesa, maculando de ilegalidade e inconstitucionalidade GS atos praticados em data posterior no presente processo." Ainda em sede de preliminar, assevera que a matéria litigiosa é da competência das DRJ, com o rito do Decreto 70.235, de 1972, "porque os valores recolhidos ao FUNDAF possuem, claramente, natureza de tributo, eis que subsumem aos ditames do art. 3°, do CTN." [21 No mérito, repete os argumentos iniciais e pede a reforma do indeferimento do pedido de restituição. Pedido de reconsideração rejeitado, "por falta de amparo legal" da pretendida restituição 1211 Antes da apreciação do recurso administrativo pela autoridade administrativa hierarquicamente superior, a DRJ Florianópolis (SC) solicitou a devolução dos autos deste processo administrativo "para atender à sentença proferida no Mandado de Segurança n° 2009.72.005442-0/SC" [22] L i Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão resumidos no excerto que transcrevo: 17 Inteiro teor da solução de consulta as folhas 225 a 228. Petição acostada as folhas 239 a 276 (volume II). 19 Recurso administrativo, folha 242, Ultimo parágrafo. 2° Recurso administrativo, folha 243, segundo parágrafo. 21 Pedido de reconsideração rejeitado is folhas 305 e 306 (volume II). 12 Memo Gab/DRF/FNS 9, de 6 de agosto de 2009, acostado a folha 307 (volume II) 23 Mandado de segurança às folhas 308 a 312. Dispositivo da sentença: "Ante o exposto, concedo a segurança para determinar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que da seguimento ao julgamento da Manifestação de Inconforrmidade apresentada pela imperiante no processo administrativo n° 10711.006547/2004-98, solicitando a remessa dos autos ao árgáo em que se encontra. Custa Assinado digitalmente em Zr loge; SPrnihotIordrios achrocaticiosc(Stimultts12/.211i :10.51B1?JPJJE PINHEIRO TOR RES Autenticado digitalinente em 23/ 12/2010 por TARASIO CAtv1PELO BORGES 4 tido em 05101/2011 pelo MInister lo da Fazenda DF C,ARF MV Process() n° 10711.006547/2004-98 S3-CITI Resolwilo n '3101-01118 Fl 492 Como visto, o julgamento do presente processo, [-.), se faz por força de determinação judicial, não mais se discutindo, portanto, a competancia das Delegacias de Julgamento para apreciar a matéria ern questão, [...). cristalino, nem poderia ser diferente, o fato de a interessada pautar suas argtliçães partindo do pressuposto de que a Contribuição em caso tem natureza tributária e, como tal deveria ter sido tratada. Em síntese, para a interessada, toda a construção legislativa tratando referida Contribuição encontra-se viciada de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Ora, Como se sabe, a autoridade julgadora administrativa é impedida de enveredar em seara que trata da inconstitucionalidade das normas legais e da ilegalidade dos atos administrativos e normativos. Isto, por ser matéria reservada, com exclusividade, ao Poder Judiciário. Ademais, causa estranheza a insólita pretensão da interessada, pois, para atuar como permissionária de serviços públicos de movimentação e armazenagem de mercadorias, por certo era sabedora de que, após os procedimentos prévios para escolha da empresa, para fins de início das pertinentes atividades é celebrado o devido contrato, o qual traz todas as condiçOes em que o mesmo sera operacionalizado, inclusive naquilo que respeita a sistemática de recolhimento devido ao Fundaf, instituído pelo Decreto-lei n° 1.437, 17/12/1975, destinado ao ressarcimento das despesas administrativas relativas ao serviço de fiscalização aduaneira. A administração dos recintos são sempre precedidos da celebração de contratos no âmbito dos quais são estabelecida a sistemática e fixados os percentuais para fins de calculo dos valores a serem ressarcidos pela pelmissioniria que administrará o recinto alfandegado. Todo o recolhimento, com certeza, se fez em estrita observância ao estipulado nos pertinentes contratos celebrados entre a União Federal e a interessada, pois, não há reclamo de cobrança da mencionada contribuição em valores que não os estipulados nos respectivos contratos. Apenas afirma a interessada que o produto arrecadado com as contribuiçães ao Fundaf mostra-se muito maior que o necessário para o efetivo ressarcimento dos trabalhos ordinários e normais exercidos pela fiscalização aduaneira. No entanto, não aponta o quantum esse produto é muito maior. Pelo então exposto, entendo que, se a interessada passou a não mais concordar com o contrato, penso que é no âmbito desse que tal deve se resolver, e não em sede desta instância administrativa, esteja a Contribuição em questão maculada ou não do vicio de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Com relação á natureza jurídica do Fundaf, releva observar que se trata de uma contraprestação por serviços prestados mediante contrato, que não se AsiAnado digitalmente em 23 1 12/2010 por Tconflmdeatonas prestagelesTeeimidrias•compulsoriaspetrfrooeda ou cujo valor nela se RS Autenticodd di0italinente em 23/12/2010 pot TARASIO CAMPELO BORGE3 5 Emitido em 0510112011 paid Minis:enc.) aa Falenda Processo n° 10711.006547/204-98 53-C111 Resolu0o no 3101-00.118 Fl 493 possa exprimir, definidas no Código Tributário Nacional como sendo tributo, cuja natureza jurfdica é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Nem toda obrigação perante o Estado, mesmo quando expressa em pectinia, guarda a natureza juridica de um tributo. Não são tributos, quer do ponto de vista teórico, quer da juridic°, no Brasil, as prestaçOes de caráter contratual, bem como, dentre outras, os valores cobrados pelo ente publico em decorrência da exploração e/ou utilização de seus bens; os emolumentos, mesmo quando cobrados pelos entes públicos; as taxas de correios e os preços públicos em geral, que oriundos de prestaçdes facultativas, jamais são exigidos pela oferta em potencial de uma prestação. A Súmula do STF, n°545, de 03/12/1969, diz: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada A prévia autorização orçamentária, em relação A Lei que as instituiu. Aliomar Baleeeiro, em Direito Tributário, 11° edição, fl. 545, por sua vez, refere-se h taxa para fixar o entendimento de que essa não tem por base um contrato, seja de Direito Privado, seja de Direito Nib fico. Ela, coma todo tributo, obrigação ex lege. Cabe quando os serviços recebidos pelo contribuinte resultam de função especifica do Estado, ato de autoridade, que por sua natureza repugna ao desempenho do particular e não pode ser objeto de concessão a este. Ora, como se sabe, o recolhimento de tributo não decorre de contrato entre a administração e o administrado (sujeito ativo e sujeito passivo), mas da verificação da ocorrência de fato gerador definido em lei como capaz de, ao se concretizar, fazer nascer relação jurídica tributário e desta a obrigação de satisfação do crédito tributário correspondente No âmbito do contrato celebrado não se encontra a impetrante na condição de sujeito passivo de obrigação tributária, como previsto no CTN, mas de perm i ssionári o/concessionár Por todo o explicitado, encaminho voto no sentido de indeferir o pedido de restituição objeto do presente processo e, para conhecimento, junto a este acórdão, para dele fazer parte, a informação ern Mandado de Segurança prestada ao Poder Judiciário. Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto As folhas 335 a 377 (volume II). Nessa petição, defende que o "julgador administrativo deverá apurar a validade da norma que fundamenta a relação jurídico-tributdria em litigio com as disposigties da Constituição Federal" [ 24]. No mérito, reitera suas razes iniciais, noutras palavras: (1) não operação da decadência, (2) natureza não contratual da contribuição e (3) natureza jurídica de tributo da contribuição.. DF CARP MI' Ff. 6 Assinado digitatmente n rágmfra ll2QI1 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Autenticado cligitalinente em 23(1212010 por TAR/SIO CAA/IPRO SORCES Emitido em 05'/01/2011 pelo MinistOrio cia Fozenda DF CARF MF Fl, 7 Processo n' 10711.006547/2004-98 S3-Cal Resolueno n°3101-01118 F1 494 Nova petição foi atravessada aos autos no dia 30 de setembro de 2010 com o intuito de promover a juntada aos autos de documentos alegadamente comprobatórios da "outorga da permissão por Ato Declaratório, bem como a instituição da Contribuição ao FUNDAF mediante Instrução Normative da então Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil" [ 25). Nesse requerimento, assegura "que as aliquotas determinadas não foram objeto de acordo mútuo pactuado entre as partes, [...] tendo em vista que a permissão para operação no TRA não decorreu de licitação, mas de outorga do Poder Público Recorrente, estabelecendo unilateralmente as regias de permissão e os valores par a utilização do Terminal" [26]. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [ 22] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em his volumes, ora processados com 487 folhas. o relatório, Voto Conselheiro Tarfisio Compel° Borges, Relator Conforme relatado, na fase recursal, após a publicação no Diário Oficial da pauta de julgamento deste colegiado para o período de 29 de setembro a1 0 de outubro de 2010, da qual fazia parte este recurso voluntário 25j, novos documentos foram carreados aos autos do processo pelo patrono da recorrente. Por conseguinte, em respeito ao contraditório a com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento ern diligência it Procuradoria da Fazenda Nacional, para conhecimento das peças acostadas a partir da folha 438. Posteriormente, providenciar o retorno dos autos para este colegiado, Tarásio Campelo Borges 25 Mica° com juntada de documentos, folha 438, Ultimo parágrafo. 26 PetiO0 com juntada de documentos. folha 439, segundo parágrafo 27 Despacho acostado t folha 437 determina o encaminhamento dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 25 Na sessao de julgamento de 1° de outubro de 2010, este recurso voluntário foi retirado de pauta, a pedido do Assionoo digitalmema em 11111:rtrOrlf:1: doisujoirTpasaivoArAPELo BORGES 05/01/2011 por HENRIONE PINHEIRO TOR P,ES Atilent ■cado digi1aImente. ern 2112/2010 por TARASIO CAMPELO BORGES 7 Emitido et 05101/2011 pia MinisIario da Fazencla MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção la Camara A)rocesso n° : 1071L006547/2004-98 Interessado(a) : MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL L,TDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 anexo II do Regimento nterno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do espacho. Brasilia, 19 de janeiro de 2011 , Chefe cla-liriineira Camara da Terceira Seção ,iente, com a observação abaixo: ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920576/2012-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do Fato Gerador: 30/04/2006
EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços - ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
Cabe elucidar que o Parecer SEI 7698, de 2021, aprovado pelo despacho PGFN ME 246 em 26.5.2021 ratificou o decidido pelo STF.
Numero da decisão: 9303-011.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.806, de 26 de fevereiro de 2019, prolatado no julgamento do processo 10980.940171/2011-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: Tatiana Midori Migiyama
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O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços - ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Cabe elucidar que o Parecer SEI 7698, de 2021, aprovado pelo despacho PGFN ME 246 em 26.5.2021 ratificou o decidido pelo STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.806, de 26 de fevereiro de 2019, prolatado no julgamento do processo 10980.940171/2011-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 05 76 /2 01 2- 02 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.808 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.920576/2012-02 pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que rejeitou a proposta de sobrestamento do processo até o julgamento do RE 574.706 e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, suscitando divergência em relação a matéria “Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins”. Em despacho foi dado seguimento ao Recurso Especial. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, a necessidade de aguardar o trânsito em julgado da decisão exarada pelo STF no RE n.º 574.706/MG, bem como a possibilidade de modulação dos seus efeitos - retroativos limitados, prospectivos e perspectivos a partir de determinado evento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido – o que concordo com o exame de admissibilidade. Quanto à matéria posta em lide, qual seja, “exclusão do ICMS na base das contribuições”, sabe-se que o STF em 12.5.2021começou a apreciar os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face da decisão dada quando da apreciação do RE 574.706, em sede de repercussão geral, com finalização do julgamento em 13.5.2021. Ao apreciarem os embargos de declaração, o STF proferiu a seguinte decisão: “O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.808 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.920576/2012-02 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF).” Em 24.5.2021, foi publicada a ata nº 14, de 13.5.2021. DJE nº 98, divulgado em 21.5.2021, atestando o que restou decidido. Posteriormente, foi publicado o Parecer SEI 7698, de 2021, aprovado pelo despacho PGFN ME 246 em 26.5.2021 que, por sua vez, ratificou o decidido pelo STF. Sendo assim, em respeito ao art. 62 da Portaria MF 343/2015, é de se dar provimento ao recurso nessa parte. Ex positis, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dando-lhe provimento. É o meu voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35366.002738/2004-89
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/04/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.149
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-'è que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência dO'fató erador mais recente do lançamento. A data de 20/12 ._.,corresponde ao décimo terce' o sill 'l . . -,- \.\:., JULIO CES \ A VIEIRA GOMES — Presidente e Relator\ , Participaram tio presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311.009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 2/9/2004, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do C'TN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso-padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. , Sala das Sé sões, em 24 de fevereiro de 2010. 1 , \EM. 't \\;\ t ‘,/ 4X.----' JULIO C A IErRA GOMES - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 10860.901092/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3401-000.257
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que votou por rejeitar a diligência ao considerar que não há a isenção nas vendas à Zona Franca de Manaus.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que votou por rejeitar a diligência ao considerar que não há a isenção nas vendas à Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Júlio César Alves Ramos, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação, na origem analisada por meio de despacho eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que o indébito é oriundo de pagamento indevido do PIS Faturamento, por não serem devidas nem essa Contribuição nem a Cofins sobre as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que tais vendas eram imunes às duas Contribuições, reportandose ao DecretoLei nº 288/67 – que segundo a contribuinte tem envergadura de lei complementar pela recepção que lhe deu a Constituição, no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e à ADIn nº 2.3489 – na qual o STF suspendeu a eficácia da expressão “Zona Franca de Manaus”, contida no inc. I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/2000, reeditada posteriormente sem menção à referida expressão. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Processo nº 10860.901092/200836 Resolução n.º 3401000.257 S3C4T1 Fl. 138 2 Trata também da taxa Selic empregada como juros de mora, matéria não mais repetida no recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ rejeitou as alegações, interpretando que a isenção alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/20011 e considerando que não houve comprovação por documentação contábilfiscal, da inclusão das receitas decorrentes de tais vendas. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, repisando a argumentação contida na manifestação de inconformidade e afirmando que o acórdão recorrido não levou em conta os valores declarados na DIPJ. Lembra que à época ainda não havia o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Anexa à peça recursal cópias das fichas com o cálculo das Contribuições PIS e Cofins, onde constam declaradas parcelas de receita isenta ou sujeita à alíquota zero, correspondentes à Zona Franca. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência visando verificar a base de cálculo adotada pela Recorrente nos recolhimentos e a inclusão (ou não) de valores correspondentes a vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM). Por um lado, a Recorrente não comprovou por meio de documentos contábeis e fiscais quanto, efetivamente, foi vendido à ZFM e teria sido computado indevidamente na base de cálculo. Por outro, a administração tributária não nega tenha havido tais vendas, sendo certo que nas DIPJ com cópias acostadas à peça recursal foram declaradas, nas fichas de cálculo do PIS e Cofins, receitas isentas ou sujeitas à alíquta zero, na linha correspondente intitulada “Zona Franca”. 1 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (...) VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 143DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Processo nº 10860.901092/200836 Resolução n.º 3401000.257 S3C4T1 Fl. 139 3 A DRJ, por sua vez, manteve o indeferimento considerando que só há isenção caso as vendas se enquadrem nas hipóteses dos incs. IV, VI, VIII e IX do art. 14 da MP nº 2.15835/2001, e que, “Contudo, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que servgiu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito...”. Diferentemente da interpretação da primeira instância, esta Primeira Turma da Quarta Câmara tem admitido, em tese, a isenção das vendas de fora para dentro da Zona Franca de Manaus. Neste sentido os acórdãos 340101.385 (indébito da Cofins) e 340101.394 (indébito do PIS Faturamento), prolatados em 04/05/2011 à unanimidade, ambos da relatoria da ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (aos dois recursos voluntários foi negado provimento, mas por ausência de prova). Antes, também admitindo a isenção das vendas à ZFM, o Acórdão nº 340100.836, de 02/07/2010, por maioria, relator designado o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Para que não mais pairem dúvidas sobre as vendas declarados nas DIPJ pela Recorrente, quanto à origem e destino (se de forma para dentro da ZFM), aos seus montantes e à inclusão ou não base de cálculo adotada nos recolhimentos efetuados, é nessária a diligência. Enquanto não dirimidas essas dúvidas, eventual julgamento por este Colegiado, na linha do entendimento adotado nos acórdãos acima mencionados, implicará numa decisão incerta, por não se saber, com exatidão, a composição da base de cálculo empregada para os recolhimentos que, segundo a Recorrente, originou o indébito. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta a escrita contábil e fiscal e as obrigações acessórias como DIPJ e DCTF. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes tributados e as exclusões por conta de vendas à Zona Franca de Manaus, separandose nestas as vendas de fora para dentro das internas (com origem na própria ZFM), bem como o recolhimento respectivo e outras informações julgadas pertinentes pela fiscalização. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 144DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 21/07/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000078/2007-18
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal
MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se
foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o
sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se
ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à
confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.
Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a
qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado.
Preliminar rejeitada.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.154
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa
ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos Fl. 268DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12963.000078/200718 Acórdão n.º 220201.154 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOÃO LUIZ GARCIA FILHO, foi lavrado o auto de infração de fls. 3/11 exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 9.727.130,31 (nove milhões, setecentos e vinte e sete mil, centro e trinta reais e trinta e um centavos), composto da seguinte forma: R$ 3.419.731,02 de imposto; R$ 5.129.596,52 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 1.177.802,77 de juros de mora (calculados até 31/05/2007). De acordo como a descrição dos fatos, às fls. 5/6, a Fiscalização apurou a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR VALORES CREDITADOS EM CONTAS DE DEPÓSITOS OU DE INVESTIMENTO, MANTIDAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, EM RELAÇÃO AOS QUAIS O CONTRIBUINTE, REGULARMENTE INTIMADO, NÃO COMPROVOU, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, A ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NESSAS OPERAÇÕES, referentes aos períodos mensais do anocalendário 2003 e 2004. A ação desenvolvida encontrase descrita no "Termo de Verificação Fiscal", às fls. 12/14, sendo parte integrante do auto de infração. Urge registrar que a quebra do sigilo bancário do recorrente foi provocada por ordem judicial, tal como se nota dos documentos de fls. 32 a 34. O autuado, ofereceu a impugnação de fls. 378/396, na qual aduziu, em síntese, os seguintes termos, extraídos do relatório da autoridade recorrida: 1 — o procedimento preparatório do lançamento do crédito tributário não observou as formalidades postas nas Portarias SRF 3.007/2001 e 6.087/2005, pois ocorreram períodos da ação desenvolvida não amparados por mandados de procedimento fiscal, inclusive o próprio lançamento tributário, sendo esse, portanto, inválido, já que lavrado em desrespeito à legislação aplicável; 2 — não foi concedido ao sujeito passivo o direito de reação às ações praticadas pela Administração Pública para o lançamento do crédito tributário, não se estabelecendo, pois, o devido processo legal; ademais, os atos administrativos requerem para sua prática a existência de motivação, cuja exposição seja clara e precisa, e, a falta desse elemento essencial acarretalhe a nulidade; essa determinação consta, ainda, do ordenamento infraconstitucional, conforme expresso no art. 2° da Lei n. 9.784/99; 3 — ao se percorrer todos os atos processuais, não é encontrada menção sobre a razão de as respostas prestadas e a da documentação apresentada pelo impugnante serem desconsideradas pela Fiscalização; 4 — o impugnante é pessoa fisica e por isso não tem a obrigação legal de guardar fotocópias de cheques e outros documentos que comprovem a origem de suas operações financeiras, além do que Fl. 270DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 não é especialista em siglas bancárias, sendo que isso só seria possível com a apresentação de microfilmagem dos depósitos não justificados, não sendo razoável exigir do contribuinte que se lembre de milhares de operações financeiras realizadas durante todos esses anos; 5 — o ônus das requeridas provas recai sobre a impugnada e não do impugnante, não se admitindo que a presunção de legitimidade do ato administrativo do lançamento inverta essa proposição; 6 — foram considerados como omissão de renda pela Fiscalização diversos valores que não significaram acréscimo patrimonial e que sequer tenham potencial para tanto, portanto não podem ser admitidos como base tributável do imposto de renda; 7 — ao se planilhar os extratos bancários, justificamse diversos valores (fls. 388/389), consistentes em cheques devolvidos, depósitos bloqueados e transferência entre contas do mesmo titular; 8 — chama a atenção o fato de que, somente no ano de 2003, o valor e cheques devolvidos perante o Banco Bradesco chegou a R$ 426.988,00 e, no ano de 2004, R$ 4.751.783,02; 9 — o contribuinte tentou por diversas vezes solicitar às instituições financeiras microfilmes das operações bancárias, contudo essas se recusaram a atender, o que contraria as disposições constitucionais e infraconstitucionais concernentes à matéria; 10 — no presente caso, a prova pericial fazse necessária, sobretudo no concernente à inspeção sobre os documentos contábeis bancários, pessoais, comerciais e fiscais para a verificação de fatos e circunstâncias atinentes ao litígio; e, nesse sentido, cabe a realização de perícia, visando prestar respostas aos quesitos propugnados (fls. 393/394), nomeandose, como perito do impugnante, o contador Clóvis Della Testa; 10 — a aplicação da multa de 150% deuse sem que houvesse o cometimento de crime por parte do contribuinte, uma vez que inexistiu condenação criminal; nesse mister, a autoridade administrativa firmou a compreensão de que o sujeito passivo fora culpado por crime contra a ordem tributária, o que significa dizer que criou juízo de exceção, em contrário às disposições do art. 5 0, LIII e LVII, da Constituição da República/88; 11 — para a determinação da citada multa, seria necessária a demonstração do evidente intuito de fraude, o que não ocorreu nos presentes autos; e o que dizer sobre essa imposição se o Poder Judiciário entender ausente a prática de crime contra a ordem tributária? 12 — nesse propósito, o interessado registra o fato de que sequer foi lavrada a representação fiscal para fins penais. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12963.000078/200718 Acórdão n.º 220201.154 S2C2T2 Fl. 3 5 Às fls. 395/396, apresentou o autuado os seguintes requerimentos: "1. Que sejam realizadas diligências junto às instituições financeiras para que as operações bancárias dos depósitos constantes na tabela de fls. 1519 dos autos sejam refeitas pela Instituição Bancária respectiva, demonstrando a origem dos mesmos, abrindo vistas para as partes se manifestarem na forma da lei; 2 — A produção de prova pericial, nomeação de Perito da Impugnada com conhecimento técnico público e notório, além de ser detentor de moral ilibada, a intimação das partes, com antecedência mínima de 05 (cinco) dias, da data e local designados para ter início à produção da prova pericial e a fixação de prazo para cumprimento pelos peritos do encargo que lhes foram cometidos, após e que sejam as partes intimadas para se manifestarem na forma da lei; 3 — Que a presente defesa seja recebida e julgada totalmente procedente, extinguindo o crédito tributário, exonerando o Impugnante, de oficio, dos gravames decorrentes do litígio, devendo o crédito tributário ter sua exigibilidade suspensa enquanto não ocorrer a coisa julgada administrativa; 4— Que o presente processo tributário administrativo seja arquivado, com baixa em todo e qualquer registro a ele relativo; 5 — Que a multa aplicada seja reduzida na forma da lei e conforme argumentação acima; 6 — Que o envio de comunicações, notificações e intimações expedidas por este órgão julgador sejam endereçadas para: i. JOÃO LUIZ GARCIA FILHO, Rua Minas Gerais, 434, Apartamento 01, Centro, CEP 37701004, Poços de Caldas, Minas Gerais; ii. CELSO CORDEIRO DE ALMEIDA E SILVA ADVOGADOS, sociedade de advogados devidamente registrada no CNPJ/MF sob o n. 04.924.093/000100, situada na Rodovia SP 328, Km 310 + 900 metros, Condomínio Country Village, AR 11, Bonfim Paulista, CEP 14110000, Ribeirão Preto, São Paulo." Em face dos argumentos despendidos pelo impugnante acerca da tributação de valores correspondentes a cheques devolvidos, o que se vislumbrava no exame inicial dos autos em alguns róis, o processo foi baixado em diligência perante a Safis da DRF em Poços de Caldas/MG, conforme Despacho n. 004, de 12 de março de 2008, às fls. 400/402, com os seguintes quesitos: "1 — o exame analítico dos valores que Constaram das planilhas de fls. 15/31, mormente os que se referem aos que transitaram nas contas corrente e de poupança mantidas pelo interessado no Bradesco, nos períodos em questão (anoscalendário 2003 e Fl. 272DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 2004), à luz dos respectivos extratos e outros documentos necessários à empreitada; 2 — se for o caso, elaborar nova planilha relacionando os valores cujas origens não restaram comprovadas diante dos documentos oferecidos; 3 — estabelecer, por período mensal, os valores considerados omitidos à tributação, sob a forma de depósitos bancários com origem não comprovada; 4 — se ainda tributável importância referente a cheque devolvido, apresentar a respectiva motivação; 5 — produzir relato detalhado acerca das alterações que se fizerem necessárias; 6 — caso existentes as ocorrências apontadas nos numerais 2, 3, '4'' e '5' retro, cientificálas ao contribuinte, reabrindose prazo para defesa acerca das aludidas matérias." Em atenção ao demandado, a Fiscalização produziu o "Relatório Diligência", às fls. 403/407, sendo que, em conclusão, consolidou os valores apurados, com a redução da base de cálculo lançada de R$ 12.446.306,31 para R$ 7.120.737,88. Regularmente intimado para a apresentação de razões adicionais, o contribuinte as fez às fls. 412/435, por intermédio de procuradores habilitados (instrumento de fl. 397). Os argumentos oferecidos na citada peça, com exceção de questionamentos específicos acerca da falta de demonstração de valores tributáveis mantidos nos trabalhos de diligência, basicamente repisam aqueles constantes da impugnação e trataram, em síntese, dos seguintes temas: "mandados de procedimento fiscal" (fls. 415/418); "incorreções nos procedimentos preparatórios do lançamento tributário" (fls. 418/421); "questão probatória" (fls. 421/422); "incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado" (fls. 423/429); "novas diligências e perícias a serem efetuadas" (fls. 429/432); "do excesso de exação em relação à multa aplicada" (fls. 432/434); e "requerimentos" (fls. 434/435). A DRJ – Juiz de Fora ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas Fl. 273DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12963.000078/200718 Acórdão n.º 220201.154 S2C2T2 Fl. 4 7 operações. Não são computados para esse fim os valores correspondentes a cheques devolvidos, transferências entre contas do mesmo titular e outras operações nos mesmos moldes, sendo que em diligência realizada deuse o decote de importâncias indevidamente levadas à tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS. A disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. INFORMAÇÃO NO SITE DA RECEITA FEDERAL. O contribuinte recebe, quando submetido à ação fiscal amparada por Mandado de Procedimento Fiscal MPF, código numérico que lhe permite acompanhar no site da Receita Federal as prorrogações de prazo, porventura, estabelecidas para o MPF. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. A verificação da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária determina a aplicação da multa proporcional de 150%, sendo que, no caso em espécie, observouse a realização de operações de depósitos em instituições financeiras, de forma contínua e incessante, nos períodos analisados (anos calendários 2003 e 2004), com movimentação de recursos incompatível com a capacidade econômicofinanceira declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATORIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Quando a motivação suscitada para a realização de perícia corresponde à obtenção de elementos que já deveriam ser produzidos em conjunto com a impugnação, é de se indeferir o pedido, por prescindível. Lançamento Procedente em Parte Fl. 274DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 A autoridade recorrida considerando escorreito e esmerado o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, representado pelo relato de fls. 403/407, em atenção à diligência propugnada pelo despacho de fls. 400/402, entendeu por bem exonerar um crédito tributário, sem o cômputo dos juros de mora, corresponde a R$ 3.661.328,25 (R$ 1.464.531,30 de imposto e R$ 2.196.796,95 de multa proporcional), o que impõe, em face do limite estabelecido na Portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, de R$ 1.000.000,00, a interposição de Recurso de Oficio perante a Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, questionando as conclusões da autoridade recorrida. Entre os pontos suscitados enfatiza: i) Do cerceamento de defesa e inexistência nos autos de demonstração da existência de lançamento acobertado por MPF; ii) Da falta de motivação adequada – artigo 42 da Lei . 9.430/96; iii) Do ônus da prova e da incerteza e liquidez do crédito lançado; iv) Das diligências e perícias a serem efetuadas; v) Do excesso de exação em relação ao multa aplicada. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12963.000078/200718 Acórdão n.º 220201.154 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Está sob exame o recurso de ofício formulado pelo julgador recorrido, que determinou a procedência em parte do lançamento exonerando um crédito tributário, sem o cômputo dos juros de mora, corresponde a R$ 3.661.328,25 (R$ 1.464.531,30 de imposto e R$ 2.196.796,95 de multa proporcional). A autoridade julgadora acolheu o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, representado pelo relato de fls. 403/407, em atenção à diligência propugnada pelo despacho de fls. 400/402. A informação fiscal de fls 403/407, representa o resultado do escorreito e esmerado o trabalho desenvolvido pela Fiscalização. Reconhecendo que parte do lançamento era indevido. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, este reune os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do vicio do MPF. O contribuinte argüiu, como preliminar de nulidade, da suposta incompetência do chefe da fiscalização para determinar a continuidade da fiscalização, bem como a prorrogação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre, no entanto, como já decidiu este Conselho em outra oportunidade (Acórdão nº. 10421.690, Sessão de Julgamentos em 23/06/2006, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa) as normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são Fl. 276DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Não havendo que se falar em nulidade no presente caso, rejeito a preliminar argüida pelo contribuinte. Suscitou ainda o autuado, o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a autoridade fiscal não lhe propiciou a oportunidade para uma defesa plena Acrescentese, por pertinente, que a alegação do recorrente não procede. Não ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Muito pelo contrário. A defesa foi exercida de forma absolutamente ampla! A maior prova disso é que o contribuinte contestou todos os pontos da autuação, demonstrando, dessa forma, o conhecimento pleno da infração que lhe foi imputada. Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Posto isso, rejeito tal preliminar de nulidade. Da presunção baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito Fl. 277DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12963.000078/200718 Acórdão n.º 220201.154 S2C2T2 Fl. 6 11 passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). No que toca ao pedido de diligência, não há necessidade do mesmo pois os elementos de prova poderiam ter sido apresentados na forma documental. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Fl. 278DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Isto posto, urge registrar que como a qualificação da multa não é devida, aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto é de se considerar o lançamento decadente, tal como explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2001. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntario, rejeito a preliminar suscitada e no mérito, voto por dar provimento parcial aos recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 279DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSON MALLMANN, 03/06/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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