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Numero do processo: 10530.001130/2005-48
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
1º TRIMESTRE de 2000.
Constatado na DIPJ/2001 apuração do IRPJ com base no lucro presumido, conclui-se haver imposto declarado previamente, antes do lançamento de ofício, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 2000, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadencial para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência
do fato gerador do tributo, 31/03/2000 e o termo final, 31/03/2005.
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES E LIGADOS
À MEDICINA. LEI INTERPRETATIVA.
O art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota sua natureza interpretativa, tornando claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de
8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido.
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO.
O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a” do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.
Numero da decisão: 1802-000.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. 1º TRIMESTRE de 2000. Constatado na DIPJ/2001 apuração do IRPJ com base no lucro presumido, conclui-se haver imposto declarado previamente, antes do lançamento de ofício, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 2000, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadencial para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, 31/03/2000 e o termo final, 31/03/2005. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES E LIGADOS À MEDICINA. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota sua natureza interpretativa, tornando claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a” do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.
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DECADÊNCIA. 1º TRIMESTRE de 2000. Constatado na DIPJ/2001 apuração do IRPJ com base no lucro presumido, concluise haver imposto declarado previamente, antes do lançamento de ofício, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 2000, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadencial para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, 31/03/2000 e o termo final, 31/03/2005. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES E LIGADOS À MEDICINA. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota sua natureza interpretativa, tornando claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a” do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e Gilberto Baptista. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.001130/200548 Acórdão n.º 1802000.933 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Por economia processual e bem descrever o litígio adoto o relatório da decisão recorrida (fls.209/210) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo, do auto de infração de fls. 134 a 147, lavrado em 16/05/2005, que pretende a cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 31.275,51 (trinta e um mil e duzentos e setenta e cinco reais e cinqüenta e um centavos), relativo aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, além da multa de ofício e dos juros de mora calculados até 29/04/2005. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob a seguinte alegação: aplicação incorreta do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria de 32% das receitas das atividades, pois a empresa não presta serviços hospitalares. Cientificada da autuação em 18/05/2005, a interessada protocoliza petição na repartição competente em 06/05/2005, fls. 149 a 155, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: a) "que a empresa, como assinalado em sua identificação, é uma pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos com objetivo de prestação de serviços médicos, mais especificamente na especialidade de gastroenterologia, cuja descrição dos fins da sociedade está assim redigido no seu primeiro contrato social — o objetivo da sociedade será a exploração de ramo de clínica médica e cirurgia em geral"; b) "que posteriormente, como de praxe, o contrato foi alterado, procurando atualizálo às diversas mudanças legislativas, passando o objetivo a ter a seguinte descrição, conforme cláusula segunda da alteração contratual de 31 de maio de 2002 — o objetivo da sociedade passa a ser: exploração do ramo de clínica médica, consultórios médicos, medicina estética e exames diagnósticos"; c) "assim, a sociedade sempre esteve aparelhada para a prestação de serviços hospitalares, como se comprova dos equipamentos registrados no ativo da empresa (folhas do Livro Diário anexas), destinados à prática de procedimentos médicos e exames laboratoriais que requerem, em alguns casos, anestesias e acompanhamento constante de pacientes, tais como: Cirurgia do Aparelho Digestivo; Cirurgia Vídeo Laparoscópica; Vídeo Fl. 246DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Endoscopia Digestiva Alta; Esclerose de Varizes do Esôfago; Retirada de Corpo Estranho;Hepatologia; etc."; d) "que o Decreto 3.000/99, consolidando a legislação do imposto de renda, em seu art. 223 repete o disposto no art. 15, da Lei 9.249/95 ... tal dispositivo, porém, não determina o que se considera serviço hospitalar. Diante de tal cenário, a própria Secretaria da Receita Federal passou a observar o estabelecido pelo órgão regulador do sistema de saúde em nosso país, o Ministério da Saúde"; e) "assim, consolidando tal entendimento, a SRF editou a Instrução Normativa n° 306/2003, que em seu artigo 23 relaciona uma série de atividades consideradas serviços hospitalares, para fins de aplicação do percentual de 8% no cálculo da base do imposto de renda, baseada na Portaria 1.884/1994 do Ministério da Saúde";transcrevendo trechos da IN 306/2003, aduz que " além de eleger em seu contrato social objetivos típicos de serviços hospitalares, em seu dia a dia realiza inúmeras atividades relacionadas pela IN 306; g) citando trechos do Ato Declaratório Interpretativo n° 18, de 23 de outubro de 2003, alega que, " ante o rol de provas carreadas a esta peça, está mais que comprovada a prestação de serviços de caráter hospitalar pela empresa. Salienta, ainda, que além dos sócios, outros 07 profissionais trabalham para a sociedade, como se vê da relação anexa. Junta, também, notas fiscais de serviço médicos terceirizados para outras empresas, restando demonstrado o cumprimento de todas as exigências para caracterizar a empresa como prestadora de serviços hospitalares"; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1516.134, de 03 de julho de 2008 (DRJ/Salvador/BA), fls.209/216, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO. COEFICIENTE. SERVIÇOS MÉDICOS. Para fins de determinação do lucro presumido, deve ser aplicado o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta relativa à prestação de serviços médicos não caracterizados como de natureza hospitalar. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.001130/200548 Acórdão n.º 1802000.933 S1TE02 Fl. 3 5 A recorrente foi cientificada do referido acórdão, em 21/08/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), (fl.220), e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em 27/08/2008, (fl.221/230) alegando, no essencial, as mesmas razões expendidas na impugnação acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Ao final requer seja provido o presente recurso. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de tratar do mérito do litígio em julgamento,embora a Recorrente não tenha se pronunciado quanto ao prazo decadencial, por se tratar de questão de ordem pública,e, de prazo extintivo para a constituição do crédito tributário, há de se verificar o prazo legal para ser efetuado o lançamento de ofício do IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2000, considerando haver a empresa adotado no ano calendário de 2000, a apuração trimestral do tributo com base no lucro presumido. Sabese que para os fatos geradores ocorridos a partir de 1997, com a edição da Lei nº 9.430/96, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ter como regra a apuração trimestral, independente da base de cálculo ser o lucro real, presumido ou arbitrado. Portanto, para as pessoas jurídicas que optaram pelo lucro presumido, o fato gerador do imposto ocorre no último dia de cada trimestre do ano calendário, data da apuração do lucro presumido. Quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, há de se verificar qual o prazo legal para ser efetuado o lançamento de ofício, do IRPJ, considerando o fato gerador ocorrido no último dia do primeiro trimestre de 2000 (31/03/2000). Iniciase a análise pela transcrição dos artigos 150 e 173 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ... Fl. 249DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.001130/200548 Acórdão n.º 1802000.933 S1TE02 Fl. 4 7 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Registrese que, em passado recente vinha compartilhando com o entendimento dos que laboram na tese de que a regra contida no § 4º do artigo 150 só tem efeito de antecipar a decadência, em relação à regra contida no art 173 da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional – CTN ou seja, ao invés de ocorrer em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte, ocorre em cinco anos a contar do fato gerador no caso de lançamento por homologação; no entanto, curvome aos precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, ou seja, com efeito repetitivo, que, julgado em 12 de agosto de 2009, desloca a regra de contagem do prazo decadencial para o art. 173, inciso I, do CTN, quando inexiste pagamento a homologar ou declaração prévia do débito. Consta da DIPJ/2001, fl.012, que o lucro presumido foi a forma de tributação do lucro adotado pela empresa no ano calendário de 2000, sabendose que a opção do lucro presumido, via de regra, é manifestada com o pagamento da primeira quota ou quota única do IRPJ correspondente ao primeiro período de apuração, no caso, o primeiro trimestre de 2000. Nesse ponto, verificase à fl.014, que o contribuinte declarou IRPJ a pagar no valor de R$ 997,02 no 1o trimestre/2000, não constando nos autos débito relativo ao IRPJ declarado; pelo que se conclui haver imposto declarado previamente, antes do lançamento de ofício, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 2000. Portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadencial para a lavratura do auto de infração. Destarte, considerando que o fato gerador trimestral do IRPJ (1º trimestre ) relativo ao ano calendário de 2000 ocorreu sob a égide da Lei nº 9.430/96, no último dia do trimestre acima (31/03/2000), data da apuração do lucro presumido, e que, o contribuinte tomou ciência do lançamento somente em 18/05/2005 (fl.134), o prazo para a administração lançar eventuais diferenças, referentes ao 1º trimestre de 2000 (31/03/2000), findou em 31/03/2005, havendo, portanto, em 18/05/2005, transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, previsto no art.150, § 4º do CTN para o Fisco efetuar o lançamento da diferença do IRPJ, ou seja, constituir o crédito tributário relativo ao mencionado período de apuração. Desse modo é de se afastar a exigência do IRPJ em relação ao primeiro trimestre de 2000. Desnecessário frisar que em relação ao 2º trimestre de 2000, o prazo decadencial para o lançamento se estenderia até 30/09/2005. Assim, passase a analisar, o mérito, em relação aos demais períodos de apuração dos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. O litígio decorre da decisão administrativa que manteve o auto de infração, tendo em vista a pessoa jurídica haver apurado o IRPJ a menor, por aplicação indevida do percentual de 8% em vez de 32% para determinar o lucro presumido relativo aos trimestres de 2000, 2001, 2002 e 2003. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 A recorrente, insistindo pela aplicação do percentual de 8% na determinação do lucro presumido, fundamentase no fato de que é uma pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos com objetivo de prestação de serviços médicos. Diz que, a sociedade está e sempre esteve aparelhada para a prestação de serviços hospitalares, como se comprova dos equipamentos registrados no Ativo da empresa (folhas do Livro Diário anexas), destinados à prática de procedimentos médicos e exames laboratoriais que requerem, em alguns casos, anestesias e acompanhamento constante de pacientes, tais como: Cirurgia do Aparelho Digestivo; Cirurgia VídeoLaparoscópica; VídeoEndoscopia Digestiva Alta; Esclerose de Varizes do Esôfago; Retirada de Corpo Estranho;Hepatologia; etc, e que, "além dos sócios, outros 07 profissionais trabalham para a sociedade, como se vê da relação anexa. Junta, também, notas fiscais de serviço médicos terceirizados para outras empresas, restando demonstrado o cumprimento de todas as exigências para caracterizar a empresa como prestadora de serviços hospitalares". Analisando os autos constatase que a atividade cadastrada da pessoa jurídica junto à Receita Federal, inclusive constante das DIPJs apresentadas, é: “Atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)”, bem como do contrato social,fl.161, consta como objeto social: “a exploração do ramo de clinica médica, consultórios médicos e exames diagnósticos”. O balanço geral encerrado em 31/12/1998, onde consta o valor irrisório de R$ 900,00, no imobilizado referente a equipamentos médicos, bem como a soma do imobilizado no total de R$ 7.425,36 demonstra claramente que a sociedade não está e nem esteve aparelhada para a prestação de serviços hospitalares que demanda estrutura física condizente para a execução de serviço médico hospitalar. A recorrente não comprovou que possui quadro de funcionários, possui apenas 02 sócios médicos. Tais fatos indicam que os serviços prestados eram efetuados pelos sócios e referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que juntadas cópias de notas fiscais emitidas por terceiros (fls. 171 a 206), em favor da autuada. Com efeito, a base de cálculo do imposto de renda das empresas tributadas pelo lucro presumido, em cada trimestre, é determinada mediante a aplicação de percentuais fixados no art.15 da Lei nº 9.249/95, de acordo com a atividade da pessoa jurídica, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina Fl. 251DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.001130/200548 Acórdão n.º 1802000.933 S1TE02 Fl. 5 9 nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Grifei. Sabese que, regra geral a lei tributária não retroage aos fatos pretéritos. No entanto o artigo 106 do CTN dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa. Nesse contexto excepcional de aplicação retroativa da lei, entendo que o art. 29 da Lei nº 11.727 de 23/06/2008, ao dar nova redação à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, denota natureza interpretativa, ao tornar claro em quais condições e quais atividades ligadas à medicina e serviços hospitalares deverão ter aplicação de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. A mencionada lei, no caso, em nada inovou, apenas limitouse a esclarecer a alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249/95 que tinha significado duvidoso haja vista a grande quantidade de solução de consultas e atos normativos e interpretativo expedidos pela Secretaria da Receita Federal, sobre a matéria em comento. A recorrente não cumpre os requisitos legais para que sua atividade seja considerada prestação de serviços hospitalares, pois, conforme já visto, a contribuinte não é constituída por empresários, nem pode ser considerada sociedade empresária, nos termos do atual Código Civil, Lei n° 10.406, de 10/01/2002, verbis: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Depreendese do artigo 982 que, as sociedades empresárias são pessoas distintas dos sócios, titularizam seus próprios direitos e obrigações. De acordo com à alínea “a “do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a prestadora dos serviços nele elencados deve ser organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Assim, a prestadora dos serviços hospitalares precisa ser caracterizada como sociedade empresária. Ora, a pessoa jurídica que presta serviços por intermédio da atuação, apenas, dos sócios, e de profissão regulamentada, não configura sociedade empresária, mas sim pessoa jurídica não Fl. 252DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 empresária, pessoa jurídica simples, de serviços de profissão regulamentada. É o caso dos presentes autos. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados na alínea “a”, do inciso III, do art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destarte, não havendo a Recorrente demonstrado estar enquadrada na exceção contida na alínea “a”, do inciso III, do art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, qual seja, ser prestadora de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, não há motivação legal para a aplicação de 8% sobre a receita bruta para a determinação de sua base de cálculo pelo lucro presumido, devendo permanecer com a aplicação do percentual de 32%, e por conseqüência deve ser mantido o auto de infração. Diante do exposto, voto no sentido DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar o IRPJ relativo ao primeiro trimestre de 2000 e manter a exigência em relação aos demais períodos de apuração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13982.000598/2003-23
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES
Exercício: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES - INSTALAÇÃO ELÉTRICA DE PEQUENO
PORTE Não deve ser excluída do regime tributário simplificado denominado Simples a pessoa jurídica que desenvolvc atividade de instalação elétrica de pequeno porte, sem complexidade, e que não exige qualificação profissional de engenheiro, pot não caracterizar serviço profissional assemelhado ao de engenheiro, nem tampouco a atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1802-000.557
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Francisco Bianco
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Exercício: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES - INSTALAÇÃO ELÉTRICA DE PEQUENO PORTE Não deve ser excluída do regime tributário simplificado denominado Simples a pessoa jurídica que desenvolvc atividade de instalação elétrica de pequeno porte, sem complexidade, e que não exige qualificação profissional de engenheiro, pot não caracterizar serviço profissional assemelhado ao de engenheiro, nem tampouco a atividade de construção civil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. es Pré-sTãente ) :loa( Francisco Bianco - Relato EDITADO EM: 05 A[30 arin Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques 1 ins de Sousa (Presidente de Turma). José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Processo n" 13982 000598/2003-23 S].-TE02 Acórdão n." 1802-09.557 02 Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma) Relatório Tratam os presentes autos de exclusão da recorrente do regime de recolhimento de tributos denominado Simples. A exclusão do Simples foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n".. 461 764, de 07.08.2003 (fls. 02), em virtude do suposto exercício pela recorrente de atividade econômica vedada, qual seja, a instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antena, conforme declarado pela própria recorrente no código CNA-E, .Em adição, apontaram também as autoridades fiscais (fis„ 19) que o contrato social da recorrente prevê que o seu objeto social é o exercício do comércio de eletrodomésticos e materiais elétricos em geral, inclusive serviços de reparação e instalação. Com efeito, as atividades de reparação e instalação elétrica em geral, embora possam estar sendo realizadas por profissionais não habilitados em engenharia, são atividades regulamentadas para serem exercidas por profissionais de engenharia, sendo, portanto, indevida a opção pelo Simples, em consonância com a vedação aplicável à atividade de construção de imóveis, Devidamente intimada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01) alegando em síntese que: - não presta serviços que exigem qualificação profissional habilitada, realizando, somente, serviços de reparos e serviços elétricos em residências; - até a D.11.),1 de 1994, a recorrente estava enquadrada no código 5219 ("reparos ....") e a partir da declaração com os IJOVOS códigos do C.NAE, passou a infimmar o código 4541-1/00 . ("instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas"), mas, na verdade, realiza somente pequenos serviços de reparos e consertos, os quais não dependem de qualificação de profissional -habilitado; - no próprio contrato de constituição da recorrente o objeto social refere-se às atividades de consertos e reparos elétricos de pequena monta; e - anexa cópia de algumas notas fiscais comprovando que os serviços prestados não dependem de qualificação profissional e não se enquadram especificamente no CNAE de manutenção e instalações elétricas,. A DR1 manteve a exclusão do Simples ([is. 38), com base nos mesmos argumentos já sustentados pelos agentes fiscais (fls. 19). 2 Processo ir" 1:392 000592/2003-23 S1-TE02 Acórdão n " 1802-00357 rt 3 _Em grau de recurso, a recorrente também reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de ineontbrmidade. F. o relatório. Processo o" 1.3982.000598/2003-23 51-TE02 Acei dão o ." 1802-00.557 Fl. 4 Voto Conselheiro João Francisco Rianco - Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo.. A matéria ora em discussão versa sobre a exclusão da recorrente da sistemática de apuração e pagamento de tributos do Simples, por supostamente exercer atividade vedada. O Ato .Declaratório Executivo (11s 2) fundamenta a exclusão da recorrente no inciso XIII do artigo 9" da Lci n. 9317, d.e 1996. Esse dispositivo veda a opção pelo Simples à pessoa jurídica: "AM - que preste serviços proftssionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, catitor músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto. físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador ., analista de sistema, advogado, psitWogo„ piWessor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profisção cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". A exclusão, portanto, seria devida ao Eito de a reconcilie desenvolver atividade de instalação elétrica, que é privativa do profissional dc engenharia. Já no relatório preparado pela DRF (11s 19), é sustentado que a recorrente teria infringido o inciso V do artigo 9" da mesma Lei n. 9317, que veda a opção pelo Simples à pessoa jurídica: "V - que .se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à con.strução de imóveis". O argumento - exposto no Ato Declaratório Normativo n, 30, de 14.10.1999 - é que os serviços de instalação elétrica são acessórios e correlatos ao de construção civil, sendo ambos, portanto, impossibilitados de optar pelo Simples.. A recorrente sustenta que tão somente exerce atividades elétricas de pequeno porte, como a troca de lâmpadas e a fixação de tornadas, em. que pese utilizar CNAE de atividade que indique o desenvolvimento de atividade mais complexa, Em adição, aponta que os serviços por ela prestados não envolvem profissionais habilitados. Entendo que assiste razão à recorrente. 4 Processo n'' 13982 000398/2003-23 51-TE02 Acórdào ti." 1.802-00,557 115 São dois os dispositivos que impediriam a recorrente de optar pelo Simples: Os incisos V e XIII do artigo 9" da Lei n.. 9317.. A meu ver, não há infringência a qualquer deles por parte da recorrente. C) contrato social da recorrente (fis 6) indica que a sua atividade é a prestação de "serviços de reparação, manutenção e instalações elétricas em geral".. As notas fiscais juntadas aos autos (fis 11 a 1.6 e lis 31 a .33) indicam que os serviços prestados são de pequeno valor, todos inferiores a R$ 100,00, Obviamente tratam-se de serviços de pouca ou nenhuma complexidade, que não exigem qualificação profissional de engenheiro. Por esse motivo, afasto a vedação prevista no inciso XIII do artigo 9" da Lei n. 9317. Do mesmo modo, não vejo qualquer relação entre os pequenos reparos desenvolvidos pela recorrente e a atividade de construção civil. Seria evidente exagero considerar atividade complementar à construção civil os serviços de troca de disjuntores. Por fim, destaco que o presente voto está em consonância com a jurisprudência deste F. Conselho. Confira-se nesse sentido o acórdão n". 302-39.897, julgado pelo 3" Conselho de Contribuintes em 13.08,2008, assim ementado: "Não existe qualquer obsláculo para que ás pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, manutenção, elétrica, hidráulica e rnecanica e montagem de painéis clã:H.c.:os, optem peta sistemática do SIMPLES" l'ol estas razões, voto no sentido de DAR PR.OVIMENTO ao recurso voluntário.. rç-i? Jo () Francisco -Riane(o 6""j- 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSEIII0 ADMINISTRATIVO DE RECIJRSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARI', aprovado pela Portaria Minister ia! it" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 09 de agosto de 2010 Maria Conceição de Sousa Rodriglues - Secretária da Cantai a Ciência Data: Nome: Procurador (a) cia. Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: I 1 apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; I ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001741/2003-81
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS
MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. PROCESSO HAVIA SIDO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DA REAL
ATIVIDADE EXERCIDA PELA EMPRESA. RECURSO NEGADO UMA VEZ
COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE VEDA A OPÇÃO.
Ano — calendário: 1997
Ementa: Atividade vedada de atividade de construção de imóveis, como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, nos termos do artigo 9°, V, parágrafo 4º, da Lei nº 9317/1996. O julgamento havia sido convertido em diligência para que se comprovasse a atividade realmente realizada pela empresa. Em atendimento à diligência, ficou esclarecido que o próprio contribuinte declarou por duas vezes a realização de atividade vedada.
Portanto, fica mantida a Decisão SACAT de 17 de dezembro de 2004, pela não inclusão na sistemática do SIMPLES.
Numero da decisão: 1202-000.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. PROCESSO HAVIA SIDO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DA REAL ATIVIDADE EXERCIDA PELA EMPRESA. RECURSO NEGADO UMA VEZ COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE VEDA A OPÇÃO. Ano — calendário: 1997 Ementa: Atividade vedada de atividade de construção de imóveis, como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, nos termos do artigo 9°, V, parágrafo 4º, da Lei nº 9317/1996. O julgamento havia sido convertido em diligência para que se comprovasse a atividade realmente realizada pela empresa. Em atendimento à diligência, ficou esclarecido que o próprio contribuinte declarou por duas vezes a realização de atividade vedada. Portanto, fica mantida a Decisão SACAT de 17 de dezembro de 2004, pela não inclusão na sistemática do SIMPLES.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10845,001741/2003-81 Recurso n" 338.160 Voluntário Acórdão n° 1202-00.302 — 2° Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria Exclusão do SIMPLES Recorrente IRMÃOS SANTOS & SANTOS LTDA ME Recorrida la. TURMA DA DRJ SÃO PAULO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. PROCESSO HAVIA SIDO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DA REAL ATIVIDADE EXERCIDA PELA EMPRESA. RECURSO NEGADO UMA VEZ COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE VEDA A OPÇÃO. Ano — calendário: 1997 Ementa: Atividade vedada de atividade de construção de imóveis, como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, nos termos do artigo 9°, V, parágrafo 4', da Lei n" 9317/1996. O julgamento havia sido convertido em diligência para que se comprovasse a atividade realmente realizada pela empresa. Em atendimento à diligência, ficou esclarecido que o próprio contribuinte declarou por duas vezes a realização de atividade vedada. Portanto, fica mantida a Decisão SACAT de 17 de dezembro de 2004, pela não inclusão na sistemática do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.. Nelsodas"so ho residente, V 2,L Nereida de Miranda Fi mor; orta - Relatara EDITADO EM: 2 sul. 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, André Ricardo Lemes da Silva (Suplemente Convocado), Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza. Relatório Trata-se nesses autos de recurso interposto pela contribuinte empresa IRMÃOS SANTOS 84 SANTOS LTDA ME, pelo qual requer a revisão da Decisão SACAT de 17 de dezembro de 2004, pela não inclusão na sistemática do SIMPLES com base no artigo 9', XII, letra "f', da Lei n° 9317/1996, por realizar operações relativas a locação de mão-de-obra, e por realizar atividade de construção de imóveis, como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, artigo 9°, V, parágrafo 4°, dessa mesma Lei. A recorrente solicitou que fosse feita a inclusão a partir de 20 de junho de 1997. Em 13 de janeiro de 2005, a interessada apresentou manifestação de Inconformidade alegando que: - entregou declarações no modelo Simplificado e recolheu os tributos pel o SIMPLES; - realizava, à época, pequenos serviços de pedreiro, hidraúlico e elétrica; - não possuía funcionários. Na decisão da DRUSPO I n° 11.868, de 6 de dezembro de 2006, foi indeferida solicitação e confirmada a Decisão SACAT., No Recurso Voluntário apresentado, reiterou as considerações feitas, novamente declarou que realizava à época, pequenos serviços de pedreiro, hidráulico e elétrica. Em 25 de abril de 2008, os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, resolveram pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora diligenciasse junto à recorrente e verificasse quais eram as atividades efetivamente realizadas pela mesma na época dos fatos ora debatidos. Em resposta à diligência, a DRF/Santos refbrçou que a empresa está inativa desde abril de 2002 e que, no seu entendimento, é indiferente verificar se o interessado executava 'apenas serviços de pedreiro', tendo em vista que a legislação é clara quanto à execução de obra de construção civil, segundo o artigo 9°, inciso V e parágrafo 4' da Lei if 9317/1996, e o Ato Declaratório COSIT n° 30/1999. Continuando, cita que não tem dúvidas de que o contribuinte em comento se encontrava inserido neste contexto, pois realizava serviços de reparos de pedreiro, hidráulica e elétrica. Atividades essas que o próprio interessado declarou que exercia por duas ocasiões. Finalmente, conclui que não há necessidade de se realizar diligência para verificar atividades exercidas à época: i) porque ele mesmo já declarou em duas oportunidades que atividade exercia; e, 2 Processo n" 10845 001741/2003-81 S1-C2T2 Acórdão n 1202-00302 Fl 2 ii) porque a empresa está inativa há quase 7 anos, Em seguida, solicita a devolução do processo ao Terceiro Conselho de Contribuintes É o relatório. 3 Voto Conselheira NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA - Relatora Como relatado pela DRF em Santos, a recorrente, inativa desde abril de 2002, declarou em duas oportunidades que prestava "pequenos serviços de reparos de pedreiro hidráulica e elétrica". A pessoa jurídica que exerce a atividade de hidráulica e elétrica, não pode optar pela sistemática do SIMPLES por ser atividade vedada nos termos do artigo 9°, V e parágrado 4° da Lei n° 9317/1996, e Ato Declaratório COSIT n°30/ 1999. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e conheço da Decisão SACAT, de 17 de dezembro de 2004, que não incluiu a empresa no Simples. Sala das Sessões, em 18 maio de 2010 d . Nereida de Miranda 'in. e e 'orla 4
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Numero do processo: 11065.004418/2004-90
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE.
As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência da COFINS não-cumulativa.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-006.594
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência da COFINS nãocumulativa. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 44 18 /2 00 4- 90 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 463 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 384 a 428) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340300.140 (fls. 374 a 382) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 20/10/2009, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ICMS. AQUISIÇÃO DE BENS. TRANSFERÊNCIA DO SALDO CREDOR DO TRIBUTO PARA 0 VENDEDOR. A alienação do saldo credor do ICMS ou cessão do crédito não é fato gerador das contribuições sociais por não se constituírem em modalidade ou espécie de receita, lato ou stricto sensu. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N" 9.718/1998. MATÉRIA ESTRANHA AOS FATOS. A norma legal que determinou a glosa é a Lei n° 10.833/2003 e não a Lei n° 9.718/1998 combatida na defesa. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 464 3 A imunidade prevista no art. 149, § 2°, inciso I da Constituição Federal se aplica às receitas decorrentes de exportação, incluindo as variações cambiais ativas apuradas quando da liquidação do câmbio pelo exportador. Precedente das duas Turmas do STJ. CONCEITO DE INSUMO. LEI N° 10.833/2003. DESPESAS NECESSÁRIAS E INTRÍNSECAS AO PROCESSO PRODUTIVO, CONSECUÇÃO DO OBJETIVO SOCIAL DA EMPRESA E A GERAÇÃO DE RECEITA TRIBUTÁVEL. O art. 3° da Lei n° 10.833/2003 limita o conceito de insumo aos fatores de produção necessários ao processo fabril, no qual acontece a fabricação ou produção dos bens. Os custos e despesas de produção abrangem exclusivamente o que for utilizado ou consumido no processo produtivo stricto sensu. Recurso provido em parte. A Recorrente alega divergência com relação à exclusão da base de cálculo da COFINS (a) das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS e (b) do valor das receitas de variações cambiais ativas. Para comprovar o dissenso, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 10322.937 e 220100.165 (divergência "a") e 20180.227 (divergência "b"). Foi dado seguimento parcial ao recurso especial, tão somente com relação à exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas de variações cambiais ativas, nos termos do despacho s/nº de 05/08/2015, proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. O apelo não teve prosseguimento com relação à exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS por ser tema com entendimento já consolidado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme vedação contida no art. 67, §10º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Nas razões recursais, com relação à matéria que teve prosseguimento, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a imunidade das contribuições sociais prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal não abarca as contribuições para a seguridade social previstas no art. 195 da CF, pois se tratam de regimes jurídicos diferentes, com bases de cálculo ligeiramente distintas. Além disso, a receita derivada da variação cambial ativa tem natureza diversa daquela decorrente de exportação. Por fim, requer o provimento do recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo, preliminarmente, seja negado seguimento ao recurso especial e, no mérito, a negativa de provimento (fls. 445 a 459). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 465 4 É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de afastamento da incidência do da COFINS nãocumulativa sobre as variações cambiais ativas decorrentes das operações de exportação. Ocorre que as variações cambiais ativas são oriundas e inerentes aos contratos de exportações de bens, decorrendo diretamente do negócio jurídico realizado pela empresa. Assim, não podem as operações cambiais ser dissociadas da exportação das mercadorias, por resultarem de exigência de outros países para os quais a Contribuinte efetua as exportações. Portanto, a imunidade do PIS e da COFINS (cumulativas e nãocumulativas) prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal para as receitas decorrentes de exportação, abrange as variações cambiais ativas. A regra da imunidade visa impedir a incidência das contribuições sobre todas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior, originadas do mesmo fato gerador, qual seja, a operação de exportação. Não é possível segregar as receitas da venda de mercadorias das variações cambiais ativas, por se constituírem em exigência das relações de comércio internacional. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, reconheceu que as receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade para afastar a incidência do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida nos autos do recurso extraordinário nº 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, cujos fundamentos foram sintetizados na seguintes ementa, in verbis: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 466 5 EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça ao julgar o AgRg no AREsp 23033/RS, de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, e cujos fundamentos do acórdão foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 467 6 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 23.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 12/12/2011) Colacionase outras duas ementas de julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido de afastar a tributação pelo PIS e COFINS das variações cambiais ativas, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial fazendário, entendeu que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas decorrentes das receitas de exportação de mercadorias. 2. "A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1143779/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 25/11/2010) TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL COFINS PIS VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA NÃOINCIDÊNCIA MANDADO DE SEGURANÇA DECLARAÇÃO DE COMPENSABILIDADE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS SÚMULA 213/STJ TAXA SELIC INCIDÊNCIA A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS SUFICIÊNCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. O mandado de segurança é instrumento adequado para a declaração de compensabilidade do crédito tributário, que será efetuada, respeitado o prazo prescricional, junto à Administração tributária. Precedentes. 3. Incide a Taxa Selic, como correção monetária e juros de mora, desde o pagamento indevido. Precedentes. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11065.004418/200490 Acórdão n.º 9303006.594 CSRFT3 Fl. 468 7 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, a receita decorrente da variação cambial positiva relativa às operações de exportação não se sujeitam à tributação pelo PIS e pela COFINS. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. 6. Recurso especial do contribuinte provido. (REsp 982.870/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2010, DJe 20/09/2010) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000738/97-19
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 201-00.359
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Sergio Gomes velloso
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2003. Processo uº Recurso nQ Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13855.000738/97-19 116.507 SANBINOS CALÇADOS E ARTEFATOS LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP RESOLUÇÃO NQ201-00.359 ~+J;\a~0l- ~~. Josefa Mana Coelho Marques .~ preSide1bJl) / Sérgd11.omes Velloso Relatr I"CC.MF IFI. •• Processo nº Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13855.000738/97 -19 116.507 ~ ~ Recorrente SANBINOS CALÇADOS E ARTEFATOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento/compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI formalizado pela recorrente, com fulcro no art. 5º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969 e no art. 1º, inciso lI, da Lei nº 8.402/92. Em diligência realizada pela repartição de origem, fl. 115, foi verificado que a recorrente escritura os créditos.decorrentes de incentivo fiscal, em conta representativa de custos, de modo a reduzir o resultado no período, o que implica diminuição de alguns tributos. o Com base no parecer de fl. 115, o pedido foi indeferido, fls. 116/117. Irresignada, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 120/130, onde aduz que: 1) o direito ao crédito decorre do princípio da não-cumulatividade; 2) os produtos comercializados pela recorrente são tributados à alíquota zero, não tendo ela direito à escrituração dos créditos pelas entradas de insumos utilizados no processo produtivo; 3) as operações de exportação são imunes ao IPI; 4) tem direito ao crédito pelas aquisições de insumos aplicados nos produtos exportados; 5) os créditos não utilizados no período de apuração do IPI devido podem ser aproveitados por outras modalidades fixadas pelo Ministro de Estado, o que no caso se dá pelas INs SRF nºs 28/1996 e 21/1997; 6) ao efetuar a compensação, reconhece o crédito do IPI; e 7) não houve prejuízo ao Fisco, porque nos anos em que o crédito foi gerado, teve ela prejUlZO contábil, gerando base negativa para cálculo do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Através da Decisão DRJ/RPO nº 1.621, de 23/10/00, fls. 132/135, o pedido foi indeferido: DERESSARCIMENTOEXPORTAÇÃO."INCENTIVOS FISCAIS À CRÉDITOS.COMP ENSAÇÃo. O aproveitamento do IPI destacado em notas de aquisição de insumos como custo dos produtos vendidos impede a obtenção do ressarcimento em espécie dos mesmos valores. Solicitação indeferida. " Inconformada, a recorrente interpõe o recurso voluntário de fls. 139/166 repisando os argumentos da peça impugnatória. Subiram os autos a este C. Colegiado. É o relatório. ~ 2 Processo nº Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13855.000738/97 -19 116.507 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SÉRGIO GOMES VELLOSO ~ ~ 16/17: O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. O cerne da questão gira em tomo da possibilidade da Autoridade Administrativa autorizar o ressarcimento do crédito de IPI, previsto no art. 5º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, que assim dispõe: "Art. 5°_É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. " Examinando o pedido formulado pela recorrente, a Autoridade Fiscal verificou que o valor recuperável decorrente do incentivo fiscal foi contabilizado em uma conta representativa de custos, e não como tributos a recuperar, do que teria diminuído o resultado do exercício e, conseqüentemente Imposto sobre a Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Do Termo de Diligência de £1.115, consta, também que a recorrente não teria feito os ajustes dos exercícios anteriores. Contudo, no recurso voluntário interposto, a recorrente aduziu, págs. 6, 10 e "O equívoco no quallabora o agente administrativo, bem como o delegado sentenciante, in casu, é manifesto, como também manifesto enganosa é a interposição que o fisco atribui à legislação aplicável à espécie cogitatione. Deveras, a requerente não tinha o dever legal de escriturar o crédito fiscal em deslinde como imposto a recuperar, mesmo porque não veiculado o pedido de ressarcimento nos exercícios fiscais anteriores, do que se infere que somente agora, no exercício fiscal presente, é que poderia fazê-lo (lembre- se que a contabilidade rege-se pelo princípio do conservadorismo), de tal sorte que se não considerava a autora, por absoluto desconhecimento do favor legal que poderia há muito usufruir, a existência do beneficio fiscal em questão, obviamente que não poderia tê-lo lançado como crédito a ser recuperado. (...) Corolário do exposto, a requerente jamais poderia escriturar os valores desembolsados à guisa de IPI, quando da aquisição de matérias-primas, embalagens e produtos intermediário como crédito fiscal, já que inexistiria crédito a ser reGuperado em conta gráfica de resultado,. remanescendo a esta única via possível de contabilização daqueles valores como que integrante do custo dos produtos industrializados, de forma a integrar o preço final do bem produzido e saído do estabelecimento industrial. (...) Nem se objete, como pretende o fisco que o fato de ter a contribuinte lançado os valores glosados a título de IPI sobre os insumos e matérias primas e embalagens como custo de produção estaria a consequentizar impossibilidade de posterior utilização do crédito incentivado, tendo em vista a duplicidade do aproveitamento do mesmo. A assertiva padece insuplantável vício de lógica, sobre ser injuridica. De fato, a circunstância de ter a requerente lançado aqueles valores como custo de produção não inibe a posterior utilização, como crédito incentivado. Ora o lançamento à guisa de custo é efetivadoi ~ 3 :i Processo nQ Recurso nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13855.000738/97 -19 116.507 [,occ-w [ FI. através de procedimento contábil, de sorte que também através de procedimento contábil é possível a reversão daqueles lançamentos, contabilizando-se agora os valores em referência como beneficio fiscal, ou crédito recuperável, tão somente agora que tal crédito pode e deve ser reconhecido pelo Fisco. (..) Note-se, por pertinente, que a requerente, ao formular o pedido de ressarcimento e compensação do crédito em apreço reconheceu e contabilizou o crédito fiscal em apreciação, estornando a contabilização do custo anteriormente contabilizado. Assim, não há se excogitar do alegado prejuízo ao erário; mesmo porque não é de causar estranheza o pedido de ressarcimento da autora, que abrange mais de um período de apuração, já que o art. 2° da IN 28/92 autoriza expressamente tal procedimento, que em momento algum é proibido pela legislação. O que ocorre, no caso, é o tardio reconhecimento contábil do crédito incentivado, com o estorno dos lançamentos anteriores, para readequação das receitas e despesas na contabilidade da autora. Na há, frise-se, in casu, qualquer prejuízo ou dano ao fisco. " Como informa a recorrente haver sido adequada a sua contabilização, entendo que para a elucidação do caso, devam os autos retomar à repartição de origem para que a Autoridade Administrativa verifique a escrituração contábil do sujeito passivo, de maneira a concluir se de fato, o que foi asseverado no Recurso Voluntário e transcrito logo acima, foi realizado. Após, dê-se vista à recorrente para que a mesma preste os esclarecimentos que entender necessários. É como voto. Saladas sesijfJ ~ode setembrode 2003, SÉRGI~OMES VELLOSO, ~\ 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10725.001788/2001-49
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ( Súmula CARF nº 11).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
APRECIAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR - As DRJ, assim como o Conselho de Contribuinte, não são competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do CARF).
IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO - A não-apresentação dos livros e documentos da escrituração, pela pessoa jurídica que apura lucro real, enseja o arbitramento do lucro. Os valores de omissão de receita devem ser computados na determinação da base de cálculo do imposto.
LANÇAMENTO DE OFICÍO - APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC - ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declação e recolhimento dos tributos,
correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 1402-000.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida 9A TURMA - DRJ RIO DE JANEIRO I - RJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ( Súmula CARF nº 11). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. APRECIAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR - As DRJ, assim como o Conselho de Contribuinte, não são competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do CARF). IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO - A não-apresentação dos livros e documentos da escrituração, pela pessoa jurídica que apura lucro real, enseja o arbitramento do lucro. Os valores de omissão de receita devem ser computados na determinação da base de cálculo do imposto. LANÇAMENTO DE OFICÍO - APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC - ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declação e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relator Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10725.001788/2001-49 Acórdão n.º 1402-00.258 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório CEREALISTA ATLANTICO E BARCELENSE LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratam-se de autos de infração do IRPJ e reflexos (PIS, COFINS, CSLL), às fls. 307-329, no valor total de R$ 194.352,04 (incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora Selic calculados até nov/2001). Segundo a fiscalização, Termo de Verificação Fiscal,às fls 331/333. a contribuinte estava omissa no ano-calendário de 1998, mas foi apurado que obteve receitas de R$ 1.602.955,00, conforme notas fiscais de vendas obtidas junto aos clientes da empresa. Os representantes da contribuinte foram intimados e reintimados a apresentar a documentação contábil e fiscal da empresa, isso em 10/04/2001 e 21//06/2001 e finalmente em 13/09/2001. A fiscalização foi atendida em 20/09/2001, mas a contribuinte apresentou documentos sem condições de realizar a auditoria. A contribuinte foi novamente intimada em 18/11/2001 para recompor sua contabilidade, mas não atendeu a fiscalização, que procedeu então ao arbitramento dos lucros da empresa. Cientificada em 20/12/2001, AR de fls. 345, a contribuinte apresentou impugnação em 09/01/2002, fls. 431/449 contestando o feito fiscal, mediante seguintes alegações: não existe correlação entre a acusação fiscal e o enquadramento legal do auto de infração, cabendo anular o feito; é descabivel o arbitramento por falta de apresentação de DIRPJ, sendo que já quitou os tributos do ano-calendário de 1998; o arbitramento é inconstitucional; a multa de oficio e os juros de mora também. A contribuinte não juntou quaisquer novos documentos à peça impugnatória. A 9 a . Turma da DRJ Rio de Janeiro julgou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls. 453-467, proferido em 1/05/2005, tendo afastado a preliminar de nulidade e no mérito mantido o arbitramento dos lucros em face da imprestabilidade escrituração apresentada pelo contribuinte. A ciência da decisão de 1 a . instância foi enviada ao endereço de cadastro da contribuinte, mas retornou com a informação dos Correios que havia mudado (fl377-483). Nova ciência foi enviada ao endereço informado na peça impugnatória, e foi recebida em 08/07/2005 (fl. 484). Na peça recursal, fls. 485-493, a contribuinte alega: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA 4 - prescrição do crédito tributário à luz do art.1, parágrafo 1 o . da MP 1708/98; - o arbitramento dos lucros é indevido pois em 1998 optou pelo lucro presumido, sendo indevida também a cobrança do Pis, Cofins e CSLL; - a decisão de 1 a . instancia cerceou o direito do contribuinte deixando de deferir a perícia, necessária ao julgamento, bem como deixando de apreciar alegações de incostitucionalidade, devendo ser declarada nula; - reitera as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade do arbitramento de lucros, da aplicação da multa de oficio e dos juros à taxa Selic. - Cita doutrina de Hugo de Brito Machado, sobre o confisco. Ao final requer sejam acolhidas as declarações de nulidade e determinado o arquivamento do auto de infração. Ato continuo os autos foram remetidos ao 1 o . Conselho de Contribuintes para julgamento do recurso. Mediante despacho de fls. 534-535, lavrado em 26/07/2007, os autos foram volvidos a origem em face de pedido quanto ao arrolamento de bens (carros). Em 22/02/2010, após a baixa do arrolamento, os autos retornaram a este Conselho para julgamento, conforme despacho de fls. 539. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10725.001788/2001-49 Acórdão n.º 1402-00.258 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza - Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenche as condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. De inicio cumpre rejeitar a alegação de nulidade dos autos de infração, especialmente do IRPJ, que segundo o contribuinte apresenta enquadramento legal destoante das descrição dos fatos. É pacífico que o lançamento, porquanto ato administrativo, deve ser anulado quando eivado de vícios com relação à forma, competência, objeto, motivo ou finalidade, os quais estão definidos no Parágrafo único do art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965: Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observa-se-ão as seguintes normas: a)a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b)o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou ato normativo; d)a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e)o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Todavia, nos autos de infração em questão não vejo nenhum desses vícios; convindo dizer, sua lavratura foi efetuada em consonância com o que dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, revelando-se o lançamento, dessarte, perfeito, válido e eficaz. Observa-se que no termo de descrição dos fatos e enquadramento legal, à fl. 308 está asseverado que o arbitramento dos lucros em todos os períodos do ano-calendário de 1998 ocorreu por falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, tendo como base o art. 47, inciso III da Lei 8.981/1995, que estabelece: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45. , parágrafo único; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA 6 Consta dos autos várias intimações à contribuinte para apresentar sua escrituração contábil do ano de 1998, fls. 379 e seguintes sendo que somente em 20/09/2001, o Sr Nilson Carvalho Silva, representante da empresa, apresentou apenas uma pasta, declarado expressamente que a escrituração da empresa relativa àquele ano tinha sido atacada por cupins, fl. 294. A fiscalização lavrou termo de imprestabilidade e insuficiência da documento apresentada e solicitou a recomposição da escrita, isso em 18/10/2001, mas passados 2 meses nada foi apresentado. Logo, à fiscalização restou apenas o arbitramento dos lucros, que é previsto no art. 44 do Código Tributário Nacional, que estabelece: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Quanto as receitas auferidas pelo contribuinte no ano de 1998, que foram apuradas pela fiscalização mediante intimação a clientes do contribuinte que apresentaram as notas fiscais de venda da empresa, cópia às fls. 22-253, nenhum reparo há que ser feito, haja vista que até a forma de pagamento (cheque) foi apurada, conforme planilhas de fls. 334 e seguintes. A contribuinte não contesta a emissão de tais notas, tampouco os valores. Afirma porem, que teria apresentado declaração de IRPJ optando pelo lucro presumido, cuja base de calculo para tributação do IRPJ seria de 8% do montante da receita. Ocorre que a fiscalização verificou que a contribuinte estava omissa, ou seja, não apresentou declaração e também não trouxe sua escrita contábil. Verifico que seja na impugnação, seja na recurso voluntário a contribuinte não trouxe prova da alegada entrega de DIRPJ pelo lucro presumido. Portanto, correta também o tratamento das receitas apuradas como sendo omitidas. Registro, outrossim, que esse tratamento em nada elevou o percentual de arbitramento do lucro, que continuou 9,6% das receitas apuradas, ou seja, 1,6% acima do presumido, conforme estabelece a legislação do IRPJ. No que tange ao PIS, COFINS e CSLL o fato de ter havido arbitramento de lucros e tributação do montante das receitas como omitidas, em nada alterou o montante dos tributos devidos, sendo exatamente os mesmos valores que deveriam ser recolhidos pela sistemática do lucro presumido, caso a contribuinte estive espontânea. O termo de verificação fiscal de fls. 331/333 é de clareza solar, estando absolutamente condizente com o teor dos autos de infração. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto a alegada prescrição do crédito tributário em razão do disposto no art.1, parágrafo 1 o . da MP 1708/98, vejamos o que estabelece tal dispositivo: MEDIDA PROVISÓRIA N o 1.708, DE 30 DE JUNHO DE 1998. Estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10725.001788/2001-49 Acórdão n.º 1402-00.258 S1-C4T2 Fl. 4 7 Federal, direta e indireta, e dá outras providências. Art. 1 o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1 o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2 o Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal. (grifei) Verifica-se tratar de prescrição de procedimento administrativo em ação punitiva no exercício do poder de policia. Não se trata de prescrição intercorrente nos processos que versam sobre exigências tributárias, como o caso, que são regidos pelo CTN e por legislação especifica (Decreto 70.235/1972 e alterações legais posteriores) – O PAF. Não há no Processo Administrativo Fiscal Federal qualquer dispositivo que versa sobre prescrição intercorrente. Nesse sentido dispõe a súmula No. 11 do CARF: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Rejeito também essa preliminar. Rejeito também a argüição de nulidade da decisão de 1 a . instância por cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia, isso porque tal indeferimento foi justificado no voto condutor do acórdão recorrido, estando claro que os julgadores consideraram suficientes os elementos reunidos nos autos pela fiscalização e que ao contribuinte caberia fazer do alegado e não esperar que essas provas fossem produzidas pela fiscalização em eventual diligência ou perícia. A decisão está absolutamente objetiva e correta. Bastava que o contribuinte apresentasse uma contabilidade válida, produzida antes da lavratura do auto de infração e que tivesse sido levada à fiscalização quando intimada na auditoria fiscal, para descaracterizar a necessidade de arbitramento. Mas nada disso foi feito, nem mesmo na fase recursal. E mais: a contribuinte afirma mas não prova que optou pelo lucro presumido e que teria feito recolhimentos no transcurso do ano de 1998. Ora, a fiscalização nada apurou de receitas declaradas pela empresa, ou seja, a tributação recaiu apenas sobre parte das receitas que a contribuinte auferiu em 1998, obtidas junto a alguns de seus clientes. Portanto, caso a contribuinte tivesse mesmo optado pelo presumido e realizado recolhimentos de tributos espontâneos sobre as receitas auferidas, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA 8 certamente esses valores seriam maiores que os tributos lançados de oficio nos autos de infração. Repito: o percentual do lucro arbitrado é de 9,6% sobre as receitas, 1,6% acima do presumido, e para as contribuições não haveria diferença. Embora a contribuinte tenha afirmado que efetuou pagamentos não juntou um DARF sequer. A fiscalização buscou mas não localizou pagamentos. O débito foi inscrito em divida ativa antes do julgamento em 1 a . instância e não foram localizados pagamentos nos sistema da SRF/RFB para reduzi-los. Trata-se portanto de alegação meramente protelatória. No que tange a apreciação de constitucionalidade ou legalidade de dispositivos legais em vigor, às alegações contra a constitucionalidade da exigência de IRPJ com base no lucro arbitrado, que também não foram apreciadas pela Decisão da DRJ, confirmo que a decisão recorrida não merece reparos, por ter deixado de apreciar alegações quanto a legalidade ou constitucionalidade de dispositivo legal em vigor. Esta matéria é tratada na súmula 2 deste Conselho, que dispõe: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em verdade, nem as DRJ, nem o CARF, órgãos judicantes administrativos, têm competência para apreciar argüições quanto a constitucionalidade de leis em vigor. Tal competência é reservada ao poder judiciário, nos termos da Constituição Federal A exigência da multa de oficio 75% e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirige-se ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtar-se à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102-42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringe-se ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10725.001788/2001-49 Acórdão n.º 1402-00.258 S1-C4T2 Fl. 5 9 preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 201-71102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso, mantendo integralmente as exigências tributárias consubstanciadas no presente processo. (assinado digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 10/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2010 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.011142/00-61
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.414
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Adolfo Montelo
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Numero do processo: 10935.003624/2006-95
Data da sessão: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO.
Acatam-se as deduções com previdência privada quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo Contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3805-000.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN-Redatora ad hoc
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-29T19:30:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2016-06-29T19:30:11Z; Last-Modified: 2016-06-29T19:30:11Z; dcterms:modified: 2016-06-29T19:30:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2016-06-29T19:30:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-29T19:30:11Z; meta:save-date: 2016-06-29T19:30:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-29T19:30:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2016-06-29T19:30:11Z; created: 2016-06-29T19:30:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2016-06-29T19:30:11Z; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-29T19:30:11Z | Conteúdo => S3-TE05 Fl. 572 1 571 S3-TE05 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003624/2006-95 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3805-00131 – 5ª Turma Especial Sessão de 30 de junho de 2009 Matéria IRPF Recorrente JORGE LUIZ BOCASANTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. Acatam-se as deduções com previdência privada quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo Contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente em exercício à época da formalização (assinatura digital) TÂNIA MARA PASCHOALIN Redatora ad hoc designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sidney Ferro Barros (Presidente em exercício), Rubens Maurício Carvalho, Sandro Machado dos Reis (Relator) e Núbia Matos Moura (Conselheira Convocada). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 573 2 Relatório Na condição de relatora ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ/CTA/PR, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos. Por meio do Auto de Infração de fls. 28/37, exige-se do contribuinte R$ 27.180,75 de imposto suplementar, R$ 21.004,30 de multa de ofício de 75% c 150%, c acréscimos legais, decorrentes da revisão das declarações de rendimentos relativas aos exercícios 2002 a 2004, anos-calendário de 2001 a 2003. A autuação foi fundamentada nos arts. 1" ao 3 o e §§, da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. I o ao 3 o e 6° e §§, da Lei 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 11 e § 3" do Decreto-lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943; arts. 4", V, 8 o , II, "a", "c", "d" c "g", §§ 2" l 3°, e 35 da lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 11, da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; arts. 43, 73, 75, 82 e § 1°, e 83, II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999- RIR/1999, art. 61 da Medida Provisória n° 2.158-35; c/c o art. 1" da Medida Provisória n° 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 10 de maio de 2002, c decorreu das seguintes irregularidades: • omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício no ano- calendário de 2003, no valor de R$ 4.558,81, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; • dedução indevida de previdência oficial, nos montantes de R$ 4.240,75, R$ 4.853,66 c RS 3.860,90, nos anos-calendário de 2001 a 2003, respectivamente, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; • dedução indevida de dependentes, nos montantes de RS 1.080,00, R$ 2.544,00 e RS 2.544,00, nos anos-calendário de 2001 a 2003, respectivamente, conforme Termo dc Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; • dedução indevida de despesas médicas, nos montantes de R$ 10.950,00, R$ 16.317,00 c RS 3.000,00, nos anos-calendário de 2001 a 2003, respectivamente, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; • dedução indevida de despesas de livro Caixa, nos montante de RS 8.400,00, R$ 13.540,00 e R$ 17.997,00, nos anos-calendário de 2001 a 2003, respectivamente, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; dedução indevida de despesas de instrução, no valor de R$ 700,00, no ano-calendário de 2002, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 e 27; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 574 3 • dedução indevida de previdência privada, nos montantes de RS 3.100,00 e RS 1.200,00, nos anos-calendário de 2002 e 2003, respectivamente, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 c 27. Cientificado do lançamento em 11/08/2006 (fl. 40), o contribuinte apresentou, cm 12/09/2006, a impugnação de fl. 41, instruída com os documentos de fls. 42/155, onde alega encaminhar cópias dos comprovantes das despesas deduzidas na sua D1RPF/2003, ano-calendário de 2002, para que sejam verificadas e deduzidas, nos seguintes montantes: Contribuição à Previdência Oficial R$ 4.733,67; Previdência Privada R$ 3.288,00; dois Dependentes RS 2.544,00; Despesas médicas R$ 8.000,00; Plano de Saúde Unimed RS 2.217,24; Despesas de Instrução R$ 2.290,00; Livro Caixa R$ 6.980,05; c Doações para Campanha Eleitoral R$ 500,00, totalizando R$ 30.552,96. Aduz que as despesas com empregados como salários ordenados e encargos previdenciários foram emitidos pelo identificador CEI n" 40820004782 e, que as despesas médicas, conforme recibos emitidos pela Dra. Vânia Salatini e pelo Centro Clínico Paranaense, foram prestados à dependente Isabela Gaio Bocasanta. A fl. 156, alega acostar às fls. 158/221, documentos referentes às deduções pleiteadas na DIRPF/2002, ano-calendário de 2001, nos seguintes montantes: Previdência Oficial R$ 4.001,75; Previdência Privada R$ 414,60; dois Dependentes R$ 2.160,00; Despesas medicas R$ 9.200,00; Plano de Saúde Unimed R$ 1.958,04; Despesas de Instrução RS 2.290,00; Livro Caixa R$ 4.128,11; totalizando R$ 21.862,50. À fl. 222, alega acostar às fls. 223/413, documentos referentes às deduções pleiteadas na DIRPF/2004, ano-calendário de 2003, nos seguintes montantes: Previdência Oficial R$ 3.189,27; Previdência Privada R$ 1.633,60; dois Dependentes R$ 2.544,00; Despesas médicas R$ 3.000,00; Plano de Saúde Unimed R$ 3.189,40; Despesas de Instrução RS 2.458,00; Livro Caixa R$ 18.870,55; totalizando R$ 34.884,82. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento da Portaria SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, consubstanciado no Processo Administrativo Fiscal n° 10935.003649/2006-99. Considerando que o contribuinte só apresentou os documentos referentes às deduções dos anos-calendário de 2001 a 2003, por ocasião da impugnação, retornou-se o processo à unidade de origem para realização de diligência visando esclarecer os pontos elencados à fl. 416, tendo resultado na juntada dos documentos de fls. 417/510. A fl. 423, o contribuinte em atendimento aos esclarecimentos solicitados por esta instância julgadora (fl. 416), complementa sua impugnação afirmando que não tem sócio, que é autônomo e que exerce as atividades em sua residência na Rua Londrina, Fl. 574DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 575 4 2622, que no Registro de Empregados consta o registro de uma auxiliar de enfermagem, uma zeladora e uma empregada doméstica. Acosta às fls. 424/455, comprovantes de despesas do livro Caixa do ano-calendário de 2001, sendo: R$ 202,92 de taxa do CRM, RS 201,00 de despesas de instalação de alarme da sua residência, R$ 205,65 de energia elétrica, RS 82,62 de água e esgoto, R$ 600,00 da Associação Médica de Cascavel. Relativamente ao ano-calendário dc 2002, solicita a inclusão de RS 232,75 da taxa de CRM, e RS 600,00 da Associação Medica de Cascavel. Esclarece, ainda, que as despesas de telefone em nome de José Mario Ferrarez, foram por ele pagos desde 01/1998. A DRJ/CTA/PR decidiu conforme a ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESPESAS MÉDICAS. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual as contribuições pagas no Ano-calendário à Previdência Oficial, devidamente comprovadas. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONCOMITÂNCIA. Mantém-se a glosa da dedução da contribuição à previdência privada de dependente, quando pleiteada concomitantemente pelo outro cônjuge. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a dedução com dependentes, quando a relação de dependência estiver devidamente comprovada. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche c educação pré-escolar), e de 1", 2" e 3" graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes, devidamente comprovados, no limite individual máximo de R$ 1.998,00. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea Fl. 575DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 576 5 dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. LIVRO CAIXA - GLOSA DE DESPESAS Somente as despesas de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, são dedutíveis na declaração do contribuinte e estão condicionadas à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados; cabendo, por conseguinte, restabelecer as despesas comprovadas que se enquadram neste conceito. CONTRIBUIÇÃO À CAMPANHA ELEITORAL. As contribuições efetuadas às campanhas eleitorais não podem ser deduzidas na declaração de ajuste anual, por falta de previsão legal. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão, o Contribuinte apresenta, tempestivamente, recurso voluntário para solicitar o seguinte: As despesas com empregados, bem como salários, ordenados, férias, 13º salário, encargos tributários, foram pagos devidamente legais, conforme recibos de salários, guias de recolhimento que enviamos a essa repartição em 06/09/2006, sendo registrados na minha pessoa física, conforme Livro Registro de através do identificador CEI n°.408200047802, para que através deste sistema,, que anexamos copia do identificador, fosse possível efetuar os depósitos de FGTS na Caixa Econômica Federal, e ao recolhimento do INSS e o salário de cada empregado é pago em moeda corrente na emissão do recibo de salário, portanto são despesas legais e tem que serem deduzidas do imposto de renda dos anos de 2001, 2002 e 2003 em seu total. 2- Em anexo envio a 2 a via do recibo emitido pelo Sr. Marcos Roberto Zocchi, CPF n°. 627.777.699-15, no valor de RS 4.000,00 (quatro mil reais) referente, a tratamentos odontológicos realizados em 2001, para serem deduzidas como despesas do IRPF do ano de 2001, pois se trata de documento idôneo, e que já foi enviado a essa Secretaria por requerimento em 06/09/2006 e peço que sejam considerados. 3- A contribuinte Carla Casarteli Bocasanta deduziu em sua DIRPF de 2002 e 2003 contribuição a previdência privada de seu dependente Augusto Casarteli Bocasanta, e para comprovar enviamos copia do Certificado de Participante. Envio também em anexo o Certificado de Participante da minha dependente Isadora Casartelli Bocasanta da previdência privada de 2002 e 2003, peço que sejam deduzidas nas DIRPF de 2002 e 2003, pois esses documentos são idôneos e legais. 4-As despesas de tratamentos médicos da dependente Isabela Gaio Bocasanta têm que serem consideradas dedutíveis, pois a mesma não é detentora do plano de Saúde Unimed Cascavel. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 577 6 5-O Auditor Fiscal encarregado deste processo teve dúvidas em alguns documentos emitidos por profissionais da saúde, mais peço a V.Sa. que equipare a idoneidade através de perícia técnica. 6-A contribuição a Associação Médica de Cascavel, não é somente ao lazer, pois é através dela que ternos vários cursos de reciclagem e aperfeiçoamento. 7-Os livros caixas referentes aos anos 2001 a 2003 que estavam nos arquivos em um compartimento da casa onde fica instalado o computador e onde estavam escrituradas as minhas despesas foram roubados, e temos uma ocorrência policial arquivada junto a Delegacia Policial de Cascavel. Em 30 de junho de 2009, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 5ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF (Acórdão 3805-00131), oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Entretanto, o Conselheiro Relator teve seus mandato encerrado sem que tivesse formalizado o referido Acórdão. Assim, foi necessária a designação de Redatora ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora ad hoc designada. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em sede de recurso voluntário, o Contribuinte contesta glosas efetuadas a título de livro caixa, despesas médicas e despesas com previdência privada. Em relação à dedução a título de livro caixa e despesas médicas, o Contribuinte não carreou aos autos documentos comprobatórios hábeis a afastar as irregularidades verificadas pela autoridade fiscal. Quanto aos pagamentos efetuados à previdência privada em nome de Isadora Casartelli Bocasanta (dependente), nos valores de R$ 3.100,00 e R$ 1.121,42, nos anos- calendário de 2002 e 2003, a decisão recorrida manteve a glosa por entender que essas mesmas deduções também foram pleiteadas pelo cônjuge - Sra. Carla Casartelli Bocasanta - CPF 554.899.071-34, em suas DIRPF dos exercícios de 2003 e 2004. Entretanto, os documentos apresentados pelo Recorrente, às fls. 563/564 e as DIRPF do cônjuge, confirmam sua alegação de que a contribuinte Carla Casarteli Bocasanta deduziu em sua DIRPF de 2002 e 2003 despesas com contribuição a previdência privada de seu dependente Augusto Casarteli Bocasanta, e não da filha Isadora Casartelli Bocasanta. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10935.003624/2006-95 Acórdão n.º 3805-00131 S3-TE05 Fl. 578 7 Assim, considerando que a dependente Isadora Casartelli Bocasanta é participante do plano de previdência privada Sul América desde dezembro de 2002, com contribuição mensal de R$ 100,00, deve ser restabelecida essa dedução, nos valores de R$ 100,00 e R$ 1.121,42, nos anos-calendário de 2002 e 2003, respectivamente. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Tânia Mara Paschoalin - Relatora ad hoc designada Fl. 578DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/06/201 6 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13709.004251/2002-16
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ALTERAÇÃO NA ORIGEM DO CRÉDITO.
Alteração no crédito indicado, que não configure simples erro de fato constatável unicamente à vista da declaração, importa novo pedido, que deve ser objeto de apreciação original pela autoridade administrativa competente, e não pelo julgador.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA – CSLL Conforme Súmula Vinculante nº 8, do STF, os
arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 são inconstitucionais, e a decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1301-000.527
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ALTERAÇÃO NA ORIGEM DO CRÉDITO. Alteração no crédito indicado, que não configure simples erro de fato constatável unicamente à vista da declaração, importa novo pedido, que deve ser objeto de apreciação original pela autoridade administrativa competente, e não pelo julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA – CSLL Conforme Súmula Vinculante nº 8, do STF, os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 são inconstitucionais, e a decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN. Recurso provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13709.004251/200216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.527 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria Compensação Recorrente Refinaria Manguinhos S/A. Recorrida 3ª Turma da DRJ em Recife ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ALTERAÇÃO NA ORIGEM DO CRÉDITO. Alteração no crédito indicado, que não configure simples erro de fato constatável unicamente à vista da declaração, importa novo pedido, que deve ser objeto de apreciação original pela autoridade administrativa competente, e não pelo julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA – CSLL Conforme Súmula Vinculante nº 8, do STF, os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 são inconstitucionais, e a decadência das contribuições sociais se rege pelas normas do CTN. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, André Ricardo Lemes da Silva (Suplente Convocado) e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Relatório Em julgamento de recurso impetrado por Refinaria Manguinhos S/A., em face da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, que homologou apenas parcialmente, até o limite do crédito de CSLL reconhecido, as compensações efetuadas pelo contribuinte. Os fatos, no que importa para o presente julgamento, podem assim ser sintetizados. A empresa apresentou, em 12/12/2002, Declaração de Compensação (fls. 01/11), informando como crédito os valores R$ 895.044,87, correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e R$ 547.427,06, correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, para compensação de débito de CIDE correspondente ao período de apuração de novembro de 2002. Em face do valor envolvido, bem como das divergências entre os valores declarados pelo contribuinte e os constantes nos sistemas informatizados da SRF, a autoridade administrativa competente encaminhou o processo a Delegacia de Fiscalização, a fim de proceder às verificações quanto ao saldo negativo da CSLL dos anos calendário de 2000 (que foi utilizado para quitação das estimativas do ano seguinte) e 2001. Quanto ao IRPJ, nada foi pedido. A fiscalização, analisando a documentação apresentada pelo contribuinte em atendimento a intimação, prestou as seguintes informações, relacionadas com a ficha 17 da DIPJ/2001 anocalendário de 2000, vejamos: 1 Com relação às provisões do item 19, o valor de R$ 2.657.092,23, relativo ao ajuste de inventário pela perda de estoque, não teve sua dedutibilidade comprovada, além de não ter sido observado o regime de competência. 2 No tocante ao item 26, referente a ágio sobre investimento, no montante de R$ 660.770,15, alega que pelos documentos apresentados, tratase de contabilização indevida como despesa, por se constituir em aquisição de investimento contabilizada no Ativo. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 3 3 Diante das informações prestadas pela fiscalização, a DERAT retificou a ficha 17 da DIPJ 2001/2000, para reduzir as exclusões em R$ 3.317.862,38 e recalcular o valor da CSLL. Além disso, quanto às estimativas declaradas durante o anocalendário, constatou que os valores da DIPJ e das DCTF não coincidem em vários meses, e quanto aos pagamentos efetivados mediante DARF, verificou que eles acompanham o declarado em DCTF, exceto no mês de junho, onde o valor recolhido consta em DIPJ. Em razão desses fatos, recalculou a CSLL do anocalendário 2000, como a seguir: FICHA 17 — CÁLCULO DA CSLL (f1.140) ITEM Valor declarado Valor retificado 01 — Lucro líquido antes da CSLL 25.568.625,19 18 Soma das adições 3.415.927,76 27— Soma das exclusões 8.058.477,35 4.740.614,97 34 — Base de cálculo da CSLL 20.926.075,60 24.243.937,98 36 CSLL 1.883.346,80 2.181.954,41 38 — () CSLL mensal paga por estimativa 2.804.329,86 2.377.150,71 42— CSLL A PAGAR 920.983,06 195.196,29 Na análise do saldo negativo do anocalendário de 2001, considerou a redução do saldo negativo de 2000 (que se refletiu nas estimativas com ele quitadas em 2001), e, ainda, as divergências entre os valores declarados em DIPJ e DCTF a título de estimativas mensais, mais especificamente em fevereiro e março. Admitiu como valor a ser deduzido da linha 38 da ficha 17 tão somente os valores efetivamente recolhidos, confirmados no sistema SINAL 07 (R$ 8.044.694,42), e aqueles cuja compensação com o saldo negativo do ano calendário anterior se mostrou procedente após a diligência (R$ 195.196,29), totalizando R$ 8.239.890,71. Com essas considerações, retificou o valor da CSLL do anocalendário de 2000, como a seguir: Ficha 17— Cálculo da CSLL (f1.141) Item Valor Declarado Valor Retificado 36 CSLL 8.266.202,77 8.266.202,77 38 () CSLL mensal paga por estimativa 8.996.565,05 8.239.890,71 42 CSLL A PAGAR 730.362,28 26.312,06 Afinal, concluiu não haver saldo negativo do anocalendário de 2001, quer para o IRPJ (como informou o contribuinte em sua declaração), quer para a CSLL (após as retificações decorrentes da diligencia), e não homologou as compensações. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dirigida à DRJ Rio de Janeiro. Inicialmente, alega ter cometido dois equívocos no preenchimento na Dcomp, dizendo que: (a) o valor de R$ 895.044,87, informado como sendo de crédito decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 diz respeito, na realidade, à base negativa da CSLL apurada no ano calendário 2001 e, (b) o valor de R$ 574.427,06, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 4 4 informado como sendo de base negativa de CSLL na verdade diz respeito a IRPJ pago a maior no próprio exercício de 2002. Em seguida, invoca a decadência para afirmar não ser lícito a fiscalização rever a apuração da CSLL após o transcurso do prazo de cinco anos. No mérito, contestou a glosa à provisão para ajuste de inventário lançada em 1999, cuja reversão ocorreu em 2000, lembrando que, por ser uma refinaria de petróleo, é cediço que seus produtos apresentam volatilidade, sendo incabível exigir para cada ajuste de inventário decorrente de perda no processo industrial, a empresa providencie a confecção de um laudo pericial. Demonstrou que as perdas em questão equivalem a 0,46% da receita de venda de produto. Sobre a questão da não observância do período de competência, asseverou que o fato de a baixa da provisão lançada em 1999 ter ocorrido somente em 2000, não acarretou postergação ou prejuízo ao fisco, porquanto em ambos os períodos apurouse lucro. Sobre a reversão do ágio de investimento, avaliado pela equivalência patrimonial, alegou que o procedimento adotado pela fiscalização estaria correto em relação ao IRPJ, mas a hipótese em tela diz respeito à CSLL, para qual a amortização do ágio é dedutível, enquanto a amortização do deságio é tributável. Ponderou que tendo adicionado tal parcela no ano anterior e verificado, no ano seguinte, que o mesmo seria dedutível, incabível a glosa operada pelo Sr. Fiscal. Reclamou não ter o despacho decisório, ao refazer a apuração do tributo do ano de 2000, incluído pagamento realizado a título de estimativa no valor de R$ 269.560,71 (fls. 211). Contestou também o valor objeto da carta de cobrança (fl. 148), afirmando que não foi a totalidade da CIDECombustível, referente a novembro de 2002, objeto de pedido de compensação, mas apenas R$ 1.430.471,93 foi, estando o saldo restante devidamente recolhido (fl. 212). Requereu diligência para apurar o pagamento a maior do IRPJ e pediu o reconhecimento total do crédito e homologação total das compensações. A Turma de Julgamento indeferiu o pedido de diligência, por não ter observado os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72, e não acolheu a decadência arguida, considerando que o prazo, para as contribuições sociais é de 10 anos. No mérito, quanto ao crédito relativo ao IRPJ, para o qual a interessada alegou ter ocorrido equívoco na indicação da Dcomp, assentou que que não pode ser modificado o pedido formulado inicialmente, e que eventual crédito tributário pago a maior deve ser objeto de novo pedido. Quanto à CSLL, confirmou as glosas procedidas pela fiscalização na DIPJ do anocalendário de 2000, porém reconsiderou o montante das estimativas pagas, no qual não fora computado o pagamento de R$ 269.560,71 (fl. 211). Retificou, assim o saldo da CSLL, do anocalendário 2001, informado no Parecer Conclusivo (fls. 142/144), alterandoo de "R$ 26.312,06 a pagar", para "saldo negativo de CSLL de R$ 243.248,65" (R$ 26.312,06 R$ 269.560,71), e homologou a compensação até esse limite. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 5 5 Ciente da decisão em 28 de maio de 2009 (fl. 286), a interessada ingressou com recurso em 18 de junho seguinte. Inicialmente, contesta o indeferimento do pedido de diligência. Diz que o formulou após minuciosa explanação acerca do pagamento a maior, portanto, indevido, efetuado a título de IRPJ relativo ao anobase 2001, com anexação dos documentos comprobatórios do crédito decorrente do pagamento a maior realizado no exercício 2002. Em razão desses fatos, afirma que o pedido não desatendeu os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72. Esclarece que na DIPJ relativa ao anocalendário 2001 anexada às fls.139 dos autos, consta no campo pertinente às Deduções, item 13, o lançamento do valor de R$ 504.448,54, referente ao IRRF. Ressalta que o Julgador às fls. 228, assentou que "Também não foram analisados os pagamentos de estimativas no total de R$ 20.257.021,40, tampouco o saldo do Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF), no montante de R$ 504.448,54 informados na DIPJ. Além disso, os comprovantes de retenção do Imposto de Renda, peças imprescindíveis na análise da apuração do crédito a ser restituído, não foram juntadas aos autos. Tal exigência decorre de expressa previsão, contida na Lei n.º 7.450, de 23 dezembro de 1985, que assim dispõe (...).De igual modo, não há comprovante nos autos de que os rendimentos relativos ao imposto retido compuseram o lucro real.". Esclarece que, como dito na manifestação de inconformidade, ao apresentar o pedido de compensação, a Recorrente equivocouse ao informar a existência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário, posto que neste anobase foi efetivamente apurado, após o cômputo das deduções, saldo de IRPJ a pagar no montante de R$ 2.246.733,49 (dois milhões, duzentos e quarenta e seis mil, setecentos e trinta e três reais e quarenta e nove centavos). E que, em face do equívoco cometido, o prolator do Parecer Decisório nº 257/07, manifestouse pela improcedência do pedido de restituição/compensação realizado. Informa que, na manifestação de inconformidade apresentada, a Recorrente esclareceu o equívoco cometido, elucidando seu direito creditório. Aduz que o relator da decisão recorrida, apesar de informar que o saldo do IRRF informado na DIPJ do anobase 2001 não fora analisado anteriormente (R$ 504.448,54), adentrou ao mérito da questão, entendendo que o valor do IRRF deduzido da base de cálculo para apuração do IRPJ a pagar naquele ano calendário, sendo, portanto, crédito a restituir, não sendo devidamente comprovado, haja vista a não apresentação dos competentes comprovantes de retenção, afirmando, ainda, que referidos documentos deveriam ser apresentados juntamente com a manifestação de inconformidade sob pena de preclusão. Argumenta que o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ressalva a possibilidade de apresentação posterior de prova quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Diz que a questão relativa ao saldo do IRRF lançado na DIPJ anobase 2001, somente foi trazida a lume na decisão recorrida, e que o momento processual para apresentação de referidos documentos encerrase com o decurso do prazo para apresentação do presente Recurso Voluntário, na forma estabelecida no art.16, §5º do citado Decreto. Aduz que tomou essa providência, conforme faz prova cópia da petição em anexo, mas que junta ao recurso cópia dos comprovantes do seu direito creditório. Sobre o erro cometido no preenchimento da Dcomp, diz têlo informado na manifestação de inconformidade, e que tal erro é facilmente constatado, bastando para tanto o Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 6 6 exame da DIPJ anobase 2001 anexada aos autos às fls.139 a 141. Acrescenta que na manifestação de inconformidade deu ciência dos seguintes equívocos cometidos: (i) Quanto ao IRPJ, o valor de R$ 856.044,87, informado como sendo crédito decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ, efetivamente diz respeito à base negativa da CSLL apurada no ano calendário 2001; (ii) Quanto à CSLL, o valor de R$ 574.427,06, informado como sendo de base negativa de CSLL, na verdade diz respeito a IRPJ pago a maior no próprio exercício de 2002. Esclarece que, quanto à informação constante no item (i) acima, prestada na Manifestação de Inconformidade, outro equívoco foi cometido, pois conforme se infere pelo exame da DIPJ ano calendário 2001, especificamente na Ficha 17, linha 42, foi apurado no referido anobase saldo negativo de CSLL no montante de R$730.362,28. Alega que a autoridade administrativa, no despacho decisório, assenta que, em relação ao alegado saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, discriminado às fls. 02 da DCOMP, o contribuinte se equivocou, pois neste ano sequer houve saldo negativo, e conclui não proceder à restituição pleiteada. Pondera que o equívoco cometido pela Recorrente é mero erro de fato, erro no preenchimento dos dados e, sendo assim, improcede a conclusão do julgador da decisão recorrida de que a apreciação do seu direito creditório implica novo pedido de compensação. Diz que o procedimento correto seria o retorno dos autos à autoridade competente para elaboração do despacho decisório, considerando que o mero erro de fato cometido não prejudica o direito creditório da Recorrente decorrente do pagamento a maior, portanto, indevido, do IRPJ do anobase 2001, exercício 2002. Quanto ao saldo negativo da CSLL, reedita as razões da manifestação de inconformidade, inclusive quanto à decadência. Afinal, pede o reconhecimento do seu direito creditório e homologação da compensação. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relatório, a Recorrente não teve reconhecidos integralmente os créditos que alegou possuir, referentes a saldos negativos de IRPJ e de CSLL relativo ao anocalendário de 2001, os quais foram utilizados para compensar débito de CIDE. Passo à análise. DO IRPJ A declaração de compensação compreende a indicação dos créditos líquidos e certos do contribuinte em face da Fazenda Nacional, e dos débitos que postula serem extintos pelo encontro de contas com os referidos créditos. A homologação da compensação depende da constatação, pela autoridade administrativa, da existência e grandeza do crédito oferecido. No presente caso a interessada, inicialmente, indicou na Dcomp, como crédito referente ao IRPJ, saldo negativo desse tributo, apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 856.044,87. A autoridade competente da DERAT não reconheceu o direito creditório alegado (e não homologou a correspondente compensação), uma vez que no ano calendário de 2001, após os ajustes efetuados pela autoridade fiscal, a sociedade empresarial apurou saldo positivo, e não negativo de IRPJ. Na manifestação de inconformidade, no que respeita a essa matéria, a interessada alegou ter se equivocado, e que, na verdade: (a) o montante de R$ 856.044,87, consignado como saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, representa saldo negativo da CSLL desse mesmo anocalendário; (b) o montante de R$ 574.427,06, indicado como saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, diz respeito a IRPJ pago a maior no próprio exercício de 2002, posto que, tendo apurado na DIPJ 2002, IRPJ a pagar no valor de R$ 2.246.733,49, recolheu em 27/03/2002, aquele título, o montante de R$ 2.807.969,13, dos quais R$ 2.746.180,08, como principal e R$ 61.789,05, como atualização monetária. Aduziu que o valor recolhido a maior (R$ 575.898,50), é superior ao crédito informado na Dcomp (R$ 574.427,06 ). Em sua manifestação de inconformidade e no recurso a interessada se apoia na tese de erro de fato que não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento dos créditos. De fato, os erros no preenchimento de declarações não devem prejudicar o direito do contribuinte quando constatáveis à simples vista da declaração. Seria o caso, por exemplo, se o contribuinte tivesse invertido os valores, e indicado como saldo negativo do IRPJ de determinado período o da CSLL e viceversa, ou qualquer outro facilmente detectável. Entretanto, não é esse o caso dos autos. Ao alegar ter se equivocado, o contribuinte diz que o montante de R$ 856.044,87, consignado como saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, representa Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 8 8 saldo negativo da CSLL desse mesmo anocalendário. Contudo, da análise dos autos verifica se que o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2001, informado na DIPJ apresentada, foi de R$ 730.362,28, e não R$ 856.044,87, como diz o recorrente. Por seu turno, o valor de IRPJ que declara ter pago a maior em 27/03/2002 (R$ $ 575.898,50), não coincide com o valor indicado como crédito na Dcomp, o que demonstra, claramente, que não ocorreu equívoco na indicação da origem do crédito apontado, mas sim, alteração do pedido inicial. A alteração do pedido inicial implica novo pedido, que não pode ser analisado, em primeira mão, pelos órgãos julgadores (DRJ ou CARF), não merecendo, portanto, qualquer reparo a r. decisão a quo quando não reconheceu o direito creditório relativo ao IRPJ. Por seu turno, deixo de apreciar a alegação recursal quanto à equivocada motivação para o indeferimento da diligência, uma vez que esta se dirigiria à comprovação da existência de pagamento a maior de IRPJ no exercício de 2002, o que não tem pertinência com o pedido objeto deste processo. Como se viu, a decisão a quo não acolheu a pretensão do contribuinte de alterar o pedido para oferecer outro crédito. Dessa forma, não tem pertinência diligência para aferir a existência desse outro crédito. Por conseguinte, qualquer apreciação, neste recurso, quanto ao indeferimento da diligência fere o princípio da economia processual, pois no processo não devem ser praticados atos que não influenciam na solução do litígio. DA CSLL O pleito do contribuinte de utilização do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001, para compensar débito da CIDE restou deferido em parte, porque o saldo negativo apurado na DIPJ, no valor de R$ 730.362,28, foi reduzido, após a decisão de primeira instância, para saldo negativo de R$ 243.248,65, tendo em vista as alterações levadas a efeito no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000, utilizado para compensar saldo de estimativas de 2001. Na manifestação de inconformidade a interessada invocou a decadência para refutar as alterações feitas de ofício, em março de 2007, na apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2000. De se registrar que a alteração de ofício da base de cálculo é atividade inerente ao lançamento e, assim, se sujeita ao prazo fatal para tanto previsto na lei (decadência). Segundo a decisão de primeira instância, a decadência das contribuições sociais se rege pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91, que estabelece o prazo em 10 anos. Ocorre que o plenário do Supremo Tribunal Federal, após realizar diversos julgamentos sobre esta questão, no dia 12.06.2.008 aprovou a súmula vinculante nº 08, com o seguinte teor: “SÚMULA VINCULANTE Nº 8 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13709.004251/200216 Acórdão n.º 1301000.527 S1C3T1 Fl. 9 9 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.” Da análise da Súmula Vinculante nº 08, extraise que o STF confirmou que o prazo prescricional e decadencial para constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais é de 5 (cinco) anos, julgando inconstitucional o artigo 45 da Lei 8.212/91. Nos termos do artigo 103A da Constituição Federal, a seguir transcrito, a administração pública está vinculada à observância da súmula, senão vejamos: “O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula, que a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esfera federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta lei”. (g.n). Portanto, não pode prevalecer a alteração produzida, de ofício, no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000, levada a efeito em março de 2007, mediante revisão da apuração da base de cálculo. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, no valor original de R$ 730.362,28, e homologar a compensação declarada até esse limite (aí compreendida a parcela já reconhecida pela decisão recorrida). Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13161.000867/2006-68
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE. SUJEITO PASSIVO, IMÓVEL
ALIENADO.
O crédito tributário relativo a tributos cujo fato gerador seja a propriedade sub-roga-se na pessoa do adquirente, salvo de do título contar a prova da quitação.. Assim, quanto a Escritura Pública de Compra e Venda traz a informação da quitação do tributo, o sujeito passivo será o proprietário à época do fato gerador,
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO, O fisco
pode exigir a comprovação cia área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado.
Preliminar rejeitada,
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.670
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE. SUJEITO PASSIVO, IMÓVEL ALIENADO. O crédito tributário relativo a tributos cujo fato gerador seja a propriedade sub-roga-se na pessoa do adquirente, salvo de do título contar a prova da quitação.. Assim, quanto a Escritura Pública de Compra e Venda traz a informação da quitação do tributo, o sujeito passivo será o proprietário à época do fato gerador, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO, O fisco pode exigir a comprovação cia área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. Preliminar rejeitada, Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Moisés Giacome 1i Nune-S—dTSIlva-2Presidente em exercício Pedro Paulo Pereira Barbosa - elator EDITADO EM: 2 2 OUT 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), José Evande Carvalho Araújo (Suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente), Relatório Contra PAR1NVEST EMPREENDIMENTOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. foi lavrado o auto de infração de fls.. 08/16 para fonnalização da exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial rural — ITR, no valor de R$ 134,110,00, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 329,789,90. Segundo o relato fiscal, os fatos que ensejaram a autuação foram: 1) Falta de comprovação da averbação da área de utilização limitada do tipo 2) Falta de comprovação da utilização do ADA, com o recolhimento da respectiva Taxa de Vistoria, para efeito de redução do valor do ITR. Foi então glosada a área declarada como de utilização limitada que, no caso, correspondia a 100% da área do imóvel, passando-se a calcular o valor do imposto sobre esta área, A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 20 a 27 na qual alegou, em síntese, que o imóvel foi vendido em 20/11/2002 para Nelson Cintra Ribeiro e Sérgio Luiz pereira, sendo 50% para cada um, conforme cópias de Escritura Pública, e que os débitos posteriores a 2002 são de responsabilidade dos compradores, A DRJ-CAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento.. Após reproduzir os artigos 1", 4' e 5" da Lei ri' 9.393, de 1996 e os artigos 129 e 130 do CTN, a DRJ concluiu que: Tais dispositivos não afastam a condição de contribuinte do alienante com relação aos tributos cujos fatos geradores ocorreram quando o mesmo ainda tinha a propriedade do imóvel, da mesma „lbrnia que não definem em nome de quem deve ser fOrmalizado o lançamento do tributo em caso de sucessão_ O ar! 129, para .fins de apuração de responsabilidade, determina que devem ser tratados da mesma . fora os créditos tributários .já definitivamente constituídos, em curso de constituição ou constituídos posteriormente ao ato de sucessão EDITADO EM: reserva legal; 2 Processo n" 13161.000867/2006-68 52-C2T1 Acórdão " 2201-00..670 Fl 2 Com relação é possibilidade de sub-rogação do crédito tributário ao adquirente, como previsto no ar!. 130 do CTN, tal deve ser observado no procedimento de cobrança, se for o caso, Porém, é importante destacar que constou das Escrituras Públicas de Compra e Venda juntadas aos autos a informação de que foi apresentado comprovante de pagamento do ITR dos exercícios de 1998 a .2002 e certidões negativas, o que se enquadra na ressalva prevista no final do caput do citado ai!. 130. Na seqüência, a DR.I . discorreu sobre as condições para a exclusão de áreas de utilização limitada e concluiu pela regularidade do lançamento quanto a este aspecto, A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 03/11/2008 (fls. 040) e em 02/12/2008 interpôs recurso voluntário, nos termos da peça de fis. 72/81, no qual reitera as alegações quanto à ilegitimidade passiva e reafirma que, quando da alienação do imóvel, o imposto estava devidamente quitado, conforme consta da Escritura Pública de Compra e Venda, É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa — Relatar O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de ilegitimidade passiva. Afirma a Recorrente que alienou o imóvel e que, portanto, o sujeito passivo seria o adquirente, com base no art, 130 do CTN. Entendeu a DR.', por sua vez, que o mesmo artigo 130, que prevê a sub- rogação do crédito tributário, ressalva quando consta do título a prova da quitação do tributo, situação verificada no caso concreto. Para maior clareza, reproduzo a seguir o dispositivo invocado, in verbis: Ar! 130 Os créditos tributários relativos a impostos cujo fino gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem fiSSi 111 os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. De fato, no caso concreto, como ressaltou a decisão de primeira instância, "constou das Escrituras Públicas de Compra e Venda juntadas aos autos a informação de que foi apresentado comprovante de pagamento do 1TR dos exercícios de 1998 a 2002". Portanto, a informação quanto à quitação do tributo, Resta caracterizada, portanto, a situação ressalvada na parte final do art. 1.30, acima reproduzido. Rejeito, portanto, a preliminar de ilegitimidade passiva. Quanto ao mérito, a questão em litígio cinge-se apenas à comprovação da área declarada como de utilização limitada. A Contribuinte foi intimada a comprovar a existência da área ambiental e não o fez. Correta, portanto, a glosa. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso.
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