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Numero do processo: 10935.001039/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DE APRESENTAÇÃO QUANDO ABERTO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Ao contribuinte em procedimento de ofício não é dado o direito de retificar a declaração anteriormente apresentada, entendimento que hoje se encontra cristalizado na inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração
entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF QUE COMPROVAM A INFRAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM FORMULÁRIO SIMPLIFICADO. UTILIZAÇÃO DE DESCONTO SIMPLIFICADO. INVIABILIDADE DE DEDUÇÃO DAS DEMAIS DESPESAS ORDINARIAMENTE PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO MODELO COMPLETO. As provas acostadas aos autos (DIRF e Informe de Rendimentos) comprovam de forma iniludível a omissão de rendimentos imputada ao fiscalizado pela auditoria fiscal. Ademais, apresentada a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto previsto em lei, o qual substitui todas as despesas passíveis de dedução, como se vê no art. 10 da Lei nº 9.250/95, inviável pleitear a dedução daquelas despesas que
somente poderiam ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração do modelo completo. No caso destes autos, a autoridade fiscal simplesmente manteve a opção pelo modelo simplificado, utilizado pelo contribuinte quando apresentou sua DIRPF, não havendo assim qualquer reparo a ser feito no trabalho de auditoria, pois a opção pela forma de tributação é definitiva quando aberto o procedimento fiscal, já que inviável qualquer procedimento espontâneo por parte do fiscalizado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DE APRESENTAÇÃO QUANDO ABERTO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Ao contribuinte em procedimento de ofício não é dado o direito de retificar a declaração anteriormente apresentada, entendimento que hoje se encontra cristalizado na inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF QUE COMPROVAM A INFRAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM FORMULÁRIO SIMPLIFICADO. UTILIZAÇÃO DE DESCONTO SIMPLIFICADO. INVIABILIDADE DE DEDUÇÃO DAS DEMAIS DESPESAS ORDINARIAMENTE PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO MODELO COMPLETO. As provas acostadas aos autos (DIRF e Informe de Rendimentos) comprovam de forma iniludível a omissão de rendimentos imputada ao fiscalizado pela auditoria fiscal. Ademais, apresentada a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto previsto em lei, o qual substitui todas as despesas passíveis de dedução, como se vê no art. 10 da Lei nº 9.250/95, inviável pleitear a dedução daquelas despesas que somente poderiam ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração do modelo completo. No caso destes autos, a autoridade fiscal simplesmente manteve a opção pelo modelo simplificado, utilizado pelo contribuinte quando apresentou sua DIRPF, não havendo assim qualquer reparo a ser feito no trabalho de auditoria, pois a opção pela forma de tributação é definitiva quando aberto o procedimento fiscal, já que inviável qualquer procedimento espontâneo por parte do fiscalizado. Recurso negado.
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INVIABILIDADE DE APRESENTAÇÃO QUANDO ABERTO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Ao contribuinte em procedimento de ofício não é dado o direito de retificar a declaração anteriormente apresentada, entendimento que hoje se encontra cristalizado na inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF QUE COMPROVAM A INFRAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM FORMULÁRIO SIMPLIFICADO. UTILIZAÇÃO DE DESCONTO SIMPLIFICADO. INVIABILIDADE DE DEDUÇÃO DAS DEMAIS DESPESAS ORDINARIAMENTE PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO NO MODELO COMPLETO. As provas acostadas aos autos (DIRF e Informe de Rendimentos) comprovam de forma iniludível a omissão de rendimentos imputada ao fiscalizado pela auditoria fiscal. Ademais, apresentada a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto previsto em lei, o qual substitui todas as despesas passíveis de dedução, como se vê no art. 10 da Lei nº 9.250/95, inviável pleitear a dedução daquelas despesas que somente poderiam ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda na declaração do modelo completo. No caso destes autos, a autoridade fiscal simplesmente manteve a opção pelo modelo simplificado, utilizado pelo contribuinte quando apresentou sua DIRPF, não havendo assim qualquer reparo a ser feito no trabalho de auditoria, pois a opção pela forma de tributação é definitiva quando aberto o procedimento fiscal, já que inviável qualquer procedimento espontâneo por parte do fiscalizado. Recurso negado. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MARCONIESSON DE OLIVEIRA, CPF/MF nº 152.341.77904, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 21/01/2008, auto de infração (fls. 02 e seguintes), com ciência postal em 30/01/2008 (fl. 14), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 8.729,69 MULTA DE OFÍCIO R$ 6.547,26 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos da Coordenação da Receita do Estado do Paraná (PR), CNPJ nº 78.393.592/000146, no valor de R$ 81.056,59 (houve retenção na fonte de R$ 10.903,37, igualmente considerada pela fiscalização – fl. 04). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 7ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0629.480, de 03 de dezembro de 2010 (fls. 34 e 35). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 06/01/2011 (fl. 38). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 07/02/2011 (fl. 39). No voluntário, o recorrente alega o que segue (fl. 39): a) que da análise não foi levado em consideração o fato que a declaração foi entregue ao Auditor responsável pela verificação fiscal; Fl. 59DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10935.001039/200812 Acórdão n.º 210201.626 S2C1T2 Fl. 2 3 b) que não foi possível entregar eletronicamente a declaração objeto do presente, pois estava sob ação fiscal, e a entrega bloqueada; C) que a revisão não referiuse apenas a ganho de capital, como se comprova pelas cópias das intimações, e termo de inicio de fiscalização, cópias anexo; d) que considerando os rendimentos supostamente omitidos, deduzidas as despesas de direito não há imposto a pagar; e) que consta na informação de rendimentos da fonte pagadora, descontos dedutíveis, ou seja PENSÃO ALIMENTÍCIA e CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, não considerada na apuração; f) que ratifica as alegações apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 06/01/2011 (fl. 38), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 07/02/2011 (fl. 39), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 07/02/2011. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, devese anotar que ao contribuinte em procedimento de ofício não é dado o direito de retificar a declaração anteriormente apresentada, entendimento que hoje se encontra cristalizado na inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Como reconhecido pelo próprio recorrente, que se encontrava sob procedimento fiscal, inviável a retificação pretendida em face da declaração simplificada de fl. 11, ou seja, o contribuinte terá que se submeter às revisões perpetradas pela autoridade fiscal, não mais podendo retificar sua declaração original. Quanto à eventual ação fiscal anterior em desfavor do contribuinte, referente ao mesmo anocalendário, o recorrente somente teria razão se tivesse sido a ele imputado o crédito tributário em duplicidade, o que aqui não se demonstrou. Dando seqüência à apreciação das teses defensivas trazidas no recurso, no tocante à omissão de rendimentos recebidos da Coordenação da Receita do Estado do Paraná (PR), CNPJ nº 78.393.592/000146, esta restou comprovada à saciedade nos autos, quer com os dados da DIRF da fonte pagadora (fl. 27), quer com o informe de rendimentos trazido pelo próprio impugnante (fl. 05) ou quer com a declaração retificadora malograda entregue à Fl. 60DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 autoridade fiscal (fl. 06), tudo harmonicamente demonstrando a higidez da omissão de rendimentos imputada ao fiscalizado pela autoridade autuante. Por último, alega o contribuinte que não teria imposto a pagar, caso fossem consideradas as despesas normalmente dedutíveis, como a pensão alimentícia e a contribuição previdenciária oficial. Ocorre que o contribuinte apresentou a declaração objeto de auditoria utilizando o desconto simplificado (fl. 11), o qual substitui todas as despesas passíveis de dedução, como se vê no art. 10 da Lei nº 9.250/95, abaixo transcrito, na redação vigente na época do fato gerador: Art. 10. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de 20% (vinte por cento) do valor desses rendimentos, limitada a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie.(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) § 1º O desconto simplificado a que se refere este artigo substitui todas as deduções admitidas na legislação.(Vide Medida Provisória nº 232, 2004) § 2º O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. Ora, a autoridade fiscal simplesmente manteve a opção pelo modelo simplificado, utilizado pelo contribuinte, não havendo assim qualquer reparo a ser feito no trabalho de auditoria, pois a opção pela forma de tributação é definitiva quando aberto o procedimento fiscal, já que inviável qualquer procedimento espontâneo por parte do fiscalizado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 61DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10935.001039/200812 Acórdão n.º 210201.626 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 62DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002123/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
NORMAS PROCESSUAIS NULIDADES RELATIVAS Em direito
processual, os vícios que acarretam nulidade relativa devem ser argüidos na primeira oportunidade em que o interessado se manifesta, sob pena de preclusão do direito de fazê-lo,
com convalidação dos atos praticados.
OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ACRÉSCIMO
PATRIMONIAL NÃO CARACTERIZADO – Não há que se falar em
omissão de receitas não operacionais na empresa alienada (ora Recorrente), o fato de o vendedor (Controlador) obrigar-se
a indenizar incondicionalmente o comprador (Terceiro) por qualquer obrigação contingente, prestadas nos termos de contrato de compra e venda de ações, eis que os efeitos tributários
dessa operação se produzem na órbita dos contratantes. Ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL Em se tratando de exigência reflexa
que têm por base os mesmos fatos do lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão da CSLL.
Numero da decisão: 1301-000.750
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos proferidos no voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS NULIDADES RELATIVAS Em direito processual, os vícios que acarretam nulidade relativa devem ser argüidos na primeira oportunidade em que o interessado se manifesta, sob pena de preclusão do direito de fazê-lo, com convalidação dos atos praticados. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO CARACTERIZADO – Não há que se falar em omissão de receitas não operacionais na empresa alienada (ora Recorrente), o fato de o vendedor (Controlador) obrigar-se a indenizar incondicionalmente o comprador (Terceiro) por qualquer obrigação contingente, prestadas nos termos de contrato de compra e venda de ações, eis que os efeitos tributários dessa operação se produzem na órbita dos contratantes. Ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL Em se tratando de exigência reflexa que têm por base os mesmos fatos do lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão da CSLL.
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NV MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processe n'' 16327.002123/2007-17 Rccnn, o n° Voluntário Acórdão n° 1301-000.750 — 3Camara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011. Matéria IRPJ-CSLL Recorrente Banco Santander S/A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADES RELATIVAS - Em direito processual, os vícios que acarretam nulidade relativa devem ser arguidos na primeira oportunidade em que o interessado se manifesta, sob pena de preclusdo do direito de fazê-lo, com convalidação dos atos praticados, OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO CARACTERIZADO — Não há que se falar em omissão de receitas não operacionais na empresa alienada (ora Recorrente), o fato de o vendedor (Controlador) obrigar-se a indenizar incondicionalmente o comprador (Terceiro) por qualquer obrigação contingente, prestadas nos termos de contrato de compra e venda de ações, eis que os efeitos tributários dessa operação se produzem na órbita dos contratantes. Ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL - Em se tratando de exigência reflexa que têm por base os mesmos fatos do lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / la Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos proferidos no voto do Relator. AUtentk;i3d0 rr't sr,or %/At. 1iE.R1 0 PINTi:": SOtiZA 3UNORAs;;'i;Nad()dpíimcite em 35 1 122011 VAL.:‘,M (2'n 13 12 1 p UFI) 11.2)1,.:71\I ft ) 3 fltOFZUZ DF CAM' MI' 66 I Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 2 (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Auteiitw000 0.)/12:-„,011 \r em 1 3I122 I I px BE.RTO PIN I O SC;',.;ZA JUNIOR e.:ic.-3;;;;onZe ()m 0.5.'12_01 \A1 MU/ JUUUNI mpo mso ern 1 0 12/2011 por SUELI TC , LENT11 ,;0 i'vIENDES CRUZ 2 Di' CARE ME FL 662 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 3 Relatório Banco Santander S/A. recorre da decisão da 10a Turma de Julgamento da DRJ em So Paulo que, por unanimidade de votos, considerou procedentes os autos de infração relativos ao impost° de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CS LL do ano-calendário de 2002. Relata a fiscalização que em 18/01/2000 foi celebrado contrato de compra e venda, figurando como compradora a instituição financeira Banco Santander Central Hispano S/A., sociedade sediada na Espanha, e como vendedora a sociedade empresária Bozano, Simonsen Financial Oldings Ltd., sediada em Grand Cayman, indias Ocidentais Britânicas e tendo como objeto do negócio jurídico a transferência de ações que representam 96,91% do capital acionário do Banco Meridional S/A., Holding que inclui o Banco Bozano, Simonsen S/A. Por outro lado, contra o Banco Bozano, Simonsen S/A. haviam sido lavrados autos de infração (ciência em 08/05/2000) que, impugnados, foram apreciados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes na sessão de 06/11/2002, conforme Acórdão 101-94.000, tendo sido mantidos os lançamentos, com exceção do agravamento de multa e da exigência relativa A perda pela cessão não onerosa de créditos. Pouco tempo depois, em face de beneficio concedido pela Medida Provisória n° 66/2002 (dispensa parcial de juros e multas) e estendida pela Medida Provisória n° 75/2002, a instituição financeira houve por bem efetuar, em 18/11/2002,0 pagamento da importância total de R$ 616.598.420,11. Intimada, a interessada esclareceu como foram feitos os lançamentos contábeis do pagamento (fls. 275 e 276) e informou que o valor correspondente A diferença entre o valor debitado e o creditado na conta COSIF 1.8.8.85.00.4 - conta interna n° 453894, R$ 130.245.281,83, corresponde ao valor liquido de variação cambial, levado a débito do resultado operacional dos anos de 2002 e 2003 na conta 8.1.9.99.00-6 - OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Diante dessa explicação, ressaltou a autoridade fiscal que os lançamentos efetuados pelo contribuinte evidenciam que a operação que deu causa aos registros contábeis foi tratada sem impactar contas de resultado, exceto quanto As despesas de variação cambial. Assim foram adotados dois critérios: o ingresso dos valores não afetou o resultado positivamente, entretanto a desvalorização desse mesmo valor enquanto não repatriado, impactou o resultado negativamente. A autoridade fiscal situou a questão central a ser deslindada na qualificação jurídica do valor de R$ 623.488.849,71, registrados na contabilidade da instituição financeira em novembro de 2002. Anotou que pelos registros contábeis e resposta a indagações feitas ao contribuinte, seu entendimento é de que se trata de valor que não deve ser submetido A. tributação, uma vez que teria natureza de indenização ou reembolso de valores pagos por conta e ordem do antigo controlador do Banco Bozano, Simonsen S/A., apontando para a cláusula 5.1 do contrato original, com a redação dada pela cláusula 7 do termo Aditivo de 05 de maio de 2000 , assim redigida: Autentiegdo digitalmo em 05/12/2b1". per VALM SADRL. /V:s!. mio d mnle ei 3/12/2:-'111 r ;.=1.. BERT() PINTO SOUZA JUN, Anino d!gi;dimcntt:: cn; 05/1212011 pcx VAL i' ,12 3 impresso em 16/12/2011 po: SUE:i 101 ENTINO CRI 1)1: CARF FL 66:7) Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 4 "5.1. Responsabilidade do Vendedor. Indenização e Garantia. O Vendedor assume plena responsabilidade por quaisquer prejuízos que possam resultar para o Grupo e/ou para o Comprador de seus compromissos, de suas Declarações e Ga7antias ou de ambos. Além disso, o Vendedor obriga-se incondicionalmente a indenizar integralmente o Grupo ou o Comprador, conforme o Comprador possa decidir, por (i) qualquer prejuízo (inclusive Custos e Despesas de Processos Trabalhistas e Legais) que possa surgir para o Grupo de qualquer Processo Judicial especifico (o "Processo Judicial Individual') em valor superior às provisões alocadas a esse Processo Judicial nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas; (ii) qualquer prejuízo (inclusive Custos e Despesas de Processos Trabalhistas e Judiciais) que possa surgir para o Grupo de Processos Trabalhistas em valor superior às provisões alocadas a Processos Trabalhistas nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas no valor de R$ 121.238.295,00 e (iii) qualquer Obrigação Contingente (doravante, todos os prejuízos e contingências serão designados os "Processos"). A responsabilidade do Vendedor não será limitada ao valor depositado na Conta Caução ou ao valor do Prego Final. Apesar disso, as Partes reconhecem que o Vendedor não será obrigado a efetuar qualquer pagamento que for redundante com a quitação efetuada de acordo com as Cláusulas 1.3 e 1.5 (conforme regulamentado no Documento de Liquidação). Ern qualquer caso, a norma sobre não duplicação mencionada na Cláusula 3.3 (ix) do Contrato estará em pleno vigor e efeito." Menciona a autoridade fiscal que na relação obrigacional estabelecida pelo contrato celebrado entre as partes está-se falando de indenização, porém pondera que indenizar é reparar um dano, um prejuízo, e que, no caso, não bá dano a ser reparado. E justifica: E isto porque não é possível admitir que, segundo a definição jurídica, tenha havido qualquer direito a ser indenizado, uma vez que estamos diante de ação legitima da Administração Pública, cobrando tributos e que esses agentes públicos atuaram dentro dos limites e contornos legais estabelecidos, especialmente no que estabelece o art. 142 do Código Tributário Nacional. E ainda mais: esse lançamento de crédito tributário veio a ser reconhecido como devido, tanto pela própria Administração (pela confirmação do ato administrativo nas instâncias legais) quanto pelo contribuinte quando fez o pagamento de sua obrigação. O que está em pauta, a nosso ver, é o ingresso de valores não decorrentes da atividade operacional do contribuinte, pelo pagamento como forma de extinção de obrigação contraída no negócio jurídico avençado entre as partes em que, por decorrência de manifestação de vontade, procurou produzir determinado efeito jurídico. E esse contrato evidencia uma declaração de vontade que se constituiu por ato livre das partes. Autenticado f.figitRimente en C5!", 2120 I 1 pot VAtylliZ 2 10 clioitolP•on!oe. 13/12320 1 1 por BERT() PINTO SOUZA Jut,,Bop. Assio.ado 03trOc ern 05'1212011 Or SA2":)R1 4 Impresso ern 10/1 2/2011 poi. TOLEN'iT,C)!WF.NDPS nA C7:12 DI CAM' NI!' 12 1. 66=1 Processo n° 16327.002123/2007-17 . S1 -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 5 Afastou a possibilidade de se falar em indenização, identificou o fato como: "Ingresso não decorrente das atividades operacionais da pessoa jurídica caracterizado pelo recebimento de valor contratual e livremente avençado pelas partes, pela assunção de re:,ponsabilidade contratual do ex-controlador do Grupo Meridional, a sociedade empresária Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd, sociedade esta com sede social em Grand Cayman, indias Ocidentais Britânicas, decorrente de contrato celebrado entre essa sociedade e o Banco Central Hispano S.A. Em resumo: ingresso de valor decorrente do pagamento de cláusula contratual como forma de extinção de obrigação contratual". Entendeu que a qualificação jurídica do fato é de renda tributável, da espécie acréscimo patrimonial de que trata o art. 43, II, do Código Tributário Nacional. Considerando que não houve a computação dos ingressos de valores recebidos por conta do pagamento da obrigação contratual, que causaram acréscimo patrimonial pela entrada de renda nova, com o conseqüente impacto no resultado do exercício do ano de 2002, efetuou o lançamento de oficio tomando por base o valor do ingresso de R$ 623.488.849,71, deduzido dos juros de mora de R$ 206.114.828,55, perfazendo a importância liquida tributável de R$ 417.374.021,16. Tempestivamente, o contribuinte apresentou impugnação, argüindo, preliminarmente, nulidade do procedimento, visto que o Mandado de Procedimento Fiscal restringia à fiscalização do IR/Fonte e, assim, os Auditores Fiscais não detinham autorização para fiscalizar o IRPJ e a CSLL no ano base de 2002, razão pela qual deve ser reconhecida a nulidade por vicio formal dos atos fiscalizatórios que culminaram na lavratura dos autos de infração. Quanto ao mérito, esclarece inicialmente que, nos termo do Contrato celebrado em 18/01/00, bem como do Aditivo celebrado em 05/05/00 e do Contrato de Caução, o vendedor (Bozano, Simonsen Financial Holding Ltd.) está obrigado a indenizar incondicionalmente o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.), por qualquer obrigação contingente (quaisquer obrigações tributárias e fiscais) por meio da transferência dos valores depositados na Conta de Caução (Escrow Account) ao Comprador. Assim, o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.), por meio Banco Santander (conforme consta do doc. de fls. 74/75), efetuou o pagamento dos valores constantes do Processo Administrativo n°10768.008.506/00-95, devidos pelo Banco Bozano, Simonsen S/A. e foi ressarcido pela transferência do dinheiro que estava depositado na Conta de Caução. Em seguida, tece considerações sobre o conceito de indenização/reembolso com o objetivo de demonstrar que o valor recebido não pode ser considerado como "receita tributável", como entendeu a Fiscalização. Pondera que, no caso, trata-se de mera recomposição patrimonial, após dispor da quantia para pagamento de divida de outrem, não havendo acréscimo de patrimônio e, portanto, inexistente a materialidade tributável pelo IRPJ e CSLL. Afirma que como o valor recebido decorre de mero reembolso ao pagamento anteriormente efetuado, não havia necessidade de a quantia recebida transitar por contas de Aucentieado ig lolO e e o 050 2r201 or Vtd.N1=k Fl‘NDj- d. Aswor ■., elr I 3112/: I BENTO PIN I- 0 ;;;OUZA on :15/1212011 r ., :w 'IRI NII SAtslr)R , impre5so em 16/12.12011 pc ( SUELI OL.F.N UNO r,:.F;,;1...)ES 5 1)1 CARE \II' FL 665 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 6 resultado, como entendeu a Fiscalização, mas tão somente por contas de ativo como fez o contribuinte, devendo ser cancelados os autos de infração originários do presente Processo Administrativo. Assevera que a contabilização adotada teve efeitos neutros para fins tributários. Diz que se o valor recebido fosse, de fato, considerado como uma nova receita, como entendeu a Fiscalização, o pagamento dos débitos mantidos no processo administrativo instaurado em face do Banco Bozano, Simonsen S/A. também deveria ser considerado como urna despesa. Assim, a receita auferida seria neutralizada por essa despesa para a determinação do resultado. Dessa forma, caso se admita que o contribuinte tenha auferido receita em função do aludido reembolso, deve-se considerar a dedutibilidade da obrigação contratual prevista, a qual deveria se contrapor à receita, pela aplicação do principio contábil da contraposição de receitas e despesas, bem como por revestir-se das características de necessidade, usualidade e normalidade, essenciais para a dedutibilidade, nos termos do art. 299 do RIR/99. Esclarece que quando efetuou o pagamento dos créditos tributários, houve o lançamento a crédito na conta Caixa/Reserva no valor de R$ 623.488.849,77, ou seja, houve a redução, ainda que temporária, do seu patrimônio com o dispêndio realizado. 0 valor recebido a titulo de reembolso apenas recompôs o seu patrimônio, a fim de que não arcasse com um prejuízo, não se podendo admitir a incidência do IRPJ e da CSLL. Contestou a utilização da Taxa Selic como juros de mora e pediu, afinal, a desconstituição dos créditos tributários formalizados. A 1 Oa Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo manteve a exigência, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. 0 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. INGRESSO DE RECURSOS NÃO DECORRENTES DA ATIVIDADE OPERACIONAL. 0 pagamento de tributo acarreta uma legal e natural redução do patrimônio de qualquer contribuinte, representando a reposição de tais valores acréscimo patrimonial sujeito à tributação. TAXA SELIC. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Autenii:;ado digilainlerlie en) 00, 2/2011 por VALM2 SAN2I-0. Ansirc.v o .n,,t-Ite 1311212r,1 p , Jr. tL BERTO PINTO SOUZA JUNOR As LrIc oto 05;12;2011 e VAI_Mif 6 flres o cm ic:;i2i2G1'ee SUE7 11 TO ENTINO i'v'Nr)t- E> DA . ; (...:ARF MF FL 666 Processo n° 16327.002123/2007-17 S1 -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 7 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que têm por base os mesmos fatos do lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão da CSLL Cnte da decisão em 20 de março de 2008 (fl. 418), o interessado ingressou com rem so em 18 de abril seguinte. Reedita a preliminar de nulidade do procedimento por vicio no MPF e aduz unia segunda preliminar, de nulidade da decisão por falta de motivação. Com efeito, para justificar a manutenção dos créditos tributários exigidos no presente caso, a Turma Julgadora limitou-se a transcrever, na decisão ora recorrida, trechos extraídos do "Termo de Constatação de Infração à Legislação Tributária" (fls.. 278), sem, contudo, demonstrar e fundamentar a efetiva existência, no seu entender, de renda ou lucro, para fins de manutenção das autuações em comento. Diz que a Turma Julgadora utilizou, como razão de decidir, os mesmos fundamentos expostos pelos Srs. Agentes Fiscais para lavratura dos autos de infração originários do presente processo administrativo, e conclui que a decisão carece de motivação e cerceia, por conseqüência, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Invoca o art. 31 do Decreto n° 70.235/72 e os artigos, parágrafo único, 2°, inciso VII e 50 da Lei 9.784/99. Quanto ao mérito, reafirma o já dito na impugnação, de que, nos termos do Contrato celebrado em 18/01/00, bem como do Aditivo celebrado em 05/05/00 e do Contrato de Caução, o Vendedor (Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd.) está obrigado a indenizar incondicionalmente o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.) por qualquer obrigação contingente (quaisquer obrigações tributárias e fiscais), por meio da transferência dos valores depositados na Conta de Caução (Escrow Account) ao Comprador. Assevera que, em cumprimento do acordado, o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.), por meio do ora Recorrente (conforme consta do doc. de fls. 74/75), efetuou o pagamento dos valores constantes do processo administrativo n° 10768.008506/00- 95, devidos pelo Banco Bozano, Simonsen S/A. (objeto do contrato de compra e venda em questão — sociedade controlada pelo Banco Meridional S/A.), o que gerou, conseqüentemente, o reembolso dos valores em questão ao Recorrente. Chama atenção para o equivoco cometido pela Turma Julgadora, que entendeu serem válidos os lançamentos efetuados, uma vez que "a pessoa jurídica que figurava no pólo passivo da obrigação tributária no Processo Administrativo n. 10768.008506/00-95, é a mesma que figura no pólo passivo do Presente Processo Administrativo de n. 16327.002123/2007-17", concluindo, ainda, que "assim estamos diante do exercício legitimo da Administração Pública de cobrar tributo" (fls. 410). Destaca que a autuação originária do processo administrativo n° 10768.008506/00-95, em 08/05/2000, foi lançada em face do Banco Bozano, Simonsen S/A., inscrito no CNPJ sob o n° 33.517.640/0001-22, em razão de supostas infrações à legislação tributária praticadas nos anos-calendário de 1995 a 1998 (ou seja, anteriormente à celebração do contrato de compra e venda em questão). Aute;11:(;acio iiqi1ameriI en U5l 1 2i2 SAN E3Ef2TO PNTO SOUZA JUNK/k. I iJo O a or a or 0/12 12'0 !INN asso em 011 7/2011 por TOLENT!NK MF NDF.S Ci" ,0-`7 ri)/ AO oaIa es 13/12/201 o r Vf rOlSANDP) 7 Dr. CART MI; Fl. 667 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 8 Assim, independentemente de serem ou não a mesma pessoa jurídica, fato é que, nos termos do contrato de compra e venda celebrado e da carta datada de 18/11/2002 (fls. 74/75), os valores recebidos pelo Recorrente referem-se à indenização/reembolso, nos termos de disposição contratual, por ter adiantado, em nome do Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A), os Valores devidos pelo Vendedor, por supostas infrações cometidas, anteriormente celebração do contrato em questão (infrações essas que representam obrigações contingentes mencionadas no Termo Aditivo). Insiste no fato de que o Vendedor, nos termos do contrato de compra e venda (fls. 257 dos autos), assumiu o dever de indenizar o Comprador por qualquer obrigação contingente (obrigações tributárias, inclusive) decorrente da negociação, e assim resume o fato concreto: (i) o Vendedor (Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd.) obrigou-se pelo contrato a indenizar o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A) pelas obrigações contingentes — cláusula 7 do Termo Aditivo; (ii) o Vendedor (Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd.) por meio da carta datada de 18/11/2002 (fls. 74) informa que, para viabilizar o pagamento dos débitos originários do auto de infração lavrado em nome do Banco Bozano, Simonsen S/A., o Comprador, por meio do Recorrente, adiantaria os recursos para quitação das parcelas (nos termos da anistia fiscal concedida); e (iii) os recursos disponíveis na Escrow Account seriam debitados para o reembolso (conforme também decidido pelo Vendedor na carta de 18/11/2002) — como já mencionado anteriormente, o crédito foi feito diretamente na conta do ora Recorrente, mantida no exterior. Afirma ser evidente que o Vendedor reconheceu a obrigação (contratual) de indenizar o Comprador (neste ato representado pelo ora Recorrente), pelas obrigações contingentes. Diz ser incontroverso o direito de regresso dos valores pagos pelo Comprador (por meio do ora Recorrente), de contingência fiscal constituída após a celebração do contrato (auto de infração lavrado em 18/05/2000), mas, contudo, referente a atos praticados antes da venda celebrada, 18/0112000. Insiste em que as infrações tributárias foram praticadas pelo Banco Bozano, Simonsen S/A. anteriormente A. venda celebrada e, portanto, as contingências delas decorrentes não podem ser de responsabilidade do Comprador e sim do Vendedor, nos exatos termos do contrato celebrado, o que justifica o reembolso ora questionado. Aduz que, sendo os valores pagos referentes a atos praticados pelo antigo Banco Bozano, Simonsen S/A., antes da celebração do contrato de compra e venda, foram efetuados os seguintes lançamentos contábeis nos registros do Recorrente: (a) para o pagamento dos valores dos créditos tributários em 18/11/02: (i) um lançamento a crédito na conta Caixa/Reserva no valor de R$ 623.488.849,77 e como contrapartida o lançamento a débito na conta "Valores a Ressarcir Escrow Fiscal" e, (ii) um lançamento a crédito na conta "Recebimento Escrow" e como contrapartida um lançamento a débito na conta "Valores a Receber de Sociedades Ligadas — Cayman BSB" e, (b) pela baixa dos valores a ressarcir: (i) um lançamento a débito na conta "Recebimento Escrow" no valor de R$ 623.488.849,77 e um Au tea u ca do (:¡;:la:niee e rn 05.'1212)il or vt.I_M;;; SAN;')1 ,;:„.`W51: -:;);:1;,., I-3ERTO 0 SOUZA ,.:UMOR i (ZPI22011 pc )1‘ VALUR SANDR 8 li»rgesso em 16/12/2011 per DJ2LI 100 7iN- 1 ■ P1)1,7Fis;::;ES DA CF■ UZ H. 668 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 9 lançamento a crédito na conta "Valores a Ressarcir Escrow Fiscal" e (iii) um lançamento a débito na conta Reserva/Caixa no valor de R$ 493.243.567,88 e um lançamento a crédito na conta "Valores a Ressarcir de Sociedades Ligadas — Cayman BSB" nesse mesmo valor. Alega que esses lançamentos, que demonstram o pagamento da divida fiscal (do Banco Bozano, Simonsen S/A.) e o reembolso para o Recorrente, refletem, exatamente, os termos do Contrato celebrado e a responsabilidade do Vendedor pelas obrigações contingentes, motivo pelo qual não se pode acatar o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que: "(..) nao houve prejuízo causado pelo Vendedor das ações que pudesse ser passível de indenização (...)"(fls. 410). Transcreve doutrina de De Plácido e Silva, Maria Helena Diniz, Caio Mário e Judith Martins Costa para permitir um entendimento do conceito de reembolso, e conclui: "Conforme se extrai das hipóteses acima descritas, conclui- segue os efeitos do pagamento são, para o devedor, a exoneração da divida contraída com o credor; para este, a satisfação do crédito; e, para o terceiro, o direito a ser reembolsado pelo devedor da divida originária (o terceiro se sub-roga nos direitos do credor). Transpondo as lições para o presente caso, claro está que o terceiro (in casu, Recorrente, representando o Comprador) possuía interesse em pagar os créditos tributários lançados em face do Banco Bozano Simonsen SM (devedor originário), em razão do contrato de compra e venda celebrado entre o Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd e o Banco Santander Central Hispano SIA, subrogando-se, assim, nos direitos do credor (Fazenda Nacional) que teve seu direito quitado. Portanto, efetuado o pagamento pelo Recorrente (Terceiro), ao devedor originário (Vendedor) competia tão somente reembolsar a quantia por ele despendida. Foi exatamente o que ocorreu: pagamento das guias DARF pelo Recorrente e reembolso por meio de débito na Conta de Caução (Escrow Account). Sobre o tema "indenização", traz doutrina de De Plácido e Silva, Angela Maria da Motta Pacheco e Hugo de Brito Machado para concluir: "Com base na lição acima transcrita, verifica-se que há, a existência dos dois fundamentos acima descritos: (i) fundamento fálico: reduciio do patrimônio do Recorrente em razão dos pagamentos dos créditos tributários lançados em face do Banco Bozano Simonsen S/A.; fundamento normativo: contrato de compra e venda celebrado em 18/11/00, por meio do qual o Bozano Simonsen Financial Holdings Ltd. Se obrigou a indenizar incondicionalmente o Banco Santander Central Hispano S/A. por qualquer obrigação contingente (quaisquer obrigações tributárias e Autenticado digil,:druk:rit;) cm 05 , 1212011 ¡:;,o' :3AN0P,;. l'ts.:;u,adc id< e;; .1 12.1201 1 PER I O P.NTO SOUZA JUN:Or:. Am.,,ir:do cc em 05/12/20 :1 ¡":01* ViV. lAID SANOR, 9 Impresso oir 10712/2011 por K;EL: TC)1 F NINO f,'END!'"..S DA CRUZ 1)1: CA12.1 2 669 Processo n° 16327.002123/2007-17 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 10 Por essa razão, não se pode admitir o entendimentos da MU (que se valeu dos argumentos do Sr. Fiscal) no sentido de que: "(..) não procede a alegação de que o valor recebido refere-se a indenização por danos cometidos (.)"(fis. 410). IL:f2tivamente, o Recorrente, ao efetuar o pagamento da divida tributária do Banco Bozano Simonsen S/A, na qualidade de representante do Comprador — Banco Santander Central Hispano S/A, apresentou uma redução em seu ativo que, nos termos do contrato celebrado, deveria ser recomposto por representar a já mencionada obrigação contingente (de responsabilidade exclusiva do Vendedot). Acrescenta que o dever de indenizar não pressupõe necessariamente o "descumprimento de uma avenca legal e validamente estabelecida entre as partes", como entendeu, de forma equivocada a Fiscalização Diz que a indenização também pode ser equiparada ao reembolso de determinado pagamento que um terceiro, interessado, realiza em nome de outrem, como decorrência da prática de um ato licito; e que, no caso em questão, houve efetivamente o cumprimento do contrato, o que inclusive foi reconhecido pela própria Fiscalização, porém esse cumprimento do contrato representou, para o Recorrente, um reembolso ou, ainda, uma indenização, pelo pagamento de obrigação tributária (obrigação contingente) a que ele não deu causa. Colaciona vasta doutrina para fundamentar a assertiva de que nem toda indenização tem por fundamento o descumprimento de uma disposição contratual ou de uma norma de conduta, podendo muitas vezes decorrer, exatamente, do cumprimento do contrato, como é o caso dos autos. Reedita os argumentos deduzidos na impugnação quanto à neutralização dos efeitos tributário, ponderando que, ainda que o valor recebido pelo Recorrente fosse considerado como receita tributável, não pode prosperar a manutenção dos créditos tributários de IRPJ e da CSLL lançados nos autos de infração ora combatidos, pois a suposta receita deveria ser neutralizada pela despesa incorrida pelo Recorrente com o cumprimento da obrigação contratual, a qual seria dedutivel para fins fiscais. Ressalta que, ao analisar a questão, a decisão recorrida houve por bem entender que "não poderá ser acolhida a pretensão de deduzir como despesas os tributos exigidos pelo Processo Administrativo n° 10768.008506/00-95, em virtude do IRPJ e CSLL serem despesas indedutiveis na apuração do lucro real do sujeito passivo". Contrapõe que não se trata de dedução do lucro real das despesas relativas ao pagamento de tributos federais, tal como entendido pela decisão recorrida, mas sim, caso os valores recebidos pelo Recorrente sejam considerados receitas tributáveis, o pagamento por ele efetuado nos termos de disposição contratual (pagamento de contingência de titularidade do devedor), deve ser considerado despesa para fins de dedução na apuração do lucro real. Reafirma que quando efetuou o pagamento dos aludidos créditos tributários, houve o lançamento a crédito na Conta Caixa/Reserva no valor de R$ 623.488.849,77, ou seja, houve a redução, ainda que temporária, do seu patrimônio com o dispêndio realizado. Dessa forma, o gasto incorrido lhe causou um dano, que foi posteriormente reparado com o reembolso da quantia despendida, nos termos da Cláusula 5.1 do Contrato de Compra e Venda. AutertIcado ci:w1air 1 12i20 I por VALMiR SA;<[:, f s ; ,11,1:1;?"2011 por Al. BORIC) PAT() SOUZA JUNIOR : A6sina0o sgtoimooe o.m (150212011 por VALMIR St , NOR! 10 ern 16/12/2011 por SUEU TOLENTi: ,:C; : ,̀,ATINF)ES DA CRUZ DF CARF Fl. 670 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301 -000.750 Fl. II Dessa forma, diz ser inadmissível o entendimento da decisão recorrida, no sentido de que os valores recebidos pelo Recorrente "representam acréscimo patrimonial" (fls. 412), visto que restou amplamente demonstrado que haveria um efetivo prejuízo, em razão do pagamento do crédito tributário incorrido pelo Recorrente, caso não tivesse o reembolso para a conta Escrow. Repete os argumentos deduzidos para refutar a Taxa Selic como juros de mor. Distribuído o processo para relato ao então Presidente da 3' Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, proferiu ele despacho saneador no 222/2009, nos seguintes termos: " Analisando os autos verifico inicialmente problemas de montagem do volume n° 01 eis que inicia na folha 32. Verifico ainda que consta dos autos apenas o MPF inicial de folha 01 coin o n° 08.1.66.00-2005-00275-7 (II. 01) complementar 04 de folha 02. Noto também o histórico dos MPFs de folhas 03 e 04 que dá conta da existência de mais três MPFs complementares o n's 01, 02 e 03, que não constam dos autos. Justamente nos três MPFs complementares ausentes noto que a indicação do histórico de folha 03 é de que houve ampliação dos tributos e contribuições abrangidos pela fiscalização. Para o deslinde da questão relativa a preliminar faz-se necessário ajuntada dos três MPFs faltantes. Além disso, quanto ao mérito também se faz necessário confirmação da informação contida no TVF de folha 274 de que a autuação realizada pela DEINF RJ, processo 10768.008506/00-95, foi cientificada a contribuinte em 08/05/2000, e que a celebração do contrato de compra e venda ocorreu em 18.01.2000, isto é antes da referida autuação. Assim utilizando a faculdade contida no artigo 29 inciso IV do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF 147/2007, converto o julgamento em diligência para que a unidade de origem tome as seguintes providências. 1) Junte aos autos os MPFs — Complementares nos 01, 02 e 03. 2) Confirme a data de ciência da autuação relativa ao processo n° 10768.008506/00-95 e da celebração do contrato de compra e venda que originou a autuação contida neste autos. 3) Elabore relatório circunstanciado e intime o contribuinte, para se manifestar no prazo de 20 dias. Após os autos deverão retornar a este CARF, para julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Caso haja pagamento ou pedido de parcelamento dos valores contidos neste autos, a repartição de origem deverá informa ao CARF a ocorrência para baixa da diligência ora determinada." Autenl:eado clq!:alrponló '.).rn 05:12/2011 per /-%.,;;;:nry-lo t11.1 13'12/7C:11 1K,r AL BEI-21C) PINTO SOUZA JUNIOR . f\ssimido rf4fr'Imó:Tie oro ni1212I;11 por \/.7',ul.iliF< SANDI 1 1 Impre.o our 1G/1217011 por St IF: i.I TcLrNT:No MEN7 ES DA CRUZ DI: ('AR H. 671 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 12 A DEINF/SP, através do Relatório Fiscal, manifestou-se da seguinte forma: "QUESITO N° 1 — Junte aos autos os MPFs — Complementares n os 01, 02 e 03. PROVIDÊNCIA: Juntadas as telas referentes ao MPF 08.01.66- 2005-00275-7, CNPJ 33.517.640/0001-22, conforme solicitado — fls. 526 a 530. Por oportuno juntamos também as telas referentes ao MPF no 08.1.66.00-2007- 00166-9, CNPJ 90.400.888/0001-42 —fls. 540 a 530. (..) QUESITO N° 2 — Confirme a data da ciência da autuação relativa ao processo 10768.008506/00-95 e da celebração do contrato de compra e venda , que originou a autuação contida nesses autos. PROVIDÊNCIAS: a) data de ciência da autuação relativa ao processo 10768.008506/00-95: solicitado fisicamente o processo que se encontrava na PRFN Sao Paulo — vide extrato do COMPROT fls. 531 — dele foram extraídas cópias das fls. 1405, 1409 e 1422, onde consta a ciência do Termo de Verificação a aos autos de infração de IRPJ e CSLL, confirmando-se a data de ciência em 08 de maio de 2000— cópias juntadas ás fls. 532 a 534. (.) b) data da celebração do contrato de compra e venda que originou a autuação contida nesses autos: consta as fls. 117 a 193 deste processo a cópia da tradução juramentada do mencionado contrato, sendo que nas próprias fls. 117 e 193 consta a data de 18 de janeiro de 2000 como a de sua celebração.(.)" Intimado a tomar ciência, o contribuinte apresentou suas considerações a respeito do Relatório Fiscal. Quanto ao MPF, aduziu: "(•), foram juntados aos autos fichas impressas do MPF n° 08.1.66.00-2005-00275-7 e A1PF Complementares, fls. 526 a 531, e do MPF n° 08.1.66.00-2007-00166-9 e MPF Complementares,fls. 540 a 548 (does. anexos). Especificamente com relação aos MPF-C n° 08.1.66.00-2007- 00166-9-1 e MPF-C n°08.1.66.00-2007-00166-9-3, verifica-se a competência para a fiscalização de IRPJ e de CSLL para o período de 01/2002 a 12/2002. No entanto, conforme se verifica das cópias juntadas aos autos em sede de diligência, não há assinatura do contribuinte com a ciência do MPF n° 08.1.66.00-2007-00166-9 e MPF Complementares, motivo pelo qual mostra-se flagrante o desrespeito ao art. 10 da Portaria RFB n° 4.066/2007, editada em 02 de maio de 2007, que estavam em vigor a época da fiscalização. Verbis: Autenticado dioalmentn ern 05' 'z5 ',./Al2v1ik S.; clde o 15/' 212 0 . DERTO PIN1 0 SOUZA JUNiOR. SANDF-sd 12 linpre:ssc 'am 16/12/2011 por SUEI.! TO:. tEt`17- ; ,:0t.f».._NDES DA CRUZ Di CARi Mi 1 2 1..672 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 13 "Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão, pela autoridade outorgante do MPF originário, de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPF-C), conforme modelo aprovado por esta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo." (g. n.) Com efeito, observa -se que as alterações de tributo e período de fiscalização referente ao IRPJ à CSLL no MPF n° 08.1.66.00- 2007-00166-9 estão em desconformidade C0171 a Portaria RFB n o 4.066/07, sendo nulos os autos de infração lavrados por agente manifestamente incompetente. No mais, repetiu esclarecimentos j á prestados ao longo dos autos. É o relatório. Al)tenl , cadu trn 05/1212011 no- V; .;111:',Z Asw , oc13 Iftr0j em I 312/201 1 por /A_ PERTO PIN CO SOUZA JUMOR ;:m 05/12:2011 por VA! UP, SRI Impiesso cm 16/12/2011 por SUFI ! ctENT:No I\1:71\0177.S DA 0 1 ,11.17 13 DF H. 673 Processo n° 16327.002123/2007-17 S1 -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 14 Voto 0 recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Dele. port onto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, o Recorrente levantou a preliminar de ntilidade do lançamento, alegando que o Mandado de Procedimento Fiscal era restrito para fiscalização de IRRF no período de março de 2000 a setembro de 2004, não havendo autorização para fiscalizar IRPJ e CSLL. Com a diligência determinada pelo antigo relator, foram juntadas cópias dos MPF Complementares, que estendem o alcance da fiscalização para o IRPJ e a CSLL para o período de 01/2002 a 12/2002. Sobre esse ponto da diligência, assim se manifestou o Recorrente: De fato, foram juntados aos autos fichas impressas do MPF n° 08.1.66.00-2005-00275-7 e MPF Complementares, fls. 526 a 531, e do MPF n° 08.1.66.00-2007-00166-9 e MPF Complementares, fls. 540 a 548 (docs. anexos). Especificamente coin relação aos MPF-C n° 08.1.66.00-2007-00166-9-1 e MPF- C n°08.1.66.00-2007-00166-9-3, verifica-se a competência para a fiscalização de IRP3 e de CSLL para o período de 01/2002 a 12/2002. No entanto, conforme se verifica das cópias juntadas aos autos em sede de diligência, não há assinatura do contribuinte com a ciência do MPF n° 08.1.66.00-2007-00166-9 e MPF Complementares, motivo pelo qual mostra-se flagrante o desrespeito ao art. 10 da Portaria RFB n°4.066/2007 (.) Inicialmente, registro que não concordo com o entendimento de muitos, de que o descumprimento das normas do MPF s6 pode gerar sanções administrativas, mas não impõe a nulidade do auto de infração. Entendo tratar-se de ato imprescindível para deflagrar o procedimento de investigação a cargo de qualquer agente do Fisco, ressalvadas as hipóteses excepcionadas pelo próprio ato normativo que regulamenta a sua expedição. MO obstante não ser o ato que atribui competência ao auditor para fiscalizar, (essa competência é conferida por lei), o MPF autoriza o exercício dessa competência. Para ser válido, o auto de infração deve se restringir aos limites do MPF-F e seus eventuais complementares. Contudo, trata-se de instrumento criado para fins de organização e controle da administração e para a segurança do contribuinte. A nulidade por vícios do MPF é relativa, e não absoluta. E, como toda nulidade relativa, só prevalece se tiver causado prejuízo, e mais, deve ser arguida na primeira oportunidade em que o interessado pode se manifestar, sob pena de preclusdo. No caso, em sua impugnação o contribuinte alega nulidade do procedimento (e, por conseguinte, do lançamento) por não haver MPF autorizando a fiscalização relativa ao IRPJ e à CSLL. , r112n1 1 prx Vítj/,,;. , 21, ASS;T, 14 13ERTO PINTO :IOU JUNIOR. /:,s;,1na:;0 e? 1 ;11a 1 :T.:, ;', 1•.;'! err: 05:1212011 f;;;S' 1mpe.v.0 urn 16112/2011 pcy S1 1 1111.1 1 1 101.11:1.N111 ,11/11 M1,..1,1 1111F 1 .1/11 6.21U_17. DI' CAM MI' H. 674 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 15 Ocorre que desde 19/04/2006 (Termos de Intimação no 6, fl. 24, no 7, fl. 39, no 8, fl. 50 e n° 9, fl. 63 ), o contribuinte tinha ciência que estava sendo fiscalizado em relação ao IRPJ e A CSLL, tendo sido intimado para prestar esclarecimentos relacionados A contabilização dos valores que acabaram por gerar o presente auto de infração. Se entendia que não havia autei izacdo para fiscalizar aqueles tributos, ou se sentia prejudicado, deveria imediatamente argüido o fato. Não o tendo feito, e tendo atendido todas as intimações para fins de fiscaNzação do IRPJ e da CSLL, precluiu seu direito de suscitar nulidade do procc,-(limento sob esse argumento. Portanto, rejeito a preliminar acima argüida. Melhor sorte não socorre o Recorrente no que tange A. preliminar de nulidade da decisão por ausência de motivação. A decisão se encontra motivada, e o fato de o julgador adotar a mesma motivação do autor do procedimento fiscal não significa ausência de motivação. Passo ao mérito, esclarecendo que o decidido aplica-se por inteiro ao lançamento de IRPJ e de CSLL, visto tratar-se de infração relacionada com a apuração do lucro liquido, ponto de partida para determinação da base de cálculo das duas exações. Como se viu do relatório, a fiscalização acusa o contribuinte de, indevidamente, não ter computado no seu resultado "ingressos não decorrente das atividades operacionais da pessoa jurídica, caracterizado pelo recebimento de valor contratual e livremente avençado pelas partes". No entender da fiscalização, trata-se de renda tributável, da espécie acréscimo patrimonial de que trata o art. 43, II, do Código Tributário Nacional. O questionado valor de R$ 623.488.849,71, registrado na contabilidade do Recorrente, e que serviu de base ao lançamento, relaciona-se com uma operação de compra e venda do controle acionário (96,91% do capital) do Banco Meridional S/A. (sede no Brasil), na qual figura como vendedor Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltda., com sede em Grand Cayman (doravante chamada Bozano Holdings), e como comprador Banco Santander Central Hispano S/A, com sede na Espanha (BSCH). Identifiquemos, inicialmente, as sociedades envolvidas: 1 Bozano, Simonsen Holding Ltd., sociedade com sede nas Ilhas Cayman (Bozano Holding - Cayman) (CONTRATANTE VENDEDOR); 2. Banco Santander Central Hispano S/A., com sede em Madri (BSCH - Espanha). (CONTRATANTE COMPRADOR); 3. Banco Meridional S/A., com sede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (OBJETO DO CONTRATO); 4. Banco Bozano, Simonsen S/A., CNPJ 33.517.640/0001-22, (que posteriormente teve sua denominação alterada para Banco Santander S/A.), sociedade controlada por Banco Meridional S/A.; 5. Banco Santander S/A. (o Recorrente), CNPJ 90.400.888/0001-42, nova denominação adotada, após reestruturação societária, por Banco Santander Banespa S/A., que por seu turno era nova denominação de Banco Santander Meridional. Essa reestruturação AJtenticado c!'glialmento em 0512)2:;11 pr V.:1%;iR SNDR:, 13 , 1?r2011 po euo 0 PA -. "::) SOUZA JUNOR : AS2jii&d0 0:::112/2011 p 15 Impre:-,so em 16112/2011 per SUOU TIO LI\FH 1,1F...NDES AI 01/'07 DF H. 675 Processo n° 16327.002123/2007-17 Sl-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 16 societária, objeto de aprovação na AGE de 31/08/2006 (fl. 79 e seguintes do processo), compreendeu a incorporação de várias empresas do grupo, entre elas a referida no item 4 precedente (Banco Santander S/A. - CNPJ 33.517.640/0001-22). A operação pode assim ser sintetizada: Por contrato de compra e venda celebrado em 18/01/2000 e aditado em 05/05/2000, Bozano Holdings (Cayman) vendeu para BSHC (Espanha) as ações que possuía do flanco Meridional (96,91% do capital). Com essa operação, a BSHC (Espanha) passou a ser controladora direta do Meridional e indireta do Banco Bozano, Simonsen S/A. Nos termos da cláusula 5.1 do referido contrato, o vendedor se obrigou "(.) incondicionalmente a indenizar integralmente o Grupo ou o Comprador, conforme o Comprador possa decidir, por (.) qualquer Obrigação Contingente (doravante, todos os prejuízos e contingências serão designados os "Processos"). A cláusula I do contrato, que contém as definições, dispõe: "Obrigações Contingentes significa (a) qualquer obrigação real ou potencial do Grupo, que não prevista ou não prevista integralmente nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas inclusive, entre outras, quaisquer obrigações tributárias ou fiscais, a menos que outro tipo de recurso especifico para compensação econômica esteja previsto neste Contrato (b) quaisquer prejuízos; reais ou potenciais, que o Grupo possa sofrer devido a qualquer ativo constante das Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas e aos quais o Grupo não tenha legalmente direito ou cujos valores sejam inferiores aos consignados nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas,e (c) quaisquer Obrigações Trabalhistas referentes a quaisquer processos trabalhistas correlatos; desde que, em todos os casos; elas (i) tenham sua origem em eventos ocorridos antes de 18 de janeiro de 2000 ou se refiram a qualquer operação realizada ou a ser realizada entre o Grupo e o Vendedor ou qualquer Parte Relacionada: do Vendedor, antes da data do Fechamento; (ii) sejam identificados até 18 de janeiro de 2005 e notificados, conforme disposto na Cláusula 6.3.1., salvo quanto as contingências de natureza fiscal e tributária, que possam ser identificadas até 18 de janeiro de 2007.(..)(negritei) Também nos termos do contrato, o comprador e o vendedor se obrigaram a abrir uma conta de caução no exterior (Escrow Account), sendo Agente de Caução, conforme aditivo de 05/05/2000, fl. 244 do processo, o Banco Santander Brasil International Ltd. Em 08 de maio de 2000, após a assinatura do contrato (original em 18/01/2000, e aditivo em 05/05/2000), foi lavrado auto de infração contra o Banco Bozano, Simonsen S/A. (que mais tarde teve sua denominação alterada para Banco Santander S/A.), quanto a fatos ocorridos no período de 1995 a 1998. Surgiu, assim, uma obrigação contingente que, nos termos do contrato, é de responsabilidade do vendedor, Bozano Simonsen Holdings Autenficado digitainic „2, c3r VALt';;iR SAtsIDI-Z1, As adia nisi; ". 5/1'2,23 11 ciAL BERT O PiNTO SOUZA ,r,viops. As n.ide di;? Ia is se 05t= 2'20 I e.r vAuor, SANDRi 16 impress° sei 1'3i 12/2011 p er SI Eii TOLD TA,O iSNSES SA CA IS DF ('AR FMF FL 676 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 17 Ltd. (Cayman): obrigação fiscal relativa a fatos ocorridos antes de 18 de janeiro de 2000 e identificada antes de 18 de janeiro de 2007. Tornado definitivo o lançamento na instancia administrativa, em 2003 o Recorrente, na qualidade de sucessor do Banco Bozano, Simonsen S/A., quitou o débito, no total de R$ 616.598.420,11, com o beneficio concedido pela MP 66/2002. Como, nos termos do contrato de compra e venda firmado, Bozano Holdings (Cayman) era responsável por essa obrigação fiscal, o comprador (BSCH-Espanha) informou ao vendedor (Bozano Holdings-Cayman) que o Banco Santander S/A. (o Recorrente) adiantaria os recurso para o pagamento, e que esse valor seria retirado da conta de caução. 0 Recorrente, ao efetuar o pagamento da obrigação fiscal, contabilizou o valor correspondente como "Valores a Ressarcir de sociedades ligadas — BSB Cayman". Toda a questão discutida neste processo gira em torno desse valor, que corresponde A. obrigação fiscal do antigo Banco Bozano, Simonsen S/A., quitada pelo Recorrente. Considerou a fiscalização que, ao ser ressarcido do valor correspondente ao pagamento dos DARFs por uma coligada no exterior, o Recorrente obteve um acréscimo patrimonial (receita não decorrente de sua atividade operacional) que deveria ter sido oferecida tributação. Por outro lado, argumenta o Recorrente que não obteve nenhum acréscimo patrimonial, que o valor recebido foi um reembolso, porque teria adiantado os recursos para fins de pagamento de responsabilidade de Bozano Hoding, recursos esses que estavam depositados na conta de caução para esse fim. Confira-se: Portanto, claro está que, nos termos do Contrato celebrado em 18/01/00, bem como do Aditivo celebrado em 05/05/00 e do Contrato de Caução, o Vendedor (Bozano Simonsen Financial Holdings Ltd.) está obrigado a indenizar incondicionalmente o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.) por qualquer obrigação contingente (quaisquer obrigações tributárias e fiscais) por meio da transferência dos valores depositados na Conta de Caução (Escrow Account) ao Comprador. Assim, no caso dos autos, o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.), por meio do ora Recorrente (conforme consta do doc. de fls.74/75), efetuou o pagamento dos valores constantes do processo administrativo ri° 10768.008506/00-95, devidos pelo Banco Bozano Simonsen S/A. (objeto do contrato de compra e venda em questão - sociedade controlada pelo Banco Meridional S/A.), o que gerou, consequentemente, o reembolso dos valores em questão ao Recorrente. A meu ver, o Recorrente está a confundir duas obrigações: (1) obrigação própria, na condição de sucessora do Banco Bozano, Simonsen S.A. (CNPJ 33.517.640/0001- 22), de pagar o crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal n° 10768.008506/00- Autent,cado 05ji2j2011 ef.); VA!..%11: SANDP,1. Assmado il,:raltr«sn',e em 13:-.:./ .201 per AL 17 BEE:70 PINTO ;:0;.)ZA ,;UNICR. dicytï1(.i0 051 .12i011 VALkl ■ r: Impress:: ern 16/12/2011 i.)r) Stita: TOLEN1 NO',1;7,¡sjr;F:s BA cr;;uz Dr CAR!' N,11: Processo n° 16327.002123/2007-17 Acórdão n.° 1301-000.750 95; e (2) obrigação de Bozano, Simonsen Holdings Ltd (Cayman) de indenizar sua controladora Santander Central Hispano S/A (Espanha) por obrigação contingente, nos termos do contrato. O Recorrente traz Parecer Técnico Contábil do Professor Eliseu Martins, acerca do corto tratamento contábil dos recursos pagos pelo Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd., e que deram origem aos lançamentos litigados. A controvérsia foi situada pelo Ilustre Parecerista na "caracterização do montante recebido pelo Banco Santander S.A. em uma escrow account referente ao pagamento, pelo Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd., a conta da contingência .fiscal encontrada na instituição por ele alienada — Banco Bozano, Simonsen S.A.- ao Banco Santander Central Hispano S.A." Assenta o Parecerista que "(..) se a empresa adquirida tinha uma contingência fiscal, que todos davam como remota e que tenha dado origem a uma obrigação do vendedor de reembolsar o comprador caso se transformasse em efetiva necessidade de desembolso por parte da empresa adquirida," ocorre o reembolso. E conclui que: "tal reembolso refere-se a recuperação de dinheiro desembolsado, dinheiro devido pela vendedora, e não a acréscimo patrimonial legitimo. Tal desembolso visa recompor situação econômica existente originalmente — quando da aquisição da sociedade. Assim sendo, entendemos que não há que se falar em fato gerador de imposto sabre a renda ou de contribuição social sobre o lucro liquido." Contudo, a conclusão do ilustre professor, com a devida vênia, restou equivocada, por ter sua análise partido de uma premissa também equivocada, ou seja, de que a indenização (reembolso) era devida ao Banco Santander S.A.(pessoa jurídica domiciliada no Brasil), quando, na realidade, era devida ao Banco Santander Central Hispano S.A. (pessoa jurídica domiciliada na Espanha). Para o Santander Central Hispano S/A., a indenização recebida do vendedor Bozano, Simonsen Holding Ltd. (o valor sacado da conta de caução e repassado ao Recorrente) equivale, em última análise, uma redução do prego pago pelas ações do Meridional, para ajustá-lo ao valor liquido da contingência. Todavia, para o Recorrente, não tem a natureza de indenização, ou reembolso por encargos pagos em nome de terceiros, como entendeu a defesa. 0 encargo é seu, na qualidade de sucessor do autuado. 0 contrato pelo qual a sociedade espanhola (BSCH) adquiriu de Bozano Holdings as ações do Meridional (preço de venda, condições de pagamento, indenizações, etc.), produz efeito no resultado apurado pelas duas partes contratantes, mas não influencia o resultado da sociedade adquirida (e suas sucessoras). Porem, não houve para o Recorrente, um acréscimo patrimonial tributável, como entendeu a fiscalização, representado por ingresso de recursos decorrentes de atividade não operacional. De fato, as despesas com tributos, que são de anos anteriores (1995 a 1998), por não terem sido contabilizadas naqueles anos (provisionados), provocaram aumento ALKellticado diglia!mentt:, em 05112/2011 p: V. '....V,iF:5•1:1\Nov,,, Assn.clo c;i9Ralrn ,--)r, ern 1:_q12/2011 por BERTO PINTO SOUZA JUN:OR. 0qUn*r:te e ■ r 00 ,1212011 ;kur VAIJAR SANDH 18 kliwosso cm 10112/2011 pOf DUEL! TOI.ENTINS ■va7_1•OFS. ' DA CRUZ DF CARL MI H. 67S Processo n° 16327.002123/2007-17 • S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 19 indevido do resultado daqueles períodos (podendo, eventualmente, tais resultados ter sido disponibilizado aos sócios). Assim, ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara, ao serem - ihe atribuidos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que os existentes naqueles períodos. Dessa forma, a formalização dos registros contábeis dos fatos que compuseram a operação não altera seus efeitos fiscais. Na realidade, o que ocorreu foi que o valor (por hipótese, 1.000 unidades monetárias) correspondente a IR e CSLL lançados de oficio (Processo n° 10768.008506/00-95, anos-calendário de 1995 a 1998) não foi provisionado. Em 2003, o lançamento tornou-se definitivo e o Recorrente, Santander S.A. (antigo Meridional) recebeu do seu único acionista (Santander Hispano) os recursos para pagar o débito, de forma a neutralizar os efeitos da disponibilização nos anos de 1995 a 1998, de lucros inexistentes (correspondentes As despesas com tributos não reconhecidas). Os fatos, na realidade, poderiam ter a seguinte representação contábil: 1- Em 2003, pelo reconhecimento da despesa: Despesa com tributos (anos anteriores) a Tributos a pagar 1.000 2- Pelo ajuste de anos anteriores: Lucros/prejuízos acumulados a Despesas com tributos 1000 3- Pelo recebimento dos recursos: Caixa a Acionista (Santander Hispano) 1.000 4- Pelo pagamento: Tributos a pagar a Caixa 1.000 5- Pelo encerramento do crédito do acionista: Acionista (Santander Hispano) a Lucros/prejuízos acumulados 1.000 Au;entP:ado d!gi1:11 1 por vrsuk!:- s;:,\:D;;!, As nçfo e 13;12/201 BER VO PIN f ()SOUZA JUNIOR A3sIn.;');,1,) 0;:; .,!,3!tr,c„ 14? o.m 3:31'; 2/211 or VA) 11;11; SANDRI 19 ImprE:sso cm 15/12/2011 or SUEL.1 i'..'ErDES DA ONES DI: CAR - :VW FL .679 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 20 Como visto acima, trata-se, em última análise, de absorção de prejuízo conta de sócio, que a jurisprudência deste Conselho reconhece não representar ganho tributável, valendo mencionar os acórdãos 108-06.493, de 19/04/2001, e 107-09.575, de 16 de dezembro de 2008, a conferir: Ac. 108-06.493 Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica quando não caracterizado o ganho tributável relativo ao perdão de divida por sócia quotista. 0 lançamento contábil para redução de prejuízos, ao debitar a sua conta representativa, tendo como contrapartida empréstimos de sócios, caracteriza fato contábil de prejuízos levados a débito de sócios, não tributável pela legislação fiscal. Recurso de oficio negado. Voto: (-) Com efeito, a documentação juntada aos autos comprovam que o lançamento contábil efetuado pela empresa, debitando empréstimos de sócia e creditando prejuízos acumulados, não teve o efeito tributário pretendido pelo Fisco, não restando caracterizada afigura do perdão de divida, tendo ocorrido sim a utilização de crédito de sócio, expresso pelo principal do valor emprestado, para redução de prejuízo contábil, conforme comprova a autorização de fls. 100/401 e o certificado de registro de fls. 03/05. Não pode o Fisco apenas por meio de ilação entender que o fato contabilizado foi perdão de divida e não a compensação de crédito de sócio com prejuízo contábil. Pela descrição dos fatos e a informação fiscal, constato que a fiscalização pretendeu descaracterizar o fato apresentado pela empresa e classificá-lo como perdão de divida, o que configuraria valor tributável pela legislação do IR. A legislação comercial e fiscal permite o procedimento adotado pela empresa. 0 ssç' 3° do art. 382 do RIR/80, cuja matriz legal é o art. 64, § 3° do Decreto-lei n° 1.598/77, ao tratar da compensação de prejuízos fiscais, nos informa a possibilidade deste lançamento contábil. A própria administração tributária, por meio do Parecer Normativo n° 04/81, ao analisar este fato contábil para definir seus efeitos em relação à correção monetária de balanço, admitiu formalmente a sua procedência. Estando correta, portanto, a decisão de primeira instância ao afastar a exigência fiscal. Acórdão 107-09.575 Ementa: Aufleilficado 0411almenlo o i.:;5112,1201'. 1;or Assiiodo :1;;;;+3 , menle er 1311 PERTO PINTO SOUZA JUN:OR, Assinado<í5iIOlnoCe om 075," ■ 2.'21)", per 20 Impres ,io oro 16/12/2011 por COITL ■ TOLENT:',..;O:VIENCIFS PA CRUZ Dr' CARF MI; FL 680 Processo n° 16327.002123/2007-17 SI -C3T1 Acórdão n.° 1301-000.750 Fl. 21 EFEITOS TRIBUTÁRIOS - RECURSO DE OFICIO A absorção de prejuízos contábeis mediante débito a conta na qual estejam registradas dividas da sociedade para com sócio equivale a uma injeção de capital, não implica perdão das dividas e não gera ganho financeiro tributável. Relatório: (.) As razões do Relator, acompanhado et unanimidade pela Turma julgadora,podem ser assim sintetizadas: - A absorção de prejuízos ei conta de sócio equivale a disponibilizageio, visto que o credor em troca da cessão de seus créditos recebe a anulação de prejuízos acumulados pela empresa devedora; - Para se caracterizar o perdão da divida é preciso que o credor renuncie a seu direito sem impor nenhum ónus ao devedor, sem lhe exigir nada em troca. No caso da absorção de prejuízo conta de sócio, o credor cede et divida mas obtém do devedor a anulação de igual valor do saldo de prejuízos acumulados; Voto: "(..) Quanto ao Recurso de Oficio, não ha quaisquer objeções afazer quanto ao decidido pela Turma Julgadora. Desnecessário adentrar nos detalhes técnicos que foram brilhantemente abordados de forma exaustiva pelo Relator do Julgamento." Portanto, uma vez que a despesa com os tributos não afetou o resultado dos períodos objeto do lançamento, e como visto acima, os recursos que ingressaram no caixa do Recorrente não pode ser configurado como acréscimo patrimonial, não bá como prevalecer a presente exigência. Ante o acima exposto, rejeito as preliminares suscitadas, a despeito de restarem prejudicadas, para no mérito, DAR provimento ao recurso. como voto. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AeLcdc drR €m „ BLR1 0 PINTO SOUZA JUN! OR. Iq 05112!2011 por V10 ME 2ANT)F,"1 esso en116/12/2011pr SU2L TOLFN1 p ,:cy CRUZ ;201 t,Fo: 21
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Numero do processo: 10935.003008/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1998 a 28/02/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Belo Horizonte: Trata o processo de Pedido de Restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, fl. 01, protocolizado em 19/07/2007, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 06/17, corresponde a retenções ou pagamentos efetuados nos meses de maio/1998 a fevereiro/1999, no montante atualizado de R$ 98.857,48, cumulado com Declarações de Compensação transmitidas em 20/07/2007 e 15/08/2007, sob rfs 33225.80064.200707.1.3.04.0947 e 16949.09465.150807.1.3.04.0084. No quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep recolhido e retido sobre arrecadação própria e sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de maio/1998 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.3) impossibilita sua utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/04, procuração e documentos pessoais do representante do Município. Em 05/09/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 28/31, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN, e, em conseqüência, não homologadas as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 19/09/2007 (Il. 36), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 17/10/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 37/45, instruída com os documentos de fls. 47/49 (procurações e cópias de documentos pessoais de mandatários), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medidas provisórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predicamentos da urgência e relevância." Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos feitos a título de PASEP, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da repristinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei tf 9.715, de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003008/200715 Acórdão n.º 330201.328 S3C3T2 Fl. 2 3 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende a tese dos "5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes." Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1998 a 28/02/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 20/07/2007 a 15108/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos com crédito que não é passível de restituição não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 19/07/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS nos períodos de 01/05/1998 a 28/02/1999, alegando se tratar de "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de maio/1998 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sula utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003008/200715 Acórdão n.º 330201.328 S3C3T2 Fl. 3 5 a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003008/200715 Acórdão n.º 330201.328 S3C3T2 Fl. 4 7 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 19/07/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 05/1998 a 02/1999, estão todas atingidas pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em relação aos argumentos de omissão da decisão recorrida em relação ao mérito e por conseqüência a validade dos créditos pleiteados, entendo que, tendo em vista o reconhecimento da prescrição da totalidade dos créditos pleiteados, esta não se faz necessária pois a prescrição é matéria preliminar que prejudica o pedido e a analise de seu mérito. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Alexandre Gomes Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000269/2008-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE
LANÇAMENTO DE DÉBITO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO
TRABALHADOR PAT.
FALTA DE REGISTRO NO ÓRGÃO
COMPETENTE. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO
DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. Não integrará o saláriodecontribuição,
as parcelas in natura recebidas
de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do
Trabalho e Emprego, nos termos da lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
2. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula
Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
3. No caso destes autos devese
aplicar a regra disposta no inciso I do art.
173 do CTN. Portanto, encontramse
atingidos pela fluência do prazo
decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização relativamente às
competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Observada a regra do inciso
I do art. 173 do CTN, encontramse
atingidos pela fluência do prazo decadencial, os fatos geradores relativamente às competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive. O lançamento a
partir da competência 01/1999 em diante deve ser mantido nos seus exatos termos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. FALTA DE REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. Não integrará o saláriodecontribuição, as parcelas in natura recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. 2. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 3. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização relativamente às competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial, os fatos Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 310 2 geradores relativamente às competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive. O lançamento a partir da competência 01/1999 em diante deve ser mantido nos seus exatos termos. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Junior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 311 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a Contribuições Previdenciárias incidentes sobre os valores das cestas básicas fornecidas a seus empregados durante o período em que não houve adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. O Contribuinte, devidamente notificado em 23 de dezembro de 2004 apresentou defesa tempestiva em 07 de janeiro de 2005. A impugnação foi julgada em 07 de abril de 2005, ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CORESPONSÁVEIS. PAT 1. O AFPS tem o dever de informar, no relatório de corresponsáveis, todos os representantes legais da associação, consoante o disposto no artigo 688 da IN INSS/DC no 100/2003. 2. O fornecimento de alimento aos funcionários será fato gerador das contribuições sociais fiscalizadas pela Secretaria da Receita Previdenciária caso o contribuinte não tenha obtido aprovação do Ministério do Trabalho em Emprego. LANÇAMENTO PROCEDENTE Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar, o presente recurso está sendo apresentado dentro do prazo legal. Seu seguimento e julgamento são imperiosos, independentemente de depósito, sob pena de ferir direito à ampla defesa garantido pela Constituição. Em face da disposição constitucional garantindo o direito de recurso, nota se que o digno agente fiscalizador deixou de atender a exigência legal que trata do arrolamento de bens e direito da autuada, quando os valores dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a 30% (trinta por cento) do seu patrimônio conhecido. As alegações da autuada, quanto ao equivocado procedimento de vincular os presidentes como corresponsáveis não foram acolhidas pelo nobre julgador singular, justificando que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003, em seu artigo 688, X, respaldaria tal procedimento, o que é inaceitável. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 312 4 Da ação fiscal denunciada acima, resultou diversos autos de infração e várias notificações fiscais de lançamento de débitos (NFLDs), que de forma abusiva e exorbitante, relacionam todos os presidentes que atuaram no período fiscalizado (01/01/94 até o final de 2004), como corresponsáveis pelas obrigações. Considerando que o clube fosse realmente devedor das importâncias apontadas, em decorrência da não apresentação dos documentos relacionados, inclusive da Gfip, ou da existência de todos os débitos apontados, o que se admite apenas para o exercício da contestação, mesmo assim, não teria cabimento tal vinculação, visto que sequer ao sócio administrador, que indiscutivelmente tem um nível de responsabilidade e especialmente interesse maior, pode ser coresponsabilizado, salvo em raríssimas situações, previamente caracterizadas. Para que haja atribuição de responsabilidade solidária aos sócios, ou à presidentes de associações, necessária se faz a comprovação de excesso de mandato e prática de atos com violação do contrato, do estatuto ou da lei, ou seja, fruto de manobras fraudulentas. Não se pode aceitar uma responsabilização solidária, nem tampouco subsidiária a esta sufragada responsabilidade, se não restar sobejamente comprovada a conduta consciente, pessoal, ilícita e desautorizada do administrador de bem alheio. Deve ser excluído imediatamente o nome dos presidentes dos autos de infração e das NFLDs, posto não serem corresponsáveis pelos supostos débitos exigidos, visto que apenas exerceram até a data da lavratura dos levantamentos, o cargo de dirigentes supremos do clube, e assim mesmo, com poderes bastante restritos, segundo a previsão estatutária. O nobre Julgador, desconsiderou as alegações da Recorrente, e manteve procedente o lançamento levado a efeito pelo digno agente fiscal, entendendo que: “... há a necessidade da adesão ao Programa controlado pelo Ministério do Trabalho e do Emprego para que estas parcelas, a principio integrantes do salário de contribuição, sejam beneficiadas pela isenção". Não agiu com acerto o nobre Julgador. O Programa de Alimentação do Trabalhador consiste na concessão de benefícios fiscais a contribuintes empregadores que forneçam alimentação a seus funcionários. O escopo do legislador é incentivar, através de benefícios fiscais, o fornecimento de alimentação aos empregados do contribuinte. Excelente ideia, vez que reduz a carga tributária em beneficio da coletividade, em especial dos trabalhadores. A fiscalização do Instituto, constatando que a empresa não enviou o formulário exigido ao Ministério do Trabalho, efetua o lançamento da contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação, pois, no seu entendimento, o fornecimento de alimentação efetuado sem qualquer aviso tem natureza salarial, constituindo base de cálculo da contribuição previdenciária. A isenção, ressaltese, é sempre concedida por lei. Se o tributo somente por lei pode ser criado, somente uma lei pode modificar a hipótese de incidência dessa exação. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 313 5 Não é possível, entretanto, que estar de acordo com o programa de alimentação do trabalhador signifique cumprir mera formalidade de postagem de um formulário que, "automaticamente", concede a isenção. A exigência de envio do formulário como condição indispensável à concessão da isenção, e o entendimento de que os efeitos dela não retroagem constituem inequívoca forma de burlar a isenção concedida. A prevalecer a tese adotada pelo INSS, o maior prejudicado será o trabalhador, quem mais precisa de apoio do Estado, na medida em que nenhum estimulo terá o empregador para fornecerlhe referida alimentação. Por todo o exposto, requer o cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), e consequentemente, da multa imposta, pelo serviço de fiscalização do INSS, posto que a Recorrente preenche os requisitos necessários à concessão desse beneficio. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 314 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. No recurso, o contribuinte busca a reforma da decisão de primeira instância administrativa pautando seu inconformismo basicamente sob duas premissas. A primeira delas diz respeito à impossibilidade de seus dirigentes figurarem como corresponsáveis, em razão de não haver nos autos a comprovação de efetivo descumprimento das regras do art. 135 do CTN. Para tanto, cita farta jurisprudência. Na segunda premissa apresentada, o contribuinte tece vários comentários sobre o instituto da isenção e conclui seu pensamento afirmando que um mero registro em órgão federal não pode ter o condão de afastar a isenção concedida e que a prevalência desse ponto de vista por parte da fiscalização acarretará, ao fim e ao cabo, em prejuízo para o trabalhador, tendo em conta que os empresários não terão o mínimo de estímulo para conceder esse tipo de benefícios para seus empregados. Como se pode observar, os argumentos apresentados no recurso não são suficientes para descaracterizar o lançamento, considerando que ele foi realizado em estrito cumprimento das regras que regem a atividade do auditor fiscal, bem como aquelas previstas no art. 28 da Lei nº 8.212/91. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa deve se pautar pelas regras contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Seguindo as determinações do dispositivo legal acima descrito, a autoridade administrativa, no cumprimento do seu mister, verificou que o contribuinte não observou na plenitude as regras de isenção de que trata a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual o lançamento foi realizado. Com efeito, observada a regra referida no parágrafo anterior, não integrará o saláriodecontribuição, as parcelas in natura recebidas de acordo com os programas de Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15922.000269/200827 Acórdão n.º 280301.117 S2TE03 Fl. 315 7 alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. O registro da empresa perante o MTE é condição indispensável para a isenção, situação não vislumbrada nestes autos. Destarte, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação para se eximir de qualquer tipo de obrigação. A fiscalização cumpriu regiamente as regras dispostas na legislação e, portanto, não há que se falar em irregularidades. O lançamento está correto e deve ser mantido em parte, tendo em vista a ocorrência do instituto da decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 08, do STF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização relativamente às competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive. No que se refere à questão dos corresponsáveis, entendo que a fiscalização agiu de forma acertada, aplicando a legislação tributária corretamente, não restando, portanto, a necessidade de reforma da decisão ora recorrida também neste ponto. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial, os fatos geradores relativamente às competências de 02/1994 até 12/1998, inclusive. O lançamento a partir da competência 01/1999 em diante deve ser mantido nos seus exatos termos. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 18088.000164/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A ausência de fundamentos que confrontem as alegações específicas de erros na composição da base de cálculo da autuação o apresentadas pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida, apreciando todos os argumentos do impugnante.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência de fundamentos que confrontem as alegações específicas de erros na composição da base de cálculo da autuação o apresentadas pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida, apreciando todos os argumentos do impugnante. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 501DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 489 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 397 a 412 da instância a quo, in verbis: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/07, acompanhado dos demonstrativos de fls. 02, 08/10, do Termo de Descrição Complementar Detalhada dos Fatos de fls. 12/14 e do Termo de Encerramento de fls. 206, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 2.723.906,62 (dois milhões, setecentos e vinte e três mil, novecentos e seis reais e sessenta e dois centavos), sendo R$ 910.956,93 referentes ao imposto, R$ 1.366.435,39, à multa proporcional, e R$ 446.514,30, aos juros de mora (calculados até 30/04/2008). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09/10), foi apurada a seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada Anoscalendário 2003 e 2004 Enquadramento legal: arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º a 3º e §§ da Lei nº 7.713/88; arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99; art. 1º da Lei nº 10.451/2002. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no do Termo de Descrição Complementar Detalhada dos Fatos (fls. 12/14). Cientificado da autuação em 02/06/2008 (fls. 208), o contribuinte protocolizou, em 01/07/2008, a impugnação de fls. 209/257, trazendo os seguintes argumentos: 1. os valores considerados pelo auditor fiscal a título de cheques devolvidos e estornos foi menor do que o que efetivamente ocorreu, gerando diferenças em janeiro de 2003 e 2004 e nos meses de março a novembro de 2003 e 2004, que totalizaram R$ 16.749,01; 2. observase, desse modo, que não houve rigor e critério para a apuração dos valores, de modo a apontar a real base imponível, mormente porque o artigo 43 do CTN exige a exata aferição de renda de acordo com o conceito legal; 3. o Banco do Brasil, ao emitir os extratos dos meses de outubro e novembro de 2003, e dos meses de janeiro, maio, junho, agosto e outubro de 2004, acabou por demonstrar os depósitos ocorridos e bloqueados, que estão regularmente lançados nos extratos mas com observação (asterisco), indicando que o efetivo ingresso ocorreria apenas na liberação dos mesmos, e os depósitos liberados, momento em que efetivamente o montante se incorpora ao saldo da conta corrente; 4. contudo, o auditor fiscal desprezou tais ocorrências concretas e considerou toda a somatória, sem aferir corretamente o que devia compor a base imponível, Fl. 502DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 490 3 duplicando esses valores de forma incorreta e gerando um número irreal, o que fulminou de nulidade o procedimento fiscal; 5. houve a desconsideração indevida de despesas expressas lançadas nos extratos apresentados pelo contribuinte, tais como transferência entre contas (c.c – c.p.), pagamento de impostos, energia elétrica, empréstimo, resgate aplicação, TED devolvida, que perfizeram o montante de R$284.779,99, impondose também, sob esse aspecto, a nulidade do auto de infração; 6. não foram consideradas para a apuração dos valores, as quantias recolhidas mensalmente a título de CPMF, que somaram R$ 12.985,37; 7. efetuandose as correções acima mencionadas, fica claro que os valores constantes do demonstrativo apresentado pelo agente fiscal foram aumentados em mais de 300%, sem que houvesse efetividade e certeza acerca dos mesmos; 8. o agente fiscal não promoveu o abatimento da renda já lançada, declarada e tributada em suas declarações de imposto de renda do período fiscalizado; 9. o lançamento por presunção é admissível apenas quando o perfil do tributo possibilitar a sua aplicabilidade, ou seja, aqueles cujo critério material contempla receita bruta, sendo inadmissível a sua aplicação no caso concreto por absoluta ausência de valoração quantitativa e qualitativa; 10. no caso do imposto de renda, exigese o cotejo efetivo da evolução patrimonial a fim de auferir concretamente a evolução patrimonial tributável; 11. o auditor fiscal possuía em mãos todos os extratos bancários e demais informações que foram prestadas e tinha ainda a certeza documental de que foram implementados débitos e créditos cuja origem já estava ali expressamente consignada, tais como pagamento de energia elétrica, estorno de lançamento, telefone, pagamento de impostos, transferência para poupança, resgate de aplicação, etc.; 12. mesmo para aqueles que admitem a possibilidade de lançamento com base em sinais exteriores de riqueza como elemento que autorize o lançamento tributário do imposto de renda, o caso concreto não se adequaria pois basta promover uma análise da situação patrimonial do requerente para concluir que, durante todo do ano de 1998, a mesma sofreu forte redução, tendo sua situação se agravado de forma terrível; 13. não restou comprovado o fato jurídico de tributário, que, no caso do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda – entendida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos – e de proventos de qualquer natureza – assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda; 14. assim, devem ser cotejados não apenas o ingresso de numerários mas também a sua saída e o saldo daí advindo, ou seja, a adição patrimonial; 15. o extinto Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182, decidiu pela impossibilidade de lançamento tributário do imposto de renda com base em extratos e depósitos bancários e nesse mesmo sentido vêm se manifestando os nossos tribunais judiciais e administrativos; Fl. 503DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 491 4 16. no caso presente, o Sr. Fiscal não se preocupou em identificar o fato jurídico tributário (fato gerador) e baseou o seu trabalho apenas nos valores creditados nas contascorrentes do recorrente, sem esclarecer o que compôs a base de cálculo, sem deixar claro qual foi a adição patrimonial; 17. todos esses equívocos engendrados na confecção do Auto de infração nulificam o ato jurídico e como corolário lógico não instauram como válida a relação jurídica tributária; 18. além de não ter demonstrado a ocorrência do fato jurídico tributário, o lançamento do débito, da maneira como foi feito, impossibilitou ao contribuinte a total compreensão dos motivos que levaram ao lançamento do débito, cerceando o seu direito de defesa; 19. a razoabilidade e a proporcionalidade devem permear a fixação da multa, sob pena de incorrer em afronta a tais princípios e aos da vedação ao confisco, capacidade contributiva e a propriedade; 20. o contribuinte se colocou à inteira disposição do fisco, atendeu todas as notificações que foram encaminhadas, não embaraçou o procedimento e apresentou todos os extratos de maneira espontânea, demonstrando com isso a sua boa fé; 21. tais fatos apontam para a total impropriedade da multa majorada de 150%, porquanto, diversamente do que aduz o auditor fiscal, não agiu o contribuinte com o intuito de fraude; 22. a Lei nº 9.298, de 01/08/1996, estabeleceu, em seu § 1º, do artigo 52, que as multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a 2% do valor da prestação; 23. dessa forma, caso o auto de infração seja confirmado e, em respeito ao princípio da isonomia, o percentual máximo para aplicação da multa seria de 20%, uma vez que a inflação mensal nos dias de hoje não chega a atingir a escala de 1%. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 492 5 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, por consegüinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir do imposto devido. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 419 a 466, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. DA DECISÃO RECORRIDA. Ab initio era de se esperar que diante da demonstração clara a respeito dos inúmeros erros técnicos promovidos nas apurações efetuadas pelo auditor fiscal a turma de julgamento procedesse a uma análise criteriosa, ampla e exaustiva. Lamentavelmente a postura da turma julgadora ficou restrita apenas a tergiversar acerca de todos os pontos aduzidos na impugnação e a transcrever artigos da legislação em vigência como se apenas tal ato pudesse aferir validade e veracidade a atecnia resultante da fiscalização. II. Deveria o Sr. Auditor Fiscal ter analisado as planilhas apresentadas, verificado a inconsistência da base presumida que estava a utilizar. O caminho assumido foi o da desídia e o desprezo a verdade documental dos autos. Novamente fazse mister remeterse as inúmeras planilhas e demonstrativos exaustivos encetados na impugnação efetuados com base nos documentos constantes dos autos, que induz inapelavelmente a conclusão que o ônus da impugnação específica foi atendido em sua integralidade. É curioso imaginar outra forma de identificação das imprecisões e inconsistências, posto que as planilhas e os documentos que deram origem aos apontamentos foram trazidos aos autos em toda sua extensão e profundidade. Bastaria a turma julgadora ter demonstrado procedido análise técnica criteriosa, pois se assim o tivessem feito não teriam tergiversado a respeito de pontos fulcrais. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 493 6 III. A conclusão de que não se analisou com critério e acuidade indispensável a defesa apresentada é inafastável, posto que verificase uma profusão de reproduções de textos legais, sem existir um real enfrentamento dos pontos descritos na impugnação. Absolutamente não é dessa forma que um processo administrativo deve ser analisado. IV. Nesse contexto fazse mister repisar os argumentos jurídicos já trazidos em sede de impugnação, a fim de demonstrar com propriedade as assertivas relacionadas a nulidade do auto de infração levado a efeito e corolariamente a integral reforma da decisão exarada no acórdão guerreado. V. DOS ERROS OCORRIDOS NA FASE DE APURAÇÃO DE VALOR PASSÍVEIS DE TRIBUTAÇÃO PELO IRPF. INOBSERVÂNCIA DE CRITÉRIOS TÉCNICOS. Discorre sobre os seguintes erros: 1. Do erro na apuração de cheques devolvidos e estornados nas contas bancãrias do Recorrente. 2. Do erro na análise dos extratos bancários gerando elevação indevida na apuração de valores depositados em conta corrente. 3. Do erro da apuração dos valores mediante desconsideração de despesas expressas lançados nos extratos apresentados pelo contribuinte. 4. Erro decorrente da não consideração de valores recolhidos mensalmente a titulo de CPMF na apuração do montante. 5. Erro na apuração dos valores efetivos de depósito pelo critério legal disposto no artigo 43, CTN. 6. Do erro ocorrido consistente em desprezar as declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. VI. DO MÉTODO UTILIZADO PELO SR. FISCAL PARA PROCEDER O LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. No caso em tela o Sr. Fiscal não se preocupou nessa fase de AVALIAÇÃO QUALITATIVA em demonstrar a ocorrência do Fato Jurídico Tributário, pois, o mesmo limitouse a identificar os valores depositados em contacorrente da Recorrente, como se isso fosse suficiente para caracterizar o nascimento da obrigação tributária. Da maneira como foi lançado o tributo, não restou comprovado se houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda entendida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda, pois, trabalhando apenas com os valores creditado em contacorrente não é possível aferir se elas representam ou não renda ou proventos de qualquer natureza para fins tributários. VII. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCARIA PARA REALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DO IRPF. Se os Egrégios Tribunais já enfrentaram a questão e decidiram que os extratos e depósitos bancários não se prestam ao lançamento do imposto de renda arbitrado, como conceber que a Autoridade Administrativa, com fulcro em norma írrita, pretenda promover eventuais lançamentos tendo como parâmetros apenas a movimentação bancária, ou sejam, extratos e depósitos bancários? É evidente que o Fisco Federal, na sanha da cada vez mais auferir receitas tributárias, despreza até mesmo os limites objetivos traçados pela Súmula 182 do TFR. VIII. Apresenta argumentos e jurisprudência para desconstituir o lançamento com base em depósitos bancários discorrendo sobre O ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL DO IRPF – ADIÇÃO PATRIMONIAL; DA INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR PRESUMIDO; DA AUSÊNCIA DOS Fl. 506DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 494 7 ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO (FATO GERADOR); Conceito de Renda não está à disposição do legislador infraconstitucional; IX. DA MULTA FISCAL (CONFISCO QUEBRA DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA). A multa aplicada fere os Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, Vedação ao Confisco e Principio da Capacidade Contributiva. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA Está claro que merece reparo a decisão recorrida, que não apreciou a impugnação do contribuinte, como se explica a seguir. Verificase que a contribuinte contestou em sede de impugnação, apontando erros de valores que teriam sido transportados equivocadamente e erros de cálculo. O impugnante elaborou planilhas copiadas na impugnação e juntou vários extratos bancários. Vejamos especialmente os itens da impugnação: Fls. 212: 1 Do erro na apuração de cheques devolvidos e estornados nas contas bancárias do impugnante. (...) Contudo, era de se esperar que o Auditor Fiscal procedesse a análise criteriosa e promovesse simples operação matemática de soma dos cheques depositados e estorno ocorridos. Entretanto, como de depreende da planilha abaixo, os valores apresentados pelo Auditor não refletem a realidade dos fatos ocorridos. Fls. 214: 2 Do erro na análise dos extratos bancários gerando elevação indevida na apuração de valores depositados em conta corrente. (...) O Banco do Brasil, ao emitir os extratos dos meses de OUTUBRO/2003, NOVEMBRO/2003, JANEIRO/2004, MAIO/2004, JUNHO/2004, AGOSTO/2004 E OUTUBRO/ 2004, acabou por demonstrar os depósitos ocorridos e BLOQUEADOS e os depósitos LIBERADOS, que são exatamente a mesma operação. Fls. 217: 5 — Erro na apuração dos valores efetivos de depósito pelo critério legal disposto no artigo 43, CTN. Fl. 507DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 210201.620 S2C1T2 Fl. 495 8 (..) A planilha abaixo demonstra que os valores de depósito, segundo a critério legal do artigo 43 do Código Tributário Nacional diverge do montante irreal apresentado pelo agente fiscal no auto de infração. Fls. 218: 6 Do erro ocorrido consistente em desprezar as declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. (...) O agente fiscal não promoveu como deveria fazêlo, ao abatimento da renda já lançada, declarada e tributada em suas declarações de imposto de renda do período fiscalizado. Os extratos juntados constam às fls. 275 a 393. A decisão da Delegacia de Julgamento, fls. 397 a 412 foi absolutamente formalista, ancorandose simplesmente em aspectos da viabilidade legal sem adentrar em nenhum dos pontos acima elencados. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos carreados na impugnação, no sentido de refutar o procedimento fiscal, sejam descaracterizados pela autoridade julgadora para a manutenção do lançamento. Dessa forma, obrigatoriamente a decisão recorrida deveria ter apreciado tal pleito, não podendo se ancorar em formalidades legais em dissonância com a real pretensão deduzida pelo contribuinte na impugnação, sempre lembrando que o processo administrativo fiscal é um processo vocacionado à busca da verdade real. Por tudo, a decisão recorrida incorreu em claro cerceamento do direito de defesa do impugnante, devendo ser anulada, para que outra ser proferida, apreciando o todos argumentos do pedido do contribuinte em sua impugnação. Diante disso restam prejudicadas os demais aspectos desse julgamento. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 508DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 19515.000268/2002-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998, 1999
IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE “AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE” E DE “AUXÍLIO HOSPEDAGEM” CRÉDITO
TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE. Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”,que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto
no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta,
inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN.
Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053).
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
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Os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. Ademais, a jurisprudência deste Colegiado é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão n° 920200.053). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Jose Ricardo Alvarenga Tripoli foi lavrado o auto de infração de fls. 38/41, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação, pela autoridade fiscal, da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo a título de “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, relativamente aos exercícios de 1998 e 1999. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.461, que se encontra às fls. 188/198 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF ANOCALENDÁRIO: 1997, 1998. Ementa: VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA — As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda, especificado no artigo 43 do CTN. O fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 26/06/2009 (fls. 199) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de fls. 201/205, em que sustenta divergência entre o v. acórdão, que analisando os rendimentos recebidos a título de auxílioencargos gerais Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000268/200240 Acórdão n.º 920201.892 CSRFT2 Fl. 2 3 de gabinete entendeu pela natureza indenizatória dessas verbas, e o entendimento expresso no acórdão 10615.473. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 920200.304, de 15/10/2009 (fls. 224 e vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 231/250. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no presente recurso é a incidência do imposto sobre a renda de pessoa física sobre verbas recebidas a título de auxílioencargos gerais de gabinete. Nesse sentido, o acórdão recorrido (Acórdão nº 10249.461), exarado pela C. 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem cancelar lançamento por entender que tais verbas teriam natureza indenizatória, não constituindo acréscimo patrimonial do contribuinte. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 106 15.473. Entendo que o acórdão indicado como paradigma analisou situação semelhante ao presente caso, qual seja a apreciação, pelo então Conselho de Contribuintes, da natureza das verbas recebidas a título de auxílio de gabinete, como se verifica da ementa abaixo transcrita: “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM. Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. As verbas recebidas por parlamentar como o auxílio de gabinete e hospedagem estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual.” O acórdão citado como paradigma concluiu que as verbas de auxíliogabinete recebidas por deputado do Estado de São Paulo nos mesmos períodos constituem rendimentos tributáveis. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão citado como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 No mérito a questão é bastante conhecida deste E. Colegiado, qual seja a incidência ou não de imposto sobre a renda de pessoa física sobre os valores recebidos por parlamentares a título de auxíliogabinete nos anos de 1997 e 1998, períodos em que a Assembléia Legislativa daquele Estado não exigia a comprovação dos gastos efetuados e sua vinculação ao provimento de instrumentos para o trabalho do parlamentar. Já me manifestei em diversas julgados anteriores, tanto na segunda instância quanto nesta instância especial, que essas verbas, salvo nos casos em que há a efetiva comprovação de sua utilização, devem ser consideradas como rendimentos tributáveis dos contribuintes. Nada obstante tenho restado como único voto vencido nos diversos recursos apreciados recentemente por este E. Colegiado, razão pela qual, em atenção aos princípios da moralidade, efetividade e eficiência da administração pública (Art. 37 da Constituição Federal), passo a adotar, com ressalva da minha opinião pessoal, o entendimento da maioria deste Colegiado. Para tanto, transcrevo a seguir o voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, constante do acórdão nº 920201.000, da sessão de 17/08/2010, que reflete o entendimento atual do Colegiado, in verbis: “O contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os valores recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “Auxílio Hospedagem” não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pelo autuado. Pois bem, o contribuinte, na qualidade de deputado estadual em São Paulo (SP) no período compreendido entre maio de 1997 e dezembro de 1998, recebera valores da Assembléia Legislativa daquele Estado a título de “Auxílio – Encargos de Gabinete de Deputado” e de “AuxílioHospedagem”. Como não comprovou o oferecimento dessas verbas à tributação, embora intimado para tanto, a autoridade lançadora entendeu estar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, posição que restou endossada pela r. decisão recorrida. Tais verbas foram instituídas pela Resolução n° 783/97, da ALESP, em cujo artigo 11 consta o seguinte: Art. 11. Ficam instituídos o AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e o AuxílioHospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UFESPs, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, previstos nos artigos 1°, inciso I, alínea “I” e 8°, da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. Por sua vez, o artigo 1°, inciso I, alínea “I” e o artigo 8°, ambos da Resolução n° 776/96, da ALESP, assim estabeleciam: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000268/200240 Acórdão n.º 920201.892 CSRFT2 Fl. 3 5 Art. 1°. A estrutura administrativa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fica assim constituída: I – da Mesa e das Representações Partidárias: (...) I – Gabinete de Deputado; Art. 8°. Aos Gabinetes de Deputados, unidades subordinadas aos respectivos titulares, compete: I – prestar assessoria e assistência técnica nas matérias relacionadas à atividade parlamentar; II – representar o respectivo titular nos eventos e ocasiões por ele determinadas; III – acompanhar a tramitação de proposições de interesse do deputado; IV – providenciar sobre o expediente e as audiências do Deputado, além de outras atribuições correlatas. Relevante transcrever, também, a seguinte passagem contida em ofício encaminhado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal (fls. 0708): Sirvome do presente para, mais uma vez, tratar dos procedimentos fiscais que cuidam do recebimento do “AuxílioEncargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem”, pelos senhores parlamentar com assento na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Como anteriormente dito no ofício SGA n° 076/2001, a partir de maio de 1997, os Gabinetes dos Deputados, no exercício de seus mandatos nesta Assembléia, passaram a contar, em substituição ao fornecimento de materiais e serviços disponibilizados pela Administração do Legislativo, com as verbas em questão, de valor mensal correspondente a 1.250 UFESP´S (um mil, duzentos e cinqüenta unidades fiscais do Estado de São Paulo). (Grifei) Podese perceber, que até abril de 1997, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo fornecia aos seus deputados materiais e outros serviços não especificados e, a partir de maio de 1997, o fornecimento de tais materiais e serviços foi substituído pelo pagamento aos parlamentares das verbas denominadas “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e “AuxílioHospedagem”, no valor equivalente a 1.250 UFESP. O trabalho da autoridade fiscal, no caso, resumiuse em intimar o contribuinte para que informasse se havia oferecido à Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 tributação os valores em referência, comprovando tal situação (fls. 1617). Como o então fiscalizado não produziu esta prova, prontamente restou lavrado o lançamento de ofício por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem que a autoridade lançadora tentasse, ao menos, obter informações ou comprovações das despesas efetivamente realizadas pelo parlamentar como contraposição das verbas pagas a ele pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, era no sentido de que as verbas destinadas às despesas de gabinete parlamentar não se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda, desde que estejam comprovadas ou haja uma prestação de contas. Tal posicionamento pode ser ilustrado através da transcrição das ementas dos seguintes acórdãos: VERBA DE GABINETE – Valores recebidos sob a rubrica “verba de gabinete”, destinados à aquisição de material de gabinete, passagens, assistência social e outras correlatas à atividade de gabinete parlamentar, sobre as quais devem ser prestadas contas, não se enquadram no conceito de renda. (CRSF, Primeira Turma, acórdão CSRF/0104.676, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 13/10/2003) IRPF – PARLAMENTAR – VERBAS DE GABINETE – Somente não se sujeitam à tributação as verbas de gabinete comprovadamente gastas com passagens aéreas, serviços postais e tarifas telefônicas, por parlamentares no exercício de seus mandatos. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, acórdão n° 104 19.058, Relator Conselheiro José Pereira do Nascimento, julgado em 05/11/2002) Entendo ser bastante coerente este posicionamento, na medida em que os valores recebidos por parlamentares a título de “verbas de gabinete”, compreendidos neste conceito o “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e o “AuxílioHospedagem” pagos pela ALESP a seus deputados, que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto no artigo 43, inciso I, do Código Tributário Nacional. Nesta situação resta configurado o fato gerador do imposto sobre a renda. No caso em tela, cumpre reiterar, a autoridade lançadora, por estar convicta de que os valores em questão sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda, sequer intimou o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000268/200240 Acórdão n.º 920201.892 CSRFT2 Fl. 4 7 parlamentar para que comprovasse a utilização dos recursos recebidos na finalidade para a qual foram criados. É notório, nos termos do artigo 334, inciso I, do Código de Processo Civil CPC, não sendo razoável deixar isso de lado, que os deputados têm inúmeras despesas no exercício de seus mandatos. Ao longo do processo, o contribuinte informou que a criação do “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e do “AuxílioHospedagem” visou desonerar a ALESP de diversas despesas mensais, tais como, fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, aquisição de passagens, impressão de livros e materiais didáticos, cópias reprográficas, material de escritório, assinatura de jornais e revistas e outras despesas relacionadas à atividade do gabinete parlamentar. Isso se comprova no ofício enviado pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa de São Paulo para o Senhor Superintendente da Secretaria da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, do qual já transcrevi os excertos mais relevantes para o deslinde desta controvérsia. Sendo assim, tenho como inquestionável que se ocorreu fato gerador do imposto sobre a renda com relação aos valores recebidos da ALESP pelo Sr. Misael Margato a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “Auxílio Hospedagem”, a matéria tributável não é representada pela totalidade desses numerários. Poderseia tributar, apenas, a diferença entre os valores recebidos e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados, pois aí residiria “o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”, previsto no artigo 3°, § 4°, da Lei n° 7.713/88. Penso, com todo o respeito, que o trabalho da autoridade lançadora não foi abrangente, como se fazia necessário. A fiscalização deste caso, sob minha ótica, deveria seguir parâmetros semelhantes àqueles adotados nos trabalhos iniciados com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal a respeito da movimentação bancária dos contribuintes. O lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocorre após a intimação do contribuinte para que comprove a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, atingindo apenas os recursos sem origem comprovada. Aqui, volto a destacar, a exigência fiscal poderia alcançar tão somente a diferença entre os valores recebidos pelo recorrente da ALESP a título de “Auxílio – Encargos Gerais de Gabinete” e de “AuxílioHospedagem” e aqueles efetivamente gastos nas despesas para as quais foram criados. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Por isso, entendo que o auto de infração está em desacordo com as previsões do artigo 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (Grifei) A pretensão de tributar tais verbas desrespeita, também, o artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional e vai de encontro ao princípio constitucional da capacidade contributiva, previsto no artigo 145, § 1°, da Carta da República. Não havendo a adequada demonstração da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, nem tampouco da matéria tributável, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, pois o lançamento é improcedente. Ademais e embora sob outros fundamentos, devo ressaltar que esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já apreciou a matéria por diversas vezes, considerando insubsistentes os autos de infração. Com o objetivo de ilustrar tal posicionamento, trago à colação a ementa do seguinte acórdão: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física IRPF VERBA DE GABINETE – IMPOSTO DE RENDA – VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR – NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Recurso n° 151.210, Acórdão n° 9202 00.053, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, julgado em 17/08/2009) Do voto proferido pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cumpre destacar as seguintes passagens: O exame da matéria exige que se identifique se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000268/200240 Acórdão n.º 920201.892 CSRFT2 Fl. 5 9 determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. (...) Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. Ao apreciar a natureza jurídica da “verba de gabinete”, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário de n° 204.1432, julgado em 250397, em que foi relator o Ministro Octávio Gallotti, assentou que os subsídios dos Deputados Estaduais são fixados nos termos do artigo 27, § 2o., da Constituição Federal, na razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observados o que dispõem os artigos 39, § 4o. e 57, § 7o, da Constituição. O artigo 39, § 4o., da Constituição Federal, por sua vez, prevê que “o membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no artigo 37, X e XI.” Os dispositivos constitucionais acima referidos, a exemplo do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, em especial nos fundamentos contidos na decisão do Ministro Sepúlveda Pertence, que ao suspender a segurança deferida no acórdão atacado por meio do Recurso Extraordinário n° 204.1432, afastou a tese de natureza remuneratória da denominada “verba de gabinete”, arrimando sua decisão com a seguinte passagem que transcrevo: “Que o caráter supostamente indenizatório da referida verba viesse a dissimular a indevida evasão do imposto de renda e a regra constitucional da equivalência dos tetos (CF, art. 37, XI) – segundo alega a impetração (fl. 43) – e, de sombra, a fraudar o limite de 75% da remuneração dos congressistas (art. 27, § 2o.) – é questão que diz apenas com a legitimidade do seu pagamento aos parlamentares estaduais em exercício.” Tenho que a “verba de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. (...) Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A impossibilidade de incidência do imposto de renda pessoa física sobre as chamadas “verbas de gabinete” é corroborada, ainda, pela jurisprudência uníssona do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – NOVA QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS – POSSIBILIDADE – NÃOOCORRÊNCIA DE OFENSA À SÚMULA 7/STJ – IMPOSTO DE RENDA – AJUDA DE CUSTO A PARLAMENTAR – NÃOINCIDÊNCIA – PRECEDENTES. 1. A Corte Especial entende perfeitamente possível, na via do apelo especial, que o STJ, partindo dos fatos delimitados na sentença e no acórdão do Tribunal a quo, atribua nova qualificação e conclusão jurídica diversa daquela feita pela instância de origem, sem infringência à Súmula 7/STJ. 2. Os valores recebidos por parlamentares a título de ajuda de custo não constituem fato gerador do imposto de renda (aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN)), por ter natureza jurídica indenizatória. Precedentes do STJ. 3. Agravos regimentais não providos. (STJ, Segunda Turma, Ag.Rg. no REsp n° 1.166.717/CE, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJE de 04/03/2010) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000268/200240 Acórdão n.º 920201.892 CSRFT2 Fl. 6 11 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTAR DENOMINADAS COMO COTAS DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. As verbas de gabinete recebidas pelos parlamentares, embora pagas de modo constante, não se incorporam aos seus subsídios. Precedentes do STJ e do STF. 3. É que a incidência do imposto de renda sobre a verba intitulada “ajuda de custo” requer perquirir a natureza jurídica desta: a) se indenizatória, o que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. 4. In casu, a instância a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a verba denominada como cotas de serviço percebida pelo parlamentar (auxílio moradia, passagem, correspondência e telefone) tem natureza indenizatória, não constituindo, portanto acréscimo patrimonial. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa extensão, não provido. (STJ, Primeira Turma, REsp n° 1.074.152/RO, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 19/08/2009) Com tais fundamentos, concluo que o lançamento é improcedente, de modo que a decisão recorrida deve ser reformada. Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, restando prejudicado o recurso da Fazenda Nacional.” Nesse sentido, conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.004575/2003-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONHECIMENTO AUSÊNCIA DE PARADIGMA. Não merece ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a divergência entre os acórdãos apontados como paradigma e o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-000.812
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Não merece ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a divergência entre os acórdãos apontados como paradigma e o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 2 2 face do Acórdão nº 10808.859, da então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração teve origem em procedimento de suspensão de isenção da Federação Paulista de Futebol (processo administrativo nº 19515.003848/200370, apensado ao presente processo) e foi lavrado para exigir IRPJ e CSLL, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 1998. Houve o arbitramento do lucro, com fundamento na impossibilidade de a fiscalização apurar o lucro real, uma vez que, segundo o Termo de Verificação Fiscal “os livros e demonstrativos que o contribuinte intentou apresentar estavam escriturados segundo o regime de caixa, inábeis para a apuração do lucro real, que exige escrituração feita pelo regime de competência”. Ainda, conforme relata o acórdão recorrido “quanto à suspensão do direito de isenção tributária do ano de 1998 pelo Ato Declaratório Executivo n° 0199, de 26 de novembro de 2003, fls. 206, do Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, vejo que ela se pautou nas seguintes conclusões da fiscalização em relação à Federação Paulista de Futebol, conforme consta do Termo de Notificação Fiscal de fls. 160/179: deixou de aplicar integralmente os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, exerceu atividades econômicas ou comerciais e remunerou dirigentes”. O contribuinte interpôs impugnação ao Auto de Infração e ao Ato Declaratório Executivo que suspendeu a isenção. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 578 e seguinte, julgou conjuntamente o processo de suspensão de isenção e o Auto de Infração dela decorrente, julgando procedente a suspensão da isenção, bem como também julgando procedente o lançamento do IRPJ e da CSLL. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10808.859, o qual Deu Provimento Parcial ao Recurso do contribuinte para afastar as exigências do IRPJ e da CSLL. Entendeu o colegiado que não foi dado prazo razoável para que o contribuinte apresentasse escrituração contábil e fiscal, maculando, assim, o lançamento efetuado com base no arbitramento. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: SUSPENSÃO DE ISENÇÃO — ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS — Cabível a suspensão da isenção de entidade civil sem fins lucrativos quando comprovado o desvirtuamento da sua finalidade, além do exercício de atividade econômica ou comercial, não sendo sustentável a isenção de tributos e contribuições. IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCROS — APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS — CONCESSÃO DE PRAZO Incabível o arbitramento do lucro tributável motivado pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, quando o Fisco não concede prazo mínimo para o atendimento à intimação que exigia tais elementos. CSL LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido no julgamento do lançamento principal do IRPJ faz coisa julgada Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 3 3 no dele decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial de Divergência, no qual alega que (i) o contribuinte não apresentou qualquer fundamento para a dilação do prazo de 5 (cinco) dias concedido pela fiscalização; (ii) a fiscalização cumpriu rigorosamente a exigência do artigo 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95; (iii) não havendo prazo mínimo para o ato em discussão, fica esta ao poder discricionário da autoridade administrativo, sendo o prazo de 5 (cinco) dias o prazo mínimo razoável segundo entendimento da jurisprudência e da doutrina, e previsto inclusive no Código de Processo Civil; e (iv) o contribuinte descumpriu a legislação tributária, que é a de apresentar todos os documentos necessários ao lançamento do crédito tributário. O Despacho de fls. 679/680 deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou suas Contrarazões às fls. 685/700. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e embora tenha sido determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade feito pelo Presidente da Câmara a quo, entendo salutar analisar o cabimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Verifico, inicialmente, que ao Recurso Voluntário do contribuinte foi dado provimento parcial por unanimidade de votos. Neste passo, tendo em vista que o julgamento ocorreu por unanimidade de votos, interpôs a Fazenda Nacional Recurso Especial de Divergência, com base no artigo 7º, inciso II do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como paradigma, apresentou a Fazenda Nacional diversos acórdãos, cujas ementas transcrevo abaixo, na parte em que tratam do arbitramento (trechos negritados pela Recorrente em seu Recurso Especial): Acórdão Paradigma nº 10319169: "IRPJ ARBITRAMENTO A falta de exibição ao fisco de livros e documentos que comprovem a veracidade das informações constantes das demonstrações financeiras e da declaração de rendimentos autoriza o arbitramento do lucro observado os critérios e parâmetros previstos em lei. Acórdão Paradigma nº 10320038: IRPJ ARBITRAMENTO — ADMISSIBILIDADE A apuração do imposto através da sistemática do lucro real depende da existência de escrituração comercial e fiscal devidamente lastreada em documentação hábil e idônea. Na espécie, a inexistência destas condições impede a reversão da opção pelo lucro arbitrado feita pela própria contribuinte na fase de fiscalização. Acórdão Paradigma nº 10195216: IRPJ — LUCRO ARBITRADO — CABIMENTO — É cabível o arbitramento do lucro de pessoa jurídica isenta, quando suspensa tal condição, em procedimento fiscal regularmente instaurado. Acórdão Paradigma n° 10319011: "IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS A falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais, bem como da documentação que ampara a escrituração, justifica o arbitramento dos lucros, sendo insuficiente para descaracterizar esta forma de apuração do resultado tributável, a justificativa de extravio dos livros e documentos, mormente quando a contribuinte não tomou as devidas cautelas em sua guarda, nem tomou as providências legais da publicidade do extravio. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 5 5 Verificase pelas ementas dos acórdãos indicados como paradigmas pela Recorrente diversas hipóteses em que o arbitramento do lucro é cabível, inclusive em relação à “pessoa jurídica isenta, quando suspensa tal condição, em procedimento fiscal regularmente instaurado”, conforme acórdão nº 10195.216, o qual foi citado pelo despacho de admissibilidade. No entanto, a despeito de no presente processo também se tratar de pessoa jurídica cuja isenção foi suspensa em procedimento regularmente instaurado, fato é que neste caso não foi a suspensão da isenção o fundamento para o cancelamento do lançamento, ao contrário, a suspensão da isenção justificaria o lançamento se observadas os demais requisitos para tanto. Conforme se extrai da ementa do acórdão recorrido, o lançamento com base no arbitramento foi cancelado, uma vez ser, no referido entendimento, “incabível o arbitramento do lucro tributável motivado pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, quando o Fisco não concede prazo mínimo para o atendimento à intimação que exigia tais elementos”. Ou seja, resta claro pela ementa e também ao longo de toda a fundamentação do voto condutor que a fiscalização deveria ter permitido ao contribuinte um prazo maior do que 5 (cinco) dias para que este apresentasse a escrituração contábil e fiscal hábil à apuração do lucro real. Entretanto, como a fiscalização concedeu apenas 5 (cinco) dias, e não concedeu a prorrogação requisitada pelo contribuinte, asseverou o acórdão recorrido, por unanimidade, conter o arbitramento e, consequentemente, o lançamento “incongruência insuperável”, razão pela qual determinou seu cancelamento. Para melhor esclarecer, retomo as razões constantes do bem elaborado voto proferido pelo ilustre Conselheiro Nelson Losso Filho, no acórdão recorrido. Após discorrer longamente sobre as acusações imputadas à Federação Paulista de Futebol, o voto condutor conclui pela existência de motivo suficiente para a suspensão da isenção, com fulcro na Lei n º 9.532/97, entendendo pela procedência do Ato Declaratório Executivo n 0199, de 26/11/2003. Confirmada a suspensão da isenção tributária, esclareceu que deveria analisar as matérias em litígio quanto ao IRPJ e CSLL, quais sejam: preliminares de inexistência de sujeição passiva da entidade em relação às exigências fiscais e decadência do direito de constituição do crédito tributário e, no mérito, a impossibilidade do arbitramento do lucro e a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora. O acórdão deixou de apreciar as preliminares suscitadas e a ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC, porque, desde logo, verificou razões suficientes a fulminar as exigências do IRPJ e da CSLL, especificamente relacionadas ao arbitramento, o qual foi efetuado sem dar prazo razoável à pessoa jurídica para a elaboração dos demonstrativos exigidos. Para fundamentar seu posicionamento, o acórdão recorrido citou vasta jurisprudência deste Colegiado, a seguir transcritas: "ACÓRDÃO n°10416751IRPJ — ARBITRAMENTO — É insuficiente para fundamentar o procedimento externo consubstanciado no arbitramento, simples e única intimação com prazo de apenas cinco dias, sem maiores investigações. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 6 6 ACÓRDÃOS n° 10805467, 10805.399, 10805.089 e 108 05.875 IRPJ LUCRO REAL — ARBITRAMENTO DO LUCRO — RECEITA CONHECIDA — A desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real Cabe ao Fisco conceder, por escrito, prazo razoável para a escrituração de livros auxiliares. ACÓRDÃOS n°10189.596 e 10189.628 É ineficaz a adoção do arbitramento do lucro em bases correntes, para apuração do resultado na forma prevista no art. 41, inciso I da Lei n° 8.541/92, quando não concedido ao contribuinte o prazo mínimo fixado no art. 677, do RIR/80, para apresentação dos elementos pedidos, mas sim o prazo para apresentação imediata. ACÓRDÃO CSRF/0102.590 ARBITRAMENTO — O lapso de tempo de algumas horas para apresentação de documentos, com ausência de negativa, mas tão só resposta que naquele espaço de tempo alguns livros eram entregues, não justifica a tributação por arbitramento, que é forma de apuração do lucro, em regra mais gravosa, não podendo prescindir da real e efetiva tentativa do Fisco em apurar o devido pela forma completa ACÓRDÃO CSRF/0104.557 IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS — O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento estremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendose prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização. ACÓRDÃO 10806.250 IRPJ APURAÇÃO MENSAL DO IMPOSTO. ARBITRAMENTO – É ineficaz a adoção do arbitramento em bases correntes, para a apuração do lucro tributável, quando não concedido ao contribuinte o prazo mínimo previsto no artigo 677 do RIR/1980, para apresentação dos elementos pedidos, mas sim o prazo para apresentação imediata." De outra parte, o Recurso Especial da d. Fazenda Nacional transcreve trechos do acórdão recorrido e demonstra que bem entendeu as razões de decidir. Elabora argumentos doutrinários e cita legislação, inclusive de Direito Processual Civil, para defender o prazo de 5 (cinco) dias concedido pela fiscalização antes do arbitramento. Admite a própria Fazenda Nacional que o contribuinte pediu a prorrogação de prazo, pedido este que foi indeferido. A despeito da argumentação da d. Procuradoria, tratase, in casu, de Recurso Especial de Divergência, uma vez que o acórdão recorrido foi proferido a unanimidade. Se assim é, as ementas transcritas deveriam se reportar ao motivo do cancelamento em questão, e não genericamente ao arbitramento de lucros. Não verifiquei no Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19515.004575/200381 Acórdão n.º 910100.812 CSRFT1 Fl. 7 7 recurso apresentado qualquer cotejo entre as razões de decidir do acórdão recorrido, as razões expostas pela d. Procuradoria e a divergência jurisprudencial. A Procuradoria apresenta como paradigma quatro acórdãos. Além daquele já analisado neste voto (acórdão n.10195.216), que não adentra o cerne da questão ora sub judice, os demais tratam da falta de apresentação de livros e documentos, bem como da necessidade de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea, não se reportando referidas ementas, tampouco sendo objeto de cotejo pela Recorrente, a questão relativa ao prazo concedido pelo fisco ao contribuinte. Assim, embora a Recorrente, em seu mérito, tenha apresentado argumentos, não foi capaz de demonstrar a divergência necessária ao conhecimento de seu recurso. Desta forma, por ausência de divergência entre os acórdãos apontados pela Recorrente como paradigmas e o acórdão recorrido, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 11020.003765/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 2004 a 2008.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.
Demonstrado nos autos que a escrita da recorrente era manifestamente imprestável, porquanto (1) não considerava, de forma sistemática e reiterada, a integralidade das operações comerciais efetuadas pelo contribuinte e (2) a movimentação financeira decorrente das operações comerciais omitidas foi
operacionalizada à margem da escrituração (os cheques recebidos eram repassados em pagamento ou havia a utilização de contas bancárias em nome de terceiros), apresenta-se viável o arbitramento.
Numero da decisão: 1301-000.752
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada,afastar a arguição de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2004 a 2008. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Demonstrado nos autos que a escrita da recorrente era manifestamente imprestável, porquanto (1) não considerava, de forma sistemática e reiterada, a integralidade das operações comerciais efetuadas pelo contribuinte e (2) a movimentação financeira decorrente das operações comerciais omitidas foi operacionalizada à margem da escrituração (os cheques recebidos eram repassados em pagamento ou havia a utilização de contas bancárias em nome de terceiros), apresentase viável o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada,afastar a arguição de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS. Consta dos autos que a recorrente tem por objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de relógios, cronômetros, ótica em geral, joias, bijuterias e assemelhados (fls. 224 a 232) e que no período objeto de fiscalização (anoscalendário de 2004 a 2008), a sociedade, que atua fortemente na industrialização de joias, optou pela tributação consoante a sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples (fls. 2403, 2422, 2440 e 2458), que em julho de 2007, foi sucedido pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional (fls. 2470 e 2477). Consoante o Relatório de Atividade Fiscal (fl.135), em 09/12/2008, por atendimento à solicitação do Ministério Público Federal e em cumprimento de mandados de Busca e Apreensão Judicial realizados na sede da recorrente e na residência do titular da empresa, Sr. Juarez Luis Presotto (fls. 202 a 209), constatandose a prática de subfaturamento pela empresa, isto é, omissão de receitas mediante vendas sem a emissão das respectivas notas fiscais ou mediante emissão parcial das notas fiscais respectivas e diante dessa constatação e após detida análise dos documentos apreendidos e minudente cotejo das provas, arbitrou a receita tributável da empresa no período de 2004 a 2008, e procedeu ao lançamento de ofício das verificadas diferenças dos valores faturados e não tributados. Destacou a Fiscalização, que em decorrência da constatação da emissão de notas fiscais com valores abaixo do efetivamente negociado (subfaturamento das vendas) e a não escrituração da sua real movimentação bancária, o que caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária a que se refere o inciso V, do artigo 14, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e inciso V, do art. 195, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, aquela Fiscalização excluiria a recorrente, por meio de Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95, de 30 de novembro de 2009, da sistemática do SIMPLES e, consoante determina o inciso 17, do artigo 15, da Lei n° 9.317/96, a exclusão surtiria efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência da prática reiterada da infração tributária. Em vista da exclusão do SIMPLES, houve a tributação dos resultados do contribuinte consoante a sistemática do lucro arbitrado, justificando a Fiscalização, que considerando que a empresa praticou mensalmente o subfaturamento de sua receita operacional Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 11020.003765/200926 Acórdão n.º 1301000.752 S1C3T1 Fl. 2 3 e, por este motivo, foi excluída do SIMPLES desde a primeira infração, deveria ter seus rendimentos tributados pelo Lucro Real, destacando, no entanto, que para ser tributado pelo regime de tributação com base no Lucro Real, a empresa deveria possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este não contemplado em virtude da escrituração contábil da recorrente não demonstrar a totalidade das receitas obtidas e das despesas incorridas no período, inclusive tendo se utilizado de terceiros para efetuar parte da movimentação financeira, o que a torna imprestável para apuração do Lucro Real. Tendo em vista que a escrituração contábil não atenderia aos requisitos legais, a fiscalização procedeu, para o período excluído do Simples, ao lançamento de ofício com base no lucro arbitrado. Destacandose que as receitas consideradas foram aquelas apontadas no documento da folha 2388 e como tais apontamentos indicam receitas até o mês de abril de 2008, inclusive, houve o arbitramento das receitas auferidas pelo contribuinte de maio a dezembro de 2008. Esse arbitramento foi efetuado em função da média do faturamento verificado nos quatro primeiros meses do ano de 2008, mencionandose que o procedimento levou em conta os termos do art. 285 do RIR/1999 e que os esclarecimentos fiscais a respeito da pertinência do critério de arbitramento das receitas constam das folhas 183 a 185. Diante das constatações acima resumidas, foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relativo ao IRJ do período e seus correspondentes reflexos nos demais tributos, sendo certo que a recorrente foi devidamente cientificada (fl. 2.533). Ocorrendo, entretanto, que o AR entregue pelos Correios ao Fisco não indicava a data de recebimento dos autos de infração pelo contribuinte (fl. 2.532). Diante disso, por precaução, a Administração Tributária deu ciência ao contribuinte dos lançamentos por meio de edital (vide documento da folha 2542) e o referido edital foi afixado em 15 de dezembro de 2009 e desafixado no dia 30 do mesmo mês. Observase no presente processo que a recorrente apresentou Impugnação (fl. 2543), alegando em síntese que a Fiscalização constatou "suposta prática de subfaturamento pela Empresa, isto é, omissão de receitas mediante venda sem nota fiscal ou mediante emissão parcial das notas fiscais respectivas". Assentou que diante dessa constatação, "a partir de deduções e presunções, a Fiscalização arbitrou a receita tributável da empresa" e que esse procedimento fiscal seria imprestável, tendo em vista que teria desrespeitado princípios legais e constitucionais, bem como não existiriam "elementos probatórios palpáveis sobre a situação fática sobre a qual se funda". Seguiu a recorrente arrazoando pela nulidade do lançamento e afirmando que o prazo fixado pela legislação para a apresentação da impugnação (trinta dias — art. 15 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972) viola o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa (art. 5°, LV, da Constituição Federal) e que em regra isso seria viável, mas no caso vertente, diante das suas peculiaridades, não seria assim, pois os documentos colecionados pela Fiscalização em aproximadamente três mil páginas não poderiam ser analisados em apenas trinta dias. Evidência disso, segundo aduziu, seria o fato de que a Fiscalização trabalhou por quase um ano e exigir que o contribuinte se manifeste em apenas trinta dias não seria justo. Salienta que as normas supressivas do contraditório e da ampla defesa devem ser afastadas, tal qual verificado no caso do depósito prévio anteriormente fixado no artigo 33, § 2°, do Decreto Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 n° 70.235, de 1972. Lembrou, ainda, que a legislação já previu, no passado, a possibilidade do alargamento do prazo pela metade (art. 6°, I, do Decreto n° 70.235, de 1972, antes da revogação implementada pelo art. 7° da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993) e que a disposição revogada, "previu a possibilidade de alargamento do prazo, conforme as necessidades do caso concreto" (fl. 2.548), requerendo "nova intimação que conceda prazo compatível com o volume de documentos envolvidos", sob pena de nulidade dos autos de infração. Citou precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes que autorizou a juntada de provas após o julgamento de primeira instância. Refere, por fim, o artigo 3°, III, da Lei n° 9.784/99, que admite a formulação de alegações e a apresentação de documentos antes da decisão e diante de tais elementos requereu permissão para "o aditamento das razões de impugnação em prazo razoável, que permita a análise da ampla gama de documentos anexados ao feito". Quanto ao mérito, aduziu a Recorrente que o AuditorFiscal responsável pelo trabalho tentou "demonstrar a ocorrência dos supostos fatos geradores através da juntada de planilhas, apontamentos, notas fiscais, extratos bancários e outros documentos" e que na identificação e quantificação desses fatos teria sido adotada a técnica do arbitramento, sendo esse procedimento nulo em função de afronta ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Argumentou, após afirmar que iria atacar cada uma das irregularidades e inconsistências do procedimento de forma pormenorizada (fl. 2.556), que o arbitramento foi realizado de maneira ilegal e arbitrária, porquanto lastreado em indícios e presunções, sendo que cada um dos fatos geradores deveria estar perfeitamente comprovado com a indicação, inclusive, do destinatário da venda não declarada. Firmou que somente procedimento desse jaez permitiria ao contribuinte exercer seu direito de defesa e que a Fiscalização, ao contrário, impossibilitou a defesa ao apresentar "o faturamento arbitrado e presumido da Contribuinte, através de meras planilhas, apontamentos e extratos bancários não necessariamente relacionados ao faturamento efetivamente ocorrido" (fl. 2.557), reputando que o ato administrativo conteria, nesse sentido, vício de motivação, citou doutrina a respeito da motivação dos atos administrativos e relacionou a falta de motivação com o prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, que seriam pressupostos de validade do processo administrativo. Entende, portanto, que os autos de infração são nulos. No mais, argumentou a impossibilidade de arbitramento e sustentou o deve da Administração comprovar suas alegações, afirmando que seriam imprestáveis a tal fim os documentos apreendidos, afirmando haver avaliação contraditória da fiscalização e que uma perícia seria direito da contribuinte. Afirmou que o ICMS pago deveria ser excluído da base de cálculo dos tributos federais, inexigibilidade da CSL sobre receitas de exportação e inaplicabilidade da multa qualificada afirmando que esta se revestiria de caráter confiscatório. Na mesma data em que apresentada a impugnação (5 de janeiro de 2010), também foi apresentada Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 95, de 30 de novembro de 2009 (fl. 2.525). Destacouse que o ato administrativo de exclusão foi cientificado ao contribuinte juntamente com os autos de infração (fls. 2.532 e 2.534), iniciandose por relatar que, "por meio e a partir de deduções e presunções, a Fiscalização excluiu o contribuinte do Simples, arbitrou a receita tributável da empresa no período de 2004 a 2008, e procedeu ao Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 11020.003765/200926 Acórdão n.º 1301000.752 S1C3T1 Fl. 3 5 lançamento de ofício das supostas diferenças dos valores supostamente faturados e não tributados" (fl. 2.645). Argumentou que em razão de se entender ter sido a exclusão arbitrária, envereda pelo ataque ponto a ponto. Reprisou, com as devidas adaptações, as preliminares e parte do mérito ("Do arbitramento da base de cálculo", "Da impossibilidade do arbitramento e da regularidade da escrita" e "Do dever da Administração comprovar suas alegações") levantados relativamente aos autos de infração. Reputou ausência de fraude capaz de ensejar a exclusão e teceu outras substanciosas considerações requerendo o reconhecimento da nulidade do Ato Declaratório de Exclusão, o julgamento conjunto antes referido e a permanência do contribuinte na sistemática do Simples. Em momento posterior (fls. 2687) apresentou emenda à Impugnação, reiterando seus argumentos e formulando pedidos alternativos. A 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, nos termos do acórdão e voto de folhas 2806 a 2824, firmou entendimento para os fins indeferir o pedido de perícia, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e considerando procedente em parte a impugnação aos autos de infração, mediante a exclusão, da exigência, dos valores pagos espontaneamente a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis, segundo a sistemática do Simples e do Simples Nacional, afastando detidamente todos os argumentos invocados pela recorrente. Devidamente notificada (fls. 2826), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2828 2873), recontando os fatos e insistindo na aplicação da verdade material e requerendo a análise das nulidades apontadas; bem como seja analisada a questão da decadência operada em relação ao dito crédito tributário, o ônus da prova de que não se desincumbiu o Fisco Federal, da matéria de fato e de direito constante do recurso. Deu sequência aos seus argumentos salientando a nulidade dos autos de infração, porquanto consubstanciado no Mandado de Procedimento Fiscal de n°: 10.1.06.00 2008009220, que extrapolou o prazo legalmente estabelecido e por não ter sido cientificada do novo Mandado de Procedimento Fiscal citando outras tantas pechas que entende ocasionaram a nulidade dos autos de infração. Arrazoou a nulidade do ato declaratório que excluiu do SIMPELS e mencionou ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 31 de dezembro de 2004. No mérito argumentou que o Fisco não considerou que todas as entradas de matériaprima foram escrituradas e desta forma não haveria como comercializar suas mercadorias à margem da escrituração, reputando que seria indispensável a realização de perícia para apurar as entradas de matériaprima consumida no processo produtivo, as saídas e os estoques. Diante disso, argumentou que levandose em conta os estoques iniciais de cada exercício, as compras de materiais nos exercícios e consequentemente o estoque final dos exercícios, haveria a comprovação de que não dispunha de matériaprima para produzir e vender mercadorias, além das constantes nos documentos fiscais de saída, comprovando que as presunções e ficções do Fisco não podem prosperar. Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 No mais, argumentou que os relatórios nos quais se baseou a Fiscalização para verificar o subfaturamento, planilhas de folhas 2384 a 2388 e DREs folhas 2370 e 2371 eram, e serviam unicamente, para a projeção, planejamento, determinação de metas e cálculos de grandeza do mercado, nas regiões em que a empresa operava. Assim se operacionalizava, eis que eram montados, no setor comercial, por profissional que já não consta mais no quadro de colaboradores da empresa tanto que o AFRFB mesmo no final do Procedimento Fiscal encontrou planilhas incompletas. Destacou que tais dados têm por finalidade demonstrar a entrada de pedidos, e sua possibilidade de faturamento para projeções de compras e cálculo de capacidade produtiva. Visto que, após a entrada destes pedidos eram levados para aprovação de crédito, programação de entrega e programação de produção e que muitos eram descartados por falta de crédito, bem como pela impossibilidade de fabricação dentro dos prazos solicitados para a entrega. No mais, voltou a aduzir que o fisco não se desincumbiu de provar suas alegações e ao fim pugnou por provimento. É o relatório. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 11020.003765/200926 Acórdão n.º 1301000.752 S1C3T1 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Analiso de início o argumento da recorrente tendente a demonstrar a nulidade dos autos de infração na medida em que não teria sido notificada do Mandado de Procedimento Fiscal complementar, bem como a prorrogação teria mencionado o mesmo fiscal, situação que ao seu sentir conduziria à nulidade. Em prejuízo do que argumenta a recorrente, no entanto, já se consolidou no âmbito de julgamento desse Conselho que o MPF se presta para dirigir o procedimento fiscal no âmbito da administração, tratandose, em verdade, de provimento administrativo interno da Autoridade Fiscal. Ademais, no processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas especificadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, quais sejam os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo definido no referido dispositivo legal outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, salvo quando o contribuinte as tenha dado causa. As nulidades suscitadas pela recorrente quando muito poderiam ser tratadas como irregularidades meramente formais que em nada prejudicou seu direito de defesa e nem implicam em nulidade dos autos de infração, tanto o é que apresentou tempestivas e substanciosas considerações. Também não se cogita de incompetência da autoridade lançadora pelo simples fato de ter constado na prorrogação do MPF a mesma pessoa que iniciara a fiscalização, contrário disso, podese mencionar que sequer seria necessária a renovação do MPF, porquanto, como já afirmado, tratase de mero controle interno da Fiscalização. Sendo assim, reiterase que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolvese no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem resulta em nulidade do auto de infração observadas, ainda, as disposições do art. 195 do Código Tributário Nacional, ao estabelecer que não tem validade qualquer legislação restritiva ao exame de livros e documentação comercial e fiscal dos contribuintes. Eventual demora, por parte do fisco, na conclusão da ação fiscal aproveitaria à empresa apenas quanto à espontaneidade no saneamento de eventual irregularidade que esteja sendo alvo na ação fiscal, razão pela qual, rejeito a preliminar de nulidade do MPF. Quanto ao mérito da autuação e a consequente regularidade do arbitramento, registro que a decisão recorrida também não está a merecer qualquer reparo. Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 8 Com efeito, como já firmado no acórdão impugnado, no caso dos autos, ficou demonstrado que a escrita da recorrente era manifestamente imprestável, porquanto (1) não considerava, de forma sistemática e reiterada, a integralidade das operações comerciais efetuadas pelo contribuinte e (2) a movimentação financeira decorrente das operações comerciais omitidas foi operacionalizada à margem da escrituração (os cheques recebidos eram repassados em pagamento ou havia a utilização de contas bancárias em nome de terceiros). Por esses motivos, mostrouse adequado o afastamento da escrituração imprestável e a utilização do expediente do lucro arbitrado, que importa em base de cálculo substitutiva por determinação legal. No caso dos autos, para afastar o arbitramento da receita, a exclusão do SIMPLES e a própria materialidade da autuação, consistente em omissão de receitas, cumpria à recorrente demonstrar que todas as suas receitas foram contabilizadas e oferecidas à tributação, situação que flagrantemente não aconteceu. Vejase que a recorrente limitouse a pugnar pela realização de perícia e a firmar a abusividade do arbitramento, não trouxe, no entanto, nenhum elemento que pudesse evidenciar a incorreção nos trabalhos de fiscalização, tampouco que influenciasse no acerto da decisão recorrida. No que toca à parcial decadência sustentada pela recorrente, anoto que a glosa foi implementada em relação aos anoscalendário 2004 a 2008 e a ciência do auto de infração se deu, conforme destacou a decisão recorrida para os fins de apurar a tempestividade da Impugnação, da seguinte forma: “A ECT informou que a entrega dos documentos teria ocorrido no dia 4 de dezembro de 2009, uma sextafeira (fls. 2.533 e 2.534), ocorrendo que a intimação foi efetivada por via postal, de forma incontestável, no dia 15 de dezembro de 2009 (vide AR da folha 2.535), mas a Administração Fiscal, diante da perturbação, adotou edital, que foi afixado na Agência da Receita Federal do Brasil em Guaporé também no dia 15 de dezembro de 2009 (vide Edital ARF/Guaporé n° 5 na folha 2.542). Como a edição de ato administrativo (edital) não pode induzir o contribuinte a erro, se considerou adequado considerar a efetivação da intimação a partir do edital, tendo em vista que outorga prazo mais elástico, motivou pelo qual se considerou a ciência dos autos de infração ocorrida no dia 30 de dezembro de 2009 (art. 23, § 2°, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972). Desta forma, considerada a fluência do prazo decadencial, ante o evidente intuito de fraude apurado pela zelosa Fiscalização, dáse a partir do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, razão pela qual, não se observa qualquer decaimento oponível ao Fisco. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do MPF, não acolher a argüição de decadência e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário mantendo a decisão recorrida em todos os seus termos. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 11020.003765/200926 Acórdão n.º 1301000.752 S1C3T1 Fl. 5 9 Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 13307.000015/2007-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-000.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Numero do processo: 10830.004954/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-000.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004954/200676 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.720 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria IRPJ/IKNCENTIVOS FISCAIS Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (incorporada pela Cia. Bebidas das AmaricasAmbev) Recorrida FAZENDA NACIONAL INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório A recorrente, já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão do julgamento em primeira instância, recorre voluntariamente a este colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao anocalendário de 2003, protocolizado em 28/09/2006 pelo contribuinte acima identificado (fls. 01/02). Conforme dados constantes da ficha 36 — "Aplicações em Incentivos Fiscais — Valor Declarado" da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2004 (fls. 474.), o contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ para aplicação no FINOR, num montante de R$ 31.438.162,69, equivalente a 18% do valor do IRPJ apurado a alíquota de 15%, excluídas as deduções e reduções (fls. 474). Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme se verifica no extrato de fls. 2, sob os seguintes argumentos: • "01 — Redução de Valor por Opção Acima Limite Legal Fundo"; • "04. — Redução de Valor por Recolhimento Incompleto do Imposto" • "05 — Redução de valor por Erro na Apuração da BC na Declaração"; • "11 — Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95); • "12 — Contribuinte com Pendências junto ao INSS", e; • "13 — Contribuinte com Pendências junto ao FGTS". Referidas pendências motivaram a apresentação do mencionado PERC, que veio a ser indeferido, em 22/09/2008, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 426/427, sob a seguinte fundamentação, verbis: Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório pagina 426. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2004, seja indeferido. E citado Parecer/Despacho Decisório veio a ser levado a conhecimento do contribuinte em 28/11/2008 (fls. 428v) que, com o mesmo não concordando, apresentou em 16/12/2008, por meio de seus representantes legais (fls. 447/449), Manifestação de Inconformidade (fls. 434/4.68), alegando, em síntese, que: • a proposta de indeferimento da concessão do beneficio se lastreou na alegada existência de pendências junto a SRF e a PGFN, fundamentandoa no disposto pelo art. 60 da Lei n° 9065/95. Em verdade, os supostos créditos estão com a exigibilidade Fl. 538DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.004954/200676 Acórdão n.º 1301000.720 S1C3T1 Fl. 2 3 suspensa, conforme prescreve os artigos 14, 15 e 16 do Decreto n° 70.255/72, combinados com o artigo 145, III, combinado com o inciso VIII, do artigo 140, todos do Código Tributário Nacional.; • tal alegação, além de amparada nos dispositivos retro, também se encontra escorada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes (reconhecimento deferido a empresa do mesmo grupo econômico que a manifestante), que não vem aceitando o alcance do artigo 60 da Lei n 9.069/95, que a Receita Federal quer dar em suas decisões. E se a exigibilidade se encontra suspensa, não se pode falar em débito. Menciona, ainda, decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP; • a decisão ora recorrida contraria, portanto, o entendimento majoritário da jurisprudência administrativa. Dessa forma, a concessão do beneficio se impõe, visto que o presente se assemelha aqueles referidos acima, tendo a mesma causa e o mesmo incentivo fiscal; • e a situação da manifestante, tanto perante a Receita Federal como junto a Procuradoria Fazendária está regular, conforme se constata pela CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA, expedida em 31/10/2008. • o Parecer que indeferiu a aplicação, portanto, nulo, visto que manifestado sem que tenha dirimido ponto relevante da questão, ou seja, a existência de garantias dadas nas exigências apontadas, o que, certamente, dariam outro rumo à decisão.; • aquele ato decisório não pode, e nem deve ser convalidado, uma vez que fere diretamente os princípios constitucionais, ao privar a manifestante de seu legitimo direito garantido pela CF/88. Cita doutrina, concluindo por repetir que o citado despacho decisório, que obstou a aplicação da manifestante em Fundo de Investimento, não pode, nem deve receber guarida, porque a priva de seu direito, além de conflitar com jurisprudência do CC, ao limitar a interpretação da abrangência do art. 60 da Lei n° 9.069/95.” Foi prolatada a seguinte ementa no julgamento de primeira instância: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, bem como das contribuições previdenciárias, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida É o relatório. Passo ao voto. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Nesta fase,a recorrente reitera os argumentos já expostos na impugnação. A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante a RFB e PGFN. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. No caso em tela, a autoridade julgadora em primeira instancia, manteve o indeferimento nos termos pleiteado, sob a argumentação de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos dispostos no art. 60 da Lei n° 9.069/95, posto que não comprovou a inexistência de pendências junto a RFB e a PGFN, até o momento da expedição do Despacho Decisório, transcrevo a seguir, trecho da decisão recorrida: “De acordo com o mencionado dispositivo legal, a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é obrigatória para a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Assim, a análise deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que confere ou reconhece o beneficio, pois a decisão deve espelhar a situação fiscal do contribuinte no momento em que ela é proferida.” Para a solução da lide fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de Fl. 540DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.004954/200676 Acórdão n.º 1301000.720 S1C3T1 Fl. 3 5 regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Importante ressaltar que, na ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o recorrente comprovou sua situação regular junto á. PGFN e RFB uma vez que apresentou certidões positivas com efeitos de negativas e, novamente junta as certidões nesta fase de recurso. Pelo exposto, voto por DAR Provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 541DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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