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Numero do processo: 14474.000183/2007-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA FORMA ESTABELECIDA INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de prestar à RFB todas as
informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2403-000.389
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 107 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 76 a 100, apresentado contra Acórdão nº 0618.465 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, fls. 63 a 70, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.087.5176, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 12 a 16, o Auto de Infração nº. 37.087.5176, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, ocorre por deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. No presente caso, houve a lavratura do AI pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de apresentar os seguintes documentos, solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, cópia em anexo, datado de 26/04/2007: a) Contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa SIM INCENTIVE MARKETING SC LTDA, CNP) 03.745.219/000108; b) Relação discriminando os valores pagos, por segurado e por competência, relativos às notas fiscais/faturas emitidas pela Recorrente. c) Notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Recorrente. Houve a apresentação somente das notas fiscais de n°s 3922 e 9720. Ademais, Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 12 a 16, bem como o TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 9 a 10, posto que a se trata de Auditoria seletiva para levantamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores de prêmios distribuídos a funcionários e operados por intermédio da empresa prestadora de serviços SIM INCENTIVE MARKETING SC LTDA, CNPJ 03.745.219/000108, a não apresentação destes documentos prejudicou o trabalho da fiscalização, ocasionando o levantamento de contribuições devidas à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos, sobre valores de prêmios pagos a funcionários, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.097.9133, por aferição indireta com base em lançamentos contábeis. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fls. 14, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). O Relatório Fiscal da Infração, fls. 15, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Ademais, Foram emitidos os seguintes documentos, decorrentes da ação fiscal: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09395144F00, foi de 01/1997 a 12/2006, às fls. 06. O período objeto do auto de infração, conforme o TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 9 a 10, é de 04/2000 a 12/2006. A recorrente teve ciência do auto de infração no dia 29.06.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº RA 382150515BR, às fls. 24. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 24 a 43, com Anexos às fls. 44 a 58. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 63 a 70, conforme Ementa do Acórdão nº 0618.465 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/07/2003 a 31/12/2006 AI N°37.087.5176 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, e prestar as informações e esclarecimentos à fiscalização, quando solicitados. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 108 5 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO.INCIDÊNCIA CONTRIBUTIVA. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. Conforme prevê a Constituição Federal de 1988 (art. 201, §11) e a legislação ordinária (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 28, I), integram o saláriodecontribuição do segurado empregado todos os rendimentos recebidos a qualquer título como contraprestação do seu trabalho, ainda que pagos indiretamente sob a forma de créditos em cartões eletrônicos. APLICAÇÃO DA MULTA. PROCEDÊNCIA. A multa será aplicada por tipo de infração a qualquer dispositivo da Lei n°8.212, de 1991, conforme a sua gravidade, cujo o valor está previsto no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06 de maio de 1999, atualizado mediante Portaria Ministerial, nos termos do artigo 373 do RPS. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 76 a 100, onde alega, em apertada síntese: I – Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Conforme já salientado, além do AI ora discutido, a ora Recorrente teve contra si lavrados outros 3 (três) AI, de n.°s 370875184, 370875176 e 390979125, além da NFLD n.° 37.097.9133, na qual se discute o tributo em si. Tendo em vista que os Autos de Infração referemse a penalidades decorrentes do suposto tributo devido, as impugnações referentes ao AI e à NFLD deveriam ser julgadas simultaneamente, vez que são interligadas. A medida impõese até mesmo para evitar julgamentos conflitantes. II Da adequação do procedimento fiscal adotado pela Recorrente em face da legislação tributárioprevidenciária e da Constituição Federal de 1988. As contribuições previdenciárias incidem tãosomente sobre a "remuneração", paga aos empregados, como contraprestação pelo trabalho realizado, e nunca sobre valores pagos a título de "prêmios por resultados"; A Lei n° 8.212/91, no artigo 28, prescreve expressamente quais verbas que devem —ou não ser consideradas como "saláriodecontribuição" para fins de tributação, e que o termo "remuneração" restringese ao ato pelo qual o empregado recebe uma contraprestação pelo seu trabalho. E que os valores pagos a título de "prêmio", instituído em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 programa de incentivo aos empregados e colaboradores não encontra nenhum enquadramento na definição legal de remuneração, nem tampouco no conceito de salário utilidade; As premiações conferidas a quem cumpriu com as determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, conferidos por mera liberalidade do empregador, não remunerando o trabalho prestado; III – Do programa de incentivo por resultado da empresa ora Recorrente – ausência de habitualidade e comutatividade / retributividade. As premiações (programa "Sistema de Prêmio por Resultado") se consubstanciam em negócios unilaterais, outorgados mediante determinadas condições de resultado, administrada por outra empresa (terceirizada), contratada para a promoção de campanha de incentivo em nome e por conta da cliente que buscou os seus serviços, como ocorre no presente caso; Desenvolve atividades ligadas a exploração do ramo de serviços de coleta, de aceite em títulos, a informações cadastrais para bancos e comércio, transporte e entrega de malotes e entrega domiciliar de talonários de cheques e cartões de créditos, cujo o objetivo fundamental é atender com eficiência e qualidade os prazos estipulados pelos clientes. E que, no final do mês, os funcionários que melhor atingiram as metas de coleta e entrega recebiam uma premiação (cartão de crédito) por meio da empresa SIM INCENTIVE, que possibilitava a realização de compras em lojas credenciadas, saques em instituições bancárias,etc.; Os valores pagos não possuem requisitos de habitualidade e cumulatividade, essenciais nas relações de caráter salarial. E que na planilha elaborada pelo Auditor Fiscal, se constata que os valores não seguem um padrão em correspondência ao número de funcionários, o que seria necessário, caso esses valores fossem efetivamente remuneração, o que demonstra se tratar de situações não habituais, motivadas por campanha promocional gerenciada por empresa especializada, cujos os prêmios são estabelecidos por ato unilateral dos empregadores, não podendo assim ser tributado; IV – Do posicionamento jurisprudencial A jurisprudência, conforme acórdãos transcritos, já pacificou o entendimento de que os prêmios pagos aos empregados que atingem as metas não integram a remuneração. Em seguida, fala da tipicidade fechada o legislador não pode, a seu talante, instituir nova base de cálculo do tributo, pois são ganhos eventuais conforme alínea "e" item7, do §9 º do artigo 28 da Lei n°8.212/91.E que o prêmio instituído no programa de metas (viagens, eletrodomésticos,etc.) tampouco integra o conceito de salárioutilidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 109 7 V – Do regime jurídico A atividade de marketing de incentivo tem por objeto a motivação de colaboradores internos (empregados) e externos (terceiros sem vínculo empregatício) com o cliente, bem como daqueles que se destacam, e que a promessa de recompensa é uma espécie de ato unilateral nos moldes do art. 854 do Código Civil, e que os empregados são livres para aderir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora; Se a promessa de pagamento previu ser em dinheiro, não se pode deduzir, só desse fato, sua natureza salarial, e que as premiações por resultados pagas pela empresa, em decorrência de campanha de marketing de incentivo, possuem natureza jurídica de promessa de recompensa decorrente de ato unilateral; VI – Do valor exigido a título de multa Acaso este Conselho decida pela manutenção da multa, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim a decisão ora recorrida deve ser revista, e virtude do valor exorbitante que foi fixado. Pela simples visualização dos valores cobrados a este título, vêse que os mesmos são excessivos, passando dos limites legais de sua cobrança, dando a ela efeito de confisco. Todavia, em obediência ao Principio Constitucional da Tipicidade Fechada em Matéria Penal, Administrativa e Tributária, da Legalidade Estrita, do Devido Processo Legal, da Moralidade, da Proporcionalidade, do Non Bis In Idem, todos fundamentais para a sustentação de um Estado Democrático de Direito, resta imperioso reconhecer a abusividade da multa veiculada no presente Auto de Infração. VII – Vício na forma de cálculo da sanção No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade. VIII – Alegações diversas de inconstitucionalidades. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 105. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 110 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 111. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DA PRELIMINAR Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Em relação ao resultado da AuditoriaFiscal em análise, quais sejam: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 De plano, em síntese, a Recorrente requer que tanto a NFLD quanto os autos de infração, originados da mesma AuditoriaFiscal, sejam julgados na mesma Sessão de Julgamento, o que de fato ocorre com o julgamento dos Recursos Voluntários referentes às autuações principal e acessória acima elencados nesta Colenda Turma na Sessão de 10 de fevereiro de 2011. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Portanto, rejeitada a Preliminar de nulidade, passemos ao exame do Mérito. DO MÉRITO A Recorrente foi autuada por deixar de incluir nas folhas de pagamento os valores pagos, por meio de créditos nos cartões eletrônicos administrados pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108, aos empregados que lhes prestaram serviços no período de fevereiro de 2003 a julho de 2004, em desacordo com os padrões previstos no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Em relação ao Mérito, a argumentação central da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. I Da incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 16, mostra que constituem fatos geradores das contribuições os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados e contidos nas notas fiscais de emissão da empresa que operou o sistema de premiação SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108. Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação SIM INCENTIVE. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De início, devese destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 111 11 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. É cediço que este tema da incidência da contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Câmara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, como se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 259.082– Voluntário Acórdão 240300.221– 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 112 13 Recurso 146.668– Voluntário Acórdão 240100.294 – 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso de ofício cujo valor do crédito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua interposição. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960– Voluntário Acórdão 240100.619– 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 153.149– Voluntário Acórdão 240200.028– 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 158.879 – Voluntário Acórdão: 240300.001 – 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 113 15 ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupons), constitui prêmio, parcela indiscutivelmente de natureza salarial, integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o saláriodecontribuição da Previdência Social. MULTA DE MORA Devido à nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Anotase no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: "9. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento remuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considerações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de Prêmios. Segundo o Professor AMAURI MASCARO NASCIMENTO: A CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também, em salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. B DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS. O prêmio não se confunde com a participação nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.: uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundível com comissões, porque estas têm por base um negócio fechado através do empregado, enquanto o prêmio tem como causa um aumento de produção ou de eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 114 17 C CLASSIFICAÇÃO. Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. São mais difundidos os prêmios de produção, instituídos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou coletivamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao serviço mais que o número de dias por mês que a empresa determinar; e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veículo durante o mês. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador. (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24ª ed., LTr, SP, 1998, Págs. 343/344) (grifo nosso) 12. Também neste sentido as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho: A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST. RR 189.047/95. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4NO DE CASTILHO. DJ 22.11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza premial e, como tal, identificase como salário, de vez que originouse do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente à produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta última hipótese a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifestase plena. (TST. ERR 192.120/95.7. SDI1. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa em favor de seus empregados a título de Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressaltese que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 primeiro, seja uma remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, uma vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o saláriodecontribuição.” (grifo nosso) Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 115 19 Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de Cartão SIM INCENTIVE devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantida a NFLD, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 II Alegações diversas de violações a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 116 21 Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III DO VÍCIO NA FORMA DE CÁLCULO DA SANÇÃO A Recorrente alega: Que é imperioso reconhecer a abusividade da multa aplicada no Auto de Infração, ocorrendo multiplicidade de sanções (05 exigências) sobre a mesma situação fática (prêmios por resultados), com sanções idênticas aplicadas ao contribuinte num total de R$128.795,01; Que essas multas assumem caráter meramente confiscatório (art.150, IV da CF/88) extrapolando o próprio valor do suposto débito principal, afrontando diretamente o princípio constitucional non bis in idem, ligado ao princípio da legalidade, da tipicidade e devido processo legal, além disso, se trata de uma sanção financeira que influencia diretamente no patrimônio do contribuinte; Analisemos. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da sanção, o que não prospera porque a infração de deixar a Recorrente de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, implica no dispositivo legal infringido com base na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, além do que a multa aplicada reside no dispositivo legal insculpido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373.. Ademais, como a Recorrente não prestou as informações e nem apresentou os documentos em meio digital solicitados na ação fiscal e nem contestou a infração que lhe foi imputada, encontrase correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, ao verificar o descumprimento da obrigação acessória estipulada no artigo 32, inciso III da Lei n° 8.212, de 1991, c/c artigo 8° da Lei n° 10.666, de 2003, lavrou o correspondente Auto de Infração. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela Recorrente. Outrossim, a Recorrente alega que foi penalizada cinco vezes pela mesma situação fática, incluindo a NFLD, com sanções idênticas, e que tal procedimento afronta princípios constitucionais (no bis in idem). Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração 37.087.5184, o AI 37.097.9117 e o AI 37.087.9125. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000183/200786 Acórdão n.º 240300.389 S2C4T3 Fl. 117 23 Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10825.900843/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.063
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A alteração contratual de fls. 46/50, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 14/25, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/1999 a 31/12/1999, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 53, diz que a retificação das DCTF’s do terceiro trimestre de 1999 ocorreu somente em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. As DCTF’s retificadoras de fls. 26/40 se referem ao terceiro trimestre de 2004. Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32%, a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 1999. O acórdão de fls. 52 e seguintes não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Dos fundamentos do acórdão recorrido transcrevo a seguinte passagem: “A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos....” Após citar o artigo 45, da Lei nº 8.981, de 1995, que determina que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido deverá manter todos os livros e documentos que serviram de base à escrituração e que as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, o acórdão guerreado julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada, de forma tempestiva, a parte ingressou com recurso alegando: Fl. 118DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 3 3 a) que o Pedido de Compensação PER/DCOMP, objeto deste processo, foi transmitido à Receita Federal do Brasil em 23/10/2003, portanto dentro do prazo de 5 (cinco) anos do pagamento indevido ou a maior; b) quanto à averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido ou a maior de tributo, confrontando documentos com registros contábeis e fiscais, entende correto e necessário o procedimento, porém esqueceuse o julgador de primeira instância, que o poder dever dessa obrigação é ônus do Estado e; c) que os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, onde se destacam, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços e Notas Fiscais. Junto com o recurso, o sujeito passivo trouxe aos autos o documento de fl. 67, referente ao início de fiscalização iniciada em 06/08/2007, relativa ao período de 2003 a 2005, que resultou no auto de infração cuja cópia parcial consta da fl. 68/69, notificado ao sujeito passivo em 18/03/2008, que gerou o processo administrativo nº 15889.000.137/200859. Em consulta realizada no COMPROT, em 08/02/2011, verifiquei que o referido processo encontra se na Terceira Turma da Delegacia de Ribeirão Preto. Por inexistir nos autos cópia do referido processo não é possível avaliar se há conexão entre este processo e aquele ou, se aquele, em tese, poderia ser prejudicial ao julgamento deste, o que não considero. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao terceiro trimestre de 1999 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1999 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF’s de fls. 27 e seguintes, no montante de R$ 24.987,08. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que a parte interessada não havia apresentado a documentação necessária, sendo que sequer havia retificado as DCTF’s relativas ao ano de 1999, procedimento que só realizou em 2008. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. À luz do parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de Fl. 120DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 5 5 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no terceiro trimestre de 1999, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2004, conforme especificado nas DCTF`s. As DCTF`s entregues em 2004 são documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não há o que se falar em decadência. A falta de retificação imediata da DIPJ referente ao ano de 1999, em nada altera as informações contidas nas DCTF`s referentes ao ano de 2004, cujos créditos de 1999 foram utilizados para pagamento de débitos apurados neste período. Superadas as questões acima enfrentadas, adentro ao mérito donde se extrai que a alteração contratual de fls. 46/50, datada de 11/11/2003, dá conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido.” (REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS Fl. 121DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 6 6 NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade Fl. 122DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 7 7 diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda da época, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação, em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido Fl. 123DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900843/200823 Resolução n.º 140200.063 S1C4T2 Fl. 8 8 se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 124DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 19515.000934/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.188
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para determinar o aguardo presente processo até o julgamento definitivo na CSRF do processo conexo nº 13808.000853/200278.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para determinar o aguardo presente processo até o julgamento definitivo na CSRF do processo conexo nº 13808.000853/200278. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 93 4/ 20 02 -4 0 Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000934/200240 Resolução nº 1401000.188 S1C4T1 Fl. 2.178 2 RELATÓRIO Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – ABIMAQ teve suspensa para o período de 1997 a 2001 a isenção tributária de que gozava como associação civil sem fins lucrativos, conforme Ato Declaratório Executivo DEFIC/SP n° 1.155/2002, publicado no DOU de 07.05.2002. A DRJ manteve o lançamento, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofíns Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000,2001,2002 Ementa: [19972001] COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÕES INDEVIDAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação com documentação hábil impede o acatamento da alegação de inclusões indevidas no montante tributável, determinado com base nas informações fornecidas pelo próprio sujeito passivo. [2002] COFINS. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LANÇAMENTO SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. PROCEDÊNCIA. Uma vez não integrantes do rol das receitas decorrentes das atividades próprias, é correta a exigência da Cofins sobre as receitas financeiras auferidas por associações civis sem fins lucrativos. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. JUROS DE MORA TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. São as seguintes, em síntese, as razões de apelação do contribuinte, na parte em que contesta, especificamente, as exigência das contribuições COFINS: Ilegitimidade da imposição da COFINS sobre as receitas financeiras no ano de 2002, pois para este ano não houve suspensão da imunidade, aplicandose as regras do art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, sendo ilegal o Parecer Normativo CST n° 5/92 e a Instrução Normativa SRF n° 247/92 que fixou o conceito de receitas das atividades próprias para fins de incidência da COFINS; Inclusão indevida na base de cálculo da COFINS nos meses dos anos de 1999 a 2001 de valores que não se constituem em receitas, relativos às seguintes rubricas: convênio Serasa; Convênio Denacoop; Convênio Cebrae; Convênio Finep; Convênio Apex; Convênio Mct e Lançamentos gerenciais de transferências entre contas contábeis, conforme Anexo 05 da impugnação.: As inclusões reputadas indevidas estão discriminadas, por ano, no anexo 06, (fls. 1.599 a 1.615); Especificamente no tocante aos lançamentos gerenciais feitos nos anos de 1999 e 2000, os valores relativos às Contas Contábeis 3.151.021; 3.641.002; 3.641.003; 3.641.004 e 3.641.005 estão assim discriminados, totalizados por ano: a) ano de 1999: R$930.523,79 (fls. 1.600); e Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000934/200240 Resolução nº 1401000.188 S1C4T1 Fl. 2.179 3 b) ano de 2000: R$ 1.223.967,80 (fls. 1.606). 3) Defende a "Teoria da Interpretação Razoável da Norma", para pedir a exclusão da multa de ofício aplicada. Assevera novamente que a Medida Provisória n° 66/2002 que pretendeu regular a chamada "norma antielisiva" da Lei n° 104/2001, concedida a oportunidade de pagamento dos tributos sem acréscimo da multa punitiva; 4) Por fim, questiona a aplicação da taxa SELIC como juros de mora com argumentos já conhecidos deste Colegiado. A então Sétima Câmara do 1o CC, através da Resolução nº 00698, baixou o feito em diligência nos seguintes termos: Assim, voto por se converter o julgamento em diligência para que a fiscalização elabore demonstrativos das contribuições exigidas e que devam ser analisadas por não terem relação com a suspensão da isenção não aceita pelo Colegiado. Deve o diligenciante, analisar os documentos anexados na impugnação e reforçados no recurso, relativamente aos chamados lançamentos gerenciais e aos valores relativos aos convênios, conforme Relatado. Produzir relatório circunstanciado no sentido de detalhar e especificar a natureza dos referidos valores, bem como relacionálos mês a mês, informando se compuseram ou não, em cada mês, a base de cálculo das contribuições lançadas. Fale também a fiscalização sobre os argumentos da entidade relativamente aos valores que, segundo ela, não representariam receitas. Do que apurar, dê ciência à entidade para que esta, no prazo de 10 (dez) dias, querendo, se manifeste. Às fls. 2.126/2.1431 encontrase Relatório Fiscal com as conclusões da Diligência solicitada. Às Fls. 2.132/2.137, encontrase a insurgência do Contribuinte contra o Relatório Fiscal supracitado. É o Relatório Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000934/200240 Resolução nº 1401000.188 S1C4T1 Fl. 2.180 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator A princípio, cabe esclarecer que a competência da Primeira Seção advém do fato de que a presente exigência de COFINS foi formalizada no bojo de procedimento fiscal que também redundou na suspensão da isenção para o IRPJ e a CSLL e que foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo da DRF/n° 1.155, de,2002, referente ao período compreendido entre janeiro de 1997 a dezembro de 2001. A matéria atinente à suspensão da isenção constitui matéria do processo administrativo n° 13808.000853/200278 já examinado pela Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998,1999,2000,2001 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. O gozo de benefício fiscal (imunidade ou isenção) não é elidido pela obtenção de receitas (desenvolvimento de atividade econômica), desde que a renda seja destinada à consecução das finalidades essenciais da entidade, hipótese que se amolda, perfeitamente, à hipótese sob exame. No referido Acórdão nº 10709.332, por maioria de votos, os membros daquele colegiado, por maioria de votos, DERAM provimento ao Recurso, mantendo o gozo da isenção referida, cancelando os efeitos do Ato Declaratório Executivo em questão. Eis a legislação de regência: LEI 9.532/97 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (...) IN SRF 247/2002 Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: I templos de qualquer culto; IIpartidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n? 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000934/200240 Resolução nº 1401000.188 S1C4T1 Fl. 2.181 5 IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n? 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 15 da Lei n? 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Parágrafo único. As sociedades cooperativas, na hipótese do § 5º do art. 33, também contribuirão para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 12 Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n? 8.212, de 1991. § 2 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Como se vê, embora as exigências constantes do presente processo refiramse as contribuições COFINS, estas não necessariamente desaparecem com a manutenção da isenção para IRPJ e CSLL. É que a isenção é apenas para os períodos em que todas as receitas sejam de atividades próprias e o feito foi inclusive baixado em diligência para averiguação disso. Porém o presente feito não pode ainda ser julgado, pois irá depender do trânsito em julgado da referida situação de manutenção ou não da isenção dessa entidade sem fins lucrativos (Recorrente), pois de qualquer forma interfere na base tributável. Não há dúvidas, portanto, que o presente processo guarda conexão com o processo nº 13808.000853/200278 onde se discutiu a isenção da Recorrente como associação sem fins lucrativos. Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000934/200240 Resolução nº 1401000.188 S1C4T1 Fl. 2.182 6 Porém, há fortes indícios de que o referido processo ainda não transitou em julgado administrativamente, uma vez que pelo sistema Comprot consta a informação de o mesmo está ainda na CSRF: “Dados do Processo Número : 13808.000853/200278 Datade Protocolo : 24/04/2002 Documento de Origem : RQSN24042002 Procedência : Assunto: ASSUNTOS JURIDICOS DIVERSOS OUTROS Nome do Interessado: ASSOC BRAS DA IND DE MAQ E EQUIP ABIMAQ CNPJ : 46390209000100 Tipo: Digital Sistemas Profisc: NãoEProcesso :SimSIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem: CAMARA SUPERIOR RECURSOS FISCAISCARFMF Órgão: CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAISMFDF Movimentado em: 06/09/2010 Sequencia : 0023 RM : 11678 Situação: EM ANDAMENTO UF: DF” Pelo exposto, conduzo então meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja enviado à. Secretaria da lª Seção do CARF, para que essa confirme o estado atual de julgamento do referido lançamento de ofício presente no processo conexo (13808.000853/200278), aguardar o seu trânsito em julgado administrativamente e, chegado esse momento, que seja anexado aos autos cópia do Referido Acórdão, bem assim a prova da ciência do mesmo ao Contribuinte para dar prosseguimento ao julgamento deste processo. Caso necessário, a Secretaria pode também enviar o presente processo para a Delegacia de Origem para o cumprimento desta diligência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10855.903026/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.104
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 221 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1232.850, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ. Versa o presente processo sobre as DCOMP 32152.84368.090606.1.3.030006, 34123.49800.280405.1.3.034397, 26439.93233.100806.1.3.031959 e 12810.32044.050906. 1.3.03 0611, por meio das quais a interessada pretende compensar crédito que alega possuir relativo a saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 12.628,43 com débitos nelas declarados. De acordo com o Despacho Decisório n° 781241255 emitido em 12/08/2008 (fl. 03), não foram homologadas as compensações formuladas através dos PER/DCOMP anteriormente relacionados, tendo em vista que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 12.628,43 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Cientificada do referido Despacho em 20/08/2008 (fl. 07), apresentou a interessada, em 19/09/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 08, juntamente com os documentos de fl. 09/21, por meio da qual solicita prorrogação de prazo por mais 30 dias para justificar a inexistência do referido débito bem como que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Tendo em vista a Portaria SUTRI n° 1036, de 05 de maio de 2010 (fl. 22), o presente Processo Administrativo foi enviado a esta DRJ/RJ1 para julgamento. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modifícálo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, aduzindo: No anocalendário de 2004, apesar de exercer com afinco as suas atividades, não apurou qualquer lucro, razão pela qual, não se viu obrigada ao recolhimento de IRPJ ou CSLL.; Em que pese o exposto, no mencionado anocalendário, a Recorrente se sujeitou a recolhimento tanto do IRPJ como da CSLL com base no balancete de suspensão ou redução. Referidos valores foram devidamente informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, objeto de retificação, conforme atesta o documento anexo (doc. V). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 222 3 Os comprovantes de recolhimento dos referidos valores informados na DIPJ, relacionados à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que se trata da contribuição objeto da presente, constam da documentação anexa. Destaca ainda que um dos valores foi recolhido através de DARF ,no montante de R$8.299,77, cujo recolhimento é inconteste. Outro valor, no montante de R$2.314,96, foi recolhido através de PER/DCOMP (doc. VI). Ainda, também através de PER/DCOMP houve o recolhimento de R$2.427,39. Assim, no mês de abril de 2004, a Recorrente se sujeitou ao recolhimento da CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), devidamente informado em sua DIPJ. Porém, dada a apuração de prejuízo, o valor recolhido foi apontado no ano calendário de 2004 como saldo de CSLL, nos termos do que consta da própria DIPJ retifícadora já referida (doc. V). Observar que efetivamente, por equivoco, inicialmente não apontou em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, o valor do saldo de CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos). Tal equívoco, porém, foi objeto de retificação. Ainda, certo o equivoco cometido não lhe retira o direito de ver reconhecido os créditos legítimos de que é possuidora. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 223 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou Declaração de Compensação através da qual pretende compensar crédito que alega possuir no valor total de R$ 12.628,43. A DRJ indefere a solicitação sem adentrar no mérito, na medida em que indefere pedido de prorrogação de prazo para apresentação de provas. É que a interessada alertava que havia de fato cometido erro material na demonstração do seu saldo negativo e precisava de um pouco mais de tempo para provar este fato. A Recorrente em fase recursal reforça seu acervo probatório, trazendo uma documentação que se devidamente analisada, segundo ela, comprovariam a procedência de pelo menos parte do seu pleito. Apesar de a recorrente de fato não ter inicialmente logrado êxito junto à DRF e DRJ nessa questão probatória, a verdade é que encontrome diante novas provas que induzem me a crer na pertinência da pretensão da Recorrente. Traz declaração retificadora dessa feita consistente com o crédito constante na Declaração de compensação (R$ 12.628,43); diversos Darf de retenção das estimativas recolhidas na sistemática de balancetes de suspensão. Em apertada síntese, assim se pronunciou a Recorrente em seu recurso voluntário: Temos assim que, no anocalendário de 2004, a ora Recorrente, apesar de exercer com afinco as suas atividades, não apurou qualquer lucro, razão pela qual, não se viu obrigada ao recolhimento de IRPJ ou CSLL. Em que pese o exposto, no mencionado anocalendário, a Recorrente se sujeitou a recolhimento tanto do IRPJ como da CSLL com base no balancete de suspensão ou redução. Referidos valores foram devidamente informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, objeto de retificação, conforme atesta o documento anexo (doe. V). Os comprovantes de recolhimento dos referidos valores informados na DIPJ, relacionados à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que se trata da contribuição objeto da presente, constam da documentação anexa. Oportuno destacar que um dos valores foi recolhido através de DARF ,no montante de R$8.299,77, cujo recolhimento é inconteste. Outro valor, no montante de R$2.314,96, foi recolhido através de PER/DCOMP (doe. VI). Ainda, também através de PER/DCOMP houve o recolhimento de R$2.427,39. Temos pois que, no mês de abril de 2004, a Recorrente se sujeitou ao recolhimento da CSLL no montante de R$12.628,43 (doze mil, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903026/200870 Resolução n.º 1401000.104 S1C4T1 Fl. 224 5 seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), devidamente informado em sua DIPJ. Posto isso, inclinome pela diligência uma vez que não posso deixar de reconhecer que estou diante de um conjunto probatório mais articulado e tendo como norte o princípio da verdade material, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Aprofundar melhor a investigação desse novo conjunto probatório, verificando a consistência das informações de forma a apurar a liquidez e certeza do saldo negativo ora em questionamento. Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores e, se for o caso, já recalcular o novo crédito, imputar as compensações pleiteadas a partir desse novo contexto, inclusive com os acréscimos legais pertinentes. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13942.720093/2014-16
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 00 93 /2 01 4- 16 Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.395 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720093/2014-16 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64769DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13972.000007/2004-18
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.021
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. EDITADO EM: 14/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carlos Pelá. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Alma Indústria e comércio de Madeiras Ltda ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “... A contribuinte protocolou o pedido de fl. 01 para que lhe fosse deferida a inclusão retroativa ao Simples, desde março de 1997, ao argumento de que apresentou suas declarações no referido regime, bem como efetuou recolhimento dos tributos sob o código 6106. Para melhor sustentar seu pedido, transcreve ementa proferida em caso semelhante. Quando da análise do pedido, a autoridade fiscal constatou que a interessada fez sua opção pela sistemática em 1997 mas foi excluída em 1999, ante o fato de possuir débitos junto ao INSS, cuja exigibilidade não estava suspensa. Restou comprovado, ainda, que a interessada deixou de apresentar manifestação de inconformidade ao ADE que determinou sua exclusão ao Simples. Desta forma, assim se manifestou à fl. 43: “portanto, caberia a revisão de ofício da exclusão, somente no caso da empresa apresentar documentação comprobatória da não existência dos referidos débitos motivo da exclusão.” Cientificada do referido despacho em 02/01/2006 (fl. 45), a interessada trouxe aos autos a certidão negativa do INSS de fl. 46 e ratificou o pedido de inclusão retroativa. Às fls. 49/52, dois ofícios da SACAT/DRF/JOI solicitando informações ao INSS e as consequentes respostas. Com base nos documentos acostados aos autos, nova análise foi proferida pela DRF/JOI e, por meio do despacho de fls. 54/56, foi indeferido o pleito. Na manifestação de inconformidade a interessada afirma: que providenciou a regularização dos débitos junto ao INSS, assim que tomou conhecimento de sua exclusão ; que o Ofício nº 379, juntado à fl. 50, confirma a inexistência de débitos em seu nome; que o tratamento favorecido está expressamente previsto no art. 179 da Constituição Federal; que discorda da ação do fisco para manter o indeferimento e, pede para permanecer no regime. ...” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06-17.098 (fls. 64-66), proferido em 13/03/2008, traz a seguinte ementa: “DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. É vedada, por expressa disposição legal, a opção ao Simples, da pessoa jurídica que tenha débitos inscritos em Dívida Ativa cuja exigibilidade não esteja suspensa” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/04/2008 (A.R. de fl. 69), a recorrente interpôs recurso voluntário em 23/05/2009 (fl. 70-72) onde ratifica os termos contidos em sua peça impugnatória, argumentando que teria providenciado a regularização de seus débitos perante o INSS antes mesmo de tomar conhecimento do ADE que determinara sua exclusão do Simples. Nesse sentido, aduz a recorrente que parcelara os aludidos débitos em 15 prestações, com a primeira vencendo em 09/02/1999, e que o ADE seria de 01/03/1999. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13972.000007/2004-18 Resolução n.º 1402-0021 S1-C4T2 Fl. 101 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme informação contida à fl. 41, a recorrente foi excluída da sistemática do Simples por meio do ADE nº 100.945 de 09/01/1999. Conforme extrato de fl. 53, os efeitos da exclusão, motivada por constar nos sistemas da Receita Federal “pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS. Número do débito 31.795.345-1”, seriam a partir de 01/03/1999. A recorrente, por sua vez, alega que providenciara a regularização daquela pendência, mesmo antes de ser cientificada do ADE. Perscrutando-se os autos, constata-se às fls. 80-94 que a interessada apresentou cópias dos comprovantes de pagamento do débito de nº 31.795.345-1, com primeira parcela quitada em 09/02/1999 (fl. 80). Infere-se, pois, da análise de tais documentos, que a recorrente teve o pedido de parcelamento do débito em referência concedido em 02/1999 (fl. 80), e que tal parcelamento foi quitado com o pagamento das quinze parcelas (fls. 80-94). De outro lado, constata-se que o ADE que excluiu a interessada do Simples não faz parte dos autos no presente processo. Apenas os extratos de fls. 41 e 53 trazem informações sobre o ato declaratório em referência. Tais informações, já constantes do relatório contido neste Acórdão, estão sintetizadas a seguir: ADE nº 100.945; data da emissão: 09/01/1999; motivo da exclusão: “pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS. Número do débito 31.795.345-1”; efeitos da exclusão: a partir de 01/03/1999. Com efeito, não consta dos autos informação acerca da data em que a recorrente tomou ciência de sua exclusão do regime. Por entender que tal informação é imprescindível para o deslinde da questão, e considerando, também, que o ADE em alusão é o lastro do motivo da questão imposta (exclusão da recorrente do Simples), oriento o meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a juntada ao presente processo da segunda via do ADE nº 100.945, emitido em 09/01/1999, e do comprovante de ciência, pela interessada, daquele ato declaratório, cientificando a interessada do resultado da diligência ora proposta. Sala das Sessões, em 2 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 14/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 14/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10925.000193/00-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.128
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª
Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Trata o presente feito de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação, em que se postula, dentre outros, a recuperação de créditos em prazo superior a cinco anos da apresentação da PER/DCOMP. A decisão recorrida afastou a pretensão da Recorrente de ver recuperados créditos cujo prazo supere 5 anos da apresentação do pedido, tendo referida matéria sido objeto de recurso. É o relatório, no necessário. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 2 2 VOTO O conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. O Superior Tribunal de Justiça, por reiteradas decisões firmadas pacificamente no âmbito de sua jurisprudência, fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, alcunhado de “tese dos cinco mais cinco”, deferia aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos em até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Contrariamente a este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha Fl. 764DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 3 3 se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012. No caso dos autos, o pedido de restituição postulado pelo Recorrente ocorreu antes da vigência da lei complementar nº 118/05, razão pela qual referido direito deve ser analisado. Assim, entendo deva ser o presente processo remetido à Delegacia de origem para que, afastada a aplicação do prazo prescricional de cinco anos, conforme entendimento supra, promova a verificação da certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado, elaborando parecer conclusivo acerca da compensação postulada. Após a notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, e observado o trintídio legal para seu pronunciamento, devolvamse os autos a este Conselho para prosseguimento do feito. É como voto. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10805.001828/200243 Resolução n.º 1401000.128 S1C4T1 Fl. 4 4 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 766DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 15/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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Numero do processo: 14474.000184/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
ALEGAÇÃO
DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO
APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2403-000.388
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 113 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 84 a 107, apresentado contra Acórdão nº 0619.128 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, fls. 73 a 80, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.087.5184, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 16, o Auto de Infração nº. 37.087.5184, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de incluir nas folhas de pagamento relativas às competências fevereiro de 2003 a julho de 2004, das remunerações discriminadas na coluna "C" da Tabela do Anexo I, remunerações essas decorrentes de premiações para os seus empregados, pagas por intermédio da empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNP] 03.745.219/000108. Ademais, o referido benefício, pago pelo trabalho e não para o trabalho, visava incentivar a produtividade e o desempenho dos empregados da empresa notificada e era operado através do SIMCLUB, sistema de cartões eletrônicos utilizados como meio de pagamento de premiações. Tratase de remuneração, independentemente do título que a ele se atribua (incentivo, prêmio, estímulo, bonificação, etc.) e é, portanto, salário de contribuição, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. Observa ainda o Relatório Fiscal da Infração às fls. 11 a 16, que: “(...) 2.6 Esclarecese que tampouco foram recolhidas tempestivamente as contribuições previdenciárias incidentes sobre tais remunerações, contribuições essas que foram objeto da NFLD 37.097.9133. Também não ocorreu o lançamento das referidas remunerações em GFIPs Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, o que ensejou a lavratura dos Autos de Infração 37.097.9125. 2.7 Não houve apresentação do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa autuada e a SIM INCENTIVE MARKETING SC LTDA, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.087.5176, mas por informações verbais fornecidas pelo Sr. Antônio Gonçalves Cervilha, que atendeu a fiscalização, a prestadora dos serviços emitia cartões com um limite de crédito, os quais eram encaminhados à empresa autuada que os distribuía aos seus funcionários, os quais utilizavam os créditos carregados nesses cartões. A falta de apresentação da relação com os funcionários contemplados com a premiação também foi objeto do Auto de Infração retrocitado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Anota ainda o Relatório Fiscal, às fls. 11 a 16, que a ocorrência foi constatada pelo exame de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, folhas de pagamento, GFIPs, GPS Guias da Previdência Social, bem como de lançamentos contábeis dos Livros Diários e Razão, conta 9400900Incentivo e Marketing c/ Empregados. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fls. 15, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), sendo que O valor para cálculo da multa foi atualizado pela Portaria do Ministério da Previdência Social MPS/GM 142, de 11/04/07. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 16, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Ademais, Foram emitidos os seguintes documentos, decorrentes da ação fiscal: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09395144F00, foi de 01/1997 a 12/2006, às fls. 06. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11, é de 02/2003 a 07/2004. A recorrente teve ciência do auto de infração no dia 29.06.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº RA 382150515BR, às fls. 29, 65 e 67. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 31 a 49, com Anexos às fls. 50 a 64. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 73 a 80, conforme Ementa do Acórdão nº 0619.128 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 114 5 Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 AI N°37.087.5184 FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM AS NORMAS E PADRÕES. INFRAÇÃO. Constitui infração preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço em desacordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação previdenciária. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO.INCIDÊNCIA CONTRIBUTIVA. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. Conforme prevê a Constituição Federal de 1988 (art. 201, §11) e a legislação ordinária (Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, art. 28, I), integram o saláriodecontribuição do segurado empregado todos os rendimentos recebidos a qualquer título como contraprestação do seu trabalho, ainda que pagos indiretamente sob a forma de créditos em cartões eletrônicos. APLICAÇÃO DA MULTA. PROCEDÊNCIA. A multa será aplicada por tipo de infração a qualquer dispositivo da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, conforme a sua gravidade, cujos os valores estão previstos no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, e são atualizados na forma do artigo 373 desse Regulamento, mediante Portaria Ministerial. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 84 a 107, onde alega, em apertada síntese: I – Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Conforme já salientado, além do AI ora discutido, a ora Recorrente teve contra si lavrados outros 3 (três) AI, de n.°s 370875184, 370875176 e 390979125, além da NFLD n.° 37.097.9133, na qual se discute o tributo em si. Tendo em vista que os Autos de Infração referemse a penalidades decorrentes do suposto tributo devido, as impugnações referentes ao AI e à NFLD deveriam ser julgadas simultaneamente, vez que são interligadas. A medida impõese até mesmo para evitar julgamentos conflitantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 II Da adequação do procedimento fiscal adotado pela Recorrente em face da legislação tributárioprevidenciária e da Constituição Federal de 1988. As contribuições previdenciárias incidem tãosomente sobre a "remuneração", paga aos empregados, como contraprestação pelo trabalho realizado, e nunca sobre valores pagos a título de "prêmios por resultados"; A Lei n° 8.212/91, no artigo 28, prescreve expressamente quais verbas que devem —ou não ser consideradas como "saláriodecontribuição" para fins de tributação, e que o termo "remuneração" restringese ao ato pelo qual o empregado recebe uma contraprestação pelo seu trabalho. E que os valores pagos a título de "prêmio", instituído em programa de incentivo aos empregados e colaboradores não encontra nenhum enquadramento na definição legal de remuneração, nem tampouco no conceito de salário utilidade; As premiações conferidas a quem cumpriu com as determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, conferidos por mera liberalidade do empregador, não remunerando o trabalho prestado; III – Do programa de incentivo por resultado da empresa ora Recorrente – ausência de habitualidade e comutatividade / retributividade. As premiações (programa "Sistema de Prêmio por Resultado") se consubstanciam em negócios unilaterais, outorgados mediante determinadas condições de resultado, administrada por outra empresa (terceirizada), contratada para a promoção de campanha de incentivo em nome e por conta da cliente que buscou os seus serviços, como ocorre no presente caso; Desenvolve atividades ligadas a exploração do ramo de serviços de coleta, de aceite em títulos, a informações cadastrais para bancos e comércio, transporte e entrega de malotes e entrega domiciliar de talonários de cheques e cartões de créditos, cujo o objetivo fundamental é atender com eficiência e qualidade os prazos estipulados pelos clientes. E que, no final do mês, os funcionários que melhor atingiram as metas de coleta e entrega recebiam uma premiação (cartão de crédito) por meio da empresa SIM INCENTIVE, que possibilitava a realização de compras em lojas credenciadas, saques em instituições bancárias,etc.; Os valores pagos não possuem requisitos de habitualidade e cumulatividade, essenciais nas relações de caráter salarial. E que na planilha elaborada pelo Auditor Fiscal, se constata que os valores não seguem um padrão em correspondência ao número de funcionários, o que seria necessário, caso esses valores fossem efetivamente remuneração, o que demonstra se tratar de situações não habituais, motivadas por campanha promocional gerenciada por empresa especializada, cujos os prêmios são Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 115 7 estabelecidos por ato unilateral dos empregadores, não podendo assim ser tributado; IV – Do posicionamento jurisprudencial A jurisprudência, conforme acórdãos transcritos, já pacificou o entendimento de que os prêmios pagos aos empregados que atingem as metas não integram a remuneração. Em seguida, fala da tipicidade fechada o legislador não pode, a seu talante, instituir nova base de cálculo do tributo, pois são ganhos eventuais conforme alínea "e" item7, do §9 º do artigo 28 da Lei n°8.212/91.E que o prêmio instituído no programa de metas (viagens, eletrodomésticos,etc.) tampouco integra o conceito de salárioutilidade. V – Do regime jurídico A atividade de marketing de incentivo tem por objeto a motivação de colaboradores internos (empregados) e externos (terceiros sem vínculo empregatício) com o cliente, bem como daqueles que se destacam, e que a promessa de recompensa é uma espécie de ato unilateral nos moldes do art. 854 do Código Civil, e que os empregados são livres para aderir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora; Se a promessa de pagamento previu ser em dinheiro, não se pode deduzir, só desse fato, sua natureza salarial, e que as premiações por resultados pagas pela empresa, em decorrência de campanha de marketing de incentivo, possuem natureza jurídica de promessa de recompensa decorrente de ato unilateral; VI – Do valor exigido a título de multa Acaso este Conselho decida pela manutenção da multa, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim a decisão ora recorrida deve ser revista, e virtude do valor exorbitante que foi fixado. Pela simples visualização dos valores cobrados a este título, vêse que os mesmos são excessivos, passando dos limites legais de sua cobrança, dando a ela efeito de confisco. Todavia, em obediência ao Principio Constitucional da Tipicidade Fechada em Matéria Penal, Administrativa e Tributária, da Legalidade Estrita, do Devido Processo Legal, da Moralidade, da Proporcionalidade, do Non Bis In Idem, todos fundamentais para a sustentação de um Estado Democrático de Direito, resta imperioso reconhecer a abusividade da multa veiculada no presente Auto de Infração. VII – Vício na forma de cálculo da sanção Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade. VIII – Alegações diversas de inconstitucionalidades. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 111. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 116 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 111. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DA PRELIMINAR Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Em relação ao resultado da AuditoriaFiscal em análise, quais sejam: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 De plano, em síntese, a Recorrente requer que tanto a NFLD quanto os autos de infração, originados da mesma AuditoriaFiscal, sejam julgados na mesma Sessão de Julgamento, o que de fato ocorre com o julgamento dos Recursos Voluntários referentes às autuações principal e acessória acima elencados nesta Colenda Turma na Sessão de 10 de fevereiro de 2011. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Portanto, rejeitada a Preliminar de nulidade, passemos ao exame do Mérito. DO MÉRITO A Recorrente foi autuada por deixar de incluir nas folhas de pagamento os valores pagos, por meio de créditos nos cartões eletrônicos administrados pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108, aos empregados que lhes prestaram serviços no período de fevereiro de 2003 a julho de 2004, em desacordo com os padrões previstos no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Em relação ao Mérito, a argumentação central da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. I Da incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 16, mostra que constituem fatos geradores das contribuições os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados e contidos nas notas fiscais de emissão da empresa que operou o sistema de premiação SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108. Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação SIM INCENTIVE. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De início, devese destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 117 11 requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. É cediço que este tema da incidência da contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Câmara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, como se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 259.082– Voluntário Acórdão 240300.221– 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 118 13 Recurso 146.668– Voluntário Acórdão 240100.294 – 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso de ofício cujo valor do crédito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua interposição. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960– Voluntário Acórdão 240100.619– 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 153.149– Voluntário Acórdão 240200.028– 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 158.879 – Voluntário Acórdão: 240300.001 – 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos. ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupons), constitui prêmio, parcela indiscutivelmente de natureza salarial, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 119 15 integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o saláriodecontribuição da Previdência Social. MULTA DE MORA Devido à nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Anotase no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: "9. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento remuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considerações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de Prêmios. Segundo o Professor AMAURI MASCARO NASCIMENTO: A CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também, em salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. B DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS. O prêmio não se confunde com a participação nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.: uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundível com comissões, porque estas têm por base um negócio fechado através do empregado, enquanto o prêmio tem como causa um aumento de produção ou de Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 120 17 eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial. C CLASSIFICAÇÃO. Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. São mais difundidos os prêmios de produção, instituídos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou coletivamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao serviço mais que o número de dias por mês que a empresa determinar; e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veículo durante o mês. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador. (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24ª ed., LTr, SP, 1998, Págs. 343/344) (grifo nosso) 12. Também neste sentido as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho: A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST. RR 189.047/95. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4NO DE CASTILHO. DJ 22.11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza premial e, como tal, identificase como salário, de vez que originouse do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente à produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta última hipótese a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifestase plena. (TST. ERR 192.120/95.7. SDI1. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa em favor de seus empregados a título de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressaltese que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que primeiro, seja uma remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, uma vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o saláriodecontribuição.” (grifo nosso) Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 121 19 “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de Cartão SIM INCENTIVE devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantida a NFLD, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. II Alegações diversas de violações a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000184/200721 Acórdão n.º 240300.388 S2C4T3 Fl. 122 21 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III DO VÍCIO NA FORMA DE CÁLCULO DA SANÇÃO A Recorrente alega: No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade ("valor mínimo" — fls. 06 e 07 da decisão). Analisemos. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da sanção, o que não prospera porque a infração de deixar a Recorrente de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB, implica no dispositivo legal infringido com base na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, além do que a multa aplicada reside no dispositivo legal insculpido na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Ademais, o valor mínimo, previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91, foi fixado em R$1.195,13, valor vigente e atualizado na data da lavratura do Auto de Infração pelos incisos V e VI do art.9º da Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007. Lei nº 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela Recorrente. Outrossim, a Recorrente alega que foi penalizada cinco vezes pela mesma situação fática, incluindo a NFLD, com sanções idênticas, e que tal procedimento afronta princípios constitucionais (no bis in idem). Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração 37.087.5184, o AI 37.097.9117 e o AI 37.087.9125. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11330.000759/2007-51
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006
VERDADE MATERIAL. NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte.
Crédito Tributário Exonerado.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.483
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar
provimento ao recurso de ofício quanto à anulação do lançamento por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela procedência do lançamento fiscal.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso de Ofício provido em parte. Crédito Tributário Exonerado. Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso de ofício quanto à anulação do lançamento por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela procedência do lançamento fiscal. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 100DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 99 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.076.2037, resultado de ação fiscal iniciada em 24/01/2006, consolidada em 08/03/2007 e notificada em14/03/2007, cujo o crédito lançado pela fiscalização referiuse ao período de 01/01/2003 a 31/01/2006, no valor de R$ 5.404.482,70, acrescidos de juros e multa. Consoante o item 3 de fls. 42 do Relatório Fiscal, em razão de a empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida , CNPJ: 33.265.869/000206, ter prestado serviços a autuada no período de 08/2000 a 12/2002, anterior ao levantado não tendo outros elementos de convicção : “por não haver nenhum outro fato que indicasse a redução da produção ” a junta fiscal estabeleceu hipótese de que os contratos e valores que suportaram tal prestação foram prorrogados ao longo das demais competências até 01/2006 e, ainda, sem a devida retenção. Assim os fatos geradores das contribuições lançadas foram apurados por aferição indireta, imputandose débitos de 11% sobre os valores calculados na certeza de que, também, sobre estes não foram destacadas as retenções nas notas fiscais hipoteticamente emitidas. Desse modo, julgando não ter havido redução da produção da autuada e tendo por base a remuneração efetuada pelo pretérito fornecimento de mão de obra à notificada pela empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida (CNPJ: 33.265.869/000206), no período de 08/2000 a 12/2002, se procedeu à aferição indireta para o período restante compreendido entre 01/01/2003 a 31/01/2006 : “Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA — Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.A não apresentação dos documentos relacionados as contribuições previdenciárias ensejou a emissão do AI 37.076.2231.” Segundo o referido relatório, o arbitramento se deu com base nos elementos disponíveis anteriores a 01/2003 em função da ausência de registros contábeis do período de 01/2003 a 01/2006, e por não ter outro fato que indicasse a redução da produção, o que, conseqüentemente, causaria a redução da mão de obra necessária para o desenvolvimento das atividades normais da empresa. Consta ainda no Relatório Fiscal, item 4, que o Livro Diário de 2000 a 2002 que serviu de base para a apuração não tinha registro: “4. Foram examinados os seguintes documentos: Fl. 102DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Livro Diário de 2000 a 2002, sem registro; Livro Razão de 2000 a 2002;”( grifos de minha autoria) Registrase que, muito embora seis meses depois de ter sido iniciada a ação fiscal a documentação tenha sido apreendida pela Polícia Federal em 09/06/2006, esta fora concluída na sua totalidade tendo em vista que daí em diante os Auditores Fiscais o fizeram na sede do Ministério Público conforme item 11, parte final, do Relatório Fiscal : “ 11. Esta auditoriafiscal foi realizada com base na documentação apreendida por força da Medida Cautelar No. 2006.51015137478, exarada pelo MM. Juiz da 4 2 Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, sendo desenvolvida na sede do Ministério Público Federal Procuradoria do Rio de Janeiro, situado a Rua Nilo Peçanha, 31 Centro Rio de janeiro .Rio de Janeiro, 08 de março de 2007.” Conforme Mandados de Procedimento Fiscal MPF, oito vezes prorrogados, sendo o último em 12/01/2007, fls. 25/33, e Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 34, a ação fiscal teve início em 24/01/2006. Consta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, às fls.36, que foram examinados os seguintes documentos: Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e os Comprovantes de Recolhimento. DA IMPUGNAÇÃO A interessada manifestouse alegando em síntese que: não possuía meios de produzir a sua defesa tendo em vista, que no dia 09 de junho de 2006 a Policia Federal por ordem do MM. Juízo da 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro determinou nos autos da ação de busca e apreensão de n° 2006.51.01.5137478 a realização de diligência de busca e apreensão de todos seus documentos fiscais, contábeis, cadastros de funcionários, recibos de pagamento de impostos e taxas, computadores e etc; pelo exposto, a empresa autuada, impedida de produzir a sua defesa, requereu a prorrogação do prazo para apresentação desta, até que o D. Juízo da 4 a Vara Federal Criminal Federal se digne, a restituir os documentos tão necessários para elaboração de sua impugnação; caso fosse indeferido o pedido de prorrogação do prazo, negava veementemente que tenha cometido qualquer infração legal, que, segundo a empresa, se comprovaria através das provas documentais, pericial e testemunhal. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar os autos e os argumentos da impugnante, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Rio De Janeiro I (RJ) – DRJ/RJOI, emitiu o Acórdão n ° 1218.977 ( fls. 91/97) tornando NULO o lançamento: “20. No caso em questão, em que pese a interessada não ter apresentado a documentação solicitada pelo fisco, relativa ao período de 01/2003 a 01/2006, foge ao embasamento legal o Fl. 103DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 100 5 arbitramento baseado em outro arbitramento, além de ser incabível a presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção. 21. O AFRFB não pode simplesmente presumir a existência de fato gerador pelo fato de a empresa não ter apresentado os documentos solicitados, supondo, sem qualquer embasamento que os serviços prestados pela mão de obra da empresa "S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida" continuaram sendo executados, no período de 01/2003 a 01/2006. 22.No caso das empresas prestadoras de serviços por cessão de mão de obra, os parâmetros de aferição encontramse definidos em atos próprios, sendo utilizado contratos de prestação de serviços e notas fiscais de serviços. Ocorre que a impugnante não é a cedente demão de obra, mas a contratante de serviços. Neste caso, a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento. 23. Estando o processo em análise eivado de vícios, deve esse ser declarado nulo, em conformidade com o que disciplina a legislação. Segundo o artigo 53, da Lei 9784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, a Administração Pública pode rever e anular seus próprios atos, conforme abaixo transcrito:( ...) 24. Assim, configurada a fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e objetividade para se estimar o valor da base de cálculo, objeto da incidência das contribuições previdenciárias, o lançamento não poderá prosperar, ficando impossibilitada a análise do mérito. 25. E como determinam as normas vigentes, deverá ser providenciada a lavratura de nova NFLD, revestida de todas as formalidades legais, com a utilização de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito, se assim entender a auditoria, no caso de persistir a situação de recusa ou apresentação deficiente de documentos por parte da interessada.” DO RECURSO DE OFÍCIO Em face à exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada previsto no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 077/1/\2008, a Presidente da Turma recorreu de oficio . Aduz que não foi interposto Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE O recurso de Ofício da decisão de primeira instância impõe que se analise em preliminar a nulidade do lançamento. Desse modo, tendo presente o princípio da verdade material, entendo que se deva verificar a ocorrência do fato gerador efetivamente demonstrada bem como averiguar se foram observados os aspectos formais e matérias na produção do referido lançamento. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e verificar aquilo que é realmente verdade . Neste sentido, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa , nulo é o ato: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 101 7 mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ( se a nulidade argüida não comprometer a decisão que será a seu a favor) ” Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, é caso de nulidade (defeito na composição, explícita presunção e ausência de provas ( ônus do sujeito ativo) , falta de materialidade ou determinação do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis). Em acontecendo a nulidade tal como descrita, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação constituindo óbice à ampla defesa e do contraditório restando claro prejuízo ao sujeito passivo na medida em que representem relevante influência na solução do litígio. DO VÍCIO FORMAL É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. DO VÍCIO MATERIAL Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Como no processo em comento, conforme o Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, restará configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: “ O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 192 00.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) ”( grifos de minha autoria) Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas o que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão é apenas quando o vício é formal, pois nestes casos não se observa dúvida no lançamento de que o responsável foi identificado corretamente e que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o responsável foi quem praticou o fato gerador da obrigação e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância da responsabilidade e do conteúdo. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 102 9 O Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes vem corroborar este entendimento: “ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes).” DA PROVA É relevante lembrar que prova é o meio pelo qual, submetida ao contraditório, a alegação de fato é confirmada ou negada e, ainda o Princípio da motivação das decisões onde se preceitua que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fundamentos e fatos jurídicos que o embasaram. . SOBRE A DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR, CONTEÚDO DO RELATÓRIO FISCAL No relatório Fiscal de fls. 42, item 3, os Auditores assim se manifestaram : “ 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: A remuneração pelo fornecimento de mão de obra da empresa SIA Fábrica de Tecidos Maria Cândida CNPJ: 33.265.869/000206 à notificada arbitrada por aferição indireta devido ausência de registros contábeis no período de 01/2003 a 01/2006 e por não haver nenhum outro fato que indicasse a redução da produção e, por via de conseqüência, a redução da mão de obra necessária para o desenvolvimento das atividades normais da empresa. Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.” ( grifei) SOBRE A DECISÃO DE NULIDADE EXARADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA Na ementa do Acórdão n° 1218.977, de 19 de março de 2008, a 10ª Turma da DRJ/RJOI assim se pronunciou : “A nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é declarada quando se constata na análise dos aspectos formais a existência de vícios insanáveis.” ( grifei) E, ainda, fundamentando o voto, assim arrazoou : “ (... ) 20. No caso em questão, em que pese a interessada não ter apresentado a documentação solicitada pelo fisco, relativa ao período de 01/2003 a 01/2006, foge ao embasamento legal o arbitramento baseado em outro arbitramento, além de ser incabível a presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção. 21. O AFRFB não pode simplesmente presumir a existência de fato gerador pelo fato de a empresa não ter apresentado os documentos solicitados, supondo, sem qualquer embasamento que os serviços prestados pela mão de obra da empresa "S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida" continuaram sendo executados, no período de 01/2003 a 01/2006. 22.No caso das empresas prestadoras de serviços por cessão de mão de obra, os parâmetros de aferição encontramse definidos em atos próprios, sendo utilizado contratos de prestação de serviços e notas fiscais de serviços. Ocorre que a impugnante não é a cedente de mão de obra, mas a contratante de serviços. Neste caso, a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento. 23. Estando o processo em análise eivado de vícios, deve esse ser declarado nulo, em conformidade com o que disciplina a legislação. Segundo o artigo 53, da Lei 9784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. 24. Assim, configurada a fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 103 11 objetividade para se estimar o valor da base de cálculo, objeto da incidência das contribuiçõesprevidenciárias, o lançamento não poderá prosperar, ficando impossibilitada a análise do mérito. 25. E como determinam as normas vigentes, deverá ser providenciada a lavratura de nova NFLD, revestida de todas as formalidades legais, com a utilização de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito, se assim entender a auditoria, no caso de persistir a situação de recusa ou apresentação deficiente de documentos por parte da interessada.” Como se observa, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento DRJ/RJOI anulou o lançamento por este estar eivado de VÍCIO FORMAL. Entretanto, aduz que na narrativa do voto itens 20 a 25 acima transcritos, os motivos que a conduziu àquela conclusão ou seja : “ausência de embasamento legal ”, “ incabível presunção por parte da auditoria de que houve cessão de mão de obra, simplesmente por não ter outro fato que indique a redução da produção ”, “ fragilidade do critério de aferição utilizado no arbitramento em questão, não apresentando requisitos de convicção, segurança e objetividade para se estimar o valor da base de cálculo” , “ falta de elementos de convicção que ofereçam suporte e sustentação ao crédito ” – “ que a utilização de Notas Fiscais emitidas por outra empresa, em outro período, não é um parâmetro que espelhe a realidade, não oferecendo sustentação ao lançamento” ao contrário daquela decisão – tão abundante convicção retratada não se constitui de elementos formais do lançamento e sim de aspectos materiais da caracterização do fato gerador. Sendo assim é inexorável e compulsório reconhecer que todo este conteúdo mitiga o lançamento e concorre para o pacífico entendimento de que houvera ocorrido VÍCIO MATERIAL . Cumpre observar que embora não relevado no caso presente de fato houve ocorrência de vício formal. A irregularidade existiu em razão das 08 ( oito) prorrogações dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF, fls. 25/33, realizadas no curso de um ano e três meses na longa ação fiscal iniciada em 24/01/2006, consolidada em 08/03/2007 e notificada em14/03/2007, sem a emissão obrigatória dos Demonstrativos de Emissão e Prorrogação de MPF, na forma do exigido no art. 13, § 2° da PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 e ainda do artigo 19 que determina a obrigação do documento constar no processo administrativo fiscal para que o procedimento seja válido ou efetivamente convalidado : “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Retificada no DOU DE 09/06/2006 ( ... ) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos doart. 7°, inciso VIII § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX . ( ... ) Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si. ( grifei) ,Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; III arquivo da Delegacia da Receita Previdenciária do domicílio do sujeito passivo. ” É relevante notar que a Junta Fiscal foi econômica na descrição dos fatos quando da produção de seu Relatório Fiscal. Neste sentido, consta no item 3 às fls 43, que a Autoridade Fiscal baseou sua apuração nos registros contábeis dos exercícios de 2000 a 2002 : “Nos registros contábeis da notificada nos quais constam remunerações à empresa S/A Fábrica de Tecidos Maria Cândida nos exercícios de 2000 a 2002, apuramos a média aritmética destas remunerações no período e lançamos o resultado no levantamento "CMA — Cessão de MO Maria Cândida Arb". Caracterizamos tais remunerações como prestação de serviços mediante a cessão de mão de obra, portanto sujeitos a retenção, tendo em vista o fato do quadro de segurados empregados da prestadora efetuar nas dependências da notificada as atividades fabris típicas desta.A não apresentação dos documentos relacionados as contribuições previdenciárias ensejou a emissão do AI 37.076.2231.” Consta, ainda, no Relatório Fiscal, item 4, que o Livro Diário de 2000 a 2002 que serviu de base para a apuração não tinha registro: “4. Foram examinados os seguintes documentos: Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000759/200751 Acórdão n.º 240300.483 S2C4T3 Fl. 104 13 Livro Diário de 2000 a 2002, sem registro; Livro Razão de 2000 a 2002;” Do acima constatase que a caracterização do fato gerador ocorreu não com base legal ou fática mas segundo subjetivo juízo de valor da Autoridade Fiscal. Aduz que não se verificaram eventuais contratos demonstrando o tipo de serviço, quantidade de mão de obra, valor e os prazos. Para agravar, os livros contábeis eram imprestáveis posto que não estavam registrados. Assim, se fosse demonstrado que efetivamente os fatos geradores ocorreram e foram mal formalizados, seria o caso de retornar a empresa para sanar o auto procedendo às formalidades não observadas. Entretanto, neste sentido, não há o que retificar. Muito relevante notar que o fato gerador apontado não restou verídico uma vez que presumida sua ocorrência de forma insustentável conforme também concluiu a instância “ad quod” a respeito da consistência do fato gerador. Então, considerando que o vício se mostrou instalado na produção, na dinâmica do lançamento, o conteúdo do ato e não a forma, está, por conseguinte, eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação constituindo óbice à ampla defesa e do contraditório restando claro prejuízo ao sujeito passivo na medida em que representa influência de principal relevo na solução do litígio. Reiterando o supracitado que quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material Finalmente, respeitando o laborioso Acórdão de primeira instância, concordo, na essência, com a decisão de nulidade mas divirjo nas conclusões. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, EM PRELIMINAR, determino a NULIDADE do lançamento em virtude de ter ocorrido VÍCIO MATERIAL AB INITIO. Ivacir Júlio de Souza Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 Fl. 113DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10945.900597/2014-91
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 05 97 /2 01 4- 91 Fl. 64765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.381 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900597/2014-91 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital
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