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Numero do processo: 10711.001272/2005-87
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/10/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA NÃO COMPROVADO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento de direito defesa, o Auto Infração que apresenta perfeita descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal e a adequada instrução probatória, exigida no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/10/2003
PENALIDADE PECLTNIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. PROCEDIMENTO DE NATUREZA TRIBUTÁRIA.
A Lei n° 9.873, de 1999, trata da prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, em face da aplicação de penalidade decorrente do exercício do poder de polícia. Diversamente, a prescrição da ação de cobrança da penalidade pecuniária de natureza tributária segue o regramento estabelecido no art. 174 do CTN.
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos próprios utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V, combinado com o § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO SANCIONADA COM A PENA DE PERDIMENTO.
Continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, tipificada no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. A multa prevista no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, sanciona a conduta do importador (ostensivo) somente na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros ou mediante cessão do nome, hipótese de que não cuida a presente autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.588
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanei Gama, que davam provimento parcial para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro. Os conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO rf Processo n° 10711.001272/2005-87 Recurso n° 343.636 Voluntário Acórdão n° 3102-00.588 — i a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente MASTER IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/10/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA NÃO COMPROVADO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento de direito defesa, o Auto Infração que apresenta perfeita descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal e a adequada instrução probatória, exigida no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/10/2003 PENALIDADE PECLTNIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. PROCEDIMENTO DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. A Lei n° 9.873, de 1999, trata da prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, em face da aplicação de penalidade decorrente do exercício do poder de polícia. Diversamente, a prescrição da ação de cobrança da penalidade pecuniária de natureza tributária segue o regramento estabelecido no art. 174 do CTN. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos próprios utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V, combinado com o § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DEAPLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR(ADUANEIR.O. f ,„ - Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO SANCIONADA COM A PENA DE PERDIMENTO. Continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, tipificada no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. A multa prevista no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, sanciona a conduta do importador (ostensivo) somente na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros ou mediante cessão do nome, hipótese de que não cuida a presente autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanei Gama, que davam provimento parcial para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro. Os conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pela conclusão. Luis . celo Guerra de Castro - Presidente 1110 _é-Pepná des-d-o -Nascimento - Relator EDITADO EM: 01/03/2010 \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de aplicação de penalidade pecuniária, formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 1/4, em que é exigida multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, discriminada no extrato da Declaração de Importação (Dl) de fls. 10/13, sucedânea da pena perdimento a que seria submetida, não fosse caracterizada a impossibilidade de sua apreensão, por ter sido comercializada ou dada a consumo. O 2 Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 403 fundamento legal da conversão da penalidade de perdimento em multa consta do § 30 do artigo 23 do Decreto-lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Os fatos que motivaram a presente autuação e as alegações de defesa apresentadas na peça impugnatória foram assim resumidos no relatório integrante do Acórdão recorrido, in verbis: Depreende-se da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada submeteu a despacho mercadorias amparadas pela -Declaração de Importação (DI) n° 03/0855535-4, registrada em 06/10/2003. Constatado que a interessada estava submetida aos procedimentos especiais previstos na Instrução Normativa (IN) SRF n° 228/2002, em seu estabelecimento matriz, a entrega das mercadorias foi condicionada à apresentação de garantia no valor de R$ 254.439,00, estipulada com base no disposto no artigo 7° de referida IN. Apresentada carta de fiança emitida pelo Banco Safra S.A., as mercadorias foram entregues à interessada. O procedimento fiscal concluiu que não houve comprovação da origem, disponibilidade nem efetiva transferência de recursos por ela movimentados/empregados em operações de comércio exterior, com ocultação da real importadora. Foi publicado no Diário Oficial da União o Ato Declaratório Executivo n° 10, de 14 de maio de 2004 da Alfdndega no Porto de Manaus, declarando a interessada inapta no Cadastro da Pessoa Jurídica e inidõneos e ineficazes os documentos por ela emitidos a partir de março de 1998. Caracterizada a infração sujeita à pena de perdimento, conforme Relatório de Diligência Fiscal, com base no inciso V e parágrafos 1° e 2° do artigo 23 do Decreto-lei n° 1.455/1976, a fiscalização intimou, por duas vezes a interessada para que devolvesse as mercadorias importadas ou indicasse sua localização. Em resposta às intimações, a interessada informou que já havia comercializado as mercadorias e que as mesmas já haviam sido consumidas. À vista dessa informação e com base no que dispõe o artigo 12, II, da IN SRF n° 228/2002, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto-lei n° 1.455/1976. O valor da multa exigida teve por base o valor estipulado na garantia anteriormente apresentada, ou seja, aquele constante na carta de fiança emitida pelo Banco Safra S.A. Cientificada por via postal (AR às fls. 185). A interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 189 a 199, anexando os documentos de folhas 200 a 304. A impugnante alega que o auto de infração se baseou no Ato Declaratório Executivo de inaptidão de seu CNPJ, porém os efeitos desse ato se encontram suspensos por força de medida judicial concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1" Região, em razão de recurso hierárquico interposto junto ao Secretário da Receita Federal. Defende que o auto de infração deve ser declarado insubsistente e o fiador intimado a não promover nenhum pagamento em favor 1 da União até o deslinde final do processo administrativo n° 10283.101249/2003-17. Defende que, à vista do disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235/1972, o auto de infração deveria ter sido instruído com o despacho decisório do Secretário da Receita Federal que imputasse à impugnante o ilícito de interposição fraudulenta, fato que não ocorreu porque o auto de infração foi lavrado anteriormente à confirmação final da ocorrência do ilícito e, portanto, deve ser declarado nulo. Defende também que a cobrança do auto de infração está suspensa pelo que dispõe o artigo 62 do Decreto n° 70.235/1972, considerando a medida judicial que concedeu o efeito suspensivo. Requer a declaração de nulidade do auto de infração, assim como seja oficiado o Banco Safra S.A. para que suspenda todo e qualquer procedimento de execução da Carta de Fiança n° 155.776-1, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Requer ainda que seja realizada diligência à Inspetoria da Receita Federal em Manaus, com o intuito de confirmar que o processo administrativo n° 10283.101249/2003-17 está pendente de julgamento em última instância administrativa, bem como encontra-se suspenso por ordem judicial. (Grifos originais). Na sessão de 9/05/2008, a Primeira Turma da DRJ — Florianópolis/SC proferiu o Acórdão n° 07-12.473 (fls. 310/315), em que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve integralmente a exigência da multa aplicada, cuja ementa segue transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/10/2003 OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. DANO AO ERÁRIO. CONVERSÂO EM MULTA. Considera-se dano ao Erário ocultação do responsável pela operação de comércio exterior, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Lançamento Procedente. Em 26/06/2008, a interessada foi cientificada do referido julgado por meio do Edital de fl. 324, afixado em dependência, franqueada ao público, da Unidade preparadora em 11/06/2008. Inconformada, em 23/07/2008, a autuada protocolou na agência dos Correios o recuso voluntário de fls. 331/350, alegando, em síntese, o seguinte: a) não houve cessão de nome a terceiros, posto que a importação da mercadoria foi feita em nome da recorrente e, em seguida, revendida-no mercado interno para um cliente, acompanhada de nota fiscal de venda. \ \ - Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 404 Na época, as importações por encomenda eram tratadas como importação por conta própria e as compras por ela realizadas a prazo eram vendidas à vista, 'com o pagamento de todos os tributos e sem nenhuma vantagem ilícita; b) a comprovação de que o real importador ficou oculto daria ensejo a penalidade de 10% (dez por cento) do valor da operação e não a inaptidão da inscrição autuada no CNPJ; c) segundo o Acórdão o recorrido, o fundamento da autuação não seria a declaração de inaptidão da inscrição da recorrente no CNPJ, mas sim a ocultação do real responsável pela operação de importação, porém, inexiste nos autos qualquer informação sobre a referida operação de importação, o adquirente no mercado interno da mercadoria importada e os recursos empregados na operação que propiciasse tal conclusão; d) mesmo que a presente penalidade fosse passível de aplicação, já teria ocorrido a prescrição da pretensão punitiva, prevista no art. 1° da Lei n° 9.873, de 1999, posto que não se trata de penalidade tributária, mas de legislação sobre o exercício do poder de polícia da Administração Pública federal; e) a presente autuação é nula por falta de base fática, motivação e cerceamento do direito defesa, nos termos do art. 10, combinado com o disposto no art. 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, e do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999; e f) a presente pena de perdimento foi revogada, em consequência da superveniência de penalidade mais benéfica, prevista no art. 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que apenou a mesma hipótese fática com multa de 10% (dez por cento) do valor da operação. No final, requer a recorrente a declaração de nulidade da autuação, por falta de suporte fático, motivação e cerceamento do direito de defesa, e o cancelamento da fiança bancária. Por meio das Intimações de fls. 380/381, a autuada foi intimada a apresentar nova procuração em nome do procurador João Manoel Reis Ribeiro de Souza Gonçalves Affonso, posto que a apresentada encontrava-se vencida, confoime § 1° da Cláusula 8' do contrato social consolidado de fls. 360/364. Em resposta (fls. 385/395), o Sr. João Manoel informou que era procurador da sócia majoritária da recorrente, com 95% do capital social, estando plenamente apto a nomear procurador para esta sociedade, confomie procuração de fls. 387. O Sr. Américo Giuseppe Galizia, nomeado liquidante da sociedade em 06/06/2005 (documentos de fls. 373/377), por meio da correspondência de fl. 397, infoimou que não é mais o liquidante da recorrente. Em cumprimento ao despacho de fl. 401, os presentes autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, para fins de julgamento do presente'recurso. Na / sequência, na sessão de 19 de outubro de 2009, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, os presente autos foram distribuídos, mediante sorteio, a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e versa sobre matéria tributária da competência julgadora deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I- DAS PRELIMINARES Em preliminar, a recorrente alega que: a) houve prescrição da pretensão punitiva, prevista no art. 1° da Lei n° 9.873, de 1999, posto que não se trata de penalidade estabelecida no âmbito da legislação tributária, mas de infração à legislação sobre o exercício do poder de polícia da Administração Pública Federal; e b) é nulo o presente auto de infração por falta de base fática, motivação e cerceamento do direito defesa, nos teimos do art. 10, combinado com o disposto no art. 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, e do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. Da prescrição da pretensão punitiva. A Lei n° 9.873, de 1999, trata do prazo de prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de policia. Diversamente, a penalidade pecuniária de que trata o presente procedimento fiscal decorre de infração à dispositivos da legislação tributária e aduaneira, que, em face das circunstâncias relatadas nos autos, converteu-se em obrigação principal, nos termos do art. 113 do crN. Dessa forma, tratando-se de penalidade de natureza estritamente tributária, o prazo decadencial do direito de aplicação (formalização) da penalidade e prescricional da ação de cobrança do valor exigido têm regramento específico, a saber, os enunciados normativos veiculados pelos arts. 173 e 174 do C'TN, respectivamente. Em consonância com disposto nos referidos preceitos legais, os processo e procedimentos de natureza tributária foram expressamente excluídos do âmbito de aplicação da Lei n° 9.873, de 1999, conforme disposto no seu art. 5 0, a seguir transcrito: Art. 5 O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Assim, fica cabalmente demonstrado a improcedência da presente alegação.----- Por tal razão, rejeito a presente preliminar. A-,‘ Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 405 Da nulidade do Auto de Infração. Alega a recorrente que a presente autuação é nula por falta de base fática e motivação, que lhe daria sustentação; bem como pela ocorrência de cerceamento do direito de defesa. Concessa venha, neste ponto, incorre em equivoco a recorrente. Com base nos elementos colacionados aos autos, verifico que o presente procedimento fiscal foi feito com base na legislação que rege a matéria, obedeceu aos prazos e procedimentos nela estabelecido, sendo ainda oportunizado amplo direito de defesa à autuada. Se não vejamos. O fato que motivou a autuação, isto é, a interposição fraudulenta, encontra-se .perfeitamente descrita no referido Auto de Infração e corroborado com robustos elementos probatórios colacionados aos autos. Da mesma forma, o enquadramento legal da infração cometida (inciso 'V, combinado com o disposto nos §§ 1° a 3°, do art. 23, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores) foi consignado corretamente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5/9, estando, além do mais, em perfeita consonância com a referida situação fática motivadora da penalidade em questão. Dessarte, o referido Auto Infração preenche adequadamente as exigências requisitos estabelecidos nos arts. 9° e 10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, não apresentando qualquer mácula que possa machar a sua higidez. Assim, fica evidenciado que, também neste ponto, não assiste razão a recorrente, por este motivo, também rejeito a presente preliminar. II- DO MÉRITO Consta da Descrição dos Fatos que integra o Auto de Infração ora contestado que a interessada, por meio da DI n° 03/0855535-4, registrada em 06/10/2003, promoveu a importação de mercadoria que foi desembaraçada pela autoridade aduaneira mediante apresentação de carta de fiança, como forma de garantia do valor aduaneiro da operação, pois a interessada estava sendo submetida a procedimento especial de fiscalização, em conformidade com o estabelecido no art. 7° da Instrução Normativa SRF n° 228, de 21 de outubro de 2002, a seguir transcrito: Art. 70 Enquanto não comprovada a origem licita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. ,5S' 1° A garantia será equivalente ao preço da mercadoria apurado com base nos procedimentos previstos no art. 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, acrescido do frete e seguro internacional, e será fixada pela unidade de despacho no prazo de dez dias úteis contado da data da instauração do procedimento especial. / Encerrado o referido procedimento especial de fiscalização, por intermédio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 19/38, assim se pronunciou a autoridade fiscal a respeito da atuação da recorrente nas operações de comércio exterior, in verbis: (.), torna-se evidente que a Máster Importação Ltda foi findada para operar em suas atividades de maneira engenhosamente arquitetada, para que a Máster Marine Importação e Exportação Ltda permanecesse oculta, juntamente com seu quadro societário. Evidente se torna, também, que nessas práticas houve dano ao Erário. (grifos originais). Com base em tal conclusão, a autoridade fiscal autuante, em cumprimento ao que detellnina o inciso II do art. 12 da referida Instrução Normativa, intimou a interessada (Intimação de fls. 41/42 e 171/172) a devolver a citada mercadoria. Em resposta (fls. 173/174), informou a recorrente que já tinha vendido a mercadoria e o seu adquirente já lhe havia dado a consumo. Assim, diante da impossibilidade de apreensão da mercadoria, foi lavrado o presente Auto de Infração, para exigência da multa prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1996, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637, de 2002, em face do cometimento da infração por dano ao erário tipificada no inciso V, combinado com o disposto no § 1°, do citado artigo 23, todos a seguir transcritos: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (.) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3' A pena prevista no § 1' converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (-). Na Descrição dos Fatos de fls. 05/09, a autoridade fiscal consignou que o motivo da presente autuação foi o cometimento pela recorrente do ilícito da interposição fraudulenta, fato presumido a partir da não-comprovação pela autuada da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação de que trata o presente procedimento fiscal. Da presunção da interposição fraudulenta no comércio exterior. A presunção, assim como o indício, é modalidade de prova indireta, obtida mediante um processo lógico, consistente na associação entre deteininado fato provado (fato , Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 406 indiciário ou presuntivo), cuja existência é certa, e um fato desconhecido (fato indiciado, probando ou presumido), cuja existência é provável. A maioria doutrina divide as presunções em dois grandes grupos: a) as presunções comuns, humanas ou hominis; e b) as presunções legais ou de direito, que por sua vez se subdividem em relativas (ou juris tantum), absolutas (ou jure et de jure), e mistas (ou qualificadas). Em decorrência das peculiaridades do caso em apreço, a modalidade que aqui interessa abordar são as presunções relativas ou juris tantum, que se caracterizam por admitirem a produção de prova em contrário, haja vista que a presunção de interposição fraudulenta se inclui nesta modalidade, conforme estabelecido o § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com redação dada belo art. 59 da Lei n° 10.637, de 2002, a seguir reproduzido: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ,sç 2' Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (.). Trata-se, portanto, de presunção relativa em que há inversão do ônus da prova em favor da fiscalização aduaneira. Logo, provando esta a incompatibilidade entre o volume de recursos financeiros transacionados nas mencionadas operações e a sua incompatibilidade com a capacidade econômico financeira do importador, fica este obrigado a provar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas referidas operações. Assim, somente quando não houver a dita comprovação pelo importador ou exportador é que estará configurada, por presunção, a interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior. Da não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. A caracterização da existência da presunção da interposição fraudulenta da autuada decorreu do fato dela, no âmbito do procedimento especial de fiscalização, que resultou na expedição do Ato Declaratório de inaptidão da sua inscrição no CNPJ (fl. 40), em consequência do fato dela não ter comprovado a origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros empregados nas operações de importação realizadas nos anos de 1998 a maio de 2003, no total de 669 despachos aduaneiros de importação, que resultou no valor financeiro total de R$ 60.267.565,36. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 19/39, informa a autoridade fiscal, em apertada síntese, o seguinte: 1) causou-lhe surpresa ao ver tamanho discrepância entre o volume físico e financeiro das transações comerciais de importação realizada pela recorrente, comparado c6m o seu ínfimo capital social de apenas R$ 10.000,00, que prevaleceu, desde a sua constituição até novembro de 2002, quando teve um pequeno aumento; 2) intimada a apresentar a documentação comprobatória do financiamento de terceiros a autuada, esta nada apresentou. Também não comprovou, apesar intimada, a integralização do capital social; 3) os livros de registro de entrada e saída de mercadorias apresentados não preenchiam as folinalidades extrínsecos e as intrínsecas exigidas pela legislação comercial e fiscal; 4) uma das contas-corrente bancária movimentada pela autuada tinha o mesmo endereço da pessoa jurídica Master Marine Importação e Exportação Ltda., da qual o Sr. Jorge Luís Chammas Camasmie detém 99% do capital social, sendo o percentual de 1% do Sr. Paulo André Chammas Camasmie (fl. 26); 5) com base no contrato social e nos seus aditivos apurou que, desde o momento da constituição da sociedade, em 20/08/1996, até 14 de novembro de 2002 (sexto aditivo), integrava a referida sociedade o sócio Jorge Luís Chammas Camasrnie, com 98% das quotas do capital social. Na referida data, ele foi substituído pela pessoa jurídica Markus Holding Sociedad Anônima, sediada em Montevidéu/Uruguai, cujo procurador era próprio Jorge Luís. Atualmente, o Sr. João Manoel Reis Ribeiro de Souza Gonçalves Affonso, ex-sócio gerente da autuada, é quem é o procurador da nova sócia da recorrente, confoillie procuração de fls. 388/395; 6) a referida alteração contratual coincidiu com o momento em que SRF começou a controlar as operações de comércio exterior, mediante análise da situação fiscal, econômica e financeira das empresas importadoras, como condição para a habilitação no Siscomex; 7) nos exercícios anteriores ao ano 2001, a pessoa jurídica autuada apresentou crescentes prejuízos. Após o início da ação fiscal, no exercício 2002, para fins de aumento de capital social, ela apresentou um pequeno lucro; 8) os Balanços Patrimoniais e as Demonstrações dos Resultados dos Exercícios foram adulterados, provavelmente, com o objetivo de apresentar resultados mais favoráveis; 9) as importações de lanchas de alto-mar eram embarcadas diretamente dos países de fabricação para o Brasil, porém, as respectivas faturas comerciais faziam um percurso triangular, geralmente, passando por uma empresa sediada no Uruguai, que as emitia para autuada com valor subfaturado; 10) com base nas notas fiscais de saídas constatou que foram feitas vendas à empresa inexistente de fato, no valor de R$ 1.184.391,39, e a Empresa de Pequeno Porte (EPP), no valor de R$ 1.928.357,00; 11) o endereço da empresa Markus Holding Sociedad Anônima no Uruguai é o mesmo das empresas emitentes das faturas comerciais que acobertavam as operações de importação da autuada; 12) o Sr. João Manoel Reis Ribeiro de Souza Gonçalves Affonso, ex-sócio gerente da autuada, em entrevista, confessou que os sócios-gerentes Pedro Ferreira Guimarães (participação de 1% no capital social) e Domingos Edilce de Lima (também participação de 1% / 10 \ •• Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 407 no capital social), ambos residentes em Manaus/AM, foram arregimentados por intermédio de anúncio em jornal. Este último, em entrevista, afirmou que foi convidado para ser sócio pelo Sr. Jorge Luís Chammas Camasmie, que lhe prometera uma remuneração mínima de R$ 1.000,00 por mês. Informou ainda que a recorrente não tinha empregados e que a maior parte de suas vendas eram realizadas no eixo litoral carioca-paulista; 13) por fim, concluiu que a autuada fora constituída para manter resguardadas pessoas fisicas e jurídicas, não as expondo às responsabilidades advindas dessas transações. Com base no referido Relatório e nos documentos acostados aos autos, verifico que o mondus operandi da autuada é típico de pessoa jurídica de fachada, interposta pessoa, presta-nome, conforme acima definido. Senão vejamos. a) o seu quadro societário integra pessoa física com ínfima ou insignificante participação no capital social, o denominado sócio "laranja", noimalmente, pessoa de pouca de instrução, ingênua, simples ou sem recursos materiais, que sede seu nome em troca de uma pequena remuneração; b) o referido sócio minoritário é quem exerce a função de sócio-gerente na sociedade, por uma razão elementar, é ele quem "responderá" pelas dívidas da sociedade perante terceiros, inclusive o fisco, em decorrência dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, o que, geralmente, ocorre nesse tipo de fraude; c) a sociedade é administrada por procuração, ou seja, quem tem o real poder de mando na sociedade é o procurador, papel exercido pelo verdadeiro dono da sociedade ou pessoa de sua confiança. No presente caso, a situação é tão absurda, que o procurador da sócia majoritária da autuada, que detém 98% do seu capital social, com poderes ilimitados para administrá-la, foi constituído como procurador, com poderes de administração. A situação é, no mínimo hilária, quem é portador de todo o poder de mando na sociedade é nomeado procurador por quem não tem poder algum; d) participa do seu quadro social, uma pessoa jurídica de capital social inexpressivo, sediada em paraíso fiscal, cujo administrador/procurador (figura sempre presente, no caso em tela), inicialmente, era Sr. Jorge Luís Chammas Camasmie (sempre ele), e atualmente o Sr. João Manoel Reis Ribeiro de Souza Gonçalves Affonso (sempre ele), pessoa física que também figura como procurador da recorrente. Observa-se ainda que, coincidentemente, quando o Sr. Jorge Luís Chammas Camasmie deixa o encargo de procurador sempre quem ocupa o seu lugar é o Sr. João Manoel Reis Ribeiro de Souza Gonçalves Affonso; e) não tem empregados nem bens no seu ativo pennanente. Todos os recursos foram desviados da empresa, provavelmente, para o patrimônio do real proprietário. A título de exemplo, no exercício de 2002, a autuada teve uma receita bruta operacional de R$ 23.562.021,15 (DRE de fl. 117) e lucro final inexpressivo de R$ 58.961,64. Neste mesmo ano, em 31/12/2002, as contas do Disponível do Ativo Circulante (Caixas e Bancos e Aplicações Financeiras) registravam um saldo de R$ 125.410,61 (fl. 126); e - t) como explicar que a recorrente, com capital social e de giro insilificante e sem patrimônio imobiliário, realizou importações no valor de R$ 21.124.834,71, no /ano 2002, ----- / y#7 , 1 . , (fl. 30)? Com a resposta a autoridade fiscal responsável pelo procedimento especial de fiscalização: (..), torna-se evidente que a Máster Importação Ltda foi fundada para operar em suas atividades de maneira engenhosamente arquitetada, para que a Máster Marine Importação e Exportação Ltda permanecesse oculta, juntamente com seu quadro societário. Evidente se torna, também, que nessas práticas houve dano ao Erário. (grifos originais). Das alegações recurs ais. No presente recurso alega a recorrente que, no presente caso, não houve cessão de nome a terceiros, posto que a importação da mercadoria fora realizada em seu nome e, em seguida, revendida no mercado interno para um cliente, mediante emissão de nota fiscal de venda. Na época, as importações por encomenda eram tratadas como importação por conta própria e as compras por ela realizadas a prazo eram vendidas à vista, com o pagamento de todos os tributos e sem nenhuma vantagem ilícita. Incorre em equívoco a recorrente, com devida vênia. O fimdamento da presente autuação não foi a comprovação da utilização de recursos de terceiros na operação de importação. Na verdade, a infração que resultou na aplicação da presente penalidade foi a falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos próprios utilizados na referida operação de importação. Alega a recorrente que o Acórdão recorrido considerou a ocultação do real responsável pela operação de importação como sendo o fundamento da autuação, porém, inexiste nos autos qualquer infolulação sobre a referida operação de importação, o adquirente no mercado interno da mercadoria importada e os recursos movimentados que propiciasse tal conclusão. Também não procede esta alegação, haja vista que, conforme exposto anterioremente, os fatos que embasaram a presente autuação foram apurados e comprovados no procedimento especial de fiscalização, levado a efeito na Alfândega do Porto de Manaus, Unidade aduaneira da SRF que jurisdicionava o estabelecimento matriz da recorrente, que deu origem ao processo n° 10283.101249/2002-17, resultando na expedição do Ato Declaratório Executivo n° 10, de 14 de maio de 2004, publicado no DOU de 17/05/2004 (fl. 40), que declarou inapta a inscrição da recorrente no CNPJ desde 12 de março de 1998. Do referido Ato Declaratório recorreu administrativamente a interessada, não obtendo êxito. Da mesma forma, melhor sorte não teve no âmbito do Poder Judiciário, pois ingressou com Mandado de Segurança na Seção Judiciária Federal de Manaus, por meio do processo n° 2004.32.00.005751-6, pleiteando a anulação do referido Ato Declaratório. Na sentença, a ação foi julgada sem exame de mérito por falta de interesse processual, conforme despacho proferido em 29/06/2005, por aquele Juízo', a seguir transcrito: DEVOLVIDOS C/ SENTENCA S/ EXAME DO MERITO FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL/ PERDA DE OBJETO. Dessa forma, estão confirmados, tanto na esfera administrativa como na judicial, que os fatos apurados e narrados pela autoridade fiscal, segundos os quais a interessada não comprovou a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos financeiros movimentados nas operações de importação, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de Disponível em: <http://processual.trfl.gov.br>. Consulta em: 23 dez. 2009. \ Processo n° 10711.00127212005-87 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-00388 Fl. 408 interposição fraudulenta prevista no § 20 do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com as alterações. Como nenhuma informação ou documento foi apresentado com vistas a comprovação dos fatos em destaque, por conseguinte, o fato presumido deve ser considerado adequado para fins de imputação da conduta infracional em tela e aplicação da respectiva multa. Além disso, por se tratar de fato presumido, o ônus de comprovar o fato presuntivo (a inexistência de interposição fraudulenta) passou a ser da autuada, o que não foi feito. Aliás, nenhuma prova foi colacionada aos autos que infirmasse tal presunção. Por fim, alega a recorrente que a presente pena de perdimento estaria revogada, por força da superveniência de penalidade mais benéfica, instituída no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, que passou a sancionar a mesma hipótese fática com multa de 10% (dez por cento) do valor da operação. Inicialmente, cabe destacar que, a partir da vigência do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, o referido assunto tem suscitado amplas controvérsias no âmbito da doutrina e jurisprudência, administrativa e judiciária. Assim, antes de analisar o cerne da presente controvérsia, apresentarei uma breve exposição acerca do tema, na tentativa de apresentar um entendimento que confira o real significado e alcance jurídicos aos preceitos legais que dispõem sobre a matéria e que seja, simultaneamente, compatível com ordenamento jurídico do País. Da interposição fraudulenta na operação de comércio exterior: infração e penalidade aplicável. Até 15 de junho de 2007, a única infração por interposição fraudulenta no comércio exterior, existente no direito positivo aduaneiro do País, era a descrita no inciso V, combinado com o disposto no § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. A partir da referida data, com entrada em vigor do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, ao lado da referida norma geral de interposição fraudulenta, passou a existir, concomitanternente, no ordenamento jurídico nacional uma norma especial de interposição fraudulenta, refimo-me à novel infração descrita no citado preceito notinativo. Dessa forma, para facilitar análise sistemática das hipóteses fáticas descritas nos mencionados comandos legais, transcrevo a seguir, lado a lado, os dispositivos legais do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, e da Lei n° 11.488, de 2007, que dispõem sobre a matéria em apreço: Art. 23, V, c/c §§ 1° a 3°, do DL no 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n° 9.430/1996. Art 23. Consideram-se dano ao Erário as Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, infrações relativas às mercadorias: inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de (..-) operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito de 10% (dez por cento) do valor da operação passivo, do real vendedor, comprador ou de acobertada, não podendo ser inferior, a—R$ responsável pela operação, mediante fraude ou 5.000,00 (cinco mil reais). simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da § i O dano ao erário decorrente das infrações Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. - Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1966, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002. § 2 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos comprovação da origem, disponibilidade e termos e condições definidos em ato do Ministro transferência dos recursos empregados. da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que — deixar de apresentar a declaração anual de § 39- A pena prevista no § 1 converte-se em imposto de renda em um ou mais exercícios e não multa equivalente ao valor aduaneiro da for localizada no endereço informado à Secretaria mercadoria que não seja localizada ou que tenha da Receita Federal, bem como daquela que não sido consumida. exista de fato. (...). (grifos não originais). § 1' Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (...). (grifos não originais) Com base nos citados preceitos legais, verifica-se que ambos os tipos descritos têm no núcleo da conduta vedada a ocultação ou acobertamento, expressões que têm o mesmo significado. As pessoa ocultas ou acobertadas também seriam as mesmas, a saber, o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou responsável pela operação de comércio exterior, que correspondem aos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação. A diferença entre as hipóteses das infrações descritas está (i) na forma de ocultação ou acobertamento, (ii) na penalidade aplicável e (iii) nos possíveis destinatários da sanção (os sancionados), o que se demonstrará a seguir. Com o propósito de facilitar a conclusão ao final apresentada, no quadro comparativo a seguir reescrevo o texto dos referidos dispositivos legais, procurando evidenciar, isoladamente, o significado dos vários elementos que compõem a hipótese fática das infrações em destaque. Art. 23, V, c/c §§ 1° a 3°, do DL n° 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n°9.430/1996. Núcleo da conduta: ocultar o sujeito passivo, o Núcleo da conduta: acobertar os reais real vendedor, comprador ou responsável pela intervenientes ou beneficiários da operação de operação de comércio exterior comércio exterior. Quem será ocultado: o sujeito passivo, o real Quem será acobertado: os reais intervenientes vendedor, comprador ou responsável pela ou beneficiários da operação de comércio operação de comércio exterior. exterior. Forma de ocultação: mediante fraude ou Forma de acobertamento: mediante cessão do simulação, inclusive a interposição fraudulenta de nome, inclusive mediante a disponibilização de terceiros. documentos próprios. Quem é o responsável pela fraude, simulação Quem é o responsável pela cessão do nome e/ou ou interposição fraudulenta (destinatário da documentos (destinatário da sanção): a ji / Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 409 sanção): a pessoa interposta (importador interposta pessoa (importador ostensivo ou de ostensivo ou de direito) e a pessoa interponente direito), isoladamente. (importador oculto ou de fato), conjuntamente. Por serem estranhas a presente lide e apresentarem peculiaridades próprias, não será aqui analisado a conduta do acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante fraude ou simulação. Da mesma forma, por se tratar de operação de importação, não será apreciado os elementos do tipo atinentes à operação de exportação. Dessarte, a presente abordagem terá como foco apenas a figura da ocultação mediante interposição fraudulenta de terceiros na operação de importação. Do significado para o direito aduaneiro da expressão interposição fraudulenta de terceiros. O significado jurídico do termo interposição é definido por De Plácido e Silva2 , com a seguinte dicção, in verbis: Do latim "iterpositio", do verbo "interponere" (pôr entre, meter de permeio, interpor), sem que se afaste do seu literal sentido de ação de pôr de permeio ou entre duas coisas ou pessoas, possui' o vocábulo na técnica jurídica duas especiais aplicações: a)- Quer significar a intervenção de uma pessoa em negócio alheio por ordem de seu dono ou a mandato dele. A pessoa interveniente diz-se interposta, isto é, posta ou colocada entre uma e outra, para cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer. É, assim, a interposta pessoa representada por uma terceira pessoa que vai executar o ato, a mando ou ordem de alguém porque esteja este impossibilitado de o fazer, ou porque assim o tenha determinado. Por sua vez, Maria Helena Diniz 3 , atribui a expressão interposta pessoa, o seguinte significado, ipsis litteris: Interposta pessoa seria aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindo-o e encobrindo-o. Tratar-se-ia do presta-nome ou testa-de-ferro. Age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos não de todo lícitos, deseja ocultar sua participação num ato negociai. Com base nas referidas definições, infere-se que, no âmbito jurídico, a figura da interposição de terceiro pode se dar de forma lícita ou ilícita. Será lícita quando a intervenção do terceiro em negócio jurídico alheio realiza-se em cumprimento de ordem ou mandato do terceiro. Neste caso, a pessoa posta ou colocada entre uma e outra, tem a função de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer por impossibilidade fisica ou jurídica ou por conveniência. Por outro lado, a interposição ilícita ou fraudulenta é aquela em que a pessoa interposta realiza o negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de terceiro, substituindo-o e ocultando-o do conhecimento de terceiros. 2 DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico. 20. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. 3 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. São Paulo: Saraiva. vol. II, p. 885. 7 , //-.15 No âmbito direito positivo aduaneiro, a interposta pessoa é aquela que se interpõe entre os órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e o verdadeiro comprador/vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior. De acordo com a legislação aduaneira atualmente em vigor, a interposição de terceiros nas operações de importação, foco da presente análise, pode se realizar de forma lícita ou ilícita, conforme se verá a seguir. Das modalidades de importação atualmente previstas no direito positivo aduaneiro. A legislação aduaneira atualmente em vigor prevê três modalidades de importação de mercadorias estrangeiras, a saber: a) a importação por conta própria; b) a importação por conta e ordem de terceiros; e c) a importação por encomenda. A operação de importação por conta própria é aquela em que importador adquire a mercadoria no mercado externo, em seu nome e com recursos próprios, para posterior uso ou revenda a um comprador incerto no mercado interno. Neste tipo de operação é o próprio importador quem é o responsável pela transação comercial, a logística de transporte, o processamento do despacho aduaneiro, o pagamentos dos tributos e demais despesas aduaneiras, revenda das mercadorias no mercado interno e emissão de documentos fiscais, registro e contabilização da operação. Esta operação caracteriza-se por ser uma relação jurídica simples ou bilateral entre as partes (exportador estrangeiro e importador nacional), sem qualquer intermediação de terceiros. Em outros termos, caracteriza-se como uma compra e venda direta no mercado externo, pura e simples, sem intermediário, com vista a incorporação da mercadoria no ativo permanente do importador ou posterior comercialização no mercado interno, varejista ou atacadista. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa industrial ou por empresa comercial detentora ou distribuidora, com exclusividade, de marca no mercado nacional. A operação de importação por conta e ordem de terceiros 4 é aquela em que uma pessoa jurídica adquire (a adquirente) as mercadoria no mercado exterior, com recursos próprios, e contrata uma outra pessoa jurídica (a importadora) para realizar a operação de importação, incluindo o despacho aduaneiro de importação e outros serviços relacionados com a transação comercial, com realização de cotação de preços e a inteilliediaçã.o comercial. Nesta modalidade de importação, as atividades de nacionalização da mercadoria são divididas entre duas pessoas jurídicas, a adquirente e a importadora. A adquirente realiza a compra direta da mercadoria no exterior, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice); fecha (contrata) e liquida (paga) o câmbio da operação (o fechamento e a liquidação do câmbio poderá ser feita pela importadora, porém, os recursos utilizados deverão ser fornecidos pela adquirente), enquanto que a importador realiza, em seu próprio nome, todos os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação: obtém o licenciamento para a importação da mercadoria (se exigida), elabora e registra a Declaração de Importação (DI) no Siscomex, efetua o pagamento dos tributos devidos na operação de importação e demais despesas aduaneiras (com recursos fornecidos pelo adquirente) etc. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa comercial importadora, inclusive trading company, que age como agente do adquirente. A operação de importação por encomenda 5 (ou importação para revenda a encomendante predeterminado) é aquela em que a pessoa jurídica importadora (i) adquire a 4 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 79 e seguintes da Medida Provisória n° de 24 de agosto de 2001, com vigência a partir de 27 de agosto de 2001, data da publicação da referida MP. 5 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 11 da Lei n° 11.281, de 20 fevereiro de„2006, com vigência a partir de 21 de fevereiro de 2.006, data da publicação da referida Lei. f Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 410 mercadoria diretamente do exportador estrangeiro, em seu nome e com recursos próprios, seguindo as ordens e as especificações do encomendante predeterminado, e (ii) realiza o despacho aduaneiro de importação, introduzindo a mercadoria no País (operação nacionalização). Em seguida, nos termos do contrato de exclusividade, revende as mercadorias no mercado interno ao comprador predeterminado (o encomendante). Neste tipo de operação, há dupla relação jurídica comercial, a saber: (i) a primeira relação dá-se entre o exportador estrangeiro e o importador (relação jurídica de compra e venda no mercado externo); e (ii) a segunda entre o importador e o encomendante predeterminado, o destinatário da mercadoria (relação jurídica de compra e venda no mercado interno). Nesta última modalidade de importação, o relacionamento jurídico entre importador (comissário) e encomendante predetelininado (comitente) é regido por contrato de comissão, em que o encomendante ordena a compra da mercadoria ao importador, que em seu próprio nome e com recursos próprios, realiza a compra direta no exterior, assumindo os riscos inerentes à operação, bem como realiza os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação, à contratação e liquidação da operação cambial, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice), emite nota fiscal de entrada e registra a operação nos livros fiscais próprios, revende a mercadoria ao encomendante, emite a nota fiscal de saída e registra a operação nos livros fiscais próprios etc. Da interposição licita de terceiros na operação de importação. A interposição lícita na operação de importação se caracteriza pela intermediação de uma terceira pessoa, além do exportador estrangeiro e o real responsável pela importação da mercadoria, realizada de acordo como as exigências legais. Esta terceira pessoa atuará como (i) um mero prestador de serviços de despachos aduaneiro e intermediação comercial, como ocorre na importação por conta e ordem, ou como (ii) um comissário do comprador predeteuninado da mercadoria (encomendante), na importação por encomenda. No âmbito do direito aduaneiro, para que a importação por conta e ordem de terceiros seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais6: a) a pessoa jurídica contratante (o adquirente da mercadoria) deverá apresentar à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição cópia 6 Com base no inciso 1 do art. 80 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por conta e ordem de terceiro foram fixados nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 225, de 2002, a seguir transcritos: "Art. 20 A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscornex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3° O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1° O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2° A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias". / / \ do contrato firmado com a pessoa jurídica importadora e estar identificada na fatura comercial (comercial invoice) na qualidade de adquirente da mercadoria; b) a pessoa jurídica importadora deverá: 1) estar habilitada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), como importadora por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato; 2) informar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição do adquirente da mercadoria no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e 3) estar identificada no conhecimento de carga como consignatária ou endossatária. Neste tipo de importação, como os recursos utilizados não são do importador, caso não sejam cumpridas as referida exigências, por força da presunção legal expressa no --- artigo 27 da Lei 10.637, de 2002, a operação será considerada irregular ou ilícita, conforme a seguir exposto, e o real adquirente da mercadoria será ainda considerado responsável solidário, juntamente com o importadora, por todas as obrigações tributárias e aduaneiras decorrentes da dita operação. Para fins aduaneiros, para que a importação por encomenda seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais7: a) a pessoa jurídica encomendante (o real adquirente - encomendante) deverá: 1) apresentar à Unidade da RFB de sua jurisdição requerimento indicando (i) o nome empresarial e número de inscrição do importador no CNPJ e (ii) o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado; e 2) estar habilitada no Siscomex, como importador exclusivamente por encomenda; b) a pessoa jurídica importadora por encomenda deverá: 1) estar habilitada no Siscomex, como importadora normal (importação por conta própria); e 2) informar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição no CNPJ do encomendante da mercadoria (o adquirente exclusivo no mercado nacional). Também nesta modalidade de importação, caso o importador por encomenda e o encomendante (adquirente exclusivo da mercadoria no mercado interno) não cumpram com os referidos os requisitos e condições legais, por força da presunção legal expressa no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, a operação será considerada por conta e ordem de terceiros 7 Com suporte no inciso I do § 1° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por encomenda foram estabelecidos nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 634, de 2006, a seguir transcritos: "Art. 2° O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1° Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I - nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II - prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2° As modificações das informações referidas no § 1 0 deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 30 Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF n° 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3° O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da Dl a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha ) , 'Importador' e indicar no campo 'Informações Complementares' que se trata de importação por encomenda". 7-\\ \ Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 411 (irregular ou ilícita), conforme a seguir exposto, e o encomendante da mercadoria será considerado responsável solidário, juntamente com o importador, por todas as obrigações tributárias e aduaneiras decorrentes da operação. Da interposição ilícita de terceiros na operação de importação. Na esfera do direito positivo aduaneiro, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros na operação de importação, de que trata o inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976', significa que o importador (ostensivo) atua no despacho aduaneiro de importação, parecendo ser o real adquirente ou responsável pela transação comercial, mas na verdade ele age no interesse deste último (o importador oculto), substituindo-o nos documentos que acobertam a referida operação, ocultando-o do conhecimento dos órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e, por conseguinte, eximindo-o das exigências de natureza cambial, aduaneira, tributária e administrava atinentes à dita operação. Em suma, a interposição fraudulenta na importação caracteriza-se pelo acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação (o sujeito passivo, o real adquirente ou o real importador). No âmbito da legislação aduaneira, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros divide-se em: a) importação sem comprovação da origem dos recursos próprios; e b) importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome). Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A não-comprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a não-comprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decreto-lei n 2 1.455, de 1976, a seguir reproduzido: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (.) ,s5' 22 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. 8 "Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (..-) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (--)" ( / No segundo caso, o fato presuntivo da não-comprovação dos recursos próprios é causador da conduta iniclôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996, a seguir transcrito: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNRI da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) — § 1 Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Dessa forma, infere-se que, embora o fato-base seja o mesmo (a não- comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infi-acional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ. Neste sentido, dispõe os arts. 99 (caput) e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, a seguir transcritos: Art.99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam- se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Art.100 - Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido. (grifos não originais) Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não-patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. z_. 20 Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 412 Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utiliZaçã o de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. (-) § 2° A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1° deste artigo presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (...). (destaques não-originais) .. 2017." Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na • importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). Neste sentido, dispõe o parágrafo único do art. 674 v do vigente Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). Logo, por força das referidas presunções legais, tem-se que a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita) divide-se em: a) importação por conta e ordem de fato (com utilização de recursos de terceiros, sem atendimento das exigências legais); e (ii) importação por conta e ordem equiparada ou importação por encomenda de fato (com recursos próprios, sem atendimento das exigências legais da importação por encomenda). Neste ponto, cabe ressaltar que, por força do disposto na parte final dos comandos legais em comento, tais presunções são "para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 8110 da Medida Provisória IV 2.158-35, de 24 de agosto de 2001", que 9 Veja o teor do referido preceito legal, a seguir transcrito: "Art. 674. Respondem pela infração (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 95): (---) V- conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-Lei tf 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.158-35, de 2001, art. 78); e (...) Parágrafo único. Para fins de aplicação do disposto no inciso V, presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos deste, ou em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea "b" do inciso I do § lo do art. 106 (Lei no 10.637, de 2002, art. 27; e Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 2o)". I ° Segure a transcrição dos referidos comandos legais: "Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 32. Parágrafo único. É responsável solidário: I - o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 78. O art. 95 do Decreto-Lei n° 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: 'V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 79. Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I - estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de te ceiro; e 220/\\\\ Processo n° 10711.001272/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 413 estabelecem, em suma, o seguinte: a) a responsabilidade solidária do real adquirente (adquirente de fato) e do adquirente predeterminado (o encomendante de fato) pelo imposto sobre a importação (art. 77) e pelas infrações à legislação tributária e aduaneira (art. 78); b) a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente e encomendante de fato (art. 79); c) a delegação a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fixar os requisitos e condições para atuação dos interessados nas ditas modalidades de importação e a exigência de prestação de garantias para entrega antecipada da mercadoria (80); e d) a equiparação do adquirente e encomendante de fato a contribuinte normal das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (art. 81). Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. II - exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio liquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicam-se à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador". is 2 Trata-se, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais detellninadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa deteiminação legal, a conduta do importador de apenas ceder o - nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento • das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, confoinie o caso. Neste sentido, dispõe o § 3° do art. 727" do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009). O citado preceito legal tem a seguinte redação: "Art. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da / \ operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a .disponibilização de documentos próprios, 24 Processo n° 10711.001272/2005-87 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.588 Fl. 414 Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplica-se apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Trata-se, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplica-se apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as nolinas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009. Da infração cometida pela autuada. • Conforme demonstrado precedentemente, a interessada não comprovou a origem lícita e a disponibilidade de recursos próprios na operação de importação da mercadoria discriminada no extrato da DI de fls. 10/13, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de interposição fraudulenta prevista no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores. Assim, como a interposição fraudulenta provada nos presentes autos se subsurne perfeitamente à hipótese fática descrita no antecedente da norma da infração denominada de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, prevista no V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, a referida mercadoria importada deveria ser sancionada com a pena de perdimento por dano erário, fixada no § 1° do citado art. 23, porém, como a mercadoria não era mais passível de apreensão, pois já havia sido comercializada, entendo com sendo correta a aplicação da penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, estabelecida no § 3° do referido artigo 23. para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1° A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 1L488, de 2007, art. 33, caput). § 2° Entende-se por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas". (grifos não originais) 2 Por fim, fica também demonstrado que não assiste razão a recorrente, quanto ao argumento de que a penalidade aplicada na presente autuação foi revogada, em consequência da superveniência de penalidade mais benéfica, prevista no art. 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. III- DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, conheço o presente recurso e voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento integral, para manter o valor da multa aplicada por meio do Auto de Infração de fls. 1/3, bem como a fiança bancária foimalizada por intetrikdio da Carta de Fiança n° 155.776-1, colacionada aos autos do processo / _ n° 10711.005337/2003-0-0—(fl. 9), que segue a este apensado. .---- e - 1 \ ______Iasé-Femandes do Nascimento \ \ \\ \, 6,'
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Numero do processo: 19515.003149/2006-72
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO.
É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia.
Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO BEACON HILL. RECORRENTE APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR.
Cabe à Fiscalização comprovar de forma inequívoca a titularidade da conta no exterior, na qual foram depositados recursos considerados como rendimentos omitidos.
Hipótese em que inexistem provas da vinculação do recorrente com a conta bancária no exterior.
PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Aplicação da Súmula CARF n.° 4.
Numero da decisão: 2101-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, dar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS- Presidente.
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia. Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO “BEACON HILL”. RECORRENTE APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. Cabe à Fiscalização comprovar de forma inequívoca a titularidade da conta no exterior, na qual foram depositados recursos considerados como rendimentos omitidos. Hipótese em que inexistem provas da vinculação do recorrente com a conta bancária no exterior. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 49 /2 00 6- 72 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Aplicação da Súmula CARF n.° 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, darlhe provimento, nos termos do voto da relatora. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual a Fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e falta de comprovação dos recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na conta n° 172605, destinado a TelAviv, Israel, em 15.11.2001, via conta n° 530765047, denominada RIGLER, administrada no Banco Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation. O interessado apresentou impugnação, na qual admitiu ter omitido rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, no montante de R$ 1.500,00. No mais, pugnou pela nulidade do Auto de Infração, alegando não haver, nos autos, documento que fundamente a acusação de remessa para o exterior de valores para empresas como Rigler ou BHSC. Aduziu que documentos oriundos do exterior, em língua estrangeira, que venham a ser trazidos aos processos brasileiros, quando autorizada sua apresentação, devem ter não só a autorização do ente emissor, mas também do Consulado, para, então, serem submetidos a tradução juramentada, o que não ocorreu nos autos deste processo. Sustentou ser ilícita a multa aplicada, de 75% sobre a diferença de imposto apurada e ilegal a aplicação da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), por meio do Acórdão n.º 0417.735, de 28 de maio de 2009, julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003149/200672 Acórdão n.º 2101002.306 S2C1T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2002 DEPÓSITOS NO EXTERIOR. O lançamento efetuado em razão de crédito tributário existente no exterior em nome do contribuinte, sem comprovação de origem em relação aos rendimentos declarados, deve ser mantido, mormente se baseado em documentos de autoridades brasileiras e do exterior e laudos periciais elaborados por autoridades competentes do Brasil, com a devida quebra de sigilo bancário judicial. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisou os argumentos de defesa e pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo. No Auto de Infração, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica sem vínculo empregatício, recebidos da Associação Paranaense de Ensino e Cultura, no valor de R$ 1.500,00 e omissão de rendimentos referentes à operação de que trata a Representação Fiscal n.º 2.936/05, no valor de US$ 20.000,00, convertidos em reais com base na cotação de venda do 2° dia útil imediatamente anterior à operação, correspondendo a R$ 2,52700, no dia 13.11.2001, perfazendo o total de R$ 50.540,00. O contribuinte apresentou impugnação, na qual reconheceu a omissão dos rendimentos recebidos da Associação Paranaense de Ensino e Cultura e contestou o lançamento correspondente à omissão de rendimentos de US$ 20.000,00. No recurso voluntário, manifesta sua intenção de providenciar o recolhimento do tributo correspondente. Sobre este assunto, impende salientar que, por força do disposto no artigo 14 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, os limites da controvérsia são estabelecidos na peça impugnatória, na medida da insurgência do sujeito passivo contra a matéria objeto do lançamento. Todas as alegações de defesa devem ser apresentadas naquele momento processual (da apresentação da impugnação), sob pena de preclusão. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Nesse sentido, tendo em vista que, na sua impugnação, o interessado externou expressa concordância com o lançamento decorrente da omissão de rendimentos recebidos da Associação Paranaense de Ensino e Cultura, no valor de R$ 1.500,00, este ponto não compõe o litígio instaurado no presente processo, porque não houve qualquer contestação dessa matéria. Pelo contrário, o recorrente deixa clara a sua intenção de promover o recolhimento do tributo correspondente e anexa, às fls. 229 dos autos, DARF no valor de R$ 600,00. Não há, portanto, neste aspecto, litígio a ser apreciado nesta instância administrativa. Diante do exposto, não conheço do recurso interposto na parte que alude à omissão de rendimentos recebidos da Associação Paranaense de Ensino e Cultura, no valor de R$ 1.500,00. A presente análise limitase, destarte, à apreciação dos argumentos e provas suscitados quanto à omissão de rendimentos por falta de comprovação dos recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na conta n° 172605, destinado a TelAviv, Israel, em 15.11.2001, via conta n° 530765047, denominada RIGLER, administrada no Banco Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation. 1. Da omissão de rendimentos No Auto de Infração constante deste processo, apurouse omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e falta de comprovação dos recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na conta n° 172605, destinado a TelAviv, Israel, em 15.11.2001, via conta n° 530765047, denominada RIGLER, administrada no Banco Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 173 e seguintes, a ação fiscal originouse da Representação Fiscal n° 2.936/05 Beacon Hill Service Corporation (BHSC) operação na qual constatouse ser o contribuinte beneficiário de US$ 20.000,00, na conta n° 172605, destinado a TelAviv, Israel, em 15.11.2001, via conta n° 530765047, denominada RIGLER, administrada no Banco Chase de Nova York pela BHSC. Tal constatação se deu com base em dados de arquivos magnéticos e documentos enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova York, os quais foram objetos de laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. O interessado foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na conta n° 172605, mas alegou desconhecimento do fato. Conforme consta, o contribuinte explicitou jamais ter efetuado as operações que lhe foram atribuídas, assim como nenhuma outra do mesmo jaez e, além disso, não teve acesso a qualquer documento que tivesse alicerçado a alegação da autoridade fiscal, não tendo sido informado de como nem de que forma seu nome foi detectado em razão da quebra de sigilo bancário da conta mencionada (fls. 134 e 135). No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal esclareceu que, a partir das investigações promovidas na CPI do Banestado, identificouse a empresa Beacon Hill Service Corporation como beneficiária de recursos oriundos daquele banco, configurando um "sistema financeiro paralelo". Assim, no curso do inquérito para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR a quebra do sigilo bancário no exterior da BHSC, sediada em Nova York, EUA, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003149/200672 Acórdão n.º 2101002.306 S2C1T1 Fl. 4 5 pessoas físicas ou jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas correntes específicas, entre as quais a conta RIGLER S.A, n° 530765047. Segundo relato da autoridade autuante, o Juízo da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba encarregou a autoridade presidente do inquérito de obter a informação pertinente, a qual oficiou a Promotoria do Distrito de Nova York (District Attorney of the County of New York) sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA. Em 9.9.2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill, após decisão judicial (Order To Disclose), de 29.8.2003. Estes documentos foram trazidos para o país pela autoridade policial e, em 20.4.2004, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, houve transferência dos dados à Receita Federal. Com base nestes elementos, a Fiscalização verificou que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa Beacon Hill Service Corporation, a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas off shore com participação de brasileiros. A autoridade fiscal consignou, no Termo de Verificação Fiscal, que o contribuinte negou ter efetuado a operação que lhe foi atribuída e não houve possibilidade de definir a origem dos recursos recebidos. A partir destas conclusões, promoveu o lançamento do crédito tributário. Em sua defesa, o contribuinte argumentou, na impugnação, que a conduta a ele atribuída pela Fiscalização jamais foi praticada e que o lançamento seria nulo, tendo em vista que não foi feita uma correlação entre ele e as operações informadas em mídias eletrônicas; sendo assim, não havendo nenhum documento nos autos que demonstrasse as alegações feitas pela Fiscalização, a infração jamais poderia terlhe sido imputada. Aduziu que a juntada de qualquer documento produzido fora do Brasil que venha a ser apresentado nos autos deve ter não só a autorização do ente emissor, mas também do Consulado, para, então, ser submetida a tradução juramentada. No mérito, discordou dos critérios utilizados para a apuração do débito. Insurgiuse ainda contra o percentual da multa lançada, de 75% sobre a diferença de imposto apurada e contra a aplicação da Taxa Selic, no cômputo dos juros de mora, por entender que aquela Taxa é inconstitucional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) não acolheu os argumentos suscitados e julgou o lançamento procedente. Manifestandose quanto às provas trazidas pela Fiscalização, foram as seguintes as razões do órgão julgador a quo: a) Não obstante não haja um documento específico de remessa do valor de US$ 20.000 (vinte mil dólares), como quer o contribuinte, existem documentos que comprovam a quebra do sigilo bancário com autorização judicial constante dos autos, bem como da quebra do sigilo pela corte americana, com a Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 remessa dos dados através da promotoria do distrito de Nova York. Além desses fatos, ao contrário do que afirma o impugnante, os arquivos magnéticos e documentos enviados ao Brasil pela promotoria de Nova York foram objeto de laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que constatou ser o contribuinte beneficiário de US$ 20.000,00 na conta 172605, destinado a Telaviv, Israel, em 15.11.2001, via conta 530765047, denominada RIGLER, administrada no Banco "Chase de Nova York", pela empresa "Beacon Hill Service CorporationBHSC", e, portanto, com total credibilidade e fé pública; b) Como se pode observar nos documentos juntados aos autos e de pleno conhecimento do impugnante, houve sim quebra de sigilo judicialmente autorizada no exterior, bem como a remessa pela promotoria do distrito de Nova York e autorização de quebra de sigilo por autoridade judiciária no Brasil, com repasse das informações à Receita Federal para as providências de sua competência; c) É evidente que remessa de forma ilegal não poderia ser documentada, porquanto feita de forma ilegal através de doleiros que transitam o numerário em espécie por diversas formas ilícitas, não havendo como documentar tais operações, a não ser com o crédito nas contas no exterior, devidamente comprovada através dos órgão oficiais dos Estados Unidos, cuja quebra do sigilo bancário no Brasil foi devidamente autorizada; Salientamos, primeiramente, que o relator do voto condutor da decisão recorrida entendeu que, muito embora não houvesse um documento específico que comprovasse a remessa ao exterior de US$ 20.000,00, cuja titularidade atribuise ao recorrente, seriam suficientes para fazer essa comprovação os arquivos magnéticos e documentos enviados ao Brasil pela promotoria de Nova York, objeto de laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que constatou ser o contribuinte beneficiário daquele montante na conta 172605, destinado a TelAviv, Israel, em 15.11.2001, via conta 530765047, denominada RIGLER, por terem total credibilidade e fé pública. Em que pese à certeza de que as declarações de servidores credenciados são dotadas de fé pública, entendemos que a mera referência, a um documento que tenha associado o nome do contribuinte a uma conta bancária no exterior que recebeu recursos cuja origem não foi identificada, sem que o fato fique evidenciado nos autos, não é suficiente para comprovar que é o contribuinte, de fato, o titular da referida conta. Seriam necessárias, a nosso ver, provas adicionais e mais consistentes, tais como, por exemplo, a ficha cadastral com a sua assinatura nos registros do banco (Ficha Cadastral e Cartões de Autógrafos) ou comprovantes de que efetivamente movimentou os recursos da conta. É claro que, no caso em que se suspeita haver remessa ilegal de divisas ao exterior, a prova é mais difícil. Todavia, mesmo nesses casos, é preciso que os autos estejam instruídos com um mínimo de provas, de modo a dar consistência ao argumento da Fiscalização. Para que o lançamento prospere, é necessário que a Fiscalização apresente, nos autos, documentos que, de algum modo, relacionem o contribuinte ao fato que lhe é imputado. No caso específico, o recorrente é acusado de ser beneficiário de uma quantia de US$ 20.000,00 na conta 172605, em TelAviv, Israel, enviada por intermédio de uma conta denominada RIGLER, administrada no Banco Chase, de Nova York, USA, pela empresa Beacon Hill Service Corporation – BHSC. No entanto, não foi acostado aos autos um único Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003149/200672 Acórdão n.º 2101002.306 S2C1T1 Fl. 5 7 documento que associe o recorrente à conta bancária 172605 ou à empresa administradora da conta RIGLER. Em situação semelhante, este Colegiado já se manifestou de forma favorável ao recorrente, entendendo necessário haver, nos autos, comprovação de que o contribuinte é titular da conta bancária a ele associada pela Fiscalização. Vejamos a manifestação do Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, no voto vencedor proferido nos autos do processo n.º 10580.007982/200634, que resultou no Acórdão n.º 10249.462, do Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 17.12.2008, cujo trecho a seguir reproduzimos: “Ressaltese, uma vez mais, que o único e solitário documento apresentado pela fiscalização para comprovar a titularidade da conta compõese de uma ‘tira’ (fl. 18), em que o Recorrente tem seu nome veiculado como beneficiário da remessa, por meio da conta referida alhures em um banco na Suíça. Mais nada. Nada que comprove a entrega do numerário aos doleiros, ou mesmo que demonstre a ligação do Recorrente com a sociedade titular da subconta MIDLER, ou mesmo com seus mandatários. Nada, absolutamente nada, que relacione o Recorrente aos ilícitos perpetrados pela quadrilha do escândalo do BANESTADO. Vale mencionar, por elucidativo, que nesse tipo de negociação envolvendo doleiros é corriqueiro que se indiquem ‘laranjas’ para figurarem como ordenantes e até mesmo beneficiários das remessas, de modo que o simples fato de constar o nome do Recorrente no documento apresentado não exime a fiscalização de comprovar, de forma mais consistente, que o Recorrente era, efetivamente, o titular da referida conta. Assim, deveria a fiscalização comprovar que a conta referida era movimentada pelo Recorrente no exterior, ou mesmo apresentar documentos que demonstrassem, de forma patente, que a aludida conta havia sido aberta pelo Recorrente, por meio de cartão de autógrafos, ou qualquer outro documento que vinculasse o nome do Recorrente à conta. Não o tendo feito, não há como querer ver aplicada ao caso a presunção constante do art. 42 da Lei 9.430/96, por faltarlhe um pressuposto essencial, qual seja, a comprovação direta e cabal da titularidade da conta no exterior.” Conforme se depreende da leitura do excerto do voto acima, o argumento cai como uma luva no presente caso. Aliás, nestes autos, não foi juntada nem mesmo a “tira” à qual se refere o Conselheiro Nishioka, na qual o recorrente teria seu nome veiculado como beneficiário da remessa, por meio da conta no banco em TelAviv, Israel. Ou seja, as provas que vinculam o recorrente aos fatos narrados pela fiscalização, no presente caso, são praticamente inexistentes. Sendo assim, por insuficiência de provas nos autos que vinculem o interessado aos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal às fls. 172 e seguintes, que descreveu os fatos que ocasionaram o lançamento perpetrado contra o contribuinte por meio do Auto de Infração que integra os presentes autos, entendo que o lançamento, neste ponto, não pode prosperar. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 2. Da multa de ofício e dos juros de mora Na sua peça impugnatória, o interessado admitiu ter omitido rendimentos de R$ 1.500,00 recebidos, no anocalendário, da Associação Paranaense de Ensino e Cultura, CNPJ: 75.517.151/000110, a título de Rendimento de Trabalho sem Vínculo Empregatício. Com essa medida, como visto, concordou com essa parte do lançamento de ofício promovido pela Fiscalização e realizou recolhimento de R$ 600,00, conforme DARF acostado às fls. 229. Sendo assim, o imposto lançado, correspondente à omissão de rendimentos de R$ 1.500,00 não está em discussão no presente processo. No entanto, no recurso voluntário, o contribuinte voltou ao argumento de que é ilícita a multa aplicada, de 75% sobre a diferença de imposto apurada e ilegal a aplicação da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. Diante disso, não podemos deixar de apreciar as razões do recorrente nesse ponto, eis que o lançamento do tributo, nessa parte, tornouse definitivo. Em sede de recurso, o contribuinte defendeu a ilicitude da cobrança de multa calculada em 75% do valor do auto de infração, com base no inciso I, do artigo 44, da Lei 9.430, de 1996. No seu entendimento, as penalidades devem ser aplicadas quando ocorre desvio das obrigações tributárias, mas não como forma de o Estado enriquecerse às custas do contribuinte. Sobre o assunto, impende ressaltar que, nos casos em que a Fiscalização não constata a existência de dolo, fraude ou sonegação, a multa de lançamento de ofício é de 75% sobre o valor do tributo lançado. Foi o que ocorreu na hipótese. Verificase, na Descrição dos Fatos e enquadramento Legal (fls. 227), ter sido de 75% o percentual da multa de ofício, tal como previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] O contribuinte insurgese contra o percentual da multa previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, por acreditar que, por analogia e em respeito ao principio da isonomia, no caso, ou a multa não seria permitida ou deveria incidir com o percentual máximo de 20%, como multa moratória, para que não haja enriquecimento ilícito do Fisco. Ocorre que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003149/200672 Acórdão n.º 2101002.306 S2C1T1 Fl. 6 9 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese (omissão de rendimentos), o crédito tributário apurado deve vir acompanhado da multa de lançamento de oficio, e nos percentuais previstos em lei. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador, e não do agente da Fiscalização. Não cabe à autoridade fiscal analisar os percentuais de multa que a lei estipula, reduzindoos ou aumentandoos de acordo com a sua vontade. Nesse sentido, os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos à adequação dos percentuais da multa de ofício previstos em lei e se eles estão ou não conformes com o princípio da isonomia, porque essas discussões envolvem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei. É que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento já pacificado por meio de Súmula. Vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo ficado assim decidido no âmbito deste Conselho, é de se aplicar, na hipótese, a Súmula CARF n.° 2. Por fim, o recorrente argumenta que o artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, que instituiu a Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, é inconstitucional e incompatível com o disposto no artigo 161, § 1.º, do CTN, e que a capitalização dos juros de mora vem sendo repelida tanto pelos Tribunais quanto pelo Supremo Tribunal Federal. Ocorre que, além do que já foi colocado sobre a incompetência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciar a inconstitucionalidade da lei tributária, este também já se manifestou especificamente sobre a aplicabilidade da Taxa Selic no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.º 4, que assim prevê: Súmula CARF n.° 4: A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Não cabem, portanto, mais debates a respeito da aplicabilidade ou não da taxa Selic sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal no período de inadimplência. Aplicase a Súmula CARF n.° 4. Conclusão: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Ante todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento em parte, para declarar improcedente o lançamento de imposto sobre a renda sobre omissão de rendimentos decorrentes de depósito em conta bancária no exterior. Celia Maria de Souza Murphy Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/ 09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001966/2003-37
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999.
SIMPLES. INCLUSÃO. OFICINA MECÂNICA. Não há vedação à opção de firma individual que atue como oficina mecânica à sistemática de tributação do Simples.
SIMPLES. INCLUSÃO. OBJETO MÚLTIPLO.
Quando há mais de uma atividade econômica ou profissional inclusa no objeto social do contribuinte, cabe ao Fisco a prova de que este efetivamente praticou alguma atividade vedada à opção da sistemática de tributação do SIMPLES, sendo impossível exigir prova negativa do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999. SIMPLES. INCLUSÃO. OFICINA MECÂNICA. Não há vedação à opção de firma individual que atue como oficina mecânica à sistemática de tributação do Simples. SIMPLES. INCLUSÃO. OBJETO MÚLTIPLO. Quando há mais de uma atividade econômica ou profissional inclusa no objeto social do contribuinte, cabe ao Fisco a prova de que este efetivamente praticou alguma atividade vedada à opção da sistemática de tributação do SIMPLES, sendo impossível exigir prova negativa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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SIMPLES. INCLUSÃO. OFICINA MECÂNICA.,Não há vedação à opção de firma individual que atue como oficina mecânica à sistemática de tributação do Simples. SIMPLES. INCLUSÃO. OBJETO MÚLTIPLO. Quando há mais de uma atividade econômica ou profissional inclusa no objeto social do contribuinte, cabe ao Fisco a prova de que este efetivamente praticou alguma atividade vedada à opção da sistemática de tributação do SIMPLES, sendo impossível exigir prova negativa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. H‘ki-1--:- ó2A-ino.A\--- MÉ CI A LENA 1 ' . • JANO DAMORIM - Presidente hMIELO RIBEIRO NOGUEIRA' — Relator EDITADO EM: 1 Processo n° 10845.001966/2003-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.281 Fl. 221 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata-se de retorno de diligência determinada por este Colegiado para que fosse apurado o grau de sofisticação e o nível técnico exigido para a atividade desenvolvida pelo contribuinte, especificando as tarefas que são exercidas normalmente pelo mesmo, além da constatação da condição técnico financeira do recorrente. Leio em sessão para beneficio de meus pares o relatório (fls. 195/197) da decisão que determinou a realização da supra mencionada diligência, por entender que o mesmo resume adequadamente os fatos dos presentes autos até aquela fase processual. Como resultado da diligência, foi apontado, às fls. 203 dos autos, que o contribuinte está estabelecido em sua própria residência e exerce presta serviços autônomos de manutenção de caminhões e empilhadeiras e não contrata empregados. Foram juntados documentos às fls. 204 a 217 e relatório de diligência às fls. 218/219, do qual extraio os seguintes trechos: 3. O contribuinte não possui empregados contratados. 4. O contribuinte firmou contrato de prestação de serviços com a empresa Transbrasa Transitaria Brasileira Ltda., CNPJ 45.557.022/0001-95, situada na Rua Joaquim Távora n° 500, bairro Marapé, Santos-SP, com vistas ao gerenciamento do setor de manutenção de veículos e equipamentos da Transbrasa, nas dependências da contratante ou eventualmente fora dela. 5. Em oficina mecânica localizada dentro das dependências da contratante, executa serviços de assistência técnica na manutenção da frota de veículos, de caráter preventivo e corretivo, na qual gerencia os setores de mecânica, elétrica, funilaria, pintura, borracharia, inspeção de equipamento, lavagem e lubrificação, almoxarifado e compras. Dispõe de ferramentais de manutenção, tais como: furadeira de bancada, bancada de serviços com morça, máquina de solda (eletrodo), aparelho de oxigênio/acetileno, lava jato para limpeza de peças e veículos, aparelho de carga de baterias, compressor de ar, esmeril de bancada e ferramentas manuais de uso geral na manutenção de veículos. 6. Em visita às instalações do contribuinte na Transbrasa, realizei as fotos da referida oficina de fls. 204/208, bem como recebi do contribuinte o contrato de prestação de serviços de fls. 209/211 e amostra do documento "requisição de serviços de manutenção", no qual se verifica alguns dos serviços executados e materiais aplicados em veículos (fls. 212/215). 2 Processo n° 10845.001966/2003-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.281 Fl. 222 Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 3 Processo n° 10845.001966/2003-37 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.281 Fl. 223 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e deste Colegiado tem se firmado para reconhecer o direito dos contribuintes que exercem suas atividades em oficinas mecânicas de ingressar e permanecer na sistemática de tributação do SIMPLES, o que posteriormente foi inclusive inserido na legislação de regência. Para que fosse possível a exclusão seria necessário que se trouxesse aos autos algum tipo de prova (por exemplo, cópia de nota fiscal de serviço com atividade exclusiva de engenheiro) do efetivo exercício da atividade vedada. Ademais, no caso presente, a declaração de firma individual aponta multiplicidade de atividades econômicas e o contribuinte comprovou, através da juntada de cópia de notas fiscais de serviço seqüenciais desde 1999 até 2006, sua atividade, reafirmando que não exerce qualquer atividade negada, o que foi confirmado pela diligência realizada. O contrato, cuja cópia foi trazida pela diligência, traz indicio de uma vinculação do recorrente com uma empresa, que poderia levar a sua exclusão a partir da vigência deste, contudo, isoladamente não serve como prova desta mencionada vinculação, nem o presente recurso versa sobre a exclusão, mas sobre a inclusão do recorrente na sistemática de tributação do Simples, a partir de 1999. Assim, VOTO por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte a sua inclusão na sistemática de tributação do Simples, por não ser oficina mecânica atividade vedada a esta opção e por o contribuinte, tendo objetivo social múltiplo, não houve prova do efetivo exercício de atividade vedada. '-- MIRCELO RIBEIRO NOGUEIRA 4
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002181/92-61
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 1994
Ementa: PIS/REPIQUE - DECORRÊNCIA - Tratando-
se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz
é aplicável ao julgamento do
processo decorrente, dada a relação
de causa e efeito que vincula um ao
outro.
Numero da decisão: 102-28.777
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja adequado ao decidido no processo matriz.
Nome do relator: Kazuki Shiobara
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Recorrida DRF EM BELO HORIZONTE/M8 PIS/REPIQUE - DECORRENCIA - Tratan- do-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo ma- triz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao F outro. Ví4to4, telatado4 e dí4cutído3 03 p/te4ente4 auto4 de I Aecut4o íntetpo4to pot HIDROGEO LTDA. ACORDAM o4 Membto4 da Segunda Camata do PMimeíto Con ,lho de Conttauínte4, pot unanímídade de voto4, dat ptovímento pat- cía/ ao necu,L4o pata que 4eja adequado ao decídído no ptoce34o mattíz. I Saa da4 Se)546'eA, em 26 de janeíto de 1994 PERà WIO COELHO - PRESIDENTE h KAZ Kl SH1O8ARA - f\àUOR A . # VISTO EM D AlTO SI'VA - THE CARDOSO - PROCURADOR DA FAZENDA WA F SESSÃO DE: 25 FEV 1994 cioNAL Pattícípatam, ainda, do pte4ente julgamento o4 4eguínte4 Con4elheíto4: Waldevan A/ve4 de Olíveíta, FAancí4co de Pau/a Cottea Catneíto Gí“oní CJ4at Gome4 da Sílva e Uk4u/a Han4en. Au4ente4 ju4tíícadamen- te 04 Con4elhe4fito3: Matía Clelía de Andtade Fígueítedo e Cat1o4 Roben- to Monteíto Bettazí. ,, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10680.002181/92-61 RECURSO N2: 77.115 ACORDO N2: 102-28.777 RECORRENTE: HIDROGEO LTDA. RELATORI O A empresa HIDROGEO LTDA. inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes sob n2 20.068.821/0001-77, inconformada com a deci- são de 1ffl. instância proferida pelo Chefe da Divisão de Tributa- ção, por delegação de competância do Delegado da Receita Federal em Belo ' Horizonte(MG), apresenta recurso voluntário, objetivando a reforma da decisão recorrida. A exigância refere se ao crédito tributário de PIS/RE- PIQUE e seus acréscimos legais previsto no artigo 32, parágrafo 22 da Lei Complementar n207/70, Titulo 5, Capitulo 1, Seção 6, itens Ie II do Regulamento do PIS/PASEP aprovado pela Portaria ME n2 142/132. No recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumen- tos já expostos no processo matriz, sem acrescentar qualquer fato ou argumento novo com relação a tributação relativa a PIS/REPI- QUE. É o relatório - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10680.002181/92-61 Acórdão n2 102- 28.777 VOTO Conselheiro KAZUKI SHIOBARA - Relator O recurso preenche os requisitos legais. No recurso juntado ao presente processo, a recorrente reitera os argumentos apresentados no processo matriz e este fato permite presumir que o contribuinte revela seu reconhecimento de que a exigência decorre daquela formalizada no processo matriz de n2 10680.002179/92-19 contra a mesma pessoa jurídica. Ao recurso interposto no processo matriz, julgado nesta data, em Acórdão n2 102-28.768 , foi dado provimento parcial pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no sen- tido de excluir da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas, as parcelas de Cz$ 1.224.850,00 e Cz$ 6.691.100,00, respectivamente nos exercícios de 1987 e 1988. Assim, de acordo com o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitui prejulgado aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro, voto no senti do de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para que seja adequado a este, o decidido naquele processo ma- triz. Brasília(D"), 26 de janeiro de 1994 (- „ 41; 7 - KZ KI Relator Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13558.000266/2002-78
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição Provisória sobre
Movimentação ou Transmissão de Valores e de
Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
4515 Ementa: MULTAS. RETROATIVIDADE
BENÉFICA.
Aplica-se a penalidade mais branda aos atos e fatos
não definitivamente julgados.
Recurso de oficio negado.
Numero da decisão: 202-18.110
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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ementa_s : Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 4515 Ementa: MULTAS. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Aplica-se a penalidade mais branda aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recurso de oficio negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'dr, • télp àa, SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13558.000266/2002-78 MF • SEGUNDO C JC COM TRUINTES Recurso n° 136.116 De Oficio CU-Eu: OFilGiNAL Matéria CPMF Bradha 23 Acórdão n° 202-18.110 Stre1 . 4L:k;endes du Cruz Sessão de 19 de junho de 2007 k' • ormi Recorrente DRJ EM SÃO PAULO - SP Interessado Cooperativa de Crédito Rural de Itamaraju Ltda. c/a. Assunto: Contribuição Provisória sobre )4°,06s •.00 lê Movimentação ou Transmissão de Valores e de i<cFor Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF0#9 odmitt ; Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 4515 Ementa: MULTAS. RETROATIVIDADE 1 BENÉFICA. Aplica-se a penalidade mais branda aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recurso de oficio negado. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM I. bros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CON :UINTES, •or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. - (yr ANTONIO CARLOS ATEJLIM Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Claudia Alves Lopes Bemardino, José Adão Vitorino de Moraes (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López. , ? Processo n.0 13558.0iX e---- i266/2002-78 - SEGUNDO CO4S2.: !:.) OS CONTRIBUINTES CCO2/CO2• Acórdão n.• 202-18.110 CONFERI: L.C.á G CRIGINAL Fls. 2 Brasilia, 023 ! 0 / r2a, S ueli Mentlendes da CruzRelatório Ma: ;:ip:141151 Trata-se de recurso de oficio interposto pelo Presidente da 8 2 Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP, quanto à redução da multa regulamentar pela falta de entrega das declarações da CPMF por força da aplicação do principio da retroatividade benéfica (art. 106, II, "c", do crr). É o Relatório. 1 , Processo n.° 13558.000266/2002-78 CCO2/CO2 Acórdão n.°202-18.110 Fls. 3 Voto Cons_elheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica na descrição dos fatos e do enquadramento legal, foi lançada contra a Cooperativa de Crédito a multa regulamentar pela falta ou atraso na entrega das declarações trimestrais e mensais da CPMF em relação aos anos-calendários de 1998, 1999 e 2000. O julgamento de primeira instância ocorreu em 19 de abril de 2005, quando já se encontrava em vigor a norma mais benéfica enunciada no art. 86, II, da Lei n 2 10.833/2003, que passou a prever para a espécie a multa de R$ 200,00, caso o infrator seja cooperativa de crédito. Tendo em vista que o estatuto social de fls. 60/75 comprova que se trata de uma cooperativa de crédito e que o art. 106, II, "c", do CTN manda aplicar a penalidade menos severa aos atos e fatos não definitivamente julgados, só resta a este Colegiado negar provimento ao recurso oficio para ratificar o Acórdão n 2 6.926, de 19/04/2005, da 8 5 Turma da DRJ em São Paulo - SP, na parte em que reduziu a multa regulamentar, por ter aplicado corretamente a lei ao caso concreto. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2007. MF - SEGUNDO CONsatiO DE CONTRIBUINTES CONFERE C C ORIGINAL arasiba. 47n1-4- ! 'a Suc;: 10;c:fletidos da Cruz N:. ANTONIO CARLOS AllULIM R's st CCO2/CO2 Fls. Ater1i4t4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Aà.. "-,;(!tt SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo u° 13558.000266/2002-78 Recurso n° 136.116 Assunto Despacho em Embargos Despacho u° 202-Iq4 Data 14 de abril de 2008 Recorrente Procuradoria da Fazenda Nacional Recorrida Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes • Trata-se de embargos de declaração interpostos pelo Procurador da Fazenda Nacional em face do Acórdão em epígrafe, sob a justificativa de que o art. 86, II da Lei n2 10.833, de 29/12/2000, citado na fundamentação do voto condutor do referido acórdão como supedâneo à aplicação do princípio da retroatividade benéfica, não contém incisos. De fato, o referido dispositivo legal não contém nenhum inciso. O exame do voto condutor do Acórdão embargado revela que na realidade houve um lapso de digitação. Foi consignado "art. 86", quando na verdade o correto é "art. 83". Foi o art. 83, II da Lei n2 10.833, de 29/12/2000, que reduziu a multa por apresentação de informações relativas à CPMF fora de prazo e não o art. 86, II. Desse modo, valho-me da faculdade prevista no art. 58 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes para corrigir o erro material existente na fl. 3 do Acórdão n2 202-18.110 (que corresponde à fl. 106 dos autos) nos seguintes termos: onde se lê "(..) art. 86, II, da Lei n2 10.833/2003 (..)" leia-se "(..) art. 83, II, da Lei n 2 10.833/2003 (..)". • Restituam-se os autos à Secretaria da Segunda Câmara para que sejam adotadas as seguintes providências: a) enviar cópia deste despacho ao setor de documentação deste Conselho para que seja mantida junto ao Acórdão n 2 202-18.110; b) tornar disponível a imagem deste despacho no sitio dos Conselhos de Contribuintes na rede mundial de computadores e c) Cientificar o Senhor Procurador da Fazenda Nacional deste despacho. Adotadas estas providências, os autos deverão ser encaminhados à DRF em Itabuna — BA para que o contribuinte seja notificado do A .e 1 .- * n2 202-18.110, dos embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional e do presente (h-sacho. Brasília, DF, em 14 de abril de 20i. / ANTONIO CARLOS ATU Presidente da Segunda Câmara Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.008891/2002-49
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO.
Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1801-001.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) em preliminar, a) afastar a nulidade suscitada pela recorrente; b) indeferir o pedido de realização de diligências; c) afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação em relação ao ano-calendário de 1996; II) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) em preliminar, a) afastar a nulidade suscitada pela recorrente; b) indeferir o pedido de realização de diligências; c) afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação em relação ao ano-calendário de 1996; II) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.008891/200249 Recurso nº 169.315 Voluntário Acórdão nº 1801001.544 – 1ª Turma Especial Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria Compensação IRRF Recorrente CONPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). COMPENSAÇÃO. IRRF. APLICAÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 88 91 /2 00 2- 49 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) em preliminar, a) afastar a nulidade suscitada pela recorrente; b) indeferir o pedido de realização de diligências; c) afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação em relação ao ano calendário de 1996; II) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Este litígio foi objeto de conversão de julgamento na realização de diligências, consoante Resolução nº 180100.013, de 04 de novembro de 2009, fls. 546 a 549, da qual aproveito o texto para relatar os fatos: “A empresa em epígrafe protocolizou pedido de compensação – Dcomp às fls. 03, em 28/06/2002, instruído, dentre outros documentos, com planilha discriminando valores de IRRF e respectivas receitas financeiras relativos aos anos calendários de 1996, 1997, 1998 e 1999, pleiteando que a soma dos valores, corrigida pelos juros Selic, fosse compensado com débito da CSLL, relativa ao ajuste anual de 1996, exercício de 1997. A empresa apresentou cópias dos comprovantes de rendimentos financeiros e das fichas do Razão. Às fls. 41 a 43 a Dcomp foi indeferida pelas seguintes razões: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.008891/200249 Acórdão n.º 1801001.544 S1TE01 Fl. 3 3 a) os valores retidos e incidentes sobre as aplicações financeiras eram devidos e não foram efetuados a maior do que o devido; b) constituem antecipação do imposto de renda devido, anualmente, sendo que a empresa não comprovou que os saldos de IRPJ calculados nos ajustes anuais ultrapassaram o valor devido, fazendo jus às restituições pleiteadas. Às fls. 49 e 50, em 11/09/03, a empresa manifestase em contrário ao indeferimento do pedido esclarecendo que as retenções de imposto de renda na fonte pleiteadas na Dcomp apresentadas não foram deduzidas dos IRPJ apurados nos ajustes respectivos. Para comprovar o alegado, junta cópias das DIPJ dos anoscalendários de 1996 a 2002 (fls. 51 a 351). O Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort constatou estar intempestiva a manifestação de inconformidade da requerente, por ultrapassado o prazo legal de trinta dias a contar da ciência do Despacho Decisório de indeferimento da Dcomp. Às fls. 427 e 428, foi revista a questão da intempestividade e remetido o processo à DRJ em Fortleza/CE para a apreciação do litígio. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE exarou o Acórdão nº 08 12.544/07, fls. 429 a 433, mantendo o indeferimento da Dcomp. O acórdão restou assim ementado: Repetição do Indébito. Prazo Decadencial. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo, inclusive a título de “Saldo Negativo de IRPJ”, extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, inciso I e 168, inciso I do CTN, c/c o Ato Declaratório SRF nº 96/99. Restituição. Saldo Negativo de IRPJ. Passível de restituição e/ou compensação, a título de “Saldo Negativo do IRPJ”, o imposto de renda retido na fonte incidente sobre aplicações financeiras, quando restar comprovada a retenção e que os rendimentos correspondentes integraram o lucro real. E assim fundamentado: Com efeito, cumpre ressaltar que estão compreendidos no campo de incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, consoante dispõe o artigo 727 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99 (art. 51 da Lei nº 7.450/85), verbis: [...] Do diploma legal retromencionado, inferese que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras sujeitamse à tributação do imposto de renda, de sorte que a retenção do imposto na fonte incidente sobre tais rendimentos, por si só, não configura pagamento indevido ou a maior que o devido, passível de restituição/compensação, e sim antecipação do imposto devido do exercício, desde que os rendimentos correspondentes integrem o lucro real, em conformidade com o disposto no artigo 773, inciso I, do RIR/99 (art. 76 da Lei nº 8.981/95): [...] Fl. 585DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 À luz da norma legal acima citada, temse que, para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, o imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras somente é passível de compensação se os rendimentos correspondentes forem levados à apuração do lucro real e, por conseqüência, estejam tais receitas financeiras incluídas na base de cálculo do imposto de renda e que haja apuração de saldo negativo de IRPJ na declaração de rendimentos anual. Portanto, nos termos da legislação tributária não se restitui o imposto de renda retido na fonte. O que ocorre é que os rendimentos de aplicação financeira devem compor a apuração do resultado e o imposto de renda retido na fonte é utilizado como dedução do imposto de renda pessoa jurídica a pagar; apurandose conforme o caso “imposto a pagar” ou “saldo negativo”, podendo referido saldo ser compensado pelo sujeito passivo. Com relação ao anocalendário de 1996 o que poderia ser restituído/compensado seria o “saldo negativo de IRPJ” porventura apurado em 31/12/1996. No entanto, como o pedido só foi formulado em 28/06/2002 para esse período já havia ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação, tendo em vista as disposições dos arts. 165 e 168 do CTN, c/c Ato Declaratório/SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999. Quanto ao anocalendário de 1997 o contribuinte solicita a restituição de R$ 767,04 a título de retenções relativas a rendimentos que montam em R$ 5.113,71. Na DIPJ/1998, anocalendário 1997, declara no campo “Outras Receitas Financeiras” o valor de R$ 4.006,05, fls.83, e deduz como “Imposto de Renda Retido na Fonte” o montante de R$ 21.871,53, apurando este valor como “Saldo Negativo de IRPJ” em 31/12/1997. Para o anocalendário de 1998 o contribuinte solicita a restituição de R$ 15.565,42 a título de retenções relativas a rendimentos que montam em R$ 84.792,84. Na DIPJ/1999, anocalendário 1998, declara no campo “Outras Receitas Financeiras” o valor de R$ 114.498,40, fls. 116, e não deduz nenhum valor como “Imposto de Renda Retido na Fonte” na Ficha 13 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, nem tampouco apura “Saldo Negativo de IRPJ” em 31/12/1998. Com relação ao anocalendário de 1999 o contribuinte solicita a restituição de R$ 7.579,24 a título de retenções relativas a rendimentos que montam em R$ 39.077,19. Na DIPJ/2000, anocalendário 1999, não declara qualquer valor no campo “Outras Receitas Financeiras”, fls. 181, e deduz como “Imposto de Renda Retido na Fonte” o montante de R$ 54.179,71, apurando este valor como “Saldo Negativo de IRPJ” em 31/12/1999. Os dados extraídos dos autos, acima relatados, indicam a impossibilidade de se concluir pela exatidão dos “Saldos Negativos de IRPJ” declarados nas DIPJ/1998 e DIPJ/2000. Nem mesmo permitem se inferir se as restituições solicitadas pelo recorrente se imbricam de alguma forma com esses saldos apurados. Com relação ao anocalendário de 1998 nem mesmo foi apurado qualquer “Saldo Negativo de IRPJ”. Dessarte, pela análise dos autos, forçoso se concluir em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 41/43, ou seja, as retenções do IRRF não se coadunam com as figuras de “pagamento indevido ou maior do que o devido”, não comportando restituição. Essas poderiam ser deduzidas do “Imposto sobre o Lucro Real” apurado quando do ajuste anual, desde que oferecidas à tributação as receitas financeiras correspondentes, fato que poderia ensejar a apuração de “Saldo Negativo de IRPJ”, o qual é passível de restituição/compensação pelo sujeito passivo, evento que não restou comprovado nos presentes autos. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.008891/200249 Acórdão n.º 1801001.544 S1TE01 Fl. 4 5 (grifos não pertencem ao original) A empresa apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário contra o acórdão proferido, fls. 436 a 442, argumentando que: 1) a turma julgadora a quo entendeu desnecessárias a produção de provas e perícias para a apuração da verdade material dos fatos; 2) a decisão recorrida foi lacônica sobre ao mérito da questão, não enfrentando os pontos levantados na manifestação de inconformidade; 3) ofensa ao devido processo legal e cerceamento de defesa, sendo causa de nulidade da decisão de primeira instância; 4) não ocorreu prescrição do pedido em relação ao anocalendário de 1996, tendo em vista que a data a quo para a contagem de prazo é a entrega da DIPJ, tratandose de mera antecipação do IRPJ, as retenções na fonte; 5) somente a análise documental das DIPJ e demais documentos e livros contábeis é capaz de aferir que os rendimentos auferidos com as aplicações financeiras compuseram a base de cálculo dos IRPJ dos anos pertinentes, fazendo, pois, a recorrente jus às retenções de imposto na fonte. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. [...] II. Do Mérito No que respeita ao mérito da questão proposta, adapto, primeiramente, os pedidos realizados pela recorrente aos fatos. Na verdade, a empresa requer a retificação de suas DIPJ para a inclusão de valores de IRRF que, supostamente, não foram incluídos, a despeito das respectivas receitas advindas de aplicações financeiras o foram. Mister é, pois, que se verifique, nos autos, se as retenções de impostos sobre as aplicações financeiras compuseram ou não os saldos de IRPJ (negativos ou positivos) relativos aos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999. Bem como os respectivos rendimentos financeiros. Neste ponto, divirjo das conclusões veiculadas nos acórdão ora combatido, no que se relaciona ao anocalendário de 1998, mas concordo em relação aos anoscalendários de 1996 (decaído), de 1997 e de 1999. Esclareço. No anocalendário de 1997, resta comprovado pelos valores informados na DIPJ que a contribuinte omitiu receitas financeiras: informou o valor de R$ 4.006,05 – fls. 83, mas apresenta informes de rendimentos financeiros no valor de R$ 5.113,71. Destarte, não oferecido os rendimentos totais à tributação, a título de receitas financeiras, não pode a contribuinte pleitear devolução de IRRF sobre o valor omitido, restando claro que ambos valores ficaram à margem das informações veiculadas na DIPJ, e não compuseram a formação do saldo de IRPJ do respectivo ano, devendo ser negado o pedido de restituição/compensação relativo a este ano. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No anocalendário de 1999, a empresa não informou qualquer valor na linha “Outras Receitas Financeiras” – fls. 181, o que impede que o seu pleito tenha sucesso. Uma vez não comprovado o oferecimentos das receitas correlatas aos IRRF requeridos, não há como pleitearse a devolução destes. Tanto um – receita – como outro – imposto , de igual forma, transitaram à margem de compor o resultado do IRPJ devido no ajuste. No entanto, no que se refere ao anocalendário de 1998, as conclusões deixam de ser tão óbvias e carecem de verificações junto à empresa e à sua contabilidade. Isto porque os valores informados na DIPJ e que compuseram o valor total declarado a título de ‘Outras Receitas Financeiras” suplanta o valor demonstrado pela recorrente, nos autos, como provenientes das referidas aplicações financeiras. E não foi informado, na DIPJ, qualquer valor relativo à retenção de imposto por fontes pagadoras. Por esta razão, não me considero convencida, pelos elementos constantes dos autos, de que não assiste direito à empresa em alterar o saldo de IRPJ apurado no ajuste, no que tange ao anocalendário de 1998, repito, podendo ser que houve, de fato, erro ao preencher a referida DIPJ. Há elementos que indiciam a ocorrência de erro, diferentemente do que ocorreu em relação aos demais anoscalendários de 1997 e 1999, nos quais a empresa notoriamente não ofereceu os rendimentos provenientes das aplicações financeiras (em sua totalidade ou parcialmente). Em prestígio à verdade material dos fatos, havendo dúvidas, RESOLVO remeter o presente processo à fiscalização da unidade que jurisdiciona a contribuinte para que, em relação aos valores informados na DIPJ/99: · intime a contribuinte a discriminar analiticamente os valores que compuseram a linha 23 da ficha 07 – DRE – da DIPJ/99 – fls. 116; · de posse da resposta, verifique junto à contabilidade da mesma se os valores correspondem aos registros e rubricas contábeis; · verifique se a empresa ingressou com outro processo solicitando o reconhecimento de existirem retenções de imposto de renda, de qualquer natureza, para o mesmo anocalendário, em vista de haver deixado a linha correspondente à essa informação em branco (“zerada”) na DIPJ/99 – fls. 127. Os auditores designados à realização das diligências ora solicitadas deverão emitir um Relatório de Diligência, dar ciência à contribuinte e oportunizarlhe que se manifesta no prazo regulamentar.” Em resposta às diligências solicitadas, a recorrente forneceu a planilha de fls. 566, acompanhada das folhas do Razão, fls. 567 e 568. Foi juntado a estes autos cópia do processo administrativo nº 10380.015750/0059, fls. 555 a 560, pelo qual a recorrente pleiteou a compensação do IRRF incidente sobre as aplicações no Banco Banerj, relativo ao mesmo período (1996 a 1999), no valor original de R$ 26.111,55., com o mesmo débito discriminado neste. O pedido de compensação foi indeferido e transitou em julgado sem a oposição de defesa – Despacho Decisório às fls. 560. Cientificada, a recorrente, às fls. 570, não se manifestou sobre o resultado das diligências. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.008891/200249 Acórdão n.º 1801001.544 S1TE01 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Nulidade da Decisão de Primeira Instância . Não prospera a contestação da recorrente para que a decisão a quo seja considerada nula pela razão de a turma julgadora ter formado a sua convicção independentemente da realização de perícias ou diligências, entendendo suficiente a documentação acostadas aos autos para indeferir o pedido de restituição/compensação protocolizado pela contribuinte. Ademais, a empresa sequer solicitou a realização da referida perícia/diligência, conforme se depreende da leitura da manifestação de inconformidade de fls. 49 e 50. Dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72 PAF a seguir transcritos: art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no ak 28, infine. (Redação dada pela Lei n° 8.748. de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que er, tender necessárias. Pelos trechos transcritos do acórdão vergastado no relatório, verificase que a turma julgadora fundamentou precisamente o voto, no que se refere a cada anocalendário em que ocorreram as retenções nas fontes, todas solicitadas no presente processo de Dcomp. Superada a preliminar de nulidade, da análise dos documentos dos autos, passo a apreciar o pedido de restituição de IRRF, seguido de compensação com o débito tributário descrito no Pedido de fls. 01 a 03, por períodos. I) Anocalendário de 1996 Preliminarmente, cumpre abordar a questão da prescrição do pedido, realizado em 07 de junho de 2002. À época, novembro de 2009, foi manifestado na Resolução n° 180100.013 o entendimento desta relatora em razão da prescrição dos pedidos de restituição. Todavia, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), em seu artigo 62A, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, dispôs a vinculação dos julgamentos deste órgão colegiado às decisões proferidas pelo STF e STJ, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Destarte, a prescrição qüinqüenal não alcança a situação dos contribuintes que protocolizaram os pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, 09 de junho de 2005 (destaquei), restando decidido o cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador. A questão encontrase definitivamente julgada. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.008891/200249 Acórdão n.º 1801001.544 S1TE01 Fl. 6 9 A recorrente protocolizou o Pedido de fls 01 a 03 em junho de 2002, pleiteando IRRF relativo ao anocalendário de 1996, razão pela qual o pedido não pode ser declarado prescrito, conforme julgado da Corte Suprema ora transcrito. No que respeita ao mérito, constato às fls. 07 e 08 que o IRRF, no valor solicitado, de R$ 145,46, foi devidamente registrado no Livro Razão, bem como em relação aos rendimentos de aplicações financeiras auferidos no valor total de R$ 33.182,56. Em confronto com os valores informados pela recorrente na DIPJ/07, fls. 51 a 58, verificase que não foi declarado qualquer rendimento de aplicações financeiras, em “Outras Receitas Financeiras”, fls. 56, ou seja, os rendimentos não foram oferecidos à tributação e portanto insuscetível o aproveitamento do IRRF. Esta matéria encontrase sumulada por este órgão, dadas as reiteradas decisões no mesmo sentido: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Ademais, a recorrente apurou Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 29.157,78, reflexo de IRRF informado em igual valor, fls. 58. Improcedente o pedido da recorrente em relação a este ano. II) Anocalendário de 1997 e de 1999 O entendimento esposado na Resolução nº 180100.013/09 no que concerne a estes dois anos deve ser mantido. Além da recorrente ter apurado nos dois anos Saldos Negativos de IRPJ, reflexos do IRRF informado, em valores superiores aos pleiteados, sem tecer considerações a respeito, em 1997 declara rendimentos de aplicações financeiras em valor inferior ao que constou no demonstrativo que acompanha o Pedido de Restituição/Compensação (R$ 4.006,05 versus R$ 5.113,71 – fls. 83) e, em 1999, não declara qualquer valor no campo pertinente na DIPJ/00 – “Outras Receitas Financeiras”. Resta claro que não ofereceu as receitas respectivas à tributação. Isto, sem considerar que, no anocalendário de 1997, o Razão registra percepção de rendimentos sobre aplicações financeiras no valor de R$ 38.574,00 versus 0,00 declarado. Procedimento semelhante em relação a 1999 – v. fls. 17 (1997) e 30 (1999). III) Anocalendário de 1998 Com referência a este ano, objeto da Resolução, há que se considerar os seguintes fatos para decidir sobre o cabimento ou não da restituição/compensação requerida. Primeiramente, a cópia do processo administrativo nº 10830.015750/0059, fls. 555 a 560, protocolizado em 18/09/00, demonstra que foi formalizado para a apreciação de um pedido de restituição/compensação de mesma natureza a do objeto deste processo. Naquele, a recorrente também solicitou os IRRF sobre aplicações financeiras, do mesmo período (1996 a 1999), mas informou no quadro descritivo que os rendimentos de aplicações financeiras advinham do BANERJ, em contra posição ao alegado neste processo, no qual especificou o Banco Excel/BBV (ExcelEconômico incorporado por Banco Bilbao Viscaya). As planilhas Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 definitivamente não são as mesmas, apesar do crédito solicitado ser de mesma natureza. O valor do IRRF, original (destaquei), demonstrado analiticamente em um processo também difere do outro (R$ 24.057,16 versus R$ 26.111,55 – fls. 04 e 559). O débito tributário objeto de compensação é o mesmo em ambos processos. O pedido do processo nº 10830.015750/0059 foi indeferido pela autoridade a quo, cujo Despacho Decisório de fls. 560 não foi contestado pela empresa e transitou, administrativamente, em julgado. Têmse, pois, que a matéria em si, restituição de IRRF sobre aplicações financeiras, relativas aos anoscalendários de 1996 a 1999, com a conseqüente compensação com a CSLL, código 6773, quota de ajuste do anocalendário de 1996, no valor de R$ 17.603,27, é exatamente a mesma, apesar do valor e origem do crédito (IRRF de acordo com a instituição financeira) serem diferentes. Há duplicidade de pedidos. O presente processo não pode ser utilizado pela recorrente como manifestação de inconformidade contra o pedido anterior negado e não contestado. Primeira razão para o não provimento do recurso voluntário. E, se assim não o fosse, os registros do Livro Razão da recorrente não lhe socorrem. Pois, nos anos em que discrimina analiticamente os rendimentos, demonstram que a empresa possuía aplicações financeiras nos Bancos Banerj, BMC, Excel/BBV, Banforte, Bradesco, não se podendo conferir se os rendimentos informados no campo “Outras Receitas Financeiras” na DIPJ/99 foram os rendimentos das aplicações financeiras descritas no quadro que acompanha o pedido de fls. 01 a 03, objeto deste processo. Aliás, em breve exame, suficiente para convencer esta Turma Julgadora da inconsistência dos dados e esclarecimentos prestados pela recorrente, verificase, em relação ao anocalendário de 1998 que: Meses/1998 Quadro Demonstrativo de fls. 04 – Banco Excel/ BBV Valores dos Rendimentos Livro Razão – fls. 567 – Rendimentos aplics. Financeiras escriturados – Excel/BBV Março 31.317,32 12.234,67 Abril 22.332,91 5.382,12 Junho 28.931,45 3.383,86 Dez 2.211,16 47.437,48 A ausência da apresentação dos Informes de Rendimentos fornecidos por todas as instituições financeiras em que a recorrente tem aplicações financeiras, culmina por afastar as pretensões da recorrente como explicitado no acórdão combatido. O documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras é o informe de rendimentos ou a própria declaração de informações de retenções – DIRF. Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.008891/200249 Acórdão n.º 1801001.544 S1TE01 Fl. 7 11 § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) A recorrente é obrigada por lei a manter em guarda e em bom estado os documentos sobre os quais se firmam direitos ou obrigações discutidos em litígios, até que estes se findem na esfera administrativa, ou judicial. Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Por derradeiro, o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. Conclusão Desta forma, além da recorrente já ter pleiteado o pedido de restituição/compensação veiculado neste processo, em 18 de setembro de 2000, julgado improcedente, a recorrente não traz ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito pleiteado novamente em junho de 2002. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito. No mais, adoto integralmente as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância. Por todo o exposto, voto: I) em preliminar: a) afastar a nulidade suscitada pela recorrente; b) indeferir o pedido de realização de diligências; c) afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação em relação ao anocalendário de 1996; II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 14367.000041/2008-17
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 41 /2 00 8- 17 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14367.000041/200817 Acórdão n.º 2302002.680 S2C3T2 Fl. 139 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados pó cooperativas de trabalho, nas competências de 04/2000 a 12/2004. A NFLD foi lavrada em 28/12/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 28/01/2008. Após a impugnação, Acórdão de fls. 105/114, julgou o lançamento procedente em parte para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 150§4º e no artigo 173, inciso I, ambos do CTN, conforme a existência ou não de recolhimentos parciais e excluir do lançamento as competências de 01/2000 a 12/2002. Permanecendo na NFLD as competências de 01/2003 a 12/2004. Em função do valor exonerado foi interposto o presente recurso de ofício. O contribuinte foi cientificado do Acórdão exarado e da abertura de prazo para interposição de recurso voluntário, mas não se manifestou. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 28/01/2008 e compreende as competências de 04/2000 a 12/2004. A decisão a quo excluiu do lançamento as competências até 12/2002, mantendo as demais, com fulcro nos artigos 173, I e 150§4º, ambos do Código Tributário Nacional, assim se manifestando: Inicialmente, abordaremos as competências dos períodos 08/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 11/2002, para as quais não houve comprovação de recolhimento parcial (informação do RDA corroborada pela Consulta Valores a Recolher x Valores Recolhidos x LDCG/DCG, extraída em 03/09/2008, is fls. 101 103). Para a última competência desse período (11/2002), cujo vencimento ocorreu em dezembro de 2002 (art. 30, inciso I, alínea "h" da Lei n° 8.212/91), o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2007, vez que este • somente poderia ter sido realizado a partir de dezembro de 2002, isto 6, somente após a constatação do atraso, total ou parcial, no recolhimento das contribuições (art. 37, caput da Lei n° 8.212/91), sendo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 01/01/2003 e a decadência somente ocorreria em 01/01/2008 (art. 173, I, do CTN). Assim, em 01/01/2008 ocorreu a decadência para a referida competência e para as anteriores acima mencionadas. 20. Vale lembrar que houve recolhimento parcial para as competências 04/2000 a 07/2001 e 12/2002, assim, aplicando a regra do § 4° do art 150 do CTN, os créditos lançados nestas competências também foram alcançados pela decadência. Com efeito, se mostrou correta a decisão, porque nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14367.000041/200817 Acórdão n.º 2302002.680 S2C3T2 Fl. 140 5 suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, as competências de 08/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 11/2002, não apresentaram recolhimentos parciais, devendo ser aplicada a regra exposta no artigo 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. E, para as competências 04/2000 a 07/2001 e 12/2002, devido a existência de recolhimentos parciais, foi aplicado corretamente o artigo 150,§4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pelo exposto, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14367.000041/200817 Acórdão n.º 2302002.680 S2C3T2 Fl. 141 7 Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 35964.000522/2006-00
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/09/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.799
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/09/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente MARCELO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 96 4. 00 05 22 /2 00 6- 00 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35964.000522/200600 Acórdão n.º 2803002.799 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35964.000522/200600 Acórdão n.º 2803002.799 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório O recorrente, dirigente de órgão público, foi autuado por descumprimento da legislação previdenciária, por ter deixado de entregar documentos à fiscalização federal. O r. acórdão – fls 214 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Os documentos requeridos foram extraviados. · O voto trata o acórdão como julgamento pautado no art. 113 do CTN, mais especificamente como acessória. Porém, o mérito é o principal. Porque não se busca o principal? O acórdão recorrido não trata da obrigação principal, mas discorre sobre o acessório. Assim, nos termos da exposição acima, é muito provável que o principal não subsista. Portanto, o presente recurso não poderá fugir A regra. Deve ser julgado procedente para excutir a responsabilidade do recorrente uma vez que consideramos extremamente injusta e descabida a aplicação da sanção (multa) em valor O estratosférico por não ter culpa no fato gerador da ausência dos processos requisitados. · Requer a declaração de improcedência do auto lavrado. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35964.000522/200600 Acórdão n.º 2803002.799 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. MARCELO DOS SANTOS, que ocupava o cargo de Secretário Municipal de Controladoria e Gestão do município de Ariquemes, por deixar de apresentar documentos à fiscalização. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese sub examine. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, há que se dar provimento ao presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35964.000522/200600 Acórdão n.º 2803002.799 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000326/86-13
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPF - DECORRÊNCIA - Declarada a nu
lidada da decisão de primeira instância
proferida no processo matriz,
igual sorte colhe a decisão prolata
da nos autos do processo que tem por
objeto auto de infração lavrado por
mera decorrência daquele.
Numero da decisão: 103-12.767
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmera do Primeiro Conselho de Contribuintes, por ,unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão a fluo para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forme, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Luiz Henrique Barros de Arruda
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Numero do processo: 15956.000002/2009-23
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO.
Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa.
PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido.
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ATO COOPERATIVO NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 02 /2 00 9- 23 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 2401003.153 S2C4T1 Fl. 687 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 253265 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 234247, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.213.5765, o qual exige, no período compreendido entre 01/2004 a 12/2005, as contribuições previdenciárias referentes à receita bruta proveniente da comercialização da produção de açúcar e álcool destinada ao mercado externo. Segundo o Relatório Fiscal (fls.4144), ficou constatado que: O contribuinte exporta açúcar e álcool via cooperativa (COPERSUCAR Cooperativa de Produtos de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que a partir daí fica investida da posse de produtos. A copersucar exporta os produtos diretamente ou ainda via “trading” e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer NormativoPN/CST nº 66/86). Em virtude do exposto acima, estão sendo lançadas no presente AI as contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no MERCADO EXTERNO, efetuadas por intermédio da COPERSUCAR, que não foram recolhidos nos prazos legais. Considerando que as contribuições sociais não incidiriam apenas nos casos em que a produção é comercializada diretamente com o exterior, a Fiscalização concluiu que os valores percebidos com as vendas realizadas por intermédio de cooperativas deveriam ser incluídos na base de cálculo das contribuições, razão pela qual lavrou o referido Auto de Infração. Em 26/01/2009, a Autuada tomou ciência do Auto de Infração e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 6171) alegando, em síntese, que: · Não há fundamento legal para a inclusão dos sócios no Auto de Infração ou em futura CDA, uma vez que não foi praticado nenhum ato infracional que justificasse tal inclusão, razão pela qual requereu a exclusão dos diretores e sócios do presente Auto. · A nulidade do Auto de Infração, diante da impossibilidade de sua lavratura, tendo em vista a existência de medida liminar que impede a cobrança da contribuição. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Com objetivo de sustentar a nulidade, a ora Recorrente informou que a UNIÃO DA AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA DO ESTADO DE SÃO PAULO, o SINDICATO DA INDÚSTRIA DA FABRICAÇÃO DO ÁLCOOL NO ESTADO DE SÃO PAULO SIFAESP e o SINDICATO DA INDÚSTRIA DO AÇÚCAR NO ESTADO DE SÃO PAULO SIAESP ajuizaram, em novembro de 2005, Mandado de Segurança Preventivo tombado sob o nº 2005.61.00.0251305, visando obstar a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas efetuadas, pelas unidades produtoras associadas aos referidos Impetrantes, através de empresas comerciais exportadoras, trading companies, com o fim específico de exportação. A medida liminar foi indeferida pelo juízo de primeiro grau, sendo concedida em sede do Agravo de Instrumento nº 2005.03.00.0969419. Em seguida, foi proferida sentença denegando a segurança pleiteada. Os impetrantes, inconformados, interpuseram recurso de apelação com pedido de efeito suspensivo, porém o recurso foi recebido apenas no efeito devolutivo. Contra essa decisão foi interposto o Agravo de Instrumento nº 2007.03.00.0184863 com pedido de efeito suspensivo ativo, objetivando manter a eficácia da liminar que havia sido deferida, o qual foi concedido no julgamento datado de 23/03/2007. Então, por ser associada ao Sindicato da Indústria da Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo SIFAESP, a Recorrente alega que estaria resguardada pelos efeitos desta decisão. A Recorrente informou, ainda, a existência de Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 35720, ajuizada pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS TRADING ABECE em 25/08/2005, por meio da qual pleitearam ao Supremo Tribunal Federal a declaração de inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 245 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03 de 14/07/2007. · A inexigibilidade da multa cobrada no presente Auto de Infração, diante da existência de medida liminar que impede a cobrança da referida contribuição. Aduziu, ainda, que mesmo que a contribuição cobrada fosse devida, jamais poderia ser acrescida de multa, já que nenhuma infração foi praticada. · As exportações realizadas por intermédio da cooperativa devem ser tidas como realizadas pela própria Recorrente, diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Isto porque, as operações entre esta e suas associadas são “transparentes”, ou seja, não existe venda da produção da cooperada para a cooperativa. · Parte do período objeto do auto de infração é anterior a julho de 2005, sendo certo que nesse período ainda não estava em vigor a Instrução Normativa IN/SRP nº 03 de 14 de julho de 2005, de modo que o Fisco não poderia aplicar a legislação de 2005 aos fatos geradores ocorridos Fl. 700DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 2401003.153 S2C4T1 Fl. 688 5 antes da sua edição, uma vez que tal aplicação feriria o principio constitucional da irretroatividade da norma tributária. · A ilegalidade e inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 245, da Instrução Normativa nº 03/2005, por ter extrapolado os limites que possuía, ferindo o princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Por fim, pleiteou que fosse “julgado improcedente o Auto de Infração ora impugnado, face a sua evidente nulidade”, e, “caso superado o obstáculo da nulidade do auto de infração, o que admitese apenas por hipótese, requer seja julgado improcedente o referido auto, face a ilegalidade e inconstitucionalidade das disposições contidas no artigo 245 e §§ da Instrução Normativa n.º 03/2005”. Requereu, ainda, a exclusão da multa de ofício, “face a inexistência de infração, uma vez que existe medida liminar em vigor, impedindo a cobrança da exação”. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente a autuação, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXPORTAÇÃO VIA COOPERATIVA. INCIDÊNCIA A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. Incidem contribuições sociais sobre a receita decorrente de comercialização da produção rural com a Cooperativa da qual é associada, mesmo se destinada à exportação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA MORATÓRIA. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 As contribuições sociais, não recolhidas nas épocas próprias, estão sujeitas à multa de caráter irrelevável. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. APENAS NA IDENTIDADE DE OBJETO. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, apenas quando verificada a identidade de objeto. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do AI e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão acima, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 253265, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 269310), requerendo seja mantida a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, com base nos seguintes argumentos: a. Manutenção do REPLEG: O relatório tem função meramente informativa e deve ser mantido nos autos para que, em futura Execução Fiscal, seja perquirida a responsabilidade dos administradores quanto aos atos praticados com infração à lei, estatuto ou excesso de poderes, nos termos do artigo 135, III do CTN; b. Nulidade: só há nulidade nos casos de lavratura do auto de infração por pessoa incompetente ou por preterição do direito de defesa, a teor do art. 59 do RPAF; c. Afastamento da multa com base no art. 63 da Lei n. 9.430/1996: Não há que se afastar a multa, vez que a ação judicial com decisão suspensiva da exigibilidade trata de matéria diversa, qual seja, exportação via trading company, não exportação via cooperativa. Ademais, o efeito suspensivo concedido à apelação não equivale a liminar, logo não se aplica o disposto no artigo 63 da Lei n. 9.430/1996; d. Retroatividade benigna: A multa antes prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212 deve ser comparada com a multa de ofício de que trata o seu artigo 35A, não com a atual multa prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991; e. Mérito: a imunidade deve ser interpretada restritivamente, sendo esta aplicável apenas às exportações diretas, não abarcando as operações internas efetuadas junto a cooperativa ou comercial exportadora. A cooperativa se equipara a empresa, a teor do art. 15 da Lei n. 8.212/1991. Quando a lei pretendeu isentar a exportação via trading, o fez expressamente, como na legislação do IPI. É o relatório. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 2401003.153 S2C4T1 Fl. 689 7 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, quanto à nulidade aventada, por suposta impossibilidade de autuação por força de decisão suspensiva da exigibilidade do crédito tributário concedida em sede de Agravo de Instrumento para manutenção dos efeitos da liminar anteriormente concedida, entendo que a existência de tal medida não impede o fisco de constituir o crédito tributário. Ao contrário, deve o fisco fazêlo, se necessário para prevenir a decadência. Ademais, a despeito de a Recorrente ter alegado a existência de demanda judicial com mesmo objeto do presente processo administrativo, não é isso que se vê da análise dos autos. De acordo com as informações trazidas pela própria Recorrente, a demanda judicial referese a Mandado de Segurança Coletivo com pedido liminar visando obstar a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas precedidas pelas unidades produtoras, por intermédio de empresas comerciais exportadoras, para o mercado externo. Ocorre, no entanto, que, conforme consta no relatório fiscal, a questão discutida neste processo gira em torno da venda da produção rural, via Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool de São Paulo COPERSUCAR, para adquirente domiciliada no exterior. Ora, como se vê, a demanda ora analisada envolve apenas a venda para o mercado externo através da cooperativa, enquanto o Mandado de Segurança, acima mencionado, envolve operação distinta, qual seja:aquela realizada por intermédio da comercial exportadora. Dessa forma, conforme bem assinalado pelo órgão julgador de primeiro grau, em razão da ausência de identidade entre o objeto das referidas demandas, não há que se falar que o presente crédito tributário encontrase com a exigibilidade suspensa ou que o presente auto de infração é nulo em virtude da existência da referida ação judicial. Passemos, então, a análise do mérito. A questão travada nos presentes autos gira em torno da obrigatoriedade de inclusão das receitas decorrentes da exportação, através de transação por intermédio de Cooperativa, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Como se sabe, o art. 149 da Constituição Federal determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que determina o referido dispositivo constitucional: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Como se vê, o legislador constitucional estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Ocorre, contudo, que, embora a Constituição Federal não tenha restringido o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do art. 149 da CF, o Poder Executivo, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o que dispõe o §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Diante disso, o ponto fundamental para o deslinde da presente demanda reside em definir se as receitas das vendas precedidas pela Recorrente, por intermédio da COPERSUCAR, para o mercado externo, podem ser consideradas como receita decorrente de exportação e, por consequência lógica, se tal receita é imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. No relatório fiscal há a descrição da operação ora analisada: a COPERSUCAR, Cooperativa a qual a Recorrente é associada, exporta açúcar e álcool para o mercado externo e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação. Entretanto, conforme veremos abaixo, o fato de a Recorrente exportar seus produtos por meio da COPERSUCAR para o mercado externo não afasta a aplicabilidade da imunidade prevista no art. 245 e seus parágrafos da IN 3/2005, visto que a cooperativa nada mais é do que uma projeção dos seus cooperados, sendo certo que, em termos práticos, seria como se a própria agroindústria estivesse exportando diretamente para o mercado externo. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 2401003.153 S2C4T1 Fl. 690 9 Isso porque, quando há transferência de produtos da cooperada para a cooperativa, não há que se falar em operação de mercado ou contrato de compra e venda, uma vez que se trata de ato cooperativo, conforme estabelece o art. 79 da Lei 5.764/1971. Vejamos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dessa forma, a cooperativa é uma extensão do cooperado, não havendo como enquadrar a entrega da produção à cooperativa como um ato de comércio, vez que não há transferência formal da propriedade, mas apenas a entrega do produto para que seja estocado até a sua venda para terceiros, momento em que o produtor irá receber os rendimentos por tal operação. A cooperativa nada mais é do que a união dos seus cooperados, que tem por objetivo promover a aproximação da atividade produtiva de seus membros ao usuário final dos bens produzidos, sem a intermediação lucrativa. Esse, inclusive, é o entendimento desta Turma, conforme se depreende da leitura do Acórdão n° 240100.6901: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PRODUTOR RURAL QUE EXPORTA A PRODUÇÃO ATRAVÉS DE COOPERATIVA. IMUNIDADE. Não descaracteriza a venda direta ao exterior, para configuração da imunidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, quando há exportação intermediada por cooperativa de produção rural, da qual o produtor seja membro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Concluise, portanto, que a entrega de produção rural pelo cooperado à cooperativa para posterior comercialização no mercado externo configura ato cooperativo, vez que a cooperativa é considerada como um prolongamento da atividade dos seus associados, não atuando em nome próprio ou na busca de resultados para si, mas sim para aqueles que representam. Sendo assim, as operações realizadas entre cooperativa e cooperado são operações “transparentes”, de forma que as exportações realizadas por cooperativas devem ser consideradas como tendo sido realizadas pelo próprio cooperado. 1Processo n° 11070.001196/200727, Sessão de 25 de setembro de 2009, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Ademais, é importante esclarecer que, diferente do que entendeu a DRJ, a imunidade não deve ser interpretada de forma restritiva, mas sim de modo a atingir a finalidade do legislador constitucional ao criála. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entende que é necessário estender o alcance dos dispositivos imunitórios em prol da observância da finalidade da norma criada pelo constituinte, senão vejamos: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Imunidade tributária da entidade beneficente de assistência social. Imprescindibilidade de o imóvel estar relacionado às finalidades essenciais da instituição. Interpretação teleológica das normas de imunidade tributária, de modo a maximizar o seu potencial de efetividade. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem flexibilizando as regras atinentes à imunidade, de modo a estender o alcance axiológico dos dispositivos imunitórios, em homenagem aos intentos protetivos do constituinte originário. 2. A Corte já reconhece a imunidade do IPTU para imóveis locados e lotes não edificados. Nesse esteio, cumpre reconhecer a imunidade ao caso em apreço, sobretudo em face do reconhecimento, pelo Tribunal de origem, do caráter assistencial da entidade. 3. Agravo regimental não provido. (STF, AI 742230 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 12/03/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe082 DIVULG 02052013 PUBLIC 0305 2013) Seguindo esta mesma linha, o Professor Roque Carrazza, ao apreciar as regras de imunidade, a define como um limite constitucional à ação estatal de criar tributos e, sendo assim, desenvolve o seguinte raciocínio: Vai daí que as imunidades tributárias têm assento constitucional, motivo pelo qual o tema reclama análise sob a exclusiva óptica da Carta Magna. Deveras, o alcance desses benefícios não deve ser construído com base na normatividade infraconstitucional (v.g., no Código Tributário Nacional), mas apenas com apoio na própria Constituição Federal, que há de ser entendida e aplicada de acordo com os valores por ela consagrada. As normas imunizantes limitam e impedem que as normas de tributação atuem, por isso criam situações permanentes de não incidência, que nem mesmo a lei pode anular. É que a imunidade é, em si mesma, um princípio constitucional, que protege os interesses e valores fundamentais da sociedade. Como corolário, a Administração Fazendária não pode pretender tributos das categorias imunes, por impossibilidade jurídica de lei válida a respaldar tal pretensão. 2 (Grifamos) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. 2 CARRAZZA, Roque Antônio. ICMS. 15ª edição, revista e ampliada, até a EC 67/2011, e de acordo com a Lei Complementar 87/1996, com suas ulteriores modificações. Editora Malheiros. 2011. Pg. 527528. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 2401003.153 S2C4T1 Fl. 691 11 Diante disto, cabe analisar o intuito do constituinte derivado ao instituir a imunidade das receitas de exportação em relação às contribuições sociais. Neste particular, é pertinente citar a justificativa da Proposta nº 277B/2000, que resultou na Emenda Constitucional n° 33/01: O dispositivo que desonera as receitas de exportação das contribuições sociais e das contribuições de intervenção no domínio econômico é bastante pertinente, e até mesmo imprescindível, pois, dada a acirrada concorrência no comércio internacional não se pode admitir qualquer forma de agregação de tributos a bens e serviços exportados.3 Do trecho acima transcrito, verificase com bastante clareza que a intenção do legislador constituinte ao introduzir essa norma imunizante foi a de desonerar os produtos brasileiros destinados ao exterior, com o objetivo de tornálos competitivos no mercado internacional. Diante disto, interpretandose de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, inferese que a imunidade prevista neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas através de cooperativas cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Até porque, em inúmeros casos, a comercialização direta com adquirente domiciliado no exterior é inviável, pelos custos envolvidos, tornandose necessária a participação de entidades intermediárias para efetivar esta transação, a exemplo da cooperativa. Entender de modo diverso seria o mesmo que negar a diversos pequenos produtores rurais ou agroindustriais o direito ao benefício da imunidade constitucionalmente garantido. Isso porque, estes produtores, em muitos casos, auferem receitas decorrentes de exportação por intermédio da cooperativa, que atua nesta transação comercial justamente para tornála viável. Diante deste cenário, entendo que a Receita Federal do Brasil extrapolou sua função meramente regulamentadora ao limitar a abrangência da referida norma imunizante para as operações de exportação direta, no §1º do art. 245 da IN SRP nº 03/2005, vigente à época de parte dos fatos geradores. Ou seja, se o legislador constituinte estabeleceu, no art. 149 da CF, que as receitas decorrentes de exportação são imunes às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, não cabe à autoridade administrativa expedir ato normativo limitando tal imunidade apenas aos casos em que a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. 3Ítem 11 do Voto do Relator Basílio Villani. Link: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=24437&filename=Tramitacao PEC+277/2000 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Por tais razões entendo que as receitas das vendas precedidas pela Recorrente, por intermédio da COPERSUCAR, para o mercado externo, não devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Seguindo este entendimento, tampouco há que se falar na incidência das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar totalmente IMPROCEDENTE o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.213.5765. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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