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Numero do processo: 10845.900745/2013-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1003-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 90 07 45 /2 01 3- 15 Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 14- 107.824, proferido, em 18 de junho de 2020, pela 1ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em discussão. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: “Trata-se de processo de compensação e cobrança de crédito tributário. O Despacho Decisório afirma que não há crédito suficiente constante da PER/DCOMP para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, conforme abaixo: A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade e juntou documentos (fls. 14 a 57), conforme transcrito abaixo: “Ocorre, todavia, que ao promover a análise sistêmica (cruzamento eletrônico de obrigações acessórias) do saldo negativo apurado pela Manifestante na Ficha 12A da sua DIPJ/08 (doc. 05), o órgão fazendário acabou glosando o IRRF sobre rendimento financeiro pago pela empresa Fertimport S/A (CNPJ/MF nº 53.004.313/0001-84), no exato montante de R$ 12.339,98, sob a seguinte justificativa: "retenção na fonte não comprovada". Ou seja, o Despacho Decisório pautou-se, unicamente, em cruzamentos eletrônicos, sem qualquer análise adicional do direito creditório, omitindo-se, com isso, em relação a procedimento especial, como a emissão de prévio Termo de Intimação, o que permitiria a correta identificação do IRRF glosado. Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Aliás, diante de situação como a presente, vale dizer, de inconsistência detectada pelos sistemas de controle e análise eletrônica do PER/DCOMP, tal é a orientação constante inclusive no site da RFB: "O que é o Termo de Intimação PER/DCOMP? ORIENTAÇÕES GERAIS O Termo de Intimação do PER/DCOMP (emitido por via eletrônica) é um documento emitido vela Secretaria da Receita Federal do Brasil que contém informações para que o contribuinte corrija as inconsistências detectadas pelos sistemas de controle e análise eletrônica do PER/DCOMP. (...) A comunicação solicitará a correção do PER/DCOMP ou das declarações envolvidas, como DCTF e DIPJ, ou ainda do DARF, quando for o caso. (...) Estas intimações foram elaboradas de forma a orientar e facilitar a vida do cidadão, não sendo necessário se dirigir às unidades de atendimento da RFB na maioria dos casos. " (grifos nossos) Chega a ser um contrassenso ou no mínimo inusitado dizer que "estas informações foram elaboradas de forma a orientar e facilitar a vida do cidadão, não sendo necessário se dirigir às unidades de atendimento da RFB na maioria dos casos ". Não é isso que se verifica na prática! Desse modo, verifica-se que o Despacho Decisório não representa a realidade dos fatos, sendo que uma análise manual do caso antes de qualquer exigência, como deveria ter sido procedido, evitaria a formação do presente contencioso administrativo, com a movimentação desnecessária de esforços e geração de despesas inerentes ao custeio deste processo administrativo. Assim sendo, tendo sido desde logo expedido o Despacho Decisório aqui combatido, cumpre à Manifestante demonstrar, agora, a ausência de motivação do ato administrativo, diante da falta de observância de procedimento especial e da ausência de apreciação de fatos não provados por ocasião anterior. II - DO DIREITO II. A - DA INDEVIDA GLOSA DO VALOR DE IRRF DEDUZIDO NO AJUSTE ANUAL - DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL (ESSÊNCIA SOBRE A FORMA) E DA DUPLA PENALIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE O Despacho Decisório glosou, do saldo negativo apurado pela Manifestante em seu ajuste anual, a despesa de IRRF, código de receita 3426, referente ao pagamento de juros decorrente de contrato de mútuo firmado com a empresa Fertimport S/A (fonte pagadora), CNRJ/MF n° 53.004.313/0001-84. Ou seja, a Manifestante recebeu receitas financeiras de juros, devidamente levadas à tributação em sua DIPJ, decorrentes do contrato de mútuo firmado com a empresa Fertimport S/A, quando então sofreu a devida retenção do IRRF (código de receita 3426), no valor de R$ 12.339,98. Referido IRRF, outrossim, foi declarado e recolhido pela fonte pagadora, não havendo, por isso, razões que justifiquem a manutenção da glosa levada a efeito. Segue, nesse sentido, o seguinte conjunto probatório: (i) Contrato de Mútuo firmado entre a Manifestante - mutuante — e a empresa Fertimport S/A - mutuária - (doc. 06); Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 (ii) DCTF da fonte pagadora, declarando o valor de IRRF no valor de R$ 12.339,90, acompanhada do respectivo comprovante de arrecadação (doc. 07); (iii) lançamentos no Livro Razão da Manifestante, relativos ao IRRF (doc. 08); (iv) lançamentos no Livro Razão da Manifestante, relativos às receitas e despesas de juros decorrentes do mútuo, bem como Ficha 06A da DIPJ/08, que demonstra a tributação das receitas financeiras (doc. 09). O Despacho Decisório, portanto, não se sustenta, tendo sido expedido sem qualquer intimação prévia da Manifestante para esclarecimento, análise manual do caso ou informação da origem das divergências detectadas em sistema informatizado (o que poderia ser feito pela juntada das pesquisas SIEF/DIRF). prejudicando o amplo direito de defesa e transferindo indevidamente o ônus probatório da exigência, pelo insuficiente exercício da atividade fiscalizatória. Ou seja, o Despacho Decisório carece de motivação e ofende diretamente o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, do qual decorre o princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Isso porque, de acordo com a realidade dos fatos, a Manifestante efetivamente sofreu a retenção na fonte deduzida em seu ajuste anual, tendo referido valor sido recolhido pela fonte pagadora. Desse modo, negar o direito da Manifestante de utilizar o montante do IR efetivamente retido na fonte para o fim de deduzir do saldo do imposto apurado no seu ajuste anual significa negar a realidade dos fatos, em total desrespeito aos princípios que norteiam a administração pública em geral (moralidade, eficiência e razoabilidade) e o direito administrativo (verdade material e vedação ao enriquecimento ilícito)! Eventuais erros cometidos pela fonte pagadora ao prestar informações em sua DIRF, não podem servir de fundamento para qualquer exigência tributária, pois compete à autoridade fiscal, em atenção ao princípio da verdade material, fundamentar sua atuação em dados efetivamente concretos e corretos. Nos termos do artigo 142 do CTN, o lançamento (ato administrativo de constituição do crédito tributário) decorre de procedimento tendente, dentre outras finalidades, "a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente", momento no qual a autoridade competente deve buscar a constatação da ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correlata. Assim, tem-se que o procedimento inerente ao lançamento tem como finalidade central a investigação dos fatos tributários, com vista à sua prova e caracterização, de modo que, restando evidenciada a ocorrência de erros materiais ou inexatidões que distorcem a realidade dos fatos, cabe à administração rever a exigência, de sorte a adequá-la à realidade fática efetivamente ocorrida. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional expressamente determina que no caso de erro, omissão ou inexatidão de obrigação acessória, o lançamento deve ser revisto de ofício, conforme se depreende das disposições contidas em seus artigos 145 e 149, abaixo transcritos, in verbis: "Art. 145 - O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) III — iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 149. " (grifos nossos) “Art. 149 - O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV— quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V- quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. (...)" (grifos nossos) Da singela leitura dos dispositivos legais acima colacionados, verifica-se que compete à autoridade administrativa rever o lançamento quando restar comprovada a ocorrência de erro, omissão ou inexatidão no preenchimento das obrigações acessórias do contribuinte, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo diante de omissão no cumprimento de formalidade especial, o que se vislumbra no caso. Ora, as três situações estão presentes, a saber: (i) o Despacho Decisório pautou- se, quando muito, em erro ou omissão da fonte pagadora no que diz respeito à informação do IRRF em sua DIRF; (ii) o Despacho Decisório deixou de apreciar fato não conhecido ou não provado (a efetiva retenção do IRRF); e (iii) a autoridade fazendária, diante da divergência eletrônica, não emitiu o competente "Termo de Intimação PER/DCOMP". como inclusive consta nas orientações do site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, o Despacho Decisório, em sua análise eletrônica, incorreu na incompletude da atividade fiscalizatória, omitindo-se sobre fato não conhecido ou não provado e sobre a observância de procedimento especial, o que permite a revisão da exigência, nos exatos termos do artigo 149 do CTN. Importa reiterar, ainda, que erros ou inexatidões de obrigações acessórias não podem ser fontes de qualquer exigência fiscal. Outrossim, mesmo que assim não fosse, tendo a Manifestante tributado integralmente as receitas decorrentes da retenção sob discussão, não há que se glosar a dedução, sob pena de dupla exigência. Isso porque, não se pode, ao mesmo tempo, glosar a dedução de IRRF no ajuste anual e, ainda assim, manter as respectivas receitas dentre os rendimentos tributáveis levados na Ficha 06A (Resultado)! Tal situação é um completo contra senso que, além de ferir diversos dispositivos legais, penaliza duplamente o contribuinte. Assim sendo, seja porque a retenção está devidamente comprovada nos autos (verdade material), seja porque não se excluiu os respectivos rendimentos da Ficha 06A, não se mostra correta a indigitada glosa de IRRF levada a efeito pelo Despacho Decisório, o qual deve ser revisto e alterado. Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Por outro lado, caso ainda persistam dúvidas a respeito do direito creditório detido pela Manifestante, o que não se espera, deverá o julgamento ser convertido em diligência, com base nos artigos 16 e 18 do Decreto n° 70.235/72, aplicáveis ao rito da Manifestação de Inconformidade por força do § 11, do artigo 17, da Lei n° 9.430/96, o que desde já se requer. Com efeito, a diligência se justifica na medida em que seja necessário promover a análise de outras obrigações fiscais ou livros contábeis da Manifestante, tudo de forma a possibilitar a devida revisão do Despacho Decisório.” A 1ª Turma da DRJ/RPO julgou a manifestação improcedente sob o argumento de não haver direito creditório comprovadamente líquido e certo, Ciente do acórdão recorrido, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo: “(...) II – DO DIREITO II.1 - DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - DA SOLUÇÃO INTERNA COSIT N.º 16/2012 - DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO NOS TERMOS DAS SÚMULAS CARF N.º 80 e 143 De plano, registre-se que a Súmula CARF n.º 143 recentemente pacificou o entendimento no sentido de que "A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". Ou seja: o fato de o Fisco não ter encontrado em seu sistema SIEF/DIRF a informação quanto à retenção sofrida pela Recorrente não quer dizer que esta não tenha ocorrido, ao contrário do aduzido pelo v. acórdão recorrido, podendo o contribuinte comprová-la por outros meios de prova. Nesse sentido, pela documentação presente dos autos, nos termos da Súmula CARF nº 80, suficientemente está comprovado o direito creditório em causa, mediante a presença escrituração fiscal regular, em que se demonstrou as retenções em questão e o oferecimento à tributação das receitas correspondentes, por meio de: (i) Ficha 12A da DIPJ de 2008 mencionando expressamente a retenção sofrida (fl. 40): Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 (ii) Contrato de Mutuo que gerou o IRRF discutido (fls. 41/43): (iii) DCTF da empresa retentora, constituindo expressamente o débito deIRRF discutido (fls. 44/46): (iv) Comprovante de pagamento do débito de IRRF discutido e constituído em DCTF da empresa retentora (fl. 47): Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 (v) Livro Razão contábil da Recorrente, com expressa menção do IRRF em discussão (fls. 48/54): (iv) Ficha 6A e Livro Razão Contábil da Recorrente, que demonstram o oferecimento à tributação das receitas correspondentes (fl. 55/57): Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Assim, indeferimento do direito creditório foi pautado, exclusivamente, em função da perversa limitação de seu sistema de cruzamento eletrônico entre PER/DCOMP x DIRF’s, o que não se sustentaria diante de uma análise manual e mais abrangente que necessariamente deveria ter sido realizada. Como visto, a Recorrente aproveitou-se do montante de R$ 12.339,98 a título de IRRF sobre o mútuo perante a fonte pagadora/retentora, bem como as receitas correspondentes foram devidamente oferecidas à tributação. Tendo em vista a divergência constatada entre o montante do imposto efetivamente retido na fonte no período e corretamente utilizado pela Recorrente para a dedução do saldo de imposto a pagar no período, com aquele apurado pela administração fazendária por meio de pesquisa em seu sistema SIEF/DIRF, resta imprescindível verificar a verdade material dos fatos. Nesse sentido, foram acostados aos autos documentos contábeis-fiscais não só da Recorrente como da própria empresa retentora, documentação essa simplesmente incontestável. Outrossim, caso se entenda necessário, a Recorrente informa que está ao inteiro dispor da fiscalização para, em atendimento aos princípios da eficiência e razoabilidade, receber diligência de auditoria fiscal e abrir a sua escrituração comercial além daquelas já constante dos autos, para os devidos fins e efeitos de direito. Não obstante, fato é que os dados informados em DIRF da fonte pagadora, e que embasa o cruzamento eletrônico realizado pelo despacho decisório e foi mantido no v. Acórdão recorrido, é absolutamente inconsistente, não podendo ser levado em consideração para qualquer exigência fiscal. Desse modo, negar o direito da Recorrente de utilizar o montante do IR efetivamente retido na fonte para o fim de deduzir do saldo do imposto apurado no seu ajuste anual significa negar a realidade dos fatos, em total desrespeito aos princípios que norteiam a Fl. 116DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 administração pública em geral (moralidade, eficiência e razoabilidade) e o direito administrativo (verdade material e vedação ao enriquecimento ilícito)! Eventuais erros cometidos pelas fontes pagadoras em suas DIRFs não podem servir de fundamento para qualquer exigência tributária, pois compete à autoridade fiscal, em atenção ao princípio da verdade material, fundamentar sua atuação em dados efetivamente concretos e corretos. Nos termos do artigo 142 do CTN, o lançamento (ato administrativo de constituição do crédito tributário) decorre de procedimento tendente, dentre outras finalidades, “a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, momento no qual a autoridade competente deve buscar a constatação da ocorrência concreta do evento descrito na lei como necessário e suficiente ao nascimento da obrigação fiscal correlata. Assim, tem-se que o procedimento inerente ao lançamento tem como finalidade central a investigação dos fatos tributários, com vista à sua prova e caracterização, de modo que, restando evidenciada a ocorrência de erros materiais ou inexatidões que distorcem a realidade dos fatos, cabe à administração rever a exigência, de sorte a adequá-la à realidade fática efetivamente ocorrida. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional expressamente determina que no caso de erro, omissão ou inexatidão de obrigação acessória, o lançamento deve ser revisto de ofício, conforme se depreende das disposições contidas em seus artigos 145 e 149, abaixo transcritos, in verbis: (...) Da singela leitura dos dispositivos legais acima colacionados, verifica-se que compete à autoridade administrativa rever o lançamento quando restar comprovada a ocorrência de erro, omissão ou inexatidão no preenchimento das obrigações acessórias do contribuinte, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo diante de omissão no cumprimento de formalidade especial, o que se vislumbra no caso. Ora, as três situações estão presentes, a saber: (i) o despacho decisório pautou-se, quando muito, em erro ou omissão da fonte pagadora no que diz respeito à informação do IRRF em sua DIRF; (ii) o despacho decisório deixou de apreciar fato não conhecido ou não provado (a efetiva retenção do IRRF); e (iii) a autoridade fazendária, diante da divergência eletrônica, não emitiu o competente “Termo de Intimação PER/DCOMP”, como inclusive consta nas orientações do site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, o despacho decisório, em sua análise eletrônica, incorreu na incompletude da atividade fiscalizatória, omitindo-se sobre fato não conhecido ou não provado e sobre a observância de procedimento especial, o que permite a revisão da exigência, nos exatos termos do artigo 149 do CTN, sendo tal procedimento chancelado pela DRJ. Outrossim, mesmo que assim não fosse, tendo a Recorrente tributado integralmente a receita decorrente das retenção sob discussão, não há que se glosar a dedução, sob pena de dupla exigência. Isso porque, não se pode, ao mesmo tempo, glosar a dedução de IRRF no ajuste anual e, ainda assim, manter as respectivas receitas dentre os rendimentos tributáveis levados na Ficha 06A (Resultado)! Tal situação é um completo contra senso que, além de ferir diversos dispositivos legais, penaliza duplamente o contribuinte. Assim sendo, seja porque a retenção está devidamente comprovada nos autos (verdade material), seja porque não se excluiu os respectivos rendimentos da Ficha 06A, não se mostra correta a indigitada glosa de IRRF levada a efeito pelo despacho decisório e mantido pelo v. Acórdão, o qual deve ser revisto e alterado. Fl. 117DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Por oportuno, diante do panorama retratado nos autos, não há como a Receita Federal do Brasil esquivar-se de investigar o direito creditório detido pela Recorrente, nos termos da Solução Interna COSIT n.º 16/2012 que definiu que "...é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo (...). "Por outro lado, caso ainda persistam dúvidas a respeito do direito creditório detido pela Recorrente frente a documentação já presente dos autos, o que não se espera, deverá o julgamento ser convertido em diligência, com base nos artigos 164 e 185 do Decreto n.º 70.235/72, aplicáveis ao rito das compensações por força do § 11, do artigo 17, da Lei n.º 9.430/96. Com efeito, inexiste fundamento para se negar o direito creditório em causa, devidamente comprovado, para efeitos de se admitir a compensação em discussão. III – DO PEDIDO Diante do exposto, a Recorrente requer o conhecimento e regular processamento do Recurso Voluntário, de modo que lhe seja dado integral provimento para o fim de considerar legítimo o crédito decorrente da IRPJ retido da Recorrente, para a compensação integral correspondente, julgando-se procedente o recurso em causa. Por derradeiro, protesta a Recorrente pela juntada de eventual documentação adicional, tudo de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da lide”. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). A controvérsia nos autos cinge-se às parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas do direito creditório em discussão referente a saldo negativo de IRPJ composto, de acordo com a Recorrente, por retenção na fonte sob código de receita 3426, no valor de R$ 12.339,98. Sobre a questão, assim decidiu a DRJ: “Pelo que se verifica da análise de crédito do Despacho Decisório (fls. 7 a 10), no que se refere às Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, o contribuinte declara ter retenção na fonte sob código de receita 3426, no valor de R$ 12.339,98, mas esta retenção não foi confirmada: Fl. 118DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Inicialmente, cabe relembrar que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente pode ser compensado na declaração de pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, conforme art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, consolidado no §2º do art. 943 do RIR/99 (art. 988 do RIR/2018): (...) A Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, estabelece normas para emissão de comprovantes de rendimentos pagos ou creditados a pessoas físicas e jurídicas, sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte: “Art. 1º Aprovar o modelo anexo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte a ser utilizado pelas pessoas jurídicas que tiverem efetuado pagamento ou crédito de rendimentos, a outras pessoas jurídicas, sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos de aplicações financeiras, que seguirão normas específicas, nem aos juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a pessoas jurídicas. Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I - o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II - o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III - o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica com filiais, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), a que se refere o inciso I, a serem informadas no Comprovante, serão as do estabelecimento matriz. Art. 3º As informações prestadas no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF. (...) Art. 7º O comprovante de que trata esta Instrução Normativa deverá ser fornecido, em uma única via, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano- calendário subsequente àquele a que se referirem os rendimentos informados.” A Instrução Normativa SRF nº 698, de 20 de dezembro de 2006, estabelece normas para emissão de comprovantes de rendimentos pagos ou creditados a creditados a pessoas físicas e jurídicas decorrentes de aplicações financeiras: (...) Fl. 119DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Considerando-se que o art. 9º da acima apresentada Instrução Normativa estabelece que o modelo constante do Anexo I será aplicado para operações efetuadas com pessoas físicas, é possível se cogitar inexistir formato específico para as operações praticadas com pessoas jurídicas. Por outro lado, há que se levar em conta o fato de o art. 3º da mesma norma determinar, especificadamente no caso de beneficiário pessoa jurídica, que a fonte pagadora deverá discriminar, por mês, os rendimentos tributados, correspondentes ao rendimento bruto deduzido o IOF, e o respectivo imposto de renda retido na fonte. Em sua manifestação, o contribuinte alega que foi glosado IRRF referente ao pagamento de juros decorrente de contrato de mútuo firmado com a empresa Fertimport S/A, CNPJ 53.004.313/0001-84, conforme documentos anexados. Ademais, contesta a ausência de intimação prévia para esclarecimento, prejudicando o amplo direito de defesa, e que eventuais “erros cometidos pela fonte pagadora ao prestar informações em sua DIRF” não podem fundamentar a exigência tributária, com ofensa ao art. 142 do CTN, requerendo ainda que o julgamento ser convertido em diligência caso pairem dúvidas sobre o direito do contribuinte. Não assiste razão ao Manifestante. Conforme art. 55 da Lei nº 7.450/85, acima transcrito, o IRRF aqui discutido somente pode ser compensado na DIPJ e Dcomp se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, fato não comprovado pelo contribuinte. O contrato de mútuo juntado, com data de janeiro de 2007, não possui reconhecimento de firmas à época do ajuste, não sendo possível atribuir veracidade ao documento. Consequentemente, tal contrato não pode produzir efeitos prejudiciais a terceiros que não participaram do negócio jurídico firmado entre as partes (no caso, o não recolhimento de tributos devidos ao Fisco Federal e o crédito de parcelas a título de IRRF em favor do contribuinte). Nesse sentido, o Código Civil de 2002 é expresso ao se referir à necessidade de registro de contratos que atingem terceiros, para ter validade contra estes: “Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal.” O dispositivo transcrito deixa claro que os contratos só produzem efeitos contra terceiros se e após registrados no competente cartório de títulos e documentos. Desse modo, restringe-se o leque de possibilidades de fraudes que permitiriam contratos com despesas inexistentes para dar a redução de tributos devidos. Quanto à DCTF e comprovante de arrecadação da fonte pagadora (Fertimport – CNPJ 53.004.313 – fls. 44 a 47), verifica-se que não há qualquer menção ao nome ou CNPJ da Manifestante. Ou seja, caso possível basear-se nestes documentos, tanto a DCTF quanto o Darf, em tese, poderiam ser usados por qualquer empresa que pretendesse deduzir IRRF de seu lucro real. Fl. 120DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Do mesmo modo, a juntada de partes da DIPJ 2008 ou partes do Livro Razão nada comprovam em relação ao direito de dedução, já que documentos produzidos pelo próprio contribuinte não se prestam a comprovar a retenção. Não procede a alegação de que os rendimentos relacionados ao IRRF de R$ 12.339,98 foram oferecidos à tributação. As partes do livro razão juntadas pelo contribuinte não permitem concluir que este IRRF se refere a quaisquer dos rendimentos escriturados ou mesmo de valor lançado em DIPJ. A juntada de contrato de mútuo genérico, conhecido como contrato de conta-corrente, não prova o efetivo empréstimo e saída de capital de empresa, muito menos o efetivo ingresso do montante emprestado e dos juros recebidos sobre o qual incidiria o IRRF nos percentuais indicados em lei. Como dito acima, o comprovante de retenção na fonte é o documento exigido na legislação colacionada, que não foi apresentado pelo Manifestante. No sentido de serem indispensáveis tais documentos, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF): (...) Excepcionalmente, poderia a administração tributária apreciar outros elementos de prova das retenções na fonte, caso restasse evidenciado que, não tendo recebido o comprovante de retenção, a contribuinte teria feito regular gestão junto às fontes pagadoras para o seu envio. Esse é o entendimento expresso no voto condutor do Acórdão nº 1803-00.548, formalizado na 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por sua 3ª Turma Especial, em sessão realizada no dia 05/08/2010, traz as seguintes razões de decidir: (...) A legislação estabelece um prazo para apresentação do comprovante de retenção e, caso não recebesse os comprovantes no prazo estipulado em legislação, deveria antes comunicar o próprio tomador de serviços e, em caso de recusa, à RFB. A comunicação em tempo hábil da não emissão de informe de rendimentos, ou mesmo emissão sem a correspondente retenção, permitiria que a RFB fiscalizasse e autuasse a empresa ou instituição financeira que deveria recolher os tributos devidos e não o fez. Não há como o Estado deferir o pedido de crédito ao contribuinte que não agiu no momento certo para que este (o Estado) recebesse os créditos devidos do tomador de serviços. Considerando que a manifestante não demonstrou ter tomado, em época própria, qualquer iniciativa para obter os respectivos informes de rendimentos e de retenção de tributos e contribuições, deve suportar as consequências de sua omissão. Sequer há necessidade de diligência ou prova pericial para verificar quaisquer documentos ou livros do contribuinte, não só porque o manifestante não formulou os quesitos referentes aos exames, conforme art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72 - PAF, mas porque todos os elementos necessários ao julgamento estão contidos no processo, nos termos do art. 18 do mesmo diploma legal, já que o contribuinte pôde apresentar todos os argumentos e provas aos autos. De qualquer modo, esta C. Turma tem por costume o julgamento do processo após análise e comparativo detalhado entre a Dirf extraída dos sistemas da RFB e a Dcomp apresentada pelo contribuinte, já que as informações dos comprovantes podem ser supridas pelas contas prestadas pelas fontes pagadoras. Ocorre que a consulta ao sistema Dirf não retornou resultados diferentes do que consta no Despacho Decisório, corroborando para a decisão de inviabilidade da pretensão do Manifestante. Fl. 121DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Quanto à defesa do Manifestante de desrespeito aos arts. 142 a 149 do CTN, que trata da constituição do credito tributário, importa verificar que o procedimento de análise de direito creditório não se confunde com a atividade de lançamento. No caso em análise, houve apenas a glosa de valores declarados pelo contribuinte, sem qualquer análise da documentação do contribuinte e sua contabilidade, ou mesmo intimação prévia. Não existe o poder-dever de investigar a origem do crédito informado em Per/Dcomp. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente à época da transmissão da declaração pelo contribuinte, disciplina os procedimentos para o deferimento ou indeferimento do pedido. Nos termos do art. 170 do CTN, este sim aplicável ao caso, no caso de compensação solicitada ao órgão, o crédito do contribuinte deve ser líquido e certo. O procedimento de análise de direito creditório é, na maioria das vezes, automático (efetuado pelos próprios sistemas da RFB). Além da atuação dos sistemas da RFB na análise do direito, quando necessário, há a atuação de servidores do órgão para verificação de possíveis inconsistências nos pedidos de restituição e declarações de compensação - PER/DCOMP. Tais verificações de inconsistências, de modo algum, podem ser assemelhadas a procedimentos de fiscalização tributária, já que não envolvem lançamento e, por isso, não há o poder dever de investigar a fundo a origem do crédito informado na declaração. A verificação de crédito em PER/DCOMP, com glosa de valores indevidamente lançados, segue procedimento diverso da fiscalização tributária, que envolve lançamento fiscal. Ademais, caso não se conforme com o despacho decisório, há sempre a possibilidade de contestação por manifestação de inconformidade, tal como disciplinado no Decreto nº 70.235/72 – PAF e efetuada no presente caso. Por fim, em relação à alegação de ofensa aos princípios constitucionais, não cabe maiores considerações à Autoridade Administrativa. Qualquer alegação que exija algo além da análise de conformidade do ato administrativo de lançamento tributário com as normas vigentes, como a de ofensa a princípios constitucionais, não pode ser analisada nesta instância administrativa, somente podendo ser verificada pelo Poder Judiciário”. Já a Recorrente argumentou que a comprovação do saldo negativo decorrente de retenções na fonte pode se dar por qualquer meio de prova, mesmo na hipótese de ausência dos comprovantes de retenção. E, que dessa forma, os documentos apresentados comprovariam o direito creditório que ampara a formação do Saldo Negativo, relativo ao valor de R$ 12.339,98, a título de IRRF sobre o mútuo perante a fonte pagadora/retentora, bem como as receitas correspondentes foram devidamente oferecidas à tributação. Neste contexto, entendo que razão assiste à Recorrente e , de fato, na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por outros meios previstos na legislação tributária, para fins de apuração de reconhecimento de direito creditório. Explique-se. Inicialmente, em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Fl. 122DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Para tanto, estão obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Fl. 123DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Neste contexto, percebe-se que o voto condutor do acórdão de piso, para a negativa do reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, considerou serem os únicos documentos hábeis para tal comprovação, a apresentação de o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Essa questão é por demais conhecida por esta Turma de Julgamento, pois ocorre com frequência a não localização das retenções nos sistemas do Fisco e a interessada não apresenta o Informe de Rendimentos que deve ser emitida pelas fontes pagadoras que efetuaram as retenções. Para ter direito a efetuar a compensação dos créditos a legislação de regência da matéria destaca a necessidade do contribuinte apresentar comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, senão vejamos o art. 55 da Lei n° 7.450/85. Por outro lado, caso a fonte pagadora não encaminhe as informações de retenção ao Fisco, o beneficiário do pagamento, e que teve as retenções, fica sujeito ao não reconhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência daquelas retenções, ficando sujeita a não homologação de eventuais compensações em que utilizar aqueles tributos retidos. É fato que é um direito do beneficiário do pagamento e um dever da fonte pagadora a emissão do Informe de Rendimentos. Contudo, forçoso reconhecer que o beneficiário do pagamento não tem gestão sobre o comportamento da fonte pagadora. Como não tem o poder de enforcement detido pelo Fisco, a Recorrente tem que comprovar as retenções por outros meios. Neste sentido, para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, aplica a Súmula CARF 143, os contribuintes podem comprovar por quaisquer meios de prova as retenções que dão sustentação à formação do crédito reivindicado, não sendo o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora como única forma de demonstrar o crédito. No caso sob exame, as notas fiscais e os DARFs recolhidos pela Recorrente podem e devem ser analisados objetivando à comprovação da parcela do direito creditório em litígio. Fl. 124DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Logo, o sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Destaque-se que, no caso dos autos, a Recorrente apresentou o contrato de Mutuo que gerou o IRRF discutido (e-fls. 41/43), DCTF da empresa retentora, constituindo expressamente o débito de IRRF discutido (e-fls. 44/46), comprovante de pagamento do débito de IRRF discutido e constituído em DCTF da empresa retentora (e-fl. 47), Livro Razão contábil da Recorrente, com expressa menção do IRRF em discussão (e-fls. 48/54), Ficha 6A e Livro Razão Contábil da Recorrente, que demonstram o oferecimento à tributação das receitas correspondentes (e-fl. 55/57) para comprovação do direito creditório em discussão. Destarte, entendo que é preciso o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora emitir novo despacho não havendo que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Havendo dúvidas em relação ao que foi juntado ou a necessidade de juntada de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, deve a Recorrente ser intimada para esclarecimentos e apresentação de documentos. Fl. 125DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-003.168 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.900745/2013-15 Destaca-se, por fim, que não se trata de emissão de novo despacho decisório, pois o primeiro não possuía vícios e estava de acordo com as provas e informações sistêmicas até aquele momento existentes. Os autos irão retornar apenas para a continuação da análise da liquidez e certeza do crédito remanescente, considerando o saneamento do processo com a juntada de documentos para comprovar a existência do crédito. Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em sede recursal e aplicação das determinações da Súmula CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 126DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002200/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FGTS.
Os valores referentes a correção de FGTS são isentos do Imposto de Renda, nos termos da legislação de regência, porém só podem ser excluídos do lançamento se restar comprovado que compuseram o montante tributável demonstrado pela autoridade lançadora, o qual está corroborado por documentos hábeis e idôneos, inclusive os fornecidos pelo interessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Claudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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FGTS. Os valores referentes a correção de FGTS são isentos do Imposto de Renda, nos termos da legislação de regência, porém só podem ser excluídos do lançamento se restar comprovado que compuseram o montante tributável demonstrado pela autoridade lançadora, o qual está corroborado por documentos hábeis e idôneos, inclusive os fornecidos pelo interessado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Claudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Redatora Designada Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente e m 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por CARLOS CE SAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11030.002200/200821 Acórdão n.º 280102.117 S2TE01 Fl. 73 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 8ª Turma da DRJ/POA (Fls. 42), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte acima identificado, após deferimento parcial de Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, foi notificado, tendo sido apurado imposto suplementar a pagar referente à sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 AnoCalendário 2006 de R$ 1.321,88, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos recebidos em ação trabalhista. No relatório “Descrição do Fatos e Enquadramento Legal”, no campo “Complemento da Descrição dos Fatos” (fl. 04 verso) é demonstrado o valor dos rendimentos tributáveis decorrentes de ação trabalhista, que resultou na omissão de rendimentos lançada no valor de R$ 4.806,86. O notificado, dentro do prazo legal, por seu procurador, impugna a Notificação de Lançamento (fl. 01), informando que os rendimentos considerados omitidos se referem ao Fundo de Garantia do tempo de Serviço – FGTS que recebeu em uma ação junto ao INSS e que são rendimentos isentos. Anexa cópia das “Perguntas e Respostas da Receita Federal so Brasil” (fls. 05/15), destacando a pergunta nº 252 que trata do assunto e solicitando futura retificação do valor que tem para pagar de imposto de renda. Passo adiante, a 8ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. FGTS. COMPROVAÇÃO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente e m 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por CARLOS CE SAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11030.002200/200821 Acórdão n.º 280102.117 S2TE01 Fl. 74 3 Cientificado em 06/05/2011 (Fls. 47), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/06/2011 (fls. 48), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e anexando (fl.55 – 60) também: Cópia da sentença da Ação Ordinária Nº 2002.71.00.0021661. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o caso de omissão de rendimentos decorrentes do recebimento de valores em ação judicial. Destaco que o lançamento em questão não menciona, em nenhum momento, a ação judicial que gerou o recebimento omitido. Digase de passagem, sequer a DIRF que embasou a notificação foi anexada aos autos. Contudo, desde o primeiro momento o contribuinte afirma que se trata de ação na qual se buscava o recebimento de diferenças do FGTS. Por seu turno, a DRJ julgou procedente o lançamento em razão de o contribuinte não ter apresentado qualquer documento que comprovasse que o objeto da ação judicial seria reaver valores referentes a FGTS. Buscando comprovar o alegado, o recorrente anexou cópia da sentença da ação judicial, na qual se constata que a mesma tinha como objeto diferenças de FGTS em razão de expurgos de planos econômicos. Sendo os valores recebidos a título de FGTS isentos do Imposto de Renda , não há como manter o lançamento. Ante tudo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente e m 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por CARLOS CE SAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11030.002200/200821 Acórdão n.º 280102.117 S2TE01 Fl. 75 4 Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, tenho opinião diversa quanto à solução da lide. No caso, conforme se depreende da Descrição dos fatos e Enquadramento Legal constante da Notificação de Lançamento de fls. 04 a 07, emitida após a análise da SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento (fls.04), a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, constatouse que o interessado recebeu em decorrência de ações judiciais as quantia de R$141.830,52 e R$18.142,14, tendo arcado com honorários advocatícios e periciais nos valores de R$8.935,32, R$992,81, R$1.610,72 e R$402,68, os quais foram devidamente considerados pela autoridade lançadora e estão corroborados pelos documentos de fls. 21 a 23 (fls. 25 a 27, do PDF). Destaquese, ainda, que consta dos autos o documento de fls. 19 (fls. 23 do PDF) que traz o resumo dos valores informados à Receita Federal do Brasil, mediante DIRF, pelas fontes pagadoras do contribuinte. O contribuinte, entretanto, em sua Declaração de Ajuste Anual (fls. 24 a 28), referentemente às ações judiciais, só havia declarado a quantia de R$143.224,27 (R$127.162,40 + R$16.061,87, sob o CNPJ do INSS) e não os R$148.031,13 demonstrados às fls. 02verso, resultando na omissão de rendimentos objeto de lançamento (R$4.806,86). Afirma o interessado que a diferença lançada seria isenta, eis que referente a FGTS – Fundo de Garanta do Tempo de Serviço. Ocorre que, em nenhum momento, o contribuinte apresentou documento apto a comprovar que nos totais objeto dos alvarás levantados em 2006, de que tratam o lançamento, estaria incluída a parcela em discussão. Registrese que os documentos de fls. 64 a 70 (PDF), que instruem o recurso voluntário, apenas comprovam que o interessado pleiteou e obteve êxito na Justiça referentemente a diferenças de atualizações de FGTS devidas em decorrência dos Planos Verão e Collor I, as quais deveriam ser creditadas pela CEF nas contas vinculadas específicas. Quer dizer, seria indispensável que o interessado comprovasse que o valor a que fez jus em decorrência desta Ação Ordinária Nº 2002.71.00.0021661 não foi depositado em sua conta de FGTS, mas sim pago nos ano calendário 2006, juntamente com os demais valores recebidos em decorrência de ações judiciais a que se referem os documentos de fls. 21 a 23 (fls. 25 a 27, do PDF). Essa prova – ônus do contribuinte – não consta dos autos, impossibilitando que se acate a pretensão do interessado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente e m 29/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES R, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por CARLOS CE SAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.002354/2005-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-001.729
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso voluntário provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 203DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 674 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL/PA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração de fls. 602/612, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2001, anocalendário 2000, no valor total de R$ 140.212,86, incluída a multa de ofício de 75% e juros de mora calculados, de acordo com a legislação pertinente, até 30/11/2005. A autuação decorreu de trabalho fiscal desenvolvido junto ao contribuinte Ireu Moreira, CPF 611.862.52804, MPF n° 081020020040000940, em ação fiscal correspondente à Movimentação Financeira Incompatível nas contas bancárias mantidas em conjunto com a fiscalizada, sua esposa. O contribuinte não logrou êxito na comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas, o que resultou na lavratura do auto de infração para exigência do crédito tributário, com base no parágrafo 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, conforme Termo de Constatação Fiscal acostado às fls. 602/606, parte integrante do auto de infração, em razão das verificações abaixo sintetizadas: a) Após reiterados pedidos de prorrogação, o contribuinte Ireu Moreira, cônjuge da Sra. Sônia Maria dos Santos Moreira, atendeu parcialmente a intimação para comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes e de poupanças, movimentadas durante o ano de 2000, alegando que a grande maioria dos depósitos, praticamente 75%, foram efetuadas pelas empresas Plantações E Michelin, CNPJ 30.034.847/000310 e pela empresa C1ESA — Coimbra Industria e Exportação S/A, CNPJ 05.706.593/000634. b) As empresas foram intimadas a esclarecer a relação comercial que mantinham com o Sr. Ireu Moreira e a justificar a origem e comprovar os depósitos relacionados pelo fiscalizado como efetuados por essas pessoas jurídicas, ao que elas responderam que ele atuava como intermediário na compra de látex, recebendo comissão e frete a titulo de remuneração, que eram faturados para a empresa Buribor — Representação Comercial e Transportes Ltda., CNPJ 00.002.146/0001 76, de sua propriedade, que eram pagos através de adiantamentos efetuados na sua conta particular. A empresa Plantações E. Michelin confirmou os valores relacionados no Termo de Intimação Fiscal de 25/08/2005 e a empresa CIESA Coimbra Industria e Exportação S/A não apresentou os lançamentos contábeis dos valores relacionados, mas confirmou a prática de efetuar depósitos na conta do contribuinte para pagamento de fornecedores de látex. c) O Sr. Ireu Moreira também foi intimado a esclarecer a sua relação comercial com as citadas empresas e em Fl. 204DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 675 3 sua resposta confirma que na condição de sóciogerente da empresa Buribor — Representação Comercial e Transportes Lida operou por meio de contrato verbal a intermediação da compra de látex para a Michelin e a Ciesa e que em decorrência disso recebia os depósitos bancários efetuados pelas firmas em sua conta particular. d) Corroborando essas informações o contribuinte apresentou cópia do livro de controle das contas movimentadas junto ao Banco do Brasil S/A, Banco Brasileiro de Descontos S/A e Banco Nossa Caixa Nosso Banco S/A, onde estão discriminados os valores dos depósitos recebidos daquelas empresas. Diante dessas informações, foram considerados como justificados os depósitos efetuados pelas empresas Michelin e Ciesa. e) O interessado foi intimado a apresentar novos esclarecimentos para os depósitos que restaram sem comprovação, posto que não foram aceitos pela fiscalização por falta de prova documental as seguintes justificativas: depósitos em contas correntes que o contribuinte alega serem recebimentos particulares de fornecimento de borrachas; depósitos em contas correntes que o contribuinte alega serem transferências bancárias feitas pela Buribor em decorrência de desconto de cheques das empresas Ciesa e Michelin; créditos em contas correntes que o contribuinte alega serem operações de desconto de cheques; depósitos em contas correntes que o contribuinte alega serem recebimento de empréstimo de terceiros. f) Depois dessa última intimação e das novas justificativas apresentadas, o auditor elaborou planilha final denominada "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS EFETUADOS DURANTE O PERÍODO DE 01.01 A 31.12.2000, onde demonstra, por estabelecimento bancário e em ordem de datas, os valores comprovados como depositados por Ciesa/Michelin, os que tiveram origem comprovada e os que restaram sem comprovação que somaram a importância total de R$ 525.309,73 (quinhentos e vinte e cinco mil, trezentos e nove reais e setenta e três centavos). g) Considerando que a cônjuge do fiscalizado entregou declaração de rendimentos em separado no exercício 2001, anocalendário 2000 e que é titular em conjunto com o Sr. Ireu Moreira, das contas mantidas no Banco do Estado de São Paulo, Banco do Brasil S/A e Banco Nossa Caixa Nosso Banco S/A, o lançamento do crédito tributário oriundo de depósitos bancários não comprovados foi rateado entre o contribuinte e a sua esposa, conforme determina o parágrafo 6°, artigo 42 Fl. 205DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 676 4 da lei 9.430/96, incluído pela Lei 10.637/2002, demonstrado no Termo de constatação fiscal. Diante dos fatos, cientificada pessoalmente em 22/12/2005, a contribuinte através de seu procurador regularmente constituído, conforme atesta o documento juntado às fls. 624, apresentou impugnação à exigência tributária (fls. 615/631), alegando, em síntese, que: Tomandose apenas os valores totais do demonstrativo dos créditos bancários, elaborado para apuração dos valores não comprovados, temse na última coluna o valor de R$ 525.309,73 que o servidor entendeu como não comprovado, tributando R$ 198.863,07 no nome da impugnante e o saldo em nome do seu marido, valor com o qual a reclamante não concorda, pois foram cometidos diversos enganos na apuração do montante a tributar. Alega que o auditor nem mesmo excluiu do valor apurado as quantias que já haviam sido incluídas na Declaração de Ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2001, anobase 2000. Na apuração do valor não comprovado, que seria tributável, o fiscal considerou o montante de R$ 4.990.590,22, constitutivo dos créditos bancários das contas movimentadas pela impugnante e seu marido, porém todos os valores constantes de sua declaração de rendimentos foram movimentados nessas contas, ou sejam nessas contas foram depositados os rendimentos da impugnante e do seu marido, durante o ano 2000. Assim sendo, do total de R$ 525.309,73, considerado como não comprovado, devem ser excluídos os rendimentos tributáveis, isentos e tributados exclusivamente na fonte que constam na sua declaração de ajuste e de seu marido. Também requer a exclusão dos valores provenientes das alienações de bens e direitos que foram movimentados nessas contas. Apresenta um demonstrativo dos valores a serem excluídos do total não comprovado (fls.620/621) que importam em R$ 363.735,12 indicando que parte deve ser excluída do valor da base de cálculo da tributação efetuada na impugnante e parte do valor tributado em nome do cônjuge. A base de cálculo da tributação suplementar em nome da impugnante, efetuada a titulo de créditos bancários não comprovados, no montante de R$ 198.863,07 deve ser deduzida dos valores que entende ter origem comprovada em sua DIRPF 2001, conforme relaciona: (...) Quanto aos valores transferidos da conta de Buribor representações comerciais e transportes Ltda, CNPJ n° 00.002.146/000176, para a sua conta pessoa física alega que é sócia da referida empresa a qual compra látex de diversos produtores e revende esse produto para diversas empresas sendo, no ano de 2000, suas principais compradoras as empresas Michelin e CIESA. Que por falta de orientação, costumava transferir valores da empresa de que participava para suas contas particulares (pessoa física) para poder efetuar grande número de pequenos pagamentos a fornecedores de borracha. Desta forma, facilitava a liquidação das inúmeras operações de compra de látex, que eram feitas em pequenas quantidades. Das transferências de valores que o fiscal considerou não comprovadas, a impugnante justifica as que dizem respeito ao mês de dezembro, suficientes para comprovar a diferença apontada pelo auditor. Nesse mês a empresa Buribor recebeu diversos cheques da CIESA em pagamento de látex e os descontou na rede bancária, Fl. 206DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 677 5 transferindo parte dos valores obtidos nessas operações para suas contas da pessoa física, movimentada pela impugnante e por seu marido no Banco Nossa Caixa. Relaciona por datas e valores as operações de desconto e as transferências das contas da empresa Buribor e os valores ingressados nas suas contas pessoa física. Ressalta que se considerado que as transferências eram feitas exclusivamente em valores redondos, verificasse coincidência de datas e valores e que apesar disso o auditor considerou como não comprovado os valores transferidos pela empresa para suas contas, que importaram no montante de R$ 217.000,00. Diante da apresentação dos documentos bancários, fls. 626/630, que demonstram as operações de desconto de cheques da CIESA e como houve as transferências, fazse necessário excluir do valor dado como não comprovado essas transferências no montante de R$ 217.000,00, excluindose metade desse valor, ou seja, R$ 108.500,00, tributado em nome do reclamante, em razão da movimentação conjunta das contas no Banco Nossa Caixa. Diante de suas alegações, entende que não resta valor a tributar em seu nome, solicitando que seja reconhecida a improcedência da exigência imposta, diante das comprovações feitas na sua peça impugnatória.” Conforme Acórdão de fls. 634/644, o lançamento foi julgado procedente em parte para considerar comprovada a origem dos depósitos lançados relativamente ao período de dezembro de 2000, no montante de R$ 108.500,00. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 13/11/2008 (fl. 649), a interessada, representado por seu advogado (fl. 624), interpôs recurso voluntário de fls. 650/671, em 15/12/2008, no qual, em síntese, alega que: • Os valores declarado em sua DIRPF/2001, inclusive os relativos aos bens alienados e atividade rural, também devem ser levados em consideração para justificar os depósitos bancários objeto do presente lançamento; • Estará definitivamente afastado o pressuposto da tributação, se desconsiderados todos os depósitos bancários lhe atribuídos durante o ano calendário de 2000, cujo valores são inferiores a R$ 12.000,00 e o correspondente somatório não atinja R$ 80.000,00; • O valor tributado pelo autuante, como comissão na intermediação recebida por seu marido da empresa CIESA Coimbra Indústria e Exportação S.A., apesar de questionado por seu marido, se mantido, terá que reduzir igual parcela da tributação a título de depósitos bancários, o que afetará o valor lançado neste processo. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 678 6 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida da aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Antes, porém, de analisar o mérito da matéria versada nestes autos, é preciso analisar uma questão preliminar. Tratase do fato de que a documentação constante dos autos demonstra que o presente lançamento é resultado do rateio de valores movimentados em instituições financeiras entre a contribuinte e seu cônjuge – Sr. Ireu Moreira, CPF 611.862.528 04, sendo certo que o Sr. Ireu Moreira foi o único intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados nas correspondentes contas bancárias. Desta forma, fica claro que a autoridade fiscal deixou de respeitar o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Ademais, tem sido entendimento deste Conselho que, a partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 2002, nos casos de conta corrente bancária conjunta, cujos co titulares apresentam declarações de ajuste anual em separado, a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, só se consubstancia se todos os titulares da conta forem intimados a comprovar a origem dos depósitos lá efetuados e não lograrem fazêlo. No tocante à matéria, confirase a Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Dessa forma, resta prejudicado o exame dos argumentos de mérito trazidos pela recorrente, razão pela qual deixo de me pronunciar sobre eles. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 208DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.002354/200510 Acórdão n.º 280101.729 S2TE01 Fl. 679 7 Fl. 209DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13820.000862/2001-10
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.838
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência â Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ME. Recorrida : DRJ/CAMPINAS/SP RESOLUÇÃO N301-1.838 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência â Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACiLIO D Presidente AS CARTAXO Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, George Lippert Neto, Adriana Giuntini Viana, Irene Souza da Trindade Torres e Susy Gomes Hoffmann. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. C C S Processo n° : 13820.000862/2001-10 Resolução n° : 301-1.838 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata-se de Ato Declaratório Executivo n° 13, de 10 de maio de 2005, pelo qual a contribuinte foi excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002 (fl.179), com arrimo no . Despacho Decisório 35/2005 (fls.173/178). 0 fundamento da exclusão decorre da constatação de que consta da Primeira Alteração Contratual — fls. 44/47 — que "a sociedade tell como exploração o ramo de atividade econômica de indústria e comércio de painéis elétricos; assistência técnica e manutenção de máquina e automação em geral, com aplicação de material", incidindo, então, a vedação do inciso XIII, art. 9° da Lei 9.317/96, que não permite a opção quando a pessoa jurídica preste serviços profissionais de "engenheiro, assemelhado, ou qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Citou, ainda, 0 Ato Declaratório Normativo 4/00 da Cosit e a ementa do Acórdão DRJ/CPS 6.321/2004. 2. Cientificada da exclusão em 7 de junho de 2005, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, em 06/07/2005 (fls.185/193), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: 2.1 — o TRF da 3a Regido, em diversas liminares, já se manifestou no sentido de que a exclusão não pode ter efeitos retroativos, devendo surtir efeitos a partir do mês seguinte à comunicação da • exclusão; 2.2 — tem direito adquirido a permanecer no Simples, pois não pode ser aplicada a mudança de critério jurídico, já que a empresa optou e foi aceita pela SRF; 2.3 — suas atividades não se enquadram na atividade de engenharia, já que ela e genérica e a legislação não compreendeu tal excludente; sua exclusão atenta contra os princípios constitucionais da isonomia, legalidade e tipicidade; 2.4 — a exclusão sumária, sem permitir a defesa prévia, viola o principio constitucional do devido processo legal, sendo inconstitucional a cobrança retroativa dos tributos; Processo n° : 13820.000862/2001-10 Resolução n° : 301-1.838 2.5 — pretende que a SRF reconsidere o caso e admita seu reingresso no Simples, a exemplo do ocorrido com outras empresas de manutenção e reparação de máquinas, que foram beneficiadas por ordem judicial; 2.6 — o objetivo do Simples é beneficiar e incentivar a micro e pequena empresas, o que deve ser observado ao se interpretar as vedações do inciso XIII, do art. 9° da Lei 9.317/96, pelo que a decisão deve ser respaldada no artigo 112 do CTN, que determina a interpretação benéfica e mais favorável ao contribuinte." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO. AUTOMAÇÃO, MANUTENÇÃO E MONTAGEM INDUSTRIAL. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de automação, manutenção, ou montagem de máquinas e equipamentos industriais. Essas atividades equiparam-se àquela exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida. REVISÃO DE OPÇÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples e ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Solicitação Indeferida" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, pela petição de fl. 224, alegando, entre outras razões, que não realiza as atividades constantes do seu contrato social. É o relatório. 3 E MENEZES - Relator VALMAR Sala das Sessões, em de abril de 2006 % Processo n° : 13820.000862/2001-10 , Resolução n° : 301-1.838 VOTO Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator Preliminarmente, verifica-se que um dos motivos do indeferimento da solicitação pela Delegacia de Julgamento foi o fato de que a atividade da recorrente, prevista em seu Contrato Social, b. época, a impediria de ingressar na sistemática do SIMPLES. Não obstante constar de determinado Contrato Social o rol de atividades para as quais uma empresa é constituída nada impede que esta empresa apenas exerça parte das mesmas, por sua conveniência. Entendo que é de fundamental importância, por força do Principio da Verdade Material, que seja verificada a verdadeira atividade da recorrente, tendo em vista a evidência aduzida aos autos pela juntada das notas de fiscais de serviços aos autos, pela mesma. Desta forma, entendo que deva o presente julgamento convertido em diligência para que a Delegacia de origem proceda â verificação da real atividade da contribuinte, â vista dos seus documentos, ou com utilização de outros recursos, a critério da autoridade fiscal. •
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Numero do processo: 10111.721872/2012-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO NÃO COMPROVADO.
Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art.23 Decreto-Lei n.1.455/1976),o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME A TERCEIROS. MULTA.
Apenas quando restar comprovada a cessão de nome para operações de importação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, punida com a multa de 10% das operações.
Numero da decisão: 3002-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ocorrência de fato superveniente e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, para o fim de cancelar a exigência fiscal impugnada.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Régis Venter- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO NÃO COMPROVADO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art.23 Decreto-Lei n.1.455/1976),o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME A TERCEIROS. MULTA. Apenas quando restar comprovada a cessão de nome para operações de importação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, punida com a multa de 10% das operações.
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ÔNUS PROBATÓRIO NÃO COMPROVADO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art.23 Decreto-Lei n.1.455/1976),o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME A TERCEIROS. MULTA. Apenas quando restar comprovada a cessão de nome para operações de importação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, punida com a multa de 10% das operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ocorrência de fato superveniente e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, para o fim de cancelar a exigência fiscal impugnada. (documento assinado digitalmente) Paulo Régis Venter- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 18 72 /2 01 2- 53 Fl. 324DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 11.068.251, proferido pela 6ª Turma da DRJ/REC, que decidiu pela manutenção do crédito tributário exigido em razão de entender que a conduta praticada pelo recorrente configurou interposição fraudulenta. Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório apresentado no acórdão supracitado: Trata o presente processo de auto de infração (e-fls. 02/07), no valor de R$ 33.926,58 (Trinta e três mil, novecentos e vinte e seis reais e cinquenta e oito centavos), lavrado contra o contribuinte qualificado em epígrafe, com sujeição passiva solidária da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda, CNPJ nº 10.449.088/0001-87, referente à multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadoria importada não localizada ou que tenha sido consumida ou revendida, relativamente à importação efetuada de forma irregular com a prática de ocultação do sujeito passivo, nos termos do art. 23, V e § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976. Relata a Autoridade Fiscal que a “Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília identificou empresas que atuam no comércio exterior praticando interposição fraudulenta de pessoas e ocultação do sujeito passivo”. E que uma das empresas identificadas após a abertura do procedimento especial da IN SRF n° 228/2002, foi a Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda, a qual foi autuada por meio da lavratura de auto de infração no processo administrativo fiscal - PAF n° 10111.720547/2012-73. Na citada fiscalização, verificou-se que a UTILIDAD é uma empresa que importa bens para revenda, operando por conta e ordem através da importadora Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda (CNPJ n° 07.888.151/0001-77). Contudo “apesar de atuar por conta e ordem, na verdade, a UTILIDAD oculta o real adquirente das importações utilizando meios fraudulentos para atingir este objetivo”. No Relatório Fiscal deste processo, a fiscalização destaca trecho do Termo de Verificação Fiscal - TVF do PAF n° 10111.720547/2012-73: a) Relação com a PRIME: A PRIME e a UTILIDAD são dos mesmos sócios (ver análise do contrato social e suas alterações neste relatório) e funcionam no mesmo endereço. Na prática são a mesma empresa, mas criam dois níveis de operação, um como importador e outro como adquirente, de modo a ocultar do fisco o terceiro nível de operação, onde se esconde o real interessado na operação. A PRIME opera como uma trading (presta serviços de importação para seus clientes), quase sempre por conta e ordem, fazendo serviço de intermediação e apoiando seus clientes nos trâmites burocráticos das operações de importação. b) Capacidade econômica e financeira: A Utilidad inicia suas atividades no comércio exterior em junho de 2009, tendo importado um volume CIF de R$ 248.940,97 naquele ano. Em 2009, este volume não chama atenção para uma empresa iniciando suas operações. A empresa, inclusive, declara na DIPJ (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica) ano-calendário 2009, que o seu Ativo Contábil no final de 2009 era de R$ 148.515,34. Apresenta também um quadro com as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos sócios, destacando as movimentações financeiras e patrimônios e acrescenta que “os sócios têm patrimônio de baixíssimo valor ou não têm patrimônio declarado”. E, com relação às operações de importação, a fiscalização destaca o seguinte trecho do TVF: A empresa Utilidad, por intermédio do processo administrativo nº10111.000666/2009- 19 foi habilitada pela Receita Federal do Brasil a operar no comércio exterior na modalidade ordinária para uma previsão de volume de importação no montante de U$ Fl. 325DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 284.000,00 (duzentos e oitenta e quatro mil dólares americanos) a cada período de 6 (seis meses). Ainda em análise de sua habilitação a operar no comércio exterior pelo processo administrativo nº 10111.000381/2010-11 a empresa Utilidad tentou aumentar os limites de importação, porém a empresa teve a sua solicitação negada por não entrega de uma série de documentos necessários à comprovação de capacidade operacional. Mesmo fato ocorreu no processo administrativo nº 10111.001233/2010-14 quando novamente a empresa teve o aumento dos limites negados por não entrega da documentação solicitada. Mesmo com o aumento dos limites de importação negados, a empresa em 2010 passou a operar valores muito superiores à estimativa (U$ 284.000,00), em volume incompatível com seu patrimônio ou mesmo com o patrimônio dos sócios. (....) Entre volume importado e tributos federais incidentes na importação, a UTILIDAD operou mais de 9 milhões de reais. Ressaltando que a empresa fechou o ano de 2009 com ativo da ordem de 150 mil reais. Uma breve análise já se verifica movimentações suspeitas: Estoque de Mercadorias em 31/12/2009 = R$ 12.155,51 Estoque de Mercadorias em 28/02/2010 = R$ 12.155,51 Estoque de Mercadorias em 31/03/2010 = R$ 12.155,51 Movimento de estoque em 03/2010 = R$ 12.155,51 a crédito e R$ 12.155,51 a débito Importações da Utilidad em 03/2010 (CIF + II) = R$ 1.483.483,37 Conforme já informado a UTILIDAD sempre opera por “conta e ordem” utilizando como importador a PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA (07888151/0001-77). Nesta modalidade, a empresa que consta na Declaração de Importação como “real adquirente” em campo específico, caso da empresa Utilidad, deve aportar todos os recursos necessários para objetivar a importação das mercadorias. Pela análise econômico-financeira acima descrita fica evidenciado que a Utilidade e seus sócios não dispõem de patrimônio e capacidade financeira para sustentar suas operações no comércio exterior o que evidencia que tais operações sejam suportadas financeiramente por terceiros ocultos como este relatório demonstrará. Em continuidade, a Autoridade Fiscal acresce que o único objetivo da existência da UTILIDAD era ocultar os verdadeiros responsáveis pelas importações efetuadas em seu nome, e que tal fato restou comprovado de maneira detalhada no TVF, demonstrando inclusive que a empresa se utilizou de documentos simulados. E que, dentre os adquirentes ocultos das mercadorias importadas por PRIME/UTILIDAD, estava a empresa FILTRAR. Informa que a FILTRAR tem como sócios os Sr. Raphael Andrade Mothé (CPF n° 705.672.121-49), com 99% do capital social, e o Sr. Claudison Dias Barbosa (CPF n° 430.687.071-53), com 1% do capital social. E que faz parte do grupo “MUNDO DOS FILTROS”. Explicita a fiscalização que “MUNDO DOS FILTROS” não é uma empresa e sim uma marca. Que, salvo exceções, cada uma de suas lojas tem um CNPJ diferente com quadros societários diferentes, sendo que em praticamente todos os quadros societários há, ou já houve, a presença de alguém da família do Sr. EDMAR MOTHÉ (CPF 282.632.94720). Ressalta que naquele outro processo restou caracterizado que 27 declarações de importação registradas por conta e ordem tiveram mercadorias repassadas às empresas do grupo “MUNDO DOS FILTROS”. Destas, 21 declarações de importação tiveram parte das mercadorias repassadas à Empresa FILTRAR. Segundo a fiscalização as importações em análise foram realizadas com o artifício de criar um segundo nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas importações realizadas em nome da Empresa UTILIDAD. No caso, a FILTRAR, que “permanece oculta durante todo o processo de nacionalização das mercadorias com o fim único de esconder a sua condição de REAL ADQUIRENTE”. Afirma a fiscalização que, na prática, as importações efetuadas pela PRIME por meio das 21 DI’s (relacionadas à f. 14) eram uma simulação, “apareciam como sendo “por conta e ordem” da empresa UTILIDAD, mas serviam apenas para ocultar os verdadeiros patrocinadores das operações comerciais (empresas do grupo Mundo dos Fl. 326DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 Filtros) que, no caso em tela, para as Adições relacionadas no Anexo – A, resta comprovado que a REAL ADQUIRENTE é a empresa FILTRAR COMÉRCIO”. Posteriormente tece considerações sobre as consequências nocivas da ocultação do real adquirente e sobre as modalidades de importação. A fiscalização diz ainda que o relacionamento entre o grupo MUNDO DOS FILTROS e a UTILIDAD é evidenciado pelo fato de que o Sr. Edmar Mothé, que é pai do Sr. Raphael Andrade Mothé (sócio majoritário da FILTRAR), já foi sócio da UTILIDAD. O Sr. Edmar entrou no quadro societário da UTILIDAD, na quarta alteração contratual, com o aporte de mais de R$ 100.000,00 e se retirou da sociedade na quinta alteração contratual, sem que nada tivesse sido informado à RFB. Além disto, figura ou figurava até 2012 como sócio de diversas empresas da marca MUNDO DOS FILTROS (tabela à fl. 22), tal qual diversos familiares seus. Neste tópico, com base em informações extraídas dos TVF constante do Auto de Infração lavrado contra a UTILIDAD (PAF nº 10.111.720547/2012-73), para as 21 DI’s em questão, a fiscalização traz a descrição dos fatos e comentários referentes à ocultação do real adquirente FILTRAR, conforme a seguir, a título de exemplificação (...) Comentário da Fiscalização: Todos os adquirentes acima das mercadorias revendidas pela UTILIDAD pertencem à marca Mundo dos Filtros e são todas as empresas da tabela listada neste tópico. Estas empresas adquiriram a totalidade da Declaração de importação com exatamente o mesmo valor unitário por modelos. Conforme demonstração acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação ou era muito baixa (variando entre 3% a pouco menos de 10%) ou era negativa (chegando a ser negativa em 14%) sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Esta situação e os outros elementos já relatados neste Termo formam a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas Mundo dos Filtros) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros responsáveis pela importação destes produtos e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados a RFB. Para esta Declaração de Importação, as mercadorias importadas foram desembaraçadas no dia 28 (vinte e oito) de abril de 2011 (dois mil e onze) e remetidas um dia depois, conforme nota fiscal de saída nº 1273, na totalidade para o armazém da empresa TRACKER LOGLOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA, que pertence aos sócios da empresa fiscalizada. Finalmente a totalidade das mercadorias declaradas na DI foram repassadas às empresas pertencentes ao Mundo dos Filtro na integralidade no mesmo dia (29/04/2011), o que demonstra mais uma vez que estas mercadorias são previamente adquiridas no exterior por conta e ordem das empresas pertencentes ao Mundo dos Filtros e que ficaram ocultas nesta Declaração de Importação. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. (...) Informa a fiscalização que em procedimento de diligência, em 08/10/12, no estabelecimento da empresa MUNDO DOS FILTROS LTDA – EPP (CNPJ n° 12.903.473/0001- 88), pertencente ao GRUPO MUNDO DOS FILTROS, foram retidos diversos documentos que comprovam a existência da relação entre PRIME/UTILIDAD/GRUPO MUNDO DOS FILTROS na atuação no comércio exterior. Destaca que inúmeros papéis retidos comprovam a tese já exaustivamente exposta no Relatório Fiscal, ou seja, afirma que há “documentos que comprovam que a empresa FILTRAR COMÉRCIO era a verdadeira interessada nas mercadorias importadas e que tentava, de forma obscura e com a ajuda da empresa UTILIDAD, ocultar a sua condição de real adquirente (ANEXO – C)”. Fl. 327DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 E cita que “ao se analisar os registros referentes ao código de processo interno (CPP) de número 226 que faz referência à importação realizada por meio da DI 11/1261623-5, que a empresa FILTRAR COMÉRCIO financiava previamente a importação de mercadorias oriundas do exterior (....) antes da mercadoria ser desembaraçada no Porto do Rio de Janeiro e nacionalizada, em 07/07/11, a empresa FILTRAR COMÉRCIO já havia disponibilizado uma quantia de R$ 109.606,81 (....) referente à nacionalização daquela carga. Isso pode ser constatado na planilha cujo título é “Custos de Importação – CP-276B1- 11” na linha referente à “Transporte Rodoviário RIO-BRASÍLIA” com a observação “Pagto Nacionalização””. E acresce que o comprovante bancário da transferência também se encontra no ANEXO – C. Com isto, observa que antes de qualquer procedimento de fiscalização aduaneira, do desembaraço das mercadorias entrarem nos registros contábeis da UTILIDAD e serem transportadas para o depósito desta, a FILTRAR já estava pagando pelo deslocamento da carga, o que leva a concluir que a FILTRAR era a real adquirente das mercadorias, e quem, na verdade, deveria constar no campo específico da DI. Por fim trata das penalidades e enquadramento legal relativo ao perdimento, bem como do valor da multa substitutiva para as mercadorias consumidas ou não localizadas (art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decreto-lei nº 1.455/1976), e também discorre sobre a solidariedade da UTILIDAD com base no art. 124 do Código Tributário Nacional – CTN e no art. 95 do Decreto-lei n° 37/66. (...) Apurou-se a prática da ocultação do sujeito passivo por UTILIDAD em diversas operações em nome de diversas empresas no PAF n° 10111.720547/2012-73; · A FILTRAR foi uma das empresas participantes das importações fraudulentas na qualidade de real adquirente, ficando oculta em diversas DI’s registradas em nome da UTILIDAD. (grifos nossos) A recorrente foi intimada da decisão proferida pela DRJ em 05/10/2020 (fl.327) e interpôs Recurso Voluntário (às fls.283-338) em 23/10/2020 alegando, preliminarmente, a ocorrência de fato superveniente que alteraria o julgamento deste PAF, e, no mérito, alega que não houve comprovação da irregularidade do modelo de negócios, além da ausência de subsunção dos fatos às normas que tipificam as infrações de interposição fraudulenta, cessão de nome a terceiros e ocultação de real adquirente. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. O cerne da questão gira em torno do fato de que, através de procedimento de fiscalização aduaneira, a Autoridade competente identificou que a recorrente cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. Em razão da irregularidade apontada procedeu-se à aplicação da multa, no montante de 10% (dez por cento) do valor de cada operação, à pessoa jurídica ao ceder seu nome Fl. 328DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários. PRELIMINAR – DA OCORRÊNCIA DE FATO SUPERVENIENTE Alega o recorrente que em razão dos mesmos fatos e pautados nas mesmas provas, a empresa UTILIDAD respondeu ao processo administrativo fiscal, PAF 10111.720547/2012-73 e através do acórdão de nº 3201-0044.918 prolatado pela 1ª Turma da 3ª seção de julgamentos houve a conclusão de que a referida empresa não cometeu a interposição fraudulenta. Baseada nesse acórdão, a recorrente defende que seria imperiosa a manutenção do mesmo entendimento. No entanto, preciso esclarecer que esta Julgadora possui autonomia em sua forma de decidir, bem como nas fundamentações que usará em sua forma de decidir. Inclusive, é exatamente por essa questão que os processos são distribuídos e encaminhados para cada Conselheiro, que deverá estar eivado de impessoalidade em suas razões. Uma vez garantido o contraditório e ampla defesa nestes autos às partes, não há razão para não proferir meu voto. Isto posto, rejeito a preliminar e passo a análise de mérito. DO MÉRITO – da regularidade do modelo de negócios/ da ausência de subsunção dos fatos às normas que tipificam as infrações (interposição fraudulenta, cessão de terceiros e ocultação de real adquirente). As normas que são pertinentes para identificação e sanção das práticas de interposição fraudulenta são o artigo 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976 , que considera como prática danosa ao erário a “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”. O parágrafo 2º deste dispositivo estabelece que a prática ilícita deverá ser presumida quando não restar comprovada na operação de comércio exterior a “origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. A interpretação conforme das normas citadas remete à conclusão que a interposição fraudulenta é o tipo infracional consistente na ocultação de alguma pessoa envolvida na operação (sujeito passivo, real vendedor, comprador ou de seu responsável). A interposição fraudulenta em sua modalidade presumida incide quando não há comprovação (da origem, disponibilidade ou da transferência) dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Nos casos de interposição fraudulenta, é importante, antes de qualquer delimitação e análise do que a fiscalização acostou aos autos para sustentar sua autuação e a configuração da operação simulada, verificar se o embasamento dado ao auto trata da figura da interposição fraudulenta em si ou da interposição fraudulenta presumida. Fl. 329DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 A presunção é figura completamente diferente da interposição fraudulenta em si, especialmente no que diz respeito à necessidade de análise da (in) suficiência do conjunto probatório apto a sustentar que se trata, de fato, da suposta ocultação ou das ocorrências previstas no artigo 23, do Decreto-lei 1.455/1976. A interposição fraudulenta descrita no inciso V do referido artigo 23 é a comprovada, ou seja, aquela que demanda a produção de provas que o agente tenha agido mediante fraude ou simulação, para ocultar uma das partes da operação de importação. A modalidade presumida é, na verdade, uma ficção judicial estabelecida pelo parágrafo 2º do dispositivo, eis que delega aos Agentes Aduaneiros a possibilidade de presumir a ocorrência da infração quando não restar comprovada a “origem, disponibilidade e transferência” do dinheiro empregado na operação comercial. Conforme análise do voto da DRJ, observo que restou esclarecido que: “Na interpretação da autoridade fiscal, a PRIME e a UTILIDAD simulavam uma situação que, de fato, visava ocultar diversas empresas participantes do "grupo" MUNDO DOS FILTROS. Estas, sim, as verdadeiras interessadas e responsáveis pelas operações de importação, dentre elas a FILTRAR, que, pelas razões expostas na autuação, incorreu na infração causadora do dano ao erário, o que justifica a penalidade do perdimento das mercadorias. A autoridade fiscal reuniu os seguintes elementos para comprovar a infração: 1. PRIME e UTILIDAD pertencem aos mesmos sócios e funcionam no mesmo endereço; 2. A UTILIDAD (importadora ostensiva) não possuía capacidade e recursos (econômico, financeira) compatíveis com o nível e volume de importações. Não demonstrou a integralização do capital e os sócios não possuem patrimônio declarado e nem capacidade econômica; 3. As relações familiares: o sócio majoritário da FILTRAR, sr. Raphael Andrade Mothé é filho do sr. Edmar Monthé, que por sua vez já foi sócio da UTILIDAD, e ambos são ou foram sócios em diversas empresas do “grupo” MUNDO DOS FILTROS; 4. As DI’s em análise foram revendidas pela UTILIDAD para as empresas pertencentes à marca MUNDO DOS FILTROS, na maioria dos casos em sua totalidade, com baixa agregação de lucro (antes do IPI, tributos internos e custos operacionais) ou mesmo, em alguns casos com agregação negativa, conforme tabela abaixo e que se destacam as DI’s com mercadorias repassadas para a FILTRAR” (grifos nossos) Quanto à prova da materialidade, deve a fiscalização – especialmente considerando o ônus da prova nos casos de autos de infração e pedidos de compensação, ressarcimento e restituição, demonstrar de forma evidente a ocultação, mediante fraude ou simulação, do sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação. No caso em apreço, é necessária a dilação probatória, para comprovação da ocorrência da operação simulada – considerando o enquadramento no artigo 23, inciso V, do Decreto-lei 1.455/1976, para que, em consequência, seja considerada a aplicação da multa de cessão de nome. Segundo o Professor Rodrigo Mineiro, que por anos fez parte deste Conselho Administrativo - em artigo publicado na obra A eficiência Probatória e a atual jurisprudência do CARF (Almedina, 2020), a maioria dos casos tem aceitado os seguintes elementos para configuração da ocultação: Fl. 330DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 i) contratos; ii) ordens de compra; iii) elementos diversos que apontam que a negociação foi efetuada pelo sujeito oculto; iv) registros contábeis do importador e do sujeito oculto; iv) não comprovação, pelo importador, da origem dos recursos empregados; v) ausência de capacidade financeira do importador e vii) comprovante financeiro do pagamento da importação e demonstração do fluxo financeiro da operação. No meu entender, depois de muito me aprofundar no tema, inclusive me baseando em votos nos quais esta Conselheira já foi considerada vencida em matéria similar, passo a entender que o fluxo financeiro da operação e os registros contábeis são as figuras mais importantes do conjunto de indícios apontado na obra, ou mesmo de tantas outras fortes provas, que podem compor a convicção do julgador para efetivamente considerar a ocorrência de fraude ou simulação. Vê-se que, no presente auto de infração, houve a mera análise do manejo societário das empresas, considerando para as ocorrências acima descritas apenas o encontro ou a semelhante composição empresarial de cada pessoa jurídica. Sequer há qualquer indício de operação fraudulenta ou simulada – não há comprovação do fluxo financeiro, não há comprovação de operações cruzadas, não há comprovação da ausência de capacidade financeira, não há documento probatório quanto às invoices ou quaisquer documentos fiscais ou contábeis que tendam a um comportamento que causa estranheza nas operações de comércio exterior. A mera composição societária das empresas envolvidas na operação de importação – seja pela constatação da existência de sócios em comum, não é elemento nuclear da fraude ou simulação, tão menos pode ser considerada como prova, se totalmente desacompanhada de outros elementos contundentes para formação de um conjunto hábil a sustentar esse tipo de autuação, não restando desconfigurado, no caso em concreto, as importações por conta e ordem. Nesse sentido, ouso divergir da decisão de 1ª grau, pela inexistência de prova que sustente a manutenção do auto de infração, que é mera consequência punitiva da ocorrência de fraude/simulação na figura da interposição fraudulenta, e voto pela procedência do Recurso Voluntário, inclusive, reiterando argumentos utilizados no acórdão 3201004.917 julgado pela 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária que julgaram matéria similar. Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar de ocorrência de fato superveniente, conhecer do recurso e, no mérito, conceder provimento ao recurso voluntário, anulando o auto de infração. Fl. 331DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3002-002.272 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10111.721872/2012-53 É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 332DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005351/2007-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Tratando-se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.076
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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INTEMPESTIVIDADE. Tratandose de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10183.005351/200744 Acórdão n.º 280102.076 S2TE01 Fl. 114 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 897,47, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 525,58), acrescido da multa de mora (R$ 105,11) e juros de mora (R$ 266,78). O lançamento é decorrente da apuração de compensação indevida a título de imposto de renda retido na fonte. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que foi glosado, indevidamente, o valor de imposto retido de R$ 2.241,65 conforme demonstrativo em anexo e documento comprobatório (DARE). A 3ª Turma da DRJ/CGE/MS julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 35/40, que restou assim ementado: AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO Se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de oficio será iniciado sem a ciência do lançamento. GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Na ausência de prova documental suficiente, deve ser mantida a glosa do imposto de renda retido na fonte. Regularmente cientificado daquele Acórdão por edital (fl. 46), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 56/57, em 23/12/2009. Em sua defesa, assim se pronuncia: Tratase de Declaração de Imposto de Renda pessoa física, exercício 2004, ano calendário 2003 (DIRPF/2004 anexo) com rendimentos Tributáveis procedentes da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso, R$ 16.787,15 — IRRF. 142,79 e Rendimento Tributáveis do mesmo órgão de Causa Judicial Trabalhista (doc. anexo — DARFs). De R$ 9.064,53 — IRRF 2.241,65 (doc. probatório, anexo). Destarte, há de se proceder a dedução na base, o valor da despesa advocaticia de R$ 1.812,90 do Advogado Rogério Nunes Guimarães, CPF. 691.918.69134 (doc. anexo) com fulcro do Art. 12, Lei 7713/1988. Com os documentos devidos e comprobatórios, dedução da despesa advocaticia, dedução de dependentes, despesa médica, deuse imposto a Restituir de R$ 11.979,24, valor principal (DISKET anexo). É o relatório. Voto Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10183.005351/200744 Acórdão n.º 280102.076 S2TE01 Fl. 115 3 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23 Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador na repartição ou fora dela, provada com assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1º. O edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º. Considerase feita à intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for meio utilizado. § 3º. Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º. Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. Na espécie, a intimação ao contribuinte, para que tomasse conhecimento da decisão da DRJ, foi devolvida à Delegacia da Receita Federal em Cuiabá/MT, com a informação do Correio de “Mudouse”, conforme cópia do Aviso de Recebimento (fl. 45). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10183.005351/200744 Acórdão n.º 280102.076 S2TE01 Fl. 116 4 Em face dessa devolução, foi publicado o Edital nº 0050/2009 (fl. 46) , em 02/09/2009, para dar ciência ao sujeito passivo. Após o decurso do prazo regulamentar do edital, a autoridade local lavrou o termo de perempção (fl. 49), em 06/11/2009. Em 23/12/2009, o contribuinte apresentou o recurso de fls. 56/57. Verificase que o mencionado edital de intimação atendeu aos requisitos legais para a sua validade, consoante a legislação retrotranscrita. Já o recurso, como se constata dos autos, foi apresentado após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias da data em que a legislação considera o contribuinte intimado da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, quando a intimação é efetuada por edital (Dec nº 70.235/1972, art 23, § 2º, inc. III, c/c art. 33), ou seja, foi apresentado após o prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. Ademais, importa observar que, conforme consta dos documentos 51/52, o representante legal do contribuinte recebeu uma cópia do acórdão recorrido em 18/11/2009. Assim, ainda que se considerasse essa como a data ciência, restaria extemporâneo o recurso interposto em 23/12/2009. Neste contexto, é forçoso concluirse pela intempestividade do recurso e, consequentemente pelo não conhecimento do mesmo. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALI N
score : 1.0
Numero do processo: 10943.000024/2006-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2002
SIMPLES. INCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E
INSTALAÇÃO DE QUADROS ELÉTRICOS.
Não sendo a atividade prestada pela recorrente especifica de engenharia ou assemelhada a esta, bem como não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia (elétrica ou eletrônica), já que de baixa complexidade, não pode ensejar sua exclusão do SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3803-000.064
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 SIMPLES. INCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE QUADROS ELÉTRICOS. Não sendo a atividade prestada pela recorrente especifica de engenharia ou assemelhada a esta, bem como não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia (elétrica ou eletrônica), já que de baixa complexidade, não pode ensejar sua exclusão do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido
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INCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE QUADROS ELÉTRICOS. Não sendo a atividade prestada pela recorrente especifica de engenharia ou assemelhada a esta, bem como não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia (elétrica ou eletrônica), já que de baixa complexidade, não pode ensejar sua exclusão do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 3 Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. , LUIS \çA CELO GUERRA DE CASTRO - Presidente N li itet ANDRiiião-I-N, : ONAT COR 0 IRO - Relator Particip. .m, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Jorge Higashin. t Processo n° I 0943.000024/2006-76 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.064 Fl. 121 Relatório Para melhor abordagem da matéria, adota-se o relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas — SP, consoante anotações seguintes: "Cuida-se de manifestação de inconformidade, com data de protocolo de 01/11/2006 (fls. 53/69), dirigida contra a emissão do Ato Declaratório Executivo — ADE n°48, de 22/09/2006 (fl.50), este último cientificado ao Contribuinte em 03/10/2006 (fl. 52), tudo motivado por representação do INSS (fls. 02/37), a qual noticiava a existência de circunstância impeditiva de ingresso/manutenção no Simples Federal, isto é, a prestação de serviços de montagem elétrica e de energização de máquina, enquadrável na vedação do art. 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317/96. Em sua peça de insurgência alega o Contribuinte: a) A atividade por ele desenvolvida não se enquadraria entre aquelas vedadas pela Lei n°9.317/96. b) Prescindiria, para o exercício de sua atividade, do domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia efou assemelhado. c) A secretaria da Receita Federal do Brasil — SRFB já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples, isso desde o pleito de adesão original. d) A sua exclusão do Simples não respeitaria o comando constitucional concessivo de tratamento favorecido as micros e pequenas empresas. e) A se considerar a via aberta pelo termo "assemelhados", presente no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, estaria a Autoridade Tributária a se socorrer de analogia, com desrespeito, pois, aos ditames do art. 108 do CTN. O Julgados (judiciais/administrativos) dariam suporte à sua inteligência." Os autos foram encaminhados a DRJ - Campinas/SP que indeferiu a solicitacão, proferindo acórdão assim ementado (fls. 90/92): Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Exercício. 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico- científico próprio de profissional da engenharia é circunstancia que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Processo n° 10943.000024/2006-76 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.064 H. 122 INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. DIREITO ADQUIRIDO. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária,diga-se, sempre sujeira a reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — SRFB. Art.79 DA CONSTITUIÇÃO. TRATAMENTO FAVORECIDO. LEI N° 9.317/96. O art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, é norma infraconstitucional que vem ofertar, justamente, eficácia jurídica ao que consignado no art. 179, in fine,da Constituição, que é norma constitucional de eficácia limitada. LEI N°10.964/2004. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. A Lei n° 10.964/2004 contém norma permissiva de ingresso/permanência no Simples dirigida a atividades de manutenção e reparo que tenham por objeto bens que especifica. Em Direito Tributário, regras exonerativas são interpretadas restritivamente, de ordem que não cabe estender tal beneficio para além dos referidos bens. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. O contribuinte foi cientificado desta decisão em 11/12/2007, conforme AR fls. 94. Inconformado, apresentou Recurso Voluntário às fls. 101/116, reprisando os argumentos apresentação em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. \ dre 3 Processo n°10943.000024/2006-76 S3-TE03 Acórdão n°3803-00.064 Fl. 123 VC1EO Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. No presente recurso, a questão apresentada limita-se a verificar se o contribuinte em razão das atividade que desenvolve pode permanecer incluído no regime simplificado de tributação. Conforme se verifica dos autos, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, pelo ADE 48/2006, sob o fundamento de exercer atividade vedada pelo art. 9 0, XIII, da Lei n. 9317/96, qual seja, montagem e instalacao de quadros de comando elétrico. Ocorre que no caso em apreço, considerando a qualificação profissional do único sócio — comerciante (fls. 05) — e que aos autos não foram colacionadas provas em contrário ao declarado pelo Contribuinte, temos um pequeno negócio que tem por atividade principal a mera prestação de serviços de instalação de quadros elétricos, que não exige conhecimento técnico ou superior comprovado. Nesse sentido, entendo que o fato da empresa prestar serviços de manutenção elétricos, não implica na automática conclusão de que esta seja uma empresa de engenharia elétrica ou que preste serviços assemelhados, uma vez que no caso em questão, tais atividades não são necessariamente desenvolvidas por profissionais habilitados. Com efeito, a profissão de engenheiro, dado o nível de instrução exigido para tal formação, envolve atividades especializadas que necessitam de conhecimento cientifico e técnico para o seu exercício. Dessa forma, analisando-se toda a situação fática e probatória dos autos, verifica-se que a atividade exercida pelo contribuinte é de baixa complexidade, não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia ou outro legalmente habilitado. Por fim, cumpre ressaltar que em situações como a presente, a manutenção da exclusão do contribuinte deve ser analisada não só com base na legislação que regulamenta a profissão de engenheiro e no que consta em seu contrato social, mas especialmente deve-se atentar para a atividade que realmente é desenvolvida pelo contribuinte. Este próprio Conselho de Contribuintes tem decidido nesse sentido: Número do Recurso: 138584 Câmara: SEGUNDA CAMARA Número do Processo: 13896.002717/2003-51 Ti•o do Recurso: VOLUNTARIO Matéria: SIMPLES - EXCLUSAO Recorrida/Interessado: DRJ-CAM PINAS/SP igs7 Processo n° 10943.000024/2006-76 S3-TE03 • Acórdão n." 3803-00.064 Fl. 124 Data da Sessão: 16/1012008 14:00:00 Relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Decisão: Acórdão 302-39897 Resultado . DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Ricardo Paulo Rosa votou *ela conclusão Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Pode - SimplesAno-calendário: 2002SIMPLES. INCLUSÃO COM EFEITOS. RETROATIVOS Não existe qualquer obstáculo para que as pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, manutenção, elétrica, hidráulica e mecânica e montagem de painéis elétricos, optem pela sistemática do SIMPLES RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, tomando sem efeitos o ADE 48/2006. Sala 1. s Sessões, em 17 de março de 2009‘1", 11 ‘ AN Ø!Z BONAT CORD I, RO - Relator \ s Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10725.001573/2007-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-002.010
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10725.001573/200713 Acórdão n.º 280102.010 S2TE01 Fl. 72 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 3.527,02, referente ao exercício de 2005, a título de imposto (R$ 1.711,40), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 1.283,55), além dos juros de mora (R$ 532,07). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em sua impugnação, a contribuinte alegou a improcedência da ação fiscal, aduzindo que a omissão de rendimentos apurada decorrera de erro da fonte pagadora, ao informar, rendimentos tributáveis pago à impugnante, no montante de R$ 65.510,00, conforme DIRF de fls. 57, quando os rendimentos efetivamente pagos seriam de R$ 52.745,00, nos termos do Comprovante de Rendimentos Pagos, emitido pela fonte pagadora, às fls. 40. A 3ª Turma da DRJ/RJ2/RJ julgou improcedente a impugnação. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 04/11/2010 (fl. 69), a interessada, representada por seu advogado (fl. 38), interpôs recurso voluntário de fls. 66/67, em 22/11/2010. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, destaquese que inexiste elementos ou argumentos, nos autos, capazes de afastar a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal, em consonância com as DIRF (Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte) apresentada pela fonte pagadora INSTITUTO DE PREVIDENCIA DO ESTADO DO RI0 DE JANEIRO, CNPJ 33.908.880/000158. O recorrente sustenta que os valor declarado de R$ R$ 52.745,00 corresponde ao valor efetivamente recebido da referida fonte pagadora. Todavia, não cuidou de apresentar os comprovantes de rendimentos mensais ou outros elementos de prova que confirmassem suaa alegações. Ademais, é de se destacar as seguintes observações registradas pela decisão recorrida: Não obstante a impugnante tenha apresentado o Comprovante de Rendimento de fls. 40, emitido pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, em 14/03/2005, consignando rendimentos tributáveis de R$ 52.745,00, e IRRF de R$ 11.717,89, consta dos autos outro informe de rendimentos, expedido pela mesma fonte pagadora, com data de emissão de Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10725.001573/200713 Acórdão n.º 280102.010 S2TE01 Fl. 73 3 31 de maio de 2007, retificando o valor dos rendimentos tributáveis para R$ 65.510,00, mantendo o mesmo valor para o IRRF. Com efeito, analisada a D1RF de fls. 57, constatase que o valor do imposto retido na fonte, a cada mês, cujo montante anual informado é de R$ 11.717,89, corresponde exatamente à aplicação da tabela progressiva do Imposto de Renda aos rendimentos mensais informados nessa obrigação acessória, concluindose, pois, que os rendimentos tributáveis pagos correspondem a R$ 65.510,00, e não aos R$ 52.742,00, constante do informe de fls. 40. Constatase, pois, a procedência da ação fiscal, haja vista a constatação da omissão de rendimentos tributáveis de R$ 12.765,00 (=R$ 65.510,00R$ 52.745,00). Nesse contexto, resta considerar acertado o feito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001433/2004-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE -
SIMPLES
Ano-calendário: 2003
INEXISTÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO INDEVIDA.
Analisando o objeto social, as notas fiscais de prestação de serviços e os contratos celebrados pela empresa, nota-se que não há como caracterizar as atividades da empresa como sendo locação ou cessão ou empreitada de mão-de-obra simplesmente, dessarte, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. Isso porque, a Recorrente presta serviços de transporte de passageiros em veículos próprios, sem qualquer subordinação de seus funcionários à Tomadora dos serviços.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3803-000.016
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Regis Xavier Holanda, que negou provimento, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 INEXISTÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO INDEVIDA. Analisando o objeto social, as notas fiscais de prestação de serviços e os contratos celebrados pela empresa, nota-se que não há como caracterizar as atividades da empresa como sendo locação ou cessão ou empreitada de mão-de-obra simplesmente, dessarte, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. Isso porque, a Recorrente presta serviços de transporte de passageiros em veículos próprios, sem qualquer subordinação de seus funcionários à Tomadora dos serviços. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13888.001433/2004-28 Recurso n° 141.131 Voluntário Acórdão n° 3803-00.016 — 3' Turma Especial Sessão de 16 de março de 2009 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrente ROSECAR TURISMO E TRANSPORTES LTDA. Recorrida DRJ - RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 INEXISTÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO INDEVIDA. Analisando o objeto social, as notas fiscais de prestação de serviços e os contratos celebrados pela empresa, nota-se que não há como caracterizar as atividades da empresa como sendo locação ou cessão ou empreitada de mão-de-obra simplesmente, dessarte, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. Isso porque, a Recorrente presta serviços de transporte de passageiros em veículos próprios, sem qualquer subordinação de seus funcionários à Tomadora dos serviços. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Regis Xavier Holanda, que negou provimento, nos termos do voto do Relator. ara LUISnYr EL5GUERRA DE CASTRO - Presidente „n \i, evt AND • 1 Ul BONAT CORDEIR e - Relator Particip 3 , ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Jorge Higashino. 1 _ _ Processo n° 13888.001433/2004-28 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 160 Relatório Para melhor abordagem da matéria, adota-se o relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto — SP, fls. 112/117, consoante anotações seguintes: A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo n° 35, às fls.55, de 2/8/2004, emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Piracicaba, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando como causa do evento a atividade econômica, no caso, locação de mão-de-obra. Fundamentou-se na Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9°, XII, f. Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão seriam a partir de 01/01/2002 em obediência ao disposto na Medida Provisória n° 2.158, de 27/07/2001, e Instrução Normativa (IN) — SRF n°355, de 29/08/2003. A exclusão do referido sistema foi motivada por Representação Fiscal do INSS, em anexo, encaminhada à Secretaria da Receita Federal em face da situação de vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES, aos autos foram juntados cópia de representação fiscal, contrato social e alterações, notas fiscais e demais documentos. Cientificada do Ato Declaratório, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls.103/108. Encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto — SP, restou indeferida a solicitação, conforme decisão assim ementada (fls.112/117): Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-Calendário: 2003 LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. VEDAÇÃO A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mão-de- obra ou cessão de mão-de-obra não pode optar pelo Simples. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.130/143), alegando, em suma: a) A atividade exercida pela empresa refere-se a serviço de fretamento, transporte de passageiros prestado à pessoa jurídica, não havendo qualquer vínculo de seus empregados com a empresa que lhe é prestado serviço. b) Tal cessão de mão-de-obra consi te em colocar à disposição da empresa contratante o serviço de transporte de passageiros. .6.72 Processo no 13888.00143312004-28 S3-TE03 Acórdão n°3803-00.016 Fl. 161 c) De acordo com o art.9° da Lei n°9.317/1996, a empresa se encaixaria no sistema Simples, tendo em vista sua receita bruta inferior ao teto prescrito nesta Lei; Pede, por fim, o can lamento do Ato Declaratório referente à exclusão da empresa do sistema de tributação den • inado Simples, mantendo-a enquadrada neste sistema. É o relatório. \ #449 3 Processo n° 13888.001433/2004-28 S3-TE03 Acórdão n.°3803-00.016 Fl. 162 Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator A exclusão da recorrente do SIMPLES teve origem em Representação Fiscal do INSS, a qual propunha a exclusão, por ter aquele i. auditor-fiscal constatado que a ora litigante realiza operações de locação de mão-de-obra, situação constatada em levantamento fiscal efetivado junto à empresa Conpar Construção Pavimentação e Rodovias Ltda., tomadora dos serviços. Acatada a proposta do INSS, foi excluída a recorrente do SIMPLES, fl. 55, ratificado pela DRJ, alicerçada também no entendimento sufragado por Parecer da COSIT, de que locação de mão-de-obra, cessão de mão-de-obra e empreitada de mão-de-obra se equivalem (apesar de suas sutis diferenças), e a prática de qualquer delas é suficiente para excluir a empresa praticante do SIMPLES. As conclusões do Parecer n° 69 da Coordenação- Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal, de 10 de novembro de 1999, são que estai impedidas de optar pelo SIMPLES, as pessoas jurídicas que: a) têm como atividade a locação de mão-de-obra, b) firmam contratos de prestação de serviços relativos à empreitada exclusivamente de mão-de-obra; c) contratam serviços mediante cessão de mão-de-obra; e) estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mão-de-obra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lei n° 9.528/97, art. 4°). Entretanto, pode-se ver que o objeto social da empresa, fl. 67 e 70, é a prestação de serviços de transporte turístico de superficie, isoladamente ou em conjunto com transporte de cargas e passageiros. Ainda atento aos contratos de prestação de serviços trazidos aos autos, nota- se que a contratada o foi para prestação de serviços de transporte de pessoal dos tomadores, os quais declararam, por escrito (fls. 73 e 96), que, para tanto, ela (Recorrente) utiliza-se de veículos e funcionários próprios. Pois bem, tendo as atividades retrodescritas em mente, pode- se dizer que o objeto social da empresa não se encaixa em nenhuma das hipóteses elencadas pelas conclusões do aludido Parecer COSIT. As notas fiscais de prestação de serviços da empresa também comprovam o que aqui se afirma. Ora, não há como caracterizar tais contratos como sendo locação/cessão/empreitada de mão-de-obra si plesmente. 911 4 • Processo n° 13888.001433/2004-28 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.016 Fl. 163 O conceito de cessão de mão-de-obra, buscado na legislação securitária, está expresso no art. 23 da Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal, ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5° do art. 33. § I° O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3° Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4° Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I — limpeza, conservação e zeladoria; II — vigilância e segurança: III — empreitada de mão-de-obra; IV — contratação de trabalho temporário na forma da Lei n" 6.019, de 3 de janeiro de 1974. De tal sorte que para restar caracterizada a cessão de mão de obra, necessária a presença de um requisito fundamental que, ao meu sentir, não se encontra presente no caso vertente, qual seja, a colocação de funcionários à disposição da contratante. Em nenhum momento dos contratos ficou clara a subordinação dos empregados da contratada à prepostos ou gestores da contratante. Nesse sentido, algumas decisões enquadram-se nos moldes desta lide: ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples EMENTA: OPÇÃO. Pode permanecer no Simples a pessoa jurídica que presta serviço de silvicultura, com mão-de-obra e máquinas agrícolas, corte e manejo de madeiras e serviços administrativos, desde que não exerça qualquer atividade impeditiva, mesmo em caráter eventual, e atenda os demais requisitos legais para opção e permanência no regime simplificado. Processo n° 13888.001433/2004-28 S3-TE03 Acórdão n.9803-O0.016 Fl. 164 SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 8' REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 147 de 01 de agosto de 2003 ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples EMENTA: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COLHEITAS E PULVERIZAÇÕES AGRÍCOLAS TERRESTRES. Pessoa jurídica que presta serviços de colheitas e pulverizações agrícolas terrestres pode optar pelos Simples, a menos que se dedique à locação, cessão ou empreitada exclusivamente de mão-de-obra. COORDENAÇÃO-GERAL DE TRIBUTAÇÃO SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 5 de 11 de julho de 2005 SIMPLES - EXCLUSÃO INDEVIDA. ATIVIDADE PERMITIDA — INOCORRÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. INAPLICABILIDADE DA ALÍNEA "F", DO INCISO XII, DO ARTIGO 9°, DA LEI 9317/96. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO. Há que se distingüir a contratação da prestação de serviços de forma genérica, eventual, da atividade "locação de mão de obra" esta, sim, vedada para o SIMPLES. Não caracterizada a atividade como "locação de mão de obra" não há que excluir a empresa do regime do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Acórdão 302-38056 JUDITE! DO AMARAL MARCONDES ARMANDO 21/09/2006 SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO. Há que se distinguir a contratação da prestação de serviços com cessão de mão-de-obra da assim chamada locação de mão-de-obra. No primeiro caso há uma "locação de serviços" com disponibilização de mão-de-obra, de força de trabalho, não há, no entanto, obrigação da contratada de fornecer determinada pessoa, mas sim alguma pessoa, e, portanto, não há pessoalidade dos obreiros cedidos. Neste caso, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Acórdão 302-38050, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, 21/09/2006 Nesse sentido, confira-se outro precedente especifico deste Conselho: Número do Recurso: 127216 Câmara: TERCEIRA CAMARA Número do Processo: 13629.000664/2001-22 Ti o do Recurso: N'OLUNTARIO Matéria: SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrida/Interessado: DRJ-JUIZ DE FORA/MG Data da Sessão: j 14/04/2004 14:00:00 Relator: JOÃO HOLANDA COSTA 9r1 • Processo n° 13888.001433/2004-28 S3-TE03 Acórdão n.°3803-00.016 Fl. 165 Decisão: Acórdão 303-31355 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNAN1M IDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos deu-se provimento ao recurso voluntário Ementa: "SIMPLES - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE.Não se pode confundir a prestação de serviços genérica com a locação de mão-de-obra, po serem institutos jurídicos distintos.A pessoa jurídica que tem por atividade a prestação de serviços, pura e simples, não está vedada de optar pelo SIMPLES."RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Diante do exposto, dou provimento ao Recurso, tomando sem efeitos o ADE 35/2004. Sala • s Sessões, em 16 de março de 2009. A 417,1:4-t> : ONAT CORDEIRO - ',elator ,COrr. Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13826.000279/2002-30
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA
Período de apuração: 10/11/1988 a 15/10/1995
CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES CONTENDA. COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Os limites da discussão judicial, em tema de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, devem ser criteriosamente observados pelo sujeito passivo, sob pena de não-homologação das compensações declaradas e também pela autoridade administrativa sob pena de desobediência à, decisão judicial transitada em julgado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.296
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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