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Numero do processo: 10283.003508/86-19
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 1988
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. Bens importados com benefício fiscal. Diferenças verificadas entre os estoques escritural e físico. Caso em que, com base em novo exame de escrita realizado pela Fiscalização, através de diligência, as diferenças apuradas foram admitidas como quebras ou perdas consideradas razoáveis,
ocorridas no processo industrial.
Numero da decisão: CSRF/03-01.554
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Su perior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Cons. Helio Loyolla de Alencastro.
Nome do relator: PAULO CESAR DE AVILA E SILVA
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Bens importados com benefício fiscal. Diferenças veri- ficadas entre os estoques escritural e físico. Caso em que, com base em novo exame de escrita realizado pela Fisca- lização, através de diligência, as di- ferenças apuradas foram admitidas como quebras ou perdas consideradas razoá- veis, ocorridas no processo industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Su perior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos ter- mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, ven cido o Cons. Helio Loyolla de Alencastro. Sala das Sessões (DF), 22 de : agosto de 1988. --- , f" 1 URG PEREI:,1 400;-•,,,,,p?‘" - PRESIDENTE 411P,- fy 0111.101~~--r A, 4 er PAULO ' SAR P, "-A E SILVA - RELATOR -10 L URO 41 • IMBERG - PROCURADOR DA FAZEN- DA NACIONAL - Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, HAMILTON DE SÃ DANTAS, JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CA- BRAL. /N SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N19 10283/003.508/86-19 RECURSO N9: RP/303-0.954 ACORDÃOW CSRF/03-01.554 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: PHILCO DA AMAZÔNIA LTDA RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional, Dor seu Procurador jun to ã 3 Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, objeti- vando a reforma do Acórdão n9 303-25.052, da mesma Câmara, prola- tado em sessão de 22 de outubro de 1987 (fls. 425/429), lido na ín tegra em sessão (1e) e assim ementado: "ZONA FRANCA DE MANAUS - Desvio de bens importados com benefício fiscal. Diligencia. Levantamento con siderando quebra no processo industrial. Aceitabi- lidade. Ação fiscal procedente, em parte". Em seu arrazoado de fls. 430/433, que tambem leio em sessão (lã), arrima-se o douto recorrente no voto vencido do ilustre rela tor, Conselheiro Helio Loyolla de Alencastro, em que é sustentada a tese de que "as perdas apuradas nos estoques ou verificadas no processo de industrialização tem que se ater aos limites de tole- rância previamente justificados e admitidos pela autoridade fis- cal". Nas contra-razões de fls. 445/446, igualmente li- das na íntegra em sessão (1e), o sujeito passivo pede o improvitnen 4t.n DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/003.508/86-19 2. Acórdão n9-CSRF/03-01.554 to do recurso especial, sustentando que o acórdão recorrido, "face ao direito e prova constantes dos autos, reconheceu, de forma in- contestável, que as diferenças de quantidades entre o estoque es- criturai e o estoque físico resultaram dequebras de insumos ocorri- das no processo industrial (quebras de produção É o relatório. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/003.508/86-19 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.554 VOTO Conselheiro PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA, relator. Trata-se, como visto no relatório, supra, de per- das ocorridas no processo industrial, e verificadas pela Fiscaliza ção, através de exame de escrita, em cumprimento a diligência de- terminada pela c. Câmara recorrida, cujas conclusões constam de in formação fiscal de fls. 22 (lê), e foram acolhidas pela mesma Cãma ra. Entendo não merecer reparos o r. acórdão recorri- do, ao decidir que as exigências tributárias devem ser limitadas às diferenças apuradas pela citada diligência, as quais foram conside radas aceitáveis, uma vez que não consta dos autos terem sido fixa dos limites prévios de tolerância de quebra, por parte da autorida de fiscal. Isto posto, nego provimento ao recurso especial. "0 1,2/ , , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10380.100831/2008-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. PROVAS.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-001.996
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator) e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que davam provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária tão-somente a multa isolada por falta de recolhimento do Carnê- leão. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. PROVAS. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Recurso voluntário provido.
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PROVAS. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator) e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que davam provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária tãosomente a multa isolada por falta de recolhimento do Carnê leão. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 363DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 343 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, às fls. 02/09, para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 296.631,58, relativo ao anocalendário 2003, sendo R$ 81.603,37 a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 122.405,05 relativo à multa qualificada (150%), R$ 42.298,37 de multa exigida isoladamente, e R$ 50.324,79 referente a juros de mora calculados até 30 de setembro de 2008. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da peça de autuação, bem como do Termo de Verificação Fiscal às fls. 10/20, que é parte integrante do auto de infração, a autoridade fiscal apurou infração à legislação tributária, em face da omissão de rendimentos tributáveis recebidos do exterior no ano de 2003. O rendimento apontado como omitido foi no valor de R$ 309.163,00, materializado em um depósito bancário feito em 13/08/2003, referente a um contrato de câmbio realizado junto ao Banco Industrial e Comercial. Segundo esclarece o autuante, o recurso veio do exterior (cidade de Montevidéu, no Uruguai) e foi enviado pela empresa Ticemill Sociedad Anonima, de cujo capital o contribuinte era possuidor de ações ao portador. O relatório da decisão recorrida bem resumiu os fatos, conforme trecho a seguir reproduzido: “(...) 1) o contribuinte foi selecionado a partir da análise da documentação arrecadada pela Polícia Federal, em procedimento de busca e apreensão judicial empreendida nos autos dos processos n° 2006.81.00.0188850 e 2006.81.00.0171072, relacionada à irregularidade de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal por parte de pessoas jurídicas pertencentes ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas. A documentação apreendida foi disponibilizada à fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil por decisão da Justiça Federal; 2) o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de um depósito bancário em sua conta corrente no Banco Industrial do Ceará, feito em 13/08/2003, no valor de R$ 309.163,00; 3) em resposta, o contribuinte informou que o depósito correspondia a um recebimento pela alienação de sua participação societária na empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Esclareceu que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. (Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas) alienaram em conjunto à empresa Ticemill Sociedad Anônima, situada na cidade de Montevidéu no Uruguai, suas quotas de capital. Informou, ainda, que recebeu o valor de R$ 309.163,00, em 13/08/2003, conforme o 6° Aditivo ao Contrato Social, pela alienação de suas quotas de capital; Fl. 364DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 344 3 4) em resposta, ainda, à intimação, o contribuinte informou que o ingresso do recurso em moeda estrangeira se deu através de Contrato de Câmbio, feito com o Banco Industrial do Ceará, e que apresentou à Secretaria de Receita Federal do Brasil o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital. A operação de alienação das quotas de capital foi também informada na Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2004, anocalendário 2003; 5) a justificativa da origem do depósito bancário apresentada pelo contribuinte foi acompanhada dos seguintes documentos: Aditivo ao Contrato Social da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., Contrato de Câmbio, explicitando a origem e a causa, Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital, Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2004, anocalendário 2003; 6) a fiscalização aceitou a origem do depósito bancário, no valor de R$ 309.163,00 (...), como sendo proveniente do exterior. Entretanto, a fiscalização descaracterizou a operação de alienação de quotas de capital; 7) a descaracterização da operação de alienação de quotas de capital foi fundamentada nos fatos e documentos, objeto do Mandado de Busca e Apreensão, relacionado aos processos judiciais n°(s) 2006.81.00.0199950 e 2006.81.00.0171072; 8) os fatos e documentos, objeto do Mandado de Busca e Apreensão, dizem respeito à empresa Freitas Empreendimentos Ltda. (sucessora das pessoas jurídicas Scala Factoring Fomento Comercial Ltda., Fortbrasil Fomento Comercial Ltda., Ticemill do Brasil Ltda. e Venopell Fomento Comercial Ltda. e a duas pessoas jurídicas situadas na cidade de Montevidéu, no Uruguai, que são: Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima; 9) a fiscalização verificou que as pessoas físicas Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, todos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., eram acionistas e proprietários das pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima. Em poder do contribuinte e dos demais sócios foram encontrados Títulos Representativos das Ações ao Portador e Certificados de Custódia, relacionados ao capital da empresa Ticemill Sociedad Anonima e ao capital da empresa Venopell Sociedad Anonima; 10) a fiscalização verificou ainda que Luciano Faria Bezerra, sócio minoritário de empresa ligada ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas, José Marcelo Matos de Freitas, administrador do grupo empresarial Marcelo Freitas, e Juliana Matos de Freitas, sócia da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., possuíam procuração, outorgada pelo presidente da empresa Ticemill Sociedad Anonima e procuração outorgada pelo presidente da empresa Venopell Sociedad Anonima, para participar em negócios jurídicos em que a empresa Ticemill Fl. 365DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 345 4 Sociedad Anonima fosse parte e em que a empresa Venopell Sociedad Anonima fosse parte; 11) pelo fato dos Títulos Representativos das Ações ao Portador e dos Certificados de Custódia, relacionados às pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima, se encontrarem em poder de cada sócio da empresa Freitas Empreendimentos e pelo fato de haver intervenção administrativa nas pessoas jurídicas uruguaias por pessoas físicas ligadas ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas (Luciano Faria Bezerra, Juliana Matos de Freitas e José Marcelo Matos de Freitas), a fiscalização descaracterizou a operação de alienação de quotas de capital; 12) descaracterizada a operação de alienação de quotas de capital, formalizada, 05/03/2003, no 6° Aditivo ao Contrato Social, o depósito bancário na conta corrente do contribuinte, no valor de R$ 309.163,00, feito em 13/08/2003, foi considerado como rendimento de capital do exterior e tributado como omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 55, inciso VII, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. (...)” Cientificado do lançamento em 07/10/2008, conforme documento à fl. 118, o contribuinte apresentou impugnação em 05/11/2008, às fls. 122/145, por meio de seu representante (doc. procuração às fls. 147/151, argumentando, basicamente, que: Decadência. Reportandose à constituição das pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima que se deu em 31/12/2001, os empréstimos obtidos no exterior pela empresa Scala Factoring Fomento Comercial Ltda., que se deram em 04/10/2001, 17/10/2001 e 24/10/2001, o contribuinte com base no Termo de Verificação Fiscal, vem defendendo que o fato gerador relacionado à omissão de rendimentos ocorreu quando do envio dos recursos para o exterior, que teria ocorrido nos anoscalendário de 2001 e 2002, e não quando do retorno que se deu no anocalendário de 2003, através de alienação de quotas de capital; Legalidade da alienação e ausência de fraude. A alienação das quotas de capital ocorreu de fato, e que o contribuinte e os demais sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. não eram proprietários da empresa Ticemill Sociedad Anonima, situada na cidade de Montevidéu, no Uruguai, não possuindo Ações ao Portador dessa empresa, mas tãosomente a guarda dos certificados de custodia das ações, em garantia de pagamento pela alienação das quotas de capital, que de se deu, em 13/08/2003, data posterior, ao evento da alienação, que ocorreu em 05/03/2003. As ações ao portador estavam custodiadas na empresa C.H.T. AUDITORES Y CONSULTORES, situada na cidade de Montevidéu, Uruguai. Na seqüência, expôs o impugnante acerca da matéria de mérito posta em discussão, cujos principais trechos encontramse bem resumidos às fls. 192/196 dos autos. Fl. 366DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 346 5 Ao final, solicitou o recorrente que fosse recebida sua impugnação, juntamente com os documentos que a instruem, para em sede de prejudicial de mérito, fosse reconhecida e pronunciada a decadência do direito de lançar, e no mérito, não sendo reconhecida a decadência, reconhecida a ilegalidade e a improcedência das autuações fiscais, para os fins de declarálas nulas. Visando comprovar que não havia relação de propriedade entre os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. e às pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima, situadas na cidade de Montevidéu, no Uruguai, o interessado colacionou a seguinte documentação ao processo: cópias das atas de reunião relacionadas com a empresa Ticemill Sociedad Anonima, fls. 151/164 (documentos escritos em língua espanhola, não se verificando tradução juramentada); cópia de correspondência do senhor Luciano Faria Bezerra, representante legal da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., para a empresa C.H.T. Auditores & Consultores, situada na cidade de Montevidéu, Uruguai, e cópia das respostas, em língua espanhola às fls. 165/169. Ao apreciar o litígio, a 1a Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza decidiu, por unanimidade de votos, por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (Acórdão DRJ/FOR nº 0816.098, de 01/09/2009, às fls. 190/204). Transcritas a seguir as ementas que fundamentaram a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 FATO GERADOR. RECURSO DO EXTERIOR DEPOSITADO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Verificandose que o depósito bancário é originário do exterior e que o contribuinte é titular de empresa, sediada no exterior, o depósito bancário é tido como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, salvo a comprovação de que o rendimento se sujeita à tributação específica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem do depósito bancário, como sendo rendimento de capital existente no exterior, e verificandose que o rendimento não foi oferecido à tributação, farseá o lançamento de ofício conforme as regras de tributação do rendimento. RENDIMENTOS DE CAPITAL DO EXTERIOR. Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior por residente no Brasil, transferidos ou não para o País, estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal Fl. 367DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 347 6 obrigatório (carnêleão), no mês de recebimento e na Declaração de Ajuste Anual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RENDIMENTO DO EXTERIOR. DECADÊNCIA. DATA DO FATO GERADOR. Comprovado que o depósito bancário originouse do exterior e que o contribuinte é titular de empresa no exterior, é lícito ao fisco considerar que o depósito bancário seja rendimento tributável oriundo do exterior e que o fato gerador ocorreu na data do depósito bancário, mormente se o fato alegado pelo contribuinte como causador da remessa do exterior foi descaracterizado pela fiscalização. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MEIOS DE PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se admitem como meios de prova no processo administrativo fiscal documentos redigidos em língua estrangeira, desacompanhados de tradução firmada por profissional juramentado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 20/10/2009, nos termos do Aviso de recebimento AR à fl. 210, o contribuinte interpôs, em 17/11/2009, o Recurso Voluntário às fls. 211/304, reiterando as razões de fato e de direito postas na impugnação, e sustentando ainda que: com relação à decadência, a impugnação demonstrou, a partir das peças pelo fisco trazidas aos autos, que os fatos econômicos ocorridos no ano de 2003 são oriundos de operações anteriores, de 2001 e 2002 e, por isto mesmo, com mais de cinco anos à data do lançamento, e assim, a internação daquela disponibilidade anterior a 2003 não pode ser tributada em 2008, pelo Imposto de Renda, pois a internação de bens (dinheiro, títulos, mercadorias), o seu transporte do exterior para o Brasil, não constitui fato gerador do Imposto de Renda, que incide, sim, sobre a aquisição da disponibilidade, não sobre a sua movimentação intercontas ou interterritórios; diante da verdade material como princípio a nortear o art. 43 do CTN, reafirma que há dúvidas nos autos quanto ao momento em que o contribuinte auferiu rendimentos de fontes situadas no exterior; Fl. 368DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 348 7 internar capital no País não constitui, por si só, a hipótese do art. 43 do CTN, pois o fato gerador do imposto de renda é aquisição da disponibilidade, e não a movimentação dessa disponibilidade; aquisições de disponibilidades (art. 43 do CTN) ocorridas em 2001 e 2002 (empresa e sócios), não podem ser revalidada como fato gerador novo em 2003, pois não há, no direito brasileiro, a figura da “novação” do fato gerador; inaceitável qualquer restrição quanto à compreensão do idioma dos documentos expedidos pelos países integrantes do MERCOSUL, em face dos princípios que norteiam a cooperação internacional entre os países membros; era o caso de no máximo determinar a notificação do recorrente para a apresentação de versão do documento em tradução juramentada, até mesmo em homenagem à garantia da ampla defesa (abrangente do direito à prova) que deve nortear qualquer processo administrativo, mas rejeitar a prova, porém, demonstra medida extrema e ofensiva ao direito de defesa; não houve nenhuma simulação destinada à “internação” de recursos, os quais pertenciam de fato a empresa existente, regularmente constituída segundo as leis uruguaias; não há prova de que o recorrente integrava o quadro societário da empresa no momento da venda das quotas, salientando que a posterior aquisição dos títulos (ações) ao portador se deu exatamente como garantia de pagamento das quotas vendidas; solicita a juntada de cópia do Laudo de Exame de Dispositivo de Armazenamento Computacional Laudo nº 287/2009 Setor TécnicoCientífico do Departamento de Polícia Federal do Ceará (cujo original está presente nos autos 2006.81.00.00171072 – 11ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará), como documento de prova quanto à regularidade das operações fiscalizadas e à inexistência de qualquer ilícito fiscal. Posteriormente, em 21/12/2009, o recorrente requereu a juntada, às fls. 305/338, da tradução juramentada de documentos já presentes nos autos. Ao final de sua defesa, o recorrente entende ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, e assim, espera e requer seja acolhido o recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 369DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 349 8 Preliminarmente, o recorrente alega que o crédito tributário teria sido alcançado pela decadência. No entanto, é preciso considerar o fato de que o lançamento operouse com multa qualificada, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constante do item 1.3 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 10/19 do processo, além do demonstrativo às fls. 08, o que, como se sabe, acaba por ter reflexos na definição do termo inicial de contagem do prazo decadencial. Face ao que sustenta o recorrente, esclareçase que o fato gerador da obrigação tributária ocorre no momento da disponibilidade econômica ou jurídica, nos termos do artigo 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, CTN, portanto, no presente caso, o fato gerador se deu quando da realização do depósito bancário na conta corrente do contribuinte, em 13/08/2003. Deste modo, conforme ressaltado no acórdão recorrido, na ação fiscal em apreço “não se está tributando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 e 2002, anos de provável envio do recurso para o exterior. Também não se está tributando a internação de recursos mantidos no exterior, pelo fato desses recursos terem sido enviados para o exterior sem autorização do Banco Central do Brasil (...)”, e ainda, igualmente não se pode considerar como momento de ocorrência do fato gerador a data de constituição da empresa Ticemill S/A, em 31/12/2001, pois, repisese, diante do que consta dos autos, o que se apura é que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 13/08/2003 quando da efetivação do depósito em conta bancária do recorrente de rendimento oriundo do exterior. Nesse sentido, conforme a parte final do § 4° do art. 150 do CTN, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, não ocorre a homologação após cinco anos do fato gerador. Portanto, havendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, não deve ser aplicado o artigo 150 do CTN, passando a regra de contagem a ser aquela estipulada pelo art. 173, inciso I, do CTN, in verbis: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Deste modo, diferentemente da tese do recorrente, em 07/10/2008, data da ciência do auto de infração, o lançamento foi efetuado tempestivamente, posto que, conforme será explicitado a seguir, quando da análise do mérito, restou configurado nos autos o apontado “evidente intuito de fraude”, vez que o contribuinte visou ocultar o fato gerador do imposto. Aplicandose as disposições do art. 173, inciso I, do CTN, tratandose de omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário 2003, temse 01/01/2005 como termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, e 31/12/2009 como termo final. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda constituir crédito tributário relativo ao anocalendário albergado pela autuação. Fl. 370DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 350 9 No mais, registrese que não restou configurado o cerceamento de direito de defesa alegado pelo recorrente, posto que a decisão recorrida de forma escorreita e fundamentada apresentou a razão pela qual rejeitou a documentação redigida em língua estrangeira acostada aos autos na impugnação, pelo que também rejeito essa preliminar. Quanto ao mérito, diante da análise das peças processuais, entendo suficientes as provas elencadas na autuação para descaracterizar a operação de alienação de quotas de capital alegada pelo recorrente, mas sim, verificouse o recebimento de rendimento de capital situado no exterior sem tributação. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas que atestam não haver a alienação de quotas de capital alegada, a autoridade fiscal não somente tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. Conforme destacado pela autoridade lançadora, não obstante a pessoa jurídica Ticemill S/A tenha domicílio no Uruguai e ser tida no negócio jurídico de compra e venda das cotas de capital da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. como terceiro independente, ocupando a posição de adquirente (compradora), apurouse que o contribuinte e os demais sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. participavam do capital da empresa Ticemill S/A, e, deste modo, apesar dos atos formais de transferência de quotas de capital, a empresa Freitas Empreendimentos Ltda. permanecia com os mesmos sócios, sem que, na verdade, tivesse ocorrido qualquer substituição, fato comprovado pela efetiva titulação de Ações ao Portador da empresa Ticemill S/A. Demonstrou a fiscalização, portanto, tratarse de uma operação “ficta” visando a internação de recursos, mantidos no exterior, pelo conjunto de alienantes (referidos sócios), visto que, essas pessoas físicas não se retiraram, de fato, da condição de titulares majoritários das cotas de capital da empresa Freitas Empreendimentos Ltda.. Os Títulos Representativos das Ações ao Portador, fls. 93/103, e os Certificados de Custódia, fls. 104/113, foram obtidos através do Mandado de Busca e Apreensão efetuado nas pessoas físicas dos sócios da empresa Freitas Empreendimentos, e apontam que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos possuíam Ações ao Portador, emitidas pela empresa Ticemill S/A. Os referidos Certificados, como se pode verificar da tradução juramentada, às fls. 104/108, atestam as custódias das ações ao portador do capital da empresa Ticemill S/A por conta e ordem de cada sócio da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., todavia, o atestado no Certificado de Custódia não coaduna com o argumento de que as ações ao portador foram dadas em garantia do pagamento pela alienação das quotas de capital. Deste modo, como demonstrado pelo Fisco, o recorrente percebeu em 13/08/2003, através de crédito em sua conta bancária, rendimento de capital mantido no exterior. Assim, quanto à alegada natureza do rendimento, ressaltese que a infração de omissão de rendimentos foi enquadrada no inciso VII do artigo 55 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Seria ocioso mencionar que todos os valores recebidos são passíveis de comprovação. E, no tocante a adiantamentos, doações, dinheiro em espécie, empréstimos, ou mesmo quaisquer recebimentos de créditos, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos Fl. 371DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 351 10 patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Na espécie, não há dúvidas de que a responsabilidade pela apresentação das provas a descaracterizar a omissão apontada pelo Fisco compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas que atestam não haver ocorrido a operação de ganho de capital como declarado pelo contribuinte, a autoridade fiscal efetuou o devido lançamento de ofício. Deveras, não vejo reparos a ser feito na decisão recorrida, pelos quais adoto os fundamentos ali esposados, os quais, peço vênia para transcrevêlos em excertos a seguir: fls. 202/204 dos autos (...) Os fatos e documentos demonstram, ainda, que as empresas situadas no Uruguai eram administradas, gerenciadas e representadas por sócios ou representantes de empresas pertencentes ao grupo Empresarial Marcelo Freitas, tal como os senhores: Luciano Faria Bezerra, José Marcelo Matos de Freitas e Juliana Matos de Freitas, conforme Atas de Assembléias redigidas por cada uma das pessoas jurídicas situadas no Uruguai, documentos anexados às fls. 69/91. (...) A argumentação do contribuinte de que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda pediram transferência de custódia (relativamente às ações ao portador da empresa uruguaia Ticemill Sociedad Anonima, da empresa C.H.T. Auditores Y Consultores para a empresa Greencross Corporation) reforça o entendimento da fiscalização e não sustenta o argumento da impugnação, uma vez que esse tipo de pedido somente seria admitido se feito por parte do detentor e proprietário das Ações ao Portador, ou seja, pelos acionistas originários, Daniel Angel Perez Blanco e Mansa Cristina Gonzalez Silvestri ou pelos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Ademais, não se verifica nos autos documento que demonstre que os fundadores ou o presidente da empresa Ticemill Sociedad Anonima tenham repassado a custódia para os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda em garantia de pagamento pela camuflada aquisição de quotas de capital. Fl. 372DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 352 11 O fato de ter havido um espaço de tempo de mais de cinco meses entre os atos formais, feitos para materialização das transferências de quotas de capital dos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda para a empresa Ticemill Sociedad Anonima, que se deu em 05/03/2003, e a efetivação do pagamento pela aquisição das quotas, que se deu em 13/08/2003, não implica que tenha havido garantia pelo pagamento com repasse de Títulos Representativos de Ações ao Portador. Os Títulos Representativos de Ações ao Portador, acostados aos autos, fls. 98/103, e correspondente tradução juramentada, acostada aos autos, fls. 93/97, demonstram que os títulos foram emitidos no mês de julho de 2002, denotando que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. possuíam ações ao portador, desde 2002. Os Certificados de Custódia, documentos anexados às fls. 109/113, e correspondente tradução juramentada, documento anexado às fls. 104/107, emitidos pela empresa uruguaia C.H.T. — Auditores e Consultores, demonstram que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos possuíam Ações ao Portador da empresa Uruguaia Ticemill Sociedad Anonima. No Contrato de Cessão de Quotas de Freitas Empreendimentos Ltda não se verifica cláusula de que haveria posse de ações ao portador em garantia de pagamento. Por tudo isso, portanto, remanesce o entendimento da fiscalização de que, embora a empresa Ticemill Sociedad Anonima, sediada no Uruguai, apresentese, pelos atos formais, como sócia da empresa Freitas Empreendimentos Ltda, sediada no Brasil, os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda são de fato as pessoas físicas Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, por serem proprietários da empresa Ticemill Sociedad Anonima, possuindo titularidade de ações ao portador, em custódia no Uruguai. Assim, não merecem aceitação os atos de alienação de quotas de capital, notadamente o Contrato de Cessão de Quotas de Freitas Empreendimentos Ltda.. (...)” No entender deste Relator, a ausência de elementos factuais que possam elidir a infração apontada na autuação persiste nesta fase recursal. As conclusões advindas do Laudo n° 287/2009 – SETEC/SR/DPF/CE, cuja cópia foi anexada pelo recorrente às fls. 277/282, não vinculam o presente julgamento, tampouco afastam a fundamentação posta no trabalho fiscal que resultou no presente lançamento. Pelo que se denota, o referido exame pericial referese à analise do conteúdo de material apreendido em face de Relatório emitido pela RFB, não fazendo, assim, o Fl. 373DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 353 12 mencionado Laudo, referência ao procedimento fiscal em apreço. Além disso, como indicado no item 5 deste documento pericial, a análise ali desenvolvida indicou a possibilidade de necessidade de realização posterior de outros exames, face os arquivos protegidos por senhas e extração de informações de bases de dados, entre outros, o que, segundo estes, demandaria um procedimento pericial específico. Assim, não vejo tal documentação colacionada pelo recorrente como elemento suficiente a desconstituir o lançamento. Voltando à questão da materialidade da infração, cabe salientar que a regra básica é que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. Dada a riqueza de informações das diversas peças dos autos, me afigura legítima a decisão do órgão julgador a quo, já que sobre a matéria em discussão, aplicase o disposto no art. 30, § 4°, da Lei n° 7.713/88, segundo o qual a tributação independe, entre outros motivos ali elencados, da denominação dos rendimentos e da forma de sua percepção, bastando para a incidência do imposto, o benefício ao contribuinte, de qualquer maneira e a qualquer título, ressalvadas apenas as hipóteses de isenção e não incidência expressamente definidas em lei, acompanhadas de provas irrefutáveis. E mais, é fato inconteste que em momento algum o legislador excepcionou o rendimento recebido pelo recorrente de fonte situada no exterior, até porque se assim o fizesse, o autuado estaria imune do recolhimento do imposto de renda. Assim, interpretar em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva. Não há, pois, previsão legal sustentável para esta alegação apresentada na defesa, sendo o valor R$ 309.163,00 percebido, pelo contribuinte, tributável de imediato à época do recebimento. Quanto à multa qualificada, os fatos e os documentos acostados aos autos demonstram conduta de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A fundamentação da multa qualificada encontrase no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 10/20. Como se denota, os fatos e provas levantados pelo Fisco revelam que a conduta perpetrada pelo recorrente revela uma intenção implícita de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ocultando, por meio de uma “ficta” operação de alienação de quotas de capital, a verdadeira causa de ingresso de rendimentos no País. Verificase legítima, portanto, a aplicação da multa qualificada de 150%. Por fim, quanto à multa isolada relativa ao carnêleão, não pode ser exigida concomitantemente com a multa de oficio vinculada ao imposto, conforme vasta jurisprudência deste Egrégio Conselho. A título de exemplo, mencionase o Acórdão n° CSRF/0104.987 (sessão de 15/06/2004), da lavra da ilustre Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, que restou assim ementado: Fl. 374DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 354 13 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n°. 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Portanto, no tocante às multas lançadas, cabível, neste caso, apenas a multa de ofício de 150% exigida juntamente com o tributo. Ante ao acima exposto, VOTO por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária tãosomente a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre relator, Conselheirob Antonio de Pádua Athayde Magalhães, permitome divergir de seu voto, diante dos fatos constantes deste processo. Entendo que antes mesmo de se analisar as questões trazidas pela defesa no recurso, vale examinar se restou comprovada nos autos a ocorrência do fato gerador do imposto de renda exigido no lançamento. Ou seja, se constam dos autos elementos suficientes para comprovar que a contribuinte, de fato, auferiu rendimentos de fontes situadas no exterior. O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que a contribuinte recebeu recursos provenientes do exterior, bem como descaracterizar a alienação de quotas de capital, pelo fato de não ter havido transferência das quotas de capital, haja vista que o alienante e o adquirente se confundem em uma única pessoa, não se pode, por presunção, considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Fl. 375DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 355 14 Ressaltese que não existem nos autos nenhuma prova que conduza à conclusão de que a contribuinte recebeu rendimentos decorrentes de atividades desenvolvidas no exterior ou de capital situado no exterior. Aliás, não restou demonstrado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deu o depósito questionado. Isto é, não ficou comprovada a natureza dos rendimentos creditados do Banco Industrial e Comercial – BIC, em 13/08/2003, de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos no exterior. Na descrição dos fatos, à fl. 04, o autuante afirma que se trata de omissão de rendimentos de capital mantido no exterior. Entretanto, sequer identifica a espécie dos rendimentos, se lucros distribuídos, juros, dividendos, etc. Nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios veementes de cometimento de ilícitos coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar a omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Importa observar que não se trata, na espécie, de lançamento baseado em presunção legal ou com base em provas indiretas, como, por exemplo, é o lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Nessa conformidade, não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, dada a inexistência de documentação hábil e idônea que comprove a natureza da percepção dos recursos transferidos ao Brasil, para que fosse possível aferir, se, de fato, referemse a rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Nesse mesmo sentido, é o entendimento manifesto nos Acórdãos 2102 00.379 e 210200.547 da 2ª Turma Ordinária da 2ªSeção do CARF, conforme se extrai dos excertos a seguir transcritos: Acórdão 210200.379, de 30/10/2009, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. “Para ilustrar o entendimento esposado na decisão recorrida quanto à omissão de rendimentos recebidos do exterior, e então analisar seu acerto (ou não), é importante que se transcreva o trecho abaixo, o qual ilustra com perfeição o que motivou os membros da DRJ em São Paulo a exonerar esta parcela do lançamento, verbis: No caso em exame, a tese a ser demonstrada é, necessariamente, a “Omissão de Rendimentos” e, data vênia, tal demonstração não foi feita. Seguindo as palavras do professor Alfredo Augusto Becker, poderseia dizer que “não houve a realização integral da hipótese de incidência” pela demonstração nos autos de “todos os fatos nela previstos e que formam a composição específica àquela hipótese de incidência”. Ou, no dizer de Paulo de Barros Carvalho, não houve a demonstração da “ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente”, pois há necessidade de que satisfaça “a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata”. Ora, imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que o sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os Fl. 376DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 356 15 tenha oferecido à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta uma breve comparação entre os rendimentos comprovadamente recebidos e à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos é que requer provas específicas. No caso de omissão de rendimentos, seja recebido de pessoa física ou de pessoa jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos, a natureza destes rendimentos, e comprovada a efetiva percepção dos valores recebidos. Neste caso, a prova é direta e os autos devem trazer todas estas demonstrações de forma clara. Operase de maneira diferente a demonstração da incidência tributária quando o lançamento se dá com base em presunção legal ou com base em provas indiretas. São os casos, por exemplo, do lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Para cada caso de omissão detectada no procedimento fiscal, estas específicas demonstrações devem vir descritas seja no auto de infração, seja no Termo de Verificação Fiscal, e os documentos que a fundamentam devem estar juntados aos autos. São elementos necessários que devem obrigatoriamente subsidiar o lançamento tributário. No caso em questão, data vênia, não se encontram os elementos que permitam concluir pela omissão de rendimentos recebidos do exterior, porquanto, não foram identificadas a natureza e a fonte dos rendimentos. Não se pode garantir sequer que estes rendimentos foram pagos por fonte no exterior. O fato de as transações terem sido feitas entre contas mantidas no exterior não é suficiente para se afirmar que os rendimentos tenham como origem fonte situada no exterior. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/753), a autoridade lançadora relata que “o contribuinte é identificado como beneficiário final das transações, valores estes considerados como rendimentos brutos recebidos, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior”. Não se vislumbra o nexo causal entre constar o contribuinte como beneficiário final de transferências financeiras e a omissão de rendimentos atribuída. Notese que no citado Termo, expressamente, se admite o desconhecimento acerca da natureza e da fonte dos rendimentos, uma vez que menciona tratarse de rendimentos decorrentes de atividade exercida ou de capital situado no exterior. Em que pese haver em tais operações indícios veementes de cometimento de ilícitos não só fiscais como também cambiais, não há como se concluir pela omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Entendo que ordens de pagamento entre contas no exterior, ainda que os titulares sejam terceiras pessoas, e cuja origem dos recursos restou não comprovada pelo real beneficiário da transferência, poderiam servir como subsídios para se apurar eventual omissão de rendimentos com base na presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96. No entanto, tal não foi o caso do presente lançamento. Dessa forma deverão ser retirados da base de cálculo os seguintes valores: (...) Fl. 377DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.100831/200872 Acórdão n.º 280101.996 S2TE01 Fl. 357 16 Como se vê, o fundamento para a exoneração destes valores do lançamento foi a falta de provas da ocorrência do fato gerador na hipótese, já que a autoridade fiscal deixou de comprovar a efetiva omissão de rendimentos da qual o Recorrente é acusado.” Acórdão 210200.547, de 15/04/2010, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura. “O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que o contribuinte realizou as operações de remessas de recursos ao exterior, não se pode extrapolar tal conclusão para considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.” Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 378DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16144.1HIU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por TANIA MARA PASCHOALIN em 23/11/2011 15:39:35. Documento autenticado digitalmente por TANIA MARA PASCHOALIN em 23/11/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 24/11/2011 e TANIA MARA PASCHOALIN em 23/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1019.16144.1HIU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 292F37E791EBF0AC52CA64F89100BC91E1837937 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.100831/2008-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001023/99-54
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1990,1991,1992,1993,1994 DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO.
O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou me valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS.
Não havendo contestação expressa de fatos apontados na autuação, pressupõe-se a concordância da impugnante em relação à parte não impugnada, que se torna indiscutível no âmbito do processo administrativo.
Numero da decisão: 3803-000.138
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou por adotar-se a data de publicação da Res. SF n2 49, de 1995, como termo inicial do prazo para pleitear restituição de indébitos em face da inconstitucionalidade dos DL 2.445 e 2449.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1990,1991,1992,1993,1994 DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou me valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Não havendo contestação expressa de fatos apontados na autuação, pressupõe-se a concordância da impugnante em relação à parte não impugnada, que se torna indiscutível no âmbito do processo administrativo.
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Numero do processo: 10235.000369/2007-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL.
São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.243
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para acatar a inclusão de dedução com Contribuição Previdenciária Oficial no montante de R$ 768,05, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a inclusão de dedução com Contribuição Previdenciária Oficial no montante de R$ 768,05, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Renato Coelho Borelli, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000369/200705 Acórdão n.º 2801002.243 S2TE01 Fl. 49 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, às fls. 04/07, decorrente do resultado da revisão efetuada na declaração de rendimentos retificadora apresentada pelo contribuinte, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, em que foi apurada pela fiscalização a omissão de rendimentos no valor de R$ 9.858,48. Tal importância foi recebida por dependente informado pelo contribuinte na DIRPF em referência. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, às fls. 01/03, argumentando, em síntese, que: restou caracteriza no lançamento a violação ao princípio da legalidade, exercendo o agente público atividade vinculada, motivo pelo qual não poderia desvincular seus atos da lei; deixou a autoridade fiscal de considerar na apuração do imposto devido o valor descontado dos rendimentos omitidos a título de Contribuição à Previdência Oficial; não há no ato de lançamento a fundamentação legal para a incidência da multa de ofício, ofendendo assim o princípio da publicidade e o exercício do direito de defesa. Ao apreciar a questão, o Órgão Colegiado de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, mantendo, portanto, a exigência fiscal, nos termos do Acórdão DRJ/BEL nº 0115.470, de 21/10/2009, às fls. 27/32. Concluiu aquela Turma Julgadora não haver mácula no lançamento debatido, tendo sido refutadas as alegações do impugnante de que o procedimento fiscal teria violado os princípios da legalidade, tipicidade cerrada e do exercício da ampla defesa. A decisão também não acatou o pedido do recorrente para que fosse considerado no cálculo do imposto devido o valor da Contribuição Previdenciária Oficial descontada pela fonte pagadora dos rendimentos apontados como omitidos, face à ausência nos autos de documentação comprobatória do alegado direito à referida dedução. Intimado da decisão a quo em 01/12/2009, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 36, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 31/12/2009, às fls. 37/40. Solicita o acolhimento de sua defesa, para que: i) seja revista a decisão recorrida e efetuado o recálculo do imposto devido, com a dedução da previdência oficial recolhida pelo dependente, uma vez que esta informação foi prestada pelo Governo do Estado do Amapá à RFB; ii) seja determinada à DRJ/Belém que em casos futuros seja adotada providência semelhante, sempre que a unidade da RFB disponha das informações prestadas por entes públicos. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000369/200705 Acórdão n.º 2801002.243 S2TE01 Fl. 50 3 Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, razão pela qual dele tomo conhecimento. De proêmio, cabe registrar que a Notificação de Lançamento em apreço se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento (omissão de rendimentos) estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em cerceamento do direito de defesa ou violação a quaisquer dos princípios constitucionais citados pela recorrente, nem tampouco em desrespeito às disposições do art. 142 do CTN. Observase ainda que não houve qualquer prejuízo à interessada que a impedisse de apresentar suas razões de defesa, haja vista que a mesma foi devidamente intimada da lavratura do lançamento que compõe a lide, tendo apresentado sua impugnação, e posteriormente o recurso, ora em análise, alegando tudo o que entendeu cabível, tendo novamente a possibilidade de trazer à colação documentos que pudessem elidir a exigência fiscal. Quanto à matéria posta em litígio, em sua peça recursal o contribuinte não questiona a omissão de rendimentos apontada pela autoridade lançadora, mas sua defesa tem como pretensão única e exclusivamente que seja considerada, na apuração do cálculo do imposto devido, a dedução da contribuição previdenciária relacionada a estes rendimentos recebidos por dependente. A respeito, para fazer prova do seu direito, o recorrente anexou ao presente processo o Comprovante de Rendimentos à fl. 44, emitido pelo Governo do Estado do Amapá (CNPJ nº 000.394.577/000125), fonte pagadora dos rendimentos recebidos pela dependente Elany do Socorro Pereira da Silva Pacheco (CPF nº 342.308.07287) no anocalendário 2004. No referido documento consta a informação do desconto do valor de R$ 829,91 a título de Contribuição Previdenciária Oficial. Não obstante, examinando os autos, verifico que a autoridade lançadora baseouse no extrato da DIRF à fl. 13 para lançar os referidos rendimentos como tributáveis. No referido documento constam os seguintes dados: Rendimento Bruto de JAN a DEZ de 2004: R$ 9.858,48 Deduções: R$ 768,05 Rendimento a título de 13º Salário: R$ 768,05 Deduções: R$ 61,86 Totais: R$ 10.626,53 R$ 829,91 Portanto, se a DIRF foi hábil a respaldar o lançamento dos rendimentos tributáveis no total de R$ 9.858,48, também deve servir para que seja considerado o montante ali informado como dedução com Contribuição Previdenciária Oficial sobre estes mesmos rendimentos, no caso, R$ 768,05. Tal valor diverge do total de R$ 829,91 constante do Comprovante de rendimentos acima citado pelo fato de estar incluído neste a dedução relativa ao rendimento auferido pela dependente a título de 13º Salário; no entanto, tal verba salarial Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10235.000369/200705 Acórdão n.º 2801002.243 S2TE01 Fl. 51 4 não foi objeto do lançamento em exame. Assim, para fins de cálculo do imposto suplementar, deve ser considerada como dedução com Contribuiçao Previdenciária Oficial tãosomente a parcela correspondente aos rendimentos lançados, no total de R$ 768,05. Isto posto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para acatar a inclusão de dedução com Contribuição Previdenciária Oficial no montante de R$ 768,05. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10640.003264/2008-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.721
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos pagamentos por serviços médicos e odontológicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 07/09, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (suplementar), correspondente ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor total de R$ 14.024,18, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 30/06/2008. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 66 2 De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, foram glosadas deduções pleiteadas pelo contribuinte a título de despesas médicas, no montante de R$ 23.420,00, por falta de comprovação do pagamento dos valores declarados. Inconformado com a exigência, o interessado apresentou impugnação em 22/07/2008, às fls. 01/06, cujas razões de defesa encontramse a seguir resumidas: argumentou que os recibos apresentados são os documentos próprios para comprovação das despesas médicas declaradas e estão nos termos da legislação em vigor; ressaltou que informou ao fisco que os pagamentos foram realizados em moeda corrente; ofereceu, ainda, declarações dos profissionais que confirmaram o conteúdo dos recibos por eles emitidos; alegou que a glosa efetuada se baseou em critérios internos ou próprios do agente, sendo descabida a alegação de dedução exagerada, visto que suas despesas representam apenas 14,4% do rendimento declarado; destacou que a exigência de tributos tem sua matriz na Constituição Federal, estando sujeita ao principio da reserva legal, logo, deve ser convincentemente justificada, e deste modo, exigir a comprovação das despesas médicas no modelo e forma determinados é querer controles e arquivamentos superiores aos previstos na lei, e sem fazer diligências da veracidade dos recibos; citou doutrina de Celso Antônio Bandeira de Melo, para dizer que não se admite e não se tolera lançamento baseado em ficções. Ao final, por entender ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, solicitou o contribuinte que fosse acolhida a sua defesa e cancelada a exigência fiscal. Após apreciar a lide, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora (MG), em decisão unânime, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão DRJ/JFA nº 0931.162, de 27/08/2010, às fls. 53/56. Constam da peça decisória as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência A autoridade administrativa para se manifestar quanto A. inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 67 3 Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão, A exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 10/09/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 58, o contribuinte interpôs, em 06/10/2010, por meio de seu procurador, o Recurso Voluntário às fls. 59/61, onde além de reiterar os argumentos apresentados na impugnação, acrescentou que: “(...) Os valores que constituem os recibos são perfeitamente transportáveis em qualquer bolso de calça sem fazer grandes volumes e a forma como o contribuinte guarda ou paga suas contas é livre e não encontraria restrições em qualquer Estado de Direito em qualquer país democrático. Mesmo que esta autoridade julgadora não tenha competência para julgar a constitucionalidade das Leis não lhes atribui também poderes para criar ou ampliar poderes para distorcer a seu favor as matérias tributáveis. (...) o contribuinte apresentou os recibos (documentação), e para validar a higidez dos mesmos, apresentou prova de que, pagou aos profissionais, em moeda corrente, o que comprovam a transferência de recursos seus para os profissionais, conforme declaração desses doutores, acostado aos autos. Que prova, além dos recibos, e a confirmação dos profissionais que os receberam em moeda corrente pode o contribuinte apresentar? Alegar que as provas acostadas nas peças processuais só servem entre as partes e não em relação a RFB é totalmente tendenciosa. (...) o contribuinte ganhou no exercício muito mais do que gastou com despesas médicas e odontológicas e a alegação de que recebeu a maioria de seus rendimentos de pessoas jurídicas através da rede bancária não comprovam que os efetivos saques, feitos nessas contas, não serviram para a guarda de valor em espécie para pagamento em moeda corrente quando entender oportuno. (...)” Ao final, o contribuinte requer seja acolhido o seu recurso, com o consequente cancelamento da exigência fiscal. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 68 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para solução do presente litígio, há que se observar o que dispõe o art. 80 do RIR/1999, cuja matriz legal é art. 8º, inciso II, e § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250, de 1995, in verbis: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2°. O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] § 3°. As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da Fl. 78DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 69 5 base de cálculo do Imposto sobre a Renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (grifos acrescidos) Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação dos pagamentos das despesas deduzidas. E neste caso, assim procedeu a autoridade lançadora. Neste ponto, cabe recordar a motivação da autuação ora em litígio: Glosa do valor de R$ 23.420,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Intimado a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a titulo de despesas médicas, mediante a apresentação de fichas ou laudos médicos, hospitalares, odontológicos ou assemelhados e/ou outro meio de prova disponível, bem como a efetividade da entrega dos recursos despendidos para este fim, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordens de pagamento ou transferências eletrônicas), (...) o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento, tendo se limitado a alegar que os pagamentos foram efetuados em dinheiro. Não foram apresentados os extratos bancários que poderiam comprovar os saques. Sequer um único pagamento foi efetuado em cheque, embora o declarante receba seus rendimentos de pessoas jurídicas, depositados em conta bancária. Diante do exposto, por falta de comprovação do efetivo pagamento, todas as despesas declaradas como pagas aos referidos profissionais, no valor total de R$ 23.420,00, foram glosadas. (...) (destaquei) Como se observa, no presente caso, com fulcro no art. 73 do RIR/1999, solicitou a autoridade fiscal que as comprovações ou justificações das despesas médicas informadas pelo contribuinte como tendo sido realizadas com os profissionais Gustavo Cerutti Navarro, Renata Cortes Gonçalves e Uriel Heckert, ocorressem através de documentação hábil a demonstrar a efetividade dos correspondentes pagamentos. A respeito, vale salientar que a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para este o ônus probatório. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 70 6 E referido dispositivo está em consonância com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem a alega. Nesse sentido, o art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, ante ao valor das deduções pleiteadas, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve este assumir as conseqüências legais, resultando no não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. De fato, a legislação não veda o pagamento em espécie, como bem ressalvou o recorrente. Mas é pacífico neste Egrégio Conselho que a simples apresentação de recibos e declarações, por si só, não se revela como instrumento hábil a comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento correspondente, conforme bem destacado nos julgados a seguir transcritos: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Acórdão 10416647/1998) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922/2008) (grifei) No caso em pauta, o exame da documentação acostada aos autos pelo recorrente não estabelece a convicção necessária quanto ao efetivo desembolso dos valores ali indicados, não apresentando, portanto, a indispensável associação exigida para validação da dedução das despesas médicas em questão. O contribuinte limitouse a apresentar declarações e recibos, desacompanhados de qualquer documentação hábil e idônea a comprovar a efetividade dos correspondentes pagamentos. Por fim, cabe ressaltar que, na análise de prova, à autoridade julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10640.003264/200807 Acórdão n.º 280101.721 S2TE01 Fl. 71 7 Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas no valor total de R$ 23.420,00, formando, deste modo, convencimento de que a exigência fiscal questionada pelo contribuinte deve mesmo prevalecer. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 81DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013735/2006-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ITR. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA.
A apresentação de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda é insuficiente para invalidar a constituição do crédito tributário referente ao ITR em nome da alienante, eis que, até que haja o registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis, esta permanece detendo a propriedade do imóvel, podendo figurar no pólo passivo da relação tributária.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que a
interessada apresente elemento hábil de prova, mormente laudo técnico de avaliação emitido por profissional competente, que corrobore sua declaração.
Não o fazendo, cabível o arbitramento mediante utilização dos dados constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT).
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.052
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. A apresentação de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda é insuficiente para invalidar a constituição do crédito tributário referente ao ITR em nome da alienante, eis que, até que haja o registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis, esta permanece detendo a propriedade do imóvel, podendo figurar no pólo passivo da relação tributária. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que a interessada apresente elemento hábil de prova, mormente laudo técnico de avaliação emitido por profissional competente, que corrobore sua declaração. Não o fazendo, cabível o arbitramento mediante utilização dos dados constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT). Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado.
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PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. A apresentação de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda é insuficiente para invalidar a constituição do crédito tributário referente ao ITR em nome da alienante, eis que, até que haja o registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis, esta permanece detendo a propriedade do imóvel, podendo figurar no pólo passivo da relação tributária. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que a interessada apresente elemento hábil de prova, mormente laudo técnico de avaliação emitido por profissional competente, que corrobore sua declaração. Não o fazendo, cabível o arbitramento mediante utilização dos dados constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT). Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 245 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 42 a 46, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$7.563,60, acrescido de multa de ofício agravada (112,5%) e juros de mora, relativo ao imóvel denominado “CoqueiroRio Picão”, localizado no Município de Morro do Pilar/MG, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 2.771.9898. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 199): “No procedimento de análise da DITR/2002, a autoridade fiscal lavrou o referido auto de infração, glosando a área de utilização limitada/reserva legal declarada (340,0 ha), com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável e da alíquota de cálculo do ITR/2002, além de alterar o VTN declarado de R$ 30.000,00 (R$ 17,73/ha) arbitrandoo em R$ 346.560,00 (R$ 204,82/ha), tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 7.563,60, conforme demonstrativos de fls. 45/48.” (grifos do original) IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 57 a 67), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 199): “ de início, discorre sobre o procedimento fiscal e o descreve parcialmente, requerendo a nulidade do auto de infração, por ter sido indevidamente instruído e fundamentado, inclusive na determinação do montante apurado; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 246 3 é desnecessária a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº. 9.393/1996 (transcrito), com redação da MP nº 2.16667/01; pretende a requerente retirarse do pólo passivo da obrigação tributária, no que se refere ao ITR/2002, sob o argumento de que, antes do respectivo fato gerador, o imóvel foi objeto de alienação por contrato particular de promessa de compra e venda, com cláusula de imissão na posse, e de que há a responsabilidade tributária por sucessão; o arbitramento do VTN efetuado pelo Fisco é irregular, por não estar respaldado em laudo técnico ou manifestação de profissional habilitado; cita e transcreve artigos do CTN e da Lei nº. 9.393/1996, ensinamento de Ives Gandra Martins, julgados do Conselho de Contribuintes e do STJ, para referendar seus argumentos e teses. Ao final, a contribuinte requer seja julgada procedente a presente impugnação, cancelandose o auto de infração questionado.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1ª TURMA/DRJBRASÍLIA/DF, conforme Acórdão de fls. 197 a 206, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando à contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não comprovada nos autos a transferência de propriedade do imóvel à época do fato gerador do ITR/2002, deve ser a contribuinte mantida no pólo passivo da respectiva obrigação tributária. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para ser excluída do ITR, A área de utilização limitada/reserva legal, glosada pela autoridade autuante, deveria estar averbada à época do respectivo fato gerador e ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou ter o Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 247 4 protocolo do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental ADA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização para o ITR/2002, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. Lançamento Procedente” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 07/10/2008 (fls. 213), a contribuinte, por intermédio de representantes (procurações às fls. 181 a 184) apresentou, em 29/10/2008, o Recurso de fls. 214 a 223, instruído com as cópias das identidades dos representantes (fls. 224 e 225), argumentando, em apertada síntese, que: • não pode figurar no pólo passivo da relação tributária pois havia alienado o imóvel em questão à Prefeitura Municipal de Morro do Pilar, em 1999, conforme comprova o Contrato Particular de Compra e Venda (fls. 136 a 139), o qual contém cláusula específica de imissão prévia na posse; • a averbação da Área de Reserva Legal é dispensável para fins tributários; • o arbitramento do VTN realizado pelo Fisco foi irregular e carece de fundamentação, eis que seria indispensável estar respaldado por laudo técnico ou manifestação de profissional capacitado, o que não ocorreu. A contribuinte invoca julgados do Conselho de Contribuintes para corroborar seus argumentos. Em sessão de julgamento ocorrida em 10/05/2010, este Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência a fim de que buscar averiguar se a Prefeitura Municipal de Morro do Pilar/MG detinha a posse do imóvel em referência em 1° de janeiro de 2002, em decorrência do contrato de fls. 136 a 139. Solicitouse, ainda, que, em caso afirmativo, a mencionada Prefeitura apresentasse os documentos que comprovassem a realização do Leilão referido no contrato, bem como a cópia da lei que teria autorizado a aquisição em questão (fls. 232 e 233). Em resposta, fls. 241, o Prefeito Municipal informou que: Conforme informações colhidas em 1º de janeiro de 2002, a Prefeitura Municipal de Morro do Pilar já estava na posse do imóvel Fazenda Picão/Coqueiro, em razão do contrato particular celebrado após ter sido vencedora de leilão público realizado pelo Palácio dos Leilões em 27/11/99. Entretanto, não há cópia nos arquivos da Prefeitura dos documentos relativos ao leilão, mas tãosomente do contrato. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 248 5 De toda forma, como os pagamentos pela compra e venda foram todos efetuados, estamos providenciando a lavratura de escritura pública de compra e venda. Contudo, até a presente data isso não foi possível, pois a empresa Floresta Rio Doce encontrase com a documentação irregular. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à preliminar de ilegitimidade passiva, frisese que o contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, art. 31; Lei nº 9.393, de 19, de dezembro de 1996, art. 4º e Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, art. 5º). No caso, não obstante a interessada apresente contrato particular de promessa de compra e venda (fls. 136 a 139), corroborado pelas adquirente, o certo é que não foi trazido aos autos cópia de uma Lei Municipal de Morro do Pilar/MG autorizando a aquisição do imóvel pela referida Prefeitura, bem como não houve a transferência hábil da propriedade, ou seja, através de competente registro no Cartório de Imóveis. Por oportuno, confirase o disposto no Código Civil (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916) vigente em 1999: “Art.860. Se o teor do registro de imóveis não exprimir a verdade, poderá o prejudicado reclamar que se retifique. Parágrafo único. Enquanto se não transcrever o título de transmissão, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel, e responde pelos seus encargos.” (grifos acrescidos) O Novo Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, semelhantemente determina : “Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel.” (grifos acrescidos) Portanto, diante da legislação, a interessada, à época do fato gerador e até a presente data, conforme resposta dada pela Prefeitura Municipal de Morro do Pilar/MG, ainda é considerada proprietária do imóvel. Dessa forma, pode figurar no pólo passivo da relação tributária, eis que o ente tributante não está obrigado a eleger o possuidor como contribuinte. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 249 6 Quanto ao mérito, a interessada teve glosada a área de utilização limitada/reserva legal declarada (340,0 ha), por não ter comprovado a averbação correspondente à margem da matrícula do imóvel. A autoridade lançadora destaca, ainda, que apesar de não ter sido apresentada a cópia de Ato Declaratório Ambiental (ADA), consta dos arquivos da SRF entrega de ADA em 15/06/1998, fato esse não considerado em virtude já do descumprimento da obrigatoriedade de apresentar a averbação mencionada. A respeito do ADA apresentado em 1998, destacase no acórdão recorrido, com acerto, que a área de reserva legal informada é de apenas 170,0 ha, portanto, inferior à pleiteada na DITR. De qualquer sorte, nos presentes autos discutese, essencialmente, se é indispensável a averbação de Área de Reserva Legal para fins de redução do ITR. Registrese que a necessidade de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel está prevista em lei, mais precisamente no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001: “Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifos acrescidos) Vale destacar que, consoante art. 1.227 do Código Civil, “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Quer dizer, somente a partir da averbação da área de reserva legal é que as limitações administrativas impostos pela lei a tais áreas, a exemplo da proibição do corte raso, se operam em sua plenitude, tendo efeito erga omnes. Vêse, portanto, que a exigência em questão não é uma mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. Tal entendimento, inclusive, vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho. Por oportuno, confirase a ementa da Ac. 920200.159, da 2ª Turma, proferido em sessão de 18 de agosto de 2009, o qual teve o ilustre Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes como redatordesignado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 250 7 Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido.” Portanto, os argumentos da contribuinte não afastam o acerto do lançamento e da decisão de primeira instância neste tocante. Ainda em relação ao mérito, entende a contribuinte que o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) só poderia ser realizado se respaldado por laudo técnico ou manifestação de profissional capacitado. Ocorre que a Lei nº 9.393, de 19, de dezembro de 1996, estabelece em seu art. 14 e parágrafo único: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” (Grifos acrescidos) No caso, a autoridade lançadora constatou que o VTN declarado (R$ 17,73 por hectare) encontravase subavaliado, eis que, para Morro do Pilar/MG, o menor VTN constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alimentado a partir das informações prestadas pela Secretaria Estadual de Agricultura, para o exercício 2002, foi de R$ 80,00 por hectare (fls. 50). A contribuinte foi intimada a apresentar Laudo Técnico de Avaliação que justificasse o VTN declarado, porém nada trouxe aos autos antes do lançamento. Dessa forma, considerou a autoridade lançadora os dados declarados em relação às extensões de áreas e, com base nos valores apontados no SIPT, apurou VTN de R$ 346.560,00 (= 660,0 ha de área utilizada na produção vegetal x R$ 400,00, valor do hectare de terra com aptidão agrícola + 1.032,0 ha, restante da propriedade, x R$ 80,00), ou seja, R$ 204,82 por hectare. Vêse, portanto, que há respaldo legal para o arbitramento em questão, utilizandose os dados do SIPT, sendo desnecessárias as providências apontadas pela recorrente. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10680.013735/200649 Acórdão n.º 2801002.052 S2TE01 Fl. 251 8 Por outro lado, caberia à interessada o ônus de provar, mormente mediante apresentação de laudo técnico de avaliação, que o VTN declarado efetivamente não está subavaliado, pois o imóvel apresentaria condições desfavoráveis que justificassem a utilização de VTN por hectare consideravelmente inferior ao obtido com base no SIPT. Mas tal prova não foi trazida aos autos, não havendo, desse modo, como afastar o acerto do acórdão recorrido. Quanto aos julgados do Conselho de Contribuintes invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10480.001737/85-00
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 1986
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Taxa de Melhoramentos dos Portos. Isenção. Desde que houve o reconhecimento desse favor fiscal quanto aos impostos de importação (II e IPI), com base no DL 2.044/83, sob o pressuposto da existência de Acordo de Governo para a importação beneficiada, também se deve reconhecer isenta a importação, da Taxa de Melhoramentos dos Portos, a qual, nos termos do DL 2185/84 (art. 2º, parágrafo único, alínea "b"), tem por fundamento a existência do mesmo Acordo de Governo (Parecer CST/GTCEX 2140785).
Negado provimento ao recurso especial da Fazenda.
Numero da decisão: CSRF/03-01.330
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integropresente julgado.
Vencido o Cons. Helio Loyolla de Alencastro.
Nome do relator: JOSE FAÇANHA MAMEDE
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ementa_s : Taxa de Melhoramentos dos Portos. Isenção. Desde que houve o reconhecimento desse favor fiscal quanto aos impostos de importação (II e IPI), com base no DL 2.044/83, sob o pressuposto da existência de Acordo de Governo para a importação beneficiada, também se deve reconhecer isenta a importação, da Taxa de Melhoramentos dos Portos, a qual, nos termos do DL 2185/84 (art. 2º, parágrafo único, alínea "b"), tem por fundamento a existência do mesmo Acordo de Governo (Parecer CST/GTCEX 2140785). Negado provimento ao recurso especial da Fazenda.
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Taxa de Melhoramentos dos Portos. Isen- ção. Desde que houve o reconhecimento desse favor fiscal quanto aos impostos de importação (II e IPI), com base no DL 2.044/83, sob o pressuposto da exis- tência de Acordo de Governo para a im- portação beneficiada, também se deve re conhecer isenta a importação, da Taxa de': Melhoramentos dos Portos, a qual, nos termos do DL 2185184 (art. 29, parágra- fo único, alinea "b"), tem por fundamen to a existência do mesmo Acordo de Go- verno (Parecer CST/GTCEX 2140785). Nega do provimento ao recurso especial da F-a.-_ zenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis_ cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatõrio e voto que passam a integropresente jul- gado. Vencido o Cons. Helio Loyol a de Alencastr / d) , /41 -, _ 7 r', P , I Sala das séã-oe"DF), em 09 de m 'o 'de 1986. 4' - !/ II Ff --AMADOR OU' r',! iro FERNANDEZ - PRESIDENTE v.v / 54/,go FAÇAN 14,E - RELATOR ." \ ) \ , LUIZ FERNAND IVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA ' (5L ZENDA NACIONAL — Participaram, ainda, do preàhte julgamento os seguintes Conselhei- ros: WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, HAMILTON DE SÃ DANTAS, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE AXILA E SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. — SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSOM 10480/001.737/85-00 RECURSON9: RP/303-0.879 ACÓRDÃO N9: - CSRF/03-01. 330 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: EQUIPAMENTOS VILLARES S.A. RELATÓRIO O presente recurso guarda estreita similitude com o RP/303-0.877, da mesma recorrente, julgado nesta Câmara Supe- rior, em sessão de 29 de novembro de 1985! Transcrevo, assim, por ser pertinente ao caso, o relatório então apresentado, quando do julgamento daquele recurso. "Recorre a Fazenda Nacional por seu Procura- dor junto ã 3a. Cãmara do Terceiro Conselho de Con tribuintes, contra decisão daquele colegiado, con- substanciada no Acórdão 303-24.251 (fls. 85/90),as sim ementado: "Taxa de Melhoramentos dos Portos. Para efeito de configuração da isenção prevista na alí- nea "b" do parágrafo único do artigo 29 do Decreto-lei 2.185, de 21.12.84, relativa ã imputação de bens vinculados a compromisso de prestação de serviços consubstanciados em atos internacionais firmados pelo Brasil, e elemento bastante a interveniencia elou apro vação das autoridades governamentais ao ins- trumento." Nas suas razãos de recorrer, combate o recor- rente, em primeiro lugar, o documento chamado "pro tocol", que diz processualmente inaceitável, vist DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 104801001.737/85-00 2. Acórdão n9-CSRFI03-01.330 que redigido em língua estrangeira. No mérito, diz que tal protocolo não pode ser chamado ato internacional, visto que as partes intervenien- tes são empresas brasileiras e uma estrangeira; que o pacto, para ser digno do nome de protocolo de intençaes deveria ser firmado entre paises,en tre entidades estatais. Em contra-razOes, diz o sujeito passivo que o protocolo aqui discutido foi firmado para pos- sibilitar importaçOes de mercadorias destinadas a emprego no sistema de trem metropolitano do Re cife, sob a coordenação da Empresa Brasileira da Transportes Urbanos-EBTU; que tal protocolo á in dubitavelmente ato internacional, no qual, de fo-i- ma clara e insofismável se constata a interveni---- ência de autoridades brasileiras; que, por conse guinte, as importações se enquadram no dispositi vo isencional da Taxa de Melhoramentos dos Por- tos, quer por sua destinação, quer pela inequivo ca anuência do Governo Brasileiro na transação; que o Acórdão foi proferido também fundamentado em sábia jurisprudência da 3a. Cãmara (acórdãos citados) que reconheceu a isenção da TMP para im portação de bens, contratada em acordos interna-1: cionais firmados pelo Brasil, "entendendo que o verdadeiro espirito da legislação é no sentido de que, para a isenção, não e elemento necessário a presença da República do Brasil como parte noins trumento, mas que apenas a sua interveniência e7 /ou aprovação atesta a qualidade necessária ao cumprimento do dispositivo isencional". :As fls. 97/119, foi juntada cópia da tradu- ção 3849/85, do documento denominado "Protocolo Financeiro entre o Lloyds Bank Internacional Li- mited, como agente dos Bancos e a Empresa Brasi- leira dos Transportes Urbanos", apresentado, na repartição processante, pela recorrente." Estando o processo já em fase de exame deste re- lator, nesta CSRF, a ele foi juntada petição deEquipamentos Vil_ lares S/A, solicitando anexação ao autor do Parecer CST/GTCEX n9 2.140/85, lido em sessão (fls. dosautos), o qual conclui pe- lo reconhecimento do direito à isenção da TMP às importaçO/ am paradas pelos benefícios instituídos pelo DL 2.044/83.15 Is É o relatório. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 104801001.737185-00 3. AcOrdão n9-CSRF/03-01.330 VOTO Conselheiro JOSn FAÇANHA MAMEDE, Relator No julgamento do citado RP/303-0-877, proferi o seguinte voto que mereceu a aprovação da unanimidade dos Membros deste colegiado: "A preliminar argüida pela FazendaNacional, sobre a imprestabilidade do documento acima refe rido, por estar escrito em língua estrangeira, perde consistência com a juntada do aludido docu_ mento, em tradução, por tradutor público. A isenção da TMP foi pleiteada com fundamen to no parágrafo único, letra "b" do art. 29 doDE 2.185/84, assim expresso. "Parágrafo único - Ficam ainda isentos do pagamento da TMP: a) b) os bens importados, vinculados a compro missos de prestação de serviços consubstaí7 ciados em atos internacionais firmados pe- lo Brasil:" Atos internacionais firmados pelo país são os tratados, que podem denominar-se por outros termos sinônimos como acordos, convênios, ajus- tes, arranjos, etc. Tais atos constituem-se em Fontes principais do Direito Internacional Públi co, conforme o ensina o Prof. Adherbal Meira Mat tos, no seu livro Direito Internacional Público, Edição Saraiva, 1980, pág. 97. As condições deva lidade de tais atos, ensina ainda o aludido mes- tre,são: capacidade dos agentes, consentimento mútuo e livre, objeto licito e possível. Os agentes habilitados para concluir acor- dos internacionais são, conforme, ainda, a li- ção do citado professor, os Chefes de Estado ou de Governo e os Ministros das Relações Exterio- res. Ora, o contrato ou protocolo a que s repor iP /2 SERVIÇONBLICOHNUL PROCESSO N9 104801001.737/85-00 4. AcOrdão n9-CSRF/03-01.330 tam os autos é um simples acordo comercial entre uma empresa brasileira e empresas e bancos estran geíros para o fornecimento por esses de material para instalação do sistema de trem metropolitano do Recife. O aval de um Ministro e de um Senador não são suficientes para transformar tal ato em um ATO INTERNACIONAL FIRMADO PELO BRASIL, urna vez que falta, para essa concretização, o primeiro dos elementos acima enunciados, caracterizadores de um ato internacional vinculando países, isto é, a capacidade dos agentes. Dizer-se, pois, que esse simples aval "é e- lemento bastante" para caracterizar um "ato in- ternacional firmado pelo Brasil", conforme pre- tende a Câmara recorrida, é, "data venha" uma o- fensa aos princípios jurídicos que regulam acria ção desses atos internacionais que, como dito a- cima, constituem-se na fonte principal do Direi- to Internacional Público. Face ao exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda para restabelecer a exigên- cia da Taxa de Melhoramentos dos Portos." Contra o entendimento expendido no aludido AcOr- dão, opaie, agora, o sujeito passivo, o Parecer CST/GTCEX n9 2140185, cuja parte final, abaixo transcrita, viria em socorro às suas pretensões, ao dispor que: "as importaçOes realizadas ao amparo do De- creto-lei n9 2.044/83, por envolverem acor- dos de Governo com a França, Alemanha e In- glaterra, enquadram-se na hip6tese de isen- ção da Taxa de MelhoramentosdosPortos-TMP, prevista no artigo 29, parágrafo único, a- línea "b", do Decreto-lei n9 2.185/84". Em que pese, pois, o unanime parecer deste cole- giada de que o documento exibido nos autos não se identifica, na sua forma, com um Acordo Internacional firmado por países, foi ele aceito pela Receita Federal como um Acordo de Governo capaz de garantir à importadora Equipamentos Villares S/A, a isenção dos Impostos de Importação e Sobre Produtos Industrializados,ao amparo da norma contida no art. 19 do DL 2.044/83, assim,,expre sa: //' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 104801001.737/85-00 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.330 "Ficam isentos do Imposto de Importação edo Imposto sobre Produtos Industrializados os equipamentos, as partes, peças e os componen tes importados por empresas contratadas pe= la Empresa Brasileira dos Transportes Urba- nos - EBTU quando incluídos em Acordo, de Participação celebrado com a indústria na- cional, destinados a fabricação, instalação ou fornecimento dos sistemas elétricos e de trens-unidades elétricos para os projetos -de trens Metropolitanos de Belo Horizonte (MG) e Recife (PE), e pagos com recursos oriun- dos de financiamentos externos de longo pra zo, em decorrência de Acordos de Governo Cé- lebrados com a França, Alemanha e Inglater= ra." E a mesma Receita Federal, através do seu órgão normativo, a CST, determina, como norma a ser observada pelas repartições aduaneiras, que, reconhecida a isenção dos tributos aduaneiros, com base no DL 2.044183, seja tal isenção reconheci_ da também para a Taxa de Melhoramentos dos Portos, visto que o pressuposto legal para os dois favores (isenção dos impostos e da TMP) é basicamente o mesmo, isto é, a existência de ato in- ternacional em que o Governo Brasileiro tenha intervindo. Para a Receita Federal é ponto pacifico o enten- dimento de que, no presente caso, houve um Acordo de Governo que garante ã importadora o direito ã isenção dos impostos de impor tação e sobre produtos industrializados; para a mesma institui- ção, é, também ponto indiscutível o reconhecimento da isenção da TMP, desde que concedida a isenção daqueles impostos, com base no DL 2.044/83 e, conseqüentemente, na existência de um Acordo de Governo ou Ato Internacional firmado pelo Brasil. Ante o exposto é aos novos elementos trazidos à consideração do colegiado, reconsidero o voto proferido no jul gamento do recurso anterior, acima citado e também do interesse deste mesmo sujeito passivo e, em conseqüên ia, voto por negar _provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Br/a/glia-DF, em 09 de maio- 1986. JO' AÇÁ HA MAMEDE - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11040.720814/2014-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 3002-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo quanto às alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar/prejudicial de mérito da prescrição intercorrente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Régis Venter- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
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SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo quanto às alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar/prejudicial de mérito da prescrição intercorrente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Régis Venter- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 14-104.456, proferido pela11ª Turma da DRJ/RPO, que decidiu pela não reconhecimento do direito creditório do PERDCOMP 06966.24858.300312.1.1.11-32 transmitido, uma vez que o valor de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 08 14 /2 01 4- 18 Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.275 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11040.720814/2014-18 72.017,20 foi integralmente reconhecido pela RFB, mas insuficiente para homologar a compensação por completo, referente a COFINS não cumulativa. O Despacho Decisório, fl.10, indeferiu o pedido de compensação uma vez que integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Em continuidade, foi apresentada pelo recorrente Manifestação de Inconformidade, na qual afirma nulidade por cerceamento de defesa, ocorrência da denúncia espontânea, bem como o crédito deveria ter sido homologado por completo. Encaminhado o processo à DRJ, a decisão dada pelo colegiado não homologa o pedido de compensação, alegando que não há nos autos prova do direito pleiteado pelo contribuinte, sem efetivamente analisar a determinada retificação, além de afirmar que a liquidez e certeza dos créditos descontados devem ser devidamente comprovado pelo recorrente: O litígio se estabeleceu quanto aos débitos contidos na DComp e que foi homologada parcialmente. Acerca de alegações apresentadas a título de Preliminar em que a contribuinte expõe que "o enquadramento legal elencado pela SRFB é apresentado de forma genérica e sem a exata descrição dos dados necessários ao pleno conhecimento do alegado pela Receita Federal quando trata de débitos indevidamente compensados", cumpre esclarecer que a homologação parcial se deu por insuficiência do crédito, conforme teve ciência a Interessada no documento intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório - Detalhamento da Compensação", que é parte integrante do referido ato administrativo. Verifica-se do documento já transcrito no Relatório deste Acórdão, que a Contribuinte informou na DComp débito vencido sem acrescentar os juros e a multa de mora, ou seja, o valor do débito indicado é superior ao crédito pleiteado. Tal situação está estampada de forma cristalina nas "Informações Complementares da Análise de Crédito", conforme já mencionado e como também se verifica na DComp transmitida. Ademais, a própria Interessada trouxe argumentos no recurso apresentado sobre a espontaneidade e o seu entendimento de indicar débitos vencidos no DComp apresentado sem os acréscimos oriundos de normas vigentes, os quais adiante se enfrentará. Não se cogita, pois, de nulidade do Despacho Decisório, mesmo porque, as hipóteses de nulidade dos atos administrativos estão expressamente previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1.972, quais sejam: a incompetência do agente e o proferimento de despachos e decisões com preterição do direito de defesa - circunstâncias não verificadas no presente processo, pois o ato administrativo foi efetuado por autoridade competente e dele foi dada ciência à contribuinte, sendo-lhe concedido prazo legal para apresentação do recurso, de modo que a ampla defesa foi plenamente garantida, inclusive com todos os elementos constantes no ato administrativo em questão. Nesse contexto, não se justifica a arguição relacionada a nulidade. Quanto ao mérito, melhor sorte não socorre a Interessada. Como já mencionado, examinado o Despacho Decisório verifica-se que o contencioso se configura na homologação parcial de compensação pela DRF de origem, visto que o valor pretendido e deferido totalmente se mostrou insuficiente para quitação da integralidade do débito declarado. Por sua vez, a manifestante alega, basicamente, a existência, no caso, do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Observada a DCOMP objeto dos autos, verifica-se que a insuficiência do crédito indicado pela interessada deveu-se à inclusão, pelos sistemas de análise da RFB, da multa e dos juros de mora sobre o débito compensado, visto que quando de sua transmissão aquele já se encontrava vencido. Em sua contestação a Interessada aduz que a multa de mora restaria excluída pela denúncia espontânea, conforme previsto no art. 138 do CTN: Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.275 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11040.720814/2014-18 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (...) Ademais, ao transmitir a DCOMP a contribuinte não inseriu no cálculo do montante devedor a totalidade dos consectários legais, devendo-se atentar que a IN SRF nº 900, de 2008 (vigente quando da transmissão do PER), já dispunha que os débitos declarados deveriam sofrer incidência dos acréscimos legais até a data da entrega da declaração: Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicam-se à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Tal disposição foi mantida na IN RFB nº 1.300, de 2012 (art. 43), bem como pela IN RFB Nº 1717, de 2017, notando-se que esta regula hoje os procedimentos de restituição/ressarcimento/compensação na esfera da RFB (art.70). Portanto, é possível inferir-se que a contribuinte, na data da transmissão da DCOMP que ora se trata, não detinha saldo suficiente para quitar a totalidade do débito informado, implicando isso na cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Acrescente-se que o próprio ordenamento jurídico há muito vem determinando a cobrança da multa de mora nos recolhimentos após o prazo de forma a coibir a dilação do pagamento (Lei n.º 7.738, de 9 de março de 1989, art. 23; Lei n.º 7.799, de 10 de julho 1989, art. 74; Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 3º; Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 59; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61). (...) Assim, correto o acréscimo da multa de mora aos débitos declarados como compensados após o vencimento. Por todo o exposto, esse VOTO é no sentido de considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade. A recorrente tomou ciência da decisão supracitada em 16/04/20 e interpôs Recurso Voluntário em 11/05/2020 afirmando tão somente que os valores dos débitos que se visa extinguir através da compensação superam os valores dos créditos da Recorrente, devido ao acréscimo de juros e multa de mora que a Recorrente teria desconsiderado em seu cálculo, assumindo, assim, a multa caráter confiscatório, além de alegações referentes a provável prescrição do débito. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.275 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11040.720814/2014-18 O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PERDCOMP nº 06966.24858.300312.1.1.11- 32 transmitido no 4º trimestre de 2011, para compensação de débitos com créditos utilizados para a COFINS não cumulativa. DA PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE A recorrente alega a ocorrência da prescrição intercorrente no caso. No entanto, é de se observar que a matéria aqui debatida é de natureza tributária, aplicando-se ao caso a súmula 11 do CARF: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Logo, rejeito a preliminar. Superada as preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO Insta ressaltar que em alegações de mérito, o recorrente apresentar argumentos (evasivos) apenas acerca da multa cobrada. No entanto, conforme já esclareceu a decisão de 1ª instância, o próprio ordenamento jurídico há muito vem determinando a cobrança da multa de mora nos recolhimentos após o prazo de forma a coibir a dilação do pagamento, consoante os normativos legais: Lei n.º 7.738, de 9 de março de 1989, art. 23; Lei n.º 7.799, de 10 de julho 1989, art. 74; Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 3º; Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 59; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61). Nada obstante, a recorrente também fala do efeito confiscatório relacionado a proporcionalidade desta multa nas razões deste recurso que ora analiso frise-se que constatadas as infrações à legislação tributária, aplicam-se as multas legalmente previstas. No caso, como expressamente indicado, aplicou-se a multa prevista no dispositivo legal transcrito. A atividade administrativa de lançamento de tributos é vinculada à lei, não cabendo às autoridades administrativas aplicarem outros percentuais, não previstos na lei tributária. Quanto ao argumento de que a multa exigível seria confiscatória, argumento este que está diretamente atrelada a uma suposta ofensa ao princípio constitucional do não confisco, é imperioso dizer, mais uma vez, que este Colegiado não possui competência para apreciar argumentos desta natureza, em razão do disposto na súmula CARF nº 02, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Portanto, entendo pelo caráter não confiscatório da multa. Por fim, ressalto que em casos de repetição/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação, que o ônus da prova é do contribuinte. E isso tem como fundamento jurídico o art. 373 do vigente CPC, que dispõe: Art.373. O ônus da prova incumbe: Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.275 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11040.720814/2014-18 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Sendo assim, tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de restituição do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto por não conhecer da alegações de inconstitucionalidade, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 83DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001684/2004-53
Data da sessão: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - INDENIZAÇÕES
ISENTAS - As indenizações isentas nos termos do art. 39, inc. XX, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, são as previstas nos arts. 477 a 499 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT pagas até o valor garantido por lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho.
Recurso negado
Numero da decisão: 3804-000.131
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado (Relator), que provia parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO
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"';`•. ,,' Processo n° 10280.001684/2004-53 Recurso n° 160.665 Voluntário Acórdão n° 3804-00.131 — 4' Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 2001 Recorrente RAIMUNDO SERGIO DE MENESES SANTOS Recorrida 2 TURMA/DRJ-BELEM/PA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - INDENIZAÇÕES ISENTAS - As indenizações isentas nos termos do art. 39, inc. XX, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999, são as previstas nos arts. 477 a 499 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT pagas até o valor garantido por lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado (Relator), que provia parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. rff//7Ny'S01.1 A ir A - Pr sidente f , A MA RY LLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Redatora- Designada 1 EDITADO EM: 2 "I OUT 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). Relatório Por uma questão de economia processual reproduzo na íntegra o Relatório de fls.44/45 dos autos, o qual este Relator o ratifica, in totum, verbis: "O presente processo, que ostenta como última folha a de n°. 22, trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme auto de infração de fls. 3/7. 2.A autuação, decorreu de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, SELVA PLAC VERDE LTDA., CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, e CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/000134, constatada pelo Fisco em procedimento de revisão na Declaração de Ajuste Anual do Sujeito Passivo, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, como descrito à fls. 8 e 11, dos autos. 3.Em vista disso, foram alterados os seguintes valores de sua Declaração: Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas (para R$ 92.843,33) e IRRF (para R$ 5.575,62) alterando o resultado apurado do Imposto a Pagar (de R$ 40,45) para Imposto a Pagar Suplementar (R$ 8.270,29), como discriminado à fl. 11, dos autos. 4.No dia 2710212004, foi juntada a impugnação de fls. 01102, instruída com os documentos de fls. 12/21, cujo teor, em suma foi que: a) o contribuinte não omitiu em sua declaração de ajuste anual, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, os rendimentos recebidos de SELVA PLAC VERDE S/ A, CNPJ na 01.787.769/0001-64, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, como afirmado no auto de infração; b) o impugnante declarou a quantia de R$ 29.700,00 no campo de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, consoante pode ser constatado na cópia da declaração de fls. 12/15, face dito valor ter sido recebimento líquido proveniente de acordo judicial, celebrado na 5 a Vara da Justiça de Trabalho da 8" Região entre o Impugnante e as empresas SELVAPLAC VERDE S/A, MAGINCO VERDE LTDA. e CAROLINA INDÚSTRIA LTDA, fls. 16/18, onde ficou estipulado que mesmo estava recebendo aquela quantia, relativa a indenização; Ofij 2 Processo n° 10280.001684/2004-53 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 2 • c) essas empresas comprometeram-se a recolher o imposto de renda integral, fls. 19/21, referente a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) sobre a qual incidiria a tributação. Na realidade houve um acerto judicial em que as empresas assumiram a obrigação da carga tributária, em razão de que o Impugnante abriu mão de parte de seus direitos, recebendo apenas a quantia liquida de R$ 29.700,00 (vinte e nove mil, setecentos reais). É certo que, caso essa quantia correspondesse à remuneração, o que não é o caso, caberia às empresas reterem o imposto na fonte, além do que possibilitaria ao Impugnante os abatimentos relativos a outros encargos decorrentes da mesma. Logo, se não foram feitos, deveu-se ao fato de que se tratava apenas de indenização; d) vislumbra-se ainda do acórdão judicial que não foi discriminada nenhuma verba rescisória, o que reforça ser o citado valor como de caráter indenizatório; e) assim, é inverídica a afirmativa de que o Impugnante omitiu em sua declaração a quantia supra mencionada, descabendo tanto a diferença do imposto como os acréscimos legais aplicados; J. finalmente, requer seja acolhida a presente impugnação." 5.Cientificado da exigência tributária por via postal, conforme Aviso de Recebimento - AR de fl. 29,o sujeito passivo não se insurge contra a infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURIDICA SEM VINCULO EMPREGATIC10), motivo pelo qual não cabe qualquer manifestação por parte da autoridade julgadora acerca dessa matéria, sendo como tal considerada como não impugnada, com base no art. 17 do Decreto n° 70.235/72. 6. Assim, conforme preceitua o art. 21 do retro mencionado dispositivo legal, a repartição de origem informa à fl. 39 que providenciou a apartação dos autos, com a transferência da parte não contestada para o Processo n° 10280.002472/2004-93, para cobrança." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belem/PA, através do Acórdão 01- 7.630, de 05 de fevereiro de 2007, julgou procedente o lançamento, sob o argumento de que, em se tratando de verbas indenizatorias, o interessado não provou de que aquelas mencionadas na Reclamação Trabalhista se inseriam entre as isentas, conforme o artigo 39, inciso XX, do RIR/1999. 3 Inconformado, o contribuinte interpos o recurso de fls. 50/56, acompanhado dos documentos de fls. 57/68, onde, em síntese, sustenta tratar-se de verba de caráter indenizatório. É o relatório. ey/ 4 Processo n° 10280.001684/2004-53 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl, 3 Voto Vencido Conselheiro JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relato, trata o presente feito de omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, constatada pelo Fisco em procedimento de revisão na Declaração de Ajuste Anual do Sujeito Passivo, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, como descrito às fls. 8 e 11, dos autos, recebidos de SELVA PLAC VERDE LTDA., CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, no montante de R$ 29.700,00, e de CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/0001-34, no montante de R$ 993,67. Quanto ao valor de R$ 993,67, recebido de CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/0001-34, trata-se de uma diferença entre o que foi declarado pelo Recorrente no montante de R$ 10.930,37 (fls. 12) e aquele de R$ 11.924,04 constante da DIRF de tls. 34, cujo apontamento o contribuinte não se insurge, sendo, portanto, neste particular, correta a omissão verificada. Já, em relação ao valor de R$ 29.700,00, que teria sido recebido de SELVA PLAC VERDE LTDA, CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, cabem as considerações abaixo. De plano convém esclarecer que o valor do citado Acordo Trabalhista foi de R$ 33.000,00, dos quais R$ 3.300,0 já haviam sido recebidos pelo contribuinte, tendo sido, no entanto, considerado como omissão, apenas, R$ 29.700,00. Referida verba foi paga ao contribuinte em decorrência de Acordo Trabalhista, no Processo 5' VARA-2101/00, da JUSTIÇA DO TRABALHO DA 8 REGIÃO, consoante TERMO DE AUDIÊNCIA de 18/12/00, do qual se extrai: "... AS PARTES RESOLVEM CONCILIAR NAS SEGUINTES BASES: AS RECLAMADAS SOLIDARIAMENTE PAGAM AO RECLAMANTE, NESTE ATO E OCASIÃO, A IMPORTÂNCIA DE R$ 33.000,00, SENDO QUE O RECLAMANTE DECLARA NESTE ATO JÁ HAVER RECEBIDO DAS RECLAMADAS A IMPORTÂNCIA DE R$ 3.300,00. O RESTANTE R$ 29.700,00 É PAGO NESTE ATO E OCASIÃO, ATRAVÉS DO CHEQUE N° 900254, 900255 E 900256, DO BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA 1686, QUE O RECLAMANTE RECEBEU E EMBOLSOU FICA ESTIPULADA A MULTA DE 30%, SOBRE O VALOR CHEQUES, EM CASO DE INSUFICIÊNCIA DE FUNDOS. DESSE VALOR, R$ 23.000,00 É PAGO A TÍTULO DE VERBAS INDENIZATÓRTAS E R$ 10.000,00 A TÍTULO DE VERBAS REMUNERATORIAS. ... A PRIMEIRA RECLAMADA SE COMPROMETE EM RECOLHER A PREVIDÊNCIA SOCIAL E O IMPOSTO DE RENDA, SOBRE O VALOR DE R$ 10.000,00, OS VALORES REFERENTES TANTO A RECLAMADA QWW70 AO JOIA/ 5 RECLAMANTE, DEVENDO COMPROVAR EM JUÍZO QUINZE DIAS APÓS A QUITAÇÃO DO ACORDO..." E, assim, foi feito. De fato, às fls. 18 e 64, consta que a PRIMEIRA RECLAMADA — MANGICO VERDE S/A recolheu o imposto de renda de R$ 2.170,00 sobre as VERBAS RUMUNERATORIAS, no valor de R$ 10.000,00, em atendimento ao Acordo mencionado. Todavia, a SELVA PLACA VERDE LTDA, em descumprimento ao citado ACORDO TRABALHISTA, informou, através da DIRF (fl. 33), como rendimento tributável a quantia de R$ 29.700,00, sem considerar que deste valor, R$ 23.000,00 foram pagos como VERBAS INDENIZATORIAS, quando o ACORDO somente mandara tributar (INSS e IR) sobre R$ 10.000,00, a título de VERBA REMUNERATÓRIA. De ressaltar, por outro lado, que o autuado, em sua declaração de ajuste deveria ter considerado como não tributável somente a quantia de R$ 23.000,00, como VERBA INDENIZATORIA, e não de R$ 29.700,00, como o fez, embora, de forma incorreta, já que incluíra os R$ 10.000,00 recebidos a titulo de VERBA REMUNERATORIA, conforme acima esclarecido. Assim, o ponto básico da controvérsia reside, tão só, na tributação ou não da VERBA INDENIZATÓRIA, como determinado pela Justiça Trabalhista. Sobre o tema, porque se aplica à hipótese sob exame, permito-me transcrever trechos do Acórdão n°. 104-17.419: " ... Como se pode ver, o único ponto de discordância existente entre o fisco e a autuada consiste apenas quanto a inclusão ou não na base de cálculo do imposto dos valores considerados pela justiça como verbas indenizatórias. Inicialmente, é de se destacar o fato de que a recorrente, como fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir de sua obrigação traduzida na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, cabendo-lhe o encargo do pagamento do crédito tributário, cuja base de cálculo está no valor pago ou creditado ao beneficiário do rendimento, conforme sobejamente demonstrado nos anexos 01 e 02 dos autos. Nesse sentido, a fonte pagadora em nenhum instante se nega a assumir essa responsabilidade que a lei lhe atribuiu, submetendo-se, inclusive, ao encargo quanto ao pagamento da maior parte do imposto, calculado sobre os valores pagos aos beneficiários desses rendimentos, não o fazendo apenas com relação as parcelas consideradas no acordo homologado pela justiça do trabalho como verbas de natureza indenizatório, que, por esta razão, deveriam ser classificados como rendi mentos isentos e não tributáveis. Quanto a esta questão, há que se reconhecer que a justiça do trabalho, conforme consta do acordo (Ata de Audiência) de fls. 32/35, homologou o acordo onde as partes declaram ser composta de 100% de verbas indenizatórias, no caso do MY 6 Processo n° 10280.001684/2004-53 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 4 reclamante Paulino Correia, e no caso do acordo firmado com Edi Pacheco 60% de natureza salarial e 40% de natureza indenizató ria. É certo que, se não a totalidade, mas pelo menos uma boa parte dos pagamentos relativos ao acordo judicial em questão constituem, na verdade, salário, questionado judicialmente, cuja decisão foi favorável ao recorrente. Desta forma, os rendimentos contidos no acordo judicial não poderiam ser admitidos na sua totalidade como não tributáveis, como de fato não o foi, unia vez que está sendo exigido o imposto na fonte sobre tais quantias. Assim, se de um lado, não consta nos autos uma folha de cálculo preenchida pela fonte pagadora ou pela justiça do trabalho, identificando o montante dos valores recebido a título de indenizações, discriminando, por espécie, os rendimentos auferidos, inclusive as parcelas intributáveis, por outro, o fisco não desenvolveu qualquer esforço com o propósito de demonstrar e confirmar não constituir estes valores parcelas de rendimentos isentos. Sequer foi a fonte pagadora intimada a identificar os valores pagos a título de indenizações. É inegável que, se o acordo faz referência relativas a uni extinto contrato de trabalho, corno consta no próprio despacho homologató rio, na' o há como prosperar a presunçâ o de que o montante recebido seja totalmente constituído de rendimentos tributáveis, Isto posto, considerando constar expressamente no acordo judicial a natureza indenizatórias dos valores em discussão, meu voto é no sentido de dar provimento ao recurso." Ante todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de dar PROVIMENTO PARCIAL para excluir da exigência, nos termos do Acordo Judicial Trabalhista, a quantia de R$ 19.700,00 relativa à VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. „ fi JULIO CEZAR D i I A FURTADO 7 Voto Vencedor Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Redatora-designada Com a devida vénia do nobre relator da matéria, Conselheiro Júlio Cezar da Fonseca Furtado, permito-me divergir quanto à exclusão da quantia de R$ 19.700,00 da base de cálculo do imposto pelos fundamentos a seguir expostos. i ,„ i inicialmente,nicialmente, que o imposto em questãoincide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Sobre a matéria, assim dispõem os artigos 2° e 3° da Lei n°7.713, de 1988: Art. 2° - O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3°(..) § 1° - Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (.) ,f 4 0 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma ou titulo. Por outro lado, a lei lista, de forma exaustiva, o que á isento, estabelecendo de forma ampla e conceitual o objeto da tributação. Assim é, porque a interpretação literal prevista no art. 111 da Lei tr. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional - CTN, se impõe ao dispositivo que outorga isenção. Assim, vejamos o que dispõe o art. 6° da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas: 1 - A alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado; II - As diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho; 17 8 Processo n° 10280.001684/2004-53 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 5 III - O valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau; IV - As indenizações por acidentes de trabalho; V - A indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem corno o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço,. VI - O montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotas-partes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; VII - Os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: (..) (grifos acrescidos) Destaque-se que as indenizações isentas nos termos do inc. V, do art. 6°, da Lei n° 7.713, de 1988, são as previstas nos arts. 477 a 499 da CLT pagas até o valor garantido por lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. E mais, em conformidade com o art. 123 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes".(Grifamos) Portanto, caberia ao interessado trazer aos autos documentos hábeis para comprovar que verbas compuseram a parcela dita isenta no acordo realizado na reclamatória trabalhista e, assim, a natureza de tais verbas. Na ausência dessa prova, os valores recebidos sujeitam-se à tributação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. AMARYLLES RE1NALDI E HENRIQUES RESENDE 9
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Numero do processo: 13828.000043/2004-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESA COM INSTRUÇÃO EM NOME DO DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO DO DISPÊNDIO POR PARTE DO GENITOR DECLARANTE.
Os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 1.622,00, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO DO DISPÊNDIO POR PARTE DO GENITOR DECLARANTE. Os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 1.622,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13828.000043/200445 Acórdão n.º 280102.266 S2TE01 Fl. 48 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Sâo Paulo, SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificado, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 04/05, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2003, Anocalendário 2002, por meio do qual foi apurado imposto de renda pessoa física a pagar no valor de R$ 1.798,50. Às fls. 04, constou a informação de que o valor relativo ao total de dependentes teria ultrapassado o limite estabelecido (R$ 1.272,00 por dependente) e que o valor total de despesas com instrução também teria sido superior ao limite (R$ 1.998,00 por pessoa). O contribuinte apresentou impugnação em 10/05/2004, fl. 1, alegando que: a) o valor informado a título de dependentes está correto, tendo em vista que corresponde à multiplicação de seus dois dependentes pelo valor individual, perfazendo o total de R$ 2.544,00. b) não houve realização de despesa com instrução própria e que o valor informado no campo próprio (R$ 3.996,00) é o obtido pela multiplicação do valor individual de R$ 1.998,00 por seus dois dependentes. c) apresenta os documentos de fls. 02 a 09. Em 13/12/2008 (AR de fl. 21) o requerente foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas com instrução realizadas com seus filhos, tendo em vista não ter sido apresentado qualquer documento nesse sentido. Em 30/12/2008 o requerente apresentou resposta à referida intimação informando que concorda com a exclusão das despesas com instrução de sua filha Denise Barreiro Costa, tendo em vista que ele cursava universidade pública à época. Apresenta ainda os documentos de fls. 24 a 28 relativos às despesas com instrução realizadas com seu outro dependente Murilo Barreiro Costa.” O lançamento foi julgado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 35/38, para restabelecer a dedução de dependentes e a parcela de R$ 376,00 da dedução de despesas com instrução. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/02/2009 (fl. 41), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 42/43, em 06/03/2009. Em sua defesa, alega que deve ser considerado o valor de R$ 1.998,00 como dedução de despesas com instrução, referente ao seu filho, Murilo Barreiro Costa, pois, em 2002, ele cursou o segundo ano do Ensino Médio na escola Cooperativa Educacional de Lençóis Paulista, CNPJ 03.628.725/0001 17, com mensalidade de R$ 376,00, que montam a quantia anual paga de R$ 4.888,00, conforme documento em anexo, emitido pela diretora da Cooperativa Educacional de Lençóis Paulista. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13828.000043/200445 Acórdão n.º 280102.266 S2TE01 Fl. 49 3 É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cinge à inconformidade do contribuinte quanto à glosa de despesas com instrução declaradas referentes ao dependente Murilo Barreiro Costa. No que se refere a esse assunto, assim se pronunciou a decisão recorrida: Quanto ao outro dependente Murilo Barreiro Costa, percebese que é possível aceitar o pagamento no montante de R$ 376,00, conforme comprovante de fl. 24. No entanto, o contrato apresentado (fis.25 a 28) não é hábil a comprovar pagamento de despesas com instrução, ainda mais em função de ter sido firmado em 08/11/2000 e sua validade ter se encerrado em 31/12/2001, anteriormente, portanto, ao ano calendário em exame. Acrescentese ainda que contratos não comprovam os pagamentos efetivamente realizados. Desta forma, há que se restabelecer a dedução de despesas com dependentes e aceitar como dedução de despesa com instrução o valor total de R$ 376,00. Em sede de recurso, o sujeito passivo apresenta, à fl. 44, declaração emitida pela Cooperativa Educacional de Lençóis Paulista, informando que a Senhora Neide Lucia Barreiro Costa efetuou os pagamentos das mensalidades escolares de seu filho Murilo Barreiro Costa, no anocalendário de 2002, no montante de R$ 4.849,00, sendo o valor da mensalidade de R$ 376,00. O recorrente, ainda, esclarece que os boletos bancários estão em nome de sua esposa Neide Lucia Barreiro Costa apenas pelo fato de ter sido ela que efetuou a matricula do filho, sendo que todos os pagamentos mensais foram por ele suportados. Registra, inclusive, que todos os bens e despesas do casal sempre foram lançados na declaração do cabeça de casal. Assim, entendo que restou comprovada a reclamada dedução de despesas com instrução. Portanto, considerando que o limite para a referida dedução no período sob exame é de R$ 1.998,00 e que já foi considerada a parcela de R$ 376,00 pela decisão recorrida, resta restabelecer a parcela de R$ 1.622,00. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas com instrução no montante de R$ 1.622,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13828.000043/200445 Acórdão n.º 280102.266 S2TE01 Fl. 50 4 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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