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Numero do processo: 44021.000363/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/05/2007
ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO NOS DESCONTOS DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração tributária.
Não se confundem o descumprimento da obrigação principal do
descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente COMÉRCIO DE VEÍCULOS BIGUAÇU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/05/2007 ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO NOS DESCONTOS DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração tributária. Não se confundem o descumprimento da obrigação principal do descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 426 3 Relatório Tratase de Auto de Infração — AI lavrado em 08/05/2007 devido à infringência ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91, uma vez que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos seus segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 02), no período de 08/2001 a 12/2006 a empresa efetuou o pagamento de prêmios aos seus trabalhadores através de cartões de premiação. Tais pagamentos foram efetuados com a intermediação da empresa "SPIRIT Incentivo e Fidelização Ltda". O Contribuinte, devidamente notificado, apresentou defesa tempestiva em 11 de junho de 2007 (fls. 123). A impugnação foi julgada em 11 de outubro de 2007 (fls. 350), ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2006 Documento Original: AI n° 37.064.1574, de 08/05/2007. NÃO ARRECADAÇAO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8212/91, e art. 40, caput, da Lei 10.666/03, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto na remuneração dos segurados empregados, as contribuições sociais. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Que é indevido o depósito recursal de 30% (trinta por cento); A C. Turma deixou de se pronunciar acerca da alegação de ocorrência do prazo decadencial para a Seguridade diante do lapso temporal de mais de cinco anos; Tudo que se discute em relação ao período de agosto de 2001 a final de dezembro de 2001, está prejudicado em face de ocorrência da decadência; A Recorrente, no período compreendido entre dezembro de 1998 a setembro de 2004, utilizouse de serviços de associados das Cooperativas, COOPBRASIL — Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 4 COOPERATIVA MISTA DE TRABALHOS MÚLTIPLOS DO BRASIL e da COOPERATIVA DE TRABALHO E SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL COOPEROESTE, conforme se depreende dos contratos e respectivos aditamentos juntados à impugnação; Resta evidente que as multas cobradas pelo Fisco é absurda, chegando a possuir CARÁTER CONFISCATÓRIO, o que é vedado pela Constituição Federal, conforme preceitua o seu artigo 150, inciso IV, não podendo o argumento da MM 9° Turma ser acatado por este Digníssimo Conselho, posto que a inconstitucionalidade quando flagrante deve ser atacada de ofício pela autoridade julgadora; Aguarda a Recorrente seja reconhecida a preliminar de cabimento do recurso independentemente do depósito recursal, bem como da ocorrência da decadência argüida e a ilegitimidade da parte, tornando prejudicada a análise do período compreendido entre agosto de 2001 e setembro de 2004, o que por si só motivam a reforma do V. Acórdão n° 1721. 095, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SPOII e por conseqüência a nulidade do auto de infração. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 427 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte foi penalizado por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212/91, art. 30, I, alínea “a”, e alterações posteriores e na Lei nº 10.666/03, art. 4º, caput, e no RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 216, inciso I, alínea “a”. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, os pagamentos objetos do lançamento ocorreram no período de agosto de 2001 a dezembro de 2006 e foram feitos mediante a intermediação da empresa: Spirit Incentivo e Fidelização Ltda. Ainda de acordo com Relatório Fiscal da Infração, embora a empresa não tenha apresentado relação nominal dos beneficiários dos pagamentos, a ausência dos descontos pôde ser constatada pela não inclusão do valor do prêmio em folha de pagamento. (A não inclusão dos prêmios nas folhas de pagamento e a não apresentação de relação nominal dos beneficiários ensejaram a lavratura dos autos de infração 37.064.1558 e 37.064.1566). Conforme se verificou nos autos, durante o período abrangido pelo lançamento, o contribuinte manteve contrato com a empresa Spirit – Incentivo e Fidelização Ltda (fls. 203), com o seguinte objeto: Constitui o objeto do presente contrato a prestação de serviços para a condução de programa de marketing de incentivo pela SPIRIT, para a premiação dos funcionários, prepostos ou parceiros comerciais indicados pela EMPRESA, de acordo com os critérios por ela estabelecidos, utilizando para a premiação o SPIRIT CARD, desenvolvido pela SPIRIT. A estratégia do programa de premiação está descrita nos documentos de fls. 205 (ano 2001), 210 (ano 2002), 215 (ano 2003), 220 (ano 2004), 225 (ano 2005) e 230 (ano 2006). Nos referidos períodos, o contribuinte definiu que participariam do programa de marketing de incentivo, os seguintes trabalhadores: Em 2001, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 6 Em 2002, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda. Em 2003, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Em 2004, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, bem como os integrantes da Cooperativa Mista de Trabalho Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL que prestem serviços à empresa já citada. Em 2005, todos os colaboradores da Biguaçu. Em 2006, todos os colaboradores da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda. Vêse, pois, que participaram do programa, tanto os empregados da empresa Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, como também contribuintes individuais vinculados à Cooperativa Mista de Trabalhos Múltiplos do Brasil – COOPBRASIL. Com efeito, independentemente da forma em que o vínculo foi estabelecido, a empresa terá responsabilidades tributárias na condição de contribuinte ou de responsável. Portanto, se o contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, não há como refutar o enquadramento legal levado a efeito pela fiscalização. A alínea “a” do inciso I do art. 30 da lei nº 8.212/91, dispõe que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem as seguintes normas: I – a empresa é obrigada a: a) Arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. No que diz respeito às contribuições que devem ser arrecadas pela empresa quando da contratação de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, ela, na condição de responsável, terá que observar (e não observou) as disposições do art. 4º da Lei nº 10.666/03, verbis: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia 20 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 428 7 (vinte) do mês subsequente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. § 3o O disposto neste artigo não se aplica ao contribuinte individual, quando contratado por outro contribuinte individual equiparado a empresa ou por produtor rural pessoa física ou por missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeiras, e nem ao brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo. Nada obstante ao correto enquadramento legal feito pela fiscalização, para o deslinde da questão, in casu, é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto, o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 8 terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for a dinheiro. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores foram pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. Não há provas nos autos de que o pagamento da premiação estava desatrelado do cumprimento de qualquer condição imposta pelo contribuinte; situação que, em tese, afastaria a natureza salarial do prêmio. Ademais, o critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição. Agora, caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho. Portanto, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que a empresa remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, ela passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a Spirit Incentivo e Fidelização Ltda, não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Spirit Incentivo e Fidelização Ltda simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Spirit. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44021.000363/200757 Acórdão n.º 280300.513 S2TE03 Fl. 429 9 Pelo exposto, ocorrendo o fato gerador das contribuições, os mesmos devem ser contabilizados em títulos próprios. O pagamento de remuneração aos empregados é fato gerador de contribuições, e logicamente acarretará a necessidade de cumprimento de obrigações acessórias. Tais obrigações acessórias incluem a necessidade de informar em GFIP, contabilizar em títulos próprios e preparar folhas de pagamento. O presente auto de infração teve como fundamento o não desconto da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Mesmo não efetuando os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será da entidade contratante, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 10 pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. O auto de infração ora guerreado não é pela ausência de informações, mas sim em razão de não ter sido possível verificar nos dados fornecidos pelo contribuinte, os descontos das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados a seu serviço. Uma vez que a sociedade empresária remunerou segurados, caberia não somente recolher o tributo, mas também cumprir com as obrigações instrumentais. Se a recorrente não elaborou de forma detalhada a relação de segurados beneficiados, tampouco apresentou à fiscalização, deveres que competiam ao sujeito passivo, como exigir que o Fisco elabore tal relação. Assim, a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por fim, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720068/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
SÚMULA CARF Nº 122:
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 2301-007.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 SÚMULA CARF Nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR
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IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 68 /2 00 9- 42 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, referente ao Imposto Territorial Rural – ITR, exercício 2005, em revisão de DITR, na qual foram glosadas integralmente as áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, bem como, foi arbitrado pelo SIPT o Valor da Terra Nua – VTN, o que resultou em imposto suplementar a pagar. Cientificado, o contribuinte apresenta impugnação onde alega o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: Cientificado do lançamento, em 14/05/2009 (extrato/Sucop de fls. 13), o interessado protocolou sua impugnação, em 15/06/2009, anexada às fls. 16, acompanhada dos documentos de fls. 17/20, 21/29, 30/37, 38, 39, 40, 41/49 e 50. Em síntese, alega e requer o seguinte: - faz um breve relato dos fatos; - informa que está anexando os documentos relacionados, para fazer prova a favor da comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal; - pede o restabelecimento dessas áreas e o Grau de Utilização de 100% para efeito de aplicação da respectiva alíquota de cálculo, admitindo a tributação do imóvel com base no valor apontado no SIPT, e - por fim, indica o endereço para fins de ciência/intimação, a saber: Praça Dep. Jose Assis n° 036, Centro, em Mineiros - GO, CEP - 75830-000. A DRJ julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com as seguintes alegações: Preliminarmente, que a notificação está eivado de nulidades e que o lançamento deve ser cancelado. No mérito reitera as alegações apresentadas na impugnação e aduz que não deve ser prejudicado, referindo-se ao ADA, por um documento que não é exigido por lei. Requer a utilização do valor da terra nua, conforme informado na DIAT 2006, cujo VTN declarado foi de R$ 100.000,00, no valor de R$ 32,93 por hectare É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade Da Área de Reserva Legal Da análise dos documentos apresentados, verifica-se que foi comprovada a averbação tempestiva da área de reserva legal declarada (607,4 ha) à margem da matrícula do imóvel, em 28/09/1988 (AV-9-807), doc./cópia de fls. 17/20. No entanto, essa área, juntamente com a área declarada como de preservação permanente (768,9 ha), não foram objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. A matéria já foi objeto de sumula CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Portanto, deve ser cancelada a glosa da área de reserva legal declarada, tem em vista a averbação da tempestiva da área na matricula do imóvel. Da Área de Preservação Permanente No julgamento da impugnação, a DRJ manteve a glosa da APP por não ter o contribuinte apresentado ADA do ano relativo ao exercício, da seguinte forma: No presente caso, o requerente instruiu a sua defesa com o Ato Declaratório Ambiental - Exercício de 2008 (às fls. 50), transmitido e recepcionado no IBAMA em 22/09/2008, que somente constitui documento hábil para comprovar as áreas ambientais nele informados, para efeito de exclusão do ITR/2008, não podendo os seus efeitos retroagirem, por falta de previsão legal, para justificar a exclusão dessas áreas do ITR/2005, como pretendido. No entanto, a jurisprudência do CARF, tem admitido que a apresentação do ADA antes da ação fiscal, mesmo que posterior ao exercício a que se refere o tributo, supre a exigência para comprovação da APP, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que tratam sobre a exclusão de APP, abaixo: Acórdão nº 9202007.313 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17, §1º, da Lei n.º 6.938/81. Restando demonstrada a apresentação do ADA antes do início da ação fiscal, possível a exclusão da área de APP e consequente redução da base de cálculo do ITR Portanto, como houve a apresentação do ADA antes do inicio da ação fiscal, mesmo que referente a um exercício posterior ao do lançamento, no qual consta declarada a Área de Preservação Permanente – APP, a mesma deverá ser declarada isenta da tributação do ITR. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.767 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720068/2009-42 Do Valor da Terra Nua – VTN Quanto à esta matéria, assim manifestou-se a DRJ No que se refere à rejeição do VTN Declarado (R$ 120.000,00 ou R$ 39,51/ha), arbitrado pelo valor de RS 2.097.686,27, com base no VTN médio, por hectare, de RS 690,71/ha, constante do SIPT e obtido com base no universo das DITR/2005, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Mineiros - GO, não há contestação expressa da matéria. Assim, considera-se não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dos arts. 1°, da Lei n° 8.748/1993, e 67, da Lei n° 9.532/1997. Portanto, como a matéria não foi impugnada, não se conhece da mesma por preclusa Do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida dar-lhe provimento, para que sejam canceladas as glosas das áreas de reserva legal de 607,4 ha e de preservação permanente de 768,9 ha. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720846/2010-61
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 01 a 31/07/2002
PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
STF. RE 401.4387/MG.
A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3803-003.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral: Dr. Gustavo Lana Murici (OAB/MG nº 87.168).
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 01 a 31/07/2002 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. STF. RE 401.4387/MG. A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
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BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. STF. RE 401.4387/MG. A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Gustavo Lana Murici (OAB/MG nº 87.168). (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0936.954, de 21 de setembro de 2011, da DRJ/Juiz de Fora, fls. 77/79, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Interessada transmitiu a DComp nº. 21973.45177.041206.1.3.04580, fls. 01/05, em que compensou o débito nela declarado, com o crédito relativo a pagamento a maior da contribuição para o PIS/Pasep relativo ao período de apuração julho/2002, efetuado em 14 de agosto de 2002. A Contribuinte manejou o Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, em que discutiu a inexistência de relação jurídicotributária que a sujeite ao recolhimento do PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98. Obteve provimento no sentido de se aplicar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da citada lei, e no bojo do Recurso Extraordinário 401.3487/Minas Gerais foi favorecida com o seguinte dispositivo: "A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados, Por meio do Despacho Decisório, de fls. 63/64, a DRF/Uberlândia apurou inexistência de crédito, e o débito de R$ 70.740,00 não foi homologado. A decisão da Autoridade Administrativa respaldouse na Informação Fiscal n° 98/2010/DRF/UBE/EQAJ, de fls. 20/23, prestada nos autos do processo administrativo judicial nº. 10675.000306/0097, em que a Autoridade Fiscal discordou do entendimento da Contribuinte que considera como tributável pelo PIS, nos termos da decisão judicial que lhe favoreceu, apenas a sua renda de prestação de serviços, em sentido estrito, que exclui todas as demais receitas operacionais, de índole financeira, que são o resultado das operações que constituem a essência de seu objetivo social. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que: a) no acórdão do STF transitado em julgado a favor da Requerente, nos autos do MS n. 2000.38.03.000.7782, não se declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/982, e determinou o conceito de faturamento que deveria ser utilizado para incidência do PIS; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 2 3 b) a Autoridade Administrativa relativizou o conceito de "faturamento" para o caso especifico das instituições financeiras, em uma “clara tentativa de minimizar a perda de arrecadação com essa discussão tributária, todavia em evidente confronto com o instituto da Coisa Julgada”; c) a decisão monocrática está de acordo com a jurisprudência dominante do STF consubstanciada nos leading cases da matéria, conforme citado no próprio acórdão, quais sejam: RE n. 346.084 PR; RE n. 357.950RS; RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, que não analisaram a questão sob a ótica das atividades desenvolvidas pelas empresas, mas sim, pelo conceito que deve ser depreendido de faturamento; d) a base de cálculo do PIS da Requerente é o quanto foi decidido pelo STF na decisão transitada em julgado, que delimitou o conceito de faturamento como sendo as receitas oriundas das atividades empresariais, limitadas à venda de mercadorias e à prestação de serviços de qualquer natureza. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora interpretou a decisão judicial favorável à Impetrante, a partir do esclarecimento, no corpo da decisão do Ministro Cezar Peluso, cujo entendimento foi o de que “o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” e manteve o entendimento mais amplo de faturamento exposto no parecer técnico que embasou o despacho decisório. A decisão está ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Cientificada da decisão em 07 de novembro de 2011, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, em 29 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo mais que: a) a receita de prestação de serviços que configura o faturamento das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de faturamento determinado pelo Supremo Tribunal Federal; b) a distinção entre serviços bancários e operações bancárias, já foi apreciada pela próprio Supremo Tribunal Federal na ADI n° 2.591, em que discutiu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor para as instituições financeiras. Consigna que, segundo o Informativo do STF, obtido no site do Tribunal, a discussão em torno da distinção entre serviços e operações bancárias se deu nos seguintes termos: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 c.1.) " [...1 Assim, diferenciando as operações bancárias dos serviços bancários, concluiu que, no caso destes — serviços prestados pelos bancos a clientes e usuários que não configuram relações financeiras relativas a investimentos e depósitos e pelos quais as instituições financeiras são remuneradas —, haverseá de aplicar o CDC. c.2. nesse contexto, não restam dúvidas que os serviços bancários, remunerados via taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o ‘faturamento' das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos etc.) estão fora do conceito de ‘faturamento', que é a base de cálculo do PIS. (original sublinhado e grifado É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo parte da insuficiência do crédito, de pagamento a maior, que fora apurado pela Recorrente com exclusão das rendas da atividade de intermediação financeira, vistas por ela como não integrantes do conceito de faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços, plasmado pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos que resultaram na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Conforme relatado, a Interessada dispõe de provimento judicial favorável consubstanciado no Recurso Extraordinário nº 401.4387. Quanto a este, declara a Recorrente que a decisão recorrida contrariou a coisa julgada, procedendo a uma interpretação errônea da decisão judicial e dos leading case proferidos por aquela c. Corte. A Recorrente traz a lume o julgamento do FINSOCIAL no RE 150.755, para afirmar a impossibilidade de equiparação entre faturamento e receita bruta e sustentar que o STF definiu que a equivalência dos dois conceitos só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, conceito este subjacente nos julgados dos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que conformaram a jurisprudência desse Tribunal. Divirjo do entendimento da Recorrente em toda a amplitude do recurso. Considero, primeiramente, que a ação da Autoridade Administrativa de perscrutar o conteúdo e alcance da coisa julgada não corresponde a proceder a uma releitura do mérito levado à apreciação do Judiciário, ante o fato de – assim como o colegiado a quo ter firmado entendimento que difere da pretensão da Contribuinte. No caso presente, entendo não se configurou a violação do que fora decidido. Isso, porque o conceito de receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, equivalente a faturamento ou ao “resultado de operações que nele se exteriorizam”, na formatação dada pelo Supremo, teve o seu contorno definido pela Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 3 5 própria decisão monocrática do Ministro Cezar Peluso, no dito RE 401.348, que deu provimento ao pleito desta Recorrente, conforme transcrito a seguir: “DECISÃO: 1 .Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/9,8 relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS.2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE nº 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3 Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento para, concedendo a ordem, excluir, da base da incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Custas ex lege.”[grifos aqui] A Recorrente contrapõese ao parâmetro – que reputo claro dado ao perfil das receitas efetivamente capturáveis pela tributação das contribuições e em destaque na expressão enfatizadora do seu conteúdo, acima grifada “ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” afirmando que não se pode tomar como prumo a posição pessoal do Ministro, mas o que restara delineado na jurisprudência da Suprema Corte nos recursos extraordinários já referidos. No entanto, anotese o que se pode extrair da decisão. Ao fundamentála no art. 557, § 1ºA, o Ministro decisor é ciente de que está inarredavelmente vinculado à jurisprudência sobre a qual ancora sua decisão. Ele mesmo expressamente sugere estar arrimado nos precedentes, quando menciona: “A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte”. Em seguida, afirma também que tal jurisprudência foi sedimentada com voto vencedor de sua lavra. Em seu voto no processo paradigma da jurisprudência, nºs 346.084, o percuciente Ministro fez uso da teoria da linguagem enfrentando o conceito de faturamento à luz do direito comercial e tributário; discorreu sobre os precedentes da Corte em relação ao FINSOCIAL (RREE nºs 150.755 e 150.764) e à COFINS (ADC n. 1), pontuando analiticamente os votos condutores das teses no STF, e o fez alicerçado no escólio de Pontes de Miranda, Ruy Barbosa e Hans Kelsen; e na apreensão do texto legal sob juízo preocupouse Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 claramente com o limite da competência constitucional fixada no termo faturamento, para nada admitir que extrapolasse essa noção. Fêlo, considerando até a hipótese de que o texto legal do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estaria criando uma nova fonte de custeio, no que estaria conspurcado de inconstitucionalidade, por violar o art, 195, § 4º1, pela não observação da forma prevista no art. 154, I, da Carta Maior2. Percebese na sua exposição o cuidado de deixar a decisão o mais clara possível, visando a evitar dúvidas e celeumas quando do cumprimento. Nesse desiderato, em aparte posterior o Ministro realçou o quanto havia consignado, nos termos como segue: "Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" – grifamos. [...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. [...] Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. Este voto foi acompanhado expressamente pelos Ministros Celso de Melo e Sepúlveda Pertence. 1 § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 4 7 Em seu votovista o Ministro Eros Grau considerou que faturamento não é um conceito. Aponta que os conceitos são atemporais e ahistóricos. Faturamento, em seu escólio, é um conceito jurídico tipológico (fattispecie), e como tal, histórico e temporal, e, assim, “são notável e peculiarmente homogêneo ao desenvolvimento das coisas”. O i. Ministro semeou este preâmbulo para afirmar que o termo faturamento já não é tomado como “atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresariais do agente econômico...” Por sua vez, o Ministro Ayres Britto pontuou: "A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento", sem a conjunção disjuntiva “ou” receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2.397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei:[...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Como se pode ver dos excertos de votos acima, restou assentado na jurisprudência do STF que a noção de faturamento, no que tange às instituições financeiras, vai além das receitas provenientes da cobrança de tarifas, estas atinentes à lista de serviços constante do capítulo “15” da LC nº 116/2003 “15 Serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito” 3, muitas das quais subsistem como atividades secundárias 3 15.01 – Administração de fundos quaisquer, de consórcio, de cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques prédatados e congêneres. 15.02 – Abertura de contas em geral, inclusive contacorrente, conta de investimentos e aplicação e caderneta de poupança, no País e no exterior, bem como a manutenção das referidas contas ativas e inativas. 15.03 – Locação e manutenção de cofres particulares, de terminais eletrônicos, de terminais de atendimento e de bens e equipamentos em geral. 15.04 – Fornecimento ou emissão de atestados em geral, inclusive atestado de idoneidade, atestado de capacidade financeira e congêneres. 15.05 – Cadastro, elaboração de ficha cadastral, renovação cadastral e congêneres, inclusão ou exclusão no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos – CCF ou em quaisquer outros bancos cadastrais. 15.06 – Emissão, reemissão e fornecimento de avisos, comprovantes e documentos em geral; abono de firmas; coleta e entrega de documentos, bens e valores; comunicação com outra agência ou com a administração central; licenciamento eletrônico de veículos; transferência de veículos; agenciamento fiduciário ou depositário; devolução de bens em custódia. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 e acessórias, executadas para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo parte da insuficiência do crédito, de pagamento a maior, que fora apurado pela Recorrente com exclusão das rendas da atividade de intermediação financeira, vistas por ela como não integrantes do conceito de faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços, plasmado pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos que resultaram na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Conforme relatado, a Interessada dispõe de provimento judicial favorável consubstanciado no Recurso Extraordinário nº 401.4387. Quanto a este, declara a Recorrente que a decisão recorrida contrariou a coisa julgada, procedendo a uma interpretação errônea da decisão judicial e dos leading case proferidos por aquela c. Corte. A Recorrente traz a lume o julgamento do FINSOCIAL no RE 150.755, para afirmar a impossibilidade de equiparação entre faturamento e receita bruta e sustentar que o 15.07 – Acesso, movimentação, atendimento e consulta a contas em geral, por qualquer meio ou processo, inclusive por telefone, facsímile, internet e telex, acesso a terminais de atendimento, inclusive vinte e quatro horas; acesso a outro banco e a rede compartilhada; fornecimento de saldo, extrato e demais informações relativas a contas em geral, por qualquer meio ou processo. 15.08 – Emissão, reemissão, alteração, cessão, substituição, cancelamento e registro de contrato de crédito; estudo, análise e avaliação de operações de crédito; emissão, concessão, alteração ou contratação de aval, fiança, anuência e congêneres; serviços relativos a abertura de crédito, para quaisquer fins. 15.09 – Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato, e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing). 15.10 – Serviços relacionados a cobranças, recebimentos ou pagamentos em geral, de títulos quaisquer, de contas ou carnês, de câmbio, de tributos e por conta de terceiros, inclusive os efetuados por meio eletrônico, automático ou por máquinas de atendimento; fornecimento de posição de cobrança, recebimento ou pagamento; emissão de carnês, fichas de compensação, impressos e documentos em geral. 15.11 – Devolução de títulos, protesto de títulos, sustação de protesto, manutenção de títulos, reapresentação de títulos, e demais serviços a eles relacionados. 15.12 – Custódia em geral, inclusive de títulos e valores mobiliários. 15.13 – Serviços relacionados a operações de câmbio em geral, edição, alteração, prorrogação, cancelamento e baixa de contrato de câmbio; emissão de registro de exportação ou de crédito; cobrança ou depósito no exterior; emissão, fornecimento e cancelamento de cheques de viagem; fornecimento, transferência, cancelamento e demais serviços relativos a carta de crédito de importação, exportação e garantias recebidas; envio e recebimento de mensagens em geral relacionadas a operações de câmbio. 15.14 – Fornecimento, emissão, reemissão, renovação e manutenção de cartão magnético, cartão de crédito, cartão de débito, cartão salário e congêneres. 15.15 – Compensação de cheques e títulos quaisquer; serviços relacionados a depósito, inclusive depósito identificado, a saque de contas quaisquer, por qualquer meio ou processo, inclusive em terminais eletrônicos e de atendimento. 15.16 – Emissão, reemissão, liquidação, alteração, cancelamento e baixa de ordens de pagamento, ordens de crédito e similares, por qualquer meio ou processo; serviços relacionados à transferência de valores, dados, fundos, pagamentos e similares, inclusive entre contas em geral. 15.17 – Emissão, fornecimento, devolução, sustação, cancelamento e oposição de cheques quaisquer, avulso ou por talão. 15.18 – Serviços relacionados a crédito imobiliário, avaliação e vistoria de imóvel ou obra, análise técnica e jurídica, emissão, reemissão, alteração, transferência e renegociação de contrato, emissão e reemissão do termo de quitação e demais serviços relacionados a crédito imobiliário. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 5 9 STF definiu que a equivalência dos dois conceitos só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, conceito este subjacente nos julgados dos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que conformaram a jurisprudência desse Tribunal. Divirjo do entendimento da Recorrente em toda a amplitude do recurso. Considero, primeiramente, que a ação da Autoridade Administrativa de perscrutar o conteúdo e alcance da coisa julgada não corresponde a proceder a uma releitura do mérito levado à apreciação do Judiciário, ante o fato de – assim como o colegiado a quo ter firmado entendimento que difere da pretensão da Contribuinte. No caso presente, entendo não se configurou a violação do que fora decidido. Isso, porque o conceito de receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, equivalente a faturamento ou ao “resultado de operações que nele se exteriorizam”, na formatação dada pelo Supremo, teve o seu contorno definido pela própria decisão monocrática do Ministro Cezar Peluso, no dito RE 401.348, que deu provimento ao pleito desta Recorrente, conforme transcrito a seguir: “DECISÃO: 1 .Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/9,8 relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS.2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE nº 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3 Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento para, concedendo a ordem, excluir, da base da incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Custas ex lege.”[grifos aqui] A Recorrente contrapõese ao parâmetro – que reputo claro dado ao perfil das receitas efetivamente capturáveis pela tributação das contribuições e em destaque na expressão enfatizadora do seu conteúdo, acima grifada “ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” afirmando que não se pode tomar como prumo a posição pessoal do Ministro, mas o que restara delineado na jurisprudência da Suprema Corte nos recursos extraordinários já referidos. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 No entanto, anotese o que se pode extrair da decisão. Ao fundamentála no art. 557, § 1ºA, o Ministro decisor é ciente de que está inarredavelmente vinculado à jurisprudência sobre a qual ancora sua decisão. Ele mesmo expressamente sugere estar arrimado nos precedentes, quando menciona: “A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte”. Em seguida, afirma também que tal jurisprudência foi sedimentada com voto vencedor de sua lavra. Em seu voto no processo paradigma da jurisprudência, nºs 346.084, o percuciente Ministro fez uso da teoria da linguagem enfrentando o conceito de faturamento à luz do direito comercial e tributário; discorreu sobre os precedentes da Corte em relação ao FINSOCIAL (RREE nºs 150.755 e 150.764) e à COFINS (ADC n. 1), pontuando analiticamente os votos condutores das teses no STF, e o fez alicerçado no escólio de Pontes de Miranda, Ruy Barbosa e Hans Kelsen; e na apreensão do texto legal sob juízo preocupouse claramente com o limite da competência constitucional fixada no termo faturamento, para nada admitir que extrapolasse essa noção. Fêlo, considerando até a hipótese de que o texto legal do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estaria criando uma nova fonte de custeio, no que estaria conspurcado de inconstitucionalidade, por violar o art, 195, § 4º4, pela não observação da forma prevista no art. 154, I, da Carta Maior5. Percebese na sua exposição o cuidado de deixar a decisão o mais clara possível, visando a evitar dúvidas e celeumas quando do cumprimento. Nesse desiderato, em aparte posterior o Ministro realçou o quanto havia consignado, nos termos como segue: "Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" – grifamos. [...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. 4 § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. 5 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 6 11 Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. [...] Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. Este voto foi acompanhado expressamente pelos Ministros Celso de Melo e Sepúlveda Pertence. Em seu votovista o Ministro Eros Grau considerou que faturamento não é um conceito. Aponta que os conceitos são atemporais e ahistóricos. Faturamento, em seu escólio, é um conceito jurídico tipológico (fattispecie), e como tal, histórico e temporal, e, assim, “são notável e peculiarmente homogêneo ao desenvolvimento das coisas”. O i. Ministro semeou este preâmbulo para afirmar que o termo faturamento já não é tomado como “atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresariais do agente econômico...” Por sua vez, o Ministro Ayres Britto pontuou: "A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento", sem a conjunção disjuntiva “ou” receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2.397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei:[...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Como se pode ver dos excertos de votos acima, restou assentado na jurisprudência do STF que a noção de faturamento, no que tange às instituições financeiras, vai além das receitas provenientes da cobrança de tarifas, estas atinentes à lista de serviços constante do capítulo “15” da LC nº 116/2003 “15 Serviços relacionados ao setor bancário Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 12 ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito” 6, muitas das quais subsistem como atividades secundárias e acessórias, executadas para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Nesse prisma, depreendese que esse conceito abrange um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira, que têm como liame de referência a intermediação financeira, cujas rendas correspondem aos juros, que no dizer do Professor Silvio Rodrigues7 “...é o preço do uso do capital”, e, segundo De Plácido e Silva8 “Juros, no 6 15.01 – Administração de fundos quaisquer, de consórcio, de cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques prédatados e congêneres. 15.02 – Abertura de contas em geral, inclusive contacorrente, conta de investimentos e aplicação e caderneta de poupança, no País e no exterior, bem como a manutenção das referidas contas ativas e inativas. 15.03 – Locação e manutenção de cofres particulares, de terminais eletrônicos, de terminais de atendimento e de bens e equipamentos em geral. 15.04 – Fornecimento ou emissão de atestados em geral, inclusive atestado de idoneidade, atestado de capacidade financeira e congêneres. 15.05 – Cadastro, elaboração de ficha cadastral, renovação cadastral e congêneres, inclusão ou exclusão no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos – CCF ou em quaisquer outros bancos cadastrais. 15.06 – Emissão, reemissão e fornecimento de avisos, comprovantes e documentos em geral; abono de firmas; coleta e entrega de documentos, bens e valores; comunicação com outra agência ou com a administração central; licenciamento eletrônico de veículos; transferência de veículos; agenciamento fiduciário ou depositário; devolução de bens em custódia. 15.07 – Acesso, movimentação, atendimento e consulta a contas em geral, por qualquer meio ou processo, inclusive por telefone, facsímile, internet e telex, acesso a terminais de atendimento, inclusive vinte e quatro horas; acesso a outro banco e a rede compartilhada; fornecimento de saldo, extrato e demais informações relativas a contas em geral, por qualquer meio ou processo. 15.08 – Emissão, reemissão, alteração, cessão, substituição, cancelamento e registro de contrato de crédito; estudo, análise e avaliação de operações de crédito; emissão, concessão, alteração ou contratação de aval, fiança, anuência e congêneres; serviços relativos a abertura de crédito, para quaisquer fins. 15.09 – Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato, e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing). 15.10 – Serviços relacionados a cobranças, recebimentos ou pagamentos em geral, de títulos quaisquer, de contas ou carnês, de câmbio, de tributos e por conta de terceiros, inclusive os efetuados por meio eletrônico, automático ou por máquinas de atendimento; fornecimento de posição de cobrança, recebimento ou pagamento; emissão de carnês, fichas de compensação, impressos e documentos em geral. 15.11 – Devolução de títulos, protesto de títulos, sustação de protesto, manutenção de títulos, reapresentação de títulos, e demais serviços a eles relacionados. 15.12 – Custódia em geral, inclusive de títulos e valores mobiliários. 15.13 – Serviços relacionados a operações de câmbio em geral, edição, alteração, prorrogação, cancelamento e baixa de contrato de câmbio; emissão de registro de exportação ou de crédito; cobrança ou depósito no exterior; emissão, fornecimento e cancelamento de cheques de viagem; fornecimento, transferência, cancelamento e demais serviços relativos a carta de crédito de importação, exportação e garantias recebidas; envio e recebimento de mensagens em geral relacionadas a operações de câmbio. 15.14 – Fornecimento, emissão, reemissão, renovação e manutenção de cartão magnético, cartão de crédito, cartão de débito, cartão salário e congêneres. 15.15 – Compensação de cheques e títulos quaisquer; serviços relacionados a depósito, inclusive depósito identificado, a saque de contas quaisquer, por qualquer meio ou processo, inclusive em terminais eletrônicos e de atendimento. 15.16 – Emissão, reemissão, liquidação, alteração, cancelamento e baixa de ordens de pagamento, ordens de crédito e similares, por qualquer meio ou processo; serviços relacionados à transferência de valores, dados, fundos, pagamentos e similares, inclusive entre contas em geral. 15.17 – Emissão, fornecimento, devolução, sustação, cancelamento e oposição de cheques quaisquer, avulso ou por talão. 15.18 – Serviços relacionados a crédito imobiliário, avaliação e vistoria de imóvel ou obra, análise técnica e jurídica, emissão, reemissão, alteração, transferência e renegociação de contrato, emissão e reemissão do termo de quitação e demais serviços relacionados a crédito imobiliário. 7 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil – parte geral das obrigações. Saraiva, 1986. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 7 13 sentido atual, são tecnicamente os frutos do capital, ou seja, os justos proventos ou recompensas que deles se tiram, consoante permissão e determinação da própria lei, sejam resultantes de uma convenção ou exigíveis por faculdade inscrita em lei. Apenas à guisa de argumentação, registro que o fato de os juros serem decompostos (taxas de administração, de risco, encargos, margem líquida etc.), sendo a margem líquida a parte que acresce ao patrimônio da pessoa jurídica, é irrelevante para considerálos como base de incidência, na medida em esta noção guarda consonância com a incidência sobre o faturamento, receita bruta da qual se excluem apenas as rubricas legalmente previstas. Tais rendas são denominadas pelos Ministros Mário Velloso, Sepúlveda Pertence e Ayres Britto de receitas operacionais, porquanto decorrem de operações que se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Pelo que, devese entender que sejam excluídas do conceito de faturamento das instituições financeiras e assemelhadas tão somente as receitas que não são provenientes das atividades típicas dessas empresas, tais como, venda de ativos, receitas financeiras, no sentido amplo e genérico como são entendidas, vale dizer, aquelas obtidas quando e se a instituição aplicar recursos próprios, por exemplo, em títulos do governo ou em qualquer outro tipo de aplicação financeira acessível às demais empresas e até mesmo às pessoas físicas. E foi exato nessa linha por onde caminhou a decisão recorrida, segundo excerto abaixo: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações e da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... É relevante para a aplicação da norma de incidência da Lei nº. 9.718/98, após o crivo da inconstitucionalidade declarada pelo STF, ter em vista a conexão entre a receita bruta e a atividade mercantil, lato sensu, desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, como sendo o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, idéia que se extrai do conteúdo mesmo dos art. 2º e art. 3º, caput, da indigitada lei. 9 8 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Forense, 1987. 9 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 14 Ao revés, a dita declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão só aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. No caso da COFINS, o conteúdo do conceito de receita bruta provém do contido no art. 2º da LC 70/9110, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços de qualquer natureza. Quanto ao PIS, o conteúdo do conceito de receita bruta tem origem no contido no art. 1º da Lei n. 9.701/9811. Tais conceitos estão reproduzidos no art. 3º da Lei nº. 9.718/98, e parcialmente atualizados com redação da MP nº 2.158/2001. E exato eles receberam a exegese tratada nos votos que culminaram na declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, dessa lei, nos termos já acima esclarecidos. Pelo exposto, sendo este o entendimento que se pode extrair da decisão no RE 401.348, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 10 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 11 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; (Revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720846/201061 Acórdão n.º 3803003.123 S3TE03 Fl. 8 15 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10675.720846/201061 Interessada: BANCO TRIÂNGULO S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.123, de 27 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003155/95-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 303-00.950
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de
julgamento do recurso para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-10T13:47:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-10T13:47:29Z; Last-Modified: 2013-10-10T13:47:29Z; dcterms:modified: 2013-10-10T13:47:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c54a0035-564e-406c-8d55-19950be5becb; Last-Save-Date: 2013-10-10T13:47:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-10T13:47:29Z; meta:save-date: 2013-10-10T13:47:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-10T13:47:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-10T13:47:29Z; created: 2013-10-10T13:47:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2013-10-10T13:47:29Z; pdf:charsPerPage: 992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-10T13:47:29Z | Conteúdo => CP. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 10830.003155/95-13 16 de junho de 2004 126.155 PETRONASA PETRÓLEO NACIONAL S.A. INDUSTRIA E COMÉRCIO. DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP RESOLUÇÃO N 303 -00.950 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de julgamento do recurso para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 16 de junho de 2004 / JO • 2 OL • OA COSTA Pr iclente 1I.2TON 9BART0j, Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, SERGIO DE CASTRO NEVES, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e DAVI EVANGELISTA (Suplente). Esteve Presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BARBOSA. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.155 RESOLUÇÃO N° . 303-00.950 RECORRENTE : PETRONASA PETRÓLEO NACIONAL S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO. RECORRIDA : DRERIBEIRAO PRETO/SP RELATOR(A) : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Trata-se de lançamento de oficio, formalizado por Auto de Infração a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, em virtude de apuração de saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e aliquota e ainda falta de recolhimento do imposto no período de 01/01/91 a 31/12/91, por não ter o contribuinte procedido ao estorno de crédito dos insumos aplicados em produtos não tributados. Segundo consta do Termo de Verificação, juntado As fls. 33/36, "a fiscalizada deu saida a produtos de sua industrialização sem destaque do imposto sobre produtos industrializados, no período de 0/01/91 até 15/03/93, por erro de classificação fiscal e por considerá-los imunes, na forma do parágrafo terceiro do art. 155 da Constituição Federal de 1988", e ainda, "deixou de proceder ao estorno do crédito de IPI, relativo aos insumos aplicados em produtos não tributados, conforme preceitua o art. 100, inciso I, alínea "a" do RIPI/82, no período de 01/01/91 a 31/12/91." Quanto ao erro de classificação fiscal o lançamento enquadrou-se nos artigos 55, inciso I "b" e inciso II "c"; 107, II c/c artigos 15; 16; 17 e 62; 112, IV e 59, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — LPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82. Pela falta de estorno de crédito/estorno a menor, o lançamento foi enquadrado no artigo 107, inciso II, c/c artigo 100, inciso I alínea a; 112, inciso IV e 59, do mesmo Regulamento. Em tempestiva Impugnação ao lançamento, a Recorrente aduz, preliminarmente, que: (i) é ilegal a incidência da Taxa Referencial Diária — TRD sobre o débito tributário, uma vez criada pela Lei n° 8.177/91, artigo 9°, foi repudiada pelo Poder Judiciário e teve sua legitimidade negada como acréscimo às cobranças tributárias, o que levou o própri Governo a reformulá-la, passando a tratá-la como "juros de mora", decisão manifesta em seguidas Medidas provisórias que culminaram 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 na edição da Lei 8.218. 91, que alterando o artigo 90 da Lei 8.177/91, consignou que "incidirão juros de mora equivalentes A. TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional." Conclui que a TRD não se presta como fator de correção monetária, sendo uma taxa de juros, ressaltando que a posição do Judiciário é firme e pacifica neste ponto, como também já decidido pela Camara Superior de Recursos Fiscais; (ii) como "juros de mora", a TRD nasceu com a Lei 8.218, com sua publicação, que se deu em 30 de agosto de 91, sendo exigível, portanto, a partir de 01 de setembro de 91, não sendo possível computá-la, como pretende o lançamento, a partir de 01 de fevereiro de 1991, por ser constitucionalmente vedado o efeito retroativo na sistemática legal vigente, como já decidido pelos Conselhos de Contribuintes e pela Camara Superior de Recursos Fiscais; (iii) o reconhecimento de ser indevida a aplicação da TRD como correção monetária é ainda concluído nos artigos 80 usque 84 da Lei n° 8.383/91, que autorizam a compensação ou restituição dos valores recolhidos a esse titulo; (iv) após setembro de 1991, sendo cobrado como "juros moratórios", o acréscimo da TRD não pode exceder a 12% ao ano, por força de disposição expressa em lei, sob pena de configurar crime de usura, Constituição Federal de 1988, art. 192, § 3°; art. 1062 do Código Civil; Decreto n° 22.626/63; Código Tributário Nacional, art. 161, § 1°; e art. 80 da Lei n° 8.383/91), como também decidido no Conselho de Contribuintes. Como pedido preliminar, requer seja decretada a inaplicabilidade da TRD no período entre fevereiro e agosto de 1991 e, após esse período, que os juros de mora não ultrapassem a taxa de 12% a.a. No mérito, alega, em suma, que: a fixação das características técnicas dos produtos derivados do petróleo encontra-se sob a égide do órgão legal próprio do Poder Executivo, o Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), nos precisos termos do artigo 222, inciso VIII do Decreto n° 99.244/90, razão pela qual ao mesmo DNC está submetida a Suplicante, para fins de registro de todos os produtos derivados de petróleo de sua fabricação e comercialização; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 os produtos objeto da autuação (das linhas Cortex, Transcortex, Supercortex, Emulcortex, Solcortex, Tempera, LCH, HDS-3-10W e TF 2000, atualmente TF-46), são óleos lubrificantes, para aplicações industriais as mais diversas, onde são requeridas especificações rígidas necessárias lubrificação de engrenagens e outros mecanismos e controles secundários, apresentando características inequívocas, propiciando indices de viscosidade que atendem As especificações técnicas, excelente resistência à oxidação, propriedades antiferrugem, demulsionabilidade e resistência formação de espuma; em consonância com o que dispõe o Decreto n° 507/92, submeteu os produtos de sua fabricação e comercialização, objeto dos autos, ao controle e fiscalização do Departamento Nacional de Combustíveis — DNC, que expediu Certificados de Registro de Marca, segundo os quais os produtos em questão enquadram-se nas especificações do DNC correspondentes A óleos lubrificantes, formulados a partir de óleos básicos de destilação direta, tudo nos termos do serviço de análises daquele órgão; IV. a classificação fiscal nas posições 2710.00.02.01 e 2710.00.0202 da TIPI, dos produtos em questão, tal como adotadas pelo contribuinte, acham-se inteiramente corretas, posto que estão em perfeita consonância com os respectivos registros dos produtos junto ao DNC; V. a classificação fiscal faz-se mediante o emprego de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, valendo realçar a de n° 3, "a", que aplica-se categoricamente aos autos, posto que, "ao contrário das classificações fiscais nas posições 2710.00.0201 e 2710.00.0202, como "óleos lubrificantes a granel" e "óleos lubrificantes embalados" que efetivamente referem-se aos produtos fabricados e comercializados pela Suplicante, o Sr. Auditor Fiscal pretende atribuir-lhes classificação relativa a "outros", prevista na posição 2710.00.9999, alusiva a "qualquer outro" óleos de petróleo ou minerais betuminosos;" VI. "pretende o Sr. Autuante privilegiar a classificação genérica em detrimento daquelas especificas para os produtos em tela, em flagrante desacordo com a Regra 3 "a" de classificação e 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 igualmente, em frontal infringéncia as regras que tratam do abastecimento nacional de petróleo e seus derivados, cuja aplicação cabe, e a nenhum outro órgão, ao DNC"; VII. classificando-se os produtos fabricados e comercializados pela Recorrente nas posições correspondentes a óleos lubrificantes, como alias registrados no órgão legal próprio — DNC, não resta a minima dúvida de estarem os mesmos amparados pela imunidade a que se refere o § 3° do artigo 155 da Constituição Federal de 1988; VIII. ainda que não seja improcedente a autuação por tais aspectos, ela também o é em face de não haver sido considerado no levantamento fiscal os créditos a que faz jus pela entrada tributada de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem empregados na fabricação dos produtos em questão; IX. nos termos do artigo 153 da Constituição Federal o IPI sera seletivo, em função da essencialidade do produto, bem como não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, o que se repete no artigo 49 do Código Tributário Nacional; X. a sistemática adotada pelo legislador constitucional e reafirmada pelo legislador ordinário no artigo 25 da Lei 4.502/64, opera o principio da não-cumulatividade, em que numa perspectiva global do conjunto das operações entre as mercadorias entradas, bem como as dele saidas, inexiste qualquer vinculação entre os produtos "entrados" e os "saídos"; XI. o direito ao crédito decorrente das entradas de mercadorias no estabelecimento fabril para emprego na produção, com a finalidade de abater do débito pelas saídas dos produtos fabricados, tem índole constitucional, inserindo-se no campo do Direito Público, sendo oponível ao Estado, de forma, qualquer restrição, corno no caso, a dito direito s6 pode ocorrer no mesmo nivel, qual seja o constitucional; XII. o legislador complementar instituiu como método, para a plena eficácia do principio constitucional da não- cumulatividade, aquele segundo o qual o crédito se da pelo MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 conjunto das operações que deram origem à entrada das mercadorias no estabelecimento, para ser confrontado com o débito pelo conjunto das operações decorrentes das saídas das mercadorias do estabelecimento fabril; XIII inexiste na Constituição Federal, na Lei Complementar e na Legislação Ordinária, qualquer vinculação a que o crédito pela entrada de uma mercadoria esteja adstrito ao débito pela saída da mesma mercadoria; XIV. a figura da não tributação quer demonstrar que o legislador ordinário atribuiu aos produtos em questão o grau de essencialidade máxima, fazendo com que ao invés de seletivizar a aliquota, para reduzi-la, simplesmente optou por não sujeitá-los ao tributo, de forma que, permitir que a Suplicante seja obrigada ao estorno dos créditos relativos aos insumos empregados na fabricação de tais produtos, seria aceitar "que a intenção do legislador ordinário caia no vazio, pois de alguma forma submeter-se-á o produto ao pagamento de alguma parcela do IPI, exatamente aquela que recaiu sobre os insumos." XV. a exigência é igualmente improcedente por atribuir relevância essencialidade do insumo e não à essencialidade do produto final que com aquele é fabricado, em total subversão ao arcabouço constitucional e legal do IPI. Requer seja acolhida a preliminar de exclusão da TRD como fator de atualização monetária dos alegados débitos até agosto de 1991, e ainda que a partir de então os juros sejam limitados ao percentual previsto no artigo 192 da Constituição Federal. No mérito, requer pela improcedência da autuação, pelos argumentos expostos. Remetidos os autos à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto — SP, a autoridade julgadora de primeira instância prolatou voto em que manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1991 a 15/03/1993 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 Ementa: ÓLEOS LUBRIFICANTES. Os óleos lubrificantes tanto os destinados à lubrificação de motores, como os destinados A. lubrificação de sistemas hidráulicos, tempera e corte, são classificados na posição 2710.00.02 da TIPI188. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 15/02/1992 Ementa: MULTAS. Aplica-se a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados para reduzir a multa ao patamar de 75%. JUROS DE MORA. TRD. Exclui-se de oficio a TRD dos lançamentos tributários, nos termos de ato administrativo emanado da Secretaria da Receita Federal. Lançamento Procedente em Parte." A decisão de primeira instância entendeu estar correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, contudo, entende correto o lançamento quanto ao estorno de crédito do IPI. Com relação à multa de oficio, entendeu que a mesma "deve ser reduzida ao patamar de 75%, por força do disposto na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 45, combinado com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 106, inciso II, alínea "c". Da decisão, recorre tempestivamente o contribuinte, insurgindo-se contra a manutenção do lançamento por suposto descumprimento do artigo 100, inciso I, "a" do RLPI/82, bem como A. multa aplicada, aduzindo, em síntese, que: a reforma da decisão de primeira instância é imperativa, pois sua fundamentação afronta: os princípios constitucionais da não-cumulatividade, da seletividade e da essencialidade, premissas basilares que devem nortear as regras de cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI; o entendimento do tema externado pelo órgão pleno do Supremo Tribunal Federal, sacramentado a partir do julgamento do RE n° 212.484-2/RS; o comando do § 3 0 do art. 155 da Constituição Federal, reconhecido na própria decisão recorrida como aplicável à espécie; a imposição de multa de o ficio trazida pelo artigo 45 da Lei n° 9.430/96, viola o principio da tipicidade penal tributária, "já que imputa à Recorrente a pratica de conduta que, 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 reconhecidamente, ela não realizou." Ressaltando ainda que por erro aritmético a decisão recorrida aplicou penalidade de 77% sobre o valor do imposto exigido; a inconstitucionalidade da exigência mantida foi admitida tacitamente pelo legislador ordinário ao editar a Lei 9.779/99, e sacramentada em julgamento do Orgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 212.484-2/RS, em que restou consignado aos contribuintes um direito ainda maior que o pleiteado pela Recorrente, qual seja, o de lançar a crédito o valor de IPI que seria incidente em insumos, se estes não fossem isentos do imposto; IV. aduz que no referido julgado, "entendeu-se que nem sequer existe a necessidade do pagamento de imposto na entrada dos insumos (se isentos obviamente !!) para que o direito ao credito seja reconhecido. Até mesmo porque à mingua da garantia deste direito a própria isenção fica desfigurada.", como transcrito em seu voto em referência; V. no caso a entrada dos insumos é tributada e a saida do produto industrializado não o 6, contudo, aplica-se a mesma linha de raciocínio, no sentido de que o credito na entrada deve ser mantido, caso contrário a recorrente suportará ônus tributário em operações que não devem ser tributadas, o que viola o principio da não-cumulatividade e deturpa a reconhecida imunidade de seus produtos; VI. "se à Recorrente não for garantido o direito à manutenção do crédito de IPI lançado na entrada dos insumos utilizados para a fabricação dos produtos imunes, a própria imunidade restará comprometida, pois a Recorrente suportará, ainda que parcialmente, um emus tributário incidente sobre sua parcela de atuação na escala produtiva."; VII. A prevalecer o entendimento da decisão recorrida fere-se os princípios constitucionais da seletividade, da essencialidade e da não-cumulatividade; VIII. Corroboram seu entendimento as manifestações do E. STF e do Conselho de Contribuintes, no sentido de que os contribuintes tem direito a manutenção dos créditos de IPI referentes aos insumos utilizados na fabricação dos produto 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 ao final comercializados com isenção, com aliquota zero, ou, como no caso, não tributados pelo tributo federal, Requer seja reformada a decisão de primeira instância no aspecto que mantém na cobrança original os valores referentes à glosa do crédito de IPI lançado nas entradas dos insumos que integraram os óleos lubrificantes, de saída não tributada. Manifesta-se contra a aplicação da multa capitulada no artigo 45 da Lei 9.430/96, já que não praticou nenhuma das condutas previstas neste dispositivo legal, o que fora reconhecido pela própria decisão recorrida ao cancelar a parcela da cobrança inicial, por ter constatado que a classificação fiscal atribuida pela Recorrente aos produtos dos quais deu saída estava correta, bem como que estes produtos (óleos lubrificantes) são imunes à tributação do IPI, de forma que não incorreu em nenhuma das condutas avençadas pelo tipo penal invocado. Seu entendimento se corrobora na citação de acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes. Ressalta que os valores de IPI mantidos pela decisão recorrida, assim o foram por suposta inobservância do revogado artigo 100, inciso I, alínea "a" do RIPI/82, conduta não albergada pelo tipo penal imposto pela decisão. Ressalta, apesar da aduzida improcedência integral da multa cominada, que houve erro aritmético no lançamento da mesma. Por fim, contesta a correção dos valores exigidos pela Taxa Selic, por ser abusiva, por não ser licito ao Fisco a utilização dos juros morat6rios calculados por taxa de juros que possuem natureza remuneratória, pois o que se busca é uma compensação ou reparação de um dano, o que não corresponde ao percentual da taxa Selic, como preceituam os artigos 161, § 1 0 ; 192, § 3 0 da Constituição Federal e entendimento dos Tribunais e ainda do Superior Tribunal de Justiça. Requer seja desconstituida a autuação integralmente, ou se assim não for, seja cancelada a imposição da multa de oficio, ou no minimo seja retificado o erro aritmético apontado , e por fim, seja declarada a inaplicabilidade da cobrança de juros com base na SELIC. 0 documento de fls. 188 demonstra a garantia ao seguimento do Recurso Voluntário. i Ãs fls. 191, informação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirao Preto — SP, acerca do erro de cálculo apontado pela Recorrente. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO : 126.155 : 303-00.950 A teor do Despacho de tls. 207, verso, a matéria é de competência do Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. E o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.155 303-00.950 VOTO Concessa massima venicr do entendimento do Presidente dessa C. V Camara, Conselheiro JOÃO HOLANDA COSTA, levanto, preliminarmente, de oficio, a incompetência deste Terceiro Conselho para julgamento do presente recurso voluntário. Com efeito, o Auto de Infração originário comportava duas acusações: a primeira, relativa a erro na classificação fiscal de oleos lubrificantes; e, a segunda, a não ter o contribuinte procedido o estorno do crédito de [PI, relativo aos insumos aplicados em produtos não tributados. A decisão de 1 8 instância, Acórdão DRJ/RPO n° 1.390/02 julgou improcedente a autuação quanto ao item 1 e procedente quanto ao item 2. Deixou de recorrer de oficio do item 1, pois não alcançava o valor de alçada. Portanto, o Recurso Voluntário abriga, apenas, a matéria relativa ao direito de crédito dos insumos adquiridos para comercialização de produtos não tributados. Essa matéria, direito creditório do IPI, está claramente definida no inciso II do parágrafo único, do art. 8 0, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, como sendo de competência do Segundo Conselho, in verbis: Art. 8° Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I - Imposto sobre Produtos Industrializados apv, inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IN incidente sobre produtos saidos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redavdo dada pelo art. 2° da Portaria ILIF n° 1.132, de 30/09/2002) omissis Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem- se os recursos voluntários pertinentes a: omissis II MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.155 : 303-00.950 II - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002)" De outro lado, dispõe o Regimento Interno no art. 9°, parágrafo único, e incisos abaixo transcritos que: " Art. 90 • Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I - imposto sobre a importação e a exportação; II - imposto sobre produtos industrializados nos casos de importação; omissis XVI - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002) omissis Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: I - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002)." Em outras palavras, compete ao E. Segundo Conselho o exame de toda a matéria, inclusive direito creditor* atinente ao IPI, exceto o IPI vinculado a, importação, operações com a Zona Franca de Manaus e classificação de mercadorias, exceções essas pertinentes a esse E. Terceiro Conselho. Como relatado, não é objeto deste processo o IPI na importação, nem operações com a ZFM, e estando a questão de classificação fiscal resolvida e definitivo na 1a instância, e não se relacionando o direito creditório glosado com qualquer dessas hipóteses, não há como entender competente esse E. Terceiro Conselho para dirimir a questão remanescente. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 O meu voto é pois para declinar da competência em favor do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Caso ultrapassada a questão preliminar, passo a examinar o mérito do Recurso Voluntário que diz respeito ao item II do Auto de Infração: falta de estorno de crédito de MI. De acordo com o Termo de Verificação, as fls. 36, o Recorrente deixou de proceder ao estorno do crédito de IPI, referente aos insumos utilizados em produtos não tributados, conforme dispõe o art. 100, inc. I, "a" do RIP1182: "Art. 100 - Sera anulado, mediante, estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I - relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos isentos, não-tributados ou que tenham suas aliquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas:" Por seu lado, o Recorrente argumenta com os princípios da não- cumulatividade, da seletividade e da essencialidade que norteiam a cobrança do IPI e acena com uma decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao examinar Recurso Extraordinário, de n° 212.484-2/RS, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo julgamento foi assim ementado: "CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - IPI - ISENÇÃO INCIDEN1E SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCiPIO DA NÃO CUMULATIWDADE - OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF ( art. 153, § 30, ) quando o contribuinte do IPI credita-se do valor do tributo incidente sobre insurnos adquiridos sob o regime de isenção." Segundo o Recorrente, esta decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal teria sacramentado, perante o Poder Judiciário, um direito a crédito ainda i mais amplo qual seja: o direito dos contribuintes de lançar como "crédito o valor do IPI que "seria" incidente sobre insumos, se estes não fossem isentos do imposto. assevera: O voto do Sr Ministro Nelson Jobim no julgamento do STF 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 "A regra, para os impostos de valor agregado, é a não cumulatividade, ou seja, o tributo é devido sobre a parcela agregada ao valor tributado anterior. Assim, na primeira operação, a aliquota incide sobre o valor total. Já na segunda operação, só se tributa o diferencial. 0 Brasil, por conveniência, adotou técnica de cobrança distinta. 0 objetivo é tributar a primeira operação de forma integral e, após, tributar o valor agregado. No entanto, para evitar confusão, a aliquota incide sobre todo o valor em todas as operações sucessivas e concede-se crédito do imposto recolhido na operação anterior. Evita-se, assim, a cumulação." Ora, se esse é o objetivo, a isenção concedida em um momento da corrente não pode ser desconhecida quando da operação subseqüente tributável. 0 entendimento no sentido de que, na operação subseqüente, não se leva em conta o valor sobre o qual deu-se a isenção, importa, meramente em diferimento." No caso sob julgamento, acrescenta o Recorrente que, embora a operação seja inversa, aqui a entrada dos insumos é tributada e a saida do produto industrializado não o 6, aplica-se exatamente a mesma lógica: o crédito da entrada deve ser mantido, caso contrario o Recorrente arcará com o ônus tributário em operações que não devem ser tributadas, o que violaria o principio da não - cumulatividade e, consequentemente, deturparia a reconhecida imunidade de seus produtos. Como é sabido, sendo o IPI um imposto plurifásico, com propensão a sobreposições tributárias, foram concebidas formas de evitar tais onerações sobrepostas, entre elas, as conhecidas como "tax on tax", "base on base" e a de apuração periódica. Na primeira forma, "tax on tax", compensa-se o tributo pago numa operação com o devido na outra. Na segunda, compensam-se as bases de cálculo, e na terceira forma, de se evitar a sobreposição tributária, apura-se o imposto a pagar mediante confrontos periódicos de créditos, decorrentes do imposto relativo as mercadorias entradas, com débitos do mesmo imposto, decorrentes das saídas de mercadorias. No Brasil, como se sabe, foi adotada a terceira forma, isto 6, o da apuração periódica e, assim sendo, inexiste vinculação entre a mercadoria entrada e a mercadoria saída, mas sim a vinculação com o período em que ocorreram as entradas 14 .1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 • 303-00.950 e saídas de mercadorias que resultaram no confronto entre os respectivos débitos e créditos gerados naquele período. Ern outros termos, conforme o art. 49 do CTN, que repete a norma constitucional, pelo principio da não-cumulatividade, o crédito, resultado do conjunto das entradas de mercadorias no estabelecimento, sera confrontado com o débito, resultado do conjunto das saidas de mercadorias do mesmo estabelecimento fabril, em determinado período. Assim, ao meu ver, não existe no texto constitucional, nem na legislação complementar nem na ordinária pátria previsão para que o crédito pela entrada de uma mercadoria esteja adstrito ao débito pela saída da mesma mercadoria. Releva observar que os princípios da seletividade e da essencialidade, que resultam em tributação a menor ou não tributação, cairiam no vazio da ineficácia se o contribuinte não pudesse manter o credito pela saída não tributada de uma mercadoria. Aliás, é este o raciocínio, só que em situação inversa, que levou o Ministro Nelson Jobim a concluir no voto já transcrito acima que "a isenção concedida em um momento da corrente não pode ser desconhecida quando da operação subseqüente tributável. O entendimento no sentido de que, na operação subseqüente, não se leva em conta o valor sobre o qual deu-se a isenção, importa, meramente eni diferimento". sabido que o escopo maior da seletividade e da essencialidade é a estimular industrialização de certos produtos, considerados pela Administração Pública de maior interesse e relevância social. E que o principio da não- cumulatividade evita o efeito cascata que oneraria ainda mais o consumidor final. Na hipótese sob julgamento a essencialidade dos produtos exsurge do próprio legislador constitucional que tratou de retira-los do campo da incidência do IPI. Disso tudo resulta que, se ao Recorrente não for reconhecido seu direito à manutenção do crédito de IPI decorrente da entrada de insumos utilizados em produtos não tributados, a própria imunidade ficará evidentemente comprometida já que o Recorrente é quem suportará parte do emus tributário incidente sobre a sua atuação produtiva. A este respeito e seguindo o posicionamento do E. Supremo Tribunal Federal, o Segundo Conselho de Contribuintes já decidiu: 15 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 1) "IPI - CRÉDITOS BÁSICOS - PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE - ENTRADAS COM ALIQUOTA ZERO - SAIDA TRIBUTADA - POSSIBILIDADE DO CONTRIBUINTE CREDITAR-SE. Diante da possibilidade de creditamento do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, conforme precedente do STF ( RE n° 212.484-2/RS ), aplica-se o mesmo entendimento aos insumos tributados à aliquota zero." (Acórdão n° 201-75.412) 2) IPI - CRÉDITOS BÁSICOS - PRINCÍPIO DA NÃO- CUMULATIVIDADE - ENTRADAS COM ALIQUOTA ZERO - SAÍDA TRIBUTADA - POSSIBILIDADE DE 0 CONTRIBUINTE CREDITAR-SE - Diante da possibilidade de creditamento do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, conforme precedente do STF (RE n° 212.484-2/RS), aplica-se o mesmo entendimento aos insumos tributados à aliquota zero. Recurso voluntário provido. (Acórdão n° 201-75657) No mesmo sentido decidiram os V. Acórdãos n's, 201.75659, 201.75656 e 201.75658. Á vista do que vai acima exposto, meu voto é no sentido de, preliminarmente, declinar da competência para que o julgamento de mérito se processe perante o Segundo Conselho de Contribuintes, e, caso ultrapassada a preliminar, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência tributária. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2004 p2TON BARTO I — Relator
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Numero do processo: 13855.720163/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
O lançamento que tenha alterado o Valor da Terra Nua declarado, utilizando valores de terras constantes do SIPT é passível de modificação se forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da ABNT.
O laudo que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, deve demonstrar dados de mercado de imóveis com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), com diversificação das fontes de informações, identificação e descrição objetiva das características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, informações sobre a situação mercadológica relativas à oferta e tempo de exposição da oferta.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122.
Numero da decisão: 2202-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 178,4 ha declarados a título de área de reserva legal.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. O lançamento que tenha alterado o Valor da Terra Nua declarado, utilizando valores de terras constantes do SIPT é passível de modificação se forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da ABNT. O laudo que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, deve demonstrar dados de mercado de imóveis com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), com diversificação das fontes de informações, identificação e descrição objetiva das características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, informações sobre a situação mercadológica relativas à oferta e tempo de exposição da oferta. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 178,4 ha declarados a título de área de reserva legal. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 01 63 /2 00 8- 69 Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 04-22.061 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), datada de 8 de outubro de 2010, que julgou improcedente a impugnação de Auto de Infração relativo a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor de R$ 46.630,67. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” esclarece a autoridade fiscal lançadora, que após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural, assim como, não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. Ainda conforme a descrição dos fatos, durante o procedimento de fiscalização, mediante intimação, a contribuinte apresentou: cópias de Atos Declaratórios Ambientais (ADA’s), as matrículas n°s 43.151 e 43.152 com as áreas de preservação permanente averbadas, mapa e o Laudo de Avaliação de Propriedade Rural. Ocorre que, em relação as áreas isentas, foram apresentados: um Ato Declaratório Ambiental (ADA) de 1998 de uma propriedade com NIRF e cadastro do Incra diferentes da Fazenda Reunidas Duas Irmãs (objeto da presente autuação) e um outro ADA do imóvel protocolado em 18/11/2008, não tendo sido apresentado o ADA de 2004. Também não foi apresentado nenhum documento nos termos do art. 20, § 4° da Lei 4.771/1965, com redação dada pela MP n° 21.66-67/2001, sendo assim glosada a área de 178,40 hectares informada na DIAT/2004 como área de preservação permanente. Com relação à comprovação do Valor da Terra Nua (VTN), verificou-se que a pesquisa de elementos comparativos apresentados não assegura a qualidade da amostra, conforme assim descrito nas fls. 3/4: Analisando o presente laudo, verificamos que a pesquisa de elementos comparativos apresentados não assegura a qualidade da amostra, conforme seção 7.4 e 7.7 (especialmente o item 7.7.2.2), 9.2 e 9.3 da NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. As áreas das seis propriedades descritas pelas escrituras de venda e compra são bem pequenas (4,84 ha e 60,50 ha) em relação a do contribuinte (648,70 ha). Não há descrição da utilização das propriedades informadas, ou seja, para pecuária de menor valor ou para a prática de agricultura, de maior valor. Na pesquisa, a composição das amostras deveria ter características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliado, usando-se toda a evidência disponível, o que não foi comprovado no presente caso, estando em desacordo com o com os itens 7.4.1 e 7.4.3.6 da NBR 14.653-3. Não há tratamento estatístico dos dados, estando em desacordo com o item 7.7 da NBR 14.653-3. Os valores dos elementos de amostras 5 e 6 possuem uma variação de mais de 50% em relação ao valor médio de R$ 3.091,16, não garantindo o grau de precisão II do Laudo, estando em desacordo com o item 9.3 da NBR 14.653-3 . Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 O laudo também não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado e não demonstra a especificação atingida, com relação ao grau de fundamentação e precisão, conforme as seções 8.1, 9 e 11.1 letras i e 1 da NBR 14.653-3. Do exposto, não consideraremos o presente Laudo. 0 Valor da Terra Nua (VTN) declarado da Fazenda, na DITR, foi de R$ 1.315,79 em 2004. Tal valor incorreu em sub-avaliação, considerando que 68,30% da área do imóvel destina-se ao cultivo de cana de açúcar e tendo em vista a grande demanda de terras para o plantio de cana, tal valor é incompatível com a realidade do mercado de terras na região do imóvel. Para confirmar tal incompatibilidade, basta consultar publicações oficiais de pesquisa de Valor de Terra Nua (VTN), como as realizadas e publicadas pelo Instituto de Economia Agrícola (www.iea.sp.gov.br ), na qual o valor médio para terra de cultura de segunda na região do município do imóvel no ano de 2004 é de R$ 10.950,41/ha. E conforme art. 14 da Lei 9.393/96 em havendo subavaliação do VTN declarado, procedeu-se à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando as informações sobre preços de terras constantes do Sistema de Preços de Terra (SIPT), instituído pela Portaria SRF N° 447, de 28 de março de 2002, o qual está alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agriculturas das Unidades Federadas. Dessa forma, foi procedida à glosa da área de reserva legal, devido à não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) relativo ao período sob análise e, nos termos do art. 14, da Lei 9.393, de 1995, foi procedido ao lançamento de ofício da diferença do imposto, de acordo com as informações sobre preços de terras, constantes do SIPT, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados, conforme os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O VTN médio por aptidão foi arbitrado, tendo como fonte os levantamentos da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, relativos ao município de localização do imóvel (Barretos), para o exercício de 2004, conforme tela “VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA” juntada aos autos (fl. 101) Foi interposta impugnação, onde a autuada defende o entendimento de que não há necessidade do ADA para efeito de fruição do beneficio de exclusão da Área de Reserva Legal, bastando para tanto a devida averbação no registro do imóvel, o que entende provado, inclusive em extensão superior à legalmente prevista. No que se refere ao valor da terra nua, ratifica a validade do laudo, destaca a seção 7.4.1 da NBR 14.653-3 da ABNT e informa que todos os esforços foram realizados no sentido de trazer a maior completude possível ao laudo apresentado, carreando os seguintes argumentos e justificativas: do laudo de avaliação do Valor da Terra Nua 10. Em relação à adequação da estimativa do valor de mercado, lembramos a seção 7.4.1 da NBR 14.653-3 da ABNT. "Na pesquisa, o que se pretende é a composição de uma amostra representativa de dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliando, usando-se toda a evidência disponível. Esta etapa deve iniciar-se pela caracterização e delimitação do mercado em análise, com o auxílio de teorias e conceitos existentes ou hipóteses advindas de experiências adquiridas pelo avaliador sobre a formação do valor. (..) " (grifamos) 11. Assim sendo, não há que se falar em desconsideração dos dados das compras e vendas apresentadas pelo laudo, devido ao fato de serem 6 propriedades de menores dimensões e de não haver a especificação de suas utilizações, Ja que todos os esforços foram no sentido de trazer a maior completude possível a esse documento. Quanto ao tamanho, utilizaram-se essas escrituras, pois não existiram outras no período que tinham Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 por objeto área da região com extensões semelhantes. Quanto ao uso, não foi possível especificar no laudo, pois, infelizmente nos deparamos com um alto grau de dificuldade para colher informações sobre negociações de terra na região de Barretos. 12. Em se tratando propriamente de analisar as características da propriedade e estipular o Valor da Terra Nua, nos deparamos com três características determinantes. (i) A maior extensão do imóvel influi no sentido de diminuir o valor por hectare, já que a prática do mercado demonstra que quanto menor a área maior é o preço por hectare. Como a Fazenda Reunidas Duas Irmãs tem grande extensão, o valor do hectare nu tende a ser menor que a média. (ii) A distância da propriedade do local de destino de sua produção é de 41 km (croqui anexo), e como sabemos um dos fatores limitantes à cultura da cana de açúcar é a distância entre a área de produção e a Unidade Industrial, desta maneira podemos traçar uma relação direta e • inversamente proporcional, quanto maior esta distância, menor é o valor da terra nua. (iii) A qualidade do solo, e tratamos aqui de uma terra com baixa fertilidade e explorada por arrendatários que não fizeram as correções de solo de maneira correta, pois só visavam lucro imediato, tanto que só foi possível o plantio de cana de açúcar nesta propriedade devido ao desenvolvimento de variedades adaptáveis a terras fracas. Todos esses fatores foram levados em consideração para a elaboração do Laudo de Avaliação do Valor da Terra nua. 13. Neste mesmo sentido também foi apresentado um documento provando o valor da pauta usada pela PREFEITURA MUNICIPAL DE BARRETOS, que era de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais) por hectare em 2.004 e como o valor declarado foi de R$ 2.799,11 (dois mi setecentos e noventa e nove reais e onze centavos) por hectare, mais uma vez fica provado que o laudo de avaliação do Valor da Terra Nua retrata o valor real da terra nua em 2.004. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi julgada improcedente por aquela autoridade (fls. 102/109). A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: Área de Reserva Legal. Tributação. ADA. A área de reserva legal, além da averbação na matrícula do imóvel na data do fato gerador, para a exclusão do ITR deve ser reconhecida como de interesse ambiental, mediante protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA, perante ao Ibama, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo regular fixado para a entrega da declaração. Valor da Terra Nua - VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, 49 elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. A autuada interpôs recurso voluntário, onde novamente contesta o valor da terra nua arbitrado pelos mesmos fundamentos articulados na impugnação, requerendo que seja acatado o VTN declarado, assim como, que seja admitida a área de 178,4 hectares de reserva legal declarada, independentemente da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, eis que regularmente averbada perante o Registro de Imóveis. Reproduzindo no recurso exatamente os mesmos argumentos articulados na peça impugnatória, ao final a contribuinte requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 23/11/2010, conforme Aviso de Recebimento de fl. 115. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 21/12/2010, conforme carimbo aposto pela Agência da Receita Federal do Brasil em Barretos/SP na própria peça recursal (fl. 116), considera-se tempestivo. Conforme relatado, o que se discute nos presentes autos é o lançamento de ofício de diferença do ITR decorrente da falta de apresentação do ADA, relativamente à Área de Reserva Legal e constatação, pela autoridade fiscal lançadora, de que houve subavaliação do VTN indicado na declaração do ITR, uma vez que nos laudos de avaliação apresentados foram constatadas divergências que levaram à sua desconsideração para o fim de determinação do valor tributável. ÁREA DE RESERVA LEGAL Requer a contribuinte a consideração de 178,4 hectares de área de reserva legal declarada, independentemente da apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Para tanto, apresenta as Certidões de Matrículas (fls. 17, 20 e 21) do Cartório de Registro de Imóveis de Barretos de nºs 43.151 e 43.152, sendo que na matrícula 43.151 na AV.2 consta que em 18 de julho de 2002 foi procedida Averbação de Reserva Florestal e na matrícula 43.152 na AV.2, que foi registrada em 11 de outubro de 2001 e AV.3 e AV.4, também de 18 de julho de 2.002, foi Averbada Reserva Florestal. Apesar de considerar averbada a área de reserva legal na respectiva matrícula, conforme afirmado na fl. 3, o motivo da glosa pela autoridade fiscal lançadora foi devido à não apresentação do Ato Declaratório Ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Motivação esta acatada no julgamento de piso sendo considerada improcedente a impugnação por considerar que: “É necessária a comprovação do cumprimento tempestivo de uma obrigação prevista na legislação, referentemente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação, ressaltando-se que a averbação, ainda que tempestiva, da área de reserva legal na matrícula do imóvel, não dispensa o cumprimento da exigência de apresentação do ADA. Assim, os documentos anexados às fls. 71 e 72, para comprovar as áreas ambientais, não dispensam a necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental.” Conforme a documentação acostada aos autos e em consonância com as afirmações das autoridades lançadora e julgadora de piso, dúvidas não foram levantadas quanto à existência dos 178,4 hectares de área de reserva legal no imóvel objeto do presente lançamento, assim como, quanto à averbação de tal reserva na matrícula do imóvel. Dessa forma, a controvérsia cinge-se à definição dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito à exclusão da área do cálculo do ITR, especificamente quanto à necessidade, ou não, de apresentação/protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA para efeito da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. O tema não é estranho a este Conselho Administrativo, havendo atualmente expressa manifestação no sentido de que a averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do ADA. Este é o entendimento consignado na relativamente recente Súmula CARF nº 122, que possui caráter vinculante, conforme Portaria nº 129, de 1º de abril de 2019, do Sr. Ministro de Estado da Economia, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Na situação ora sob análise temos que, consta a efetiva averbação da área na matrícula do imóvel em datas anteriores à ocorrência do próprio fato gerador do ITR objeto do presente lançamento, o que enseja a observância do referido verbete sumular, devendo ser excluída do lançamento a referida Área de Reserva Legal, correspondente a 178,4 hectares, do imóvel objeto do presente lançamento. VALOR DA TERRA NUA Ainda na fase do procedimento de auditoria fiscal foi apresentado pela contribuinte o laudo de avaliação de fls. 29/34 (exercício de 2004), laudo esses onde, segundo a fiscalização, foram constatadas divergências que levaram à sua desconsideração para o fim de revisão do lançamento do ITR, no que se refere à determinação do VTN. Divergências essas que podem ser assim consolidadas conforme a descrição dos fatos: - a pesquisa de elementos comparativos apresentada não assegura a qualidade da amostra, conforme seção 7.4 e 7.7 (especialmente o item 7.7.2.2), 9.2 e 9.3 da NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT; - as áreas das seis propriedades descritas pelas escrituras de venda e compra são bem pequenas (4,84 ha a 60,50 ha) em relação a do contribuinte (648,70 ha); - não há descrição da utilização das propriedades informadas, ou seja, para pecuária de menor valor ou para a prática de agricultura, de maior valor; - a composição das amostras deveria ter características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliado, usando-se toda a evidência disponível, o que não foi comprovado no presente caso, estando em desacordo com o com os itens 7.4.1 e 7.4.3.6 da NBR 14.653-3; - não há tratamento estatístico dos dados, estando em desacordo com o item 7.7 da NBR 14.653-3; - os valores dos elementos de amostras 5 e 6 possuem uma variação de mais de 50% em relação ao valor médio de R$ 3.091,16, não garantindo o grau de precisão II do Laudo, estando em desacordo com o item 9.3 da NBR 14.653-3 ; - o laudo não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado e não demonstra a especificação atingida, com relação ao grau de fundamentação e precisão, conforme as seções 8.1, 9 e 11.1 letras i e 1 da NBR 14.653-3. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Também no julgamento de piso foram apontadas inconsistências no laudo apresentado, conforme se constata dos seguintes excertos do Acórdão ora objeto de recurso: Analisando o laudo, verifica-se que 05 dados de pesquisa são relativos ao ano de 2004, porém apresentam uma variação de preço bastante considerada e não possuem atributos de semelhança ao do imóvel avaliando, que são fatores fundamentais para determinação do preço de mercado. Por outro lado, constata-se que o laudo não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado conforme previsto na seção 8.1, 9 e 11. 1, letras "i" e"l" da citada norma; A Certidão à fl. 37, fornecida pela Prefeitura do Município de Barretos/SP, não pode ser aceita porque é relativa a outro imóvel de propriedade da contribuinte. Dessa forma, impõe-se reconhecer que o laudo apresentado, apesar de elaborado por profissional habilitado, não apresenta o rigor exigido pela norma ABNT para que possa ser aceito como prova suficiente para justificar a revisão do VTN tributado. O documento que possibilitaria a comprovação do VTN por hectare do imóvel seria o Laudo de Avaliação, elaborado conforme as normas da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovassem as fontes idôneas de pesquisa Ao apresentar o recurso ora objeto de análise, não foi juntado nenhum outro documento, limitando-se a recorrente a remeter aos mesmos documentos acostados aos autos por ocasião da impugnação, inclusive o laudo acima referenciado, defendendo a legitimidade dos mesmos para o efeito de comprovação do VTN do imóvel, haja vista características determinantes do imóvel que impossibilitaram uma melhor especificação, assim descritas: 11. Em se tratando propriamente de analisar as características da propriedade e estipular o Valor da Terra Nua, nos deparamos com três características determinantes. (i) A maior extensão do imóvel influi no sentido de diminuir o valor por hectare, já que a prática do mercado demonstra que quanto menor a área maior é o preço por hectare. Como a Fazenda Reunidas Duas Irmãs tem grande extensão, o valor do hectare nu tende a ser menor que a média. (ii) A distância da propriedade do local de destino de sua produção é de 41 km (croqui anexo), e como sabemos um dos fatores limitantes à cultura da cana de açúcar é a distância entre a área de produção e a Unidade Industrial, desta maneira podemos traçar uma relação direta e inversamente proporcional, quanto maior esta distância, menor é o valor da terra nua. (iii) A qualidade do solo, e tratamos aqui de uma terra com baixa fertilidade e explorada por arrendatários que não fizeram as correções de solo de maneira correta, pois só visavam lucro imediato, tanto que só foi possível o plantio de cana de açúcar nesta propriedade devido ao desenvolvimento de variedades adaptáveis a terras fracas. Todos esses fatores foram levados em consideração para a elaboração do Laudo de Avaliação do Valor da Terra nua. Considerando que não foram apresentados novos documentos, presentes, portanto, os mesmos elementos que levaram, tanto a fiscalização, quanto a autoridade julgadora de piso, a não considerar o laudo apresentado como apto a atestar o VTN declarado pela recorrente, de forma que razão não assiste à autuada na pretensão de afastar o arbitramento, pois o laudo técnico não se atenta a todos os requisitos obrigatórios, a exemplo da plena observação da norma NBR 14.653-3 da ABNT. De fato, verifica-se que o laudo não contém o pleno requisito da NBR 14.653-3 da ABNT, especialmente no que se refere à apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor da terra nua do imóvel, a preços de 1.º de janeiro do exercício em discussão, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80% (oitenta por cento). Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Foi destacado no julgamento de piso que foram utilizadas amostras referentes a imóveis com áreas muito inferiores ao da propriedade objeto do presente lançamento. Verifica-se no laudo apresentado (fl. 34), que dos imóveis utilizados como amostra o de maior área não chega a 10% da área do imóvel objeto da autuação, de forma que não apresentam características similares à propriedade avaliada. Também se verifica que todos os valores relativos às amostras foram simplesmente extraídos do Registro Geral de Imóveis do município, ou seja, não foi evidenciada qualquer outra forma de apuração de efetivos dados de mercado. A norma da ABNT (NBR 14.6533) preceitua ser necessário, em qualquer grau de fundamentação, no mínimo, 3 (três) dados de mercado, devendo ser efetivamente utilizados. Situação não comprovada no presente caso, que se baseou apenas nos registros imobiliários, sendo que nos graus de fundamentação II e III, são exigidos pelo menos, 5 (cinco) dados de mercado. Complementando, com relação à coleta de dados para elaboração do laudo, nota- se que os requisitos exigidos no item 7.4 da NBR 14653-1 não foram atendidos, vez que não se comprovou ter buscado dados de mercado com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), não diversificou as fontes de informações, não identificou e descreveu as características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, não consta do laudo informações sobre a situação mercadológica com dados do mercado relativos à oferta e o tempo de exposição da oferta no mercado. Assim preceitua a referida NBR 14653-1, no que se refere à coleta de dados; 7.4 Coleta de dados É recomendável que seja planejada com antecedência, tendo em vista: as características do bem avaliando, disponibilidade de recursos, informações e pesquisas anteriores, plantas e documentos, prazo de execução dos serviços, enfim, tudo que possa esclarecer aspectos relevantes para a avaliação. 7.4.1 Aspectos Quantitativos É recomendável buscar a maior quantidade possível de dados de mercado, com atributos comparáveis aos do bem avaliando. 7.4.2 Aspectos Qualitativos Na fase de coleta de dados é recomendável: a) buscar dados de mercado com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliando; b) identificar e diversificar as fontes de informação, sendo que as informações devem ser cruzadas, tanto quanto possível, com objetivo de aumentar a confiabilidade dos dados de mercado; c) identificar e descrever as características relevantes dos dados de mercado coletados; d) buscar dados de mercado de preferência contemporâneos com a data de referência da avaliação. 7.4.3 Situação mercadológica Na coleta de dados de mercado relativos a ofertas é recomendável buscar informações sobre o tempo de exposição no mercado e, no caso de transações, verificar a forma de pagamento praticada e a data em que ocorreram. 7.5 Escolha da metodologia Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 A metodologia escolhida deve ser compatível com a natureza do bem avaliando, a finalidade da avaliação e os dados de mercado disponíveis. Para a identificação do valor de mercado, sempre que possível preferir o método comparativo direto de dados de mercado, conforme definido em 8.3.1. 7.6 Tratamento dos dados Os dados devem ser tratados para obtenção de modelos de acordo com a metodologia escolhida. 7.7 Identificação do valor de mercado 7.7.1 Valor de mercado do bem A identificação do valor deve ser efetuada segundo a metodologia que melhor se aplique ao mercado de inserção do bem e a partir do tratamento dos dados de mercado, permitindo-se: a) arredondar o resultado de sua avaliação, desde que o ajuste final não varie mais de 1% do valor estimado; b) indicar a faixa de variação de preços do mercado admitida como tolerável em relação ao valor final, desde que indicada a probabilidade associada. 7.7.2 Diagnóstico do mercado O engenheiro de avaliações, conforme a finalidade da avaliação, deve analisar o mercado onde se situa o bem avaliando de forma a indicar, no laudo, a liquidez deste bem e, tanto quanto possível, relatar a estrutura, a conduta e o desempenho do mercado. Conforme restou demonstrado, o laudo de avaliação apresentado descumpre as prescrições da norma de avaliação, o que compromete a qualidade e a força comprobatória que se objetiva. A própria norma da ABNT afirma que no caso de insuficiência de informações que permitam a utilização adequada do método comparativo direto de dados de mercado, o trabalho realizado não será classificado quanto à fundamentação e à precisão, mas pode ser considerado um parecer técnico (item 9.1.2, da NBR 14.6533) Desta forma, a irresignação contra o valor arbitrado se apresenta prejudicada, vez que não comprova a fidedignidade das amostras utilizadas na suposta aplicação do método comparativo de mercado. Não consta comprovação de efetivas negociações, de preços, recortes de jornais da época ofertando imóveis, tampouco, das possíveis amostras não há informações das específicas características e demais dados para comparar com a propriedade avaliada, não havendo como afirmar se são similares ou não, inclusive em decorrência das áreas dos imóveis apresentados. Também não deve ser acolhida a “Certidão”, sem data, apresentada pela autuada, de lavra de agente do Setor de Rendas Imobiliárias da prefeitura municipal de Barretos (fl. 42), certificando os Valores Venais da Terra Nua atribuídos ao imóvel rural denominado Fazenda Queixada, cadastro no INCRA nº 604.011.009.431-1, de propriedade de Helena Assad Barbar. De fato, ao ser intimada a apresentar documentos comprobatórios do VTN declarado, é oportunizada a possibilidade de se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais. Entretanto, além de se tratar de imóvel distinto e de propriedade de outra Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 contribuinte, na própria intimação é esclarecido que devem também ser apresentados os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel pelo município. O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Tabela SIPT por aptidão agrícola, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.99 e representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião. Observando-se o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência do assunto e utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT para verificação do valor de imóveis rurais ocorre quando o fiscalizado, depois de intimado, não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Conforme apontado, o laudo apresentado não contém os requisitos da NBR 14.653-3 da ABNT, especialmente a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais do município onde se localiza o imóvel objeto do lançamento, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), deixando de apresentar fundamentação/grau de precisão II, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), de forma a apurar o valor da terra nua do imóvel, a preços de 1.º de janeiro do exercício em discussão, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80% (oitenta por cento). Desta forma, a irresignação contra o valor arbitrado se apresenta prejudicada, vez que não há fidedignidade das amostras utilizadas na suposta aplicação do método comparativo de mercado. Não consta comprovação de efetivas negociações, de preços, recortes de jornais da época ofertando imóveis, tampouco, das possíveis amostras não há informações das específicas características e demais dados para comparar com a propriedade avaliada, não havendo como afirmar se são similares ou não, inclusive em decorrência das áreas dos imóveis apresentados. Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações normativas. Por outro lado, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos que justifiquem sua irresignação quanto a tal arbitramento, sendo exigida a apresentação de laudo de avaliação do imóvel nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, preferencialmente com fundamentação e grau de precisão II, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. O laudo técnico apresentado pela contribuinte foi considerado insuficiente pela autoridade julgadora de piso, sendo reapresentado juntamente com o recurso ora objeto de análise, contendo as mesmas deficiências, vez que não se atenta aos requisitos obrigatórios e, por conseguinte, não alcançando o grau de fundamentação II. Justifica-se, assim, o arbitramento com base no SIPT por aptidão agrícola, de acordo com as normas legais e regulamentares de regência do ITR, conforme informações prestadas pela Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo para o município de localização do imóvel. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a área de reserva legal, correspondente a 178,4 hectares. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10232.000031/99-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
Declarada, pela Corte Maior, a inconstitucionalidade da utilização
das alíquotas constantes da Medida Provisória n° 399/93 para a
cobrança do ITR no exercício de 1994, não resta outra alternativa
a este Colegiado que não seja declarar a insubsistência do
lançamento. (parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97).
Numero da decisão: 303-35.512
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do
Acórdão 303-33.893, de 06/12/2006 e a insubsistência do lançamento do ITR/94, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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(parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão 303-33.893, de 06/12/2006 e a insubsistência do lançamento do ITR/94, nos termos do voto da relatora. AP too ANELISE DAUDT PRIETO Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto, Tarásio Campeio Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nilton Luiz Bartoli. ' Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 129 Relatório Em 06 de dezembro de 2006 esta Câmara, ao apreciar o recurso voluntário do contribuinte, não tomou conhecimento do mesmo, por ter sido apresentado sem a garantia de instância, determinada pelo artigo 33 do Decreto 70.235/72, com a redação do artigo 32 da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Transcrevo relatório e voto proferidos naquela ocasião: "Este processo retornou da diligência determinada pela Resolução n° 303- 01.085, para que a repartição de origem intimasse o contribuinte a apresentar a garantia de instância para seguimento do recurso. Para melhor compreensão, transcrevo o relatório e voto da resolução: 010 "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever. "Contra o contribuinte acima identificado foi lançada, em 23/04/1999, a Notificação, de fl. 23, com data de vencimento em 30/06/1999, através da qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 6.094,87, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, Multa por atraso na entrega da Declaração, Contribuições CNA e SENAR, do exercício de 1.994, em relação ao imóvel rural denominado Seringal e Outros, Papagaio, Sto. Antonio etc, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob n° 3321110.8, localizado no município de Cruzeiro do Sul AC. O lançamento, decorrente da própria declaração do contribuinte, fls. 60/61, que declarou a área total de 2.000,0 hectares, como 11) toda aproveitável, embora sem utilização. O Contribuinte, em 24/06/1999, apresenta sua impugnação, solicitando o cancelamento da notificação, alegando que se trata de cobrança indevida do ITR, pois as áreas em questão fazem parte do Parque Nacional da Serra do Divisor (Decreto 97.839, de 16/06/1989). Deixa de apresentar a Certidão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais — IBAMA — uma vez que esta entidade, em oficio a ele enviado, alega que o órgão não dispõe de recursos no memento para efetuar o levantamento fundiário e as indenizações. O contribuinte apresentou a correspondência de fls. 02/20, datada a partir de outubro de 1997 até novembro de 1998. Nessa documentação há inclusive cópia de requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA 1997, datado de 09/01/98, referente ao imóvel Seringal Aldeota e outros, Papagaio, Sto Antonio, Açaí etc NIRF 3321110-0, fls. 05/ 06. 2 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 130 Por não haver benfeitoria no imóvel, por não permitir o IBAMA, pretende o contribuinte que em função do Decreto 97.839/89, de 16/06/1989, que criou o Parque Nacional da Serra do Divisor, suas terras sejam consideradas de Preservação Permanente e conseqüentemente isentas do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. Anexa, ainda, cópia do Decreto n° 97.839, de 16/06/1989 e da Instrução Normativa do SRF n° 43, de 07/05/97, fls. 25/28. A Informação/Dijup/DRJ/MNS/n° 02/2001, fls. 38/39, resume a impugnação do contribuinte, relaciona a correspondência de fls. 02 a 20, sugere consulta ao IBAMA sobre a inclusão do imóvel na área do Parque Nacional da Serra do Divisor. É dirigido à Gerente do IBAMA o Oficio/Sacat/DRF/RBO/AC n° 016/2002, de 19/04/2002, fl. 43, consultando sobre a desapropriação do imóvel e em que data ocorreu a sua imissão de posse, caso contrário, se o imóvel foi declarado de interesse ecológico. Em resposta, o oficio n° 203/02 IBAMA/GEREX/AC, de 17/05/2002, afirma que o imóvel se encontra inserido na área delimitada pelo Parque Nacional da Serra do Divisor, criado pelo Decreto 97.839/89. Ainda não foi desapropriado pelo poder público, estando o mesmo em processo de regularização fundiária que objetiva subsidiar as ações expropriatórias. Afirma que o próprio Decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor já pacificou o interesse ecológico da área, ratificado pelo IBAMA através de estudos e trabalhos objetivando identificar suas potencialidades ecológicas. A DRF/Rio Branco emitiu o Despacho Decisório, com data de 23/05/2002, de fls. 45/47, indeferindo o pedido do contribuinte de cancelar o lançamento da Notificação, nos termos da fundamentação Regularmente intimado, às fls. 49/50, o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, fl. 51, não concordando com despacho, por já haver o "empossamento" do IBAMA, pelo Decreto n° 97.839/89. Não tem recurso para constituir um advogado para contestar os fundamentos do despacho e não tem direito a atendimento gratuito, pela defensoria pública, por não ganhar menos que três salários mínimos. Não tem recurso para pagar tal quantia, "a não ser que os senhores recebam parte das terras, objeto da cobrança do imposto ou habilitem-se ao meu ESPÓLIO, que não deve ser muito longe, /kielP 3 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 131. . tenho 72 anos de idade e sou aposentado pelo FAMIGERADO INSS." A DRJ em Recife considerou procedente o lançamento sob as seguintes alegações: - embora o Decreto n° 97.839/89 tenha criado o Parque Nacional da 1 ISerra do Divisor, declarando de utilidade pública as terras descritas para fins de desapropriação, o IBAMA afirma que o imóvel não foi desapropriado pelo poder público, estando em processo de regularização fundiária objetivando subsidiar as ações expropriatórias. I- não tendo ocorrido a desapropriação, o recorrente é responsável pelo tributo, salvo se houver imissão prévia na posse. - embora sua área aproveitável esteja sem utilização, não pode o imóvel Oser considerado de preservação permanente. Menos, ainda, poderia ser considerado de reserva legal, por não haver prova de que em seu 1registro cartorial esteja averbada a área de reserva legal, tampouco pode ser considerado de interesse ecológico, pois isto se dá por ato específico, estadual ou federal. I- não tendo o imóvel preenchido as condições necessárias que o isentem do imposto, é o recorrente obrigado a pagá-lo, como também as Contribuições CNA e SENAR e a multa por atraso na entrega da declaração. I Inconformado, o contribuinte apresenta seu recurso, à fl. 74, questionando a legitimidade da cobrança do ITR, tendo em vista que, embora não sendo o IBAMA o proprietário das terras, tem ele a posse de fato, "pois lá ele faz e desfaz" sem consultar o recorrente. e Junta cópia de Parecer do IBAMA que conclui pela impossibilidade de incidência do ITR sobre as áreas situadas dentro dos limites do Parque Nacional da Serra do Divisor, por serem as mesmas consideradas de preservação permanente, datado de 16/10/2003 (fls. 75/79); cópia do Ato Declaratório Ambiental de 16/01/2003, declarando a área do imóvel como de Preservação Permanente. (fl. 80); cópia de averbação da área do imóvel como de Preservação Permanente datado de 16/01/2003 (fl. 81) e cópia de Oficio do IBAMA ao Chefe da Agência da Receita Federal em Cruzeiro do Sul/AC, solicitando dilação de prazo para respostas referentes a alguns processos de declaração de interesse ecológico. ' O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o Relatório." O voto proferido foi o seguinte: ifè42 4 .. . Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 I . Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 132 "Compulsando os autos, não foi encontrado qualquer documento que informasse ao contribuinte a necessidade de apresentação de garantia para seguimento do recurso. Diante do exposto, converto o julgamento do recurso em diligência para que o interessado seja intimado a apresentar a garantia necessária para seguimento do mesmo." Retornando o processo à origem, (IRF/Cruzeiro do Sul/AC), esta o encaminhou para a DRF em Goiânia/GO, tendo em vista que, conforme consulta base CPF (fl. 93), constatou-se que o endereço atual do 1 contribuinte era naquela cidade. Intimado a apresentar a garantia recursal, (AR de fl. 96) o contribuinte não compareceu. éApós o prazo regulamentar, o processo foi encaminhado para este Conselho para apreciação." É o relatório. VOTO Trata-se de cobrança de ITR194, multa por atraso na entrega da declaração, contribuições CNA e SENAR, do imóvel denominado Seringal e Outros, Papagaio, Santo Antonio, etc., localizado no Município de Cruzeiro do Sul, Acre, com área total de 2.000,0ha. O contribuinte, ao tomar ciência da decisão de primeira instância, apresentou seu recurso, tempestivamente, mas sem garantia de instância. Esta Câmara converteu o julgamento em diligência para que fosse apresentado o e arrolamento de bens, todavia o interessado não se manifestou. Diante do exposto, e com base nos parágrafos do artigo 33 do Decreto 70.235/72, com a redação que lhes foi dada pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, deixo de tomar conhecimento do recurso, por não preencher os requisitos de admissibilidade." Retornando o processo à origem intimou-se o contribuinte a tomar ciência da decisão desta Câmara e efetuar o pagamento do saldo devedor, por meio da Intimação n° 065/2007, de 01/03/2007, que foi recebida em 14/03/2007. Não havendo manifestação do interessado nem pagamento, a dívida foi inscrita em Divida Ativa da União em 02/07/2007, conforme Termo de Inscrição de fl. 114. Cientificado da inscrição e do prazo para pagamento que seria 31/07/2007, o contribuinte apresentou, em 30/07/2007, manifestação de inconformidade contra a inscrição da dívida, dirigida à Procuradoria da Fazenda Nacional em Goiás (doc. de fl. 116), defendendo que não é devedor do ITR referente àquele imóvel, uma vez que, conforme já explicitado, tanto na impugnação como no recurso voluntário ao Conselho 1 de Contrib intes, essas terras foramw s Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 133 declaradas de utilidade pública pelo Decreto n° 97.839, de 16/07/1989 e que estão inseridas dentro dos limites da Serra do Divisor. Portanto, são áreas de preservação permanente, isentas do 1TR. Encaminhada a referida peça para análise da Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de Goiás, esta emitiu o Despacho de fls. 120 a 122 no qual o digno Procurador manifestou-se pela devolução do processo a este Conselho, tendo em vista o motivo do não conhecimento do recurso voluntário, ou seja, a falta de arrolamento de bens, não mais existe, pois o STF, apreciando a AD1N n° 1976/DF, julgou inconstitucional o artigo 32 da MP n° 1.699-41/98, convertida na Lei n° 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2° do Decreto 70.235/72, em acórdão cuja ementa transcrevo em parte: "AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 32, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 33, § 2°, DO DECRETO 70.235/72 E ART. 33, AMBOS DA MP 1.699-41/1998. DISPOSITIVO NÃO REEDITADO NAS EDIÇÕES SUBSEQUENTES DA MEDIDA PROVISÓRIA TAMPUCO NA LEI DE CONVERSÃO. ADITAMENTO E CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA NA LEI 10.522/2002. ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL DO CONTEÚDO DA NORMA IMPUGNADA. INOCORRÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE RELEVÂNCIA E URGÊNCIA. DEPÓSITO DE TRINTA POR CENTO DO DÉBITO EM DISCUSSÃO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE BENS E DIREITOS COMO CONDIÇÃO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DEFERIDO. (.). A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 5°, XXXIV), além de caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CF, art. 5°, LV). A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos pode converter-se, na prática, em determinadas situações, em supressão do direito de recorrer, constituindo-se, assim, em nítida violação ao princípio da proporcionalidade. Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 32 da MP 1699-41 — posteriormente convertida na Lei 10.522/2002 -, que deu nova redação ao art. 33, § 2°, do Decreto 70.235/72" (ADIN n° 1976/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgamento: 28/03/2007, DJ 18.05.2007) Citou também o disposto no Parecer PGFN/CRJ/CAT/N° 1812/2007 que analisando o referido julgado concluiu que: "14. Em conseqüência, tem-se que a União (Fazenda Nacional): a) está dispensada da apresentação de contestação, assim como da interposição de recursos contra decisões em sentido diverso do estatuído pela ADIN n° 1976-7, devendo ainda desistir dos recursos já interpostos, bem como requerer ao juízo a declaração da perda de objeto do processo e sua conseqüente suspensão, a fim de, e, atenção ao princípio da economia processual, evitar-se a prática de atos inúteis; 6 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 134 , . b) quando provocada e observado o prazo prescricional deve declara a nulidade das decisões que tenham inadmitido recursos voluntários dos contribuintes, por descumprimento do requisitos do arrolamento de bens, bem como os demais atos delas decorrentes, realizando um novo juizo de admissibilidade, em que se dispensará o referido requisito." Socorreu-se, ainda, do Memorando-Circular n° 79/2007/PGFN/PGA/CDA, de 03/08/2007 e do art. 5° da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 1, de 15/05/1999. Em face dos efeitos da ADIN, encaminhou o processo ao Terceiro Conselho de Contribuintes por meio da DRF em Goiânia, manifestando-se, ainda, no sentido de que fosse alterada a situação da inscrição, passando a constar suspensa para análise da Receita Federal, evitando-se, assim, o ajuizamento da ação fiscal. É o Relatório. /Ó 4 t • 7 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 135 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora O Ato Declaratório Interpretativo n° 16 do Secretário da Receita Federal do Brasil determinou a declaração de nulidade das decisões que não tenham admitido recurso voluntário de contribuintes, por falta de arrolamento de bens e direitos, em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do artigo 32 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2° do Decreto 70.235/72. Diante disso, bem como do disposto no PGFN/CRJ/CAT/N° 1812/2007, entendo que este Conselho deve conhecer do recurso voluntário. • A empresa recorre contra o lançamento do Imposto Territorial Rural relativo ao exercício de 1994. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, com trânsito em julgado em 02/03/2006, proferida no Recurso Extraordinário 448.558, interposto pela União contra decisão do TRF da 4' Região, entendeu, por unanimidade, que a alíquota do ITR constante da MP 399/2003 somente poderia ser cobrada a partir do exercício de 1995. O acórdão do TRF havia recebido a seguinte ementa: "EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ITR. ANO BASE 1994. ALÍQUOTAS FIXADAS PELA LEI 8.847/94. CONVERSÃO MEDIDA PROVISÓRIA 399/03. MP RETIFICADORA. DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA. 1. É pacífico o entendimento de que a Medida Provisória é lei em sentido material, sendo o veículo formal posto à disposição do Poder Executivo para regular os fatos, atos e relações do mundo fático, desde que obedecidos os critérios de urgência e necessidade que, no entendimento do Supremo Tribunal Federal, dependem do poder discricionário do Presidente da República. 2. O termo inicial do prazo para cumprimento do princípio da anterioridade corresponde à data da publicação da medida provisória. 3. A Medida Provisória n. 399/03 foi publicada em 30 de dezembro de 2003 (SIC). Contudo, na data originalmente publicada, a citada Medida Provisória não continha as alíquotas do ITR. Tal omissão fez com que fosse publicada, em 07 de janeiro de 1994, uma retificação da aludida Medida Provisória, no Diário Oficial, contendo as novas tabelas de alíquotas. 4. A retificadora não tem o condão de retroagir à data da publicação original 30 de dezembro de 1993 -de forma a cumprir o disposto no artigo 150, III, b, V4r\leii9 8 k Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 136 da Constituição Federal de 1988 e tornar possível a cobrança do ITR ainda no ano de 1994. 5. Como o instrumento legal modificador de alíquota só foi publicado no ano de 1994, a cobrança do ITR com base nas alíquotas constantes na Lei n° 8.847/94 é vedada, nos termos do artigo 150, III, b, da Constituição Federal, para o ano de 1994." O voto do Ministro Gilmar Mendes no STF, por sua vez, foi o seguinte: "No presente caso discute-se se houve ou não violação ao princípio da anterioridade tributária ao se cobrar o ITR, com base na MP n° 399, de 1993, convertida na Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, referente ao fato gerador ocorrido no exercício de 1994. Para tanto, deve-se analisar se houve instituição de imposto ou sua majoração. Ao sentenciar, o Juiz Arthur César de Souza assim examinou a controvérsia (fls. 253/254): "A Lei 8.847/94 é conversão da MP 399, publicada em 30.12.93. Entretanto, na publicação da MP 399 de 30.12.93 não acompanhou o Anexo I, que continha as Tabelas imprescindíveis à incidência do tributo. Assim, em 7.1.94, foi reeditada a MP 399, agora com o Anexo I e as respectivas tabelas contendo as alíquotas.0 art. 150, I e III, "a" e "b", CF, estabelece: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 1— exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...). III — cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou." A MP 399 e a Lei 8.847/94 — a primeira explícita e a segunda implicitamente — revogaram o art. 50, da Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), na redação conferida pela Lei 6.746/79. Nesse sistema, o lançamento do ITR era feito com base nas informações prestadas pelo contribuinte.Todavia, a MP 399 e a Lei 8.847/94 inovaram aumentado o valor do tributo, pois estabeleceram um valor mínimo de terra nua por hectare (VTNm/ha), e criaram novas alíquotas. O fato gerador do ITR, segundo a MP 399 e a Lei 8.847/94, é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, em 10 de janeiro de cada exercício, localizado fora da zona urbana do município (art. 1°, MP 399 e Lei 8.847/94). 9 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 137 O art. 144, caput, CTN, dispõe: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." Percebe-se que a embargada, utilizando-se da MP 399 convertida, posteriormente, na Lei 8.847/94, está cobrando ITR em relação a fato gerador ocorrido no próprio exercício de 1994. Impossível se admite a existência de 'lei' anterior com base na MP 399 publicada em 30.12.93, porque ausente na publicação o Anexo I que trazia as tabelas, cujo conhecimento dos contribuintes era indispensável para determinação das alíquotas do tributo. A republicação da MP 399 é de ser considerada lei nova ante o disposto no art. 1°, § 40, LICC: 'As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 111 Assim, como a MP 399 e a Lei 8.847/94, foram publicadas, validamente, em 1994, só poderiam incidir sobre fato gerador ocorrido a partir de 1°.1.95 (art. 1°, MP 399, art. 1°, Lei 8.847/94, art. 144, caput, art. 150, I, e III, "a" e "b", CF), jamais, a partir de 1°.1.94, como ocorreu." Portanto, ao se verificar que houve de fato instituição de nova configuração do imposto e que esta apenas se aperfeiçoou em 07 de janeiro de 1994, com a publicação, a título de "retificação", do Anexo à MP 399, essenciais à caracterização e quantificação da alíquota da exação por força do mesmo diploma,conclui-se que a exigência do ITR sob esta nova modalidade, antes de 10 de janeiro de 1995, por força do art. 150, III, "b", da CF, viola o princípio constitucional da anterioridade tributária. Cabe ressaltar que o referido princípio constitucional é uma garantia fundamental do contribuinte, não podendo ser suprimido nem mesmo por• emenda constitucional, conforme assentado por esta Corte no julgamento daADI 939, Plenário, Rel. Sydney Sanches, DJ 18.03.94. Assim, nego provimento ao recurso." Declarada, pela Corte Maior, a inconstitucionalidade da utilização das alíquotas constantes da Medida Provisória n° 399/93 para a cobrança do ITR no exercício de 1994, não resta outra alternativa a este Colegiado que não seja a de considerar improcedente lançamento que as utilizou. Com efeito, o parágrafo único do art. 40 do Decreto n° 2.346/97 assim dispôs: "Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal."(grifei) 10 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 138 Em face de todo o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão 303- 33.893, de 06/12/2006, e a insubsistência do lançamento do ITR194. Sala das Sessões, em 08 de julho • - 2008 2-•Ád-r - 1 ANELISE DAUDT PRIET;11' 11) 11
score : 1.0
Numero do processo: 35011.001602/2005-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/06/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN.
Fundamentando-se o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentando-se o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 107 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 108 3 Relatório A empresa foi autuada em 30.06.2005 por descumprimento da legislação previdenciária por deixar de exibir folhas de pagamento referentes aos meses de julho a dezembro de 1998. A DecisãoNotificação – fls 74 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese,.a decadência do crédito tributário. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 30/06/2005 em razão da não apresentação de documentos referentes ao ano de 1998. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 1999, inclusive. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 110 5 Fl. 115DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002204/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS.
A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA.
O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa.
PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA.
O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge
quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se
de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução.
MULTA. CONFISCO
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado
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DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do excônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EXCÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu excônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, tratase de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os autos sobre lançamento de ofício decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual, exercício 2006, ano calendário 2005, tendo em vista a dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 7.372,00; dependentes no valor de R$ 4.212,00 e despesas médicas no valor de R$ 5.738,56, perfazendo o IRPF suplementar o total de R$ 15.259,82, acrescido da respectiva multa de ofício e juros de mora (fls. 10/13). Intimado, o Recorrente apresentou a impugnação de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 14/28, alegando que o valor deduzido a título de despesas médicas, embora pago a sua exesposa, correspondem a gastos efetuados com seus filhos em razão de acordo judicial (fls. 15), por isso, dedutíveis. Quanto às deduções referentes a pensão alimentícia, alega que correspondem a valores entregues a sua exesposa conforme acordo judicial, mediante recibo, pois em decorrência de problemas bancários dela, não foi possível a forma de depósito judicial imposta na sentença de homologação. Argumentou que o fato dos filhos terem entregue declaração em separado, não lhes retira a condição de dependentes, mesmo estando sob a guarda da mãe. Por fim, requereu a redução da multa para o patamar de 20%, face a vedação constitucional ao confisco. A decisão de 1ª instância considerou procedente o lançamento, sob fundamento de que o Recorrente não poderia inserir os filhos no rol de dependentes para fins de imposto de renda, porque tal providência de início, só poderia ser adotada pela exconjuge, detentora da guarda dos filhos do casal. No entanto, renunciou a tal prerrogativa quando observou a regra geral, providenciando a apresentação de Declaração de Ajuste Anual dos filhos menores, razão pela qual, por conseqüência, as despesas médicas relativas aos filhos também não poderiam ter sido deduzidas. Quanto à dedução de pensão alimentícia judicial, a glosa foi mantida, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, cujo documento hábil seriam os comprovantes de depósito bancário, não sendo suficientes os recibos apresentados. Nas razões de Voluntário, o Recorrente reiterou os argumentos da Impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002204/200811 Acórdão n.º 280201.552 S2TE02 Fl. 66 3 Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. O litígio se refere à dedução de dependentes, despesas médicas e pensão alimentícia, a serem analisadas em separado. Despesas a titulo de pensão alimentícia Foi glosada a dedução de R$ 57.372,00, em razão de os recibos apresentados pelo contribuinte não serem documentos hábeis para comprovar os pagamentos de pensão alimentícia judicial, por restar estipulado, em acordo judicial que os pagamentos seriam mensalmente depositados na contacorrente da separanda e que o comprovante de depósito serviria como recibo de pagamento. De acordo com as razões recursais, o Recorrente alega que: (...) ditos valores pensionais foram rigorosamente repassados, a titulo de "efetivo pagamento" à exmulher na forma de recibos, em vez de depósitos judiciais, já porque ela (exmulher) teve suas contascorrente encerradas nas agências com as quais mantinha relações negociais, por conta de restrições administrativas dos próprios bancos. (...) Repetese que o Recorrente fora compelido a alterar a forma de pagamento das pensões — sem alterar a obrigação — devidas A exmulher RITA DE CASSIA em decorrência de problemas pessoais dela para com o sistema financeiro e bancário, pensionandoa via recibos de pagamento mensais, o que em absolutamente nada altera o cumprimento obrigacional, seja perante a Justiça Pública, seja perante o Fisco. Ainda que seja factível a alegação de que a excônjuge se encontrava com as suas contas bancárias bloqueadas, não juntou o Recorrente os respectivos recibos, que em tese comprovariam os dispêndios com a pensão alimentícia paga, de sorte a impedir o reconhecimento da dedutibilidade da despesa glosada. Da dedução de dependentes Foi glosada dedução de dependentes no valor de R$ 4.212,00, referentes aos filhos Carolina Miranda Fontes, Palmeirindo Fontes Neto e Lourenço Miranda Fontes, que apresentaram Declaração de Ajuste Anual e que por ocasião da separação judicial, ficaram sob a guarda da mãe. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Correta a glosa, em virtude do disposto no §4º do inciso VII do art. 77 do RIR, cujas disposições apenas permitem a dedução de filhos de pais separados que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. No caso dos autos, em virtude da guarda dos filhos se encontrar a cargo da exconjuge, acertada a decisão da DRJ. Despesas médicas Foi glosado o total de R$ 5.738,56, por referirse a despesas médicas de não dependente (exesposa). Ainda que haja declaração da exconjuge de não utilização dos dispêndios pagos à UNIMED por plano de saúde da qual é beneficiária para fins de dedutibilidade própria, por se tratar de despesas de saúde de não dependente, acertada a decisão da DRJ, em virtude do disposto no artigo 80, inciso II do RIR. A ausência de prova quanto à parcela desses valores se referir a despesas com plano de saúde dos filhos, diante da declaração da exconjuge de que o plano estaria em seu nome como titular por mera comodidade, impedem o reconhecimento da dedutibilidade de parte desses valores, que em tese seriam dedutíveis por se encontrarem tais despesas previstas no acordo judicial. Mantenho, pois, a glosa. Confiscatoriedade da multa Rejeito a alegação quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada e da violação ao conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza, diante da vedação imposta a este órgão judicante pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010465/2007-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS.
A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da
Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.010465/200703 Acórdão n.º 280300.881 S2TE03 Fl. 73 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de TRANSTRIL COMERCIO E EXPORTACAO LTDA., em virtude da não apresentação, no curso da ação fiscal, dos livros diário, razão e/ou livro caixa e de registro de inventário, escriturados no período de 07/1996 a 04/2006. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91 c/c com o art. 232 e 233, § único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, a Fiscalização arbitrou multa de acordo com o art. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 283, inciso II, alínea ‘j’ e art. 373 do Regulamento da Previdência Social. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 28/11/2006, e apresentou defesa tempestiva protocolizada no dia 13/12/2006, juntada às fls. 15/19. A Secretaria da Receita Previdenciário manteve o lançamento, em decisão notificação ementada nos seguintes termos (fls. 34/36): “INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração ao artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, necessários à verificação da situação da mesma perante à Seguridade Social. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 19/04/2007 (fls.58/67) por meio do qual alega, em síntese: (a) a inconstitucionalidade da exigência do depósito administrativo recursal, sendo cabível o arrolamento de bens para admissibilidade do recurso voluntário; (b) a inexistência de resistência da Recorrente, haja vista que está preparando as devidas correções e retificações nos arquivos gerados para adequálos ao apontado no trabalho dos auditores fiscais; (c) a falta de indício de qualquer circunstância agravante, permitindo concluir estar a Recorrente integralmente acobertada pelo comando impositivo do § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, devendo a multa aplicada ser relevada. Não apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A Recorrente foi atuada por não ter apresentado à Fiscalização os livros diário, razão e/ou livro caixa e de registro de inventário, escriturados no período de 07/1996 a 04/2006. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração ao disposto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). ... § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.” O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048/99, também prevê a obrigatoriedade de apresentar a Fiscalização documentos contábeis: “Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.010465/200703 Acórdão n.º 280300.881 S2TE03 Fl. 74 5 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” Em momento algum o contribuinte refuta a alegação fiscal de descumprimento de obrigação acessória, se limitando a informar apenas que estaria “preparando as devidas correções e retificações nos arquivos gerados, visando adequálos ao apontado pelo trabalho dos auditoresfiscais in loco”, requerendo, por fim, a relevação da multa aplicada, com fulcro na disposição contida no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social. Todavia, não traz aos autos os documentos hábeis a comprovar a referida afirmação. Ora, o simples descumprimento de obrigação acessória é suficiente à manutenção da multa imposta. Não há dúvidas, pois, de que a multa foi corretamente aplicada com base no art. 92 e art. 102 da Lei n 2 8.212/1991, combinado com o artigo 283, inciso II e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, tendo sido determinada pela Portaria MPS/GM nº 342 de 16/08/2006, vigente na época da lavratura. Com relação ao pedido de relevação ou atenuação da multa aplicável, também não assiste razão à Recorrente. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, ao tratar das hipóteses de relevação da multa, estabelece, em seu art. 291, que o infrator deverá corrigir a falta apontada pela autoridade fiscal dentro do prazo de impugnação e ser primário: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.” Todavia, como bem observado pela autoridade julgadora de primeira instância, a Recorrente não demonstrou nos autos a suposta correção das faltas apontadas. Diante do exposto, concluise que a decisão de primeira instância está em perfeita harmonia com a legislação vigente à época. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, mantenho a exigência do crédito tributário em sua integralidade. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10865.909068/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/05/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.740
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão n- 3803-002.122, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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