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Numero do processo: 10923.000160/2006-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1991
FINSOCIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PEDIDO
ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO, CUMULADO COM
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
TERMO INICIAL.
O prazo para pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, extinguindo-se, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1991
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
CONCOMITÂNCIA.
Existindo concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, quando se discute nas duas esferas o mesmo objeto, respeito à tutela hegemônica do Poder Judiciário impede o enfrentamento na via administrativa de matéria submetida diretamente à via judicial. (Súmula CARF nº 1)
AÇÃO CAUTELAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO
PRESCRICIONAL. CITAÇÃO. INTERRUPÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Extinta sem julgamento de mérito, por inépcia do pedido deduzido na inicial, são nulos de pleno direito todos os atos processuais decorrentes do ajuizamento de ação cautelar, inclusive as citações lá havidas, razão pela qual não se opera a suspensão do prazo prescricional prevista no art. 219 do CPC.
Numero da decisão: 3803-002.351
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PRESCRIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE ISOLANTES TÉRMICOS CALORISOL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1991 FINSOCIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO, CUMULADO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. O prazo para pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, regese pelo art. 168 do CTN, extinguindose, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1991 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. Existindo concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, quando se discute nas duas esferas o mesmo objeto, respeito à tutela hegemônica do Poder Judiciário impede o enfrentamento na via administrativa de matéria submetida diretamente à via judicial. (Súmula CARF nº 1) AÇÃO CAUTELAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. CITAÇÃO. INTERRUPÇÃO. INOCORRÊNCIA. Extinta sem julgamento de mérito, por inépcia do pedido deduzido na inicial, são nulos de pleno direito todos os atos processuais decorrentes do ajuizamento de ação cautelar, inclusive as citações lá havidas, razão pela qual não se opera a suspensão do prazo prescricional prevista no art. 219 do CPC. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório INDÚSTRIA DE ISOLANTES TÉRMICOS CALORISOL LTDA. transmitiu, em 25/11/2003, o PER/DCOMP nº 09125.08597.251103.1.3.573730 (fls. 02/12), com vistas à extinção de débitos próprios, montantes a R$ 489.296,42, com crédito decorrente de ação judicial nº 9500099483 com trânsito em julgado em 15/03/1996. A ação judicial em referência foi proposta, objetivando a restituição das quantias recolhidas a titulo de Finsocial, alegando a inexistência de relação jurídica, em face da inconstitucionalidade da referida contribuição. A sentença de primeira instância julgou a demanda improcedente. A 4ª Turma do TRF3ª Região deu provimento parcial à apelação, para reconhecer o direito da empresa de restituição parcial do recolhimento efetivamente comprovado nos autos, com base no entendimento firmado pelo STF de que a contribuição para o Finsocial é devida pela alíquota de 0,5% (com acréscimo de 0,1% apenas no exercício de 1.988 na forma do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987) a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e até sua extinção, por força do art. 13 da Lei Complementar nº 70, de 1991. Não foram interpostos outros recursos contra o referido acórdão. Sob o fundamento de que já havia transcorrido o prazo consignado no inc. II do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, a DRF/SBC não homologou a compensação, nos termos do Despacho Decisório DRF/SBC nº 024/2008, fls. 36 a 39. Sobreveio reclamação, fls. 172 a 174. A DRJ/CPS3ª Turma conheceua como Manifestação de Inconformidade, mas julgoua improcedente. O Acórdão nº 0527.893, de 21 de novembro de 2009, fls. 214 a 217, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração : 01/10/1988 a 31/10/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO 0 direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito, desde que não iniciados os procedimentos de execução fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10923.000160/200602 Acórdão n.º 380302.351 S3TE03 Fl. 234 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 221 a 228, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que, em 16/01/96, propôs Ação Cautelar nº 96.0012628, incidental à Ação Ordinária nº 9500099483, na qual informou seu desejo de compensar administrativamente o seu crédito tributário nos termos da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, porém sem as restrições ilegais veiculadas pela IN 67/92 a titulo de regulamentação da referida Lei. Argumenta que a interposição dessa ação cautelar teve como efeito a suspensão da fluência do prazo previsto no inc. II do art. 168 do CTN, conforme inteligência dos artigos 219, caput, e 220 do Código de Processo Civil. Entende que a prescrição permaneceu interrompida enquanto durou o curso do feito, tendo voltado a fluir por completo a partir de 04/11/2002, quando transitou em julgado o Acórdão, pouco importando o teor do mesmo. Pede provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 221 a 228 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 0527.893, de 21 de novembro de 2009. Repisando a controvérsia instaurada pelo Despacho Decisório nº 024, de 2008, da DRF/de fls. 36 a 39, o Pedido de Restituição foi indeferido, com a conseqüente não homologação das compensações declaradas porque já se haviam transcorridos os cinco anos previstos no inc. II do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Convém desde logo salientar que a regra aplicada pela Autoridade Administrativa não tem previsão legal. A propósito, trago à colação trecho da ementa do acórdão proferido no Recurso Especial 543.502/MG (DJ de 16/02/2004, p. 220), em que o Relator, Ministro Luiz Fux, ainda que se curvando à posição dominante à época, deixou registrado o seu ponto de vista: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DAS ALÍQUOTAS. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratandose de controle difuso, somente Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN 4 na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do CTN, a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: (...)” (negritei na transcrição). Mais recentemente, o entendimento do Ministro Luiz Fux, que figurava nos julgados apenas como uma ressalva, transformouse em posicionamento vencedor, conforme se depreende dos trechos a seguir transcritos, retirados do Agravo Regimental no Recurso Especial 591.541, julgado em 03/06/2004. Nesse acórdão o Relator, Ministro José Delgado, passa a adotar o posicionamento do Ministro Luiz Fux, autor do votovista, que a seguir se transcreve: “O ilustre Relator negou provimento ao agravo regimental, sob o fundamento de que a Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que o prazo prescricional iniciase a partir da data em que foi declarada inconstitucional a lei na qual se fundou a exação. Pedi vista dos autos para melhor exame da questão. No que pertine à prescrição da ação de repetição/compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial 435.835/SC, pacificou o entendimento de que deve ser aplicada a tese dos 5 (cinco) anos para a constituição do crédito e mais 5 (cinco) anos para a sua cobrança, restando irrelevante, para o estabelecimento do termo a quo do prazo prescricional, eventual declaração de inconstitucionalidade pelo Pretório Excelso. Conseqüentemente, o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado do termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. Confirase a ementa do referido julgado: ‘CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10923.000160/200602 Acórdão n.º 380302.351 S3TE03 Fl. 235 5 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco.’ Na hipótese dos autos, os autores ajuizaram a ação em 15/10/99, pretendendo o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de setembro/1989 a março/1996, o que, nos termos dos arts. 168, I, e 150, § 4º, do CTN, revela inequívoca a ocorrência da prescrição relativamente aos períodos anteriores a 15/10/1989, porquanto tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja prescrição operase 5 (cinco) anos após expirado o prazo para aquela atividade.’ Diante do exposto, dou parcial provimento ao presente agravo regimental, para prover parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a prescrição da pretensão de repetição e/ou compensação dos valores indevidamente recolhidos, cujos fatos geradores ocorreram em período anterior a 15/10/89. É como voto.” (negritei na transcrição) Após a leitura do votovista, o Relator, Ministro José Delgado, retificou o seu voto e adotou o posicionamento esposado pelo Ministro Luiz Fux, conforme Certidão de Julgamento: “ Certifico que a egrégia 1a Turma, ao apreciar o processo em epígrafe, na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: Prosseguindo no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Luiz Fux e a retificação de voto do Sr. Ministro Relator, a Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.” (Agravo Regimental em Recurso Especial 591.541, Relator Ministro José Delegado, DJ de 16/08/2004, p. 145). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Assim, a tese introduzida nos autos pelo Despacho Decisório não mais encontra eco no STJ, que passou a prestigiar o dies a quo estabelecido no CTN (art. 168, inciso I), como forma de respeito à segurança jurídica. Ressalvada a posição do Superior Tribunal de Justiça, que não mais se coaduna com a tese da Autoridade Administrativa, examinandose a questão da decadência com base no Código Tributário Nacional, as conclusões inarredáveis são aquelas esposadas no Parecer PGFN/CAT nº 1.538/99, cujos principais trechos serão a seguir transcritos. “ 22. A nosso ver, é equivocada a afirmativa de que ‘ Inexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional’, pois isto representa, indubitavelmente, negar vigência ao CTN, que cuidou expressamente da matéria no art. 168 c/c art. 165. Com efeito, a leitura conjugada desses dispositivos conduz à conclusão única de que o direito ao contribuinte de pleitear a restituição de tributo extinguese após cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses referidas nos incisos I a III do art. 165. 23. A Constituição, em seu art. 146, III, ‘ b’ , estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normais gerais sobre ‘prescrição e decadência’ tributárias; portanto, a norma legal a ser observada nesta matéria é o CTN cuja recepção pela Carta de 1988, com status de lei complementar, é pacífica na doutrina e na jurisprudência , que fixou, indistintamente, o prazo de cinco anos para a decadência do direito de pedir restituição de tributo indevido, independentemente da razão ou da situação em que se deu o pagamento. Se o legislador infraconstitucional, a quem compete dispor sobre a matéria, não diferenciou os prazos decadenciais, em função de o pagamento ser indevido por erro na aplicação da norma imponível ou por inconstitucionalidade desta, ao intérprete é negado fazer tal diferença, por simples exercício de hermenêutica.” (negritei na transcrição). A falta de fundamentação legal da tese adotada pela Autoridade Administrativa, no que tange ao termo inicial para contagem do prazo decadencial, também foi registrada pela doutrina, aqui representada por Eurico Marcos Diniz de Santi: “ Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. (...) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e Fl. 248DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10923.000160/200602 Acórdão n.º 380302.351 S3TE03 Fl. 236 7 a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação, serve tão só como novo fundamento jurídico para exercitar o direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN.” (negritei na transcrição). Assim, o fundamento do Parecer PGFN/CAT nº 1.538/99, ao rechaçar a tese de ser a data de publicação da decisão judicial o termo inicial para contagem da decadência, não é apenas a ofensa ao princípio da segurança jurídica, mas também a ausência de fundamentação legal que dê suporte a tal argumento. Tanto é assim que o próprio STJ, como foi acima demonstrado, abandonou tal entendimento, para adotar, relativamente ao pagamento indevido em função de inconstitucionalidade, o mesmo dies a quo que adota para as situações de simples erro no pagamento. Passase à análise da restituição pleiteada, à luz do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: “ Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN 8 II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, na data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” (negritei na transcrição). No caso em apreço, tratase obviamente de hipótese inserida no inciso I do art. 165 do CTN, acima transcrito, uma vez que o pagamento foi espontâneo, realizado de acordo com base legal1 que, ainda que posteriormente declarada inconstitucional, à época dos recolhimentos encontravase em plena vigência. Ressaltese que referido inciso menciona apenas o pagamento indevido, sem adentrar ao mérito do motivo do indébito, concluindose então que estão incluídos também os casos de pagamento indevido em função de posterior declaração de inconstitucionalidade da lei que obrigava ao pagamento. Assim, na situação em tela, uma vez que os créditos tributários mais recentes foram extintos pelo pagamento em dezembro de 1991 (art. 156, inciso I, do CTN), o direito de pleitear a respectiva restituição, na melhor das hipóteses, decaiu em novembro de 1996. Obviamente, o presente pedido de restituição, transmitido que foi em 25/11/2003, encontrase inexoravelmente atingido pela decadência. Ainda que se aplicasse aqui a tese dos cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento (“ cinco mais cinco” ) – como entende o STJ inclusive relativamente aos pagamentos indevidos em função de inconstitucionalidade – o direito também já teria decaído, em novembro de 2001. Sob qualquer hipótese em que se analise o caso concreto, portanto, o recorrente não tem direito à restituição pleiteada. O recorrente limitase a argüir a suspensão do prazo prescricional, em 16/01/1996, pela proposição da Ação Cautelar nº 96.0012628, incidental à Ação Ordinária nº 95.00099483. Argumenta que a interposição dessa ação cautelar teve como efeito a suspensão 1 artigo 1° e seu parágrafo 1º0 , do Decretolei 1.940/82 e do artigo 9° da Lei 7.689/88, à razão de 0,5% sobre a mencionada base de cálculo; de 1%, a partir de 1º de setembro de 1989, consoante os artigo 7° e . 21 da Lei 7.787/89; de 1,20%, a partir de 1° de janeiro de 1990, ex vi do artigo 1° da Lei 7.894/89; e de 2%, conforme a Lei 8.147, de 28.12.90, sendo certo que a recente Lei 8.212, de 24.07.91, no artigo 23, inciso I, determina a aplicação da alíquota de 2% sobre a receita bruta Fl. 250DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10923.000160/200602 Acórdão n.º 380302.351 S3TE03 Fl. 237 9 da fluência do prazo previsto no inc. II do art. 168 do CTN, conforme inteligência dos artigos 219, caput, e 220 do Código de Processo Civil. Entende que a prescrição permaneceu interrompida enquanto durou o curso do feito, tendo voltado a fluir por completo a partir de 04/11/2002, quando transitou em julgado o Acórdão, pouco importando o teor do mesmo. Nos termos do juízo sentenciante, ao apreciar a cautelar, a pretensão da autora, deduzida nessa ação, foi a compensação imediata dos valores imputados inconstitucionais. O juízo imediatamente identificou a natureza satisfativa (e não cautelar) do pedido. De pronto, exsurge a identidade entre os objetos da ação nº 96.0012628 e o presente processo administrativo, fazendo incidir a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Incidentalmente, a propósito dos argumentos recursais, destaco que o juízo da 5ª Vara de São Paulo extinguiu a ação cautelar, sem julgamento de mérito, em face da natureza plenamente satisfativa do pedido, desvirtuando o objetivo do processo cautelar, que é o de garantir a utilidade e eficácia da futura tutela jurisdicional. O juízo da 5ª Vara ainda destacou que inexistia correspondência entre o pedido da cautelar (preparatório ou incidental) com o direito discutido na ação principal, que, ao contrário, eram colidentes. Tal decisão transitou em julgado nesses termos. Sustenta o recorrente que o lapso do prazo prescricional para a propositura do pedido de restituição restou interrompido quando da citação havida no ajuizamento, contra a Fazenda Nacional, da referida ação cautelar nº 90.0012628. Para tanto, colaciona jurisprudência do STJ nesse sentido e a respeito dos efeitos da citação válida. Contudo, tal entendimento não procede, pois tendo a referida ação cautelar sido extinta sem julgamento de mérito, por inépcia do pedido deduzido na inicial, todos os atos processuais decorrentes do ajuizamento dessa demanda nula são nulos de pleno direito. Tal nulidade alcança as citações lá havidas, conforme regra do art. 2482, do CPC. E a regra do art. 2193, caput, do CPC, é expressa ao referir que a citação válida interrompe a prescrição. Contrario sensu, a citação inválida não tem o condão de servir como marco interruptivo da prescrição. Assim a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. PRESCRIÇÃO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. 2 Art. 248. Anulado o ato, reputamse de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras, que dela sejam independentes. 3 Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN 10 1. No caso, tendo o esbulho ocorrido em 16/06/1978, temse que, em 16/06/1998, restou consumada a prescrição, que não veio interrompida pela citação da Municipalidade. A denunciação foi considerada inadequada ao caso, tendo sido a denunciada excluída do processo, isto é, quanto a ela, o processo foi julgado e extinto, sem julgamento do mérito. Se a ação em que ocorreu a anterior citação foi julgada extinta, a aludida citação não tem o condão de interromper o prazo prescricional (art. 175 do Código Civil). 2. Do mesmo modo, o fato de o antecessor dos recorrentes ter ingressado com ação possessória, em data de 20/08/1987, denunciando à lide o Município ora expropriante, não se verifica a interrupção do prazo de prescrição. 3. Se o direito de regresso objetivado na ação possessória não decorreu do apossamento administrativo praticado pelo Município, mas o reembolso da indenização que pagaram ao proprietário do imóvel lindeiro, nenhum ato processual válido e eficaz foi manejado visando à defesa do direito material sujeito à prescrição, qual seja, a área apossada pelo Município, objeto da lide. 4. “Se o procedimento adotado pelo titular do direito subjetivo denota, de modo inequívoco e efetivo, a cessação da inércia em relação ao seu exercício. Em outras palavras, se a ação proposta, de modo direto ou virtual, visa à defesa do direito material sujeito à prescrição” (RSTJ 51/140). “A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos” (Súmula nº 119/STJ). 5. Recurso não provido. (REsp 649.727/SP, Rel. MIN. JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28.09.2004, DJ 16.11.2004 p. 206)” (sublinhei na transcrição). Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2012 Alexandre Kern Fl. 252DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10923.000160/200602 Acórdão n.º 380302.351 S3TE03 Fl. 238 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10923.000160/200602 Interessada: INDÚSTRIA DE ISOLANTES TÉRMICOS CALORISOL LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.351, de 26 de janeiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 253DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907965/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/10/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de dezembro de 2005, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907965/200932 Acórdão n.º 3803003.028 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (26/12/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 11/01/2012, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907965/200932 Acórdão n.º 3803003.028 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de dezembro de 2005, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000135/2004-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1995
Ementa:
IRPF. PDV. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO
AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º
118, de 2005, aplica-se a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados antes desse termo inicial, o prazo aplicável é de dez anos, contado do pagamento indevido.
Recurso voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-001.855
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para superar a questão da decadência e determinar que a Unidade da Receita Federal de Origem examine o mérito, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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PDV. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º 118, de 2005, aplicase a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados antes desse termo inicial, o prazo aplicável é de dez anos, contado do pagamento indevido. Recurso voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para superar a questão da decadência e determinar que a Unidade da Receita Federal de Origem examine o mérito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 16/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Peço vênia para iniciar o presente com a transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “O contribuinte apresentou, em 28/02/2005, manifestação de inconformidade de fls. 25 a 31, discordando do Despacho Decisório de 02/02/2005 (fls. 18 a 22), proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/Marília — SP, que indeferiu os pedidos de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre verbas indenizatórias de cunho trabalhista – PDV, e de retificação de declaração de rendimentos apresentados as fls. 01/02. A decisão recorrida indeferiu o pedido sob o fundamento de que à data da protocolização do pedido (30/04/2004), já estava extinto o direito do contribuinte pleitear essa restituição, uma vez que já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, I do CTN, não havendo que se falar em retificação da declaração de ajuste anual. Cientificado da decisão em 21/02/2005 (vide AR a fl. 24), o contribuinte vem apresentar sua manifestação de inconformidade em 28/02/2005 (fls. 25 a 31), alegando que: o pedido de retificação da declaração do IRPF foi protocolado em 30/04/2004, em decorrência do contribuinte ter recebido rendimentos no valor de R$ 19.958,35 a título de indenização, proveniente de incentivo à adesão ao Programa de Desligamento Voluntário – a PDV, em data de 01/12/1994 e têlos oferecido à tributação na declaração de ajuste anual do exercício de 1995 entregue em 30/05/1995; o termo inicial da decadência prevista no art. 168, I e II do CTN não é a data em que ocorreu o fato gerador. A decadência relativa ao direito de pleitear a restituição e de constituir crédito tributário somente ocorre depois de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que se extinguiu o direito potestativo de o Estado rever e homologar o lançamento (CTN, art. 150, § 4°); inexistindo lei fixando prazo para a homologação do lançamento, considera se este efetuado depois de cinco anos do recolhimento do tributo. E só então extinto o crédito tributário correspondente; não havendo homologação expressa, temse de considerar que somente pelo decurso de cinco anos contados do pagamento antecipado, ocorre a homologação tácita e assim, dáse a extinção do crédito correspondente. Só a partir de então, começa a correr o prazo de decadência, extintivo do direito à restituição do indébito; sendo assim, o prazo extintivo do direito de restituição é de 10 (dez) anos. Cita jurisprudência; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13826.000135/200445 Acórdão n.º 2802001.855 S2TE02 Fl. 2 3 por fim, requer que seja reformado o Parecer Saort n.° 2005/024 e que seja deferido o pedido de retificação da declaração do IRPF do exercício 1995 cumulado com o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte incidente sobre verbas recebidas da exempregadora a título de "horas excedentes" vinculada à sua adesão ao PDV durante o anocalendário 1994, por se tratar de rendimentos não tributáveis.” A decisão recorrida, contudo, indeferiu a solicitação, concluindo que “extinguese em 5 (cinco) anos, contados da data da apresentação da declaração de rendimentos, o direito do contribuinte de pleitear a retificação da declaração de rendimentos, inclusive quanto ao valor dos bens e direitos declarados”. Às fls. 45 se vê o recurso voluntário, por meio do qual o interessado pede a reforma do acórdão recorrido e o deferimento da retificação da declaração em foco. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O que se discute, no mérito, é a conhecida questão atinente ao prazo para o contribuinte pedir restituição de imposto pago sobre valores integrantes de Programa de Demissão Voluntária (PDV). Sobre o tema – prazo para a repetição de indébito – tomo por empréstimo as bem lançadas considerações trazidas pelo ilustre Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso no acórdão prolatado por ocasião do julgamento do processo nº 10830.001740/200729: “Em se tratando da questão do prazo para solicitar a repetição de indébito, esta Turma Julgadora sobrestou diversos julgamentos em razão de o tema ter sido incluído no rol de matéria a que o Supremo Tribunal Federal – STF atribuiu a repercussão geral, tomando como paradigma o RE 566621/RS (que substituiu, como paradigma, o RE561908). Este Recurso Extraordinário teve o trânsito em julgado em 27/02/2012, portanto, não há mais impedimento ao prosseguimento de julgamento dessa matéria no âmbito do CARF. Vejamos a ementa do julgado. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O STF considerou que a LC 118/2005 ao se referir à aplicação retroativa estava reduzindo o prazo de restituição de 10 para 5 anos, pois o prazo de 10 anos correspondia a jurisprudência consolidada no STJ. Do voto da relatora Ministra Ellen Gracie extraise: “Inexistindo direito adquirido a regime jurídico, não há que se advogar, pois, o suposto direito de quem pagou indevidamente um tributo a poder buscar ressarcimento no prazo estabelecido pelo CTN por ocasião do indébito. Isso não quer dizer, contudo, que a redução de prazo possa retroagir para fulminar, de imediato, pretensões que ainda poderiam ser deduzidas no prazo vigente quando da modificação legislativa. Ou seja, não se pode, de modo algum, entender que o legislador pudesse determinar que pretensões já ajuizadas ou por ajuizar estejam submetidas, de imediato, ao prazo, sem qualquer regra de transição.” Fl. 68DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13826.000135/200445 Acórdão n.º 2802001.855 S2TE02 Fl. 3 5 (...) “o julgamento de preliminar de prescrição relativamente a ações já ajuizadas, tendo como referência novo prazo reduzido por lei posterior, sem qualquer regra de transição, atentaria, indiscutivelmente, contra, ao menos, dois destes conteúdos, quais sejam: a confiança no tráfego jurídico e o acesso à Justiça. Estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, temse de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal resta resguardado pela proteção à confiança. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, ...” Buscouse, então, definir o momento a partir do qual se aplicaria o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Foram apreciadas duas linhas de pensamento: a do acórdão do TRF da 4ª Região que aplicava a LC 118/2005 às ações ajuizadas após o período de vacacio legis da referida lei; e o entendimento da Primeira Seção do STJ, baseado na regra de transição do art. 2.028 do Código Civil, de modo que os indébitos anteriores à vigência da LC 118/2005 submetiamse ao prazo de 10 anos, limitado ao prazo máximo de cinco anos, a contar da vigência da nova lei. O STF sufragou o entendimento que aplica o prazo da LC 118/2005 às ações ajuizadas após a vacacio legis (120 dias), essencialmente por entender que o período de vacacio legis foi suficiente para que os contribuintes ajuizassem ações de repetição de indébito, destacando a existência de “significativa avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005” e que proteger o contribuinte que não ajuizou ação dentro desse prazo é proteger o contribuinte de sua própria inércia. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do STF em recurso julgado no rito do art. 543B do Código de Processo Civil é de observância obrigatório pelos membros do CARF.” O pedido em questão foi formulado em 30/04/2004, portanto bem antes de estar em vigor a Lei Complementar 118/2005 (09/06/2005), de forma que a aplicação do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal implica em não considerar extinto o direito de pleitear a restituição. Assim, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para que, superada a questão da decadência (que, como dito, não se verificou), seja o processo devolvido à Delegacia da Receita Federal de origem para exame de mérito. É o meu voto. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Brasília/DF, Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13826.000135/200445 Acórdão n.º 2802001.855 S2TE02 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13826.000135/200445 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.855. Brasília/DF, 16 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002682/2001-79
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ILL. DECADÊNCIA. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSA-BILIDADE LIMITADA. TERMO INICIAL - O termo de início do prazo para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL, no caso de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, é a data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 63, de 24/7/1997.
Decadência afastada.
Numero da decisão: 106-15.566
Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRF de origem para análise do pedido. nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: SUIELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO
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Recorrida : 8 TURMA/DRJ - RIO DE JANEIRO/RJ I Sessão de : 25 DE MAIO DE 2006 Acórdão n°. : 106-15.566 ILL. DECADÊNCIA. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSA- BILIDADE LIMITADA. TERMO INICIAL - O termo de inicio do prazo para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL, no caso de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n°63, de 24/7/1997. Decadência afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por GLOBEX ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRF de origem para análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. JOSÉ RIBA ARROS PENHA PRESIDENT . 7.0 , ?,(61E' NC(E/S DE BRITTO EL a 4/ / FORMALIZADO EM: '0 1 AGO 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GONÇALO BONET ALLAGE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES (Convocado), JOSÉ CARLOS DA MATA RIVITTI, ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. Ausente, justificadamente, o Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA. Fez sustentação oral pela Recorrente o Sr. Nivaldo de Oliveira - OAB/DF n° 553/A Suplementar. musA MINISTÉRIO DA FAZENDA :A PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA1~1 Processo n° : 13707.002682/2001-79 Acórdão n° : 106-15.566 Recurso n°. : 146.629 Recorrente : GLOBEX ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. RELATÓRIO GLOBEX ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, por seu representante legal apresenta recurso objetivando a reforma da decisão da 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, que indeferiu o pedido de restituição cumulado com compensação (fl. 1 a 10) de imposto de renda incidente sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 500,00 (fls.46 a 50), resumindo seu entendimento na seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA. ILL, O prazo decadencial para o contribuinte pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento Ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data de extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional (Ato Declaratório SRF n°96/1999). Segundo dispõe o art. 30 da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, para efeito de interpretação do inciso I dos art. 168, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Alega a recorrente, em resumo: - notoriamente, a jurisprudência, a doutrina e a legislação são mansas e pacificas no sentido de que o prazo de decadência ou de prescrição do direito de restituir ou compensar, no caso de declaração de inconstitucionalidade conta-se a partir da Resolução do Senado Federal, ou ato administrativo para suspender cobrança, -quando houver; - nesse aspecto, isso aconteceu com a Resolução n° 82, publicada em 19/11/1996; 2 -‘04 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA ":=;--Cnt* Processo n° : 13707.002682/2001-79 Acórdão n° : 106-15.566 - existe orientação firme e lógica, não somente do STJ, mas que igualmente já foi adotada no âmbito da própria autoridade administrativa suprema em matéria de interpretação e aplicação da legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, através do Parecer COSIT 58/98, no sentido de que nesses casos o prazo de 5 anos para restituir somente se conta da Resolução do Senado Federal ou então, a partir da declaração de inconstitucionalidade, desde que pelo controle direto, ou seja, através de ADIN; - este entendimento vem sendo acolhido m inúmeras decisões judiciais (AC n°749216, TRF r - Região, AC n°01000082100, TRF - i a Região); - mesmo posicionamento possui o Conselho de Contribuintes (Ac. 106- 12.521, Ac. 108-08.053, Ac. 106-13.943, Ac. 106-13.736, Ac. 105-13.843, Ac. 102- 44.886, Ac. 106-13.423, Ac.106-13.224, Ac. 106-13.114, Ac. 106-13.126); - causou estranheza a inclusão do disposto na LC n° 118/2005, precisamente em seu art. 3°, na decisão recorrida, haja vista ser público e notório o entendimento da matéria aqui debatida, como demonstra o recorrente, transcrevendo trechos de matérias publicadas na Gazeta Mercantil do dia 30 de maio de 2005 e no Valor Econômico de 29 de abril de 2005, além de decisões do Superior Tribunal de Justiça (Embargos de Divergência em REP n° 327.043— DF); - não se justifica a inclusão do disposto na LC n° 118/2005, haja vista a recorrente estar completamente respaldada pela legislação aplicável à época do pedido, já que a lei interpretativa deve ser tratada como lei nova, donde se conclui que sua vigência observará o previsto no artigo 4° da mesma, qual seja, 120 dias após sua aplicação. Por último, requere o provimento do recurso. É o Relatório. 20" 3 4; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .a.• SEXTA CÂMARA "z4,9t.}1 Processo n° : 13707.002682/2001-79 Acórdão n° : 106-15.566 VOTO Conselheira SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. A controvérsia, objeto do recurso, diz respeito, apenas, ao prazo para o exercício de pleitear restituição de imposto sobre lucro liquido fixado pelo artigo 35 da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988, declarado inconstitucional pelo o STF. O Senado Federal, por meio da Resolução n° 82 (DOU de 19/11/1996) suspendeu a execução da mencionada norma, no que diz respeito a expressão o acionista nela contida. Em 24/07/97, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 63 (DOU de 25/7/97) que no seu artigo 1° assim preceitua: Art. 1° Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica as demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado.(sem destaques no original) Desse modo, o inicio do prazo de cinco anos, para o sujeito passivo solicitar a restituição do indébito, não pode ser o previsto pelo inciso I do art. 168 da Lei ° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, por dois motivos, por primeiro, porque na época do pagamento do imposto era incabível qualquer pedido de restituição, por segundo, inaplicável é uma regra que determine como termo inicial da contagem do prazo, para o exercício de um direito, uma data anterior à aquisição do mesmo. 4 n,,,'” MINISTÉRIO DA FAZENDA V2,7..--*Ak- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 13707.002682/2001-79 Acórdão n° : 106-15.566 Na espécie discutida, o contribuinte somente adquiriu o direito de requerer a devolução do imposto, no momento que ele foi considerado indevido pelo ato normativo da SRF. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, que é a responsável pela uniformização da jurisprudência administrativa a nivel federal, apreciou a matéria na sessão de 19/3/2001, Acórdão CSRF/01-03.239, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: - da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; - da Resolução do Senado que confere efeito 'erga omnes' à decisão proferida 'inter partes em processo que reconhece inconstitucionali- dade de tributo; - da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.(sem destaques no original) Assim, o prazo de cinco anos teve inicio em 25/7/1997, razão pela qual o pedido de restituição/compensação é tempestivo e merece ser analisado pela autoridade competente. Dessa forma, voto por afastar os efeitos da decadência e, para evitar supressão de instância, devolver os autos para a autoridade preparadora apreciar o mérito. Sala daaras - -;es - DF, em 25 de maio de 2006. •• `, D BRITTO I 5 Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001798/96-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 303-00.795
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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DRJIBELO HORIZONTE/MG R E S O L U ç Ã O N° 303-0.795 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. -~~~-I I :. .' RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 04 de julho de 2001 'ê 1 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI, PAULO DE ASSIS, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO DE BARROS e MARIA EUNICE BORJA GONDIM TEIXEIRA (Suplente). Ausentes os Conselheiros ZENALDO LOIBMAN e MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. tIne '. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 121.740 303-0.795 FAZENDA PIRAPITINGA DO CAMPO LTDA. DRJIBELO HORIZONTEIMG JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO • • •• Notificada a pagar os valores constantes da Notificação de Lançamento de fls. 86 incidentes sobre o imóvel Fazenda Pirapitinga, localizada no Município de CANAPOLISIMG, inscrita na SRF Sob o número 2544113.2. Valor da Terra Nua declarado, 33.379.001,18 e tributado, 25.972.846,84 UFIR, e o ITR calculado em 467.507,64 UFIR. Constam ainda os valores relativos a multa por atraso na entrega da declaração e contribuições CONTAG, CNA e SENAR. Havendo o contribuinte discordado da exigência, a autoridade singular acolheu em parte as razões de impugnação. Consta da fundamentação: "O ITR é calculado tomando-se por base o Valor da Terra Nua - VTN declarado e aceito, multiplicado pela alíquota correspondente ao percentual de utilização efetiva da área aproveitável do imóvel, considerando-se o tamanho da propriedade e as desigualdades regionais, conforme artigo 5°, da Lei 8.847/94. O VTN declarado pelo contribuinte foi de 33.379.001,16 UFIR que diminuído do valor da área de 4.738,5 hectares declarada como isenta do imposto, chegou-se ao VTN de 25.972.646,84 UFIR que serviu de base para o lançamento do ITR. O contribuinte discorda do valor constante da notificação do imposto, requerendo como VTN tributado R$ 800,00 por hectare, o que resultaria em R$ 17.084.400,00 para toda propriedade, conforme também atesta a declaração emitida pela EMATERlMG à folha 98. Já a Prefeitura Municipal de Canápolis-MG forneceu declaração à folha 97, atestando que a média dos valores de comercialização de imóvel rural, para fins de avaliações para recolhimento do ITBI foi de R$ 850,00 por hectare, nos anos de 1.992, 1993 e 1994. É certo que o Valor da Terra Nua - VTN poderá ser revisto por força do artigo 8°, da Lei nO8.847/94 que assim dispõe: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.740 303-0.795 • • • "A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte". Entretanto, é fundamental que o laudo técnico de avaliação indique, de forma específica, os dados relativos ao imóvel avaliado, devendo ser efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro florestal), devidamente habilitado ou pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais ou ainda pela EMATER, em conformidade com as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799); e acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no CREA (ART dispensada no caso de avaliações efetuadas por órgãos oficiais). A avaliação deve reportar-se a 31 de dezembro do exercício anterior ao lançamento com a demonstração do cálculo do valor da terra nua, nas condições estabelecidas no "Quadro de Cálculo do Valor da Terra Nua da DITR", demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, conforme preceitua a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT n° 02, de 08 de fevereiro de 1996. As declarações juntadas ao processo não se acham, portanto, revestidas das formalidades e exigências técnicas mínimas acima citadas, principalmente quanto ao item 7 da NBR 8799 de fevereiro/85 . O documento emitido pela Prefeitura Municipal de Canápolis/MG limita-se a informar a média de valores de comercialização de imóveis rurais, com terras de la, 2a e 3a , nos anos de 1.992, 1.993 e 1.994, para fins de lançamento do ITBI, indicando os valores em Reais em época em que a moeda ainda nem existia. Já a declaração emitida pela EMATER-MG, datada de 22 de fevereiro de 1996, indica o valor da terra nua no Município de Canápolis-MG, conforme comercialização média do mercado, em negócios havidos nos últimos 90 dias. É importante observar que nenhum dos documentos apresentados contém a avaliação do imóvel objeto do lançamento, limitando-se a indicar de forma genérica, o valor de comercialização média das 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.740 303-0.795 • • • terras em Canápolis-MG, sem atentar para o fato de que a autoridade competente para estabelecer VTN mínimo para o Município é o Secretário da Receita Federal conforme prevê o art. 3°, ~ 2°, da Lei nO8.847/94". Reconheceu, entretanto, à vista dos Contratos de Arrendamentos Rurais (fls. 14/74) e da cópia da DP (fls. 76/80) bem como do Laudo Técnico (fls. 1071108) haver uma nova distribuição e utilização da área do imóvel, razão pela qual era devida a alteração dos campos 04, 05, 08 e 09 do processamento da DITR de fls. 113/114. Desta modo, comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento do formulário da declaração de informação, determinou fosse alterada a distribuição da área do imóvel. Foi elaborada nova Notificação de Lançamento de fls. 123, segundo a qual o ITR exigido passou a ser R$ 104.256,86, a que se somam a multa por atraso na entrega da declaração e as contribuições à CONTAG e à CNA. Inconformada, a contribuinte, deu entrada a seu recurso para a Segunda Instância administrativa. Mantém o ponto de vista de que o VTN adotado no cálculo do ITR está incorreto na nova Notificação como já estava na Primeira; verifica que o valor sofreu profunda alteração para 1.994, dado que em 1992, o valor foi de CR$ 8.000,00 ou R$ 457,14; em 1996 foi de R$ 453,00 ao passo que em 1.994, o mesmo valor foi de R$ 1.084,90. Não existiu no país fenômeno algum que provocasse índices superiores a 100% como no caso em espécie. Assim, mesmo faltando laudo técnico, forçoso é concluir que houve erro grosseiro quando se fixou o VTN para os exercícios de 1.994 e 1.995. Mesmo reconhecendo a desnecessidade de apresentar laudo técnico, vem a recorrente juntar aos autos um laudo técnico comprovando o alegado. Insurge-se ainda contra a multa de mora e os juros que entende indevidos. À fl. 132, consta cópia do DARF correspondente ao depósito recursal. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.740 303-0.795 VOTO • • O Laudo denominado Relatório de Avaliação Patrimonial encontra- se às folhas 133/152, acompanhado de Anexos (fls. 153/205) está a exigir exame detalhado que possa concluir sobre sua prestabilidade ou não para o propósito buscado pelo recorrente. O documento foi juntado somente na fase de recurso, não havendo, po'lconseguinte, transitado pela Primeira Instância. Para que se não cometa supressão de instância mesmo que sob a exclusiva responsabilidade da contribuinte, entendo que se deva dar oportunidade de ter seu arrazoado ali examinado. Voto, portanto, para converter o julgamento em diligência para a repartição fiscal de origem para que a autoridade administrativa de primeiro grau determine a análise do documento, sob o ângulo da NBR 8799 da ABNT e à vista da legislação do ITR. Pede-se seja informado em detalhes quanto ao cumprimento dos pressupostos de sua aceitação como prova em favor da contribuinte. Sala das Sessões, em 04 de julho de 2001 JO~ COSTA - Relator 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10980.914103/2009-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO
DECLARANTE.
É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido.
Assunto: Normas de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 3803-003.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratandose de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0633.739, de 14 de setembro de 2011, da DRJCuritiba/PR, fls. s/nº, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 20875.85814.300306.1.3.04-8502, fl. 05 a 10, em 30/03/2006, por meio da qual compensou débitos de IRPJ e CSLL do 1º Trim/2006. Na DComp foi utilizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 15.625,01, relativo à Cofins do mês de julho/2004, do total recolhido de R$ 32.311,99. A DRFCuritiba, não homologou a compensação, por meio do despacho decisório de 11/05/2009, fl. 01, fundada no fato de que o DARF discriminado na DComp fora integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de julho de 2004, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito indicado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 11 a 16, em que alegou que: a) dentre as atividades desenvolvidas, realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros e, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; b) os armadores estrangeiros são representados no território nacional por empresas brasileiras. Os pagamentos efetuados a estes representantes são suportados pelo primeiro, conforme a legislação brasileira, que remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; c) as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 exigem somente duas condições para a não incidência das contribuições: que o tomador, pessoa física ou jurídica, esteja domiciliado no exterior, e que o pagamento seja realizado em moeda conversível; d) os serviços prestados para armadores estrangeiros atendem a estas duas condições, embora o serviço seja executado totalmente em território brasileiro e aqui seja verificado o seu resultado, uma vez que o tomador está domiciliado no exterior e sua contraprestação acarreta a entrada de divisas; e) os representantes são meros repassadores de recursos do exterior, atuando em nome dos armadores, por imposição das leis brasileiras, e que esta intermediação não é suficiente para descaracterizar a não incidência das contribuições, uma vez que toda atividade exercida pela empresa é desenvolvida exclusivamente para uma empresa estrangeira; f) existe um nexo causal entre o pagamento que representa a entrada de divisas e a prestação de serviços à pessoa estrangeira, e que este nexo é evidenciado pela legislação do Bacen, a qual autoriza esse tipo de transação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914103/200962 Acórdão n.º 3803003.239 S3TE03 Fl. 2 3 g) preenche todos os requisitos para fazer jus ao benefício e relatou que ingressara com o pedido de restituição e compensação dos valores não prescritos. Indicou o valor do faturamento com a prestação de serviços ao armador estrangeiro, o valor da contribuição que entende ter pago indevidamente e a correção do indébito até a data da apresentação da DComp. h) ressaltou que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade que desenvolve à desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais e que as disponibilizará para conferência no momento em que forem requisitadas. Com esses argumentos a interessada requereu o acolhimento da manifestação de inconformidade, o cancelamento do procedimento administrativo adotado pela DRF/Curitiba e a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide, a DRJCuritiba destacou que a compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo tenha um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Sob essa premissa legal, sustentou que a Contribuinte não trouxe ao processo qualquer prova material ou documental para amparar sua principal alegação de direito ao crédito decorrente da não incidência da contribuição sobre as receitas de prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme exigida pelo art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 333, do Código de Processo Civil. Aduziu que a manifestante fez juntar ao processo um simples demonstrativo de apuração do crédito, o qual traz a indicação das notas fiscais relativas aos serviços prestados, tendose colocado à disposição para a sua apresentação posterior. Cientificada da decisão em 15 de dezembro de 2011, irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário em 09 de janeiro de 2012, em que repisa os mesmos termos da manifestação de inconformidade e anexa cópias dos contratos anuais de prestação de serviço de agenciamento marítimo, firmados com o armador estrangeiro, P&O Nedlloyd. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A suma dos argumentos da Recorrente é que o pagamento da COFINS utilizado como crédito na DComp sob análise foi calculado sobre receitas de prestação de serviços para pessoa jurídica localizada no exterior, representativa ingresso de divisas, não sujeitas à incidência das contribuições, a teor do do art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, verbis: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A razão de decidir da DRJ/Curitiba resumese na falta de comprovação do alegado pela manifestante. Com efeito, a Interessada não respaldou a defesa com documentação contábil e fiscal, únicos elementos autorizados legalmente para aferição de bases de cálculo, para identificação das receitas, de sorte a, no caso, viabilizar a verificação de não incidência da contribuição sobre a exclusiva receita de prestação de serviços ao armador estrangeiro que a Interessada representa no Brasil. A decisão recorrida observou: “a contribuinte [...] juntou ao processo, desacompanhado de documentação contábil e fiscal comprobatória, um simples demonstrativo de apuração do crédito”. No recurso voluntário, reitero, a declarante replica o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade, e nele agrega o mesmo demonstrativo do crédito utilizado na DComp, em que apresenta a receita auferida do armador estrangeiro e o valor do pagamento indevido da contribuição. Informou a Defendente, em ambas as instâncias, que “dentre as atividades desenvolvidas realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros”. Suas atividades estão descritas no objeto social, constante da cláusula terceira do contrato social consolidado, fl. 24, anexo ao recurso voluntário, ipsis litteris: Agência Marítima, Entidade Estivadora, Operadora Portuária, Agenciamento de navios, Representações Comerciais, Comissária de Despachos Aduaneiros, Prestação de Serviços e Assessoria Técnica em cargas e encomendas e Participações Societárias em outras empresas. Como representante do armador, esta pessoa jurídica, além de angariar cargas para a sua Contratante, executa todos os procedimentos que têm pertinência com o movimento dessas cargas, inclusive quanto à contratação de transporte rodoviário e serviços de armazéns, segundo os termos do contrato de prestação de serviços firmado com a P&O Nedlloyd. Para fazer frente ao cumprimento do contrato, a Agência Marítima Transatlântica movimenta duas contas bancárias. A primeira, para controle do custeio da atividade da Contratante, P&O Nedlloyd, intermediada pela Contratada. A segunda, para as remessas de receitas da Contratante. Os registros contábeis, notadamente contas a pagar, contas a receber e caixa, são feitos separadamente dos da Contratada, de modo que a posição financeira líquida da Contratante possa ser estabelecida a qualquer tempo, consoante cláusula do contrato. Dos termos avençados no contrato deflui a preponderante característica da Agência Marítima Transatlântica como repassadora de recursos financeiros da P&O Nedlloyd para cobertura dos custos e despesas desta nas operações relativas aos fretamentos, serviços de intermediação pelos quais, podese ter como certo, aufere suas próprias receitas representantes de ingressos de divisas. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914103/200962 Acórdão n.º 3803003.239 S3TE03 Fl. 3 5 Contudo, não se perca de vista o leque de atividades previsto no objeto social da Agência Marítima Transatlântica Ltda., a indicar a possibilidade da existência de outras relações de negócios, além da que estabelece com a P&O Nedlloyd, sujeitas à incidência da contribuição, como o prova o débito que a Interessada reconhece como efetivo em cada período de apuração. Dessas observações acima registradas, ressalta a insuficiência do único elemento que a Defendente trouxe na manifestação de inconformidade, vale dizer, o demonstrativo espelhado acima, para demonstrar a propriedade e a medida das receitas de prestação de serviços desta Contratada exclusivamente decorrente do contrato em foco. Mesmo indicado na decisão recorrida que os elementos de prova consubstanciavamse na escrita ou documentação contábil e fiscal, a Recorrente não suprimiu esta lacuna no recurso voluntário, limitandose a anexar cópias dos contratos de prestação de serviços à P&O Nedlloyd, ineptos para aferição dos valores controversos e, portanto, para ateste da verossimilhança das alegações. Assim, nada a reparar na decisão recorrida, que a mantenho por seus próprios fundamentos, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e a art. 333 do CPC1, segundo os quais é ônus da Defendente carrear aos autos a prova de sua alegação de ser detentora de crédito perante a RFB, não cabendo a este Órgão provêla em substituição àquela, mediante diligência, coligindo os elementos de sua escrita contábil e fiscal, que são de privativo conhecimento da Interessada e se encontram sob seu estrito controle. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 18 de julho 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10980.914103/200962 Interessada: AGENCIA MARÍTIMA TRANSATLÂNTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.239, de 18 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 18 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13710.001156/2002-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES — AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA
A lei do Simples federal prevê, como impedimento ao referido regime, a existência de débito inscrito na dívida ativa da União cuja exigibilidade não esteja suspensa. Essa preceituação deve ser interpretada com a devida razoabilidade, no que pertine ao momento e ao decurso temporal em que se projeta a materialidade impeditiva.
Emerge dos autos que a dívida que justificara a exclusão do Simples federal se encontrava com sua exigibilidade suspensa ao tempo da comunicação do ato de exclusão do regime, bem como ao tempo da apreciação da SRS (Solicitação de Revisão de Exclusão cio Simples) Isso, seja por força do efeito suspensivo da execução, em face da oposição de embargos à execução,
seja pela garantia de juizo (penhora) existente.
Injustificável a exclusão do Simples federal.
Numero da decisão: 1103-000.174
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCOS TAKATA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES — AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA A lei do Simples federal prevê, como impedimento ao referido regime, a existência de débito inscrito na dívida ativa da União cuja exigibilidade não esteja suspensa. Essa preceituação deve ser interpretada com a devida razoabilidade, no que pertine ao momento e ao decurso temporal em que se projeta a materialidade impeditiva. Emerge dos autos que a dívida que justificara a exclusão do Simples federal se encontrava com sua exigibilidade suspensa ao tempo da comunicação do ato de exclusão do regime, bem como ao tempo da apreciação da SRS (Solicitação de Revisão de Exclusão cio Simples) Isso, seja por força do efeito suspensivo da execução, em face da oposição de embargos à execução, seja pela garantia de juizo (penhora) existente. Injustificável a exclusão do Simples federal.
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Recorrida 3" TURMA DA DRI/RIO DE JANEIRO Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES — AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA A lei do Simples federal prevê, como impedimento ao referido regime, a existência de débito inscrito na dívida ativa da União cuja exigibilidade não esteja suspensa. Essa preceituação deve ser interpretada com a devida razoabilidade, no que pertine ao momento e ao decurso temporal em que se projeta a materialidade impeditiva. Emerge dos autos que a dívida que justificara a exclusão do Simples federal se encontrava com sua exigibilidade suspensa ao tempo da comunicação do ato de exclusão do regime, bem como ao tempo da apreciação da SRS (Solicitação de Revisão de Exclusão cio Simples) Isso, seja por força do efeito suspensivo da execução, em face da oposição de embargos à execução, seja pela garantia de juizo (penhora) existente. Injustificável a exclusão do Simples federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos tem )s do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • ALOY 10 É PERn O DA SILVA - Presidente 1\711(1-- .05/TAKATA Relator Processo n" 13710.001156/2002-13 S1-CIT3 Adira() n " 1103-00..174 FE. 2 7 J 901n Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nieolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Ausente justificadamente o Conselheiro Hugo Correia Sotero. Processo n'' 13710.001156/2002-13 S1-C113 Acórdilo n " 1103-00174 Fl 3 Relatório DO PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES A recorrente foi excluída do SIMPLES a partir de 1"/11/2000, sob alegação de existência dos débitos indicados em seu nome, inscritos em dívida ativa da União pela PGFN. Os débitos são os apontados no documento de fl. 29 que foi remetido ao contribuinte, anexo ao comunicado de fl. 28, e juntado aos autos pela recorrente, que assim foi indicado: Processo de Inscrição N" de Inscrição Receita Valor 12853.002125/93-98 7069906588-7 5382 219,89 10768.231771/97-34 7029700963-2 3551 10.985,28 A pedido da administração, a recorrente apresentou cópia do comunicado de exclusão acompanhado do demonstrativo de débito, (fls. 28 a 29), editados em 03/11/2000, referentes ao ADE de exclusão n" 294..549, de 29/09/2000, conforme registro de extrato SIVEX (fi, .36), Consta no mesmo extrato que houve suspensão da exclusão por apresentação da Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) n" 07107294549, em 14/09/2000 (conforme despacho de fl. 33), a qual resultou indeferida depois de informação da PGFN, que se deu em 20/09/2001.. Não se informa em qual data foi dada ciência à recorrente do indeferimento da SRS, mas há registro no SIVEX (fl. 37) de que foi procedida à exclusão da recorrente do Simples da base CNN com efeitos a partir de 1"/11/2000. A repartição de origem confirma que não sabe informar a data da ciência do indeferimento da SRS e nem possui informação acerca do AR supostamente enviado para ciência da recorrente, razões pelas quais propõe que seja a impugnação protocolada em 27/03/2002 considerada tempestiva e encaminhada à apreciação da DRI competente. A SRS apresentada foi indeferida em 10/12/2001 sob a justificativa de que o interessado não apresentou Certidão Negativa da PGFN (fls. 4 e 5). DA IMPUGNAÇÃO Em impugnação apresentada (fls. 1 a .3), devidamente dentro do prazo, alude que: a) Foi impossibilitada de obter a Certidão Negativa da PGFN em face da existência de discussão judicial em curso perante a 12" Vara Federal de Execuções Fiscais/RI, processo 98,0054153-5. Houve suspensão da exigibilidade da dívida fiscal decorrente da oposição de embargos à execução; b) Entretanto, alega que a PGFN se nega a fornecer a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa sob o falacioso argumento de que para tanto já deveria haver decisão quanto 3 Processo ri° 13710 001156/2002-13 SI-C113 Acórdão r" 1103-00.174 Fl 4 aos embargos ajuizados, contrariando assim a jurisprudência do C, STJ, conforme acórdão anexo (fls. 13 a 19); c) Por fim, pede a reforma da decisão na SRS, para se manter a recorrente no SIMPLES. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Na DRJ foram proferidos os despachos (lis. 25 a 32) para complemento da instrução dos autos, Na 3" Turma da DRJ/Rio de Janeiro foram providenciadas as consultas aos sistemas SIVEX/SRE — Sistema de vedações/ exclusões ao SIMPLES (fls. 34 a 42), CNN/SM'. (lis, 43 a 52), SIDA/PFN (lis. 53 a 60), PAES/PGFN (lis. 61 a 65) e InternetIPGFN (lis. 66 e 67). Acostadas, ainda, as consultas à Justiça Federal de primeira instância (fls., 68 a 86) e de segunda instância (fl. 87 a 91). A 3" Turma da DR.T/Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, acordou indeferir a solicitação, mantendo a exclusão da empresa do SIMPLES, conforme consta às lis, 92 a 98. Os principais fundamentos da decisão foram: a) De plano, observa-se que foi emitido o ADE de exclusão por decorrência de comunicação da PGFN quanto à existência de débito inscrito em divida ativa da União (DA) sem que sua exigibilidade estivesse suspensa, Uma vez inscrita a divida, somente a PGFN tem competência para rever a pendência, cancelando-a quando for o caso e atestando a regularidade da empresa; b) O demonstrativo da fl. 29 aponta como causas da exclusão duas inscrições na DA, uma de R$ 219,89 e outra de R$ 10.985,28; c) A primeira indicada foi extinta por pagamento em 26/10/2000 (fis. 53 a 56), conforme sistema SIDA/PGEN, isto é, antes mesmo da análise da SRS e da data de expedição do Comunicado de fl. 28. Por conseguinte, essa dívida não pode dar causa à exclusão do Simples. Quanto à outra dívida, de R$ 10.985,28, continua ativa, porém, com o ajuizamento suspenso em virtude da adesão da recorrente ao Programa de Parcelamento — PAES; d) Quanto ao ajuizamento, a recorrente argumenta que obtivera por meio de embargos à execução a suspensão da exigibilidade da dívida inscrita; e) Sem a apresentação de CND da MEN, as alegações de inexistência de débito, ou de suspensão de sua exigibilidade não prosperam. E, por fim, a alegação de suspensão de exigibilidade em razão de medida judicial não merece ser acolhida porque tal decisão remete a suspensão à regularidade do parcelamento que não foi atestada; Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou o recurso voluntário (lis. 101 a 103), 110 qual se reiteram os argumentos da peça inicial e se argui em síntese: Nocesso n 13710 00115612002-13 S I-C I T3 Acórdão n " 1103-00.174 Fl 5 a) É relevante notar que desde o protocolo de pedido de SRS a PGFN se recusa a fornecer ao contribuinte a devida Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, sob o argumento falacioso de que para tal emissão deveria existir decisão nos Embargos à Execução; b) A negativa se dá na contramão da jurisprudência do ST,J e ao determinado no art. 206 do CTN, infringindo os mais comezinhos princípios do bom direito e ferindo de morte os direitos elementares clo contribuinte; c) Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a certidão positiva com efeitos de negativa não pode ser obtida via internet, conforme comprova documento anexo (fl, 10 e fi. 104). Frisa que, quanto ao processo 98.0054153-5, até a presente data não foi proferida nenhuma decisão final sobre o litígio, DA DILIGÊNCIA Em 17/08/2007, sob a Resolução 303-01,342, os Conselheiros da .3" Câmara do antigo .3° Conselho de Contribuintes resolveram converter o julgamento em diligência, por ainda reputarem obscuras as informações até ali prestadas, para a repartição de origem providenciar junto à PFN esclarecimentos sobre: a) A situação do parcelamento no programa PAES concedido à recorrente em 31/07/2003 e se encerrado, em que condições se deu o encerramento. b) O porquê não foi concedida a certidão positiva com efeitos de negativa em que a recorrente solicitou em novembro/2000, época esta do pedido da revisão da exclusão via SRS. c) Por fim, se a recorrente ofereceu, no IV de inscrição 70,2.9.009632-23, bens à penhora em valor suficiente para garantir a execução, e, em caso positivo, se foram executados tais bens. A PEN, em .30/10/2008, em resposta às indagações formuladas pelos Membros da 3" Câmara do antigo 3° Conselho de Contribuintes, informa que não foi localizado qualquer pedido de certidão advindo da recorrente (fl. 122), aproveitando ainda para acentuar que a certidão não lhe foi negada, e tão somente que as informações disponíveis eram insuficientes para a emissão da certidão por meio da intemet, A DRF de origem indica que os bens penhorados não foram executados. Por fim, observa que em nenhum momento a recorrente comprovou a negativa de certidão conforme o senhor Procurador-Chefe da Fazenda Nacional/RJ., É o relatório. (1\ 5 Processo n" 13710.001156/2002-13 S I-C1T3 Acórdão n° 1103-00.174 FI 6 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA, Relator Corno acentuado no relatório, o presente feito havia sido baixado em diligência, pela 3" Câmara do 3° Conselho de Contribuintes. Com a criação e instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a competência para julgamento da matéria foi deslocada para a 1" Seção de Julgamento, recaindo para esta Turma da 1" Câmara da 1" Seção de Julgamento do CARF a apreciação do feito. Outrossim, após o relatório de diligência, os autos do presente processo me foram distribuídos corno novo relator. A questão controvertida se fixa na suspensão ou não de exigibilidade de débito inscrito em dívida ativa da União, ao tempo em que fora aperfeiçoado o ato de exclusão do Simples, e se a suspensão de exigibilidade deve se dar a esse tempo para interditar a exclusão do Simples. Corno se viu, a expedição do Ato .Declaratório de Exclusão do Simples se fundou na hipótese impeditiva de opção ao regime do art. 9", XV, da Lei 9,317/96, com a aplicação do art, 15, II, da mesma lei. A dicção do art. 9', XV, da Lei 9317/96 não sofreu alteração ao longo do tempo: Ari, 9". Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa luridica• XV - que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa, O mesmo não se pode dizer quanto ao art. 15, II, da mesma lei, o qual foi marcado por inúmeras alterações. As dívidas que constituíram o suporte tático para a aplicação do art. 9", XV, da Lei 9..317/96 se limitam às infradescritas. Processo de Inscrição Número da inscrição Receita Valor 12853.002115/93-98 7069906588-7 5382 219,89 10768.231771/97-34 7029700963-2 3551 10.985,28 Tenho para mim que o preceito legal em questão merece ser interpretado com razoabilidade. O juizo de razoabilidade pertine ao momento e decurso temporal em que a materialidade do art. 9", XV, da Lei 9..317/96 se projetam. Por ex., bastaria a dívida inscrita se encontrar um ou dois dias sem suspensão de exigibilidade para que se concretize° pressuposto de fato para exclusão do Simples federal? 1 6 Processo o" 13710 001156/2002-13 SI-C1T3 Acórdão o." 1103-00174 Fl. 7 Assim não me parece. Deve-se levar em conta, no âmbito desse juizo, eventual prazo processual para suspensão de exigibilidade: caso de embargos à execução, antes do início da vigência do art. 739-A do Código de Processo Civil (CPC) acrescido pela Lei 11..382/06 - admitido que este preceito se aplique à execução fiscal. Também, devem-se considerar as dificuldades concretas que muitas vezes o contribuinte se depara no intento de se obter a comprovação da suspensão de exigibilidade.. Aliás, o art. 11 da Lei 10.925/04 parece sinalizar esse sentido, quando dispõe em seu capa": Art. 11. A pessoa jurídica que tenha débitos inscritos em Dívida Ativa da União com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não será excluída do SIMPLES durante o transcurso do prazo para requerer o parcelamento a que se refere o art. 10 desta Lei, salvo se incorrer em pelo menos unia das outras situações excludentes constantes do art. 9" da Lei n" 9317, de 5 de dezembro de 1996 Não estou com isso dizendo que o preceito ora citado é aplicável analogicamente ao art. 90, XV, da Lei 9.317/96, mas, sim, que aquele é outro elemento normativo do sistema que sinaliza ou indica o sentido da razoabilidade a que me referi. Postas essas considerações, entendo que é bastante para afastar a aplicação da norma legal em . jogo a suspensão de exigibilidade da dívida inscrita da União ao tempo do aperfeiçoamento do Ato Decla. ratório de Exclusão do Simples, ou mesmo ao tempo da apreciação da Solicitação de Revisão de Vedação/Opção ao Simples (SRS), Outrossim, reputo preciso e correto o acórdão a cilia ao dizer que uma das duas dívidas que justificaram a exclusão (a de R$ 219,89), tendo sido extinta em 26/10/00 (fls. 53 a 56), portanto, antes da análise da SRS e do próprio Comunicado do ato excludente do Simples, não poderia ela ter dado causa à exclusão (fl, 95). Com relação à outra das dívidas suporte para a exclusão, observo o seguinte.. Compulsando os autos, vejo que em 17/10/00 consta a suspensão do processo de execução (ti, 69). Ainda, como acentuado em despacho proferido pelo juiz do feito dos embargos, de março de 2003, o efeito suspensivo da execução, em face da oposição de embargos, decorre de lei, independendo de certidão (ff 75). E os embargos à execução já haviam sido opostos em 26/03/99. Ainda que a ação de embargos tenha sido sentenciada à extinção sem julgamento de mérito, com esteio no art. 267, VI, do CPC (DOU de 17/06/04) - fl. 71, e a apelação tenha sido recebida somente no efeito devolutivo - fi. 70, importa é que ao tempo da apreciação da SRS (indeferida em 10/12/01) e mesmo do aperfeiçoamento do Ato de Declaratório de Exclusão n" 294549 (Comunicado de 3/11/00), a dívida em comentário se encontrava com sua exigibilidade suspensa, por força dos embargos opostos. Mais. Do relatório da diligência, vê-se claramente que os embargos à execução foram oposto com garantia de juizo (o que justifica a assertiva do despacho do juiz do feito de que a suspensão decorre de lei em face dos embargos), pois é dito que não houve execução dos bens penhorados (fl. 120, verso). Ou seja, é dito que os bens foram penhorados, ‘,1k Processo n" 13710 001156/2002-13 St-C1T3 Acórdito n " 1103-00,17 41 F1 8 não havendo se dado sua execução. E bem se sabe que a garantia cio juízo suspende a exigibilidade da dívida. Por essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de abril de 2010 cds TAKATA
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Numero do processo: 11543.000759/2001-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: ITR/1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
É suficiente para fim de isenção do ITR a simples declaração relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal no seu imóvel rural, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto - ITR e seus consectários legais em caso de falsidade. (Art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº 2.166.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 303-31.543
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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ementa_s : ITR/1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL. É suficiente para fim de isenção do ITR a simples declaração relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal no seu imóvel rural, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto - ITR e seus consectários legais em caso de falsidade. (Art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº 2.166. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T15:24:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T15:24:11Z; Last-Modified: 2009-08-07T15:24:11Z; dcterms:modified: 2009-08-07T15:24:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T15:24:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T15:24:11Z; meta:save-date: 2009-08-07T15:24:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T15:24:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T15:24:11Z; created: 2009-08-07T15:24:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-07T15:24:11Z; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T15:24:11Z | Conteúdo => 1 % MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N' : 11543.000759/2001-61 SESSÃO DE : 10 de agosto de 2004 ACÓRDÃO N° : 303-31.543 RECURSO N° : 126.735 RECORRENTE : ARACRUZ CELULOSE S/A. RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE ITR/1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL. É suficiente para fim de isenção do ITR a simples declaração relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal no seu imóvel rural, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto - ITR e seus consectários legais em caso de falsidade. (Art. 10, parágrafo 7°, da Lei n°9.393/96, modificado pela Medida Provisória n°2.166. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 10 de agosto de 2004 • JOÃO HA COSTA President e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e DAVI EVANGELISTA (Suplente). Esteve Presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BARBOSA. MA/3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.735 ACÓRDÃO N° : 303-31.543 RECORRENTE : ARACRUZ CELULOSE S/A. RECORRIDA : DRERECIFE/PE RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO Este processo retorna de diligência encaminhada à repartição fiscal de origem, MU em Recife/PE, com a Resolução n° 303-00.877, de 13/03/2003, para que se dignasse adotar as providências de sua alçada com vistas ao cumprimento da 111 exigência relacionada à prestação de garantia de instância por parte da empresa recorrente. A diligência foi cumprida, sendo juntados os documentos de fls. 90/91, relativos ao arrolamento de bens e mais uma Procuração que nomeia bastantes procuradores e cópia da identificação de uma das ilustres advogadas que estão relacionadas na referida Procuração, e que firmou aqueles documentos. Transcrevo o relatório integrante da Resolução de diligência Em auto de infração, lavrado em 13.062001, foi exigido do contribuinte o pagamento do imposto territorial rural exercício 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado Bloco 13 — AR, pertencente à empresa Aracruz Celulose S/A, Município de Aracruz/ES, registrado na SRF sob o número 4612072.6, com área total de 3.315,5 ha. O auto de infração objetivou a glosa de uma • área de 652,7 hectares declarados como de reserva legal, pelo fato de que: a) conquanto o Ato Declaratório Ambiental seja emitido em data de 21 de setembro de 1998, e assim dentro do prazo previsto no art. 3° da IN-SRF n° 56/98 comprovando a regularização da área de preservação permanente de 584,4 ha, no entanto, a área de resena legal de 652,7 ha não esta regularizada. Consta que o IDAF do ES deram um prazo mínimo de um ano para a averbação e o IBAMA que é o órgão competente para adiar tal averbação da área, não existindo convênio firmado com o IDAF neste sentido. Finalmente foi verificado que os documentos apresentados haviam sido emitidos em fev/99 quando a IN-SRF dispõe que o prazo da empresa é de seis meses, contados da entrega da declaração do ITR, para protocolizar o requerimento do ADA junto ao IBAMA, sendo pré-requisito da obtenção do ADA a averbação da reserva legal no registro de imóveis (inciso I, do parágrafo 4° do art. 10 da IN-SRF 43/97) e a averbação deve ser anterior à data do fato 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.735 ACÓRDÃO N' : 303-31.543 gerador do ITR (inciso II do parágrafo 4° do art. 10 da IN-SRF 43:97. Na impugnação, a empresa faz as seguintes considerações: a) Pelo Pacto Federativo de Gestão Descentralizada da Política ambiental e florestal, celebrado em 24.02.2000, entre MANIA, o Estado do Espirito Santo, Secretaria de Estado para Assuntos de Meio ambiente, Secretaria de Estado da Agricultura e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espirito Santo — IDAF, este último órgão tem competência concorrente para legislar sobre atividades florestais e portanto pode através de condicionantes inseridas nas • Licenças de Operação, analisando caso a caso, influir no prazo de averbação de áreas excluídas da tributação do ITR; b) de acordo com o Provimento n° 019,99 do Ermo. Sr. Desembargador Corregedor Geral da justiça do Espirito Santo e ainda tendo em vista que o Presidente do IDAF informou que os cartórios de registro de imóveis têm feito exigências sem amparo legal para que processassem os pedidos de averbação de Reserva Legal e tendo em conta outros aspectos relacionados à averbação, o Sr. Corregedor determinou que para esse efeito serão exigidos entre outros o Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta, emitido pelo IDAF do Espirito Santo. Assim, o Estado do Espírito Santo tem dificuldades cartoriais para que se efetue o registro de reserva legal; c) o que se questiona com relação ao presente caso, é a fixação do prazo de seis meses para que a impugnante faça a averbação, ao passo que a Lei n° 4.771/65 (art. 16 parágrafo 2°), com a redação dada pela Lei n° 7.803/89, não fixou nenhum prazo • para essa averbação, o que só veio a acontecer em legislação posterior, o item II do art 17 da Instrução Normativa SRF-073/ de 18.07.2000 que revogou a de n° 43. Além disso, a IN criou a exigência da averbação como pré-requisito da obtenção do ADA,o que não existia na IN anterior; d) requer seja declarado improcedente o lançamento. A autoridade de primeira instância julgou procedente o lançamento em decisão que tem a seguinte ementa: "RESERVA LEGAL (UTILIZAÇÃO LIMITADA) A exclusão do ITR de área de reserva legal (utilização limitada) só será reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, requerido dentro do prazo estipulado acompanhado da comprovação da averbação da área à margem da inscrição na matricula do imóvel no registro de imóveis competente. Caso 3 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.735 ACÓRDÃO N° : 303-31.543 contrário, a pretensa área é tributável, como área aproveitável, não utilizada. ITR DEVIDO. O valor do imposto sobre a propriedade territorial rural é apurado aplicando-se sobre o valor da terra nua tributável — VTIVI a aliquota correspondente, considerando-se a área total do imóvel e o grau de utilização — GU, conforme o art. 11, capta e parágrafo P' da Lei 9.393/de 19 de dezembro de 1.996. MULTA. A apuração e pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração • tributária, e, no caso de informação incorreta, a Secretaria da Receita Federal procederá ao lançamento de oficio, apurados em procedimento de fiscalização, sendo as multas aquelas aplicáveis aos demais tributos federais, conforme os preceitos contido nos artigos 10 e 14 da Lei it° 9.393, de 19 de dezembro de 1.996 Lançamento Procedente". Inconformada, a empresa dirige-se a este Terceiro Conselho de Contribuintes, apresentando as seguintes razões: 1. Ao acatar a área de 584,4 ha como de preservação permanente e reconhecer que o ADA foi apresentado, está ratificada a aceitação do documento por parte da administração tributária; 2. ao alegar que a legislação não contempla prazo para se averbar a reserva legal, a empresa estava a se referir exatamente à IN-SRF 43/97 que veio afixar tal prazo de seis meses como o tempo necessário para • se protocolizar o requerimento do AD junto ao IBAA; 3. a prova de que a reserva legal existe é inequívoca e incontestável como se infere do Ato Declaratório, sendo inegável a obrigação de averbação no registro de imóveis; 4. A empresa tem envidado esforços junto aos órgãos florestais do Estado para que a averbação se faça o mais breve possível e para este fim solicitou em 13.062001 ao IDAF o Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta para atender ao Provimento 019,99 da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Espirito Santo; 5. Portanto, a definição da área de Reserva Legal e a sua averbação no registro de imóveis será processada imediatamente tão logo o IDAF emita o parecer conclusivo; 6. Pede seja julgado improcedente o lançamento. É o relatório. 4 • MISUSTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.735 ACÓRDÃO N° : 303-31.543 VOTO Resolvida a questão referente à garantia de instância, apresentados bens a arrolamento com tal finalidade, e, ademais, sendo tempestivo o recurso voluntário, e versando o processo sobre matéria de competência deste colegiado, dele tomo conhecimento e passo ao julgamento. A questão trazida nos autos diz respeito à necessidade da averbação, à margem da matrícula do imóvel rural, no Cartório de Imóveis competente, da área de reserva legal que para ser admitida para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. A obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, o próprio contribuinte reconhece por força do parágrafo 2° do art. 16, da Lei n° 4.771/65 — Código Florestal, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89. Acresce anotar ainda as disposições da IN-SRF n°67/97, sobretudo no seu art. 10, e parágrafo 4°. Pelo que consta dos autos, o contribuinte, com relação à área de reserva legal, não cumpriu ou não conseguiu cumprir a exigência de averbação. Argumenta que a legislação não contempla prazo para se averbar a reserva legal, o que veio comente com a IN-SRF 43/97. Por outro lado, a prova de que a reserva legal existe é inequívoca e incontestável como se infere do Ato Declaratório: Reconhecendo que é inegável a obrigação de averbação no registro de imóveis, tem envidado esforços junto aos órgãos florestais do Estado para que a averbação se faça o mais breve possível e para este fim solicitou em 13.06.2001 ao IDAF o Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta para atender ao Provimento 019/99 da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Espírito Santo, documento que ainda não conseguiu. Ademais, na forma da Lei n°8.847/94 são isentas do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas na Lei n°4.771/65. A partir da Lei n° 9.393/96, na forma do seu art. 10, parágrafo 7°, basta a simples declaração do interessado para gozar da isenção do ITR relativo às áreas referidas nas alíneas "a" e "d", do parágrafo 1° do mesmo artigo 10: Art. 10...A apuração e o pagamento do ITR... (omissis)... Parágrafo 1°. Para efeito de apuração do ITR, considerar-se-á: MíTISTÉRIO DA FAZENDA •• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.735 ACÓRDÃO N° : 303-31.543 I II — área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b)de interesse ecológico; COMPROVADAUENTE IMPRESTÁVEIS. d) as áreas sob regime de servidão florestal. Parágrafo 7°A declaração para fins de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "cl" do inciso II, parágrafo I° deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis" Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004 • JOÃO HOL COSTA - Relator 6 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°: 11543.000759/2001-61 Recurso n°: 126735 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31543. Brasília, 14/09/2004 JOÃO LANDA COSTA Preside/te da Terceira Câmara Ciente em Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1
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Numero do processo: 12268.000292/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. RETENÇÃO DE
ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA. DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA.
1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91.
2. A discussão a respeito de ter havido ou não decadência em parte do lançamento torna-se despicienda, in casu, tendo em vista tratar-se de multa fixa, bastando o descumprimento de apenas uma competência para o lançamento ser mantido na sua forma originária, como é exatamente a situação destes autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.951
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA. DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. 2. A discussão a respeito de ter havido ou não decadência em parte do lançamento tornase despicienda, in casu, tendo em vista tratarse de multa fixa, bastando o descumprimento de apenas uma competência para o lançamento ser mantido na sua forma originária, como é exatamente a situação destes autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 169 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 170 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (CFL 93) lavrado em desfavor do contribuinte acima indicado, por deixar de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura, nos termos da Lei n° 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998, para recolhimento a Receita Federal do Brasil, em nome da empresa cedente de mãodeobra. Segundo consta do Relatório Fiscal da Infração (fl. 23), as retenções não efetuadas estão demonstradas no anexo denominado "Notas Fiscais Sem Retenção 11%", onde constam o nome da empresa prestadora, n° da nota fiscal e valor bruto da nota fiscal, data da contabilização e respectivas contas, além de históricos de lançamentos (fls. 27 a 58). O Contribuinte, devidamente notificado em 14 de dezembro de 2007, apresentou defesa tempestiva em 14 de janeiro de 2008. A impugnação foi julgada em 30 de abril de 2008, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/12/2007 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃODE OBRA. EMPREITADA. DECADÊNCIA. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e/ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa cedente de mãodeobra. A lei ordinária federal pode fixar prazo decadencial e prescricional especifico para as contribuições previdenciárias, eis que a fixação de prazo não se vincula a hipótese de norma geral, havendo expressa autorização no § 4º do art. 150 do CTN. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Lançamento Procedente Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 171 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, repetindo basicamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar o sujeito passivo requer a extinção do lançamento, invocando ter havido a ocorrência do instituto da decadência. A imposição de diversas sanções sob um mesmo fundamento fático é postura que não se coaduna com o direito, contrariando os princípios da legalidade, da finalidade e da proporcionalidade, que norteiam a atividade do Estado. O auto de infração não procede também porque a multa imposta tem nítido caráter de confisco. Se no caso em apreço alguma infração tivesse efetivamente sido verificada, o comportamento da Recorrente estaria dirigido para um só objetivo, qual seja, não recolher as contribuições previdenciárias. Assim, a aplicação de eventual pena no presente caso não poderia ocorrer sem a observância do concurso formal. O auto de ser anulado por falta de previsão legal das multas, bem como pela cominação de pena por decreto, situação de ilegalidade e inconstitucionalidade. Em face do exposto, requer o Contribuinte se digne Vossa Excelência a receber, conhecer e prover o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de cancelar os Autos de Infração, dada a sua total improcedência. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Inicialmente, há que se destacar que o fato que motivou o lançamento, ou seja, a não retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, nos termos do art. 31 Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, foi objeto de apreciação, pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática pelo art. 543B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, onde foi reconhecida a Repercussão Geral – processo RE 603191. Em virtude das informações acima, até o dia 12/08/2011, os membros do CARF aplicaram, para situações semelhantes, a regras previstas no novel art. 62A, do Regimento Interno. Contudo, por intermédio da ATA nº 19, de 01/08/2011. DJE nº 155, divulgado em 12/08/2001, o Plenário do STF proferiu a seguinte decisão: O Tribunal, por maioria, e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, o Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011. De agora em diante, porém, não existe mais razão para manter o sobrestamento dos autos, tendo em vista que o não provimento do Recurso Extraordinário que se constituía no Leading Case sobre a matéria, permite o prosseguimento do julgamento na órbita do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destarte, e indo direto ao mérito da questão controvertida, não paira qualquer dúvida de que a recorrente descumpriu os comandos insertos no art. 31 da lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 173 6 § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12268.000292/200711 Acórdão n.º 280300.951 S2TE03 Fl. 174 7 Como se pode observar, as obrigações descumpridas estão referendadas na legislação em vigor, motivo pelo qual não resta dúvida da correção e manutenção do lançamento nos seus exatos termos. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação, em obediência ao disposto nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, artigo 283, caput e § 3º e artigo 373. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria MPS GM 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social para R$1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos). Vêse da análise dos autos, que as faltas cometidas pela recorrente são ensejadoras da punição prevista na legislação previdenciária. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. A discussão a respeito de ter havido ou não decadência em parte do lançamento tornase despicienda, in casu, tendo em vista tratarse de multa fixa, bastando o descumprimento de apenas uma competência para o lançamento ser mantido na sua forma originária, como é exatamente a situação destes autos. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18050.011236/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
DEIXAR A EMPRESA DE LANCAR MENSALMENTE EM TITULOS PROPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS.
A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Obrigação Acessória Recorrente SANTOS PEDREIRA COM DE COMB E SERV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/12/2008 DEIXAR A EMPRESA DE LANCAR MENSALMENTE EM TITULOS PROPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS. A contabilização deficiente constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.011236/200815 Acórdão n.º 280300.933 S2TE03 Fl. 172 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.011236/200815 Acórdão n.º 280300.933 S2TE03 Fl. 173 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária por não ter contabilizado de forma discriminada os valores pagos a titulo de Adicional Periculosidade, Adicional Noturno, Horas Extras, Ajuda Alimentação, bem como os descontos relativos a Adiantamento de Salário, Contribuição Associativa, Contribuição Assistencial (novembro/04), Imposto Sindical, Desconto de Vales, Faltas e Atrasos, conforme relatório fiscal de fls 25 a 27. A DecisãoNotificação – fls 141 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • A mesma se reverte de caráter abusivo, pois se trata de aplicação de outra multa sobre o mesmo fato gerador de outro Auto de Infração lavrado. Já existe outro Auto de Infração de número 37.214.9936, lavrado contra a Autuada, por ter deixado de informar nas GFIPs todas as remunerações pagas aos segurados, sendo que naquele Auto de Infração foi aplicada multa no valor de R$660,00 (seiscentos e sessenta reais). É evidente que essas autuações não podem subsistir conjuntamente, sendo que uma absorve a outra. • Caráter confiscatório da multa aplicada. • Requer seja dado provimento ao presente recurso, para que seja julgado improcedente o presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.011236/200815 Acórdão n.º 280300.933 S2TE03 Fl. 174 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA MULTA APLICADA O recorrente se insurge contra a multa aplicada, entendendo que a mesma não é instrumento de arrecadação, sendolhe vedado o caráter confiscatório. O cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária é de caráter obrigatório por parte dos contribuintes, sua não observância justifica a autuação fiscal. Aqui não há que se falar em bis in idem em razão da lavratura de distinto auto de infração, desta vez por ter a empresa deixado de informar em GFIP todas as remunerações pagas aos segurados. As condutas são distintas, justificando distintas autuações. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "a" e art. 373. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.011236/200815 Acórdão n.º 280300.933 S2TE03 Fl. 175 5 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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