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Numero do processo: 10166.720087/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar a AVOCAÇÃO do processo nº. 10166.008785/2003-81 para serem julgados juntos em função da conexão existente entre eles.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar a AVOCAÇÃO do processo nº. 10166.008785/200381 para serem julgados juntos em função da conexão existente entre eles. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 08 7/ 20 09 -4 2 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Resolução nº 1401000.263 S1C4T1 Fl. 189 2 Tratase de analisar recurso voluntário perante Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em 23/04/2009, foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, atinente ao anocalendário de 2005, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$617.659,10, assim discriminados por exação fiscal: Auto de Infração do IRPJ (fls. 50/56 e 64/68) Im posto Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa Proporcional (75%) Total R$ 181.605,26 R$74.188 ,15 R$136.203,94 R$39 1.997,35 Infrações Ano Calendário Falta ou Insuficiência de Recolhimento de Imposto 2005 Auto de Infração da CSLL (fls. 57/63 e 64/68) Co ntribuição Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa Proporcional (75%) Total R$ 104.546,84 R$42.704 ,79 R$78.410,12 R$22 5.661,75 Infrações Ano Calendário Falta de Recolhimento/Declaração da CSLL Insuficiência de Recolhimento ou Declaração 2005 Em síntese, em procedimento de revisão interna de declaração, constatouse que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, não obstante ter apurado IRPJ e CSLL a pagar na DIPJ, não informou os débitos em DCTF, nem tampouco efetuou recolhimento, aderiu a parcelamento ou compensou qualquer parcela do valor devido, para o terceiro e quarto trimestre do anocalendário de 2005. Nesse contexto, efetuou a Fiscalização os lançamentos fiscais, em razão de falta de declaração e/ou recolhimento do IRPJ e da CSLL. Cientificada dos lançamentos, em 29/04/2009 ("AR" de fls. 69), a interessada apresentou a impugnação de fls. 72/85, em 28/05/2009 (despacho de encaminhamento de fls. 146). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, discorre sobre os seguintes pontos, resumidos a seguir. Da declaração do crédito em DCTF e da suspensão da exigibilidade do crédito. O Auto de Infração foi lavrado como suporte em situação fática falaciosa, vez que se equivoca o Fisco ao informar que "não há débitos relativos ao IRPJ e a CSLL, relativos ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2005 declarados em DCTF do 2° semestre de 2005", já que os créditos tributários, objeto do lançamento fiscal, foram declarados em DCTF, como se pode observar em cópia da DCTF que acompanha a presente impugnação. Todo crédito tributário já está declarado em DCTF, motivo, por si só, para que seja declarada nulidade do Auto de Infração, vez que a DCTF constitui o crédito tributário. O crédito referente ao auto de infração em questão, ainda, é objeto de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Resolução nº 1401000.263 S1C4T1 Fl. 190 3 processo administrativo de compensação, que se encontra pendente de decisão final, e, portanto, encontrase com a exigibilidade suspensa, consoante os termos do art. 151, inc. III, do CTN. Tratase do processo de compensação, n° 10166.008785/200381, no qual a impugnante efetuou a compensação dos seus créditos com os seus débitos tributários declarados em DCTF do 2° semestre do anocalendário de 2005. A compensação não foi informada em PER/DCOMP em razão de restrição no programa de computador da Receita Federal, que não aceitou a informação da compensação na forma como foi feita pela impugnante. Da Multa Aplicada. Não se pode olvidar que a multa possui natureza jurídica de medida punitiva e/ou educativa, sendo que o valor de 75% é desproporcional, caracterizando o confisco. Há que se considerar ainda a total ausência do intuito de fraude ou sonegação por parte da contribuinte, vez que o débito apurado no auto de infração está declarado em DCTF e também é objeto de pedido administrativo de compensação que se encontra pendente de decisão final. O TRF da 1a Região já se pronunciou no sentido de considerar confiscatória a multa por descumprimento de obrigação tributária fixada em 75% do valor principal, entendimento em conformidade com a jurisprudência do STF. Assim, deve ser declarado nulo o auto de infração ou, ao menos, reduzida a multa aplicada ao percentual máximo de 5%. Pedido. Requer seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação para o fim de anular totalmente o auto de infração. Ultrapassado o primeiro pedido, requer reduzida a multa aplicada ao percentual de 5%. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa a baixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A DCTF retificadora, entregue antes do início do procedimento fiscal, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE OCORRÊNCIA FUTURA. IMPOSSIBILIDADE. Pedido impossível aquele de compensação de débitos tributários cuja hipótese de incidência não se concretizou. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Resolução nº 1401000.263 S1C4T1 Fl. 191 4 Aplicase à Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, e, no essencial, alega que: o crédito tributário objeto do auto de infração já havia sido declarado na época própria em sua DCTF e, portanto, não haveria razão para a lavratura de auto de infração para constituir um crédito tributário já constituído por atividade do próprio contribuinte. o acórdão recorrido merece reforma por ter desconsiderado os efeitos próprios da compensação pleiteada pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 10166.008785/200381 com direito creditório superior aos débitos de que tratam os presentes autos já declarados em DCTFs. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Resolução nº 1401000.263 S1C4T1 Fl. 192 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de autos de infração (IRPJ e CSLL) onde fora constatada diferenças entre o que fora declarado em DIPJ e DCTF/pagos, conforme tabela Abaixo: Trimestre DIPJ DCTF SINAL PERD/COMP DIFERENÇA Em sua defesa a Recorrente alega em síntese que o crédito tributário objeto do auto de infração já havia sido declarado na época própria em sua DCTF e, portanto, não haveria razão para a lavratura de auto de infração para constituir um crédito tributário já constituído por atividade do próprio contribuinte. Alegou ainda que o crédito declarado em DCTF e, desnecessariamente, constituído novamente por meio do auto de infração guerreado não por ser exigido por encontrarse com a exigibilidade suspensa, vez que é objeto de pedido administrativo de compensação. O Acórdão recorrido julgou manteve os lançamentos sob a alegação de que efetivamente foi entregue DCTF informando os créditos tributários objeto do auto de infração, todavia, que em momento posterior foi apresentada nova DCTF retificadora "que não declarou nenhum débito" e mais, que o processo administrativo de compensação dos créditos tributários informados na DCTF foi instaurado no ano de 2003 (Processo n° 10166.008785/200381) e, pelo fato do processo administrativo ser anterior ao crédito constituído pela DCTF, relativo ao ano de 2005, seria impossível essa compensação "porque não há previsão legal para a compensação de débitos tributários futuros". Superada a primeira alegação da Recorrente, uma vez que de fato ela retificou a DCTF dos terceiros e quarto trimestres, não tendo declarado nenhum débito para esses períodos, resta ainda ser averiguada a segunda alegação de conexão com o processo n. Processo n° 10166.008785/200381. Independentemente do seu conteúdo, a simples existência desse processo em ora em litígio no CARF requer que o mesmo tenha seu julgamento efetivado e o seu resultado deverá ser respeitado no presente processo. Ou seja, a comprovação da existência de tais débitos sendo compensados referido processo será determinante para a manutenção ou não dos presenetes autos de infração. De acordo com o sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na INTERNET, apesar de o processo administrativo n° 10166.008785/200381 já haver sido distribuído antes para outro relator, verificase que o mesmo encontrase, atualmente, na Primeira Seção de Julgamento para nova distribuição: i 81.776,60 81.776,59 0, 00 0,00 0, 01 2 91.213,82 91.213,81 0, 00 0,00 0,01 ....... _3 ' "93"."404,78 0,00 0, 00 0,00 93.404,78 4 88.200,48 0,00 0, 00 0,00 88.200,48 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.720087/200942 Resolução nº 1401000.263 S1C4T1 Fl. 193 6 : Informações Processuais Detalhe do Processo :. Processo Principal :10166.008785/200381 Data Entrada : 07/08/2003 Contribuinte Principal :DAMASCO MATERIAL ELETRICO HIDRAULICO E FERRAGENS LTDA Tributo : Imposto de Renda Pessoa Juridica Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 02/03/2009 Recurso Voluntário 19/06/2012 RECURSO VOLUNTARIO RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 31/01/2013 DISTRIBUIR/SORTEARUnidade: Primeira Seção de Julgamento 29/11/2012 DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA RELATORUnidade: 1ª SeçãoÓrgão Julgador: 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda CâmaraRelator: André Almeida Blanco 19/06/2012 EM TRAMITAÇÃOUnidade: 1ª SeçãoÓrgão Julgador: 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Câmara Todos Andamentos ... Diante dos fatos esposados, conduzo meu voto no sentido de AVOCAR processo n. 10166.008785/200381 para serem julgados juntos em função da conexão existente entre eles. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000116/2007-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2005
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR.
As empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2005 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. As empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. As empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 16 /2 00 7- 16 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 779 2 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 630637, com a exigência do crédito tributário no valor de R$194.460,81, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real e multa de ofício isolada por falta de recolhimento do tributo determinada sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2004. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Falta de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de lucros auferidos por controlada no exterior, [...]. ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 25, §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.249/95; Art. 16 da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso II, do RIR/99 ; Art. 43, § 2°, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional); Art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. [...] 002 MULTAS ISOLADAS MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA OBRIGATÓRIA DE IRPJ Multa isolada por falta de recolhimento de estimativa obrigatória de IRPJ, [...] Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 780 3 Art. 35 da Lei n° 8.981/95; Art. 6° da Lei n° 9.430/96; Artigos 222 e 843 do RIR/99, c/c art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n°5.172/66. II O Auto de Infração às fls. 638642, com a exigência do crédito tributário no valor de R$47.298,61, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Falta de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real l e da base de cálculo da CSLL, de lucros auferidos por controlada no exterior, [...] Art 2 ° e §§, da Lei n ° 7.689/88; Art. 1 ° da Lei n ° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n ° 10.637/02; Art. 74 da Medida Provisória n ° 2.158 35, de 24/08/2001. Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 644655: Da tributação dos lucros auferidos pela Yeridan S/A em 2004 [...] Por fim, cabe ainda sobressair os valores declarados pela fiscalizada nas Fichas 4 ("Participações no Exterior") e 44 ("Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração") da DIPJ do anocalendário de 2004. Na Linha 13 da Ficha 44 correspondente Yeridan S/A, [Uruguai – Não é Paraíso Fiscal – Não Tem Tratado Internacional] a fiscalizada declarou que a subsidiária integral estrangeira apurou um lucro em 2004 no valor de R$2.496.442,87. No entanto, na Ficha 43 declarou um total de lucros disponibilizados de R$2.145.532,95 (o mesmo montante declarado a título de lucros disponibilizados do exterior na Linha 05 da Ficha 09A e na Linha 05 da Ficha 17, e que teria sido distribuído, conforme o já mencionado "Demonstrativo de Equivalência Patrimonial Item 11", apresentado como resposta ao Termo de Intimação n° 02). Destarte, resta evidente a necessidade de lançamento do IRPJ e da CSLL, decorrentes da diferença entre o valor de lucro auferido pela Yeridan S/A no ano calendário de 2004 e aquele efetivamente oferecido ã tributação pela fiscalizada. O demonstrativo a seguir evidencia a base de cálculo do presente lançamento de oficio: Lucro auferido pela Yeridan S/A em 2004 e que deveria ter sido oferecido à tributação pela fiscalizada, em cumprimento ao disposto no caput do art 74 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001 [A] R$2.496.442,87 Lucro do exterior oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL pela fiscalizada na DIPJ [B] R$2.145.532,95 Base de cálculo do lançamento de oficio do IRPJ e da CSLL [C=AB] R$350.909,92 [...] Da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa obrigatória de IRPJ [...] Por meio do Termo de Intimação n° 03, a fiscalizada foi intimada a esclarecer como se deu a extinção dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL declarados na Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 781 4 DIPJ do anocalendário de 2004, bem como a apresentar cópias de todos os documentos que atestassem a extinção de tais créditos tributários. Em sua resposta (fls. 50/70), a fiscalizada informou que os débitos de IRPJ de 2004 foram extintos por meio da entrega de Declarações de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: Total do débito de IRPJ : R$126151,55 Valor compensado R$106.376,69 R$19.774,85 Número da DCOMP 14843.35755.100205.1.3.025503 20963.26902.300305.1.3.020102 O exame das informações constantes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativas às DCOMP acima identificadas evidenciam as seguintes características das compensações (fls. 180/193): DCOMP 1 DCOMP 2 N° da DCOMP 14843.35755.100205.1.3.025503 20963.26902.300305.1.3.020102 Data de transmissão 10/02/2005 30/03/2005 Código da receita e denominação do débito compensado 243001 IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual 243001 IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual Período de apuração 2004 2004 Valor do principal R$106.376,69 R$19.774,85 Valor da Multa 0,00 0,00 Valor dos Juros 0,00 R$439,00 Valor Total R$106.376,69 R$20.213,85 A análise dos dados acima patenteia que a extinção sob condição resolutória (em consonância com o que dispõe o art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002) do débito de IRPJ se deu parte em 10/02/2005 e parte em 30/03/2005, e portanto, após o vencimento da estimativa apurada em dezembro de 2004. Ademais, impõese concluir que houve a extinção do valor de R$126.151,55, como se este constituísse o saldo do ajuste anual, o qual seria apurado após compensadas todas as antecipações realizadas. É oportuno sobressaltar que nas próprias DCOMP apresentadas ate mesmo o código do tributo compensado (2430) se refere ao ajuste anual, e não a antecipação obrigatória. [...] Por conseguinte, é evidente que não houve a extinção da estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. Outrossim, a falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ constitui conduta ilícita sancionada pelo ordenamento jurídico. [...] Assim, impende a aplicação da multa isolada em decorrência da falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ relativa a dezembro de 2004, conforme demonstrativo a seguir: Estimativa mensal devida (A) R$126.151,55 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 782 5 Percentual da multa aplicável (B) 50% Multa isolada a ser lançada (A x B) R$63.075,77 Cientificada em 23.10.2007, fl. 657, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 664677, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos e que apresenta a peça de defesa tempestivamente suscitando que: Da tributação dos lucros auferidos pela Yeridan S/A em 2004 9. No tocante à tributação de lucros auferidos no exterior através de sociedades controladas, que é o caso do Auto de Infração ora impugnado, o Brasil passou a adotar o princípio da universalidade da renda para fins de tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas IRPJ dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, direta ou indiretamente, pelas pessoas jurídicas sediadas no Brasil a partir de 1° de janeiro de 1996, com o advento da Lei nº 9.249, em 26 de dezembro de 1995. Antes da edição desta Lei, a legislação brasileira adotava em matéria de imposto de renda das pessoas jurídicas, o princípio da territorialidade, no qual somente eram tributados, os lucros e rendimentos auferidos no território do Pais. 10. Os lucros auferidos por intermédio de sociedades controladas ou coligadas sediadas'no exterior passaram a ser tributados pelo IRPJ, a partir de 1° de janeiro de 1996 sendo que o artigo 25 da citada Lei não condicionou a tributação dos lucros auferidos no exterior à sua efetiva disponibilização jurídica ou econômica. Tal artigo determinava que os lucros produzidos por empresas coligadas ou controladas no exterior deveriam ser tributados no dia 31 de dezembro de cada ano, independentemente de esses lucros terem ou não sido disponibilizados para a empresa sediada no Brasil. 11. Esta forma de tributação sem levar em consideração a disponibilidade econômica ou jurídica de renda era indevida, uma vez que feria frontalmente o conceito constitucional de renda, refletido no artigo 43 do Código Tributário Nacional — CTN. 12. Frente a referida ilegalidade e inconstitucionalidade, a Secretaria da Receita Federal editou, em 27 de junho de 1996, a Instrução Normativa nº 38, dispondo que o lucro auferido no exterior deveria ser tributado quando disponibilizado econômico ou juridicamente. Esta Instrução Normativa procurou sanar as irregularidades da Lei, determinando que o lucro seria tributado no Brasil apenas quando disponibilizado (pago ou creditado) controladora ou coligada no Brasil pela controlada ou coligada no exterior. 13. Salientese que a Instrução Normativa é uma norma infralegal e, conseqüentemente, não poderia corrigir a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei 9.249/95 em razão do principio da legalidade, previsto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal. 14. Tal correção somente foi efetuada pela Lei nº 9.532, em 10 de dezembro de 1997, produzindo somente efeitos em relação aos lucros auferidos no exterior a partir de 1° de janeiro de 1998. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 783 6 15. A Lei nº 9.532/97, em seu art. 1°, abaixo transcrito, previu as hipóteses em que os lucros auferidos no exterior por intermédio de sociedade controlada ou coligada poderiam ser considerados como disponibilizados para a empresa brasileira: [...] 16. Desse modo, os lucros auferidos no exterior por intermédio de empresas controladas somente eram tributados no Brasil nas hipóteses previstas no parágrafo 1° acima. 17. Em 27 de janeiro de 2000, a Lei nº 9.959 previu outras duas hipóteses de disponibilização dos lucros auferidos no exterior: a) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros e b) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. 18. Posteriormente, a Lei Complementar nº 104 alterou, em 10 de janeiro de 2001, diversos dispositivos do CTN, dentre eles o artigo 43, dispondo que uma lei ordinária poderia estabelecer em que momento e em que condições ocorrerá a disponibilidade dos rendimentos auferidos no exterior para fins de tributação em matéria de imposto de renda. 19. Com base na Lei Complementar nº 104/01, foi incluída na Medida Provisória nº 2.15835/01, em 24 de agosto de 2001, o artigo 74 que prevê que os lucros auferidos no exterior por coligada ou controlada serão considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados, ou seja, em 31 de.dezembro de cada ano, [...]. 20. No que tange à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, a Medida Provisória 1.8586 (atual Medida Provisória 2.158 35/01), estabeleceu que os rendimentos, ganhos de capital e lucros auferidos no exterior passariam a ser tributados pela CSLL, sendo sua vigência iniciada a partir de 27 de setembro de 1999. 21. Importa mencionar que a previsão do artigo 74 da MP nº 2.15835/01, determinando que os lucros auferidos no exterior por coligada ou controlada serão considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados, é inconstitucional, uma vez que não representa efetivo acréscimo patrimonial para a Impugnante, afrontando o conceito de renda previsto no artigo 43 do CTN e de lucro previsto no artigo 195 da Constituição Federal. As pessoas jurídicas não podem ser obrigadas a pagar IRPJ e CSLL sobre valores ainda não disponíveis jurídica ou economicamente. 22. De acordo com a Constituição Federal, em seu artigo 153, III, compete à União para instituir imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. A autorização constitucional é para a criação de imposto sobre renda, não sobre qualquer coisa que a lei resolva chamar de renda, sendo que o disposto no artigo 43, caput, do CTN, apenas explica o que se • entende por renda. 23. Não pode uma lei complementar, muito menos uma lei ordinária ou medida provisória, alterar que o conceito de renda. Poderia, entretanto, uma lei complementar apenas, e quando muito, com base no artigo 154, I, da Carta Magna instituir um novo imposto, desde que seja nãocumulativo e não tenha fato 6erador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição, o que não ocorreu no caso em tela. [...] Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 784 7 25. Com base no correto entendimento acima demonstrado, o conceito constitucional de renda pressupõe que haja disponibilidade efetiva da renda, ou seja, o contribuinte deve poder usar, fruir e/ou dispor do acréscimo patrimonial. 26. No caso de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, enquanto não disponibilizados tais lucros, a empresa no Brasil não auferirá renda, já que não pode usar, fruir e/ou dispor destes lucros. 27. Acresçase a tal ponto que controladas e controladoras são pessoas jurídicas diversas e autônomas, com patrimônios distintos que não se confundem com a sociedade sediada no Brasil. Ou seja, o simples fato de as empresas controladas apresentarem lucros, não significa dizer que esses lucros automaticamente pertencem à empresa brasileira ou que de alguma forma já se encontram disponibilizados, aos sócios brasileiros. 28. É. Evidente que o simples fato de a empresa controlada no exterior auferir lucro não pode ser confundido com a efetiva disponibilização econômica ou jurídica desses lucros por sua controladora no Brasil. A disponibilização, por sua vez é evento futuro e incerto, depende da deliberação dos sócios ou acionistas da empresa sediado no exterior que produziu o lucro, razão pela qual, a mera apuração de lucros pela controlada não pode ser considerada como hipótese de disponibilização, seja jurídica, seja econômica, em favor da controladora. [...] 31. Nesse sentido, a Lei Complementar nº 104 e da MP nº 2.15835/01, ao pretender instituir nova modalidade de tributação, qual seja, a incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos por controlada sediada no exterior, independentemente de sua distribuição, de forma a tributar valores ainda não disponibilizados, violou o conceito de renda constitucionalmente previsto. 32. Importa mencionar que esta matéria é objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2588) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em que "as inconstitucionalidades apontadas são (i) a violação ao artigo 62 da Constituição, ante a absoluta falta de urgência para justificar o emprego de medida provisória; (ii) violação aos artigos 153, III, e 195, I, c, da Constituição, ante a exigência de imposto e contribuição sobre situação que não configura renda ou lucro; e (iii) violação às alíneas a e b do artigo 150, III, da Constituição, vez que o parágrafo único do artigo 74 da Medida Provisória atacada pretende tributar lucros acumulados relativos a períodos anteriores sua edição e também relativos ao mesmo exercício financeiro em que adotada a MP". [...] 38. Frente ao exposto, esta correto o procedimento adotado pela Impugnante, em que adicionou ao lucro líquido de 2004 o valor de R$2.145.532,95 a título de lucros disponibilizados do exterior e não o valor do lucro auferido pela Yeridan no valor de R$2.496.442.87, já que somente foi disponibilizado à Impugnante como distribuição de dividendos de 2004 o valor de R$2.145.532,95. 39. Dessa forma, consoante ficou demonstrado, os Autos de Infração lavrados contra a Impugnante são totalmente improcedentes, devendo ser canceladas em sua totalidade as exigências (IRPJ e CSLL, multa e juros) contidas nas autuações objeto da presente Impugnação. Da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ 40. A Impugnante tentou, no último dia útil de janeiro de 2005, efetuar por meio de uma DCOMP acima mencionada, a compensação dos valores de R$106.376,69 para quitação de parte da estimativa de IRPJ, mas isso, pelas razões Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 785 8 que se verá e relativamente às quais a Impugnante não teve qualquer responsabilidade, foi impossível de realizar. 41. Com efeito, como constou no próprio "site" da Receita Federal, conforme se vê em cópia de 31 de janeiro de 2005 do referido "site" (doc. 02), havia problemas operacionais relativamente ao sistema eletrônico utilizado pela Receita Federal. [...] 43. Como se vê, a própria Receita Federal admitiu a impossibilidade de recebimento das declarações, tendo até mesmo o Sr. Secretário da Fazenda providenciado ato normativo a respeito, o que demonstra que o não cumprimento da obrigação em 31 de janeiro de 2005, por parte da Impugnante, se deu por impedimentos oriundos da própria Receita Federal e não por infração do contribuinte. [...] 45. Desta forma, tendo agido corretamente e ainda existindo o reconhecimento da própria Receita Federal, no sentido de que, em razão de problemas operacionais no sistema do Serpro esta não tinha condições de atender a Impugnante, não há que se falar em multa relativamente à DCOMP n° 14843.35755.100205.1.3.025503 que quitou o valor de R$106.376,69, do total devido a titulo IRPJ relativo à estimativa de dezembro de 2004. [...] 48. Resta, então, demonstrar a improcedência da multa imposta, relativamente a DCOMP transmitida em 30 de março de 2.005. 49. Quanto a esse complemento da quitação da parcela relativa à estimativa de dezembro de 2004 do IRPJ, a compensação se deu pela DCOMP 20963.26902.300305.1.3.020102, transmitida em 30 de março de 2.005, no valor de R$19.774,85, mais juros de mora no valor de R$439,00, perfazendo um total de R$20.213,85, tudo conforme consta do próprio Termo de Verificação Fiscal. 50. Aqui também não procede a imposição de multa isolada, esta por outra razão, ou seja, por força do que dispõe o artigo 138, do Código Tributário Nacional. [...] 55. Diante disso, também a DCOMP entregue em março de 2.005, ou seja, a de n° 20963.26902.300305.1.3.020102, por nela terem sido acrescidos os juros de mora, não pode ser objeto da imposição da multa isolada como pretende o auto de infração aqui contestado, face ao disposto no já citado artigo 138, do Código Tributário Nacional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 56. Diante de todo o exposto, requer a Impugnante seja julgada procedente a presente impugnação, para o fim de ser declarada a insubsistência dos Autos de infração lavrados, com a determinação dos seus, conseqüentes cancelamento como medida de Justiça. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1624.551, de 11.03.2010, fls. 701720: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 786 9 Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DEVER DE RECONHECIMENTO NO BALANÇO PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Os lucros auferidos por pessoa jurídica no exterior devem ser reconhecidos no balanço da controladora no exterior para efeito de determinação do lucro real e da base de calculo da CSLL da beneficiária no Brasil. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência do recolhimento da estimativa de IRPJ, cabível o lançamento de multa isolada calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as que não são apreciadas na esfera administrativa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A tributação reflexa segue a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.05.2013, fl. 729, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.06.2013, fls. 730745, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: DO MÉRITO. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS PELA YERIDAN S/A EM 2004 . No tocante à tributação de lucros auferidos no exterior através de sociedades controladas, que é o caso discutido no presente processo administrativo, importa destacar que o Brasil passou a adotar o princípio da universalidade da renda para fins de tributação pelo IRPJ dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, direta ou indiretamente, pelas pessoas jurídicas sediadas no Brasil, a partir de 1º de janeiro de 1996, com o advento da Lei n° 9.249/95. Antes da edição desta Lei, a legislação brasileira adotava em matéria de imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ), o princípio da territorialidade, segundo o qual somente eram tributados os lucros e rendimentos auferidos no território do País. Os lucros auferidos por intermédio de sociedades controladas ou coligadas sediadas no exterior passaram a ser tributados pelo IRPJ, a partir de 1º de janeiro de 1996, sendo que o art. 25, da Lei n° 9.249/95, não condicionou a tributação dos lucros auferidos no exterior à sua efetiva disponibilização jurídica ou econômica. Tal dispositivo legal determinava que os lucros produzidos por empresas coligadas ou controladas no exterior deveriam ser tributados no dia 31 de dezembro de cada ano, independentemente de esses lucros terem ou não sido disponibilizados para a empresa sediada no Brasil. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 787 10 Essa forma de tributação sem levar em consideração a disponibilidade econômica ou jurídica de renda era indevida, uma vez que feria frontalmente o conceito constitucional de renda, refletido no art. 43, do CTN. Em razão da referida ilegalidade e inconstitucionalidade, a Secretaria da Receita Federal editou, em 27 de junho de 1996, a Instrução Normativa n° 38, dispondo que o lucro auferido no exterior deveria ser tributado quando disponibilizado econômico ou juridicamente. Esta Instrução Normativa procurou sanar as irregularidades da Lei n° 9.249/95, determinando que o lucro deveria ser tributado no Brasil apenas quando disponibilizado (pago ou creditado) à controladora ou coligada no Brasil pela controlada ou coligada no exterior. Salientese que a Instrução Normativa é uma norma infralegal e, conseqüentemente, não poderia corrigir a ilegalidade e a inconstitucionalidade da Lei n° 9.249/95 em razão do princípio da legalidade, previsto no art. 150, inciso I, da Constituição Federal. Tal correção somente foi efetuada pela Lei n° 9.532 de 10 de dezembro de 1997, a qual passou a produzir efeitos apenas em relação aos lucros auferidos no exterior a partir de 1º de janeiro de 1998. A Lei n° 9.532/97, em seu art. 1º, [...], previu expressamente as hipóteses em que os lucros auferidos no exterior por intermédio de sociedade controlada ou coligada poderiam ser considerados como disponibilizados para a empresa brasileira [...]. Desse modo, os lucros auferidos no exterior por intermédio de empresas controladas somente eram tributados no Brasil nas hipóteses previstas no dispositivo legal acima. Em 27 de janeiro de 2000, a Lei n° 9.959 previu outras duas hipóteses de disponibilização dos lucros auferidos no exterior: (i) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros; e (ii) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. Posteriormente, a Lei Complementar n° 104/01 alterou diversos dispositivos do CTN, dentre eles o art. 43, dispondo que uma lei ordinária poderia estabelecer em que momento e em que condições considerarseia ocorrida a disponibilidade dos rendimentos auferidos no exterior para fins de tributação em matéria de imposto de renda. Com base na Lei Complementar n° 104/01, foi incluído o art. 74 na Medida Provisória n° 2.15835/01 (MP nº 2.15835/01), o qual prevê que os lucros auferidos no exterior por coligada ou controlada serão considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados, ou seja, em 31 de dezembro de cada ano [...]. No que tange à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Medida Provisória n° 1.8586 (atual MP nº 2.15835/01), estabeleceu que os rendimentos, ganhos de capital e lucros auferidos no exterior passariam a ser tributados pela CSLL, sendo sua vigência iniciada a partir de 27 de setembro de 1999. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 788 11 Importa mencionar que a previsão do art. 74 da MP nº 2.15835/01, determinando que os lucros auferidos no exterior por coligada ou controlada serão considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados, é inconstitucional, uma vez que impõe uma tributação sobre valor que não representa efetivo acréscimo patrimonial para a Recorrente, afrontando o conceito de renda previsto no art. 43, do CTN, e o de lucro previsto no art. 195 da Constituição Federal. As pessoas jurídicas não podem ser obrigadas a pagar IRPJ e CSLL sobre valores ainda não disponíveis jurídica ou economicamente. De acordo com a Constituição Federal, em seu art. 153 inciso III, compete à União instituir imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. A autorização constitucional é para a criação de imposto sobre "renda", não sobre qualquer coisa que a lei resolva chamar de renda, sendo que o disposto no art. 43, caput, do CTN, apenas explica o que se entende por renda. Assim, não pode uma lei complementar, muito menos uma lei ordinária ou uma medida provisória, alterar o conceito constitucional de renda. Uma lei complementar pode apenas, e quando muito, com base no art. 154, inciso I, da Constituição Federal, instituir um novo imposto, desde que seja nãocumulativo e não tenha fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição, o que não ocorreu no caso em tela. [...] Com base no correto entendimento acima demonstrado, o conceito constitucional de renda pressupõe que haja disponibilidade efetiva da renda, ou seja, o contribuinte deve poder usar, fruir e/ou dispor do acréscimo patrimonial. No caso de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, enquanto tais lucros não forem efetivamente disponibilizados, a empresa no Brasil não auferirá renda, já que não pode usar, fruir e/ou dispor destes lucros. Acresçase a tal ponto que as controladas situadas no exterior são pessoas jurídicas diversas e autônomas, com patrimônio distinto, que não se confundem com a sociedade controladora sediada no Brasil. Ou seja, o simples fato de as empresas controladas apresentarem lucros, não significa dizer que esses lucros automaticamente pertencem à empresa brasileira ou que de alguma forma já se encontram disponibilizados aos sócios brasileiros. É evidente que o simples fato de a empresa controlada no exterior auferir lucros não pode ser confundido com a efetiva disponibilização econômica ou jurídica desses lucros para a sua controladora no Brasil. A disponibilização, por sua vez, é evento futuro e incerto, dependente da deliberação dos sócios ou acionistas da controlada sediada no exterior que produziu o lucro, razão pela qual, a mera apuração de lucros pela controlada não pode ser considerada como hipótese de disponibilização, seja jurídica, seja econômica, em favor da controladora. Ressaltese que essa discussão já foi levada ao Poder Judiciário em caso semelhante quando da edição da Lei n° 7.713/88, que em seu art. 35 considerava automaticamente distribuído o lucro aos acionistas, no final do períodobase, para fins de incidência do denominado Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL). Ao analisar a questão, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do art. 35 daquela lei, por entender que tal fenômeno não encontra enquadramento no art. 43, do CTN, salvo em casos como o da firma individual, subsidiária integral ou sociedade de quotas em cujo contrato social haja previsão de distribuição obrigatória de resultados. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 789 12 Naquela ocasião, o STF concluiu que a aquisição de disponibilidade, quer econômica ou jurídica, dos lucros da pessoa jurídica, não ocorre na data da apuração (encerramento do períodobase). Nesse sentido, a Lei Complementar n° 104/01 e a MP 2.15835/01, ao pretenderem instituir nova modalidade de tributação, qual seja, a incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos por controlada sediada no exterior, independentemente da efetiva disponibilização destes lucros, violaram o conceito de renda constitucionalmente previsto. Diante de todo o exposto, constatase ter sido correto o procedimento adotado pela Recorrente, no sentido de adicionar ao lucro líquido de 2004 o valor de R$2.145.532,95 a título de lucros disponibilizados do exterior e não o lucro total auferido pela YERIDAN S/A no valor de R$2.496.442,87, já que somente foi disponibilizado à RECORRENTE como distribuição de dividendos de 2004 o valor de R$2.145.532,95. Dessa forma, consoante ficou demonstrado, os Autos de Infração lavrados contra a Recorrente são totalmente improcedentes, razão pela qual, as exigências contidas nas autuações objeto do presente processo administrativo (IRPJ, CSLL, multa e juros) devem ser integralmente canceladas. DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DE IRPJ: NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Ilustres Julgadores, com relação à aplicação da multa isolada pelo suposto não recolhimento da estimativa de dezembro/2004, a Recorrente passará a demonstrar a realidade dos fatos, ou seja, que, apesar de ter indicado equivocadamente nas DCOMP’s n°s 14843.35755.100205.1.3.025503 e 20963.26902.300305.1.3.02 0102 o código 2430012 , como "código de receita/denominação do débito", o débito efetivamente extinto via compensação foi a estimativa de IRPJ de dezembro/2004 e não o IRPJ anual. Conforme constatado pelo Sr. AFRF no Termo de Verificação FISCAL e reconhecido pela 3ª Turma da DRJ/SPI no Acórdão ora recorrido, o valor da estimativa apurada pela Recorrente no mês de dezembro/2004 – R$126.151,55) foi idêntico ao valor do IRPJ anual apurado ao final do anocalendário. Ocorre que, ao preencher as DCOMP’s para efetivar a compensação do débito relativo à antecipação de IRPJ de dezembro/2004, a Recorrente, por engano, acabou informando o código "243001" como "código de receita/denominação do débito", ao invés de indicar o código referente à estimativa mensal do Lucro Real. Ou seja, em razão deste pequeno equívoco formal no preenchimento das DCOMP’s, a Fiscalização entendeu que a estimativa de IRPJ de dezembro/2004 não havia sido quitada e acabou aplicando a multa isolada de 50% prevista no art. 44, inciso II, alínea " b " , da Lei n° 9.430/96. Contudo, importa ressaltar que o Fisco deve proceder à análise das obrigações acessórias entregues/cumpridas pelos contribuintes (ex.: DCOMP, DCTF, DIPJ, etc.) pautandose pelo princípio da verdade material, princípio este que impõe a observância da verdade factual em detrimento da meramente formal, evitandose com isso que a legalidade da exigência seja colocada em risco. [...] Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 790 13 Nestas ementas, verificase a afirmação de que a verdade material prevalece sobre a formal. Assim, ainda que se verifique a adoção anacrônica de um procedimento, este não pode ter o condão de punir o contribuinte, isto é, ainda que se admita a ocorrência de equívoco no preenchimento das DCOMP’s n°s 14843.35755.100205.1.3.025503 e 20963.26902.300305.1.3.020102, com relação ao "código de receita/denominação do débito", o débito efetivamente extinto via compensação foi a estimativa de IRPJ de dezembro/2004 e não o IRPJ anual. Ilustres Julgadores, no presente caso, mesmo tendo constatado que o valor do IRPJ anual era idêntico ao da estimativa de dezembro/2004, o Sr. AFRF entendeu que a estimativa não foi recolhida e que o débito compensado nas DCOMP’s seria relativo ao IRPJ anual devido. Baseou tal entendimento exclusivamente no fato da Recorrente ter informado nas DCOMPs o "código de receita/denominação do débito" 243001, ao invés de indicar o código correto referente à estimativa mensal do Lucro Real. Entretanto, o equívoco cometido pela Recorrente quando do preenchimento das DCOMP’s não resultou em diferença de IRPJ não recolhida, não tendo causado, portanto, qualquer prejuízo aos cofres públicos. Isso porque, o montante de IRPJ apurado e compensado pela Recorrente nas DCOMP’s citadas foi idêntico ao valor da estimativa de dezembro/2004 supostamente não recolhida (R$126.151,55). Como o valor de IRPJ apurado e compensado pela Recorrente foi igual ao da estimativa de dezembro/2004, caso a Recorrente houvesse preenchido as DCOMP’s com o "código de receita" correto, o débito quitado teria sido o relativo à estimativa de dezembro/2004 e, por consequência, não haveria que se falar em falta de recolhimento de estimativa e aplicação de multa isolada. Diante dessa coincidência de valores entre o débito compensado via DCOMP’s e o débito da estimativa de dezembro/2004, resta evidente que o simples fato de a Recorrente ter informado equivocadamente o "código de receita" referente ao "ajuste anual de IRPJ", ao invés do código relativo à estimativa mensal de dezembro/2004, não é motivo suficiente para considerar a estimativa como "não paga" e aplicar a multa isolada. Com relação aos acréscimos legais, é importante esclarecer que o erro na indicação do "código de receita" não trouxe qualquer insuficiência no recolhimento do IRPJ devido. E isso, por dois motivos simples. Primeiro: porque tanto na estimativa de dezembro, que vence em janeiro do ano seguinte, como no ajuste anual, que vence em março, o termo inicial dos juros é o mês de fevereiro. Ou seja, tendo em vista que: (i) o valor quitado pela Recorrente com o código de ajuste anual foi idêntico ao apurado na estimativa de dezembro/2004; e (ii) o termo inicial dos juros é o mês de fevereiro tanto para a estimativa de dezembro, como para o ajuste anual, constatase que o fato de a Recorrente ter quitado o débito sob a rubrica de "ajuste anual" ao invés de "estimativa mensal" não interfere no cálculo dos acréscimos legais, isto é, não resulta em recolhimento inferior ao devido. Segundo: porque, apesar do vencimento da estimativa de IRPJ de dezembro/2004 ter ocorrido no dia 31 de janeiro de 2005, a Recorrente comprovou que a DCOMP n° 14843.35755.100205.1.3.025503 não pôde ser transmitida tempestivamente por problemas no sistema eletrônico da Receita Federal. Já com relação à DCOMP n° 20963.26902.300305.1.3.020102, apesar de a Recorrente têla Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 791 14 transmitido em 30/03/2005, nela foram incluídos os juros moratórios correspondentes ao atraso. Ou seja, quando a fiscalização foi realizada, o débito referente à estimativa de IRPJ de dezembro/2004 já havia sido integralmente extinto pela compensação. [...] Como se vê, o entendimento adotado pelo Sr. AFRF e pela 3ª Turma da DRJ/SP1, no sentido de aplicar a multa isolada em razão do suposto não recolhimento da estimativa de dezembro/2004, afigurase contrário à correta aplicação da legislação tributária, dado que não foi observado o princípio da verdade material, tendo sido dada maior importância aos aspectos "estéticos" das declarações. [...] Diante de todo o exposto, não há dúvidas quanto ao fato de que eventuais falhas formais no preenchimento de obrigações acessórias como a DCOMP não geram prejuízo ao Fisco, bem como não são motivo suficiente para ensejar a aplicação de multa isolada. DO EFETIVO RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DE IRPJ: IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. Apesar de já terem sido demonstradas as incorreções do entendimento do Sr. AFRF e da 3ª Turma da DRJ/SPI a respeito da questão do recolhimento da estimativa de IRPJ, a Recorrente entende ser necessário apresentar mais alguns detalhes que confirmam que o débito efetivamente extinto via compensação foi o relativo à antecipação de IRPJ de dezembro/2004 e não o referente ao ajuste anual. A Recorrente tentou, no último dia útil de janeiro de 2005, efetuar por meio de DCOMP, a compensação do valor de R$106.376,69 para quitação da maior parte da estimativa de IRPJ de dezembro/2004, mas isso, pelas razões que se verá, e relativamente às quais a Recorrente não teve qualquer responsabilidade, foi impossível de realizar. Com efeito, em 31 de janeiro de 2005 havia problemas operacionais no sistema eletrônico utilizado pela Receita Federal para a recepção de declarações, conforme se constata na “cópia " do "site" , extraída em 31 de janeiro de 2005 e juntada aos autos. Para maior clareza, a RECORRENTE transcreve abaixo as informações publicadas no referido "site", por meio das quais a Receita Federal reconheceu o problema ocorrido e orientou os contribuintes, in verbis: "Devido a problemas operacionais na Rede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) que afetou o desempenho do sítio da Receita Federal na Internet na semana passada, dificultando a entrega de declarações, cujo prazo terminaria hoje (31), o Secretário da Receita Federal, em caráter excepcional, assinou na última sextafeira a Instrução Normativa 501 (anexa), que prorroga o vencimento dessas obrigações para 10 de fevereiro de 2.005. O ato normativo aguarda publicação no DOU. Assessoria de Imprensa da SRF". Como se vê, a própria Receita Federal admitiu a impossibilidade de recebimento das declarações, tendo até mesmo o Sr. Secretário da Receita Federal providenciado ato normativo a respeito, o que demonstra que o não cumprimento da obrigação em 31 de janeiro de 2005, por parte da Recorrente, se deu por impedimentos oriundos da própria Receita Federal e não por infração do contribuinte. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 792 15 É verdade que a referida Instrução Normativa, ao mencionar as declarações cuja entrega adiava, não mencionou expressamente a DCOMP, mas se, como nos dizeres mencionados no "site" da Receita Federal, o recebimento das declarações estava prejudicado por força de problemas operacionais no Serviço de Processamento de Dados de uso da Administração, é óbvio que também essa declaração (DCOMP) estava impedida de ser transmitida. Ademais, até por uma questão de isonomia, não havia porque adiar a entrega de umas declarações e não da DCOMP, se a via de transmissão era e é a mesma. De duas uma: ou o serviço de Processamento utilizado pela Administração estava à disposição dos contribuintes, possibilitando que eles cumprissem suas obrigações ou não estava. Se, como se viu, não estava, havia uma impossibilidade material de cumprimento da obrigação, cuja causa era e é de responsabilidade da Receita Federal, não podendo, portanto, penalizar terceiros por isso. Dessa forma, tendo agido corretamente e ainda existindo o reconhecimento da própria Receita Federal, no sentido de que, em razão de problemas operacionais no sistema do Serpro, esta não tinha condições de atender a RECORRENTE, não há que se falar em aplicação de multa isolada por suposto não recolhimento, porquanto a DCOMP n° 14843.35755.100205.1.3.025503, que quitou o valor de R$ 106.376,69, do total devido a título de IRPJ relativo à estimativa de dezembro/2004, só foi transmitida após o prazo legal em razão de um fato totalmente alheio à RECORRENTE. Parece, assim, pacífico que o valor da DCOMP retro indicada, transmitida em 10 de fevereiro de 2005, não pode entrar na base cálculo da multa imposta pelo Sr. AFRF, porque nenhuma infração foi cometida, sendo que, diferentemente do que consta no auto de infração objeto do presente processo administrativo, não houve atraso no cumprimento da obrigação por parte da Recorrente, uma vez que a própria Receita Federal reconheceu a impossibilidade de transmissão em 31 de janeiro de 2005. E se não houve infração, não se pode falar em penalidade. Entende a Recorrente que, a respeito, mais não precisa ser dito. Clara está a correção de seu procedimento e a improcedência da multa imposta, relativamente a essa compensação (DCOMP recebida pelo SERPRO em 10.2.2005). Resta, então, demonstrar a improcedência da multa imposta, relativamente a DCOMP transmitida em 30 de março de 2005. Quanto à complementação da quitação da estimativa de dezembro/2004 do IRPJ, esta se deu pela DCOMP 20963.26902.300305.1.3.020102, transmitida em 30 de março de 2005, no valor de R$19.774,85, mais juros de mora no valor de R$439,00, perfazendo um total de R$20.213,85, tudo conforme consta do próprio Termo de Verificação Fiscal. Aqui também não procede a imposição de multa isolada, haja vista o disposto no art. 138, do CTN. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já teve oportunidade de decidir que não existe diferença entre multa moratória e multa punitiva: ambas têm natureza punitiva e, portanto, são inexigíveis no caso de denúncia espontânea por parte do contribuinte, face ao que dispõe o art. 138, do CTN. [...] Diante do exposto, tendo em vista que na DCOMP n° 20963.26902.300305.1.3.020102, transmitida em março/2005, foram acrescidos os juros de mora correspondentes ao atraso, não há que se falar em imposição de multa Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 793 16 isolada, haja vista a ocorrência de denúncia espontânea e a quitação integral da estimativa de IRPJ de dezembro/2004. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ilustres Julgadores, diante de todo o exposto, requer a Recorrente que o presente recurso voluntário seja provido para o fim de reformar o Acórdão n° 16 24.551 proferido pela 3ª Turma da DRJ/SP I e cancelar os Autos de Infração objeto do presente processo administrativo, tendo em vista que: (i) os dispositivos legais que determinam a tributação dos lucros auferidos no exterior, independentemente da sua efetiva disponibilização para a controladora situada no Brasil, são inconstitucionais e ilegais; e (ii) é indevida a aplicação da multa isolada, porquanto o débito efetivamente extinto via compensação foi a estimativa de IRPJ de dezembro/2004 e não o IRPJ anual, sendo que, um mero equívoco formal no preenchimento das DCOMP’s que instrumentalizaram essa compensação não é suficiente para ensejar a aplicação de penalidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 794 17 intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 630642 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1624.551, de 11.03.2010, fls. 701720, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 795 18 As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal argumentando que o lucro auferido no exterior somente pode ser adicionado ao lucro líquido na data em que foram disponibilizados e não na data do balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano em que os lucros tenham sido apurados na pessoa jurídica controlada, independentemente do seu efetivo pagamento ou crédito. A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, prevê: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 796 19 § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art.16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. §1º Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. §2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 797 20 I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. §3º Na hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior serão adicionados ao lucro arbitrado para determinação da base de cálculo do imposto. §4º Do imposto devido correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior não será admitida qualquer destinação ou dedução a título de incentivo fiscal. A Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, prescreve: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. O CARF editou os seguintes enunciados de súmulas, que decorrentes de decisões reiteradas e uniformes e que são de observância obrigatórias pelos seus membros (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 20096: Súmula CARF nº 78: A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Súmula CARF nº 94: Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais 6 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Sumulas/listarSumulas.jsf>. Acesso em: 05 nov. 2014. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 798 21 pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. O Código Tributário Nacional prescreve: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) (Vide ADI nº 2588, 2001) Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Vide ADI nº 2588, 2001) Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 2.588 7, questionouse a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 e do § 2º do art. 43 do Código Tributário Nacional, que determinam a incidência do IRPJ e da CSLL nos lucros auferidos por empresas controladas ou coligadas no exterior, independentemente destes tornaremse efetivamente disponíveis para a controladora ou coligada no Brasil. Com baixa no Supremo Tribunal Federal (STF) em 25.08.2014 e com eficácia erga omnes e efeito vinculante, a matéria ficou assim definida: 7 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28ADI%24%2ESCLA%2E+E+2588% 2ENUME%2E%29+OU+%28ADI%2EACMS%2E+ADJ2+2588%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos&url =http://tinyurl.com/bzccgmg>. Acesso em: 05 nov. 2014. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 799 22 TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 800 23 de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. Decisão Apresentado o feito em mesa, o julgamento foi adiado por indicação de Sua Excelência, a Senhora Ministra Ellen Gracie, Relatora. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 18.12.2002. Decisão: Após o voto da Senhora Ministra Ellen Gracie, Relatora, rejeitando a preliminar de legitimidade e julgando procedente, em parte, o pedido formulado na inicial para declarar a inconstitucionalidade da expressão “ou coligada”, duplamente contida na cabeça do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, pediu vista o Senhor Ministro Nelson Jobim. Impedido o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Falou pela requerente o Dr. Gustavo do Amaral Martins. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 05.02.2003. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Nelson Jobim, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Maurício Corrêa. Plenário, 28.04.2004. Decisão: Após o voto da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora), julgando procedente, em parte, a ação, e do voto do Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente), julgandoa improcedente para dar interpretação conforme à Constituição, nos termos de seu voto, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Marco Aurélio. Renovado o relatório e a sustentação. Impedido o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela requerente, o Dr. Gustavo do Amaral Martins e, pela AdvocaciaGeral da União, o Dr. Álvaro Augusto Ribeiro Costa, AdvogadoGeral da União. Plenário, 09.12.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Marco Aurélio, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 24.02.2005. Decisão: Após o votovista do Senhor Ministro Marco Aurélio, julgando procedente a ação, no que foi acompanhado pelo Senhor Ministro Sepúlveda Pertence, pediu vista dos autos o Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 801 24 Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e Carlos Britto. Impedido o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Não participou da votação a Senhora Ministra Cármen Lúcia por suceder ao Senhor Ministro Nelson Jobim, que proferira voto. Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 28.09.2006. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski que, na linha dos votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence, julgava procedente a ação para dar interpretação conforme ao artigo 43, § 2º, do Código Tributário Nacional, de forma a excluir do seu alcance qualquer interpretação que resulte no desprezo da disponibilidade econômica ou jurídica da renda para efeito de incidência do imposto, e declarava a inconstitucionalidade do artigo 74, seu parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158, e do voto do Senhor Ministro Eros Grau que, acompanhando a linha do voto do Senhor Ministro Nelson Jobim, julgava improcedente a ação, também para dar interpretação conforme à Constituição, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Carlos Britto. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Cármen Lúcia e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 25.10.2007. Decisão: Após o votovista do Senhor Ministro Ayres Britto, julgando improcedente a ação direta para dar interpretação conforme ao artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no que foi acompanhado pelo Senhor Ministro Cezar Peluso (Presidente), e o voto do Senhor Ministro Celso de Mello, julgandoa procedente para dar interpretação conforme ao § 2º do artigo 43 do Código Tributário Nacional, o julgamento foi suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Impedido o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 17.08.2011. Decisão: Após o votovista do Ministro Joaquim Barbosa (Presidente), julgando parcialmente procedente a ação direta para dar interpretação conforme a Constituição ao art. 74 da Medida Provisória nº 2.158, de modo a limitar a sua aplicação à tributação das pessoas jurídicas sediadas no Brasil cujas coligadas ou controladas no exterior estejam localizadas em países de tributação favorecida, ou seja, países desprovidos de controles societários e fiscais adequados, normalmente conhecidos como “paraísos fiscais”, o julgamento foi suspenso. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Não participam da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que já proferiram votos em assentadas anteriores. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Plenário, 03.04.2013. Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 802 25 empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. Ademais, cabe transcrever a ementa seguinte que bem resume toda a circunstância jurídica aqui tratada: Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158 35/2001. 1. No julgamento da ADI 2.588/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados “paraísos fiscais”); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados “paraísos fiscais”). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art. 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. (RE 541090, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe213 DIVULG 29102014 PUBLIC 30102014) Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 803 26 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 644655: Da tributação dos lucros auferidos pela Yeridan S/A em 2004 [...] Por fim, cabe ainda sobressair os valores declarados pela fiscalizada nas Fichas 4 ("Participações no Exterior") e 44 ("Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração") da DIPJ do anocalendário de 2004. Na Linha 13 da Ficha 44 correspondente Yeridan S/A, a fiscalizada declarou que a subsidiária integral estrangeira apurou um lucro em 2004 no valor de R$2.496.442,87. No entanto, na Ficha 43 declarou um total de lucros disponibilizados de R$2.145.532,95 (o mesmo montante declarado a título de lucros disponibilizados do exterior na Linha 05 da Ficha 09A e na Linha 05 da Ficha 17, e que teria sido distribuído, conforme o já mencionado "Demonstrativo de Equivalência Patrimonial Item 11", apresentado como resposta ao Termo de Intimação n° 02). Destarte, resta evidente a necessidade de lançamento do IRPJ e da CSLL, decorrentes da diferença entre o valor de lucro auferido pela Yeridan S/A no ano calendário de 2004 e aquele efetivamente oferecido ã tributação pela fiscalizada. O demonstrativo a seguir evidencia a base de cálculo do presente lançamento de oficio: Lucro auferido pela Yeridan S/A em 2004 e que deveria ter sido oferecido à tributação pela fiscalizada, em cumprimento ao disposto no caput do art 74 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001 [A] R$2.496.442,87 Lucro do exterior oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL pela fiscalizada na DIPJ [B] R$2.145.532,95 Base de cálculo do lançamento de oficio do IRPJ e da CSLL [C=AB] R$350.909,92 [...] Em consequência, a apuração de tais lucros caracteriza fato gerador IRPJ e de CSLL, porquanto as empresas nacionais controladoras têm plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada. Ademais, para que haja a disponibilidade econômica, basta que o patrimônio resulte economicamente acrescido por um direito, ou por um elemento material, identificável como renda ou como provento de qualquer natureza, independente de ser um direito ainda não seja exigível, desde que possa ser economicamente avaliado e, efetivamente, acresça ao patrimônio. Ademais, a legislação comercial nacional considera os ganhos auferidos com os investimentos em controladas como integrantes do lucro das sociedades nacionais (art. 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com a redação dada pelo art. 37 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009). Ressaltese que, no caso da Recorrente/Controladora em relação aos lucros obtidos no exterior decorrentes da Yeridan S/A/Controlada situado no Uruguai, que não é paraíso fiscal, e não tem tratado internacional, temse verdadeira hipótese de aquisição da disponibilidade jurídica desses lucros no momento da sua apuração no balanço realizado pela Recorrente/Controladora. Assim, a disponibilidade dos lucros da Yeridan S/A/Controlada depende exclusivamente da Recorrente/Controladora, que detém o poder decisório sobre o destino dos lucros, ainda que não remetidos para o Brasil em sua totalidade no anocalendário de 2004. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício isolada. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 804 27 mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna8. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação dos ilícitos tributários previsto na legislação de regência, ou seja, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Distintas, são as aplicações das multas de ofício isoladas por falta de recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no anocalendário correspondente9. Essas infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação, por essa razão não há que se falar em duplicidade ilegal de aplicação de multas de ofício. Vale esclarecer que a previsão legal que possibilita a imposição de mais de uma penalidade no mesmo Auto de Infração é admissível, desde que se trate de ilícitos distintos10, como é o caso tratado no presente processo. No caso em que obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais 8 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 9 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10 Fundamentação legaç: art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 805 28 branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna11. Por seu turno, o enunciado da Súmula CARF nº 93 determina que “a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa”. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 644655: Da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa obrigatória de IRPJ [...] Por meio do Termo de Intimação n° 03, a fiscalizada foi intimada a esclarecer como se deu a extinção dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL declarados na DIPJ do anocalendário de 2004, bem como a apresentar cópias de todos os documentos que atestassem a extinção de tais créditos tributários. Em sua resposta (fls. 50/70), a fiscalizada informou que os débitos de IRPJ de 2004 foram extintos por meio da entrega de Declarações de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: Total do débito de IRPJ: R$126151,55 Valor compensado R$106.376,69 R$19.774,85 Número da DCOMP 14843.35755.100205.1.3.025503 20963.26902.300305.1.3.020102 O exame das informações constantes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativas às DCOMP acima identificadas evidenciam as seguintes características das compensações (fls. 180/193): DCOMP 1 DCOMP 2 N° da DCOMP 14843.35755.100205.1.3.025503 20963.26902.300305.1.3.020102 Data de transmissão 10/02/2005 30/03/2005 Código da receita e denominação do débito compensado 243001 IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual 243001 IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual Período de apuração 2004 2004 Valor do principal R$106.376,69 R$19.774,85 Valor da Multa 0,00 0,00 Valor dos Juros 0,00 R$439,00 Valor Total R$106.376,69 R$20.213,85 A análise dos dados acima patenteia que a extinção sob condição resolutória (em consonância com o que dispõe o art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela 11 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 806 29 Lei n° 10.637/2002) do débito de IRPJ se deu parte em 10/02/2005 e parte em 30/03/2005, e portanto, após o vencimento da estimativa apurada em dezembro de 2004. Ademais, impõese concluir que houve a extinção do valor de R$126.151,55, como se este constituísse o saldo do ajuste anual, o qual seria apurado após compensadas todas as antecipações realizadas. É oportuno sobressaltar que nas próprias DCOMP apresentadas ate mesmo o código do tributo compensado (2430) se refere ao ajuste anual, e não a antecipação obrigatória. [...] Por conseguinte, é evidente que não houve a extinção da estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. Outrossim, a falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ constitui conduta ilícita sancionada pelo ordenamento jurídico. [...] Assim, impende a aplicação da multa isolada em decorrência da falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ relativa a dezembro de 2004, conforme demonstrativo a seguir: Estimativa mensal devida (A) R$126.151,55 Percentual da multa aplicável (B) 50% Multa isolada a ser lançada (A x B) R$63.075,77 Os Per/DComp nºs 14843.35755.100205.1.3.025503 e 20963.26902.300305.1.3.020102, fls. 227240, que foram apresentadas em 2005, ou seja, antes do início da ação fiscal, fls. 0411, e extinguiram os débitos ali confessados sob condição resolutória (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Não constam nos autos que esses Per/DComp tenham sido objeto de questionamento por parte da RFB. O fato de serem informados nos Per/DComp débitos em atraso não foi a causa da ação fiscal, que se baseou na espécie de tributo ali confessados. Por outro lado, os débitos ali extintos referemse ao código nº 2430 IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual e não ao IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de dezembro do anocalendário de 2004, a despeito de a Recorrente alegar identidade de valores. Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou de redução e no Livro de Apuração do Lucro Real Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Os assentos contábeis que foram produzidos nos autos também não comprovam a suspensão ou redução do débito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de dezembro do anocalendário de 2004. Sobre a denúncia espontânea da infração temse que deve ser acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tão Fl. 806DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 807 30 somente tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal12. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 13, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF14. Essa infração tratase de penalidade distinta (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de 27 de dezembro de 2014) daquela multa de ofício proporcional imposta sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista em diferente dispositivo da legislação (inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de 27 de dezembro de 2014). Por essa razão não há que se falar que a Recorrente estivesse amparada pelo instituto da denúncia espontânea por não se tratar de tributo mas sim de multa de oficio isolada decorrente do não pagamento do débito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de dezembro do anocalendário de 2004. Depois de notificada do Termo de Intimação n° 03, fl. 53, ainda assim, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório que já consta nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso15. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 12 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 13 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 14 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 15 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16561.000116/200716 Acórdão n.º 1803002.484 S1TE03 Fl. 808 31 O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 17. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 17 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 35564.005313/2006-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1998
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 53 13 /2 00 6- 57 Fl. 5603DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Sociedade de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 44/157, para cobrança de contribuições previdenciárias à Seguridade Social relativas às contribuições de segurados caracterizados como empregados, no período compreendido entre janeiro de 1992 a dezembro de 1998. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte exarou o acórdão n° 240101.580, que se encontra às fls. 2275/2281 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio da súmula vinculante nº8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal notificante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportam o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos Fl. 5604DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35564.005313/200657 Acórdão n.º 9202003.500 CSRFT2 Fl. 8 3 pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. EXISTÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Devidamente comprovado os requisitos do vínculo de emprego, deve a fiscalização proceder a descaracterização do vínculo pactuado e proceder ao levantamento dos valores devidos à seguridade social. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência, declarando, a impossibilidade de cobrança das contribuições apuradas até a competência de 09/1996, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, para reconhecer comprovada a caracterização do vínculo de trabalho entre os profissionais médicos e a empresa. Regularmente intimada do acórdão em 21/01/2011 (fls. 2282), a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 2285/2289), sustentando omissão no acórdão quanto à existência de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias apuradas no processo. Os Embargos de Declaração não foram conhecidos nos termos do despacho de fls. 2290/2291 (Despacho em Embargos nº 2401100, de 07/12/2011). Intimada do Despacho em Embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 2295/2299, por meio do qual sustenta divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230100253, no tocante à contagem da decadência em situações nas quais não ocorra o recolhimento antecipado dos tributos devidos. Ao Recurso Especial foi dado seguimento conforme Despacho nº 2400 216/2012, de 08/05/2012 (fls. 2301/2302). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 2307/2321. É o Relatório. Fl. 5605DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230100.253, assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado.” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento antecipado do tributo. O paradigma colacionado, no entanto, manifesta o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, entendendo que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entendo, portanto, comprovada a divergência. A discussão no presente recurso é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Fl. 5606DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35564.005313/200657 Acórdão n.º 9202003.500 CSRFT2 Fl. 9 5 Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 5607DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. De fato, tenho entendido que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados, nestes envolvidas todas as rubricas e verbas pagas ao empregado e não apenas aquela objeto do lançamento. Fl. 5608DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35564.005313/200657 Acórdão n.º 9202003.500 CSRFT2 Fl. 10 7 No presente caso, da análise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF (fls. 154) é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo, pois foram examinadas pela fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e comprovantes de recolhimento. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 24/10/2001 (fls. 44), deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 09/1996. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 5609DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005989/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual,antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 04/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Odmir Fernandes (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Ricardo Anderle (Suplente convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual,antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 04/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Odmir Fernandes (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Ricardo Anderle (Suplente convocado).
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OCORRÊNCIA.CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual,antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 04/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 59 89 /2 00 7- 35 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Odmir Fernandes (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Ricardo Anderle (Suplente convocado). Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0624.044, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR): “Tratase de Notificação lavrada em virtude do contribuinte ter. apresentado DIRPF Declaração de Ajuste Anual do IRPF, exercício 2005, anocalendário 2004, com omissão de rendimentos no valor de R$ 2.014,60 recebidos através de ação na justiça federal e R$ 34.190,33 recebidos em decorrência de ação trabalhista movida contra Banco do Brasil SA. Além disso, também foi apurada omissão de rendimentos de aluguel recebidos pela dependente Lourdes Maria Monticelli no valor de R$980,10. O presente processo é conexo com o de número 10935.006753/2007 16. O crédito tributário apurado na presente Notificação perfaz o montante de R$ 23.440,39, assim considerado: valor do imposto suplementar acrescido de multa de oficio e juros de mora (cálculo válido para 08/2007). Intimado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva, alegando, em apertada síntese, que: Em julho de 1995 o contribuinte aderiu ao programa de demissão voluntária do Banco do Brasil e, posteriormente moveu . ação trabalhista contra o banco solicitando verbas complementares à rescisão. Em 2003 sacou valores parciais e, em 2004, recebeu a importância de R$177.755,25 com IRRF de R$22.673,45 e desembolsou R$52.351,00 de honorários advocatícios. Complementa sua defesa contábil afirmando que concorda com a omissão de R$ 980,10 de aluguel recebido pela sua dependente. Concorda também com a omissão de R$ 2.014,60 (com IRRF de 60,44) referente aos rendimentos recebidos na ação da justiça federal. Após analisar o relatório da Notificação produzido pela fiscalização, o impugnante apresenta contestação dos valores apurados conforme tabelas de fls. 1011 e 1219.Discorda dos valores apontados e alega que declarou R$320,92 a mais do que deveria no campo dos rendimentos tributáveis. Alega também que apenas 64,11% do rendimento recebido seria tributável e que a parcela isenta seria de 29,99%, concordando com o percentual tributável exclusivamente na fonte de 5,9%. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10935.005989/200735 Acórdão n.º 2202002.833 S2C2T2 Fl. 3 3 Conclui que, para o anocalendário 2004, o rendimento tributável é de R$94.932,61, o rendimento com tributação exclusiva na fonte é de R$8.736,58 e os rendimentos isentos e não tributável totalizam R$ 44.408,51. Alega que o IRRF referente ao rendimento tributado exclusivamente na fonte é de R$ 1.911,37 (8,43%). A diferença entre o valor considerado tributável apurado pelo fiscal para o alegado pela defesa se refere a: · R$ 880,54 de FGTS sobre o auxílio alimentação; · R$ 31.427,70 de FGTS sobre verbas trabalhistas (demonstrado no anexo I, fl.24 e documentos de fls.2635); · R$ 11.045,69 de aviso prévio e outras indenizações (anexo II, fl.36); · R$ 5.488,19 de abono pecuniário e férias não gozadas; · R$ 7.950,44 referente a férias não gozadas e indenizadas na rescisão; · R$ 38.736,99 prêmio PDV; · R$ 15.015,23 de Licença prêmio indenizada. Anexa documentação referente à trabalhista movida contra o Banco do Brasil, planilha de cálculo da fiscalização, guia de pagamento e planilha de embargos à execução. Afirma que concorda com o tratamento dado às verbas tributáveis exclusivamente na fonte no valor de R$ 41.78 1,11. Após a apuração demonstrada na defesa, afirma que o rendimento total não tributável é de R$212.319,71. Requer, ainda, ,que seja compensado imposto a pagar do anocalendário 2004 no valor de R$ 1.762,68 com o saldo a receber referente ao anocalendário 2003.” A DRJCTA.(PR), julgou a impugnação improcedente, fls. 142, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. AVISO PRÉVIO E FÉRIAS NÃO GOZADAS. São rendimentos isentos ou não tributáveis os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio, aviso prévio e férias não gozadas, por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral. RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. São isentos ou não tributáveis os créditos trabalhistas percebidos a título de programa de demissão voluntária PDV e os direitos relativos ao FGTS. Impugnação Procedente em Parte Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 12/11/2009, fls. 150, o interessado em 07/12/2009, junta aos autos a petição de fls. 152 informando que ajuizou ação judicial, em tramite perante a 1ª Vara Federal de Cascavel (Processo nº 2008.70.05.0042404), com o mesmo objeto da autuação. Pede a suspensão destes autos até a decisão final da ação judicial. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2201000.063, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Não há propriamente Recurso Voluntário do contribuinte para exame. Existe mera petição do autuado pedindo para suspender o processo porque passou a discutir a matéria, o objeto desta autuação, perante o Poder Judiciário. Considerando a existência da mencionada ação judicial proposta pelo Recorrente, não é possível a apreciação do presente processo administrativo, sendo o caso de aplicação da Súmula CARF nº 1, a qual determina: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante de todo o exposto, não conheço do recurso por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10935.005989/200735 Acórdão n.º 2202002.833 S2C2T2 Fl. 4 5 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907396/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
DCTF. ESPONTANEIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Os valores declarados em DCTF espontânea, seja original ou retificadora, somente podem ser desacreditados mediante procedimento de iniciativa da Administração Tributária ou ainda mediante a existência de outras provas nos autos que os contraponham.
Numero da decisão: 1801-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). DCTF. ESPONTANEIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Os valores declarados em DCTF espontânea, seja original ou retificadora, somente podem ser desacreditados mediante procedimento de iniciativa da Administração Tributária ou ainda mediante a existência de outras provas nos autos que os contraponham.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). DCTF. ESPONTANEIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Os valores declarados em DCTF espontânea, seja original ou retificadora, somente podem ser desacreditados mediante procedimento de iniciativa da Administração Tributária ou ainda mediante a existência de outras provas nos autos que os contraponham. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 73 96 /2 00 9- 15 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.907396/200915 Acórdão n.º 1801002.274 S1TE01 Fl. 277 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AÇÚCAR GUARANI S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1432.653 (fl. 135), pela DRJ Ribeirão Preto, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 17385.78531.191108.1.3.046159, que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 130: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que alega, em resumo: (i) que o pagamento realizado a maior, por não ser devido, não possui natureza de antecipação do tributo, não cabendolhe a restrição imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; (ii) que esse dispositivo é ilegal e não deve ser aplicado ao caso; (iii) que esse dispositivo já foi revogado pela Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008; (iv) que o valor pago a maior não foi utilizado de qualquer forma, não havendo prejuízo ao erário na sua repetição. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que, em razão da proibição contida no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, o alegado crédito deveria ser analisado como saldo negativo e que não havia nos autos prova suficiente da liquidez e certeza de saldo negativo de forma a suprir a compensação. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 02/02/2006 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.907396/200915 Acórdão n.º 1801002.274 S1TE01 Fl. 278 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Datado fato gerador: 02/02/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Cientificado dessa decisão em 25/04/2011, por meio de remessa postal (fl. 144), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 145), em 24/05/2011, em que alega, em resumo: i) que é nulo o despacho decisório, em vista do advento de novo fundamento para a recusa de seu pleito, contida na decisão proferida pela DRJ; ii) que seu crédito tem natureza de pagamento a maior e que os autos demonstram a sua liquidez e certeza; iii) que o pagamento realizado a maior, por não ser devido, não possui natureza de antecipação do tributo, não cabendolhe a restrição imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; iv) que esse dispositivo já foi revogado pela Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O recorrente entende que a decisão a quo mudou o critério jurídico que sustentaria a exigência do crédito tributário em análise, propugnando pela anulação do despacho decisório. Entendo que tal argumento não se sustenta. O crédito tributário envolvido na presente causa é a Cofins devida em outubro de 2008 (fl. 128), que foi apurada e confessada pelo contribuinte em sua DCOMP. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.907396/200915 Acórdão n.º 1801002.274 S1TE01 Fl. 279 4 Esse crédito tributário não sofreu qualquer alteração, seja de valor ou de forma de apuração, seja pela decisão da DRF ou da DRJ. Por outro lado, o que diverge entre essas duas decisões é a caracterização do valor pago pelo contribuinte e que agora está sendo reclamado. O contribuinte entende que se trata de pagamento a maior passível de restituição/compensação. A DRF entendeu que tal valor não é passível de restituição/compensação e a DRJ entendeu que tal valor não é pagamento a maior, mas tributo sujeito a restituição/compensação quando compõe o saldo negativo apurado no final do exercício. Assim, não se trata de mudança no critério jurídico para a exigência de crédito tributário, mas de divergência na caracterização da natureza jurídica do valor pago, o que não dá ensejo à anulação de qualquer decisão, mas exige uma definição conforme o melhor direito. Nesse mister, devese dizer que foi superada a barreira imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, que impedia a compensação de estimativas. O advento da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa, conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não mais existe o fundamento legal que levou a DRF a não homologar a compensação e que levou a DRJ a atribuir ao pagamento uma natureza jurídica diferente daquela pleiteada pelo contribuinte. Portanto essas decisões merecem reforma, embora não se possa falar em nulidade, mormente quando o fim da referida barreira se deu pelo efeito retroativo de uma norma superveniente. Neste ponto, verificase que assiste razão ao recorrente quando afirma que o valor aqui guerreado tem natureza de pagamento a maior e é passível de restituição/compensação. Vencida essa questão preliminar, é necessário aprofundar a verificação do mérito do pedido e perquirir sobre a liquidez e certeza do indébito. Compulsando os autos, verificamse os seguintes fatos: em 03/02/2006 (fl. 113), o contribuinte apresenta DCTF em que confessa o crédito tributário de estimativa de IRPJ referente a dezembro de 2005 no valor de R$ 2.936.389,72 (fl. 114), vinculando a esse crédito tributário dois pagamentos, um de R$ 506.036,54 (principal, multa e juros) e outro de 2.438.616,21, que quitariam a dívida (fl. 115); esses pagamentos foram realizados, respectivamente, em 02/02/2006 e 31/01/2006 (fls. 123 e 124); em sua DIPJ original (fl. 26), o contribuinte declara que a estimativa para o mesmo tributo e período teve o valor de R$ 2.315.822,77, ou seja, um valor inferior ao declarado em DCTF, com diferença a menor de R$ 620.566,95; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.907396/200915 Acórdão n.º 1801002.274 S1TE01 Fl. 280 5 em 19/11/2008 (fl. 125), o contribuinte apresenta a DCOMP sob análise, afirmando ter um indébito de pagamento a maior realizado por meio do DARF de R$ 506.036,54, acima referido; em 10/11/2008 (fl. 116), o contribuinte apresenta DCTF retificadora em que altera o crédito tributário de estimativa de IRPJ referente a dezembro de 2005 para o valor de R$ 2.315.822,77 (fl. 117), vinculando a esse crédito tributário apenas o pagamento de 2.438.616,21, liberando o pagamento de R$ 506.036,54 acima referido (fl. 118); em 07/10/2009 (fl. 130), a Administração Tributária emitiu o Despacho Decisório aqui guerreado, não reconhecendo o indébito apontado na referida DCOMP, conforme já foi relatado. Assim, verificase que, na data da apreciação da DCOMP, o contribuinte já havia apresentado DCTF retificadora alterando para menos o valor devido da estimativa de IRPJ relativa a dezembro de 2005 e desvinculando o pagamento apontado como indébito na mesma DCOMP. Entendo que a DCTF retificadora deve ser aceita como prova do indébito, em razão da presunção de legitimidade das declarações espontaneamente apresentadas pelos contribuintes, mesmo sendo retificadoras, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.100, de 2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os valores declarados em DCTF espontânea somente podem ser desacreditados mediante a existência de outras provas nos autos que os contraponham ou ainda Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.907396/200915 Acórdão n.º 1801002.274 S1TE01 Fl. 281 6 mediante procedimento de iniciativa da Administração Tributária, conforme o artigo 8º da Instrução Normativa supracitada: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Nenhuma dessas condições são atendidas na espécie, de forma que é forçoso reconhecer o pagamento indevido em tela. Por todo o exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório declarado na DCOMP em tela e homologando a compensação até o limite do crédito disponível, devendo a unidade de origem verificar esse limite. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13204.000065/2004-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO PELOS CORREIOS. DATA DA POSTAGEM. PROVA.
Data de postagem da correspondência aferida no carimbo dos Correios existente no envelope, a qual é reafirmada pelo cartão do Aviso de Recebimento (AR). Intempestividade que se mantém.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO PELOS CORREIOS. DATA DA POSTAGEM. PROVA. Data de postagem da correspondência aferida no carimbo dos Correios existente no envelope, a qual é reafirmada pelo cartão do Aviso de Recebimento (AR). Intempestividade que se mantém. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3403002.766, de 25 de fevereiro de 2014, cuja ementa é a seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 65 /2 00 4- 42 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PROTOCOLO PELOS CORREIOS. POSSIBILIDADE. CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ADN 19/1997 C/C ART. 33 DO PAF. A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios e Telégrafos. No entanto, a postagem, realizada a título de interposição, deve acontecer dentro do prazo de 30 dias, contados da notificação do acórdão. A interposição depois de ultrapassado tal prazo implica na intempestividade do recurso. Recurso não conhecido. Nos embargos de declaração o contribuinte sustenta que o seu recurso voluntário seria tempestivo, conforme documentos que apresenta. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O embargante alega, em síntese, “que consoante se extrai do certificado de pastagem e AR dos Correios para Receita Federal do Brasil — Abaetetuba em anexo, vislumbrase a completa tempestividade do Recurso Voluntário, tendo em vista que a data de cie ncia do acórdão foi em 04/04/2012. Ora, se a pastagem do Recurso Voluntário, de acordo com o certificado de pastagem em anexo se ultimou no dia 04/05/2012, resta claro que o referido recurso é tempestivo, a despeito de ter ocorrido atraso na entrega realizada pelos Correios e de o AR apenas ter sido assinado no dia 08/05/2012”. Em primeiro lugar, confirase que o acórdão embargado em nenhum momento pretendeu tomar como data da interposição do recurso voluntário a data do recebimento da correspondência na Delegacia. Revisese os termos do voto do acórdão embargado: O voto esclarece o seguinte: O recurso voluntário foi protocolado em 07/05/2012, data em que aconteceu a postagem nos Correios (fl. 214). Não há dúvida quanto à possibilidade de interposição do recurso por meio dos Correios, conforme autorizado pelo Ato Declaratório Normativo nº 19, de 26/05/1997. No entanto, a postagem, realizada a titulo de interposição do recurso voluntário, tem de acontecer dentro do prazo de 30 dias, conforme previsto no art. 33 do Processo Administrativo Fiscal (PAF – Decreto nº 70.235/72). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000065/200442 Acórdão n.º 3403003.046 S3C4T3 Fl. 362 3 Ocorre que a interposição no caso concreto aconteceu apenas depois de ultrapassado o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O embargante apresenta dois documentos. O primeiro é um formulário entitulado “certificado de postagem”, no qual consta carimbo do dia 04 de maio de 2012. Além do carimbo, há o preenchimento do “número do objeto” feito a mão e a indicação do valor da postagem. No entanto, não há nenhuma autenticação mecânica ou identificação da data do recebimento do valor ou de carimbo de identificação do agente dos Correios. O segundo documento é o Aviso de Recebimento (AR) da correspondência. Nele consta a etiqueta impressa de identificação do “número do objeto”, um carimbo de identificação do agente dos Correios, a anotação e o carimbo identificando que o destinatário recebeu a correspondência no dia 08/05/2012 e, mais especialmente, um carimbo da mesma agência atestando que a data de postagem foi dia 07 de maio de 2012 – ou seja, a mesma data que é indicada nos carimbos existentes no envelope (fl. 214). O AR, portanto, confirma a data existente no envelope, corroborando a convicção de que esta foi a data da postagem, e que deve ser considerada como data de interposição do recurso voluntário. O primeiro documento destoa tanto da data constante do envelope como da data constante do AR. Ele pretende ser um recibo, mas não há nenhum comprovante do pagamento do valor nele indicado. Nenhuma autenticação mecânica. Em 2012 já era emitido pelos Correios o comprovante em formato de cupom fiscal, o qual registra o recebimento do valor da postagem e que, assim, atesta a data em que houve a postagem da correspondência na agência dos Correios. Este documento não veio aos autos. De outro lado, não parece razoável acreditar que o agente dos Correios pudesse ter recebido o envelope e simplesmente deixado de carimbálo, no ato do recebimento, deixando para fazêlo apenas dias depois. Por estas razões, entendo que todas sa provas que merecem fé corroboram com a convicção de que a data da postagem nos Correios aconteceu no dia 07/05/2012, tal como aferido no acórdão embargado, cujo entendimento, pois, mantémse íntegro. Voto pela rejeição dos embargos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003873/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2007
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Numero da decisão: 2301-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em negar provimento ao recurso.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em negar provimento ao recurso. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 38 73 /2 01 0- 61 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.304.9323, no montante de R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais), tendo como sujeito passivo a Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina. Conforme Relatório Fiscal [fls. 34 e 42], o lançamento referese à apresentação incorreta de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências de 01/2005 a 01/2007, por ausência de declaração do fato gerador Auxílioalimentação: “A auditoria foi realizada na Secretaria de Estado da Fazenda, referente às remunerações pagas aos servidores ocupantes de cargos, em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, ocupantes de emprego público e aos contratados por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, vinculados ao Regime Geral de Previdência Social —RGPS —, em decorrência da Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de1998 (Art.1°, §13)”. “Nesta, constatouse, na folha de pagamento, a existência de rubricas intituladas"AUXÍLIOALIMENTAÇÃO", pagas em pecúnia (moeda corrente), cujos montantes não estão inclusos nos salários de contribuição dos segurados econsequentemente não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias”. O Estado de Santa Catarina, cientificadoda notificação, apresentou, em 26 de novembro de 2010 [fl. 48], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese,bis in idem einexistência de fato gerador da contribuição previdenciária em relação ao auxílio alimentação [fls. 48 a 53]: “Incabível a cumulação de duas penalidades acerca da mesma supostainfração fiscal. Contra o Estado já foram lançados todos os valores referentesao vale alimentação acrescidos estes da multa punitiva (Auto de Infração n°37.304.9307 e n° 37.304.9315)”. “De acordo com a Lei Estadual n° 11.647 de 28.12.2000 e seu Decretoregulamentador n° 1989 de 29 de dezembro de 2000, que trata do AuxilioAlimentação para o Servidor Público, o mesmo não será incorporado aovencimento, remuneração ou pensão; não será configurado como rendimentoe nem sofrerá incidência de contribuição para o Plano de Seguridade Social doServidor Público; igualmente não será caracterizado como salário utilidade ou prestação salarial ‘in natura’”. “[…] 0 auxílioalimentação instituído no Estado de Santa Catarinapor meio da Lei n° 10.746/97 é pago em dinheiro, Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.003873/201061 Acórdão n.º 2301003.918 S2C3T1 Fl. 87 3 portanto completamenteinviável a adesão do PAT. Porém, como não se refere A. empresa, mas a serviçopúblico, categoria especial, a mesma isenção de contribuição previdenciária deveser aplicada”. “[...] 0 impedimento de adesão ao PAT pelo fato de ser opagamento efetuado em dinheiro, não pode impor condição diferenciada eprejudicial ao Seiviço Público, face à equivalência de objetivo, o de prestarassistência adicional ao Corpo de Funcionários”. Na defesa apresentada, o contribuinte arguiu que não pode inscrever os servidores públicos no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT por realizar o pagamento em dinheiro e não podem razão disso ser prejudicado, não devendo incidir contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, em 24 de novembro de 2011, no acórdão no 0726.778 – 5a Turma da DRJ/FNS, manteve o crédito tributário exigido [fls. 62 a 70], concluindo que: “Não procedem as alegações do impugnante de que esta havendo dupla aplicação de penalidade, ao argumento de que a multa punitiva também está sendo exigida nos Autos de Infração ns° 37.304.9307 e 37.304.9315. Nesses autos citados, que diz respeito ao lançamento da obrigação principal, não se exige qualquer multa pelo inadimplemento da obrigação do recolhimento das contribuições previdenciárias nas competências 01/2005 a01/2007, uma vez que não havia permissivo legal para tanto, consoante destacado no Relatório Fiscal pela autoridade lançadora, portanto, tenho por desprovidas de fundamento e correto o procedimento fiscal que procurou aplicar o valor que melhor beneficiou o contribuinte,segundo a legislação anterior ou a atual, no caso presente a atual”. “A autoridade fiscal relata que o auxilioalimentação foi pago em pecúnia e que a Secretaria não está inscrita no PAT, não encontrando guarida na hipótese de exclusão do art. 28, §9°, da Lei n° 8.212/91”. “Assim, em sendo considerado o pagamento como de natureza salarial, temseque se constitui em fato gerador de contribuições previdenciárias, do qual, o sujeito passivo está obrigado a declarálos em GFIP, o que ensejou a lavratura do auto de infração, cujos fundamentos caracterizadores serão infra abordados”. “0 fato da Lei Estadual n° 11.647/00, instituidora do programa de alimentação, dispor sobre o seu caráter indenizatório e sua não incorporação ao vencimento,remuneração, provento ou pensão, bem como não se configurar rendimento tributável e de incidência de contribuição para O Plano de Seguridade do Servidor Público, não se sobrepõe à legislação federal que regula a matéria, posto que a competência aqui é da Unido para legislar sobre o Regime Geral de Previdência Social (RGPS)”. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 O Estado de Santa Catarina recebeu o ofício em 19 de dezembro de 2011e, em 10 de janeiro de 2012, apresentou recurso voluntário repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Por ser tempestivo conheço o recurso interposto. DOS VALORES PAGOS COMO VALE ALIMENTAÇÃO E VALE REFEIÇÃO Como narrado no relatório fiscal, a empresa disponibilizou, conforme previsão em Acordo Coletivo de Trabalho, o benefício da alimentação e refeição a seus empregados, sem, contudo, ter comprovado a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. Tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). Confirase, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.003873/201061 Acórdão n.º 2301003.918 S2C3T1 Fl. 88 5 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). Outrossim, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovou parecer vinculativo em que atesta: “Não incide contribuição previdenciária quando a empresa não tem inscrição no PAT” (Parecer n. 2117 de 10/11/2011, Despacho do Ministro de Estado da Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011). No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.003873/201061 Acórdão n.º 2301003.918 S2C3T1 Fl. 89 7 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporta, mesmo que em pecúnica” É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. Ressaltase que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. É o caso, portanto, de dar provimento ao recurso nesta parte. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RelatorRelator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000768/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/07/2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIF - Papel Imune
A falta de apresentação da DIF - Papel Imune no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa fixa para cada período no qual a apresentação for feita em atraso.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO.
Tratando-se de caso não definitivamente julgado, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.309
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiaitti e Nanci Gama.
.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/07/2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIF - Papel Imune A falta de apresentação da DIF - Papel Imune no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa fixa para cada período no qual a apresentação for feita em atraso. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO. Tratando-se de caso não definitivamente julgado, a lei aplica-se a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/07/2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIF Papel Imune A falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enseja a aplicação de multa fixa para cada período no qual a apresentação for feita em atraso. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROAÇÃO. Tratandose de caso não definitivamente julgado, a lei aplicase a fatos pretéritos quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiaitti e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 07 68 /2 00 5- 07 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 . Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou o lançamento procedente, por entender que a não apresentação ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. A ora Recorrente foi notificada da lavratura de Auto de Infração para lhe exigir multa regulamentar em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (D1FPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, em especial, o artigo 57 da MP 2.15835/2001, a IN SRF 7112001 e a IN SRF 159/2002. O ora Recorrente impugnou o lançamento, requerendo o cancelamento da multa c/c o cancelamento da empresa como estabelecimento gráfico, em função das dificuldades por que passam a empresa e os sócios, na medida que não houve dolo. A DRJ em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente nos seguintes termos: DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a multa pela entrega em atraso da uma única DIF – Papel Imune, relativa a competência de 07/2004, que apenas foi apresentada em março de 2005 (oito meses após). A Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune) foi instituída pela IN SRF 71/2001, alterada pelas IN SRF 101/2001 e 134/2002, dispondo nos seguintes termos. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.000768/200507 Acórdão n.º 3102002.309 S3C1T2 Fl. 13 3 Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pela IN SRF 134, de 08/02/2002) Parágrafo único. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. (grifos meus) MP 2.15835/01 Art. 57.O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. A Instrução Normativa 71/2001 foi, contudo, revogada pela Instrução Normativa RFB 976/09, por sua vez alterada pelas Instruções Normativas 1.011 de 2010, restando o texto como a seguir transcrito. Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. A matriz legal das Instruções acima referidas é a Lei 11.945/09, que trouxe novas regras, alterando o valor das multas aplicadas. Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Posteriormente o artigo 57 da MP 2.15835, remissão feita pelas Instruções Normativas revogadas, foi alterado pela Lei nº 12.766/12 que passou a ter a seguinte redação Art. 8o O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.000768/200507 Acórdão n.º 3102002.309 S3C1T2 Fl. 14 5 a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo auto arbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) Como se vê, inicialmente a MP 2158/01 impunha multa de R$ 5.000,00 (ou R$ 1.500,00 para empresa optante pelo SIMPLES), por mês calendário, para as empresas que atrasassem a entrega da DIFPapel Imune. A Lei 11.945/09, por sua vez, definiu multa fixa de 2.500,00 ou R$ 5.000,00, reduzidas pela metade se apresentadas antes de qualquer procedimento de ofício. A Lei nº 12.766/12, de outra parte, estabeleceu multas de R$ 500,00 para as empresas optantes pelo lucro presumido e R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo auto arbitramento. Quando a lei nova impõe penalidade menos gravosa, deve ser aplicada a fatos pretéritos ainda não transitados em julgado, tal como disciplina o Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos meus) Conforme consta do auto de infração, o valor base de R$ 1.500,00, vigente à época da autuação para a empresa optante do Simples (fl.15), foi aplicado oito vezes para a obrigação vencida em 30/07/2004. Assim, verificase que a pena foi mais gravosa do que a determinada pela legislação superveniente, pois termina sendo superior ao valor de R$ 1.250,00, resultante da redução em 50% da multa de R$ 2.500,00 pela apresentação da DIF – Papel Imune antes de qualquer procedimento de ofício. Nestes termos, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, mantendo a exigência de multa pela não apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido, uma única vez, no valor de R$ 1.250,00. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000183/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3202-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza de Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza de Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
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INSUMOS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AGROFÉRTIL SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza de Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 83 /2 00 8- 83 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional (efl. 285/ss), em face do Acórdão nº 320201.021, de 27/11/2013, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. Alega a embargante que teria havido omissão no votocondutor do Acórdão por não ter apontado quais seriam os bens e serviços originadores dos gastos essenciais necessários ao processo produtivo da empresa que geraria direito de crédito das contribuições, o que caracterizaria falta de motivação da decisão. Desse modo, requer a Fazenda Nacional sejam os presentes embargos de declaração conhecidos e providos para que haja pronunciamento sobre o ponto supostamente omitido. É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Destarte, temos que os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. O que se verifica da leitura do Acórdão embargado é que não assiste razão à Embargante sobre a alegada omissão, vez que foram declinados os fundamentos da decisão conforme trecho abaixo transcrito: (...) Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11686.000183/200883 Acórdão n.º 3202001.461 S3C2T2 Fl. 291 3 existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regramatriz de incidência). (...) No caso concreto tratado nos autos, os citados “gastos gerais de fabricação”, como a própria fiscalização admite – necessários à realização das atividades da empresa (vide Informação Fiscal efls. 63/ss), em meu entendimento, são inerentes, pertinentes e necessários ao processo produtivo da Recorrente e, por esta razão, devem dar direito ao crédito da contribuição. Assim, não houve omissão no julgado, como alega genericamente a embargante, ao asseverar que a decisão não apontou quais seriam os bens e serviços que gerariam direito de crédito da contribuição. Como se verifica no último parágrafo transcrito acima, consta do voto que os “gastos gerais de fabricação”, que a própria fiscalização admitiu como necessários à realização das atividades da empresa são os bens e serviços que dão direito de crédito. E, por óbvio, se são “gastos gerais de fabricação” somente podem estar vinculados ao processo produtivo da empresa (não estamos falando em “gastos gerais administrativos” ou “gastos gerais de comercialização”, por exemplo). Não há necessidade de detalhar as várias espécies de gastos que compõem o gênero “gastos gerais de fabricação”, uma vez que o próprio gênero incluise, no meu entender, dentre aqueles suscetíveis de outorgarem direito ao crédito da contribuição. Ademais, a própria autoridade fiscal autuante afirmou que os “gastos gerais de fabricação” são necessários à realização das atividades da empresa, muito embora no seu entender apenas os bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens dariam direito ao crédito, o que discordamos. Confirase trecho da Informação Fiscal exarada pela autoridade fiscal (vide efl. 65): A interessada incluiu indevidamente na base de cálculo dos créditos valores referentes a gastos gerais de fabricação. A pessoa jurídica sujeita ao regime de incidência nãocumulativa poderá, no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados A venda, adquiridos a partir de 1° de dezembro de 2002, de pessoa jurídica domiciliada no Pais. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Despesas e custos indiretos como gastos gerais de fabricação, etc, embora necessários à realização das atividades da empresa, não são considerados insumos para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, para fins de apuração dos créditos no regime da sistemática nãocumulativa. Assim, não dão direito a crédito os valores despendidos com gastos gerais de fabricação. Portanto, a questão não é de prova, como alega a Embargante, mas de qualificação jurídica do fato, ou seja, há discordância quanto à interpretação jurídica a ser dada ao conceito de o que pode ser considerado insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins. Ao que me parece, o votocondutor apenas não adotou a tese defendida pela Embargante, pelos fundamentos constantes do próprio voto. Descabe rediscutir a matéria, em sede de embargos declaratórios, a pretexto de que os fundamentos do julgado contêm omissão. Dúvidas e contradições são postas pela Embargante, sem que estejam contidas no acórdão. Este, como dito, resolveu todo o tema do recurso, descabendo apontar em seus fundamentos, em si completos e consistentes, motivos para reabrir o julgamento. No sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permitese que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, por tais razões, omissão no Acórdão embargado, o que demonstra a impossibilidade de se reformar essa decisão em sede de embargos de declaração. Em outro giro, registrese que os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. Neste sentido, pronunciouse o STJ: AgRg no REsp 179411 / SP; Data da decisão: 19/06/2012; DJe 27/06/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto. Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição de aclaratórios para a correção de erro material. 2.A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum, referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie.(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (grifamos) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11686.000183/200883 Acórdão n.º 3202001.461 S3C2T2 Fl. 292 5 Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É assim que voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/02/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13839.002601/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.052
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso,vdiligência, nos termos do voto do Relator. Participaram, do presente ju1garnento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O processo trata do Pedido de Ressarcimento do IPI de fl. 02, apresentado em 2.3/0712002 juntamente com o Pedido de Compensação de fl. 04, ambos em nome filial 0.3. Não foram discriminados os débitos a serem compensados, mas apenas informados códigos de receita e o CNPJ da matriz no Pedido de Compensação, tendo a contribuinte asseverado no requerimento de fl. 01 que o valor do ressarcimento "será compensado no estabelecimento matriz, com os impostos IPL PIS e COFINS, apurados a partir de Julho de 2.002 até o montante ora solicitado 2 Processo n° 13539.002601/2002-16 53-011-1 Resolução n° 3401-00,052 Fl 2 Posteriormente, em 01/06/2005, apresentou em nome da matriz a Declaração de Compensação de fl. 57 (também em papel), discriminando os débitos. Tais débitos, referentes ao IPI devido nos decêndios 2-07/2002, 3-07/2002, 2-08/2002, 3-08/2002 e 1-09/2002, totalizam montante igual ao do Pedido de Ressarcimento, quando considerados os valores principais (sem a valoração até data da DCOMP entregue em 01/06/2005) Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: Com base na informação fiscal de fls. 128, a Delegacia da Receita Federal em Jundial proferiu o Despacho Decisório de fls. 129/133, no qual deferiu integralmente o pedido de ressarcimento originariamente efetuado e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Em virtude do vencimento expirado dos valores a serem compensados, já que os débitos foram valorados considerando-se a declaração de compensação dell. 57, a contribuinte foi intimada a recolher o saldo devedor resultante das compensações efetuadas. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 145/150, alegando, em resumo, o seguinte: 1 , Apresentou pedido de ressarcimento e de compensação, bem como uma correspondência em 23/06/2002, ainda na forma manual, conforme se verifica às fls., 04/05; 2, Houve .falha de informação no pedido de compensação, porém a DCTF estava correta, e na petição foi informado o período das compensações; 3. Apresentou novo .formulário, em 2005, visando o saneamento do processo, porém, considerando-se os princípios que regem o processo administrativo tributário !Mera'', da legalidade, do contraditório e ampla defesa, da inadmissibilidade de provas ilícitas, da oficialidade, da informalidade e da verdade material, não há hipótese de ser considerada a compensação efetivada em 200.5, pois ocorreu somente uma ratificação dos atos processuais praticados espontaneamente por parte da contribuinte; 4. A Secretaria da Receita Federal foi conhecedora dos períodos através da petição, e dos tributos através do formulário; 5. Além das DCTFs, os valores de crédito e de compensação foram reconhecidos nos balanços c nas DIRTs. A 2' Turma da DRJ inicialmente destaca que o valor original do Pedido de Ressarcimento foi totalmente deferido, e por isso o litígio limita-se à cobrança do saldo devedor resultante das compensações efetuadas em data posterior aos vencimentos dos débitos (a data da segunda DCOMP, 01/06/2005), fPara valorar os débitos compensados na dat da segunda DCOMP, desprezando o Pedido de Compensação original, à fl. 04 e mantend a exigência dos acréscimos legais sobre os débitos, o Colegiado de piso considerou o seguig . ,e (fl. 170): 3 Processo n° 138:39 002601/2002-16 S3-C4T1 Resolução n.°3401-00.052 Fl. 3 Na petição de fl. 05, a interessada informa que o crédito deve ser "compensado com débitos de IPI, PIS e da COFINS referentes a .fatos geradores que vierem a partir de julho de 2002". Ora, somente através de exercício de adivinhação seria possível à Administração Tributária descobrir quais períodos seriam compensados. O formulário do pedido de compensação de fl. 04, não apresenta qualquer informação obrigatória. Não relaciona o período de apuração, o vencimento e nem mesmo o valor dos tributos a serem compensados. Na verdade, não é possível considerá-lo como um pedido de compensação. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte repisa as alegações da Manifestação de Inconformidade, considerando indevido o saldo devedor que lhe é exigido. Informa que as compensações constam da DCTF do 3 0 trimestre de 2002, posteriormente retificada em 29/12/2004, nesta restando exata e devidamente consignadas todas as compensações. Em seguida afirma que, ao verificar não ter sido processada a compensação, com vistas à obtenção de Certidão Negativa e orientada por agentes fiscais apresentou em 01/06/2005 a DCOMP, onde repete os débitos já constantes da DCTF. Argúi que desprezar o primeiro Pedido de Compensação implica em ofensa à verdade material e que devia ter sido intimada a corrigir o erro, na forma dos arts, 28 e .39 da Lei n° 9,784/94 1 , reputando mais adequada penalidade por descumprimento da obrigação acessória consistente na apresentação correta do Pedido de Compensação, mas nunca a negação da compensação integral. Também acrescenta que as compensações constaram dos balanços e da DIN . do período, É o relatório, elaborado com base no processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por ser necessário esclarecer se as compensações foram devidamente contabilizadas nos Livros Diário e Razão, bem como se o valor do ressarcimento em questão foi escriturado no Livro de Apuração do IPI. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse (., ) Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderdo órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de oficio a omissão, não se eximindo de proferirüleeisão. Processo ri" 13839 002601/2002-16 S3-C4T1 Resolução n." 3401-00.052 Fl. 4 Tal esclarecimento deve ser solicitado levando-se em conta a possibilidade de aplicação do art. 66 da Lei rf 8.383196 (em vez de necessariamente o art. 74 da Lei n° 9.430/96, alterado pela MP n° 66/2002). ComO se sabe, segundo a maior parte da doutrina e da jurisprudência a norma extraída do art. Referido 66 admite que o contribuinte, de forma unilateral (ou seja, sem análise prévia por parte da administração tributária e sob a sistemática do lançamento por homologação), efetue a compensação com tributo da mesma espécie do indébito. Podia o contribuinte efetuar a compensação e aguardar a homologação da administração tributária? Para tanto, devia registrar em sua escrita o encontro de créditos e débitos, podendo o Fisco, no prazo do art. 150, § 4', do Código Tributário Nacional, lançar de oficio eventuais diferenças não pagas.3 Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, após as verificações julgadas convenientes, informe se as compensações foram devidamente registradas nos Livros Diário, Razão e Registro de Apuração do IPI. Em caso positivo, devem ser informados os valores registrados e as datas respectivas. Do relatório da diligência deve ser dada ciência à Recorrente, abrindo-se-lhe o prazo de trinta dias para, queres_dp,-~uzciar-se sobre o feito. 2 Nessa linha é o voto proferido pelo Mm. Pargendler no AgRg no RESP 144.250, cuja ementa trata da diferença entre a compensação do art. 66 da Lei n° 8.383/91 e a do art. 74 da Lei ri" 9.430/96: "TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS REGIMES DA LEI N.8.383, DE 1991, E DA LEI N. 9.430, DE 1996. NO REGIME DA LEI N 8.383, DE 1991 (ART. 66), A COMPENSAÇÃO Só PODIA SE DAR ENTRE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE, MAS INDEPENDE, NOS TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO, DE PEDIDO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. JÁ NO REGIME DA LEI N 9.430, DE 1996 (ART, 74), MEDIANTE REQUERIMENTO DO CONTRIBUINTE, A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL ESTÁ AUTORIZADA A COMPENSAR OS CRÉDITOS A ELA OPONÍVEIS "PARA A QUITAÇÃO DE QUAISQUER TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES SOB SUA ADMINISTRAÇÃO" .(LEI N.. 9.430, DE 1996). QUER DIZER, A MATÉRIA FOI ALTERADA TANTO EM RELAÇÃO Á ABRANGENCIA DA COMPENSAÇÃO QUANTO EM RELAÇÃO AO RESPECTIVO PROCEDIMENTO, NÃO SENDO POSSÍVEL COMBINAR OS DOIS REGIMES, COMO SEJA, AUTORIZAR A COMPENSAÇÃO DE QUAISQUER TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES INDEPENDENTEMENTE DE REQUERIMENTO À FAZENDA PÚBLICA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO." 3A IN DRF n° 67/92, tendo em vista o art. 66 da Lei n° 8.383/91, informava que a compensação de débitos vencidos a partir de 01,1,1992 podia ser efetuada "por iniciativa do próprio contribuinte, independentemente de prévia solicitação à unidade da Receita Federal", exceto se o débito ou o crédito, ou ambos, tivessem origem em processo fiscal, ou se o crédito resultasse de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. 4
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