Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11618.003328/2006-40
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004
SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004
ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO
DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO
INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO.
Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito.
EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE
NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11618.003328/2006-40
conteudo_id_s : 6852326
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.541
nome_arquivo_s : Decisao_11618003328200640.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11618003328200640_6852326.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
id : 9899717
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270911197184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 132 1 131 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.003328/200640 Recurso nº 264.403 Voluntário Acórdão nº 380200.541 – 2ª Turma Especial Sessão de 5 de julho de 2011 Matéria Declaração de Compensação DCOMP Recorrente Clínica de Litotrícia da Paraíba Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Recife (fls. 66/76), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório proferido pela DRF João Pessoa, que não homologou a compensação de créditos da COFINS – cuja restituição fora pleiteada por meio do processo administrativo no 11618.000660/200571 – com débitos do PIS e da COFINS de fevereiro de 2006. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, a compensação não foi homologada pelo fato de o pedido de restituição dos créditos alegados haver sido considerado não formulado, posto que este não estaria em conformidade com os requisitos estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal atinentes ao assunto, conforme parecer e despacho decisório prolatados no processo relacionado ao pedido de restituição. Com efeito, nos termos do parecer e do despacho decisório em questão, o não conhecimento do pedido de restituição decorreu do fato de a interessada, em detrimento da utilização do programa PER/DCOMP 1.5, haver apresentado seu pedido via “requerimento”, no qual foram incluídos pagamentos de períodos que excederam o prazo de 5 anos estabelecido no artigo 168 do CTN, condição não admitida pelo referido sistema informatizado. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou: a) que a decisão que não homologou o pedido de compensação não deveria prosperar, posto que a manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição correlato não havia sido ainda examinado pela Delegacia de Julgamento; b) que, nos termos do artigo 25 do Decreto no 70.235/72, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001, o exame do pedido de compensação seria da competência da Delegacia de Julgamento, e não da Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, e ainda, que segundo o inciso III do artigo 126 da Portaria no 259, de 24/08/2001 – Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal – referida Seção teria competência, dentre outros assuntos, para se manifestar em processos administrativos referentes a restituição e a Fl. 136DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11618.003328/200640 Acórdão n.º 380200.541 S3TE02 Fl. 133 3 compensação, mas não para “julgar qualquer processo administrativo tributário”; em razão disso a decisão da SAORT seria nula; c) que segundo pacificado entendimento do Superior Tribunal de Justiça, retratado em sua Súmula de no 276, as sociedades civis de prestação de serviços são isentas da Cofins, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 fora revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o que não seria permitido por afrontar a hierarquia das leis; d) que, uma vez demonstrada a legitimidade do crédito decorrente do pagamento indevido, seria inarredável o seu direito à compensação pleiteada de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria, devendo os créditos ser corrigidos monetariamente; e, e) que a LC nº 118/05, ao estabelecer alteração do prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, seria ilegal, na medida em que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, questão já reconhecida em julgados do STJ; isso consubstanciaria patente direito à restituição da Cofins recolhida nos últimos dez anos, posto que tributo sujeito a lançamento por homologação. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que negou o direito pleiteado, em síntese, sob o fundamento de que a compensação só poderia ser homologada diante de créditos revestidos dos atributos de liquidez e certeza, ressaltando, ainda, a incompetência da autoridade tributária administrativa para apreciação da inconstitucionalidade das leis e a limitação dos efeitos das decisões judiciais para as partes envolvidas, admitidas as exceções nas quais não se enquadraria o caso presente. Cientificada da referida decisão em 30/10/2008 (fls. 79), a interessada, em 26/11/2008 – postagem (fls. 131) –, apresentou o recurso voluntário de fls. 80/111, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando, adicionalmente, que a 1a Seção do STJ já teria se posicionado no sentido de que o novo prazo de cinco anos prescrito pela Lei Complementar no 118/05 só teria passado a valer a partir da data em que referida norma entrara em vigor. Argumenta ainda que os órgãos administrativos, diante do necessário zelo para com a Constituição Federal, teriam competência para se posicionar sobre a inconstitucionalidade de atos normativos. Apresenta tese sustentando a diferença entre controle de constitucionalidade e decisão sobre aplicação de norma inconstitucional a fato concreto, reclamando, também, o amparo aos direitos e garantias individuais que resguardariam seu pedido. Com fundamento no artigo 74, parágrafo 9o, da Lei no 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN, reclama a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio tributário. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a conseqüente homologação da compensação pleiteada, na sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 137DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Das preliminares Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/10/2008 (fls. 79). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2008 (v. fls. 131), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 112, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da não configuração de hipótese de sobrestamento do recurso A recorrente contesta a interpretação do prazo prescricional de restituição ditada pelo artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, questão que, por sinal, está pendente de julgamento no STF, o qual, no Recurso Extraordinário no 561.908, reconheceu a repercussão geral da matéria em tela, conforme ementa a seguir transcrita: TRIBUTO – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005.(RE 561908 RG, Relator(a): Min. MIN. MARCO AURÉLIO, julgado em 08/11/2007, DJe157 DIVULG 06122007 PUBLIC 07122007 DJ 07122007 PP00016 EMENT VOL0230208 PP01660 ) Em tais casos, o § 1º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho – aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 – , determina o sobrestamento do julgamento do feito até que seja proferida decisão definitiva de mérito pelo STF, na forma preconizada no art. 543B do Código de Processo Civil. No entanto, tal não se aplica ao caso presente, uma vez que é irrelevante para a lide qualquer apreciação relacionada à contagem do prazo prescricional do direito à restituição do indébito tributário, uma vez que, conforme será demonstrado, não há, no mérito, direito que socorra a reclamante em relação ao crédito alegado, já que, como afirma a própria recorrente, a origem dos créditos diz respeito a alegada iletimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços profissionais por suposta afronta à hierarquia das leis quando da revogação da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 por via de lei ordinária (Lei nº 9.430/96), questão que já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da inexistência de qualquer impedimento para o exame da contenda, passase a análise das demais preliminares e do mérito da lide propriamente dito. Da inexistência de nulidade por alegada falta de competência para exame do pedido de compensação A recorrente protesta contra a decisão que não homologou seu pedido de compensação, posto que dito indeferimento fora prolatado antes do exame, pela Delegacia de Julgamento, da manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição correlato. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11618.003328/200640 Acórdão n.º 380200.541 S3TE02 Fl. 134 5 Essas questões já foram devidamente apreciadas na decisão recorrida, inclusive no que diz respeito à efetiva competência da SAORT para se manifestar em processos administrativos referentes à restituição e à compensação. Ademais, tendo em foco o princípio da efetividade do processo e o da instrumentalidade das formas, tenho que o caso não importa nulidade da demanda, até porque não restou configurado prejuízo para a defesa da recorrente ou para o resultado final do processo administrativo. Portanto, afastamse os argumentos de nulidade aduzidos pela suplicante. Do mérito A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da COFINS, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, em propalada ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Tal questão, no entanto, já se encontra pacificada pelo STF, que, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234608 PP01774) Com efeito, constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de indébito tributário, razão pela qual não há como acolher o pedido de compensação em tela, posto que não fundamentado em direito creditório legítimo, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, acima colacionada, que asseverou, em caráter definitivo, a legalidade da revogação da isenção da COFINS originariamente concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 70/91. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 139DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indédito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Diante disso, prejudicado está qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que, como demonstrado, não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. Finalmente, quanto aos argumentos relacionados à ilegalidade ou à inconstitucionalidade da norma, importa ressaltar que o julgador administrativo está vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Ademais, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 05 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 140DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001324/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2010
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N° 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4°, do CTN.
REFLEXOS DAS DESONERAÇÕES DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS.
Devem-se aplicar os reflexos das desonerações ocorridas nos autos em que se discutiu as obrigações principais.
MULTA DE OFÍCIO. AIOA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
É devida a imputação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória de forma concomitante com a penalidade de ofício, já que são exigências que tutelam interesses diversos.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa limitada a 20%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Numero da decisão: 2201-010.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação ao presente dos reflexos decorrentes das desonerações levadas a termo nos processos em que se discutiram as obrigações principais e, ainda, para determinar a aplicação da retroatividade benigna mediante a comparação da multa lançada pela que seria devida com aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/91.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2010 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N° 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4°, do CTN. REFLEXOS DAS DESONERAÇÕES DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. Devem-se aplicar os reflexos das desonerações ocorridas nos autos em que se discutiu as obrigações principais. MULTA DE OFÍCIO. AIOA. RETROATIVIDADE BENIGNA. É devida a imputação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória de forma concomitante com a penalidade de ofício, já que são exigências que tutelam interesses diversos. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa limitada a 20%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 16327.001324/2010-01
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850337
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2201-010.516
nome_arquivo_s : Decisao_16327001324201001.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001324201001_6850337.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação ao presente dos reflexos decorrentes das desonerações levadas a termo nos processos em que se discutiram as obrigações principais e, ainda, para determinar a aplicação da retroatividade benigna mediante a comparação da multa lançada pela que seria devida com aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/91. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
id : 9896659
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:47 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270915391488
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T21:13:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T21:13:58Z; Last-Modified: 2023-05-15T21:13:58Z; dcterms:modified: 2023-05-15T21:13:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T21:13:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T21:13:58Z; meta:save-date: 2023-05-15T21:13:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T21:13:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T21:13:58Z; created: 2023-05-15T21:13:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2023-05-15T21:13:58Z; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T21:13:58Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.001324/2010-01 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-010.516 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2023 Recorrente ITAU UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2010 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF N° 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4°, do CTN. REFLEXOS DAS DESONERAÇÕES DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. Devem-se aplicar os reflexos das desonerações ocorridas nos autos em que se discutiu as obrigações principais. MULTA DE OFÍCIO. AIOA. RETROATIVIDADE BENIGNA. É devida a imputação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória de forma concomitante com a penalidade de ofício, já que são exigências que tutelam interesses diversos. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa limitada a 20%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação ao presente dos reflexos decorrentes das desonerações levadas a termo nos processos em que se discutiram as obrigações principais e, ainda, para determinar a aplicação da retroatividade benigna mediante a comparação da multa lançada pela que seria devida com aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/91. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 24 /2 01 0- 01 Fl. 506DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de fls. 99/117, a qual julgou procedente o lançamento decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relacionados ao período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO 1. Trata-se Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 (DEBCAD nº37.298.519-0), com redação dada pela Lei 9.528/97, regulamentada pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 15, o Autuado apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências 03/2005 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de declarar os seguintes os seguintes valores: - Benefícios indiretos (Alimentação e Utilização de Veículos). - Pagamentos a Segurados Empregados: 1. Abono Único; 2. Participação nos Lucros ou Resultados; 3. Vale Transporte em Dinheiro; 4. Bônus de Permanência; 5. Bônus de Contratação. 1.1. As verbas relacionadas acima foram consideradas partes integrantes do salário de contribuição pela fiscalização por infringirem as disposições contidas na Lei no 8.212/91 (artigo 28 e seu § 9). 1.2. Os valores que deixaram de ser declarados em GFIP foram obtidos através dos resumos gerais das folhas de pagamento, dos balancetes contábeis, das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - DIPJ. 1.3. As contribuições patronais incidentes sobre os fatos geradores acima mencionados foram lançadas no Auto de Infração - AI no 37.298.521-1 (parte patronal), sendo parte integrante os documentos comprobatórios dos valores apurados. 2. A multa aplicada na presente infração está prevista no artigo 32, § 5º da Lei no 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II do Decreto 3.048/99, no valor total de R$ 1.551.869,00 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por Fl. 507DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 competência, aos valores previstos no §4º do art. 32 da Lei 8.212/91, com valor mínimo atualizado pela Portaria MPS n.º 350/2009. O cálculo da multa está detalhado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fls. 16 e nos Anexos de fls. 17/20. 2.1. Por fim, esclareceu a Fiscalização que em respeito ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, a multa calculada no presente processo, somada com a multa de mora, iniciando com a aplicação de 24% no momento da autuação dos AIs da obrigação principal (cálculo no anexo II deste AI), deve ser confrontada com a multa da Lei no 11.941/09 - 75% - (cálculo no anexo III deste AI), para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, pelo total mensal da autuação. Assim, Constatou que a legislação da época dos fatos geradores deve ser aplicada por ser mais benéfica ao contribuinte em todas as competências do período fiscalizado. Da Impugnação O contribuinte foi intimado e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformado com a autuação, da qual foi cientificada pessoalmente em 04/10/2010 (fls. 01), a empresa apresentou a impugnação tempestiva em 03/11/2010 (fls.80/84), com documentos anexos às fls. 85/88 , na qual alega: 3.1. O presente auto de infração não merece prosperar pois, nos autos do AI n° 37.298.521-1, cujo deslinde vincula o presente auto de infração, demonstrou-se a nulidade substancial da autuação, além da impossibilidade de as verbas ali autuadas servirem de base para o salário contribuição. Assim, no presente auto resta apenas a discussão do prazo decadencial. I – Preliminar – Decadência Parcial 4. O Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento sobre a natureza tributária das contribuições sociais após o advento da Constituição de 1988, conforme se constata do julgamento proferido por unanimidade pelo Pleno do Tribunal no RE n° 146733-9, Relator Ministro Moreira Alves. 4.1. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8212/91, pacificando a matéria ao editar a Súmula Vinculante n°8/2008. 4.2. Por outro lado, a jurisprudência do STJ que concluía pela aplicação do prazo de 10 anos (na leitura conjunta dos artigos 173, I e 150, § 40, ambos do CTN) já está integralmente superada, conforme entendimento firmado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (Direito Público), para quem o fisco tem o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para homologar o pagamento, sob pena de não mais poder fazê-lo (homologação tácita). 4.3. O prazo decadencial é de 5 anos, nos termos do artigo 150, § 4, do Código tributário Nacional, independentemente do pagamento parcial da contribuição previdenciária. 4.4. Há quem afirme que o prazo decadencial de 5 anos pode ter inicio na data do fato gerador (quando estiver presente a antecipação do tributo, caso em que se estará diante de tributo sujeito ao lançamento por homologação) ou no primeiro dia do exercício seguinte, quando o sujeito passivo deixar de antecipar o tributo que lhe competia. Ainda que essa divergência sobre a data do inicio da contagem do prazo decadencial prevaleça, deve-se salientar que, no presente caso, não há dúvida quanto ao recolhimento antecipado da contribuição previdenciária, já que a lmpugnante a recolheu em todas as competências autuadas, mas sobre base de cálculo apurada a partir das verbas por ela consideradas "salariais". 4.5. As contribuições sociais o Código Tributário Nacional, considerando que elas se sujeitam ao lançamento por homologação e ainda que houve, no caso, a antecipação de Fl. 508DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 recolhimento da contribuição, o prazo decadencial aplicável é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, nos termos do artigo 150, §4 do CTN. 4.6. Assim, conclui o Impugnante, que o lançamento em questão deve ser cancelado em parte, tendo em vista que decaíram os supostos fatos geradores ocorridos até o mês de setembro de 2005, inclusive, já que a ciência de sua lavratura ocorreu somente em 04 de outubro de 2010, ou seja, há mais dc cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4" do CTN). DO PEDIDO 5. Diante do exposto, requer o Impugnante seja reconhecida a decadência parcial dos valores autuados. 5.1. Requer, outrossim, que o presente auto de infração seja julgado juntamente com o auto de infração DEBCAD 37.298.521-1, pois as questões ali discutidas são prejudiciais a presente autuação. 5.2. Protesta pela juntada dos meios de prova que se fizerem necessários. DOS FATOS DO PROCESSO 6. Em 09/12/2010 o Impugnante protocolou o pedido de juntada dos seguintes documentos: Cópia da Impugnação que suspende a exigibilidade do débito n° 37.298.519-0, que aguarda julgamento do CARF. Solicita, ainda, diante a entrega de toda a documentação, requer a baixa do débito apontado no relatório. 6.1. Em 28/12/2010 os autos foram encaminhados pela DEINF à DRJ – I São Paulo. E em 24/04/2014 à CEINJ – CEGEP/SUTRI – Ribeirão Preto encaminhou à SERET – DRJ – SPO. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (e-fl. 99): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3°, da Lei n ° 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á a matéria impugnada, distinta da constante do processo judicial. O processo administrativo terá prosseguimento regular em relação à matéria diferenciada. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. DILIGENCIA E PERÍCIA A apresentação de provas (documentos), como também a realização de perícias e de diligências, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, com observância das determinações previstas nos Decreto nº 70.235/72 e nº 7.574/2011. Para a realização de diligência/e ou perícia devem ser apreciados levando-se em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja Fl. 509DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido, conforme o disposto no art.18 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art.35 do Decreto nº7.574/11. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (CFL 68) Constitui infração a empresa deixar de informar mensalmente por meio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores e as respectivas contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS, descrita no artigo 32, inciso IV e § 5º,da Lei 8.212/91. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA Quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados (in natura), não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, que viabilizou a edição do Ato Declaratório Nº 03/2011. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 124/143, alegando em síntese: a) multa por descumprimento da obrigação acessória e aplicação dos reflexos decorrentes das exclusões referentes ao processo n° 16327.001327/2010-36 em que se discute as obrigações principais; b) do cancelamento parcial da multa – parcela exonerada da obrigação principal – reconhecimento da decadência; e c) não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos de PLR a empregados, bônus de contratação e bônus de permanência. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Do Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. Com relação à alegação de decadência, os presentes autos dizem respeito à aplicação de multa por deixar a empresa de informar mensalmente por meio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores e as respectivas contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS (CFL 68), ou seja, o descumprimento de uma obrigação acessória. Para o caso, aplicável a Súmula CARF nº 148: Súmula CARF nº 148 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 Fl. 510DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado, a discussão referente à obrigação principal está sendo discutida nos autos do PAF nº 16327.001327/2010-36 em que havia discussão sobre: - Benefícios indiretos (Alimentação e Utilização de Veículos a Diretores); - Pagamentos a segurados empregados: 1) Abono único; 2) Vale transporte pago em dinheiro; 3) Participação nos lucros ou resultados; 4) Bônus de permanência; e 5) Bônus de contratação “hiring bônus” Portanto, devem ser aplicados os reflexos decorrentes das desonerações ocorridas nos autos que discutiram as obrigações principais (PAF nº 16327.001327/2010-36), bem como eventuais desonerações ocorridas em processos judiciais que tratem dos temas tratados. RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO DO ART. 32-A DA LEI 8.212/91 Em apertada síntese, os argumentos da defesa no presente tema pretendem demonstrar que a multa de ofício a ser aplicada no presente caso seria somente a de 24%, conforme disposto na alínea “a”, inciso II, do art. 35 da lei 8.212/91. Além disso, para a correta aplicação da retroatividade benigna, em seu entendimento, a fiscalização jamais poderia ter incluído a multa por obrigação acessória constante do parágrafo 5º do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, no comparativo dos valores devidos a título de multa de ofício, pelo simples fato de tratar-se de multa de natureza diversa. Quanto à aplicação da retroatividade benigna para que se aplique à Recorrente o disposto no art. 32-A, II da Lei nº 8.212/91, com a redação que foi dada pela Lei nº 11.941/2009, seguimos o entendimento exarado pelo Ilustre Presidente desta 1ª Turma Ordinária, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que foi relator do Processo n° 16327.721425/2012-55, acórdão n° 2201-008.973, julgado nesta mesma data, 09 de agosto de 2021, em que concordo com suas razões e me utilizo como razão de decidir: (...) No mais, é possível constatar que o cerne da questão se restringe à possibilidade de aplicação cumulativa da multa de oficio com a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Além disso, deve-se avaliar se a penalidade nova prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91 1 , tem a mesma natureza da penalidade exigida nos autos, com vistas à sua aplicação retroativa por se apresentar mais benéfica ao contribuinte. 1 Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 511DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 De início cumpre trazer à balha quadro comparativo da legislação que rege a matéria, com as alterações das Lei n° 9.528/1997, 9.876/99 e 11.941/09: LEGISLAÇÃO ANTERIOR LEGISLAÇÃO NOVA Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 8.212/91: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação;; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, Lei 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 9.430: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento Fl. 512DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art61 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art61 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art44 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art44 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 enquanto não inscrito em Dívida Ativa;; III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento;; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Diante da inovação legislativa objeto da Lei 11.941/09, em particular em razão do que dispõe o inciso II do art. 106 da Lei 5.172/66 (CTN), que trata da retroatividade da multa mais benéfica, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Receita Federal do Brasil manifestaram seu entendimento sobre a adequada aplicação das normas acima colacionadas, pontuando: Portaria Conjunta PFGN;RFB nº 14/2009 (...) Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não- impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº Fl. 513DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9876.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9876.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#art5%C2%A73 Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitar-se-á àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Tais conclusões foram amplamente acolhidas no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual, ainda, sedimentou seu entendimento no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixaria dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício de tais exações. No caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, para os fatos geradores contidos em sua vigência, entendo correta a imposição das duas penalidades previstas na legislação anterior, já que tutelam interesses jurídicos distintos, uma obrigação principal, de caráter meramente arrecadatório, e outro instrumental, acessório. Naturalmente, em razão de alinhamento pessoal à tese majoritária desta Corte acerca da natureza material de multas de ofício de tais exações, entendo, ainda, como correto o entendimento de que, para fins de aplicação da retroatividade benigna, deve-se comparar o somatório das multas anteriores com a nova multa de ofício inserida no art. 35-A da Lei 8.212/91. Por outro lado, a exigência de ofício de contribuições devidas a Terceiros, em razão de sua natureza, para os fatos geradores contidos em sua vigência, ocorre apenas com a imputação da penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da mesma Lei. Naturalmente, nestes casos, para fins de aplicação retroativa da norma eventualmente mais benéfica, caberia a comparação entre tal penalidades prevista anteriormente anteriores com a nova multa de ofício inserida no art. 35-A da Lei 8.212/91. Por fim, caso a exigência decorresse de aplicação de penalidade isolada por descumprimento de obrigação acessória (GFIP com dados não correspondentes), sem aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal, a retroatividade benigna seria aferida a partir da comparação do valor apurado com base na legislação anterior e o que seria devido pela aplicação da nova norma contida no art. 32-A. No caso específico de lançamentos associados por descumprimento de obrigação principal e acessória a manifestação reiterada dos membros deste Conselho resultou na edição da Súmula Carf nº 119, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, tal enunciado de súmula foi cancelado, por unanimidade, em particular a partir de encaminhamento neste sentido da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, em reunião da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais levada a termo no dia 06 de agosto de 2021, quando amparou a medida em manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a tema, que o incluiu em Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer (Art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016), o que se deu nos seguintes termos: A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Nessas hipóteses, a Corte afasta a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212, de Fl. 514DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 1991, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. O art. 35- A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício (rectius: fatos geradores) realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN. Precedentes: AgInt no REsp 1341738/SC; REsp 1585929/SP, AgInt no AREsp 941.577/SP, AgInt no REsp 1234071/PR, AgRg no REsp 1319947/SC, EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, REsp 1696975/SP, REsp 1648280/SP, AgRg no REsp 576.696/PR, AgRg no REsp 1216186/RS. Referência: Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME , Parecer SEI Nº 11315/2020/ME O referenciado Parecer SEI nº 11315/2020 trouxe, dentre outras, as seguintes considerações: (...) 12. Entretanto, o STJ, guardião da legislação infraconstitucional, em ambas as suas turmas de Direito Público, assentou a retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício. 13. Na linha de raciocínio sustentada pela Corte Superior de Justiça, anteriormente à inclusão do art. 35-A pela Lei nº 11.941, de 2009, não havia previsão de multa de ofício no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (apenas de multa de mora), nem na redação primeva, nem na decorrente da Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008). Vale ressaltar que, nos termos da legislação que rege a matéria, a manifestação da PFGN acima citada não vincula a análise levada a termo por este Relator. Contudo, a despeito do entendimento pessoal deste Relator sobre o tema, estamos diante de um julgamento em segunda instância administrativa de litígio fiscal instaurado entre o contribuinte fiscalizado e a Fazenda Nacional, a qual já não mais demonstra interesse em discutir a forma de aplicação da retroatividade benigna contida na extinta Súmula 119. Assim, ainda que não vinculante, a observação de tal manifestação impõe-se como medida de bom senso, já que não parece razoável a manutenção do entendimento então vigente acerca da comparação das exações fiscais sem que haja, por parte do sujeito ativo da relação tributária, a intenção de continuar impulsionando a lide até que se veja integralmente extinto, por pagamento, eventual crédito tributário mantido. Ademais, neste caso, a manutenção da exigência evidenciaria mácula ao Princípio da Isonomia, já que restaria diferenciado o tratamento da mesma matéria entre o contribuinte que, como o recorrente, já teria sido autuado, e aqueles que estão sendo autuados nos procedimentos fiscais instaurados após a citada manifestação da PGFN. Diante deste cenário, necessário que seja avaliado o alcance da tal manifestação para fins de sua aplicação aos casos submetidos ao crivo desta Turma de julgamento. Neste sentido, considerando que a própria representação da Fazenda Nacional já se manifestou pela dispensa de apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões e interposição de recursos, bem como recomenda a desistência dos já interpostos, para os períodos de apuração anteriores à alteração legislativa que aqui se discute (Lei nº 11.941, de 2009), deve-se aplicar, para os casos ainda não definitivamente julgados, os termos já delineados pela jurisprudência pacífica do STJ e, assim, apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 35 da lei .8.212/91, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício. Devendo-se aplicar a penalidade que alude art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de, pelo menos, 75%, apenas aos fatos geradores posteriores ao início de sua vigência. Fl. 515DF CARF MF Original https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/representacao-judicial/documentos-portaria-502/nota-sei-27-2019.pdf https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/representacao-judicial/documentos-portaria-502/parecer-11315-2020.pdf https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/representacao-judicial/documentos-portaria-502/parecer-11315-2020.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 Por outro lado, deve-se destacar, ainda, que na vigência da legislação anterior, havia previsão de duas penalidades, uma de mora, esta já tratada no parágrafo precedente, e outra decorrente de descumprimento de obrigação acessória, esta prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, em razão da não apresentação de GFIP ou apresentação com dados não correspondentes aos fatos geradores, imposições que, a depender o caso concreto, poderiam alcançar a alíquota de 100%, sendo certo que tal penalidade não foi objeto do citado Parecer SEI 11315/2020. Como se viu, na nova legislação, que tem origem na MP 449/08, o art. 35 da lei 8.212/91 continuou a tratar de multa de mora pelo recolhimento em atraso, passando a exigir para as contribuições previdenciárias a mesma penalidade moratória prevista para os tributos fazendários (art. 61 da Lei 9.430/96). Por outro lado, a mesma MP 449 inseriu o art. 35-A na Lei 8.212/91, e, assim, da mesma forma, passou a prever, tal qual já ocorria para tributos fazendários, penalidade a ser imputada nos casos de lançamento de ofício, em percentual básico de 75% (art. 44 da Lei 9.430/96). Como a tese encampada pelo STJ é pela inexistência de multas de ofício na redação anterior do art. 35 da Lei 8.212/91, resta superado o entendimento deste Conselho Administrativo sobre a natureza de multa de ofício de tal exigência Por outro lado, não sendo aplicável aos períodos anteriores à vigência da lei 11.941/09 o preceito contido no art. 35-A, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória relativo à apresentação da GFIP com dados não correspondentes (declaração inexata), já não pode ser considerada incluída na nova penalidade de ofício, do que emerge a necessidade de seu tratamento de forma autônoma. Assim, considerando a mesma regra que impõe a aplicação a fatos pretéritos da lei que comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração, conforme art. alínea “c”, inciso II do art. 106 da Lei 5.172/66 (CTN), e de rigor que haja comparação entre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória amparada nos §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, com a nova penalidade por apresentação de declaração inexata, a saber, o art. 32-A da mesma Lei. Assim, temos as seguintes situações: - os valores lançados, de ofício, a título de multa de mora, sob amparo da antiga redação do art. 35 da lei 8.212/91, incidentes sobre contribuições previdenciárias declaradas ou não em GFIP e, ainda, aquela incidente sobre valores devidos a outras entidades e fundos (terceiros), para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pela nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Lei 11.941/09; - os valores lançados, de forma isolada ou não, a título da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pelo que dispõe o art. o art. 32-A da mesma Lei; Portanto, no caso em apreço, impõe-se afastar a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, devendo ser aplicada a retroatividade benigna a partir da comparação, de forma segregada, entre as multas de mora previstas na antiga e na nova redação do art. 35 da lei 8.212/91. Já em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, esta deverá ser comparada com o que seria devida a partir do art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por acolher a preliminar arguida para reconhecer extintos pela decadência todos os valores lançados até a competência 11/2007. No mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação da retroatividade benigna mediante a comparação entre as multas de mora previstas na antiga e na nova redação do art. 35 da lei 8.212/91 e, ainda, em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, Fl. 516DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-010.516 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001324/2010-01 inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, esta deverá ser comparada com a que seria devida a partir do art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Sendo assim, deve ser acolhido este pleito da recorrente. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e dou-lhe parcial provimento para determinar a aplicação ao presente dos reflexos decorrentes das eventuais desonerações levadas a termo nos processos em que se discutiram as obrigações principais e, ainda, para determinar a aplicação da retroatividade benigna mediante a comparação da multa lançada pela que seria devida com aplicação do art. 32-A da Lei 8.212/91. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 517DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723920/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 19/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3302-012.948
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202210
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 19/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10730.723920/2011-70
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849137
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3302-012.948
nome_arquivo_s : Decisao_10730723920201170.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10730723920201170_6849137.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
id : 9893423
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:43 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270920634368
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-11T19:51:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-11T19:51:25Z; Last-Modified: 2023-05-11T19:51:25Z; dcterms:modified: 2023-05-11T19:51:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-11T19:51:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-11T19:51:25Z; meta:save-date: 2023-05-11T19:51:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-11T19:51:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-11T19:51:25Z; created: 2023-05-11T19:51:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-05-11T19:51:25Z; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-11T19:51:25Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10730.723920/2011-70 Recurso Embargos Acórdão nº 3302-012.948 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2022 Embargante MARE ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 19/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, impõe- se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.940, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10730.723564/2011-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 39 20 /2 01 1- 70 Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.948 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723920/2011-70 Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração que exigem tributos, com multa de ofício e juros de mora, quais sejam Imposto de Importação-II; IPI; PIS Importação e Cofins Importação em razão do descumprimento das condições estabelecidas no regime aduaneiro especial de admissão temporária de bens acessórios, e objeto de Termo de Responsabilidade destinados a embarcação já admitida sob o regime especial Repetro. Vencido o prazo, foi concedida prorrogação e lavrado o TR. Consta da autuação que a empresa Maré Alta teria dado baixa somente no Termo de Responsabilidade referente à embarcação, uma vez que houve solicitação de alteração do beneficiário do regime para outra empresa, que registrou a DI e formalizou o TR, ambos com o valor igual da DI original do navio, portanto, sem consolidação do inventário, fazendo constar os bens acessórios somente do campo de dados complementares da DI. Como resultado da análise do processo pela DRJ foi negado provimento à Impugnação ao Auto de Infração. Irresignada com a decisão prolatada pela DRJ a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário por meio do qual reitera os argumentos já trazidos e submete a questão ao CARF, que manteve a decisão atacada. Foram opostos embargos declaratórios. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade. Os Embargos Declaratórios são tempestivos, foram recebidos por despacho decisório e a matéria é de competência deste Colegiado razão pela qual dele conheço. Mérito. O mérito dos Embargos Declaratórios consiste na análise dos seguintes capítulos adiante explorados: Omissão sobre a ausência de manifestação sobre a inclusão das DI dos bens acessórios na própria DI da embarcação Oil Vibrant (bem principal), sendo que a afirmação que a embargante não tomara providências em relação aos bens acessórios não corresponde à realidade dos fatos. A Recorrente insurge-se contra o fato de que o Acórdão afirmou que “Todavia, nada foi feito em relação aos bens acessórios e a fiscalização entendeu que em relação a eles o regime aduaneiro foi extinto.”, pois entende que no Recurso Voluntário restou alegado que os bens acessórios Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.948 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723920/2011-70 foram devidamente informados nos dados complementares da DI do bem principal e que tal procedimento seria suficiente à transferência do regime. Aponta, portanto, uma omissão em relação a qual teria sido a providência adotada pela Embargante. Efetivamente há omissão em relação ao que efetivamente foi realizado pela Recorrente no sentido de suspender a exigibilidade dos tributos devidos pela internalização dos bens acessórios à embarcação. Quando o Acórdão recorrido mencionou que “... nada foi feito em relação aos bens acessórios...” admite-se que nada foi feito no sentido técnico de que trata a norma jurídica, ou seja, não foram praticados os atos que a norma jurídica determina como necessários. A Recorrente limitou-se a relacionar a DI nº 07/0136782-7 no campo de Dados Complementares da nova DI (nº 08/2023446-4 fls. 39 a 41). Não se olvida que a Recorrente praticou os referidos atos retratados nos autos, contudo o Colegiado entendeu que nenhum deles (nada do que foi feito) é suficiente para atender o comando legal. Contradição interna do acórdão que ora menciona que houve pedido de prorrogação do regime, ora menciona que houve nova admissão. A Recorrente aponta que houve contradição interna no Acórdão, uma vez que afirmou a existência de um novo regime de admissão temporária e uma prorrogação, o que são afirmações auto excludentes. Efetivamente o Acórdão mencionou que houve uma prorrogação e um novo regime. A “prorrogação do regime” que gerou a alegada contradição interna foi a de que trata o TR 3.028/07, até 29.10.2008, prorrogada em relação ao TR 2.738/06. Já o “novo regime” foi concedido pelo TR n. 17/09, no qual houve a alteração do beneficiário, gerando a controvérsia acerca do procedimento que deveria ser realizado em relação aos bens acessórios. Por estes motivos voto no sentido de que os presentes Embargos sejam conhecidos e os vícios sanados, sem efeitos infringentes. Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.948 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.723920/2011-70 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos para sanar os vícios de omissão e contradição, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 204DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679533/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 30/03/2006
SALDO CREDOR EXISTENTE
Considerando o resultado da diligência, verifica-se que há saldo credor suficiente para compensar os débitos informados pelo contribuinte. Não há que se falar em débito em aberto, portanto.
Numero da decisão: 1201-005.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.864, de 12 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.679536/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 30/03/2006 SALDO CREDOR EXISTENTE Considerando o resultado da diligência, verifica-se que há saldo credor suficiente para compensar os débitos informados pelo contribuinte. Não há que se falar em débito em aberto, portanto.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10880.679533/2009-51
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850375
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1201-005.867
nome_arquivo_s : Decisao_10880679533200951.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
nome_arquivo_pdf_s : 10880679533200951_6850375.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.864, de 12 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.679536/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
id : 9896950
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270939508736
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-17T17:05:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-17T17:05:42Z; Last-Modified: 2023-05-17T17:05:42Z; dcterms:modified: 2023-05-17T17:05:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-17T17:05:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-17T17:05:42Z; meta:save-date: 2023-05-17T17:05:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-17T17:05:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-17T17:05:42Z; created: 2023-05-17T17:05:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-05-17T17:05:42Z; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-17T17:05:42Z | Conteúdo => S1-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.679533/2009-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.867 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2023 Recorrente CSC COMPUTER SCIENCES DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 30/03/2006 SALDO CREDOR EXISTENTE Considerando o resultado da diligência, verifica-se que há saldo credor suficiente para compensar os débitos informados pelo contribuinte. Não há que se falar em débito em aberto, portanto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.864, de 12 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.679536/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório da RFB, que não homologou as compensações de IRPJ efetuadas pela CSC Computer Sciences do Brasil LTDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 95 33 /2 00 9- 51 Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.867 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.679533/2009-51 A empresa manifestou-se no sentido de que seu crédito seria legítimo e decorreria de saldo negativo de IRPJ. Solicita, preliminarmente, a suspensão da exigibilidade do referido crédito nos termos dos §§ 7º, 9º e 11 do art. 74 da Lei n° 9.420/96 1 . Alega, na sequência, que cometeu erro em suas DIPJs de 2003 a 2007, o que acarretou saldo de tributos recolhidos indevidamente ou a maior ao invés de saldo negativo de IRPJ/CSLL. Demonstra o alegado em quadro que provaria suas explicações. Socorre-se do princípio da verdade material para defender o direito ao crédito que alega possuir, ainda que haja erro em sua declaração de renda. A DRJ conta-nos que o crédito compensado refere-se a um pagamento de tributo, o qual foi considerado indisponível pela DERAT/SPO por se tratar de pagamento efetuado a título de estimativa. Quanto à juntada de novos documentos, esclarece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazer em outro momento processual, a menos que se cumpram as situações previstas na norma, o que não teria ocorrido. No mérito, a DRJ analisou os argumentos da Recorrente e não lhe deu razão. Em Recurso Voluntário, a CSC discorre sobre os tributos recolhidos por estimativa e sua formação. E colaciona os valores que considera corretos, informando que que, uma vez detectado pela Recorrente a existência do valor do imposto pago a maior, procedeu à compensação através de PER/DCOMP, porém o procedimento adotado foi equivocado, haja vista ter informando em sua DIPJ que o tipo do crédito tratava-se de "pagamento indevido ou maior". Houve, assim, para a Recorrente, um erro de preenchimento de DIPJ, sem nenhum prejuízo aos cofres públicos. Diante das alegações da empresa, a 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária entendeu por bem proferir as Resoluções nº 1201-000.368; 1201-000.370; 1201-000.377, 1201-000.378; 1201-000.379; 1201-000.507; 1201-000.371; 1201-000.380; 1201-000.369; 1201-000.506; 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.867 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.679533/2009-51 1201-000.362 e 1201-000.381, na esteira de outras decisões proferidas para o mesmo caso, na qual determina a baixa do feito em diligência para que, no presente caso, em síntese: a) verificasse qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e retidas na fonte; e b) relacionasse todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ/CSLL do ano-calendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerando-se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. O despacho de diligência relacionou o valor das estimativas, constatando que foram compensadas. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e contém os demais requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. Trata-se de processo administrativo que versa sobre compensação de saldos oriundos de DIPJ AC 2006, utilizando-se de saldos de estimativa/recolhimento a maior cujos erros de informação na declaração geraram o Despacho Decisório inicialmente expedido. Como o suposto crédito gerou dúvidas relacionadas aos montantes de declarados e nas rubricas escolhidas pela empresa, o processo foi encaminhado à diligência e o resultado dessa diligência foi no sentido de que “O crédito de saldo negativo calculado do ano calendário de 2006 (R$ 879.724,60), com as devidas valorações para as datas das compensações, seria suficiente para homologação total das compensações acima relacionadas.” Ao final, a empresa não questiona a compensação considerada apta à homologação acima citada. O que restou foi a discussão de saldos discutidos em outros processos administrativos, pendentes de decisão e que deveriam ser aqui considerados como não declarados/existentes. É o que se vê nos últimos trechos reproduzidos no Relatório. Pelo que se depreende, para o mês 03/2006, declarou-se R$ 181mil como débito, no entanto, o Despacho Decisório dos processos 10880.679525/2009-12 e 10880.694837/2009-48, deve-se considerar R$ 137mil para fazer jus aos R$ 181mil, devendo as diferenças serem quitadas. Importante consignar que tais diferenças serão liquidadas nos processos acima informados, devendo compor o saldo negativo da Recorrente para fins do presente processo. Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.867 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.679533/2009-51 Para a Recorrente, no Despacho Decisório do processo 10880.679525/2009-12 , o fiscal exige pelo processo 10880.650673/2009-11 o valor do saldo remanescente de débitos de 03/2006. Ao mesmo tempo, com relação ao processo 10880.694837/2009-48 também se conclui que deve ser exigido o saldo remanescente de estimativa de 03/3006. No entanto, a estimativa de 03/2006 deveria, na visão da Recorrente, ser considerada para aumentar o referido saldo negativo. E assiste razão à Recorrente. Ficou assim o cálculo do saldo negativo (após a diligência): Cálculo Saldo Negativo AC 2006 IR s/ Lucro Real à Alíquota de 15% 349.481,30 Adicional 208.987,53 (-) Imposto de Renda retido na fonte 144.871,28 (-) IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 1.112.058,06 (-)IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA COMPENSADA 181.264,09 IRPJ A PAGAR -879.724,60 Na DIPJ, o contribuinte informou R$ 1.389.538,50 de estimativas quitadas, e informou R$ 41.473,01 de IRPJ retido na fonte. O saldo negativo demonstrado da DIPJ foi de R$ 872.542,68. Durante seus trabalhos, a RFB apontou: “Seria desaconselhável fazer uma mistura, tratando algumas DCOMP como PGIM (pagamento indevido ou a maior) e outras como SN. Como o próprio contribuinte solicitou que se tratasse como SN, e os processos em diligência também apontam esse caminho, far-se- ão os cálculos de todos os documentos considerando como crédito de saldo negativo AC 2006. A propósito, nota-se que o contribuinte pretendeu compensar acréscimos legais em separado dos valores principais. É uma forma equivocada de preenchimento, que impede o sistema de identificar corretamente os débitos. Assim, relacionou débitos considerados, atualizados manualmente para as datas das compensações, já considerando as datas das DCOMP originais, nos casos em que houve retificação.” Para o contribuinte, há aqui uma dupla penalidade imposta: ao mesmo tempo em que o fiscal reduz o valor da estimativa a ser considerada no saldo negativo, exige esse mesmo valor em cobranças que estarão contidas nos processos nº 10880.679525/2009-12 e 10880.694837/2009-48. Compulsando, portanto, as informações constantes da diligência (fls. 228), constata-se que o Fiscal, nas suas análises, considerou o saldo de estimativa compensada de R$ 181.264,09, ao invés de R$ 137.232,84, como se o contribuinte já fizesse jus a tais valores. Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.867 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.679533/2009-51 Nos dizeres da RFB: “No entanto, em face do Despacho Decisório (nova decisão) exarado no processo 10880.679525/2009-12 e do Despacho de Diligência do processo 10880.694837/2009-48, deve-se considerar líquido e certo, no momento, o valor de R$ 137.232,84. Para fazer jus aos R$ 181.264,09, o contribuinte deverá quitar saldos devedores, uma vez cientificado das decisões.” Naqueles processos, houve a determinação para pagamento de diferenças relacionadas a compensações, de modo que o saldo pago naqueles casos passa a compor o saldo negativo ora debatido. Tudo em linha com a Súmula CARF 177. Assim, conclui a diligência no sentido de que há saldo de imposto a compensar, pois os valores que a empresa tem de estimativa são superiores ao crédito que ela precisa utilizar. Conclui que “O crédito de saldo negativo calculado do ano calendário de 2006 (R$ 879.724,60), com as devidas valorações para as datas das compensações, seria suficiente para homologação total das compensações acima relacionadas.” Eventuais diferenças de valor a recolher deverão ser quitadas nos processos 10880.679525/2009-12 e 10880.694837/2009-48. Assim, deve-se considerar suficiente o saldo de imposto a compensar neste processo, fazendo-se as devidas compensações até o limite de crédito disponível. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.867 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.679533/2009-51 Fl. 203DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002245/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2005
MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL
RENÚNCIA.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Entretanto, em havendo nos autos matéria que não se confunde com o pedido e seus efeitos
discutidos na ação judicial, tais alegações merecem ser conhecidas pelo julgador administrativo.
AGROINDÚSTRIA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITA BRUTA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO FATO GERADOR MOMENTO DA OCORRÊNCIA ENTREGA DA PRODUÇÃO A COOPERATIVA ATO COOPERADO HIPÓTESE DE
INCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção.
Todavia, no caso da produção ser entregue à Cooperativa da qual a recorrente é associada, para posterior comercialização no mercado interno e externo, não se há de confundir tal evento, com a comercialização do produto por ela realizada, que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária em causa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, reconhecendo-se a concomitância e conseqüente renúncia à discussão no processo administrativo fiscal do pedido relativo à imunidade na exportação de produto rural, vencida a relatora que votou pela concomitância também das demais questões relacionadas à exportação, reconhecendo, portanto, maior abrangência à concomitância. Na parte conhecida, em dar provimento parcial para, por maioria de votos, excluir do lançamento a contribuição previdenciária incidente sobre o valor dos produtos rurais remetidos para a cooperativa, pelo entendimento de que não constitui fato gerador do tributo, uma vez que nesse momento da operação não há receita bruta a ser tributada, o que somente ocorrerá após o repasse pela cooperativa; vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, que identificara no critério adotado pela fiscalização vício de nulidade e a relatora que votou por não conhecer da matéria e excluir do lançamento apenas a multa de mora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares e declaração de voto o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2005 MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Entretanto, em havendo nos autos matéria que não se confunde com o pedido e seus efeitos discutidos na ação judicial, tais alegações merecem ser conhecidas pelo julgador administrativo. AGROINDÚSTRIA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITA BRUTA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO FATO GERADOR MOMENTO DA OCORRÊNCIA ENTREGA DA PRODUÇÃO A COOPERATIVA ATO COOPERADO HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Todavia, no caso da produção ser entregue à Cooperativa da qual a recorrente é associada, para posterior comercialização no mercado interno e externo, não se há de confundir tal evento, com a comercialização do produto por ela realizada, que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária em causa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10865.002245/2007-30
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4989036
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2402-001.815
nome_arquivo_s : 2402001815_10865002245200730_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865002245200730_4989036.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, reconhecendo-se a concomitância e conseqüente renúncia à discussão no processo administrativo fiscal do pedido relativo à imunidade na exportação de produto rural, vencida a relatora que votou pela concomitância também das demais questões relacionadas à exportação, reconhecendo, portanto, maior abrangência à concomitância. Na parte conhecida, em dar provimento parcial para, por maioria de votos, excluir do lançamento a contribuição previdenciária incidente sobre o valor dos produtos rurais remetidos para a cooperativa, pelo entendimento de que não constitui fato gerador do tributo, uma vez que nesse momento da operação não há receita bruta a ser tributada, o que somente ocorrerá após o repasse pela cooperativa; vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, que identificara no critério adotado pela fiscalização vício de nulidade e a relatora que votou por não conhecer da matéria e excluir do lançamento apenas a multa de mora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares e declaração de voto o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
id : 4742100
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:34 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270949994496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.192 1 1.191 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.002245/200730 Recurso nº 254.926 Voluntário Acórdão nº 2402001.815 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2011 Matéria PRODUTO RURAL Recorrente SÃO MARTINHO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2005 MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Entretanto, em havendo nos autos matéria que não se confunde com o pedido e seus efeitos discutidos na ação judicial, tais alegações merecem ser conhecidas pelo julgador administrativo. AGROINDÚSTRIA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITA BRUTA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO FATO GERADOR MOMENTO DA OCORRÊNCIA ENTREGA DA PRODUÇÃO A COOPERATIVA ATO COOPERADO HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Todavia, no caso da produção ser entregue à Cooperativa da qual a recorrente é associada, para posterior comercialização no mercado interno e externo, não se há de confundir tal evento, com a comercialização do produto por ela realizada, que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária em causa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, reconhecendose a concomitância e conseqüente renúncia à discussão no processo administrativo fiscal do pedido relativo à imunidade na exportação de produto rural, vencida a relatora que votou pela concomitância também das demais questões relacionadas à exportação, reconhecendo, portanto, maior abrangência à concomitância. Na parte conhecida, em dar provimento parcial para, por maioria de votos, excluir do lançamento a contribuição previdenciária incidente sobre o valor dos produtos rurais remetidos para a cooperativa, pelo entendimento de que não constitui fato gerador do tributo, uma vez que nesse momento da operação não há receita bruta a ser tributada, o que somente ocorrerá após o repasse pela cooperativa; vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, que identificara no critério adotado pela fiscalização vício de nulidade e a relatora que votou por não conhecer da matéria e excluir do lançamento apenas a multa de mora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares e declaração de voto o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Igor Araújo Soares Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Tiago Gomes de Carvalho Pinto, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.193 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições devidas pela empresa e destinadas à Previdência Social (alíquota de 2,5%), às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT (0,1%); c) e devidas pela empresa e destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — SENAR) incidentes sobre a Receita Bruta proveniente das operações comerciais da Agroindústria. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 85/95), a auditoria constatou que a empresa é uma agroindústria relacionada no Decreto Lei n° 1.146/70, cuja atividade principal consiste na fabricação de álcool e açúcar. A canadeaçúcar utilizada na fabricação dos produtos é proveniente de lavouras próprias, de acionistas e de empresas ligadas. O enquadramento correto da empresa no código FPAS ao longo do período sob auditoria seria o seguinte: no período de 01/1999 a 10/2001 a empresa estava enquadrada no FPAS 531 (setor industrial de agroindústria), com contribuição patronal sobre a folha de pagamento; no período a partir de 01/11/2001, com as alterações introduzidas pela Lei n° 10.256, de 09/07/2001, as contribuições patronais sobre a folha passaram a ser substituídas pelas incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria, com enquadramento nos FPAS 825 (folha de pagamento) e 744 (produção rural própria). A cooperativa é associada da Copersucar a quem entrega a produção de açúcar e álcool para comercialização. Além de álcool e açúcar (produtos principais), que são transferidos à Copersucar com emissão de Notas Fiscais de Entrega para Venda (NFEV), a empresa também comercializa produtos no mercado interno, direta ou indiretamente relacionados às suas atividades principais, tais como bagaço de cana, óleo fúsel, melaço, xarope de cana, vapor industrial, soja, milho, mercadorias diversas, canadeaçúcar, energia elétrica, óleo diesel, imóveis, entre outros. Para a empresa, o repasse das mercadorias à Copersucar, com a emissão de Notas Fiscais de Entrega para Venda (NFEV), não constitui fato gerador de contribuições sociais. Para a empresa, o momento de verificar se ocorreu ou não o fato gerador é aquele em que a Copersucar vende as mercadorias, nos mercados interno ou externo. A partir deste entendimento, a empresa considera que as receitas recebidas em rateio, quando provenientes de vendas efetuadas pela Copersucar no mercado externo (exportações), são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, recolhendo, sobre estas bases de cálculo, apenas as contribuições destinadas ao SENAR (0,25%). Já as receitas recebidas em rateio, quando provenientes de vendas efetuadas pela Copersucar no mercado interno, são submetidas a todas as aliquotas do FPAS 744(2,5% para a Previdência Social; 0,1% para o SAT; e 0,25% para o SENAR). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Destacase também o fato de a empresa ter passado a recolher as contribuições próprias do FPAS 744 (sobre a receita bruta da comercialização própria) somente a partir de 05/2002. No período entre 11/2001 e 04/2002 a empresa continuou a recolher, indevidamente, as contribuições do FPAS 531 (contribuições patronais sobre a folha de pagamento), sendo que neste período já estava obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção própria, industrializada ou não (Lei n° 10.256, de 09/07/2001). Segundo a auditoria fiscal, por força do disposto no inciso I do §2° do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n° 33, de 11/12/2001, não incidem as contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos cuja comercialização ocorra a partir de 12/12/2001, exclusivamente, quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no país é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação. Portanto, a venda para a cooperativa é considerado fato gerador de contribuições independentemente da destinação que esta dará ao produto. Para a obtenção da base de cálculo mensal, foram analisados os lançamentos contábeis utilizados para o registro das operações de transferência de mercadorias à Copersucar (açúcar e álcool), de recebimento da receita bruta rateada pela Copersucar e das demais receitas pelas vendas de diversos produtos no mercado interno. Parte dos fatos geradores não foi declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A notificada apresentou defesa (fls. 858/884 – Vol III) onde alega que a Constituição Federal privilegia o ato cooperativo, o qual não pode ser ignorado seja pelo legislador, seja pela autoridade administrativa. Argumenta que a Lei n° 5.764/71, que trata do cooperativismo estabelece no parágrafo único, do artigo 79, que "o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, a entrega, pelo cooperado, de sua produção à cooperativa encarregada da venda não se equipara nem corresponde a operação mercantil de venda. Não consubstanciando operação mercantil de venda, não há resultado financeiro, o que implica, por conseqüência, não ocorrência do fato gerador da contribuição sobre a comercialização da produção própria, conforme prescreve o art. 22A da Lei n° 8.121/91. Segundo a notificada, a mera entrega de produção a uma cooperativa não configura receita, já que por ocasião desse ato não haverá qualquer contrapartida financeira. O resultado ocorrerá apenas após o rateio e a entrega do numerário a serem feitos pela Cooperativa, em razão das vendas por ela realizadas. Argumenta que o artigo 149, §2°, I, da Constituição determina que as receitas oriundas de vendas ao exterior são imunes à incidência das contribuições e que nada obstante, a fiscalização não considerou, no cálculo dos valores supostamente devidos, as vendas feitas pela Impugnante ao exterior, no sentido de que a imunidade teria lugar apenas em relação ao que denomina de venda direta, isto é, sem a intermediação de qualquer terceiro. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.194 5 Entende que exportação não deixa de ser feita pela Impugnante, inclusive porque o resultado da venda é a ela repassado, mediante o critério de rateio. Aduz que a legislação nacional, tradicionalmente, tem assegurado ao produtor os mesmos benefícios à exportação mesmo quando a mercadoria não é vendida diretamente ao exterior, mas mediante a interposição de empresa comercialexportadora, que adquire no mercado interno com o propósito único de exportar, dispondo de know how e pessoal afeitos ao comércio exterior, permitindo que o fabricante concentre sua logística na sua atividade econômica. Afirma que a norma de imunidade alcança o produtor que vende sua mercadoria por intermédio de cooperativa, o que, repitase, decorre da peculiaridade do regime cooperativo, no qual a produção é entregue a terceiro unicamente com o propósito de facilitar a aquisição por terceiro situado no exterior. Considera que a exigência atinente aos produtos exportados via cooperativa é ilegítima porque implicaria conferir ao ato cooperativo um tratamento fiscal mais oneroso, em comparação com aquele dispensado às denominadas vendas diretas, o que configura inconstitucionalidade e ilegalidade. Informa que por não concordar com a exigência da contribuição instituída pela Lei n° 10.256/01, relativamente às vendas ao exterior, impetrou Mandado de Segurança para afastála (processo n°2005.61.09.0051232, 3a Vara da Justiça Federal de Piracicaba). A liminar pleiteada veio a ser deferida (cópia da inicial e da decisão — doc.03), de modo que a exigência, nesse aspecto, contraria o disposto no art. 151, IV, do CTN, além de consubstanciar desobediência à ordem judicial. Alega que a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário obsta a exigência da multa lançada na Notificação em acréscimo à obrigação principal, devendo ser cancelada de pronto. Por fim, alega que foram computadas na base de cálculo receitas não advindas da atividade rural, as quais especifica. A defesa foi submetida à auditoria fiscal que manifestouse por meio da Informação de folhas 1005/1009 Vol III argumentando que a consignação ou repasse de mercadorias de empresa cooperada à respectiva cooperativa constitui fato gerador de contribuições previdenciária, bem como eventual complemento posterior de preço. Esclarece que não houve tributação cumulativa, pela entrega de mercadoria da cooperada à cooperativa e, posteriormente, a venda destas mercadorias. Houve, sim, a tributação no repasse, pelo valor contábil registrado e, posteriormente, no recebimento do rateio e pela diferença entre o valor total da receita e o custo de transferência das mercadorias. Mantém o entendimento de que a ocorrência dos fatos geradores se dá no momento da venda da produção à cooperativa. Quando a cooperativa vende os produtos, ela, a cooperativa, emite as notas fiscais em seu nome. No caso do repasse das mercadorias da impugnante para a cooperativa, a impugnante emite notas fiscais em seu nome, sendo a cooperativa a destinatária adquirente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Além disso, não há notas fiscais emitidas pela impugnante para adquirente domiciliado no exterior. Quanto à alegação da impugnante de que houve equivoco na Base de Cálculo, pela inclusão de receitas não advindas da atividade rural, a auditoria fiscal informa que a legislação não exige isto. Ou seja, sendo agroindústria, qualquer atividade geradora de receita, exceto prestação de serviços, será alcançada pela substituição tributária. A impugnante citaria a venda de imóveis, que não teria relação com sua atividadefim, mas leia que é necessário alocar empregados para esta atividade "estranha", que recebem remuneração por este trabalho. Quanto ao argumento da recorrente de que a auditoria fiscal teria agido com imoralidade e falta de ética, ao não compensar, "de oficio", valores recolhidos a maior, é informado que as contribuições recolhidas pela empresa devem ser informadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP a auditoria jamais poderia efetuar compensações de ofício sem o consentimento da empresa, através de retificação das informações no citado documento declaratório. As informações prestadas em GFIP só podem ser alteradas pelos próprios contribuintes, mediante entrega de GFIP retificadora. A auditoria pode sim, autuar o contribuinte em caso de informações incorretas ou falta de informações em GFIP, e consignar no Relatório Fiscal (tem 28 Fls. 92/93) o direito da impugnante solicitar, futuramente, a restituição dos valores recolhidos a maior, desde que com prévia retificação das informações por meio de GFIP retificadora, sob pena de indeferimento do pedido. A notificada alegaria que no período de 11/2001 a 04/2002 não estava enquadrada como agroindústria e a auditoria fiscal informa que há comprovação de que a notificada utilizou de cana própria e adquirida de terceiros no exercício de 2001 e no período em questão tratavase da entresafra que não descaracteriza a condição de agroindústria da notificada. Pela Decisão Notificação nº 21.424.4/ 0248/ 2007 (fls. 1011/1034 – Vol III), o lançamento foi considerado procedente. A notificada apresentou recurso tempestivo(fls. 1042/078 – Vol III), o qual foi submetido à então 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que pelo Acórdão nº 20601.445 (fls. 1092/1099 – Vol III) anulou a decisão recorrida para que fosse dada ciência da informação fiscal ao contribuinte, bem como a oportunidade de manifestação. Devidamente intimada da Informação Fiscal, a notificada manifestouse (fls. 1113/1118 – Vol IV) onde mantém a alegação de que a entrega do produto à cooperativa não seria fato gerador de contribuição previdenciária e de que não poderia integrar a base de cálculo os valores de outras receitas. Quanto às contribuições recolhidas a maior, a notificada alega que a própria autoridade deveria ter feito o encontro de contas, de modo a exigir, quando muito, a diferença resultante, com os descontos dos valores já recolhidos. Alega que a exigência da contribuição sobre a folha de salários até 10/2001 (período de cultivo) e sobre a receita a partir de 11/2001 (colheita/vendas)— implicaria inaceitável bis in idem, já que um mesmo fato econômico (safra da cana) ocasionaria o pagamento de duas contribuições. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.195 7 Pelo Acórdão nº 1427.108 (fls 1128/1137) a 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (SP) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão foi apresentado recurso tempestivo (fls. 1155/1187 – Vol IV) em seu nome e no das empresas Usina São Martinho S/A, Duas Matas Agrícola S/A e Qmtek Indústria e Comércio S/A, sob o argumento de que integrariam o mesmo grupo econômico. Na peça recursal a notificada efetua a repetição das alegações já apresentadas, argumenta que a decisão recorrida reconhece a existência da medida judicial e trata, inclusive, da "renúncia" à esfera administrativa, muito embora, na sequência, tenha enfrentado a questão no mérito. Afirma que, de fato, propôs medida judicial a respeito (cópia da petição inicial foi juntada à impugnação) em que faz referência, inclusive, à venda por meio de cooperativa. Sendo assim, ou bem se considera que a exigibilidade do crédito estava suspensa por ocasião da lavratura da NFLD (por força da liminar então vigente, conforme comprovado na impugnação) e, em razão disso, a multa de oficio deve ser excluída, ou, diante do fato de as matérias terem sido abordadas no Mandado de Segurança e na via administrativa sob aspectos nem sempre coincidentes, deve o recurso ser provido no mérito também quanto a esse aspecto. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Vencido Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto ao recurso apresentado, verificase que a recorrente o apresenta em seu próprio nome como também no das empresas Usina São Martinho S/A, Duas Matas Agrícola S/A e Qmtek Indústria e Comércio S/A, sob o argumento de que as citadas empresas integrariam mesmo grupo econômico. Cumpre destacar que a auditoria fiscal não efetuou o presente lançamento com base no instituto da responsabilidade solidária e não chamou à lide as empresas citadas pela recorrente que inovou nesse sentido em sede recursal. Portanto, há que se conhecer o recurso somente em relação à notificada, Cia Industrial Agrícola Ometto, atual São Martinho S/A. Sendo tempestivo o recurso, passo à sua análise. A recorrente apresenta seu inconformismo pelo fato de a auditoria fiscal haver considerado que o momento do fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre o valor da comercialização da produção ocorreria quando da entrega dos produtos à Coopersucar e que esta é quem faria a venda ao exterior. Alega, ainda, que a entrega do produto à cooperativa é um ato cooperativo e como tal não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, entende a recorrente que as vendas ao exterior efetuadas por intermédio da Coopersucar estariam ao abrigo da imunidade prevista no art. 149, § 2º, Inciso I, da Constituição Federal, abaixo transcrito: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. ............................................... § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; No que tange às alegações acima, verificase que a recorrente submeteu tais matérias à apreciação do Poder Judiciário, conforme se verifica na inicial do Mandado de Segurança nº 2005.61.09.0051232, juntado por cópia às folhas 913/932 – Vol III. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.196 9 Quanto ao direito a contestar administrativamente matéria que está sendo submetida ao Poder Judiciário entendo importante tecer algumas considerações. Existem dois grandes sistemas administrativos: o sistema do contencioso administrativo e o sistema de jurisdição única. Alexandre de Moraes (Direito Constitucional Administrativo. Atlas, 2002), traz a seguinte síntese: “O sistema do contencioso administrativo, também conhecido como sistema francês, caracterizase pela impossibilidade de intromissão do Poder Judiciário no julgamento dos atos da Administração, que ficam sujeitos tãosomente à jurisdição especial do contencioso administrativo. Dessa forma, há uma divisão jurisdicional entre a Justiça Comum e o Contencioso Administrativo, e somente este pode analisar a legalidade dos atos administrativos. Diversamente, o sistema de jurisdição única, também conhecido por sistema judiciário ou inglês, tem como característica básica a possibilidade de pleno acesso ao Poder Judiciário, tanto nos conflitos de natureza privada, quanto dos conflitos de natureza administrativa.” Desde a instauração do período republicano, o Brasil sempre adotou o sistema de jurisdição única como forma de controle jurisdicional da Administração Pública, cuja fundamentação encontrase no art. 5º, inciso XXXV, da CF/88; Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes ................................... XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito Nesse sentido, a decisão administrativa estará sempre sujeita à apreciação do Poder Judiciário, ou, em outras palavras, as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Deste modo, estando uma matéria submetida à apreciação judicial, não deverá a mesma ser analisada na esfera administrativa; Em matéria fiscal, os seguintes dispositivos tratam da existência concomitante de ação judicial e processo administrativo: Lei n.º 6.830, de 22/09/80 (trata da cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública): "Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato, declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Lei n.º 8.213/91 (reproduzido pelo art. 307 do Decreto n.º 3.048/99): "Art.126 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." No entanto, a propositura pelo contribuinte de ação judicial para afastar a cobrança de determinada contribuição, não impede a Fazenda Pública de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do artigo 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário. Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Pelas razões citadas é irrelevante se a ação judicial proposta se deu antes ou depois do lançamento. Nesta instância administrativa, tal questão já foi definida na Súmula nº 01 do CARF, publicada no DOU de 07/12/2010: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelas razões expostas a matéria relativa ao momento da ocorrência do fato gerador e conseqüente aplicação ou não do art. 149, § 2º, art. I da CF, não será conhecida. A recorrente questiona a constitucionalidade da contribuição lançada com base no art. 22A da Lei nº 8.212/1991. Vale dizer que não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente, sob o argumento de que este seria inconstitucional ou afrontaria legislação hierarquicamente superior. A impossibilidade acima decorre do fato de ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.197 11 controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente alega que houve equívoco na base de cálculo pelo cômputo de receitas não advindas da atividade rural. Entende que as receitas mencionadas pela fiscalização não são atingidas pela contribuição em discussão, já que não correspondem à atividade agroindustrial. Não assiste razão à recorrente. O art. 201A do Decreto nº 3.048/1999 dispõe o seguinte: Art.201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Idois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IIzero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) O argumento de que somente a receita da venda do produção de sua atividade principal estaria sujeita à tributação cai por terra diante de determinação do mesmo Decreto que em seu art. 201B abaixo descrito: Art.201B. Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. A recorrente alega que a auditoria fiscal não aproveitou por meio do instituto da compensação valores decorrentes de recolhimentos efetuados a maior em determinadas competências. Tais diferenças ocorreram em razão da recorrente ter entendimento diferenciado do da auditoria fiscal quanto ao momento em que ocorreu o fato gerador da obrigação. Para a recorrente, conforme já dito, a ocorrência do fato gerador se dá somente quando do repasse das receitas de vendas efetuadas pela Coopersucar. A auditoria fiscal, por sua vez, entendeu que o momento da ocorrência do fato gerador se dá quando a recorrente entrega sua produção à Coopersucar mediante emissão de nota fiscal de venda. O entendimento da recorrente levou à situação em que determinadas competências possuíam valores de recolhimentos maiores que os apurados pela auditoria fiscal, o que levou esta a consignar tal informação no Relatório Fiscal. Ao contrário do que afirma a recorrente, não é imoral e ineficiente a conduta adotada pela auditoria fiscal. Em primeiro lugar porque a recorrente não reconhece como correto o entendimento adotado pela fiscalização, tanto é que está discutindo judicialmente e administrativamente a questão. Além disso, não houve entrega de GFIPs retificadoras de acordo com informações a respeito da comercialização da produção de acordo com o entendimento da auditoria fiscal, situação em que ficaria demonstrado o crédito. Por essa razão, conforme informou a auditoria fiscal, não poderia esta fazer a compensação à revelia da recorrente que sequer concorda com a forma como foi apurado o crédito tributário. A recorrente contesta a cobrança da contribuição por substituição em relação ao período 11/2001 a 04/2002. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.198 13 A recorrente alega que no período do ciclo da canadeaçúcar, estava sujeita ao recolhimento da contribuição sobre folha de salários, já que o art. 22A, da Lei n° 8.212/91, que alterou a forma de recolhimento (incidência sobre a receita) passou a viger a partir de 11/2001, atendendo à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, §6°. Aduz que finalizado o período de cultivo, teve início a colheita do produto partir de 11/2001. Assim, considera que a exigência da contribuição sobre a folha de salários até 10/2001 (período de cultivo) e sobre a receita a partir de 11/2001 (colheita/vendas) implicaria inaceitável bis in idem. Ainda que a recorrente se sinta prejudicada pela alteração na sistemática de recolhimento de contribuições trazida pela Lei nº 10.256/1991, esta é clara no sentido de que a partir de 11/2001, a contribuição da agroindústria deveria ser calcula mediante a aplicação de um percentual sobre o valor da produção, não mais sobre a folha de salários. Como se vê, no caso em questão, foi aplicada a lei vigente à época dos fatos geradores e em obediência ao princípio da legalidade, não cabe a esta julgadora manifestarse se a mudança da legislação representou ou não bis in idem para a recorrente. A recorrente alega que não deveria ter sido lançada a multa em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela liminar concedida em Mandado de Segurança. De fato, a recorrente obteve liminar publicada em 22/03/2006, nos seguintes termos: Posto isso, verificada a presença dos requisitos autorizadores da sua concessão, defiro o pedido liminar no que se refere à contribuição prevista no artigo 22A da lei, 8.212/91, determinando à Autoridade Impetrada que se abstenha de qualquer ato de cobrança daquela contribuição social em relação às receitas decorrentes de operações de exportação realizadas pela Impetrante No entanto, conforme informado no Relatório Fiscal, além da contribuição incidente sobre a produção entregue à Coopersucar, posteriormente, destinada ao mercado externo, também faz parte do lançamento, no período entre 11/2001 e 04/2002, as contribuições incidentes sobre a produção total, uma vez que no citado interregno, embora fosse obrigada a efetuar o recolhimento sobre o valor da comercialização da produção, a recorrente continuou efetuando os recolhimentos pela folha de pagamento. Portanto, não é a totalidade do lançamento que está com a exigibilidade suspensa, mas apenas aquelas contribuições incidentes sobre o valor da produção entregue à Copersucar e destinado ao mercado externo. A decisão de primeira instância menciona a superveniência da Lei nº 11.941/2009 como possível motivo para alteração da multa aplicada com base no princípio da retroatividade benigna da lei. Com a devida vênia, não entendo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 pudessem alterar a multa aplicada pelas razões que se seguem: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 A possibilidade de aplicação da lei a fato pretérito está estabelecida no artigo 106 do CTN que dispõe o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em questão, não se trata de aplicação de multa punitiva pela ocorrência de infração, mas de multa de mora, a qual é irrelevável nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época do lançamento. E importante esclarecer se o mero inadimplemento pode ser considerado infração e a conseqüência de tal entendimento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça vem apresentando em seus julgados a tese de que a simples inadimplência não pode caracterizar infração, conforme ementas abaixo transcritas: “AgRg no REsp 844890 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2006/00869771 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. EMBARGOS INFRINGENTES. REFORMA DO ALICERCE CENTRAL DO ACÓRDÃO. MERO INADIMPLEMENTO NÃO CONSTITUI INFRAÇÃO LEGAL. RECURSO ESPECIAL. PERDA DE OBJETO. I O presente recurso especial foi interposto contra a porção unânime do julgamento da apelação, cuja conclusão pode ser assim resumida: o mero inadimplemento tributário constituise em infração à lei, o que legitima os sócios da companhia a figurar no pólo passivo da respectiva execução. II Interpostos embargos infringentes, nos quais se pugnava pela prevalência do voto divergente proferido na apelação, o qual, em resumo, afirmava que a responsabilidade dos sócios, quando do inadimplemento, resumirseia à multa deste decorrente, não respondendo eles pelo valor do tributo devido propriamente dito. III Julgados os embargos infringentes, o Colegiado a quo acabou por reformar em sua totalidade o decidido na apelação, valendose de precedentes tanto daquele Sodalício quanto desta Corte Superior pelos quais o redirecionamento da execução (como um todo: tributo somado a seus acessórios (multas e.g.)) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.199 15 aos sócios da companhia somente seria possível se houvesse a comprovação de que estes agiram com excesso de poderes ou de forma a infringir a Lei ou o contrato, não bastando, para tanto, a mera inadimplência para com o pagamento dos tributos. IV Em outros termos: o Tribunal de origem no julgamento dos embargos infringentes afastou o suporte fático ("existência de infração legal") que permitia a incidência do ditame do art. 135, III, do CTN, já que esposou o entendimento de que o não pagamento de tributo, por si só, não configura a infração à lei, daí por que reconheceu a ilegitimidade passiva dos sócios, ora recorrentes, à execução em tela. V Assim sendo, exsurge cristalina a perda do objeto do recurso especial sub oculi. VI Acresçase ainda que, em sede de agravo de instrumento (nº 492.704/RS) interposto pelo INSS, ora recorrido, contra a decisão que inadmitiu o recurso especial por ele aviado em face do acórdão proferido nos embargos infringentes, esta Corte Superior, já apreciando aquele apelo raro, manteve o posicionamento adotado pelo Tribunal de origem pela ilegitimidade dos sócios ao pólo passivo da execução em debate, tendo esta decisão proferida por este STJ já transitado em julgado. VII Agravo regimental improvido.(g.n.) AgRg no REsp 308337 / GO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2001/00265430 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. MULTA. ART. 138 DO CTN. 1. Não se há de confundir a multa de infração de que cuida o art. 138 do CTN, com a multa moratória, sob pena de incentivo à inadimplência. 2. Agravo conhecido e provido. Recurso Especial improvido” No entanto, não se pode olvidar o que dispõe o art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (g.n.) Como se vê, quando o lançamento ocorreu, em 28/11/2006, a liminar em questão estava em plena vigência configurandose a hipótese legal acima descrita não sendo devida a multa de mora. Asseverese que tal previsão foi incluída na Instrução Normativa SRP nº 3/2005 em seu art. 491, § único: Art. 491. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela SRP e não recolhidas até a data de seu vencimento ficam sujeitas a juros e multa de mora determinados de acordo com a legislação de regência, incidentes sobre o valor atualizado, se for o caso.(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) Parágrafo único. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, conforme previsto no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja retirada a multa de mora para a parte do lançamento correspondente às contribuições incidentes sobre o valor da produção entregue à cooperativa para posterior envio ao mercado externo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.200 17 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Em que pesem os sempre bem alinhados fundamentos e razões de decidir da Ilustríssima Sra. Conselheira Relatora, entendo que outra deva ser a conclusão adotada no presente caso. Inicialmente, depreendese que a conclusão do v. acórdão recorrido quanto à impugnação da contribuinte São Martinho S/A, foi no sentido de seu não conhecimento, em virtude de terse constatado que a mesma impetrou o Mandado de Segurança n. 2005.61.09.0051232, o qual tramita perante a Justiça Federal de Piracicaba. Referido Mandado de Segurança (fls. 913/932) fora impetrado com o escopo da obtenção de ordem judicial preventiva no sentido de que as receitas de exportações da produção da contribuinte, decorrentes da comercialização por intermédio da Coopersucar – Cooperativa de Açúcar e Álcool não viessem a ser alvo de tributação quanto às contribuições previdenciárias do art. 22A da Lei 8.212/91, as destinadas ao SENAR e pela CPMF, sob a alegação de estarem acobertadas pelo manto da imunidade, em conformidade com o disposto no art. 149, §2°, 1, da CF/88. Da leitura da inicial de referido Mandado de Segurança, verificase que a discussão ali travada resumese exclusivamente ao pedido para o reconhecimento da imunidade das contribuições incidentes sobre a receita bruta da exportação efetuada por intermédio da cooperativa. Nos autos de referido processo, nenhuma outra discussão foi trazida à lume. Neste ínterim, assim fora formulado o pedido liminar: [...] a concessão "INAUDITA ALTERA PARS" da competente é necessária MEDIDA LIMINAR, para fim de, reconhecendose a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência combatida, desde a edição da EC 33/2001, suspender a exigibilidade da Contribuição prevista no inciso I, do artigo 22A da Lei n° 8.212/91, dá contribuição ‘ao Sénar‘e da CPMF sobre as receitas de exportação. [...] E, consequentemente, o pedido de mérito: [...] Que seja consolidada definitivamente a ordem de segurança ora pleiteada, convalidando, o que se espera, o direito liquido e certo de ter afastada da base de cálculo das contribuições em comento as receitas advindas das operações de exportação, bem como de compensar os valores pagos indevidamente, corrigidos monetariamente pela Selic. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Em contrapartida, quando se analisa o Recurso Voluntário da contribuinte, verificase que os pontos de insurgência resumemse nas seguintes alegações, como muito bem apontou a Eminente Conselheira Relatora: Argumenta que a Lei n° 5.764/71, que trata do cooperativismo estabelece no parágrafo único, do artigo 79, que "o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, a entrega, pelo cooperado, de sua produção à cooperativa encarregada da venda não se equipara nem corresponde a operação mercantil de venda. Não consubstanciando operação mercantil de venda, não há resultado financeiro, o que implica, por conseqüência, não ocorrência do fato gerador da contribuição sobre a comercialização da produção própria, conforme prescreve o art. 22A da Lei n° 8.121/91. Segundo a notificada, a mera entrega de produção a uma cooperativa não configura receita, já que por ocasião desse ato não haverá qualquer contrapartida financeira. O resultado ocorrerá apenas após o rateio e a entrega do numerário a serem feitos pela Cooperativa, em razão das vendas por ela realizadas. Argumenta que o artigo 149, §2°, I, da Constituição determina que as receitas oriundas de vendas ao exterior são imunes à incidência das contribuições e que nada obstante, a fiscalização não considerou, no cálculo dos valores supostamente devidos, as vendas feitas pela Impugnante ao exterior, no sentido de que a imunidade teria lugar apenas em relação ao que denomina de venda direta, isto é, sem a intermediação de qualquer terceiro. Entende que exportação não deixa de ser feita pela Impugnante, inclusive porque o resultado da venda é a ela repassado, mediante o critério de rateio. Aduz que a legislação nacional, tradicionalmente, tem assegurado ao produtor os mesmos benefícios à exportação mesmo quando a mercadoria não é vendida diretamente ao exterior, mas mediante a interposição de empresa comercial exportadora, que adquire no mercado interno com o propósito único de exportar, dispondo de know how e pessoal afeitos ao comércio exterior, permitindo que o fabricante concentre sua logística na sua atividade econômica. Afirma que a norma de imunidade alcança o produtor que vende sua mercadoria por intermédio de cooperativa, o que, repitase, decorre da peculiaridade do regime cooperativo, no qual a produção é entregue a terceiro unicamente com o propósito de facilitar a aquisição por terceiro situado no exterior. Considera que a exigência atinente aos produtos exportados via cooperativa é ilegítima porque implicaria conferir ao ato cooperativo um tratamento fiscal mais oneroso, em comparação com aquele dispensado às denominadas vendas diretas, o que configura inconstitucionalidade e ilegalidade. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.201 19 Verificase, portanto, que a recorrente sustenta em suas razões, matéria de defesa que está sendo objeto de apreciação nos autos do Mandado de Segurança impetrado em trâmite no Judiciário, discussão esta, que a meu ver, se resume apenas quanto às alegações de que as receitas de exportação auferidas por intermédio da comercialização da produção pela Cooperativa são dotadas de imunidade. E, de fato, este é o pedido formulado nos autos do Mandado de Segurança, pelo reconhecimento da inconstitucionalidade da exação. Entretanto, se verifica dos autos, que o lançamento foi efetuado com a consideração de que o fato gerador das contribuições lançadas ocorreu com a entrega das mercadorias pela recorrente à cooperativa, seja para comercialização no mercado interno, seja no externo, tendo sido lavrada a NFLD para a cobrança das contribuições previdenciárias destinadas ao SENAR, SAT, da agroindústria e inclusive complementos. Oportunamente, o contribuinte impugnou o lançamento e além dos argumentos acerca da imunidade das operações e do caráter não comercial do ato tipicamente cooperado, trazendo à lume a discussão concernente ao equívoco da fiscalização quanto a eleição do fato gerador das contribuições lançadas, o que gerou a violação ao próprio art. 22A da Lei 8.212/91, argumento de defesa não levantado em sede de Mandado de Segurança e não englobado em seu pedido. No processo judicial não há qualquer discussão acerca do momento da ocorrência do fato gerador das contribuições, mas tão somente fora formulado pedido para exclusão da tributação das receitas de exportação em razão de sustentar a recorrente ser imune. Ademais, verificase da NFLD que foram considerados como fatos geradores das contribuições não apenas a entrega da produção para exportação, mas também a entrega para a venda no mercado interno. O mandado de segurança, conforme já apontado, mesmo que tivesse a mesma discussão levada a efeito no presente processo administrativo não poderia ensejar qualquer concomitância com a parte da autuação que se refere à produção comercializada no país, mas, tão somente, quanto aquela que fora exportada. Ou seja, no recurso apresentado, a contribuinte no intuito de defenderse foi além dos argumentos objeto de debate na ação judicial e procurou tentar demonstrar que não houve a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Diante de tais colocações, aqui pedindo vênias a nobre relatora, tenho que a concomitância, apta a atrair a necessidade de aplicação do enunciado Sumular n. 01 deste Eg. Conselho deve ser interpretada, como é de praxe nesta Casa, como a identidade entre o pedido travada nos autos do processo administrativo e no processo judicial e não simplesmente considerandose a existência da busca da tutela do Poder Judiciário. Outro não é o entendimento da Lei Decreto n° 3.048/99: Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de acão que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer d esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Portaria n° 520, de 19 de maio de 2004: Art. 41. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lancamento, que tinha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso regulado por este ato. Parágrafo único: Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada (G). Logo, se o pedido formulado em ambas as esferas for idêntico, outra solução não poderá ser a correta, senão o pronto reconhecimento da renúncia à esfera administrativa, nos termos do disposto, ainda, no art. 38, parágrafo único da Lei 6.830/80. Referida determinação legal visa garantir a inexistência de discrepâncias entre as decisões proferidas na esfera administrativa e judicial, tendo em vista a prevalência da decisão judicial em face da administrativa. Neste sentido confirase o magistério de LEANDRO PAULSEN, Direito Processual Tributário, Ed. Livraria do Advogado, 5ª edição, 2009, p. 440, ao comentar o disposto no art. 38 da Lei 6.830/80: A aplicação do artigo pressupõe identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial. O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse ter sido tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera Judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto a interpretação e aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial. Caso a ação anulatória fira, e.g., a questão da constitucionalidade da norma tributária impostiva e o recurso administrativo se restrinja a discussões quanto à apuração do valor devido, em razão de questões de fato, não haverá a identidade que tornaria sem sentido a concomitância das duas esferas. Cabe, portanto, ao julgador, verificar a linha tênue em casos como o presente, da identidade ou não da discussão e do pedido diante das situações de fato constantes nos autos e em face do pedido formulado ao Poder Judiciário. Atento a referida disposição, vejo que a decisão judicial, em se tratando de Mandado de Segurança, vai determinar apenas se a recorrente está ou não acobertada pelo manto da imunidade quanto às receitas de exportação de sua produção que são realizadas por intermédio da Cooperativa, seja com a consideração do fato gerador como ocorrido na entrega da produção à Cooperativa, seja o momento do rateio dos valores decorrentes da venda da produção. Ou seja, o Judiciário não discute qual o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições ou se este realmente fora materializado ou não, mas apenas se as vendas da Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.202 21 produção destinadas ao exterior e efetuadas por intermédio da COOPERSUCAR estão abarcadas por hipótese de exclusão da tributação diante da regra de imunidade insculpida na Constituição Federal. Logo, a meu ver, entendo que não existe concomitância com a esfera judicial de todos os pontos discutidos no recurso voluntário ora sob análise. Por tais motivos, conheço das alegações recursais apenas e tão somente quanto a tese sustentada acerca do equívoco na determinação do momento de ocorrência e quanto a própria ocorrência ou não do fato gerador das contribuições lançadas com a entrega da mercadoria para a cooperativa. Cumprenos, portanto, analisar aquilo o que disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Logo, a contribuição da recorrente, já reconhecida como agroindústria nos autos do presente processo, é incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. A redação do artigo, pois, é bastante clara quanto à definição da hipótese de incidência tributária como sendo a receita bruta auferida em decorrência da comercialização do produto entregue a cooperativa. E receita bruta é assim definida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil: A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja merodepositário.(http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/1999/Inf_Gerais/Con ceito_de_Receita_Bruta.htm) E assim o faz com escopo no art. 186 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, a seguir: Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Art.186. Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (Lei nº 9.317, de 1996, art. 2º, §2º). Nos autos do presente processo, entretanto, não há que se discutir sobre o efetivo conceito de receita bruta, mormemente sobre quais são as receitas englobadas em seu conceito. O que se deve levar a efeito e ter em mente, a meu ver, é que por receita bruta, para o presente caso, há de se entender como o faturamento de valores decorrentes de uma operação de venda da produção, cuja ocorrência logicamente somente poderá se dar após o completo aperfeiçoamento da venda, o que se dá com a sua transferência pela COOPERATIVA ao efetivo adquirente (comprador no mercado interno ou externo). E o que fez a fiscalização, foi entender que a entrega da mercadoria, mediante nota fiscal de entrega para venda, caracteriza o fato gerador das contribuições, como assim bem sintetizou o v. acórdão recorrido: Depreendese dos autos, que a atividade econômica exercida pela Impugnante, corresponde à produção de açúcar e álcool e derivados, remetendo sua produção à associada Copersucar — Cooperativa de Produtos de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, a qual vende os produtos no mercado interno e externo. A lmpugnante não computa como receita de venda a contrapartida da produção entregue à cooperativa associada. No entanto, os Auditores Fiscais consideraram, como fato gerador, a entrega das mercadorias à Copersucar ocasião em que é emitida a Nota Fiscal de Entrega para Venda (NFEV), deixando de considerar que parte da produção entregue à Copersucar foi por esta exportada. Logo, o que deve ser definido no presente julgamento é se o ato de entregar a produção à cooperativa pode ser considerado como fato gerador, para fins da materialização da hipótese de incidência da norma do art. 22A da Lei 8.212/91. Entendo que não. De fato, somente no momento em que a venda é efetivamente realizada, é que a recorrente está a auferir a receita decorrente da comercialização de sua produção e, portanto, é este o momento em que resta verificada a ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária em pagar as contribuições previdenciárias na forma do art. 22A da Lei 8.212/91. E no caso dos autos, o fato gerador considerado pela fiscalização foi a entrega de mercadoria para uma futura venda, que poderá ou não vir a ocorrer. Em complemento, o Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS, fez alusão clara ao que deveria ser considerado como receita bruta para fins de apuração das contribuições a cargo da agroindústria. Confirase a propósito o art. 201A de referido diploma: Art.201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.203 23 produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Idois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IIzero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §1º Para os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Ou seja, a própria legislação já aponta a conclusão que entendo seja a melhor a ser tomada no presente julgamento. Receita bruta, portanto, no presente caso, é o valor total da receita proveniente da comercialização da produção, ou seja, a receita que venha a ser apurada como o produto da venda da produção ao seu adquirente. No caso dos autos, depreendese do relatório fiscal que a fiscalização reconhece que quem efetua a comercialização da produção que é entregue à cooperativa, seja no mercado interno ou externo, é, de fato, a própria cooperativa, que posteriormente também é quem faz o rateio o do produto da venda, conforme trecho a seguir: 8. A Companhia repassa sua produção diária de álcool e açúcar à Copersucar, a quem incumbe comercializar as mercadorias nos mercados interno e externo. O produto das vendas efetuadas pela Copersucar é rateado às empresas cooperadas, na proporção com que cada uma contribuiu para a formação do estoque vendido. Para a empresa, o repasse das mercadorias à Copersucar, com a emissão de Notas Fiscais de Entrega para Venda (NFEV), não constitui fato gerador de contribuições sociais. Para a empresa, o momento de verificar se ocorreu ou não o fato gerador é aquele em que a Copersucar vende as mercadorias, nos mercados interno ou externo. Entretanto, mesmo assim, reconhecendo que quem de fato efetua a comercialização é a cooperativa, entendeu que a mera entrega da mercadoria para venda, se equipara com a comercialização de produtos com a cooperativa. Confirase o seguinte trecho: “Para a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), o entendimento da empresa, quanto ao momento da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias, está equivocado. Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado ao produtor rural pela comercialização da sua produção rural com: adquirente ou consumidor, pessoas físicas ou jurídicas, com cooperativa ou por meio de consignatário, podendo, ainda, ser resultante de permuta, compensação, dação Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 em pagamento ou ressarcimento que Si represente valor, preço ou complemento de preço (Instrução Normativa — IN/SRP n° 03, de 14/07/2005, art. 246, I e §1°). ... 17. Concluise, portanto, que: a) tratase de operação comercial no mercado interno o repasse das mercadorias à Copersucar, ocorrendo aí o fato gerador; b) não há que se falar em exportação de produtos, ainda que a interposta empresa exportadora seja uma cooperativa de produtores; c) a complementação de preço distribuída posteriormente pela cooperativa deve compor a base de cálculo das contribuições sociais; d) todas as operações comerciais que gerem receitas para a agroindústria, ainda que não diretamente relacionadas às suas atividades principais, são passíveis da incidência de contribuições sociais, exceto as decorrentes de prestação de serviços; e) a Lei n° 10.256, de 09/07/2001, que instituiu a contribuição sobre a receita bruta da agroindústria, tem aplicação imediata a partir de 01/11/2001. Tal conclusão a meu ver demonstra uma clara contradição com os próprios fundamentos de fato apurados pela própria fiscalização, que verificou que a comercialização da produção da recorrente era efetuada pela cooperativa e não da recorrente para a cooperativa. Neste sentido é que a legislação foi clara ao reconhecer que para que se atinjam os objetivos da formação e existência de uma cooperativa, o ato praticado entre o cooperado e a cooperativa, não implica uma operação de mercado. Vejamos o teor do art. 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Outrossim, também há de se apontar como exemplo, que no momento que o legislador pretendeu considerar como receita bruta a consignação da produção como situação apta a também ensejar a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, fora feita clara alusão sobre o assunto no Decreto 3.048/99, conforme se demonstra a seguir: Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: IVdois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §15. Para os efeitos do inciso IV do caput e do §8º do art. 202, considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de Fl. 24DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.204 25 venda ou consignação, observadas as disposições do §5º do art. 200. No entanto, referida alusão, na forma em que indicado pelo § 15º do art. 201, somente deverá ser considerada nos casos em que a pessoa jurídica seja exclusivamente produtora rural, e não nos casos de agroindústrias, cuja contribuição veio regulada no art. 201 A, acima transcrito, situação na qual a receita bruta deverá ser entendida, apenas, como o total da receita proveniente da comercialização. Não se fala em consignação, entrega, etc. Por tais motivos, logicamente, o momento no qual se verifica a ocorrência do fato gerador não pode ser entendido como materializado na competência da entrega da mercadoria para a cooperativa, por se tratar de mera transferência da produção e não de sua comercialização. Neste mesmo sentido, já decidiu o Poder Judiciário. Confirase: TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ANTECIPAÇÃO TUTELA. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PRODUTO AGRÍCOLA. COOPERATIVA. FATO GERADOR. EFEITO SUSPENSIVO ATIVO CONCEDIDO. 1. É dominante o entendimento de que os lançamentos para os cálculos das contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural devem ter como base a comercialização do produto pela cooperativa, momento que não se confunde com o da entrega da mercadoria pelo produtor rural. 2. Agravo provido. 3. Peças liberadas pelo Relator, em 23/10/2007, para publicação do acórdão. (AG 2006.01.00.0335146, Rel. Juiz Federal Convocado Rafael Paulo Soares Pinto, TRF da 1ª Região, DJ de 09.11.2007,v.u.) TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. RECOLHIMENTO INCUMBE À EMPRESA ADQUIRENTE, CONSUMIDORA OU CONSIGNATÁRIA, OU À COOPERATIVA (ART. 30, INCISOS III E IV, DA LEI 8.212/91). 1. O recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural (Lei 8.212/91, art. 25, incisos I e II), incidentes sobre a comercialização da produção, incumbe à empresa adquirente, consumidora ou consignatária, ou à cooperativa, que destaca o montante correspondente ao tributo do preço pago, repassandoo ao INSS (Lei 8.212/91, art. 30, incisos III e IV). 2. Referida forma de substituição tributária não se confunde com a entrega da mercadoria pelo produtor rural à Cooperativa, da qual é associado, com a comercialização do produto por ela realizada, que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária em causa.Precedente: REsp 382291 / RS, Relator Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 17.11.2003. (STJ, REsp n. 735883/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, T1, ac. un., DJ 22/05/2006 p. 158) Fl. 25DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 “TRIBUTARIO – FUNRURAL. ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA. A entrega de produto feita pelo associado à cooperativa não é fato gerador de contribuição FUNRURAL. (STJ, REsp n. 382291/RS, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, T1, ac. um., DJ 17/11/2003) TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE OFENSA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. CONSIGNAÇÃO DE MERCADORIA PARA COOPERATIVA EFETUAR A VENDA. FATO GERADOR. NÃOOCORRÊNCIA. 1. Afastase a alegada nulidade do acórdão pela ausência de omissão. 2. O ato de consignar a mercadoria produzida pelo associado para a cooperativa efetuar a venda não constitui fato imponível da contribuição em discussão. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 3. Recurso especial improvido. (REsp 585175/TO, RECURSO ESPECIAL2003/01322236, Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJ 18.10.2006 p. 229). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR. FUNRURAL. FATO GERADOR. COOPERATIVA. ATO DO COOPERATIVADO. REEXAME DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. 1. Não se há de confundir a entrega da mercadoria pelo produtor rural à Cooperativa, da qual é associado, com a comercialização do produto por ela realizada, que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária em causa. 2. Violação à lei federal não caracterizada. 3. Inadmissível o reexame de prova em sede de recurso especial. Aplicação de entendimento sumulado do STJ. 4. Recurso especial do qual não se conhece. (REsp 248.073/RS, Rel. MIN. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/08/2002, DJ 18/11/2002, p. 169) Logo, não restam dúvidas de que a fiscalização elegeu equivocadamente o critério temporal do fato gerador das contribuições lançadas, caracterizandose, portanto, em hipótese não contemplada na legislação previdenciária em vigor, tendo adiantado, a meu ver, o momento de sua efetiva ocorrência. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.205 27 Ante todo o exposto, pedindo vênias a Ilústríssima Conselheira relatora voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, e, na parte conhecida em DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para julgar improcedente o lançamento efetuado com base na consideração de que o fato gerador das contribuições lançadas restou ocorrido quando da entrega da mercadoria à cooperativa para a posterior venda no mercado interno e externo. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 27DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, Exame da concomitância com a ação judicial: No presente processo administrativo se identifica matéria também discutida em ação judicial proposta pela recorrente que entende gozar da imunidade tributária conferida pelo art. 149, §2°, inciso I da Constituição Federal para não se sujeitar à incidência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22A da Lei 8.212/91 sobre as receitas brutas decorrentes de exportação efetuadas por intermédio de cooperativa. A questão mais relevante, em minha avaliação, é a verificação do preciso alcance dessa concomitância. É saber quaisquer questões não devam aqui ser conhecidas pela renúncia da recorrente em discutilas na esfera administrativa. Comecemos pelos dispositivos legais sobre o tema: Lei n.º 8.213, de 24/07/91: Art.126 (...) §3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei n.º 6.830, de 22/09/80: Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato, declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Decreto n.º 3.048, de 06/05/99: Art. 307. A propositura pelo beneficiário de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). É certo que a finalidade da regra é o reconhecimento da prevalência da decisão judicial sobre qualquer outra, como decorrência dos princípios da jurisdição una e da tutela jurisdicional absoluta previstos no artigo 5º, incisos XXXV e XXXVII da Constituição Fl. 28DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.206 29 Federal e artigo 1° do Código de Processo Civil, evitandose decisões administrativas inócuas, desprovidas dos efeitos que lhes são próprios na relação jurídicotributária processual: Constituição Federal: XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; ... XXXVII não haverá juízo ou tribunal de exceção; Código de Processo Civil: Art. 1o A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional, conforme as disposições que este Código estabelece. Nesse sentido, dentre outros, destaco o voto da Conselheira Liège Lacroix Thomasi no processo n° 10650.000889/200717, acórdão n° 20501.159, de 07/10/2008 que aplica os dispositivos acima para reconhecer no pedido requerido na ação judicial o objeto de exame da concomitância: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. ... O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo, em inteligência ao art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 29DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 A matéria é pacífica no Superior Tribunal de Justiça STJ e neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei n. 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p.349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis , mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (REsp 840.556/AM Ministro Luiz Fux DJ 20.11.2006). ... Fl. 30DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.207 31 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não se conhecem das questões apresentadas no processo administrativo que façam parte dos pedidos deduzidos em juízo. E, como conseqüência, devem ser apreciadas todas as demais. A conclusão se torna ainda mais coerente com os artigos 128 e 469 do Código de Processo Civil: Código de Processo Civil: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Decorrem das regras processuais que os pedidos formulados pelo autor da ação delimitam a tutela jurisdicional e somente as questões expressamente decididas na sentença produzem os efeitos próprios da coisa julgada; portanto, não são alcançados os fundamentos, sejam eles os que sustentam o pedido do autor ou aqueles que justificam a sentença. É importante ressaltar também que as regras sobre concomitância enfatizam, como pressuposto para o não conhecimento das questões deduzidas em juízo, a renúncia, que somente é reconhecida caso a ação judicial seja proposta pelo sujeito passivo. Não configura renúncia a propositura de ação direta de inconstitucionalidade, que não tem o sujeito passivo como um dos legitimados, artigo 103 da Constituição Federal; ou nos casos de recursos extraordinários, ainda que se aplique o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 : Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) I o Presidente da República; II a Mesa do Senado Federal; III a Mesa da Câmara dos Deputados; Fl. 31DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 32 IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004); V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VI o ProcuradorGeral da República; VII o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII partido político com representação no Congresso Nacional; IX confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Em ambos os casos, a decisão do Supremo Tribunal Federal solucionará a lide no processo administrativo sobre a mesma matéria, mas, nesse caso, não há renúncia, que é sempre um ato de vontade, seja pela expressa manifestação da parte ou da prática de atos incompatíveis com o exercício do direito. O que se explica nessa parte é que, embora seja a finalidade das regras de concomitância o reconhecimento da prevalência dos provimentos judiciais, nem sempre quando uma decisão judicial tenha efeitos sobre o processo administrativo se pode atribuir ao sujeito passivo os efeitos da renúncia. E mais. Mesmo quando o sujeito passivo tenha ajuizado ação cujo desfecho do processo venha a aniquilar todo o crédito tributário constituído, ainda assim, podem existir questões que somente são discutidas no processo administrativo e, portanto, ficaria obrigado o julgador a enfrentálas. Assim vejamos. Quando o pedido na ação judicial é que o fato praticado pelo sujeito passivo seja excluído da incidência tributária, deixando de ser considerado como gerador da obrigação, restaria ao julgador administrativo apreciar as questões relacionadas à base de cálculo, ao montante do tributo devido, às alíquotas, à identificação do contribuinte e responsáveis e à penalidade aplicável. É que o lançamento, como procedimento administrativo, realizase numa ordem sucessiva de atos; sendo a verificação da ocorrência do fato gerador o primeiro deles. Caso seja constatado posteriormente ao lançamento que o fato gerador não ocorreu também não remanesceria tributo devido, mas nem por isso esses atos subseqüentes não são apreciados: Fl. 32DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.208 33 Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Voltando ao caso concreto, temos como pedido apresentado no processo judicial Mandado de Segurança n° 2005.61.09.0051232, ajuizado na Justiça Federal da 3ª Região, fls. 931: Presentes, portanto, os requisitos da liquidez e certeza do direito invocado, aliado ao Manifesto "periculum in mora" acima demonstrado, requer, respeitosamente, a Vossa Excelência, a concessão "inaudita altera pars" da competente e necessária medida liminar, para fim de, reconhecendose a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência combatida, desde a edição da EC 33/2001, suspender a exigibilidade da contribuição prevista no inciso I do artigo 22A da Lei n° 8.212/91, dá contribuição ao Senar e da CPMF sobre as receitas de exportação. Requer, em, contrapartida, que as Autoridades Impetradas se abstenham de adotar, medidas punitivas tendentes a obstarlhe o exercício do aludido direito e os reflexos dele decorrente. Requer, ainda, que, processado o presente "mandamus" e, após o cumprimento dos trâmites processuais, bem como notificada a Autoridade Impetrada para que preste, no prazo legal, as devidas informações e, após ouvido a critério de Vossa Excelência, o ilustre representante do Ministério Público Federal, seja consolidada definitivamente a ordem de segurança ora pleiteada, convalidando, o que se espera, o direito liquido e certo de ter afastada da base de cálculo das contribuições em comento as receitas advindas das operações de exportação, bem como de compensar os valores pagos indevidamente, corrigidos monetariamente pela Selic. Como se constata acima, requer a recorrente o reconhecimento do direito de não sofrer incidência de contribuição previdenciária sobre a receita bruta decorrente da comercialização de sua produção rural ao mercado externo, ou seja, da imunidade criada pelo artigo 149, §2°, inciso I da Constituição Federal: Art. 149. (...) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 33DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 34 Para a constituição do crédito, a fiscalização considerou que a recorrente não tem direito de gozar da imunidade, pois não exporta sua produção ao exterior diretamente, mas através de cooperativa de produção rural: repassa sua produção diária de álcool e açúcar à Coopersucar, cooperativa associada, com a emissão de notas fiscais de entrega para venda, a quem incumbe a comercialização das mercadorias no mercado interno e externo; portanto, considerou que a operação constitui fato gerador de contribuição previdenciária. A partir de então, tratou a fiscalização de realizar os demais atos para a constituição do crédito: a) o momento de ocorrência do fato gerador se dá já no repasse da produção para a cooperativa; b) a base de cálculo é a soma do valor do produto transferido à cooperativa, complemento de preço e outra receitas; c) as alíquotas são de 2,6% para a Seguridade Social e 0,25% para o SENAR; etc. Seguem transcrições do relatório fiscal, fls. 87/89: 8. A Companhia repassa sua produção diária de álcool e açúcar à Copersucar, a quem incumbe comercializar as mercadorias nos mercados interno e externo. O produto das vendas efetuadas pela Copersucar é rateado às empresas cooperadas, na proporção com que cada uma contribuiu para a formação do estoque vendido. Para a empresa, o repasse das mercadorias à Copersucar, com a emissão de Notas Fiscais de Entrega para Venda (NFEV), não constitui fato gerador de contribuições sociais. Para a empresa, o momento de verificar se ocorreu ou não o fato gerador é aquele em que a Copersucar vende as mercadorias, nos mercados interno ou externo. 9. A partir deste entendimento, a empresa considera que as receitas recebidas em rateio, quando provenientes de vendas efetuadas pela Copersucar no mercado externo (exportações), são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, recolhendo, sobre estas bases de cálculo, apenas as contribuições destinadas ao SENAR (0,25%). Já as receitas recebidas em rateio, quando provenientes de vendas efetuadas pela Copersucar no mercado interno, são submetidas a todas as aliquotas do FPAS 744(2,5% para a Previdência Social; 0,1% para o SAT; e 0,25% para o SENAR). ... 12. Para a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), o entendimento da empresa, quanto ao momento da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias, está equivocado. Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado ao produtor rural pela comercialização da sua produção rural com: adquirente ou consumidor, pessoas físicas ou jurídicas, com cooperativa ou por meio de consignatário, podendo, ainda, ser resultante de permuta, compensação, dação em pagamento ou ressarcimento que Si represente valor, preço Fl. 34DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002245/200730 Acórdão n.º 2402001.815 S2C4T2 Fl. 1.209 35 ou complemento de preço (Instrução Normativa — IN/SRP n° 03, de 14/07/2005, art. 246, I e §1°). ... 17. Concluise, portanto, que: a) tratase de operação comercial no mercado interno o repasse das mercadorias à Copersucar, ocorrendo aí o fato gerador; b) não há que se falar em exportação de produtos, ainda que a interposta empresa exportadora seja uma cooperativa de produtores; c) a complementação de preço distribuída posteriormente pela cooperativa deve compor a base de cálculo das contribuições sociais; d) todas as operações comerciais que gerem receitas para a agroindústria, ainda que não diretamente relacionadas às suas atividades principais, são passíveis da incidência de contribuições sociais, exceto as decorrentes de prestação de serviços; e) a Lei n° 10.256, de 09/07/2001, que instituiu a contribuição sobre a receita bruta da agroindústria, tem aplicação imediata a partir de 01/11/2001. Com a devida vênia, não vejo como sustentar que tenha havido concomitância integral em relação à ação judicial. Nela não se discutem os critérios acima adotados pela fiscalização, mas somente a ocorrência do fato gerador na exportação. Caso a sentença judicial venha a transitar em desfavor da recorrente e não seja conhecida no presente processo a questão que envolve o momento da ocorrência do fato gerador, se no repasse à cooperativa ou na se repartição da receita bruta à recorrente pela cooperativa, seria afastada do recorrente o direito de discutila, prejudicando a certeza do crédito constituído. Por tudo, entendo que deva ser reconhecido a concomitância somente quanto à ocorrência ou não do fato gerador coincidente à receita bruta decorrente da comercialização de sua produção rural ao mercado externo, ou seja, se goza ou não da imunidade criada pelo artigo 149, §2°, inciso I da Constituição Federal. Tudo mais deva ser conhecido e julgado. Quanto ao momento da ocorrência do aludido fato gerador, acompanho os fundamentos do voto vencedor apresentado pelo ilustre Conselheiro Igor Araújo Soares, divergindo apenas quanto à conclusão. Entendo que há vício material insanável no lançamento, o implica a exclusão da base de cálculo relativa à receita bruta decorrente da comercialização de sua produção rural. Desposo do mesmo entendimento de que o fato gerador da contribuição previdenciária prevista no artigo 22A da Lei 8.212/91 ocorre quando a sujeito passivo obtém a disponibilidade econômica da receita bruta, da qual subtrairá e pagará a importância correspondente ao tributo devido: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (...) Fl. 35DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 36 De fato, no repasse da produção à cooperativa, independentemente da natureza jurídica desse ato, mercantil ou cooperado, ainda não ocorreu a comercialização ao mercado externo e interno e muito menos a receita bruta. No entanto, entendo que aí reside um vício relacionado ao aspecto temporal do fato gerador e não à sua materialidade, questão reservada à ação judicial proposta. Melhor dizendo, houve erro no procedimento de lançamento previsto no artigo 142 do CTN, sem que se possa afirmar sobre a ocorrência ou não do fato gerador. Assim, voto em conhecer parcialmente o recurso voluntário, reconhecendose a concomitância e conseqüente renúncia à discussão no processo administrativo fiscal do pedido relativo à imunidade na exportação de produto rural. Na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir do lançamento por vício material a contribuição previdenciária incidente sobre o valor dos produtos rurais remetidos para a cooperativa, pelo entendimento de que no momento da operação não há receita bruta a ser tributada, o que somente ocorrerá após o repasse pela cooperativa à cooperada. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 36DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalm ente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903214/2013-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO INDÉBITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO. COMPROVAÇÃO. ANÁLISE SOB A ROUPAGEM DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação - DCOMP - e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo (Súmula CARF n° 175).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PREENCHIMENTO. ERRO MATERIAL. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa.
Numero da decisão: 1001-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, para que em completa análise a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano-calendário 2009 postulado pelo contribuinte, empregado na compensação por este declarada, retomando-se a marcha processual desde o início, sem prejuízo do conhecimento dos elementos já carreados aos autos.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sidnei de Sousa Pereira e Fernando Beltcher da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202305
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO INDÉBITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO. COMPROVAÇÃO. ANÁLISE SOB A ROUPAGEM DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação - DCOMP - e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo (Súmula CARF n° 175). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PREENCHIMENTO. ERRO MATERIAL. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13839.903214/2013-51
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850365
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1001-002.924
nome_arquivo_s : Decisao_13839903214201351.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : FERNANDO BELTCHER DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13839903214201351_6850365.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, para que em completa análise a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano-calendário 2009 postulado pelo contribuinte, empregado na compensação por este declarada, retomando-se a marcha processual desde o início, sem prejuízo do conhecimento dos elementos já carreados aos autos. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sidnei de Sousa Pereira e Fernando Beltcher da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
id : 9896922
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270967820288
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-16T13:23:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-16T13:23:27Z; Last-Modified: 2023-05-16T13:23:27Z; dcterms:modified: 2023-05-16T13:23:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-16T13:23:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-16T13:23:27Z; meta:save-date: 2023-05-16T13:23:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-16T13:23:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-16T13:23:27Z; created: 2023-05-16T13:23:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-16T13:23:27Z; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-16T13:23:27Z | Conteúdo => S1-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13839.903214/2013-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-002.924 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 9 de maio de 2023 Recorrente PRENSA JUNDIAI S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO INDÉBITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO. COMPROVAÇÃO. ANÁLISE SOB A ROUPAGEM DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação - DCOMP - e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo (Súmula CARF n° 175). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PREENCHIMENTO. ERRO MATERIAL. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando- se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, para que em completa análise a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano-calendário 2009 postulado pelo contribuinte, empregado na compensação por este declarada, retomando-se a marcha processual desde o início, sem prejuízo do conhecimento dos elementos já carreados aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 32 14 /2 01 3- 51 Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.924 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.903214/2013-51 (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sidnei de Sousa Pereira e Fernando Beltcher da Silva. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14-97.922, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (“DRJ”). Na origem, a ora Recorrente apresentara Declaração de Compensação (“DComp”), mediante a qual intentara liquidar débito próprio lançando mão de crédito alusivo a pagamento efetuado a maior para a estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) de dezembro de 2009, indébito levantado no montante de R$ 44.097,98. A autoridade fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (“RFB”) de circunscrição do sujeito passivo, proferiu Despacho Decisório, denegando o direito creditório postulado e não homologando a compensação declarada, ao argumento de que a integralidade do pagamento efetuado (R$ 180.298,05) fora alocado ao correspondente débito. Sobreveio Manifestação de Inconformidade. Por bem resumir as alegações da pessoa jurídica postas naquele primeiro apelo, reproduzo os respectivos excertos do relatório da decisão recorrida: [...] alega, em síntese, que ao realizar o cálculo da CSLL na preparação para a entrega da DIPJ, foi apurado um recolhimento a maior no valor de R$ 44.097,98, e que uma vez o valor registrado na DIPJ, fez a solicitação de compensação. Diz que a DCTF referente ao mês de dezembro/2009, não teve o débito retificado, o que gerou por parte da RFB o não reconhecimento do crédito solicitado. Afirma que para sanar o problema procedeu à entrega da DCTF retificadora referente à competência de dezembro/2009, onde alterou o valor do débito de CSLL de R$ 180.298,05 para R$ 136.200,07. Percebe-se, então, que a pessoa jurídica, pelo o que se pode extrair de sua alegação inicial, apresentara a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) considerando o valor da referida estimativa menor que o já recolhido. Nota-se que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais somente foi retificada após sua ciência do Despacho Decisório, o que levara a autoridade fiscal, segundo conclusões do contribuinte, a decidir negativamente quanto ao seu pleito, posto que na DCTF original o tributo fora confessado tal como pago. O colegiado a quo julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, pautando-se nas seguintes razões de decidir: (i) que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual poderá apurar a estimativa mensal da CSLL a partir da base de cálculo estimada, sendo facultada a suspensão ou redução do pagamento da contribuição devida em cada mês desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.924 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.903214/2013-51 devido no período em curso, e que tais peças contábeis sejam transcritas no Livro Diário; (ii) que, todavia, o contribuinte, a quem se incumbe o ônus da prova, nada trouxe aos autos para comprovar que, por meio dos balanços ou balancetes, faria jus à redução do pagamento da estimativa de dezembro de 2009; (iii) que a retificação da declaração por inciativa do sujeito passivo, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional); (iv) que as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação (art. 16, inciso II e § 4º, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972); e (v) que na única DIPJ do ano-calendário 2009 apresentada pelo contribuinte, informou- se a estimativa de CSLL de dezembro no exato valor pago e confessado na DCTF original. Irresignada, volta-se a Recorrente ao CARF, dando novos contornos à narrativa. Alega, agora, haver cometido erro de preenchimento da DComp, já que deveria haver indicado que o crédito que almejava ver reconhecido tratava-se de saldo negativo da CSLL do ano- calendário 2009, ao invés de pagamento efetuado a maior para a estimativa de dezembro daquele ano. Esclarece que apurara todas as estimativas mensais em bases estimadas e instruiu seu Recurso Voluntário com cópia de documentos de arrecadação das antecipações, de peças contábeis e de memória de cálculo da CSLL estimada mensalmente (com base na receita bruta e acréscimos). Requer, com base no princípio da verdade material e em precedente deste Conselho, a homologação da compensação efetuada. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de sua admissibilidade, pelo que dele conheço. Não fosse a cópia da ficha 17 da DIPJ do ano-calendário 2009, alimentada aos autos pela Recorrente quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, provavelmente inclinar-me-ia ao não conhecimento do Recurso Voluntário, dada a completa inovação trazida pela Recorrente nessa fase. Na linha 76 da referida ficha, consta valor negativo da CSLL a pagar, no exato montante do indébito reclamado pela Recorrente desde a origem. Assim, há prova nos autos a corroborar a tese agora defendida pelo contribuinte, de cometimento de erro de indicação do tipo de crédito na DComp, erro que se adiciona ao de retificar a correspondente DCTF para reduzir o valor da estimativa de dezembro de 2009. Consolidou-se, neste Conselho, a compreensão de que se admite a análise de crédito sob a roupagem de saldo negativo se o contribuinte demonstrar que errou ao preencher a DComp ao informar que o indébito revestia-se de pagamento indevido ou a maior de estimativa, nos termos do enunciado da Súmula CARF n° 175: Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.924 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.903214/2013-51 É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação – DCOMP e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo. Contudo, não se sabe se a DIPJ donde extraída a ficha que instrui o processo foi retificada. A DIPJ completa do período, ativa, não se encontra nos autos. Não se sabe se houve dedução de CSLL eventualmente retida na fonte no decorrer do ano. Se houve dedução, não se pode imaginar se as correspondentes receitas foram oferecidas à tributação. E, dentre as tantas outras variáveis possíveis, não é sabido se a Recorrente utilizara o saldo negativo demonstrado na DIPJ em Declaração de Compensação/Pedido de Restituição diversos. É de se lamentar que a corrente demanda tenha percorrido todas as instâncias administrativas, e consumido tantos recursos públicos, por conta dos diversos lapsos do contribuinte. Isso porque não é possível, sem que se suprima instâncias, solucionar o processo tal como está. Logo, a autoridade fiscal deve primeiramente conhecer dos fatos e dos elementos já carreados aos autos, analisá-los e decidir o pleito do contribuinte considerando a correta natureza do indébito reclamado: saldo negativo da CSLL. Mais: eventual decisão que vá, no todo ou em parte, de encontro aos anseios da interessada, oportunizará a formulação de nova manifestação de inconformidade, e assim por diante, garantindo-se, portanto, o duplo grau de jurisdição administrativa. Na apreciação pela Autoridade Fiscal, deve-se ter em vista que o correto valor da estimativa da CSLL de dezembro de 2009 é aquele confessado na DCTF original, razão pela qual não se admite a retificação para reduzi-lo, mormente quando a própria Recorrente assim o reconhece. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de circunscrição do sujeito passivo, para que em completa análise a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano-calendário 2009 postulado pelo contribuinte, empregado na compensação por ele declarada, retomando-se a marcha processual desde o início, sem prejuízo do conhecimento dos elementos já carreados aos autos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.924 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.903214/2013-51 Fl. 222DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720018/2018-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014
ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O cerceamento do direito de defesa só pode ser considerado se o contribuinte não consegue se defender de forma satisfatória ou não entende as razões pelas quais foi autuado e não é o que se verifica nos autos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E RAT. SENAR. AGROINDÚSTRIA.
A contribuição previdenciária patronal e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como a contribuição devida ao SENAR pela agroindústria, incidem sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção.
AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Agroindústria é a produtora rural pessoa jurídica, que desenvolve atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros.
Na venda para entrega futura de mercadorias a receita deve ser reconhecida no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas.
CONTRIBUIÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
A contribuição previdenciária devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta, que é o produto da venda de bens nas operações de conta própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, não havendo previsão de exclusão relativa a qualquer tributo.
AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO.
A contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo é devida, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
Numero da decisão: 2201-010.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento do direito de defesa só pode ser considerado se o contribuinte não consegue se defender de forma satisfatória ou não entende as razões pelas quais foi autuado e não é o que se verifica nos autos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E RAT. SENAR. AGROINDÚSTRIA. A contribuição previdenciária patronal e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como a contribuição devida ao SENAR pela agroindústria, incidem sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Agroindústria é a produtora rural pessoa jurídica, que desenvolve atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros. Na venda para entrega futura de mercadorias a receita deve ser reconhecida no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. CONTRIBUIÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A contribuição previdenciária devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta, que é o produto da venda de bens nas operações de conta própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, não havendo previsão de exclusão relativa a qualquer tributo. AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO. A contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo é devida, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 15868.720018/2018-36
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850355
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2201-010.532
nome_arquivo_s : Decisao_15868720018201836.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 15868720018201836_6850355.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
id : 9896798
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270969917440
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T21:14:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T21:14:51Z; Last-Modified: 2023-05-15T21:14:51Z; dcterms:modified: 2023-05-15T21:14:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T21:14:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T21:14:51Z; meta:save-date: 2023-05-15T21:14:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T21:14:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T21:14:51Z; created: 2023-05-15T21:14:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2023-05-15T21:14:51Z; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T21:14:51Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15868.720018/2018-36 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-010.532 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2023 Recorrente UNIALCO S/A ÁLCOOL E AÇÚCAR EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento do direito de defesa só pode ser considerado se o contribuinte não consegue se defender de forma satisfatória ou não entende as razões pelas quais foi autuado e não é o que se verifica nos autos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E RAT. SENAR. AGROINDÚSTRIA. A contribuição previdenciária patronal e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como a contribuição devida ao SENAR pela agroindústria, incidem sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Agroindústria é a produtora rural pessoa jurídica, que desenvolve atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros. Na venda para entrega futura de mercadorias a receita deve ser reconhecida no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. CONTRIBUIÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A contribuição previdenciária devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta, que é o produto da venda de bens nas operações de conta própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, não havendo previsão de exclusão relativa a qualquer tributo. AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO. A contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo é devida, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 18 /2 01 8- 36 Fl. 647DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da decisão de fls. 516/539 que manteve o Auto de Infração lavrado. Peço a vênia para transcrever parte do relatório produzido pela decisão recorrida. Trata-se de crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, referente ao período de 01 a 12/2014, compreendendo contribuições sociais previdenciárias e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural/SENAR devidas pelo produtor rural pessoa jurídica, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção (própria/terceiros), cujos fatos geradores não foram declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social/GFIP, conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 50/60. Relata a fiscalização que a empresa é uma Agroindústria, de acordo com o art. 22-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 10.256/2001, e se enquadra no CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas 1931400 “fabricação de álcool”. Durante a ação fiscal foi constatado que a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (própria/terceiros) não foi declarada em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social/GFIP. A fiscalização verificou na análise das notas fiscais eletrônicas (NF-e) a realização de vendas ao mercado externo (exportações) sem que houvesse recolhimento ao SENAR, ressaltando que por não ser espécie de contribuição previdenciária propriamente dita, referida contribuição destinada a terceiros não está abrigada pela imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Os valores base para a apuração das contribuições devidas, bem como os valores já declarados em GFIPs, contam discriminados nas planilhas Anexo A-1 (vendas no mercado interno) e Anexo B-1 (vendas no mercado externo). Sobre as bases devidas (bases devidas menos as bases já declaradas em GFIPs) foram aplicadas as seguintes alíquotas: - alíquota de 2,5% - cota patronal referente a venda no mercado interno; Fl. 648DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 - alíquota de 0,1% - GIL/RAT - Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, referente às vendas no mercado interno; - alíquota de 0,25% - Outras Entidades – SENAR, referente às vendas no mercado interno e/ou externo. Os anexos A-2; A-3; A-4 e B-2 que integram o relatório fiscal, detalham as origens das bases informadas nos anexos A-1 e B-1: Aplicou-se a multa de ofício de 75% sobre as contribuições devidas, com base na Lei nº 11.941/2009 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, que visa apenar de forma conjunta tanto o não pagamento (parcial ou total) da contribuição devida, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. A omissão de fato gerador em GFIP, aliada à falta do recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes constitui, em tese, crime contra a ordem tributária tipificada no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, sendo formalizada Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada à autoridade competente. Constam como elementos de provas na constituição do crédito tributário: - NF-e referentes a comercialização dos produtos industrializados da produção rural própria ou da produção rural própria mais as adquiridas de terceiros; - Informações prestadas em GFIPs. Da Impugnação Irresignado com o lançamento, impugna-o o sujeito passivo, que aduziu, em síntese: Após ciência pessoal da autuação em 21/05/2018, o contribuinte apresenta defesa, fls. 435/451, alegando em síntese o que segue. Esclarece que durante o procedimento fiscal foram emitidos vários Termos de Intimação e dentre os cinco termos lavrados somente no emitido em 13/11/2017 houve a solicitação de documentos fiscais relativos às operações do contribuinte. Ressalta que em atendimento ao termo elaborou planilha de todas as notas fiscais de saída com informações sobre a natureza das operações na coluna "M" como "Nat Oper" em que informados o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) acrescido de subcódigos utilizados internamente pela empresa para determinar o registro e contabilização de cada operação, e ainda na coluna "N" como "Denominação- complementar" informando a descrição da operação. Sobre estas operações nada mais foi solicitado, apenas Atas e Estatuto Societário. Passa a demonstrar a nulidade de cada auto de infração. Auto de Infração - Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador sobre a comercialização da produção rural e Auto de Infração - Contribuição para outras entidades e fundos - SENAR - mercado interno. Referindo-se ao Anexo A-1 do relatório fiscal que contém as bases das notas fiscais do mercado interno, alega que a fiscalização considerou todas as notas fiscais emitidas com o Código CFOP 5652-6652 e 5922-6922, contudo, muitas referem-se a remessas de produtos, seja remessa para entrega futura e remessa do produto faturado antecipadamente enquanto que no CFOP 5922/6922, ocorreu Venda para Entrega Futura e Faturamento Antecipado. Fl. 649DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Alega que a identificação dos Códigos CFOP 5652 e 6652 no Anexo A-4 está incompleta e em desacordo com o quanto disciplina o RICMS 2000 atualizado até o Decreto nº 63.342, de 06/04/2018, ou seja, estas naturezas não são exclusivamente de "vendas" (receitas), mas englobam também as utilizadas para remessa do produto que foi faturado antecipadamente, não podendo ser reconhecido como receita. Demonstra o equívoco cometido pela fiscalização em planilha demonstrativa extraída do Anexo A-1 em que acrescenta colunas e demonstra os valores que correspondem as remessas para entrega futura e faturamento antecipado e indica a composição desses valores com indicativo de todas as notas fiscais. Conclui que os autos de infração lavrados sobre as "vendas ao mercado interno" são nulos de pleno direito, pois ofereceu a tributação todas as receitas que efetivamente auferiu no período, exatamente nos termos lançados em GFIP. Discorre sobre a venda para entrega futura que representa uma venda efetivamente concluída, porém por conveniência ou necessidade do adquirente as mercadorias serão efetivamente entregues em data posterior, sendo que a receita deve ser reconhecida no momento da transação em conta de Receita Bruta de Vendas, em que pese a transferência da posse se dar ulteriormente. Explana sobre o faturamento antecipado em que o vendedor ainda não dispõe das respectivas mercadorias em função destas ainda virem a ser produzidas ou adquiridas, e a distinção desta sobre a venda para a entrega futura em que a mercadoria fica à disposição do adquirente, enquanto no faturamento antecipado isto não ocorre. Acrescenta que na venda para entrega futura deve-se reconhecer a receita de imediato, jamais quando da emissão da nota de remessa como faz exigir a fiscalização, pois houve a transmissão da propriedade, enquanto que no faturamento antecipado a vendedora apenas assumiu um compromisso de disponibilizar o produto futuramente, sob pena de declinar a operação, sendo utilizado para documentar adiantamentos efetuados pelo cliente, pois a receita somente será realizada quando houver a transmissão do produto. No âmbito tributário em relação às vendas para entrega futura a receita é reconhecida no ato da emissão da nota fiscal de venda e não na emissão das notas fiscais de remessa, e na hipótese de faturamento antecipado, a receita será reconhecida para fins de tributação quando da efetiva entrega do bem, havendo equivoco nas autuações por exigir a tributação de receitas não realizadas. Transcreve Solução de Consulta e acórdão do Conselho de Contribuintes sobre o tema. Explana sobre a Receita de venda para entrega futura que será reconhecida independentemente da entrega da mercadoria ao comprador, ou seja, deverá ser contabilizada e tributada no momento em que houve o faturamento, pois a mercadoria já está à disposição do comprador e também, conforme o regime de competência que trata a Resolução CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993. Aduz que referidas receitas foram contabilizadas e oferecidas a tributação pela impugnante desde o seu faturamento, e, no período em que consta dos Autos de Infração, houve tanto a Receita (Venda para Entrega Futura) quanto as Remessas de tais produtos. As receitas propriamente ditas e efetivamente incorridas foram devidamente oferecidas à tributação e constam expressamente das respectivas GFIPs. Explana sobre a Receita de faturamento antecipado em que o reconhecimento das receitas não se dá pela emissão da nota e sim quando o vendedor efetuar a produção ou compra da mercadoria, ficando a mesma a disposição do comprador, como ainda não há produtos a serem negociados, não poderá ser reconhecida a receita, pois o que existe é somente o compromisso sobre uma venda a ser realizada futuramente. Descreve aspectos da Solução de Consulta Cosit nº 507/2017 que dispõe para fins de apuração do PIS/Cofins pelo regime não cumulativo, bem como para a contribuição previdenciária, que as agroindústrias que negociam suas mercadorias para entrega futura decorrentes da industrialização de sua própria produção, devem reconhecer as receitas, quando da realização do contrato, pois nesse momento o negócio se aperfeiçoa e o Fl. 650DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. Resta claro que compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária (2,6%) e do SENAR (0,25%), em relação às Vendas para Entrega Futura e de Faturamentos Antecipado as seguintes operações: a) CFOP 5922/6922 - Venda para Entrega Futura e b) CFOP 5652/6652 – Remessa de Faturamento Antecipado. Ressalta que em resposta à intimação emitida em 13/11/2017 informou na descrição da operação se esta se referia a venda, venda para entrega futura, faturamento antecipado, remessa de venda para entrega futura ou remessa de faturamento antecipado, sendo que a fiscalização utilizou-se para a apuração da "hipotética e equivocada receita" de um arquivo de notas eletrônicos, anexado ao processo como Anexo A-2, cujo indicativo do assunto é: "Relação das NF-e Referente às Vendas no Mercado Interno". No referido Anexo A-2 há indicativo do Código CFOP, sem utilização do subcódigo utilizado pela contribuinte e no campo "Descrição CFOP", a informação "VIDE ANEXO A-4", porém este está incompleto quanto a descrição dos CFOP, ou seja, a fiscalização desconsiderou o detalhamento da descrição das operações ocorridas nas notas fiscais de saídas, tratando todas as operações como venda pura e simples e como receitas incorridas no período. Esclarece que utilizou-se da mesma planilha enviada no atendimento à diligência para elaborar o “Anexo 1-Base de Cálculo Contribuinte”, com informações vinculadas às notas fiscais do relatório e anexa ainda a planilha origem das informações acrescida com o resumo e a Memória de Cálculo da contribuição, com vínculo às notas, em "formato não paginável", obedecendo as regras de juntada de documentos eletrônica para segregação das operações que não compõe a base de cálculo. O “Anexo 1-Base de Cálculo Contribuinte” em seu resumo, demonstra todas as operações de vendas segregadas por tipo de produtos, e traz um comparativo detalhando em que consiste a diferença apurada erroneamente pelo Fiscal. Acrescenta que a fiscalização deixou de considerar as notas de devolução provenientes de vendas canceladas nas competências de janeiro, agosto e outubro de 2014, incluindo- as na base de cálculo das contribuições exigidas, conforme linhas finais do quadro A do “Anexo 1-Base de Cálculo Contribuinte”, onde consta "(-) Devolução de Venda" e "(-) Termo Desfazimento V.E.Futura". Colaciona jurisprudência do CARF sobre dedução de devolução de vendas. Sustenta que informou base de cálculo a maior na GFIP em que calculada a contribuição previdenciária e do SENAR, pois considerou indevidamente o IPI das vendas tributadas nos meses de abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro/2014, e ainda os valores referentes às notas fiscais de nº 109958, 111417, 112353, 112669, 113021 e 113491 dos meses de julho a dezembro/2014 emitidas com CFOP incorreto, como pode se observar no quadro B do “Anexo 1-Base de Cálculo Contribuinte”, na linha descrita como “Subtotal Diferença Apurada”. Acrescenta que o erro foi visível pois a fiscalização não considerou os valores acima referidos na apuração, porém a demonstração destes valores se faz necessária para apurar o resultado final da diferença que é "zero" baseado na diferença apurada pelo fiscal e na base de cálculo utilizada pela contribuinte (a maior). Conclui que informou em GFIP no ano de 2014 todas as receitas efetivamente auferidas, não podendo ser consideradas como receitas para fins de tributação: as notas de remessa de venda para entrega futura, as notas de Faturamento Antecipado e as notas de devolução de vendas canceladas. Há que se considerar ainda que ofereceu a tributação, além de suas receitas, o valor do IPI sobre as vendas tributadas identificado nas planilhas do Anexo 1, e o valor das notas emitidas com CFOP indevido e que se referiam a consumo próprio de álcool (e não venda). Cópia dos documentos emitidos indevidamente constam do Anexo 2 juntado. Fl. 651DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Pleiteia o cancelamento dos autos de infração pois os lançamentos são ilegais pois inexiste o fato gerador da exação. Auto de Infração - Contribuição para Outras Entidades e Fundos – SENAR - Mercado Externo. Sustenta que referida autuação também deve ser cancelada pois é inconstitucional a cobrança de contribuição sobre receita advinda de venda ao mercado externo, nos moldes do quanto disciplina o artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal que transcreve. Argumenta que o art. 62 do ADCT determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural/SENAR nos mesmos moldes do SENAI e do SENAC, providência cumprida pela Lei nº 8.315/91, seguindo a mesma natureza destas, qual seja, contribuições sociais gerais alcançadas pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF. Colaciona jurisprudência do CARF a respeito. Conclui que está sendo exigida contribuição ao SENAR sobre receitas decorrentes de exportação, sendo tal exigência inconstitucional e por este motivo deve ser cancelada a autuação. Da Suspensão da Exigibilidade Tributária. Transcreve o disposto no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional e doutrina a respeito, pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Do Pedido. Requer o cancelamento dos autos de infração, e em amparo a ampla defesa e em atenção ao regime de instrução probatória, que seja concedida oportunidade a impugnante para se pronunciar com o complemento de informações ou juntada de peças técnicas relevantes, caso pairem dúvidas sobre documentos, lançamentos ou notas explicativas do contribuinte. Em procedimento próprio se manifesta quanto a representação para fins penais. Juntou documentos, fls. 452/476. Da Decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento Sobreveio acórdão proferido pela Delegacia Regional de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo (e-fl. 516/517): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E RAT. SENAR. AGROINDÚSTRIA. A contribuição previdenciária patronal e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), bem como a contribuição devida ao SENAR pela agroindústria, incidem sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 652DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Agroindústria é a produtora rural pessoa jurídica, que desenvolve atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros. Na venda para entrega futura de mercadorias a receita deve ser reconhecida no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. CONTRIBUIÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A contribuição previdenciária devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta, que é o produto da venda de bens nas operações de conta própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, não havendo previsão de exclusão relativa ao IPI. AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. NÃO APLICAÇÃO. É devida a contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. O foro administrativo é inapropriado para as discussões relativas à inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo, sendo defeso à autoridade administrativa afastar a aplicação de normas que gozem de plena eficácia. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A apresentação de impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL. A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização, não competindo às Delegacias de Julgamento a análise do mérito nela contido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificadas da decisão, apresentaram Recurso Voluntário às fls. 545/559 em que alegou, em apertada síntese: a) preliminar de inconsistência do acórdão em relação aos auto de infração; b) Autos de Infração relativos às vendas ocorridas no mercado interno, tanto para a Contribuição Previdenciária da empresa e do empregador sobre a Comercialização da Produção rural quanto para o SENAR; c) Auto de Infração relativo às vendas ocorridas no mercado externo SENAR. Fl. 653DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Do Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. PRELIMINAR DE INCONSISTÊNCIA DO ACÓRDÃO EM RELAÇÃO AOS AUTO DE INFRAÇÃO Esclareça-se que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. As nulidades do Processo Administrativo Fiscal estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De acordo com o disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, são os seguintes os requisitos do auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; Fl. 654DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Para serem considerados nulos os atos, termos e a decisão têm que ter sido lavrados por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. No presente caso, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil), estão presentes os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal e contra os quais o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa. Também não houve qualquer cerceamento do direito de defesa, posto que a matéria está sendo rediscutida no presente recurso pelo contribuinte, não havendo que se falar ainda em cerceamento do direito de defesa. Da leitura do Relatório Fiscal e do acórdão da DRJ não merecem prosperar as alegações do Recorrente. O auto de infração e seu relatório fiscal foram lavrados em consonância com o artigo 142 do CTN e tanto estes quanto o acórdão recorrido foram lavrados por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. O Relatório Fiscal detalha minuciosamente os fatos ocorridos durante a ação fiscal e que culminaram com o auto de infração ora combatido. A decisão recorrida, apesar de não refletir o entendimento do contribuinte, não padece de vícios, de modo que não procede a alegação do contribuinte. AUTOS DE INFRAÇÃO RELATIVOS ÀS VENDAS OCORRIDAS NO MERCADO INTERNO, TANTO PARA A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL QUANTO PARA O SENAR; Quanto a este ponto, transcrevo trechos da decisão recorrida, com a qual concordo e me utilizo como fundamento e razão de decidir: Alega o impugnante que houve equivoco na apuração da base de cálculo em relação ao lançamento de contribuições incidentes sobre a receita bruta de vendas no mercado interno, não podendo ser consideradas como receitas para fins de tributação: as notas de remessa de venda para entrega futura, as notas de Faturamento Antecipado e as notas de devolução de vendas canceladas. Juntou para demonstrar suas alegações planilhas de apuração, fls. 452/456, (Anexo A-1 Contribuinte, Base de Cálculo Contribuinte e planilha em arquivo não paginável) e notas fiscais de “Desfazimento Venda Entrega Futura, com cartas de correção, fls. 462/475. Vejamos. Inicialmente, vale registrar que a contribuição previdenciária devida pela agroindústria, em substituição às contribuições previstas no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 1991, está prevista no art. 22-A da mesma lei, e a contribuição devida ao SENAR está prevista no § 5º do mesmo artigo, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, Fl. 655DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 5° O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (grifei) A contribuição patronal substitutiva da agroindústria encontra-se regulamentada no art. 201-A do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, acrescentado pelo Decreto n° 4.032/2001, transcrito parcialmente a seguir: Regulamento da Previdência Social: Art. 201-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 1º Para os fins deste artigo, entende-se por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 201 e 202, obrigando-se a empresa a elaborar folha de salários e registros contábeis distintos. § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros não integram a base de cálculo da contribuição de que trata o caput. Art. 201-B. Aplica-se o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. (grifei) Em consonância com as disposições acima, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, disciplinou a incidência das contribuições devidas pela agroindústria da seguinte forma: IN RFB nº 971/2009 Das Bases de Cálculo das Contribuições das Empresas em Geral Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: (...) Fl. 656DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 IV - o valor bruto da receita da comercialização da produção rural própria, se produtor rural pessoa jurídica ou da comercialização da produção própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, se agroindústria; Art. 165. Considera-se: (...) b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade empresária, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 175; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo; II - produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos; (...) § 1º Considera-se industrialização, para fins de enquadramento do produtor rural pessoa jurídica como agroindústria, a atividade de beneficiamento, quando constituir parte da atividade econômica principal ou fase do processo produtivo, e concorrer, nessa condição, em regime de conexão funcional, para a consecução do objeto da sociedade. Art. 166. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: (...) III - da produção própria ou da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto quanto às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001. Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Parágrafo único. Ocorre a substituição da contribuição tratada no caput, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades, ressalvado o disposto no inciso I do art. 180 e observado o disposto nos arts. 170 e 171. Como se depreende dos normativos acima, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria, assim considerado o contribuinte e declarado em GFIP no código FPAS 833, é a receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Algumas premissas devem ser adotadas para a análise do presente lançamento: - o sujeito passivo é agroindústria com enquadramento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas/CNAE 1931400 “fabricação de álcool” e base declarada em GFIP FPAS 833 –setor industrial; - não foram classificadas outras atividades para fins de tributação (FPAS 604 - setor rural); Fl. 657DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 - a base de cálculo foi apurada do exame das notas fiscais emitidas (NF-e – Nota Fiscal Eletrônica) utilizando-se dos Códigos Fiscais de Operação e Prestações/CFOP, adiante explicitados, sem exame da contabilidade. A tabela de CFOP2, de abrangência nacional, foi instituída pelo Convênio SINIEF/Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico Fiscais s/nº, de 15/12/1970 e sofreu alterações ao longo do tempo, sendo a última realizada pelo ajuste SINIEF nº 11/18. A fiscalização junta a seguinte tabela demonstrativa dos Códigos CFOP: (...) A controvérsia estabelecida nos autos diz respeito aos códigos CFOP 5922/6922 e 5652/6652, e especificamente quanto a estes últimos assiste razão ao contribuinte quanto a descrição incompleta na tabela acima. A descrição dos referidos códigos estabelecida no Convênio SINIEF s/n 15/12/70, para o período aqui vigente, vem acompanhada de notas explicativas conforme transcrevo: Do Código Fiscal de Operações e Prestações e do Código de Situação Tributária Art. 50 O Código Fiscal de Operações e Prestações - CFOP e o Código de Situação Tributária - CST, constantes de anexos deste Convênio, serão interpretados de acordo com as Normas Explicativas, também apensas, e visam aglutinar em grupos homogêneos nos documentos e livros fiscais, nas guias de informação e em todas as análises de dados, as operações e prestações realizadas pelos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS. Acrescido o CFOP 5.652 e respectiva nota explicativa pelo Ajuste SINIEF 09/03, efeitos a partir de 01.01.04. Acrescido o CFOP 6.650 e respectiva nota explicativa pelo Ajuste SINIEF 09/03, efeitos a partir de 01.01.04. Fl. 658DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Lembrando que o CFOP 5652/5922 é utilizado para operações internas (onde o emitente e o destinatário estão localizados dento da mesma unidade da federação) e CFOP 6652/6922 para as operações interestaduais. No tocante aos CFOP 5922/6922 “lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura” não há qualquer reparo a se fazer no lançamento, pois efetivamente representam a receita de venda da operação já efetivada sem a saída real do produto, tendo total aplicação à espécie a Solução de Consulta nº 507/2017 exarada pela COSIT, órgão que decide processos de consulta de interpretação da legislação tributária no âmbito da Receita Federal do Brasil, conforme ementa que transcrevo parcialmente: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Considera-se como venda para entrega futura aquela resultante de contrato de compra e venda em que, no momento de concretização do negócio, o vendedor já possui em estoque as mercadorias ou produtos vendidos, os quais, por vontade dos contratantes, permanecerão com o vendedor, na condição de mero depositário, para entrega ao comprador em ocasião posterior. Na apuração da Contribuição Previdenciária prevista no caput do art. 22A da Lei nº 8.212/1991, as agroindústrias que vendem para entrega futura mercadorias resultantes da industrialização de sua própria produção devem reconhecer a receita decorrente dessas vendas no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador torna-se proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 22A; Decreto-lei nº 1.598, de 1974, arts. 7º, § 4º, e 67, caput, XI; Lei nº 6.404, de 1976, arts. 177 e 187, § 1º; RIPI/2010, arts. 187, I e II, 407, VII, e 410; Convênio Sinief s/nº, de 1970, art. 40; IN RFB nº 971, de 2009, art. 169; PN CST nº 58, de 1977, item 4.3; PN CST nº 40, de 1976, item 4; PN CST nº 73, de 1973, itens 5 a 8; Resolução CFC nº 750, de 1993, art. 9º. Destaco da referida Solução de Consulta, o conceito de venda para entrega futura que não encerra qualquer condição suspensiva a determinar a eficácia da venda entabulada: Dentro das premissas adotadas nesta Solução de Consulta, verifica-se que, no contrato de compra e venda para entrega futura, as mercadorias já existem no estoque do vendedor, sendo a sua entrega ao adquirente efetuada em momento posterior. Nesse negócio jurídico, a transferência de propriedade da mercadoria ocorre desde o momento do acordo de vontades, embora a tradição não ocorra no mesmo instante. Esse ato jurídico não depende do implemento de condição Fl. 659DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 suspensiva, pois já se encontra perfeito e acabado no momento da celebração do negócio, quando ocorre o fato gerador do tributo. (grifei) No mesmo sentido, a Solução de Consulta COSIT nº 12/2017, cuja ementa e excerto transcrevo: ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na hipótese de o vendedor celebrar contrato de compra e venda de bem que possui em seu estoque, mas entregar esse bem em período de apuração posterior àquele em que foi celebrado o contrato, a receita, pelo regime de competência, deve ser reconhecida no período de apuração em que foi celebrado o contrato. (...) Na segunda situação, uma vez que os bens objeto do contrato de compra e venda já existem no estoque do vendedor quando o contrato é celebrado, a receita deverá ser reconhecida no momento de celebração do contrato. O contrato de compra e venda de bens é considerado obrigatório e perfeito quando as partes concordam quanto à coisa e ao preço, conforme disposto no art. 482 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Nessa situação, depois de perfeito o contrato, o bem deixa de pertencer ao estoque da empresa vendedora, tornando-se esta mera depositária. Nesse momento, há a simultaneidade de receitas e custos correlatos, quanto ao bem vendido, devendo também nesse momento ocorrer o reconhecimento da receita pela empresa vendedora, ainda que a efetiva entrega aconteça em outra ocasião. (grifei) Sendo assim, ao contrário das conclusões exaradas na diligência fiscal, as notas fiscais de venda com códigos CFOP 5922/6922 constituem base de cálculo da contribuição substitutiva, conforme disposto no artigo 173 da IN RFB nº 971/2009: Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Parágrafo único. Ocorre a substituição da contribuição tratada no caput, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades, ressalvado o disposto no inciso I do art. 180 e observado o disposto nos arts. 170 e 171. No tocante a alegação de que nas notas fiscais de vendas dos códigos CFOP 5652 e 6652 discriminadas no Anexo A-4 há operações que não são exclusivamente de vendas, mas englobam também as utilizadas para “remessa” do produto que foi faturado antecipadamente, não há como acatar os argumentos da defesa. Com efeito, o impugnante não juntou aos autos qualquer nota fiscal demonstrando a natureza da operação como simples remessa, tampouco apontou quais seriam as notas fiscais discriminadas no Anexo A-2 “Relação das NF-e referentes às vendas no mercado interno”, fls. 64/397, abaixo reproduzido em parte, que no seu entendimento não deveriam compor a base de cálculo do lançamento: (...) Para uma análise de sua argumentação, deveria ter colacionado no mínimo indício de prova de que houve inclusão indevida na base de cálculo de operações de simples remessa ou faturamento antecipado, o que não ocorreu, tendo apenas juntado planilhas que desacompanhadas de demais elementos de prova não se prestam a afastar o lançamento, sendo portanto tais alegações de cunho genérico. Afirma ainda o impugnante que foram incluídas indevidamente na base de cálculo das operações de venda “mercado interno” notas fiscais de vendas canceladas/devolução de Fl. 660DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 vendas, conforme demonstra na planilha de fl. 476 (arquivo não paginável) no quadro B do “Anexo 1-Base de Cálculo Contribuinte”, na linha “Vendas Canceladas /Devolução”. Contudo, conforme apurado em diligência fiscal, fls. 487/492, não procede tal alegação, tendo a fiscalização se pronunciado a este respeito desta forma: Quanto às argumentações da empresa referentes às vendas canceladas nos meses de janeiro; agosto e outubro/2014 temos a esclarecer que as NF-e canceladas nos referidos meses, as quais relacionamos abaixo, e que foram obtidas junto ao sistema "NF-e" não foram incluídas na apuração dos valores levantados no presente processo, ou seja, não constam do ANEXO A-2 e também do ANEXO B-2, a saber: (...) Quanto às notas fiscais de nº 109958, 111417, 113491, 112353, 112669 e 113021, fls. 463/473, referente aos meses de julho a dezembro/2014 que segundo o impugnante foram emitidas com CFOP incorreto, verifico que estas não compuseram a base de cálculo das contribuições devidas como pode ser verificado com a simples busca na planilha Anexo A- 2, fls. 64/397. Além disto, se a intenção do impugnante era de demonstrar que referidas notas fiscais foram declaradas erroneamente em GFIP, em nada modificaria o lançamento aqui discutido, uma vez que após o início do procedimento fiscal não há que se falar em retificação de GFIP, conforme se depreende do seguinte dispositivo da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 463. A alteração nas informações prestadas em GFIP será formalizada mediante a apresentação de GFIP retificadora, elaborada com a observância das normas constantes do Manual da GFIP. (...) § 5º A retificação não produzirá efeitos tributários quando tiver por objeto alterar os débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal, salvo no caso de ocorrência de recolhimento anterior ao início desse procedimento: grifei I - quando não houve entrega de GFIP, hipótese em que o sujeito passivo poderá apresentar GFIP, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades cabíveis; II - em valor superior ao declarado, hipótese em que o sujeito passivo poderá apresentar GFIP retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades cabíveis. No mesmo sentido, a seguinte Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF de efeito vinculante para a administração tributária, conforme Portaria MF nº 277/2018: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Em relação a alegação de que a base de cálculo foi declarada a maior na GFIP, pois considerou indevidamente o IPI das vendas tributadas nos meses de abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro/2014, deve-se esclarecer que a possibilidade de exclusão de IPI na receita bruta somente foi prevista na contribuição substitutiva a que se referem os art. 7º a 9º da Lei nº 12.546/2011, não havendo qualquer norma legal a amparar referida exclusão no caso da tributação das agroindústrias. Com efeito, a agroindústria tem as contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, substituídas pela incidente sobre o valor da Receita Bruta proveniente da comercialização da produção, conforme art. 22-A, incisos I e II, da mesma lei e deve declarar tal receita em GFIP, no campo Comercialização da Produção – PJ. Fl. 661DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Tanto a Lei nº 8.212/91 como o Regulamento aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 não fazem previsão quanto à exclusão de impostos da base de cálculo da referida contribuição. Confira-se: Decreto nº 3.048/99 Art. 201-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: I – dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e II – zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 1º Para fins deste artigo, entende-se por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (grifei) A legislação não deixa dúvida de que se trata de receita bruta, sem qualquer exclusão, posto que não há qualquer ressalva relativa à dedução de outros tributos. E, não havendo previsão legal para que o IPI, os descontos e o ICMS sejam excluídos da base de cálculo referente à comercialização da produção rural das agroindústrias, o lançamento deve ser mantido. De todo o exposto, não procedem os argumentos da defesa neste tópico. Merece destaque o fato de que o ônus de provar suas alegações com documentos e de forma didática, nos termos do disposto no artigo 373 do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ao contrário do que alega o recorrente não é ônus da fiscalização ou dos órgãos julgadores produzir a prova, cujo ônus é daquele que alega, de modo que não procedem suas alegações. AUTO DE INFRAÇÃO RELATIVO ÀS VENDAS OCORRIDAS NO MERCADO EXTERNO SENAR No presente caso, a recorrente busca se abster do recolhimento da contribuição ao SENAR incidente sobre receitas oriundas de exportação, alegando que a natureza de tal contribuição é de CIDE ou de contribuição social, o que, por conseguinte, atrairia a imunidade prevista na CF, contudo, em que pese as bem expostas razões da contribuinte, entendo que a decisão recorrida merece ser mantida, uma vez que devidamente fundamentada. Meu entendimento quanto à matéria é nos exatos termos do que constou na decisão recorrida, no sentido de que a natureza jurídica da contribuição ao Senar é de contribuições de interesse de categorias profissionais e econômicas e portanto o dispositivo constitucional não o incluiu de forma expressa para aplicação da imunidade em relação à receita de exportação. Nesse ponto adoto como razões de decidir trechos do voto do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim no Ac. 2201-004.540 J. 05/06/2018 em que o assunto foi tratado com propriedade pedindo vênia para sua transcrição verbis: Fl. 662DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Neste tópico, a RECORRENTE defende, em suma, que a contribuição ao SENAR é espécie do gênero contribuição social e, por esse motivo, encontra-se alcançada pela imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2° da CF/88. Contudo, não assiste razão à RECORRENTE, uma vez que o art. 149, § 2°, I, da CF/88 afirma expressamente que somente estão acobertados pelo manto da imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação as contribuições sociais e as contribuições de intervenção no domínio econômico. Neste sentido, importante transcrever mais uma vez a mencionada norma constitucional: “Art. 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” Ora, se o caput do art. 149 apresenta três espécies de contribuições (contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas) e logo em seguida seu §2º disciplina que não incidirão sobre as receitas de exportação apenas duas espécies de contribuições (contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico), resta evidente que o interesse do constituinte foi de não afastar a incidência das contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas sobre as receitas de exportação. A contribuição ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem) foi criada pela Lei nº 8.315/91, cujo art. 1º dispõe o seguinte: “Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Parágrafo único. Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locai” Da leitura do dispositivo acima, resta evidente que a natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, haja vista que se presta, precipuamente, a atender a categoria dos trabalhadores rurais. Sendo o referido tributo uma contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, a norma imunizante não poderá ser aplicada, havendo incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pela Conselheira Ana Cecília Lustosa Cruz em acórdão recentemente proferido pela 2ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9202-006.595, julgado em 20/03/2018), com o fim de demonstrar que a contribuição ao SENAR não possui características de CIDE nem de contribuição social: “Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Fl. 663DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Econômica e Financeira, art. 170, I a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extrai-se, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bemestar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Fl. 664DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-010.532 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720018/2018-36 Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais.” Neste sentido, por verificar que a contribuição ao SENAR é uma contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas (categoria econômica dos trabalhadores rurais), entendo que a mesma não é englobada pela imunidade do art. 149, §2º, I, da CF/88. Portanto, não há o que prover quanto a este ponto. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 665DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 35381.001008/2006-34
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. STF.
I - Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara
Superior de Recursos Fiscais, e da própria súmula nº 8 do
Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD.
I - Contendo, a NFLD, todos os requisitos exigidos pela
legislação previdenciária, não há que se falar em nulidade por
cerceamento do direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
I - Não cabe aos Órgãos julgadores dos Conselhos de
Contribuintes do Ministério da Fazenda afastar a aplicação da
legislação tributária em vigor, ainda que as entenda
inconstitucionais ou ilegais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.355
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 02/2000; II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200810
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1995 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. STF. I - Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria súmula nº 8 do Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. I - Contendo, a NFLD, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. I - Não cabe aos Órgãos julgadores dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, ainda que as entenda inconstitucionais ou ilegais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 35381.001008/2006-34
anomes_publicacao_s : 200810
conteudo_id_s : 6847453
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 206-01.355
nome_arquivo_s : 20601355_143068_35381001008200634_006.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : ROGERIO DE LELLIS PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 35381001008200634_6847453.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 02/2000; II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
id : 4840261
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:35 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270982500352
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T22:24:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T22:24:51Z; Last-Modified: 2009-08-06T22:24:51Z; dcterms:modified: 2009-08-06T22:24:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T22:24:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T22:24:51Z; meta:save-date: 2009-08-06T22:24:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T22:24:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T22:24:51Z; created: 2009-08-06T22:24:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-06T22:24:51Z; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T22:24:51Z | Conteúdo => r CC/MF - Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Brasília CCO2/C06 Maria de Patim - -erg d arvalho Fls. 706 Matr. Siada 751683 14:-.)44,- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --.14 SEXTA CÂMARA Processo n° 35381.001008/2006-34 Recurso e° 143.068 Voluntário Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES Acórdão o° 206-01.355 Sessão de 07 de outubro de 2008 Recorrente RB EMPREGOS TEMPORÁRIOS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1995 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. STF. I - Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula no 8 do Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. I - Contendo, a NFLD, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. I - Não cabe aos Órgãos julgadores dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, ainda que as entenda inconstitucionais ou ilegais. Recurso Voluntário Provido em Parte.tiu Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . . . 20 CC/MF - Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n" 35381.001008/2006-34 * Brasília gf / gliao / CCO2/C06Acórdão n.° 206-01355 Vir' Fls.707Maria de Fatima - • e Carval o Mal,. Sapa 751683 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 02/2000; II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente cuig40.`lupeRO É !'LIS PINTO Rei Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • . Processo n°35381.001003/2006-34 CCO2/C06 Acórdfio n.° 206-01.355 2" CC/MF -Sexta Camara ns. 708 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília /2aa / O Maria de Fatima Fe a ho Mal.. Siape 751683 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela empresa R B EMPREGOS TEMPORÁRIOS LTDA, contra Decisão-Notificação de fls. 567 e s, exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a qual julgou parcialmente procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, decorrente da tributação de remunerações pagas a segurados empregados temporários, constatadas em resumos de folhas de pagamento, GFIPS e registros contábeis, e a partir dos livros diários e razão Em preliminar, sustenta a Recorrente que parte do débito teria sido alcançado pela decadência, haja vista a aplicação dos prazos decadenciais fixados pelo CTN as contribuições previdenciárias. No mérito diz que o lançamento deve ser considerado insubsistente, tendo em vista que houve uma errônea descrição do fato gerador, o que teria, inclusive, gerado o cerceamento do direito defesa, decorrente da impossibilidade de uma defesa ampla. Afirma que parte dos seus empregados foram contratados para trabalharem como empregados temporários na sua filial, o que não desnatura a sua contratação nem os tomam efetivos. Cita alguns pontos do relatório fiscal em que entende ter havido equivoco da autoridade lançadora, inclusive quanto à base de cálculo adotada, que a seu ver seria irreal, como tenta demonstrar. Questiona o entendimento de que teria supostamente demitido quase a totalidade de seus empregados, o que na verdade ocorrera com apenas um. Assim, entende que teria comprovado os erros do levantamento, impondo a sua nulidade. Por fim, questiona a imposição de multa, que a seu ver teria natureza confiscatória, e, portanto, inconstitucional, para na seqüência encenar requerendo o provimento do seu recurso. A extinta SRP apresentou resposta, onde pugna pela manutenção da DN recorrida, É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Alega o contribuinte em sede de preliminar, que o crédito tributário em questão, teria sido parcialmente alcançado pela decadência, haja vista a extrapolação do qüinqüídio fixado pelo CTN, o que acredito faz com razãotA_ 3 . , r CC/MF - Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 3$381.001008/2006-34CCO2/C06 Braelha 2V /Acórdão n.° 206-01355 jgra Fls. 709 mana de fleme - • o Mate. Sapo 751683 Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes inserias no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SITO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual rega deve ser aplicada,, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. 4 , 2° CC/MF - Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35381.001008/2006-34 Brunia 29, Tcr,„ CCO2/C06 Acórdão n.°206-01355 «?'9 Els.710 Mana da ratona r • - Ca" Mau Si lo. :01603 Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3 . Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CIN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". Desta forma, entendo que os débitos até a competência de 02/2000, encontram- se decadentes, devendo ser excluídos da presente NFLD. No mérito o contribuinte aponta aquilo que acredita ser varias inconsistências do relatório fiscal, que representariam vícios que a seu ver inquinariam de nula a NFLD ora vergastada, especialmente em decorrência da impossibilidade de exercer uma defesa ampla e adequada, o que, contudo, creio faz sem razão alguma. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de oficio, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a estreita observância à legislação de regência, de forma que todo o procedimento fiscal instaurado abarque os requisitos legais exigidos, demonstrando adequadamente os motivos que levaram a imposição fiscal. Não é menos certo, que a inobservância a legislação que rege o lançamento fiscal, ou ainda de seus requisitos, implica invariavelmente em nulidade do procedimento administrativo, eis que na maioria das vezes sugere cerceamento do direito de defesa, impondo o seu reconhecimento pela própria Administração. Ocorre que não é o caso do lançamento em espeque, já que se reveste de todas as formalidades legais. A ampla defesa não se mostra agredida no caso destes autos, na medida em que o procedimento fiscal traz em seu bojo todos os elementos necessários para a perfeita compreensão do débito, sua origem, e seus fundamentos legais. Os anexos que constam dos autos, nos mostram os percentuais adotados para efeito dos cálculos, e indicam o caminho e os critérios seguidos pela fiscalização, bastando para se confrontar e afastar as argüições recursais a sua mera analise perfunctória. Em verdade, o lançamento encontra-se satisfatória e exaustivamente fundamentado, conforme se pode aferir do anexo denominado Fundamentos Legais do Débito, que traz toda a legislação que apóia e autoriza a postura da fiscalização do INSS, não restando omisso em nenhum ponto. De outra ótica, a memória de cálculos e as origens do débito esta",e, •. • ZaCC/PAF - Sexta Camas • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35381 .001008/2006-34 Brasília, 2/9 / . CCO21C06 Acórdão n.° 206-01355 Fls. 711 Mana da Fatima am,-.3 de alho Mau &ai.. 7516e3 perfeitamente detalhadas nos autos, não havendo qualquer imprecisão ou inexatidão a ser reconhecida. Destaca-se ainda que o Recorrente limita-se apenas a tecer breves comentários acerca da ausência de "elementos essenciais" e supostas demonstrações equivocadas da fiscalização, não tendo o necessário cuidado de demonstrar e comprovar quais seriam esses elementos, sendo certo que, dá análise dos autos, não percebo, em absoluto, qualquer ofensa ao contraditório, à ampla defesa, e a própria verdade material. É imperioso reconhecer que o ato que questiona o contribuinte é oriundo de Agente Público, portanto, constitucionalmente dotado de presunção de veracidade e legitimidade, que embora não seja absoluta, somente poderá ser afastada se efetivamente comprovada a sua inidoneidade, e não apenas por meras alegações ou comprovações esparsas, que não atingem a integralidade do posicionamento da autoridade lançadora. Não vejo, por seu turno, que tenha havido qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte, conquanto a peça impugnatória por ele apresentada, nos demonstra que foi perfeita a compreensão da natureza da exigência aqui questionada. A apresentação de uma defesa tecnicamente extensa e citando inclusive pontos do ato questionado que entende serem incorretos, nos leva a considerar que não houve o alegado cerceamento de defesa. Quanto à suposta natureza confiscatória da multa incidente sobre os valores lançados, melhor sorte não acompanha o contribuinte. Com efeito, a alegação de confisco levanta sempre a tese de que as normas que amparam as exigências fiscais estariam em confronto com a Constituição Federal, ou seja, seriam elas inconstitucionais. Nesse sentido, lembremos apenas que o art 49 do Regimento Interno desta Corte, impede que seus órgão julgadores deixem de aplicar a legislação tributária quando a entenderem por inconstitucionais, o que fora consagrado pela súmula n° 2 editada pelo 2° Conselho de Contribuintes. Na esteira desse raciocínio, despicienda qualquer menção a suposta natureza confiscatória da multa, já que estando ela prevista na legislação em vigor, não cabe se falar em seu afastamento. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, acatar a preliminar de decadência e afastar da NFLD as contribuições previdenciárias até a competência de 02/2000, e no mérito negar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2008 Is Ftei dr - 1, o. e 1 LELLIS PINTO 6
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000516/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem.
RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA
COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA
DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE.
Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de
específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA.
NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO
CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS
UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO
DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE.
Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte.
DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO.
LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE
DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO
APURADO. POSSIBILIDADE.
Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO
DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração.
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.
Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as
preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos
veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento,
recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de
veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11041.000516/2005-15
conteudo_id_s : 6849468
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.474
nome_arquivo_s : Decisao_11041000516200515.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11041000516200515_6849468.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 9895490
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270986694656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2159; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 6.89 1 55..8899 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11041.000516/200515 Recurso nº 876.278 Voluntário Acórdão nº 380200.474 – 2ª Turma Especial Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente FRIGORÍFICO MERCOSUL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO Fl. 692DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Fl. 693DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 7.89 3 Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1024.673, de 15 de abril de 2010 (fls. 370/377), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em que, por unidade de votos, indeferiram a preliminar de litispendência administrativa, por ausência de previsão normativa, não conhecer da manifestação de inconformidade, quanto à discussão do percentual incidente sobre compras de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido, tendo em vista a identidade de objeto com questão levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa quanto a este aspecto. No mérito, quanto às questões não abrangidas pela ação judicial, julgaram procedente em parte a manifestação de inconformidade, cancelando a glosa dos valores relativos às Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade, e não homologaram as compensações declaradas, tendo em vista a inexistência de direito creditório passível de compensação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 FUNDOPEM BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. INCLUSÃO. Resta irrelevante se os valores ora discutidos classificamse como subvenções para investimento ou para custeio, dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, sendo que, independentemente da natureza jurídica apurada, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo da contribuição que é a universalidade das receitas. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA ISENÇÃO Para gozar do benefício previsto no art. 5º, III da Fl. 694DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Lei nº 10.637/2002 as vendas efetuadas para empresa comercial exportadora devem ser comprovadas. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 geram créditos de PIS pela sistemática da não cumulatividade. BONIFICAÇÃO DE RASTREABILIDADE E BONIFICAÇÃO DE FIDELIDADE CRÉDITO POSSIBILIDADE Não há como dissociar do valor do insumo o montante pago ao produtor a título de Bonificação por Fidelidade e por Rastreabilidade, uma vez que esses valores dependem diretamente das características do insumo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Por bem descrever os fatos registrados nos autos até prolação do Acórdão recorrido, adoto o Relatório nele encartado, que segue transcrito: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre (fls.265) não reconheceu o direito creditório de valores referentes ao PIS nãocumulativo dos períodos de apuração abril a junho de 2005 e não homologou as declarações de compensações apresentadas. O Fiscal encarregado de verificar os créditos pleiteados constatou as seguintes irregularidades (fls.230/253): a) Não inclusão na base de cálculo das contribuições em comento de receitas recebidas a título de crédito fiscal denominado Fundopem; b) Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições de Vendas equiparadas à exportação; c) Inclusão indevida de créditos calculados sobre despesas relativas a transporte realizado com frota própria; d) Inclusão indevida de créditos calculados sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de gado; e) Utilização de alíquota incorreta no cálculo do crédito presumido de insumo adquiridos de pessoas físicas; f) Inclusão indevida de créditos calculados sobre encargos de depreciação de veículos pesados e de bens de informática ; g) Inclusão indevida de créditos referentes à locação de veículos de transporte. Fl. 695DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 8.89 5 Na manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada, a interessada (fls.269/322) alega, preliminarmente, a litispendência administrativa do presente processo com o de nº 11080.011387/200869, cujo objeto são autos de infração relativos ao PIS e à Cofins nãocumulativos dos períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, onde estariam sendo discutidas as mesmas glosas objeto do presente manifestação. Pleiteia o cancelamento da cobrança dos valores compensados, uma vez que não haveria decisão definitiva proferida no processo principal (11080.011387/2008 69). Passa a discorrer a respeito do crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando não existir divergência a respeito do fato da empresa na condição de adquirente de animais vivos para abate possuir o direito de calcular crédito presumido sobre essas aquisições, residindo a divergência no percentual a ser aplicado para o cálculo do referido crédito. Transcreve a legislação que trata do assunto. Defende a aplicação do percentual de 60% (inciso I, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004) alegando que produz mercadorias classificadas no capítulo 2 e assim faria juz a aplicação deste percentual sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física, independente da classificação do insumo em si. Por fim, argumenta que à época dos fatos geradores não existiria o inciso III, do § 3º da Lei 10.295/2004, onde consta o percentual de 35% aplicado pela Fiscalização, entendendo que tal dispositivo só teria sido trazido ao mundo jurídico com o advento da Lei nº 11.488/2007, e portanto, não poderia ser aplicado aos períodos de apuração objeto do presente processo. No que diz respeito ao crédito calculado sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de bois vivos, afirma que o preço deste insumo é composto por três elementos: a) o preço de tabela por quilo, a rendimento; b) um adicional pelo fato dos animais atenderem ao requisito da rastreabilidade (denominado bonificação por rastreabilidade); e c) um adicional pela qualidade da carne do exemplar (boi), definido pelo percentual de gordura em relação ao volume total da carcaça e pela regularidade das entregas de animais pelo produtor rural (denominado bonificação por fidelidade); Dessa forma, acredita que tanto o crédito presumido calculado sobre aquisições pessoas físicas como o crédito calculado sobre aquisições de pessoa jurídica deveriam incidir sobre essas parcelas que compõem o preço total dos insumos. Essas parcelas constariam das notas fiscais e dos contratos de fornecimento celebrado entre as partes, não se dissociando do preço das mercadorias. Pondera ser o produto final dependente da qualidade dos insumos, informando que seus clientes impõem condições para Fl. 696DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 aquisição da carne. Exemplifica afirmando que a rastreabilidade do animal é obrigatória na venda para países europeus. Passa a descrever o circuito de produção da carne, a qual se inicia com a aquisição do animal vivo com o transporte em veículo adequado, passando pelo abate e condições de higiene e refrigeração. Alega ser do produtor da carne toda a responsabilidade com o seu transporte e conservação, sendo justamente a conservação, o correto manuseio e abastecimento do mercado, o que o produtor da carne agregaria ao seu produto. Sendo assim, os caminhões boiadeiros e demais veículos pesados, com câmaras frias móveis seriam partes integrantes e indissociáveis da produção e fornecimento da carne. Alega que a redação inicial dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 albergaria a depreciação de todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no processo de produção dos bens a serem vendidos, gerando créditos passíveis de dedução das contribuições para o PIS e a Cofins. Acredita que os veículos que transportam gado até a planta frigorífica, bem como aqueles que fazem o transporte de produtos em produção entre as plantas e ainda os veículos que transportam o produto pronto até o consumidor cumpririam papel imprescindível no processo de produção do alimento, estando a qualidade de seu produto intrinsecamente relacionado ao adequado transporte. Aplica o mesmo raciocínio para os valores referentes à locação de veículos que completariam a capacidade de movimentação dos animais vivos. Defende que o transporte efetuado é insumo utilizado na produção e por isso compõem a base de cálculo dos créditos. Alega afronta ao princípio da isonomia por entender que se contratasse o transporte de terceiros teria direito a tal crédito. Com relação à depreciação de bens de informática alega que esses equipamentos participam dos processo de produção, classificando os produtos desde a sua origem (rastreabilidade) até a entrega ao cliente, como condição de fornecimento. Afirma que se assim não fosse, o rígido controle de qualidade necessário ao seu enquadramento como empresa exportadora de carne estaria prejudicado. Discorda da tributação dos valores recebidos do Fundopem, afirmando que se trata de um financiamento de parcela de até 75% do ICMS devido mensalmente pelo estabelecimento incentivado, observados alguns limites. Afirma que as isenções ou reduções de tributos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos se caracterizam, no âmbito da legislação tributária, como subvenções para investimentos. A legislação do imposto de renda exclui expressamente da sua base tributável o valor recebido a título de subvenção. A Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ao instituir o “regime tributário de transição”referendou a neutralidade dos incentivos fiscais para fins de incidência dos tributos sobre a renda e a receita. Os valores colocados à Fl. 697DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 9.89 7 disposição do subvencionado para que este os aplique exclusivamente na instalação ou ampliação do empreendimento objeto do incentivo fiscal. Devem ser registrados como reserva de capital, fazendo parte dos resultados nãooperacionais, não sendo computados na determinação do lucro real. Não há renda nem provento se não houver acréscimo patrimonial. Subvenções para investimento não compõem a receita bruta da pessoa jurídica e portanto não deveriam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Junta demonstrações financeiras da empresa onde estaria comprovado que os valores recebidos foram registrados como reserva de capital e utilizados para compensação de prejuízos no exercício de 2006, tudo conforme determinado pela legislação para enquadramento como subvenção de investimento. Ataca a determinação contida no § 1º do art. 45 do decreto nº 4.524/2002 que considera adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Entende que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não teriam estabelecido tal requisito, excedendose o Poder Executivo na regulamentação, e o Fisco na exigência de comprovação de remessa para recinto alfandegado. Anexei às fls. 351/368 cópia da petição inicial do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, onde a interessada discutiu a alíquota a ser aplicada sobre as aquisições de pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 381), em 26/05/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 384/441, protocolado em 21/06/2010 (fl. 384), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade de fls. 269/322. Em aditamento, pleiteou a nulidade parcial do Acórdão recorrido, para que fosse apreciada o mérito da questão não conhecida no referido julgado, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre as compras dos insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que não se configurou a alegada concomitância de julgamento da dita matéria, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material abordado e inexistindo a coisa julgada, formal ou material. No final, requereu o seguinte: a) em preliminar: a.1) fosse reconhecida a litispendência administrativa e anulados os atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, retornando os autos à Unidade da Receita Federal de origem, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo administrativo nº 11080.011387/200869; e a.2) caso não provida a primeira preliminar suscitada, que fosse reconhecida a nulidade da parte da decisão recorrida que não conheceu do mérito, sob o argumento de que houve Fl. 698DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 concomitância com a esfera judicial, com a devolução dos autos à instância a quo, para realização de novo julgamento, com apreciação do mérito da matéria que não fora conhecida; e b) no mérito: caso rejeitadas as preliminares, fato que admitia apenas a título argumentativo, fosse conhecido e apreciado integralmente o mérito do presente Recurso, inclusive no que toca ao percentual do crédito presumido, para que fosse reformada a decisão recorrida, na parte que lhe foi desfavorável, para que lhe fossem reconhecidos os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, apurados sob o regime não cumulativo, e canceladas as cobranças dos débitos, com a conseqüente homologação das compensações declaradas. Em cumprimento ao despacho de fl. 589, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção da matéria que trata do percentual do crédito presumido, por concomitância de ação judicial. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a Recorrente alegou: a) nulidade do Despacho Decisório e dos atos processuais subsequentes, sob alegação de que houve litispendência administrativa, uma vez que a matéria discutidas nos presente autos seria a mesma objeto do processo nº 11080.011387/200869; e b) nulidade parcial do Acórdão recorrido, na parte concernente à questão que abordava a legalidade do percentual do crédito presumido da atividade agropastoril, matéria não conhecida pela instância a quo, sob o argumento de que havia concomitância de discussão sobre tal matéria na esfera judicial e administrativa. Da nulidade por litispendência administrativa. No presente Recurso, pleiteou a Interessada a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse reconhecida a preliminar de litispendência e anulados os demais atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, determinadose o retomo dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que o julgamento dos presentes autos fosse procedido somente após o julgamento e à luz da decisão definitiva proferida nos autos do processo administrativo de nº 11080.011387/200869, que trata da cobrança dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa (períodos de apuração abril de 2004 e agosto de Fl. 699DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 10.89 9 2004 a dezembro de 2005) e Cofins nãocumulativa (períodos de apuração agosto de 2004 a dezembro de 2005). Alegou a Recorrente que o processo nº 11080.011387/200869 seria o principal, pois continha a discussão de toda a matéria de mérito objeto deste processo, logo, com a impugnação daquele, estaria suspensa a exigibilidade dos valores nele lançados de ofício, bem como, via de consequência, todos os demais valores exigíveis com base no desdobramento da mencionada ação fiscal, incluindo os débitos cobrados nos presentes autos, em decorrência da nãohomologação das compensações declaradas. Não procede a alegação da Recorrente, com a devida vênia. No caso, embora algumas questões de méritos estejam sendo abordadas em ambos os processos, na verdade, o objeto deste processo é distinto daquel’outro. Com efeito, enquanto nos presentes autos discutese o direito ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa do 2º trimestre de 2005 e a nãohomologação da compensação dos débitos discriminados na Carta Cobrança de fls. 379/380, por inexistência do valor crédito informado, no citado processo a discussão gira em torno da exigência das diferenças dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, formalizada por meio de auto de infração. No âmbito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF) federal, inexiste dispositivo disciplinando a alegada litispendência administrativa. O assunto encontrase abordado no Código de Processo Civil (CPC), especificamente no inciso V e §§ 1º a 3º do art. 301, que têm a seguinte redação, in verbis: Art. 301 Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (...) V litispendência; (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (...) Assim, no âmbito do processo civil, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir. Em outras palavras, quando a nova ação que repete outra que já fora ajuizada, sendo idênticas as partes, o conteúdo e o pedido formulado. Fl. 700DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Dessa forma, ainda que aplicável ao PAF o referido instituto, por força do princípio da subsidiariedade, no presente caso não restou configurada a alegada litispendência administrativa, haja vista não haver identidade do objeto deste processo com o do processo nº 11080.011387/200869, pois, conforme anteriormente demonstrado, o pedido e à causa de pedir são distintas. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar. Da nulidade parcial do Acórdão recorrido. No presente Recurso, pleiteou a Interessada que, caso não acatada a primeira preliminar, fosse decretada a nulidade da parte do Acórdão recorrido que não conhecera da questão de mérito, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que a matéria fora submetida ao crivo do Poder Judiciário, por meio do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, configurando concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. Alegou a Recorrente que não existiu a mencionada concomitância, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito, por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material, inexistindo a coisa julgada, formal ou material. Com devido respeito, não procedem as alegações da Recorrente, haja vista que, a simples propositura, pelo contribuinte, da ação judicial “importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”, conforme expressamente determina o § 2o do art. 1o1 do Decretolei nº 1.737, de 1979, e o parágrafo único do art. 382 da Lei nº 6.830, de 1980, a seguir transcritos: Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do 1 “Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto”. 2 "Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Fl. 701DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 11.89 11 indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nos termos do art. 263 do CPC, a ação judicial considerase proposta na data em que a petição inicial é despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. Todavia, em relação a réu, só produz os efeitos mencionados no art. 219 do CPC depois da citação válida. Logo, em conformidade com o referido comando legal, não é necessário que haja citação válida da Fazenda Nacional ou da autoridade coatora (no caso de mandado de segurança), nem tampouco que haja decisão de mérito, como suscitado pela Recorrente, para que se materialize a renúncia tácita ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. De qualquer forma, para que se configure tal impedimento, resulta de todo irrelevante que o processo tenha sido extinto, no judiciário, com ou sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267 do CPC. É de sabença que não se aplica ao processo de mandado de segurança o disposto no art. 214 do CPC, conforme alegação da Recorrente. Neste sentido, dispõem os arts. 19 e 20 nº Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 (revogada), bem como o art. 26 da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 (revogadora). Por oportuno, cabe esclarecer que, no âmbito do citado Mandado Segurança, foi proferida decisão liminar3, com seguinte teor, in verbis: DECISÃO (liminar/antecipação da tutela) Em um juízo preliminar, pareceme correta a interpretação da autoridade impetrada. Em síntese, o artigo 8º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece que a pessoa jurídica que produza mercadoria de origem animal, classificada no capítulo 2 da NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS e COFINS, 60% da alíquota incidente sobre o valor das aquisições de produtos de origem animal classificados no capítulo 2 da NCM. De sua vez, a pessoa jurídica que produz mercadoria de origem animal, igualmente classificada nos capítulos 2 e 3 da NCM, porém, tenha adquirido produtos que não se enquadrem no capítulo 2 (entre outros), poderão deduzir das contribuições (PIS e COFINS) 35% da alíquota incidente sobre as mencionadas aquisições. 3 Disponível em: <http://www.jfrs.jus.br/processos/acompanhamento/>. Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 702DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 Vejase que a regra diferencia dois momentos: [i] a produção; [ii] a aquisição da mercadoria de origem animal. No caso dos autos, a impetrante produz mercadoria de origem animal, classificada nos capítulos a que faz referência o caput do artigo 8º; contudo, as aquisições não se enquadram no inciso I, porém, na hipótese residual do inciso III (35% da alíquota sobre o valor da aquisição de "demais produtos"). No mais, não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio. Ante o exposto, indefiro a liminar. (1) Intimese. (2) Notifique se para prestar informações. (3) Abrase vista ao Ministério Público Federal. Porto Alegre, 25 de novembro de 2008. (grifos do original) A referida decisão foi agravada perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), dando origem ao Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0424420/RS, em que a Relatora Designada proferiu a seguinte decisão4, in verbis: É o relatório. Decido. O presente recurso deve observar o disposto na Lei nº 11.187/2005 que alterou os artigos do CPC que normatizam o processamento do agravo de instrumento. Nos termos da referida alteração legislativa, os artigos 522 e 527 passaram a estabelecer, como regra, o agravo retido, reservando o agravo de instrumento, propriamente dito, para atacar as decisões que: inadmitirem a apelação; abordarem os efeitos de recebimento do apelo e para aquelas decisões que possam causar às partes lesão grave e de difícil reparação. Sendo que para a última o ônus de comprovar tal lesão é do recorrente. Na espécie, não logrou a parte agravante demonstrar onde residiria o risco de lesão e de difícil reparação a justificar a concessão do provimento negado no primeiro grau. Como bem apontou o juízo a quo, verbis " não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio". Assim, não havendo demonstração de situação excepcional a justificar a admissão do agravo de instrumento, inviável o processamento do recurso. Por fim, sinalo que não se pode confundir os prejuízos financeiros que a parte possa vir a sofrer com o dano irreparável ou de difícil reparação previsto no instituto processual civil. Assim sendo, converto o agravo de instrumento em agravo retido e determino sua remessa à Vara de origem, por se tratar de decisão irrecorrível (art. 527, § único, CPC). Intimemse. Porto Alegre, 27 de novembro de 2008. 4 Disponível em: <http://www.trf4.jus.br/trf4/processos>: Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 703DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 12.89 13 Tais decisões representam a prova inequívoca de que, antes da extinção da referida ação judicial, a respectiva relação jurídicoprocessual já se encontrava devidamente consolidada. Ademais, o citado pedido de desistência somente foi apresentado depois proferidas as referidas decisões judiciais. De qualquer forma, a simples propositura da referida ação judicial, para discutir o percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, questão também objeto deste processo, implica renúncia tácita à instância administrativa, por coincidência de matéria litigiosa levada à apreciação desta instância e da instância judicial. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste e. Conselho, conforme entendimento consignado na Súmula Carf nº 1, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, o cujo enunciado segue transcrito: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar e, em conformidade com a decisão de primeiro grau, também não conheço da referida matéria, em razão da concomitância de ação judicial proposta com o mesmo objeto. Superadas todas as questões preliminares, passo a análise do mérito da presente lide. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, pelas razões expostas no tópico precedente, deixo de conhecer da matéria referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. Dessa forma, resta analisar apenas as seguintes questões: a) não inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores: a.1) das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal (crédito presumido), concedido pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, no âmbito do Programa Fundopem; e a.2) das receitas equiparadas à exportação, decorrentes das vendas realizadas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; e b) inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos da dita Contribuição, do valor b.1) das despesas com transporte realizado em frota própria; b.2) das despesas com locação de veículos de transporte; b.3) dos encargos de depreciação de veículos pesados. II.1 Das Receitas não Incluídas na Base de Cálculo da Contribuição Na apuração do valor dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do período em destaque, a Interessada excluiu da base de calculo os valores das receitas de (i) Fl. 704DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, e (ii) equiparadas à exportação, decorrentes das vendas realizadas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Das receitas recebidas a título de incentivo fiscal do Fundopem. Segundo o item 1 da Informação Fiscal que serviu de fundamento para o prolação da decisão consignada no contestado Despacho Decisório, os valores recebidos a título de crédito presumido do Programa Fundopem integravam a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, definida no caput e § 1º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, pois, de acordo com disposto no § 3º do referenciado artigo 1º, não havia previsão para exclusão desse tipo receita do cômputo da referida base de cálculo. No mesmo sentido, o Órgão julgador a quo manteve incólume a decisão consignada no citado Despacho Decisório, com respaldo no argumento de que, dada a universalidade do conceito legal da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, independentemente do tipo de subvenção (corrente ou para investimento), este tipo de receita não se encontrava dentre as possíveis hipóteses de exclusão da dita base de cálculo. Por outro lado, no presente Recurso, a Interessada reafirmou o direito de excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor recebido, a título de crédito fiscal, do Programa Fundopem, sob a alegação de que tal receita consistia num tipo de subvenção para investimento, expressamente excluída da base de calculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRRJ). Assim, fica evidenciado que o cerne da presente controvérsia envolve a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, assunto que se encontra expressamente disciplinado no caput e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcritos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) (grifos não originais). Tratase, evidentemente, de conceito abrangente que inclui todas as modalidades de receita auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil, ou seja, alcança as receias operacionais e as nãooperacionais, compreendendo tanto as receitas decorrentes de venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia quanto todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 705DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 13.89 15 As únicas modalidades de receita, excluídas da mencionada base de cálculo, são aquelas taxativamente discriminadas no § 3º5 do citado art. 1º, dentre as quais não se inclui a receita de subvenção para investimento, recebida a título de incentivo fiscal. É oportuno esclarecer ainda que, por falta de previsão legal, o disposto no art. 4436 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), que autorizava a exclusão da referida receita da composição do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não se aplica ao caso em tela, conforme alegado pela Recorrente, haja vista que há regramento próprio dispondo sobre assunto, conforme exposto precedentemente. Com efeito, em consonância com disposto no § 12° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, o regime da nãocumulatividade, previsto para a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Contribuição para o PIS/Pasep, deve ser instituído nos termos de lei específica. Nesse sentido, no que tange ao regime nãocumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, com respaldo nos incisos III, IV e VI do art. 97 do CTN, coube à Lei nº 10.637, de 2002, definir o fato gerador, fixar a alíquota e base de cálculo da dita Contribuição, bem a forma de desconto do valor incidente nas operações anteriores, as condições e requisitos relativos ao aproveitamento de créditos e as despesas e custos para os quais são permitidos o creditamento. Dessa forma, resta esclarecido que não se pode aplicar os casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda, para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma do regime nãocumulativo, posto que há regramento específico que disciplina a matéria que, necessariamente, deve ser observado. 5 "§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)". 6 "Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas". Fl. 706DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 Com essas considerações, fica esclarecido que os valores recebidos do Fundopem pela Interessada, a título de crédito fiscal presumido, embora qualificados como receita de subvenção para investimento, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, conforme entendimento esposado no Acórdão recorrido. Das receitas decorrentes das vendas à empresa comercial exportadora. No presente item, discutese o direito de a Recorrente excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, o valor das receitas decorrentes das operações de vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, por força da previsão da não incidência estabelecida no inciso III do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) (grifos não originais). No item 2 da referida Informação Fiscal, informou a Autoridade Fiscal o seguinte, in verbis: A interessada excluiu da Base de Cálculo da contribuição para a Cofins valores referentes a vendas equiparadas à exportação, porém uma vez intimada a comprovar estas operações pela Intimação n° 008 de 14/08/2008 (fls 513 à 517), nada informou sobre este período, tão pouco comprovou estas exportações sequer tendo informado os números das notas fiscais que foram exportadas, portanto deixamos de considerar os valores lançados em Dacon como sendo vendas equiparadas à exportação, por absoluta falta de comprovação do solicitado destas operações. No presente Recurso, as alegações apresentadas pela Recorrente referemse à exigência de remessa direta do produto vendido do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, determinada no § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, matéria estranha aos presentes autos. Com efeito, no caso presente, o motivo que levou a reclassificação do valor referida receita para o campo de incidência, mediante inclusão no cômputo da base de cálculo da referida Contribuição, foi o fato de a Interessada, apesar de devidamente intimada, não ter comprovado a realização das supostas vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Assim, diante da ausência de prova de que foi realizada a citada venda, na forma como determina a legislação, deve o valor da referida receita ser incluído na base cálculo da citada Contribuição. Fl. 707DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 14.89 17 Com base nesses esclarecimento, entendo que o Órgão de julgamento de primeiro grau decidiu com acerto a presente controvérsia, não merecendo qualquer reforma, neste ponto, o Acórdão recorrido. II.2 – Da Glosa dos Valores Incluídos na Base de Cálculo dos Créditos da Contribuição Na apuração do valor dos créditos da referida Contribuição do período em apreço, a Interessada incluiu na base de cálculo o valor (i) das despesas com transporte realizado em frota própria; (ii) dos encargos de depreciação de veículos pesados; e (iii) das despesas de locação de veículos de transporte de carga. Antes de analisar a controvérsia em torno de cada uma das questões suscitadas, entendo pertinente apresentar uma breve digressão acerca do disciplinamento legal do regime de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Do regime de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Conforme anteriormente exposto, a definição e o disciplinamento do regime jurídico da nãocumulatividade das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento foram atribuídos ao legislador ordinário, nos termos do § 12 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, a seguir transcrito: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...) (grifos não originais). Em conformidade com o disposto no referido preceito constitucional, foi editada a Lei nº 10.637, de 2002, que, de forma exaustiva, define e disciplina o regime jurídico da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep. Fl. 708DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 O regime de apuração dos créditos encontrase exaustivamente disciplinado no art. 3º do mencionado diploma legal, que dispõe acerca dos créditos permitidos, a forma e o período de apuração, as vedações etc. Dessa forma, na presente analise, será levada em conta apenas o disposto no referido preceito legal, complementado pela legislação esparsa que regulamenta a matéria. Assim, neste tópico não será levado em consideração, por serem estranhas ao objeto da presente controvérsia, o regime de deduções permitidas na legislação do IRPJ nem o regime de crédito estabelecida na legislação do IPI. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, dentre as operações geradoras de créditos, passíveis dedução do valor do débito do respectivo período, destacamse as previstas no inciso II do art. 3° da da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, a seguir transcrito:: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) Fl. 709DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 15.89 19 4° Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) Segundo a Fiscalização, a Interessada atua no setor de frigorífico, atuando na atividade de industrialização de carnes, especificamente na modalidade de abate de bovinos, cujo produto final são cortes de carcaça e couro bovinos, conforme exposto no itens a seguir transcritos: 2. A empresa atua no setor frigorífico procedendo a industrialização de carnes, na modalidade abate de bovinos, transformandoos em cortes específicos e meias carcaças, isto é, compra animais vivos para abate, realiza o abate e separa os cortes em peças, desossadas ou não, embalandoas para comercialização tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. A empresa também comercializa o couro proveniente dos animais que abate. 3. O produto acabado da empresa resumese a cortes de carcaça de bovinos (picanha, costela, patinho, acém, etc.) embalados "in natura" e prontos para comercialização, além do couro. Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente iniciase com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. De outra banda, alegou a Recorrente que tinha direito aos referidos créditos, pelas seguintes razões, ipsis litteris: O processo de produção do produto compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega da carne com qualidade para o consumo humano, de modo que, tanto as despesas com a manutenção desses veículos, o combustível do transporte e da operação das câmaras frias, geram direito a crédito tanto de PIS quanto de COFINS. Não se pode deixar de enfatizar que as glosas em comento acalentam também uma ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, que dispensa digressões por se tratar de um dos Fl. 710DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 pilares constitucionais do Sistema Tributário Nacional, haja vista que, não fosse verticalizado o Frigorífico Mercosul, ou seja, se este contratasse o transporte dos bois e da carne de terceiros, teria o crédito sobre o valor do serviço de transporte. É simplesmente um absurdo glosar os créditos sobre os custos incorridos no transporte com meios próprios, que é a opção do contribuinte em função da viabilidade (haja vista os volumes de bois, de carcaças e de carne que movimenta) e o cuidado com a qualidade do produto. Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. Assim, fica demonstrado que o ponto fulcral da presente controvérsia está relacionado com a definição do processo de produção da Interessada. Para a Autoridade Fiscal e o Colegiado julgador a quo, seriam considerados insumos apenas os bens e serviços consumidos ou aplicados na fabricação dos produtos finais, no âmbito do estabelecimento industrial. Em consequência, estariam excluídos da definição de insumo de produção todas as demais despesas realizadas antes e depois do processo de industrialização. De outra parte, sob o argumento de que o seu processo produtivo compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos acabados ao cliente, alegou a Recorrente que as despesas realizadas com o transporte dos animais vivos (da fazenda de criação até o abatedouro) e dos produtos finais vendidos (do abatedouro até o estabelecimento dos clientes) enquadravamse no conceito de insumo, logo tinha direito aos respectivos créditos. No entendimento da Recorrente, os denominados veículos boiadeiros e frigoríficos da sua frota de transporte seriam considerados bens de produção, por conseguinte as despesas de combustíveis e manutenção realizadas com tais veículos estariam compreendidas no conceito de insumo. Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Segundo a Recorrente, resultaria ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, o fato de a despesa com frete contratado e pago a terceiros dar direito a crédito, enquanto que a despesa com o mesmo serviço de transporte, realizado em veículos da própria Interessada, não propiciar tal direito. Essa alegação se refere ao disposto no inciso IX7 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, aplicável também à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do inciso II do art. 15 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". Fl. 711DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 16.89 21 da mesma Lei, que assegura o direito de crédito aos pagamentos das despesas de frete na operação de venda, em que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não existe a alegada isonomia. No meu entendimento, as despesas com frete são distintas das despesas com combustível, peças de reposição, manutenção, pedágio e serviços de honorários realizados com os veículos de transporte de carga da frota da Interessada, conforme discriminado nas tabelas de fls. 237/239. De qualquer forma, no caso em tela, por falta de previsão legal, as despesas realizadas com os referidos veículos de transporte não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa, pois não se enquadram na definição de insumo aplicado ou consumido na fabricação dos produtos vendidos, conforme entendimento da Autoridade Fiscal, ratificado no Acórdão recorrido. Nesse sentido, o entendimento do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região, conforme consignado no julgado a seguir transcrito8: TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DE INSUMOS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. ARTIGO 3º, II, DAS LEIS N.º 10.637/02 E 10.833/03. ABRANGÊNCIA DOS BENS E SEVIÇOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E FABRICAÇÃO DE MERCADORIAS. I. As restrições ao abatimento de créditos da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS pelo regime nãocumulativo, previstas no art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, bem como na IN n.º 247/2002 e IN 404/2004 Receita Federal, não ofendem o disposto no art. 195, parágrafo 12, da Constituição Federal. II. O conceito de insumo, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS, abrange os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, aqueles vinculados à atividade fim do contribuinte. III. No caso, os combustíveis e lubrificantes utilizados pela empresa não estão inseridos na cadeia de fabricação, mas apenas são usados na frota de caminhões que atende a fabrica, não podendo as despesas deles decorrentes serem tidas como insumos. IV. Apelação improvida. (grifos não originais) Com base nessas considerações, sou pela manutenção da glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos. A glosa dos referidos créditos foi realizada com base no argumento de que os veículos pesados integrantes da frota de propriedade da Interessada não se enquadravam no conceito de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda. Em consequência, os encargos de depreciação dos referidos veículos não asseguravam direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, previsto na redação originária do inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, combinado com o disposto no inciso III do a § 3º do mesmo artigo, a seguir transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 8 TRF da 5a Região. Quarta Turma. Apelação Civel no 508.684. Relatora: Desembargadora Federal Margarida Cantarelli. Data da decisão: 09/11/2010. Publicada no DJU de 11/11/2010. Fl. 712DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 22 (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) (grifos não originais) Por outro lado, com base no entendimento de que tais veículos seriam bens de produção, alegou a Recorrente que os encargos de depreciação em questão enquadravamse no conceito de insumo, logo ela tinha direito aos créditos calculados sobre o valor dos tais encargos. Não assiste a razão a alegação da Recorrente. De acordo com disposto no inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, somente os valores dos encargos de depreciação das máquinas e dos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda possibilitam o direito ao crédito questionado. No caso presente, os citados veículos foram utilizados no transporte (i) do gado vivo da propriedade do produtor rural até a planta industrial e (ii) do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, logo, não tiveram qualquer participação no processo de fabricação dos produtos finais vendidos pela Recorrente. O fato de tais veículos serem imprescindíveis para atividade da Recorrente, conforme alegado no presente Recurso, ao meu ver, não tem qualquer relevância para fim da definição do bem de produção em comento. Com base nessas considerações, entendo que deve ser mantida a glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre valor das despesas de locação de veículos de transporte. De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 713DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 17.89 23 IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Segundo o Dicionário Houaiss9, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. III DA CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: a) REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. 9 Versão eletrônica disponível em: <http://educacao.uol.com.br/dicionarios/>. Acesso em 27 abr 2011. Fl. 714DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 24 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Solon Sehn No mérito, pedese vênia para divergir do eminente Conselheiro Relator no tocante à incidência da contribuição sobre subvenções para investimentos contabilizadas como reserva de capital (crédito fiscal do programa Fundopem/RS), bem como em relação à glosa do crédito decorrente de despesas de frota própria e dos encargos de depreciação de veículos pesados utilizados pelo Recorrente no transporte de cargas. 1 Da incidência da contribuição sobre as subvenções para investimento A decisão recorrida entendeu que as exclusões da base de cálculo somente seriam admitidas quando expressamente previstas no art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Assim, considerando que o dispositivo nada dispõe acerca das subvenções para investimento, foi mantida a exigência da contribuição. Entretanto, devese ter cautela com essa interpretação. Embora assentada em premissa correta, referida exegese nem sempre conduz a um resultado válido. O fato de determinando ingresso não estar relacionado de forma expressa no art. 1º, § 3º, não implica necessariamente a sua inclusão na base de cálculo do tributo. O inciso I do dipositivo também autoriza a exclusão das receitas não alcançadas pela incidência da contribuição. Antes de tudo, portanto, cumpre verificar se o evento efetivamente constitui uma receita tributável: Art. 1º [...]§ 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); É o exatamente o que com a subvenção para investimento contabilizada como reserva de capital. Esta, em uma primeira análise, parece não se enquadrar em nenhum dos incisos no § 3º. Um exame mais detido, no entanto, conduz à aplicação do inciso I, em razão da não subsunção do ingresso no conceito de receita bruta. Por outro lado, cumpre destacar que a amplitude desse conceito não pode ser buscado unicamente no art. 1º da Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 715DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 18.89 25 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O caput e o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003 apresenta uma redação tautológica e circular, que, em última análise, acaba definindo o total das receitas como todas as receitas da pessoa jurídica, o que, obviamente, não representa um parâmetro seguro, sobretudo quando associada à exegese equivocada das exclusões da base de cálculo previstas no § 3º, destacada inicialmente. O conceito de receita não é amplo nem tampouco indetermiando. A doutrina tem delineado o seu conteúdo e, nos últimos anos, notadamente após edição da Lei nº 9.718/1998. Os estudos existentes, consoante destacado em pesquisa sobre o tema, tem partido do art. 212, § 1º, da Constituição e de dispositivos da Lei nº 6.404/1976 (art. 187, I, II, IV e § 1º, “a”), definindo o sentido jurídico de receita bruta como um “ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo”10. A noção de receita bruta pressupõe, assim, a ocorrência de acréscimento ao patrimônio líquido da pessoa jurídica, o que a distingue os mero ingressos de caixa e de outros eventos sem repercussão patrimonial positiva: A necessidade de repercussão patrimonial também é ressaltada por Geraldo Ataliba e Clèber Giardino, quando ensinam que receita constitui “acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio do alienante. A ele, portanto, não se podem considerar integradas importâncias que apenas ‘transitam’ em mãos do alienante, sem que, em verdade, lhes pertençam em caráter definitivo”. Nesse mesmo raciocínio, aliás, temse colocado praticamente toda a doutrina dedicada ao estudo do tema, considerando receita apenas “[...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo” (AIRES F. BARRETO); “um ‘plus jurídico’ (acréscimo de direito), de qualquer natureza e de qualquer origem, que se agrega ao patrimônio como um elemento positivo, e que não acarreta para o seu adquirente qualquer nova obrigação” (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA); o “incremento do patrimônio” (ALIOMAR BALLEIRO); o “elemento positivo do acréscimo patrimonial” (GISELE LEMKE); “a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica” (HUGO DE BRITO MACHADO e HUGO DE BRITO MACHADO SEGUNDO); as “quantias que a empresa recebe não para si” (HAMILTON DIAS DE SOUZA, LUIZ MÉLEGA e RUY BARBOSA NOGUEIRA), que “possam alterar o patrimônio líquido” (JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO); a entrada “de cunho patrimonial” (MARCO AURÉLIO GRECO), que “tem o 10 SEHN, Solon. “O conceito de receita no direito privado e suas implicações no direito tributário (PISCofins, IRPJ, Simples).” Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2006, n.º 127. No mesmo sentido, cf.: SEHN, S. Cofins incidente sobre a receita bruta. São Paulo: Quartier Latin, 2006; SEHN, S. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. Fl. 716DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 26 condão de incrementar o patrimônio” (ALEXANDRE BARROS CASTRO)11. Isso ocorre porque a receita corresponde ao elemento positivo que compõe a renda da pessoa jurídica, considerado de forma isolada, independente da dedução de custos, despesas, participações ou provisões. É o que ressaltam Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, quando destacam que a receita “[...] se caracteriza por representar a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica. Receita é um elemento novo que, depois de considerados os custos e as despesas, comporá a renda”12. Por conseguinte, somente podem ser consideradas receita as entradas relevantes para efeitos de composição da renda, o que afasta de seu âmbito de significação as transferências de capital, gênero que abrange as subvenções de investimentos. As transferências de capital, com efeito, são negócios jurídicos unilaterais que visam a transmissão de direitos patrimoniais de uma pessoa física ou jurídica para outra, independe de qualquer contraprestação. Pressupõem, para sua caracterização, a intenção objetiva de realizar o incremento do patrimônio do beneficiário, que, por sua vez, deve mantê las em conta de reserva de capital. Do contrário, perdem sua natureza jurídica, convertendose em renda da beneficiada. Algumas modalidades de transferência de capital estão relacionadas no art. 38 do DecretoLei nº 1.598/1977 e no § 1º, art. 182, da Lei nº 6.404/1976, dentre as quais, para efeitos do caso em exame, cumpre destacar as subvenções para investimentos, que estava prevista no texto do dispositivo legal vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis. As subvenções, de acordo com a Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, têm a seguinte caracterização: [...] Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICM e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras13. 11 SEHN, PISCofins..., op. cit., p. 152153. 12 MACHADO, Hugo de Brito; MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Parecer Contribuições incidentes sobre faturamento. PIS e Cofins. Descontos obtidos de fornecedores. Fato gerador. Inocorrência. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, n. 113, p. 136137. 13 “Esta Nota Explicativa faz parte integrante da INSTRUÇÃO CVM Nº 59, de 22.12.86, sendo, portanto, obrigatória a adoção de todos os conceitos aqui emitidos por parte das companhias abertas.” Fl. 717DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 19.89 27 Portanto, as subvenções para investimento são transferências de capital vinculadas à expansão das atividades empresariais, concedidas pelo Poder Público mediante devolução, isenção ou redução de tributos. Diferenciamse das subvenções para custeio, que visam o auxílio financeiro de atividades operacionais deficitárias, destinadose à despesas correntes da pessoa jurídica. As subvenções para investimentos, quando contabilizadas como reserva de capital, não transitam em conta de resultado, como ensina José Bulhões Pedreira: Dois requisitos são necessários para que se caracterize a transferência de capital: (a) que o doador tenha a intenção de fazer contribuição para o estoque de capital da pessoa jurídica, e (b) que esta não modifique a natureza da transferência, transformando o capital em renda. [...] A transferência de capital pressupõe a intenção do doador de contribuir para o estoque de capital da pessoa jurídica, e não para o custeio das suas atividades ou operações. Mas a pessoa jurídica que a recebe pode mudar essa destinação, transformando o capital em renda. Por isso, a caracterização de transferência de capital, para efeitos fiscais, pressupõe tanto a intenção de quem transfere quanto o tratamento que a pessoa jurídica dá, na sua contabilidade, à transferência recebida: somente há transferência de capital se a pessoa jurídica credita os valores recebidos a conta de reserva de capital. Se o crédito é feito a conta de resultados, a lei tributária considera que a pessoa jurídica transformou a transferência de capital em transferência de renda e a submete ao imposto. A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro14. Assim, enquanto mantidas em conta de reserva de capital, as subvenções não transitam em conta de resultado e, dessa maneira, não configuram receita tributável porque são destituídas de aptidão para gerar renda. Pelo mesmo motivo, não estão sujeitas à incidência da contribuição, ao menos enquanto não creditadas a conta de resultados. Cumpre destacar que esse regime – vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis – foi alterado com introdução dos novos critérios e métodos contábeis previstos na Lei nº 11.638/2007. Esta revogou o art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976, de modo que as subvenções para investimentos deixaram de ser contabilizadas como reserva de capital, para integrar a conta de resultados. Essa sucessão legislativa reforça que, ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis, antes da promulgação da Lei nº 11.638/2007, as subvenções para investimentos 14 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: AdcoasJustec, 1979, v. II, p. 403. Fl. 718DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 28 não integravam a conta de resultados, consoante sustentado pelo ilustre Professor José Bulhões Pedreira, nas lições citadas acima. Os efeitos fiscais dos critérios e métodos contábeis da Lei nº 11.638/2007, porém, foram neutralizados pelo Regime Tributário de Transição RTT, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Esta, no que se refere especificamente ao tema em exame, estabeleceu que: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e Feitas essas observações, ingressando nas particularidades do caso concreto, notase que, de acordo com o livro razão (fls. 6062), com os balancetes de verificação (fls. 89, 134135) e demonstrações contábeis (balanço patrimonial fls. 212, demonstração das origens e aplicações de recursos fls. 215, demonstração das mutações do patrimônio líquido fls. 216), a subvenção para investimentos foi efetivamente contabilizada como reserva de capital. O crédito presumido de Icms concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul no âmbito do Fundopem, por sua vez, está claramente vinculado à execução de projeto de implantação de atividade industrial por parte do contribuinte. Não se trata, assim, de subvenção destinada ao custeio de despesas correntes, de auxílio para atividade deficitária, mas de verdadeira subvenção para investimentos, consoante previsto no ato concessionário (fls. 56): CLÁUSULA PRIMEIRA Considerase implementado o incentivo previsto no Decreto nº 37.373 de 23 de abril de 1997, concedido à EMPRESA pelo Decreto nº 38.793/98, fixado em até 75% (setenta e cinco por cento) do incremento real do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS, devido mensalmente pelo estabelecimento inscrito no CGC/TE sob o nº 008/0137695. Parágrafo Único Para efeito do disposto nesta cláusula, considerase: a) increment real, o valor total do ICMS devido mensalmente pela EMPRESA, por se tratar de projeto de implantação; b) ICMS devido, o definido na Nota 1, do inciso XIII, do artigo 32, do Livro 01, do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37.699/97. A vinculação entre a subvenção e a implantação industrial é tal ordem que a inexecução do projeto apresentado ao Estado implica a revogação do benefício (fls. 5758): CLÁUSULA QUINTA Sob pena de cessação do benefício previsto na Cláusula Primeira a EMPRESA obrigase a: Fl. 719DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 20.89 29 I cumprir o seu projeto descrito no Processo nº 002752 16.00 SEDAI 97.0, que integra este Protocolo para todos os efeitos legais e/ou convencionais; Desse modo, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, encontramse presentes os requisitos de caracterização da subvenção para investimentos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/1978, da Coordenação do Sistema da Tributação: 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o ‘animus’ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado.[...] 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras: quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção e por decorrência dos favores legais. […]15 Por fim, registrese que, mesmo que inexistisse a vinculação a um projeto de implantação industrial, ainda assim o contribuinte teria direito à excluir a subvenção do Fundopem da base de cálculo da contribuição, enquanto mantida a contabilização como reserva de capital ou reserva de incentivos, no regime do RTT. Isso porque, consoante destaca José Bulhões Pedreira, nada impede o emprego da subvenção para investimentos em capital de giro da pessoa jurídica: O PNCST n.º 112/78 interpreta restritivamente a expressão “subvenção para investimento”, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira16. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já apresenta julgados nessa mesma linha, com destaque para o Acórdão nº 10708.739: A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em 15 Parecer Normativo CST n.º 112/1978, de autoria de Carlos Augusto de Vilhena. DOU de 11/01/1979, Seção I, Parte I, p. 467 e ss. 16 PEDREIRA, op. cit., p. 402403. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 30 função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, ‘a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira’ (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização17. O julgado faz referência à precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que também se afasta das conclusões do PN CST n.º 112/1978: O PN CST n° 112/78, no subitem 2.12, acima transcrito, quando falou em efetiva e específica aplicação de subvenção em investimentos previstos ou projetados, foi mais longe. Bulhões Pedreira apontalhe a falta de base legal, nesse ponto. Realmente, se estudada a questão em tese, o PN CST n° 112/78 teria excedido a lei, no particular18. A possibilidade de aplicação da subvenção de investimentos em capital de giro também é prevista na Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, reproduzida acima. Portanto, em qualquer dos ângulos analisados, o crédito presumido do Fundopem/RS constitui subvenção para investimento. Assim, enquanto contabilizado como reserva de capital, não transitam em conta de resultado e, por conseguinte, não constituem receita tributável. 2 Dos créditos sobre despesas de transporte com frota própria O conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, tem sido objeto de grande controvérsia doutrinária e jurisprudencial19. Esta, por sua vez, se reflete em algumas decisões desse Conselho, como o acórdao proferido no Recurso Voluntário n. 146.77820 e, nessa mesma linha, a recente decisão da 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, no Recurso Voluntário nº 369.519: [...] O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração pela não comutatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Contudo, no presente feito, o desate da questão independe do ingresso nesse debate, uma vez que o direito ao crédito sobre valor das despesas de transporte com frota própria encontra amparo na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que assim estabelece: 17 Decisão de 20 de setembro de 2006. Rel. Conselheiro Luiz Martins Valero. 18 Voto do relator no Acórdão nº CSRF/01885. 19 Sobre o tema, cf: MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octávio Campos (coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 2003; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionas à "não cumulatividade" da Cofins e da contribuição ao PIS. IN: PEIXOTO et. al., op. cit., p. 47 e ss.; SEHN, Solon. PIS Cofins..., op. cit., p. 313 e ss. 20 Carf. 2º C. 4ª T. Processo Administrativo n. 11065.101039/200617. Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho. Sessão de 05/09/2008. Fl. 721DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 21.89 31 Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; [...] 4° Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; 21 O valor do crédito, por sua vez, é calculado considerando o valor do custo de aquisição do bem, conforme decorre do § 3º do art. 8º desse mesmo ato normativo: Art. 8º [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços22. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de fronta própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. 21 Grifamos. 22 Grifamos. Fl. 722DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 32 § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; 23 O crédito de insumos, portanto, é calculado sobre o custo de aquisição, que compreende, observado o disposto no art. 13 do DecretoLei nº 1.598/1977, o valor do custo de de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte. Nesse sentido, cabe destacar as seguintes soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo24. FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática nãocumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática25. CRÉDITO. FRETE. O valor do frete pago na aquisição de insumo pode integrar a base de cálculo do crédito previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, desde que a aquisição do insumo dê direito à apuração de crédito e desde que a aquisição do frete esteja sujeita à incidência da Cofins26. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago a pessoa jurídica na aquisição de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálcu lo do crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa apurada. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete pago na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, também gera direito a crédito a ser descontado da Cofins não cumulativa a purada27. No caso em exame, não há dúvidas de que o bem transportado (animais vivos para abate) é insumo (matériaprima essencial) da atividade industrial exercida pelo contribuinte (industrialização de carnes). Assim, com a devida vênia, não cabe a glosa mantida 23 Grifamos. 24 Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006. Grifamos. 25 Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. 26 Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010. 27 Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006. No mesmo sentido: Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007. Fl. 723DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000516/200515 Acórdão n.º 380200.474 S3TE02 Fl. 22.89 33 pela decisão recorrida, porque o valor dispendido com o transporte do insumo até o estabelecimento do fabricante integra o custo de aquisição da matériaprima, servindo, por conseguinte, de base para o cálculo do crédito. Incluemse no custo de transporte as despesas com combustível, pedágio e todas as demais discriminadas na tabela de fls. 526527, com exceção: (a) das peças de reposição e de manutenção, que são bens do ativo imobilizado, salvo quando apresentar vida útil inferior a um ano, o que não foi provado; e (b) aos honorários, não há especificação do que se tratam, porquanto, consoante discriminado nas tabelas de fls. 526/527, estão discriminadas apenas como “ serviços e honorários – PJ”. 3 Dos créditos sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos pesados Entendese que, se os veículos pesados são empregadas no transporte do gado para abate do estabelecimento produtor até o fabricante integram o processo produtivo, que não se limita ao espeço físico da unidade industrial. Tanto é assim que, consoante destacado no item anterior, a legislação tributária prevê a inclusão dos valores dispendidos com o transporte da matériaprima no custo do insumo industrial. Tal circunstância torna aplicável, com a devida vênia, a hipótese de creditamento prevista no inciso VI do art. 3° da Lei nº 10.833/2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); Redação original: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; O direito ao crédito, por sua vez, prevalece mesmo considerando que os veículos também são utilizados para o transporte do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, porque, consoante estabelece a Instrução Normativa SRF nº 457/2004, o crédito é calculado tendo por base os encargos de depreciação definidos pela Secretaria da Receita Federal: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: Fl. 724DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 34 I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e [...] § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Tais encargos são definidos de forma presumida, considerando condições médias de uso. Portanto, eventual desgaste adicional, decorrente do emprego do veículo na entrega dos produtos ao cliente, não afeta o cálculo do crédito. Por outro lado, o deferimento de taxa de depreciação superior à presumida deve se basear em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia ou de outra entidade oficial de pesquisa (Lei nº 3.470/1958; Lei nº 4.506/1964), que estará sujeito a novo controle por parte da Administração Pública. Votase, assim, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para fins de exclusão dos créditos presumidos do Fundopem/RS da base de cálculo da contribuição e de manutenção do direito ao crédito sobre despesas de transporte de insumo com frota própria e sobre o encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 725DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.903553/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Demonstrada e comprovada inexatidão material e lapso manifesto, cabem embargos para retificação do equívoco.
Numero da decisão: 3301-012.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para retificar o número do RE, inicialmente citado no voto condutor, de nº 519.316/SC para nº 599.316/SC.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Demonstrada e comprovada inexatidão material e lapso manifesto, cabem embargos para retificação do equívoco.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10840.903553/2010-68
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850301
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3301-012.480
nome_arquivo_s : Decisao_10840903553201068.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 10840903553201068_6850301.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para retificar o número do RE, inicialmente citado no voto condutor, de nº 519.316/SC para nº 599.316/SC. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2023
id : 9896420
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270996131840
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-12T19:38:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-12T19:38:08Z; Last-Modified: 2023-05-12T19:38:08Z; dcterms:modified: 2023-05-12T19:38:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-12T19:38:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-12T19:38:08Z; meta:save-date: 2023-05-12T19:38:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-12T19:38:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-12T19:38:08Z; created: 2023-05-12T19:38:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2023-05-12T19:38:08Z; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-12T19:38:08Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10840.903553/2010-68 RReeccuurrssoo Embargos AAccóórrddããoo nnºº 3301-012.480 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 25 de abril de 2023 EEmmbbaarrggaannttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo TEREOS AÇÚCAR E ENERGIA ANDRADE S.A. (ANDRADE AÇÚCAR E ÁLCOOL S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Demonstrada e comprovada inexatidão material e lapso manifesto, cabem embargos para retificação do equívoco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para retificar o número do RE, inicialmente citado no voto condutor, de nº 519.316/SC para nº 599.316/SC. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301-010.582, datado de 27 de julho de 2021, proferido por essa 1ª Turma Ordinária que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário nos termos da ementa reproduzida, a seguir, na parte que interessa à matéria embargada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 35 53 /2 01 0- 68 Fl. 893DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.480 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903553/2010-68 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. AQUISIÇÃO. Por força do disposto no disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF, adota-se, essa decisão do STF no julgamento do RE nº 599.316/SC, com repercussão geral, para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção dos bens destinados a venda. (...). Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando obscuridade na decisão, pelo fato de o RE nº 519.316/SC, utilizado como fundamento para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos da Cofins sobre os custos/despesas com encargos de depreciação de máquinas e equipamentos utilizados no seu processo produtivo, adquiridos em datas anteriores a 1º de maio de 2004, tratar de matéria diversa. Analisados os embargos, a Presidente desta 1ª Turma Ordinária admitiu-os para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e devem ser conhecidos nos exatos termos do Despacho de Admissibilidade. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) assim dispõe quanto aos embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. (...). Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) Da análise do acórdão embargado, verifica-se que, de fato, houve um erro material devido a lapso manifesto. No voto condutor, foi indicado o RE nº 519.316/SC para fundamentar o direito de o contribuinte descontar créditos da Cofins, calculados sobre os encargos de depreciações das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo do contribuinte, adquiridos em datas anteriores a 1º de maio de 2004. Contudo, o RE correto é de nº 599.316/SC, conforme consta da ementa do acórdão embargado. Dessa forma, visando corrigir a suscitada obscuridade, alteramos a redação do voto condutor do acórdão embargado, no parágrafo onde ocorreu o erro material por lapso manifesto, conforme segue: Texto original: Fl. 894DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.480 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903553/2010-68 (...). No entanto, em decisão recentíssima, no RE nº 519.316/SC, transitada em julgado em 20/04/2021, com repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o artigo 31, caput, dessa lei, é inconstitucional, conforme ementa reproduzida a seguir: (...). Nova redação: No entanto, em decisão recentíssima, no RE nº 599.316/SC, transitada em julgado em 20/04/2021, com repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o artigo 31, caput, dessa lei, é inconstitucional, conforme ementa reproduzida a seguir: (...). Em face do exposto, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para retificar o número do RE, inicialmente citado no voto condutor, de nº 519.316/SC para nº 599.316/SC. (documento assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 895DF CARF MF Original
score : 1.0
