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Numero do processo: 10735.001814/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.133
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 454DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 444 2 RELATÓRIO OLIVAMAR COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2004, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante da ausência de apresentação de livros de escrituração obrigatória (Diário, Razão e Registro de Inventário), foi promovido o arbitramento do lucro. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnações (fls. 310/329; 330/352; 353/375; e 376/401), oferecendo, em síntese, os seguintes argumentos: que a jurisprudência administrativa teria se firmado no sentido de que o depósito bancário não serve como base para a aplicação de omissão de receita, a não ser nas hipóteses em que reste comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de receitas; que a Constituição Federal, ao outorgar a competência à União para instituir o imposto de renda, não teria concedido ampla liberdade de ação ao legislador, pois além das limitações ao poder de tributar expressas no texto constitucional, haveria que se reconhecer a existência de um pressuposto conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza; que só o acréscimo patrimonial, a titulo oneroso, comportaria a tributação pelo imposto de renda; que a taxa Selic como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal seria ilegal; que a legislação tributária que embasou os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL seria inconstitucional; que a autoridade administrativa julgadora deveria apreciar a inconstitucionalidade das leis, assegurando, assim, o direito de "ampla defesa". A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 18.516, de 28 de fevereiro de 2008, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 455DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 445 3 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Irresignada, MERITI CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, nova denominação de OLIVAMAR COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, apresentou o recurso de folhas 420/437, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 446 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Aprecio, em primeiro lugar, as condições de admissibilidade do apelo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu decisão em sessão realizada em 28 de fevereiro de 2008, indeferindo as impugnações interpostas pela contribuinte (fls. 411/418). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu elaborou intimação à contribuinte para fins de ciência da citada decisão (fls. 419). No corpo da referida intimação, foi juntado histórico da empresa de correios e telégrafos, também às fls. 419, indicando que a entrega do citado documento (intimação) se deu em 26 de março de 2008. Em 05 de maio de 2008, conforme registro de fls. 420, a contribuinte impetrou recurso voluntário. Não obstante, às fls. 442, a Agência da Receita Federal em Duque de Caxias informa que o recurso foi tempestivamente apresentado. Assim, diante da natureza do documento que supostamente atesta a ciência da decisão de primeira instância por parte da contribuinte (HISTÓRICO DO OBJETO – ECT) e da informação prestada pela unidade preparadora, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Agência da Receita Federal Duque de Caxias se manifeste acerca da informação de fls. 442, vez que na fls. 420 do processo consta que o recurso foi protocolizado em 05 de maio de 2008, enquanto às fls. 419 consta indicação de que a intimação foi entregue em 26 de março de 2008. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 457DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001181/00-11
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.017
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo Fiscais — CARF, por -unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , . .‘.r.,-.4...:~. , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.001181/00-11 Recurso n° 155.511 Resolução n° 1401-00017 — 4" Câmara / 1 0 Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria IRPJ - Ex.: 1996 Recorrente BAHIANA DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA Recorrida DRJ SÃO-PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo Fiscais — CARF, por -unanimidade de votos, CONVERTER o julga -nto do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. f. ) ...ir,' VE MAL • QUIAESSOA MONTEIRO Pres dente ALBERTINA SILVA SANTOS E LIMA 1 : Relatora I Formalizado em: -- 1 A GO 2009, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 1 Processo n° 13808.001181/00-11 S1-C4T1 Rcsoluçào n.° 1401-00017 Fl, 507 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ do ano-calendário de 1995 por glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, por inobservância do limite de 30% imposto pelo art. 42 da Lei 8.981/95. A ciência dos autos se deu em 31.05.2000. Em razão de existir liminar obtida em mandado de segurança (processo 95.0033586-7 da 17'. Vara Federal), a exigibilidade do crédito tributário ficou suspensa até decisão final da ação, consoante o disposto no ativ. 151, inciso IV do CTN. A decisão de primeira instância rejeitou as alegações preliminares e as relacionadas aos juros de mora, e deixou de tomar conhecimento da impugnação no tocante ao 1RPJ, em razão da matéria já ter sido levada à apreciação do Poder Judiciário. A ciência da decisão foi dada em 13.01.2006 e o recurso foi apresentado em 14.02.2006. No recurso, argumenta que o lançamento é insubsistente, mesmo que lavrado apenas para evitar a decadência, bem como, a inafastabilidade da via administrativa, a improcedência da autuação e a postergação. Ao final, requer o cancelamento do lançamento em sua integraliclade, por entender que o mesmo (i) deixou de cumprir ordem judicial que suspendeu a exigibilidade dos supostos créditos cobrados; (ii) desconsiderou a postergação do imposto, deixando de proceder aos ajustes que prescreve a lei; (iii) na hipótese do lançamento ser mantido, requer que o mesmo seja revisto com observância do tratamento da postergação, para assim, recompor os prejuízos e cancelar a exigência, reconhecendo a extinção do crédito pelo pagamento; (iv) na hipótese de ser mantido o lançamento, pede o sobrestarnento da cobrança até o trânsito em julgado de decisão judicial e (v) que seja afastada a incidência da taxa Selic; (vi) na hipótese de desacolhidos esses pedidos, requer o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da medida judicial ainda pendente de julgamento, ou ao menos, o sobrestamento da inscrição na Dívida Ativa. Sobre a insubsistência do lançamento, mesmo que lavrado para evitar a decadência, argumenta que não sendo possível à fiscalização exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário, em razão da medida judicial, o auto de infração também não poderia ser aproveitado para esse fim e a autuação tampouco poderia prevalecer, por configurar desrespeito à decisão judicial. Acrescenta que ainda que fosse viável a exigência, não poderia ter exigido os juros de mora, sendo o lançamento insubsistente. Com respeito à inafastibilidade da via administrativa, alega que a propositura da ação antecedeu a lavratura do auto de infração, e que não restava outra alternativa à recorrente, senão prosseguir na discussão administrativa para resguardar os seus direitos. Afirma que negar ao contribuinte o debate sobre o suposto crédito tributário, até o exaurimento da via administrativa, configura afronta às garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa (CF, art. 50, LV). (*)? 2 s/ Processo n° 13808.001181/00-11 S1-C4 f 1 Resolução n.° 1401-00017 Fl. 508 A respeito da improcedência da autuação aduz que a própria administração tributária por meio de decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes, tem decidido que a compensação de prejuízos rege-se pela lei vigente à época de sua apuração, sob pena de afronta ao direito adquirido. Assim, se a legislação anterior determinava que o prejuízo acumulado poderia ser compensado em até 4 anos-calendário subseqüentes, sob pena de extinção do direito à aludida compensação é porque não se tratava de mera expectativa de direito, mas sim, de efetivo direito do contribuinte já constituído, conquanto ainda não exercido. Em relação à alegação de postergação, afirma que a decisão deve ser reformada porque a autuação não observou o tratamento da postergação, contrariando os arts. 193 e 219 do RIR/94. Diante do excesso de compensação, que seria do montante de R$ 1.258.338,23 (1.797.622,04 — 539.287,81), o autuante retificou a quantia compensável (R$ 539.287,81), indicando o valor tributável (R$ 1.258.338,23), em face do qual, apurou o tributo de RS 472.685,43 e juros selic. Aduz que verificando que a contribuinte teria antecipado a compensação de valores, postergando, com isso o recolhimento de tributo, a própria auditoria deveria ter procedido desde logo, aos ajustes do lucro real dos períodos subseqüentes, para, somente então efetuar o eventual lançamento, pelo valor líquido. Não o fazendo, caberia a este colegiado, constatar à vista do pagamentos nos períodos seguintes, de todo o tributo lançado para o ano de 1995, a perda de objeto dos autos. Cita o § 2° do art. 193 e o § 1°, caput, do art. 219 do RIR/94. Entende que essa é jurisprudência deste Conselho, em sintonia com o Parecer COSIT 02/96. Cita diversos julgados e entre eles, o acórdão 107-07.125, de 13.05.2003. Afirma que recompondo-se os prejuízos fiscais e os lucros reais dos períodos subseqüentes àquele em que teria ocorrido excesso de compensação de resultados negativos, tem-se que a diferença apurada pela fiscalização no ano de 1995, resultante do cotejo entre o total do imposto apurado após a recomposição dos prejuízos e o total do imposto apurado pela empresa, sem a referida limitação de 30%, foi quitada a partir de 1998. Alega que em 1998, ano cujos resultados também deveriam ter sido examinados pelo auditor fiscal, a empresa teria apurado, com observância da trava, imposto de renda no montante de R$ 1.247.204,15. Para esse mesmo período, as deduções, que representam pagamento de imposto, totalizaram R$ 1.620.608,15 (doc.9). Dessa diferença (R$ 373.404,00) deve ser descontado o crédito apurado pela empresa, sem a trava (R$ 138.230,75), obtendo-se saldo credor de R$ 235.173,25. Esse saldo deveria ter sido imputado ao imposto pago a menor no ano de 1995 (R$ 472.685,43); vale dizer, o imposto pago a menor em 1995 teria sido parcialmente postergado para 1998 (doc. 10). Da mesma forma, em 1999, observando a trava, a recorrente teria apurado imposto de R$ 4.445.706,18 e deduções no montante de R$ 6.474.958,55 (doc. 9). Teria portanto, crédito de R$ 2.029,252,37. Excluindo-se desse valor, o montante apurado sem a trava (RS 1.398.865,68), restaria saldo credor de R$ 630.386,69, ao qual deveria ser imputado o remanescente do imposto pago a menor no ano de 1995 (R$ 237.512,19). E ainda restariam R$ 392.874,50, como saldo credor da recorrente. (iP 3 Processo n° 13808.001181/00-11 SI-C4TI Resolução ti.° 1401-00017 Fl. 509 Conclui que à vista dos saldos credores de imposto de renda dos períodos de 1998 e 1999, a recorrente quita toda a suposta diferença de imposto do ano de 1995 (R$ 472.685,43) (doc. 10). Sobre o descabimento dos juros de mora, aduz que enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário é inconcebível a fluência dos juros moratórios, uma vez que mora, pressupõe dívida vencida, exigível e falta do contribuinte. Assim, se o contribuinte obteve liminar antes do vencimento do tributo, e conseguiu seu restabelecimento antes de expirado o prazo do art. 63, § 20 da Lei 9.430/96, não se poderia falar em dívida vencida e tampouco em falta que lhe seja imputável, por estar respaldado em pronunciamento judicial. Ressalta que no presente caso, não há termo inicial para a contagem dos juros moratórios, tendo em vista que a liminar, concedida antes do próprio lançamento, tem o atributo legal de interromper a incidência da mora. Acrescenta que tampouco há que se falar em enriquecimento ilícito do contribuinte que age em conformidade com a lei. Aduz que como o CTN, não prevê a incidência de juros remuneratórios, inexistiria fundamento para o pretendido ressarcimento do Tesouro. Cita acórdão da 3 a Câmara do 2° CC (proc. 13982.000313/93-49). Em relação à inaplicabilidade da Selic alega que nenhuma lei tributária tem o condão de estabelecer, legitimamente a aplicação da Selic como juros de mora incidentes sobre os créditos tributários, pois não poderiam alterar o CTN, que estabelece a taxa de 1% ao mês, como limite máximo. Alega que como taxa remuneratória, a taxa selic não é juro, pois é também correção monetária, pois objetiva neutralizar os efeitos da inflação, sendo portanto, imprestável para efeitos tributários, ademais, é o Comitê de Política Monetária do Banco Central que indica a meta para o índice da taxa, delegando ao Presidente do BACEN a faculdade de alterá-la. Conclui haver franca violação aos princípios da legalidade e da indelegabilidade de atribuições, o que aliado às demais razões expendidas, invalidaria a aplicação da selic na cobrança de créditos tributários. Sobre o sobrestamento na esfera administrativa até o trânsito em julgado da decisão judicial, ressalta que a decisão recorrida deve ser reformada no que tange ao requerimento de sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da medida judicial em curso, não devendo prevalecer a conduta da autoridade julgadora, que deixou de apreciar tal pedido e deu prosseguimento ao feito e que essa seria jurisprudência do Conselho de Contribuintes. É o Relatório. (I? 4 Processo n° 13808.001181/00-11 S 1-C4T1 Resolução ri.° 1401-00017 Fl. 510 Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Trata-se de lançamento do IRPJ do ano-calendário de 1995 por glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, por inobservância do limite de 30% imposto pelo art. 42 da Lei 8.981/95. A ciência dos autos se deu em 31.05.2000. Em razão da existência de liminar em mandado de segurança, a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa até decisão final da ação impetrada. A decisão de primeira instância não tomou conhecimento da matéria levada à discussão na esfera judicial e apreciou a matéria diferenciada, mantendo o lançamento. Em relação ao pedido da recorrente de sobrestamento do julgamento deste recurso até o trânsito em julgado de medida judicial pendente de julgamento, não há base legal que ampare tal pedido. Quanto à sua alegação de que o lançamento deve ser cancelado porque não teria sido cumprida ordem judicial que suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários, não assiste razão à recorrente, pois o lançamento foi efetuado com a exigibilidade dos créditos tributários suspensa e sem multa de oficio. Portanto, não houve descumprimento da ordem judicial. Quanto à argumentação de que deveria ser cancelado o lançamento porque a fiscalização não efetuou os ajustes da postergação, entendo que a contribuinte pode trazer os elementos necessários para comprovar que efetivamente ocorreu a postergação, entretanto, essa não é razão suficiente para cancelamento do lançamento, uma vez que o mesmo pode ser corrigido. Para comprovação da ocorrência de postergação, a interessada juntou com o recurso, o seguinte: • Cópia das DIRPJs dos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e das DIPJs dos anos-calendário de 1998 e 1999, docs. de fls. 246 a 446; • Planilha de fls. 447, com cálculo do imposto de renda com compensação do saldo do prejuízo fiscal, conforme declarado (anos-calendário de 1995 a 1999); não apurou imposto em 1995 e apurou saldo negativo (após as deduções) de R$ 13,42, em 1996, R$ 11.166,52 em 1997, R$ 138.230,75 em 1998 e R$ 1.398.865,68 em 1999; • Planilha de fls. 448, com cálculo do imposto de renda com compensação do saldo de prejuízo fiscal limitado a 30%, para os anos de 1995 a 1997, e nos anos da postergação de 1998 e 1999; apurou imposto a pagar de R$ 472.685,44 em 1995, R$ 440.226,72 em 1996 e R$ 99.568,72 em 1997; apurou saldo negativo do imposto de renda (após as deduções) nos anos de 1998 (R$ 373.404,00) e de 1999 (R$ 2.029.252,37); • Na planilha de fls. 449, calcula o imposto de renda postergado, efetuando o cálculo dos créditos supostamente pagos a menor (anos de 1995 a 1997) e cálculos no momento da postergação em 1998 e 1999; calcula o valor pago a menor de R$ 472.685,44 parap 5 Processo n° 13808.001181/00-11 S I-C4T1 Resolução n.° 1401-00017 Fl. 511 1995, R$ 440.240,14 para 1996 e R$ 110.735,24 para 1997 e acumula esses créditos que totalizam R$ 1.023.660,82; • No momento da postergação, na mesma planilha, compara o imposto com liminar, com o imposto com compensação obedecendo ao limite, em 1998 e em 1999. Para 1998, obteve o saldo negativo de R$ 138.230,75 (antes) e de R$ 373.404,00 (com a liminar) e calcula o valor pago a maior de R$ 235.173,25. Para 1999, obteve o saldo negativo de R$ 1.398.865,68 (antes) e de R$ 2.029.252,37 (com a liminar) e calcula o valor pago a maior de R$ 630.386,69. • Na mesma planilha, do valor pago a menor acumulado de R$ 1.023.660,82 diminui o valor que teria sido pago a maior em 1998 de R$ 235.173,25 e obtém o valor pago a menor acumulado de R$ 788.487,57; depois diminui dessa importância o valor de RS 630.386,69 que teria sido pago a maior, obtém a diferença de R$ 158.100,88 que corresponderia a valor pago a menor; • Afirma que o lucro tributável em 1995 após a compensação de prejuízo fiscal é de R$ 1.258.338,23, que calculado à aliquota de 37,5%, sem postergação corresponde a R$ 472.685,44, e que levando em conta a alíquota de 25% vigente no momento da postergação, equivale a RS 314.584,56; ou seja, a diferença de R$ 158.100,88 é devida em função da redução da alíquota do IRPJ de 37,5% para 25%. Concluo que o recurso não está em condições de ser julgado. Entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal, à vista dos valores apurados de IRPJ constantes nas DIRPJs e DIPJs dos anos-calendário de 1995 a 1999, constantes dos sistemas eletrônicos da Receita Federal, se pronuncie sobre os cálculos elaborados pela contribuinte relativos à alegada postergação, nos termos do DL 1598/77, art. 60 e Parecer COSIT 02/96. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo, a ser cientificado à recorrente, que poderá se manifestar se entender necessário. Do exposto, oriento meu voto para converter o julgamento em diligência nos termos acima expressos. Sala das Sessões - DF, em 18 de junho de 2009. ALBERTINA SIVASANTQ DE LIMA e
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900591/2014-14
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.367
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.360, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900579/2014-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche e Carolina Machado Freire Martins.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.360, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900579/2014-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche e Carolina Machado Freire Martins. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 05 91 /2 01 4- 14 Fl. 64884DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.367 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900591/2014-14 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64885DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.367 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900591/2014-14 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64886DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.367 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900591/2014-14 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64887DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11020.904184/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.102
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.904184/200822 Resolução n.º 1302000.102 S1C3T2 Fl. 182 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 15ª Turma da DRJ/RJI, no qual o colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Interessada, mantendo se na íntegra o Despacho Decisório atacado. Restou vencido o julgador Marcelo Franco de Matos, que acolhia a preliminar de erro de fato levantada pelo contribuinte e propunha o retorno do feito à DRF de origem para prosseguir na análise do direito creditório. O julgado foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve ser mantido o Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas com base no mesmo. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa este processo sobre compensação. Através do Despacho Decisório de fl. 20, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul RS, com ciência ao contribuinte em 01/09/2008 (fl.99), não foram homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 19333.07351.310304.1.3.027800, (fls. 01/06). No referido documento, a interessa declara compensar diversos débitos com o crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 16.874,82. As compensações declaradas não foram homologadas em razão de a DRF de Caxias do Sul ter identificado um saldo negativo de IRPJ no valor de apenas R$ 7.955,16, e não o valor declarado pela interessada no Per/dcomp, de R$ 16.874,82. Antes de proferir o Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas, a referida DRF expôs à interessada a divergência de valores encontrada, através de duas intimações a ela enviadas, em diferentes datas (fls. 07/11), para que fosse retificada a DIPJ correspondente ou apresentado Per/dcomp retificador, não tendo havido resposta para ambas as intimações. Ciente do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fl. 15, onde alega que se equivocou ao preencher o Per/dcomp, sendo incorreto o saldo negativo nele informado, de R$ 16.874,82, em vez de R$ 7.955,16, conforme consignado na DIPJ do anocalendário de 2002. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo que se o direito creditório for reduzido, então também devem ser excluídos multa e juros relativamente aos débitos não compensados. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.904184/200822 Resolução n.º 1302000.102 S1C3T2 Fl. 183 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A controvérsia é centrada na divergência entre o valor informado no Per/Dcomp como saldo credor de IRPJ, R$16.874,82 (extraído da linha 16 da Ficha 12A da DIPJ/2004, “imposto de renda mensal pago por estimativa”) ao invés de R$7.955,16 (que deveria ter constado, extraído da linha 18, “imposto de renda a pagar”), conforme consta da DIPJ/2004 (fl.66v). O acórdão recorrido reconheceu o erro, e o direito da recorrente, mas por maioria de votos, manteve o indeferimento sob alegação de que não seria mais cabível a retificação da Per/Dcomp. Vejamos o trecho do voto condutor em que tais fatos são apreciados: Analisandose a DIPJ relativa ao anocalendário de 2003, Ficha 12A, à fl. 66, constatase que o saldo negativo do IRPJ é, efetivamente, de R$ 7.955,16, e não aquele informado pela interessada no Per/dcomp, de R$ 16.874,82. Na verdade, R$ 16.874,82 é o valor constante da linha 16 da referida Ficha, relativo ao “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa”. Dessa forma, percebese que o equívoco cometido pela interessada se deu em razão de ela ter confundido o somatório dos recolhimentos relativos ao Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa com o saldo negativo do Imposto de Renda a Pagar, constante da linha 18. Quanto à alegação de equívoco no preenchimento da Per/dcomp, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, em seu artigo 57, dispõe que só se admite a retificação de Per/dcomp antes de proferida decisão administrativa em relação à Declaração a ser retificada. Verifico, assim, que o fundamento para o indeferimento residiu na impossibilidade de se retificar o Per/Dcomp após o julgamento, para então ajustálo ao conteúdo decisório favorável ao contribuinte. Demais disso, não há nos autos elementos que à primeira vista possam descartar o direito da recorrente ao crédito. Entendo, desta forma, que não se pode obstar o reconhecimento desse direito por impossibilidade material de alteração de sistema de computador. Neste caso, há de ser adotado outro procedimento que torne viável a satisfação do direito pleiteado, caso exista. É certo que o §14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, atribui competência à Receita Federal para disciplinar a compensação ali regulada. No entanto, ao interpretar a disciplina prescrita para a compensação, deve também ser observado o direito do contribuinte (art. 74, caput, Lei nº 9.430/96), especialmente quando, à primeira vista não surgem razões para dele duvidar, não podendo ser obstado, preliminarmente à sua análise, por impossibilidade material. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.904184/200822 Resolução n.º 1302000.102 S1C3T2 Fl. 184 4 De se ressaltar que o caso vertente é idêntico a dois outros casos, que na sua totalidade envolvem os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, em que o mesmo erro é cometido. O direito creditório não foi integralmente analisado pela autoridade fiscal. Desta forma, voto para converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aprecie o direito creditório da recorrente, admitindose como correto o valor declarado na DIPJ/2002 (R$7.955,16 – fl.66v), e não aquele que consta da Per/Dcomp. Sala das Sessões, 04 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 234DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000019/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO
As normas que regem a compensação exigem, na sua operacionalização, que o contribuinte que possui crédito e que pretende utilizá-lo em operação de compensação, expressamente informe na GFIP o valor compensado.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.344
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total das competências até 11/2001 com base no Art. 150, § 4º , CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO As normas que regem a compensação exigem, na sua operacionalização, que o contribuinte que possui crédito e que pretende utilizálo em operação de compensação, expressamente informe na GFIP o valor compensado. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total das competências até 11/2001 com base no Art. 150, § 4º , CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1416.248 9a Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 245 a 247, foi executada uma Auditoria Fiscal por Fato Gerador Especifico, com o objetivo de analisar e regularizar os débitos provenientes das divergências apontadas no Sistema informatizado da Previdência Social, do confronto entre as informações declaradas pela empresa nas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social) e os valores recolhidos nas GPS ( Guia da Previdência Social). Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas em GFIP, no período de 01/99, 03/99 a 02/2002 ( Matriz e filiais, cujos valores devidos à Previdência Social e a Outras Entidades foram recolhidos parcialmente. Quanto às retenções foram recolhidas na quase totalidade, exceto mês de 07/99 da filial CNPJ 45.922.978/000491, que foi recolhida parcialmente , restando apenas uma diferença de R$ 69,06. A ciência do lançamento ocorreu em 06/12/2006. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • O indeferimento da Juntada de documentos a posteriori bem como da realização de perícia, fere o direito de defesa e o devido processo legal garantias constitucionais que devem ser respeitadas no procedimento administrativo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 398 3 • É direito da recorrente compensar integralmente o seu crédito resultante dos recolhimentos indevidos a titulo da contribuição ao INSS sobre remuneração de administradores e autônomos com as quantias devidas sob a pecha dessa mesma contribuição social custeada pelos seus próprios recursos, seja a exação incidente sobre folha de salários, seja a contribuição de que trata a LC 84/96, não há que se falar em autorização da Previdência para o contribuinte se valer de direito já explicitado em lei. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. PRELIMINAR DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 399 5 “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. No caso presente, conforme apresentado no Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados – RADA, folhas 50 a 67, existem várias guias de recolhimento no período do débito. Disso resulta na aplicação da regra do § 4° do art. 150. O período do lançamento é de 01/99 a 02/2002. A ciência do lançamento ocorreu em 06/12/2006. Entendo decadentes as competências até 11/2001, inclusive. Direito de Defesa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O contribuinte alega que o indeferimento da Juntada de documentos a posteriori bem como da realização de perícia, fere o direito de defesa e o devido processo legal garantias constitucionais que devem ser respeitadas no procedimento administrativo. Veremos que não cabe razão à recorrente. O Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre o processo Administrativo Fiscal, estabelece prazos para a juntada de provas e para a solicitação de perícia. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 400 7 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Entendo que o processo contém elementos suficientes para o julgamento e que o não cumprimento das normas resulta que o pedido é considerado como não formulado. MÉRITO Compensação O instituto da compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, está previsto no art. 156, II, e 170, e 170A do CTN, e constitui um dos mecanismos legais utilizados face à apuração de crédito pelo sujeito passivo. Segundo o CTN, a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Para o caso de ação judicial, o CTN impôs a vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A compensação tributária depende de autorização legal específica e, em princípio, se opera automaticamente, entre créditos líquidos e certos apurados pelo sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, cujo prazo para a homologação da compensação será de cinco anos. No ordenamento legal, encontramos o artigo 66 da Lei 8383/91, que trata de compensação de tributos federais e o artigo 89 da Lei 8.212/91 que trata especificamente de compensação de contribuições previdenciárias. LEI 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(grifei) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) LEI 8.212/91 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei.(grifei) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 401 9 § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. O § 4º do artigo 66 da Lei 8383/91, estabelece que As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias para a execução da compensação. Nesse contexto e tendo por base o artigo 100 do CTN, que trata das normas complementares das leis e dos decretos, foram editadas as Instruções Normativas para a adequada operacionalização da compensação. CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. IN INSS 100/2003 Art. 201. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 202. Havendo pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pelo INSS para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades e fundos; II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e débito decorrente de Auto de Infração (AI), cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado (LDC), de Lançamento de Débito Confessado em GFIP (LDCG), de Débito Confessado em GFIP (DCG); (Redação dada pelo Art. 1º da IN INSS/DC nº105/2004) III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas a acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto no art. 227. V A compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes aqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Havendo recolhimento indevido em documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil já encerrada, de responsabilidade de pessoa jurídica, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pela obra. § 3° A empresa, a equiparada na forma do § 3º do art. 7º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4° É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 402 11 Art. 203. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 227, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: I o valor originário integral a ser compensado pelo sujeito passivo será atualizado com juros calculados na forma do art. 230; II para os fins deste artigo, consideramse contribuições devidas à Previdência Social as dos segurados, as arrecadadas mediante a subrogação e as da empresa, excluídas as contribuições destinadas a outras entidades e fundos; III o percentual de trinta por cento será calculado antes da dedução do valor relativo ao saláriofamília, ao salário maternidade e antes da compensação dos valores retidos, na competência, pelos contratantes de serviços com cessão de mão deobra ou por empreitada; IV o valor a ser efetivamente recolhido após a compensação deverá ser lançado no campo “valor do INSS” do documento de arrecadação. § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 202. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP.(grifei) Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Caso haja recolhimento indevido, comprovado mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, relativo à obra sem atividade, ou seja, para a qual tenha sido entregue GFIP sem movimento ou que tenha sido encerrada, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 3º A empresa, o equiparado na forma do § 4º do art. 3º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4º É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: I o valor originário integral a ser compensado pelo sujeito passivo será atualizado com juros calculados na forma do art. 221; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 240300.344 S2C4T3 Fl. 403 13 II para os fins deste artigo, consideramse contribuições devidas à Previdência Social as dos segurados, as arrecadadas mediante a subrogação e as da empresa, excluídas as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; III o percentual de trinta por cento será calculado antes da dedução do valor relativo ao saláriofamília, ao salário maternidade e antes da compensação dos valores retidos, na competência, pelos contratantes de serviços com cessão de mão deobra ou por empreitada; IV o valor a ser efetivamente recolhido após a compensação deverá ser lançado no campo "valor do INSS" do documento de arrecadação. § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 193. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP.(grifei) Conforme demonstrado, as normas que regem a compensação exigem, na sua operacionalização, que o contribuinte que possui crédito e que pretende utilizálo em operação de compensação, expressamente informe na GFIP o valor compensado. A ausência dessa informação significa que não houve compensação. Multa de mora Por dever de ofício passo a analisar a questão da multa de mora. A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 11/2001, inclusive e, no mérito, pelo recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.001225/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1302-000.058
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-14T13:32:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-02-14T13:32:45Z; Last-Modified: 2011-02-14T13:32:46Z; dcterms:modified: 2011-02-14T13:32:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f9de9238-5365-4172-b3db-58b23205d1a1; Last-Save-Date: 2011-02-14T13:32:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-02-14T13:32:46Z; meta:save-date: 2011-02-14T13:32:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-02-14T13:32:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-02-14T13:32:45Z; created: 2011-02-14T13:32:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-02-14T13:32:45Z; pdf:charsPerPage: 850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-02-14T13:32:45Z | Conteúdo => IA/MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora SI-C1T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10120.001225/2005-93 Recurso n0 160.293 Resolução n° 1302-00.058 — 1" Turma Especial da 3" Câmara Data 02 setembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRANSBR.ASILIANA TRANSPORTES E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto da Relatora. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente EDITADO EM: 20 DEZ 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Processo n" 10120,001225/2005-93 S1-CIT1 Resolução n° 1302-00,058 Fi 2 Relatório Contra o sujeito passivo acima qualificado, foi lavrado o auto de infração (fls. 97 e seguintes) de IRPJ, referente aos anos-calendários de 2001 e 2001. O lançamento (F1 14) apurou duas infrações: (i) realização de lucro inflacionário em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, (ii) lançamento de valor declarado em DCTF e não pago. Cientificado, o sujeito passivo apresentou tempestivamente impugnação alegando. (iii) O Auditor-Fiscal limitou-se a enviar uma planilha eivada de erros e de origem desconhecida pela contribuinte. (iv) A impugnante considera de suma importância ressaltar que o Autuante, na descrição dos fatos, não informa a composição do lucro inflacionário. Todavia, a Autuada, ao comparar seus registros constantes da parte "8" do LALUR e o SAPLI anexado aos autos, verificou neste último o valor de Cr$ 12.744407.719, a titulo de "Lucro Inflac. A Realizar em 31/12/89 - Dif. IPC/BTNF" que não consta em seus registros, vez que desconhece a existência de tal valor. (v) A contribuinte não seguiu o artigo 3°. da Lei 8.200/91 que era de adoção facultativa. (vi) Cabe a autoridade fiscal o ônus de provar a inveracidade dos fatos sendo ilegítima a inversão do ônus da prova. (vii) A tributação do lucro inflacionário em quotas mínimas, pelo imposto de renda, é ilegal pois não se trata de acréscimo patrimonial disponível ou realizado. (viii) Por fim, pede a contribuinte que seja recebida sua impugnação tempestiva e cancelado o lançamento. A delegacia da receita federal de julgamento tomou conhecimento da impugnação e, em julgamento, decidiu pela procedência do lançamento. Alegou que o SAPLI é meio de prova hábil para fundamentar o lançamento pois parte de informações prestadas pela contribuinte em declarações feitas ao fisco, DIPJ. A informação é didática e auto-explicativa. Não houve portanto inversão do ônus da prova ou cerceamento de defesa, Esclareceu a DRJ que o lucro inflacionário é tributável a cotas mínimas por disposição legal sendo que a autoridade administrativa exerce atividade vinculada à Lei e deve observar a Lei, mantendo o lançamento. Quanto à diferença de correção monetária do IPC/BTNF, a decisão ficou assim epplekitada. (i) 2 Processo n° 10120.001225/2005-93 SI-C1T1 Resolução n ° 1302-00.,058 Fl. 3 LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR Os autos possuem provas suficientes da existência de saldo de lucro inflacionário não realizado, decorrente da correção pela diferença IPC/BTNF do lucro Pronunciou-se a DM no sentido de manter o entendimento do órgão administrativo de que há lucro inflacionário a realizar,e da falta de recolhimento do imposto apurado na DIPJ/2001 e DIPJ/2002, bem como por manter o lançamento na parte relacionada ao débito declarado em DCTF e confessado como devido e não pago. Urna vez ciente da decisão, o recorrente reforça as razões alegadas em sua impugnação, quais sejam: (i) O SAPLI não é meio hábil para provar a existência de lucro inflacionário. (ii) Houve cerceamento no direito a ampla defesa, bem como inversão do ônus da prova. (iii) A tributação da cota mínima de lucro inflacionário pelo IRPJ é ilegal posto que não consiste em acréscimo patrimonial disponível e realizado. (iv) A contribuinte não efetuou a correção monetária do IPC/BTNF razão pela qual está incorreto o aumento do saldo de lucro inflacionário nessa proporção. (v) Pediu por fim a nulidade do lançamento fiscal ou sua improcedência, É o Relatório. 3 Processo n° 10120.001225/2005-93 si-C111 Resolução n." 13O2-00.058 Fl. 4 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento., É meu entendimento que o SAPLI, no geral, é um instrumento que compila as informações prestadas em declarações pela contribuinte bem como resultado de processos administrativos fiscais, no caso, relacionados ao saldo de lucro inflacionário a realizar. O SAPLI faz automaticamente apenas as correções monetárias e eventuais intervenções manuais da autoridade no saldo de lucro inflacionário ficam registradas no SAPLI, É fato que há jurisprudência deste Conselho afastando o valor probante dessas intervenções e alterações manuais, quando não há documentos comprobatórios ou explicações hábeis que suportem as alterações efetuadas Por outro lado, neste caso específico, as alterações manuais do saldo de lucro inflacionário favoreceram a contribuinte reduzindo referido saldo de lucro inflacionário. Mais ainda, tiveram sempre relação com processos administrativos fiscais devidamente citados no SAPLI e, portanto, de conhecimento da contribuinte. O único ajuste manual adicional efetuado no SAPLI teve relação com a DIPJ retificadora não capturada automaticamente pelo sistema. Tal DIPJ retificadora consta do processo e respalda a intervenção feita de oficio. Nesse sentido, não vejo neste caso razão para afastar o valor probante do SAPLI, como compilação das informações fornecidas em DIN acerca do saldo de lucro inflacionário a realizar. Não vejo portanto qualquer irregularidade no procedimento fiscal e não resta caracterizada a inversão do ônus da prova. O lançamento atende a todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e artigo 142 do Código Tributário Nacional e, nessa linha, é integralmente válido. A contribuinte demonstrou pleno conhecimento dos fatos contra ela apostos inclusive alegou desconhecer o saldo de correção monetária do IPC/BTNF constante do SAPLI, nesse sentido, não houve cerceamento do direito de defesa. Não há, portanto, causa de nulidade no lançamento fiscal. Vale observar que, com o fim do mecanismo de correção monetária, a legislação tributária ordinária passou a exigir a realização mínima do lucro inflacionário, conforme legislação compilada no artigo 449 do Decreto 3,000/99, independentemente da venda ou depreciação ou outra forma de realização do ativo permanente. A Lei Ordinária atende ao princípio da tipicidade disposto no artigo 97 do Código Tributário Nacional, tendo competência para detalhar a matéria em questão. Como essa realização presumida do lucro inflacionário é exigida por Lei competente, cabe a este Conselho admitir sua constitucionalidade e aplicar o dispositivo regente, conforme jurisprudência assente. No mais, não compete ao Conselho pronunciar-se sobre matéria de inconstitucionalidade de Lei. "Súmula do 1° CC n.° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." " Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103-23.572 em 18.09.2008 IRPJ Ex(s) 1998 L. 4 Processo n° 10120.001225/2005-93 SI-C1 TI Resolução ° 1302-00.058 Fl. 5 IRP.I CUCRQ::INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO .1v1/NIMA - A pai cela mínima de ,-ealização do lucro : iiiflOpienOrio !acumulado deve ser reconhecida a cada período de apuração na forma prevista pela legislação vigente. Por fim, volto à discussão relacionada à diferença de correção monetária de IPC/BTNF. Essa correção de saldo de lucro inflacionário foi feita automaticamente pelo sistema SAIU, aumentando o valor do lucro inflacionário por realizar. Conforme explanação havida em decisão da DRJ relacionada ao processo 13116.001423/2001-81, a contribuinte não registrou esse saldo de correção monetária em sua escrita. Excluindo essa diferença IPC/BTNF, a eontribuinte teria realizado integralmente o saldo de lucro inflacionário conforme informação em sua DIPJ relacionada ao ano-calendário de 1993, mais precisamente no mês de agosto de 1993. Se essas observações comprovarem-se verdade, é indevida a tributação do lucro inflacionário que hoje só se fundamenta na diferença de IPC/BTNF. Quando a empresa corrigia o saldo de imobilizado, por exemplo, aumentava o valor de seu ativo e a diferença para o aumento do valor do passivo que era passível de correção consistia no saldo credor de correção monetária, uma receita temporariamente excluída da tributação. Assim, essa receita deveria ser oferecida à tributação no futuro, à medida em que os ativos que foram corrigidos monetariamente fossem realizados, por meio de depreciação ou venda. Acontece que, se o valor do ativo ficou maior em função da correção monetária, essa correção aumentaria também a futura despesa de depreciação ou o futuro custo de venda do bem. Então, fazia sentido que a receita de correção monetária fosse oferecida à tributação à medida da realização da depreciação ou venda do bem, para contrapor a despesa ou o custo incrementados. Esse mecanismo em tese geraria a neutralidade da tributação. Por outro lado, se a empresa deixou de aumentar o valor de seus ativos pela correção monetária de diferença IPC/BTNF, não caberia a ela tributar qualquer tipo de receita nesse sentido, posto que tal receita seria também inexistente no mundo dos fatos. Tanto mais, se realmente houve a quitação em cota única do saldo de lucro inflacionário no mês de agosto de 199.3, caberia à autoridade fiscal até o ano de 1998 revisar a opção feita pela contribuinte. Caso a contribuinte tivesse deixado de quitar, em parte, o imposto de renda devido sobre o saldo de lucro inflacionário em cota única, em descordo com sua opção fiscal, caberia então lançamento complementar. Por outro lado, o lançamento feito em 2005 decorrente de saldo de lucro inflacionário não realizado em agosto de 1993 e que deveria então ter sido realizado em cota única, por opção da contribuinte, restaria caduco por força do parágrafo 4 `) do artigo 150 do Código Tributário Nacional e da Súmula 10 do CARF. Assim vem entendendo o Conselho. 1' Conselho de Contribuintes / Ia. Câmara / ACÓRDÃO 101-96944 em 19,09.2008 IRPJ Ex(s).- 1999 Assunta Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário:- Ementa : LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇO INTEGRAL. .. . . . INCENTIVADA: DECADÊNCIA. A realização integral incenfivatla do lucro figlacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (art. 31, V, da Lei 8,541/92), em cota única, constitui lançamento da modalidade 6 Processo n° 10120.001225/2005-93 SI.-C11- I Resolução n ° 1302-00.058 Fi 6 homologação, cujo termo inicial de contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador (art. 150, §4 0, do CTN). I" Conselho de Contribuintes / 8a, Câmara / ACÓRDÃO 108-09.621 em 28.05.2008 IRPJ - Exs- 2001 e 2002 DECADÊNCIA - CONTAGEM DE PRAZO - REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO . INFLACIONÁRIO - APLICAÇÃO DA SUMULA N 10 - O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de aputação de sua efetiva realização do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. REALIZAÇÃO OPCIONAL E INTEGRAL DO SALDO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - Comprovado o exercício da opção. . pelo contribuinte de realização integtal incentiyada do lucro inflacionário acumulado, não se há de exigir o recolhimento de parcela mínima obrigatória em data posterior 1° Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 101-96,261 em 08.08.2007 IRPJ Ex(s). 1997 a 2001 Por essas considerações, vejo a necessidade de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal preparadora possa proceder, por favor, às seguintes providências. 1 — Obter junto à contribuinte um ou mais dos seguintes documentos: balanços, balancetes, razões contábeis, livros de registro auxiliares ou qualquer outro elemento pertinente a respeito da contabilidade da contribuinte no ano-calendário de 1991, para verificar se houve cômputo de correção monetária com base no índice de correção monetária pela diferença entre IPC/BINF. Anexar ao processo, desses documentos, apenas aqueles que sozinhos sejam suficientes para determinar a existência ou não de correção monetária de balanço relacionada à diferença IPC/BTNF. 2 - Caso tais informações (item 1) já não estejam disponíveis, obter informações de mesma natureza relacionadas aos anos seguintes (1992 a 1999, por exemplo), para verificar, por meio das contas relacionadas ao ativo imobilizado, se houve nos anos seguintes registro contábil de efeitos decorrentes da depreciação de diferença de correção monetária do IPC/BTNF. Anexar ao processo, desses documentos, apenas aqueles que sozinhos sejam suficientes para determinar a existência ou não de correção monetária de balanço relacionada à diferença IPC/BTNF. 3 — Obter o LALUR da empresa e verificar nele se houve registro de lucro inflacionário pela diferença de correção monetária IPC/BTNF em 1991 e se houve registro da realização do saldo integral de correção monetária registrada no LALUR em agosto de 1993. Anexar a este processo as fichas da parte A do LALUR relacionadas aos anos-calendários de 1991 e 1993, bem corno as fichas da parte B do LALUR relacionadas ao aumento e realização do saldo de lucro inflacionário, A/MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora Processo n° 10120001225/2005-9,3 SI-C1T1 Resolução n 0 1302-00.058 Fl 7 4 - Se estiver disponível, obter e anexar ao processo o documento de arrecadação relacionado ao pagamento do imposto de renda sobre o saldo de lucro inflacionário em agosto de 1993. 5 — Se estiver disponível, obter e anexar ao processo a declaração de imposto de renda da empresa do ano-calendário de 1991. 6 — Efetuar relatório de diligência acerca dos itens 1 e 5, concluindo se houve ou não houve registro contábil da correção monetária IPC/BTNF na escrita da empresa, se houve ou não registro no LALUR e na DIPJ dessa diferença de correção monetária, se houve ou não a realização integral do saldo de lucro inflacionário constante do LALUR em agosto de 1993. No relatório, esclarecer quaisquer outros pontos ou informações que entender necessários para o deslinde deste processo. 7 — Intimar a contribuinte apresentando o relatório de diligência citado no item 6 e os documentos que o suportam, para que se manifeste expressamente, concedendo-lhe prazo para tanto. 8 — Anexar eventual resposta da contribuinte a este processo, em conjunto com os documentos citados nos itens 1 a 7 e devolver o presente processo para este Conselho tal que o julgamento possa prosseguir. É como voto. 7
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Numero do processo: 11522.002362/2007-47
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.057
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que seja, direcionado ao Relator, por conexão, o PAF n. 11522.002361/200701, lançamento do qual decorreu os autos de infração deste PAF.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que seja, direcionado ao Relator, por conexão, o PAF n. 11522.002361/2007 01, lançamento do qual decorreu os autos de infração deste PAF. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente momentânea do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11522.002362/200747 Resolução n.º 1301000.057 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório A empresa acima qualificada, inconformada com a decisão de julgamento em primeira instância a qual considerou o lançamento procedente, recorre voluntariamente a este Colegiado objetivando a reforma do quanto decidido. Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: “Versa o presente processo sobre autos de infração, relativos a cobrança de COFINS (fls. 177/187) e de PIS (fls. 188/198), apoiados no termo de verificação fiscal de fls. 157/173 e nos demonstrativos de fls. 174/176. Os lançamentos dizem respeito a contribuições sociais dos períodos de 01/2003 a 12/2004. De acordo com a descrição dos fatos, o motivo da autuação foi a falta/insuficiência de valor recolhido da contribuição social. 2. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou sua impugnação em 09/11/2007, fls. 205/215, alegando o seguinte: a) Ocorreu vício formal pela falta de detalhamento da base de cálculo tendo em vista que o levantamento fiscal efetuado é da Filial, e não consta nos autos elementos que possam nortear com precisão a defesa; b) Não consta nos cálculos, individualização por modalidade de tributação, vez que • há dois procedimentos: primeiro, do período em que estava no Simples, com impostos sendo calculados com base no faturamento, segundo, do período desenquadrado pelo excesso, o qual será calculado a partir de um lucro apurado. Da forma como está não transmite clareza, violando a ampla defesa; Os tributos foram calculados sobre a égide do Simples e posteriormente também calculados pelo Lucro Presumido, ocasionando o bis in idem. Há tributos apurados nos meses de janeiro, fevereiro e março, que foram calculados pelas duas modalidades citadas; c) Não consta nos autos, elemento indicativo da origem dos valores atribuídos tanto na valoração, quanto na percentagem de cada modalidade de tributação, que possa aferir os cálculos apresentados. O lançamento não pode valerse de sua própria dúvida; d) Inexiste na legislação tributária, dispositivo que por presunção, ou seja, demonstrado apenas em relatório subjetivo sem nenhuma eficácia jurídica, autorize o lançamento de tributo; O Auto de Infração careceu de clareza quanto a demonstração da disponibilidade de caixa originada de receitas; e) No afã de criar créditos tributários, o fiscal autuante violou os mais elementares princípios da profissão contábil, o da continuidade e o da competência; f) Lembra o art. 59 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972, sobre nulidade; Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11522.002362/200747 Resolução n.º 1301000.057 S1C3T1 Fl. 3 3 g) Aduziu decisões administrativas e judiciais. h) Pede pela perícia com o objetivo de esclarecer os pontos controvertidos, caso seja necessário; i) Pede que seja comunicado este patrono de todas as decisões deste, no endereço apresentado, conforme procuração anexa; j) Pede pela improcedência do Auto de Infração.” Transcrevo, ainda, a ementa prolatada na decisão recorrida AC/DRJ/BHE 01 13.825, de 05/05/2009, às fls. 232): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n°11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de diligência e de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação de diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento da contribuição social constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação de diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento da contribuição social constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11522.002362/200747 Resolução n.º 1301000.057 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro: Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inicialmente, convém consignar que em decisão da Terceira Seção de Julgamento foi declinada a competência nos termos da ementa que a seguir transcrevo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES.” No recurso interposto a interessada repete as argumentações da manifestação de inconformidade aduzindo: “O julgamento "a quo", optou pela mantença parcial do lançamento fiscal que em sua totalidade, o AI n° 0230100/00024/06, aponta para um total de R$ 3.054.892,81 (Três milhões cinqüenta e quatro mil oitocentos noventa e dois reais, e oitenta e um centavos ), assim distribuídos: IRPJ R$ 33.017,18, PIS R$ 300.317,59, CSLL R$ 453.401,23 e COFINS R$ 1.368.156,811, TOTAL R$ 3.054.892,811. A ele se reporta em toda sua trajetória alegando apuração de imposto de renda e das contribuições não pagas nos meses de Janeiro àDezembro de 2003 e 2004 e por via de conseqüência, expedindo o Auto de Infração digase de passagem com o mesmo numero. Em primeiro lugar, não pode desconsiderar o fato de que o AI n° 0230100/00024/06, de 23/08/2007, foi dado a ciência em 30/08/2007, referente o exercício de 2002. Ocorre que (sessenta) 60 dias depois, em 05/10/2007, foi dado continuidade no mesmo AI n° 0230100/000246, ciente em 18/10/2007, desta feita referente o exercício de 2003 e 2004. Razão pela qual denominado de "2° etapa". Em Segundo lugar, deve atentarse para o fato de que o primeiro AI, lavrado em 23/08/2007, deu origem ao PAT n° 11522.002116/200795, julgado no ACORDÃO 01 11.218 da 2° Turma da DRJ/BEL. Observe que o mesmo AI, (2° etapa) desta feita lavrado em 05/10/2007, deu origem a um novo PAT n° 11522.002362/200747, julgado no ACORDÃO 0113.825 da 3° Turma da DRJ/BEL, 2 (dois) PAT, para um único AI, este fato foi levantado na impugnação, e não trazido no julgamento do Acórdão ora mencionado. Portanto, Omisso. Dessa forma, há de se indagar; como pode tomar em ciência, um Auto de Infração parcialmente encerrado?. Assim, indiscutível é, que criou óbice ao direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11522.002362/200747 Resolução n.º 1301000.057 S1C3T1 Fl. 5 5 Em Terceiro lugar, como já dito e nunca é demais repetir, todos os cálculos foram efetivados sobre uma base de cálculo constituída na contra mão da lei, na imposição do LUCRO ARBITRADO, totalmente em desacordo com o que determina o art. 531I, do RIR, e IN SRF n° 93/97, art. 47, que diz: "arbitramento previstos na legislação tributaria só é cabível na ocorrência de qualquer uma das hipótese" Omisso no acórdão, silenciou, consentiu. Até porque, o próprio auditor atesta que recebeu os documentos. E é neste contexto, que repousa o mais flagrante de todos os vícios formais e materiais do lançamento, tornandoo imperfeito, e por via de conseqüência sem a liquidez e certeza.” Nos autos em apreço o ilícito decorreu da apuração de insuficiência de recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS (AC 2003 e 2004), em decorrência da exclusão da pessoa jurídica do Simples com efeitos a partir de 01/01/2003, conforme demonstrativos de apuração às fls. 174/176 a Auto de Infração de fls. 177/198. Aqui cabe esclarecer a existência do processo administrativo n° 11522.002053/200777, o qual trata especificamente da Representação Fiscal para exclusão do Simples, ressaltando que o mesmo encontrase arquivado na DRF/Rio Branco, pelo que depreendese da não existência de recurso com relação à exclusão. Outro processo de n° 11522.002116/200795 referente ao auto de infração do SIMPLES do ano da exclusão (AC/2002), já julgado, só tratou dos lançamentos dos créditos tributários, nada com relação à exclusão em si. Por fim, importante salientar que encontrase no SECOJ/SECEX/CARF na situação “Aguardando distribuição/sorteio”o processo administrativo n° 11522.002361/2007 01 que trata do auto de infração do IRPJ e CSLL, do mesmo período de apuração do presente processo ora em apreço (AC/2003 e 2004). Resta evidente, assim, que identificada conexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser julgados conjuntamente no sentido de que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que o processo n 11522.002361/200701, pendente de sorteio e distribuição, seja por conexão direcionado a este Relator. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15504.020400/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.167
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 629 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/BHE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para manter parcialmente o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Matéria nãolitigiosa. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Depósitos Bancários. Omissão de Receitas. Não subsiste a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origens não comprovadas, quando o sujeito passivo apresenta provas das origens dos recursos creditados em sua conta bancária, não tendo Fisco aprofundada a sua análise. Receitas da Atividade. É cabível a tributação das receitas de prestação de serviços com emprego de materiais, cujo percentual do lucro presumido é de 8%, uma vez que a correspondente receita está escriturada, mas não declarada. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/07, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 976.902,09, cumulado com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes calculados até 30/11/2009. Em decorrência desse procedimento principal, foram também formalizados os seguintes lançamentos reflexos, a saber: Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 12/15), no valor de R$ 82.039,30, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2009. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 630 3 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins fls. 20/23), no valor de R$ 378.643,52, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2009. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 28/33), no valor de R$ 156.104,10, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2009. Lançamento do IRPJ e Reflexos. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor referente a depósitos e investimentos, realizado junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 002 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO OU ADMINISTRAÇÃO DE BENS MÓVEIS Receita da prestação de serviços de locação ou administração de bens móveis, juntamente com a receita na prestação de serviços sem emprego de materiais, escrituradas e não declaradas, apuradas conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexado a este auto de infração. (...) 003 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 RECEITAS DA ATIVIDADE Receita da atividade, prestação de serviços de construção de estradas com emprego de materiais, escriturada e não declarada, apurada conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexado a este auto de infração. (...) 004 – APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO – A PARTIR DO AC 93 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO Aplicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços sem o emprego de materiais, quando o correto seria 32%, de acordo com TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexado a este auto de infração”. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 37/53). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. 3. Dos Fatos e Do Enquadramento Legal. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 631 4 A Fiscalizada tem por objeto social a incorporação de prédios em condomínio, construção civil de obras viárias, terraplenagem, pavimentação, drenagem, obras civis do meio ambiente, barragens e represas, edificações residenciais, industriais, comerciais e serviços, construção de rede de água e esgoto, demais obras de engenharia civil e prestação de serviços de locação de equipamentos leves e pesados (documentos de fls. 74/77; 7º Alteração Contratual). No Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 62/64), foi solicitado ao contribuinte apresentar documentos, extratos bancários, livros fiscais e contábeis e outros elementos da sua escrituração. Em resposta, foram apresentados documentos, livros fiscais e contábeis, extratos bancários e planilhas (vide documento de fls. 65/67). A empresa ALICERCE EMPREENDIMENTOS LTDA foi intimada a apresentar as vias originais das notas fiscais das compras efetuadas junto à empresa REAL IBIZA EMPREENDIMENTOS LTDA, no ano de 2005 (fls. 236/237). A Intimada apresentou, então, a relação das notas fiscais dos serviços prestados pelo contribuinte juntamente com as vias originais (fls. 238/243). A Fiscalização, de posse dos extratos recebidos, relativos ao anocalendário de 2005, elaborou a planilha CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPROVAÇÃO, conta do Banco Mercantil do Brasil, Agência nº 0295, conta nº 020200289, digitando os valores dos depósitos bancários retirados dos extratos, excluindo os valores das transferências e dos empréstimos, presentes em planilhas apartadas para a devida comprovação. Em 25/08/2009, o contribuinte foi intimado (fls. 244/248) a comprovar, por meio de documentação hábil, as operações constantes da tabela do item 1 (efetuadas como sendo de Transferência entre contas de mesma titularidade); as operações constantes do item 2 (Contratos de Empréstimos); e para cada um dos créditos, informar a origem dos recursos que possibilitou as operações de depósitos bancários, bem como sua contabilização, relacionados na planilha CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPROVAÇÃO. Em 08/09/2009, respondendo, o contribuinte apresentou os contratos de empréstimos, uma planilha explicando como foram pagos tais empréstimos, confeccionada pelo próprio banco, uma planilha justificando os depósitos bancários e os contratos de SCP que geraram depósitos em conta corrente ( fls. 249/259). Os empréstimos bancários foram devidamente comprovados inclusive o seu respectivo pagamento. Com relação aos valores constantes da tabela do item 1, do Termo de Intimação Fiscal nº 02, esses não são transferências entre contas de mesma titularidade, como descrito no extrato bancário, mas sim receitas provenientes do Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SCP, firmado entre a empresa Egesa Engenharia S/A, CNPJ nº 17.186.461/000101, e a empresa Real Ibiza Engenharia Ltda, em 07/01/2004. De acordo com o referido contrato, tendo a Egesa vencido licitação para execução de serviços de melhoramentos e restauração da rodovia BR 265, as sócias tem interesse mútuo em compartilhar a obra, resolvendo assim firmarem esse contrato, dando à sociedade o nome de Sociedade Barroso (fls. 253/259), cujos recebimentos, via depósito bancário, constam da tabela (constante do TVF). Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 632 5 Na Cláusula Terceira do referido contrato, foi estipulado que as sócias participarão nas responsabilidades, direitos e obrigações nos custos, nos lucros e perdas, a qualquer tempo e nos recebimentos e pagamentos, na proporção de suas respectivas participações na Sociedade Barroso, que é de 50%, para cada uma; e os recebimentos oriundos da execução dos serviços serão efetuados em conta especialmente aberta para esta finalidade, movimentada exclusivamente por dois procuradores, sendo um de cada parte. Para comprovar a transferência de mesma titularidade e que os recursos foram oferecidos à tributação, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 03, fls. 260/269) a (i) apresentar os extratos bancários da conta especialmente aberta para os recebimentos oriundos da execução dos serviços objeto da Sociedade Barroso, comprovando ainda que as correspondentes receitas foram oferecidas à tributação; (ii) além de comprovar de que os depósitos bancários decorrentes das receitas provenientes dos contratos de SCP, com a Construtora Melo de Azevedo Ltda, a Vilasa Construtora Ltda, a Alicerce Empreendimentos Ltda e do Consórcio QGTER, firmado também com a Egesa, anexando ao referido termo a planilha DEPÓSITOS BANCÁRIOS, onde constam os depósitos bancários de origem já comprovados, e os valores a lançar, que são os valores dos depósitos bancários de origem ainda não comprovados e as receitas provenientes dos contratos SCP, constantes também na planilha RECEITAS DAS SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO anexa. Respondendo, apresentou o contribuinte o extrato do Banco Mercantil do Brasil, Ag. 0295, conta nº 020410946, cujo cliente é a Egesa, juntamente com uma planilha contendo os valores de receita da Obra Barroso, uma memória de cálculo do IRPJ – lucro presumido e da CSLL, tudo no CNPJ da Egesa, e as memórias de cálculo dos tributos federais e os comprovantes dos referidos pagamentos dos outros contratos de sociedade em conta de participação solicitados (fls. 270/288). Em todo os contratos de SCP, restou comprovado que os tributos federais foram recolhidos, exceto no contrato SCP firmado entre o contribuinte e Egesa, na Sociedade Barroso, onde o contribuinte é o sócio oculto. Com relação à Sociedade Barroso, o contribuinte foi intimado a apresentar o extrato bancário da conta especialmente aberta para os recebimentos oriundos da execução de serviços, objeto da Sociedade Barroso, juntamente com a comprovação de que as receitas já foram oferecidas à tributação federal. No entanto, ao responder à intimação, apresentou o extrato bancário do Banco Mercantil do Brasil, Ag. nº 0295, conta nº 020410946, cujo cliente é a Egesa Engenharia S/A, juntamente com uma planilha contendo os valores de receita da Obra Barroso. Consultando o extrato, a Fiscalização verificou que não se trata de conta aberta especialmente para o recebimento da prestação de serviços da Sociedade Barroso, pois os valores constantes da resposta do contribuinte como sendo os recebidos da Sociedade Barroso, não aparecem nos extratos, além do que são depositados na conta valores muito superiores aos fornecidos pelo contribuinte como sendo faturamento da Sociedade Barroso. Ou seja, os valores depositados (creditados) na conta do contribuinte não foram debitados na conta da Egesa, cujo extrato foi apresentado como sendo da Sociedade Barroso. Em 25/11/2009, o contribuinte complementou a sua reposta anterior apresentando os livros Diário e Razão, do anocalendário de 2005, Sociedade Barroso e um email enviado pelo Banco explicando que as transferências de mesma titularidade referemse aos recursos que a Real Ibiza recebia de seus clientes, depositados em uma conta caução, e que eram transferidos integralmente para a conta corrente da empresa (fls. 380/382). Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 633 6 Analisando a conta Bancos escriturada pela Sociedade Barroso, o Fisco constatou que a conta Bancos Conta Movimento, código reduzido nº 17084 é do Banco do Brasil, Agência nº 00620, contacorrente nº 264997. Não se confirma a alegação do contribuinte que os valores depositados são provenientes da Sociedade Barroso, pois os recursos não saem da conta corrente nº 264997, do Banco do Brasil, da Sociedade Barroso, conforme lançamentos contábeis (fls. 383/414). Sendo assim, não foram comprovadas as origens dos recursos depositados em sua contacorrente, mas que são recursos depositados por clientes. 3.1 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada – Omissão de Receitas. Todos os valores dos depósitos bancários cujas origens restaram comprovadas foram considerados pela Fiscalização, deduzidos das planilhas de depósitos bancários, sobrando, assim, os valores dos depósitos bancários sem origens comprovadas. O contribuinte apresentou DIPJ/2006, com a forma de tributação pelo lucro presumido. Como o contribuinte efetuou a prestação de serviços em atividades diversificadas, tornase impossível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida proveniente dos depósitos bancários, a Fiscalização aplicou o percentual mais elevado, de 32%,sobre o total mensal dos depósitos bancários. 3.2 Receita na Prestação de Serviços com emprego de Materiais. A Fiscalização, de posse das notas fiscais dos serviços, confeccionou a Planilha NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS PRESTADOS COM EMPREGO DE MATERIAIS, onde apura os valores mensais, sobre os quais aplicou o percentual de 8%, para determinação do lucro presumido. 3.3 Receita na Prestação de Serviços com Emprego Unicamente de Mão de Obra. Dentre as notas fiscais dos serviços prestados, o Fisco constatou que algumas referemse à construção por empreitada, onde não houve o fornecimento de materiais. Sobre os valores dessa receita, aplicou o percentual de 32%, conforme determina a legislação fiscal pertinente. 3.4 Notas Fiscais de Serviços Prestados de Locação de Máquinas e Equipamentos. O contribuinte emitiu notas fiscais de serviços de locação de máquinas e equipamentos, sem a devida declaração, já que utilizou somente o coeficiente de 8%. Sobre os valores dessa receita, o Fisco aplicou o percentual de 32%, conforme determina a legislação fiscal pertinente. 3.5 Tributação Reflexa: Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Fiscalização, com base no art. 20, da Lei nº 9.249, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003,determinou a base de cálculo da CSLL, aplicando o percentual de 32% sobre as receitas de serviços sem emprego de material e de locação Fl. 633DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 634 7 de máquinas e equipamentos; e sobre os depósitos bancários de origens não comprovadas o de 12%. Foi elaborada a Planilha “DEMONSTRAÇÃO DE SITUAÇÃO APURADA – IRPJ/CSLL – LUCRO PRESUMIDO” (fls. 61). Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 22/12/2009, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 21/01/2010, mediante o instrumento de fls. 418/430. Adiante compendiamse suas razões. I Tempestividade Inicialmente, o Impugnante ressalta a tempestividade da defesa apresentada. II – Dos Fatos e Do Direito Verificase no TVF, item 3, “Dos Fatos e Do Enquadramento Legal”, que o Fisco equivocouse quanto ao fatos e documentação apresentada, levandoo a cometer erro em sua conclusão. A Fiscalização laborou em equívoco ao lavrar o Auto de Infração, ora impugnado, tendo em vista que os depósitos têm origens comprovadas e que os respectivos tributos foram devidamente quitado pela Egesa Engenharia, sócia ostensiva da Sociedade Barroso, conforme passamos a demonstrar. Esclarece que não foi aberta uma conta específica para a movimentação financeira da Sociedade Barroso. Mas este fato não impediu que as NF referentes à obra realizada por esta SCP fossem emitidas, que os impostos fossem devidamente recolhidos e que as transações financeiras de débitos e créditos referentes a tal sociedade fossem realizadas. Conforme restará provado por toda documentação anexa, a sócia ostensiva, Egesa Engenharia, recebia todos os créditos relativos a esta obra e repassava os valores líquidos devidos à sócia oculta, após descontar todos os tributos. O Impugnante apresenta novamente o extrato bancário onde constam os recebimentos referentes à SCP Barroso, qual seja, a C/C 020410946 do Banco Mercantil (doc. A até A13). Por questões administrativas internas da Egesa, apesar desta conta ser referente à SCP Barroso, não era utilizada apenas para movimentações desta obra, mas também para outras movimentações financeiras da Egesa Engenharia. Neste extrato, podemos ver que os valores recebidos pela Sociedade Barroso aparecem claramente até o mês de julho (valores líquidos após retenção dos impostos federais pela fonte pagadora). A partir de agosto, os recebimentos relativos à Sociedade Barroso continuaram a ser creditados na mesma conta. Porém, ainda por motivos administrativos internos da sócia ostensiva, tais créditos foram efetivados junto com recebimentos de outras obras exclusivas da EGESA, eis o motivo pelo qual os valores relativos à SCP Barroso não aparecem em separado no extrato. Por outro lado, é de extrema importância esclarecer que, embora os valores relativos à Sociedade Barroso tenham sido creditados na conta corrente acima referida, no Banco Mercantil, de titularidade da Egesa, os repasses feitos à Real Ibiza foram debitados de outra conta de titularidade da sócia ostensiva, Egesa, qual seja: Banco do Brasil, Ag. 33928, conta 36.1089 (doc. B até B6). Assim, equivocouse o Fisco, no TVF (trecho transcrito na defesa). Fl. 634DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 635 8 Comprovando o que expusemos acima, apresentamos o extrato da conta 36.108 9, do Banco do Brasil, de titularidade da Egesa (doc. B até B6), onde encontramse grifadas em amarelo todas as transferências feitas em favor da sócia oculta, Real Ibiza, ora Impugnante. Todas estas transferências encontramse nos extratos da conta 02 0200289, do Banco Mercantil de titularidade da Real Ibiza (doc. D até D14). Aqui cabe um parêntese para dirimir qualquer dúvida que eventualmente possa existir em relação à conta do Banco Mercantil de titularidade da Real Ibiza: todos os recebimentos referentes à Sociedade Barroso eram inicialmente creditados em uma conta caução em nome da Real Ibiza, c/c 090202835 (doc. C a C4) e,depois, repassados para a conta indicada no parágrafo anterior, também em nome da Real Ibiza. Tal procedimento, conforme esclarecido pelo gerente da conta, era adotado em virtude de um empréstimo bancário contraído pela Real Ibiza junto a esta instituição bancária. Quanto ao recolhimento dos tributos, era a sócia ostensiva que os realizava, ou melhor, o próprio órgão contratante – DNIT – fazia a retenção automática dos impostos destacados ao quitar as Notas Fiscais referentes à SCP. Deve ficar registrado que a ora Impugnante, para fins de atender à Fiscalização, solicitou à sócia ostensiva, Egesa, cópia dos comprovantes dos pagamentos dos tributos. Entretanto, conforme resposta recebida (doc. E e E1), abaixo transcrita, a Impugnante até o presente momento não obteve tais documentos. “Luciana, o DNIT fez a retenção de PIS/COFINS e IR, portanto, não houve recolhimento desses tributos em função dessas retenções. Solicitamos ao nosso setor de Contas a Receber que nos seja repassado o comprovante de tais retenções pelo Órgão, isso demanda certo prazo, pois é feito em Brasília”. Destarte, como a obrigação pelos recebimentos dos créditos e o recolhimento dos respectivos tributos ficava a cargo de terceiro, ou seja, a sócia ostensiva, a Impugnante requer desde já o deferimento para juntada dos referidos comprovantes de retenções assim que o DNIT os disponibilizar para a Egesa, com base na “a”, § 4º, art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. Não obstante, a Impugnante passa a demonstrar detalhadamente o recebimento dos créditos em favor da Sociedade Barroso pela sócia ostensiva e, ainda, a forma pela qual a sócia ostensiva repassou os valores referentes à parte da Impugnante. Conforme já exaustivamente esclarecido, ressaltamos uma vez mais que a sócia ostensiva, Egesa, recebia do DNIT na conta do Banco Mercantil do Brasil, Ag. 0295, c/c 020410946 (doc. A até A13) e repassava a parte da Impugnante através da conta do Banco do Brasil, Ag. 33928, c/c 36.1089 (doc. B até B6). Registrase, novamente, que em virtude de empréstimo entre o Banco Mercantil do Brasil e a ora Impugnante, todo o recebimento relativo à Sociedade Barroso (SCP) deveria ser feito, inicialmente, na conta caução e, em seguida, transferido para a conta corrente normal, ambas em nome da Real Ibiza. Assim, creditavase na conta caução e posteriormente transferia para a conta bancária normal. DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS CRÉDITOS Nessa parte da defesa, a Impugnante expõe os argumentos e indica as provas anexadas aos autos acerca das origens dos créditos bancários que a Egesa, conforme débitos em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil, repassou para a Impugnante, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Fl. 635DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 636 9 Mercantil do Brasil. Posteriormente, os créditos foram transferidos para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Parte relativa aos demais recebimentos relacionados às fls. 52/55: Na planilha fiscal (fls. 52/55), além dos créditos relativos à SCP “Sociedade Barroso”, foram relacionados mais 15 (quinze) créditos que supostamente não teriam origem comprovada. Desses, 03 (três) não foram impugnados, sendo parte não litigiosa (como já mencionado). Quantos aos demais, em total de 12 (doze), a Impugnante, salientando que apesar de o Fisco não tecer, no TVF, comentários específicos sobre tais créditos, apresenta suas razões para origem de cada um deles. 003 – RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITAS DA ATIVIDADE A Impugnante não concorda com o lançamento decorrente deste item, pois o próprio Fisco, no TVF, disse que as NFs foram conferidas, referindose à prestação de serviço com inclusão de materiais, tendo sido tributadas corretamente. III – Do Pedido Pelo exposto e comprovado nos autos, requer sejam julgados improcedentes os lançamentos, constando tãosomente os valores não impugnados, requerendo, desde já, seu parcelamento. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo desde já o deferimento para juntada de novos documentos, caso necessário, com base no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235, de 1972. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, a impugnante comprovou a origem de vários depósitos bancários, sendo que a fiscalização não aprofundou a investigação para verificar se quanto a eles foi efetuada a correta tributação, limitandose ao fato presuntivo. Isto se deu porque a impugnante era sócia oculta da “Sociedade Barroso”, que tinha por sócio ostensivo a Egesa Engenharia S/A, e seus recebimentos provinham daí, consubstanciandose em repasses de recursos obtidos pela sócia ostensiva em obras realizadas. A impugnante, ademais, reforçou seus argumentos com provas de que os depósitos têm origens comprovadas. É o relatório. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 637 10 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. A recorrente é sócia oculta da “Sociedade Barroso”, uma SCP que tem por sócio ostensivo a Egesa Engenharia S/A. Reproduzo aqui o trecho do voto condutor que declinou as razões da exoneração: O Fisco, de posse dos extratos bancários do ano de 2005, confeccionou a planilha “CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPROVAÇÃO” Banco Mercantil do Brasil, Agência nº 0295, conta nº 020200289 (vide documentos de fls. 54/57). Posteriormente, intimou o contribuinte (fls. 244/248) a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as operações constantes da Tabela, contida no item 1, desse termo, ressaltando que, de conformidade com o histórico do correspondente extrato bancário, essas seriam a título de “Transferência entre contas de mesma titularidade”. A seguir, esclareceu que os valores constantes da referida Tabela 1, do Termo de Intimação Fiscal nº 02, não seriam decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, mas sim receitas provenientes do Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SCP, denominada “Sociedade Barroso” (fls. 253/259), firmado entre a empresa Egesa e a Real Ibiza, ora Impugnante, cujos recebimentos, via depósito bancário, foram especificados no quadro constante do TVF, às fls. 41. No Termo de Intimação nº 03, datado de 16/10/2009 (fls. 260/262), no item 2, a Fiscalização solicitou do contribuinte: “2. Os extratos bancários da conta especialmente aberta para o recebimento oriundos da execução dos serviços objeto da Sociedade Barroso – Sociedade em Conta de Participação entre a Egesa Engenharia S/A e a Real Ibiza Empreendimentos Ltda. juntamente com a comprovação de que as receitas oriundas da referida prestação de serviços já foram oferecidas a tributação federal”. Em anexo ao referido termo, consta a planilha “DEPÓSITOS BANCÁRIOS” (documento de fls. 263/267), onde a Fiscalização discriminou os depósitos bancários de origens comprovadas e os cujas origens ainda não estavam comprovadas, bem como as receitas provenientes dos contratos SCP, dentre as quais da “SCP Egesa” (Sociedade Barroso, quadro constante das fls. 267). Transcrevese abaixo o quadro, no qual o Fisco listou as transferências bancárias feitas pela Egesa à Real Ibiza, ora Impugnante, em decorrência da SCP – Sociedade Barroso (quadro constante das fls. 267 e 41). Fl. 637DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 638 11 SCP Egesa ia Histórico Valor em Reais 1jan Transf. Aut. Cta. M/Tit. 158.253, 72 2jun Transf. Aut. Cta. M/Tit. 600.000, 00 3jun Transf. Aut. Cta. M/Tit. 1.400.00 0,00 6jul Transf. Aut. Cta. M/Tit. 918.568, 12 6set Transf. Aut. Cta. M/Tit. 375.742, 41 1out Transf. Aut. Cta. M/Tit. 900.000, 00 7out Transf. Aut. Cta. M/Tit. 656.853, 35 Total 5.009. 417,60 Em resposta, o contribuinte apresentou: (i) extratos do Banco Mercantil do Brasil, Ag. 0295, conta nº 020410946, de titularidade da Egesa; (ii) planilha contendo os valores das receitas da Obra Barroso; (iii) uma memória de cálculo do IRPJ e da CSLL – lucro presumido; (iv) as memórias de cálculo da Cofins e do Pis/Pasep; e (v) comprovantes de pagamentos (documento de fls. 270/314). No TVF, destacou o Fisco que em todos contratos de SCP, restou comprovado o recolhimento dos tributos federais, salvo no da SCP – Sociedade Barroso, onde a Egesa é a sócia ostensivo e contribuinte é o sócio oculto. Em relação aos extratos apresentados do Banco Mercantil do Brasil, Ag. 0295, conta nº 020410946, de titularidade da Egesa, vale transcrever trechos do TVF, onde a Fiscalização relata: “Consultando o extrato, verificamos que o extrato não se trata de conta aberta especialmente para o recebimento da prestação de serviços da Sociedade Barroso, pois os valores constantes da resposta do contribuinte como sendo os recebidos da Sociedade Barroso, não aparecem nos extratos, além do que são depositados na conta valores muito superiores aos fornecidos pelo contribuinte como sendo faturamento da Sociedade Barroso. Ou seja, os valores depositados (creditado) na conta do contribuinte não foram debitados na conta da Egesa, cujo extrato foi apresentado como sendo da Sociedade Barroso. No dia 25 de novembro de 2009, complementa o contribuinte a sua reposta anterior apresentando os livros Diário e Razão, do anocalendário de 2005, Sociedade Barroso e um email enviado pelo Banco explicando que as transferências de mesma titularidade referemse a recursos que a Real Ibiza recebia de seus clientes, depositados em uma conta caução, e que eram transferidos integralmente para a conta corrente da empresa (fls. 380/382)”. Nos trechos finais do TVF, o Fisco conclui que: Fl. 638DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 639 12 “Analisando a conta Bancos escriturada pela Sociedade Barroso, constatamos que a conta Bancos Conta Movimento, código reduzido nº 17084 é do Banco do Brasil, Agência nº 00620, contacorrente nº 264997. Os valores depositados na conta do contribuinte, alegados por ele como sendo provenientes da SCP, Sociedade Barroso, não se confirma, pois os recursos não saem da conta corrente nº 264997, do Banco do Brasil, da Sociedade Barroso, conforme lançamentos contábeis (fls. 383/414). Sendo assim, não foi comprovada a origem dos recursos depositados em sua contacorrente, mas que são recursos depositados por clientes”. Contudo, no caso, não se pode deixar de notar uma incoerência da Fiscalização ao se valer da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origens não comprovadas, quando a documentação apresentada indica as origens dos depósitos em questão. Isto é, as referidas transferências bancárias saíram de uma conta de titularidade da empresa Egesa, ainda que não seja a conta contábil “Bancos”, escriturada pela Sociedade Barroso, e foram creditadas em conta de titularidade da Real Ibiza, ora Impugnante. Mais confuso, ainda, no final do trecho acima transcrito, quando salienta que os aludidos recursos foram depositados por clientes da Real Ibiza, mesmo porque tal afirmação não está respaldada em indícios ou provas constantes dos autos que a fundamentem. O que, de outro lado, levaria a uma omissão de receitas por meio direto, e não de forma indireta, como no caso das presunções legais. Mesmo assim, no caso de omissão direta, o procedimento fiscal não aprofunda a sua análise no intuito de provar que isso efetivamente ocorreu, no sentido que os aludidos recursos advieram realmente de valores pagos por clientes da Real Ibiza, em razão de serviços por ela prestados, que não foram oferecidos à tributação. Foi procedimento inadequado valerse da presunção legal (art. 42, da lei nº 9.430, de 1996), completamente inapropriada para o caso. Ora, a foi a própria Fiscalização que, em relação aos referidos recursos, afirmou que “não seriam decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, mas sim receitas provenientes do Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SCP, denominada “Sociedade Barroso””(os grifos não são do original) e elaborou quadro demonstrativo listando as referidas transferências bancárias com sendo da “SCP Egesa” (vide documento de fls. 267, primeiro quadro; também reproduzido no TVF, fls. 41). Ainda que depois tenha o Fisco tentado descaracterizar tal afirmação, no sentido que essas transferências seriam de clientes da Real Ibiza, e não decorrentes de resultados auferidos na SCP – Sociedade Barroso, na qual a Impugnante é a sócia oculta, nada há que se opor às origens desses recursos que efetivamente transitaram de conta bancária de titularidade da Egesa para conta bancária de titularidade da Real Ibiza, ora Impugnante. O art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, que embasou o lançamento, nesse item, determina que quando comprovada a origem do recurso, o qual acaso não tenha sido computado na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiver sujeito, a sua tributação sujeitarseá as normas fiscais vigentes à época em que auferido. Ou seja, comprovada a origem do recurso o Fisco para tributar, por evidente, não pode valerse dessa presunção legal, mas das normas fiscais gerais que a regulam. Como é de sabença geral, o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova. É meio de prova indireto, pois ao invocála o Fisco fica obrigado apenas a provar Fl. 639DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 640 13 o fato presumido, e não o fato gerador como descrito na lei geral. Entretanto, se inexistente o fato presumido, inexiste omissão de receitas por meio indireto, cabendo à autoridade lançadora buscar a prova direta da omissão, como, no caso do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, a própria lei determina. Por sua vez, a Impugnante, na defesa apresentada reforçou com argumentos e provas que os depósitos têm origens comprovadas. Senão vejamos. “Origem do valor de R$ 158.253,72: Em 04/01/2005, a Egesa recebeu o valor de R$ 362.514,68, crédito na conta 02 0410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A); em 07/01/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B), repassou para a Impugnante o valor de R$ 158.253,72, conforme consta da conta caução nº 09020283 5, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C). E, em 31/01/2005, o valor de R$ 158.253,72, que estava na referida conta caução (doc. C), de titularidade da própria Impugnante, foi transferido para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. D). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 158.253,72, em datas e valores coincidentes. Origem do valor de R$ 2.000.000,00: A Egesa recebeu os seguintes valores: em 13/06/2005, R$ 1.488.318,78; em 15/06/2005, R$ 4.982.507,98; e, em 28/07/2005, R$ 435.189,32, perfazendo o montante de R$ 7.258.030,55, conforme créditos constantes da sua conta bancária 020410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A6 e A7). Em 21/06/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B1), repassou para a Impugnante o valor de R$ 2000.000,00, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C1). E, em 22/06/2005 e em 23/06/2005, os valores de R$ 600.000,00 e R$ 1.400.000,00, respectivamente, que estavam na referida conta caução (doc. C1), de titularidade da própria Impugnante, foram transferidos para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. D2). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 2000.000,00, em datas e valores coincidentes. Origem do valor de R$ 918.568,12: Em 14/07/2005, a Egesa recebeu os valores de R$ 1.325.567,32 e R$ 731.362,55, perfazendo o montante de R$ 2.161.776,01, creditado na conta 020410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A8); em 22/07/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B3), repassou para a Impugnante o valor de R$ 918.568,12, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C2). E, em 26/07/2005, o valor de R$ 918.568,12, que estava na referida conta caução (doc. C2), de titularidade da própria Impugnante, foi transferido para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. D3). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 918.568,12, em datas e valores coincidentes. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 641 14 Origem do valor de R$ 375.742,41: Em 05/09/2005, a Egesa recebeu o valor de R$ 1.346.257,41 (este depósito é composto de uma parte referente à Sociedade Barroso e de uma parte referente à outra obra exclusiva da Egesa), crédito na conta 020410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A10); em 15/09/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B4), repassou para a Impugnante o valor de R$ 375.742,41, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C3). E, em 16/09/2005, o valor de R$ 375.742,41, que estava na referida conta caução (doc. C3), de titularidade da própria Impugnante, foi transferido para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. D4). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 375.742,41, em datas e valores coincidentes. Origem do valor de R$ 900.000,00: Em 18/10/2005, a Egesa recebeu o valor de R$ 6.328.763,70 (este depósito é composto de uma parte referente à Sociedade Barroso e de uma parte referente à outra obra exclusiva da Egesa), crédito na conta 020410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A11); em 21/10/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B5), repassou para a Impugnante o valor de R$ 900.000,00, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C4). E, em 21/10/2005, o valor de R$ 900.000,00, que estava na referida conta caução (doc. C4), de titularidade da própria Impugnante, foi transferido para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. Dd). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 900.000,00, em datas e valores coincidentes. Origem do valor de R$ 656.853,35: Em 18/10/2005, a Egesa recebeu o valor de R$ 1.385.260,18 (este depósito é composto de uma parte referente à Sociedade Barroso e de uma parte referente à outra obra exclusiva da Egesa), crédito na conta 020410946, do Banco Mercantil do Brasil (doc. A11); em 26/10/2005, ela, conforme débito em sua conta 36.1089, mantida no Banco do Brasil (doc. B6), repassou para a Impugnante o valor de R$ 656.853,35, conforme consta da conta caução nº 090202835, mantida no Banco Mercantil do Brasil (doc. C4). E, em 27/10/2005, o valor de R$ 656.853,35, que estava na referida conta caução (doc. C4), de titularidade da própria Impugnante, foi transferido para sua conta nº 02.0200289, do Banco Mercantil do Brasil (doc. D5). Assim, demonstrada claramente a origem do crédito de R$ 656.853,35, em datas e valores coincidentes”. Resumidamente, restou esclarecidos que os valores recebidos pela Sociedade Barroso adentravam na conta bancária de titularidade da Egesa, mantida no Banco Mercantil do Brasil, Ag. 0295, C/C 020410946 (doc. A até A13, de fls. 441/454). E, muito embora tais valores adentrassem na conta acima especificada, os repasses feitos à Real Ibiza foram debitados de outra conta de titularidade da sócia Fl. 641DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 642 15 ostensiva, Egesa, qual seja: Banco do Brasil, Ag. 33928, conta 36.1089 (doc. B até B6, fls. 455/461). Desta conta, os recursos iam para uma conta caução em nome da Real Ibiza, c/c 090202835 (doc. C a C4, fls. 462/466 ). Posteriormente, eram repassados para a conta 020200289, do Banco Mercantil de titularidade da Real Ibiza (doc. D até D14, fls. 467/481). O que se verifica, da documentação apresentada, é que, no percurso de cada recurso, notadamente, da conta 36.1089, do Banco do Brasil, da Egesa (doc. B até B6, fls. 455/461), para a conta caução, da Real Ibiza, c/c 090202835 (doc. C a C4, fls. 462/466 ), e finalmente, para a conta 020200289, do Banco Mercantil de titularidade da Real Ibiza (doc. D até D14, fls. 467/481), há coincidências, principalmente, de valores e proximidades de datas. Resumidamente, inferese que as transferências foram feitas de conta bancária de titularidade da Egesa para conta de titularidade da Real Ibiza, inquestionável, pois, a prova feita quanto às origens dos correspondentes recursos. Entretanto, como já se disse, tal prova não afasta a possibilidade da existência de irregularidades fiscais no tocante à correta tributação desses recursos, nem tampouco afasta a indagação se realmente decorrem das operações da SCP – Sociedade Barroso ou de pagamentos feitos, indiretamente, por clientes da Real Ibiza, valendose de conta bancária da Egesa. Mas, nesse caso, a Fiscalização não aprofundou a sua análise, não produzindo nos autos provas capazes de suster a afirmação contida no final do TVF que: “sendo assim, não foi comprovada a origem dos recursos depositados em sua contacorrente, mas que são recursos depositados por clientes”. Por outro lado, relembrando, ainda, especificamente em relação a SCP – Sociedade Barroso, a responsável tributária decorrentes da suas operações comerciais é a sócia ostensiva: empresa Egesa. Diante disso e considerando que a Impugnante fez, nos autos, provas das origens dos recursos creditados em conta bancária de sua titularidade, a acusação fiscal, lastreada no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é frágil e não subsiste, devendo ser exonerado o correspondente crédito tributário. I.3 – Demais Depósitos Bancários. Relacionados no TVF (fls. 54/57) e na Planilha Fiscal (fls. 263/266). Afora as transferências bancárias objeto da apreciação anterior, a Fiscalização nas intimações procedidas ao contribuinte solicitou a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de outros créditos bancários, devidamente listados nas planilhas fiscais. Na defesa, o contribuinte questionou tal infração objetivamente, em relação a alguns desses créditos, alegando que esses tem origens comprovadas. Não se pode deixar de observar que, como ressaltou a defesa, a Fiscalização, no tocante a esses créditos, não teceu comentários específicos no TVF. O que se vê, em alguns casos, são anotações resumidas feitas na planilha fiscal elaborada às fls. 263/266, na coluna denominada por “Justificativa Comprovada”. Então, passase à análise dos argumentos e documentação apresentada. “a) R$ 5.000,00 em 27/04/2005; R$ 7.000,00 em 27/05/2005 e R$ 8.141,88 em 27/06/2005. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 643 16 Tratase de recebimentos relativos à Nota Fiscal 63 (doc. F), no valor de R$ 38.954,59, emitida em 02/10/2003, em razão de serviços de terraplenagem prestados à empresa Salum Construções Ltda, cujo pagamento foi realizado em diversas prestações quitadas nos exercícios de 2004 e 2005, em virtude de dificuldades financeiras dessa empresa. A Impugnante juntou extrato bancário da Salum Construções, onde se encontram registrados tais pagamentos (doc. F1 até F4). Assim, demonstrada claramente a origem dos referidos créditos, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 484/489, comprava o que foi alegado. A Fiscalização, por sua vez, apenas indica na planilha fiscal a seguinte anotação: “NF 063 ???”. Muito embora, não exista nos autos prova que a receita auferida com a emissão do citado documento fiscal tenha sido efetivamente oferecida à tributação, no período de em que devido o pagamento dos tributos nascidos dessa operação, a falta de esclarecimento por parte do Fisco enfraquece a utilização da presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que não subsiste diante das provas apresentadas. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “b) R$ 53.153,44 em 27/04/2005. Tratase de lançamento de estorno de DOC bancário referente ao pedido de aporte para a obra “Consórcio QGTER”. Notase no extrato da conta corrente da Impugnante que, por equívoco, este valor foi debitado duas vezes no mesmo dia, 15/04/2005 e creditado uma vez, na mesma data, retificando o erro cometido pelo banco (doc. D1). A solicitação desse DOC está comprovada pelo documento de solicitação (doc. G). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 468 e 490, comprava o que foi alegado. Portanto, não prevalece a presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que não subsiste. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “c) R$ 72.507,44 em 27/06/2005. Tratase de valor recebido da Alicerce Empreendimentos Ltda, referente à Nota Fiscal nº 104, no valor de R$ 80.474,40, cujo Ted está anexo (docs. I e I1). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 491/492, comprava que referido crédito no valor de R$ 72.507,44, adveio da “TED” enviada pela empresa Alicerce Empreendimentos, no dia 27/06/2005. No entanto, não se pode inferir plenamente que essa transferência de recursos o foi para pagamento da citada NF nº 104, da mesma empresa. Mas, de todo modo, a origem do recurso foi devidamente comprovada, uma vez que nascida da mencionada “TED” Fl. 643DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 644 17 A Fiscalização, por sua vez, apenas indica na planilha fiscal a seguinte anotação: “NF 104 Alicerce ????”. Muito embora, não exista nos autos prova que a receita auferida com a emissão do citado documento fiscal tenha sido efetivamente oferecida à tributação, no período de em que devido o pagamento dos tributos nascidos dessa operação, a falta de esclarecimento por parte do Fisco enfraquece a utilização da presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que não subsiste diante das provas apresentadas. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “d) R$ 79.921,01 em 27/06/2005. Tratase de valor recebido da Alicerce Empreendimentos Ltda, referente à Nota Fiscal nº 101, no valor de R$ 88.702,57, cujo Ted está anexo (docs. J e J1). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 493/494, comprava que referido crédito no valor de R$ 79921,01, adveio da “TED” enviada pela empresa Alicerce Empreendimentos, no dia 27/06/2005. No entanto, não se pode inferir plenamente que essa transferência de recursos o foi para pagamento da citada NF nº 101, da mesma empresa. Mas, de todo modo, a origem do recurso foi devidamente comprovada, uma vez que nascida da mencionada “TED” A Fiscalização, por sua vez, apenas indica na planilha fiscal a seguinte anotação: “NF 101 ????”. Muito embora, não exista nos autos prova que a receita auferida com a emissão do citado documento fiscal tenha sido efetivamente oferecida à tributação, no período de em que devido o pagamento dos tributos nascidos dessa operação, a falta de esclarecimento por parte do Fisco enfraquece a utilização da presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que não subsiste diante das provas apresentadas. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “e) R$ 159.870,24 em 01/11/2005. Tratase de lapso de lançamento do Banco Mercantil do Brasil em 27/10/2005 que debitou na conta nº 02.0200289 o valor de R$ 159.870,24 a título de empréstimo. Entretanto, em 01/11//2005, ao detectar que o débito foi indevido, creditou o mesmo valor, para estornar o débito anterior (doc. K e K1). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 495/496, comprava cabalmente o que foi alegado. Não subsiste, pois, a presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, invocada pelo Autuante. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “f) R$ 4.312,69 em 21/01/2005; R$ 25.000,00 em 07/12/2005 e R$ 6.668,64 em 31/10/2005. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 645 18 Tratase de valores depositados pela própria Impugnante, cujas origens foram saídas de parte do saldo de caixa, conforme lançamento constante do livro Razão (doc. L, L1 e L2). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 497/499, comprova que os citados valores, respectivamente, nos meses de janeiro, dezembro e outubro de 2005, foram registrados no livro Razão, conta “Caixa”, da Real Ibiza, a crédito dessa conta. A Fiscalização, por sua vez, apenas indica na planilha fiscal as seguintes anotações, respectivamente, “Reembolso Obra Esplendor; Depósito feito pela Real ????; Depósito feito pela Real ???”. Considerando que a Impugnante registrou os aludidos valores a crédito da sua conta caixa, como indica as cópias do livro Razão apresentadas, e a falta de uma justificação adequada por parte do Autuante para considerar tais ingressos como depósitos de origens não comprovadas, não subsiste, pois, a presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, invocada por ele. Desse modo, o crédito tributário decorrente desses fatos deve ser exonerado. “g) R$ 115.000,00 em 12/12/2005. Tratase de valor do empréstimo obtido junto ao Sr. Juarez Távora de Freitas, conforme comprovado pela página 7/9 da Declaração de Bens referente ao Imposto de Renda Pessoa Física 2006/2005 e, ainda, pela Ted comprovando o valor e a data do empréstimo (doc. M e M2). Assim, demonstrada claramente a origem do referidos crédito, em datas e valores coincidentes”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 500/501, é suficiente para comprovar o que foi alegado. Nesse sentido, o Sr. Juarez Távora de Freitas registrou na sua declaração de bens do exercício de 2006, anocalendário 2005, o empréstimo feito à empresa Real Ibiza, no valor de R$ 115.000,00; outrossim comprovou a efetividade da entrega desse numerário, na data de 12/12/2005, pela TED feita em conta de sua titularidade no HSBC (há também investimento registrado na sua declaração de bens nessa instituição financeira) para a conta do Banco Mercantil do Brasil, Ag, 295, nº 020200289, de titularidade da Real Ibiza. Portanto, a origem do aludido recurso foi comprovada. Não subsiste, pois, a presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, invocada pelo Autuante. Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. “h) R$ 40.000,00 em 14/12/2005. A Construtora Mello Azevedo, referente à SCP onde a mesma era sócia ostensiva e a Impugnante sócia oculta, depositou em 14/12/2005 o valor de R$ 100.000,00, representado por dois depósitos de R$ 30.000,00 e R$ 70.000,00, cujos débitos estão devidamente comprovados pelo extrato do Banco Bradesco, conta nº 338.7003 em nome da Construtora Mello de Azevedo, em 14/12/2005 (doc. N, N1 e N2). Fl. 645DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 646 19 Entretanto, o Fisco lançou, incorretamente, conforme sua planilha fls. 55, valores de R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00, no total de R$ 60.000,00, acarretando uma diferença de R$ 40.000,00, inexistente”. A documentação citada pela defesa, constante dos autos às fls. 502/503, comprava o que foi alegado. A própria Fiscalização anotou para os referidos créditos o seguinte: “SCP Melo Azevedo – Dist. Lucros”. Mas, em relação ao crédito de R$ 70.000,00, equivocadamente, somente aceitou como justificada a importância de R$ 30.000,00. No entanto, não foram dadas explicações acerca da diferença de R$ 40.000,00, anotada no aludido demonstrativo fiscal. Não subsiste, pois, a presunção legal do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, invocada pelo Autuante. Mesmo porque as origens dos recursos já estariam comprovadas pela própria anotação da Fiscalização (“Dist. Lucros”). Desse modo, o crédito tributário decorrente desse fato deve ser exonerado. I.4 – Conclusão. Item 001, Em suma, pelas razões acima expostas e diante dos documentos apresentados pela defesa, toda a tributação feita no item 001, que foi objeto de litígio, do Auto de Infração do IRPJ, deve ser exonerada. Verificase, então, conforme suscitado no acórdão da DRJ, que as origens dos valores creditados foram em parte demonstrada, o que ainda não é bastante para elidir sua tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Conforme demonstrado, como regra geral, a Egesa recebia valores (Banco Mercantil do Brasil). Posteriormente, a Egesa efetuava os repasses por meio de sua conta no Banco do Brasil (36.1089) e não da própria conta mantida no Banco Mercantil do Brasil, os quais antes de ingressar definitivamente na conta corrente da recorrente, transitavam pela conta caução 090202835 (conforme comprovado por email enviado pelo Banco Mercantil do Brasil – fl.381), e, depois ingressavam em conta de titularidade da recorrente no Banco Mercantil do Brasil sob a rubrica “transf.aut.cta.m/tit”. Isto devido a um empréstimo contraído junto a esta instituição financeira. A confirmação de data e valores atende ao requisito de comprovação de origem, conforme destacado no acórdão da DRJ. O que não ficou cabalmente demonstrado é: a) a que título cada um dos valores depositados nas contas da recorrente se refere? Qual sua causa? b) os valores depositados lograram ser devidamente contabilizados tanto na contabilidade da recorrente, bem como na Sociedade Barroso? c) Os rendimentos foram tributados pela SCP? os valores depositados foram devidamente levados à tributação pela recorrente (no que tange a recebimentos feitos a ela), de acordo com as normas vigentes ao tempo dos fatos? Fl. 646DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15504.020400/200984 Resolução n.º 1302000.167 S1C3T2 Fl. 647 20 d) No caso de resultados advindos da Sociedade Barroso, a sócia ostensiva procedeu à regular contabilização e tributação de seu quinhão? A informação de sua contabilidade é harmônica com os demais dados? Tais questionamentos completam a análise da comprovação da origem, que não se resume a mero confronto de extratos, demonstrando entradas e saídas com coincidência de datas, mas deve de fato atingir a origem do recebimento, não só a financeira, mas também a causal. Assim, voto para converter o julgamento em diligência para que a fiscalização, mediante diligências e demais procedimentos, no esteio das questões acima formuladas (a, b, c e d), emita conclusão definitiva quanto à comprovação de origem dos depósitos e quanto ao crédito mantido, caso verifique comprovação parcial. Do resultado apurado deverá ser concedido prazo de dez dias à recorrente para se manifestar, nos termos da Lei nº 9.784/99. Sala das Sessões, 09 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Fl. 647DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10283.720401/2006-16
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1302-000.040
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T12:14:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T12:14:32Z; Last-Modified: 2010-09-02T12:14:33Z; dcterms:modified: 2010-09-02T12:14:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:46658aa4-614c-4162-8565-328b3f4f91ca; Last-Save-Date: 2010-09-02T12:14:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T12:14:33Z; meta:save-date: 2010-09-02T12:14:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T12:14:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T12:14:32Z; created: 2010-09-02T12:14:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-02T12:14:32Z; pdf:charsPerPage: 810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T12:14:32Z | Conteúdo => SI-C3T1 . 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10283720401200616 Recurso n° 167.995 Resolução n° 1302-00.040 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Data 21 de maio de 2010 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente BARANDA 8z. CIA. LTDA. Recorrida 2" TURMA/DRJ-BELÉM/PA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente e Relator EDITADO EM: 17 1..\ G o 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello.. .„„ „ Relatório e Voto Trata o processo de lançamentos, ciência em 14/12/2006, decorrentes do SIMPLES (AC 2001): de Multa Regulamentar, Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 4.530.245,78, já incluídos multa de oficio de 75% e os juros de mora calculados até 30/11/2006. 2, Segundo Descrição dos Fatos de fls. 13/14 a imputação fundamentou-se em: a) depósitos bancários (R$ 16.303,437,32, descontados já as receitas constantes da DIPI- Simples entregue à Receita Federal), creditados em contas correntes, para os quais o contribuinte não apresentou justificativa para a origem; b) crédito decorrente da recomposição da receita bruta acumulada, após se comprovar a omissão de receitas não declaradas (as porcentagens utilizadas pelo contribuinte foram inferiores às fixadas legalmente a cada faixa de receita bruta acumulada); c) os extratos bancários foram obtidos junto às instituições financeiras, Via RMF (Requisição de Movimantação Financeira, com base na Lei Complementar 105/2001) em virtude da negativa do contribuinte em entregá-los integralmente à Receita Federal. 3, A interessada apresentou impugnação (fls. 427/535), de 15/01/2007, em que alega que: a) Apresentou todos os livros contábeis à Fiscalização. Como é optante do Simples não tem obrigação de manter escrituração exaustiva. b) A possibilidade de quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, surgida a partir da LC n° 105/2001, é inconstitucional e macula de prova ilícita os extratos assim obtidos. Inobstante sua semântica jurídica, a LC n° 105/2001não produz efeitos aos fatos anteriores a sua vigência; c) A Receita Federal não pode utilizar valores pagos individualmente pela pessoa jurídica, relativos a CPMF, isoladamente, a fim de gerar efeitos de arrecadação do Imposto de Renda. Vide art.. 11, § 3°, da Lei 9.311/96, em sua redação original. d) É ilegítimo o lançamento do imposto de renda e seus reflexos com base apenas em depósitos bancários, sem maiores investigações de origem, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos de qualquer natureza e, portanto, não são fatos geradores do imposto de renda e seus reflexos, e) Diversos' lançamentos a crédito nas contas correntes da empresa contribuinte em verdade revelam a constante busca por capitalização da empresa, através de linhas de crédito obtidas junta às próprias instituições bancárias, muitas vezes para cobrir despesas operacionais em aberto, em razão do elevado índece de inadimplência experimentado, consoante demonstra inúmeras devoluções de cheque depositados, f) Há nessa movimentação bancária, entrada e saída de valores em determinada instituição bancária, com reentrada do mesmo recurso em outra instituição (por isso não representando nova receita), para cobrir despesas operacionais da própria empresa. O mesmo se aplicaria às linhas de crédito obtidas junto às agências de fomento e operacionalizadas pelos bancos onde a empresa contribuinte mantém conta corrente. 2 Processo n" 10283720401200616 S1-C3T1 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n " 1302-00.040 Fl 2 g) A fiscalização "permanente" imposta pelo Receita Federal não pode obstar a ocorrência da decadência do direito de lançar, • h) A Impugnante só teve acesso aos extratos bancários em janeiro de 2007, sendo exíguo o prazo para apresentar justificativas aos depósitos. O Fisco não considerou a devolução de cheques depositados e outras incoerências, A DR,I1 decidiu conforme ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 OMISSÃO Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECADÊNCIA No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considera-se ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês), - A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 19108/2008 e apresentou recurso em 18/09/2008. Em seu recurso reitera argumentos da impugnação e, especialmente, argumenta que o lançamento se deu por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada mas a fiscalização não expurgou os valores referentes às transferências: Consoante fartamente explicitado na impugnação, dos valores apontados como "créditos" depositados nas contas bancárias da Recorrente, muitos deles nada mais eram que a saída de unia conta corrente de determinada instituição bancária para cobrir saldo negativo em outro, jamais podendo tal valor se configurar como receita ou rendimento 16. Ademais, uni dos argumentos da impugnação .foi justamente a impossibilidade de analisar minuciosamente a listagem apresentada pela .fiscalização em razão do exíguo tempo de que dispunha para confrontar com os extratos que ,somrte lhes foram entregues em Janeiro de 2007. 3 17 No mesmo sentido, a Recorrente indicou que muitos dos valores constantes da lista de depósitos considerados créditos eram, em verdade, valores relativos a empréstimos e adiantamentos do próprio banco para fazer frente às despesas operacionais, quase sempre deficitárias em razão do alto índice de inadimplemento de seus clientes. Em rápida análise da planilha de fls. 72 e anexos de fis, 84 e seguintes, observo que há procedência no argumento da recorrente, pois há evidências de que transferências bancárias não foram estornadas, não sendo possível, à vista dos autos afirmar se são entre contas que foram consideradas na apuração da base de cálculo do lançamento Torna-se necessário, portanto, converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização verifique se há transferências entre contas da própria recorrente; se houver, se os valores foram considerados na base de cálculo dos tributos lançados. Em caso positivo, a autoridade diligenciante deve elaborar planilha identificando os valores das referidas transferências e de outros valores que não devem compor a base de cálculo dos tributos lançados. Após a diligência, a recorrente deve ser cientificada para que se manifeste sobre o resultado da mesma. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relatar 4
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Numero do processo: 15521.000022/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.212
Decisão: Resolvem os membros da Turma, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Turma, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Versa o presente processo sobre recurso de ofício interposto, pelo Presidente da 6ª Turma da DRJ/RJ1, em face do Acórdão n˚ 1240458, datado de 15/09/2011, no qual consta a seguinte ementa: “Anocalendário: 2003 CSLL. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS Após o encerramento do período anual de apuração da CSLL a constituição do crédito tributário com base nas estimativas é incabível uma vez que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 02 2/ 20 08 -2 3 Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.09495.XV7E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15521.000022/200823 Resolução nº 1302000.212 S1C3T2 Fl. 3 2 prevalece a contribuição efetivamente devida, calculada a partir do lucro líquido contábil anual devidamente ajustado com as adições e exclusões previstas na legislação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Nos fundamentos da referida decisão, o digno Relator explica que a “autuação objetivou constituir o crédito tributário referente a estimativas de CSLL referentes aos meses de março e abril de 2003, cujos débitos foram declarados nas Declarações de Compensação que instruíram os processos administrativos nºs 10725.000654/200372 e 10725.000644/200337, cujo crédito referese a crédito prêmio de IPI apurado por contribuinte de outra jurisdição e questionado nos autos dos processos judiciais 2000.51.01.0007323 (MS) e 2000.02.01.0515557 não transitados em julgado.”. Diante de tal situação, o Relator conclui pelo cancelamento do auto de infração sob o argumento de que “deveria ter sido lançado com suspensão o valor do CSLL a pagar de R$ 362.324,01, não as estimativas de março e abril de 2003, já que após o encerramento do período anual de apuração da CSLL prevalece a contribuição efetivamente devida calculada a partir do lucro líquido contábil ajustado com as adições e exclusões previstas na legislação”. Ou seja, sustentou o Relator que deveria o autuante ter lançado o CSLL a pagar após as glosas das estimativas não compensadas, ao invés de lançar os valores das CSLL sobre as bases estimadas. Os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (RJ) acompanharam o Relator e, assim, por unanimidade de votos, foi dado provimento à Impugnação para declarar cancelado o Auto de Infração da CSLL, no qual era exigido o valor de R$ 1.033.446,36 e juros de mora. Desta decisão, foi dada ciência ao contribuinte por meio do Edital n˚ 04, de 29 de junho de 2012, publicado no DOU de 13 de julho de 2012 (doc. a fls. 359 do vol. 2). É o relatório. Inicialmente, esclareço que, a fls. 316 do vol 2 do Processo n˚ 15521.000021/200889, também sob a minha relatoria nesta sessão de julgamento, consta documento no qual o contribuinte desiste da impugnação e renuncia ao direito sobre o qual ela se funda, em observância ao disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n˚ 6/2009, pois formalizara pedido de adesão ao parcelamento de que trata a Lei n˚ 11.941/09. Ressaltese que o auto de infração da CSLL, objeto deste processo, decorreu da mesma ação fiscal do auto de infração objeto do PAF n˚ 15521.000021/200889, no qual foram lançados o IRPJ sobre as bases estimadas dos meses de março e abril de 2003. Ademais, o contribuinte apresentou uma única peça impugnatória, razão pela qual em despacho a fls. 315 destes autos, é informado que, nele, encontrase apenas a cópia, pois a peça original encontra se no PAF n˚ 15521.000021/200889. Nesse contexto, aflorou a dúvida se o contribuinte também não desistira da impugnação ao auto de infração da CSLL, por ter incluído tais débitos no parcelamento da Lei n˚ 11.941/09. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DEMAC/RJ: a) informe se houve desistência formal da impugnação apresentada nos autos deste processo (15521.000022/200823), para fins de cumprimento do disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n˚ 6/2009, caso positivo, se o débito objeto do auto de infração Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.09495.XV7E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15521.000022/200823 Resolução nº 1302000.212 S1C3T2 Fl. 4 3 da CSLL em tela foi incluído em parcelamento com base na Lei n˚ 11.941/09, de que trata o despacho a fls. 326 do vol. 2 do PAF n˚ 15521.000021/200889; b) junte a prova documental que sustente a resposta ao item anterior; e c) cientifique a contribuinte da sua resposta a esta diligência, abrindo prazo para que se manifeste nos autos, após o que, retorne os autos ao CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.09495.XV7E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/12/2012 22:06:11. Documento autenticado digitalmente por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/12/2012. Documento assinado digitalmente por: EDUARDO DE ANDRADE em 12/03/2013 e ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 08/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0322.09495.XV7E Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E583B429BB64A7DAF25D905D135517935F4DAB40 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15521.000022/2008-23. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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