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Numero do processo: 13746.001063/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/05/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS
Constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal
previdenciário, o relatório - Relação de Co -Responsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE jULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA.
legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT.
REGULAMENTAÇÃO
Não ofende ao Principio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106
Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.208
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitada a preliminar de decadência com base no Art. 173 inciso 1º do CTN. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto que entendem pela aplicação ao Art. 150, § 4º do CTN. NO MERIT°, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso ara determinar o recalculo da multa de mora de acordo com o determinado no Art, 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencidos na questão de multa de mora os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteirol e Nubia Moreira Banos Mazza.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de ineonstitucionalidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS Constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, o relatório - Relação de Co -Responsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE jULGADO.• • • Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA. legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAQ Não ofende ao Principio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitada a preliminar de decadência com base no Art. 173 inciso 10 do CTN. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto que entendem pela aplicação ao Art. 150, § 40 do CTN. NO MERIT°, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso ara determinar o recalculo da multa de mora de acordo com o determinado no Art, 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencidos na questão de multa de mora os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteir lo e Nubia Moreira Banos Mazza. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. 2 Processo n° 13746001063/2007-96 S2-C4T3 AcOlao n *2403-00108 Fl 421 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Duque de Caxias, Decisão Notificação - DN 17.422.4/0361/2006, que julgou procedente o lançamento, oriundo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.766,362-4, fl, 001. A notificação foi assim resumida na DN: 1. Refere-se esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD contribuições devidas ao INSS e destinadas a Seguridade Social, relativas a parte patronal, inclusive para financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade labora tiva decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT e as destinadas a Terceiros, não recolhidas no prazo regulamentar. O valor do presente lançamento é de R$ 2.187.787,07 (dois milhões, canto e oitenta e sete mil setecentos e oitenta e sete reais e sete centavos), consolidado em 26/10/2005. 2. 0 lançamento foi apurado com base nas informações discriminadas nas informações declaradas pelo contribuinte em GFIP — Guia Recolhimento para o FGTS e de Informações Previdência Social, declaração da empresa com demonstrativo do Resumo de Folha de Pagamento do 13o. Salário dos anos de 2000 a 2004, conforme relatório fiscal, fls. 88/93, relativas às contribuições da parte da empresa, SAT/RAT e Terceiros incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais Informa ainda a autoridade fiscal que a apuração dos valores das competências 04/2005 a 05/2005 (matriz e fi liais), 07/2004 (matriz) e 10/2002 (filial 0003) ,foi ,feita através das GFIP entregues pelo contribuinte, pois os dados não constavain nos sistemas informatizados do INSS 3. Consta do DAD — Discriminativo Analítico de Débito a informação de que, por tratar-se de lançamento baseado em GHP, a multa moratória sofreu a redução de 50% prevista no art, 35 § 40 da Lei 8,21.2/91. 4 Informa ainda a AFPS notificante que a empresa aderiu ao PAES- Parcelamento Especial da Lei 10.684/200.3. No processo não constam guias apropriadas e no Relatório Fiscal há citação a urna segunda NFLD referente a conotribuições descontadas dos segurados e não recolhidas a Previdência Social. 17— Foi formalizado ainda no decorrer da ação fiscal o seguinte Lançamento.' 17.1 — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.766361-6, referente às contribuições sociais dos segurados 3 empregados destinadas a SEGURIDADE SOCIAL, incidente sobre as remuneraçães pagas, devidas ou cm editadas pela empresa, na qualidade de empregador, 770 período abrangido pelas competências 08/2000 a 05/2005 arrecadadas mediante descontos e não repassadas integralmente a Segui idade Social até a presente data A ciência da notificação ocorreu em 04/11/2005. Inconformada corn a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls, 334 a 365, onde alega, em síntese: • decadência quinquenal; • da ilegitimidade passiva dos sócios para figurarem no pólo passivo da presente notificação de débito fiscal; • ofensa ao principio da legalidade, pelo artigo 22, II da lei n°8.212/91; • da inexigibilidade da contribuição destinada ao instituto nacional de colonização e reforma agrária — INCRA; • SELIC; • inexigibilidade do SAT. E o relatório, 4 Processo n° 13746 001063/2007-96 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.208 Fl 422 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator 0 recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo análise das questões levantadas pela recorrente. Decadência: No lançamento, para fins de decadência foi aplicada a regra do artigo 45 da Lei 8.212/91. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de ri ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 110 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n" 8"Siio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n O 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A.. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinculante em relação aos denials órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, ben; como proceder it sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Urna vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o credito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4 0, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio fon-nal, o lançamento anteriormente efetuado. CTN: Art 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulto ior homologação do lançamento. 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do o-édito, § 3" Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4"Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador.; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considoa-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulagão. Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir' o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." A regra do artigo 150, § 40, 6 para lançamentos por homologação onde existe antecipação de recolhimento e não se aplica em casos de dolo, fraude ou simulação Neste caso concreto, pela ausência de recolhimentos, entendo que não há o que homologar, o que leva a aplicação da regra da decadência do artigo 173, isto 6, 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento refere-se ao período de 08/2000 a 05/2005 A ciência da notificação ocorreu em 04/11/2005. Disso resulta que não cabe raid() à recorrente quanto à tese da decadência, Citação dos Sécios Quanto à solicitada exclusão dos seicios gerentes, Gabe esclarecer que a relação de co-responsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas flsicas juridicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em divida ativa, 6 Processo n° 13746.001063/2007-96 S2-C4T3 Acórdo n.° 2403-00.208 Fl 423 pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 311 do artigo 40 da Lei n0 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrera por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal_ O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofieram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e periodo de atuação. 0 art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003, determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais e esclarece: Art. 688. Constituem pegas de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: - Relação de Co-Responsciveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificagão e período de atuação; Xl - Relação de Vínculos (VINCULOS), que lista todas as pessoas .físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciciria em razão de seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vinculo existente e o período correspondente; O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo-fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem pecas de instrução do processo administrativo-fiscal previdencicirio, os seguintes relatórios e documentos: X - Relação de Co-Responsáveis - CORESP, que lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes leeais do sujeito passivo, indicando sua qualificagão e período de atuação, Xl - Relação de Vínculos - VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vinculo existente e o período correspondente; Inconstitucionalidade 7 A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fündamentaram o lançamento . Inicialmente deve-se registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto IV 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF órgão colegiado ,judicante, paritário, compete julgar recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, .sç' 2, do Decreto it 70.235, 6 de marco de 1972, alterado pela Medida Provisória n(2 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes. da Fazenda Nacional, e a outra metade, de rep -esentantesdos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional apelas centrais sindicais Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARP, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARP afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art 62, Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CA1?F afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob .fiuzdamento de inconstitucionalidade. • Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto 8 0 Processo n° 13746001063/2007-96 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.208 Fl 424 a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na,forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da [Mao aprovado pelo Presidente da República, na ° forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARE emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF sera() consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARE Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFn° 2: Súmula CARF n" 2: 0 GARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei In Finalmente, o artigo 102, 1, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionahdade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo ,federal, Dessa forma, não hi como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Da inexigibilidade da contribuição destinada ao instituto nacional de colonização e reforma agrária — INCRA Quanto As empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuidas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETO-LEI N" 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reform Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento 9 Agrário e o Grupo Executivo da RefOrma Agraria e da outras providências O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1" É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art 2" Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agraria (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrario (BOA) e do Grupo Executivo da Ref°, ma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI N" 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964 Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei.' Art 37, Sao órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) I - O Grupo Executivo da Reforma Agraria (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) II - O Instituto Brasileiro de Reforma Agraria (113RA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) III - as Conzissões Agrarias. (Redação dada pela Decreto Lei n" 582, de 1969) Art 43. 0 Instituto Brasileiro de Reforma Agraria promoverá a realização de estudos para o zoneamento do pais em regiões homogêneas do ponto de vista sócio-econômico e das características da estrutura agraria, visando a definir: I - as regiões criticas que estão exigindo reforma agraria com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifindios; II - as regiões em estagio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrá, ias; III - as 1 egides já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV - as regiões ainda em lase de ocupação económica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de areas pioneiras. Art. 74, É criado, para atende,'. as atividades atribuidas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do 10 Processo n° 13746 001063/2007-96 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.208 Fl. 425 Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Minist&io, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos. dispositivos seguintes: I - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por ,finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidas na presente Lei; III - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e uni Conselho Diretor; composto de três membros, de nomeação do Presidente da Repáblica, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV - Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agricola; Quanto A alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem A Seguridade Social, mas em razão das competências atribuidas a autarquia federal, corno já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas As entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240, Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical_ An 195. A seguridade social seró ,financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçanzento,s da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais; (..) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETO-LEI N" 1,146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida or dispositivos sóbre as contribuições criadas pela Lei 12(1111er0 2.613, de 23 de .setembro de 1955 e da outras providencias. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que The confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA . 1 1 Art I "As contribuições criadas pela Lei n°2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos tdrinos dês te Decreto-Lei, são devidas de ac õi do com o atigo 6" do Decreto-Lei n°582, deli de maio de 1969, e coin o artigo 2" do Decreto-Lei n°1,110, de 9 julho de 1970: I - Ao Instituto Nacional de colonização e Reforma Agrária - INCRA: I - as contribuições de que tratam os artigos 2" e 5" deste Decreto-Lei; 2 - 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art, 3" deste Decreto-lei. II - Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural - FUNRURAL, 50% (cinqüenta par cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3" deste Decreto-lei. Art 2" A contribuição instituída no " caput " do artigo 6" da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de I" de janeiro de 1971, sendo devida sõbre a soma da fõlha mensal dos salários de contribuição previdencicit ia dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas. I - Indústria de cana-de-açúcar; Ii - Indústria de laticínios,- III -Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV- Indústria da uva, V - Indústria de extração e beneficiamento de .fibras vegetais e de descarogamento de algodão; VI- Indústria de beneficiamento de cereais; VII - Indústria de beneficiamento de café; VIII - Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX - Matadouros ou abatedow os de animais de quaisquer espécies e charqueadas Nesse sentido é o entendimento do Supetior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PARA 0 F'UNRURAL E INCRA - EMPRESA URBANA - LEGALIDADE - ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF - RECURSO NÃO ADMITIDO - SÚMULA 168/STJ - AGRAVO REGIMENTAL - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA - MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE 12 Processo n° 13746 001063/2007-96 S2-C4T3 Acórddo n.° 2403-00.208 I' 1 426 INFUNDADA - RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. I. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, á legitimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos- da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratando-se de agravo inferno nzanifestamente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art 557, § 2", do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, coin aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA, Julgamento 13/04/200.5 DJ 09/05/200.5, p. .291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINA10, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÂO INSUBSISTENTE. A norma do ai-Sigo 19.5, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade .social SVIT1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Mao, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a .financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressalta-se, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: "0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente pain se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" SELIC Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SEL,IC ao argumento de que seria ilegal. 13 Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras imporkincias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, .ficam sujeitas aos juros equivalentes it taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter ii relevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n°1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97 A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n°8,981/95. A multa de mora esta disciplinada no art 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil coin base na tam referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais aprovou Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, corn fulcro no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. Inexigibilidade do SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei par a estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão a recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa deconente de riscos ambientais do trabalho prevista no art. 22,11 da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada el Seguridade Social, além do disposto no art, 23, é de: ) II - para o financiamento do beneficio pi evisto nos arts. 57 e 58 da Lei n" 8 213, de 24 de Mho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. (Redação dada pela Lei n" 9,732, de 11/12/98) 14 Processo n° 13746 001063/2007-96 S2-C4T3 Acórdão n." 2403-00.208 Fl 427 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) .2% (dois por cento) para a5 empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° .3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termo.s dos arts 64 a 70, e dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde a aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do Inês, ao segurado empregado e trabalhador avulso:. - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - ills por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § I" As aliguolas constantes do capta serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2" 0 acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito cis condições especiais que prejudiquem a scdule ou a integridade fisica. § 3° Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4 0 A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V 15 § 5" 0 enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade económica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Segura Social revers o auto-enquadramento em qualquer tempo § 10. Sera devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pantos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.. (Redação dada pelo Decreto n°4 729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota ,fiscal ou fatura de prestação de sei viços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n" 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de sei viços especifica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial (Redação dada pelo Decreto n" 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2,173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repele-se a argüição de contrariedade ao principio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários h aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT LEI 7.787/89, ARTS. 3' E 4`;. LEI 8 212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9132/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3 048/99. C.F, ARTIGO 19.5, § 4"; ART. 154, II; ART. 5", IL ART 150, I. I - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT' Lei 7.787/89, art. 3", II; Lei 8.212/91, al t, 22, alegação no sentido de que são ofensivos ao art, 195, § 4", c/c art. 154, 1, da Constituição Federal. improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, CF, art, 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT - 0 art, 3", II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, pot- isso que o art. 4" da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais, -As Leis 7.787/89, art. 3", II, e 8212/91, art. 22, II, definem, satisfhtoriamente, todos os elementos capazes de fhzer nascer a obrigação tributária válida, O fato de a lei deixar para o 16 Processo n' 13746 001063/2007-96 S2-C4T3 Ae6tcl5o n 0 2403-00.208 FL 428 regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, CF., art.. 5", 11, e da legalidade tributária, CF,, art. 150,1 IV, - Se o regulamento vai além do conteádo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional V. - Recurso extraordinário não conhecido." Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, urna vez que são complementares e não essenciais na definição da exação Também não merece prosperar o argumento de que a cobrança ao SAT ofenderia o principio da isononzia, uma vez que o art. 22, ,§ 3" da Lei n 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8,212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal.. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art, 61 da Lei n 9,430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica, principio da retroatividade benigna, impõe-se o calculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada corn base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica, Art, 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - em qualquer caso, quando seja expressamente intopretativa, excluída a aplicação de penalidade ci infração dos dispositivos interpretados; I - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 17 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ConclusOo A vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.2 12/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI — Relator 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 13746.001063/2007-96 Recurso n": 154.265 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do aitigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto A Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do AcÓrdâo n° 2403-00.208 Brasilia, 01 de Dezembro de 2010 41 MA AD • EN-A SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Câmara Ciente, com a observacao abaixo: ] Apenas corn Ciência ] Com Recurso Especial ] Corn Embargos de Declaraçao Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001646/2008-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/04/2007
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. ART.173, I, CTN. COMPETÊNCIA 12.
NÃO RECONHECIMENTO.
No caso em tela, a competência 12/2002 não deve ser excluída, pois a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorrerem nessa competência dar-se-á somente a partir de 01/2003, quando poderia ter sido efetuado o lançamento pelo preceito do art.173, I, do Código Tributário Nacional.
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.PARCELAS.PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.DESCUMPRIMENTO A REQUISITO LEGAL.
Só haverá exclusão da base de cálculo das contribuições sociais
previdenciárias as parcelas previstas na lei. Tratando-se
de plano de previdência privada, a mesma só será afastada de tributação caso o plano seja oferecido a todos os funcionários da empregadora. O descumprimento a essa regra, enseja incidência da contribuição social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.458
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, na preliminar de decadência negar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA. ART.173, I, CTN. COMPETÊNCIA 12. NÃO RECONHECIMENTO. No caso em tela, a competência 12/2002 não deve ser excluída, pois a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorrerem nessa competência darseá somente a partir de 01/2003, quando poderia ter sido efetuado o lançamento pelo preceito do art.173, I, do Código Tributário Nacional. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.PARCELAS.PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.DESCUMPRIMENTO A REQUISITO LEGAL. Só haverá exclusão da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias as parcelas previstas na lei. Tratandose de plano de previdência privada, a mesma só será afastada de tributação caso o plano seja oferecido a todos os funcionários da empregadora. O descumprimento a essa regra, enseja incidência da contribuição social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, na preliminar de decadência negar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais Fl. 185DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros: Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11065.001646/200831 Acórdão n.º 2403000.458 S2C4T3 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.168 a 178 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.151 a 156) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração DEBCAD n 37.088.8910 no valor originário de R$ 103.696,71 (cento e três mil, seiscentos e noventa e seis reais e setenta e um centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 91.442,21 (noventa e um mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e vinte e um centavos), após essa decisão de 1 instância. Segundo o relatório fiscal às fls. 43 a 46, a cobrança referese à falta de recolhimento da contribuição da empresa sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais no período de 06/2002 a 04/2007 (06/2002 a 01/2004, 03/2004 a 01/2006, 03/2006 a 04/2007). Ademais, o relatório atesta que os valores que não sofreram incidência da contribuição patronal referemse a pagamentos aos contribuintes individuais de plano de previdência privada denominado “Plano Renda Total Calçados Marte Prev” a determinados sócios da empresa, tendo em vista que o plano não era oferecido a todos do quadro pessoal da recorrente, o que violaria determinação legal para fins de exclusão dessa parcela da composição do salário de contribuição. Além disso, foram trazidas aos autos as cópias do contrato de previdência privada celebrado com a BrasilPrev Previdência Privada S.A. (fls. 50 a 64); dos pedidos de inscrição no plano de previdência dos quatro sócios (fls. 65 a 68); do resumo de informações sobre o plano fornecido pela empresa seguradora (fls. 69 e 70) e da declaração da empresa sobre os participantes do plano de previdência privada às fls. 85. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 122 a 136 alegando em síntese: Preliminarmente: A ocorrência da decadência quinquenal com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional; No Mérito: O valor exorbitante da multa, que chega a possuir caráter confiscatório; A ilegalidade da taxa SELIC; Os motivos pelos quais não deverá haver incidência de contribuição social sobre plano de previdência privada. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse, em preliminar, reconhecida a decadência de parte da cobrança e no mérito a improcedência da autuação. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1017.394) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/04/2007 Auto de Infração DEBCAD n° 37.088.8910 1. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 2. DECADÊNCIA.SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. As contribuições previdenciárias estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Código Tributário Nacional. Decadência configurada. 3.JUROS. MULTA. A inclusão de contribuições em lançamento por descumprimento de obrigação principal dá ensejo à incidência de juros e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. 4. PARCELAS REMUNERATÓRIAS. A incidência de contribuição previdenciária a cargo da empresa ocorre sobre a totalidade da remuneração paga ou creditada ao segurado contribuinte individual, excluídas apenas as parcelas expressamente definidas em lei. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.168 a 178, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, e, com relação ao pedido de decadência, requereu ainda o reconhecimento do instituto para a competência 12/2002 com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11065.001646/200831 Acórdão n.º 2403000.458 S2C4T3 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.168 a 178). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, a recorrente pleiteou inicialmente o afastamento dessa exigência sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 DA PRELIMINAR: I – DA SISTEMÁTICA DE DECADÊNCIA DA COMPETÊNCIA 12: A recorrente postulou em sua impugnação a aplicação da decadência com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional, tendo sido o pleito atendido plenamente pela 7 turma da DRJ de Porto Alegre que reconheceu como decadentes as competências 06/2002 a 11/2002, deixando desacobertada a competência 12/2002. Por esse motivo, a recorrente, em sede de preliminar de seu recurso voluntário, requereu o reconhecimento da decadência tão somente dessa competência (12/2002) com base no art.173, I, do CTN, afirmando que todo o exercício de 2002 deveria estar fulminado por tal instituto, considerando 14/05/2008 a data da notificação. Todavia, cabe destacar que a competência 12/2002 não deve ser excluída, pois a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorrerem nessa competência darseá somente a partir de 01/2003, quando poderia ter sido efetuado o lançamento pelo preceito do art.173, I, do Código Tributário Nacional. Desse modo, por todo o exposto, não acato a preliminar ora examinada, no que tange à decadência, mantendo a cobrança da 12/2002. DO MÉRITO: I – DO PAGAMENTO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – REQUISITOS: A celeuma meritória do presente caso reside no fato dos pagamentos realizados aos contribuintes individuais (sócios) da recorrente a título de plano de previdência privada estarem ou não incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. A discussão não merece prolongamento, tendo em vista que a análise de apenas um requisito resolve o caso. Então vejamos: A Lei n 8.212/91 preleciona no § 9º do art.28 quais as parcelas que serão excluídas do saláriodecontribuição (base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias), in verbis: Art.28(...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11065.001646/200831 Acórdão n.º 2403000.458 S2C4T3 Fl. 188 7 Pelo dispositivo legal, percebese que a parcela relativa ao pagamento de plano de previdência complementar só será excluída da tributação se tal plano for disponibilizado a todos os empregados e dirigentes da empresa empregadora. Todavia, visando à exclusão de tal parcela da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, a recorrente traz à baila, para sustentar seus argumentos, o inciso VI do § 2 do art.458 da Consolidação da Legislação Trabalhista: Art.458 (...) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Sobre tal dispositivo, esclareço que a Lei n 8.212/91 também reconhece que a previdência privada não constituirá parcela integrante do salário. Todavia, para que isso ocorra, o plano deverá ser oferecido a todos os profissionais da empresa, o que efetivamente não foi, sendo tal fato, inclusive afirmado pela própria empresa, ora recorrente, em declaração acostada aos autos às fls.85: FLS.85: CALÇADOS MARTE LTDA., sociedade empresária, estabelecida à Rua Henrique Hoffmann, 3095, bairro Imigrantes, CEP 93890 000 NOVA HARTZ/RS, com fabricação de calçados, inscrita no CGC/MF sob n° 88.887.021/000111, vem à presença de V.Sas. declarar o que segue: A empresa mantém um PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA denominado Plano Renda Total Calçados Marte Prev — Contrato de Previdência Privada (Processo SUSEP 10.000318/0190) firmado junto ao Banco do Brasil S; Os participantes deste plano são os Senhores: ENIR WINGERT, DANIEL MARCELINO GEWEHR, MARCO AURÉLIO GEWEHR e JOÃO CARLOS GEWEHR diretores da empresa; DECLARAMOS ainda que o plano é limitado aos quatro participantes acima referendados, e o mesmo não é oferecido aos demais segurados empregados da empresa. Diante da declaração acima da própria empresa, inclusive subscrita, não há dúvidas de que o plano não era oferecido a todos os funcionários, o que não exclui a parcela paga a título de previdência privada da incidência da contribuição social previdenciária. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Fl. 191DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 A recorrente alega ainda que a multa moratória é exorbitante e que a taxa SELIC é ilegal. Todavia, conforme entendimento consolidado deste Conselho, e, considerando a cobrança em tela com relação às demais competências que não foram acobertadas pela decadência, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 192DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11065.001646/200831 Acórdão n.º 2403000.458 S2C4T3 Fl. 189 9 LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, NEGARLHE PROVIMENTO, afastando a decadência da competência 12/2002 e mantendoa na cobrança do Auto de Infração de Obrigação Principal 37.088.8910. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança relativa às demais competências seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35 da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11065.001646/200831 Acórdão n.º 2403000.458 S2C4T3 Fl. 190 11 Fl. 195DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.902441/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.321
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CPFL ENERGIA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DERAT/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 44 1/ 20 11 -0 2 Fl. 667DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14096.ZLHP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.902441/201102 Resolução nº 1302000.321 S1C3T2 Fl. 668 2 Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face da homologação parcial das compensações solicitadas no presente processo, toda fundada no suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006. A homologação parcial das compensações mencionadas no parágrafo precedente fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO (fl. 02): · Comprovação parcial das retenções de IRRF dedutível e estimativas no montante de R$ 58.643.274,17 resultando em saldo negativo, após ajustes, de R$ 17.508.167,28 de um total pleiteado de R$ 27.449.073,25. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 10/03/2011 (fl. 11), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 11/04/2011 (fls.34/44), com as seguintes alegações: · A não confirmação das parcelas pagas de estimativas mensais de IRPJ está relacionado a processos administrativos em andamento em sede de recurso voluntários pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e em sede de Manifestação de Inconformidade pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em SP; · A Impugnante requer, preliminarmente, o conhecimento e provimento da presente impugnação, com reconhecimento da nulidade da decisão que negou a homologação do PER/DCOMP n° 26926.22895.131207.1.3.029789, por violar o inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional, que é legítimo e de ressaltada prerrogativa para a quitação e suspensão da exigibilidade do crédito, até o trânsito em julgado dos processos administrativos n°s 10.880.903035/200691 DRJ/SP1, 10.880.946029/200971DRJ/SP1 e 10.880.935.981/201083. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1641.446, de 09/10/2012 (fls. 204/207), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Ciente da decisão de primeira instância em 13/02/2013, conforme documento de fl. 210, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 15/03/2013 Fl. 668DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14096.ZLHP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.902441/201102 Resolução nº 1302000.321 S1C3T2 Fl. 669 3 (registro de recepção à fl. 224, razões de recurso às fls. 225/257), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Inicialmente, a interessada busca estabelecer que o motivo pelo qual as compensações objeto deste processo não foram integralmente homologadas teria sido a constatação, pela Autoridade Administrativa, que parte das estimativas do anocalendário 2006 teriam sido objeto de declarações de compensação não homologadas em outros processos administrativos. Tais processos seriam os de nº 10880.903035/200691, nº 10880.946029/200971 e nº 10880.935981/201083 (quadro à fl. 227). A recorrente acrescenta que os referidos processos ainda não teriam sido objeto de decisão administrativa definitiva. · A recorrente entende que, tendo sido as estimativas objeto de DCOMP, a discussão administrativa em andamento naqueles processos não traria qualquer reflexo para este, visto que, ainda que a decisão lá venha a ser desfavorável a suas pretensões, a interessada seria compelida ao recolhimento da estimativa não quitada por compensação, pelo que, de qualquer forma, a estimativa seria extinta. Traz à colação o teor da Solução de Consulta Interna nº 18/2006, proferida pela COSIT, e jurisprudência administrativa que entende suportar sua tese. · Aduz que seu procedimento, ao compensar débitos de estimativas do anocalendário 2006 com créditos anteriores, estaria estritamente em conformidade com permissivos legais, pelo que não poderia ser invocada em seu desfavor a falta de liquidez e certeza das referidas estimativas, como teria feito a decisão recorrida. · Caso assim não se entenda, reitera que nenhuma decisão poderia ser proferida no presente processo até o desfecho final dos três processos anteriormente mencionados. · Caso também assim não se entenda, a recorrente passa a discorrer sobre as razões aduzidas em cada um dos três processos administrativos em que se encontram pendentes de decisão final as compensações de estimativas. Pretende demonstrar a correção da extinção das compensações que ainda se encontram sob litígio. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. É que a principal alegação de defesa é de que a diferença no valor de R$ 9.884.127,44, não aceita pela Autoridade Administrativa, corresponderia a estimativas de IRPJ do anocalendário 2006, extintas por compensação, e que restariam ainda pendentes de decisão administrativa definitiva nos respectivos processos administrativos fiscais. Especificamente: Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14096.ZLHP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.902441/201102 Resolução nº 1302000.321 S1C3T2 Fl. 670 4 i. Processo nº 10880.903035/200691 – encontrase em julgamento de recurso voluntário, neste CARF. Nele consta a DCOMP nº 39225.60295.230307.1.7.023907 – débito de estimativa de IRPJ de jan/2006, no valor de R$ 64.746,48. ii. Processo nº 10880.946029/200971 encontrase em julgamento de recurso voluntário, neste CARF. Nele consta a DCOMP nº 03576.92169.150507.1.7.024580 – débito de estimativa de IRPJ de set/2006, no valor de R$ 9.584.828,67. Também consta a DCOMP nº 25458.36675.241106.1.3.026393 – débito de estimativa de out/2006, no valor de R$ 144.120,66. iii. Processo nº 10880.935981/201083 – a compensação foi homologada pela DRJ (Acórdão 0126.925, de 22/08/2013, da 1ª Turma da DRJ Belém/PA). Nele consta a DCOMP nº 22944.20425.311006.1.3.027487 – débito de estimativa de set/2006, no valor de R$ 90.431,63. A extinção das estimativas de IRPJ do anocalendário 2006 é matéria prejudicial à decisão que se há de tomar neste processo, acerca do valor do saldo negativo de IRPJ a que tem direito a recorrente, no mesmo ano. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa dos processos nº 10880.903035/200691, nº 10880.946029/200971 e nº 10880.935981/201083. b) A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia das decisões definitivas na instância administrativa dos processos nº 10880.903035/200691, nº 10880.946029/2009 71 e nº 10880.935981/201083. c) A Unidade preparadora informe se, no processo nº 10880.903035/200691, foi ou não homologada a compensação com débito de estimativa de IRPJ da competência de janeiro/2006 no valor de R$ 64.746,48 e, caso não homologada, se o débito foi extinto mediante pagamento. d) A Unidade preparadora informe se, no processo nº 10880.946029/200971, foram ou não homologadas as compensações com débitos de estimativa de IRPJ das competências de setembro/2006 e outubro/2006, nos valores respectivos de R$ 9.584.828,67 e R$ 144.120,66 e, caso não homologadas, se os débitos foram extintos mediante pagamento. e) A Unidade preparadora informe se, no processo nº 10880.935981/201083, foi ou não homologada a compensação com débito de estimativa de IRPJ da competência de setembro/2006 no valor de R$ 90.431,63 e, caso não homologada, se o débito foi extinto mediante pagamento. Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14096.ZLHP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.902441/201102 Resolução nº 1302000.321 S1C3T2 Fl. 671 5 Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14096.ZLHP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/06/2014 10:42:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/06/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 10/06/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 09/06/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0221.14096.ZLHP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D2F8A132F62D33C947B45B4B6ED308F7EA93E8A8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.902441/2011-02. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.001957/2006-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 186 2 Tratase de recurso voluntário em vista do Acórdão nº 1614.536, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo I. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Em procedimento de fiscalização determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.66.002006000332, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 117.329.661,35 e de CSLL no valor de R$ 45.979.115,24, incluindo acréscimos legais. (fls. 2). No termo de constatação de fls. 329/350, a fiscalização apontou, em síntese, os seguintes fatos e infrações: Infração I – Perdas na realização de créditos ∙ Na DIPJ/2002, a instituição nada declarou na linha 25 da Ficha 05B, item destinado a receber os valores que correspondem às Perdas em Operações de Crédito. Todavia na conta de despesa operacional Cosif 8.1.9.99.006 – Outras Despesas Operacionais, conta interna 362.392 – Desconto Concedido, houve apontamentos de despesas no montante de R$ 6.438.972,00 no primeiro semestre de 2001. Já no segundo semestre, optouse pelo lançamento na conta COSIF 8.19.52.108, contas internas 362.392 – Desconto Concedido, no valor de R$ 45.671.184,99, além de lançamentos de menor expressão numérica nas contas internas, 572.220, 573.303, 573.485, 573.550, 573.584 e 573.618 cujos valores são, respectivamente, R$ 8,51, R$ 49,35, R$ 22,19, R$ 8,20, R$ 1.078,66 e R$ 0,01. ∙ Parte desse valor, no montante de R$ 38.773.742,20 foi adicionado, tanto no LALUR quanto na base de cálculo da CSLL, na rubrica “desconto de duplicatas”. ∙ Perdão de dívida. Foram registradas despesas designadas como perdão de dívidas, no grupo genericamente designado de Outras Despesas Operacionais, COSIF 8.1.9.99.006, conta interna 230.730 – Perdão de dívida, cujo montante atingiu a cifra de R$ 309.664,93 no primeiro semestre e R$ 219.331,11 no segundo semestre. ∙ Uma vez que não tinha havido atendimento por parte do contribuinte no tocante aos requisitos legais de dedutibilidade que, em regra geral, remete ao art. 299 do RIR/1999, a contribuinte foi intimada a apresentar a fundamentação jurídica para as concessões de desconto, e para os casos de perdão de dívida, tendo respondido o seguinte: “informamos que a fundamentação legal da dedução das perdas, nos casos listados no Mandado de Procedimento Fiscal, encontrase no art. 9º e seguintes da Lei nº 9.430/96.” ∙ Pode haver perda patrimonial, no âmbito do direito privado, provocada por uma determinada situação jurídica, que o direito tributário impeça o impacto negativo na base de cálculo de determinadas exações. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 187 3 ∙ Na dicção do caput do art. 9º, a expressão perdas no recebimento de créditos há de ser entendida como sendo o resultado negativo apurado ao final de um conjunto de atos empreendidos para o recebimento do crédito frente ao devedor, tais como, renúncias de qualquer espécie – descontos, perdões, abatimentos e outros – insuficiência de bens arrestados em garantia, insolvência do devedor e outros resultados negativos do mesmo gênero; entretanto nem toda perda é dedutível; somente aquelas que preencherem os requisitos desta lei o são – a tipificação é cerrada. ∙ A norma diferencia as perdas efetivas e as perdas presumidas; as perdas efetivas – situação do inciso I do art. 9º só se dão mediante a declaração de insolvência do devedor emanada em sentença do Poder Judiciário (é a impossibilidade jurídica da cobrança). ∙ As perdas presumidas são aquelas decorrentes das situações previstas nos incisos II a IV do art. 9º, e pressupõem a continuidade da cobrança pelo prazo de 5 anos. ∙ A norma introduziu a figura da “desistência” como gênero a envolver toda e qualquer situação que implique renúncia total do crédito. É a desistência de levar a cabo o processo judicial de cobrança, antes de decorrido o prazo de cinco anos de vencimento do crédito, a implicar presunção legal de ato anormal de gestão. ∙ Os acordos realizados entre credor e devedor, homologados por sentença judicial, para solução de cobrança de créditos já objeto de perda presumida, foram destacados pela lei em dispositivo legal específico § 3º do art. 10. Tal dispositivo cuida de indicar o aspecto temporal da tributação da soma do valor recebido com o saldo a receber renegociado; não cuida este dispositivo do valor eventualmente renunciado no acordo, eis que, em se tratando de desistência há de se aplicar o que consta do § 1º do art. 10; não seria possível deduzirse que a parcela renunciada em acordo judicial pudesse implicar dedutibilidade, visto que se assim fosse, estarseia negando a eficácia do que consta do inciso I do § 1º, do art. 9º. ∙ O legislador criou o instituto da Perda na realização de créditos como norma tributária a regrar todas as situações fáticas que impliquem resultado negativo no processo de cobrança de créditos, qualquer que seja a denominação do pacto contratual levado a efeito entre credor e devedor, tais como acordo de quitação, desconto concedido e outros. ∙ Os valores registrados como desconto concedido e como perdão de dívidas, no montante global de R$ 52.640.320,28 não são dedutíveis. Como o contribuinte adicionou parte desse valor, R$ 38.773.742,20, conforme rubrica no LALUR e no Demonstrativo de Base de Cálculo da CSLL “Desconto de Duplicatas”, o saldo de R$ 13.866.578,08 está sendo objeto de glosa por inobservância dos requisitos legais. Infração II – Despesas com participação em lucros ou resultados Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 188 4 ∙ A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar documentação relativa ao registro de despesas operacionais na conta COSIF 8.1.7.33.004 – Despesas de Pessoal – Proventos, conta interna 20.5435 – Participação Lucros/Resultados, no valor total de R$ 43.866.956,13 e conta interna 62.2514 – Bônus P.A. – Despesas de Pessoal – Prov., no valor total de R$ 9.618.207,28. ∙ Dos documentos fornecidos evidenciase a existência de mais outras contas internas: a conta 667303, no valor total de R$ 7.077.466,67 e “OUTROS”, no valor total de R$ 149.018,21. Assim o montante relativo a Despesas com Participação nos Lucros e/ou Resultados atingiu o total de R$ 60.711.648,29. ∙ Os documentos fornecidos apontam a existência de pagamentos efetuados no ano de 2001, a título de adiantamento, no valor total de R$ 19.754.038,49. Do valor total lançado às despesas operacionais, R$ 60.711.648,29, deduzido o valor adiantado, remanesce o saldo de R$ 40.957.609,80 (que ao término do período de apuração estava registrado em conta de Provisão – 49930100), do qual o contribuinte adicionou R$ 38.021.108,64 quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim, da provisão, ainda restou a importância de R$ 2.936.501,16 sem que houvesse adição quando da apuração do Lucro Real e da B.C. da CSLL, nem qualquer justificativa por parte do contribuinte. ∙ No anocalendário de 2001, nenhum valor a título de P.L.R. é de ser admitido nesse ano a título de despesa operacional dedutível, uma vez que trata, até o implemento da condição suspensiva, de mera provisão, que é compatível com negócios jurídicos sujeitos a condição suspensiva. Não são despesa ainda, mas podem vir a ser. Nem são despesas constituídas ainda, para utilizar a terminologia adotada pela Lei nº 11.101/2000, uma vez que somente com o implemento da condição de existir lucro (fato que só pode ser apurado posteriormente a 31.12.01) é que se pode falar em constituir a despesa operacional. ∙ Como provisão, nos termos do art. 13 da Lei 9.249/95, para os efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL sua dedução é indevida no ano de 2001, aplicandose ao caso os efeitos da antecipação de despesas/postergação no pagamento de impostos. ∙ Ressaltese que o contribuinte já adotou o tratamento atribuído às provisões no tocante a parte do valor da PLR, uma vez que adicionou R$ 38.021.108,64. Assim, resta a adicionar R$ 22.690.539,65 tanto na apuração do Lucro Real quanto na base de cálculo da CSLL. Infração III – Despesas com multas ∙ No bojo da fiscalização foram constatadas as despesas de multas discriminadas no item LXVII do Termo de Constatação, no montante total de R$ 2.055.943,84 (fls. 346). ∙ O valor total de R$ 1.712.812,32 deve ser adicionado na apuração do lucro real (R$ 343.131,52 já foi adicionado pelo próprio contribuinte – somente na base de cálculo do IRPJ), por falta de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 189 5 atendimento à norma do art. 299 do RIR/99 quanto à dedutibilidade de despesas operacionais – norma geral. Infração IV – Glosa de despesas não comprovadas ∙ No tocante à despesa FININTERV TERCEIROSSIST. EN, a leitura dos documentos evidencia que o Banco abriria uma linha de crédito rotativo por prazo e valor certos, destinado a financiar, exclusivamente, vendas à vista de bens de consumo duráveis e ou serviços comercializados ou prestados pela Interveniente Vendedora. ∙ Pela leitura das condições do negócio, aparentemente, estáse diante de situação em que se busca compensar o cliente, no caso um lojista, quando a taxa de juros paga pelo comprador de produtos junto ao lojista for a maior que a taxa de juros combinada entre o Banco e o lojista. ∙ Os documentos fornecidos em nada comprovam as despesas em questão. Tratase, todavia, de uma simples informação, totalmente desprovida de capacidade probatória. E sem provas, uma despesa não pode ser admitida. ∙ O valor total que deixou de ser comprovado foi de R$ 159.645.484,15. Foram lavrados os Autos de Infração a seguir discriminados no dia 21 de dezembro de 2006 (ciência na mesma data), com fulcro no art. 9º, § 1º do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 351/353 Infração 01 Custos ou despesas não comprovadas. Glosa de despesas.Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. Infração 02 Perdas no recebimento de créditos. Inobservância dos requisitos legais.Enquadramento legal: art. 9º a 12, da Lei nº 9.430/96; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 340, do RIR/99. Infração 03 Inobservância do regime de escrituração. Antecipação de custos ou despesas.Enquadramento legal: arts. 248, 249, inciso II, 251, 273, 274, 843, 957, parágrafo único, inciso II, do RIR/99. Crédito Tributário 45.453.709,9034.090.282,4237.785.669,03 ImpostoMulta de ofícioJuros de mora (calculados até 30/11/2006) 117.329.661,35 TOTAL Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 190 6 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Auto de Infração fls. 357/359 Infração 01 CSLL. Financeiras. Enquadramento legal Art. 2º e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28, da Lei nº 9.430/96; art. 7º da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições; art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições. (...) A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 19/01/2007 (fls. 364/402), alegando em síntese o seguinte: I. Perdas no recebimento de créditos – observância dos requisitos legais de dedutibilidade a) A Impugnante apresentou, em meio magnético, por meio de um “CD”, todas as informações relativas às operações de crédito por ela celebrados com efeitos a débito (despesas) no resultado do exercício. b) A Impugnante no desenvolvimento de suas atividades financeiras incorreu em despesas com perdas no recebimento de créditos no montante de R$ 52.640.320,28. c) A principal atividade da Impugnante é a concessão de créditos e financiamentos a seus clientes. d) A inadimplência no cumprimento das obrigações por parte de seus clientes é perfeitamente aceitável frente ao desenvolvimento de atividades dessa natureza, o que, por si só, deveria afastar as alegações da fiscalização no sentido de que as despesas com perdas no recebimento de créditos não atendem às disposições do art. 299 do RIR/99. e) A Impugnante procedeu à adição da importância de R$ 38.773.742,20, já que tais importâncias não atendiam, até aquele momento, aos requisitos de dedutibilidade para fins de abatimento da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. f) Em nenhum momento foram solicitados os documentos comprobatórios de quaisquer dos lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante no que diz respeito às operações que ensejaram perdas no recebimento de créditos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 191 7 g) Constou no arquivo apresentado à fiscalização a representação analítica do referido saldo de R$ 13.866.578,08, importância devidamente excluída na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Na composição de tal valor encontramse as perdas no recebimento de créditos que atendem aos critérios de dedutibilidade previstos no art. 9º da Lei nº 9.430/96. h) Foi possível identificar que 9.440 casos são inferiores a R$ 5.000,00, sendo possível verificar no arquivo apresentado à fiscalização que tais importâncias encontramse vencidas há mais de 6 meses quando de sua dedução, ou seja, tais valores atendiam aos critérios de dedutibilidade legal. i) Os remanescentes 757 casos referiamse a importâncias superiores a R$ 5.000,00 e foram excluídos da apuração dos tributos incidentes sobre o lucro já que atendiam, naquela oportunidade, ao disposto na alínea b, do inciso II, do art. 9º, da Lei nº 9.430/1996. j) Adicionalmente, em reforço à argumentação de que tais créditos atendiam ao disposto na legislação de regência, a Impugnante selecionou aleatoriamente 2 casos, os quais, se devidamente analisados, comprovam novamente o devido enquadramento das perdas em questão nos critérios de dedutibilidade havidos no art. 9º, da Lei nº 9.430/96. k) A Impugnante acredita ser necessária a realização de nova diligência, em seu estabelecimento, já que ainda que fornecida à fiscalização, a documentação destinada à comprovação do atendimento aos requisitos legais para a dedução das perdas ora em comento não foi analisada. l) Requer a diligência fiscal para os seguintes fins: a) constatação da existência da documentação que comprove o atendimento às exigências legais para a dedução das perdas, notadamente contratos de créditos e, quando for o caso, as cobranças administrativas e judiciais dos tais créditos; b) análise da referida documentação, a fim de comprovar que todos os lançamentos contábeis estão corretos. II. Pagamento de participação nos lucros e resultados de funcionários – observância do regime de competência Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 192 8 m) A fiscalização não atentou ao fato de que, quando solicitada, a Impugnante devidamente apresentou os documentos que sustentavam a dedução da importância de R$ 22.690.539,65, no sentido de que tais importâncias não se caracterizam como meros adiantamentos, e muito menos ainda, que tais valores não eram efetivamente devidos pela Impugnante, no sentido de sua certeza de pagamento, características inerentes à provisão. n) Tais importâncias eram efetivamente devidas pela Impugnante aos seus funcionários, para o que sempre foram conhecidos os valores, o momento e a certeza do pagamento. Com isso, em hipótese alguma é admissível considerar que tais importâncias deveriam ser consideradas como provisões, e muito menos ainda que sobre tais valores são aplicáveis as regras previstas no art. 13 da Lei nº 9.249/95. o) Em análise à documentação apresentada pela Impugnante é possível verificar que R$ 10.577.000,00 do montante de R$ 22.690.539,65 questionados pela fiscalização, referemse à contribuição realizada pela Impugnante ao Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) de seus funcionários. Essa importância foi paga à Seguradora, que posteriormente destinou respectivas quantias a cada plano de previdência dos funcionários da Impugnante. p) Quase a metade das importâncias questionadas referemse às contribuições à previdência privada de funcionários, despesas essas, perfeitamente dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Impugnante, já que atendidos os requisitos do art. 360 e seguintes do RIR/99. q) O saldo remanescente no montante de R$ 9.177.038,49 é relativo a bônus pagos a funcionários (PLR e SPR). Tais pagamentos são efetuados pela Impugnante em perfeita sintonia com o disposto no art. 462 do RIR/99, e portanto, dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. r) As importâncias em discussão não foram “adiantadas” aos funcionários da Impugnante, mas sim efetivamente pagas, quer por meio da contribuição ao PGBL de cada um deles, quer por meio do processamento da Folha de Pagamentos da Impugnante em relação ao PLR, que atende a todos os requisitos legais para pagamento. s) Como condição de pagamento, não há que se verificar somente a existência ou não de lucros no exercício relativo ao pagamento, como quer a fiscalização. Ocorre que, por política da Impugnante, a condição para o referido pagamento é a existência de patrimônio Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 193 9 suficiente para a realização de tal procedimento, o que se pode comprovar por meio de seu balanço patrimonial encerrado em 31/12/2001. t) Requer a Impugnante seja determinada diligência fiscal, nos termos do inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 cujos termos constam acima, a fim de comprovar a correta dedução das importâncias relativas ao pagamento do PGBL a seus funcionários e dos referidos bônus por desempenho devidamente registrados pela Impugnante e, por conseqüência, desconstituir os presentes autos de infração. III. Observância da legislação aplicável às multa dos BACEN e cheques indevidamente devolvidos u) A fiscalização não se atentou ao fato de que tais multas aplicadas à Impugnante não têm natureza punitiva, mas sim compensatória. v) As multas pelo não pagamento de tributos federais, estaduais e municipais têm caráter eminentemente compensatório e não punitivo. w) Em relação às demais despesas incorridas com o pagamento de multas, cumpre verificar que referidas importâncias estão intrinsecamente ligadas à manutenção da fonte produtora da Impugnante, que é o desenvolvimento de atividades empresariais de financiamento. São portanto dedutíveis nos termos do art. 299 do RIR/99, visto que são usuais e normais às atividades desenvolvidas. x) Requer seja determinada diligência fiscal, nos termos do inciso IV, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a fim de comprovar a correta natureza de cada uma das multas consideradas dedutíveis na apuração dos tributos em discussão. IV. Despesas não comprovadas y) Para se saber, objetivamente, se determinado gasto da Impugnante pode ser interpretado como uma despesa operacional ou não, fazse necessária a análise individualizada de cada dispêndio e a situação objetiva em que foi realizado. Somente após essa análise é que se pode dizer se está relacionado ou não com a atividade social da empresa, o que em nenhum momento foi feito pela fiscalização. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 194 10 z) Foram glosadas várias despesas sob o argumento de que elas não foram comprovadas e não eram operacionais, mas em nenhum momento foi apresentada, pela fiscalização, justificativa plausível para essa glosa. IV.1. Comissão paga a lojistas pela intermediação de contratos de financiamento de veículos aa) As importâncias no montante de R$ 31.015.312,15 correspondem a despesas incorridas com o pagamento de comissões a lojistas, em vista da intermediação da celebração de contratos de financiamento de veículos por eles comercializados. bb) Por se tratar de vasta documentação, a Impugnante aproveita a oportunidade para apresentar documentos relativos aos contratos que sustentam a liberação de referidos créditos, denominados “Convênio para Filiação ao Sistema de Financiamentos – CDC – VR”, firmados com os aludidos lojistas, nos quais estão previstas – cláusula 4, as regras para o recebimento das importâncias relativas à intermediação dos financiamentos. cc) Em dois casos, por determinação legal, a Impugnante informou as operações nos pagamentos constantes da DIRF, relativas ao período questionado. dd) Requer a Impugnante seja determinada diligência fiscal, nos termos do inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 cujos termos constam acima, a fim de comprovar a existência da totalidade dos documentos que suportam os pagamentos de comissão a lojistas. IV.2. Despesas com remuneração de interveniência de terceiros ee) A parcela relativa a R$ 44.019.392,54 referese a importâncias pagas a grandes varejistas para que a Impugnante tenha acesso à sua carteira de clientes que se encontram em situação devedora em financiamentos próprios. ff) Se os clientes dos lojistas associados à Impugnante estavam pagando 3% de juros mensais, a Impugnante assumia referidos recebíveis com a taxa de 2% , assumindo a diferença de 1% de juros. Em troca, a Impugnante conseguia ter o acesso a uma carteira de clientes “nova” para ser explorada comercialmente. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 195 11 gg) Não se pode admitir que despesas geradas por um produto amplamente comercializado pela Impugnante sejam simplesmente desconsideradas por mero acaso, ou seja, sem que ao menos referido modelo contratual e descritivo do produto em comento fosse devidamente analisado pela fiscalização. Isso seria verdadeiro absurdo, sem falar no cerceamento de defesa gerado à Impugnante, já que em fiscalização não lhe foi dada a oportunidade de esclarecer e comprovar os procedimentos adotados, por meio de documentos adicionais, se caso fossem solicitados. IV.3. Despesas com variação de importâncias relacionadas a empréstimo de ações hh) A Impugnante apresentou à fiscalização a movimentação, em seu Livro Razão, do saldo da rubrica contábil em que foram contabilizados os Direitos por Empréstimos de Ações – Carteira de Terceiros, sendo possível se verificar que os lançamentos contábeis efetuados registraram as variações ocorridas no preço de referidos ativos a valor de mercado, em conformidade com o disposto na regra contábil Cosif. ii) Os procedimentos contábeis determinados pelo Cosif foram devidamente observados pela Impugnante, que não se furtou, em nenhum momento, da apresentação de informações e documentos. Assim é que, quando solicitado, a Impugnante aprestou o Razão da referida rubrica contábil com o registro de todas as operações questionadas. IV.4. Despesas com pendências não regularizadas jj) Referidas despesas, decorrentes de ajustes na migração do sistema operacional “EM” também decorrem de operações financeiras que visaram a manutenção da fonte produtora, ou seja, das principais atividades desenvolvidas pela Impugnante. V. Da Taxa Selic kk) A taxa Selic, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como juros moratórios, uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da mora por parte do devedor, qual seja, a remuneratória. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 196 12 Em 23/02/2007, a Impugnante protocolou a petição de fls. 1230/1238, acrescentando as seguintes considerações: a) A inadimplência no cumprimento das obrigações por parte de seus clientes é perfeitamente aceitável frente ao desenvolvimento de atividades dessa natureza, o que, por si só, deveria afastar as alegações da fiscalização no sentido de que as despesas em comento não atendem às disposições do art. 299 do RIR/99. b) Os descontos concedidos como abatimentos na liquidação de débitos pendentes, não podem ser consideradas mera liberalidade da pessoa jurídica, pois são perfeitamente subsumíveis ao conceito do art. 299, do RIR/99, ou seja, são consideradas normais e usuais diante das atividades praticadas pelos Bancos. c) As perdas no recebimento de créditos, em sua essência e origem, tratamse de descontos concedidos na renegociação de débitos pendentes e, neste sentido, são dedutíveis do lucro real independentemente do atendimento aos critérios da Lei nº 9.430/1996. d) Reitera a necessidade de realização de nova diligência em seu estabelecimento, já que ainda que fornecida ao Sr. Agente da Fiscalização, a documentação destinada à comprovação do atendimento aos requisitos legais para a dedução dos descontos e demais perdas não foi devidamente analisada. É o relatório.” A DRJSão Paulo I, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa que se transcreve: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Não comprovada o observância dos requisitos legais de dedutibilidade, a perda registrada deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 197 13 GRATIFICAÇÃO A EMPREGADOS. A pessoa jurídica pode deduzir a gratificação aos empregados como custo ou despesa operacional, apenas no período de apuração em que se der o efetivo pagamento. MULTAS APLICADAS PELO BACEN. DESNECESSIDADE. Apenas são dedutíveis do lucro real as despesas necessárias e usuais no tipo de atividade da contribuinte. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Devem ser adicionadas ao lucro real as despesas não comprovadas por documentação hábil e idônea.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisa os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e reforça alguns pontos, trazendo vários volumes adicionais de provas, em que foram selecionados aleatoriamente, por amostragem, inúmeros casos, os quais se devidamente analisados, comprovariam a improcedência do lançamento ou no mínimo a necessidade de uma nova diligência, dado que o grande volume de provas a pedir análise impossibilitaria a anexação de todas as provas aos autos: a) Em relação à primeira infração (Glosa de despesas não comprovadas), especificamente as Despesas com “Remuneração s/ Financiamento – EN” – conta interna 220497, a recorrente, reforça substancialmente sua prova, insurgindose contra a decisão de piso que reputou os elementos de prova insuficientes, pois “não anexou nenhum documento hábil a comprovar a efetiva pactuação prevista no convênio. A mera possibilidade de pactuação de remuneração não é prova suficiente da existência das despesas registradas na contabilidade.”. A recorrente, no caso anexa aos autos mais de 800 contratos (Doc. 02, fls. 1815 a 2669) comprobatórios da origem de suas despesas; além disso selecionou, a partir de livro Razão, aleatoriamente 157 casos (contratos, Doc 03, fls. 2670 a 3911) envolvendo todos os meses do ano, os quais, se devidamente analisados, comprovariam a dedutibilidade dessas despesas. Outrossim, anexou comprovantes de Imposto de Renda Retido na Fonte, donde se comprovaria o efetivo pagamento dessas despesas (DOC. 04, fls. 3912 a 4075); b) Ainda em relação à primeira infração (Glosa de despesas não comprovadas), especificamente as Despesas com “Fin. Interv. Terceiros/Sist En” – conta interna 364125, a recorrente, reforça sua prova, insurgindose contra a decisão de piso que reputou os elementos de prova insuficientes, pois “De fato, um modelo de contrato em branco, acompanhado de cópias de folhetos informativos não pode ser considerado como documento hábil a comprovar os fatos registrados na escrituração contábil. A Impugnante, sem qualquer justificativa, não anexou sequer um contrato efetivamente pactuado, acompanhado de registro contábil no Livro Diário, o que tornaria possível verificar a ocorrência das diferenças de taxas previstas no modelo.”. A recorrente, no caso anexa aos autos inúmeros contratos, segundo ela, efetivamente pactuados (Doc. 05, fls. 4076 a 4137) que comprovariam a dedutibilidade de suas despesas; Ainda em relação à primeira infração (Glosa de despesas não comprovadas), especificamente as Despesas “Var. Merc. Dir. empréstimos em ações” – conta interna 659938, a recorrente reitera a explicação do produto (CDCI) que originou tal despesa. Seria uma linha de crédito rotativa que permitiria ao cliente (lojista) faturar e receber a vista o valor de suas vendas, mesmo concedendo prazo de pagamento aos seus compradores (consumidor final). Nesse produto haveria equalização de taxas de juros. Quando a taxa de juros praticada pelo Banco na data da contratação de cada operação de CDCI fosse inferior à taxa ajustada entre o cliente (lojista) e seus compradores (cliente final), o Banco comprometerseia a reembolsar ao cliente Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 198 14 (lojista) a diferença resultante entre as taxas. Outrossim, adicionalmente, a recorrente, reforça sua prova, insurgindose contra a decisão de piso que reputou os elementos de prova insuficientes ou inconsistentes. Às fls. 1349/1353 de seu recurso, traz explicações detalhadas justificando e rebatendo as inconsistências apontadas pela DRJ, bem assim “para demonstrar a efetiva existência de tais despesas, que compuseram o saldo final líquido, positivo, tributado pela recorrente, se junta novamente a estes autos os registros contábeis e as planilhas demonstrativas das despesas e receitas incorridas com a valorização e a desvalorização das operações de empréstimos de ações (Doc 06, fls 4133 a 4164, Anexo A e B ), nas quais a Recorrente figurou como doador ( e não tomador)”; c) Em relação à segunda infração relativa Perdas na realização de operações de créditos(perdão de dívidas e/ou descontos concedidos) a recorrente assim se posicionou em seu recurso: “(...) com relação à comprovação do atendimento ao requisitos do art. 9º, da Lei nº 9.430/96, importante ressaltar que, no Termo de Intimação Fiscal nº 02, de 14 de fevereiro de 2006, o Sr. Auditor Fiscal Solicitou: ´Relação completa das perdas em operações de crédito debitadas ao resultado tributável do anocalendário de 2001, em meio magnético, contendo as seguintes informações mínimas: 1 – Identificação do devedor:CNPJ E nome 2 – Nº contrato 3 – Valor Bruto do Contrato 4 – Valor de Rendas a Apropriar 5 – Perda Fiscal considerada 6 – Data de Celebração do contrato 7 – Data em que foi lançado como perda 8 Garantia do crédito liberado´ (destaques nossos) Tal intimação foi atendida pelo Recorrente em 6 de março de 2006, por meio da entrega de Compact Disc (“CD”) contendo a ´relação analítica das perdas em operações de crédito, contendo as seguintes informações´:banco, agência, CNPJ/CPF, Cliente, tipo de operação, nº contrato, valor bruto, valor líquido das perdas, data de início do contrato, data final do contrato, dias corridos, data em que foi lançado para perda e tipo de garantia. (...) Dos 10.197 casos, foi possível identificar que 9.440 direitos creditórios eram, em sua totalidade, inferiores a R$ 5.000,00 e estavam vencidos há mais de 6(seis) meses quando de sua dedução, conforme se depreende do arquivo apresentado pelo recorrente Sr. Auditor Fiscal. (...) Com relação aos remanescentes 757 casos referiamse a créditos de R$5.000,00 a R$30.000,00, e, por terem sido iniciados e mantidos os Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 199 15 procedimentos administrativos de cobrança, foram excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme documentação comprobatória anexa, juntada por amostragem (Doc. 01) e abaixo relacionada”(traz tabela contendo informações a respeito de 8 contratos). Resolução n° 120100.005, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 4168 a 4174) converteu em diligência o julgamento do recurso voluntário. Efetuada a diligência conforme Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 4259 a 4268). Contribuinte apresentou resposta contida nas fls. 4275 a 4300. Segundo informação da DRF “Devese salientar que a petição do interessado ultrapassa o prazo de 30 dias previstos nas folhas 4274”.(fl. 4301) É o relatório Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 200 16 V O T O Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Apesar de a recorrente de fato não ter inicialmente logrado êxito junto à fiscalização nessa questão probatória, a verdade é que ela reforçou sua impugnação trazendo novas provas e que foram analisadas pela DRJ e consideradas ainda insuficientes. Na fase recursal, a Recorrente reforça a sua defesa trazendo novas provas que induziram este Colegiado a baixar o feito em diligência. Também foi determinante para a diligência o grande volume de provas envolvidas no caso, uma vez que as contas foram glosadas por sua totalidade, não sendo crível que um banco do porte da Recorrente não tivesse como provar operações usuais e normais de sua atividade econômica. A diligência, em sua parte dispositiva, assim comandou: Dessa forma, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Em relação à primeira infração, no que tange apenas a 3(três) subitens (Despesas com “Remuneração s/ Financiamento – EN, Despesas com “Fin. Interv. Terceiros/Sist En e Despesas com “Remuneração s/ Financiamento – EN, conforme relatado nos itens “a” a “c” do relatório na parte que trata do recurso, examinar, atestar autenticidade, se for o caso, pedir provas adicionais, por amostragem e pronunciarse novamente sobre a dedutibilidade dessas despesas nesse novo contexto; Em relação à segunda infração, esclarecer e/ou verificar a informação trazida em seu recurso voluntário “Dos 10.197 casos, foi possível identificar que 9.440 direitos creditórios eram, em sua totalidade, inferiores a R$ 5.000,00 e estavam vencidos há mais de 6(seis) meses quando de sua dedução(...) Ora, se a legislação não exige qualquer procedimento administrativo ou judicial para que os créditos vencidos e inadimplidos, inferiores a R$ 5.000,00 sejam dedutíveis, a que documentação comprobatória referiuse a Fiscalização e a DRJ/SP para glosar referidos valores nos Autos de Infração em questão?” Dar uma nova oportunidade para que o contribuinte traga as provas, que a fiscalização repute necessárias (notadamente contratos de créditos e, quando for o caso, as cobranças administrativas e judiciais dos tais créditos etc) para fins de comprovação da dedutibilidade dessas despesas e fornecendo um tempo compatível com o volume de provas requerido. Se for o caso, em função do grande volume de provas, fazer o referido levantamento por algum critério de amostragem. Observar que a análise desse item no que concerne a “perdas no recebimento de créditos” deve ser feita nos moldes apregoados pela decisão da DRJ, desconsiderando a figura da “Desistência” na forma adotada pela fiscalização para efetuar a glosa dessas despesas. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 201 17 A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários; Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Em relação a segunda infração, o autuante, assim se pronuncia A requerente entende que os documentos apresentados (por amostragem) e os esclarecimentos expostos são suficientes a justificar a dedução das "perdas". (...) Primeiramente, cabe observar que a própria recorrente AFIRMA se tratar de "concessão de descontos e de perdão de dívidas concedidos aos clientes por conta de renegociação de financiamentos". Portanto, é fato não controverso nos autos que as perdas glosadas referemse a descontos concedidos em renegociações de operações de crédito, ou seja, foram objeto de algum tipo de acordo. A amostra de contratos apresentados prova apenas que ocorreu a concessão do crédito, mas não prova que houve a perda do crédito. O artigo 9o da Lei 9.430/96 referese à dedução de perdas no recebimento de créditos e não à dedução do valor do crédito concedido. Assim, cabe ao contribuinte provar a perda e não apenas a concessão do crédito. O mero registro contábil não é suficiente como prova. Nenhum documento foi apresentado para comprovar a perda do crédito. Aliás, o próprio contribuinte afirma que não havia instrumento contratual de liquidação do débito e que os descontos concedidos eram apenas registrados no sistema de inadimplência, ou seja, mero registro interno. Também não consta dos autos nenhuma documentação comprobatória do início e manutenção dos procedimentos administrativos de cobrança para os débitos de R$ 5.000,00 a R$ 30.000,00 (no montante de R$ 5.227.332,77), vencidos há mais de um ano, como requer o art.9°, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96. Dos Termos da Diligência denotase dois pontos: primeiro, a necessidade de uma auditoria por amostragem em função do inegável volume de provas envolvido, uma vez que estamos tratando de glosas gerais de determinadas contas de despesas de um banco com muito movimentação, e, por último, que isso fosse feito nos parâmetros conceituais apregoados pela DRJ: Se for o caso, em função do grande volume de provas, fazer o referido levantamento por algum critério de amostragem. Observar que a análise desse item no que concerne a “perdas no recebimento de créditos” deve ser feita nos moldes apregoados pela decisão da DRJ, desconsiderando a figura da “Desistência” na forma adotada pela fiscalização para efetuar a glosa dessas despesas. Primeiro aspecto amostragem O autuante também aduz que ‘A requerente entende que os documentos apresentados (por amostragem) e os esclarecimentos expostos são suficientes a justificar a Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 202 18 dedução das "perdas”’. Nesse ponto, a amostragem não deveria ter ficado no controle da Recorrente. É o auditor quem deve escolher a qualidade da amostra, bem assim o espaço amostral a ser auditado. A amostragem, por menor que seja, trazida pela Recorrente serve apenas de amparo inicial para presumir que ela teria em tese razão e que mereceria em nome da verdade material aprofundar a investigação. Só isso. Cabe ao auditor confirmar ou infirmar essa hipótese. O retorno de diligência embora tenha trazido mais elementos analíticos (indícios) que favorecem à Recorrente, não trouxe uma amostra significativa o suficiente para se constituir ainda em prova indiciária norteadora de uma plena formação de convicção. Outrossim, discordo do autuante quando despreza os elementos analíticos extraídos dos sistemas de informática da Recorrente, deixando de aprofundar a investigação, mormente quando se sabe que modernamente as operações bancárias acontecem em tempo real e de forma escritural, onde no mais das vezes as relações jurídicas são extintas por simples pagamentos, sendo registradas em sistemas de informática bastante impessoais, cuja contabilização é automática e cujo acompanhamento pelo banco central é bastante severo. Segundo aspecto Conceitual Ainda quanto ao segundo aspecto acima levantado, não concordamos com entendimento da fiscalização segundo o qual, qualquer valor renunciado em acordo, judicial ou extrajudicial, configura hipótese de desistência, devendo a ele ser aplicada a conseqüência prevista no § 1° do art. 10, qual seja, estorno ou adição ao lucro líquido da perda eventualmente registrada para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência, pois a norma não distingue “perda efetiva” de “perda presumida”. O que a Lei faz, como muito bem ressaltou a DRJ foi “tão somente estabelecer os requisitos e as condições que devem ser observados em cada hipótese legal de dedução de perda”. Nesse mesmo passo, correto o entendimento da Recorrente ao se contrapor ao resultado de diligência: Ora, caso a Sra. Auditora Fiscal tivesse analisado a natureza das despesas que entende como indedutíveis, teria verificado que, no caso específico do Contribuinte, conceder um desconto tem o mesmo significado de registrar uma perda, já que, a partir do momento em que o Contribuinte concede um desconto, não será restituído a integralidade do valor do empréstimo originalmente concedido. Em relação à primeira infração: I Comissão paga a lojistas pela intermediação de contratos de financiamento de veículos; II. Despesas com remuneração de interveniência de terceiros Afirma a Recorrente em suas contrarrazões ao resultado de diligência: O Contribuinte anexou no curso do procedimento fiscalizatório, contratos que suportam os lançamentos contábeis e as DIRF do período que registram as retenções de Imposto sobre a prestação de serviços. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 203 19 O autuante, por sua vez, assim se pronuncia a respeito: No referido contrato, não consta nenhuma cláusula que trate de remuneração a ser paga e também não há qualquer vinculação com a despesa contabilizada a título de "Fin.Interv.Terceiros/Sist En". Não existe nexo causal entre os documentos apresentados e a despesa registrada. E não havendo vinculação, o documento não pode ser considerado hábil para fins de comprovação da despesa. Cumpre observar que a recorrente não juntou nenhum outro documento novo relativo às despesas objeto de análise neste tópico. Nenhum contrato efetivamente pactuado sobre a remuneração foi apresentado. O mero registro contábil não é suficiente para comprovar a despesa. A escrituração contábil deve estar sempre baseada em documentação hábil e idônea, que no caso seria o contrato da prestação de serviço específico e outros elementos como: comprovantes de pagamento, documentos fiscais e notas de prestação de serviço. Porém, nada disso foi apresentado pelo contribuinte. A DIRF Declaração de Imposto de Renda na Fonte prova apenas que houve retenção de imposto em decorrência do pagamento de algum rendimento (não se sabe qual), mas não prova que este rendimento é relativo à despesa de "Fin.Interv.Terceiros/Sist En". Também não é possível correlacionar os valores pagos constantes da DIRF com os contratos celebrados. O CDCI (Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento a Consumidor Final) tratase de uma operação estritamente relacionada ao objeto social do Contribuinte na qualidade de instituição financeira, comezinha das Instituições Financeiras. Apesar de ser bastante provável a existência de tais despesas, os simples contratos de convênio onde não consta nenhuma cláusula que trate de remuneração a ser paga, torna impossível a verificação de sua vinculação com as despesas contabilizadas, conforme muito bem indicou o autuante. De fato, não existe nexo causal entre os documentos apresentados e a despesa registrada. As DIRF trazidas aos autos, porém, podem, sim, se constituir em uma boa prova caso se prove a vinculação de seus valores aos beneficiários dos contratos. Em função do retorno de diligência por conta da segunda infração, esta autoridade julgador, por vislumbrar potencial possibilidade de se fazer tal vinculação, mesmo que por amostragem, dará uma nova oportunidade para a Recorrente fazer essa prova de maneira mais bem detalhada. É que este Colegiado administrativo tem se posicionado no sentido de que para um conjunto de indícios se caracterizar como força probante não é bastante trazer aos autos informações, de forma desarticulada e incompletas. A prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. Por outro torneio, as “peças de um quebracabeça” não são provas, prova é o “quebracabeça” montado. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.001957/200624 Resolução n.º 1401000.103 S1C4T1 Fl. 204 20 Dessa forma, em nome mais uma vez do princípio da verdade material e para que a minha convicção possa ser formada com justiça, tornase indispensável a conversão do julgamento novamente em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Extrair da Relação completa das perdas em operações de crédito constantes em CD, uma amostragem mais significativa de forma aleatória (ou mesmo pelo critério dos maiores valores), intimando a Recorrente a fornecer de seus sistemas de informática (LY – Sistema de Controle de Recuperação de Operações Inadimplentes) registros escriturais, tais quais o fez para outros casos (vide fls. 4286), onde indicou informações mais detalhadas a respeito da referida perda (data da contabilização, valor efetivo da perda). Intimar inclusive para que a Recorrente vincule o saldo remanescente negociado com a prova do efetivo pagamento, podendo nesse caso ser utilizada uma amostragem menor apenas dar uma melhor credibilidade às informações; Conciliar as informações analíticas colhidas no item anterior com a Relação das perdas anteriormente enviadas. Intimar ainda o contribuinte ou mesmo os clientes envolvidos nas transações, se for o caso, a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à validez desses registros; Em relação aos débitos de R$ 5.000,00 a R$ 30.000,00 (no montante de R$ 5.227.332,77), vencidos há mais de um ano, como requer o art.9°, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96, auditar por amostragem, nos mesmos moldes acima, de forma a verificar no caso, a prova da manutenção dos procedimentos administrativos de cobrança para os débitos vencidos na época há mais de um ano; Em relação à primeira infração (custos ou despesas não comprovados: I) Comissão paga a lojistas pela intermediação de contratos de financiamento de veículos; II). Despesas com remuneração de interveniência de terceiros), intimar a Recorrente a fazer a vinculação das DIRF com os beneficiários e as despesas contabilizadas, também por amostragem; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 20DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10480.903073/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto.
Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final.
PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS.
Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3302-012.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: Larissa Nunes Girard
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CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 30 73 /2 01 3- 86 Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em síntese: Em análise no presente processo o litígio decorrente de Despacho Decisório emitido quando da análise do(s) PER/DCOMP n° 11652.98780.201212.1.1.01-7288, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 2° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de créditos de aquisições de produtos que não atendem os requisitos para o creditamento. Conforme se vê do Relatório Fiscal, as glosas se referiram a aquisição de coque de petróleo, além de outros produtos (descrição constante do Anexo "Demonstrativo dos Créditos do IPI Passíveis de Ressarcimento”). A Manifestante alega, em síntese, que todas as aquisições referem-se a insumos utilizados e consumidos no processo industrial, sustentando sua afirmação em laudo técnico anexo à Manifestação de Inconformidade. A Turma da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. Aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente REQUER: em sede de preliminar, que seja: a. a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança de todos os “débitos” albergados no processo administrativo n° 10480-900.308/2014-69 (Processo de Crédito nº 10480.903073/2013- 86), face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN; art. 74, §§ 4°, 7°, 9°, 11, da Lei n° 9.430/96; o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e 137, da Instrução Normativa RFB n° 1717, de 17 de julho de 2017); b. por força dos mesmos dispositivos legais, que tais processos “de débito” passem a constar como “exigibilidade suspensa” nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma seja não sejam impedimento à obtenção de imprescindível Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa - CPD-EN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, tampouco sejam enviados ao CADIN, conforme art. 7° da Lei n° 10.522/2002; No mérito, que seja revisado e reformado o Acórdão proferido pela DRJ, o qual foi cientificado ao contribuinte, inclusive com realização de imprescindível prévia perícia, mais uma vez justificada e requerida, por prevalência da verdade material no âmbito administrativo, conforme determina o art. 149, IV e VIII do CTN e é o núcleo das Súmulas n°s 346 e 473 do STF. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento, à tempestividade e ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 02 de setembro de 2020, às e-folhas 222. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de outubro de 2020, às e-folhas 223. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. Passa-se à análise. A ora Recorrente, em 20.12.2012, apresentou o PER/DCOMP n° 42333.36803.201212.1.1.01-4402, com crédito referente ao ressarcimento de R$ 1.009.251,51, transmitido para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, sendo referido saldo credor relativo ao estabelecimento n° 10.656.452/0023-95. Sobre o direito aos créditos básicos de IPI, assim dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI de 2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) O Parecer Normativo CST n° 65/79 é um ato normativo expedido por uma autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do conteúdo e alcance do art. 226, I do RIPI/2010, acerca de quais seriam os insumos que ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Em virtude de abordar precisamente os elementos fáticos e pelo seu didatismo, trago o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3402-007.295, de Relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a partir das folhas 06 daquele documento: Parecer Normativo CST n° 65/79 (DOU de 6/11/79) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.18.01.00 - Crédito do imposto - Matérias-primas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem. A partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu Ativo Permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CSTn° 181/74. Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). O artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8 a do artigo 2 o do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3. Diante disto, ressalte-se serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 8a): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 - Note- se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias- primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2- Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em ‘incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão ‘consumidos’ sobretudo levando-se em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...) 11 - Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ao que se observa do Parecer Normativo CST n° 65/79, a partir da vigência do RIPI/1979, o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI foi alterado, não se exigindo mais que o consumo se desse "imediata e integralmente" 4 no processo de industrialização, ou seja, o consumo do bem pode se dar após vários ciclos produtivos; e de outra parte, impedindo o creditamento aos bens classificados no Ativo Permanente. 5 A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC/73, cujos termos vincula este Colegiado, acolhe a tese, veiculada pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste apenas indireto, tendo sido assim ementada: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [negritei] (Grifo e negrito próprios do original) No caso, a fiscalização sustentou as glosas de créditos nas aquisições de materiais refratários pelo não enquadramento no conceito de assemelhados a produtos intermediários para fins de creditamento de IPI (Parecer Normativo CST n° 65/79), conforme Relatório Fiscal. O Recorrente, já na Manifestação de Inconformidade, apresentou Laudo Técnico, a partir das e-folhas 101. Do próprio Laudo Técnico acostado pelo Recorrente à Manifestação de Inconformidade, extrai-se que: - Do coque de petróleo: A Manifestação de Inconformidade traz a seguinte alegação às folhas 08 daquele documento: 1) o produto COQUE DE PETRÓLEO, cujas aquisições pela Impugnante gerou crédito de IPI no montante de R$ 1.380.143,58, corresponde mais de 78,41% dos créditos glosados e é utilizado na industrialização de cimento (produto tributado à alíquota zero e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo), conforme Laudo Técnico n° 115 6562-205 (doc. anexo); Desconsideração do coque de petróleo como matéria-prima ou produto intermediário na fabricação do cimento, tendo se entendido que o mesmo é mero combustível utilizado na geração de energia térmica. - Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si (e-folhas 107): TIJOLO ALUM. Cl (288927) TIJOLO BÁSICO (295208) TIJOLO BÁSICO (455103) TIJOLO BÁSICO (455108) TIJOLO BAS; MAG (445231) TIJOLO BAS; MAGN (445227) TIJOLO ALUM. C2 (288853) Os tijolos citados acima, 5.7 a 5.13, são utilizados como elementos protetores da estrutura do forno, sendo que são parcialmente consumidos na fabricação do clinquer em função do atrito e alta temperatura. Esses elementos são substituídos em intervalos não necessariamente periódicos. Atualmente esse intervalo é de aproximadamente 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do concreto alum (e-folhas 106): CONCRETO ALUM (377846) Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 CONCRETO ALUM (288146) CONCRETO SIC SU (376472) O material acima, 5.1 a 5.3, é utilizado para revestimento de regiões quentes do forno de clinquer e torre de ciclones. O material é aplicado em média a cada 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da argamassa (e-folhas 107): ARGAMASSA ALUM (146432) ARGAMASSA SIL-A (214001) ARGAMASSA BASIC (455132) Os materiais citados acima, 5.14 a 5.16, são utilizados para assentamento dos tijolos refratários quando instalados no forno de clinquer. Sua função principal é corrigir os desníveis presentes nas peças de refratário ou casco do forno. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do corpo moedor (e-folhas 106): CORPO MOEDOR; D (343023) CORPO MOEDOR; D (342918) CORPO MOEDOR; M (343037) Estes materiais, 4.1 a 4.3, possuem reposição mensal de acordo com medições de volume ocupado dentro do moinho, e que equivalem a 2 ton. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da chapa: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 18: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 6.2 CHAPA ESP 3733002301 HAVER&BOECKER (283870) O item 6.1 são telas que compõem a peneira da ensacadeira. A sua função é não deixar passar corpo com alta granulometria para não entupir os bicos. A cada 8 meses fazemos a sua troca em função do desgaste da passagem do material. Os itens 6.2 e 6.3 são as chapas de encosto e mangotes dos bicos, que também sofrem desgastes durante a expulsão dos sacos após atingir o seu peso. A cada 6 meses sofrem substituição, bem como o item 6.4 responsável pelo acionamento das duas correias transportadoras da “camara” de limpeza dos sacos cheios. Demais itens (6.5 a 6.9) são correias transportadoras que transportam os sacos de cimento ao sair da Ensacadeira até a Paletizadora. Elas sofrem desgastes pela abrasão do saco de papel e a borracha durante o transporte. Com frequência media de troca de 7 meses, variando em função da posição ou caso de quebra por algum acidente. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 - Da correia transp (e-folhas 104): O item acima citado, corresponde a correia de transporte de material advindo do britador primário que é levado para a pilha pulmão de material bruto. O desgaste das correias também ocorre em função do contato direto entre material transportado e superfície das mesmas. A substituição ocorre sob demanda a partir de avalição técnica, ou anomalia indesejada. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da placa eutectic: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 19: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. Quanto à conversão do julgamento em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com a devida vênia, divirjo quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Importante ressaltar inicialmente que se analisa o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no contexto do IPI, tributo para o qual tais definições foram há muito assentadas, a exemplo dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Por meio das referidas normas, ficou definido que partes e peças de máquinas não se confundem com as matérias-primas ou produtos intermediários. E, considerada essa exclusão, para além da matéria-prima, do produto intermediário stricto sensu e do material de embalagem, geram direito a crédito outros bens, desde que não contabilizados no ativo permanente e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não sejam partes e peças de máquinas. O segundo aspecto a se considerar é que se analisa os bens passíveis de serem classificados como insumo para a industrialização do cimento. Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-012.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903073/2013-86 Partindo dessas premissas, entendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência, haja vista que os produtos submetidos à apreciação pelo Colegiado estão adequadamente identificados e descritos nos autos. Resta-nos realizar uma discussão conceitual a partir das informações existentes, e suficientes, como realizado no julgamento de primeira instância. Portanto, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15374.913746/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.079
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 15374.913746/200870 Resolução n.º 1401000.079 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Os fatos constantes dos processos nº 15374.913733/200809, 15374.913734/200845, 15374.913736/200834, 15374.913743/200836, 15374.913744/2008 81, 15374.913745/200825, 15374.913746/200870, 16374.913847/200814, 16374.913749/200811, 15374.913750/200838, 15374.913751/200882, 15374.913752/2008 27, 15374.913758/200802, 15374.913761/200818, 15374.913762/200862 e 15374.913763/200815 são os mesmos. Tratam os feitos de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação não homologada pela DERAT – RJ, ao argumento de inexistência do direito creditório indicado em PER/DCOMP. Segundo consta dos autos, a Recorrente realizou o pagamentos a título de antecipação do imposto de renda pago devido por estimativa na apuração do imposto de renda pelo lucro real anual. Classificando referido recolhimento como “Pagamento Indevido ou a Maior”, a Recorrente pretende, por meio da presente DCOMP, a utilização de referido crédito para compensação com débitos de IRPJestimativa de anoscalendário posteriores. Em análise perante a DERAT/RJ, foi identificado que os pagamentos objeto de pedido de restituição constam no sistema da RFB como tendo sido utilizado e não disponível. Assim, foi negada a compensação postulada, por inexistência do creditório objeto de restituição. Em cada um dos processos, intimada a contribuinte acerca do despacho denegatório da compensação, a Recorrente apresentou idêntica manifestação de inconformidade, em que alegou ter acumulado durante os anoscalendário de 1998 a 2002, sucessivos saldos negativos de imposto de renda. Alega, ainda “que as compensações efetuadas até o mês de setembro de 2002, não estavam sujeitas a elaboração de procedimento formal para a Receita federal, ou seja, não era necessária a elaboração do formulário de compensação”. Diante disso, alega que “no exercício de 2001, a empresa apurou um imposto a pagar no valor de R$ 30.433,97, que por sua vez, foi devidamente compensado com os créditos gerados pelas antecipações efetuadas no exercício de 1999”. Por fim, a Recorrente reconhece que “a declaração deveria ter sido apresentada como saldo negativo” mas que “naquela época, ainda existia muitas dúvidas em relação ao preenchimento da declaração em questão (PERDCOMP), naquele momento, por uma interpretação, a declaração foi preenchida como pagamento indevido a maior”. Assim, a Recorrente apresentou nova DCOMP, como original, mas com o objetivo de retificar a declaração originalmente apresentada. Postas as manifestações de inconformidade em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro, foram as mesmas rejeitadas ao fundamento de que não seria possível, em sede recursal, alterarse o crédito objeto de restituição para formalizar a compensação originalmente postulada e que havia sido negada pela inexistência do direito creditório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 15374.913746/200870 Resolução n.º 1401000.079 S1C4T1 Fl. 3 3 Inconformada, a Recorrente apresentou recursos voluntários, em que alega não ter havido alteração do direito creditório na manifestação de inconformidade. Segundo entende, a nomenclatura “saldo negativo” teria sido criada pela IN nº 600, de 2005, razão pela qual a Recorrente se utilizou de referido termo, mas que pretende a restituição do mesmo crédito, composto pelo recolhimento “a maior” das estimativas no curso do anocalendário. No entanto, no seu entendimento, “pouco importa a nomenclatura que se dê para o direito creditório declarado. O simples erro de classificação do direito creditório não deve ensejar a cobrança de valores que efetivamente inexistem. Isto porque é relevante a existência em si do crédito, sendo indiferente a classificação que lhe for atribuída”. Fundada assim, no princípio da verdade material, a Recorrente pugna pela reforma das decisões recorridas e o efetivo reconhecimento do direito creditório. Como prova de seu crédito, apresentou planilha com a composição das antecipações do IR recolhidos por estimativa e do imposto de renda a pagar nos anos calendário 1995 a 2002. Dada a identidade material dos processos 15374.913733/200809, 15374.913734/200845, 15374.913736/200834, 15374.913743/200836, 15374.913744/2008 81, 15374.913745/200825, 15374.913746/200870, 16374.913847/200814, 16374.913749/200811, 15374.913750/200838, 15374.913751/200882, 15374.913752/2008 27, 15374.913758/200802, 15374.913761/200818, 15374.913762/200862 e 15374.913763/200815, promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento conjunto dos processos. É este, em suma, o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator Os recursos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos legais, deles conheço. Identifico no caso dos autos que a Recorrente errou, de fato, ao indicar como direito creditório, as estimativas recolhidas no curso dos anoscalendário. No entanto, identifico também que existiu inequívoca intenção de postular a restituição do saldo negativo apurado em referidos anos. Na verdade, encerrado o anocalendário, as estimativas recolhidas no período se consolidam para a formação do saldo de imposto e, caso haja recolhimento acima do apurado, este é trazido na formação do saldo negativo. Assim, em essência, o saldo negativo nada mais é do que os recolhimento a maior do imposto no curso do anocalendário a título de estimativas ou de imposto retido na fonte. Assim, em homenagem ao princípio da verdade real e do não enriquecimento ilícito do estado, entendo que os pedidos de restituição em análise devem ser processadas como Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 15374.913746/200870 Resolução n.º 1401000.079 S1C4T1 Fl. 4 4 o sendo em relação ao saldo negativo, na esteira de inúmeros pronunciamentos anteriores desta mesma 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF. Lado outro, identifico que existem informações no sistema da Receita Federal do Brasil suficientes para a identificação do direito creditório postulado, tendo em vistas as declarações de imposto de renda e DIRF’s constantes do sistema. Diante disso, proponho seja o presente feito convertido em diligência, para apuração do seguinte: 1) seja extraídas do sistema da RFB e colacionadas aos autos as DIPJ’s dos anoscalendário em que foram recolhidas as estimativas objeto do pedido de restituição; 2) seja verificado o direito creditório nas DCOMP’s em análise, tomandose o pedido de restituição das estimativas como pedido de restituição do respectivo saldo negativo do ano em que foram recolhidas; 3) sejam promovidas as diligências e verificações necessárias à constatação do direito creditório, tomandose o pedido de restituição como sendo relativo aos respectivos saldos negativos; 4) seja elaborado parecer conclusivo acerca dos PER/DCOMP, tomandose o pedido de restituição como sendo relativo aos respectivos saldos negativos; 5) seja notificado o contribuinte acerca dos termos da presente diligência. Cumpridos os termos da diligência, retornem os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006045/2003-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.067
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.006045/200314 Resolução n.º 140200067 S1C4T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO LUSON VEICULOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA – CURITIBAPR em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 13/16, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 16.551,66 de PIS e R$ 12.413,74 de multa de ofício de 75%, prevista no art. 86, § 1º, da Lei n.º 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 2º da Lei n.º 7.683, de 02 de dezembro de 1988, e art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos encargos legais. A autuação, cientificada em 04/07/2003 (fl. 15), ocorreu devido à falta de recolhimento da contribuição ao PIS, relativa aos períodos de apuração 03/1998 a 04/1998, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 16, demonstrativo de apuração de fl. 13, demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 14, tendo como fundamento legal os arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 07, de 1970, os arts. 2º, I, 3º, 8º, I, e 9º, da Medida Provisória n.º 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n.º 9.715, de 25 de novembro de 1998. Na referida descrição dos fatos (fl. 16) consta que a interessada, para os períodos de apuração fiscalizados, foi intimada a apresentar demonstrativo das bases de cálculo da Cofins e respectivos recolhimentos; como resposta forneceu o demonstrativo de fl. 04, cujos valores teriam sido extraídos de sua escrita contábil, informando, também, que os valores de Cofins devidos teriam sido compensados por meio de petições protocolizadas no processo administrativo fiscal (PAF) n.º 10912.000051/9862; os citados pedidos de compensação não foram homologados pela autoridade competente, conforme despacho decisório de fls. 11/12, e os débitos vinculados aos pretensos indébitos ficaram sem uma razão legal para nãorecolhimento, o que motivou o lançamento de ofício. Tempestivamente, em 01/08/2003, a interessada, por intermédio de representante legal, apresentou a impugnação de fls. 20/30, instruída com os documentos de fls. 31/40, cujo teor é sintetizado a seguir. Inicialmente, esclarece que é sucessora de Servopa São José Comércio de Veículos Ltda. (inscrita sob o mesmo CNPJ), tendo adquirido o negócio e iniciado suas próprias operações a partir de 04/1994; no item intitulado “A origem do crédito de imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ”, fala que a sucedida era detentora de prejuízos fiscais no montante de CR$ 29.815.367,00, conforme declarações de rendimentos relativa ao ano calendário 1993. Apresenta, no seguimento, demonstrativos dos valores que teria pagado a maior ou indevidamente, a título de IRPJ, relativamente a períodos de apuração dos anoscalendário 1994 a 1997 (fls. 22 a 27), e que teriam sido utilizados para as compensações de PIS e Cofins que teria realizado, conforme indica em demonstrativos de fl. 28; relativamente ao PIS, observa que “(a) a compensação do PIS sobre o fato gerador ocorrido em abril de 1998, no montante de 8.801,52, no entanto no processo protocolado na SRF em 11/05/98 sob o n. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.006045/200314 Resolução n.º 140200067 S1C4T2 Fl. 3 3 10912.000051/9862, o valor a compensar é de R$ 8.802,05;”; apresenta, à fl. 29, resumo dos procedimentos que adotou para o cálculo da variação monetária e/ou juros sobre o IRPJ que teria pago a maior ou indevidamente, além de dizer que as DIPJ, DCTF e LALUR, correspondentes aos anoscalendário mencionados serão objeto de retificação, com o objetivo de adequar corretamente as informações pertinentes. No item “Da inaplicabilidade da multa e dos juros de mora sobre as compensações tributárias”, argumenta que por entender improcedentes as exigências de PIS e de Cofins feitas nos autos de infração, igual tratamento deve ser dado aos valores cobrados a título de multa de ofício e de juros de mora. Por fim, requer o acatamento de sua impugnação, para que se determine o cancelamento integral do auto de infração. À fl. 41, despacho da ARF/SJP atestando a tempestividade da impugnação. Pelo despacho de fls. 42/43, esta 3ª Turma de Julgamento devolveu o processo à DRF/CTA para verificar se havia sido dada ciência à interessada do despacho decisório de fls. 11/12, e, caso negativo, para que fosse providenciada tal ciência. Em atendimento, consta à fl. 45 despacho da ARF/São José dos Pinhais PR, encaminhando cópia do referido despacho decisório e reabrindo prazo para eventual manifestação da contribuinte. Cientificada em 31/10/2006 (AR à fl. 46), de acordo com o despacho da ARF/São José dos Pinhais de fl. 47, não houve manifestação da interessada dentro do prazo concedido (30 dias). A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. Comprovandose a inexistência, nos autos, de reconhecimento de direito creditório com vistas à compensação de débitos fiscais de PIS, tornase imperativo o lançamento de ofício dessa contribuição, que de outra forma restou não extinta. Lançamento procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, buscando demonstrar a origem de seu direito creditório em saldos negativos de IRPJ dos períodos de apuração dos anoscalendário de 1994 a 1997, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.006045/200314 Resolução n.º 140200067 S1C4T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência do PIS, em face de o contribuinte ter realizado compensações com pretensos créditos de IRPJ, relativo a saldos negativos dos anos de 1995 a 1997. Verificase de plano que embora se trata de auto de infração do PIS não há litígio quanto aos débitos. A autuação originou exatamente pelo fato de a Unidade de origem não ter reconhecido o direito creditório do contribuinte no processo 10912.000064/9812. Ocorre que, tal qual asseverado na decisão de 1a. instancia, o aludido pleito foi indeferido sem apreciação do mérito em face do não atendimento de aspectos formais atinentes à Instrução Normativa nº 21/97 (despacho de fls. 11 e 12). A DRJ manteve a exigência, não apreciando as alegações do contribuinte sobre seu direito creditório pelos seguintes fundamentos: Por seu turno, uma vez que a contribuinte faz alegações sobre a origem do suposto direito creditório de IRPJ, cabe destacar não ser possível tal análise no presente processo, relativamente às razões atinentes ao reconhecimento do mencionado direito, posto que tal análise somente poderia se dar no âmbito do precitado PAF n.º 10912.000064/9812, do qual estes autos são, processualmente, independentes. Convém esclarecer, também, que à interessada foi dada ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de restituição/compensação (fls. 45/46), com possibilidade de a mesma contra ele se manifestar, o que acabou não se realizando, conforme despacho de fl. 47. Em que pese serem os processos serem independentes, no presente caso, verificase que não há prova de que o contribuinte foi cientificado do indeferimento de seu pleito no processo 10912.000064/9812, que a seguir foi arquivado. Aliás, a diligencia fiscal da DRJ à fl. 4243 foi justamente para juntar aos autos prova de que o contribuinte fora cientificado do indeferimento e, caso contrário, intim´´alo apresentar razões adicionais (o que foi feito, vide fl. 46). Diante dessa situação especifica, cabe sim analisar o direito creditório do contribuinte no presente processo. Pois bem, da análise dos elementos trazidos aos autos pelo contribuinte não é possível concluir se realmente ocorreram recolhimentos indevidos ou a maior do IRPJ nos aludidos anoscalendário, pelo que propugno pela conversão do processo em diligencia para: 1) verificar todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte relativo ao IRPJ dos anoscalendário de 1994 a 1997; tomandose por correto os valores devidos declarados pelo contribuinte em suas DIPJ as fls 70166, apurar o eventual direito creditório do contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.006045/200314 Resolução n.º 140200067 S1C4T2 Fl. 5 5 – verificar se o contribuinte utilizou tais créditos para compensação com outros valores. Apurar os valores remanescente a pagar neste processo após as compensações dos créditos do contribuinte. Cientificar o contribuinte das verificações realizadas e reabrir prazo para manifestação. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 18471.000525/2005-87
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.064
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora, que se curvou ao entendimento da maioria.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora, que se curvou ao entendimento da maioria. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Viviani Aparecida Bacchmi, Maurício Pereira Faro, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Relatório Os autos retornaram de diligência solicitada pela então Oitava Câmara, quando da análise do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte e de Recurso de Ofício. Por economia processual, utilizome do relatório do Voto que determinou a diligência, para esclarecer do que trata a questão. “Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, lavrados em 05/05/2005 e cientificados ao contribuinte em 11/05/05 (fls. 1.040 e ss.). O Auto de Infração principal (IRPJ) contém os seguintes lançamentos: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 2 2 001 – Omissão de Receitas – Receitas não Contabilizadas – Fato Gerador em 31/12/2001. 002 – Omissão de Receitas – Passivo Fictício – Fato Gerador em 31/12/2001 (três lançamentos) e 31/12/2002 (dois lançamentos) – Item 10 do Termo de Constatação. 003 – Omissão de Receitas – Receitas não contabilizadas – Fato Gerador em 31/12/2001. 004 – Custos ou Despesas não comprovadas – Glosa de Despesas – Fato Gerador em 31/12/2001 – Item 09 do Termo de Constatação 005 – Glosa de Variações Monetárias Passivas – Variação Monetária – Fato Gerador em 31/12/2001 e 31/12/2002 – Item 10 do Termo de Constatação. 006 – Glosa de variações monetárias passivas – variações cambiais – Fato Gerador em 31/12/2001 e 31/12/2002 – Item 10 do Termo de Constatação. Os itens 001 e 002 do auto de infração principal também geraram lançamentos para Contribuição ao PIS e à COFINS. Em relação à CSLL, foi lavrado auto de infração e incluídos todos os itens da autuação principal (item 001 da CSLL corresponde aos itens 003, 004, 005 e 006 do IRPJ, fundamentados como falta de recolhimento da CSLL; o item 002 da CSLL corresponde aos itens 001 e 002 do IRPJ e estão fundamentados em CSLL sobre receitas omitidas). Intimada acerca do aludido Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou sua Impugnação, alegando, em síntese: 1) Nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação e ilegitimidade da presunção: A autuação carece de clareza e precisão, faltandolhe assim o requisito da “motivação”, o que viola o princípio da ampla defesa. A acusação é vaga e imprecisa, uma vez que não foram indicadas as folhas em que se encontram os documentos mencionados que embasam a atuação. Em relação ao item 001, a presunção não é legítima uma vez que a fiscalização possuía meios de investigação dos valores acusados como devidos, principalmente considerando que a mesma estava em posse dos livros de IPI. Em relação ao item 002, há ausência de relação entre causa (suposto não atendimento a intimações voltadas à obtenção de esclarecimentos relativos a variações cambiais) e efeito (presunção de omissão de receitas, consistente na não comprovação da totalidade dos passivos referentes a empréstimos), o que “fere” a exigência. Por ser ato administrativo vinculado, o Auto de Infração necessita de motivação para ter validade, o que não ocorreu haja vista a ausência de nexo causal e em razão de indicação vaga e imprecisa das normas. 2) Captação, juros e variações cambiais Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 3 3 a) Considerando que o passivo fictício é o passivo inexistente, a fiscalização, diante do atraso na apresentação de documentos relativos às variações cambiais, presumiu que todos os passivos relativos ou não aos documentos e às variações cambiais eram fictícios. b) Ademais, não indica a autuante quais os indícios que basearam a presunção, contrariando o princípio da verdade material. c) O artigo 40 da Lei 9.430/96 trata de presunção (relativa) de omissão de receitas, tendo o contribuinte a possibilidade de apresentar documentos que comprovem a origem dos recursos. Porém, no presente caso, este não teve a oportunidade de apresentar documentação, sendo presumidos como fictícios os passivos cuja comprovação não foi solicitada. d) Os passivos alegadamente incomprovados têm fundamento em contratos de financiamento firmados juntos à instituição financeira KFW, bem como ao UNIBANCO, relativamente à linha de crédito FINAME e, também a linha decorrente de repasse pelo BNDES, cujos contratos foram apresentados, não havendo dúvida quanto à real existência da abertura de linhas de créditos e efetiva tomada de empréstimos. e) Os recursos captados eram muitas vezes entregues diretamente aos fornecedores, sem trânsito de numerário pelas contas bancárias da ora Recorrente, conforme tabela apresentada. Ademais, também comprovam a obtenção dos referidos recursos os extratos bancários juntados, afastando a presunção realizada pelo fisco. g) Desconsiderar os documentos apresentados e manter a acusação do fisco com base na não comprovação dos passivos seria dizer que a KFW, o UNIBANCO (com respaldo do BNDES e da FINAME) e as empresas multinacionais mencionadas na planilha de demonstração das Captações e Empréstimo, teriam em conluio (doloso) simulado uma gama de operações com o objetivo de lesar os cofres públicos brasileiros. 3) Variações Monetárias Passivas e Variações Cambiais Passivas a) Uma vez comprovada a efetiva captação de recursos pela Recorrente por meio dos contratos de empréstimos, extratos bancários e Registro de Operações Financeiras (ROF), e a legitimidade de sua manutenção no passivo, não podem ser glosados os valores relativos a juros e variação cambial, pois decorrentes da obrigação principal (empréstimos). b) No contrato de abertura de crédito relativo à linha FINAME, assim como aquelas relativas ao BNDES e KFW, há previsão expressa da incidência de encargos (juros e/ou comissões), o que legitima o lançamento das despesas financeiras correspondentes a tais encargos no passivo. c) A dedutibilidade de tais despesas, tais como pagamento de juros decorrentes de empréstimos tomados para formação do parque industrial, justificase por estas serem necessárias à manutenção da atividade do contribuinte. d) De acordo com a tabela de fls. 1133/1134, os valores glosados a título de juros e variação cambial nos anoscalendário de 2001 e 2002 não podem ser considerados “receitas”, uma vez que possuem natureza de despesa. O mesmo ocorre com os valores apresentados na tabela às fls. 1135. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 4 4 e) Há documentação hábil e idônea para a comprovação da efetividade dos empréstimos, tais como contratos de empréstimos, extratos bancários e planilhas de cálculo, demonstrando a presunção indevida da omissão de receitas feita pelo fisco. 4) Comprovação dos pagamentos a) A efetiva existência das captações, os juros e as variações cambiais registradas no passivo também podem ser demonstrada através da relação de pagamentos realizada entre 2001 e 2004 para cada uma das modalidades de financiamento e juntada aos autos acompanhada dos extratos bancários. b) Os financiamentos sob análise foram integralmente liquidados pela CSN I S.A. (investidora) na aquisição de controle acionário da Impugnante, conforme demonstram os contratos de financiamento firmados e o demonstrativo da posição contábil dos empréstimos em junho de 2004. c) A nova controladora realizou os pagamentos a partir de um aumento de seu capital social, realizando a seguinte operação: (i) a investidora realizou o pagamento dos financiamentos, registrando a transferência de recursos para a Impugnante como adiantamento para aumento de seu capital social – AFAC (“Adiantamento para Futuro Aumento de Capital”), conforme consta no razão e livro Diário; (ii) foi deliberado o efetivo aumento do capital social da Impugnante, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 22.06.2004; (iii) foi baixada a conta AFAC em contrapartida do aumento do capital social. 5) Despesas não comprovadas no valor de R$ 3.887.173,17 a) Não procede a glosa das despesas relativas à dedução da Receita Bruta do IPI no montante de R$ 3.887.172,17. b) Apesar de a Impugnante não ter iniciado exploração de atividades que integram seu objeto social até março de 2001, realizou a venda de sucatas e rejeitos decorrentes de testes de seus maquinários e processos industriais, sendo o valor desta venda lançado à crédito na conta do ativo diferido, nos termos do artigo 179 da Lei n° 6.404/76 e da Decisão n° 86/1999 da Secretaria da Receita Federal. c) Assim, a diferença, apontada no quadro constante do Item 9 do Termo de Constatação, entre a receita obtida pela soma de valores relativos a faturamento registrados no livro de IPI e aquela lançada na DIPJ, não decorre de dupla dedução de IPI como presumido pelo fisco, mas de registro contábil dos resultados auferidos com as vendas de sucatas e rejeitos no ativo diferido. d) O valor de IPI incidente nestas vendas e destacado nas Notas Fiscais, juntadas exemplificadamente, não é incluído na receita bruta conforme artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, sendo, portanto, legítima sua dedução da receita bruta no montante de R$ 3.887.172,17, exatamente o valor glosado pela fiscalização. e) Tendo em vista o volume de documentos envolvidos, requereu a Impugnante diligência para que fossem efetuadas as comprovações. 6) Receitas não contabilizadas no valor de R$ 1.308.363,02 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 5 5 a) Não deve proceder à suposta omissão de receitas apurada a partir de diferença entre os valores das bases de cálculo registrados pela Impugnante no Livro de Saída modelo 2 e os valores declarados na DIPJ, valores estes considerados pela fiscalização como receitas tributáveis decorrentes das diferenças de vendas nos mercados interno e externo. b) O valor omitido deve ser dividido em três parcelas: R$ 130.707,92; R$ 892.840,51 e R$ 284.983,36. c) A quantia de R$ 130.707,92 corresponde a créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Impugnante, em decorrência de erro na emissão de Notas Fiscais – Fatura. d) Tendo em vista o erro, foi enviada carta de correção, anexadas aos autos, comunicando equívoco do valor exigido superior ao contratado. Tais cartas foram emitidas após o encerramento do período de apuração do IPI e embora não tiveram o condão de alterar a escrituração do livro de saídas, influenciaram a escrituração da contabilidade, que reconheceu apenas os valores que seriam corretos. e) Os valores de R$ 892.840,51 e R$ 284.983,36 se referem a vendas de sucatas promovidas nos meses anteriores a março de 2001, antes do início da exploração das atividades operacionais da Impugnante. f) Assim, tais valores devem ser escriturados no ativo diferido para posterior amortização, conforme determina disposição do artigo 179 da Lei n° 6.404/76, Decisão n° 86/99 da Secretaria da Receita Federal, bem como nas instruções do Manual de Contabilidade das Sociedades por Aços – FIPECAFI e em doutrina citada. Não são os referidos ingressos registrados como receitas. g) Ainda que se admitisse razão ao fisco, o lançamento deveria compreender apenas encargo de mora. 7) Receitas não contabilizadas no valor de R$ 6.260.834,97 a) Não caracteriza omissão de receita, o valor relativo ao lançamento baseado na divergência dos valores escriturados no Livro de Registro de IPI e dos valores declarados na DIPJ a título de receita de exportação. b) Conforme a legislação do IPI, a nota fiscal deve ser emitida antes de iniciada a saída do estabelecimento industrial ou equiparado, sendo que em cada remessa de mercadoria para o porto é emitida nota fiscal de exportação, mesmo que não corresponda a uma exportação imediata. Cada nota de exportação emitida gera um lançamento no livro de Registro de Saídas ainda que não represente uma imediata exportação. c) No entanto, cada emissão de nota fiscal não gera o registro contábil de receita, que só é considerada quando ocorrida no momento da tradição, ou seja, na data de embarque para o exterior. Neste momento fica o exportador obrigado ao reconhecimento da receita de exportação. d) Assim, por conservadorismo, a Impugnante não registra as receitas por ocasião da emissão de notas fiscais de remessa, mas apenas as reconhece no momento a emissão de invoice que corresponde à integralidade do lote formado, necessário para embarque. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 6 6 e) Tal procedimento encontra respaldo na Instrução Normativa n° 28/94, bem como na Portaria n° 356/88. f) Desta forma, os saldos das receitas de exportação contabilizados não podem coincidir com os constantes do Livro de registro de saídas, pelos seguintes motivos: (i) variação do câmbio; (ii) defasagem temporal entre a escrituração do livro de saídas, regida pela saída da mercadoria do estabelecimento e a contabilização da receita regida pelo embarque. g) Assim, as divergências dentro do mesmo período de apuração entre o total saído do estabelecimento e o total exportado explica a diferença imputada como omissão de receitas. h) Requereu que seja autorizada a juntada de documentos caso se entenda que os que foram anexados a título exemplificativo sejam insuficientes. 8 – Lançamentos reflexos: CSLL, PIS e COFINS a) Por se tratarem de lançamentos reflexos, uma vez canelada a exigência de IRPJ não se deve exigir os demais tributos. Em 08/11/2005, a autoridade julgadora solicitou realização de diligência (fls. 1225/1226), no qual foram elaborados os seguintes quesitos: identifique discriminadamente, relativamente ao quadro de fls. 1041, que embasou a lavratura dos itens 01, 03, 04 do auto de infração, dentre os valores da coluna “valor contábil”, quais parcelas correspondem a meras transferências; vendas canceladas; vendas cujas respectivas notas fiscais foram posteriormente retificadas, informando os novos valores; vendas relativas à fase préoperacional da empresa, passíveis de contabilização no ativo diferido; esclareça, tendo em vista o disposto na Portaria 356 de 05/12/1988, se o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no Livro Registro de Saídas é coincidente com aquele utilizado para cálculo da Receita Bruta, informando ainda, em caso de divergência, quais as datas utilizadas como critério para efeitos de conversão em cada caso; esclareça, à vista da alegação da interessada de que reconhecia as exportações, para efeitos de cálculo do lucro real, por critério temporal (data de embarque) diverso daquele adotado na escrituração do Livro de Saída (regida pela saída da mercadoria) se de fato ocorreu a referida divergência, de forma que, em caso afirmativo, seja refeita de forma compatível a comparação entre o valores das exportações informadas na DIRPJ e no livro de saídas; à vista das respostas dos itens antecedentes, acompanhadas das provas necessárias, seja novamente elaborado o quadro de fls. 1041, que apurou omissão de receitas a partir da comparação entre as saídas escrituradas no Livro Registro de Saídas e as receitas informadas na DIRPJ; junte aos autos as provas necessárias à constatação de que o valor de R$ 3.887.172,17, relativo ao IPI do ano de 2001, teria sido duplamente considerado, haja vista que a cópia do livro registro de saídas de fls. 184/198 mostrase incompleta para tal fim. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 7 7 Foi elaborado relatório conclusivo às fls. 1229/1232, que apontou: a) Em relação ao quesito 1 da diligência, dentre os valores da coluna “valor contábil”, informa que (a.1) quanto ao subitem “meras transferências”, os CFOP relacionados na planilha não englobam as transferências que utilizam CFOP distintos; (a.2) quanto ao subitem “vendas canceladas”, não há registro das mesmas; (a.3) quanto ao subitem “vendas cujas respectivas notas fiscais foram posteriormente, informando novos valores”, o Livro de Registro já contempla as retificações das notas fiscais; (a.4) quanto ao subitem “vendas relativas à fase préoperacional da empresa, passíveis de contabilização no ativo diferido”, tais vendas são originárias de vendas de bens do ativo permanente. b) não há divergência entre o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no Livro de Registro de Saída e aquele utilizado para cálculo da receita bruta. c) afirma desconhecer o critério temporal utilizado. d) não houve divergência apurada, não foi necessária a retificação do quadro apontado. e) o valor apurado pela fiscalização a título de base de cálculo no valor de R$ 81.128.296,42, onde já está excluído o valor de IPI e o valor das devoluções, que foi comparado com o declarado na DIRPJ/2002, cujo valor é R$ 79.819.933,40, ou seja, o IPI já está excluído da receita auferida. Na DIRPJ/2002 Ficha 06 A Linha 16, o contribuinte de novo excluiu o valor do IPI. Após ciência do referido relatório em 17.02.2006 (fls. 1232 verso), a Recorrente se manifestou (fls. 1234/1242), apresentando as seguintes alegações, em síntese: A fiscalização não cumpriu a diligência uma vez que se ateve aos mesmos argumentos do relatório que embasou o auto de infração para responder os quesitos elaborados, não tendo sido trazido nenhuma nova informação ou prova para elucidar os julgadores. Em relação ao quesito 1, a fiscalização reproduziu a conclusão do relatório fiscal, deixando de cumprir a diligência. Em relação ao quesito 2, a fiscalização simplesmente se limitou a afirmar a inexistência da divergência, nada mais esclarecendo sobre o ponto. Em relação ao quesito 3, a fiscalização afirmou desconhecer o critério temporal (data de embarque), baseandose em normas que não definem qualquer critério temporal, não tendo respondido o quesito, mais uma vez. Em relação ao quesito 4, não houve modificação do quadro de fls. 1041, uma vez que nenhum dos pontos levantados pela DRJ foi respondido. Em relação ao quesito 5, nenhum documento foi juntado pela fiscalização para comprovar o valor questionado, sendo apenas reproduzidas as informações da autuação. Desta forma, os autos foram encaminhados novamente à 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, que houve por bem julgar parcialmente Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 8 8 procedente o lançamento, retificando o prejuízo fiscal declarado pela Recorrente nos anos calendário 2001 e 2002, e retificando a base de cálculo negativa da CSLL dos anoscalendário de 2001 e 2002 e também reduzindo os valores reflexos de PIS e COFINS considerados devidos, a multa de 75% e os juros moratórios. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001,2002 Ementa: RECEITA BRUTA. DEDUÇÕES INDEVIDAS. É da interessada, uma vez intimada, o ônus de demonstrar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a correção dos valores considerados redutoramente na apuração de sua base tributável. Não sendo realizadas as referidas comprovações, os respectivos montantes devem ser tributados por força do artigo 264 do RIR/1999, que estatui como obrigação acessória da pessoa jurídica a conservação de livros e comprovantes de interesse fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. Salvo as hipóteses de presunção legal, a autoridade autuante deve fazer de forma inequívoca a prova da existência de receitas auferidas à margem da contabilidade. GLOSA DE DESPESAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA REMESSA FINANCEIRA. Dedutíveis são as despesas incorridas, comprovadas, necessárias, normais ou usuais. O efetivo pagamento não é condição de dedutibilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção de omissão de receitas a partir do passivo fictício exige que seja feita prova, pela autoridade autuante, da contabilização de obrigações cujas exigibilidades não tenham sido comprovadas ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. A mera constatação de desigualdade entre as variações monetárias lançadas a crédito de passivo e a débito de conta de resultados não configura tal prova. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Intimações não atendidas possibilitam a configuração de passivo não comprovado. Lançamento Procedente em Parte. Preliminarmente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu que não restou caracterizado prejuízo à ampla defesa, uma vez que a Recorrente teve amplo acesso aos autos, demonstrando claro entendimento das circunstâncias expostas. No mérito, quanto à glosa de despesas (item 04 do auto de infração), caberia à autuada o ônus de demonstrar e comprovar a correção de valores considerados redutoramente na apuração da base de cálculo, o que não foi feito pela autuada, devendo os respectivos montantes ser tributados por força do artigo 264 do RIR/1999. Ainda, cabível também a glosa em razão de não ter sido incluído na receita bruta o valor de R$ 3.887.172,17, correspondente a IPI, que por ser imposto não cumulativo, não representa exclusão lícita da referida receita, nos termos do artigo 279 do RIR/1999. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 9 9 Ainda, quanto ao passivo fictício (captações), restou consignado que a Recorrente não foi capaz de comprovar, através de contratos de empréstimos, a existência de passivo. Os cancelamentos (item 01 e 03, bem como itens 05 e 06) serão tratados no voto quando do julgamento do Recurso de Ofício. Por fim, em relação aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL, concluiuse pela manutenção na mesma proporção em que foi mantida a autuação principal, conforme demonstrativos de fls. 1279/1280. O contribuinte foi intimado do Acórdão em 19/09/2006 (fl. 1294) e, em 18/10/2006 apresentou Recurso Voluntário (fls. 1298/1314), alegando o que segue: 1) Quanto às despesas não comprovadas no valor de R$ 3.887.172,17: a) as alegações e documentos juntados realmente não foram suficientes para comprovar a legitimidade das despesas, bem como a Recorrente cometeu equívoco ao afirmar que se tratava de venda de sucatas enquanto as despesas se tratavam de créditos concedidos a adquirentes das mercadorias da Recorrente, em decorrência da emissão incorreta das Notas Fiscais – Fatura que ampararam as respectivas saídas. b) assim como o montante de R$ 130.707,92 que compõe o valor das receitas de R$ 1.308.363,02, representava os referidos créditos concedidos a adquirentes cuja glosa foi reconhecida como ilegítima, o montante de R$ R$ 3.887.172,17 também decorre de tais créditos. Desta forma, os créditos são decorrentes do mesmo procedimento ocorrido, já explicitado em relação ao valor de R$ 1.308.363,02. c) Juntou ao presente Recurso documentos suficientes que comprovam a legitimidade do referido valor, tais como cópia das Notas Fiscais – Fatura (doc. 05), cópia das cartas de correção (doc. 03), cópia das telas de processamento de dados comprovando a concessão de créditos nas contas a receber dos respectivos clientes (doc. 04), cópia dos processos internos, instruídos com cópia das cartas de crédito, das notas fiscais e do registro contábil (doc. 03). 2) Passivo Fictício referente às captações: a) Posteriormente à apresentação da defesa administrativa, a Recorrente apresentou petição em 11/07/2006, demonstrando as captações realizadas, os pagamentos de recursos, as variações monetárias ativas e passivas correspondentes e as despesas com juros, conforme cópia anexa (doc. 06). Tal petição provavelmente não fora analisada em 1ª instância. b) Foi elaborada planilha na qual estão discriminadas, mês a mês, as captações nacionais, as despesas e os encargos incorridos pela empresa em decorrência dos empréstimos firmados internamente com as instituições brasileiras (doc. 07). Ainda, em complementação, foi elaborada outra planilha resumo na qual foi consolidado, mês a mês, o total das captações feitas pela Recorrente, os juros incorridos e o saldo a pagar em decorrência dos empréstimos (doc.08). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 10 10 c) Os valores das captações, descritos na planilha, estão devidamente registrados na contabilidade, notadamente nas fichas do Livro Razão das contas nas quais as captações e os encargos foram contabilizados, conforme documento 09. d) Junta, exemplificadamente, cópia das ordens expedidas pela empresa às instituições financeiras identificando as captações realizadas em cada linha de crédito e cópia dos informativos emitidos pelas próprias instituições financeiras, comprobatórias da efetiva liberação dos recursos, que suportam a contabilização realizada (doc. 10). e) O mesmo ocorre com as captações externas, em relação às quais foram juntadas planilhas demonstrando os meses de tais captações, os juros, a taxa adotada, a variação cambial ativa e passiva e o cálculo da variação cambial relativa ao montante da dívida (doc. 11). Ainda, em complementação, foi elaborada planilha com resumo mensal do valor total das captações, variação cambial ativa e passiva e juros (doc. 12). f) Todas as captações externas, bem como despesas e encargos foram registrados na contabilidade, conforme demonstra as fichas do Razão (doc. 13). Há recurso de ofício sobre a parcela eximida, nos termos do Acórdão da Delegacia de Julgamento. Os autos foram encaminhados a esta relatora para julgamento.” A Oitava Câmara conheceu dos Recursos de Ofício e Voluntário e decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que: Quanto à glosa no montante de R$ 3.887.172,17: A.1) Circularizar, ainda que por amostragem, os destinatários das notas de crédito constantes dos autos, conforme constante neste voto, desde que relacionadas às Notas Fiscais originárias, perquirindo se os destinatários de fato receberam e contabilizaram tais notas de crédito. A.2) Verificar e quantificar os valores constantes das notas de crédito com o montante glosado no lançamento, demonstrando eventual diferença, se existente. A.3) Verificar e quantificar, se em caso, o montante do IRPJ eventualmente incluso no valor de R$ 3.887.172,17, glosado. Quanto ao passivo fictício: B.1) A partir dos documentos das instituições financeiras que compõem o “doc.10”e o “doc.14”, ambos do Anexo XXIII, verificar se a soma daqueles financiamentos, correspondem à totalidade do passivo considerado fictício pela fiscalização. Em caso negativo, esclarecer se correspondem ao menos à parte daquele passivo fictício, quantificando o montante constante dos documentos anexos citados, relativos ao lançamento. A fim de realizar a diligência determinada, a autoridade fiscal intimou as empresas LUNICORTE INDÚSTRIA E COM. DE LAMINADOS LTDA; VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA.; FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA.; FIAT AUTOMÓVEIS AS.; INDÚSTRIA NACIONAL DE Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 11 11 AÇOS LAMINADOS INAL AS.; KOFAR PRODUTOS METALURGICOS LTDA.; ZAMPROGNA S/A IMPORTAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA, COMPANHIA MINEIRA DE METAIS; DANICA DOORS SISTEMAS DE FECHAMENTO LTDA.; e TEKNO S A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, a fim de que tai empresas apresentassem a escrituração contábil e fiscal de diversas notas de crédito emitidas pela Recorrente, todas referentes ao ano calendário de 2001. A fiscalização elaborou as planilhas de fls. 2.181/2.189, em resposta aos referidos itens de diligência, com base nos documentos fornecidos pela empresas intimadas. À fls. 2.180, o contribuinte foi intimado para se manifestar acerca dos documentos juntados ao processo, bem como das planilhas de fls. 2.181/2.189, elaboradas pela fiscalização (A.R. de fls. 2.190). O contribuinte não se manifestou conforme informa a autoridade fiscal. O relatório conclusivo da diligência foi elaborado às fls. 2.191/2.191, no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte: No exercício das funções de Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, INFORMAMOS os fatos abaixo discriminados em relação à solicitação contida no processo administrativo fiscal supramencionado fl. 1871/1872. Em atendimento ao solicitado temos a informar o seguinte: A) Quanto à glosa no montante de R$ 3.887.172,17: A.A1) Circularizar, ainda que por amostragem, os destinatários das notas de crédito constantes dos autos, conforme constante neste voto, desde que relacionadas as Notas Fiscais originárias, perquirindo se os destinatários de fato receberam e contabilizaram tais notas de crédito. R. Expedido Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos a partir das fl. 1874 até as fl. 2180, cujo resumo está às fl. 2181 até as fl. 2188 Às fl. 2188 relatamos que nenhuma empresa regularmente intimada demonstrou a sua contabilização e escrituração fiscal das NC; relatamos ainda que o montante das NC apresentadas pela empresa Galvasud é de R$ 418.311,67 (várias cópias apresentadas pela empresa Galvasud estavam repetidas nos diversos anexos). A.A2) Verificar e quantificar os valores constantes ds NC com o Montante glosado no lançamento, demonstrando eventual diferença, se existente. R. Diferença de R$ 3.468.860,50 (fl. 2188). A.A3) Verificar e quantificar, se em caso, o reflexo para o IRPJ dos valores quantificados na resposta ao item A.A2. R. Item prejudicado. Esta fiscalização não quantificou o reflexo para o IRPJ em virtude de a Decisão deste item interagir com os demais. Assim, a Delegacia de Julgamento deverá fazer o cálculo correto deste e dos demais reflexos ao final do julgamento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 12 12 B) Quanto ao passivo fictício: B.B1) A partir dos documentos das instituições financeiras que compõe o doc 10 e o doc 14, ambos do anexo XXIII, verificar se a soma daqueles financiamentos, correspondem a totalidade do passivo considerado fictício pela fiscalização Em caso negativo, esclarecer se correspondem ao menos à parte daquele passivo fictício, (segue) quantificando o montante constante dos documentos anexos citados, relativos ao lançamento. R. Total dos documentos apresentados pela empresa Galvasud, R$ 3.689.912,13 (fl. 2189) correspondente ao anocalendário de 2001. Valores não comprovados: R$ 17.611.272,65 e R$ 27.361.306,26, anoscalendário de 2001 e 2002 (fl. 2189). Estes documentos não atendem aos critérios normalmente aceitos que são: coincidentes em datas e valores, expedido por instituição financeira (extratos bancários, contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil, língua portuguesa ou traduzidos por tradutor juramentado etc). Atendemos aos quesitos formulados, deles dando ciência ao contribuinte que não se manifestou (fl. 2190). É o Relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. Pautado o processo para julgamento e após diversos pedidos de vista, curveime ao entendimento da Câmara de que nova diligência seria necessária. Conforme alegado por meus pares, a diligência voltarseia, nessa ocasião, ao Recurso de Ofício, conforme abaixo descrevo as questões apontadas. Item 2.2 Vendas para o mercado externo (Item cancelado pela DRJ, gerando análise do presente Recurso de Ofício): 31/12/2001 R$ 6.260.834,97 Em relação a esse item a fiscalização encontrou omissão de receitas a partir da divergência constatada entre os valores escriturados no livro registro de saídas e os montantes informados na DIPJ, a título de receitas de exportação. A Recorrente justifica tal divergência argumentando que decorreria da variação cambial correspondente ao período compreendido entre a data da saída da mercadoria do estabelecimento industrial e a data do seu efetivo embarque. É que as receitas de exportação eram por ela reconhecidas pelo câmbio vigente na data do embarque, enquanto o registro do livro de saídas baseavase no câmbio da efetiva saída do estabelecimento. De tal procedimento decorreriam divergências. Tal procedimento estaria embasado em ato normativo, conforme alegações, na IN 28/94 e na Portaria 356/1988. A DRJ converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 13 13 “(...) De fato, a referida Portaria, ainda em vigor, assim dispõe em seu item primeiro: A receita bruta de venda nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Tendo em vista a norma estatuída no ato administrativo acima referido, a alegação apresentada pela impugnante em sua peça de defesa, o fato de não haverem sido formalizadas intimações, ao longo da auditoria, visando, especificamente, esclarecer possíveis divergências entre o livro de saídas e a DIPJ e diante da constatação de que a defasagem de valores tida, pela auditoria fiscal, como omissão de receitas, poderia ter origens diversas, foi solicitada diligência ao órgão responsável pela atividade de lançamento, para que este, através de seus agentes, efetuasse as verificações necessárias à certeza da ocorrência do fato gerador. Aquele órgão foi solicitado, especificamente, que: (...) 3 esclareça, tendo em vista o disposto na Portaria 356 de 05/12/1988, se o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no livro registro de saídas é coincidente com aquele utilizado para cálculo da receita bruta, informando ainda, em caso de divergência, quais as datas utilizadas como critério para efeito de conversão em cada caso; 4 esclareça, à vista da alegação da interessada de que reconhecia as exportações, para efeitos de cálculo do lucro real, por critério temporal (data de embarque) diverso daquele adotado na escrituração do livro registro de saídas (regida pela saída da mercadoria) se de fato ocorreu a referida divergência, de forma que, em caso afirmativo, seja refeita de forma compatível a comparação entre os valores das exportações informadas da DIRPJ e no livro registro de saídas;" Em resposta às indagações formalizadas, o agente designado pelo órgão competente para a realização da diligência assim manifestouse (fls. 1239): “(...) 2 Em esclarecimento sobre se o câmbio de conversão utilizado para escrituração das saídas a título de exportações no livro registro de saída é coincidente com aquele utilizado para cálculo da receita bruta, afirmo não haver divergência conforme o disposto na Portaria 356/1988; o contribuinte registrou as diferenças havidas em contas específicas de variações cambiais; 3 em esclarecimento a este item, informo desconhecer o denominado critério temporal (data de embarque); o critério utilizado é o do inciso II do art. 116 do CTN c/c arts. 277, 278, 279 e 280 do RIR/1999;” A DRJ então aponta uma contradição na resposta do fiscal o que, associado à falta de “qualquer intimação fiscal ou nova verificação nos livros e documentos capazes de solucionar as dúvidas suscitadas”, provocou no dizer da DRJ “(...) a incerteza, no caso concreto, quanto a efetiva ocorrência e quantificação do fato gerador, concluo pelo cancelamento da parcela da exigência relativa a omissão de receitas de exportação.” Fl. 13DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 18471.000525/200587 Error! Reference source not found. n.º 1401000.064 S1C4T1 Fl. 14 14 Eis as palavras da DRJ apontando a contradição: “(...) as afirmações contidas no relatório conclusivo da diligência realizada não são suficientemente claras, uma vez que ao mesmo tempo em que a autoridade autuante afirma não haver divergências entre os critérios de escrituração do livro registro de saídas e da receita bruta, afirma também que as defasagens foram computadas em contas de variações cambiais e, posteriormente, alega ainda desconhecer critério baseado no câmbio válido na data de embarque, conforme determinação da Portaria 356/1988.” Nesse contexto, diante das contradições verificadas, e para que não paire dúvidas quanto à validade e legalidade do lançamento, a Câmara requer a realização de uma nova diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: Esclarecer a contradição apontada pela DRJ. Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório referente a essa infração e se for o caso, apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Glosa de despesas financeiras Quanto ao referido item, curveime pela realização de diligência para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: Enumerar a glosa de despesa financeira relativa aos empréstimos KFW – Senior 1 e KFW Mezzanine, que foram canceladas no acórdão recorrido, demonstrando se estão individualizadas no lançamento. Ao final, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Karem Jureidini Dias Relatora. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000266/2009-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 20/07/2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Impugnação fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Recurso Voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 2403-000.497
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de voto não conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Impugnação fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de voto não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, Acórdão 0116.132 5ª Turma, que decidiu por não conhecer a impugnação, por intempestividade, conforme texto abaixo. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação apresentada por CONSTRUTORA VILLAGE LTDA., em face de sua intempestividade, .mantendo o crédito tributário exigido, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais, sessenta e seis centavos) , consolidado em 22/07/2009, vigente à época da autuação, nos termos do voto da Relatora.(grifei) Segundo a fiscalização, a empresa não apresentou o contrato social e alterações e as RAIS, conforme texto extraído do Relatório Fiscal da Infração. A empresa Construtora Village Ltda. deixou de apresentar o contrato social e alterações, bem como a Relação Anual de Informações Sociais relativa ao período de 2004 a 2007, conforme Termo de Início da Ação Fiscal e reiteração efetuada através do Termo de Intimação Fiscal no. 001, cujas cópias encontramse anexas. A fundamentação para o lançamento decorre do previsto no art. 32, III e parágrafo 11 da Lei 8.212/91, que prevê a autuação quando a empresa deixa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e parágrafo 11, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, combinado com o art. 225, III, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, “b” e art. 373. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000266/200910 Acórdão n.º 2403000.497 S2C4T3 Fl. 135 3 Foi aplicada multa de R$ 13.291,66 e está registrado que não houve circunstâncias agravantes ou atenuantes. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • A ilação do julgador se subsidiou, no documento citatório (AR) constante dos autos, que, à primeira vista, pode levar ao entendimento da intempestividade da defesa, sobretudo porque no Aviso de Recebimento (AR) do ato de citação não constam as especificações da diligência, tais como: horário de recebimento e qualificação do signatário. • O AR não foi recebido pela empresa no dia 02/09/2009. • O documento foi entregue na portaria do prédio onde funciona a empresa em horário NÃO COMERCIAL. Conforme espelho extraído do site, que o horário de, entregue foi as 19:29 horas. • A sede administrativa .da CONSTRUTORA VILLAGE. encerra suas atividades as 18:00 horas. • O AR entregue em horário não comercial, inevitavelmente . impede o seu recebimento no mesmo dia pela empresa. • A pessoa signatária do AR Sra. ROSIMERI NASCIMENTO é totalmente estranha ao quadro funcional da empresa • Quanto ao mérito, foi intimada na data de 16/06/2009 para apresentar, no prazo de 20 dias, uma lista enorme de documentos. Contudo, considerando o fato que a lista de documentos era bastante vasta, foi impossível colacionar todas as informações requisitadas no curto espaço de tempo determinado pelo Auditor, e somado a este fato, justamente neste período, a contadora responsável pela contabilidade da empresa, portanto, a única pessoa capaz de providenciar tais documentos, se encontrava fora de Belém, em razão de uma viagem. Tudo isso impossibilitou o pronto atendimento a solicitação do Auditor. • No dia 07/07/2009, protocolou pedido de prorrogação do prazo para apresentação dos documentos. • No dia 20/07/2009, um funcionário da empresa esteve na sede da RFB à procura de informações sobre o andamento do pedido de prorrogação de prazo, quando foi surpreendido pela informação que o mesmo não seria considerado pelo Auditor e que naquele mesmo dia, o mesmo estaria encerrando a fiscalização e autuando a empresa por meio de aferição indireta. • O requerimento de dilação do prazo jamais fora respondido pela Autoridade Fiscal. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • Na impugnação apresentada contra o AINF DEBCAD N° 37.207.2593, a Autuada juntou todos os documentos solicitados pelo Auditor. • Principio da ampla defesa. • Princípio da verdade material. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000266/200910 Acórdão n.º 2403000.497 S2C4T3 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A impugnação não foi conhecida pela DRJ por ter sido considerada intempestiva. Segundo o recurso apresentado pela empresa, o AR não foi recebido pela empresa no dia 02/09/2009 visto que o documento foi entregue na portaria do prédio onde funciona a empresa em horário não comercial, a pessoa estranha aos quadros da empresa. Registra que, conforme espelho extraído do site, que o horário de, entregue foi às 19:29 horas. Inicialmente registro, pela transcrição de trecho do Decreto 70.235/72, a adequação da intimação por via postal. Art. 23. Farseá a intimação: ... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; ... § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Na seqüência, analisarei as questões do recebimento por pessoa estranha aos quadros da empresa e da tempestividade. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. No que tange à alegação da impugnante sobre a nulidade/irregularidade da intimação, ressaltamos que, conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.), desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação do contribuinte de que a Notificação/AutodeInfração, encaminhado(a) por via postal, fora recebido por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) TEMPESTIVIDADE Inicialmente transcrevo texto do Relatório Instruções para o Contribuinte – IPC, integrante do Auto de Infração: 2.3 Prazo para a apresentação da impugnação Recebido o Auto de Infração, o contribuinte tem o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação de impugnação. A ciência ocorrida em dia não útil ou em dia em que não tenha havido expediente normal deverá ser considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, observando que: a) na contagem dos prazos será excluído o dia da ciência efetiva e incluído o dia do vencimento. b) o dia do vencimento será prorrogado para o primeiro dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaia em dia em que Fl. 141DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000266/200910 Acórdão n.º 2403000.497 S2C4T3 Fl. 137 7 não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. c) os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, pode ser admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes, quando então, o prazo voltará a fluir pelo que lhe sobejar. O texto acima apresentado está em harmonia com o Decreto 70.235/72. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. As datas e prazos relevantes para o processo estão identificados abaixo: • 02/09/2009 – Ciência da notificação (quartafeira); • 02/10/2009 – Final do prazo para impugnação (sextafeira); • 05/10/2009 – Apresentação da impugnação. A questão é que a recorrente afirma que o Auto de Infração foi entregue após o horário comercial e por essa razão só foi cientificada no dia seguinte. Para fazer prova, junta ao processo espelho extraído do site, que o horário de, entregue foi as 19:29 horas. Entendo haver dois equívocos na tese da recorrente: Primeiro, o texto legal fala em data da ciência. Segundo, o horário da entrega da correspondência não está registrado. Conforme texto contido no documento apresentado, o horário não indica o momento da entrega, mas sim o horário em que foi registrado no sistema informatizado do Correio a entrega. O horário não indica quando a situação ocorreu, mas sim quando os dados foram. recebidos pelo sistema, excetono caso do SEDEX 10 e do SEDEX Hoje; em que ele representa o horário real da entrega. Entendo intempestiva a impugnação. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência de intempestividade. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 143DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003907/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2403-000.411
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 158 1 157 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003907/200719 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 240300.411 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VERSATIL S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, Acórdão 1419.344 8ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, a empresa enviou os arquivos da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com as irregularidades assim descritas no Relatório Fiscal da Infração, folha 11: 3) Da situação caracterizadora da infração: Em Termo de Início da Ação Fiscal TIAF a empresa foi intimada a apresentar as GFIPs e demais documentos analisados. Durante procedimento de auditoria fiscal na empresa ora autuada verificouse que a mesma deixou de declarar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação para a Previdência Social GFIP, as bases de cálculo contidas na Planilha "Valores Não Declarados em GFIP" anexa a este relatório, onde consta o cálculo da contribuição devida para cada uma das bases de cálculo deixadas de informar em GFIP. As alíquotas aplicadas estão informadas para cada espécie de contribuição. Foram anexadas, também, as Planilhas de Cálculo das Contribuições contendo o tipo de Base Não Declarada e as alíquotas aplicadas para o cálculo da contribuição. A contribuição não declarada, bem como o cálculo da Multa aplicada, estão discriminados na Planilha anexa "Cálculo da Multa". Foram lavradas as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLDs n os 37.121.4084 e 37.121.4092 contendo remunerações dessas competências. O dispositivo legal infringido e a descrição da infração foram assim apresentados: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n: 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Foi aplicada multa de R$ 49.948,50, está registrado que não houve circunstâncias agravantes ou atenuantes e o contribuinte tomou ciência do lançamento em 23/11/2007. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003907/200719 Acórdão n.º 240300.411 S2C4T3 Fl. 159 3 Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso, onde resumidamente, alaga o seguinte: • Foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo de n° 7, de 9 de janeiro de 2004, pelo motivo de exercer atividade econômica vedada para o SIMPLES (manutenção e/ou montagem de equipamentos industriais; l e prestação de serviço de locação de mão deobra), com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2002. • Não recorreu da exclusão. • Em razão de não concordar com sua exclusão do SIMPLES, bem como com que os efeitos da exclusão levada a Cabo através do Ato Declaratório Executivo n.° 7, de 9 de janeiro de 2004, retroagiram a 1° de janeiro de 2002, opôs, neste momento, impugnação aos lançamentos/autos de infração referentes à multa. • Discorre sobre a exclusão do SIMPLES. • Afirma que a multa não deve prosperar porque diz respeito ao período em que a Recorrente encontravase incluída no SIMPLES. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso não questiona o lançamento em si, apenas busca abrir litígio acerca da exclusão do SIMPLES, havida em 2004, com efeitos a partir de 1/01/2002. Entendo imprópria essa discussão neste processo. Conclusão À vista do exposto, voto por não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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