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Numero do processo: 11065.908256/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.094
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 70DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 16/06/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 29239.69138.160605.1.3.042626, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 1277369271 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de Cofinsdo período de apuração de jun/2002. O Despacho Decisório no 842598842, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi parcialmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de Cofins, período de apuração: jun/2002, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1023.421, de 16 de dezembro de 2009, fls. 32 e 33, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908256/200975 Acórdão n.º 380301.094 S3TE03 Fl. 66 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 37 a 54, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de Cofins, na competência de jun/2002; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 32 e 33 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1023.421, de 16 de dezembro de 2009. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 72DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 842598842 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 1277369271 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 73DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908256/200975 Acórdão n.º 380301.094 S3TE03 Fl. 67 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 29239.69138.160605.1.3.042626 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 1277369271 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 1277369271 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 29239.69138.160605.1.3.042626 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.908256/200975 Acórdão n.º 380301.094 S3TE03 Fl. 68 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065908256200975 Interessada: CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.094, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10711.005805/92-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2001
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO
AÇÃO ORDINÁRIA N° 2000.51.01.11537-5. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONCEDIDA PELO JUÍZO DA 8ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL/RJ.
Havendo decisão judicial, por força de ação impetrada pela
recorrente, desistindo esta, portanto, da via administrativa, não há porque haver julgamento na esfera administrativa.
NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE
Numero da decisão: 303-29.636
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso
voluntário, tendo em vista a opção do contribuinte pela via judicial, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS FERNANDO FIGUEIRÊDO BARROS
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RECORRIDA : DRJ/RIO DE JANEIRO/RJ RECURSO VOLUNTÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA N° 2000.51.01.11537-5. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONCEDIDA PELO JUIZO DA 8' VARA DA JUSTIÇA FEDERAL/RJ. Havendo decisão judicial, por força de ação impetrada pela recorrente, desistindo esta, portanto, da via administrativa, não há porque haver julgamento na esfera administrativa. NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista a opção do contribuinte pela via judicial, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 17 de abril de 2001 P JOÃ ANDA COSTA P res . ente LIO 1 7 /BR 20C2 CARLOS FERNAN • F UEIREDO BARROS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e MARIA EUNICE BORJA GONDIM TEIXEIRA (Suplente). Ausente a Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO. alljeW Ats/1 • MINITÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 . ACÓRDÃO N° : 303-29.636 , RECORRENTE : HERGA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA. RECORRIDA : DRJ/RIO DE JANEIRO/RJ RELATOR(A) : CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS , RELATÓRIO , A recorrente, mediante as Declarações de Importação n.°s 008.520/91 (fls. 5/8) e 013.227/91 (fls. 16/19), bem como ao amparo das Guias de Importação n.°s 1-90/37610-2 (fl. 9) e 1-91/020261-1 (fl. 21), submeteu a despacho aduaneiro as mercadorias descritas como: II FATTY AMINE ADOGEN 343 — AMINA GRAXA TERCIÁRIA e FATTY AMINE AMINA 6343 — AMINA GRAXA TERCIÁRIA classificando-as no código 2921.19.9900 (alíquotas: II = 20% e IPI Vinculado = O %). Realizada análise em amostra dos produtos, os laudos do LABANA n.°s 2.907/91 (fl. 12) e 4.371/91 (fl. 22), concluiram que: ti. I= a) Laudo n.° 2.907/91: trata-se de uma mistura de aminas graxas Terciárias, derivadas de gordura animal (sebo), produto de constituição química não definida; b) Laudo n.° 4.371/91: trata-se de um produto sem constituição O química definida (uma mistura de aminas graxas). Com base na análise acima, a fiscalização aduaneira, em ato de revisão aduaneira, desconsiderou a classificação adotada pelo importador, reenquadrando os produtos no código TAB 3823.90.9999, com aliquotas de 60 % (sessenta por cento) para o I.I. e de 10 % (dez por cento) para o I.P.I. vinculado, sendo lavrado o Auto de Infração n.° 175/92 (fls. 1/3) para exigir-se da autuada as diferenças do II. e as parcelas do I.P.I. vinculado apuradas, bem como as multas do I.I. (multa do art. 524 do Regulamento Aduaneiro — R.A., aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85, relativa à D.I. n.° 8.520/91 e a multa de 100 % prevista na Lei n.° 8.218/91 — relativa à D.I. n.° 013.227/91), do I.P.I. vinculado (multa do art. 364, II, do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados — RIPI, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82) e a multa do art. 526, II, do R.A., além dos encargos legais cabíveis. ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCE/RA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 Regularmente intimada (fls. 25/26), a recorrente, tempestiva e legalmente, apresentou as suas razões de defesa, conforme consta das fls. 27 a 41 dos autos. À vista das ponderações técnicas apresentadas pela autuada, o fiscal autuante, encarregado de apreciar a impugnação, propôs o encaminhamento dos autos ao LABANA para que este se pronunciasse a respeito. O LABANA, atendendo a solicitação do fisco, apresentou a Informação Técnica n.° 147/92, fls. 45/48, onde faz considerações mais detalhadas sobre o produto, resumindo no final desta forma: 44 . . . Resumindo, o produto analisado, consiste em uma complexa mistura, cuja composição é aproximadamente conhecida. Isto significa que estão presentes, predominantemente, as aminas graxas (quadro item "d", anterior) citadas e outros não determinados. É bastante evidente que não é possível considerar um produto deste gênero como isolado, de constituição química definida." Tendo em vista a Informação Técnica n.° 147/92, o agente autuante não colheu as razões de defesa da recorrente, mantendo integralmente o Auto de Infração Lavrado. A fim de evitar possível alegação de cerceamento do direito de defesa, a Alfândega do Porto do Rio de Janeiro deferiu, fl. 58, com base no art. 17 do Decreto n.° 70.235/72, o pedido de perícia técnica formulado pela recorrente e enviou Ofício, fl. 57, ao Instituto Nacional de Tecnologia — INT, instruído com os dados técnicos e quesitos apresentados pela empresa, bem como com os quesitos por ela formulados. Após o exame das contraprovas dos produtos em causa, o INT apresentou o Relatório Técnico n.° 100.255, fls. 62/71, esclarecendo, em síntese, tratar-se a mercadoria de "compostos de constituição química definida", mesmo com a presença de diversas aminas graxas. Considerando que as conclusões apresentadas pelo LABANA e pelo INT divergiram quanto ao ponto crucial da questão, qual seja, serem ou não os produtos defíveis como compostos de constituição química definida, apresentados 3 • • MINI4STÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 isoladamente, a Repartição Fazendária autuante expediu Ofício, fls. 78/81, ao Presidente do Conselho Regional de Química para que este se pronunciasse a respeito da divergência entre o LABANA e o INT. Em resposta, o Conselho Regional de Química, fls. 83/84, assim se pronunciou: a) o produto Fatty Amine Adogen 343 é constituído por uma mistura de aminas terciárias obtidas pela hidrogenação catalítica de nitrilas graxas provenientes dos ácidos graxos encontrados naturalmente no sebo (60 % de ácido esteárico, 30% de ácido palmítico, 4% de ácido mirístico e outros em proporções menores), com fórmula molecular geral (R-CH 2)2—NH, onde R varia fundamentalmente entre C 13 e Cr; b) os resultados analíticos apresentados tanto pelo LABOR como pelo INT são convergentes e confirmam in totum caracterização do produto constante do item anterior; ;Vrr C) o LABOR sustenta de forma correta a sua interpretação do conceito de composto de constituição química definida, consoante o que dispõe tanto as notas legais do Capítulo 29 da TAB, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Já o mesmo não se poderia dizer das considerações produzidas pelo INT, onde se observa omissões conceituais, cuja importância no deslinde do litígio não poderiam faltar; e (g.n.) d) a singularidade que caracteriza um composto de constituição química definida proveniente de um conjunto fundamental de propriedades físico-químicas (peso molecular certo, estrutura única, ponto de fusão e ebulição característicos etc.), não é atribuível aos produtos em causa. Às fls. 91/101, consta o julgamento de primeiro grau que considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eximindo a autuada das multas do art. 524 (DI n.° 8.520/91), 526, II, do R.A., e da multa do art. 4, I, da Lei n.° 8.218/91 (DI n.° 13.227/91). Inconformada com a decisão de primeira instância, a autuada apelou a este Conselho, tempestiva e legalmente, conforme recurso voluntário de fls. 106/111, insurgindo-se contra os conceitos emitidos pelo LABANA e produzindo diversas ponderações de caráter técnico para justificar que os produtos 4 . ' MINNTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA , , RECURSO N° : 118.351, ACÓRDÃO N° : 303-29.636 sob questão enquadram-se no Capítulo 29 por se tratarem de "compostos orgânicos de constituição química definida". , , Consta do recurso um pleito da interessada para que a contradição entre o LABANA e o INT seja deslindada mediante novo exame laboratorial, com contraprova do material importado, a ser efetuado por órgão técnico de igual respeitabilidade. , A recorrente, no final do seu R.V. ataca a manutenção da exigência da multa prevista no art. 364, II, do RIPI, alegando que salta aos olhos que tal dispositivo não é o apropriado para punir o fato tido como delituoso, sendo que a infração punível seria a classificação equivocada de mercadoria. 111, Apresentando suas contra-razões, fls. 114/115, a Procuradoria da Fazenda Nacional do Estado do Rio de Janeiro, requereu a manutenção da decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento. ' Em Sessão de 18 de março de 1997, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, e consoante o 1 relatório e voto do Relator, resolveu converter o julgamento em diligência ao Instituto de Química da Universidade de São Paulo, no sentido de que fosse realizado um Laudo Técnico de desempate, à vista da contraprova existente no LABANA, de forma a responder aos seguintes quesitos: a) Os produtos sob exame se identificam com a descrição contida -.. nas Guias de Importação, como sendo FATTY AMINE ADOGEN 343 — Amina Graxa Terciária? IPb) São produtos químicos orgânicos e de que substâncias são os mesmos constituídos? c) Ambos são considerados mistura? De que é constituída? Qual o processo utilizado para se chegar à sua composição atual? Qual o grau de impureza encontrado nos mesmos? d) Ambos são de uma composição conhecida e formada por diversos componentes? Qual a denominação técnica de cada , i componente e a que agrupamento/função química pertence? e) Qual a propriedade ou função que cada componente confere a cada um dos produtos? 4) r, MINI§TÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 O Qual a função e a aplicação de cada produto? Se específica ou geral? Caso possuam mais de uma, qual a função/aplicação principal ou predominante? g) Os produtos contém impurezas provenientes das matérias iniciais, ou residuais de reagentes utilizados no processo de fabricação? h) Os produtos contém alguma substância adicionada ou deixada por motivos de segurança, por necessidade de transporte, ou indispensável à sua conservação? • i) A presença de substância, conforme o quesito 'g", tem a finalidade de conferir aos produtos alguma característica especial, ou torná-lo apto ao uso específico? Explicar. j) Fornecer outras informações que induzam a discernir a verdadeira natureza do material. A Terceira Câmara decidiu, ainda, que a Repartição Fiscal de origem intimasse tanto a autuada quanto o autuante a formularem os seus quesitos necessários ao deslinde do litígio. Intimada, a empresa formulou os seguintes quesitos (fl. 144): a) O produto sob exame pode ser classificado como um composto orgânico de função amina? b) Este produto pode ser classificado como um composto de constituição química definida nos termos do conceito fixado na Nota 1 do capítulo 29 da TAB "Um composto de constituição química definida, apresentado isoladamente é um composto químico distinto, de estrutura conhecida, que não contém outra substância deliberadamente adicionada durante ou após a fabricação (incluída purificação)"? Instado pela repartição de origem a sugerir quesitos, o LABANA ofereceu os seguintes quesitos (fl. 147): a) O que é um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente? ah • 6 MINN-FERIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 b) Qual a definição de impureza? c) Um componente com teor elevado em determinada composição pode ser considerado como impureza? CH3 d) Um produto com fórmula geral R — N — R, onde R constitui variados radicais alquil (estearil, miristil, palmitil, etc.) pode ser considerado um composto orgânico isolado? • e) Um produto cujo resultado de análise por cromatografia em fase gasosa revelou a presença de aminas graxas dos ácidos mirísticos, palmítico e esteárico pode ser considerado um composto orgânico isolado? A recorrente foi intimada, fls. 158, 161 e 168, a comparecer ao LABANA para presenciar a abertura da amostra contraprova, não se apresentando até a presente data. A Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, foi informada pelo MEMO/DISIT/SRRF/7'RF n.° 379/00, de 31/07/2000, da antecipação da tutela concedida pelo Juízo da 8' Vara Federal nos autos da Ação Ordinária n." 2000.51.01.11537-5, ajuizada pela recorrente contra a União Federal, determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos relativos aos processos administrativos relacionados na exordial (relação de fls. 171/172), inclusive este, e, ainda, para que se abstenha de: impor penalidades à Autora, executá-la judicialmente, inscrevê-la no 110 CADIN, negar-lhe a inscrição no CNPJ, ou indeferir certidões negativas, quando requeridas, em razão dos referidos créditos tributários, até decisão final da lide. ;1;11 É o relatório. 41111,r aeP 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 VOTO Infere-se dos autos que o litígio se instaurou, a partir da lavratura do Auto de Infração (fls. 1/3), exigindo-se um crédito tributário decorrente da constatação, mediante Laudos Técnicos do LABANA, fls. 12 e 22, de que o produto importado e declarado nas D.I.s n.'s 008520/91 e 013227/91, não seria enquadrável no código tarifário 2921.19.9900 (alíquotas: II = 20% e I.P.I. Vinculado = 0%), mas sim no código 3823.90.9999 (alíquotas: II = 60% e I.P.I. Vinculado = 10%). 11( O LABANA, ao ser solicitado, emitiu Informação Técnica, fl. 45, complementando o laudo elaborado e confirmando as informações prestadas no mesmo. A Repartição Fiscal, atendendo solicitação da recorrente, solicitou ao Instituto Nacional de Tecnologia Laudo Técnico, o qual apresentou Relatório Técnico, fls. 61/71, cujo resultado diverge daquele contido no Laudo Técnico do LABANA. A DRJ-Rio de Janeiro, por meio da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, por entender que não estavam presentes nos autos todos os elementos necessários a formar convicção acerca da matéria, decidiu recorrer ao Conselho Regional de Química, solicitando esclarecimentos técnicos que pudessem contribuir na elucidação do deslinde. Em resposta, o Conselho Regional de Química apresentou Ofício, fls. 83/84, onde, em síntese, concorda com a posição do LABANA. Posteriormente, os autos foram encaminhados ao 3" CC, por força de recurso interposto pelo contribuinte. A Terceira Câmara do CC, decidiu baixar o processo em diligência para que fosse emitido, pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo, laudo técnico de desempate. Notificada várias vezes (fls. 151, 161 e 168), a recorrente não compareceu para acompanhar a retirada de amostra para que a USP realizasse o seu trabalho, uma vez que optou pela via judicial para resolver a lide, desistindo da esfera administrativa. Isto posto, e considerando que, com a lavratura do correspondente Auto de Infração está salvaguardado o direito da Fazenda Nacional, entendemos que Ire•- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.351 ACÓRDÃO N° : 303-29.636 o processo está esgotado na esfera administrativa, restando, tão-somente, aguardar a decisão judicial para proceder à cobrança, se for o caso, do crédito tributário. Por esses motivos, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, devendo o presente processo retornar à repartição de origem para aguardar a decisão definitiva da justiça e, em consequência, adotar as medidas pertinentes. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2001 • 4 a.- CARLOS FERNANDO .7 i IREDO BARROS - Relator 410 9 .0 • jp. .; 'MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ge¥40, TERCEIRA CÂMARA - - Processo n.°: 10711.005805/92-13 Recurso n.°. 118.351 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do ACORDÃO N° 303.29.636 Atenciosamente 101 Brasília-DF, 16 DE ABRIL 2002 Joãt •landa Costa Pr; idente da Terceira Câmara Ciente em: .) . 1-{ -VDD z e (\IA/G ec,,,INJO PF4- 1 ' Go,5 36-cofuou,--- 04 F42, _ MAC vo Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13710.003569/2004-02
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1997
IRPF. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATORIA.
PRECLUSÃO
Não havendo, na fase impugnatória, questionamento sobre as argumentações da Delegacia de Origem, acha-se a matéria preclusa na fase recursal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-000.262
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela perda de seu objeto, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICÁCIO
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MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATORIA. PRECLUSÃO Não havendo, na fase impugnatória, questionamento sobre as argumentações da Delegacia de Origem, acha-se a matéria preclusa na fase recursal. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso pela perda de seu objeto, nos termos do voto do Relator. Carlos Nogueira Nicácio- Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 2 O AG() 2019 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Eriehsen, Lúcia Reiko Sakae, Odmir Fernandes (Suplente convocado), José Evande Carvalho Araujo (Suplente convocado) e Carlos Nogueira Nicacio (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente), - Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — RJ. Em 19/11/2004, ingressou o recorrente com Pedido de Repetição de Indébito de valores indevidamente retidos na fonte sobre indenização recebida em decorrência de adesão a Plano de Desligamento Voluntário promovido pelo Banco do Brasil no ano-calendário de 1996. A Delegacia da Receita Federal conheceu do pedido e exarou despacho decisório indeferindo o pleito do Recorrente sob o argumento de que estava extinto o direito do Recorrente de pleitear a restituição, urna vez que já havia transcorrido o prazo de cinco anos previsto nos artigos 165 e 168 da Lei n' 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Com relação ao mérito, entendeu a delegacia que as verbas auferidas pelo Recorrente foram provenientes de resgate de previdência privada e não de Programa de Desligamento Voluntário. Devidamente cientificado da decisão, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconfbrrnidade, alegando, em síntese, que com base no §4', do artigo 150, do Código Tributário Nacional, o direito à restituição de valores de imposto de renda retidos indevidamente decai após cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. Tendo em vista que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, o Recorrente teria cinco anos a contar de 2001 para pleitear a repetição do indébito. Urna vez que o pedido de repetição do indébito foi apresentado em 2001, deve ser afastada a decadência, O Recorrente não se manifestou acerca do entendimento da Delegacia de origem sobre o mérito da questão. O acórdão da Delegacia de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido, sob o argumento de que ao solicitar a restituição dos valores em 19/11/2004, já havia transcorrido mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, tendo decaído o direito do Recorrente requerer a restituição do imposto indevidamente retido. Dada a decisão da Delegacia de Julgamento houve a interposição de Recurso Voluntário através do qual o Recorrente pleiteia provimento para seu pedido repetindo a alegação de que o prazo prescricional do direito à restituição do imposto começa a fluir após o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido, somados de mais cinco anos contados da data em que houve a declaração de inconstitucionalidade pelo STF da lei em que fundamentou o gravame. Novamente o Recorrente não faz qualquer menção acerca do mérito da questão em seu Recurso Voluntário, É o relatório. N.,..,/---Ï 2 • Processo n" 13710 003569/2004-02 S2-TE02 Acórdão n." 2802-00262 Fl Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio, Relator Conforme análise dos autos, verifica-se que o Recorrente não questiona em sua Manifestação de Inconformidade a , alegação da Delegacia de Origem acerca da desqualificação das verbas recebidas corno provenientes de Programa de Desligamento Voluntário, Desta feita, uma vez que a Delegacia de Origem apreciou o mérito da questão, declarando que as verbas auferidas pelo Recorrente são provenientes de resgate de previdência privada e não de Programa de Desligamento Voluntário, caberia ao Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade trazer documentos ou argumentos que comprovassem a sua adesão ao Plano de Desligamento Voluntário. Urna vez que o Recorrente não enfrentou em sede de Manifestação de Inconformidade, bem como de Recurso Voluntário o conteúdo da decisão da Delegacia de Origem, forçoso concluir pela preclusão da matéria trazida na peça recursal. Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto tendo em vista a perda de seu objeto. 4z, Carlos Nogueira Nicácio • 3
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001766/2004-11
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE.
A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de ofício prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para tão somente afastar a multa de oficio exigida isoladamente em razão do não recolhimento do imposto de renda mensal, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICÁCIO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE. A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de ofício prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima. Recurso provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE. A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de ofício prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para tão somente afastar a multa de oficio exigida isoladamente em razão do não recolhimento do imposto de renda mensal, nos termos do voto do Relator. aSL Valéria Pestana Marques - Presidente I Carlos Nogueira Nicácia Relator Participaram do present:e julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli-Erichsen, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). EDITADO EM:E,D1TADO EM: • Z ""( sET Processo n" 1 I 030 00 I 766/2004-11 S2-TE02 Ai:à dão n." 2802-00..361 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS. Em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações acessórias, foi lavrado Auto de Infração em face do Recorrente por terem sido apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoa jurídica, conforme informação prestada pela imobiliária Ariotti Ltda; b) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício; c) Omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas, conforme informação prestada pela Imobiliária Ariotti Ltda.; d) Não recolhimento do imposto de renda mensal incidente sobre Os valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas, omitidos quando do preparo das Declarações de Ajuste Anual dos anos-calendário 2000 e 2001. Em sede de impugnação, o Recorrente limitou-se a contestar a aplicação da multa isolada de 75% pelo não recolhimento do imposto de renda mensal, uma vez que tal multa isolada foi exigida concomitantemente com a multa de oficio incidente sobre o valor de imposto de renda suplementar apurado em decorrência da omissão de rendimentos auferidos de pessoa física. O acórdão da Delegacia de Julgamento, por unanimidade de votos, declarou o lançamento fiscal parcialmente procedente, na medida em que declarou ser a multa isolada penalidade relativa ao descumprimento da obrigação legal de realizar a antecipação mensal do imposto de renda, enquanto a multa de oficio é penalidade relativa ao imposto suplementar apurado em sede de fiscalização, não havendo coincidência entre as mesmas. Adicionalmente, o acórdão reduziu a aliquota da multa isolada aplicada para 50%, em observância ao princípio da retroatividade benéfica em matéria fiscal. Dada a decisão da Delegacia, houve a interposição de Recurso Voluntário, reiterando-se os argumentos apresentados na fase impugnatória acerca da impossibilidade da cobrança da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal coneomitantemente à aplicação da multa de oficio incidente sobre o imposto suplementar. apurado no lançamento, ante a identidade da base de cálculo entre as penalidades \_.nÉ o relatóriar(n, 3 4 Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio, Relator O Recurso é tempestivo e preenche as formalidades legais, por isso, dele conheço. A matéria ora em litígio limita-se ao questionamento da viabilidade da aplicação da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda devido em bases mensais, concomitantemente com a cobrança da multa de oficio incidente em razão da apuração de imposto de renda suplementar em sede de auto de infração. No presente caso, ambas as multas aplicadas têm como base de cálculo o valor do imposto de renda suplementar apurado em sede de lançamento, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física no curso dos anos-calendário 2000 e 2001 O artigo 44, da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996, conforme redação vigente à época dos fatos, assim determinava: Art, 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II — de cento e cinquenta por cento,nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71,72 e 73 da Lei n 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, §1 - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente, quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) na forma do art. 8 da Lei n 7313, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (Ornissis) Partindo-se da premissa de que a uma mesma conduta ilícita não pode ser atribuída mais de uma penalidade sob pena de bis in idem, forçoso concluir que as multas previstas nos incisos 1 a 111, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9.430/96 não poderiam ser aplicadas concomitantemente. Desta feita, não seria permitido à Autoridade, em uni mesmo exercício, exigir a multa aplicável pela ausência de recolhimento do imposto de renda mensal, concomitantemente com a multa de oficio pela redução indevida, total ou parcial, do imposto de renda devido ao final do ano-calendário, apurado em sede de Declaração de Ajuste Anual, IN_ Processo ri" 11030 001766/2004-11 S2-TE02 Acóalão ri" 2802-00,361 Fi. 3 Assim, somente mostra-se possível a cobrança da multa de oficio pelo não recolhimento da antecipação mensal, prevista no inciso III, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9430/96, nas hipóteses em que tal penalidade venha a ser exigida isoladamente, sem qualquer relação com a infração decorrente da falta de pagamento do imposto devido pela pessoa fisica ao final do ano- calendário. Contrariamente, o inciso I, do parágrafo 1, do artigo 44, da Lei n. 9.4.30/96, trata da aplicação da multa a ser exigida juntamente com o imposto de renda devido para o ano-calendário, quando tal montante não houver sido recolhido no prazo estabelecido pela legislação, o qual, no caso das pessoas fisicas, coincide com o termo final para a apresentação da Declaração de Rendimentos. Contendo o inciso I, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9.430/96, penalidade que busca coibir a 1.-alta decorrente da ausência de recolhimento do imposto devido pela pessoa fisica para determinado exercício, sua aplicação inibe a eficácia simultânea da penalidade prevista no parágrafo 1 inciso III, do mesmo artigo. Tendo em vista que na hipótese dos autos foi apurado o pagamento a menor pelo Recorrente do valor de imposto de renda devido ao final do ano-calendário em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, forçoso concluir-se pela exclusiva aplicabilidade da multa de oficio de 75%, a ser exigida juntamente com o principal, Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado na forma da lei e voto no sentido de dar-lhe provimento a fim de que seja desconstituída a multa de oficio exigida isoladamente em razão do não recolhimento dg imposto de renda mensal, Car os Nogueira Nicácio C c--(1 5 Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 11030.001766/200441 V. Recurso IV: 154.798 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial a" 256, de 2.2 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2802-00.361. Brasília/DF, 2 / 8 E 1° 2A0 EVEL1NE COÊLHO DE MIN\LO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos cie Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000663/93-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 1996
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - A classificação da mercadoria DESMODUR HL-TER, preparação endurecedora de Resina Sintética à base de Isocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), é no código 3823.90.0500. Sendo tal classificação diferente da adotada quer pelo fisco, quer pelo contribuinte, o crédito lançado é
inexigível.
Numero da decisão: 303-28.434
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em fazer a classificação do produto no código 3823.900500 e em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO - A classificação da mercadoria DESMODUR HL-TER, preparação endurecedora de Resina Sintética à base de Isocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), é no código 3823.90.0500. Sendo tal classificação diferente da adotada quer pelo fisco, quer pelo contribuinte, o crédito lançado é inexigível.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T14:47:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T14:47:08Z; Last-Modified: 2009-08-07T14:47:08Z; dcterms:modified: 2009-08-07T14:47:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T14:47:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T14:47:08Z; meta:save-date: 2009-08-07T14:47:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T14:47:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T14:47:08Z; created: 2009-08-07T14:47:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-07T14:47:08Z; pdf:charsPerPage: 1295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T14:47:08Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10845-000663/93-46 SESSÃO DE : 24 de abril de 1996 ACÓRDÃO N° : 303-28.434 RECURSO N° : 116.212 RECORRENTE : BAYER S/A RECORRIDA : DRF/SANTOS/SP CLASSIFICAÇÃO - A classificação da mercadoria DESMODUR HL-TER, preparação endurecedora de Resina Sintética à base de Isocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), é no código 3823.90.0500. Sendo tal classificação diferente da adotada quer pelo fisco, quer pelo contribuinte, o crédito lançado é inexigível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em fazer a classificação do produto no código 3823.900500 e em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 24 de abril de 1996 JøI OLANDA COSTA • residente 8i-%`64 ANELISE DAUDT PRIETO Relatora VISTA EM ndo Oliveira de adrede, kl .5 J L. 1 rngi', gladonad9 9,-ir CP"xisr„„. dg aernas Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros :ROMEU BUENO DE CAMARGO, LEVI DAVET ALVES, GUINEZ ALVAREZ FERNANDES e MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES. Ausentes os Conselheiros: SÉRGIO SILVEIRA MELO e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. OT1C MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.212 ACÓRDÃO N° : 303-28.434 RECORRENTE : BAYER S/A RECORRIDA : DRF/SANTOS/SP RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Em 25 de maio de 1994 esta Terceira Câmara resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme a Resolução 303-582, nos termos ora lidos em sessão. Em atendimento, o LABANA/Santos anexou aos autos a Informação Técnica n° 038/95 ( fls.64 e65 ), com o seguinte teor : "Pergunta 1-) A base do DESMODUR HL é uma poliolefina sintética líquida ou outro polímero sintético contendo em média pelo menos 5 unidades monoméricas que formam uma sequência ininterrupta? Resposta : Não. Pergunta 2-) Apresenta-se sob a forma de solução de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas? Resposta : Não. Pergunta 3-) É, o produto, usado como produto de impregnação, como induto, base de tintas e vernizes? Resposta : Não. Para tomar clara a nosssa resposta solicitamos substituir os textos da Conclusão e Respostas aos Quesitos do Laudo de Análises n° 4854/90 (fl. 08), conforme se segue: CONCLUSÃO E RESPOSTA AOS OUESITOS: substituir: de: 12° MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.212 ACÓRDÃO N° : 303-28.434 Trata-se de uma preparação à base de Isocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), na forma de solução. Não dispomos de informações técnicas específicas do produto de nome comercial "DESMODUR HL-TBR", que confirmem a composição química e o uso conforme declarado no Campo 6 do Pedido de Exame. para: Trata-se de uma preparação endurecedora de Resina Sintética à base de Isocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), na forma de solução. Segundo a literatura técnica específica, a mercadoria de denominação comercial DESMODUR HL é utilizada como um dos componentes, juntamente com mercadorias do tipo DESMOPHEN ou outros compostos apropriados, que contenham grupos hidroxílicos para a fabricação de Vernizes e Tintas de Poliuretano, de dois componentes, de secagem rápida e boa estabilidade à luz. Pergunta 4-) Qual a proporção do solvente líquido em relação ao peso da solução? Resposta : O teor de Solvente Orgânico Volátil é de 37,6%." É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.212 ACÓRDÃO N° : 303-28.434 VOTO Trata-se da classificação do produto DESMODUR HL-TBR, que a recorrente importou identificando como Poliisocianato Aromático Alifático, atribuindo-lhe o código TAB-SH 3911.90.0000. A fiscalização o reclassificou no código 823.90.9999, à vista de laudo apresentado pelo LABANA. De acordo com o LABANA, a base do DESMODUR HL não é uma poliolefina sintética ou outro polímero sintético contendo em média pelo menos 5 unidades monoméricas que formam uma sequência ininterrupta. Sendo um polímero, conforme afirma a recorrente, o produto não poderia , então, ser classificado na posição 3911, conforme dispõe a Nota 3 do Capítulo 39. O LABANA afirma também, na sua Nota Técnica 038/95, tratar-se de "uma preparacão endurecedora de Resina Sintética à base de lsocianato Aromático e Solvente Orgânico Volátil (Acetato de Etila), na forma de solução"(grifei). É adequada, portanto, a classificação do produto na posição 3823, como fez o fiscal autuante, mas, tendo em vista esta nova informação (de que a preparação é • endurecedora), é de se concluir pelo código 3823.90.0500 - Preparação endurecedora para cola, resina sintética e semelhante" , que é mais específico. Voto pela classificação do produto DESMODUR HL-TI3R no código 3823.90.0500, que é diferente da adotada, seja pela Recorrente, seja pelo Fisco. Segundo a reiterada jurisprudência deste Conselho, em casos como este o crédito lançado é inexigível, já que embasado em fundamento legal errôneo. Sala das sessões, em 24 de abril de 1996. gLayik...42; ANELISE DAUDT PRIETO-Relatora 41 Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.004438/90-69
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 303-00.685
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA PROCESSOW SESSÃO DE RECURSOW RECORRENTE RECORRIDA 10830,004438/90-69 24 de setembro de 1997 118.699 BUCKMAN LABORATÓRIOS LIDA DRJ/CAMPINAS/SP 1 I 1• RESOLUÇÃO W: 303-685 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 24 de setembro de 1997 c ,,-~ tJEZ 1997M:iuclana Cortez rrlorlz /(Jontes Procuradora da Fazenda Nacional ~J.dJ ANELISE DAUDT PRIETO RELATORA • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: NIL TON LUIZ BARTOLI, LEVI DAVET ALVES, GUlNÊs ALVAREZ. FERNANDES e MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, Ausente o Conselheiro SÉRGIO SILVEIRA MELLO. ReM MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON" RESOLUÇÃO N" RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 118.699 303-685 BUCKMAN LABORATÓRIOS LIDA DRJ/CAMPINAS/SP ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO • • • A empresa acima qualificada recorre, tempestivamente e legalmente representada, a este Conselho, de decisão de primeira instância, que julgou procedente o lançamento efetuado por meio do Auto de Infração de fls. 112 a 118, lavrado por Auditores da Delegacia da Receita Federal em Campinas-SP. Trata-se das importações realizadas com as Declarações de Importação de n.o 001620, registrada em 06/07/87 (fls. 02/06), 00974, registrada em 09/03/85 (fls. 29/31) e 01893, registrada em 21/07/86 (fls. 46/48). Todas dizem respeito ao produto químico descrito pela empresa como 2-bromo-4-hidroxiacetofenona, nome comercial BHAP, concentração 45%, fabricado e exportado pela Buckman Laboratories Inc. - U.S.A, matéria prima para fabricação de produtos químicos industriais, para uso na indústria de papel. As importações foram realizadas ao amparo do beneficio de drawback, isenção. Com base em vários laudos emitidos pelo LABANA e entendendo que as mercadorias não eram aquelas descritas nas Guias de Importação e nas Declarações de Importação, já que a concentração 2-bromo-4-hidroxiacetofenona era diferente (em tomo de 32% em duas das amostras, prejudicado o terceiro resultado pois o LABANA não mais dispunha da amostra) e que eram preparações daquele composto, a autoridade autuante desclassificou-as da posição TAB-NBM 29.13.54.99 (11de 30% e IPI de 0%) para a posição 38.11.03.01 (11de 50% e IPI de 0%), em face do que estabelecem as Notas do Capítulo 29 (NC 29-1, letras "e" e "f'). Citou, também, cada B/L emitido, onde constava a seguinte descrição: ''FUNGICIDE, CORROSIVE LIQUID ...".Exigiu o Imposto de Importação, a Taxa de Melhoramento dos Portos, os respectivos juros de mora, as multas dos artigos 524, caput, e 526, inciso 11, do Regulamento Aduaneiro, face à divergência entre o insumo licenciado e aquele efetivamente importado. Lançou, ainda, a multa prevista no artigo 74 da Lei 7.799/89, referente à T.M.P .. Impugnando o feito, a empresa alega, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração por excesso de penalização pois, de acordo com o Regulamento Aduaneiro- RA a única multa que poderia ser aplicada é a prevista no seu artigo 524. A multa do artigo 526, 11, refere-se à falta de Guia de Importação ou documento equivalente, o que não é o caso. As DI's correspondentes foram regularmente expedidas, estando em discussão somente a classificação fiscal do produto. Não procederia, também, a aplicação da penalidade prevista no artigo 74 da Lei n.o 7.799/99, em razão do princípio da irretroatividade da lei tributária, especialmente com relação ao Direito Tributário Penal (artigos 105, 106 e 112 do C.T.N.) e também porque a mora somente se caracterizaria a partir da autuação, pois até então não existia exigência de pfi 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON 118.699 303-685 • • • recolhimento de tributo. A penalidade, que eXIstIU somente a partir de 1989, não pode ser aplicada a importações efetivadas em 1985, 1986 e 1987. Levanta, ainda, outra preliminar, de decadência, em relação à D.I. n.o 00974, de 29/03/85. Alega, também, que o artigo 4.° do Decreto-Lei 2.227, de 25 de julho de 1985, cancelou todos os débitos eventualmente pendentes com relação à erro de classificação de mercadorias. Quanto ao mérito, esclarece o seguinte: a-) O produto "BHAP" é de exclusivo desenvolvimento de sua matriz americana, desta forma patenteado, constando inclusive da Referência Chemical Abstracts n.o 9987d,july 16, 1964, citada pelo LABANA. (cópia às fls. 135). Portanto, a empresa seria a única apta a fornecer os parâmetros para análise do produto, bem como o método para tal. Tanto é que em laudo expedido pelo Instituto de Pesquisas Técnológicas, decorrente de exame que procedeu, consta a observação de que a determinação fora realizada segundo método fornecido pelo interessado. (anexa cópia do Certificado). Naquele exame consta que a concentração dos produtos químicos em questão é a declarada nas DIs . b-) Conforme comprova o Laudo Técnico anexado (fls. 138), que foi protocolado na CACEX em 28/11/79, a empresa sempre deixou claro para aquele órgão a finalidade microbicida do produto em questão. c-) A autuação decorreria de irresponsabilidade do laboratório, já que todos os exames teriam sido realizados mais de dois anos após a coleta de amostra do produto, quando teriam sido alteradas as suas características, pois, de acordo com o documento denominado ''Material Safety Data Sheet" (fls. 139 e verso), a sua vida útil seria de menos de um ano. d-) A diferença relativa ao teor de 2-bromo-4-hidroxiacetofenona, de 45% para 32%, decorre do tempo transcorrido entre a coleta da amostra e o laudo de exame, e do erro na metodologia empregada pelo LABANA, que somente determinou a percentagem de área e não de peso, absolutamente necessária para estabelecer a concentração do produto. O fato de não dispor de substância de referência, alegado pelo laboratório, não dispensa tal determinação, que deveria ter sido feita com a orientação da contribuinte, detentora da patente do produto . e-) O BHAP é um produto que, quando puro, tem características muito agressivas, com propriedades lacrimejantes, necessitando da adição de solventes para torná-lo apto a ser transportado e estocado. Por tal motivo, está sob controle do Ministério do Exército que, por solicitação da impugnante, forneceu a declaração de fls. 140, onde se lê o seguinte: 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON RESOLUÇÃON 118.699 303-685 • •• • "Declaramos para fins de prova junto à Secretaria da Receita Federal- Campinas-SP, que a empresa Buckman Laboratórios Ltda, CR n.o 943-SFPC/2, se uliliza do Produto Químico 2-Bromo-4-hidroxiacitofenona, classificado como Produto Químico Agressivo e constante do número 109 da Relação dos Produtos Químicos Controlados pelo Ministério do Exército (Decreto n.o 55.649, de 28 de janeiro de 1965), com categoria de controle 1, necessitando portanto ser diluído em solvente com a finalidade de garantir as condições de segurança necessárias ao manuseio e transporte, por se constituir em substância lacrimejante. " f-) Os laudos afirmam que se trata de uma preparação de um composto orgaruco de composição definida em uma mistura de solventes orgânicos. Como está comprovado que é necessária a adição de solventes para o transporte, manuseio e estoque, o produto deve ser classificado no Capítulo 29 da NBM, conforme o disposto em suas Notas "I.e" e "1.f'. Deve-se atentar ao princípio de que a classificação deve ocorrer na posição mais específica em detrimento da genérica. O fiscal autuante, chamado a manifestar-se, propôs o encaminhamento dos autos, em diligência, ao LABANA, para que respondesse a quesitos. Transcrevo, a seguir, pontos da conseqüente Informação Técnica (fls. 167/169), que julgo importantes. ''Pergunta 01) A Buchman Laboratórios, Inc. e suas filiais são as urucas empresas possuidoras de tecnologia e da patente do produto objeto dos Laudos de Análise de nros. .... e são as únicas empresas aptas a fornecer os parâmetros para análise do produto, bem como o método para tal? Resposta) Como não encontramos em referências Bibliográficas metodologias bem como parâmetros que permitam realizar a perfeita análise da mercadoria, consideramos que estes detalhes não são de domínio público . Pergunta 03) Os produtos analisados através dos Laudos de Análise de nros. e seus respectivos aditivos são utilizados como microbicida ou microbiocida? Resposta) Sim, conforme descrito na Resposta n.o 4 dos Laudos ... Pergunta 04) O produto analisado apresenta vida útil inferior a um ano? Resposta) Não encontramos nas Referências Bibliográficas citações que indiquem a vida útil da mercadoria . Pergunta 05) O teor de 2-bromo-4-hidroxiacetofenona encontrado nos produtos analisados ...em tomo de 32% (trinta e dois por cento), divergente de 45% (quarenta e cinco por cento) declarado pelo contribuinte decorre de dois fatores: a-) o tempo decorrido entre a coleta da amostra e o Laudo de Análise? b-) erro na metodologia empregada pelo LABANA que somente determinou a percentagem. de área e não de peso, absolutamente necessário para a determinação da concentração do produto? 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • RECURSONRESOLUÇÃON 118.699303-685 •• Resposta) a) O tempo decorrido entre o recebimento das amostras, a emissão dos respectivos Laudos, até o recebimento da solicitação dos Aditamentos, Reanálises e, principalmente, a falta de Informações Técnicas Específicas adequadas como vida útil do produto e Metodologia Analítica Específica, são fatores que podem prejudicar a determinação do teor do princípio ativo com mais exatidão. b) Não. Pergunta 06) O produto ...quando puro tem características muito agressivas com propriedades lacrimejantes, necessitando, assim, da adição de solventes, com o objetivo de tomá-lo apto a ser transportado e estocado? Resposta) De acordo com Referências Bibliográficas, o princípio ativo 2- Bromo-4-Hidroxiacetofenona, quimicamente puro, na forma isolada é um sólido com ponto de fusão igual a 130.oC e considerado lacrimejante e irritante. No entanto, a Referência Bibliográdica "lATA DANGEROUS GOODS REGULATIONS, 27th ED, 1986" não cita a necessidade da presença de diluentes ou solventes em produtos desta natureza, como sendo indispensáveis por razões de segurança, ou necessidade de transporte. Pergunta 07) Em Declaração (doc. de fls. 53), expedida em 14/01/91, o Ministério do Exército afirma que o produto ...necessita ser diluído em solventes com a finalidade de garantir as condições de segurança necessárias ao manuseio e transporte, por se constituir em substância lacrimejante. Isto posto, pergunta-se: a) o BHAP não pode ser transportado puro? Resposta: Ressaltamos que não encontramos nas Referências Bibliográficas citações da necessidade da presença de diluentes ou solventes como sendo indispensáveis por razões de segurança, ou necessidade de transporte em produtos desta natureza. Como exemplo, citamos o produto Omega- Bromoacetofenona (Brometo de Fenacetila), também sólido porém, com ponto de fusão igual a 50.oC, bem abaixo em relação ao 2-Bromo-4- Hidroxiacetofenona, cujo vapor é considerado irritante e lacrimejante e, no entanto, é permitido o seu transporte na forma pura. b) o BHAP puro é um produto lacrimejante? Resposta: Sim. c) O BHAP diluído em solventes orgânicos, é, também, um produto lacrimejante? Resposta: Não observamos esta característica nas mercadorias analisadas." Intimada a se manifestar sobre o Laudo acima, a empresa argumenta tentando mostrar que foi confirmada a impugnação apresentada em todos os seus termos, concluindo que não poderia ter havido lançamento com base em laudo de análise de laboratório que não detém o conhecimento técnico para determinar se é necessária a presença de diluentes para assegurar o transporte em condições seguras. Afirma que a matéria foi, entretanto, superada com a declaração do Ministério do Exército, e pede seja cancelado o Auto de Infraçã<:>. 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON RESOLUÇÃON 118.699 303-685 A decisão da DRJ está assim ementada: •• "DRAW BACKlISENÇÃO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E TMP Descaracterizado o regime pela constatação, através de laudo técnico, de que a mercadoria importada não é idêntica à descrita na Guia de Importação, no Ato Concessório e nas DI, deve ser exigido o pagamento dos créditos tributários excluídos. Cabe, ademais, a imposição das penalidades previstas nos artigos 524 e 526, lI, do Regulamento Aduaneiro, assim como, no que diz respeito à TMP, a do artigo 74 da Lei 7.788/89. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE" A autoridade recorrida alega, principalmente, o seguinte: " ...O que se questiona neste processo não é, substancialmente, a questão da adição ou não de suplementos ao BHAP, mas sim e fundamentalmente, o nível de adição de suplementos ao BHAP importado, da ordem de cerca de 70%. Com semelhante adição de suplementos, o produto importado possui concentração (+/-32%) de preparação fungicida própria para "consumo", e não de princípio ativo meramente protegido para o transporte e a estocagem." Continuando, diz tal concentração não confere com aquela da DI. Entretanto, consta do processo (fi. 76) informação editada pela autuada sobre o produto "BUSAN 90, um microbicida de amplo espectro para indústrias de celulose e papel", em que se verifica que o ingrediente ativo em questão tem teor de 30%. Os outros 70% são de substâncias inertes. Nessa relação de componentes se caracterizaria a preparação fungicida e não um princípio ativo apresentado isoladamente . O documento emitido pelo Ministério do Exército não se prestaria, portanto, para reforçar o ponto de vista defendido pela impugnante. Em seu recurso, a empresa alega o seguinte: a-) Pede que na remota possibilidade de serem mantidas as exigências, seja expressamente decidido pela não aplicação da TR sobre os débitos em discussão, como correção monetária ou como juros, pelo que argumenta. De qualquer forma, apenas por cautela, alega que o índice poderia ser utilizado apenas a partir de agosto de 1991. 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON 118.699 303-685 • b-) Repete argumentos trazidos na impugnação: de excesso de penalização, solicitando seja declarado nulo o Auto de infração ou que seja cancelada a exigência da multa fundada no artigo 526, lI, do RA ; aplicação retroativa da legislação; decadência, afirmando que a decisão de primeira instância teria cometido um silogismo, pois teria havido lançamento, mas sob a alíquota zero, ante a isenção concedida no momento. c-) Acrescenta ser impossível ser revisto o lançamento, pois o prazo, conforme disposto no artigo 447 do Regulamento Aduaneiro, é de 05 dias para formalizar exigências decorrentes de desclassificação de mercadorias. Além disso, teria obtido a ciência e a anuência da autoridade aduaneira, tendo havido a homologação expressa do lançamento : segundo o artigo 150 do C.T.N., a revisão do lançamento estaria condicionada à inexistência de prévio exame da autoridade. Ocorreu mudança de critério jurídico no lançamento do tributo e, caso assim não seja entendido, deve ser aplicado o disposto no parágrafo único do artigo 100 do CTN, sendo excluída a imposição de penalidades. d-) Alega haver contradição na decisão recorrida, ao manter as eXlgenclas relativas à DI 000974, de 23/03/83, pois, "no inicio do "decisium", está expressamente afirmado que "estão tecnicamente prejudicadas as amostras relativas à DI n.o 000974/85". Se o LABANA não determinou a concentração do elemento ativo, o fisco não pode pretender manter a desclassificação da mercadoria importada, pois não há parecer nesse sentido. e-) Quanto às demais declarações, ressalta ter ficado expressamente consignado pelo LABANA que o mesmo não detém a tecnologia necessária para análise do produto, cuja patente é da recorrente, que é a única apta a fornecer os elementos necessários para sua realização. Reforça tal afirmação os diversos aditivos aos laudos elaborados. f-) A decisão recorrida não poderia ter ignorado a afirmação do laboratório de que o grande tempo decorrido pode ter prejudicado a determinação do teor do princípio ativo com mais exatidão, com a estranha alegação de que "não desmerecem a comprovada divergência de concentração". Está sendo invertido o princípio de Direito e de Direito Tributário de que, em caso de dúvida, deve a legislação tributária ser interpretada sempre favoravelmente ao contribuinte (artigo 112 do CTN). g-) O método utilizado, o exame de cromatografia gasosa, não é a técnica mais adequada para determinar a concentração de BHAP, uma vez que o ingrediente ativo decompõe- se rapidamente a 130.oC para que o BHAP mova-se através da coluna cromotográfica. O método recomendável seria a cromotografia líquida. h-) Ficou devida e cabalmente provado nos autos que a adição de solventes na mercadoria decorre de seu efeito lacrimejante, quando puro, o que foi confirmado pelo Ministério do Exército em declaração totalmente desprezada pela decisão recorrida. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSON RESOLUÇÃON 118.699 303-685 i:"}As mercadorias importadas se tratam de simples matérias-primas para a elaboração de fungicidas aptos a serem utilizados na produção do produto final, tendo em vista que, na forma como foram importadas, não são diluÍveis em água, não podendo, portanto, ser utilizadas pelo consumidor finál. O produto final, "BUSAN 1130"., é obtido com a adição de surfactante e solvente, para dar ao produto aquela característica, possibilitando sua utilização como fungicida e microbicida para indústrias de papel e de couro. A acusação de que tratar-se-ia de produto final não tem fundamento e implicaria em estar atribuindo à recorrente a imputação de procedimento fraudulento. Fraude não se presume, prova-se! Constam das folhas 226 à 228 as contra-razões apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fundamentando seu apelo pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO~RESOLUÇÃO N° 118.699303-685 VOTO '. São duas as questões básicas no que se refere à classificação da mercadoria em questão: se a presença de solventes é necessária para garantir condições de manuseio e transporte e se o teor dos mesmos caracterizaria a mercadoria em questão como preparação fungicida própria para consumo, Considero que tais questões não estão respondidas com os elementos constantes dos autos. Voto, portanto, por realização de diligência por meio da repartição de origem, para que o Instituto Nacional de Tecnologia responda aos seguintes quesitos, sobre o produto objeto dos autos: a-) A amostra em questão pode ter seu exame prejudicado em função do decurso de tempo? Qual é a vida útil do produto? b-) Quais os resultados que seriam e afetados pela passagem de tempo a que se refere a questão anterior? c-) O produto tem propriedades agressivas com efeitos lacrimejantes? A adição de solventes ao produto é necessária, por razões de segurança ou para o seu transporte, em decorrência daquele ou de outro fator? d-) O teor de solventes caracteriza a mercadoria como preparação fungicida própria para consumo? e-) Qual o melhor método a análise do produto? A Buchman Laboratórios e suas filiais são as únicas detentoras da tecnologia sobre o produto? Só elas poderiam fornecer os parâmetros para sua análise? f-) Caso ainda seja viável, e se necessário, solicita-se que seja procedido novo exame nas amostras em questão, g-) Outras informações que julgar necessárias para o deslinde da questão. Esclareço que a estas questões devem ser acrescidas aquelas que a contribuinte, intimada, pleitear, bem como aquelas que a repartição julgar necessárias. 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • RECURSONRESOLUÇÃON 118.699303-685 À recorrente deverá ser fornecido prazo para que se manifeste em relação ao resultado do novo Laudo. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 1997. ~~ ~LISE DAUDT PRIETO / ANl RELATORA 10 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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Numero do processo: 10825.900707/2008-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/04/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.005
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMS CERAM' ny. DIREITO TRIBUTARIO Data do fato gerador: 14/04/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos cio relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexanche Kern - Presidente e Relator Participar am ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Helcio Lafeta Reis, Daniel Mauricio Fedato, Elias Fernandes Eufrasio (suplente) e Antônio Mário de Abreu Pinto (suplente). Relatório Cadbury Adams Brasil indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.. formulou Pedido de Ressarcimento ou Restituição cumulado com Declaração de Compensação, enviados eletronicamente (na 23623.00515.130504.1.3., fls. 1 a 54-8579), por meio dos quais o interessado pretendeu extinguir parcialmente debito de Cofins, no valor de RS 46.696,21, com credito por pagamento indevido, montante a RS 14,239,24. De acordo com o Despacho Decisório de 11. 6, o direito creditório não foi reconhecido porque o DARF comprobatório do pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 1.568.430,47, o pagamento indicado no pedido de restituição foi integralmente utilizado pala quitação de débitos do connibuinte, não Testando crédito clisponivel pata compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. Via de consequência, a compensação não foi homologada Sobreveio reclamação, conhecida como Manifestação de Inconformidade pela la 'Turma da DEURPO, que, todavia, a julgou improcedente, nos termos do Acórdão na 14-24.014, de 18 de maio de 2009, que teve ementa vazada nos seguintes termos: .-15S(//VTO NORMAS DE AMIN'S! R:100 1 RIBULIRL-1 Data do fato gel ador 1=1/04/2003 JUROS MURAT ()RIOS SEL1C A utilização da taxa Selic decorre da observância legislação tr ./1)111614a per tinente, cry() con ti ole c/c constitucionaliciade é de competência exclusive! do Poder Judiciário COMPENSAÇÃO LIQUIDEZ E CERTEZ4 DO CREDITO INEXISIÊNCIA A compensação de débitos do sujeito passivo somente pode ser executada se compi ovada a liquidez e cerleza de seu crédito cant, a a Fazenda Nacional. Solicitação Indefrida Cuida-se agora de recurso voluntário, fls. 61 a 74, interposto contra a decisão da 1 'Emma da DR.I/RPO, que, após síntese dos fatos, controverte as seguintes questões de fato e de direito, Em sede 10825.900.589/2008-63; 10825.900,530/2008-75; 10825.900 522/2008-29; 10825 .900..585/2008-85; 10825.900.520/2008-30; 10825 .900..541/2008-55; 10825.900. 552/2008-35; 10825.900.535/2008-06; 10825,900,565/2008-12; e, de preliminar, pede a reunião dos 10825.900,588/2008-19; 10825.900,529/2008-41; 10825.900.582/2008-41; 10825.900.734/2008-14; 10825.900.539/2008-86; 10825.900.543/2008-44; 10825.900.564/2008-60; 10825.900.534/2008-53; 10825,900.572/2008-14 processos administrativos 10825.900,581/2008-05 10825.900 525/2008-62; 10825.900.583/2008-96; 10825.900.587/2008-74; 10825.900,539/2008-86; 10825,900.544/2008-99; 10825.900.580/2008-52; 10825.900.533/2008-17; Após discorrei sobre os princípios que informam o processo administrativo fiscal, protesta pela posterior juntada de documentos que comprovarão a existência do crédito utilizado, a fim de restar devidamente demonstrada a regularidade da compensação levada a efeito. Ti anscreve ementa de jurisprudência administrativa. No mérito, fundamenta seu direito creditório na inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei na 9.718, 27 de novembro de 1998, já declarada no julgamento dos Recuisos Extraordinários nas 357.950/RS, 358,273/RS, 390.840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e na 346.084-6/PR, do Ministro limar Galva°. 2 1 ; ; Processo n" 10825 900707/2008-33 S3- t E03 AcOrdao n " 3803-01 1015 Fl 93 Lembra que a Lei na 11.941, de 27 de maio de 2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o referido dispositivo. Invoca ainda o Ato Declaratório Inter pretativo SRF na 25, de 2003, para rechaçar a incidência das contribuigeres sociais sobre a recuperação de tributos pagos indevidamente, De outra banda, dá noticia de que o débito oposto em compensação está sendo objeto de exigência nos autos do processo administrativo na 10825.900,619/2008-31, o que, no seu entender, afronta o art. 142 da Lei na 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional — CTN, Discorre novamente sobre os princípios que norteiam a atividade administrativa.. Conclui, pedindo que: a) sejam reunidos por ocasião do julgamento dos recursos voluntários interpostos os processos administrativos destacados no recurso; b) sejam considerados, por ocasião do julgamento, com fundamento nos princípios que norteiam o processo administrativo, os documentos comprobatórios do direito alegado a ser apresentados pela Recorrente; c) em respeito ao principio da verdade material orientador do processo administrativo fiscal, sejam considerados os créditos apur ados com base no recolhimento indevido, a teor do entíio disposto no art. 3°, § 1°, da Lei na 9.718. de 1998; d) seja o presente recurso julgado integralmente procedente, com a homologação da compensação realizada, cancelando-se integralmente o indébito exigido pelo Processo Administrativo n 0 10825.900945/200849; e, e) finalmente, protesta or realizar sustentação oral por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário, nos termos do art. 58 do Regimento Interno deste E. Conselho.. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Ker n, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de tis, 61 a 74 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRI-RPO- l° Tur ma na 14-24.014, de 18 de maio de 2009 . Pedido de julgamento conjunto de processos administrativos 0 recorrente , invocando conveniência relacionada corn a identidade das matérias tratadas nos processos citados, pede que os mesmos sejam julgados conjuntamente. Reporto-me aos arts. 40 e 80 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MV n°256, de 22 de junho de 2009— RUCARF. Lá o recorrente •.• 1'1: 1 '1; 3 poderá constatar que as competências das turmas de julgamento CARF estão divididas segundo o tributo de que se trata e o valor do crédito tributário envolvido. Esta 3 1E13 3 S, por exemplo, está adstrita aos recursos voluntários contra decisties de DR] que versem sobre P1S/Pasep, Corms,Finsocial, IP!, CPMF, 10F, C1DE, 11 e 1E, limitados a R$ 1.000.000,00. Ademais, segundo os arts. 46 e 47 do RI-CARE, os processos devem ser sot teados e distribuídos segundo critérios de pi ior idade e observada a competência da turma de j ulga memo Destaco essas regras regimentais para ilustrar a impossibilidade de atendimento do pedido. Pedido de juntada posterior de documentos A possibilidade de juntada de documentos aos autos depois do momento processual da inter posição da reclamação deve set avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. Dispõe o Decreto re2 70.235172, verbis: 'Alt 14. A impugnagão da exigénact insulin a a frise litigiosa do pi ocedimento AI 1 1,5 A impagnaviio, for malizada 1101 esci Ito e insli nida cam os documentos eta que se fundamental ., serci apresentada ao th geio preparador no pIVZO de ti inta dias. contados da claia em que fella a intimação da exigência Ii Ait 16 .1 iinpugnação mencionar6 I .1 Ill — os motivos c/c fato e de direito em que se limilamenta, as pontos de discordáncia e as ac-Iies e pi OWLS que possuil , (Redagiin dada pela Lei n 2 8,748, de 1993) I] § -P .4 piora documental sod apresentada na imprignavão, precluindo o direito de o impagnante fa:ê.-Io Cl?! outi o momenta pt ocessual, a menos que fique demonsuada a impossibilidade de sua apresentaccio °pot tuna, por motive) de forget maim ;(1neluido pela Lei n2 9.532, de 1997): b) refira-se a l'ato ou a direito supo venienie;(1ncluido pela Lei na 9.532' , de 1997). destine-se a 4-o/wax)) kuos ou 'cedes poste, lot moue tra:idas aos autos (Incluído pela Lei n2 9.532, de 1997) I] .4,1 17 Colisidelar-se-6 uão impugnada a matêt ia que não tenha Aida expressamente contestada pelo impugnante (Redaçiio dada pela Lei na 9 532, de 1997) ' 4 Process° n" 10825 900707/2008-33 53;1 E03 Acórao n " 3803-01.005 1 , 1 9, 1 De acordo corn as normas processuais, é no momento ptocessual da teclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo piopriamente dito tem inicio, corn a instauração do litigio, não se permitindo, a parth dai, a abet WI a de novas teses de defesa ou a apresentação de novas pi ovas, a não set nas situações legalmente excepcionadas.. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martinez López1 assevetam que inicial e a 'n4,107(100 fixam as hunks da controvérsia, integrando o °Net° da defesa as afirmações contidas na petição inicial e no documentação que a acompanha". Antônio da Silva Cabral, no seu livro "Processo Administrativo Fiscal" (Ed, Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172). assim se manifestou sobre o assunto: '0 lei mo nurho pair: indicar que a pi oclusão .signijica impossibilidade de se reali:ar um cli, eito, quer porque a poi ta do lempo estri fechada, quer porque o recinto onde esse direito pork, la ever cem -se também está fechado O titular do direito acha-se impedido de ever cor o sett ducha. °situ, como alguém está impedido de win ar num i echno poi que a poi ta está Acharia ' Na pagina seguinte, o mesmo autor, reportando-se aos ótgdos julgadores de segunda instancia, completa: Sc o n ibunal acolhei tal espécie de 1 e.C10 so estai ci, na r condone, omitindo uma instrincia. já que o julgador singular não apreciou partc que so é contestada na fine iccui sal ' Grinover e Dinamdco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a 'medusa): *0 instindo da prechtsão liga-se ao principio do impulso processual Objetivantente entendida, a preclusiio consiste cai um fah, impeditivo destinado a pain& o avanço pi ogressivo da elação pi Qr.-Lessard e a obstar o seu recuo para as faces mile, lc), es do pm ocedimento Subjetivamente, a prechisão epiesenta a pei da rle uma faculdade ou de um poder on direito pi ocessual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de pi echtsãO f ' Ensinam, também, estes douttinadores que: prechtsão não é sanção Aldo pi acém • de mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou &fella com o desenvolvimento do process°, on da consumação de unt esse .Seus deltas confinam-se à relação pi ocessual e exaurem-se no pr . ocos so ' As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituem-se em verdadeito ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo ptaticado no tempo edit). stugem para a parte conseqUências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazê-lo posteriormente, pois opeta-se, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto potque o processo é um caminhar paia a fiente, não se admitindo, em regra, tessuscitar questões já ultrapassadas em rases antei ides, 5 ocesw Achninistr why fiscal Federal Comentado. SOo Paulo: Dialdtica, 2002. p 67. I f•••••11 De acordo com o § 42 do art 16 do Decreto n2 70.235, de 1972. supratranscrito, s6 é licito deduzir novas alegações em supressão de instancia quando: I) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de oficio, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 52 do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida A autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Apt .36 Cabe ao interessado a playa dos linos que tenha alegado, sem prejui:o do dever au 'Guido ao cirgclo compoente para a inSlInçâo e do disposto no ar ligo 37 desta Lei No mesmo sentido o art. 330 da Lei n 5,869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): :1,1 333 0 6nus da prova incumhe 1 — ao auto; quanto ao fato constinaivo do seu direito. Ii — ao r6u, quoin° à exist6ncia de lino impeditivo. modificativo ott extintivo cio direito do auto,- O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas "a" a "c" do § 40 do art 16 do Decreto n 2 70.235, de 6 de março 1972 — PAF., que justifique a apresentação tardia de documentos. Indefiro o pedido . Exigência controvertida nos autos do processo administrativo rig 10825.900945/2008-49 Não conheço da parcela do recurso atinente A exigência do débito que emergiu inadimplido em face da não homologação da compensação objeto da DCornp n2 23623.00515.130504.1.3., fls., 1 a 54-8579. Trata-se de matéria estranha a que se controverte nos autos e que sera merecedora de tratamento adequado no processo próprio.. Mérito — reconhecimento de indébito decorrente da inconstitucionalidade do § 1" do art. 3" da Lei tV 9.718, de 1998 Bradando pelo principio da verdade material, o recorrente pede que sejam considerados os créditos apurados com base no recolhimento indevido, a teor do então disposto no art. 3°, § 1°, da Lei n2 9.718, de 1998. Pergunto: que créditos? Que apuração? Penso ser até intuitivo, não basta a existência "em tese" de urna declaração de inconstitucionaliclacle de lei instituidora de um tributo para que surja um direito de crédito. 1-1d de se verificar, primeiramente. se o pagamento - reputado posteriormente como indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade da lei - realmente existiu. . ' 6 L Processo n" 10825 900707/2008-33 S3- [ 10 13 AetiTao n " 38113-01.005 ri 95 O Despacho Decisório de fl. 6 da conta de que o pagamento referido no PER- Dcomp náo foi localizado. Contra essa constataçáo, o recorrente tergiversa e desenrola listas de princípios processuais.. Ainda que existisse o referido DARF, haver ia de demonstrar o pagamento a maior, demonstrando cabalmente a base de cálculo correta, em síntese, quanto foi pago a maior. Ora, se o prop io Cisco precisa instaurar um procedimento administrativo para que se reconheça a existência do rat() ge l ado, por que poder in o particular ter um "credito" em face do fisco apenas em razáo de hipotéticos pagamentos? Essa Li a pretensáo do recorrente: lestituir-se de um indébito apenas em face de uma tese, sem ao menos comprovar que recolheu algo ao fisco . Nada a reparar na decisáo recorrida, cujos fundamentos, forte no § I° do art. 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto, Conelus;lo Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 8 de dezembro de 2010 A I exandi e Kern 7
score : 1.0
Numero do processo: 10580.006526/2003-24
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1996
IRPF. JUROS DE MORA TERMO INICIAL.
A restituição de eventual imposto pago indevidamente em 1995 será
atualizada monetariamente até 31 de dezembro de 1995 e acrescida de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, a partir do mês de janeiro de 1996 até o mês anterior ao da restituição, c de 1% no mês em que o crédito for disponibilizado ao contribuinte no banco. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996 IRPF. JUROS DE MORA TERMO INICIAL. A restituição de eventual imposto pago indevidamente em 1995 será atualizada monetariamente até 31 de dezembro de 1995 e acrescida de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, a partir do mês de janeiro de 1996 até o mês anterior ao da restituição, c de 1% no mês em que o crédito for disponibilizado ao contribuinte no banco. Recurso provido.
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Numero do processo: 10283.001984/96-78
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 14 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Feb 14 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO.
Incentivo a exportação, simples formalidade com a comprovação do
SECEX, não descaracteriza o Regime.
RECURSO PROVIDO
Numero da decisão: 303-29.611
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Carlos Fernando Figueiredo de Barros e João Holanda Costa, que fará Declaração de voto.
Nome do relator: MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES
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Incentivo a exportação, simples formalidade com a comprovação do • SECEX, não descaracteriza o Regime. RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Carlos Fernando Figueiredo de Barros e João Holanda Costa, que fará Declaração de voto. Brasília-DF, em 14 de fevereiro de 2001 JO - LANDA COSTA • P idente solk-2 MANOEL D • SSUNÇÃO FERREJRA GOMES Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS e NILTON LUIZ BARTOLI. Atsil/fc119587 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.587 ACÓRDÃO N° : 303-29.611 RECORRENTE : COMPANHIA INDUSTRIAL DE MADEIRAS RECORRIDA : DRJ/MANAUS/AM RELATOR(A) : MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES RELATÓRIO E VOTO Trata-se da perda da concessão dos beneficios fiscais de suspensão de tributos nos casos de Drawback. • Com o retorno da diligência de fls. 74 e 75, a Secretaria de Comércio Exterior, nas suas considerações finais, é bem conclusiva, "caso o registro tivesse sido alterado ou, então, nas condições requeridas no compromisso de exportação, teria sido aceito para baixa do Ato Concessório". O problema ocasionado na realidade é uma simples formalidade. Como o Drawback é um incentivo à exportação e não um favor fiscal, fica claro que a exportadora cumpriu o objetivo do Programa que é a exportação. Em razão disso, não posso deixar de acatar as informações do SECEX, votando para dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2001 111 1,4 OEL D' ASS ÇÃO FERREIRA MES — Relator 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.587 ACÓRDÃO N° : 303-29.611 DECLARAÇÃO DE VOTO O processo fora baixado em diligência ao SECEX, em vista dos documentos de fls. 24, 27 e 28 para que o órgão oficial os examinasse e informasse se referidos documentos serviam de conformação para efeito da baixa do ato Concessório. •A autoridade julgadora de primeira instância declarara nos fundamentos da decisão ora recorrida que tais documentos comprovam apenas que a exportação fora efetivada mas não eram suficientes para comprovar que na composição dos produtos exportados haviam sido utilizados os insumos importados através da D.1. 026637/95. A resposta do SECEX consta do Oficio DECES/GEACRO — 2000/0003, de 04/01/2.000 (fls. 74/75) do seguinte teor: "Referimo-nos ao "fac-simile" GAB/ALF/PTO/MNS/N°131, de 11/11/99, que trata de pedido de diligências feito pelo Terceiro Conselho de Contribuintes sobre baixa de Ato Concessório da Cia. Industrial de Madeiras. Sobre o assunto temos o seguinte a informar: A Cia. Industrial de Madeiras obteve Ato Concessório em 24/07/95 para suspensão de tributos em importação de resinas fenólicas 111 (NBM/SH 3506.91.0201) comprometendo-se a exportar madeiras compensadas plastificadas (NBM/SH 4412.21.9900) até 20/01/96; Em 02/02/96, após vencido o Ato Concessório, a Agência Centro Manaus encaminhou correspondência à interessada comunicando- lhe o fato e convidando-a a indicar os registros de exportação para comprovação do seu compromisso; Em 21/02/96, a Cia. Industrial de Madeiras informou que, através do RE 95/0733741-001, exportou 20 pacotes de compensados plastificados no valor de US$ 16,835.28 indicando-o para efeito de comprovação de baixa de seu Ato Concessório; O registro de exportação oferecido confirma que houve a operação acima indicada, tendo, no entanto, sido cometidos os seguintes equívocos pela exportadora: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.587 ACÓRDÃO N° : 303-29.611 - - O RE não foi enquadrado para efeito de comprovação de "drawback" ou seja, no campo 02-a deixou de constar o código 81.101 (drawback suspensão comum); - A NBM/SH utilizada - 4408.90.01990 - (outras madeiras em folhas) estava em desacordo com a do Ato Concessorio - 4412.21.9900. Salientamos, entretanto, estar o produto descrito no campo 11 do RE dentro dos parâmetros compromissados; - No período de vigência do Ato Concessorio, a interessada não 4111 apresentou pedido de correção do registro de Exportação no Siscomex. - Caso o registro tivesse sido alterado, ou então, nas condições requeridas no compromisso de exportação, teria sido aceito para baixa do Ato Concessório." Como se verifica das informações produzidas pelo SECEX, o RE em causa não foi enquadrado para efeito de comprovação do "drawback" nem se consumou de fato a comprovação do regime especial. O SECEX informa ademais em termos de condicional no sentido de que se o registro estivesse alterado ou então se estivesse nas condições requeridas no compromisso, teria sido aceito. A conclusão é por não terem sido atendidas as condições, não se prestou para fins da baixa do compromisso do "drawback". Não vejo, portanto, outra conclusão a não ser negar provimento ao ank recurso voluntário. -• Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2001 JOÃO 14AANDA COSTA - Conselheiro 4 kk... MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • it:¥44,V TERCEIRA CÂMARA Processo n.° : 10283.001984/96-78 Recurso n.° : 119.587 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, • Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-29.611 Brasília-DF, Atenciosamente O João BL Costa Presi e da Terceira Câmara Ciente em: Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000823/2004-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo.
RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por
antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (Súmula CARF n.º 12)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento ao recurso interposto, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (Súmula CARF n.º 12) Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (Súmula CARF n.º 12) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento ao recurso interposto, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 2 VALÉRIA PESTANA MARQUES Presidente (assinado digitalmente) ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente), Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Lúcia Reiko Sakae. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório O presente lançamento foi efetuado, tendo em vista que foi apurada Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme créditos trabalhistas recebidos em ação trabalhista, anocalendário 2001. A primeira parcela foi recebida em 15/10/2001, no valor de R$ 105.455,66 e a segunda parcela em 15/10/2001, no valor de R$ 21.672,35., conforma guia de retirada 309/2001 e 310/2001. A DRJ de Curitiba – PR julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa abaixo transcrita: RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Existindo decisão judicial impedindo a fonte pagadora de efetuar a retenção do IR, cabe ao contribuinte oferecer os valores recebidos à tributação, segundo sua natureza. ACORDO JUDICIAL. PERDAS SALARIAIS. REPOSIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento, devendo ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual. AÇÃO TRABALHISTA. NATUREZA TRIBUTÁRIA DOS VALORES RECEBIDOS. JUSTIÇA DO TRABALHO. INCOMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. Por ser um tribunal especializado apenas em causas trabalhistas, falece à Justiça do Trabalho competência Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 10907.000823/200417 Acórdão n.º 280200.499 S2‐TE02 Fl. 2 3 constitucional para imiscuirse em questões tributárias, ainda mais quando a matéria possui disposição contrária expressa na legislação vigente. RENDIMENTOS SUJEITOS Á TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVE. DÉCIMOS TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL DESCABIMENTO. Em razão de o décimo terceiro salário estar sujeito à tributação exclusiva na fonte, deve ser retirado dos rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste de declaração anual. JUROS MORATÓRIOS. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que está correlacionado não possuir natureza isenta ou nãotributável. O Contribuinte foi intimado em 24/08/2004 e interpôs Recurso Voluntário em 23/09/2004 onde aduz em sua defesa: a) Falta de capacidade patrimonial e financeira; b) Necessidade de convocação da COPEL para informar nestes autos se recolheu ou não o imposto de renda referente a demanda trabalhista; c) Que a responsabilidade pelo recolhimento do IR foi atribuída, pela sentença trabalhista à empresa COPEL; d) Que seja reformado o Acórdão da 4ª Turma, isentandoo do pagamento de qualquer valor a título de imposto de renda, juros e correção monetária, multas e quaisquer outras penalidades oriundas do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN O Recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos legais, dele conheço e passo a análise do mérito. Discutese no presente processo a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda sobre verbas recebidas em reclamatória trabalhista. O auto de infração foi lavrado em 26/04/2004 e referese a rendimentos recebidos no anocalendário, tendo em vista que o contribuinte não ofereceu os rendimentos à tributação, sendo que para o exercício de 2002, apresentou declaração de isento (fls. 83). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 4 No concernente as alegações de responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto de renda e de impossibilidade de se cobrar do impugnante o imposto em questão, é de se verificar as disposições contidas no Parecer Normativo COSIT nº. 01, de 2002, o qual abaixo em parte transcrevo, e é integralmente acolhido por mim: ......................................................................................................... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. ......................................................................................................... Sujeição passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 10907.000823/200417 Acórdão n.º 280200.499 S2‐TE02 Fl. 3 5 “II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” 3. Como visto, a sujeição passiva na relação jurídica tributária pode se dar na condição de contribuinte ou de responsável. Nos rendimentos sujeitos ao imposto de renda na fonte o beneficiário do rendimento é o contribuinte, titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a que se refere o art. 43 do CTN. 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. ......................................................................................................... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 6 caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: "Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº. 5.844, de 1943, art. 103). 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº.4.154, de 1962, art. 5º e Lei nº. 8.981, de 1995, art. 63, § 2º)." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. ......................................................................................................... 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 10907.000823/200417 Acórdão n.º 280200.499 S2‐TE02 Fl. 4 7 a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. (grifos meus) ......................................................................................................... Ou seja, a própria sistemática do regime de fonte e de declaração de ajuste anual confere ao Fisco Federal o poder de exigir do contribuinte o imposto devido sobre os rendimentos tributáveis, mesmo que não tenha sido anteriormente retido. Há, com isso, mero deslocamento temporal do gravame a ser suportado pelo contribuinte, que deixa de ser o momento da percepção dos rendimentos e passa a ser o do vencimento do imposto devido na declaração. Contudo, aspecto importante para deslinde da questão diz respeito ao fato de ser o rendimento tido como omitido, proveniente de ação trabalhista. Sendo que as verbas devidas foram pagas através de duas guias de retirada, sendo que ambas as parcelas foram recebidas em 15/10/2001, no valor de R$ 105.455,66 e a outra parcela no valor de R$ 21.672,35, conforma guia de retirada 309/2001 (fls. 19) e 310/2001 (fls.18). Referidos valores foram pagos após sentença da 1 Vara da Justiça do Trabalho, RT 2181/95. Depreendese do processo que referidas verbas trabalhistas foram pagas a título de horas extras, sobreaviso, dupla função, com respectivos reflexos (fls76), sendo que, posteriormente, por haver divergência nos cálculos do crédito deferido na referida ação trabalhista, as partes fizeram um acordo, homologado pela justiça do trabalho, para definição do valor. Com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 sedimentouse o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. De tal Parecer sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN 8 JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS” É fato que efetivamente, o valor recebido pelo Contribuinte originouse de verbas devidas em diversos períodos anteriores ao ano 2001, parcelas estas que, se levadas à tributação na época própria, talvez sequer resultassem em imposto devido. Conforme já assim se manifestou o Conselheiro Sidney Ferro Barros, em seu voto que aqui reproduzo, não se trata de negar validade ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988: “Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” O mencionado Parecer, transcrevendo trecho retirado do voto proferido quando do julgamento do REsp 424225/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2003, DJ 19/12/2003 p. 323, sublinhou o modo como o Pretório Superior equacionou a questão: “A aparente antinomia dos dois dispositivos se resolve pela seguinte exegese: o primeiro disciplina o momento da incidência; e o segundo, o modo de calcular o imposto. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento (art. 12 da Lei 7.713/88), mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos (art. 521 do RIR)(...) Desse modo, configurase descabida, por afronta ao citado art. 521, a aplicação das tabelas e alíquotas referentes ao mês em que recebidas as diferenças acumuladas, acarretando um ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente o pagamento das diferenças salariais reconhecidas em juízo.”. Ora, se mantida a exigência em tela é possível que se estaria, contrariamente ao que foi sedimentado pelo STJ e recepcionado pela PGFN, homenageando a tributação de valores recebidos acumuladamente exatamente nos moldes reprovados – ou seja, segundo a aplicação de alíquotas do imposto vigente no mês de recebimento (e no ano deste 2001). No caso dos autos, a situação é idêntica aos julgados acima apontados, logo, por se referir a rendimentos de anos anteriores recebidos acumuladamente em decorrência da reclamação trabalhista RT 2181/95, o valor lançado de ofício no auto de infração deve ser excluído da base de cálculo, nos termos do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010. Ao mesmo tempo, não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídico, mas tão somente afastar a exigência indevida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões – DF, 23 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Processo nº 10907.000823/200417 Acórdão n.º 280200.499 S2‐TE02 Fl. 5 9 ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 07/02/2011 por ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
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