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Numero do processo: 10768.004360/2001-51
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1995
PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Afastada, porque houve clara possibilidade de produção de
provas por parte do Contribuinte, que, contudo, preferiu
permanecer inerte, sem trazer aos autos material probatório das
suas alegações.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, o direito da Fazenda
Pública constituir o crédito tributário extingue-se em 5 anos
contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado, o que no caso concreto, se
trata do ano de 1995. Tendo o tributo sido lançado em 1996, foi
tempestiva a atuação da Fazenda.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Correto o entendimento de que a interposição de reclamação
administrativa em face do lançamento interrompe o prazo
prescricional.
BASE DE CALCULO. VTNm - VALOR DA TERRA NUA mínimo. A base de calculo do ITR é o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte. Entretanto, caso este valor for inferior ao VTN mínimo (VTNm) fixado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, este passará a ser o valor tributável, ficando reservado ao contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que o valor declarado é de fato o preço real da terra nua do imóvel rural especificado. Não sendo comprovados os fatos alegados na impugnação, deve-se manter a exigência fiscal relativa à impugnação.
Numero da decisão: 393-00.067
Decisão: ACORDAM os membros da terceira turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ANDRE LUIZ BONAT CORDEIRO
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Afastada, porque houve clara possibilidade de produção de provas por parte do Contribuinte, que, contudo, preferiu permanecer inerte, sem trazer aos autos material probatório das suas alegações. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que no caso concreto, se trata do ano de 1995. Tendo o tributo sido lançado em 1996, foi tempestiva a atuação da Fazenda. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Correto o entendimento de que a interposição de reclamação administrativa em face do lançamento interrompe o prazo prescricional. BASE DE CALCULO. VTNm - VALOR DA TERRA NUA mínimo. A base de calculo do ITR é o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte. Entretanto, caso este valor for inferior ao VTN mínimo (VTNm) fixado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, este passará a ser o valor tributável, ficando reservado ao contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que o valor declarado é de fato o preço real da terra nua do imóvel rural especificado. NA' endo comprovados os BONAT t ORDEIRO Processo n° 10768.004360/2001-51 Acórdão n.° 393-00.067 CCO3fT93 Fls. 36 fatos alegados na impugnação, deve-se manter a exigência fiscal relativa à impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino. 2 Processo n0 10768.004360/2001-51 Acórdão n.° 393-00.067 CC03/T93 Fls. 37 Relatório Trata-se de notificação de lançamento (fls. 06), lavrada em nome do espolio de José Maria Rollas, proprietário do imóvel, recebida pela inventariante dativa Sra. MariIda Rosa dos Santos, referente ao imposto ITR/95, do imóvel n° 4095257-6, guia de Fev/96-Set/96, no valor de R$ 83,68, apuração feita em 01/01/1995. Tempestivamente, a inventariante apresentou SRL — Solicitação de Retificação de Lançamento (fls. 5), requerendo a retificação do CPF e nome do contribuinte e impugnando o valor do tributo cobrado, por desconformidade com o valor declarado. Analisando o pedido, a DRF asseverou que: (1 0) o imposto, objeto do lançamento ora impugnado, 1TR/95, constitui uma retificação de lançamento anterior, suspenso em razão de Instrução Normativa SRF n° 16/96, que determinou a revisão de oficio do lançamento; (2°) posteriormente, a IN/SRF n° 42/96 determinou a revisão de oficio dos tributos antes tutelados pela IN/SRF n° 16/96, utilizando tabela anexada à Instrução, fixando o VTNM - (Valor da Terra Nua Minima), por hectare, de acordo com a localização do imóvel, nos termos contidos no art. 3°, § 2 ° , Lei 8847/94; (3°) no caso especi fico, a revisão do lançamento foi feita utilizando-se o VTNm de R$ 836,96 por hectare, fixado para o Município de Parati, acarretando no VTN tributado de R$ 12.135,92; (4°) diante desta análise fática, foi proferido despacho pela DRF-RJ, que acatou o pedido de retificação do nome e n° do CPF do contribuinte e determinou o prosseguimento da cobrança do valor do imposto e demais contribuições em razão da legislação que assim determinava à época do fato gerador do imposto. Ciente do despacho proferido pela DRF-RJ, o espólio de José Maria Rollas, por seus herdeiros e com a ciência da inventariante dativa, interpôs impugnação de fls. 13/14, alegando, em suma, que: a) A notificação teria sido lançada ern prazo superior ao estabelecido pela regra prescricional, tendo em vista que os créditos tributários prescrevem em cinco anos , b) O espólio, diferentemente do que consta na notificação de lançamento, não se encaixaria na condição de empregador, não cabendo tributação neste sentido, tendo em vista que o bem pelo qual recai o tributo é atualmente ocupado por posseiros que ali executam suas atividades rurais, motivo este que acarretaria, sucessivamente, a cobrança de quaisquer débitos, através de processo administrativo. c) 0 processo de inventário estaria em trâmite peranfe o Juizo da 11 2 Vara de Orfâos e Sucessões da Comarca do Rio de Janeiro. 3 Processo n° 10768.004360/2001-51 Acórdão n.° 393-00.067 CC03/T93 FN. 38 d) Não existiria amparo legal para a cobrança intentada, motivo que deveria acarretar o arquivamento da presente notificação. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE), que, após analisar os argumentos apresentados na impugnagdo,juigou procedente o lançamento constante na notificação de lançamento do ITR/95, nos termos da ementa transcrita adiante (fls. 19/22): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1995 Ementa: DECADÊNCIA 0 direito de Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o inciso III, art.151, da Lei n° 5.172/1996 (c-rN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CONTRIBUINTE DO ITR. 0 Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, de acordo com o art. 31, da Lei n° 5.172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR. Ê empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem o empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural e lhe garanta a subsistência social e econômica em area igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decreto-Lei n° 1.166/1971. Lançamento Procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho, (fls. 24/26), argumentando, em síntese: a) A decisão proferida em acórdão, DRJ/Recife, seria nula por ofender aos preceitos Constitucionais da Ampla Defesa e Contr di ório, art. 5 ° , inciso LV, quanto a falta de 4 Processo n° 10768.004360/2001-51 Acórdão n.° 393-00.067 CC03/T93 Fls. 39 instrução processual, mediante a qual seriam apresentadas as provas pertinentes à comprovação dos fatos alegados. b) Requerendo, portanto, o deferimento de abertura de prazo para vista dos autos e juntada de provas das mencionadas alegações, conforme os termos do acórdão proferido pela DRJ/Recife. Ao final reitú todos os pedidos já apresentados a sua Defesa. o relatório. 5 Processo n° 10768.004360/2001-51 Acórdão n. ° 393 -00.067 CC03/1-93 Fls. 40 Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator Inicio com a análise da preliminar de nulidade do processo por violação aos princípios da ampla defesa e contraditório, a qual entendo não ser procedente. Sabe-se que o processo administrativo tem uma maior flexibilidade em relação aos processos judiciais, sendo certo que neles a produção de provas (e até a complementação das razões de defesa) é constantemente aceita. Não obstante, o que se observa no presente caso é que o Recorrente limita-se a alegar a nulidade por cerceamento de defesa, mas, em momento algum, juntou um documento sequer que embasasse suas alegações. Limita-se ao formalismo, esquecendo de seu próprio ônus, qual seja, produzir um mínimo de prova que seja, para possibilitar o acatamento das suas razões de defesa. Assim, rejeito a preliminar. Já quanto às demais razões de Defesa apresentadas pelo contribuinte, tenho que está correta a decisão recorrida. Nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Sob este enfoque, tendo sido o contribuinte intimado no ano de 1996 do lançamento do ITR do ano de 1995, não há dúvida que não se operou a decadência. Não bastasse isso, antes mesmo do vencimento do prazo de pagamento do tributo, constante da notificação de lançamento, o Recorrente apresentou reclamação administrativa, impugnando a exação, suspendendo, outrossim, inclusive, o prazo prescricional posterior para a cobrança do tributo, nos termos do art. 151, III, do CTN. No mérito, consiste a presente lide na exigência de cobrança do ITR, entendendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, pela procedência do lançamento, tendo em vista que a Base de Calculo do ITR deve resultar do VTNm/ha (Valor da Terra Nua mínimo por hectare) fixado pela IN/SRF no 42/1996 nos termos da Lei n.° 8.847/94 (revogada em 19/12/1996 pela Lei 9.393/96, atual lei do ITR) aplicáveis na oportunidade, e não do VTN declarado, bem como da necessidade, no caso de revisão, da apresentação de laudo de avaliação e outros documentos de modo a evidenciar o valor fundiário atribuído ao imóvel avaliado. Com efeito, a legislação possibilita à autoridade administrativa rever o VTNm impugnado pelo contribuinte. Entretanto, como o valor em comento é fixado com base no menor dos preços praticados para os imóveis rurais do município, em situações muito especiais, pode ocorrer que determinado imóvel rural situal,6 naquele município, em 6 Sessões, em 19 de novembro de 2008 NAT CORDEIRO - Relator Processo n° 10768.004360/2001-51 Acórdão n.° 393-00.067 CC03/1-93 Fls. 41 decorrência de fatores naturais ou da ação humana que resulte na degradação do solo ou por condições inóspitas de acesso que dificulte a utilização econômica do imóvel, apresente um valor de terra nua inferior ao mínimo fixado pela SRF — Secretaria da Receita Federal. Como essa hipótese pode efetivamente ocorrer, sabiamente, o legislador criou a possibilidade da autoridade administrativa, mediante prova robusta e inquestionável apresentada pelo contribuinte, rever o VTNm e acatar um valor inferior a este. A prova a que me refiro é o laudo técnico de avaliação especificado no § 4° do art. 3 0 da Lei n.° 8.847/94, nos seguintes termos: "Art. 3°- (.) sç 4' - A autoridade administrativa competente poderá rever, corn base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacita cão técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte."(grifti) Assim, o contribuinte pode pleitear a utilização de um VTN inferior ao VTNm, mas, para que seja atendida sua pretensão, deverá apresentar um laudo técnico de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado. Além do que, por força da NBR 8799/85 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, o citado documento deverá conter todos os requisitos exigidos por esta Norma Técnica, demonstrando os métodos avaliatórios, fontes pesquisadas e data a que faz referência, levando A convicção sobre o valor atribuído ao imóvel por meio de provas materiais idôneas, provenientes de fontes externas, a exemplo de cópias de documentos relativos As transações imobiliárias realizadas no município, os anúncios em jornais e em revistas, folhetos de publicação geral, informando os preços dos imóveis daquela municipalidade. Entretanto, não obstante existir tal possibilidade, o Recorrente — sendo o contribuinte responsável pelo ITR do imóvel — não juntou um documento sequer para comprovar eventual equivoco no VTN mínimo estabelecido pela SRF, de modo que deve ser mantido o lançamento. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. 7
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721220/2019-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
ALIMENTAÇÃO IN NATURA E FORNECIMENTO DE TICKET REFEIÇÃO. ISENÇÃO.
Não integram o salário-de-contribuição os valores relativos a alimentação in natura fornecida aos segurados empregados, mesmo que a empresa não esteja inscrita no Programa de alimentação do Trabalhador.
O ticket alimentação, por se assemelhar ao fornecimento da alimentação in natura, merece igualmente ser excluído da base de cálculo do lançamento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto. No entanto, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda os fatos que se propõe a regular, ou que a sua assinatura seja realizada com antecedência razoável ao término do período de aferição, pois o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atrai a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR.
Numero da decisão: 2201-010.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores pagos aos empregados a título de auxílio-alimentação.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 ALIMENTAÇÃO IN NATURA E FORNECIMENTO DE TICKET REFEIÇÃO. ISENÇÃO. Não integram o salário-de-contribuição os valores relativos a alimentação in natura fornecida aos segurados empregados, mesmo que a empresa não esteja inscrita no Programa de alimentação do Trabalhador. O ticket alimentação, por se assemelhar ao fornecimento da alimentação in natura, merece igualmente ser excluído da base de cálculo do lançamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto. No entanto, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda os fatos que se propõe a regular, ou que a sua assinatura seja realizada com antecedência razoável ao término do período de aferição, pois o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atrai a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR.
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ISENÇÃO. Não integram o salário-de-contribuição os valores relativos a alimentação in natura fornecida aos segurados empregados, mesmo que a empresa não esteja inscrita no Programa de alimentação do Trabalhador. O ticket alimentação, por se assemelhar ao fornecimento da alimentação in natura, merece igualmente ser excluído da base de cálculo do lançamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto. No entanto, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda os fatos que se propõe a regular, ou que a sua assinatura seja realizada com antecedência razoável ao término do período de aferição, pois o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atrai a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores pagos aos empregados a título de auxílio-alimentação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 20 /2 01 9- 46 Fl. 1413DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil 08, consubstanciada no Acórdão nº 108.002-405 (fls. 1.177/1.210), o qual julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Reproduzo a seguir o relatório do Acórdão de Impugnação, o qual descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância: 1. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados pela Fiscalização contra o sujeito passivo em epígrafe pelo descumprimento das obrigações principais, que seguem discriminadas abaixo: – refere-se a contribuição previdenciária correspondente à parte da empresa, incidente sobre os valores pagos e/ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais(PLR e auxílio alimentação), no montante de R$ 84.837.469,33 (oitenta e quatro milhões, oitocentos e trinta e sete mil, quatrocentos e sessenta e nove reais e trinta e três centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período 01/2015 a 12/2015, lavrado em 24/12/2019; incipal (Código de Receita 2158) – refere-se a contribuição previdenciária correspondente ao GILRAT, incidente sobre os valores pagos e/ou creditados aos segurados empregados (PLR e auxílio alimentação), no montante de R$ 9.831.415,10 (nove milhões, oitocentos e trinta e um mil, quatrocentos e quinze reais e dez centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período 01/2015 a 12/2015, lavrado em 24/11/2019; – trata-se de contribuição destinada a Outras Entidades e Fundos (INCRA), incidente sobre os valores pagos e/ou creditados aos segurados empregados (PLR e auxílio alimentação), no montante de R$ 750.690,05 (setecentos e cinqüenta mil, seiscentos e noventa reais e cinco centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período 01/2015 a 12/2015, lavrado em 24/12/2019; e – corresponde à contribuição destinada a Outras Entidades e Fundos (Salário Educação), incidente sobre os valores pagos e/ou creditados aos segurados empregados (PLR e auxílio alimentação), no montante de R$ 9.383.628,38 (nove milhões, trezentos e oitenta e três mil, seiscentos e vinte e oito reais e trinta e oito centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período 01/2015 a 12/2015, lavrado em 24/12/2019. 2. Às fls. 226/273 constam as informações do relatório fiscal que seguem abaixo de forma sucinta. Fl. 1414DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 - Dos Fatos (PLR – Participação nos Lucros ou Resultados e Alimentação) 2.1. No curso da auditoria fiscal realizada foi verificado que o contribuinte efetuou pagamentos, sem a correspondente declaração em GFIP e, consequentemente, sem o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias: • A seus Administradores e Empregados, a título de Participação nos Lucros; e • A seus Administradores e Empregados, a título de Alimentação/Refeição. 2.1.1. Observou a Fiscalização que a administração da sociedade compete ao Conselho de Administradores e à Diretoria. 2.1.2. O Autuado foi intimado a apresentar documentos e informações (TIF 01 e 03), que foram confrontados com os dados da DIRF, onde foi verificado que os valores declarados no código de receita 3562 – PLR, não foram relacionados nas planilhas entregues pelo contribuinte, nem declarados em GFIP. 2.1.3. Esclarece a auditoria que não se pode confundir participação nos lucros com dividendos, tendo em vista que os administradores de uma Sociedade Anônima podem ser acionistas ou não. Sendo acionista, além dos dividendos que todo empresário tem direito, poderá receber participação nos lucros em função do seu desempenho na gestão da companhia. Salienta, ainda, a Fiscalização que os dividendos ou distribuição de lucros é a remuneração do capital investido na empresa pelo sócio, não sendo necessária a execução de qualquer trabalho para auferi-lo. Já a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados. Sendo assim, ao contrário dos dividendos, no caso concreto, a participação nos lucros é considerada base de cálculo ( código 561 DIRF – Rendimentos do Trabalho Assalariado). 2.1.4. A PLR somente estará desvinculada da remuneração e da incidência de contribuição previdenciária quando paga de acordo com a Lei 10.101/00. 2.1.5. Assim, a partir da análise da DIRF – Declaração do Imposto de Renda retido na Fonte foram apuradas as bases de cálculo, conforme a planilha do relatório fiscal de fl. 241 (PLR dos Administradores). 2.2. Com relação à PLR paga aos segurados empregados, verificou a Fiscalização nos registros contábeis, na DIRF e nos resumos mensais das folhas de pagamento (2015), os seguintes fatos: – valores referentes à Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados foram contabilizados na seguinte conta: 89710201000000 – PARTICIPAÇÕES NO LUCRO = EMPREGADOS; e - os valores referentes a PLR dos Empregados foram registrados com as seguintes rubricas: 850 – PLR (04 e 11/2015), 855 – PLR (04/2015), 870 - PLR (04/2015), e 880 – PLR (04/2015). 2.2.1. No caso em questão, constatou a Auditoria que o Acordo Coletivo de Trabalho para Pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados referente ao exercício de 2014 (período de referência 01 de janeiro a 31 de dezembro), foi celebrado em 14 de abril de 2015 (Banco do Nordeste do Brasil S.A. e a CONTRAF). Destacou, ainda, a Fiscalização que o mês da celebração do referido acordo é o mesmo que foram efetuados os pagamentos aos empregados (04/2015), contrariando o que determina o art. 2°, § 1°, inciso II da Lei n° 10.101/2000. 2.2.2. Verificou a Fiscalização que os instrumentos decorrentes das negociações devem ser formalizados antes do ano base, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, dariam aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. Fl. 1415DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 2.2.3. O Acordo Coletivo que rege os pagamentos efetuados na competência 04/2015 é claramente um programa de metas, visto que estabelece vários índices e condições que devem ser implementados para que haja o pagamento da PLR, tais como: Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido (IRPL), Índice de Eficiência (IEf), Captação de Recursos (CR), Aplicação em Crédito Comercial (CC), Qualidade do Crédito (QC), e com relação a PLR Social, Acesso a Crédito PRONAF e à Abertura de conta corrente por clientes Crediamigo (Bancarização). Entretanto, conforme previsão legal (art. 2°, § 1°, inciso II da Lei n° 10.101/2000), tal programa de metas deve ser pactuado previamente. 2.2.4. As bases de cálculo utilizadas foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte em arquivo digital (MANAD), em resposta às Intimações lavradas no curso da ação fiscal. Ressalta, a Fiscalização que apesar de o Acordo Coletivo assinado em 14 de abril de 2015 prever a compensação do adiantamento da PLR efetuado em 10/2014, quando do pagamento da PLR efetivado em 04/2015, entretanto, não constam rubricas de desconto de adiantamento nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização, seja em arquivos digitais previstos no MANAD (planilha – PLR aos Segurados Empregados – fl. 259). 2.3. Foi verificado, também, no curso do procedimento fiscal o pagamento de vale refeição e vale alimentação aos administradores e empregados do Autuado (escrituração contábil - conta 8172700384000n- Despesas de Pessoal - benefícios - Programas de Alimentação do Trabalhador). 2.3.1. A exclusão da parcela destinada ao custeio da alimentação da base de cálculo, somente ocorre quando paga de forma in natura, com relação ao período apurado pela Fiscalização. Entretanto, quando a parcela a título de auxílio-alimentação ou auxílio- refeição for paga em espécie ou mediante tíquetes-alimentação ou cartão-alimentação, integra o salário. 2.3.2. Assim, sendo o auxílio-alimentação pago aos trabalhadores mediante “tíquete/cartão refeição ou tíquete/cartão alimentação”, a parcela a ele correspondente somente passa a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a partir de 11 de novembro de 2017. Antes dessa data, porém, somente não haverá incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio-alimentação pago in natura ao trabalhador; ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, para consumo imediato no ambiente da empresa, ou se fornecida cesta básica para o empregado levar para casa. 2.3.4. Os pagamentos efetuados aos empregados a título de Alimentação e Refeição foram detectados através da análise das Convenções Coletivas de Trabalho, dos Registros Contábeis e das Notas Fiscais de prestação de serviços, todos referentes ao período 01/2015 a 12/2015 ( planilha – Alimentação – fls.269/270). - DA IMPUGNAÇÃO 3. O Autuado foi intimado dos autos de infração, apresentado defesa com as alegações que seguem abaixo (fls. 787/830). - Tempestividade 3.1. O BNB tomou conhecimento do auto de infração dia 03/01/2020 (sexta feira), sendo assim, o início do prazo começou dia 06/01/2020 (segunda-feira), consequentemente, a impugnação é tempestiva, já que foi apresentada dia 03/02/2020. - Síntese dos Fatos 3.2. Às fls. 788/789, o Impugnante faz um breve relato dos fatos que resultaram na lavratura dos autos de infração. Fl. 1416DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 - PLR – Natureza Jurídica. Não Incidência da Contribuição Previdenciária sobre a PLR dos Diretores não Empregados e dos Diretores Empregados – Exercício de 2014. 3.3. O Autuado transcreve a legislação, decisões judiciais e doutrina referentes à Participação nos Lucros e/ou Resultados. Ressaltou que a CF/88, de forma sistemática e expressa, desvinculou a PLR da remuneração, trabalhando para a eficácia desse direito do trabalhador. 3.3.1. A Lei 10.101/00 regulamentou a PLR (arts. 2° e 3°), podendo se afirmar de forma imediata que no que toca os trabalhadores com vínculo empregatício, a PLR não possui natureza remuneratória e não constitui base de cálculo para o a contribuição patronal (transcreve jurisprudência). Já com relação aos trabalhadores sem vínculo a referida lei foi aparentemente omissa, contudo existem possíveis interpretações. 3.3.2. A Lei 10.101/2000 propôs-se a regulamentar o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados a todos os trabalhadores que prestem serviços à empresa, independentemente de possuírem vínculo de natureza empregatícia ou não, nos moldes do estabelecido em seu art. 1º. 3.3.3. A PLR é verba derivada do contrato de trabalho, porém, em completa desconexão com seus aspectos contraprestacionais, como previu expressamente o texto constitucional. A desvinculabilidade da remuneração quanto a PLR, como previsto no art. 72, XI, da CF/88, tem sido entendida pelo TST, no qual prevalece a natureza jurídica indenizatória da PLR. Logo, não sendo contraprestação do trabalho, não poderá haver, consequentemente, a tributação da contribuição previdenciária sobre tal verba (Enunciado n. 73). 3.3.4. A Receita Federal, no auto de infração, seguindo interpretação restritiva da Lei 10.101/2000, alega que os administradores não empregados do BNB, para fins de incidência da contribuição previdenciária, são considerados contribuintes individuais. 3.3.5. Destaca em seu favor que a não incidência da contribuição previdenciária sobre a PLR de todo e qualquer trabalhador deriva da própria Constituição, em razão da não vinculabilidade dessa verba ao salário/remuneração (arts. 7°, XI, 201, §11°, e 218, §4°), que se impõe como norma de eficácia plena e aplicabilidade imediata. O que a Lei 10.101/00 fez foi apenas reforçar tal desvinculamento já expresso constitucionalmente. Salienta, que essa desvinculação impõe-se como mais uma hipótese de imunidade. E, a Lei 10.101/00 não restringiu a participação nos lucros ou resultados apenas ao empregado, mas estende-se também a todo trabalhador (transcreve decisão do CARF). 3.3.6. Mesmo que se entenda, que a participação dos diretores nos lucros ou resultados do Banco não seja regida pela Lei 10.101/00, ainda assim, a norma isentiva da contribuição previdenciária sobre a PLR dos empregados pode ser aplicada, por analogia, aos diretores empregados ou não empregados, conforme a regra do CTN (art. 108, §1°). 3.3.7. O BNB observou a forma de pagamento da PLR prevista no art. 3°, §2°, da Lei 10.101/00, e no art. 152 da Lei 6.404/76, como se comprova pelos documentos em anexo referentes à autorização do DEST e à aprovação em AGE da distribuição do lucro dos diretores do Banco (docs. 23/26), fato esse em nenhum momento questionado pela Receita Federal, o que reforça o entendimento de que tal verba, neste caso, não teve sua natureza desconfigurada e, por isso, não integra o salário-de-contribuição para fins da incidência da contribuição previdenciária, como prevê a legislação vigente no período da lavratura do auto de infração (2019). 3.3.8. O lançamento das contribuições previdenciárias sobre a PLR distribuída entre diretores não empregados não se sustenta, da mesma forma, não procede igualmente a multa de ofício aplicada, neste caso, pelo não lançamento das informações fiscais na GFIP (transcreve jurisprudência). Fl. 1417DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 3.3.9. Assim, não merece prosperar o auto de infração que exige o pagamento de contribuição previdenciária sobre a PLR dos administradores não empregados do Banco do Nordeste. 3.3.10. No que concerne a administradores empregados (doc. 26.1), não há dúvida sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre a PLR desses trabalhadores (transcreve jurisprudência do CARF). - Não Incidência da Contribuição Previdenciária sobre a PLR dos Empregados do BNB — Exercício de 2014 3.4. Alega que não seria razoável para o intérprete trabalhar com elementos não dispostos na citada norma exonerativa, de forma a facilmente desvirtuar os propósitos maiores da Lei n° 10.101/2000, para tributar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, verba desvinculada do salário (cita o art. 111 do CTN e transcreve jurisprudência). 3.4.1. Assevera que no caso concreto sinaliza para uma análise equivocada da Receita Federal no que diz respeito ao pacto prévio do acordo sobre a PLR dos empregados do BNB e o pagamento dessa verba não salarial. 3.4.2. Sustenta que: "... quanto à antecipação da PLR, na competência de 11/2015, o Fisco não vislumbrou qualquer descumprimento legal, mas quanto ao pagamento da PLR em 04/2015, referente ao exercício de 2014, afirmou-se que não fora observada a legislação especial. Ora, tal análise passa de largo à dinâmica anual do acordo coletivo de trabalho e da PLR dos empregados do BNB, cujos fatores envolvidos, em muito, sempre são de conhecimento dos empregados, cujo adiantamento dessa verba costumeiramente auferem em outubro de cada ano (do exercício), por Termo de Ajuste Preliminar ao Acordo Coletivo de Trabalho celebrado entre BNB, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CONTRAF e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Crédito - CONTEC — (Docs. 09 e 10). No mês de abril do ano seguinte, dão-se a assinatura do Acordo de PLR e seu pagamento definitivo — (Doc. 11).”. 3.4.3. Alega que foram feitas várias rodadas da mesa de negociação, no ano de apuração, entre o BNB e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (CONTRAF-CUT), assessorada pela Comissão Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste (doc.12-14). Anexa, ainda, acordos coletivos anteriores (Docs. 15-26). 3.4.4. Argumenta, que o elemento temporal inserto indevidamente, pela Receita Federal, na norma exonerativa da contribuição previdenciária sobre a PLR (Lei n° 10.101/2000, art. 2°, II), não condiz com a diretriz interpretativa do instituto da isenção, o que resulta, em ultima análise, no amesquinhamento dos valores constitucionais em derredor dos direitos do trabalhador e sua participação nos lucros ou resultados da empresa, verba desvinculada do salário (transcreve jurisprudência). 3.4.5. Por fim, há que se considerar o disposto no art. 2°, da Lei n° 10.101/00, com redação alterada pela MP 905/2019, que, como norma interpretativa/esclarecedora sobre a temática ora desenvolvida (assim provam os vários precedentes do CARF enfrentando a matéria à luz da anterior redação legal), deve retroagir (art. 106, I, CTN) para garantir a não incidência da contribuição previdenciária na PLR paga aos trabalhadores do BNB, em 2015, referente ao exercício de 2014. 3.4.6. Por amor ao debate, em virtude do elemento condicionante disposto no art. 53, III, §12, I, dessa MP, o ato futuro do Ministro de Estado da Economia não condicionaria o afastamento das sanções tributárias imputadas ao Banco, no auto de infração, no que concerne ao capítulo da incidência da contribuição previdenciária sobre a PLR. Para o Fl. 1418DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 alcance retroativo nulificante das multas lavradas, a MP seria aplicável, pois implementada, nesse sentido, sua regra-matriz de incidência. 3.4.7. Logo, por todo o exposto, não procede o lançamento fiscal da contribuição previdenciária sobre a PLR paga aos trabalhadores do BNB, em 2015, exercício de 2014, em observância da regra isentiva do art. 2°, II, §1° da Lei n° 10.101/2000, devendo, também neste ponto, o auto de infração ser considerado nulo. - Contribuição Previdenciária Patronal — Natureza Indenizatória da Alimentação do Trabalhador 3.5. Alega que o legislador tributário não pode onerar verbas alheias à noção estrita de salário ou, ao menos, de remuneração decorrente do trabalho (art. 195, I, "a" da CF/88), tais como previstas na legislação obreira e de direito civil, por força do teor do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito, relativamente aos pagamentos a empregados propriamente ditos, avulsos e autônomos, sendo vedada, pois, a tributação de importâncias dotadas de caráter indenizatório, sem qualquer ideia de contraprestação pelo serviço realizado (art. 22, I e III da Lei 8.212/91). 3.5.1. A legislação previdenciária fixa a base de cálculo da contribuição patronal, do segurado obrigatório e do contribuinte individual, composta por parcelas destinadas a retribuir o trabalho, com feição salarial. Por sua vez, o art. 28, § 9°, da Lei n. 8.212/91, descreve as hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária. 3.5.2. Assim, o espírito do legislador aqui foi excluir da base de cálculo do salário de contribuição todas as parcelas que não tenham feição salarial, ou seja, as que abrangem a natureza indenizatória, tanto é assim que as parcelas citadas no art. 28, § 9, alínea "e", da Lei citada, tem característica indenizatória. - Impossibilidade de Distinção da Natureza ("caráter") do Auxílio Alimentação em Virtude do Beneficiário, Servidores do Poder Executivo ou Empregados de Empresas Privadas—analogia 3.6. A Receita Federal, em seu ímpeto arrecadador, vem aplicar interpretação parcial e tendenciosa a seu favor, na medida em que tenta alterar a natureza indenizatória do auxílio, pelo simples fato de ser garantido ao trabalhador, por meio de ticket alimentação ou refeição, ainda que obedecidas estritamente às regras do PAT (Lei 6.321/76). Tal interpretação não merece prosperar, pois contraria, inclusive, disposições expressas do ordenamento jurídico pátrio. 3.6.1. No art. 6° da CF/88, ao enumerar os "direitos sociais", especifica, dentre eles, o direito à alimentação. Não há como negar a natureza jurídica indenizatória do auxílio alimentação, na medida em que a legislação federal traz claramente tal previsão no art. 22 da Lei n. 8.460/1992, ao tratar do auxílio-alimentação usufruído pelos servidores públicos federais. 3.6.2. Não é a qualificação laboral que determina a natureza do auxílio-alimentação. O reconhecimento em lei do caráter indenizatório é expresso. O que se consigna é a constitucionalidade do dispositivo legal e o fato de que o conceito de auxílio- alimentação afirma seu caráter indenizatório, independentemente dos sujeitos a quem se refere. Assim, não há impedimento de que essa mesma natureza deva ser aplicada aos empregados de empresas privadas. Agir em contrário fere o princípio da razoabilidade, tendo em vista que se aplica interpretação contra a lógica do ordenamento jurídico, privilegiando tendenciosamente o Fisco. 3.6.3. Diante da definição da natureza do auxílio-alimentação pela legislação do serviço público federal, e considerando a omissão para os empregados de empresas privadas, o procedimento mais adequado será a aplicação da analogia ao caso, na forma do art. 108, I do CTN. Fl. 1419DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 3.6.4. Pelo exposto, indiscutível a natureza indenizatória do auxílio alimentação, razão pela qual deve ser afastada a interpretação adotada pela Receita Federal para tributar valores dispendidos com a alimentação dos trabalhadores do Banco defendente. - Alimentação do Trabalhador por Meio de Tíquete/Cartão Alimentação e Refeição — Parcela "in natura"- PAT. 3.7. Argumenta que em primeiro lugar, cumpre demonstrar que o BNB encontra-se regularmente inscrito no PAT, conforme comprovante do Ministério do Trabalho em anexo - (Doc. 27). Salienta que a Receita Federal fundamenta sua autuação com o argumento de que a concessão da alimentação por meio de ticket/ alimentação e Refeição trata-se de pagamento em pecúnia. 3.7.1. O legislador vedou o pagamento da alimentação em espécie, ou em pecúnia, exatamente para impedir que o trabalhador se utilize de tal verba para a compra de quaisquer outros produtos que não alimentos, o que desvirtuaria o objetivo do direito social à alimentação. Ocorre que tal possibilidade não ocorre com a concessão do tíquete/cartão alimentação ou refeição, tendo em vista que tais meios só possibilitam a aquisição de alimentos, não sendo possível aquisição de outros produtos, na forma prevista no PAT (Lei n. 6.321/76). 3.7.2. Os tickets, vales, cartões são bens genéricos de natureza homogênea que se utilizam no tráfico econômico. Nesse sentido, não se confundem com o dinheiro que não é nem mesmo uma coisa genérica. E especificamente o ticket, o vale, o cartão são bens fungíveis, posto que a possibilidade de sua substituição vem determinada por um critério qualitativo (com quem, em que negócios, para quais bens pode ser usado, prazo de validade). Nesse sentido, não deixam de ser um bem de consumo (art. 4° do Decreto 05/91 que regulamenta a Lei n°- 6.321/76 - PAT). 3.7.3. Entende que o BNB, com 5.646 empregados (Doc. 27 — PAT) e mais de 300 agências, teria que organizar uma força tarefa para distribuir mais de 5 mil cestas básicas em centenas de cidades diferentes. Seria um verdadeiro absurdo, e mais absurdo seria não utilizar-se dos benefícios da modernidade e da tecnologia que permite transferir esse trabalho a um terceiro conveniado que poderá entregar a alimentação diretamente ao empregado, onde este escolher, conforme sua conveniência e comodidade. Nesse sentido, a interpretação da Receita Federal, no lançamento tributário combatido, não merece prosperar. 3.7.4. Assim, dada a natureza indenizatória do auxílio-refeição, isto é, por tratar-se de valores que não compõem o salário, sendo valores destinados ao empregado para e não pela prestação de serviços, é inegável o modo como deva ser tratado o tributo previdenciário sobre ele incidente. Pode-se afirmar que as modalidades de execução do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT se equiparam, para fins tributários, ao fornecimento in natura de alimentos. 3.7.5. Em relação à finalidade do PAT, pode-se dizer que, acima de qualquer outra, é conceder às pessoas jurídicas integrantes do Programa, favor fiscal e indenizatório. Destaca, ainda, que é um contrassenso entender-se que a legislação federal concederia um benefício fiscal por um lado (adesão ao PAT), para retirar por outro lado, ao impor contribuição social sobre os valores dispendidos com o auxílio-alimentação dentro do mesmo Programa (transcreve jurisprudência). 3.7.6. Cabe esclarecer que as normas do PAT estão em diversos diplomas legais, e devem ser analisadas em suas integralidades, principalmente pelo fato do PAT permitir e regular o fornecimento de alimentação não somente na modalidade in natura, mas também através de tickets. A Lei 6.321/76, não permite o pagamento em pecúnia, em Fl. 1420DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 dinheiro, pois entende que o trabalhador poderia usar o valor para comprar outros bens que não alimentação. 3.7.7. Desta feita, os tickets não desnaturam o caráter in natura da alimentação (transcreve decisão do CARF e do STF). 3.7.8. O art. 10 da Portaria n°3/2002 da Superintendência de Inspeção do Trabalho, que trata do fornecimento de refeições no âmbito do PAT, pode atestar a possibilidade do pagamento em ticket. 3.7.9. O pagamento em dinheiro, em verdade é realizado ao estabelecimento comercial credenciado que entregou o alimento ao trabalhador. Mais uma vez, demonstra-se que, pelas regras do PAT, não há entrega de dinheiro ao empregado. 3.7.10. Sendo assim, a devida inscrição no PAT e o atendimento dos requisitos dispostos na sua legislação podem conferir o alcance do benefício fiscal da contribuição previdenciária patronal nos valores despendidas pelo BNB com o programa de alimentação de seus trabalhadores, mediante tíquete/cartão refeição ou tíquete/cartão alimentação. - Mudança de Entendimento da Receita Federal - Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Auxílio-Alimentação Pago na Forma de Cartões/Vales/Tíquetes Refeição/Alimentação - Afronta ao Princípio da Legalidade - Insegurança Jurídica 3.8.1. Cita a IN 971/2009 (arts. 498/504), observando que o art.503, § 2°, reconhece as entidades administradoras dos cartões/tíquetes/vales alimentação/refeição como prestadoras de serviço de alimentação coletiva. 3.8.2. Por força da revogação dos artigos pela IN RFB 1.867/2019, surgiu o entendimento (Solução de Consulta COSIT n° 35/2019), à luz da nova redação do art. 457, § 2°, da CLT, conferida pela Lei 13.467/2017, de que, ressalvado o pagamento em dinheiro, as importâncias desembolsadas, em forma de tíquetes, vales, cartões, a título de auxílio alimentação, antes dessa data, constituiriam base de incidência de encargo previdenciário. 3.8.3. A partir do momento que a Receita Federal faz uma "interpretação" ao seu favor para imputar tributação ao contribuinte, toma-se um caminho perigoso de insegurança jurídica, ainda mais se tal "interpretação" dada pelo Fisco é aplicada retroativamente a períodos pretéritos. Ao entender unilateralmente que o auxílio-alimentação ou auxílio- refeição por forma de cartão/tíquete/vale trata-se de pagamento em pecúnia, passando a integrar a remuneração, a Receita Federal "interpreta", para o seu lado, algo que não está claro na legislação e que vinha sendo tratado de forma diversa (art. 97, II, § 1 e art. 146 do CTN c/c o art. 150, II da CF/88). 3.8.4. Por essas razões, ainda, não deve prosperar o impugnado auto de infração. - Do Pedido 4. Diante do exposto, requer que seja recebida a presente impugnação fiscal em seu duplo efeito devolutivo e suspensivo para em ato contínuo,defira, anulando o auto de infração, inclusive a multa aplicada pelo não lançamento das respectivas informações ficais em GFIP. 4.1. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em cobrança, com a abstenção da Receita Federal de inscrever o nome do BNB no CADIN, possibilitando o fornecimento de certidão positiva de débito fiscal com efeito de negativa. 5. Em 22/05/2020 foi emitido o despacho de encaminhamento para a DRJ –SP (fl.1176), com o fito de apreciação do processo eletrônico. Fl. 1421DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE NÃO RECONHECIDA. Não há que se falar em nulidade, quando o auto de infração é lavrado com observância às formalidades legais e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e com oportunidade de apresentação de defesa. MULTA DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO LEGAL. A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontra-se disciplinada no art. 35-A da Lei 8.212/91 c/c com o art.44, I da Lei nº 9.430, de 1996. PEDIDO. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. COMPETÊNCIA Não compete às Delegacias de Julgamento da Receita Federal manifestar-se acerca de eventuais pedidos para emissão de certidões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço (art. 28, I e III c/c o art. 22, I, II e III, § 1o, ambos da Lei de Custeio). SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não podendo ser enquadrado, portanto, em nenhuma das hipóteses legais previstas no art.28, § 9º, da Lei de Custeio. PLR. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação dos diretores não empregados nos lucros e resultados da Companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. PLR - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ANTERIORIDADE. PACTUAÇÃO PRÉVIA. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Fl. 1422DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetivas e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TPAGAMENTO EM TICKET OU CARTÃO MAGNÉTICO. Conforme Solução de Consulta Cosit n° 35/2019, se a empresa estiver inscrita no PAT, deixa de ter incidência de contribuição previdenciária apenas se o cartão fornecido for destinado “exclusivamente à compra de alimentos” e, ainda assim, apenas a partir de 11 de novembro de 2017, quando passou a ter validade a nova redação do art. 457, § 2°, da CLT. O fato de a empresa estar inscrita no PAT não lhe permite pactuar e efetuar pagamentos a título de auxílio-alimentação em ticket e/ou cartão magnético sem o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias. FATO GERADOR PRETÉRITO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão em 13/05/2021, por meio de sua Caixa Postal eletrônica (termo de fl. 1.217), a Contribuinte apresentou, em 10/06/2021, por meio de procurador legalmente habilitado, o Recurso Voluntário de fls. 1.220/1.279, no qual traz os seguintes argumentos, em síntese: 1. O presente recurso somente versará sobre a incidência das contribuições quanto à PLR e alimentação dos empregados, categoria na qual não se inserem os Administradores do BNB. A parcela do débito fiscal referente aos Diretores do Banco foi recolhida aos cofres públicos, conforme DARFs de pagamento ora juntados (anexo VII). PLR – Participação nos Lucros e Resultados dos empregados 2. A PLR impõe-se como medida estimuladora do desenvolvimento nacional, e assim deve ser analisada em sintonia com os objetivos fundamentais da República (art. 3º, CF) e com os princípios fundamentais do Estado, em especial, os “valores sociais do trabalho e da livre iniciativa” (art. 1º, IV, CF). Fl. 1423DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 3. Não seria razoável para o intérprete trabalhar com elementos não dispostos na norma exonerativa (Lei nº 10.101/2000), como o fez neste caso o Fisco, de forma a desvirtuar os propósitos maiores da Lei nº 10.101/2000, tributando a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, verba desvinculada do salário. 4. O Acórdão recorrido demonstra, por equivocada interpretação do “pacto prévio”, o descompasso quanto à dinâmica anual do acordo coletivo de trabalho e da PLR dos empregados de estatais (v.g, BNB), cujos fatores envolvidos sempre são de inteiro conhecimento dos empregados, com adiantamento dessa verba costumeiramente auferida em outubro de cada ano (do exercício), por Termo de Ajuste Preliminar (fls. 1001/1005) ao Acordo Coletivo de Trabalho celebrado entre BNB, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CONTRAF e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Crédito - CONTEC. No mês de abril do ano seguinte, dão-se a assinatura do Acordo de PLR e seu pagamento definitivo, com possibilidade de compensação frente ao que se pactou e se adiantou no ano anterior (fls. 1000-1025). 5. No período de vigência da PLR de 2014, pagamento da participação dos empregados no resultado auferido pelo Banco, exercício financeiro de 01/01 até 31/01/2014 (sic), foi celebrado o Termo de Ajuste Preliminar (fls. 1.001/1.005), assinado dia 13/10/2014, e o ACT da PLR 2014 (fls. 1.015/1.022), assinado no dia 14/04/2015. 6. O Termo de Ajuste Preliminar, Cláusula Terceira, trata da antecipação da PLR e prevê a compensação do valor antecipado quando da assinatura do acordo aditivo e, ademais, conforme Cláusula Quinta, prevê a vigência e validade até a assinatura do ACT da PLR. 7. O respectivo Termo de Ajuste Preliminar já comprova a celebração da negociação coletiva com a entidade e estipula sua vigência como válida até a data da assinatura do ACT da PLR, o que ocorreu em 14/04/2015. Portanto, o BNB não ficou desamparado de acordo com as entidades representativas, atendendo o art. 2º da Lei 10.101/2000. 8. Além do mais, no setor das estatais, referente às instituições financeiras de caráter público e regional, controladas pela UNIÃO (tais como, BNB, BASA, BB, CAIXA etc), cuja conduta pauta-se pela estrita legalidade, sem espaço à discricionariedade, tem-se como imposição legal, no curso do ano em exercício que antecede o ano de pagamento ou compensação da PLR, o encaminhamento por ofício ao Ministério da Fazenda, no âmbito da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, para aprovação dos pleitos das empresas estatais federais sobre a participação de empregados nos lucros ou resultados - (Decreto nº 3.735, de 24.01.2001, art. 1º, V; Portaria/MP nº 250, de 23.08.2005; e Decreto nº 9.035/2017) (fls. 1153/1164, com destaque para o Ofício 1083/DEST-MP, de 28.07.2014 – fls. 1155/1156). 9. Após aprovação do Ministério envolvido, com Nota Técnica expedida, seguem-se várias rodadas da mesa de negociação, no ano de apuração de 2014, entre o BNB e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Fl. 1424DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 Financeiro da CUT (CONTRAF-CUT), assessorada pela Comissão Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste, nas quais se discutem com os empregados do Banco os parâmetros do adiantamento da PLR, no ano da apuração do lucro, e seu pagamento final, no exercício seguinte (2015), quando poderá haver inclusive compensação (fls. 1023-1037). 10. O Acórdão recorrido nem mesmo analisou as alterações da Lei nº 10.101/2000 pela MP nº 905/2019 e posteriores MPs de conteúdo similar, conduzidos na defesa do Banco como norma interpretativa/esclarecedora sobre a temática ora desenvolvida (assim provam os vários precedentes do CARF enfrentando a matéria à luz da anterior redação legal), que deve retroagir (art. 106, CTN) para garantir a não incidência da contribuição previdenciária na PLR paga aos trabalhadores do BNB, em 2015, referente ao exercício de 2014. Auxílio-Alimentação dos empregados 11. A regra desonerativa da contribuição previdenciária, nos termos da alínea “c”, §9º, art. 28, da Lei nº 8.212/1991, dispõe que não integra o salário de contribuição (base de cálculo do mencionado tributo) “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. 12. O auxílio alimentação, firmado em acordo coletivo e pago ao empregado do BNB (em 2015), tem natureza indenizatória (e não remuneratória), tal como analogamente o benefício pago ao servidor público federal (art. 22, § 1º, Lei nº 8.460/92). 13. O benefício alimentação, recebido através do PAT, não integra o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. E não somente o auxílio alimentação em espécie (cesta básica ou refeição), como defendido pelo Fisco neste caso, mas também em forma de vale-refeição, cartão ou ticket, entendimento que mais se aproxima da teleologia da norma quanto ao direito social à alimentação (art. 6º, CF-88). 14. O Fisco tenta preservar o presente lançamento sob a rasa justificativa de que a concessão da alimentação por meio de vale ou ticket trata-se de pagamento em pecúnia (em dinheiro), compondo o salário de contribuição para fins de incidência do tributo. 15. O legislador vedou o pagamento da alimentação em espécie (dinheiro, pecúnia), exatamente para impedir que o trabalhador se utilize de tal verba para a compra de quaisquer outros produtos que não alimentos, desvirtuando o objetivo do direito social à alimentação. Ocorre que tal possibilidade encontra- se afastada com a concessão do tíquete/cartão alimentação ou refeição, tendo em vista que tais meios só possibilitam a aquisição de alimentos (e não aquisição de produtos diversos), nos termos previstos no PAT (Lei nº 6.321/1976). Fl. 1425DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 16. Observe-se que o empregador não entrega dinheiro ao empregado para alimentar-se, como quer fazer crer a Delegacia de Julgamento, mas o valor do benefício alimentar é repassado à entidade conveniada com o Banco, para que a alimentação seja fornecida, como dispõe o Decreto nº 05, de 14.01.1991, regulamentador da Lei nº 6.321/1976 - PAT, em seu art. 4º. 17. Em suma, o vale, tíquete ou cartão alimentação somente permitem a aquisição de alimentos. Fere à lógica afirmar-se que isto é equiparável ao pagamento em pecúnia ou dinheiro, pois estes possibilitariam a aquisição de outros bens que não alimentos. 18. Cita decisões administrativas e judiciais. Posteriormente, em 09/03/2022, a Contribuinte apresentou uma petição (fl. 1.394), requerendo a juntada do Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU, aprovado pelo Senhor Presidente da República e publicado no DOU, em 23 de fevereiro de 2022, assim como o Acórdão 9202-010.319 – CSRF / 2ª Turma, em que alega reforçarem as suas teses. Os referidos parecer e acórdão concluem pela não inclusão do auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congêneres na base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO Em seu Recurso Voluntário, a Contribuinte informa que recolheu aos cofres públicos os valores relativos à PLR e alimentação dos Administradores do Banco, conforme DARFs anexados, e que o recurso somente versa apenas sobre a PLR e alimentação do empregados. Desse modo, a parte relativa aos Administradores do Banco tornou-se incontroversa e não faz parte do presente litígio, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, resta em discussão somente a parte referente aos empregados (PLR e alimentação). DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS A Recorrente cita decisões administrativas e judiciais. Quanto ao entendimento que consta das decisões proferidas pela Administração Tributária ou pelo Poder Judiciário, embora possam ser utilizadas como reforço a esta ou aquela tese, elas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta Fl. 1426DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. São inaplicáveis, portanto, tais decisões à presente lide. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO DOS EMPREGADOS Os autos de infração lavrados apuraram contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos realizados pela empresa aos seus funcionários a titulo de alimentação (tíquete/cartão refeição ou tíquete/cartão alimentação) fornecida no período compreendido entre 01/2015 a 12/2015. A Recorrente defende a natureza indenizatória do auxílio-refeição, por se tratar de valores que não compõem o salário, sendo destinados ao empregado para e não pela prestação de serviços. Afirma que as modalidades de execução do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT - se equiparam, para fins tributários, ao fornecimento in natura de alimentos. Sustenta que os tickets não desnaturam o caráter in natura da alimentação, de modo que não incidem sobre eles as contribuições previdenciárias. Entendo que assiste razão à Recorrente nesse ponto. As importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário-de-contribuição, visando a garantir os direitos dos empregados: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e a Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (Atualmente Ministério do Trabalho e Emprego MTE, conforme a MP nº 103, de 01/01/03, convertida na Lei n 10.683, de 28/05/03) Conforme reiteradas decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça, e reconhecidas, inclusive, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, independentemente de a empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados, por não possuir natureza salarial. É o que se extrai do referido Parecer, assim ementado: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio-alimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Fl. 1427DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 Na mesma linha de raciocínio, acolhendo o referido Parecer, fora publicado Ato Declaratório n° 03/2011, da lavra da ilustre Procuradora Geral da Fazenda Nacional, dispensando a apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, contemplando a discussão quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação concedido in natura. A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24/11/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária" . JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787-SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/ 11/ 2007). (destaquei) É de se ressaltar que o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011, bem como os julgados do STJ que o originaram, fazem referência a auxílio-alimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, ou seja, valores pagos em dinheiro não estão abrangidos pelo ato administrativo da PGFN, tampouco pelas decisões emanadas pelo STJ. Portanto, entende-se que a parcela in natura (que não compõe remuneração) não é apenas aquela fornecida pelo próprio empregador mediante a entrega de alimentos ou refeições, em suas dependências, aos seus trabalhadores, mas também aquela fornecida mediante cestas básicas ou com o fornecimento por meio de terceiros, mediante documentos de legitimação (impressos, cartões eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada) que permitam a aquisição dos gêneros alimentícios ou refeições em estabelecimentos comerciais distintos do empregador, o que, em suma, abarca os chamados ticket-alimentação ou vale- alimentação ou, ainda, vale-refeição. Ademais, o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU, exarado em decorrência de consulta acerca da incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação na forma de tíquetes ou congênere, considerado o período até 10 de novembro de 2017, data de corte referente ao início de vigência da Lei nº 13.467 de 2017 (Reforma Trabalhista), que alterou o artigo 457 da CLT, pacificou a controvérsia, reconhecendo que ele já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme ementa abaixo reproduzida: EMENTA: Exame acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos pelo empregado na forma de tíquetes ou congêneres. Dissonância interna apontada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Exame sob a disciplina do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, até 10 de novembro de 2017. Natureza jurídica de parcela não salarial, para os fins da exação em testilha. Consequências concretas da decisão e princípio da eficiência. O auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congênere, Fl. 1428DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 mesmo antes do advento do §2º do art. 457, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput do art. 28 da Lei 8.212/1991. Assim, no caso dos presentes autos, entendo que a circunstância de a alimentação ter sido fornecida por meio de tíquete/cartão refeição ou tíquete/cartão alimentação não lhe retira a natureza jurídica indenizatória, eis que sua utilização se destina, com exclusividade, à aquisição de alimentos, não podendo lhes ser dada outra destinação. Na prática, o fornecimento de vale alimentação é simplesmente uma forma alternativa de fornecer o alimento in natura, tendo, como único diferencial em relação a este, o fato de permitir que o trabalhador escolha o tipo de alimento que pretende consumir. Transcrevo abaixo as ementas de decisões do CARF nesse sentido: ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TICKET OU VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador a seu pessoal, incluído neste conceito a alimentação fornecida por meio de tíquetes ou por meio de vale-refeição decorrente de alimentação-convênio, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. (Acórdão nº 2202-009.453, de 06/12/2022, Rel. Leonam Rocha de Medeiros). CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. (Acórdão nº 2401-010.345, de 05/10/2022, Rel. Matheus Soares Leite). CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIO-EDUCAÇÃO). BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. (Acórdão nº 2201-009.429, de 09/11/2021, Rel. Fernando Gomes Favacho). Fl. 1429DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 Desse modo, o auxílio alimentação pago por meio de cartão de alimentação ou de refeição tem os mesmos efeitos do fornecimento in natura e, por ser considerado parcela paga in natura não possui natureza salarial, não sendo passível de incidência pela contribuição previdenciária. PLR – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – DOS EMPREGADOS A discussão reside em definir se os pagamentos realizados pela empresa, ora Recorrente, obedeceram aos requisitos legais para serem caracterizados como participação nos lucros e resultados, nos termos da Lei nº 10.101 de 2000, e, assim, não se submeterem à incidência da contribuição previdenciária e das contribuições para terceiros. Alega a Recorrente que ocorreu uma análise equivocada da Receita Federal no que diz respeito ao pacto prévio do acordo sobre a PLR dos seus empregados e o pagamento dessa verba não salarial. Sustenta que tal análise não compreende a dinâmica anual do acordo coletivo de trabalho e da PLR dos empregados do BNB, cujos fatores envolvidos, em muito, sempre são de conhecimento dos empregados, cujo adiantamento dessa verba costumeiramente auferem em outubro de cada ano (do exercício), por Termo de Ajuste Preliminar ao Acordo Coletivo de Trabalho celebrado entre BNB, CONTRAF e CONTEC. Ressalta que, no mês de abril do ano seguinte, dão-se a assinatura do Acordo de PLR e seu pagamento definitivo. Aduz que foram feitas várias rodadas da mesa de negociação, no ano de apuração, entre o BNB e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (CONTRAF-CUT), assessorada pela Comissão Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste (doc.12-14). Anexa, ainda, acordos coletivos anteriores. Pois bem. Assim dispõe a Lei nº 10.101/2000, que disciplina a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II - convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 1430DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (destaquei) Não há previsão legal de quão prévia deve ser a assinatura do plano de PLR, porém deve ser considerado que o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente. Assim, cada caso deve ser analisado de acordo com suas características. No presente caso, a assinatura do acordo e o conhecimento efetivo das regras pelos empregados ocorreram após o final do período de apuração. Segundo a Fiscalização (fls. 250/251): No caso em questão, constata-se que o Acordo Coletivo de Trabalho para Pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados referente ao exercício de 2014 (período de referência 01 de janeiro a 31 de dezembro), foi celebrado em 14 de abril de 2015, entre, de um lado, o Banco do Nordeste do Brasil S.A., e de outro lado, a CONTRAF – Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. Ressalte-se que o mês da celebração do Acordo Coletivo é o mesmo mês no qual foram efetuados os pagamentos aos empregados, ou seja, abril de 2015. [...] Conforme descrito anteriormente, o Acordo Coletivo que rege os pagamentos efetuados na competência 04/2015 é claramente um programa de metas, visto que estabelece vários índices e condições que devem ser implemementados para que haja o pagamento da PLR, tais como: Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido (IRPL), Índice de Eficiência (IEf), Captação de Recursos (CR), Aplicação em Crédito Comercial (CC), Qualidade do Crédito (QC), e com relação à PLR Social, Acesso a Crédito PRONAF e à Abertura de conta corrente por clientes Crediamigo (Bancarização). Portanto, conforme previsão legal (art. 2°, § 1°, inciso II da Lei n° 10.101/2000), tal programa de metas deve ser pactuado previamente. (grifos do original) Verifica-se, portanto, que o início da validade dos acordos em tela e o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram bem após o final do período de apuração da PLR (apuração: janeiro a dezembro de 2014; assinatura do Acordo: 04/2015). Desse modo, não seria possível o comprometimento dos funcionários com metas que só foram validamente pactuadas e sobre as quais só tiveram legítimo conhecimento posteriormente. Ou seja, no momento em que a participação foi pactuada, já ocorreram todos os fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. Visando a dar maior concretude ao direito constitucionalmente garantido da participação do empregado nos resultados da empresa, entendo que o ajuste entre as partes deve Fl. 1431DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 ser firmado com uma antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham plena ciência dos resultados a serem alcançados. Argumenta, ainda, a Recorrente que ocorreram diversas rodadas de negociação prévia com as confederações dos trabalhadores e de que há um encaminhamento por ofício ao Ministério da Fazenda, no âmbito da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, para aprovação dos pleitos das empresas estatais federais sobre a participação de empregados nos lucros ou resultados. Aduz que foi celebrado um Termo de Ajuste Preliminar em 13/10/2014, o qual trata da antecipação da PLR e prevê a compensação do valor antecipado. No entanto, entendo que não lhe cabe razão. Sabe-se que a assinatura do plano representa apenas o encerramento formal de todo um ciclo de negociações, muitas vezes pautadas por inúmeras reuniões para se chegar a um acordo final de PLR, que atenda aos objetivos traçados pela legislação de regência, porém, do conjunto de regras acima estabelecidas, deduz-se que o cumprimento do §1º, do art. 2º, da Lei nº 10.101/2000 deva ocorrer em época oportuna para que os empregados saibam o quanto terão de se esforçar, e qual será a compensação por esse esforço. Ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere ou com uma antecedência que permita aos trabalhadores se empenharem na consecução dos objetivos. Não cabe aqui a alegação de que os empregados conheciam os termos do acordo e que o programa repetia regras de programas anteriores, porquanto cada programa deve ser analisado de forma individual e com base nos instrumentos formais que o constituem. Vê-se, ainda, que o Termo de Ajuste Preliminar somente foi assinado em outubro de 2014, próximo já ao final do período de vigência (janeiro a dezembro de 2014). Nesse caso, é evidente que no momento em que o acordo formal foi realizado, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de os empregados se dedicarem para a consecução das metas. O pacto deve ser feito antes da implementação do programa e do seu pagamento. Primeiro se negocia e estabelece os parâmetros do programa, depois se realiza as aferições, e o consequente pagamento. É óbvio, portanto, que nesse caso, não foi atendido o requisito da pactuação prévia. A norma refere-se a uma negociação finalizada e não a uma ainda em curso. Antes de concluída a negociação com a assinatura do acordo, não há um ato jurídico perfeito, pois a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser mudado. Consoante exposto pela Fiscalização, deve-se considerar também que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial venha a ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar a negociação. Portanto, somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da transação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos. Fl. 1432DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 Assim, não houve, de fato, pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos, conforme exigência da Lei nº 10.101/2000, art. 2º, § 1º, inciso II. Por fim, pugna a Recorrente pela consideração do disposto no art. 2°, da Lei n° 10.101/00, com redação alterada pela MP 905/2019 e posteriores, e, finalmente, pela Lei nº 14.020/2020, que, como norma interpretativa/esclarecedora sobre a temática ora desenvolvida, deve retroagir (art. 106, I, CTN) para garantir a não incidência da contribuição previdenciária na PLR paga aos trabalhadores do BNB, em 2015, referente ao exercício de 2014. Sobre essa pretensão recursal de aplicação das modificações introduzidas na Lei nº 10.101/2000 pela Lei nº 14.020/2020 (que converteu a MP 936/2020), também não lhe cabe razão. A nova redação dispõe: Art. 2º [...] § 7º Consideram-se previamente estabelecidas as regras fixadas em instrumento assinado: I - anteriormente ao pagamento da antecipação, quando prevista; e II - com antecedência de, no mínimo, 90 (noventa) dias da data do pagamento da parcela única ou da parcela final, caso haja pagamento de antecipação. A referida regra não se aplica ao caso concreto, cujos fatos ocorreram antes da vigência da Lei nº 14.020/2020. Isto porque, como regra geral, a legislação tributária aplica-se aos fatos geradores futuros (art. 105 do CTN). Como exceção, a lei pode ser aplicada a fato pretérito, desde que seja expressamente interpretativa, além de outras hipóteses envolvendo ato não definitivamente julgado, conforme art. 106 do CTN: Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O art. 37 do Projeto de Lei convertido na Lei nº 14.020/2020 até atribuía expressa natureza interpretativa ao recém incluído §7º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000: Art. 37. Para efeito de aplicação do inciso I do caput do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), têm caráter interpretativo as Fl. 1433DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-010.438 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.721220/2019-46 alterações promovidas pela presente Lei nos §§ 3º-A, 5º, 6º, 7º, 8º e 9º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. No entanto, o referido dispositivo foi vetado, sendo o veto mantido pelo Legislativo. Assim, não há como aplicar as regras trazidas pela Lei nº 14.020/2020 a fatos pretéritos. Verifica-se que houve uma clara inovação de como já vinha sendo interpretada a lei anterior, o que afasta o seu caráter interpretativo, pois as alterações estabelecem e definem uma situação que antes não havia, qual seja: a data do pagamento da PLR como marco temporal para a assinatura do instrumento. Para a isenção das verbas pagas ao título de PLR, todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000 devem ser obedecidos cumulativamente, sendo suficiente que apenas um deles esteja ausente para impossibilitar a utilização da isenção ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre tais verbas. Desse modo, devem ser mantidos os lançamentos relativos aos pagamentos de PLR. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores pagos aos empregados a título de auxílio-alimentação. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1434DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000167/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/11/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DO CARF.
1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91.
2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.035
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 310 1 309 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000167/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280301.035 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. DESCUMPRIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DA FALTA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DO CARF. 1. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente Fl. 122DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 311 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 123DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 312 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima indicado. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento diz respeito à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, abrangendo as competências de 09/2004 a 11/2004. O Contribuinte, devidamente notificado em 11 de maio de 2009, apresentou defesa tempestiva em 15 de junho de 2009. A impugnação foi julgada em 11 de agosto de 2010, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0912004 a 30/11/2004 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos ás empresas contratadas e pelo repasse a Seguridade Social, a titulo de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A substituição tributária há tempos provoca divergências no cenário jurídico brasileiro. No caso da norma em comento, ainda mais, por se tratar de cobrança de imposto corn fato gerador futuro, portanto, de ocorrência incerta. Baseiase a exigência, no § 7 0 do art. 150 da Constituição Federal. Ocorre, porém, que tal inciso, adicionado à Carta Magna mediante a Emenda Constitucional n° 3/93, Fl. 124DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 313 4 tem sua constitucionalidade questionada há tempos, por instituir a malfadada tributação de fato gerador presumido. Ainda que o tributado apresente grandes traços de riqueza, não pode prevalecer norma relacionada a evento futuro e incerto, cobrando de antemão sobre renda ainda não auferida. Bem se sabe que a substituição tributária, prevista nos artigos 121 e 128 do CTN, referemse ao sujeito passivo. É responsabilidade tributária conferida a outrem que não o contribuinte. Nada tem a ver com fato gerador ou base de cálculo do tributo, que não são modificados. No caso, não se contentou o legislador em eleger substituto tributário, mas, também, alterou a base de cálculo e o fato gerador. O que o tomador dos serviços deve reter é percentual incidente sobre valor da nota fiscal ou fatura, que documentam o que paga pela prestação que recebe, matéria fática que é diversa do conjunto de remunerações que o cedente paga ou credita a seus empregados e outros agentes. À vista da argumentação anteriormente explicitada, não subsistem as normas que fundamentam a presente autuação, por manifesta afronta a corolários constitucionais, ainda que baseadas em emenda constitucional, por ser esta também não recepcionada pelos citados princípios. Destaco, ainda, que a contribuição da empresa prestadora continuará devida, haja ou não a substituição tributária, motivo pelo qual o INSS não será prejudicado e nada justifica manter a responsabilidade ilegitimamente estabelecida. Por estas razões, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Requerente seja acolhido o presente Recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 314 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Há que se destacar que o fato que motivou o lançamento, ou seja, a não retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, nos termos do art. 31 Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, foi objeto de apreciação, pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática pelo art. 543B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, onde foi reconhecida a Repercussão Geral – processo RE 603191. Em virtude das informações acima, até o dia 12/08/2011, os membros do CARF aplicaram, para situações semelhantes, as regras previstas no novel art. 62A, do Regimento Interno. Contudo, por intermédio da ATA nº 19, de 01/08/2011. DJE nº 155, divulgado em 12/08/2001, o Plenário do STF proferiu a seguinte decisão: O Tribunal, por maioria, e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, o Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011. De agora em diante, porém, não existe mais razão para manter o sobrestamento dos autos, tendo em vista que o não provimento do Recurso Extraordinário que se constituía no Leading Case sobre a matéria, permite o prosseguimento do julgamento na órbita do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destarte, e indo direto ao mérito da questão controvertida, não paira qualquer dúvida de que a recorrente descumpriu os comandos insertos no art. 31 da lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Fl. 126DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 315 6 (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como se pode observar, as obrigações descumpridas estão referendadas na legislação em vigor, motivo pelo qual não resta dúvida da correção do lançamento. Fl. 127DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.000167/200917 Acórdão n.º 280301.035 S2TE03 Fl. 316 7 Vêse, pois, da análise dos autos, que as faltas cometidas pela recorrente são ensejadoras da punição prevista na legislação previdenciária. As empresas são obrigadas por força de lei a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, na contratação de serviços executados mediante cessão de mão deobra e / ou empreitada, e recolher a importância retida em nome da empresa prestadora de serviços, inteligência do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Sobre a arguição de inconstitucionalidade, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 128DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1019.09011.A1FV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011 10:39:10. Documento autenticado digitalmente por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 14/10/2011 e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 10/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1019.09011.A1FV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E99D18C1947F9CCC361C5B0C4BE82DAE74E1FD18 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16004.000167/2009-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11330.000062/2007-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS
FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA
MULTA. RECONHECIDA . DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. POSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA MULTA. RECONHECIDA . DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 299 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.056.4235, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, também, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, objetivando a aplicação de multa punitiva em razão do descumprimento do dever instrumental, referente ao período de apuração 06/1999 a 12/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06 a 09. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 13/03/2007, conforme, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. As faltas justificadoras da autuação estão descritas, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa – REFISC, de fls. 75 a 78, onde o período da multa vai de 01/2000 a 12/2005, não incluindo o 13º destes anos. A empresa apresentou impugnação, em 28/03/2007, as fls. 226 a 238, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 239 a 248. A impugnação fora considerada tempestiva, fls.251 e 252. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1215.677 13ª Turma DRJ/RJOI, em 29/08/2007, conforme fls. 256 a 265, na qual o lançamento foi considerado procedente. O sujeito passivo foi cientificado dessa decisão, em 27/12/2007, AR, de fls. 266. O contribuinte interpôs recurso voluntário, recebido em 16/01/2008, de fls. 267 a 282, acompanhado dos documentos, de fls. 283 a 293. As razões recursais em resumidíssima síntese são as seguintes. Pressupostos de admissibilidade. • Que o recurso é tempestivo. • Que o depósito recursal é inconstitucional, segundo o STF e foi revogado pela MP 413/2008; Preliminarmente. • Que o artigo 45, da Lei 8.212/91 é inconstitucional, sendo assim nulo o prazo decadencial de 10 anos, sendo que o artigo 173, I, do CTN Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 300 3 fixa cinco anos, estando decadentes os fatos geradores ocorridos até 12/2001; Mérito. • Que o fiscal supôs que todas as contribuições não foram declaradas em GFIP, bem como supôs que os vários contratos de prestação de serviços encobriam vínculo empregatício; • Que houve erro na contabilidade por parte da recorrente que registrou duas vezes relatório de horas, mas que tal erro foi corrigido; • Que o auto é nulo, pois carece de decisão judicial que reconheça a recorrente como devedora, devendo ser julgado nulo o débito ante e reratificação do livros fiscais; • Que a autoridade fiscal não tem atribuição, para avaliar a legalidade da contratação, sendo isto atribuição exclusiva do judiciário, que no exercício do poder de policio não pode o fisco invadir a esfera de outro poder e decidir sem dilação probatória; • Que a autoridade fiscal não tem atribuição, pois o parágrafo único do artigo 116 não é aplicável, por falta da lei determinadora do procedimento da desconsideração; • Que a NFLD é nula, pois o agente fiscal usurpou competência da Justiça do Trabalho, que sem o provimento jurisdicional com a dilação probatória, acerca de vínculo empregatício não pode o fisco tachar a empresa de devedora, não estando presente os pressupostos legais tais como: abuso de direito; • Que a desconstituição de personalidade jurídica é atribuição exclusiva do autoridade judiciária, não podendo ser feita por auditor fiscal, só sendo aplicável tal medida extrema na presença de ilícito, burla à lei; • Que no presente caso não há relação empregatícia entre a recorrente e as empresas contratadas ou com os prestadores desta, não apenas atividade de autônomos, sem vínculo laboral; • Que o ato administrativo possui relativa presunção de legitimidade, mas o fisco deve trazer ao lançamento substrato probatório; • Requer ao final: a) acolhimento da preliminar de decadência; b) reforma da decisão a quo, julgando o crédito improcedente ou pelo menos com a exclusão das competências 01/2000 a 12/2002 devido a decadência. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 296. Os autos subiram ao 2° Conselho de Contribuintes, fls. 296. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 301 4 É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 302 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, fls. 296, e comprovam o, AR, de fls. 266, e a Petição Recursal, com carimbo de recepção do recurso, em 16/01/2008, fls. 267. A recorrente não realizou o depósito recursal, tendo em vista que este foi extinto pelo MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008. Presentes os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso. Preliminares. A decadência, embora, leve a julgamento de mérito deve ser apreciada antes das demais matérias por ser antecedente lógico, pois caso reconhecida de maneira parcial ou total pode inviabilizar o conhecimento das questões suscitadas, também, de forma parcial ou total. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplicase o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 303 6 a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, pois estamos no campo do auto de infração por descumprimento de dever instrumental e neste caso não há antecipação de pagamento, pois se tivesse havido pagamento o crédito estaria extinto e não haveria o presente julgamento. No presente caso aplicouse o Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Desta forma, segundo explicitado pela agente autuante, no REFISC, de fls. 16 a 74, conforme supramencionado, as faltas justificadoras da infração estão neste consignadas e referemse a período de 01/2000 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa – REFISC, de fls. 75 a 78. Contandose a decadência pela regra do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido lançado e compatibilizando esta com o prazo retroativo de cinco do MPF, que foi recebido, em 06/11/2006, para o período a ser fiscalizado, temse o marco inicial da decadência como sendo 07/11/2001, assim, as faltas ocorridas entre 01/2000 a 10/2001, inclusive, estão decadentes e não justificam a infração, devendo ser excluídas deste crédito. O agente fiscal autuante não supôs nada muito pelo contrário demonstrou de forma clara e discriminada a sistemática da declaração de todas os fatos geradores em GFIP, bem como o acobertamento de pagamento de salários via suposta prestação de serviços por interpostas pessoas jurídicas, tudo conforme passagens a seguir transcritas. 2) Apuramos contribuições através nos lançamentos contábeis efetuados nas Contas: 3.01.02.01.0.00.046 CUSTO DOS RECURSOS, 3.01.02.01.0.00.047 CUSTO DE FERIAS E FOLGAS, 3.01.02.01.0.00.048 CUSTO DE OCIOSIDADE e 3.01.02.01.0.00.049 CUSTO DE BANCO DE HORAS, cujas contribuições foram lançadas A cota da NFLD DEBCAD N" 37.056.4227, que da mesma forma do narrado no item anterior não foram levados a feito nas respectivas GFIP's, tudo a vista do "DEMONSTRATIVO DO DÉBITO ANEXO A NFLD DEBCAD N° 37.056.4227", constituído de 27(vinte e sete) folhas, que passa a constituirse em fls. 80/106 do presente relatório. 3) Arrola também o presente Auto de Infração contribuições apuradas com a lavratura de 80 (oitenta) NFLD's, cujos valores estão demonstrados no ANEXO I — Demonstrativo dos Valores Apurados, correspondentes a valores pagos por terceirização em desacordo com lei, onde restaram provados os fatos, indenes de dúvidas, quanto ao vinculo empregatício dos ditos "micros empresários" com a Notificada em razão, dentre outros, pelos fatos a seguir narrados e demonstrados como: 3.1) Empregados devidamente registrados no quadro de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 304 7 funcionários da Notificada recebendo o piso mínimo da categoria profissional em folha de pagamento e complementando suas remunerações com a emissão de notas fiscais de serviços; 3.2) "Pessoas Jurídicas" recebendo Participação nos Lucros, modalidade de remuneração essa pertinente exclusivamente A categoria dos empregados na forma disposta pelo artigo 7', inciso XI, da Constituição Federal, disciplinada pela Lei n° 10.101/2000, pagos em desacordo com os pressupostos da Lei N° 10.101/2000, notadamente em seu Artigo 2', Incisos I e II. 3.3) Prestadores de serviços cumprindo jornada de trabalho de oito horas, alguns com intervalo de uma hora para almoço conforme cláusula inserida no Anexo I do Contrato de Trabalho celebrado entre as partes e/ou marcação de cartão de ponto. 3.4) Prestadores de serviços recebendo "ajuda de custo" mensal e 3.5) Prestadores de serviços recebendo valores a titulo de alimentação e transporte. As constatações e esclarecimentos continuam em muitos outros trechos do relatório todos com fulcro em vasto conteúdo probatório acostado nos respectivos autos e discriminados por meio de planilhas e com a anexação do relatório da notificação nº 37.056.4219, as fls.79 a 92. A autoridade fiscal em momento algum no REFISC, de fls. 16 a 74, fundamentou a caracterização da condição de segurado empregado na aplicação do artigo 116, parágrafo único da Lei 5.172/66. O suposto erro na contabilidade carece de prova, pois é fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito comprovado do fisco, artigo 333, II da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º do Decreto 70.235/72. Além do que, sobre o tema incide o artigo 147, § 1º da Lei 5.172/66. A autoridade fiscal não verificou a legalidade da contratação, do contrato ou do negócio jurídico, pois isto não lhe compete, mas averigua e lança as contribuições devidas em razão da ocorrência do fato gerador e da presença dos requisitos da configuração de segurado obrigatório na categoria de empregado, nos termos do artigo 12, I, “a” da Lei 8.212/91 c/c o artigo 142 e c/c o artigo 149, ambos, da Lei 5.172/66. Devese levar em conta também que não se registra na contabilidade horas de trabalho, pois isto não é fato contábil, uma vez que não gera alteração do patrimônio da empresa, talvez, os salários devidos pelas horas trabalhadas. A autoridade fiscal em momento algum no REFISC, de fls. 16 a 74, fundamentou a caracterização da condição de segurado empregado na aplicação do artigo 116, parágrafo único da Lei 5.172/66, como já dito acima. A fiscalização apenas vez averiguar se os elementos da alínea “a”, do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212/91 estão presentes no caso concerto e nada mais. Aliás, a jurisprudência é assente quanto a competência da fiscalização previdenciária para empreender tal atividade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 305 8 TRIBUTÁRIO – AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL – INSS – COMPETÊNCIA – FISCALIZAÇÃO – AFERIÇÃO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. A autarquia previdenciária, por meio de seus agentes fiscais, tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária. 2. O acórdão recorrido decidiu manter a validade das NFLDs, com base em provas fáticas. Aferir a documentação que instruiu a causa, para efeito de análise do enquadramento de terceirizados como empregados, demandaria o reexame de todo o contexto fáticoprobatório dos autos, o que é defeso a esta Corte em vista do óbice da Súmula 7/STJ. Recurso parcialmente conhecido e improvido.(RESP 200602188458, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 13/10/2008) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. I Inexiste na espécie sub judice qualquer omissão, obscuridade ou contradição, apenas o intuito de rediscutir matéria já decidida, emprestandolhe o efeito infringente. II O acórdão embargado exarou o entendimento, já sufragado por ambas as Turmas componentes desta Primeira Seção, de que possui a autarquia previdenciária competência para, quando da fiscalização, averiguar a existência de vínculo empregatício e, diante da existência deste, proceder à autuação da empresa. III O recurso especial em tela foi interposto em sede de apelação em mandado de segurança, no qual a discussão mestra se referia à competência do INSS para o reconhecimento da existência ou não de vínculo laboral. Assim, descabe o argumento do embargante de que este STJ teria laborado em supressão de instância, em face de os Julgadores Ordinários não terem ainda examinado se existentes ou não in casu os requisitos do art. 3º da CLT, configuradores de vínculo empregatício. Tal assertiva revelase mais como tentativa de alterar o foco da questão jurídica efetivamente discutida nos autos, ainda mais porque tal verificação, por implicar em dilação probatória, sequer é compatível com a via mandamental. IV Embargos de declaração rejeitados.(EDRESP 200600544830, FRANCISCO FALCÃO, STJ PRIMEIRA TURMA, 18/12/2006) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ANULAÇÃO DE NFLD. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. AUTÔNOMO. CARACTERIZAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. CABIMENTO. REDUÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. 1. A jurisprudência é pacífica quanto à validade da alteração da sistemática de recolhimento das contribuições previdenciárias, levada a efeito pela modificação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98. Precedentes, inclusive do STF. 2. A prestação de serviços contratada pela empresa enquadrase como empreitada de mão de obra, hipótese em que também se aplica a substituição tributária, por força da disposição expressa do art. 31, § 4º, III, da Lei nº 8.212/91. 3. Impossibilidade de dedução dos gastos com materiais da base de cálculo da contribuição devida, em razão da falta de comprovação de tais despesas. 4. Nos termos do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a fiscalização Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 306 9 previdenciária tem o poder de investigar e lançar a contribuição, caso reconheça que há relação de emprego e não de prestação de serviços autônomos, sendo que o reconhecimento do vínculo empregatício para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária não implica reconhecimento de direitos decorrentes da relação empregatícia. 5. Presunção de legitimidade da notificação fiscal não ilidida pela parte autora. 6. Redução da verba honorária. Relativa simplicidade da tese jurídica debatida nos autos. Ausência de realização da fase de instrução. 7. Apelação parcialmente provida. (AC 200451010229441, Desembargador Federal ANTONIO HENRIQUE C. DA SILVA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 25/03/2010) (os destaques são meus). Desta forma, fica evidente que não há que se falar em aplicação da citada norma e muito menos em usurpação da competência da Justiça do Trabalho, pois não se trata de reconhecer vínculo empregatício para fins trabalhista, mas tão somente a existência dos requisitos da configuração do segurado obrigatório na categoria de empregado. Mostrase, também, evidente pelo que foi supramencionado que não ocorreu descaracterização da personalidade jurídica de ninguém. Apenas a fiscalização atuou com sua competência legal de investigar a relação entre o trabalhador e a autarquia previdenciária, enquadrando àquele na categoria que realmente se faz presente. No entanto, ainda, que se fizesse necessário a desconsideração da personalidade jurídica das interpostas pessoas jurídicas na relação previdenciária, tal ocorrência seria possível, pois tal atribuição/competência não é exclusiva do judiciário PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO INOCORRÊNCIA DE LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO VÍNCULO FAMILIAR DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. 1. As hipóteses de configuração de litisconsórcio necessário estão no artigo 47 do CPC, o qual exige imposição de lei, ou a existência de vínculo natural, pela natureza da relação jurídica. 2. A base fática da demanda descarta a existência de liame entre os litisconsortes, de relevância para o desfecho da causa, sendo certo que o fato de pertencerem os litisconsortes a uma só família não os coloca na mesma relação jurídica discutida nos autos. 3. Examinada a lei aplicável à espécie, o CTN, o primeiro diploma do direito pátrio a consagrar a teoria da desconsideração da pessoa jurídica, não se encontra, nas hipóteses do artigo 134 do CTN, determinação legislativa justificadora do litisconsórcio.= 4. Recurso especial provido.(RESP 200200625278, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 27/09/2004) ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. LICITAÇÃO. SANÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR. EXTENSÃO DE EFEITOS À SOCIEDADE COM O MESMO OBJETO SOCIAL, MESMOS SÓCIOS E MESMO ENDEREÇO. FRAUDE À LEI E ABUSO DE FORMA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA E DA INDISPONIBILIDADE DOS INTERESSES PÚBLICOS. A constituição de nova sociedade, com o mesmo objeto social, com os mesmos sócios e com o mesmo endereço, em substituição a outra declarada inidônea para licitar com a Administração Pública Estadual, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 307 10 com o objetivo de burlar à aplicação da sanção administrativa, constitui abuso de forma e fraude à Lei de Licitações Lei n.º 8.666/93, de modo a possibilitar a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica para estenderemse os efeitos da sanção administrativa à nova sociedade constituída. A Administração Pública pode, em observância ao princípio da moralidade administrativa e da indisponibilidade dos interesses públicos tutelados, desconsiderar a personalidade jurídica de sociedade constituída com abuso de forma e fraude à lei, desde que facultado ao administrado o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo regular. Recurso a que se nega provimento.(ROMS 200200942657, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 08/09/2003) (grifos meus). Além dos nossos tribunais a doutrina assim se posiciona. Na primeira hipótese, a autoridade fiscal, autorizada expressamente pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, identificará o sujeito passivo (contribuinte stricto sensu). A identificação do sujeito passivo, conforme prescrito no Código Tributário Nacional, significa encontrar aquele que realizou efetivamente o fato gerador. Se entre aquele que praticou o fato descrito em lei e a responsabilidade pelo tributo devido existe uma pessoa jurídica meramente formal, um anteparo, uma “proteção” do patrimônio individual, ela será afastada (ou desconsiderada). Sustentase, portanto, que o Código Tributário Nacional já permite (sempre permitiu) o afastamento de anteparos, realidades meramente formais ou artificiais (realidades falsas), dificultadores da perfeita identificação do sujeito passivo. Com efeito, o art. 149, inciso VII do Código Tributário Nacional estabelece que o lançamento será efetuado e revisto de ofício quando se comprovar a presença, entre outros, de simulação. (destaques meus). O art. 50 do novo Código Civil não é necessário, mas é útil à autoridade fiscal no momento de constituir, em certas circunstâncias, o crédito tributário. Não é necessário porque a autoridade pode apurar o crédito tributário contra o efetivo contribuinte (em sentido estrito) ou contra o responsável, valendose de autorizações presentes no Código Tributário Nacional para afastar a personalidade jurídica. É útil porque confirma, para a ordem jurídica brasileira como um todo e para o direito tributário em particular, a possibilidade da desconsideração ou afastamento da personalidade jurídica. 1 Ou seja, ainda, que nos autos tivesse ocorrido desconsideração de personalidade jurídica de interpostas pessoas, o que não ocorreu, pois asseverase esta questão apenas ad argumentandum tantum em resposta ao questionamento da recorrente. Não haveria óbice que o agente fiscal no desempenho de seu mister promovesse tal aplicação, até porque no próprio PAF, abrirseia a oportunidade de contestação de tal ocorrência. Mas nestes autos tal desconsideração não ocorreu, como alhures esclarecido. O agente fiscal autuante deixou claro em várias passagens de seu REFISC, de fls. 16 a 74, que a recorrente por intermédio de outras empresas que supostamente prestam serviços a ela 1 CASTRO, Aldemário Araújo. Aplicação no Direito Tributário da Desconsideração da Personalidade jurídica Prevista no Novo Código Civil. Disponível em < http://www.aldemario.adv.br/desconsidera.pdf>. Acesso em 24 set 2011. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 308 11 remunera de forma disfarçada seus próprios funcionários e juntou as provas disso no lançamento respectivo, estando o ato administrativo do lançamento perfeito e acabado nos termos do artigo 142 c/c o 149, ambos, da Lei 5.172/66, conforme alguns trechos que transcrevemos. 9.3) As notas fiscais, abaixo discriminadas, por amostragem, comprovam que a contratada se presta para emitir notas fiscais de serviços para pessoas que não pertencem ao seu quadro societário tampouco mantém qualquer relação de trabalho com a mesma, como é o caso das notas fiscais que tiveram como beneficiário Rafael Santana Guimarães, empregado da Contraste Engenharia e Automação Ltda., ora Notificada, admitido em 03/02/2004, na função de Assistente Administrativo, FREE N° 000200008, conforme documentos de fls. 10. 11) As planilhas en1 anexo, documentos de fls. 32/33, detalha com precisão as comissões recebidas pelo empregado Thiago Pinto dos Santos, no período de 11/2004 a 12/2005, somente no diz respeito ao cliente Brasil Telecom. Consignase, mais uma vez, que o referido empregado teve seu registro efetivado pela Contraste Engenharia e Automação Ltda em 08/03/2004, na função de Técnico Manutenção Equipamento de Informática, com o piso mínimo da categoria profissional, conforme mencionado neste relatório, cuja FREE N°000200018, constitui doc. de fls. 17 do presente relatório fiscal. 5) 0 referido segurado é empregado regularmente registrado nos quadros da contratante Contraste Engenharia e Automação Ltda., admitido em 18/02/2002, na função de Gerente Comercial conforme FREE N° 000100020, que passa a compor As fls. 07 do presente relatório, e tendo constituído em 17/03/2005 a empresa JGOMES PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, documento de fls. 08, passando a partir da competência 05/2005 a emitir mensalmente e em ordem seqüencial notas fi scais por serviços de processamento de dados, caracterizando o trabalho exclusivo c habitual, bem como sua natureza o eventual e diretamente ligada a atividade fim da Notificada. (destaque do original) Assiste razão a recorrente ao dizer que entre ela e as supostas prestadoras de serviços não há relação laboral nem poderia por impossibilidade jurídica. Entretanto, a fiscalização deixou cristalizado que entre a recorrente e as pessoas físicas executoras dos trabalhos, existem interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de desvirtuar a real relação jurídica entre a recorrente e aos trabalhadores pessoas físicas, uma vez que estes trabalhadores além de empregados recebem um valor por fora em Nota Fiscal de prestação de serviços das interpostas pessoas jurídicas. A existência dos requisitos da configuração dos trabalhadores na categoria de segurados empregados é autoaferível, pois em verdade o agente fiscal lançador estabeleceu que aqueles que recebem pagamento via nota fiscal são, também, funcionários da recorrente e desempenham atividades especificas da recorrente, explicitando tal relação. A ato administrativo nada mais fez do que apontar a realidade das coisas. O fiscal autuante em momento algum limitou a liberdade de escolha do tipo e forma societária, pois estas estão estabelecidas em lei artigo 1.039 a 1.092 da Lei 10.406/2002 e tais entidades já estavam constituídas e não se pode limitar o que já se esgotou. Nem tão pouco promoveu qualquer limitação a forma de associação das empresas, o fisco nada mais fez do que nos termos de suas atribuições legais estabelecer os parâmetros da existência da exação, com base no artigo 142, da Lei 5.172/66. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000062/200781 Acórdão n.º 2803001.040 S2TE03 Fl. 309 12 Toda a base jurídica da tributação que está sendo exigida está demonstrada nos autos não cabendo em se falar em exigência de tributo sem lei. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, acatando a preliminar de decadência, que resulta em resolução do mérito para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 10/2001, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídas do presente crédito, não acatando todas as demais teses da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. . Fl. 12DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14474.000235/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/07/2003
RETENÇÃO OBRIGATÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 33, § 3°, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, a não apresentação de documentos fiscais de obrigatória guarda, respalda o arbitramento efetuado, considerando os serviços não justificados como sujeitos à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Oseas Coimbra, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 33, § 3°, da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, a não apresentação de documentos fiscais de obrigatória guarda, respalda o arbitramento efetuado, considerando os serviços não justificados como sujeitos à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Oseas Coimbra, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte referente à constituição de crédito relativo as contribuições destinadas à Seguridade Social, às quais o contribuinte está sujeito em decorrência do disposto no artigo 31 da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.711/98. Competências referentes ao lançamento: setembro de 2002 a julho de 2003. O Contribuinte foi notificado em 28.10.2005 e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 14/11/2005. A impugnação foi julgada em 10 de agosto de 2006, ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. DECRETO N.° 70.235/72. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. CRITÉRIO DE AFERIÇÃO. PERCENTUAL SOBRE NOTA FISCAL. LEGALIDADE. RAZOABILIDADE. MULTA. CONFISCO. JUROS. TAXA SELIC. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. O prazo de impugnação não pode ser prorrogado. Aplicase subsidiariamente o Decreto n.° 70.235/72 no Contencioso Administrativo Previdenciário. A Secretaria da Receita Providenciaria tem suporte legal para arbitrar o valor da base de cálculo e lançar a importância que reputar devida, em face da recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o que se constitui em presunção legal relativa, cumprindo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN. Sobre a forma ou método a ser aplicado na aferição indireta, inexiste titularização de direito pelo sujeito passivo da relação tributária, sendo que a aplicação de percentual sobre o valor bruto de notas fiscais de prestação de serviços, além de ser um critério razoável para fins de apuração da mãodeobra contida no valor faturado e a posterior incidência das contribuições devidas, está em conformidade com a legislação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 4 A multa de mora não caracteriza o confisco e somente pode ser modificada mediante determinação expressa de lei. É licita a utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios para fatos geradores ocorridos a partir de abril de 1995. Não sendo preenchidos os requisitos obrigatórios para produção de provas ou juntada de novos documentos, rejeitase o pedido. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Que a NFLD foi emitida em desconformidade com a legislação aplicável; Ser possível os Tribunais Administrativos analisarem matérias constitucionais; Que a notificação deve ser anulada devido a infringência aos princípios do contraditório e da ampla defesa; Da insubsistência do lançamento baseado única e exclusivamente em lançamentos contábeis: da infringência do princípio da verdade material; Do caráter confiscatório da penalidade aplicada; Da inaplicabilidade da Taxa Selic; Por último, protesta pela realização de sustentação oral, quando do julgamento do feito perante o Colegiado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte apresentou recurso voluntário desprovido do depósito recursal previsto no § 1º do art. 126 da Lei 8.213/1991. No entanto, ele obteve provimento jurisdicional em sentença no Mandado de Segurança n.° 2007.70.00.0017999, determinando o seguimento dos recursos sem a exigência do depósito recursal referido. Como é sabido, o instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação dada pela Lei n ° 9.711/1998, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. No caso em tela, a fiscalização aponta que o contribuinte deveria ter cumprido a obrigação. Entretanto, não indicou no Relatório Fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pela Auditoria Fiscal entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. Salientase, ademais, que no presente caso não houve destaque dos valores a serem retidos em nota fiscal, assim é dever da fiscalização indicar os fundamentos de sua convicção. O contencioso administrativo à época do lançamento era regulado pela Portaria MPS nº 520/2004, que dispunha, no caput do art. 31 e inciso II, que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. O § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98 dispõe que: “Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 6 realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Portanto, a cessão de mãodeobra só estará presente nos serviços contínuos, colocados à disposição do contratante, em suas dependências ou de terceiros. Assim, a constatação da existência ou não da obrigatoriedade da retenção de 11% darseá mediante a verificação da forma como foram contratados os serviços. Por força do dispositivo legal acima referido, a fiscalização deve comprovar, já na fase inicial do processo administrativo fiscal para evitar o cerceamento de defesa e a perda de uma instância administrativa , a existência da cessão de mãodeobra, nos moldes acima descritos, e para tal, deve anexar ao processo os contratos assinados entre as partes, comprovando a forma de contratação dos serviços, analisálos verificando se atende às determinações legais supracitadas. Nos julgamentos da então 2ª CaJ do CRPS, por exemplo, exigiase que o INSS caracterizasse a existência da cessão de mãodeobra, mesmo nas atividades descritas na legislação, tanto na responsabilidade solidária, quanto na retenção, sob pena da notificação ser anulada. Diversas decisões judiciais emitidas sobre o assunto têm dado ganho de causa ao contribuinte, como se pode verificar de parte do julgado a seguir transcrito: Com efeito, não prosperam as alegações da Agravante de que a apreciação da matéria controvertida não necessita do reexame do conjunto probatório. Isto porque, conforme já ressaltado na decisão ora agravada, o Tribunal de origem, para reconhecer a exigibilidade da exação, fincouse em precedente jurisprudencial que impôs à autarquia o dever de demonstrar a ocorrência de colocação de empregados à disposição do tomador de serviços, dispensando o contribuinte de fazer prova negativa, e, ao final concluiu que o INSS não produziu prova da existência de cessão de mãodeobra, na acepção prevista na lei. AgRg no Agravo de Instrumento 460.534RS(2002/00797978) O Relatório Fiscal não indicou os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Portanto, não evidenciou a existência da cessão de mãodeobra nos serviços prestados à Recorrente, e nem demonstrou de forma objetiva a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, conforme determinado no supracitado artigo 31, § 3º da Lei nº 8.212/91. Além da falta de indicação dos fundamentos mencionados no parágrafo anterior, as falhas procedimentais são visíveis no Relatório Fiscal, conforme consta do despacho de fls. 158/159 dos autos, verbis: 3. Ocorre, porém, que não consta do relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 64/65) o embasamento legal para o arbitramento (§ 3º do art. 33 da Lei nº Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 4 7 8.212/91), o qual também não vem citado em relatório fiscal. 4. Verificase, ainda, no item 3 do Relatório Fiscal de fls. 99/103, haver constado a indicação do período fiscalizado ao invés do período abrangido pela presente NFLD. 5. A fundamentação legal é o supedâneo para a cobrança do crédito constituído, até mesmo em se tratando de exações normais e tidas como não discutíveis, devendo estar registrada nos autos, a fim de propiciar ao sujeito passivo amplo direito de defesa, sob pena de nulidade. (grifouse e destacouse) Observase, porém, que é o próprio fisco que está indicando o caminho. No ponto, o contribuinte esta coberto de razão, porquanto ignorado os seus argumentos de que não lhe fora dado o amplo direito de defesa, situação que fere de morte as disposições contidas no inciso LV do art. 5º da Carta da República, devendo o lançamento fiscal ser anulado ab initio. No que diz respeito à anulação de notificação fiscal, a Consultoria Jurídica do MPS, em diversos pareceres, manifestou pela anulação ab initio de lançamentos eivados de nulidade, devido a erro ou contradição no relatório fiscal, entre os pareceres destacase o de nº 1.627, de 25 de janeiro de 1999. Ademais, dispõe o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, que “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Conforme exposto nestes autos o direito de defesa do contribuinte ficou prejudicado face à ausência da caracterização de cessão de mãodeobra, bem como pela ausência de fundamentação legal, conforme comprova o despacho de fls. 158/159. Portanto, esta NFLD deve ser anulada. Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, e no mérito, DARLHE PROVIMENTO, facultando à RFB, se for do seu interesse, efetuar novo lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 8 Voto Vencedor Conselheiro Oséas Coimbra, Redator. Pedi vista dos presentes autos a fim de melhor refletir acerca das provas colacionadas pelo contribuinte. A auditoria fiscal anexou em seu relatório fiscal às fls 99 e ss, relação com os prestadores que entendia sujeitos a retenção de 11%, informando conta contábil; código da conta; data de emissão; histórico onde consta o número da NFPS, o nome da Subempreiteira e o valor das Notas Fiscais de Prestação de Serviços. São dois lançamentos PAVICRETO PROCES CONSTRUT. LTDA NF0132 Cta.155178 e CEMBRA ENGENHARIA LTDA NF 288 Cta: 188453. Numa segunda parte da autuação, onde a base de cálculo é a diferença entre valores contratuais e o contabilizado, informa: No decorrer da auditoria fiscal pela análise dos Contratos de Prestação de Serviços celebrados entre a Tomadora e as Prestadoras de Serviços, identificadas em planilha anexa, constatouse que o total dos valores contratados são superiores aos valores correspondentes a somatória das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, apresentadas e contabilizadas pela tomadora dos serviços (Mainhouse). Estas diferenças estão demonstradas na planilha em anexo. ... Constituem as bases de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, as remunerações Contidas na diferença entre os valores efetivamente contratados e a somatório das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, apresentadas e contabilizadas pelo Tomador dos Serviços e emitidas pelo Prestador de Serviços. As diferenças apontadas totalizam R$ 14.722,42 – fls 110. Em sua defesa – fls 113 e ss, o contribuinte entende que a mera diferença entre o valor contratado e o valor das notas fiscais emitidas, não é suficiente para fundamentar a presente notificação, pois “um contrato firmado inicialmente por um determinado montante pode, no decorrer de sua vigência sofrer alterações, tanto para mais quanto para menos, na medida em que houver mudança nas especificações iniciais, como por exemplo a substituição de materiais, ampliação ou diminuição de parte do projeto, mudança na forma de contratação da mãodeobra, enfim, uma infinidade de negociações podem existir que fatalmente provocam variações no custo da obra”. Não se manifesta acerca das empresas CEMBRA E PAVICRETO. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14474.000235/200714 Acórdão n.º 280301.154 S2TE03 Fl. 5 9 Após diligências de fls 175 a 177, foram excluídos os lançamentos referentes a empresa Cembra Engenharia Ltda, em razão de ordem judicial. A Decisão Notificação mantém parcialmente o débito, em razão da exclusão da empresa CEMBRA. No recurso apresentado, informa que: 4.16 Juntase ao presente recurso copia da Nota Fiscal n° 0132 da empresa Pavicreto Processos Construtivos Ltda. (doc. 01) cujo objeto foi a locação de equipamentos de terraplanagem. Observo que tal documentação não se encontra no processo ora analisado. Passo a me manifestar. RETENÇÃO – EMPRESAS CEMBRA E PAVICRETO Desnecessária a apreciação acerca da empresa CEMBRA, já excluída da presente NFLD. Quanto a empresa PAVICRETO, tenho que a empresa não logrou êxito em demonstrar a improcedência do que alegado pela fiscalização. A única documentação que se oferecia a apresentar, nota fiscal de serviço, não foi acostada aos autos. Nessa parte, tenho como acertada a decisão de primeira instância – fls 191, da qual reproduzo excerto que incorporo a meu voto. Afirma a impugnante que, em caso de dúvida, deveria a Auditora Fiscal buscar nos documentos que suportam a contabilidade os fundamentos para o lançamento. Ora, às fls. 82 consta TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, datado de 12/02/2004, onde se constata que foram solicitados diversos documentos, como contratos de empreitada e subempreitada, notas fiscais de prestação de serviços, recibos diversos, sendo certo que, em novo TIAD, de 03/09/2004 (fls. 87), foi reiterada a solicitação, tendo a Auditora Fiscal especificado "... 2. DOCUMENTOS CONTÁBEIS NECESSÁRIOS PARA ESCLARECER . OS LANÇAMENTOS CONSTANTES NO RELATÓRIO ANEXO ... 3. DOCUMENTOS CONTÁBEIS JÁ SOLICITADOS E NÃO APRESENTADOS, CONSTANTES NO RELATÓRIO ANEXO ...", o que ocorreu novamente em 17/12/2004 (fls. 83). Reiterada intimação para apresentação de documentos estão demonstradas nos TIAD´s de fls 82 e 83. Os contratos e demais documentos referentes a PAVICRETO não foram apresentados, e seriam instrumentos essenciais na comprovação do que alegado pelo contribuinte. Ante a não apresentação da requerida documentação, nos termos do art. 33 §3º da lei 8.212/91, aliado à presunção de legitimidade, inerente aos atos administrativos1 e corolário do princípio da legalidade, tenho como procedente o lançamento em questão – PAV. 1 Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova da invalidade do ato adminstrativo para quem a invoca. Cuidase de argüição de nulidade do ato, por vício formal ou ideológico, a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR 10 DAS DIFERENÇAS CONTRATUAIS – LEVANTAMENTOS E3O; JL3; HN3 A diferença de valores entre o acordado e o que consta de notas fiscais e lançamentos contábeis é um indício de irregularidade que demanda maior robustez probatória, o que não foi realizado. O reduzido valor discrepante – R$ 14.722,42, ante a imensa atividade da empresa, não confirma desvio a ponto de justificar o lançamento. Se existe diferença entre o que consta no contrato e o que está efetivamente demonstrado por notas fiscais e contabilizado, caberia a fiscalização apurar a razão da desigualdade dos valores, comprovando se tratar de base de cálculo de contribuições previdenciárias, pois a diferença, per se, não demonstra pagamentos ou serviços prestados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, e no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para manter exclusivamente o levantamento PAV, excluindo os demais. É como voto. (Assinado digitalmente) Oséas Coimbra, Redator. prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante, e até sua anulação terá plena eficácia." (HELY LOPES MEIRELLES Direito Administrativo Brasileiro, 25ª ed., São Paulo: Editora Malheiros, 2000, pg.148/149) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13153.000023/2011-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
EMENTA
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO PELA FONTE. IRRF. AUSÊNCIA DA PROVA DE RETENÇÃO. MANUTENÇÃO.
Nos termos da Súmula CARF 143, a prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Se não houver registro da retenção na devida obrigação acessória (DIRRF), caberá ao contribuinte demonstrar o valor efetivamente recebido, com o destaque da alegada retenção, pelos meios de prova admissíveis.
A falta de autenticação bancária na guia de recolhimento estadual referente ao provimento de recursos para pagamento do IRRF, devido pelo estado-membro, por muitos anos inadimplente em sua obrigação, impede a determinação da quantia correta a ser deduzida.
Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto.
Se a retenção não for comprovada, o Estado exigirá do contribuinte destinatário dos rendimentos a complementação do tributo devido.
Numero da decisão: 2001-005.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO PELA FONTE. IRRF. AUSÊNCIA DA PROVA DE RETENÇÃO. MANUTENÇÃO. Nos termos da Súmula CARF 143, a prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Se não houver registro da retenção na devida obrigação acessória (DIRRF), caberá ao contribuinte demonstrar o valor efetivamente recebido, com o destaque da alegada retenção, pelos meios de prova admissíveis. A falta de autenticação bancária na guia de recolhimento estadual referente ao provimento de recursos para pagamento do IRRF, devido pelo estado-membro, por muitos anos inadimplente em sua obrigação, impede a determinação da quantia correta a ser deduzida. Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto. Se a retenção não for comprovada, o Estado exigirá do contribuinte destinatário dos rendimentos a complementação do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 00 00 23 /2 01 1- 83 Fl. 270DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 09-12), referente ao(s) exercício(s) 2008, ano(s)- calendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$12.180,82, mais multa de mora e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Glosa R$23.840,57. Regularmente intimado, não atendeu a intimação. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: A fim de comprovar o recolhimentos dos valores, por parte do empregador, procurou a Vara do Trabalho de Juína – MT para fotocopiar e autenticar os comprovantes do IRRF. Não logrou sucesso até esta data, porque o desarquivamento do processo só ocorreria em 02/02/2011. Sendo assim, as cópias que comprovam o recolhimento do IRRF foram atenticadas pelo advogado, que tem fé pública. O Lançamento é nulo, pois não foi intimado para prestar os esclarecimentos. Recebeu a Notificação em sua residência. Relata que os rendimentos decorrem de acordo judicial de Ação Trabalhista, que se operou em 2007, movida contra o Banco do Estado do Mato Grosso S. A. Neste acordo, onde houve indicação do Contador do Juízo de que o IRRF a ser comprovado pelo empregador era de R$23.843,57. A comprovação do recolhimento foi efetivada por meio do Ofício TRT nº 18/209/BEMAT. A instituição financeira deve apresentar à RFB declaração, contendo os pagamentos efetuados ao reclamante e o respectivo IRRF. Entende que é possível não ter ocorrido no presente caso. É o relatório. A impugnação é tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 7.574/2011, razão pela qual é conhecida. O litígio versa sobre a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. A autoridade fiscal glosou o valor de R$23.840,57, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte, ora impugnante, não atendeu a intimação. Fl. 271DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Preliminarmente, o impugnante sustenta que houve afronta aos Princípios do Contraditório e Ampla Defesa, pois não foi intimado previamente para prestar esclarecimentos. Sem razão, no entanto. Impende prelecionar que o Processo Administrativo Fiscal percorre duas fases. A primeira é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos para demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. Nessa etapa, atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Incumbe a ela, como autora, o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito (ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário). Não há obrigatoriedade, nesta fase meramente inquisitiva, de intimação prévia do contribuinte, especialmente quando a Administração Tributária já dispõe de elementos suficientes para o Lançamento. Mesmo assim, cumpre deixar em relevo, os autos atestam que a RFB tentou, sem sucesso, intimar o impugnante em seu domicílio eleito, utilizando-se da forma editalícia somente após considerada improfícua aquela via inicial (fls. 23-28). A segunda fase, a litigiosa – iniciada com a impugnação tempestiva do Lançamento (art. 14, do Decreto nº 70.235, de 1972), caracterizando-se pelo conflito de interesses submetido à Administração – pressupõe, obrigatoriamente, a ciência prévia do Lançamento ao sujeito passivo. À litigância e a conseqüente solução do conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa. No caso em concreto, observa-se que a autuação não ocorreu à revelia do Impugnante, como quer fazer crer, dada a sua confirmação do recebimento da Notificação de Lançamento, da sua impugnação tempestiva e da anexação aos autos de todas as provas que julgou relevantes para elidir o Lançamento. A peça de defesa tempestiva demonstra não apenas o conhecimento da matéria tributada, mas que lhe foi facultado amplo acesso ao teor do processo. Nesse sentido, é oportuna a transcrição de ementa de acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que corrobora o entendimento aqui expendido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL-CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. (Acórdão 104-16357) Não há dúvida, portanto, que o Devido Processo Legal foi devidamente observado pela Fazenda Pública, bem como respeitados os Princípios da ampla defesa e do Contraditório em suas amplitudes máximas. Ultrapassada a questão preliminar, cabe trazer à colação excerto da legislação tributária afeita à matéria (destaques acrescidos). Decreto nº 3.000/1999 Art. 87 Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): ... IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Fl. 272DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 ... Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. (Decreto-Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º) Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringe-se ao período da respectiva administração, gestão ou representação. (Decreto-Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Da exegese dos dispositivos acima, depreende-se que o Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF pode ser compensado na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, desde que atestada a retenção (apresentação de comprovante emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte, contracheques, etc). Contudo, exigir-se-á também a comprovação do efetivo recolhimento aos cofres públicos daquele IRRF eventualmente retido do sujeito passivo, na hipótese deste figurar também como acionista controlador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica pagadora dos rendimentos (DARF). Dito isso, no caso em concreto, a autoridade fiscal glosou o IRRF de R$23.840,57, tendo em vista que, perante a Receita Federal do Brasil - RFB, não restou atestada a retenção declarada. O impugnante, em sua defesa, sustenta que percebeu crédito decorrente de ação trabalhista movida em desfavor do Banco do Estado de Mato Grosso S.A., conforme documentação que diz estar anexada. Compulsando os autos, em especial os documentos Judiciais acostados; a cópia de modelo de DARF do Governo do Estado de Mato Grosso; a tela de consulta ao Sistema de Controle de Arrecadação do Estado; Guia da Previdência Social; uma relação de beneficiários; Petição de Homologação de Composição de Ação de Trabalhista (não assinada pelas partes intervenientes e advogados); homologação Judicial (não assinada) e consulta de andamento processual (fls. 33-48), verifica-se que não é possível esclarecer questões essenciais, tais como: se houve de fato a retenção de imposto pleiteado na DIRPF no ano-calendário 2007 e se os rendimentos declarados são oriundos de ação trabalhista específica. A título exemplificativo, documentos comprobatórios de que os valores declarados a título de IRRF correspondem a fatos geradores relacionados ao exercício 2008, ano- calendário 2007, seriam a Memória de Cálculo Judicial, ou o Alvará Judicial de levantamento do valor recebido/retido àquela época, a cópia do depósito judicial determinado pelo Juízo, DARF em nome do contribuinte relativo ao período sob exame, etc. A propósito, a cópia do DARF e a cópia da consulta de documentos relativo ao Processo 0237.2006.081.23.00-3 juntadas possui data de vencimento 31/05/2009; de arrecadação 28/05/2009; e de período de referência 2009 (fl. 35). Ou seja, ainda que correspondente ao montante declarado, não atesta a efetiva retenção no período sob exame (ano-calendário 2007). O documento emitido pelo Poder Judiciário, datado de 08/07/2009, indica a existência de três processos, não sendo possível identificar em relação a qual destes supostamente corresponderiam os valores declarados (fl. 33). As tabelas de folha 37, onde estão listados vários beneficiários, não esclarecem se os rendimentos declarados pelo impugnante correspondem à alegada ação trabalhista, pois sequer indicam o valor por ele supostamente recebido na ação, muito menos informam o montante do IRRF correspondente e a data do levantamento de valores. Além da mencionada incapacidade destas provas, as tabelas, no sentido de correlacioná- las aos valores declarados e atestarem a retenção pleiteada, sequer possuem informação acerca de sua origem, isto é, se são Memórias Parciais de Cálculo oriundas do Poder Fl. 273DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Judiciário. A autenticação de conformidade com o original não possui o condão de transformá-las em prova hábil. De outro lado, os valores das verbas discriminadas na cópia da Composição havida na Execução Trabalhista, ainda que se ouvidasse que o documento não contém a assinatura das partes apontadas ao final, não guardam correspondência com as importâncias declaradas a título de IRRF e de rendimentos (fls. 38-41). A Homologação Judicial, à folha 42, não é capaz, igualmente, de ilidir o presente lançamento, uma vez que não traz qualquer informação acerca do IRRF, verbas recebidas tributáveis, isentas, honorários, etc. Por fim, impende deixar em relevo que o mínimo que se exige do impugnante é que se digne a atestar adequadamente o direito alegado, isto é, a retenção havida no período (ano-calendário 2007), o que não ocorreu. Além disso, no caso em concreto, também não ficou decisivamente provado que a compensação do IRRF declarada corresponde a Rendimentos Recebidos Acumulamente decorrentes de ação trabalhista. Assim, a flagrante inabilidade probatória dos documentos juntados para comprovar o direito à compensação do IRRF declarado no ano-calendário 2007 enseja a manutenção da infração lavrada. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, para manter o Lançamento. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que foi feita, pela fonte pagadora, a retenção do Imposto no valor informado na Declaração, mantém-se a glosa. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/05/2016, o sujeito passivo interpôs, em 28/06/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o IRRF foi recolhido no âmbito da ação judicial, conforme documentos juntados aos autos; b) as contribuições para a previdência oficial foram recolhidas no âmbito de ação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 274DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o recorrente comprovou a retenção de valores retidos na fonte a título de IR. Considerados os universos possíveis das condutas pertinentes à tributação antecipada por ocasião da transferência de valores de pessoas jurídicas a pessoas físicas, há dois cenários relevantes, e que possuem tratamento jurídico calibrado às expectativas legítimas projetadas pela legislação tanto ao recebedor quanto ao pagador. Se não houver retenção dos valores, o sujeito passivo deve declarar as quantias às autoridades fiscais, para composição do cálculo do tributo devido por ocasião do respectivo ajuste anual, isto é, “oferece-lo à tributação”. Nessa hipótese, o Estado não exigirá da fonte pagadora o adimplemento da obrigação. Se houver a retenção dos valores, mas não o recolhimento, ambos de responsabilidade da fonte pagadora, o Estado exigirá dessa inadimplente o pagamento do tributo devido e de eventuais multas aplicáveis. Não se exigirá do sujeito passivo o pagamento do valor retido, porém não recolhido pelo terceiro obrigado a tanto. A propósito, confira-se os seguintes texto normativo e precedentes: PARECER NORMATIVO COSIT Nº 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 (Publicado(a) no DOU de 25/09/2002, seção 1, página 24) IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. [...] Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadra-se no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracteriza-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressalte-se que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. [...] Súmula CARF nº 143 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Acórdãos Precedentes: 9101-003.437, 9101-002.876, 9101-002.684, 9202-006.006, 1101-001.236, 1201- 001.889, 1301-002.212 e 1302-002.076. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Súmula CARF nº 73 Aprovada pelo Pleno em 10/12/2012 Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/04-00.409, de 12/12/2006 Acórdão nº CSRF/04-00.089, de 22/09/2005 Acórdão nº CSRF/01-05.049, de 10/08/2004 Acórdão nº CSRF/01-05.032, de 09/08/2004 Acórdão nº 2801-00.239, de 21/09/2009. Numero do processo: 10283.006628/99-93 Turma: Quarta Câmara Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2001 Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2001 Ementa: IRF - ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO - AÇÃO FISCAL APÓS O ANO-BASE DO FATO GERADOR - BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS - EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO - Se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o ano-base da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - RETENÇÃO NA FONTE - FALTA DE RECOLHIMENTO - RESPONSABILIDADE - Não se estende à beneficiária dos rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência cometido pela fonte pagadora - pessoa jurídica - no que se refere ao recolhimento do valor descontado. Desta forma, a falta de recolhimento, do imposto de renda retido na fonte, sujeitará o infrator ao lançamento de ofício e as penalidades da lei. Recurso parcialmente provido. Numero da decisão: 104-18220 Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência tributária o item 001 do Auto de Infração - Trabalho sem Vínculo de Emprego (composto dos subitens 01.01; 01.02 e 01.03 - Falta de Retenção e Recolhimento do Imposto de Renda retido na Fonte Sobre Trabalho Sem Vínculo de Emprego. Nome do relator: Nelson Mallmann No caso em exame, a autoridade lançadora rejeitou o pleito para dedução dos valores alegadamente retidos a título de IR, porquanto ausente registro dessa retenção pela fonte pagadora (fls. 10). Por seu turno, o órgão de origem manteve a glosa, por entender ausente acervo probatório adequado à confirmação de cada retenção narrada pelo então impugnante. Em síntese, diz-se no acórdão-recorrido: Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 a) O DARF supostamente comprobatório apresenta datas de vencimento e de arrecadação diferentes daquela em que ocorreram os fatos geradores (2009 vs. 2007); b) O documento emitido pelo Poder Judiciário, em 2009, não indicaria a qual de três processos referir-se-ia o valor declarado; c) As memórias parciais de cálculo são apócrifas; d) O termo de acordo judicial não está assinado, e os respectivos valores são inconsistentes com àqueles declarados; e) A homologação judicial é silente sobre eventual IRRF. Em resposta, o recorrente afirma ser possível constatar a retenção dos valores, nos seguintes termos (fls. 98-103): Ainda, às fls. 510 consta Ofício n.° 31/2007 da DIRETORIA-GERAL DE COORDENAÇÃO JUDICIÁRIA DO TRT23, ao D. Juiz do Trabalho da Vara do Trabalho de Juína, informando que em três processos, dentre os quais o do ora peticionário (00237.2006.081.23.00-3) os encargos foram quitados, "À EXCEÇÃO DO INSS Cota Patronal e Imposto de Renda, os quais "serão objeto de parcelamento no processo piloto (00887.2003.001.23.00-8) em trâmite perante este Juízo." [...] A partir desse ponto, como Vossas Senhorias podem verificar, houveram várias manifestações do Estado de Mato Grosso, dando conta do não recolhimento do IRRF em razão da falta de recursos, e o D. Juiz da VT Juína, nesses momentos, suspendia o feito e prazos por prazos de 60 dias. [...] SOMENTE EM 2009 O VALOR DO IRRF DO ACORDO DE 2007 FORA RECOLHIDO. Porém, a guia de arrecadação referente ao depósito destinado a fornecer recursos para o recolhimento do IRRF não está autenticada, isto é, não há registro de que a operação bancária tenha ocorrido (fls. 265). Sem a identificação do valor a ser recolhido, ainda que o recolhimento efetivo em si seja irrelevante para assegurar o direito do sujeito passivo, é impossível restaurar a compensação pleiteada. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.508 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13153.000023/2011-83 Fl. 278DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13971.902628/2015-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NECESSIDADE. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
É imperioso, para que se possa verificar o dissenso jurisprudencial entre câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, que as decisões em confronto versem sobre situações fáticas similares. Somente em tal contexto se poderá verificar a divergência quanto à legislação tributária aplicável ao caso em apreço.
Numero da decisão: 9101-006.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo conhecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-006.434, de 08 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13971.902898/2013-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente).
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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HERING Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NECESSIDADE. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. É imperioso, para que se possa verificar o dissenso jurisprudencial entre câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, que as decisões em confronto versem sobre situações fáticas similares. Somente em tal contexto se poderá verificar a divergência quanto à legislação tributária aplicável ao caso em apreço. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo conhecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-006.434, de 08 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 13971.902898/2013-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 26 28 /2 01 5- 09 Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face de acórdão que negou provimento ao recurso voluntário. O dispositivo da decisão observa que o julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.542, de 20 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 13971.902897/2013-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O sujeito passivo questiona a premissa do acórdão recorrido de que “para se aproveitar dos benefícios fiscais com inovação tecnológica, tais programas devem ser controlados contabilmente em contas específicas”, e nesse ponto alega divergência com relação aos paradigmas 1302-001.959 e 1302-002.133. Em 27 de outubro de 2021, Presidente de Câmara deu seguimento ao recurso especial, especificamente quanto ao paradigma 1302-002.133, observando 1 : (...) O presente processo trata de PER/DCOMP em que se pleiteia indébito a título de pagamento a maior de IRPJ do ano-calendário 2011 – com base no lucro real. A Recorrente alegou, em manifestação de inconformidade, que teria apurado IRPJ devido de R$ 28.024.492,14, recolhido em 3 (três) parcelas que, ao final, somaram R$ 28.160.578,56, evidenciando recolhimento a maior de R$ 136.086,42. Somente apresentou o PER/DCOMP após a retificação da DIPJ e a autoridade desconsiderou a retificação da DCTF, que teria sido necessária para adequar o valor devido, na forma em que declarado na DIPJ Anual - Anexo IV, em virtude de concessão de incentivo fiscal relativos a Dispêndios com Inovação Tecnológica de que trata o art. 19 da Lei nº 11.196/2005, conforme divulgação disponibilizada em Dezembro de 2012, pelo MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Anexo V) - "Lei do Bem", conforme item 121 da lista constante do Anexo IV do Relatório Anual da utilização de incentivos fiscais, juntado como Anexo V. Observou que a homologação do incentivo foi tornada conhecida apenas em dezembro de 2012, ou seja, após o fechamento dos valores anuais e do prazo de entrega das obrigações acessórias originais. Dai a necessidade de retificação e o direito em ter repetido o indébito recolhido a maior. A autoridade julgadora de 1ª instância indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que “os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica somente poderão ser deduzidos do lucro líquido se forem controlados contabilmente em contas específicas” e, diante do conjunto probatório dos autos não homologou a compensação. No recurso voluntário afirmou que a documentação apresentada estaria de acordo com o que prevê a Lei 11.196/2005, no tocante a contabilização dos dispêndios com gastos de inovação, em “contas específicas”, não havendo razão alguma para a glosa do crédito. Ou, alternativamente, que lhe fosse concedido o direito de reclassificar suas contas para atendimento aos preceitos exigidos, em atenção ao princípio da verdade material. 1 Observo que o despacho de admissibildiade menciona IRPJ, muito embora os presentes autos discutam CSLL do ano-calendário 2011, exercício 2012. Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 A Conselheira relatora do voto proferido no acórdão recorrido adotou como fundamento de decidir o voto proferido em processo de auto de infração da mesma contribuinte dos anos de 2011 a 2013 de IRPJ e CSLL, utilizando-se das razões daquele julgado que coadunam com as razões da Delegacia de origem para desconsiderar as despesas de P&D da Contribuinte, tendo em vista que a empresa não cumpriu os requisitos legais para a dedutibilidade dos valores, conforme abaixo Em resumo, deduziu-se entendimento no sentido de que é o MCTI que possui competência para opinar sobre matéria técnica a ele afeita, mas é a RFB que detém a competência legal para auditar as empresas beneficiadas com incentivos fiscais, naquilo que diz respeito às suas obrigações tributárias. Explicou que a lei que regula benefícios fiscais deve ser interpretada de forma restrita e, nesse contexto, o termo “contas específicas” deveria ser interpretado como contas individuais e específicas para cada um dos lançamentos atinentes a dispêndios com inovação tecnológica. Considerou que as planilhas apresentadas junto da impugnação foram insuficientes para reverter o lançamento. (...) (...) Acórdão nº 1302-002.133. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. BENEFÍCIO FISCAL. LEI DO BEM. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL ESPECÍFICA. RELATÓRIOS GERENCIAIS ANALÍTICOS. PARECER DO MCTI e INT. Não há óbice a reclassificação contábil, quando demonstrada escrituração em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, complementada por relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados. Projetos aprovados pelo INT, por meio de pareceres específicos que concluíram pelo enquadramento na Lei do Bem, devem ser considerados para fins de colhimento dos benefícios fiscais previstos em tal Lei. Esta decisão apreciou lançamentos de IRPJ e CSLL dos anos de 2007 a 2009, decorrentes de glosa de exclusão de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica. O sujeito passivo não mantinha contas específicas de registros dos dispêndios, no curso dos anos-calendário, mas promovia uma “reclassificação” ao final de cada período. Além disso, fora emitido parecer desfavorável do Ministério de Ciência e Tecnologia, que teria descaracterizado os dispêndios de P&D incorridos pela contribuinte, no ano-calendário de 2007. A Autoridade Julgadora de 1ª instância manteve os lançamentos ao argumento de que “os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, obrigatoriamente, deverão estar em contas especialmente criadas para tal fim, e, portanto, separadas das demais despesas da empresa”, e que “o contribuinte teria que registrar os dispêndios à medida que os mesmos fossem ocorrendo e na conta específica e não em outra conta para posteriormente reclassificá- la”, mantendo os lançamentos. Após a realização de diligências para esclarecimento da motivação do parecer desfavorável do MICT, o Colegiado do CARF deu provimento ao recurso e, quanto a reclassificação dos registros, acompanhou os votos deduzidos na Resolução nº 1101- 000.079, que havia convertido o julgamento na realização de diligências. Ambos os votos – vencido e vencedor – registrados na referida resolução, entenderam que não macularia a dedução dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 inovação tecnológica, o fato de os registros terem sido classificados em conta geral no curso do ano-calendário, mas terem sido reclassificados ao final de cada período de apuração em contas específicas. Como o voto do paradigma faz remissão ao teor da resolução, é de se colacionar os trechos do voto vencido da resolução, do voto vencedor da resolução e do voto proferido no paradigma, respectivamente: Voto vencido da resolução: [...] O fato de a Recorrente a princípio ter alocado durante o curso de cada ano- calendário entre 2007 e 2009, os montantes atinentes a despesas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento com inovação tecnológica em contas contábeis gerais utilizadas para registro despesas com demais fornecedores, seguindo o mesmo rito para os custos com recursos humanos, para somente depois ao final do período reclassificá-los de uma única vez para contas específicas de ativo, visando o atendimento do requisito constante do art. 22 da Lei nº 11.196/05, não tem o condão de por si só invalidar o beneficio fiscal usufruído, sob pena de indevida prevalência da forma sobre o conteúdo, tão combatida nos mais diversos tipos de situações, principalmente nos afamados planejamentos tributários. Está claro nos autos, de que o princípio da competência foi observado pelo contribuinte quanto ao reconhecimento dos dispêndios com P&D, na medida em que foram considerados nas demonstrações financeiras dos anos-calendário em que incorridas. Até posso concordar com a autoridade lançadora que o ideal, pela boa técnica contábil seria ordinariamente o contribuinte ter promovido o registro dos valores diretamente nas contas específicas, voltadas para o assento dos citados dispêndios qualificados, mas daí a entender que a simples reclassificação global feita ao final do período de apuração invalida o benefício fiscal concedido é subverter a razão do incentivo e constituir um fato gerador de penalidade não previsto em lei. O requisito previsto como condição legal para a fruição do benefício refere-se a necessidade de controle contábil dos dispêndios em contas específicas. Desta feita, considerando este requisito de fruição, apenas valores não registrados nas referidas contas, poderiam ser objeto de glosa em ato fiscalizatório. [...] Voto vencedor da resolução: Endosso as extensas razões expostas pelo I. Relator para concluir que o fato de classificar os dispêndios com P&D em conta específica apenas ao final do período de apuração não macula a condição imposta pelo art. 22 da Lei nº 11.196/2005 para fruição do incentivo fiscal. Tal conduta apenas legitimaria a glosa das parcelas que não foram classificadas em conta específica. [...] Voto condutor do paradigma: Dessa forma, alinhado com as conclusões do Voto Vencedor do Acórdão, que designou a diligência em questão, entendo que não há óbice a reclassificação contábil ocorrida, eis que escriturou-se em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, e apresentou-se relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados. Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 [...] O voto proferido no acórdão recorrido concluiu que o pleito da Recorrente para lhe fosse permitida a reclassificação deveria ser negado, porque a legislação exigiria que fosse mantido o controle em contas específicas, entendida a expressão “controle” como sendo registros contemporâneos dos dispêndios aos fatos, como se nota dos seguintes trechos: Quanto ao pedido da interessada para "reclassificar suas contas para atendimento aos preceitos determinados", vale relembrar o significado do termo "controle" constante do inciso I do artigo 22 da Lei nº 11.196/2005, já mencionado neste voto: este termo implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos, sem o quê não há que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: "ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ...", enfim, é uma conduta que pressupõe a contemporaneidade com os fatos de interesse. Note-se que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim “Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas” [d.n.]. Pensar de modo diferente esvaziaria o sentido do termo “controle”. Se o registro pudesse ser feito posteriormente, não haveria sentido em se falar de controle. Não basta registrar ou contabilizar, tem que controlar os dispêndios e isto envolve o registro no momento correto e não a posteriori. Ressalte-se que não se trata, no presente caso, de mero descumprimento de formalidades contábeis, mas sim da falta de comprovação de um benefício fiscal através de normas específicas, que, como vimos, não foram cumpridas. Portanto, não há como se acatar o pedido da interessada para reclassificação dos lançamentos contábeis, visto que a lei estabeleceu a forma (contas específicas) e o prazo (controle no momento da ocorrência dos fatos) para a contabilização. Para que fosse cumprido o requisito do art. 22, I, da Lei do Bem, ou seja, o controle dos dispêndios, o contribuinte teria que os registrar à medida que fossem ocorrendo e em contas específicas, não em outra conta para posteriormente reclassificá-los. Este paradigma, apreciando situação fática similar, que diz respeito à possibilidade de reclassificar, ao final do período de apuração, em contas específicas, o controle dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, deduziu conclusão divergente daquela adotada no acórdão recorrido, o que caracteriza a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões questionando exclusivamente o mérito do recurso especial. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no Fl. 416DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever o voto vencido, que pode ser consultado no acórdão paradigma e deverá ser considerado, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento da ilustre Relatora, em que pesem os argumentos e os fundamentos por ela apresentados. Minha discordância se funda na ausência da similitude fática entre os lançamentos que embasaram as decisões, aparentemente conflitantes, para se apontar a divergência jurisprudencial. Reproduzo trecho do voto da ínclita Relatora que é ponto fulcral da minha discordância: O único acórdão aceito como paradigma, 1302-002.133, analisou acusação fiscal baseada em dois únicos fundamentos, tendo o voto afirmado que “as razões pelas quais foram adicionadas as despesas incorridas com os referidos onze projetos (2007), basearam-se em dois pontos: a) parecer do MCTI desfavorável à recorrente [não caracterizando os projetos como inovação tecnológica]; e b) conclusão de que os respectivos registros contábeis não estariam em conformidade com a Lei do Bem, pelo fato de terem sido objeto de reclassificação na fase final dos projetos.” Como tese de defesa para a primeira acusação (que não interessa ao presente caso e comento apenas por coerência), o sujeito passivo daqueles autos apresentou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia- INT (para confrontar a conclusão do MCTI), o que foi acatado pelo voto em tal paradigma, rejeitando-se assim a primeira acusação da autoridade autuante. Quanto à segunda acusação, relativa ais aos registros contábeis (esta sim de interesse ao presente caso), o acórdão concordou que “alinhado com as conclusões do Voto Vencedor do Acórdão, que designou a diligência em questão, entendo que não há óbice à reclassificação contábil ocorrida, eis que escriturou-se em contas específicas, em conformidade com a Lei do Bem, e apresentou-se relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados.” (grifamos) Ali a discussão era, essencialmente, o modo de se realizar os registros contábeis, não se tendo discutido acerca do conteúdo de tais contas. O voto conclui que, uma vez rechaçados os dois únicos argumentos da acusação fiscal para a glosa dos dispêndios, esta não mais se sustentaria. A comparação entre os precedentes permitiria identificar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, nos seguintes termos: A decisão recorrida entendeu que o requisito legal de registro em contas contábeis específicas demandaria contas contábeis “únicas/exclusivas” criadas no plano de contas da empresa para registros dos dispêndios com inovação tecnológica, e nesse contexto também rejeitou o pedido do contribuinte de reclassificação de suas contas contábeis em uma conta “única/exclusiva” sob o argumento de que “o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos”. Já o paradigma igualmente exige contas contábeis únicas/exclusivas, mas aceitou a reclassificação contábil, baseada em relatórios gerenciais analíticos que demonstram os valores contabilizados.” (negritos nossos, sublinhados originais) Fl. 417DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 A leitura do excerto mostra que – embora se discuta, por ser dicção legal, a necessidade de contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com inovação tecnológica – a situação fática que encerra a discussão entre as decisões em confronto se mostram totalmente distintas. A uma porque a motivação do lançamento da decisão paradigmática se baseia em dois pressupostos fáticos, como bem apontado pela Conselheira Relatora. O primeiro, desconsideração do cumprimento dos requisitos por autoridade específica sobre a matéria, e o segundo, a falta contabilização específica. Como dito no exame de admissibilidade, o sujeito passivo não mantinha contas específicas para os registros, mas promovia uma reclassificação ao final do exercício (fls 8 do despacho, in fine). Já na decisão recorrida, o lançamento se dá por ausência da contabilização especial e mais, de valores contabilizados incorretamente, o que alterou o saldo contábil a ser utilizado para o benefício fiscal. O trecho abaixo do voto recorrido, especialmente nos pontos destacados, comprova a afirmação: Registre-se que a finalidade do artigo 22, inciso I, da Lei nº 11.196/2005 é que a contabilidade revele de maneira clara, direta e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos ensejadores dos respectivos lançamentos contábeis. E não poderia ser de outra forma, pois o termo “controle”, que também consta naquele dispositivo, implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos, sem o quê não há que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: "ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ...", enfim, é uma conduta que pressupõe a contemporaneidade com os fatos de interesse. Note-se que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim “Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas” [d.n.]. Pensar de modo diferente esvaziaria o sentido do termo “controle” do inciso I do artigo 22 da Lei nº 11.196/2005. A regra do controle em contas específicas não é propriamente uma regra contábil, mas regra tributária versando sobre matéria contábil. Assim, não há conflito entre a legislação fiscal e as regras técnicas da contabilidade. Por outro lado, é verdade que a regra dos registros em contas e centros de custo específicos facilitam o controle e a verificação das despesas incentivadas, mas também é verdade que a regra legal contida no art. 22, inciso I, da Lei do Bem não é um preceito vão, sem finalidade, e não se reduz a mero conselho ao contribuinte destituído de força obrigacional. Fixado o conceito de "contas específicas", passa-se à análise dos fatos. A partir do Relatório Fiscal e dos demais documentos que compõem os autos, verifica se que a forma utilizada pela CIA. HERING na contabilização dos dispêndios com inovação tecnológica não atendeu aos requisitos da legislação aplicável, conforme se depreende da seguinte síntese: - Em 2011, os gastos com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica somaram R$ 857.533,47, conforme informação da CIA. HERING, mas o valor total desses gastos nas contas indicadas totalizaram R$ 1.005.173,00 (diferença de R$ 147.639,53). Fl. 418DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 - Em 2012, os dispêndios com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica foram de R$ 2.931.846,69, enquanto o valor consolidado das contas contábeis relacionadas alcançou R$ 6.386.623,68 (diferença de R$ 3.454.776,99). - Em 2013 também se observou a mesma inconsistência, pois os dispêndios com salários e encargos aplicados em inovação tecnológica foi de R$ 907.882,12, quando os valores contabilizados nas contas indicadas totalizaram R$ 4.034.594,66 (diferença de R$ 3.126.712,54). - Em 2012, os dispêndios com materiais aplicados em inovação tecnológica somaram R$ 3.272.014,71, enquanto o valor consolidado das contas contábeis relacionadas alcançaram a cifra de R$ 4.487.043,20 (diferença de R$ 1.215.028,49). - Em 2013 idêntica constatação se repetiu, pois os dispêndios com materiais aplicados em inovação tecnológica foi de R$ 1.185.538,79, quando os valores contabilizados nas contas indicadas totalizaram R$ 2.959.400,14 (diferença de R$ 1.773.861,35). - Durante a fiscalização, a empresa foi intimada a apresentar relação com todos os lançamentos contábeis dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica efetuados nos anos-calendário 2011 a 2013, na hipótese de não possuir contas contábeis específicas para o registro exclusivo desses dispêndios (o que, como vimos, se configurou), mas não houve atendimento. Pelos dados acima, constata-se um valor total a maior contabilizado nas contas relativas ao benefício fiscal, nos três anos auditados, equivalente a R$ 9.718.018,90, o que confirma que as contas contábeis vinculadas às atividades de P&D foram criadas pela empresa com outros propósitos, sendo os lançamentos contábeis ali realizados, invariavelmente, em valores superiores aos dispêndios informados como tendo sido aplicados em inovação tecnológica. Todas estas constatações da auditoria foram relatadas (e intimadas) à contribuinte no curso da ação fiscal, mostrando a impossibilidade de se identificar na contabilidade da empresa os lançamentos vinculados aos dispêndios com inovação tecnológica, mas a contribuinte, em resposta, limitou-se a prestar esclarecimentos sobre o conceito de centro de custo e sua aplicação pela empresa.” (grifamos) Assim, não se pode concordar que se admitida a existência de dissenso interpretativo entre decisões exaradas em situações fáticas tão distintas. Na decisão recorrida, além da ausência de contabilização específica, os valores registrados não correspondiam às despesas com P&D. No paradigma, além de tais valores serem comprováveis, ainda existia forma distinta da prevista em lei de seus registros. Como dito alhures, a similitude fática é imprescindível para a comprovação da divergência interpretativa entre turmas do CARF. Ausente tal pressuposto recursal não se pode, sob pena de fazer-se da CSRF uma instância revisora, conhecer-se do recurso especial. Por todo o exposto, e pelos fundamentos apresentados, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. Fl. 419DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.436 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13971.902628/2015-09 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente Redator Fl. 420DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720256/2011-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
DAA RETIFICADORA
A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio.
Numero da decisão: 2002-007.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. DAA RETIFICADORA A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 56 /2 01 1- 04 Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Trata o presente processo de impugnação apresentada pela interessada supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2009, Ano-Calendário 2008, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 08 a 12, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi apurado imposto suplementar, multa de ofício, multa de mora e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 4.371,08. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 09/10), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatou- se as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho com e/ou sem Vínculo Empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 65.810,89, recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Func. Do Banco do Brasil. Em complemento, constou o que segue: Contribuinte foi reintimada por duas vezes para apresentar Laudo pericial de acordo com legislação citada nas referidas intimações, não apresentando a documentação solicitada para comprovação de moléstia especificada em lei. Motivo na Glosa. Compensação Indevida de Imposto Complementar, no valor de R$ 2.463,07. Em complemento, constou o que segue: Contribuinte não comprovou o imposto complementar. Apresentou DARFs de recolhimento de imposto pago no código 0211 relativo ao pagamento de quotas imposto pago, resultado da declaração, não dedutivel. Cientificada do lançamento, em 20/12/2010, por via postal (AR-fls. 43), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 05, em 18/01/2011, acompanhada dos documentos de fls. 06 a 29, onde argumentou, em suma, o que segue: · O rendimento considerado omitido, no valor de R$ 65.810,89, recebido da Caixa de Previdência dos Func. Do Banco do Brasil, foi reconhecido pela fonte pagadora como isento do imposto de renda em virtude da contribuinte ser portadora de hepatopatia grave, desde 26 de dezembro de 2007, enfermidade especificada nas hipóteses da Instrução Normativa SRF n.º 15, de 2001, e na Lei n.º 7.713/1988; cometeu erro no preenchimento da Declaração ao não informar esse valor no campo correspondente a rendimentos isentos e não tributáveis. · A pretensa Compensação Indevida de Imposto Complementar, no valor de R$ 2.463,07, refere-se ao saldo de imposto de renda a pagar, constante na sua declaração original, pago em 6 quotas mensais, no código 0211, cujos comprovantes foram entregues na DRF em 04/11/2010; na declaração retificadora, por engano e falta de esclarecimentos, lançou o valor na coluna de imposto complementar, objetivando sua restituição, posto que é portadora de Hepatopatia Grave, comprovada pelos laudos médicos que anexa. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO de RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da comprovação de que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria deve ser comprovado que o contribuinte é portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto. COMPENSAÇÃO INDEVIDA NA DECLARAÇÃO DE IRPF DO IMPOSTO APURADO NO AJUSTE ANUAL. Cabe manter o lançamento que glosou compensação indevida de imposto complementar não recolhido. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/06/2016, o sujeito passivo interpôs, em 04/07/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos são isentos por ser portador(a) de moléstia grave, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos; b) a autuação fora baseada na DAA retificadora apresentada pela contribuinte; c) quando do preenchimento da DAA original, a contribuinte ofereceu os rendimentos a tributação e pagou os DARF gerados; É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Da isenção por moléstia grave Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste conselho administrativo segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doe nça grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 106-16928 - 29/05/2008) Ainda, a matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A DRJ manteve a autuação pela ausência de laudo oficial comprovando a moléstia grave, já que a declaração emitida por médico perito vinculado ao INSS, informa que ela é portadora da doença de CID K 76 (hepatopatia grave), a qual se enquadra naquelas doenças arroladas no art. 6º, inciso XIV da Lei n° 7.713/88, em 13/01/2011 e não indica a data em que teve início a moléstia grave. Em sede de recurso voluntário a contribuinte apresenta exames anteriores ao laudo oficial emitido em 13/01/2011. Contudo, como o fígado é um órgão com alto poder regenerativo, considero que a contribuinte é portadora da moléstia grave apenas da data indicada no laudo oficial, sendo que ser rendimentos no exercício de 2009 não estão abrangidos pela isenção legal. Como relatado, a autuação baseou-se da DAA retificadora apresentada pela contribuinte em 15/04/2010 e, conforme jurisprudência deste CARF, a declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a DAA retificada para todos os efeitos, como se vê: DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITOS. A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Portanto, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. (Acórdão n°: 2201-001.747 - 14/08/2012) Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.115 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.720256/2011-04 Assim, caso haja pagamento do tributo quando da apresentação da DAA retificada, conforme documentos apresentados às e-fls. 159 a 164, solicito que a unidade de origem diligencie para a alocação e abatimento dos valores do montante do crédito tributário devido. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Thiago Duca Amoni- Relator Fl. 189DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10620.000808/2007-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2006
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
A empresa deverá recolher a contribuição do segurado empregado e
contribuinte individual, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
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Recorrente HOSPITAL IMACULADA CONCEIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deverá recolher a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Fl. 615DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 583 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado contra o Hospital Imaculada Conceição que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 42 a 46, referese à contribuição destinada à Seguridade Social a cargo dos segurados, incidente sobre a folha de pagamento dos empregados e valores pagos a contribuintes individuais, não declarados em GFIP, no período de 06/2003 a 11/2006, como demonstrado nos anexos de fls. 47 a 92. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação em 26/09/2007, fl. 41, apresentando impugnação, fls. 118 a 122. Os autos foram remetidos à diligência fiscal, fl. 514, que propôs a retificação do lançamento (fls. 517/531), conforme planilhas de fls. 530/531. O contribuinte teve vista dos autos, conforme fls. 532 a 534. Apresentou aditivo à impugnação às folhas 537 a 539. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 541 a 548verso, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR em anexo, fls. 549 a 559. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 03/09/2010, fl. 563, inconformado interpôs recurso voluntário, em 05/10/2010, fls. 571 a 577, alegando em síntese: a natureza não salarial de abono legitimamente concedido no âmbito de processo trabalhista de dissídio coletivo; duas situações em que as declarações apresentadas por segurados contribuintes individuais não foram acatadas pelo órgão julgador. A primeira, aquela em que os contribuintes — médicos autônomos — afirmaram recolher sobre o limite máximo do salário decontribuição. Exemplos disso As fls. 321, 333, 334. A segunda, aquela em que o segurado apresentou a devida declaração para determinado período (fls. 376) e ainda outra, contida nesse Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 584 3 mesmo período (fls. 377). A decisão acabou por ignorálas todas, fazendo prevalecer o lançamento tributário; deve ser levada em conta a documentação física que suportava as informações eletrônicas. Há casos, inclusive, de supostos fatos geradores que constam, sob mesmo conteúdo e forma, de duas NFLDs distintas, como sejam os relativos aos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva e Michelle Junia da Silva (competência 11/2004), que figuram às fls. 53 deste feito (Anexo I) e às fls. 54 e 56 dos autos da NFLD 10620.000796/200731, também em seu Anexo I. por fim, requer que seja reformada a decisão de primeira instância para: a) acatar a natureza indenizatória do abono concedido em processo de dissídio coletivo, para excluílo da composição do salário de contribuição; b) acolher as declarações de segurados contribuintes individuais, feitas nos limites legais; e c) acatar os dados e informações constantes da documentação anexa aos autos, a exemplo dos destacados no recurso, visando desconstituir o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 580, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. ABONO SALARIAL – DISSÍDIO COLETIVO No Dissídio Coletivo de 2003, cópia anexada pelo contribuinte, fls. 283, cláusula 38ª, os sindicatos ajustaram que os empregadores concederão um abono único, pago em três parcelas, ao empregados que se encontravam na empresa no período de 01/02/2002 a 31/01/2003, devendo a primeira ser paga juntamente com o salário do mês de agosto de 2004, podendo o empregador que não celebrou Acordo Coletivo para solucionar os citados processos de dissídios coletivos de 2003, mas que concedeu alguma importância fixa ou percentual a titulo de antecipação ou pagamento por conta dos referidos dissídios coletivos de 2003, compensar o valor do abono. São termos do dissídio coletivo de 2003: TRIGÉSIMA OITAVA DISSÍDIOS COLETIVOS DE 2003 A) Com a finalidade de não discutirem e/ou terem que reparar direitos que poderiam decorrer de uma Sentença definitiva nos mencionados processos em trâmite no Col. TST, os Sindicatos aqui Acordantes ajustaram que os empregadores concederão um ABONO único, de (natureza indenizatória) ao empregados que se encontravam na empresa no período de 01/02/2002 a Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 585 4 31/01/2003, no valor de R$ 300,00 (trezentos reais), admitida a aplicação do critério de proporcionalidade, â razão de 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado no período de 01/02/2002 a 31/01/2003. B) O ABONO acima mencionado deverá ser_pago em até 3 (três) parcelas mensais e consecutivas de R$ 100,00 (cem reais) cada uma, devendo a primeira ser paga juntamente com o salário do mês de agosto de 2004. Parágrafo Primeiro 0 empregador que não celebrou Acordo Coletivo para solucionar os citados processos de dissídios coletivos de 2003, mas que concedeu alguma importância fixa ou percentual a titulo de antecipação ou pagamento por conta dos referidos dissídios coletivos de 2003, poderá levar tal importância fixa ou percentual à compensação dos R$300,00 (trezentos reais) acima ajustados, observandose: (...) No mesmo sentido é a Cláusula nona Processo 00900200605603009 (acordo fls. 292/293), vigência 2005/2006, transcrito na impugnação (fl. 121): Fica estabelecido que o Hospital Imaculada Conceição pagará a diferença salarial supramencionada em forma de abono fixado em R$100,00 para todos os seus empregados. Este abono será pago em duas parcelas de R$50,00 juntamente com as folhas de agosto e setembro/2006. Como se pode notar tratase de dissídio coletivo com intuito de reposição salarial dos trabalhadores da empresa. Assim sendo, o abono concedido em acordo ou dissídio coletivo possui natureza salarial e configura aquisição de renda em decorrência dos serviços prestados pelo trabalhados, de modo que sobre o valor deve incidir a contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8212/91 combinado com o art. 457, § 1º, da CLT. Este entendimento tem ressonância nos Tribunais Federais TRF1 e TRF3, cujos julgados se transcreve: Processo AC 200003990018475AC APELAÇÃO CIVEL – 563002 , Relator(a) JUIZA RAMZA TARTUCE , Sigla do órgão TRF3 , Órgão julgador QUINTA TURMA , Fonte DJU DATA:06/07/2005 PÁGINA: 152 Ementa: TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO ANULATÓRIA DE DÉBITO CONSTITUÍDO – ABONO CONCEDIDO EM DISSÍDIO COLETIVO NATUREZA REMUNERATÓRIA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSO DO INSS E REMESSA OFICIAL PROVIDOS. 1. Nos termos do art. 457, § 1º, da CLT, o abono concedido em dissídio coletivo possui natureza salarial e configura aquisição de renda, de modo que sobre ele deve incidir a contribuição previdenciária (art. 28, I, da Lei 8212/91). 2. A parte autora arcará com o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, que ficam fixados em 10% sobre o valor atualizado Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 586 5 atribuído à causa. 3. Recurso e remessa oficial providos. Sentença reformada. Data da Decisão 13/06/2005 , Data da Publicação 06/07/2005 Processo AMS 887420004014300AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA – 887420004014300 , Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL , Sigla do órgão TRF1 , Órgão julgador SÉTIMA TURMA , Fonte eDJF1 DATA:09/10/2009 PAGINA:397 Ementa: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA – INCIDÊNCIA ABONO DISSÍDIO COLETIVO DE TRABALHO NATUREZA REMUNERATÓRIA. 1.Abono pago em conseqüência de dissídio coletivo de trabalho, em substituição a aumento salarial, está sujeito à incidência do imposto de renda, por ter natureza remuneratória. 2. Apelação não provida. 3. Peças liberadas pelo Relator em 22/09/2009 para publicação do acórdão. Data da Decisão 22/09/2009 , Data da Publicação 09/10/2009 Pelo exposto o abono concedido pelo contribuinte tem natureza salarial. Correto o lançamento fiscal de tal verba pela autoridade fiscal. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO FORAM ANALISADOS CONFORME RECURSO DO CONTRIBUINTE Os contribuintes — médicos autônomos — afirmaram recolher sobre o limite máximo do saláriodecontribuição. Exemplos disso às fls. 321, 333, 334, 376, 377: fls. 321 ANALICE DE PAIVA VIANNA DAMASIO, médica inscrita no CRM/MG sob o n° 29.210 — CPF n° 547.833.13687, matricula no INSS n° 11416840669, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 333 CHRISTINE MARIA BRANDÃO FLOR ALVES LEITE, médica inscrita no CRM/MG sob o n° 25.757 — CPF n° 53505123668, matricula no INSS n° 11332854545, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 334 CLAUTON MOREIRA BRINA, médico inscrito no CRM/MG sob o n° 26.062 — CPF n° 785.656.69653, matricula no INSS n° 112.341.83239, apenas declaração sem comprovação de documentos; fls. 376 FABIO HENRIQUE MACHADO COSTA, medico, Identidade CREMEMG n° 7.819, CPF n. 199 594 94691, inscrito junto ao INSS sob o n°10942369502, apenas declaração sem comprovação de documentos; FLS. 377 FABIO. HENRIQUE M. COSTA, inscrito no CRMJMG sob o n. 7.819, CPF n° 199.594.94691, INSS n° 109.423.69502, apenas declaração sem comprovação de documentos. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 587 6 A reclamação do contribuinte de que tais documentos não foram analisados é improcedente, pois foram analisados e estão registrados na Informação Fiscal de fls. 517/531, constando da planilha às folhas 525. A autoridade fiscal informa que são apenas declarações das pessoas físicas e não preenchem os requisitos necessários a fim de se ver afastada a obrigatoriedade do desconto dos segurados nela relacionados vez que não se tratam de comprovantes de pagamento, não consignam os valores e meses sobre o quais já sofreram desconto, nem identificam as empresas que efetuaram tais descontos. Sem a comprovação dos argumentos não se pode excluir valores declarados pelo contribuinte em folha de pagamento e GFIP. É o trecho da Informação Fiscal: Na planilha abaixo, as declarações apresentadas não preenchem os requisitos necessários a fim de se ver afastada a obrigatoriedade do desconto dos segurados nela relacionados vez que não se tratam de comprovantes de pagamento, consignam os valores sobre o quais já sofreram desconto naquele mês ou identificam a empresa que efetuará, naquela competência, descontos sobre o valor máximo do salário contribuição, sendo apenas declaração da própria pessoa física de que recolhe sua contribuição previdenciária como autônoma. Documento Nome Nit Data Alegação Declaração Albaro Rosevelt Gonçalves 109.912.53563 14/08/2003,16 contribui como autonomo Declaração Analice de Paiva Vianna Damasio 114.168.40669 17/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Antonio Camilo Chaves 110.006.02014 18/09/2003 Sem vinculo/Contribui como autonomo (...) Declaração Christine Maria Brandão Flor Alves Leite 113.328.54545 06/05/2004 Sem vinculo/Contribui como autonomo Declaração Clátuton Moreira Brina 112.341.83239 —Sem vinculo/Contribui como autonomo Declaração Consuelo Rodrigues Gallo 113.009.95402 01/07/2003A contribui como autonomo Declaração Daniel Viana Abreu 113.929.56344 01/07/2003 Já contribui como autonomo (...) Declaração Fabio Henrique Machado Costa 109.423.69502 18/09/2003,16 contribui como autonomo Declaração Ronaldo Gonçalves de Freitas 111.539.90924 01/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Rosamaria Pinto e Silva 112.270.67245 01/07/2003A contribui como autonomo Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 588 7 Declaração Sandra Cristina Gonçalves 114.229.95598 01/07/2003,16 contribui como autonomo Declaração Wesley de Oliveira Figueiredo 111.998.36936 01/07/2003A contribui como autonomo SEGURADO QUE CONSTAM LANÇADOS EM DUAS NFLDS CONFORME RECURSO DO CONTRIBUINTE O contribuinte alega que existe suposto fato gerador constante em duas notificações fiscais da empresa. Os segurados empregados Edgar Ferreira da Silva e Michelle Junia da Silva (competência 11/2004), figuram às fls. 53 deste feito (Anexo I) da NFLD n. 37.114.8570/2007 e às fls. 54 e 56 dos autos da NFLD n. 37.114.8561 (10620.000796/2007 31), também em seu Anexo I. Também, sobre o assunto, há explicação na Informação Fiscal de fls. 517/531, constando que para a competência 11/2004 não houve duplicidade vez que os valores de desconto dos segurados lançados neste auto (NFLD n. 37.114.8570/2007) se somam aos lançados no auto DEBCAD 37.114.8561 perfazendo os valores de contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva — R$24,18 — e Michelle Junia da Silva — R$19,89. Tal fato se deu em função de que os valores provenientes da folha de pagamento presente no auto de infração DEBCAD 37.114.8561 foram inferiores aos declarados em GFIP (fls 521). São os termos do relatório: 8.1 Análise Impugnação — fls 227 e 228: 11/2004 Não houve duplicidade de multa vez que os valores de desconto dos segurados lançados neste auto se somam aos lançados no auto DEBCAD 37.114.8561 perfazendo os valores de contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados Edgar Ferreira da Silva — R$24,18 — e Michelle Junia da Silva — R$19,89. Tal fato se deu em função de que os valores provenientes da folha de pagamento presente no auto de infração DEBCAD 37.114.8561 foram inferiores aos declarados em GFIP. Destarte, não procede o argumento do contribuinte de que houve duplicidade de lançamento para a competência 11/2004. Ressaltase que todas as informações constantes da folha de pagamento de segurados empregado e contribuinte individual, extraídos dos arquivos digitais, foram fornecidas pelo contribuinte. O contribuinte alega suposta inconsistência nos arquivos digitais por ele gerado, sem, contudo, apontar os possíveis erros ou apresentar prova de suas alegações. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, está obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante o prazo decadencial das contribuições sociais, para exibir à fiscalização. É o que dispõe o art. 8° da Lei n° 10.666, de 8 de maio de 2003. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 589 8 A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 incisos I; 20; 28 inciso I e parágrafos, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o, 4o. e 5o, da Lei n º8.212/91, bem como, demais fundamentos constantes do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 32/33. Em que pesem os argumentos e documentos apresentados pelo recorrente, os mesmo já foram analisados quando da diligência fiscal/Informação Fiscal, fls. 517/531, e da decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal que confirmou a procedência parcial do lançamento, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR em anexo, fls. 541 a 559. Assim, todos os documentos que se referem à notificação e à impugnação foram verificados pela fiscalização e pelo órgão julgador de primeira instância, conforme consta da decisão (fls. 546). O contribuinte não trouxe aos autos novas provas que pudessem alterar o lançamento fiscal. O pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, deve ser rejeitado. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação das observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 590 9 declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91, quanto à aplicação da multa, devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise dos valores das multas para verificação e aplicação da regra que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, consoante entendimento trazido pela Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 4 de dezembro de 2009, DOU de 8.12.2009, bem como, demais normativos sobre o assunto. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. A comparação deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, atentando para a necessidade de análise em conjunto com os demais lançamentos sofridos pelo contribuinte, registrados no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF constante dos autos, se devido. O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. No presente caso, em razão da notificação fiscal está classificada como lançamento de ofício (diferença apurada em folha de pagamento de segurados), a multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10620.000808/200728 Acórdão n.º 280301.133 S2TE03 Fl. 591 10 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, ratificando a decisão de primeira instância administrativa fiscal, mantendo o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR (fls. 556/559). A multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, confrontada com a multa constante no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD da notificação fiscal, fls. 32/33, que é a do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/11/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.908090/2020-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 1302-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 106-008.046, de 14 de janeiro de 2021, proferido pela 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06 (fls. 1.006/1.013), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. O presente processo cuida do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) nº 20483.40798.190917.1.2.02-0739 e de diversas Declarações de Compensação (DComp) a ele vinculadas, apresentadas pela Recorrente com base em suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao ano-calendário de 2016, no valor de R$ 50.418.247,03, para compensar débitos tributários de sua responsabilidade (fls. 313/1.000). Os referidos documentos foram objeto, em 15 de junho de 2020, de Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual se atestou a existência parcial do saldo negativo invocado, já que foram confirmados R$ 32.131.739,57 (de R$ 68.279.369,59) em retenções na fonte. Diante disso, foi reconhecido saldo negativo no valor de R$ 14.270.617,01, e realizada a homologação integral das compensações declaradas nas DComp nº 33189.50103.150118.1.3.02- 8010, 20902.94846.190118.1.3.02-1409, 05461.63951.200218.1.3.02-5850 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 08 09 0/ 20 20 -8 2 Fl. 2272DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 18758.84218.230218.1.7.02-3077, parcial das realizadas por meio da DComp nº 16175.82982.280218.1.3.02-6720 e não foram homologadas as compensações restantes, conforme listadas na referida decisão e documentos anexos (fls. 194/312). Cientificado do Despacho Decisório, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 5/28, na qual informou haver apresentado planilha com as “justificativas para manutenção do credito declarado em PER/DCOMP”. Apresentou, na peça de defesa, quadro resumo da mencionada planilha e esclarecimentos acerca das divergências de informações que teriam ensejado o não reconhecimento das retenções por parte da autoridade administrativa. Em algumas situações, os dados informados pelas fontes pagadoras seriam maiores que os considerados pela Recorrente, e/ou estariam identificados pelos números de inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da matriz, em lugar das filiais. Em outros casos, as fontes pagadoras teriam informados montantes de retenção inferiores aos efetivamente ocorridos. Para a comprovação, a Recorrente teria detalhado as notas fiscais a que corresponderiam as retenções, as quais teriam sido devidamente contabilizadas. Finalmente, em determinadas situações, as fontes pagadoras simplesmente não teriam informado as retenções por meio de Declarações de Rendimentos Pagos e Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). A Recorrente reconheceu, ainda, que, em alguns casos, teria considerado retenções indevidamente ou a maior do que o que ocorrido, e sustentou que teria procedido aos recolhimentos dos respectivos valores, conforme atestariam Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) anexados à Manifestação de Inconformidade. Na decisão recorrida, apontou-se, inicialmente, que, conforme a legislação vigente, o Comprovante Anual de Retenção é o documento hábil a comprovação do imposto retido. Não obstante, “como o direito do contribuinte não pode ser inviabilizado por eventual conduta omissiva da fonte pagadora”, a referida comprovação pode ser realizada por meio da “escrituração contábil acompanhada dos respectivos documentos que a respaldam, conforme determinado no art. 923 do RIR/99”. Por outro lado, documentos produzidos unilateralmente pelo próprio contribuinte, tais como notas fiscais emitidas, devem estar conciliados com documentos produzidos por terceiros, como extratos bancários com a devida evidenciação dos valores líquidos efetivamente recebidos, de modo a demonstrar as retenções realizadas. Os julgadores apontaram, então, que, no caso sob análise, a planilha apresentada pela Recorrente não foi acompanhada de qualquer elemento de prova hábil, “como, por exemplo, notas ficais conciliadas com extratos bancários, evidenciando os valores líquidos recebidos em virtude da retenção de tributos”. Foi realizada nova consulta aos sistemas da Receita Federal, considerando as divergências de CNPJ informadas na peça de defesa, de modo que foi possível a comprovação de um valor adicional de retenções de R$ 27.440.120,49, tendo havido o reconhecimento do direito creditório correspondente e sido homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Finalmente, registrou-se que os pagamentos efetuados pela Recorrente deveriam ser considerados na cobrança dos débitos cujas compensações não foram homologadas. Fl. 2273DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 Após a ciência do Acórdão, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 1.021/1.043, com o qual, mais uma vez, a Recorrente junta planilha com as justificativas para o reconhecimento das retenções e apresenta resumo na peça recursal. Em síntese, teria apresentado, por amostragem notas fiscais ou registros contábeis e comprovação de recebimento do valor líquido. Em dois casos, teria sido apresentada DIRF retificadora ou haveria divergência no código de receita informado na DIRF. Como pedido subsidiário, pugna pela conversão do julgamento em diligência para a análise da documentação apresentada. O presente processo foi distribuído por sorteio a este Conselheiro, em 19 de agosto de 2021. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 20 de janeiro de 2021 (fls. 1.016/1.017) e apresentou o Recurso Voluntário, em 19 de fevereiro do mesmo ano (fl. 1.018), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado eletronicamente pelo responsável legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme relatado, a matéria sob litígio nos presentes autos se limita à parcela do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2016 composta pelos valores relativos a retenções na fonte não confirmadas nas decisões administrativas anteriores. Ou seja, R$ 9.455.213,20, dos R$ 68.279.369,59 consideradas na apuração realizada pela Recorrente. Na decisão de primeira instância, for realizada criteriosa análise dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. As premissas utilizadas no referido exame foram as de que: Fl. 2274DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 (i) incumbe ao contribuinte comprovar por meio de documento hábil e idôneo a ocorrência das retenções e a submissão das receitas correspondentes à tributação; (ii) ordinariamente, a prova hábil a comprovar retenções é o Comprovante de Retenção expedido pela fonte pagadora; (iii) na ausência do comprovante de retenção, é possível a comprovação por meio de registros contábeis, desde que que acompanhados dos documentos que deram origem aos lançamentos neles consignados; (iv) os elementos de prova confeccionados unilateralmente pelo contribuinte (como notas fiscais) devem estar conciliados com documentos produzidos por terceiros (como extratos bancários, com evidenciação do recebimento dos valores líquidos). Não há nenhuma crítica a se fazer aos referidos entendimentos, posto que expressam com fidelidade o que contido na legislação e na jurisprudência administrativa. Neste sentido, cabe invocar, inicialmente, duas Súmulas do CARF que tratam da comprovação das retenções: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Cabe, ainda, transcrever o teor do art. 923 do RIR/99, de modo a não deixar dúvidas acerca da necessidade de que os registros contábeis sejam acompanhados de documentos hábeis para gozarem da força probatória que os caracteriza: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). (Destacou-se) Pois bem, no caso sob análise, a Recorrente apresentou, com a Manifestação de Inconformidade, a planilha juntada à fl. 185, porém desacompanhada de qualquer elemento de prova capaz de validar as alegações nela contidas. Com o Recurso Voluntário, a Recorrente junta diversos novos elementos de prova, em relação aos quais há alegações da existência de informações apresentadas pelas fontes pagadoras, por meio de DIRF, que validariam as retenções alegadas, bem como de comprovação destas, por meio de documentos fiscais, registros contábeis e extratos bancários, apesar da ausência de informações correspondentes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Fl. 2275DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 Passa-se à descrição das provas apresentadas, com a justifica que demanda a conversão do julgamento em diligência, a fim de que as alegações apresentadas sejam cotejadas com as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB e do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), inacessíveis aos conselheiros deste Colegiado: - Doc nº 02 – planilha “Base deferim parcial.xlsx” (fl. 1.052) – planilha contendo cinco linhas tratando de algumas das retenções não confirmadas no Acórdão recorrido, mas sem vinculação a qualquer elemento de prova hábil e idôneo a comprovar tais retenções; - Doc nº 03 – planilha “Demonstrativo IRPJ.xlsx” (fl. 1.053) – planilha contendo sete itens e oito subitens. Em relação ao item 1, há a alegação de que o montante de R$ 176,81 teria sido declarado pela fonte pagadora sob o código de receita 3280; Em relação ao subitem 2.1, há a alegação de que os montantes de R$ 54.132,08, R$ 579,86, teriam sido declarados pela fonte pagadora sob o código de receita 3426; os montantes de R$ 3.804,54, R$ 357,43 e 4.890,65 estariam declarados sob o código de receita 5944; e a retenção de R$ 970,40 teria sido declarada sob o código de receita 3426; Quanto ao subitem 2.2, há a alegação de que o montantes de R$ 255,27 estaria declarado sob o código de receita 5944; e o montante de R$ 377,59 estaria declarado sob o código de receita 5936; Quanto aos subitens 3.1 a 3.4, a Recorrente alega que os valores das retenções foram informados a menor pelas fontes pagadoras. Estaria apresentando boletos e extratos bancários que confirmariam os valores efetivamente retidos. Há necessidade de se cotejar os elementos apresentados com as informações constantes do SPED; Em relação aos subitens 4.1 e 4.2, a Recorrente alega que os valores das retenções não foram informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Estaria apresentando boletos e extratos bancários que confirmariam os valores efetivamente retidos. Há necessidade de se cotejar os elementos apresentados com as informações constantes do SPED; Em relação ao subitem 5, a Recorrente alega que a fonte pagadora retificou sua DIRF, de modo que as retenções alegadas estariam comprovadas; Quanto ao item 6, a Recorrente alega que a fonte pagadora informou as retenções em DIRF, mediante a utilização de códigos de receita divergentes; Finalmente, quanto ao item 7, lista retenções cujas diferenças não comprovadas são, individualmente, inferiores s R$ 10,00. - Doc nº 04 – Manual de consulta – notas que foram pagas através da modalidade de boleto bancário (fls. 1.054/1.056). Trata-se de roteiro para a consulta às informações correspondentes; Fl. 2276DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1302-001.079 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908090/2020-82 - Doc nº 05 – Manual de consulta – notas que foram pagas através da modalidade de deposito – extrato bancário (fls. 1.057/1.059). Trata-se de roteiro para a consulta às informações correspondentes - Doc nº 07 – planilha “suporte manual BANCOS EXTRATOS BASE.xslx” (fl. 1.060) e extratos bancários (fls. 1.061/2.261); - Doc nº 08 – comprovantes de pagamentos e Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF (fls. 2.262/2.269) A partir de todo o exposto, é necessária a conversão do julgamento em diligência, com a remessa dos autos à Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, para que a autoridade administrativa; 1. Manifeste-se, mediante consulta às informações prestadas pelas fontes pagadoras por meio de DIRF, acerca das divergências de códigos de receita e retificações de informações alegadas pela Recorrente, conforme itens 1, 2.1, 2.2, 5 e 6 da planilha “Demonstrativo IRPJ.xlsx”; 2. Manifeste-se, mediante consulta às informações constantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), a saber, Escrituração Contábil Digital (ECD), Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), acerca da existência das retenções e submissão das receitas correspondentes à tributação, conforme notas fiscais e registros contábeis apontados pela recorrente e extratos bancários apresentados; 3. À luz dos exames acima demandados, e das demais análises que entender cabíveis, inclusive por meio de intimação à Recorrente, para a apresentação de elementos adicionais que entender necessários, elabore relatório conclusivo acerca das retenções alegadas pela Recorrente e do saldo negativo de IRPJ tratado nos presentes autos; 4. Dê ciência do relatório acima referido à Recorrente, facultando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação a respeito do seu conteúdo, a qual deverá ser acompanhada das correspondentes provas hábeis e idôneas; 5. Apresentada ou não manifestação pela Recorrente, no referido prazo, devolva o presente processo, para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2277DF CARF MF Original
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