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Numero do processo: 17546.001177/2007-43
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/08/2002
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
INFORMAÇÕES INCORRETAS EM GFIP.
Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento
adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.137
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausente o Conselheiro Eduardo Oliveira justificadamente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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FATOS GERADORES. CONSTRUTORA E INCORPORAÇÃO COMODORO LTDA.. DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES INCORRETAS EM GFIP. Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausente o Conselheiro Eduardo Oliveira ,justificadamente, HELTøaWC TèS RAIA DE LIMA — Presidente ()Mar/loll CAROLINA SIL UEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Oseas Coimbra Júnior, 1 1 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo I Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), ; Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a empresa Construtora e IncOrporação Comodoro Ltda., em virtude de ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do !undo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP em desconformidade corn as fOrina1idades especificadas no Manual de Orientação, deixando de informar a ausência de fato 11.,111 gerador para a obra matricula CE! no 50.00184186-73, obra Rodoanel, infringindo o disposto 111 , no artigo 32, inciso IV, § 1° e 3°, da Lei n° 8.212/91, combinado corn o artigo 225, inciso IV, o ecreta' no 1048/99, na competência de agosto de 2002. (1 1 11 Em sede de impugnação (fls. 27/31), a ora Recorrente argüiu que, na competência de agosto de 2002, a mencionada obra já havia sido concluída, razão pela qual 1-.111 rrao l ensejou a ocorrência de fato gerador. Adicionalmente, apresentou a GFIP relativa competência de 0812002 com o código 906, consoante previsão do manual de orientação. 1 , (a) o Recorrente não declarou a existência da obra nos campos próprios conforme ,determinado no Manual da GFIP aprovado pela IN INSS/DC n°, 86/2003; (b) o fato de a obra estar concluida não restou comprovado nos autos, não se sustentando, portanto, a GFIP apresentada com o código 906; e (c) ainda que se considerasse o pedido de cancelamento da multa como 11 relevação, esta também não poderia ocorrer por não ter a Recorrente atendido aos requisitos necessários, quais sejam, a primariedade e a correção da WM. Contra essa decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário (fls.. 44), confirmando a informação trazida pela Fiscalização de que a GFIP não teria sido entregue de acordo com as normas previdencidrias, esclarecendo, contudo, que o equivoco na elaboração terra ocorrido por culpa exclusiva do profissional responsável. Por fim, requereu a empresa a Orientação Ido Fisco sobre a forma correta de cumprimento da referida obrigação acessória. , Em razão da revogação, pelo art. 19 da Medida Provisória n° 413, de 93/01/2008, da norma insculpida nos §§ 1° e 2' do art. 126 da Lei n° 8.213/91, o Recurso VoluntúriO foi interposto sem a realização de deposito recursal. É o relatório. to Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, e atora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de razão pela qual, passo a analisá-lo. Apenas a titulo de esclarecimento, a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de deposito tiréViO, no l valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do récurso voluntário, deu ensejo à edição da Simula Vinculante nu 21, DOU de 10/11/2009. Quando do julgamento da impugnação, afirmou o i. Auditor Fiscal que: 2 Processo n° 17546 00117712007-43 S2-T £03 Acórdfio ti ° 2803-00.137 Fl 2 I Inicialmente, cumpre ressaltar que não há qualquer discussão nos autos acerca da infração que deu ensejo à lavratura do presente auto de infração, qual seja, o Preenchimento da GFIP com dados incorretos, inexatos ou omissos, especificamente no que diz respeito à ausência de fato gerador para a obra de construção civil, matricula CET n° 50.003,84186-73. A própria Recorrente afirma, em suas razões recursais, que "posa ter havido um equivoco na elaboração pelo profissional responsável, contudo sent anuência da mesma". Nestes termos, não há dúvidas de que a hipótese prevista no art. 32, IV, §§ I° a 3 0, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, se verificou. A esse "Art. 32. A empresa é também obrigada IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos .fatos geradm es de contribuição prevideneiciria e outras infOrmações de interesse do INSS; § I" O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formaliza cão ou de dispensa de apresentação do document() a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicos. § 2"As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciários. § 3 0 0 regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do d0C11111e171`0 previsto 110 inciso IV" Na decisão proferida pela Delegacia da Receita de Julgamento de Campinas, restou claramente demonstrado que, ao não informar a existência da obra de construção civil, , matrícula CEI n° 50,003.84186-73, a empresa praticou infração A legislação previdencidria, 'incorrendo em descumprimento de obrigação acessória. JA no que diz respeito à suposta .correção da irregularidade apontada, pela apresentação de nova GF1P para a competência de 98/2002, desta vez com a informação do código 906, esclareceu a autoridade coatora que a situação de término da referida obra de construção civil não foi comprovada nos autos. Veja- l e: "Conforme relatado pela fiscalização o contribuinte não informou a ausência de fatos geradores para a obra de construção civil matricula CEI 50.003.84186-73, na competência 08/2002, sendo que em sua peça de defesa junta guia GFIP e informando que a obra já havia sido concluida não havendo fato gerador. respeito, vale conferir o disposto no referido normativo: 3 1 Verifica-se da GFIP juntada as lis. 27/30 que o contribuinte não declarou a existência da obra acima referida, nos campos próprios conforme I determinado no Manual da GFIP 6.0, aprovado pela IN INSS/DC n° 86, de ! 05/02/2003, versão utilizada pelo contribuinte, não corrigindo a falta para fazer jus a atenuação da 'India (- ) Ademais, o fato de a obra estar conchdda não restou comprovado nos autos, prescrevendo o referido manual que em caso de obra não devidamente encerrada esta deverá ser informada em GFIP com código 906, confira-se..Inexistindo recolhimento ao FGTS e informações à Previdência O empregador/contribuinte deve emitir uma GFIP com dados cadastrais, no código de recolhimento 906 dispensando-se a entrega da GFIP referente cis competências subseqüentes até a ocorrência de fatos determinantes de recolhimento ao FGTS elou fato gerador de contribuição previdenciária, Devem apresenta?. GFIP com Código de recolhimento 906: ) todas as empresas cujos números de inscrição (CNPJ e CEI) não estejam devidamente encerrados junto ao MSS, Como por exempla, .firma obras de construção - pessoa fisica ou jurídica, produtor rural ou contribuinte individual coin segurados que lhe tenham prestado serviço, caso estejam com suas atividades paralisadas;" Poi; fim, com relação à possibilidade de relevação ou atenuação da multa aplrcada, insta ressaltar que também nesse ponto a decisão proferida pela DRJ se mostra irretocável. r Consoante autorizado pelo art. 291, § 1°, do Regulamento da Previdência SOcial, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99, são requisitos para a atenuação ou relevação da irril 4d') '( a correção da falta ate a decisão de primeira instância; (ii) a solicitação de relevação 1, 11 1 11 ainda ! no 'prazo de defesa; (iii) ser o infrator primário; e, por fim, (iv) não ter ocorrido !! ci cunstfinCia agravante. E o que dispõe o referido artigo: !! ,! "Art 291. Constitui circanskincia atenuante da penalidade aplicada ter o inflator cotrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente I" A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de (Wesel, ainda que não contestada a infração, se o Mfiator for primário, liver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante." Com relação à situação de primariedade, restou constatado nos autos que já ' haviam sido lavrados contra o contribuinte autos de infração, com decisões desfavoráveis já ! trans! Itadas em julgado en-r março e setembro de 2002. ! ! .! Nos termos da disposição contida no parágrafo único do art 290 do ! 'Re ulamento da Previdência Social, na redação vigente a época, e repetida pelo art. 655 da irOrUiçãO 1 Normativa SRP n° 03/2005, reincidência seria "a prática de nova infração a Clis lIositio da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor; dentro de cinco anos da 1,t 4 I I ' ! Processo n" 17546001177/2007-43 S2-TE03 Acórdtio n 2803-00.137 Fl 3 data em que houver passado em julgamento administrativo a decis-ão condenatória ou homolocatória da extinção do crédito referente à n?fração anterior", A diferenciação entre reincidência especifica e a reincidência genérica é feita pelo § 3° do mesmo art. 655, nos seguintes termos: "§ 3" Reincidência especifica é a prática de nova infração ao mesmo dispositivo legal e reincidência genérica, a prática de nova infração de natureza diversa." ,¡ 11 Como se vê, incone em reincidência o contribuinte que pratica nova infração dispositivo da legislação, dentro de cinco anos da data em que houver o trânsito em julgado da decisão administrativa condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente infração anterior. Para a configuração da circunstância agravante, é irrelevante o fato de se tratar de reincidência especifica ou genérica. Ademais, no que diz respeito a necessidade de correção da falta, já I' reconheceu a autoridade julgadora que a apresentação da GFIP corn o código 906, sem a , comprovação inequívoca de término da obra de construção civil, não implica na regularização da infração praticada. Diante do exposto, conclui-se que a decisão de primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária de Campinas/SP, está em perfeita harmonia com a legislação vigente à época. Todavia, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a redação do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 foi substancialmente alterada, tendo sido revogados os §§ 1° e 3° do mencionado dispositivo legal. A nova redação do referido dispositivo legal ficou assim redigida: "Art 32. A empresa é também obrigada a' IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por e.sses órgãos, dados relacionados a ,fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Cutador do FGTS, (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) § I" (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) § 2"A declaração de que trata o inciso 11/ do copra deste ar tigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas infarmações comporão a base de dados para ,fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciórios (Redação dada pela Lei n" I I 941, c/c 2009) § 3" (Revogado). (Redação dada pela Lei n°11.94/, de 2009)" II . 11 A multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, W i lda Lei n° 8.212/91 passou a ser regulamentada pelo disposto no art. 32-A, incluído pela Lei 1111,941/2009. Veja o que dispõe a novel legislação: '1 I I ' "Att. 32-A. 0 conti ibuinte que deixar de apresentar a dechtragdo de que trata o inciso IV do caput do art 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar CO171 incorreções ou onlissdes será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á ós seguintes multas . (Incluído pela Lei n" /1 941, de 2009) I — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada gtapo de 10 (dez) infigmações incorretas ou omitidas; e (Incluido pela Lei n" 11 941, de 2009) 11 — de 2% (dois por cento) ao ids -calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte par- cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Inatilda pela Lei n" II 941, de 2009) § 1° Para efeito de aplicação da ¡indi(t prevista no inciso II do caput deste rfigo, será considerado como Wino inicial o dia seguinte ao termino do prazo fixado para entrega da declaração e cimio felino final a data da *.tiva entrega au, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de igfiação ou da notificação de lançamento. (Incluido pela Lei 11 0 11.94), de 2009). § 2° Observado o disposto no § 3" deste al figo, as multas serão ;eduzidas (Incluido pela Lei n°11,941, de 2009). 1— à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio,. ou (Incluído pela Lei n°11 941, de 2009). 11 — a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentaçâo da declaração no prazo fixado em intimação, (Incluido pela Lei n" /1.941, de 2009). §' 3° A multa minima a ser aplicada será de - ('Incluído pela Lei n" I 1.94), de 2009) I — R$ 200,00 (duzentos teats), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradoi -es de contribuição previdenciória, e (Matilda. pela Lei n" 11 941, de 2009), II — R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Inchado pela Lei n" 11.941, de 2009)." Como se depreende das disposições legais acima colacionadas, o novo amento trazido pela Lei n° 11.941/2009 contém penalidades mais benéficas aos tribuintes. Por essa razão, e considerando a retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, 10 Código Tributário Nacional, resta claro que a penalidade imposta pela autoridade fiscal 'nos presentes autos deve ser adequada ao que estabelece a novel legislação de regência. E o 'qu dispõe o referido artigo: ' "Amt 106 A lei aplica-se a ato oit . firto pretérito: 6 Processo n" 17546.001177/2007-43 S2-TE,03 11.4 Acórao n 2803-00.137 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado. c) quando The comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Esse é inclusive o posicionamento que tern sido adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para casos análogos ao presente: "NORMAS PROCESSUAIS - RETROATIVIDADE BENÉFICA DE LEI. A multa de oficio deve ser reduzida, de oficio, quando Lei posterior trouxer percentual mais favorável ao sujeito passivo. Recurso Especial provido em parte." (Acárdcio n" • CSRF/02-02.082, Processo )7 0. 10880.016118/94-44, Recta so n°: 201-101662, Relator': Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES) "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES 1MOBILIÃRIAS RETROATIV1DADE BENIGNA LEI N" 10.865, DE 2004 - Aplica-se o novo diploma legal que confine penalidade ao sujeito passivo da obtigação tributária menos gravosa ou severa que a prevista em lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou .fato pretérito lido foi definitivamente julgado, "ex-vi" do disposto no Art 106, inciso II, letra "c" da Lei n.° 5.172, de 25.10 1996 - Código Tributário Nacional." (ACÓRDÃO CSRF/04-00.246, Recurs() n° 104- 131127, Processo n'.. 10980.006526/2001-50, Relator. Conselheiro JOSE RIBAMAR BARROS PENHA) Em sendo assim, a multa imposta nos presentes autos deve ser mantida 'integralmente, CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo interessado, reconhecendo, de oficio, a aplicação do novo regramento previsto ;no art, .32-A da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por lbrça da retroatividade benigna prevista pelo art, 106, II, c, do Código Tributário Nacional, desde que Verificada penalidade mais favorável ao contribuinte.. 0;',/..0(Atiiatet:/(Aait,c,t,d4; CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE. - Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000158/2001-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
Ementa: Processo administrativo fiscal. Inauguração do litígio.
Impugnação apresentada a destempo é imprestável para inaugurar a fase litigiosa do procedimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 303-34.780
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 10882.902784/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Não há óbices na legislação para que o contribuinte promova a retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório que não reconhece o seu direito creditório. Cabe às instâncias de julgamento verificarem o direito creditório com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, podendo, inclusive, determinar a realização de diligência.
Sendo indeferida a Manifestação de Inconformidade com a premissa de que não seria possível retificar a DCTF após a emissão do despacho decisório, devem os autos retornarem à Delegacia de Julgamento para que esta promova a análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1302-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (relator), que propôs a realização de diligência. Designado o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio Relator
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Não há óbices na legislação para que o contribuinte promova a retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório que não reconhece o seu direito creditório. Cabe às instâncias de julgamento verificarem o direito creditório com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, podendo, inclusive, determinar a realização de diligência. Sendo indeferida a Manifestação de Inconformidade com a premissa de que não seria possível retificar a DCTF após a emissão do despacho decisório, devem os autos retornarem à Delegacia de Julgamento para que esta promova a análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (relator), que propôs a realização de diligência. Designado o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio – Relator (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 27 84 /2 00 8- 43 Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por SPAAL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante da não homologação, pela DRF/Osasco-SP, da compensação de crédito de pagamento indevido da estimativa de CSLL de junho de 2004 com débitos da própria contribuinte. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata-se de Declaração de Compensação – DCOMP (fls. 19/24, por meio da qual se compensou crédito de CSLL – estimava (cód. 2486) com débito de responsabilidade da interessada. O crédito inicial informado, no valor de R$ 1.691,26, seria decorrente de pagamento a maior do período encerrado em 30.06.2004. 2. A partir do Darf informado no PER/DCOMP, a Delegacia de origem localizou o pagamento no valor original de R$ 35.886,33, o qual entretanto fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo por que não se homologou a compensação (Despacho Decisório da fl. 2). 3. Apresentou-se manifestação de inconformidade (fls. 4 e 5), contrapondo-se, em síntese, teria havido erro quando ao débito informado na DCTF relativa ao período em questão: em vez de R$ 35.886,33, o valor correto seria R$ 34.195,07, como apurado na DIPJ do ano-calendário de 2004 (fl. 28). De modo que “a diferença entre o valor devido e o recolhido foi de R$ 1.691,26, valor este que corrigido pela SELIC, resultou em compensação de R$ 1.771,59, constante do referido PER/DCOMP.” A DRJ/Recife proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez do crédito são requisitos imprescindíveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologa a compensação quando se constata o recolhimento indicado como fonte de crédito fora integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cumpre esclarecer que a instância a quo fundamentou a sua decisão no fato de que a retificação de DCTF noticiada na manifestação de inconformidade deveria ter sido pleiteada antes do despacho decisório. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, junta extratos de balancetes contábeis e demonstrativo de apuração da estimativa de junho de 2004 que julga serem suficientes para comprovar a apuração do débito informado na declaração retificadora. Tece, também, considerações acerca da verdade material. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, a DRJ entendeu que a DCTF retificadora (apresentada após a ciência do despacho decisório), reduzindo o débito de estimativa originalmente apurado no período, não poderia ser aceita por ser apresentada depois do despacho decisório. No recurso voluntário, a empresa discorda desse entendimento e junta extratos de balancetes contábeis e demonstrativo de apuração da estimativa de junho de 2004 (fls. 69 a 98) que julga serem suficientes para comprovar a apuração do débito informado na declaração retificadora. Quanto ao fato de esses documentos só terem sido trazidos aos autos em sede de recurso, há que se lembrar a regra veiculada no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF) acerca da preclusão do direito do contribuinte apresentar prova documental após a impugnação: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Nada obstante, boa parte da jurisprudência atual do CARF, em homenagem ao princípio da verdade material, vem temperando a possibilidade de apresentação de novos elementos de prova após a impugnação ou, mesmo, o recurso. Particularmente, penso que esse “tempero” não pode extrapolar o sentido da própria norma. Explico. É que para a criação de uma regra, como a estabelecida pelo referido § 4º do artigo 16 do PAF, o legislador já sopesou os princípios e interesses coletivos normalmente relevantes para a maioria dos casos concretos que sobrevirão aos seus futuros aplicadores. Eventual superação da regra, sob a influência de princípios que pareçam acentuadamente ofendidos em determinados casos concretos, como pode ocorrer com a verdade material, só há Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 de ser feita em especialíssimas situações, e, mesmo assim, pela autoridade judiciária (Cf. Ricardo Marozzi Gregorio, Preços de Transferência – Arm’s Length e Praticabilidade – São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 204). Sem embargo, muitas vezes, os elementos juntados após a impugnação revestem- se de características que permitem enquadrá-los na própria regra veiculada no § 4º do artigo 16. Isso porque as três alíneas que enumeram situações excludentes do dispositivo legal preveem conceitos abertos ou indeterminados que podem e devem ser objeto de interpretação pelo aplicador da lei. É o que ocorre com os conceitos de “força maior”, “fato ou direito superveniente” e “fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos”. No presente caso, há fatos/razões trazidas aos autos pela própria DRJ quando esta fundamenta sua decisão no argumento de que a retificação de DCTF noticiada na manifestação de inconformidade deveria ter sido pleiteada antes do despacho decisório. Daí, o cabimento dos novos elementos trazidos aos autos. Trata-se, em verdade, do chamado "diálogo das provas" corriqueiramente suscitado neste Colegiado. Quanto à apresentação da retificadora após a ciência do despacho decisório, esta turma já possui entendimento consolidado no sentido de que, para fins de corroborar o pedido de compensação, é possível a retificação da DCTF depois de formalizado o pleito, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Confira-se: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT N.2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. De acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PERDCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. (Acórdão nº 1302-002.082, Sessão de 23 de março de 2017, relator Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) Ademais, esta Casa já consolidou o entendimento segundo o qual é possível a caracterização de indébito para fins de restituição ou compensação na data do recolhimento de estimativa. Confira-se: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Todavia, apesar de induzirem a verossimilhança das alegações, os documentos ora juntados não permitem uma análise conclusiva nesta instância de julgamento sem uma adequada Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 confrontação com outros dados que possam estar disponíveis nos sistemas de informações da Receita Federal, bem como que possam ser solicitados via intimação à própria interessada. Por exemplo, não se tem certeza quanto ao valor da receita utilizado como base de cálculo para a estimativa, para comparar com o demonstrativo apresentado (fls. 98), porque a cópia da DIPJ juntada com a manifestação de inconformidade está incompleta (fls. 24 e 25). Não se identifica também o valor da estimativa da CSLL apurada para o mês em questão nos extratos de balancetes contábeis juntados com o recurso (fls. 70 a 96). A necessidade de a unidade de origem examinar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito é considerada fundamental para a sua segurança, conforme prudentemente atestado no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, a menos que o órgão julgador seja capaz de verificar a sua efetiva disponibilidade (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que o originaram se coadunam com o disposto nos sistemas da Receita Federal. Veja-se: 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornou-se disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Note-se que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. (grifei) Ora, se a Cosit entende que a própria DRJ não possui acesso aos dados disponíveis nos sistemas de informações da Receita Federal que sejam suficientes para decidir sobre a segurança do crédito, muito menos possuem as turmas julgadoras do CARF. É, de fato, extremamente temerário que se prossiga com a análise do direito creditório a partir de cópias e extratos de documentos cuja fidedignidade das informações neles contidas sequer podem ser validadas. Depois de algumas idas e vindas da minha opinião pessoal, a fim de tentar amoldá-la ao entendimento majoritário desta turma sobre a forma de encaminhamento dos diversos casos em que é necessária a sequência da análise pela unidade de origem, por não chegar a um bom termo que pudesse considerar logicamente coerente, resolvi retornar ao posicionamento que havia sedimentado quando compus outros colegiados no exercício de mandatos anteriores nesta Casa, qual seja, propor que esses tipos de análise sejam concluídas mediante diligência. Destarte, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 a) Verifique a efetiva disponibilidade dos créditos pleiteados (se não foram alocados em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que os originaram se coadunam com o disposto nos sistemas de informações da Receita Federal; b) Valide os elementos juntados com o recurso, notadamente os extratos de registros contábeis e declarações, a partir de dados consolidados contidos naqueles mesmos sistemas de informações; c) Confirme, na DIPJ ativa, se o valor da receita utilizado como base de cálculo para a estimativa é compatível com aquela informada no demonstrativo apresentado com o recurso (fls. 98); d) Confirme, na contabilidade da empresa, o valor da estimativa da CSLL apurada para o mês em questão; e) Intime, se necessário, o contribuinte a apresentar outros elementos que entender pertinentes; e f) Elabore um relatório conclusivo sobre as apurações realizadas a fim de consolidar os créditos passíveis de reconhecimento, dando-lhe ciência ao contribuinte para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Voto Vencedor Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Redator designado Em que pese a dificuldade de divergir dos entendimentos sempre muito bem fundamentados do ilustre conselheiro Relator, Ricardo Marozzi Gregório, no presente caso, a maioria do colegiado entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem, para que esta instância de julgamento, superando a possibilidade de a DCTF ser retificada após a emissão do despacho decisório, promova a análise do direito creditório do contribuinte. Assim, coube a mim a elaboração do voto vencedor. É que se passa a fazer. Como demonstrado no relatório acima, o direito creditório invocado pelo Recorrente no pedido de compensação não foi reconhecido, uma vez que não promoveu a retificação de sua DCTF antes da emissão do despacho decisório. Assim, sendo intimado da decisão que não homologou a compensação, o Recorrente promoveu os ajustes em sua declaração e apresentou documentos para comprovar o Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 seu direito creditório, juntando-os aos autos com a Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, com o Recurso Voluntário. Contudo, partindo da premissa de que “a retificação de DCTF deve ser pleiteada antes do decisório, pois a disponibilidade do crédito suplicado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade administrativa”, a DRJ de Recife entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. Este julgador, como já externando em diversos acórdãos, tem o entendimento de que o processo administrativo fiscal é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifou-se). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. - São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confira-se: IRPJ - PREJUÍZO FISCAL - IRRF - RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ - PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL - Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 - Câmara: Quinta Câmara - Número do Processo: 13877.000442/2002-69 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 - Primeira Câmara - Número do Processo:10768.100409/2003-68 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 - Acórdão 101- 96829). Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.902784/2008-43 Inclusive, nos termos do Parecer Normativa COSIT nº 02/2015, citado alhures pelo ilustre relator, na busca pela verdade material, pode, o julgador, determinar a realização de diligência “nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Note-se que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB”. Contudo, no presente caso, a instância de julgamento a quo, partindo de uma premissa equivocada, no sentido de não ser possível a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, sequer analisou o direito creditório do contribuinte. Desta feita, para que não haja supressão de instância de julgamento, se faz necessário o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que esta, com entendimento de que é possível a retificação da DCTF após o despacho decisório, analise o direito creditório do contribuinte, podendo, inclusive, caso entenda necessário, determinar a realização de diligência, nos termos autorizados pelo artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Por todo o exposto, VOTA-SE por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando-se o retorno dos autos à instância de julgamento a quo, para que esta analise o direito creditório invocado no pedido de compensação ora em análise. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10768.011584/2001-10
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações. Alcance.
Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996.Vedação. Atividade de Designer gráfico. Inexistência
A atividade de designer gráfico não faz parte do rol de
empreendimentos expressamente proibidos de optar pelo Regime,
não se assemelha aos mesmos, nem exige a participação de
profissional legalmente habilitado.
Caracterização da Vedação.
0 art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 institui vedação à adesão ao Simples em razão da atividade efetivamente exercida. A
exclusiva alusão A atividade impeditiva no contrato social, sem
que do processo conste qualquer elemento capaz de demonstrar a
sua efetiva realização não e motivo suficiente para o
indeferimento do pleito de inclusão, especialmente quando o
interessado faz juntar ao processo documentos que afastariam
esses impedimentos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.147
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações. Alcance. Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996.Vedação. Atividade de Designer gráfico. Inexistência A atividade de designer gráfico não faz parte do rol de empreendimentos expressamente proibidos de optar pelo Regime, não se assemelha aos mesmos, nem exige a participação de profissional legalmente habilitado. Caracterização da Vedação. 0 art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 institui vedação à adesão ao Simples em razão da atividade efetivamente exercida. A exclusiva alusão A atividade impeditiva no contrato social, sem que do processo conste qualquer elemento capaz de demonstrar a sua efetiva realização não e motivo suficiente para o indeferimento do pleito de inclusão, especialmente quando o interessado faz juntar ao processo documentos que afastariam esses impedimentos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 Direito Intertemporal. Mudança do Regime de Vedações. Alcance. Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n° 9.317, de 1996.Vedação. Atividade de Designer gráfico. Inexistência A atividade de designer gráfico não faz parte do rol de empreendimentos expressamente proibidos de optar pelo Regime, não se assemelha aos mesmos, nem exige a participação de profissional legalmente habilitado. Caracterização da Vedação. 0 art. 90, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 institui vedação A adesão ao Simples em razão da atividade efetivamente exercida. A exclusiva alusão A atividade impeditiva no contrato social, sem que do processo conste qualquer elemento capaz de demonstrar a sua efetiva realização não e motivo suficiente para o indeferimento do pleito de inclusão, especialmente quando o interessado faz juntar ao processo documentos que afastariam esses impedimentos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos dy voto do relator. / 1 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CC03/CO3 Fls. 100 ANELISE DAUF PRIETO Presidente LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Celso Lopes Pereira Neto. Ausente o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Ausente justificadamente o Conselheiro Tardsio Campelo Borges. • 2 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CCO3 CO3 Fls. 101 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Em petição datada de 24.09.2001 (f1.1), o interessado disse que se surpreendera ao ver que, embora tendo requerido e cadastrado a empresa como microempresa no CNPJ, e "tendo feito a entrega do IRPJ e de todos os recolhimentos dos tributos no regime simplificado", não constava enquadrado como optante pelo Simples, como julgara que estivesse, desde a sua constituição como microempresa em 16.10.2000. 2.Pediu que, "já que não houve má-fé e sim uma desinformação na obrigatoriedade de ser usado o código de optante pelo Simples na inscrição do CNPJ, além do cadastro como microempresa", que "a empresa seja considerada como optante pelo Simples desde a sua constituição". 3.Seguiu-se, em 19.11.2002, com fulcro no art. 9", inciso XIII, da Lei II' 9.317, de 1996, a manifestação da autoridade lançadora, que negou a inclusão do interessado no Simples, em razão do exercício de atividade econômica proibida a esta sistemática (fls. 42 - verso), abrindo-lhe prazo de 30 (tlima) dias para recorrer de tal decisão ao Delegado de Julgamento. 4.Agora, irresignado, o interessado diz (AK 44) que a sua atividade é de composição de matrizes para impressão gráfica, cujos serviços não precisam de profissional coin habilitação legalmente exigida e que podem ser efetuados no computador por qualquer pessoa "com cursinho de informática", e que "a empresa foi montada porque ninguém dá crédito a pessoa física autônoma.". 5.Pede seja atendido o seu pedido. Ponderando os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, decidiu o órgão julgador de P instância por, nos termos do voto do relator, deferir parcialmente o pedido de inclusão, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: SIMPLES. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE ECONÔMICA. ASSESSORIA E CONSULTORIA. PRODUÇÕES CULTURAIS E ARTÍSTICAS. DESENHO GRÁFICO DE PRODUTO. VEDAÇÃO. 3 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CC03/CO3 Fls. 102 A pessoa jurídica que presta serviços profissionais próprios de profissão regulamentada está impedida de optar ou permanecer no Simples. EFEITOS DA EXCLUS:4 -0. Operam-se a partir de 01.01.2002 os efeitos da exclusão do Simples efetuada no ano de 2002 e seguintes, das pessoas jurídicas que optaram por esta sistemática até 27 de julho de 2001, se a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001. Solicitação Deferida em Parte Mantendo sua irresignação, comparece a recorrente aos autos para, em sede de Recurso Voluntário, sinteticamente, reiterar suas razões de inconformidade e pugnar pela reforma da decisão de l a instância. Visando a coleta de documentos que elucidassem a verdadeira atividade desempenhada pela recorrente, que, por ocasião da sua manifestação de inconfonnidade, juntara apenas 3 notas fiscais aos autos, converteu-se o julgamento do presente processo em diligência, a ser executada pela autoridade preparadora de sua jurisdição, com intuito de delimitar o universo de atividades efetivamente exercidas. Como resultado desse procedimento de complementação da instrução processual, juntou-se aos autos as cópias de notas fiscais de fls. 81 a 97, que ratificariam a alegação da recorrente de que sempre se limitara a realizar trabalho de designer gráfico. Não foi apresentado comentário a esse ou qualquer outro aspecto por parte da autoridade fiscal designada. É o Relatório. 6-4?" • 4 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CC03/CO3 Fls. 103 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O litígio trazido a exame por este colegiado cinge-se à possibilidade de pessoas jurídicas que exercem as atividades empresariais da recorrente aderirem ao SIMPLES. Segundo o seu contrato social, os objetivos da recorrente seriam: "...prestações de serviços de projetos, assessoria e consultoria, de design gráfico e de produto, para empresas ou outros, sendo design tudo o que se refira à criação de produtos ou mensagens visitais, passíveis de seriação ou industrialização; Edição e Projetos de Livros e Peps Gráficas; Produções Artísticas e Culturais; Edições de Obras Musicais e Técnicas..." Tal descrição, no sentir das autoridades julgadoras a quo seria suficiente para afastar o deferimento do pedido de inclusão. Concluiu a i. Relatora no correspondente voto condutor: a) a atividade de produção artística e cultural encontrar-se-ia expressamente vedada pelo mesmo art. 9°, XIII; b) a atividade que a recorrente admitiu desempenhar, assemelhar-se-iam àquelas desempenhadas por arquitetos, desenhistas, publicitários, expressamente citadas no inciso XIII do artigo 9° da citada Lei n°9.317, de 1996; Peço licença para discordar. Por uma questão de clareza, analiso cada um desses itens separadamente. 1- Atividade de Produção de Espetáculos Efetivamente, no regime instituído pela Lei n° 9.317, a prestação de serviço de produtos de espetáculos impedia a adesão da pessoa jurídica à sistemática do Simples. Penso, entretanto, que, no caso concreto, não há justo motivo para a denegação enfrentada em sede de recurso. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que, malgrado a importância do contrato social, o art. 9° da lei n° 9.317, de 1996, ao elencar as condições impeditivas, não impõe restrições à intenção de realizar determinada atividade. Tais impedimentos são definidos de acordo com a atividade efetivamente executada. Sendo vejamos: Art. 9 0 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CC03/CO3 Fls. 104 "XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. (grifei)" Nesse aspecto, compulsando os autos, não se localiza elemento que demonstre que a recorrente efetivamente se dedica a alguma atividade diferente do desenho (ou design) gráfico. Ou seja, não vejo como impedir a fruição do regime tributário diferenciado em razão da previsão da realização de deter -ninada atividade que não se demonstra realizada. Em segundo, em respeito à regra de direito intertemporal estabelecida no art. 18 da Resolução CGSN no 04, de 30 de maio de 2007, o regime de impedimentos da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, deve ser considerado quando da aplicação da Lei n°9317, de 1996 a processos pendentes de julgamento. Diz o art. 18: Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. § 12 Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideram-se regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei 112 9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. (os destaques não constam do original) A meu ver, portanto, a norma acima transcrita, definiu como regularmente optantes a pessoa jurídica que, outrora excluída do regime da Lei n° 9.317, de 1996, passou a ser tratada como não impedida pelo regime da Lei Complementar n° 123, de 2006, desde que a exclusão não se encontrasse definitivamente julgada na esfera administrativa ou judicial. Impende esclarecer, finalmente, que a atividade de produtor foi expressamente incluída dentre aquelas em que é possível aderir à nova sistemática. Veja-se o que diz o art. 12 da mesma resolução CGSN n° 04: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: Processo n°10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CCOIC03 Fls. 105 § 32 As vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente ús atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput: XVII —produção cultural e artística; 2- Equiparação à Atividades Impedidas Veja-se a descrição das atividades próprias do desenhista ou programador visual gráfico, segundo o Código Brasileiro de Ocupações, aprovado pela Portaria MTE n° 397, de 09 de outubro de 2002 1 : 7661:: Trabalhadores da pré-impressão gráfica 7661-55 - Programador visual gráfico Descrição sunzária Planejam serviços de pré-impressão gráfica. Realizam programação visual gráfica e editoram textos e imagens. Operam processos de tratamento de imagem, montam fotolitos e imposição eletrônica. Operam sistemas de prova e copiam chapas. Gravam matrizes para rotogravura, flexografia, cakografia e serigrafia. Trabalham seguindo normas de segurança, higiene, qualidade e preservação ambiental. (...) Formação e experiência Para o exercício dessas ocupações requer-se ensino médio concluído e curso de qualificação profissional de duzentas a quatrocentas horas- aula, ministrado por instituições ou escolas especializadas na área. 0 pleno desempenho das atividades ocorre até um ano de experiência profissional. (grifei) 2.1 - Publicitário Impende reforçar que a atividade design gráfico igualmente não se confunde com a de publicitário, que regra geral, é o contratante desse serviço. Veja-se a descrição das atividades de publicitário, segundo a mesma CBO: 2531 :: Profissionais de relações públicas, publicidade, nzercado e negócios 2531-05 - Relações públicas - Agente de relações públicas, Assessor de relações públicas, Assistente de relações públicas, Auxiliar de relações públicas, Auxiliar de serviço de relações públicas, Especialista de 1 http://www.mtecbo.gov.br/ 7 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CC03, CO3 Fls. 106 comunicações em relações públicas, Ombudsman, Ouvidor, Técnico em comunicação (relações públicas) 2531-10 - Redator de publicidade - Criador de comerciais, Criador de propaganda, Criador de publicidade, Publicitário de redação, tradução e revisão, Redator de comunicação, Redator de promoção, Redator de propaganda 2531-15 - Agente publicitário - Agente de publicidade, Agente em RTV (rádio e televisão), Assistente de publicidade, Atendente de conta (agente publicitário), Comunicador visual, Especialista em propaganda, Operador de promoção (publicidade), Profissional de atendimento (agente publicitário), Publicista, Publicitário 2531-20 - Analista de negócios - Analista de comercialização, Analista de comercialização de midia, Analista de serviço de vendas, Planejador de mídia 2531-25 - Analista de pesquisa de mercado - Analista de estudos de mercado, Analista de informações de mercado, Analista de inteligência de mercado, Analista de marketing, Assistente de gerente de pesquisa de mercado Descrição sumária Estruturam estratégias de projeto; pesquisam o quadro econômico, politico, social e cultural; analisam mercado; desenvolvem propaganda e promoções; implantam ações de relações públicas e assessoria de imprensa; vendem produtos, serviços e conceitos. No desenvolvimento das atividades é mobilizado um conjunto de capacidades comunicativas. Formação e experiência Para o exercício dessas ocupações requer-se curso superior ou pós- graduação em Relações públicas e áreas correlatas. 0 pleno exercício das atividades ocorre após um ou dois anos de experiência. É deejavel o domínio de línguas estrangeiras. 2.2 . Desenhista ou Arquiteto Outra atividade prevista no Contrato Social que, no sentir das autoridades, impediria o deferimento do pleito, seria a de desenhista de produto, que foi equiparada à de arquiteto. Apesar da semelhança das habilidades exigidas, as mesmas não se confundem. Veja o que diz o Código Brasileiro de Ocupações, aprovado pela Portaria MTE n° 397, de 09 de outubro de 20022 : 2624-10 - Desenhista industrial (designer) - Desenhista produto gráfico (embalagem), Desenhista de páginas da Internet (web designer), Desenhista de produto (agroindústria), Desenhista de produto (aparelhos e equipamentos hospitalares), Desenhista de produto 2 http://v.ww.mtecbo.gov.br/ Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 (aparelhos e equipamentos para deficientes), Desenhista de produto (artigos esportivos), Desenhista de produto (brinquedos), Desenhista de produto (construção civil), Desenhista de produto (embalagem), Desenhista de produto (higiene pessoal), Desenhista de produto (iluminação), Desenhista de produto (indústria farmacêutica), Desenhista de produto (jóias e bijuterias), Desenhista de produto (máquinas e equipamentos), Desenhista de produto (material promocional), Desenhista de produto (mobiliário), Desenhista de produto (objetos para escritório), Desenhista de produto (transporte), Desenhista de produto (utilidades domésticas), Desenhista de produto de moda, Desenhista de produto gráfico (design editorial), Desenhista de produto gráfico (design promocional), Desenhista de produto gráfico (identidade visual), Desenhista de produto gráfico (papelaria), Desenhista de produto gráfico (sinalização gráfica ambiental) Descrição sumária Criam e executam obras de arte ou a aplicam as artes visuais associadas ao conhecimento tecnológico para conceber a forma e a funcionalidade de produtos e seiTiços; pesquisam temas, elaboram propostas, realizam pesquisas e divulgam os produtos e as obras concebidas. Formação e experiência A formação requerida para os Desenhistas industriais, também conhecidos como desenhistas de produtos ou designers, é o curso superior completo na área. Há também profissionais de notório sabei-. No caso dos Artistas visuais, a escolaridade não é requisito imprescindível. Registra-se tendência de profissionalização na área das artes, sendo desejável qualificacdo formal ou informal. 0 desempenho pleno das atividades, em ambas as ocupações, ocorre com cinco anos de experiência profissional. 2141 :: Arquitetos e Urbanistas 2141-05 - Arquiteto de edificações - Engenheiro arquiteto, Projetista (arquiteto) 2141-10 - Arquiteto de interiores 2141-15 - Arquiteto de patrimônio - Arquiteto de restauro, Arquiteto restaurador, Conservador de edificações, Restaurador de edificações 2141-20 - Arquiteto paisagista - Arquiteto da paisagem, Paisagista 2141-25 - Arquiteto urbanista - Planejador urbano 2141-30 - Urbanista Descrição sumária Elaboram planos e projetos associados à arquitetura em todas as suas etapas, definindo materiais, acabamentos, técnicas, metodologias, analisando dados e informações. Fiscalizam e executanz obras e CC03, CO3 Fls. 107 Processo n° 10768.011584/2001-10 Acórdão n.° 303-35.147 CCO3 'CO3 Fls. 108 serviços, desenvolvem z estudos de viabilidade financeira, econômica, ambiental. Podem prestar serviços de consultoria e assessoramento, bem como estabelecer políticas de gestão. Formação e experiência Para o exercício das ocupações exige-se o curso superior completo em Arquitetura e urbanismo, com ocorrência de profissionais coin cursos de especialização e/ou pós-graduação. Ou seja, a natureza do serviço prestado pelo designer industrial não se confunde corn a do profissional de arquitetura, que se dedica ás diversas áreas da construção civil e que, ademais, é objeto de regulamentação pela Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, já transcrita pela i. relatora do voto condutor do acórdão recorrido. Mais uma vez, não custa relembrar que as cópias das notas fiscais juntadas aos autos, seja na fase da sua instrução original, seja por ocasião da diligência determinada por este Colegiado não dão noticia de que a recorrente sequer pratique qualquer atividade típica de desenhista industria 3- Conclusão Em sentido diverso do que foi assumido pelas autoridades recorridas, todos esses elementos documentais, corroboram com a convicção de que a recorrente se dedica ao desenho gráfico, informação que não foi alvo de manifestação em sentido contrário por parte autoridade fiscal responsável pela condução da diligência. Nesse diapasão, é possível averiguar que a atividade alegada, não possui semelhança com aquelas indicadas pela autoridade a quo nem se incluem no rol das profissões cuja lei exige habilitação profissional especifica. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, determinando-se a inclusão da recorrente no Simples nos termos em que foi pleiteada, salvo se verificado algum impedimento que não tenha sido alvo de discussão no presente processo. Sala das Sessões, em 26 de março de 2008 <S".-----Iv1A • --LO GUERRA DE CASTRO - Relator 10
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Numero do processo: 10580.725876/2009-89
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 20/2003) As verbas percebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia,
resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial e reconhecida por lei expressa, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de
Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2802-000.972
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 20/2003) As verbas percebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial e reconhecida por lei expressa, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora. (assinado digitalmente) JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ Relator. EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ (...) incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 280200.972 S2TE02 Fl. 233 3 de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández – Relator. O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para fins de admissibilidade; por isso, dele conheço. Passo, de pronto, à análise das preliminares argüidas. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 280200.972 S2TE02 Fl. 234 5 Alega a recorrente em Voluntário, nulidade do lançamento, por deficiência na fundamentação, em razão da ausência de análise, pelo colegiado a quo, sobre a falta de legitimidade da União para figurar no pólo ativo da relação tributária do IRRF e por não abordar a alegada quebra da capacidade contributiva da recorrente. Sem razão a recorrente. A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. A constatação do quanto afirmado se dá pela simples leitura de trecho da decisão atacada a seguir transcrito: Além disso, cabe observar que a exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. (destaques meus). Quanto ao não enfrentamento expresso do alegado desrespeito à capacidade contributiva, é de se constatar que a adoção da premissa pelo órgão julgador a quo, de que as verbas impugnadas possuem natureza salarial, prejudicou a análise do argumento, além de ser pacífico o entendimento do C. STJ, no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide, da forma como feito. Aliás, as nulidades argüidas sobre a decisão a quo se repetem nas razões do Voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumentos. Rejeitadas as preliminares argüidas, passo ao mérito. Conforme razões expostas na decisão ora recorrida e não ilididas pelo contribuinte “(...) o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009”. Na mesma toada, rejeito as alegações de que foram aplicadas alíquotas incorretas nos anoscalendários 1994 e 1998, apontadas em planilha, pois corretamente aplicadas as alíquotas em vigor à época dos fatos. Do mesmo modo, não é de acolher a alegação de que a tributação se deu isoladamente, a resultar em imposto maior do que o devido. Isto porque, nos respectivos anos calendários, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte ora recorrente à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Logo, nos termos da decisão guerreada, o “imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão.” Ademais, não é de ser acolhida a alegação de que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 6 salário. Isso porque, confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo Ministério Público, às fls. 16/18, com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização, às fls. 11, verificase que tais parcelas não foram incluídas no lançamento fiscal. Passo ao mérito. Com a ressalva do meu entendimento pessoal já exposto em julgados anteriores, nos quais decidi pela natureza indenizatória de tais valores, mormente pela existência de lei estadual válida, vigente e eficaz, a assim qualificálos, voto no sentido de acompanhar o entendimento desta C. Turma. Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: “8. Inferese dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 280200.972 S2TE02 Fl. 235 7 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 2º da Lei Estadual da Bahia nº 20/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I, 2, do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Ministério Público do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta do recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 106 16360 e 19600065, cujas ementas são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 8 “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Na mesma toada, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao admitir a exigência do imposto e a exclusão da multa, em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, rejeitadas as preliminares argüidas, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir da multa de ofício e por via de conseqüência da multa moratória. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725876/200989 Acórdão n.º 280200.972 S2TE02 Fl. 236 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.725876/200989 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2802000.972. Brasília/DF, 27 de abril de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11070.002053/2009-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Ementa: PAF. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO
CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento e de Declarações de Compensação transmitidos eletronicamente pela contribuinte, onde procurou utilizar pretenso saldo credor de COFINS Não Cumulativo — Mercado Interno acumulado no 1° trimestre/2007, para compensar débito de sua responsabilidade, relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Foi desenvolvida ação de fiscalização junto a empresa, MPF nº 10.1.08.00 2009003441 para conferência do crédito de COFINS informado no pedido de ressarcimento, tendo a autoridade fiscal concluído pela ilegitimidade do saldo credor pleiteado pelo contribuinte, conforme excerto que transcrevemos a seguir: O pleito da contribuinte não encontra respaldo na legislação pertinente ao assunto, visto que, o desconto de créditos das operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade encontrase vedado pelo disposto na redação original do artigo 3º, inciso I letra "a" da Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2.003. Posteriormente, o referido dispositivo legal veio a sofrer modificações pelas Leis nº 10.865 de 30 de abril de 2004; 11.727 de 23 de junho de 2.008 e 11.787 de 25 de setembro de 2.008, mas que não alteraram sua essência. No mesmo sentido, o artigo 17 da Lei n° 11.033 de 21 de dezembro de 2.004, ao permitir a manutenção de créditos vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota zero ou com não incidência das contribuições do PIS e da COFINS, não respalda o procedimento adotado pela contribuinte. O artigo 16 de Lei n° 11.116 de 18 de maio de 2.005 veio esclarecer que o crédito apurado em virtude do contido no artigo 17 de Lei n ° 11.033/2004 deve ser apurado na forma dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2.002 e 10.833/2003, portanto, alem das permissões, devem também ser observadas as proibições lá destacadas na apropriação de créditos. A DRF em Santo Ângelo adotou o Relatório Fiscal como razão de decidir e não homologou a compensação, nem reconheceu o direito creditório pretendido. Inconformado, apresentou manifestação de inconformidade na qual aduz, em apertada síntese que: a) há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com aliquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 206, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002053/200902 Acórdão n.º 380302.964 S3TE03 Fl. 2 3 zero ou com suspensão têm direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; b) não existe na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art.17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria inconstitucional, porquanto a não cumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o principio da nãocumulatividade, autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam nãocumulativas; c) o caráter de nãocumulatividade inerente As contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; d) sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com aliquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da nãocumulatividade. A DRJ em Porto Alegre considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório e o relatório fiscal conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada em 13/12/2011, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, o reconhecimento do direito creditório e homologação da DCOMP. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, entretanto, dele não tomarei conhecimento pelo que explano a seguir: Do breve relato dos fatos extraise que o direito creditório pleiteado pela contribuinte se origina da aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica, a qual fica desonerada sobre as receitas auferidas com a venda posterior destes produtos, que são revendidos pelo seu estabelecimento com alíquota zero. Compulsando os autos, observamos ainda, que a discussão em comento, qual seja, o creditamento da aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica cujas operações de venda são tributadas à alíquota zero, foi objeto de Mandado de Segurança impetrado pela ora Recorrente, junto à 2ª VF e JEF CÍVEL DE SANTO ÂNGELO sob o n° 2009.71.05.0014210/RS. Em consulta ao andamento processual no sítio da Justiça Federal da 4ª Região, constatei que foi proferida decisão em 04/08/2010, publicada em 12/08/2010, admitindo o Recurso Extraordinário e o Recurso Especial interposto pela Redepeças. Peço vênia para trasladar a decisão monocrática: DECISÃO Tratase de recurso extraordinário interposto com apoio no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Órgão Colegiado desta Corte, cuja ementa foi lavrada nas seguintes letras: TRIBUTÁRIO. LEI Nº 11.033/2004, ARTIGO 17. PIS E COFINS. DIREITO A CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO A INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Tratandose de tributação monofásica não há que se falar em cumulatividade, diante da inexistência do pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, qual seja, a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringese ao "Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO", descabendo aplicálo a situações diversas daquela prevista na legislação, sob pena de privilegiar indevidamente certas atividades econômicas, em detrimento das outras sujeitas à tributação polifásica. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002053/200902 Acórdão n.º 380302.964 S3TE03 Fl. 3 5 [...] O recurso merece prosseguir, tendo em conta o prequestionamento da matéria relativa aos dispositivos supostamente contrariados, não envolvendo exame de provas. Além disso, encontramse preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. [...] (grifamos) A título informativo, em 30/11/2010 o Min. Herman Benjamin, em decisão monocrática, negou seguimento ao Recurso Especial e em 10/10/2011 houve a baixa definitiva dos autos do MS retromencionado. Ademais, cotejando os argumentos aduzidos pela Defendente nos recursos até então apresentados no presente processo administrativo fiscal com os interpostos na contenda judicial, verificouse que tais encontramse inclusos nas razões do madamus o que definitivamente se constata na leitura do relatório da sentença que julgou improcedente o Mandado de Segurança impetrado: Para tanto, alegaram que se dedicam à distribuição de máquinas agrícolas e peças, adquirindo produtos direto das indústrias, sendo que alguns, quando da revenda, existe suspensão do pagamento das contribuições para o PIS e COFINS, cuja tributação se dá com alíquota zero, isentos ou não são tributados. Disseram que, desde a implantação do sistema não cumulativo, vinham descontando do valor a pagar relativo ao PIS e COFINS, créditos em relação às compras efetuadas com tributação destas contribuições, em conformidade com a redação original do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo por base o art. 17 da Lei nº 11.033/04 (MP 204/2004). Mencionaram que, em decorrência da MP nº 451, que inseriu o parágrafo 15 no art. 3º da Lei nº 10.637/2001, o direito ao abatimento do valor a recolher, de créditos de PIS e COFINS, relativo aos insumos mencionados, foi suprimido. Falaram que, por este dispositivo, o direito de crédito ao PIS e COFINS em relação às vendas efetuadas pelos distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas restou impossibilitado, ficando os créditos restritos apenas em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda de produtos cuja saída é onerada por estas contribuições. Defenderam nos casos em que a operação de venda é tributada com alíquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, ter direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a estas vendas, em função do regime de nãocumulatividade. Disseram que a restrição imposta pela MP nº 451 deve observar o prazo nonagesimal, previsto no art. 195, § 6º, da CF/88. Falaram acerca do direito de correção monetária dos valores. Pediram liminar e, por fim, em caso de não ser reconhecido o direito de efetuar créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, seja determinada a observância da anterioridade nonagesimal. Juntaram documentos (fls. 13/28). Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Assim, socorreuse a ora Recorrente do judiciário com a finalidade de ver assegurado e reconhecido o direito de efetuar créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, o que inequivocamente configurou a concomitância entre as demandas. Cabe salientar que a opção pela via judicial implica na renúncia da via administrativa, bem como dos recursos eventualmente interpostos pelo sujeito passivo, tal qual o caso. Isto porque pelo princípio da unicidade da jurisdição e inafastabilidade do controle jurisdicional, competirá ao Poder Judiciário dar a última palavra nos casos trazidos à sua apreciação, e portanto sua decisão sempre sobejará sobre a administrativa. A decisão judicial se torna lei entre as partes e vincula a administração tributária aos seus ditames, devendo ser aplicada, inclusive, no processo administrativo. Vejamos o teor da súmula nº 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sabendo que o sujeito passivo propôs mandado de segurança para discutir o suposto direito creditório na via judicial, com o mesmo objeto da demanda administrativa, implicando na renúncia do recurso por ele interposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.002053/200902 Acórdão n.º 380302.964 S3TE03 Fl. 4 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11070.002053/200902 Interessada: REDEPECAS REDEPARTS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.964, de 22 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 07/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003794/2003-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.º do CTN).
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações da fiscalização para
apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar nº.
105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitam-se, igualmente, ao sigilo fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA. NORMA
TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE O art. 11, § 3º, da Lei in.º 9.311/96,
com a redação dada pela Lei n.º10.174/2001, que autoriza o uso de
informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n º 35, de 21 de dezembro de 2009).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA. DESOBRIGAÇÃO DE PROVA COMO RENDA CONSUMIDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada por créditos bancários de origem incomprovada (Súmula CARF n º 26, de 21 de dezembro de 2009).
Numero da decisão: 2802-000.790
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, : Por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar nº. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA. NORMA TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE O art. 11, § 3º, da Lei in.º 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.º10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF n º 35, de 21 de dezembro de 2009). DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA. DESOBRIGAÇÃO DE PROVA COMO RENDA CONSUMIDA. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada por créditos bancários de origem incomprovada (Súmula CARF n º 26, de 21 de dezembro de 2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, : Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, LUCIA REIKO SAKAE, CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, DAYSE FERNANDES LEITE, SIDNEY FERRO BARROS. Relatório Tratase de Auto de Infração de fl. 458/461, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 1998, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 196.141,35, incluído multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 29/08/2003. Conforme descrito no mencionado Auto de Infração, a exigência decorreu da constatação, pela autoridade lançadora, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação a qual o contribuinte regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação Fiscal, fls. 439 a 442, cujos fatos geradores, valores tributáveis e multa aplicada, estão discriminados às fls. 459. Discordando da exigência fiscal, o interessado, representado pelo seu procurador devidamente constituído, procuração fls.485, apresenta a impugnação, fls. 463/484, alegando, consoante o relatório a decisão de primeira instância o seguinte: “Do Intróito. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 597 3 Após breve relato dos fatos diz que o lançamento tributário não pode prosperar, vez que duplamente viciado. Dos vícios Formais do Lançamento Fiscal. A) Da Impossibilidade de utilização dos dados da CPMF para a cobrança de IR: Em 1998 estava em pleno vigor a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que expressamente proibia o fisco de utilizarse dos dados da CPMF como forma de cobrar outros tributos, especialmente o IRPF. A vigência da citada lei perdurou até 09 de janeiro de 2001, quando foi editada a Lei n° 10.174, de 10 de janeiro de 2001, que alterou o §3° da Lei 9.311, de 1996 e autorizou a Secretaria da Receita Federal a valerse dos dados da CPMF para cobrar outras contribuições ou impostos. Do ano de 1996 até o ano 2000, pelo menos, os dados da CPMF , por imposição legal, são imprestáveis para comprovação do valor do IRPF devido ou não.&# O fisco não pode, ante a proibição legal, pretender imprimir efeitos retroativos à Lei n° 10.174, de 2001, para sublimar uma proibição que salvaguardava direito cogente do contribuinte. Transcrevendo o art. 144 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN) diz que uma vez que o lançamento, inclusive o lançamento de ofício, reportase à legislação vigente a ocorrência do fato gerador, em 1998 os dados da CPMF não poderiam servir de suporte para o lançamento do IR, de maneira que o auto de infração em tela é nulo de pleno direito. B) Da impossibilidade de quebra do sigilo bancário: Reportase aos incisos X e XII do art. 5o da Constituição Federal e alega: que dentro do Estado Democrático de Direito em que vivemos, as garantias constitucionais não podem ser vilipendiadas pelo Estado, uma vez que este próprio Estado as garante, e a segurança jurídica é uma delas; que segundo a Constituição Federal vigente a Fazenda Pública somente pode quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, com base em autorização judicial, inexistente no presente caso, fazendo com que a prova extratos bancários seja manifestamente ilícita e, como tal imprestável; que as hipóteses de quebra do sigilo bancário regulada pela Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não podem retroagir, em 1998, o fisco dependia de ordem judicial para invadir os dados bancários do contribuinte. Dos vícios Materiais do Lançamento Fiscal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 4 A) Da ausência de acréscimo patrimonial à justificar o lançamento: Exala do artigo 153, III, da CF, de 1988, a competência impositiva tributária da União para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Não obstante ter discriminado a competência impositiva tributária, o artigo constitucional também estabeleceu o arquétipo, o âmbito tributário do tributo em apreço, de forma que o legislador ordinário deverá, quando da instituição do tributo, por via de lei, respeitar tais limites, sob pena de inconstitucionalidade. Nesse sentido, cita pensamento doutrinário do professor Roque Antonio Carrazza. O arquétipo constitucional da hipótese de incidência, do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza está toda ela assentada no conceito de renda, conceito esse que o legislador deve extrair do próprio texto constitucional. A Carta Política de 1988 trouxe várias inovações quanto ao conceito de renda, pois, quando trata do sistema tributário nacional, distingue renda de patrimônio, de faturamento, de lucro, etc. A distinção dos institutos é nítida, na medida em que, para cada um dos institutos individualmente considerados, estabeleceu a Lei das Leis um tributo diferente. Para atingirmos o conceito de renda, necessário é esclarecer que se trata de um conceito relativo e não absoluto. O conceito de renda é relativo porque para se chegar a uma construção final devemos considerar duas ordens: a ordem de ingresso e a de desembolso. A renda não é a diferença entre o ingresso e o desembolso, mas, inexoravelmente, é isso também. O conceito de renda se constrói a partir dessa distinção. Sob um ângulo dinâmico, a renda consiste numa diferença que tem em mente a riqueza, preexistente, as despesas efetivadas para a aquisição de riqueza nova e o ingresso que possa ser obtido a partir de então. Daí dizerse que a hipótese de incidência do imposto de renda está atrelada a uma inafastável periodicidade, como também se dizer que o fato gerador do imposto sobre a renda é complexo e não instantâneo. Não se afastou de tais assertivas o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 43 define como fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza. Em complemento transcreve entendimento de Ives Gandra da Silva Martins. A autoridade administrativa descreve que o impugnante depositou recursos em instituições financeiras sem a comprovação da origem dos recursos, incorrendo na hipótese prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Sustenta, que no presente caso, a alegada omissão de receitas, como também a falta de justificativa da origem dos recursos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 598 5 depositados nas contas bancárias inocorreu, restando evidente a nulidade do lançamento. Que como administrador da empresa Laranjeiras Agropecuária Ltda., administrou um caixa, em dinheiro, de R$1.700.000,00 decorrentes de contrato de mútuo, juntado aos autos. Parte desse dinheiro foi depositado em sua conta corrente para cobrir cheques emitidos para satisfazer despesas da citada empresa. Conforme TCF a relação com a empresa Laranjeiras Agropecuária Ltda., inclusive com o caixa inicial de R$1.700.000,00 foi devidamente reconhecida pelo fisco. Dessa forma, provado que o dinheiro que circulou pela conta corrente do impugnante era de terceiro (Laranjeiras Agropecuária Ltda.), contra este deveria ser o lançamento. Em relação a prestação de serviços advocatícios contratados com a empresa Cicat Construções Civis e Pavimentação Ltda. enumera valores e passa, a reprisar todas as justificativas já apresentadas. Esclarecimentos que os valores de R$250,00 e R300,00 referem se ao pagamento de asfalto por Luis Sebastião Grigolon. E, por fim, alega que o depósito em dinheiro no valor de R$22.000,00 referese a reembolso patrocinado pela empresa Guarizzo Motors. Conclui que toda a movimentação bancária ganha idônea justificativa quanto à origem dos respectivos depósitos, restando infrutífera a autuação fiscal. B) Da Impossibilidade do depósito bancário figurar como fato imponível e base de cálculo do IRPF. O fisco não pode se valer somente de depósitos bancários para proceder ao lançamento, neste sentido vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cabe à Fazenda Pública demonstrar indícios de riqueza, sinais exteriores de riqueza associada à movimentação bancária, para então, surgir a hipótese de arbitramento. Ausentes os indícios de acréscimo patrimonial, o fisco não poderá utilizar a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência de fato imponível. E, em não havendo indicativo da riqueza nova, acréscimo patrimonial, não há elemento suficiente o bastante para caracterizar o fato imponível do IR, sendo o tributo manifestamente indevido. Da multa e dos Juros. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 6 A multa é indevida, por manifestamente confiscatória, ofendendo decisões do STF e os juros são extorsivos, em face de manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic. Do pedido. Por fim, requer seja aflulado o crédito tributário constituído pelo auto de infração e o arquivamento do processo administrativo” A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0215.206, de 14 de agosto de 2007, que se encontra às fls. 491/516 cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Sigilo Bancário. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. Aplicação da Lei no Tempo. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação^ hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Comprovação dos depósitos. O titular da contacorrente bancária, onde os recursos foram creditados, não se exime de comprovar as origens dos créditos ou depósitos bancários, individualizadamente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 599 7 Feita a comprovação das origens dos recursos creditados, a base de cálculo apurada pelo Fisco deve ser ajustada e, por conseguinte, na mesma proporção, reduzido o imposto lançado. Multa. Caráter Confiscatório. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Taxa Selic. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic na forma da legislação vigente. Eventual «inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte.” A ciência de tal julgado se deu por via postal em 28/09/2007, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 526. À vista disso foi protocolizado, em 05/10/2007, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 529/547, no qual o pólo passivo, representado por seu bastante procurador, conforme instrumento de mandato de fl. 592, questiona a exação procedida. Suscita, então, o litigante: 1. a preliminar de decadência para os valores correspondentes aos depósitos bancários efetivados nos meses de janeiro de 1998 a agosto de 1998, por considerar o imposto de renda das pessoas físicas como tributo que se amolda ao lançamento por homologação, tendo, pois, como fundamento legal para a contagem do interstício decadencial o art. 150, § 4º do CTN. 2. que a quebra do sigilo bancário da Recorrente só poderia ter ocorrido através de autorização judicial; 3. a Delegacia de Julgamento da Receita Federal desconsiderou parte da documentação apresentada pelo recorrente, justificadora da origem dos depósitos realizados em instituições financeiras, por não vislumbrar coincidência de datas e valores com os numerários investigados. 4. o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ainda não foi devidamente regulamentado pela administração pública e que falta de obrigatoriedade de escrituração da movimentação financeira pela pessoa física, impede a aplicação do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96; 5. que as Lei Complementar nº 105/01 e Lei nº 10.174/2001 não poderiam ser aplicadas de maneira retroativa; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 8 6. na qualidade de representante da empresa Laranjeiras Agropecuária Ltda, o recorrente dispunha da quantia de R$1.700.000,00, em dinheiro, para operar os negócios da pessoa jurídica. A quantia em tela teve origem no contrato de mútuo concedido pelo Sr. Luiz Roberto Ortiz Nascimento (DOCS. 118/119). Nesse sentido, parte do dinheiro supra, circulou na conta do recorrente para pagar despesas decorrentes das atividades agrícolas realizadas pela empresa Laranjeiras Agropecuária Ltda,o que justifica os seguintes depósitos: Data Valor C/C 02 / 0 1 R$ 9 5 . 0 0 0 , 0 0 3 3 6 2 2 2 2 / 0 1 R 4 2 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 2 6 / 0 2 R $ 5 . 1 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 0 2 / 0 3 R$ 3 . 8 3 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 6 / 0 3 R$ 3 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 6 / 0 6 R$ 5 . 4 9 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 6 / 0 6 R$ 1 . 6 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 3 / 0 7 R$ 1 . 2 5 0 , 0 0 9 1 8 7 3 3 0 / 0 7 R$ 1 3 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 ' 0 7 / 0 8 R$ 4 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 0 9 / 0 9 R$ 2 . 9 5 0 , 0 0 9 1 8 7 3 0 2 / 1 0 R$ 5 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 4 / 1 0 R $5 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 9 / 1 0 R$ 4 . 0 0 0 , 0 0 9 1 8 7 3 0 4 / 1 1 R$ 1 . 4 5 8 , 5 8 9 1 8 7 3 1 6 / 1 1 R$ 1 . 5 2 0 , 0 0 9 1 8 7 3 1 0 / 1 2 R$ 7 . 0 5 0 , 0 3 9 1 8 7 3 1 5 / 1 2 R$ 3 . 2 9 7 , 0 3 9 1 8 7 3 7. quanto ao depósito no valor de R$ 22.000,00, de 03/07, como bem declinado na defesa inicial, provém da empresa Guarizzo Motors Ltda. Nessa oportunidade, o recorrente carreia aos autos o contrato de arrendamento mercantil, demonstrando a coincidência de datas e valores do depósito e de sua origem tal como apontada na exordial; 8. que depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos; É o Relatório. Voto Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE Relatora O recurso de fls. 529/547 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 526 protocolo de recepção aposto à fl. 529. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 600 9 Isto posto, passo analisar a preliminar de decadência argüida em sede de recurso. 1) PRELIMINAR 1.1) DO EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 1999, ANOCALENDÁRIO DE 1998. Muito embora não tenha o pólo passivo levantado tal preliminar quando da apresentação de sua impugnação na 1ª instância administrativa de julgamento, cumpre esclarecer que independentemente do teor das peças defensórias oferecidas por contribuintes autuados, cabe a este Colegiado verificar de plano o controle interno da legalidade do lançamento. Nesse sentindo, com o fito tãosomente de ilustrar o presente julgado, passo a reproduzir manifestação do Segundo o Colendo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre o tema: DECADÊNCIA – RECONHECIMENTO DE OFÍCIO – A decadência de o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez ocorrida, é insanável e, por força do princípio da moralidade administrativa, deve ser reconhecida de ofício, independentemente do pedido do interessado.(Acórdão 2º CC nº 20307878 de 19/02/2002 – DOU de 15/08/2002) (grifos não originais) Dessa forma, antes de se apreciar qualquer argumento de mérito constante da peça recursal, cabe a este colegiado verificar, ainda que fosse ex officio, a aplicabilidade, ou não, do instituto da decadência, independente de tal preliminar ter sido, ou não, suscitada pelo recorrente. Tomandose a decadência como a perda do direito da Fazenda Pública lançar, por decurso de prazo, há que se considerar que a situação ora apresentada para apreciação é inconformismo do contribuinte ante um Auto de Infração 458/461, referente ao ano calendário de 1998, o qual foi regularmente cientificadolhe em 17/09/2003, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal às fls. 461. O imposto de renda da pessoa física por ser espécie de tributo em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995) tem como regra para definição do prazo de decadência o disposto do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), salvo se comprovado ser caso de dolo, fraude ou simulação. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 10 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Há que se considerar também que o imposto de renda das pessoas físicas é devido, mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, sem prejuízo do ajuste anual, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, consumandose o fato gerador em 31 de dezembro. Conforme entendimento pacífico nesse Conselho, inclusive já adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, composição da sua 4a Turma, o fato gerador do IRPF não é mensal, mas sim, anual, se materializando em 31 de dezembro de cada ano, a partir de quando se aplica a contagem do prazo de cinco anos, previsto no parágrafo 4o, do artigo 150, do CTN, como regra geral. No presente caso em específico, a Súmula CARF N° 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Desta forma, no caso em questão, o início da contagem do prazo decadencial começou na data do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro de 1998. Logo, a contagem do prazo decadencial iniciase em 31 de dezembro de 1998, encerrandose em 31 de dezembro de 2003. Tendo sido notificado o contribuinte em 17/09/2003 (fls. 461), entendo que não operouse a decadência em constituir o crédito tributário, razão pela qual , não acolho da preliminar arguida pelo Recorrente. 2. MÉRITO: • SIGILO FISCAL Com a edição de Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, e a Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, quando desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, pela autoridade fiscal sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar nº 105/2001: (Lei Complementar n° 105/01) Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 601 11 III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (Lei 10.174/2001) Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11..............................................................................................." "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) "§ 3oA. (VETADO)" Tais disposições foram regulamentadas pelo Decreto n ° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Nos termos das referidas normas legais não há que se falar em violação do sigilo bancário do contribuinte. A Lei n° 10.174/2001, ao contrário determina que o sigilo deve ser resguardado. Além do mais o próprio Recorrente apresentou os extratos bancários a autoridade lançadora. • A IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/01 E DA LEI N° 10.471/01 Alega o Recorrente sobre a irretroatividade da Lei Complementar n° 105/01 e que depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos. No que se refere a tal assertiva não há de ser objeto de manifestação por parte desta relatora, haja vista ter restado entendimento pacificado e até mesmo sumulado por este Colegiado sobre tais temas, in verbis: Súmula CARF n.º 35. O art. 11, § 3º, da Lei n.º 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.º 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Por via de conseqüência e em obediência ao § 4º, do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determina a adoção obrigatória de tal súmula pelos membros do CARF, falece a esta autoridade julgadora competência para administrativamente enfrentar tal assunto. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 12 • OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Como se vê, o dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Portanto, a presunção decorre de lei. Assim sendo, cabe efetivamente ao contribuinte o ônus da prova da origem de cada um dos depósitos, os quais são analisados individualizadamente, a fim de afastar a infração que lhe foi imputada. Também não procede a alegação de que o simples depósito bancário, por si só, não comprovaria a omissão de receita, sendo ônus da fiscalização a comprovação do nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos. Nesse sentido a Súmula CARF n.º 26: “ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” • COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Quanto à comprovação da origem dos recursos, cumpre registrar que os indispensáveis elementos de prova de suas alegações não foram carreados aos autos. As cópias dos contratos de mútuo realizados entre Luiz Roberto Ortiz Nascimento e Laranjeiras Agropecuária, fls. 118 a 120, não são suficientes para comprovação de que os, créditos de R$ 95.000,00, R$ 2.000,00, R$ 5.100,00, R$ 3.830,00, R$ 3.000,00, R$ 5.490,00, R$ 1.600,00, R$ 1.250,00, R$ 13.000,00, R$ 4.000,00, R$ 2.950,00, R$ 5.000,00, R$5.000,00, R$ 4.000,00, R$ 1.458,58, R$ 1.520,00 , R$ 7.050,03, R$ 3.297,03, referiamse ao capital de giro da empresa, e Fl. 12DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10855.003794/200317 Acórdão n.º 280200.790 S2TE02 Fl. 602 13 tenham sido utilizados na manutenção da Fazenda Santo Antonio, bem como nas demais operações da empresa Laranjeiras Agropecuária Ltda.. Não basta que o interessado ilustre fontes das possíveis diferenças. Ele, necessariamente, teria que apresentar documentos que provassem, o ingresso dos valores em sua conta bancária. Embora tais situações sejam habituais no comércio, também é certo que o registro de tais ocorrências deve fazer parte da escrituração da pessoa jurídica. Contudo, o contribuinte não cuidou de trazer aos autos elementos de prova desses alegados fatos. Assim, suas considerações não são suficientes para afastar a presunção em comento.Em sua peça defensória o recorrente alega novamente que o valor de R$ 22.000,00, de 03/07, provém da empresa Guarizzo Motors Ltda. Entretanto não vislumbrei no documento, fls. 578 a 579 o alegado vínculo ao valor do depósito de R$ 22.000,00, em dinheiro, no dia 03 de julho de 1998. Em suma, o Contribuinte não consegue identificar, mediante coincidência ou mesmo aproximação entre datas e valores, a relação entre os depósitos e as possíveis origens. Notese que por origem devese entender a fonte de onde partiram os recursos aportados na conta bancária e não apenas a capacidade econômica para realizálo. Não basta, portanto, indicar que obteve alguma fonte de receita que poderia ter sido utilizada no depósito, é preciso demonstrar que, efetivamente, aqueles recursos especificados foram depositados na conta. E isto o Contribuinte não logrou fazer. Portanto o acórdão recorrido não merece reforma. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Brasília/DF, Sala de Sessões, 11 de maio de 2011. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITERelatora Fl. 13DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO
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Numero do processo: 18470.902470/2017-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Para que seja instaurado o contencioso administrativo fiscal deve ser apresentada Impugnação/Manifestação de Inconformidade dentro do prazo fixado na legislação. Sendo manifestamente intempestivo o apelo inicial, não se pode conhecer do Recurso Voluntário, em especial quando este não ataca as razões de decidir da Turma de Julgamento a quo.
Numero da decisão: 1302-004.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flavio Machado Vilhena Dias, Andreia Lucia Machado Mourao, Cleucio Santos Nunes, Andre Severo Chaves (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flavio Machado Vilhena Dias, Andreia Lucia Machado Mourao, Cleucio Santos Nunes, Andre Severo Chaves (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Para que seja instaurado o contencioso administrativo fiscal deve ser apresentada Impugnação/Manifestação de Inconformidade dentro do prazo fixado na legislação. Sendo manifestamente intempestivo o apelo inicial, não se pode conhecer do Recurso Voluntário, em especial quando este não ataca as razões de decidir da Turma de Julgamento a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flavio Machado Vilhena Dias, Andreia Lucia Machado Mourao, Cleucio Santos Nunes, Andre Severo Chaves (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se, o presente processo administrativo, de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte Dream Factoty Comunicação e Eventos, ora Recorrente, através do qual pretendia-se quitar débitos próprios com créditos de IRRF. Nos termos do despacho decisório emitido, contudo, o direito creditório não foi reconhecido, uma vez que identificou-se que o DARF, com o suposto pagamento indevido ou a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 24 70 /2 01 7- 95 Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.602 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.902470/2017-95 maior de IRRF, teria sido integralmente utilizado “para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Não concordando com o não reconhecimento do seu direito creditório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em primeiro lugar a tempestividade do seu apelo, em especial porque a sua ciência do Despacho Decisório teria se dado “no dia 30/08/2017 (quarta-feira) às 14:55:11hs através de uma consulta eletrônica espontânea (anexo 7) do referido despacho decisório”. No mérito, em síntese, alegou que apresentou DCTF retificadora, e que neste documento deixou-se de constar o débito de “IRRF-Importação, código 0473, recolhido no dia 21 de Março de 2012”. Alegou, ainda, que “o recolhimento a maior se deu, pois a empresa iria contratar a Banda Bjork para se apresentar no evento Sonar 2012, dia 11 de maio de 2012, o que não aconteceu, houve o cancelamento do serviço pelo prestador (anexo V), ocasionando a devolução do valor já adiantado e acarretando, dessa forma, o crédito tributário em questão”. Ao apreciar o apelo do contribuinte, entretanto, a DRJ de Campo Grande (MS) entendeu por não conhece-lo, uma vez que a Manifestação de Inconformidade teria sido apresentada fora do prazo de 30 dias fixados na legislação em vigor. Devidamente intimada do acórdão proferido, a Recorrente não se insurgiu acerca do não conhecimento da Manifestação de Inconformidade, por sua intempestividade, repisando, em seu apelo, apenas as razões de mérito, e requerendo, ao final, o reconhecimento do seu direito creditório. Para comprovar suas alegações, juntou documentos. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relator para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DA INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Como se denota dos autos, em especial, do acórdão proferido pela DRJ de Campo Grande, a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente não foi conhecida, uma vez que foi apresentada fora do prazo de 30 dias fixado na legislação. De fato, a douta Turma de Julgamento a quo deixou claro que, nos termos do AR de fls. 112, o Recorrente recebeu a intimação do Despacho Decisório no dia 19/06/2017. Contudo, a Manifestação de Inconformidade só foi apresentada no dia 26/09/2017, ou seja, após transcorridos o prazo de 30 dias, nos termos exigidos pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. Tendo em vista a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaurou o contencioso administrativo fiscal. Neste sentido, o Professor James Marins é claro ao afirmar que o contencioso administrativo fiscal só se inicia com a apresentação da impugnação. Confira-se: “A impugnação formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo (conflito de interesses entre a Fazenda Pública e o contribuinte, deduzido Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.602 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.902470/2017-95 administrativamente) e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias constitucionais e legais do procedural due process”. (MARINS, James. Direito Processual Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. - São Paulo: Dialética, 2005. pág. 284) No Recurso Voluntário apresentado, como demonstrado no relatório alhures, o Recorrente não se insurgiu com relação à afirmação de intempestividade da Manifestação de Inconformidade aduzida no acórdão proferido pela DRJ. Em seu apelo, direcionado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o contribuinte defende apenas a existência do seu direito creditório. Desta forma, por não existir uma lide administrativa fiscal instaurada, o Recurso Voluntário não deve ser conhecido por este colegiado. Por todo o exposto, VOTA-SE por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002058/2007-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. USÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE.
A ausência de exibição à Fiscalização dos documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória.
A reincidência, como circunstância agravante, apenas se verifica quando se apurar que o contribuinte sofreu autuação fiscal genérica ou especifica no prazo de cinco anos seguintes A. ocorrência do trânsito em julgado da decisão administrativa proferida no processo anterior. Não é essa, contudo, a hipótese
dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.236
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10865.002058/2007-56 Recurso n° 257.309 Voluntário Acórdão n° 2803-00.236 — 3' Turma Especial Sessão de 20 de setembro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente COMERCIAL E CONSTRUTORA PAVAN LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. A ausência de exibição à Fiscalização dos documentos e livros relacionados com as contribuições previdencidrias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. A reincidência, como circunstância agravante, apenas se verifica quando se apurar que o contribuinte sofreu autuação fiscal genérica ou especifica no prazo de cinco arms seguintes A. ocorrência do trânsito em julgado da decisão administrativa proferida no processo anterior. Não é essa, contudo, a hipótese dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). HELD!) SPV"L • S PRALIMA - Presidente. ouuottift,044tAkt CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra COMERCIAL E CONSTRUTORA PAVAN LTDA., por ter a empresa deixado de apresentar à Fiscalização os Livros Diário e Razão do período de 11/2005 a 12/2005. Desta forma, restou caracterizada a infração prevista no art. 33, § 2° da Lei n°. 8.212/91, o que culminou no arbitramento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 283, II, "j" do Regulamento da Previdência Social, tendo sido verificada a ocorrência de circunstância agravante, pela autuação em auditoria fiscal anterior. Em sua Impugnação (fls. 13/27), alegou a ora Recorrente que: (a) realmente existem falhas na documentação, tendo em vista as inúmeras dificuldades econômicas enfrentadas, inclusive ensejando a modalidade de lançamento por arbitramento, todavia, todos os atos da Recorrente demonstram de maneira clara a sua boa-fé; (b) a multa arbitrada é extremamente alta para os dias atuais, devendo ser aplicado o percentual mínimo apresentado pelo art. 283 do Regulamento da Previdência Social; (c) que com relação à reincidência esta deve ser aplicada com parcimônia já que trata-se de uma nova fiscalização de um ato já autuado como infracionário. Verificada a não ocorrência de circunstância agravante, foi exarado despacho As fls. 54/56 determinando a redução da multa em conformidade com a legislação de regência e a reabertura de prazo de 15 dias para a apresentação de nova impugnação, podendo a Recorrente juntar novas provas de suas alegações ou mesmo o recolhimento da multa retificada com redução de 50%. Expirado prazo sem que houvesse manifestação da Recorrente. Quando do julgamento da impugnação As fls. 60/66, a autoridade julgadora manteve o lançamento por entender que, consoante o disposto no art. 33, § 2° da Lei n° 8.212/91, é obrigação da empresa exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na referida lei, sob pena de autuação. Nestes termos, verificada a ocorrência de infração, é poder/dever da autoridade fiscal a lavratura de auto de infração. Com relação à multa imposta, esclarece a autoridade julgadora que a penalidade está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 e artigos 283, III, "j" e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social. Considerando que foi reaberto o prazo para apresentação de defesa, sem a manifestação do contribuinte ou a juntada de provas, não deve prosperar o pleito da Recorrente no sentido de promover a anexação de novos documentos aos autos por preclusdo do direito. Em virtude desta decisão que lhe foi amplamente desfavorável, a empresa interpôs Recurso Voluntário As fls. 70/86, ratificando as razões contidas em sua Impugnação. Adicionalmente, informou que foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2007.61.09.00818- 04, no qual foi concedida decisão favorável no sentido de determinar o prosseguimento do recurso sem a exigência de depósito no importe de 30%. E. o Relatório. 2 Processo n° 10865.002058/2007-56 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.236 Fl. 2 Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora Como já reconhecido pela autoridade fiscal na manifestação de fls. 101, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá-lo. Apenas a titulo de esclarecimento, a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de depósito prévio, no valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do recurso voluntário, deu ensejo A. edição da Sumula Vinculante n° 21, DOU de 10/11/2009, tornando prejudicada a verificação da manutenção da decisão judicial proferida em favor do contribuinte. Não há dúvidas de que o fato de a Recorrente não ter apresentado A. Fiscalização os Livros Diário e Reza) do período de 11/2005 a 12/2005 enseja a imposição de multa, nos exatos termos da disposição contida no artigo 32, § 2°, da Lei 8.212/91, nos seguintes termos: "Lei 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e norm atizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 2001). ,sç' 2 0 A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Inicialmente, há que se ressaltar que a Recorrente não refutou, em momento algum, a alegação de descumprimento de obrigação acessória, limitando-se a afirmar que se encontra falha com parte da sua documentação contábil: "No caso presente, a requerente realmente encontra-se falha com parte de sua documentação, tendo em vista inúmeras dificuldades por que passou, e ainda vein passando, inclusive ensejando a modalidade de lançamento por arbitramento por parte desta Autoridade Fiscal, na oportunidade de sua fiscalização (final de 2.005). 3 Porém, não se pode negar que seus atos demonstram de maneira clara e cristalina sua boa-fé, e não qualquer dolo ou intenção de sonegar, burlar ou fraudar a legislação de qualquer forma que o seja. Embora em dificuldades, e ainda, encontrando inúmeras barreiras burocráticas impostas por alguns Órgãos administrativos, pode realmente ter praticado com atraso algumas de suas obrigações acessórias de apresentação de declarações ou ainda, de homologação de documentos referente a obras que construiu." Como se vê, não há, no recurso aviado pela contribuinte, qualquer argumento que confronte o entendimento esposado pela autoridade fiscal no auto de infração ou pela autoridade julgadora na decisão-notificação. Ou seja, em momento algum a Recorrente demonstrou que cumpriu a obrigação de apresentar à Fiscalização os documentos contábeis a que era obrigada. Ademais, há que se esclarecer que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece que o descumprimento das obrigações previstas em lei enseja a aplicação de multa. No caso de a empresa deixar de apresentar à Fiscalização os Livros Diário e Razão do período de 11/2005 a 12/2005, a multa aplicável é aquela prevista em seu art. 283, inciso II, alínea "j". Como se depreende do exposto, a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória é decorrente de lei, e não pode o Fisco Previdencidrio furtar-se de sua obrigação de aplicar a lei, já que o ato administrativo de lançamento é totalmente vinculado A. norma. A cobrança do referido acréscimo legal, assim, tem previsão legal que ampara sua exigência e, portanto, sua aplicação obedece ao principio da legalidade, essencial ao funcionamento da Administração Pública. Nestes termos, revela-se irrelevante a discussão sobre o eventual caráter confiscatório da penalidade aplicável nos autos. 1-1d, todavia, que se analisar a existência de circunstância agravante, capaz de ensejar a majoração da multa aplicada, como entendeu a autoridade fiscal. 0 Regulamento da Previdência Social, ao tratar do assunto, assevera, em seu art. 290, que constitui circunstância agravante a verificação de reincidência, assim definida pelo parágrafo "Art. 290. Constituem circunstancias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator; I - tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II - agido com dolo, fraude ou má-fé; III - desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV- obstado a ação da .fiscalização; ou V- incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória 4 Processo n° 10865.002058/2007-56 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.236 Fl. 3 ou homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior.", A reincidência poderá ser especifica, se relativa A. mesma infração, ou genérica, se se tratar de infração diversa da que ora se analisa. Como fundamento à adoção da hipótese prevista no art. 290 do Regulamento da Previdência Social, a autoridade fiscal fez menção à existência das seguintes autuações: AI 35.834.502-2 20/12/2005 CFL 31 AI 35.834.503-0 20/12/2005 CFL 38 AI 35.834.504-9 20/12/2005 CFL 34 AI 35.834.505-7 20/12/2005 CFL 89 Cumpre observar, contudo, que a autoridade fiscal não logrou comprovar nos autos que já teria havido o trânsito em julgado das decisões administrativas relativas aos referidos processos. Na verdade, tal comprovação não seria mesmo possível já que os autos de infração 35.834.502-2, 35.834.503-0 e 35.834.504-9 estão sob a responsabilidade desta Relator, tendo os dois primeiros sido incluídos para julgamento na sessão do mês de setembro de 2010 e o terceiro sido julgado na sessão do mês de abril de 2010. Logo, verifica-se que o requisito previsto na legislação para o reconhecimento da circunstância agravante da reincidência não se verificou, tendo a autoridade fiscal se baseado na mera existência de auto de infração lavrado contra o contribuinte. Dessa forma, não se pode admitir a majoração da multa aplicada nos autos em tit's vezes o seu valor, como determinado na autuação promovida pelo Fisco. CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela parte, para reconhecer, de oficio, a inexistência da circunstância agravante da reincidência, devendo a multa ser reduzida ao valor mínimo previsto na legislação. CA OLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 5
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Numero do processo: 13560.000314/99-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 303-00.850
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 02 de dezembro de 2002 10 MAR 20W Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. ITTIC %. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.102 RESOLUÇÃO N° : 303-00.850 RECORRENTE : PAULIN() BRITO GOMES RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO E VOTO Trata-se de Notificação de Lançamento para exigência do crédito tributário relativo ao ITR196 - Lei 8.847/94, Lei 8.981/95 e Lei 9.065/95) e Contribuições (Decreto-lei 1.146/70, art. 5°, c/c o Decreto-lei 1.989/82, art. 1° e §§) referente ao imóvel denominado "Fazenda Jardim Campo Grande" cadastrado na SRF sob o n° 1615582.3, com área de 3.140,0 hectares. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, alegando que o valor de terra nua tributado está acima do prego de mercado. Afirma que seu imóvel está situado na regido de caatinga em Jequié, cujo valor é de R$ 30,00 por hectare, conforme laudo em anexo. A decisão de Primeira Instância foi por considerar PROCEDENTE o lançamento de que trata a notificação de fl. 02. As razões centrais para a decisão do julgador singular foram de que a SRF para fixação dos VTNm do exercício de 1996, com valores estabelecidos na IN SRF n° 58/96, obedeceu com exatidão As exigências legais contidas na Lei n° 8.847/94, art. 3°, § 2°. A base de cálculo do imposto, segundo a legislação regente é o valor de terra nua apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior, no caso em exame 31/12/1995. 0 laudo técnico acompanhado de ART que o interessado anexou aos autos foi elaborado em novembro de 1999 e não se reporta A. data de apuração da base de cálculo do ITR196, 31/12/1995. Verifica-se também que apesar de ter indicado como critério de avaliação o método direto, com nível de precisão normal e ter indicado e anexado algumas fontes de pesquisa, fls. 13/17, as mesmas não mencionam a que período se referem; o preço utilizado foi o informado pela EBDA - Empresa Baiana de Desenvolvimento Agricola S.A. Como a correspondência da EBDA de fl. 13 está datada de 13/10/1999 e o laudo foi emitido em novembro do mesmo ano, conclui-se que a tabela da EBDA não se refere ao ano de 1995, mas ao de 1999, o que afeta a validade do laudo como elemento de prova. Em se tratando de lançamento efetuado com base no VTNm, entende-se que o acatamento do laudo está condicionado ao fato de o documento 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.102 RESOLUÇÃO N° : 303-00.850 conter informações que convençam a autoridade julgadora de que não é pertinente a aplicação do VTNm ao imóvel em questão dadas as suas características peculiares, de tal modo especificas que resultariam num Valor de Terra Nua sensivelmente diferente da média encontrada no município. Porém o laudo aponta o contrário, posto que As fls. 06/07 informa que as características do imóvel são comuns A regido. Após ciência da decisão singular e irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário dirigido ao Conselho de Contribuintes, conforme documentos de fls. 32/34 e anexos de fls. 35/68. Reapresenta os mesmos argumentos antes articulados por ocasião da impugnação e acrescenta : - foi apresentado laudo técnico de avaliação do imóvel rural com atendimento aos requisitos da NBR 8.799/85 da ABNT. Apresenta transcrição do Acórdão n° 203-03.355 onde também figurou como recorrente contra decisão da DRJ/Salvador, a respeito de lançamento de ITR, ocasião em que obteve provimento ao seu recurso por unanimidade, com base em laudo técnico, por coincidência preparado pelo mesmo profissional autor dos laudos juntados a este processo. Menciona um segundo acórdão n° 203-03.354, idêntico ao de n° 203-03.355, e que também lhe foi favorável; - a decisão singular foi de gritante parcialidade, os laudos apresentados estão em pleno acordo com as exigências previstas na NBR, e considerando os processos de natureza idêntica que foram julgados pelo Conselho e com as mesmas peças probatórias, com decisões favoráveis ao recorrente, solicita o acatamento do seu recurso, para que se reforme a decisão a quo. Encontra-se A. fl. 35 oficio do recorrente ao Sr. Delegado da Receita Federal em Vitória da Conquista/BA, apresentando uma relação de bens e direitos para o fim de ser procedido arrolamento com vistas a garantir o encaminhamento de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, comprometendo-se a comunicar A Delegacia da Receita Federal no seu domicilio fiscal a alienação, transferência ou oneração de qualquer dos bens/direitos arrolados. Entretanto não consta do processo nenhum dos procedimentos exigidos para a formalização do arrolamento de bens como garantia do recurso, nos termos da IN SRF/STN n° 26/2001, notadamente não consta o Extrato de Bens e Direitos para Arrolamento que a DRF deve encaminhar ao Cartório de Registro de Imóveis para averbação do arrolamento, não há, ainda, nenhuma homologação por parte da autoridade tributária. Não está claro se o arrolamento de bens solicitado pelo recorrente foi formalmente procedido e acatado pela autoridade tributária, e dessa forma não está claro que tenha sido cumprido requisito essencial para a admissibilidade do recurso. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.102 RESOLUÇÃO N° : 303-00.850 Proponho que se converta o presente julgamento em diligência Repartição de Origem para que informe e, se for o caso, faça juntar aos autos os documentos que atestem a efetivação do arrolamento de bens como garantia ao seguimento do recurso voluntário nos temos da IN SRF/STN n° 26/2001. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2002 O LOIBMAN - Relator • • Ciente em: i ).:30 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 's:t1;02 A' TERCEIRA CÃMARA Processo n°: 13560.000314/99-12 Recurso n.°:. 124.102 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto A. Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Resolucdo n° 303-00.850. Brasilia- DF, 27,de fevereiro de 2003 • olanda Costa Pres ente da Terceira Câmara
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