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10359703 #
Numero do processo: 13656.721063/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE Súmula CARF nº2. Carf não tem competência para julgar inconstitucionalidade de legislação. COMPENSAÇÃO. GFIP. MULTA ISOLADA. O contribuinte fica sujeito à multa isolada no percentual de 150% na hipótese de compensação indevida em GFIP com emprego de falsidade.
Numero da decisão: 2202-010.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, nem dos argumentos sobre a multa isolada, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Alfredo Jorge Madeira Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: ALFREDO JORGE MADEIRA ROSA

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Carf não tem competência para julgar inconstitucionalidade de legislação. COMPENSAÇÃO. GFIP. MULTA ISOLADA. O contribuinte fica sujeito à multa isolada no percentual de 150% na hipótese de compensação indevida em GFIP com emprego de falsidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, nem dos argumentos sobre a multa isolada, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Alfredo Jorge Madeira Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 10 63 /2 01 3- 63 Fl. 177DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.721063/2013-63 Aproveito o relatório do acórdão de DRJ, o qual bem descreve os fatos contidos nos autos. Trata-se de crédito tributário lavrado contra a empresa em epífrafe tendo por objeto os seguintes AI - Autos de Infração: - AI-Debcad 51.043.172-0: glosa das compensações de contribuições sociais efetuadas indevidamente pela empresa no período de 08/2011 a 07/2012. O valor do crédito tributário é de R$ 1.413.324,06. - AI-Debcad 51.043.174-7: multa isolada aplicada em virtude da compensação feita pela empresa mediante falsidade de declaração no período de 08/2011 a 07/2012. O valor do crédito tributário é de R$ 1.580.390,24. - AI-Debacad 51.043.173-9: multa aplicada em virtude da empresa ter apresentado GFIP com informações incorretas ou omissas no período de 04/2004 a 07/2010. O valor do crédito é de R$ 6.000,00. A empresa apresentou tempestiva para os AI-Debcad 51.043.172-0 e 51.043.174-7, alegando que a prática da Receita Federal de aplicar a multa isolada de 50% para todas as hipóteses de não homologação de declarações de compensação, conforme previsto no art. 74, §§15, 16 e 17, da Lei 9.430/96 revela-se inconstitucional. Para tanto, sustenta que a multa isolada de 50% cria uma penalidade gravosa completamente desvinculada da ocorrência efetiva de um ilícito, ferindo o direito constitucional de petição (no caso de requerer a homologação de sua compensação) do contribuinte de boa-fé. Ademais a referida multa afronta os princípios constitucionais do não-confisco e da razoabilidade. Ao final, pediu a improcedência do lançamento. Em 18/12/2013 foi transferido o crédito tributário consubstanciado no AIDebacad 51.043.173-9 para o Processo 13656-721.521/2013-64 por ser tratar de matéria não impugnada e exigível nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º, art. 21, do Decreto 70.235/72. Por unanimidade, a 7ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, exarando acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2011, 2012 COMPENSAÇÃO. GFIP. MULTA ISOLADA. O contribuinte fica sujeito à multa isolada no percentual de 150% na hipótese de compensação indevida em GFIP com emprego de falsidade. . Inconformado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo no qual alega: a) Nulidade da autuação por não estar caracterizada a infração; b) A aplicação da multa isolada contida no §17, art. 74 da Lei nº9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 12.249/2010, violaria o princípio da razoabilidade; Fl. 178DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.721063/2013-63 c) “não é razoável permitir que o Estado exija do autor o pagamento de tributo e lhe esteja a dever quantia bem superior a título de precatório.” É o relatório. Voto Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, Relator. Conhecimento O contribuinte foi cientificado da decisão do acórdão de DRJ (e-fls.136 e 137) em 09/09/2014, e apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11/09/2014. Tal prazo cumpre as exigências processuais, e do Recurso Voluntário tomo conhecimento parcial, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, conforme Súmula CARF nº2, e não conhecendo das alegações sobre a multa isolada contida no §17, art. 74 da Lei nº9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 12.249/2010, visto que não compõe a lide . Preliminares O contribuinte alegou nulidade da autuação por não ter sido caracterizada a infração. Não assiste razão ao recorrente, a infração é claramente demonstrada no Relatório Fiscal (e-fls. 16 a 78) e seus anexos. Também não se vislumbram os requisitos de nulidade previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Afasto a preliminar de nulidade. Mérito O período fiscalizado foi de 01/2009 a 07/2012. Conforme destaca o Relatório Fiscal à e-fl. 19: - para o período de 01/2009 a 07/2011 o contribuinte informou ter ocorrido “Erro de Fato”. Dentro deste período foi lavrado o DEBCAD nº51.043.173-9 que contempla as competências 04/2009 a 01/2010, 05/2010, e 07/2010; - para o período de 08/2011 a 07/2012 o contribuinte nada justificou. A autuação sobre este período em que nada foi justificado consta dos DEBCAD nº51.043.172-0 e 51.043.174-7. O DEBCAD nº51.043.172-0 refere-se a infração de compensação indevida, prevista na Lei nº8.212/1991, art. 89, §9. No DEBCAD nº51.043.174-7 é cobrado multa isolada, por falsidade na compensação, com fundamento na Lei nº8.212/1991, art. 89, §10. Fl. 179DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.721063/2013-63 Para o DEBCAD nº51.043.173-9 não foi apresentada impugnação, não sendo instaurada lide, a qual ficou restrita aos dois DEBCAD restantes, nº51.043.172-0 e nº51.043.174-7. O contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos a comprovar a higidez das compensações procedidas em GFIP. Imperiosa a lavratura do auto de infração. Apresentou impugnação parcial para os DEBCAD nº51.043.172-0 e 51.043.174-7. Quanto ao DEBCAD nº51.043.173-9, não foi instaurado o litígio, sendo segregado para o processo 13656- 721.521/2013-64 para cobrança administrativa, não sendo objeto aqui de discussão. No Recurso Voluntário o contribuinte novamente repisou argumentos erroneamente apresentados na impugnação, a despeito do alerta dado no voto do acórdão a quo. Estes argumentos não foram conhecidos em sede recursal. Não restaram argumentos de mérito a serem apreciados. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos de inconstitucionalidade, nem dos argumentos sobre matéria que não compõe a lide. Afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 180DF CARF MF Original

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Numero do processo: 16885.000032/2009-83
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação judicial pertinente.
Numero da decisão: 2003-006.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa remanescente lançada a título de dedução indevida de despesas com instrução. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação judicial pertinente.

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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação judicial pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa remanescente lançada a título de dedução indevida de despesas com instrução. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 110 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 100 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 7 e ss.), reapreciada por Termo Circunstanciado (e-fls. 86 e ss.). Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 88 5. 00 00 32 /2 00 9- 83 Fl. 121DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-006.395 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16885.000032/2009-83 Lançamento/Impugnação: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 7 a 16), em razão de trabalho de malha, com apuração de imposto de renda pessoa física – suplementar, exercício 2005, no montante de R$ 55.871,36, em que foi apurado omissão de rendimentos, compensação indevida do imposto de renda retido na fonte e deduções indevidas de despesas médicas, de instrução, de pensão alimentícia e com dependentes. Em sua impugnação de folha 02 o contribuinte contesta as glosas ocorridas, por meio dos seguintes argumentos: - Dependentes: os dependentes informados são sua companheira, seus filhos e uma enteada, os quais vivem às suas expensas; - Despesas com instrução: junta comprovantes de pagamento de despesas com a instrução de seus dependentes; (ora grifado) - Despesas Médicas: junta comprovantes de pagamento do plano de saúde Unimed Corumbá; - Pensão Alimentícia: junta comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras, buscando comprovar a referida dedução. Ao final alega, ainda, que não houve qualquer omissão de rendimentos, tendo declarado os valores informados pela fontes pagadoras, conforme comprovantes que junta. Despacho Decisório: Por força do art. 6º-A, da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, inserido pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 4 de agosto de 2010, que estabelece procedimentos para revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para observância destes dispositivos. Assim, foi proferido Despacho Decisório (fls. 86), no qual foram acatadas, em parte, as argumentações do contribuinte, sob os seguintes fundamentos: “- a relação de dependência foi comprovada para apenas três dependentes - Gisely da Conceição Moreira Flores, Jessalyn Moreira Flores Safa e Afonso Breno de Medeiros Guimarães, já que a dependência de Ana Carolina Ametlla Guimarães, não pode ser considerada pois a mesma é alimentanda, e não dependente, do contribuinte; - foi comprovada Despesa Médica no valor de RS 2.561,10, pagos ao plano de assistência médica (UN1MED) através da Caixa de Assistência dos Advogados de MS; - foi comprovada Despesa com Instrução no valor de apenas R$ 3.278,00, efetuada com os dependentes Jessalyn Moreira Flores Safa e Afonso Breno de Medeiros Guimarães, já que a despesa com instrução de Ana Carolina Ametlla Guimarães, paga à Sociedade de Ensino Superior Estácio da Sá, não pode ser considerada pelo motivo, já citado, de que a mesma não é dependente do contribuinte; (ora grifado) - foi comprovado o pagamento de Pensão Alimentícia Judicial no valor de RS 42.969,60, conforme demonstrado nos documentos apresentados, sendo R$ 22.500,00 descontados do pagamento mensal efetuado ao contribuinte, pela Câmara Municipal de Corumbá e, R$ 20.469,60 do pagamento mensal efetuado pela Prefeitura Municipal de Corumbá; - foi comprovada a Retenção de IRRF no valor de R$ 2.122,66, composta de: • R$ 311,40 retido do rendimento pago pela Prefeitura Municipal de Corumbá, e não R$ 3.114,00 como erroneamente declarado, • R$ 1.421,06 retido do rendimento pago pela Câmara Municipal de Corumbá, • R$ 354,15 retido do rendimento pago pela Caixa Vida e Previdência S/A, e Fl. 122DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-006.395 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16885.000032/2009-83 • R$ 36,05 retido também pela Câmara Municipal de Corumbá do rendimento pago à dependente Gisely da Conceição Moreira Flores; - Foi constatada a omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 15.801,25, conforme notificado, composta de: • R$ 12.974,93 recebidos pela dependente Gisely da Conceição Moreira Flores e informado em DIRF pela Câmara Municipal de Corumbá, e • R$ 2.826,32 recebidos pelo titular e também informado em DIRF pela fonte pagadora Caixa Vida e Previdência S/A; - com relação aos rendimentos omitidos, ressalte-se que o contribuinte não fez qualquer contestação específica aos dois casos acima ou apresentou qualquer documento que comprove o não recebimento dos valores declarados em DIRF pelas fontes pagadoras citadas; - foi constatada a omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física no valor de apenas R$ 782,40, e não de R$ 9.302,40 conforme notificado, pois o rendimento de R$ 8.520,00 foi indevidamente informado como se recebido da pessoa jurídica Imobiliária Brasil, que apenas administra os imóveis locados para Maurício Chacur e Nauir Rodrigues do Santos e informou os valores recebidos dos locatários pessoa física, e respectivas comissões, em DIMOB”. Em razão da revisão de ofício do lançamento o imposto suplementar (sujeito à multa de ofício) foi reduzido de R$ 24.496,80 para R$ 9.189,44 e o imposto suplementar (sujeito à multa de mora) foi reduzido de R$ 2.412,40 para R$ 904,96. O contribuinte foi cientificado desta decisão em 28/08/2012, não tendo se manifestado. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constatado que os rendimentos declarados são de valor inferior aos rendimentos percebidos, procede a infração de omissão de rendimentos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IRRF. A compensação do imposto de renda retido na fonte está condicionada à comprovação de sua efetiva retenção. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. REQUISITOS. A dedução de dependentes está condicionada à comprovação de que a relação de dependência atende aos requisitos estabelecidos na legislação tributária. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS. A dedutibilidade das despesas com instrução está condicionada à comprovação de sua efetividade e de que foi em benefício do próprio contribuinte ou de dependente a ele vinculado. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de seu efetivo pagamento. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à comprovação de sua efetividade e de que foi em benefício do próprio contribuinte ou de dependente a ele vinculado. Fl. 123DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-006.395 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16885.000032/2009-83 Cientificado da decisão de primeira instância em 16/04/2013 (e-fls. 108), o sujeito passivo interpôs, em 07/05/2013 (e-fls. 110), Recurso Voluntário, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas com instrução da alimentanda estão comprovadas nos autos conforme o acordo homologado judicialmente para o pagamento de pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário parcial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio remanescente recai sobre dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$718,00, referente às despesas com instrução da filha e alimentanda Ana Carolina Ametlla Guimarães. Não há quesitos preliminares a serem apreciados neste momento recursal. Veja-se o exposto pela Primeira Instância em seu voto a cerca da dedução de despesa com instrução: ... DESPESA COM INSTRUÇÃO Foi glosada a despesa com instrução de Ana Carolina Ametlla Guimarães, paga à Sociedade de Ensino Superior Estácio da Sá, em razão desta se revestir da condição de alimentanda, e não de dependente do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) estabelece que: “Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §1º (................) §1º (................) § 3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º)”. Conforme demonstrado no item anterior não há dúvida quanto à condição de alimentanda de Ana Carolina Ametlla Guimarães, entretanto, o impugnante não juntou aos autos prova de que o ônus da despesa com educação decorre de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, o que justifica a manutenção da glosa desta dedução. ... Neste momento recursal alega o interessado que possui documentação, já apresentada, relativa à obrigatoriedade de manutenção financeira do ensino de sua alimentanda Fl. 124DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-006.395 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16885.000032/2009-83 (e-fls. 111, item 2º). O fato é que junto ao seu recurso apresenta documentos judiciais relativos á sua separação judicial que gerou pagamento de pensão (e-fls. 113/119), e no Termo de Assentada (e-fls. 113), a cláusula n. 02 indica realmente que “...o varão fica responsável pelo pagamento das mensalidades da escola das suas três filhas menores, até o limite de 290 UPV, depositando-se na conta da mãe das menores até o dia 5...” Ora, não deve ser negligenciado que a valoração das provas pelas Autoridades Julgadoras Administrativas é livre, com base no Decreto 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Senão, veja-se o Artigo 29 do citado Decreto: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (ora grifado) Em que pese tal documento ter sido aceito com relativização de sua preclusão, com base no disposto no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, uma vez que visa à complementação dos argumentos e provas já expostos em sede impugnatória, além dos fatos do mesmo datar de 1994 e utilizar os termos “mensalidades da escola” e ”depósito em conta”, parece-me de bom alvitre considerar, pela verdade material, que o pagamento de boletos relativos a mensalidades de curso superior para sua alimentanda ainda com 24 anos no exercício sob escrutínio, pode sim ser justificada, afastando-se a glosa ainda remanescente a título de dedução indevida de despesas com instrução. Verifica-se portanto que, apreciados todos os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte, há motivo para retificação parcial da Decisão a quo proferida e reconhecimento da pretensão constante no recurso voluntário. Dispositivo Isso posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa remanescente lançada a título de dedução indevida de despesas com instrução. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 125DF CARF MF Original

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4678749 #
Numero do processo: 10855.000559/2005-55
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: MPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Delimitação das Hipóteses de Incidência. Competência Ratione Materiae. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos que envolvam a aplicação da legislação que disciplina a cobrança do IPI, exceto no que se refere à definição da correta classificação fiscal ou do IPI incidente na importação. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 303-35.268
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: CELSO LOPES PEREIRA NETO

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Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP • ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Delimitação das Hipóteses de Incidência. Competência Ratione Materiae. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos que envolvam a aplicação da legislação que disciplina a cobrança do IPI, exceto no que se refere à definição da correta classificação fiscal ou do IPI incidente na importação. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto do relator. • • qO ANELISE DA bT PRIETO - Presidente CELSO LOPESLOPES PEREIRA NETO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente e Tarásio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10855.000559/2005-55 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.268 Fls. 1.586 Relatório O interessado em epígrafe transmitiu, em 14/10/2003, o Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI, referente ao quarto trimestre de 2002, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou (PER/DCOMP às fls. 05/83). O processo foi encaminhado à fiscalização da DRF/Sorocaba, a qual constatou que o estabelecimento promovia a saída de seus produtos (etiquetas auto-adesivas de plástico), usando erroneamente a classificação fiscal TIPI 4821.90.00 (Alíquota do IPI: 0% - despacho decisório à fl. 124), quando, na verdade, classificam-se na posição 3919.90.00, com alíquota de 15% para o IPI, não restando, em conseqüência, saldo credor a ser ressarcido. • Diante do que foi constatado, a autoridade competente para apreciar o pedido não homologou as compensações declaradas, em razão da inexistência de crédito líquido e certo contra a SRF. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade à DRJ/Ribeirão Preto alegando, em síntese, que: 1. O fisco não emb asa seu entendimento e a conseqüente ação fiscal em nenhum laudo ou parecer técnico e decorrendo tão-somente de mera interpretação do autuante quanto às regras interpretativas aplicáveis, segundo a NBM e NSH. 2. Ao contrário, a impugnante apresenta prova pericial produzida pelo Engenheiro Marcos Paulo Cigagna (fls. 191/199), que concluiria pela correta classificação adotada pela empresa. 3. Por outro lado, defende que as etiquetas são impressos personalizados, produzidos por encomenda, o que excluiria tais produtos do conceito de • industrialização, pois os serviços de composição gráfica seriam tributados exclusivamente pelo ISS. Ponderando tais fundamentos, decidiu o órgão julgador recorrido, pelo indeferimento da solicitação, através do Acórdão 14-13.655 (fls. 1403/1418), de 14 de setembro de 2006, nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPL Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito contra a SRF. 2 Processo n° 10855.000559/2005-55 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.288 Fls. 1.587 IPL FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ INÁPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n°406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. IPL CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Etiquetas impressas, consistentes em películas de plástico auto- adesivas, aplicáveis à temperatura ambiente e por pressão mecânica, que não necessitam de umedecimento ou de adição de adesivo, classificam-se sob o código 3919.90.00, por força da RGI n°1. ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. 1111 A adoção de critério jurídico conforme constante do art. 146 do CTN, ato necessário para que possa ocorrer erro de direito, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando ela (classificação) está devidamente estabelecida em legislação normativa especifica, processo de consulta ou no lançamento de oficio. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos, sendo que, mesmo as perícias requeridas regularmente podem ser indeferidas quando dos autos constem provas que, a juízo do julgador, já sejam suficientes para decidir a questão.. Solicitação Indeferida" Mantendo sua resignação, compareceu a recorrente novamente ao processo, pleiteando em sede de recurso voluntário, a reforma da decisão da DRPRibeirão Preto, essencialmente, pelos mesmos fundamentos aduzidos por ocasião de sua manifestação de inconformidade que instaurou a fase litigiosa, acrescentando, dentre as razões de recurso, sua convicção quanto ao cerceamento de seu direito de defesa, diante da negativa de perícia técnica. É o Relatório. 3 Processo n° 10855.000559/2005-55 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.268 Fls. 1.588 Voto Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO, Relator O recurso é tempestivo: a recorrente tomou ciência da decisão hostilizada em 09/10/2006 (vide aviso de recebimento de fl. 1422) e o protocolou a peça recursal em 01/11/2006 (fl. 1423). Conforme se subtrai dos autos, a recorrente alega e traz farta documentação que comprovaria seu entendimento de que as operações realizadas em seu estabelecimento estariam excluídas conceito de industrialização, devendo ser tributadas exclusivamente pelo Imposto 1111 Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS, de competência dos municípios. Assim, há que se verificar, previamente, se as operações realizadas - produção de etiquetas auto-adesivas, incluem-se nas hipóteses de incidência do ISS ou do IPI, antes de definir a classificação fiscal que estabeleceria a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados que incidiria sobre aqueles produtos. É imperioso, portanto, que se enfrente a definição da competência para julgar matérias prejudiciais de mérito aduzidas no vertente recurso. A meu ver, se observada a competência material do Segundo Conselho, fixada no inciso I, "a" do art. 21 1 , do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, não se poderá tomar conhecimento da matéria afeta à competência deste Terceiro Conselho (classificação de mercadorias) antes do pronunciamento daquele colegiado. Esta Terceira Câmara entendeu assim no julgamento dos Recursos 137265 e 137.270 (processos 10855.000558/2005-19 e 10855.000258/2005-21), que tratam, 1111 respectivamente de pedido de restituição e Auto de Infração relacionado ao indeferimento daquele pedido, tendo por objeto os mesmos produtos (etiquetas auto-adesivas de plástico) objeto do presente processo. 1 Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: a) imposto sobre produtos industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos de importação; k../ 4 . . . , Processo n° 10855.000559/2005-55 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.288 Fls. 1.589 1 Ante ao exposto voto no sentido de declinar da competência para julgar o presente processo em favor do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2008 g' 4.....--- VI~t- CEL O LOPES PEREIRA NETO - Relator IP , • 5

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10359833 #
Numero do processo: 13971.907541/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PRELIMINAR. CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL. As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1os, §3º das Leis nos 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES. Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei no 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO. De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei no 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. O art. 47-A da Lei no 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Existente nos autos demonstração de houve permuta à adquirente COOPERBIO somente em relação às notas fiscais venda no período de 09/01/2012 a 25/01/2012. Já em relação às demais operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Em observância ao disposto no art. 62, §2o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial no 1.221.170/PR. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa. INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO. Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa. AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO. Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL. O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei no 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel. AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE. Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização. SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE. Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3401-012.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo”. No mérito, por dar parcial provimento ao recurso da forma a seguir apresentada. 1) Por unanimidade de votos para: a) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior expansão; b) reduzir a majoração da base de cálculo relacionado às operações de vendas da recorrente à COOPERBIO no período de 09/01/2012 a 25/01/2012; c) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; d) reverter as glosas de créditos relacionadas às notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065; e) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior extensão; f) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. 2) Pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso para reverter a majoração da base de cálculo das contribuições de pré misturas para pão de forma, hambúrguer e hot dog, vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Sabrina Coutinho Barbosa. 3) Por maioria de votos, para manter a glosa de frete sobre produtos acabados, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o Conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo Conselheiro Joao Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo”. No mérito, por dar parcial provimento ao recurso da forma a seguir apresentada. 1) Por unanimidade de votos para: a) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior expansão; b) reduzir a majoração da base de cálculo relacionado às operações de vendas da recorrente à COOPERBIO no período de 09/01/2012 a 25/01/2012; c) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; d) reverter as glosas de créditos relacionadas às notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065; e) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior extensão; f) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. 2) Pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso para reverter a majoração da base de cálculo das contribuições de pré misturas para pão de forma, hambúrguer e hot dog, vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Sabrina Coutinho Barbosa. 3) Por maioria de votos, para manter a glosa de frete sobre produtos acabados, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o Conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo Conselheiro Joao Jose Schini Norbiato.

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PRELIMINAR. CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL. As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1os, §3º das Leis nos 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES. Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei no 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO. De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei no 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. O art. 47-A da Lei no 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Existente nos autos demonstração de houve permuta à adquirente COOPERBIO somente em relação às notas fiscais venda no período de 09/01/2012 a 25/01/2012. Já em relação às demais operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Em observância ao disposto no art. 62, §2o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial no 1.221.170/PR. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa. INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO. Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa. AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO. Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL. O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei no 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel. AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE. Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização. SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE. Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa.

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CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL. As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES. Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 75 41 /2 01 6- 09 Fl. 1109DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO. De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei n o 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. O art. 47-A da Lei n o 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Existente nos autos demonstração de houve permuta à adquirente COOPERBIO somente em relação às notas fiscais venda no período de 09/01/2012 a 25/01/2012. Já em relação às demais operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Em observância ao disposto no art. 62, §2 o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343/2015, com redação dada pela Portaria MF n o 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial n o 1.221.170/PR. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando Fl. 1110DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa. INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO. Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não- cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa. AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO. Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas. Fl. 1111DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL. O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei n o 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel. AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE. Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização. SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE. Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo”. No mérito, por dar parcial provimento ao recurso da forma a seguir apresentada. 1) Por unanimidade de votos para: a) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior expansão; b) reduzir a majoração da base de cálculo relacionado às operações de vendas da recorrente à COOPERBIO no período de 09/01/2012 a 25/01/2012; c) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; d) reverter as glosas de créditos relacionadas às notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065; e) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior extensão; f) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. 2) Pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso para reverter a majoração da base de cálculo das contribuições de pré misturas para pão de forma, hambúrguer e hot dog, vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Sabrina Coutinho Barbosa. 3) Por maioria de votos, para manter a glosa de frete sobre produtos acabados, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Fl. 1112DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o Conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo Conselheiro Joao Jose Schini Norbiato. Relatório Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos de maneira clara e concisa, reproduzo o relatório da decisão de piso: 1. BUNGE ALIMENTOS S/A, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Ressarcimento 13983.56349.300614.1.1.08-3551 no valor de R$ 7.295.497,08, referente a crédito de PIS, vinculado às receitas de exportação do 1° trimestre do ano-calendário 2012. Vinculado a este Pedido foram apresentadas as Declarações de Compensação descritas na fl. 438. 2. Após analisar o pleito do contribuinte, a DRF-BLUMENAU proferiu Despacho Decisório de fl. 438, por meio do qual não reconheceu nenhum direito creditório e não homologou as compensações vinculadas. 3. Esta decisão foi alicerçada no Relatório Fiscal de fls. 297/425 no qual a fiscalização identificou receitas não oferecidas à tributação, erro no cálculo do rateio dos créditos e créditos apurados indevidamente. 4. O contribuinte foi cientificado desta decisão em 16/05/2018 (fl. 442) e apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 446/518 em 14/06/2018 (fl. 443) onde alega em síntese: - a composição do crédito está atrelada aos pagamentos/compensações efetuadas com créditos pendentes de decisões administrativas, não podendo ser desconsiderado para fins da apuração, visto que foram impugnadas e encontram-se em fase de processo administrativo, o que suspende a exigência do crédito tributário; - o presente processo tem relação direta com o saldo de períodos anteriores e tem reflexo nos processos subsequentes; - os valores lançados na conta “reserva de investimento” transitaram em contas de receita e compuseram a base de cálculo do PIS/COFINS; - O incentivo, que consiste em reduzir o ICMS a Pagar, cujo valor é registrado na Conta de Reserva de Capital, não representa faturamento, mas uma renúncia fiscal por parte do Estado. Se a empresa adotasse outro procedimento contábil, os valores lançados em Reserva de Capital seriam lançados como redutores da Conta de despesa de ICMS e não na conta de Vendas (faturamento); -Portanto, ainda que a empresa não concorde com a tributação separada da subvenção para investimento, como pretendido pelos Srs. AFRFB, cabem os esclarecimentos retro para demonstrar que ainda que de modo diverso e indireto estes valores foram tributados pelo PIS e COFINS da receita/faturamento propriamente dito; Fl. 1113DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 - As subvenções de ICMS não devem ser consideradas faturamento da empresa, por falta de previsão legal; - O PIS/COFINS somente podem incidir sobre o faturamento, jamais sobre o valor referente às subvenções para investimento; - os Srs. AFRB no Parecer Fiscal nem mesmo buscaram enquadrar estas subvenções como passíveis de incidência do PIS e da COFINS sob o argumento de que as mesmas não estão previstas como exclusão nos respectivos §§3°, acima transcritos, como anteriormente adotavam, mesmo que afrontando flagrantemente o princípio da estrita legalidade tributária e também olvidando que sua atividade é plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, na medida que eles próprios afirmaram que a incidência tributária ocorre pelo fato da não exclusão; - os valores da reserva de subvenção para investimento, nem sequer podem ser considerados como "receita de natureza diversa", capaz de suscitar discussões acerca da inconstitucionalidade da exigência fiscal nos termos do art. 1o, §§ 1o e 2o, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; - os próprios auditores reconheceram que a subvenção seria uma não despesa; - o Parecer Normativo CST n° 112/78, firma entendimento de que as subvenções não tributáveis são aquelas que se destinam ao emprego em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos, que também é questionável. Quando inclui o vocábulo "inclusive" constante do texto legal citado tem função inclusiva, vale dizer, que todas elas, inclusive, ou seja, também, as recebidas mediante isenção ou redução de impostos, Logo, a regra não tributação atua sempre, desde que observados os requisitos previstos na lei, diante de uma subvenção. Então, para incidência da norma basta que seja recebida uma subvenção e que o seu produto seja destinado a investimentos; - o PRODEPE instituído pelo Estado de Pernambuco exige para a concessão dos benefícios fiscais a aplicação de recursos em investimentos locais; - o programa DESENVOLVE também visa o fomento e desenvolvimento da economia do Estado da Bahia; - estas subvenções não geram “entrada” de dinheiro, ocorre uma redução da carga tributária. Em todos os casos houve investimentos por parte da Bunge, cita investimentos no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí; - a lei não define o que venha a ser investimentos, assim deve ser entendido como toda aplicação de capital que trará benefícios futuros à empresa; - a lei diz que não são tributáveis as subvenções que forem recebidas sob a forma de isenções e reduções de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; - no tópico “demais subvenções para custeio” o contribuinte afirma que os valores em comento se referem a subvenções de investimento, conforme documentação apresentada na fase de fiscalização. Quanto ao REINTEGRA, prossegue o interessado, ainda que tenha ocorrido erro no registro contábil, seria inegável sua natureza de “não despesa”, citao § 12 do artigo 2º da Lei nº 12.546/2011; - as pré-misturas tributadas pela fiscalização não são utilizadas para a fabricação de pães comuns. Soluções de Consulta citadas pela fiscalização não deveriam ser aplicadas ao caso, tendo em vista que tanto o pão de hot dog como o pão de hambúrguer teriam formulações diversas àquelas fabricadas pelo contribuinte. No que toca às sugestões para o preparo dos pães doce, de hot dog e de hambúrguer não teriam o condão de alterar a natureza da pré-mistura; Fl. 1114DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 - as vendas de farelo de soja e farelo de algodão foram efetuadas a pessoas jurídicas dedicadas à criação de bovinos e suínos e à produção de rações para suínos, esta última em relação à Cooperativa Rio do Peixe, conforme declaração em anexo; - as vendas de óleo de soja degomado para COOPERBIO- COOPERATIVA DE BIOCOMBUSTÍVEL, não consistiram em efetivas operações de venda, ademais a legislação teria suspendido a incidência do PIS/PASEP e da COFINS na cadeia produtiva do biodiesel, e cita o art. 47-A da Lei nº 12.546/2011 introduzido pelo art. 55 da Lei nº 12.715/2012. Quanto às vendas realizadas aos demais clientes indicados no Anexo 8 do TIF 03 também deveria ser aplicada a suspensão pelos motivos aduzidos durante a fiscalização; - os combustíveis são utilizados em veículos utilizados na movimentação de insumos, bem como em máquinas e geradores, para comprovar tais destinações foi apresentado o documento denominado “Item 2- Classe do material”; - gastos com tintas, solventes e pallets como de matéria-prima, produto intermediário ou de embalagem utilizados em seu processo industrial, principalmente na linha dos produtos atomatados, maionese e margarinas, devem ser considerados como insumos; -a fiscalização glosou créditos relacionados à aquisição de bens ou devoluções de mercadorias, tendo em vista que as pessoas jurídicas estavam com a situação cadastral baixada ou suspensa no CNPJ na data da emissão dos documentos fiscais, ocorre que estas empresas estavam regulares junto ao SINTEGRA, caso contrário haveria impedimento para a emissão das notas fiscais, cita a Súmula nº 509 do STJ; - a transferência de produto acabado já faria parte do processo de venda, além disso, a transferência destes produtos seria tributada, bem como a operação de transporte; - argumenta que não houve aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, mas sim remessas para formação de lote de exportação; - com relação aos fretes em operações sem direito a crédito, trata-se de frete nas remessas para entrada, remessa ou retorno de mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, devolução de compra, operações de industrialização por encomenda e venda de energia elétrica; - créditos relativos a despesas com frete foram glosados pois os prestadores de serviço não possuíam o transporte de cargas como atividade econômica constante dos CNPJ, entretanto, junta aos autos cópia dos CNPJ dos prestadores de serviço em tela que demonstram que também exercem a atividade de transporte; - a vinculação entre o frete e a mercadoria transportada não seria correta, pois seriam situações autônomas; - os arts. 47, 47-A e 47-B todos da Lei nº 12.546/2011 assegurariam o direito à apuração de crédito presumido sobre as aquisições de soja em grão e de caroço de algodão aplicados na produção de óleos utilizados como matéria-prima para a produção de biodiesel; - requer o provimento da manifestação de inconformidade. 5. É o relatório. A DRJ em São Paulo/SP julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório conforme ementa do Acórdão n o 16- 85.223 a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1115DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As exclusões da base de cálculo efetuadas pelas cooperativas agroindustriais não se confundem com a falta de pagamento da COFINS/PIS o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos adquirentes das mercadorias vendidas pelas cooperativas. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A subvenção para custeio integra a base de cálculo do PIS/COFINS, pois compõe a receita bruta da pessoa jurídica. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE. Originam crédito de PIS/COFINS as despesas com fretes na venda de mercadorias, assim como as despesas com fretes na compra de produtos, neste caso, por compor o custo da mercadoria revendida e da matéria-prima utilizada. ALÍQUOTA ZERO. MISTURA PARA PÃES. Somente a pré-mistura destinada à fabricação de pão comum goza da redução a 0 (zero) das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS, assim as demais pré-misturas próprias à fabricação de outros tipos de pães não têm este benefício. SUSPENSÃO DO PAGAMENTO. INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL. É suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda no mercado interno de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, quando efetuada por pessoa jurídica vendidos a produtores de carne ou miudeza de suínos ou aves, produtores de rações para suínos ou aves e pessoas físicas Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância com os argumentos a seguir sintetizados: 1) Preliminar de caráter reflexivo; 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal; 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio; 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero); 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM; 6) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão; 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes; 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada; 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa; 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados; 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação; 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP; 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa; 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas; 15) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos; 16) Glosa de Fl. 1116DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos; 17) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições; 18) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A recorrente reitera em sede de preliminar o pedido de reunir os processos listados na manifestação de inconformidade para que sejam julgados conjuntamente, agora no âmbito do CARF de modo que observem os reflexos correspondentes e evitem resultado diverso e conflitante com os demais. Inicialmente destaco que todos os processos se encontram no lote de julgamento de 34 (trinta e quatro) processos que estão sendo julgados nesta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento. Destaque-se que 9 (nove) destes processos são referentes a análise do direito creditório pleiteado para todo o ano-calendário de 2012 e que culminou no “Relatório Fiscal PIS/PASEP e COFINS” juntados nos referidos processos em julgamento. De todo modo, de fato existiria o risco de haver decisões conflitantes entre Turmas de Julgamento desta Corte Administrativa. Para tanto, há a previsão no RICARF, especificamente no seu art. 67, do Recurso Especial a ser interposto quando houver divergências de entendimento da legislação tributária. Havendo efetiva vinculação entre os processos citados pela Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os processos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Entretanto, apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados bem como de AUTO DE INFRAÇÃO (processo 13971.725135/2017-01), entendo não haver a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). Fl. 1117DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Especificamente no argumento da recorrente (Caráter Reflexivo), em uma análise preliminar, exatamente naquilo que estamos tratando antes do mérito, entendo não terem sido os processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal ou com base nos mesmos elementos de prova. O que pode, e normalmente acontece, é haver alguma matéria idêntica em alguns processos, mas não necessariamente todas. Se houvesse ocorrido, os processos poderiam inclusive ser agrupados em lotes de repetitivos, o que não ocorreu quando da confecção dos lotes de julgamento distribuídos para este relator. De todo modo, todos os processos citados pela Recorrente estão sendo julgados conjuntamente por esta Turma Ordinária de Julgamento do CARF. Diante do exposto, afasto o argumento preliminar de “Caráter Reflexivo”. Mérito No que concerne ao mérito, a Recorrente apresenta argumentos que, no seu entender, estão intimamente ligados a improcedências do procedimento fiscal mantido pela decisão recorrida. São os seguintes pontos a seguir sintetizados em tópicos e que serão adiante abordados individualmente: 1) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal; 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio; 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero); 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM; 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão; 6) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes; 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada; 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa; 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados; 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação; 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP; 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa; 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas; 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos; 15) Glosa de Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos; 16) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições; 17) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores. Antes de adentrar na análise pontual de cada alegação, conforme já descrito no parágrafo anterior, há neste processo glosas de créditos derivados de entendimentos legais, normativos e jurisprudenciais sobre o conceito de insumos na legislação das Contribuições para o PIS e da COFINS. Neste sentido, importante tecer alguns comentários a respeito da conceituação de insumos que vem prevalecendo na jurisprudência deste Tribunal Administrativo. Fl. 1118DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). O art. 3º, inciso II de ambas as leis autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A Emenda Constitucional nº 42/2003 estabeleceu no §12º, do art. 195 da Constituição Federal o princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais, consignando a sua definição por lei dos setores de atividade econômica. Portanto, a constituição deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. A Secretaria da Receita Federal apresentou nas Instruções Normativas n os 247/02 e 404/04 uma interpretação sobre o conceito de insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS um tanto restritiva, semelhante ao conceito de insumos empregado para a utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, previsto no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). Este entendimento extrapolou as disposições previstas nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, contrariando o fim a que se propõe a sistemática da não- cumulatividade das referidas contribuições. Nesta mesma linha de entendimento, igualmente incorre em erro quando se utiliza a conceituação de insumos conforme estabelecido na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, visto que esta seria demasiadamente ampla. Segundo o RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica, ou seja, seria insumo na sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais todos os bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Portanto, este Conselho já vinha apresentando entendimento intermediário na conceituação de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais deveriam estar intimamente ligados ao critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do recurso especial nº 1.246.317 MG realizado em 16/06/2011, decidiu pela ilegalidade do art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e do art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins. Nesta mesma decisão, o STJ adotou um conceito de insumo específico e diferenciado quando comparado aos conceitos estabelecidos na legislação do IPI e do Imposto de Renda. Veja a seguir a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. Fl. 1119DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Diante desta decisão, o CARF passou a adotar este mesmo entendimento na maioria dos seus julgados. Destaco trecho do Acórdão nº 9303-003.069, proferido em 13/08/2014, no qual utilizou um conceito de insumo que vem servindo de base para os julgamentos dos processos relacionados a conceito de insumos neste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n o 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido Fl. 1120DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Em julgamento do REsp. nº 1.221.170-PR realizado em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça proferiu nova decisão, sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabelecendo o conceito de insumo bem como adotando diretrizes para os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a seguir a ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1121DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Diante da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento abstrato sobre o conceito de insumos para fins de creditamento na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da Cofins, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, com vistas a proferir uma análise do citado julgado, formalizar orientações no âmbito daquela Procuradoria e viabilizar a adequada observância da tese por parte da RFB. Na linha da pacificação do entendimento firmado, relevante reproduzir os itens 14 a 17 da referida nota explicativa: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Neste mesmo ano de 2018, a COSIT emitiu o Parecer Normativo n o 5/2018 apresentando as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n o 1.221.170/PR. A seguir, a ementa do referido Parecer Normativo: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 1122DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Diante da decisão judicial vinculante aos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, §2 o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, no qual o REsp. 1.221.170/PR consolidou o entendimento a respeito da conceituação de insumos na sistemática da não- cumulatividade das Contribuições para o PIS e para a COFINS, adentremos nas circunstâncias fáticas que regem a presente controvérsia, não só no que concerne a análise das glosas dos créditos relacionados a insumos, mas todas as matérias apresentadas pelo recurso voluntário. 1) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal Neste tópico, em síntese, a fiscalização entendeu por majorar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, incluindo as subvenções governamentais concedidas pelos Estados da Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás por entender que as referidas subvenções possuíam natureza de custeio. Inicialmente a Recorrente ressalta que os valores lançados na conta de Reserva de Investimento transitaram em contas de receitas e compuseram a base de cálculo do PIS/COFINS e que o valor total constante das notas fiscais (que inclui ICMS, PIS e COFINS) está 100% lançado na receita e compõe o faturamento da empresa. O valor registrado na conta Reserva de Capital vem a ser uma renúncia fiscal do ICMS por parte do Estado. Entende ainda que na coletânea de leis acerca das contribuições não há indicação de que as Reservas para Subvenção são consideradas como faturamento ou receita bruta, ou que servem de base de cálculo para a apuração, citando os arts. 1 os das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03 e seus respectivos §§3 os e o art. 195, I, “b” da CF88. Ressalta ainda que as citadas contribuições somente podem incidir sobre o “faturamento” (soma dos valores nas operações de venda ou de prestação de serviços), jamais sobre o valor referente ao ICMS e decorrentes de reserva para subvenções para investimentos. Afirmando ainda que não deve prevalecer o entendimento da fiscalização em tentar transformar subvenção para investimento em subvenção para custeio, não podendo confundir a diferença entre os dois tipos de subvenções. E que a própria fiscalização reconhece no Relatório Fiscal que o art. 21 da Lei n o 11.941/2009 excluiu as subvenções para investimento da base de cálculo do PIS/COFINS, mas que teria sido revogada pela Lei n o 12.973/14. Ressalta que a fiscalização, ao entender que as subvenções não estão previstas como exclusão nos respectivos §§3os, estariam afrontando flagrantemente o princípio da estrita legalidade tributária, olvidando-se de que sua Fl. 1123DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 atividade é plenamente vinculada nos termos do art. 142 do CTN, para tanto apresenta alguns posicionamento doutrinários sobre o princípio da legalidade. Apresenta também argumentos no sentido de diferenciar receita de faturamento, indicando que receita é gênero e faturamento é uma espécie de receita, não podendo entendê-los como sinônimos, conforme destacado no dispositivo constitucional citado. Nesta linha de raciocínio, cita a decisão do STF no RE n o 390.840/MG, que consagrou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n o 9.718/98, e que tratou também desta diferenciação entre receita e faturamento. Cita ainda o RE n o 240.785/MG que tratou da necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PASEP no enfoque de que o tributo estadual “não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria, quer de serviço”. Ou seja, segundo a recorrente os valores da reserva de subvenção para investimento não podem ser considerados como “receita de natureza diversa”, o que estaria ferindo o Princípio da Segurança Jurídica ao alterar definições de conteúdo, conceitos e formas de direito privado nos termos do art. 110 do CTN. A Recorrente traz ainda diversos entendimentos jurisprudenciais e doutrinários acerca do conceito de Subvenção, exatamente no sentido de que não é uma receita ou faturamento da empresa, mas sim uma renúncia fiscal, com o intuito de incentivar o desenvolvimento de determinados setores da economia. Segundo o art. 182, §1º, alínea “d” da Lei n o 6.404/76, “as doações e as subvenções para investimento” devem ser classificadas como reserva de capital. Destaca que o motivo desta determinação legal é justamente devido ao fato de as subvenções não integrarem a receita e, por consequência, não interferir na apuração do resultado da pessoa jurídica. Apresenta ainda o conceito jurídico de Subvenção constante da Lei n o 4.320/64, legislação que estabelece normas gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços dos entes federativos. A Recorrente enfrenta ainda os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, especificamente nos itens 25 e 26 do voto do acórdão recorrido, no sentido de manter a tributação do PIS/COFINS sobre o ICMS. No seu entendimento a então pendência de julgamento em face dos embargos opostos não impede o reconhecimento do quanto ficou decidido acerca do mérito da matéria pelo STF, qual seja, não cabe a incidência das referidas contribuições sobre o ICMS, da mesma forma que restou decidido pelo STJ no REsp. 1319102/RS de que o crédito presumido de ICMS não se enquadra como receita ou faturamento, devendo também ser excluído da base de cálculo das contribuições, tema que teve reconhecida a repercussão geral no RE n o 835.818. A Recorrente acrescenta aos seus argumentos as alterações procedidas na Lei n o 12.973/14, introduzidas pela Lei Complementar n o 160/17, cujo objetivo foi afastar a Guerra Fiscal entre os Estados e consolidar o caráter de “subvenção para investimentos” dos benefícios fiscais concedidos. Ou seja, a fiscalização pretende impor uma restrição legal (requisitos) para as contribuições ao PIS e COFINS que somente devem ser aplicados para fins de IRPJ e CSLL quando da apuração do lucro real, ferindo o princípio da legalidade tributária. Por derradeiro, a Recorrente faz uma breve análise dos incentivos contabilizados, a título de exemplo, com vistas a consolidar o seu entendimento quanto às subvenções. O PRODEPE, concedido pelo Estado de Pernambuco pela Lei n o 11.675/99, em seu art. 1º define a finalidade do incentivo (fomentar investimentos na atividade industrial e comércio atacadista), já o art. 14 estabeleceu as condições para ter os benefícios (empreendimentos novos ou com ampliação mínima da capacidade instalada de 20%). Em seguida, apresenta o programa de Fl. 1124DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 incentivo DESENVOLVE do Estado da Bahia, também com a finalidade de desenvolvimento local. Ou seja, todos os incentivos fiscais contabilizados foram efetivamente para fins de investimentos com vistas a fomento e desenvolvimento local cuja contrapartida não seria o recebimento de qualquer valor, mas tão somente o desconto do valor do ICMS devido. Conclui no sentido de que os valores registrados nas Reservas para Subvenção não podem ser caracterizados como faturamento e, via de consequência, serem tributados pelas contribuições para PIS e COFINS. Destaque-se os seguintes fundamentos utilizados pela DRJ para manter a majoração da base de cálculo do PIS/COFINS: - As Leis n os 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a base de cálculo das referidas contribuições é qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independente de sua classificação contábil; - O PIS/COFINS incidente sobre o ICMS, que faz parte do faturamento, não se confunde com a tributação exigida pela fiscalização através das subvenções concedidas pelos Estados e incluída na base de cálculo daquelas contribuições, por intermédio da redução ou do crédito presumido de ICMS; - As subvenções (para custeio) possuem natureza jurídica de receita bruta operacional nos termos do art. 44, IV da Lei n o 4.506/64; - A Lei n o 11.941/09 determinou que as subvenções para investimentos não integravam a base de cálculo do PIS/COFINS; - Este entendimento foi mantido pela Lei n o 12.973/14, que alterou as Leis n os 10.637/02 e 10.833/03, incluindo o inciso IX/X nos §§3º dos seus artigos 1 os ; - Com base na interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n o 112/78, subvenções para custeio é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com vistas a auxiliá-la em suas despesas e operações relacionadas com seus objetivos sociais. Já a subvenção para investimento é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de aplica-los em projetos apresentados pelo subvencionador para implantação ou expansão do empreendimento econômico; - A alteração do §5º do art. 30 da Lei n o 12.973/14 procedida pela LC n o 160/17 somente passou a ser aplicada com a entrada em vigor desta Lei Complementar e alcançando fatos geradores ocorridos após a sua vigência; - A decisão de piso, para fins de verificar se foi procedente a interpretação dada pela autoridade fiscal de que não se tratava de subvenção para investimento, mas sim para custeio, analisou cada Programa conforme a seguir: * DESENVOLVE – confirma o entendimento da fiscalização de que o programa não vincula os ganhos da subvenção a aplicação em investimentos em expansão de empreendimento econômico. Podendo os recursos ser utilizados em quaisquer despesas, devem ser caracterizadas como subvenções para custeio; Fl. 1125DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 * PRODEPE – também não há vinculação dos recursos recebidos para fins de investimentos. A própria Lei n o 11.675/99 (Estado do Pernambuco) que instituiu o programa é explícita em permitir o uso da subvenção como capital de giro. Portanto, correta a classificação como subvenção para custeio. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso do Sul – conforme Termo de Acordo n o 10/07, constante do processo n o 13971.907537/2016-32, o benefício fiscal concedido ao estabelecimento localizado no município de Dourados não está atrelado a qualquer tipo de investimento, mas somente a operações já existentes. * Subvenção concedida pelo Estado do Piauí – o incentivo fiscal foi concedido para criação e manutenção de 500 postos de trabalho, portanto não pode ser enquadrada como subvenção para investimento. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso – não podem garantir que os valores subvencionados foram efetivamente aplicados em investimento pois não há no protocolo de intenções e no Termo de Acordo (constantes do processo n o 13971.907537/2016-32) obrigatoriedade de aplicação dos recursos em ativo fixo da empresa. * Subvenção concedida pelo Estado de Goiás – a Resolução n o 1806/03 (juntada pelo contribuinte nos autos do processo n o 13971.907537/2016-32) consta como única condição para fruição do benefício é o prazo de 324 meses, desvirtuando da natureza de subvenção para investimento. Diante destas colocações, a decisão de piso entendeu como correta a caracterização das mencionadas subvenções como sendo de custeio e, via de consequência, a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS. Inicio meu voto fazendo uma explanação a respeito da cronologia da legislação afeta ao tema e o entendimento deste relator sobre classificação das subvenções governamentais bem como sobre a sua sujeição à tributação. Conforme bem delineado pelo Parecer Normativo CST n o 112/78, citado e reproduzido pela decisão de primeira instância, as subvenções para custeio dizem respeito a incentivos nos quais destinam recursos a pessoas jurídicas com vistas a auxiliá-las em suas despesas correntes e operacionais. Já as subvenções para investimentos destinam-se ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimento econômico, quer por meio da liberação de recursos ou a concessão de benefícios fiscais – inclusive isenção ou redução de impostos. No que concerne às subvenções para custeio, sendo assim caracterizadas, devem integrar a receita bruta operacional, nos termos do art. 44, inciso IV da Lei n o 4.506/64 e estarão sujeitas a incidência das contribuições para o PIS e da COFINS. Já em relação às subvenções para investimentos, também sendo assim caracterizadas, a regra geral é que não devem integrar as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX), incluído pela Lei n o 12.973/2014 (vigência a partir de 1º de janeiro de 2015). Reproduzo: Fl. 1126DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Art. 1 o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito Art. 1 o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) X - de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos Importante ressaltar que os referidos artigos, bem como outros afetos a este tema, foram revogados pela Medida Provisória n o 1.185/2023, entretanto, a produção de efeitos das revogações nela previstas somente ocorrerão a partir de 1º de janeiro de 2024, conforme disposição contida no art. 16 da MP. Diante das definições acima apresentadas, a questão a ser analisada é verificar se as subvenções governamentais concedidas pelos Estados da Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás devem ser consideradas Subvenções para Custeio ou para Investimento. Antes de adentrarmos na análise das questões afetas ao cabimento da tributação das subvenções para investimentos, vejamos o tratamento contábil que deve ser aplicado às concessões governamentais. O §2º do artigo 38 do Decreto-Lei 1.598/77 dispôs que as subvenções para investimentos não seriam computadas na determinação do lucro real, desde que registradas em conta de Patrimônio Líquido (Reserva de Capital): §2º - As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos Como estamos diante de uma Sociedade Anônima, a Recorrente está sujeita às normas contábeis determinadas pela Lei n o 6.404/76 que, no mesmo sentido do Decreto-lei n o Fl. 1127DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 1.598/77, determinava o registro das Subvenções para Investimentos na conta Reserva de Capital nos termos do art. 182, §1º, “d”. Contudo, esta determinação legal foi revogada pela Lei n o 11.638/2007, facultando a destinação das doações e subvenções governamentais para investimentos para a conta de Reserva de Incentivos Fiscais, nos termos do art. 195-A da Lei n o 6.404/76. A partir de então, o tratamento contábil a ser aplicado às Subvenções para Investimentos, conforme previsão contida no CPC – 07 R1, todas as subvenções deveriam ser contabilizadas como receitas, ou seja, compor o resultado do exercício. Destaque-se que a Lei n o 11.941/2009 (conversão em Lei da MP n o 449/2008) teve por objetivo a garantia da neutralidade tributária decorrente dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n o 11.638/2007. Para tanto instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do Lucro Real. O art. 18 da Lei n o 11.941/2009 disciplinou as condições para exclusão das subvenções para investimento do lucro real nos seguintes termos: 1) reconhecer o seu valor em conta de resultado pelo regime de competência; 2) excluir do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); 3) manter em reserva de lucro a parcela decorrente de subvenções até o limite do lucro líquido; 4) adicionar ao LALUR quando tiver destinação diversa. Repare que, apesar de estar tratando de Lucro Real, o art. 21 ressalta que poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS o valor das subvenções de que trata o referido art. 18. Ou seja, de acordo com a Lei n o 11.941/2009, verifica-se a necessidade de análise do tratamento contábil dispendido às subvenções para investimentos em relação aos requisitos e condições aplicados não só para fins de tributação do imposto de renda pelo lucro real mas também para as contribuições sociais. Passando à análise das questões afeta à tributação. A regra geral para fins de tributação das contribuições para o PIS e da COFINS é que as Subvenções para Investimentos não serão tributadas nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX), a princípio a partir de 1º de janeiro de 2015, conforme já exposto parágrafos acima. Entretanto, para que não haja tributação, nos termos da lei, necessário verificar se as subvenções para investimentos de fato devem ser assim classificadas/caracterizadas tal qual enquadradas pelo sujeito passivo. Antes da edição da Lei n o 12.973/2014, utilizavam-se os conceitos de subvenções governamentais contidos no Parecer Normativo CST 112/1978, bem como o tratamento contábil neles aplicados para verificação do seu correto enquadramento. Ou seja, deveriam ser efetiva e especificamente destinadas ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimento econômico e registradas em contas de reserva de capital (até edição da Lei n o 11.638/2007) ou compor contas de resultado do exercício com faculdade de registro em conta de Reserva de Incentivos Fiscais (após a edição da Lei n o 11.638/2007). Não cumprindo estes requisitos, as Subvenções para Investimentos seriam tributadas. Com o advento do novo tratamento contábil dado às subvenções, é editada a Lei n o 12.973/2014 cujo art. 30 traz a determinação de que as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real desde que concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, registradas na conta de reserva de lucros (Reservas de Incentivos Fiscais) e que sua utilização seja apenas para a absorção de prejuízos ou aumento de capital. Fl. 1128DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Até a edição da Lei n o 12.973/2014, inclusive, resta evidente a necessidade de ocorrência das seguintes condições, em síntese, para que os valores recebidos a título de Subvenções para Investimento não sejam sujeitos à tributação federal: 1) concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; 2) registro em conta de Patrimônio Líquido (Reserva de Lucros/Reserva de Incentivos Fiscais); 3) utilizados para absorção de prejuízos ou aumento de capital; 4) aplicação na implantação ou expansão do empreendimento (nos termos do PN 112/78). Entretanto, a partir da vigência da Lei Complementar n o 160/2017, que inseriu os §§4º e 5º do art. 30 da Lei n o 12.973/2014, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro- fiscais relativos ao ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal “são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos” no caput de tal dispositivo. Já o §5º esclareceu ainda que esse entendimento deve ser aplicado, inclusive, aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Portanto, com a inserção dos mencionados §§4º e 5º ao art. 30 da Lei n o 12.973/2014, entendo que não é mais cabível a exigência a respeito da demonstração pelos sujeitos passivos de que houve a aplicação dos recursos oriundos das subvenções na implantação ou expansão do empreendimento. Destaque-se ainda que, nos termos do art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017, os convênios deverão atender também as seguintes condições a serem observadas pelos entes federativos: 1) publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais; 2) efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária. Ou seja, além dos requisitos/condições previstos no art. 30 da Lei n o 12.973/2014, exigidos do subvencionado, há ainda exigências a serem cumpridas pelo Estado subvencionador, nos termos do caput do citado art. 30 e do art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017. Relevante aqui fazer um adendo de que, apesar deste relator ter apresentado os requisitos previstos no caput do art. 30 da Lei n o 12.973/2014, especificamente no que concerne a registro das subvenções em reservas de incentivos fiscais (reservas de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei n o 6.404/76) e na verificação da sua utilização para absorção de prejuízo ou aumento de capital social, tais requisitos são determinações legais específicas para fins de apuração do lucro real. Ou seja, não há previsão legal expressa destas condições para fins de exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS. Este entendimento também se encontra consubstanciado nas conclusões da Solução de Consulta COSIT n o 253/2023 de 25 de outubro de 2023. Após a apresentação deste necessário transcurso da evolução legislativa sobre as subvenções governamentais, entendo que, para todos os processos administrativos (e judiciais) não definitivamente julgados, deve ser analisado o cumprimento dos seguintes requisitos para fins de verificação da possibilidade da sua exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS: Fl. 1129DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 1) concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; 2) publicação pelo Estado subvencionador, em seus respectivos diários oficiais, da relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais; 3) registro e depósito da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais na Secretaria Executiva do CONFAZ. Passo à análise do caso concreto. A fiscalização entendeu que todos os atos instituidores dos incentivos fiscais possuem características de subvenções para custeio. Inicialmente examino os atos instituidores verificando se de fato foram concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Vejamos um a um. * DESENVOLVE – apesar de a fiscalização entender que o programa não vincula os ganhos da subvenção a aplicação em investimentos em expansão de empreendimento econômico, entendo que o ato instituidor (Resolução n o 012/2008) em seu art. 1º habilitou a Recorrente aos benefícios do programa DESENVOLVE para o “projeto de ampliação da BUNGE ALIMENTOS S/A CNPJ n o 84.045.101/0228-39, localizado no município de Luiz Eduardo Magalhães”. A própria fiscalização destaca que Lei n o 7.980/2001 que criou o incentivo teve por finalidade a “instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos e processos já existentes”. Portanto, essas subvenções foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. * PRODEPE – no mesmos sentido do programa instituído pelo Estado da Bahia, apesar de não haver vinculação dos recursos recebidos para fins de investimentos e haver a possibilidade de uso da subvenção como capital de giro, conforme previsão contida na Lei n o 11.675/99 (Estado do Pernambuco) que instituiu o programa, esta mesma lei teve por objetivo atrais e fomentar investimentos na atividade industrial e, conforme consta do seu art. 5º, para o grupo de empresas industriais o incentivo alcançou exclusivamente as “hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos”. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso do Sul – conforme apontado pela fiscalização no Termo de Acordo n o 10/07 de fato o benefício fiscal concedido ao estabelecimento localizado no município de Dourados não está atrelado a qualquer tipo de investimento. As subvenções foram concedias para manutenção da empresa instalada no município, sem prever qualquer tipo de implantação ou expansão do empreendimento industrial. Destaque-se que a única condição para fruição do benefício foi no sentido de que a subvencionada não destinasse óleo de soja para fins combustíveis, exceto nas saídas para indústrias fabricantes de biocombustíveis. Portanto, entendo que essas subvenções não foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 1130DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 * Subvenção concedida pelo Estado do Piauí – a fiscalização entendeu que o incentivo fiscal foi concedido somente para criação e manutenção de 500 postos de trabalho, não pode ser enquadrada como subvenção para investimento. Entretanto, analisando a Lei n o 4.859/96 do Estado do Piauí, previu no seu art. 1º a concessão do incentivo fiscal quando houver acordo com estabelecimentos industriais para “implantação, relocalização, revitalização e ampliação de unidades fabris já instaladas”. O art. 2º definiu como ampliação “o aumento da capacidade instalada do estabelecimento, do qual resulte incremento real de receita e/ou absorção de mão-de-obra, de pelo menos 1/3 (um terço) da já existente, exceto se decorrente de fusão ou incorporação de empresas, de que trata o § 6º do art. 4º”. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos.. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso – a fiscalização afirma que não neste caso não há como garantir que os valores subvencionados foram efetivamente aplicados em investimento pois não há no Protocolo de Intenções e no Termo de Acordo firmados 29/09/2005 e 05/05/2008, respectivamente, obrigatoriedade de aplicação dos recursos em ativo fixo da empresa. Esta perspectiva abordada pela fiscalização não encontra base legal, conforme explanado neste voto, para fins de inclusão destas subvenções na base de cálculo das contribuições. Os mencionados incentivos foram concedidos para fins de implantação de uma indústria no Município de Mutum/MT. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos.. * Subvenção concedida pelo Estado de Goiás – a fiscalização cita a Resolução n o 1806/03 e afirma que consta como única condição para fruição do benefício é o prazo de 324 meses, desvirtuando da natureza de subvenção para investimento. Concordo com a fiscalização. O documento apresentado não faz prova alguma de que o incentivo concedido tenha vínculo com qualquer estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos no Estado de Goiás. Portanto, entendo que essas subvenções não foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Passo à apreciação dos requisitos referentes à publicação pelo Estado subvencionador da relação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais e dos registros e depósitos da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais na Secretaria Executiva do CONFAZ. A Recorrente apresentou nos autos do processo 13971.907540/2016-56 (julgados nesta mesma sessão de julgamento) os documentos DOC 01, DOC 02 e DOC 03 nos quais constam a publicação dos atos normativos nos respectivos diários oficiais dos Estados objeto desta análise, os certificados de registros e depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ dos atos concessórios dos referidos Estados e o Relatório de Diligência do processo n o 13971.723959/2015-76, emitido pela DRF Blumenau, e cuja conclusão foi no sentido de que os requisitos previstos nas cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/17 foram comprovados. Considerando os fundamentos utilizados pela fiscalização para descaracterização das subvenções para investimentos classificadas pela Recorrente e enquadrando-as como subvenções para custeio. Considerando ainda os termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX) bem como as condições estabelecidas no art. 30 da Lei n o 12.973/2014 e no art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017. Considerando por fim que os requisitos previstos nas cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/17 (art. 3º, I e II da LC 160/2017) foram atendidos. Voto por dar parcial provimento ao recurso para afastar a majoração Fl. 1131DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio No que tange ao REINTEGRA, a Recorrente afirma que, mesmo se tivesse havido equívoco no lançamento contábil dos valores correspondentes na conta 3222003, não se trata de receita, mas de uma não despesa por se tratar de devolução tributária como estimula à produção nacional e exportação de produtos manufaturados nos termos da Lei n o 12.546/11, especificamente nos termos do que consta no §12 do seu art. 2º, citando nesta linha de entendimento decisão proferida pelo TRF da 4ª Região. Reproduz-se o citado §12: § 12. Não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Não restam dúvidas de que estamos diante de uma subvenção governamental cuja única contrapartida exigida é a exportação de bens. Os objetivos desta subvenção não vem a ser uma concessão ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimentos econômico, ou seja, são caracterizadas como subvenções para custeio em virtude de poderem ser destinadas a manutenção da própria atividade da empresa. Com isso, em tese, as subvenções derivadas do REINTEGRA (programa do Governo Federal de estímulo a exportação de produtos manufaturados) são consideradas receita bruta e comporiam a base de cálculo das contribuições sociais objeto desta análise. Entretanto, conforme disposição legal expressa citada pela própria recorrente, nos termos do §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2911, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Perceba que estamos diante de majoração da base de cálculo do período de apuração relacionada ao ano de 2012. Não há que se falar em utilização do Reintegra de exportações que ainda iriam acontecer, portanto são concernentes a exportações procedidas antes desse período. Logo, os valores objeto destas subvenções devem integrar a base de cálculo das contribuições por não se enquadrarem na regra estabelecida no §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2911. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero) Fl. 1132DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 A Recorrente alega neste tópico que a fiscalização equivocadamente alterou a classificação fiscal da pré-mistura para pão de 1905.90.90 para 1901.20.00, refutando a Solução de Consulta apresentada quando da resposta a Intimação Fiscal e se utilizando de Consultas que trataram de “pão de hot dog e de hambúrguer”. Entende a Recorrente que as Soluções de Consultas utilizadas pela fiscalização não são compatíveis com o seu produto (situações fáticas diversas). Rejeita também a conclusão do relatório fiscal no sentido de utilizar “sugestões” (Benefícios e Modo de Preparo) contidas no sítio da própria recorrente para “Pão doce” e “Pão de hot dog e de hambúrguer” pois tais “sugestões” não tem o poder de alterar a formulação das pré-misturas, nem mesmo desqualifica-las como destinadas a produzir o ”pão comum”. Ou seja, não houve por parte da fiscalização questionamento a respeito da formulação, mas uma interpretação extensiva das características do que se produzirá com as pré-misturas após sua comercialização e aquisição. Um fato posterior não pode alterar a classificação fiscal do produto. A recorrente afirma ainda que o acórdão recorrido utilizou outra fundamentação para afirmar que a pré-mistura não é destinada para produção de “pão comum”, destacando que nas pré-misturas de pão francês contém “ésteres de ácido diacetil tartárico estabilizante”, ingrediente ausente da pré-mistura de pão de forma, de hambúrguer e hot dog e de pão doce. Destaca a Recorrente que os “ésteres de ácido diacetil tartárico estabilizante” são considerados “aditivos” que devem ser acrescentados conforme determinações da ANVISA (Portaria SVS/MS nº 540/1997). Portanto, aditivo não é ingrediente, mas segurança alimentar. Conclui afirmando que o julgador não poderia estabelecer critérios não enfrentados no Relatório Fiscal para definir se uma mistura é para pão comum ou não, considerando as quantidades destes ingredientes. Inicialmente é relevante destacar que o artigo 1° da Lei 10.925/04 reduz a zero as alíquotas das contribuições nas vendas de “pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da Tipi”. Portanto, necessário verificar se estamos diante de “pré-mistura para pão comum” ou “pão comum”. Mas o que vem a ser “pré-mistura para pão comum” ou “pão comum”? A nota A1 da Posição 19.05 da NESH trata especificamente do pão comum e destaca que este “frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal”. Já a Exposição de Motivos da Lei 11.787/08 que incluiu o inciso XVI no art. 1º da Lei n o 10.925/04 esclarece que o pão comum é “obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar”. Ou seja, o pão comum deve ser constituído apenas por farinhas de cereais, fermento, água, sal e/ou açúcar. Via de consequência, as pré-misturas, para derivarem pães comuns, devem ser apenas ser adicionadas à sua composição o ingrediente água. As pré-misturas desqualificadas pela fiscalização como sendo para pão comum são os destinados a “pão doce”, “”pão de forma”, pão de hot dog” e pão de hambúrguer”. Essa desqualificação decorreu da identificação no sítio da recorrente de que, para cada um dos citados pães, havia a sugestão de adição de ingredientes como recheios (pão doce) e leite em pó (pão de forma). Como estamos tratando de pleito relacionado a direito creditório, e a fiscalização afirma que para ser pré-mistura para pão comum a composição deve ser unicamente de farinha de cereais, fermento e sal, nos termos da nota da NESH já reproduzida, não entendo que a Fl. 1133DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 decisão recorrida tenha inovado na fundamentação para afirmar que a pré-mistura não é destinada para produção de “pão comum”, tal qual afirmado pela Recorrente. O que importa neste momento é verificar se a composição das pré-misturas estão de acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da norma (Lei n o 11.787/08) que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero para tais pré-misturas. Vejamos o que consta como ingredientes da “PRÉ MISTURA PRÉ-MESCLA PÃO DOCE - 25KG” e da “PRÉ MISTURA PRÉ-MESCLA PÃO DE FORMA, HAMBÚRGUER E HOT DOG - 25KG” juntados às e-fls. 478 a 483: * Ingredientes do pão doce – “Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. CONTÉM GLÚTEN.” * Ingredientes dos pães de forma, hambúrguer e hot dog – “farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. CONTÉM GLÚTEN.” Ou seja, verifica-se que as pré-misturas não contém apenas “farinhas de cereais, fermento, água, sal e/ou açúcar”, mas outros ingredientes/aditivos, seja qual for a denominação atribuída pela recorrente para as substâncias/produtos inseridos na mistura. Destaque-se que a recorrente alega se tratar de aditivos “obrigatoriamente acrescentados atendendo determinações da ANVISA através da Portaria SVS/MS n o 540/1997”. Entretanto, ao analisar a referida portaria, verifico que não há nenhuma determinação para utilização de aditivos, mas sim uma regulação por parte daquela Agência de modo a ter controle sobre a aplicação destes nos ingredientes dos alimentos produzidos. Ressalte-se ainda que, apesar de a Recorrente afirmar que se trata de aditivo e não ingrediente, a própria portaria assim define ingredientes: “1.1 Ingrediente: é qualquer substância, incluídos os aditivos alimentares, empregada na fabricação ou preparação de um alimento e que permanece no produto final, ainda que de forma modificada. (grifos do relator) 1.2 - Aditivo Alimentar: é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, trans-porte ou manipulação de um alimento. Ao agregar-se poderá resultar em que o próprio aditivo ou seus derivados se convertam em um componente de tal alimento. Esta definição não inclui os contaminantes ou substâncias nutritivas que sejam incorporadas ao alimento para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais.” Portanto, concordo com a fiscalização e a decisão recorrida que não se trata de pré-misturas de pão comum. Este mesmo entendimento foi o adotado pelo Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto no voto vencido no Acórdão n o 3401-009.071, desta mesma 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Reproduzo a seguir trecho do voto vencido: Fl. 1134DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 2.3.4.1. Em complemento, a NESH ao tratar do pão comum (nota A1 da Posição 19.05) destaca que este “frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal” em sentido próximo a Exposição de Motivos da Lei 11.787/08 (que criou o benefício em voga) esclarece que o pão comum é “obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar”. Somando todo o descrito temos que incide alíquota zero das contribuições nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. 2.3.5. A Recorrente trouxe aos autos com a Impugnação os ingredientes de todas as pré- misturas em discussão. Nela pode-se observar que: 2.3.5.1. A Mistura Pré-Mescla para o preparo de pão congelado contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, sal, açúcar, estabilizantes: ésteres de ácido diacetil tartárico e mono e diglicerídeos de ácidos graxos e/ou estearoil-2-lactil lactato de cálcio e/ou polisorbato 80 e melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.2. A Mistura Bentamix para o preparo de pão doce contém farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e/ou estearoil-2- lactil lactato de cálcio e/ou polisorbato 80, conservador propionato de cálcio e melhorador de farinha ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.3. A Mistura Bentamix Levain para o preparo de pães rústicos contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, farinha de trigo integral, levedura de cerveja inativa, sal, estabilizante: estearoil-2-lactil lactato de cálcio, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.4. A Mistura Bentamix Levain para o preparo de pães rústicos integrais contém Farinha de trigo integral enriquecida com ferro e ácido fólico, levedura de cerveja inativa, sal, estabilizante: estearoil-2-lactil lactato de cálcio, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.5. A Mistura Pré Mescla para o preparo de pães doces contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio; 2.3.5.6. A Mistura Pré Mescla para o preparo de pães integrais contém Farinha de trigo integral enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, conservador: propionato de cálcio e melhoradores de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida; 2.3.5.7. Por fim, a Mistura Pré Mescla para o preparo de pão de forma, hambúrguer e hot dog contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. 2.3.6. Em assim sendo, nenhuma das misturas vendidas pela Recorrente atende aos requisitos legais – conter apenas farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar – pelos motivos em itálico sendo de rigor a manutenção da tributação tal qual exigida no auto de infração. Fl. 1135DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM Neste item a Recorrente alega que não há a limitação apresentada pelo acórdão recorrido e contido no art. 54 da Lei n o 12.350/2010 de que os produtores de ração para aves e suínos tenham necessariamente que comercializá-lo, como é o caso da Cooperativa Rio do Peixe e Eliano Antunes de Oliveira, mas os mesmos teria adquirido os farelos de soja e algodão para fabricação de ração animal. Reafirma, ainda, que todas as vendas realizadas pela recorrente foram para pessoas jurídicas adquirentes dos produtos e que possuíam, como atividade secundária, a criação de bovino para corte, a criação de suíno e a produção de ração para suínos. A questão tratada neste tópico se refere a correção do afastamento da suspensão da incidência da Contribuição para o PIS prevista no art. 54 da Lei n o 12.350/2010 em relação às vendas de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) procedidas a determinadas pessoas jurídicas e que, segundo a fiscalização, não produziam as “mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM” nem as “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM”. Reproduzo os NCMs indicados na norma e citados no parágrafo anterior. Sintetizando, o benefício da suspensão engloba as vendas realizadas a pessoas jurídicas que produzam carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves e ração para suínos e aves vivos. Conforme consta do Relatório Fiscal, a fiscalização indicou as vendas cujos CNAE não foram compatíveis com as atividades de produção previstas para usufruir do benefício da suspensão. Reproduzo a tabela elaborada pela fiscalização e utilizada como fundamento para incluir as vendas na base de cálculo das contribuições: Fl. 1136DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Ainda segundo a fiscalização, apesar de a recorrente ter informado que as atividades secundárias das empresas adquirentes dos farelos era a criação de bovinos para corte, a criação de suínos e a produção de rações para suínos, esta última em relação à Cooperativa Rio do Peixe, especificamente em relação a cooperativa, a Recorrente não demonstrou que a atividade de produção de ração para suínos ocorreu antes da sua incorporação. Em contraponto ao descrito pela fiscalização, a recorrente trouxe em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário a afirmação de que Cooperativa Rio do Peixe e o produtor Eliano Antunes de Oliveira produziam ração para consumo próprio conforme declarações destes juntadas aos autos. Em relação às vendas realizadas para a Cooperativa Rio do Peixe e para o Eliano Antunes de Oliveira (PJ), entendo que as declarações apresentadas não são suficientes para demonstrar a atividade econômica exercida pelas pessoas jurídicas. É necessária a comprovação por meio da apresentação do registro de suas atividades de maneira formal pelo contrato social ou pelo cartão do CNPJ que a empresa produz ração para suínos tal qual questionado pela fiscalização durante o procedimento fiscal. Neste sentido, considera-se inquestionável que a atividade de ambas as empresas, a época dos fatos, era a constante do CNAE 4611700 (Representantes comerciais e agentes do comércio de matérias-primas agrícolas e animais vivos) e 0111302 (Cultivo de Milho). Portanto, não permitindo à Recorrente a venda dos citados farelos com o benefício da suspensão das contribuições conforme previsão contida no art. 54 da Lei n o 12.350/2010. Já em relação as demais vendas procedidas com suspensão, a recorrente somente alegou nas duas instâncias recursais que as atividades secundárias exercidas pelas adquirente se refere a criação de bovino para corte, a criação de suíno e a produção de ração para suínos. Contudo, além de a criação dos citados animais não se confundir com a produção carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves, a recorrente também não logrou êxito em demonstrar que as referidas adquirentes possuíam em suas atividades a produção de ração para suínos e animais vivos. Esta mesma Turma, em outra composição, julgando o processo n o 13971.722179/2018-51 da mesma Recorrente, negou provimento sobre o mesmo tema conforme trecho do Acórdão n o 3401-009.071 a seguir reproduzido: Fl. 1137DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 (...) COFINS. PIS. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite (entre outras coisas) a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza 1) carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão) Afirma que as saídas de óleo de soja degomado para COOPERBIO COOPERATIVA DE BIOCOMBUSTÍVEL não consistiam efetivas operações de vendas conforme contrato de permuta firmado com a COOPERBIO (DOC 1). Ou seja, não ocorreu compra e venda, podendo ser constatado no CFOP das notas fiscais eletrônicas cujo número é 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado). Para esta suspensão da incidência do PIS/COFINS cita o art. 47-A da Lei n o 12.546/2011. Já para as vendas realizadas para os demais clientes, aplicou a suspensão pelos motivos já aduzidos durante a fiscalização. O fundamento da fiscalização para incluir essas vendas na base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS foram em virtude de ter havido, no meu entendimento, efetivamente uma operação de compra e venda conforme informações constantes da contabilidade da Recorrente em sua conta de receita operacional 4101010115 – VENDA SUSP PIS E COFINS(subconta da conta 3111 – VENDAS DE PRODUTOS) bem com na EFD ICMS/IPI da COOPERBIO (CFOP 1101 – Compra para industrialização ou produção rural). Ou seja, ambas as empresas efetuaram o registro destas operações como uma operação de compra e venda. Destaca ainda que na auditoria ficou constatado que, inexplicavelmente, em outras operações idênticas entre a Recorrente e a COOPERBIO houve o oferecimento de determinadas vendas à tributação das contribuições. Já para as demais vendas a produtores de biodiesel, ressalta que a suspensão prevista no art. 47-A da Lei n o 12.546/11 somente alcança a venda de matéria-prima in natura, o que não é o caso do óleo de soja que, nos termos do § 2º do art. 78 da Lei nº 12.715/12, foi regulamentado pela IN RFB n o 1.514/2014. Ou seja, não sendo matéria-prima in natura, não há que se falar em suspensão das contribuições. Concordo em parte com os fundamentos utilizados pela fiscalização e corroborados pela decisão recorrida. Fl. 1138DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 De fato, no caso das notas fiscais de saída de óleo de soja degomado da Recorrente à COOPERBIO, estamos diante de uma situação que efetivamente se enquadra nas operações de compra e venda conforme registros contábeis e fiscais de ambas as empresas indicadas pela fiscalização. Entretanto, a Recorrente comprova ter havido uma operação de permuta, tal qual alegado em seu recurso, quando apresenta o Instrumento de Contrato de Permuta (DOC 1), assinado em 09/01/2012, no qual prevê a permuta de 1.200.000 quilos de soja por óleo bruto degomado, a ser definido conjuntamente entre as partes (COOPERBIO e unidade de BUNGE na Cidade de Nova Mutum – MT), e a serem entregues (soja, pela COOPERBIO e óleo, pela BUNGE) até o dia 25/01/2012. Portanto, as operações de “vendas” no período compreendido entre 09/01/2012 e 25/01/2012 devem ser caracterizadas como permuta. Já em relação às demais operações de vendas de óleo de soja degomado, também concordo com os argumentos da fiscalização de que não se trata de uma matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A da Lei n o 12.546/11. A norma legal é clara e não deixa margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). Esta mesma Turma, em outra composição, julgando o processo n o 13971.722179/2018-51 da mesma Recorrente, negou provimento sobre o mesmo tema conforme trecho do Acórdão n o 3401-009.071 a seguir reproduzido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 (...) COFINS. PIS. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. A Lei 12.715/2012 incluiu na Lei 12.546/2011 o artigo 47-A que dispõe sobre a suspensão das vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. A mesma Lei 12.715/2012, em seu artigo 78, descreve que a suspensão começa a produzir efeitos a partir de sua regulamentação, o que ocorreu em 20 de novembro de 2014 com a publicação da Instrução Normativa RFB 1.514/2014. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso neste particular para reduzir a majoração da base de cálculo relacionado às operações de vendas da recorrente à COOPERBIO no período de 09/01/2012 a 25/01/2012. 6) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes Fundamenta o direito ao crédito pleiteado no art. 3º, II das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. Ressalta que na resposta ao TIF 03 apresentou documentos que demonstraram a sua efetiva utilização. Destaca que estes combustíveis e lubrificantes são utilizados em caminhões para transportes de insumos, produtos semi-elaborados e acabados dentro do estabelecimento industrial e que, para o convencimento da autoridade fiscal, seria necessária uma visita “in loco” a algumas unidades industriais da Recorrente. E que, apesar de não ter apresentado documentos comprovadores das operações na fiscalização e antes da decisão da DRJ, apresenta neste momento um descritivo firmado por engenheiro atestando o efetivo emprego dos insumos (DOC Fl. 1139DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 2). O diesel vem a ser o principal insumo, sendo empregado em geradores e em máquinas pá- carregadeiras para movimentação de estoques nos silos e plantas industriais. A fiscalização glosou estes créditos tendo em vista que a recorrente apresentou apenas o anexo denominado “Item 2 – Classe do Material” cujas telas de sistema informatizado interno da empresa apenas apresentava informações dos produtos “COMBUSTIVEL OLEO DIESEL” e “OLEO LUB AUTO BAS/ADIT” as quais não permitiram concluir que os combustíveis e lubrificantes objeto da intimação foram efetivamente utilizados no processo produtivo da empresa. Conclui que os combustíveis e lubrificantes passíveis de creditamento de PIS/PASEP e COFINS somente são “aqueles comprovadamente utilizados como insumos no processo produtivo da empresa”. A Recorrente admite não ter apresentado por ocasião da fiscalização, nem quando da defesa administrativa em primeira instância, os documentos que comprovassem o emprego dos combustíveis e lubrificantes dentro do processo produtivo da empresa. Entretanto, em sede de recurso voluntário, apresenta o “Descritivo de utilização de insumo em SILOS” no qual descreve a aplicação do diesel no abastecimento de geradores de energia devido a falta de fornecimento de energia elétrica. Veja que a recorrente entra em contradição quando afirma no seu recurso que os combustíveis e lubrificantes são utilizados em caminhões para transportes de insumos, produtos semi-elaborados e acabados dentro do estabelecimento industrial, mas que o descritivo indica a utilização em outro equipamento. Ressalte-se que não houve, desde o início da fiscalização, a comprovação de que os combustíveis e lubrificantes foram efetivamente empregados no processo produtivo da empresa, tal qual requisitado pela fiscalização quando da intimação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada A Recorrente sustenta os mesmos argumentos apresentados no item anterior no sentido de que, em resposta ao TIF 03, apresentou documentos que demonstraram a sua efetiva utilização. Destaca que as tintas, solventes e pallets são utilizados como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no seu processo industrial e que, para o convencimento da autoridade fiscal, seria necessária uma visita “in loco” a algumas unidades industriais da Recorrente. E que, apesar de não ter apresentado documentos comprovadores das operações na fiscalização e antes da decisão da DRJ, apresenta neste momento um descritivo firmado por engenheiro atestando o efetivo emprego dos insumos (DOC 3). No que concerne ao item denominado DATEM PANODAM, se trata de aditivo alimentar utilizado nos moinhos e adicionados na pré-mistura de farinha de trigo conforme DOC 04 (Descritivo/Memorial). E que as tintas e solventes são utilizados para impressão de informação como data e validade nas embalagens. Basicamente a fiscalização glosou a apropriação dos créditos deste tópico cujas descrições da mercadoria/serviço constante das notas fiscais listadas no anexo à intimação TIF3 não pode chegar a conclusão de que foram empregados no processo produtivo e serem caracterizados como insumos, quais sejam: sabonete líquido; cola bastão; mercadoria descrita Fl. 1140DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 como “servido de frete” cuja nota fiscal foi emitida por comerciante varejista de artigos de papelaria; tinta preta e solvente; pallets; dentre outros. De fato, analisando as notas fiscais indicadas nos anexos à intimação sobre este item, verifiquei que havia descrições das mais variadas possíveis e sem nexo com seu processo produtivo. A título de exemplo, e como bem apresentado pela fiscalização, constam: “CANCELADO – UTILIZAR CODIGO 755107”; “ATUM RALADO EM PEDAÇO”; “ROLAMENTO COMP NSK-21311 E“. Entretanto, no meu entender, a Recorrente conseguiu trazer elementos que demonstraram se tratar de insumos utilizados no processo produtivo. O primeiro diz respeito ao aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN. De fato este aditivo é utilizado na produção de pré-mistura de farinha de trigo para produtos de panificação conforme documentos juntados no DOC 4 pela recorrente. Outro produto constante das notas fiscais deste item sob análise e que merecem uma atenção especial são os pallets. Também no meu entendimento os pallets, via de regra são empregados na função de “embalagens de transporte”. Entretanto, entendo que, ainda assim, atendem ao critério de essencialidade/relevância constante da decisão do STJ, visto que não há como se falar em comercialização de quaisquer produtos produzidos sem que estes sejam devidamente acomodados de forma que permaneçam com a sua integridade intacta. Neste sentido, entendo que os pallets se enquadram no conceito de insumos sob a ótica da essencialidade/relevância dentro do processo produtivo. Nesse mesmo sentido, há diversas decisões do CARF, a exemplo das a seguir colacionadas, em que as despesas com embalagens e/ou pallets restaram admitidas para fins de creditamento de COFINS: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. (...) CUSTOS/DESPESAS. PALLETS, CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados na armazenagem de matérias- primas e/ ou mercadorias produzidas e destinadas à comercialização enquadram- se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. (Acórdão nº 9303-009.736 de 11/11/2019). Fl. 1141DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas de controle de pragas, fretes de aquisição de insumos tributados sob alíquota zero ou com tributação suspensa, despesas com pallets; e as despesas referentes ao ativo imobilizado creditadas extemporaneamente. (...) (Acórdão nº 3401-007.344 de 17/02/2020) (Grifos apostos). *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPPeríodo de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011(...) CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS. EMBALAGENS Os pallets e embalagens são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. (Acórdão nº 3302-008.009 de 28/01/2020) (Grifos apostos). Dentre os argumentos apresentados pela Recorrente, discordo das alegações de que todas as tintas e os solventes constantes das notas fiscais deste tópico foram utilizados para impressão de informação como data e validade nas embalagens. Entendo que caberia a Recorrente trazer elementos comprobatórios que demonstrassem que tais tintas e solventes foram efetivamente utilizados para impressão de data e validade nas embalagens. A bem da verdade, os solventes não são tintas e não seriam empregados para a referida impressão tal qual alegado. Por derradeiro, a Recorrente não trouxe nenhum argumento ou documento adicional que demonstrassem que os demais itens constantes das descrições das notas fiscais foram efetivamente empregados no processo produtivo da empresa. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets. 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa A Recorrente alega que, apesar de constar como CNPJ irregular na base de dados da RFB, esta informação não se repete no SINTEGRA. Entende que houve boa-fé por sua parte e que a validação sobre a regularidade do emitente da nota fiscal cabe tão somente ao Estado de sua emissão. Afirma ainda que o STJ já se pronunciou sobre a questão por intermédio da Súmula 509, que trata do ICMS. Ressalta novamente que, apesar de não ter apresentado documentos comprovadores das operações na fiscalização e antes da decisão da DRJ, apresenta neste Fl. 1142DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 momento os documentos fiscais referentes a devoluções (DOC 5), inclusive da AGROFEL. Ou seja, inexistiu impacto econômico ao Fisco, cuja devolução anulou os efeitos da venda. Destaque-se que neste tópico a fiscalização glosou os créditos de aquisições e devoluções de venda de pessoas jurídicas com CNPJ baixada ou suspensa, entretanto se utilizou ainda dos fundamentos relacionados a ausência comprovação tanto dos pagamentos das mercadorias objetos da notas fiscais listadas quanto do efetivo recebimento das mercadorias. A decisão de piso já havia analisado o caso com base na súmula 509 do STJ, a seguir reproduzida: Súmula nº 509 É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. Ou seja, havendo demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias, considera-se comprovada as respectivas operações comerciais, mesmo que as empresas envolvidas estejam com seu registro no CNPJ baixadas ou suspensas, tais quais as operações com a empresa AGROFEL foram consideradas como comprovadas pela fiscalização. Contudo, em relação às demais operações, a recorrente não trouxe nenhum documento que demonstrasse os pagamentos e recebimentos das mercadorias, trazendo tão somente 22 notas fiscais de devolução de vendas não concretizadas constantes do DOC 5, tal qual alegado em seu recurso voluntário. Analisando as 22 notas fiscais, verifiquei que a metade delas se referem as notas fiscais de saída e as outras 11 notas são as respectivas notas fiscais de entrada (devoluções de vendas) com exatamente os mesmos produtos, mesmas quantidades e mesmos valores quando comparadas com as respectivas notas fiscais de saída cujos números foram indicados no campo informações complementares. Portanto, as glosas de créditos das 11 notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065 devem ser revertidas tendo em vista que as operações de entrada de fato anularam as operações de saída correspondentes. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso neste particular para reverter as glosas de créditos relacionadas às notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065. 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados Segundo a Recorrente esta operação de frete na transferência de produtos acabados é uma etapa que faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final por passar por uma filial receptora, não descaracterizando uma operação de venda como um todo. Entende não haver vedação legal aplicada ao caso, destacando três pontos: processo de logística de distribuição da empresa; a transferência é tributada pelo PIS/COFINS; e que há decisões no CARF a favor deste entendimento de aproveitamento de crédito (cita jurisprudência administrativa). Fl. 1143DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Antes da análise dos argumentos da Recorrente, relevante apresentar as situações nas quais, no entender deste relator, pode-se identificar os dispêndios com frete que geram ou não direito a créditos das contribuições para o PIS e da COFINS. Quando estamos diante de atividade industrial verificamos a existência de diversos tipos de serviços de fretes. A título de exemplo podemos destacar os seguintes: 1) fretes nas aquisições de insumos de fornecedores; 2) fretes utilizados na fase de produção, como por exemplo em decorrência da necessidade de movimentação de insumos e de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte; 3) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos ou armazém geral do próprio contribuinte; e 4) fretes de produtos acabados em operações de venda. Na legislação vigente existe fundamento jurídico para a apropriação de créditos relacionados ao frete quando considerados como parte do custo de aquisição, do custo de produção ou da despesa de venda, conforme será demonstrado a seguir. O fundamento jurídico para apropriação dos créditos da Contribuição para PIS pode ser extraído do art. 289 do Decreto n o 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), em relação ao valor dos gastos com serviços de transporte de bens para revenda, apesar de não haver expressa previsão nos art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaque-se que, por haver simetria entre os textos das referidas leis, aqui será reproduzido apenas o disposto na Lei n o 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei n o 10.637/2002. Diante desta fato vejamos: Lei 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; RIR/1999 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. §3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Fl. 1144DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Tendo por base os referidos dispositivos legais, verifica-se que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens. Portanto, somente nesta condição (frete integrando o custo de aquisição) é que o frete pode compor a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Com isso, de forma análoga, o valor do frete no transporte dos bens somente poderá integrar a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativas quando tais fretes sofrerem a incidência das referidas contribuições. Este mesmo entendimento deve ser aplicado na atividade industrial, quando houver o valor do frete relativo ao transporte: a) de bens de produção (matérias-primas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) de bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Veja o disposto na norma de regência relacionado a atividade industrial: Lei 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); §1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) RIR/1999 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Portanto, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Fl. 1145DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Encerrado o ciclo de produção ou industrialização, o art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003 autoriza a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus deste frete seja suportado pelo vendedor: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) §1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; Repare que no caso dos dispêndios com fretes de produtos acabados não se enquadram nas situações acima descritas. Isto porque quando da transferência de produtos acabados, o processo produtivo já se encontra encerrado. Ou seja, se o produto acabado foi transportado, culminado está o processo produtivo. Portanto, não há que se falar em direito de apropriar créditos das contribuições para o PIS e da COFINS sobre os dispêndios com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para seus centros de distribuição que por ventura venha a existir, ou mesmo quando estamos diante de transporte de produtos acabados com fins de formação de lotes para a exportação. Considerando ainda o disposto no REsp. n o 1.221.170/PR, no que concerne ao Teste de Subtração, reproduzo a seguir trecho da decisão do STJ: São "insumos", (...), todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Ou seja, se a retirada do “frete de produtos acabados” não afeta/obsta a obtenção do produto produzido pela empresa, não há que se falar em aproveitamento de crédito destes dispêndios com frete como insumos do processo produtivo. Há diversos julgados neste Tribunal Administrativo que seguem a mesma linha de entendimento deste relator. Apenas a título de exemplo enumero os Acórdãos n os 3302-010.922, 9303-012.936 e 9303-013.785. Há ainda diversos precedentes do STJ, posteriores a decisão consubstanciada no REsp. 1.221.170/PR, que adotaram esta linha de entendimento. Também a título de exemplo, reproduzo a seguir alguns julgados daquele Tribunal Superior: AgInt no AREsp n. 848.573/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/9/2020, DJe de 18/9/2020 Fl. 1146DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes (...) *** AgInt no REsp 1890463/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. 1. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes. 2. No caso dos autos, está em conformidade com esse entendimento o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, segundo o qual ?apenas os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente a terceiros - atacadista, varejista ou consumidor -, e desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1890463/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021) *** AgInt no REsp n. 1.978.258/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 25/5/2022 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. ILEGITIMIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (...) III - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda, revelando-se incabível reconhecer o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação Fl. 1147DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Segundo a Recorrente, trata-se de frete para formação de lote com fim específico de exportação. Afirma que se trata de uma operação entre estabelecimentos da mesma empresa, isto porque não há como enviar todo um lote de soja para exportação num único momento, nem o navio pode ficar esperando a chegada de cada caminhão de soja e que não há a mínima condição portuária para movimentação desta soja de uma única vez. Destaca que o §2º do art. 1º da IN n o 379/2003 extrapolou as determinações legais previstas nas Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. Apresenta ainda jurisprudência deste Conselho no sentido que obteve provimento no processo n o 13971.001080/2004-17, conforme ementa do Acórdão nº 9303-007.286 - 3ª Turma da CSRF. Destaque-se que a fiscalização procedeu a glosa dos créditos do presente item tendo em vista se tratar de fretes pagos quando do transporte de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Inicialmente afirma que a legislação de regência veda a apuração de créditos na aquisição de mercadorias com fim específico de exportação nos termos dos artigos 6º e 15 da Lei n o 10.833/03, via de consequência, não há que se falar em apuração de créditos sobre os fretes relacionados àquelas aquisições. Ao manter as referidas glosas, reforçando os fundamentos utilizados pela fiscalização, a DRJ destaca que a Recorrente, como empresa comercial exportadora, não pode apropriar tais créditos visto que tais fretes somente daria direito a créditos se compusessem o custo da mercadoria revendida ou da matéria-prima utilizada. Como são aquisições de mercadorias com fim específico de exportação sem incidência das contribuições, não há que se falar em aproveitamento de crédito em relação ao frete. Inicialmente ressalto que não comungo totalmente com a tese encampada pela fiscalização e pela decisão de piso. No entendimento deste relator, e de grande parte da jurisprudência deste Tribunal Administrativo, o frete pago no transporte de insumos possui natureza jurídica autônoma. Ou seja, se determinado insumo for adquirido e, via de consequência haja o pagamento de frete para o seu transporte, independentemente de o insumo ter sido ou não tributado pelas contribuições, caberá o aproveitamento dos créditos relativos aos dispêndios com o seu transporte. Entretanto, no presente caso não estamos tratando de aquisição de insumos para produção ou prestação de serviços. Relevante destacar que a Recorrente fez uma mistura de duas situações. Primeiramente afirma que as mercadorias (grãos de soja) foram enviadas para seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário. Em outro momento da sua defesa a Recorrente afirma que o frete tomado para transportar a mercadoria até o porto para fins de formação de lotes destinados à exportação foi tributado pelas contribuições, motivo pelo qual entende se enquadrar no conceito de frete na operação de venda (cita nesta linha o provimento obtido no Acórdão n o 9303-007.286). Analisando os autos, verifico que a Recorrente não trouxe elementos de prova que corroborassem seu argumento de que houve o transporte daquelas mercadorias adquiridas para o porto. Destaque-se que as notas fiscais acostadas aos autos pela fiscalização (onde constam os valores de dispêndios de frete glosados) são efetivamente de aquisições cuja descrição do CFOP é “Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação”. Na coluna do “CNPJ Participante Destinatário” há diversos destinatários nos quais destaco alguns cuja raiz é 84.046.101, o que se pode concluir que tais mercadorias foram remetidas para unidades da empresa (filiais da empresa) tal qual afirmado pela própria recorrente. Há ainda outros CNPJs Fl. 1148DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 cujas raízes são diferentes da raiz da Recorrente, ou seja, de acordo com o constante de algumas notas fiscais de aquisição, tais produtos não foram remetidos para a própria Recorrente nem para o porto para formação do lote de exportação. Neste sentido, entendo que a Recorrente não demonstrou que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. Ao contrário, afirma que tais mercadorias foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa. Neste sentido, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP A Recorrente ressalta que possui diversos tipos de atuação no mercado e que cada filial possui uma atividade específica (produção, venda e transportes). Portanto, alega ser “indiscutível o direito ao crédito do serviço de fretes para remessas de suas mercadorias e insumos a depósito fechado ou armazém geral, devolução de compra, operações de industrialização por encomenda, que passa a ser o insumo para prestação do seu serviço”. Destaque-se que a fiscalização glosou esses créditos sobre fretes em função de os CFOPs das notas fiscais constantes do demonstrativo de glosa 7 (Fretes operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP) se referirem a operações sem direito a créditos, quais sejam: Os fretes relacionados a operações de devoluções de compra não geram direito a crédito, por absoluta falta de previsão legal. As operações de remessa e retorno de mercadorias para/de depósitos fechados ou armazéns gerais não configuram operação de compra e nem de venda, e por isso os gastos com os fretes associados a essas operações não dão direito a crédito. Os fretes relacionados às operações de industrialização por encomenda, envolvendo a entrada de mercadorias remetidas pelo encomendante, bem como o posterior retorno, também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Nesses casos, ressalte-se que as notas fiscais com CFOP 6902 se referem ao retorno simbólico da mercadoria utilizada na industrialização, não se caracterizando como operação de venda. Ou seja, a fiscalização indicou os motivos da glosa e listou as respectivas notas fiscais a elas correspondentes. Entretanto, de forma genérica, conforme descrito no primeiro parágrafo deste item, a Recorrente tão somente apresenta em sua defesa “ser indiscutível o seu direito ao crédito” em relação a estes serviços de fretes, sem mais nada alegar ou demonstrar que tais dispêndios devem gerar tal direito. Portanto, por estarmos tratando de direito creditório no qual o ônus da prova deve recair sobre quem o vindica (e não sobre a fiscalização), caberia a Recorrente ter trazido argumentos mais contundentes bem como elementos e provas que demonstrassem o seu direito creditório. Fl. 1149DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Mais uma vez reproduzo trecho do voto constante do Acórdão n o 3401-009.071 no qual essa turma negou provimento ao recurso para esta mesmo argumento da Recorrente e com os mesmos fundamentos: 2.10.2. É certo que em auto de infração cabe à fiscalização demonstrar os fatos constitutivos do direito do Erário Público. Não menos correto é que a fiscalização solicitou o enquadramento dos créditos de frete pela Recorrente em uma planilha e, a partir dos CFOPs listou aquelas operações que em seu entender não dariam direito ao crédito. Em assim sendo, a acusação fiscal encontra-se lastreada em provas. 2.10.3. Face ao cumprimento do onus probandi pela fiscalização, caberia à Recorrente infirmar, por meio de prova suficiente, a acusação fiscal, i.e., demonstrar que tal ou qual frete é de insumo, ou de venda ou qualquer outra hipótese de creditamento. Ora, se com alguma dificuldade a Recorrente cumpriu o ônus argumentativo, com maior ainda tentou, sem sucesso, desincumbir-se do ônus probatório. É dizer, não obstante a possibilidade genérica da concessão de crédito na aquisição de alguns dos fretes acima listados, impossível, no caso concreto, concedê-lo, por insuficiência probatória. Contudo, mesmo a recorrente não apresentando prova alguma neste tópico, entendo que são auto explicativos os fretes relacionados a industrialização por encomenda, pois tais operações necessariamente estão inseridas dentro do processo produtivo da empresa e, por conseguinte, os fretes a eles vinculados devem ser considerados como insumos. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de fretes empregados na industrialização por encomenda. 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa Inicia suas alegações no sentido de que houve cerceamento do seu direito em virtude de não ter sido intimada a prestar informações sobre este tema. E que, apesar de não ter apresentado documentos comprovadores das operações, os serviços foram efetivamente prestados e os correspondentes pagamentos realizados. Para tanto, apesar das dificuldades relacionadas a estes tipos de operações, foi apresentada a planilha (DOC 6) com os Comprovantes de Consulta do Transportador onde demonstra a maioria dos transportadores contratados e que estavam habilitados a fazer transporte pela ANTT. No mesmo sentido do fundamento apresentado pela DRJ, quando da decisão proferida em primeira instância, é o entendimento deste relator para o presente item. Não há que se falar em cerceamento de defesa no procedimento fiscal por estarmos diante de uma atividade inquisitória por parte da fiscalização. O seu direito de defesa lhe foi assegurado quando da apresentação da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário. Ou seja, a recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Contudo, juntou tão somente os Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT, o que não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas ou suspensas. Fl. 1150DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas Neste tema também alega no sentido de que houve cerceamento do seu direito em virtude de não ter sido intimada a prestar informações. Contudo, apresenta quadro no qual consta que vários transportadores tem o transporte de carga como atividade secundária. Apesar de o acórdão recorrido ter reconhecido este aspecto, trouxe um segundo fundamento para manter a glosa, qual seja, que deveria comprovar a realização dos serviços e o seu respectivo pagamento. Portanto, o fundamento da fiscalização para não aceitação destes fretes foi basicamente por conta do CNAE. Não obstante esta inovação da decisão recorrida, a recorrente está apresentando o Comprovante de Consulta do Transportador (DOC 7) demonstrando que a maioria dos transportadores estavam devidamente habilitados a fazer transporte pela ANTT. Vejamos os fundamentos da DRJ para manutenção da glosa: 161. Ao compulsar os CNPJ de vários prestadores de serviço citados pela fiscalização, nota-se que, de fato, consta a atividade de transporte. 162. Entretanto, não foi apenas esta irregularidade que levou à glosa dos créditos. O auditor-fiscal foi bem claro ao afirmar que não houve comprovação da efetiva prestação do serviço de transporte, bem como dos respectivos pagamentos. Quanto a estas omissões nada disse a defesa, assim, não há como se dar razão ao contribuinte. Estamos diante da mesma situação do item anterior. Ou seja, não há que se falar em cerceamento de defesa no procedimento fiscal por estarmos diante de uma atividade inquisitória por parte da fiscalização. O seu direito de defesa lhe foi assegurado quando da apresentação da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário. No mesmo sentido, a recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transporte realizadas pelas empresas com CNAE não correspondente a transporte de cargas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Novamente juntou tão somente os Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT, o que não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas ou suspensas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos Neste ponto, entende a Recorrente que não há que se confundir ou vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições dos insumos agropecuários que geram créditos presumidos, pois são situações autônomas geradoras do direito ao crédito nos termos do art. 3º das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 1151DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 A fiscalização entendeu que o crédito relacionado à despesas com frete na aquisição de determinado insumo, por integrar o custo de aquisição, deve seguir a mesma regra aplicada ao bem adquirido. No caso em tela, como o insumo transportado gerou crédito presumido, a apropriação de crédito do respectivo frete também deve ser com base na regra do crédito presumido. Portanto, a fiscalização glosou os créditos básicos apurados e concedeu os créditos presumidos correspondentes. Conforme já disposto no item que tratou de Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação, no entendimento deste relator, e de grande parte da jurisprudência deste Tribunal Administrativo, o frete pago no transporte de insumos possui natureza jurídica autônoma. Ou seja, se determinado insumo for adquirido e, via de consequência haja o pagamento de frete para o seu transporte, independentemente de o insumo ter sido ou não tributado pelas contribuições, caberá o aproveitamento dos créditos relativos aos dispêndios com o seu transporte. Portanto, no presente caso entendo caber o aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste particular. 15) Glosa de Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos Neste tópico cita a resposta ao TIF 04 na qual entende que os referidos estornos não seriam aplicáveis, uma vez que lhe seria assegurado o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de soja em grão e de caroço de algodão aplicados na produção de óleos utilizados como matéria-prima para a produção de biodiesel com fundamento nos art. 47, 47-A e 47-B da Lei n o 12.546/11. Destaca que muitos produtores de biodiesel não possuem estrutura verticalizada de produção, adquirindo o óleo vegetal degomado, semi-refinado ou refinado para a sua produção. Finaliza afirmando que tais vendas são tributadas pelas contribuições para o PIS e pela COFINS. Em síntese, fiscalização procedeu o estorno de créditos presumidos calculados sobre a aquisição de soja em grão e de caroço de algodão utilizados na fabricação de óleos que foram vendidos a produtores de biodiesel por entender que a Recorrente não é produtora deste combustível, portanto não se enquadraria na previsão legal contida no art. 47 da Lei n o 12.546/2011. Assiste razão à fiscalização. Veja o que dispõe o citado art. 47: Art. 47. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) poderá descontar dessas contribuições, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas de pessoa física ou recebida de cooperado pessoa física e utilizados como insumo na produção de biodiesel. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 1o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. Fl. 1152DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 § 1o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições de matérias-primas de origem vegetal, de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, de cooperativa de produção agropecuária ou de cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar a matéria-prima destinada à produção de biodiesel. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Produção de efeito e vigência (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; e (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) II – do crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 5o O crédito presumido na forma do caput deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher decorrente das demais operações no mercado interno. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 6o O crédito presumido de que trata este artigo somente se aplicará após estabelecidos termos e condições regulamentadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 47-A. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da venda de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referida no § 1o do art. 47 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Produção de efeito e vigência Art. 47-B. É autorizada a apuração do crédito presumido instituído pelo art. 47 em relação a operações ocorridas durante o período de sua vigência. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) De fato a norma estabelece que o crédito presumido será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Entretanto, a Recorrente adquire a referida matéria-prima (soja em grão e de caroço de algodão) e produz óleo degomado, semi-refinado ou refinado. Este óleo produzido pela Recorrente então é vendido para uma empresa produtora de biodiesel. Portanto, não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido nos termos aventados pela Recorrente conforme previsão contida no art. 47 da Lei n o 12.546/2011. Destaque-se que o referido art. 47 foi revogado pela Lei n o 12.865/2013 antes da regulamentação por parte da RFB nos termos do seu §6º. Contudo, o art. 47-B incluído pela Lei n o 12.995/2014 convalidou os créditos apurados nos termos do art. 47 durante sua vigência e Fl. 1153DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 manteve o entendimento de que somente cabe a apuração dos referidos créditos em relação “à aquisição ou ao recebimento de soja in natura por pessoa jurídica produtora de biodiesel”. Portanto, apesar dessas alterações legislativas, verifica-se que crédito presumido em questão somente pode ser apurado e aproveitado pela empresa produtora de biodiesel, produto este que não é fabricado pela Recorrente e sim por seus adquirentes de óleo degomado, semi-refinado ou refinado. Ressalte-se que a fiscalização foi prudente na sua apuração ao indicar a segregação dos créditos presumidos vinculados a esta venda de óleo para produção de biodiesel daquele crédito presumido apurado nos termos do art. 8º da Lei n o 10.925/04, tendo em vista que procedeu a apuração da quantidade de grãos necessária para a produção do óleo vendido para os produtores de biodiesel e a obtenção dos preços médios de aquisição dos grãos em cada mês. A partir da multiplicação dos valores dessas duas apurações obteve o valor de aquisição utilizado na fabricação de óleos vendidos a fabricantes de biodiesel. Deste valor, aplicou-se os percentuais de 19% (soja) e 11% (algodão) que seriam a quantidade de óleo que pode ser obtido no processamento industrial dos referidos grãos adquiridos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 16) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições Afirma que o AFRFB foi restritivo ao não considerar a DACON, especialmente por haver consistências nos valores escriturados. Apesar de a EFD-Contribuições ser mais detalhada, ele não poderia ter desconsiderado a DACON por completo. Ou seja, apesar de a recorrente ter lançado indevidamente na linha de “Ajustes”, quando o correto seria nas linhas de crédito, o erro foi meramente de obrigação acessória e, mesmo não tendo conseguido apresentar os documentos comprovadores das operações, continua envidando esforços nesse sentido através da “relação dos documentos para provar que se trata de INSUMOS”. A fiscalização foi bastante detalhista na análise dos ajustes de acréscimos de créditos e de redução de contribuições procedidos e registrados pela Recorrente em seu EFD- Contribuições. Inicialmente, considerando que em todos os ajustes a Recorrente procedeu o seu registro no código 05 (Ajustes Oriundo de Outras Situações), por intermédio do TIF 02, a Recorrente é intimada a apresentar a memória de cálculo dos ajustes, identificando a base legal e a origem dos valores considerados no cálculo. Em sua resposta, afirma que houve falhas nas informações prestadas devido a dificuldades de sistemas mas que através das planilhas apresentadas está pretendendo demonstrar os ajustes efetuados. Ao proceder a análise das planilhas apresentadas, a fiscalização verificou se tratar exclusivamente de operações com mercadorias que deveriam ter sido escrituradas no Bloco C da EFD-Contribuições (Registros C100/C170). Afirma que, segundo a própria Recorrente, houve falhas nos seus sistemas internos que geraram os respectivos ajustes em função das diferenças de valores de documentos fiscais. Reforça a fiscalização que nesta análise detectou as seguintes inconsistências: Fl. 1154DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 O registro da integralidade dos documentos fiscais no bloco C da EFD-Contribuições é imprescindível para o exame da regularidade da apuração das contribuições em comento, haja vista que permite o cruzamento de informações com dados externos, tais como, por exemplo, os cadastros da RFB e as notas fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores. Ocorre que as informações apresentadas pela contribuinte em suas planilhas não contêm as informações necessárias ao exame da regularidade da apuração das contribuições e dos créditos. Não há, por exemplo, informações acerca do modelo, série e data de emissão da nota fiscal, do CST, e nem da Chave da Nota Fiscal Eletrônica, o que permitiria a verificação automatizada dos valores das entradas escrituradas pelo sujeito passivo com os efetivos valores das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. No caso dos ajustes de redução das contribuições, não há informação do CST e nem do CFOP, que são essenciais à apuração das contribuições devidas. Neste sentido, a fiscalização informa que procedeu o cotejo dos registros C100/C170 da EFD-Contribuições e as planilhas apresentadas e, no item “Ajustes não encontrados na EFD-Contribuições” do Relatório Fiscal afirma que “os ajustes referentes a documentos fiscais que não foram encontrados no bloco C da EFD-Contribuições foram integralmente glosados por esta Fiscalização”. Contudo, em parte, a Fiscalização conseguiu realizar a vinculação de diversos itens com os documentos fiscais conforme tabela a seguir: Desta vinculação, conseguiu gerar as planilhas seguintes planilhas: “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 01 - Contribuição PIS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 02 - Contribuição COFINS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 03 - Créditos de PIS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 04 - Créditos de COFINS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 05 - Linha 13 - encontrados na EFD.xlsx” Nestas planilhas a fiscalização realiza um trabalho de auditoria na qual relaciona para cada nota fiscal o “Valor Fiscal” (informado no EFD), o “Valor Contábil” (segundo a fiscalizada seria a base de cálculo das contribuições) e a “Diferença Sistêmica” (que vem a ser a diferença entre os valor fiscal e o valor contábil, gerando o valor da base de cálculo do ajuste). Nesta análise, a fiscalização demonstra no Relatório Fiscal os critérios utilizados nos “Ajustes de redução de contribuições” e nos “Ajustes de acréscimos de créditos” para fins de aceitação ou não dos ajustes procedidos pela Recorrente com base na comprovação ou não dos itens listados. Diante das análises procedidas pela fiscalização, a Recorrente restringe sua defesa na alegação genérica de que “o Sr. AFRFB foi bastante restrito ao não considerar o DACON”, Fl. 1155DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 que “o DACON não poderia ser desconsiderado por completo”, que o “Sr. AFRFB não considerou os créditos por terem sido lançados em linhas diferentes do SPED”, que “não há como se negar os créditos foram lançados, e se houve algum erro foi de obrigação acessória, e não de obrigação principal” e, por derradeiro, que “embora não tenha conseguido apresentar os documentos comprovadores as operações, continua envidando esforços neste sentido”. Percebe-se que em nenhum momento a Recorrente ataca pontualmente a análise procedida pela fiscalização, nem mesmo qualquer critério de apuração constante das planilhas apresentadas. Portanto, não há como se acatar os genéricos argumentos apresentados pela Recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 17) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores Afirma a Recorrente que os valores desconsiderados se referem a composição de saldo credor de períodos anteriores e que foram objeto de verificação em outros procedimentos fiscais, conforme citado pela própria autoridade fiscal. Portanto, não podem ser desconsiderados tendo em vista que os autos de infração lavrados em decorrência desta apuração foram impugnados e se encontram em “fase de processo administrativo”, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III do CTN. Tais valores estão sendo discutidos nos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011). Portanto, cabe a suspensão do presente feito face o caráter reflexivo com os citados processos. Entendo que em parte a Recorrente possui razão. Isto porque os valores desconsiderados pela fiscalização neste processo são decorrentes de saldo credor de períodos anteriores os quais foram refeitos em virtude de procedimentos fiscais instaurados na empresa. Realmente a decisão administrativa final dos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011) irão repercutir diretamente no saldo credor inicial das contribuições para o PIS e da COFINS do presente processo. Entretanto, conforme bem delineado pela decisão recorrida, “Caso, porventura, o posicionamento da fiscalização venha a ser alterado por decisão administrativa final, por certo este novo entendimento deverá refletir em todos os demais casos relacionados”. Portanto, apesar de alguns processos da Recorrente terem sido sobrestados para aguardar a decisão final a respeito de eventual alteração dos saldos credores de períodos anteriores, entendo desnecessário o sobrestamento. Isto porque a unidade de origem, ao liquidar a decisão final do presente processo, deverá necessariamente observar o resultado administrativo final em relação aos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011), com vistas a proceder os devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa e que venham a afetar os saldos credores iniciais do presente processo. Fl. 1156DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 3401-012.625 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907541/2016-09 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. Da conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo” e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para: 1) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso; 2) reduzir a majoração da base de cálculo relacionado às operações de vendas da recorrente à COOPERBIO no período de 09/01/2012 a 25/01/2012; 3) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; 4) reverter as glosas de créditos relacionadas às notas fiscais de entrada números 21.128, 21.500, 23.299, 317, 223, 224, 225, 226, 233.165, 988 e 01.065; 5) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda; 6) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 1157DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10830.720299/2011-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 110) REQUERIMENTO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM RECURSO. O pedido de sustentação oral deve ser encaminhado por meio de requerimento próprio, respeitando-se a forma e os prazos estabelecidos no regimento interno deste Conselho e nas demais normas atinentes ao tema. PAF. PER/DCOMP. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. POSSIBILIDADE EM CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS. A regra é a preclusão do direito à apresentação da prova documental que não é trazida aos autos junto à contradita interposta em primeira instância, ressalvadas as exceções previstas na alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235. No âmbito deste Conselho, também tem-se admitido, excepcionalmente, que novas provas documentais sejam juntadas aos autos após a interposição da manifestação de inconformidade (e até mesmo por ocasião da apresentação do recurso voluntário), quando, em um pedido de ressarcimento/declaração de compensação, ocorre o indeferimento do direito creditório por meio de despacho decisório eletrônico e a decisão de primeira instância julga improcedente a manifestação de inconformidade por deficiência de provas. No caso dos autos, todavia, não ocorreu nenhuma dessas situações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS SUPORTADO PELO VENDEDOR. VEDADO NO CASO DE REPASSE AO COMPRADOR. A apuração de crédito da não cumulatividade da COFINS na modalidade de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 requer não só que a despesa de frete tenha sido paga pelo vendedor dos produtos e, consequentemente, escriturada em sua contabilidade, como também que tal despesa não seja repassada diretamente ao comprador, como ocorre no caso em que o valor do frete em questão é destacado na nota fiscal de venda.
Numero da decisão: 3001-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Conselheiro Bruno Minoru Takii e a Conselheira Laura Baptista Borges, que votaram por dar provimento ao recurso, por entenderem que o ônus do frete nas operações de venda só deixa de ser suportado pelo vendedor quando contratado diretamente pela empresa adquirente com a transportadora. O Conselheiro Bruno Minoru Takii manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO

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INTIMAÇÃO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 110) REQUERIMENTO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM RECURSO. O pedido de sustentação oral deve ser encaminhado por meio de requerimento próprio, respeitando-se a forma e os prazos estabelecidos no regimento interno deste Conselho e nas demais normas atinentes ao tema. PAF. PER/DCOMP. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. POSSIBILIDADE EM CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS. A regra é a preclusão do direito à apresentação da prova documental que não é trazida aos autos junto à contradita interposta em primeira instância, ressalvadas as exceções previstas na alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235. No âmbito deste Conselho, também tem-se admitido, excepcionalmente, que novas provas documentais sejam juntadas aos autos após a interposição da manifestação de inconformidade (e até mesmo por ocasião da apresentação do recurso voluntário), quando, em um pedido de ressarcimento/declaração de compensação, ocorre o indeferimento do direito creditório por meio de despacho decisório eletrônico e a decisão de primeira instância julga improcedente a manifestação de inconformidade por deficiência de provas. No caso dos autos, todavia, não ocorreu nenhuma dessas situações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS SUPORTADO PELO VENDEDOR. VEDADO NO CASO DE REPASSE AO COMPRADOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 99 /2 01 1- 64 Fl. 543DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 A apuração de crédito da não cumulatividade da COFINS na modalidade de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 requer não só que a despesa de frete tenha sido paga pelo vendedor dos produtos e, consequentemente, escriturada em sua contabilidade, como também que tal despesa não seja repassada diretamente ao comprador, como ocorre no caso em que o valor do frete em questão é destacado na nota fiscal de venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Conselheiro Bruno Minoru Takii e a Conselheira Laura Baptista Borges, que votaram por dar provimento ao recurso, por entenderem que o ônus do frete nas operações de venda só deixa de ser suportado pelo vendedor quando contratado diretamente pela empresa adquirente com a transportadora. O Conselheiro Bruno Minoru Takii manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente). Relatório Por economia processual e, sobretudo, por bem sintetizar os eventos processuais até a apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzo a seguir o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG): Trata o presente processo do PER/DCOMP n. 00405.76703.101208.1.1.11-8095, mediante o qual a contribuinte, já qualificada nos autos, pleiteou o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 377.673,97, referente a Cofins Não-Cumulativa - Mercado Interno (art. 17 da Lei n. 11.033, de 2004) do 1º trimestre de 2008. A matéria consistiu em objeto de análise encerrada no Relatório de Informação Fiscal, às fls. 9/18. Da análise realizada, para os três meses em questão, apenas um item mereceu reparo da fiscalização no tocante aos créditos objetivados pela contribuinte, consistente em "Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda", sendo glosadas as diferenças de R$ 91.236,43 (janeiro), R$ 69.442,16 (fevereiro) e R$ 205.405,59 (março), que equivalem, respectivamente, em se tratando de saldos de créditos passíveis de reconhecimento, a R$ 6.933,97, R$ 5.227,60 e R$ 15.610,82, ou um total de R$ 27.772,39. As observações são comuns para os períodos mensais estudados, colacionando-se a seguir fragmentos da pertinente a janeiro/2008: 1ª) No curso das verificações ora citadas, identificou-se que o contribuinte considerou, dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Fl. 544DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Venda", valores de fretes repassados aos adquirentes em notas fiscais de vendas. A Lei 10.833 de 29/12/2003, em seu Art. 30, Inciso IX, prevê que a empresa poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor (grifo nosso). No caso, embora os referidos fretes tenham sido pagos diretamente às transportadoras pelo contribuinte/vendedor, e tenham integrado a base de cálculo da contribuição para a Cofins, os mesmos foram repassados ao adquirente/comprador conforme consta no corpo da NF de Venda, em campo separado do valor do produto. Foi reiteradamente solicitado à empresa fiscalizada que elaborasse planilhas que demonstrassem eventuais NF de saída em que o valor do frete não fosse repassado ao adquirente, ou mesmo eventuais fretes nas aquisições de insumos que tenham integrado o custo dos produtos, as quais seriam confrontadas, com os documentos físicos, por amostragem, por essa fiscalização. A essa solicitação a empresa fiscalizada informou que não teria como elaborar a referida planilha, pois o seu sistema de computação de dados, não tinha esse valor separado para ser planilhado, ou seja, não tinham como isolar os valores lançados no corpo das notas fiscais de vendas a título de frete. Em declaração informou também que tratam-se de fretes de vendas do tipo CIF (Cost, Insurance and Freight, traduzindo: Custo, Seguro e Frete), em que o vendedor assume o custo e fica responsável pela entrega do produto até o estabelecimento do adquirente. Através de informações digitais fornecidas pelo contribuinte e confirmadas nos registros contábeis e documentos físicos, foi possível separar os fretes pagos nas vendas e os fretes pagos na aquisição de insumos, ambos suportados pelo adquirente/contribuinte. Dessa forma serão glosados apenas os fretes de operações de vendas. Diante do exposto, da linha 07 da Ficha 16A do DACON, referente a "Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda", serão considerados apenas os fretes das operações de compra de insumos, em que o ônus do transporte tenha sido suportado pelo adquirente/contribuinte. Do valor informado de R$ 242.163,56, R$ 150.927,56 referente a fretes de aquisição de insumos, sendo glosada a diferença de 91.236,43. Essa diferença encontrada de R$ 91.236,43 e correspondente crédito de Cofins (7,6%) de R$ 6.933,97, implicam na conseqüente redução do Saldo de Créditos Passível de Ressarcimento, ou seja, R$ 136.348,80 — R$ 6.933,97 . R$ 129.414,83(*). O valor de R$ 50.794,44 consta do campo "Detalhamento do Crédito — Cofins Não-Cumulativa — Mercado Interno" vinculado a Janeiro de 2008, na linha correspondente a "Crédito da Contribuição para a Cofins — Mercado Interno (Art. 17 da Lei n° 11.033/2004)". (...) Em conclusão, a fiscalização expôs no seu relatório: Não foram identificadas outras exclusões da base de cálculo da contribuição, nem outros créditos apurados de forma irregular, além dos relatados. Fl. 545DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 O quadro "Detalhamento do Crédito — Cofins Não-Cumulativo — Mercado Interno", fica retificado da seguinte forma: PER/DECOMP EMPRESA APURAÇÃO FISCALIZAÇÃO Jan/08 Fev/08 Mar/08 TOTAL Jan/08 Fev/08 Mar/08 TOTAL Crédito da Contribuição p/ a Coflns - MI (art.17 da Lei n° 11.033/2004) 136.348,80 93.063,39 148.261,78 377.673,97 114.482,39 104.506,58 142.153,61 361.142,58 Parcela do Crcd. Utilizada p/ Deduzir da Contr. p/ Cofins 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1.788,34 9.500,72 11.289,06 Parcela do Créd. Utilizada Mediante Entrega de Dcclar.s de Compensação 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0.00 0,00 0,00 Saldo de Créditos Possível de Ressarcimento 0,00 0,00 0,00 377.673,97 114.482,39 102.718,24 132.652,89 349.853,52 Após apuração efetuada pela fiscalização, constatamos que o valor passível de ressarcimento no 1° trimestre de 2008 referente ao crédito de Cofins mercado interno, de acordo com o art. 17 da Lei 11.033/2004, referente a receitas sujeitas a alíquota zero, importa em R$ 349.853,52 (trezentos e quarenta e nove mil, oitocentos e cinquenta e três reais e cinqüenta e dois centavos). Em suma, dos R$ 377.673,97 pleiteados pela contribuinte, a autoridade fiscal reconheceu o crédito equivalente a R$ 349.853,52, glosando, pois, o pedido na parcela correspondente a R$ 27.820,45. Proferiu-se, em continuidade, o Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS/071/2013, contendo as seguintes fundamentação e decisão: FUNDAMENTAÇÃO O pedido de ressarcimento está amparado na Lei nº 5.172, de 25/10/66, na Instrução Normativa RFB nº 600, de 28/12/2005 que, em vigência à época do pedido em exame, disciplinava, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, assim como na Lei nº 10.833/2003. A exatidão das informações, a que se refere o artigo 24 da IN RFB nº 600/2005, foi aferida em análise efetuada pelo Serviço de Fiscalização desta DRF de acordo com relato constante da Informação Fiscal à fls. 09/18, parte integrante e inseparável do presente despacho, sendo constatada a parcial regularidade das operações incentivadas, resultando na glosa de R$ 27.820,45 e na disponibilidade de crédito de R$ 349.853,52. DECISÃO Assim, pela competência a mim delegada, reconheço parcialmente à interessada em função do PER à fls. 03/05, o crédito de COFINS no valor de R$ 349.853,52. Houve, ainda, a Intimação DRF/BRE/SEORT n. 784/2013, à fl. 27, informando à interessada que: Quando das verificações preliminares para o pagamento do saldo credor, constatou-se a existência de débitos administrados pela Receita Federal em aberto e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo. Com fundamento nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, do artigo 7º do Decreto-Lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, e do Decreto Fl. 546DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, informa-se que o valor do crédito reconhecido será compensado com os débitos existentes, na ordem de prioridade estabelecida pela legislação. A contribuinte, por intermédio de procuradora habilitada (instrumento de fl. 79), apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 32/47. Da glosa havida, o reclamo da interessada recai sobre o item nominado "Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda", para o que, em resumo, trouxe os itens adiante: a) não há qualquer discordância por parte da contribuinte, quanto à compensação de ofício comunicada na Intimação DRF/BRE/SEORT n. 784/2013; b) questiona as razões que motivaram a autoridade administrativa para realizar a glosa de crédito de Cofins, relacionado às despesas com fretes na operação de venda; c) para a apuração da Cofins, o art. 3º da Lei n. 10833/2003 prevê o desconto de créditos na base de cálculo da contribuição, cabendo, no caso em estudo, verificar "primeiro se a despesa incorrida com os fretes na operação de venda foi suportada pelo vendedor, em segundo de forma mais específica, como se verifica dos incisos I, II e III, do § 3º do mesmo artigo, se os bens e serviços adquiridos e os custos e despesas foram pagos à pessoa jurídica, estabelecida no território nacional"; d) sob uma ótica mais constitucional, infere que a não cumulatividade do PIS e da Cofins foi instituída com o objetivo de afastar, ou amenizar, a sobrecarga do ônus da incidência dessas contribuições sobre as receitas dos contribuintes, sendo que o meio mais adequado para isso seria o de permitir que os créditos fossem calculados sobre a totalidade de custos e despesas que se fizerem necessários para que a receita fosse gerada; e) destaca interpretações da doutrina relativas ao conceito de receita; f) esclarece que os créditos de Cofins descontados sobre as despesas incorridas com fretes contratados e pagos são legítimos, visto que o ônus fora integramente por ela suportado, na qualidade de vendedora, remetente das mercadorias; g) em face do art. 3º, IX, da Lei n. 10.833/2003, há expressa disposição para que os contribuintes descontem, da base de cálculo da Cofins, os créditos sobre as despesas de frete de venda, o que consiste no transporte de mercadorias do estabelecimento do vendedor ao estabelecimento do adquirente da mercadoria; h) as despesas de frete correspondem àquelas suportadas pela contribuinte e pagas diretamente às transportadoras contratadas, conforme se depreende dos Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas (CTRC); i) o valor dos fretes, quando destacados no documento fiscal, compuseram a receita operacional bruta da contribuinte; logo, também, inseriu-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, sujeitando-se a essa tributação, conforme corrobora as notas fiscais emitidas; j) o CARF vem demonstrando em seus julgados a interpretação mais adequada que deve ser adotada para fins da não cumulatividade das indigitadas contribuições; k) as despesas incorridas com os fretes contratados foram "repassadas" ao cliente assim como outros custos e despesas, compondo, portanto, o preço final do produto vendido; l) a maioria das empresas não destaca o valor de frete no campo próprio do documento fiscal, agregando esse valor à composição do custo do produto vendido, e consequentemente no valor da mercadoria e ou do produto vendido; dessa forma, Fl. 547DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 o mero destaque do frete, como o realizado pela contribuinte em suas notas fiscais, não tem o condão de anular o direito ao crédito da Cofins, previsto no citado dispositivo da Lei n. 10.833/2003; m) aduz que é desproporcional, senão ilegal, a restrição a que pretendeu o agente fiscal ao anular a totalidade dos créditos de Cofins sobre as despesas incorridas com fretes de vendas no período, visto que, ao examinar a norma somente sob a ótica da literalidade do texto normativo, não levou em conta o efetivo ônus assumido nas operações de aquisição de fretes de vendas, além da correspondente tributação desses valores nas saídas tributadas; n) requer, em seus pedidos, o direito à sustentação oral das razões de defesa, em razão do que deve ser determinada a intimação da contribuinte e de sua advogada que subscreveu a manifestação de inconformidade. Posteriormente, a interessada retornou aos autos, em petição de fls. 334/335, cujo pedido assim se resume: "Sendo assim, em prestígio aos princípios norteadores do Processo Administrativo Fiscal, em especial, o princípio do amplo exercício de defesa e o princípio da verdade material requer o Contribuinte, a juntada dos CTRC's e os comprovantes de pagamento (DOC. 01), a fim de que possam ser considerados em tempo, na oportunidade do julgamento da presente manifestação de inconformidade." O pedido se fez acompanhar dos documentos de fls. 336/490, e quando de sua juntada, conforme termo de fl. 491, acusou-se que: "Fica a presente juntada sujeita ao exame de admissibilidade previsto no art. 16, §§ 4º, 5º e 6º, do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997." [grifo nosso] Ao deliberar acerca da manifestação de inconformidade (acórdão nº 09-66.868, às fls. 493/502), a 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente, naquilo em que contraditou o Relatório de Informação Fiscal, às fls. 09/18, e o Despacho Decisório de fls. 22, para manter a íntegra de seus termos. O acórdão do colegiado a quo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CRÉDITO. FRETE NA VENDA DE MERCADORIA. SUPORTADA PELO VENDEDOR. INOCORRÊNCIA. As notas fiscais apresentadas pela contribuinte e examinadas pela fiscalização indicam que embora haja o destaque do valor do frete de venda de mercadoria, esse custo foi repassado ao comprador. Dessa forma, não há como a interessada se creditar da Cofins incidente sobre o frete, uma vez que não suportou o referido ônus, para efeito do benefício previsto na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Fl. 548DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 1. Não cabe apreciar questões relativas à interpretação constitucional sobre a não- cumulatividade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, e, assim sendo, não enseja subordinação administrativa. 3. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSTENTAÇÃO ORAL. DELEGACIA DE JULGAMENTO. Ausente qualquer previsão legal para que o julgado de manifestação de inconformidade seja acompanhado em sessão para efeito de propiciar sustentação oral de representante da manifestante. Dessa forma, o pleito não encontra amparo. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS EXTEMPORÂNEOS. Independentemente da análise da admissibilidade, constata-se, em termos fáticos, que a documentação oferecida pela contribuinte de forma extemporânea não ilidiria o objeto que motivou a glosa levada a efeito pela fiscalização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 527/539) no qual:  Em âmbito preliminar, pugna pela necessidade de reunião e julgamento conjunto deste e outros processos que especifica em sua peça recursal, pois “fundamentados no mesmo pressuposto material: o não reconhecimento de crédito de COFINS sobre ‘despesas de armazenagem e frete nas operações de venda”. (fls. 530);  Já na esfera do mérito, repete parte dos argumentos levados à primeira instância, dentre os quais: “o direito ao crédito de COFINS está atrelado à verificação, se a despesa incorrida com os fretes na operação de venda foi suportada pelo vendedor, e, de forma mais específica, como se verifica dos incisos I à III, do § 3º do mesmo artigo, se os bens e serviços adquiridos e os custos e despesas foram pagos ou creditados à pessoa jurídica, estabelecida no território nacional” (fls. 531);  Outro argumento repisado é o de que a não cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS tem o “objetivo de afastar, ou no mínimo, de amenizar a sobrecarga do ônus da incidência dessas contribuições” e “o meio mais adequado para afastar esse ônus decorrente do efeito cascata da incidência dessas contribuições, seria o de permitir que os créditos fossem calculados pelos contribuintes sobre a totalidade de custos e despesas que se fizerem necessários para que a receita fosse gerada” (fls. 532); Fl. 549DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64  Na esteira desse argumento, traça considerações sobre o conceito de receita, acerca da relação entre receitas e os custos/despesas incorridos para sua realização, e sobre a diferenciação entre receita e ganho;  A seguir, assevera que “a r. decisão recorrida, no intuito de preservar a exigência tributária através do despacho decisório de fls., julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ao entendimento de que ‘(...) A adução passiva de que o frete na venda de suas mercadorias sob a classificação CIF (em tradução usual - custo, seguro e frete) seria por ela suportado, conforme destacado nas notas fiscais de saída, não se coaduna para efeito do benefício previsto com o repasse por via de inclusão desse preço no total da nota fiscal, o que ocasiona a cobrança ao destinatário do envio” (fls. 533/534);  Defende que para a apropriação de crédito sobre despesas com frete na operação de venda, de que trata o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, pouco importa se o valor do frete foi destacado ou não nas notas fiscais de venda. Segundo ele, o ônus econômico dessas despesas é sempre repassado ao adquirente dos produtos, esteja ou não destacado em nota fiscal de venda.  Invoca as conclusões da Solução de Consulta nº 276 - SRRF08/Disit, de 05 de agosto de 2010 para amparar sua tese;  Argumenta que a decisão recorrida examinou o caso sob a ótica da literalidade do texto normativo;  Na sequência, se insurge contra a decisão do colegiado a quo de não conhecer dos documentos apresentados após a interposição da manifestação de inconformidade. O contribuinte defende a possibilidade da apresentação, destaca que se trata apenas de uma pequena quantidade quando comparados com os documentos anteriormente juntados ao processo e invoca a aplicação dos princípios da ampla defesa e da verdade material;  Por fim, em seus requerimentos, pugna pela reforma da decisão de piso, pleiteia o direito à sustentação oral e requer que as intimações sejam feitas na pessoa dos seus advogados. Recebido o recurso, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 3. Do requerimento de sustentação oral Conforme destacado no relatório acima, a ora Recorrente requer a realização de sustentação oral perante a este Conselho. A esse respeito, cumpre apenas registrar que os pedidos de sustentação oral devem ser encaminhados por meio de requerimento próprio, respeitando-se a forma e o prazo estabelecidos no regimento interno deste Conselho (anexo da PORTARIA MF Nº 1634, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2023) e nas demais normas atinentes ao tema que tenham sido expedidas por seu presidente (vide PORTARIA CARF Nº 8, DE 04 DE JANEIRO DE 2024). 4. Do endereçamento das intimações aos patronos da Recorrente Outro pedido contido ao cabo da peça recursal é a intimação do contribuinte, na pessoa dos seus advogados. Em relação a esse tipo de requerimento, eis o entendimento consolidado no enunciado nº 110 da súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conformePortaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 551DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 5. Preliminar - da conexão e necessidade de reunião dos processos administrativos correlatos Como questão preliminar, a ora Recorrente requer que seja declarada de ofício a conexão entre os processos administrativos nº 10830.720649 2011-92, 10830.720299.2011-64, 10830.720295.2011-86, 10830.720289.2011-29, 10830.720259.2011-12 e 10830.720221.2011- 40, no que afirma que todos eles estão fundamentados no mesmo pressuposto material e alega que essa é medida que se impõe com vistas à celeridade processual e a se evitar decisões contraditórias. À vista desse pedido, há que se dizer que os recursos voluntários de todos os processos mencionados pela Recorrente foram juntados em um mesmo lote e distribuídos à minha relatoria. No mais, todos eles foram relatados e indicados para julgamento em conjunto. Sendo assim, pode-se dizer que o pedido da Recorrente perdeu objeto. Na sequência passa-se à análise das demais razões de recurso sob os títulos e na ordem em que apresentadas na peça recursal. 6. Das razões de reforma da decisão recorrida – crédito de COFINS sobre fretes em operação de venda – ônus suportado pela recorrente Sob esse tópico, a Recorrente concentra todos os argumentos contrários às glosas dos créditos apurados sobre os fretes na operação de venda. Como destacado no relatório supra, ela traça considerações acerca do conceito de receita, da relação entre receita e os custos/despesas incorridos para sua realização, e acerca da diferenciação entre receita e ganho; afirma que a decisão recorrida, no intuito de preservar a exigência tributária, julgou improcedente a manifestação de inconformidade; defende que, para a apropriação de crédito sobre despesas com frete na operação de venda, de que trata o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, pouco importa se o valor do frete foi destacado ou não nas notas fiscais de venda. Antes de adentrar à análise, cabe registrar que, ao meu ver, a câmara baixa não proferiu decisão no “intuito de preservar a exigência tributária através do despacho decisório”, como pareceu à Recorrente. Em verdade, observa-se que as razões de decidir (do aresto recorrido) levaram em conta tanto os fundamentos que embasaram as glosas realizadas pela unidade de origem quanto os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e que a decisão vergastada emergiu dessa dialética. Feito esse aparte, destaque-se que, a despeito dos argumentos recursais em torno do conceito de receita e das despesas incorridas para sua realização, bem como a respeito da não- cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS sobre uma ótica constitucional, a controvérsia que remanesce nestes autos possui caráter muito mais pontual, qual seja, se há direito à apuração de créditos da não cumulatividade sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos, quando a pessoa jurídica vendedora (no caso, a Recorrente) contrata e paga o frete diretamente à transportadora, porém, repassa ao adquirente dos produtos a despesa com o transporte, por meio do destaque do valor do frete na nota fiscal de venda. Fl. 552DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 A fiscalização entende que o destaque do frete na nota fiscal de venda acarreta a transferência do ônus ao comprador dos produtos, o que implica em não satisfação da condição contida na parte final do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.833/2003 para a aferição do crédito. A Recorrente, por seu turno, defende, em suma que (fls. 534/536): Pouco importa se os valores à título de frete foram destacados ou não nas notas fiscais de venda, na medida em que o ônus financeiro será sempre assumido pelo Contribuinte contratante dos serviços (Recorrente), mas o ônus econômico dessas despesas é repassado ao adquirente das mercadorias no preço, e assim sucessivamente, uma vez que o preço de venda dos produtos deverá cobrir o custo direto da mercadoria do produto ou do serviço, as despesas operacionais ,que inclui as despesas fixas, além de permitir a obtenção de um lucro líquido adequado. [...] De qualquer maneira, seja o frete destacado no documento fiscal para demonstrar as despesas incorridas nas operações de vendas e assumidas pela Recorrente, seja com a inclusão desse valor no preço da mercadoria vendida, é inegável que ônus econômico é sempre repassado ao contribuinte adquirente da mercadoria, especialmente nos tributos indiretos, como é o caso das contribuições ao PIS e COFINS. Assim, é fato que o mero destaque do valor correspondente ao frete em campo próprio do documento fiscal não tem o condão de anular o direito ao crédito de COFINS, previsto no inciso IX, do artigo 3º, da Lei 10.833/03. Ademais, porque “receita de venda” relativa aos custos e despesas incorridas com fretes de mercadoria compuseram ao final, a base de cálculo do PIS e COFINS, nas vendas de produto, e, portanto, tais valores foram oportunamente oferecidos à tributação dessas contribuições pela ora Recorrente. Conhecidas as posições de parte a parte, com a devida vênia, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico: É sabido que no regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS, o legislador optou por prever expressamente as hipóteses em que é permitido a apuração de créditos pelo contribuinte, de modo que, no que diz respeito às deduções previstas pela legislação, essas contribuições encontram-se em uma posição intermediária em relação ao IPI, cujas hipóteses são bastantes restritivas, e o IRPJ, para o qual as deduções são bastante abrangentes. Logo, não há previsão legal para a apuração de créditos sobre “a totalidade de custos e despesas que se fizerem necessários para que a receita fosse gerada” (fls. 532), como a Recorrente entende que seria o adequado. Assim, conquanto a Recorrente se subleve contra a decisão de piso, pois, segundo ela, teria examinado o caso “somente sob a ótica da literalidade do texto normativo” (fls. 537), fato é que na sistemática da não-cumulatividade do PIS e COFINS, não só os créditos são aqueles expressamente previstos em lei, como também, para que seja possível o creditamento, é necessário que as condições previstas em norma sejam cumpridas. Posto isso, em se tratando da modalidade de creditamento prevista no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 deve ser considerado não só o tipo de dispêndio que dá direito ao crédito, ou seja, a despesa com frete na operação de venda, como também a condição para seu aproveitamento: que o ônus desse dispêndio seja suportado pelo vendedor. Fl. 553DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Nesse sentido, o contribuinte que contrata e paga o frete para a entrega de seus produtos aos adquirentes, mas destaca essa despesa na nota fiscal de venda, incorre em dispêndio suscetível da apuração de crédito, nos termos do IX do art. 3º, mas não cumpre a condição contida na parte final do mesmo dispositivo legal, porquanto, nesse caso, há um repasse direito da despesa ao comprador dos produtos, situação que, ao meu ver, acarreta restrição ao aproveitamento do crédito. Lembre-se que a análise dos créditos da não cumulatividade do PIS e a da COFINS deve ser feita a partir do cotejo das disposições legais com as peculiaridades de cada caso, ou seja, é uma análise casuística, que deve levar em consideração as particularidades da pessoa jurídica e de suas atividades. Assim, o fato de que outras pessoas jurídicas eventualmente estejam a embutir as despesa de frete no preço de suas mercadorias não tem o condão de infirmar a conclusão de que, in casu, houve diretamente o repasse desses dispêndios aos compradores do produtos vendidos pela Recorrente. Aliás, em uma perspectiva lógica de mercado, produtores e comerciantes irão buscar não só recuperar as despesas/custos necessários à consecução de suas atividades, bem como almejarão obter retorno econômico pelo exercício delas. Logo, é esperado que, para tanto, eles incluam nos preços de venda não só todos os custos/despesas incorridos, como também uma margem de lucro. Isso, porém, é apenas uma elucubração, considerando, como dito, um viés racional, e, ainda que assim o seja, nessa situação, não se trata do repasse de uma despesa ou custo em específico, mas sim da cobrança de um preço pelo produto fornecido. Acerca da Solução de Consulta nº 276 - SRRF08/Disit, de 05 de agosto de 2010, que a Recorrente invoca para respaldar seus argumentos, necessário dizer que, em sendo uma SC expedida por uma Divisão de Tributação, não tem ela o condão de vincular (com efeitos erga omnes) nem mesmo a Secretaria da Receita Federal do Brasil, como teria caso o fosse elaborada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit). Ademais, constata-se que as conclusões técnicas contidas neste ato, embora atinentes ao direito à apuração do crédito previsto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, não tratam, porém, das situações em que o valor das despesas com frete na operação de venda são destacados na nota fiscal de venda e repassados diretamente ao comprador. Em verdade, essa solução de consulta conclui que, para a apropriação do crédito, não é preciso investigar se a despesa com o frete foi indiretamente repassada ao comprador por meio do valor cobrado pela mercadoria vendida, mas nada fala acerca do repasse direito por meio do destaque em nota fiscal. Nos próprios trechos da SC que foram reproduzidos pela Recorrente é possível inferir isso, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA VENDA. ÔNUS SUPORTADO PELO VENDEDOR. [...] A expressão “ônus suportado pelo vendedor” constante do dispositivo legal não exige a verificação quanto à possibilidade de que o valor do frete tenha sido incluso na composição do preço da mercadoria vendida. [...] Fl. 554DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Dessa forma, essas despesas de frete estarão escrituradas em sua contabilidade à vista dos documentos hábeis emitidos pelos transportadores. Cumpridos esses requisitos, para efeito de apropriação dos créditos de que ora se trata, torna-se irrelevante que o valor desses fretes seja indiretamente repassado, como item de custo, ao valor cobrado pela mercadoria vendida. Ademais, a Recorrente se insurge contra a intepretação que o colegiado a quo, em sua decisão, faz da norma contida no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a qual classifica como uma ótica literal do texto normativo. No entanto, se observarmos as conclusões da SC nº 276 - SRRF08/Disit, de 2010, vemos que também elas são amplamente pautadas na literalidade da norma. Vejamos um trecho em que isso resta claro: Não obsta, assim, o direito à apropriação desses créditos o fato de o valor do frete compor o valor cobrado pela mercadoria vendida, por ser integrado a seu custo. Não há, porém, direito ao crédito em questão se o valor do frete for assumido (i.e.: cobrado e pago) pelo adquirente/destinatário das mercadorias vendidas e indiretamente ressarcido pelo vendedor, por meio de desconto na nota fiscal de venda. [grifo nosso] Na situação destacada no trecho acima, vê-se que o vendedor estaria na prática arcando com a despesa de frete na venda, por meio de um desconto no valor dos produtos. Diria mesmo que, nesse caso, em termos financeiros, esse fornecedor assumiria de fato o ônus, muito mais do que aquele que paga pelo frete e, eventualmente, acaba embutindo a despesa no preço de venda. Porém, a conclusão da divisão de tributação, que ao meu ver é acertada (e indubitavelmente pautada na literalidade da lei), é de que não é possível a apuração de crédito nessa situação, “por deturpar o estabelecido no texto legal” 1 . Assim, com base nas razões expostas acima, entendo que as glosas efetuadas pela fiscalização devem ser mantidas. 7. Da possibilidade de apresentação e análise de documentos após protocolo da defesa – busca pelo princípio da verdade material Neste tópico, a Recorrente se insurge quanto ao fato do colegiado a quo não ter conhecido dos documentos apresentados após a interposição da manifestação de inconformidade (os quais encontram-se às fls. 336/490 dos autos). De acordo com a câmara baixa, in casu, não se faria presente nenhuma das situações previstas no § 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a justificar a apresentação extemporânea de documentos. Além disso, o ilustre relator do aresto recorrido registra que, a despeito da não admissibilidade, os documentos em questão não trariam nenhum elemento a infirmar a conclusão da fiscalização. Por sua vez, a Recorrente defende o direito à apresentação e juntada desses documentos, mesmo após a apresentação da manifestação de inconformidade. Destaca que se trata apenas de uma complementação da documentação anteriormente juntada ao processo e 1 vide página 5 em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=72880 Fl. 555DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 invoca a aplicação dos princípios da ampla defesa e da verdade material. Além disso, cita doutrina e excertos de decisões desse conselho, como o fito de corroborar seu argumento. Posto isso, devo dizer que comungo com o entendimento trazido na decisão vergastada. Vejamos: No âmbito deste Conselho, tem se admitido, excepcionalmente, que novas provas documentais sejam juntadas aos autos após a interposição da manifestação de inconformidade (e até mesmo por ocasião da apresentação do recurso voluntário), quando, em um pedido de ressarcimento/declaração de compensação, ocorre o indeferimento do direito creditório por meio de despacho decisório eletrônico e a decisão de primeira instância julga improcedente a manifestação de inconformidade por deficiência de provas. É a típica situação em que o princípio da verdade material acaba por se impor sobre a regra geral da preclusão. Este posicionamento, na maioria das vezes, parte do pressuposto de que, devido à sua concisão, o despacho decisório eletrônico não fornece ao contribuinte orientações detalhadas acerca dos requisitos necessários para a comprovação do crédito não reconhecido, os quais somente são esclarecidos no julgamento da manifestação de inconformidade, ocasião em que o contribuinte passa a ter ciência do contornos do caso, podendo juntar as provas necessárias ao reconhecimento do direito. No mais, admite-se também a apresentação de novas provas documentais quando indubitavelmente fique configurada uma das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, ou seja, fique demonstrada a impossibilidade da apresentação oportuna das provas, por motivo de força maior, ou elas refiram-se a fato ou a direito superveniente ou destinem-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, todavia, além de não ter ocorrido nenhuma das situações previstas no § 4º do art. 16, a análise do crédito ocorreu por meio de auditoria manual de créditos, ou seja, não se trata de um indeferimento de direito creditório por meio de despacho decisório eletrônico. Inclusive, o RELATÓRIO DE INFORMAÇÃO FISCAL traz informação de que a decisão da unidade de origem foi precedida de intimações para apresentação de documentos que comprovassem o direito. Depois de proferida a decisão e realizada a ciência do contribuinte, este dispôs de mais uma oportunidade para a juntada de documentos. Nesse cenário, não se justifica a apresentação de documentação de modo extemporâneo. Assim, entendo estar correta a decisão recorrida neste ponto. No mais, dadas as oportunidades que o contribuinte teve para realizar a juntada dos documentos, tampouco me parece que seja possível vislumbrar qualquer violação ao princípio da ampla defesa. Necessário ressaltar que em se tratando do pleito de um direito creditório, é do contribuinte o ônus de comprová-lo. Esta é uma situação diversa daquela em que o fisco realiza o lançamento do crédito tributário, cabendo-lhe fazer prova dos fatos jurídicos tributários ensejadores da exigência fiscal. Nesses casos, considerando que a função primordial do processo administrativo fiscal, e mais especificamente dos órgãos de julgamento administrativo, é analisar a validade dos atos administrativos frente às disposições legais, entendo que, mesmo após a impugnação, eventual prova documental que demonstre cabalmente a impertinência do Fl. 556DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 lançamento ou a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo à exação fiscal ainda poderia ser aceita. Por derradeiro, ainda que fossem aceitos, fato é que, como bem salientou o colegiado a quo, os documentos apresentados extemporaneamente não conferem melhor sorte ao pleito da Recorrente, já que, compulsando os autos, verifica-se que se trata de comprovantes de pagamentos efetuados às transportadoras e de conhecimentos de transporte. Entretanto, conforme abordado no item anterior deste voto, não há controvérsia quanto ao fato de a Recorrente ter contratado o frete na venda e pago diretamente às transportadoras que prestaram esses serviços, afinal, a própria fiscalização traz essa informação em seu relatório. Em verdade, o ponto fulcral da discussão é determinar se o destaque do valor dessas despesas na nota fiscal de venda acarreta a transferência do ônus ao comprador dos produtos e, por conseguinte, o descumprimento da condição contida na parte final do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.833/2003 para a aferição do crédito. Com efeito, a controvérsia recai apenas sobre matéria de direito, de modo que o não o conhecimento dessa documentação não implica também ofensa ao princípio da verdade material. Posto isso, voto por negar provimento nesse particular. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Declaração de Voto Filio-me à tese de que o ônus do frete nas operações de venda só deixa de ser suportado pelo vendedor quando contratado diretamente pela empresa adquirente com a transportadora. Fl. 557DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Explico. Quando a empresa vendedora contrata o frete com a transportadora, essa emite o CT-e indicando como tomador do serviço a empresa vendedora. Com base nesse documento, e segundo a convenção contábil da objetividade, essa empresa vendedora/tomadora deve escriturar esse frete como despesa de sua operação em sua fase comercial. Se proceder de forma diferente (ex. considerando o frete como um crédito – ativo circulante - que mantém contra o adquirente), estará agindo em desacordo com as normas contábeis em vigor. De acordo com o entendimento do E. STJ apresentado no REsp nº 1201689/RJ, o frete vinculado à saída da mercadoria, mesmo quando destacado na nota fiscal, deve ser somado ao valor exigido pelos produtos, integrando, assim, a receita bruta nos termos do art. 12, I, DL nº 1.598/1977, sendo, dessa forma, tributado pelas contribuições ao COFINS nos termos da Lei nº 10.833/2003. A decisão em questão foi ementada nos seguintes termos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. PIS E COFINS. VALOR DO FRETE NAS VENDAS NA MODALIDADE CIF (CUSTO, SEGURO E FRETE). CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. (...)" Ora, se estamos a analisar a COFINS em sua modalidade não-cumulativa, havendo o entendimento de que o frete destacado na nota fiscal deve compor a base tributável dessas contribuições, é pressuposto que, em contrapartida, exista autorização legal para a apuração de créditos, ou haverá a incidência em cascata do tributo. Resta esclarecer, ainda, que o simples fato de o contribuinte preencher o campo do valor do frete (como, também, o poderia ter feito em relação a qualquer outra despesa) não significa que, ao assim proceder, transfira o ônus financeiro desse encargo ao adquirente, isso porque, simplesmente, não há lei a atribuir esse efeito ao preenchimento desses campos da nota fiscal de venda. Depois, verificando-se com maior profundidade o texto do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, constata-se que a transferência do ônus em relação ao frete deve ser total, uma vez que, diferentemente do que o corre, por exemplo, no art. 166 do CTN, o termo utilizado no dispositivo em questão não é “ônus financeiro” ou “encargo financeiro”, mas apenas “ônus”, de forma pura e simples. Nesse sentido, só caberia falar em transferência do ônus ao comprador quando a operação comercial fosse realizada com cláusula FOB (free on board), onde o adquirente, de fato, assume todos os riscos que advierem após o carregamento da mercadoria no veículo de transporte por si contratado. Não sendo esse o caso, não se pode falar em assunção do ônus por parte do adquirente. Fl. 558DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3001-002.443 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.720299/2011-64 Voto, assim, por dar provimento ao recurso da Recorrente. (documento assinado digitalmente) Bruno Minoru Takii Fl. 559DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10840.000720/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 204-00.697
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA

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Recorrente BANDEIRANTES PNEUS LTDA. 1 Recorrida DRJ em Ribeirão Preto/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PIN.1-1—ÉRO.YORREr Presidente 15lASTOS MANA oi)."--- . —RA M. Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Sílvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Junior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. 1 , , Processo n.° 10840.000720/2002-15 CCO2/C04 Resolução n.° 204-00.697 Fls. 692 Relatório Trata-se de autos de infração objetivando a exigência do Finsocial relativo aos períodos de outubro/91 a março/92 e da Cofins relativa aos períodos de janeiro/95 a maio/98 em virtude de falta de recolhimento destas contribuições. Segundo a fiscalização, a contribuinte obteve da Justiça o direito de compensar os valores recolhidos a maior do Finsocial (superiores à aliquota de 0,5%) com débitos da Cofms. Todavia, como a empresa é exclusivamente prestadora de serviços e o entendimento do STF é de que o aumento de aliquota da contribuição para tais empresas é constitucional, somente existiriam valores recolhidos a maior se a inconstitucionalidade da aliquota fosse expressamente reconhecida para o seu caso, o que não ocorreu. Assim as compensações efetuadas foram glosadas por ausência de direito creditório. A contribuinte apresentou impugnação alegando: • foi caracterizada indevidamente pela fiscalização como exclusivamente prestadora de serviços, o que, segundo seu estatuto social, não é a verdade; • os débitos do Finsocial foram alcançados pela decadência e foram objeto de parcelamento; • quanto à Cofins, os débitos foram devidamente compensados com valores do Finsocial recolhidos com aliquota superior a 0,5%, conforme autorização judicial transitada em julgado; 1 • o STF considerou injuridica a aplicação da TRD como índice de correção monetária, devendo esta ser expurgada do lançamento; • caráter confiscatório da multa, além de sua improcedência, pois os débitos lançados foram compensados; e • inconstitucionalidade da Taxa Selic como juros de mora. O julgamento foi convertido em diligência pela autoridade julgadora de primeira instância para que se adequasse à sentença obtida que autorizava a compensação dos débitos da Cofins com créditos advindos de recolhimentos do Finsocial superiores à aliquota de 0,5%. A autoridade fiscal, não concordando que a contribuinte faria jus à compensação com créditos advindos do Finsocial encaminhou o processo à PSFN em Ribeirão Preto/SP que, segundo despacho de fls. 495 a 497, concordou com o entendimento de que a contribuinte teria direito à compensação, conforme determinou a decisão judicial transitada em julgado. O processo retornou à DRF de origem que se manifestou no sentido de que todos os débitos do Finsocial lançados e os da Cofins referentes a janeiro, abril e maio de 1995 foram extintos pela compensação e o de junho/95 foi extinto parcialmente, segundo documentos de fls. 502 a 538. 2 Processo n.0 10840.000720/2002-15 CCO2/C04 Resolução o.° 20400.697 Fls. 693 Intimada, a contribuinte apresentou sua manifestação alegando: • os débitos até novembro/96 estariam alcançados pela decadência; • a fiscalização considerou os indébitos apenas a partir de maio/90 quando a decisão judicial admitiu a apuração dos créditos compensáveis desde outubro/88; • a fiscalização não realizou a correção monetária admitida judicialmente, apenas utilizando a UFIR; e • os valores dos indébitos foram lançados "as tontas e sem critérios" após o período de 30/09/90 e em duplicidade. O processo foi baixado novamente em diligência para que se informasse quais os índices considerados mensalmente na correção dos indébitos e para que se reabrisse o prazo para que a contribuinte se manifestasse. Em resposta, foi informado que os índices de atualização monetária utilizados no período correspondem à variação da BTN até janeiro/91 e, a partir de 1992, à da UFIR, sendo que de fevereiro a dezembro/91 não se atualizou monetariamente os indébitos, conforme despacho de fl. 594. Cientificada, a contribuinte não se manifestou e o processo retornou à DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou o lançamento relativo ao Finsocial improcedente em virtude de os débitos terem sido extintos por compensação e o relativo à Cofins, procedente em parte, para exonerar o lançamento relativo aos períodos de janeiro, abril e maio/95 e, parcialmente, o relativo a junho/95. A contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em sua defesa: 1. os valores lançados relativos a outubro/91 a novembro/96 já se encontravam prescritos quando foi iniciada a ação fiscal (08/11/2001), razão pela qual apenas os débitos relativos a períodos posteriores a 08/11/96 poderiam ter sido apurados; 2. apenas admitiu os créditos do Finsocial relativos a períodos posteriores a maio/90 quando a sentença judicial autorizou a compensação com indébitos relativos a períodos de apuração desde outubro/88; 3. o Fisco não realizou a correção monetária admitida judicialmente, incidindo apenas a UFIR e, quando da sua extinção, deixou de aplicar qualquer índice de atualização, embora a decisão judicial tenha determinado a correção pela UFIR e após a utilização dos mesmos índices utilizados pelo Fisco quando da atualização dos créditos tributários, ou seja, a aplicação da Taxa Selic. Ressalta que o Fisco usou a TR como correção dos créditos tributários, além de juros e multa; 4. os valores lançados pelo Fisco padecem de muitos erros, tendo, inclusive, sido lançados períodos em duplicidade; 3 Processo n.° 10840.000720/2002-15 CCO2/C04 Resolução n.° 204-00.697 Fls. 694 5. os valores do Finsocial, objeto do lançamento (outubro/91 a março/92), considerados pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida como compensados com créditos advindos do próprio Finsocial (obtidos na ação judicial que autorizou a compensação), em realidade não foram objeto de compensação por parte da recorrente e, mais ainda, já haviam sido alcançados pela decadência quando efetuado o lançamento, razão pela qual não poderiam ter sido utilizados para reduzir os créditos existentes em favor da empresa em processo compensatório não requerido e feito à revelia da recorrente; 6. os valores da Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro/95 a maio/98 foram extintos por compensação regularmente efetuada, não restando valores em descoberto que pudessem ser objeto de lançamento de oficio; 7. através da ação judicial n° 95.0308694-9 requereu judicialmente a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que elevou a aliquota do Finsocial em percentual superior a 0,5%, tendo sido acolhido seu pleito. Requereu, também, o direito de efetuar compensações dos valores recolhidos indevidamente a título do Finsocial com débitos da Cotins, tendo sido, em 24/07/95, julgado procedente o pleito e concedida a segurança pleiteada para declarar a inconstitucionalidade da aliquota do Finsocial acima de 0,5% desde 05/10/1988, e o direito de a contribuinte efetuar compensações com débitos da Cofins; 8. na segunda instância, denegou-se a ordem sob o fundamento de legalidade da Instrução Normativa n° SRF 67/92, no sentido de exigir-se o prévio exame da autoridade administrativa para admitir-se a compensação; 9. a empresa apresentou recurso especial ao STJ a fim de que fosse reformado o acórdão recorrido, assegurando o direito da impetrante de efetuar as compensações, afastando a aplicação da Instrução Normativa n° SRF 67/92. O recurso especial foi julgado em 05/05/1998 dando provimento ao mesmo, admitindo-se a compensação alvitrada; 10. em 17/08/1998 o referido acórdão transitou em julgado; 11. a contribuinte efetuou, pois, a compensação, nos exatos termos definidos pela decisão judicial, razão pela qual o Fisco não pode opor a ela em relação a quais períodos dariam origem ao crédito (não pode aplicar ao caso a prescrição qüinqüenal relativa aos indébitos originados de recolhimentos efetuados anteriores a maio/90); 12. aplicação da tese dos cinco mais cinco para a definição do prazo prescricional de ações relativas a indébitos tributários ajuizadas antes de 09/06/2005, conforme jurisprudência do STJ; 13. a sentença judicial obtida pela recorrente reconheceu a inconstitucionalidade da aliquota do Finsocial superior a 0,5%, desde 05/10/88 até 30/12/91, e declarou o direito à compensação de créditos decorrentes dos pagamentos indevidos com débitos da Cofins, corrigidos os créditos pelos 4 Processo n.° 10840.000720/2002-15 CCO2/C04 Resolução n.° 204-00.697 Fls. 695 mesmos índices de correção dos tributos federais relativamente aos períodos pretéritos; 14. apesar da ordem judicial expressa, o Fisco aplicou a prescrição qüinqüenal aos créditos advindos dos recolhimentos a maior do Finsocial; 15. pugna pela aplicação da tese dos cinco mais cinco em relação aos recolhimentos advindos do Finsocial recolhido a maior, ou que tal prazo seja contado a partir da data do trânsito em julgado da ação que reconheceu a inconstitucionalidade da norma jurídica que originou o indébito, conforme jurisprudência do STJ; 16. embora a decisão judicial tenha determinado a atualização dos créditos da recorrente após janeiro/96 pela Taxa Selic, a fiscalização assim não procedeu, deixando de atualizar os créditos existentes em favor da empresa após janeiro/96; 17. o crédito tributário em deslinde foi indexado da ocorrência do pretenso fato imponivel até a consolidação e inscrição na DAU pela TRD, embora o STF tenha declarado inconstitucional a TRD como índice adequado à indexação de créditos fiscais; 18. discorre sobre a TRD/TR e a impossibilidade de serem usadas para indexar débitos tributários, pugnando pela revisão dos valores a serem inscritos na Cobrança da Dívida Ativa; 19. caráter confiscatório da multa aplicada; e 20. impossibilidade de utilização da Taxa Selic como juros de mora. É o Relatório..,,d \-U 5 . , . Processo n.° 10840.000720/2002-15 CCO2JC04 Resolução n.° 204-00.697 Fls. 696 Voto Conselheira NAYRA BASTOS MANATTA, Relatora O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Uma das questões trazidas pela recorrente no litígio diz respeito ao fato de a fiscalização ter admitido apenas os créditos do Finsocial relativos a períodos posteriores a maio/90, quando a sentença judicial autorizou a compensação com indébitos relativos a períodos de apuração desde outubro/88. Outra questão a ser abordada diz respeito ao fato de se ter considerado como compensados os valores lançados relativos ao Finsocial, referentes aos períodos de apuração de outubro/91 a março/92, com créditos advindos do próprio Finsocial (obtidos na ação judicial que autorizou a compensação), quando, em realidade, tais valores não foram objeto de compensação por parte da recorrente, que apenas utilizou seus créditos para compensar débitos da Cofins. Uma derradeira questão a ser considerada, de imediato, diz respeito à atualização monetária dos créditos existentes em favor da recorrente, que, segundo seu juízo, não foram devidamente atualizados monetariamente, nos mesmos termos que a Fazenda Nacional atualiza os débitos, conforme determinou a sentença judicial proferida. No entender da contribuinte, embora a decisão judicial tenha determinado a atualização dos seus créditos, após janeiro/96 pela Taxa Selic, a fiscalização assim não procedeu, deixando de atualizar os créditos existentes em favor da empresa após janeiro/96. Estas questões merecem uma analise mais apurada, impossível de ser feita por este Colegiado de forma a que se determine se os valores objeto do lançamento são devidos ou não. Desta forma, para que seja solucionado o litígio necessário se faz a conversão do julgamento do recurso em diligência para que: 1. apure se o crédito existente em favor da contribuinte considerando-se todos os recolhimentos efetuados a título do Finsocial, desde outubro/88, inclusive, em alíquota superior a 0,5%; 2. inicie-se a compensação com os débitos da Cofins indicados pela contribuinte, excluindo, portanto, os débitos lançados a título do Finsocial já que não consta dos autos que a contribuinte tenha realizado tal compensação. Ao contrário, resta alegado que os valores que a contribuinte entendeu como devidos a título deste tributo foram objeto de parcelamento e não de compensação; 3. sejam corrigidos os créditos da contribuinte de acordo com o determinado na decisão judicial, inclusive aplicando-se o disposto na Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa Selic a \t\/( 6 Processo n.° 10840.000720/2002-15 CCO2/C04 Resolução n.° 204-00.697 Fls. 697 partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, pois que é desta forma que o Fisco atualiza o crédito tributário; 4. após apurados os créditos existentes em favor da recorrente, considerando os critérios acima estabelecidos, que seja efetuada a compensação com os débitos da Co fins, conforme indicou a contribuinte haver efetuado; 5. seja elaborado demonstrativo de cálculos e RELATÓRIO CONCLUSIVO, informando se efetuada a compensação nos moldes descritos nos itens anteriores ainda há valores a titulo de Cofins, objeto deste lançamento, que não foram quitados pela compensação; e 6. seja dada ciência à contribuinte do resultado da diligência proposta para que, em querendo, se manifeste no prazo previsto na lei; Após a conclusão da diligência proposta retornem os autos a esta Câmara para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009. NA RA B STOS MANATTA 7

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Numero do processo: 10831.010099/2001-18
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2000 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Consoante posição consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça, a alegação de prescrição intercorrente não merece prosperar, porquanto o respectivo prazo só tem início a partir da constituição definitiva do crédito tributário, nos exatos termos do art. 174 do Código Tributário Nacional, e isso somente ocorrerá com a definitividade da decisão administrativa deste contencioso. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. O erro de classificação tarifária de mercadoria - submetida a despacho aduaneiro ou na importação submetida à revisão aduaneira - não constitui infração punível com multa de oficio do IPI, quando a mercadoria estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Incabível a exigência da penalidade prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/85, uma vez que a descrição da mercadoria efetuada pelo importador apresentou todos os elementos necessários para a sua perfeita identificação e classificação tarifária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, 1) por unanimidade de votos, em negar provimento a preliminar de prescrição intercorrente; 2) no mérito, por maioria de votos, em afastar a multa de IPI. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Relator) e Henrique Pinheiro Torres; e 3) por unanimidade de votos, em afastar a multa administrativa de controle de importação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10831.010099/2001-18 Recurso e 343.161 Voluntário Acórdão n° 3101-00.330 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria IPI VINCULADO Recorrente W.R.V. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/09/2000 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Consoante posição consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça, a alegação de prescrição intercorrente não merece prosperar, porquanto o respectivo prazo só tem início a partir da constituição definitiva do crédito tributário, nos exatos termos do art. 174 do Código Tributário Nacional, e isso somente ocorrerá com a defmitividade da decisão administrativa deste contencioso. IN VINCULADO À IMPORTAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. O erro de classificação tarifária de mercadoria - submetida a despacho aduaneiro ou na importação submetida à revisão aduaneira - não constitui infração punível com multa de oficio do IPI, quando a mercadoria estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Incabível a exigência da penalidade prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/85, uma vez que a descrição da mercadoria efetuada pelo importador apresentou todos os elementos necessários para a sua perfeita identificação e classificação tarifária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) por unanimidade de votos, em negar provimento a preliminar de prescrição intercorrente; 2) no mérito, por maioria de votos, em afastar a multa de IPI. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Relator) e Henrique Pinheiro Torres; e 3) por unanimidade de votos, em afastar a multa administrativa de controle de importação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. /‘-'i<IenZu—e2- Pitnf.Retr.0%torres -113residente 1. o dpv,Corintho Oliveira la - - e' • - ator • o Ilida a ia....----_.r Luiz Robe • Doi ling° - Redator Designado EDITADO EM: 18/02/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração às fls. 01 a 12 e 13 a 16, por meio dos quais foram formalizadas as seguintes exigências: a) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação no valor de R$ 586.717,95, acrescido dos juros de mora no valor de RS 90.823,93 (calculados até 28/09/2001) e da multa de lançamento de oficio no percentual de 112,5% (cento e -doze e meio por cento.) do IPI devido, nos termos do art. 80, 1 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, com a redação dada pelo art. 45 c/c o art. 46 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, no valor de R$ 660.057,69; lq multa por infração administrativa ao controle das importações —falta de licença de Importação (LI) no valor de R$ 3.520.307;71, nos termos capitulados no art. 526, 11 do Regulamento Aduaneiro (R4), aprovado pelo Decreto n°91030 de 05/03/1985, tendo por base legal o art. 169, 1, alínea "b", do Decreto-lei n°37 de 18/11/1966, alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562 de 18/09/1978. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02 a 10 e 15 a 16) o motivo da autuação deveu-se ao fato de a fiscalização, em ato de revisão aduaneira do despacho de importação inerente à DI n' 00/0814745-5, de 29/08/2000, . haver entendido que o bem importado descrito pela autuada 2 Processe n° 10831.010099/2001-18 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00330 Fl. 215 como: "AERONAVE BEECHJET, MODELO 400A, SIM RK- 258, PREFIXO N40215, EQUIPADO", na verdade, face às suas características, deve ser classificado na NCM 8802.30.31, e não no código NCM 8802.30.90, classificação fiscal esta declarada pela importadora por ocasião do registro da referida D1 (o ingresso do bem no País se deu sob o regime especial de admissão temporária). Discorrendo acerca dos fatos que nortearam a ação fiscal, as autoridades lançadoras destacaram ainda que: - trata-se de uma aeronave BEECHIET, Modelo 400 A, SN RK- 258, ano de fabricação 1999, equipada, pesando 4.730 Kg quando vazia, provida de motor turbojato em cujo interior se integra uma ventoinha ou "fan"; - as aeronaves encontram-se posicionadas na Tarifa Externa Comum de acordo com seu peso e seu modo de propulsão, sendo que a força motriz de uma aeronave pode ser obtida através de diversos sistemas de propulsão (a hélice, a turboélice, a turbojato, a turbo-eixo, a estatoreator, a pulsoreator, entre outros), não existindo um sistema de propulsão denominado "fan"; - "fim" ou "ventoinha" consiste em um incremento técnico utilizado para otimizar o funcionamento de alguns sistemas de propulsão, apresentando-se sempre acompanhando estes sistemas, auxiliando-os através da ampliação da admissão de ar; - a aeronave objeto dos autos é popularmente conhecida como "turbofan", onde o "fan" apresenta-se acompanhando um "turborreator", otimizando seu funcionamento através da economia de combustível proporcionada, juntamente com a diminuição do ruído do motor, bem como pelo incremento de sua força motriz; - o modo de propulsão de um aeronave provida de um "turborreator' é denominado "propulsão turborreator" ou "a turbojato", sendo tais expressões sinônimas; - a definição de "turborreator/turbojato" dada pela NESH faz menção a ventoinha" como um incremento do conjunto, podendo, portanto, o "turborreator/turbojato" apresentar-se provido ou não de qualquer característica adicionada,- todavia, se desprovido, é conhecido como jato puro; - por outro lado, quando o "turborreatoriturbojato" vem acompanhado, por exemplo, de um "fan" ou "ventoinha", é denominado como de fluxo duplo, também conhecido, popular e comercialmente como "turbofan"; - as Notas Explicativas do sistema Harmonizado - .NESH, adotadas internacionalmente através da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de I f. 3 Codificação de Mercadorias, a qual o Brasil é signatário, define "turborreator" como sendo um sistema propulsor composto de um conjunto compressor-turbina, um sistema de combustão e uma tubeira, salientando que esse mesmo conjunto pode apresentar-se provido de um "fan" ou "ventoinha", dotada da capacidade de otimizar seu funcionamento, proporcionando ao conjunto economia de combustível, diminuição de ruído e aumento da forca motriz, sendo que o mesmo entendimento se pode ter da leitura da versão inglesa das NESH reproduzida nos autos; - tem-se, em conclusão, que urna aeronave provida de um "turborreator", ainda que com um "fan" adicionado, caracteriza-se como de propulsão "a turborreator ou a turbojato"; - para a classificação fiscal da mercadoria importada faz-se necessária a sua perfeita identificação; isto feito, parte-se para a localização da descrição que lhe é mais adequada dentro da Nomenclatura Comum do Mercosul OVC:14), que é baseada no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadoria (511), e assim, atribuindo-lhe um código numérico através do qual ela será posicionada na Tarifa Externa Comum — TEC, pá ra, ao final, serem aplicadas as aliquotas do II e do IPI correspondentes; - a aeronave em questão tem seu peso entre 2.000 e 15.000 Kg, encontrando-se, por conseguinte, abrangida pela subposição 8802.30 — "AVIOES E OUTROS VEICULOS AÉREOS, DE PESO SUPERIOR A 2.000 Kg, MAS NÃO SUPERIOR A 15.000 kg, VAZIOS"; - a aeronave cujo motor esteja dotado de "fim", popularmente denominada "turbofan", não pode ser classificada na NCV/ 8802.30.90— "Outros", pois referida classificação é reservada a aeronaves com "outros" modos de propulsão, tais como: o estato-reator, o pulso-reator, o turbo-eixo; - por se tratar de aeronave a "turbojato" ou "turborreator", a qual existe um enquadramento específico, e pelo fato de seu peso não exceder 7.000 kg quando vazia, o bem importado deve ser classificado na NCM 8802.30.31. Em seguida, após transcrever trecho do Parecer Normativo CO= n° 03, de 13/03/1992, e citar ementas de decis5es e/ou acórdãos proferidos no âmbito da Receita Federal do Brasil e do Terceiro Conselho de Contribuintes, cujos conteúdos referendariam o entendimento adotado na autuação, a fiscalização conclui pela exigência da diferença de alíquota de !PI que deixou de ser recolhida por ocasião do registro da respectiva Dl de admissão temporária do bem importado, sendo considerado no cálculo do valor devido a proporcionalidade entre a vida útil do bem e o tempo de permanência deste no Pais. Quanto à multa por falta de Licença de Importação (11), assevera a fiscalização que a autuada classificou erroneamente t o bem importado, e deste erro decorre também a infração prevista no ar!. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85. 4 Processo n° 10831.010099/2001-1S 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00330 Fl. 216 Segundo os autuantes a Licença de Importação obtida pela importadora, e vinculada à Dl objeto da autuação, "corresponde a uma mercadoria cujo NCM é 8802.30.90, quando na realidade foi apurado, em ato de revisão aduaneira, tratar-se de outra mercadoria, cujo NCM é 8802.3831". Ainda a respeito, destacam ser inaplicável ao caso o disposto no Ato Declarató rio Normativo n° 12, de 21/01/1997, visto que a descrição da mercadoria na DI carece de elementos imprescindíveis a sua correta identificação e enquadramento tarifário, na medida em que não faz referência ao modo de propulsão e ao peso da aeronave. Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 22/10/2001 (Aviso de Recebimento - AR à fl. 116), a autuada apresentou peças de impugnação em 21/11/2001, conforme documentação às fls. 117/133 e 144/160, com idêntico teor, onde, após breve exposição dos fatos que nortearam as exigências do Fisco, expõe suas alegações de defesa, conforme a seguir resumidas: - com base em acórdão do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, assevera que não restou cabalmente comprovada pela fiscalização, no auto de infração, a classificação errônea da aeronave objeto da lide, pois o simples cotejo das Regras para Interpretação do Sistema Harmonizado não é suficiente para descaracterizar a mercadoria importada; - a mercadoria em questão foi submetida ao canal vermelho, ou seja, submetida ao exame documental e físico, e posteriormente liberada, o que demonstra sua correta classificação; - incabível a multa de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) exigida no lançamento, visto que todas as intimações emitidas pelo Fisco foram respondidas, por escrito, conforme se depreende das cópias destes documentos e das respectivas respostas, todas protocolizadas junto à repartição fiscal competente; - nos termos do art. 80, inciso 1 da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 c/c art. 46 da Lei n° 9.430/96, a multa de oficio é devida pela falta de recolhimento ou recolhimento com atraso do IPI lançado na nota fiscal, situação esta totalmente diversa da tratada no auto de infração em questão, relativamente ao IPI não recolhido; - em ato de revisão aduaneira, ao dar outra classificação fiscal à mercadoria importada, a fiscalização modificou a decisão da autoridade que efetuou o despacho e o desembaraço aduaneiros do bem, não sendo procedente, nessas circunstâncias, penalizar o importador, em decorrência da mudança de entendimento? anteriormente acolhido e ratificado; 5 - o ADN COSIT n°10/97 retira, por definitivo, qualquer dúvida porventura existente acerca da ilegalidade do agravamento da multa para I125%; - a afirmação da fiscalização de que teria sido importada mercadoria diversa daquela objeto da LI em destaque não encontra respaldo na legislação de regência, mesmo porque, no presente caso, a importação atendeu rigorosamente a todas as exigências de controle administrativo, não ensejando qualquer dúvida de que a mercadoria submetida a despacho aduaneiro é a mesma constante da LI e dos demais documentos que a instruíram; - o ADIV COSIT n°12/97 não se presta a amparar a penalidade imposta pela fiscalização, visto tratar o referido ato de importação em que se exige novo licenciamento, situação diversa da ocorrida nos autos; - os atos normativos citados pelas autoridades fiscais (ADN COSI]' n 05/97 e 12/97) são considerados normas complementares da legislação e têm como escopo interpretar a lei, devendo, desta fbrma, obedecer aos limites nela estipulados, e jamais, ultrapassá-los, sendo, portanto, inadmissível a imposição de penalidade sob a mera alegação de que referidos atos disciplinam a infração e não são aplicáveis ao caso em discussão, não podendo, ainda, ser ignorada a determinação do art. 97, inciso V do C72\i; -foram atendidos todos os requisitos para obtenção da Licença de Importação não automática, bem como foram obtidas as anuências da COTAC e do DECEX, que dizem respeito à importação de uma aeronave, de modelo especifico, identificada por número de série exclusivo e com prefixo único, individual, elementos que tornam impossível tal aeronave ser confundida com qualquer outra; - a especificação do produto importado está elaborada com riqueza de detalhes suficientes para o seu enquadramento na TEC/TIPI, pois o peso da aeronave está indicado em campos próprios da LI e da DI, e o modelo da aeronave identifica o modo de propulsão, por "turbofan", excluindo-a da categoria de aviões a hélice ou turboélice e mesmo, turbojato, sendo descabida a afirmação das autoridades fiscais de que a indicação destes elementos (peso e modo de propulsão) deveria constar da descrição do produto; - os procedimentos de importação realizaram-se sob os controles administrativo e fiscal, sendo que em nenhum momento os diferentes órgãos envolvidos efetuassem qualquer observação, por menor que fosse, à identificação do produto importado em confronto com a descrição contida nos documentos pertinentes à importação. Ao final, a impugnante requer que sejam considerados seus argumentos de defesa, para anulação dos referidos autos de infração, ou senão for este o entendimento do órgão julgador, que sejam então excluídas da exação fiscal as multas aplicadas 11 (30% e 112,5%). Processo n° 10831.010099/2001-18 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.330 Fl. 217 A DRJ em FORTALEZA/CE julgou procedente em parte o lançamento, lançando a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 04/09/2000 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 146 do CTN, não constitui mudança de critério jurídico a alteração de oficio procedida pela autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, no código NCM declarado pela importadora. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato Gerador: 04/09/2000 REUSÃO ADUANEIRA APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO.POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro da mercadoria não implica homologação dos atos praticados pelo importador. Configurada a divergência na classificação fiscal das mercadorias importadas, é cabível a revisão aduaneira e o correspondente lançamento de oficio, desde que não tenha decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AERONAVE DE PESO SUPERIOR A 2.000KG E NÃO EXCEDENTE A 7.000KG PROVIDA DE MOTOR TURBOJATO. Classificam-se no código 8802.30.31 as aeronaves que utilizam turborreatores (turbojatos), incluídos os "turbofan", e cujo peso seja superior a 2.000Kg, mas não excedente a 7.000Kg, por força das Regras Gerais de Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/09/2000 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Cabível a exigência da penalidade prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/85) vez que a descrição da mercadoria efetuada pelo importador não apresentou todos os elementos necessários e imprescindíveis para sua peoreita identificação e classificação tarifária. Na hipótese dos autos, o enquadramento tarifário envolve, além da indicação do peso da aeronave, seu sistema de propulsão ("turbofan"). 7 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A falta do pagamento do imposto no prazo legal enseja a aplicação objetiva da multa no percentual de 75%, MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO EM 50% LVAPLICABILIDADE - Incabível o agravamento da multa de oficio quando não configurada a situação definida em lei para sua imposição. Lançamento Procedente em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 203 e seguintes, onde até concorda com a exigência da diferença do IPI, em virtude da reclassificação fiscal, entretanto, alega prescrição intercorrente, carência de base legal para exigência da multa do ipi e falta de base fática para a multa do controle administrativo das importações. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 212. Relatados, passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consoante relatado, a recorrente até concorda com a exigência da diferença do 1P1, em virtude da reclassificação fiscal, entretanto, alega prescrição intercorrente, pois desde o protocolo da impugnação, em 21/11/01, até o julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em 02/07/08, já se passaram 7 anos e 6 meses de inércia da Fazenda Nacional. Há carência de base legal para exigência da multa do ipi, porquanto o art. 80, I, da Lei n° 4.502/64 aplica-se apenas nas operações internas, haja vista que não existe nota fiscal nas operações de importação, e a declaração de importação não e documento correspondente. Por fim, aponta a falta de base fática para a multa do controle administrativo das importações, de vez que a descrição ofertada pela importadora foi completa - beechjet significa movido a jato, ou turboj ato. DA PRESCRICAO INTERCORRENTE A preliminar de prescrição intereorrente não merece prosperar, porquanto o respectivo prazo só tem início a partir da constituição definitiva do credito tributário, consoante art. 174 do Código Tributário Nacional, e isso somente ocorrerá com a . i definitividade da decisão administrativa deste contencioso. Essa posição inclusive está. consolidada pelo e. Superior Tribunal de Justiça, consoante o aresto que segue: RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PENDÊNCIA DE RECURSO ADMIBISTRATIVO. RECURSO 8 Processo n° 10831.010099/2001-18 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00330 Fl, 218 PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, . DESPROVIDO. (-) 4. O Código Tributário Nacional estabelece três fases acerca da fruição dos prazos prescricional e decadencial referentes aos créditos tributários. A primeira fase estende-se ate a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo - período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173 do CTN); a segunda fase flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo - em tal período encontra-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do CTN) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constitui-se definitivamente o crédito tributário, dando-se inicio ao prazo prescricional de cinco (5) anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança, segundo o que dispõe o art. 174 do CTN, a saber: "A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva." Precedentes. 5. Enquanto há pendência de recurso administrativo, não correm os prazos prescricional e decadencial. Somente a partir da data em que o contribuinte .é notificado do resultado do recurso é que tem inicio a contagem do prazo de prescrição previsto no art. 174 do CTN. Destarte, não há falar em prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 718139/SP Rd Ministra Denise Arruda DJe 23/04/2008) DA DIFERENÇA DO IN E DA MULTA RESPECTIVA Há concordância, por parte da recorrente, fi. 209 ao final, com a exigência da diferença do IPI, em virtude da reclassificação fiscal da aeronave importada, porém, discorda da exigência da respectiva multa de oficio porque diz não ser aplicável o art. 80, I, da Lei n° 4.502/64 ao caso dos autos (importação). Tal dispositivo aplicar-se-ia apenas nas operações internas, haja vista que não existe nota fiscal nas operações de importação, e a declaração de importação não é documento correspondente. Ao meu sentir, o argumento não merece acolhida. Note-se que o referido dispositivo trata, além de não emissão de nota fiscal, da falta de recolhimento do ipi 'lançado'. Lançado aqui significa o registro, pelo próprio contribuinte, no documento próprio da operação levada a efeito. É certo que o imposto sobre produtos industrializados é devido nas operações de importação, em regra, por conta do desembaraço aduaneiro, que é o fato gerador dessa exação. Pois bem, a própria recorrente tratou de lançar o IPI na sua Dl, e como ela i; mesma reconhece, o fez a menor, tanto que concordou com a exigência da diferença do IPI. 9 Corolário disso tem-se, também, a aplicação da multa de oficio sobre a diferença. Ilustro o voto com dois arestos da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria: Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 1997 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI VINCULADO. MULTAS DE OFICIO. Os elementos que compõem os autos não caracterizam evidente intuito de fraude por parte da contribuinte e, portanto, é incabível a imposição multa de oficio agravada. Entretanto, como ficou constatada a falta de recolhimento do tributo, Pão há como deixar de ser imputada à autuada a multa de oficio desagravada. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão CSRF/03-05. 585; Rel. Analise Daudt Prieto; Sessão em 25/02/2008. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. Os elementos que compõem os autos não caracterizam evidente intuito de fraude por parte da contribuinte e, portanto, é incabível a imposição multa de oficio agravada. Entretanto, como ficou constatada a falta de recolhimento do tributo, não há como deixar de ser imputada à autuada a multa de oficio desagravada. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão CSRF/03-04.481; Rel, Carlos Henrique Klaser Filho; Sessão em 08/08/2005. DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES A esse passo, devo concordar com a argumentação expendida pela recorrente, no sentido de que a descrição aposta, pela importadora, na Licença de Importação e na declaração de importação - AERONAVE BEECHJET, MODELO 400A, S/N: RK-258, PREFIXO N40215, EQUIPADO - dava condições ao agente tributário de entender a propulsão da aeronave já por ocasião da conferência aduaneira, que se deu na modalidade canal vermelho, ou seja, com verificação fisica da mercadoria importada, e se fosse o caso, reclassificar a aeronave. A expressão beechjet se não significa literalmente movido a jato, no mínimo evoca essa tendência, e o agente fiscal não reclassificou a mercadoria naquele momento porque entendeu correta a classificação fiscal ofertada Nesse diapasão, entendo aplicável o teor do ADN COSIT n° 12/97, que afasta a multa do controle administrativo das importações em casos de classificação fiscal errônea, em que a descrição é suficiente e não haja dolo ou má fé, por parte do importador. Posto isso, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, para afastar a multa do controle ad inistrativo das importações. Corintho O . vet Machado /1( to Processo n° 10831.010099/2001-18 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00330 Fl. 219 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Redator Designado O Voto do eminente Conselheiro relator originário Corintho é primoroso ao apreciar as questões litigiosa. Contudo, ouso descordar com sua posição no que concerne á manutenção da multa de oficio do IPI vinculado à importação por conta do erro de classificação fiscal. Notei no excelente relatório que: houve a perfeita descrição da mercadoria na Declaração de Importação; a fiscalização teve oportunidade de fazer a conferência fisica da mercadoria, liberando-a após ter sido submetida ao canal vermelho; e que nenhum intuito doloso ou má fé foi verificado por parte do declarante. Ademais, o fundamento para aplicação da multa de oficio aplicada pela falta de recolhimento do IPI está capitulada no art. 4° da Lei n°8.218/1991. Ora, creio que os elementos de fatos trazidos aos autos se subsumem com exatidão ao tipo de excludente de punibilidade conferido pelo Ato Declaratório Normativo •COSIT n` 10/1997 que dispõe: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. 3. Ficam revogados os Atos Declaratóries (11Tonnativos) COS1T Mis. 38, de 24 de junho de 1994, e 34 de 5 de outubro de 1995." .11 Desta forma, entendo que, além da aplicação do excludente de punibilidade previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97 em relação à multa administrativa ao controle das importações, como aplicado regularmente pelo eminente Conselheiro-Relator, entendo aplicar-se o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/97, em relação às multas previstas no art. 4' da Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Diante do exposto, mantendo minha posição acerca da prescrição interconcnte nos termo da Súmula • n* 11, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto 1 omingo /(7 • 12

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Numero do processo: 10467.900573/2010-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSOS VINCULADOS. DECORRÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. SEGURANÇA JURÍDICA. A decisão administrativa definitiva proferida em outro processo ao qual o presente processo se vincula por decorrência tem autoridade de coisa julgada, não podendo ser reexaminada a matéria fática em decorrência do princípio de segurança jurídica. Julgar o processo de ressarcimento/compensação de forma contrária à proferida no de lavratura do auto de infração, equivale (tem o efeito de) afastar, ou mesmo revogar, uma decisão administrativa sem que houvesse competência ou mesmo requisito previsto em lei para dar-lhe o efeito de nula pelos julgadores administrativos.
Numero da decisão: 3001-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os argumentos de caráter preliminar, que suscitam a nulidade da decisão recorrida e a prescrição intercorrente do procedimento administrativo e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os argumentos de caráter preliminar, que suscitam a nulidade da decisão recorrida e a prescrição intercorrente do procedimento administrativo e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).

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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSOS VINCULADOS. DECORRÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. SEGURANÇA JURÍDICA. A decisão administrativa definitiva proferida em outro processo ao qual o presente processo se vincula por decorrência tem autoridade de coisa julgada, não podendo ser reexaminada a matéria fática em decorrência do princípio de segurança jurídica. Julgar o processo de ressarcimento/compensação de forma contrária à proferida no de lavratura do auto de infração, equivale (tem o efeito de) afastar, ou mesmo revogar, uma decisão administrativa sem que houvesse competência ou mesmo requisito previsto em lei para dar-lhe o efeito de nula pelos julgadores administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os argumentos de caráter preliminar, que suscitam a nulidade da decisão recorrida e a prescrição intercorrente do procedimento administrativo e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 05 73 /2 01 0- 91 Fl. 282DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente). Relatório Por economia processual e, sobretudo, por bem sintetizar os eventos processuais até a apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzo a seguir o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS): Trata-se da manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 230 a 253, protocolizada em 9 de fevereiro de 2012, firmada por advogado, contestando o Despacho Decisório da fl. 223, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB. A ciência do despacho decisório referido ocorreu em 10 de janeiro de 2012 conforme consta nas fls. 225 e 226. O despacho decisório objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 22519.97090.150107.1.3.01-3995, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao trimestre 2006/4, o valor de R$ 70.657,48, em prejuízo das compensações pretendidas pelo interessado, pelos motivos expostos no Informação Fiscal das fls. 167 a 221, os quais seguem resumidos. A ação fiscal objetivou a análise dos oito PER/DCOMPs relacionados a seguir, alusivos ao quarto trimestre de 2006, aos quatro trimestre de 2007 e aos três primeiros trimestres de 2008. Foi ressaltado que o estabelecimento fornece, por conta própria e sob contrato, impressos publicitários ou promocionais, impressos para usos diversos, realizando também a impressão de jornais, revistas, publicações periódicas e livros em geral, além da fabricação de embalagens de papel, cartolina e papel cartão. Em resposta à intimação fiscal, informou que classifica quase todos os seus produtos no subposição 4911.10 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), relativa a "impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes": Processo PER/DCOMP Trimestre Valor Solicitado Reconhecido 10467.900573/2010-91 22519.97090.150107.1.3.01-3995 2006/4 70.657,48 0,00 10467.900574/2010-36 06456.08270.200407.1.1.01-2883 2007/1 96.127,12 8.972,02 10467.900575/2010-81 38912.32954.200807.1.5.01-8112 2007/2 136.474,42 31.438,79 10467.900576/2010-25 29336.07402.191007.1.1.01-7806 2007/3 69.353,50 8.982,95 10467.900577/2010-70 12757.23817.180108.1.1.01-0636 2007/4 102.876,21 0,00 10467.900578/2010-14 34135.53123.180408.1.1.01-0572 2008/1 58.421,42 0,00 10467.900579/2010-69 35690.69459.210808.1.1.01-3517 2008/2 113.215,65 23.228,09 10467.900580/2010-93 09887.17249.201008.1.1.01-7715 2008/3 112.041,29 53.864,35 Totais 759.167,09 126.486,20 Ao constatar que o interessado produz livros, jornais e periódicos, produtos beneficiados com imunidade do IPI, a fiscalização glosou créditos desse imposto aproveitados em desacordo com as disposições do Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 17 de abril de 2006, que esclarece quais dos produtos mencionados no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, dão direito à manutenção e utilização dos créditos relativos aos insumos neles empregados, não sendo admitido crédito em relação aos insumos empregados nos produtos mencionados (livros, jornais e periódicos, imunes). O interessado foi, então, intimado a fornecer elementos para cálculo proporcional dos créditos inerentes aos insumos com destinação comum, com Fl. 283DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 base no valor dos produtos fabricados, para apuração dos créditos a que faria jus. Ao fornecer as notas fiscais de saída de seus produtos, verificou-se que a maioria desses documentos foi emitida em formulário de nota fiscal de serviço. Após sucessivas intimações, o interessado apresentou o livro Registro de Apuração do IPI. Além da glosa de créditos referida no item precedente, também foram glosados créditos do IPI com respeito a itens que não se enquadram nos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, tampouco nas situações referidas no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, conforme extenso rol de produtos constante da Informação Fiscal. Na sequência, houve glosas de créditos referentes a produtos que teriam sido fornecidos por comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI, em relação aos quais a legislação autoriza o crédito, mediante aplicação da respectiva alíquota sobre 50% do valor do produto, sendo que foi constatado pela fiscalização o fornecimento de produtos por comerciantes varejistas, e não atacadistas, o que justificou a glosa. Ainda houve glosas de créditos do IPI, quanto a produtos recebidos na condição de amostra grátis, em remessas para amostras e em doação, além de ter havido uma série de glosas de créditos, por irregularidades na escrituração fiscal. Adiante, a auditoria revelou a classificação de livros, jornais e periódicos no código 4902.90.00, Ex 01, da TIPI, referente a "Jornais e publicações periódicas, impressos mesmo ilustrados ou contendo publicidade - Outros - Com publicidade", sujeito à alíquota zero, classificação com a qual a fiscalização não concordou, enquadrando os referidos produtos nos códigos 4901.99.00, referente a "Livros, brochuras e impressos semelhantes, mesmo em folhas soltas - Outros - Outros", com a notação NT (não tributado pelo IPI), e 4902.90.00, referente a "Jornais e publicações periódicas, impressos mesmo ilustrados ou contendo publicidade - Outros", também com a notação NT. A fiscalização também constatou que houve equívoco do interessado na classificação fiscal de vários outros produtos, reclassificando-os, de ofício, conforme demonstrativo que segue, com a indicação da alíquota correta do IPI, diferente da alíquota zero utilizada pelo estabelecimento, com base em classificação equivocada: Produto Classificação fiscal Alíquota do IPI (%) Envelopes 4817.10.00 5 Caixas de papel ou cartão, ondulados 4819.10.00 15 Outras embalagens, incluídas as capas para discos 4819.50.00 15 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 4820.10.00 15 Classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos 4820.30.00 15 Outros livros de registro e de contabilidade, blocos, agendas, cadernos, capas, formulários em blocos tipo "manifold" etc. 4820.90.00 15 Calendários de qualquer espécie, impressos, incluídos os blocos-calendários para desfolhar 4910.00.00 10 As infrações apuradas no curso da ação fiscal em comento culminaram com a lavratura de Auto de Infração, em 19 de dezembro de 2011, para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 67.314,34, acrescido de juros de mora e de multa de 75%, por falta de lançamento do referido imposto, de outubro de 2006 a setembro de 2008, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos, e por falta de recolhimento do IPI, no período de novembro de 2006 a setembro de 2008, totalizando, na data da autuação, R$ 483.695,50. Pelo mesmo Auto de Infração, o sujeito passivo também foi intimado a estornar, no livro Registro de Apuração do IPI, créditos Fl. 284DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 ilegítimos no valor total de R$ 578.733,72. O referido Auto de Infração se encontra nas fls. 682 a 700 do processo 10467.720003/2012-81, sendo que os fundamentos correspondentes acham-se expostos na Informação Fiscal das fls. 701 a 757 do referido processo 10467.720003/2012-81. A ciência da autuação mencionada ocorreu em 10 de janeiro de 2012, segundo consta na fl. 683 do processo 10467.720003/2012-81. Cumpre ressaltar que o interessado deixou escoar o prazo de trinta dias que lhe foi concedido para pagamento do crédito tributário exigido no referido processo, sem ter apresentado impugnação contra a mesma exigência, o que levou à lavratura de Termo de Revelia na fl. 761 do citado processo 10467.720003/2012-81, com a subsequente observância de outro prazo de trinta dias, para cobrança amigável, que tampouco teve sucesso, resultando no encaminhamento do processo à competente unidade descentralizada da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, para cobrança executiva, já estando, inclusive, ajuizada a execução fiscal. Na manifestação de inconformidade apresentada neste processo, o interessado alega, em síntese, o que segue. Argumenta que a ciência do despacho decisório que denegou a homologação das compensações se deu em 10 de janeiro de 2012, data em que o lançamento de ofício referente aos fatos geradores dos créditos do ano de 2006 encontrava-se alcançado pelo instituto da decadência, em face do disposto no § 4º do art. 150 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), o que fulmina, inclusive, a exigência da multa de que trata o art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e impede a reclassificação fiscal dos produtos e a reconstituição da escrita do estabelecimento fiscalizado. Na sequência, alega a improcedência das glosas de créditos do IPI, contestando, um a um, os motivos indicados pela fiscalização, no sentido da ilegitimidade desses créditos. Sobre a reclassificação fiscal dos produtos, nos períodos não atingidos pela alegada decadência, o manifestante sustenta a correção dos enquadramentos na TIPI por ele adotados. [grifo nosso] Ao deliberar acerca da manifestação de inconformidade (acórdão nº 10-52.704, às fls. 257/261), a 3ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente, para manter o Despacho Decisório da fl. 223. O acórdão do colegiado a quo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, o ilustre relator da decisão recorrida concluiu (no que foi seguido pelo restante do colegiado) que o ressarcimento de que trata esses autos estaria vedado em razão da decisão definitiva no processo nº 10467.720003/2012-81, que trata de exigência de IPI apurado Fl. 285DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 no âmbito da análise dos pedidos de compensação listados acima. O trecho a seguir demonstra bem as razões de decidir da câmara baixa: Sob outra perspectiva, note-se que o § 6º do art. 8º da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, reza que não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial, ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário, ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes (hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, na essência, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da atual Instrução Normativa RFB no 1.300, de 20 de novembro de 2012, que veda o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. No caso concreto, o requerente se enquadra na situação prevista nos dispositivos citados no item precedente, por ter sido autuado no processo 10467.720003/2012-81, para exigência do IPI, juros de mora e multas. No referido processo, foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, em face da glosa dos créditos cujo ressarcimento é pleiteado no PER/DCOMP de início referido, bem assim em face da apuração de débitos do IPI, ocasionados por falta de lançamento desse imposto nas notas fiscais de saída, por erro de classificação fiscal e de alíquota, com a decorrente exigência dos saldos devedores do IPI em aberto. A exigência contida no processo 10467.720003/2012-81, conforme exposto no relatório que antecede este voto, restou definitiva, na esfera administrativa, em face da revelia do sujeito passivo, sendo suscetível de eventual alteração mediante embargos do devedor, que venham a ser ofertados no âmbito da execução fiscal já em curso, circunstância que, à luz do disposto no art. 25 da IN RFB no 1.300, de 2012, e demais dispositivos citados, impede o ressarcimento objeto do PER/DCOMP de início referido. Embora em alguns dos PER/DCOMPs auditados tenha sido admitido, em parte, o ressarcimento, é certo que fica excluída a possibilidade de qualquer reconhecimento de direito creditório nesta instância, em prejuízo das compensações não homologadas. Inconformada com a decisão do colegiado a quo, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 266/279), no qual alega a inaplicabilidade lógica do art. 20 da IN SRF nº 600/2005 e do art. 25 da IN RFB nº 900/2008; a ocorrência de prescrição, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99; a improcedência das glosas efetuadas pela fiscalização e a reclassificação indevida nas posições 4820.30.00, 4820.90.00 e 4910.00.00. Recebido o recurso, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. Fl. 286DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 3. Da prescrição Em sua razões de recurso, a ora Recorrente a alegação de que nos autos restou caracterizada a hipótese de prescrição prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99. Vejamos: No caso específico destes autos, de se observar que o pedido de ressarcimento foi transmitido em 15/01/2007, ao passo que este processo tão somente veio a ser instaurado em 2010, pelo que fácil perceber que a receita Federal permaneceu inerte por mais de 3 anos em relação ao procedimento iniciado por provocação do contribuinte. Em casos tais, aplicável o disposto na Lei 9.873/99, precisamente em seu art. 1º, § 1º, que comanda a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de 3 anos. Verbis: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Logo, de se reconhecer a ocorrência da prescrição antes mesmo da instauração deste processo de fiscalização, vez que ultrapassados o período de 3 anos com a inercia da Receita Federal desde a abertura do procedimento de ressarcimento havida em 15/01/2007. Exposto o argumento, entendo que não assiste razão à Recorrente. Um primeiro ponto a destacar é que a disposição legal suscitada não é aplicável à espécie em julgamento, na medida em que as disposições da lei em comento não tratam dos créditos de natureza tributária. Isso pode ser facilmente extraído da leitura do art. 1º-A da Lei nº 9.873/99, que dispõe expressamente acerca da natureza não tributária do crédito por ele tratado. Além disso, o art. 5º desta lei é claro ao dispor que ela não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 Não bastasse isso, a matéria da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal está pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 11, que, por força da Portaria MF nº 277/2018, tem efeito vinculante em relação à administração tributária federal como um todo, in verbis: Súmula CARF nº 11 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nesses termos, voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 4. Da inaplicabilidade lógica art. 20 da IN 600 e 25 da IN 900 Conforme citado no relatório deste acórdão, a ora Recorrente se insurge contra o acórdão do colegiado a quo, que manteve a decisão contida no DESPACHO DECISÓRIO DRF/JPA N° 010/2012 de NÃO HOMOLOGAR a DCOMP n° 22519.97090.150107.1.3.01- 3995 (fls. 04 a 23). A Recorrente alega que não seriam aplicáveis as disposições do art. 20 da IN SRF nº 600/2005 (replicado pelo art. 25 da IN RFB nº 900/2008), invocado pelo colegiado a quo para julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na peça recursal, o contribuinte defende que eventuais embargos à execução fiscal, caso opostos, não teriam como objeto o crédito, mas sim o débito. Alega também que tais disposições só são aplicáveis caso, no momento do requerimento, já exista processo administrativo ou judicial que diga respeito especificamente ao crédito. Eis o que aduz a Recorrente: Primeiro, em se tratando de embargos do devedor em sede de execução fiscal, o que se discute é uma dívida do contribuinte perante o fisco, ou seja, a sentença ali proferida se limita tão somente a manter, reduzir, anular ou desconstituir o credito tributário cobrado, especificamente em relação ao processo administrativo que o constituiu definitivamente. Logo, não há absolutamente a menor perspectiva de sequer se conhecer no bojo de embargos à execução fiscal de qualquer alegação de existência de crédito acumulado em favor do contribuinte que venha a alterar ou influenciar noutro processo administrativo, tal como o presente. Segundo e mais importante é que a redação dos arts. 20 da IN 600 e 25 da IN 900, não se aplicam ao momento em que a fiscalização venha a proceder com a análise dos créditos, mas contrário disso, tais dispositivos se atêm ao momento em que o contribuinte requer o ressarcimento. Ou seja, caso o contribuinte, quando do momento do pedido de ressarcimento, já esteja envolvido em processo administrativo ou judicial que diga respeito especificamente ao crédito (período, objeto, valor etc.) que visa ressarcir, ficará ele, aí sim, impedido de fazê-lo. Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 E a lógica da assertiva acima, que é insofismável, decorre justamente do parágrafo único do referido art. 25, quando aquele afirma que “Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput.”. Ora, no caso concreto o contribuinte, naquele momento “Ao requerer o ressarcimento” não se encontrava na situação de questionamento judicial ou administrativo dos seus créditos, o que apenas veio a ocorrer anos depois, quando da abertura e conclusão de uma fiscalização. Portanto, resta por demais óbvio que o órgão julgador a quo não poderia se utilizar do disposto no mesmo art. 25 para, daí, evitar enfrentar os méritos contidos na manifestação de inconformidade. E mais, não é verdade que o contribuinte esteja intentando discutir, neste processo, os motivos da autuação. Pelo contrário, o que se persegue aqui é tão somente o reconhecimento ao direito de manutenção dos créditos, tais como devidamente escriturados e acumulados. Antes de tratar do argumento, vejamos o que diz o art. 20 da IN SRF nº 600/2005: Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Vê-se das disposições supra que é vedado o ressarcimento de IPI acaso haja processo administrativo ou judicial que possa alterar o valor a ser ressarcido. Por uma decorrência lógica também veda-se o ressarcimento se houver processo no qual já tenha se decidido, de modo definitivo, pela inexistência do crédito. É o que se tem no caso concreto com o processo administrativo nº 10467.720003/2012-81, que foi autuado para a exigência de IPI apurado pela fiscalização quando da análise dos créditos pleiteados nos PER/DCOMPs relacionados na tabela contida no relatório deste acórdão (dentre as quais, a DCOMP nº 22519.97090.150107.1.3.01-3995, que é objeto do presente processo). Conforme destacado no relatório deste acórdão, no processo administrativo nº 10467.720003/2012-81 já se tem decisão administrativa definitiva em razão da não apresentação de defesa pela Recorrente. Sendo assim, in casu, não se trata apenas de um processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido, mas sim de um processo já decidido definitivamente em âmbito administrativo, no qual são exigidos débitos relativos ao mesmo período de que trata o pedido de ressarcimento/compensação tratados neste autos. Nesse sentido, concordo com as conclusões do colegiado a quo de manter a decisão quanto à improcedência do crédito, tendo em vista a decisão definitiva no processo nº 10467.720003/2012-81. Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 Ademais, entendo que a determinação contida no parágrafo único do art. 20 da IN SRF nº 600/2005 não restringe a vedação do ressarcimento apenas aos casos em que os processos, de que trata o caput, precedam o pedido. Vê-se que o caput do artigo, que é aonde está contida a referida vedação, não a limita a processos anteriores. O parágrafo único, por sua vez, estabelece a obrigação da pessoa jurídica informar que não se encontra na situação do caput ao requerer o ressarcimento. Ele, porém, não determina que os processo de que trata o caput são apenas aqueles iniciados antes do pedido. Em verdade, nem faria sentido em sê-lo, já que é possível sobrevir um processo com potencial de alterar o valor a ser ressarcido e este terá o mesma repercussão para a análise do crédito do que outro já existente no momento do pedido. Desse modo, entendo que o fato do relator apontar o art. 20 da IN SRF nº 600/2005 como um dos seus fundamentos para decidir não torna a decisão do colegiado a quo nula, como defende a Recorrente. No mais, vale ressaltar que vários dos demais processos relacionados na planilha transcrita no relatório já tiveram recursos voluntários julgados pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, sob a relatoria do ilustre Conselheiro Jorge Lima Abud. Por concordar com as conclusões daquele colegiado, com a devida vênia, transcrevo a seguir trecho do voto do relator, proferido no acórdão nº 3302-010.538 (Processo nº 10467.900576/2010-25), o qual reflete também o meu posicionamento sobre o tema: Reconstituída a escrita fiscal do sujeito passivo em virtude de lançamento de ofício, baseado em PAF de auto de infração no qual os motivos da autuação se demonstraram como devidos em decisão administrativa definitiva, o pedido de ressarcimento/compensação não deve ser homologada, pois a consequente redução a zero do saldo credor a torna incabível. E sendo vinculados, e conquanto não tenham sidos pautados ou sobrestados para julgamento conjunto, há de ser observado e respeitado no processo n° 10467.720003/2012-81. Julgar o processo de ressarcimento/compensação de forma contrária à proferida no de lavratura do auto de infração, equivale (tem o efeito de) afastar, ou mesmo revogar, uma decisão administrativa sem que houvesse competência ou mesmo requisito previsto em lei para dar-lhe o efeito de nula pelos julgadores administrativos. Parece-me que caminhou bem o ilustre Relator. Sendo os processos decorrentes de um mesmo fato, conquanto não reunidos para decisão conjunta, tendo um deles já sido decidido de modo definitivo em âmbito administrativo, não compete a esta turma decidir de modo de diverso, dado que isso equivaleria a afastar aquela decisão. Nesse diapasão, entendo não ser possível a análise nesses autos dos argumentos que envolvem as glosas e as reclassificações fiscais efetuadas pela fiscalização. Embora eles também tenham relação com este processo, conhecê-los apenas para fins de análise do crédito poderia, na prática, infirmar a decisão definitiva acerca das exigências fiscais do processo nº 10467.720003/2012-81. Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.426 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10467.900573/2010-91 Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os argumentos de caráter preliminar, que suscitam a nulidade da decisão recorrida e a prescrição intercorrente do procedimento administrativo e, no mérito, por negar provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 291DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10380.726758/2014-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/08/2011 MULTA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. § 17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430 DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. RE nº 796.939/RS e ADI nº 4905. ARTS. 98, PARÁGRAFO ÚNICO, I, E 99 DO RICARF. O § 17 do art. 74 da Lei Nº 9.430/1996, incluído pela Lei Nº 12.249/2010, alterado pela Lei nº 13.097/2015 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento da ADI nº 4905 e do RE nº 796.939/RS, em regime de repercussão geral, ocasião em que fora fixada a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Tal decisão deve ser reproduzida pelas turmas deste Conselho nos julgamentos dos recursos submetidos a seu crivo, conforme disposto no arts. 98, parágrafo único, inciso I, e 99 do novo RICARF.
Numero da decisão: 3001-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de suspenção da exigibilidade do crédito tributário e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/08/2011 MULTA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. § 17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430 DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. RE nº 796.939/RS e ADI nº 4905. ARTS. 98, PARÁGRAFO ÚNICO, I, E 99 DO RICARF. O § 17 do art. 74 da Lei Nº 9.430/1996, incluído pela Lei Nº 12.249/2010, alterado pela Lei nº 13.097/2015 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento da ADI nº 4905 e do RE nº 796.939/RS, em regime de repercussão geral, ocasião em que fora fixada a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Tal decisão deve ser reproduzida pelas turmas deste Conselho nos julgamentos dos recursos submetidos a seu crivo, conforme disposto no arts. 98, parágrafo único, inciso I, e 99 do novo RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de suspenção da exigibilidade do crédito tributário e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 67 58 /2 01 4- 10 Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 Relatório Da autuação: O processo em epígrafe trata da controvérsia instaurada em virtude da lavratura de Auto de Infração – MPF nº 0310100.2014.00631 (fls. 02/09) por meio da qual constitui-se crédito tributário referente à multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, aplicada em virtude da não homologação de compensação declarada pela ora Recorrente, conforme despacho decisório constante nos processo administrativo nº 10380- 725.054/2014-11. Eis a descrição dos fatos que consta no AI: 0001 DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo ora autuado apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) recepcionadas com os números: 27081.86528.120811.1.3.57-5800 (12/08/11), cujo montante dos débitos confessados correspondeu a R$ 595.168,39. Em tais compensações, o direito creditório utilizado foi insuficiente para quitar o montante dos débitos compensados. A Declaração de Compensação ora citada fora analisada nos autos do processo administrativo nº 10380-725.054/2014-11. Em decisão administrativa proferida em 13/06/2014, às fls.176 do citado processo, restou uma parte da compensação que NÃO FOI HOMOLOGADA em razão de insuficiência de saldo creditório (arts. 165 e 170 da Lei 5.172/1966 -CTN; art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Diante dos fatos, e em cumprimento ao disposto no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, constitui-se, pelo presente Auto de Infração, a multa isolada regulamentar nos valores abaixo demonstrados, que corresponde à aplicação do percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre parte do crédito correspondente à compensação não homologada de R$ 34.616,17, a partir da vigência da Lei nº 12.249/2010, DOU-14/06/2010. PER/DCOMP COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA(A) MULTA ISOLADA 50% x A 27081.86528.120811.1.3.57-5800 34.616,17 17.308,08 A multa de R$ 17.308,08 (dezessete mil, trezentos e oito reais e oito centavos) resulta, portanto, da aplicação do percentual de 50%, sobre R$ 34.616,17, que foi a parte do crédito, objeto da compensação NÃO HOMOLOGADA declarada em DCOMP. Da Impugnação: Não conformado com a exigência fiscal, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 22/34), na qual repetiu os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade interposta no processo administrativo nº 10380-725.054/2014-11 contra o despacho decisório que homologou parcialmente a declaração de compensação nº 27081.86528.120811.1.3.57-5800. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 Da decisão da DRJ: Ao julgar a peça defensória, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), por unanimidade de votos, decidiu não conhece-la. O acórdão do colegiado a quo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/08/2011 IMPUGNAÇÃO. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não se conhece da impugnação a auto de infração de multa aplicada por compensação não homologada, quando o contribuinte se limita a trazer questões que são pertinentes ao processo de compensação. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Ademais, de acordo com o voto do ilustre Relator da decisão recorrida, em virtude do não conhecimento da impugnação neste processo, e também do não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada no bojo do processo administrativo nº 10380- 725.054/2014-11 (Acórdão DRJ nº 08-37.116), a multa de que trata esses autos estaria em situação de cobrança final. Eis o que ficou consignado no voto condutor do r. decisum: 6. Dessa forma, considerando-se não impugnada a exação fiscal, ficaria suspensa a exigibilidade da multa de ofício enquanto estivesse pendente de apreciação os recursos apresentados no processo de compensação, conforme prescreve o art. 74, §18, da Lei nº 9.430, de 1996. 7. Entretanto, naquele processo, esta Turma de julgamento não conheceu a inconformidade manifestada no processo de compensação, encerrando-o na seara administrativa em julgamento exarado no Acórdão DRJ nº 08-37.116, de 29.09.2016. Dessa forma, a multa de ofício aplicada está em situação de cobrança final. Do recurso voluntário: Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 226/239) em que, preliminarmente, se subleva contra a decisão do colegiado a quo, que considerou definitiva, na esfera administrativa, a não homologação da compensação de que trata o processo administrativo nº 10380-725.054/2014-11 e, por consequência, extinta a causa de suspensão da exigibilidade da multa, nos termos do art. 74, §18, da Lei nº 9.430/1996. Em seguida, no mérito, o contribuinte repete os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, ou seja, se insurge contra a não homologação da compensação. Vale dizer que o Recurso Voluntário interposto no processo nº 10380- 725.054/2014-11 também foi sorteado para minha relatoria e foi pautado para julgamento na mesma sessão deste recurso. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 3. Da suspenção da exigibilidade da multa Conforme relatado acima, o colegiado o quo não conheceu da impugnação apresentada, por entender que o sujeito passivo não apresentou argumentos contra a multa por não homologação, mas, sim, contra a não homologação da compensação, repetindo os mesmos pontos trazidos na manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 10380- 725.054/2014-11. Na esteira dessa decisão e da decisão proferida naquele processo, por meio da qual também não foi conhecida a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que os argumentos do contribuinte implicariam mudança da origem do crédito pleiteado e inovação do pedido de compensação, o colegiado a quo considerou a discussão acerca da não homologação da compensação findada no âmbito administrativo e, por conseguinte, extinta a causa de suspensão da exigibilidade da multa, nos termos do art. 74, §18, da Lei nº 9.430/1996. Na peça recursal, a ora Recorrente se opõe a essa conclusão, alegando que recorreu da decisão proferida no processo nº 10380-725.054/2014-11 e que tal recurso aguarda decisão deste Conselho. De fato, houve a interposição de Recurso contra aquela decisão e o feito foi distribuído à minha relatoria. Embora a Recorrente lá também tenha reproduzido os mesmos argumentos levados à apreciação em primeira instância, julguei, ao revés do que concluiu o colegiado a quo, que não se tratava de uma inovação do pedido de compensação. Ademais, analisando as razões trazidas na peça recursal e a documentação juntada naqueles autos, concluí haver indícios do direito reclamado, sendo necessária, porém, a baixa dos autos em diligência para que a unidade de origem realizasse algumas pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil e confirmasse informações trazidas aos autos. Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 Diante disso, entendo que se manteve a suspenção da exigibilidade da referida multa em virtude da previsão contida no art. 74, §18, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Logo, voto por acolher a preliminar de suspensão da exigibilidade da multa aplicada à Recorrente. 3. Do mérito - Da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4905 e do Recurso Extraordinário nº 796.939 Desde os idos de 2013 tramitavam no Supremo Tribunal Federal duas ações em que se discutia a constitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430. São elas: Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4905 e o Recurso Extraordinário nº 796.939, o qual fora admitido em regime de repercussão geral. Até então, tais ações careciam de decisão de mérito pelo Pretório Excelso, de modo que, diante dos contumazes argumentos dos sujeitos passivos, citando-as para subsidiar a tese de que a multa deveria ser afastada (como no caso do recurso ora em análise), invariavelmente, vinha destacando em meus votos a necessidade de que nesses processos houvesse decisão pela inconstitucionalidade da multa, para que então fosse possível afastar a aplicação da lei; nesse caso, não por pronunciamento acerca da constitucionalidade da lei, que como dito no item anterior deste voto é defeso a este Conselho, mas sim devido à força vinculante inerente às decisões em ADI ou RE com repercussão geral reconhecida pelo STF. Eis que em 17/03/2023, o pleno do Supremo proferiu decisão de mérito nessas duas ações, declarando a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, alterado pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015. Vejamos o que restou decidido em cada uma delas: Fl. 302DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) N° 4905 1 Decisão: O Tribunal, por maioria, conheceu parcialmente da presente ação direta, tendo em vista a revogação parcial de disposição impugnada, e, na parte conhecida, julgou procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei 12.249, de 11 de junho de 2010, alterado pela Lei 13.097, de 19 de janeiro de 2015, e, por arrastamento, a inconstitucionalidade do inciso I do § 1º do art. 74 da Instrução Normativa RFB 2.055/2021. Tudo nos termos do voto do Relator, vencido parcialmente o Ministro Alexandre de Moraes. Falaram: pela requerente, o Dr. Fabiano Lima Pereira; pelo amicus curiae Associação Brasileira de Advocacia Tributária – ABAT, o Dr. Breno Ferreira Martins Vasconcelos; pelo amicus curiae ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados, a Dra. Ariane Costa Guimaraes; pelo amicus curiae Associação Brasileira da Indústria Química – ABIQUIM, o Dr. Carlos Mário da Silva Velloso; pelo amicus curiae Associação Comercial do Rio de Janeiro, o Dr. André Pacheco Teixeira Mendes; pelo amicus curie Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB, o Dr. Luiz Gustavo Antonio Silva Bichara; e, pela Advocacia-Geral da União, a Dra. Luciana Miranda Moreira, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, Sessão Virtual de 10.3.2023 a 17.3.2023. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 796939 2 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 736 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantida, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Foi fixada a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Tudo nos termos do voto reajustado do Relator. O Ministro Alexandre de Moraes acompanhou o Relator com ressalvas. Não votou o Ministro Nunes Marques, sucessor do Ministro Celso de Mello (que votara na sessão virtual em que houve o pedido de destaque, acompanhando o Relator). Plenário, Sessão Virtual de 10.3.2023 a 17.3.2023. Observa-se claramente dos dispositivos acima que nas decisões proferidas pelo e. STF restou consignado que o § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 é inconstitucional e, por conseguinte, a multa nele prevista também o é. Por derradeiro, cumpre dizer que, em 26/05/2023, a ADI nº 4905 transitou em julgado e os autos foram baixados em definitivo para o arquivo do STF. Em 20/06/2023, foi a vez do Recurso Extraordinário nº 796.939, com baixa definitiva para o Tribunal Regional Federal da 4ª região na mesma data. Nesse cenário, considerando que a controvérsia posta nestes autos gira em torno justamente da aplicação da referida multa, julgo que, com fulcro no disposto nos arts. 98, parágrafo único, inciso I, e 99 do novo RICARF (incisos I e II, alínea b, do § 1º e no § 2º, ambos do art. 62 do antigo RICARF) deve a exigência fiscal de que trata este processo ser afastada por este colegiado. 1 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4357242 2 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4531713 Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.423 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.726758/2014-10 Conclusão Diante do exposto, voto por acolher a preliminar de suspenção da exigibilidade e, no mérito, por dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência da multa de que trata estes autos, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4905 e do Recurso Extraordinário nº 796.939. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 304DF CARF MF Original

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10358777 #
Numero do processo: 10380.726987/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. MATÉRIA DISCUTIDA JUDICIALMENTE. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. O crédito tributário relativo a matérias discutidas judicialmente somente tem sua exigibilidade suspensa quando abarcado por decisão, liminar ou de mérito, favorável à pretensão dos autores.
Numero da decisão: 2402-012.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. MATÉRIA DISCUTIDA JUDICIALMENTE. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. O crédito tributário relativo a matérias discutidas judicialmente somente tem sua exigibilidade suspensa quando abarcado por decisão, liminar ou de mérito, favorável à pretensão dos autores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 69 87 /2 01 2- 64 Fl. 447DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726987/2012-64 Relatório Trata-se de recurso voluntário (p. 429) interposto em face da decisão da 6ª Turma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 15-034.265 (p. 407), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata-se de processo nº 10380.726987/2012-64 que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob os seguintes DEBCAD: nº 51.005.5907; 51.005.5915 e 51.005.5923, consolidados em 12/06/2012. A tabela abaixo apresenta um resumo do Auto de Infração que compõem o processo sob julgamento: Informa a Fiscalização que: O contribuinte informou que as contribuições não recolhidas, referem-se às remunerações pagas a segurados que propuseram ação ordinária, processo nº 2005.81.00.0156182, em face da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização EMLURB. Após a análise do processo judicial envolvendo principalmente as decisões judiciais de 1ª e 2ª Instâncias e da documentação apresentada pela empresa, a auditoria fiscal constatou que a ação foi proposta inicialmente à justiça estadual e tinha como objetivo o não recolhimento de contribuições previdenciárias para o regime geral de previdência social. A referida ação objetivava o recolhimento das contribuições de previdência relativas aos requerentes para o Instituto de Previdência do Município de Fortaleza IPM-PREVIFOR, aduzindo os promoventes o seguinte: 1) que são servidores municipais oriundos do extinto DLP (Departamento de Limpeza Pública) ou da também já extinta EMURF (Empresa de Urbanização de Fortaleza): 2) que a Lei Municipal nº 6.223/87 alterou a denominação da EMURF para EMLURB e extinguiu o DLP, passando os seus servidores para os quadros da EMLURB; 3) que desde suas admissões, contribuíram para o IPM; 4) que a lei municipal nº 7.218/92 instituiu um sistema previdenciário próprio e garantiu aos empregados de empresa pública a percepção dos seus proventos de aposentadoria correspondentes aos salários percebidos em atividade. Fl. 448DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726987/2012-64 Tendo em vista que a competência para julgar ações envolvendo o Instituto Nacional de Seguro Social INSS é da Justiça Federal, o processo fora deslocado para a 6ª Vara da justiça Federal, sendo a ação julgada improcedente, conforme sentença extraída do processo no site da Justiça Federal do Ceará. Os interessados impetraram recurso de apelação e agravo de instrumento junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região no sentido de reverter a decisão de 1ª instância, contudo o egrégio tribunal negou provimento aos referidos recursos. Em face dos interessados não lograrem êxito na ação judicial, seja de modo liminar ou no mérito, o crédito tributário é devido e não se encontra com exigibilidade suspensa, sendo a empresa, ora fiscalizada, responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, parte empresa, desconto dos segurados e outras entidades, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que impetraram a ação judicial em comento. Tais remunerações não foram inseridas em GFIP para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas. Tais contribuições foram lançadas tomando como base de cálculo as remunerações constantes das folhas de pagamento dos segurados que impetraram a ação ordinária, as quais foram apresentadas pela empresa. DA IMPUGNAÇÃO. O contribuinte foi cientificado em 21/06/2012 e apresentou impugnação em 23/07/2012, arguindo, em síntese, o seguinte: Afirma que os recolhimentos previdenciários em face do Instituto de Previdência do Município estava sendo efetuado por força de decisão judicial, conforme liminar expedida pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, consoante documento em anexo. Em referência ao DEBCAD 51.026.778-9, no valor de R$ 126.788,68, alega que tal multa é insubsistente uma vez que o recolhimento do FGTS foi depositado em tempo hábil, não havendo prejuízo para o empregado e para a União. Afirma que o arquivo da GFIP da competência 13/2009 foi gerado e emitido, em 22 de dezembro de 2009, às 16h35min46s, conforme número de controle: Flz714n2KXU0000. Defende que houve um equívoco na elaboração das GFIP das competências dezembro e décimo terceiro salário do ano de 2009, pois ao invés de serem emitidas duas guias individualizadas, foi gerada apenas uma guia, contendo o somatório das duas competências. Esta guia perfaz um total de R$434.902,87 e tal valor foi depositado no dia 29 de dezembro de 2009, conforme documentação em anexo. Por fim, em referência às multas dos DEBCAD nº 51.026.727-0, no valor de R$ 1.617,12, e nº 51.005.586-5, no valor de R$ 14.500,00, geradas em face das cooperativas em razão de falta de informações na GFIP dos valores pagos, aduz que foi devidamente recolhido o crédito ao INSS, não restando prejuízo à União. Afirma que a partir do procedimento fiscal, a empresa passou a informar conforme orientação do auditor fiscal. Diante do exposto, propugna pelo reconhecimento da insubsistência dos autos de infração impugnados. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, nos termos do susodito Acórdão nº 15-034.265 (p. 407), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009. MATÉRIA DISCUTIDA JUDICIALMENTE. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. O crédito tributário relativo a matérias discutidas judicialmente somente tem sua exigibilidade suspensa quando abarcado por decisão, liminar ou de mérito, favorável à pretensão dos autores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 449DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726987/2012-64 Cientificada da decisão de primeira instância, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de p. 429, reiterando os termos da impugnação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de lançamento fiscal com vistas a exigir débitos referentes: (i) às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (incluindo o SAT / RAT); (ii) às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados; e (iii) às contribuições destinadas a outras entidades (Terceiros).Confira-se: No recurso voluntário apresentado, o Contribuinte, reiterando ipsis litteris os termos da impugnação, esgrime suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: * os recolhimentos previdenciários em face do Instituto de Previdência do Município estava sendo efetuado por força de decisão judicial; * em referência ao DEBCAD 51.026.778-9, defende que a multa é insubsistente uma vez que o recolhimento do FGTS foi depositado em tempo hábil, não havendo prejuízo para o empregado e para a União; * o arquivo da GFIP da competência 13/2009 foi gerado e emitido, em 22 de dezembro de 2009, às 16h35min46s; defende que houve um equívoco na elaboração das GFIPs das competências dezembro e décimo terceiro salário do ano de 2009, pois ao invés de serem emitidas duas guias individualizadas, foi gerada apenas uma guia, contendo o somatório das duas competências; Fl. 450DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726987/2012-64 * em referência às multas dos DEBCADs nº 51.026.727-0 e nº 51.005.586-5, geradas em face das cooperativas em razão de falta de informações na GFIP dos valores pagos, aduz que foi devidamente recolhido o crédito ao INSS, não restando prejuízo à União. Afirma que a partir do procedimento fiscal, a empresa passou a informar conforme orientação do auditor fiscal. Considerando que tais alegações de defesa em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por este Relator, em vista do disposto no inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor neste particular, in verbis: (...) Afirma a impugnante que os recolhimentos previdenciários em face do Instituto de Previdência do Município estava sendo efetuado por força de decisão judicial, conforme liminar expedida pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública. Para comprovar sua alegação, anexa Decisão do Juiz Dr. Hortêncio Augusto Pires Nogueira, em 21 de outubro de 2004, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Estado do Ceará, referente ao processo nº 11.839/04 2004.02.576942, tendo como promovente Felicidade de Fátima Caldas da Silveira Fontenele e outros, e promovidos EMLURB E IPM, onde o magistrado defere a tutela antecipada para garantir aos autores o direito de continuarem a contribuir para o IPM – PREVIFOR, de acordo com a Lei Municipal nº 7.218/92. Ocorre que, após essa decisão liminar, foi proferida outra decisão, em 2005, declinando da competência e remetendo os autos à Justiça Federal. Na esfera federal, foi proferida sentença (processo 2005.81.00.0156182), em 12/11/2009, pelo magistrado Francisco Roberto Machado da 6ª Vara da Justiça Federal no Ceará, no mesmo sentido da liminar proferida anteriormente por esta mesma vara, indeferindo os pedidos dos autores, sob o fundamento de que a única categoria de servidor público que pode ser incluída no regime próprio de previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios é o titular de cargo de provimento efetivo, não sendo o caso dos autores, que são empregados públicos regidos pela CLT. Interposta Apelação, o Tribunal Regional da 5ª Região, em 05/10/2010, negou provimento. Assim, são devidas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados que impetraram a ação judicial em comento, em razão de a mesma ter sido julgada improcedente. O crédito tributário relativo a matérias discutidas judicialmente somente tem sua exigibilidade suspensa quando abarcado por decisão, liminar ou de mérito, favorável à pretensão dos autores. As demais alegações apresentadas na impugnação não são pertinentes a este processo, motivo pelo qual não serão analisadas nesta decisão. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 451DF CARF MF Original

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