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Numero do processo: 12897.000460/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO.
Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.
Numero da decisão: 3403-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 60 /2 00 9- 16 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão no 3403002.739, de 30/01/2014, em face de “omissão / obscuridade”. A ciência do julgamento ocorreu em 28/05/2014 (ciência presumida cf. art. 7o, § 5o da Portaria MF no 527/2010, considerando que o despacho foi encaminhado à PGFN em 29/04/2014), tendo os embargos sido interpostos em 30/04/2014 (fls. 334 a 338). Argumenta a embargante que o acórdão de piso exonerou o crédito tributário em razão do reconhecimento da nulidade dos autos de infração, e que não ficou consignado de forma clara no acórdão desta turma se houve cancelamento da autuação ou sua nulidade e, nesse caso, a natureza do vício. Destaca ainda a Fazenda que tendo havido omissão no acórdão da DRJ acerca do vício que conduziu ao reconhecimento de nulidade do lançamento, poderia esta Turma ter anulado a decisão de piso para que tal omissão fosse suprida. A Fazenda entende que a nulidade foi por vício formal, à luz da doutrina de Leandro Paulsen. Mas requer manifestação específica do colegiado sobre o tipo de vício que eventualmente assolou a autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Verificada a tempestividade dos embargos apresentados, passase a analisar o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe: “SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUIÇÕES. ESTABELECIMENTO MATRIZ. Para cada espécie tributária, na formalização da exigência de crédito tributário, a identificação do sujeito passivo deve ser feita em consonância com a legislação de regência do correspondente tributo, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. No caso Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, para o período, a autuação deve ser lavrada contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica.” No voto condutor, unanimemente acolhido pela turma, esclarecese a motivação da negativa de provimento ao recurso de ofício: erro na eleição do sujeito passivo. “A questão fulcral é a sujeição passiva. Como destaca o julgamento de piso, a Lei no 9.779/1999 dispõe que a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS serão apuradas e pagas de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica (art. 15, III). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12897.000460/200916 Acórdão n.º 3403003.139 S3C4T3 Fl. 342 3 E o Parecer COSIT no 59/1999, em que pese ser óbvia a informação, dispõe que “para cada espécie de tributo ou contribuição, na formalização da exigência de crédito tributário, a identificação do sujeito passivo deve ser feita em consonância com a legislação de regência do correspondente tributo ou contribuição, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores”, e, que, no caso da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, “os Autos de infração deverão ser lavrados contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica”. Incontestável, assim, o erro na eleição do sujeito passivo pelo autuante, prejudicando em sua plenitude a autuação.” (grifo nosso) É de se destacar que nada mudou em relação ao fundamento adotado pela DRJ (fl. 273): “Há, portanto, nos lançamentos ora em análise, evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação, o que acarreta a ineficácia dos autos de infração sendo, consequentemente, insustentável a exigência do crédito neles formalizado, motivo pelo qual devem ser cancelados os presentes Autos de Infração. Em decorrência, resta prejudicada a análise das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória. Por todo o exposto, na parte conhecida, voto por julgar procedente a impugnação apresentada, para acolher a preliminar suscitada declarando nulos os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS.” (grifo nosso) O julgamento do CARF, ao negar provimento ao recurso de ofício, claramente endossa os fundamentos adotados pela DRJ. Resta evidente que tanto a negativa de provimento ao recurso de ofício quanto a decisão de primeira instância foram motivadas por erro na eleição do sujeito passivo. A pessoa/estabelecimento a ser autuada/o deveria ser outra/o, e não aquela/e que figurou no polo passivo da autuação. Inequívoca, assim, a fundamentação, cujo marco normativo foi explicitado tanto no voto condutor da decisão da DRJ quanto no CARF: art. 15, III da Lei no 9.779/1999: “Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: (...) III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS;(...)” (grifo nosso) A preocupação da Fazenda Nacional nitidamente se refere à aplicação do art. 173, II do Código Tributário Nacional, que dispõe: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Assim, deseja, na prática, saber a Fazenda saber se seria possível a lavratura de outra autuação para exigência dos montantes afastados pela DRJ. A Fazenda indica em seu arrazoado uma sugestão de classificação dos vícios (em formais e materiais) proposta por Leandro Paulsen, sendo os formais os atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário, e os materiais os relativos à validade e à incidência da Lei. E revela a Fazenda o entendimento de que a escolha de sujeito passivo diverso do que deveria ter figurado na autuação, em desconformidade com o comando legal, é questão com fulcro central procedimental. Contudo, entendo que descabe ao CARF manifestarse sobre o tema, na linha do que já vem decidindo unanimemente esta turma: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO PELA NULIDADE. FUNDAMENTOS. CLASSIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.” (Acórdão no 3403002.512, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2013) Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestarse sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões préconcebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ou obscuridade ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF. Ausente a obrigatoriedade de o CARF manifestarse sobre a classificação de vícios, e, portanto, não existindo omissão ou obscuridade, voto pela rejeição dos embargos apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12897.000460/200916 Acórdão n.º 3403003.139 S3C4T3 Fl. 343 5 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001524/00-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 15 24 /0 0- 19 Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O presente processo formalizava, inicialmente, acompanhamento administrativo de ação judicial, posteriormente convertido em repetição de indébito c/c compensações, cuja homologação não foi integralmente efetivada devido à insuficiência de direito creditório, uma vez que a DERAT/RJ entendeu que o contribuinte utilizou o crédito de forma não autorizada pelo título judicial. Segundo consta dos autos, encontramse apensados os processos administrativos 10768.002017/200334, 10768.003218/200359, 10768.004417/200384, 10768.002842/200339 e 10768.100372/200378, que albergam exclusivamente declarações de compensação vinculadas ao crédito debatido. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou, sinteticamente, a falta de clareza dos cálculos realizados pelo despacho decisório e, no mérito, que a compensação realizada observou a legislação de regência da matéria. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou a manifestação improcedente afastando a preliminar de nulidade e asseverando que a decisão judicial transitada em julgado deve ser observada à risca, sem possibilidade de interpretação ampliativa de seus termos. Em recurso voluntário o contribuinte contesta a conclusão do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando os elementos componentes dos autos constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal, através de remessa registrada sob o nº RA 801311920 BR (fl. 1.308), cujo resultado do rastreamento indicou sua postagem em 23/10/2013, com a entrega realizada em 24/10/2013 (fl. 1.309), quintafeira. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 27/11/2013 (fl. 1.342), quartafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 23/11/2013, sábado, postergandose para o primeiro dia útil seguinte, dia 25/11/2013, segundafeira. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a perempção da peça interposta. Outrossim, ainda que despiciente, cabe registrar que na peça recursal o interessado afirmou que teria tomado ciência da decisão a quo em 28/10/2013, no entanto, não foi coligida qualquer prova desta afirmação, pelo contrário, o documento nº 2, que a instrui, ostenta a seguinte observação manuscrita “recebido 24/10”, o que vem ao encontro da informação oficial disponibilizada pelos Correios. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.001524/0019 Acórdão n.º 3401002.636 S3C4T1 Fl. 11 3 Assim, considerando que o recurso não atende a requisito essencial de admissibilidade, qual seja, a tempestividade, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.721675/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE CSLL. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
As pessoas jurídicas que compensarem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
CSLL. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO.
A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retido na fonte compete à fonte pagadora.
BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS CREDENCIADAS. CUMPRIMENTO DAS NORMAS LEGAIS. REQUISITOS PREVISTOS NA LEI. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL
Interpreta-se literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Assim, somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos últimos cinco anos-calendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 1402-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa
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REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. As pessoas jurídicas que compensarem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. CSLL. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retido na fonte compete à fonte pagadora. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS CREDENCIADAS. CUMPRIMENTO DAS NORMAS LEGAIS. REQUISITOS PREVISTOS NA LEI. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL Interpretase literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Assim, somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos últimos cinco anoscalendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 75 /2 01 0- 61 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGAS, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 61.856.571/00117, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua das Olimpíadas, nº 205, Bairro Vila Olímpia, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 1018/1031), prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1050/1066. A requerente transmitiu, em 27/03/2006, a DCOMP n° 24691.37957.270306.1.3.039030 pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com alegado crédito de Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do anocalendário 2005, no valor de R$ 16.285.446,19. Essa DCOMP foi retificada duas vezes, sendo a declaração ativa a de n° 10344.91366.170407.1.7.036670 (fls.03/16), tendo havido posteriormente transmissão de novas declarações de compensação vinculadas ao mesmo crédito. O Saldo Negativo em questão teria sido apurado no confronto entre a CSLL devida, R$ 21.594.083,32, e as deduções efetuadas a título de Bônus de Adimplência Fiscal (R$ 3.749.852,55) e valores pagos de estimativas mensais, no total de R$ 34.129.676,96, com o que haveria Saldo Negativo de CSLL no anocalendário 2005 de R$ 16.285.446,19, conforme Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2006 (fl. 23). De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, através de Despacho Decisório (fls. 862/878), apreciou e concluiu, em 21/02/2011, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que forneceu ainda "Relações de Faturas com retenção de CSLL Órgãos Públicos 2004" (fls. 151/162), que apresentam soma de R$ 5.052,45 de CSLL Retida na Fonte, valor diferente no mencionado na correspondência que capeia a documentação R$ 5.760,92 (fl. 103), seguidas de cópias de Notas Fiscais de fornecimento de gás (fls. l63/200, 203/402, 405/603 e 606/652), cujo exame permite constatar que inclui uma única Nota Fiscal referente ao anocalendário de 2005 (fl. 446), no valor de R$ 696,78 de fornecimento, que não destaca, porém, ao contrário das demais, nenhuma retenção de CSLL nem há, no sistema SIEF/DIRF, nenhuma retenção a esse título informada pelo detentor do CNPJ constante dessa Nota (Banco do Brasil S.A.) para o anocalendário 2005. Quanto às demais, tanto os meses de referência como as datas de vencimento das notas fiscais referemse aos anoscalendário 2004, 2007, 2008 e 2009, de nenhum interesse para a formação de Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2005 tratado neste processo. Neste tópico, não há, portanto, valores de retenção de CSLL confirmados; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que os elementos fornecidos juntamente com a correspondência de 06/01/2011 constituemse de Relações de Faturas com! Retenção de CSLL Órgãos Públicos, informando faturamentos de 2001 a 2005 a diversas instituições públicas, relacionando as faturas e mencionando os valores das mesmas e quais teriam sido os valores das retenções. A citada correspondência menciona que "... a maior parte dos Informes de Rendimentos ... não foram remetidos pelas respectivas fontes pagadoras, todas órgãos públicos federais”; que quanto às estimativas demonstradas no Quadro n° 1, foram confirmados no SINAL08 os R$ 28.209.483,60 pagos em DARF (fl. 24) informados na DCOMP. No que se refere às estimativas de CSLL compensadas referentes Novembro e Dezembro de 2005 no total de R$5.824.754,24, relacionadas no Quadro n° 1, todas as DCOMP's que foram informadas na DCOMP que demonstra o crédito tratado neste processo (fls.03/12) foram retificadas. Considerando ainda haver inconsistências entre os números e valores dessas DCOMP's e os constantes das DCTF's respectivas, o contribuinte, atendendo aos termos da Intimação, forneceu relação de declarações ativas que dariam suporte a tais compensações (fl. 656). Conforme se verifica no Quadro n° 2 (fl. 858), as declarações de compensação retificadoras que se referem à estimativa de Novembro de 2005 foram informadas em DCTF retificadora (fls. 42/43). No que se refere a Dezembro, as declarações de compensação retificadoras não foram informadas em DCTF, que permanece registrando números e valores das originais (fls.46/47); que considerando que a relação fornecida pelo contribuinte (fl. 656) das DCOMP's ativas que compensaram estimativas em Novembro e Dezembro de 2005 incluiu as declarações de n° 25881.82398.240309.1.7.042006 (que informou retificar a de n° 13960.06555.281205.1.3.046730) e 18802.09807.240309.1.7.041108 (pretendendo retificar a de n° 20164.96759.220906.1.7.045124) que foram consideradas retificadoras nãoadmitidas no processo administrativo n° 16306.000001/201111 pelo Despacho Decisório de 10/01/2011 (cópia às fls. 830/831 AR à fl. 832), por se referirem aos processos administrativo n° 11831.002564/200371 e n° 11831.003725/200344 (apensado ao primeiro), que já haviam sido objeto de despacho decisório da DERAT e de acórdão da Delegacia de Julgamento (fls.65/95) prevalecerão como ativas as que se pretendeu retificar, e que já foram consideradas nãohomologadas no processo administrativo n° 11831.002564/200371; que o quadro abaixo apresenta o resultado da análise das DCOMP's que compensaram estimativas de Novembro e Dezembro de 2005, e que foram objeto de decisão administrativa pelo SCC Sistema de Controle de Crédito ou em análise manual. A DCOMP n° 25514.06987.250309.1.7.047034 foi objeto do processo administrativo n° 16306.000002/201165 e de Despacho Decisório de nãohomologação em 10/01/2001 (fls. 833/838 AR à fl. 839). As DCOMP's de n° l8605.17792.210206.1.3.041043 e 39578.58419.230206.1.7.045116 tiveram as compensações respectivas nãohomologadas, conforme despachos decisórios de fls. 840/845 e 848/852; que Será validado, portanto, o valor de R$ 3.059.029,94 de estimativas compensadas de CSLL no anocalendário 2005, na forma discriminada no Quadro n°4. que o segundo questionamento apresentado na Intimação 25 l O/l l / 2 0 l 0 (fls. 39/40) referiuse à dedução, do valor apurado de CSLL referente ao anocalendário 2005, de R$ 3.749.852,55 a título de Bônus de Adimplência Fiscal (Ficha 17 linha 46; fl. 23); que em sua resposta de fls. 02/104, o contribuinte menciona o Artigo 38 da Lei n° 10.637/2002, e justifica o enquadramento da empresa nas condições previstas no referido dispositivo legal para o gozo do benefício com a apresentação de cópias de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em 06/07/2006 (fl.654) e de Certificado de Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 4 5 Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores S1CAF do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão |(fl. 655), também datado de 06/07/2006. Apresentou ainda memória de cálculo do Bônus em questão, como solicitado na Intimação (fl. 653). O inciso I do § I o do Artigo 38 da mencionada lei estabelece que o valor do bônus corresponderá a 1% da base de cálculo da CSLL determinada segundo os critérios estabelecidos para empresas submetidas ao regime de apuração com base no lucro presumido. O cálculo fornecido pela empresa atendeu a esse requisito (fls.819/821); que por implicar em renúncia fiscal, os termos do artigo 38 da Lei n° 10.637/2002 devem ser interpretados literalmente, e a ocorrência de uma única infração ao que nele se determina desqualifica a empresa ao benefício do bônus. De fato, o artigo n° 111 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional); que conforme aqui demonstrado, houve grande número de infrações ao que exige a lei para enquadramento nas condições previstas para a obtenção do direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, não sendo aceitável a justificativa da empresa de que tais condições possam ser supridas com a apresentação de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores SICAF do Ministério do Planejamento (fls. 654/655), documentos esses emitidos com outras finalidades e com base em outros pressupostos e exigências. Não será validada, portanto, a dedução dos R$ 3.749.852,55, praticada pelo contribuinte, a título de Bônus de Adimplência Fiscal do valor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário 2005. O Despacho Decisório está consubstanciado pela seguinte ementa: Compensação. Crédito de Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 Ementa: O sujeito passivo que apurar crédito líquido e certo relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. As pessoas jurídicas que compensarem a contribuição social sobre o lucro líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Interpretase literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Compensações Homologadas até o Limite do Direito Creditório Reconhecido Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 22/03/2011, conforme Termo constante às fls. 879/881, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/04/2011), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 883/893, instruído pelos documentos de fls. 894/1014, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que, quanto às retenções de CSLL realizadas por órgãos públicos e pessoas jurídicas, é de se dizer que a totalidade das retenções tributárias realizadas por clientes da Comgás foram demonstradas de maneira, clara ao Sr. Auditor Fiscal, conforme documentação apresentada nos dias 07/12/10 (does. 30/32) e 06/01/11 (does. 28/29).; que na referida documentação e demonstrativos apresentados, seria perfeitamente possível identificar as retenções de CSLL realizadas tanto por órgãos públicos, o que inclui entidades da própria União Federal, como também por pessoas jurídicas de direito privado; que nas planilhas e documentos apresentados foram informados não apenas as fontes retentoras da CSLL, mas sim, todos os detalhes das operações que [deram origem a tais retenções, incluindo volume de fornecimento de gás, valores por m3, endereço do destinatário do gás natural canalizado fornecido, CNPJ, enfim, elementos mais do que suficientes para que o Sr. Fiscal pudesse ratificar as informações prestadas; que, não obstante, é oportuno dizer que grande parte das retenções de CSLL foram realizadas por entidades pertencentes à própria União Federal. Desta feita, em flagrante descumprimento da legislação tributária, tais clientes não apresentaram à Recorrente, em momento algum, os respectivos informes de rendimentos relacionados às retenções tributárias efetuadas durante o anocalendário 2005; que, quanto à pendência de julgamento quanto aos PER/DCOMP's relacionados à quitação da estimativa de CSLL apurada em nov/05 e dez/05, é de se dizer que no que se refere à alegação de que parte da quitação da CSLL dos meses de nov/05 e dez/05 efetuadas mediante procedimento de compensação não teriam sido homologadas, insta esclarecer que a citada nãohomologação foi objeto de recurso voluntário que se encontra pendente de julgamento de Recurso Voluntário; que conforme depreendese do quadro n° 4 do despacho decisório ora recorrido, não teriam sido homologadas pela Receita Federal as PER/DCOMP's a seguir relacionadas: 21642.34478.220906.1.7.049188, no valor de R$ 316.099,59; 20164.96759.220906.1.7.045124, no valor de R$ 263.980,01; 18605.17797.210206.1.3.04 1043, no valor de R$ 33.956,53; 02623.42000.230206.1.7.042870, no de R$ 85.329,18; 39578.58419.230206.1.7.045116, no valor de R$ 2.055.815,46 e 18605.17797.210206.1.3.04 1043, no valor de R$ 10.543,52 T O T A L = R$ 2.765.724,29; que o não reconhecimento das citadas compensações enquanto o processo administrativo correspondente não se conclui, seria, no mínimo, declarar como inexistente o direito à ampla defesa e do contraditório, assegurado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal, além de assumir como inócuo o Decreto Federal n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal relativos aos créditos tributários da União Federal; que, este cenário, por si só, já demonstra a evidente necessidade de reforma do r. despacho, de modo a reconhecer como existentes e válidas as compensações utilizadas para quitação da CSLL Estimativa dos meses de novembro de dezembro de 2005, deixando a Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 5 7 cargo do processo administrativo 11831.002564/200371 a missão de validar ou não as mencionadas compensações; que, quanto à legitimidade do Bônus de Adimplência Fiscal usufruído pela Recorrente, é de se dizer que Surpreendentemente, ao avaliar a legitimidade bônus de adimplência fiscal usufruído na apuração da CSLL do anocalendário de 2005, por entender que não teria a Recorrente atendido aos pressupostos legais necessários para aproveitamento deste benefício fiscal; que, com efeito, a Recorrente demonstrou e comprovou sua absoluta condição de adimplência fiscal durante os 5 anoscalendários que antecederam o período de apuração do anocalendário 2005, lhe causando indignação a desconsideração de sua conduta ilibada que sempre norteou suas práticas fiscais perante a Secretaria da Receita Federal; que, nesse passo, é cediço que o Bônus de Adimplência Fiscal foi criado com o objetivo de estimular o adimplemento dos contribuintes quanto às suas obrigações perante a Secretaria da Receita Federal. Aliás, esta finalidade foi inclusive manifestada na exposição de motivos da Medida Provisória 66/02, em seu parágrafo 30; que, no caso em tela, foi apresentado ao Sr. Auditor Fiscal uma certidão positiva com efeitos de negativa, em vigor na época do aproveitamento do benefício fiscal, que demonstrava de maneira inequívoca que a Recorrente não possuía qualquer débito exigível pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual sua condição de adimplência fiscal foi cristalinamente comprovada; que de tudo quanto exposto pelo Sr. Auditor Fiscal, restou evidente que o não reconhecimento ao direito ao Bônus de Adimplência Fiscal ocorreu por conta de ínfimas infrações supostamente cometidas pela Recorrente, cujos débitos e multas foram adimplidos ou encontravamse com exigibilidade suspensa; que, portanto, a Recorrente estava sim adimplente com suas obrigações tributárias perante a Secretaria Receita Federal, não havendo pendência fiscal alguma no período de aproveitamento do Bônus de Adimplência Fiscal que pudesse lhe constituir como uma contribuinte devedora da Fazenda. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 25/04/2011, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1 autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 1018/1031): que, quanto às retenções de CSLL não comprovadas, é de se dizer Conforme concluído pela autoridade recorrida, dos R$ 95.439,12 de CSLL retida que foram utilizados pela contribuinte na apuração da CSLL a pagar em 31.12.2005, apenas uma parte foi comprovada mediante apresentação de informe de rendimentos, no valor de R$ 2.175,22, restando não comprovada por documentação hábil o montante de R$ 93.263,90 (R$ 95.439,12 R$ 2.175,22); que, primeiramente, há que se consignar que as informações prestadas pela requerente na Ficha 50 da DIPJ 2006 retificadora apresentamse conflitantes com o Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 PER/DCOMP apresentado, em que a requerente informou que a CSLL retida corresponderia a uma única fonte pagadora, o Banco do Brasil S/A, sob código 5987; que a despeito da divergência entre o PER/DCOMP e a DIPJ, bem como do fato de que a contribuinte nem sequer discriminou na Ficha 50 os rendimentos e retenções correspondentes à CSLL retida utilizada na Ficha 17, a autoridade fiscal intimou a interessada a demonstrar e comprovar a composição do valor descontado da CSLL devida a título de CSLL retida; que a fim de confrontar a análise pormenorizada realizada pela autoridade fiscal, a requerente simplesmente alega que apresentou documentação hábil nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/01/11 (docs. 28/29), que seria suficiente a comprovar a totalidade das retenções tributárias realizadas pelos clientes da Comgás, órgãos públicos ou pessoas jurídicas de direito privado, visto que tal documentação teria fornecido todos os detalhes das operações que deram origem a tais retenções; que, porém, como verificado, a requerente apresentou documentação impertinente, porque relativa a períodos diversos do analisado, e contendo informações inconsistentes com os demonstrativos que a acompanhou; que ainda que a documentação tenha fornecido os detalhes de algumas operações que teriam dado origem às retenções pretendidas para o anocalendário de 2005, não abrangeu operações de vulto suficiente a justificar o valor retido informado pela contribuinte, tampouco veio acompanhada de efetivo suporte probatório; que em consulta ao sistema SIEF/DIRF, verificase ainda que a requerente foi informada como beneficiária em DIRF, de rendimentos sujeitos a retenção de CSLL, no total de R$ 5.754,14 com contribuições retidas (PIS, COFINS e CSLL, código 5952) no montante de R$ 267,57, valor inferior inclusive ao que foi confirmado pela autoridade recorrida, conforme pesquisa anexada (fl. 1.017); que a documentação apresentada, embora contivesse algumas informações a respeito das operações que teriam dado origem a tais retenções (volume de fornecimento de gás, valores por m3, endereço do destinatário do gás natural canalizado fornecido, CNPJ), não possui valor probatório a respeito das retenções examinadas, de modo que a autoridade fiscal agiu corretamente em não ratificar as retenções informadas e utilizadas em sua declaração de rendimentos; que vale lembrar que, para utilização da contribuição retida como dedução da contribuição devida apurada na DIPJ, fazse necessário que (i) os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação e (ii) que reste comprovada a efetiva retenção; que no caso ora enfrentado, a glosa do crédito relativo à CSLL retida fundouse na ausência de comprovação das retenções utilizadas e informadas na DIPJ analisada, constatação refutada pela interessada com base na documentação anteriormente analisada; que não se mostrando possível a confirmação dos valores efetivamente retidos a título de CSLL e que não foram ratificados pela autoridade recorrida, e por ser essencial à validação do crédito sua certeza e liquidez, não há como se considerar tais valores na composição do saldo negativo do período, sendo os mesmo excluídos do montante apurado como CSLL retida na fonte; Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 6 9 que quanto às estimativas computadas na apuração do saldo negativo de CSLL, é de se dizer que A contribuinte sustenta que as estimativas relativas a novembro e dezembro de 2005 devem ser consideradas no cômputo do saldo negativo de CSLL do período porque devidamente compensadas nos autos do processo nº 11831.002564/200371 que, à época da apresentação da manifestação de inconformidade ora analisada, se encontraria pendente de apreciação de recurso voluntário; que a respeito do processo administrativo noticiado, verificase que o mesmo se refere a apenas uma parte das estimativas compensadas cujo crédito foi glosado pela autoridade fiscal (DCOMPs nº 21642.34478.220906.1.7.049188 e 20164.96759.220906.1.7.045124), sendo que as demais compensações com as estimativas de novembro e dezembro de 2005, objeto de glosa, foram processadas em outros processos administrativos e também não tiveram como resultado a homologação pretendida pela contribuinte; que quanto ao processo nº 11831.002564/200371, verificase que as compensações pretendidas restaram não homologadas pela última instância administrativa, visto que o recurso voluntário apresentado pela requerente foi negado, por unanimidade, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 1202000.505, de 29/03/2011); que não há que se falar em afronta aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, que foram previamente exercidos naqueles autos, considerandose que o recurso voluntário já foi apreciado pelo CARF, que tornou definitiva a não homologação da compensação dos débitos de estimativa de novembro e dezembro de 2005; que, contudo, é fundada a alegação de que a RFB viria a lhe exigir o mesmo tributo duas vezes, na hipótese de serem mantidas as decisões não homologatórias de ambos os processos, visto que a DCOMP constitui instrumento hábil à cobrança e inscrição em dívida ativa dos débitos não compensados, conforme estabelecido no artigo 74, §§ 6º, 7º e 8º da Lei nº 9.430/96; que considerando que as estimativas computadas no saldo negativo compensado no PER/DCOMP restaram não homologadas em última instância administrativa e, por essa razão, deverão ser quitadas em cobrança executiva, não se mostra cabível a glosa da utilização das estimativas na formação do crédito pretendido; que também se afigura incabível a glosa das estimativas compensadas em outros procedimentos administrativos, em que já proferidos despachos de não homologação (DCOMPs nº 18605.17797.210206.1 3.041043, 39578.58419.230206.1.7.045116) ou, ainda que esteja com análise suspensa, encontramse devidamente confessadas em DCTF (DCOMP nº 02623.42000.230206.1 7.042870); que, diante disso, o despacho decisório merece reparos nesse aspecto, para considerar na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 as estimativas não quitadas no valor de R$ 2.765.724,30, cuja compensação restou não homologada; que, quanto ao Bônus de Adimplência Fiscal, é de se dizer que inferese dos textos legais que regem o assunto que a adimplência com os tributos e contribuições administrados pela SRF pelos últimos cinco anos consiste em prérequisito para a utilização do benefício; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, por sua vez, a situação de “adimplência” a que se reporta a norma encontrase definida pelas condições literais previstas no § 3º do artigo 38 da Lei nº 10.637, de 2002, não se encontrando no referido diploma qualquer referência à mera apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa, tal como pretendeu a requerente demonstrar sua condição de adimplemento; que, bem assim, o fato de os lançamentos de ofício a que se sujeitou a contribuinte se referirem a fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio que antecedeu o período analisado não afasta o impedimento relativo aos lançamentos de ofício, sendo relevante o momento em que ocorrida a lavratura do lançamento verificado, de acordo com a norma legal; que, além disso, mostrase irrelevante o montante recolhido aos cofres públicos pelo interessado no Bônus de Adimplência Fiscal, pois qualquer medida de compensação ou exceção teria que vir expressamente prevista na norma geral, para ser aplicada no caso concreto; que, de qualquer modo, a argumentação da recorrente em face das condições estabelecidas para o enquadramento na situação de “adimplente” nos termos da referida lei não pode ser acatada na esfera administrativa, visto depender de análise da legalidade e constitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico; que ao julgador da esfera administrativa compete unicamente verificar a harmonia entre os atos praticados, o enquadramento legal e a situação fática que ensejou a formalização da relação jurídicotributária, abstraindose de apreciar aspectos relacionados com a legalidade ou constitucionalidade daqueles atos; que, no caso em apreço, não há margem para a interpretação legal sustentada pela requerente, que atenta contra a literalidade da lei, devendo ser ratificada a conclusão dada pela autoridade recorrida, no sentido de que a contribuinte não tem direito ao Bônus de Adimplência Fiscal para reduzir o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a pagar ao final do anocalendário de 2005. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COM COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. As estimativas compensadas por meio de DCOMP posteriormente não homologadas devem ser consideradas na apuração do imposto ou contribuição a pagar, ou do saldo negativo do respectivo período de apuração. ANTECIPAÇÕES. CSLL RETIDA NA FONTE. Para utilização da CSLL retida na fonte como dedução na apuração da contribuição ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 7 11 dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. Somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrados pela SRF nos últimos cinco anoscalendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 10/10/2011, conforme Termo constante às fls. 1048/1049, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (08/11/2011), o recurso voluntário de fls. 1050/1057, instruído pelos documentos de fls. 1058/1067, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que valese a Recorrente desse Recurso Voluntário, para que esse Egrégio Conselho, com a devida vênia, reforme parcialmente o v. Acórdão recorrido para reconhecer o restante do saldo negativo da CSLL a que faz jus a Recorrente (R$3.843.116,45), decorrente de retenções na fonte no valor de R$93.263,90, bem como o pleno direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, no montante de R$3.749.852,55; que, quanto às RETENÇÕES DE CSLL REALIZADAS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS E PESSOAS JURÍDICAS, é de se dizer que consoante demonstrado na manifestação de inconformidade, a suposta ausência de documentos comprobatórios relativos As retenções de CSLL realizadas pela Recorrente de Órgãos Públicos e Pessoas Jurídicas foi o motivo que serviu de fundamento no despacho não homologatório das compensações pleiteadas; que, nesse sentido, com o devido acatamento, a Recorrente reiterou e ponderou na manifestação de inconformidade que a totalidade das retenções tributárias realizadas por seus clientes foram cabalmente comprovadas, conforme documentação apresentada nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/10/11 (docs. 28/29); que por se tratarem de operações cujos documentos apresentados contem dados suficientemente claros para validálos ou, ate mesmo, conferilos com as respectivas fontes retentoras, fazse mister sejam as retenções de CSLL informadas na DIPJ do ano calendário 2005 plenamente corroboradas, devendo, pois, ser reformado o v. Acórdão da DRJ/SP1 para o fim de reconhecer o saldo negativo de CSLL R$ 93.263,90; que, quanto ao DIREITO AO BÔNUS DE ADIMPLENCIA FISCAL, é de se dizer consoante se nota dos autos, o Sr. Agente Fiscal desconstituiu o bônus de adimplência fiscal usufruído na apuração da CSLL do anocalendário de 2005, deixando de homologar a dedução da CSLL, efetuada a esse titulo no valor de R$3.749.852,55, por entender que não teria a Recorrente atendidos aos pressupostos legais necessários para o seu aproveitamento; Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que a Recorrente, nesse ponto, demonstrou e comprovou na manifestação de inconformidade apresentada sua absoluta condição de adimplência fiscal durante os 5 anos calendários que antecederam o período de apuração do anocalendário 2005; que o v. Acórdão recorrido, considerou supostos débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio, o que evidentemente contraria a legislação de regência, devendo ser reformado por esse Egrégio Conselho; que, no caso em tela, foi apresentado ao Sr. Auditor Fiscal uma certidão positiva com efeitos de negativa (emitida, pois, pelo próprio Fisco Federal), em vigor na época do aproveitamento do beneficio fiscal, que demonstrava de maneira inequívoca que a Recorrente não possuía qualquer debito exigível pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual sua condição de adimplência fiscal foi cristalinamente comprovada; que não se alegue que o fato de os lançamentos de oficio a que se sujeitou a contribuinte, mesmo se referindo a fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio que antecedeu o período analisado, afastaria o direito ao beneficio fiscal; que, isto porque, consoante demonstrado na manifestação de inconformidade apresentada, inclusive com pareceres de juristas renomados, a qual a Recorrente se reporta em sua integralidade para o fim de evitar a tautologia, se o fato gerador ocorreu antes do qüinqüênio, ele não constitui elemento suficiente para excluir o direito da Recorrente para o aproveitamento do aludido beneficio fiscal, devendo, pois, ser reformado o v. Acórdão para o fim de legitimar o direito da Recorrente ao aproveitamento do Bônus de Adimplência Fiscal para o anocalendário de 2005. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão nº 16.33.616 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP1 de fls. 1018/1031, pelo qual se reconheceu em favor da requerente crédito de R$ 12.442.329,00 (R$ 9.676.605,44 sendo reconhecida pela Autoridade Administrativa + R$ 2.765.724,30 sendo reconhecida pela decisão recorrida), referente ao saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ do anocalendário de 2005, o qual foi apurado e pleiteado no valor de R$ 16.285.446,19 e, conseqüentemente, homologou parcialmente as compensações do crédito com débitos próprios informados nos PER/DCOMP nº 10344.91366.170407.1.7.036670, 25469.14449.170407.1.7.036329 e 36195.87707.170407.1.7.031196. O objeto da lide ora enfrentada corresponde à compensação com a parcela do crédito não reconhecida pelas decisões anteriores, a qual equivale a R$ 3.843.116,45, relativo ao período encerrado em 31/12/2005. A conclusão da análise fiscal pautouse nas verificações abaixo sintetizadas: a a interessada não faz jus ao Bônus de Adimplência Fiscal instituído pelo artigo 38 da Lei nº 10.637/2002, por não se enquadrar nas condições previstas nos incisos I, II, III e IV do § 3º do referido artigo, sendo inválida a dedução da CSLL devida efetuada a esse título, no valor de R$ 3.749.852,55; b parte das retenções descontadas da CSLL devida, sob código 5987, e informadas na Ficha 50 da DIPJ, não foram confirmadas ou comprovadas mediante documentação idônea, a qual foi devidamente solicitada à interessada no curso do procedimento fiscal, no valor de R$ 93.263,90. Assim, a primeira discussão referese ao Bônus de Adimplência Fiscal. A recorrente cita o art. 38 da Lei n° 10.637/2002, e justifica o enquadramento da empresa nas condições previstas no referido dispositivo legal para o gozo do benefício com a apresentação de cópias de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em 06/07/2006 (fl.654) e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores S1CAF do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão |(fl. 655), também datado de 06/07/2006. Apresentou ainda memória de cálculo do Bônus em questão, como solicitado na Intimação (fl. 653). O inciso I do § 1º do art. 38 da mencionada lei estabelece que o valor do bônus corresponderá a 1% da base de cálculo da CSLL determinada segundo os critérios estabelecidos para empresas submetidas ao regime de apuração com base no lucro presumido. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Resta claro, nos autos, que a negativa da compensação está amparada no entendimento de que de acordo com o art. 38 da Lei n° 10.637/2002 estabeleceu condições rígidas para o enquadramento do contribuinte nas condições exigidas para o usufruto do Bônus de Adimplência Fiscal, conforme se vê na transcrição dos parágrafos do referido artigo: § 3º Não fará jus ao bônus a pessoa jurídica que, nos últimos 5 (cinco) anoscalendárío, se enquadre em qualquer das seguintes hipóteses, em relação a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: I lançamento de ofício; II débitos com exigibilidade suspensa; III inscrição em dívida ativa; IV recolhimentos ou pagamentos em atraso; V falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. § 4 Na hipótese de decisão definitiva, na esfera administrativa ou judicial, que implique desoneração integral da pessoa jurídica, as restrições referidas nos incisos I e II do § 3º serão desconsideradas desde a origem. § 5º O período de 5 (cinco) anoscalendárío será computado por ano completo, inclusive aquele em relação ao qual darseá o aproveitamento do bônus.' (...) § 10. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as normas necessárias à aplicação deste artigo. Como mencionado, a Autoridade Administrativa relatou em seu Ato Decisório, que não poderia usufruir do benefício empresas que registrassem nenhuma ocorrência das espécies relacionadas nos cinco incisos do parágrafo 3º do art. 38 da Lei 10.637/2002. No caso em análise, no período compreendido entre 01/01/2001 a 31/12/2005 temos o seguinte: 1 – correspondente ao Inciso I lançamento de ofício. Pesquisa no COMPROT comprova a ocorrência de Autos de Infração no período, mas foram todos extintos por revisão de lançamento ou por impugnação (fls. 673/676) .Consta dos registros da Receita Federal a ocorrência de pelo menos um lançamento de ofício, de Imposto de Importação, código de receita 2892, no valor de R$ 3.524,56, com data de vencimento em 30/12/2002 e pago em 10/12/2002 com acréscimo de Multa de Ofício – Imposto de Importação (código 3005) no valor de R$ 1.321,71, no total de R$ 4.846,27 (fls. 683/684). Temos aqui o primeiro registro de não atendimento das condições estabelecidas na lei para o gozo do benefício do bônus em comento; 2 – correspondente ao inciso II débitos com exigibilidade suspensa. A consulta aos bancos de dados da Receita Federal (fls. 677/682) indica ainda haver atualmente 15 processos iniciados no período entre 2001 e 2003 envolvendo débitos de COFINS, PIS, CSLL e IRPJ com exigibilidade suspensa, cuja compensação não foi homologada (total ou parcialmente) em nenhuma instância administrativa anterior ao julgamento do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério 'da Fazenda, onde se encontram para análise. Há apenas um deles que não atingiu esse estágio de tramitação e que se encontra, Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 9 15 após decisão da DRJSPOISP, nesta DERAT para encaminhamento (processo n° 13808.002681/200196). Considerando a natureza das decisões até aqui, desfavoráveis ao contribuinte pelo menos em parte, há possibilidade de que pelo menos em algum (ns) deles haja decisão definitiva, ao menos na esfera administrativa, que provocaria ou o pagamento com atraso dos débitos não compensados ou sua inscrição em Dívida Ativa, o que contrariaria o disposto nos incisos III e IV do elenco de condições para a habilitação ao bônus estabelecido pelo artigo 38 da Lei em comento. A própria existência de tais débitos com exigibilidade suspensa na data da utilização do bônus já caracteriza o descumprimento da condição estabelecida nesse inciso, conforme os § I o e 2o do Artigo 117 da IN/SRF n° 390/2004; 3 – correspondente ao inciso III inscrição em dívida ativa. Os registros da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional do Ministério da Fazenda informam terem ocorrido 12 inscrições em dívida ativa de débitos de responsabilidade do contribuinte em comento, das quais 5 ocorreram entre 2001 e 2005 (fls. 685/689). Dessas, 3 se referiram a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 685/687) e foram inscritas em 2004. Uma dessas foi extinta por cancelamento com ajuizamento a ser cancelado (fl. 687). Nosso entendimento é de que mesmo nesse caso, tendo ocorrido a inscrição, já se caracterizou o descumprimento do previsto nesse inciso III do § 3 o do Artigo 38 da Lei n° 10.637/2002. Independentemente disso, as inscrições de fls. 685 e 686, extintas por pagamento (ver relatórios do sistema SINAL08 que registram pagamentos por conta de tais processos de dívida ativa fls. 690/691), caracterizam cabalmente a ocorrência de fato impeditivo de enquadramento nas condições exigidas para aproveitamento de bônus de adimplência fiscal. As 2 inscrições restantes (fls. 688/689) referemse a débitos junto à Secretaria do Patrimônio da União SPU, não administrados pela SRFB; e 4 – correspondente ao inciso IV recolhimentos ou pagamentos em atraso. Consulta ao sistema SINAL08 da Receita Federal informa a ocorrência de grande número de pagamentos em atraso, com multa e juros, de tributos e contribuições de natureza variada, no período compreendido entre 2001 e 2005, dos quais uma parte foi relacionada às fls. 690/691 694/700. Dentre esses, foram incluídos pagamento efetuados após 2005, mas que se referem a débitos de competência do anocalendário 2005 (fl. 697), o que significa que a empresa, embora reconhecendo e efetuando o pagamento a posteriori dos débitos com encargos, a rigor não estava em dia com suas obrigações tributárias em 31/12/2005. Quanto aos pagamentos após o vencimento efetuados entre 2001 e 2005, tais ocorrências, refletindo atrasos de até quase 4 anos, caracterizam cabalmente o descumprimento da condição estabelecida pela lei para que se obtivesse o benefício fiscal de redução do valor a pagar de CSLL. Dessa forma, por implicar em renúncia fiscal, os termos do art. 38 da Lei n° 10.637/2002 devem ser interpretados literalmente, e a ocorrência de uma única infração ao que nele se determina desqualifica a empresa ao benefício do bônus, conforme previsto no artigo n° 111 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Conforme demonstrado, houve grande número de infrações ao que exige a lei para enquadramento nas condições previstas para a obtenção do direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, não sendo aceitável a justificativa da empresa de que tais condições possam ser supridas com a apresentação de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores SICAF do Ministério do Planejamento (fls. 654/655), documentos esses emitidos com outras finalidades e com base em outros pressupostos e exigências. Não será validada, portanto, a dedução dos R$ 3.749.852,55, praticada pelo contribuinte, a título de Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Bônus de Adimplência Fiscal do valor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário 2005. Como visto, a segunda discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 93.263,90. O ponto central desta discussão é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de CSLL. O saldo negativo apurado pela contribuinte foi compensado. Segundo a autoridade revisora a contribuinte não logrou demonstrar que o imposto de renda retido na fonte tem vinculação e foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora, por isso indeferiu a compensação nesta parte. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da recorrente, no ano de 2005, correspondente ao exercício de 2006, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte. Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). A retenção do imposto na fonte informado pela recorrente não seguiu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma não apresentou o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte, em descumprimento ao exigido pela legislação de regência (Art. 815 e 943, do RIR/1999). A fim de confrontar a análise pormenorizada realizada pela autoridade fiscal, a requerente simplesmente alega que apresentou documentação hábil nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/01/11 (docs. 28/29), que seria suficiente a comprovar a totalidade das retenções tributárias realizadas pelos clientes da Comgás, órgãos públicos ou pessoas jurídicas de direito Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 10 17 privado, visto que tal documentação teria fornecido todos os detalhes das operações que deram origem a tais retenções. Ora, a recorrente não apresentou o comprovante de retenção. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento compete a fonte pagadora, de acordo com o artigo 717 do Decreto 3.000/99 e AD COSAR Nº 20/1995, assim, no caso de imposto ou contribuição retida o DARF é recolhido no CNPJ da responsável pela retenção/recolhimento. Em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à recorrente apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13708.000266/2003-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e compará-lo ao pagamento efetuado. Sabendo-se que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores.
Numero da decisão: 1802-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e compará-lo ao pagamento efetuado. Sabendo-se que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13708.000266/200398 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.224 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria PERDCOMP Recorrente FENIXX VIGILÂNCIA E SEGURANÇA PROFISSIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Sabendose que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 02 66 /2 00 3- 98 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.516/517) que transcrevo a seguir: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação, onde o interessado pleiteia créditos de R$ 289.986,37 (fls. 01/14). 2 Informa a autoridade administrativa em seu parecer (fl. 106) que foram apresentadas, posteriormente, as declarações de compensação de fl. 01 dos processos apensos de n° 13708.000406/200328, 13708.000603/200347 e 13708.000832/200361 e DCOMP's relacionadas às fls. 105. 3 Através do Despacho Decisório n° 041/08 (Parecer Conclusivo n° 041/08) de fls.106/109, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 90.697,34, relativo ao saldo negativo de IRPJ, apurado no 4°. trimestre do anocalendário 2002, homologando as compensações efetuadas até o limite do referido crédito (fls.157/158). 4 No referido parecer, a autoridade administrativa informa que "embora a interessada tenha solicitado no Pedido de Restituição de fls.3 saldo a recuperar de CSLL, não se examinou a Contribuição em razão de que o valor pleiteado na DECOMP de fl. 01 coincide com o saldo de IRPJ apurado no 4º . trimestre de 2002, no valor de R$ 289.986,37, conforme balancete contábil de 31/12/2002 (fls.9)”. 5 O interessado, cientificado em 07/03/2008 (fl. 162), apresentou, em 08/04/2008, manifestação de inconformidade de fls. 170/180, na qual alega, em síntese, que: 6 "A impugnante formulou pedidos de restituição e de compensação, requerendo como direito creditório saldo negativo de imposto de renda no valor total de R$ 289.986,37, oriundo de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 3 3 recolhimentos por estimativa e retenções sofridas na fonte em períodos anteriores, conforme demonstrativo anexo."; 7 foi reconhecido parcialmente um crédito de R$ 90.697,34, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, haja vista uma indevida limitação acerca da abrangência temporal da origem do crédito; 8 O interessado elabora, em sua impugnação, resumo dos pedidos de compensação (fl. 173) e prossegue, arguindo que: 9 – o pedido originário (fls. 01/14) em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo do quarto trimestre de 2002; 10 o valor de R$ 289.986,37 corresponde ao saldo negativo acumulado apurado em 31/12/2002, relativamente aos períodos de 1999 até 2002, conforme consta detalhado no pedido e demonstrativos anexos (fls. 04/14); 11 foram verificados, mediante DIRF, os valores retidos de IRPJ durante o ano calendário 2002 (fls. 39/98), contudo, na análise do direito creditório foram considerados apenas os valores retidos no último trimestre (fls. 100/104); 12 retificou os valores informados acumuladamente na ficha 12A da DIPJ/2003 para constar somente OS valores de cada trimestre, conforme quadro de fl. 178; 13 o valor do saldo negativo acumulado (IRPJ a compensar de R$ 289.986,37), existente em 31/12/2002, consta no balancete apresentado em anexo ao pedido de restituição e compensação (fl. 09) e está incluso no saldo de R$ 467.829,08 (impostos e contribuições a recuperar), que consta na linha 10, da ficha 38A (ativo balanço patrimonial) da DIPJ/2003; 14 extraise do cotejo da DIPJ/2003 com o balanço contábil que o valor requerido como crédito corresponde ao saldo negativo total (acumulado) de IRPJ em 31/12/2002; 15 foram desprezados pela fiscalização os valores de saldo negativo de CSLL, embora o pedido de compensação também tenha feito referência ao mesmo; 16 Cita jurisprudência administrativa. 17 Encerra requerendo seja reformado o Parecer Conclusivo e Despacho Decisório 041/08 (fls. 106/109), a fim de que seja reconhecido o direito creditório em sua integralidade, homologandose por conseguinte as compensações pretendidas. 18 Com a impugnação, em 08/04/2008, vieram aos autos os documentos de fls. 182/191 e com a petição protocolada em 13/05/2008 (fl. 195), os documentos de fls. 197/423. 19 Juntei aos autos consulta feita nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil às fls. 427/456. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 20 Na consulta feita ao sistema COMPROT, em 29/08/2008, foi constatada a existência de dez processos administrativos, com o CNPJ do interessado, formalizados entre 01/01/2002 e 29/09/2008 (fls. 445/456). 21 A fim de subsidiar o julgamento, dois processos foram solicitados para análise, em função do assunto neles tratado: 22 processo n° 18471.001785/200570 (assunto: auto de infração IRPJ – ano calendário 2002 fls. 452/453) e 23 processo n° 13708.000603/200690 (assunto: restituição IRPJ fl. 455). 24 Foram extraídas cópias dos sobreditos processos, juntadas, nestes autos, às fls.461/493. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) DEFERIU EM PARTE o pleito, alterando o direito creditório reconhecido de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91 (R$ 18.679,90 + R$ 51.706,67 + R$ 90.697,34), referente ao “saldo negativo de IRPJ”, respectivamente, dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2002, e determinou a homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito tributário reconhecido, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1223.425, de 19 de março de 2009 (efls.514/522), cientificado ao interessado em 04/05/2009(efl.526). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ ACUMULADO. O pedido de restituição deve segregar, por período de apuração, o montante do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MUDANÇA DE PEDIDO. A segregação, por período de apuração, do saldo negativo de IRPJ, em sede recursal, equivale à retificação do pedido inicial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF NÃO DECLARADO. APRESENTAÇÃO DE DIRF. Depois do transcurso do limite temporal definido em lei, é defeso retificar valores não incluídos na DIPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente o saldo negativo de IRPJ, deve ser homologada a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Solicitação Deferida em Parte A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/06/2009 (efls.507/523). Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 4 5 A Recorrente discorda da decisão da DRJ e diz que, o crédito postulado deve ser integralmente reconhecido por corresponder ao saldo negativo de imposto de renda detido pela Recorrente, devidamente comprovado, e requerido nos pedidos de restituição e compensação apresentados. Aduz que, tendo recolhido valores a título de IRPJ no período de 1999 a 2002, por estimativa e mediante retenção do imposto na fonte, apurou posteriormente, ao final de cada períodobase, valor devido inferior, a título do mesmo imposto. Formouse, portanto, crédito em favor da Recorrente, a título de saldo negativo de imposto de renda, o qual foi objeto dos pedidos de restituição e compensação, na forma do artigo 40, inciso II, da lei 8.981/95, e, posteriormente, artigos 6º, § 1º, inciso II, e 7º, § 3º da lei 9.430/96. Diz que, de cada um dos pedidos de compensação, todos eles se referiram ao mesmo direito de crédito, originalmente apontado nos autos deste processo administrativo, sendo por isso mesmo reunidos ao presente. Afirma que o pedido originário (fls. 01 a 14 destes autos), ao qual todos os demais se reportaram, expressamente, em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo correspondente apenas ao quarto trimestre de 2002. Não há qualquer elemento nele que permita extrair esta conclusão. Conclui que dos elementos contidos no próprio pedido inicial de compensação, que o valor pretendido de saldo negativo de IRPJ (R$ 289.986,37) correspondia exatamente ao saldo negativo total, acumulado, apurado ao final do exercício de 2002. A Recorrente alega que a decisão recorrida é equivocada ao entender que o direito do contribuinte de requerer a restituição/compensação do indébito, in casu, estaria extinto, visto o decurso do prazo de cinco anos contados da data da apuração do indébito para os anos calendário de 1999, 2000 e 2001, nos termos do art. 168, I do CTN. Argúi que o acórdão, neste aspecto em relação à forma como se deve dar a contagem do prazo prescricional, tendo em vista o advento da LC nº 118/05 mostrase em dissonância com a jurisprudência do E. STJ uma vez que o pedido trata da repetição de indébito recolhido anteriormente ao advento da nova disciplina legal, não havendo, portanto, que se falar em prescrição do direito de requerer a compensação do indébito. A Recorrente também discorda do Acórdão ora combatido que ao analisar as DIPJs transmitidas pela Recorrente referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001 não constatou saldo negativo de IRPJ. A Recorrente alega que, o fato dos valores correspondentes ao saldo negativo apurado nos referidos períodos não estarem consignados em DIPJ decorreu de mero erro material por parte da Recorrente. A argumentação é a seguinte: Equívoco este que poderia ter sido corrigido pela própria Administração Tributária, de ofício, através do cruzamento dos dados fiscais da Recorrente, os quais podem facilmente ser obtidos através consulta feita nos sistemas informatizados da SRFB (DIRF/SIEF), procedendo assim, à retificação das informações incorretas veiculadas em DIPJ, em virtude de erro Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 material, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Deste modo, sendo inequívoca a existência de saldo negativo do imposto de renda, no valor correspondente à totalidade dos valores retidos da Recorrente, o crédito deve ser reconhecido em sua totalidade, possibilitando a sua devolução, na forma da compensação requerida, sob pena de locupletamento do Estado. Em seguida cita jurisprudência. Finalmente requer seja reconhecido o direito creditório em sua integralidade, homologandose por conseguinte as compensações pretendidas, por ser medida de Direito e de Justiça. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário (efls. 507/523) contra decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) que DEFERIU EM PARTE o pleito da Recorrente, alterando o direito creditório reconhecido pela Delegacia de origem, de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91 (R$ 18.679,90 + R$ 51.706,67 + R$ 90.697,34), referente ao “saldo negativo de IRPJ”, respectivamente, dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2002, e determinou a homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito tributário reconhecido. A Recorrente não discorda do valor do crédito reconhecido em relação aos trimestres do ano calendário de 2002 mas se insurge contra as decisões que antecederam ao presente voto, por entender que negaram indevidamente os valores contidos no saldo de 2002, relativos aos anos anteriores (1999 a 2001), conforme se depreende de sua alegação (efl.532): ... Assim, da mesma forma como procedeu a autoridade fiscal para o 4° Trimestre de 2002; a DRJ/I levantou também para o segundo e terceiro Trimestres de 2002 os valores retidos por período, apurando os saldos negativos corretos para os referidos trimestres, através das informações relativas à Recorrente contidas nos sistemas informatizados da SRFB, o que ensejou a majoração do crédito homologado de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91. Contudo, embora a 3ª Turma da DRJ/I tenha reconhecido que a apresentação dos documentos complementares por ocasião da manifestação de inconformidade, entendeu que estaria extinto o direito da Recorrente de pleitear a restituição dos saldos Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 5 7 negativos de 1RPJ apurados nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. ... A Recorrente diz que, de cada um dos pedidos de compensação, todos eles se referiram ao mesmo direito de crédito, originalmente apontado nos autos deste processo administrativo, sendo por isso mesmo reunidos ao presente. Afirma que o pedido originário (fls. 01 a 14 destes autos), ao qual todos os demais se reportaram, expressamente, em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo correspondente apenas ao quarto trimestre de 2002. Não há qualquer elemento nele que permita extrair esta conclusão. Conclui que dos elementos contidos no próprio pedido inicial de compensação, que o valor pretendido de saldo negativo de IRPJ (R$ 289.986,37) correspondia exatamente ao saldo negativo total, acumulado, apurado ao final do exercício de 2002. Registrese que, qualquer doutrina ou jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Compulsandose os autos constatase que a Declaração de Compensação, protocolizada em 12/02/2003, indica o crédito no valor de R$ 289.986,37 vinculada ao Pedido de Restituição e anexos fls.03/09, que demonstram claramente tratarse do ano calendário de 2002. Os valores se encontram demonstrados por trimestre de 2002 (efls.06/09). É certo que o formulário que contém o Pedido de Restituição (fl. 03) não faz referência ao ano calendário de 2002, apenas indica: "UTILIZAÇÃO DO SALDO À RECUPERAR DOS TRIBUTOS: IRPJ E CSLL. COMPENSANDO COFINS E PIS À RECOLHER CONFORME ART. 21 DA IN 210 SRF DE 30/09/2002" porém como frisado acima, os anexos não deixam dúvida que o pedido diz respeito ao ano calendário de 2002; tanto é que, o contribuinte juntou o balancete de dezembro de 2002, sem fazer qualquer alusão, expressa, a saldos credores de anos anteriores 1999 a 2001. Depreendese da argumentação da Recorrente e da DIPJ/2003 que sua pretensão é superpor ou inflar o saldo negativo de trimestres do ano calendário de 2002, com supostos saldos credores de 1999 a 2001, embora não apresente nos autos prova de que possui créditos nesses últimos anos calendário. Consta da decisão recorrida que analisando as DIPJs dos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, verificase que o interessado não possui saldos negativos de IRPJ (fls. 429/434). De fato, não se verifica qualquer saldo de IRPJ a restituir nos trimestres dessas DIPJs. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 A Recorrente alega que, o fato dos valores correspondentes ao saldo negativo apurado nos referidos períodos não estarem consignados em DIPJ decorreu de mero erro material por parte da Recorrente. Argúi que o equívoco poderia ter sido corrigido pela própria Administração Tributária, de ofício, através do cruzamento dos dados fiscais da Recorrente, os quais podem facilmente ser obtidos através consulta feita nos sistemas informatizados da SRFB (DIRF/SIEF), procedendo assim, à retificação das informações incorretas veiculadas em DIPJ, em virtude de erro material, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Finalmente sustenta que, sendo inequívoca a existência de saldo negativo do imposto de renda, no valor correspondente à totalidade dos valores retidos da Recorrente, o crédito deve ser reconhecido em sua totalidade, possibilitando a sua devolução, na forma da compensação requerida, sob pena de locupletamento do Estado. Tal alegação não se sustenta. Ressaltese que as DIPJs não estão sendo alteradas, apenas foram feitas verificações para se apurar a certeza do crédito. Sem este requisito não há como se deferir qualquer restituição/compensação, posto que, o mesmo está previsto no artigo 170 do CTN. Somente poderá se considerar como líquido e certo o crédito indiscutível, comprovado. A prova do indébito tributário não se faz sem a mínima verificação da base de cálculo sujeita à tributação e do tributo devido, deduções e retenções, bem como da documentação que lhe dá suporte, e nas declarações de débitos apresentadas. Qualquer erro porventura ocorrido no pagamento de tributos deverá estar registrado e justificado. Não pode o contribuinte transferir ao órgão fazendário o ônus para comprovar o indébito tributário, mediante diligência, porque o requerente alega que efetuou recolhimento indevido ou a maior do que o devido, sem sequer trazer aos autos os documentos necessários para que o julgador possa firmar sua convicção acerca do alegado e da necessidade da diligência. Aqui cabe muito bem a máxima “Alegar e não comprovar é mesmo que não alegar”. Apesar de a Recorrente alegar o indébito tributário, não traz aos autos a prova do pagamento indevido ou a maior. Cabe ao interessado comprovar a liquidez e certeza do alegado indébito tributário para fins de restituição/compensação. A simples alegação de que possui crédito tributário não faz prova por si só do indébito tributário. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Com efeito, não comprovado que foi declarado valor superior ao já aceito pela decisão recorrida, não há alteração a ser efetuada no valor do saldo negativo já reconhecido. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Sabendose que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 6 9 Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001 mas a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.720332/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 32 /2 01 2- 84 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 415426 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, às fls. 400411, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.350.8522, por meio do qual é exigida multa prevista no art.284, inciso II, do RPS e art. 32, inciso IV, § 5º da lei 8212/91, no montante de R$ 323.484,00, por ter o Recorrente deixado de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados a título de “Prêmio de Produtividade”, nas competências de Janeiro a Outubro de 2008. Também era objeto do presente processo o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, que teve por finalidade exigir do Recorrente as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa sobre a verba distribuída como “Prêmio de Produtividade”, inclusive ao SAT/RAT. No entanto, conforme descrito no acórdão proferido pela DRJ/SP, os valores exigidos no referido Auto de Infração já foram integralmente quitados, de modo que esse lançamento não se encontra mais em discussão. Em relação ao Auto de Infração nº 37.350.8522, segundo consta no Relatório Fiscal de fls. 41 a 62, a Autoridade Fiscal constatou que o Recorrente deixou de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados, referente ao Prêmio de Produtividade, nas competências de 01/2008 a 10/2008, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória. Para efetuar o lançamento das multas, o Fiscal autuante, diante das alterações promovidas pela MP 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 na aplicação de multas prevista na Lei n. 8.212/1991, elaborou a “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, efetuando o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade que, no seu entender, é menos severa ao contribuinte. Sendo assim, o Fiscal procedeu ao cotejo dos valores alcançados a partir do somatório das multas previstas na legislação antiga – multa moratória de 24% (art. 35, II da Lei 8.212/91) e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 68 (art. 32, §5º do mesmo diploma legal) com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75% e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 78. Como resultado desse confronto, a Fiscalização constatou que a aplicação da legislação antiga seria mais benéfica e efetuou o lançamento do DEBCAD nº 37.350.8522. Em 02/03/2012, o Recorrente tomou ciência da autuação e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 378/387), aduzindo apenas, em relação ao DEBCAD nº 37.350.8522, que não havia recolhido as contribuições previdenciárias incidentes sobre o Prêmio de Produtividade pago a seus servidores em cumprimento ao comando expresso no art. 9º do Decreto Estadual nº 45.412/00, motivo pelo qual tal conduta não constitui justa causa para a autuação e imposição de multa no valor de R$ 323.484,00. A DRJ/SP, através do acórdão nº 0645.503 (fls. 400 a 411), manteve, de forma integral, o crédito tributário constituído pelo agente fiscal relativo ao DEBCAD nº 37.350.8522, afirmando, sinteticamente, que o Recorrente não apresentou provas e argumentos que derrubassem o lançamento, tendo infringindo os ditames da lei 8.212/91. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 433 3 Inconformada com a decisão proferida pela DRJ, o Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 415 a 423), utilizando argumentos aduzidos na impugnação. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgalo. De início, é válido lembrar que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas, como é o caso do Recorrente, que é uma entidade da administração indireta do Estado de São Paulo/SP, são considerados empresas para fins previdenciários, conforme dispõe o art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; [...]. Desse modo, e considerando que os segurados que lhes prestam serviço não estavam amparados por Regime Próprio da Previdência Social, o Recorrente é considerado empresa perante a previdência social e, por conta disso, está sujeito às obrigações principais e acessórias prescritas na Lei nº 8.212/91, conforme bem esclarecido pelo Auditor Fiscal autuante na passagem abaixo reproduzida do Relatório Fiscal (fls. 5455): Os órgãos e entidades da administração pública direta, como neste caso as autarquias, são considerados consoante o disposto no art. 15 da Lei nº 8.212/91 – empresa e, em relação aos segurados que lhes prestem serviços, quando não amparados por Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), ficam sujeitos ao cumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público interno e respondem diretamente pelas obrigações previdenciárias. Portanto, pelo fato de encontrarse submetido aos ditames da Lei nº 8.212/91, não merece qualquer acolhida o argumento levantado pelo Recorrente no recurso de que a multa sancionatória aplicada por meio do AI DEBCAD 37.350.8522, é descabida na medida em que a conduta imputada à Autarquia, como infratora da Lei nº 8.212/91 não decorreu de ato discricionário da Autarquia, mas sim do comando expresso do Decreto Estadual nº 45.412/00. Em razão de ter descumprido a legislação previdenciária, ao não informar em GFIP a remuneração paga aos segurados a título de Prêmio de Produtividade, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória, o Recorrente está, de fato, sujeito às penalidades previstas na Lei nº 8.212/91. Cumpre ressaltar que não está mais em discussão a procedência da cobrança da obrigação principal, que diz respeito às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de “Prêmio de Produtividade”, que a Fiscalização demonstrou não ter sido pago em caráter eventual. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 434 5 De fato, além de ter quitado os valores exigidos no Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, no Recurso Voluntário ora apreciado o Recorrente não contestou o lançamento da obrigação principal, razão pela qual não cabe aqui adentrar no mérito dessa cobrança. Portanto, diante do exposto acima, ao deixar de informar em GFIP a remuneração total paga aos segurados e as respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre a verba remuneratória apurada pela Fiscalização, o Recorrente infringiu obrigação acessória prevista na legislação previdenciária e está submetido às penalidades cabíveis. Por fim, quanto ao procedimento de cálculo da penalidade aplicada, consubstanciado na “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, não houve qualquer contestação do Recorrente, de modo que a multa aplicada deve ser mantida na forma em que foi lançada. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.350.852 2. É o voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000317/98-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA
Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 17 /9 8- 33 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Cargill Agrícola S/A (fls. 563 a 596) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 540 a 552), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, mas que, pelo voto de qualidade, e no que interessa ao presente julgamento, negou provimento (i) quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de insumos de pessoas físicas Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 655 3 e (ii) dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, e (iii) da correção do ressarcimento pela taxa SELIC. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 RESARCIMENTO. LEI Nº 9.363/96. INFLUÊNCIA DA METODOLOGIA DE APURAÇÃO EM PERÍODOS FUTUROS. Em face da sistemática legal de apuração do credito presumido de IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é patente a dependência dos valores apurados nestes autos daquele apurado no processo relativo ao último trimestre do ano anterior. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e os combustíveis, por não serem consumidos em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não se enquadram no conceito de produto intermediário, não dando direito ao crédito presumido de IPI instituído pela Lei n2 9.363/96. IPI. DOCUMENTOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EMISSÃO. Comprovada a existência de erro material na emissão das notas fiscais de aquisição de insumos, bem como os registros das mesmas nos livros fiscais da peticionária e, ainda, a efetividade do ingresso dos insumos e sua utilização no processo produtivo do estabelecimento, devem tais documentos ser incluídos no cálculo do beneficio no período correspondente. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR OUTRO ESTABELECIMENTO. No regime de apuração descentralizada do credito presumido, não integra a receita de exportação do estabelecimento o valor das transferências de produtos Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 industrializados que faz para outro estabelecimento da mesma empresa. Se este ultimo exportar os referidos produtos, o resultado desta venda comporá a sua receita de exportação para efeito de determinação do índice de que trata o art. 22 da Lei nº 9.363/96. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. A taxa Selic é imprestável corno instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso provido em parte. (grifos nossos) O recurso especial do contribuinte, na sua integralidade, foi admitido através do r. despacho de fls. 632 a 633. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 636 a 646 em que se refutou, apenas, a questão referente às aquisições de pessoas físicas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, da mesma forma, o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 656 5 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas, também objeto do presente processo. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar o meu entendimento quanto à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 657 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) De se destacar, por último, quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, que em julgado análogo ao presente, em que também figurou como recorrente o mesmo contribuinte, decidiuse pela sua possibilidade (Processo nº 13854.000707/9604, Acórdão 20306.483). Esse é o entendimento que, em minha opinião, deve prevalecer. De se destacar, a propósito, o seguinte excerto do r. julgado acima aludido, verbis: (...) O recurso voluntário trata de duas questões especificas. Primeiramente, a possibilidade de incluir, no cálculo do incentivo, as exportações realizadas por intermédio do estabelecimento localizado em Santos — SP. E, também, a possibilidade de inclusão, na base de cálculo do mesmo incentivo, das aquisições de laranjas de pessoas fisicas, não contribuintes das contribuições para o PIS e da COF1NS. Com relação á. possibilidade de requerimento de forma centralizada, a simples leitura do artigo primeiro da Medida Provisória demonstra que o pedido deve ser feito pela empresa Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 exportadora, sem qualquer menção a estabelecimento. Assim prescreve a norma: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970, 08, de 03 de dezembro de 1970, e 70 de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Alias, na mencionada medida provisória não consta a palavra estabelecimento, que somente foi utilizada em normas de hierarquia inferior, normas essas que extrapolaram sua função regulamentar para, inovando no ordenamento jurídico o que lhes é vedado , restringir o beneficio fiscal. Verificase que a empresa somente requereu o ressarcimento através do seu estabelecimento matriz, e não há noticia nos autos de que o estabelecimento localizado em Santos — SP tenha formulado qualquer pedido de ressarcimento relativamente ao incentivo em tela. Incabível a glosa feita pela fiscalização, porquanto não havia, na lei, qualquer restrição à apuração do incentivo de forma centralizada, possibilidade essa, alias, expressamente contemplada pela legislação superveniente. (grifos e destaques nossos) Esse entendimento também é corroborado pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 282/STF. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. EXTENSÃO À FILIAL DE EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. POSSIBILIDADE. 1. Primeiramente, reafirmo a decisão agravada de que o art. 111 do CTN não foi prequestionado. Aplicação, por analogia, da Súmula 282/STF:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." 2. Ademais, a questão a ser tratada não é a do limite temporal da aplicação da MP n. 948/95, que entende o recorrente, ser contrária à pretensão do contribuinte, pois a decisão agravada proferiu entendimento de serem os arts. 1º e 3º da medida provisória favoráveis ao contribuinte. 3. Por fim, mantenho a mesma posição adotada pela decisão agravada de que o benefício concedido pela MP nº 948/95, convertida na Lei nº 9.363/96, diz respeito às empresas produtoras e exportadoras, devendo, nesse contexto, ser da mesma forma consideradas as suas filiais, sob pena de inviabilização dos efeitos pretendidos pelo referido benefício, Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 658 9 na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja também responsável na referida operação. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 698.756/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. LEI 9.363/96. I O legislador não distinguiu que a operação de exportação das mercadorias industrializadas devesse ser unicamente realizada pela empresa diretamente responsável pela produção da mercadoria, até mesmo porque a contabilidade referente ao balanço anual da empresa envolve a verificação de todas as suas filiais. II Nesse sentido, o benefício outorgado pela Medida Provisória 948/95, e atualmente pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação. III A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, na esteira dos precedentes do Pretório Excelso, vem decidindo pela impossibilidade de correção monetária sobre créditos escriturais, por ausência de previsão legal. IV Impossibilidade de majoração da verba honorária visto envolver o reexame dos elementos que formaram a convicção do Julgador a quo. Aplicação da Súmula 07/STJ. V Recurso especial da FAZENDA NACIONAL e de MUSA CALÇADOS LTDA improvidos. (REsp 499.935/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2005, DJ 28/03/2005, p. 188) (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fui designado pela Presidência para redigir o acórdão na parte em que o ilustrado voto do e. relator não foi acolhido pela maioria, especificamente a matéria atinente à exportação realizada por intermédio da filial situada no Porto de Santos. Quanto ao ponto insta começar enfatizando que o recurso interposto pela empresa não pugna pela aplicação da apuração centralizada do incentivo fiscal. Pelo contrário, com a lisura que caracteriza os representantes signatários, ali é dito com todas as letras que: Para que não reste dúvida acerca da divergência existente entre essa decisão e o acórdão recorrido, esclareçase que apesar o aresto paradigma ter feito menção à apuração centralizada e ao estabelecimento matriz, tais expressões foram indevidamente empregadas, visto que (i) não se discutia a possibilidade de o pedido de ressarcimento ser feito de forma centralizada ou descentralizada pelo estabelecimento matriz; e (ii) o estabelecimento que requereu o ressarcimento do incentivo naquele processo foi o mesmo que o pleiteou nesta ocasião (CNPJ n. 52.421.294/000200), e que foi sucedido, por incorporação, pela recorrente. Não se trata, pois, de afastar exigência de apuração descentralizada supostamente contrária à lei, como dito no acórdão paradigma. A própria empresa assume que fez uso da opção prevista na norma que regulava o incentivo à época –1998 de apurálo por estabelecimento produtor e exportador. Acrescento que em tais normas – Portaria MF 38/97 e IN SRF 23/97 – nenhuma exigência havia de que o crédito fosse apurado de forma descentralizada; ao contrário, ali se diz (Art. 3º do primeiro ato normativo mencionado, reproduzido ipsis litteris no segundo): (...) § 9º A empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador poderá apurar o crédito presumido de forma centralizada, na matriz. § 10. A opção pela apuração centralizada de que trata o parágrafo anterior aplicarseá até o final do anocalendário em que exercida. § 11. No caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exportador que não efetuar a compra de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sido recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. § 12. Na hipótese do parágrafo anterior, a transferência deverá ser efetuada pelo exato custo de aquisição constante do Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 659 11 documento fiscal, emitido pelo fornecedor, na venda para o estabelecimento que houver efetuado a compra. § 13. O estabelecimento que transferir para outro, matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem deverá excluir o valor desses insumos no cálculo de seu próprio crédito presumido. Tratase, como claramente se vê, de uma escolha que a empresa fazia no momento da apuração do incentivo: ou apurava por estabelecimento ou centralizadamente na matriz. Neste último caso, podia considerar as exportações efetuadas por todos os estabelecimentos, assim como devia considerar toda a receita bruta da empresa. Essas considerações iniciais se fazem relevantes para deixar claro que não se está discutindo, como pareceu à primeira vista, a necessidade de incluir a receita de toda a empresa no cálculo do percentual a incidir sobre as aquisições quando a apuração era descentralizada, matéria que ainda suscita debates neste Colegiado. O que se está discutindo neste processo – e deveria ter sido no aceito como paradigma – é, pois, se, na apuração descentralizada, o estabelecimento produtor remeter o produto a um estabelecimento supostamente apenas depósito fechado (alfandegado) e daí este produto for remetido ao exterior, isto é, se a venda para o exterior realmente se der em nome do estabelecimento postulante ao incentivo embora a efetiva saída para o exterior se der por outro estabelecimento, se a receita decorrente dessa operação pode ser computada no cálculo do percentual. Esses foram os fatos narrados no recurso e repisados em sustentação oral. Ocorre que em exame dos autos constatei que também não são eles exatamente os fatos do processo. Isso porque a venda não foi feita em nome do estabelecimento que remeteu os produtos mas sim em nome do que os recebeu em Santos, o que contraria a afirmação de que este último apenas seria um depósito fechado impedido´, portanto, de realizar vendas. É o que se constata do exame dos documentos fiscais relativos à operação constantes dos autos. Com efeito, a nota fiscal 34.430 (fls. 58) indica a saída, a título de “transferência equiparada a exportação”, CFOP 5.25, do estabelecimento postulante ao crédito para a filial situada em Santos. Nesta nota fiscal realmente consta a informação de que a mercadoria será exportada pela filial destinatária. Mas na nota fiscal desta última (nº 050, fls. 59) não há qualquer referência à nota anterior que permita vincular a exportação daí realizada à primeira saída Ademais, em qualquer dos documentos há a indicação de que o destinatário é um mero depósito fechado inabilitado a realizar vendas. O que sobressai do documento emitido por ele, aliás, denota o contrário, pois além de não fazer referência ao recebimento prévio das mercadorias, o CFOP indicado (7.11) iniludivelmente corresponde à venda para o mercado externo (e venda de produção própria, digase). Destarte, por falta da prova que lhe competia fazer nos exatos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, nem mesmo se chega à discussão proposta no recurso, ou seja, de que haveria o direito de acrescer à receita de exportação correspondente às operações realizadas pelo estabelecimento postulante ao benefício aquela decorrente da exportação Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 realizada por outro estabelecimento que recebera do primeiro as mercadorias exportadas. E esse foi o fundamento para que a maioria a ele negasse provimento. Deixo registrado ao final que, em minha opinião, ainda que se superasse a dificuldade acima, também não lhe caberia prover, pois partilho as conclusões a que chegou o i. Conselheiro Zomer: se a norma legal exigia a produção e exportação, e quanto a isso não há dúvida, não realizada uma delas descabe o incentivo. A única operação equiparada a exportação que o incentivo contemplou foi a venda a comercial exportadora, o que, no caso, assumidamente tampouco ocorreu. Esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004185/2010-40
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório e Voto Tratase de Recurso Voluntário interposto, em 30/05/2011, contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa DRJ SPOII/ 8ª Turma , cientificado em 18/05/2011, que considerou a impugnação procedente em parte. O recorrente, em seu recurso, reconhecendo a omissão de rendimentos lançada recebida do INSS, mas resultante de ação judicial, alega que tais valores deveriam ter sido pagos mensalmente, o que não resultaria em tão elevada retenção do imposto de renda, assim contesta a forma de tributação, tudo com base em decisões tanto proferidas pelo STJ, como, por normas infralegais editadas ou mesmo pareceres da PGFN sobre rendimentos pagos acumuladamente, requer o cancelamento do feito. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.004185/201040 Resolução n.º 2802000.077 S2TE02 Fl. 57 2 Verificase, portanto, que uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: fundamentação do acórdão recorrido fls. 26 e argumentação recursal de fls. 40 e seguintes), in casu são valores recebidos em ação judicial. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.011255/2010-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 32/42), referente ao exercício 2008, anocalendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 32): 1 Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão 9.937,28 2 – Imposto já Restituído 4.201,57 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 11 25 5/ 20 10 -4 9 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 93 2 3 – Saldo do Imposto a Restituir Ajustado (12) 5.735,71 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista. Constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, no valor de R$194.733,10, em virtude de processo judicial trabalhista, Precatório nº 449/1994, impetrado contra a FHDF, CNPJ nº 00.394.68400153. Enquadramento legal e detalhamento da infração nos autos (fl. 34). Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – Glosado o valor de R$365,70, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Enquadramento legal nos autos (fl. 38). • Distrito Federal – Secretaria de Saúde – CNPJ 00.394.700/000108. A contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/02), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Os rendimentos são isentos de tributação pelo imposto de renda. Foi tido como omitido o valor de R$197.559,58, que se considerou não se tratar de herança, mas sim de rendimentos do espólio. A Sra. Kátia faleceu em 2000. Nos termos do art. 1.784 do CC, “aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros e testamentários”. Ademais, o Presidente do TRT da 10ª Região, considerando que os valores recebidos a título do Prec. 449/94, pelos herdeiros, proferiu decisão determinando a não incidência de IR sobre tais valores e que não houvesse dedução do imposto nas parcelas vincendas. A decisão judicial não admite interpretação diversa, pois se fundamenta expressamente no art. 6º, XVI, da Lei 7.713/88. Concorda com a infração de compensação indevida de IRRF.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/61, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/01/2010 (AR fl. 53), o espólio de Kátia Henriques Jácomo, por intermédio do representante legal (fls. 83/86), interpôs o recurso de fls. 68/81, em 09/02/2012. Em sua defesa, alega que a decisão recorrida procedeu Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 94 3 uma leitura equivocada da sentença e, por conseguinte, vem resistindo ao seu integral cumprimento. Aduz que o próprio credor Distrito Federal concorda com a isenção, não podendo a Secretaria da Receita Federal recusar a referida informação e cobrar o tributo novamente, sob pena de descumprimento de ordem judicial com expressa anuência do ente federativo titular da referida verba. Também argumenta que a Lei n°. 7.713, de 1988, autoriza a dedução das despesas com honorários advocatícios e periciais quando da declaração do ajuste sem fixação de limites. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 95 4 respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11080.009419/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4.
A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4. A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
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AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4. A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 19 /2 00 3- 51 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 03 a 06, lavrado em 24/09/2003, exigese do contribuinte Rogério Brum Azeredo, o montante de R$ 5.461.792,31 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 5.732.151,02 de juros de mora e R$ 8.192.688,46 de multa de ofício qualificada (150%), totalizando R$ 19.386.631,19 (atualizados até a data da autuação) referente ao anocalendário de 1997. O lançamento fundamentase na omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Relatório de Ação Fiscalização (fls. 7 a 16), a fiscalização teve início em razão de representação do MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL, contida em Ofício da 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM CASCAVEL/PR, referente ao Processo nº 2000.70.05.0042260, encaminhada ao Delegado da Receita da Federal em Porto Alegre, visando apurar a regularidade dos depósitos efetivados pelo Contribuinte nas contas bancárias de Afonso Antunes dos Santos, e Marcos Antônio Irineu de Souza, do Banco Meridional do Brasil SA, agência Cascavel PR e Banco do Estado do Paraná SA Banestado, agência Foz do Iguaçu PR. Em outra Representação Fiscal do Grupo Especial de Fiscalização em Foz do Iguaçu, consta o Contribuinte como depositante na conta corrente nº 32.9601, do Banco do Estado do Paraná SA, agência de Foz do Iguaçu (025) e de Adenildo do Nascimento, CPF 459.532.01915. A denúncia consta no Inquérito nº 98.10126301 da Delegacia da Policia Federal em Foz do Iguaçu/PR, que trata sobre evasão de divisas. O Contribuinte ao ser solicitado a apresentar os extratos bancários, negou sob a alegação de sigilo. De toda sorte, a quebra do sigilo bancário do Contribuinte foi estendido à Receita Federal, conforme decisão do Juiz Jorge Luiz Ledur Brito, da 2 0 Vara da Justiça Federal em Cascavel/PR, conforme consta no Ofício n0 2631102 de 22/11/2002. As informações bancárias do Contribuinte também foram obtidas através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF nº 2003000156, emitida pelo Delegado da Receita Federal em 11/04/2003, a documentação bancária para o BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL SA (cadastro, extratos bancários e documentos de débitos e Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 3 3 créditos superiores a R$ 50.000,00), referente ao ano de 1997. A documentação foi apresentada pelo banco em 06/05/2003. Com base nas informações bancárias, a Fiscalização solicitou que o Contribuinte justificasse a sua movimentação financeira no valor de R$ 22.001.075,25, especialmente pelo fato que no anocalendário de 1997, o mesmo apresentou Declaração de Isento. O Contribuinte respondeu à notificação sem apresentar documentação que justificasse os créditos em sua conta bancária. Argumentou que no ano de 1997 realizava cobranças de títulos, aplicações para clientes no mercado de câmbio, entre outras atividades e os depósitos na sua contacorrente eram referentes aos valores recebidos de cobranças realizadas, que posteriormente eram entregues aos clientes, descontando apenas a comissão ou recebidos para compra de moeda estrangeira, que após a compra os valores eram também entregues aos clientes. Complementou que em face do decurso de seis anos das operações realizadas, não tem conhecimento imediato das operações a que se referem os lançamentos em sua contacorrente, quem depositou, ou para quem teve de pagar; que buscará informações junto ao banco, bem como a documentação que possa encontrar possíveis arquivos antigos. Tendo em vista a ausência de justificativa do Contribuinte acerca dos créditos em sua conta bancária, a Fiscalização lançou o tributo com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ainda qualificou a multa de ofício, por entender que o Contribuinte ao apresentar a Declaração de Isento no respectivo anocalendário, bem como ter a maioria dos depósitos sem identificação do depositante ou o beneficiário sendo o próprio Contribuinte, acabam por configurar condutas dolosas com intuito de sonegar informação para não pagamento de IRPF. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 02/10/2003 (fls. 447) e apresentou Impugnação (fls. 448 a 457) tempestiva em 03/11/2003, alegando, em suma: · Decadência do lançamento tributário. Defende que o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN) e, portanto, quando do lançamento tributário o crédito já se encontrava decaído (desde 2002). · Nulidade do auto de infração pelo o mesmo não demonstrar a forma de atualização do crédito tributário, violando o disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235/72. Acrescenta que o valor do lançamento tem efeitos de confisco. · Improcedência do auto de infração por não haver provas no processo que os créditos em sua contacorrente representam acréscimo patrimonial do Contribuinte. · Improcedência do auto de infração, pois o mesmo foi fundamentado apenas em extratos bancários do Contribuinte. Alega aplicação da Súmula nº 182 do TFR e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. · Improcedência do auto de infração sob o argumento que o ônus da prova é do Fisco e esse não conseguiu provar o acréscimo patrimonial do Contribuinte. Efetuou o lançamento com base nos extratos bancários obtidos. · Nulidade do auto de infração pelo mesmo ter se valido de dados bancários e da CPMF para consubstanciar o lançamento. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Improcedência da qualificação da multa, pois a mesma só pode ser aplicada em casos de fraude, sonegação de informações e conluio e a fiscalização não comprovou tal conduta dolosa do Contribuinte. · Improcedência da atualização dos juros de mora com base na SELIC por ser essa uma taxa que fica na dependência de uma fixação unilateral do Governo. Fere os princípios constitucionais da Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade da Competência Tributária e Segurança Jurídica. A 4ª Turma da DRJ/POA, em 17/06/2004, em decisão de fls. 488 a 509 manteve o lançamento em parte afastando a qualificação da multa de ofício, restituindoa ao percentual de 75%. Conforme ementa do referido acórdão: DECADÊNCIA O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE — Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO E IRRETROATIVIDADE — Tendo o procedimento iniciado por representação do Ministério Público Federal, com a determinação de quebra do sigilo bancário pela Justiça Federal, não há que se falar em sigilo ou em aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001. PERÍCIA Não tendo sido formulado o pedido de perícia dentro do exigido pela legislação, considerase indeferido tal pleito. OMISSÃO DE RENDIRENTOS — LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996 — Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA — Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, aplicase a multa de ofício de 75%. TAXA SELIC APLICABILIDADE Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. O Contribuinte foi notificado da decisão em 24/09/2004 (fls. 548), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 18/10/2004 (fls. 521) requerendo, em síntese, os mesmos pleitos apresentados na Impugnação. Em razão da parcela de crédito tributário exonerada, há encaminhamento de recurso necessário. Os Recursos Voluntário e de Ofício foram julgados pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão de 06 de julho de 2005, sendo o Recurso de Fl. 640DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 4 5 Ofício negado e o Recurso Voluntário provido na sua integralidade em face de ter sido reconhecido decaído o lançamento tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN (fls. 560 a 573). Em 26/10/2005, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 576 a 580) à Câmara Superior de Recursos Fiscais contra o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sob o argumento de que o crédito tributário não se encontra decaído, pois como não houve antecipação de imposto, a norma aplicável é o art. 173, I do CTN que determina como termo inicial para contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser. Assim, defende a Fazenda, se o fato gerador ocorreu em 31/12/97, então o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01 de janeiro de 1998. Logo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado é 01 de janeiro de 1999, consequentemente, o termo final da decadência somente ocorreria em 31 de dezembro de 2003. A ciência do lançamento ocorreu em 02/10/2003, portanto ainda dentro do prazo. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional não se insurge em face da desqualificação da multa de ofício, objeto do recurso necessário. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes efetuou o juízo de admissibilidade e conheceu do Recurso Especial da Fazenda (fls. 582 a 584) encaminhando para julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não se logrou êxito em intimar o Contribuinte por via postal (fls. 586 e 599), sendo o mesmo intimado por via editalícia em 20/11/2006 (fls. 592). O Contribuinte não apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em sessão de 03/03/2008 foi proferida decisão da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 595 a 605) negando provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme a seguinte ementa: DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendárío. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN). A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão supra em 27/08/2008 (fls. 606). Em 28/08/2008 apresentou Recurso Extraordinário (fls. 608 a 616) para o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando em síntese os mesmos argumentos apresentados no Recurso Especial no tocante à decadência do crédito tributário em questão. O exame de admissibilidade foi efetuado pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 620 a 622) e encaminhado ao Pleno. Por mais uma oportunidade tentouse intimação postal do Contribuinte (fls. 623) que não sendo bem Fl. 641DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 sucedida, restou a intimação editalícia (fls. 625) para apresentação de contrarrazões ao Recurso Extraordinário da Fazenda. O Contribuinte não apresentou as referidas contrarrazões. Na sessão de 07/12/2011, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional (fls. 628 a 633) e determinou que o processo retornasse à Segunda Seção do CARF para que novo julgamento em segunda instância aprecie as demais matérias em litigo, consoante recurso voluntário. Conforme ementa: ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Constatada a inexistência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 173, inciso I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. No tocante à preliminar de decadência arguida em sede de Recurso Voluntário, não cabe mais sua apreciação por força do acórdão proferido pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que não conheceu da decadência do lançamento tributário. Em relação à desqualificação da multa de ofício, a matéria resta preclusa, tendo em vista que foi objeto de recurso necessário, cujo provimento foi negado em decisão da Quarta Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, sem haver propositura de Recurso Especial no tocante a essa matéria. I. Das Preliminares I.1. Demonstração da Forma de Atualização do Crédito Tributário O Contribuinte pleiteia a nulidade do auto de infração sob o argumento de o mesmo não demonstrar a forma de atualização do crédito tributário, violando o disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235/72. O pleito de nulidade com base na ausência de demonstração da forma de atualização do crédito tributário no auto de infração não deve prosperar, pois conforme se verifica o Auto de Infração (fls. 03,04 e 26) apresenta o dispositivo legal que disciplina a forma de atualização (art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/96). Fl. 642DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, rejeito a preliminar de nulidade por entender que no Auto de Infração resta expressamente demonstrada a forma de atualização do crédito tributário. I.2. Sigilo Bancário O Contribuinte pugna pela nulidade do auto de infração pelo mesmo ter se valido de dados bancários e da CPMF para consubstanciar o lançamento. O referido processo administrativo fiscal teve como origem representação do MINISTERIO PUBLICO FEDERAL, contida em Ofício da 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM CASCAVEL/PR, referente ao Processo nº 2000.70.05.0042260, encaminhada ao Delegado da Receita da Federal em Porto Alegre. A quebra do sigilo bancário do Contribuinte foi estendido à Receita Federal, conforme decisão do Juiz Jorge Luiz Ledur Brito, da 2 0 Vara da Justiça Federal em Cascavel/PR, conforme consta no Ofício nº 2631102 de 22/11/2002. Desta feita, rejeito a preliminar de quebra de sigilo bancário, pois há decisão judicial que autorizou a referida quebra. II. Do Mérito II.1. Ausência de Provas e Ônus da Prova O Contribuinte alega a improcedência do auto de infração por não haver provas no processo que os créditos em sua contacorrente representam acréscimo patrimonial do Contribuinte, bem como defende que o mesmo foi fundamentado apenas em extratos bancários. Em complemento, alega aplicação da Súmula nº 182 do TFR e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Inicialmente, cabe pontuar que a Súmula nº 182 do TFR, bem como as jurisprudências colacionadas pelo Contribuinte na sua peça recursal não são aplicáveis ao caso em questão, pois tiveram suas razões pautadas em outro arcabouço jurídico que não esse aplicável ao caso ora em análise. Os referidos precedentes têm como fundamento o art. § 5° do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, cujo teor foi revogado pelo artigo 88, inciso XVIII, da Lei n° 9.430/96. Portanto, não são aplicáveis ao caso em questão os precedentes ora mencionados. Em substituição ao referido dispositivo legal, foi inserido no ordenamento jurídico o art. 42 da Lei nº 9.430/96 que dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000, 00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Pela inteligência desse dispositivo legal, verificase que a autoridade fiscal pode efetuar lançamento tributário por omissão de rendimentos com base em extratos bancários, desde que devidamente intimado, o contribuinte não apresente justificativa da natureza dos respectivos valores. Notese que nesse caso há uma inversão do ônus da prova. Esse não mais cabe à fiscalização, mas sim ao contribuinte (presunção relativa). Assim, como o Contribuinte não produziu documentação hábil a justificar a natureza dos depósitos em sua conta bancária, presumese que os mesmos são rendimentos (omitidos) e, portanto, sujeitos à tributação com base na tabela progressiva. Ademais, a Súmula CARF nº 26 já dispensa a autoridade fiscal de comprovar o consumo da renda. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, não merece amparo a alegação do Contribuinte de que extratos bancários não constituem provas para fins de lançamento tributário, bem como que cabe o ônus da prova à autoridade tributária, pois em caso de omissão de rendimento por depósito bancário, o extrato é meio válido de prova e o ônus de desconstituílo cabe ao contribuinte. II.2. Atualização Juros de Mora – Taxa SELIC O Contribuinte pugna pela improcedência da atualização dos juros de mora com base na SELIC por ser essa uma taxa que fica na dependência de uma fixação unilateral do Governo. E, acaba por ferir os princípios constitucionais da Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade da Competência Tributária e Segurança Jurídica. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 6 9 Os arts. 5º § 3º e 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que a taxa SELIC será utilizada para fins de cálculo de juros de mora dos créditos tributários vencidos e não pagos. Logo, há expressa disposição legal acerca da utilização da taxa SELIC para os devidos fins que deve ser observada por esse órgão. Quanto à constitucionalidade da lei que instituiu a aplicação da taxa SELIC para atualização dos créditos tributários, não compete ao CARF sobre a mesma se pronunciar, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, quanto à aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, há a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 645DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13502.001268/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO
A partir da introdução do artigo 170-A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo
DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário
MULTA DE OFÍCIO - INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA
A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA - SELIC
Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/07/2008 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A partir da introdução do artigo 170-A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário MULTA DE OFÍCIO - INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA - SELIC Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A partir da introdução do artigo 170A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário MULTA DE OFÍCIO INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 68 /2 01 0- 30 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Auto de Infração (fls. 02/05) e Demonstrativos (fls.06/12), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI pertinente ao período compreendido entre janeiro de 2008 e julho de 2009. O autuante informa no Termo de Verificação Fiscal (fls.15/20) que a contribuinte apropriou no Livro de Registro de Apuração do IPI — RAIPI, como esclarece na petição de fls.41/44, a titulo de "outros créditos", valores de crédito presumido do IPI, energia elétrica e crédito extemporâneo decorrentes da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.61.00.027884 6 (petição inicial As folhas 45/52), distribuída em 06 de novembro de 2001. Intimado a esclarecer a origem dos valores, respondeu serem decorrentes da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.61.00.027884 6, obtida em 27/11/2001, que autorizou a escrituração dos créditos e a compensação com o IPI vincendo. Segundo o autuante, foi publicado no Diário Oficial da União em 14/12/2006, Acórdão da Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, dando provimento, por unanimidade, à Apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial, negando, por outro lado, provimento ao recurso interposto pela empresa, contra a qual a interessada interpôs Recurso Especial e Extraordinário, não admitidos, este que aguarda julgamento em fase de agravo de despacho denegatório do recurso extraordinário. Desta forma, ao apurar os referidos créditos e compensálos com débitos do IPI, a autuada teria contrariado o Regulamento do IPI e o principio constitucional da não cumulatividade, não estando pois A. época em que assim procedeu, autorizado por decisão judicial. Ademais, segundo o autuante, a autuada efetuou a compensação Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 4 3 antes do seu trânsito em julgado, contrariando o art. 170A do Código Tributário Nacional — CTN. O escopo desta ação fiscal ficou restrita ao exame e glosa de eventuais lançamentos contábeis referentes a créditos oriundos da aquisição de insumos não tributados pelo IPI ou tributados à aliquota zero, com base em decisões judiciais, conforme relatório, fl.19. Ao presente processo foram, ainda, anexados os seguintes documentos: Mandados de Procedimento Fiscal (f1.22); Termo de Inicio, outros termos lavrados pela fiscalização (fls.15/20, 23/24, 39/40) e informações prestadas pela contribuinte (f1.41/44); certidão referente à ação judicial (fl.27, 38); Atas de Assembléias (fls.28/29, 30),Instrumento de Procuração e documentos pessoais (fls.31136), cópias da Ação Judicial (fls.45/74), fotocópias do Livro Registro de Apuração do IPI e recibo de entrega de escrituração fiscal digital (fls.76/145). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 27/09/2010 (fl. 03) e apresenta em 27/10/2010, fl.147, a impugnação de folhas 147/179, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Preliminarmente, o instrumento de lançamento fiscal padece de vícios formais e equívocos materiais, além de conter ilegalidades pontuais, que serão exaustivamente demonstrados; • O auto de infração padece de nulidade absoluta por ter origem em procedimento que cerceou o direito de defesa da impugnante, tendo o inicio da fiscalização se dado em desacordo ao art.844 do Regulamento do Imposto de Renda, que dispõe sobre prévia intimação ao contribuinte para prestação de esclarecimentos em 20 dias, notificandoo para pagamento do débito com incidência da multa moratória, implicando na violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório, o que feriu o primado do devido processo legal; • O Auto de Infração também é nulo em razão da falta de verificação concreta dos fatos, uma vez que o auditor baseouse tãosomente em informações prestadas pela própria contribuinte, supostamente corroboradas em análise dos livros do IPI, sem sequer analisar as notas fiscais que originaram os créditos, não havendo, portanto, prova de que o valor glosado é o correto; • Igualmente, o Auto de Infração é nulo em face do cerceamento do direito de defesa, pois as glosas efetuadas pela fiscalização estão demonstradas apenas de maneira global, não havendo individualização e tampouco verificação de cada um dos créditos apropriados, informação vital para o confronto entre os valores glosados e as notas fiscais que lastrearam o creditamento; • A impugnante transcreve doutrina e julgados do Conselho de Contribuintes que entende corroborar seus argumentos acerca da nulidade do Auto de Infração; • Quanto ao mérito, alega que as compensações em comento foram absolutamente regulares, uma vez que efetuadas mediante autorização judicial válida e eficaz à época dos fatos, expressamente dirigida à União Federal e que deveria ser respeitada e cumprida, destacando que a decisão da 6a Turma do TRF da 3a Região, que deu provimento ao recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional, foi objeto de recursos especial e extraordinário, que ainda aguardam julgamento; • Desta forma, a decisão judicial que reformou a decisão anterior ainda não é definitiva, e não esta irradiando plenamente os seus efeitos, pois poderá ser modificada pelo STJ e pelo STF; • Não tem cabimento, pela falta de previsão legal, o argumento utilizado pelo fiscal para glosa da compensação, nas disposições do art.170A do CTN, que prevê a compensação somente após o transito em julgado da decisão judicial, uma vez que a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 5 4 discussão do direito da Impugnante ao crédito é determinado na própria ação judicial, sendo evidentemente irregular a lavratura do presente auto de infração em substituição do recurso judicial cabível; • Também não pode ser admitido o argumento da fiscalização quanto vedação prevista no art. 170A do CTN, pois é norma geral e abstrata que não pode ser oposta contra norma jurídica individual e concreta criada pela decisão judicial, e, ainda que haja lei impedindo a compensação antes do transito em julgado, se o juiz da causa decidiu de maneira contrária, prevalece a sua decisão, que deve ser cumprida, inclusive sob pena de desobediência; • A vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matérias primas e materiais de embalagem imunes, isentos ou tributados aliquota zero, contraria o principio da nãocumulatividade previsto no inciso II do § 3° do art. 153 da Constituição Federal e no art.49 do CTN; • A restrição ao creditamento existe somente no caso de haver isenção no meio da cadeia produtiva, no caso do ICMS, conforme art.155, §2°, inciso II, "a" e "b", nada falando quanto ao IPI, conforme doutrina e jurisprudência do STJ e dos TRF, que transcreve; • A multa de oficio aplicada no Auto de Infração restringese aos casos em que o contribuinte se evade do dever de declarar a ocorrência do fato previsto na hipótese da regra matriz de incidência tributária, e no caso em tela não houve sonegação ou evasão fiscal, tendo a contribuinte apresentado regularmente seus livros e escriturado os montantes corretamente, tratando a autuação apenas de glosa de compensação cuja base de cálculo já havia sido declarada A. Receita Federal; • Não houve falta dolosa de recolhimento, mas, ao contrário, a contribuinte quitou o débito por meio de compensação, em legitimo cumprimento de ordem judicial, e, quando muito, deve ser aplicada a multa moratória no percentual de 20% prevista no art. 61, § 20 da Lei n° 9.430, de 1996; • Por fim, alega ser ilegal a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário, por ferir frontalmente a Constituição Federal; • Requer juntada de novos documentos e declarações não colacionados nesta oportunidade, em função da exiguidade do tempo e do volume envolvido, produção de outras provas, coma perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências, tudo em atendimento ao principio da verdade material que rege o processo administrativo. Os membros da Quarta Turma da DRJ, por unanimidade de votos, decidiram rejeitar a preliminar de nulidade e julgar procedente o lançamento, nos termos do relatório e do voto. Intimada do acórdão supra em 24/01/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/02/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 6 5 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Auto de infração contendo a identificação da matéria tributada. Inexistência de cerceamento do direito de defesa De início rejeito a alegação de nulidade do lançamento porque o auto de infração atende plenamente ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e inexistem dúvidas quantos aos critérios e fundamentação empregados nas autuações. Código Tributário Nacional “Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decreto 70.235/72 Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O Auto, lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. Nele se vê que as bases de cálculo, alíquota e montantes devidos do imposto estão bem demonstrados. Dessarte inexistiu qualquer preterição do direito de defesa ou ofensa ao contraditório. Assim, não há que se reformar a decisão ora recorrida, que deverá prevalecer pelos seus próprios fundamentos. Ação judicial. Da compensação O trânsito em julgado torna definitiva a decisão tomada pelo juiz, que reconhece a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo e, consequentemente, a inexistência da relação jurídica tributária, traduzindose na existência de créditos a serem recuperados pelo contribuinte. A compensação é uma prerrogativa do Recorrente que deve respeitar o que determina a lei. Neste caso a compensação é admitida sob o regime da estrita legalidade, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 7 6 Nos termos o artigo 170A do Código Tributário Nacional “ é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Em se tratando de pretensão à compensação de crédito contra a Fazenda Nacional objeto de controvérsia judicial, o requisito trazido pelo artigo 170A do CTN (trânsito em julgado em sentença que afirma a existência do crédito em favor do contribuinte) aplicase, também aos indébitos tributários decorrentes de vício de inconstitucionalidade. Neste sentido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já decidiu: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ – RESP nº 1.167.039. Rel. Min. Teori Albino Zavascki) Assim, tendo em vista que a ação judicial não havia transitado em julgado, quando o Recorrente procedeu à compensação, não há que se falar compensação por inexistência de direito líquido e certo, além do que a ação judicial fora distribuída apenas em 06 de Novembro de 2011, posteriormente à vigência da Lei Complementar no. 104. Por mais esse argumento, nego provimento ao Recurso Voluntário Da alegação de inconstitucionalidade O julgamento administrativo é pautado pela legalidade, de forma que cabe ao julgador administrativo zelar pela aplicação da lei, sendolhe vedado afastar sua aplicação ainda que sob o argumento de fazer justiça ou de inconstitucionalidade. Assim, não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário A Súmula 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais prescreve: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa de ofício A Recorrente alega que a multa de ofício não poderia ser aplicada ao presente caso. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 8 7 confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. Outrossim, não é de competência desta Quarta Turma de Julgamento afastar aplicação de multa isolada. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Nesse sentido, por mais esse argumento, nego provimento ao presente recurso. Juros de Mora – SELIC Por fim, no que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Por todo exposto, conheço do presente recurso voluntário, para ao fim negar lhe provimento. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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