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Numero do processo: 10950.005997/2002-89
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA.
PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DE
PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE.
A finalidade do crédito presumido de IPI é desonerar as exportações quanto ao PIS e a COFINS incidentes em toda cadeira produtiva das mercadorias industrializadas exportadas, sendo perfeitamente possível a percepção do referido crédito quanto às matérias-primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, dada a presunção do
crédito em face da incidência das contribuições que permeia a cadeira produtiva.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE
APURAÇÃO PELA LEI Nº 9.363/96. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido apurável quanto à aquisição da energia elétrica como insumo para produção dos produtos destinados à exportação apenas se tornou possível com o advento da Lei nº 10.276/01 que criou um regime alternativo para apuração do crédito. Se a apuração for feita com base na lei antiga não
será possível a contabilização da energia elétrica.
CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. INSUMOS NÃO UTILIZADOS E
ESTOCADOS.
Só é possível a percepção do crédito presumido do IPI quanto aos insumos utilizados no processo de produção, haja vista que a finalidade da norma é desonerar a exportação das contribuições do PIS e da COFINS, de modo que o insumo não utilizado ainda não onerou as mercadorias exportadas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Aplicável a Taxa Selic, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, em razão da pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça explicitada em recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, que decidiu
ser aplicável ao ressarcimento o enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco".
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 3101-000.590
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI referente às aquisições de pessoas físicas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. A finalidade do crédito presumido de IPI é desonerar as exportações quanto ao PIS e a COFINS incidentes em toda cadeira produtiva das mercadorias industrializadas exportadas, sendo perfeitamente possível a percepção do referido crédito quanto às matérias-primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, dada a presunção do crédito em face da incidência das contribuições que permeia a cadeira produtiva. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO PELA LEI Nº 9.363/96. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido apurável quanto à aquisição da energia elétrica como insumo para produção dos produtos destinados à exportação apenas se tornou possível com o advento da Lei nº 10.276/01 que criou um regime alternativo para apuração do crédito. Se a apuração for feita com base na lei antiga não será possível a contabilização da energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. INSUMOS NÃO UTILIZADOS E ESTOCADOS. Só é possível a percepção do crédito presumido do IPI quanto aos insumos utilizados no processo de produção, haja vista que a finalidade da norma é desonerar a exportação das contribuições do PIS e da COFINS, de modo que o insumo não utilizado ainda não onerou as mercadorias exportadas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicável a Taxa Selic, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, em razão da pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça explicitada em recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, que decidiu ser aplicável ao ressarcimento o enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
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Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. A finalidade do crédito presumido de IPI é desonerar as exportações quanto ao PIS e a COFINS incidentes em toda cadeira produtiva das mercadorias industrializadas exportadas, sendo perfeitamente possível a percepção do referido crédito quanto às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, dada a presunção do crédito em face da incidência das contribuições que permeia a cadeira produtiva. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO PELA LEI Nº 9.363/96. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido apurável quanto à aquisição da energia elétrica como insumo para produção dos produtos destinados à exportação apenas se tornou possível com o advento da Lei nº 10.276/01 que criou um regime alternativo para apuração do crédito. Se a apuração for feita com base na lei antiga não será possível a contabilização da energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. INSUMOS NÃO UTILIZADOS E ESTOCADOS. Só é possível a percepção do crédito presumido do IPI quanto aos insumos utilizados no processo de produção, haja vista que a finalidade da norma é desonerar a exportação das contribuições do PIS e da COFINS, de modo que o insumo não utilizado ainda não onerou as mercadorias exportadas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 2 2 Aplicável a Taxa Selic, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão da pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça explicitada em recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, que decidiu ser aplicável ao ressarcimento o enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI referente às aquisições de pessoas físicas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).. Relatório Por bem tratar da matéria litigiosa, adoto o relatório lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá (fls.575/577): Trata o presente processo de análise de pedido de ressarcimento do protocolado em 13 de novembro de 2002, no valor total de R$ 1.006.475,88 conforme consta à fl 01 relativo ao período do 2° ao 4° trimestre do anocalendário de 1997. 2. Referido benefício fiscal se traduz no ressarcimento, ao produtor exportador, das contribuições PIS e a COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, de que trata a Lei 9.363 de 16 de dezembro de 1996, regulamentada pela Portaria MF n° 38 de 1996. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 3 3 3. Consta do processo, pedido de ressarcimento (11.01), cópia da Ata da 24ª Assembléia Geral Extraordinária (fls. 02/05), Ata da 39° Reunião do Conselho Administrativo fls(07/08), cópia do recibo de entrega do DCP dos 2°, 3° e 4° trimestres de 1997 (fls.11/13), cópia da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa emitida em 06/11/2002(11. 16), cópia do livro de apuração do IPI referente ao 1° decêndio do mês de dezembrodo ano de 2002(fls. 17/18) onde consta o estorno dos créditos relativos aos anoscalendário de 1997(R$1.324.373,51) e de 1998 (R$ 2.558.152,70), relação das matérias primas, produtos intermediários e matérias de embalagem 2° ao 4° trim/1997(fl. 19), relação dos produtos exportados 1° ao 4° trim/1997 (fl. 20), planilhas de cálculo do crédito presumido referentes ao ano calendário de 1997(fls.21/29), cópias das DIPJs, do ano de 2002(fls. 30/49), do ano de 2001 (fls. 50/70), do ano de 2000 (fls. 71/91) e do ano de 1999 (fls. 92/115), cópias dos Livros de Apuração do IPI de nº s 06, 07, 08 da matriz, de nº s 04, 05 e 06 da filial 0286(Paranacity) de n° 04, 05 e 06 da filial 03 67(Tapejara) de n° 02, 03 e 04 da filial 0448(Ivaté).4. Foram efetuadas as Intimações Fiscais (fls. 386/388 e 389/391), com os seguintes atendimentos (fls.3921427): a) Em atendimento, às Intimações Fiscais, a empresa apresentou: Termo fls. 392/393, para apresentar livros fiscais dos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000 em meio magnético e os livros de apuração do IN em seu formato original. Declara que os documentos que embasam os arquivos magnéticos encontramse a disposição da autoridade fiscal. Apresentou também cópias dos livros de apuração do IPI onde constam os estornos do crédito presumido do IPI. b) Em relação ao item 5 da Intimação Fiscal (fls.3861388) onde foi solicitada a apresentação de um arquivo magnético que relacione as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, subdivididos de acordo com os "centros de custos" que obedeçam ao processo produtivo. A empresa informa que não foi possível atender e solicita prazo de 30(trinta) dias, que foi concedido, de acordo com o termo lavrado na própria solicitação (fl.392). Este item apesar da solicitação e do consentimento da prorrogação do prazo, não foi atendido. Apresentou ainda a relação dos produtos industrializados para exportação(fl. 396) c) Esclarece ainda na sua resposta que não atendeu às solicitações constantes dos itens 8, 9 e 10 e solicita prorrogação, que foi concedida. em relação a estes itens foram atendidos os de números 8 e 9. Atendeu também à solicitação do item 12. d) Entre os documentos apresentados consta o demonstrativo, "DESCRIÇÃO DO PROCESSO AGROINDUSTRIAL DE PRODUÇÃO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL" (PLANTIO, TRATOS CULTURAIS, CORTE, CARREGAMENTO E TRANSFERÊNCIA ATÉ A INDÚSTRIA E PROCESSO DE FABRICAÇÃO) às fls. 409/458. e) Apresentaram ainda o "ANEXO 1— PRODUTOS CONSUMIDOS NO PROCESSO AGROINDUSTRIAL DA PRODUÇÃO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL" às fls.459/478. f) Ainda em atendimento à Intimação Fiscal apresentou o "ANEXO II — LISTA DE COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES, FLUÍDOS, PNEUS, CÂMARAS DE AR E DEMAIS MATERIAIS Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 4 4 RODANTES, PEÇAS DE REPOSIÇÃO E OUTROS DE MANUTENÇÃO DA FROTA PRÓPRIA" às fls.(479/514). g) Para atender à Intimação Fiscal de fls. 38/391, na qual é solicitada a apresentação dos arquivos magnéticos de acordo com o disposto na Portaria n° 13 de 28 de dezembro de 1995, ou, opcionalmente poderia utilizar o Programa Gerador de Declarações do Sistema de Coleta — PGD SINCO, por opção da empresa foi utilizado a opção de apresentação dos arquivos magnéticos através do programa "SINCO". 5. A partir da descrição do processo produtivo apresentado (fls 409/459) verificase que as etapas são as seguintes: Adequação e prepara do solo; Plantio de canadeaçúcar; Cultivo e tratos culturais na canadeaçúcar; Corte Carregamento e transporte; Fase:Industrialização (Aferição de sua massa; amostras para análise; transferência para a mesa alimentadora; dai a cana é transportada para a esteira de cana; dai a cana é conduzida para o picador, desfibramento e por fim a moagem). 6. A empresa foi intimada a apresentar os dados constantes dos livros de Entradas e Saídas, em meio magnético e elaborar um arquivo magnético que relacione as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, subdivididos de acordo com os "centros de custos" que obedeçam ao processo produtivo apresentado e acima relacionado. 7. Em sua resposta efetuada através dos documentos relacionados no item 5, letras a,b e c, estão descritos o processo produtivo, os produtos consumidos no processo agroindustrial e a lista de itens utilizados em sua frota própria. 8. A empresa deixou de elaborar os arquivos solicitados em Intimação Fiscal, especificando os itens efetivamente utilizados em cada etapa da produção bem como sua valoração. Em outras verificações efetuadas estes arquivos foram elaborados, separando as etapas em grupos onde constavam tanto os itens como os valores. 9. Conforme determinações contidas na Instrução Normativa n° 23 de 13 de março de 1997, que determina a obrigação da manutenção de memórias do cálculo do crédito presumido (art. 6°); uma vez que, como a empresa não possui o sistema de custo integrado, exigido pelo artigo 3°, deverá obedecer às determinações contidas nos parágrafos 6° e 7° do mesmo artigo 3°. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 5 5 O pedido de ressarcimento foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal em Maringá (fls. 575/584), sendo mantido apenas o crédito presumido percebido quanto à aquisição de matériaprima (canadeaçúcar) adquirida de pessoa jurídica, excluindose os valores relacionados à cana em estoque, logo, não utilizada no processo produtivo no período requerido. A Recorrente manejou Manifestação de Inconformidade (fls. 586/621), a qual foi julgada improcedente pela DRJRibeirão Preto/SP (fls. 653/663), segundo os fundamentos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA. A legislação referente o crédito presumido somente admite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na produção de canade açúcar, por se tratar de atividade agrícola. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais destinados ao ativo permanente e a energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão em 30/06/2009 (fls.668), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/07/2009 (fls. 667), aduzindo que: i) Cumpriu todas as intimações emitidas pela Fiscalização e que apresentou todos os documentos, entendendo que não pode ser penalizada pelo fato de a Fiscalização ter entendido insuficientes os documentos apresentados; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 6 6 ii) o objetivo do benefício do créditopresumido de IPI é a não exportação de PIS e COFINS incidente na cadeia produtiva, entendendo a Recorrente que é possível o creditamento quando os insumos são adquiridos de pessoa física; iii) não há vedação na Lei nº 9.363/96 quanto à possibilidade de creditamento relativo aos insumos adquiridos por pessoas físicas, defendendo o entendimento de que é inconstitucional a IN/SRF nº 23/97 quanto a essa restrição; iv) é possível o creditamento quanto aos insumos utilizados na produção própria da canadeaçúcar, argumentando que as contribuições incidem sobre a cadeia produtiva, onerando o produto final exportado; v) é possível a utilização dos créditos decorrentes da utilização dos materiais aplicados no processamento industrial da canadeaçúcar; vi) é possível o creditamento quanto aos insumos que estejam em estoque, argumentando que a IN/SRF nº 23/97 determina a exclusão do crédito decorrente de insumos utilizados em produtos não acabados ou produtos acabados mas não vendidos; vii) é possível o creditamento quanto à energia elétrica utilizada no processo produtivo; viii) as aquisições registradas segundo a CFOP 2.11 atendem às exigências da Portaria nº13 de 28/12/1995, que aprova o Manual para Apresentação de Arquivos Magnéticos tratada pela IN/SRF nº 68/95, entendendo a Recorrente que não estava sujeita ao registro segundo as regras do SINCO; ix) requer atualização dos créditos pela SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto à percepção do crédito presumido relativo aos insumos adquiridos de pessoa física, entendo possóvel. É fato incontroverso nos autos que a Recorrente é empresa industrial exportadora e que nos termos da Lei nº 9.363/96 foilhe reconhecido o direito ao ressarcimento Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 7 7 de PIS e COFINS, na forma de crédito presumido de IPI, uma vez que tais contribuições oneravam as aquisições realizadas no mercado interno e, embutidas no preço de compra, acabavam por compor o custo das mercadorias produzidas e exportadas. Percebese, desde já, que é elemento integrante da estrutura dessa contribuição social a exclusão de sua base de cálculo tributável o resultado das vendas destinadas ao exterior, sendo que literalmente a norma corrigiu uma irregularidade do passado, reconhecendo tal característica intrínseca tanto ao PIS como à COFINS, qual seja a não oneração das exportações. Ocorre que deixara de considerar o legislador que, sendo o PIS e a COFINS tributos que incidem cumulativamente sobre a cadeia produtiva, provocando o “efeito cascata”, os produtos exportados continuavam a ser majorados por tais tributos, pois permaneciam embutidos no custo de aquisição dos insumos utilizados. A sistemática do ressarcimento do ônus de PIS e COFINS embutidos no preço das aquisições de MP, PI e ME dos produtos destinados à exportação visa evitar a exportação de tributos, mas não constitui num incentivo fiscal, ou seja, não dá ao exportador uma ajuda financeira estatal ou subsídio, que, aliás, é vedado pelos acordos internacionais mantidos pelo Brasil. Resumese, simplesmente, numa forma de desoneração da exportação dessas contribuições que incidem na cadeia produtiva “em cascata”, isto é, cumulativamente. A desoneração tributária das receitas de exportação com visa de evitar a exportação de tributos foi instituída como direito do contribuinteexportador, desde a edição da Lei n° 7.714 de 29/12/88, que em seu art. 5° determinou que fosse excluída da receita operacional bruta o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais para efeito da determinação da base de cálculo de incidência da contribuição ao PIS/PASEP. Em relação à COFINS, com a edição da Lei Complementar n° 70 de 30/12/91, o seu art. 7° isentou da COFINS as receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, inclusive em situações equivalentes. Tal isenção foi regulamentada pelo Decreto n° 1.030 de 29/12/93. Em 15/02/96 foi editada a Lei Complementar 85/96, cujo art. 1° alterou o Art. 7° da já editada Lei Complementar 70/91, cujos efeitos retroagiram a 1º de abril de 1992, verbis: “Art. 1° O art. 7° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 7° São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I. de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II. de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III. de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 8 8 IV. de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V. de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI. das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” (...) Art. 2° Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1° de abril de 1992.” Com tais medidas, evitouse que o valor equivalente ao PIS/PASEP e COFINS fosse repassado nos preços de mercadorias destinadas à exportação, de forma que o evento “saída das mercadorias com destino à exportação”, ou sua respectiva receita, deixou de ser base de cálculo das contribuições acima mencionadas. Ou seja, das receitas decorrentes da atividade de exportação foram expurgados os valores equivalentes à cobrança das contribuições. Percebese, desde já, que é elemento integrante da estrutura dessa contribuição social a exclusão de sua base de cálculo tributável o resultado das vendas destinadas ao exterior, sendo que literalmente a norma corrigiu uma irregularidade do passado, reconhecendo tal característica intrínseca tanto ao PIS como à COFINS, qual seja a não onerar as exportações. Ocorre que, deixara de considerar o legislador que, sendo o PIS e a COFINS tributos que incidem cumulativamente sobre a cadeia produtiva, provocando o “efeito cascata”, os produtos exportados continuavam a ser majorados por tais tributos, pois permaneciam embutidos no custo de aquisição dos insumos utilizados. A “isenção” ou a não tributação da PIS/PASEP e COFINS somente estava operando efeitos legais quando da saída da mercadoria, mas, não quando da entrada das matériasprimas integradas aos produtos destinados à exportação. Ora, sendo a despesa com PIS/PASEP e COFINS uma parcela do custo de aquisição de matériasprimas, constante da formação do preço das mercadorias exportadas, que, em última análise, representa a receita de exportação não se pode admitir que tal receita contenha, na sua composição, qualquer parcela de PIS/PASEP e COFINS. Se assim não se entender, haverá a repercussão dos valores equivalentes ao PIS/PASEP e COFINS no preço final e, em consequência, na receita de exportação, que configura fato econômico, ou ainda, fato gerador desonerado da incidência do PIS/PASEP e da COFINS. Verificada a indevida oneração da receita de exportação, criou o legislador através, da Medida Provisória n° 674 de 25/10/94, um sistema de ressarcimento pelas perdas incorridas pelos contribuintes produtores e adquirentes de produtos destinados à exportação, mediante crédito fiscal. Mais tarde a Medida Provisória n° 948 de 23/03/95 determinou que tal crédito fiscal deveria ser feito através de um crédito presumido de IPI. Após seguidas reedições, a redação inicial da Medida Provisória n° 948/95 foi adotada pela Lei n° 9.363/96. Vejamos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 9 9 A MP 674/94, publicada no DOU de 26/10/94, inaugurou o reconhecimento ao ressarcimento ao produtor exportador das contribuições ao PIS e a COFINS que oneravam a exportação, nos seguintes termos, in verbis: “Art. 1° Fica instituído a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares ns. 7 (1), de 7 de setembro de 1970; 8 (2), de 3 de dezembro de 1970; e 70 (3), de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo.” Esta Medida Provisória foi reeditada 4 vezes nestes mesmos termos, tendo sido alterada apenas por ocasião da edição da Medida Provisória 948/95 de 23/03/95, publicada no DOU de 24/03/95, a qual passou a especificar que este crédito fiscal anteriormente conferido tratase de crédito presumido de IPI, in verbis: “Art. 1° O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7 (1), de 7 de setembro; 8 (2) de 3 de dezembro de 1970; e 70 (3), de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” A redação supra se repetiu em diversas outras medidas provisórias, a última n° 148427/96 foi adotada para o efeito de promulgação da Lei 9363 de 13/12/96, que dispôs, in literis: “Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7 (2), de 7 de setembro de 1970; 8 (3) de 3 de dezembro de 1970; e 70 (4), de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” O crédito presumido deve ser apurado aplicandose o percentual de 5,37% sobre o valor da base de cálculo determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produto exportador. Ou seja, aplicase 5,37% sobre o valor das aquisições de insumos que forem proporcionais às receitas de exportação. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 10 10 A legislação em questão prevê, ainda, em sendo comprovada a impossibilidade de utilização do crédito presumido, em compensação do IPI devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, o ressarcimento em moeda corrente, o que é o objeto do presente pedido. Assim, criou o legislador uma ficção jurídica pela qual os valores equivalentes ao PIS/PASEP e COFINS deixam de ser considerados como sendo tributos diretos de responsabilidade do produtor exportador ou da empresa comercial exportadora, e passam a ser tributos indiretos de responsabilidade do consumidor interno nacional, contribuinte de fato do IPI, por força do procedimento de compensação que o legislador criou, para o efeito de ressarcir as despesas com o PIS/PASEP e COFINS. Logo, desde o momento em que as receitas de exportação foram desoneradas da incidência das contribuições em questão, a desoneração em exame deve se aplicar tanto para o efeito da saída das mercadorias quanto para o efeito da entrada de matériasprimas destinadas à exportação. Em suma, a partir da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito ao PIS/PASEP, e da Lei Complementar n° 70/91, no que diz respeito à COFINS, as receitas de exportação foram desoneradas da incidência das respectivas contribuições, de forma que a repercussão de tais contribuições, através da inclusão dos respectivos valores nos preços de aquisição de matérias primas, acarretou danos que somente passaram a ser ressarcidos a partir da MP 674/1994 e MP 948/1995 em forma de crédito presumido de IPI. Há que se deixar claro que o objetivo buscado pela MP 674/94 e 948/95 conforme se pode verificar pelas Exposições de Motivos abaixo transcritas foi compensar o exportador dos valores das contribuições ao PIS e das parcelas da COFINS os quais oneraram os insumos e as mercadorias empregadas na fase produtiva dos produtos exportados, in verbis: “E.M. n° 345/94A Brasília, 25 de outubro de 1994. Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Submeto à elevada consideração de Vossa Excelência projeto de Medida Provisória que institui mecanismo de ressarcimento das contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, incidentes sobre matériasprimas, materiais de embalagens e produtos intermediários diretamente empregados na fabricação de produtos industrializados e semiindustrializados remetidos para o exterior. 2. Conforme é do conhecimento de Vossa Excelência, a desoneração dos tributos indiretos incidentes sobre as exportações é uma das práticas permitidas pelo GATT e, por isso, o instrumento mais amplamente empregado por todos os países que buscam ampliar os mercados para as suas produções nacionais. 3. No sistema tributário brasileiro coexistem basicamente dois tipos de tributos indiretos que incidem sobre tais operações: a) aqueles que incidem sobre o valor adicionado, como o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e b) aqueles que incidem “em cascata”, como as contribuições sociais em tela. 4. A desoneração do IPI sobre as exportações, assegurada por determinação constitucional, tem sido viabilizada pela própria técnica do imposto, que permite assegurar a manutenção do crédito incidente sobre as matériasprimas Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 11 11 empregadas na fabricação do produto exportado, sem a qual o benefício da Isenção na etapa final de exportação seria efetivamente menor. 5. Por outro lado, o Governo de Vossa Excelência vem, diante da importância vital das exportações para o crescimento do emprego, da renda e da manutenção da capacidade de importar do País, criando condições e estímulos para a expansão das vendas externas, cabendo mencionar a isenção da COFINS e PIS na etapa final da exportação. Porém, tal benefício, ainda que importante para as exportações, perde muito de sua força em decorrência da própria mecânica de incidência dessas contribuições que, ao contrário dos tributos sobre o valor adicionado, não permite que o montante despendido sobre as matériasprimas e produtos intermediários empregados na fabricação de um produto possa ser creditado contra os débitos registrados pelo faturamento desse bem. Desse modo, a contribuição vai se acumulando “em cascata” em todas as fases do processo produtivo. 6. Por essas razões, estou propondo o presente projeto de Medida Provisória, com o objetivo de desonerar também a etapa produtiva imediatamente anterior à exportação, da incidência daquelas contribuições, o que permitirá, no âmbito dos tributos indiretos federais, a eliminação quase total dessas incidências sobre as operações comerciais de vendas de mercadorias ao exterior. 7. Finalmente, destaco o caráter urgente e relevante da medida, devido à necessidade de indicar aos exportadores ações objetivas que estimulem a continuidade de suas operações com o exterior. Respeitosamente, CIRO FERREIRA GOMES (grifos acrescidos ao original) Do texto da Exposição de Motivos nº 345/94, podemos deduzir que: I. o direito ao ressarcimento foi instituído como forma de excluir do custo dos bens destinados à exportação a tributação pelo PIS e COFINS, direta e indiretamente; II. tais contribuições incidentes em todos as operações internas são cumulativas a cada etapa da cadeia produtiva provocando o fenômeno da incidência em “cascata”. A Exposição de motivos nº 120/95, por sua vez contempla: “E.M. n° 120 Em, 23 de março de 1995. Excelentíssimo Senhor Presidente da República, A Medida Provisória n° 905, de 21 de fevereiro de 1995, dispôs sobre a desoneração fiscal da COFINS e PIS/PASEP incidente sobre os insumos, objetivando possibilitar a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, dentro da premissa básica da diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. Em seu elemento motriz, a proposta em comento dispunha que sobredita desoneração deveria ser feita mediante ressarcimento em dinheiro desses encargos a favor do produtor exportador nacional. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 12 12 2. Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%, atenuando ainda mais a carga tributária incidente sobre os produtos exportados, e se revelando compatível com a necessidade de ajuste fiscal. 3. Por outro lado, as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional demonstram que, em lugar do ressarcimento da natureza eminentemente financeira, melhor e de efeitos mais imediatos será que o exportador possa compensar o valor resultante da aplicação da alíquota com seus débitos de IPI, recebendo em espécie apenas a parcela que exceder o montante que deveria ser recolhido a esse título. Daí a opção pela concessão de um crédito presumido do IPI, no montante equivalente à aplicação da alíquota de 5,37% sobre os insumos e material de embalagem que compõem o produto exportado, mantido o mesmo critério de apuração anteriormente previsto, ou seja, a parcela das aquisições na mesma proporção entre a receita de exportações e a receita operacional bruta do exportador. 4. Não é demais lembrar que é preservada a possibilidade de recebimento em moeda por parte do exportador quando, comprovadamente, não for possível a utilização exclusiva da sistemática de compensação própria do IPI, como, por exemplo, no caso de empresa com predominância de vendas externas, que pouco terá que recolher relativamente ao IPI incidente sobre as vendas que realizar no mercado interno. 5. Por outro lado, na versão ora editada, buscase a simplificação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fruir o benefício, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em foco. 6. Finalmente, propõese a declaração de insubsistência dos atos praticados com base nas Medidas Provisórias anteriores, plenamente justificável, na medida em que as necessidades de controle de sistemática sugerida recomendam que a fruição do benefício somente ocorresse a partir de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Respeitosamente, PEDRO SAMPAIO MALAN Ministro de Estado da Fazenda (grifos acrescidos ao original) Também da Exposição de Motivos nº 120/95, podemos extrair conclusões relevantes a respeito do intuito do legislador e do conteúdo e alcance da norma expedida: 1. que o intuito é de não devem ser exportados tributos e portanto é imperativa a exclusão das contribuições em cascata que compõem o custo das aquisições dos insumos dos produtos destinados à exportação; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 13 13 2. que, inobstante o número de etapas havidas na cadeia produtiva dos bens destinados à exportação, fixarseia o índice de 5,37% que representa a incidência de PIS e COFINS em duas etapas antecedentes; 3. que tal índice somente se justifica se considerado como uma média ponderada do número de etapas dos insumos que compõem produtos exportados. Podemos inferir, assim que não só o crédito de IPI é presumido, como também, é presumido o índice de aplicação sobre os insumos para obter tal crédito. Outra questão que aflora referese à obtenção da base em que será aplicada a alíquota presumida para cálculo do ressarcimento, ou seja, a relação entre receita bruta e receita de exportação indica uma proporcionalidade entre os insumos adquiridos para compor o total dos produtos industrializados e os produtos industrializados destinados ao mercado externo. Essa fórmula fornece importantes subsídios interpretativos para aplicação das normas, como veremos adiante. Assim colocado o histórico da legislação atinente ao crédito presumido de IPI relativo ao ressarcimento do PIS/COFINS de insumos adquiridos para a industrialização de produtos destinados à exportação, cabe verificar a aplicação da norma ao caso concreto. Definidos estes parâmetros, foi editada a referida Medida Provisória criando o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens. Estes normativos jamais contiveram qualquer restrição quanto ao fato dos insumos estarem ou não sujeitos às contribuições, outorgando o credito presumido a todos os exportadores. Ressaltase que a Lei não estabelece limites à fruição do direito ao ressarcimento. A inexistência de restrição quanto à tributação ou não dos insumos, justificase pelo fato de que o crédito é destinado a ressarcir o PIS e COFINS de todas as operações da cadeia e não apenas da última, portanto, mesmo em caso de isenção para esta etapa, o produto adquirido esteve sujeito à contribuições nas etapas anteriores. No caso em tela, mesmo que as cooperativas e os produtores rurais, pessoas físicas, não estejam sujeitos à incidência de PIS e COFINS em suas operações de saída, quando estas pessoas adquiriram os insumos necessários à manutenção da lavoura de soja, estiveram sujeitas aos tributos, visto que o maquinário está sujeito à contribuição, o combustível para movimentar estas maquinas, também, é tributado e diversos outros insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas sofrem a incidência dessas contribuições. As sementes, os adubos, enfim, tudo que é necessário ao cultivo da soja está sujeito ao PIS e à COFINS. Mais do que isto, na cadeia produtiva destes insumos, também há operações anteriores e todas tributadas pelo PIS e pela COFINS. Se assim é de ser reconhecido o direito em relação às aquisições dessas pessoas. Primeiro, porque a metodologia adotada pela Lei, para possibilitar o ressarcimento das contribuições embutidas no custo de aquisição de insumos, considerou de forma aleatória o índice de 5,37%, que, apesar de representar numericamente a incidências dessas contribuições nas duas etapas antecedentes, é um percentual estipulado única e exclusivamente para viabilizar, essa metodologia. Não se trata aqui de fixação de índice como a outorga de um direito em relação às duas etapas antecedentes, mas de um valor que a lei elegeu como sendo suficiente para o ressarcimento – ainda que não seja. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 14 14 Se fosse diferente, o índice não seria fixado de forma aleatória, mas sim consideraria o número de etapas antecedentes para efetivamente mensurar o ressarcimento devido. Devese considerar que a legislação que criou o ressarcimento em comento, instituiu os créditos a partir de uma presunção legal, como fica evidente da simples leitura da ementa da Medida Provisória n.º 948/95: “Dispõe sobre a instituição de credito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS nos casos que especifica e dá outras providencias” Esta presunção legal que estabeleceu o crédito no percentual de 5,37% é notadamente uma presunção absoluta, não admitido qualquer ilação em sentido contrário (presunção juris et de jure). Tratandose de credito presumido outorgado em um percentual idêntico para todos os setores da economia, resta evidente que se trata de uma presunção absoluta, pois, do contrario, um exportador de produtos com alto grau de industrialização e várias etapas na cadeia produtiva, teria direito a um credito superior a 5,37%, desde que comprovado este fato. Mas esta hipótese não encontra amparo na Lei, nem tampouco a situação inversa adotada como razão de decidir pelo r. despacho recorrido. A presunção juris et de jure criada pela Lei 9.363/96 outorga aos exportadores (industria exportadora) o direito ao credito, independente de qualquer restrição relativa à tributação ou não dos produtos adquiridos. Portanto, a simples aplicação de uma das regras elementares de hermenêutica e suficiente para resolver a questão, visto que não fazendo o legislador a distinção, não cabe ao intérprete distinguir. Segundo, ainda que fosse o índice um ícone da fixação de um direito a ressarcimento relativo ao PIS e à COFINS pagos nas duas etapas antecedentes, voltaríamos a questão de que tanto as Cooperativas como as Pessoas Físicas, estiveram sujeitas à tributação do PIS e da COFINS dos insumos que adquiriram para produção de suas mercadorias. E, assim, se for possibilitada a abertura do comando legal para reduzir o direito da Impugnante, romperseá a estrutura procedimental criada pela norma para viabilizar o ressarcimento. D’outro lado, poderseia pleitear o alargado número de etapas antecedentes para cômputo do PIS e da COFINS a que se teria direito ao ressarcimento. Contudo, não é isso que se quer. A Impugnante pleiteia a execução e aplicação da norma jurídica de forma veiculada, pela qual evidenciase que o fato da última operação ser ou não tributada é irrelevante para a outorga do benefício, pois o escopo do legislador foi desonerar as exportações e não apenas a última etapa. Ocorre, no entanto que, em sentido contrário à norma legal, foram editadas as Instruções Normativas SRF n.ºs 23/97 e 103/97, subvertendo o benefício fiscal em comento, ao determinar a exclusão do cômputo dos créditos do montante relativo à aquisição de mercadorias de produtores rurais pessoas físicas e cooperativas, sob a justificativa que estes fornecedores não estão sujeitos ao PIS e COFINS. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 15 15 Mister trazer a colação o referido dispositivo (IN SRF 23/97) que, contrariando literal dispositivo de lei, “criou” a restrição em comento: “Art. 2.º Fará jus ao credito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1.º .... § 2.º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2.º da Lei 8023 de 12 de abril de 1990, utilizado como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” São dispensáveis maiores conhecimentos jurídicos para vislumbrar a nítida incompatibilidade entre o texto da Instrução Normativa e o teor das Medidas Provisórias. Tão simples como a identificação do problema é sua solução, pois, evidentemente, deve prevalecer a norma hierarquicamente superior. O Sistema Tributário Nacional, estruturado na Constituição Federal e consagrado no Código Tributário Nacional, veda que norma inferior possa alterar dispositivos de norma superior. Ainda que no intuito de regulamentar a execução dos direitos e deveres estampados na Lei, uma Instrução Normativa não pode dar interpretação restritiva ou ampliativa à lei a qual se submete, vez que, ocorrendo, ofende o princípio da estrita legalidade, o princípio da hierarquia das normas e o princípio da vinculação da administração à lei. Não havendo duvidas quanto à prevalência das disposições da Medida Provisória, que tem força de Lei desde a sua edição, sobre as normas criadas por normativos oriundos do Poder Executivo, que devem ser editadas apenas para regulamentar a lei, devese destacar outro aspecto constitucional de fulcral importância à analise do caso em tela, insculpido no inciso I, do artigo 150 da Lei Maior. É certo que a competência tributária outorgada pela Constituição às pessoas de direito constitucional, reserva a elas prerrogativas necessárias ao exercício da função tributante, mas, em contra partida estabeleceu limites rígidos à atuação do Estado com o fim de preservar as garantias individuais. Daí, porque, a relação jurídica tributária possui uma definição rígida nos limites impostos estabelecidos em LEI, não sendo lídimo criar qualquer obrigação por normativo inferior, por meio do exercício atípico de legislar. Portanto, os termos das Instruções Normativas n.ºs 23/97 e 103/97, que determinam restrições não previstas em lei, não devem ser considerados na solução do caso em tela, visto que manifestamente ilegais. Faço referência a trecho do Voto do Ilustre e Saudoso Conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira, que sustentou o v. Acórdão nº 20209865, proferido pela então 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a justa interpretação em relação ao assunto: “Aqui, também, como argumenta a Recorrente, e como se acha justificado na própria EM que encaminhou a MP em questão, essas contribuições incidem em cascata, assim, mesmo os insumos delas isentos na última aquisição, como no presente caso, já trazem embutidos no seu custo parcelas da COFINS e Fl. 15DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 16 16 do PIS que incidiram em fases anteriores, da cadeia de comercialização, portanto, os insumos (sementes, fertilizantes, herbicidas, ração, etc.) utilizados pelos produtores rurais, cooperativas e mesmo pessoas físicas, para produção e beneficiamento de seu produto, por ela adquirido, ou mesmo produzido, sujeitaramse efetivamente a essas contribuições, em fases anteriores de sua comercialização, o que onerou o seu preço final de aquisição, pelo produtorexportador. ... Ou seja, a base de cálculo do crédito presumido do IPI em questão será o montante do valor de todos os insumos e material de embalagem que compõem a mercadoria exportada, como é explicitado no item 3 da EM do Ministério da Fazenda, que instrui a Medida Provisória nº 948/95, na qual é dito: ‘Daí a opção de um crédito presumido do IPI no montante equivalente à aplicação da alíquota de 5,37% sobre os insumos e material de embalagem que compõem o produto exportado’ ... A base de cálculo desse incentivo, portanto, sendo de conformidade com o mencionado ato ministerial, o valor total dos insumos que compõem a mercadoria exportada, engloba tanto os insumos adquiridos de contribuintes das citadas contribuições sociais, como os adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. ... E onde a lei não distingue, ao intérprete não é dado distinguir.” A decisão colegiada foi assim ementada: “IPI COFINS PIS/PASEP CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI COM RESSARCIMENTO As contribuições sociais, por incidirem em cascata, oneram as várias etapas da comercialização dos insumos, por isso é que o seu custo se acha embutido no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo que não haja a incidência na sua última aquisição: daí a fixação de uma média percentual (5,37%), conforme esclarecido na EM que encaminhou a MP nº 948/95, justamente para o cálculo do crédito presumido, nessa hipótese.” E esse entendimento não é isolado em outras decisões do então Segundo Conselho de Contribuintes o reconhecimento ao ressarcimento de PIS e COFINS relativos a aquisições de pessoas físicas, cooperativas e energia elétrica (que será aborda mais adiante), é explícito, na Ementa do Acórdão nº 20209.744, de 09 de dezembro de 1998: COFINS E PIS/PASEP INCENTIVOS FISCAIS Ressarcimento do valor dos créditos presumidos , decorrentes das citadas contribuições sociais (MP nº 948/95 e sucessivas convalidações) A utilização da legislação do IPI, para efeitos Fl. 16DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 17 17 do conceito de “insumos” (matériasprimas) tem caráter subsidiário (supletivo, auxiliar), não prevalecendo sobre a conceituação genérica adotada na ciência econômica. Energia elétrica, combustíveis e lubrificantes se incluem entre as matériasprimas, por participarem do processo industrialização, até mesmo à luz do art. 82, inciso I, do RIPI. Também as aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, não contribuintes das contribuições em causa, dão direito ao crédito presumido, considerandose que, em etapas anteriores, oneram, em cascata, o custo do produto a ser exportado e têm sua incidência embutida nas operações anteriores (v. EM que encaminhou a MP nº 948/95)....” Vencida esta etapa, entendo, todavia, não assistir razão à Recorrente quanto à percepção dos créditos provenientes de insumos não utilizados e que permaneceram em seus estoques, bem como entendo ser improcedentes os créditos oriundos da aquisição de energia elétrica. Andou bem a DRJ ao argumentar que: O valor dos insumos aplicados na industrialização deve ser apurado com base em sistema de custo integrado. Quando não disponível o referido sistema, conforme determina o art. 3°, parágrafo 7°, da IN SRF n° 23/1997, o cálculo dos insumos utilizados na produção deve ser realizada somandose o estoque inicial dos insumos e as quantidades adquiridas, excluindose o estoque final. Ora, como exaustivamente discutido até o momento, a finalidade da concessão do créditopresumido do IPI é desonerar as exportações da incidência em cascata das contribuições do PIS e da COFINS, de modo, que se torna conditio sine qua non a existência de um produto final a ser destinado à exportação e que ele tenha sido produzido a partir dos insumos dos quais se requer o crédito resultante da incidência das referidas contribuições. Desse modo, a Recorrente não faz jus ao crédito quanto aos insumos não utilizados e estocados em seu estabelecimento, uma vez que não houve a exportação que complementa o requisito material do benefício. Quanto à energia elétrica, também posicionome contrariamente à pretensão da Recorrente, isso porque a utilização dessa espécie de insumo só foi possível com o advento da Lei nº 10.276/01, que alterou o regime de apuração do crédito presumido do IPI e possibilitou a inclusão da energia elétrica utilizada na produção. Como o regime de apuração neste caso se dá pela Lei nº 9.363/99, entendo pela impossibilidade da inclusão da energia elétrica, como pretende a Recorrente. Vejamos as diferenças entre as normas: Texto da Lei nº 9.363/99: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 18 18 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.[grifamos e destacamos] Texto da Lei 10.276/01: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. [grifamos e destacamos]. É evidente a impossibilidade de a Recorrente incluir a energia elétrica no cômputo da apuração do crédito presumido de IPI no regime de ressarcimento de PIS e COFINS adotado. Quanto à questão da classificação dos insumos adquiridos pela Recorrente segundo o sistema SINCO, entendo também não lhe assistir razão, haja vista que a questão não está na inadequação da declaração segundo o sistema informado, mas sim na ausência de detalhamento das mercadorias classificadas segundo a CFOP 2.11 e descrita apenas e tão somente como “compras para industrialização”, o que é insuficiente para fins de comprovação para percepção do crédito presumido de IPI. A identificação genérica impede a classificação como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e, portanto, podem não ser aquisições que podem ingressar na apuração do crédito presumido. No que tange a atualização do crédito a ressarcir, entendo aplicável a Taxa Selic em razão da pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça explicitada em recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, que decidiu ser aplicável ao ressarcimento o enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Assim, por força do art.62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, é imperiosa a atualização do quantum a ressarcir desde a data do pedido até a efetiva restituição. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 19 19 Ademais, cumpre destacar que o crédito de natureza escritural tem a finalidade de viabilizar o princípio da nãocumulatividade, de modo que o contribuinte que tem o direito ao credito presumido de IPI escriturao da mesma forma que os créditos decorrentes da aquisição de matériaprima, material de embalagem ou produto intermediário, que tenham sofrido a incidência do IPI. Tais créditos participam da apuração do imposto devido por meio da compensação, ou seja, do montante de “débito escritural” devido em face da ocorrência do fato gerador, pela saída do produto industrializado do estabelecimento do contribuinte, deverá deduzido (compensado) os créditos escriturais advindos das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como os créditos presumidos. Dessa operação de compensação poderá exsurgir um débito escritural – que automaticamente se transformará em crédito tributário a ser recolhido pelo contribuinte (imposto a pagar) – ou um crédito escritural – o qual se denomina “saldo credor de IPI” passível de compensação no período de apuração subseqüente e, mantido ao final do trimestre passível de ressarcimento (indébito) por meio de pedido formulado à Receita Federal. É de notarse que o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito tributário transformese em crédito escritural – por meio do destaque do imposto na nota fiscal de saída e conseqüente ingresso no estabelecimento industrial do adquirente , aquele imposto devido pelo fornecedor passa a ser direito creditório escritural pelo adquirente contribuinte do IPI. Assim é a aquisição de um produto tributado que confere ao industrial submetido à tributação do IPI o direito ao crédito escritural. Da mesma maneira, o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito escritural transformese em “crédito tributário” (imposto devido) ou “indébito tributário” (saldo credor de IPI à ressarcir) , ou seja, direito creditório que o contribuinte tem em face do Fisco por acúmulo de saldo credor na conta gráfica: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Fl. 19DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.005997/200289 Acórdão n.º 310100.590 S3C1T1 Fl. 20 20 Ora, dado o fato de o contribuinte acumular saldo credor no trimestre, deve ser o direito ao ressarcimento, instrumentalizado pelo pedido de compensação ou pelo pedido de ressarcimento/restituição. Os aspectos temporal, espacial e material da norma de incidência que confere a transformação da natureza jurídica do crédito escritural em direito creditório tributário contra o Fisco, se revelam no exato momento em que o contribuinte protocoliza seu pedido de ressarcimento/restituição/compensação. Nesse instante, aquilo que era crédito escritural passa a ser um dever que o Fisco tem de adimplir: a restituição ou compensação. É a partir daí que o dever de restituir impõe ao Fisco as regras gerais das relações jurídicas, inclusive o dever de atualizar e remunerar os valores que congregam suas obrigações de pagar. No âmbito das relações jurídicas, não há como conceberse que alguém que esteja sob a imposição legal do dever de pagar fique livre para exercer essa obrigação quando melhor lhe prouver. O credor de qualquer relação jurídica não pode ficar submetido à vontade do devedor para ver satisfeito seu direito. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para declarar a possibilidade de percepção do créditopresumido de IPI quanto às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas adquiridos de pessoas físicas e, na parte procedente, voto pela atualização monetária dos créditos segundo a variação da SELIC. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 2010 Luiz Roberto Domingo Fl. 20DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005817/2002-96
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COFINS. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial no tocante à COFINS é de dez anos, em obediência ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, consoante
reiteradamente decidido no âmbito deste Conselho.
COFINS. BASE DE CALCULO. INCLUSÕES INDEVIDAS.
A indicação genérica de receitas que não integrariam a base de
cálculo não pode ser acolhida, mormente -' quando não se
vislumbram tais inclusões nos demonstrativ6S elaborados pelo
fisco.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 204-00.133
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : COFINS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial no tocante à COFINS é de dez anos, em obediência ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, consoante reiteradamente decidido no âmbito deste Conselho. COFINS. BASE DE CALCULO. INCLUSÕES INDEVIDAS. A indicação genérica de receitas que não integrariam a base de cálculo não pode ser acolhida, mormente -' quando não se vislumbram tais inclusões nos demonstrativ6S elaborados pelo fisco. Recurso a que se nega provimento
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Recorrente : MAROCA & RUSSO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG 22 CC- M F FL MINISTÉRIO DA FAZENDA Segunda Conselho de Contribuintes Publicado no Dario Oficial da União De / kg- / COFINS. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial no tocante ã COFINS é de dez anos, em obediência ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, consoante reiteradamente decidido no âmbito deste Conselho. COFINS. BASE DE CALCULO. INCLUSÕES INDEVIDAS. A indicação genérica de receitas que não integrariam a base de cálculo não pode ser acolhida, mormente -' quando não se vislumbram tais inclusões nos demonstrativ6S elaborados pelo fisco. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MAROCA & RUSSO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2005 4, .,,,....,, ,n-<E.7,, enrrque Pinheiro rres Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. Imp/fclb 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n 10680.005817/2002-96 Recurso : 127.105 Acórdão n2 : 204-00.133 2° CC-NIF Fl. Recorrente : MAROCA & RUSSO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos de que trata o processo, adoto o sucinto Relatório da decisão recorrida a seguir reproduzido. Lavrou-se contra a contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração de (fls. 06 a 14), relativo a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, totalizando um crédito tributário de R$19.222,67, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de 01/1996 a 03/2000 (fls. 09/11). A autuação ocorreu em virtude de divergências no recolhimento da contribuição nos citados períodos, tendo a fiscalização efetuado o lançamento das diferenças entre a contribuição devida e a declarada ou recolhida, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 e demonstrativos de fls. 27/30. Assim, foi efetuado o levantamento dos valores devidos, conforme os referidos quadros demonstrativos, levantamento esse baseado nas planilhas de valores informados à SRF (fls. 17/21). Como enquadramento legal, citam-se os artigos 1°e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e suas reedições. lrresignado, tendo sido cientificado em 17/04/2002 (fl. 06), o autuado apresentou, em 17/05/2002, acompanhadas dos documentos de fls. 56/73, as suas razões de discordância (fls. 52/55), assim resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, argüi a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de 01/1996 a 09/1996, firmando o entendimento de que deve ser observado o prazo qüinqüenal previsto no art. 173 do CTN, razão pela qual operou-se a decadência relativamente aos mencionados períodos, devendo, portanto, ser extinto o crédito tributário. Transcrevendo o conceito de faturamento adotado para a contribuinte em foco, assevera que as demais receitas não ligadas ci atividade da empresa devem ser excluídas da base de cálculo, conforme relaciona, salientando que, não obstante o fato de todos os valores terem sido declarados e recolhidos, a fiscalização não considerou as parcelas que deveriam ser excluídas, não identificando a sua origem e efetuando o lançamento ent desobediência à legislação, pelo, que, por não satisfazer as exigências legais, este deve ser nulo de pleno direito. Prosseguindo em seu arrazoado, insurge-se contra a possibilidade de aplicar-se tanto a taxa Selic como taxa de juros, quanto a multa proporcional, porquanto exorbitantes, eis que ferem os mandamentos da Constituição Federal. Por fim requer seja cancelado e arquivado o presente Auto de Infração. • Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10680.005817/2002-96 Recurso n2 : 127.105 Acórdão re- : 204-00.133 2,2 CC-MF FL A decisão unânime da DRJ Belo Horizonte, ora recorrida, foi ementada da seguinte forma: Assunto: Contribuição Par o Financiamento da Seguridade Social — COFINS Período de Apuração: 31/1/1996 a 31/3/2000 Ementa: 0 prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social (10 anos) — entre elas a Cofins — encontra-se fixado em lei. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. As multas de oficio são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o reconhecimento de sua inconstitucionalidade. Lançamento Procedente. Inconformado com esta decisão, recorre o autuado a este Conselho repetindo os argumentos aduzidos na pega impugnatória, destacando a não incidência da contribuição sobre as receitas de aluguel quando a pessoa jurídica não exerce a atividade de locação de imóveis e outras que não se ajustem h. atividade fim da empresa, não fazendo parte de seu objeto social Portanto, o presente recurso versa sobre: 1. decadência do crédito tributário referente aos períodos de apuração ocorridos entre janeiro e julho de 1996, acerca de que junta ementas de dois acórdãos da DRJ Belo Horizonte, um tratando de restituição de PIS e o outro que não indica qual tributo esta sendo discutido; e 2. inclusão na base de cálculo de receitas não ligadas h. atividade da empresa por ela listadas à fl. 3 de sua impugnação, correspondente à fl. 54 do processo. o relatório. i i Processo n2 : 10680.005817/2002-96 Recurso n2 : 127.105 Acórdão n2 : 204-00.133 I a-) Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes I-- -' 1 CC-MF 17 1. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Por isso, dele tomo conhecimento e passo a examinar separadamente os dois argumentos em que se assenta. 1. DECADÊNCIA A matéria decadência das contribuições sociais já suscitou grandes polemicas nesta casa. A primeira linha divisória a ser traçada diz respeito â aplicação do art. 173 aos tributos lançados por homologação. Entendem alguns que a regra estabelecida pelo § 4° do art. 150 do CTN é a que disciplina toda a matéria atinente â decadência desses tributos. Os que assim pensam relegam a aplicação do art. 173 do CTN, quando muito, aos casos em que se comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Digo quando muito porque ainda há os que acham que, neste último caso, não há prazo para o lançamento, e deste modo nenhuma aplicação reconhecem o art. 173 do CTN nos casos de lançamento por homologação. Firmada convicção neste sentido, o único que se tem de definir é se a alteração introduzida pelo art. 45 da Lei n° 8.212/91 é ou não constitucional. 0 aspecto de constitucionalidade ou não do art. 45 da Lei no 8.212/91 não pode ser, como reiteradamente afirmado pela jurisprudência tanto administrativa quanto judicial, definido no âmbito do Conselho. Entretanto, com a edição do Decreto n° 4.524/2002, j á não há necessidade de rediscutir a matéria, pois ali se confirma a plena eficácia daquele dispositivo, e, alem disso, expressamente se define sua aplicação também ao PIS. Sendo o Conselho de Contribuintes órgão da estrutura do Poder Executivo e tendo este expressado o seu entendimento oficial sobre o assunto, cabe ao Conselho o seu cumprimento, somente podendo dele se afastar em conseqüência de manifestação definitiva do Poder Judiciário que o modifique. De outra parte, há a corrente, â. qual me filio, que entende que a norma do § 4° do art. 150 do CTN só tem aplicação quando o contribuinte de fato antecipa o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa. De nada adianta, para efeito de homologação, que o sujeito passivo apure o valor devido e até mesmo o registre no livro ou documento próprio se não antecipa o pagamento sem o prévio exame pela autoridade administrativa, isto sim que caracteriza o lançamento por homologação, consoante textualmente define a cabeça do art. 150. Os que assim pensam reconhecem uma diferença essencial entre o ato de homologar, que exige o pagamento prévio, e a atividade de lançamento de oficio, inteiramente regulada esta última pelo art. 173 do CTN. Note-se, a esse respeito, que é a lei que insere um dado tributo na modalidade de lançamento por homologação. Haverá lançamento por homologação quando a lei exigir do contribuinte a antecipação do pagamento sem o prévio exame pela autoridade administrativa. Não é a atividade assim exercida pelo contribuinte que coloca o tributo no campo deste tipo de lançamento; ao contrário, o exercício dessa atividade coloca para o agente ativo da relação a obrigação de revisar, em prazo certo e fatal, o procedimento do contribuinte e dizer se está certo Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo le- : 10680.005817/2002-96 Recurso n2 : 127.105 Acórdão irg : 204-00.133 • f' 2L1 CC-N1F Fl. ou errado. Caso esteja errado, não homologá-lo e constituir, de ofício, o crédito correto. Para tanto, a lei definiu o prazo de cinco anos contados do fato gerador. Portanto, o prazo assim definido é para a não-homologação, isto 6, o fisco só pode discordar do valor antecipado pelo contribuinte naquele prazo. Vencido o prazo, não é que se opere uma decadência, simplesmente não é mais possível rever o valor pago porque já se operou a homologação tácita. Nesta linha de raciocínio, sendo a matéria relativa a decadência, mesmo dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, disciplinada pelo art. 173 do CTN, é a este dispositivo, e não ao seu art. 150, que se dirige a alteração introduzida pelo art. 45 da Lei n° 8.212/91. E isto porque expressamente cuida ela do direito de constituir o crédito, isto 6, da decadência das contribuições para a seguridade social. Observe-se que haveria ainda uma terceira corrente, que considera a homologação regulada pelo art. 45 da Lei n° 8.212./91 mas a decadência regulada pelo 173 do CTN. Nesse caso tem-se a absurda, no meu entender, conclusão de que, havendo pagamento, o prazo para lançamento pelo fisco é o dobro do que seria no caso de ele não ocorrer. Assente nessas considerações, firmei a minha convicção de que nas contribuições para financiamento da Seguridade Social, aí incluído o PIS/PASEP, deve-se respeitar o prazo homologatório definido no art. 150 do CTN sempre que houver pagamento sem comprovação de dolo, fraude ou simulação. Nestes casos, portanto, o prazo é de cinco anos contados da data do fato gerador da obrigação tributária. Em qualquer outra hipótese (havendo pagamento com dolo fraude ou simulação ou na ausência de pagamento), é de decadência que se trata, e sendo assim o dispositivo regulatório é o art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Não obstante essa posição pessoal, tem a Camara Superior de Recursos Fiscais entendimento consolidado de que em qualquer caso, com ou sem pagamento, aplica-se à COFINS o prazo estabelecido pelo art. 45 da Lei n° 8.212/91, isto 6, de dez anos. Assim sendo, por economia processual, dobro-me àquele entendimento e voto por não reconhecer a decadência pleiteada, uma vez que o lançamento foi inteiramente notificado ao contribuinte em lapso temporal inferior a dez anos. 2. INCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITAS NAS BASES DE CALCULO Os demonstrativos elaborados pela fiscalização partiram das informações fornecidas pela própria empresa acerca das receitas apuradas mensalmente, prestadas nas "planilhas de valores informados", juntadas às fls. 17/21. A partir delas, elaborou a fiscalização as planilhas composição da base de cálculo — (apuração sintética) fls. 22/26 e demonstrativo de situação fiscal apurada, fls. 27/31. Nestes demonstrativos fica claro que a empresa declarou em DCTF nos meses objeto do lançamento valores inferiores aqueles que seriam devidos sobre a base de cálculo que ela própria considera correta e informou à fiscalização. Até dezembro de 1998, é possível observar que a empresa não vinha adicionando as receitas de prestação de serviços e a relativa à venda de sucata. A partir de fevereiro de 1999, as diferenças parecem se dever meramente a erros de cálculo no preenchimento das DCTF, de vez que na maioria dos meses os valores estão corretos, sendo a base de cálculo considerada pela fiscalização sempre aquela informada pela empresa, sem qualquer glosa de exclusão ou acréscimo de valor que não tenha sido por ela informado. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10680.005817/2002-96 Recurso n2 : 127.105 Acórd5o n2 : 204-00.133 2Q CC-MF Fl. Logo, não procede o argumento de que a fiscalização teria deixado de considerar exclusões devidas. Se isto ocorreu foi por parte da própria empresa, que deveria agora informar mensalmente os valores indevidamente não excluídos. Como se não bastasse isso, as receitas por ela listadas em sua defesa compõem, sim, a partir de fevereiro de 1999, as bases de cálculo da contribuição.0 argumento apenas aproveitaria ao contribuinte no tocante às receitas não decorrentes de venda de mercadorias eiou prestação de serviços nos meses anteriores a fevereiro de 1999. A análise das planilhas elaboradas pela fiscalização não indica que tais receitas tenham sido incluídas. Caberia ã empresa tal demonstração, o que não fez. Por conseguinte, não tendo a empresa demonstrado mês a mês qual valor teria sido indevidamente incluído na base de cálculo, rejeito também este argumento. Assim, nego provimento ao recurso interposto. como voto. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2005 JU 0 CÉSAR ALVES'AMOSx 6
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Numero do processo: 10283.001484/99-98
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRÊMIO DO IPI.
PRESCRIÇÃO.
Não se tratando de repetição de indébito, mas sim de divida da
União para com a contribuinte o prazo para que se possa pleitear o ressarcimento de créditos prêmio do IPI prescreve em cinco anos contados da data da efetiva exportação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.172
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 0 Conselheiro Flávio de SA Munhoz declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Recorrida : DRJ em Recife - PE IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRÉMIO DO IPI. PRESCRIÇÃO. Não se tratando de repetição de indébito, mas sim de divida da União para com a contribuinte o prazo para que se possa pleitear o ressarcimento de créditos prêmio do IPI prescreve em cinco anos contados da data da efetiva exportação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ENGEPACK EMBALAGENS DA AMAZÔNIA LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 0 Conselheiro Flávio de SA Munhoz declarou-se impedido de votar. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2005 He que Pinheirci orr6P Presidente aW.:9 4 ta Rela ora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio Cesar Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. Imp/fclb 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 10283.001484/99-98 Recurso : 126.002 Acórdão n's : 204-00.172 CC-MF Fl. VISTO Recorrente : ENGEPACK EMBALAGENS DA AMAZÔNIA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de compensação de débitos da COFINS e do PIS próprios da requerente com créditos do IPI transferidos a ela pelas empresas PRONOR PETROQUÍMICA S/A e NITROCARBONO S/A relativos As exportações realizadas no período de 10/88 a 10/90, com base no art. 1' do DL n° 491/69, art. 3° do DL n° 1248/72 e art. 1 0, § 1° da Lei n° 8.402/92, qual seja do beneficio denominado crédito-prêmio do IPI. O pedido foi indeferido pela DRF em Manaus — AM sob o argumento de que: as normas especificas aplicadas ao crédito-prêmio do IPI asseguravam seu gozo aos fabricantes- exportadores comprometidos com a execução do programa de exportação (BEFIEX), durante o prazo nele previsto, vedada a transferência de crédito de um estabelecimento para outro; na época das citadas operações o beneficio já havia sido extinto; intempestividade do pleito uma vez transcorrido cinco anos da data das exportações, conforme Parecer CST n° 515/71. Inconformada a contribuinte apresenta impugnação alegando em sua defesa em síntese: 1. ilegalidade das portarias do Ministro da Fazenda que modificaram e extinguiram o credito-prêmio do IPI, pois desrespeitaram princípios constitucionais da legalidade e indelegabilidade de funções. Cita acórdão do TRF da 4a Região, ementas do STF e cita doutrina; 2. alega que o prazo para pleitear a recuperação do credito-prêmio do IPI teve inicio com a decisão do STF, datada de 26/11/2001, que declarou inconstitucional a norma que autorizou o Ministro da Fazenda a aumentar ou reduzir o beneficio ern questão, ou se assim não for entendido a prescrição só ocorreria 10 anos após a ocorrência do fato gerador, já que o IPI é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação; 3. tece comentários acerca da possibilidade de a Administração manifestar-se sobre aplicação de normas inconstitucionais; e 4. a transferência de crédito está expressamente prevista no DL n° 491/69 e normas que o regulamentou. A DRJ em Recife/PE, em obediência ao disposto na IN SRF n° 226/2002, indeferiu sumariamente a solicitação. Após ciência da referida decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial. o relatório. 2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : Recurso n' : Acórdão : 10283.001484/99-98 126.002 204-00.172 , •1 2" CC-NIF Fl. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA 0 recurso encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Antes de qualquer outra manifestação por parte deste Colegiado é preciso analisar a questão da prescrição aplicada pela DRF em Manaus - AM. No que diz respeito A. prescrição aplicada pela autoridade a quo é de se observar que o pedido de ressarcimento foi protocolado na repartição fiscal em 10/03/99, e os créditos a que se refere o pedido são oriundos de operações realizadas entre 1988 e 1990. Assim, o pedido foi protocolado após o decurso do prazo de cinco anos contado da data das efetivas operações de exportações geradoras dos pretensos créditos a serem utilizados na compensação. Havendo controvérsia sobre prescrição, o que, em se confirmando esta, tem-se por prejudicada a análise do direito ao ressarcimento pleiteado, faz-se então necessário examinar, primeiramente, predita questão. 0 caso ora em análise, trata de suposto direito credit6rio que a reclamante alega haver para com a Fazenda Pública decorrente de incentivo fiscal As exportações denominado credito-prêmio do IPI. No momento não cabe a discussão sobre o mérito propriamente dito da pretensão deduzida pela reclamante, mas como dito linhas acima, sobre o efeito da inércia da interessada que deixou transcorrer o prazo de 05 anos entre a ocorrência das exportações geradoras dos créditos requeridos e a data de protocolização do pedido a eles inerente. O beneficio encontra-se intimamente vinculado A efetiva exportação dos produtos industrializados, razão pela qual é preciso que a exportação efetivamente tenha ocorrido quando da solicitação do ressarcimento do tributo pelo contribuinte A SRF. A intenção de exportar, ainda que futuramente, não se traduz em realidade fAtica. Tal exportação, não concretizada poderia se realizar ou não em momento futuro. No caso do presente beneficio fiscal, a condição para que se possa usufruí-lo é a exportação do produto fabricado. Veja-se que os créditos do IPI em questão são aqueles relativos aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados. Todavia nos autos consta que as exportações geradoras dos créditos que a reclamante pretende ver ressarcido ocorreram entre os períodos de apuração compreendidos entre 1988 a 1990, inclusive. 0 pedido a eles inerentes deveria ter sido protocolados na repartição fiscal antes do decurso do prazo qüinqüenal, ou seja, para o primeiro período, o pedido deveria haver sido requerido até outubro/93 e, assim sucessivamente, sendo que o último período haveria de ter sido requerido até outubro/95. Como a interessada somente protocolou, na repartição fiscal, o pedido de ressarcimento de tais créditos em 10/03/99, não há como negar que nessa data o direito de requere-los já prescrevera. Em se tratando de ressarcimento de crédito-prêmio do IPI é de se verificar que este ressarcimento representa uma divida da Unido para com a contribuinte. Neste caso, a norma aplicável ao caso desloca-se do Código Tributário Nacional (art. 165) para o Decreto n° 20.910, if 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10283.001484/99-98 Recurso n' : 126.002 Acórdão : 204-00.172 2° CC-MF FL de 06 de janeiro de 1932, o qual dispõe em art. 1° que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato jurigeno. In literis: Art. I° As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram. Este entendimento já era esposado pela Coordenação do Sistema de Tributação (CST), que em caso semelhante, por meio do Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, assim se manifestou: Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma divida da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamá-lo, a norma especifica do art.1° do Dec. n°20.910, de 06.01.32, que afixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico art. 6 ° do mesmo diploma. 6-1 5. No caso do art. 30, incisos I a V do RIPI, o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos ali indicados, no estabelecimento, acompanhados da respectiva Nota Fiscal... Por outro lado, a jurisprudência trazida pela Reclamante não serve como parâmetro para o caso ora em exame, haja vista as decisões transcritas versarem sobre prazo de restituição de tributo pago a maior ou indevidamente, onde o prazo para repetição do indébito, no caso de autolançamento, somente começaria a fluir a partir da homologação. 0 caso em exame trata de ressarcimento de incentivo fiscal denominado crédito-prêmio do IPI, portanto, inexiste lançamento a ser homologado. Dai ser totalmente inaplicável à questão aqui tratada a jurisprudência trazida pela reclamante. Quanto A. contagem do prazo a partir da manifestação do STF no RE —186623/RS, datada de 26/11/2001 é de se verificar que tal posicionamento foi exarado no controle difuso de constitucionalidade, razão pela qual só tem alcance entre as partes. Embora tal decisão tenha sido exarada pelo órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, os efeitos daquela declaração de inconstitucionalidade em comento, quando de seu trânsito em julgado, somente surtiu efeitos para as partes envolvidas naquela lide, pois promovida pela via de exceção. 1 I "8. 0 sistema brasileiro de controle da constitucionalidade das leis Temos no Brasil duas sortes de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de exceção e o controle por via de ação. Em nosso sistema constitucional, o emprego e a introdução das duas técnicas traduzem de certo modo uma determinada evolução doutrinária e institucional que não deve passar desapercebida. Com efeito, a aplicação da via de exceção, unicamente pelo recurso extraordinário, a principio, e a seguir também pelo mandado de segurança, configura o momento liberal das instituições pátrias, volvidas preponderantemente, desde a Constituição de 1891, para a defesa e salvaguarda dos direitos individuais. (.--) CI controle por via de exceção é de sua natureza o mais apto a prover a defesa do cidadão contra atos normativos do Poder, porquanto em toda demanda que suscite controvérsia constitucional sobre lesão de direitos individuais estará sempre aberta uma via recursal A parte ofendida. (..-) ./77' 4 •Len Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo le : 10283.001484/99-98 Recurso n' : 126.002 Acórdão : 204-00.172 CC-MF Fl. E nesses termos, já dissertava e interpretava Rui Barbosa sobre o tema, ao afirmar que decisões proferidas pela via de exceção " deveriam adotar-se 'em relação a cada caso particular, por sentença proferida em ação adequada e executável entre as partes "'.2 Na sistemática constitucional brasileira vigente, a declaração de inconstitucionalidade definitiva e em grau de Recurso Extraordinário, como na hipótese de que se está tratando, somente pode surtir efeitos inter partes3 , e, não, erga omnes, corno se fundou equivocadamente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, pois a prestação jurisdicional realizada pela Corte Suprema não o foi de forma direta e abstrata 4, ou seja, não declarava direitos a todos os contribuintes indistintamente. Pois bem, a citada decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos arts. 1° e 5° do DL 491/69; art. 1° do DL 1724/79; art. 3° do DL 1894/81, somente surtiu efeitos para as partes envolvidas no referido processo judicial que provocou tal manifestação do Judiciário, a partir do trânsito em julgado de referida declaração; ou, então, para contribuinte que tenha ingressado com ação judicial e obtido manifestação judicial própria a seu favor, o que não é o caso dos autos. Para a hipótese desses autos e para os demais contribuintes, que não ingressaram em Juizo para discutir tal inconstitucionalidade, tenho que não pode ser aproveitada a referida declaração de inconstitucionalidade para inicio de contagem de fruição de prazo prescricional. Sustento e corroboro o entendimento deste Segundo Conselho de Contribuintes na afirmativa de que cabe ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada A) A via de exceção, um controle já tradicional A via de exceção no direito constitucional brasileiro já tem raizes na tradição judiciária do Pais. Inaugurou-se teoricamente com a Constituição de 1891(45), que institui recursos o Supremo das sentenças prolatadas pelas justiças dos Estados em última instância. (...)." (Curso de Direito Constitucional, Paulo Bonavides, Malheiros Editores, 11' edição, pgs. 293/296) 2 op.cit. pg . 296 3 "(...) 0 Tribunal, no exercício de sua função de aplicador do direito, deixa de aplicar em relação à litis a lei inconstitucional, o que, porem, não vem afetar sua obrigatoriedade em relação aos demais não participantes da questão levada à apreciação pelo Poder Judiciário, de tal forma que, continuando a existir e obrigar no universo jurídico, todas as pessoas que queiram que a elas se estenda o beneficio da inconstitucionalidade já declarada em caso idêntico, devem postular sua pretensão junto aos órgãos do Poder Judiciário, para que possam eximir-se do cumprimento da mesma. Já que em nosso sistema as decisões judiciais têm seu alcance limitado as partes em litígio, salvo nos casos de declaração de inconstitucionalidade em tese, o que ainda sera analisado posteriormente (44). (...)." (Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade, Regina Maria Macedo Nery Ferrari, Editora Revista dos Tribunais, 3' edição, ampliada e atualizada de acordo corn a Constituição Federal de 1988, pgs. 112/113) 4 "As decisões consubstanciadoras de declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive aquelas que importem em interpretação conforme a Constituição e em declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, quando proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de fiscalização normativa abstrata, revestem-se de eficácia contra todos ("erga omnes") e possuem efeito vinculante em relação a todos os magistrados ... , impondo-se, em conseqüência, à necessária observância ..., que deverão adequar-se, por isso mesmo, em seus pronunciamentos, ao que a Suprema Corte, em manifestação subordinante, houver decidido, seja no âmbito da ação direta de inconstitucionalidade, seja no da ação declaratória de constitucionalidade, a propósito da validade ou da invalidade jurídico-constitucional de determinada lei ou ato normativo." (Reclamação n ° 2143/Agravo Regimental/ SP, Ministro relator Celso de Mello, Tribunal Pleno do S.T.F., www.stf.gov.br, site acessado em 26/08/2003) //' 5 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 10283.001484/99-98 Recurso n' : 126.002 Ada-ciao : 204-00.172 r CC-MF Fl. inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal", nos exatos termos em que vazado o inciso X, do artigo 52, da Carta Magna. Abrindo aqui urn parênteses e ao contrário - e com o devido respeito ao que defende e vem sinalizando o Ministro Gilmar Mendes 5 , em diversas decisões monocráticas, por ele exaradas no exercício da magistratura no Supremo Tribunal Federal -, filio-me a corrente doutrinária que defende que a " nós nos parece que essa doutrina privatistica da invalidade dos atos jurídicos não pode ser transposta para o campo da inconstitucionalidade, pelo menos no sistema brasileiro, onde, como nota Themistocles Brandão Cavalcanti, a declaração de inconstitucionalidade em nenhum momento tem efeitos tão radicais, e, em realidade, não importa por si .5'6 na eficácia da lei(25)."6 E ao aderir a tal corrente doutrinária, observadora que é do sistema constitucional brasileiro, concluo que a declaração de inconstitucionalidade promovida por intermédio de decisão Plenária da Corte Suprema, que veio a se tornar definitiva com seu trânsito em julgado, somente passará a ter os efeitos de sua inconstitucionalidade (e aplicação) erga ornnes, a partir da legitima e constitucional suspensão pelo Senado Federal. Neste sentido, aliás, posicionam-se de forma firme Jose Afonso da Silva7, Paulo Bonavidess , Regina Maria Macedo Nery Ferrari 9, Ricardo Lobo Torres m, Celso Ribeiro Bastos e André Ramos Tavares il . 5 ,`(...). Esse novo modelo legal traduz, sem dúvida, um avanço, na concepção vetusta que caracteriza o recurso extraordinário entre nós. Esse instrumento deixa de ter caráter marcadamente subjetivo ou de defesa dos interesses das partes, para assumir, de forma decisiva, a função de defesa da ordem constitucional objetiva. Trata-se de orientação que os modernos sistemas de Corte Constitucional vêm conferindo ao recurso de amparo e ao recurso constitucional (Verfassungsbeschwerde). Nesse sentido, destaca-se a observação de Haberle segundo a qual "a função da Constituição na proteção dos direitos individuais (subjectivos) é apenas uma faceta do recurso de amparo", dotado de uma "dupla função", subjetiva e objetiva, "consistindo esta última em assegurar o Direito Constitucional objetivo" (Peter Hdberle, 0 recurso de amparo no sistema germânico, Sub judice 20/21, 2001, P. 33 (49). Essa orientação há muito mostra-se dominante também no direito americano. Já no primeiro quartel do século passado, afirmava Triepel que os processos de controle de normas deveriam ser concebidos como processos objetivos. Assim, sustentava ele, no conhecido Referat sobre "a natureza e desenvolvimento da jurisdição constitucional", que, quanto mais políticas fossem as questões submetidas 6. jurisdição constitucional, tanto mais adequada pareceria a adoção de um processo judicial totalmente diferenciado dos processos ordinários. "Quanto menos se cogitar, nesse processo, de ação (...), de condenação, de cassação de atos estatais — dizia Triepel — mais facilmente poderão ser resolvidas, sob a forma judicial, as questões políticas, que são, igualmente, questões jurídicas". (Triepel, Heinrich, Wesen und Entwicklung deer Staatsgerichtsbarkeit VVDStRL, vol. 5 (1929), p. 26). (...). OU, nas palavras do Chief Justice Vinson, "para permanecer efetiva, a Suprema Corte deve decidir os casos que contenham questões cuja resolução haverá de ter importância imediata para além das situações particulares e das partes envolvidas" ("To remain effective, the Supreme Court must continue to decide only those cases wich present questions whose resolutions will have immediate importance far beyond the particular facts and parties involved") (Griffin, op. cit., p. 34). De certa forma, é essa a visão que, com algum atraso e relativa timidez, ressalte-se, a Lei n° 10.259, de 2001, busca imprimir aos recursos extraordinários, ainda que, inicialmente, apenas para aqueles interpostos contras as decisões dos juizados federais." (Recurso Extraordinário 360847/SC Medida Cautelar, DJU, I, de 15/8/2003, pg. 66) 6 Curso de Direito Constitucional Positivo, José Afonso da Silva, Malheiros Editores, 22° edição, revista e atualizada nos termos da Reforma Constitucional (ate a Emenda Constitucional n. 39, de 19.12.2002, pg. 53 7 op. cit., pgs. 52 a 54 8 op. cit., p. 296 9 op. cit., pgs. 102 a 116 to Restituição de Tributos, p. 169, citado por Paulo Roberto Lyrio Pimenta 11 "(...). Isso ocorre, no Direito brasileiro, nos casos de inconstitucionalidade proferida em sede de controle difuso. Senado, como se verá, atua, em tal hipótese, suspendendo a eficácia da lei. Contudo, essa situação s6 ocorre porque 6 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo re : 10283.001484/99-98 Recurso n' : 126.002 Acórdão : 204-00.172 2'3 CC-M F Fl. Concluo, pois, que a referida declaração de inconstitucionalidade trazida pela recorrente em sua defesa não pode ser utilizada para contagem de prazo prescricional pois só surtiu efeito entre as partes envolvidas na ação, não podendo, tais efeitos, serem estendidos para os demais contribuintes, que não possuíam qualquer relação com a citada manifestação do Judiciário. Diante do exposto, nego provimento ao recurso interposto, por já haver operado a prescrição dos créditos pretendidos quando foi aposto o pleito de ressarcimento como voto. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2005 / AIA °A' 0_. RASTOS MANATTA o Supremo Tribunal Federal revela-se, a um so tempo, como Corte Constitucional e ultimo tribunal na escala judicial. No caso especifico de decisão proferida em sede de recurso extraordinário, atua como órgão último do Poder Judicial* e sua decisão só produz efeitos erga omnes após a manifestação do Senado. Já, quando atua como Corte Constitucional, fiscalizando direta e abstratamente a constitucionalidade das leis, sua decisão independe de manifestação senatorial para a produção dos efeitos típicos. Existindo esse controle concentrado da constitucionalidade, não haveria sentido em reconhecer-se a permanência da norma no sistema após o reconhecimento de sua inconstitucionalidade pelo órgão próprio, por meio de ação especifica." (As Tendências do Direito Público — No Limiar de um Novo Milénio, Celso Ribeiro Bastos e André Ramos Tavares, Editora Saraiva, pgs. 94/95) 7
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Numero do processo: 10283.722739/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AFASTAMENTO.
A presunção legal de omissão de receitas a partir da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada é afastada apenas quando o contribuinte comprova a origem dos recursos ingressados por meio dos depósitos bancários apontados. Para tanto, o contribuinte deve demonstrar que as receitas associadas aos depósitos bancários apontados foram devidamente apropriadas na escrita contábil do contribuinte e foram oferecidas à tributação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2005
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício exigida no percentual de 75% possui fundamento legal em norma válida e não pode ser afastada em razão de alegação de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2.
PROVA. SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE.
A movimentação financeira do contribuinte obtida nos termos dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 é prova lícita na realização de lançamento tributário.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão sobre o lançamento de IRPJ para os demais lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1201-006.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Eduardo Genero Serra, Fredy José Gomes de Albuquerque, Alexandre Evaristo Pinto e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Issa Halah. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva foi convocada para garantir a paridade no Colegiado, mas não participou desse julgamento em razão da ausência justificada do Conselheiro Lucas Issa Halah.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AFASTAMENTO. A presunção legal de omissão de receitas a partir da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada é afastada apenas quando o contribuinte comprova a origem dos recursos ingressados por meio dos depósitos bancários apontados. Para tanto, o contribuinte deve demonstrar que as receitas associadas aos depósitos bancários apontados foram devidamente apropriadas na escrita contábil do contribuinte e foram oferecidas à tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2005 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício exigida no percentual de 75% possui fundamento legal em norma válida e não pode ser afastada em razão de alegação de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. PROVA. SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. A movimentação financeira do contribuinte obtida nos termos dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 é prova lícita na realização de lançamento tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão sobre o lançamento de IRPJ para os demais lançamentos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 27 39 /2 01 4- 12 Fl. 601DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Eduardo Genero Serra, Fredy José Gomes de Albuquerque, Alexandre Evaristo Pinto e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Issa Halah. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva foi convocada para garantir a paridade no Colegiado, mas não participou desse julgamento em razão da ausência justificada do Conselheiro Lucas Issa Halah. Relatório RN INCORPORAÇÕES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 03-69.481 (fls. 505), pela DRJ Brasília, interpôs recurso voluntário (fls. 546) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o objetivo de obter a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamentos tributários para exigir IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF/35% (fls. 261) relativos ao ano 2010, bem como juros de mora e multa de ofício (75%), totalizando o crédito tributário de R$ 73.398.488,45. O lançamento de IRPJ foi realizado a partir do lucro presumido sobre a receita omitida, conforme presunção legal em razão da falta de comprovação da origem de depósitos bancários em benefício do contribuinte. Os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS são decorrentes dos mesmos fatos que deram ensejo ao lançamento de IRPJ. O lançamento de IRRF foi realizado a partir dos débitos bancários do contribuinte que não tiveram os seus beneficiários identificados. A acusação fiscal está detalhada no corpo dos autos de infração (fls. 5). Em apertada síntese, o contribuinte possuía movimentação bancária global em montante desproporcionalmente superior ao total das receitas declaradas. Em razão desse fato indiciário, o contribuinte foi intimado a apresentar a sua movimentação financeira, mas não atendeu ao pedido, o que deu ensejo à emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMS) para as instituições financeiras. O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos seus depósitos bancários encontrados pela fiscalização, quando apresentou seus livros Razão e Diário. A fiscalização constatou a existência de depósitos bancários sem escrituração contábil e sem qualquer outra comprovação, o que deu ensejo ao lançamento tributário de IRPJ, por omissão de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, e de seus decorrentes (CSLL, PIS e COFINS). A Fiscalização também intimou o contribuinte a comprovar os beneficiários dos débitos bancários encontrados na mesma movimentação financeira e realizou o lançamento Fl. 602DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 tributário de IRRF (35%) sobre os valores não comprovados, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. O contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos tributários (fls. 439), argumentando, em síntese, a nulidade do feito em razão de vícios existentes no procedimento, como a quebra do sigilo bancário e a presunção dos fatos geradores dos tributos exigidos. A impugnação foi julgada por meio do acórdão ora recorrido (fls. 505), quando a autoridade julgadora manteve as exigências relativas aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, mas exonerou a exigência de IRRF. Tal decisão deu ensejo a recurso de ofício. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 546), trazendo os argumentos assim sintetizados: i) a decisão recorrida cerceou a defesa, cometendo nulidade, quando deixou de abordar com a devida tenacidade e abrangência os argumentos trazidos na impugnação; ii) a decisão recorrida também cometeu nulidade quando indeferiu o pedido de realização de prova pericial; iii) os lançamentos tributários são nulos por terem sido fundamentos em provas ilícitas, obtidas pela quebra de sigilo bancário sem a autorização judicial; iv) os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL baseados na presunção de omissão de receitas a partir da movimentação bancária são nulos, pois não é possível presumir a existência de um fato gerador a partir apenas de lançamentos bancários; v) os lançamentos tributários de PIS e COFINS violam o princípio da legalidade por terem sido lavrados apenas com fundamento no Decreto nº 3.000/1999; vi) a multa de ofício aplicada tem natureza confiscatória. Os argumentos de defesa do recorrente serão detalhados e apreciados no voto que se segue. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Devido à pluralidade de recursos, este voto será seccionado de acordo com as peças recursais. 1 Recurso de Ofício A decisão de primeira instância exonerou a exigência de IRRF no montante de R$ 30.167.385,15, bem como os correspondentes juros e multa de ofício (75%). O montante desses Fl. 603DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 valores supera o limite previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 2, de 2023, o que dá ensejo ao presente recurso de ofício, pelo que passo a conhecê-lo e apreciá-lo. A exigência de IRRF está assim fundamentada pela fiscalização (fls. 21): Da análise dos Livros Diário e Razão constatou-se que as movimentações financeiras relativamente aos bancos HSBC, BVA, ITAU e UNIBANCO junto aos quais o contribuinte mantinha contas não estão contabilizadas, impossibilitando a fiscalização aferir os pagamentos efetuados. Em 06/10/14 emitiu-se intimação, com relação anexada onde constavam todos os valores debitados das suas contas, para que a empresa RN INCORPORAÇÕES LTDA. informasse em 15(quinze) dias, o motivo/causa, os beneficiários dos pagamentos, assim como os respectivos registros contábeis, juntando os documentos que embasaram as transações. Nessa oportunidade já se colocava à disposição do interessado para ser devolvido o Livro Diário. Em 20/10/14, em resposta informa ter encaminhado o Livro Razão e o Diário n° 11 do ano de 2010 e que todas informações solicitadas constam dos citados livros. Nenhum documento foi anexado. Os Livros Diário e o Razão já estavam em poder da fiscalização como citado acima, e não há registros contábeis relativamente aos bancos HSBC, BVA, ITAU e UNIBANCO. Como o fiscalizado não informou nem identificou os beneficiários, não deu o motivo nem as causas dos pagamentos, assim como não juntou nenhum documento, lavramos o presente Auto de infração relativamente ao IRRF, em função dos rendimentos decorrentes dos pagamentos efetuados a(s) beneficiário(s) não identificado(s) ou sem causa, conforme valores constantes do relatório - extratos bancários - débitos em anexo, onde o valor reajustado está calculado em função dos rendimentos pagos. Já a decisão recorrida traz a seguinte fundamentação (fls. 513): Inicialmente, importa reconhecer que, nesse tema, a alegação da impugnante é pouco clara, na medida em que assevera que o Fisco “não se desincumbiu do ônus de provar que os supostos pagamentos não têm destinação prevista em lei, o que impõe a nulidade do lançamento”. Não obstante, sendo certo que a matéria foi devidamente impugnada, e considerando que incumbe ao órgão julgador administrativo exercer o seu papel de controle da legalidade dos atos administrativos, cabe reconhecer a insubsistência do auto de infração de IRRF, ainda que por outros fundamentos. À toda evidência o caso dos autos não se subsume à hipótese prevista em lei para a incidência do imposto de renda devido na fonte. Veja-se a dicção da norma legal, verbis: [...] Ora, não tratando o caso dos autos de pagamentos efetuados por pessoa jurídica, que pressupõe a saída de valores da empresa, mas de valores ingressados na empresa, Fl. 604DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 referentes aos mesmos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, não procede a exigência a título de IRRF. De se acolher, portanto, a irresignação da impugnante quanto a esse item. Em síntese, a autoridade julgadora a quo entendeu que a fiscalização estaria exigindo IRRF sobre os mesmos valores que deram ensejo ao lançamento de IRPJ, ou seja, de valores creditados nas contas correntes e não escriturados. Contudo, entendo que aquela autoridade julgadora incorreu em equívoco, pois os valores que deram ensejo ao lançamento de IRRF correspondem a lançamentos que debitam as contas correntes do contribuinte, ou seja, são pagamentos, conforme está expressamente registrado na fundamentação acima transcrita, quando a fiscalização fala em “valores debitados das suas contas”. A fiscalização também cita o “relatório - extratos bancários – débitos”, juntado nas fls. 398, onde constam todos os lançamentos que compuseram a base de cálculo do IRRF. Compulsando esse relatório, pode-se constatar que tais lançamentos são a débito das contas correntes apontadas. Comparando-se esse relatório com o relatório que fundamentou o lançamento de IRPJ – “relatório - extratos bancários – créditos” (fls. 388), citado no correspondente auto de infração (fls. 6), pode-se ver que estes lançamentos são distintos dos primeiros. Portanto, faz-se necessário corrigir o erro na decisão recorrida. No mérito, vê-se que a fiscalização identificou um conjunto de movimentações bancárias a débito de algumas contas bancárias do contribuinte que não foram escrituradas. Diante desse fato, intimou o contribuinte a identificar os beneficiários desses pagamentos, mas este apenas fez referência aos seus livros contábeis, onde não existia qualquer registro desses pagamentos. Assim, a fiscalização considerou tais pagamentos para fins de aplicação do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, que prevê o lançamento tributário de IRRF, na alíquota de 35%, para pagamentos sem beneficiário identificado. Na sua impugnação, o contribuinte reclama de cerceamento da sua defesa, uma vez que a fiscalização indeferiu o seu pedido de prorrogação de prazo para apresentar as informações requeridas. Verifico, inicialmente, que não há nos autos qualquer registro de pedido de prorrogação de prazo por parte do contribuinte, nem mesmo em sede de impugnação ou recurso voluntário. Portanto, essa reclamação deve ser afastada por falta de fundamento fático. Adicionalmente, o suposto indeferimento de prorrogação de prazo não configura, em si, cerceamento de defesa, mormente durante a auditoria fiscal, quando ainda não foi estabelecido o contraditório do processo administrativo fiscal, conforme o entendimento pacificado na Súmula CARF nº 162, verbis: Súmula CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Fl. 605DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 O recorrente, por fim, questiona o lançamento tributário pelo fato de ter sido lavrado a partir da sua movimentação bancária, obtida por meio de RMF, o que acredita ter violado o seu sigilo bancário. Mais uma vez, o recorrente defende tese a muito superada neste Tribunal Administrativo, o qual deve reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal ao julgar, em conjunto, as ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, nº 2386, nº 2397 e nº 2859, que afastam a alegada nulidade, conforme será detalhado mais adiante nesse voto. Assim, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para que seja confirmado o lançamento tributário de IRRF. 2 Recurso Voluntário O contribuinte autuado foi cientificado da decisão de primeira instância em 01/12/2015 (fls. 544) e o seu recurso voluntário foi apresentado em 18/12/2015 (fls. 545). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados, na ordem em que foram oferecidos na petição do recurso. 2.1 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE O recorrente reclama pela nulidade da decisão recorrida em razão de a autoridade julgadora, alegadamente, ter deixado de abordar com a “devida tenacidade e abrangência” alguns argumentos trazidos na impugnação, conforme o seguinte excerto (fls. 551): 13. Entretanto, no caso em exame, verifica-se que a R. Decisão ora recorrida não abordou com a devida tenacidade e abrangência todas as questões invocadas pelo Contribuinte em sua peça de defesa, a demandar a sua nulidade, sob pena de violação aos Princípios do Devido Processo Legal e do Contraditório e Ampla Defesa. 14. O primeiro ponto que não foi suficientemente abordado pela R. Decisão recorrida diz respeito à multa isolada que se pretende impor à Contribuinte; segundo ponto, a multa aplicada de 75% e terceiro, o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o tema do IRPJ, CSLL, PIS e CONFIS, matérias essas exaustivamente expostas na peça de defesa da Contribuinte. 15. Veja que a inobservância e a supressão de tais pontos no R. Decisum Recorrida caracterizam, sem sombra de dúvidas, a nulidade da mesma por cerceamento de defesa, por configurar violação ao Direito Constitucional do Contribuinte ao Contraditório e Ampla Defesa. Verifico que os presentes lançamentos tributários não estão a exigir multa isolada, pelo que a primeira parte da reclamação do recorrente não possui objeto. Verifico que a reclamação do contribuinte, na impugnação, contra a exigência da multa isolada teve como fundamento a alegada quebra do sigilo bancário que teria sido laborada pela fiscalização. Contudo, a decisão recorrida afastou de forma clara e exaustiva a alegação de Fl. 606DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 ilegalidade do referido procedimento fiscal, o que se aplica tanto para a exigência do tributo quanto para a correspondente exigência de multa de ofício, não sendo exigível qualquer esforço adicional para repetir o que já havia sido dito, qual seja, não houve violação de sigilo. Verifico, por fim, que o recorrente não especificou “o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o tema do IRPJ, CSLL, PIS e CONFIS” que não teria sido abordado na decisão recorrida, razão pela qual essa reclamação é ineficaz. Ainda nessa quadra, o recorrente imputa nulidade à decisão recorrida por esta ter indeferido o pedido de realização de prova pericial constante da impugnação. Contudo, o indeferimento fundamentado de perícia ou diligência não dá ensejo, por si, a nulidade da decisão, conforme o entendimento pacificado na Súmula CARF nº 163, verbis: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A decisão recorrida fundamentou devidamente o indeferimento do pedido do impugnante, conforme a seguinte transcrição (fls. 514): Por fim, é de se indeferir o pedido subsidiário de diligência, pois, consoante comprovado, o sujeito passivo, regularmente intimado, deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas correntes e de investimentos. Aliás, mesmo nessa fase processual- não cuidou a impugnante de carrear aos autos quaisquer elementos que pudessem comprovar a origem dos aludidos depósitos. Com isso, afasto a presente alegação de nulidade da decisão recorrida. 2.2 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO - NULIDADE O recorrente afirma que os lançamentos tributários são nulos em razão de terem como fundamento provas ilícitas, obtidas pela quebra do sigilo bancário do contribuinte sem a autorização judicial, conforme o seguinte excerto (fls. 554): 36. A priori, é imperioso ressaltar que, conforme demonstrado à exaustão na peça impugnatória, é flagrante ilegalidade na quebra do sigilo dos dados bancários pela Autoridade Fiscal. 37. A Constituição Federal, é clara ao assegurar a todos o direito a intimidade e a vida privada, declarando inviolável o sigilo da correspondência, das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, exceto para fins de investigação criminal por ordem judicial, conforme determina o art. 5o, inciso X e XII da Carta Maior: A utilização de dados fornecidos pelas instituições financeiras para direcionar uma ação de fiscalização tributária está prevista no artigo 5º, §4º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, verbis: Fl. 607DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. O Supremo Tribunal Federal já declarou a constitucionalidade dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, ao julgar, em conjunto, as ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, nº 2386, nº 2397 e nº 2859, de cujo acórdão se extrai o seguinte trecho de sua ementa: 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e n° 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, §1º, da Constituição Federal. Adicionalmente, o recorrente reclama de alegada ausência de motivação para a quebra de sigilo fiscal laborada pela fiscalização, conforme o seguinte excerto (fls. 560): 57. Note-se, no entanto, que nenhuma das hipóteses descritas no artigo 3o do Decreto n° 3.724 de 2001, que determinam a indispensabilidade, embasaram a Autoridade Administrativa, está apenas questionou a origem dos créditos bancários após acesso aos extratos bancários. 58. Anteriormente nenhum indício havia da existência de tais créditos, tanto é que a Autoridade Administrativa requereu a entrega de diversos outros documentos como o livro caixa, comprovantes mensais de rendimentos e tributos retidos fornecidos pelas fontes pagadoras, entre outros, tal fato demonstra que a Autoridade Administrativa não tinha indícios suficientes que embasassem infração concreta, assim não estão presentes os requisitos necessários a autorização da quebra de sigilo. Verifico que o recorrente falta com a verdade nesse trecho, uma vez que a autoridade fiscal colocou a motivação requerida no próprio auto de infração, conforme a seguinte transcrição (fls. 5): Trata-se de contribuinte Tributado pelo Lucro Presumido, que adota o regime de caixa para apuração das receitas, e apresenta uma grande divergência entre os valores declarados na DIPJ 2011, ano-calendário 2010 como receitas para apuração do IRPJ e CSLL, R$ 618.930,60 e sua movimentação financeira, na ordem de R$ 50.216.156,38. Assim, entendo que não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal em razão da utilização das informações financeiras do contribuinte e afasto a presente alegação de nulidade. Fl. 608DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 2.3 LANÇAMENTO DE IRPJ E CSLL – SUBSISTÊNCIA – FATO GERADOR O recorrente combate o lançamento tributário baseado na presunção de omissão de receitas estipulada a partir da constatação da existência de depósitos bancários para os quais o contribuinte não demonstrou a sua origem. Afirma que não é possível presumir a existência de um fato gerador a partir apenas de lançamentos bancários em suas contas correntes, conforme o seguinte excerto (fls. 568): 85. Assim, em face do exposto, merece ser reformada a decisão ora recorrida, com o cancelamento do credito tributário IRPJ, e CSLL, pois os extratos bancários da recorrente, utilizados pela autoridade administrativa, à revelia da Constituição Federal, como prova para embasar o lançamento de oficio, não poderiam instruir o mesmo, e tampouco embasar o AIIM de IRPJ como de CSLL e demais tributos, o que por si conduz a improcedência do lançamento. Inicialmente, deve ser salientado que o procedimento adotado pela fiscalização está fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o qual possui a seguinte redação: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O dispositivo legal em tela autoriza a autoridade tributária a não buscar a renda para fins de demonstrar que houve a omissão de receitas, bastando demonstrar a existência da configuração fática prevista na norma, ou seja, a existência de depósito bancário de origem não comprovada. A existência dos depósitos bancários em tela não é contestada pelo recorrente e este não demonstra as suas origens, pelo que a omissão foi devidamente presumida. Saliente-se que os depósitos bancários em tela sequer foram escriturados pelo contribuinte, conforme relatado pela fiscalização. Ao lançar mão desse recurso jurídico, a fiscalização não está obrigada a prosseguir na auditoria em busca de uma prova de omissão de receitas, pois esta pode ser presumida por força do dispositivo legal, conforme o entendimento pacificado neste tribunal administrativo por meio da Súmula CARF nº 26, verbis: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com isso, o presente argumento deve ser afastado. 2.4 LANÇAMENTO DE PIS E COFINS – SUBSISTÊNCIA – FATO GERADOR O recorrente combate os lançamentos tributários de PIS e COFINS reafirmando a ilegalidade da quebra do seu sigilo bancário e também pelo alegado fato de os autos de infração terem sido lavrados apenas com fundamento no Decreto nº 3.000/1999 (RIR), o que violaria o princípio da legalidade, conforme o seguinte excerto (fls. 574): Fl. 609DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 102. Diante destes precedentes, vê-se que o inciso IV do artigo 10, do Decreto 70.235/72, não é só um requisito formal do lançamento tributário. É, em verdade, a manifestação concreta do princípio da legalidade, apto a propiciar ao contribuinte o correto exercício da ampla defesa e do contraditório. 104. Diante disto, uma vez que o Regulamento do Imposto de Renda não pode ser fundamento autônomo do lançamento, como de fato, foi impõe-se reconhecer a ofensa ao Decreto 70.235/72, art. 10, e ao art. 142 do CTN e anular o AIIM. A questão do sigilo bancário já foi superada nesse voto e a alegação de violação ao princípio da legalidade não possui fundamento fático, uma vez que a fiscalização sequer utilizou o RIR para fundamentar os lançamentos tributários, conforme pode ser verificado nos autos de infração, nas fls. 41 e 53 dos autos. Com isso, o presente argumento deve ser afastado. 2.5 MULTA DE OFÍCIO – SIGILO BANCÁRIO – CONFISCO O recorrente combate a exigência da multa de ofício (75%) reafirmando a ilegalidade da quebra do seu sigilo bancário e também pelo alegado fato de essa sanção possuir efeito confiscatório, conforme o seguinte excerto (fls. 776): 113. A inconstitucionalidade levantada acerca do art. 6o da Lei Complementar n.° 105, igualmente, não pode ser admitida para lastrear a aplicação de penalidades sob nenhuma hipótese. 114. Os Tribunais têm rejeitado veementemente a aplicação deste dispositivo para embasar aplicação de pena a qualquer contribuinte. Ou seja, na esfera penal, não há como se justificar a quebra de sigilo, à revelia de controle judicial, como esteio de pretensões punitivas. 115. No caso em exame, onde se pretende a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco) por cento do valor do tributo/contribuição (que, repise-se, fere o Princípio da Razoabilidade e o Direito de Petição, como visto alhures), é de saltar aos olhos o caráter confiscatório da mesma, que a torna inconstitucional e, portanto, inexigível, nos termos do que já decido pelo que deve ser observado pela Administração Pública. A questão do sigilo bancário já foi superada nesse voto. Da mesma forma, a alegação de natureza confiscatória e, consequentemente, da inconstitucionalidade da multa de ofício também é tese que não deve ser admitida. Verifico que a multa de ofício aplicada tem fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme apontado nos autos de infração. Deixar de aplicar a multa de ofício por considera-la confiscatória seria deixar de aplicar o referido dispositivo legal em razão de alegada inconstitucionalidade, o que é defeso às turmas julgadoras do CARF, as quais devem obediência à Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 610DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-006.277 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.722739/2014-12 Assim, a presente reclamação deve ser afastada. 2.6 CONCLUSÃO PARA O RECURSO VOLUNTÁRIO Com isso, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso de ofício e por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 611DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002830/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÕES DA BASE DE
CÁLCULO.
Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Interpreta-se restritivamente o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e somente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.
Numero da decisão: 3101-000.679
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 105 1 104 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002830/200572 Recurso nº 264.976 Voluntário Acórdão nº 310100.679 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2011 Matéria Ressarcimento Recorrente COOPERATIVA VITI VINICOLA ALIANÇA LTDA Recorrida DRJ/Porto AlegreRS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Interpreta se restritivamente o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e somente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Corintho Oliveira Machado Relator Designado Fl. 110DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 106 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito de Cofinsmercado interno nãocumulativo, relativo ao período de apuração do 2º Trimestre de 2004. O pedido se escora no art. 16 da Lei nº 11.116/05, defendendo a Recorrente que as exclusões da base de cálculo, legalmente previstas para as cooperativas (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 1º da Lei 10.676/2003 e art. 17 da Lei 10.864/2003), têm natureza de isenção e, assim, não impedem seu direito à manutenção do crédito, fundamentando seu posicionamento no art. 17 da Lei 11.033/2004. A Autoridade Fiscal indeferiu o pedido por entender que esse dispositivo legal deve ser interpretado literalmente, por força do que determina o art. 111 do CTN e que, assim, sendo, por não conter em suas hipóteses a previsão quanto à exclusão da base de cálculo, a Recorrente não tem o direito à manutenção do crédito pleiteado. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre/RS, segundo o fundamento consubstanciado na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Solicitação Indeferida. Intimada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (10/03/2009), aduzindo que: (i) O direito à manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei 11.033/2004 é introduzido por norma geral, o que impõe sua aplicação a todo e qualquer caso de venda de mercadorias que represente saída suspensa, isenta, alíquota zero ou não incidente em relação às contribuições sociais em tela; (ii) O Supremo Tribunal Federal já se posicionou no sentido de que as reduções da Base de Cálculo têm natureza jurídica de isenção parcial, de modo que, segundo entende a Recorrente, as exclusões da base de cálculo têm natureza isentiva e, por conta disso, são abrangidas pelo art. 17 da Lei 11.033/2004; (iii) Mesmo que se entenda que a exclusão da Base de Cálculo não tem a natureza jurídica de isenção, é impossível desconsiderar, ao menos, que se tratar de nãoincidência, de modo que continua fazendo jus à manutenção do crédito segundo o art. 17 da Lei 11.033/2004, por se tratar de hipótese também prevista por esse dispositivo legal. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 107 3 Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Por ser a Recorrente Sociedade Cooperativa de produção agropecuária é contribuinte do PIS/Cofins nãocumulativo, conforme expressamente prescrito pelo inciso VI do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, vejamos: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: ... VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: ... V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; O ponto fulcral da discussão está na identificação da natureza jurídica das exclusões da base de cálculo das contribuições sociais (PIS/COFINS) previstas pela legislação aplicável às sociedades cooperativas (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 1º da Lei 10.676/2003 e art. 17 da Lei 10.864/2003), para que seja possível concluir pela aplicabilidade ou não do disposto pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, que determina a possibilidade de manutenção do crédito dessas contribuições, em seu regime nãocumulativo de apuração. Antes de tratar especificamente da matéria litigiosa, é importante tecer algumas considerações acerca da apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, delineada, em nosso ordenamento jurídico, pelo § 12, art. 195 da Constituição Federal. O enunciado prescritivo constitucional, introduzido pela Emenda Constitucional n° 42/2003, é o ponto de partida para investigar os limites objetivos da outorga de competência tributária para a nãocumulatividade: Fl. 112DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 108 4 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: ... b) a receita ou o faturamento; ... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. Percebese que a outorga constitucional da competência tributária para instituição de contribuição social sobre o faturamento e a receita das pessoas jurídicas, delegou à lei ordinária a incumbência de definir “os setores de atividade econômica para os quais as contribuições serão nãocumulativas”, ou seja, a Constituição conferiu à lei a atribuição de definir dentre os diversos setores da atividade econômica, aqueles que passariam a ser tributados pelo regime da nãocumulatividade, sem dar a definição de como se operaria essa nãocumulatividade, como o fez de forma expressa no art. 153, § 3º, inciso II, e art. 155, § 2º, incisos I e II, da própria Constituição. O resultado da atividade legislativa para instituição das contribuições não cumulativas (Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003), não cumpriu, a meu ver, o requisito constitucional da delimitação da nãocumulatividade por setores de atividade econômica1. A 1 Ao fazer referência a “setores da atividade econômica”, a Constituição Federal reportase, necessariamente ao sistema de direito positivo que já adotou as definições da classificação elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que criou a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. Para a Receita Federal do Brasil: “A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos(pessoa física). A CNAE resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Secretaria da Receita Federal e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE foi oficializada mediante publicação no DOU Resoluções IBGE/CONCLA nº 01 de 04 de setembro de 2006 e nº 02, de 15 de dezembro de 2006. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 109 5 legislação infraconstitucional foi muito além dessa delimitação e definiu a incidência da regra nãocumulativa para operações específicas; para receitas específicas decorrentes de determinadas operações ou atividades da empresa, excluindo o critério “setorial”. Ainda que a pessoa jurídica atue um determinado setor econômico, poderá estar submetidas a diversos regimes jurídicos de apuração do PIS e da COFINS a depender dos tipos de receitas que aufere. É de notarse que a nãocumulatividade das contribuições sociais (PIS e COFNS, art. 195, § 12), não contempla, necessariamente, o mesmo conteúdo semântico da nãocumulatividade dos impostos (IPI e ICMS). Tanto é assim, que, quando da instituição pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a estrutura da não cumulatividade das contribuições afastouse, e muito, daquela compensação definida para os impostos (compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores). Na sistemática de apuração adotada para os impostos, denominada pela doutrina como imposto sobre imposto, o contribuinte escritura uma contagráfica, a partir das entradas e saídas de produtos, para registrar os créditos decorrentes de aquisições que foram tributadas nas operações anteriores (cujos tributos foram expressamente destacados na nota fiscal que ampara a operação de venda e compra) e os débitos decorrentes das saídas tributadas. Essa sistemática não se apresenta no PIS e na COFINS, como bem nos ensina Ricardo Mariz de Oliveira2: “De fato desde logo se pode perceber que, nelas [PIS/COFINS], por incidirem sobre receitas em geral, ocorre um fenômeno diferente do que se dá com o IPI e o ICMS, pois elas não tem, rigorosamente falando, uma incidência multifásica, mas sempre necessariamente unifásica, no sentido de que cada receita é fato isolado de todas as demais receitas, ainda que duas ou mais advenham da circulação de um mesmo bem, pois este não é elemento essencial para a definição de receita e não estabelece qualquer relação entre uma e outras.” Disso decorre que a não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS terá uma forma diferente de apuração, a qual foi apresentada por Alcides Jorge Costa3 como uma combinação do método imposto sobre imposto com o base sobre base, ao argumentar que o simples método do imposto sobre imposto não seria razoável para o caso dessas contribuições, haja vista que a base de cálculo destes tributos é a receita bruta, que abrange diversos itens [...] Assim, na apuração dos créditos não haveria como saber quais os Na Secretaria da Receita Federal , a CNAE é um código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. Deste modo, na linha de uma interpretação sistêmica do direito, a lei que disciplinou a nãocumulatividade das contribuições deveria eleger os setores da economia que estariam submetidos a tal regime de apuração. A adoção do critério da indicação de atividades econômicas não organizadas por setores, mas sim por cada uma das atividades das empresas, afronta a Constituição e cria enormes dificuldades para identificação dos regimes jurídicos de apuração aplicáveis, na contramão da transparência e da simplificação da tributação. 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. VISÃO GERAL SOBRE A CUMULATIVIDADE E A NÃO CUMULATIVIDADE (TRIBUTOS COM INCIDÊNCIA ÚNICA), E A "NÃOCUMULATIVIDADE" DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. In Não Cumulatividade Tributária. Hugo de Brito Machado (coord.). Dialética: São Paulo, 2009, p. 428 3 COIMBRA, Ronaldo (et al). idem. p. 399. Referência feita à Palestra proferida por Alcides Jorge Costa no XIX Congresso de Direito Tributário. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 110 6 relativos, por exemplo, a juros e a aluguéis pagos, dado que estes são tributados em bloco, como integrantes da receita bruta da pessoa jurídica que os recebe. Tenho para mim que, a partir das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a regra geral de apuração para o PIS e a COFINS é a nãocumulativa, sendo exceções, a cumulativa, a monofásica e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, isso porque, apesar de a Constituição prever a instituição setorial, as normas adotaram a estrutura de definição do que vem a ser a materialidade da incidência de forma genérica4 para depois determinar a exclusão daquelas atividades ou receitas que permaneceriam no regime anterior (cumulativo) ou especiais (monofásico e SIMPLES), ou seja, ao invés de indicar quais os setores submetidos à nãocumulatividade, selecionou as atividades ou regimes de apuração de impostos (IRPJ presumido e SIMPLES) que deveriam ser excluídos. A adoção do critério de “exclusão”, ao invés do critério de “seleção”, é típica das normas gerais5. As normas especiais contemplam em sua estrutura o “destaque” de situação particular que, a princípio, estaria disciplinada na norma geral. Portanto, qualquer receita decorrente de atividade que não esteja expressamente excluída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, deverá ter a apuração do PIS e da COFINS no regime jurídico da nãocumulatividade. Dependendo do tipo da operação realizada pelo contribuinte, a receita deverá ser identificada e classificada em um dos regimes jurídicos de apuração das contribuições PIS e COFINS, uma vez que, diante da incidência das diversas normas jurídicas, a apuração poderá ser cumulativa (Lei 9.718/98), nãocumulativa (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), monofásica (Lei 10.147/2000, por exemplo) ou SIMPLES (Lei Complementar n° 123/2006). De modo que, impende reconhecer que a apuração do PIS e da COFINS seguirá regime jurídico cumulativo, nãocumulativo, monofásico ou SIMPLES, a depender dos tipos das operações praticadas pela empresa, de modo que uma empresa poderá, simultaneamente, submeterse a três regimes de apuração – cumulativo, nãocumulatividade ou monofásico – num mesmo período. Assim, a apuração do PIS e da COFINS deverá levar em conta as seguintes etapas para fins de determinar o quantum debeatur, a saber: 4 Lei n° 10.637/2002: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” Lei n° 10.833/2003: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” 5 Lei n° 10.637/2002: “Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: ...” Lei n° 10.833/2003: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:...” Fl. 115DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 111 7 i) identificação da operação realizada e determinação do regime jurídico a que se submete, obtendose, a partir das respectivas receitas, a base de cálculo do PIS e da COFINS cumulativos, do PIS e da COFINS nãocumulativos e do PIS e da COFINS monofásico (seja no substituto como no substituído); ii) apuração do crédito a partir das despesas apropriadas exclusivamente para auferimento das respectivas receitas ou proporcionalmente ao volume de cada um dos tipos de receitas, quando forem comuns a mais de uma; iii) obtenção direta do PIS e da COFINS no caso dos regimes cumulativos e monofásico e, no caso do regime nãocumulativo, apuração dos créditos (a partir das despesas) e débitos (a partir das receitas) para proceder a compensação com o fim de identificar os quantum debeatur ou saldo credor passível de restituição/ressarcimento. É de notarse que apenas o regime de apuração nãocumulativo confere à empresa o direito de apropriação de créditos decorrentes de despesas para descontar dos débitos das contribuições calculados a partir das receitas identificadas como submetidas ao regime da nãocumulatividade. Ocorre que as despesas, no mais das vezes, podem ser comuns aos diversos regimes de tributação dessas contribuições, por isso a legislação criou formas de apropriação parcial/proporcional das despesas para cálculo dos créditos que serão utilizados no regime não cumulativo. Percebese assim, que as despesas são apropriadas em face da qualificação da receita, ou seja, a empresa somente terá direito ao creditamento total ou parcial das despesas, se e quando a receita decorrente não estiver expressamente excluída do regime jurídico de apuração nãocumulativo. De modo que o fato jurídico que qualifica o direito creditório escritural é o regime jurídico da correspondente receita auferida. Como forma de dar plena vigência à nãocumulatividade, a Lei n° 11.033/2004 trouxe expressa determinação quanto à possibilidade de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, quando as receita forem decorrentes de operações com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Dispõe o art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Mais uma vez se confirma que o direito ao crédito decorre do regime jurídico de apuração a que determinada receita está submetida. Ainda que haja saída com isenção, alíquota zero, ou não incidência de PIS e COFINS, a empresa manterá a escrituração dos respectivos créditos decorrentes das despesas que incorreu para obtenção dessas receitas, o que privilegia a nãocumulatividade. Desta forma, diferentemente, do ICMS, o pressuposto da não cumulatividade do PIS e da COFINS é de manutenção do crédito nas saídas desoneradas6. 6 Como se sabe, o regime jurídico da nãocumulatividade do ICMS veda a manutenção dos créditos quando a saída for com isenção ou nãoincidência, por expressa disposição constitucional, conforme art. 155, § 2º,inciso II. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 112 8 Como visto, o direito a crédito escritural de PIS e COFNS advém do regime jurídico de apuração a que está submetida determinada receita e sua manutenção é pressuposto da estrutura da nãocumulatividade dessas contribuições. Diferentemente da nãocumulatividade do IPI e do ICMS, nas contribuições os registros de créditos e débitos levam em conta as receitas submetidas ao regime jurídico de apuração pela nãocumulatividade, as despesas incorridas para obtenção desse tipo de receitas e a dinâmica que privilegia a manutenção do crédito. No ICMS, principalmente, identificamos diversas situações em que o contribuinte vêse obrigado a estornar créditos (art. 21, Lei Complementar n° 87/96). Já nas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, as previsões de estorno estão limitadas às circunstâncias de as aquisições terem sido furtadas ou roubadas, inutilizadas ou deterioradas, destruídas em sinistro ou, ainda, empregadas em outros produtos que tenham tido a mesma destinação (art. 3º, § 13, da Lei n° 10.833/2003) e na devolução de unidades imobiliárias em face de desfazimento do negócio (art. 4º, § 9º, da Lei n° 10.833/2003). Apesar de a legislação privilegiar o direito a crédito, em face da ausência de dispositivos que imponham à empresa o procedimento do estorno, é importante questionar a repercussão jurídica para o direito ao crédito quando a lei confere ao contribuinte redução da base de cálculo para essas contribuições ou exclui determinada receita da tributação, sempre no âmbito do regime jurídico de apuração nãocumulativo. É o caso do enunciado prescritivo do art. 1º da Lei nº 10.485/2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu a redução da base de cálculo do PIS e da COFINS para os produtos algumas máquinas e veículos7. Ou ainda, o caso do art. 2º da mesma lei que autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS de receitas recebidas pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos que identifica8, bem como do art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/20019, art. 1° da Lei n° 7 Lei n° 10.485/2002 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): “Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: I em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no caso da venda de caminhões chassi com carga útil igual ou superior a 1.800 kg e caminhão monobloco com carga útil igual ou superior a 1.500 kg, classificados na posição 87.04 da TIPI, observadas as especificações estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). § 3o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, às pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. 8 Lei n° 10.485/2002 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): Art. 2o Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Fl. 117DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 113 9 10.676/ 200310, e art. 17 da Lei n° 10.684/200311, que confere exclusões da base de cálculo para cooperativas. Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. § 1o Não serão objeto da exclusão prevista no caput os valores referidos nos incisos I e II do § 2o do art. 1o. § 2o Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. 9 Art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão,, observado o disposto nos arts. 2° e 30 dá Lei n° 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1' Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: 1 a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 10 Art. 1° da Lei n° 10.676, de 22 de maio de 2003: Art. 1°. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1' As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2' Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3' O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 11 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1° da Medida Provisória n° 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n' 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 114 10 Diante da redução de base de cálculo ou da exclusão de uma das receitas que compõe a base de cálculo nãocumulativa, há quem entenda que tais circunstâncias impõem a direta repercussão ao direito à não manutenção do crédito, sob o fundamento de que nem a redução da base de cálculo nem a exclusão da receita estão nominalmente identificadas no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. O direito ao creditamento, como vimos, está estabelecido de forma genérica na legislação – ressalvadas as vedações expressamente mencionadas na norma de regência – de modo que é o regime jurídico da receita que implica o direito ao crédito e não a existência ou não de tributação sobre a receita. Se uma determinada receita não está expressamente classificada como cumulativa ou monofásica12 estará obrigatoriamente no regime geral da não cumulatividade e, portanto, confere direito a crédito relativamente às despesas vinculadas. Nesse sentido, o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 introduz no sistema regra que emerge naturalmente da estrutura legislativa do regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da COFINS de modo que, tal enunciado prescritivo revela seu caráter interpretativo das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Isso porque, para que o contribuinte não efetue o creditamento é imprescindível que haja disposição legal que vede, de forma originária, o direito ao crédito ou que, da mesma forma, haja determinação legal expressa para realização do estorno. Se de um lado a isenção pode ser identificada como favor legal, de outro lado o creditamento no âmbito do regime da nãocumulatividade é direito assegurado pelo sistema. Diante do exposto, julgo PROCEDENTE o Recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo 12 Não mencionamos as receitas do SIMPLES, pois este é um regime de apuração que afeta todas as receitas da pessoa jurídica, sendo impossível que uma empresa optante do SIMPLES tenha outros regimes de apuração para as contribuições. Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Designado Fl. 119DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002830/200572 Acórdão n.º 310100.679 S3C1T1 Fl. 115 11 Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que não assiste razão a ambos no que diz com a interpretação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, notadamente no que se refere à amplitude de seu preceito em aplicação sistemática com as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que configuram a tributação do PIS e da COFINS não cumulativos. Com efeito, o aludido dispositivo legal permite a mantença dos créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições não cumulativas, porém observase que tais institutos são deveras distintos, e têm em comum apenas o resultado da inexistência de tributação das operações atingidas por eles. Quisesse o legislador permitir a manutenção dos créditos para as operações de venda em que ocorre redução da base de cálculo e exclusões dessa, as teria elencado no rol do art. 17, porquanto tais institutos tributários são também bastante diferentes da suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, tendo como ponto comum tão só a inexistência de tributação das operações, ainda que parcial no caso da redução da base de cálculo. Por outras palavras, os institutos que dão margem à manutenção dos créditos, por força do prefalado art. 17 são apenas aqueles nominalmente previstos na lei, de maneira numerus clausus, até porque o diploma pátrio nacional, em seu art. 111, manda interpretar restritivamente qualquer lei que trate de suspensão ou exclusão de crédito tributário. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 120DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10314.010279/2005-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Data do fato gerador: 20/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. SUPRESSÃO DE
INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao
contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vicio dessa natureza.
Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive.
Numero da decisão: 3101-000.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declarar nulo o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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(PETROBRÁS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 20/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. SUPRESSÃO DE 1NSTÂNCIA, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de vet apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vicio dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declarar nulo o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. TARAS 10 CAMPELO BORGES - Relator, EDITADO EM: 12/11/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Elias Fernandes Eufrásio, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarisio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente, Relatório ititmrocio dioiti:drneriio 12111/2010 pior '1s1-P.4310 CAMPELO DORGES i3/1 /2010 poi' HENRICi ./EPINtiEIRO TOR RES Auienticado digitallyieriLi ern 12i 1/2010 piar TARASiO CA MPEL.0 PORCOS Emitido cm 2.9/1212010 p&p Fnzercia DI: CARE' ME F I 2 Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da pRJ São Paulo II (SP) que julgou procedentes [ 1 ] os lançamentos de: multa do controle administrativo das importações [ 2], multa por não retornar bens ao exterior no decurso do prazo admissão temporária [ 3 ], multa de oficio do II exigida isoladamente [ 4 ] [5] e multa do IPI xigida isoladamente [ 6] [7]. Segundo a denúncia fiscal, a exação é decorrente dos seguintes fatos: - partes e peças destinadas a garantir a operacionalidade da plataforma P-36, foram desembaraçadas no regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados As atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro) [ 5]; - quase seis meses após o naufrágio dessa plataforma de exploração de petróleo, mas antes do decurso do prazo da admissão temporária, a Petrobrás requer prorrogação do prazo de vigência do regime aduaneiro especial e comunica que os bens 1 'emporariamente admitidos serão utilizados na embarcação P-38 [ 9]; - intimada a informar, no prazo de cinco dias úteis, o local onde se encontravam essas partes e peças em face do notório sinistro sofrido pela plataforma P-36, a interessada quedou-se silente; - igual silencio foi a resposta dada quando intimada a justificar o descumprimento do compromisso assumido no requerimento do regime aduaneiro especial de admissão temporária. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório As folhas 77 a 85. Em suas razões iniciais, alega ter efetuado, em 22 de dezembro de 2005 [ 19], o recolhimento do imposto de importação e do IN vinculado cobrados no Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 249 a254 (volume II) Multa per importar mercadoria desamparada de guia de importaçao ou documento equivalente (30% do valor aduaneiro): Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, artigo 169, inciso 1, altnea "h" (redação dada pelo artigo 2 0 da Lei 6562, de 1978), regulamentado into artigo 526, inciso II, do RA 1985. (50% do imposto de importação incidente ou o que incidiria se não houvesse isenção nem redução): Decreto- lei 37, de 1966, artigo 106, inciso II, alínea "b", regulamentado pelo artigo 521, inciso II, aboca "b", do RA 1985 Lei 9 430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 43 e artigo 44, inciso I e § 1°, inciso II. Auto de infração de folhas 2 a 9 Lei 9 430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 43 e artigo 44, inciso ia § 1°, inciso II Auto de infração de folhas 10 a 13 DI 00/1233425-6, registrada em 20 de dezembro de 2000 Vigência do regime aduaneiro especial: ate 10 de janeiro de 2002 Termo de responsabilidade acostado a folha 28 (IN SRF 87, de J 0 de setembro de 2000). Correspondência de folha 39 1 1 Recolhimento dos tributos com juros e multa de mora, no processo I0314.000667/2001-11, em 22 de dit:lizdezembrolde22005; unpdia-ap6smdnauguraeão (Witt& nos7autoAct.processo.:aqui:extuninatio.TOR CEO Aweroicado 4Iiite ni 17 , 11/2019 por TARASIO CAMPED) COROES 2 Em1ido nn 79/12/2010:10 CiD 17,nzerida 2 3 4 5 6 7 11 9 1'1 3 Processo n° 10314010279/2005-72 S3-CITI Acórtiao n° 3101-00.555 Fl 282 processo administrativo 10314,000667/2001-11 [il], acrescidos de juros e de multa moratória. Também aponta inobservância da regra contida no artigo 144 do CTN [ 12] perante a citação de normas legais não vigentes na data da ocorréncia do fato gerador (importação e registro da D1): Decreto 4_543, de 26 de dezembro de 2002, e Instrução Normativa SRF 285, de 14 de janeiro de 2003. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/12/2000 Ementa:Admissffo Temporária. Impae -se a aplicação das multas cabíveis quando, esgotado o prazo para permanência de bens ingressados no Pais sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária, o beneficiário deixa de solicitar prorrogação ou de adotar alguma das providências exigidas para extinção do regime Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto ás folhas 263 a 272 (volume II). Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Processo 10314 000667/2001-11 cuida da admissão temporária, fotocópia do inteiro teor dos autos às folhas 93 a 245. 12 CTN, artigo 144: 0 lançamento reporta-se á data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (§ 1°) Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste Ultimo caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (§ 2°) 0 disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. DF CA RI: IV1 Amainado dirtoirnan;e cru 121 11/2010 por TAri,sio cAmpELo BORGES 16/1112010 p.-31 HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Auteni ,cado dirjltainicole ii - rn 12 , 1 Ii2010 por TARASIO CAMP - LO BORCES Emitida em 19112/2010 r;olorAnis:i:rie an Fazerda 3 DE CAR F F I.4 A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [ 13] os autos posteriormente distribuídos a ste conselheiro e submetidos a julgamento em dois volumes, ora processados com 280 folhas o relatório. Voto Conselheiro Tardsio Campelo Borges, Relator Conheço do recurso voluntário interposto as folhas 263 a 272 (volume II), orque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. 13 Despacho acostado A folha 280 determine o encaminhamento dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ArtiOc dh it*Ilmnte em 12/11/2010 por TARAS)0 CAT,IPELQ 0000ES "16111/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Atmerlt,ndo d4n1linqie ,::rn 12i 1132010 or TARAsto CAMPELO POROSO tOrn ltd.:: en , 20/12/2010 pe;;.-: razerid8 4 DF CAf.I. tir II5 Processo n° 10314.010279/2005-72 S3-C1 TI Acórdão n°3101-00.555 Ft 283 Versa o litígio, conforme relatado, sobre denunciada violação ao ordenamento jurídico por desvio de finalidade de partes e peças destinadas a garantir a operacionalidade da plataforma de exploração de petróleo P-36, desembaraçadas no regime aduaneiro especial de admissão temporária Repetro, porque solicitada prorrogação do seu prazo de vigência meses após o naufrágio de plataforma da qual foram desagregadas sem controle aduaneiro [ 14 ]. Antes do lançamento dos créditos tributários ora discutidos, a sociedade empresária beneficiária do regime quedou-se silente quando intimada, em dois momentos distintos: (I) para informar o local onde se encontravam essas partes e peças em face do notório sinistro sofrido pela plataforma P-36 e (2) para justificar o descumprimento do compromisso assumido para a concessão do regime aduaneiro especial Repetro. Perante esses fatos, quatro penalidades foram lançadas: multa do controle administrativo das importaçOes [ I I, multa por não retornar bens ao exterior no decurso do prazo de admissão temporária multa de oficio do II exigida isoladamente [ 17 ] e multa do IN exigida isoladamente [ 18] [19]. Nada obstante, sequer foi mencionado nos fundamentos da decisão proferida pelo órgão judicante a quo o alegado vicio do lançamento em face da citação de normas legais não vigentes na data da ocorrência do fato gerador (importação e registro da D1): Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002, e Instrução Normativa SRF 285, de 14 de janeiro de 2003„ 14 IN SRF 87, de 2000, artigo 28: Os bens submetidos ao regime de admissão temporária, na forma desta Instrução Normativa, inclusive aqueles constantes de inventario de embarcação, quando não estiverem sendo utilizados nas atividades referidas no art 1°, poderão permanecer depositados em local não alfandegado, sob controle aduaneiro, pelo prazo necessário ao retorno a atividade ou a adoção das providências para a extinção do regime. (§ 1°) 0 procedimento estabelecido neste artigo sera autorizado pelo titular da unidade da SRI com jurisdição sobre o local onde se encontrem os bens, a requerimento do interessado, em caráter geral ou especifico (§ 2°) A autorização somente sera concedida : (I) se o sistema informatizado de controle dos bens submetidos ao regime, previsto no art, 5°, possibilitar a identificação dos bens que se encontrem nessa oferecer as necessárias condições de segurança fiscal (§ 3°) Os bens depositados no local autorizado condição c o local em que estejam depositados; e (II) se o local indicado para a armazenagem dos bens permanecerão submetidos ao regime, vedada a sua utilização a qualquer titulo (§ 4°) 0 tratamento previsto no caput deste artigo poderá ser aplicado a bens submetidos ao regime de admissão temporária com base na legislação vigente antes da edição desta Instrução Normativa, a requerimento do beneficiário do regime, desde que atendidos os requisitos estabelecidos nos §§ 2' e 3° deste artigo 13 Multa por importar mercadoria desamparada de guia de importação ou documento equivalente (30% do valor aduaneiro): Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, artigo 169, inciso I, alinea "h" (redação dada pelo artigo 2° da Lei 6 562, de 1978), regulamentado pelo artigo 526, inciso 11, do RA 1985. Ifi (50% do imposto de importação incidente ou o que incidiria se não houvesse isenção nem redução): Decreto- lei 37, de 1966, artigo 106, inciso II, ali nea "b", regulamentado pelo artigo 521, inciso II, alínea "b", do RA 1985 17 Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 43 e artigo 44, inciso I e § 1°, inciso II. la Lei 9430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 43 e artigo 44, inciso I e § 1°, inciso II, 19 Recolhimento dos tributos com juros e multa de mora no dia 22 de dezembro de 2005, nos autos do processo administrativo 10314.000667/2001-11, que cuida da admissão temporária dos bens identificados na DI Assinado rornIe em 00A1233426,-Tegistradwarr20Ade dezembro de/200.0.10 car HENRIOUE PINHEIRO TOR RES Auientic:ada fioitalirente em 12/112010 por TAP,ASIO CANIPELCI E0. RCES 5 Ernrtirio ern 29/12;2510 torro M msterio ao Fazerda Dr CAI FL 6 Portanto, em sede de preliminar, entendo a falta de exame do litígio pela pelegacia da Receita Federal de Julgamento como supressão de instância, fato caracterizador de cerceamento de direito de defesa. Com essas considerações, em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição e amparado em precedentes deste colegiado [ 21, voto pela declaração de nulidade do processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, para que o Orgão judicante a quo enfrente as razões da controvérsia, Tarisio Campeio Borges 20 Precedentes relacionados corn a observância ao principio do duplo grau de jurisdiyffo Az,=inacio iidotrnrit c.ru 12)1 112010 pur TARASIO CAMPELO BORGES '0:V11)2010 por HavtouE pirn-EtRo1013 RES AuZoritoada Cijitafirlerite ,:rn 12111170 por TARASIO CA)APELO BORGES Enutido rto 251112/2010 polo 1ioi::;z6!io do l'azo-nzin
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Numero do processo: 10923.000235/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
SALDO CREDOR DO IPI. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DO
IPI DEVIDO. RESSARCIMENTO.
Créditos acumulados na escrita fiscal em 31 de dezembro de 1998, na forma indicada no artigo 5º, caput, da IN SRF 33, de 1999, poderão ser aproveitados, exclusivamente, para dedução do IPI devido. Não há se falar em aproveitamento para dedução do IPI devido se tais créditos são estranhos à escrita fiscal do estabelecimento. O direito ao ressarcimento do IPI mediante compensação de débitos tributários próprios, previsto no artigo 11 da Lei 9.779, de 1999, vinculado aos insumos recebidos a partir de 1999, somente pode ser exercido quando esgotados os créditos acumulados em 31 de dezembro de 1998.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3101-000.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 SALDO CREDOR DO IPI. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DO IPI DEVIDO. RESSARCIMENTO. Créditos acumulados na escrita fiscal em 31 de dezembro de 1998, na forma indicada no artigo 5º, caput, da IN SRF 33, de 1999, poderão ser aproveitados, exclusivamente, para dedução do IPI devido. Não há se falar em aproveitamento para dedução do IPI devido se tais créditos são estranhos à escrita fiscal do estabelecimento. O direito ao ressarcimento do IPI mediante compensação de débitos tributários próprios, previsto no artigo 11 da Lei 9.779, de 1999, vinculado aos insumos recebidos a partir de 1999, somente pode ser exercido quando esgotados os créditos acumulados em 31 de dezembro de 1998. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Tarásio Campelo Borges Relator. EDITADO EM: 04/03/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Elias Fernandes Eufrásio, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 16/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10923.000235/200728 Acórdão n.º 310100.640 S3C1T1 Fl. 319 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) [1] que rejeitou manifestação de inconformidade [2] contra indeferimento de pedido de ressarcimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI) atrelado a declaração de compensação de débitos vincendos de natureza tributária administrados pela RFB [3]. Segundo informação fiscal que ampara o indeferimento da inicial, os pedidos de ressarcimento ou restituição e as respectivas declarações de compensação (PER/DCOMP) têm como fundamento: artigo 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, IN SRF 33, de 1999, e IN SRF 210, de 2002. Apuração efetuada no 1º trimestre de 2004. Indeferido o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente [4], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 259 a 268 (volume II), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 1. A existência do saldo credor de IPI ao final do trimestre se deu por conta de escrituração no Livro de Registro de Apuração do IPI, de créditos deste imposto relativos à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem efetuadas nesse mesmo período e aplicados na industrialização dos produtos saídos do estabelecimento sem incidência desse imposto, também no mesmo período; 2. As operações que originaram o direito ao crédito de IPI e ao pedido de ressarcimento referemse única e exclusivamente ao 4º trimestre de 2003 e de acordo com o artigo 11 da Lei nº 9.779/99 é legítima a compensação do crédito de IPI apurado nesse trimestre com outros tributos; 3. Equivocase a decisão ao vincular o pedido de ressarcimento em questão à existência do Mandado de Segurança nº 1999.61.14.0047289 em que a empresa pleiteia o direito de refazer sua escrita fiscal desde junho de 1994 a dezembro do 1998 para o fim de efetuar o lançamento a crédito dos valores correspondentes ao IPI incidentes sobre insumos utilizados em seus produtos tributados à alíquota 0%. 4. Os créditos de IPI anteriores a dezembro de 1998 foram objeto de ressarcimento e compensação e são estes créditos que estão vinculados ao processo judicial e 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 276 a 280 (volume II). 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 259 a 268 (volume II). 3 No curso de ação fiscal levada a efeito para aferir a legitimidade do pedido de ressarcimento, o contribuinte informa: “nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.14.0047289, a empresa discute a possibilidade de manutenção do crédito de IPI incidente sobre as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em produtos tributados à alíquota zero, no período de junho de 1994 a dezembro de 1998”. 4 Indeferimento do ressarcimento às folhas 253 e 254 (volume II). Motivo: existência de litígio judicial sobre matéria que pode alterar o pedido de ressarcimento. Fundamento legal do indeferimento: artigo 11 da Lei 9.779, de 1999; e artigo 4º c/c artigo 5º, § 3º, da IN SRF 33, de 1999. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 16/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10923.000235/200728 Acórdão n.º 310100.640 S3C1T1 Fl. 320 3 não os créditos de IPI apurados em operações realizadas após o advento da Lei nº 9.779/99, totalmente legítimos. 5. Equivocase também a decisão ao afirmar que o valor de crédito de IPI existente em 31/12/1998, objeto de discussão no Mandado de Segurança, pode alterar o valor do ressarcimento solicitado e, por esta razão, estaria vedado o ressarcimento, pois os valores de crédito de IPI anteriores a dezembro de 1998 já foram apurados e realizadas as compensações e se ao final tais valores forem acatados, terá a empresa que efetuar o recolhimento dos débitos compensados. Tais valores não tem qualquer relação com os créditos de IPI gerados após o advento da lei nº 9.779/99. Encerrou solicitando que caso que assim não se entenda, deverá o presente processo ficar sobrestado até a decisão final do MS nº 1999.61.14.0047289, que [...] aguarda julgamento no TRF da 3ª Região. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 285 a 292 (volume II). Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [5] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em dois volumes, ora processados com 317 folhas. É o relatório. 5 Despacho acostado à folha 317 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 16/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10923.000235/200728 Acórdão n.º 310100.640 S3C1T1 Fl. 321 4 Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 285 a 292 (volume II), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca de pedido de ressarcimento do imposto sobre produtos industrializados (IPI) mediante compensação de débitos vincendos de natureza tributária administrados pela RFB. Nenhuma controvérsia existe quanto à tutela jurisdicional, sem trânsito em julgado, reconhecendo o direito do sujeito passivo da obrigação tributária: de refazer sua escrita fiscal desde junho de 1994 a dezembro de 1998, e permitir o creditamento do IPI incidentes [sic] sobre as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em produtos tributados à alíquota zero e que sejam utilizados no processo de industrialização, permitindose sua manutenção pelo valor nominal sem correção monetária conforme fundamentação. [6] Nada obstante, o contribuinte não refez sua escrita fiscal para exercer seu direito ao aproveitamento dos créditos reclamados em juízo. Por outro lado, o ressarcimento do IPI mediante compensação de débitos tributários próprios, previsto no artigo 11 da Lei 9.779, de 1999, vinculado aos insumos recebidos a partir de 1999, somente pode ser exercido quando esgotados os créditos acumulados em 31 de dezembro de 1998, a teor do disposto nos artigos 4º e 5º da IN SRF 33, de 4 de março de 1999 [7] [8], verbis: Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a 6 Dispositivo da sentença proferida nos autos do processo 1999.61.14.0047289, da 2ª Vara Federal de São Bernardo do Campo (SP). 7 Fundamento de validade da IN SRF 33, de 1999: Lei 9.779, de 1999, artigo 11. 8 Lei 9.779, de 1999, artigo 11: O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 16/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10923.000235/200728 Acórdão n.º 310100.640 S3C1T1 Fl. 322 5 utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Por conseguinte, como o direito ao ressarcimento do IPI mediante compensação de débitos tributários próprios, previsto no artigo 11 da Lei 9.779, de 1999, vinculado aos insumos recebidos a partir de 1999, somente pode ser exercido quando esgotados os créditos acumulados em 31 de dezembro de 1998, nego provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 16/03/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
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Numero do processo: 15586.000985/2010-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CABIMENTO
Em se constatando contradição no Acórdão proferido, cabível a interposição de Embargos de Declaração, devendo ser sanado o vício apontado.
INFORMAÇÕES EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreton.3.048/1999.
MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO - NÃO CONHECIMENTO
Se a matéria constante do recurso voluntário não é objeto da autuação, não deve ser conhecida pelo órgão julgador.
Numero da decisão: 2002-008.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 2803-001.772, de 16/08/2012 e não conhecer do recurso voluntário, por ausência de lide.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CABIMENTO Em se constatando contradição no Acórdão proferido, cabível a interposição de Embargos de Declaração, devendo ser sanado o vício apontado. INFORMAÇÕES EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreton.3.048/1999. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO - NÃO CONHECIMENTO Se a matéria constante do recurso voluntário não é objeto da autuação, não deve ser conhecida pelo órgão julgador.
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INFORMAÇÕES EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreton.3.048/1999. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO - NÃO CONHECIMENTO Se a matéria constante do recurso voluntário não é objeto da autuação, não deve ser conhecida pelo órgão julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 2803-001.772, de 16/08/2012 e não conhecer do recurso voluntário, por ausência de lide. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Feritas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 85 /2 01 0- 97 Fl. 515DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.328 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15586.000985/2010-97 Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em virtude da apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e/ou GFIP Retificadoras, antes do inicio do procedimento fiscal, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias recolhidas, referentes as competências 01/2006 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 65), o fato gerador da obrigação previdenciária foi levantado com base a remuneração dos segurados empregados e serviços prestados sem vinculo empregatício nas atividades de tradução, auditoria e transporte rodoviário autônomo (fretes pessoa física- taxistas), etc..,, lançados nas folhas de pagamento e nos respectivos resumos. Em sua impugnação (efls. 86), a contribuinte requereu a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD nº 37.258.417-9, em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilio-educação, plano de assistência médico hospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados, dos terceiros. A 11ª Turma da DRJ/RJ1 julgou procedente a autuação (efls. 194) e o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 210) com as mesmas alegações e requerimentos da impugnação. A 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento deu provimento parcial recurso (efls. 256), através do Acórdão 2803-001.772 que consignou o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médica hospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Houve apresentação de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional (Efls. 267) alegando contradição no referido Acórdão, os quais foram parcialmente acolhidos pelo Acórdão 2803-002.488 (efls. 278), nos seguintes termos: I- por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, no sentido de declarar o cancelamento dos créditos relativos ao fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura). II- por voto de qualidade, em manter o lançamento fiscal para os valores decorrentes de planos de assistência médica hospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados, nos termos do voto do Redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Inconformados com referida decisão foram apresentados Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte tendo sido admitidas as seguintes matérias para rediscussão: a) Recurso Especial da Fazenda Nacional: “fornecimento de auxílio alimentação em cestas básicas e vales/tickets alimentação”; b) Recurso Especial do Contribuinte: i) Auxílio-educação pago aos dependentes; e ii) Participação nos Lucros ou Resultados – Acordo Prévio. Desta forma, foi proferido o Acórdão 9202-010.350 – CSRF / 2ª Turma que assim decidiu (efls. 477): Fl. 516DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.328 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15586.000985/2010-97 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ANÁLISE DE QUESTÕES SEM RELAÇÃO COM EMBARGOS INTERPOSTOS. NULIDADE DA DECISÃO. Constitui vício de nulidade, por preterição de defesa, a emissão de decisão em face de embargos, nas hipóteses em que são desconsiderados os argumentos suscitados pela parte embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte e em anular o Acórdão nº 2803- 002.488, de 20 de junho de 2013, com encaminhamento dos autos a colegiado ordinário, para que seja proferida nova decisão, considerando-se as razões efetivamente suscitadas nos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Nos termos do § 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, não participou do julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Conselheiro Eduardo Newman de Mattera Gomes, tendo em vista que o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa já havia proferido seu voto em sessão realizada em setembro/2021. Os autos então foram encaminhados à este colegiado para que se proceda ao exame do que fora efetivamente suscitado nos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, no que se refere à falta de pertinência entre as matérias tratadas no Acórdão de Recurso Voluntário e as razões que fundamentaram o lançamento (não inclusão em GFIP de fatos geradores relacionados a remunerações regularmente informadas em folhas de pagamento e valores atribuídos a contribuintes individuais em virtude de serviços prestados nas atividades de tradução, auditoria e transporte rodoviário autônomo). Considerando que a Turma original não mais existe nos colegiados da 2ª Seção foram os autos distribuídos à este conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Feritas de Souza Costa - Relator. Como dito no relatório acima, o Acórdão 9202-010.350 – CSRF / 2ª Turma determinou o retorno dos autos para nova apreciação dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Referidos embargos trouxeram em síntese as seguintes razões: A questão objeto dos presentes embargos cinge-se à ocorrência de supressão de instância no julgado, tendo em vista a análise de matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, resultando ainda em julgamento extra petita. De fato, o julgado recorrido analisou as seguintes matérias: auxílio-educação, plano de assistência médico-hospitalar e odontológico para filhos e dependentes desempregados e participação dos lucros e resultados. Ocorre que, restou omisso o acórdão recorrido quanto à inexistência de apreciação das mencionadas matérias pela decisão de primeira instância. A DRJ não analisou as matérias em comento exatamente por serem matérias que não motivaram o presente auto de infração e, portanto, estão fora do processo. Fl. 517DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.328 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15586.000985/2010-97 [...] Portanto, resta patente que o contribuinte apenas impugnou matéria não objeto do presente auto de infração, que, corretamente, não foi apreciada pela primeira instância, sob pena de julgamento extrapetita. Assim, ao analisar matéria que não foi apreciada em primeira instância o acórdão recorrido incorreu em supressão de instância. [...] Assim, resta patente não apenas a supressão de instância, mas também ofensa ao princípio do efeito devolutivo, vez que a matéria não foi objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, logicamente, também não poderia ser apreciada pela autoridade ad quem. [...] Assim, a douta Câmara pronunciou-se sobre ponto jurídico não debatido nos autos. Portanto, trata-se o r. acórdão embargado, data máxima vénia, de julgamento extra petita, que merece ser reformado nesse particular. [...] Dessa forma, há omissão no voto condutor do r. acórdão embargado, pois não foram expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação de matérias não pertencentes ao presente processo e não apreciadas pela decisão de primeira instância. [...] Passamos então a nova análise dos Embargos opostos pela Fazenda Nacional. Ao meu sentir, razão cabe à embargante. Ao analisar a presente autuação, verifica- se que o lançamento ocorreu em virtude da apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e/ou GFIP Retificadoras, antes do inicio do procedimento fiscal, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias recolhidas, referentes as competências 01/2006 a 12/2007. Em sua impugnação, o contribuinte requereu a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD nº 37.258.417-9, em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilio-educação, plano de assistência médico hospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados, dos terceiros. Ocorre que, conforme mencionado no Acórdão recorrido, o contribuinte apenas impugnou matéria não objeto do presente auto de infração. Isso se verifica da análise do Relatório Fiscal onde consta que as informações com dados omissos ou inexatos foram recolhidos das remunerações pagas aos segurados Empregados da Empresa, constantes das Folhas de Pagamento e remunerações pagas por serviços prestados sem vinculo empregatício nas atividades de tradução, auditoria e transporte rodoviário autônomo (fretes pessoa física - taxistas), etc, aos segurados discriminados na planilha anexa ao referido relatório. Neste RF não há menção a auxílio alimentação, auxílio-educação pago aos dependentes ou a Participação nos Lucros ou Resultados, mas tão somente a remunerações regularmente informadas em folhas de pagamento, bem assim a valores atribuídos a contribuintes individuais em virtude de serviços prestados nas atividades de tradução, auditoria e transporte rodoviário autônomo. No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (efls. 59), que no mesmo período da presente autuação, foram lançados 3 Autos de Infração. Talvez algum destes Fl. 518DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.328 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15586.000985/2010-97 tenha sido relativo à obrigação principal com as rubricas questionadas neste processo pelo contribuinte. Porém os argumentos da impugnação são estranhos aos presentes autos Em seu recurso, a autuada reitera os mesmos argumentos da impugnação e, no meu entendimento, equivocadamente a 3ª Turma Especial desta 2ª Seção de Julgamento, por duas vezes tratou destes assuntos: uma no Acórdão de Recurso voluntário nº 2803-001.772, que resultou na oposição dos Embargos de Declaração ora reanalisado e a outra no Acórdão 2803- 002.488, que foi anulado pelo Acórdão 9202-010.350 – CSRF / 2ª Turma determinado a nova análise do Embargo acima mencionado. Importante frisar que a própria decisão da Câmara Superior acima citada fundamenta que as decisões relativas às matérias dos recursos não teriam qualquer influência em relação à penalidade aplicada, pois, o presente Auto de Infração não tem pertinência alguma com valores associados a qualquer desses benefícios. A própria decisão de piso tratou de demonstrar esse fato (efls 201/202) assim fundamentando o voto: Matéria não impugnada 12. Cumpre destacar que o contribuinte, na peça impugnatória, não contestou as remunerações efetuadas, cuja falta de declaração em GFIP motivou o presente auto de infração. A matéria não impugnada tornou-se fato incontroverso, a rigor do art. 17 do Decreto 70.235/72: (...) 13. Tal fato, juntamente com a ausência de provas que demonstra que a falta não foi cometida, toma a impugnação apresentada insuficiente para obter a improcedência requerida. Da matéria impugnada (não motivadora do presente auto de infração) 14. 0 fato gerador das contribuições previdenciárias impugnadas foi a remuneração paga aos empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médico- hospitalar/odontológica e participação nos lucros e resultados, em desacordo com as normas legais. 15. Como já exposto, a Impugnante contesta apenas remunerações, consideradas como base de calculo de contribuições previdenciárias, que não motivaram a lavratura do presente auto de infração. A matéria em questão já foi apreciada no auto de infração sobre a obrigação tributaria principal, julgado procedente, conforme acórdão proferido no processo de n° comprot 15586.000982/2010-53 (debcad 37.258.415-2), de número 12- . 038.598, datado de 14/07/2011. Assim, entendo não caber reparo na decisão de primeira instância, não havendo lide a ser resolvida, devendo ser mantido o presente auto de Infração. Conclusão Ante ao exposto, Voto no sentido de Acolher o Embargos de Declaração para, dando-lhes efeitos infringentes, Anular o Acórdão 2803-001.772, e Não Conhecer do Recurso Voluntário por ausência de lide, mantendo a autuação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Feritas de Souza Costa Fl. 519DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.328 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15586.000985/2010-97 Fl. 520DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10580.729662/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL.
Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. Ademais, trata-se de matéria já sumulada neste Conselho.
REMUNERAÇÃO. PAGAMENTO A DESTEMPO. JUROS DE MORA. IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 855.091/RS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 808. APLICÁVEL.
O IRPF não incide sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. FONTE PAGADORA. INFORMAÇÃO EQUIVOCADA. PREENCHIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDENTE. SÚMULAS CARF. ENUNCIADO Nº 73. APLICÁVEL.
Afasta-se a multa de ofício decorrente de infração apurada, quando o contribuinte é induzido a classificar rendimento tributável como se isento fosse, a partir de informações prestadas equivocadamente pela fonte pagadora.
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Será efetuado o lançamento de ofício quando o contribuinte omitir rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2402-012.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para cancelar o crédito atinente à multa de ofício e aos juros de mora. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Júnior, que deu-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-012.591, de 8 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10580.729664/2011-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros(a): Rodrigo Duarte Firmino, Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a Conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL. Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. Ademais, trata-se de matéria já sumulada neste Conselho. REMUNERAÇÃO. PAGAMENTO A DESTEMPO. JUROS DE MORA. IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 855.091/RS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 808. APLICÁVEL. O IRPF não incide sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. FONTE PAGADORA. INFORMAÇÃO EQUIVOCADA. PREENCHIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDENTE. SÚMULAS CARF. ENUNCIADO Nº 73. APLICÁVEL. Afasta-se a multa de ofício decorrente de infração apurada, quando o contribuinte é induzido a classificar rendimento tributável como se isento fosse, a partir de informações prestadas equivocadamente pela fonte pagadora. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Será efetuado o lançamento de ofício quando o contribuinte omitir rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para cancelar o crédito atinente à multa de ofício e aos juros de mora. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Júnior, que deu-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-012.591, de 8 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10580.729664/2011-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros(a): Rodrigo Duarte Firmino, Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a Conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-17T23:38:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-17T23:38:31Z; Last-Modified: 2024-04-17T23:38:31Z; dcterms:modified: 2024-04-17T23:38:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-17T23:38:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-17T23:38:31Z; meta:save-date: 2024-04-17T23:38:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-17T23:38:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-17T23:38:31Z; created: 2024-04-17T23:38:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2024-04-17T23:38:31Z; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-17T23:38:31Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.729662/2011-04 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-012.592 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2024 Recorrente EVERALDO MACHADO COUTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL. Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. Ademais, trata-se de matéria já sumulada neste Conselho. REMUNERAÇÃO. PAGAMENTO A DESTEMPO. JUROS DE MORA. IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 855.091/RS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 808. APLICÁVEL. O IRPF não incide sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. FONTE PAGADORA. INFORMAÇÃO EQUIVOCADA. PREENCHIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDENTE. SÚMULAS CARF. ENUNCIADO Nº 73. APLICÁVEL. Afasta-se a multa de ofício decorrente de infração apurada, quando o contribuinte é induzido a classificar rendimento tributável como se isento fosse, a partir de informações prestadas equivocadamente pela fonte pagadora. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Será efetuado o lançamento de ofício quando o contribuinte omitir rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 96 62 /2 01 1- 04 Fl. 174DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para cancelar o crédito atinente à multa de ofício e aos juros de mora. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Júnior, que deu-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-012.591, de 8 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10580.729664/2011-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros(a): Rodrigo Duarte Firmino, Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a Conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da omissão de rendimentos do trabalho e decorrentes de ação trabalhista. Autuação e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância (Acórdão nº 06-51.105 - proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), transcritos a seguir: Trata-se de impugnação (fls. 2-14 numeração do processo em meio digital) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Nº 2009/191825609702473 (fls. 18-21), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2009, ano-calendário 2008, que apurou R$ 5.793,26 de imposto de renda suplementar, R$ 4.344,94 de multa de ofício, R$ 1.249,02 de juros de mora calculados até 29/07/2011, totalizando crédito tributário no valor de R$ 11.387,22 em virtude de omissão de rendimentos do trabalho e decorrentes de ação trabalhista. 2. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 71), acompanhada dos documentos de fls. 15-35, alegando que: a) A impugnação é tempestiva pois a Notificação de Lançamento foi entregue em 27/07/2011. Fl. 175DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 b) A omissão de rendimentos, apontada pela Receita Federal na Notificação de Lançamento, por conta dos valores recebidos de pessoa jurídica no processo trabalhista 01966-1987-004-05-00-2, não observou a cópia do Acórdão de nº 15022/08, constante dos diversos documentos apresentados pelo contribuinte e que demonstram todo o desenrolar da ação trabalhista analisada. c) Com essa atitude a Receita Federal se omitiu e desrespeitou o que foi determinado pela Justiça do Trabalho na referida decisão. d) O valor indicado como omissão de rendimentos pela Receita Federal corresponde ao valor dos juros de mora e correção monetária, entretanto, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região declarou que não incide imposto de renda sobre essas verbas. e) O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Melo, ao proferir o seu voto no Recurso Extraordinário de nº 196.517-7 PR, confirmou que cabe à Justiça do Trabalho decidir sobre os descontos fiscais em torno da decisão proferida pela mesma. f) Diante da referida decisão do STF, o Tribunal Superior do Trabalho cancelou as Orientações Jurisprudenciais em torno do assunto e as unificou editando a Súmula nº 368, que versa sobre a competência da Justiça do Trabalho para decidir sobre os descontos fiscais. Desse modo, não há dúvidas que compete à Justiça do Trabalho a definição em torno da incidência do imposto de renda sobre o valor resultante do título executivo judicial proferido pela mesma. g) Portanto, não cabe à Receita Federal ignorar mandamento judicial, sob pena de violar a Constituição Federal, em especial os incisos XXXV e XXXVI do art. 5º desta Carta Magna. h) No acórdão, indicado no item b, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região deixa claro que o imposto de renda incide apenas sobre proventos que impliquem em aumento de patrimônio, com isso, se constata que juros de mora e correção monetária recebidos pelo Impugnante implicam em ressarcimento pela demora do pagamento, o que não pode ser considerado como acréscimo no patrimônio. i) Nestes termos, pode-se asseverar que os juros e correção monetária são incompatíveis com o conceito de renda (englobando os proventos de qualquer natureza), conforme balizado pelo art. 43 da Lei de nº 5.172/66. j) Importante também destacar que a decisão do TRT se encontrada moldada com a Orientação Jurisprudencial de nº 400 do TST. k) Reitera-se que, a decisão em comento já transitou em julgado, de forma que nenhum argumento trazido pela Receita Federal será suficiente para desconsiderar matéria protegida pela coisa julgada, sob pena de gerar uma verdadeira insegurança jurídica. l) Nesse sentido, apenas por argumentação, serão apresentados outros fundamentos que corroboram com a decisão em destaque e confirmam que não é cabível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, correção monetária, bem como, não é cabível a multa de ofício. m) O Decreto nº 3.000/99, em seu art. 55, inciso XIV, ao dispor sobre a inclusão na base de cálculo do imposto de renda os juros de mora, desrespeitou os limites legais, afinal, o citado decreto não respeitou o inciso I do § 1º do art. 46 da Lei nº 8.541/92, in verbis. Fl. 176DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 m) O Decreto nº 3.000/99 também violou o art. 84, inciso IV da Constituição Federal, haja vista que o mesmo apenas permite ao Presidente da República expedir decretos para fiel execução da lei. n) Portanto, é inaplicável a incidência exposta no Decreto nº 3.000/99, pois viola a legalidade ao determinar incidência de imposto de renda sobre juros de mora, ainda mais quando os juros moratórios são declarados como parcela indenizatória na esfera trabalhista. o) A multa de ofício de 75% aplicada ao Impugnante é altamente desproporcional e se mostra confiscatória, ou seja, fere o mandamento constitucional que protege o contribuinte de não sofrer confisco ao ser cobrado tributos, conforme dispõe o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Doutrina e jurisprudência convergem com esse mesmo entendimento. p) Deve ser aplicada a lei mais benéfica em favor do Impugnante, conforme explana o art. 112 do Código Tributário Nacional. Sendo assim, mesmo que ainda incida multa, o que não se acredita, esta deve velar pelo respeito aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como se aplicar a norma mais benéfica ao contribuinte, qual seja o art. 59 da Lei 8.383/91, determinando que a multa em comento seja na monta de 20% sobre o valor do tributo que a Receita Federal entender cabível. q) Conclui afirmando que foi demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal e que o Impugnante espera e requer: - que seja acolhida esta impugnação, anulando-se o débito fiscal reclamado, em sinal de total respeito à decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região; - que seja expurgada a multa de ofício, por consequência da anulação do lançamento indevido; - e, apenas por precaução, requer ainda que a multa de ofício de 75%, ante a sua natureza confiscatória, seja reduzida ao percentual de 20%, conforme art. 59 da Lei 8.383/91, sendo incidente sobre o imposto de renda considerado devido. (Destaque no original) .Julgamento de Primeira Instância A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a contestação do Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 Ementa: SISTEMÁTICA DE COBRANÇA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE NO ÂMBITO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA AUDITOR-FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DAS VERBAS. COISA JULGADA. A competência do juízo do trabalho para cobrar o imposto de renda retido na fonte, em caso de omissão da fonte pagadora, não elide a competência da Receita Federal do Brasil para proceder à análise e tributação em processo de fiscalização ou por ocasião da revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. A natureza jurídica das verbas Fl. 177DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 decididas pela Justiça do Trabalho não faz coisa julgada material em matéria tributária. A apreciação sobre a tributação das verbas trabalhistas deve ser feita pelo Auditor- Fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário, possui previsão legal e aplica-se na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, má- fé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. Impugnação Improcedente (Grifo no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, ratificando os argumentos da impugnação. Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 25/05/2015 (processo digital, fl. 81), e a peça recursal foi interposta em 9/06/2015 (processo digital, fl. 82), dentro do prazo legal para sua interposição. Fl. 178DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. preliminares Princípios constitucionais Ditos princípios caracterizam-se preceitos programáticos frente às demais normas e extensivos limitadores de conduta, motivo por que têm apreciação reservada ao legislativo e ao judiciário respectivamente. O primeiro, deve considerá-los, preventivamente, por ocasião da construção legal; o segundo, ulteriormente, quando do controle de constitucionalidade. À vista disso, resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa, sob o pressuposto de se vê tipificada a invasão de competência vedada no art. 2º da Constituição Federal de 1988. Nessa perspectiva, conforme se discorrerá na sequência, o princípio da legalidade traduz adequação da lei tributária vigente aos preceitos constitucionais a ela aplicáveis, eis que regularmente aprovada em processo legislativo próprio e ratificada tacitamente pela suposta inércia do judiciário. Por conseguinte, já que de atividade estritamente vinculada à lei, não cabe à autoridade tributária sequer ponderar a conveniência da aplicação de outro princípio, ainda que constitucional, em prejuízo do desígnio legal a que está submetida. Por oportuno, o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária prevista no artigo 113 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, à luz do art. 142, § único, do mesmo Código, trata-se de atividade legalmente vinculada, razão por que a fiscalização está impedida de fazer juízo valorativo acerca da oportunidade e conveniência da aplicação de suposto princípio constitucional, enquanto não traduzido em norma proibitiva ou obrigacional da respectiva conduta, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, concernente aos argumentos recursais de que tais comandos foram agredidos, manifesta-se não caber ao CARF apreciar questão de feição constitucional. Nestes termos, a Medida Provisória n.º 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009, acrescentou o art. 26-A no Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual determina: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 179DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 [...] § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ademais, trata-se de matéria já pacificada perante este Conselho, conforme Enunciado nº 2 de súmula da sua jurisprudência, transcrito na sequência: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do exposto, improcede a argumentação do Recorrente, porquanto sem fundamento legal razoável. Mérito Inicialmente vale transcrever excertos tanto da decisão de origem como do recurso voluntário interposto, que delimitam os contornos do mérito controvertido em análise como sendo as alegações recursais atinentes à incidência do IRPF sobre juros e correção monetária, assim como a aplicação da multa de ofício, nestes termos: Decisão de origem (processo digital, fls. 68 a 78): Da Ação Trabalhista 5. Alega o Impugnante que a Receita Federal considerou, de forma equivocada, como omissão de rendimentos os juros e correção monetária decorrentes dos valores recebidos na ação trabalhista em comento. A Receita Federal tomou essa atitude em decorrência da não observação da decisão proferida no acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região. [...] 8. Para uma análise mais aprofundada da questão, inicialmente, cabe informar que a competência da Justiça do Trabalho está delineada no art. 114 da Constituição Federal: [...] Fl. 180DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 9. Em vista do dispositivo constitucional, cumpre ressaltar que a Justiça do Trabalho possui competência para pacificar a controvérsia que verse sobre uma relação jurídica laboral. Não se inclui entre os temas de sua competência a análise de matéria tributária, esta afeta à Justiça Comum, Federal ou Estadual. No entanto, o conteúdo pecuniário decorrente da decisão trabalhista, por ser uma manifestação de riqueza definida pelo legislador como fato gerador de alguns tributos, possui reflexos tributários. [...] 11. Nota-se que a legislação aplicável supramencionada não elide em momento algum as competências do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil para lançar os créditos tributários da União que versem sobre verbas decididas no âmbito da Justiça do Trabalho. Nem mesmo quando a legislação faculta à União recorrer das decisões sob pena de preclusão a competência do Auditor-Fiscal é elidida, uma vez que a preclusão para manifestação do órgão jurídico não faz decair o direito de lançar o crédito tributário; tão somente, afasta a discussão do crédito ou a sua cobrança – se for o caso – naquele âmbito processual trabalhista. [...] 21. Quanto à natureza jurídica das verbas decididas no âmbito da Justiça do Trabalho e a possível vinculação do Auditor-Fiscal ao que foi sentenciado, dada a prejudicialidade da matéria (itens 16 e 17) e a incompetência absoluta do juiz do trabalho para conhecer de causa tributária (item 9 cumulado com art. 470 do CPC), entende-se que a sentença trabalhista não faz coisa julgada material (efeitos exoprocessuais) em relação à referida natureza decidida ou acordada, porém, tão somente, acarreta coisa julgada formal (efeitos endoprocessuais). Assim, os rendimentos recebidos em sede trabalhista ficam sujeitos à análise e tributação pela Receita Federal do Brasil por ocasião da revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte ou em processo de fiscalização. Questionamento sobre a incidência tributária fica sujeito às regras do PAF e, eventualmente, sujeito a julgamento perante a Justiça Federal. Recurso voluntário (processo digital, fls. 84 a ): Incidência de IRPF sobre juros moratórios Tocante à presente matéria, a razão está com o Sujeito Passivo, já que, realmente, O IRPF não incide sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Trata-se de matéria pacificada pelo STF na sistemática da Repercussão Geral, TEMA 808, cuja tese transcrevemos: Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Fl. 181DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 Multa de ofício Afasta-se a multa de ofício decorrente de infração apurada, quando o contribuinte é induzido a classificar rendimento tributável como se isento fosse, a partir de informações prestadas equivocadamente pela fonte pagadora. Trata- se de entendimento já pacificado por este Conselho, mediante o enunciado de Súmula CARF nº 73, verbis: Enunciado de Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Ante o exposto, conforme visto precedentemente, relativamente aos rendimentos auferidos no correspondente ano-calendário, o Recorrente preencheu e apresentou sua declaração de ajuste anual, a partir das informações lhes foram prestadas pela fonte pagadora, a partir do delineamento dado pela Justiça do Trabalho. Nessa perspectiva, suposta manutenção da referida autuação seria tida por injusta e desprovida de motivo razoável, razão por que o crédito dela decorrente deverá ser cancelado. Fundamentos da decisão de origem O art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, faculta o relator fundamentar seu voto mediante os fundamentos da decisão recorrida, bastando registrar dita pretensão, nestes termos: Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. [...] §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; Nessa perspectiva, quanto às demais questões levantadas no recurso, o Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse afastar minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem. Logo, amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do julgamento a quo (processo digital, fls. 64 a 78). Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, dou-lhe parcial provimento, para cancelar o crédito atinente à multa de ofício e aos juros de mora. Fl. 182DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-012.592 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.729662/2011-04 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para cancelar o crédito atinente à multa de ofício e aos juros de mora. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente Redator Fl. 183DF CARF MF Original
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Numero do processo: 18108.000067/2008-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
SALÁRIO EDUCAÇÃO.
O salário-educação previsto no art. 212, § 5° da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96.
REMISSÃO DE DÉBITOS.
Dentre as competências atribuídas ao julgador o CARF não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 2001-006.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que alega remissão e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alfredo Jorge Madeira Rosa (suplente convocado(a)), Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Wilsom de Moraes Filho.
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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O salário-educação previsto no art. 212, § 5° da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96. REMISSÃO DE DÉBITOS. Dentre as competências atribuídas ao julgador o CARF não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que alega remissão e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alfredo Jorge Madeira Rosa (suplente convocado(a)), Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Wilsom de Moraes Filho. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 00 67 /2 00 8- 77 Fl. 432DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 1. Conforme relatório fiscal, fls. 33/37, trata-se do crédito tributário (DEBCAD n° 37.122.515-9) relativo as contribuições para o salário-educação, a saber, glosas de deduções realizadas a título de indenização de dependentes, com origem em representação administrativa encaminhada pelo FNDE à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, fls. 38/42, período 02/1997 a 06/1997 e 12/2002 (estabelecimento matriz); 07/1997 (filial CNPJ final 0008-63) e 01/1997 a 11/2001 (filial CNPJ final 0031-02), com valor consolidado do débito de R$ 19.546,59, em 24/10/2007. 1.1. Integram o presente processo os relatórios discriminados as fls. 01 e os ofícios enumerados as fls. 37 no relatório fiscal, a saber: ofícios FNDE/DIFIN n° 25/2007; a referida representação administrativa; o demonstrativo de divergência por estabelecimento; o quadro de lançamento de débito; o ofício COFINS/GAB n° 2007/82; o Oficio n° 33/2007 da CGEOP/DIFIN/FNDE/MEC; a relação de alunos beneficiários do SME e o demonstrativo de recolhimento do salário—educação. 2. A Impugnante apresentou impugnação tempestiva, fls. 288/291, acompanhada dos documentos de fls. 292/370 alegando, em síntese: 2.1. que foi surpreendida me 28.11.2007 com o recebimento da Notificação, afirmando que esta foi formalizada "à revelia de um procedimento de fiscalização anteriormente agendado para ocorrer até o dia 1° de janeiro de 2008" ... "retirando a oportunidade de demonstrar a regularidade de seus procedimentos", culminando por cercear o seu direito de defesa; 2.2. acrescenta, com fundamento no art. 173, I e 150, § 4°, ambos do CTN o período anterior aos últimos cinco anos (outubro de 2002) foram abrangidos pela decadência; 2.3. argumenta a improcedência dos créditos constituídos, exemplificando com os segundos semestres de 2001 e 1996, 1997 e 2000, dizendo que no primeiro não houve irregularidade nas deduções e nos demais existem créditos A favor da Impugnante; acrescenta que no 2° semestre de 2002 a glosa também é indevida, juntando comprovantes de suas alegações; 2.4. Em conclusão requer o cancelamento e arquivamento da Notificação. DA DILIGÊNCIA 3. Em decorrência da análise preliminar do presente processo por esta Turma, consoante Despacho n° 106 de 13/06/2008, fls. 373/375, foi verificada a necessidade de realização de diligência fiscal para esclarecimentos complementares e elaboração de relatório fiscal complementar para esclarecimento e demonstração quanto a: 3.1. a origem da ação fiscal e local da lavratura x localidade de endereço do contribuinte; 3.2. informação, se for o caso, de que se trata de crédito constituído com base em documentos informados pelo próprio Contribuinte e que não ensejam necessidade de verificação de outros elementos, antes do lançamento, razão pela qual nada constou no TIAF para que fossem apresentados documentos nem emitido TIAD; 3.3. confirmação (ratificação) ou retificação dos valores relativos ao 2° semestre/2001 da filial CNPJ final 0031-02 consoante item 3.3 supra. 3.4. Ainda, foi observado que considerando a abrangência deste tipo de ação fiscal (FNDE, vide Ofício n° 33/2007 — CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, fls. 41 faz referência a 2.919 Representações Administrativas e Memo as fls. 287) foram encaminhados, por e- mail, ao Chefe da Divisão de Suporte a Atividade Fiscal Previdenciária e ao Coordenador-Geral de Fiscalização questionamentos sobre os procedimentos (diligências, por ex.) a serem adotados em processos desta natureza, sem, no entanto, resposta até o momento. 3.5. Por fim foi anotado que após o cumprimento da diligência o contribuinte deveria ter ciência e receber as respectivas cópias, com abertura de prazo para manifestação. Fl. 433DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 3.6. A diligência foi devidamente cumprida consoante documento anexado as fls. 376 e informação fiscal de fls. 377. 3.7. Nestas condições o presente processo retornou a esta DRJ. Entretanto, tendo sido constatado por esta Turma que o contribuinte não teve ciência da referida manifestação fiscal e documento os autos foram encaminhados para tais providências através do Despacho n° 20/2009 (fls. 378/379). 3.8. O Contribuinte foi devidamente cientificado, fls. 381/382, e apresentou manifestação tempestiva as fls. 383/385 consoante certificado as fls. 387 nos seguintes termos: 3.8.1. inicialmente afirma que a fiscalização agiu acertadamente quanto ao reconhecimento do período prescrito em razão da Súmula vinculante n° 08 do STF, mas discorda da manutenção da glosa referente a competência dezembro de 2002 por entender infundada; 3.8.2. acrescenta que os documentos foram enviados pelo contribuinte ao respectivo órgão e que o "argumento" da fiscalização é "absurdo" e não legitima a glosa (fls. 384) e, considerando que apresentou os documentos, o "problema" deve ser solucionado no âmbito interno de administração, reafirmando a insubsistência do procedimento adotado pela RFB; 3.8.3. por outro lado, entende que o débito está remido considerando o valor da glosa (R$ 882,00) e o art. 14 da Lei 11.941/2009 que concede remissão dos débitos com a Fazenda Nacional aos débitos vencidos há cinco anos ou mais em 31/12/2007, com valor consolidado, nesta data, igual ou inferior a dez mil reais. 3.8.4. Em conclusão afirma que restou comprovado que a impugnante cumpriu suas obrigações e que restou evidenciada a improcedência da Notificação, com o que requer o total cancelamento e arquivamento. Ê o relatório. A decisão de piso foi parcialmente favorável à pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n o 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). SALÁRIO EDUCAÇÃO. O salário-educação previsto no art. 212, § 5° da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96. REMISSÃO DE DÉBITOS. Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Fl. 434DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 Cientificado da decisão de primeira instância em 13/06/2012, o sujeito passivo interpôs, em 06/07/2012, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) reitera todas as alegações realizadas em impugnação para o mês de 12/2002 (R$ 882,00); b) comprova o envio do arquivo no sistema FNDE; c) remissão de débitos inferiores a R$ 10.000,00 (art. 14 da lei 11941/2009). É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço parcialmente, conforme abaixo detalho. O litígio recai sobre a comprovação dos requisitos para dedução ao salário- educação pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental — SME. Em relação à remissão do débito alegada pela recorrente, trata-se de matéria que não compete sua aplicação ao Delegacias de Julgamento e CARF, motivo pelo qual a irresignação recursal não pode ser conhecida. Destarte, não há notícia nos autos de sua aplicação ao caso concreto. Impõe-se esclarecer que a aplicação da remissão não é de competência designada para as Delegacias da Receita Federal do Brasil ou CARF, nos termos, respectivamente, do art. 290 da Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020 e art. 1º da Portaria ME n. 1634 de 2023: Art. 290. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) compete gerir e executar, no âmbito da respectiva região fiscal e de acordo com a distribuição dos processos de trabalho pela SRRF, as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de fiscalização, de revisão de ofício, de atendimento e orientação ao cidadão, de controle aduaneiro e de vigilância e repressão. Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda (RFB). Em relação ao mérito do recurso, tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Fl. 435DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 (...) Passa-se, então, a análise das alegações relativas a outra preliminar e à de mérito referentes à competência remanescente. 5.16. Quanto a pretensão a nulidade sob o argumento de formalização do lançamento sem análise de documentos da ora Impugnante, com consequente cerceamento do seu direito de defesa, pois foi impedida de apresentar sua primeira defesa na fase instrutória, durante a ação fiscal, não merece guarida conforme a seguir demonstrado. 5.17. Desde logo cumpre esclarecer que não há amparo oferecido por nosso ordenamento jurídico no sentido de garantir o direito ao contraditório e a ampla defesa durante a ação fiscal (fiscalização propriamente dita "fase instrutória") que culminará — ou não — com lançamento de débito (caso este seja constatado), sendo certo que somente a partir da apresentação da impugnação é que se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal com a obrigatória observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 5.18. Neste sentido, o entendimento de tais garantias no processo administrativo, se depreende da interpretação conjunta e sistemática do inciso LV do art. 5° da Constituição Federal; o Decreto n° 70.235/72 e a Lei 9.784/99. 5.19. Cumpre ressaltar que o processo administrativo de débito, através do qual se assegura o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5°, LV, da Constituição Federal, inicia-se com a impugnação tempestiva do sujeito passivo, não havendo que se falar na aplicação irrestrita desse instituto em fase de procedimento fiscal, o qual é marcado pelo poder investigatório do Fisco. Acrescenta-se o art. 2° da Portaria 10.875/2007, abaixo transcrito, que, ao tempo do lançamento e da impugnação, disciplinava o processo de débito previdenciário: Art. 220 processo administrativo fiscal inicia-se: I - com a impugnação tempestiva da NFLD e do Auto de Infração; II - com o recurso contra o cancelamento de isenção, o indeferimento de pedido de isenção, de restituição ou de reembolso na forma, respectivamente, do §8°, IV, do art. 206, do § 52 do art. 208, do art. 254 e do § 32 do art. 255 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n2 3.048, de 6 de maio de 1999. 5.20. Observa-se que com a edição da Lei n° 11.457/2007, a Secretaria da Receita Federal (SRF) passou a denominar-se Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e para regulamentar o processo administrativo fiscal relacionado as contribuições previdenciárias e as contribuições devidas a outras entidades e fundos, inicialmente, foi editada a mencionada Portaria RFB n° 10.875/2007. 5.21. A partir de 01/04/2008, por força do art. 25 da Lei n° 11.457/2007, os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais relacionados 6. determinação e exigência de créditos tributários referentes as contribuições previdenciárias e as contribuições devidas a outras entidades e fundos passaram a ser regidos pelo Decreto n° 70.235/1972 que estabelece o início dos procedimentos fiscais, a formalização da exigência do crédito tributário e que a "a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento" (art. 14), do que se conclui que antes disso não há previsão de manifestação contraditória do contribuinte. 5.22. E, ainda mais: no presente caso, todos os documentos que deram origem à apuração da glosa decorreram de documentos da empresa informados ao FNDE (a saber, as informações ao FNDE dos beneficiários com a indenização através da Relação de Alunos Indenizados — RAT, em atendimento as Resoluções editadas pelo FNDE, relacionadas no Relatório Fiscal, em especial à Resolução FNDE n° 02, de 20/08/2002), sendo desnecessária a presença física do Auditor Fiscal para a apuração do débito decorrente deste confronto documental. 5.23. Nestas condições, afasta-se o reconhecimento de cerceamento de defesa e a pretensão de nulidade do lançamento sob os argumentos acima apreciados. Fl. 436DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 6. Quanto ao argumento constante nas impugnações no sentido de que é indevida a glosa de dezembro/2002, conforme documentos juntados, também por este aspecto a alegação e documentos não são eficientes para afastar o lançamento, como será demonstrado a seguir. 6.1. O salário-educação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltadas para o financiamento do ensino fundamental público, prevista no artigo 212, §5°, da Constituição Federal, regulamentada pelas Leis n`'s 9.424/96, 9.766/98, Decreto n's 3.142/1999 e 6.003/2006 e Lei no 11.457/2007. 6.2. O benefício de dedução ao salário-educação foi instituído pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental — SME, programa pelo qual a empresa, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n ° 14/96, propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes, por intermédio das seguintes modalidades: (i) aquisição de vagas na rede de ensino particular; (ii) escola própria gratuita mantida pela empresa e (iii) indenização de dependentes; sendo glosadas, no presente lançamento, estas últimas deduções, conforme minuciosamente demonstrado no Relatório Fiscal e demais relatórios integrantes do lançamento. 6.3. A indenização de dependentes, procedimento previsto na legislação, permitia que a empresa deduzisse do valor da contribuição ao salário educação os reembolsos feitos aos empregados, mediante comprovação semestral de frequência e pagamento das mensalidades, de seus dependentes no ensino fundamental em escola privada, cujo valor por vaga corresponde a R$ 21,00 (vinte e um reais) mensais, que no semestre equivalia a R$ 126,00 (cento e vinte e seis reais). 6.4. Tal direito que perdurou até a entrada em vigor da Lei n° 9.424/96, se manteve apenas para os alunos que já vinham sendo atendidos pelo programa, até o término do ensino fundamental, conforme disposto no art. 15 da referida Lei: Art 15. 0 Salário-Educação, previsto no art. 212, § 50, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991. § 3° Os alunos regularmente atendidos, na data da e dição desta Lei, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes, no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, h conta de deduções da contribuição social do Salário-Educação, na forma da legislação em vigor, terão, a partir de I° de janeiro de 1997, o benefício assegurado, respeitadas as condições em, que foi concedido, e vedados novos ingressos nos termos do art. 212, § 5°, da Constituição Federal. (g.n) 6.5. O Decreto n° 3.142/99, que regulamentou a contribuição social do salário-educação prevista no art. 212, §5 °, da Constituição, no art. 15 da Lei n ° 9.424/1996 e na Lei n° 9.766/1998, também tratou do assunto: Art. 10. O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental constitui-se no programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salário- educação, propicia aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, por intermédio das seguintes modalidades: I - aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite de vagas geradas por sua contribuição; II - escola própria gratuita mantida pela empresa para os seus empregados, dependentes e alunos da comunidade; III - indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. Fl. 437DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 § 1º As empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental ou pela arrecadação direta recolherão a contribuição social do salário-educação ao FNDE: I - integralmente, no caso da modalidade de que trata o inciso I do caput deste artigo; II - com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na indenização de dependentes, até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE, nos demais casos. Art. 11. Os alunos regularmente atendidos na data da publicação da Lei no 9.424, de 24 de dezembro de 1996, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, à conta de deduções da contribuição social do salário-educação, a que se refere o § 3º do art. 15 da referida Lei, e que tiveram, a partir de 1º de janeiro de 1997, o benefício assegurado, respeitadas as condições em que foi concedido, poderão participar do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental. Parágrafo único. É vedada a inclusão de novos alunos no Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental. 6.6. A impugnante, ao contestar o lançamento (glosa de dedução do salário-educação), afirma que cumpriu a legislação, prestou as informações e recolheu as contribuições em questão, que o tal recolhimento foi de acordo com o número de dependentes dos funcionários, conforme demonstrativo e documentos acostados. 6.7. As cópias de documentos juntados aos autos, pela impugnante, relativos a única competência remanescente (12/2002) não são hábeis a comprovar a regularidade junto ao FNDE, na modalidade denominada "indenização por dependentes". 6.8. O Contribuinte não demonstrou que os beneficiários com a indenização foram integralmente informados ao FNDE, através da Relação de Alunos Indenizados — RAI, em atendimento As Resoluções editadas pelo FNDE, relacionadas no Relatório Fiscal, em especial à Resolução FNDE n° 02, de 20/08/2002, aplicável a competência não atingida pela decadência (12/2002): Art. 6° Os recursos destinados à cobertura financeira para manutenção do ensino fundamental aos alunos beneficiários serão provisionados ou recolhidos da seguinte forma: III — na modalidade Indenização de Dependentes, a empresa poderá reter da contribuição do Salário-Educação o valor correspondente ao número de alunos beneficiários multiplicado por R$ 21,00 (vinte e uni reais), de que trata o §2° do art. 1° desta Resolução, cuja diferença entre o valor gerado e o retido deverá ser recolhida ao FNDE. Art. 7° Na modalidade Indenização de Dependentes, o responsável pelo aluno beneficiário será reembolsado, semestralmente, pela respectiva empresa no valor de R$ 126,00 (cento e vinte e seis reais), obtidos pelo somatório do valor de que trata o § 2° do art. 1° desta resolução, no respectivo semestre, mediante declaração do empregado, a qual deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: I — Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ e razão social da empresa com a qual o responsável mantém vínculo empregatício; CNPJ e razão social do estabelecimento de ensino; III — que o dependente teve freqüência regular e quitou as mensalidades escolares no semestre; IV — que o dependente não é beneficiário das modalidades Aquisição de Vagas ou Escola Própria ou de outros programas de bolsas de estudos de igual finalidade, financiados por órgãos públicos federais, estaduais ou municipais. Fl. 438DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 §1º Da declaração firmada pelo empregado responsável pelo aluno beneficiário deverá constar declaração emitida pelo estabelecimento de ensino, confirmando os dados de que tratam os incisos lie III deste artigo. §2° 0 pagamento ao responsável pelo aluno beneficiário da -modalidade Indenização de Dependentes deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao encerramento do semestre a que se referir a comprovação da freqüência regular e da quitação das mensalidades nos estabelecimentos de ensino não-gratuito. Art. 8°A empresa deverá prestar contas ao FNDE, sobre os recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos no art. 10 desta resolução, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. Art. 10. As informações das empresas para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, mantido pelo FNDE, serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas por esta autarquia, da seguinte forma: II — na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico www.fnde.gov.br — link captação dos Dados da RAI para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados — RAI, cujo envio deve, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao I° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre. Art. 17. A empresa que atua como centralizadora ou não manterá em boa ordem, durante dez anos, os documentos referentes ao atendimento dos alunos beneficiários e aqueles de contabilização das aplicações efetuadas a título da contribuição social do Salário-Educação, inclusive das respectivas filiais, a disposição do FNDE, das secretarias de educação dos estados, e do Distrito Federal, do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, para fins de fiscalização, sem prejuízo das fiscalizações realizadas pelos órgãos de controle externo e interno.(g.n.) 6.9. Compulsando os autos, verifica-se a pendência conforme Demonstrativo de Divergências, especialmente quanto à competência não decadente (12/2002) do estabelecimento matriz, fls. 47 e, por outro lado, a confirmação pelo FNDE quanto inexistência do arquivo que a empresa alega ter enviado, tampouco registro de informações relativas ao 2° semestre de 2002, vide fls. 376 bem como conclusões da Fiscalização as fls. 377. 7. Por fim, quanto ao derradeiro entendimento afirmado na manifestação do contribuinte após a diligência (fls. 383/385) de que o débito estaria remido, tendo em vista o art. 14 da Lei 11.941/2009, há que se destacar que tal remissão não é "automática" como se deduz de suas alegações, há que ser atendidos os três requisitos objetivos e não está incluída na competência das Delegacias de Julgamento conceder remissão de débitos, vide arts. 212 e 213 da Portaria MF n° 125 de 04.03.2009, ex vi: "Art. 212. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: I - de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II - relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios - e de salvaguardas comerciais; e III - de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e a redução de aliquotas de tributos e contribuições. Fl. 439DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-006.755 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18108.000067/2008-77 §1º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2° O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a não-homologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. Art. 213. As turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a III do art. 212." 7.1. Anota-se que para os processos passíveis de remissão o contribuinte deve dirigir-se A Delegacia da Receita Federal do Brasil a que é jurisdicionado para análise e providências, se cabíveis. 8. Pelo exposto, excluídas as competências decadentes, correto o levantamento referente aos valores indevidamente deduzidos da contribuição do salário- educação quanto à competência não decadente (12/2002) do estabelecimento matriz do contribuinte. (...) Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que alega remissão, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 440DF CARF MF Original
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