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Numero do processo: 13805.012122/95-41
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos contra acórdão que deixou de examinar matéria relevante para a solução da lide.
Embargos de declaração acolhidos
Numero da decisão: 203-07.184
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, nos termos voto do Relator.
Nome do relator: RENATO SCALCO ISQUIERDO
1.0 = *:*
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Numero do processo: 10435.722106/2017-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
Numero da decisão: 2101-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO JUNQUEIRA DE ALVARENGA NETO
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AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Fl. 1094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.411 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.722106/2017-68 2 Trata-se de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE GARANHUNS contra o Acórdão nº 06-61.337, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, em sessão realizada em 19 de dezembro de 2017. O acórdão recorrido não conheceu da impugnação apresentada pela recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido no valor de R$ 348.836,54 (trezentos e quarenta e oito mil, oitocentos e trinta e seis reais e cinquenta e quatro centavos), referente às competências de janeiro a dezembro de 2013. O crédito tributário originou-se do Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP, lavrado em decorrência da ação fiscal, realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, que constatou irregularidades relativas ao recolhimento de contribuições sociais previdenciárias. As infrações identificadas compreendem duas modalidades de descumprimento da legislação previdenciária. A primeira refere-se aos valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos à tributação na parte patronal, tipificada sob o código 2141, correspondente à contribuição de 20% (vinte por cento) a cargo da empresa, prevista no artigo 22, inciso III e parágrafo 15 da Lei nº 8.212/91, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços ao ente público. A segunda modalidade de infração, codificada como 2096, diz respeito aos valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos à tributação quanto ao desconto dos segurados. Esta contribuição, de 11% (onze por cento), deveria ter sido descontada dos segurados contribuintes individuais pela empresa contratante do serviço, conforme disposto nos artigos 21 e 30, parágrafo 4º da Lei nº 8.212/91, cuja obrigação de arrecadar e recolher, a partir de abril de 2003, é do tomador do serviço, nos termos do artigo 4º da Lei nº 10.666/2003. A apuração das irregularidades baseou-se no confronto entre os arquivos digitais fornecidos pelo ente fiscalizado e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP, tendo sido elaborada planilha denominada "CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 2013", na qual foram relacionados todos os prestadores de serviço pessoa física no exercício de 2013 que não constavam nas referidas guias. O julgamento de primeira instância administrativa concluiu pela não conhecimento da impugnação em razão da ausência de contestação específica da matéria, uma vez que o contribuinte teria se limitado a questionar a incidência de verbas “indenizatórias” da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Destaca-se a ementa do acórdão: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO ESPECÍFICA. Considera-se não impugnada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifesta expressamente. O recorrente interpôs o presente recurso voluntário, reiterando as razões apresentadas na impugnação. Fl. 1095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.411 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.722106/2017-68 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, mas não merece ser conhecido. Isso porque a Recorrente sequer desenvolve em sua peça recursal qualquer fundamento referente ao não conhecimento da impugnação. Para que seja conhecido, um Recurso Voluntário deve enfrentar os fundamentos da decisão atacada, conforme reiterada jurisprudência do CARF. O recurso voluntário deve observar rigorosamente o princípio da dialeticidade, segundo o qual as razões recursais devem estabelecer diálogo específico com os fundamentos da decisão recorrida, demonstrando seus eventuais equívocos de fato ou de direito. Não basta a mera reiteração de argumentos genéricos ou a simples discordância com o resultado do julgamento. No presente caso, o Acórdão nº 06-61.337, da 7ª Turma da DRJ/CTA, fundamentou- se especificamente no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 para não conhecer da impugnação por ausência de contestação específica da matéria. A decisão consignou expressamente que a recorrente não se manifestou de forma específica sobre as infrações apuradas, limitando-se a apresentar argumentos genéricos, tornando a matéria não contestada e, portanto, não litigiosa. Ao examinar as razões do recurso voluntário, verifica-se que a recorrente reproduziu integralmente os mesmos argumentos utilizados na impugnação originária, sem qualquer direcionamento específico ao fundamento que ensejou o não conhecimento da peça impugnatória, limitando-se a defender o afastamento de verbas “indenizatórias” da base de cálculo das contribuições. Entretanto, como bem apontado no acórdão recorrido, os argumentos “não tem nenhuma pertinência com o fato gerador lançado no presente auto de infração, uma vez que não se apurou nenhuma verba relativa a terço de férias, serviços extraordinários, adicionais, produtividade, gratificações”. “As contribuições previdenciárias apuradas no presente lançamento são as incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço a entidade pública. As contribuições a cargo da empresa estão previstas no art. 22, inc. III, e as contribuições descontadas do segurado estão previstas no art. 28, inc. III, ambos da Lei nº 8.212/91: (...) Analisando os argumentos trazidos na impugnação, constata-se que estes não tem nenhuma pertinência com o fato gerador lançado no presente auto de Fl. 1096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.411 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.722106/2017-68 4 infração, uma vez que não se apurou nenhuma verba relativa a terço de férias, serviços extraordinários, adicionais, produtividade, gratificações. Ora, é sabido que tais verbas são pagas para segurados empregados e não faz nenhum sentido debater tais verbas em relação a pagamentos feitos a contribuintes individuais. Assim, em que pese o extenso arrazoado a respeito da não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas aos segurados empregados, deve-se considerar que a matéria objeto do presente lançamento fiscal não foi expressamente contestada, e portanto, não litigiosa. A ausência de contestação específica torna a matéria não impugnada, nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72:” Destaca-se que o recurso voluntário não demonstrou que houve contestação específica das infrações tipificadas sob os códigos 2141 e 2096, relacionadas ao recolhimento de contribuições sociais previdenciárias sobre valores pagos a contribuintes individuais no período de janeiro a dezembro de 2013. Tampouco refutou a conclusão de que a matéria não foi expressamente contestada nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. A recorrente deveria ter atacado diretamente o fundamento do não conhecimento, demonstrando que os argumentos apresentados na impugnação constituíam efetiva contestação específica das infrações ou que a aplicação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 foi equivocada no caso concreto. O recurso voluntário que não observa o princípio da dialeticidade não atende aos requisitos de admissibilidade recursal, não merecendo conhecimento. A simples reprodução dos argumentos de uma impugnação já considerada inepta por ausência de contestação específica não supera o vício processual identificado na primeira instância administrativa. Além do mais, ainda que fosse possível superar o não atendimento ao princípio da dialeticidade, os argumentos reproduzidos no recurso voluntário são matéria estranha à lide e não poderiam ser conhecidos. Conclusão Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto Fl. 1097DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.942273/2012-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. RETENÇÃO EM CONJUNTO DO IR E DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SOMENTE A PROPORÇÃO DO IR RETIDO PODE SER UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ.
O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ no encerramento do período. Havendo retenção em conjunto do IR e de contribuições sociais, como ocorre com os códigos de retenção 6147 e 6190, deve-se utilizar apenas o IRRF na composição do saldo negativo do IRPJ.
Numero da decisão: 1002-003.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora
Assinado Digitalmente
Aílton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andrea Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. RETENÇÃO EM CONJUNTO DO IR E DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SOMENTE A PROPORÇÃO DO IR RETIDO PODE SER UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ no encerramento do período. Havendo retenção em conjunto do IR e de contribuições sociais, como ocorre com os códigos de retenção 6147 e 6190, deve-se utilizar apenas o IRRF na composição do saldo negativo do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andrea Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente).
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VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. RETENÇÃO EM CONJUNTO DO IR E DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SOMENTE A PROPORÇÃO DO IR RETIDO PODE SER UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ no encerramento do período. Havendo retenção em conjunto do IR e de contribuições sociais, como ocorre com os códigos de retenção 6147 e 6190, deve-se utilizar apenas o IRRF na composição do saldo negativo do IRPJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.985 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.942273/2012-61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andrea Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente processo trata de direito creditório oriundo do saldo negativo da IRPJ do ano-calendário 2007, com Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), homologadas parcialmente e não homologadas, do contribuinte ora Recorrente MANSERV MONTAGEM E MANUTENCAO S/A. A Recorrente declarou que compensou a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CONFINS), referente aos fatos geradores de outubro de 2008 e dezembro 2009, com o saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ano-calendário de 2007, nos valores de R$ 464.580,60 e R$ 229.856,82. Ocorre, todavia, que o primeiro PER/DCOMP não foi homologado e o segundo PER/DCOMP foi homologado parcialmente pelo fisco que proferiu a seguinte decisão: “O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informado pelo sujeito passivo, razão pela qual: homologo parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP: 26088.42219.030512.7.02-2003 e não homologo a compensação declarada no seguinte PER/DCOMP: 00516.72414.22 0110.1.3.02-7305”. Parte dos créditos indicados para compor o saldo negativo não foram considerados pelo Despacho Decisório: Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, e a 4ª Turma da DRJ/REC manteve parcialmente o despacho decisório proferido anteriormente nos termos a seguir: “O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ no encerramento do período. Havendo retenção em conjunto do IR e de contribuições sociais, como ocorre com os códigos de retenção 6147 e 6190, deve-se utilizar apenas o IRRF na composição do saldo negativo do IRPJ.” O Acórdão de nº 11-49.576 da 4ª Turma da DRJ/REC recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.985 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.942273/2012-61 3 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. RETENÇÃO EM CONJUNTO DO IR E DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SOMENTE A PROPORÇÃO DO IR RETIDO PODE SER UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ no encerramento do período. Havendo retenção em conjunto do IR e de contribuições sociais, como ocorre com os códigos de retenção 6147 e 6190, deve-se utilizar apenas o IRRF na composição do saldo negativo do IRPJ. A interessada tomou ciência da decisão acima em 29/07/2015 (fl. 305), e apresentou Recurso Voluntário em 28/08/2015 (fls. 308/321) com os seguintes argumentos: No campo administrativo fiscal o julgador pode recorrer a certas investigações para obter a chamada verdade material. A Administração possui o dever de tomar decisões sempre com base nos fatos tais como apresentam na realidade, e não se pautar tão somente pela versão dos fatos trazidos ao processo pelas partes. Em observância ao princípio da verdade material, os documentos comprobatórios juntados como Recurso devem ser recepcionados e acolhidos. Com essa documentação será possível aferir que o crédito tributário é líquido e certo. A Recorrente junta aos autos cópia da DIPJ do exercício, a qual comprova que o saldo negativo apontado. Informa que é possível realizar um simples confronto com os PER/DCOMP’s discutidos neste processo, e que o saldo negativo apontado via DIPJ é exatamente o mesmo valor. Afirma que juntou aos autos cópia dos balancetes e os respectivos termos de abertura e encerramento. E ainda que, ao analisar esses documentos é possível verificar que o valor utilizado do saldo negativo é menor do que o contabilizado, e que, em vista disso, a Recorrente deixou de utilizar créditos de que teria direito. Expõe que apresenta livro razão com a informação de todas as notas fiscais emitidas, com vencimento, número do documento, cliente, CNPJ e valor bruto e IRRF retido, onde os nobres julgadores chegarão ao valor total informado via DIPJ e PER/DCOMP. Aduz, ainda, que os documentos mencionados demonstram que as receitas que deram origem ao saldo negativo comprovado forem incluídas no cômputo do IRPJ do respectivo ano-calendário. Afirma a Recorrente que na possibilidade de os julgadores entenderem que os documentos juntados não são suficientes para comprovar que o crédito é líquido Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.985 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.942273/2012-61 4 e certo, e que a compensação não deve ser homologada, a interessada entende que é possível a conversão do julgamento em diligência. Por fim, requereu que o presente recurso seja recebido e julgado provido para acolher as preliminares suscitadas e razões de mérito confirmando o saldo negativo de IRPJ apurado referente ao ano-calendário 2007 e, como consequência, seja declarada homologadas as compensações efetuas por meio dos PER/DCOMP’s objeto deste processo. Pugna que enquanto esteja pendente de julgamento do Recurso Voluntário seja determinada a suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário ora discutido, na forma do Art. 151, inciso III do CTN. O recurso voluntário foi instruído com documentos que no entendimento do Contribuinte comprovam a efetiva retenção dos valores, o oferecimento das respectivas receitas à tributação e ainda a compatibilidade das declarações. É o relatório. VOTO Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Da Admissibilidade: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Do mérito: O presente processo tem como objeto o debate acerca dos valores indicados pelo Contribuinte para compor o Saldo Negativo objeto de pedido de compensação. Como exposto no despacho decisório e confirmado pelo acórdão recorrido a homologação parcial das compensações tem como fundamentação exclusiva o fato de os valores indicados como retenções pelo contribuinte englobarem além do Imposto de Renda também as contribuições ao PIS/Cofins e CSLL. Não se discute, portanto, a existência das retenções e o oferecimento das respectivas receitas à tributação - o debate envolve a definição acerca da necessidade se segregação dos valores retidos por tipo de tributo para fins de composição do Saldo Negativo. E, neste ponto, o acórdão deve ser mantido por seus próprios fundamentos, valendo transcrever, pela pertinência, as conclusões do Colegiado: Fl. 690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.985 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.942273/2012-61 5 Ocorre que não assiste razão ao Manifestante. Explica-se. Na forma do Anexo I da IN SRF nº 480, DOU de 29/12/2004, vigente na época das retenções acima, assim era composto os tributos dos códigos de retenção 6147 e 6190, objetos da glosa parcial: Assim, considerando os percentuais acima, o IRPJ retido no código 6147 representava 20,5128% do total da retenção (1,2/5,85 x 100) e no código 6190, 50,7937% (4,80/9,45 x 100). Ora, como transcrito na Manifestação de inconformidade do contribuinte, a retenção no código 6147 montou um total de R$ 292.936,73, a título de IRRF, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. E, dessa forma, o IRRF representou R$ 60.089,59 (R$ 292.936,73 x 1,2/5,85). Nessa mesma toada, no tocante à retenção com o código 6190, da retenção total de R$ 8.572.398,92, o IRRF representou R$ 4.354.234,35 (R$ 8.572.398,92 x 4,80/9,45) Ocorre que os valores acima destacados foram exatamente os montantes já reconhecidos pela instância a quo, não havendo, assim, qualquer valor adicional a reconhecer (fl. 30). Na verdade, equivocou-se o Manifestante ao defender que os Comprovantes anuais de retenção juntados aos autos representavam unicamente IRRF, pois, como se pode ver na própria denominação dos documentos (COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO DE IRPJ, CSLL, COFINS E PIS/PASEP (Lei nº 9.430 de 1996, art. 64) - fls. 82 e seguintes), traduziam a retenção conjunta dos 04 tributos citados, na forma do art. 64 da lei nº 9.430/96, a cargo das fontes pagadoras estatais federais. Por tudo, não há qualquer IRRF adicional a ser reconhecido, devendo ser julgada improcedente a manifestação de inconformidade. No mesmo sentido cito como precedentes os acórdãos 1401-006.280, 1003- 002.852 e 1002-002.347. Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.985 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.942273/2012-61 6 Assim, em que pese os argumentos do Recurso Voluntários e o pedido de conversão do julgamento em diligência, fato é que a Recorrente equivocou-se ao entender que poderia ter aproveitado na apuração do IRPJ a totalidade dos valores retidos pelo tomador sob os códigos de receita 6147 e 6190. Pela sua característica tais retenções como dito são retenções conjuntas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e para o correto aproveitamento há a necessidade de aplicação do respectivo percentual para identificar a parcela correspondente de IRPJ que poderá ser usada para compor o saldo negativo do período. Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso para no mérito negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 692DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720718/2017-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016
NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS.
Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016
NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS.
Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei no 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016
RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. ESPECIFICIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL.
Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma que, enfrentando questão fática equivalente, aplique de forma diversa a mesma legislação. No caso, a decisão apresentada a título de paradigma de divergência abrange especificamente apenas parte do tema debatido no acórdão recorrido, cabendo o conhecimento apenas em relação a tal parte.
Numero da decisão: 9303-016.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que se refere ao frete na revenda de produtos sob regime monofásico, para, no mérito, dar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Dionisio Carvallhedo Barbosa – Relator
Assinado Digitalmente
Regis Xavier Holanda – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: DIONISIO CARVALLHEDO BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei no 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. ESPECIFICIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma que, enfrentando questão fática equivalente, aplique de forma diversa a mesma legislação. No caso, a decisão apresentada a título de paradigma de divergência abrange especificamente apenas parte do tema debatido no acórdão recorrido, cabendo o conhecimento apenas em relação a tal parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-06T23:31:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-06T23:31:53Z; Last-Modified: 2025-12-06T23:31:53Z; dcterms:modified: 2025-12-06T23:31:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-06T23:31:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-06T23:31:53Z; meta:save-date: 2025-12-06T23:31:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-06T23:31:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-06T23:31:53Z; created: 2025-12-06T23:31:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2025-12-06T23:31:53Z; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-06T23:31:53Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 19515.720718/2017-09 ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 28 de agosto de 2025 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA BDF NIVEA LTDA Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei no 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também Fl. 2427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 2 para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. ESPECIFICIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma que, enfrentando questão fática equivalente, aplique de forma diversa a mesma legislação. No caso, a decisão apresentada a título de paradigma de divergência abrange especificamente apenas parte do tema debatido no acórdão recorrido, cabendo o conhecimento apenas em relação a tal parte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que se refere ao frete na revenda de produtos sob regime monofásico, para, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Dionisio Carvallhedo Barbosa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente). Fl. 2428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 3 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3201-011.242, de 24 de outubro de 2019, proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Terceira Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa e dispositivo de decisão se transcrevem a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 LANÇAMENTO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. BEM SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO. ARMAZENAGEM E FRETE NA VENDA. POSSIBILIDADE. Embora seja vedado o desconto de crédito das contribuições não cumulativas em relação à aquisição de bem para revenda submetido ao regime monofásico, há previsão legal autorizando o desconto de crédito quanto a dispêndios com armazenagem e frete em operações de venda, ainda que se tratando de revenda sujeita à alíquota zero e de bem submetido à tributação concentrada (monofasia). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. BEM SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO. ARMAZENAGEM E FRETE NA VENDA. POSSIBILIDADE. Embora seja vedado o desconto de crédito das contribuições não cumulativas em relação à aquisição de bem para revenda submetido ao regime monofásico, há previsão legal autorizando o desconto de crédito quanto a dispêndios com armazenagem e frete em operações de venda, ainda que se tratando de revenda sujeita à alíquota zero e de bem submetido à tributação concentrada (monofasia). Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao desconto de crédito das contribuições PIS/Cofins não cumulativas em relação aos dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas de produtos submetidos ao regime monofásico, vencido o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que lhe negava provimento. Breve Síntese do Processo Fl. 2429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 4 Trata-se de autos de infração relativos às contribuições PIS/Cofins não cumulativas, lançamentos esses fundados nas seguintes infrações: (i) crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente e (ii) insuficiência de recolhimento das contribuições. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) consta que o objeto social do contribuinte é o comércio atacadista de produtos de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal e que houve glosa de créditos das contribuições PIS/Cofins não cumulativas relativos a dispêndios com armazenagem e frete em operações de venda, uma vez que se trata de revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica. A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o crédito tributário. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de crédito das contribuições PIS/Cofins não cumulativas em relação aos dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas de produtos submetidos ao regime monofásico. Da matéria submetida à CSRF A Fazenda Nacional apresentou divergência jurisprudencial quanto à matéria “Créditos de Pis e Cofins. Armazenagem e Frete na Revenda de Produtos Sob Regime Monofásico”. Para comprovar divergência, indicou como paradigma o Acórdão n. 9303-007.767. Cotejados os fatos, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou Contrarrazões requerendo o desprovimento do Recurso Especial. É o Relatório. VOTO Conselheiro Dionisio Carvallhedo Barbosa, Relator I – Do conhecimento: O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, contudo, comporta conhecimento apenas parcial. De fato, não há reparos a fazer ao despacho de admissibilidade em relação ao frete na revenda de produtos monofásicos. Vejamos a ementa do paradigma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Fl. 2430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 5 REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 remete ao inciso I, que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 99.079/2017). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICA). DIREITO AO CRÉDITO SOBRE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA. Na apuração da contribuição não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação concentrada (monofásica), pois o inciso IX (que daria este direito) do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (dispositivo válido também para a contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I (no caso, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), que os excepciona, ao, por sua vez, remeter ao § 1º do art. 2º (Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 99.079/2017). (grifos nossos) Enquanto o Recorrido entendeu que o frete na revenda de produtos sob o regime monofásico pode ensejar o crédito, o Paradigma, por outro lado, adota o entendimento de que há vedação para o frete correlato à revenda de mercadoria submetida ao regime monofásico. Contudo, percebe-se que a ementa do Paradigma não faz menção à questão da armazenagem na revenda de bem no regime monofásico. Por sua vez, o relatório do acórdão paradigma ao tratar do despacho de admissibilidade de recurso do sujeito passivo diz que: “Ao seu Recurso Especial, foi dado seguimento (fls. 1.851 a 1.855), "quanto à questão do aproveitamento de créditos sobre fretes incorridos na venda de produtos monofásicos"”. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional unicamente no que diz respeito à questão do Frete na Revenda de Produtos Sob Regime Monofásico. II- Do Mérito Fl. 2431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 6 O litígio passa então a versar sobre a apuração de créditos relativos às despesas de frete na revenda de produtos sob regime monofásico. Trata-se de matéria pacificada no âmbito desta CSRF, como demonstram, por exemplo, os acórdãos de nº 9303-014.737 (relatoria do conselheiro Rosaldo Trevisan) e 9303- 016.326 (relatoria da conselheira Semíramis de Oliveira Duro). Em harmonia com o entendimento assentado neste colegiado, entendo que a decisão recorrida deve ser revertida. Nesse ponto, trago o citado Acórdão nº 9303-016.326, de 12/12/2024, cujos fundamentos a seguir transcritos adoto como razões de decidir no presente voto: “Entendo que a pessoa jurídica que atua no ramo de venda por atacado de produtos de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, sujeitos ao modelo monofásico de incidência não-cumulativa do PIS e da Cofins, não pode, em razão de expressa vedação legal, apurar créditos relativos às despesas de frete na venda dos aludidos produtos, ainda que os fretes tenham sido por ela suportados. Explico. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2033, vigentes à época dos fatos geradores, objetos dos PER/Dcomp em discussão, prescrevem quanto ao aproveitamento de créditos: Lei nº 10.637/2002 Art. 1º A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I - decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º , a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Fl. 2432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 7 § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) II - no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (...). O § 1º, inciso II do art. 2º, citado e transcrito trata justamente da venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, ou seja, de produtos sujeitos à tributação monofásica. Lei nº 10.833/2003 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (...) Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º , a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: Fl. 2433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 8 (...) II – no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados; (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...); b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (...). IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei 10.865/2004) (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei 11.051/2004) Como se vê, o § 1º, inciso II do art. 2º trata da venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, ou seja, de produtos sujeitos à tributação monofásica. E, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, como farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e/ ou de higiene pessoal pelos produtores ou importadores não estão sujeitas às alíquotas próprias do regime não cumulativo, 1,65 % e 7,60%, respectivamente, para o PIS e COFINS, mas a alíquotas específicas previstas na legislação. Esses produtos estão sujeitos às contribuições para o PIS e Cofins pelo regime monofásico em que a tributação é concentrada no produtor e/ ou importador de tais produtos, nos termos da Lei nº 10.147/2000: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a Fl. 2434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 9 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (...) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e (...) Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Dessa forma, os bens sujeitos ao regime monofásico estão sujeitos à tributação concentrada no produtor e/ ou importador; as receitas decorrentes de suas revendas estão sujeitas à alíquota de 0,0 % (cento) e não integram a base de cálculo das contribuições. Ressalta-se a aplicação do Tema Repetitivo 1.093, que fixou a seguinte tese: 1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n.1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Fl. 2435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 10 Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem-lhe gerar créditos. 5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. Colaciona-se também a Solução de Divergência COSIT nº 2/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Cofins: a) é permitida a apuração de créditos da contribuição no caso de venda de produtos produzidos ou fabricados pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de créditos da contribuição no caso de revenda de tais produtos, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Por isso, a glosa dos créditos descontados sobre despesas com fretes na operação de revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica/concentrada deve ser mantida. Nesse sentido, esta Turma já se pronunciou: Acórdão n° 9303-014.737, j. 12 de março de 2024: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Fl. 2436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.922 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19515.720718/2017-09 11 Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei n° 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).” Assim, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional quanto ao frete na revenda de produtos sob regime monofásico. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que se refere ao frete na revenda de produtos sob regime monofásico, para, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Dionisio Carvallhedo Barbosa Fl. 2437DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720554/2012-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 118, § 3°, do RICARF, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, a negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF,em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.”
Numero da decisão: 9303-016.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Assinado Digitalmente
Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora
Assinado Digitalmente
Régis Xavier Holanda – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda (Presidente)
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 118, § 3°, do RICARF, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, a negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF,em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.”
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda (Presidente)
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 118, § 3°, do RICARF, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, a negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF,em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.” ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora Assinado Digitalmente Fl. 789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 2 Régis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão n° 3302-011.990, de 26 de outubro de 2021, integrado pelo Acórdão nº 3302-013.634, de 24 de agosto de 2023, assim ementados: Acórdão n° 3302-011.990: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período dc apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. ÓNUS DA PROVA. NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito e no processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a elaboração de argumentos e juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado, todavia o último momento a se fazer é quando da apresentação do Recurso Voluntário, sob pena de preclusão. PROVA. ESCRITURAÇÃO FISCAL. NOTAS FISCAIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 26, Decreto n.° 7.574/2011) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 3 Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja. itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. AQUISIÇÃO DE GÁS PARA EMPILHADEIRA UTILIZADA NO TRANSPORTE DE PRODUTOS. POSSIBILIDADE. O gás combustível de empilhadeiras utilizadas transporte entre as esteiras e o escoamento da produção se subsome ao conceito de insumos no âmbito da não- cumulatividade das contribuições sociais. Desse modo, os gastos com gás combustível geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos. CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE Em consonância com a literalidade do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, extensível ao PIS nos termos do art. 15 da mesma lei. e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit n° 5, de 2018, em regra as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Não há. no caso das transferências internas, mudança de titularidade dos produtos transportados, não havendo que se falar em operação de venda e, consequentemente, em "frete na operação de venda". Consta do dispositivo do Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reverter a glosa em relação aquisição de GLP utilizados nas empilhadeiras, nos termos do voto da relatora. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.989, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10630.900623/2012-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Acórdão nº 3302-013.634: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS. Fl. 791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 4 Há que se acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para fins de sanear obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão embargada e os seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o colegiado, bem como os embargos inominados interpostos para sanear erro material daquela decisão. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes. Consta do dispositivo do Acórdão: Acordam os membros do colegiado. por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição na decisão embargada, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.633, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10630.900623/2012-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fatos Na origem o feito compreendeu pedido de ressarcimento de créditos de contribuição social não cumulativa, vinculados a receitas de vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição. O crédito foi parcialmente conhecido e as compensações a ele vinculadas também parcialmente homologadas. Foram efertuadas glosas de créditos que, segundo a Fiscalização, não estavam amparados pelos art. 3º das Leis nº 10.637/023 e 10.833/03, sendo, basicamente, materiais de laboratório, limpeza e consumo; peças do ativo imobilizado; serviços não comprovados como insumos, combustíveis utilizados em máquinas, equipamentos e veículos de transporte; fretes de transferência e fretes de logística. Manifestação de Inconformidade O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade se insurgindo em face das razões de mérito das glosas realizadas, abordando o conceito de insumo utilizado pela legislação. Acórdão DRJ A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 5 INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/02 E Nº 404/04. LEGALIDADE. MATÉRIA JULGADA NO ÂMBITO DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Declarada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em sede de recurso repetitivo, a ilegalidade das IN SRF nº 247/02 e nº 404/04, adotam-se as balizas constantes do correspondente julgado (REsp nº 1.221.170/PR), da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, de 26/09/2018, e do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, no que concerne ao conceito de insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RATEIO DOS CRÉDITOS. No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE ÔNUS DA PROVA. Certeza e liquidez do crédito são requisitos obrigatórios para o reconhecimento do valor a ressarcir ou compensar. Nos pedidos de repetição de indébitos ou de ressarcimento de créditos, bem como na utilização de créditos em declaração de compensação, é ônus da contribuinte a demonstração de forma cabal e específica, mediante comprovação minudente, da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa os custos, encargos e despesas expressamente previstos na legislação de regência. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros. Excluem-se do conceito de insumo, entre outros, itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil etc., e itens Fl. 793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 6 utilizados posteriormente à finalização dos processos de produção de bens e de prestação de serviços, salvo exceções justificadas. Nas hipóteses em que for possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras, é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, a teor de rateio já previsto na legislação antes mesmo da ampliação do conceito de insumos trazido pelo julgamento do STJ. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE E ARMAZENAGEM. A Lei restringe o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda e quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora. Operações de outra natureza como transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou outras transferências que não se enquadram em operações de venda, não ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Em Recurso Voluntário foram reiterados os termos da Manifestação de Inconformidade e acrescentado que a decisão de piso teria alterado o critério jurídico do lançamento, que fora lavrado na vigência das Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04, consideradas ilegais pelo STJ, em 2018, em sede de recurso repetitivo, conforme RESP 1.221.170/PR. Acórdão de Recurso Voluntário Em Acórdão de recurso Voluntário foi rejeitada a preliminar de alteração do critério jurídico e dado parcial provimento apenas para everter a glosa em relação aquisição de GLP utilizados nas empilhadeiras, sendo mantidas todas as demais. Embargos de Declaração Foram opostos Embargos de Declaração pelo Contribuinte alegando a existência de contradição, por ter afirmado o acórdão recorrido que a empresa não teria apresentado informações sobre as aquisições de materiais de laboratório e materiais de limpeza (datas, valores, apuração, documentação de suporte e contabilização de créditos), ao passo que o relatório fiscal conteria a afirmação de que a fiscalização não efetuou ajustes concernentes à efetividade das entradas glosadas. Também alegou-se omissão quanto à controvérsia acercada natureza das despesas em função do conceito de insumo definido no REsp 1.221.170/PR. Fl. 794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 7 Acórdão Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração foram admitidos em Despacho e apreciados pela Turma a quo, sendo acolhidos e admitidos com efeitos infringentes para alterar a decisão embargada nos seguintes termos: Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interposto e voto por acolhê-los, para sanear a contradição da decisão embargada, com efeitos infringentes para alterar a decisão embargada de “conheço do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar arguida e no mérito dar-lhe parcialmente provimento para reverter a glosa em relação aquisição de GLP utilizados nas empilhadeiras” para “conheço do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar arguida e no mérito dar-lhe parcialmente provimento para reverter a glosa em relação aquisição de GLP utilizados nas empilhadeiras, bem como reverter as glosas em relação materiais de laboratório/análises químicas de qualidade e materiais de limpeza”. Recurso Especial No Recurso Especial a Contribuinte sustenta divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária referente ao direito à tomada de créditos das contribuições sociais sobre os fretes pagos para transferência de produtos acabados. Indica como paradigma o Acórdão n° 9303-013.299. Despacho de Admissibilidade O Recurso Especial foi inicialmente inadmitido sob o entendimento de não haveria similitude fática entre os acórdãos confrontados, na medida em que, no acórdão recorrido, foi negada a natureza de insumo “no contexto do processo produtivo do recorrente, “...que atua no ramo industrial, preponderantemente, na fabricação de laticínios.”, ao passo que o acórdão paradigma 9303-013.299 reconheceu o direito ao creditamento em razão da sua pertinência ao processo produtivo do contribuinte ali examinado, que atua na industrialização, processamento, distribuição, comercialização, exportação, importação de carnes resultantes do abate de aves e suínos Agravo Interposto Recurso de Agravo pelo Contribuinte, foi admitido o Recurso Especial sob o entendimento de que o acórdão recorrido não enfrentou especificamente o processo produtivo da Recorrente, apenas afirmando que “o frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da mesma empresa não caracteriza insumo” e que “mesmo que se entenda que o paradigma apenas o teria autorizado em face de características específicas do contribuinte lá envolvido, a divergência se confirma”. Contrarrazões Fl. 795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 8 A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. VOTO Como consta do Relatório supra, o presente processo foi julgado na sistemática de Recurso Repetitivo, tendo como paradigma o Processo nº 10630.900623/2012-63. Referido processo foi julgado por esta Turma Julgadora em 24/03/2025, gerando o Acórdão nº 9303-016.679, de relatoria da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, tendo esta Turma, em idêntica composição, à unanimidade, concluído pelo não conhecimento do Recurso Especial. Pelo relatório elaborado por ocasião do referido voto, constato não existir divergência relativamente ao presente feito, pelo que, por segurança jurídica e por concordar com o que foi decidido, aplico integralmente a referida decisão: O acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário para manter as glosas referentes aos fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por falta de fundamento legal para a tomada do crédito. Nos termos do art. 118, §3°, do RICARF, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, houve edição de Súmula CARF n° 217 após a interposição do Recurso Especial do Contribuinte: Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Assim, a decisão recorrida vai ao encontro da Súmula CARF n° 217, motivo pelo qual o apelo recursal não comporta conhecimento. Ademais, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, sendo a pretensão foi afastada com duplo fundamento: incisos II e IX, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003: Fl. 796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 9 CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE Em consonância com a literalidade do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, extensível ao PIS nos termos do art. 15 da mesma lei, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Não há, no caso das transferências internas, mudança de titularidade dos produtos transportados, não havendo que se falar em operação de venda e, consequentemente, em “frete na operação de venda”. Entretanto, o Acordão paradigma nº 9303-013.299 analisou o direito ao crédito com fundamento apenas no inciso II: Com a devida vênia ao entendimento trazido pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, com base na IN SRF nº 247/2002 e IN SRF nº 404/2004, o que baliza os limites interpretativos do conceito de insumo, além do previsto na Lei nº 10.637/2002 e na Lei nº 10.833/2003, é a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ proferida no julgamento do Recurso Especial n° 1.221.170-PR e da edição do Parecer Normativo COSIT/RFB n° 5/2018 (de caráter interpretativo). Nesse sentido, com uma interpretação sistemática da legislação, em particular da não-cumulatividade, entende-se que as despesas com frete de produtos acabados entre os estabelecimentos do Contribuinte estão contempladas no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003. Portanto, tendo em vista que o custo relacionado ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa faz parte do processo produtivo, dando possibilidade de creditamento, conforme a legislação acima apontada, vota-se no sentido de negar provimento ao Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. Nos termos do art. 118 do RICARF, cabe Recurso Especial se demonstrada a divergência jurisprudencial, com relação a acórdão paradigma que, enfrentando questão fática semelhante, tenha dado à legislação interpretação diversa. Dessa forma, não restaria configurado o dissídio jurisprudencial em razão da diferença de fundamento legal considerado nos acórdãos cotejados, o que é um segundo motivo pelo qual não cabe o conhecimento do Recurso Especial. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. I. Conclusão Fl. 797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.938 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10630.720554/2012-14 10 Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 798DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 16682.721619/2021-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2017
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO APONTADO FOI SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. NORMA VINCULANTE PARA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOCUMENTO PÚBLICO CONTENDO FUNDAMENTOS LEGAIS PARA A CONCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A Autoridade Fiscal consignou no Termo de Verificação Fiscal que seguiu a determinação do art. 9º da Instrução Normativa RFB n° 1.396/2013, que estabeleceu que as Soluções de Consulta emitidas pela Cosit têm efeito vinculante no âmbito Secretaria da Receita Federal. A Solução de Consulta é documento público contendo os fundamentos legais que motivaram a conclusão lá exarada, e a contribuinte teve a plena possibilidade de apresentar suas contrarrazões, de modo que nenhum prejuízo causou à sua defesa.
COISA JULGADA MATERIAL. INEXISTÊNCIA.
Não há nenhum fundamento para aplicação de decisão favorável no processo referido pela contribuinte no processo aqui analisado, porque as matérias são distintas, de modo que não há falar-se em consolidação de entendimento quanto a questão da dedutibilidade de juros incidentes sobre parcelamento.
DECISÕES DE CORTES SUPERIORES. QUESTÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO SUBSUNÇÃO DO CASO DOS AUTOS ÀQUELAS DECISÕES. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 98 DO RICARF.
O Tema n° 962, apontado pela contribuinte, trata da incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos em razão da incidência da taxa Selic aplicados sobre os valores de principal pleiteados na restituição de indébito tributário. não se aplica a decisão do STF no presente processo, cuja matéria trata da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A matéria submetida à apreciação do STJ no Resp n° 1.251.513/PR não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. No referido Resp o que o contribuinte pretendeu foi a devolução da diferença de juros incidentes sobre depósitos judiciais, e não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. Incabível, portanto, a aplicação do art. 927 do CPC ao presente processo, tampouco o art. 98 do Regimento Interno do CARF.
JUROS INCIDENTES SOBRE PARCELAMENTO. EM REGRA, DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. INDEDUTÍVEIS, CONTUDO QUANDO O TRIBUTOS PARCELADO SE TRATAR DE IRPJ OU CSLL.
Os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento são, via de regras, dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Contudo, estão vinculados ao tributo parcelado, e sendo composto por débitos de IRPJ e CSLL e em sendo estes tributos não dedutíveis na determinação de suas próprias bases de cálculo, no termos dos arts. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, também será indedutível os juros incidentes sobre o saldo de parcelamento composto pelos referidos tributos.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. VIOLAÇÃO DO ART. 24 DA LINDB E ARTIGO 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA.
Não se verifica a mudança de critério jurídico pelo FISCO alegado pela contribuinte. O que se constata é que poderia haver divergência interna de entendimento na Administração Tributária, aliás o que ensejou a emissão de Solução de Consulta Divergência Cosit n° 1/2022, mas isso apenas reforça que não havia entendimento consolidado quanto a questão da dedutibilidade, ao contrário do que afirma a contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA.
O art. 57 da Lei 8981/1995 estabelece que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, Valem para a construção do entendimento quanto indedutibilidade dos juros incidentes sobre o parcelamento na apuração da base de cálculo da CSLL os mesmos fundamentos para a indedutibilidade na apuração do lucro real.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 108.
Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996, incidem juros de mora sobre os sobre os tributos e contribuições não pagos no vencimento, e como a multa de ofício integra os referidos débitos, fica sujeito à incidência dos juros moratórios. Aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 108.
SUSPENSÃO DE PROCEDIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. A retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL vai ser formalizado nos moldes do que que for decidido administrativamente no presente processo. Assim, mesmo que os saldos de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL tenham sido retificados em decorrência do lançamento de ofício aqui analisado, poderão ser retificados caso a decisão administrativa definitiva no presente processo for favorável ao Recorrente. Eventuais processos de compensações pleiteadas com fundamento nos valores de IRPJ e CSLL apurados antes do lançamento, deverão ser sobrestados até a decisão final administrativa no presente processo. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo.
DILIGÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE PARCELAS RELATIVAS A JUROS INCIDENTES SOBRE JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS NA CONSOLIDAÇÃO SEGUEM A SORTE DO PRINCIPAL.
Os juros moratórios calculados sobre o principal até a data da consolidação do parcelamento compõem o crédito tributário parcelado, seguem a sorte do principal, de modo que os juros incidentes sobre essa parcela também são indedutíveis.
Numero da decisão: 1101-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para ajustar a base de cálculo do IRPJ e excluir apenas a parcela dos juros relativa às multas moratórias.
Assinado Digitalmente
Jeferson Teodorovicz – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Júnior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Ailton Neves da Silva (substituto[a] integral), Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente)
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
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Não há nenhum fundamento para aplicação de decisão favorável no processo referido pela contribuinte no processo aqui analisado, porque as matérias são distintas, de modo que não há falar-se em consolidação de entendimento quanto a questão da dedutibilidade de juros incidentes sobre parcelamento. DECISÕES DE CORTES SUPERIORES. QUESTÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO SUBSUNÇÃO DO CASO DOS AUTOS ÀQUELAS DECISÕES. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 98 DO RICARF. O Tema n° 962, apontado pela contribuinte, trata da incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos em razão da incidência da taxa Selic aplicados sobre os valores de principal pleiteados na restituição de indébito tributário. não se aplica a decisão do STF no presente processo, cuja matéria trata da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A matéria submetida à apreciação do STJ no Resp n° 1.251.513/PR não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. No referido Resp o que o contribuinte pretendeu foi a devolução da diferença de juros incidentes sobre depósitos judiciais, e não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. Incabível, portanto, a aplicação do art. 927 do CPC ao presente processo, tampouco o art. 98 do Regimento Interno do CARF. JUROS INCIDENTES SOBRE PARCELAMENTO. EM REGRA, DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. INDEDUTÍVEIS, CONTUDO QUANDO O TRIBUTOS PARCELADO SE TRATAR DE IRPJ OU CSLL. Os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento são, via de regras, dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Contudo, estão vinculados ao tributo parcelado, e sendo composto por débitos de IRPJ e CSLL e em sendo estes tributos não dedutíveis na determinação de suas próprias bases de cálculo, no termos dos arts. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, também será indedutível os juros incidentes sobre o saldo de parcelamento composto pelos referidos tributos. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. VIOLAÇÃO DO ART. 24 DA LINDB E ARTIGO 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Não se verifica a mudança de critério jurídico pelo FISCO alegado pela contribuinte. O que se constata é que poderia haver divergência interna de entendimento na Administração Tributária, aliás o que ensejou a emissão de Solução de Consulta Divergência Cosit n° 1/2022, mas isso apenas reforça que não havia entendimento consolidado quanto a questão da dedutibilidade, ao contrário do que afirma a contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O art. 57 da Lei 8981/1995 estabelece que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, Valem para a construção do entendimento quanto indedutibilidade dos juros incidentes sobre o parcelamento na apuração da base de cálculo da CSLL os mesmos fundamentos para a indedutibilidade na apuração do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 108. Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996, incidem juros de mora sobre os sobre os tributos e contribuições não pagos no vencimento, e como a multa de ofício integra os referidos débitos, fica sujeito à incidência dos juros moratórios. Aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 108. SUSPENSÃO DE PROCEDIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. A retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL vai ser formalizado nos moldes do que que for decidido administrativamente no presente processo. Assim, mesmo que os saldos de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL tenham sido retificados em decorrência do lançamento de ofício aqui analisado, poderão ser retificados caso a decisão administrativa definitiva no presente processo for favorável ao Recorrente. Eventuais processos de compensações pleiteadas com fundamento nos valores de IRPJ e CSLL apurados antes do lançamento, deverão ser sobrestados até a decisão final administrativa no presente processo. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. DILIGÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE PARCELAS RELATIVAS A JUROS INCIDENTES SOBRE JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS NA CONSOLIDAÇÃO SEGUEM A SORTE DO PRINCIPAL. Os juros moratórios calculados sobre o principal até a data da consolidação do parcelamento compõem o crédito tributário parcelado, seguem a sorte do principal, de modo que os juros incidentes sobre essa parcela também são indedutíveis.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO APONTADO FOI SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. NORMA VINCULANTE PARA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOCUMENTO PÚBLICO CONTENDO FUNDAMENTOS LEGAIS PARA A CONCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Autoridade Fiscal consignou no Termo de Verificação Fiscal que seguiu a determinação do art. 9º da Instrução Normativa RFB n° 1.396/2013, que estabeleceu que as Soluções de Consulta emitidas pela Cosit têm efeito vinculante no âmbito Secretaria da Receita Federal. A Solução de Consulta é documento público contendo os fundamentos legais que motivaram a conclusão lá exarada, e a contribuinte teve a plena possibilidade de apresentar suas contrarrazões, de modo que nenhum prejuízo causou à sua defesa. COISA JULGADA MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Não há nenhum fundamento para aplicação de decisão favorável no processo referido pela contribuinte no processo aqui analisado, porque as matérias são distintas, de modo que não há falar-se em consolidação de entendimento quanto a questão da dedutibilidade de juros incidentes sobre parcelamento. DECISÕES DE CORTES SUPERIORES. QUESTÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO SUBSUNÇÃO DO CASO DOS AUTOS ÀQUELAS DECISÕES. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 98 DO RICARF. O Tema n° 962, apontado pela contribuinte, trata da incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos em razão da incidência da taxa Selic aplicados sobre os valores de principal pleiteados na restituição de Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 2 indébito tributário. não se aplica a decisão do STF no presente processo, cuja matéria trata da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A matéria submetida à apreciação do STJ no Resp n° 1.251.513/PR não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. No referido Resp o que o contribuinte pretendeu foi a devolução da diferença de juros incidentes sobre depósitos judiciais, e não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. Incabível, portanto, a aplicação do art. 927 do CPC ao presente processo, tampouco o art. 98 do Regimento Interno do CARF. JUROS INCIDENTES SOBRE PARCELAMENTO. EM REGRA, DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. INDEDUTÍVEIS, CONTUDO QUANDO O TRIBUTOS PARCELADO SE TRATAR DE IRPJ OU CSLL. Os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento são, via de regras, dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Contudo, estão vinculados ao tributo parcelado, e sendo composto por débitos de IRPJ e CSLL e em sendo estes tributos não dedutíveis na determinação de suas próprias bases de cálculo, no termos dos arts. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, também será indedutível os juros incidentes sobre o saldo de parcelamento composto pelos referidos tributos. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. VIOLAÇÃO DO ART. 24 DA LINDB E ARTIGO 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Não se verifica a mudança de critério jurídico pelo FISCO alegado pela contribuinte. O que se constata é que poderia haver divergência interna de entendimento na Administração Tributária, aliás o que ensejou a emissão de Solução de Consulta Divergência Cosit n° 1/2022, mas isso apenas reforça que não havia entendimento consolidado quanto a questão da dedutibilidade, ao contrário do que afirma a contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O art. 57 da Lei 8981/1995 estabelece que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, Valem para a construção do entendimento quanto indedutibilidade dos juros incidentes sobre o parcelamento na Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 3 apuração da base de cálculo da CSLL os mesmos fundamentos para a indedutibilidade na apuração do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 108. Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996, incidem juros de mora sobre os sobre os tributos e contribuições não pagos no vencimento, e como a multa de ofício integra os referidos débitos, fica sujeito à incidência dos juros moratórios. Aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 108. SUSPENSÃO DE PROCEDIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. A retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL vai ser formalizado nos moldes do que que for decidido administrativamente no presente processo. Assim, mesmo que os saldos de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL tenham sido retificados em decorrência do lançamento de ofício aqui analisado, poderão ser retificados caso a decisão administrativa definitiva no presente processo for favorável ao Recorrente. Eventuais processos de compensações pleiteadas com fundamento nos valores de IRPJ e CSLL apurados antes do lançamento, deverão ser sobrestados até a decisão final administrativa no presente processo. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. DILIGÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE PARCELAS RELATIVAS A JUROS INCIDENTES SOBRE JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS NA CONSOLIDAÇÃO SEGUEM A SORTE DO PRINCIPAL. Os juros moratórios calculados sobre o principal até a data da consolidação do parcelamento compõem o crédito tributário parcelado, seguem a sorte do principal, de modo que os juros incidentes sobre essa parcela também são indedutíveis. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para ajustar a base de cálculo do IRPJ e excluir apenas a parcela dos juros relativa às multas moratórias. Assinado Digitalmente Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 4 Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Ailton Neves da Silva (substituto[a] integral), Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (efl.418/493) contra Acórdão da DRJ (efls.384/406) que julgou improcedente a impugnação administrativa (efls.187/242), interposta contra a lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (efls.64/78), lastreado em TVF (efls.57/63) no valor de R$ 441.121.070,57, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em face ao sujeito passivo acima identificado por não ter adicionado o valor de R$ 1.234.967.337,14 ao Lucro Líquido do ano-calendário 2017 para a determinação do Lucro Real (fls. 64/71), e também de Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 158.803.585,40, acrescido de multa de ofício e juros de mora, na mesma infração e no mesmo período (fls. 72/78). Para síntese dos fatos, reproduzo em parte o relatório do Acórdão recorrido: (...) Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/63) A autoridade tributária esclarece que os juros devem ser considerados como despesas financeiras e, regra geral, são dedutíveis. Contudo, com base na Solução de Consulta Cosit nº 101/2020, concluiu que os juros moratórios devem ter a mesma natureza dos débitos sobre os quais recaiam: se o IRPJ e a CSLL são indedutíveis de suas bases, os respectivos juros também devem ter o mesmo tratamento. Em razão da natureza vinculante da Solução de Consulta e do manifestado na decisão administrativa, a autoridade tributária considerou ser indedutíveis as despesas de juros Selic com os parcelamentos abaixo: O contribuinte tomou ciência do lançamento em 6/12/2022 (fls. 82). Impugnação apresentada em 2/1/2023 (fls. 86). Impugnação (fls. 87/142). Fl. 611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 5 Após contextualizar a autuação e a metodologia de apuração de juros sobre os parcelamentos, a defesa inquinou de nulidade os autos de infração por dois motivos: 1) a iliquidez por ter desconsiderado que também foram parceladas multas moratórias, indiscutivelmente dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou, quando não, a redução da exigência contida nos autos de infração ou a baixa em diligência para revisão nesse quesito; e 2) o erro no cálculo do IRPJ devido, pois sem a redução de 75% do IRPJ apurado, em razão do lucro da exploração em áreas incentivadas de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 2.199/2001, e sem a dedução permitida do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em razão do aumento do lucro real do período. No mérito, a defesa criticou a lavratura do auto de infração sem fundamentação legal, baseado apenas em prescrição genérica de apuração e dedutibilidade do IRPJ e da CSLL e da Solução de Consulta Cosit nº 101/2020. E, ainda, a contrariedade às prescrições específicas em Lei, acerca da dedutibilidade de juros nos arts. 17, § 1º, do Decreto-Lei nº 1.598/77 e 399 do Regulamento do Imposto de Renda, não tendo incorrido em nenhuma situação de indedutibiilidade. A defesa entendeu que a interpretação nos moldes da SC º 101/2020 e, por conseguinte, dos autos de infração violam a legalidade tributária e, ainda, as regras integrativas dos arts. 107 e seguintes do Código Tributário Nacional (CTN), pois não houve “ausência de disposição expressa” apta a exigi-las. Mesmo que houve, o art. 108 não enumera as “máximas civilistas” (os princípios gerais do direito privado, cuja aplicação é vedada para criação de “efeitos tributários”, nos termos do art. 109). E, ainda que se falasse em “analogia” para determinar que “acessório segue principal”, o art. 108, § 1º é no sentido de que analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em Lei. Conclui: “De ver está que a Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 busca instituir uma regra de tributação não somente sem respaldo em lei, mas, ainda, em desconformidade com prescrições básicas interpretativas e integrativas do direito tributário”. Depois, a defesa sustenta a limitação do efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela Cosit à hipótese por elas abrangida, tendo a SC Cosit nº 101/2020 analisado os juros incidentes sobre o saldo devedor e sobre cada prestação do PERT, instituído pela Lei nº 13.496/2017, e que responde a cerca de 1% dos autos de infração. Entende ainda que a SC Cosit não é vinculante ao processo administrativo fiscal, mas só no âmbito da Receita Federal do Brasil. No mais, a defesa argumenta que a taxa Selic tem natureza autônoma e independente, e que não se identifica com o IRPJ e a CSLL, mas decorre do adimplemento de uma obrigação tributária em data diversa de seu vencimento original. Para tanto, realiza argumentação baseada na legislação, doutrina e Soluções de Consulta Cosit. Não admitir a dedutibilidade é afronta a coisa julgada material após o julgamento do Processo 16682.721165/2018-64 e o Tema STF 962. Ainda argumenta o descabimento do auto de infração por força dos arts. 24, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, e 100 e 146 do CTN, a possibilidade de dedução para fins de CSLL, e a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa. Resolução Fl. 612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 6 Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 103-000.301, de 27 de setembro de 2023, que, tomando como fundamento a SC Cosit nº 101/2020 e a SD Cosit nº 1/2022, requereu: Ante o exposto, considerando que o Termo de Verificação Fiscal aparentemente não decotou os juros de mora dedutíveis dos juros de mora indedutíveis, solicita- se o esclarecimento que segue: a) Na lavratura dos autos de infração, a autoridade tributária segregou os juros de mora incidentes sobre IRPJ e CSLL dos juros de mora que recaíram sobre multas compensatórias, sim ou não? b) Caso a resposta seja afirmativa, pede-se para apontar, nas folhas dos autos, a segregação que resultou na adição ao Lucro Líquido dos juros de mora apurados de R$ 1.234.967.337,14; ou c) Caso a resposta seja negativa, solicita-se que, com base nos dados dos parcelamentos, seja discriminado, em tabela, (i) a quantia de juros de mora incidentes sobre o IRPJ e a CSLL e as multas por infrações fiscais que resultem falta ou insuficiência de pagamento do tributo e (ii) a quantia de juros de mora incidentes sobre as multas de natureza compensatória e as por infrações fiscais que não resultem falta ou insuficiência de pagamento do tributo. A unidade preparadora respondeu com uma memória de cálculo, com que o sujeito passivo anuiu, em Informação Fiscal de fls. 382 e 383. É o relatório. Nada obstante, o Acórdão recorrido, conforme já relatado, julgou improcedente a pretensão impugnatória, nos termos ementados abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. A existência de um erro na determinação da matéria tributável ou na apuração da base de cálculo do tributo não inquina o lançamento como um todo, suscitando simplesmente a correção da matéria tributável e/ou a reapuração do tributo devido, em sede de contencioso. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A descrição dos fatos, precisa e clara, com a reunião dos elementos necessários à compreensão da atuação e ao exercício do contrário e da ampla defesa são suficientes para afastar a nulidade dos lançamentos efetuados, porquanto o sujeito passivo defende-se de fatos, e não da capitulação legal. DEDUTIBILIDADE DE JUROS MORATÓRIOS. PARCELAMENTO. Via de regra, os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional na apuração do lucro real. Entretanto, dada sua natureza de acessório, os juros de mora incidentes sobre o IRPJ são indedutíveis, em razão da indedutibiilidade do tributo de sua base de cálculo. Os juros incidentes sobre multas de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 7 resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo são dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que tais multas não tenham sido incidentes sobre o imposto de renda e a CSLL por serem indedutíveis da própria base. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. O aumento da base de cálculo do IRPJ em decorrência do lançamento de ofício e, como consequência, o aumento do imposto a pagar, somente impõe o aumento da dedutibilidade das despesas incorridas no Programa de Alimentação ao Trabalhador se o contribuinte já tiver comprovadamente ultrapassado o limite de 4% do imposto de renda apurado à alíquota de 15%, quando do preenchimento de sua Escrituração Contábil Fiscal, e se comprovar que efetivamente realizou estes gastos. INCENTIVOS COM BASE NO LUCRO DE EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RECOMPOSIÇÃO NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso de lançamento de ofício, não se admite a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA. EFEITO VINCULANTE. As soluções de consulta e de divergência proferidas pela Cosit, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil e devem ser aplicadas nos julgados sob pena de responsabilidade funcional. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE EM RAZÃO DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de discussão de auto de infração no âmbito administrativo não exclui a obrigatoriedade de lançamento relativo aos efeitos sobre períodos de apuração subsequentes do ajuste promovido de ofício por intermédio do auto de infração questionado, como ocorre nos casos de lançamentos modificadores de saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Devidamente intimado em 24/06/2024 (efl.415), o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls.418/493) em 23/07/2024 (efls.416), em que repisa/reforça os fundamentos já apresentados em sede impugnatória: alega tempestividade do recurso; IV.1 — NULIDADES DO AI; IV.1.A — INDEVIDA GLOSA DE DESPESAS COM JUROS SUPOSTAMENTE ATRELÁVEIS A MULTAS MORATÓRIAS; IV.1.B - ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO IRPJ; IV.2 - MÉRITO: RAZÕES PELA INSUBSISTÊNCIA DO AI E DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO; IV.2.A - DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL DA AUTUAÇÃO E DA INOBSERVÂNCIA DE PRECEITOS LEGISLATIVOS; IV.2.B - AFRONTA ÀS REGRAS DE INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA: O REAL PAPEL DAS "MÁXIMAS CIVILISTAS" NO DIREITO TRIBUTÁRIO; IV.2.0 — AUSÊNCIA DE EFEITOS VINCULANTES DE SOLUÇÃO COSIT EM RELAÇÃO A SITUAÇÕES DISTINTAS DAS CONSULTADAS E NA ESFERA CONTENCIOSA ADMINISTRATIVA: VICIO DE MOTIVAÇÃO DO AI; IV.2.D — DA NATUREZA JURIDICAMENTE AUTÔNOMA E INDEPENDENTE DOS JUROS SELIC EM RELAÇÃO ÀS RUBRICAS DE IRPJ E CSLL; IV.2.E — DA COISA JULGADA MATERIAL (PAF 16682.721165/2018-64) E DOS PRECEDENTES VINCULANTES DO STF E DO ST J (art. 62 § 1°, II, "b", e §2° do RICARF); IV.2.F — DESCABIMENTO DO AI POR FORÇA DOS ARTS. 24 LINDB, 100 E 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL; IV.3 — DOS ARGUMENTOS SUCESSIVOS; IV.3.A — O REFLEXO DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS EM RELAÇÃO À CSLL; IV.3.B - ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA; V — DA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO NO QUE SE REFERE À RETIFICAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DO SALDO NEGATIVO DESSES TRIBUTOS; VI- PEDIDOS. Fl. 614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 8 Após, os autos forame encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata o presente de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 441.121.070,57, acrescido de multa de ofício e juros de mora, por supostamente não ter adicionado o valor de R$ 1.234.967.337,14 ao Lucro Líquido do ano-calendário 2017 para a determinação do Lucro Real (fls. 64/71), e também de Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 158.803.585,40, acrescido de multa de ofício e juros de mora, na mesma infração e no mesmo período (fls. 72/78). Consoante enunciado no Termo de Verificação Fiscal ("TVF") anexo ao Auto de Infração, os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor dos parcelamentos não seriam dedutíveis porque "os juros moratórios devidos devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais recaiam" e, uma vez que o IRPJ e a CSLL são indedutíveis de suas próprias bases, os respectivos juros deveriam ter o mesmo tratamento. Pois bem, julgada improcedente a impugnação, a Recorrente alega preliminarmente a nulidade do auto de infração em razão de lapso na sua quantificação, com base nos seguintes fundamentos: indevida glosa das despesas com juros supostamente atreláveis a multas moratórias e, falha na quantificação do IRPJ (por não terem sido computados benefícios fiscais aplicáveis em favor da ora Recorrente - redução de 75% do IRPJ do lucro da exploração e deduções do PAT). Em que pese o inconformismo da Recorrente, em princípio, entendo não se tratar de matéria preliminar, mas do próprio mérito, a saber a quantificação do auto de infração, o que deveria ser tratado como matéria de mérito. Inicialmente, a ampla peça impugnatória demonstra que o contribuinte compreendeu a matéria, bem como teve plena capacidade de apresentar sua defesa técnica. Acrescente-se aí que, em linha com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o mero erro aritmético não basta para que se reconheça a nulidade do lançamento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88). VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO. INEXIGIBILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO. ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO, PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA. Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 9 1. O prosseguimento da execução fiscal (pelo valor remanescente daquele constante do lançamento tributário ou do ato de formalização do contribuinte fundado em legislação posteriormente declarada inconstitucional em sede de controle difuso) revela-se forçoso em face da suficiência da liquidação do título executivo, consubstanciado na sentença proferida nos embargos à execução, que reconheceu o excesso cobrado pelo Fisco, sobressaindo a higidez do ato de constituição do crédito tributário, o que, a fortiori, dispensa a emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 2. Deveras, é certo que a Fazenda Pública pode substituir ou emendar a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos (artigo 2º, § 8º, da Lei 6.830/80), quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada, entre outras, a modificação do sujeito passivo da execução (Súmula 392/STJ) ou da norma legal que, por equívoco, tenha servido de fundamento ao lançamento tributário (Precedente do STJ submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.11.2009, DJe 18.12.2009). 3. In casu, contudo, não se cuida de correção de equívoco, uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF), encampado por desnecessário ato administrativo de lançamento (Súmula 436/STJ), precedeu à declaração incidental de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, quais sejam, os Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88. 4. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário, insculpido no artigo 145, do CTN, prenuncia que o poder-dever de autotutela da Administração Tributária, consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário, somente pode ser exercido nas hipóteses elencadas no artigo 149, do Codex Tributário, e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal, em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no artigo 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito. 5. O caso sub judice amolda-se no disposto no caput do artigo 144, do CTN ("O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege- se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada."), uma vez que a autoridade administrativa procedeu ao lançamento do crédito tributário formalizado pelo contribuinte (providência desnecessária por força da Súmula 436/STJ), utilizando-se da base de cálculo estipulada pelos Decretos-Leis 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, tendo sido expedida a Resolução 49, pelo Senado Federal, em 19.10.1995. DOCUMENTO VALIDADO 6. Conseqüentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamento, subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontra-se, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 10 lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII - à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto-Lei no 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto-Lei no 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; (...) § 2o Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz, ciente o Procurador da Fazenda Nacional, salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis. (...)" Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I - matérias de que trata o art. 18; (...). § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)" 7. Assim, ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tributário, remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa, sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incólume), máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução, que reconhece o excesso, é título executivo passível, por si só, de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (artigos 475-B, 475-H, 475-N e 475-I, do CPC). 8. Consectariamente, dispensa-se novo lançamento tributário e, a fortiori, emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp n. 1.115.501/SP, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 10/11/2010, DJe de 30/11/2010.) Contudo, no caso concreto, assiste razão ao contribuinte quanto à alegada alteração do critério jurídico do lançamento, especificamente no que diz respeito à dedutibilidade de juros relativos às multas compensatórias. Extrai-se do TVF que a única acusação fiscal do presente processo foi a indedutibilidade de juros incorridos em parcelamentos (fls. 63): O lançamento ora efetuado e consubstanciado no Auto de Infração, tomou por base exclusivamente os documentos e respostas apresentados pela contribuinte, e foi elaborado com estrita observância à legislação que regula a matéria. Como visto anteriormente, a Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 externalizou o entendimento da Receita Federal do Brasil de que o acessório deve seguir o principal e, sendo assim, os juros pagos em parcelamento de IRPJ e CSLL não podem ser deduzidos da base de cálculo do próprio imposto, já que o IRPJ e a CSLL são indedutíveis. Portanto, para efeito de lançamento do crédito tributário, relativamente ao IRPJ e a CSLL devidos e não declarados, foram adicionados ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo dos tributos citados, o valor correspondente apenas às despesas com os juros Selic indedutíveis da dívida com o parcelamento no valor total de R$1.234.967.337,14 (ver item 2 e 3). Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 11 Entretanto, a DRJ, ao manter o lançamento o fez por motivo diverso, na medida em que trata da indedutibilidade de multas: Portanto, os juros à taxa Selic incidiram sobre principal (IRPJ e CSLL), multa moratória (ao percentual de 20%) e juros de mora, conforme art. 61 e §§ da Lei nº 9.430/1996. A princípio, ao converter o julgamento em diligência, estava inclinado a restabelecer a dedução a título de despesas financeiras dos juros de parcelamento sobre a multa (R$ 170.197.496,30) e, proporcionalmente, dos juros incidentes sobre essa mesma multa (R$ 35.630.393,22). Entretanto, ao reanalisar o caso concreto, meu entendimento é pela manutenção do lançamento. Isso porque, ainda que o § 5º do art. 41 da Lei nº 8.981/95 pareça permitir a dedução irrestrita das multas de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, a sua interpretação deve ser realizada com cautela e obediência aos princípios tributários e civilistas que informam este campo do direito. Lei nº 8.981 Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. ... § 2º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. ... § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Embora o legislador não tenha expressamente vedado a dedutibilidade das multas compensatórias referentes ao IRPJ e à CSLL da própria base de cálculo desses tributos, a estrutura do art. 41 conduz a essa conclusão, apoiada no princípio de que acessório segue principal. Logo, se a multa compensatória incidir sobre o atraso no pagamento do IRPJ e da CSLL, por óbvio não pode ser deduzida, pois o disposto no § 5º deve ser interpretado em consonância com o § 2º. Além disso, o § 5º parte de uma vedação: a indedutibiilidade de multas por infrações fiscais, independentemente da espécie tributária e se esta é dedutível ou não do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Só então esclarece a dedutibilidade de multas compensatórias. Seria redundante no dispositivo que o legislador reproduzisse o que já havia feito no § 2º, até considerando a natureza acessória da multa compensatória sobre a obrigação principal. Por essa razão, em que pese a clareza que tenha trazido o relatório da diligência fiscal em segregar sobre quais rubricas incidiram os juros de parcelamento, tenho posicionamento de que o IRPJ/CSLL, as multas compensatórias incidentes sobre estes tributos e os juros de mora respectivos não podem ser deduzidos da apuração desses mesmos tributos por expressa vedação legal e forte no princípio de que acessório segue principal. Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 12 Assim, não tendo a fiscalização individualizado os motivos para a indedutibilidade de juros decorrentes de multa moratória, não cabe à DRJ fazê-lo, sob risco de alteração de critério jurídico do lançamento, o que é vedado pelo art. 146 do CTN. Desta forma, entendo deva ser retificado o auto de infração para excluir de sua base de cálculo a parcela dos juros relativos a multas moratórias, conforme resultado de diligência realizada pela DRJ: Assim, acolho a referida preliminar apenas para retificar a base de cálculo do auto de infração. No mérito, a Recorrente alega inicialmente a ausência de fundamento legal da autuação e da inobservância de preceitos legislativos, isto porque, o TVF não fez menção a qualquer dispositivo legal para além da solução de consulta n. 101/2020. Contudo, sem razão à recorrente. Embora o TVF não tenha indicado os dispositivos, sua leitura não pode prescindir o próprio auto de infração, no qual consta expressamente: Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 13 Como se verifica, no auto de infração consta expressamente os dispositivos infringidos, enquanto no TVF consta a interpretação que a autoridade fiscal dá a tais dispositivos e que se encontrava expressa na referida Solução de Consulta n. 101/2020. Daí a acertada conclusão da DRJ de que a leitura conjunta do auto de infração com o TVF não implica qualquer ausência de fundamentação legal ou prejuízo à contribuinte, razão pela qual afasto a referida alegação. A questão de fundo em controvérsia diz respeito à dedutibilidade das despesas com juros SELIC incorridos no contexto do REFIS TBU e do PERT, conforme se extraí do TVF: O fisco entende que os valores de juros devem ser considerados como despesas financeiras e, como regra geral, são dedutíveis. Contudo, um parcelamento não possui o condão de transformar os juros devidos em obrigação com características próprias, devendo continuar atrelados aos débitos sobre os quais incidem. Nesse sentido, a Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 veio apenas externalizar uma prática adotada há muito tempo pela Receita Federal do Brasil de uma máxima civilista, no âmbito do direito tributário, de que o acessório deve seguir o principal. Ou seja, os juros moratórios devidos devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais recaiam: considerando que o IRPJ e a CSLL, são indedutíveis de suas próprias bases, os respectivos juros deveriam ter o mesmo tratamento, pois “os juros moratórios devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais incidem”. O entendimento mais recente sobre a dedutibilidade do Juros Selic consta da Solução de Consulta COSIT nº. 101/2020 (SC_101_2020): a) Os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os juros à taxa Selic sobre o valor de cada prestação mensal a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. b) Entretanto, a dedutibilidade dos juros depende da natureza da despesa sobre a qual incidem. No caso da apuração do IRPJ e da CSSL, os juros à taxa Selic, sejam aqueles previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sejam os do art. 8º da Lei nº 13.496, de 2017, são indedutíveis quando incidentes sobre o próprio imposto ou contribuição, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício a que se refere o art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 14 A solução de Consulta veio responder uma dúvida de um determinado contribuinte sobre a possibilidade de deduzir, a título de despesa financeira, os valores por eles pagos relativos aos juros de mora incidentes sobre o montante consolidado de créditos tributários por ele parcelados no âmbito do parcelamento previsto na Medida Provisória (MP) nº 783/2017 (PERT). Em resumo, a Recorrente alega que foram contrariadas as prescrições específicas da lei, dado que: (...) a ausência de fundamentação legal da autuação em questão é evidente, uma vez que a legislação permite expressamente a dedutibilidade dos juros Selic da dívida do REFIS TBU do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem estabelecer qualquer exceção a essa regra; (...) Dentro da subseção de “despesas financeiras”, pois, a norma prescrita nos arts. 17, §1, DL 1.598/77 e 374 do RIR/99 (correspondente no RIR vigente: art. 399) estipula que os “juros incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional”; (...) A imperatividade da classificação dos juros Selic como despesas dedutíveis no contexto de parcelamentos já foi copiosamente reiterada em manifestações da RFB e serviu de norte, inclusive, na malfadada Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 que pretendeu conferir lastro ao AI; e (...) A desqualificação de atos válidos por parte da Fiscalização, sem qualquer base legal, é de fácil percepção. A legislação estabelece a regra geral de dedutibilidade dos juros e, ao mesmo tempo, não prevê regra específica que excepcione a dedutibilidade dos juros dos parcelamentos desta regra geral!; Acresce que houve afronta às regras de interpretação e integração da legislação tributária: o real papel das “máximas civilistas” no direito tributário, em razão de: (...) sequer é correto dizer que há relação de acessório e principal entre tributo e juros SELIC, pois estamos diante de normas de incidência autônomas e sujeitas à regimes jurídicos dissociados (ainda que o valor tributo devido possa compor a base de cálculo na norma jurídica de incidência da SELIC); (...) A interpretação nos moldes procedidos na Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 e no AI violam a legalidade tributária (como já dito) e, ainda, as regras integrativas dos artigos 107 e seguintes do CTN; (...) Importante sempre ter em mente que a fonte da obrigação tributária nunca pode ser outra, senão a lei (art. 97 e ss do CTN) e que os recursos integrativos dos arts. 107 e seguintes do CTN enunciam métodos auxiliares de interpretação que, por definição, jamais podem afrontar a própria legalidade. Nesse sentido, o tema estaria encerrado nos termos já expostos nos tópicos anteriores, na medida em que: (i) há regra legal que estabelece a dedutibilidade de juros SELIC e; (ii) não há regra legal que estabelece exceção à sua dedutibilidade (há outras exceções, mas não a pretendida pela autoridade fiscal, atinente a natureza do tributo objeto da incidência dos juros em questão); Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 15 (...) Ocorre que as normas de intepretação e integração dos arts. 107 e seguintes do CTN não conferem aos chamados “princípios gerais de direito privado” o alcance pretendido pela autuação. (...) Primeiramente, chama atenção o fato de que o pressuposto elementar para a aplicação das alternativas interpretativas consignadas no art. 108 acima transcrito sequer se faz presente, na medida em que não se está diante de “ausência de disposição expressa”. (...) De todo modo, importa observar que o art. 108 enumera as técnicas interpretativas por meio de analogia, princípios gerais de direito tributário, princípios gerais de direito público e equidade. Desta listagem não constam os princípios gerais de direito privado, as tais “máximas civilistas”. A par disso, sabe-se que o direito tributário está todo ele dentro do denominado direito público; (...) O referido dispositivo até possibilitaria o recurso aos princípios gerais de direito privado para a compreensão do conceito de “juros de mora”, de sua “natureza jurídica” (indenização, ressarcimento) e aspectos conceituais correlatos. A norma, todavia, é categórica em prescrever que o princípio geral de direito privado não se presta a estabelecer um efeito tributário, mormente, para criar uma regra de indedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL. (...) Em outras palavras, decorre do citado artigo 109 que somente norma tributária específica poderia estabelecer tal regra de indedutibilidade, jamais o emprego de um “princípio de direito privado”, tal como proposto pela autuação; (...) Em remate, cabe percorrer o artigo 110, do CTN apenas para esclarecer que este também não fornece guarida para a conduta do agente fiscal. Referido preceito estabelece que não pode a lei tributária alterar o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias. Ocorre que não estamos tratando de lei tributária alterando qualquer disposição de direito privado e, tampouco, da interpretação de conceitos constitucionais utilizados para a definição e limitação de competências tributárias. Logo o art. 110 do CTN não possui pertinência com o tema sob análise; e (...) Outrossim, em linha com o teor do art. 111 do CTN, no que se refere à temática de parcelamentos e de regras de dedutibilidade de despesas, não cabe a construção de sentidos para além do que expressamente consta na letra da lei. Sustenta ainda que não existe efeitos vinculantes de Solução Cosit em relação a situações distintas das consultadas e na esfera contenciosa administrativa: vicio de motivação do Auto de Infração: (...) os efeitos vinculantes das soluções de consulta proferidas pela COSIT se limitam à “hipótese por elas abrangida” (art. 33 da IN RFB 2058/2021). (...) A Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 e a Solução de divergência 1- COSIT, de seu turno, analisaram especificamente os juros incidentes sobre o saldo devedor e sobre cada prestação do PERT, instituído pela Lei nº 13.496/2017; Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 16 (...) No caso concreto, todavia, tem-se que o AI não se refere a juros de parcelamento firmado nos termos do PERT, mas, a juros de outra origem, decorrentes de outra modalidade de parcelamento, a saber, o REFIS TBU, instituído com base noutro fundamento legal, o art. 40 da Lei nº 12.865/2013; e (...) Logo, uma vez que a integralidade dos juros objeto do AI não correspondem à hipótese dos juros “abrangida”, analisada e sopesada na Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 e na Solução de divergência 1- COSIT, conclui-se que, objetivamente, esta não possui efeitos vinculantes sequer à conduta do agente de fiscalização; (...) Ademais, as Solução de Consulta COSIT e de Divergência não são vinculantes ao processo administrativo fiscal, tanto é que o art. 9º da Instrução Normativa 1396/2013 prescreve que as Soluções têm efeitos vinculantes tão somente no âmbito da RFB; e (...) Uma decisão administrativa baseada exclusivamente em Solução de Consulta ou Solução de Divergência representaria vício manifesto de motivação e na prestação da jurisdição administrativa, e merece ser repudiada, sob pena de nulidade. Defende que a natureza dos juros Selic é juridicamente autônoma e independente em relação às rubricas de IRPJ e CSLL: (...) A Selic tem natureza autônoma e independente, que não se identifica com o IRPJ e a CSLL. (...) o IRPJ e a CSLL, ou qualquer tributo para fins de todo e qualquer parcelamento, compõem a base sobre a qual incide a Selic. Essa é a única aproximação possível entre os tributos e os juros Selic. A natureza desses valores, contudo, em nada se assemelham. O fundamento legal de cobrança, o regime jurídico e a natureza em tudo se diferenciam. Cabe notar, inclusive, que, para fins da incidência dos juros em questão, pouco importa o tipo de tributo objeto de parcelamento: a norma incidirá, inexoravelmente, da mesma forma e pelo mesmo critério! Não é sequer propriedade relevante da regra de incidência de JUROS a espécie tributária de origem; (...) Ora, se “fato gerador” dos juros de mora não é “auferir renda” (como no IRPJ) e, tampouco, “auferir lucro líquido” (como na CSLL), mas “omitir-se no pagamento do tributo após determinados X meses, a taxa de X% ao mês, adicionado de 1% na data do vencimento”, fica claro que não estamos falando do mesmo fato e, também, não estamos cogitando do IRPJ ou da CSLL propriamente ditos; (...) Como se vê, o pressuposto para os juros Selic não é um fato jurídico tributável, senão o singelo adimplemento de uma obrigação tributária em data diversa do seu vencimento original. (...) Já o IRPJ e a CSLL têm caráter tributário e, para a sua ocorrência, é pressuposto o fato gerador de acréscimo patrimonial ligado aos conceitos de renda e de proventos de qualquer natureza ou resultado positivo do empreendimento econômico e, Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 17 a sua caracterização e versão em linguagem competente, por meio do lançamento tributário; (...) Os juros Selic têm, portanto, natureza muito distinta da conferida ao IRPJ e à CSLL. Enquanto os juros dos parcelamentos têm feição indenizatória ou compensatória em razão de o Fisco ter sido privado de uma soma de dinheiro, o IRPJ e a CSLL são tributos aos quais o Fisco faz jus em razão da ocorrência do fato gerador; e (...) Na seara da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL a regra prescrita no art. 374 do RIR/99 (correspondente no RIR vigente: art. 399) estipula que os “juros incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional”. E, às específicas despesas com IRPJ e CSLL, é conferido regime diferenciado que veda a sua dedutibilidade; é o que prescrevem os arts. 41, parágrafo 2º da Lei 8.981/1995 e 1º da Lei nº 9.316/96. Em relação ao objeto da autuação, acresce que há coisa julgada material (PAF 16682.721165/2018-64), bem como precedentes vinculantes do STF e do STJ (art. 62 § 1º, II, “b”, e §2º do RICARF) e julgado deste eg. CARF: (...) O procedimento implementado pela Impugnante, no sentido de deduzir as despesas do REFIS TBU consoante o regime próprio de cada rubrica já foi recentemente avalizado pelo Eg. CARF, no julgamento datado de 22/01/2020 do AI 16682.721165/2018- 64, lavrado contra a Impugnante. Neste processo, (...) firmou-se a autonomia e independência das rubricas, de modo que os tratamentos de cada qual para fins de dedutibilidade deveriam seguir regimes próprios; (...) A decisão do PAF 16682.721165/2018-64, que confirmou o entendimento da Impugnante sobre conferir tratamento autônomo e independente às rubricas da dívida do parcelamento para fins de dedutibilidade, vincula qualquer outra manifestação da administração a respeito dos mesmos fatos. É dizer: sobre o Acórdão 16682.721165/2018- 64 recaiu o manto da coisa julgada administrativa, logo, os fatos analisados já não poderiam ser revistos, tal enunciado no art. 5, XXXVI, da Constituição Federal. A ratio decidendi já firmada é prejudicial ao AI em discussão! (...) A mudança das conclusões firmadas no julgamento do PAF 16682.721165/2018-64, esbarra também na alteração do critério jurídico, em flagrante afronta ao art. 146 do Código Tributário Nacional e aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, segurança jurídica, devido processo legal, motivação, razoabilidade e moralidade da Administração Pública; (...) Se não bastasse, o AI confronta com decisões definitivas de mérito dos Tribunais Superiores julgadas, inclusive, nas sistemáticas dos repetitivos e da repercussão geral, que devem ser reproduzidas no julgamento de recursos no âmbito do contencioso administrativo (art. 62 § 1º, II, “b”, e §2º do RICARF). (...) Nos autos do julgamento do Tema STF 962 (Recurso Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 18 Extraordinário 1.063.187/SC), com efeito erga omnes, ao se aprofundarem na análise dos juros Selic, no contexto de discussão sobre a tributação dos juros decorrentes do indébito tributário, os Ministros julgadores do STF expressamente firmaram a natureza jurídica autônoma e independente dos juros Selic e do IRPJ e da CSLL (o que lhes assegura o tratamento diferenciado para fins de dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL); (...) Este Tema STF 962 foi incluído, em 08.08.2022, na lista da Lei nº 10.522/02, que estabelece que os órgãos da administração – categoria na qual indiscutivelmente se insere este Eg. CARF – encontram-se dispensados de promover a cobrança fundada em tema decidido pelo STF em sede de repercussão geral (art. 19, VI, c/c 19-A, III, e 19-B, todos da Lei nº 10.522/2002), por força do Parecer SEI nº 11469/2022/ME; (...) Nessa linha, é de se frisar que à luz do Tema STF 962, em 26/04/2023, ao julgar o Recurso Especial 1138695, sob a sistemática dos recursos repetitivos, o A. STJ aderiu à posição do A. STF e revisou o seu entendimento acerca da (não) incidência do IRPJ e da CSLL sobre os juros no contexto da repetição do indébito tributário (Súmula STJ 505). (...) E mais: na mesma oportunidade, por outro lado, o A. STJ manteve o entendimento outrora fixado no âmbito do Tema nº 504/STJ: “Os juros incidentes na devolução dos depósitos judiciais possuem natureza remuneratória e não escapam à tributação pelo IRPJ e pela CSLL”; (...) O entendimento consolidado no citado Embargos de Divergência em REsp nº 1404931/RS foi, em recentíssimo julgamento ocorrido em 25/10/2023 no A. STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, reafirmado sob o Tema 1.187/STJ. (...) Ao analisar o assunto, a C. Primeira Seção, por unanimidade, aprovou a seguinte tese jurídica: “Nos casos de quitação antecipada, parcial ou total, dos débitos fiscais objeto de parcelamento, conforme previsão do art. 1º da Lei 11.941/2009, o momento de aplicação da redução dos juros moratórios deve ocorrer após a consolidação da dívida, sobre o próprio montante devido originalmente a esse título, não existindo amparo legal para que a exclusão de 100% da multa de mora e de ofício implique exclusão proporcional dos juros de mora, sem que a lei assim o tenha definido de modo expresso”; e (...) Por fim, a fim de reforçar as razões ora defendidas, a Impugnante destaca julgamento realizado no âmbito do Eg. CARF nos autos do Processo Administrativo Federal nº 10530.721720/2014-81, que está em vias de se consolidar em favor do contribuinte. Referido julgado é um precedente favorável, cuja fundamentação merece ser adotada no presente processo, em benefício de uma prestação jurisdicional estável, coerente e íntegra. Acresce ser descabido o Auto de Infração por força dos arts. 24 LINDB, 100 e 146 do Código Tributário Nacional, em virtude de: Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 19 Que o art. 24, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB (Decreto-lei 4.657/1947), (...) tem a intenção de regular a interpretação de todo o Direito Brasileiro, incluindo o Direito Tributário, reforçou a necessidade de observância aos princípios da segurança jurídica e da irretroatividade. Com efeito, o art. 24 dispõe que as decisões administrativas e judiciais deverão levar em consideração a interpretação majoritária aplicada à época dos atos praticados; (...) Nessa toada, é cediço que a alteração do critério jurídico na interpretação fazendária só pode surtir efeitos sobre fatos futuros, por força do art. 146 do CTN; (...) No caso concreto, até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 101/2020, prevalecia o entendimento, inclusive pelos agentes fiscais, acerca da ampla dedutibilidade dos juros Selic. (...) É o que estava evidenciado nas já mencionadas manifestações da RFB, a saber, Solução de Consulta COSIT nº 21/2013, bem como no Parecer Normativos CST 174/1974 e na Solução de Consulta nº 66 - SRRF07/Disit; (...) Tendo em vista as citadas manifestações da RFB, o fato de que desde 2013 (época da adesão ao REFIS TBU) Administração Tributária Federal NUNCA questionou a Impugnante e, mais, considerando as constatações da Ilma. Auditoria Fiscal e do CARF no PAF 16682.721165/2018-64, que aceitaram e confirmaram o entendimento da Impugnante sobre conferir tratamento autônomo e independente às rubricas da dívida do REFIS TBU para fins de dedutibilidade, é imperativo reconhecer a existência de normas complementares de leis cujo cumprimento, a teor do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; e (...) Dessa forma, é necessário o reconhecimento da validade dos procedimentos adotados pela Impugnante àquela época, à luz do art. 24 da LINDB combinado com o art. 146 do CTN e, ainda, com os arts. 48, §12 da Lei nº 9.430/96, 100 do Decreto nº 7.574/2011 e o 26 da IN RFB 2.058/2021, plenamente aplicáveis in casu, afastando-se as exigências do Auto de Infração, ou, ao menos, no tocante às exigências de multa e consectários legais, nos termos do art. 100 do CTN A questão de fundo, portanto, é saber se tais juros estariam contaminados pela indedutibilidade do principal (Accessorium Sequitur Principale) ou não. Referida matéria não é nova neste e. CARF, tendo sido objeto de análise pela 2ª Turma da 3 Câmara da Primeira Seção ao julgar o processo n. 16682.721054/2021-53: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2016 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO APONTADO FOI SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. NORMA VINCULANTE PARA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOCUMENTO PÚBLICO CONTENDO FUNDAMENTOS LEGAIS PARA A CONCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Autoridade Fiscal consignou no Termo de Verificação Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 20 Fiscal que seguiu a determinação do art. 9º da Instrução Normativa RFB n° 1.396/2013, que estabeleceu que as Soluções de Consulta emitidas pela Cosit tem efeito vinculante no âmbito Secretaria da Receita Federal. A Solução de Consulta é documento público contendo os fundamentos legais que motivaram a conclusão lá exarada, e a contribuinte teve a plena possibilidade de apresentar suas contrarrazões, de modo que nenhum prejuízo causou à sua defesa. COISA JULGADA MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Não há nenhum fundamento para aplicação de decisão favorável no processo referido pela contribuinte no processo aqui analisado, porque as matérias são distintas, de modo que não há falar-se em consolidação de entendimento quanto a questão da dedutibilidade de juros incidentes sobre parcelamento. DECISÕES DE CORTES SUPERIORES. QUESTÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO SUBSUNÇÃO DO CASO DOS AUTOS ÀQUELAS DECISÕES. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 98 DO RICARF. O Tema n° 962, apontado pela contribuinte, trata da incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos em razão da incidência da taxa Selic aplicados sobre os valores de principal pleiteados na restituição de indébito tributário. não se aplica a decisão do STF no presente processo, cuja matéria trata da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A matéria submetida à apreciação do STJ no Resp n° 1.251.513/PR não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. No referido Resp o que o contribuinte pretendeu foi a devolução da diferença de juros incidentes sobre depósitos judiciais, e não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. Incabível, portanto, a aplicação do art. 927 do CPC ao presente processo, tampouco o art. 98 do Regimento Interno do CARF. JUROS INCIDENTES SOBRE PARCELAMENTO. EM REGRA, DEDUTÍVEIS NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. INDEDUTÍVEIS, CONTUDO QUANDO O TRIBUTOS PARCELADO SE TRATAR DE IRPJ OU CSLL. Os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento são, via de regras, dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Contudo, estão vinculados ao tributo parcelado, e sendo composto por débitos de IRPJ e CSLL e em sendo estes tributos não dedutíveis na determinação de suas próprias bases de cálculo, no termos dos arts. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, também será indedutível os juros incidentes sobre o saldo de parcelamento composto pelos referidos tributos. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. VIOLAÇÃO DO ART. 24 DA LINDB E ARTIGO 146 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Não se verifica a mudança de critério jurídico pelo FISCO alegado pela contribuinte. O que se constata é que poderia haver divergência interna de entendimento na Administração Tributária, aliás o que ensejou a emissão de Solução de Consulta Divergência Cosit n° 1/2022, mas isso apenas reforça que não havia entendimento consolidado quanto a questão da dedutibilidade, ao contrário do que afirma a contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 21 LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O art. 57 da Lei 8981/1995 estabelece que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, Valem para a construção do entendimento quanto indedutibilidade dos juros incidentes sobre o parcelamento na apuração da base de cálculo da CSLL os mesmos fundamentos para a indedutibilidade na apuração do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 108. Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996, incidem juros de mora sobre os sobre os tributos e contribuições não pagos no vencimento, e como a multa de ofício integra os referidos débitos, fica sujeito à incidência dos juros moratórios. Aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 108. SUSPENSÃO DE PROCEDIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. A retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL vai ser formalizado nos moldes do que que for decidido administrativamente no presente processo. Assim, mesmo que os saldos de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL tenham sido retificados em decorrência do lançamento de ofício aqui analisado, poderão ser retificados caso a decisão administrativa definitiva no presente processo for favorável ao Recorrente. Eventuais processos de compensações pleiteadas com fundamento nos valores de IRPJ e CSLL apurados antes do lançamento, deverão ser sobrestados até a decisão final administrativa no presente processo. Não há previsão legal para o sobrestamento de julgamento do presente processo. DILIGÊNCIA PARA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DE PARCELAS RELATIVAS A JUROS INCIDENTES SOBRE JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS NA CONSOLIDAÇÃO SEGUEM A SORTE DO PRINCIPAL. Os juros moratórios calculados sobre o principal até a data da consolidação do parcelamento compõem o crédito tributário parcelado, seguem a sorte do principal, de modo que os juros incidentes sobre essa parcela também são indedutíveis. Registre-se também que, ao analisar o referido processo, além do voto do relator, Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama (Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e redator ad hoc), há declaração de voto do Conselheiro Henrique Nimer Chamas, em que foram opostas as duas teses discutidas no presente processo. Após longa reflexão, entendi que há ampla jurisprudência indicando que o REFIS não configura novação. Nesse aspecto, não há como desvincular os juros moratórios das rubricas que lhes deram origem. Assim, caso tal valor decorra de uma parcela dedutível, também assim o será. Peço vênia para transcrever excerto do voto do relator que bem enfrenta as questões suscitadas: 2. Mérito 2.1 Da coisa julgada material (processo n° 16682.721165/2018-64) Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 22 A Recorrente alega que no âmbito administrativo já teve decisão favorável nos autos do processo n° 16682.721165/2018-64, que, segunda a mesma, teria consolidado o entendimento em seu favor, IV.3. – DA COISA JULGADA MATERIAL (PAF 16682.721165/2018-64) E DOS PRECEDENTES VINCULANTES DO STF E DO STJ (art. 62 § 1º, II, “b”, e §2º do RICARF) A ora Recorrente ainda defendeu a insubsistência do AI na medida em que a atuação desafia precedente do CARF exarado em seu favor e já consolidado sob o manto da coisa julgada e, também, decisões definitivas de mérito dos Tribunais Superiores julgadas nas sistemáticas dos repetitivos e da repercussão geral. O v. acórdão recorrido decidiu pela improcedência do argumento de existência de decisão administrativa favorável à Recorrente nos autos do PAF 16682.721165/2018-64, haja vista que “a matéria deste processo se refere aos valores de juros devidos à taxa Selic incidentes sobre o saldo devedor da dívida consolidada no parcelamento de IRPJ e CSLL; enquanto “a matéria analisada no âmbito do PAF 16682.721165/2018-64 cuida dos valores correspondentes à redução da multa de mora decorrente da adesão ao parcelamento especial previsto no art. 40 da Lei 12865/2013 e à redução a zero da parcela dos demais encargos legais de 20% calculados sobre as multas de ofício, em decorrência também da adesão ao parcelamento especial citado anteriormente”. Tal decisão merece ser revista por este Eg. CARF, uma vez que se respalda em análise rasa e inadequada. O raciocínio argumentativo aplicado àqueles autos é por completo aplicável ao presente PAF e, por isso, deve ser observado neste processo. Senão vejamos. Como antecipado em sede de Impugnação, o procedimento implementado pela Recorrente, no sentido de deduzir as despesas do REFIS TBU (atente-se: este exato programa de parcelamento em concreto) consoante o regime próprio de cada rubrica já foi avalizado por este Eg. CARF, no julgamento datado de 22/01/2020 do AI 16682.721165/2018-64, lavrado contra a Recorrente (cf. Doc. 04 da Impugnação – fls.). Com efeito, nos autos do PAF 16682.721165/2018-64, este Eg. CARF entendeu por bem cancelar a autuação que se baseava na mesma premissa do AI ora em discussão: nos presente autos, busca-se conferir aos juros Selic o mesmo tratamento fiscal do IRPJ e da CSLL para fins de indedutibilidade; no AI 16682.721165/2018-64 sustentava-se que o encargo legal seguiria a mesma sorte das multas de ofício, que são indedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim, ao contrário do firmado pela DRJ, com as devidas vênias, o raciocínio argumentativo é uno, de modo que as análises e conclusões por este Eg. Conselho também devem ser coerentes entre si. A Recorrente defende que o entendimento firmado na decisão nos autos do processo n° 16682.721165/2018-64 deveria ser aqui aplicado, ou seja, que a glosa da despesa de juros incidentes sobre o saldo do parcelamento deveria ser cancelado porque deve ser dado tratamento distinto e autônomo para as rubricas do parcelamento relativo aos juros: Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 23 A decisão do PAF 16682.721165/2018-64, que confirmou o entendimento da Recorrente sobre conferir tratamento autônomo e independente às rubricas da dívida do REFIS TBU para fins de dedutibilidade, vincula qualquer outra manifestação da administração a respeito dos mesmos fatos. É dizer: sobre o Acórdão 16682.721165/2018-64 recaiu o manto da coisa julgada administrativa, logo, os fatos analisados já não poderiam ser revistos, tal enunciado no art. 5, XXXVI, da Constituição Federal. Não é possível desconsiderar tal conclusão, a despeito do consignado no v. acórdão recorrido, uma vez que a ratio decidendi já firmada é prejudicial ao AI em discussão! Nesse sentido, o CPC (subsidiariamente aplicável ao processo administrativo federal por força do art. 15 do CPC) veda a revisão dos fatos sobre os quais já foram lançadas as luzes da prestação jurisdicional (no caso, administrativa): Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê- la como questão principal. § 2º A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. O entendimento da DRJ de afastar a argumentação ora exposto por se ter autos de infração relativos à glosa de despesas com rubricas distintas (encargos legais vs. juros Selic) é inadequado, porque, ao se analisar a tese em discussão no PAF 16682.721165/2018-64, o CARF teve que se debruçar sobre o racional que novamente se pretende fazer valer no presente AI, de que “o acessório segue a sorte do principal”. Observe-se que o art. 503, §1o, do CPC, frise-se aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força do seu art. 1530, aduz textualmente que a coisa julgada também protege a chamada “questão prejudicial”, no caso, a improcedência da máxima do “acessório segue a sorte do principal” no que se refere a rubricas do REFIS TBU para fins de dedutibilidade. Vejamos então se é aplicável a ratio decidendi do acórdão exarado no processo n° 16682.721165/2018-64 ao presente processo. Naquele processo, conforme se constata no voto vencedor do acórdão (e-fl. 839), a autuação foi decorrente de (i) não oferecimento à tributação de multas moratórias, pois a Autoridade Fiscal entendeu que a parcela relativa à redução do valor das multas, juros e encargos legais, por não ser computada na apuração da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS impediria a dedutibilidade D O C U M E N T O V A LI D A D O D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 24 de multas moratórias; e (ii) que a parcela do encargo legal incidente sobre a multa de ofício, não poderia de deduzido das base de cálculo do IRPJ e da CSLL (realces acrescentados): 2. Conforme relatado, trata-se de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL, ano-calendário de 2013, fundada em suposta insuficiência de adição às bases de cálculos dos referidos tributos de rubricas referentes aos anos-calendário de 2003 a 2012 e incluídas no programa de parcelamento especial instituído pela Lei 12.865/2013 (“REFIS TBU”). 3. De acordo com a acusação fiscal, “foi constatada uma insuficiência de adição no valor total de R$ 2.555.450.338,64, calculada pela diferença entre a soma das parcelas indedutíveis e o valor da adição registrada no LALUR e no LACS” do ano- calendário de 2013. 4. A suposta insuficiência decorre do fato de a ora Recorrente ter, segundo a autoridade autuante, deduzido indevidamente das bases de cálculo dos tributos: (i) as multas moratórias, calculadas para os períodos 2009 a 2012 (R$ 0,851 bilhão), na medida em que a sua não incidência estaria garantida por força do §2º, do art. 63, da Lei 9.430/1996 e, portanto, não poderia a contribuinte ter se valido das disposições do §º 15, do art. 40, da Lei 12.865/2013; e (ii) acréscimos legais identificados como “demais encargos”, pois a parcela do encargo legal do art. 1º do Decreto-Lei 1.025/1969, na parte calculada sobre a multa de ofício, não poderia ter sido objeto de dedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 5. Em síntese, para a autoridade autuante e doutas autoridades julgadoras, o art. 4º, parágrafo único, da Lei 11.941/2009, que prevê: “não será computada na apuração da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal (...)”, impediria a dedutibilidade de valores supostamente indevidos de multas moratórias, e da parcela dos encargos legais, pretensamente incidentes sobre rubrica indedutível por sua natureza (no caso, multa de ofício). A conclusão do voto vencedor no acórdão 1201-003.562 é que a parcela da multa de mora paga no contexto do REFIS, após a aplicação dos redutores seria dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e a parcela anistiada não seria adicionada na apuração do IRPJ e da CSLL: 28. Diante das razões aqui expostas, essa relatoria não têm dúvidas de que: (i) a parcela da multa de mora efetivamente paga no contexto do REFIS TBU, após aplicação dos redutores previstos na legislação de regência, é despesa dedutível, nos termos dos artigos 41, § 5º, da Lei 8.981/1995, e 352, § 5º, do Decreto 9.580/2018 (RIR/2018), previsão também existente no Decreto 3.000/1999 (artigo 344, § 5º, do RIR/1999)2 , dispositivos vigentes na época dos fatos; e, a parcela da multa de mora anistiada/reduzida no bojo do REFIS TBU não compõe a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a teor do parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941/2009, aplicável ao contexto do REFIS TBU em razão da normativa do §15º do art. 40 da Lei nº 12.865/2013. A segunda matéria discutida no processo n° 16682.721165/2018-64 é relativo à dedutibilidade do encargo legal do art. 1º do Decreto-Lei n° 1.024/1969 incidente sobre a multa de ofício: I II. Da Dedutibilidade dos Demais Encargos D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 25 30. De acordo com a autoridade autuante e doutas autoridades julgadoras, a parcela do encargo legal do art. 1º do Decreto-Lei n. 1.025, de 21 de outubro de 1969, na parte calculada sobre a multa de ofício, não poderia ter sido objeto de dedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Comefeito, deveria a ora Recorrente ter adicionado este montante na apuração do IRPJ e da CSLL. 31. Vejamos a manifestação da r. DRJ sobre o tema: “a natureza da despesa correspondente a este encargo (encargo legal – 20% do Decreto-Lei nº 1.025/196) depende da natureza da dívida que tenha sido inscrita. Ou melhor dizendo, é a natureza da dívida inscrita que se presta para verificação da dedutibilidade da despesa incorrida com tal encargo, se ela atende aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade”. 32. Data máxima vênia, tal posicionamento não merece prevalecer. Não cabe dar o mesmo tratamento das multas de ofício aos encargos legais para fins de considerá-los indedutíveis. No entendimento consignado no voto vencedor no acórdão 1201-003.562 é que os encargos legais seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, até porque teria havido adição (como receita de reversão das parcelas anistiadas /reduzidas): 42. Como dito, diferente das multas moratória, analisadas na referida Solução de Consulta, os encargos legais consistem em taxa com caráter indenizatório (e não punitivo), tal como recentemente firmou o C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso submetido ao rito dos repetitivos: II “PROCESSUAL CIVIL E FALIMENTAR. CLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITOS. ENCARGO LEGAL INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO TRIBUTÁRIO. PREFERÊNCIA CONFERIDA AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. EXTENSÃO. 1. Nos termos do art. 1º do DL n. 1.025/1969, o encargo de 20% inserido nas cobranças promovidas pela União, pago pelo executado, é crédito não tributário destinado à recomposição das despesas necessárias à arrecadação, à modernização e ao custeio de diversas outras (despesas) pertinentes à atuação judicial da Fazenda Nacional.” (REsp 1521999/SP / 1525388, julgamento realizado em 28/11/2018) (destaques acrescidos) 43. E, como se não bastasse, verifico nítida inconsistência na acusação de indedutibilidade quando se demonstra a reversão plena das despesas com o encargo legal. Isso porque, a presente autuação de um lado se fundamenta na tese da indedutibilidade fiscal de despesas como custos e despesas operacionais (art. 344 c/c artigo 299 do RIR/99) e de outro reconhece expressamente no TVF (e-fls. 547 e 549) e “Demonstrativo TBU 08” (e-fls. 552) que tais despesas foram revertidas, anuladas a título de “receitas de reversão”, de modo a neutralizar totalmente os efeitos da despesa originalmente deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Confira-se: (...) 44. Logo, fica claro que não há qualquer valor indevidamente deduzido a título de encargos legais como custos ou despesas operacionais, o que, por si só, já teria o condão de cancelar a respectiva exigência. D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 26 45. Em vista das razões supra, essa relatoria considera que foi adequado o tratamento tributário conferido aos valores anistiados a título de encargos legais. A integralidade dessa rubrica, deve ser excluída das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do art. 40, §15º, da Lei 12.865/2013 c/c art. 4º, da Lei nº 11.941/2009. Veja que no processo n° 16682.721165/2018-64 não é analisado a dedutibilidade dos juros SELIC incidentes sobre o saldo do parcelamento, objeto do presente processo. Portanto, não há nenhum fundamento para aplicação da decisão prolatada no processo n° 16682.721165/2018-64 ao presente processo. 1.1 De precedentes vinculantes do STF e STJ A Recorrente aduz que nos autos do julgamento do Tema STF 962 (Recurso Extraordinário 1.063.187/SC), a Corte Suprema teria firmado o entendimento que os “juros Selic” teriam natureza jurídica autônoma e independente do IRPJ e da CSLL , o que asseguraria sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: Nos autos do julgamento do Tema STF 962 (Recurso Extraordinário 1.063.187/SC), ao se aprofundarem na análise dos juros Selic, no contexto de discussão sobre a tributação dos juros decorrentes do indébito tributário, os Ministros julgadores do STF expressamente firmaram a natureza jurídica autônoma e independente dos juros Selic e do IRPJ e da CSLL (o que lhes assegura o tratamento diferenciado para fins de dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL): “trata-se de juros moratórios legais, cuja natureza jurídica independe da verba principal (...) o tratamento contábil dado à devolução dos tributos com a sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não guarda relação com o tratamento a ser dado à taxa SELIC, seja pela sua natureza autônoma em relação à verba principal, seja porque essa adição visa, exclusivamente, a compensar a redução feita em momento anterior quando do pagamento do tributo (...) Destaquem-se algumas das conclusões alcançadas pelo ilustre relator do feito, Min. Dias Toffoli: (1) os juros moratórios legais têm natureza jurídica autônoma em relação às verbas principais;” (trecho do voto do Ministro Luís Roberto Barroso) Veja-se que o Ministro Relator Dias Toffoli, aliás, frisou especificamente a inaplicabilidade da ideia de “acessório que segue a sorte do principal”, propalada no AI ora combatido: “os juros de mora legais têm natureza jurídica autônoma em relação à natureza jurídica da verba em atraso. Vide, em primeiro lugar, que eles não constituem frutos civis (parcela acessória que, em regra, segue a sorte do principal) decorrentes da exploração econômica do capital, como ocorre, por exemplo, com os juros remuneratórios (ou compensatórios) em relação ao mútuo feneratício. É necessário notar, ainda, que a causa que gera o direito aos juros de mora legais decorre de um ato ilícito imputado ao devedor consistente no não pagamento dos valores em dinheiro aos quais tem direito o credor nas datas estabelecidas (...) uma coisa é o tributo restituído (montante principal); outra é o montante correspondente à taxa Selic. Em razão das distintas naturezas, como já amplamente demonstrado, não há que se aplicar, neste caso, a regra de que o acessório segue a sorte do principal.” (trecho do voto do Ministro relator Dias Toffoli) D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 27 Este Tema STF 962 foi recentemente incluído na lista da Lei nº 10.522/02, que estabelece que os órgãos da administração – categoria na qual indiscutivelmente se insere este Eg. CARF – encontram-se dispensados de promover a cobrança fundada em tema decidido pelo STF em sede de repercussão geral (art. 19, VI, c/c 19-A, III, e 19-B, todos da Lei nº 10.522/0234)! Destaque-se que em referido parecer foi reiterado o fato de que o STF categoricamente decidiu pela natureza autônoma dos juros: “Ao julgar o mérito do RE nº 1.063.187/SC (Tema nº 962), o STF apresentou os seguintes fundamentos para excluir do âmbito de aplicação do § 1º do art. 3º Lei nº 7.713/88, do art. 17 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e do art. 43, inciso II e § 1º, do CTN (Lei nº 5.172/66) a incidência do imposto de renda e da CSLL sobre a taxa SELIC recebida pelo contribuinte na repetição de indébito tributário: (.i.) h) esse índice possui natureza jurídica autônoma e distinta da verba principal (tributo restituído), não se aplicando a ele a regra de que “o acessório segue a sorte do principal”;” Assim (e até mesmo em linha com o quanto firmado no v. acórdão recorrido), o Parecer SEI nº 11469/2022/ME adventício ora invocado agora vincula este Eg. CARF a aplicar a Tese STF 962 e reconhecer a autonomia dos juros em relação ao IRPJ e à CSLL. Isso, por conseguinte, acarreta o necessário reconhecimento da procedência dos argumentos de defesa da Recorrente. Analisando o Tema n° 962, constato que se trata da incidência do IRPJ e da CSLL sobre os juros de mora aplicados nos valores decorrentes de repetição de indébito (restituição e compensação tributárias): III Tema 962 - Incidência do Imposto de renda - Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a taxa Selic (juros de mora e correção monetária) recebida pelo contribuinte na repetição do indébito. Há Repercussão? Sim Relator(a): MIN. DIAS TOFFOLI Leading Case: RE1063187 Descrição: Recurso extraordinário interposto com fundamento na alínea b do inciso III do art. 102 da Constituição da República, em que se discute a constitucionalidade da incidência do Imposto de renda - Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a taxa Selic (juros de mora e correção monetária) recebida pelo contribuinte na repetição do indébito. Tese: É inconstitucional a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores atinentes à taxa Selic recebidos em razão de repetição de indébito tributário. Como se verifica o Tema n° 962, trata da incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos em razão da incidência da taxa Selic aplicados sobre os valores de principal pleiteados na restituição de indébito tributário. Como se percebe, não se aplica a decisão do STF no presente processo, cuja matéria, é bom que se frise mais uma vez, trata da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 28 Em relação ao STJ, a Recorrente fez referência ao Resp n° 1.251.513/PR, no qual aponta trecho da decisão em que são indicadas as rubricas que compõem o crédito tributário, para chegar à conclusão, ela, a Recorrente, que os “Juros Selic” são autônomos e independentes: Nesta mesma linha e em sede de recurso submetido ao então vigente regime do art. 543-C do CPC/1973, o A. STJ analisou a temática de resgate de juros de depósitos judiciais de valores incluídos em programas de parcelamento e, como fundamento determinante para decidir, ponderou a independência e autonomia dos Juros Selic, confira-se: “(...) convém rememorar as parcelas ou rubricas que compõem o crédito tributário: Principal: é valor do tributo devido ou da multa isolada devida; Multa: é o valor da multa devida quanto atrelada ao principal, podendo ser de ofício, no caso de infração à legislação tributária, ou de mora, no caso de atraso no pagamento do principal; Juros de mora: são os juros incidentes em razão de atraso no pagamento do principal (art. 161, §1º, do CTN, atualmente a SELIC, por força do art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96). Encargos: demais encargos incidentes sobre a dívida.” (RECURSO ESPECIAL Nº 1.251.513 – PR, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008) (destaques acrescidos) O que o contribuinte pretendeu foi a devolução da diferença de juros incidentes sobre depósitos judiciais. Confira-se excerto do voto do Ministro Mauro Campbell Marques (Relator): Quanto ao caso concreto, observo que se trata originalmente de mandado de segurança onde o PARTICULAR estava pleiteando a inexistência de relação jurídica que o obrigasse ao recolhimento de COFINS. Durante o curso do processo foram realizados depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do tributo discutido. O processo teve trânsito em julgado em 12.12.2008 de forma desfavorável ao PARTICULAR e na sequência foi sobrestado para aguardar posicionamento do STF sobre a modulação de efeitos da revogação da Súmula n. 276, deste STJ. No entanto, nesse ínterim, antes da ordem para a transformação dos depósitos efetuados em pagamento definitivo (outrora conversão em renda), sobreveio a Lei n. 11.941/2009 (DOU de 28.5.2009) que em seu art. 1º, §3º, permitiu o pagamento ou parcelamento de débitos com os benefícios de remissão e anistia da seguinte forma: IV Lei n. 11.941/2009 Art. 1º [...] [...] § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do Procurador-Geral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 29 I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; II – parcelados em até 30 (trinta) prestações mensais, com redução de 90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; III – parcelados em até 60 (sessenta) prestações mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 30% (trinta por cento) das isoladas, de 35% (trinta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; IV – parcelados em até 120 (cento e vinte) prestações mensais, com redução de 70% (setenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 25% (vinte e cinco por cento) das isoladas, de 30% (trinta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou V – parcelados em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais, com redução de 60% (sessenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 20% (vinte por cento) das isoladas, de 25% (vinte e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal. [...] Nesse novo contexto, o PARTICULAR solicitou o gozo da benesse fiscal, na modalidade de pagamento à vista. Sendo assim requereu que sobre sua dívida fossem aplicadas a anistia das multas e a remissão dos juros de mora e do encargo legal, a fim de que efetuasse o seu pagamento através da transformação dos valores depositados em pagamento definitivo. Além disso, por entender que após essa transformação haveria saldo remanescente dos depósitos efetuados, pois os depósitos renderam juros SELIC e a remissão legalmente concedida abrangeu 45% dos juros de mora (art. 1º, §3º, I, da Lei n. 11.941/2009), requereu que lhe fossem devolvidas as diferenças a título de juros, valor a que entende ter direito. Verifica-se claramente que a matéria submetida à apreciação do STJ não guarda nenhuma relação com o objeto do presente processo, dedutibilidade de juros SELIC das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre saldo de parcelamento. Portanto, não é caso de aplicação do art. 927 do CPC1 ao presente processo, tampouco o art. 98 do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n° 1.634, de 21 de Dezembro de 2023. 1.2 Da natureza dos juros incidentes SELIC A Recorrente defende que os juros SELIC incidente sobre o saldo devedor do parcelamento tem natureza autônoma e independente em relação ao IRPJ e à CSLL, de modo que pode ser deduzida da base de cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com o art. 47 da Lei 4506/1964 e do art. 299 do RIR/99 (art. 311 do RIR/2018) c/c o art. 374 do RIR/99 (art. 399 do RIR/2018), e acrescenta que a partir da consolidação do parcelamento o débito não comportaria segregação, de modo que seria cabível a dedução da despesa de juros incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento. D O C U M E N T O V A LI D A D O Fl. 636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 30 Aduz que a DRJ desconsiderou suas razões de defesa, na qual refutou seus argumentos contra o entendimento exarado na Solução de Consulta Cosit n° 101/2020, no qual ratifica que a natureza jurídica da Selic não se confundiria com a do IRPJ e da CSLL: V IV.2. – DA NATUREZA JURIDICAMENTE AUTÔNOMA E INDEPENDENTE DOS JUROS SELIC EM RELAÇÃO ÀS RUBRICAS DE IRPJ E CSLL O v. acórdão recorrido afastou a tese da ora Recorrente de que juros Selic sobre o saldo devedor do REFIS TBU teriam natureza autônoma e independente em relação ao IRPJ e à CSLL, de modo que seria legítima a sua dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo dos tributos em questão, com base no simplório fundamento de que tal entendimento confrontaria com a Solução COSIT 101/2020, in verbis: “Não merece reparo a fundamentação da Fiscalização, pois a Coordenação Geral de Tributação sustentou o mesmo entendimento ao analisar a dedutibilidade dos juros de mora. Para isso, vejamos a ementa da Solução de Consulta nº 101 - COSIT, de 28/09/2020 (...). De acordo com comando normativo da Solução de Consulta nº 101 - COSIT, de 28/09/2020, os juros moratórios devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais incidem. Sendo assim, não são dedutíveis os juros devidos à Taxa Selic incidentes sobre o IRPJ e a CSLL, posto que são tributos indedutíveis, por força do § 2º do art. 41 da Lei 8981/1995 e do art. 1º da Lei 9316/1996. Além da legislação citada pela Fiscalização, nas palavras do ilustre Julgador Alberto Pinto, externadas dentro do julgamento dessa Turma, há também uma razão de ordem técnica para caracterizar a indedutibilidade da despesa em questão. Isso porque o IRPJ e a CSLL não são despesas, mas destinação do lucro; logo, os valores decorrentes desses tributos não podem impactar o lucro líquido que serve de ponto de partida tanto para o cálculo do lucro real como da base ajustada. Dessa forma, não merece acolhimento a alegação da Impugnante postulada neste item. Ao assim decidir, com base em razões deveras rasas, o v. acórdão recorrido desconsiderou as densas razões apresentadas pela ora Recorrente para refutar a Solução de Consulta COSIT nº 101 de 2020 no sentido de que a natureza jurídica da Selic não se confunde com a do IRPJ e da CSLL. Há que se considerar, que a DRJ, como parte integrante da Secretaria da Receita Federal é vinculada às Soluções de Consulta emanadas da Cosit, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB n° 1.396/2013, e, por entender que o caso concreto aplicar-se-ia o entendimento exarado na Solução de Consulta Cosit n° 101/2020, tomou a decisão de considerar que os juros Selic incidentes sobre o parcelamento, cuja origem fora de débitos de IRPJ e CSLL seria indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por considerar que são vinculados a esses dois tributos. Considerando que o CARF não é vinculado às Soluções de Consulta da Cosit, vejamos então quais são os argumento contidos na Solução de Consulta COSIT nº 101/2020 para considerar indedutível os juros incidentes sobre parcelamento de débitos de IRPJ e CSLL e as razões de defesa. Fl. 637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 31 Primeiramente peço licença para transcrever a Solução de Consulta questionada: Solução de Consulta nº 101 - Cosit Data 28 de setembro de 2020 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ementa: LUCRO REAL. DÉBITOS CONSOLIDADOS EM PARCELAMENTO. PERT. JUROS DE MORA. DESPESA FINANCEIRA. CARACTERIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na apuração do Lucro Real, os juros à taxa Selic sobre o saldo devedor e os juros à taxa Selic incidentes sobre cada prestação a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. Todavia, tais juros somente são dedutíveis quando incidentes sobre despesas dedutíveis, sendo, por conseguinte, indedutíveis quando incidentes sobre o próprio imposto, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício a que se refere o art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 17, caput e §1º; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 41, caput e §5º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, caput e §3º; Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017, art. 8º, §3º. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ementa: BASE DE CÁLCULO. DÉBITOS CONSOLIDADOS EM PARCELAMENTO. PERT. JUROS DE MORA. DESPESA FINANCEIRA. CARACTERIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE Na apuração da base de cálculo da CSLL, os juros à taxa Selic sobre o saldo devedor e os juros à taxa Selic incidentes sobre cada prestação a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. Todavia, tais juros somente são dedutíveis quando incidentes sobre despesas dedutíveis, sendo, por conseguinte, indedutíveis quando incidentes sobre a própria contribuição, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício a que se refere o art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 17, caput e §1º; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 41, caput e §5º, art. 57; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, caput e §3º; Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017, art. 8º, §3º. Relatório O sujeito passivo em epígrafe protocolou a presente consulta a respeito da dedutibilidade dos juros na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A consulente afirma exercer as atividades de comércio atacadista, fabricação, montagem e instalação industrial de componentes hidráulicos e pneumáticos, dentre outras, apurando os tributos pela sistemática do Lucro Real. 2. Informa que no ano de 2017 aderiu ao parcelamento previsto na Medida Provisória (MP) nº 783, de 31 de maio de 2017, convertida na Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017, o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), para incluir débitos de tributos lançados nos autos de infração consubstanciados nos Processos Administrativos Fiscais (PAF) de nº 13971.722851/2017-28 e nº 13971.720491/2011-34, tendo optado pelo pagamento em espécie de 20% (vinte por cento) do valor da dívida consolidada, sem deduções, em cinco parcelas, e o Fl. 638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 32 restante em 145 (cento e quarenta e cinto) parcelas mensais e sucessivas, vencíveis a partir de janeiro de 2018, nos termos do art. 2º, III, “b” da referida Lei. 3. Cita o art. 374 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), que prevê os juros pagos ou incorridos dedutíveis como despesa financeira na apuração do Lucro Real. Também transcreve teor de Solução de Consulta que afirma serem os juros de mora consolidados em parcelamento dedutíveis na determinação do Lucro Real segundo o regime de competência, assim como trecho de Solução de Consulta Interna segundo a qual os juros moratórios correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) referentes ao Parcelamento Excepcional (Paex), instituído pela MP nº 303, de 29 de junho de 2006, são dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime de competência. 4. Também invoca o Parecer Normativo CST nº 174, de 25 de setembro de 1974, que tratou da dedutibilidade dos juros de mora em caso de parcelamento, por se tratarem de compensação pelo atraso na liquidação dos débitos, caracterizando- se como despesas financeiras. A consulente entende, portanto, que a partir do parcelamento os juros são devidos como obrigação autônoma decorrente da moratória, com características de despesa financeira, ou seja, uma obrigação com características próprias, sendo seu recolhimento feito através de guia unificada e com código de receita próprio, conforme previsto na legislação de regência. 5. Com base nas disposições legais citadas, considera como dedutíveis pelo regime de competência, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real, todo o valor de juros incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento e sobre cada prestação mensal paga pela consulente. Todavia, vislumbra a possibilidade das autoridades fiscais interpretarem de maneira diversa, porquanto o valor parcelado é composto pelo principal, multa de ofício e juros, podendo o Fisco entender que, sendo os valores de IRPJ, da CSLL e da multa de ofício indedutíveis, por consequência os juros incidentes sobre estas verbas também os seriam. Por fim, requer a manifestação sobre questões redigidas nestes exatos termos: Fundamentos 6. Os acréscimos moratórios decorrem do atraso no pagamento e conforme previsto no caput e no §3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, são constituídos pela multa de mora e pelos juros de mora calculados à taxa Selic. A dedutibilidade dos tributos e dos juros para fins de apuração do IRPJ já tem sido objeto de análise há tempos, conforme demonstra o próprio ato normativo trazido à baila pela consulente, o Parecer Normativo CST nº 174, de 1974. Do mesmo modo, a mencionada Solução de Consulta nº 66, de 2011, que, apesar de não ter tido explicitado pela consulente o órgão da Receita Federal responsável por sua lavratura, pode-se inferir que se trata da Solução de Consulta nº 66, de 14 de julho de 2011, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal (Disit/SRRF07), conforme o teor de sua ementa: Solução de Consulta nº 66, de 2011 – Disit/SRRF07 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Fl. 639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 33 Ementa: DEDUTIBILIDADE. PARCELAMENTO DEFERIDO. TRIBUTOS, CONTRIBUIÇÕES E JUROS DE MORA CONSOLIDADOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os débitos do sujeito passivo relativos a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, regra geral, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo vedada a dedução do imposto de renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Dispositivos Legais: art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 2001; arts. 187, § 1º, e 191, da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.); art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; arts. 12 e 13 da Lei nº 10.522, de 2002; arts. 247, 248, 299, §§ 1º e 2º, e 344 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999); item 8 do Parecer Normativo CST nº 174/74; Parecer Normativo CST nº 58/1977; e item 4 do Parecer Normativo CST nº 61/79. 5. A própria Solução de Consulta nº 66, de 2011, utiliza como fundamentação o Parecer Normativo CST nº 174, de 1974, para concluir que os juros de mora, por se tratarem de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam- se como despesa financeira e como tal são dedutíveis. Ademais, o RIR/1999 ao dispor sobre a dedutibilidade dos juros, localiza o art. 374 na Subseção I – Receitas e Despesas Financeiras, do mesmo modo que o Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que posiciona o seu art. 17 sob o título Receitas e Despesas Financeiras. VI Decreto-Lei nº 1.598, de 1977 Receitas e Despesas Financeiras Art 17 - Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. § 1º Sem prejuízo do disposto no art. 13 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (grifou-se) 6. No caso objeto de análise, o art. 8º da Lei nº 13.496, de 2017, instituidora do Pert, determina que a dívida objeto do parcelamento será consolidada na data do requerimento de adesão e será dividida pelo número de prestações indicadas. O parágrafo 3º do mesmo artigo determina que o valor de cada prestação mensal será acrescido de juros equivalentes à taxa Selic. Registre-se, portanto, que há acréscimos moratórios distintos. O primeiro quando a Lei determina a consolidação da dívida, quer dizer, a atualização pelos acréscimos legais definidos na Lei nº 9.430, de 1996, citada anteriormente, e sujeitas às reduções a depender da modalidade escolhida. E posteriormente quando do pagamento de cada Fl. 640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 34 prestação mensal, acrescido de juros à taxa Selic. Tais juros também possuem natureza compensatória e são considerados despesas financeiras dedutíveis. 7. Dessarte, o primeiro questionamento da consulente é solucionado no sentido de que os juros à taxa Selic acrescidos ao saldo devedor, assim como os juros à taxa Selic sobre o valor de cada prestação mensal a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. 8. Por outro lado, o segundo questionamento aborda a dedutibilidade integral de tais juros na apuração do IRPJ e da CSLL, independentemente das verbas incluídas no valor parcelado. Ocorre que há despesas não passíveis de dedução, sendo que os juros acrescidos a tais despesas também são considerados indedutíveis. A Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) já se manifestou sobre o tema na Solução de Consulta Interna nº 9, de 2012, e na Solução de Consulta Cosit nº 208, de 5 de agosto de 2015: VII Solução de Consulta Interna Cosit nº 9, de 2012 10. A regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser a mesma aplicada aos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. No silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, em relação à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, consoante os princípios de direito tributário, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Ademais, frise-se que os juros de mora devidos em razão de débitos recolhidos com atraso são sempre dedutíveis como despesas financeiras (cf. Parecer Normativo CST nº 174/1974). (grifou-se) VIII Solução de Consulta Cosit nº 208, de 2015 21. Por sua vez, a multa imputada por infração à legislação tributária estadual não pode receber o mesmo tratamento de tributos inerentes a operações de aquisição de mercadorias. Como penalidade pecuniária, a multa não tem natureza tributária, nos moldes conceituados pela Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional: Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 22. Como consequência, tem-se que a multa é classificada como despesa, cabendo todavia, analisar a respeito de sua dedutibilidade ou não, para fins de apuração do lucro real. 23. Sobre o tratamento fiscal de despesas com multas por infrações fiscais, prevê o RIR/1999: IX Tributos e Multas por Infrações Fiscais Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). Fl. 641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 35 24. A regra apresentada é a indedutibilidade de despesas relativas a multas por infrações fiscais. Contemplam-se duas exceções, conforme consta do texto referenciado. O assunto foi tratado em detalhes pelo Parecer Normativo CST nº 61, de 23 de outubro de 1979, cujos excertos a seguir aplicam-se ao presente caso. (...) 28. Nesse contexto, se tal conduta constitui hipótese de descumprimento de obrigação acessória, que tem como efeito a falta de pagamento do imposto, a penalidade aplicada não se enquadra na definição referida, de "multas impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo" e, como tal, não é dedutível na apuração do lucro real para fins de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. 29. Por seu turno, os juros incidentes sobre a multa de ofício devem ser tratados como acessório, seguindo a mesma sorte do principal. Desse modo, também constituem despesa indedutível. (grifou-se) 9. A tese em voga é de que os juros moratórios devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais incidem. Verificando os lançamentos constantes nos autos de infração citados pela consulente, constata-se lavraturas de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins e IPI. Portanto, não são dedutíveis os juros de mora incidentes sobre o IRPJ e a CSLL, posto que são tributos indedutíveis, por força do art. 41, § 2º da Lei nº 8.981, de 1995 e do art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Mas são dedutíveis os juros de mora acrescidos às contribuições ao PIS/Pasep e da Cofins, e ao IPI. 10. Por outro lado as multas lançadas são decorrentes de omissão de receitas, sendo, portanto, sobre imposto ou contribuição que deixou de ser pago. Tais multas são indedutíveis por se enquadrarem no art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995, e por conseguinte, os juros incidentes sobre as mesmas também constituem despesa indedutível. 11. O parcelamento dos débitos não possui o condão de transformar os juros devidos em obrigação autônoma conforme aventado pela consulente, uma vez que continuam atrelados aos débitos sobre os quais incidem. Tampouco o pagamento unificado dos débitos em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), posto ser mero método procedimental para recolhimento dos valores devidos. 12. Portanto, o segundo e o terceiro questionamentos devem ser solucionados no sentido de que somente são admitidos como dedutíveis os juros moratórios e os juros a que se refere o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 13.496, de 2017, quando incidentes sobre despesas dedutíveis. X Conclusão 13. Face o exposto, soluciona-se a presente consulta respondendo-se à consulente que: a) Os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os juros à taxa Selic sobre o valor de cada prestação mensal a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. Fl. 642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 36 b) Entretanto, a dedutibilidade dos juros depende da natureza da despesa sobre a qual incidem. No caso da apuração do IRPJ e da CSSL, os juros à taxa Selic, sejam aqueles previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sejam os do art. 8º da Lei nº 13.496, de 2017, são indedutíveis quando incidentes sobre o próprio imposto ou contribuição, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício a que se refere o art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995. À Chefe da Divisão de Tributação – Disit/SRRF08. Assinado digitalmente XI EDUARDO KIMURA Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil De acordo. Encaminhe-se à Coordenação de Tributos sobre a Renda, Patrimônio e Operações Financeiras – Cotir. Assinado digitalmente XII ANTONIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Chefe da Disit/SRRF08 De acordo. Encaminhe-se ao Coordenador-Geral de Tributação para aprovação. Assinado digitalmente XIII FÁBIO CEMBRANEL Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Coordenador da Cotir XIV Ordem de Intimação Aprovo a Solução de Consulta. Divulgue-se e publique-se nos termos do art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Dê-se ciência ao consulente. Assinado digitalmente XV FERNANDO MOMBELLI Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Coordenador-Geral da Cosit Constata-se que o fundamento da decisão da Solução de Consulta Cosit 101/2020 é no sentido de que, regra geral, os juros incidentes sobre o saldo devedor de parcelamento são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, com base no art. 17 do Decreto-Lei 1.598/77. Contudo, com fundamento na Solução de Consulta Interna Cosit n° 9 de 2012, que por sua vez firma o entendimento que a dedutibilidade dos juros decorrentes de acréscimos moratórios, dado a sua natureza acessória, segue o principal, por entender que no art. 41, § 1º não consta disposição acerca da dedutibilidade dos acréscimos moratórios. A Solução de Consulta Cosit 101/2020 faz referência à Solução de Consulta Cosit n° 208 de 2015, que firmou o entendimento que é indedutível na apuração do lucro real hipótese de descumprimento de obrigação acessória, cujo efeito foi a falta de pagamento de imposto, tendo como fundamento legal o art. 344 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 41 da Lei n° 8.981/95. Fl. 643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 37 Por fim, com base nas Soluções de Consulta referidas e por entender que os juros de mora incidentes sobre o IRPJ e a CSLL (tributos indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com o art. 41, § 2º da Lei nº 8.981, de 1995 e do art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996), concluiu que os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os juros à taxa Selic sobre o valor de cada prestação mensal do parcelamento são indedutíveis quando o débito parcelado for IRPJ ou CSLL. Vejamos em seguida as contrarrazões da Recorrente aos fundamentos expressos na Solução de Consulta da Cosit: A COSIT cria relação de “principal” e “acessório” entre o IRPJ e a CSLL ao lado da Selic, sendo que tais rubricas não comportam, juridicamente, este tipo de vinculação. Trata-se de parcelas de distintas naturezas e, pois, fundadas em específicos dispositivos normativos e sujeitas a diferenciados regimes jurídicos, de modo que é inadequado aproximá-las como feito na Solução de Consulta COSIT nº 101/2020. Ao contrário do que pretende fazer crer a C. Turma Julgadora recorrida, não há falar-se em Selic vinculada ao IRPJ e à CSLL, à qual deveria ter sido conferido o mesmo tratamento dado ao IRPJ e à CSLL, no que se refere à sua indedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A Selic tem natureza jurídica autônoma e independente, que não se identifica com o IRPJ e a CSLL. Em linha com as prescrições do art. 161 do CTN e 61 da Lei nº 9.430/9619, a Lei 12.865/2013 que instituiu o REFIS TBU, em seu art. 40, §15 prescreve que ao programa de parcelamento se aplica o quanto disposto no art. 13 da Lei nº 10522, de 19 de julho de 2002, que estatui: Art. 13. O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Num estudo analítico do fundamento normativo acima colacionado, é possível estruturar a norma dos juros Selic no contexto do REFIS TBU na seguinte maneira simplificada: Fl. 644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 38 Veja-se: a legislação estabelece uma relação jurídica em torno da mora caracterizada pelo parcelamento de uma obrigação tributária. Esta relação jurídica tem características próprias e distintas da obrigação de pagar o tributo objeto do parcelamento. Nessa linha, vale citar Eurico Marcos Diniz de Santi sobre alguns dos aspectos da relação jurídica da mora e, mais, a respeito não somente da autonomia do fato jurídico moratório em relação ao fato jurídico tributário, mas, também, de cada fato jurídico moratório entre si. Demonstra, assim, a existência de uma norma jurídica com sua própria individualidade a que chama de “regra matriz da mora (RMM)”: I “A REGRA-MATRIZ DA MORA Da mesma forma, a regra-matriz da mora (RMM) gera – perante a ocorrência do fato jurídico da mora, i.é, diante da demora do adimplemento da relação jurídica tributária devida no prazo fixado - uma outra relação jurídica a qual chamaremos de relação jurídica da mora (RJM): (...) Em geral, a base de cálculo da relação jurídica de mora (RJM) é o valor da prestação, objeto da relação jurídica tributária inadimplida, ou seja, é a perspectiva dimensível do fato jurídico da mora no pagamento do valor devido a título de tributo, a qual multiplicada pela alíquota correspondente faz surdir o ‘quantum debeatur’. É interessante observar que decurso de dado lapso de tempo é tomado como um dos aspectos da hipótese-fáctica desta norma. Assim, a norma incidirá juridicizando cada lapso temporal como fato jurídico de mora autônomo, do qual decorrerá as respectivas relações jurídicas de mora. Por exemplo: se o valor do débito fiscal (RJT) é 100 e a alíquota da regra-matriz da mora é 2% ao mês, passados oito meses verificar-se-ia que esta regra incidiu oito vezes, engendrando, cada qual desses oito fatos jurídicos da mora diversos, oito relações jurídicas de mora distintas e cumulativas O IRPJ e a CSLL, ou qualquer tributo para fins de todo e qualquer parcelamento, compõem a base sobre a qual incide a Selic. Essa é a única aproximação possível entre os tributos e os juros Selic. A natureza desses valores, contudo, em nada se assemelham. O fundamento legal de cobrança, o regime jurídico e a natureza em tudo se diferenciam. Os juros Selic incidem pelo simples fato de a obrigação tributária ser parcelada e adimplida em prestações mensais, após seu vencimento originário. Uma vez vencida e não paga a obrigação tributária deflagra-se, de acordo com a contagem do período, a fluência dos juros. A mesma regra é aplicável ao REFIS TBU. A lei não admite qualquer exceção na incidência destes acréscimos moratórios. Interessante observar, como reforço (e bem observado pelo Prof. Eurico de Santi), que esta norma, autônoma, incidirá autonomamente tantos quantos forem os meses transcorridos após o vencimento do prazo original de pagamento. Em suma: diferente é a norma de incidência, diferente a hipótese normativa, assim como o fato jurídico pressuposto e a relação jurídica decorrente. Tamanha a relevância de se identificar o “fato gerador” em sua individualidade específica, que o CTN foi claro em definir, logo em seu início (art. 4), que “A Fl. 645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 39 natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: (...)” Ora, se “fato gerador” dos juros de mora não é “auferir renda” (como no IRPJ) e, tampouco, “auferir lucro liquido” (como na CSLL), mas “omitir-se no pagamento do tributo após determinados X meses, a taxa de X% ao mês, adicionado de 1% na data do vencimento”, fica claro que não estamos falando do mesmo fato e, também, não estamos cogitando do IRPJ ou da CSLL propriamente ditos. Confundir tais fatos jurídicos significa amesquinhar conceitos elementares de nosso ordenamento jurídico tributário! I Os juros consistem nos frutos do dinheiro que cabem ao credor, por ter ficado privado de seu capital durante um determinado tempo. Em razão da manutenção do capital, pertencente ao credor, nas mãos do devedor, após o vencimento da obrigação, a lei impõe ao devedor o dever de indenizar o credor por meio do pagamento de juros moratórios. No contexto do REFIS TBU, os juros representam indenização do tipo “danos emergentes” e correspondem ao que o Fisco efetivamente perdeu em razão do inadimplemento da Recorrente; neste caso, os juros são uma obrigação autônoma e visam, precipuamente, a recompor e compensar as perdas do Fisco em razão do pagamento a destempo de uma obrigação tributária. I Como se vê, o pressuposto para os juros Selic não é um fato jurídico tributável, senão o singelo adimplemento de uma obrigação tributária em data diversa do seu vencimento original. Já o IRPJ e a CSLL têm caráter tributário e, para a sua ocorrência, é pressuposto o fato gerador de acréscimo patrimonial ligado aos conceitos de renda e de proventos de qualquer natureza ou resultado positivo do empreendimento econômico. Enquanto os juros do REFIS TBU têm feição indenizatória ou compensatória em razão de o Fisco ter sido privado de uma soma de dinheiro, o IRPJ e a CSLL são tributos aos quais o Fisco faz jus em razão da ocorrência do fato gerador. Assim, ao contrário do consignado pela instância a quo, é inviável sustentar que “os juros moratórios devem seguir a mesma natureza dos débitos sobre os quais incidem”, justamente porque referidos juros Selic têm natureza muito distinta da conferida ao IRPJ e à CSLL. Na seara da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a regra prescrita no art. 374 do RIR/99 (correspondente no RIR vigente: art. 398) estipula que os “juros incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional”. E, às específicas despesas com IRPJ e CSLL, é conferido regime diferenciado que veda a sua dedutibilidade; é o que estabelecem os arts. 41, parágrafo 2º da Lei 8.981/1995 e 10 da Lei n° 9.316/96: Lei 8.981/1995 Art. 41. § 2º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. Lei nº 9.316/96. Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Fl. 646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 40 Frise-se: os dispositivos acima transcritos reiteram que a Selic e o IRPJ e a CSLL tanto são autônomos e independentes em relação aos juros Selic, que a legislação trata sobre tais rubricas em dispositivos distintos, endereçando tratamento próprio a cada qual. Ainda: ao contrário do mencionado no v. acórdão recorrido, tanto são distintas as naturezas da Selic e do IRPJ e da CSLL, que a legislação de parcelamentos especiais, como praxe, estabelece descontos diferenciados para a obrigação principal, as multas e os juros. A Lei do REFIS TBU estabelece os seguintes descontos na hipótese de pagamento parcelado: 50% para a Selic e 0% para os tributos22. Caso se leve a sério o entendimento da d. Autoridade Fiscal, misturando-se as naturezas jurídicas dos juros Selic e do IRPJ e da CSLL pelo simples fato de que uma rubrica possui outra em sua base de cálculo, chegar-se-ia ao absurdo de se estabelecer a indedutibilidade das seguintes parcelas (já que a indedutibilidade destas parcelas “contaminaria” os consectários correspondentes): Dos juros de mora, na parte em que incidente sobre a multa de ofício; Dos juros de mora, na parte em que incidente sobre os juros de mora da multa de ofício; Dos encargos legais da dívida ativa, na parte em que incidente sobre a multa de ofício; Dos encargos legais da dívida ativa, na parte em que incidente sobre os juros de mora sobre a multa de ofício; Dos encargos legais da dívida ativa, na parte em que incidente sobre o IRPJ e a CSLL; Dos encargos legais da dívida ativa, na parte em que incidente sobre os juros de mora sobre o IRPJ e a CSLL; Da multa de mora, na parte em que incidente sobre o IRPJ e a CSLL; Dos juros de mora, na parte em que incidente sobre a multa de mora de IRPJ e CSLL. Não é isso o que pretendeu o legislador! Veja-se que em sentido diametralmente oposto ao defendido no AI e no v. acórdão recorrido, o art. 41, §5º da Lei 8.981/1995 estabelece que as multas compensatórias, isto é, de mora, SEMPRE são dedutíveis do lucro real, sem se fazer qualquer ressalva quanto ao tributo ensejador do fato jurídico moratório: “Art. 41. (...) § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo.” Igualmente, a Solução de Consulta Cosit no 21/2013 repreende o absurdo da autuação e validado no v. acórdão recorrido ao deixar nítido que deve ser respeitada a natureza jurídica de cada verba individualmente considerada. Basta ver que reconhece a dedutibilidade plena dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, quando poderia, segundo a lógica da presente autuação, dizer que estes estariam “contaminados” na parte em que incidentes sobre a multa de ofício. Confira-se: Fl. 647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 41 “são dedutíveis, portanto, as multas de natureza compensatória, aquelas que se destinam não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido, configurando uma penalidade de caráter civil, da mesma natureza da indenização prevista no direito civil (“acréscimos moratórios compensatórios”). Nessa categoria se inserem (item 4.7, “a”, do Parecer) a multa de mora (art. 61, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996) e os juros de mora (arts. 5º, § 3º, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Cabe destacar que os juros de mora não perdem sua natureza de acréscimo moratório compensatório quando exigidos conjuntamente com o tributo e a multa punitiva, por meio de lançamento de ofício (...).” (destaques acrescidos) Ainda neste tom, cabe o destaque às seguintes manifestações da RFB, nas quais se firmou a dedutibilidade de juros: “No que tange a juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira, e como tal são dedutíveis.” (PARECER NORMATIVO CST Nº 174 DE 25/09/1974) “os juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira e como tal são dedutíveis. (...) 39. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência.” (Solução de Consulta nº 66 - SRRF07/Disit) Outrossim, ao contrário do que se assentou no v. acórdão recorrido no sentido de que o “parcelamento dos débitos de IRPJ e CSLL não possui o condão de transformar os juros devidos à Taxa Selic em obrigação autônoma, distinta do valor apurado a título de débito desses tributos”, é de se ponderar que a adesão ao REFIS TBU implicou, sim, na novação da dívida da Recorrente, no sentido de que a dívida foi consolidada e sobre ela passaram a incidir os juros de maneira uniforme e indistinta, isso é, em nada importando a origem do débito, se referente a distintas espécies de tributos, multas sancionatórias ou moratórias ou juros Selic. Noutro giro: a partir do parcelamento tem-se um passivo que já não comporta segregação, de modo que não há como prosperar o racional do AI combatido de que a porção da Selic sobre o IRPJ e a CSLL parcelados não seria dedutível; quando parcelados, o IRPJ e a CSLL já não subsistem, senão compõem uma dívida consolidada e indissociável. Tanto é verdadeiro, que a dívida consolidada no REFIS TBU não continha apenas IRPJ e CSLL, mas também multas de ofício e de mora, bem como juros de mora. Sobre todo esse acervo, passou a incidir a nova SELIC. Veja-se que a autuação, em conduta proposital, sequer se atentou para essa complexidade, considerando tudo como IRPJ e CSLL. Nessa linha, enquanto nos tributos são atribuídos códigos de recolhimento próprios, que viabilizam o detalhamento dos eventuais juros correlatos a cada um dos tributos; nos parcelamentos, é criado um novo código de recolhimento, no qual podem ser computadas diversas rubricas (tributos de distintas ordens e naturezas, multas moratórias e punitivas e juros), sobre as quais são calculados os juros de modo “global”, não sendo possível segregar a porção dos juros atribuível a cada uma das rubricas parceladas. Fl. 648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 42 A corroborar o racional acima pela impossibilidade de se vincular os juros Selic aos tributos objeto do REFIS TBU em razão da novação da dívida decorrente do parcelamento, vale registrar: os tributos e o saldo devedor do REFIS TBU estão sujeitos a distintos regimes jurídicos. As regras pertinentes aos tributos sequer são aplicáveis ao saldo devedor do REFIS TBU. É dizer, não é cabível, por exemplo, buscar no arcabouço normativo do RIR disposições sobre os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do REFIS TBU; no RIR é possível localizar apenas preceitos normativos dos juros Selic sobre o IRPJ! As prescrições dos juros Selic sobre o saldo devedor do REFIS TBU são veiculadas (ou ao menos indicadas) na lei instituidora do referido programa de parcelamento, Lei 12.865/2013. Enfim, a Recorrente não se equivocou no tratamento tributário conferido aos juros Selic sobre o saldo devedor do REFIS TBU. Ao contrário do que restou apontado no AI e replicado no v. acórdão recorrido, esta rubrica tem natureza autônoma e independente em relação ao IRPJ e à CSLL. Não há falar-se em rubricas “principal” e “acessória” para fins de dedutibilidade porque a cada qual é conferido particular e autônomo tratamento jurídico. Portanto, deve ser reconhecida a legitimidade da dedução das despesas de juros do REFIS TBU do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tal como enunciado nos estritos e literais termos dos arts. 47, Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 e art. 299 do RIR/99 (correspondente no RIR vigente: art. 311) c/c o art. 374 do RIR/99 (correspondente no RIR vigente: art. 398). Se, por hipótese, o que se admite apenas para fins argumentativos, fosse o caso de emprestar aos juros Selic o tratamento dispensado a outra rubrica, certamente não seria adequado lhe aplicar o regime do IRPJ e da CSLL, senão o das multas moratórias, dada a proximidade de suas naturezas, de ordem compensatória. Conforme já destacado, as multas moratórias são, a teor do art. 41, §5º da Lei 8.981/199526 dedutíveis do lucro real; logo, neste racional admitido apenas para fins retóricos e ad argumentandum, os juros Selic também deveriam ser dedutíveis por também tratem de um encargo compensatório, decorrente da mora. É o que bem reconheceu, aliás, o Parecer Normativo CST 61/1979. Pelo, que se verifica, a Recorrente defende que os juros incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento tem natureza jurídica autônoma e independente do IRPJ e da CSLL, ou seja, são de natureza compensatória, sendo considerados despesas financeiras, e como tal cabível a sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos termos dos arts. 47, Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 e art. 299 do RIR/99 c/c o art. 374 do RIR/99. A Recorrente aduz ainda que a adesão ao parcelamento implicou em novação da dívida da Recorrente, e que os juros passaram a incidir de maneira indistinta sobre o valor consolidado do parcelamento, o que incluiu todos os tributos, multas sancionatórias, moratórios e juros moratórios, de modo que não haveria como segregar as parcelas supostamente não dedutíveis, eis que comporiam uma dívida consolidada e indissociável. Para corroborar seu argumento, afirma que nos parcelamento o código de recolhimento é único, sobre o qual é aplicado a taxa Selic, não sendo possível segregar a porção dos juros atribuível a cada uma das rubricas parceladas. Pois bem. Fl. 649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 43 Primeiramente há que esclarecer que os juros que estamos analisando dizem respeito aos juros incidentes sobre o saldo devedor consolidado do parcelamento especial instituído pela Lei n° 12.865/2013, que no seu art. 40 trata de parcelamento de débitos de IRPJ e CSLL decorrentes da aplicação do art. 74 da Medida Provisória 2.158-35. A incidência de juros sobre o saldo devedor do parcelamento está descrito no § 15 do art. 40, que remete ao caput do art. 13 da Lei n° 10.522/2002: Lei n° 12.865/2013: Art. 40. Os débitos para com a Fazenda Nacional relativos ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, decorrentes da aplicação doart. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001,relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, poderão ser: (...) § 15. Aplica-se ao parcelamento de que trata este artigo o disposto no caput e nos §§ 2º e 3ºdoart. 11,noart. 12,nocaput do art. 13e nos incisos V e IX do caput do art. 14 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002,e no parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Lei n° 10.522/2002 Art. 13. O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Verifica-se que os juros incidentes sobre o parcelamento destinam-se a compensar o credor, no caso o Tesouro, pelo recebimento parcelado da dívida então constituída. A divergência diz respeito à natureza do juros incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento. A Autoridade Fiscal e a DRJ defendem que os juros estão vinculados à parcela original do tributo, ao passo que a Recorrente entende que os juros tem natureza jurídica autônoma e independente da parcelas que compõe o parcelamento. A rigor, não há na legislação dispositivo que trate especificamente da dedutibilidade dos juros incidentes sobre parcelamento na determinação do IRPJ e da CSLL. O artigo 374 do RIR/99, que tem como matriz legal o art. 17 do Decreto-Lei nº 1.598/77 trata da de dedutibilidade de juros, mas ao que parece trata de juros remuneratórios incorridos sobre operações de capital e de empréstimos. Confira- se: XVI Despesas Art.374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): Fl. 650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 44 I - os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis,nos períodos de apuração a que competirem; II - os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e pré- operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, §3º). Mas considerando que o art. 374 trata de juros incorridos como custo ou despesa operacional, vejamos então se os juros incidentes sobre parcelamento podem ser considerados como despesa operacional (uma vez que por não estar vinculado a nenhum bem ou serviço especificamente não pode ser considerado como custo). A definição do que são despesas operacionais está descrita no art. 299 do RIR/99, e são consideradas aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora: Seção III Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art.299.São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Considerando que as despesas consideradas necessárias são aquelas pagas ou incorridas e usuais ou normais e necessárias para a realização das operações exigidas pela atividade da empresa, forçoso reconhecer que os juros incorridos sobre o saldo do parcelamento não são normais, usuais e necessários para a realização das atividades da empresa. Trata-se de uma obrigação, é verdade, mas que decorre do não cumprimento de uma obrigação tributária (ilicitude, tendo como causa o não recolhimento de tributo) e não da atividade normal da empresa. Os juros são incidentes sobre as parcelas componentes do parcelamento consolidado (composto por tributo, juros moratórios e encargos leais) os quais Fl. 651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 45 são apurados com base no tributo. E todas as demais parcelas seguem o destino do tributo a que se vinculam, de sorte que se o tributo for exonerado, todas as demais parcelas ficam exoneradas na mesma proporção. E tanto isso é verdade, que em caso de rescisão do parcelamento, é efetuada a apuração do valor original do débito, restabelecendo-se os acréscimos legais aplicáveis à época dos fatos geradores, conforme o § 14 do art. 40 da Lei n° 12.865/2013 (REFIS/TBU) § 14. Rescindido o parcelamento: I - será efetuada a apuração do valor original do débito, restabelecendo-se os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores; (grifei) II - serão deduzidas do valor referido no inciso I as prestações pagas. Portanto, não assiste razão à Recorrente que alega que a adesão ao REFIS/TBU implicou novação de sua dívida perante o FISCO e com a consolidação do parcelamento não seria possível distinguir as parcelas componentes do parcelamento pelo fato dos recolhimentos serem feitos por uma parcela única (um único código de arrecadação). Entendo, portanto, que os juros Selic incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento estão vinculados ao tributo parcelado, e sendo composto por débitos de IRPJ e CSLL e em sendo estes tributos não dedutíveis na determinação de suas próprias bases de cálculo, no termos dos arts. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, também será indedutível os juros incidentes sobre o saldo de parcelamento composto pelos referidos tributos. 1.3 Da alegação de descabimento do Auto de Infração por força dos arts. 24 da LINDB e art. 146 do CTN A Recorrente sustenta que o procedimento por ela adotado já teria sido analisado pelo CARF no julgamento do processo n° 16682.721165/2018-64, que segundo ela, teria reconhecido como correto, de modo que haveria de ser aplicado ao presente processo o mesmo entendimento, em decorrência do cumprimento ao que determinam os artigos 24 da LINDB c/c o art. 146 do CTN: IV.4 - DESCABIMENTO DO AI POR FORÇA DOS ARTS. 24 LINDB, 100 E 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL O v. acórdão recorrido também merece reforma na parte em que afastou a aplicação do artigo 24 da LINDB. Senão vejamos. (...) No caso concreto, até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 101/2020, prevalecia o entendimento pela ampla dedutibilidade dos juros Selic. É o que estava evidenciado nas já mencionadas manifestações da RFB, a saber, Solução de Consulta COSIT nº 21/2013, bem como no Parecer Normativos CST 174/1974 e na Solução de Consulta nº 66 - SRRF07/Disit: “são dedutíveis, portanto, as multas de natureza compensatória, aquelas que se destinam não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido, configurando uma penalidade de caráter civil, da mesma natureza da indenização prevista no direito civil (“acréscimos moratórios compensatórios”). Nessa categoria se inserem (item 4.7, “a”, do Parecer) a multa de mora (art. 61, §§ 1º e Fl. 652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 46 2º, da Lei nº 9.430, de 1996) e os juros de mora (arts. 5º, § 3º, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Cabe destacar que os juros de mora não perdem sua natureza de acréscimo moratório compensatório quando exigidos conjuntamente com o tributo e a multa punitiva, por meio de lançamento de ofício (...).” (destaques acrescidos) “No que tange a juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira, e como tal são dedutíveis.” (PARECER NORMATIVO CST Nº 174 DE 25/09/1974) “os juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizam-se como despesa financeira e como tal são dedutíveis. (...) 39. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência.” (Solução de Consulta nº 66 - SRRF07/Disit) Ademais, a Recorrente aderiu ao REFIS T13U em 2013. Desde então, a Recorrente procedeu com os idênticos procedimentos questionados na presente autuação referente ao ano-calendário de 2016. Isso é, desde 2013 a Recorrente vem deduzindo os juros Selic referentes à dívida do REFIS T13U do lucro real e da base de cálculo do IRPJ. A autuação ora combatida se refere, tão somente, ao ano- calendário de 2016! A lógica adotada pela Recorrente e condenada no AI – ratificado pelo v. acórdão recorrido – já havia sido, inclusive, aceita pela própria RF13, quando da fiscalização que originou o já mencionado AI 16682.721165/2018-64 (cf. Doc. 04 da Impugnação – fls.). Deveras, confira-se trecho do TVF e de um dos votos proferidos no CARF, nos quais se relata que a Ilma. Auditoria Fiscal constatou que os juros Selic do REFIS T13U tinham sido deduzidos: “(...) o contribuinte deduziu na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a totalidade das despesas com os tributos incidentes sobre os seus lucros e respectivos acréscimos legais [multas de mora, juros de mora e demais encargos] obtidos por meio de suas coligadas e controladas nos períodos em referência (...).” (trecho TVF) Ora, em tendo a Fiscalização constatado a dedução dos juros de mora e não tendo lavrado AI para glosa de referidas rubricas, é certo que, contraditoriamente, quando do AI 16682.721165/2018-64 houve concordância da d. Autoridade Fiscal sobre os mesmos fatos ora objeto do AI em discussão. É de se frisar, ainda, que o procedimento implementado pela Recorrente foi, inclusive, recentemente avalizado pelo Eg. CARF, no julgamento datado de 22/01/2020 do AI 16682.721165/2018-64, lavrado contra a Recorrente (cf. Doc. 04 da Impugnação – fls.). Com efeito, nos autos do PAF 16682.721165/2018-64, este Eg. CARF, como já dito alhures, entendeu por bem cancelar a autuação que se baseava na mesma premissa do AI ora em discussão – destaque-se, também tirada do contexto do REFIS TBU. Nesse processo, sustentava-se que o encargo legal seguiria a mesma sorte das multas de ofício, que são indedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL e o CARF decidiu pela autonomia e independência das rubricas, de modo que os tratamentos de cada qual para fins de dedutibilidade deveriam seguir regimes próprios. Fl. 653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 47 Este contexto que veio se consolidando desde 2013 importa, portanto, em cenário claríssimo de regularidade da atuação da Recorrente, que somente foi alterado em 2021, com a autuação ora refutada, baseada na Solução de Consulta COSIT nº 101/2020. É evidente, portanto, que o v. acórdão recorrido merece reforma, haja vista que desconsiderou os fatos até aqui relatados, que demonstram a incontestável alteração das interpretações e especificações adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público, violando o quanto previsto no art. 24 da LINDB. Tendo em vista as citadas manifestações da RFB, o fato de que desde 2013 (época da adesão ao REFIS TBU) Administração Tributária Federal NUNCA questionou a Recorrente e, mais, considerando as constatações da Ilma. Auditoria Fiscal e do CARF no PAF 16682.721165/2018-64, que aceitaram e confirmaram o entendimento da Recorrente sobre conferir tratamento autônomo e independente às rubricas da dívida do REFIS TBU para fins de dedutibilidade, é imperativo reconhecer a existência de normas complementares de leis cujo cumprimento, a teor do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Neste cenário, deve ser reconhecido por este Eg. Conselho que, ao contrário do quando decidido no v. acórdão recorrido, o AI implica em violação ao princípio da segurança jurídica, representada pelo venire contra factum proprium da Administração Tributária e concretizado na norma segundo a qual a alteração do critério jurídico na interpretação fazendária só pode surtir efeitos sobre fatos futuros (art. 146 do CTN37). Jamais poderia o Fisco modificar a sua interpretação em relação a fatos passados e penalizar o contribuinte e constituí-lo em mora. Em relação ao processo n° 16682.721165/2018-64, como demonstrado no item 2.1 acima (Da coisa julgada material - processo n° 16682.721165/2018-64), a matéria aqui tratada não é a mesma que foi tratada naquele outro processo, de modo que é incabível a arguição de necessidade de aplicação da decisão prolatada naquele processo. A Recorrente alega que com base na desde Solução de Consulta nº 66 - SRRF07/Disit, da Solução de Consulta COSIT nº 21/2013 e do Parecer Normativos CST 174/1974 até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 101/2020, prevalecia o entendimento pela ampla dedutibilidade dos juros Selic, o que justificaria a dedução dos juros Selic referentes à dívida do REFIS TBU da base de cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de modo que se trataria de .alteração das interpretações e especificações adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público, violando o quanto previsto no art. 24 da LINDB. Não assiste razão à Recorrente. A questão da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento foi detalhalhadamente analisada na Solução de Divergência Cosit n° 1, de 15 de dezembro de 2022, que tomo como referência para fundamentar a minha decisão. Primeiramente, como salienta a Solução de Divergência Cosit n° 1/2002, a Solução de Consulta SRRF07/Disit nº 66, de 2011, foi proferida sob a égide da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2 de maio de 2007, que atribuía efeito vinculante da Fl. 654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 48 resposta à consulta tributária apenas ao consulente. Foi somente após o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, é que as Soluções de Consulta Cosit passaram a ser vinculantes a toda a Administração Tributária. Além disso, como indica a Solução de Divergência Cosit n° 1, de 15 de dezembro de 2022, as Soluções de Consulta Interna Cosit n° 9, de 2012 e a Solução de Consulta Cosit nº 208, de 5 de agosto de 2015 já apontavam que os acréscimos moratórios deveriam seguir a regra de dedutibilidade do principal. Confira-se excertos: I Solução de Consulta Interna Cosit nº 9, de 2012 A regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser a mesma aplicada aos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. No silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, em relação à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, consoante os princípios de direito tributário, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Ademais, frise-se que os juros de mora devidos em razão de débitos recolhidos com atraso são sempre dedutíveis como despesas financeiras (cf. Parecer Normativo CST nº 174/1974). (grifei) XVII Solução de Consulta Cosit nº 208, de 2015 Conclusão 15. Face o exposto, soluciona-se a presente consulta respondendo-se à consulente que: a) Os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os juros à taxa Selic sobre o valor de cada prestação mensal a que se refere o art. 8º, §3º da Lei nº 13.496, de 2017, são considerados despesas financeiras e, regra geral, dedutíveis. b) Entretanto, a dedutibilidade dos juros depende da natureza da despesa sobre a qual incidem. No caso da apuração do IRPJ e da CSSL, os juros à taxa Selic, sejam aqueles previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sejam os do art. 8º da Lei nº 13.496, de 2017, são indedutíveis quando incidentes sobre o próprio imposto ou contribuição, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício a que se refere o art. 41, §5º da Lei nº 8.981, de 1995. Em relação à Solução de Consulta COSIT nº 21/2013, como se verifica no excerto abaixo, a consulta visava verificar se a parcela equivalente à redução das multas, juros e encargos legais decorrentes do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei n° 11.941/07 deveriam ser computadas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e a dedutibilidade das referidas multas de mora, de ofício e dos juros moratórios. XVIII Fundamentos 7. Em síntese, trata-se de esclarecer o alcance das disposições do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009 (“Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º Fl. 655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 49 e 3º desta Lei.”), e a inerente dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL das multas, de mora e de ofício, e dos juros de mora. A conclusão da Solução de Consulta COSIT nº 21/2013 diz respeito à não computação da receita oriunda da redução das multas de mora e de ofício e dos juros de mora (receita de reversão), decorrente do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009. Confira-se: XIX Conclusão 10. Ante o exposto, responde-se à consulente, que: a receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por força do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009; a) as multas de ofício são indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL; a receita oriunda da redução de multa de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, não é computada na base de cálculo desses tributos pois ela não terá sido deduzida em períodos de apuração anteriores (art. 392, inciso II, do RIR/1999; art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 88, inciso III, alínea “g”, da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004), restando inócuo, neste ponto, o comando do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009; essa receita não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Verifica-se, portanto, que a Solução de Consulta COSIT nº 21/2013 não tratou da questão da dedutibilidade de juros incidentes sobre saldo de parcelamento, objeto do presente processo. Que a matéria é polêmica, não restam dúvidas, até porque ensejou a emissão da Solução de Consulta de Divergência Cosit n° 1/2022, mas exatamente por isso, não há que se falar em alteração do critério jurídico por parte da Administração Tributária na lavratura do Auto de Infração, em afronta ao art. 24 da LINDB e do art. 146 do CTN. Importante esclarecer que no âmbito do CARF a questão da dedutibilidade dos juros incidentes sobre saldo de parcelamento de IRPJ e CSLL já foi apreciada, não havendo ainda um entendimento pacífico em relação a matéria, havendo decisões que corroboram o entendimento da Administração Tributária, conforme se verifica do excerto das ementas dos julgados abaixo transcritos: XX DESPESAS COM JUROS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIO DE IRPJ E CSLL PARCELADOS NO REFIS. INDEDUTIBILIDADE. GLOSA. CABIMENTO. O parcelamento dos débitos não altera a natureza do débito parcelado e não possui o condão de transformar os juros devidos em obrigação autônoma, uma vez que continuam atrelados aos débitos sobre os quais incidem. Os acréscimos de juros moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 ou em leis instituidoras de parcelamentos, são considerados despesas financeiras e, regra geral, são dedutíveis. No entanto, a dedutibilidade dos juros depende da natureza da despesa sobre a qual incidem. No caso da apuração do IRPJ e da CSSL, os juros incidentes sobre parcelamentos no REFIS são indedutíveis quando incidentes Fl. 656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 50 sobre o próprio imposto ou contribuição, assim como quando incidentes sobre as multas de ofício aplicadas em lançamentos de ofício. (Acórdão 9101-005.814 da 1ª Turma da CSRF prolatado em 06 de outubro de 2021, processo 13971.722394/2014-19). XXI GLOSA DE DESPESAS. MULTAS, JUROS E DEMAIS ENCARGOS ACRESCIDOS A DÉBITOS TRIBUTÁRIOS INCLUÍDOS EM PARCELAMENTO. Como regra, de acordo com o caput do art. 41 da Lei n° 8.981, de 1995, "os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência". No entanto, em vista de previsões legais específicas, para fins de apuração da base de cálculo do próprio IRPJ, são indedutíveis os valores incorridos a título de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. E, considerando que os acréscimos legais seguem a sorte do tributo a que estejam vinculados, também são indedutíveis na apuração do IRPJ os acréscimos legais associados a débitos de IRPJ e CSLL. .( Acórdão 1302-002.112 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, prolatado em 16 de maio de 2017, processo 10980.727818/2012-82). ============================================================== XXII AUTO DE INFRAÇÃO. JUROS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. DESCABIMENTO. A incerteza inerente a despesas com juros sobre tributos com exigibilidade suspensa confere-lhes natureza de provisões, e, como tais, tem a dedutibilidade expressamente obstada pelo artigo 13, caput e inciso I, da Lei n° 9.249/95. Da mesma forma, o parágrafo 1º do artigo 41 da Lei n° 8.981/95 impede a dedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, na determinação do lucro real, alcançando não somente o principal, mas também os juros de mora que são encargos acessórios acrescidos àquele, como recomposição da parcela do próprio tributo depreciada pela mora do contribuinte.( Acórdão 1402.001.215 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, prolatado em 04 de outubro de 2012, processo 16327.001245/2009-69). Portanto, não há se falar em alteração de entendimento da Administração Tributária que afrontou o disposto no art. 24 da LINDB e do art. 146 do CTN. 1.4 Do reflexo da dedutibilidade da despesa de juros em relação à CSLL A Recorrente aduz que seria inaplicável a regra da indedutibilidade da CSLL prevista no art. 1º da Lei n° 9.316/96, porque segundo ela a rubrica questionada não se trata do próprio tributo mas os juros incidentes sobre o saldo devedor do parcelamento não havendo dispositivo legal para a vedação da dedução: (...) Em síntese, de acordo com a DRJ, a regra pela indedutibilidade da CSLL de sua própria base, prevista no art. 10 da Lei 9316/1996, seria suficiente para fundamentar a autuação fiscal nesta parte. Ocorre que, com as devidas vênias, a Recorrente vem demonstrando a completa inaplicabilidade de referido rationale, na medida em que a rubrica tributada não é CSLL, senão os juros de mora do REFIS TBU! Uma vez que a rubrica em questão consiste nos juros de mora, seria imprescindível a existência de fundamento Fl. 657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 51 normativo determinando a indedutibilidade dessa despesa da base de cálculo da CSLL para se conferir legitimidade ao AI em debate. Essa disposição legal inexiste no ordenamento jurídico! A base de cálculo da CSLL corresponde ao valor do resultado do exercício, antes da provisão para o IRPJ, apurado na forma da legislação comercial, e ajustado na forma prevista no art. 2º da Lei nº 7.689/1988, e alterações dadas pela Lei nº 8.034/199041. Referido artigo prevê que o resultado do período base será ajustado por determinadas adições e exclusões expressamente previstas pela Lei nº 8.034/1990. Assim, tem-se que a Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, previu os valores que impactam a apuração de sua base de cálculo. Posteriormente, foi editada a Lei n º 9.249/1995, que altera a legislação do IRPJ e da CSLL e, em seu art. 1342, introduz determinadas vedações na dedução de despesas pelas pessoas jurídicas, para fins de apuração do lucro real e, também, da base de cálculo da CSLL. Disso tem-se que todas as exclusões da base de cálculo da CSLL e despesas consideradas indedutíveis foram relacionadas taxativamente nos arts. 2º da Lei nº 7.689/1998 e art. 13 da Lei nº 9.249/95. Nos itens relacionados em referidas leis não estão presentes as despesas de juros do REFIS TBU, que foram glosadas no presente Auto de Infração. Disso, ao contrário do defendido no âmbito da r. decisão combatida, não há atualmente nenhum dispositivo legal que preveja expressamente a indedutibilidade de despesas de juros do REFIS TBU para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Veja-se: não se trata de “aplicação de hipótese específica de adição contida em comando normativo expresso em lei”, ao revés! Desde a criação da CSLL em 1988 não foi editada nenhuma norma nesse sentido, embora a legislação atinente à CSLL tenha sofrido uma série de alterações ao longo do tempo, a exemplo do quanto visto nas Leis nº 8.034/1990 e nº 9.249/1995, que tiveram por objeto justamente implementar modificações na base de cálculo da CSLL. Assim, não havendo previsão legal específica a respeito da indedutibilidade dos juros REFIS TBL1, não poderia o intérprete da norma criar a restrição. Nem se alegue que a alusão do AI ao artigo 57 da Lei nº 8.981/1995 legitimaria a extensão indiscriminada à CSLL das regras aplicáveis ao IRPJ. Referido artigo expressamente passou a prever que se aplica à CSLL as mesmas regras de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, mas mantidas a base de álculo e alíquotas previstas na legislação em vigor. Como reconhecido pela Secretaria da Receita Federal (“RFB”) na Solução de Consulta COSIT nº 198/2014 ao tratar do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, “a norma, apesar de unificar a forma de apuração e pagamento de ambos os tributos preserva, no entanto, aspectos particulares de cada um, uma vez que observa que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor”. Dessa forma, não haveria possibilidade de se utilizar de tal dispositivo legal para legitimar o AI na parte da CSLL. Fl. 658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 52 Evidente, portanto, que, a despeito de ser afastada pela C. Turma Julgadora a quo, deve ser reconhecida a tese de que não há atualmente nenhum dispositivo legal que preveja expressamente a indedutibilidade de despesas de juros do REFIS TBL1 para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Dessa maneira, merece reforma o v. acórdão recorrido também pelos argumentos trazidos neste tópico. Ora, o art. 57 da Lei 8981/1995 estabelece que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, e assim, valem os argumentos expendidos nos itens 2,1 a 2,3 do voto, ou seja, que os juros incidentes sobre o saldo do parcelamento seguem a natureza das verbas incluídas no parcelamento. Assim, como as parcelas tratam de IRPJ e CSLL, os juros correspondentes não são dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há que se ressaltar que, da mesma forma quanto ao IRPJ, não há na legislação específica da CSLL a previsão legal tanto para a adição dos juros em questão à base de cálculo da CSL, bem como norma que permita a sua dedutibilidade. Assim, valem para a construção do entendimento quanto indedutibilidade dos juros incidentes sobre o parcelamento na apuração da base de cálculo da CSLL os mesmos fundamentos para a indedutibilidade na apuração do lucro real. 1.5 Do argumento de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício A Recorrente alega que após o vencimento devem ser lançados os juros e acréscimos moratórios apenas sobre o principal, de acordo com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, não havendo embasamento legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício, contrariando o princípio da legalidade: XXIII IV.5.B - ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA Ainda que não se entenda pela reforma integral do v. acórdão nº 101-017.405, com o consequente cancelamento do Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se proceder com a reforma ao menos parcial do v. acórdão recorrido, para afastar a incidência de juros sobre a multa. É certo que a multa lavrada no AI em discussão tem caráter de sanção pelo inadimplemento da obrigação. Por isso, esta penalidade não pode ser corrigida pela Taxa Selic, prevista apenas em relação ao principal, isto é, do tributo vencido e não pago, a teor do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Após o vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros sobre o débito, sem que haja embasamento legal para a cobrança de juros sobre a multa, a teor do princípio da legalidade insculpido nos arts. 9º, I, e 97, II, do CTN e arts. 5º, II, e 150, I, da CF. Essa constatação fica ainda mais evidente se atentar para o fato de que, quando o legislador ordinário pretendeu autorizar a incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício, fê-lo expressamente. Nesse sentido, o art. 43 da Lei nº 9.430/96, em seu parágrafo único, determina a incidência de juros moratórios sobre as multas e os juros exigidos isoladamente. Assim, na remota hipótese de ser mantido o crédito tributário em discussão, requer-se a reforma do v. acórdão recorrido para afastar a incidência de juros sobre a multa, em razão de falta de previsão legal para a cobrança. Fl. 659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 53 Ora, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996, incidem juros de mora sobre os sobre os tributos e contribuições não pagos no vencimento, e como a multa de ofício integra os referidos débitos, fica sujeito à incidência dos juros moratórios. A questão não comporta maiores digressões, uma vez que o entendimento já foi pacificado no CARF, por meio do enunciado da Súmula nº 108: XXIV Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Portanto, mantém-se os juros incidentes sobre a multa de ofício. 1.6 Da suspensão da retificação dos prejuízos fiscais e do saldo negativo A Recorrente alega que é indevida a recomposição do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, bem como dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL, eis que ainda não teria sido prolatada decisão administrativa, violando-se o art. 151. III do CTN. XXV V – DA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO NO QUE SE REFERE À RETIFICAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DO SALDO NEGATIVO DESSES TRIBUTOS Por fim, em que pese ao fato de a DRJ ter inicialmente anunciado que “o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário deverá ser concedido de forma ampla, abrangendo a totalidade dos valores apurados no lançamento de ofício”, na medida em que a integralidade do AI foi objeto de Impugnação, adiante, a DRJ firmou que “o art. 151 do CTN trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não de prejuízos fiscais, base negativa ou saldos negativos de IRPJ e CSLL”. Com as devidas vênias, tal posição não deve prevalecer. Como restou amplamente demonstrado, é indevida a recomposição do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, bem como dos saldos negativos dos tributos, vez que o AI em pauta está em discussão nesta instância administrativa, inexistindo a sua constituição definitiva. Nesse cenário, caso adotada providência contrária por este E. CARF, estar-se-á diante de violação ao artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, que poderá tornar inócua futura decisão proferida em sentido favorável aos interesses da Recorrente. Com as devidas vênias, ao ser interposto recurso administrativo, deve-se suspender a exigibilidade do crédito tributário em toda a sua extensão, justamente a fim de evitar discussões conexas e conflitantes. É tão somente na remota hipótese de a acusação fiscal prevalecer na última instância recursal administrativa, que o AI se consolidará e ensejará como desdobramento, a retificação da DIPJ, bem como dos respectivos registros no LALUR e no LACS da Impugnante. Dada a íntima relação entre este processo e as apurações fiscais em períodos subsequentes, é de rigor o sobrestamento de quaisquer procedimentos decorrentes, inclusive da análise das compensações efetivadas, justamente porque, em sede de apreciação das compensações, não pode a d. Fiscalização Fl. 660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 54 proceder às adições determinadas neste AI ao lucro líquido do ano-calendário de 2016 e imediatamente recompor a DIPJ, LALUR e LACS correspondentes, visto que essa questão está em discussão nestes autos. Sendo assim, deve também ser reformada a r. decisão ora combatida, tendo em vista a necessária aplicação plena do art. 151, III, do CTN. Entendo que a retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL vai ser formalizado nos moldes do que que for decidido administrativamente no presente processo. Assim, mesmo que os saldos de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL tenham sido retificados em decorrência do lançamento de ofício aqui analisado, poderão ser retificados caso a decisão administrativa definitiva no presente processo for favorável ao Recorrente. Eventuais processos de compensações pleiteadas com fundamento nos valores de IRPJ e CSLL apurados antes do lançamento, deverão ser sobrestados até a decisão final administrativa no presente processo. Portanto correta a decisão da DRJ, abaixo transcrita: No que tange aos eventuais saldos negativos de IRPJ e CSLL, o que se tem é que, caso a autoridade fiscal decida por não homologar compensações de débitos com a utilização dos referidos saldos negativos, e a contribuinte venha a apresentar peça de defesa (manifestação de inconformidade) em face de tal decisão, aí sim ocorrerá a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como no julgamento da referida manifestação de inconformidade deverá ser observado o decidido no presente julgamento. Assim, mais uma vez não assiste razão ao contribuinte, pois o lançamento fiscal goza do atributo de presunção de legitimidade, sendo um ato administrativo perfeitamente válido e eficaz. Eventual impugnação à exigência, na esfera administrativa, tem apenas o condão de suspender a exigibilidade do crédito. Esse mesmo entendimento vale para a reconstituição de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas a compensar, registrados na parte B do LALUR, a suspensão somente ocorre após o lançamento fiscal de imposto ou contribuição em decorrência desta reconstituição, com a correspondente peça de defesa (impugnação). Dessa forma, desde o momento em que a contribuinte foi cientificada do Auto de Infração, a apuração dos tributos suplementares deve refletir seus efeitos. Obviamente que, se a contribuinte lograr êxito em sua impugnação, a apuração deverá ser adequada para atender as conclusões da suposta decisão. Há que se ressaltar que os sobrestamentos dever ser pleiteados nos processos em que se analisam as compensações. Não há previsão legal para o sobrestamento solicitado dos procedimentos decorrentes do presente Auto de Infração. Portanto indefiro o pedido de sobrestamento 1.7 Do pedido de diligência A Recorrente pleiteia, em caráter subsidiário, que o processo seja baixado em diligência para revisão da base de cálculo levada à tributação e redução dos valores correlatos aos juros do REFIS TBU atreláveis às multas de mora parceladas, Fl. 661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.897 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721619/2021-01 55 alegando que as multas de mora parceladas são dedutíveis, com fundamento no art. 41, §5º da Lei 8.981/1995. Entendo que os juros moratórios calculados sobre o principal até a data da consolidação do parcelamento compõem o crédito tributário parcelado, seguem a sorte do principal, de modo que possuem a mesma natureza. As ementas dos julgados colacionados no item 2.4 acima, corroboram o entendimento aqui esposto. Portanto, indefiro a diligência pleiteada, no entendimento que os juros moratórios sobre IRPJ e CSLL que compõem o parcelamento, são indedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL. XXVI Conclusão Por todo o acima exposto, conheço do recurso, indefiro o pedido de diligência e no mérito NEGO-LHE PROVIMENTO. Assim, por concordar com os fundamentos aduzidos, adoto-os como razão de decidir, apenas para ajustar a base de cálculo do IRPJ, nos termos deste voto. Conclusão Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para ajustar a base de cálculo do IRPJ e excluir apenas a parcela dos juros relativa às multas moratórias. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 662DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15165.722623/2017-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 29/03/2017, 06/04/2017, 24/04/2017, 27/04/2017
CONHECIMENTO. MATÉRIAS ALHEIAS AO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE.
Não merece conhecimento a parcela do Recurso Voluntário que ataca questões alheias ao objeto do processo administrativo sob julgamento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Em sintonia com o princípio pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal.
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07.
A aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro, se mostra cabível quando demonstrada cabalmente a conduta imputada à pessoa jurídica por cessão de seu nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3003-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação a preliminar de nulidade do Auto de Infração e improcedência da multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Denise Madalena Green – Relator
Assinado Digitalmente
Regis Xavier Holanda – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN
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MATÉRIAS ALHEIAS AO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não merece conhecimento a parcela do Recurso Voluntário que ataca questões alheias ao objeto do processo administrativo sob julgamento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Em sintonia com o princípio pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal. CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A aplicação da multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, equivalente a 10% do valor aduaneiro, se mostra cabível quando demonstrada cabalmente a conduta imputada à pessoa jurídica por cessão de seu nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 2571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 2 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação a preliminar de nulidade do Auto de Infração e improcedência da multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 06-67.008, de 24/07/2019 proferido pela 8ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 119.563,31 referente à multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, decorrente da cessão do nome para acobertamento dos reais adquirentes das mercadorias importadas. Fl. 2572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 3 As mercadorias das Declarações de Importação - DI's referenciadas nos autos e registradas por conta e ordem1 ou por conta própria da autuada Multi Slim, inicialmente selecionadas para o canal cinza de conferência, foram objeto de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro que buscou, dentre outras ações, verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, sendo ao final das ações caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação dos responsáveis pelas operações resultando na aplicação da multa correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria e evidente que o sujeito passivo cedeu seu nome, de forma consciente e mediante a emissão e disponibilização das Declarações de Importação (DI) e demais documentos contábeis e fiscais, de forma a acobertar os reais intervenientes ou beneficiários das mesmas e permitindo a efetivação de tais operações de importação, dessa forma concorrendo ativamente para a prática da conduta irregular. Em sede de verificação física constatou-se a presença, em todos os produtos conferidos, da marca comercial EMPALUX, ligada à empresa MULTI MERCANTES LTDA., CNPJ 04.049.640/0001-47, que, apesar de apresentar evidentes ligações societárias com o adquirente declarado e também atuar no comércio exterior, não foi sequer mencionada na documentação instrutiva do(s) despacho(s) aduaneiro(s). Antes do término do Procedimento Especial ocorreu a entrega das mercadorias retidas mediante a prestação de garantia. Anteriormente ao detalhamento das razões da autuação a autoridade lançadora traz informações acerca de discussões judiciais envolvendo o ora Sujeito Passivo MULTI SLIM LTDA. e a entidade MULTI MERCANTES LTDA, detentora formal da marca EMPALUX antes mencionada. Em síntese verifica-se que ambas empresas protocolizaram ações judiciais buscando ver afastada a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na saída das mercadorias importadas de seus estabelecimentos (Multi Mercantes -lâmpadas e produtos de iluminação de marca Empalux e Multi Slim - artigos de escritório, informática, escolares de papelaria e de materiais elétricos), contudo o poder judiciário reconheceu formal e diretamente inter partes a existência do direito invocado apenas para a empresa Multi Slim2. Assim a partir 03/2016 a autuada saiu da completa inatividade no comércio exterior para superar a Multi Mercantes Ltda, que por sua vez praticamente parou de atuar. Em face das constatações de abrupto aumento de importações, estrutura operacional3 insuficiente para fazer frente ao volume de operações a si atribuído, origem dos recursos financeiros empregados nas operações de importações das empresas Empal Participações e Multi Mercantes, entendeu a fiscalização que a empresa Multi Slim cedeu seu nome, mediante a emissão e disponibilização das Declarações de Importação (DI) e demais documentos contábeis e fiscais, 1 Importador Columbia TRADING S/A e adquirente Multi Slim Ltda 2 decisão transitada em julgado em 06/10/2016 3 recursos humanos, materiais, logísticos, bens de capital, imóveis, tecnologia, veículos dentre outros para realização de seu objeto societário Fl. 2573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 4 ocultando os reais interessados nas operações de comércio exterior, integrantes de grupo econômico de fato do qual também faz parte, e para o qual, consciente e deliberadamente, prestou-se a ser mero instrumento, partícipe de estratégia dissimulatória engendrada para, ao fim, possibilitar a transferência indevida de benefício tributário judicial exclusivamente a si concedido aplicando a penalidade de multa ora combatida. Cientificada do Auto de Infração a interessada apresentou impugnação de fls. 1.904 e seguintes, alegando em síntese: Tempestividade, preliminar de nulidade absoluta: a instauração do procedimento especial em razão de ter havido autuação anterior desrespeitou os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como da presunção de inocência, além da busca pelo pleno emprego, livre iniciativa, finalidade social, preservação da empresa; mérito: 1. não há que se levar em consideração as empresas isoladamente, cada uma em sua atividade, mas como um todo, ou seja, um Grupo Econômico; todas as sociedades citadas na presente petição estão sob a mesma administração, e possuem como sócia majoritária a pessoa jurídica Empal Participações Ltda., que é a holding do Grupo Empal; a direção e/ou administração das empresas se dá pelos mesmos sócios e gerentes e há o controle de uma pela outra, a origem do capital é comum, bem como o patrimônio e, há comunhão e/ou conexão dos negócios; 2. o fato de uma das empresas do grupo (Multi Slim) atualmente estar responsável pela importação de parte das mercadorias comercializadas pelo Grupo Empal não configura interposição fraudulenta. Essa decisão foi motivada principalmente pela modificação da estratégia negocial do grupo no mercado, conforme já explicado nos fatos, e também por conta do benefício fiscal que a empresa Multi Slim possui de não pagar IPI na revenda, tendo em vista a decisão judicial transitada em julgado que lhe favorece; não há interposição fraudulenta, mas somente a transferência GRADUAL de parte das atividades de importação da Multi Mercantes para a Multi Slim, por motivos negociais, estruturais e jurídicos; 3. inexistência de vantagem ilícita para as empresas: não é possível entender que a Multi Slim é mera intermediária da Multi Mercantes, pois ela vende mais para o mercado em geral do que para a outra empresa do mesmo grupo; e cada empresa possui independência econômico-financeira; 4. impossibilidade de retaliação pela utilização de benefício concedido judicialmente: a RFB está usando de retaliação pela utilização do benefício concedido judicialmente; Fl. 2574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 5 5. equívoco na interpretação da legislação: deve ser demonstrado eventual dano ao erário, ou conduta criminosa, sob pena de não restar configurado o tipo; as empresas não tiveram sua conduta enquadrada no tipo do ilícito indicado, tendo inclusive recolhido rigorosamente todos os tributos incidentes sobre as operações analisadas pela fiscalização, não ocasionando de forma alguma, qualquer dano ao erário; Pugna por perícia contábil, indicando assistente técnico e apresentando os quesitos e por fim requer preliminarmente seja cancelado integralmente o Auto de Infração. No mérito caso não seja acolhida a preliminar, que seja cancelada a multa de 100% do valor aduaneiro pelo fato de serem totalmente lícitas as condutas praticadas nas importações fiscalizadas, não havendo motivos para se concluir que houve interposição fraudulenta. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial por prova documental, com a posterior juntada de novos documentos que se façam porventura necessários à comprovação dos fatos e fundamentos jurídicos ora apresentados, com a realização de prova pericial contábil com apresentação de quesitos suplementares até o início da perícia e posteriormente pela apresentação de quesitos elucidativos. Constam dos autos também peças impugnatórias da empresas Empal Participações Ltda- ME e Multi Mercantes Ltda em conjunto (fls. 2.230 e seguintes) e das pessoas físicas Bruno Paolo Rossi, Raquel Angélica Rossi, Diogo Fernando Rossi, Dilso Santo Rossi e Joy Lady Michels Rossi em conjunto (fls. 2.394 e seguintes). É o relatório. A DRJ em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a Impugnação e manter o crédito tributário constituído, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 29/03/2017, 06/04/2017, 24/04/2017, 27/04/2017 CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Fl. 2575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 6 Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em conjunto com a empresa EMPAL PARTICIPAÇÕES LTDA – ME. O processo, então, foi sorteado para esta Conselheira para dar prosseguimento à análise do Recurso Voluntario interposto. É o relatório. VOTO Conselheiro Denise Madalena Green, Relator I – Da admissibilidade do Recurso Voluntário: Consta dos autos que a recorrente foi intimada na data de 23/08/2019 (fl.3928) e protocolou Recurso Voluntário em 24/09/2019 (fl.3929) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 . Desta forma, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pela recorrente, porém dele conheço parcialmente, não conhecendo da matéria a respeito da responsabilidade solidária, pelo fato de não guardar qualquer relação com o objeto do presente processo administrativo fiscal, um vez que como consignado pela decisão recorrida, o Auto de Infração foi lavrado apenas contra a empresa MULTI SIM IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA LTDA., não se vislumbrando pluralidade de sujeitos passivos ou hipótese de responsabilização solidária. Assim, o recurso deve ser parcialmente conhecido, não se conhecendo do tópico “111.1 — Da Preliminar de Nulidade por Ausência de Motivação e de Responsabilidade Solidária entre as Recorrentes”. II – Da preliminar de nulidade: Em sede de preliminar, a recorrente suscita, genericamente, a nulidade do Auto de Infração por desobediência aos preceitos constitucionais, em virtude do erro de fato e de direito que a autuação. As nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal encontram-se disciplinados nos incisos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 , segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de despacho ou decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente ou do qual resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte, situação que não se encontra presente no caso ora em julgamento. Verifica-se que o Auto de Infração lavrados contém todos os requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, incluindo a descrição pormenorizada dos fatos motivadores das exigências tributárias e o respectivo enquadramento legal. No caso concreto, inexiste qualquer violação à legalidade ou à ampla defesa, haja vista os notórios fundamentos Fl. 2576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 7 colhidos pela autoridade fiscal para sua conclusão, além da própria defesa apresentada pelo sujeito passivo, na qual demonstrou perfeita cognição, fática e jurídica, dos motivos pelos quais foi lavrada a exigência de ofício. É importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Segundo o princípio pas de nullité sans grief (que, literalmente, significa: não há nulidade sem prejuízo), não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. Dessa forma, afasto a nulidade suscitada. III – Do mérito: Da análise do processo, concluo que merece ser mantida decisão de primeira instância, cujos fundamentos adoto como razões complementar de decidir, com amparo no art. 114, § 12º, I, do RICARF/2023 e art. artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, os quais transcrevo a seguir: É incontroverso nos autos que as empresas citadas no presente lançamento pertencem ao mesmo grupo econômico Empal que é dirigido pelas pessoas físicas de mesmo núcleo familiar. Contudo controverso está se os fatos apurados indicam a ocorrência de cessão do nome para acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior. Dos autos temos que a empresa Multi Slim após ter judicialmente reconhecido direito ao não recolhimento de IPI devido sobre a saída de mercadoria importada passou a importar para o grupo todas as mercadorias da marca Empalux, propriedade da empresa Multi Mercantes, também pertencente ao grupo, que até então operacionalizava as importações. Em manifestação durante o procedimento fiscal a empresa fiscalizada informa que no ano de 2016 foi iniciado o "processo de migração" das importações e comércio de lâmpadas EMPALUX da Multi Mercantes para a Multi Slim, justificada por motivos comerciais e para o aproveitamento do benefício por ela ganho em relação ao IPI. Ainda que se alegue que se trata de questão puramente de direito, claro está que não pode ser tomado como lícita a “transferência” ou o ”compartilhamento” de tal direito, judicial e personalissimamente concedido, entre tais entidades, por mais ligadas e vinculadas que sejam. Em sede de fiscalização constatou-se o abrupto incremento dos valores operados a partir de meados de 2016. Os valores de importação passaram em mais de 10 vezes o valor calculado à época do procedimento de habilitação da empresa para Fl. 2577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 8 fins de estimar sua capacidade financeira, valor que serve de parâmetro para monitoramento da atuação na importação ou exportação. Constatou-se, ainda, conforme declarações à fiscalização, que a estrutura operacional formal da Multi Slim era evidentemente insuficiente para fazer frente ao volume das operações. Não foi sequer comprovada a disponibilidade da localização física de sua sede. Em relação aos recursos humanos também houve sua "migração" para a Multi Slim apenas documentalmente para tentar das aparência de capacidade operacional à empresa. A empresa também não dispunha de ativo imobilizado - bens de capital, mobiliário, veículos, imóveis suficientes e necessários à realização de atividades empresariais quaisquer, em especial as comerciais e no nível que as operações de importação registradas faziam supor. Quanto aos recursos financeiros temos que restou demonstrada a disponibilização de vultosos valores à Multi Slim pela Empal e Multi Mecantes que foram reconhecidos como transferências diretas sem causa formal para o caso da Empal, ou foram realizados sob o manto de recebimentos de vendas simuladas, geradas artificialmente, de um lado como mecanismo de transferência meramente contábil de estoque do suposto vendedor -Multi Slim - e de outro para gerar ativo a encobrir, de forma também só aparentemente regular, o fluxo financeiro proveniente do suposto comprador - Multi Mercantes. Tais condutas claramente se inserem no objetivo mais amplo das pessoas físicas que efetivamente detém o comando e controle de todas as entidades jurídicas mencionadas, consistente no falseamento/mascaramento/encobrimento artificial de todas as atividades reais - de fato - do ente jurídico Multi Mercantes como se da Multi Slim fossem; este último, ente jurídico que até então encontrava-se Fl. 2578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 9 praticamente inoperante - não obstante já tivesse atuado, inclusive como importador, mas de itens de material escolar/papelaria - e que passou a operar como importador único dos mesmos produtos antes trazidos pela Multi Mercantes (materiais elétricos e de iluminação que ostentam a marca comercial registrada EMPALUX, marca também pertencente a esta) pelo fato dela - somente ela, Multi Slim - ser beneficiária de favor fiscal judicialmente obtido, favor esse que também judicialmente vem sendo expressamente negado à Multi Mercantes. Quanto as importação em questão também temos que restou demonstrado, com base nas características e componentes do fluxo financeiro da Multi Slim, a utilização de recursos de terceiros - Empal e Multi Mercantes - que deram suporte e possibilitaram a realização das operações de importação. Como exemplos transferências bancárias da Empal que dão suporte ao pagamento das importações realizadas cujos históricos dos lançamentos contábeis em nada esclarecem sobre a movimentação do numerário. Fl. 2579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 10 Evidente, portanto, o conhecimento das consequências e a vontade (dolo) de praticar a conduta simulatória para acobertar a movimentação de recursos que permitiram a realização das operações de importação em questão. Conclusão Por fim temos que as ações formais e aparentes da Multi Slim foram direcionadas para o fim de simular, como sendo seus, negócios realizados no interesse e por conta de terceiras empresas que permaneceram ocultas, ainda que todas elas, alegadamente, fizessem parte de um mesmo grupo econômico de fato. Assim tendo cedido seu nome para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior integrantes de grupo econômico de fato do qual também faz parte, e para o qual, consciente e deliberadamente, prestou-se a ser mero instrumento, partícipe de estratégia dissimulatória engendrada para, ao fim, possibilitar a transferência indevida de benefício tributário judicial exclusivamente a si concedido ficou sujeita a aplicação da pena de multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ressalte-se, ainda, que cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida à instância administrativa, assim como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Fl. 2580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.616 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15165.722623/2017-88 11 Não há, aqui, qualquer correção a ser feita à conclusão a que chegou a DRJ. No que tange ao pedido de realização de perícia para elucidação do presente caso, o pedido merece ser indeferido já que sua imprescindibilidade não restou configurada, face à clareza da descrição dos fatos relatados no relatório fiscal da notificação e da exatidão dos demais relatórios e materiais probatórios anexos ao presente Auto de Infração, os quais foram suficientes para a formação da convicção desta julgadora. IV – Do dispositivo: Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação a preliminar de nulidade do Auto de Infração e improcedência da multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green Fl. 2581DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11128.730702/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3402-004.266
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Os conselheiros José de Assis Ferraz Neto, Fábio Kirzner Ejchel e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles acompanharam o voto da relatora pelas conclusões. Designado o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles para, nos termos do art. 114, § 9º, do RICARF, apresentar voto vencedor em que faça consignar os fundamentos adotados pela maioria.
Nome do relator: ANNA DOLORES BARROS DE OLIVEIRA SA MALTA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Os conselheiros José de Assis Ferraz Neto, Fábio Kirzner Ejchel e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles acompanharam o voto da relatora pelas conclusões. Designado o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles para, nos termos do art. 114, § 9º, do RICARF, apresentar voto vencedor em que faça consignar os fundamentos adotados pela maioria. Assinado Digitalmente Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jose de Assis Ferraz Neto, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Fabio Kirzner Ejchel (substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Anselmo Messias Ferraz Alves, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Fabio Kirzner Ejchel. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 08-45.604, proferido pela 6ª Turma da DRJ/FOR, que decidiu por manter em parte o crédito tributário exigindo pagamento de multa pela ocorrência da cessão de nome. Trata-se de exigência de crédito tributário no valor originário de R$ 1.313.709,21, relativo à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (regulamentado pelo art. 727 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009), por alegada cessão de nome, pela empresa COMERCIAL E DISTRIBUIDORA ERVIEGAS LITORAL LTDA., CNPJ 08.897.325/0001-20, doravante denominada simplesmente “ERVIEGAS LITORAL”, para a realização de operações de importação mediante o acobertamento da empresa ERVIEGAS INSTRUMENTAL CIRÚRGICO LTDA., CNPJ 46.271.011/0001-07, doravante denominada simplesmente “ERVIEGAS INSTRUMENTAL”, que seria a real adquirente das mercadorias importadas Por bem descrever os fatos, adota-se partes do relatório de primeira instância: O Auditor-Fiscal autuante trouxe as seguintes razões no intuito de sustentar o lançamento: No endereço declarado como sede da Erviegas foi encontrada uma residência sem moradores, aparentando ser casa utilizada apenas para temporadas no litoral; Observada a presença de jardineiro no local, ao mesmo foi solicitado informações sobre o seu conhecimento acerca de funcionamento da empresa ERVIEGAS no local. Em termo de declaração (anexo 4) foi possível obter como informação, de forma resumida que: a. Fora ele contratado por pessoa de nome “Nilcéia” *(sic) para cuidar do jardim da casa (*Nicea - nome correto da mãe do sócio Carlos Roberto Barrinuevo de Medeiros Junior); b. Que reside na casa em frente à que consta como sede da empresa Erviegas há aproximadamente 5 anos e não tem conhecimento de que tenha ocorrido o funcionamento da empresa naquele local. Diante disso foi então enviada a intimação que se tentou entregar de forma pessoal na sede da empresa, através dos Correios, para o endereço dos sócios. Após o recebimento da intimação por parte dos sócios da empresa Erviegas, compareceu a esta Eqaufi, o contador, Sr. Rubens Bertolotti Ferreira, solicitando dilação do prazo para cumprimento da intimação; solicitação que foi repetida outras vezes, observando-se entregas fracionadas de documentos relacionados a itens contidos na intimação realizada, até que em Junho/2014 promoveu-se a Reintimação da empresa e, em agosto de 2014, aconteceu a última apresentação, por parte da interessada, de documentos em resposta ao que foi solicitado. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 3 Das respostas, ainda que tímidas e insuficientes, apresentadas pela Erviegas, se pôde iniciar trabalho de análise e cruzamento com as informações existentes nos sistemas da SRF Como já foi dito e demonstrado através de termo de declaração e de constatação através de diligência à sede da empresa, a mesma não se encontra em funcionamento e não possui, portanto, local físico que se preste à realização de suas atividades, sendo lógico, portanto, que também ali não se poderia ocorrer armazenamento de mercadorias. Nesse sentido, existe ainda declaração do sócio da empresa (Anexo 6), Sr. Carlos Roberto B. de Medeiros, onde o mesmo afirma não possuir local para armazenamento, não possuir funcionários, nem qualquer contrato de terceirização nesse sentido. Esse é um ponto que começa a indicar que a empresa Erviegas Litoral não teria como fazer frente às importações verificadas, no que tange à operacionalidade, se não fossem as mesmas já destinadas a outro adquirente. Importar mercadorias é atividade complexa que requer contatos externos; noções razoáveis de logística; espaço físico visando armazenamento; conhecimento também razoável das limitações impostas pelos órgãos intervenientes, contidas nas mais diversas legislações, etc. Dentro desse raciocínio, o trabalho de um número, ainda que pequeno de funcionários, que permita desenvolver pesquisas visando a melhor compra, bem como a realização da venda em todas as suas etapas, seria recomendável. Mas, se, como declara o sócio, pensarmos que tais atividades possam ser desenvolvidas apenas com o trabalho dos sócios, ainda assim, seria lógica a contratação de um número mínimo, visando a realização de atividades menos complexas, dando assim, mais tempo e condição para a realização de atividades de maior complexidade. Também o espaço físico adequado (ainda que terceirizado) para a armazenagem das mercadorias até o momento da venda, deveria ser considerado se olharmos os quantitativos que envolveram as operações até o presente momento. Não havendo sequer essa estrutura mínima, o que se pode pensar é que o volume de mercadorias importadas, têm um fluxo dinâmico, ou seja, são, logo de início destinadas à um adquirente. Da análise das notas fiscais se pode notar curto espaço entre a emissão da nota de entrada e de saída, fato que fortalece o raciocínio de que a mercadoria já possui, desde antes de sua chegada, destino certo. Esse destino é a empresa Erviegas Instrumental Cirúrgico Ltda, CNPJ 46.271.011/0001-07, como se demonstrará no curso do presente relatório. Pelas Notas se pode observar que num curto espaço de tempo, como já dito, as mercadorias são elencadas numa nota fiscal de entrada e, nas mesmas quantidades, as mesmas mercadorias têm sua saída registrada em favor da Empresa Erviegas Instrumental. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 4 Em resposta dada pela Erviegas existe a informação de que os recursos utilizados para as operações de comércio exterior, são oriundos de adiantamentos realizados pela empresa Erviegas Instrumental Cirúrgico Ltda. A empresa Erviegas Instrumental, que vem promovendo os adiantamentos utilizados nas operações de comércio exterior, participa societariamente da importadora e registra tais adiantamentos, declarando-os como adiantamento para aumento do capital social. tais adiantamentos vêm ocorrendo, pelo menos desde 2012, sem que até o presente momento nenhum deles tenha se transformado em efetivo aumento do capital social. Além disso, tais adiantamentos coincidem com obrigações econômicas cumpridas pela ERVIEGAS LITORAL, sempre em datas próximas ao registro das DI, ou outras etapas que se sabe ser usual a ocorrência de desembolso por parte do importador. Assim, as indicações constantes no Razão Banco do Brasil como “N DEPÓSITO” batem com as remessas para aumento de capital. No anexo 7 pode-se visualizar na integra os registros referentes às remessas e aos depósitos no Banco do Brasil. Tais quantias são utilizadas para o custeio da Erviegas Litoral em todos os níveis, inclusive em diversas ocasiões trazendo à normalidade a conta caixa que se mostrava sob a condição de conta credora. Em consulta à contabilidade apresentada nota-se que para todos os anos o Razão aponta clientes com saldo zero (anexo 8); existindo lançamentos em conta denominada ADIANTAMENTOS, no tópico notas a receber com valores expressivos. Dentro desse tópico, pode-se notar o fato de que todas as notas dizem respeito a vendas realizadas à ERVIEGAS INSTRUMENTAL CIRÚRGICO LTDA., como se demonstra em listagem extraída da contabilidade (anexo 9). Tal fato implica dizer que a Erviegas Litoral não possui nenhum outro cliente que não seja a Erviegas Instrumental Cirúrgico. Seguindo na contabilidade, existe conta observada no razão denominada IMPORTAÇÕES EM ANDAMENTO- diversos (Anexo 10), onde se pode observar a relação de fornecedores; as compras realizadas e fechamentos de câmbio, sendo interessante notar que a conta contra a qual se lançam tais pagamentos é sempre a conta CAIXA , e, por sua vez, o razão da conta Caixa mostra que a mesma sobrevive de suprimentos realizados via Banco do Brasil, contando com o seguinte histórico na contabilidade “N DEPÓSITO”. Se considerarmos que a ERVIEGAS LITORAL já respondeu no sentido de que utiliza adiantamentos da ERVIEGAS INSTRUMENTAL e, ainda que, já vimos que a primeira não possui nenhum outro cliente que não seja a última, ou esse recurso é proveniente da ERVIEGAS INSTRUMENTAL ou de pessoa desconhecida e alheia às atividades da primeira. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 5 Nessa esteira de pensamento, promoveu-se intimação destinada à ERVIEGAS INSTRUMENTAL [vide fls. 17] Pretendia-se através da mencionada intimação, esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados pela ERVIEGAS LITORAL para a realização de suas operações no comércio exterior, todos repassados pela Erviegas Instrumental. somente em 08/12/02014, chegou a esta EQAUFI resposta parcial a intimação anteriormente apresentada, onde se verificou a contabilidade da empresa Erviegas Instrumental apenas para o ano de 2012. O complemento da contabilidade (anos 2013 e 2014) foi apresentado dia 15/12/2014. No que diz respeito aos itens 2 e 3 da intimação 12/2014, a empresa Erviegas Instrumental trouxe alegação de que a apresentação dos extratos bancários solicitados implicariam na quebra de sigilo bancário, entendendo ser violação a princípio constitucional, enquanto para o item 3 (negociação entre Erviegas Instrumental e Erviegas Litoral), trouxe informação distinta da solicitada, na medida em que restringiu-se a dizer que atendia a órgão governamentais e distribuidores, limitando-se a embalar e entregar. Claro que a solicitação foi feita no sentido de apresentar a negociação envolvendo a mercadoria no momento da aquisição junto à importadora, não no momento posterior. Em face da negativa de apresentação dos extratos bancários, ponto fundamental na análise, posto que traria a clara demonstração dos recursos utilizados, permitindo o cruzamento de informações bancárias com aquelas contidas na contabilidade e ainda com as operações realizadas, buscando afastar a hipótese de interposição fraudulenta, procurou-se trabalhar na contabilidade apenas; Da contabilidade como já se demonstrou a Erviegas Litoral apresentou quadro de total dependência dos recursos enviados pela Erviegas Instrumental, posto que não possui outros clientes nem tão pouco outras fontes de receita; No que diz respeito à contabilidade da Erviegas Instrumental, pode-se destacar que os registros se mostram com históricos genéricos não sendo possível realizar batimentos em busca de consistência fática; os registros constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa Erviegas Litoral apontam na sua totalidade para transferências de mercadorias importadas por ela e levadas à Erviegas Instrumental; Isso somado às informações verificadas quanto aos adiantamentos promovidos pela Erviegas Instrumental e, ainda que da contabilidade da empresa importadora não existe sequer um recebimento relativo a tais vendas promovidas àquela que supostamente seria a compradora, permite-se a conclusão que em verdade ERVIEGAS LITORAL seja interposta pessoa, visando a ocultação da ERVIEGAS INSTRUMENTAL que se pode dizer ser a real adquirente das mercadorias importadas ao longo do período fiscalizado; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 6 Em que pese a relação existente entre uma e outra empresa, no que diz respeito à participação da Erviegas Instrumental cirúrgico no quadro societário da Erviegas Litoral, não se pode entender que a relação comercial que se pretendeu demonstrar entre as duas, permita dizer que as mercadorias transacionadas não gerem obrigações financeiras ou que não devam ser consideradas como vendas; Uma vez ocorrida a venda, deve existir o pagamento e, para que ocorra a venda há que se considerar ser a importadora a proprietária do que foi vendido; O que se observa, no entanto, é que de imediato a mercadoria era já comprada com recursos da real adquirente, através de adiantamentos mascarados na figura de adiantamentos para aumento de capital social; quando desconsiderados tais adiantamentos por parte da Erviegas Instrumental, não resta nenhuma outra fonte de receita a ser considerada na Erviegas Litoral e isso, quando somado ao já demonstrado fato de que a empresa que figura como importadora nas DI não possui localização física, nem funcionários, nem qualquer outra estrutura contratada junto a terceiros, forçosamente leva à conclusão da inexistência de fato da empresa Erviegas Litoral. A fiscalização também traz o argumento de que a ocultação do real adquirente permite diversas formas de burla aos controles aduaneiros, assim exemplificando: Com tal prática, pode-se afastar da empresa a obrigatoriedade de habilitação do responsável legal, por parte da SRF. A habilitação permite conhecer a empresa, em seus diversos aspectos, permitindo também o acompanhamento das suas atividades ao longo do tempo, criando base de dados úteis, por exemplo, para seleção de qualquer ação ou procedimento fiscal. Também pode permitir a prática de subfaturamento, posto que a importadora pode criar de forma artificial o preço inicial, para em seguida emitir nota fiscal ao real adquirente, permitindo que este possa, por ocasião da venda, considerar preço bem maior que aquele declarado na importação. A legislação traz ainda a questão da equiparação a estabelecimento industrial para as operações que se observa. Assim, sendo a operação considerada importação por conta e ordem ou ainda para encomendante predeterminado, tem-se a equiparação a industrial, condição que gera reflexos quanto à tributação do IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados. Há também a questão da responsabilidade. Sendo conhecido o real adquirente, este, assumirá também seu quinhão no tocante à responsabilidade pela operação desenvolvida. A fiscalização faz referências, ainda, a possível prática de subfaturamento, aduzindo, como exemplos, os casos da “Âncora 15 K” e da “Âncora 5 K”, importadas pela ERVIEGAS LITORAL, respectivamente, sob as DI nº 12/0957061-2 e nº 12/0972750-3, que teriam alcançado os valores de venda, na saída desses D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 7 produtos do real adquirente, de, respectivamente, 20,93 vezes e 5,14 vezes o valor declarado na aquisição. Da impugnação Cientificada do lançamento em 19 de janeiro de 2015 (fls. 753), a autuada apresentou, em 13 de fevereiro de 2015, a impugnação de fls. 755-786, acompanhada de outros documentos, na qual apresenta os seguintes argumentos: O auto de infração foi lavrado sem provas e baseado em meros indícios e frágeis presunções; A impugnante existe, sim, de fato e de direito, e o fato de funcionar em uma casa e não em um prédio comercial não quer dizer que não existe e não funciona; Embora não dependa de uma grande estrutura, a impugnante opera de forma regular, recolhendo impostos e pagando suas contas de luz e água, conforme documentos anexos; O endereço sempre foi, desde a fundação, a rua Emílio Justo, 60, conforme foto juntada e cartão CNPJ; As provas inequívocas do funcionamento são as correspondências, recebidas no endereço mencionado, oriundas de órgãos como a Sabesp, Elektro, cobrança de honorários de contabilidade, intimações da RFB, inclusive a intimação do próprio auto de infração, boletos bancários, entre outros documentos; Também provam a sua regularidade e funcionamento as cópias dos alvará de 2011 a 2013, o recolhimento da taxa de licença para funcionamento da empresa do ano de 2014, a cópia da certidão negativa (alvará de licença para localização e funcionamento da Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Peruíbe), na qual se constata que fora licenciada para exercer a atividade de comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios; O fato de não ter funcionários não quer dizer que não exerça suas atividades, pois estas são basicamente de compra e venda, sem processo de industrialização, o que permite a estrutura enxuta, e a lei não prevê que a falta de funcionários enseja a conduta de interposição fraudulenta; Já houve análise da capacidade financeira de forma criteriosa pela RFB, conforme análise do processo n° 11128.007114/2007-45 de habilitação cuja cópia anexamos em que foi reconhecida capacidade financeira para a modalidade ordinária, hoje ilimitada, portanto, operações de U$ 400.000,00/ano, como bem reconhecidas pelo AFRFB estão dentro de sua regularidade e capacidade atestada pela RFB; É evidente que quando da habilitação já havia sido provada a existência de fato da Impugnante, não podendo agora neste procedimento ser alegada a suposta falta de existência de fato; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 8 Além de restar desqualificada a alegação de inexistência de fato da empresa pelos documentos e fotos em anexo, resta agora desqualificada a alegação de falta de capacidade financeira; I II) Da acusação de interposição fraudulenta/cessão de nome: A empresa Erviegas Instrumental Cirúrgico Ltda. faz parte do quadro societário da impugnante, detendo 50% do capital realizado e, nesta qualidade, promove aportes para aumento do capital social, operação regular e cuja legislação ampara; A Impugnante adquiriu a mercadoria do exportador no exterior e pagou todos os tributos, conforme se depreende das DIs, com recursos próprios, cuja origem está provada pelos documentos ora juntados, o que ampara a regularidade; Não há vinculação dos recursos aportados com os valores das DIs registradas, sendo as datas divergentes e sem nenhuma vinculação; Os documentos provam de forma inequívoca a inocorrência de adiantamento, visto as devidas vinculações e justificativas acima, todas amparadas pelos documentos juntados dos aportes para aumento do capital social; O adiantamento para futuro aumento de capital corresponde a valores recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados como futuro aporte de capital; Os aportes demonstram a total capacidade financeira e a origem lícita dos recursos, aptos a desconsiderar a suposta ocorrência de interposição fraudulenta, porque estão lançados no Patrimônio Líquido e não no Passivo Não Circulante, o que tecnicamente indica que serão incorporados ao Capital Social da empresa em alteração oportuna; A Lei das S/A (Lei 6.404/1976) é omissa no tratamento dos valores recebidos por conta de futuros aumentos de capital, mas a Resolução CFC 1.159/2009, que aprova o Comunicado Técnico CT 01, estipula que os adiantamentos para futuros aumentos de capital, quando não há a possibilidade de sua devolução, devem ser registrados no Patrimônio Líquido, após a conta de capital social; do contrário, devem ser registrados no Passivo Não Circulante; O Fisco estabelece que as AFACs devem ser mantidas fora do patrimônio líquido, por serem adiantamentos considerados obrigação para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar; Estando, os adiantamentos recebidos com a intenção de capitalização, devidamente documentadas por instrumentos formais dos sócios, acionistas, e órgãos diretivos da empresa, prova-se a intenção de integralização do capital e, dessa forma, é correta a contabilização da AFAC no Patrimônio Líquido; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 9 O Contrato de Financiamento juntado, específico para importação (FINIMP), efetuado com o Banco Santander, prova a capacidade financeira e a existência de fato da empresa, com seu endereço; No balanço patrimonial e balancetes, a conta utilizada para os clientes é a rubrica contábil - notas a receber, e não clientes, pois o plano de contas é um plano que atende a muitas empresas, não é exclusivo da Comercial Erviegas, assim a menção de clientes nacionais ...saldo zerado, não tem o menor sentido; No balancete, fato que sequer foi observado pelo ilustre AFRFB que alega que ante a ausência dos extratos usou a contabilidade e pelo visto usou de forma equivocada, de modo a tornar nulo o presente auto de infração que somente se baseia em suposições e nada concreto; I III) Da acusação de subfaturamento: Quanto ao eventual subfaturamento das ancoras afirmadas no Auto de Infração, o comparativo efetuado da DI 12/09570612 - âncora 15 K, está errado, pois o AFRFB por erro ou má-fé comparou âncora de ferro galvanizado com âncora de aço inox 316SS; A nota fiscal de n° 000.011.047 (anexa) da Erviegas Instrumental da mesma época de âncora de ferro galvanizado tem o valor de venda R$ 266,47, o que representa 7,29 vezes o valor referenciado pelo fiscal, valor esse que toma como base para o cálculo apenas o custo da âncora no fornecedor estrangeiro, sem acrescer os impostos e despesas de transporte internacional, demonstrando mais um equívoco no imprestável trabalho realizado que resultou na indevida multa; Não pode o AFRFB descaracterizar uma fatura e alegar que ela é falsa se o próprio exportador atesta sob as penalidades da lei sua veracidade e confirma condição especial no preço praticado; A impugnante não poderia atribuir outro valor à transação, senão aquele constante da fatura comercial que, na verdade, representa o valor pago pelas mercadorias adquiridas; Não se pode, de livre e espontânea vontade, 'descaracterizar' uma fatura comercial emitida de acordo com as normas internacionalmente acordadas, tendo-a como falsa, sem que haja qualquer elemento material que enseje tal consideração; O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 consigna a aplicação de multa, no montante de 10% do valor da operação, à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários, mas a simples leitura do Auto de Infração, no demonstrativo dos valores, mostra que não foi aplicado o § 2° da Lei acima mencionada, tendo ocorrido manifesto erro nos valores base de cálculo do II, conforme demonstrado D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 10 nos anexos, sendo de rigor a anulação da multa no valor lavrado, reduzindo o valor e seus reflexos para R$ 714.230,06; Contrariando a Lei e o próprio artigo 2º da Instrução acima transcrito, foi descaracterizada a Fatura em questão e, de imediato, 'criou-se' uma forma de valoração aduaneira, passando a individualizar e valorar os produtos importados pela Impugnante; Inexiste subfaturamento, portanto não pode o fisco arbitrariamente criar critérios de valoração aduaneira, contrariando diretamente o princípio da legalidade tributária, pois efetua lançamento com base em indícios, contrariando a Constituição e tratados internacionais que regulamentam a valoração aduaneira; Mesmo se houvesse a ventilada fraude [quebra da cadeia de IPI], razão não assiste ao AFRFB, pois as revendas de todos os produtos sem industrialização inexiste destaque do IPI na saída, sob pena de caracterizar bitributação, nos termos das recentes decisões do STJ, o que não enseja dano ao Erário e multa; O Estado ["Termo de Conclusão de Fiscalização"] entende normal a venda para um único cliente e também não vislumbrou subfaturamento, enquanto o ilustre AFRFB sem provas tenta imputar conduta ilegal ao impugnante; I IV) Da penalidade aplicada A Administração Pública claramente descumpriu o primado constitucional do devido processo legal, ao impor a penalidade do perdimento de suas mercadorias, sem o cumprimento das formalidades procedimentais intrínsecas ao Processo Administrativo Fiscal, tendo em vista que a RFB ignorou as provas juntadas e sem prova concreta aplicou pena confiscatória e ilegal, em afronta aos princípios e garantias supramencionados, equivocando-se e alegando a absurda ocorrência de interposição fraudulenta e subfaturamento; O AI é carente de provas e o próprio AFRFB alega de forma contraditória que a empresa não funciona, contrariando todas as provas juntadas como alvará de funcionamento, contas, impostos, correspondências, etc., e a presunção legal transferiu para o requerente o ônus probatório, invertendo de forma indevida e ilegal a sua responsabilidade; Quanto ao ônus da prova, muito embora o procedimento seja ato administrativo dotado da presunção de legitimidade e veracidade, deverá conter de maneira completa a prova dos fatos nos quais se embasa como requer o artigo 142 do CTN; O procedimento simplesmente afirma a existência de interposição fraudulenta e acusa a impugnante de cometer fraude, com base na absoluta inversão do ônus da prova e, em apenas meras suposições; Meros indícios e uma alegação de confissão absurda não sustenta uma pena de perdimento; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 11 No presente caso, o auto de infração em análise não é claro e preciso quanto à descrição dos fatos e capitulação legal da infração e a autoridade fiscal apenas presumiu que a impugnante importou mercadorias ocultando o real adquirente/comprador, configurando, supostamente, dano ao Erário sujeito à pena de perdimento; Cumpre esclarecer que, para que o dano ao Erário possa ser caracterizado (I) é necessário identificar a conduta infracional tributária ou financeira, como lesiva ao patrimônio público; (II) o resultado infracional há de ser quantificado e, tanto quanto o imposto, expresso em pecúnia, elemento definidor da intensidade do dano causado e; (III) tal dano ou prejuízo fiscal há de ser constituído no mundo das obrigações e nessa condição ser exigível, mas, no presente caso, não ocorreu a quantificação do dano ao Erário e nem houve o correto enquadramento da conduta infracional; Não dá ensejo ao nascimento de obrigação tributária por infração e aplicação de penalidade a mera presunção, como quer fazer crer o Auditor-Fiscal; A busca da verdade material para o agente fazendário aplicar pena tão grave como a pena de perdimento ora combatida está ínsito no poder-dever de fiscalizar, e à fiscalização cabe provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que imputa ao sujeito passivo; Em obediência ao princípio da verdade material, a autoridade fiscal deverá investigar a real conduta praticada pelo contribuinte, documentando-a de uma forma que possibilite um pleno direito de defesa, o que no presente caso inexistiu; Não há nenhuma prova quanto ao dolo ou culpa da requerente, pois o suposto ilícito apontado pela autoridade fiscal não derivou de má-fé por parte da requerente, mas sim de um mero equívoco que não redundou em dano ao Erário tanto que foram sanados conforme descrito no próprio Auto de Infração; A impugnante não tentou de nenhuma forma enganar o Fisco, o que por si só afasta a hipótese de fraude nas informações cambiais e interposição fraudulenta de terceiros, fazendo com que o Auto de Infração ora debatido se torne inócuo; De acordo com o entendimento pacificado no E. STJ, para a apreensão e consequente aplicação da pena capital de perdimento de bens, necessário se faz a presença de dois nucleares requisitos, coexistindo: (1) má-fé do contribuinte e (2) presença inequívoca de dano ao Erário, e, no caso em tela, estando ausentes ambos os requisitos, mostra-se desnecessária a retenção do bem e, consequentemente, a aplicação da penalidade de perdimento; O ato administrativo ora combativo que culminou com a aplicação da pena de perdimento não pode ser mantido, pois, além de não ter havido nenhuma fraude e não tendo o ocorrido acarretado nenhum prejuízo à Fazenda Pública tendo em vista que os tributos foram pagos no registro da DI, fato gerador do Imposto de Importação, e o câmbio já foi ou será fechado; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 12 Não é razoável, nem proporcional, o ato impugnado, por violação do artigo 2º da Lei nº 9.784/99, configurando também o ato atacado medida superior àquela estritamente necessária para atendimento do interesse público, há violação do inciso VI do parágrafo único do artigo 2º da Lei nº 9.784/99; Não há restrição no mercado de a impugnante importar e revender para apenas um cliente, e esse fato não caracteriza interposição fraudulenta; É impossível aplicar a pena de perdimento quando não houver dano ao Erário, e o dolo não pode ser presumido sendo impossível presumir a interposição fraudulenta e consequentemente o dano ao erário, porque inexiste a quebra da cadeia do IPI; A jurisprudência pátria, pacificando o assunto através de recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, de 11/06/2014, proferiu, pela 1a seção daquele Egrégio Tribunal, decisão julgando relevante controvérsia tributária entre os importadores e a fazenda nacional e decidiu que o IPI não incide nas operações de mera comercialização no mercado interno de mercadoria importada, sob o fundamento principal da inexistência de industrialização nesta fase e, assim, da inocorrência do fato gerador, validando apenas a incidência do imposto por ocasião do desembaraço aduaneiro; A questão ficou pacificada em favor dos contribuintes, pois a decisão foi proferida nos Embargos de Divergência em RESP n° 1.398.721/SC pela Primeira Seção, órgão que reúne as duas Turmas de Direito Público, as quais divergiam sobre a matéria; Não havendo processo de industrialização na revenda das mercadorias da impugnante, não há que se falar em quebra da cadeia do IPI e consequentemente em dano ao Erário, que não pode ser presumido e deve sim ser provado de forma efetiva, sob pena de nulidade; Até mesmo o judiciário já reconheceu esta possibilidade em relação à impugnante nos autos do processo n. 93520-43.2014.4.01.3400 em trâmite na 22a Vara da Justiça Federal do Distrito Federal TRF-1, razão pela qual inexiste dano ao Erário; No caso concreto restam inatendidos todos os requisitos [para o uso da presunção], decorrendo daí a imputação de determinadas condutas ao Autor em ficção; O art. 33 da Lei 11.488/2997 estabeleceu pena mais branda (multa) para a interposição fraudulenta de terceiros, sem ressalvar a possibilidade de aplicação concomitante de outras penas já previstas em lei. Assim sendo, não se justifica mais a decretação do perdimento do bem unicamente com base nesse fundamento. (AC 0015301-26.2008.4.01.3400/DF, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, Oitava Turma, e-DJFl p.1190 de 28/03/2014; REsp 1144751/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011); D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 13 Provada a existência de fato e direito, capacidade financeira com a origem lícita dos recursos pelos documentos ora juntados, é de rigor o cancelamento da multa aplicada em conversão a pena de perdimento. Por fim, a empresa autua requer, em sua impugnação: o reconhecimento da inexistência de interposição fraudulenta e da inexistência de subfaturamento; e a anulação integral do auto de infração e da pena de perdimento convertida na multa aplicada; ou, em caso de entendimento diverso, o reconhecimento de equívoco no lançamento, reduzindo a multa para o montante de R$ 714.230,06, em função de erro na base de cálculo. Instaurada a lide administrativa fiscal, vieram os autos do processo a julgamento nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, tendo esta Sétima Turma, à vista da menção feita pela fiscalização à possibilidade de prática de subfaturamento envolvendo, pelo menos, uma das mercadorias importadas pela empresa autuada e cujo valor aduaneiro serviu de base para a aplicação da multa de que se trata, decidido pela conversão do julgamento em diligência, conforme consta da Resolução 08-002.987, de 25 de fevereiro de 2016 (fls. 1.360-1.364), com o fito de: 1) Informar qual foi a base de cálculo utilizada para o cálculo da multa exigida no Auto de Infração; 2) Detalhar, caso existam, os casos onde foi comprovado o subfaturamento – total ou parcial – das mercadorias objeto da autuação; 3) Em caso de resposta afirmativa ao item anterior, informar se o Auto de Infração levou em consideração o valor das mercadorias apurado pela fiscalização, adotando, se for o caso, o disposto no art. 88, da MP nº 2.158-35, de 2001, na quantificação da multa aplicada; 4) Elaborar relatório conclusivo, indicando, se for o caso, a parcela do crédito tributário lançado que deve ser alterada em decorrência dos exames efetuados, e outras informações que a fiscalização entender necessárias para esclarecimento dos fatos. Em cumprimento à referida Resolução, a fiscalização da unidade de origem prestou as seguintes informações: 1) Para o lançamento do auto de cessão de nome foi observado o valor declarado nas Declarações de Importação; 2) Para a fiscalização em questão, foi analisada apenas a questão da comprovação da origem dos recursos, visando detectar a interposição D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 14 fraudulenta. Foi mencionado no relatório fiscal a possibilidade de ser o subfaturamento, uma das possíveis vantagens da prática da ocultação do real adquirente. Frise-se que a fiscalização tendente à análise e comprovação de subfaturamento é distinta da que foi realizada, envolvendo outros elementos e pedindo maior aprofundamento. 3) Cabe destacar que a verificação tendente à análise da correção ou não do valor está intimamente ligada à mercadoria e, nesse estágio da fiscalização, não mais se guarda proximidade com o que foi despachado e sim com a descrição realizada na declaração de importação e, na maioria das vezes, tal descrição não permite dizer com grau de certeza suficiente, tratar-se de mercadoria idêntica ou mesmo similar, em vista da carência de elementos que apontem para qualidade; matéria- prima; nível de tecnologia ou outros que Fl. 1370 influenciem a questão relativa ao valor. 4) Desta forma, foi encerrada a fiscalização no formato verificado no relatório fiscal inicialmente apresentado, ou seja, apenas com a menção do subfaturamento como uma das possíveis vantagens na ocultação.; e, 5) Não foi alterado o valor do auto de infração, razão pela qual deixo de elaborar relatório, entendendo ser suficiente o já constante do presente processo. Cientificada em 10 de junho de 2016 do teor da diligência objeto da Resolução nº 08-002.987, de 25 de fevereiro de 2016, e de seu resultado (fls. 1.373), a empresa autuada apresentou a manifestação de fls. 1.377-1.385, juntada aos autos em 23 de junho de 2016, na qual aduz o seguinte: a resposta omissa e genérica do ilustre AFRFB mostra a fragilidade da autuação e falta de provas e embasamento legal que amparar a injusta pena aplicada. está nítido que o ilustre AFRFB “atira” para tentar pegar algo que sequer aponta, tentando induzir esta E. Delegacia em erro e tipificando conduta que não caracteriza infração. Os documentos juntados aos autos provam de forma inequívoca que a recorrente existe sim de fato e de direito e o fato de funcionar em uma casa e não em um prédio comercial não quer dizer que não existe e não funciona A recorrente funciona sim e de acordo com todos os documentos em anexo, contrariando a tese defendida no ai, tem contas a pagar, telefone, água, luz etc... conforme anexado. Por mais que não dependa de uma grande estrutura para exercer suas atividades a impugnante opera de forma regular recolhendo impostos e pagando suas contas de luz, água e telefone conforme documentos em anexo. o endereço sempre foi desde a fundação Rua Emilio Justo 60, conforme foto juntada e cartão de CNPJ anexo quando do protocolo. como complemento que a empresa existe, foi anexado ainda a prova inequívoca de funcionamento através das correspondências recebidas no endereço D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 15 mencionado de órgãos como a SABESP, ELEKTRO, Cobrança de Honorários da Contabilidade, inclusive de Intimações da própria RFB, boleto bancário entre outros documentos que não deixam dúvida que a recorrente não é empresa de fachada e funciona sim, nas dependências registradas e equivocadamente descaracterizada pela fiscalização. O fato de não ter funcionários registrados não quer dizer que não exerça suas atividades pois as atividades são basicamente de compra e venda, sem processo de industrialização, o que permite a estrutura enxuta. a lei não prevê que falta de funcionários enseja a conduta de interposição fraudulenta, sendo totalmente equivocada essa interpretação feita pelo fisco. Se assim fosse, toda empresa importadora precisaria de funcionários para ser considerada apta a importar e não ser enquadrada como conduta tipificada como interposição fraudulenta? ao contrário do ilustre AFRFB que apenas presume e nada prova ou junta de embasamento concreto, a recorrente está provando de forma inequívoca a regularidade e funcionamento, juntando as cópias do recolhimento da taxa de licença para funcionamento da empresa dos anos de 2012, 2013 e 2014, bem como cópia da certidão negativa (alvará de licença para localização e funcionamento da prefeitura municipal da estância balneária de peruibe), onde poderá ser constatado que fora licenciada para exercer a atividade de comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios Veja a resposta genérica do ilustre AFRFB que não contava com julgamento minucioso desta E. Delegacia e preferiu alegar de forma genérica e sem embasamento seus argumentos, ignorando os preceitos legais e subsídios mínimos para tipificar a conduta da recorrente como infração Mesmo já tendo esclarecido, de rigor reprisamos que em relação a capacidade financeira e origem dos recursos, a empresa Erviegas Instrumental faz parte do quadro societário da impugnante, detendo 50% de seu Capital realizado. Nesta qualidade, promove aportes para aumento do capital social, operação regular e cuja legislação ampara, não havendo irregularidades nestes aportes. Assim, não é verdade que a Recorrente não possui capacidade financeira pois todas as operações foram feitas com recursos próprios, cuja origem está provada pelos documentos ora juntados, o que ampara a regularidade. Além disso, ao contrário do alegado, não há vinculação dos recursos aportados com os valores das DIs registradas, sendo as datas divergentes e sem nenhuma vinculação, bastando a confrontação. O que o Fisco tenta insinuar é que a Recorrente só fazia importações, pois usava recursos de terceiros, o que não é verdade e pode ser vislumbrado pelos D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 16 demonstrativos contábeis em anexo, vinculando as datas dos pagamentos de DIs e despesas com os portes realizados. Nota-se nobre julgador que os documentos provam de forma inequívoca a inocorrência de adiantamento, visto as devidas vinculações e justificativas acima, todas amparadas pelos documentos juntados dos aportes para aumento do capital social. estes aportes que demonstram a total capacidade financeira bem como origem licita dos recursos aptas a desconsiderar a suposta ocorrência de interposição fraudulenta estão lançados no Patrimônio Líquido e não no Passivo Não Circulante, o que tecnicamente indica que serão incorporados ao Capital Social da empresa em alteração oportuna. Além disso, juntamos anexo um Contrato de Financiamento especifico para importação (FINIMP) efetuado com o Banco Santander, como prova de capacidade financeira, bem como provando a existência de fato da empresa, com seu endereço. Se fossem lançados no Passivo, indicaria que poder-se-ia revertê-los. Novamente repetindo, mas é necessário esclarecer que o adiantamento para futuro aumento de capital corresponde a valores recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados como futuro aporte de capital. O contabilista deve estar atento na classificação contábil de tais valores - se como passivo ou como patrimônio líquido. Isto porque pode existir a possibilidade da não-incorporação ao capital e de sua devolução ao investidor. A Lei das S/A (Lei 6.404/1976) é omissa no tratamento dos valores recebidos por conta de futuros aumentos de capital. A Resolução CFC 1.159/2009, que aprova o Comunicado Técnico CT 01 - estipula que os adiantamentos para futuros aumentos de capital realizados, sem que haja a possibilidade de sua devolução, devem ser registrados no Patrimônio Líquido, após a conta de capital social. Caso haja qualquer possibilidade de sua devolução, devem ser registrados no Passivo Não Circulante Existe muita controvérsia e polêmica quanto a contabilização das AFAC. A Lei das S/A (Lei 6.404/1976) é omissa no assunto. O CFC estipula que os adiantamentos para futuros aumentos de capital devem ser registrados no Patrimônio Líquido. O Fisco estabelece que as AFAC’s devem ser mantidas fora do patrimônio líquido, por serem adiantamentos considerados obrigação para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar. Desta forma no presente caso, os adiantamentos recebidos com a intenção de capitalização, estando devidamente documentadas por instrumentos formais dos sócios, acionistas, e órgãos diretivos da empresa, provam realmente a intenção de integralização do capital, dessa forma, é correta sim a contabilização da AFAC no Patrimônio Líquido. (como contabilizar.com) D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 17 Assim, mais uma alegação da Fiscalização sem teor técnico e feito apenas em “achismo”, na mera presunção e infundados indícios que não serve para embasar medida e pena tão grave, visto que o ilustre AFRFB de forma genérica diz que : (...) “.... até o momento nenhum deles tenha se transformado em efetivo aumento do capital social....”(...) Mais à frente (fls. 12) o ilustre AFRFB tenta induzir algo e não se sabe o que, quando menciona no histórico do lançamento N/DEPÓSITO, que é um histórico padrão e normalmente se usa e reflete o depósito da sócia, favorecendo o raciocínio inverso do que quer o Fiscal outro erro crasso, no tocante a temática contábil, podemos ver que no Balanço Patrimonial e Balancetes, a conta utilizada para os clientes é a rubrica contábil – NOTAS A RECEBER, e não CLIENTES, pois o plano de contas é um plano que atende a muitas empresas, não é exclusivo da Comercial Erviegas, assim a menção de Clientes Nacionais ...SALDO ZERADO, não tem o menor sentido. É só ver no Balancete, fato que sequer foi observado pelo ilustre AFRFB que alega que ante a ausência dos extratos usou a contabilidade e pelo visto usou de forma equivocada, de modo a tornar nulo o presente auto de infração que somente se baseia em suposições e nada concreto Não há que se falar em adiantamento, mas envios de verbas amparadas pelos documentos juntados. O ilustre AFRFB que efetuou o lançamento do Auto de Infração não possui real capacidade para executá-lo, visto o valor da Operação aplicado por ele a DI. 13/2150279-8 de 30/10/2013 de R$ 6.006.599,59, está errado, quando na realidade o valor correto da operação é de R$ 66.599,59, o que resultou na aplicação da absurda multa no valor de R$ 600.659,96 (fls. 38 do Auto de Infração em Demonstrativo de Apuração) que se busca anular; se nem esse discernimento lhe existe, como creditar ao ilustre AFRFB a elaboração de um comparativo de produto que está plenamente identificado por código com outro sem essa identificação, inclusive a descrição e composição do produto são distintas, sendo um ferro galvanizado e outro aço, bastando ver os documentos de liberação da DI 12/0957061-2, efetuado por seus colegas de trabalho, quando da liberação física dos produtos, pois essa Declaração de Importação fora liberada pelo AFRFB no armazém de carga do porto de Santos, já mencionado na defesa em relação a inexistência de Subfaturamento; As especificações dos itens diferem entre si, ou seja, DI, Nota de entrada e Nota de saída da Erviegas litoral determinam produto com código YDB-015C e a Nota do adquirente (Erviegas instrumental) determina produto 316SS. (SS significa Stainless Steel (aço Inox)), o que obviamente não é do conhecimento do leigo Sr. AFRFB. Obviamente aqui ele baseou-se apenas na quantidade comercializada de 5 unidades, sem se preocupar em analisar e comparar a discriminação dos itens mencionados; D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 18 Assim, constata-se que as especificações dos itens diferem entre si, ou seja, DI, Nota de entrada e Nota de saída da Ervieqas Litoral determinam produto aço fundido e a Nota do adquirente (Erviegas Instrumental) determina produto 316SS. (SS significa Stainless Steel (aço inoxidável)), o que obviamente não é do conhecimento do leigo Sr. AFRFB; Claramente se constata não existir qualquer subfaturamento, sendo a fundamentação do AI uma mera suposição do ilustre AFRFB que fica comprovada com a resposta ao atendimento desta diligência guando o ilustre AFRFB deixa claro que a explanação de subfaturamento trata-se apenas de uma suposição por ele levantada, sem qualquer intuito de ser fiscalizado, deixando de informar que a base para o cálculo das multas aplicadas são com base no valor aduaneiro, cometendo ainda demais erros de valor conforme documentos anexos; O ilustre AFRFB corroborou com a falta de coerência e embasamento em suas alegações e fundamentos do AI aqui combatido isso porque, data máxima vénia, o ilustre AFRFB confunde a suposta conduta de interposição fraudulenta como sendo o Subfaturamento vantagem da prática da ocultação, quando a Lei entende que a suposta vantagem em casos de comprovação de interposição e ocultação seria a quebra da cadeia do IPI; não há dúvidas que a pena indevidamente aplicada de perdimento convertida em multa em razão de suposta interposição fraudulenta, ofende os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade ante a aplicação de medida apropriada às empresas que funcionam no regime da ilicitude (ditas "de fachada", "fantasmas" ou, ainda, "meramente de fato"); Ante o exposto e reiterando os termos da defesa, corroborados pela omissão e fragilidade das respostas do ilustre AFRFB, requer-se seja acolhida a presente Impugnação para reconhecer a inexistência de Interposição Fraudulenta e inexistência de Subfaturamento, anulando integralmente o Auto de Infração e a pena de perdimento convertida na multa aplicada. Considerando que a fiscalização colacionou aos autos diversos elementos característicos de confusão patrimonial entre a autuada e a empresa Erviegas Instrumental Cirúrgico Ltda., CNPJ nº 46.271.011/0001-07, resolveu, esta Sétima Turma, converter mais uma vez o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 08-003.047, de 24 de fevereiro de 2017 (fls. 1.418-1.421), em virtude da qual a fiscalização da unidade de origem, conforme informação de fls. 1.445, decidiu pela inclusão da referida empresa como sujeito passivo solidário no auto de infração. Essa decisão, conforme os registros de fls. 1.428-1.430, foi cientificada em 13/12/2017 à empresa Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral Ltda., que apresentou em 12/01/2018 a manifestação de fls. 1.433-1.442, na qual, basicamente, reitera as alegações anteriormente apresentadas em sua impugnação. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 19 Tendo em vista o saneamento de falhas detectadas no procedimento de ciência dos sujeitos passivos, foi decidida, por esta Sétima Turma, a conversão do julgamento em nova diligência à unidade de origem, nos termos da Resolução nº 08-003.236, de 29 de agosto de 2018 (fls. 1.448-1.450), para: 1) Cientificar a empresa Erviegas Instrumental Cirúrgico Ltda., CNPJ nº 46.271.011/0001-07, dos autos de infração, incluindo-a no polo passivo, assegurando-lhe o prazo de trinta dias para apresentar impugnação; 2) Cientificar a empresa Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral Ltda., CNPJ nº 08.897.325/0001-20, acerca da diligência efetuada em atendimento à Resolução nº 08-003.047, de 24/02/2017, da Sétima Turma deste órgão julgador, bem como da presente Resolução, assegurando-lhe o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os documentos trazidos aos autos, decorrentes das providências solicitadas nas referidas Resoluções, conforme o previsto nos artigos 35, parágrafo único, e 57, § 4º, inciso III, ambos do Decreto nº 7.574, de 2011. Ambos os sujeitos passivos foram cientificados dos termos da supradita Resolução em 27/09/2018 (fls. 1.466-1.467) e, em 25/10/2018, apresentaram, respectivamente, a impugnação de fls. 1.474-1.509 (ERVIEGAS INSTRUMENTAL) e a manifestação de fls. 1.512-1.522 (ERVIEGAS LITORAL). Em sua manifestação, a ERVIEGAS LITORAL apenas reitera os argumentos já expendidos em sua impugnação. Já a ERVIEGAS INSTRUMENTAL alega, em sua impugnação, que: razão não assiste ao ilustre AFRFB em lavrar Auto de Infração sem provas e baseado em meros indícios e frágeis presunções é empresa idônea, cumpriu integralmente suas obrigações e respondeu todas intimações tempestivamente, juntando documentos e prestando informações à autoridade fiscalizadora Não há se falar em interposição por presunção, vez que a empresa Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral LTDA COMPROVOU a origem e disponibilidade lícita dos valores empregados nas importações, sem que houvesse adiantamento da Impugnante ou qualquer outra empresa. basta verificar os documentos anexados pela COMERCIAL E DISTRIBUIDORA ERVIEGAS LITORAL LTDA., juntados inclusive na fase das intimações e que prova de forma inequívoca a regular relação comercial, com pedidos, boletos, pagamentos e regularidade a empresa impugnante faz parte do quadro societário da empresa Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral LTDA, detendo 50% de seu Capital. Nesta qualidade, promove aportes para aumento do capital social, operação regular e cuja legislação ampara, não havendo irregularidades nestes aportes. em nenhuma das hipóteses previstas em lei é possível tipificar a conduta da Impugnante no conceito de interposição fraudulenta de terceiros, pois ao D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 20 contrário do alegado pelo ilustre AFRFB, na seara do comércio internacional, eventual infração consiste na prática se ocultar o verdadeiro “mandante” da operação de importação. Em 2006, veio a Lei 11.281/06, fruto da conversão da MP 267/2007, que em seu artigo 11 positivou a figura da importação por encomenda, estabelecendo que: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros”. Ato contínuo, a SRFB editou a IN nº 634/06, que veio estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas para revenda a encomendante predeterminado. A par disso tudo, a expressão “revenda a encomendante predeterminado” trouxe aos Auditores-Fiscais da Aduana brasileira a ideia que passou a ser proibido ao importador saber para quem venderá a mercadoria importada. esse entendimento força a ideia de que a importação por conta própria somente pode ser aquela em que o importador nacionaliza as mercadorias, estoca e, só depois, pode ter um pedido de venda esse entendimento não se coaduna aos conceitos legais e operacionais relativos à livre iniciativa, propriedade privada e liberdade das formas. no presente caso não se tratou de encomenda e sim importação por conta própria da empresa Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral Ltda. e revendida regularmente à impugnante, que pagou o preço de forma lícita, sem prévia encomenda, sem adiantamento de valores, com independência e recursos próprios podemos conceituar a importação por conta própria como sendo aquela em que o importador é o responsável no Brasil pela garantia, qualidade do produto, assistência técnica, reposição, troca, lucro e prejuízo da operação, agindo com independência e seus próprios recursos, como é o PRESENTE CASO em que a Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral Ltda. utilizou de recursos próprios Responde ainda por todos os riscos consumeristas, concorrenciais, propriedade intelectual, sanitários e regulatórios. Percebe-se, portanto, a diferença gritante desse modus operandi importação por conta própria, para quando estamos diante uma importação por encomenda ou por conta e ordem de terceiros, em que toda a responsabilidade do produto frente ao encomendante/adquirente é da fornecedora estrangeira. Quem já teve a oportunidade de analisar um contrato de importação por encomenda e/ou por conta e ordem de terceiros sabe desse fato: os riscos da operação e do produto, nesse caso, são do encomendante. a empresa COMERCIAL E DISTRIBUIDORA ERVIEGAS LITORAL LTDA usou recursos próprios, existe de fato e direito e que as operações foram regulares, com pedidos, D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 21 pagamentos e entrega, não havendo simulação e muito menos uso de recursos de terceiros para custear as operações feitas com a Impugnante. Não é verdade que o artigo 11 da lei 11.281/06 proíbe ao importador ter pedidos de compra realizados antes da importação/embarque dos produtos no exterior. O sentido da mencionada lei é diferenciar a operação de revenda à encomendante pré-determinado da operação por conta e ordem de terceiros. É notoriamente ilegal o entendimento no sentido que a compra e posterior venda para comprador predeterminado representa conta e ordem de terceiros. Não surge do texto legal a noção de obrigatoriedade no sentido de que TODAS as operações comércio exterior estariam obrigadas à operação de importação por encomenda, no caso de existir um comprador pré-definido. Nesse sentido, algumas soluções de consulta da SRFB: “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 9 de 31 de março de 2010 EMENTA: IMPORTAÇÃO PARA ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. REQUISITOS. BENS IMPORTADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A importação de bens de produção destinados à atividade industrial do importador, ainda que adquiridos no exterior mediante especificações da pessoa jurídica a quem será vendido o produto final, está fora do campo de incidência da IN SRF nº 634/2006, cujos procedimentos de controle são aplicáveis à importação de mercadorias destinadas a revenda a encomendante predeterminado.” “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de fevereiro de 2013 ASSUNTO: Imposto sobre a Importação – II EMENTA: IMPORTAÇÃO. PESSOA FÍSICA. CONTA E ORDEM. ENCOMENDA. A importação por conta e ordem de terceiros e a importação por encomenda são operações vedadas a pessoas físicas, seja como importador, adquirente ou encomendante.” o que queremos demonstrar e provar com as soluções de consulta acima colacionadas é que, caso fosse verdade que existisse na lei a proibição que reina no imaginário do ilustre AFRFB que lavou o AI aqui Impugnado, jamais a SRFB admitiria as hipóteses supramencionadas. o intuito de esconder o real interessado da importação, e aquela em que o importador por conta própria opta por importar os produtos já tendo um pedido de compra. O pedido de compra (realizado antes mesmo do embarque da mercadoria) é bem diferente de uma efetiva solicitação de importação, seja por encomenda seja por conta e ordem de terceiros. Pensar ao contrário significa admitir que qualquer empresa que fosse adquirir um produto que sabidamente não é fabricado no Brasil, deveria antes checar o estoque da fornecedora. Do contrário, estaria praticando uma fraude, posto que forçosamente deveria figurar como importadora por encomenda. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 22 A pergunta a ser respondida para se verificar se há interposição fraudulenta ou não é: quem foi o responsável pela fase comercial, financeira, logística de transporte, desembaraço, pagamento de tributos, garantia, reposição de peças, troca e qualidade do produto, arcando com a contabilização e revenda das mercadorias nacionalizadas? Se as respostas para essas perguntas apontarem para a empresa importadora, no caso a Comercial e Distribuidora Erviegas Litoral LTDA, como já provado e reconhecido, inexistirá qualquer interposição fraudulenta de terceiros motivada pelo único fato da importadora ter um comprador pré-definido. Desta forma, carece de provas e de comprovação de fraude o presente AI ora combatido, o que é corroborado pelo CARF, senão vejamos: JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA PROVAS INEQUÍVOCAS ADQUIRENTE. IMPORTADOR. OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. As infrações baseadas na ocultação do real adquirente ou importador de mercadorias, assim como na interposição fraudulenta de terceiros, devem encontrar respaldo em provas inequívocas. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. (Acórdão: 3201-00.496 — 2 Câmara / 1 Turma Ordinária. Sessão de 01 de julho de 2010). Quanto ao ônus da prova, muito embora o procedimento seja ato administrativo dotado da presunção de legitimidade e veracidade, deverá conter de maneira completa a prova dos fatos nos quais se embasa como requer o artigo 142 do CTN o procedimento simplesmente afirma a existência de interposição fraudulenta e acusa a IMPUGNANTE de cometer fraude, com base na absoluta inversão do ônus da prova e, em apenas meras suposições Meros indícios e uma alegação de confissão absurda não sustenta uma pena de multa por interposição fraudulenta no presente caso, o Auto de Infração em análise não é claro e preciso quanto à descrição dos fatos e capitulação legal da infração. Ao contrário, a d. autoridade fiscal apenas presumiu que a impugnante importou mercadorias utilizando-se de outra empresa configurando supostamente, DANO AO ERÁRIO. Cumpre esclarecer que, para que o Dano ao Erário possa ser caracterizado (I) é necessário identificar a conduta infracional tributária ou financeira, como lesiva ao patrimônio público; (II) o resultado infracional há de ser quantificado e, tanto quanto o imposto, expresso em pecúnia, elemento definidor da intensidade do dano causado e; (III) tal dano ou prejuízo fiscal há de ser constituído no mundo das obrigações e nessa condição ser exigível. No presente caso não ocorreu a quantificação do Dano ao erário e nem houve o correto enquadramento da conduta infracional. deve ser afastada a presente autuação realizada com base em presunções e subjetividades e, ao contrário, ser assegurada e respeitada a garantia D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 23 constitucional da presunção de inocência da Impugnante com o reconhecimento da nulidade e insubsistência do auto de infração ora impugnado, reconhecendo a regularidade das operações analisando os documentos juntados, planilhas que mostram de forma inequívoca que não ocorreu interposição fraudulenta e que a empresa que vendeu as mercadorias para a impugnante existe de fato, de direito e que atuou com recursos próprios não é razoável, nem proporcional, o ato impugnado, por violação do artigo 2º da Lei n.º 9.784/99, configurando também o ato atacado medida superior àquela estritamente necessária para atendimento do interesse público, há violação do inciso VI do parágrafo único do artigo 2º da Lei 9.784/99, pois não prova e não aponta de forma concreta os requisitos legais que comprovariam o ato de interposição fraudulenta, limitando-se a supor a ocorrência em razão das vendas realizadas para a Impugnante. Não bastassem as irregularidades acima apontadas, temos que as imputações de irregularidades aqui negadas e devidamente combatidas pautam-se em meras especulações de meras suspeitas infundadas sem fundamento jurídico. Com efeito, a ação fiscal, além de contrariar os princípios máximos da legalidade, da vinculabilidade da atividade administrativa e da segurança jurídica, não encontra guarida em nenhuma legislação, implicando na aplicação de pena de perdimento com base em verdadeira ficção, o que não é tolerado por nosso ordenamento jurídico. podemos concluir que a prova indiciária em matéria tributária, para que tenha valor suficiente para se inferir a ocorrência do fato gerador do tributo deve estar em consonância com outros elementos constantes do processo administrativo tributário, permitindo-se a defesa do contribuinte, que poderá ofertar como contraprova desde a demonstração da não ocorrência dos fatos descritos pelo fisco como indícios que embasaram a presunção discutida, bem como da inexatidão do raciocínio do fisco, até a demonstração de que os fatos elencados como indícios podem levar a conclusão diversa daquela apontada pelo contribuinte é falsa No caso concreto, entretanto, restam inatendidos todos os requisitos acima mencionados, decorrendo daí a imputação de determinadas condutas a Impugnante em ficção Não bastam meras alegações, desprovidas de qualquer fundamentação jurídica e de provas, imputando à Impugnante um agir de má-fé ante toda a evidência em sentido contrário não há que se falar em certeza pronta e definitiva da má-fé da impugnante, vez que conforme documentação anexa comprovou-se o contrário, ou seja, a boa-fé das ações aqui discutidas, tanto é assim que a impugnante quando intimada sempre apresentou todos os documentos necessários acobertando a operação bem como respondeu todas as intimações, provando que não existiu interposição D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 24 fraudulenta e cumpriu todas exigências legais quando adquiriu as mercadorias da empresa comercial e distribuidora erviegas litoral ltda a impugnante não tentou de nenhuma forma enganar o fisco, que por si só afasta a hipótese de fraude O lançamento não foi capitulado com a presunção da ocorrência da interposição fraudulenta prevista no §2.º do Art, 23 do Decreto 1.455/76. a autoridade fiscal deveria ter investigado o caso, até mesmo acompanhado de investigação policial, para detectar e provar de forma inequívoca a participação da impugnante. E mais uma vez, não foi o que aconteceu A autoridade de origem teria de ter instruído o processo de forma que não existisse dúvida se o contribuinte e os responsáveis solidários teriam participado das diversas aquisições fraudulentas e de quais, não sendo possível a presunção de que o contribuinte e os responsáveis solidários tinham conhecimento de que em todas as operações havia fraude ou ilegalidade. Em observação ao disposto no Art. 124, inciso I do CTN, a princípio sempre poderá ser concluído que há interesse em comum, porque todos os empreendedores desejam prosperar e desenvolver o negócio, gerar emprego, aquecer a economia, ter mais lucro e aquecer o mercado, este é o objetivo de toda empresa. Mas tal interesse é comum para todos em um regime capitalista e, portanto, licito e legal. não constatada a interposição fraudulenta e ocultação do real sujeito passivo, mediante simulação, nas operações de comércio exterior, a pessoa jurídica indicada como interposta e os indicados como beneficiários dessa interposição não respondem pela infração que lhes foi imputada. Dessa forma, com fundamento no Art. 112, 113 e 142 do CTN, os responsáveis solidários também devem ser excluídos do lançamento. Quanto ao eventual subfaturamento das ancoras afirmadas no Auto de Infração, o comparativo efetuado da DI 12/0957061-2 – ANCORA 15 K, esta errado, pois o AFRFB por erro ou má-fé comparou Ancora de ferro galvanizado com Ancora de Aço Inox 316SS. Assim, tendo em vista o manifesto equívoco, apenas por amor ao debate, informamos que temos a Nota Fiscal n° 000.011.047, anexada, da mesma época de Ancora de ferro galvanizada com valor de venda R$ 266,47, o que representa 7,29 vezes o valor referenciado pelo AFRFB, valor esse que toma como base para o cálculo apenas o custo da Ancora no fornecedor estrangeiro, sem acrescer os Impostos e despesas de Transporte Internacional, demonstrando mais um equívoco no imprestável trabalho fiscal realizado que resultou na indevida multa. Por fim para justificar a aplicação da pena de perdimento, convertida em multa, alega-se a quebra da cadeia do IPI que ensejou o suposto dano ao erário. Novo equívoco, haja vista que mesmo que houvesse a ventilada fraude, razão não assiste ao AFRFB, pois revendas de todos os produtos sem industrialização inexiste D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 25 destaque do IPI na saída, sob pena de caracterizar-se bitributação, nos termos das decisões do STJ, o que não enseja dano ao Erário e multa. Além disso, novamente com a finalidade de demonstrar a regularidade fiscal no cumprimento das obrigações, anexou-se os documentos da fiscalização do Estado no “Termo de Conclusão de Fiscalização” que assim deliberou: “... Concluímos, ... não tendo sido constatadas irregularidades. Foi elaborado PVF para o único destinatário apresentado ...” Ou seja, o Estado entende normal a venda para um único cliente e também não vislumbrou subfaturamento, enquanto o Ilustre AFRFB sem provas tenta imputar conduta ilegal a Impugnante. Este item abrimos somente por amor ao debate, pois a Impugnante demonstrou, quantum satis, que não realizou operações de forma ilegal, porquanto realizou operações regulares, não havendo dano ao erário, além de ter submetido a mercadoria ao despacho aduaneiro apresentando corretamente todos os documentos necessários à sua instrução e a consequente liberação pelas autoridades Aduaneiras, respondendo as intimações do agente fiscal e juntando todos os documentos pertinentes ao caso. No entanto, se penalidade houvesse, no presente caso, não seria a penalidade aqui aplicada, a de perdimento de bens que inclusive fora alterada em razão de que todas as mercadorias para as quais se propôs a pena de perdimento já se encontram revendidas, a qual foi dada a conversão da pena de perdimento das mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro, de modo que se houvesse razão de existir, a multa deveria ser a prevista na Lei nº 11.488, cujo artigo 33 vem assim dispor: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Dessa forma, mesmo que se considere, por absurdo, que a Impugnante cometeu as irregularidades fiscais alegadas pelo fisco, a essa hipótese não se aplica multa equivalente ao valor aduaneiro, mas a aplicação de multa nos termos previstos no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. Diante de todo o exposto comprovado está que referido Processo Administrativo é nulo de pleno direito, por ausência de tipicidade, confusão na capitulação legal, aplicação de penalidades inaplicáveis e ausência de dano ao Erário Entende a Impugnante que cabe a administração Pública intervir com medidas adequadas e úteis a finalidade de poder de polícia visando garantir os interesses públicos pertinentes à espécie, no entanto, tais atos atingem de pronto os administrados devendo ser adequados e motivados atendidos os princípios da D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 26 legalidade, da motivação e da proporcionalidade e razoabilidade que conforme amplamente demonstrado não ocorreu no presente caso, devendo, portanto, ser anulado integralmente o presente Processo Administrativo e a multa aplicada, caso Vossa Senhoria considere que a Impugnante cometeu as irregularidades fiscais alegadas pelo fisco, a essa hipótese não se aplica multa equivalente ao valor aduaneiro, mas a aplicação de multa nos termos previstos no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. A recorrente foi cientificada da decisão proferida pela DRJ em 22/02/2019 e interpôs Recurso Voluntário em 06/03/2019, repisando alguns dos argumentos utilizados na impugnação, requerendo a anulação do auto de infração afastando a multa aplicada. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. Observa-se que existem nos autos matéria aduaneira sujeita a prescrição intercorrente. Em 12 de março de 2025, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão no julgamento do Tema Repetitivo 1.293, estabelecendo que incide a prescrição intercorrente em processos administrativos de infrações aduaneiras paralisados por mais de três anos, com base no art. 1º, §1º da Lei 9.873/1999, decisão que pode ter implicações significativas neste processo que já se encontra parado por mais de 3 anos antes mesmo do julgamento da DRJ (recurso em março de 2022 e despacho de encaminhamento ao CARF em 17/03/2022). Contudo, o julgamento da matéria no STJ ainda não possui trânsito em julgado e, portanto, o referido PAF deve ser sobrestado neste Tribunal Administrativo, conforme determinação do art. 100 do Regimento Interno, vejamos: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 27 Transitado em julgado a matéria no STJ, deve este processo retornar para que o julgamento seja proferido É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta VOTO VENCEDOR Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, redator designado. Em que pese o colegiado tenha resolvido, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023, três dos seis conselheiros que participaram da votação acompanharam o voto da i. Relatora pelas conclusões, o que caracterizou a qualidade em relação às razões de decidir. Dessa forma, coube a mim a elaboração do presente voto para, nos termos do art. 114, § 9º, do RICARF, apresentar os fundamentos adotados pela maioria. O acompanhamento do voto da i. Relatora pelas conclusões se deu em razão do fato de ela ter deixado consignado, de forma expressa, “que existem nos autos matéria aduaneira sujeita a prescrição intercorrente”, o que, para mim, não se revela de forma tão evidente. Sobre as razões para o sobrestamento, é preciso destacar que, em 27 de março de 2025, foi publicado o Acórdão relativo ao julgamento do Tema Repetitivo 1.293, proferido pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, que, de fato, pode, potencialmente, influir no resultado do presente processo, e que deixou assim consignado em sua ementa: ADMINISTRATIVO. ADUANEIRO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI 9.873/99. INCIDÊNCIA DO COMANDO LEGAL NOS PROCESSOS DE APURAÇÃO DE INFRAÇÕES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA (NÃO TRIBUTÁRIA). DEFINIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO CORRESPONDENTE À SANÇÃO PELA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA QUE SE FAZ A PARTIR DO EXAME DA FINALIDADE PRECÍPUA DA NORMA INFRINGIDA. FIXAÇÃO DE TESES JURÍDICAS VINCULANTES. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO: PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 1. A aplicação da prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 encontra limitações de natureza espacial (relações jurídicas havidas entre particulares e os entes sancionadores que componham a administração federal direta ou indireta, excluindo-se estados e municípios) e material (inaplicabilidade D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 28 da regra às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária, conforme disposto no art. 5º da Lei 9.873/99). 2. O processo de constituição definitiva do crédito correspondente à sanção por infração à legislação aduaneira segue o procedimento do Decreto 70.235/72, ou seja, faz-se conforme "os processos e procedimentos de natureza tributária" mencionados no art. 5º da Lei 9.873/99. Todavia, o rito estabelecido para a apuração ou constituição definitiva do crédito correspondente à sanção pelo descumprimento de uma norma de conduta é desimportante para a definição da natureza jurídica da norma descumprida. 3. É a natureza jurídica da norma de conduta violada o critério legal que deve ser observado para dizer se tal ou qual infração à lei deve ou não obediência aos ditames da Lei 9.873/99, e não o procedimento que tenha sido escolhido pelo legislador para se promover a apuração ou constituição definitiva do crédito correspondente à sanção pela infração praticada. O procedimento, seja ele qual for, não tem aptidão para alterar a natureza das coisas, de modo que as infrações de normas de natureza administrativa não se convertem em infrações tributárias apenas pelo fato de o legislador ter estabelecido, por opção política, que aquelas serão apuradas segundo processo ou procedimento ordinariamente aplicado para estas. 4. Este Tribunal Superior possui sedimentada jurisprudência a reconhecer que nos processos administrativos fiscais instaurados para a constituição definitiva de créditos tributários, é a ausência de previsão normativa específica acerca da prescrição intercorrente a razão determinante para se impedir o reconhecimento da extinção do crédito por eventual demora no encerramento do contencioso fiscal, valendo a regra de suspensão da exigibilidade do art. 151, III, do CTN para inibir a fluência do prazo de prescrição da pretensão executória do art. 174 do mesmo diploma Nesse particular aspecto, o regime jurídico dos créditos "não tributários" é absolutamente distinto, haja vista que, para tais créditos, temos justamente a previsão normativa específica do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 a instituir prazo para o desfecho do processo administrativo, sob pena de extinção do crédito controvertido por prescrição intercorrente. 5. Em se tratando de infração à legislação aduaneira, a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela violação da norma será de direito administrativo se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava- se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Precedente sobre a matéria: REsp n. 1.999.532/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 9/5/2023, DJe de 15/5/2023. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 29 6. Teses jurídicas de eficácia vinculante, sintetizadoras da ratio decidendi do julgado paradigmático: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. 7. Solução do caso concreto: ao conferir natureza jurídica tributária à multa prevista no art. 107, IV, e, do DL 37/66, e, por consequência, afastar a aplicação do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 ao procedimento administrativo apuratório objeto do caso concreto, o acórdão recorrido negou vigência a esse dispositivo legal, divergindo da tese jurídica vinculante ora proposta, bem como do entendimento estabelecido sobre a matéria em precedentes específicos do STJ (REsp 1.999.532/RJ; AgInt no REsp 2.101.253/SP; AgInt no REsp 2.119.096/SP e AgInt no REsp 2.148.053/RJ). 8. Recurso especial provido. Como se percebe das teses firmadas pelo STJ sob esse Tema 1.293, a prescrição intercorrente prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873, de 1999, incide quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos, sendo que, para o STJ, a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Nos termos do que decidido pelo STJ, só não incide o § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873, de 1999, se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Então, dois são os aspectos que devem ser considerados para a aplicação do que foi decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 1) o prazo de paralisação do processo; e 2) a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração cometida. Em relação ao primeiro aspecto, é de se notar que o processo se encontra neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pendente de julgamento ou de despacho, há D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 30 mais de seis anos, o que ultrapassa o prazo previsto no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873, de 1999, para que reste caracterizada a prescrição intercorrente. Quanto à natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração cometida, em que pese a decisão do STJ tenha estabelecido alguns parâmetros definidores, a aplicação e elucidação desses parâmetros envolvem um grau de subjetividade bastante significativo. Não há dúvidas de que a prescrição intercorrente pode se operar em relação à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37, de 1966, aplicada, em uma operação de exportação, em razão do descumprimento de obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, afinal de contas essa foi a multa especificamente analisada pelo STJ no Tema 1.293. Mas parece não haver certeza de quais são as outras multas que podem estar sujeitas à prescrição intercorrente de que trata o § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873, de 1999. No caso que aqui se analisa, a Fiscalização concluiu que a Recorrente ocultou os sujeitos passivos (reais adquirentes) nas declarações de importação objeto do Auto de Infração, e, por isso, aplicou a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 (10% do valor das operações acobertadas) pela cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários Em última análise, a multa lançada pela Fiscalização no presente processo visa punir a ocultação do sujeito passivo responsável pelo pagamento do imposto de importação, do IPI vinculado à importação, da Contribuição do PIS/Pasep-Importação e da COFINS-Importação, ou, em outras palavras, visa punir a falta de revelação do elemento que corresponde ao critério pessoal da regra matriz de incidência tributária. Para mim, não há dúvidas de que essa multa aplicada contra quem cede seu nome para o acobertamento do sujeito passivo é uma multa que visa punir o cometimento de uma infração que ocorre no ambiente aduaneiro, mas, considerando os parâmetros estabelecidos pelo STJ, tenho dúvidas a respeito da natureza da infração que dá azo a essa penalidade. Segundo o STJ, a natureza tributária da infração se revela caso a obrigação descumprida se destine direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre a operação de comércio exterior. O problema é que, muitas vezes, não é possível analisar as obrigações aduaneiras de forma isolada, como se elas existissem para um só propósito. É inegável que as informações prestadas na declaração de importação, que incluem a identificação do sujeito passivo, têm por objetivo propiciar à Fiscalização a apuração da regularidade dos tributos devidos, mas não só isso. Essas informações se prestam também a garantir que a Aduana brasileira possa proteger a diversos outros bens que foram eleitos pelo Estado para serem tutelados, como, entre outros, a saúde, o meio ambiente e a sociedade em geral. Por isso, não me parece razoável pensar que as D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.266 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.730702/2014-13 31 ações de fiscalização aduaneira possam ser vistas, de forma segmentada, apenas em relação aos seus aspectos tributários ou apenas em relação aos seus aspectos aduaneiros. Mas, aparentemente, essa discussão foi ignorada na decisão prolatada pelo STJ no âmbito do Tema 1.293, talvez porque a multa lá analisada dizia respeito ao descumprimento, em uma operação de exportação, de obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada. Diante disso, devo reconhecer que, a depender do entendimento que possamos ter a respeito da natureza da infração que ensejou a aplicação da multa discutida no presente processo, a decisão prolatada pelo STJ no Tema 1.293 pode ter aqui aplicação no que diz respeito à prescrição intercorrente. Não obstante, é de se observar que o STJ ainda não decidiu de forma definitiva sobre a matéria, de tal sorte que o caminho a ser seguido no presente processo é aquele que foi apontado pela i. Relatora e que está expresso no art. 100 da Portaria MF nº 1.634, de 2003 (RICARF), que diz que o processo deve ser sobrestado até que ocorra o trânsito em julgado: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Por isso acompanho o voto da i. Relatora, pelas conclusões, para sobrestar o feito na 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, até que haja o trânsito em julgado do Tema Repetitivo 1.293 do STJ. Acrescento que, havendo o trânsito em julgado da matéria no STJ, o presente processo deverá retornar para o colegiado, com a devolução de todas as matérias, inclusive no que diz respeito à natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração cometida, para que o julgamento possa ser concluído. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Resolução Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720307/2015-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 28 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 118, §3°, do RICARF, não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, houve edição de Súmula CARF n° 217 após a interposição do Recurso Especial do Contribuinte.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-016.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional.
Assinado Digitalmente
Dionisio Carvallhedo Barbosa – Relator
Assinado Digitalmente
Regis Xavier Holanda – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: DIONISIO CARVALLHEDO BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 118, §3°, do RICARF, não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, houve edição de Súmula CARF n° 217 após a interposição do Recurso Especial do Contribuinte. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Dionisio Carvallhedo Barbosa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-06T23:32:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-06T23:32:39Z; Last-Modified: 2025-12-06T23:32:39Z; dcterms:modified: 2025-12-06T23:32:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-06T23:32:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-06T23:32:39Z; meta:save-date: 2025-12-06T23:32:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-06T23:32:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-06T23:32:39Z; created: 2025-12-06T23:32:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2025-12-06T23:32:39Z; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-06T23:32:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 19311.720307/2015-30 ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 28 de julho de 2025 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR E DO CONTRIBUINTE RECORRENTES FAZENDA NACIONAL BARCELONA COMERCIO VAREJISTA E ATACADISTA S/A Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DECISÃO RECORRIDA QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 118, §3°, do RICARF, não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, houve edição de Súmula CARF n° 217 após a interposição do Recurso Especial do Contribuinte. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72040DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Dionisio Carvallhedo Barbosa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3402-008.772, de 27 de julho de 2021, proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Terceira Seção de Julgamento do CARF, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/12/2011 a 31/12/2013 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). COFINS NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Fl. 72041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 3 Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Nesse passo, excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Assim, em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) gás liquefeito de petróleo; ii) óleo diesel; iii) gás para refrigeração; iv) equipamentos de proteção individual e de segurança; v) tarifas de cartão de crédito e débito; e vi) serviços de logística efetuados por mão de obra temporária. CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. DESPESAS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com fretes limita-se às operações de venda, além do que não há que se falar em insumos utilizados na prestação de serviços ou na fabricação de produtos destinados à venda no contexto de uma atividade comercial varejista. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. SUPERMERCADO. COMÉRCIO VAREJISTA DE MERCADORIAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. POSSIBILIDADE. No caso de supermercado que mantém, além da atividade de revenda de bens, setores de padaria, rotisseria, confeitaria, cafeteria, lanchonete e restaurante, é permitida a apuração de créditos na modalidade de aquisição de insumos (art. 3º, caput, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003) para estes setores específicos, nos termos da Solução de Consulta nº 183 - Cosit, de 17/03/2017, e da Solução de Consulta nº 34 - Cosit, de 18/03/2021. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS IMPORTADAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria pago a pessoa jurídica domiciliada no país, com fundamento no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, para a Contribuição para o PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 72042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 4 Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Nesse passo, excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Assim, em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) gás liquefeito de petróleo; ii) óleo diesel; iii) gás para refrigeração; iv) equipamentos de proteção individual e de segurança; v) tarifas de cartão de crédito e débito; e vi) serviços de logística efetuados por mão de obra temporária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. DESPESAS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com fretes limita-se às operações de venda, além do que não há que se falar em insumos utilizados na prestação de serviços ou na fabricação de produtos destinados à venda no contexto de uma atividade comercial varejista. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. SUPERMERCADO. COMÉRCIO VAREJISTA DE MERCADORIAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. POSSIBILIDADE. No caso de supermercado que mantém, além da atividade de revenda de bens, setores de padaria, rotisseria, confeitaria, cafeteria, lanchonete e restaurante, é permitida a apuração de créditos na modalidade de aquisição de insumos (art. 3º, caput, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003) para estes setores específicos, nos termos da Solução de Consulta nº 183 - Cosit, de 17/03/2017, e da Solução de Consulta nº 34 - Cosit, de 18/03/2021. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS ST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 72043DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 5 O ICMS ST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS IMPORTADAS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito de armazenagem de mercadoria pago a pessoa jurídica domiciliada no país, com fundamento no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, para a Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso Especial do Contribuinte O contribuinte apresentou divergência jurisprudencial quanto às seguintes matérias: 1) “Da nulidade do lançamento tributário: nulidade em razão de vício na regra matriz de incidência tributária”; 2) “Das Glosas de créditos relativos aos fretes de transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente bem como àqueles relativos ao transporte de ativos imobilizados”. Cotejados os fatos, em 28 de julho de 2023, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso Especial do sujeito passivo, admitindo a rediscussão da seguinte matéria: “das glosas de créditos relativos aos fretes de transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente”. Irresignado, o contribuinte apresentou Agravo, que foi rejeitado pelo Presidente da CSRF. A PGFN apresentou Contrarrazões requerendo a negativa do provimento ao recurso. Recurso Especial da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional suscita divergência quanto ao direito de créditos, no regime não-cumulativo de Pis e Cofins, calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias importadas. Para demonstrar a propalada divergência a Recorrente apontou como paradigmas os acórdãos nº 9303-010.724 e nº 9303-006.107. O Despacho de Admissibilidade afastou o dissenso jurisprudencial arguido entre o acórdão recorrido e o primeiro paradigma, por ausência de similitude fática, já que o acórdão nº 9303-010.724 trata de despesas portuárias na exportação. Por outro lado, deu seguimento ao Recurso Especial quanto ao segundo paradigma, Acórdão nº 9303-006.107, o qual não reconheceu crédito de despesas com operador logístico (anterior ou posterior ao processo produtivo). É o relatório. Fl. 72044DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 6 VOTO Conselheiro Dionisio Carvallhedo Barbosa, Relator I – Do conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte: O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, contudo, não comporta conhecimento. Tem-se que, nos termos do art. 118, §3°, do RICARF, não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No caso, houve a edição da Súmula CARF n° 217: Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. II – Do conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional: O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, mas não deve ser conhecido, tendo em vista a dissimilitude fática entre os arestos contrastados. Primeiramente, por conta da diferença da natureza das operações que envolvem os respectivos dispêndios. Enquanto no recorrido trata-se de importação de mercadorias destinadas à revenda, o Paradigma nº 9303-006.107 trata de operações de venda para exportação. Em segundo lugar, o tipo de despesa analisado em cada um dos acórdãos é diferente. Vejamos os seguintes trechos dos acórdãos: Paradigma nº 9303-006.107 “5) Despesas com operador logístico - Dou provimento ao RE da PFN neste item: não concordo com o reconhecimento do crédito. O acórdão recorrido assim delineou estas atividades: Fl. 72045DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 7 - movimentação de entrada e saída de mercadorias: descarregamento de caminhões e empilhamento nas câmaras frigoríficas e depósitos; e carregamento de caminhões, de acordo com as ordens de carga de cada veículo. - expedição "picking": separação das caixas dos produtos, localizados nos pallets de armazenamento; de acordo com as datas de entrega e quantidades solicitadas pelos clientes. - expedição palletizada: o mesmo serviço citado no item anterior, porém com manuseio de pallets fechados. Indubitavelmente, são atividades conexas às atividades da empresa, porém são serviços que não são utilizados diretamente no processo produtivo e pelas mesmas razões expostas no item 2, não concordo com o deferimento do crédito” (grifos nossos). Acórdão Recorrido “A Recorrente explica que as operações de importação de mercadorias destinadas à revenda envolvem uma série de despesas aduaneiras a serem suportadas pelo importador, sendo certo que tais dispêndios são incorridos em território nacional quando do desembaraço e do armazenamento das mercadorias importadas. (...) Por concordar com os fundamentos expostos, entendo que os gastos com despachos aduaneiros na aquisição de mercadorias importadas não dão direito a crédito sobre as contribuições ao PIS e à COFINS. Quanto à armazenagem, o creditamento é previsto com base no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, para a Contribuição para o PIS/Pasep. Tal previsão legal de crédito se dá de forma em relação a despesas com armazenagem, abarcando as despesas de armazenagem relacionadas com mercadorias nacionais e de importadas, tanto na compra ou como na venda. Entretanto, há a exigência de que a despesa com armazenagem deve ser derivada de aquisição do serviço junto à pessoa jurídica domiciliada no país, conforme determina o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, deve ser cancelada a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados sobre Despesas com armazenagem de mercadorias importadas.” (grifos nossos) Percebe-se que enquanto o Paradigma analisou despesas com operador logístico, o Acórdão Recorrido decidiu acerca de despesas com armazenagem de mercadorias importadas. Desta forma, ausente a similitude fática entre os Acórdãos paragonados, não se há que falar em divergência interpretativa a ser sanada por este Colegiado, razão pela qual voto por não conhecer o recurso especial na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer dos Recurso Especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional. Fl. 72046DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.863 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 19311.720307/2015-30 8 Assinado Digitalmente Dionisio Carvallhedo Barbosa Fl. 72047DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902140/2013-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 1001-000.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Gustavo de Oliveira Machado – Relator
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Claudia Borges de Oliveira, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Claudia Borges de Oliveira, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Claudia Borges de Oliveira, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 14- 63.078, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto- SP que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. Fl. 523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 2 A Contribuinte pretendia através do PER/DCOMP nº. 21434.00784.201009.1.7.02- 4846 a compensação de diversos débitos com saldo negativo de IRPJ referente ao ano- calendário de 2008 no valor de R$ 18.107.488,62. A DEMAC Rio de Janeiro- RJ emitiu o Despacho Decisório nº. 057825725 de e-fl. 30, cujo teor segue em síntese abaixo: “(...) Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.107.488,62 Valor na DIPJ: R$ 18.107.488,62 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 46.349.528,62 IRPJ devido: R$ 28.242.040,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 15.039,047,78 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 31276.93824.190809.1.3.02-6089 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 26762.26773.221209.1.3.02-8284 03260.36593 201009.1.7.02-9562 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013. PRINCIPAL MULTA JUROS 3.299.608,57 659.921,70 1.188.991,54 (...)”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 3 Informou a Contribuinte que apurou no ano-calendário de 2008, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 18.107.488,62 e que tal crédito foi utilizado para compensação de débitos relativos a tributos federais por meio de diversos PER/DCOMPs. Noticiou que a DEMAC RJ não reconheceu, do total do crédito pleiteado, o valor de R$ 3.068.440,84 e, consequentemente, não homologou todas as compensações referentes ao presente processo administrativo. Pontuou que a Autoridade Fiscal não confirmou parte das retenções de imposto de renda que foram utilizadas para compor o saldo negativo, no valor de R$ 1.035.114,84. Destacou que a Autoridade Fiscal também não reconheceu as compensações de estimativas de março, abril e julho do ano-calendário de 2008 com créditos de anos anteriores, sob a alegação de que referidas compensações, utilizadas para quitar tais débitos, não foram homologadas. Asseverou que restou comprovado nos autos que o valor de R$ 36.066,96 foi retido pela fonte pagadora UNIBANCO CIA. DE CAPITALIZAÇÃO — CNPJ 61.054.128/0001-22, conforme comprovam o informe de rendimentos e a razão de 2008 - conta contábil n° 1884500088. Sustentou que de acordo com a legislação fiscal, na hipótese de a pessoa jurídica receber de outra pessoa jurídica importâncias a título de comissões e corretagens relativas à administração de cartão de crédito, deve a pessoa jurídica beneficiária efetuar o recolhimento do imposto, à alíquota de 1,5%, não se aplicando ao caso a hipótese de retenção pela fonte pagadora. Aduziu que é importante ressaltar que há, para o caso em tela, uma questão de prejudicialidade envolvida, na medida em que as DCOMPs transmitidas suspenderam a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN. Pugnou pela reforma da decisão proferida no processo, para que seja integralmente deferida a compensação pleiteada. Requereu ainda, que sejam canceladas as cobranças atreladas ao presente processo administrativo. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 14-63.078/DRJ/RPO A DRJ analisou a manifestação de inconformidade julgando-a procedente em parte, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado (e-fls. 404/418). Inconformada com a decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que (e-fls. 427/498): Fl. 525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 4 “(...) II — DO DIREITO 4. No ano-calendário de 2008, a Recorrente apurou Saldo Negativo de IRPJ, nº montante de R$ 18.107.488,62, conforme fichas 11 e 12-A da DIPJ 2008 (doc. 04 da manifestação de inconformidade): (...) 5. Ao analisar estas informações, a autoridade fiscal não reconheceu parte do IRRF, bem como glosou aquelas estimativas quitadas por meio de compensação, com a utilização de saldo negativo apurado em anos-base anteriores. 6. No que tange a parte não confirmada à título de IRRF, no valor de R$ 36.066,96, retido pela fonte pagadora Unibanco Companhia de Capitalização — CNPJ 61.054.128/0001-22, a DR.1 manteve o indeferimento, em razão da ausência de comprovação da natureza dos serviços prestados. 7. Em algumas situações previstas na legislação, há a possibilidade do imposto de renda não ser retido pela fonte pagadora, mas sim efetuado o pagamento pelo próprio beneficiário/contribuinte ("autorretenção"). 8. No presente caso, a Recorrente se enquadra na situação prevista no artigo 53, inciso I da Lei n. 7.450/85, com a alteração trazida pelo artigo 62 da Lei n. 9.064/99 e a IN SRF n2 153/87, ao recolher, sob o código de receita 8045, o valor de R$ 36.066,96. 9. Portanto, o entendimento mantido por aquele órgão julgador não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente acostou aos autos o Informe de Rendimento e o Livro Razão de 2008 — conta contábil n. 1884500088 (doc. 06 da manifestação de inconformidade), que demonstram, idoneamente, a natureza do crédito tributário e sua ativação na contabilidade da Recorrente. 10. Já em relação à glosa das estimativas de IR, que compuseram o saldo negativo apurado no ano-calendário de 2008, referidos valores foram quitados por compensação, mediante transmissão de diversas PER/DCOMP's (doc 4), sendo que para um dos pedidos (estimativa de março/2008), houve reconhecimento expresso da própria DRJ acerca de seu recolhimento. 11. Referidos pedidos de compensação, por sua vez, aguardam decisões sobre o crédito que discutem e validade das compensações: (...) 12. Destaca-se que a pendência de julgamento, inclusive, foi objeto de análise pelo órgão julgador de 1. instância. 13. Como sabido, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação desse procedimento, conforme disposto no artigo 74, § 29 da Lei n 9.430/964, Fl. 526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 5 combinado com o artigo 156, inciso II do CTN, bem como no artigo 34, § 22 da IN n 900/08 (previsto, atualmente, nº artigo 41, §29 da IN SRF n 1.300/12). 14. Por outro lado, na hipótese da compensação não ser homologada, o débito será cobrado com base nas DCOMP5 transmitidas e, por conseguinte, não cabe a glosa dessa estimativa na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2008, pretendido nestes autos. 15. Todavia, a DRJ/RPO entendeu que, não havendo certeza e liquidez, as estimativas mensais de IRPJ não poderiam compor o saldo negativo do IRPJ, a teor do que determina o artigo 170 do Código Tributário Nacional. 16. Ressalta-se que a cobrança da estimativa de um determinado período, somada à glosa do próprio saldo negativo, gera um grave prejuízo à Recorrente, na medida em que há exigência em duplicidade. 17. Inclusive, com o objetivo de evitar a cobrança em duplicidade, a própria RFB, por intermédio da Solução de Consulta Interna COSIT n9 18, de 13 de outubro de 2006, pacificou o entendimento de que: (...) 18. Neste contexto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais recentemente manifestou-se sobre o descabimento da glosa dessas estimativas na composição do saldo negativo, vejamos: (...) 19. Dessa forma, resta cristalino que a não homologação de estimativa quitada via DCOMP, cujo débito está sendo cobrado no processo de compensação correspondente, não gera óbice à utilização da integralidade do saldo negativo declarado em DIPJ pelo contribuinte, devendo o saldo negativo ora pleiteado ser reconhecido, homologando-se a compensação em discussão. 20. Especificamente, ao PER/DComp n. 13464.24004.270508.1.3.04-0502, a autoridade fiscal manteve a glosa de estimativa de IR apurada no ano-calendário de 2008, sob o fundamento a Recorrente não poderia se utilizar de crédito, cuja liquidez e certeza estariam sub judice na ação anulatória n. 2010.51.01.013357-7, sob pena de afronta ao artigo 170-A do Código Tributário Nacional. 21. Todavia, o entendimento da DRJ deve ser reformado, pois a Recorrente efetuou a quitação de débito mediante compensação, a DRF indeferiu o seu pedido e, portanto, não restou outra alternativa que não o ajuizamento da ação judicial para ver reconhecido a extinção do débito por compensação. 22. Nota-se que é situação diversa do óbice legal estabelecido pelo legislador no artigo 170-A do CTN, em que o contribuinte inicia uma discussão judicial sobre um determinado crédito, o qual apenas será utilizado com o trânsito em julgado favorável. Fl. 527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 6 23. Entretanto, caso não seja esse o entendimento adotado, é importante ressaltar que há uma questão de prejudicialidade entre os processos de compensação, devendo-se, portanto, aguardar o julgamento dos demais processos correlatos. 24. É exatamente por conta dessa prejudicialidade e da necessidade de aguardar o desfecho do outro processo que o CARF, em diversas ocasiões, decidiu por converter o julgamento em diligência para aguardar o julgamento do outro processo, conforme se verifica a seguir: (...) 25. Por conta de decisões reiteradas, inclusive, a conversão em diligência do processo administrativo, quando constatada a prejudicialidade entre as demandas, passou a constar expressamente no RICARF, aprovado pela Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, conforme artigo 62, §42 ao §627. 26. Assim, referida demanda no mínimo, deverá ser convertida em diligência para aguardar o resultado final dos processos correlatos. 27. Por outro lado, caso assim não se entenda, o presente processo deve ter o seu julgamento suspenso, nos termos do artigo 313, inciso V, "a" do Código de Processo CiviI8, pois como se sabe, as regras de processo civil podem ser aplicadas ao processo administrativo fiscal, nos termos do artigo 15, do Código de Processo Civil. III — DO PEDIDO 28. Pelo exposto, requer a Recorrente a reforma do acórdão recorrido, com a consequente homologação das compensações pretendidas, bem como o cancelamento das cobranças efetivadas nos PAs de débitos 15374.966554/2009- 47; 15374.966550/2009-69; 15374.966551/2009-11; 15374.966553/2009-01; 15374.966552/2009-58 e 16682.720096/2013-67. 29. Caso assim não se entenda, requer que o julgamento do presente processo seja convertido em diligência, ou, ainda, aplicando-se subsidiariamente o Código de Processo Civil, seja sobrestado, a fim de aguardar o julgamento definitivo dos demais processos administrativos. (...)”. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. Fl. 528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 7 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). A controvérsia nos autos cinge-se ao reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2008. A autoridade administrativa ao proceder a análise das retenções e estimativas não conseguiu a comprovação integral de tais créditos, com base nas informações que constam no sistema do Fisco, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos (e-fls. 404/418): “(...) CONCLUSÃO De todo o exposto, voto por considerar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade, para reconhecer em parte o direito creditório no valor adicional de R$ 1.362.091,01 em valores originais, referente ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2009, ano-calendário de 2008, e HOMOLOGAR as DCOMPs trazidas a litígio até o limite do crédito ora reconhecido. (...)”. DO IRRF Pontuou a Recorrente que “no que tange a parte não confirmada à título de IRRF, no valor de R$ 36.066,96, retido pela fonte pagadora Unibanco Companhia de Capitalização — CNPJ 61.054.128/0001-22, a DRJ manteve o indeferimento, em razão da ausência de comprovação da natureza dos serviços prestados”. Asseverou que “em algumas situações previstas na legislação, há a possibilidade do imposto de renda não ser retido pela fonte pagadora, mas sim efetuado o pagamento pelo próprio beneficiário/contribuinte (autorretenção)”. Alegou a Contribuinte “que se enquadra na situação prevista no artigo 53, inciso I da Lei n2 7.450/85, com a alteração trazida pelo artigo 62 da Lei n2 9.064/99 e a IN SRF n. 153/87, ao recolher, sob o código de receita 8045, o valor de R$ 36.066,96”. Aduziu que “o entendimento mantido por aquele órgão julgador não deve prevalecer, haja vista que a empresa acostou aos autos o Informe de Rendimento e o Livro Razão de 2008 — conta contábil n. 1884500088 (doc. 06 da manifestação de inconformidade), que Fl. 529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 8 demonstram, idoneamente, a natureza do crédito tributário e sua ativação na contabilidade da Recorrente”. Pois bem. Insta destacar, que para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nas Súmulas CARF n. 80 e 143, senão vejamos o teor: “Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Desta feita, tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário torna-se necessário o retorno dos autos a Unidade de Origem para a análise do direito creditório pleiteado, conforme as Súmulas CARF nºs 80 e 143, em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o acervo fático-probatório produzido. Da Estimativa Compensada Informou a Recorrente, que as estimativas mensais compensadas de abril de 2008 nos valores de R$ 52.511,19, R$ 103.792,12, R$ 59.028,60, R$ 54.767,72 e maio/2008 no valor de R$ 1.368.115,70 não foram homologadas pelas autoridades fiscais. Deve-se destacar, que quanto aos valores oriundos de estimativas compensadas, o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 03 de dezembro de 2018, prevê que, até 31.05.2018, o débito de tributo determinado pela base de cálculo estimada compensado pode ser considerado como integrante do direito creditório pleiteado, uma vez que pode ser exigido como tributo devido: “Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, conclui-se: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de Fl. 530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 9 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, deve-se efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido;Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, conclui-se: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, deve-se efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 10 d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança”. Os valores confessados a título de estimativas deixam de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído definitivamente pela confissão de dívida em Per/DComp. Se o valor confessado integrar saldo negativo de IRPJ ou [...] da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão de dívida e será objeto de cobrança. “Súmula CARF nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação”. Em relação à estimativa mensal de IRPJ referente ao mês de abril/2008, no valor de R$ 32.461,54, indicada para compensação na Dcomp nº 13464.24004.270508.1.3.04-0502, a interessada optou por discutir a homologação desta compensação na esfera judicial, por meio da Ação Ordinária nº 2010.51.01.013357-7. Outrossim, pode-se constatar que a Contribuinte realizou o depósito judicial do débito de IRPJ no valor de R$ 32.461,54 para garantir o juízo, caso a ação anulatória não tenha o desfecho favorável a empresa, tal valor converterá em pagamento, podendo assim, tal importe compor o saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2008. Assim, torna-se necessário o retorno dos autos a Unidade de Origem para a análise do direito creditório pleiteado. Fl. 532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1001-000.868 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.902140/2013-55 11 Isto posto, em observância ao disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto em converter o julgamento na realização de diligência a fim de que: 1) a Unidade de Origem, nos termos das Súmulas Carf nº 80, 143 e 177, analise os documentos constantes dos autos, a fim de verificar se o crédito objeto das razões recursais da Contribuinte é líquido e certo; 2) havendo a constatação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado que seja proferido parecer circunstanciado e realizada a compensação, se possível, em relação a DCOMP discutida nos autos. 3) que seja elaborado parecer circunstanciado, para que em razão do princípio da ampla defesa, que seja a contribuinte intimada do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se sobre os resultados alcançados. Após que os autos retornem ao CARF para a continuidade do julgamento. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 533DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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