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Numero do processo: 10283.900385/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO PLENÁRIA DO STF RE Nº 398.365/RS. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 99 DO RICARF.
Não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumo em operação beneficiada por isenção.
A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF no RE nº 398.365/RS, sob a sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força do art. 99 do RICARF.
Numero da decisão: 3202-002.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.002, de 22 de agosto de 2024, prolatado no julgamento do processo 10283.900380/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO PLENÁRIA DO STF RE Nº 398.365/RS. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 99 DO RICARF. Não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumo em operação beneficiada por isenção. A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF no RE nº 398.365/RS, sob a sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força do art. 99 do RICARF.
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CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO PLENÁRIA DO STF RE Nº 398.365/RS. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 99 DO RICARF. Não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumo em operação beneficiada por isenção. A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF no RE nº 398.365/RS, sob a sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força do art. 99 do RICARF. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.002, de 22 de agosto de 2024, prolatado no julgamento do processo 10283.900380/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.900385/2011-01 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cuja pretensão era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de restituição de presumidos créditos calculados sobre a aquisição de insumos desonerados do imposto, em razão da isenção do IPI. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo de presumidos créditos do tributo, alusivos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento. Repisa os argumentos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade e, ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Fl. 258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.900385/2011-01 3 Mérito A lide cinge-se à possibilidade de creditamento de IPI em aquisições de insumos amparadas por isenção em razão da interessada ser indústria instalada na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado na SUFRAMA. A recorrente alega que lhe assiste esse direito e, para sustentar sua pretensão, aduz decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário (RE) nº 212.484-2. Invoca, ainda, a aplicabilidade do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 para argumentar que a Administração Pública deveria observar a decisão acima mencionada. Por fim, sustenta que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 seria supedâneo de seu direito. Sem razão a recorrente. Senão vejamos. O art. 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal de 1988 assegura aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do imposto cobrado nas operações anteriores: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV - produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: (...) II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Por sua vez, o art. 49 do Código Tributário Nacional fornece as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes. Como se vê, o desenho constitucional e legal da não cumulatividade do IPI teve como premissa de creditamento o valor efetivamente pago na aquisição de insumos. Não há qualquer amparo legal para a pretensão de se creditar em relação à aquisição de insumos isentos. A norma invocada pela recorrente, art. 11 da Lei nº 9.779/99, não trata de creditamento em aquisições de insumos isentos, mas sim trata do aproveitamento do saldo credor apurado decorrente de aquisições de insumos aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos. Ou seja, não é o insumo que é isento, mas o produto final. Fl. 259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.900385/2011-01 4 No que diz respeito ao entendimento consignado na decisão proferida no julgamento do RE 212.484-2/RS, datada de 1998, como bem consignou o Acórdão recorrido, trata-se de decisão não vinculante, que só opera efeitos entre as partes. Não bastasse isso, trata-se de jurisprudência superada, vez que, o STF revisou seu entendimento sobre a matéria quando do julgamento do RE 353.657 (rel. Min Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007), consolidando a posição nos julgamentos dos RE 566.819 (rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010) e RE 370.682 ED (rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2010). Além disso, em relação à possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, o STF já assentou entendimento, em decisão transitada em julgado proferida no âmbito do Recurso Extraordinário nº 398.365/RS, julgado sob a sistemática de repercussão geral, contrário ao creditamento pretendido. O acórdão foi assim ementado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (destaquei) Por pertinente, colacionam-se trechos do voto do Ministro Gilmar Mendes, relator: Há jurisprudência consolidada na Corte sobre o assunto. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de ser indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero. (...) (...) entendo que a mesma orientação deve ser aplicada ao caso em tela, desta vez na sistemática da repercussão geral, para reconhecer indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero. Na oportunidade, o STF fixou a seguinte tese para o Tema 844: O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Em que pese não se trate do objeto destes autos, reputo oportuno registrar que o mesmo STF, no âmbito do RE n° 592.891/SP, julgado em 25/04/2019 sob a sistemática da repercussão geral, decidiu de maneira distinta no caso de os insumos serem oriundos da Zona Franca de Manaus. Na ocasião, foi fixada a seguinte tese para o Tema nº 322: Fl. 260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.900385/2011-01 5 Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT. (destaquei) No entanto, é preciso ter em conta que a situação fática dos autos não se amolda ao cenário apreciado nos autos do RE n° 592.891/SP (Tema 322). Não se está tratando aqui de direito a crédito de IPI nas aquisições isentas junto à Zona Franca de Manaus, mas sim de apropriação de créditos nas aquisições isentas para a Zona Franca de Manaus. Isso posto, há que se enfatizar que a decisão de mérito proferida pelo STF no RE nº 398.365/RS vincula os conselheiros deste CARF, conforme prevê o art. 99 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023. Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo o indeferimento ao pedido de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos em operações isentas, o que torna desnecessária a análise da matéria relativa à “aplicação dos juros Selic”. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 261DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001438/91-99
Data da sessão: Tue Dec 15 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 203-00.014
Decisão: RESOLVEM os Membros da terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento o do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARIA THEREZA VASCONCELOS DE ALMEIDA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20300014_102800014389199_199212; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-14T18:02:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20300014_102800014389199_199212; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20300014_102800014389199_199212; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-14T18:02:32Z; created: 2017-06-14T18:02:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-06-14T18:02:32Z; pdf:charsPerPage: 890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-14T18:02:32Z | Conteúdo => ~ I I Processo nQ Sesslro de : Recur-so nQ:: Recorrente: Recorrida :: MINIST~RIO OA ECONOMIA, FAZENOA E PLANE.JAMENTO SEGUNOO CONSELHO OE CONTRIBUINTES 10.280-001.438/91-99 15 de dezembro (je 1992 B9 .•~:.l~'~(? VIAÇ~O FORTE LTDA. Dl'W EI'I BEL!'::I'I ..- PA D I L I G e N c I A Ng 203-0.014 Vistos, relatados e disCLltidos os presentes autos ci" l'"eCUI'"';<:' :i.nt",""100'; to por VIAÇ~O FORTE LTDA. , Con~:~(.:~:I.!-lo <:1(.:.) julgamento I"~(.:.):I. ,:\ t.o I" " 1:~ES(:)LVE:MC}5 ~Iembros ela 'T"erceira cmmara d(J Segundc) CDnt"':i,bu:i.nt"."",por unanimidade de voto,;, converter o do r-ecurso em diligência!, no'!:; tf.')I"mo~:; do vc~tC) cio ~iala das Sess~es, Gtl} 15 de dezembro ele 1992" PI'-OC" ela ~_~.-c~- ) 1';~(:JE>AI...\)10['T,(11...'~:-;':;:JA ::;AI,rrOE> ... A/lI! e ~ ,... 1'11".'1Dr; . . ':,('I"" •..::.~D/.~X1;.L/7":"",, '1- ,:".),(. (::,<, ••. '--'''''t-1:(~i;(.:.~h.{, ... F <:vr. (~.~nd .i:\ Ha c :i. on (':\:1...' Assina o Or. ALFONSO CRACCO, Procurador da Fazenda Nacional, ex-vi da Portaria PGFN nº 99, DO 04/2/93. P•.ocesso . ""'. MINIST~RIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES nQ= 10.280-001.438/91-99 Recu •.so Dilig@ncia Reco •.•.ente nQ= 89.529 ng: 203-0.014 = VIAÇ~O FORTE LTDA. R E L A T O R I O E:m ~)rocedimento insta\Jrado contra a Empresa acima mencionadé', -f(ü d(;,t",cté,da i'al ta de n;,col himen to de PIS/Recei ta Operacional no período de julho a dezembro de 1988, gerando l~m c:réclito tributário no valor total de Cr$ 2:526u138,70, conforme {~ttto df.'~ In'fl"'a~:;'Kt) df.'~ i;l~:; .. O~:~!Idatado d(~.~~:~~:1..0:;:~..9:1... Enquadri:\mentc) 1...(7.'{J<':\1;: dl,.t,. :':)~;~!I <;\l:r.n(~.~a II bll!1 da I...(~..:oi Complf:.~m(~.~nti:\r'n~;~ 7/70 !'I c/c r)arágrafo (1nj.c(Jdo art... 19 da L.ai Cc)mplementar n9' 17/73 .. :i. mpuqna ~:â\'o I"epo I'"ta ._.S(~.~ c:on t(7~~:>tancl(J c:al c:ou ....;::.(.:.~em A~; 'fl~;..EJ/15 foi anexada ao~; au.tos, cópia da o'h:'~I"ec::i.c1ano pr'oc:(-:,~~:;~;ode Ii=\F\T!1 oncl(.:.~a Contri.buinte i:\ tocl(:\~;;. as m,:,tél"i(':\~:;. I"(~,~'flf:.~xas.d(':\qu(':.~li:\ alltllaç~.\'o!, a (:\~;:;'Ko'f:i.~:;C:I;"I.lcom a i:\'f:i.I"mat:i.va d(~~ qU(.;.~a me,!:j.(Jla m(.:.~I"(':"I.~;;upo~;;:i.~j:";'~n<:1(0 om:i.s~:;.;:'(ode I"ec(.:~:i.ta .• A 'fis;c:al alttl.tante fnanifestoll-s~e às fls.. :1.6, ''''<:''I.t:i.'ficanc!o i:\ autu(:\~:~';\o com C) al"<':.Iumf..~ntodE~ que com a C:1"'i(:\~~:;\odo~:; Decl"etos--Le:is l'lQS 2445/88 e 2449/88 tC)I"'rlou--se obriqatório (:) "'(~.~co:l.h :i. m(.:.~nto dn PI ~:)""I:\(~..:o(::(.:.~i t<:\ Dp(.:.~r'ac:i. una:l. a pa I" t :i. I" d(~.~.:i ~.'(1ho/f.1B C~ (llle a Con.tr:i.bLlirlte "lâo aplresefltoll os cornprovantes (je v'ee:olh:i.mento (:les~;a e:ontv'ibl{:i~~J fl(JS me~ses ele jLlltlO a dezerllbl"o (je 88, estanclo ffi!Ss:j.m oIJv'j.gacla a faz0"-lc), aléfll elc) pagarnell.to '(jC)S i:\(:réscirnc)s l(':~(.:.l(':\:j.!;~"F'1"OPÔ'(.:.~ql.H:'~D .:iul(.:.lafm:\~ntoc1(.:~~st(.~PI"DC(':'~~:;~;;Di:HJl.lal....cI(.:-:o1:\ c1r.::~c::i.s;~\'o (:!c) l:)re)ce~;s() cle II:\!:'J" ('1 par'i:\ .:i Ctntada cI(.:\~ j ulqiHIH.:.mto ('fJ~:;" l:\pe:e:ita I:~edev'al el'lcamirll'loll algltfls (j(JCllmerlt(J~i a 'fim ele :1.)') " o PI~'c)C(':\\::;.!;iO ,~l :j.n~;;tn.l:r. ....10 DIVFIS pi:\I"a o A ('1utDI"iclad(:.~\'.Yul(,:,li:"lc!ol"i:\cl(.:.~PI":i.f1H:.~:j.l"i:\In~:;t~;tnc:i.a ('fI!;; •. ~;:~O)~I ••:\!;;~;;:i.m (.::-m(.:.~ntDu !;:.ua d(.:-:oc:i.::;~:\o:: lIF.i:\I' .....~;;(.:.~..../1. l{.:"I.n~;am(.:.~ntod(.:.~ o.t::r.c::i.Dno~:;.Ci;\!;;.D~;;.f~m q\.\f~ 'f oI" df~t<-:.~ctadon n;i'\n I"f.~cnlh:i.mE~nto Dtl D 1"r-:-cD1h:i.mf~nt.D (::(Jmj.nscl1::ic:iêrlc:i.a (ia c:orltl"':i.t)\.{:i~âo clev:ic!a ao r:'ISu (:)~:;'f{D 'f:i.~;~c(:\l PI"C)c(.:.~cl(-:.~nt(.:.~"II • PI"'"êl.:r.o p(";\I"a r)(.:~l(:\ DI;:F (:':)~:;'fIs" ~':~~:')!Ia In t(':'~I"f'~~;isacla~:;.Dl:i. c::i.tou pl"Drl"D(.:Jd~~'~Od(.;.~ :i.nt(':'~I"'PDs:i.~~~!(Dcl(~.~1"(':~CUI"SC)~1qUE\ Ih(.:.~ 'fo:i. n(-:'~(.:.l6\c1o ('fl~;;•• ~':~6) B(~.~lém!1POI" 'fi:\} ta df~ PI"(.;.~vi~;;g{ol(.;.~q<:~l.. ~;. • ii. MINISTtRIO DA ECONOMIAi.FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ= 10.280-001.438/91-99 Diligência nQ= 203-0.014 Apl'''r,:?~;c-:~nt()u f..~nt;:\'o ('i\ 1"equer'E~nt.(= I"ecur!:;o no .prazo l.egal (fl1;b 29/30), onde solicita sejam apreciadas as mesmas 1"~:\ze1f.'~s.:iá (.?xp(,.:~ndidas t(':\nto l1i,:\ :lmpuqn(:\~i:~~O quanto no reClU'"SfJ constantes no processo de IRPJ, no sentido de que se.ja reformada a c1(~-:,c:is~~()pl"ol.atacla (':':'fIlpl":imeil'"a instê:tnc:ia .. Ressalta a inconstitllc:Lonalidade da ~xigéncia no (~'~Xf.'~I"C::f.cio de :t.c,BB e qtuo?, s(.?ndo (.?lt:\ r'f.~i:\lmE~nt(.? d€~vida, ••d(.?velrj,a S(':~I" calculada pelos 1(7~vant.ament.(.,s aplresent.aclos à dE~clara~~~ode renda, pela empresa, e nunca pelos levantamentos aleató~io1s, .imaginados r)(:.~l.:\ Empl'''(-?sa IYh~trop<:)l i tan(':\ d(.~ Tl'"an~:;pOlrtes Ulrl:h:\nos dc>? Bc.?lém, n()~:; quais; ~:;E-:1 basc7,'cltt!1 ~:;(.:~mnenhum (.:,;lmba~:;(':\mento, (':\ ilustr'(.? 1::lscal au.tLlan.te"u AnexotJ dOCLlmentos de fls. 31/41. 1::: o I'.(-:.~latór:i.t1 .. ! MINIST~RIO OA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nQ: 10.280-001.438/91-99 Dilig~ncia ng: 203-0.014 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALI"IEIDA Trata~-se (je mais lAffi(ias l~eCllrsos 1'"f.-~'h':~I"(~.~nte às~ c:ontl"i bu:i. ~:eSef.-> pal"a o PIS e l:h:\I"i:\ (::hafllac:lo~:; 1'(:lec(JI"I"(.:.~ntf..~s'l df:'~ ()mj.~;!:;ek~s de I"(.:~c:(.:.~:it.as 'f::i.sci:\l:i.z<:"t~-:~'KC) I"(.:~li:\t.:i.vi:' ao Imposto cJf:.\r-~(.:-:,nd•.:\ .• r:;obl"(~'~ lit.iqio o FINSOCIAI... ,. i:\~HJrad<:\s (~.~m !:::mbOlr(":"t (.:-:,ntC-:.\nda qUf.'~ as d(~.~c:i.!::.eí(.:.~sd(~.~~;t<:.~t::.n~Xo (~.~!3tE\'jam Ilec:eS!i;ariafllerl"te vin(:uladas às que 1:orem IJlrofer'idas no dito li PI"OC:(':'~f:;!:;() matl'":i.:r.1l, t-ê:\mbém (.:.~nt(.:.~ndoqU(':-:'!1 na fIlE•.:i.ol"ia dos ca£;OS!1 O!::. elefllen"tos (jes.te \1ltimo mLlito (:orltribllem para o melhor esc:l.arec:imento e (ie~;linde da tllatéria aql.li tratadah [;/1 t J"(?, t1l ..tirl)cl ins't~ll(:ia (:(Jn~;LIIJ~~tanciatla rlO CDn t I"~:i. bu :i, n t(.:~~;;•. (.::,~;;~:;(.:~~:;E\lr~m(.:~n"!:.o~:;!:;f.~ :i.nc::l.ui a d(.:~\c:i.s~:Yoc1f~ adm:i.n:i. !:;tl'"l:' tiva no II PI"oC:f~~:;~;;.o-"matr:i.Ã,,:/l~l C:OI"lr(':-:-!:;ponclent(~.~ (':\C(~ll"d;:,(odo J~,:;~ Con!:;(01ho d[.~ '•.. I í:')ssim !:;endo!1t[~ndo f:~m....!:i.~:;ti;\ as C:(Jns:i.d€.~I"a~~f~(-:.~~:;Elql.li emitic:las, pr'c)pollh() que se c::orlvelr.ta c:) .jl,t:lqafilent() em diliqênci.a junte) <~, 1"(':'~Pi;'I,.t:i,~:~t\D df;~ Dlr:i.(J(~~\mpal"(':' qU(':'~1:\ m(.:.~~:;maS[.~ d:i.(.:.InE' de':-:-: l t~.xo 10(.:.10d:i,~:;p(;)nhEl do~:; n.:,~'f(~'~I"iclo~:;(~.~l('::\fIH.:.~nt(J~::'!1 inc::lu!:;:i.\/( ....:. d;';\ d(.:.~c:i.!;;~'~odo l~) Con ~:;c~.~:I.ho d (.:.:. Ctnl t I":i. bu i n t(':'~~:;!l p".OI.....:i.d(.:.~nc::i. E\I" (';\ ~:;u;.:\ (':\1"1 (,:.~xa ~;:;:;\o ElO pr.e~~erlte IJr(Jc:e~;~;o, lJ(Jr'(::(~p:ia:l~)al"a a ,já {nerl(::ic:Jnacla f:irlal:idacje~t (:levc):I.venc!c)"-o, em ~~eqt.t:i.da:t a e!sta C~filal"a.. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10925.000098/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991
DECADÊNCIA.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial prescrito no art. 173, II, do CTN, refere-se tão-somente ao vício de forma, não podendo ser aplicado na hipótese de uma decisão definitiva que houver anulado, por vício material, o lançamento anteriormente efetuado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.255
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida de votar.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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O termo inicial para contagem do prazo decadencial prescrito no art. 173, II, do CTN, referese tãosomente ao vício de forma, não podendo ser aplicado na hipótese de uma decisão definitiva que houver anulado, por vício material, o lançamento anteriormente efetuado. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Susy Gomes Hofffmann declarouse impedida de votar. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 98 /2 00 1- 16 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 133/161, contra decisão do acórdão nº 20403298, da Quarta Câmara do Segundo Conselho, que reconheceu a decadência do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento tributário referente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/1991 e 31/12/1991. O Colegiado entendeu que o auto de infração originário foi cancelado por vício material e não formal, uma vez que o fundamento da decisão anulatória foi a impossibilidade de constituir crédito tributário tendo por base lei declarada inconstitucional. Neste passo, afastou a aplicação do art. 173, II, e aplicou o art. 150, § 4º , ambos do CTN, para definir o termo inicial da contagem do prazo decadencial. A Fazenda Pública em sua peça recursal requer que seja afastada a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, por entender que o auto de infração originário foi cancelado por vício formal, sendo imperiosa a observância do art. 173, II, deste mesmo diploma legal. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 3400509 de fls. 170/171. O Sujeito Passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da presente lide restringese em identificar o termo a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário por intermédio do lançamento. A pimenta que tempera a lide diz respeito a anulação do auto de infração originário. Temos que identificar se o motivo que levou ao seu cancelamento caracterizase como um vício formal ou material. O motivo que induziu o cancelamento do lançamento tributário foi a utilização de lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal como fundamento legal. Esse motivo caracterizaria vício formal de modo a deslocar o termo a quo da contagem do prazo decadencial ? A resposta passa necessariamente pela definição do que seria um vício formal nos termos do art. 173, II, do CTN. Para tanto, avulta de importância esmiuçarmos o termo “forma” no campo da constituição do ato jurídico. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10925.000098/200116 Acórdão n.º 9303001.255 CSRFT3 Fl. 192 3 O professor Celso Antonio bandeira de Mello tratou do tema afirmando que: Forma é o revestimento exterior do ato; portanto, o modo pelo qual este aparece e revela sua existência. A forma pode, eventualmente, não ser obrigatória, isto é, ocorrerá, por vezes, ausência de prescrição legal dobre uma forma determinada, exigida para a prática do ato. Contudo, não pode haver ato sem forma, porquanto o direito não se ocupa de pensamentos ou intenções enquanto não traduzidos exteriormente. Ora, como a forma é o meio de exteriorização do ato, sem forma não pode haver ato. Maria Silvia Zanella Di Pietro assim se posicionou sobre o assunto: No que diz respeito à forma, costumo dizer que ela pode ser entendida em dois sentidos: podemos considerar a forma em relação ao ato, isoladamente, e, nesse caso, ela pode ser definida como a maneira como o ato se exterioriza; (...). Em outro sentido, a forma pode ser entendida como formalidade que cerca a prática do ato: aquilo que vem antes, aquilo que vem depois, a publicação, a motivação, o direito de defesa; abrange as formalidades essenciais à validade do ato. Seja no caso de desobediência à forma, seja no caso de faltar uma formalidade, o ato vai poder ser invalidado Então, a forma é o modo através do qual se exterioriza o ato administrativo, é seu revestimento. É outro elemento sempre essencial à validade do ato. Se não existe forma, não existe ato; se a forma não é respeitada, o ato é nulo. A forma só não é vinculada quando a lei deixar ao agente a escolha da mesma. Quando a lei a estabelece, deve ser obedecida sempre, sob pena de, repitase, nulidade. Esclarecido o termo “forma”, fica mais fácil partir para definição da expressão “o vício de forma”. Para a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro vício de forma consiste na omissão ou observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. Luiz Henrique Barros de Arruda afirma que o vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Marcelo Caetano define formalidade como todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva. Segundo De Plácido e Silva, vício de forma é o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica", e ainda: "Formalidade Derivado de forma (do latim formalitas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Anselmo Souza assim se posiciona: Vício formal é defeito no processo de formação do lançamento, (...). Já o vício material, diz respeito à existência da dívida, como não ocorrência do fato gerador, sujeito passivo incorreto; sujeito ativo incorreto, (...). No vício formal a dívida tributária não é declarada inexistente, mas sim tem declarada viciada sua formalização (lançamento). No vício material, a dívida que a Fazenda Pública alega existir, na verdade, não existe, (...). Após esses excertos doutrinários acerca da forma e do vício formal, nos resta buscar no direito tributário uma regra para a feitura do ato administrativo cancelado, que no caso é o auto de infração. Consoante noção cediça, art. 10 do Decreto nº 70.235/72 prescreve as formalidades que devem ser observadas quando da lavratura do auto de infração, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Para que houvesse vício formal, deveria ter ocorrido uma omissão no auto de infração originário de algum dos itens contidos no rol acima transcrito, não foi o ocorrido. O auto de infração continha todos os itens impostos pela lei, tornandoo perfeito, válido e eficaz. Como já relatado, o Colegiado julgou, em matéria de fundo, que lei declarada inconstitucional não poderia fundamentar um auto de infração. Observe que essa é uma opinião, um julgamento de mérito, não diz respeito a formação do auto. Portanto, não vislumbro problemas quanto a formação do ato, afastando de modo peremptório a possibilidade de ter ocorrido um vício formal que ensejasse a anulação do auto de infração originário. Uma vez que afastada a tese da nulidade por vício formal, resta também afastada a aplicação do art. 173, II, do CTN, pois sua conditio sine qua non é a existência de decisão que anule o ato por vício formal. Afastada a dicção legal pretendida pela recorrente, retornando aos autos, constato que os fatos geradores objeto do lançamento tributário referemse aos períodos de apuração 08/1991, 09/1991 e 10/1991 e a ciência do auto de infração objeto deste processo se deu em 26/01/2001 a mais de 6 anos. Portanto, resta apodítica a ocorrência da decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referentes aos períodos retrocitados. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10925.000098/200116 Acórdão n.º 9303001.255 CSRFT3 Fl. 193 5 Forte nestes argumentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906335/2009-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE.
A retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório pode ser aceita, desde que comprovada com documentos hábeis. Não tendo o contribuinte apresentado quaisquer documentos comprobatórios de seu direito creditório, não é possível falar em compensação ou ressarcimento.
Numero da decisão: 3001-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Francisca Elizabeth Barreto – Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO
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A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE. A retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório pode ser aceita, desde que comprovada com documentos hábeis. Não tendo o contribuinte apresentado quaisquer documentos comprobatórios de seu direito creditório, não é possível falar em compensação ou ressarcimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). RELATÓRIO Por economia processual e por bem descrever a lide, transcreve-se abaixo o Relatório do Acórdão 08-041.037, da 4ª Turma da DRJ/FOR: Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.077 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15374.906335/2009-17 2 Trata-se de manifestação de inconformidade (fls. 2/8) apresentada em decorrência de não homologação de declaração de compensação, conforme despacho decisório emitido eletronicamente em 18/02/2009, fl. 180. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 04/03/2009, fls. 185, tendo apresentado a contestação em 03/04/2009, contrapondo-se ao despacho decisório. Em sua contestação, o interessado informa que, a partir de uma análise dos documentos fiscais referentes ao presente caso, detectou que a suposta inexistência de crédito em seu favor se deu em razão de um equívoco na elaboração de sua DCTF referente ao 1° trimestre de 2003, que não demonstrava a existência do prelecionado crédito (PIS — Código Receita: 8129 —, período de apuração 28/02/2003). Objetivando sanar tal equívoco, o contribuinte retificou, em 13/03/2009, a DCTF referente ao 1° trimestre de 2003, fazendo constar expressa e corretamente no pleito retificador, o montante do crédito utilizado no PER/DCOMP a que se refere a presente Manifestação. Ressalta, com base em artigos do Código Tributário Nacional, que é inequívoco que o contribuinte somente pode levar aos cofres públicos, o exato montante que deve segundo a legislação de regência do tributo, sendo direito seu, constitucionalmente assegurado, — ainda que de forma reflexa —, receber de volta os valores que eventualmente pague em excesso. Assevera que o Fisco não pode desconsiderar um crédito do contribuinte por conta de simples declaração errônea ou prestada a destempo, sendo dever aceitar a compensação pretendida com débitos existentes. Diante disso, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, de modo que seja homologada a compensação pretendida no presente PER/DCOMP. Caso seja entendido que os elementos fornecidos pelo contribuinte para fins da homologação de sua compensação careçam de outra corroboração, solicita a conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.077 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15374.906335/2009-17 3 A DRJ, em decisão não ementada, julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório porque a DCTF retificadora foi apresentada após a emissão do Despacho Decisório e porque, na impugnação, a interessada também não apresentou documentação hábil a comprovar a existência do seu crédito. Cientificada em 08/11/2017, a ora recorrente apresentou Recurso Voluntário em 08/12/2017, alegando a possibilidade de apresentação da DCTF retificadora de forma concomitante com a manifestação de inconformidade e que a decisão se baseou em insuficiência probatória, mas indeferiu a diligência/perícia. É o Relatório. VOTO Conselheira Francisca Elizabeth Barreto, Relatora. 1. Da competência para julgamento do feito Com base no artigo 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. 3. Mérito 3.1 Da possibilidade de apresentação da DCTF retificadora de forma concomitante com a manifestação de inconformidade A recorrente defende que a decisão da DRJ não encontra respaldo na jurisprudência do CARF, que reconhece de modo pacífico a possibilidade de o contribuinte instruir sua manifestação de inconformidade com as provas de seu direito creditório e que não pode arcar com créditos tributários extintos por mero erro no preenchimento da DCTF e que a Administração Pública deve reconhecer seu crédito, conforme declaração retificadora. Pois bem. Inicialmente cabe esclarecer que o direito de apresentação de provas por parte do contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade é garantido pelo próprio Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 15. No entanto, a retificação da DCTF sem documentação que a suporte não representa apresentação de provas. Sobre a retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório, é certo que existe jurisprudência no CARF quanto à sua possibilidade. Assim como também existe jurisprudência no sentido de que é necessário que a retificação venha acompanhada de todo Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.077 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15374.906335/2009-17 4 conjunto probatório que lhe dê suporte, para que a retificação possa ser analisada pela fiscalização. Entendimento este já sumulado, conforme se verifica abaixo: Súmula CARF nº 164 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9303-010.062, 3402-005.034, 1301-004.014, 3402-004.849, 9303-005.709, 9202-007.516, 3402-006.556, 3402-006.929 e 3402-006.598. No caso dos autos, o recorrente não apresentou nenhuma documentação que suportasse a retificação nem na manifestação de inconformidade, nem em sede de recurso voluntário. Não é demais repisar que, em se tratando de direito creditório, cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do seu crédito, nos termos do artigo 170, do CTN. Assim, não assiste razão à recorrente. 3.2 Da alegação de falta de provas e indeferimento da perícia A recorrente alega que a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu seu direito creditório por ausência de provas, mas que contraditoriamente, indeferiu o pedido de diligência solicitado para produção de provas. Afirma que tal indeferimento caracteriza cerceamento do seu direito de defesa e que o pedido de diligência deveria ter sido deferido em homenagem ao princípio da verdade material. No que se refere ao tópico quanto ao cerceamento de direito de defesa pelo indeferimento da perícia, já existe entendimento sumulado neste Conselho, conforme se verifica do texto abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Ademais, cabe esclarecer que o objetivo da diligência é abrir possibilidade para esclarecer dúvidas sobre os livros, cálculos ou outra documentação acostada aos autos que tragam Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.077 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15374.906335/2009-17 5 dúvidas ao julgador. Não tendo o recorrente apresentado nenhuma documentação que ampare a retificação da obrigação acessória, não há motivos para se falar em diligência. A inércia do recorrente não pode ser suprimida por diligência, já que esta não se presta a produzir provas a favor de nenhuma das partes em litígio. Portanto, sem razão à Recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto. Fl. 286DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.903993/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS – COMPENSAÇÃO – DÉBITO VENCIDO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – MULTA DE MORA – INCIDÊNCIA.
Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco, Precedentes do STJ
Numero da decisão: 3402-001.781
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se
provimento ao recurso.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco, Precedentes do STJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.903993/200981 Acórdão n.º 3402001.781 S3C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/BSB nº 0342.171 de 17/03/11 constante de fls. 67/70, e exarado pela da 4ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 01/04, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 42) da DRF de Brasília – DF, que homologou parcialmente a Declaração de Compensação Dcomp, através da qual a ora Recorrente pretendia compensar débitos de PIS, fevereiro/março/2006, com crédito de pagamento a maior da mesma natureza, arrecadado em 13/01/2006. Por seu turno a decisão de fls. 67/70 da 4ª Turma da DRJ de Brasília DF, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 01/04, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 42) da DRF de Brasília – DF, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Compensação em Atraso – Exigência de Multa e Juros de Mora Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. Denúncia Espontânea – Inaplicabilidade. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, é inaplicável o instituto da denúncia espontânea (CTN138), visto que o fisco já tem conhecimento da inadimplência do crédito – auto constituído pela entrega da DCTF o que descaracteriza a espontaneidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma parcial da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) a denuncia espontânea do débito antes da ação fiscal o que excluiria o computo da multa moratório considerado pela r. decisão da DRF. É o Relatório. Voto Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.903993/200981 Acórdão n.º 3402001.781 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. A r. decisão recorrida merece ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos que rebatem com vantagem as objeções da ora Recorrente e não destoa da Jurisprudência pacificada no E. STJ em sede de recursos repetitivos, no sentido de que “a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, (...) ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco”, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's nº 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula nº 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp 1210167/PR, em sessão de 01/12/2011, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, publ. in DJU de 09/12/2011) Isto posto, com a ressalva de minha posição pessoal, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso para manter a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2012 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10166.903993/200981 Acórdão n.º 3402001.781 S3C4T2 Fl. 4 4 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/05/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA
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Numero do processo: 13701.100066/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA.
Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2202-011.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora
Assinado Digitalmente
Sonia de Queiroz Accioly – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PEGORARO TOMAZELA
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A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.137 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13701.100066/2007-28 2 Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Participaram da reunião assíncrona os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). RELATÓRIO Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiu-se contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/01/2008, o sujeito passivo interpôs, em 19/02/2008, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que retificou sua DIRPF para alterar os rendimentos tributáveis para excluir certos rendimentos (não excluídos pela fonte pagadora) que seriam supostamente isentos ou não tributáveis. É o relatório. VOTO Conselheiro Andressa Pegoraro Tomazela, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.137 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13701.100066/2007-28 3 A Súmula CARF nº 68 dispõe o seguinte: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Assim, o Recorrente não tem razão. Nessa mesma linha é a decisão da DRJ, com a qual eu concordo e reproduzo com base no art. 114, § 12, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023. O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3º, § 1º, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9º a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4º do art 3º da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6º do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de “a” até “r” no inciso III do art 1º da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Fl. 120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.137 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13701.100066/2007-28 4 “Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: ................................................................ III - como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxílio-fardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) salário-família; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimo-terceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinquenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licença-prêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.137 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13701.100066/2007-28 5 r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. § 2º As parcelas de retribuição excluídas do alcance do inciso III não poderão ser calculadas sobre base superior ao limite estabelecido no art. 3º.” Cumpre esclarecer que, no que tange à isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, por força do art 111 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias” No mesmo sentido dessa decisão, a Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal proferiu solução de consulta formulada pelo SIND-JUSTIÇA - Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro acerca da tributação das parcelas referentes ao abono natalino (13.º salário), ao abono de 1/3 das férias e ao adicional por tempo de serviço, face ao artigo 1.º da Lei n.º 8.852/1994, da qual transcrevo parte dos fundamentos: “9.Em face da legislação pertinente à matéria, em que pese o artigo 1.º da Lei n.º 8.852/1994 tenha excluído do conceito de remuneração - soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual, demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei n.º 8.112/1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento (..) – entre outras, as parcelas relativas à gratificação natalina, ao adicional por tempo de serviço e ao abono de 1/3 das férias, não havendo lei tributária específica que reconheça tais rendimentos como isentos e não-tributáveis, devem eles ser computados para fins de incidência do imposto de renda na fonte, ressalvados o momento e a forma de apuração, já anteriormente descritos, concernentes à tributação exclusiva na fonte da gratificação natalina.” (Solução de Consulta SRRF 7ª RF/Disit nº 214, de 25/05/2005) Por fim, esclareça-se que houve a apresentação de declaração retificadora na qual a fiscalização constatou omissão de rendimentos. Dessa forma, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 – RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. “Art. 841. 0 lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo: Fl. 122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.137 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13701.100066/2007-28 6 a) não apresentar declaração de rendimentos; b) deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; c) fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida;(grifei)” Em face do exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela Fl. 123DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.003580/89-04
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 101-88.270
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira C2mara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja adequado a este o decidido no Acórdão nº 108-0013, , de --/--/--, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: KAZUKI SHIOBARA
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Numero do processo: 10120.002408/2003-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DA DECISÃO PELA ADMINISTRAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Tendo o contribuinte ajuizado ação na via judicial, na qual obteve o reconhecimento do direito ao cômputo das aquisições de insumos perante pessoas físicas e cooperativas, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, e, tendo essa referida decisão sido cumprida pela Administração no curso do processo administrativo fiscal, importa em perda do objeto, ocasionando que o recurso não seja conhecido
nesta parte.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS.
LEI N. 9.363/96. PRODUTOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO “NT”.
COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO.
Os valores relativos às operações de vendas de produtos classificados na TIPI como “NT” devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação,
para cálculo do incentivo fiscal.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO POSTERGADO PELA ADMINISTRAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
O STJ decidiu que “A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco” (Recurso Especial n. 993.164, Rel. Ministro Luiz Fux, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos), devendo ser reconhecido o direito à SELIC desde o protocolo do pedido de ressarcimento do crédito.
Numero da decisão: 3402-001.796
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria referente à pessoa física e à cooperativa por perda de objeto. Na parte conhecida, por maioria de votos negar provimentos ao recurso quanto à inclusão de aquisições
de MP, PI e ME utilizados na fabricação de produtos "NT", vencido conselheiro JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR. Designado conselheiro GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de vôos dar provimento ao recurso quanto à inclusão de produtos “NT” na receita de exportação e quanto à incidência da taxa SELIC a partir do protocolo do pedido.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DA DECISÃO PELA ADMINISTRAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Tendo o contribuinte ajuizado ação na via judicial, na qual obteve o reconhecimento do direito ao cômputo das aquisições de insumos perante pessoas físicas e cooperativas, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, e, tendo essa referida decisão sido cumprida pela Administração no curso do processo administrativo fiscal, importa em perda do objeto, ocasionando que o recurso não seja conhecido nesta parte. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO “NT”. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Os valores relativos às operações de vendas de produtos classificados na TIPI como “NT” devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação, para cálculo do incentivo fiscal. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO POSTERGADO PELA ADMINISTRAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. O STJ decidiu que “A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco” (Recurso Especial n. 993.164, Rel. Ministro Luiz Fux, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos), devendo ser reconhecido o direito à SELIC desde o protocolo do pedido de ressarcimento do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria referente à pessoa física e à cooperativa por perda de objeto. Na parte conhecida, por maioria de votos negar provimentos ao recurso quanto à inclusão de aquisições de MP, PI e ME utilizados na fabricação de produtos "NT", vencido conselheiro JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR. Designado conselheiro GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de vôos dar provimento ao recurso quanto à inclusão de produtos “NT” na receita de exportação e quanto à incidência da taxa SELIC a partir do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relatordesignado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia De Brito Oliveira, Fernando Luiz Da Gama Lobo D’eça, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Versa o processo de pedido de compensação referente a crédito presumido de IPI que trata a Lei nº 9.363/96, apurado no 1º Trimestre de 2003, no montante de R$ 919.564,17 (Novecentos e dezenove mil, quinhentos e sessenta e quatro reais e dezessete centavos), vinculados a PER/ DCOMP – Fls. 36/54, relativos a débitos de COFINS do mês de maio de 2003, no valor de R$305.521,00 (Trezentos e cinco mil quinhentos e vinte e um reais). Através do Despacho Decisório de fls. 162172, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia (GO) deferiu parcialmente o pedido de compensação para reconhecer em favor do contribuinte como saldo credor a quantia de R$84.835,86 (Oitenta e quatro mil reais oitocentos e trinta e cinco reais e oitenta e seis centavos) pelo fato do contribuinte: possuir produtos que não se enquadravam no conceito de matériasprimas ou produtos intermediários [1]; revender matériaprima adquirida sem sofrer processo de industrialização [2]; pelas aquisições efetuadas por intermédio de produtores rurais pessoas físicas e cooperativas que não são contribuintes do PIS/PASEP e COFINS [3]; serviços de frete [4], pela NF nº 78210 no valor de R$355.470,00 ser classificada como produto NT e não como alíquota zero, como alega o sujeito passivo [5]; haver divergência da receita operacional bruta [6]; pelo fato do custo, na escrituração comercial, não distinguir as aquisições que sofrem a incidência de PIS/PASEP e COFINS [7] e ainda por ser indeferida a atualização monetária por falta de amparo legal [8]. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 25.09.2007, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 01.10.2007 contestando a não homologação: de aquisições oriundas de produtores rurais (pessoas físicas e cooperativas) [1], da receita de exportação de produtos nãotributados [2] e da não concessão de atualização monetária do crédito presumido [3], cujos fundamentos resumidamente alinhase abaixo: a) Os artigos 1° e 2° da Lei n° 9.363, de 13/12/1996 (que instituiu o crédito presumido de IPI) onde afirma "[...] que a lei referese a ‘valor total’, não prevendo, porquanto, qualquer exclusão”. Referese assim a todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, advindas de pessoas físicas ou jurídicas, com incidência imediata ou mediata do PIS e da COFINS, posto que nesta última situação, já foram tributadas na origem. b) Falta às Instruções Normativas ns. 23, de 13/03/1997, e 103, de 30/12/1997, a aptidão para restringir o benefício fiscal instituído pela Lei n. 9.363/1996, ao estabelecer que o crédito presumido de IPI seja calculado apenas com relação à aquisições de pessoas jurídicas sujeitas a PIS/PASEP e COFINS, não podendo o fisco, ao aplicar a norma complementar, inovar a letra da lei a não ser por medida provisória ou outra lei. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 c) A nãohomologação de receita de exportação de produtos NT onde afirma ser ‘indiscutível o direito do requerente’, já que nos termos do art. 1º da Lei n° 9.363/96, o crédito é destinado às empresas que satisfaçam, cumulativamente, duas condições: ser produtora e exportadora. d) O Fubá tipo exportação Caramuru e Fubá mimoso fino classificaremse na posição 1102. 00 Farinha de milho, com notação "NT", argumentando ainda, "A autoridade fiscal procedeu a exclusão da receita de exportação no valor de R$1.162.883,18, relativa ao produto FUBÁ TIPO EXPORTAÇÃO, sob o argumento de que os valores relativos à exportação de produtos não tributados não geram direito ao crédito presumido do IPI." E ainda, a base legal para tais glosas indicada pela autoridade fiscal estar no art. 3°, §15, inciso 11, da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997 e esta a norma não conceituar receita bruta de exportação como a decorrente da venda de produtos industrializados tributados, sendo pacifica a jurisprudência do CARF favorável ao contribuinte. e) Sobre a atualização monetária, o Conselho de Contribuintes decidiu ser cabível a atualização monetária de tais créditos pela taxa SELIC, posto que no caso em tese, tal medida constituise de resgate da expressão real do ressarcimento, não representando plus a exigir expressa previsão legal (acórdão 1020.708). Ao final, requereu que seja reconhecido seu direito creditório, por consequência, desconsiderada a glosa efetuada pela autoridade fiscal e ainda ter seu direito reconhecido de atualização monetária dos créditos, nos termos da Lei n. 9.250/95, calculandoa da data da protocolização do pedido (08/05/2003) até a data do efetivo pagamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0917.825, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O crédito presumindo do IPI é calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01 /01 /2003 a 31/03/2003 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.336 5 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Solicitação Indeferida Inicia seu voto abordando as glosas sobre aquisições de insumos adquiridos de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas, afirmando ser o crédito presumido, conforme Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997 “(...) calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS”. A Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997 determina, expressamente, que as matériasprimas e demais insumos adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito pleiteado, em ainda afirma ser este o espírito da Lei nº 9.363, de 1996, concluindo que “os insumos adquiridos de cooperativas de produtores ou de pessoas físicas não podem ser incluídos no cálculo do Crédito Presumido de IPI, por não serem elas contribuintes do PIS e da COFINS em relação ao seu faturamento”. Quanto à limitação da receita de exportação aos produtos tributados, o fisco utilizase de jurisprudência para embasar a teoria de que o estabelecimento que dá saída a produtos “NT”, como faz a interessada, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial contribuinte do IPI. Pondera que o art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502, de 1964, é a matriz do art. 8° do RIPI/2002, não restando dúvida quanto à total impossibilidade de existência, e, portanto, aproveitamento de crédito presumido de IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como "NT" na TIPI. As jurisprudências do CARF, apresentadas pelo contribuinte quanto à atualização monetária do ressarcimento com fulcro na taxa Selic, são rebatidas pelo próprio Conselho, na 3ª Turma de Julgamento ACÓRDÃO 20177618 e 20177754, afirmando não existir na legislação qualquer dispositivo admitindo a aplicação de juros Selic sobre valores ressarcidos ou à ressarcir, de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Quanto a ilegalidade/inconstitucionalidade de leis/atos normativos alegada pelo sujeito passivo, esse reconhecimento é de competência da esfera judicial, não devendo ser enfrentada na esfera administrativa, sendo que as decisões proferidas pelo STF e STJ têm validade somente se o sujeito passivo for parte daquela relação. Reafirma sua posição quanto à compensação das glosas procedidas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de insumos por intermédio de produtores rurais pessoas físicas e de cooperativas; à limitação da receita de exportação apenas aos produtos Fl. 414DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 tributados e à denegação da aplicação de juros SELIC sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente em 22/01/2008 do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou em 12/02/2008 Recurso Voluntário a este Conselho, repisando os argumentos da manifestação de inconformidade, a seguir: 1. É pacífico o entendimento jurisprudencial de manter no cômputo da apuração do Crédito Presumido do IPI as aquisições feitas de pessoas físicas/cooperativas, autorizando a atualização do crédito pela SELIC, reestabelecendo a base de cálculo do crédito para o valor de R$ 206.310.229,15. 2. A ora recorrida ser estabelecimento produtor e exportador, satisfazendo assim a Lei n. 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados”. 3. O fato de um produto estar afastado do campo de incidência do IPI, por ser não tributável (NT) – Farinha de Trigo Fubá, não faz dele um produto não industrializado. Faz dele, sim, um produto industrializado não tributado pelo IPI, sendo este entendimento pacífico no Conselho de Contribuintes (CSRF 0201.888, 02 02.190). Alude o fato de ser utilizadas erroneamente regras de entendimento de benefício fiscal de IPI, para o caso em tese, devendo então ser restabelecido o valor de R$ 355.470,00, a título de Receita de Exportação de Produtos NT. 4. A Atualização crédito não representa um acréscimo, mas um resgate da expressão real dos valores envolvidos, tendo a ora recorrente decisão do CSRF favorável em nome de Caramuru Óleos Vegetais Ltda Acórdão nº 20401.646. Ao final, requer o restabelecimento ao cômputo da base de cálculo de apuração do crédito presumido do IPI, do valor de R$ 206.310.229,15, a título de AQUISIÇÕES DE PRODUTOR RURAL (pessoas físicas e cooperativas); R$ 355.470,00, a título de RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS e ainda que seja reconhecido o que o sujeito passivo tem direito a seus créditos atualizados monetariamente, nos termos da Lei n. 9.250/95, calculandoa da data protocolização do pedido (08/05/2003) até a data do efetivo pagamento. Posteriormente, veio aos autos notícia de que o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança 007.35.00.0240031, perante a 4ª Vara Federal de Goiânia/GO, no qual obteve ordem para revisão do despacho decisório, para inseria no calculo do crédito presumido, o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Em cumprimento à ordem judicial, foram refeitos os cálculos e retificado o despacho decisório, reconhecendo ao contribuinte o direito ao crédito presumido adicional no valor de R$ 603.903,08, ficando, todavia, a homologação da compensação condicionada a trânsito em julgado da referida decisão. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.337 7 DA DISTRIBUIÇÃO Retornando os autos de cumprimento da diligência determinada pelo Poder Judiciário, e, tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 390 (trezentos e noventa), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Colhese dos autos tratarse de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, instituído pela Lei n. 9.363/96, vinculado a pedido de compensação de débitos de COFINS, sendo que após deferimento parcial dos créditos, restam em litígio administrativo a discussão em torno do direito computar na base de cálculo dos créditos as aquisições feitas perante pessoas físicas e cooperativas [1], de se computar na base de cálculo das exportações as receitas oriundas de exportação de produtos classificados na TIPI na posição “NT” [2], e, finalmente, o direito de incidência da SELIC sobre os valores objeto do ressarcimento, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Diante da diversidade que a matéria pode comportar em sede de julgamento, passo a abordagem de cada uma delas separadamente. 1. Crédito Presumido de IPI como Ressarcimento de PIS e COFINS (Lei n. 9.363/96) sobre aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, de Pessoas Físicas e Cooperativas. No que diz respeito a essa matéria, após muitos debates que se travou em torno deste direito (que viera a ser reconhecido pelo extinto Conselho Federal de Contribuintes há cerca de uma década atrás), acabou sendo pacificado entendimento positivamente ao direito de crédito no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, como demonstra o seguinte precedente: “TRIBUTÁRIO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS ART 1º DA LEI N. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 9.363/96 RESTRIÇÃO PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97 ILEGALIDADE. 1. Impossibilidade de limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, que determina o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídica. 2. A instrução normativa, por ser uma norma subalterna, não tem a faculdade de restringir o alcance de um texto de lei. Ofendese, dessarte, o princípio da legalidade, inserto no art. 150, inciso I, da CF/88. Precedentes. Agravo regimental improvido.” (STJ – 2ª T – AgRg no REsp n. 995.285 Rel. Min. Humberto Martins – j. 18.09.2008 – Dje 21.10.2008). “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. A Lei n. 9.363/96 instituidora de crédito presumido do IPI não distinguiu entre os fornecedores as pessoas físicas e jurídicas, não podendo a IN 23/97, da SRF, implantar tal distinção, estabelecendo que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Recurso especial improvido.” (STJ – 2ª T – REsp 627.941 Rel. Min. João Otávio de Noronha – j. 14.02.2007 – Dj 07.03.2007). Em seguida, referido assunto foi submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial n. 993.164, Rel. Ministro Luiz Fux, tendo restado a decisão assim ementada: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.338 9 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: ‘Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.’ 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que ‘o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos Justiça documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador’. 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: ‘Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS .’ 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) ‘a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes’ (REsp 586392/RN). Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.339 11 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: ‘Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.’ 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciou se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – 1ª Seção – REsp 993.164 Rel. Min. Luiz Fux – j. 13.12.2010 – Dj 17.12.2010). Fl. 420DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 No âmbito do CARF, igualmente o entendimento da matéria é pacífico, no sentido da existência do direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, nas aquisições de insumos feitas a pessoas físicas e cooperativas, como demonstra o precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, verbis: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (...) Recurso especial provido parcialmente.” (Acórdão CSRF/0201.416 da 2ª Turma da CSRF, no Recurso nº 201115731, Processo nº 10980.015233/9941, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003). No caso em análise, no entanto, há evento superveniente ao processado, que interfere no desfecho que se deva dar ao caso, concernente à existência do Mandado de Segurança n. 2007.35.00.0240031, impetrado pela recorrente e vinculado à 4ª Vara Federal de Goiania/GO, e no qual foi proferida sentença reconhecendo ao contribuinte o direito de revisar o Pedido de Ressarcimento de que trata estes autos, determinando que se inserisse no cômputo do benefício, as aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas e cooperativas. Em cumprimento a referida decisão judicial, através da Informação Fiscal Seort/DRF/GOI n. 11, de 26 de fevereiro de 2010, foi proferido Despacho decisório que retrata a revisão do pedido de ressarcimento em cumprimento de ordem judicial, sendo que acabou sendo reconhecido o direito de um crédito adicional ao já reconhecido, no valor de R$ 603.903,08, sem homologar, no entanto, compensação que tenha sido procedida com base no referido crédito, antes que houvesse o trânsito em julgado da referida decisão judicial. Assim sendo, com relação ao direito ao crédito presumido de IPI em tela, decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de Fl. 421DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.340 13 embalagens feitos à pessoas físicas ou cooperativas, houve a perda do objeto, decorrente de concomitância entre o Mandado de Segurança n. 2007.35.00.0240031 e este processo administrativo, de modo que neste particular, não se conhece do recurso. Com efeito, em que pese o entendimento de mérito que se têm da matéria, no caso em concreto, em face da concomitância e da perda do objeto, voto no sentido de não conhecer do recurso, no tocante ao direito da recorrente em computar na base de cálculo do crédito presumido em questão, as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, feitas a pessoas físicas ou cooperativas, para emprego na exportação e produtos ao exterior. Com relação ao pleito de compensação, deve ser atendida, igualmente, a condição imposta pela decisão que cumprira a ordem judicial, aguardandose o trânsito em julgado para efetivar a homologação da referida compensação. 2. Direito ao Crédito Presumido de IPI sobre exportação de mercadorias classificadas como “NT”, na TIPI, e direito de computar essas vendas no cálculo da relação percentual entre receitas de exportação e receita operacional bruta. Outra questão que prescinde seja resolvida nesse processo, diz respeito a incidência do benefício em tela (crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS), calculado sobre a receita de exportação oriundas de vendas externas de produtos que, no Brasil, são classificadas na TIPI na posição “NT”. Esta discussão se biparte em duas possibilidades, a saber: direito ao crédito presumido, em si, proporcionalmente às receitas de exportação de produtos classificados como “NT” [1]; direito de computar no cálculo do valor das receitas de exportação as vendas externas de produtos “NT”, aumentando o montante do que se considera “receita de exportação” para cálculo do percentual da proporcionalidade de exportação. Na primeira possibilidade, discutese o próprio montante do crédito, enquanto que na segunda vertente, discutese a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta (Rex/ROB), da qual apurase o percentual para aplicação do benefício, proporcionalmente as receitas de exportação. Antes de mais nada, portanto, cabe perquirir diante de quais das possibilidades tratam os autos, especificamente, ou se das duas. Colhese dos autos que houvera glosa de receita decorrente de exportação de farinha de milho (Fubá Tipo Exportação), que é classificado na TIPI como “NT”, e, consequente, por entender a Autoridade Fiscal que referida exportação não geraria direito ao crédito presumido. Portanto, houve indeferimento do próprio crédito presumido sobre o valor acima citado, porém, foi igualmente excluída referida receita do cômputo da receita de exportação para fins do cálculo da relação percentual daquela (Receita de Exportação – REx) com a Receita Operacional Bruta. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 Portanto, o caso em concreto trata das duas possibilidades referidas, na medida em que se glosou o valor das aquisições de insumos aplicados na produção de mercadorias “NT”, bem como excluiu as vendas do cômputo da receita de exportação no cálculo do incentivo. Assim, cabe a abordagem de cada um dos itens, separadamente. 2.1 Direito ao Crédito Presumido de IPI sobre exportação de mercadorias classificadas como “NT”, na TIPI. A controvérsia de interpretação exsurge da leitura feita pela decisão recorrida, e também por parte dos Conselheiros que militam neste Tribunal Administrativo, de que o benefício fora concedido ao estabelecimento produtor e exportador, sendo que, para se identificar quem seja o citado “estabelecimento produtor”, se busca o conceito atribuído pela legislação do IPI, pois que está se tratando de crédito presumido de IPI. Nesta atividade de busca conceitual, cumpre transcrever o preceito insculpido no art. 3º, da Lei nº 4.502/1964, verbis: “Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto.” (Grifei). Referido preceito é a matriz legal do Regulamento do IPI, que no art. 8º, assim conceitua o que venha a ser estabelecimento exportador: “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º).” (Grifei). Considerando que o art. 1º, da Lei nº 9.363/96, institui o benefício em favor do “estabelecimento produtor e exportador”, e, ainda, que nos termos do art. 111, do CTN, os benefícios fiscais devem ser interpretados literal e restritivamente, há o entendimento no sentido de que os produtos classificados na TIPI como sendo “NT”, não seriam, no conceito legal, um produto industrializado fabricado por um estabelecimento produtor/industrial. Entendo, no entanto – e aqui revejo meus votos anteriormente proferidos , que essa interpretação possibilita o surgimento de uma situação de desigualdade entre estabelecimentos industriais, provocados por uma simples notação na TIPI, quando na verdade, a essência do incentivo deveria ser a desoneração do custo de produção em razão da incidência em cascata das contribuições ao PIS e COFINS, havidas nas etapas anteriores à exportação, além de se buscar perquirir a verdadeira natureza jurídica da desoneração em cada caso em concreto. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.341 15 Quanto a essência do incentivo (motivo para sua criação), é consabido que não estamos diante de um crédito tipicamente de IPI, e sim, de um crédito que foi concedido, nos idos de 1996, quando as contribuições ao PIS e à COFINS ainda não eram submissas ao regime não cumulativo (o que veio a ocorrer em dez/2002, pela Lei nº 10.637/2002, e em fev/2004, pela Lei nº 10.833/2003, respectivamente), justamente para desonerar os custos provocados pela incidência dessas contribuições nas etapas do mercado interno. Por inexistir “conta gráfica” de PIS e COFINS, se concedeu o crédito “na conta gráfica” do IPI, aproveitando toda a normativa para se proceder ao controle, ressarcimento etc. Com efeito, o que se deve privilegiar é, sim, o objetivo da norma que é desonerar a atividade industrial que destina seus produtos ao exterior, ainda que estes estejam notados na TIPI como “NT´s”, mas desde que, sim, seja observado a verdadeira natureza jurídica da desoneração que o referido produto está recebendo no caso em concreto. Para que não se pense que o entendimento ora manifestado estaria afrontando literalmente os textos legais citados (art. 3º, da Lei nº 4.502/64, e art. 8º, do RIPI), no sentido de considerar como “estabelecimento produtor/industrial” aquele que a lei estaria excluindo do referido conceito, por não dar saída a produto tributado, isento ou alíquota zero, cumpre tecer as razões que me levam a entender que, no caso em concreto (produção de Farinha Tipo FUBÁ), tal requisito de produtividade está, sob a ótica deste Relator, igualmente atendido, e dentro do conceito legal. Devemos iniciar com uma observação que se pode extrair da simples leitura da Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Nela se encontram três espécies de classificações, vinculada a cada um dos produtos listados. Pelas opções de classificação emanadas da TIPI, os produtos serão classificados em uma alíquota positiva (por exemplo: 5%, 10%,15% etc.), ou como alíquota zero (0%), ou, finalmente, com a notação de “NT”, ou seja, “Não Tributado”. Observese que não está alocado na classificação procedida pela TIPI, nenhuma menção quanto aos produtos que serem “imunes”, “isentos” ou ainda, “não incidentes”, para fins de IPI. A TIPI trata todos os produtos sem sujeição ao IPI, como sendo “NT”. Consequentemente, me sinto na contingência de concluir que a expressão “NT” é gênero, do qual são espécies as hipóteses desonerativas da “imunidade”, da “isenção” e da “não incidência”. E, ainda, cumpre observar que, para algumas correntes de juristas, a própria alíquota zero seria uma subespécie da isenção, mas, para o caso em concreto, essa discussão é totalmente desnecessária, pelo que deixo de abordála. Impende, então, discorrer rapidamente sobre os conceitos destas espécies normativas que desoneram uma atividade da exação tributária, buscando a natureza jurídica de cada uma delas. Nas palavras de Paulo de Barros Carvalho, se dá a isenção com “o encontro de duas normas jurídicas, sendo uma a regramatriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da primeira (regramatriz)” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 10. ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 332.). Logo, nesta concepção de isenção, não se pode considerála como hipótese de exclusão do crédito tributário. Na verdade, como exclusão do crédito se deve considerar a Fl. 424DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 16 remissão, esta sim como dispensa legal do pagamento do tributo. Na remissão há dispensa do tributo, o qual já nasceu, enquanto que na isenção o tributo sequer chega a nascer. Podemos, assim, interpretar a isenção como fruto de “norma de estrutura” que atua em confronto com norma definidora da regramatriz, suprimindo parte da área de abrangência de um ou mais dos critérios do antecedente ou do conseqüente da hipótese tributária, impedindo que haja o surgimento do tributo. Incidindo concorrentemente sobre um fato concreto, tanto a norma padrão de incidência quanto a norma de isenção, uma definindo comportamentos e a outra alterando a estrutura da primeira, se dá a mutilação de um dos critérios da primeira norma, seja do antecedente (critério material, especial ou temporal) seja do conseqüente (critério pessoal ou quantitativo). Haja vista que para que se dê a incidência tributária é indispensável a concorrência de todos os critérios da norma de incidência, em concorrendo norma isentiva, o efeito jurídico é de evitar a incidência tributária, impedindo o nascimento da relação jurídica tributária, que uniria os sujeitos ativo e passivo em torno do objeto prestacional, que é o tributo, não fosse a isenção. Novamente recorrendo às lições firmadas na teoria formulada por Paulo de Barros Carvalho, temos que: “Guardando a sua autonomia normativa, a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência, mutilandoas, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regramatriz, inutilizandoa como norma válida no sistema, o que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 482). Para ilustrar esta situação, teríamos a venda de produtos industrializados para Zona Franca de Manaus – ZFM. Ora, a saída do estabelecimento industrial (critério temporal), de produtos industrializados, realizaria a hipótese de incidência do IPI, fazendo com que ao industrial (sujeito passivo) fosse imputado o dever jurídico de pagar à União (sujeito ativo), determinada quantia a título de tributo (base de cálculo X alíquota aplicável). No entanto, em sendo destinado à ZFM, há norma jurídica isentiva, que neutraliza e mutila justamente o critério espacial da RMIT, de modo que as operações destinadas a determinados espaços territoriais, como no caso, estão livres da incidência tributária. Outro modelo seria a isenção do imposto de renda concedida aos servidores diplomáticos de governos estrangeiros, no qual é mutilado o sujeito passivo, parcialmente, de modo que a auferição de renda ou proventos de qualquer natureza, por uma dessas pessoas, não sofre a incidência da norma padrão do IR, fruto da atuação da norma isentiva sobre aquela. Houve, assim, mutilação parcial do critério pessoal da RMIT. Assim sendo, o efeito jurídico da norma de isenção é o de alterar a estrutura da norma padrão de incidência, para que ela não produza os efeitos jurídicos para os quais foi editada. No que diz respeito à imunidade, o conceito tradicional vigente a toma da seguinte maneira: “...Um obstáculo posto pelo legislador constituinte, limitador da competência outorgada às pessoas políticas de direito Fl. 425DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.342 17 constitucional interno, excludente do respectivo poder tributário, na medida em que impede a incidência da norma impositiva, aplicável aos tributos não vinculados (impostos), e que não comportaria fracionamentos, vale dizer, assume foros absolutos, protegendo de maneira cabal as pessoas, fatos e situações que o dispositivo mencione.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 110). Paulo de Barros Carvalho, entre outros, no entanto, a vê como sendo “a classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas, contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8. ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 121). Roque Antônio Carrazza também não discrepa, tratando a imunidade como um fenômeno de natureza constitucional, sendo que suas normas fixam a “incompetência das entidades tributantes para onerar, com exações, certas pessoas, seja em função de sua natureza jurídica, seja porque coligadas a determinados fatos, bens ou situações.” (CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 10. ed., São Paulo: Malheiros, 1997, p. 399). Assim sendo, entendo que a imunidade deve ser entendida como sendo o instituto constante de normas jurídicas previstas expressamente na Constituição Federal, tendentes a fixar a incompetência tributária das pessoas políticas de direito constitucional interno, alcançando situações específicas e, quando não suficientemente caracterizadas, que comportam interpretação extensiva e aplicação ampliativa, visando a realização do fim almejado pelo instituto em si. No que diz respeito a nãoincidência tributária, visando explicar à saciedade o fenômeno, a melhor definição que reputo, data de cerca de quatro décadas e foi formulada por Alfredo Augusto Becker, nos seguintes termos: “A expressão ‘caso de não incidência’ significa que o acontecimento deste ou daqueles fatos são insuficientes, ou excedentes, ou simplesmente estranhos para a realização da hipótese de incidência da regra jurídica de tributação.” (BECKER, Aufredo Augusto. Teoria Geral do Direito tributário. 2.ed., São Paulo: Saraiva, 1972, p. 276). Ruy Barbosa Nogueira, define a nãoincidência como o inverso da incidência, “isto é, o fato de a situação ter ficado fora dos limites do campo tributário, ou melhor, a nãoocorrência do fato gerador, porque a lei não descreve a hipótese de incidência” (NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. 14. ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 167). Assim, no entendimento doutrinário acima, a nãoincidência tributária decorre da impossibilidade de haver a subsunção dos fatos à norma, posto que insuficientes, excedentes ou mesmo estranhos ao acontecimento descrito na norma de tributação. Com efeito, seria estranho à industrialização, por exemplo, a prestação de serviços ou a auferição de renda ou o registro de receita, ou a apuração de lucro líquido, de modo que estas hipóteses são Fl. 426DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 18 insuficientes, excedentes ou estranhas ao fato jurídico tributário descrito na regramatriz de incidência tributária do IPI. Assim sendo, voltando ao início desta digressão conceitual, temos que na TIPI os produtos são classificados por uma alíquota positiva, ou alíquota zero (0%), ou, finalmente, pela notação “NT”, de modo que interpreto a notação “NT” como sendo gênero do qual são espécies os institutos da imunidade, da isenção e da não incidência. Dizendo de outro modo, em sendo “NT” na TIPI, ou será porque se tratar de caso de imunidade, de isenção ou de não incidência. Comparando referida situação com o conceito de estabelecimento produtor, especialmente quando o art. 8º, do RIPI afirma serem assim conceituados aqueles que praticarem quaisquer das atividades listadas no art. 4º, do mesmo Regulamento (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, ou renovação ou recondicionamento), e que decorrer a saída de produtos tributados, ainda que isentos ou alíquota zero, entendo que o dispositivo referiuse à produtos que, pela sua natureza, seriam “tributados”, por preencherem os atributos de atividade industrial (art. 4º.), excluindose aqueles que não o preencherem. E, neste sentido, entendo que não preenchem os atributos naturais da atividade típica e concretamente de industrialização, os produtos que estejam acobertados pela imunidade, pois sequer há competência para instituir o gravame, quanto mais para se o tributar, e, também, os produtos considerados como sujeitos a não incidência, pois que o critério material da hipótese tributária (verbo mais um complemento), não poderia ser objeto de imposição da tributação pelo IPI, pois que seriam insuficientes, excedentes ou simplesmente estranhos para o fato gerador do tributo. E para assim concluir, proponho a seguinte releitura do art. 3º, da Lei nº 4.502/64: “Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto.” (Grifei). Fazendo a leitura do dispositivo legal, verificase que a Lei conceituou como sendo estabelecimento produtor quando industrializar produtos “sujeitos ao imposto”, no sentido de ser passível de incidência do imposto sobre referido produto em fabricação. Tanto é verdadeiro que os produtos isentos e alíquota zero, embora não recolham o IPI, a ele estão sujeitos, pois que decorrem de uma atividade tipicamente industrial e dentro da competência tributária para sua oneração pelo imposto. E aqui, data vênia, estão todos os produtos que sofram alguma das hipóteses de industrialização previstas no art. 4º do RIPI (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, ou renovação ou recondicionamento), desde que estejam dentro da competência de tributação do IPI, ou seja, não sejam imunes e não sujeitos a não incidência, segundo os conceitos jurídicos que tais institutos efetivamente possuem. Não encontro a restrição para que seja considerado um estabelecimento industrial apenas aquele que der saída a produtos tributados, isentos ou alíquota zero, mas sim, que dê saída a produto sujeito ao imposto, que efetivamente o pagaria, não fosse a norma desonerativa. Na essência, a natureza jurídica desta desoneração é, efetivamente, de isenção, pois que há competência para a exigência do tributo (ou seja, não há imunidade), e por natureza há processo industrial (ou seja, não se trata de não incidência). É dizer, se o bem fabricado for Fl. 427DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.343 19 imune ou sujeito a não incidência, então se estará diante do que a norma contida no art. 3º, da Lei nº 4.502/64, conceituou como sendo um fruto de um estabelecimento que NÃO seja industrial ou fabricante. Analisando o caso do produto, em concreto (Farinha Tipo FUBÁ), é sabido que o mesmo é produzido a partir das atividades industriais de transformação e beneficiamento, sendo que para se o atingir, se deve moer a própria farinha por diversas vezes, até se o produzir, de modo que, sim, tratase de um produto que seria tranquilamente passível de receber uma tributação, estando na competência do ente público que o pretender gravar pelo IPI, pois que preenche a descrição da hipótese normativa do imposto, e não está abrangido pela imunidade. No entanto, por questão de política fiscal ou mesmo pública, por se tratar de produto alimentício, houve a decisão governamental de desonerar referido tributo, afastando a tributação do IPI que o gravaria numa situação natural. E essa decisão, segundo minha convicção, preenche a hipótese legal e tem, efetivamente, a natureza jurídica de isenção tributária, pela qual se está mutilando parte do aspecto material da hipótese tributária, especificamente o complemento do “verbo” (“industrializar” “farinha” “tipo FUBÁ”). Situação similar é procedido pela Lei com relação a cadeiras de rodas, táxis, urnas funerárias etc. Consequentemente a hipótese legal é de isenção, e, portanto, está abrangida pelo incentivo fiscal veiculado pelo art. 1º, da Lei n. 9.363/96. E isso tudo, sem nos olvidarmos que finalidade do incentivo em questão, é a desoneração do PIS e da COFINS que gravaram as etapas do mercado interno, em cascata, e que é para esse ressarcimento que se concedeu o crédito presumido do IPI, na conta gráfica deste, apenas por comodidade e política de controle fiscal. Ante ao exposto, por considerar que a desoneração do produto em questão ostenta a natureza jurídica de isenção, voto no sentido de reconhecer o direito ao cálculo do benefício sobre as receitas de exportação provenientes da venda ao mercado externo de Farinha Tipo FUBÁ. 2.2 Direito ao cômputo do valor das Receitas de Exportação de mercadorias classificadas como “NT”, na TIPI, no cálculo da relação percentual entre Receitas de Exportação e Receita Operacional Bruta. Sobre esse aspecto da controvérsia sobre as exportações de mercadorias classificadas na TIPI como “NT”, a análise deve partir da legislação pertinente ao incentivo, para detectar se há definição legal do que venha a ser receita de exportação, para a finalidade de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363/96. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 20 Para tanto, cabe transcrever o disposto no art. 2º, da referida legislação: “Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” (Grifei). Do cotejo dos dispositivos acima, se depreende que para o cômputo da relação percentual que se estabelece entre a Receita Operacional Bruta e a Receita de Exportação (Rex/Rob), devese levar em consideração o valor constante da nota fiscal de venda destinada ao mercado externo. Consequentemente, não há que se falar em segregar as notas fiscais de exportação de produtos classificados na TIPI como tributados pelo IPI, daqueles que nela tenham notação “NT”. Constatase que a decisão recorrida baseou sua conclusão no art. 3º, §15º, inciso II, da Portaria MF n. 38, de 27 de fevereiro de 1997, que está assim redigida: Art. 3º. O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais.” (grifo nosso). Cotejando a redação do art. 3º, da Lei n. 9.363/96 com a redação do §15º, do art. 3º, da IN 38, acima, verificase que esta última pretendeu abranger situação que não constou da legislação de regência, para inserir no cômputo da relação percentual, apenas a receita de exportação de produtos que tenham sido “industrializados”. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.344 21 E, ao restringir a produtos ditos “industrializados”, permitiu que houvesse vinculação do que sejam produtos industrializados com o conceito do que seja estabelecimento industrial, para, consequentemente, calcado no art. 8º, do RIPI (Decretos nºs. 4.544/2002 – RIPI/2002 ou 7.210/2010 – RIPI/2010), impor a interpretação de que referidos produtos não seriam industrializados, pois saídos de um estabelecimento que não seria “industrial” para fins legais. No entanto, esta restrição não encontra amparo, devendo prevalecer a interpretação que se permita atingir os objetivos pelos quais o próprio incentivo fiscal fora criado, qual seja: diminuição do custo dos produtos exportados. É certo que há interesse nacional na exportação, sejam de produtos que aqui são tributados pelo IPI, seja dos produtos que a ele não estivessem sujeitos, desde que fomentem a indústria nacional. Está claro, ainda, que as modalidades e o conceito de industrialização está regulada pelo art. 3º, da Lei n. 4.502/64, que é a matriz legal do art. 4º, do RIPI (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), de modo que, se sujeitando as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem a processo que preencha alguma dessas modalidades, para então destinar o produto final ao exterior, se estará atendendo ao objetivo colimado pela legislação quando da criação do incentivo, pela Lei n. 9.363/96, e, consequentemente, haverá o direito de considerar esta operação como sendo exportação, pois outra operação não o é. No mesmo sentido da conclusão aqui esposada, cumpre trazer à balha trecho do voto do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, no julgamento do Processo 13807006963/200415, nos seguintes termos: “A exclusão dos valores referentes às exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados) não encontra amparo legal. A legislação do benefício definiu de modo expresso o conceito de receita de exportação e de receita operacional bruta. Refirome ao § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97: (...) Nesses termos, toda e qualquer venda para o mercado externo – independentemente de ser de produtos fabricados na empresa ou apenas revendidos, bem como independentemente de ser o produto tributado ou não pelo IPI – aí se há de incluir. Nesta linha, dou provimento ao recurso no sentido de que seja incluído no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita operacional bruta), o montante das receitas de vendas de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados).” Assim sendo, nesse particular, igualmente merece provimento o recurso, para que seja computado no cômputo das receitas de exportações e também no da receita operacional bruta, aquelas provenientes de vendas externas de produtos classificados na TIPI Fl. 430DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 22 como sendo “NT”, para fins do cômputo da relação percentual entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta. 3. Atualização monetária dos Créditos Escriturais quanto há Oposição da Administração Tributária. Finalmente, com relação ao direito de correção monetária, pela taxa SELIC, do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, igualmente tratase de matéria que rende muitos questionamentos. Para a abordagem que o tema merece, devese partir da segregação do que sejam créditos provenientes de pagamentos indevidos ou a maior, passíveis, portanto, de pedido de restituição, dos créditos provenientes da sistemática da nãocumulatividade, ainda que sob a forma de créditos presumidos ou de incentivos fiscais, que são os chamados créditos escriturais. Para os créditos que o contribuinte apurar que seja decorrente de pagamento indevido ou a maior, passível de pedido de restituição, não há dúvida de que há a incidência da taxa SELIC, pois assim o determina o §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” No que diz respeito aos créditos ditos “escriturais” ou decorrentes da sistemática da não cumulatividade ou ainda provenientes de benefícios fiscais, passíveis de pedido de ressarcimento, o direito a correção monetária certamente figurase como uma exceção ao direito de correção, ou seja, em regra geral não se poderá proceder a atualização monetária do crédito escritural, salvo se houver oposição ou resistência, oposta pela Administração Tributária, ao gozo dos referidos créditos escriturais. É dizer: havendo oposição da Fiscalização, haverá direito a correção monetária dos créditos. Esse entendimento aplicável a créditos escriturais é matéria objeto de pacífico entendimento emanado do Poder Judiciário como se pode ver pela Ementa do Recurso Fl. 431DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.345 23 Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que afasta a correção monetária sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Segue a ementa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A matéria é objeto de Súmula do STJ, a saber: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 24 "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" Especificamene quanto à correção monetária do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, aqui concretamente abordado, cabe reportase ao já citado o Recurso Especial n. 993.164, Rel. Ministro Luiz Fux, submetido ao Rito dos Recursos Repetitivos (543C, do CPC), na parte que diz respeito a correção monetária: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...)” (STJ – 1ª Seção – REsp 993.164 Rel. Min. Luiz Fux – j. 13.12.2010 – Dj 17.12.2010). Fl. 433DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.346 25 Em face desses pacíficos entendimentos, considerando que no caso em concreto havia oposição normativa (IN 23/97) por ato da Administração Tributária, tanto que indeferiu o ressarcimento dos créditos em questão, configurando uma oposição concreta, mostrase plenamente legítima a incidência da taxa SELIC sobre os créditos objeto do ressarcimento, pelo que, também nesse particular, merece provimento o recurso do contribuinte. 4. Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, na parte que diz respeito aos créditos decorrentes das aquisições feitas junto a pessoas físicas e cooperativas, por perda o objeto em virtude de superveniência de decisão judicial, e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso, para deferir o direito aos créditos nas exportações de farinha de milho tipo fubá, computar referidas vendas nas receitas de exportação para fins de calculo do incentivo e, finalmente, deferir a incidência de correção monetária pela SELIC desde o protocolo do pedido de ressarcimento. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Voto Vencedor Ouso discordar do eminente relator quanto à questão do direito ou não a crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 26 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para melhor elucidar a questão, aduzo o voto do Ilustríssimo Presidente da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Doutor Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos Fl. 435DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.347 27 elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º). Fl. 436DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 28 Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI. O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10120.002408/200364 Acórdão n.º 340201.796 S3C4T2 Fl. 1.348 29 estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...). Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: a) O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; b) A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Voltando ao caso concreto, a recorrente colima ter reconhecido o ressarcimento do IPI incidente sobre aquisições de materiais empregados na sua atividade econômica, na qual prepondera a produção, beneficiamento, acondicionamento e posterior comercialização de produto classificado na Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto nº 4.542/2002), como Não Tributado NT. Em virtude das considerações feitas sobre a matéria, entendo que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado, tendo em vista que seu produto exportado a caracteriza como consumidor final e não como empresa produtora, pressuposto indispensável para a fruição do benefício em questão. Pelos fundamentos expostos, nego o direito ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). É como voto. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 30 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 439DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Numero do processo: 11610.009808/2003-41
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
MEDIDA JUDICIAL
A submissão de determinada matéria à apreciação do Poder
Judiciário afasta a competência cognitiva de órgãos julgadores
em relação ao mesmo objeto.
Numero da decisão: 204-03.255
Decisão: ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Uliane Marques de Oliveira.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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CCO2/C04 Fls. 170 • t • ,t, , MINISTÉRIO DA FAZENDA • P • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES efr QUARTA CÂMARA Processo n° 11610.009808/2003-41 Recurso e 140.377 Voluntário Matéria OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL; CONCOMITÂNCIA soutnto• Acórdão e 204-03.255 \noa c'eavseiktt, c"))3Sessão de 04 de junho de 2008 tsr*C„.‘j `41 e Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA. de PO" Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PISWASEP I jr:-----------â-sEG•utttt3 CCNsEu-so oE Ne7RIBuit'llES Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 CONFERE COM O ORIGINAL MEDIDA JUDICIAL isiba. A submissão de determinada matéria à apreciação do Poder „W./ker, „,is Judiciário afasta a competência cognitiva de órgãos julgadores ; Mas la."1"(1--- em relação ao mesmo objeto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de • contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Uliane Marques de Oliveira. • p ,p ennque etro Torres "`"' Presidente • • seeperai- __gogsásis-ff.'sg-afraramalue-~ár-- ~Ir GO I. 4 ai • e Relator • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente), Sílvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Júnior e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente). • I" Processo n° 11610.009808/2003-41 CCO2/C04 Acórdão n.• 204-03.255 44F . SEC-WW3 CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 171 CeNFERE. COMO ORIGINAL ;eas;i:a ___37 f 10 Maria 1 uno ,:r Novais Relatório ',Japi, Int I Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o relatório da DRJ em São Paulo/SP, ipsis literis: "4. Trata o presente processo, protocolizado em m07.2003 pela empresa acima identificada, de declaração de compensação (fls. 01/02) na qual o contribuinte utiliza supostos créditos de PIS, dos períodos de apuração de 07/89 a 09/95, decorrentes de ação judicial (Mandado de Segurança n° 1999.61.0003006-36) para compensar débito de PIS referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$ 1.257.946,08. 5. Através do despacho decisório da EQITD/DIORT/DERAT/SPO (fls. 17 a 20) a compensação declarada não foi homologada, em síntese, porque se verificou, mediante consulta processual ao sítio do IR? da 30 Região, que a ação judicial, processo n° 1999.61.00030063- 6, em que se origina o crédito do contribuinte ainda não transitou em julgado, e conforme art. 170-A do C7N, arts. 22 e 37 da IN SRF n° 210/2002 é conditio sine qua non à efetivação da compensação. 6. O contribuinte, inconformado com despacho decisório que não homologou a compensação declarada, apresentou manifestação de inconformidade em 19.08.2004 (jis. 24 a 32), acompanhado de documentos de P. 33 a 57, no qual argumenta, em síntese, que: 6.1 A impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 1999.6100030063-6 em 29.06.1999, tendo sido proferida sentença em 27.11.2000, concedendo a segurança pleiteada, reconhecendo indevidos os pagamentos feitos na forma dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88, bem como reconhecendo o direito de compensação do montante comprovado nos autos; 6.2 O direito a compensação foi adquirido anteriormente às edições da Lei Complementar n°104/2001, que instituiu o art. 170-A, e a IN n° 210/2002, que instituiu o art. 37. E evidente que o direito a efetuar a compensação nasceu em 27.11.2000, quando da publicação da sentença, sendo este período anterior à publicação da LC n° 104/2001 e da IN n° 210/2002. Os efeitos dos normativos 170-A do CTN e 37 da IN 210/02 não podem retroagir com o intuito de alcançar fatos pretéritos; 6.3 Existindo sentença reconhecendo indevidos os pagamentos feitos pela impugnante na forma dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88, bem como reconhecendo o direito de compensação do montante comprovado, a compensação efetuada é legítima. Não cabe o julgador alegar que o pedido de compensação é indevido em razão dos artigos 170-A e 37 da IN 210/02, vez que estes normativos nem existiam à época da prolação da sentença; 6.4 O próprio Senado Federal, em 1995, editou a Resolução 49/95 suspendendo a execução dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88. Assim, irrefutável a assertiva de que os Decretos-Lei 2.445/88 e 2.449/88 não teriam competência para ampliar a base de cálculo do PIS, bem como 2 _ _ • Processo n0 11610.009808/2003-41 CCO2/C04 Ao5rdão n.° 204-03.255 Fls. 172 para realizar qualquer alteração nas disposições da LC 7/70. Dessa forma, colocando uma pá de cal no assunto, o direito a compensação dos valores objeto do Mandado de Segurança n° 1999.6100030063-6 adveio quando da edição da Resolução n° 49/95, através da qual suspendeu a execução dos Decretos-Lei 2.445/88e 2.449/88; 6.5 O Sr. Julgador menciona ainda em seu relatório que a compensação não foi efetuada através do PERD/COMP (compensação eletrônica). Ocorre que esta exigência é totalmente descabida, vez que quando da aquisição do direito à compensação este sistema não existia; e ainda, o PERD/COMP é um sistema falho, no momento em que exige que seja informado o trânsito em julgado do processo quando trata-se de crédito oriundo de decisão judicial; 6.6 A compensação que se busca é a proveniente de lançamento por homologação, em que o contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao fisco verificar se o encontro de contas fora realizado corretamente, ou não, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91; 6.7 Entretanto, não se pode confundir a compensação prevista no 5 art. 66 e a estabelecida no art. 170 do CTN. A primeira norma éta dirigida ao contribuinte e relacionada ao lançamento por z 1 homologação, sendo que, nesse caso, o Judiciário apenas reconhece o 8 (5 > direito de ser efetuada a compensação, sem, no entanto, proceder àre Lu o z .7.7 homologação do encontro de contas, incumbindo, portanto, àn o o — J administração fazendária o direito de verificar se a compensação fora ud o efetuada corretamente. A segunda norma, estampada no art. 170-A doo n2 CT1,1, refere-se à compensação como forma de extinção do crédito c.i (' lu •r, tributário, sendo portanto, atinente a objeto de lançamento tributário 9 u. já consumado e que, por isto mesmo, dotado é de liquidez e certeza. O imarco divisor entre esses dois dispositivos deságua na existência ou não de crédito tributário já constituído pelo lançamento tributário; 6.8 Resta claro que a situação aqui tratada esta sujeita ao lançamento por homologação, onde o sujeito passivo antecipa o pagamento respectivo sem que a autoridade administrativa tenha examinado os elementos com base nos quais foi a mesma calculada. Nesse sentido, não há que se falar em exigência de PERD/COMP, vez que tratamos aqui de compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e não compensação como forma de extinção do crédito tributário." A DRJ em São Paulo - SP indeferiu o pleito da contribuinte, em decisão assim ementada: • PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. " CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. 3 1Q1 e . • Processo n° 11610.009808/200341 CCO2/C04 Acórdão n. 204-03.255 Fls. 173 • Conforme disposto no art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Compensação não Homologada Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade. • É o Relatório. " CONFERE COM O ORIGINAL Rasilla, _21_1 /0 07 Voto Maria..tr9r.;---ne Novaisovais Mui Marc 164; Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Trata-se de pedido de compensação de créditos de PIS, oriundos da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis n es 2.445 e 2.449/88, requeridos por meio de ação judicial própria. Compulsando-se os autos, verifica-se que o Mandado de Segurança n.° 1999.61.00.030063-6, originário da 4' Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, com Recurso Especial pendente de apreciação pelo E. STJ, abarca o pedido de reconhecimento dos créditos utilizados pela Recorrente nestes autos, bem como a compensação que pretende realizar. Conforme se depreende da leitura do pedido na exordial do Mandado de Segurança citado (fls. 156/158), a contribuinte requer o reconhecimento dos créditos de PIS em virtude do pagamento indevido nos moldes dos decretos-leis acima citados e a compensação com débitos vincendos de PIS, conforme o permissivo do art. 66 da Lei n°8.383/91. Deisa forma, por ter sido a matéria referente ao reconhecimento dos créditos submetida à apreciação do Poder Judiciário, nesta fase, resta-nos tão somente cumprir o que for determinado no decisum judicial. Saliente-se que ao adentrar a esfera judicial o contribuinte renunciou à esfera administrativa, consoante Art. 38 da Lei 6.830/80 e consolidado entendimento do Conselho de Contribuintes adiante exemplificado nas ementas transcritas: Acórdão 108.06446, de 22/03/01 - Oitava Câmara do Primeiro Conselho. AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITA1 VCL4 - A concomitância de ação judicial com a mesma causa de pedir, impede a apreciação da impugnação e do recurso na via administrativa. • • • 4 !Ç• — _ • e • Processo n° 11610.009808/2003-41 C2/C04 Acórdão n.° 204-03.255 Fls. 174 Acórdão 107.06219, de 22/03/01 - Sétima Cámara do Primeiro Conselho. PROCESSO ADMLVISMATIVO FISCAL - NORMAS PROCESSUAIS - AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES - IMPOSSIBILIDADE - A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "ex officio", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito, por parte da autoridade administrativa, tornando-se definitiva a exigência tributária nesta esfera. O mesmo entendimento tem sido manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça, cuja jurisprudência pode ser exemplificada pelas ementas abaixo reproduzidas: TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARÁTÓRIA QUE ANTECEDE A AUTUAÇÃO. RENÚNCIA DO PODER DE RECORRER NA VIA ADMINISTRATIVA E DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO. I — O ajuizamento da Ação Declaratória anteriormente à autuação impede o contribuinte de impugnar administrativamente a mesma autuação interpondo os recursos cabíveis naquela esfera. Ao entender de forma diversa o acórdão recorrido negou vigência ao art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 22.09.80. H — Recurso Especial conhecido e provido. (STJ, REsp 24.040, RJ, 27/09/1995) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXIGÊNCIA FISCAL •QUE HAVIA SIDO IMPUGNADA POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO, RAZÃO PELA QUAL O RECURSO MANIFESTADO PELO CONTRIBUINTE NA ESFERA ADMINISTRATIVA FOI JULGADO PREJUDICADO, SEGUINDO-SE INSCRIÇÃO DA DIVIDA E AJUIZAMEIVTO DA EXECUÇÃO. Hipótese em que não há falar-se em cerceamento de defesa e, conseqüentemente, em nulidade do título exeqüendo. Interpretação da norma do cot 38, parágrafo único, da lei n' ‘830/80, que não faz distinção, para os efeitos nela previstos, entre ação preventiva e ação proposta no curso do processo administrativo. Recurso provido. (STJ, Resp, 7.630, RJ, 24/04/1991). [Destaque acrescido]. Diante do exposto, resta impossibilitada a apreciação da matéria nestes autos, tendo em vista que toda ela está sendo discutida judicialmente. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. É o meu voto. Sala das Sessões, 04 de j • • de 2008 -Sarara Insmn--Z —ér'v lo O S /Zr ZAN UF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL nasala. 3 1 tdari.r...ijkr~ Novais $ SI.Ipx: 9164 Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.003606/2006-15
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Súmula 002 do Segundo Conselho de Contribuintes
APLICAÇÃO IMEDIATA DE DECISÃO DO STF PROFERIDA NO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA JURÍDICA.
As decisões proferidas pelo STF no controle difuso de constitucionalidade de norma jurídica só tem efeito entre as partes, não podendo ser estendida aos demais contribuintes, a não ser que o Legislativo reconheça a inconstitucionalidade da norma por meio de Resolução do Senado Federal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infração tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos seus efeitos. A delegação a terceiros de pratica de atos de sua responsabilidade não exime o sujeito passivo dos efeitos decorrentes da infração praticada em seu nome.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 204-03.311
Decisão: ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de
contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Alexandre Venzon Zanetti e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente), quanto ao alargamento da base de cálculo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Súmula 002 do Segundo Conselho de Contribuintes APLICAÇÃO IMEDIATA DE DECISÃO DO STF PROFERIDA NO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA JURÍDICA. As decisões proferidas pelo STF no controle difuso de constitucionalidade de norma jurídica só tem efeito entre as partes, não podendo ser estendida aos demais contribuintes, a não ser que o Legislativo reconheça a inconstitucionalidade da norma por meio de Resolução do Senado Federal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos seus efeitos. A delegação a terceiros de pratica de atos de sua responsabilidade não exime o sujeito passivo dos efeitos decorrentes da infração praticada em seu nome. Recurso Voluntário Negado
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C. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida DRJ em Florianópolis/SC LIF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONFERE COM O ORtGINAL / 05) Período de apuração: 01/01/2003 a 31112/2004 COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E Man Ii.uzaSç:Iri;.ari`a.r-wais ILEGALIDADE. Mai Sta e 9 164 As instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Súmula 002 do Segundo Conselho de Contribuintes APLICAÇÃO • IMEDIATA DE DECISÃO DO STF • PROFERIDA NO CONTROLE DIFUSO DE • CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA JURÍDICA. As decisões proferidas pelo STF no controle difuso de constitucionalidade de norma jurídica só tem efeito entre as partes, não podendo ser estendida aos demais contribuintes, a não • ser que o Legislativo reconheça a inconstinicionalidade da norma por meio de Resolução do Senado Federal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. • A responsabilidade por infração tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos seus efeitos. A delegação a terceiros de pratica de atos de sua responsabilidade não exime o • sujeito passivo dos efeitos •decorrentes da infração praticada em seu nome. Recurso Voluntário Negado i}2}-/ Processo n° 11516.003606/2006-15 CCO2JC04 Acórdão n.° 204-01311 Els. 274 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Alexandre Venzon Zanetti e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente), quanto ao alargamento da base de cálculo. fr UEita HEIRt Tjc)ff:z w, 11F SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • HE RIQ PIN R tS CONFERE CONI O ORIGINAL Presidente Brasília /0 / 057 k1/4- assiom-Àkm Y S ATTA MarNitaat ,istipmca9r1Nmiovats NA A BA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). • 2 Processo n°11516.003606/2006-15 CCO2/C04 Acórdão n.°204-01311 Fls. 275 IIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL & /asilo. Maria Luzimar Novais Relatório M.a Stà P-• g hi I Trata-se de Auto de Infração objetivando a cobrança da Cofins relativa aos períodos de janeiro/03 e dezembro/04 em virtude de falta de recolhimento da contribuição por ter a contribuinte inforrnado à SRF através de sua declaração de IRPJ a condição de "inativa", quando apresentava movimentação financeira relevante e evidencia de atuação operacional em face do conteúdo da Declaração de Informações Econômico-Fiscais — DIEF entregue à Secretaria Estadual da Fazenda. As bases de cálculo foram apuradas a partir de valores escriturados nos Livros Registros de Saídas e Apuração de ICMS e aqueles informados nas DIPJ retificadoras entregues sob intimação. Foi formalizada representação fiscal para fins penais no Processo n° 11516.003607/2006-51. • A contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa: • 1. inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98; • 2. não teve intenção de fraudar o Fisco pois caso fosse este o seu intento não teria feito qualquer declaração à Secretaria Estadual da Fazenda, assim não pode • ser responsabilizada por ato que não cometeu, ressaltando que a prática de fraude pressupõe a intenção dolosa; • 3. caráter confiscatório da multa aplicada; e 4. pede aplicação da multa no percentual de 10% dos tributos devidos. A DRJ em Florianópolis manifestou-se no sentido de manter o lançamento. Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial. E o Relatório. Voto Conselheira Nayra Bastos Manatta, Relatora O recurso apresentado encontra-se revestido das formalidades cabíveis merecendo ser apreciado. No que diz respeito aos argumentos acerca da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 é de se verificar que, no que diz respeito à apreciação de matéria versando sobre inconstitucionalidade de lei pela esfera administrativa, filiamo-nos à corrente doutrinaria que afirma a sua impossibilidade. O julgamento administrativo está estruturado corno atividade de controle interno de atos praticados pela própria Administração, apenas no que concerne à legalidade e legitimidade destes atos, ou seja, se o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontra-se \)eM 3 . , Processo n° 115 16 003606/2006-IS CCO2/C04 Acórdão n.° Fls. 276 balizado pela lei e dentro dos limites nela estabelecidos. No exercício desta função cabe ao julgador adrninistrativo proceder ao exame da norma jurídica, em toda sua extensão, limitando- se, o alcance desta análise, aos elementos necessários e suficientes para a correta compreensão e aplicação do comando emanado da norma. O exame da validade ou não da norma face aos dispositivos constitucionais escapa do objetivo do processo administrativo fiscal, estando fora da sua competência. Themistocles Brandão Cavalcanti in "Curso de Direito Administrativo", Livraria Freitas Bastos S.A, RJ, 2000, assim manifesta-se: Os tribunais administrativos são órgãos jurisdicionais, por meio dos quais o poder executivo impõe à administração o respeito ao Direito. Os tribunais administrativos não transferem as suas atribuições às • 1-i 1 autoridades judiciais, são apenas uma das formas por meio das quais se exerce a autoridade administrativa. O 12 Conciliamos, assim, os dois princípios: a autoridade administrativa kl 5 'í decide soberanamente dentro da esfera administrativa. Contra estes, só oo - o- existe o recurso judicial, limitado, entretanto, à apreciação da • E legalidade dos atos administrativos, verdade, como se acha, ao L) 3 ' • 51'• conhecimento da justiça, da oportunidade ou da conveniência que g t -2 2 ditarem à administração pública a prática desses atos. L. Segundo o ilustre mestre Hely Lopes Meireles, o processo administrativo está su ordinado ao princípio da legalidade objetiva, que o rege: O principio da legalidade objetiva exige que o processo administrativo seja instaurado com base e para preservação da lei. Daí sustentar • GIANNINI que o processo, como recurso administrativo, ao mesmo tempo que ampara o particular serve também ao interesse público na defesa da norma jurídica objetiva, visando manter o império da legalidade e da justiça no funcionamento da Administração. Todo processo administrativo há de embasar-se, portanto, numa norma legal especifica para apresentar-se com legalidade objetiva, sob pena de invalidade, Depreende-se daí que, para estes juristas, a função do processo administrativo é conferir a validade e legalidade dos atos procedimentais praticados pela Administração, limitando-se, portanto, aos limites da norma jurídica, na qual embasaram-se os atos em análise. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exarceba a sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal O Estado brasileiro assenta-se sobre o tripé dos três Poderes, quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário. No seu Título IV, a Carta Magna de 1988 trata da organização destes três Poderes, estabelecendo sua estrutura básica e as respectivas competências No Capítulo III deste Título trata especialmente do Poder Judiciário, estabelecendo sua competência, que seria •a de dizer o direito. Especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas observa-se que o legislador constitucional teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das norm s 4 n P . • s. Processo n° 11516.003606/2006-15 brásiita ; CCO2/C04 Acórdão n *204-03.311 ,„,„ Qui!! jurídicas. Atribui, o constituinte, esta competência exclusivamente ao Poder Judiciário, e, em particular ao Supremo Tribunal Federal, que se pronunciará de maneira definitiva sobre a constitucionalidade das leis. Tal foi o cuidado do legislador que, para que uma norma seja declarada inconstitucional com efeito erga homes é preciso que haja manifestação do órgão máximo do Judiciário — Supremo Tribunal Federal -- que é quem dirá de forma definitiva a constitucionalidade ou não da norma em apreço. Ainda no Supremo Tribunal Federal, para que uma norma seja declarada, de maneira definitiva, inconstitucional, é preciso que seja apreciada pelo seu pleno, e não apenas • por suas turmas comuns. Ou seja, garante-se a manifestação da maioria absoluta dos representantes do órgão Máximo do Poder Judiciário na analise da constitucionalidade das normas jurídicas, tal é a importância desta matéria. Toda esta preocupação por parte do legislador constituinte objetivou não permitir que a incoerência de se ter uma lei declarada inconstitucional por determinado • Tribunal, e por outro não. Resguardou-se, desta forma, a competência derradeira para manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis à instância superior do Judiciário, qual seja, o Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos apreciassem a • • constitucionalidade de lei seria infringir disposto da própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder definida no texto constitucional. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: A conclusão mais consentánea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional. Por ocasião da realização do 24° Simpósio Nacional de Direito Tributário, o ilustre professor, mais uma vez, manifestou acerca desta árdua questão afirmando que a autoridade administrativa tem o dever de aplicar a lei que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF, devendo, entretanto, deixar de aplicá-la, sob pena de responder pelos danos porventura daí decorrentes, apenas se a inconstitucionalidade da norma já tiver sido declarada pelo STF, em sede de controle concentrado, ou cuja vigência já houver sido suspensa pelo Senado Federal, em face de decisão definitiva em sede de controle difuso. Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federa/ que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Como da decisão definitiva proferida na esfera administrativa não pode o Estado recorrer ao Judiciário, uma vez ocorrida a situação retrocitada, estar-se-ia dispensand o CCO2/C04 Acórdão ri 20403 311 Fls278• pagamento de tributo indevidamente, o que corresponde a crime de responsabilidade funcional, podendo o infrator responder pelos danos causados pelo seu ato. A impossibilidade de manifestação por parte deste Conselho acerca de inconstitucionalidade de norma jurídica já foi objeto de Sumula Vinculante n°002. 1 Em relação à aplicação da recente decisão do STF no que tange à inconstitucionalidade das alterações da base de cálculo da Cotins e do PIS pela Lei n° 9.718/98, no controle difuso da norma, para os demais contribuintes, adoto o posicionamento do Conselheiro Júlio César Alves Ramos como minhas razões de decidir Cumpre iniciar o seu exame pelo pleito do contribuinte para que seja imediatamente aplicada a decisão do pleno do Supremo Tribunal Federal, recentemente proferida e que, em ação individual, declarou a inconstitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n" 9.718/98 I (4 na forma de apuração das contribuições ao PIS e à Cofins. 54. iq Para tanto, porém, entendo carecerem de competência os órgãos 92 administrativos encarregados da revisão do lançamento. te cz tat •8 o E que como se sabe o inciso XXXV do artigo 5" da Carta Política da o a 2' República estabeleceu o princípio da Unicidade de Jurisdição: "a lei o O,y não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de it. g g direito". Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o "dizer (.4) 2 1 o direito" e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por ( 3 tu ti • - •t orgaos naojztrisdicionais. N a't N2h 2 ,E.se N Entretanto, integra, igualmente, o nosso ordenanzento jurídico o • ti princípio de que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário, ainda •• que em última instância, apenas fazem coisa julgada entre as partes. ; A i3 Desse modo, mesmo quando o STF, no exercício do controle difuso da constitucionalidade dos atos legais editados, declare em sessão plena a • inconstitucionalidade de uma lei, essa decisão produz efeitos apenas para aquele(s) que integrou(aram) a lide. • A extensão dos efeitos de uma tal decisão, ainda segundo as regras emanadas da Cana Magna, depende de expedição de ato, de exclusiva competência do Poder Legislativo. Mais especificamente, Resolução do Senado Federal que suspenda a execução do ato declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (CF, art. 52, inciso X). Somente é desnecessária tal medida quando a ação que deu causa ao pronunciamento do STF for ação declaratória de constitucionalidade ou direta de inconstitzicionalidade, nos ternos do art. 103 da Constituição Federal. No esteio desse entendimento, vale aqui a transcrição do art. 77 da Lei n" 9.430, de 30 de dezembro de 1996: Ai à' 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos • • rios baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: 1- abster-se de constitui-los; • 6 . • Processo n° 11516.003606/2006-15 CO32/014 Acórdão n°204-03 311 Eis 279 II - retificar o seu valor ou declara-los extintos, de oficia quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em divida ativa. Iii- formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. Com o objetivo aí previsto foi editado o Decreto n" 2.346, de 04/10/1997, cujos artigos I" a 4" disciplinam a aplicação, em julgamentos administrativos, das decisões proferidas pelo Poder Judiciário. Confira-se: Art. 1" As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. Lu ,sç I" Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que 5 declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação_4 direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato § 1 praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais à' O Ç for suscetível de revisão administrativa ou judicial. O s ,71 ás 2" O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao (0 ri? ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, L̀-25 incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de L;i \O E": a 2 5 \ sua execução pelo Senado Federal. • "*" o O yç 3" O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de I .7. -ar- r Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou ta. do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos . .jundicos de decisão proferida em caso concreta Art. r-A. Concedida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade contra lei ou ato normativo federal, ficará também suspensa a aplicação dos atos normativos regulamentadores da disposição questionada. (Artigo incluído pelo Decreto n°3.001. de 26.3.1999) Parágrafo único. Na hipótese do caput, relativamente a matéria tributária, aplica-se o disposto no art. 151, inciso IV, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, às normas regulamentares e complementares. (Parágrafo incluído pelo Decreto n° 3.001, de 26.3.1999) 'Art. 2" Firmada jurisprudência pelos Tribunais Superiores, a Advocacia-Geral da União expedirá súmula a respeito da matéria, cujo enunciado deve ser publicado no Diário Oficial da União, em conformidade com o disposto no art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993. Art. 3°À vista das súmulas de que trata o artigo anterior, o Advogado- Geral da União poderá dispensar a propositura de ações ou a intepposição de recursos judiciais. bkki Processo n° 11516.003606/2006-15 CCO21C04 Acordão n 204-03 311 Eis 280 Art. 4" Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no ánibito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal - Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1- não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados: II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União: III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Vê-se que o disciplinamento do assunto é exaustivo. A hipótese ora Si exame adequa-se à perfeição ao que dispõe o parágrafo 2" do art. I". to Com efeito, a decisão do Supremo é definitiva e irrevogável, mas foi proferida em ação proposta por um contribuinte e não em ação declaratória de constitucionalidade ou direta de inconstitucionalidade. çÉit Ora, se assim o é, não existe permissivo para que os órgãos • • •administrativos incumbidos do controle do ato administrativo dez z p os. constituição do • crédito tributário pelo lançamento, possam afastar o lá' o o - crédito legitimamente constituído por estender os efeitos da decisão o o 0 particular, até que o Senado Federal promova, como lhe compete, tal O •irc ‘,„ extensão. Até lá, ainda que de forma redundante e ineficiente, cada s3 2 contribuinte tem de se insurgir contra o ato já reconhecido como ts Lu —1 n inconstitucional e obter decisão judicial favorável para que possa se4.49 .50 c .4Qte beneficiar do entendimento do STF O 2 gr. Fiz questão de citar os artigos 2" e 3" do Decreto 2.346, embora os(.4 mesmos não se dirijam especificamente aos julgadores administrativos, para enfatizar que nem mesmo os demais servidores incumbidos da •• aplicação do direito podem deixar de aplicar , a norma até que a Advocacia Geral da União faça publicar Súmula nesse sentido. Isto quer dizer que até lá, mesmo sabendo que irão inapelavelmente perder, caberá aos advogados da União promover a defesa judicial do crédito tributário. Por óbvia não cabe cogitar de edição de Súmula Vinculante do próprio STF de que trata o art. 103-4 da CF. Por fim, e apenas COMO reforço, diga-se que não há no caso concreto, ate pela proximidade da decisão que se quer já aplicar, qualquer pronunciamento fora do próprio STF, seja do Congresso Nacional, da Advocacia Geral da União, do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da União, o que afasta a aplicação do parágrafo unzco do art. 4" também acima transcrita •MF- SEGUNDO CONSEU- 10 DE DC`45:3-..:.Jar•lz-: Processo n° 11516.003606/2006-IS CONFERE COM O CR;GINAL ccovcckt Acórdão n.° 204-01311 &Doa j ib efra)„ Fts. 281 Mar,:s 1 tu 4 + ith É certo que o camin adotado nt.)0,sk, orenatnento jurídico (ou seja, a não vinculaçáo imediata à decisão do STF) apenas acarreta o desperdício de recursos. Não obstante, se aplica ao caso o brocardo latino dura lex sed lex: descabendo ao servidor administrativo (e a qualquer cidadão) deixar de cumprir a norma até que sua inconstitucionalidade produza efeitos para todos os contribuintes. Cumpre, a esse passo, afastar também o argumento de que houve confisco, em • virtude da aplicação, pela Auditoria-Fiscal, da penalidade de 75% da contribuição. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. E a penalidade de 75% da contribuição, para aquele que infringe norma legal tributária, não pode ser entendida como confisco. O não recolhimento da contribuição (base da autuação ora em comento) caracteriza uma infração à ordem jurídica. A inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Ressalte-se que em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória a sanção em exame, quando é sabido que, nas limitações ao poder de tributar, o que a Constituição veda é a utilização de tributo com efeito de confisco. Esta limitação não se aplica às sanções, que atingem tão somente os autores de infrações tributárias plenamente caracterizadas, e não a totalidade dos contribuintes. A seu turno, o Código Tributário Nacional autoriza o lançamento de oficio no inciso V do art. 149, litteris: Art. 149. O lançamento é efetivado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte. O artigo seguinte - 150 - citado ao término do inciso V acima transcrito, trata do lançamento por homologação. A não antecipação do pagamento, prevista no caput deste artigo, caracteriza a omissão prevista no inciso citado, o que autoriza o lançamento de oficio, com aplicação da multa de oficio. Quanto a alegada agressão a capacidade contributiva da autuada, deve ser ressaltado que o princípio constitucional da capacidade contributiva é dirigida ao legislador infra-constitucional, a quem compete observá-lo quando da fixação dos parâmetros de incidência, aliquota e base de cálculo. A competência da administração resume-se em verificar o cumprimento das leis vigentes no ordenamento jurídico, exigindo o seu cumprimento quando violadas, como é o caso vertente. Assim sendo, estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44, da Lei n.° 9.430/96, que a insere no campo das infrações tributárias, outro não poderia ser o procedimento da fiscalização, senão o de aplicar a penalidade a ela correspondente, definida e especificada na lei. Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: "C\- 9 • Processo n 11516 003606/2006 is cc021c04 Acórd5o ° 204-03 311 Eis 282 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após vencido o prazo, sem o - acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de - declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Quanto ao pedido de se aplicar, a titulo de multa de oficio, percentual de 10% deve ser observado que a aplicação de penalidade decorre de lei expressa que a autorize, indicando inclusive o seu percentual. Neste caso o percentual definido em lei é de 75% não " podendo ser alterado por ato discricionário do autuando ou do julgador. Em relação à intenção ou não da contribuinte de fraudar o Fisco deve ser observado que a responsabilidade pela infração tributária (falta recolhimento da contribuição) independe da intenção do agente, nos exatos termos do at. 136 do CTN. Ou seja, tendo praticado infração tributária, independente de sua intenção, cabe a aplicação de penalidade tipificada em lei. Quanto ao fato de haver delegado a terceiros a responsabilidade de apresentar à SRF declarações de IRPJ de sua obrigatoriedade não exime a contribuinte dos efeitos da infração praticada. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto, nos termos deste voto. Sala das Sessões, em 01 de julho de 2008. RIF - SEGLINDÓ CONSELtli0 CONTRIBUINIT.E.. NA B STOS MANATTA COtiFERE COM O OR1GiNAL ' Brasília, / /6 / '°5) Maria Lii.rinur Novais MIt lO Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1
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