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Numero do processo: 10882.900957/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 57 /2 00 8- 99 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.987, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.721118/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3201-002.387
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COFINS. MULTA Recorrente DROGARIAS PACHECO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 18 /2 01 2- 25 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2008 e 2009, no valor total de R$ 4.981.126,50, incluídos multa de ofício proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Do lançamento: O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela Difis da Demac/RJ em 05/12/2012, de Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS, no valor de R$ 421.600,92 e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.941.919,39, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrentes das seguintes infrações apuradas: Item 1 do auto de infração – Incidência não cumulativa padrão. Apuração mensal de insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS por falta de oferecimento à tributação dos valores lançados na conta contábil 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, nos montantes de R$ 10.139.720,96 em 2008 e R$ 15.414.886,21 em 2009, que a interessada teria declarado em seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais/DACON à linha 04 das fichas 07A e 17A – “Receita Tributada à Alíquota Zero”. O Termo de Verificação Fiscal/TVF, parte integrante dos autos de infração, discorre sobre o objeto social da interessada conforme seu estatuto, sua forma de tributação pelo Lucro Real anual nos anos de 2008 e 2009 e DACON mensais apresentados com apuração das contribuições pelo regime não cumulativo nos períodosbase respectivos, elenca as intimações fiscais e respectivas respostas e assim discorre sobre a autuação: Que o somatório anual das receitas informadas em DACON e nas Declaração de Informações da Pessoa Jurídica/DIPJ se mostraram compatíveis, fazendo a correlação das receitas declaradas na DIPJ como "Outras Receitas operacionais" com as receitas incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS na linha " Demais Receitas", passando a investigar a composição da Linha 4 "Receita Tributada à Alíquota Zero" das Fichas 07A e 17A do DACON, nas quais os valores ali consignados Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.637 3 correspondem aos valores registrados nas Linha 22 (DIPJ/2009) e 23 (DIPJ/2010) – OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS da Ficha 06ª, que por sua vez correspondem exatamente ao saldo do grupo de contas contábeis 0306020000 – Receitas Financeiras, cuja composição elenca na planilha de fl. 2199. Destaca a conta nº 0061200008 "Descontos Obtidos Promocionais", que registraria o reconhecimento de valores a receber dos fornecedores, via depósitos bancários, cujo histórico de lançamento faria menção a "acordos comerciais" ou "acordos promocionais" com determinado fornecedor. Intimada a explicar qual o tipo de operação registrada em tal conta e apresentar documentação comprobatória, a interessada teria apresentado extratos da conta 19925, da agência 2373, do Banco Bradesco e assim explicado: "A empresa antes de anunciar uma campanha promocional dos medicamentos em sua rede de lojas, contata os seus fornecedores com o objetivo de receber um desconto financeiro nas mercadorias adquiridas, o que proporcionará ao seu cliente a aquisição de produtos com menor custo. Este desconto financeiro é depositado em conta corrente da empresa com a identificação do parceiro (fornecedor), que aderiu à campanha promocional”. Entendeu a fiscal autuante que o valor depositado estaria vinculado a uma campanha promocional, cujo objetivo seria a venda de produto ao cliente por um preço menor do que o praticado anteriormente, ocorrendo esse "desconto financeiro" em momento posterior ao da compra do produto ao Fornecedor. Intimada a apresentar documentação comprobatória (contratos com os fornecedores) e explicar se os descontos estariam vinculados a alguma nota fiscal de compra de mercadoria, a interessada enviou cópias de emails com os fornecedores, documento denominado "Autorização de Fornecimento" emitido pela própria e algumas notas fiscais, tendo a fiscal autuante, em alguns casos, conseguido relacionar o pedido feito através da "Autorização de Fornecimento" com as notas fiscais correspondentes. Respondeu ainda a interessada que: “Essa negociação com os fornecedores tem como intuito final baratear o preço desses produtos em nossas lojas e alavancar vendas. Isto se dá pelo volume de compras praticado pela companhia. Exemplo: campanha promocional de protetor solar para o verão. Os produtos vendidos por esses fornecedores fazem parte de uma lista NEGATIVA, cuja tributação de PIS e Cofins acontece na origem, sendo para nós sujeito à alíquota zero. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Esses valores recebidos através de depósitos bancários caracterizamse por negociações como acordos promocionais, são lançados como receita financeira pois a companhia repassa esses valores ao consumidor final como descontos, lança como despesa financeira anulando a referida receita desses valores não tributando PIS e Cofins, pois já são na origem." A autuante não teria encontrado na contabilidade da interessada o registro desses valores nas contas de descontos financeiros. A autuante destacou às fls. 10/14 do TVF parte dos emails da interessada com os fornecedores COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE, concluindo que os valores lançados na conta 0061200008 – “Descontos Obtidos – Promocionais” decorreriam de acordos promocionais vinculados a volumes de compras que geravam créditos a serem depositados pelo fornecedor em momento posterior ao da compra. Intimada e Reintimada mais uma vez a apresentar os contratos firmados com os fornecedores e explicar detalhadamente a operação que deu origem aos lançamentos selecionados, a interessada repetiu suas argumentações já transcritas. Consideradas não satisfatórias as justificativas, a autuante cientificou a interessada de que a documentação (notas fiscais de compra de produtos) por ela apresentada não foram suficientes para estabelecer um vínculo com os valores depositados posteriormente pelos fornecedores e comprovar sua tese de que tais valores caracterizarseiam como ressarcimento de descontos concedidos por ordem do fornecedor sobre produtos com alíquota diferenciada de PIS/COFINS, cuja incidência acontece apenas na origem. A autuante, então, diligenciou junto aos cinco maiores fornecedores da interessada (COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE) que juntos representaram 62.95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos créditos lançados na conta “Descontos Obtidos Promocionais”, tendo às fls. 19/34 do TVF narrado o histórico das intimações, confirmando junto aos diligenciados que os pagamentos à interessada se deram através de depósito bancário, e destacado o seguinte: COLGATEPALMOLIVE COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 00.382.468/003375): O TVF transcreve trechos dos contratos firmados entre a ColgatePalmolive e a interessada, denominados “Acordo Aliança Comercial 20072008 e 20082009”, destacando as cláusulas que determinam as concessões dos “descontos incondicionais”, quais sejam: eficiências, desenvolvimento de negócios (que conclui ser uma verba calculada em função do volume de venda de produtos, conforme metas préestabelecidas no Plano de Crescimento), antecipação de pagamentos e pacote logístico, sendo que o pagamento se dá por via bancária, ou outra forma de pagamento e os descontos do pacote logístico são aplicados sobre o valor faturado líquido de impostos IPI, ICMS e PIS/COFINS. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.638 5 Nas planilhas apresentadas pela diligenciada foram identificados depósitos referentes a devoluções de mercadorias, e após intimação e resposta da interessada, somente foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS oito deles, comprovados pela mesma em nota fiscal. Concluiu a autuante que com exceção do desconto por antecipação de pagamentos, todos os outros itens previstos no Acordo Promocional, a despeito da nomenclatura adotada, revestemse da natureza de bonificações ou prêmios a serem pagos pela ColgatePalmolive pelo cumprimento das condições prédefinidas no Acordo. PROCTER&GAMBLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 01.358.874/000935): A Procter&Gamble também disponibilizou contratos que formalizaram condições dos acordos comerciais com a interessada, denominados “Fundo para atividades chaves do negócio (KDB)” e “Fundo de desenvolvimento de marcas”, tendo o TVF transcrito algumas cláusulas e condições estabelecidas, em especial a de que os pagamentos poderão ser feitos por depósito bancário ou desconto em nota fiscal e a das condições para uso do Fundo, das quais consta a redução temporária de preços. Quanto a isso, o TVF assim discorre: “Percebese que a redução de preços é apenas uma das modalidades do acordo comercial e que deverá ser comprovada por parte da fiscalizada. Com base nesta informação, intimouse a apresentar tais provas, item 1 do Termo de Constatação Fiscal, o que não foi atendido.” JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. (CNPJ nº 61.192.57/001131): O TVF destaca trechos da resposta da diligenciada, em especial o que declara inexistir formalização por contrato e que os pagamentos se deram “em razão de acordos promocionais comumente celebrados, que visam trazer, no ponto de venda, uma melhor divulgação ou localização de produtos, buscando maior impacto no consumidor final no momento da compra.", ou seja, que “os pagamentos tinham por objeto permitir uma melhor exposição de produtos J&J no pontodevenda, com a instalação de pontosextras, ilhas de produtos no centro da loja, exposição em pontas de gôndola e também nos próprios caixas da loja. Os pagamentos também objetivavam a exposição das ofertas relacionadas aos produtos J&J nos encartes e tablóides distribuídos nas lojas das Drogarias Pacheco." UNILEVER BRASIL LTDA. (CNPJ nº 61.068.276/019468): O TVF conclui que a diligenciada esclareceu que os pagamentos à interessada foram feitos “a título de bonificação efetuada a clientes por vendas e que a formalização dos mesmos ocorre após o "De acordo" do cliente, através de ferramenta Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 disponibilizada na web, com acesso individual e restrito por cliente, mediante usuário CNPJ e senha”. L’OREAL BRASIL COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA (CNPJ nº 30.278.428/000595): O TVF transcreve trechos da resposta da diligenciada, em especial o que esclarece que "Com relação à negociação comercial realizada com a empresa DROGARIAS PACHECO S.A., que detém grande representatividade no canal varejo (farmácias), verificamos que foram concedidas verbas comerciais, na forma de bônus, atrelados ao crescimento das vendas da referida empresa durante os anos de 2008 e 2009. (...)" Destaca ao final, que “Alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão, por esta razão ela elaborou um quadro, por ela denominado de Anexo IV, no qual discriminou todos os pagamentos a título de contrato de bônus, atrelados ao crescimento das vendas, relativos aos meses indicados no TIF n° 02. Embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela fiscalizada; o que os torna compatíveis entre si.” Por fim, em 23 de outubro de 2012, a Autuante lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 11, transcrito às fls. 34/36 do TVF, elaborando quesitos respondidos pela interessada em 05/11/2012. Apurando infração de insuficiência de recolhimento, a autuante discorreu sobre os contribuintes do PIS e da COFINS Faturamento e seu fato gerador, transcrevendo a legislação de regência quanto à base de cálculo e suas exclusões, concluindo que os valores apurados constituem receitas e não estariam entre as exclusões da base de cálculo. Apurou os valores tributáveis mês a mês e ajustou os saldos dos meses de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008, por ter a interessada comprovado a existência de lançamentos de valores depositados em decorrência de devolução de compras de mercadorias, conforme quadro de fl. 42 do TVF. Item 2 do auto de infração – Créditos Descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores. Glosa do crédito utilizado pela interessada no mês de fevereiro de 2008, referente ao mês de janeiro/2008, tanto para o PIS como para a COFINS, nos valores respectivos de R$ 11.484,79 e R$ 52.899,62, uma vez que tais créditos foram realocados para janeiro, em face da autuação do item anterior. Da Impugnação: Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação, em 04/01/2013, onde, em síntese, argui a tempestividade, descreve a autuação e: Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.639 7 Argüi a nulidade do procedimento administrativo por ferir o princípio da legalidade, uma vez estar em desacordo com os arts. 3º e 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) ; por não ter se subordinado à reserva legal, uma vez que inexistentes os fatos geradores das obrigações principal e acessória; e pelo auto de infração não conter, na devida forma, a descrição dos fatos e a determinação da exigência, assim impossibilitando ao sujeito passivo verificar, com segurança e exatidão, a procedência da exigência tributária e, como tal, exercer seu direito constitucional de ampla defesa. Destaca que os autos foram lavrados com base em amostragem, inversão do ônus da prova e documentos de valor probante insuficiente ou favoráveis às suas afirmativas. Protesta que os Autos de Infração contiveram apenas o enquadramento legal e valores mensais de base de cálculo, e o TVF restringiuse a qualificar a empresa, descrever a ação fiscal e transcrever parte da legislação do PIS e da Cofins, determinando imediatamente os valores tributáveis, sem fazer qualquer ligação entre o que discorre e a determinação da matéria tributária, ou mesmo especificar o fato gerador da obrigação, tendo descritoos nos Autos de Infração apenas como "insuficiência de recolhimento". Destaca que no item V do TVF, com o título de "Da Infração Apurada", deveria ter sido especificado o fato gerador da autuação e determinado a matéria tributável, tendo ali constado simplesmente a legislação de PIS e Cofins, e apenas um parágrafo para dizer que "As receitas decorrentes dos Acordos Promocionais, descritos no item 2 deste relatório, por parte da fiscalizada, não foram consideradas na base de cálculo das contribuições devidas...", sem explicar porque deveriam ter sido consideradas. Protesta que a falta de especificação e descrição dos motivos que levaram à autuação confunde, atrapalhando a compreensão da autuação e, por conseguinte, a sua defesa, mormente quando, interpretando que a autuante considerou os valores autuados como reduções de custos ou recebimentos de fornecedores com vistas à redução de preços, nenhuma dessas hipóteses seria base de cálculo de PIS e Cofins. Assim, argui a nulidade com base no art. 142 do CTN. Protesta contra ilegítima inversão do ônus da prova, sem qualquer previsão legal, e frágeis e insuficientes suposições baseadas em amostragem, sem qualquer comprovação, nas quais teria se baseado a autuação. Transcrevendo textos de ilustres juristas e Ementa do TRF5, protesta contra a inversão do ônus da prova pelo Fisco, julgando que este deveria saber que as exações eram, no mínimo, de legitimidade duvidosa, ferindo o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, que também transcreve, destacando que o auto de infração deveria estar instruído com todos os termos, Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Alega que os valores contabilizados em sua conta contábil n° 61200008, com o título "Descontos Obtidos Promocionais", não foram oferecidos à tributação de PIS e Cofíns, primeiramente por terem sido considerados contabilmente como Receitas Financeiras, sobre as quais incide alíquota zero de PIS e Cofíns, conforme art. 1º do Decreto n° 5.442, de 09 de maio de 2005; segundo por se tratar de valores recebidos através de depósitos bancários efetuados por alguns de seus fornecedores com vistas a redução do preço de venda de seus produtos, também incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS e Cofins, por força do art. 2º da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000. Reafirma que caberia à autuante a prova de que os valores, em sua totalidade, e não por amostragem, seriam tributáveis pelas alíquotas aplicadas no Auto de Infração de 1,65% para o PIS e de 7,60% para a Cofins. Destaca que a quase totalidade de sua receita advém da comercialização de produtos sobre os quais, segundo determina o art. 2º da Lei n° 10.147/2000, incide alíquota zero de PIS e Cofins, concluindo que qualquer receita relacionada às vendas de tais produtos nunca poderia servir como base de cálculo de PIS e Cofíns. Reafirma que os valores lançados na conta 0061200008 “Descontos Obtidos Promocionais” referemse a depósitos em suas contas bancárias, efetuados por alguns de seus fornecedores, com vistas ao ressarcimento de redução de preços de seus produtos aos consumidores finais, conforme negociação promocional feita prévia e diretamente com tais fornecedores e que tais produtos tem sua tributação de PIS e Cofíns apenas na origem. Desta forma, ao receber de forma indireta parte dos valores referentes ao preço final da mercadoria, tais valores também não estariam sujeitos à tributação do PIS e da Cofíns, uma vez que representam parte dos valores de receita de vendas de tais produtos, sobre a qual não incide PIS e Cofíns na venda ao consumidor final. Alega que assim também teria entendido a autuante, pois não contradisse que tais valores, uma vez representativos de redução de preços, seriam base de cálculo de PIS e Cofíns, tanto que teria balizado toda a ação fiscal em buscar a comprovação que os mesmos se referiam a outras receitas que seriam tributáveis. Destaca que também não seriam base de cálculo do PIS e Cofins os valores recebidos a título de "redução de custos", como concluído na pág. 14 do TVF. Justifica que, diante do imenso volume de suas documentações e o longo período de tempo transcorrido entre os anos autuados e o início da fiscalização, pouco pôde obter, ainda mais quando as negociações eram, em sua maioria, feitas on line e sem qualquer acordo ou recibo formal, procedimento este que teria modificado, emitindo atualmente, para cada valor depositado, os documentos juntados à impugnação, referentes ao ano de 2012. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.640 9 Alega que o TVF destaca, em caixa alta, que as autorizações de fornecimento, diretamente vinculadas às notas fiscais dos fornecedores, apresentavam o termo de acordo que previa que o pedido geraria uma verba adicional percentual para rebaixa de preço que teriam resultado nos depósitos efetuados por nossos fornecedores que motivaram os lançamentos contábeis na conta 0061200008 glosada. Além disso, também teria em destaque no TVF o reconhecimento que em alguns documentos constavam expressamente: "Será depositado no mês AGOSTO/ 09. O valor de R$ 180.000,00. Para ações onais (redução de preços e packs promocionais).", confirmando que os valores depositados pelos fornecedores teriam como objetivo a redução de preços finais dos seus produtos nas lojas da interessada. Destaca que, no ano de 2012, todos os depósitos efetuados pelos fornecedores, pela mesma motivação e nas mesmas condições dos feitos em 2008 e 2009, estariam sendo devidamente documentados com "Registro de verbas promocionais", assinado pela interessada e o respectivo fornecedor, individualizados por depósito e elencando as notas fiscais a que se referem, os produtos e respectivos subsídios para redução de preços individualizado e os novos preços de venda ao consumidor final, além do período do acordo comercial respectivo e o prazo para o depósito, se ainda não efetuado. Acredita que tais documentos, apesar de referentes a fatos de 2012 e não dos anos autuados de 2008 e 2009, mostrariam não ser ficção o fato dos depósitos bancários efetuados por seus fornecedores terem como objetivo a redução do preço dos produtos em suas lojas, não havendo como imaginar que tal prática teria surgido somente em 2012, ainda mais com os mesmos fornecedores e nas mesmas condições de 2008 e 2009. Considerando absurda a fiscalização “por amostragem”, argui a nulidade da autuação, uma vez que embasada em conclusões precipitadas da Fiscal com base em parte dos documentos obtidos de alguns dos seus fornecedores. Protesta que, mesmo que a autuante tivesse comprovado que a totalidade dos valores depositados pelos cinco fornecedores diligenciados representavam valores de receitas tributáveis pelo PIS e Cofins, assim mesmo a conta 0061200008 deveria ser glosada em, no máximo, 62,95% em 2008 e 68,13% em 2009, conforme percentuais constantes da pág. 17 do TVF, nunca em sua totalidade. Protesta que a correlação efetuada pela Autuante entre os valores contabilizados na conta glosada e os apresentados pelos fornecedores foi feita "em ordem de grandeza”, inaceitável quando, no caso do fornecedor ColgatePalmolive, exemplifica, à pág. 24 do TVF consta que parte dos valores apresentados pela mesma foram contabilizados na conta 0071300004 “Aluguel de espaço para demonstração de produtos” e devidamente incluídos na base de cálculo do PIS e Cofins, não Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 tendo sido especificado quanto dos valores apresentados por este fornecedor já teriam sido oferecidos à tributação de PIS e Cofíns e, da diferença, quanto representaria valores não tributáveis, tendo sido autuado todo o valor. No caso do fornecedor L'oreal Brasil Comércio de Cosméticos Ltda, constaria à pág. 34 do TVF que "alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão'' e que "embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela, fiscalizada, o que os torna compatíveis entre si", arguindo a interessada como valores “tão imprecisos e não identificados em sua totalidade” poderiam servir de base para a autuação. Destaca que, no caso do fornecedor Procter&Gamble Industrial e Comercial Ltda, a própria autuante teria admitido que parte dos valores dos depósitos se refeririam a compensações para reduções de preços, não tendo excluídoos da autuação. Quanto ao fornecedor Unilever Brasil Ltda, destaca que a Autuante teria se limitado a narrar a diligência, confirmar suas afirmativas de que as negociações foram feitas "online" através de ferramenta disponibilizada na web e concluir que os pagamentos eram efetuados "a título de bonificação por vendas", sem contradizer que tal bonificação era exatamente para compensação de redução de preços de venda, não tendo justificado o motivo de manter a glosa dos mesmos. Quanto à Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda, teria a mesma confirmado que os depósitos bancários não foram formalizados por contratos, tendo o TVF se limitado a transcrever parte da resposta daquela diligenciada à intimação fiscal. Resume que a autuação teria sido sustentada em material probatório "por amostragem e em ordem de grandeza", tendo a autuante invertido o ônus da prova, não especificando as razões da autuação. Com relação à autuação de “Créditos Descontados Indevidamente em Decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores”, alega que, tendo sido tal autuação resultado direto da autuação de insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins, sendo esta julgada nula ou improcedente, aquela igualmente será nula ou improcedente. Encerra pedindo a decretação da improcedência dos lançamentos, cancelamento das exigências fiscais e arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo. Em 08/08/2013 foram juntados, às fls. 2.392/2.600, os documentos apresentados pela interessada em 29/07/2013. É o relatório. Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.641 11 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJI n.º 1259.850, de 19/09/2013 (fls. 2601 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. FISCALIZAÇÃO POR AMOSTRAGEM. AUTUAÇÃO DE VALORES QUE NÃO COMPUSERAM A AMOSTRA. DESCABIMENTO. Somente é válida a fiscalização por amostragem se os resultados e conclusões assim obtidos, bem como a autuação, não extrapolarem para as operações, valores e períodos que não sofreram auditoria, por não terem composto a amostra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem PIS à alíquota de 1,65%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de COFINS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem COFINS à alíquota de 7,60%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constituiu crédito tributário decorrente do PIS e da Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, sobre valores que, segundo a fiscalização, não compuseram as suas respectivas bases de cálculo. Tratase, especificamente, de valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, subconta do grupo de Receitas Financeiras. Preliminarmente, a contribuinte autuada sustentou, na impugnação, a nulidade do feito, alegação rechaçada pela instância de piso e também aqui, pelos motivos que se passam a ressaltar. Com efeito, os autos de infração inquestionavelmente apresentamse com todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, base de cálculo etc.), notadamente a descrição dos fatos – detalhados, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal, o que possibilitou à contribuinte autuada a exata compreensão da controvérsia, como se pode observar de sua impugnação. Ademais, como se verá na análise do mérito da autuação, o lançamento não se baseou em presunção, mas em provas robustas, não contaminadas por quaisquer vícios. Rejeitadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. Durante a ação fiscal, a contribuinte autuada informou que, antes de anunciar uma campanha promocional de medicamentos em sua rede de lojas, costuma contatar seus fornecedores com o objetivo de receber “descontos financeiros” na aquisição de mercadorias, o que reduziria o custo para seus clientes. Afirmou que estes descontos financeiros são depositados em sua própria contacorrente com a identificação do fornecedor que aderiu à campanha promocional (intimados, os fornecedores alegaram que os valores depositados referemse a uma negociação para o incremento de vendas ou para a realização de campanhas promocionais dos produtos). Tais valores seriam posteriormente repassados, como descontos, a seus clientes no momento da venda. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.642 13 Para melhor ilustrar como se operacionalizava o acordo celebrado pela contribuinte autuada e seus fornecedores, vale transcrever a seguinte passagem da resposta recebida da PALMOLIVECOLGATE COMERCIAL LTDA.: (...) Nesse contexto, entendeu a DRJ que o fato destacado na impugnação – realização, pelos fornecedores, de depósitos em conta bancária, em vez de redução em compras futuras – não descaracterizaria os valores envolvidos como descontos financeiros obtidos, daí que considerou improcedente o lançamento. O conceito de receitas financeiras encontrase insculpido no art. 373 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, in verbis: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Desta forma, em sendo os valores glosados representativos de descontos obtidos pela interessada junto aos seus fornecedores, mesmo que condicionais (seja à rebaixa de preços como alega, seja ao atingimento de metas, como propõe a autuante), seriam os mesmos receitas financeiras e, como tal, estariam sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, por força do caput do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005: Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O fato dos valores terem sido depositados em conta bancária, em vez de utilizados como redução em compras futuras, não afasta a interpretação de serem os mesmos descontos recebidos pela interessada, bem como a sua nomeação pela autuante como “bonificações” não altera as suas características. (grifamosl) Discordamos. Primeiro, e conforme se pode perceber, o relator da decisão recorrida valeuse apenas do termo “desconto” para qualificar, como se de receita financeira tratasse, a operação combinada e realizada pelo contribuinte autuado e seus fornecedores, desprezando a variedade com que esse tipo de ajuste ocorre no plano da realidade. Um desconto registrado no ato da venda também não deixa de ser um desconto, mas, porque incondicional, não pode ser tratado como financeiro, pois apenas reduz o preço da venda no momento mesmo em que ocorre, daí que, sobre o valor descontado, não incide, por exemplo, o ICMS. Segundo, porque os valores assim recebidos – as receitas financeiras – originamse, ao contrário, de pagamentos antecipados de duplicatas ou de outros títulos emitidos por fornecedores. É como sustentam Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins: (...) Como receitas financeiras, há: descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. (IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 6. ed. Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP (FIPECAFI). Atlas: São Paulo, 2003. pp. 354356). Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.643 15 Também para Silvério das Neves e Paulo Viceconti, os descontos financeiros são aqueles ligados ou condicionados ao pagamento ou recebimento de títulos por antecipação: “são os descontos obtidos na liquidação antecipada de obrigações”. Diferem, portanto, dos descontos incondicionais, que são “parcelas redutoras dos preços de compra e venda, constantes da nota fiscal ou da fatura de serviço e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos” (NEVES, Silvério das. VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade básica. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Frase Editora, 2004. p. 115116). A situação aqui é outra, pois não há desconto por liquidação antecipada de obrigações. Os valores recebidos em pecúnia pela contribuinte autuada têm, de fato, como entendeu a fiscalização, a natureza de prêmios/bonificações pagos por fornecedores em cumprimento das condições prédefinidas nos acordos celebrados com a contribuinte autuada. Todavia, não se qualificam como receita financeira, em ordem a possibilitar a aplicação da alíquota zero, motivo por que devem integrar a receita operacional do período de apuração do PIS/Cofins. Em caso idêntico, esse foi o entendimento adotado pela 4ª Câmara desta 3ª Seção do CARF: RECEITAS FINANCEIRAS. BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão nº 3403001.683, de 17/07/2012). Outro argumento que serviu de esteio à decisão recorrida de ofício foi o de que o lançamento baseouse em fiscalização por amostragem para comprovar a natureza dos valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”. Diz o relator que, a despeito de reconhecer significativa a amostra (62,95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos valores totais lançados naquela conta contábil), não haveria como aceitar que a exação extrapolasse os valores efetivamente analisados e fiscalizados (a amostra) para glosar a totalidade dos valores lançados na referida conta, “autuandose assim por ‘presunção’ não prevista na legislação, os 37,05% em 2008 e 31,87% em 2009 restantes...”. Também discordamos. Primeiro, porque nada obsta que assim se faça. Aliás, aqui não se trata de presunção – aquela operação mental feita pelo aplicador da lei, presunção hominis, ou autorizada pelo legislador, presunção legal, destinada à comprovação de outro fato diverso do indiciário. Aqui o que se provou foi o próprio fato em si: a origem inequívoca dos valores contabilizados em determinada conta contábil. A intimação de alguns fornecedores serviu para evidenciar o modo pelo qual se dava o recebimento dos valores e para possibilitar o cotejo das informações assim obtidas com as prestadas pela própria contribuinte autuada. Portanto, não havia necessidade de investigar cada um dos valores depositados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, notadamente porque a sua origem foi afirmada e reafirmada por aquela que assim os escriturou – a contribuinte Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 autuada, que se ateve a insurgirse apenas contra a qualificação jurídica conferida a tais valores pela fiscalização. O relator da decisão recorrida de ofício ainda questiona o fato de devoluções de compras não terem sido excluídas da autuação, porém, tais exclusões, na verdade, ocorreram, como se constata do Termo de Verificação Fiscal (fl. 2235), em que expressamente registrado que os saldos da conta nº 0061200008 de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008 foram ajustados no valor das respectivas devoluções. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência do crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10435.721632/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; pelo voto de qualidade dar-lhe provimento parcial, no sentido de que sejam restabelecidas as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN - Secretaria de Saúde e dos serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araújo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho, mantendo-se a glosa relativa à dedução referente à empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda., vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões em relação às despesas do Plano de Saúde Ronnie Soares Anderson, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para fazer o voto divergente o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 16 32 /2 01 4- 68 Fl. 66DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; pelo voto de qualidade darlhe provimento parcial, no sentido de que sejam restabelecidas as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN Secretaria de Saúde e dos serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araújo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho, mantendose a glosa relativa à dedução referente à empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda., vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões em relação às despesas do Plano de Saúde Ronnie Soares Anderson, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para fazer o voto divergente o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 11, contra o recorrente acima identificado, na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2011, exercício 2012, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 9.102,19, sujeito à multa de ofício, e o Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211), sujeito à multa de mora, no valor de R$ 8.659,08, acrescidos ainda de juros de mora. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 6 a 9, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 1. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 8.659,08, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 24.439,79, por falta de comprovação ou de previsão legal; 3. Compensação Indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 8.659,08, por falta de comprovação. Devidamente cientificado das autuações em 28 de Maio de 2014, fl. 34, o contribuinte apresentou em 17 de Junho de 2014, a impugnação de fls. 02 e 03 alegando em síntese que: Fl. 68DF CARF MF 4 Em sessão realizada em 10 de Dezembro de 2015, a DRJ/PE julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Em obediência ao Princípio da Verdade Material, deve ser admitido o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento; contudo, a existência do erro de fato deve ser cabalmente demonstrada pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi intimada da decisão em 05/01/2016 e interpôs recurso voluntário em 26/01/2016, aduzindo, em síntese, que: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 4 5 a) No tocante a dedução indevida de previdência privada e Fapi, alega que uma vez reconhecida a ocorrência de erro de fato pela DRJ/PE, determinando a inclusão da dedução como despesas médicas, devese anular o lançamento de dedução indevida com previdência privada e Fapi. b) Por sua vez, quanto a dedução indevida de despesas médicas, alega legitimidade aos recibos apresentados visto que atendem ao previsto na lei civil (art. 219, CC/02) e contem os requisitos previstos em legislação tributária (art. 80 do RIR/99) para fins de dedutibilidade do imposto de renda. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Inicialmente, cabe observar que a própria DRJ/PE atesta a ocorrência de erro de fato cometido pelo contribuinte, uma vez que a dedução declarada não tem natureza de previdência privada ou Fapi, mas de despesas médicas/odontológicas conforme documentos anexados às fls. 20 e 22, que trazem, respectivamente o comprovante de rendimentos da FUNAFIN Secretaria de Saúde e comprovante de rendimentos do Ministério da Saúde, os quais informam a natureza de despesas médicas/odontológicas incorridas pelo recorrente. O contribuinte anexou à fl. 20 o comprovante de rendimentos da FUNAFIN Secretaria de Saúde e à fl.22 o comprovante de rendimentos do Ministério da Saúde, os quais informam despesas médicas/ odontológicas/ hospitalares nos valores de R$ 4.021,32 e R$ 4.637,76, respectivamente. Assim, entendo comprovada a ocorrência de erro de fato, devendo ser mantido integralmente o lançamento da dedução indevida com previdência privada e Fapi e ser incluída a dedução com despesas médicas no valor de R$ 8.659,08. (grifos) Apesar de comprovada a ocorrência de erro de fato, no entanto, a DRJ opta por manter integralmente o lançamento da dedução indevida com previdência privada e Fapi, pois alega que não foram apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços médicos, a dar validade plena aos recibos oferecidos. Sendo assim, tendo em vista que o erro de fato foi aceito para reconduzir a natureza das despesas previdenciárias para despesas médicas, passo a analisar a validade da comprovação de efetividade dos pagamento e prestação dos serviços médicos junto com as demais despesas de mesma natureza no tópico abaixo. Dedução Indevida de Despesas Médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 5 7 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados aos seguintes prestadores (fls 18 a 33): 1. Plano de Saúde do Ministério da Saúde, no valor de R$ 4.637,76, serviços médicos prestados ao próprio contribuinte; 2. Despesas médicas no âmbito da FUNAFIN Secretaria de Saúde, no valor de R$ 4.021,32, relativo a serviços médicos prestados ao próprio contribuinte; 3. José Antonio Araújo Lima, recibo referente a tratamento de fisioterapia prestado ao próprio contribuinte no valor de R$ 10.000,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; 4. Luiz Roberto Alves Coelho, recibo referente a tratamento odontológico prestado a dependente do contribuinte no valor de R$ 2.500,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; e, ainda, acompanhado de declaração afirmando que o pagamento foi devidamente realizado pelo contribuinte. 5. Luiz Roberto Alves Coelho, recibo referente a tratamento odontológico prestado ao contribuinte no valor de R$ 3.700,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; e, ainda, acompanhado de declaração afirmando que o pagamento foi devidamente realizado pelo contribuinte. 6. Maritza Condé de S. Verçosa, recibo referente a tratamento fonoaudiólogo prestado a dependente do contribuinte no valor de R$ 2.500,00, constando data, nome e inscrição no CRF do prestador. 7. Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda, nota fiscal eletrônica a compra de equipamentos médicos ao dependente do contribuinte o valor de R$ 5.739,79. Fl. 72DF CARF MF 8 A decisão de primeira instancia reconheceu a existência de erro de fato em relação a declaração dos itens 1 e 2 descritos acima como despesas de previdência privada e Fapi, conforme extrato acima mencionado. Não obstante, como se pode notar, a DRJ manteve integralmente o lançamento de despesa indevida com previdência complementar e Fapi. Em análise aos comprovantes apresentados (fls 20 e 22), verificase que tratamse de comprovantes de rendimentos pagos emitido pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde em que são destacadas as despesas médicas incorridas pelo contribuinte. Não vejo razão para que tais documentos não sejam considerados legítimos para justificar a dedução prevista em lei, visto conferem com os originais,conforme carimbo da própria Receita Federal. Em relação aos itens 3 a 7, a DRJ entendeu que o Recorrente não comprovou qualquer das despesas médicas acima citadas, nos seguintes termos: 13.1 Primeiramente, devemos salientar que inexiste previsão legal para dedução relativa à Nota Fiscal da Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda; 13.2. Em se tratando das demais despesas médicas glosadas, o interessado não apresentou documentação comprobatória do efetivo pagamento ou da prestação do serviço médico. Acrescentese ainda que as declarações dos profissionais anexadas pela defesa possuem, na essência, o mesmo grau probante dos recibos, sem acrescer robustez ao conjunto probatório. 14. Quando o contribuinte tem a intenção de utilizar suas despesas médicas como dedução da base de cálculo do imposto de renda, ele deve ter em mente que o pagamento a ela correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do desembolso e da realização do serviço. 15. Ademais, devese salientar que o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas.” (grifos acrescidos) 15.1. Assim, se os recibos apresentados atendem os requisitos previstos naquela lei, o contribuinte tem sua dívida quitada com os profissionais da área de saúde. Entretanto, para que tais pagamentos sejam utilizados para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, os documentos apresentados à fiscalização devem atender os requisitos previstos na legislação tributária. 16. Pelos motivos acima citados e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, entendo que deve ser mantida a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 6 9 glosa da dedução com despesas médicas no valor total de R$24.439,79. (grifos) Ao meu entender, em relação aos itens 3 a 5 acima mencionados, entendo que os recibos, acompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas médicas e odontológicas, pois evidenciam todos os dados necessários conforme legislação tributaria. Os recibos apresentados atendem aos requisitos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995 (art.80 do RIR/99) conforme acima explicitado, uma vez que indicam nome, endereço e CPF do profissional, além de outros detalhes relacionados a prestação do serviço e/ou seu prestador. No tocante ao item 6, apesar do mesmo não conter o endereço profissional e CPF da prestadora, entendo que tal documento deve ser considerado como legítimo a comprovar despesas com fonoaudióloga, mesmo que ausente indicação de tais aspectos formais. Primeiramente porque está claro no próprio recibo que se trata de profissional fonoaudióloga, pois consta do recibo o número da inscrição no CRF; e, em segundo lugar, porque, como costumar advir, os recibos emitidos pelos profissionais da área de saúde por vezes não observam rigorosamente as formalidades por simples falta de ciência quanto aos detalhes exigidos pela legislação tributária. Neste sentido já decidiu a 2a Turma deste Conselho unanimidade de votos: Processo nº 10805.000300/200419 Recurso nº 162.270 Acórdão nº 220101.033 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidálos como meio de prova. (grifos) Recurso provido. Processo nº 10280.720158/201034 Acórdão nº 2201002.146 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2013 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. ASPECTOS FORMAIS. REGISTRO CONFIRMADO. Apresentados os recibos de despesas médicas solicitados, com a identificação dos profissionais emitentes, confirmação dos registros Fl. 74DF CARF MF 10 profissionais, identificação a posteriori da beneficiária dos serviços e esclarecimentos sobre os serviços prestados, restando sem indicação o endereço profissional sem que outros elementos tenham sido exigidos da contribuinte, forçoso considerar as despesas informadas. (grifos) Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão nº 2102002.534 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que permitem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. (grifos) Com relação ao item 7, em análise da nota fiscal emitida pela Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda vis a vis legislação tributária, notase que somente há previsão legal para dedução de gastos com compra de equipamentos médicos quanto se tratarem de aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Em análise aos NCMs indicados no corpo da nota fiscal, verificase que não se encaixam em tais hipóteses legais, desta forma entendo que não devem ser reconhecidos como dedução legal válida, mantendose a glosa da dedução a ela relativa. Ademais, mesmo que fossem aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, para que tais pagamentos possam ser aceitos como dedução para fins de imposto de renda, devem vir acompanhados de receituário médico, conforme inciso V, parágrafo 1º do artigo 80 do RIR/99, cuja cópia não foi anexada aos autos. Tendo em vista todo o acima, julgo procedente o recurso voluntário em parte, para que seja restabelecida a glosa referente as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN Secretaria de Saúde e das serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araujo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho e Maritza Condé de S. Verçosa, mas mantida a glosa da dedução relativa a empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda. (no valor de R$ 5.739,79) por falta de previsão legal. Recurso parcialmente provido. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Acompanho as razões da D. Relatora, com exceção no que se refere ao recibo no valor de R$ 2.500,00 constante à fl. 24, assinado por Maritza Condé de S. Verçosa. Nele não consta o endereço da prestadora de serviços, estando assim descumpridos dois requisitos estabelecidos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 para que tal despesa pudesse ser dedutível. Assim sendo, cabe manter essa glosa nos termos da decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915901/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 01 /2 00 8- 59 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.843, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16306.000004/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular o despacho decisório DERAT de fls. 167/173, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano.
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular o despacho decisório DERAT de fls. 167/173, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano. Relatório
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular o despacho decisório DERAT de fls. 167/173, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 00 4/ 20 11 -5 4 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 886 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs eletrônicas formalizadas pela ora Recorrente visando a compensar os débitos nelas especificados com crédito de saldo negativo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), referente ao anocalendário 2002, no montante de R$ 87.295.801,56. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) reconheceu parcialmente o direito creditório, no importe de R$ 64.496.289,50, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido a título de saldo negativo de IRPJ (fls. 167/173), em face das seguintes inferências caracterizadas pela autoridade administrativa na análise inaugural das PER/DCOMPs: Cientificado do aludido despacho decisório em 11/02/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2011 (fls. 213/246), na qual contesta as conclusões firmadas na decisão administrativa, conforme reproduzido pelo acórdão recorrido (fls. 376381), in verbis: Fl. 886DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 887 3 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 888 4 Fl. 888DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 889 5 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 890 6 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 891 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) julgou a insurgência improcedente, em acórdão assim ementado (fls. 372/413): Fl. 891DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 892 8 Intimado da referida decisão em 08/09/2011 (fls. 536), o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário, em 10/10/2011 (fls. 538689), argumentando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida por inobservância do artigo 65 da IN SRF 900/08, ante a necessidade de determinação de diligência para comprovação do direito do contribuinte, tendo em vista tratarse de pedido de compensação e não de exigência fiscal; (ii) violação dos artigos 9o e 12 do Decreto 70.235/72, segundo os quais caso a DERAT possua qualquer dúvida sobre os valores lançados na DIPJ, caberia a ela informar a DEFIC para que verificasse eventual irregularidade, mas nunca retificar o saldo negativo de IRPJ do período; (iii) decadência do direito de retificar, em fevereiro de 2011 (data da ciência do despacho decisório) o valor de IRPJ apurado como devido na DIPJ 2003, ano calendário 2002. Quanto à efetiva comprovação de seu direito creditório, sustenta que há saldo negativo de IRPJ a compensar, pois: a) está correta a apuração (zerada) do Adicional de IRPJ realizada na DIPJ 2003/2002, pois: a.1) O benefício fiscal previsto no §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95, que permitia expurgar da base de cálculo do Adicional as receitas de aplicações financeiras de renda fixa, é aplicável a Fundos de Investimento Multimercado (FIMM), pois estes, segundo a classificação fiscal dos fundos de investimento, consistem em aplicação financeira de renda fixa, submetendose, inclusive, à antecipação do imposto nos meses de maio a novembro conhecida como "comecotas". Nesse passo, a Recorrente ressalta, ainda, que quando da análise de seus pedidos de restituição de saldo negativo de IRPJ relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000 (respectivamente processos administrativos no. 13807.008425/0015 e 13808.003046/200126), obteve confirmação deste E. CARF Fl. 892DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 893 9 quanto ao acerto no procedimento de expurgar da base de cálculo do Adicional do IRPJ o valor das receitas de aplicações financeiras existentes até 1994, nos termos do §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95. b) estão corretos os valores de IRRF indicados como retidos e que formaram o valor do saldo negativo em discussão, pois: b.1) o erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção, bastando que o imposto tenha sido efetivamente descontado pela fonte pagadora para tanto, sustenta ser suficiente a comprovação da retenção, por meio de informes de rendimentos indicando o recebimento do valor do rendimento líquido, após a retenção do IRRF, nos termos do artigo 837 do RIR/99 e Parecer Normativo Cosit 1/2002. b.2) as receitas financeiras correspondentes às retenções em tela foram oferecidas à tributação e autorizam a utilização do crédito de IRRF na composição do saldo negativo (Fichas 06A e 43 da DIPJ 20032002, linhas "Outras Receitas Financeiras" e "Receitas de Juros sobre o Capital Próprio", códigos de receita 6800 e 5706). Após tecer observações específicas quanto às três retenções em discussão respectivamente no valor de R$ 337.255,34, R$ 3.521.995,86 e R$ 26.181.006,03 , pleiteia ainda pela realização de diligência ou perícia de modo a confirmar que a glosa do crédito de IRRF determinada pelo despacho decisório e mantida pela DRJ não deve prevalecer, indicando perito e quesitos. Alega, ademais, violação ao artigo 74, §1o, da Lei 9.430/96 e ao artigo 34, §7o da IN RFB 900/2008, na medida em que: (i) a autoridade administrativa não poderia alterar "de ofício" os valores indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs, incluindo débitos que não se encontravam confessados, quais sejam, multa moratória sobre débitos de estimativa (estes sim confessados); (ii) não é possível cobrar juros e multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL porque tais débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte; e (iii) não há incidência de multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL objeto de denúncia espontânea ("pagamento" por meio da apresentação de PER/DCOMP). Aduz seu pedido pelo "integral provimento ao presente Recurso Voluntário, para reformar o v. acórdão recorrido de fls. 372/413, a fim de que seja computado no cálculo do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002 o crédito de IRRF no valor de R$18.194.954,16, totalizando o montante de R$87.295.801,56, utilizandoo para homologar integralmente os débitos declarados em PER/DCOMP, sem a compensação de quaisquer valores a título de juros e/ou multa moratória". Após, em 05/08/2013, a Recorrente apresentou Memoriais, solicitando a juntada de demonstrativos e informes de rendimentos já apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade (doc. 6, fls. 335347), bem como de um "Extrato de Movimentação" emitido pela Votorantim Asset relativamente ao FIC VOT Multimercado, segregado por data de aplicação e número de cautelas em cada aplicação, segundo o qual as aplicações em tal fundo anteriores a 31/12/1994 só foram resgatadas a partir de 22/12/2010, o que comprovaria estar correto o cálculo do adicional de IRPJ. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 894 10 Os autos foram, então, encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que opinou pela desconsideração da documentação juntada a posteriori, em face da preclusão, conforme disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, considerando que o contribuinte não logrou demonstrar a existência de qualquer das hipóteses que autorizam a apresentação da prova documental em momento posterior à manifestação de inconformidade. Ressalta, ainda, que a admissão de tais documentos, apresentados de forma extemporânea, representaria supressão de instância e violação ao devido processo legal. Então, em dezembro de 2014, a Recorrente novamente requereu a juntada do "Extrato de movimentação" apresentado em 5/08/2013. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1632.410, da 7a Turma da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações declaradas em PER/DCOMPs, visando à utilização de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2003, ano calendário 2002. Passo a tratar dos argumentos trazidos para a reforma do acórdão recorrido. Primeiramente, a Recorrente reitera o quanto já observado na manifestação de inconformidade, de que a decisão recorrida é nula por não ter sido observado o artigo 65 da IN SRF 900/08, nem deferida a realização de diligência para comprovação de seu direito. Referido artigo, em vigor à época da análise das PER/DCOMPs apresentadas pela Recorrente, dispunha o seguinte: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) Compulsando os autos verificase que, de fato, antes da decisão que homologou apenas parcialmente os pedidos de compensação, não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos ou esclarecimentos, ou seja, (i) não se questionou a razão da ausência de informação do valor do adicional do IRPJ na ficha 12A da DIPJ anocalendário 2002, e (ii) a insuficiência de IRRF retido baseouse exclusivamente na divergência entre o valor declarado pelo contribuinte como imposto retido e o informado na DIRF pelas fontes pagadoras. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 895 11 Sobre o tema, a DRJ/SP1 considerou que a análise seguiu a aplicação de rotinas definidas pela legislação objetivando a análise conclusiva das informações atinentes à declaração de compensação e seus elementos conexos, "obedecendo a critérios e parâmetros técnicos de interesse fiscal que poderão demandar ou não a expedição de intimação vertente a requisitar a apresentação de esclarecimentos por parte do contribuinte", e que, no caso, "inexistindo indícios veementes que desabonem os dados informados na declaração, bem como identificados os elementos necessários ao exame dos pressupostos de existência e validade da compensação declarada, denotase plenamente admissível a lavratura do despacho decisório pela autoridade fiscal competente, uma vez que o preceito estabelecido no art. 65 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30/12/2008, nada mais representa do que uma prerrogativa legal específica colocada à disposição do AuditorFiscal designado pela execução da análise das PER/DCOMP, visando exclusivamente corroborar na formação de suas convicções em relação às particularidades vinculadas ao exame de determinado caso concreto." Não compartilho da posição da DRJ/SP1 de que o artigo 65 traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova, como se depreende da seguinte passagem do acórdão recorrido, a fls. 394: É verdade que, em regra, a atividade fiscal se desenvolve segundo um procedimento inquisitório o que se faz inclusive necessário, do contrário facilmente o sujeito passivo conseguiria se evadir de sua obrigação. Assim e ainda tratando da regra o contraditório só tem lugar após a lavratura do auto de infração, como demonstram as seguintes decisões: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.O contraditório e a ampla defesa só se instauram após a lavratura do auto de infração; antes, tratase de procedimento inquisitório (AC 1102001.079, de 08/04/2014). PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, Fl. 895DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 896 12 inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72 (AC 1301001.563, de 04/06/2014). PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA.É no processo administrativo fiscal que estão contidas as garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa e não no procedimento inquisitório de preparação do lançamento. O processo formase pela instauração da fase litigiosa com a impugnação da exigência (AC 1102001.032, de 11/03/2014). Todavia, no caso em questão não estamos diante do que chamei de "regra" ou seja, não é caso de procedimento inquisitório de lavratura de auto de infração. O presente processo trata de pedidos de compensação, nos quais o próprio sujeito passivo provocou a Administração solicitando a compensação de débitos com créditos que entendia ter direito. Neste caso, o procedimento instaurouse desde o início como genuíno "processo", merecedor da garantia do contraditório, sendo assim fundamental que todos os fatos, provas e documentos que vierem a embasar a decisão proferida se submetam ao exame das partes o que inclui o direito de indicar o motivo de estar zerado o valor do adicional do IRPJ, bem o direito de se manifestar sobre documentos de terceiros, aos quais somente a Administração tinha acesso (as DIRFs das fontes pagadoras). Ademais, ao retificar o valor de IRPJ devido na DIPJ 2003, anocalendário 2002, acabouse por formalizar a exigência de crédito tributário sem observância do disposto no artigo 9o do Decreto 70.235/72 (grifamos): "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Tais circunstâncias revelam que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, seja por violação ao tão caro princípio do contraditório, seja porque, ao não se proceder ao devido lançamento tributário, cobrandose débitos não declarados em PER/DCOMP, houve preterimento do direito de defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto 70.235/1972). Por todas essas razões, voto por anular a decisão da DERAT/SP de fls. 167/173. Livia De Carli Germano Relatora Fl. 896DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10880.724440/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL.
Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária.
MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE.
É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarou-se impedido.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL. Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária. MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE. É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarou-se impedido.
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TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL. Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária. MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE. É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 44 40 /2 01 3- 74 Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.634 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarouse impedido. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.635 3 Relatório Por bem sintetizar a lide em questão, adoto parte do relatório elaborado pela 4ª Turma da DRJ/RJ1 no Acórdão n° 1264.382 (fls. 1380/1429): Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco dos autos de infração relativos ao IRPJ (fls. 86/93), no valor de R$ 272.382.818,97 e de CSLL (fls. 94/100), no valor de R$ 115.776.662,46, todos acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Além da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas para o período de 50%, nos valores de R$ 141.480.882,06 para o IRPJ e de R$ 59.917.065,26 para a CSLL. Os fundamentos da autuação encontramse descritos no Termo de Verificação (fls. 03/85), cujo teor, em síntese, a seguir, reproduzo: No primeiro momento foram programadas ações de diligência fiscal no Banco Itaú e Banco Itaú Holding (atual Itaú Unibanco Holding) e posteriormente ação de fiscalização no Banco Itaú, no Itaú Unibanco Holding e na própria Itausa, além das pessoas físicas que eram controladoras da E. Johnston Participações, a qual era a detentora direta das ações da Unibanco Holdings, que por seu turno controlava o Banco Unibanco; I – Linhas gerais da operação a) Neste tópico, foram apresentadas as linhas gerais da transação ocorrida entre os controladores do Itaú Holding, aqui chamada de Itaú Unibanco Holding (sua denominação atual) e os controladores do Unibanco Holdings – UUBBH, a qual tinha por objetivo final a associação entre os dois grupos financeiros com a unificação das atividades bancárias praticadas pelos bancos Itaú e Unibanco; b) A associação se formalizou pela migração da totalidade dos acionistas do grupo Unibanco para o grupo Itaú, através da entrega das participações societárias detidas no conglomerado Unibanco e o recebimento de ações de capital aberto e que detém a totalidade das ações do Itaú Unibanco S/A, nova denominação que foi dada ao Banco Itaú; c) Até a data do evento, na estrutura organizacional do grupo Itaú, a ITHF (atual Itaú Unibanco Holding) era a empresa financeira que controlava integralmente o Banco Itaú, detendo 100% do seu capital. O Banco Itaú, por seu turno, era a companhia operacional que atua nos diversos segmentos do mercado financeiro. Esta distinção inicial é fundamental para facilitar o entendimento dos atos que se seguiram; Sob o aspecto estritamente negocial a operação em muito se assemelhou ao que se chama de fusão de companhias, com a unificação das estruturas para formar uma nova empresa, na qual se agregou o patrimônio dos sócios daqueles dois grupos econômicos. No entanto, na formalização jurídica do novo negócio não foram praticados os atos que estão previstos no direito societário para caracterizar tecnicamente a operação neste instituto jurídico, nos termos do artigo 228 da Lei nº 6.404/1976; Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.636 4 e) No bojo da operação foi também incluída a transferência da empresa Itausa Export, que controlava o Banco Unibanco (UBB) com 97% do capital votante, correspondentes a 56% do capital total. Unibanco Holdings e Banco Unibanco eram empresas de capital aberto e as ações preferenciais estavam dispersas no mercado, negociadas principalmente sob a forma de certificados UNITS, os quais representavam uma ação PN da Unibanco Holdings combinada com uma ação PN do Banco Unibanco; (...) g) A transação ocorreu em definitivo na data de 03/11/2008, sob o âmbito de “contrato de associação” firmado entre os controladores do Grupo Unibanco e controladores do Grupo Itaú. Nesta mesma data foi publicado “fato relevante” comunicando ao mercado a efetivação do negócio tratado; h) Na transação, a ITAUSA, na qualidade de controladora da Itaú Unibanco Holding e a E. Johnston Participações – E. JOHNSTON, empresa de propriedade da família Moreira Salles e controladora da Unibanco Holdings, comprometeramse a criar uma nova companhia controladora, a qual recebeu o nome de IUPARItaú Unibanco Participações S/A, através da qual passou a ser exercido o controle da Itaú Unibanco Holding; i) O controle do Unibanco era então exercido pela sociedade Unibanco Holdings, que por seu turno era controlada pela E. Johnston, esta última de propriedade das pessoas físicas pertencentes à família Moreira Salles. O controle do grupo Itaú era exercido pela ITAÚSA; j) Em resumo, do Contrato de Associação extraímos o seguinte: Os sócios do Unibanco e do Unibanco Holdings entregariam suas ações e passariam a deter ações da ITHF, a qual passou a se denominar ITAÚ UNIBANCO HOLDING; Para tanto, a ITAÚ UNIBANCO HOLDING emitiria novas ações para serem entregues aos antigos acionistas do Grupo Unibanco; Decidiuse pela constituição, para viabilizar o controle compartilhado do conglomerado financeiro, de uma nova empresa de participação, chamada de IUPAR, a qual passaria a deter 51% do capital votante da Itaú Unibanco Holding; Estabeleceuse que os controladores do Unibanco iriam deter 8,68% da ITAÚ UNIBANCO HOLDING, exclusivamente por via indireta através da IUPAR; O capital votante da IUPAR seria dividido em iguais partes entre os controladores do UNIBANCO e a ITAUSA, sendo que esta deveria aportar na IUPAR tantas ações ordinárias da ITAÚ UNIBANCO HOLDING quantas fossem necessárias para completar o número de ações para que a IUPAR alcançasse o 51% do capital votante da ITAÚ UNIBANCO HOLDING; A ITAÚSA aumentaria sua participação na ITAÚ UNIBANCO HOLDING em 8,28%, considerando o número de ações que detinha no capital da ITHF, de tal forma que sua participação foi incrementada de 1.344.702.828 ações para 1.456.117.286 (749.947.121 ações mantidas diretamente e 706.170.165 ações mantidas indiretamente através da IUPAR); A ITAÚSA apesar de continuar titular de direitos de voto que a permitisse controlar isoladamente a ITAÚ UNIBANCO HOLDING, passaria a compartilhar este controle com o antigo controlador do UNIBANCO, tendo em vista o compromisso firmado no contrato; Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.637 5 k) Em resumo, para se concretizar a associação, as partes decidiram que os exsócios do UNIBANCO e da UNIBANCO HOLDINGS iriam receber ações da ITAÚ UNIBANCO HOLDING, que permaneceu como a “nova” holding financeira do grupo, sendo que o excontrolador da UNIBANCO HOLDINGS se obrigou a aportar suas ações ordinárias recebidas na IUPAR, empresa através da qual se viabilizaria o compartilhamento do controle da holding financeira e, por consequência, dos bancos Itaú e Unibanco. As ações aportadas pelo antigo controlador do UNIBANCO corresponderiam, no final da operação, a 50% do capital votante da IUPAR. Em complemento, a ITAUSA obrigouse a aportar na IUPAR tantas ações quantas necessárias para que a IUPAR atingisse o percentual de 51% do capital votante da ITAÚ UNIBANCO HOLDING; l) A troca de ações se materializou pelo que os grupos denominaram de “incorporações de ações” e se realizou em níveis distintos, de tal forma que pelas ações ordinárias do UNIBANCO HOLDINGS, que pertenciam majoritariamente à E. JOHNSTON e do Banco Unibanco foram entregues ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding, enquanto pelas ações preferenciais do UNIBANCO HOLDINGS e do Banco UNIBANCO foram entregues ações preferenciais do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; m) No quadro abaixo, demonstrase as ações que foram entregues a cada uma das sociedades separadamente, atentando para o fato que a emissão das ações na incorporação de ações do UNIBANCO HOLDINGS não contemplou as ações que eram de propriedade da E JOHNSTON, da mesma forma que a emissão de ações para a incorporação de ações do Banco Unibanco também excluiu as ações que estavam na titularidade da UNIBANCO HOLDINGS, ou seja, não foram trocadas as ações que pertenciam diretamente ao Grupo Itaú: n) Considerada a totalidade de ações emitidas pela Itaú Unibanco Holding na transação, valoradas ao preço de mercado das preferenciais praticado na BOVESPA (R$ 26,2648), o valor atribuído a 100% das ações emitidas atingiria a cifra de R$ 29.546.276,26; o) Finalmente, ainda se esclarece que independente das partes terem negociado na formação da relação de troca a transação em bases de mercado, tais valores não foram efetivamente reconhecidos na subscrição de ações realizadas, que Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.638 6 deu vida à associação que culminou com aumento de capital da Itaú Unibanco Holding, o qual se efetivou com base no valor do Patrimônio Líquido da ação, equivalente a R$ 10,51 por ação; p) Entretanto, os grupos desejavam reconhecer a maisvalia do investimento Unibanco recebido e utilizar esta mais valia para registrar, deduzir e amortizar ágio no próprio Banco Itaú e nas empresas coligadas congêneres, além de permitir o aumento de capital no Banco Itaú, na soma de R$ 29.973.000.000,00; q) Por todo o que se vislumbra da situação criada na montagem dessa operação societária, resta evidente que o fato efetivamente ocorrido foi o ingresso dos antigos acionistas do UNIBANCO no capital da ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Este ponto é incontestável não somente pela total falta de propósito da ordem e dos valores praticados, como pelas declarações, publicações e respostas apresentadas pelo contribuinte, nas quais nunca pairaram dúvidas que o destino final dos antigos acionistas do grupo Unibanco seria a propriedade definitiva das ações ITAÚ UNIBANCO HOLDINGS, sendo fundamental deixar desde logo consignado que tal entrada se deu a valor de R$ 10,51 por ação, a qual acarretou aumento de seu capital de R$ 12.000.000,00; r) Entende o fisco que o aumento do capital do Banco Itaú, mediante a entrega dos investimentos do grupo Unibanco e o reconhecimento da mais valia destes investimentos em sua contabilidade foi jurídica e economicamente realizado pela Itaú Unibanco Holding; s) Portanto, não se materializou o fato que a Itaú Unibanco Holding chamou de ganho por redução de participação societária, sendo este apenas fruto da criação de um passo intermediário no qual os antigos acionistas do Unibanco entraram no capital do Banco Itaú para saírem poucas horas depois; t) Desde o início da transação já estava estabelecido que a associação contemplaria a migração dos acionistas do Unibanco Holdings e do Unibanco para a Itaú Unibanco Holding Financeira, não havendo possibilidades que esta deixasse de possuir 100% das ações do Banco Itaú; II – Da constituição da nova Controladora – IUPAR – e o seu reflexo na ITAÚSA a) Aqui serão abordados os reflexos percebidos pela ITAUSA decorrentes da operação de subscrição da IUPAR, fato esse que deu origem à esta ação fiscal; b) A solução encontrada para compartilhar o controle do novo grupo que se formava entre a ITAUSA e o UNIBANCO foi a criação da companhia IUPAR, que teria sob seu domínio 51% do capital votante da Itaú Unibanco Holding; c) A Itaúsa fez a entrega das suas ações gravando todos os frutos futuros advindos. Do lado da E. Johnston (Unibanco) foi utilizado o mesmo expediente em 70% das ações entregues, as quais corresponderam a 311.980.630 ações; d) As partes se utilizaram do expediente de transferir, somente pelo lapso temporal necessário, para as pessoas físicas da família Moreira Salles as ações que a E. Johnston detinha no capital da Unibanco Holdings, as quais, tão logo a operação se formalizou, retornaram para a pessoa jurídica, que agora se denomina Cia. E. Johnston; Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.639 7 e) Esta transferência efêmera da titularidade das ações para as pessoas físicas refletiu no valor de integralização da ITAUSA no capital da IUPAR na parcela correspondente às ações que foram entregues na formação de seu capital (IUPAR); f) Não se justifica “incorporar ações” e transformar uma companhia em subsidiária integral, quando se pretende de fato “incorporar uma sociedade”. Tais institutos jurídicos não se confundem, principalmente pelo fato de que na incorporação de ações a empresa incorporada permanece com sua personalidade jurídica intacta; g) Sob a ótica dos alienantes, a “incorporação de ações” da E. Johnston foi ato desprovido de qualquer propósito justificável. De início porque atentou contra o próprio objetivo social da companhia, que em sua essência era uma holding, depois porque afrontou o que dispunha o Acordo de Acionistas da Unibanco Holdings, datado do ano de 2000, segundo o qual a E. Johnston era sua controladora e finalmente porque alijoua de realizar um ganho que estava naquela altura dos acontecimentos materializado; h) Ainda que os argumentos acima não fossem suficientes para validar a conclusão do despropósito da operação, logo após a aprovação pelo Banco Central, as pessoas físicas aportaram suas participações em uma nova companhia que recebeu o nome de “CIA. E. JOHNSTON”; i) O valor do aporte de capital somou os mesmos R$ 3.078.574.552,00, ou seja, o fato ocorrido é que as ações da Itaú Unibanco Holding apenas passearam pelos patrimônios das pessoas físicas e depois retornaram para a pessoa jurídica que originalmente as detinha, ainda que esta pessoa jurídica tenha “outro” nome e “outro” CNPJ, mas que na essência representa exatamente o que representava a E.Johnston Participações; j) O aporte de ações na IUPAR realizado pelas pessoas físicas a custo histórico acabou por beneficiar a outra subscritora, no caso a ITAUSA; k) A reorganização societária ocorrida deve ser analisada de forma uma e que todos os atos societários praticados visaram o atingimento de um fim comum, o qual estava desde logo expresso no Fato Relevante publicado em 03/11/2008, dentre os quais o incremento em 8,3% da quantidade de ações detidas, direta e indiretamente, pela ITAÚSA no capital social da Itaú Unibanco Holding, conforme previsto no item 3 do Fato Relevante de 03/11/2008; (grifos do original) (...) l) O quadro abaixo reflete as diferenças entre as vantagens políticas e patrimoniais das ações do Unibanco e da Unibanco Holdings comparadas às ações do Unibanco e da Unibanco Holdings comparadas às ações do Itaú Holding que seus acionistas receberão em contrapartida pela efetivação das operações aqui descritas; Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.640 8 m) A incorporação das ações da E. Johnston, da Unibanco Holdings, do Unibanco e da Export, conjuntamente, implicará aumento de capital do Banco Itaú, no valor de R$ 29.973.000.000,00, devendo ser emitidas 527.750.941 ações ordinárias e 614.237.130 ações preferenciais do Banco Itaú, as quais serão atribuídas aos atuais acionistas da E. Johnston, da Unibanco Holdings, do Unibanco e da Expor; n) A incorporação das ações do Banco Itaú implicará aumento de capital do Itaú Holding, no valor de R$ 12.000.000.000,00, devendo ser emitidas 527.750.941 ações ordinárias e 614.237.130 ações preferenciais da Itaú Holding, as quais serão Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.641 9 atribuídas aos atuais acionistas da E. Johnston, da Unibanco Holdings e do Unibanco; o) O capital social do Itaú Holding após as incorporações passará a ser de R$ 29.000.000.000,00, representado por 4.155.396.563 ações escriturais, sem valor nominal, sendo 2.081.169.523 ordinárias e 2.074.227.040 preferenciais; IV) Dos fatos verificados e conclusões: a) Neste item serão analisados os efeitos fiscais decorrentes da reorganização societária no tocante à ITAUSA, correspondente ao argumento de sua participação no capital da ITHF (Itaú Holding Financeira); b) A retificação promovida na subscrição de capital da IUPAR decorreu da contabilização pela ITAUSA do valor do MEP que refletiu no seu ativo ITHF, por conta do registro do ganho de R$ 18 bilhões na controlada ITHF; c) Inferese da alteração praticada que os valores de emissão das ações da IUPAR foram calculados de forma a manter a participação percentual de cada um dos sócios conforme inicialmente estabelecido no contrato de associação, ou seja, aos antigos controladores do Unibanco subsistiria a participação de 8.68% do novo conglomerado que se formava; d) Intimado a apresentar esclarecimento acerca do fato, a IUPAR trouxe a seguinte alegação: e) Posteriormente, na correspondência CRT UAF 335/2012, a IUPAR complementou: f) Quanto à avaliação dos ativos entregues, pronunciouse: Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.642 10 g) Acerca das alterações promovidas para retificação, teceu os seguintes comentários: h) No que se refere à diferença no preço de emissão das ações da IUPAR, não obstante a alegação de que tal procedimento seja legalmente previsto na lei societária, não legitima o efeito previsto no caso concreto. Seja pelo fato de que a combinação do preço de emissão com o valor de recebimento do ativo ITHF beneficiou e na penalizou a ITAUSA, como quer fazer parecer a resposta inicialmente apresentada, seja pelo fato de que o direito de eleger maior número de administradores no ITAÚ não se sobressai ao direito do controle compartilhado que está expresso no Acordo de Acionistas, ou ainda, pela evidência da retificação ocorrida, na qual se alterou o preço de emissão e o valor de recebimento ao ativo a fim de se manter ao final e ao cabo a participação percentual combinada; i) A ITAUSA também foi intimada sobre a questão e apresentou a resposta, cujo teor a seguir reproduzse e que corrobora o entendimento sobre os fatos: Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.643 11 Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.644 12 j) Indagado sobre quais teriam sido os motivos econômicos que fizeram com que os controladores do Unibanco terminassem a operação detendo aproximadamente 355 milhões de ações ante aos 445 milhõesde ações inicialmente recebidos, com a transferência de aproximadamente 90 milhões de ações à ITAUSA, esta respondeu: k) Considerando a informação extraída da Teleconferência realizada em 04/11/2008, na qual se indagou acerca da redução da participação do grupo Moreira Salles verificada após a subscrição da IUPAR, conforme trecho a seguir reproduzido: Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.645 13 l) O fisco diligenciou as pessoas físicas sócias da E.Johnston Participações para que, em relação à informação veiculada no Fato Relevante de 03/11/2008, no tocante ao controle compartilhado da Itaú Unibanco Holdings, entre a ITAUSA e os antigos controladores do Unibanco Holdings, prestassem esclarecimentos de qual foi o custo do controle compartilhado, informando como se deu o pagamento e data a partir da qual o mesmo se efetivou; m) Em atendimento foi apresentada a seguinte resposta, remetendo a questão ao estabelecido no contrato de associação: “Conforme explicado no Contrato de Associação foi contratada associação com vistas a permitir a unificação dos negócios do Itaú e do Unibanco e o compartilhamento de controle através da IUPAR, nas bases acordadas pelas partes contratantes”. n) Com base no exposto, passase a analisar os efeitos contábeis e fiscais da subscrição de capital na IUPAR, no que se refere ao sócio ITAUSA; o) Entendese como incontroverso o fato de que a subscrição e integralização do capital da IUPAR, cuja existência se justifica como instrumento de compartilhamento de controle da ITHF a ser exercido entre os antigos controladores dos grupos Unibanco e Itaú, trouxe benefícios à ITAUSA, acarretando aumento de sua participação acionária total detida na ITHF; p) O que está em pauta é o ingresso de um direito, representado pela participação societária recebida, não decorrente da atividade operacional da pessoa jurídica, nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico o acréscimo patrimonial da ITAUSA, na forma prevista no inciso II do artigo 43 do CTN; q) A questão que ora se impõe analisar é se o tratamento fiscal dado pelo contribuinte aos efeitos dos fatos ocorridos encontra amparo na legislação tributária do IRPJ; Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.646 14 r) Neste quesito, entende o fisco que a ITAUSA não atendeu ao que dispõe a lei fiscal por deixar de reconhecer o ganho ocorrido na operação societária que culminou no evento de subscrição da IUPAR, o qual acarretou aumento de sua participação no capital da ITHF, refletindo diretamente nos seus direitos de sócio, tanto quanto aos reflexos contábeis e fiscais decorrentes de equivalência patrimonial, quanto ao de recebimento de juros sobre o capital próprio, dividendos, bonificações e outras distribuições de lucros porventura existentes; s) Ao subscrever o capital na IUPAR os sócios decidiram gravar os frutos futuros advindos das ações entregues, de tal maneira a preservar seus direitos em relação à participação percentual inicialmente acordada. Não foi outra a resposta apresentada pela IUPAR quando intimada em 17/05/2012, a apresentar esclarecimentos sobre os motivos econômicos e financeiros para o gravame da forma como realizado; t) A resposta foi dada conforme abaixo: u) Em 04/12/2012, novo Termo de Intimação foi lavrado para que a IUPAR esclarecesse quais foram os motivos econômicos e negociais que justificaram a “manutenção do fluxo de renda dos acionistas”, conforme informado no CRT UAF 335/2012. Indagouse por que teriam a ITAÚSA e os exsócios de continuar a receber renda da ITAÚ HOLDING como se ainda detivessem ações daquela companhia; v) Em 18/12/2012, foi protocolada a resposta que tratou de esclarecer sobre a natureza da IUPAR enquanto instrumento de controle compartilhado, conforme trecho que se reproduz: w) Da resposta apresentada, consideramos relevante a informação mencionada no item 1 em contraposição à justificativa anteriormente dada para a existência de preços diferentes na emissão de ações da IUPAR: “...Uma das razões que levaram o acionista ITAUSA Investimentos ITAÚ a subscrever por um valor maior suas ações IUPAR é o fato de ter direito de eleger o maior número de Administradores do Itaú Unibanco.”; Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.647 15 x) Quanto ao item segundo, a alegação apresentada não justifica o fato em si. Conforme demonstrado no tópico INTRODUÇÃO – CONSTITUIÇÃO DA NOVA CONTROLADORA deste TVF, o não gravame de 30% das ações pertencentes aos excontroladores é parte de uma equação matemática criada para resultar no recebimento de cada um dos sócios dos frutos correspondentes a 66,5% e 33,5% respectivamente. Não seria supor que apenas os antigos acionistas do UNIBANCO teriam sacrificado seus ganhos para suprir a IUPAR “em montante se estimava suficiente para pagar as despesas necessárias à existência”, como alegado; y) Assim, temos que os contribuintes foram incapazes de apresentar qualquer justificativa econômica plausível para o fato dos antigos controladores do UNIBANCO terem recebido de início 445.686.615 ações ON ITHF e terminado com a participação indireta equivalente a 355.227.092 ações ON ITHF, via IUPAR, as quais na sequência, foram entregues na integralização de capital da CIA E. JOHNSTON DE PARTICIPAÇÕES, onde estão registrados até a presente data; V – Da contabilização na IUPAR a) Na contabilização da operação na IUPAR, temos que a subscrição de capital realizada pelos antigos controladores do UNIBANCO deu origem a lançamento de deságio no montante de R$ 3.616.403.146,75, conforme analiticamente apresentado no quadro abaixo: b) Em 30/08/2012, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal no qual foi solicitado à IUPAR apresentar a memória de cálculo no valor do deságio e os motivos econômicos que fundamentaram seu lançamento; c) A resposta veio em 13/09/2012, quando a IUPAR encaminhou à fiscalização o CRT UAF 571/2012 no qual apresentou o cálculo do deságio registrado, mas silenciouse quanto à sua fundamentação; Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.648 16 d) Considerandose que, desde o início da operação, estava estabelecido que os antigos controladores do UNIBANCO receberiam, dada a relação de troca acordada de 1,1979/1, a quantidade de 445.686.615 ações ON ITHF; que a totalidade das ações recebidas pelos antigos controladores do UNIBANCO seria obrigatoriamente entregue na integralização da IUPAR; que a IUPAR iria deter a quantidade exata de 1.061.396.457 ações ON ITHF, necessárias à manutenção do controle da ITHF e correspondente a 51% do capital votante; que a ITAUSA se comprometeu a entregar na subscrição de capital da IUPAR 615.706.842 ações ON ITHF, de tal modo a perfazer a quantidade de 1.061.396.457 ações acima mencionadas; como poderiam as partes atender as condições de negociação pactuadas de forma que após a integralização da IUPAR a participação percentual indireta final dos antigos controladores do UNIBANCO no capital de ITHF correspondesse a 8,68% equivalentes a 355.227.092 ações ordinárias, implicando a redução indireta de sua participação quando comparado ao inicialmente recebido? Como poderiam ainda obter o resultado esperado na ITAUSA, o qual implicou aumento de 8,3% na quantidade de ações detidas no capital da ITHF? e) A solução adotada para a questão se deu pela criação de ações ordinárias de classes distintas destinadas a cada um dos sócios e estabelecimento de preços de emissão diversos para estas ações; f) O método utilizado resolveu matematicamente a questão, mas evidentemente não se coaduna com a natureza da IUPAR, sociedade cujo único propósito é o compartilhamento de controle e na qual a disparidade no preço da emissão de ações carece de lógica econômica; g) Ademais, nas respostas apresentadas, os contribuintes atestam que o objetivo final a ser alcançado era a participação societária inicialmente definida; VI – Da contabilização escriturada pela ITAUSA a) Ao registrar a baixa do investimento ITHF e a subsequente entrada no capital da IUPAR a ITAUSA procedeu aos seguintes lançamentos contábeis: Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.649 17 b) Pois bem. A avaliação dos impactos sofridos pela ITAUSA na associação dos dois grupos econômicos deixa evidente a ocorrência do ganho patrimonial na companhia decorrente de seu resultado não operacional, o qual se encontrava delineado já nos primeiros atos escritos, formalizados no Contrato de Associação de 03/11/2008 e no Fato Relevante da mesma data, que tinham presentes em seu corpo os elementos correspondentes às participações societárias que seriam detidas pelas partes envolvidas no final do processo o qual se completou com o evento de subscrição e integralização de capital na IUPAR; c) Este evento de subscrição da IUPAR deve ser analisado apenas como último ato de todo o conjunto de rearranjos societários praticados que almejaram o fim inicialmente declarado. Neste sentido, não é admissível supor que um agente econômico receba 455.686.615 ações, para logo em seguida transformar essa riqueza em 355.227.092 de ações e em contrapartida que a ITAUSA contribua com 615.709.842 ações para receber em troca 706.169.365; d) A aquisição da participação societária correspondente a 66,5% da IUPAR exigiria da ITAUSA a baixa em seu investimento ITHF o número de 706.169.365 ações ON e não apenas das 615.709.842 contabilizadas, de tal forma que tal aquisição se deu em realidade com a baixa destas ações somadas às 90.459.523 ações ON que foram diretamente entregues pelos antigos acionistas do grupo UNIBANCO; e) Segue o fluxo contábil desta operação: f) Podese concluir que o fato das 90.459.523 ações terem sido formalmente subscritas pelos antigos controladores do UNIBANCO, para na sequência, tornarse investimento da propriedade da própria ITAUSA, do qual usufrui em sua integralidade em relação aos direitos e deveres do sócio, não altera o negócio realizado que resultou em acréscimo patrimonial favorável à ITAUSA, contextualizado no conjunto da operação; g) Desta forma, deve ser aplicada a norma tributária com seus efeitos a qual alcança todo o acréscimo patrimonial havido em razão da apuração de renda ou de proventos outros, sendo irrelevantes a forma escrita aplicada pelos contratantes; h) Assim, será adicionado ao lucro líquido apurado no encerramento do ano calendário de 2008 para fins de apuração do IRPJ e da CSLL o valor tributável de R$ 1.411.168.558,80, conforme demonstrativo de cálculo: (...) Além disso, também foi lançada a multa com base estimada de 50% conforme Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso II, conforme a seguir se demonstra. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.650 18 (...) Devidamente cientificada em 04/12/2013 (fls. 85; 87 e 95), a interessada apresentou, em 02/01/2014, impugnação (fls. 1.334/1.349), alegando, em síntese, o que se segue: a) A autuação reportase à operação de integração das atividades dos grupos Itaú e Unibanco ocorrida no citado anocalendário; b) Essa integração deuse em duas etapas: a) na primeira, todas as operações do grupo Unibanco foram absorvidas pelo Banco Itaú, mediante incorporação de ações do Unibanco S/A e de suas holdings; b) na segunda, as ações do Banco Itaú emitidas para os antigos acionistas do grupo Unibanco, foram incorporadas pelo ITAÚ HOLDING de modo que 100% dos acionistas, controladores minoritários, do grupo Unibanco passaram a integrar o quadro de acionistas do Itaú Unibanco Holding, inclusive, portanto, FMS (antiga controladora de E. Johnston); c) Em operação que envolveu apenas os antigos controladores do ITAÚ e os antigos controladores do UNIBANCO, foi criada a HOLDING IUPAR, cujo capital foi integralizado com o aporte de ações ordinárias do ITAÚ UNIBANCO HOLDING possuídas por ambos os grupos de controladores; d) A holding IUPAR passou a deter 51% do capital votante (e, portanto, o controle) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A; e) O capital votante da IUPAR ficou dividido em partes iguais entre os antigos controladores do UNIBANCO (FMS) e a ITAÚSA, ora impugnante, que até então detivera, sozinha, o controle do então ITAÚ HOLDING (atual ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A); f) A impugnante passou então desse modo a compartilhar o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING com a FMS; g) Na integralização do capital da IUPAR, a contribuição de cada grupo de controladores não foi idêntica. A ITAÚSA detinha, até então, o controle do ITAÚ HOLDING; sua contribuição foi feita mediante o aporte de 615.709.842 ações ordinárias de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; a contribuição de FMS foi de 445.686.615 ações ordinárias de emissão do Itaú Unibanco Holding; h) Porém, com esses aportes, FMS ficou com 50% do capital votante do ITAÚ UNIBANCO HOLDING e a ITAÚSA ficou com 50% do capital votante mais 100% do capital não votante. Ou seja, embora aporte feito pela ITAÚSA tenha sido maior, ela recebeu igual quantidade de ações ordinárias (sendo o restante em ações preferenciais), de modo que o controle da IUPAR e, portanto, do ITAÚ UNIBANCO HOLDING restou partilhado entre os dois blocos acionários; i) Entendeu o fisco que, por ter sido a contribuição da FMS (em quantidade de ações) proporcionalmente maior do que a ITAÚSA – ou seja, para “x” ações da IUPAR a FMS contribuiu com um número de ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING maior do que o número de ações aportadas pela ITAÚSA para receber igual quantidade (“x”) de ações da IUPAR a ITAÚSA teria auferido ganho tributável no valor das açõe do Itaú Unibanco Holding que, na visão do autuante, teria “recebido a mais”; j) No auto de infração, a família Moreira Salles (FMS) é identificada como E. Johnston (nome da antiga holding controladora do Unibanco); Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.651 19 k) Sobre esse alegado ganho é que incide a exigência fiscal, exigência esta ilegal; Da Preliminar a) O auto de infração deve ser considerado nulo, dado que ele omite fundamento legal indispensável para atender ao pressuposto constitucional da legalidade tributária; b) O autuante não aponta nenhum fato típico nem o seu respectivo enquadramento legal; c) A linguagem do auto é evasiva e não demonstra qual dispositivo tem a ver com os autos; d) Ficou faltando a coisa mais importante e indispensável, qual seja, a indicação de qual seria a disposição do RIR que mandaria cobrar imposto de renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista; e) O auto, portanto, começa pela indicação de disposições do CTN que, sabidamente, não cria tributo, apenas dispõe sobre normas gerais; f) Não se trata de mero erro ou ausência de capitulação legal, mas de total ausência de situação abstrata descrita em lei que pudesse qualificar a situação concreta como fato gerador do tributo; Do mérito a) O ITAÚ e o UNIBANCO, antes de os respectivos controladores pactuarem a associação de ambos os conglomerados (“associação”), integravam grupos financeiros independentes, cada qual com suas respectivas estruturas societárias, quadros de acionistas e operações bancárias; b) No grupo Itaú, as operações bancárias eram desenvolvidas, principalmente, pelo BANCO ITAÚ S/A (BANCO ITAÚ), subsidiária integral do BANCO ITAÚ HOLDING FINANCEIRA S/A (ITAÚ HOLDING), companhia aberta; c) Já no grupo UNIBANCO, as operações bancárias eram desenvolvidas pelo UNIBANCO, controlado pela UNIBANCO HOLDINGS S/A, que, por sua vez, era controlada pela E. Johnston Representação e Participações S/A (E. Johnston) que, por seu turno, era controlada pela família Moreira Salles(FMS). UNIBANCO e UNIBANCO HOLDINGS era companhias abertas; d) O objetivo da Associação foi o de promover a unificação das operações financeiras do ITAÚ e do UNIBANCO. Ou seja, o objetivo das partes era o de unificar ambas as estruturas financeira em uma só. Na sequência, visouse também congregar as estruturas de controle; e) Além de unificar as operações, as partes queriam também congregar todos os acionistas dos grupos ITAÚ e UNIBANCO numa única companhia aberta, a fim de, entre outras razões, evitar as situações de potencial conflito de interesses que poderiam ocorrer caso os acionistas fossem mantidos em companhias distintas, e permitir o maior aproveitamento possível das sinergias operacionais entre os dois bancos; f) Com efeito, era necessário que todos os acionistas dos dois grupos detivessem ações de uma única companhia aberta: o ITAÚ HOLDING; g) Para regrar o controle da holding aberta (ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A), foi estruturada a IUPAR, cujo controle direto foi dividido entre a ITAÚSA e a FMS; h) O auto de infração reportase a esta última etapa do processo de integração do ITAÚ e do UNIBANCO, de modo que não serão abordadas as considerações registradas no TVF sobre as etapas anteriores (incorporação de ações do grupo UNIBANCO pelo BANCO ITAÚ e incorporação das ações do BANCO ITAÚ pelo ITAÚ HOLDING, atual ITAÚ UNIBANCO HOLDING) que em nada interferem com o tema em discussão; Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.652 20 i) Antes da associação, o controle do ITAÚ HOLDING era detido pela ITAÚSA, ora impugnante; j) Com a associação, a ITAÚSA aportou na IUPAR uma quantidade de ações votantes de emissão do ITAÚ HOLDING suficientes para que ela (IUPAR) detivesse o controle do ITAÚ HOLDING; k) FMS aportou todas as ações ordinárias de emissão do ITAÚ HOLDING que detinha, recebidas em razão da incorporação de ações das empresas UNIBANCO. E em troca, recebeu ações ordinárias da IUPAR que lhe deram o controle direto (compartilhado) da IUPAR e o controle indireto (também compartilhado) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; l) Em troca das ações ordinárias de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING aportadas pela ITAÚSA, esta recebeu da IUPAR uma combinação de ações ordinárias e preferenciais; m) Ou seja, foram diferentes os aportes feitos na integralização das ações subscritas pela ITAÚSA e das ações subscritas pela FMS, e foram também diferentes as contrapartidas recebidas pela ITAÚSA e pela FMS: enquanto a FMS aportou ações votantes (do ITAÚ UNIBANCO HOLDING), a ITAÚSA recebeu, em troca de parte das ações de controle (de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING) que aportou na IUPAR, ações preferenciais sem direito de voto( de emissão da IUPAR); n) Se forem consideradas apenas as quantidades de ações (ignorandose as espécies e os direitos, patrimoniais e políticos, atrelados a cada pacote acionário), poderia parecer estranho, como pareceu ao autuante, que a ITAÚSA tenha aportado 615.709.842 ações do ITAÚ HOLDING para adquirir 706.169.365 ações de emissão da IUPAR (relação de 615.709.842/706.169.365=0,87), enquanto a FMS aportou 445.686.615 ações do ITAÚ HOLDING para adquirir 355.227.092 ações de emissão da IUPAR (relação de 455.686.615/355.227.092 = 1,25); o) O autuante parece presumir que um dos blocos de acionistas da IUPAR (a FMS) teria feito um mau negócio por receber, no aporte, menos do que lhe caberia; p) Porém, quando se leva em conta que os aportes foram diferentes e que foram também diferentes as contrapartidas entregues pela IUPAR, fica evidente que o valor de emissão para cada bloco acionário tinha que ser diferente; q) O valor de contrapartida das ações aportadas pela ITAÚSA foi maior, obviamente, pela circunstância de que, com a integralização do capital da IUPARpela ITAÚSA, a IUPAR passou a deter 51% das ações ordinárias do ITAÚ UNIBANCO HOLDING e, portanto, o controle dessa holding, ao passo que as ações aportadas pela FMS, embora com direito de voto, não atribuíram a seus titulares o poder de controle (nem isolado nem compartilhado) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; r) A FMS passou a partilhar esse poder de controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING com a ITAÚSA, indiretamente, pelo meio da IUPAR, onde cada bloco (ITAÚSA e FMS) passou a deter 50% do capital votante; s) Foi exatamente para viabilizar essa partilha de controle que, de um lado, a FMS recebeu seu quinhão no capital da IUPAR totalmente em ações ordinárias, enquanto a ITAÚSA recebeu o respectivo quinhão dividido em duas partes: ações Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.653 21 ordinárias (em quantidade igual à atribuída à FMS) e o restante em ações preferenciais sem direito a voto; t) Em suma, a subscrição de ações da IUPAR pelos dois blocos (ITAÚSA e FMS) tinha que darse, e deuse, efetivamente, por valores diferentes, dada a diferença de atributos (direitos) dos ativos conferidos pelos dois blocos e a diferença de atributos (direitos) do pacote de ações entregues pela IUPAR a cada bloco; u) No fato de a subscrição de ações da IUPAR pelos dois blocos terse dado por valores diferentes, não há nada que fuja da lógica econômica empresarial; v) Aliás, ilogicidade econômica haveria se não tivesse sido assim. Numa negociação entre partes independentes (uma das quais, a ITAÚSA, companhia aberta), não se imaginaria que duas contribuições diferentes para a formação do capital de uma companhia nova recebessem, como contrapartida, valores iguais; w) Se a ITAÚSA aportou o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, o esperado, logicamente, é que esse aporte implicasse um aporte economicamente adequado por parte de outro bloco acionário; x) Do mesmo modo, não poderia conceberse que a contrapartida das ações de controle aportadas pelaITAÚSA fosse uma combinação de ações ordinárias e preferenciais e a contrapartida das ações aportadas pela FMS fosse totalmente em ações ordinárias, sem que isso implicasse uma redução na quantidade de ações entregues para a FMS, no montante negociado entre as partes; y) Ao autuante pareceu estranho que os antigos controladores do UNIBANCO (FMS) concordasse em trocar a titularidade direta de 445.686.615 ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING pela titularidade indireta de 355.227.092 ações da mesma instituição; z) Ocorre que, com a entrega da referida quantidade de ações, a FMS recebeu, em contrapartida, ações de controle (compartilhado) da IUPAR e, indiretamente, o controle (compartilhado) do próprio ITAÚ UNIBANCO HOLDING; aa) A FMS considerou economicamente justo entregar aquela quantidade de ações em troca de metade das ações ordinárias da IUPAR; bb) Por seu turno, a ITAÚSA também considerou justo entregar 615.709.842 ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING por uma contrapartida representada por metade das ações ordinárias da IUPAR e o restante em ações preferenciais que lhe garantiram cerca de 2/3 do capital total da IUPAR; cc) Não é demais lembrar que a operação se deu entre partes independentes e reconhecidamente conhecedoras do mercado em que atuavam e atuam; dd) A diversidade de valores de emissão de ações ocorre, com enorme frequência, em operações de associação de empresas, ou de ingresso de novos sócios numa dada empresa; ee) Os valores das contribuições para o capital feitas ou por sócios diferentes ou em épocas diferentes, ou com ativos diferentes raramente irão coincidir; ff) Aliás, é essa diversidade de valores que explica a existência de ágios e deságios na aquisição de participações societárias. É isso também que provoca os fenômenos da diluição ou da concentração de participações societárias; Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.654 22 gg) Em todas essas situações, há razões econômicas para determinar os valores relativos de ações, mesmo quando emitidas por uma mesma companhia, em função dos direitos políticos e patrimoniais a elas atrelados; hh) A variação de valores é identificada também nas operações de aporte na integralização de capital, conforme a espécie de ação, ou conforme o ativo aportado (dinheiro, bens), podendo, ainda, variar em razão de outros fatores, como ativos intangíveis ou passivos contingentes que eventualmente já integrem o patrimônio da companhia; ii) No caso dos autos, razões empresariais e econômicas explicam a diversidade de valores de emissão: a contribuição da ITAÚSA implicou o aporte do controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING na IUPAR; em razão disso, recebeu parte da contrapartida desse aporte em ações preferenciais; jj) Outro bloco (FMS) não aportou controle e recebeu a contrapartida de sua contribuição para o capital da IUPAR totalmente em ações ordinárias, que lhe deram o controle (compartilhado) da IUPAR e, indiretamente, do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; em compensação, a FMS recebeu uma quantidade nominal menor de ações de emissão da IUPAR (e, indiretamente do ITAÚ UNIBANCO HOLDING) do que aquela que deteria caso não tivesse feito a subscrição de ações da IUPAR; kk) Portanto, o valor de subscrição, necessariamente, tinha que ser diferente; ll) Muitas razões podem definir a diversidade de valores das ações de uma mesma companhia: entre outras, a diversidade de espécies ou, ainda de classes, mas, fundamentalmente, a diversidade dos direitos atrelados à ação; mm) É evidente a diversidade de direitos atrelados aos pacotes acionários entregues à IUPAR pelos dois blocos acionários e a diversidade dos direitos dos pacotes acionários entregues pela IUPAR a cada um dos blocos; nn) É de conhecimento de todos que a contribuição do subscritor para a formação do capital da empresa não é renda desta; oo) Também não representa renda dos demais acionistas, ainda que estes tenham contribuído com um valor menor (ou com um valor nominal menor); pp) Nem a diluição de participação societária nem a concentração da mesma participação, ensejam dedução fiscal ou incidência fiscal; qq) O TVF aponta um ágio da parcela da ITAÚSA no investimento na IUPAR; rr) A legislação do imposto de renda e da CSLL tributa a aquisição de renda manifestada mediante a prática de fatos típicos (fatos geradores de obrigação tributária), descritos nessa legislação. São esses fatos tipificados em lei que, na sua ocorrência concreta, dão nascimento à obrigação tributária; ss) Já vimos, em preliminar, que o autuante não aponta nenhum dispositivo de lei que descreva hipótese de incidência na qual pudessem enquadrarse os fatos narrados na autuação; tt) Assim sendo, mesmo que não seja acolhida a preliminar de nulidade, também no mérito o auto não prospera, dado que não existe dispositivo na legislação do imposto de renda que qualifique a situação descrita no auto como passível de incidência. Em suma, não há fato gerador que suporte a pretensão fiscal; Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.655 23 uu) A diversidade de aportes correspondeu à diversidades de contrapartidas que não representam ganho da impugnante. Não há concretização de ganho ou renda para ela; vv) Aliás, a impugnante chegou a apurar ágio em razão dos diferentes aportes. Esse ágio não foi questionado pelo autuante, nem quanto à sua existência, nem quanto à sua quantificação; ww) É claro que não houve aquisição de renda quando se apurou ágio na substituição da participação societária; xx) Poderia ter ocorrido deságio, em face de diferentes contribuições por sócios distintos e dos valores relativos das ações (com diversos direitos atreladosàs ações recebidas) e, igualmente, não haveria, nessa hipótese, aquisição de renda; yy) Exatamente pela diversidade de direitos atrelados às ações, como contrapartida necessária e correspondente à diversidade de aportes, não houve materialização de ganho, não ocorreu nenhuma situação que seja descrita em lei como fato gerador de tributo; zz) Não há renda tributável nem da companhia emissora das ações (IUPAR), subscritas pela FMS, nem da outra acionista, ITAÚSA, ora impugnante; aaa) Desse modo, se não for acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, o qual carece de fundamentação legal, deve ele, no mérito, ser cancelado, dada a inexistência de fato gerador, que a fiscalização, apesar de sua exuberante narrativa no TVF, não conseguiu identificar; bbb) Releva notar ainda que há usufruto constituído sobre parte das ações aportadas pelos acionistas da IUPAR. Essa circunstância em nada altera os dados da questão discutida; ccc) O autuante não fundamenta a exigência fiscal na existência de usufruto, embora discorra longamente sobre ele; ddd) A base do auto é o ganho que a impugnante supostamente teria tido pelo fato de outros acionistas da IUPAR (família MOREIRA SALLES) ter, comparativamente com a ITAÚSA, aportado mais ações na integralização do capital subscrito na IUPAR; eee) Mas cabem algumas observações sobre o usufruto até para esclarecer eventuais dúvidas que o TVF possa eventualmente suscitar; fff) O usufruto foi constituído pela razão básica de que a IUPAR não necessita da totalidade dos dividendos ou juros sobre o capital próprio distribuídos pelo ITAÚ UNIBANCO HOLDING para investimentos, dado que seu objeto é apenas o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; ggg) Por isso (e por força do usufruto), apenas parte dos dividendos ou JCP distribuídos é que é recebida pela IUPAR, o que em nada prejudica o direito dosacionistas, já que, por meio do usufruto, auferem os mesmo valores que poderiam, indiretamente, caber a eles por meio da IUPAR; hhh) Enfim, com ou sem usufruto, a ITAÚSA e a FMS receberiam exatamente o mesmo proveito econômico, conforme, aliás, o próprio autuante acabou por demonstrar no TVF; Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.656 24 iii) Em resumo, a existência de usufruto patrimonial gravando parte das ações possuídas pela IUPAR não interfere nem com o proveito econômico a que cada bloco faz jus em razão de sua participação societária, direta na IUPAR e indireta no ITAÚ UNIBANCO HOLDING; jjj) E, por isso mesmo, a existência do usufruto não é relevante para a discussão objeto da autuação; Da multa isolada em concomitância com a multa de ofício a) O fisco exige o IRPJ e a CSLL supostamente não recolhidos no ajuste, bem como a multa de ofício sobre os tributos lançados, concomitantemente, com a multa de ofício isolada, sobre a insuficiência calculada em decorrência da mesma infração; b) Não se pode acolher a duplicidade de penalidades de ofício sobre uma mesma infração, pois o valor do tributo (supostamente não recolhido), tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício e sobre o qual incidiu a multa de 75%, quanto foi utilizado a título de base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa; c) Frisese que, no caso deste processo, tratase de dupla incidência sobre a mesma materialidade, pois o valor do pagamento mensal é exatamente a totalidade ou diferença do tributo incluído pela autoridade fiscal no cálculo do ajuste anual; d) Descabe a multa por falta de recolhimento de estimativa quando já aplicada a multa de ofício. No caso, resta caracterizada a dupla punição por uma mesma infração, devendo ser cancelada a multa de ofício isolada; Da não incidência de juros sobre a multa de ofício a) A Lei nº 9.430/1996 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multade mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora. Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora; b) Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício; c) Também o art. 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN; d) Por consequência, não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º do artigo 161 do CTN; e) Requer, assim, a nulidade do auto de infração ou alternativamente a sua improcedência. A 4° Turma da DRJ/RJ1 julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada, considerando devido o IRPJ no valor de R$ 272.382.818,97 e a CSLL no valor de R$ 115.776.662,46, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, bem como das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, respectivamente, nos valores de R$ 141.480.882,06 e R$ 59.917.065,26. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.657 25 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 1440/1528, em que repisa os argumentos apresentados em sede de impugnação e combate as alegações trazidas pela DRJ. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1569/1606). Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.658 26 Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro O recurso voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cuida o presente processo de autos de infração que procederam ao lançamento de ofício de créditos tributários de IRPJ e de CSLL referente ao anocalendário de 2008. Em apertada síntese, alega a autoridade autuante que o contribuinte não ofereceu à tributação o acréscimo patrimonial auferido em função da associação dos grupos ITAU e UNIBANCO. Em sede recursal, o contribuinte alega que: (i) o auto de infração é nulo por inexistir fundamento legal à autuação; (ii) inexiste acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IRPJ e CSLL; (iii) a empresa IUPAR foi constituída mediante emissão de ações de tipos diferentes, sendo, por conseguinte, atribuídos valores distintos a cada tipo de ação; (iv) o valor de subscrição pago por um acionista não é renda tributável nem da companhia emissora da ação nem do outro acionista; (v) o usufruto existente sobre parte das ações aportadas é irrelevante para os efeitos da autuação. Protesta, ainda pela aplicação da multa isolada concomitantemente à multa de ofício e pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Passemos à análise da preliminar suscitada. O contribuinte alega a nulidade da autuação por ausência de fundamento legal aplicável. Afirma que a autoridade autuante não indicou qual seria a situação abstrata prevista em lei como fato gerador do tributo, limitandose a elencar normas gerais de incidência tributária. Por seu turno, a DRJ rejeitou a preliminar nos seguintes termos: Verificou o fisco que ocorrera um ingresso de um direito representado pela participação societária recebida não decorrente de atividade operacional da pessoa jurídica nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico um acréscimo patrimonial da interessada na forma prevista no inciso II do artigo 43 do CTN. Ora, diante de tal premissa, com a descrição dos fatos pormenorizadamente trazida à baila pelo fisco, não vejo qualquer mácula que deflagre hipótese de nulidade do auto de infração, já que a interessada deixou de adicionar ao lucro líquido valores que estariam diretamente ligados ao resultado da empresa objeto de fiscalização. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.659 27 Entendera o fisco que a ITAUSA (interessada) não atendeu ao disposto pela lei fiscal, por deixar de reconhecer o ganho ocorrido na operação societária que culminou no evento de subscrição da IUPAR, o qual acarretou aumento de sua participação no capital da ITAÚ HOLDING FINANCEIRA (ITHF), refletindo diretamente nos seus direitos de sócio, tanto quanto aos reflexos contábeis e fiscais decorrentes da equivalência patrimonial, quanto ao de recebimento de juros sobre o capital próprio, dividendo e bonificações e outras distribuições de lucros porventura existentes. Portanto, o fato de se fazer menção, no enquadramento legal, a diversos dispositivos não constitui, por si só, qualquer irregularidade, nem é suficiente para cercear o direito de defesa. No enquadramento legal, devem ser citados todos os dispositivos pertinentes, sejam eles numerosos ou não. Não houve, portanto, cerceamento do direito de defesa, afronta ao princípio da legalidade nem inobservância do art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/72, pois no enquadramento legal são citados os dispositivos que, no entender do autuante, foram infringidos. Além disso, ainda que houvesse deficiência na fundamentação de direito, esta poderia ser suprida pela fundamentação de fato, ou seja, não há nulidade se o autuado demonstra, através da própria Impugnação, que entendeu quais infrações lhe foram imputadas. Pois bem. O auto de infração enquadra a infração cometida pelo Recorrente como “omissão de receitas não operacionais” e aponta como infringidas as seguintes disposições legais: 1) Art. 3° da Lei n° 9.249/95: Art. 3º. A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. 2) Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 278, e 288 do RIR/99: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º ). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.660 28 observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º ). § 3º Os valores controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º ) Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º ): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.(...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, §2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.661 29 período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Além disso, no Termo de Verificação Fiscal, é mencionado o art. 43 do Código Tributário Nacional1, o qual circunscreve o âmbito de incidência do imposto de renda. Da leitura atenta dos artigos acima transcritos, observase que estes tratam das seguintes matérias: (i) alíquota do imposto aplicável às pessoas jurídicas; (ii) apuração do lucro real; (iii) apuração do lucro líquido; (iv) escrituração fiscal e comercial: (v) apuração do lucro bruto; e (vi) lançamento de ofício no caso de omissão de receitas. Todos esses dispositivos tratam, portanto, de aspectos gerais relativos à incidência do imposto de renda para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, inexistindo disposição específica para a infração legal supostamente cometida. Ademais, no presente caso, discutese se o contribuinte auferiu, ou não, ganho de capital decorrente da alienação de um direito, qual seja: o poder de controle do grupo ItaúUnibanco. Com a formação do conglomerado, ficou decidido que o seu controle seria partilhado entre os acionistas controladores do Itaú e do Unibanco. Para que essa divisão fosse possível, foram realizadas as seguintes operações: a) os acionistas do UNIBANCO receberam ações do BANCO ITAU HOLDING FINANCEIRA S/A BIHF; b) o BIHF emitiu 1.121.033.136 novas ações, da quais os integrantes controladores do grupo UNIBANCO (Família Moreira Sales FMS) receberam 445.686.615 ações ordinárias; c) para possibilitar o compartilhamento do controle do novo conglomerado, o Recorrente e a FMS efetuaram a subscrição de capital da ITAU UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S/A IUPAR com as ações ordinárias do BIHF. A FMS subscreveu 445.686.615 ações pelo valor unitário de R$ 6,90748945, já o Recorrente subscreveu 615.709.842 ações pelo valor unitário de R$ 16,02389874; d) Em contrapartida à subscrição, a FMS recebeu 355.227.092 ações ordinárias da IUPAR pelo valor unitário de R$ 8,6665. Por seu turno, o Recorrente recebeu, também, 355.227.092 ações ordinárias, porém o valor unitário era de R$ 13,97125484537270. Além disso, a ITAÚSA recebeu 350.942.273 de ações preferenciais. 1 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.662 30 Diante desse cenário, a autoridade autuante sustenta que a FMS recebeu 445.686.615 ações e, logo em seguida, aceitou transformálas em 355.227.092 ações. Por sua vez, o Recorrente contribuiu com 615.709.842 ações, contudo, recebeu 706.169.365 ações como retorno. Logo, a FMS teria transferido 90.459.523 ações ordinárias à ITAÚSA. O fisco adota a tese de que este valor seria uma contrapartida recebida em função da cessão do controle do grupo. Entendo, portanto, que de acordo com o raciocínio adotado pelo fiscal, o Recorrente alienou um direito seu aos antigos controladores do Banco Itaú, auferindo acréscimo patrimonial em função dessa alienação. Ocorre que o acréscimo patrimonial, nessa hipótese, deve ser mensurado pela diferença entre o custo deste direito e o seu preço de venda, pois se trata de um ganho de capital. Não basta, portanto, apurar qual valor foi recebido como prêmio de controle, deve, ainda, a autoridade fiscal verificar qual foi o efetivo acréscimo de riqueza do contribuinte. Nos termos do art. 31 do DecretoLei n° 1.598/77, com redação anterior à Lei n° 12.973/14, devem ser classificados como ganhos ou perdas de capital os resultados na alienação de bens do ativo permanente. Entendo, portanto, que os dispositivos legais que embasam a autuação não são suficientes para que ocorra a subsunção do fato à norma, haja vista que, em momento algum, a autoridade autuante mencionou a hipótese de apuração de ganho de capital, limitando se a afirmar que se trata de omissão de receitas não operacionais e que estas receitas devem ser computadas na determinação do lucro líquido e do lucro real. Logo, a infração objeto da autuação, bem como os dispositivos legais infringidos, não foram identificados de forma correta, de modo que, quando não atendidas as formalidades previstas na legislação, deve se impor o cancelamento da autuação. Observase que fora cometido um erro, insanável, no objeto da autuação, vez que a autoridade autuante não soube identificar a infração, podendo ter sido atribuída, inclusive, base de cálculo equivocada ao lançamento. Entendo, portanto, que a preliminar de nulidade da autuação invocada pelo contribuinte merece guarida, visto que não houve a subsunção do fato à norma jurídica supostamente infringida, o que constitui afronta ao art. 10, inciso IV, do Decreto n° 72.035/72. Não pode a autoridade fiscal realizar lançamentos com fundamentação legal genérica e insuficiente para determinar qual infração foi cometida. Conforme prevê o art. 142 do CTN, a autoridade administrativa deve verificar a ocorrência do fato gerador e a matéria tributável para constituição do crédito tributário por lançamento. Ausente esses requisitos, entendo que o lançamento encontrase eivado por vício material, pois há falta de materialização do ilícito cometido e da hipótese de incidência tributária. No que tange ao mérito, entendo que seu julgamento resta prejudicado em razão da nulidade verificada. Explico: considerando que o presente caso trata da hipótese de não recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital auferido na alienação de direitos, o agente fiscal deveria ter apurado a base de cálculo dos tributos devidos considerandose a Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.663 31 diferença entre o custo de alienação e o custo contábil do investimento, nos termos do art. 425 do RIR/99, vigente à época do fato gerador: Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, §1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, §3º). Parágrafo único. A provisão para perdas constituídas até 31 de dezembro de 1995, quando dedutível na apuração do lucro real nos termos da legislação aplicável, deverá ser considerada na determinação do ganho ou perda de capital. Logo, qual seria, na hipótese dos autos, o valor do ganho de capital? Os documentos societários juntados aos autos demonstram que o contribuinte trocou 615.709.842 ações, cujo valor unitário de R$ 16,02389874, totalizando R$ 9.866.072.161,43, por 355.227.092 ações ordinárias e 350.942.273 ações preferenciais, cujo valor unitário era de R$ 13,97125484537270, totalizando R$ 9.866.072.162,41. Portanto, a diferença entre o custo de aquisição e o custo de alienação, conforme demonstram os documentos societários, seria de R$ 0.02. Caso o fiscal discordasse dos valores atribuídos às ações subscritas e aportadas, deveria ter embasado seu posicionamento em documentos e provas, porém, isto não ocorreu. Durante a fiscalização, o contribuinte explicou que a diferença do valor de emissão das ações entregues pela Itaúsa à IUPAR decorre de correção do valor de equivalência patrimonial (fl. 76 do Termo de Verificação Fiscal). Contudo, o fiscal não provou que o valor contábil atribuído às ações da Itaúsa estaria incorreto, tendo realizado o lançamento com base em presunções. Registro, novamente, que, a meu ver, esse lançamento só poderia subsistir caso a autoridade autuante tivesse demonstrado a diferença existente entre o valor contábil das ações aportadas e o valor das ações recebidas em contrapartida, hipótese em que restaria caracterizada a apuração de ganho de capital. Portanto, em consonância com a preliminar acolhida, o mérito não deve prevalecer por ausência de base de cálculo para a autuação. Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário e acato a preliminar de nulidade suscitada, devendo ser declarado nula a autuação por vício material. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro – Relator Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.664 32 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior O ilustre Relator acolheu a preliminar de nulidade do lançamento por vício material, aduzindo que, se tivesse de examinar o mérito, o ato administrativo igual sorte teria em razão da ausência de base de cálculo. Respeitosamente, divirjo do preclaro Conselheiro Relator. Não me parece ter havido erro na descrição do fato e tampouco no enquadramento legal, apesar das "divagações" e das "digressões" do Termo de Verificação Fiscal TVF, apontadas pela recorrente. O que se exige do lançamento é que ele faça uma descrição objetiva e inequívoca do fato imputado ao sujeito passivo. Isso o TVF fez. Ele talvez seja extenso, talvez contenha digressões, divagações, conjecturas desnecessárias, mas descreve com clareza e precisão o fato imputado à recorrente e que serve de motivo ao lançamento. O conteúdo do recurso mostra que a recorrente bem compreendeu o fato que lhe era imputado. A prova disso é o trecho abaixo transcrito: 18. No ponto específico objeto do auto de infração em tela, entendeu o autuante que, por ter sido a contribuição da FMS (em quantidade de ações) proporcionalmente maior do que a da ITAÚSA (ou seja, para "x" ações da IUPAR a FMS contribuiu com um número de ações de emissão do Itaú Unibanco Holding maior do que o número de ações aportadas pela Itaúsa) e ambas receberam igual quantidade ("x") de ações da IUPAR a ITAÚSA teria auferido ganho tributável no valor das ações do Itaú Unibanco Holding que, na visão do autuante, teria "recebido a mais". No auto de infração, a família Moreira Salles (FMS) é identificada como E. Johnston (que era o nome da antiga holding controladora do Unibanco). 19. Ou seja, se a FMS, por exemplo, entrega 100 moedas na integralização de 10 ações e a Itaúsa entrega apenas 80 moedas para integralizar uma quantidade igual, de 10 ações, a Itaúsa teria tido um "ganho de capital"de 20 moedas; como ela comprou mais barato, teria tido, na compra, um ganho tributável! Essa é a lógica da autuação. 20. Sobre esse alegado ganho da Recorrente é que incide a exigência fiscal de IRPJ e CSL, referentes ao anocalendário de 2008, acrescidos de juros, multa de ofício e multa isolada, e juros sobre estas multas, exigência essa que é ilegal, conforme a Recorrente demonstrará. (fl. 1.444) Os grifos não são meus, são do original, e têm o claro propósito de enfatizar o que havia de mais importante nessa descrição, revelando que a recorrente entendeu perfeitamente a autuação, embora com ela não concordasse. Porém são duas coisa inconfundíveis. Uma é compreender; outra, concordar. A validade do lançamento não exige o casamento da compreensão com a concordância. O Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.665 33 lançamento será juridicamente válido ser contiver descrição inteligível dos fatos imputados ao sujeito passivo. Essa exigência foi atendida. A recorrente, entretanto, afirma que se omitiu o fundamento jurídico legal do lançamento. E mais: disse que não existe preceito tributário que embase a autuação. Lêse no recurso: 25. Realmente, o autuante não aponta nenhum fato típico nem o seu respectivo enquadramento legal. Fundamenta a autuação no CTN, como se este contivesse normas de incidência (descritivas de fatos típicos, cuja ocorrência gerasse a obrigação de pagar tributo). (...) 27. Achando que, com isso, teria descrito o "fato gerador", o auto passa à descrição da base de cálculo (RIR, art. 219), do lucro real (art. 247) e do lucro líquido (art. 248), para, antes de concluir com o registro de que o contribuinte deve manter escrituração de acordo com a lei (art. 251), afirmar que, na determinação do lucro real (art. 249, II) devem ser computados "quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real" (O negrito e o itálico são do TVF; o sublinhado é da Recorrente). 28. Faltou, porém, a indicação de qual seria a disposição "deste Decreto" (o texto referese ao RIR) que mandaria cobrar imposto de renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. (fl. 1.445) (grifos da recorrente) Mais adiante, no mesmo recurso, se lê: 42. A gravidade do vício é maior, na medida em que, mais do que a simples omissão do preceito legal, ou erro de capitulação, foi demonstrado que não existe esse imaginário preceito que pudesse tipificar a situação concreta como fato gerador de tributo. (fl. 1.447) A recorrente afirma que no lançamento não existe indicação do dispositivo legal que manda cobrar Imposto de Renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. Esse dispositivo não poderia mesmo ser indicado, pois não existe. Mas não existe também dispositivo mandando cobrar Imposto de Renda de uma empresa, quando aliena bens do seu ativo imobilizado, ou quando realiza operações financeiras, ou quando realiza venda de mercadorias ou presta serviços. Isso porque, nenhuma dessas situações, individualmente consideradas, é fato gerador do Imposto de Renda das empresas. O fato gerador do Imposto de Renda das empresas é o lucro, que pode ser real, presumido ou arbitrado, conforme a sistemática de apuração. No caso da recorrente, que é instituição financeira, o lucro tributável é apurado conforme as regras do lucro real. E o que seria lucro? Numa definição simplista, lucro é a diferença positiva entre dois somatórios: de um lado, a soma das receitas e de todos os outros ganhos; de outro, a soma de todas as despesas, dispêndios e custos. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.666 34 Partindo desse pressuposto, é possível afirmar que a venda, com "lucro", de um bem do ativo imobilizado, por si só, não é fato gerador do Imposto de Renda, mas entra no cômputo do lucro tributável, como um de seus componentes, assim como o são as receitas oriundas do exercício da atividade principal da empresa. Notese que é possível a obtenção de lucro na venda de um bem do ativo imobilizado e, ainda assim, não haver imposto devido no período. Para tanto, basta que as perdas em outras operações ou o prejuízo operacional sejam maiores e absorvam inteiramente aquele ganho. As receitas, ganhos, despesas, custos se comunicam dentro do mesmo período de apuração. Na apuração do lucro entram todas as receitas e todos os ganhos, exceto os que lei expressamente excluir. Portanto, em se tratando de entidade de fins econômicos, se a lei nada disser acerca de determinado ganho, ele comporá o lucro, porque essa é a regra do Imposto de Renda. É verdade que a legislação do Imposto de Renda menciona de forma expressa uma série de receitas e ganhos tributáveis. Mas, quando ela o faz, busca dois objetivos. O primeiro é estabelecer um tratamento específico, diante da especificidade da situação, indicando as despesas a serem deduzidas, os valores a serem excluídos e o momento em que os ganhos devam ser oferecidos à tributação. O segundo objetivo é didático. Visa a afastar discussões acerca da tributação de determinados valores. Em suma, diante de um ganho ou de uma receita, a lei do Imposto de Renda pode adotar as seguintes formas de tratamento. A primeira é silenciar e, assim, o valor será tributável, compondo o lucro real. A segunda, disciplinar o modo específico pelo qual o ganho ingressará no cômputo lucro tributável. E a terceira, conceder isenção ou reconhecer alguma forma de intributabilidade. Por essas razões, se percebe a impropriedade e inadequação de se exigir, como requisito de validade do lançamento aqui contestado, a indicação de um dispositivo, dentre tantos que compõem a vasta legislação do Imposto de Renda, que mande de forma literal e expressa cobrar imposto de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. Basta, para a validade formal do lançamento, que determinada operação seja caracterizada como geradora de um ganho, não existindo para este nenhuma norma de isenção, não incidência ou imunidade. O enfoque do problema por esse ângulo revela que a referência feita pela autoridade lançadora, no auto de infração, aos dispositivos regulamentares não é genérica, nem tão ociosa como supôs a recorrente. Os dispositivos regulamentares foram citados para mostrar que, de acordo com a legislação aplicável, os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores devem compor o lucro real. E, na esteira dessas regras, estender ao ganho auferido pela recorrente o mesmo tratamento tributário. Não se concebe que dispositivos legais desçam ao nível de detalhamento pretendido pela recorrente. Lembrese de que, em sentido material, lei é norma de caráter geral e abstrato, que disciplina relações jurídicas entre os sujeitos de direito. Aplicase, pois, a um número indeterminado de indivíduos, sendo que o comando nela contido tende a se repetir sucessivas vezes, desde que se configure no mundo real a situação hipotética descrita na norma. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.667 35 Isso também se verifica com a lei tributária, que não pode ser tão genérica que delegue ao aplicador da lei a atribuição completar a cada nova incidência os elementos da hipótese; mas também não pode ser tão específica a ponto de deixar de ser geral e abstrata, tornandose disfuncional, pois serviria para pouquíssimos casos, ou para caso nenhum. Portanto, não tem razão a recorrente quando afirma inexistir situação abstrata descrita em lei que pudesse qualificar a situação concreta como fato gerador do Imposto de Renda. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito No mérito, a recorrente negou ter havido acréscimo patrimonial passível de tributação. Admitiu que a controvérsia reside na capitalização da IUPAR e no recebimento da contrapartida, que foi diferente da contrapartida entregue pela IUPAR ao outro acionista, identificado no recurso como Família Moreira Sales, ou apenas, FMS. Aduziu que o valor de subscrição pago por um acionista não é renda tributável. Reiterou que foram diferentes os aportes feitos na integralização das ações subscritas pela recorrente e pela FMS, e, por isso, diferentes também foram as contrapartidas recebidas. Disse que essa prática é comum no mercado. Nas contrarrazões ao recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN sustenta que o lançamento apurou acréscimo patrimonial decorrente do recebimento de prêmio de controle pela associação dos grupos Itaú e Unibanco. Os argumentos da PFN podem ser compreendidos pela leitura do trecho abaixo: Não obstante a insistência do contribuinte, sua tese não é válida. Isso porque, ao contrário do que afirma, a Fiscalização não apurou o acréscimo patrimonial auferido por um acionista em razão do aporte de outro acionista, mas sim o acréscimo oriundo decorrente do recebimento de um prêmio, ou seja, um aumento patrimonial sem o correspondente custo. Com efeito, afastando a leitura tendenciosa do auto de infração proposta pelo recorrente, vêse que o lançamento se pautou no acréscimo patrimonial auferido pela ITAUSA em face do prêmio de controle que recebeu pela associação dos grupos ITAÚ e UNIBANCO. Nesse diapasão, o auto de infração destaca em inúmeros momentos o aumento da participação da ITAUSA no ITAÚ UNIBANCO HOLDING como consequência da referida associação, assim como ressalta a realização de uma teleconferência na qual o presidente do antigo grupo ITAÚ reconhece o pagamento desse prêmio à ITAUSA. A fim de ilustrar o que ora se defende, citamse as seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 06 do TVF A diferença de 90.459.523 de ações foi repassada à ITAUSA no evento de subscrição da IUPAR, quando foram valoradas por preços diferentes as mesmas ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding entregues na integralização do capital subscrito. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.668 36 (...) Fl. 76 do TVF (...) Entendemos como incontroverso o fato de que a subscrição e integralização do capital da IUPAR, cuja existência se justifica como instrumento de compartilhamento de controle da ITHF a ser exercido entre os antigos controladores dos grupos Unibanco e Itaú, trouxe benefícios à ITAUSA, acarretando aumento de sua participação acionária total detida na ITHF. O que está em pauta é o ingresso de um direito, representado pela participação societária recebida, não decorrente da atividade operacional da pessoa jurídica, nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico o acréscimo patrimonial da ITAUSA, na forma prevista no inciso II do artigo 43 do Código Tributário Nacional. (...) Fls. 78/79 (...) Pois bem, a avaliação dos impactos sofridos pela ITAUSA na associação dos dois grupos econômicos deixa evidente a ocorrência de ganho patrimonial na companhia, decorrente de resultado não operacional, o qual se encontrava delineado já nos primeiros atos escritos, formalizados no Contrato de Associação de 03/11/2008 e no Fato Relevante da mesma data, que tinham presentes em seu corpo os elementos correspondentes às participações societárias que seriam detidas pelas partes envolvidas no final do processo, o qual se completou com o evento de subscrição e integralização de capital na IUPAR. Este evento de subscrição da IUPAR deve ser analisado apenas como o último ato de todo o conjunto de rearranjos societários praticados que almejaram o fim inicialmente declarado. Neste sentido, não é admissível supor um agente econômico receba 455.686.615 ações para logo em seguida transformar esta riqueza em 355.227.092 de ações e em contrapartida que a ITAUSA contribua com 615.709.842 ações para receber em troca 706.169.365. (...) Podemos concluir que o fato das 90.459.523 ações terem sido formalmente subscritas pelos antigos controladores do Unibanco, para na sequência se tomar Investimento de propriedade da ITAUSA, do qual usufrui em sua integralidade em relação aos direitos e deveres de sócio, não altera o negócio realizado que resultou em acréscimo patrimonial favorável à ITAUSAf contextualizado no conjunto da operação. Desta forma deve ser aplicada a norma tributária, com seus efeitos, a qual alcança todo o acréscimo patrimonial havido em razão da apuração de renda ou de proventos outros, sendo irrelevante a forma escrita aplicada pelos contratantes, (grifos nossos) Portanto, notase claramente que o lançamento não se pautou no acréscimo patrimonial auferido pela ITAUSA em face do aporte realizado pela Família Moreira Sales na subscrição da empresa ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., mas sim no aumento de patrimônio causado pelo recebimento do prêmio por meio dessa Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.669 37 subscrição e que fora previsto desde a assinatura do contrato e da publicação do primeiro Fato Relevante. (fls. 1.573 a 1.575) (grifos do original) A PFN, nas contrarazões, reproduz um diálogo travado numa teleconferência, em que um dos diretores da recorrente reconhece, de forma incontestável, que o montante colhido no lançamento como acréscimo patrimonial é, na verdade, um prêmio de controle. Eis o trecho: No entanto, esse aumento de 8,3% não corresponde exclusivamente ao prêmio de controle. Tal como consta da teleconferência realizada pelos grupos ITAU e UNIBANCO aos seus investidores no dia 04/11/2008, esse aumento englobava, tanto as ações recebidas pela ITAUSA em face da incorporação do BANCO ITAU EUROPA pelo BANCO ITAÚ, como o prêmio, senão vejamos: Marcelo Telles, Credit Suisse: Boa tarde a todos. Parabéns pela transação. Eu tenho uma pergunta em relação à participação da Itaúsa no Itaú Unibanco. Quando a gente olha o número de ações que o grupo Moreira Salles tinha na Unibanco Holdings, e um número equivalente de ações recebidas dentro do Itaú Unibanco, eu chegaria a um número por volta de 445 milhões de ações. No entanto, quando a gente olha pela estrutura final, após a transação, você teria por volta de 350 milhões de ações. Então eu queria saber se houve alguma venda de ações por parte do grupo Moreira Salles para a Itaúsa, dado que vocês colocaram no release que a participação da Itaúsa aumentou em 8,3%, o que seria bem acima dos 21 milhões de ações que foram emitidos em função da venda do Banco Itaú Europa para o Banco Itaú. Obrigado. Roberto Egydio Setúbal: Você observou corretamente. E isso mesmo. Essa relação de troca traduz um prêmio implícito, que é o prêmio exatamente de participação no controle do Banco. Acho muito importante deixar bem claro. De fato, o grupo de controladores do Unibanco passa a fazer parte do grupo de controle do Itaú Unibanco Holding, e isso se traduz exatamente nesse prêmio que foi aí identificado por você. Marcelo Telles: Perfeito. E o pagamento disso é caixa, como funciona o settlement dessa transação? Roberto Egydio Setúbal: Não houve pagamento em dinheiro mesmo, foi na troca de ações na integralização da holding. (grifo nosso) Portanto, pelos trechos citados, não há como fechar os olhos ao prêmio incontestavelmente recebido pela ITAUSA em face da associação dos grupos ITAÚ e UNIBANCO. Não há como, portanto, analisar a subscrição do capital da IUPAR sem levar em conta que, por meio de tal operação, a ITAUSA recebeu seu prêmio. Como já dito, esse fato fora informado pelo presidente de um dos grupos. (fls. 1.583 a 1.584) (grifos do original) O diálogo acima reproduzido (encontrado no seguinte endereço: http://ww13.itau.com.br/portalri/html/port/download/PCA_ITAU_3T08_Port.pdf) deixa clara a Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.670 38 origem da diferença detectada pela Fiscalização. Tratase de um "prêmio" pago pela participação no controle do Itaú Unibanco Holding. A fórmula engendrada para pagamento desse "prêmio" teve participação da IUPAR, como fica evidenciado no quadro abaixo: FMS QUANTIDADE DE AÇÕES TIPO APORTE DE AÇÕES NA IUPAR 445.686.615 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 355.227.092 ORDINÁRIAS DIFERENÇA 90.459.523 ORDINÁRIAS ITAUSA QUANTIDADE DE AÇÕES TIPO APORTE DE AÇÕES NA IUPAR 615.709.842 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 355.227.092 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 350.942.273 PREFERENCIAIS TOTAL DE AÇÕES RECEBIDAS 706.169.365 ORD/PREF DIFERENÇA +90.459.523 PREFERENCIAIS Observese que a FMS transfere à IUPAR, em integralização de capital, uma determinada quantidade de ações da Itaú Unibanco Holding IUH, recebendo, em contrapartidade, uma quantidade menor de ações da IUPAR. A diferença é 90.459.523 ações. Do outro lado, a recorrente, ITAUSA, integraliza o capital da IUPAR mediante a entrega de 615.709.842 ações ordinárias da IUH. Recebe a mesma quantidade de ações ordinárias da IUPAR entregues ao outro acionista, ou seja, 355.227.092. Com isso ambos os acionistas, ITAUSA e FMS, passam a ter o controle compartilhado da IUPAR e, consequentemente da Itaú Unibanco Holding IUH. Porém, a ITAUSA recebe 350.942.273 ações preferenciais da IUPAR, que, somadas às 355.227.092 ações ordinárias, perfaz um total de 706.169.365, que ultrapassa a quantidade de ações entregues à IUPAR. A diferença é exatamente 90.459.523 ações. Não é preciso muita perspicácia para perceber que as diferenças são as mesmas, porém com os sinais invertidos. O acionista que recebeu o controle compartilhado do Itaú Unibanco recebeu uma quantidade de ações menor do que a quantidade que havia integralizado. O que cedeu o controle recebeu uma quantidade de ações maior. Eis aí o "prêmio implícito" a que se referia o diretor da recorrente. O adjetivo implícito a qualificar o substantivo prêmio, decerto, se deve ao fato de o prêmio não ter sido pago diretamente pela companhia que adquiriu o controle compartilhado, mas por um terceiro. Entretanto, se o prêmio foi pago de forma direta ou indireta, do ponto vista tributário, esse aspecto é irrelevante. O "prêmio", tal como aqui observado, é um ganho tributável ao qual não corresponde nenhum custo ou despesa específica. Não se trata de receita oriunda da venda de um bem tangível do estoque de mercadoria ou do ativo imobilizado que tenha um custo de aquisição ou de fabricação determinado; nem é receita de serviço cuja prestação envolve despesas. Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.671 39 O "prêmio", além de não ter custo, tem o seu valor determinado pela conjugação de diversos fatores, e tem existência e se materializa apenas no momento da realização do negócio. Tal valor não se confunde com o preço das ações negociadas. Este é passível de ser mensurado conforme cotações de mercado, o outro não. Por isso, é um equívoco tentar apurar o ganho da recorrente a partir do cotejo dos valor unitário das ações aportadas na IUPAR com o valor unitário das ações recebidas em contrapartida, conforme constante dos documentos societários. Está claro que as 90.459.523 ações preferenciais da IUPAR são o "prêmio implícito" pelo controle compartilhado. O "prêmio" poderia ter sido pago mediante a entrega de qualquer bem cujo valor fosse passível de avaliação em dinheiro. Poderia, inclusive, ter sido pago em dinheiro, mas as partes envolvidas preferiram liquidar o negócio mediante a entrega de ações preferenciais da IUPAR. Isso fica muito claro pela resposta do diretor da recorrente dada a uma das perguntas que lhe foram feitas, quando da teleconferência acima referida. Para que não reste dúvida, estas são a pergunta e a resposta: Marcelo Telles: Perfeito. E o pagamento disso é caixa, como funciona o settlement dessa transação? Roberto Egydio Setúbal: Não houve pagamento em dinheiro mesmo, foi na troca de ações na integralização da holding. A pergunta se referia à forma pela qual a transação havia sido liquidada. A resposta não podia ser mais clara: não houve pagamento em dinheiro, mas sim com ações. O pagamento do prêmio foi precisamente a diferença das ações preferenciais da IUPAR. Diante disso, à Fiscalização cabia verificar o valor de mercado das 90.459.523 ações preferenciais da IUPAR, adicionando o montante à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fim de apurar o valor dos tributos devidos, o que efetivamente foi feito. O lançamento, portanto, também nesse ponto não merece reparo. Cumulação de multa vinculada com a multa isolada No que concerne à exigência concomitante da multa vinculada (multa de ofício) com as multas isoladas, o colegiado tem entendimento majoritário no sentido da validade dessa cumulação. A validade da exigência de ambas as penalidades estaria na circunstância de existirem duas infrações distintas, cada qual a ensejar a imposição de sanções autônomas. Nesse sentido, decidiu esta 2ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301002.132, cuja ementa, naquilo que interessa à questão examinada, tem a seguinte redação: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.672 40 previsões legais específicas. A Súmula CARF nº 105 não é aplicável aos fatos geradores a partir de 2007 em virtude das alterações legislativas ao art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula. Firmado nessas razões, ressalvado o meu entendimento pessoal, mantenho a imposição de ambas as penalidades. Incidência de Juros sobre a multa Também em relação a esse ponto, o colegiado tem posição firmada quanto à validade da incidência de juros sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do Código Tributário Nacional CTN. Nessa linha de interpretação emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, decidiu esta 2ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301 002.154, cujo ementa naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, ressalvado o meu entendimento pessoal, não acolho a pretensão da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado Fl. 1672DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726645/2009-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 45 /2 00 9- 92 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726645/200992 Acórdão n.º 9202004.110 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 17613.720775/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Nesse sentido, é possível que a fiscalização exija a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Nesse sentido, é possível que a fiscalização exija a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o lançamento baseiase em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 07 75 /2 01 2- 31 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 78 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. ), complementandoo ao final: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05/10, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, exercício 2010, que lhe exige um crédito tributário de R$ 6.217,01. Por meio do referido lançamento, foi constatada a Dedução Indevida com Despesa de Instrução no valor de R$ 1.283,70 e a dedução indevida de despesas médicas no montante de R$ 14.350,00. Contra o lançamento em análise, a contribuinte, em 05/04/2012, apresentou a impugnação de fl. 02, alegando, em síntese que concordava com a glosa das despesas com instrução e concordava ainda com parte das despesas médicas, (R$ 4.000,00 relativos a tratamento estético que informou por engano na declaração de ajuste). Questionou, então, a glosa das seguintes despesas médicas: 1. R$ 200,00 pagos a Robson Leite; 2. R$ 150,00 pagos a Roberto Sá Cunha; 3. R$ 10.000,00 pagos a Márcia Braga Soares dos Santos. Quanto à parte não impugnada do lançamento, a requerente efetuou o pagamento do valor de R$ 372,16, conforme Extrato de fl. 34. Ao Julgar a Impugnação apresentada pela contribuinte, a 17ª Turma da DRJ I em São Paulo/SP assim dispôs, em resumo: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 79 3 Nos autos do presente processo consta os recibos de fls. 11 e 12 e ainda a declaração de fl. 13, emitidos pelos profissionais beneficiários dos supostos pagamentos de despesas médicas. Ocorre que tanto o recibo de fl. 11 de R$ 200,00, emitido por Robson Leite quanto o de fl. 12, emitido por Roberto Sá Cunha, não contêm os requisitos essenciais previstos na legislação, conforme inciso III do § 1º do artigo 80 do RIR/99, não sendo hábeis a comprovar a efetividade das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste como dedução. A declaração emitida pela profissional Márcia Braga Soares dos Santos não é hábil a efetuar a comprovação do montante de R$10.000,00 a título de tratamento odontológico. (...) A dedução das despesas médicas permite que os contribuintes deduzam, da base de cálculo do imposto os valores pagos por eles neste sentido. No entanto, não cabe somente a realização das despesas, mas ainda o pagamento das mesmas. E ambas as condições devem ser comprovadas ao Fisco, a fim de que as despesas possam ser dedutíveis. Deveria ela ter trazido aos autos outras formas de comprovar a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, tais como cópias de cheques, comprovantes de transferência de numerário, laudos, radiografias, etc. Concluindo, tendo em vista que a requerente nada trouxe aos autos, com exceção dos recibos de fls. 11 e 12 e da declaração de fl. 13, a fim de comprovar as deduções de despesas médicas pleiteadas, há que se manter a glosa efetuada. Assim deuse o Julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 24/01/2014 (AR na folha 50), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/02/2014, conforme protocolo na folha 52. Em sede de recurso, defende que os recibos apresentados, firmados por Robson Leite e Roberto Sá Cunha Leite preenchem os requisitos legais e são hábeis a comprovar a despesa informada na DIRPF, bem como a declaração emitida por Márcia Braga Soares. Destaca que a comprovação da despesa por meio de recibos tem como finalidade permitir à RFB executar fiscalização em relação ao rendimento recebido pelo prestador do serviço e é para isso que se exige do pagador que forneça informações sobre aquele. Diz ainda que a fiscalização não demonstrou qualquer indício de irregularidade/inidoneidade nos recibos apresentados. Manifestase ainda pela impossibilidade da exigência de multa e juros de mora. PEDE que seja dado provimento ao seu recurso, cancelandose integralmente a exigência fiscal reclamada. É o Relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 80 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A Notificação de Lançamento promoveu a glosa de dedução com despesa de instrução, no valor de R$ 1.283,70 e glosa de dedução com despesas médicas no total de R$ 14.350,00, conforme fls. 06 e 07. Desde a impugnação, a contribuinte questiona parcialmente o trabalho fiscal, referindose apenas a R$ 10.350,00 a título de despesas médicas. A lide que chega a esta instância recursal, portanto, é parcial em relação aos valores expressos na Notificação, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. A motivação para as glosas questionadas, expressa pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento foi a seguinte: 1) Robson Leite o recibo apresentado não possui identificação do paciente, carimbo com registro no órgão de classe e não foi indicado o endereço do profissional; 2)Roberto de Sá Cunha recibo apresentado sem identificação do paciente e sem indicação do endereço do profissional 3) Márcia Braga Soares dos Santos 9 recibos sem identificação do paciente e 1 recibo sem identificação do serviço prestado. Apenas 1 recibo com indicação do endereço da profissional. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 81 5 Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Assim, não houve a intimação para a comprovação do "efetivo pagamento" ou para comprovação da "efetividade do tratamento", o que poderia ser feito. Mas a fiscalização concentrouse apenas nas formalidades dos recibos. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação expressa as razões e os fundamentos do ato, que vincula. Assim, se os motivos para a glosa dos recibos foram as formalidades legais da existência de indicação do endereço, registro profissional, indicação do paciente, conforme acima discriminado. Portanto, entendo descabido que em sede de julgamento da impugnação, se faça exigências adicionais, como a "comprovação do efetivo pagamento", se a Autoridade lançadora se satisfez com a análise dos recibos, sem requisitar documentos outros. Aponto ainda, que em todos os Acórdãos do CARF transcritos no julgamento recorrido, se faz a ressalva: "na hipótese em que haja dúvida acerca da efetiva realização das despesas" ou "mormente quanto há dúvidas quanto á prestação dos serviços" ou "podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos". Citese: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. multa de ofício. CARF 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010. Publicado DOU: 16.09.2010.(destaquei) Mas nestes autos, a Autoridade lançadora não requisitou a apresentação de comprovantes do efetivo pagamento (não encontro tal intimação) tampouco motivou qualquer indício de inidoneidade nos recibos apresentados. Continuamente, vemos glosas efetuadas por Autoridades Fiscais motivadas na falta de requisitos previstos no inciso III do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 82 6 RIR/1999, como endereço, CPF ou inscrição no Conselho profissional, sem que, entretanto, se prossiga na persecução para verificar a autenticidade do recibo. Quero dizer, a exigência do endereço é para possibilitar que o Fiscal, querendo, possa verificar a compatibilidade do mesmo com local de exercício profissional mencionado no recibo. A exigência do registro profissional é para que possa conferir a inscrição e o regular exercício da profissão. Mas se nada disso é feito e o trabalho é encerrado pela simples ausência da informação no recibo, constróise um lançamento de pouca substância e eficiência. Neste caso, observo o seguinte: em relação ao recibo emitido por Robson Leite, na cópia que consta da folha 11, consta o carimbo com o CRMES 2505, a especialidade "cardiologia ecocardiograma" e o endereço do profissional na Rua Alfeu Alves Pereira, Enseada do Suá, VitóriaES, que aliás é o mesmo endereço que consta do recibo cuja cópia está na mesma folha, emitido por Roberto de Sá Cunha, no valor que não se pode considerar "exagerado", nos termos do artigo 73 do RIR/1999, de R$ 150,00, especialmente para uma contribuinte que declarou naquele ano R$ 100.608,06 de rendimentos tributáveis (DIRPF fl. 18). em relação aos recibos emitidos por Marcia Braga Soares dos Santos, o Auditor Fiscal apontou que em um deles não constava informação sobre o serviço prestado. E em apenas um constava a indicação do endereço da profissional. Nesse caso, entendo que assiste razão ao recorrente. Sem em um dos recibos constava o endereço da profissional, a Autoridade Fiscal, querendo, poderia ter verificado a compatibilidade do local com a prestação do serviço ou mesmo diligenciado para verificar sua efetiva prestação, junto à profissional. Preferiu aterse à forma, em detrimento da substância. O endereço de prestação de serviços da Cirurgiã Dentista CROES 1064 Marcia Braga Soares é Avenida Leitão da Silva, 389/501, como se verifica no recibo de folha 69. Ademais, é possível se verificar que o serviço executado foi um tratamento odontológico, e os recibos são corroborados pela declaração de folha 68. Em relação à questão da falta da identificação do paciente, nos recibos, cite se, por oportuno, a Solução de Consulta Interna nº 23, da Coordenação de Tributação da RFB Cosit, de 30 de agosto de 2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17613.720775/201231 Acórdão n.º 2202003.525 S2C2T2 Fl. 83 7 Pelo todo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso, cancelandose a glosa de despesas médicas no valor de R$ 10.350,00 expressa na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13805.001171/92-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1992, 1993
Ementa: CSLL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE AO PROCESSO
ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - A pronúncia sobre o mérito de auto de
infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, a mesma matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio. Súmula n° 01 do 1° Conselho de Contribuintes.
CSLL — AÇÃO JUDICIAL — EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA - Cabível a imposição da multa de oficio quando na data
da ciência do auto de infração o crédito tributário não estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral.
Numero da decisão: 1202-000.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13805.001171/92-42 Recurso n° 151.815 Voluntário Acórdão n° 1202-00.236 — r Câmara ir Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria CSLL Recorrente UNIBANCO LEASING S.A - ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida 34 TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SPI Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1992, 1993 Ementa: CSLL - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - A pronúncia sobre o mérito de auto de infração, objeto de contraditório administrativo, fica inibida quando, simultaneamente, a mesma matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. A decisão soberana e superior do Poder Judiciário é que determinará o destino da exigência tributária em litígio. Súmula n° 01 do 1° Conselho de Contribuintes. CSLL — AÇÃO JUDICIAL — EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA - Cabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário não estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado NELSON L O FI - Presidente. e Relator EDITADO EM: 1 9 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho (Presidente de turma). Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turma).José Sergio Gomes(suplente convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto(suplente convocada) Cfç 2 Processo n° 13805.001171/92-42 SI- C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 2 Relatório Retoma o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 06 de março de 2008, por meio da Resolução n° 108- 00.484, fls. 514/520, concluindo o relatório da autoridade fiscal de fls. 522/527 "que os depósitos foram insignificantes em relação ao crédito tributário lançado." A diligência foi determinada para que fosse proferido parecer conclusivo • quanto à integralidade, espontaneidade e pontualidade dos valores depositados judicialmente, • relativos aos processos judiciais que tenham influência no montante exigido nestes autos. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. • Por pertinente, para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a • seguir reproduzo o relatório apresentado naquela oportunidade: "Contra a empresa Unibanco Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil (CNPJ/MF 34.120.899/0001-06), foi lavrado auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro, fls. 13/14, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos exercícios de 1991 e 1992 e meses de janeiro e fevereiro de 1992, descrita às fls. 14-verso:"Constituição de crédito tributário referente a Contribuição Social não recolhida — A empresa discute judicialmente a alíquota exigida pelo fisco — recolheu 10% e discute na Justiça, 05% dos valores." Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolizada em 11/11/2002, em cujo arrazoado de fls. 16/21, contesta integralmente a exigência. Em 18 de janeiro de 2006 foi prolatado o Acórdão n°8648. da 3° Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 290/299, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/1990, 31/12/1991, 31/01/1992, 29/02/1992 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que a lavratura do auto de infração foi efetuada por autoridade competente, e presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária, não se acolhe a preliminar suscitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUB JUDICE. O lançamento deve ser efetuado inclusive na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Liminar em ação judicial concedida antes do início da ação fiscal, condicionada ao depósito integral da quantia controversa, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, quando se Cif 3 constata que não foi depositado integralmente o montante em discussão. Todavia, a lei que comine penalidade menos severa aplica-se a atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA. A incidência dos juros de mora independe de lançamento e ocorre mesmo durante o período em que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte" Cientificada em 31 de março de 2006, AR de fis. 366, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 28 de abril de 2006, em cujo arrazoado de fis. 371/378 alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- o acórdão de primeira instância julgou parcialmente procedente o auto de infração por entender, de forma infundada, não estar suspensa a exigibilidade de pane do lançamento, em virtude da insuficiência dos depósitos judiciais, admitindo as penalidades de mora e multa de oficio; 2- esta decisão é totalmente descabida, pois a discussão da suposta deficiência de depósitos judiciais é matéria estranha ao processo administrativo, já que nele não consta nenhuma informação ou apuração fiscal nesse sentido; 3- este fato foi superado com depósito judicial complementar, conforme prova, de forma irredutível, a certidão de objeto e pé e cópias dos depósitos juntadas aos autos; 4- em 1991, data anterior ao procedimento fiscal, o contribuinte ingressou com medida judicial a fim de afastar o diferencial de alíquota de 10% para 15% da Contribuição Social sobre o Lucro, e para obter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário efetuou integralmente os depósitos judiciais, não constando dos autos qualquer manifestação fiscal discordando dos depósitos; 5- descabida a sustentação do acórdão recorrido quanto a não integralidade do depósito judicial, já que alegou e nada provou, não trazendo aos autos os valores apontados como diferença, cerceando o direito de defesa, posto que impediu a discussão; 6- além da certidão de objeto e pé, que atesta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como a existência dos depósitos judiciais, anexa ao recurso cópias de depósitos judiciais que comprovam os valores depositados; 7-preenchida a hipótese do artigo 151, R do Código Tributário Nacional, está configurada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito judicial do montante integral; 8- a questão de insuficiência dos valores depositados está superada, a análise fiscal foi anterior à manifestação nos autos judiciais. Tendo sido feitas às devidas complementaçães do depósito, não há que prevalecer os argumentos fiscais; 9- no caso em tela, não há que se falar no pagamento de juros de mora ou multa de oficio, por ser caso de suspensão de exigibilidade, com depósito integral do valor, fato que Cf". 4 Processo n° 13805.001171/9242 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 3 descaracteriza qualquer infração tributária que possa ensejar a aplicação da multa de ofício, nos termos da Lei n° 9.430/96, artigo 44, inciso 1; 10- este entendimento está pacificado no Primeiro Conselho de Contribuintes, que se posiciona pela inaplicabilidade dos juros de mora e multa de oficio na constituição do crédito tributário, destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa através de ação judicial acompanhada do seu montante integral; 11- deve ser reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força de depósitos judiciais de valor integral, e afastada a multa de oficio e os juros moratórios." É o Relatório. Voto Conselheiro Relator As matérias em litígio dizem respeito à imposição da multa de oficio e dos juros de mora no caso de existência de ação judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário condicionada a efetividade do depósito judicial do montante integral. O resultado da diligência realizada foi no sentido de que os depósitos judiciais efetuados foram insignificantes em relação ao montante lançado, não tendo a empresa se manifestado quanto ao relatório apresentado. Da análise dos documentos acostados aos autos, vejo que esta Instância não deve tomar conhecimento da matéria levada ao crivo do Poder Judiciário, com base na Lei n.° 6.830/80, art. 38, parágrafo único, c/c art. 1 , § 2, do Decreto-lei n.° 1.737/79, porque a propositura de ação judicial importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. É pacífico o entendimento deste Conselho quanto à possibilidade da lavratura de auto de infração para a constituição de crédito tributário, mesmo estando diante de medida suspensiva da exigibilidade do tributo. Neste sentido já orientava em 1993 o Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGNF/CRIN n•° 1.064/93, cujas conclusões aqui transcrevo: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional." Visa o lançamento prevenir a decadência do direito da Fazenda Nacional quanto ao crédito tributário, ficando sua exigibilidade adstrita ao tipo de ação impetrada junto ao Poder Judiciário. No caso, o litígio a respeito da constitucionalidade da majoração da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro teve sua esfera deslocada para exame pelo Poder Judiciário, não podendo dele conhecer a esfera administrativa, que junto com a recorrente devem curvar-se à decisão daquele órgão. Sobre o assunto transcrevo texto de Seabra Fagundes no seu livro O Controle dos Atos Administrativos Pelo Poder Judiciário: 54. Quando o Poder Judiciário, pela natureza da sua função, é chamado a resolver situações contenciosas entre a Administração Pública e o indivíduo, tem lugar o controle jurisdicional das atividades administrativas. (Omissis) 55. O controle jurisdicional se exerce por uma intervenção do Poder Judiciário no processo de realização do direito. Os fenômenos executórios saem da alçada do Poder Executivo, 6 Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 120240236 Fl. 4 devolvendo-se ao órgão jurisdicional.... A Administração não é mais órgão ativo do Estado. A demanda vem situá-la, diante do indivíduo, como parte, em condição de igualdade com ele. O judiciário resolve o conflito pela operação interpretativa e pratica também os atos conseqüentemente necessários a ultimar o processo executaria. Há, portanto, duas fases, na operação executiva, realizada pelo Judiciário. Uma tipicamente jurisdicional, em que se constata e decide a contenda entre a administração e o indivíduo, outra formalmente jurisdicional, mas materialmente administrativa, que é a da execução da sentença pela força. "(Editora Saraiva — 1984 — pag. 90/92) Consoante enunciado do Inciso XXXV, do art. 5° do nosso Estatuto Supremo, "a lei não poderá excluir à apreciação do Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito". Destarte, mesmo relativamente à decisão administrativa irreformável pode-se impor o controle de legalidade pelo Poder Judiciário. Amilcar de Araújo Falcão, sobre o tema sublinhou: "Mesmo aqueles que sustentam a teoria da chamada coisa julgada administrativa reconhecem que, efetivamente, não se trata, quer pela sua natureza, quer pela intensidade de seus efeitos, de "res judicata" propriamente dita, senão de um efeito semelhante ao da predita), e que se conceituaria, quando ocorresse, sob o nome de irretratabilidade." ( Apud Direito Administrativo Brasileiro, Hely Lopes Meirelles - Malheiros - I9a ed. -p. 584). Nesse mesmo sentido, preleciona o inolvidável administrativista Hely Lopes Meirelles: "A denominada coisa julgada administrativa, que, na verdade, é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário. Falta ao ato jurisdicional administrativo aquilo que os publicistas norte-americanos chamam the final enforcing power e que traduz livremente como o poder conclusivo da justiça comum." ( Op. Cit. p. 584). • A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em parecer exarado no processo • no 25.046, de 22/09/78 (DOU de 10/10/78), onde se conclui pela impossibilidade de conhecer o mérito do litígio administrativo, quando objeto de contraditório na via judicial, assentou o seguinte entendimento: 32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou principio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, 7.7.‘19 7 sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Pode fazê-lo, diretamente. 34. Assim sendo, a opção pela via judicial importa, em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. (Omissis) 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim." Ao aprovar o citado parecer, o Dr. Cid Heráclito de Queiroz, á época sub- procurador-geral da Fazenda Nacional, agregou as seguintes considerações: 11. Nessas condições, havendo fase litigiosa instaurada — inerente à jurisdição administrativa — pela impugnação da exigência (recurso latu sensu), seguida ou mesmo antecedida de propositura de ação judicial, pelo contribuinte, contra a Fazenda, objetivando, por qualquer modalidade processual — ordenatóna, declarató ria ou de outro rito — a anulação do crédito tributário, o processo administrativo fiscal deve ter prosseguimento — exceto na hipótese de mandado de segurança, ou medida liminar, específico — até a inscrição de Dívida Ativa, com decisão formal de instância em que se encontre, declaratória da definitividade da decisão recorrida, sem que o recurso (latu sensu) seja conhecido, eis que dele terá desistido o contribuinte, ao optar pela via judicial" A própria Secretaria da Receita Federal - por meio do Ato Declaratório Normativo - CST n° 03 - DOU de 15/02/96 - com fundamento nas conclusões do referido parecer, orienta o julgador da primeira instância administrativa a não conhecer de matéria litigiosa submetida ao crivo do Poder Judiciário. Vejo que o art. 38 datei n° 6.830/80 ditou normas no sentido de que a dívida ativa da União somente pode ser discutida na esfera judiciária por meio de ação de execução fiscal e seus embargos, possibilitando a utilização de mandado de segurança, ação de repetição de indébito e ação anulatória da divida. Entretanto, o parágrafo único do referido artigo determina que o uso pelo contribuinte de qualquer uma dessas ações importará em renuncia ao direito de interposição de contestação na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, in verbis: "Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, de ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 5 na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Das lições anteriormente apresentadas, concluo que não cabe a este Conselho Administrativo se pronunciar sobre o mérito da mesma controvérsia sujeita ao julgamento do Poder Judiciário. Nessa linha, a Súmula n° 1 do 1° Conselho de Contribuintes — "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Por outro giro, a identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial limita-se ao questionamento das matérias levadas ao crivo do Poder Judiciário, não estando os juros de mora e a multa de oficio, componentes do crédito tributário lançado no auto de infração, ali incluídos. Quanto a este aspecto, devem ser analisadas as argumentações apresentadas pela recorrente como matéria de mérito. Como consta dos autos, à época da lavratura do auto de infração a empresa estava acobertada por medida judicial acatando suas pretensões, mas que condicionava sua eficácia ao depósito do montante integral. A questão da imposição da multa de oficio foi muito bem abordada pelo acórdão de primeira instância, do qual transcrevo os fundamentos a seguir: "A interessada afirma que a matéria objeto do lançamento i tributário encontra-se sub judice, com o montante questionado caucionado integralmente por força de liminar concedida. Assim, entende que não se caracterizou qualquer infração a ensejar a lavratura do auto de infração e a imposição de multa e juros de mora. Ocorre que, uma vez surgida a obrigação tributária, surge também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional: "Art. 142 - Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". 9 Antes do lançamento, o que existe é a obrigação tributária, pois ela só depende da ocorrência do fato gerador. Já o crédito tributário, para passar a existir, com a exigibilidade suspensa ou não, precisa de um procedimento administrativo de formalização, que é o lançamento. É esse o entendimento da douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional exposto no Parecer PGFN/CRINEVr. 1064/93, cujas conclusões são as seguintes: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional; b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (Art. 145 do MT c/c o art. 7", inciso Ido Decreto n° 70.235/72), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (art. 151 do CTN); " O artigo 151 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, com as alterações da Lei Complementar n° 104/2001, enumera as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 1 - moratória; ii - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; P7- o parcelamento." .A Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 63, com a redação do artigo 70 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001 (esta última em vigor por força do artigo 2° da Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001), estabelece as hipóteses em que não é cabível o lançamento de multa de oficio: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos 11/ e V do art. 151 da Lei No 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio." Tal dispositivo é aplicável retroativamente por força do disposto no artigo 106, H, "a", do CIN. io Processo n° 13805.001171/9242 SI-C2T2 Acórdão n.°1202-00.236 Fl. 6 contrario sensu, é legitima a exigência da penalidade, quando não estiver presente qualquer das situações enumeradas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, acima reproduzido. In casu, nos autos da Medida Cautelar, Processo n° 89.0014978- 4, a sentença de primeira instância, que julgou procedente a ação, está fundamentada na Súmula n° 02, do E. TRF/3"Região, segundo a qual "é direito do contribuinte, em ação cautelar, fazer o depósito integral da quantia em dinheiro para suspender a exigibilidade do crédito tributário" (ll. 165, destaques da transcrição). Cabe destacar que a Ação Ordinária, Processo n° 89.0019460-7, na qual a empresa objetivava o reconhecimento da inconstitucionalidade da norma instituidora da CSLL, distribuída por dependência à Medida Cautelar acima mencionada, foi julgada parcialmente procedente em primeira instância, declarando-se "a inexistência de relação jurídica que obrigue as Autoras a recolherem a contribuição social incidente sobre o lucro apurado no balanço realizado em 31 de dezembro de 1988" (fls. 213 e 214, destaques da transcrição). Observe-se que a referida decisão a quo não foi reformada nas instâncias superiores, conforme consta do relatório supra (subitem 8.2). Outrossim, nos autos da Medida Cautelar de Depósito, Processo n° 91.0655123-8, foi deferida a liminar, "mediante o depósito em Juízo das importâncias questionadas" (li. 222). Assim, verifica-se que os provimentos jurisdicionais concedidos nos autos das Ações Cautelares referidas estavam condicionados ao depósito integral da quantia controversa. Uma vez que o depósito judicial efetuado pelo contribuinte é expressivamente inferior ao crédito tributário objeto destes autos, conforme ressalta o despacho de ft 274, da DEINF/SPOIDICAT, não se sustenta a alegação de que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa por medida judicial. Desse modo, impõe-se a manutenção da exigência da penalidade." Na diligência realizada restou provado que os depósitos judiciais efetuados pela pessoa jurídica foram em montante ínfimo em relação àqueles lançados pelo Fisco, não caracterizando, portanto, a suspensão da exigibilidade tributária, no que é perfeitamente aceitável a lavratura de auto de infração para garantir a não ocorrência do prazo decadencial, com a aplicação da multa de ofício, porque a exigência da multa de oficio tem a ver não só com o próprio lançamento, mas, primordialmente, com a exigibilidade do crédito tributário. No caso em voga, ante ao descumprimento da condição impostas pelo Poder Judiciário para a eficácia da sentença, não estava a empresa acobertada por medida suspensiva de exigência fiscal. Deve, portanto, ser mantida a imposição da multa de oficio. Já os juros de mora representam apenas a indicação no lançamento dos encargos financeiros variáveis em fruição do decurso do tempo, incorridos até a data da lavratura do auto de infração, cuja exigibilidade será vinculada à cobrança do tributo lançado. Além do mais, os juros moratórios serão sempre devidos quando o valor do principal for recolhido fora do prazo. Só seriam dispensados caso existisse o depósito do montante integral, fato que não está comprovado nos autos. O Código Tributário Nacional em seu artigo 161 dispõe que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, não constituindo sanção de ato ilícito, não sendo pressuposto para sua imposição a existência de dolo ou culpa do autuado. Este artigo está assim redigido: -Art. 161 — O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias prevista nesta Lei ou em lei tributária." Nesse mesmo diapasão, o art. 50 do Decreto-lei n° 1.736/79 também determina a fluência de juros mesmo durante a suspensão da cobrança, por medida administrativa ou judicial: "Art. 50 - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial". A matéria já se encontra pacificada por meio de pronunciamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão responsável por dirimir as divergências entre julgados das diversas Turmas deste Conselho. As ementas dos acórdãos a seguir expressam o posicionamento de que os juros de mora são devidos, mesmo na hipótese da suspensão da exigibilidade do crédito tributário: "Acórdão: CSRF/01-05.020 IRPJ — JUROS DE MORA — SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-lei n°1.736/79, art. 5°,. RIR/94, art. 988, § 2° e R1R/99, art. 953, § 39, e somente o depósito integral do crédito tributário, no prazo de vencimento do tributo, tem o condão de afastar a sua incidência. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário não implica em suspensão da constituição do crédito tributário, que é vinculativa. Efetuado o lançamento, os juros moratórios seguem o destino do tributo de que decorrem, de sorte que a suspensão da exigibilidade do tributo importa na suspensão da cobrança dos juros, mas não de sua incidência, desde o vencimento do prazo do vencimento do tributo (CTN., art. 161). Acórdão: CSRF/01-05.126 12 Processo n° 13805.001171/92-42 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.236 Fl. 7 JUROS DE MORA — INCIDÊNCIA — SUSPENSÃO DA =VIRILIDADE — São devidos juros de mora ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, à luz do disposto no Decreto-Lei 1.736/79 e no artigo 161 do CTN. Acórdão: CSRF/01-04.850 JUROS DE MORÁ — INCIDÊNCIA — SUSPENSÃO DA =VIRILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR — Por força do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, bem como no artigo 5° do Decreto-Lei 1.736/79, os juros de mora são devidos ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário por medida judicial. Somente na hipótese de depósito integral, em que os valores envolvidos • são entregues ao Juizo ou direcionados para uso pela própria Fazenda, é que não haverá para o contribuinte qualquer encargo dessa natureza. • Acórdão: CSRF/01-05.149 e CSRF/01-05.150 (Omissis) JUROS DE MORA — SELIC — Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (Decreto-lei n°1.736/79, art. 5°; R1R/94, art. 988, § 2°, e R1R199, art. 953, § 3°). E. a partir de 1704/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, por força do disposto nos arts. 13 e 18 da Lei n°9.065/95, c/c art. 161 do CT/V. " Os juros de mora incidem por autorização expressa de Lei, conforme art. 40 , inciso I, da Lei n° 8.218/91, art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/66. A Súmula n° 5 do 1° Conselho de Contribuintes sedimenta este entendimento ao afirmar que "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Não macula a exigência consubstanciada no auto de infração a indicação de que o tributo lançado para prevenir a decadência, se devido ao final da ação judicial, está sujeito a juros de mora. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. FNELSON 1.7?; 13
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001433/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.
O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse.
Numero da decisão: 9202-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores semterra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 14 33 /2 00 9- 17 Fl. 725DF CARF MF 2 Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bonanza" (NIRF 40494993), localizado no Município de Guapé/MG. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e de Pastagens, bem como o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Os sujeitos passivos são Antonio de Padua Orlandi e Sérgio Mohallem. Em sessão plenária de 10/02/2015, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 2201002.664 (fls. 593 a 609), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. SUJEITO PASSIVO. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória, por força da Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso." Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 720 3 Cientificados do acórdão em 20/03/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 617), os sujeitos passivos interpuseram, em 02/04/2015, o Recurso Especial de fls. 620 a 687, suscitando diversas matérias. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme Despacho de Admissibilidade de 16/10/2015 (fls. 690 a 697), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 698/699, admitindo a rediscussão apenas da sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. No Recurso Especial, os sujeitos passivos alegam, em síntese, relativamente à matéria que obteve seguimento: o imóvel rural em questão encontrase invadido por integrantes do "Movimento dos Sem Terra" desde 2002, impedindo aos proprietários, ora Recorrentes, o pleno exercício do direito de propriedade; verificase, portanto, que o título de "proprietários" dos Recorrentes, em relação ao imóvel, é apenas fictício, uma mera formalidade, eis que eles detêm tão somente um dos três elementos fundamentais da propriedade, o domínio, concedido pela legitimidade de uma titulação jurídica; no entanto, faltalhes a reunião dos dois elementos imprescindíveis da propriedade plena, a posse, e o domínio útil, consequentemente, não possuem o direito de usar, de gozar e dispor da coisa; no entanto, a despeito de tal fato, o Colegiado recorrido entendeu por julgar improcedente o Recurso Voluntário interposto pelos Recorrentes, ao entendimento de que, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse por parte do INCRA, não há que se fala em ausência de responsabilidade daqueles que figuram no registro como proprietários do imóvel; ocorre que o entendimento externado no acórdão recorrido se mostra divergente daquele apresentado de forma majoritária pelo CARF, que em diversas oportunidades já se manifestou no sentido de que, havendo a invasão do imóvel, o proprietário fica impossibilitado de exercer todos os elementos inerentes à propriedade, sendo inexigível o ITR, diante do desaparecimento da base material do fato gerador; ressaltase que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais também já teve oportunidade de se manifestar a respeito da matéria, entendendo de maneira diametralmente oposta àquela decidida no presente processo (Acórdãos nºs 920201.017 e 920201.018, ambos de 18/08/2010, com a mesma ementa): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RURAL ITR Exercício: 1997, 1998 ITR. INVASÃO POR ."SEM TERRAS". IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAR. O proprietário de terras rurais invadidas por "sem terras" tem propriedade meramente formal NÃO PODENDO RESPONDER DE FATO PELAS INFORMAÇÕES FISCAIS RELA TIVAS À DITR E, CONSEQUENTEMENTE, PELO PAGAMENTO DO RESPECTIVO TRIBUTO. Fl. 727DF CARF MF 4 Recurso especial negado. o acórdão recorrido reputou como plenamente possível a sujeição passiva dos Recorrentes ao ITR, a despeito de estarem impossibilitados de gozar plenamente dos direitos de propriedade, em razão da invasão do imóvel por integrantes do Movimento dos Sem Terra, fato este exaustivamente demonstrado no curso do processo; é de se observar que a decisão recorrida não contesta a invasão, portanto satisfeito o requisito para se afastar a cobrança do imposto, nos termos das decisões do CARF; foge a todos os princípios de Direito, mormente os da proporcionalidade e razoabilidade, a possibilidade de o Estado tributar propriedade imóvel que, devido à própria omissão em prover a segurança, ocasionou a perda das faculdades inerentes ao direito de propriedade dos Recorrentes; nesse sentido pedimos vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 2101 001.351: "Com a invasão, seu direito ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para o Recorrente. Se espera, no mínimo, que o Estado reconheça que, diante da sua própria omissão e da dramaticidade dos conflitos agrários no País, aquele que não tem mais direito algum não possa ser tributado por algo que, somente em razão de uma ficção jurídica, detém sobre o bem o título de propriedade. OFENDE O PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE, O DA BOA FÉ OBJETIVA E O PRÓPRIO BOMSENSO O ESTADO UTILIZARSE DA APARÊNCIA DESSE DIREITO OU DO RESQUÍCIO QUE ELE DEIXOU, PARA COBRAR TRIBUTOS QUE PRESSUPÕEM A INCOLUMIDADE E A EXISTÊNCIA NOS PLANOS JURÍDICOS (FORMAL) E FÁTICOS (MATERIAL) DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. Na peculiar situação do caso, ao considerarse a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (vide REsp 1.144.982PR, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13/10/2009). Ressaltese que se a posse é exercida por posseiros, estes de fato é quem deveriam declarar e pagar o ITR, diante da impossibilidade do Recorrente de exercer pleno domínio da propriedade, nos termos do art. 29 do CTN, havendo uma ilegitimidade passiva quanto à responsabilidade tributária do Recorrente." (destacamos). assim, com a incontestável invasão pelo "Movimento dos Sem Terra", os direitos de propriedade ficaram cerceados em praticamente todos os seus elementos, não há a posse desde 2002, e por isso inexiste a possibilidade de usar, gozar e dispor da coisa; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 721 5 ademais, cumpre ressaltar que o entendimento de que somente seria possível se falar em ausência de legitimidade dos Recorrentes após a efetiva transferência do imóvel e/ou imissão prévia na posse pelo INCRA foge completamente ao princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e bom senso, imputandose aos Recorrentes o ônus de arcar com a morosidade do Poder Judiciário e do Poder Executivo, obrigando os Recorrentes a arcarem com tributo sem demonstrarem capacidade contributiva, princípio basilar da atividade tributária do Estado; basta nos colocarmos na posição dos Recorrentes para figurar com mais fortes cores o direito que estão a vindicar, nos imaginarmos sendo tributados pelo IPTU, sendo que nosso imóvel, assim registrado em nosso nome, estivesse totalmente invadido por "sem tetos", ou que o EstadoMembro cobrenos o IPVA de veículo roubado; perguntase onde estaria a concretização da hipótese de incidência concretizadora da capacidade contributiva do contribuinte, como ele iria contribuir para as despesas gerais da sociedade sem que revele riqueza legal (ou que consume o fato gerador tributário) para que seja, obrigado a pagar um imposto; não é, pois, ao acaso que essa Excelsa Câmara Superior de Recursos Fiscais e diversas Turmas de Julgamento decidiram por anular a cobrança de ITR daquelas propriedades comprovadamente invadidas por sem terra, e andaram muito bem em fazêlo; inadmissível se pretender tributar por um tributo que imprescinde da propriedade integral, a mera propriedade formal, despida da posse e o direito de uso; no caso, entre a invasão, em outubro de 2002, e a imissão na posse, em julho de 2005, transcorreram quase três anos; não é de se conceber que, pela morosidade e mazelas inerentes ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo, respectivamente consubstanciadas pela demora e não cumprimento da decisão liminar proferida nos autos da Ação de Reintegração de Posse em dezembro de 2004, e pela morosidade da edição do Decreto que declarou o imóvel de interesse para reforma agrária, bem como ao INCRA para a efetivação dos procedimentos para imissão na posse dos posseiros, que os Requerentes, proprietários esbulhados, sejam impelidos a pagamento de imposto; reiterese que a perda da posse se deu no momento da invasão. por ato ilícito dos integrantes do MST. destarte, pelo fato de a norma contida no art. 1º, §1º, da Lei 9.393/96 ter como hipótese fática (não prevista in abstracto) algo completamente diverso do que aconteceu concretamente, não há como pretender sua aplicação, não podendo subsistir o requisito de imissão prévia na posse para obstar a incidência do ITR; nesse sentido, pedimos venia para destacar trecho do acórdão nº 2102 01.635: "Na análise das alegações do Recurso e documentos acostados aos autos, entendeu a il. Relatora que tal preliminar não poderia ser acolhida, eis que o fato do Recorrente ser o proprietário do imóvel sobre o qual se exige o ITR seria suficiente para a Fl. 729DF CARF MF 6 manutenção da exigência fiscal, nos termos do art.4º da Lei n° 9.393/96. A meu ver, porém, razão assiste ao Recorrente, pois o simples fato de o mesmo ser formalmente o proprietário do imóvel em questão não (mais) o legitima como sujeito passivo para fins de recolhimento do ITR, já que foram retirados dele todos os atributos que a propriedade do referido imóvel lhe traria." nada mais razoável e justo que se dar efeito à realidade fática, devidamente comprovada, não se pode tapar os olhos para o fato de que não existe propriedade plena, ou seja, não há identidade da situação fática à norma jurídica tributária, portanto, inexiste subsunção a permitir a exigência de pagamento de tributo; o ITR exigido dos Recorrentes configura exação ilegítima, eis que a situação fática não permite aplicar efeitos aplicáveis àqueles que são plenos e completos proprietários de imóveis rurais, que usam, gozam, reivindicam, possuem a posse completa e a propriedade formal de seus imóveis rurais; a essa a lei do ITR se aplica ... já aos Recorrentes, em absoluto, pode ser aplicada, sob pena de se admitir sejam obrigados a pagar tributo sem que seja consumado o fato gerador. Ao final, o Contribuinte pede que o recurso seja conhecido e provido. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 25/11/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 706), a Fazenda Nacional ofereceu, em 03/12/2014, as Contrarrazões de fls. 707 a 717 (despacho de Encaminhamento de fls. 718), contendo os seguintes argumentos, em resumo: Preliminar de não conhecimento do Recurso Especial apesar da alegação de invasão do imóvel pelo movimento dos sem terra, o contribuinte apresentou DITR até 2009, o que inclui o fato gerador em questão (2005); assim, não há prova inequívoca da perda da propriedade do bem, conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido; tendo o contribuinte apresentado DITR até 2009 e não tendo apresentado prova inequívoca da perda da propriedade, deve ser mantido o lançamento; por se tratar o Recurso Especial, de fundamentação vinculada, ou seja, cabível apenas no caso de configuração de divergência de julgados no CARF, nos termos do art. 67 do RICARF, não se pode admitir o reexame de provas. Segue: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. nesse diapasão, segue entendimento do STJ, consubstanciado na súmula 07: “Pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.” em face do exposto, requer seja negado seguimento ao recurso especial do contribuinte, tendo em vista ensejar o reexame de prova, quanto à prova da perda da propriedade do bem, apesar de ter apresentado a DITR/2005; Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 722 7 Mérito de início, imperioso mencionar que a Constituição Federal, no art. 153, VI, atribuiu competência à União para instituir o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), nestes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VI propriedade territorial rural.” (sem grifo no original) da leitura do referido dispositivo constitucional, já se percebe que a intenção do constituinte foi a de atribuir competência tributária à União para exigir imposto de quem fosse proprietário de imóvel em área rural; e consonância com o preceito constitucional indicado, o CTN, em seus arts. 29 e 31, determinou que: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.” (...) “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”. (grifamos) da mesma maneira, o art. 4º da Lei nº 9.393/96 define quem é o sujeito passivo do ITR: “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. notase que a legislação atinente à espécie menciona sempre como contribuinte o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, nada dispondo acerca de qual dos sujeitos apontados nas normas transcritas será cobrado o tributo em referência; neste sentido, trazse à colação o Acórdão nº 30331.546 e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Ementa: NUMERAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A numeração do Auto de Infração não é requisito essencial para o lançamento por não trazer qualquer prejuízo à defesa. IDENTIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO IMÓVEL. Constando do Auto de Infração a identificação do imóvel e apresentada a defesa, inexiste cerceamento do direito de defesa. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer Fl. 731DF CARF MF 8 deles. INCIDÊNCIA DO ITR SOBRE O ACERVO IMOBILIÁRIO DA TERRACAP E ISENÇÃO DO ITR. O acervo imobiliário da Terracap localizado na zona rural está sujeito à incidência do ITR. A Lei 5.861/72, em seu artigo 3º,inciso VIII, excetua da isenção do ITR os imóveis rurais da TERRACAP que sejam objeto de alienação, cessão ou promessa de cessão, bem como de posse ou uso por terceiros a qualquer título. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. (Acórdão nº 30331.546, Relator: NANCI GAMA) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO E POSSUIDOR. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL. TUTELA ANTECIPADA. ART. 273 DO CPC. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA DA ALEGAÇÃO. 1. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. 2. A falta de prequestionamento da questão federal, a despeito da oposição dos embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmulas 282 e 356 do STF). 3. O art. 34 do CTN estabelece que contribuinte do IPTU "é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título". 4. A existência de possuidor apto a ser considerado contribuinte do IPTU não implica a exclusão automática, do pólo passivo da obrigação tributária, do titular do domínio (assim entendido aquele que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis). 5. Ao legislador municipal cabe eleger o sujeito passivo do tributo, contemplando qualquer das situações previstas no CTN. Definindo a lei como contribuinte o proprietário, o titular do domínio útil, ou o possuidor a qualquer título, pode a autoridade administrativa optar por um ou por outro visando a facilitar o procedimento de arrecadação. 6. Ausente o requisito do fumus boni iuris, é de se indeferir o pedido de antecipação de tutela. 7. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 651.371/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23.08.2005, DJ 05.09.2005 p. 233) em nível constitucional, o art. 153, VI, da CF, elegeu o proprietário de imóvel territorial rural como o contribuinte por excelência do ITR. Com efeito, a eleição desse sujeito passivo demonstra que a propriedade de um imóvel rural, como regra, revela maior capacidade contributiva que o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 723 9 neste passo, destaquese acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, em situação em que o contribuinte perdeu a posse do imóvel, o considerou como sujeito passivo do ITR, haja vista a sua condição de proprietário: Ementa :ITR/1992. O recorrente adquiriu o imóvel rural objeto da lide em 15/07/1986 por meio de escritura de venda e compra registrada no RGI. Sofreu esbulho possessório, mas não perdeu a condição de proprietário, por conseqüência, para efeito do ITR é contribuinte do imposto. Quanto ao pedido de revisão da base de cálculo do ITR/1992, digase que o valor de terra nua tributado foi o valor declarado, conforme se constata pela comparação entre o valor constante do quadro 07 da DITR/1992(VTN) e o valor indicado na notificação de fl. 09. Assim, não pode ser atendido o pedido porque o recorrente não juntou nenhum dado, documento ou laudo que o sustentasse. RECURSO NEGADO (Acórdão nº 30330631, Relator: Paulo Assis) a corroborar esse entendimento, imprescindível transcrever trecho do voto do Acórdão nº 30331546: “Com o fito de elucidar a questão, cito o artigo 29 do CTN, que, com propriedade, dispõe que ‘o imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.’ Concluise, pois, do exame desse artigo e do artigo 30 supra referido que o ITR é devido por qualquer das pessoas que se prendam ao imóvel rural, em uma das modalidades listadas no dispositivo legal acima citado. Portanto, o Fisco pode exigir o tributo de qualquer uma delas, quer se ache vinculada ao imóvel rural como proprietário pleno, como nuproprietário, como posseiro ou, ainda, como simples detentor”. [Negrito acrescentado pela União]. portanto, se é inquestionável que o recorrido era proprietário/possuidor do imóvel na época dos fatos geradores, e se proprietário/possuidor é contribuinte do ITR, conseqüência lógica que ele tem mesmo que figurar no pólo passivo da relação e deve ser mantido o auto de infração lavrado contra ele. o Superior Tribunal de Justiça, em decisão da lavra do ministro José Delgado (abaixo transcrita), seguindo essa linha, entendeu que o que vale é a propriedade na data do fato gerador: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. LANÇAMENTO. DESAPROPRIAÇÃO PARCIAL DE IMÓVEL. PORTARIA MINISTERIAL EXPEDIDA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 1. Tratam os autos de embargos opostos por Thomagran Agropecuária Ltda em face de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional objetivando a cobrança de dívida referente a Fl. 733DF CARF MF 10 ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 1992. O juízo de primeiro grau julgou improcedentes os embargos. Inconformada, apelou a autora e o TRF/4ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo incólume a sentença prolatada. Insistindo pela via especial, aduz a empresa contrariedade dos art. 144, § 1º, e 149, VIII, do CTN, defendendo, em suma, que a parte da área objeto do desapossamento deve ser excluída do lançamento, a despeito do fato gerador do ITR ter ocorrido no dia 1º de janeiro de 1992. Contrarazões defendendo, resumidamente, a inadmissibilidade do especial ou, se examinado, seja mantido o aresto na íntegra. 2. O contribuinte do ITR é o proprietário, titular do domínio ou da posse, de imóvel rural. O seu fato gerador ocorre no primeiro dia de cada ano e, a partir desse momento, surge a obrigação tributária. 3. A desapropriação do imóvel em novembro do mesmo ano em que ocorreu o fato gerador do ITR não tem o condão de desconstituir a obrigação tributária assumida na data da ocorrência do fato gerador. 4. Recurso especial improvido.” (REsp 673901 / PR, d.j. 28/02/2005, p. 249, rel. Ministro JOSÉ DELGADO) ainda, imperioso lembrar que nos termos da Lei n.º 6.015/73, no seu art. 252, enquanto não cancelado o registro em seu nome ou transferida a propriedade do imóvel rural, a recorrida é a legítima proprietária e o registro produz todos os seus efeitos legais: “Art. 252 – O registro, enquanto não cancelado, produz todos os seus efeitos legais ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido”. em observância ao dispositivo acima transcrito, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o seguinte acórdão: ITR/1997. LEGITIMIDADE PASSIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. O contribuinte notificado alega que não é mais o proprietário nem o possuidor a qualquer título do imóvel, porém segundo documento constante dos autos o imóvel em causa é parte de imóvel maior registrado em seu nome. A entrega da DITR/97, em nome do interessado, em 14/06/99, se deu fora do prazo legal e suscita a exigência de multa legalmente prevista. Recurso negado. (Acórdão nº 30332.749, Relator: Cláudio José de Oliveira Marinho) diante de tudo, concluise pela legitimidade do recorrido como sujeito passivo da relação tributária. Ao final, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento ao Recurso Especial ou, subsidiariamente, lhe seja negado provimento, mantendose o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Voto Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 724 11 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bonanza" (NIRF 40494993), localizado no Município de Guapé/MG. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e de Pastagens, bem como o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Os sujeitos passivos são Antonio de Padua Orlandi e Sérgio Mohallem. A matéria em discussão é sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo, alegando que no acórdão recorrido estaria consignado que não haveria prova inequívoca da perda da propriedade do bem à época do fato gerador e que o Recurso Especial não se presta ao reexame de provas. Entretanto, tal premissa revelase equivocada, já que no acórdão recorrido não se põe em dúvida a invasão do imóvel, em si, o que se conclui é que, independentemente da invasão, a imissão do Poder Público na posse somente ocorreu após o fato gerador, daí a manutenção da sujeição passiva sobre os autuados. Assim sendo, conheço do recurso e passo a analisarlhe o mérito. No presente caso, o tributo foi exigido dos proprietários do imóvel, que alegam ilegitimidade passiva, tendo em vista a área encontrarse invadida por trabalhadores semterra. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 735DF CARF MF 12 § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que o próprio Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2005 em seu nome, apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 04). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dele foi exigida a diferença de imposto. Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que o Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, o que já é suficiente para, no presente caso, caracterizar a sujeição passiva. Ademais, a Lei nº 9.393, de 1996, assim determina: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." Regulamentando a lei, o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, foi claríssimo: Art. 2º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1o de janeiro de cada § 1º O ITR incide sobre a propriedade rural declarada de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária: I até a data da perda da posse pela imissão prévia do Poder Público na posse; II até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público." (grifei) No caso em apreço, repitase que se trata do ITR/2005, sendo que a imissão prévia na posse pelo INCRA somente ocorreu em 12/07/2005, portanto após o fato gerador do exercício em questão (1º/01/2005) e mesmo assim abrangendo parte da área do imóvel (1.788,3 Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10660.001433/200917 Acórdão n.º 9202005.127 CSRFT2 Fl. 725 13 ha, fls. 48), em face da Ação de Desapropriação, conforme averbado no Registro da Matrícula do imóvel (fls. 140/verso). Assim, conforme o dispositivo legal acima destacado, somente a partir de 12/07/2005 poderia se cogitar de não exigência do tributo em face do autuado. Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do ITR em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima o Contribuinte como sujeito passivo do ITR/2005. Com efeito, ao tempo de ocorrência do fato gerador, o imóvel em questão não se enquadrava na excepcionalidade que eximiria o proprietário da exigência do tributo: imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária com imissão prévia do Poder Público na posse. Em seu Recurso Especial, os Contribuintes apresentam uma série de argumentos que, a despeito de sua legitimidade, não possuem o condão de afastar a lei, cujo cumprimento vincula o julgamento administrativo. No que tange aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, bomsenso, e outros que se entenda aplicáveis ao presente caso, ressaltese que ao Julgador Administrativo é vedado afastar a lei, e esta é clara no sentido de que os autuados possuem legitimidade passiva, relativamente ao ITR/2005. Com efeito, ao Julgador Administrativo cabe aplicar a legislação que rege a matéria, e esta não autoriza posicionamento diverso do adotado no presente voto. Finalmente, no que tange e eventuais decisões divergentes acerca da mesma matéria, tratase de situação inerente aos tribunais, cabendo à Instância Especial dirimir eventual divergência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial dos Contribuintes e, no mérito, negolhes provimento, afastando a ilegitimidade passiva, esclarecendo que as demais questões do Recurso Voluntário já foram julgadas. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 737DF CARF MF
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