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Numero do processo: 10855.002153/99-25
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 21 53 /9 9- 25 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0248 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0241, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N° 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0266, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1989 a 09/1995, fls. 003, e o pedido de restituição foi protocolado em 02/07/1999, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10855.002153/9925 Acórdão n.º 9900000.542 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 02/07/1999, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 02/07/1989 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 02/07/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000138/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: ESPONTANEIDADE. PERDA DOS EFEITOS. A teor do que expressamente destacam as disposições do art. 138 do CTN, a instauração do respectivo procedimento fiscal exclui a espontaneidade das retificações pretendidas pela contribuinte, o que, entretanto, não impede a fiscalização de utilização das informações apresentadas para as providências que se façam necessárias para as apurações fiscais correspondentes. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADES. O Lançamento por arbitramento é hipótese excepcional disponível em nossos sistema tributário nacional, sendo utilizado nas hipóteses em que inexistam elementos alternativos disponíveis à fiscalização. No presente caso, apesar de inúmeras vezes intimada para a apresentação dos documentos fiscais respectivos, a contribuinte teria permanecido inerte, validando-se, assim, a utilização do arbitramento de lucros intentado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Verificando-se nos autos que o fundamento para a qualificação da multa de ofício aplicada é o mesmo utilizado para a aplicação do arbitramento da base de cálculo, inviável se verifica a sua manutenção, evitando-se, assim, a plicação da dupla penalidade pelas mesmas razões.
Numero da decisão: 1301-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Matéria IRPJ Recorrente BABY & KIDS COMERCIO DE ARTIGOS INFANTIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: ESPONTANEIDADE. PERDA DOS EFEITOS. A teor do que expressamente destacam as disposições do art. 138 do CTN, a instauração do respectivo procedimento fiscal exclui a espontaneidade das retificações pretendidas pela contribuinte, o que, entretanto, não impede a fiscalização de utilização das informações apresentadas para as providências que se façam necessárias para as apurações fiscais correspondentes. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADES. O Lançamento por arbitramento é hipótese excepcional disponível em nossos sistema tributário nacional, sendo utilizado nas hipóteses em que inexistam elementos alternativos disponíveis à fiscalização. No presente caso, apesar de inúmeras vezes intimada para a apresentação dos documentos fiscais respectivos, a contribuinte teria permanecido inerte, validandose, assim, a utilização do arbitramento de lucros intentado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Verificandose nos autos que o fundamento para a qualificação da multa de ofício aplicada é o mesmo utilizado para a aplicação do arbitramento da base de cálculo, inviável se verifica a sua manutenção, evitandose, assim, a plicação da dupla penalidade pelas mesmas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Por bem retratar a realidade expressa nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, no que menciona: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo ao anocalendário de 2005, foi lavrado em 01/02/2010 (fl. 167), o auto de infração do Imposto de Renda (fls. 138 a 141), o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 145 a 148), o auto de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 153 a 156) e o auto de infração da Contribuição para o PIS (fls. 161 a 164). O crédito tributário lançado foi de R$ 15.706.289,34 (quinze milhões, setecentos e seis mil, duzentos e oitenta e nove reais e trinta e quatro centavos), conforme abaixo demonstrado: IMPOSTO DE RENDA 2.013.943,72 JUROS DE MORA 1.035.794,40 MULTA PROPORCIONAL 2.265.686,68 TOTAL IRPJ 5.315.424,80 PROGRAMA INTEGRAÇÃO SOCIAL 538.685,26 JUROS DE MORA 285.036,87 MULTA PROPORCIONAL 606.020,86 TOTAL PIS 1.429.742,99 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LÍQUIDO 895.046,51 JUROS DE MORA 460.332,69 MULTA PROPORCIONAL 1.006.927,30 TOTAL CSLL 2.362.306,50 CONTRIBUIÇÃO p/ FINANCIAMENTO S. SOCIAL 2.486.239,94 JUROS DE MORA 1.315.555,23 MULTA PROPORCIONAL 2.797.019,88 TOTAL COFINS 6.598.815,05 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 15.706.289,34 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 2 3 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 121 a 128), a seguir sintetizados. 3. A Autoridade Fiscal informou que o Contribuinte apresentou para o ano calendário de 2005 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica pelo regime de tributação simplificada pelo lucro presumido (fls. 10 a 18). Informou, também, que a fiscalização se originou de representação fiscal formalizada em decorrência de divergência constatada entre os valores de receita declarados em sua DIPJ/2006/AC2005 e os valores de receita escriturados nos livros fiscais apresentados por ocasião da fiscalização efetuada através do MPFF 08.1.90.002008003008, na qual o Contribuinte deixou de apresentar a escrituração comercial solicitada, o que impossibilitou a realização das 10 verificações preliminares obrigatórias dos tributos IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COFINS. 4. Na planilha DEMONSTRATIVO DA RECEITA MENSAL CF. LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS POR ESTABELECIMENTO E POR CFOP, estão apresentados os totais dos valores escriturados nos livros de entradas e saídas da matriz e filiais (0002 a 0013). No quadro resumo de fl. 124, encontrase demonstrada a diferença apurada entre a receita bruta escriturada nos livros fiscais e a receita bruta declarada na DIPJ/06/05, com a adição da receita bruta registrada no livro de saída da filial 000433. 5. A Autoridade Fiscal observa que o Contribuinte foi intimado e reintimado diversas vezes, mas não apresentou os livros e documentos solicitados. 6. O Contribuinte, em 05/05/2009, entregou DCTFs retificadoras com valores alterados para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que, por já estar sob ação fiscal e sem espontaneidade, não produziram efeitos, conforme legislação citada. 7. Na mesma data, o Contribuinte também entregou DACON retificador, no qual se constatou um valor a maior de R$ 7.288.396,96, que foi presumido como sendo da filial 0014, da qual não foram apresentados os livros solicitados. 8. O Contribuinte foi alertado acerca do arbitramento de lucro em caso de não atendimento às intimações e da não apresentação dos livros e documentos solicitados, além do agravamento da multa de oficio (Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 68 e 69). 9. A base de cálculo apurada consta da tabela de fl. 126 dos autos, com os ajustes e considerações pertinentes, conforme detalhado no citado termo fiscal. 10. Enquadramento legal: IRPJ — arts. 530, III, 532, do RIR/99; art. 16 da Lei n° 9.249/95 e art. 27, I, da Lei no 9.430/96. CSLL — Arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 20 da Lei n° 9.249/95, art. 29 da Lei n° 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/02. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 COFINS — Art. 1° da LC n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8° da Lei no 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524/02. PIS — Art. 1° e 3°, da LC no 07/70 ;arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524/02 DA IMPUGNAÇAO 11. Cientificada do auto de infração em 01/02/2010, o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 178 a 196 em 02/03/2010, na qual fez a defesa a seguir sintetizada. 12. Inicialmente, a Impugnante disse que após o início do procedimento fiscal verificou algumas irregularidades em sua contabilidade e transmitiu DCTF’s e DACONs retificadoras. Dessa maneira, a Impugnante, mesmo reconhecendo não poder se beneficiar dos efeitos previstos no art. 138 do CTN, buscava registrar não ter havido dolo contra o Fisco, mas sim a imperfeição de sua contabilidade. Informa que não houve tempo hábil para refazer o livro caixa e o livro de inventário dentro do tempo estipulado, deixando, assim, de apresentálo à Fiscalização. 13. A seguir, a Impugnante defendeu a nulidade dos autos de infração lavrados, argumentando que a apuração da base de cálculo para fins de arbitramento do lucro foi baseada em informações constantes das declarações retificadoras por ela transmitidas, as quais não tem efeito, conforme o previsto no § 2° do art. 11 da IN RFB n° 903/08. 14. Diz a Impugnante que a movimentação financeira da contacorrente de um contribuinte não é critério para a identificação do seu lucro e, assim, é imprestável para a verificação de irregularidades na apuração dos tributos por ele devidos e para justificar a utilização de informações constantes em declarações s que não produziram efeitos. 15. Como as declarações retificadoras foram desconsideradas para fins tributários, não poderiam ser utilizados os seus valores na apuração da base de cálculo, já que são elementos inválidos e levam à nulidade dos autos lavrados. Tratase de erro material na identificação dos critérios para determinação da base de cálculo dos tributos, em violação do disposto no art. 142 do CTN. Cita entendimento doutrinário e do CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais entende a Impugnante serem favoráveis a sua tese. 16. A Impugnante também mencionou que a utilização das informações das declarações retificadoras transmitidas teve como base uma presunção, o que também levaria à nulidade dos autos de infração. 17. Em seguida, a Impugnante defendeu que não cabia o arbitramento de seu lucro, pois estariam à disposição da Fiscalização os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, de modo a permitir a verificação da receita bruta e então apurar o lucro presumido, do qual é a Impugnante optante. 18. Sobre os valores do PIS e da COFINS, defende que devem ser o excluídos de suas bases de cálculo o valor do ICMS por ela pago, citando entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que entende favoráveis a tese defendida. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 3 5 19. Para a Impugnante, a multa agravada, no percentual de 112,5%, não se aplica ao caso, pois só é cabível quando o contribuinte não atende as intimações com intuito doloso e esse não é o caso dos autos. As intimações foram respondidas e apenas os livros Caixa e Registro de Inventário não foram refeitos por falta de tempo. Há, também, dúvida na identificação da conduta penalizada em questão, devendo se aplicar o previsto no art. 112 do CTN e reduzir a multa o para 75%. 20. Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento da sua pretensão conforme acima exposto. Analisando as razões apresentadas pela contribuinte, entendeu a douta DRJ de origem pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação apresentada, em acórdão assim colacionado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS PRESENTES. Não e nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. PERDA DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. De acordo com a legislação tributária, após o início do procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade e fica sujeito às penalidades previstas para as infrações apuradas. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. COFINS. PIS. DEDUÇÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL. Não há base legal para a dedução do ICMS (que faz parte do preço do produto vendido e, portanto, integra o faturamento ou receita bruta de vendas) da base de cálculo da COFINS e do PIS. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. De acordo com a legislação tributária, é cabível o agravamento da multa de oficio nos casos em que a intimação para prestar esclarecimentos não é atendida, entendida essa falta como o comportamento do contribuinte que não explica, não elucida, não torna claro ou compreensível o motivo do não atendimento daquilo que é solicitado na intimação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Devidamente intimada a contribuinte da referida decisão no dia 15/09/2010, apresenta ela então, no dia 15/10/2010, o seu competente Recurso Voluntário, repisando todos os argumentos trazidos em sua impugnação, e requerendo, ao final, a reforma da decisão de origem, nos termos e fundamentos ali então apresentados. Em rápida síntese, esse é o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Conforme se verifica da leitura dos elementos contidos nos autos, tratase da verificação de irregularidades nos registros contábeis/fiscais mantidos pela contribuinte, que, após a instauração do respectivo procedimento fiscal, passou a ser objeto de tentativas de retificação pelo sujeito passivo, buscando assim, em vão, atingir a regularidade de sua condição fiscal. A ineficácia das providências intentadas pela contribuinte, é relevante destacar, decorrem das expressas disposições contidas no Código Tributário Nacional, que, em seu art. 138, assim expressamente enuncia: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A questão relevante verificada no presente feito, decorre da verificação de que, não podendo as declarações retificadoras apresentadas pela contribuinte serem utilizadas a seu favor, com o objetivo de afastamento da aplicação das penalidades correspondentes, pretendia então a contribuinte que as referidas informações fossem “desconsideradas”, não podendo ser, portanto, de forma alguma utilizada pela Fazenda. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000138/201017 Acórdão n.º 1301000.897 S1C3T1 Fl. 4 7 Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente, a vedação contidas nas disposições de regência, na verdade, atuam em seu desfavor, excluindo a espontaneidade após a instauração do procedimento fiscal, mas admitindo, a este, o acesso a todo e qualquer tipo de informação disponibilizada pela contribuinte para fins de apuração da efetiva verdade material da relação tributária. Nessas circunstâncias, a pretensão deduzida pela recorrente, no sentido de ver afastada a possibilidade de utilização das informações por ela “espontaneamente” apresentadas, de fato, não possui qualquer substrato legal, a garantir o sucesso da tese. Não bastasse, verificase ainda nos registros contidos nos autos, que, apesar de reiteradamente intimada para o oferecimento à fiscalização dos correspondentes registros contábeis de que deveria dispor, a contribuinte permaneceu inerte e silente, tentando, em vão, obstar a atuação da fiscalização. A partir dessas circunstâncias, e, tendo em vista a completa impossibilidade de obtenção das respectivas informações fiscais necessárias para a verificação das circunstâncias específicas relativas à regularidade das atividades por ela efetivadas, mesmo sendo repetidas vezes intimada, possibilitase à fiscalização, mesmo que em caráter excepcionalíssimo, a opção pelo arbitramento dos valores respectivos, o que, como se verifica, fora efetivamente utilizado. A respeito da válida possibilidade de aplicação do arbitramento pelas autoridades fiscais, relevante se faz o destaque às expressas disposições do art. 148 do CTN, que, sobre o assunto, inclusive, assim expressamente destaca: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Diante dessas circunstâncias, na hipótese excepcional apresentada nos presentes autos, verificase a regularidade da atuação fiscal que, somente após reiteradas intimações com solicitações de informações à contribuinte, utilizase, como elemento extremo, do lançamento por arbitramento, nos termos e limites expressamente previstos em nosso ordenamento jurídico pátrio. Em que pese todas as considerações apresentadas, entretanto, entendo que, especificamente em relação à determinação de qualificação da penalidade pecuniária apontado, assiste razão à recorrente, merecendo reparos, assim, a decisão exarada. Analisando os elementos dos autos, conforme aqui antes já apontado, verificase que, para a apuração do montante respectivo, com base na não apresentação da documentação fiscal respectiva pela contribuinte, a autoridade fiscal adotou o procedimento específico de arbitramento da base de cálculo, o que, só por si, já representa efetivo agravamento na apuração do montante, nos termos até então aqui admitidos. Ocorre que, sendo esse o fundamento para a aplicação do arbitramento pretendido, efetivamente, não pode, também por essa razão, ser mantida a qualificação da Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 multa aplicada, sob pena de se estar a admitir, aqui, a aplicação de dupla penalidade pela mesma falta. Diante dessas razões, entendo pela necessidade de afastamento da qualificação da multa aplicada, devendo ela, assim, ser aplicada em seu montante regular, nos termos do Art. 44, I da Lei 9.430/96. Em face a todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, determinando a desqualificação da multa aplicada e mantendo a decisão, assim, em todos os seus demais elementos. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.723041/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF.
É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária.
RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs.
A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude).
EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
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LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 30 41 /2 01 1- 09 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 3 2 A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 2009, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a retificação fraudulenta de DCTFs zerando os débitos tributários originalmente declarados, consform descrito no Relatório Fiscal de fls. 1.558/1.584. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: Em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: QUE o Auto de Infração parte de premissa falsa ao incluir o impugnante dentro do esquema ilícito doloso que objetivava a Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 4 3 redução de tributos, pois foi vítima de quadrilha especializada (fls. 1591/1592). QUE a motivação da contratação de empresa especializada em assessoria tributária era para a apuração dos débitos e revisão de suas exigibilidades, como a extinção pela compensação/pagamento de débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (fl. 1592/1593). QUE não poderia imaginar o impugnante que a realização do trabalho acordado seria feita de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado (fl. 1593). QUE o indivíduo que transmitiu as DCTFs retificadoras, Sr. Cláudio Alexandre, disse que o objetivo era a obtenção de CND – Certidão Negativa de Débitos, sendo que não houve solicitação do impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (fl. 1594). QUE inicialmente a sua posição de isentar a MP Consultoria não foi nenhuma demasia, tendo em vista a falta de elementos mais concretos dos ilícitos; somente após ter noção de toda a extensão das irregularidades que concluiu pelo envolvimento da MP Consultoria com o ilícito e pela máfé da contratada (fl. 1596). QUE o impugnante não obteria nenhum benefício se estivesse envolvido nas irregularidades, pois na época o valor total da sua dívida era de mais de setenta milhões, não fazendo sentido a empresa buscar economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário – aproximadamente 4 milhões de reais (fl. 1597). QUE diante dos elementos que constam nos autos se evidencia que a empresa foi vítima de quadrilha de estelionatários, e, portanto, é demasiado o enquadramento do Auto de Infração em multa qualificada de 150%, invocando o art. 112, do Código Tributário Nacional – interpretação da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida (fl. 1598). QUE o procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pela DIMOF, contaminou com vício insanável as provas, como se depreende da atual jurisprudência do STF (fls. 1600/1601). A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1034.746, de 06/10/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 5 4 Correta a constituição de crédito tributário, mediante lançamento de ofício, para a exigência de tributo que deixou de ser recolhido e declarado em DCTF. Não há discussão do crédito tributário se os valores apurados na fiscalização estão de acordo com os livros fiscais e contábeis da empresa. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O intuito de fraude com base em esquema ilícito alicerçado em contrato com assessoria tributária com o objetivo de não cumprimento de obrigações tributárias, e com a informação da inexistência de contribuição devida, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. Percentual de multa de 150% previsto legalmente. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização não se fala em denúncia espontânea a apresentação de novos demonstrativos ou declarações por parte do contribuinte. DIMOF. NULIDADE. NÃO CABIMENTO. A DIMOF é uma declaração para uso da própria Receita Federal e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessa informação em procedimento investigativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO. Correta a constituição de crédito tributário, mediante lançamento de ofício, para a exigência de tributo que deixou de ser recolhido ou declarado em DCTF. Não há discussão do crédito se os valores apurados na fiscalização estão de acordo com os livros fiscais e contábeis da empresa. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O intuito de fraude com base em esquema ilícito alicerçado em contrato com assessoria tributária com o objetivo de não cumprimento de obrigações tributárias, e com a informação da inexistência de contribuição devida, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. Percentual de multa de 150% previsto legalmente. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização não se fala em denúncia espontânea a apresentação de novos demonstrativos ou declarações por parte do contribuinte. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 6 5 DIMOF. NULIDADE. NÃO CABIMENTO. A DIMOF é uma declaração para uso da própria Receita Federal e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessa informação em procedimento investigativo fiscal. Ciente desta decisão em 07/12/2011 (AR de fl. 1.760/1.761), a interessada ingressou, no dia 29/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 1.762/1.770, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumidos. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a recorrente apresentou DCTFs retificadoras, do período objeto da autuação, zerando o valor do PIS e da COFINS informados das declarações originais. A operação foi detectada pela RFB e instaurado procedimento fiscal para a sua apuração. O trabalho fiscal desenvolvido está bem descrito no Relatório Fiscal, integrante do auto de infração. Em seu protesto, a empresa autuada, basicamente, alega que as retificações das DCTF foram feitas sem o seu conhecimento e autorização, se constituindo em um golpe contra ela aplicado pelo conjunto de pessoas envolvidas na operação, pleiteando, ao final, o direito de declarar os débitos novamente e o cancelamento da autuação ou, no mínimo, a redução da multa que fora majorada indevidamente. O litígio instaurado não envolve o valor das contribuições lançadas, restringindose à questão da responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTFs. Sobre a alegação de nulidade do lançamento por ter os agentes do Fisco utilizado informações da Dimof para demonstrar movimentações financeiras das pessoas arroladas na investigação, não há nenhum óbice para a utilização dos dados da Dimof com esta finalidade, ainda mais que os valores movimentados não serviram de base para efetuar lançamento de tributos, embora também não exista vedação neste sentido. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Sobre o mérito, ou seja, a responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTF, não há nenhuma dúvida de que este fato ocorreu. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 7 6 Quanto à responsabilidade da recorrente, a decisão recorrida faz uma descrição impecável sobre o envolvimento da recorrente no esquema ilícito doloso, que ratifico, para concluir pela manutenção da majoração da multa de ofício, nos seguintes termos: Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, quando concluímos pela responsabilidade da empresa no esquema detalhado no item anterior. Uma vez que as provas carreadas aos autos evidenciam a conduta fraudulenta com a participação do contribuinte, no sentido de se utilizar de esquema com o objetivo de impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador. Eis o fundamento legal do art. 44: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 1º. O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (redação dada pela Lei nº 11.488/2007) O impugnante em sua defesa se restringe a alegar que teria sido vítima do esquema ilícito, o que em nosso entender não é crível, visto ter sido o responsável pela contratação dos serviços na busca da extinção dos débitos tributários. Não há dúvidas de que a empresa queria o resultado ilícito, ou seja, a extinção de seus débitos tributários, o que só poderia ocorrer de forma irregular, e assumiu o risco quando contratou os serviços da MP Consultoria, sem, conforme a sua versão, ter conhecimento de como a contratada iria proceder essa extinção. Como consta no relatório fiscal, o Código Penal em seu art. 18, inciso I, preceitua que há dolo “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. O que nos leva a convicção de ser exatamente que ocorreu nesse caso. A tipificação da Lei nº 4.502/64 é caracterizada em seu art. 72 que trata de fraude: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se verifica, a figura jurídica de que se trata consiste na prática de ato doloso com a intenção de impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 8 7 Dessa forma, como a conduta descrita pela fiscalização caracteriza o intuito de fraude, pela tentativa do contribuinte de se furtar à tributação mediante o artifício de apresentação de declarações totalmente “zeradas”, como se não estivesse auferindo receitas, deve ser mantida a multa de 150%, eis que condizente com a legislação que rege a matéria. Uma vez que, diante dos elementos constantes dos autos, não existe dúvida quanto à capitulação legal dos fatos, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à penalidade aplicável, ou à sua graduação, não cabe a aplicação do disposto no artigo 112 do CTN, como requer o impugnante. Por fim, a representação fiscal para fins penais foi formalizada através do processo nº 11065.723046/201123 No recurso voluntário a empresa autuada não trouxe nenhum fato novo ou prova nova capaz de infirmar o apurado pela Fiscalização e o acima dito pela decisão recorrida. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida. Sobre o pedido para cancelar as declarações retificadoras e fazer uma reconstituição dos débitos, como bem disse a decisão recorrida, não pode ser atendido em face do que dispõe o art. 138, Parágrafo Único, do CTN, e o art. 7º do Decreto nº 70.235/72, transcritos na decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723041/201109 Acórdão n.º 3302002.007 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 17883.000144/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
PRELIMINAR. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação.
Numero da decisão: 2102-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 183 1 182 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000144/200674 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.407 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria IRPF, Omissão de Rendimentos PNUD Recorrente SUELI BATISTA DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. Em atenção ao enunciado nº 9 da Súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes, é válida a intimação do contribuinte desde que enviada, com aviso de recebimento, ao seu domicílio fiscal, ainda que o aviso de recebimento tenha sido assinado por terceiros. A data de recebimento constante do AR deve ser a data considerada para fins de cômputo do prazo para Impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 44 /2 00 6- 74 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 60/73 para exigência de IRPF em razão da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, nos exercícios de 2002 e 2003. O crédito tributário então exigido somou R$ 60.210,55 (já incluídos aí a multa, os juros e a multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão). Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 76/99, por meio da qual alegou, em síntese, que: tomara ciência do auto de infração em 08/11/2006, de forma que o prazo final para interposição de impugnação terminaria em 08/12/2006; manteve vinculo laborativo com organismo internacional (UNESCO), e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, e em doutrina, estaria isenta do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; seria lógico e razoável que se reconhecesse a realidade dos fatos para efeito de efetivação das garantias e direitos fundamentais da contribuinte; houve violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva quando do lançamento das multas consignadas no auto de infração; o tributo lançado teve efeito de confisco sobre a renda da contribuinte, dando azo à inconstitucionalidade insanável, devendose reformar o ato administrativo; o auto de infração deveria ser anulado, pois está eivado de ilegalidades e inconstitucionalidades. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ no Rio de Janeiro decidiram por não conhecer da Impugnação, em razão de sua intempestividade. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 146/171, por meio do qual reiterou os argumentos de mérito expostos em sua Impugnação, e trouxe preliminar defendendo a tempestividade da Impugnação, nos seguintes termos: Ab initio, ressaltase que a notificação a que se reporta a Fazenda não se operou na pessoa da recorrente, que, pela natureza e gravidade do fato, deveria ter sido cientificado do processo pessoalmente. Sem a notificação pessoal, diante de terceiros sem vinculo com a relação jurídica material, temse, pois, como inválido o ato notificatório. Além de inválido o ato, também é constrangedor, na medida em que a notificação se consubstanciou perante terceiros. Nesse diapasão, resulta evidenciada a nulidade do julgado que considerou intempestiva a impugnação, eis que a recorrente, de fato, foi cientificada da carta intimatória tãosomente no dia 08.11.2006. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000144/200674 Acórdão n.º 2102002.407 S2C1T2 Fl. 184 3 A Regional julgadora, ante ao nãorecebimento de notificação pessoal —que é um direito consagrado — deveria aceitar como certa a data manifestada pela recorrente, sob pena de ofensa ao principio da legalidade. Dada a flagrante ausência de intimação pessoal, presumese verdadeira a alegação da recorrente, motivo em virtude do qual requerser a declaração de nulidade do Acórdão n. 13.28.236 — 3' Turma da DRJ/RJ2, no que tange declaração de intempestividade. Em sendo assim, os autos deverão ser restituidos e Regional de origem, a fim de que enfrente as razões de mérito. Pugnou ainda pelo reconhecimento da nulidade de sua notificação da recorrente, com a devolução do feito é Regional de origem, a fim de que enfrentasse as razões de mérito. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 04/05/2010, como atesta o AR de fls. 145. O Recurso Voluntário foi interposto em 25.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento para exigência de IRPF em razão da indevida classificação de rendimentos nas DIRPF apresentadas pela Recorrente para os Exercícios 2002 e 2003. Ofertada a Impugnação, a decisão recorrida decidiu por não conhecêla, utilizandose para tanto dos seguintes argumentos: Ressaltese, ainda, que domicilio tributário é o endereço postal eleito pelo(a) contribuinte junto A. Secretaria da Receita Federal e não se confunde, necessariamente, com a residência do contribuinte. Portanto, há que se considerar que a impugnante tomou ciência da notificação de lançamento ora discutida, conforme AR de fls. 74, na data de 06/11/2006, e não em data posterior, de modo que o prazo para impugnação passou a fluir a partir dessa data. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Da análise aos autos, constatase que a interessada apresentou sua impugnação na data de 08/12/2006, conforme protocolo de fls. 76. Confrontandose a data de ciência do lançamento (AR de fls. 74), qual seja, 06/11/2006, com a data de 08/12/2006, concluise que a impugnação ora apresentada é intempestiva, uma vez que protocolizada após trinta dias da data da ciência do lançamento em discussão. Portanto, uma vez expirado o prazo legal de até trinta dias para instauração do contraditório, .a defesa apresentada não caracteriza impugnação e, tampouco, instaura a fase litigiosa do processo. Por essa razão, o mérito das alegações por ventura nela veiculadas não comporta julgamento de primeira instância. Com efeito, o AR de fls. 74 demonstra que o Auto de Infração foi recebido no endereço da Recorrente no dia 06.11.2006. O endereço lá constante era exatamente aquele indicado pela própria Recorrente em sua Impugnação, de forma que estava correto. Afirma a Recorrente que a referida intimação não se deu no dia 06.11.2006, mas sim em 08.11.2006, data em que ela teve ciência pessoal do mencionado lançamento. Seu pedido, porém, vai de encontro ao disposto no Enunciado nº 9 da Súmula deste CARF, segundo o qual: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em obediência ao art. 53 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deve ser afastada a pretensão da Recorrente, considerandose como válida sua intimação no dia 06.11.2006. Assim sendo, temse que o prazo de 30 dias para oferecimento da Impugnação findaria em 06.12.2006 – exatamente como constou da decisão recorrida. Tendo a Recorrente apresentado sua Impugnação após este prazo (em 08.12.2006), está correta a decisão recorrida que deixou de conhecêla por intempestividade. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13746.000935/2002-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio.
Numero da decisão: 3301-001.501
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso e face de acórdão da DRJ de que julgou parcialmente procedente o auto de infração decorrente de auditoria em DCTF do período de apuração de 01/10/97 a 31/10/97, tendo em vista a ocorrência “proc jud não comprova”. Segundo consta do acórdão recorrido, com a impugnação a interessada apresentou cópia da sentença da Ação Ordinária relativa ao processo nº 94.00136943 (ao invés de 97.00136943, declarado na DCTF), entretanto o referido crédito tributário não se encontrava com sua exigibilidade suspensa, tendo em vista que somente em 17/04/1998, ocorreu o trânsito em julgado da decisão do TRF da 2ª Região, reconhecendo a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. A decisão recorrida manteve a exigência, contudo exonerou a Recorrente do pagamento da multa de ofício, com fulcro na retroatividade benigna, com fundamento no art. 18, da Lei nº 10.833/2003, conforme inferese da ementa a seguir reproduzida: Cientificada em De acordo com os documentos juntados aos autos, a Recorrente ingressou em 02/05/94, com a Ação Ordinária de Repetição de Indébito, nos autos do processo nº 97.02.237084, cuja respectiva v. sentença foi publicada em 10/10/96 (certidão à fl. 204, do processo digitalizado), na qual foi declarada a inconstitucionalidade dos mencionados DecretosLeis, condenando a União a restituir às diferenças relativas às majorações introduzidas na cobrança do PIS, in verbis: Cientificada em 11/07/2011 (AR – fl. 49, do processo digital), foi interposto o recurso voluntário de fls. 69 e seguintes, em 09/08/2011, aduzindo, em síntese, que apesar de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13746.000935/200294 Acórdão n.º 330101.501 S3C3T1 Fl. 266 3 ter ocorrido erro quanto ao número do processo no preenchimento da DCTF (transmitida em 03/02/98), de modo que o processo correto era 94.00136943, junto à 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, cuja sentença foi proferida em 10/09/96, e o acórdão do TRF da 2ª Região em 16/09/97 (trânsito em julgado em 17/04/98), assim sendo, quando da transmissão da DCTF (03/02/98) poderia realizar a compensação, nos termos do art. 66, da Lei nº 8.383/91. Com a finalidade de demonstrar a certeza do procedimento adotado por ela, cita a Súmula nº 15, do CARF: É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades necessárias à sua admissibilidade, por isso dele conheço. No presente processo cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro (II), que julgou parcialmente procedente o auto de infração decorrente de auditoria em DCTF, transmitida em 03/02/98, constando a compensação do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep do período de apuração de 01/10/97 a 31/10/97, utilizandose para tanto, o indébito do próprio PIS/Pasep recolhido sob à égide dos inconstitucionais Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, amparado em sentença proferida na Ação Ordinária de Repetição de Indébito objeto do processo nº 94.00136943, proferida pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, proferida em 16/09/97, publicada em 10/10/96, com o trânsito em julgado ocorrendo tão somente em 17/04/98. De acordo com a decisão recorrida o contribuinte, ora Recorrente, trouxe aos autos cópia da Sentença (fls. 11/13) exarada na Ação Exordial nº 94.00136943 (ao invés de 97.00136943, conforme constou da DCTF). Ora, o simples erro de fato quanto ao ano do processo não quer dizer que o processo não foi comprovado. Logo, a decisão recorrida julgou improcedente a impugnação sustentando que o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, visto que não houve a comprovação do processo (“proc jud não comprova”), todavia, o processo não só existe como está devidamente comprovado nos autos, a saber o processo nº 94.00136943, que tramitou pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, conforme documento de fls. 11/13. Encontrado o processo, porque juntado aos autos pela Recorrente, a decisão recorrida sustenta que o decisum era tãosomente para a repetição dos pagamentos efetuados a maior, logo, não estava autorizada a promover as compensações pleiteadas. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Portanto, a contribuinte apresentou impugnação com argumentos generalistas juntando documentos comprobatórios da existência de ação judicial. Em nenhum momento anterior ao auto de infração houve notificação à contribuinte sobre as divergências inicialmente apuradas, conforme exige o art. 142 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, acrescentando o seu parágrafo único que “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício detectado no auto de infração, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. A realização de diligências após o lançamento, em primeiro lugar deveria estar consubstanciada em determinação da autoridade superior, o que não se encontra nos autos. Outrossim, uma vez pronto e impugnado o auto de infração, a autoridade lançadora não tem mais competência para alterálo, como tentou fazer, ainda que em decorrência das razões trazidas pela impugnante que, para se defender daquilo que não tinha conhecimento, obrigouse a apresentar argumentos genéricos e não correspondentes à fundamentação legal e descrição contidas no auto de infração. Contudo, há que se lembrar que é vedado por lei a alteração do lançamento anterior, a título de “revisão”, só para mudar o critério jurídico adotado no lançamento primitivo. O que vejo na decisão proferida pela DRJ é que ao invés de anular o auto de infração a partir do momento que ficou comprovada a existência da ação judicial indicada pela contribuinte em sua DCTF, para, então, proceder ao lançamento pelos fundamentos jurídicos corretos, na tentativa de “validar” o auto de infração, simplesmente modificouse o critério jurídico. Relativamente à mudança de critério jurídico, peço vênia para introduzir parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Neicyr de Almeida, (Ac. 10320.441) que assim dispõe: “Ainda sobre a temática, importa trazer à lume as lições sempre atuais do ínclito tributarista Rubens Gomes de Souza, na percepção aguda do ilustrado mestre Souto Maior Borges, in Lei Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13746.000935/200294 Acórdão n.º 330101.501 S3C3T1 Fl. 267 5 Complementar Tributária, São Paulo, Ed. Rev. dos Tribs., 1975, acerca da melhor exegese do artigo 146 do C.T.N.: Antecipandose à vigência do CTN, Rubens Gomes de Souza ensinou que se o fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação jurídica e depois pretender substituíla por outra, não mais poderá fazêlo. E não o poderá porque, se fosse admissível que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valorização do “fato gerador”, por simples oportunidade, estarseia convertendo a atividade do lançamento em discricionária, e não vinculada.” Outrossim, somente para complementar o raciocínio, ao modificar o critério jurídico estaria a DRJ a constituir um novo auto de infração com outra motivação. Em face do exposto, e diante da manifesta omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de declarar a NULIDADE do auto de infração ab initio. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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7812627
# Numero do processo: 10680.009820/2004-41
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível.
COFINS. DECADÊNCIA.
Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou
inconstitucional o art. 45 da Lei n°, 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional.
Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a
inconstitucionalidade do § 1° do art. 3º da Lei nsi 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN.
Ainda que a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico.
COFINS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES.
As empresas consorciadas, na forma da Lei no 6.404, de 1976, são
contribuintes da Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos
demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.131
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de oficio, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível. COFINS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n°, 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3º da Lei nsi 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. Ainda que a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico. COFINS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES. As empresas consorciadas, na forma da Lei no 6.404, de 1976, são contribuintes da Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de oficio, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta.
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Numero do processo: 13808.000515/2001-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas na fl. 24.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas na fl. 24. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 05 15 /2 00 1- 55 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao 4º Trimestre de 2000, protocolado em 02/02/2001, cumulado com diversas declarações de compensação. Por meio do Despacho Decisório DRF/SJR/SP nº 038/2009, lastreado nas constatações da Informação Fiscal de fls. 51/54, o pedido de ressarcimento foi indeferido, pois o contribuinte não teria apresentado os livros fiscais e demais documentos solicitados, a fim de que a fiscalização pudesse aferir a legitimidade dos créditos. Em sede de manifestação de inconformidade alegou basicamente o seguinte: 1) apresentou ao Fisco todos os livros exigidos para o reconhecimento do crédito e informou que alguns foram apreendidos pelos Fiscos Federal e Estadual; 3) cumpriu a exigência de entrega dos livros e justificou a não apresentação daqueles que não estão em seu poder; 4) o fato de não ter apresentado alguns livros por terem sido apreendidos não pode impedir o reconhecimento do direito ao crédito e à compensação; 5) o Fisco não nega o direito de crédito, apenas exige para verificação documentos que não estão em poder do contribuinte. Assim, de certa forma o direito de crédito foi reconhecido; e 6) o direito de compensar se origina da Constituição e não pode ser cerceado pela autoridade administrativa a pretexto de estabelecer condições para a compensação. Por meio do Acórdão nº 29.251, de 26/05/2010, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto indeferiu a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação do pleito formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento.” Regularmente notificado o Acórdão de primeira instância em 11/08/2010, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 100/117 em 01/09/2010. Alegou, em síntese, o seguinte: 1) teve grande parte de seus livros apreendidos pelos Fiscos Federal, Estadual e Municipal, fato que o impediu de atender integralmente as intimações; 2) a compensação é um direito do contribuinte oponível ao Estado. Se há crédito do contribuinte, não se pode por puro formalismo indeferir o direito, existindo elementos suficientes para concedêlo. A única condição estabelecida pela Lei nº 8.383/91 é que a compensação seja efetuada entre tributos da mesma espécie; 3) a documentação entregue pelo contribuinte é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado; 4) tem direito ao ressarcimento porque o deferimento de pedidos em pleitos anteriores caracteriza prática reiterada da Administração, a teor do art. 100, II e III do CTN; 5) diante da prática reiterada da Administração ter concedido créditos anteriores, há que prevalecer o princípio da segurança jurídica, confiança, boafé e razoabilidade, que vinculam o Fisco ao contribuinte; 6) a fiscalização não analisou nenhuma documentação entregue pela recorrente, a qual é mais do que suficiente para comprovar a existência dos créditos ora discutidos. Requereu a reforma do Acórdão recorrido para que seja reconhecido o direito ao ressarcimento pretendido e homologadas as compensações. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para a efetiva análise de toda documentação trazida pelo contribuinte aos autos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.000515/200155 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 11 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele todo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI foi feito com base na Lei nº 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O indeferido foi motivado no fato da não apresentação por parte do contribuinte de uma parte dos documentos fiscais necessários à aferição da legitimidade do valor pleiteado. Verificase nas fls. 33/36, 39/42 e 45/48, que a fiscalização intimou por três vezes o contribuinte a apresentar os Livros de Registro e Apuração do IPI, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, notas fiscais de aquisição de insumos e de saídas, além de outras informações necessárias à aferição dos pedidos de ressarcimento de crédito, como a memória de cálculo do crédito presumido aproveitado pela empresa. Na resposta à primeira intimação (fl.38) o contribuinte entregou apenas o Livro de Registro e Apuração do IPI dos anos de 1998, 1999 e 2000; o Registro de Inventário de 1998; o Registro de Entradas de 1998, 1999 e 2000; o Registro de Saídas de 1998, 1999 e 2000. A Fiscalização ressalvou na fl. 38 que esses livros atendiam apenas parcialmente o que fora solicitado na intimação de fls. 33/36, pois além de se referirem apenas ao estabelecimento matriz (000154), os demais documentos e informações solicitados não foram entregues pelo contribuinte. Na segunda intimação (fls. 39/42) a fiscalização reiterou a requisição anterior, informando ao contribuinte que: 1) só foram atendidos entregues os livros relativos aos itens “2”, “3” e “5 a” da primeira intimação; 2) os Livros de Registro e Apuração do IPI apresentados (anos de 1998 a 2000) não atenderam o princípio da autonomia dos estabelecimentos; 3) foi emitida autorização para o reexame do processo nº 13807.001788/200399, relativo ao pedido de ressarcimento do crédito presumido do 3º trimestre de 2002. O contribuinte foi então intimado a apresentar os elementos faltantes e também a apresentar os Livros de Registro e Apuração do IPI referentes ao período de 01/10/1998 a 31/12/2001 escriturados por cada um dos estabelecimentos que apuraram IPI no período, bem como a documentação pertinente às verificações do 3º trimestre de 2002. Na fl. 44 consta um despacho do AuditorFiscal incumbido do procedimento concedendo ao contribuinte: a) prazo adicional de 10 dias para a apresentação dos Livros de Registro e de Apuração do IPI escriturados por estabelecimento e para a apresentação dos documentos e informações faltantes (itens “4”, “5b”, “5c”, “5d”, “5e”, “6 a” e “6b” da primeira intimação); e b) prazo adicional de 20 dias para apresentação dos itens 8, 9, 10 e 11 da segunda Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 intimação (esses itens se referem ao ano de 2002, estando relacionados com o reexame do processo nº 13807.001788/200399, relativo ao crédito presumido do 3º trimestre de 2002). Tendo em vista que o contribuinte, mesmo após a concessão dos prazos adicionais não se manifestou, foi emitida a terceira intimação (fls. 45/48) reiterando os pedidos anteriores. Na fl. 50 existe novo despacho do AuditorFiscal concedendo prazo até o dia 01/04/2009 para a apresentação dos livros e documentos faltantes. Foi ressalvado que, ao contrário do que foi afirmado pelo contribuinte no pedido de prorrogação de prazo, somente haviam sido entregues os livros relativos ao estabelecimento matriz, não tendo sido apresentados quaisquer outros documentos solicitados nas três intimações anteriores. Entre a data da ciência da primeira intimação (07/11/2008, fl. 37) e o dia 01/04/2002, termo final da prorrogação de prazo concedida pelo Exator, fluíram 143 dias e o contribuinte não apresentou nem os Livros de Apuração do IPI escriturados por estabelecimento e, tampouco, as notas fiscais de entrada e saída, a relação de insumos adquiridos, a memória de cálculo do crédito presumido aproveitado e as demais informações solicitadas, necessárias à aferição do valor pleiteado. Ao contrário do alegado, as exigências da fiscalização não significam a criação de obstáculos ao direito de compensação. No caso concreto, estamos diante de um pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação. Foi o contribuinte quem se dirigiu à Administração Tributária para requerer o direito que alegou possuir. Portanto, é seu o ônus da prova do direito alegado, a teor do art. 36 da Lei nº 9.784/99. É improcedente a alegação da defesa no sentido de que a Receita Federal teria apreendido os livros da empresa, pois o contribuinte não apresentou nenhum termo de retenção ou de apreensão para comprovar quando e quais livros teriam sido apreendidos. Se o contribuinte tivesse comprovado, mediante a apresentação do termo de retenção ou de apreensão, que os livros estavam mesmo em poder da Receita Federal ou em qualquer outro órgão administrativo, seria o caso deste Colegiado atender ao pedido subsidiário da recorrente e converter o julgamento em diligência, pois seria cabível a aplicação do art. 37 da Lei nº 9.784/99. Mas como a defesa não se desincumbiu do ônus de provar o fato alegado da apreensão dos livros, não cabe deferir o pedido de diligência. Também não tem nenhum fundamento a alegação no sentido de que os documentos apresentados seriam suficientes à aferição da legitimidade do pleito, pois foram apresentados apenas os livros do estabelecimento matriz. E mesmo assim, quanto aos Livros de Registro e Apuração do IPI, a fiscalização constatou que não foram escriturados de forma segregada por estabelecimento, fato que viola o art. 57 da Lei nº 4.502/64. Uma coisa é a obrigação da escrituração fiscal ser segregada por estabelecimento (art. 57 da Lei nº 4.502/64) e outra coisa completamente distinta é a obrigação do estabelecimento matriz apurar o crédito presumido e forma centralizada (art. 15, II da Lei nº 9.779/99). Do fato de o estabelecimento matriz ser obrigado a centralizar os pedidos de ressarcimento do crédito presumido, não decorre que ele também deva centralizar a escrituração do imposto. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.000515/200155 Acórdão n.º 3403001.744 S3C4T3 Fl. 12 5 A apresentação isolada dos livros da matriz, sem que viessem acompanhados das notas fiscais que deram suporte à escrituração e ao cálculo do crédito presumido é insuficiente para a aferição da legitimidade do pleito. A defesa apenas alegou que tem direito ao crédito pleiteado para utilizálo na compensação, mas em momento algum comprovou a legitimidade do valor pleiteado. Nem sequer comprovou a alegação de que os livros foram de fato apreendidos por algum órgão governamental. A compensação declarada nos autos só pode ser homologada mediante prova do contribuinte no sentido de que o crédito requerido é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor solicitado, pois sem a comprovação desses requisitos, não existe direito à compensação, a teor do art. 170 do CTN. O contribuinte alegou que seu direito ao crédito e à compensação não podem ser obstaculizados por exigências que consubstanciam mero formalismo. Ora, o caso concreto versa acerca de um pedido de ressarcimento de crédito presumido da ordem de R$ 290.000,00. Não se trata de mero formalismo exigir do contribuinte a apresentação de livros e documentos que comprovem a legitimidade do crédito requerido. O contribuinte não vai obter R$ 290.000,00 da Administração Pública sem apresentar a documentação hábil à comprovação da certeza e da liquidez deste valor. Por fim, cabe ressaltar que o deferimento de pedidos de ressarcimento anteriores não gera direito adquirido ao deferimento de pedidos posteriores e nem configura uma prática reiterada da Administração. As práticas reiteradas da Administração, mencionadas no art. 100, III, do CTN, são, na verdade, o costume administrativo. E a aplicação da norma costumeira só tem espaço na ausência de disposição legal expressa. No caso concreto, não existe o costume da Administração Tributária deferir montantes elevados de ressarcimento de crédito presumido sem a apresentação, por parte do contribuinte, da documentação fiscal hábil à comprovação do pleito. Inexistindo a comprovação da legitimidade do valor requerido, não há como deferir o ressarcimento. No tocante às compensações, conquanto o despacho decisório informe que não foram encontradas declarações de compensação eletrônicas nos sistemas da Receita Federal vinculadas ao pedido de ressarcimento de fl. 01, verificase que existe um pedido de compensação formalizado em papel no dia 02/05/2001 (fl. 24) ao qual não fizeram menção a informação fiscal, o despacho decisório e os recursos do contribuinte. Inexistindo despacho de homologação ou de não homologação em relação a esse pedido de compensação, devese considerar que o correu a homologação tácita das compensações requeridas pelo decurso do prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002, foram convertidos em declarações de compensação desde a data de protocolo, nos termos do art. 49, combinado com o art. 63, I, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Assim, se a declaração de compensação de fl. 24 foi protocolada em maio de 2001 e até a data deste julgamento não há despacho decisório homologando ou não homologando expressamente as compensações, há que se considerar que foram homologadas pelo fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para negar o direito ao ressarcimento pleiteado e considerar homologada por decurso de prazo as compensações informadas na fl. 24. Antonio Carlos Atulim Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.002373/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa nos casos em que o contribuinte teve acesso a todas as informações que deram origem ao Auto de Infração e conseguiu se defender adequadamente com relação às infrações que lhe foram imputadas.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constata-se que o sócio também agiu com excesso de poderes.
APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 1202-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Losso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida De Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrente PAULO FLÁVIO DE MELO CARVALHO E JOÃO CECCON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa nos casos em que o contribuinte teve acesso a todas as informações que deram origem ao Auto de Infração e conseguiu se defender adequadamente com relação às infrações que lhe foram imputadas. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Nos casos em que a sociedade declara valores muitas vezes menor do que o imposto efetivamente apurado através de suas declarações, deve ser imputada a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios, mandatários, diretores, gerentes, entre outros, conforme disposto no art. 135 do CTN. Tendo em vista que a declaração reiterada de valores a menor é considerada prática dolosa, constatase que o sócio também agiu com excesso de poderes. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 73 /2 01 0- 23 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 2 Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Losso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida De Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 215/241) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anos calendários de 2006 e 2007, somados à multa de ofício qualificada e juros. Conforme apurado pela Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 204/210), a fiscalização iniciouse contra a empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, a qual encontra com situação “baixada” perante a RFB, cujo distrato social foi protocolado na JUCESP em 19/05/2008, ocasião em que constava como responsável pela guarda dos livros e documentos da empresa o sócio João Ceccon. Intimado para apresentação de livros e documentos fiscais, o Sr. João Ceccon atendeu às solicitações e apresentou os devidos documentos, exceto o Livro Diário, que é documento obrigatório para os contribuintes optantes pelo Lucro presumido – que é o caso da empresa fiscalizada (fls 205). Tendo em vista a ausência de apresentação do Livro Diário, o representante da empresa foi intimado a apresentar o livro Caixa e em resposta informou que os livros tinham sido extraviados. Da análise dos Livros de Registros de Entradas e Saídas foi apurada receita bruta mensal, a qual foi confrontada com as DIPJ dos períodos fiscalizados, DACON e DCTF. Do confronto resultaram valores não oferecidos à tributação, os quais foram utilizados como base de cálculo dos presentes lançamentos (fls. 207/208). No período fiscalizado a empresa tinha como sóciogerente o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho, sendo que o Sr. João Ceccon somente passou a ser responsável pela empresa a partir de junho de 2007. Tendo em vista as infrações apuradas, o sócio Paulo Flávio de Melo Carvalho foi responsabilizado pelo crédito tributário, pois segundo a fiscalização, teria agido ilicitamente de forma a encobrir a obrigação tributária, de acordo com o art. 135 do CTN. Observou, ainda, a fiscalização, que a partir de junho de 2006 as receitas deixaram de coincidir com as DIPJ e DACON, tendo a empresa omitido receitas de forma reiterada nas declarações prestadas à RFB, com conseqüente redução dos tributos devidos, o que teria caracterizado o crime previsto no art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN foram lavrados termos de responsabilidade solidária em face de Paulo Flávio de Melo Carvalho e João Ceccon. Cientificados da lavratura dos Autos de Infração, apenas o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho apresentou Impugnação, de fls. 250/269, alegando, em síntese, o que segue: (i) Preliminarmente, defendeu a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa na ocasião da fiscalização, tendo em vista que não pode se admitir que a administração pública atue de forma direcionada na prática de atos administrativos que Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 10 3 impliquem formação de prova, incluindo elementos probatórios na direção que melhor atenda seus interesses. (ii) Em seguida, argumentou pela ausência de suporte fático ao Auto, pelo fato de a fiscalização ter se pautado no livros de entrada e saída de mercadorias, não dando oportunidade de realização de outras provas; (iii) Ao final, tratou do caráter confiscatório da multa de ofício qualificada aplicada, que teria deixado de respeitar o princípio da capacidade contributiva do contribuinte. (iv) Ademais, alegou não ser o guardião dos documentos fiscais da empresa, não tendo como comprovar a veracidade das informações prestadas ao Fisco, de maneira que a Representação Fiscal para fins Penais elaborada pelas Autoridades Fiscais era totalmente indevida. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1, a qual houve por bem julgar improcedente a Impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o contribuinte, no curso do procedimento fiscal, é intimado de todos os atos e elementos solicitados, além dos valores de receitas apuradas e não declaradas, e quando constam do termo de verificação, do auto de infração (cujas vias lhe foram entregues) e dos autos do respectivo processo administrativo fiscal todos os elementos necessárias ao exercício de sua ampla defesa. LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITAS INFORMADAS. As receitas contabilizadas em livros fiscais de Entradas e no de Saídas bem como nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA (declarações prestadas ao Fisco Estadual pelos próprios contribuintes) constituem meio legítimo para se apurar receitas das empresas. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Omitir informações na DIPJ sobre receitas da empresa, contabilizadas em livros e outras declarações, de forma reiterada, constitui comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para o agravamento da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. GERÊNCIA. As pessoas que possuem interesse comum no fato gerador da obrigação tributária e exercem função gerencial respondem solidariamente pelo crédito tributário constituído. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 4 PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de produção de provas que deveriam ter sido produzidas e apresentadas pelo Contribuinte em conjunto com a impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O outro responsável tributário qual seja, Sr. João Ceccon não apresentou Impugnação aos Autos de Infração, motivo pelo qual a decisão recorrida presumiu pela veracidade dos fatos alegados pela fiscalização em relação a este contribuinte. Inconformado com a decisão da DRJ, o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 374/394), aduzindo em síntese os mesmos argumentos da Impugnação. Adicionalmente, dentro do prazo legal, o mesmo contribuinte apresentou outra petição, denominandoa também de Recurso Voluntário, alegando que não deve ser incluído como sujeito passivo da obrigação tributária, tendo em vista que não praticou nenhum dos atos dispostos no artigo 135 do CTN. Acrescentou que quando da dissolução da sociedade, o que acarretaria no redirecionamento da fiscalização para os sócios, o mesmo não se encontrava mais entre o quadro societário da empresa. Portanto, requereu que fosse desconsiderado como sujeito passivo da obrigação tributária. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o Recurso Voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo à análise da preliminar de nulidade do lançamento argüido pelo Recorrente. I – PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preliminarmente, o Recorrente argüiu pela nulidade do lançamento, alegando a preterição do direito de defesa, tendo em vista que o mesmo não teve acesso aos documentos emitidos pela fiscalização desde o início do procedimento fiscal. De fato, conforme se observa dos autos, a fiscalização iniciouse contra a empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, mas como a mesma já se Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 11 5 encontrava extinta, a fiscalização foi direcionada para o sócio responsável pela guarda dos documentos quando da dissolução, qual seja o Sr. João Ceccon. Posteriormente, depois de apresentados alguns documentos contábeis pelo sócio mencionado acima, foram apuradas supostas infrações nos anos de 2006 e 2007, o que levou à fiscalização a incluir no pólo passivo do procedimento fiscal o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho, que era administrador da empresa à época dos fatos. O início da fiscalização contra a empresa ocorreu em 10/01/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03 dos autos). Entretanto, o Termo de Sujeição Passiva (fls.05), que incluiu o Recorrente no pólo passivo, foi lavrado em 26/05/2010, posteriormente à apuração da infração, que ocorreu através dos documentos apresentados pelo Sr. João Ceccon. Dessa forma, prosperam os argumentos do Recorrente no sentido de que não acompanhou desde o início o procedimento fiscalizatório ao qual se tornou sujeito. Ocorre que, mesmo não tendo acompanhado de fato o trâmite da fiscalização desde a origem, o mesmo teve acesso a todos os documentos apresentados e a todas as infrações apuradas pelos Autos de Infração. Dessa forma, não há que se falar em preterição do direito de defesa, tendo em vista que o mesmo conseguiu se defender corretamente das infrações que lhe foram imputadas. Assim, não ocorreu a hipótese de nulidade prevista no artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, inclusive quando o contribuinte demonstra entender a infração e se defende regularmente, bem como quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confunde com o próprio mérito da questão (...)”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10422397 do Processo 13609000143200537, Data: 23/05/2007). (não grifado no original) Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por ausência de preterição do direito de defesa do Recorrente. B) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Segundo constam dos Termos de Sujeição Passivas (fls. 09/14), foram incluídos no pólo passivo do presente processo administrativo dois sócios da empresa originalmente fiscalizada, sendo que um deles era o sócio administrador à época da ocorrência das supostas infrações e o outro é o sócio que sucedeu o lugar do anteriormente citado, o qual Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 6 ficou responsável pela guarda dos documentos fiscais da empresa quando da sua dissolução, conforme expresso na cláusula IV do Distrato Social (fls. 43/44), abaixo transcrita: “IV – O sócio JOÃO CECCON, qualificado no preâmbulo deste contrato, fica incumbido da regularização dos presentes atos às repartições públicas competentes e manterá, sob sua guarda, os livros e documentos contábeis e fiscais da sociedade extinta, conservandoos na forma e prazo da Lei.” A fim de esclarecer as alterações societárias que ocorreram na empresa SUDESTE COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, é importante mencionar que a entrada do Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho ocorreu em maio de 2006, conforme primeira alteração contratual (fls. 27/35). Posteriormente, em maio de 2007, mediante a segunda alteração contratual, o Sr. Paulo retirouse da sociedade e no mesmo ato foi admitido o Sr. João Ceccon (fls. 36/42). Finalmente, em maio de 2008 a sociedade foi dissolvida perante a Junta Comercial de São Paulo, por meio do Distrato Social mencionado acima e da mesma forma perante a Receita Federal do Brasil, sendo considerada como “baixada” perante referido órgão (fls. 07). Conforme se observa, quando do início do procedimento fiscal que ocorreu em 10/01/2010, a empresa já se encontrava extinta, sendo o Sr. João Ceccon o responsável pela guarda dos livros e documentos fiscais. Ocorre que ao ser intimado a apresentar o Livro Caixa, tendo em vista a ausência de apresentação do Livro Diário (documento obrigatório para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, como é o caso da empresa), o Sr. João Ceccon informou que os mesmos haviam sido extraviados, conforme se observa às fls. 06 dos autos. Tendo em vista as discrepâncias encontradas entre as receitas apuradas pelos Livros de Registros de Entradas e Saídas, com as informações constantes nas DIPJ, DACON e DCTF, referente aos períodos fiscalizados, somados à ausência de apresentação do Livro Diário e Livro Caixa, foi imputada a omissão de receitas e lavrados os presentes Autos de Infração. Tendo em vista as infrações apuradas, o sócio administrador da época dos fatos qual seja, o Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho foi responsabilizado pelas mesmas, “visto que, através de procedimentos ilícitos, agiu visando encobrir obrigação tributária” (fls. 208 do TVF). Essa responsabilização foi atribuída com base no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado(...)” A responsabilidade imputada pelo artigo 135, inciso III do CTN somente pode ocorrer quando comprovada a ilicitude praticada pelo representante da pessoa jurídica. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 12 7 Nesse sentido, oportuno transcrever os ensinamentos de Leandro Paulsen ao comentar o mencionado artigo: “A responsabilidade pessoal, no caso, decorre de ato praticado com ilicitude, por conta e risco do gestor. Como é o pressuposto de fato da responsabilidade, tem de ser devidamente apurado”. (PAULSEN, Leandro. In Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11 edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, p. 974) De acordo com o posicionamento doutrinário, não é o simples fato de apuração de omissão de receitas com falta do pagamento do tributo que enseja a responsabilização do artigo 135, III, do CTN. Ocorre que, conforme se observa às fls. (1999/2001) do Termo de Verificação Fiscal, a receita declarada pelo Sr. Paulo corresponde a um valor muitas vezes menor do que aquele apurado através dos Livros de Registro de Entradas e Saídas, o que demonstra a atuação com excesso de poderes do Sr. Paulo Flávio de Melo Carvalho. Oportuno se faz esclarecer que, ao contrário do alegado pelo Recorrente, é possível se basear nos Livros de Registro de Entradas e Saídas para apuração da base de cálculo tributável do IRPJ e da CSLL, conforme se observa dos julgados abaixo transcritos. Vejamos: “(...) RECEITA BRUTA. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS É lícito utilizar o valor das saídas por vendas de mercarias registrado no Livro Registro de Apuração do ICMS para determinar a receita bruta, sobre a qual incide o percentual de apuração da base de cálculo da CSLL nos regimes do lucro presumido ou arbitrado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 TAXA DE JUROS SELIC APLICABILIDADE. Por expressa disposição legal, é legítima a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic. MULTA DE FÍCIO Na constituição do crédito tributário pela autoridade fiscal, em face de infração à legislação tributária, é correta a aplicação da multa de lançamento de ofício, por expressa determinação legal. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10709286 do Processo 10680014742200404, Data: 24/01/2008) (não grifado no original) “(...) IRPJ LUCRO PRESUMIDO RECOLHIMENTO EFETUADO A MENOR REGISTRO DE RECEITA NOS LIVROS FISCAIS LANÇAMENTO PROCEDÊNCIA O valor das vendas de mercadorias registrado nos livros fiscais de Registro de Saídas de Mercadorias, no Registro de Apuração do ICMS e no livro Razão, enquadrase no conceito de receita bruta tributável para efeitos de apuração do IRPJ (...). (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10194755 do Processo 106800160599821, Data: 10/11/2004). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 8 Dessa forma, resta incontroverso que o Sr. Paulo agiu de máfé ao declarar e recolher um valor tão baixo, sendo que o efetivamente devido é muitas vezes maior. Embora o Recorrente alegue que não agiu dolosamente, não há como não considerar que teve a intenção de burlar o Fisco ao declarar valores tão baixos comparados à receita efetivamente apurada. Sendo assim, o Sr. Paulo deve ser incluído no pólo passivo da demanda, como responsável tributário, assim como deve ser mantida a aplicação da multa qualificada de 150%. Este também é o entendimento deste E. Conselho: (...) SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDARIEDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os sócios, mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS CONFRONTO ENTRE DOCUMENTOS FISCAIS E A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Caracteriza ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas auferidas e espontaneamente declaradas, e aquelas detectadas em procedimento de oficio. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, além de escriturar as notas fiscais com valores diferentes dos faturamentos reais, denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da lei no 4.502/1964 (...).(Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110200502 do Processo 10680020328200779, Data: 03/08/2011)(não grifado no original) (...) RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOSGERENTES. Caracterizada a intenção dolosa de sonegar tributos à Fazenda, quer pela prática contumaz de não declarar e/ou declarar de forma inexata os valores devidos, quer não os recolhendo aos cofres públicos, não obstante tenha havido vultosa movimentação de recursos financeiros comprovadamente originários de vendas de mercadorias, correta é a responsabilização dos sócios gerentes. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Mascarada a sucessão da empresa sob a forma de suspensão de atividades e/ou de contrato de arrendamento mercantil cuja comprovação não se deu, correta se mostra a imputação da responsabilidade tributária a quem, de fato, continuou a exercer as atividades industriais e comerciais da autuada. MULTA QUALIFICADA DE 150%. INCISO II DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, ou não os recolher, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. (...) Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.002373/201023 Acórdão n.º 1202000.931 S1C2T2 Fl. 13 9 3ª Câmara. Turma Ordinária , Acórdão nº 20312654 do Processo 10120001395200659, Data: 12/12/2007) (não grifado no original) (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticara os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10707666 do Processo 10925000150200215, Data: 13/05/2004) (não grifado no original) Quanto ao Sr. João Ceccon, o mesmo não apresentou Impugnação, tampouco Recurso Voluntário, devendo ser consideradas verdadeiras as alegações feitas em relação ao mesmo, com sua respectiva inclusão no pólo passivo como responsável tributário, nos termos do artigo 124 do CTN. Portanto, em razão de tudo o quanto acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 443DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15249.000170/2006-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001,2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado.
PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO.
Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a o pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada a partir de 09.06.2005.
Numero da decisão: 1801-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para retificar o Acórdão nº 1801-00.718, de 30.09.2011, e, em preliminar, negar provimento ao recurso voluntário, por prescrito o direito da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado. PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a o pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada a partir de 09.06.2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para retificar o Acórdão nº 180100.718, de 30.09.2011, e, em preliminar, negar provimento ao recurso voluntário, por prescrito o direito da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 24 9. 00 01 70 /2 00 6- 52 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 3 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente, CGC Centro de Ginecologia e Citologia Ltda, formalizou os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 a título de: Tributo Valor Original – R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) 5.426,07 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 963,47 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 528,15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 1.648,63 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 6466, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido o pedido foi alcançado pela prescrição, tendo em vista o decurso do prazo superior a cinco anos (inciso I do art. 165 e inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional). Cientificada em 27.12.2007, fl. 73, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.01.2008, fls. 7886, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1018.036, de 22.12.2008, fls. 9697:“Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LC n° 118/2005. Decorridos mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, resta extinto, por decadência, o direito de pleitear à restituição. A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Notificada em 20.01.2009, fl. 99, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.02.2009, fls. 100115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 4 3 Está consignado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.718, de 30.09.2011, fls. 126127: “Recurso Voluntário Provido em Parte”. Restou ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001,2002 PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. No caso em que a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Cientificada em 09.02.2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração em 10.02.2012, fls. 131133. Alega que o Acórdão embargado contém omissão, visto que De outra sorte, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário cuja repercussão geral fora reconhecida (RE n° 566.621/RS), encerrado em 04 de agosto de 2011 e cuja ata de julgamento foi publicada em 18 de agosto de 2011 (Ata de Julgamento n° 21, publicada no DJE n° 158, divulgado em 17.08.2011), firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC n° 118/2005, o prazo para repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos. Já em relação as ações ajuizadas até 08.06.2005, o STF entendeu pela aplicação do entendimento até então predominante na jurisprudência, permitindose, assim, a devolução dos tributos indevidamente recolhidos até os últimos 10 (dez) anos. Notase que o STF utilizase de critério processual (data do ajuizamento da ação) para, juntamente com o critério de natureza material (data do recolhimento indevido), aferirse o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Preliminar – Cabimento dos Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, deles tomo conhecimento. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 5 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional suscita que no Acórdão embargado há omissão, uma vez que os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 foram alcançados pela prescrição. No Voto condutor do Acórdão embargado consta: No presente caso, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) foi formalizado em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados nos anoscalendário de 2000 e 2001. Verificase que a petição de indébito não foi alcançada pela prescrição e por este motivo cabe o exame das demais razões de defesa indicadas na manifestação de inconformidade. Por conseguinte, o presente processo deve ser devolvido à DRJ/POA/RS para que seja proferida nova decisão. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. Na parte dispositiva do Acórdão embargado está registrado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. ficou configurada a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão embargado, uma vez que a Recorrente, CGC Centro de Ginecologia e Citologia Ltda, formalizou os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001 e por esta razão foram alcançados pela prescrição. Por esta razão, os Embargos de Declaração interpostos pela Douta PGFN devem ser acolhidos. Mérito No mérito cumpre corrigir a contradição constante no Voto condutor e na parte dispositiva do Acórdão nº 180100.718, de 30.09.2011. O Voto condutor do Acórdão embargado passa a ter a seguinte redação: A Recorrente afirma que o pedido não foi alcançado pela prescrição. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 09.06.2005. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 6 5 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS1, substituto do paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS2, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. No presente caso, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) foi formalizado em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados no período de 10.02.2000 a 30.04.2001. Verificase que a petição de indébito foi alcançada pela prescrição. O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 1801001.209 S1TE01 Fl. 7 6 A parte dispositiva do Acórdão embargado deve ser alterada para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10510.001892/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE).
A receita gerada pela aplicação da sobretarifa decorrente da RTE deverá compor a apuração da base de cálculo da contribuição social referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo a contribuição apurada de acordo com a lei vigente em cada um
desses períodos.
RECOMPOSIÇÃO TARIFARIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). ATIVO E PASSIVO REGULATORIOS. ADIÇÕES E EXCLUSÕES NO CÔMPUTO DO LUCRO REAL.
O montante integral das receitas estimadas provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, homologado pela ANEEL e contabilmente reconhecido, em contrapartida à formação de um Ativo Regulatório, deve ser excluído na apuração da base de cálculo da contribuição social do mesmo exercício, vindo a ser adicionado, nos períodos -base subsequentes, proporcionalmente ao seu efetivo consumo, enquanto a parcela dessas receitas correspondente à chamada Energia Livre, pertencente às empresas geradoras de energia, que gerou um custo para as distribuidoras, apropriado contabilmente, em contrapartida a um Passivo Regulatório, deve ser adicionada na apuração da base de cálculo da contribuição social, vindo a ser excluída, nos períodos-base em que ocorrer o efetivo consumo da energia sobretaxada, ocasião em que haverá seu repasse às empresas geradoras.
MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A exigência da multa de oficio, no percentual de 75%, obedece estritamente aos preceitos legais, não cabendo sua convolação em multa moratória.
JUROS DE MORA.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios está legalmente amparada, não se cogitando da dispensa dos juros.
Numero da decisão: 1402-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). A receita gerada pela aplicação da sobretarifa decorrente da RTE deverá compor a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o imposto apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). ATIVO E PASSIVO REGULATÓRIOS. ADIÇÕES E EXCLUSÕES NO CÔMPUTO DO LUCRO REAL. O montante integral das receitas estimadas provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, homologado pela ANEEL e contabilmente reconhecido, em contrapartida à formação de um Ativo Regulatório, deve ser excluído na apuração do lucro real do mesmo exercício, vindo a ser adicionado, nos períodosbase subseqüentes, proporcionalmente ao seu efetivo consumo, enquanto a parcela dessas receitas correspondente à chamada Energia Livre, pertencente às empresas geradoras de energia, que gerou um custo para as distribuidoras, apropriado contabilmente, em contrapartida a um Passivo Regulatório, deve ser adicionada na apuração do lucro real, vindo a ser excluída, nos períodosbase em que ocorrer o efetivo consumo da energia sobretaxada, ocasião em que haverá seu repasse às empresas geradoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 18 92 /2 01 0- 40 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 830 2 A receita gerada pela aplicação da sobretarifa decorrente da RTE deverá compor a apuração da base de cálculo da contribuição social referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo a contribuição apurada de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos. RECOMPOSIÇÃO TARIFARIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). ATIVO E PASSIVO REGULATORIOS. ADIÇÕES E EXCLUSÕES NO CÔMPUTO DO LUCRO REAL. O montante integral das receitas estimadas provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, homologado pela ANEEL e contabilmente reconhecido, em contrapartida à formação de um Ativo Regulatório, deve ser excluído na apuração da base de cálculo da contribuição social do mesmo exercício, vindo a ser adicionado, nos períodos base subsequentes, proporcionalmente ao seu efetivo consumo, enquanto a parcela dessas receitas correspondente à chamada Energia Livre, pertencente às empresas geradoras de energia, que gerou um custo para as distribuidoras, apropriado contabilmente, em contrapartida a um Passivo Regulatório, deve ser adicionada na apuração da base de cálculo da contribuição social, vindo a ser excluída, nos períodosbase em que ocorrer o efetivo consumo da energia sobretaxada, ocasião em que haverá seu repasse às empresas geradoras. MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A exigência da multa de oficio, no percentual de 75%, obedece estritamente aos preceitos legais, não cabendo sua convolação em multa moratória. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios está legalmente amparada, não se cogitando da dispensa dos juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 831 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 832 4 Relatório Energisa Sergipe – Distribuidora de Energia S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Salvador/BA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o processo em questão de Autos de Infração relativos aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, às fls. 03 a 07, no valor de R$16.299.122,14 (dezesseis milhões, duzentos e noventa e nove reais e cento e vinte e dois reais e quatorze centavos), e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, às fls. 09 a 12, no valor de R$3.984.690,70 (três milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e noventa reais e setenta centavos), acrescidos da multa de oficio e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais em 2006 e 2007, tendo em vista a reversão dos prejuízos após o lançamento, neste Auto de Infração, das infrações constatadas nos períodosbase de 2005 e 2006, além de saldo insuficiente de prejuízos fiscais, em decorrência da repercussão do PAF n° 10510.003122/2005 74, relativo a Auto de Infração lavrado por glosa de despesas nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003. O referido lançamento foi posteriormente reformado pelo Acórdão DRJ/SDR n° 1511.927, reduzindose a exigência fiscal, o que resultou em alterações no prejuízo fiscal acumulado, cujo saldo foi considerado no presente lançamento, conforme Relatório Fiscal e Demonstrativo. O enquadramento legal aponta os arts. 247, 250, inciso III, 509 e 510 do RIR/1999. 2) adições não computadas na apuração do lucro real. Em 2001, consoante orientação da ANEEL, foi constituído Ativo Regulatório em contrapartida de Receita de Fornecimento, conta n° 611.03.3.1.0.1, corretamente excluído no lucro real, por se tratar de um limite estabelecido para a receita a ser auferida mediante a aplicação das alíquotas majoradas pela Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE), instituída pelo Programa Emergencial de Consumo de Energia Elétrica (PERCEE). A reversão dessa contabilização gerou outra distorção nos períodos subsequentes em que se deu o efetivo fornecimento de energia aos consumidores, na medida em que a receita assim auferida é debitada em contrapartida do Ativo Regulatório, para "baixa" do direito à cobrança das tarifas de fornecimento majoradas. Em 2005 e 2006, verificase, na contabilidade, que o resultado nos períodos, respectivamente, de R$60.550.039,29 e R$93.310.655,51, consignados tanto no LALUR como nas DIPJ, foi reduzido em razão dos débitos à conta 611.05.1.1.01.0100 — Amortização do Ativo Regulatório, cujo montante, não obstante referirse ao mencionado Ativo constituído em 2001, consiste em receita do período em que se deu o fornecimento e, como tal, deveria corresponder a uma adição ao lucro real. O enquadramento legal aponta o art. 249 do RIR/1999. O Auto de Infração de CSLL foi proveniente de: 1) glosa de compensação indevida de bases de cálculo negativas em 2007, tendo em vista a reversão do saldo de bases negativas após o lançamento, neste Auto Fl. 939DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 833 5 de Infração, das infrações constatadas nos períodos base de 2005 e 2006, além de saldo insuficiente de bases negativas, em decorrência da repercussão do PAF n° 10510.003122/200574, relativo a Auto de infração lavrado por glosa de despesas nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003. O referido lançamento foi posteriormente reformado pelo Acórdão DRJ/SDR n° 1511.927, reduzindose a exigência fiscal, o que resultou em alterações na base negativa acumulada, cujo saldo foi considerado no presente lançamento, conforme Relatório Fiscal e Demonstrativo anexos. O enquadramento legal aponta o art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 37 da Lei 10.637, de 2002; e 273 do RIR/1999. 2) redução indevida do lucro liquido em virtude de inobservância do regime de escrituração, resultando na falta de pagamento da contribuição social, em 2005 e 2006, conforme Relatório Fiscal e Demonstrativo anexos. 0 enquadramento legal aponta: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 37 da Lei 10.637, de 2002; e 273 do RIR/1999. No Relatório Fiscal, as fls. 15 a 20, o Autuante declara, em síntese, que: — inicialmente, verificouse que o contribuinte deduziu contabilmente da Receita o montante de R$20.116.439,28, em 2005, e R$16.257.662,94, em 2006, em contrapartida do Ativo Regulatório, como demonstram o Livro Razão e Anexo IV da Resolução ANEEL n° 45/2004, fornecidos pelo contribuinte. Essa forma de contabilização segue orientação da ANEEL e referese aos valores arrecadados dos consumidores mediante aplicação da RTE no fornecimento de energia elétrica, tendo por finalidade o controle e acompanhamento de valores homologados pela ANEEL, que tem origem no período de racionamento de energia elétrica. Nesse período, as companhias distribuidoras e geradoras sofreram um desequilíbrio financeiro determinado pela redução compulsória do consumo; — foi então instituído um regime tarifário extraordinário para vigorar pelo período que fosse necessário para recompor o equilíbrio financeiro das concessões. A partir de cálculos elaborados pelas empresas, a ANEEL determinou um prazo máximo de vigor das tarifas majoradas e homologou um valor limite para as receitas auferidas com essas tarifas. Esse mecanismo denominouse Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE); — em 2001, seguindo orientações da ANEEL, a ENERGISA contabilizou esse valor como um direito denominado Ativo Regulatório, lançado no encerramento do exercício, em contrapartida da conta de receita de fornecimento 611.03.3.1.0.1. A receita a ser auferida a partir dos faturamentos decorrentes da RTE, contabilizada à citada conta, foi de R$50.818.125,74, correspondendo aos seguintes valores homologados pela ANEEL: a) Resolução ANEEL n° 480, de 29/08/2002: RTE de R$25.379.032,04, destinada a recompor a receita que deixou de ser auferida no período de 01/06 a 31/12/2001, em razão do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (PERCEE); b) Resolução ANEEL n° 481, de 29/08/2002: RTE de R$1.429.584,29, destinada a recompor a receita que deixou de ser auferida no período de 01/01 a 28/02/2002, em razão do (PERCEE); c) Resoluções ANEEL n° 482 e n° 483, ambas de 29/08/2002: RTE de R$4.843.967,00 e de R$21.300.492,27, respectivamente, destinadas a recompor a Fl. 940DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 834 6 recuperação de custos da "parcela A" e a recuperação de despesas com a compra de energia livre. — em DIPJ retificadora, para o exercício de 2002, anocalendário 2001, o contribuinte, interpretando o Parecer COSIT n° 26, de 26/09/2002, promoveu a exclusão dessa receita (passou o item "Outras Exclusões" de zero para R$51.414.392,91), bem como adicionou ao lucro real e 6. base de cálculo da CSLL o montante de R$15.250.538,78 (passou o item "Outras Adições" de R$1.319.000,00 para R$16.569.538,78). Segundo o contribuinte, a adição referese a despesas relativas aos custos excedentes com a compra de Energia Livre, incorridos de janeiro a outubro de 2001, contabilizadas no montante de R$20.115.568,31, pendentes de pagamento às Geradoras, assim demonstradas: Apuração do montante adicionado ao lucro real em 2001 R$ Energia Livre — contabilizada a débito da conta 615033541/4105 20.115.568,31 (—) Conta de Compensação de Variação de Valores de itens da "Parcela A" — CVA (6.780.698,53) PIS E COFINS sobre RTE (3,65% X 52.484.082,19) 1.915.669,00 Total 15.250.538,78 — ocorre que a própria ANEEL, conforme Nota Técnica n° 392/2007 — SFF/ANEEL, reconhece: "De outro lado, as receitas decorrentes da aplicação da RTE (Perda de Receita e Energia Livre) nas tarifas das Distribuidoras, considerando tratarse de fatos econômicos futuros incertos, pois variáveis em função do consumo mensal a ser verificado, deveriam, nas Distribuidoras, 'compor a apuração das bases de c álculo do imposto sobre a renda, da CSL, da Cofins e da contribuição para o Pis, referentes aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre a qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo os tributos apurados de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do art. 144 do Código Tributário Nacional', como, inclusive, restou textualmente decidido pelo conhecido Parecer COSIT n° 26, de setembro de 2002". — portanto, ao tempo em que, em 2001, o contribuinte exclui, no lucro real e na base de cálculo da CSLL, o direito contabilizado como receita, relativo a RTE homologada pela ANEEL, em 2005 e 2006, caberia adicionar ao lucro real o valor correspondente a receita efetivamente auferida com a RTE, que foi debitado a conta da receita total auferida com o fornecimento, para fins de amortização do direito contabilizado em 2001. Entretanto, a adição ao lucro real e a base de cálculo da CSLL, em 2005, limitouse, inicialmente, a R$3.675.769,49, ficando excluído de tributação o valor de R$16.440.669,79 (R$20.116.439,28 —R$3.675.769,49). Em 2006, não houve adição relativa a RTE; — ressaltese que, em relação a 2005, o LALUR foi alterado, após iniciado o procedimento fiscal, e a adição referente aos valores faturados do PERCEE foi acrescida de R$8.536.046,97 (R$3.675.769,49 + R$8.536.046,97 = R$12.211.816,46). Não obstante, na mesma retificação do LALUR, foi acrescido as exclusões o valor de R$8.536.046,97, a titulo de "Realização do Saldo Receitas — Efeitos PERCEE". Admitese essa exclusão, que se refere a adição ocorrida em 2001, no montante de R$15.250.538,78. Com base no exposto, o contribuinte deixou de tributar, em 2005 e 2006, parcela de sua receita relativa a RTE; — outra alteração promovida no LALUR diz respeito a exclusão relativa a gratificação atribuida aos administradores, reduzida em 2005 para R$117.557,37 e em 2006 para R$172.856,87, tendo em vista ser de fato indevida, conforme art. 530 do RIR199. Sac) contrarias ao comando legal as gratificações a administradores, no Fl. 941DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 835 7 valor de R$1.097.282,39 em 2005 e de R$1.236.562,52 em 2006, observandose nas respectivas DIPJ que esses valores foram adicionados ao lucro real; — verificase que, para o ano de 2005, exercício de 2006, o contribuinte apresentou, além da declaração original, em 30/06/2006, mais quatro retificadoras. Para o ano de 2006, exercício de 2007, além da declaração original, em 16/12/2008, foram apresentadas mais três retificadoras. Exceto pela la retificadora, apresentada em 21/05/2009, mesmo dia da ciência do inicio do procedimento fiscal, por via postal (meio que não permite determinar a hora em que se deu a perda da espontaneidade), as demais retificadoras não produzem efeitos, mormente porque não alteraram o resultado do período de apuração, contêm erros e trazem adições e exclusões não escrituradas no LALUR. Assim, foram considerados apenas os valores constantes do LALUR e comparados a contabilidade e o resultado apurado na DIPJ/2006 (AC 2005), de 21/05/2009, e na DIPJ/2007 (AC 2006), de 16/12/2008, para fins de determinação do lucro real efetivamente apurado, conforme demonstrativo anexo; — sobre a possível repercussão do PAF n° 10510.003122/200574, relativo a Auto de Infração lavrado por glosa de despesas nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003 (fls. 405 a 590), quanto ao saldo de prejuízos fiscais a compensar, informase que, em 2001, parte das despesas financeiras foi glosada pela fiscalização e, posteriormente, o lançamento foi reformado pelo Acórdão DRJ/SDR n° 1511.927, que reduziu a glosa. O mesmo ocorreu em relação ao ano de 2000, resultando em alterações no prejuízo fiscal acumulado nesses períodos, conforme demonstrativo que apresenta; — observase que, quando da Decisão de P instancia, o sistema SAPLI foi alimentado com incorreção, quanto ao valor do prejuízo compensado em 2001, não obstante na apuração do imposto devido ter sido considerado o valor correto. Para 2002, o prejuízo fiscal absorveu todo o imposto devido, não tendo havido lançamento de IRPJ sobre as glosas efetuadas, mas somente redução do prejuízo fiscal do período, conforme demonstrativo relativo aos anos de 2002 e 2003 que apresenta. Observase que o sistema SAPLI não foi alimentado com as alterações decorrentes do Auto de Infração e da Decisão de la instância, no referente ao valor compensado em 2003, permanecendo no sistema o valor compensado pelo contribuinte gerando erro no saldo final a compensar, cujo valor correto é R$23.029.638,17; — em 2004, não houve autuação, tendo restado um saldo de prejuízos a compensar, a partir de 2005, de R$15.322.936,38, conforme demonstrativo que apresenta. Em 2005, consideradas as infrações apuradas no presente procedimento fiscal, procedemos ao lançamento do IRPJ e adicional, tendo restado um saldo a compensar de prejuízos fiscais de R$3.764.003,78. Em 2006, foi apurado crédito de IRPJ e adicional, tendo sido aproveitado todo o saldo anterior de prejuízos, comprovandose que o contribuinte usou prejuízo fiscal inexistente no valor de R$10.918.265,26, em 2006, e R$32.410.086,27, em 2007; — relativamente à CSLL de 2005, consideradas as infrações apuradas, procedemos ao lançamento correspondente, tendo restado um saldo a compensar de base negativa de R$23.277.468,98. Em 2006, foi apurado crédito da CSLL, restando um saldo de base negativa a compensar de R$4.676.217,49. Entretanto, em 2007, o contribuinte compensou o valor de R$31.959.720,57. Logo, restou comprovado que ele aproveitou base negativa de CSLL inexistente, no valor de R$27.283.503,09. — relativamente às exclusões do PIS e da COFINS, nos valores respectivos de R$370.698,60 e R$30.891,56, em 2005 e 2006, verificouse que elas resultaram Fl. 942DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 836 8 da adição ocorrida em 2003. Quanto aos lançamentos a débito das contas passivas de "COFINS a recolher" e "PIS a recolher", em 2007, a Recorrente discorre longamente, embora não tenham sido objeto dos lançamentos constantes do presente processo. As fls. 397 a 431, a pessoa jurídica impugnou o feito fiscal, alegando, em resumo, que: • inicialmente, a glosa dos prejuízos fiscais e bases negativas apresentase como medida arbitrária e despropositada, feita com esteio em reflexos decorrentes de lançamento promovido no passado, nos períodosbase de 2000 a 2003. A autuação ora em pauta tomou por base suposta "compensação indevida de prejuízos fiscais em 2006 e 2007, tendo em vista a reversão dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos períodosbase de 2005 e 2006, através deste Auto de Infração, e saldos insuficientes de prejuízos fiscais, em decorrência de repercussão do PAF n° 10510.003122/200574, relativo a Auto de Infração lavrado por glosa de despesas nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003"; • o entendimento propalado pela Agente Fiscal é minimamente inverossímil, na medida em que se pauta em lançamento sequer definitivamente constituído. Em breves palavras: a glosa de milhões de reais objeto da autuação presente decorre de potencial futuro reflexo de autuação ocorrida anos antes, a qual, todavia, não goza de definitividade quanto ao lançamento promovido. Naqueles autos, foi apresentada peça impugnatória, sendo que a Delegacia de Julgamento em Salvador reformou parcialmente o Auto de Infração, restando mantida grande parte da glosa fiscal tida como correta. Irresignada a Recorrente interpôs recurso voluntário, em março de 2007 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, onde os autos permanecem aguardando o julgamento revisional; • para fins de comprovação, a Recorrente colaciona os seguintes documentos: (i) cópia da impugnação à época apresentada (doc. 03); (ii) copia da decisão proferida pela DRJ/SDR (doc. 04); (iii) cópia do recurso voluntário interposto (doc. 05); e (iv) folhas de espelho do COMPROT e da página de andamento do PAF referido obtida no sitio do CARF (doc. 06); • ressaltese que discrepâncias entre os contribuintes e o fisco ocorrem diuturnamente e, na maioria das vezes, o lançamento culmina por ocorrer. Uma vez lançado, interrompese o prazo decadencial, o que não se confunde com eventual convolação do lançamento precário em definitivo, fato esse que somente ocorrerá na hipótese de o contribuinte não contestálo formalmente ou, caso o faça, quando da futura constatação da irrecorribilidade de decisão final administrativa, no sentido da manutenção do lançamento. A situação ora enfrentada consiste em mera expectativa fazendária de definitiva constituição do possível crédito tributário. Em outras palavras, são inexistentes os fundamentos avocados pela Fiscalização para a lavratura do presente Auto de Infração, razão pela qual não merece ser mantida a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas; • por outro lado, uma vez que se entenda como definitivo aludido pretérito lançamento, o que somente se admite ad argumentandum tantum, o lançamento teria sido levado a efeito apenas para prevenir potencial decadência do futuro, incerto e potencial crédito tributário decorrente. A exigibilidade do lançamento promovido no passado, em análise nos autos do PAF n° 10510.003122/200574, encontrase inequivocamente suspensa, por força da pendência de discussão judicial, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Assim, o presente lançamento somente poderá vir a tornarse definitivo se aquele outro lançamento também assim se tornar. Portanto, em hipótese alguma se pode interpretar que a Recorrente, com Fl. 943DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 837 9 relação ao crédito tributário ora cobrado, encontrase em mora, pelo simples fato de que o mesmo sequer existe. Em não havendo mora, não pode haver, por evidente, imposição de multa qualquer ou cobrança de juros; • no caso dos presentes autos, a lavratura se deu nos seguintes fundamentos lógicos: "se" a obrigação relacionada as competências de 2000 a 2003 se confirmar no PAF n° 10510.003122/200574, a obrigação tributária, tal como pretendida, "poderá" se confirmar nos presentes autos. Ora, aludida linha de raciocínio é minimamente ilógica e mesmo arbitrária, eis que claramente ilegal. Em suma: se não há obrigação consolidada, não se pode falar em mora da Recorrente, logo, não se pode exigirlhe multa nesses moldes e nem mesmo juros moratórios/compensatórios, pois a Recorrente não tem qualquer obrigação de recolher a exação até o presente momento nos moldes pretendidos pela Fiscalização. Destaca ainda a Recorrente que a autoridade fazenddria aplicou a multa de oficio de 75%, não cogitando aplicar ao caso a multa moratória, o que evidencia, em razão de todo o quanto exposto, o flagrante atropelo e vilipêndio dos mínimos direitos legais e constitucionais da Recorrente. • na remotíssima hipótese de não acolhimento de nenhum dos antecedentes pedidos, requer seja admitida a convolação da multa punitiva de oficio (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96) em multa moratória (art. 61, caput e §§, da referida Lei). Nessa hipótese, terseia como admitida a ocorrência do fato gerador e nascida a consequente obrigação tributária, em razão do entendimento pela definitividade do lançamento promovido nos autos do PAF n° 10510.003122/200574, o que não se espera em razão do sustentado linhas acima, mas igualmente admitida a condição suspensiva do crédito tributário, em razão da pendência de finalização daquela demanda; • em relação à alegada falta de adição ao lucro real da receita oriunda da Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE), como restará a seguir demonstrado, a Recorrente ofereceu corretamente a referida receita nas bases imponiveis do IRPJ e da CSLL nos respectivos anoscalendário. A recuperação das perdas financeiras advindas da redução do consumo de energia elétrica e do aumento de custos não gerenciáveis (Parcela "A"), causados pelo racionamento imposto pelo Governo Federal, através do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, foi efetuada mediante o recebimento, por parte das concessionárias distribuidoras de energia, da chamada RTE, criada pela MP n° 14, de 21/12/2001, e teve seu valor homologado pelo Governo Federal (através da ANEEL) para cada uma das distribuidoras de energia elétrica prejudicadas pelo racionamento; • as distribuidoras foram autorizadas a cobrar mensalmente a RTE dos consumidores, durante um prazo definido pela ANEEL para cada distribuidora. A cobrança somente pôde vigorar pelo período necessário à compensação do montante homologado a este titulo pela ANEEL. De acordo com as normas da ANEEL, as distribuidoras foram obrigadas a contabilizar, no exercício de 2001, o valor total homologado a titulo de RTE, ou seja, antes mesmo da RTE ser efetivamente cobrada dos consumidores, prevendo ainda o cômputo de juros sobre os valores contabilizados, em contrapartida de um ativo a receber (circulante e de longo prazo). Através da Resolução n° 36/2003, a ANEEL determinou que parte dos valores recebidos dos consumidores a titulo de RTE fosse repassada As Geradoras, em razão das perdas ocorridas na compra de energia livre decorrentes da redução da geração de energia elétrica; • por outro lado, à época dos fatos narrados, a atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Solução de Consulta n° 142, de 09/10/2002, se Fl. 944DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 838 10 manifestou no sentido de que as receitas de RTE contabilizadas pelas distribuidoras deveriam ser tributadas no momento do efetivo consumo da energia fornecida. Desse modo, o valor da receita da RTE foi objeto de exclusão na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2001, e foi controlado na parte "B" do LALUR, sendo adicionado, paulatinamente, de acordo com os valores faturados aos clientes mensalmente, nos anos subsequentes, até o prazo final da sua cobr ança. Assim, a Recorrente adotou o procedimento, a partir de 2002, de tributar a receita auferida a titulo de RTE, A. medida que faturada, ou seja, que efetivamente repassada aos clientes, nos termos definidos pela ANEEL e pela própria RFB; • a Autuante considerou como parcela de adição ao lucro real e A base de cálculo da CSLL o valor da receita da RTE constante da rubrica contábil 611.05.1.1.01.0100 "Amortização do Ativo Regulatório", cujo montante, em 2005, foi de R$20.116.439,28 e, em 2006, de R$16.257.662,94, não atentando para o fato de que grande parte dessa receita era composta por parcelas relativas a juros financeiros, bem como de parcelas de energia livre a serem repassadas As empresas geradoras de energia elétrica, conforme já mencionado acima, devendo ser ajustada de maneira a refletir o valor efetivo a compor as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, mesmo porque a Recorrente somente pode oferecer à tributação a sua própria receita, até o montante antes contabilizado e excluído de tributação, porque na ocasião do registro contábil a receita não estava ganha, de modo que não havia lucro; • outrossim, a parcela da receita da RTE correspondente às geradoras de energia elétrica eram repassadas com a correlata dedução, de acordo com o art. 3, parágrafo único, da Resolução ANEEL n° 36/2003, das contribuições (PIS e COFINS) incidentes sobre os valores faturados aos consumidores. Tais contribuições também devem ser consideradas para fins de composição da parcela da RTE a ser adicionada As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, eis que não configuram receitas da Recorrente. Para melhor compreensão, apresenta demonstrativos dos valores que foram adicionados ao lucro real e A base de cálculo da CSLL, em 2005, no valor de R$12.683.366,35, e em 2006, no valor de R$9.787.700,06; • de certo, a Autuante não considerou que a receita da RTE, constante da rubrica 611.05.1.1.01.0100 "Amortização do Ativo Regulatório" encontravase sem os efeitos financeiros e sem os valores que seriam repassados As empresa geradoras, por força de determinação da ANEEL. Pelo contrário, a Fiscalização se vale de trecho solto e descontextualizado de Nota Técnica n° 392/2007SFF/ANEEL (transcreve), que, em momento algum contradiz o que a Recorrente sustenta, não conduzindo à conclusão de que as receitas a serem reconhecidas para fins de apuração devem ser inclusive aquelas que não lhe pertencem, pelo evidente fato de que meramente transitaram em sua contabilidade, haja vista o repasse ser feito As Geradoras, conforme determina a legislação. Nesse sentido, reproduz ementa da Solução de Consulta n° 103, de 13/04/2007, como também de trecho de acórdão do CARF; • por outro lado, o Código Tributário Nacional estabelece todos os requisitos para aplicação do Imposto sobre a Renda, especialmente, sujeito passivo, base de cálculo e fato gerador, este definido no seu art. 43 (transcreve). Inexistindo o fato gerador, a sua mera presunção não presta para ensejar o nascimento da obrigação tributária ao recolhimento da exação em questão. Em linhas gerais, podese dizer que o lucro tributável vem a ser o acréscimo patrimonial, que deve ser a base de cálculo do IRPJ, bem assim a CSLL. Desta forma, se os valores outros que não aqueles que efetivamente pertencentes A Recorrente e que, portanto, tenham o Fl. 945DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 839 11 condão de potencialmente gerar acréscimo patrimonial, vierem a ser computados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, claramente estarseá apurando resultados irreais e distorcidos; • com base na orientação contida no art. 2° da Resolução ANEEL n° 36/2003 (transcreve), a Recorrente ofereceu A tributação a integralidade das receitas da RTE que lhe pertenciam, mas extraiu a parcela recebida ao mesmo titulo que representava receitas pertencentes a terceiros e que somente transitar= pelo caixa da Recorrente, sem gerar reflexos em seus resultados contábil e fiscal. Em que pese a clareza do que foi demonstrado, com base em orientações do órgão regulador e da própria Receita Federal, as conclusões da autuação se deram em sentido diverso e não podem prevalecer. Portanto, os efeitos líquidos da RTE, relativamente aos anos calendário de 2005 e 2006, nos valores de R$12.683.366,35 e R$9.787.700,06, respectivamente, correspondem aos montantes que deveriam, como de fato o foram, adicionados As bases de cálculo do IRPJ e CSLL nesses períodos; • cumpre informar que, com relação aos efeitos líquidos da RTE adicionados às bases imponiveis do IRPJ e da CSLL, nos anoscalendário de 2005 e 2006, parte dos valores constituídos foram recolhidos com os benefícios da Lei n° 11.941 (REFIS IV), de 27/05/2009, que possibilitou o parcelamento ou pagamento A vista dos débitos administrados pela RFB ou dos débitos para com a PGFN, vencidos até 30/11/2008, constituídos ou não. Os valores apurados a titulo de IRPJ e CSLL, nos anos de 2005 e 2006 foram recolhidos, com as vantagens do REFIS IV, conforme demonstrativo ora apensado A peça impugnatória, através de utilização do IR/Fonte e de pagamentos realizados por meio de DARF (doc. 09); • os valores pagos aos administradores a titulo de "Gratificação", em 2005 e 2006, de R$1.097.282,39 e R$1.236.562,52, respectivamente, foram devidamente adicionados ao lucro real e, por conseguinte, o tributo foi pago mediante utilização do IR/Fonte e de pagamentos com DARF, incluindo os decorrentes do beneficio do REFIS IV; • A vista do exposto, requer a Recorrente: (i) com relação ao item I do Auto de Infração (glosa de prejuízos fiscais e bases negativas): (i.a) que seja reconhecida a insubsistência do lançamento, dado que pautado em meras expectativas de futuro e incerto reconhecimento da definitividade de lançamento outro promovido nos autos do PAF n° 10510.003122/200574; (i.b) caso não acolhido o anterior, que sejam excluídos os valores lançados a titulo de juros de mora e multa de oficio (não sendo a mesma convolada em moratória), dada a inexistência, até o momento, do nascimento da obrigação tributária e, portanto, da condição de inadimplência da Recorrente, quanto aos pretensos créditos ora cobrados; (i.c) como terceira hipótese, vencidos os pedidos anteriores, que seja reconhecida a impossibilidade de cobrança de multas quaisquer, moratórias ou de oficio, mantendose tãosomente o cômputo dos juros legais; (i.d) ou, como última alternativa, que seja convolada a multa de oficio aplicada (75%), dado o entendimento pela condição suspensiva do crédito tributário consubstanciado nos autos do PAF n° 10510.003122/200574; Fl. 946DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 840 12 (ii) com relação ao item 2 do Auto de Infração (não oferecimento à tributação da integralidade do valor das receitas decorrentes da RTE), que seja totalmente reformado o Auto de Infração, vez que o não oferecimento A tributação da integralidade das receitas oriundas da RTE, tal como pretendido pela Fiscalização, teve por base o fato de que o montante total recebido a tal titulo contemplava receitas pertencentes a terceiros (Geradoras), e que, portanto, somente transitaram pelo caixa da Recorrente, sem gerar acréscimo patrimonial e/ou lucro; • por fim, requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive com a juntada posterior de novos documentos, bem como, caso assim seja entendido por V. S', seja convertido o julgamento em diligência, de maneira que sejam aferidos os pagamentos dos valores tratados quando da argumentação sobre a utilização dos benefícios do REFIS IV. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos diversos documentos (doc. 01 a doc. 10), anexados Ls fls. 432 a 597. Ressaltese que o presente processo é composto de 4 (quatro) volumes. 0 volume 1 encontrase numerado da folha 01 à 205; o volume 2 da 206 A 395; o volume 3 da 396 à 598; e o volume 4 da 599 à 727.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 15 25.010 (fls. 728737) de 06/10/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser negada a solicitação de diligência considerada desnecessária à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). A receita gerada pela aplicação da sobretarifa decorrente da RTE deverá compor a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o imposto apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). ATIVO E PASSIVO REGULATÓRIOS. ADIÇÕES E EXCLUSÕES NO CÔMPUTO DO LUCRO REAL. O montante integral das receitas estimadas provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, homologado pela ANEEL e contabilmente reconhecido, em contrapartida à formação de um Ativo Regulatório, deve ser excluído na apuração do lucro real do mesmo exercício, vindo a ser adicionado, nos períodosbase subsequentes, proporcionalmente ao seu efetivo consumo, enquanto a parcela dessas receitas correspondente à chamada Fl. 947DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 841 13 Energia Livre, pertencente às empresas geradoras de energia, que gerou um custo para as distribuidoras, apropriado contabilmente, em contrapartida a um Passivo Regulatório, deve ser adicionada na apuração do lucro real, vindo a ser excluída, nos períodosbase em que ocorrer o efetivo consumo da energia sobretaxada, ocasião em que haverá seu repasse As empresas geradoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). A receita gerada pela aplicação da sobretarifa decorrente da RTE deverá compor a apuração da base de cálculo da contribuição social referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo a contribuição apurada de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos. RECOMPOSIÇÃO TARIFARIA EXTRAORDINÁRIA (RTE). ATIVO E PASSIVO REGULATORIOS. ADIÇÕES E EXCLUSÕES NO CÔMPUTO DO LUCRO REAL. O montante integral das receitas estimadas provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, homologado pela ANEEL e contabilmente reconhecido, em contrapartida à formação de um Ativo Regulatório, deve ser excluído na apuração da base de cálculo da contribuição social do mesmo exercício, vindo a ser adicionado, nos períodos base subsequentes, proporcionalmente ao seu efetivo consumo, enquanto a parcela dessas receitas correspondente à chamada Energia Livre, pertencente às empresas geradoras de energia, que gerou um custo para as distribuidoras, apropriado contabilmente, em contrapartida a um Passivo Regulatório, deve ser adicionada na apuração da base de cálculo da contribuição social, vindo a ser excluída, nos períodosbase em que ocorrer o efetivo consumo da energia sobretaxada, ocasião em que haverá seu repasse às empresas geradoras. MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A exigência da multa de oficio, no percentual de 75%, obedece estritamente aos preceitos legais, não cabendo sua convolação em multa moratória. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios está legalmente amparada, não se cogitando da dispensa dos juros.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 18/01/2011 (A.R. de fl. 742) a interessada interpôs recurso voluntário em 16/02/2011 (fls. 743776) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação, culminando com o pedido a seguir transcrito. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 842 14 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 843 15 A Delegacia de Julgamento recorreu de ofício tendo em vista a parte do crédito tributário exonerada ter excedido o limite de alçada previsto na legislação. É o relatório. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 844 16 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Os recursos voluntário e de ofício reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. A autuação decorreu da falta de adição ao lucro liquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social dos anoscalendário de 2005 e 2006, de parcela das receitas arrecadadas dos consumidores de energia elétrica, oriunda da aplicação da chamada Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE) — consoante item 2 dos Autos de Infração —, bem como da glosa da compensação de prejuízos, efetuada nos anos de 2006 e 2007, e da compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, efetuada em 2007, em função da alteração nos saldos acumulados (de prejuízos fiscais e bases negativas) tanto pelas infrações apontadas nos presentes Autos de Infração, como também por lançamentos de oficio anteriores (IRPJ e CSLL), objeto do processo administrativo fiscal (PAF) n° 10510.003122/200574, conforme item 1 dos Autos de Infração. Na Decisão recorrida foi exonerada a infração correspondente ao item 2, ano calendário de 2006. Passase à análise dos recursos separadamente. Do Recurso Voluntário 1. Falta de adição ao lucro liquido da parcela das receitas arrecadadas dos consumidores de energia elétrica, oriunda da aplicação da chamada Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE) — item 2 dos Autos de Infração 1.1 Anocalendário de 2005 A Recorrente alega, em relação a falta de adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL (item 2), que o valor das receitas auferidas em 2005 e 2006, decorrentes da RTE, antes de ser adicionado, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sofreu alguns ajustes, em especial resultantes da exclusão das parcelas das receitas que não lhe pertenciam e foram repassadas as empresas geradoras de energia elétrica. Passase a historiar sobre a origem das receitas correspondentes à aplicação do mecanismo da RTE e seus efeitos fiscais. Sirvome, nesse sentido e com a devida vênia, de excerto extraído do aresto recorrido. A Medida Provisória n° 2.1985, de 24/08/2001, instituiu o Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (PERCEE), cujo objetivo era compatibilizar demanda e oferta de energia elétrica, de forma a evitar interrupções do suprimento de energia. A mesma MP criou e instalou também a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), com a finalidade de propor e implementar medidas de natureza emergencial para enfrentamento da crise de energia elétrica. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 845 17 Nesse sentido, foi editada a Medida Provisória n° 14, de 21/12/2001, que criou a RTE, implementada por meio da aplicação de determinados índices percentuais sobre as tarifas de fornecimento de energia elétrica. A RTE alcançou somente as áreas sujeitas ao PERCEE, submeteuse a homologação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e vigorou somente pelo prazo necessário à compensação do montante homologado pela ANEEL para cada empresa distribuidora de energia elétrica. A Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE) é composta das seguintes parcelas: a) Perda de Receita — determinada a partir da comparação da receita de venda de energia elétrica efetivamente verificada no período de racionamento e a receita projetada para o mesmo período, desconsiderando o PERCEE. Esse ativo é amortizado por meio da receita oriunda do acréscimo decorrente do reajuste tarifário extraordinário e deduzido da parcela de Energia Livre repassada as Geradoras e atualizado com base em orientações ANEEL; b) Energia Livre — corresponde à energia produzida e disponibilizada ao mercado consumidor pelos produtores independentes durante o período do racionamento. As concessionárias de distribuição arrecadam os recursos cobrados do consumidor por meio do acréscimo tarifário e os repassam as Geradoras, resultando na constituição de um ativo e de um passivo. Além da RTE, existe a "Parcela A", correspondente à variação dos custos não gerenciáveis dos contratos de concessão ocorrida entre 01/01/2001 e 25/10/2001. Esses valores são atualizados com base na Taxa Selic. A "Parcela A" somente começará a ser amortizada após o encerramento do prazo preestabelecido ou da amortização total dos itens de Perda de Receita e Energia Livre homologados para cada concessionária. A Resolução ANEEL n° 72, de 07/02/2002, estabeleceu os procedimentos para a contabilização dos efeitos decorrentes da MP n° 14/2001, exigindo o reconhecimento contábil, em 31/12/2001, das receitas oriundas da RTE, Energia Livre e "Parcela A", em contrapartida de conta do ativo, gerando um Ativo Regulatório a ser amortizado futuramente, nos períodos em que ocorrerem o efetivo consumo da energia sobre a qual incidiu a sobretarifa. Nesse sentido, o Parecer COSIT n° 26, de setembro de 2006, tratando dos efeitos tributários decorrentes da referida Medida Provisória, concluiu que: "a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1º do art. 42 da Medida Provisória nº 14/2001, deverá compor a apuração das bases de cálculo do imposto sobre a renda, da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo os tributos apurados de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do art. 144 do Código Tributário Nacional." No caso concreto constatase que o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006 foram recompostos, ex vi o Relatório Fiscal de fls. 15 a 20 e demonstrativo de fl. 21, sendo consideradas pela Autuante algumas alterações (adições e exclusões) procedidas em conformidade com a DIPJ/2006 (AC 2005) retificadora, entregue em 21/05/2009, com a DIPJ/2007 (AC 2006), também retificadora, apresentada em 16/12/2008, e com o LALUR. Dentre as alterações citadas registrese aquelas referentes à "Realização do Ativo e do Passivo Regulatório", "Diferenças de PIS e COFINS" e "Gratificações a Fl. 952DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 846 18 Administradores". Essas últimas, relativas a adições efetuadas em 2005 e 2006, nos valores respectivos de R$1.097.282,39 e R$1.236.562,52, embora constantes das DIPJ/2006 e DIPJ/2007 (retificadoras) e reconhecidas como indedutíveis pela própria Recorrente, não foram consideradas no demonstrativo fiscal, fato este que, inclusive, beneficiou a Interessada. Ressaltese ainda que foram desprezadas, por falta de espontaneidade, as alterações contidas em diversas DIPJ retificadoras correspondentes aos mesmos exercícios, visto que estas foram apresentadas depois de iniciado o procedimento de oficio. Igualmente, os LALUR referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006 foram retificados após a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Então, do cotejo entre os montantes do lucro real e da base de cálculo da CSLL recompostos pelo Fisco e aqueles registrados nas DIPJ, foram apuradas diferenças tributáveis nos valores de R$8.014.963,05 e R$16.257.662,94, respectivamente, em 2005 e 2006. Destaquese que para tais períodos (2005 e 2006) não existem débitos de IRPJ e CSLL declarados em DCTF. Desse modo, observase que o procedimento correto seria o lançamento de todo o IRPJ e CSLL apurados pela Fiscalização e não, apenas, das diferenças entre os valores apurados e aqueles constantes das respectivas DIPJ, uma vez que estas têm natureza meramente informativa, não se constituindo em confissão de dívida instrumento hábil e capaz de respaldar a cobrança, normal ou executiva, dos débitos. Portanto, a despeito de que a tributação tenha ocorrido – tal como descrito no item 2 dos Autos de Infração — em função da falta de adição, no cômputo do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos anos de 2005 e 2006, das receitas auferidas em decorrência da aplicação das alíquotas majoradas pela sistemática da RTE, cujo montante contabilizado em 31/12/2001 como um Ativo Regulatório a ser amortizado em exercícios subsequentes, era de R$50.818.125,74, alcançando, com a incorporação da remuneração financeira, o valor total de R$51.414.392,91, corretamente excluído de tributação naquele período, com base no entendimento emanado do Parecer Cosit n° 26, de 26/09/2002, em verdade, os valores efetivamente tributados nesse tópico decorreram também dos demais ajustes procedidos nas bases imponíveis do IRPJ e da.CSLL, sendo, porém, aquele concernente ao reconhecimento fiscal das receitas oriundas da RTE, o mais significativo deles. A Recorrente afirma que não ofereceu à tributação o montante integral das receitas originárias da RTE, como pretende exigir a Fiscalização, porque no total recebido dos consumidores estavam incluídas receitas que seriam repassadas às Geradoras e que, portanto, não lhe pertenciam. A propósito, os valores efetivamente arrecadados dos consumidores nos anos de 2005 e 2006, auferidos com base nos faturamentos decorrentes da RTE (Perda de Receita e Energia Livre), importaram, respectivamente, em R$20.116.439,28 e R$16.257.662,94, e foram contabilizados a débito da conta de receita n° 611.03.3.1.0.1, em contrapartida a conta de ativo representativa do direito da Autuada ao recebimento das receitas oriundas da RTE, no momento de seu efetivo fornecimento e consumo. Esse lançamento teve a finalidade de amortizar o Ativo Regulatório formado no ano de 2001, conforme montantes homologados pela ANEEL. Por outro lado, os valores relativos à chamada Energia Livre, adquirida no mercado livre de energia, integrantes da RTE e também homologados pela ANEEL, correspondem à parcela a ser repassada às empresas geradoras de energia. Tais valores Fl. 953DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 847 19 constituíram, também, em 2001, um Passivo Regulatório a ser realizado quando do efetivo fornecimento da energia faturada com a sobretarifa instituída pelo mecanismo da RTE. Assim, da mesma forma que foi reconhecido, no próprio ano de 2001, por força de legislação especifica, o montante integral das receitas estimadas, provenientes de um consumo futuro de energia elétrica, correspondentes ao Ativo Regulatório, sendo, contudo, excluído, no mesmo período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no valor de R$51.414.392,91, visto que ainda não surgida a obrigação tributária, também os custos representados pelos valores da Energia Livre pertencentes às Geradoras, responsáveis pela formação do Passivo Regulatório, foram integralmente apropriados em 2001, além de adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no valor de R$15.250.538,78, a fim de neutralizar seus efeitos tributários. Destarte, ao reconstituir o lucro real e a base de cálculo da CSLL concernentes ao anocalendário de 2005, para efeito de confrontálos com as mesmas bases tributáveis apuradas na respectiva DIPJ (retificadora apresentada em 21/05/2009), consoante o demonstrativo fiscal de fl. 21, a agente fiscal promoveu a adição do montante de R$20.116.439,28 — a titulo de Realização do Ativo Regulatório —, relativo à aplicação da RTE sobre as receitas oriundas do efetivo consumo de energia faturado no período, sendo que a Recorrente adicionou apenas o valor de R$3.675.769,49 e, posteriormente (após iniciado o procedimento fiscal), retificou seu LALUR, tendo então adicionado o valor total de R$12.211.816,46. Acrescentese que, embora a Recorrente não tenha, na DIPJ retificadora, realizado a exclusão referente à parcela da Energia Livre (pertencente às Geradoras), constante do montante das receitas faturadas em 2005, ainda que o tenha feito no LALUR retificado, a Autuante considerou, na recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a exclusão do valor de R$8.536.046,97, a titulo de Realização do Passivo Regulatório, tendo em vista que se reporta à adição efetuada no ano de 2001. Cabe ressaltar, ainda, que a própria Recorrente admite, na peça impugnatória, que o valor a ser efetivamente "adicionado" às bases imponíveis do IRPJ e da CSLL deveria ser de R$12.683.366,35, considerando como tal a diferença positiva entre os valores da adição e da exclusão que reputa corretos. Comparando essa quantia com o valor apurado pela Fiscalização, de R$11.580.392,31 (R$20.116.439,28 — R$8.536.046,97), apenas no que se refere às baixas no Ativo e no Passivo Regulatório, ou seja, sem computar os demais ajustes efetuados no lucro real e na base de cálculo da CSLL, observase que o montante sugerido pela Recorrente foi até maior do que aquele calculado pelo Fisco. Portanto, quanto ao anocalendário de 2005, não assiste razão à Recorrente quando alega que a tributação efetuada sobre as receitas decorrentes da RTE incidiu, inclusive, sobre a parcela repassada às empresas geradoras de energia elétrica, restando, assim, mantida a tributação do IRPJ e da CSLL sobre a quantia de R$8.014.963,06, tal como exigida no item 2 de cada Auto de Infração. 1.2 Anocalendário de 2006 Quanto à infração relativa ao anocalendário de 2006, ainda com respeito ao item 2 da autuação, a Decisão recorrida tratou de exonerála. Sua apreciação, neste Voto, se dá por ocasião da análise do recurso de ofício ao final. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 848 20 2. Glosa da compensação de prejuízos (anos de 2006 e 2007) e da compensação de bases de cálculo negativas da CSLL (2007), em função da alteração nos saldos acumulados (de prejuízos fiscais e bases negativas) – item 1 dos Autos de Infração. No item 1 do Auto de Infração de IRPJ, glosouse a compensação indevida de prejuízos fiscais, em 2006 e 2007, tendo em vista a alteração do valor do prejuízo compensado em 2005 e 2006, em face da infração apontada no item 2 do Auto, como também a insuficiência de prejuízos fiscais acumulados, em decorrência da sua redução promovida em lançamento anterior, constante do PAF n° 10510.003122/200574, relativo aos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, parcialmente reformado por decisão da Delegacia de Julgamento. Mesma sorte em relação ao item 1 do Auto de Infração da CSLL, em que foi glosada a compensação a maior da base de cálculo negativa da CSLL do ano de 2007. A Recorrente alega que o lançamento em análise dependeria do reconhecimento da definitividade do lançamento anterior (objeto do PAF n° 10510.003122/200574) e que aquele ainda estaria pendente de apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), haja vista ter apresentado recurso contra a decisão da DRJ/Salvador. Impende aduzir, quanto a esse ponto, que o recurso apresentado pela Interessada contra a decisão de primeira instância proferida nos autos do PAF n° 10510.003122/200574, com cópia às fls. 524 a 547, teve o condão de, tãosomente, suspender a exigibilidade do correspondente crédito tributário, na forma preconizada no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). No entanto, ao contrário da alegação da Recorrente, nada obstava o Fisco de proceder — como procedeu — a novos lançamentos de ofício correspondentes aos mesmos tributos e, no caso, relativos a matérias diversas e a outros períodosbase, ainda que o julgamento do aludido recurso possa vir a influenciar no quantum apurado nos presentes lançamentos. A Requerente argumenta também sobre a impossibilidade da exigência de juros moratórios e de multa, sugerindo uma "hipotética situação", segundo a qual "se entendesse o referido lançamento anterior como definitivo", caso em que o presente lançamento teria sido levado a efeito apenas para prevenir a decadência, embora frise que a exigibilidade daquele lançamento esteja inequivocamente suspensa. Prossegue, dizendo que não se pode, quanto ao crédito tributário ora cobrado, interpretar que a Recorrente encontrase em mora, pelo simples fato de que tal crédito sequer existe. Aduz, citando o § 2° do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, que não cabe a imposição de multa moratória nos casos em que o tributo se encontra com sua exigibilidade suspensa, quanto mais na situação dos presentes autos, em que não há obrigação consolidada, mas puramente pretendida pela Fiscalização. Observase que a Recorrente confunde alguns conceitos fundamentais. Procura caracterizar, erroneamente, os lançamentos sob análise como meros reflexos daqueles inseridos no PAF de n° 10510.003122/200574 e cita legislação a qual os fatos presentes não se subsumem. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 849 21 Evidentemente, quando a Contribuinte interpôs, junto a este CARF, recurso voluntário contra o acórdão n° 1511.927, emitido pela DRJ/Salvador, aqueles lançamentos anteriores estão com sua exigibilidade suspensa, e assim deverão permanecer até o momento em que se tornar definitiva a decisão na esfera administrativa. Nesse sentido, é inteiramente despropositado o entendimento de que os juros e a multa não podem ser aplicados, uma vez que os créditos tributários decorrentes dos atuais lançamentos inexistem. Eles não só existem como tiveram sua exigibilidade igualmente suspensa, em virtude, no caso, do recurso ora em análise. Identificada a existência de tributo devido, é inquestionável a obrigatoriedade da exigência dos juros moratórios correspondentes, calculados em conformidade com o artigo 6°, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Com relação à multa, que entende de mora, descabe aqui qualquer comentário a respeito, tendo em vista que não houve, no presente caso, cominação de multa dessa espécie. A penalidade aplicada foi aquela decorrente de lançamento de ofício, no percentual de 75%, tal como prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a nova redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, não havendo qualquer reparo a ser feito quanto à sua cominação. E nem seria o caso, também, de se cogitar a hipótese de que os lançamentos tivessem sido realizados, unicamente, como prevenção ao instituto da decadência, como sugeriu a Recorrente, ao destacar o artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2°A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como se depreende da leitura do dispositivo legal acima transcrito, não cabe o lançamento da multa de oficio, na constituição do crédito tributário, para fins de prevenir a decadência, quando a exigibilidade do tributo estiver suspensa por força dos incisos IV e V do artigo 151 da Lei n° 5.172 (CTN). A propósito, o artigo 151 do CTN reza: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 850 22 V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. No presente litígio, a suspensão da exigibilidade dos tributos envolvidos se deu na forma determinada no inciso III do artigo 151 do CTN — reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo —, e não com base nos incisos IV ou V — que tratam da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada —, como previsto no artigo 63, caput, da Lei n° 9.430, de 1996, não aplicável, portanto, ao caso ora apreciado. Já em relação ao § 2° do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, bastante destacado pela Recorrente, ele trata, tãosomente, da interrupção da incidência da multa de mora, com a concessão de medida liminar em ação judicial, não guardando relação alguma com a situação presente. Por fim, a Requerente solicita, caso seus pedidos anteriores não tenham sido atendidos, a convolação da multa de oficio em multa de mora. Tal solicitação, obviamente, não pode ser atendida, por absoluta falta de previsão legal. Cabe registrar que o citado PAF n° 10510.003122/200574 trata de lançamentos de oficio (IRPJ e CSLL) referentes aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, decorrentes da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis. A despeito de a decisão em primeira instância, proferida pela DRJ/Salvador (doc. de fls. 226 a 260), ter reduzido a mencionada glosa, quanto aos períodos de 2000, 2001 e 2002 (a glosa de 2003 foi integralmente mantida), os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados a serem compensados em exercícios subseqüentes restaram bem diminuídos em relação aos saldos originais apurados e controlados pela Contribuinte, como se pode observar no demonstrativo a seguir, que inclui também os saldos que remanesceram após o ano de 2004, no qual não houve qualquer lançamento de oficio. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 851 23 Vale acrescentar que a divergência entre o montante do saldo de prejuízos fiscais remanescentes do anocalendário 2004, a compensar nos exercícios subseqüentes, constante no demonstrativo anterior, no valor de R$15.322.936,38, e o registrado no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), da RFB (R$15.344.449,47), é proveniente do fato de que na DIPJ/2005, ano calendário de 2004, a Contribuinte, equivocadamente, somou, ao saldo de prejuízos operacionais acumulados, trazido de períodos anteriores (R$23.029.638,17), o valor do saldo de prejuízos nãooperacionais (R$21.513,10), apurado no anocalendário de 2002, vindo a compensar a parcela de R$7.706.701,80 com o lucro real apurado no período (R$25.689.005,98), uma vez que os prejuízos nãooperacionais somente poderiam ser compensados com lucros de igual natureza. Em conseqüência dos fatos narrados acima, e considerando ainda as alterações procedidas nas compensações efetuadas em 2005 e 2006, oriundas do item 2 (já apreciado) dos Auto de Infração em análise, constatouse e glosouse a compensação a maior de prejuízos fiscais, em 2006 e 2007, nos valores de R$10.918.265,26 e R$32.410.086,27, respectivamente, e de bases negativas de CSLL, em 2007, no valor de R$27.283.503,09, consoante os demonstrativos abaixo. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 852 24 Importa destacar, ainda, que os valores tidos como "originais", registrados no sistema SAPLI da RFB, relativos ao controle da compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL referentes aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, posteriormente retificados, tanto pela Fiscalização, por ocasião dos lançamentos de oficio, como pela DRJ, em função das alterações decorrentes do acórdão recorrido, estavam incorretos, visto que haviam sido indevidamente atualizados com base nos dados oriundos das várias DIPJ retificadoras apresentadas pela Contribuinte, depois de iniciado o procedimento Fl. 959DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 853 25 fiscal. Tais declarações, embora recepcionadas, não surtiram efeitos práticos, por força de expressa vedação contida na legislação de regência. Assim sendo, convém repisar, foram acatadas as seguintes DIPJ: a de n° 1447511, apresentada em 21/05/2009 (primeira declaração retificadora relativa ao ano calendário de 2005); a de nº 1525042, apresentada em 16/12/2008 (também a primeira retificadora relativa ao anocalendário de 2006); e a de n° 16.27512 (declaração original relativa ao anocalendário de 2007), apresentada em 30/06/2008 (todas as demais retificadoras foram entregues a destempo). Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Do recurso de ofício Quanto à matéria objeto de recurso de ofício, peço vênia para adotar os correspondentes fundamentos da decisão recorrida, haja vista têlos em conta como adequados para a apreciação da matéria. Seguese a transcrição da aludida análise. ... Já em relação ao anocalendário de 2006, a Autuante efetuou a adição do valor de R$16.257.662,94, a titulo de Realização do Ativo Regulatório, não fazendo, porém, qualquer exclusão a titulo de Realização do Passivo Regulatório. Por sua vez, a Recorrente não realizou, nem no LALUR (no original ou no retificado) e nem na respectiva DIPJ (retificadora apresentada em 16/12/2008), qualquer adição ou exclusão correspondente a baixas efetuadas no Ativo e no Passivo Regulatório. Entretanto, ao promover, acertadamente, no períodobase de 2006, a adição do montante faturado com a utilização da sobretarifa, equivalente à Realização do Ativo Regulatório, uma vez que relacionada à exclusão realizada em 2001, a agente fiscal deveria, da mesma forma, ter procedido à exclusão da parcela relativa à Energia Livre, já que, em 2001, foi feita a adição do valor total homologado dessa Energia Livre, que gerou o Passivo Regulatório, cuja realização seria também cabível em 2006. Logo, nesse caso, tal como argumentou a Impugnante, a tributação incidiu sobre a parcela que, embora tenha circulado por conta de resultado da Autuada, foi repassada às Geradoras. Portanto, há que se acatar o pedido da Impugnante, no sentido de que os efeitos fiscais decorrentes da aplicação da RTE, no IRPJ e na CSLL relativos ano calendário de 2006, restrinjamse à tributação da parcela de R$9.787.700,06 (diferença entre a adição e a exclusão), ao invés do valor de R$16.257.662,94, na forma exigida nos Autos de Infração, correspondente, tãosomente, à adição efetuada. Assim, Voto por negar provimento ao recurso de ofício apresentado. CONCLUSÃO Por todo o exposto, Voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Por oportuno, impende destacar que a Recorrente declara que parte do crédito tributário constituído, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, foi recolhida por meio do Fl. 960DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.001892/201040 Acórdão n.º 1402001.198 S1C4T2 Fl. 854 26 parcelamento especial (REFIS IV), instituído pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, conforme docs. 08 e 09 (fls. 569 a 577). Assim, antes da cobrança do crédito tributário mantido no presente julgamento, há, primeiramente, que se confirmar a existência do parcelamento com os débitos aqui analisados, cujos valores, se confirmados, devem ser deduzidos daqueles correspondentes ao somatório dos montantes exigidos no presente lançamento com os apurados nas respectivas DIPJ retificadoras aceitas (de n° 14.47511, para 2005, e n° 15250, para 2006), observandose, ainda, que se restar configurado que parcela do crédito exigido nos atuais lançamentos fora incluída no referido parcelamento, tal inclusão deve incorporar também a respectiva multa de oficio, posto que realizada posteriormente ao início do procedimento fiscal. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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