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Numero do processo: 13708.001427/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC vigente à época.
Numero da decisão: 2402-006.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário; por unanimidade de votos, em conhecer de ofício da inconstitucionalidade da tributação dos rendimentos de forma acumulada; e, pelo voto de qualidade, em determinar o recálculo do imposto de conformidade com as tabelas vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC vigente à época.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente MARIA DA CONCEICAO LAS NIEVES PORTO SEPULVEDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC vigente à época. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 14 27 /2 00 5- 22 Fl. 191DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário; por unanimidade de votos, em conhecer de ofício da inconstitucionalidade da tributação dos rendimentos de forma acumulada; e, pelo voto de qualidade, em determinar o recálculo do imposto de conformidade com as tabelas vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anocalendário 2000, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, decorrentes de salários e indenização trabalhista, nos valores de R$ 51.853,45 e R$ 78.796,49, respectivamente. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, na qual basicamente alegou o seguinte: (a) a CEF teria se equivocado ao declarar os valores; (b) conforme se observa nos contracheques e no alvará judicial, assim como na declaração retificadora, os rendimentos seriam, respectivamente, de R$ 54.942,60 e R$ 20.023,96; (c) pede para que seja aceita a inclusa declaração retificadora. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13708.001427/200522 Acórdão n.º 2402006.451 S2C4T2 Fl. 3 3 Deve ser mantido o lançamento que se baseou em informações contidas na própria ação trabalhista do contribuinte. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Após a ciência do auto de infração o contribuinte não pode retificar a declaração de ajuste anual com o objetivo de incluir valores de rendimentos omitidos e nem tampouco novos valores de dedução, em respeito ao que dispõe o art. 832, do RIR/99 e nos termos do art. 145, do CTN. A contribuinte foi intimada da decisão em 24/05/2011 (fl. 90) e interpôs recurso voluntário em 20/06/2011 (fl. 95), no qual pediu a restituição do valor de R$ 5.055,59. A contribuinte fundamentou seu pedido na decisão proferida na ação judicial na qual se determinou a expedição do alvará. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que foi interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser conhecido. É nítida a alteração do pedido recursal, quando comparado com o pedido da impugnação. Em sede de defesa administrativa, a contribuinte pediu para que fosse aceita a declaração retificadora de fls. 60/64, na qual se apurou um imposto a restituir no valor de R$ 1.401,82. Já em sede de recurso, a contribuinte pede a restituição do valor total de R$ R$ 5.055,59, conforme cálculos acostados na própria peça recursal. A contribuinte ainda se arvora em decisão judicial e em teses não mencionadas em sua defesa administrativa. Entre as novas teses, destacase a afirmação de que os juros moratórios não seriam tributáveis, bem como aquela descrita logo abaixo: · Em sua impugnação, a contribuinte afirmara que os valores decorrentes de salários recebidos da CEF seria de R$ 54.942,60, uma vez que ela se arvorara na declaração retificadora de fls. 60/64, na qual fora declarado o citado montante; Fl. 193DF CARF MF 4 · Já no recurso, a contribuinte assevera que tais valores seriam de R$ 36.215,24, montante este muito inferior àquele solicitado na defesa. É evidente, pois, a existência de inovações recursais, as quais não são passíveis de conhecimento pelo CARF. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Analisandose o acórdão recorrido, verificase que a Delegacia de Julgamento centrou sua análise nas teses de defesa, as quais eram basicamente atinentes aos erros de cálculo alegadamente cometidos pela autoridade autuante, conforme declaração retificadora apresentada após o lançamento. Cabe acrescentar, nesse contexto, que o recurso voluntário interposto, em verdade, sequer ataca a decisão recorrida, tampouco contém, no seu bojo, um pedido efetivo de nova decisão. Há, sim, um descompasso entre a decisão recorrida e o recurso, não guardando este qualquer relação de dialeticidade com aquela. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13708.001427/200522 Acórdão n.º 2402006.451 S2C4T2 Fl. 4 5 Nessa toada, vale transcrever o seguinte entendimento do STJ: Da mesma forma que se faz necessária a impugnação específica na contestação, deve o apelante impugnar ponto por ponto da sentença, sob pena de não se transferir ao juízo “ad quem” o conhecimento da matéria em discussão (“tantum devolutum quantum appellatum”) (STJ4ª Turma, REsp nº 50.036PE, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, julgado em 8/5/96) 2 Da omissão de rendimentos recebidos de forma acumulada Uma das acusações formuladas em face da contribuinte é a de que ela teria omitido rendimentos decorrentes de ação trabalhista. Tais rendimentos foram pagos acumuladamente e tributados dessa mesma forma, o que levou este Conselho a editar a Resolução de fls. 114/118, com o seguinte conteúdo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Essa Resolução decorreu do voto do Relator, segundo o qual: Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: [...] Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Pois bem. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos Fl. 195DF CARF MF 6 recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacouse) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista. Os valores a ela atinentes foram pagos de forma acumulada. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13708.001427/200522 Acórdão n.º 2402006.451 S2C4T2 Fl. 5 7 Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pelo recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 197DF CARF MF 8 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. Noutro giro verbal, o imposto deveria ter sido apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13708.001427/200522 Acórdão n.º 2402006.451 S2C4T2 Fl. 6 9 No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (a) NÃO CONHECER do recurso voluntário; (b) CONHECER de ofício da inconstitucionalidade da tributação dos rendimentos de forma acumulada, para cancelar o lançamento no ponto atinente à omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 78.796,49. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Fl. 199DF CARF MF 10 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. A divergência quanto ao julgado, naquilo que foi submetido ao colegiado, reside na possibilidade, ou não, em se efetuar o recálculo do valor lançado em função do julgamento efetuado pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11.12.2014, quando teve sua repercussão geral previamente reconhecida. Em outras palavras: se em função do julgado, cancelase a exigência ou a recalcula, ajustandoa ao decidido. Em que pese os sempre muito bem consistentes e fundamentados votos do Relator, peçolhe venia para, neste caso, dele discordar. A matéria não é nova neste CARF, já tendo sua CSRF se pronunciado em inúmeros casos, tais como nos acórdãos 9202006.842 e 9202006.000. Meu entendimento, alinhandome ao então posicionamento daquela câmara alta e no sentido da possibilidade do recálculo. Para tanto, trago à colação o voto proferido pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, nos autos do julgamento do acórdão 9202006.000, de 27.09.2017, que passo a adotar como minhas razões de decidir: "Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a 'incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)', afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13708.001427/200522 Acórdão n.º 2402006.451 S2C4T2 Fl. 7 11 utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 20, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas 'em dia' e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência." Fl. 201DF CARF MF 12 No caso dos autos, o lançamento, relativo ao exercício 2001, foi aperfeiçoado em 01.08.2005, data anterior aos julgamentos proferidos pelo STJ (REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC) e pelo STF (RE 614.406, com trânsito em julgado em 09.12.2014). Forte nos fundamentos acima, acompanho o relator quanto a não conhecer do recurso voluntário e, de ofício, conhecer da inconstitucionalidade da tributação dos rendimentos de forma acumulada, determinando, outrossim, o recálculo do imposto de conformidade com as tabelas vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.953113/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO.
O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Dá direito a crédito na operação de açúcar e álcool a aquisição dos seguintes bens e serviços: produtos químicos diversos; produtos químicos para análise (reagentes e corantes); produtos químicos para tratamento de água, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, e reagentes utilizados em tratamento de água; análises laboratoriais e limpeza O mesmo vale para os custos com aquisição de maquinários e depreciação de bens relacionados às atividades aqui descritas.
NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS.
No regime da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito à apuração e ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com aquisição de energia elétrica.
NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool.
SERVIÇO COLETA DE LIXO E RESÍDUOS. TRANSPORTE DO BAGAÇO DE CANA.
O transporte de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita, havendo firme jurisprudência do CARF no sentido de garantir o creditamento sobre as despesas com remoção de resíduos. O transporte da torta e do bagaço (sub produtos) também se mostram essenciais. Isto porque a "torta" é utilizada como fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes, conforme atesta o Laudo Técnico.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
DESPESAS PORTUÁRIAS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA.
Os gastos logísticos na aquisição de insumos geram direito ao crédito, como componentes do custo de aquisição. Tendo em vista o Resp 1.221.170/PR, os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluem-se no contexto da produção os dispêndios logísticos na movimentação interna ou entre estabelecimento da mesma empresa. Os gastos logísticos na operação de venda também geram o direito de crédito, conforme inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes:
I -Por unanimidade de votos:
a) reverter as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas, ressaltando que deve limitar-se ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (na concessão do crédito, deve-se observar o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004);
b) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral (adquiridos com suspensão), decorrentes da aquisição de cana-de-açúcar (para produção do açúcar e álcool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão);
c) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 voto reproduzido no voto condutor do acórdão);
d) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão;
e) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão;
f) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado "Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Não obstante a glosa como insumo, deve ser concedido ao Recorrente o direito ao crédito correspondente à depreciação dos bens que deveriam ser ativados;
g) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão;
II -Por voto de qualidade:
a) reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso;
b) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso;
c) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso;
d) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO inseticidas e formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso;
e) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso;
f) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e,
III - Por maioria de votos, reverter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação armazenagem, embarque, despesas de movimentação de produtos acabados dentro do parque industrial e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias disposto no item 12.6 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator) que, no ponto, negava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Linek Vidigal, OAB/SP nº 227866.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I -Por unanimidade de votos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas, ressaltando que deve limitar-se ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (na concessão do crédito, deve-se observar o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004); b) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral (adquiridos com suspensão), decorrentes da aquisição de cana-de-açúcar (para produção do açúcar e álcool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão); c) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 voto reproduzido no voto condutor do acórdão); d) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; e) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; f) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado "Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Não obstante a glosa como insumo, deve ser concedido ao Recorrente o direito ao crédito correspondente à depreciação dos bens que deveriam ser ativados; g) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; II -Por voto de qualidade: a) reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; b) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; c) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; d) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO inseticidas e formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; f) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e, III - Por maioria de votos, reverter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação armazenagem, embarque, despesas de movimentação de produtos acabados dentro do parque industrial e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias disposto no item 12.6 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator) que, no ponto, negava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Linek Vidigal, OAB/SP nº 227866. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RESSARCIMENTO. Recorrente RAIZEN ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 31 13 /2 01 3- 28 Fl. 654DF CARF MF 2 Dá direito a crédito na operação de açúcar e álcool a aquisição dos seguintes bens e serviços: produtos químicos diversos; produtos químicos para análise (reagentes e corantes); produtos químicos para tratamento de água, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, e reagentes utilizados em tratamento de água; análises laboratoriais e limpeza O mesmo vale para os custos com aquisição de maquinários e depreciação de bens relacionados às atividades aqui descritas. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS. No regime da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito à apuração e ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com aquisição de energia elétrica. NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool. SERVIÇO COLETA DE LIXO E RESÍDUOS. TRANSPORTE DO BAGAÇO DE CANA. O transporte de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita, havendo firme jurisprudência do CARF no sentido de garantir o creditamento sobre as despesas com remoção de resíduos. O transporte da torta e do bagaço (sub produtos) também se mostram essenciais. Isto porque a "torta" é utilizada como fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes, conforme atesta o Laudo Técnico. NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. DESPESAS PORTUÁRIAS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os gastos logísticos na aquisição de insumos geram direito ao crédito, como componentes do custo de aquisição. Tendo em vista o Resp 1.221.170/PR, os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluemse no contexto da produção os dispêndios logísticos na movimentação interna ou entre estabelecimento da mesma empresa. Os gastos logísticos na operação de venda também geram o direito de crédito, conforme inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 655 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas, ressaltando que deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (na concessão do crédito, devese observar o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004); b) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral (adquiridos com suspensão), decorrentes da aquisição de canadeaçúcar (para produção do açúcar e álcool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão); c) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 voto reproduzido no voto condutor do acórdão); d) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; e) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; f) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado "Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Não obstante a glosa como insumo, deve ser concedido ao Recorrente o direito ao crédito correspondente à depreciação dos bens que deveriam ser ativados; g) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; II Por voto de qualidade: a) reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1 do voto Fl. 656DF CARF MF 4 reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; b) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; c) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; d) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO inseticidas e formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; f) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e, III Por maioria de votos, reverter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação armazenagem, embarque, despesas de movimentação de produtos acabados dentro do parque industrial e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias disposto no item 12.6 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator) que, no ponto, negava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Linek Vidigal, OAB/SP nº 227866. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 656 5 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 2º trimestre de 2011. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasepexportação relativa ao segundo trimestre de 2011, no importe de R$ 3.949.914,28, ao qual a contribuinte vinculou declarações de compensação. No pedido, formalizado por meio apurado créditos sobre aquisições vinculadas à exportação nos importes de R$ 210.179,93 no mês de abril, R$ 1.360.775,96 no mês de maio e R$ 2.378.958,39 no mês de junho de 2011. Analisada a pretensão, a autoridade administrativa emitiu o Despacho Decisório nº de Rastreamento 107854810 (fl. 401), no qual reconheceu parcialmente o direito creditório e, em decorrência, houve compensação homologada parcialmente, compensações não homologadas e não restou valor a ser restituído/ressarcido, conforme abaixo: (...) Os fundamentos do não reconhecimento do direito creditório estão expostos no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 180/212. O AuditorFiscal inicia referido termo com um breve relato da ação fiscal, no qual: a) relaciona os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais –DACON que se encontravam ativos por ocasião da ação fiscal; b) informa que a contribuinte transmitiu pedidos de ressarcimento e declarações de compensação com base em créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, vinculados à receita de exportação, relativos ao 2º, ao 3º e ao 4º trimestres de 2011, e os relaciona; Fl. 658DF CARF MF 6 c) informa sobre a evolução societária da pessoa jurídica fiscalizada, no tocante a incorporações e alterações de razão social, e apresenta uma relação de seus estabelecimentos; d) informa sobre as intimações à fiscalizada, bem como sobre as respostas desta às intimações; e) informa que os registros contábeis e as notas fiscais emitidas pela fiscalizada encontramse no Sistema Público de Escrituração Digital –SPED e relaciona os arquivos Sped utilizados na fiscalização; f) relaciona os arquivos magnéticos entregues pela empresa contendo as memórias de cálculo mensais e explicita os conteúdos das planilhas que compõem tais arquivos. A seguir, descreve as formas adotadas pela contribuinte para apurar os valores das contribuições devidas de PIS/Pasep e Cofins, relativamente a cada um dos itens que compõem sua receita, e esclarece que os valores assim apurados encontramse informados em DACON. Ao final deste tópico, declara que na ação fiscal foram considerados como valores das contribuições devidas de PIS e Cofins os valores apurados pela contribuinte e informados nos DACON: Assim, após feitas as verificações, foram consideradas como contribuições devidas de PIS e Cofins as apuradas pela empresa e informadas nos DACON mensais. Passa então a analisar os créditos apurados pela contribuinte. A este respeito, observa inicialmente, em tópico intitulado “Rateio dos Créditos”, que a contribuinte informou nas fichas 1 dos Dacon que o método de determinação dos créditos vinculados à receita auferida no mercado interno e à exportação é feita com base na proporção da receita bruta auferida nestes mercados, e registra que a fiscalização adotou os mesmos percentuais utilizados pela empresa. Conclui, sintetizando: O método de rateio proporcional foi adotado para definir os créditos vinculados às receitas no mercado externo, passíveis de ressarcimento ou compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e os créditos vinculados às receitas no mercado interno, permitidos apenas para dedução do PIS e da Cofins a recolher no próprio mês. Os percentuais de rateio entre mercado interno e externo utilizado pela fiscalização foram os mesmos apurados pela empresa. (destacamos) Ainda neste tópico, destaca que a contribuinte apura o percentual de rateio para os créditos vinculados às receitas não tributadas no mercado interno incluindo no item venda não tributada a revenda de óleo diesel e gasolina os quais, por serem produtos de incidência monofásica, não geram créditos para o revendedor, ainda que o mesmo esteja no regime não cumulativo (artigos 3º, I, “a” das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Por esta razão a receita com a venda de óleo diesel e gasolina foi excluída para fins de apuração do percentual para rateio entre créditos Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 657 7 vinculadas às receitas tributadas no mercado interno e às não tributadas. Dessa forma, os percentuais apurados pela fiscalização ficaram menores que os utilizados pela empresa. Ao final deste tópico, observou: Apesar dos créditos vinculados aos custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência serem passíveis de ressarcimento, a empresa não os incluiu nos pedidos de ressarcimento. A seguir, em tópico intitulado “Dados analíticos para apuração da base de cálculo dos créditos”, relaciona os arquivos magnéticos utilizados pela empresa para apuração das bases de cálculo dos créditos e descreve, de forma sucinta, os conteúdos das planilhas que compõem tais arquivos, nos seguintes termos: 2. Dados analíticos para apuração da base de cálculo dos créditos Os dados analíticos utilizados pela empresa para apuração das bases de créditos estão informados nos arquivos magnéticos Apuração Créditos Pis Cofins_012011, Apuração Créditos PisCofins_022011, Apuração Créditos Pis Cofins_032011, Apuração Créditos PisCofins_042011, Apuração Créditos Pis Cofins_052011, Apuração Créditos Pis Cofins_062011, Apuração Créditos Pis Cofins_072011, Apuração Créditos PisCofins_082011, Apuração Créditos Pis Cofins_092011, Apuração Créditos PisCofins_102011, Apuração Créditos Pis Cofins_112011 e Apuração Créditos PisCofins_122011. Os itens utilizados como base de crédito estão de forma analítica nas planilhas desses arquivos: Devoluções, Cana, Revenda de Óleo Diesel, Agrícola, Arrendamento Agrícola, Depreciação, Depreciação até 300911, Depreciação após 300911_MP 540, Notas Fiscais, Notas Fiscais ME e Notas Fiscais Revenda e sintetizados nas planilhas Resumo. Os totais das planilhas mensais "Cana" foram utilizados com a base de cálculo dos créditos presumidos. Aplicado os percentuais apurados no Livro de Produção Diária para o açúcar já que o tem direito ao crédito presumido apenas a parcela de aquisição de cana de açúcar utilizada na produção do açúcar. É um crédito que pode ser utilizado apenas para desconto das contribuições devidas no mês. "Devoluções" e "Notas Fiscais Revenda" são base de cálculo dos créditos vinculados à receita tributada no mercado interno, sendo em reais para o açúcar e em volume para o álcool. "Notas Fiscais ME" são base de cálculo mensais para os créditos vinculados à receita de exportação. "Agrícola", "Arrendamento Agrícola", "Depreciação", "Revenda de Óleo Diesel" e "Notas Fiscais" são base de créditos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno e externo e foram Fl. 660DF CARF MF 8 rateadas de acordo com os percentuais obtidos nas relações entre receitas de exportações/receitas não cumulativas e receitas no mercado interno/receitas não cumulativas. Ainda neste tópico, informa sobre o rateio dos créditos bem como sobre a utilização dos mesmos, e acrescenta que na ação fiscal foi mantida a forma de utilização dos créditos adotada pela empresa: Houve, também, o rateio para os créditos vinculados à receita obtida no mercado interno em vinculados à receita tributada e não tributada, em razão da comercialização de produtos isentos, alíquota zero e suspensos. Foram apurados créditos vinculados à receita tributada no mercado interno, à receita não tributada no mercado interno e presumido que foram utilizados para dedução das contribuições apuradas nos respectivos meses, e os créditos vinculados à receita de exportação utilizados em pedidos de ressarcimentos, compensados com tributos administrados pela Receita Federal. A fiscalização manteve a mesma forma de utilização dos créditos feita pela empresa. Nos "Anexo I Apurações" constam os dados mensais contidos nas planilhas “Resumo” e as apurações feitas pela fiscalização. (destacamos) Na sequência, em tópico denominado “Base de cálculo dos créditos”, no item “3.1 – Bens e serviços utilizados como insumo” o AuditorFiscal apresenta a legislação que disciplina a matéria, discorre brevemente sobre insumos e prossegue registrando que: a) Em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção. Depreendese, portanto, que as despesas incorridas no processo produtivo da canade açúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, não atendem ao critério para caracterização como insumos. b) A aquisição dos produtos agropecuários que geram o direito de créditos presumidos, por ser efetuada de pessoa física ou com suspensão, não gera direito ao desconto de créditos calculados na forma do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, conforme disposto no inciso II do § 2º deste artigo. A cana de açúcar (NCM 12129300) tem a incidência suspensa no caso de venda para produção do açúcar, nos termos do inciso III do artigo 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, e para a produção do álcool, a suspensão esta prevista no artigo 11 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Assim, a aquisição da cana Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 658 9 de açúcar não gera os créditos previstos nos incisos II dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Prossegue: 3.2 Energia elétrica, aluguéis, arrendamento mercantil e devoluções Os incisos IV, V, VIII e IX do artigo 3º da Lei 10.637/2002 preveem, respectivamente, os créditos com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e as contraprestações do arrendamento mercantil, devoluções e energia elétrica. (omissis) 3.3 Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda Essas despesas estão previstas no inciso IX do artigo 3o da Lei 10.833/03 e no seu artigo 15, inciso II. “IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor” Destacase que o direito ao credito previsto neste tópico está ligado, necessariamente, a uma operação de venda. Dessa forma, gastos com frete para simples transferência de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica, ou mesmo, durante o processo de produção, não geram créditos. (destacamos) 3.4 Bens do ativo imobilizado As Leis 10.637/2002 e 10.833/03 preveem: (...) A base de cálculo para esses créditos é o valor dos encargos de depreciação e amortização, pois são bens incorporados ao ativo imobilizado. Dessa forma, com exceção das edificações e benfeitorias, todas as demais hipóteses que permitem a apuração dos créditos em relação aos bens do ativo imobilizado estão restritas aos adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, utilização na produção de bens destinados à venda ou utilização na prestação de serviços. Consequentemente, os bens utilizados na área administrativa, por exemplo, não permitem a apuração de créditos. A apuração de créditos com base nos encargos mensais de depreciação aplicase a todos os bens que geram créditos e a apuração com base no valor de aquisição ou fabricação, conhecido por "depreciação acelerada incentivada", é especifica a determinados bens. A partir de 01/10/2011, em razão da edição da Medida Provisória n° 540, o aproveitamento dos créditos calculados com base na depreciação de máquinas e equipamentos novos destinados à produção dos bens, adquiridos no mercado interno ou importados, ficou mais célere. A partir de julho/2012, o Fl. 662DF CARF MF 10 desconto dos créditos pode ser efetuado de forma imediata. Entre agosto/2011 e junho 2012 ficou estabelecido um regime de transição em que os prazos de aproveitamento dos créditos decrescem de onze meses, em agosto de 2011, até o desconto imediato no próprio mês, que valerá a partir de julho de 2012. Para os bens adquiridos a partir de maio de 2008 e antes de 03 de agosto de 2011, o prazo continua como anteriormente, em 12 meses. 4 Créditos presumidos atividade agroindustrial A Lei 10.925/2004, dispôs sobre os benefícios aplicáveis à comercialização de produtos agropecuários: (...) Dessa forma a empresa pode deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor da cana de açúcar adquirida de pessoas físicas ou recebida de cooperados pessoas físicas, além daquela adquirida com suspensão de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária. No caso, a mercadoria destinada à alimentação humana é o açúcar (NCM 17011100 e 17019900), dando o direito a apurar créditos presumidos sobre a aquisição da cana de açúcar para produção do açúcar. A utilização da cana está identificada no Livro de Produção Diária (LPD), utilizado para cálculo do crédito presumido. Os créditos presumidos só podem ser utilizados para dedução das contribuições devidas no mês, não sendo permitido o ressarcimento. Dessa forma, eles não foram inclusos no rateio entre mercado interno tributável e não tributável, diferentemente do realizado pela empresa, que incluiu nesse rateio o crédito presumido. Com base nos fundamentos até então expostos, o Auditor Fiscal passa a detalhar as glosas efetuadas nos créditos apurados pela empresa. Neste sentido observa que, da análise dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa, verificase que muitos dos itens constantes nas planilhas não estão de acordo com as permissões legais para apropriação de créditos de PIS e Cofins. Após essa análise a fiscalização elaborou anexos com os itens que foram objeto de glosas, indicando seus motivos, que estão assim informados no Termo de Verificação Fiscal: 1) Agrícola – Contém despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transporte da cana de açúcar e serviços gerais na lavoura. Não foram aceitas como base de créditos por estarem todas vinculadas aos centros de custos agrícolas identificados como: Administração, Alojamento Agrícola, Carregamento/Reboque Cana, Colhedeiras de Cana, Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 659 11 Colheita de Cana, Corte Mecanizado, Departamento Fornecedor Cana, Desenvolvimento Agronômico, Estaleiro, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina Mecânica, Plantio, Portos, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Habitação, Serviços Recreativos, Topografia, Tr Administrada Mecânico, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Agrícola, Transporte Cana, Transporte Fornecedor de Cana, Transporte Manual Cana, Transporte Mecânico da Cana, Transporte Terceirizado da Cana, Trato da Cana, Trato da Planta, Trato da Soca e Vinhaça. 2) Arrendamento Agrícola – Contém despesas efetuadas com serviços de arrendamento agrícola vinculados ao centro de custo cana de açúcar produção própria, entrada de notas fiscais de prestação de serviços, portanto, despesas com a cultura da cana de açúcar, não sendo permitido o crédito em razão de não se tratar de insumos de produção. Os documentos contábeis estão lançados na conta “Despesas Operacionais Aluguéis e Arrendamentos Arrendamento Agrícola”. Tratamse de pagamentos baseados em contratos intitulados “Instrumento Particular de Contrato de Parceria Agrícola”, “Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento” ou “Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Cana de Açúcar”. Os contratos de parceria agrícola prevêem a partilha de frutos, geralmente, na proporção de 10% para a parceira proprietária e 90% para a parceira agricultora (Cosan). Contudo, não se trata de contratos de arrendamento mercantil, pois a Cosan S/A Açúcar e Álcool não é uma instituição de operação de créditos (regulada pelo Banco Central). Além disso, o arrendamento de terras não pode ser enquadrado como aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, previsto nos incisos IV dos artigos 3o das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, entendendose prédio como uma edificação e não áreas de terras para cultivo agrícola, ou seja, não se pode ampliar os direitos aos créditos através de uma interpretação ampla de uma palavra contida na lei. 3) Cana – Tratase de notas fiscais de entrada de cana de açúcar adquirida de pessoas físicas e pessoas jurídicas. É permitida a dedução de crédito presumido da contribuição devida de PIS e Cofins sobre as aquisições de cana de açúcar utilizada na produção do açúcar (produtos destinados à alimentação humana), calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperados pessoas físicas, além Fl. 664DF CARF MF 12 daqueles adquiridos com suspensão de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária. Não foram aceitas aquisições de cana feitas de pessoas jurídicas com atividade de transporte rodoviário de cargas, incorporação imobiliária, aluguel de imóvel próprio, corretagem no aluguel de imóveis, comércio varejista de produtos alimentícios, compra e venda de imóvel próprio e incorporação de empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, holding de instituições não financeiras, bem como administração pública, por não se tratar de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária. Também foram glosadas as aquisições de cana de açúcar em janeiro e março 2011, período em que não há produção nas usinas (entressafra), conforme escrituração no Livro de Produção Diária. 4) Revenda de Óleo Diesel Composta por notas fiscais de venda de óleo diesel, que são descontadas dos créditos nas aquisições de óleo diesel, devido à impossibilidade da identificação no momento da aquisição do óleo. A empresa adquire óleo diesel de acordo com as notas fiscais de entrada constantes na planilha “Notas Fiscais”, e revende parte desse combustível, emitindo notas fiscais de saída com CFOP 5656 ou 6656 (venda de combustível ou lubrificante, adquiridos ou recebidos de terceiros, destinados ao consumidor ou usuário final). O óleo diesel é combustível consumido pelas máquinas agrícolas, na cultura da cana de açúcar, e pelos caminhões, no transporte desta até a usina, portanto não é combustível utilizado na produção do açúcar e do álcool. A indústria utiliza se do vapor d'água, gerado com a queima do bagaço da cana para mover picadores, desfibradores, moendas, destilarias, etc, bem como de energia elétrica necessária em vários setores da indústria. 5) Notas Fiscais de Revenda de Açúcar e Notas Fiscais de Revenda de Álcool – A aquisição de álcool para revenda gera crédito de valor igual ao devido pelo vendedor, conforme § 13 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Houve a aquisição de álcool combustível para revenda no período de março a novembro. Durante o ano houve a aquisição de açúcar para revenda, gerando direito à crédito (art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003). Os totais de ambas planilhas mensais foram mantidos como base de créditos. No mês de agosto houve a informação no Dacon de crédito de PIS e Cofins referentes à importação vinculada à receita tributada no mercado interno. As aquisições estão informadas na planilha “Notas Fiscais Importação álcool” no arquivo “Apuração Créditos PisCofins_082011” e se tratam de 39.981 m3 adquiridos da comercial exportadora Vertikal Uk LLP, empresa sediada no Reino Unido. Nas notas fiscais de entrada de mercadoria emitidas pela Raízen Energia S/A, em 18/04/2011 e 19/04/2011, constam compras de combustível para comercialização, sendo o álcool bombeado do navio até o armazém geral em Santos, informa, também, o recolhimento de PIS e Cofins pelo volume adquirido. Porém, esses recolhimentos de PIS e Cofins não estão em nenhuma DCTF de 2011 e nem existem DARF referentes a esses valores devidos de PIS e Cofins Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 660 13 na importação do álcool. Dessa forma os créditos informados não foram considerados na apuração. 6. Devolução As planilhas "Devoluções", inseridas nos arquivos mensais, são compostas por devoluções de açúcar e álcool. Os créditos relativos às devoluções de álcool foram apurados pelo volume e os relativos às devoluções de açúcar foram apurados com base nos valores das notas fiscais de devolução. Todos os valores foram mantidos na forma em que foram apresentados. 7. Notas Fiscais e Notas Fiscais ME – Ambas as planilhas contêm as informações por itens das notas fiscais, documentos contábeis, fornecedor, material e centro de custo em que foram apropriadas as aquisições utilizadas como base de cálculo para os créditos. Neste ponto, o AuditorFiscal apresentou quadro com os valores totais das notas fiscais utilizadas pela contribuinte como base para apuração de créditos e os valores das glosas efetuadas, conforme segue: Totais das notas fiscais utilizadas como base para créditos e das glosas feitas de acordo com as fundamentações apresentadas e a seguir identificadas (omissis) Informou, a seguir, que o critério adotado para identificação dos itens que não se enquadram nas permissões legais para apuração de créditos foi feito, em um primeiro momento, com base no centro de custo a que o item está vinculado – coluna “descrição centro de custo” da planilha. Para os itens em que a coluna “descrição centro de custo” estavam sem informação, passouse a fazer a análise através das colunas “descrição grupo mercadoria”, “texto breve material” e “descrição fornecedor”. Assim, as glosas foram identificadas da seguinte forma (adotando, aqui, a numeração de parágrafos constante no Termo de Verificação Fiscal): 7.1) Centros de Custos Identificados – foram selecionados os itens vinculados a centros de custos que não estão ligados diretamente com a produção, os quais não podem ser considerados bens e serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e do álcool. São aquisições utilizadas na área agrícola, setores administrativos da empresa ou de apoio, não ligados diretamente com a fabricação dos produtos destinados à venda, portanto despesas sem direito à créditos. 7.1.1) c custo agrícola – glosadas as despesas vinculadas aos centros de custos vinculados à área agrícola, informados na planilha “Nota Fiscal”. São basicamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e caminhões ou diretamente na lavoura. Fl. 666DF CARF MF 14 7.1.2) c custo não lig prod – glosadas as despesas vinculadas aos centros de custos administrativos e não ligados diretamente com a produção, composto por aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc. 7.1.3) c custo prod insumos n prod – nos centros de custos ligados à produção, não inclusos nos dois itens acima, foram glosadas aquisições de peças e componentes de máquinas agrícolas; limpeza de bigbag, controle pragas/ervas daninhas, análises de amostras, purificação de óleos, serviços de coleta e transporte torta de filtro, coleta de barro e transporte de fuligem, identificados na coluna descrição grupo de mercadorias como: (omissis) 7.2) Centros de Custos não identificados – nos itens sem vínculos com centros de custos a análise passou a ser feita através da identificação das colunas “descrição grupo mercadoria” e “texto breve material”. 7.2.1) agrícola – foram selecionados os materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, fertilizantes e 7.2) Centros de Custos não identificados – nos itens sem vínculos com centros de custos a análise passou a ser feita através da identificação das colunas “descrição grupo mercadoria” e “texto breve material”. 7.2.1) agrícola – foram selecionados os materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, fertilizantes e (omissis) 7.2.2) comb e lubr não util prod notas fiscais de aquisição de gasolina, óleo diesel, lubrificantes, graxas, ceras, utilizados em máquinas agrícolas e caminhões, não se tratando de insumo de produção. Estão identificados na coluna “descrição grupo mercadoria” como: GASOLINA; ÓLEO DIESEL; ÓLEOS P/ISOLAMENTOS ELÉTRICOS; ÓLEOS, CERAS E GORDURAS DIVERSAS; ÓLEOS, FLUIDOS E GRAXAS AUTOMOTIVO. 7.2.3) embalagens transp – embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização. Glosadas as aquisições de container big bag, pallet de madeira e sacos polipropileno para transporte de açúcar com capacidade para 50kg. São embalagens retornáveis utilizadas apenas para o transporte do açúcar que não atendem o previsto na legislação. Ou seja, a empresa não utiliza as chamadas “embalagens de apresentação” aceitas pela legislação como dando direito ao crédito e sim as “embalagens de transporte”. 7.2.4) materiais uso não identif foram apresentados diversos itens utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes tanto na área agrícola como no parque industrial, sendo: eletrodos, abafadores, abraçadeiras, chapas de aço, Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 661 15 adaptadores, anéis, anilhas, arruelas, barras cantoneiras, barras de aço, bielas, buchas, rolamentos, conectores, cotovelos, curvas, filtros, engates, flanges, luvas, lençóis de borracha, mancais, niples, perfis de aço, presilhas, protetores, reduções, tubos, válvulas e vigas de aço, para os quais a empresa não apresentou detalhes técnicos que garantam a sua utilização em máquinas que produzam diretamente álcool e açúcar, nem estão vinculados a centros de custos de produção. Em consequência, foram tratados como itens genéricos utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes no seu parque agrícola e industrial; assim sendo, tratamse de insumos indiretos de produção que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 7.2.5) prod quim não produção também foi considerado como não sendo insumo as despesas pertencentes aos grupos de mercadorias: PRODUTOS QUÍMICOS DIVERSOS, PRODUTOS QUÍMICOS P/ANÁLISE (REAGENTES E CORANTES), PRODUTOS QUÍMICOS P/ TRATAMENTO DE ÁGUA, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, reagentes utilizados em tratamento de água, análises laboratoriais, limpeza e outros fins não ligados à produção. 7.2.6) portuárias NOTAS FISCAIS ME Em “descrição grupo mercadoria”: ANÁLISE LABORATORIAL ME, SERVIÇO CANCELAMENTO VENDA (WASH OUT), INSPEÇÃO DE CARGA ME, SERVIÇO DESP ELEV PORT ME, SERVIÇO ESTUFAGEM ME, SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO MERCADORIA ME, SERVIÇO PEGAS CONTAINER, SERVIÇO POSICIONAMENTO ME, SERVIÇO PRESTACKING ME, SERVIÇO ROLAGEM CONTAINER ME, TRANSBORDOS, as despesas são compostas por serviços de análises, inspeções de carga e movimentação de containers efetuados em portos marítimos com açúcar e álcool destinados à exportação. Estas despesas não estão previstas no inciso IX do artigo 3° da Lei nº 10.833, de 2003, que prevê apenas os fretes e a armazenagem na operação de venda. 7.3) energia (Cosan S/A Bioenergia e Barra Bioenergia S/A) foram incluídas na base de cálculo dos créditos notas fiscais emitidas pelas empresas pertencentes ao “grupo Cosan”, Cosan S/A Bioenergia e Barra Bioenergia S/A. Os estabelecimentos emitentes dessas notas fiscais são localizados no mesmo endereço dos estabelecimentos adquirentes da Raízen Energia S/A. Os estabelecimentos emitentes das notas fiscais e os adquirentes da energia estão relacionados no quadro a seguir: (omissis) Fl. 668DF CARF MF 16 Existem nesses locais termoelétricas instaladas nas respectivas usinas da Raízen Energia S/A, que são partes dessas indústrias. Os créditos apurados pela Raízen utilizaram como base de cálculo as despesas apropriadas nos centros de custos “Geração de EnergiaTurbo Gerador” e “Geração de EnergiaTurbo Gerador”. A Raízen Energia S/A é a produtora da bioeletricidade, e não adquirente, sendo que as despesas para a sua geração estão informadas em centros de custos próprios. Portanto foram glosadas as despesas de aquisição de bioenergia identificadas como fornecidas pela Cosan S/A Bioenergia e Barra Bioenergia S/A, que são empresas comerciais que vendem o excedente da energia elétrica produzida nas usinas, através de leilões da Agencia Nacional de Energia Elétrica. Dessa forma, foram consideradas as despesas apropriadas nos centros de custos da Raízen para a produção de bioenergia e glosadas as notas fiscais de emissão das comercializadoras de energia. 7.4) não é locação – todos os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa foram aceitos. Selecionouse na planilha todas as locações, não sendo aceitas compras de carne, café, bebidas, buffet, filmagens, eventos sociais, condomínio, corretagem de imóveis, corretagem em aluguéis de imóveis, locação de palcos, de equipamentos áudio e vídeo, viagens, hotéis, publicidade, por entender que estes pagamentos não estão ligados às atividades da empresa. A seguir o AuditorFiscal apresentou um quadroresumo, com os totais mensais das glosas relativas a cada um dos itens acima referidos: (omissis) Prosseguiu, tratando dos créditos relativos a despesas de depreciação. 8) Depreciação como a apuração de créditos em relação aos bens do ativo imobilizado está restrita àqueles adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e sendo a atividade da empresa fabricação de açúcar e álcool, os valores relativos aos bens não utilizados na área industrial serão glosados. É permitida a apuração de créditos sobre benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa, dessa forma foram mantidas todas as obras informadas. Nas planilhas “Depreciação”, em “Depreciação até 300911”, constam descrição do bem, o centro de custo, a data de aquisição e o valor da depreciação mensal. Em “Depreciação após 300911_MP540”, além das colunas citadas, são informados o valor de aquisição/residual, o número de parcelas e a opção da MP 540. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 662 17 8.1) agrícola –glosadas as depreciações de colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semirreboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, moto niveladoras, motores, pá carregadeiras, transceptores, etc, vinculados aos centros de custos relacionados à área agrícola. 8.2) não lig prod – glosados as esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densímetros, desfibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manómetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc., vinculados aos centros de custos: (omissis) A seguir, o AuditorFiscal apresentou um quadroresumo com os valores das glosas relativas às despesas de depreciação: (omissis) Definidas as glosas dos créditos, prossegue o AuditorFiscal: V Auto de Infração Foram lançadas no Auto de Infração, n° 10880.723546/201512, as contribuições do PIS e da Cofins não cumulativas, devidas no ano 2011, apuradas com base nas receitas obtidas no mercado interno tributadas no regime não cumulativo, após as compensações dos créditos vinculados às receitas no mercado interno e presumidos, apurados na fiscalização. Nos meses de janeiro a março houve a utilização dos créditos vinculados às receitas no mercado externo para dedução das contribuições devidas, procedimento também adotado pela empresa, e nos demais meses os créditos do mercado externo foram utilizados nos pedidos de ressarcimentos. Os valores originários mensais lançados foram: (...) VI Pedido de Ressarcimento Os créditos vinculados ao mercado externo foram considerados para fins de ressarcimentos, após dedução com contribuições devidas nos três meses. Foi o mesmo procedimento adotado pela empresa. Dessa forma não houveram glosas nesse trimestre de Cofins(sic). Na análise desse processo referente ao PIS do 4º trimestre de 2.011 o resultado apurado foi: (omissis) Fl. 670DF CARF MF 18 Os anexos abaixo são partes integrantes do presente Termo de Verificação Fiscal e estão sendo entregues à empresa, juntamente com este termo, em cópia digital gravada em mídia não regravável CD. Todos os lançamentos glosados estão identificados nos Anexos II a VIII, listados abaixo. Esses lançamentos foram extraídos das planilhas contidas nos arquivos digitais mensais entregues pela Raízen. ANEXO I APURAÇÕES contém as receitas, os percentuais para rateios, as bases dos créditos, as apurações dos créditos, as contribuições devidas, os créditos vinculados ao mercado interno para compensações, os créditos vinculados às exportações para ressarcimentos, informados pela empresa nos arquivos digitais, nos DACON, nos pedidos de ressarcimento e as apurações feitas pela fiscalização. Constam dos anexos abaixo, os itens glosados, com todas as informações apresentadas nas respectivas planilhas: ANEXO II AGRÍCOLA; ANEXO III ARRENDAMENTO AGRÍCOLA; ANEXO IV CANA; ANEXO V REVENDA ÓLEO DIESEL; ANEXO VI NOTAS FISCAIS; ANEXO VII NOTAS FISCAIS ME e ANEXO VIII DEPRECIAÇÃO; VII Conclusão Os créditos apurados pela fiscalização, vinculados às receitas de exportação, contidos neste pedido de ressarcimento do PIS, foram informados no sistema informatizado da Receita Federal, SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensações, para prosseguimento do fluxo eletrônico, podendo a empresa apresentar manifestação de inconformidade após o recebimento e ciência do Despacho Decisório emitido eletronicamente. Junto a este termo e fazendo parte integrante dele, entregamos ao contribuinte, uma cópia dos demonstrativos elaborados pela fiscalização (ANEXOS I a VIII) desempenhada, com vistas a permitir que esta D. Autoridade Julgadora, amparada nessa exposição, bem como no Laudo elaborado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Doc. nº 05), possa verificar a essencialidade e a importância dos bens e serviços glosados pela D. Autoridade Fiscal dentro do processo industrial realizado pela Requerente”. Depois, em tópico intitulado “Prejudicialidade da análise desta Manifestação de Inconformidade em relação ao Auto de Infração nº 10880.723546/201512 –Necessidade de julgamento em conjunto”, discorre sobre o tema e conclui: Desse modo, resta latente a necessidade de sobrestamento do julgamento dessa Manifestação de Inconformidade, até que seja Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 663 19 proferida decisão nos autos do processo administrativo nº 10880.723546/201512, ou, ao menos, a reunião desta Manifestação de Inconfomidade, na medida em que decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0816500.2014015885 com a Impugnação apresentada nos autos do referido processo administrativo, ante a evidente prejudicialidade entre os feitos. A seguir, alega que, conforme o Termo de Verificação Fiscal, a premissa jurídiconormativa que embasa o lançamento diz respeito ao não enquadramento dos bens e serviços que serviram de base para a apuração dos créditos glosados ao conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas n° 247, de 21 de novembro de 2002, e nº 404, de 12 de março de 2004. Contudo, não há nas disposições legais que delimitam a matéria quaisquer restrições quanto à natureza do insumo, custo ou despesa suportado pelo contribuinte, bastando tratarse de elemento essencial ao processo produtivo. Assim, a equiparação feita pela legislação infralegal (INs nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004) do regime jurídico de crédito do PIS/COFINS àquele próprio ao IPI mostrase equivocada, pois em se tratando de tributos incidentes sobre a receita bruta (e não sobre a produção), o correto é admitirse a apropriação de créditos sobre toda e qualquer despesa ou custo. Assim, seria mais condizente com as leis de regência que a Receita Federal do Brasil tivesse utilizado, para fins de delimitação do direito de crédito próprio à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, das noções de custo e despesas trazidas pela legislação do IRPJ (mais precisamente pelo art. 290 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), cuja materialidade é muito mais afeta às contribuições incidentes sobre a receita bruta, do que aquela própria ao IPI. Mais, o conceito de insumo utilizado encontrase em total dissonância com a noção de insumo prescrita nas Leis de regência, resultando na ilegalidade das restrições impostas pelas Instruções Normativas n° 247, de 2002 e nº 404, de 2004. É esse, aliás, o entendimento que vem se firmando no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Transcreve trechos de doutrina e de jurisprudência. Em um pequeno parágrafo (fl. 23), a interessada bem sintetiza toda a sua manifestação de inconformidade: Toda aquisição de bens e serviços necessários ao processo produtivo da REQUERENTE poderá ser enquadrada como “insumo”. Em termos práticos, se determinado bem ou serviço é utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade industrial, será ele inserido no conceito de “insumo”. Prossegue a contribuinte, buscando evidenciar que custo e insumo consistem nos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços a serem gravados em midia não regravável, autenticados no SVA (Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais). Fl. 672DF CARF MF 20 Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional, ao realizar verificações posteriores, cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nessa oportunidade. O Auto de Infração, juntamente com este termo e seus anexos, está sendo encaminhado à empresa em meio digital, gravado em CD não regravável acompanhado do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento do Procedimento Fiscal. E para constar e surtir os efeitos legais encerrase o presente procedimento fiscal e lavrase o presente Termo, cuja ciência se dará pela via postal – AR (Aviso de Recebimento). Cientificada do Despacho Decisório em 12/08/2015, conforme fl. 472, no dia 11/09/2015 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 04/72, acompanhada de documentos, na qual contesta as glosas efetuadas pela fiscalização. Inicialmente alega tempestividade e apresenta um resumo do procedimento de fiscalização que resultou no Despacho Decisório combatido. Transcreve “ementa” do Despacho Decisório e afirma que os termos do mesmo “não permitem verificar o descabimento das glosas realizadas pela D. Autoridade Fiscal, as quais decorrem do aparente desconhecimento do tipo de atividade desempenhada pela Requerente”. Ainda no segmento de caráter introdutório, prossegue: Um dos anexos ao Despacho Decisório aqui questionado é o Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04), exarado nos autos do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0816500.2014015885, onde foram listados os Pedidos de Ressarcimento formalizados pela Requerente em relação ao ano de 2011. Neste, ainda foi consignada a informação de que, após as glosas realizadas, em relação ao ano de 2011, foram lançados valores reputados como devidos a título de “PIS” e de “COFINS”, o que deu ensejo à lavratura de Auto de Infração, materializado no processo administrativo nº 10880.723.546/201512, o qual foi objeto de Impugnação por parte da Requerente. Além das razões expostas naquela Impugnação, que guarda inegável relação de prejudicialidade/dependência com as conclusões a serem alcançadas na análise desta Manifestação de Inconformidade, é imperativo transcrever trechos consignados no Termo de Verificação Fiscal, os quais revelam o absoluto descabimento das glosas realizadas pela D. Autoridade Fiscal. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e sustenta que tais trechos seriam “claros em demonstrar o total desconhecimento da D. Autoridade Fiscal acerca das atividades desempenhadas pela Requerente, bem assim aquelas que são essenciais para a realização de toda a sua atividade industrial”. A este respeito, afirma que na manifestação de inconformidade destacará “em detalhes, o tipo de atividade por ela utilizados na produção de outros Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 664 21 bens ou serviços. Em outros termos, insumo e custo podem ser definidos como tudo (bens e serviços) aquilo que ingressa no estabelecimento (como matériaprima, força de trabalho, consumo de energia elétrica, etc.) com o objetivo de se obter um produto final. A conclusão a que se chega é a de que independentemente da utilização dos termos insumo ou custo, todos os itens que compõem o chamado custo de produção ensejam direito ao crédito de PIS e COFINS. Tal regra somente poderia ser afastada quando os itens em questão são objeto de vedação expressa pelas Leis n° 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002. Por fim, quanto à regra que trata do direito creditório no regime nãocumulativo do PIS e da Cofins, o enunciado do inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.833, de 2003 (repetido o mesmo dispositivo na Lei nº 10.637, de 2002), valeuse da expressão “... utilizado como insumo...”. No contexto deste dispositivo, o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção comparativa. Neste sentido, concluise que um bem ou um serviço pode não ser necessariamente insumo, mas ter sido “utilizado como insumo”. Há, de fato, uma diferença substancial entre “ser” insumo e “ser utilizado como” insumo. Assim, a título de exemplo, os produtos de limpeza utilizados no maquinário para evitar a contaminação com os resquícios da canadeaçúcar constituem um gasto necessário à realização e manutenção do processo produtivo, agregando valor ao próprio produto, sendo, portanto, um insumo; um custo de produção. A seguir, em tópico intitulado “DESCRIÇÃO ACERCA DA ATIVIDADE INDUSTRIAL DESEMPENHADA PELA REQUERENTE”, descreve em detalhes a sua atividade, com ilustrações e especial ênfase na atividade agrícola (fls. 28/39). Assim conclui este tópico: Uma vez evidenciada, nas razões aqui apresentadas e no Laudo/Parecer Técnico (Doc. nº 05) acostado, que se debruça de forma muito mais ampla e rica sobre todas as etapas e fases da produção desempenhadas pela REQUERENTE, que parte mais delicada e custosa do processo produtivo da REQUERENTE consiste na sua área agrícola, é manifestamente descabida a restrição aqui imposta quanto às glosas do direito de créditos de "PIS" e da "COFINS" sobre bens e serviços utilizados nesta importante etapa, aliás, como já reconhecido pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando se debruçou sobre atividades inerentes à produção da canade açúcar. Diante do até aqui estabelecido, deve ser acolhida esta Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, reconhecendo, integralmente, o direito creditório vindicado pela REQUERENTE no processo administrativo ora sob análise. Fl. 674DF CARF MF 22 A contribuinte passa então a contestar as glosas de forma individualizada. A autoridade fiscal glosou todas as despesas vinculadas à área agrícola da Requerente, inclusive aquelas relativas à produção de canadeaçúcar, uma vez que, supostamente, não teriam vinculação com o processo produtivo do açúcar e do álcool. Sustenta a contribuinte que esse posicionamento é manifestamente improcedente, pois se desconsidera que o processo produtivo do açúcar e do álcool em uma empresa agroindustrial é verticalizado, sendo a Requerente responsável pela produção não apenas do açúcar e do álcool, mas também da principal matériaprima destes produtos, que é a canade açúcar. Discorre sobre a indispensabilidade dos custos e despesas relacionados às atividades agrícolas e acrescenta que há decisões recentes do CARF reconhecendo a validade das apropriações de créditos relativos a atividades de transportes, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transportes de cana de açúcar e serviços de lavoura, dada a demonstração do emprego efetivo de tais bens e serviços à atividade produtiva. Descreve seu “processo industrial” e aduz que todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita e transporte da cana colhida possuem a classificação jurídica e contábil como custos de produção. No caso das empresas agroindustriais sucroalcooleiras, os custos de produção se iniciam com os estudos de viabilidade da terra para plantio, sua obtenção, mediante compra, arrendamento ou parceria rural e preparo. Impõese, desse modo, a análise do processo produtivo da Requerente como um todo, não se podendo admitir a exclusão, de modo amplo, superficial e genérico, de todos os custos de produção relacionados à área agrícola da base de creditamento sob a singela alegação de que estes custos não integram o processo produtivo do açúcar e do álcool. Cita jurisprudência administrativa e conclui: Não apenas a partir da leitura dos arestos acima, do Laudo/Parecer Técnico (Doc. nº 05), mas principalmente pela verificação acerca da própria descrição dos créditos glosados pela D. Autoridade Fiscal, são nítidos o equívoco incorrido e o descabimento da glosa realizada, devendo ser acolhida essa Manifestação de Inconformidade. Por óbvio a descrição realizada pela REQUERENTE não compreende todos os itens, para não ser extremamente repetitivo, mas as conclusões aqui alcançadas devem ser estendidas para todos os elementos que deram origem ao pedido de ressarcimento apresentado. Quanto aos créditos relativos às despesas de arrendamento agrícola, a impugnante salienta que exerce atividade agroindustrial, a qual se inicia com a aquisição (ou arrendamento) da terra, estudo para a preparação do plantio e que segue até a fase industrial onde a cana obtida e tratada será Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 665 23 transformada em álcool e açúcar. Desse modo, é inequívoco que a despesa com arrendamento mercantil está intrinsecamente ligada à sua atividade agroindustrial. Assim, os contratos de arrendamento de propriedades rurais destinadas à produção de canadeaçúcar encontramse abrangidos pelo conceito de aluguel de prédio previsto nos artigos 3°, IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ademais, o Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) “ao versar sobre o instituto da prescrição, destaca que os valores que remuneram o arrendamento de prédios rústicos possuem natureza de aluguel, conforme se depreende de seu artigo 206, parágrafo terceiros, inciso I”. Desta forma, “não subsistem dúvidas acerca do fato do direito de crédito de ‘PIS’ e da ‘COFINS’ sobre aqueles custos”. Cita decisão administrativa. A respeito dos créditos relativos às aquisições de canade açúcar, sustenta a impugnante que as glosas efetuadas pela autoridade fiscal – sob fundamento de que as empresas fornecedoras não desempenhariam atividades agropecuárias – não teriam respaldo “no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, e tampouco no seu equivalente na Lei nº 10.833/03”. Esses custos, por se referirem a bens (canadeaçúcar) que integram diretamente o processo produtivo, dão ensejo ao aproveitamento dos créditos respectivos. Em verdade, a única exigência legal é que a pessoa jurídica, fornecedora do insumo, seja domiciliada no país. Neste sentido, a contribuinte assim se manifesta: A norma é clara ao dispor que o direito de crédito decorrerá da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na atividade da REQUERENTE, o que é plenamente atendido no presente caso. Nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canadeaçúcar. Aliás, a D. Autoridade Fiscal em nenhum momento buscou afastar o direito de crédito por aquelas operações não terem sido relacionadas com a venda de canade açúcar, mas, sim, pelo simples fato de que terem sido firmadas com pessoas jurídicas que se dedicam, de forma principal, a outras atividades. Nos autos do processo administrativo nº 10880.723546/201512, a REQUERENTE colacionou diversos contratos de compra de canadeaçúcar, firmados com as empresas questionadas pela D. Autoridade Fiscal, os quais evidenciam a parceria agrícola mantida à época, não devendo ser imposta qualquer restrição ao legítimo direito de crédito da REQUERENTE. Ainda no que tange às aquisições de canadeaçúcar, a impugnante se insurge também contra as supostas glosas relativas aos meses de abril, maio e junho de 2011, que Fl. 676DF CARF MF 24 teriam sido efetuadas sob fundamento de que no período não há produção nas usinas. É oportuno registrar que no parágrafo em que contesta esta glosa, embute uma alegação de nulidade, sob fundamento de que teria ocorrido cerceamento de defesa. A este respeito, assim se manifesta: Por fim, cumpre destacar a ausência de justificativa para a glosa de aquisições de canadeaçúcar realizadas nos meses de abril, maio e junho de 2011, sob a alegação de naquele período haveria a entressafra. Ora, a aquisição realizada pode ter sido de mudas para plantio, e não da canadeaçúcar para corte. Contudo, dada a ausência de indicação por parte da D. Autoridade Fiscal sobre a justificativa para a referida glosa, resta prejudicado o direito de defesa da REQUERENTE, devendo, por esta razão, sob pena de nulidade, ser afastada a glosa realizada quanto àquela aquisição. Tendo em vista a demonstração acerca da efetiva aquisição de canadeaçúcar por parte da REQUERENTE, não cabe a restrição imposta pela D. Autoridade Fiscal, na medida em que a canade açúcar, tanto para plantio quanto para corte, são insumos indissociáveis e essenciais ao desenvolvimento das atividades da REQUERENTE, sendo de rigor o reconhecimento do seu direito creditório. Embora em tópico cujo título remete aos créditos sobre as revendas de óleo diesel, a contribuinte nada diz no tocante às glosas de tais créditos, e se opõe às glosas relativas ao óleo diesel utilizado na produção de canadeaçúcar, nos seguintes termos: A D. Autoridade Fiscal, ante a restrição imposta quanto às atividades que dariam ensejo à apuração de créditos de “PIS” e da “COFINS”, encerrou entendimento de que o óleo diesel combustível consumido pelas máquinas agrícolas, na cultura da canadeaçúcar, e pelos caminhões utilizados no transporte da matériaprima até a usina não permitiria o aproveitamento de créditos daquelas contribuições, como se vê do trecho abaixo reproduzido: (...) A própria descrição consignada pela D. Autoridade Fiscal, por si só, seria suficiente para determinar a conclusão no sentido da validade do aproveitamento de créditos requerido pela REQUERENTE, na medida em que aquelas atividades são essenciais para o desenvolvimento da atividade produtiva/industrial desempenhada pela REQUERENTE. Além da utilização já explicitada pela D. Autoridade Fiscal, o Laudo/Parecer Técnico (Doc. nº 05) destaca outras utilizações do óleo diesel combustível que igualmente autorizam o aproveitamento de créditos de “PIS” e da “COFINS”, conforme abaixo: (...) Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 666 25 Em linha com o quando aduzido no Laudo/Parecer Técnico, a jurisprudência administrativa reconhece o direito ao crédito de “PIS” e da “COFINS” sobre as aquisições de óleo diesel combustível, conforme aresto abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. INSUMOS. Geram direito a crédito do PIS não cumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, transporte de cana e transporte de olhadura; transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da cana de açúcar e as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial, por se tratarem de bens ou serviços utilizados em etapas da produção do açúcar e do álcool” [Grifos não constam do original] (Processo Administrativo nº 10840.001615/200538; Acórdão nº 3301 001.289; Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado em 26 de janeiro de 2012) Diante do exposto, deve ser reconhecido o direito ao crédito sobre o óleo diesel consumido nas máquinas agrícolas, e cultura de canadeaçúcar, bem assim dos caminhões, responsáveis pelo transporte da matériaprima até a unidade industrial da REQUERENTE. Prossegue a contribuinte alegando que seriam descabidas as glosas realizadas por centros de custo identificados. A este respeito, reitera que a atividade agrícola, por ser uma etapa do processo produtivo, tem seus custos abarcados pela sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS quando oriundos de bens e serviços utilizados com insumo e todos os bens e serviços glosados são imprescindíveis à atividade produtiva, como bem se demonstrou anteriormente. Não por outro motivo, são ilegais as glosas efetuadas para os créditos vinculados às despesas com área agrícola, conforme jurisprudência recente no âmbito do CARF. Foram também glosadas as despesas descritas pela autoridade fiscal sob a rubrica “não ligadas à produção”, sob o entendimento de que as aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc, não Fl. 678DF CARF MF 26 estariam ligados diretamente com a produção da Requerente. Contudo, a atividade desenvolvida pela Requerente caracterizase como agroindustrial, razão pela qual não poderiam ser desconsideradas as despesas efetivadas nos centros de custo relacionados à produção de açúcar e do álcool, bem como as despesas com limpeza operativa, administração de pessoas, logística, treinamentos, serviços de mecanização industrial, águas residuais, almoxarifado, armazéns externos e internos, balanças, borracharia, captação de águas, laboratórios e os demais itens acima referidos. Da mesma forma, as despesas relacionadas às atividades incorridas em laboratório, para desenvolvimento eficaz do plantio e colheita da cana, assim como todos os custos incorridos com balança de cana e manutenção do maquinário utilizado para o seu processamento e transporte, afiguramse nitidamente essenciais e indispensáveis ao desempenho das atividades da Requerente. Também foram glosados créditos provenientes de despesas de bens e serviços ligados à área agrícola da Requerente, ao singelo fundamento de que tais custos não estariam ligados à produção de açúcar e do álcool. Como já demonstrado, a Requerente necessita de maquinários agrícolas, tais como carregadeiras, colheitadeiras, cultivadores, plantadeiras, transbordo, acessórios de irrigação, coletas de barro, fuligem, torta de filtro e análises de amostras, para produção da cana de açúcar, que após passar por longo processamento industrial, transformase em açúcar e álcool. Contesta a seguir as glosas realizadas por centros de custos não identificados. Foram selecionados materiais, componentes, peças, combustíveis, equipamentos, maquinários, graxas, lubrificantes, entre outros bens e serviços relacionados ao processo agrícola da Requerente, sendo que foram glosadas todas as despesas agrícolas. Entende a contribuinte que não há qualquer razão para que sejam desconsiderados tais dispêndios, tendo em vista que todos são imprescindíveis à atividade agroindustrial. Também houve a glosa de créditos relativos a despesas com combustíveis e lubrificantes, os quais são utilizados em veículos, caminhões e máquinas agrícolas, existindo a glosa apenas e tão somente, entende a contribuinte, pelo fato de que a fiscalização não admite, equivocadamente, que as etapas agrícolas façam parte do processo produtivo. Verificase que os créditos relativos a despesas realizadas com embalagens também foram glosadas, ao passo que tais embalagens integram o processo produtivo da Requerente, em especial para efetivar o transporte do açúcar e álcool produzidos em sua atividade agroindustrial e muito embora as referidas embalagens não integrem o produto final, as mesmas configuram custos imprescindíveis à individualização e transporte do produto em processamento, razão pela qual se Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 667 27 enquadram perfeitamente ao conceito de insumo firmado pelo CARF. Quanto a bens identificados como insumos indiretos, tais materiais são empregados em maquinários e equipamentos voltados para as produções do açúcar e do álcool e, não obstante, foram tratados como “itens genéricos” que não gerariam direito a crédito, sem se buscar o conhecimento do efetivo uso nos maquinários e equipamentos para produção e desconsiderandose a atividade agrícola, novamente, como parte integrante da produção. A autoridade fiscal tratou diversos custos como genéricos quando, em verdade, todos estão ligados ao uso de equipamentos e maquinários os quais estão voltados à produção do açúcar e do álcool. O mesmo pode ser dito em relação aos produtos químicos, os quais, utilizados em análises laboratoriais, aferição de qualidade e composição de solo, tratamento de água e serviços de limpeza, são essências para a produção de açúcar e álcool e, pelos mesmos fundamentos já referidos, são passíveis de aproveitamento do crédito. A contribuinte, em tópico intitulado “Do descabimento das glosas realizadas a título de transporte interno – Do descabimento das glosas realizadas a título de despesas portuárias”, contesta referidas glosas, nos seguintes termos: No item 7.2.6 do Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04), a D. Autoridade Fiscal procedeu com a glosa de serviços de transporte de carga realizados por pessoa jurídica. A orientação da jurisprudência administrativa é iterativa quanto ao direito de crédito sobre as movimentações de carga realizadas por pessoa jurídica, conforme abaixo: (...) O mesmo entendimento deve ser empregado ao frete realizado entre estabelecimentos da mesma empresa de produtos acabados, na medida em que igualmente compõe o custo do bem, isto de acordo com a legislação comercial. Sobre o tema, vejase: (...) Dessa forma, o frete pago na transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, de produtos acabados, confere o direito ao crédito do "PIS" e da "COFINS". Ora, se os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa conferem direito de crédito, o que se dirá das despesas portuárias, necessárias para o desenvolvimento das atividades da REQUERENTE, na medida em que são custos de produção incorridos, figurando como responsável pela manutenção dos seus produtos em instalações portuárias antes da remessa ao exterior. Fl. 680DF CARF MF 28 Esses custos são classificados como de produção, motivo pelo qual é legítimo o direito de crédito. A multiplicidade de despesas decorre do tipo de produto transacionado pela REQUERENTE, vez que o etanol é altamente volátil, apresentando riscos que exigem controle minucioso da sua armazenagem. Da mesma forma, quanto ao açúcar, a necessidade de condições especiais de acondicionamento é evidente, pois o açúcar é muito suscetível às modificações de temperatura e umidade, as quais, caso não controladas, podem colocar em risco a qualidade e a própria classificação dos produtos. Diante desses pontos, necessário reconhecer a imprescindibilidade dessas despesas para a conclusão do processo produtivo/industrial da REQUERENTE, sendo de rigor o reconhecimento do seu direito de crédito. Daí a necessidade de provimento dessa Manifestação de Inconformidade quanto às glosas indevidamente realizadas por meio do item 7.2.6 do Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04). A seguir, sob o título “Do Descabimento das glosas realizadas a título de despesas portuárias”, a contribuinte repete integralmente o tópico anterior. No tocante às glosas relativas a despesas com energia elétrica, que teria sido adquirida de coligadas localizadas nos mesmos endereços da fiscalizada, alega que as aquisições efetivamente ocorreram; suas coligadas lhe forneceram a energia e lhe cobraram o preço correspondente. E ainda: Na data dos fatos ano de 2011 as empresas produtoras de açúcar e álcool e aquelas produtoras de bioenergia eram empresas distintas, cada qual com sua contabilidade, inscrição no CNPJ, custos e detentoras de direitos e deveres. A forma pela qual as empresas se encontravam organizadas, comercialmente e juridicamente, implicava serem pessoas jurídicas absolutamente distintas uma da outra. A fiscalização, por seu turno, não demonstrou que àquela época haveria uma desnaturação do propósito comercial. Ao contrário. Fato é que a REQUERENTE somente incorporou a empresa produtora de bioenergia no final do ano de 2012. Isto demonstra a confusão feita pela fiscalização: ao invés de analisar a estrutura sob a ótica existente no período correspondente à autuação, observou a fiscalização a estrutura existente na data da autuação e concluiu, erroneamente, com a devida vênia, não se tratar de uma comercialização de energia elétrica. Em vista da estrutura comercial existente em 2011, entretanto, resta evidente a existência de comercialização da energia elétrica, de modo que tendo havido o pagamento pelo produto pela REQUERENTE e sendo a energia elétrica essencial ao seu processo produtivo, faz ela jus ao crédito que tomou. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 668 29 Dessa forma, as glosas perpetradas não podem subsistir, o que desde logo se requer. Contesta a seguir as glosas relativas a despesas de depreciação: Por meio do item 8 do Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04), a D. Autoridade Fiscal incorreu na mesma restrição feita em relação ao conceito de insumos, adotando as seguintes conclusões: sendo a atividade da empresa fabricação de açúcar e álcool, os valores relativos aos bens não utilizados na área industrial serão glosados. Este entendimento já foi contestado ao longo de toda a peça de defesa, na qual foi demonstrada à saciedade a importância da etapa agrícola dentro do processo produtivo/industrial e, consequentemente, o cabimento dos créditos pleiteados. Para que não restem dúvidas, a REQUERENTE vai reiterar estes pontos, sem prejuízo de se reportar ao quanto já aduzido até este ponto, nos demais itens. Considera descabidas as “glosas realizadas a título de depreciação –área agrícola”, acerca das quais assim se manifesta: Em relação às despesas de depreciação com o setor agrícola foram glosados os créditos relativos às seguintes origens: "depreciações de colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semirreboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, moto niveladora, motores, pá carregadeiras, transceptores etc (...)"Todos aqueles itens são essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo da REQUERENTE, ainda mais diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo, daí ser necessário reconhecer aqui o mesmo entendimento já firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto ao conceito de bens que dão direito de créditos de "PIS" e da "COFINS", em detrimento da indevida restrição adotada pela D. Autoridade Fiscal. Dessa maneira, imperativo o reconhecimento do direito creditório pleiteado a a essencialidade daqueles bens para a realização do seu processo produtivo. Também entende descabidas as “glosas realizadas a título de depreciação – área não ligada à produção”, sobre as quais afirma: A D. Autoridade Fiscal, por meio do item 8.2 do Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04), com base naquela indevida aplicação de um conceito totalmente restritivo para fins de validação do direito de crédito procedeu com a glosa em relação aos seguintes bens: “esmerilhadeiras, talhas, agitadores, Fl. 682DF CARF MF 30 amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densímetros, desfibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc. (...)”. Ora, todos aqueles itens são imprescindíveis à realização do processo produtivo da IMPUGNANTE, motivo pelo qual deve ser reconhecido o direito de crédito. A análise do Laudo/Parecer Técnico (Doc. nº 05) permite verificar a pertinência e a relevância de cada um daqueles itens para o desenvolvimento das atividades da REQUERENTE, isto aliado às alegações e comprovações já carreadas aos autos. Apenas a título exemplificativo, a REQUERENTE destaca que os tanques de aço são utilizados para tratar grandes volumes de água utilizadas no processo de industrialização. As balanças, por seu turno, são importantes para a medição de quantidades adquiridas e a serem transportadas de canadeaçúcar. As sondas de laboratórios são essenciais para a aferição de teores de composição de solo e da canadeaçúcar, sem o que não seria possível manter o controle de qualidade exigido pela indústria em que atua a REQUERENTE. As glosas alcançaram mais de 8 (mil) itens, mas em relação a todos eles devem ser estendidas as conclusões destacadas pela REQUERENTE em relação aos anteriormente mencionados, sendo de rigor o reconhecimento do direito ao crédito de "PIS" e da "COFINS". Ao final, a contribuinte requer a realização de diligência: Não obstante todas as provas já colacionadas aos autos, as quais, de acordo com o entendimento da REQUERENTE, são suficientes para a demonstração da higidez do direito ao crédito pleiteado, e em defesa do princípio da busca pela verdade material, corolário do processo administrativo e ainda mais relevante diante da matéria aqui tratada, são apresentados alguns quesitos que podem esclarecer, ainda mais, os pontos aqui suscitados pela REQUERENTE, quais sejam: i) é correto afirmar que todos os bens listados no Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04) participam do processo produtivo da REQUERENTE, sendo este compreendido desde a escolha na área a ser plantada até a destinação do produto final (álcool e açúcar) aos seus adquirentes? ii) caso positivo, seria possível identificar a função de cada um daqueles bens? iii) a partir das respostas aos itens i e ii, e adotando que como passíveis de créditos para fins de "PIS" e da "COFINS" o resultado daquelas respostas, quais seriam os valores passíveis de ressarcimento em relação ao trimestre sob análise? Por fim, apresenta seus pedidos: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 669 31 Diante de todo o exposto, a REQUERENTE requer às D. Autoridades Julgadoras que seja dado provimento à Manifestação de Inconformidade, para reconhecer, integralmente, o direito de crédito requerido, na medida em que as glosas realizadas possuem origem em indevida restrição dos conceitos estabelecidos pela legislação e prestigiados pela doutrina e pela jurisprudência administrativa relativa à matéria. Na hipótese de não serem reputadas suficientes as comprovações aqui realizadas, pugna a REQUERENTE pela realização de diligência para resposta dos quesitos apresentados, os quais terão o condão de demonstrar o descabimento das glosas realizadas pela D. Autoridade Fiscal, sendo reconhecido, por via de consequência, o direito creditório aqui pleiteado. A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1461.820, de 07/07/2016 (fls. 414 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. CRÉDITOS. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 684DF CARF MF 32 Somente créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/ressarcimento ou utilização em procedimentos de compensação. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. Encontrase expressamente vedada pela legislação tributária a apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação à aquisição no mercado interno, para revenda, de produtos submetidos à incidência monofásica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. NÃOCUMULATIVIDADE. ARMAZENAGEM E FRETE. CRÉDITOS. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. CRÉDITOS. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/ressarcimento ou utilização em procedimentos de compensação. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. Encontrase expressamente vedada pela legislação tributária a apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação à aquisição no mercado interno, para revenda, de produtos submetidos à incidência monofásica. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 670 33 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 449 e ss., por meio do qual, em apertada síntese, depois de requerer o seu julgamento conjunto com outros processos administrativos de seu interesse e tecer considerações a respeito do conceito de insumos para o regime não cumulativo de apuração do PIS/Cofins, defendeu o direito ao crédito sobre todos os custos incorridos com bens e serviços relacionados/adquiridos com o plantio da cana de açúcar, como o corte, a queima, a colheita e o seu transporte (nestes custos, a Recorrente inclui, por exemplo, gastos com a administração e com alojamentos agrícolas, os quais se refeririam à manutenção dos trabalhadores rurais nas áreas de corte, arrendamento agrícola terras etc.). Sustenta, outrossim, o direito a créditos sobre a aquisição de cana de açúcar a fornecedores que não desempenham atividade agropecuária – fornecedores não realizam, conforme o objeto social dessas pessoas jurídicas, a lavoura ou a comercialização do produto (pessoas jurídicas com atividades de transporte rodoviário de cargas, incorporação imobiliária, aluguel de imóveis, corretagem no aluguel de imóveis etc.) e sobre a revenda de óleo diesel, entre outros. Ao final, requer a realização de diligência, caso não provido o recurso. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, de crédito do PIS, apurados no 4º trimestre de 2011. Deferido em parte o pedido e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada (exceto quanto ao processo nº 10880.723546/201512, já julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em que proferido o Acórdão nº 3402 004.759, de 25/10/2017). Vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): Fl. 686DF CARF MF 34 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, o acórdão recorrido aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. Cabe destacar que, no bojo da mesma ação fiscal, a fiscalização, ao apreciar os pedidos de ressarcimento, lavrou o auto de infração de PIS/Cofins protocolizado sob o nº 10880.723546/201512, em face da falta de recolhimento dessas contribuições (mera consequência das glosas de créditos). Tratase, portanto, de processo administrativo com idêntico quadro fático e jurídico. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 671 35 Na decisão que resultou do julgamento realizado na 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, o conceito de insumo adotado foi o da pertinência e essencialidade, em semelhança, pois, ao que definido pelo STJ. Sendo o mesmo contexto, passamos a adotar também aqui, como razão de decidir, os fundamentos encartados no voto condutor do Acórdão nº 3402004.759 (apenas em parte vencido), mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua reprodução, algumas importantes considerações, que, como se verá, nos levarão a adotar, em algumas matérias, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto apenas para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): 2. Análise do Recurso de Ofício Referese a glosa dos Créditos relativos às despesas com aquisição de energia elétrica. O recurso de ofício foi iinterposto pela DRJ/RPO, em razão do contido no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a alteração da Lei nº 9.532/1997, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria do MF nº 3, de 2008, revogada pela Portaria MF nº 63/2017, quando o novo limite de alçada passou a ser de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para propor Recurso de Oficio. Os valores dos créditos de energia elétrica cujas glosas foram canceladas, vinculados a receitas obtidas no mercado interno e tributadas, foram descontados dos valores dos tributos devidos. Em outras palavras, estes valores foram excluídos dos créditos tributários lançados. Assim, a DRJ apresentou nos quadros de fls. 21.017, os demonstrativos dos créditos tributários lançados, valores excluídos e créditos tributários mantidos a título de PIS e de COFINS. Verificase que os valores exonerados ultrapassam o limite establecido pela Portaria MF nº 63/2017. A fiscalização glosou os créditos relativos à aquisição de energia elétrica sob fundamento de que: (a) as empresas fornecedoras, Cosan S/A Bionergia e Barra Bioenergia S/A integram o mesmo grupo econômico que a fiscalizada; (b) os emitentes das notas fiscais são estabelecimentos destas empresas localizados nos mesmos endereços dos estabelecimentos adquirentes da fiscalizada; (c) e ainda: “como se verifica, existem nesses locais, termoelétricas instaladas nas respectivas usinas da Raízen Energia S/A, que são partes dessas indústrias”. O Fisco ainda registrou que "a Raízen Energia S/A é a produtora da bioeletricidade, e não adquirente, sendo que as despesas para a sua geração estão informadas em centros de custos próprios. Portanto foram glosadas as despesas de aquisição de bioenergia identificadas como fornecidas pela Cosan S/A Bioenergia e Barra Bioenergia S/A, que são empresas comerciais que vendem o excedente da energia elétrica produzida nas usinas, através de leilões da Agencia Nacional de Energia Elétrica. Dessa forma, foram consideradas as despesas apropriadas nos centros de custos da Raízen para a produção de Fl. 688DF CARF MF 36 bioenergia e glosadas as notas fiscais de emissão das comercializadoras de energia". A Recorrente contestou estas glosas alegando que os créditos relativos às aquisições de energia elétrica são conferidos de forma ampla às pessoas jurídicas, e que as aquisições de fato ocorreram conforme demonstrado pelas notas fiscais. Suas coligadas lhe forneceram a energia e lhe cobraram o preço correspondente. Em sua impugnação, trouxe ainda outros argumentos contestando essas glosas. Vejase: "Na data dos fatos ano de 2011 as empresas produtoras de açúcar e álcool e aquelas produtoras de bioenergia eram empresas distintas, cada qual com sua contabilidade, inscrição no CNPJ, custos e detentoras de direitos e deveres. A forma pela qual as empresas se encontravam organizadas, comercialmente e juridicamente, implicava serem pessoas jurídicas absolutamente distintas uma da outra. A fiscalização, por seu turno, não demonstrou que àquela época haveria uma desnaturação do propósito comercial. Ao contrário. Fato é que a IMPUGNANTE somente incorporou a empresa produtora de bioenergia no final do ano de 2012. Isto demonstra a confusão feita pela fiscalização: ao invés de analisar a estrutura sob a ótica existente no período correspondente à autuação, observou a fiscalização a estrutura existente na data da autuação e concluiu, erroneamente, com a devida vênia, não se tratar de uma comercialização de energia elétrica. Em vista da estrutura comercial existente em 2011, entretanto, resta evidente a existência de comercialização da energia elétrica, de modo que tendo havido o pagamento pelo produto pela IMPUGNANTE e sendo a energia elétrica essencial ao seu processo produtivo, faz ela jus ao crédito que tomou". No caso, subscrevo parte das considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, como forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto: "(...) Com razão a impugnante. Não existe base legal para as glosas pelo simples fato de que as empresas fornecedoras de energia elétrica integrem o mesmo grupo econômico que a fiscalizada, nem mesmo no caso de que os estabelecimentos emitentes das notas fiscais estejam localizados nos mesmos endereços que os estabelecimentos adquirentes da energia. No caso, para que as glosas pudessem subsistir, seria necessário que o autuante tivesse comprovado a inexistência de fato das empresas fornecedoras da energia, ou de seus estabelecimentos que a teriam fornecido, de forma a ficar demonstrado que toda a energia elétrica consumida pela fiscalizada teria sido produzida por ela própria. Ou ainda, tivesse comprovado que as notas fiscais emitidas pela Cosan S/A Bionergia e pela Barra Bionergia S/A não correspondessem a vendas efetivamente realizadas; em outras palavras, que estas operações de compra e venda de energia fossem mera simulação. Isto, no entanto, não Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 672 37 foi comprovado pela autoridade fiscal, que não chegou sequer a fazer tal afirmação. Além disso, é oportuno registrar que, mediante pesquisa nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, pudemos constatar que as fornecedoras de energia elétrica em questão encontravamse ativas no anocalendário 2011". Assim, com base nesses fundamentos NEGO provimento ao Recurso de Ofício. 3. Do Recurso Voluntário Objeto da lide Consta dos autos que a Recorrente atua, preponderantemente, no ramo de fabricação de álcool e do açúcar. Assim, toda a celeuma instaurada cingese em torno da validade do aproveitamentos de créditos do PIS e da COFINS regime não cumulativo, apurado na produção da canadeaçúcar e da fabricação dos seguintes produtos: álcool e do açúcar. Conforme relatado pelo Fisco em seu Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 47/82), de acordo com a legislação de regência, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo que o aproveitamento dos insumos indiretos resumese àqueles previstos na legislação de regência como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros. Por outro lado, em sentido oposto, a Recorrente entende que todos os itens glosados são essenciais para a produção de açúcar, álcool e bioeletricidade, portanto passiveis de creditamento do PIS e a da COFINS. Em resumo, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e da COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da RFB, o que se dá com fundamento nas INs nºs 247, de 2002 e IN nº 404, de 2004, bem como de uma visão mais ampla por parte da Recorrente, que atrela o conceito de insumo a idéia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda (IRPJ). Partindo do pressuposto que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou todos aqueles créditos tomados pela Recorrente na fase de produção agrícola da cana deaçúcar que, por sua vez, é ulteriormente empregada na fase industrial de produção do açúcar e do álcool (etanol). É o que se constata do seguinte trecho reproduzido do Termo de Verificação Fiscal TVF (fl. 58/59): Fl. 690DF CARF MF 38 (...) Dessa maneira, vêse que o termo insumo é gênero que abarca componentes aplicados direta e indiretamente na produção e, por isso, tem sido dividido em dois distintos subgêneros, quais sejam, os “insumos diretos” e “insumos indiretos”. Em conseqüência, por exemplo, são: 1) Insumos diretos de produção: matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem, etc.; e 2) Insumos indiretos de produção: energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, manutenção de máquinas, aluguéis, etc. Essa maneira de entender o termo insumo se apresenta, de forma tácita, tanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, na sua versão atual, quanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, ambas com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, bem como nas IN SRF nº 247, de 2002, na versão dada pela IN SRF nº 358, de 2003, e nº 404, de 2004 (negritei). Vista dessa maneira fica claro que, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção que a despeito disto desoneram o créditos em tela (negritei). Da análise do exposto acima, concluise que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, consideramse “insumos”, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Como se observa, é necessário que o bem sofra alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação para que seja considerado um insumo. No caso de serviços, é necessário que ele seja aplicado ou consumido". Dentro deste contexto e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais apresentados pela Recorrente ao longo do procedimento fiscalizatório, o Fisco glosou vários itens (que veremos mais adiante), que haviam sido tratados como tendo direito a créditos pela empresa RAÍZEN. 4. Conceito de Insumos No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 673 39 É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº Fl. 692DF CARF MF 40 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 674 41 5. Do Crédito dos Insumos Atividade Agrícola Aduz a Recorrente em seu item "IV.4.1" recurso (sobre as despesas incorridas na fase agrícola) que, "(...) Em relação a esta parcela dos créditos pleiteados pela RECORRENTE, o v. Acórdão ora recorrido partiu de premissa equivocada, ao afirmar que a fabricação de açúcar e álcool e a produção de canade açúcar seriam processos distintos que não se confundem, de modo que os custos para a produção da matériaprima e seu transporte até a usina não se enquadrariam no conceito legal de insumo para a produção do açúcar e do álcool". "(...) Ora, pela própria descrição dos itens glosados pela D. Fiscalização percebese a sua vinculação com a área agrícola, o que evidencia não apenas a sua imprescindibilidade, mas, também a higidez do direito ao crédito. Por exemplo, as atividades de transporte são necessárias para a movimentação de pessoal para a realização da colheita manual "Transporte Manual Cana"; para manter as máquinas necessárias à colheita e ao transporte da matériaprima em pleno funcionamento ("Transporte Mecânico da Cana", "Transporte Cana", " Transporte Agrícola", "Transporte Fornecedor de Cana", "Transporte Fornecedor Cana Picada", "Transporte Terceirizado da Cana". É fato que, conforme já decidido por este CARF (nesta TO), mediante o Acórdão nº 3403002.824, de 24/02/2014, a fase agrícola da agroindústria também integra o seu processo produtivo para fins de aproveitamento de crédito das contribuições sociais não cumulativas, como se vê no voto condutor do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, abaixo transcrito: (...) Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime não cumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação "de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar","dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota" transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Fl. 694DF CARF MF 42 Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art.1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária,"agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. (...) (Grifei) Por outro lado, o voto vencido do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Recurso Especial 9303003.477, em julgamento de 25/02/2016, ao discorrer sobre o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, conseguinando que: Nessa linha, não vejo como, em nome da alegada diretriz constitucional, empreender interpretação que alargue o conceito de insumo para além do inciso II do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637, de2002 quanto da Lei nº 10.833, de 2003. (...) Como é possível perceber, apesar da grande discussão acerca do tema, é extreme de dúvidas que só serão admitidos como insumo, para efeito da lei, os bens que possuam ligação intrínseca com o processo produtivo, que, evidentemente, não se confunde com a atividade empresarial (Grifei). Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 675 43 Desta forma, se faz necessário trazer a baila que esta matéria não resta ainda pacificada no STJ, o que deverá se dar com o julgamento no Recurso Repetitivo nº 1.221.170/PR, ainda inconcluso, embora com alguns votos lidos e com pedido de vista. Até então, os julgados que pipocavam na 1ª e 2ª Turma eram em um e outro sentido, embora percebese que a tese da interpretação extensiva viesse perdendo espaço. Como bem destacado pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no Acórdão nº 3402003.817, de 26/02/2017 (desta mesma empresa), julgado por este Colegiado, haja vista a adoção do conceito de insumo, destaca que "(...) é natural que, em se tratando de uma agroindústria, exatamente como ocorre no caso decidendo, a fase agrícola da atividade empresarial e, por conseguinte, os insumos ali consumidos, também seja levada em consideração para fins de creditamento de PIS e COFINS." Afinal, sendo rechaçada a aproximação do conceito de insumo de IPI para fins do direito ao crédito, cai por terra a separação normalmente feita pela Fiscalização entre a fase agrícola e a industrial das agroindustrial, sendo que somente a segunda fase (industria propriamente dita) seria capaz de possuir insumos com o respectivo direito ao crédito de PIS e da COFINS. O mesmo entendimento foi compartilhado por essa Turma Ordinária (TO), como se observa da ementa abaixo transcrita e extraída do voto da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula o qual, digase de passagem, tratou de questão afeta a empresa com a mesmíssima atividade da Recorrente (produção de açúcar e álcool): Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados como insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede. (...). (CARF; 2a Turma da 4a da 3a Seção; Processo nº 16004.720550/201371; Acórdão nº 3402003.041. j. em 27/04/2016.) (Grifei). Retornandose ao caso em concreto, verificase nos autos que a Recorrente informa que é uma tradicional e importante empresa do ramo agroindustrial, tendo por objeto social a atividade preponderantemente de "(...) produção, venda e comercialização Fl. 696DF CARF MF 44 de açúcar de canadeaçúcar e seus subprodutos, a produção de etanol de canadeaçúcar e de subprodutos do etanol e de eletricidade". Desta forma, é com enfoque nas premissas acima expostas, que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos sob exame. 6. Da Cadeia Produtiva Indústria SUCROENERGÉTICA Consta dos autos que a Recorrente produz açúcar e álcool, o produto final do estabelecimento industrial, sendo que em área agrícola própria cultiva a canadeaçúcar que alimentará suas usinas para produção de açúcar e álcool. A fiscalização entendeu que as despesas, incluindo aí os insumos, necessariamente despendidas nessa atividade agrícola, não podem compor a base de cálculos dos créditos da não cumulatividade, mas a Recorrente argumenta que não seria lógico que as empresas produtoras de canadeaçúcar destinada a venda tenham o direito de apurar créditos em relação aos insumos aplicados em sua atividade agrícola, enquanto as pessoas jurídicas agroindustriais que produzem a sua própria matériaprima não tenham o mesmo direito. Ressalta em seu recurso que quando de sua Impugnação a Recorrente apresentou documentos, demonstrando o fluxo de Processo de Produção da empresa (Cadeia Produtiva), como o LAUDO/PARECER TÉCNICO e respectivos descritivo de utilização dos insumos, que foi elaborado pela Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” ESALQ/ USP, conforme documentos de fls. 20.784/20.934. O referido Laudo apensado pela Recorrente por solicitação deste CARF em diligências em outros processos da mesma matéria dessa empresa. Destacase no corpo de seu relatório, onde Laudo Técnico afirma que: Como se observa, o resultado do estudo acima foi bastante favorável à Recorrente, com cerca de 60 a 70% dos itens utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo, nele incluso a fase agrícola. Cumpre então passando à aferição dos itens glosados pela Fiscalização, cotejandoos com o objeto social da Recorrente, e, portanto, às atividades que pratica e lhe geram receita, para aferir quais se amoldam ao conceito de insumo (custo de produção) para fins de tomada de crédito na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 676 45 7. Dos Créditos GLOSADOS Atividades Agrícolas Alega a Recorrente que a etapa agrícola consiste no cerne da produção do açúcar e do álcool, o que por si só já levaria ao cancelamento das glosas em apreço. "(...) Tendo em vista a natureza das suas atividades, bem assim o fato de que a canade açúcar consiste no insumo mais do que essencial para o desenvolvimento daquelas, é de rigor reconhecer que todos os dispêndios incorridos com bens e serviços adquiridos para a preparação do solo, plantio da cana, corte, colheita e transporte da canadeaçúcar são totalmente imprescindíveis ao desenvolvimento do seu processo produtivo/industrial, pois sem aquelas etapas não será possível a obtenção do açúcar e do etanol a partir da canadeaçúcar". A Recorrente afirma que a atividade agroindustrial desenvolvida, posto que os produtos fabricados e comercializados (açúcar e o etanol) são transformação do açúcar acumulado na cana plantada, são consideradas essenciais, sendo inadmissível que esta etapa seja extirpada do processo produtivo. Para tanto, retrata a opinião técnica dos professores da ESALQ/USP, conforme trecho elucidativo à fl. 05 do Laudo/Parecer Técnico: "Assim, a máxima do setor agrícola é aquela que considera todo o açúcar obtido na indústria é resultado do açúcar acumulado na lavoura de canadeaçúcar no campo e que a indústria é apenas extrativa e de transformação, ou seja, concentra o açúcar produzido no campo na forma de cristais ou transforma o açúcar em etanol, através de fermentação, cabendo à mesma o dever de produzir com o máximo de eficiência para tomar a atividade agroindustrial rentável. Se o setor agrícola não atingir sucesso na sua produção, a indústria, por mais eficiente que seja, não tem como cobrir tal falha e o empreendimento se torna inviável" (fl. 20.788). (Grifei). Partindo dessas premissas, entendo natural que, em se tratando de uma agroindústria, exatamente como ocorre neste caso, a fase agrícola da atividade empresarial e, por conseguinte, os insumos ali consumidos, muitos destes insumos, também seja levado em consideração para fins de creditamento de PIS e COFINS. Essa questão não é nova para este Colegiado, no qual, como já exposto em tópico anterior, está sedimentada a ideia de que os insumos empregados na fase agrícola (não são todos) também podem ser considerados para fins creditamento de PIS e COFINS nãocumulativo. Como relatado, o Fisco afirma que todos os itens constantes na planilha denominada de "agrícola" são dispêndios ocorridos com a lavoura da canadeaçúcar, não podendo ser Fl. 698DF CARF MF 46 considerados serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e do álcool. Sob esta rubrica, a autoridade fiscal glosou todos os dispêndios ocorridos na lavoura de produção da canadeaçúcar. Como já observado neste voto, no presente caso a admissão dos insumos empregados na fase agrícola da recorrente tornase necessário uma análise mais criteriosa, uma vez que, conforme demonstrado no Parecer Técnico (LAUDO) desenvolvido pela equipe da ESALQ/USP (fls. 13.348 e segts), atenta que quase 70% (setenta por cento) dos custos de produção de açúcar e álcool estão presentes exatamente na fase agrícola. Frisese que as leis (10.637/2002 e 10.833/2003) que regulam o PIS e a COFINS, pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. Ao meu sentir, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatos necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirma que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendese que: (i) são os utilizados na ação de prestar serviços ou, (ii) na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. Portanto, para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. E é diante deste quadro que analisaremos a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS daqueles insumos empregados na fase agrícola de empresas que exploram atividades agroindustriais (como é o caso da Recorrente), o qual passaremos a demonstrar separadamente, por tópicos. 7.1 Contextualização Nesse diapasão, entendo que as possibilidades para se caracterizar insumos não se restringem a: (i) quando se tratar de Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 677 47 matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; (ii) quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização, e (iii ) aos bens obtidos por processo industrial. No caso sob exame, em alguns pontos apresento entendimento divergente da fiscalização e dos julgadores a quo, uma vez que o plantio e preparo da canadeaçúcar e, por ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. E, sendo assim, há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. As informações presentes neste processo, com o auxílio do Parecer Técnico (LAUDO) apresentado e nas informações prestadas pela empresa, a meu sentir, permitem que se forme convicção a esse respeito. 8. Despesas com Arrendamento Agrícola (item 4.2 do TVF) Em relação a este item, a Fiscalização procedeu com a glosa de todos os valores relativos aos custos com arrendamento mercantil, sob o fundamento de que aquelas despesas não poderiam ser configuradas como aluguéis de prédios, que seria o item descrito pela legislação para suportar o exercício do direito de créditos de "PIS" e da "COFINS", conforme o texto do TVF reproduzido abaixo (fl. 63, do TVF): "(...) Os documentos contábeis estão lançados na conta “Despesas Operacionais – Aluguéis e Arrendamentos – Arrendamento Agrícola”. Tratamse de pagamentos baseados em contrato intitulados ‘Instrumento Particular de Contrato de Parceria Agrícola”, “Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento” ou “Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de CanadeAçúcar”. Os contratos de parceria agrícola prevêem a partilha de frutos, geralmente, na proporção de 10% para a parceira proprietária e 90% para a parceira agricultora (Cosan) garantindo uma quantidade mínima de toneladas de cana por alqueire/safra para o proprietário. Nos contratos de arrendamento o arrendante recebe um valor fixo de toneladas de canadeaçúcar, sendo o preço da tonelada de cana calculada nos termos do regulamento do Conselho dos Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo – Consecana. Não se tratam de contratos de arrendamento mercantil, pois a Cosan S/A Açúcar e Álcool não é uma instituição de operação de créditos (regulada pelo Banco Central). O arrendamento de terras não pode ser enquadrado como aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, previsto nos incisos IV dos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, Fl. 700DF CARF MF 48 entendendose prédio como edificação e não áreas de terras para cultivo agrícola, ou seja, não pode ampliar os direitos aos créditos através de uma interpretação ampla de uma palavra contida na lei". "(...) Portanto, devem ser mantidas as glosas relativas à apropriação de créditos oriundos dos custos com contratos de arrendamento de terras utilizadas no plantio de canadeaçúcar". Por outro lado, a Recorrente aduz que a referida glosa não merece prosperar, posto que não cabe ao intérprete restringir a abrangência do dispositivo legal em apreço, estando o arrendamento de propriedades rurais destinadas à produção de canadeaçúcar absolutamente abrangido pelo conceito de aluguel de prédio previsto no artigo 3º, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Como se vê, a glosa efetuada pela fiscalização referese a despesas havidas com serviços de arrendamento agrícola vinculados ao centro de custo “canadeaçúcar produção própria”, por se tratar de despesas com a cultura da canade açúcar e que não representam, pois, insumos de produção. Segundo a fiscalização, em primeiro plano, temse que eventuais despesas com arrendamento mercantil, nos moldes em que descritas, encontramse intrinsecamente ligadas, de fato, a atividades agrícolas e, por decorrência, não ingressam no campo normativo destinado a “insumos de produção”, uma vez que o conteúdo semântico de prédio pressupõe uma edificação de notório caráter urbano, o que não existiria nas hipóteses de um arrendamento de um imóvel de natureza rural e ainda, que o arrendamento de terras não se enquadra no conceito de alugueres de prédios, estabelecido nos artigos 3o, inciso IV, das leis 10.637/02 e 10.833/03, in verbis: Lei n. 10.637/02 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). Lei n. 10.833/03 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). (Grifei). O arrendamento aqui tratado, o qual é qualificado como arrendamento rural, ou seja, modalidade de locação que contempla a exploração de terra em zona rural, exatamente Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 678 49 como prescreve o art. 3o do Decreto 59.566/661, veículo legislativo responsável por regulamentar o Estatuto da Terra. Nesse sentido, os contratos intitulados como de arrendamento não podem ser tomados como aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, mesmo quando se amplie a acepção strictu sensu conferida pela lei civil ao termo “prédio” para também alcançar, v.g, a parte delimitada do solo juridicamente autônoma (seja rural ou urbana). É que o aluguel não se confunde com o arrendamento mercantil, sendo certo que o arrendamento mercantil não é espécie do gênero locação, haja vista as nítidas distinções existentes entre ambos os institutos, notadamente em face de que o arrendatário goza da posse provisória do bem pelo prazo de duração do contrato (como também se dá na locação), dispondo, porém, da “opção de compra” do bem ao final do contrato, por um “valor residual”, computados os aluguéis como se fossem “parcelas de pagamento” da compra. O Fisco propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Pelos fundamentos acima expostos, não consigo acompanhar a Recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'aluguel de prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Desta forma, voto por negar provimento ao recurso neste item, mantendose a glosa, por entender não cabível, na espécie (arrendamento de terras), o disposto nos artigos 3o, inciso IV, das leis 10.637/02 e 10.833/03. 9. Aquisição de CANADEAÇÚCAR (item 4.3 do TVF) Informa a Recorrente que sob a rubrica em análise (Canade açúcar), a fiscalização, glosou dispêndios com a aquisição de canadeaçúcar, sob o argumento de que as empresas fornecedoras constantes nas notas fiscais não exercem atividade agropecuária, bem como que parte da cana foi adquirida durante o período de entressafra, conforme se depreende do TVF à fl. 64: "Resulta induvidoso, assim, que somente a aquisição da canade açúcar (destinada à produção de açúcar) efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dará direito à apuração e dedução do crédito 1 " Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuiç ão ou aluguel , observados os limites percentuais da Lei. (...)." Fl. 702DF CARF MF 50 presumido em tela. Portanto, não podem ser aceitas como aptas a gerar créditos de PIS e Cofins as aquisições de canadeaçúcar efetuadas junto a pessoas jurídicas com atividades de transporte rodoviário de cargas, incorporação imobiliária, aluguel de imóveis, corretagem no aluguel de imóveis, etc, como pretende a impugnante". "(...) De todo modo, evidenciase que no período não houve aquisição de canadeaçúcar que tenha sido utilizada como insumo, posto que, conforme o Livro de Produção Diária, não ocorreu produção de açúcar ou de álcool. E, como já dito e repisado, insumos utilizados na atividade agrícola não dão direito à apuração de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. Em resumo, o Fisco entende que a Recorrente não poderia se creditar da aquisição da canadeaçúcar, seu principal insumo, porque seus fornecedores não possuiriam, em seus objetos sociais, a lavoura ou comercialização do produto. A Recorrente afirma que a glosa em combate não possui qualquer suporte legal, pois tenta desconsiderar o creditamento de PIS e COFINS tão somente pelo fato de que a empresa fornecedora supostamente não exercer atividade agroindustrial. No entanto, a fiscalização ao tratar de “Bens e serviços utilizados como insumos” no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização registrou que: "(...) A aquisição dos produtos agropecuários que geram o direito de créditos presumidos, por ser efetuada de pessoa física ou com suspensão, não gera direito ao desconto de créditos calculados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, conforme disposto no inciso II do § 2º destes artigos. A canadeaçúcar (NCM 1212.93.00) tem a incidência suspensa no caso de venda para produção do açúcar de acordo com o inciso III do artigo 9º da Lei 10.925/2004 e para a produção do álcool, a suspensão esta prevista no artigo 11 da Lei 11.727/2008. Assim, as aquisições da canadeaçúcar não geram os créditos previstos nos incisos II dos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03". Por sua vez, ao abordar os “Créditos presumidos atividade agroindustrial”, transcreveu o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e assinalou que “a empresa pode deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor da canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas ou recebida de cooperados pessoas físicas, além daquela adquirida com suspensão de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária”. Depois, ao tratar da glosa atinente à aquisição da canade açúcar, repetiu a mesma informação anteriormente transcrita para então concluir que, conforme consta da referida Lei nº 10.925, de 2004, “aquisições de canadeaçúcar de pessoas jurídicas com atividade de transporte rodoviário de cargas, incorporação imobiliária, aluguel de imóvel próprio, corretagem no aluguel de imóveis, comércio varejista de produtos alimentícios, compra e venda de imóvel próprio e incorporação de empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 679 51 holding de instituições não financeiras, administração pública” não foram “aceitas como base de cálculo do crédito presumido por não se tratar de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária”. Ou seja, para ter direito ao crédito presumido a Impugnante deveria ter adquirido os produtos de pessoa física ou pessoa jurídica que obrigatoriamente deve exercer atividade agropecuária. Vejase o que consta a fl. 64 do Termo de Verificação Fiscal: " (...) Notas fiscais de entrada de canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas e pessoas jurídicas. É permitido a dedução de crédito presumido da contribuição devida de PIS e Cofins sobre as aquisições de canadeaçúcar utilizada na produção do açúcar (produtos destinados à alimentação humana), calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperados pessoas físicas, além daqueles adquiridos com suspensão de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária. Foram encontradas aquisições de canadeaçúcar de empresas com atividade de transporte rodoviário de cargas, incorporação imobiliária, aluguel de imóvel próprio, corretagem no aluguel de imóveis, comércio varejista de produtos alimentícios, compra e venda de imóvel próprio e incorporação de empreendimentos imobiliários, que não foram aceitas como base de cálculo do crédito presumido por não se tratar de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária. Também consta aquisição de canadeaçúcar em janeiro e março 2010, período em que não há produção nas usinas (entressafra), conforme escrituração no Livro de Produção Diária". A Recorrente destaca que diferentemente do que alegou a fiscalização, a aquisição da canadeaçúcar foi legitima, realizada mediante contratos de parceria agrícola e/ou de empresas fornecedoras que estavam exercendo atividade (ainda que secundária) agrícola. No entanto, a aquisição dos produtos agropecuários que geram o direito de créditos presumidos, por ser efetuada de pessoa física ou com suspensão, não gera direto ao desconto de créditos calculados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, conforme disposto no inciso II do § 2º destes artigos. A canadeaçúcar (NCM 1212.93.00) tem a incidência suspensa no caso de venda para produção do açúcar de acordo com o inciso III do artigo 9º da Lei 10.925/2004 e para a produção do álcool, a suspensão esta prevista no artigo 11 da Lei 11.727/2008. Assim, a aquisição da canadeaçúcar não gera os créditos previstos nos incisos II do artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Pois bem. Primeiramente, quanto ao crédito presumido na produção do açúcar, este mesmo tema já foi objeto de discussão neste Colegiado em processo dessa mesma empresa (PAF nº 10880.723059/201398), Acórdão nº 3402003.817, de 26/01/2017, de lavra do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que Fl. 704DF CARF MF 52 adoto como razões de decidir, fazendo algumas adaptações pontuais: "Ressaltese que ao tratar dos “créditos presumidos atividade agroindustrial”, a fiscalização transcreveu o disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fazendo assinalar que a empresa pode deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor da canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas ou recebida de cooperados pessoas físicas, além daquela adquirida com suspensão de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária”. Ao tratar da glosa atinente à aquisição da canadeaçúcar, a fiscalização repetiu a mesma informação anteriormente transcrita para então concluir que, conforme consta da referida lei nº 10.925/2004, "não podem ser aceitas aquisições de cana feita de pessoas jurídicas com atividade de holding, aluguel de imóveis, apoio à educação, incorporação de empreendimento imobiliário, apoio à pecuária, outras atividades de serviços prestados, apoio à produção florestal, consultorias e transporte rodoviário de passageiros, por não se tratar de pessoas jurídicas que exerce(m) atividade agropecuária”. Em outros termos, a fiscalização entendeu que para a sobredita dedução do crédito o bem correlato deve ser adquirido de empresa que exerce atividade agropecuária, o que não é o caso dos autos. Segundo a fiscalização, o creditamento não seria devido porque, embora os bens adquiridos pela Recorrente (canadeaçúcar) se enquadrassem no conceito de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana (premissa adotada pela fiscalização no caso em concreto), a pessoa jurídica vendedora de tais bens não seria uma empresa com atividade agropecuária. Acontece que, no presente caso, o que a fiscalização prova é que a motivação da glosa se deve ao fato da cana ter sido adquirida de empresa que não exercer atividade agropecuária. O fato de uma empresa comprar e vender produtos agropecuários (como acontece no caso da compra e venda da canadeaçúcar) não a transforma, automaticamente, em uma empresa que exerça atividade agropecuária, o que justifica, portanto, a manutenção da glosa fiscal no presente tópico". Não resta dúvidas que somente a aquisição da canadeaçúcar (destinada à produção de açúcar) efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dará direito à apuração e dedução do crédito presumido em tela. Em resumo, não podem ser aceitas, de fato, aquisições de canadeaçúcar havidas junto a pessoas jurídicas com atividades de holding, aluguel de imóveis, apoio à educação, incorporação de empreendimento imobiliário, apoio à pecuária, outras atividades de serviços prestados, apoio à produção florestal, consultorias e transporte rodoviário de passageiros. No que se refere ao crédito geral, a legislação de regência não deixa margem para dúvidas: a aquisição dos produtos Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 680 53 agropecuários “não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição” (art. 3º, II, § 2º das Leis 10.637/02 e 10.833/03), não gera direto ao crédito previsto no inciso II, art. 3º da citadas leis. No caso sob exame, a canadeaçúcar (NCM 1212.93.00) tem a incidência suspensa quando vendida para produção do açúcar de acordo com o inciso III do artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 e para a produção do álcool, a suspensão está prevista no artigo 11 da Lei nº 11.727/2008. Assim, as aquisições da canade açúcar não geram os créditos previstos nos incisos II dos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Posto isto, com esses fundamentos, voto por NEGAR provimento ao recurso neste item, mantendose a glosa efetuado pela fiscalização. 10. Dos Créditos com aquisição e revenda de Óleo Diesel (item 4.4 do TVF) Aduz a Recorrente que devido a intensa necessidade de utilização de óleo diesel pelas máquinas agrícolas e pelos caminhões que realizam o transporte da cana, a Recorrente o adquire para aplicação nestas atividades que fazem parte do processo produtivo do açúcar e do álcool. Todavia, a autoridade fiscal decidiu glosar os dispêndios com óleo diesel, sob o argumento de que a área agrícola não faz parte do processo produtivo da empresa. Ressalta a Recorrente que a atividade por si desenvolvida, além da fase puramente industrial, não prescinde da atividade agrícola, ao passo que o uso de caminhões, maquinários agrícolas e veículos é indispensável à atividade produtiva, servindo o óleo diesel como insumo necessário à utilização desses veículos. Neste tópico, a fiscalização glosou os valores decorrentes da aquisição de óleo diesel que são empregados na fase agrícola da produção do açúcar e do álcool, o que fez com amparado nas já rechaçadas IN's n°s 247/02 e 404/04. É o que se depreende do seguinte trecho do TVF (fl. 64): (...) O óleo diesel é combustível consumido pelas máquinas agrícolas, na cultura da canadeaçúcar, e pelos caminhões, no transporte desta até a usina, portanto não é combustível utilizado na produção do açúcar e do álcool. A indústria utilizase do vapor d’água, gerado com a queima do bagaço da cana para mover picadores, desfibradores, moendas, destilarias, etc, bem como de energia elétrica necessária em vários setores da indústria .(...)". A fiscalização consigna que a planilha é composta por notas fiscais de venda de óleo diesel, que são descontadas dos créditos nas aquisições de óleo diesel, devido à impossibilidade da Fl. 706DF CARF MF 54 identificação no momento da aquisição do óleo. A empresa adquire óleo diesel de acordo com as notas fiscais de entrada constantes na planilha “Notas Fiscais” e, revende parte desse combustível, emitindo notas fiscais de saída com CFOP 5656 ou 6656 (venda de combustível ou lubrificante, adquiridos ou recebidos de terceiros, destinados ao consumidor ou usuário final). "(,,,) Dessa forma as aquisições de óleo diesel foram glosadas na planilha “Nota Fiscal” e como conseqüência não foram consideradas as deduções na base de créditos dos totais da planilha “óleo diesel”. Como em tópico anterior, este mesmo tema já foi objeto de discussão neste Colegiado em processo dessa mesma empresa (Processo nº 10880.723059/201398), Acórdão nº 3402003.817, de 26/01/2017, de lavra do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que adoto como razões de decidir, fazendo algumas adaptações pontuais para este caso: "Acontece que, como já exposto no presente voto, a fase agrícola também deve ser considerada para fins de creditamento do PIS e da COFINS na hipótese de uma agroindústria, exatamente como ocorre no caso em tela. Logo, deve incidir o disposto nos artigos 3o, inciso II das leis 10.637/02 e 10.833/03, motivo pelo qual reverto as glosas aqui referentes à aquisição de óleo diesel utilizado em maquinários e veículos, bem como no transporte, empregados na fase agrícola, exatamente como já decidido por essa turma no já citado acórdão nº 3402003.041". Como se vê, o próprio texto da lei que permite à ora RECORRENTE a manutenção dos créditos do óleo diesel adquirido. Posto isto, voto por DAR provimento ao recurso neste item, revertendose a glosa aplicada referente a aquisição Óleo Diesel, para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos nas atividades agrícolas da Recorrente. 11. Glosas Realizadas por Centros de Custos IDENTIFICADOS (item 4.5 do TVF) Neste item a Fiscalização aduziu que não poderiam dar ensejo a créditos determinadas aquisições de bens e serviços, sob o fundamento de que não poderiam ser classificados como insumos. Estes foram classificados como: (i) centro de custo agrícola; (ii) centro de custo não ligado à produção; e (iii) centro de custo de material não produtivo. 11.1. CC IDENTIFICADOS Centro de Custo Agrícola (item 7.1.1 do TVF) A fiscalização, quanto a este item, destacou que a glosa alcançaria basicamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 681 55 caminhões ou diretamente na lavoura. O Acórdão recorrido, uma vez mais fundamentou a manutenção das glosas ao argumento de que os bens e serviços aplicados referentes a este centro de custo são relacionados à fase agrícola de produção e, portanto, não poderiam ser considerados insumos. "(...) Assim, devem ser mantidas as glosas que correspondem a despesas vinculadas aos centros de custos relacionados à área agrícola e relacionados pelo AuditorFiscal no item 7.1.1custo agrícola do Termo de Verificação Fiscal (fls. 66/68)". Alega a Recorrente que a fiscalização albergada na equivocada premissa de que a etapa agrícola não faz parte do processo produtivo da Recorrente, realizou a glosa de todas as aquisições de peças de reposição utilizadas no caminhões e máquinas agrícolas, conforme afirma no item 7.1.1 do TVF. Vale frisar que, dentre outras atividades, a Recorrente produz e comercializa açúcar e álcool, o que demanda, para a sua produção, o emprego de inúmeros bens e serviços destacados em sua escrita fiscal para fins de creditamento e glosados pela fiscalização. Dentre os bens e serviços glosados pela fiscalização destacamse os seguintes centros de custos (TVF, item 7.1.1 " cc agrícola", fls. 66/68): BALSA COPI, BALSA DIAM, CAR/REB ADM DIAM, CAR/REB ADM INSERRA, CARREG. PRÓPRIORAF, CENTR. AR COMP.SERRA, COLH CANA TERC. USH, COLH. CANA FORN. USH, COLH.CANA FORN.DIAM, COLH.CANA PIC. B.RET, COLH.CANA PIC. DIAM, COLH.CANA PIC. IASF, COLH.CANA PIC. JUNQ, COLH.CANA PIC. RAF, COLH.CANA PIC.SERRA, COLH.CANA PICADA COP, COLH.CANA PICADA MUN, COLH. CANA TERC. COPI, COLH. CANA TERC.DIAM, COLHED.CANA PIC. USH, COLHEITA CANA COPI, COLHEITA CANA DIAM, COLHEITA CANA IASF, COLHEITA CANA JUNQ, COLHEITA CANA RAF, COLHEITA CANA SERRA, COLHEITA DE CANA USH, COMB.ABAST. B.RET, COMB.ABAST. COPI, COMB.ABAST. DIAM, COMB.ABAST. IASF, COMB.ABAST. JUNQ, COMB.ABAST. MUND, COMB.ABAST. RAF, COMB.ABAST. SERRA, COMB.ABAST. USH, CORTE MEC. ADMSERRA, Carreg / Reboque Cana Adm Intei BARRA, Carreg / Reboque Cana Adm Intei – BONFIM, Carreg / Reboque Cana Adm Intei – TAMOIO, Carreg / Reboque Cana Fornec In – BONFIM, Carreg / Reboque Fornec Cana In TAMOIO, Carreg / Reboque Terc Cana Inte BARRA, Carrega / Reboque Adm Inteira IPAUSSU, Carregamento PróprioUNIV, Carrg / Reboque Cana Fornec Int BARRA, Colhedeira de Cana Picada – BARRA, Colhedeira de Cana Picada – BENÁLCOOL, Colhedeira de Cana Picada – BONFIM, Colhedeira de Cana Picada – DC, Colhedeira de Cana Picada – DEST, Colhedeira de Cana Picada – GASA, Colhedeira de Cana Picada – IPAUSSU, Colhedeira de Cana Picada – TAMOIO, Colhedeira de Cana Picada – UNIV, Colheita de Cana– BARRA, Colheita de Cana –BENÁLCOOL, Fl. 708DF CARF MF 56 Colheita de Cana – BONFIM, Colheita de Cana– DC, Colheita de Cana – GASA, Colheita de Cana – IPAUSSU, Colheita de Cana –TAMOIO, Colheita de Cana – UNIV, Colheita de Cana Fornecedores – BONFIM, Colheita de Cana Fornecedores – DC, Colheita de Cana Fornecedores – TAMOIO, Colheita de Cana Fornecedores – UNIV, Colheita de Cana Orgânica – UNIV, Colheita de Cana Outras Origens – BARRA, Comboio de Abastecimento GASA, Comboio de Abastecimento –BARRA, Comboio de Abastecimento – BENÁLCOOL, Comboio de Abastecimento –BONFIM, Comboio de Abastecimento – DEST, Comboio de Abastecimento – IPAUSSU, Comboio de Abastecimento – TAMOIO, Comboio de Abastecimento – UNIV, Gerência Regional Agrícola Gasa, IMPL.AGRÍCOLAS JUNQ, IMPL.AGRÍCOLAS B.RET, IMPL.AGRÍCOLAS DIAM, IMPL.AGRÍCOLAS MUND, IMPL.AGRÍCOLAS SERRA, IMPLEM.AGRÍCOLAS COP, IMPLEM.AGRÍCOLAS RAF, IMPLEM.AGRÍCOLAS USH, IMPLM.AGRÍCOLAS IASF, Implementos Agrícolas – BARRA, Implementos Agrícolas – BENÁLCOOL, Implementos Agrícolas –BONFIM, Implementos Agrícolas – DEST, Implementos Agrícolas – GASA, Implementos Agrícolas – IPAUSSU, Implementos Agrícolas– TAMOIO, Implementos Agrícolas – UNIV, M.O. AGRICCOLHMIGRAM, M. OBRA AGRIC.SERRA, M. OBRA AGRÍCOLA RAF, M. OBRA AGRÍCOLA –USH, M. OBRA AGRÍCOLA IASF, MANUT.CAMPO COPI, MANUT.CAMPO RAF, MEC.AGRIC.COLH –COPI, MEC.MAQ.AMARELAS, MEC.MAQ.EXTR.PESADAS, MEC.MAQ.LEVES IASF, MEC.MAQ.LEVES JUNQ, MEC.MAQ.LEVES MUND, MEC.MAQ.LEVES SERRA, MEC.MAQ.MÉDIAS B.RET, MEC.MAQ.MÉDIAS IASF, MEC.MAQ.MÉDIAS JUNQ, MEC.MAQ.MÉDIAS MUND, MEC.MAQ.MÉDIAS SERRA, MEC.MAQ.PES.B. RET, MEC.MAQ.PES.COPI, MEC.MAQ.PES.DIAM, EC.MAQ.PES.IASF, MEC.MAQ.PES.JUNQ, MEC.MAQ.PES.MUND, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.MAQ.PES.SERRA, MEC.MAQ.PES.USH, MEC.PLANTIOMEC B.RET, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, EC.PLANTIOMEC. MUND, MEC.PLANTIOMEC.COPI, MEC.PLANTIOMEC.RAF, MEC.PLANTIOMEC.SERRA, MEC.PLANTIOMEC.USH, MECAN.AGR. MUND, MECAN.MAQ.LEVES USH, MECAN.MAQ.MÉDIAS USH, MECANIZ. AGR. JUNQ, MECANIZ.AGR. B.RET, MECANIZ.AGR. DIAM, MECANIZ.AGR.IASF, MECANIZAÇÃO AGR.COPI, MECANIZAÇÃO AGR.RAF, MECANIZAÇÃO AGR.USH, MECZ.MAQ.LEVE COPI, MECZ.MAQ.LEVES DIAM, MECZ.MAQ.LEVES RAF, MECZ.MAQ.MÉDIA COPI, MECZ.MAQ.MÉDIAS DIAM, MECZ.MAQ.MÉDIAS RAF, MO AG.COL.MINSERRA, MO AG.COL.MIN. B.RET, MO AG.COL.MIN. IASF, MO AG.COL.MIN. MUND, MO AG.COL.MINEIRUSH, MO AG.COL.REG. SERRA, MO AG.COLH.MIN. DIAM, MO AG.COLH.MIN. JUNQ, MO AG.COLH.REG. JUNQ, MO AGR.COLH.MIN. RAF, MO AGR.COLH.MIN.COPI, MO AGR.COLH.REG. DIA, Manutenção de Campo –BARRA, Manutenção de Campo – BONFIM, Manutenção de Campo – UNIV, MdO Agrícola ColheitaMineiros– IPAUSSU, MdO Agrícola ColheitaRegionaisBARRA, MdO Agrícola Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 682 57 ColheitaRegionaisBENÁLCO, MdO Agrícola ColheitaRegionaisBONFIM, MdO Agrícola ColheitaRegionaisDC, MdO Agrícola ColheitaRegionaisDEST, MdO Agrícola ColheitaRegionaisTAMOIO, MdO Agrícola ColheitaRegionaisUNIV, Mecanização Agrícola – BARRA, Mecanização Agrícola – BENÁLCOOL, Mecanização Agrícola – BONFIM, Mecanização Agrícola – GASA, Mecanização Agrícola – TAMOIO, Mecanização Agrícola – UNIV, Mecanização Agrícola Colheita –BENÁLCOO, Mecanização Agrícola Colheita – BONFIM, Mecanização Maquinas Extra PesadasBarra, Mecanização Maquinas Extra PesadasBonfi, Mecanização Maquinas Extra PesadasDesti, Mecanização Maquinas Extra PesadasGasa, Mecanização Maquinas Extra PesadasIpaus, Mecanização Maquinas Extra PesadasTamoi, Mecanização Maquinas Extra PesadasUniva, Mecanização Máquinas Amarelas – Barra, Mecanização Máquinas Amarelas – Benalcoo, Mecanização Máquinas Amarelas –Bonfim, Mecanização Máquinas Amarelas – Ipaussu, Mecanização Máquinas Amarelas – Tamoio, Mecanização Máquinas Amarelas – Univalem, Mecanização Máquinas Leves – BARRA, Mecanização Máquinas Leves – BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Leves – BONFIM, Mecanização Máquinas Leves – DEST, Mecanização Máquinas Leves – GASA, Mecanização Máquinas Leves – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Leves – UNIV, Mecanização Máquinas Médias – BARRA, Mecanização Máquinas Médias BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Médias – BONFIM, Mecanização Máquinas Médias – DEST, Mecanização Máquinas Médias – GASA, Mecanização Máquinas Médias – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Médias – TAMOIO, Mecanização Máquinas Médias – UNIV, Mecanização Máquinas Pesadas – BARRA, Mecanização Máquinas Pesadas – BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Pesadas – BONFIM, Mecanização Máquinas Pesadas – DEST, Mecanização Máquinas Pesadas – GASA, Mecanização Máquinas Pesadas – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Pesadas – TAMOIO, Mecanização Máquinas Pesadas – UNIV, Mecanização Plantio Mecanizado – BARRA, Mecanização Plantio Mecanizado – BENÁLCO, Mecanização Plantio Mecanizado –BONFIM, Mecanização Plantio Mecanizado – DEST, Mecanização Plantio Mecanizado –GASA, Mecanização Plantio Mecanizado – IPAUSSU, Mecanização Plantio Mecanizado –TAMOIO, Mecanização Plantio Mecanizado – UNIV, Meio AmbienteISO 14000 Ind. –TAMOIO, MÃO DE OBRA AGRC.COP, MÃO OBRA AGRIC. JUNQ, MÃO OBRA AGRIC. MUND, MÃO OBRA AGRIC.B.RET, MÃO OBRA AGRÍC. DIAM, Mão Obra Agrícola ColheitaMineirosDEST, Mão de Obra Agr.ColheitaMineirosBARRA, Mão de Obra Agr.ColheitaMineirosBONFIM, Mão de Obra Agr.olheitaMineirosUNIV, Mão de Obra Agrícola – BARRA, Mão de Obra Agrícola – BENÁLCOOL, Mão de Obra Agrícola – BONFIM, Mão de Obra Agrícola – DC, Mão de Obra Agrícola – DEST, Mão de Obra Agrícola – GASA, Mão de Obra Agrícola – IPAUSSU, Mão de Obra Agrícola –TAMOIO, Mão de Obra Agrícola – UNIV, OFIC.ELÉTRICA JUNQ, Fl. 710DF CARF MF 58 OFIC.MECÂNICA JUNQ, OUTRAS CULT.AGR.COPI, PL.INDEN.TERCB RET, PL.INDEN.TERCIASF, PL.INDEN.TERCRAFARD, PLANTIO MEC.B. RET, PLANTIO MEC.COPI, PLANTIO MEC.JUNQ, PLANTIO MEC.MUND, PLANTIO MEC.RAF, PLANTIO MEC.SERRA, PLANTIOB. RET, PLANTIOCOPI, PLANTIODIAM, PLANTIOIASF, PLANTIOJUNQ, PLANTIOMUND, PLANTIORAF, PLANTIOSERRA, PLANTIOUSH, PORTOS – DIAM, PP/PLANT.TRCUSH, PREPARO SOLOB. RET, PREPARO SOLOCOPI, PREPARO SOLODIAM, PREPARO SOLOIASF, PREPARO SOLOJUNQ, PREPARO SOLOMUND, PREPARO SOLORAF, PREPARO SOLOSERRA, PREPARO SOLOUSH, Plantio – BARRA, Plantio – BONFIM, Plantio –DC, Plantio – DEST, Plantio– GASA, Plantio – IPAUSSU, Plantio – TAMOIO, Plantio –UNIV, Plantio Contratos – BONFIM, Plantio Mecanizado, Plantio Mecanizado – BARRA, Plantio Mecanizado – BONFIM, Plantio Mecanizado – DEST, Plantio Mecanizado – GASA, Plantio Mecanizado – IPAUSSU, Preparo do Solo – BARRA, Preparo do Solo –BENÁLCOOL, Preparo do Solo – BONFIM, Preparo do Solo – DC, Preparo do Solo – DEST, Preparo do Solo – GASA, Preparo do Solo – IPAUSSU, Preparo do Solo – TAMOIO, Preparo do Solo – UNIV, REB ADM INT – SERRA, REB.JULI.PROPRAF, REBOQUE B. RET, REBOQUE – COPI, REBOQUE– DIAM, REBOQUE – IASF, REBOQUE – JUNQ, REBOQUE – MUND, REBOQUE – RAF, REBOQUE – SERRA, REBOQUE –USH, ROUGUING – JUNQUEIRA, Reboque BARRA, Reboque – BENÁLCOO, Reboque –BONFIM, Reboque – DC, Reboque –DEST, Reboque – GASA, Reboque – IPAUSSU, Reboque – TAMOIO, Reboque – UNIV, Reboque Cana Adm Int. – TAMOIO, Reboque Cana Adm Picada – TAMOIO, Reboque Cana Administrada Pic – BENÁLCOO, Reboque Cana Int. Administrada –BONFIM, Reboque Cana Organica Picada – UNIV, Reboque Cana Picada Administrada – BARRA, Reboque Fornecedor Cana Int. – BONFIM, Reboque Fornecedor Cana Int. – TAMOIO, Reboque Fornecedor Cana Picada BARRA, Reboque Julieta PróprioUNIV, Reboque Terceirizado Cana Picad BARRA, Rouguing – DESTIVALE, Rouguing – GASA, Rouguing – UNIVALE, SERV.TRAT.CULT. COPI, SERV.TRAT.CULT. IASF, SERV.TRAT.CULT. JUNQ, SERV.TRAT.CULT. MUND, SERV.TRAT.CULT.B.RET, SERV.TRAT.CULT.SERRA, SERV.TRAT.CULTS USH, SERV.TRAT.CULTS. RAF SERV.TRAT.CULTS.DIAM, Serviços Fornecedores de Cana – DC, Serviços Fornecedores de Cana – DEST, Serviços de Tratos Culturais – BARRA, Serviços de Tratos Culturais – BENÁLCOOL, Serviços de Tratos Culturais – BONFIM, Serviços de Tratos Culturais – DC, Serviços de Tratos Culturais – DEST, Serviços de Tratos Culturais – GASA, Serviços de Tratos Culturais –IPAUSSU, Serviços de Tratos Culturais – TAMOIO, Serviços de Tratos Culturais –UNIV, Superv. Manut. Agric. Regional – Gasa, Supervisão Manutenção Agrícola – TAMOIO, TR ADM MANU – SERRA, TRANS COLH – JUNQ, TRANS COLH – RAF, TRANS COLHE B. RET, TRANS COLHEI – COPI, TRANS COLHEITA – USH, TRANS COLHEITAIASF, TRANS. COLH – SERRA, TRANS.AG.COL. B.RET, TRANSP COLH –DIAM, TRANSP COLH – MUND, TRANSP. AGRÍCOLA RAF, TRANSP. AGRÍCOLA USH, TRANSP. INDL. DIAM, Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 683 59 TRANSP. INDUAL COPI, TRANSP.AG.COLH.SERRA, TRANSP.AGR.COLH. RAF, TRANSP.AGR.COLH.COPI, TRANSP.AGR.COLH.DIAM, TRANSP.AGR.COLH.JUNQ, TRANSP.AGR.COLH.MUND, TRANSP.AGR.COLH.USH, TRANSP.AGRIC. B.RET, TRANSP.AGRIC.SERRA, TRANSP.AGRÍCOLA COPI, TRANSP.AGRÍCOLA DIAM, TRANSP.AGRÍCOLA IASF, TRANSP.AGRÍCOLA JUNQ, TRANSP.AGRÍCOLA MUND, TRATO PLANTACOPI, TRATO PLANTADIAM, TRATO PLANTAJUNQ, TRATO PLANTAMUND, TRATO PLANTARAF, TRATO PLANTASERRA, TRATO PLANTAUSH, TRATO SOCAB. RET, TRATO SOCACOPI, TRATO SOCADIAM, TRATO SOCAIASF, TRATO SOCAJUNQ, TRATO SOCAMUND, TRATO SOCARAF, TRATO SOCASERRA, TRATO SOCAUSH, TRT.SOCA TERC.DIAM, Transp. Colheita – IPAUSSU, Transporte Agrícola – BARRA, Transporte Agrícola – BENÁLCOOL, Transporte Agrícola – BONFIM, Transporte Agrícola –DEST, Transporte Agrícola – GASA, Transporte Agrícola – IPAUSSU, Transporte Agrícola –TAMOIO, Transporte Agrícola – UNIV, Transporte Agrícola Colheita – BARRA, Transporte Agrícola Colheita –BENÁLCOOL, Transporte Agrícola Colheita – BONFIM, Transporte Agrícola Colheita – GASA, Transporte Agrícola Colheita –IPAUSSU, Transporte Agrícola Colheita – TAMOIO, Transporte Agrícola Colheita – UNIV, Transporte Cana Adm Manual BARRA, Transporte Cana Adm Manual – BONFIM, Transporte Cana Adm Manual –TAMOIO, Transporte Colheita BARRA, Transporte Colheita – BENÁLCOO, Transporte Colheita – BONFIM, Transporte Colheita – DEST, Transporte Colheita – GASA, Transporte Colheita – TAMOIO, Transporte Colheita – UNIV, Transporte Colheita Cana – DC, Transporte Forncedor Cana Picad BARRA, Transporte Fornec Cana Inteira – TAMOIO, Transporte Fornecedor Cana Inte BARRA, Transporte Fornecedor Cana Inte – BONFIM, Transporte Fornecedor Cana Inteira – DC, Transporte Fornecedor Cana Pica – TAMOIO, Transporte Mec Cana Administrad – TAMOIO, Transporte Mecan Cana Adminis – BENÁLCOO, Transporte Mecanizado Cana Admi BARRA, Transporte Terceirizado Cana PicBARRA, Trato Planta – BARRA, Trato Planta – BENÁLCOOL, Trato Planta – DEST, Trato Planta – GASA, Trato Planta – IPAUSSU, Trato Planta –TAMOIO, Trato Planta – UNIV, Trato Planta Orgânica – UNIV, Trato Soca – BARRA, Trato Soca – BENÁLCOOL, Trato Soca – BONFIM, Trato Soca – DC, Trato Soca – DEST, Trato Soca – GASA, Trato Soca – IPAUSSU, Trato Soca – TAMOIO, Trato Soca– UNIV, Trato Soca Orgânica – UNIV, Trato Soca Terceirizada –DEST, Trnapsorte erceirizado Cana In BARRA, VINHAÇA B. RET, VINHAÇA – DIAM, VINHAÇA –JUNQ, VINHAÇA –MUND, VINHAÇA – RAF, VINHAÇA – SERRA, VINHAÇA – USH, VINHAÇA COPI, VINHAÇA IASF, Vinhaça – BARRA, Vinhaça– BENÁLCOOL, Vinhaça –BONFIM, Vinhaça – DC, Vinhaça – DEST, Vinhaça – GASA, Vinhaça – IPAUSSU, Vinhaça–TAMOIO, Vinhaça UNIV. Fl. 712DF CARF MF 60 A fiscalização informa que são basicamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e caminhões ou diretamente na lavoura. Pela descrição das rubricas acima detalhadas, se percebe que estamos diante de despesas com maquinários agrícolas, serviços de reparos dos maquinários agrícolas, transportes, pagamento de mãodeobra e outros gastos que não condizem com a produção do álcool e do açúcar, mas ainda da fase agrícola em si considerada, que pertencem a atividade produtiva com um certo distanciamento. No entanto, entendo que com a descrição dos bens creditados confrontados com o objeto social da empresa e o LAUDO TÉCNICO apresentado, como não garantir, por exemplo, que a "colheita da cana" e seu "plantio mecanizado" não fazem parte da etapa agrícola da produção da canadeaçúcar que vai dar origem ao açúcar e álcool? Ademais, não se trata apenas de uma conclusão pelo simples confronto entre o objeto social da empresa e as descrições em seus registros contábeis, uma vez que todo o processo produtivo da Recorrente e, por conseguinte, cada uma dessas rubricas, foram exaustivamente tratadas e bem elucidadas (Cadeia Produtiva da Industria Sucroenergética) pelo Laudo/Parecer Técnico elaborado pela ESALQ/USP (fls. 20.784/20.934), instituição que é uma referência nacional e internacional no âmbito da engenharia agronômica. Ressaltase que há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. Sendo assim, neste tópico em particular, voto para dar PARCIAL provimento ao recurso interposto para REVERTER as glosas que recaíram sobre o centro de custo agrícola "cc agrícola", com exceção dos seguintes itens informados na relação acima, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco (item 7.1.1 do TVF) e que foram negritados: CENTR. AR COMP.SERRA, COLH CANA TERC. USH, COLH. CANA FORN. USH, COLH.CANA FORN.DIAM, COLH.CANA TERC.COPI, COLH.CANA TERC.DIAM, Carreg / Reboque Fornec Cana In – TAMOIO, Carreg / Reboque Terc Cana Inte BARRA, Carrega / Reboque Adm Inteira – IPAUSSU, Carregamento PróprioUNIV, Carrg / Reboque Cana Fornec Int BARRA, Colheita de Cana Fornecedores – BONFIM, Colheita de Cana Fornecedores – DC, Colheita de Cana Fornecedores – TAMOIO, Colheita de Cana Fornecedores – UNIV, M.O.AGRICCOLHMIGRAM, M.OBRA AGRIC.SERRA, M.OBRA AGRÍCOLA RAF, M.OBRA AGRÍCOLA –USH, M.OBRA AGRÍCOLA IASF, MANUT.CAMPO COPI, MANUT.CAMPO RAF, MEC.AGRIC.COLH –COPI, MEC.MAQ.AMARELAS, MEC.MAQ.EXTR.PESADAS, MEC.MAQ.LEVES IASF, MEC.MAQ.LEVES JUNQ, MEC.MAQ.LEVES MUND, MEC.MAQ.LEVES SERRA, MEC.MAQ.MÉDIAS B.RET, MEC.MAQ.MÉDIAS IASF, MEC.MAQ.MÉDIAS JUNQ, MEC.MAQ.MÉDIAS MUND, MEC.MAQ.MÉDIAS SERRA, Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 684 61 MEC.MAQ.PES.B. RET, MEC.MAQ.PES.COPI, MEC.MAQ.PES.DIAM, EC.MAQ.PES.IASF, MEC.MAQ.PES.JUNQ, MEC.MAQ.PES.MUND, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.MAQ.PES.SERRA, MEC.MAQ.PES.USH, MEC.PLANTIOMEC B.RET, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, MO AG.COL.MINSERRA, MO AG.COL.MIN. B.RET, MO AG.COL.MIN. IASF, MO AG.COL.MIN. MUND, MO AG.COL.MINEIRUSH, MO AG.COL.REG. SERRA, MO AG.COLH.MIN. DIAM, MO AG.COLH.MIN. JUNQ, MO AG.COLH.REG. JUNQ, MO AGR.COLH.MIN. RAF, MO AGR.COLH.MIN.COPI, MO AGR.COLH.REG. DIA, Manutenção de Campo – BARRA, Manutenção de Campo – BONFIM, Manutenção de Campo– UNIV, MdO Agrícola ColheitaMineiros– IPAUSSU, MdO Agrícola ColheitaRegionaisBARRA, MdO Agrícola ColheitaRegionaisBENÁLCO, MdO Agrícola ColheitaRegionaisBONFIM, MdO Agrícola ColheitaRegionaisDC, MdO Agrícola ColheitaRegionaisDEST, MdO Agrícola ColheitaRegionaisTAMOIO, MdO Agrícola ColheitaRegionaisUNIV, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – TAMOIO, MÃO DE OBRA AGRC.COP, MÃO OBRA AGRIC. JUNQ, MÃO OBRA AGRIC. MUND, MÃO OBRA AGRIC.B.RET, MÃO OBRA AGRÍC. DIAM, Mão Obra Agrícola ColheitaMineirosDEST, Mão de Obra Agr.ColheitaMineirosBARRA, Mão de Obra Agr.ColheitaMineirosBONFIM, Mão de Obra Agr.olheitaMineirosUNIV, Mão de Obra Agrícola – BARRA, Mão de Obra Agrícola – BENÁLCOOL, Mão de Obra Agrícola – BONFIM, Mão de Obra Agrícola – DC, Mão de Obra Agrícola – DEST, Mão de Obra Agrícola – GASA, Mão de Obra Agrícola – IPAUSSU, Mão de Obra Agrícola – TAMOIO, Mão de Obra Agrícola – UNIV, OFIC.ELÉTRICA JUNQ, OFIC.MECÂNICA JUNQ, OUTRAS CULT.AGR.COPI, PL.INDEN.TERCB RET, PL.INDEN.TERCIASF, PL.INDEN.TERCRAFARD, REBOQUE B. RET, REBOQUE –COPI, REBOQUE– DIAM, REBOQUE – IASF, REBOQUE – JUNQ, REBOQUE – MUND, REBOQUE – RAF, REBOQUE – SERRA, REBOQUE –USH, ROUGUING – JUNQUEIRA, Reboque BARRA, Reboque – BENÁLCOO, Reboque – BONFIM, Reboque – DC, Reboque–DEST, Reboque – GASA, Reboque – IPAUSSU, Reboque – TAMOIO, Reboque – UNIV, Reboque Cana Adm Int. – TAMOIO, Reboque Cana Adm Picada – TAMOIO, Reboque Cana Administrada Pic – BENÁLCOO, Reboque Cana Int. Administrada –BONFIM, Reboque Cana Organica Picada – UNIV, Reboque Cana Picada Administrada – BARRA, Reboque Fornecedor Cana Int. – BONFIM, Reboque Fornecedor Cana Int. – TAMOIO, Reboque Fornecedor Cana Picada BARRA, Reboque Julieta PróprioUNIV, Reboque Terceirizado Cana Picad BARRA, Rouguing – DESTIVALE, Rouguing – GASA, Rouguing – UNIVALE, SERV.TRAT.CULT. COPI, SERV.TRAT.CULT. IASF, SERV.TRAT.CULT. JUNQ, SERV.TRAT.CULT. MUND, SERV.TRAT.CULT.B.RET, SERV.TRAT.CULT.SERRA, SERV.TRAT.CULTS USH, SERV.TRAT.CULTS. RAF Fl. 714DF CARF MF 62 SERV.TRAT.CULTS.DIAM, Serviços Fornecedores de Cana – DC, Serviços Fornecedores de Cana – DEST, Serviços de Tratos Culturais – BARRA, Serviços de Tratos Culturais – BENÁLCOOL, Serviços de Tratos Culturais – BONFIM, Serviços de Tratos Culturais – DC, Serviços de Tratos Culturais –DEST, Serviços de Tratos Culturais – GASA, Serviços de Tratos Culturais –IPAUSSU, Serviços de Tratos Culturais – TAMOIO, Serviços de Tratos Culturais – UNIV, Superv. Manut. Agric. Regional – Gasa, Supervisão Manutenção Agrícola – TAMOIO, TR ADM MANU – SERRA, TRATO PLANTACOPI, TRATO PLANTADIAM, TRATO PLANTAJUNQ, TRATO PLANTAMUND, TRATO PLANTARAF, TRATO PLANTASERRA, TRATO PLANTAUSH, TRATO SOCAB. RET, TRATO SOCACOPI, TRATO SOCADIAM, TRATO SOCAIASF, TRATO SOCAJUNQ, TRATO SOCAMUND, TRATO SOCARAF, TRATO SOCASERRA, TRATO SOCAUSH, TRT.SOCA TERC.DIAM, Transporte Forncedor Cana Picad BARRA, Transporte Fornec Cana Inteira – TAMOIO, Transporte Fornecedor Cana Inte BARRA, Transporte Fornecedor Cana Inte – BONFIM, Transporte Fornecedor Cana Inteira – DC, Transporte Fornecedor Cana Pica – TAMOIO, Transporte Terceirizado Cana PicBARRA, Trato Planta – BARRA, Trato Planta –BENÁLCOOL, Trato Planta – DEST, Trato Planta – GASA, Trato Planta – IPAUSSU, Trato Planta – TAMOIO, Trato Planta – UNIV, Trato Planta Orgânica – UNIV, Trato Soca – BARRA, Trato Soca – BENÁLCOOL, Trato Soca – BONFIM, Trato Soca – DC, Trato Soca –DEST, Trato Soca – GASA, Trato Soca – IPAUSSU, Trato Soca – TAMOIO, Trato Soca –UNIV, Trato Soca Orgânica – UNIV, Trato Soca Terceirizada –DEST, Transporte Terceirizado Cana In BARRA. No meu sentir, essas despesas acima efetuadas, como bem apontado pelo Fisco, não tem uma relação direta (e comprovada) com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa (não condizente com a produção agrícola em si; há um certo distanciamento). Também, verifico nos autos, que a Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da canade açúcar e do álcool pela empresa. Assim, por falta de comprovação de se tratar de insumo e, portanto, desprovido de amparo legal, se depreende que as despesas acima relacionadas, não atendem ao critério para caracterização como insumos e devem ser mantido a glosa perpetrada pelo Fisco. 11.2. Centro de Custo Não Ligado a Produção "c custo não lig prod" (Item 7.1.2) Argumenta a Recorrente que analisando as aquisições de peças e materiais de laboratórios, os serviços de análises e manutenção de máquinas e veículos, a autoridade fiscal pugnou por glosas diversos bens e serviços que, ao seu sentir, não possuem ligação direta com o processo produtivo da empresa. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 685 63 No entanto, o que pode ser verificado pelo TVF e pela decisão recorrida, é que foram glosadas pelo Fisco, as despesas vinculadas aos centros de custos administrativos e não ligados diretamente com a produção, composto por aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc. "(...) 7.1.2 c custo não lig prod" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 68/69), pois os valores em questão se referem a dispêndios que não se enquadram nas disposições normativas pertinentes ao cálculo não cumultativo das contribuições em tela, uma vez que se referem a despesas havidas, vale dizer, em fase diversa do próprio processo de industrialização, tratandose, pois, de custo geral da produção que, conforme já referido, não guarda relação com a efetiva aplicação ou consumo diretamente na produção dos bens em tela. Embora representem custos gerais inafastáveis da atividade, não se vinculam à direta produção dos bens destinados à venda, sendo empregados em setores estranhos ao processo industrial.Vejase os itens glosados relacionados no TVF às fls. 68/69 (cc não lig prod): ARMAZÉM. AÇO.PTO FELIZSF, ARM.AÇ.EXT.CNAGAUSH, ARM.AÇÚCAR INT.BRET, ARM.AÇÚCAR INT.COPI, ARM.AÇÚCAR INT.DIAM, ARM.AÇÚCAR INT.IASF, ARM.AÇÚCAR INT.JUNQ, ARM.AÇÚCAR INT.MUND, ARM.AÇÚCAR INT.RAF, ARM.AÇÚCAR INT.SERR, ARM.AÇÚCAR INT.USH, Almoxarifado – BARRA, Almoxarifado– BENALCOOL, Almoxarifado – GASA, Almoxarifado – IPAUSSU, Almoxarifado – TAMOIO, Armazém de Açúcar Ext.DICCapivari–UNIV, Armazém de Açúcar Externo Cerba – BARRA, Armazém de Açúcar Externo Cnaga – BARRA, Armazém de Açúcar Externo Cnaga–IPAUSSU, Armazém de Açúcar Externo Ipaussu, Armazém de Açúcar Interno – BARRA, Armazém de Açúcar Interno –BENÁLCOOL, Armazém de Açúcar Interno – BONFIM, Armazém de Açúcar Interno – DC, Armazém de Açúcar Interno – DEST, Armazém de Açúcar Interno – GASA, Armazém de Açúcar Interno – IPAUSSU, Armazém de Açúcar Interno – TAMOIO, Armazém de Açúcar Interno – UNIV, CAPTAÇÃO DE ÁGUA COP, CAPTAÇÃO DE ÁGUA USH, CAPTAÇÃO ÁGUA – IASF, CAPTAÇÃO ÁGUA B.RET, CAPTAÇÃO ÁGUA DIAM, CAPTAÇÃO ÁGUA JUNQ, CAPTAÇÃO ÁGUA MUND, CAPTAÇÃO ÁGUA RAF, CAPTAÇÃO ÁGUA SERRA, CENTR.AR COMPR. COPI, CENTRAL AR COMP.DIAM, CENTRAL AR COMP.IASF, CENTRAL AR COMP.JUNQ, CENTRAL AR COMPR.RAF, CENTRAL ARCOMP B.RET, Captação de Água – BARRA, Captação de Água –BENÁLCOOL, Captação de Água – BONFIM, Captação de Água – DC, Captação de Água – DEST, Captação de Água – GASA, Captação de Água – IPAUSSU, Captação de Água – TAMOIO, Captação de Água – UNIV, Central Ar Comprimido –BENÁLCOOL, Central Ar Comprimido – BONFIM, Central Ar Comprimido – DC, Central Ar Comprimido – DEST, Central Ar Comprimido –GASA, Fl. 716DF CARF MF 64 Central Ar Comprimido – UNIV, Central de Ar Comprimido – BARRA, Central de Ar Comprimido –IPAUSSU, Central de Ar Comprimido – TAMOIO, LAB.MERISTEMA IASF, LAB.TEOR SACAR. JUNQ, LAB.TEOR SACAR.MUND, LIMP.OPERAT. DIAM, Labor.Industrial/Microbiológico – BONFIM, Laboratório Cotesia – BARRA, Laboratório Cotesia – BONFIM, Laboratório Cotesia – GASA, Laboratório Cotesia – UNIV, Laboratório Metharizium – BARRA, Laboratório Metharizium – BONFIM, Laboratório Metharizium –UNIV, Laboratório Teor Sacarose – BONFIM, Laboratório Teor Sacarose – TAMOIO, Laboratório Teor Sacarose – UNIV, Limpeza Operativa – BONFIM, MANUT.BALANÇAS B.RE, MANUT.BALANÇAS COPI, MANUT.BALANÇAS DIAM, MANUT.BALANÇAS IASF, MANUT.BALANÇAS JUNQ, MANUT.BALANÇAS MUND, MANUT.BALANÇAS RAFA, MANUT.BALANÇAS SERR, MANUT.BALANÇAS USH, Manutenção de Balanças – BARRA, Manutenção de Balanças – BENALCOOL, Manutenção de Balanças – BONFIM, Manutenção de Balanças – DC, Manutenção de Balanças – DESTIVALE, Manutenção de Balanças –GASA, Manutenção de Balanças – IPAUSSU, Manutenção de Balanças –TAMOIO, Manutenção de Balanças – UNIVALEM, Mescla – BARRA, Serviços de Apoio Armazéns –IPAUSSU, TRANSP.INDL. B.RET, TRANSP.INDL.SERRA, TRANSPORTE INDL. RAF, TRANSPORTE INDL.IASF, TRANSPORTE INDL.JUNQ, TRANSPORTE INDL.MUND, TRANSPORTE INDL.USH, TRAT.ÁGUA ETA COPI, TRAT.ÁGUA ETAJUNQ, TRAT.ÁGUAETA– RAF, TRAT.ÁGUAETA– USH, TRAT.ÁGUAETA– DIAM, TRAT.ÁGUAETA– MUND, TRAT.ÁGUAETASERRA, Transporte Industrial – BARRA, Transporte Industrial – BENÁLCOOL, Transporte Industrial – BONFIM, Transporte Industrial –DC, Transporte Industrial – DEST, Transporte Industrial – IPAUSSU, Transporte Industrial – TAMOIO, Tratamento de Água ETA– BARRA, Tratamento de Água ETA– BENÁLCOOL, Tratamento de Água ETA– BONFIM, Tratamento de Água ETA–DEST, Tratamento de Água ETA– GASA, Tratamento de Água ETA UNIV, ÁGUAS RESID. B.RET, ÁGUAS RESIDS –SERRA, ÁGUAS RESIDUAIS COPI, ÁGUAS RESIDUAIS DIAM, ÁGUAS RESIDUAIS IASF, ÁGUAS RESIDUAIS JUNQ, ÁGUAS RESIDUAIS MUND, ÁGUAS RESIDUAIS RAF, ÁGUAS RESIDUAIS USH, Águas Residuais – BARRA, Águas Residuais –BENÁLCOOL, Águas Residuais – BONFIM, Águas Residuais – DC, Águas Residuais – DEST, Águas Residuais – GASA, Águas Residuais – IPAUSSU, Águas Residuais – TAMOIO, Águas Residuais – UNIV. Aqui as glosas recaíram sobre créditos que, em razão do registro contábil que lhe fora atribuído pelo recorrente (Centro de Custos não ligados Produção), não apresentariam vínculo com a produção, seja na fase agrícola seja na fase industrial. Em seu recurso, a Recorrente discorre especificamente também quanto ao armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno (armazenagem), alegando que conforme se analisa no Laudo Técnico, são necessários tanto para estocar os componentes químicos utilizados na lavoura quanto na estocagem do próprio açúcar produzido para que este seja Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 686 65 destinado à venda, sendo que o seu creditamento encontrase assegurado na norma introduzida pelo inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (ampliativa no inciso II do mesmo artigo). Repisandose que há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. Analisando o já mencionado Laudo Técnico emtido pela ESALQ, bem como as informações do processo produtivo informado pela Recorrente, entendo que essas atividades configuram atividades paralelas à produção de açúcar e álcool (laboratórios, oficinas de máquinas e equipamentos agrícolas, armazéns, serviços manutenção de balanças de cana, captação e tratamento de água), e, por conseguinte, não dão direito a crédito de PIS e COFINS por não configurarem insumos de produção na acepção do conceito de insumo aqui empregada. Desta forma, neste tópico em particular, voto por NEGAR provimento ao recurso interposto, mantendose as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD" item 7.1.2 do TVF. 11.3 Produto e Material não Ligados Produção "ccp mat n prod" (item"7.1.3) Aduz a Recorrente que a fiscalização glosou os itens relacionados no tópico t.1.3 do TVF, sob o fundamento que "(...) aquisições de peças e componentes de máquinas agrícolas, serviços de coleta e transporte de tora/bagaço, lixo e resíduos não seriam vinculados à atividade produtiva". Conforme se depreende do TVF às fls. 68 e 69, informando que "(...) Nos centros de custos ligados à produção foram glosadas aquisições de peças e componentes de máquinas agrícolas; serviços de coleta e transporte torta/bagaço, lixo e resíduos, identificados na coluna descrição grupo de mercadorias como: CARREGADEIRA DE CANA MOTOCANA, CARREGADEIRA DE CANA SERMAG, CARTEPILLAR RODAS DIANTEIRAS E TRASEIRAS E PESOS, CASE CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, CASE COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, CASE TRANSM. FROCA, EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, CAT TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, CATEEPILLAR EMBREAGEM PRINCIPAL E TRANSMISSAO, CATERPILLAR CHASSIS, ARM. CARROCERIA, CABINA BARRAS TRACAO, CATERPILLAR COMANDO FINAL SISTEMA DIFERENCIAL, SISTEMA FREIO, CATERPILLAR COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, CATERPILLAR COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR EXPLOSAO, CATERPILLAR CONTROLE ACESS Fl. 718DF CARF MF 66 OPERACAO C/ LAMINA ESCARIFICADOR, CATERPILLAR MAT. RODANTE,CHAS ARM. SUSP/DIANT CAB BAR TRACAO, CATERPILLAR PAINEL INSTRUMENTOS EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, CATERPILLAR PAINEL INSTRUMENTOS, EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, CATERPILLAR SISTEMA HIDR PRINCIPAL, LEVANTE CONTROLE REMOTO, CBT RODAS DIANTEIRAS E TRASEIRAS E PESOS, CBT SISTEMA HIDR. PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, CBT TRANSM. DE FORCA, EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CAMEGO, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CASE, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CLAAS, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA JOHN DEERE, FIAT ALLIS CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, FIAT ALLIS COMANDO FINAL SISTEMA DIRECIONAL, SISTEMA FREIO, FIAT ALLIS COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, FIAT ALLIS CONTROLE ACESS OPERACAO C/LAMINA ESCARIFICADOR, FIAT ALLIS EMBREAGEM PRINCIPAL E TRANSMISSAO, FIAT ALLIS MAT RODANTE, CHAS/ARM. SUSP/DIANT CAB BAR TRACAO, FIAT ALLIS PAINEL INSTRUMENTOS EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, FIAT ALLIS RODAS DIANTEIRAS E TRASEIRAS E PESOS, FIAT ALLIS SISTEMA HIDR PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, FIAT ALLIS TRANSM FORCA,EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, FORD CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, FORD COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, FORD PAINEL INSTRUMENTOS EQUIPAMENTOS INSTALACAO ELETRICA, FORD RODAS DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, FORD SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, FORD TRANSM FORCA EIXO TRAS E DANT SIST FREIO E DIRECAO, FORD TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, GENERAL MOTORS COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, GENERAL MOTORS TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, IMPLEMENTOS AGRICOLAS DIVERSOS, JOHNDEERE CHASSIS, ARMACAO,CARROCERIA, CABINA BARRAS TRACAO, JOHNDEERE COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, JOHNDEERE TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST FREIO DIRECAO, MAXION ESC/CARREG. COMP. ACESS. MOTOR DE EXPLOSAO, MERCEDES BENZ CABINAS, CARROCERIAS, SUSP., DIANT E TRASEIRA, MERCEDES BENZ COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR EXPLOSAO, MERCEDES BENZ DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, MERCEDES BENZ DE PEDAIS E SITEMA DE ACELERACAO, MERCEDES BENZ INSTR, EQUIP, INSTALACAO ELETRICA E ACESSORIOS, MERCEDES BENZ TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, MFCHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, MFCOMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, MFPAINEL INSTRUMENTOS, EQUIPAMENTOS, INSTALACAO ELETRICA, MFRODAS Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 687 67 DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, MFSISTEMA HIDRAULICO PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, MFTRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, MOTORES A DIESEL E SEMIDIESEL, MOTORES A DIESEL MWM, MOTORES A GASOLINA, SCANIA CHASSIS, CABINAS CARROCERIAS, SUSP, DIANT TRASEIRA, SCANIA COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, SCANIA PAINEL, INSTR, EQUIP. INSTALACAO ELETRICA ACESSORIOS, SCANIA SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, SCANIA TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, VALTRA CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA, BARRAS TRACAO, VALTRA COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VALTRA PAINEL DE INSTRUMENTOS EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, VALTRA RODAS DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, VALTRA SISTEMA HIDR. PRINCIPAL, LEVANTE CONTROLE REMOTO, VALTRA TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, VOLKSWAGEN CABINAS, CARROCERIAS, SUSP. DIANTEIRA TRASEIRA, VOLKSWAGEN COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLKSWAGEN SISTEMA DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO RODAS, VOLKSWAGEN TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, VOLVO CHASSIS, CABINAS, CARROCEIRAS, SUSP. DIANT E TRASEIRA, VOLVO CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, VOLVO COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLVO COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLVO PAINEL INSTR. EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, VOLVO SISTEMA HIDR PRINCIPAL LEVANTE CONTROLE REMOTO, VOLVO SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, VOLVO TRANSM FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, VOLVO TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, SERVICOS LIMPEZA E CONSERVACAO DE BENS MOVEIS IMOVEIS EXT, SERVICOS LIMPEZA E CONSERVACAO DE BENS MOVEIS IMOVEIS INT, SERVICOS PROFISSIONAIS, SERVICOS COLETA E TRANSP. SUBPRODUTOS (TORTA/BAGACO), SERVICOS COLETA E TRANSPORTES LIXOS E RESIDUOS. Verificase nos autos que a DRJ manteve incólume as glosas em apreço em virtude da conceituação de insumo adotada, como já dito anteriormente, sustentando a necessidade de um contato direto do insumo utilizado com o bem produzido.A Recorrente alega que conforme extensamente demonstrado em seu recurso a área agrícola consiste na principal etapa do processo produtivo, não podendo remanescer a glosa de qualquer bem ou serviço perpetrada com relação aos itens agrícolas.Neste item entendo que, embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de Fl. 720DF CARF MF 68 prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. De fato, todos os itens (bens e serviços) relacionados neste tópico não são dispêndios empregados na produção de açúcar e álcool, mas bens eventualmente passíveis de ativação e que como já asseverado em itens anteriores, por conseguinte, apresentam uma sistemática própria para fins de creditamento de PIS e COFINS. Neste caso, os maquinários, equipamentos e suas partes e peças (de utilização na fase agrícola), entendo que devam integrar o ativo imobilizado da empresa, por representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorrer a sua aplicação, como definido pelo art. 346 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), passando a gerar os créditos com base na depreciação prevista no inciso III, do art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004. No tocante ao serviço de coleta de lixo e resíduos, evidencia que o transporte de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita, havendo firme jurisprudência do CARF no sentido de garantir o creditamento sobre as despesas com remoção de resíduos. Portanto deve ser revertido esses dispêndios glosados. Quanto ao transporte da torta e do bagaço (sub produtos), também se mostram essenciais. Isto porque a "torta" é utilizada como fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes, conforme atesta o Laudo Técnico (fl. 116), sendo portanto essencial ao processo produtivo da canadeaçúcar (fase agrícola). O bagaço também é essencial para produção de energia para a empresa, sendo atestada sua essencialidade pelo Laudo Técnico. Vejase: "19. Cogeração: visa a produção de energia a partir do bagaço separado na extração do caldo. A energia produzida é essencial para operar os processos de produção de açúcar e do etanol". A relevância do transporte de torta/bagaço se verifica a partir da constatação de que ambos são utilizados como fertilizantes ricos em matéria orgânica e nutrientes, na linha do quanto destacado no Laudo/Parecer Técnico. Outra utilidade do bagaço é a sua adequação para a produção de biomassa, que é a matriz energética da produção de energia para a RECORRENTE, utilizadas nas caldeiras e turbinas de cogeração de energia. Desta forma, neste tópico em particular, DOU PROVIMENTO PARICL ao recurso voluntário, para REVERTER as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), referente itens: serviço de coleta de lixo e Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 688 69 resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos. 12. Centro de Custo NÃO IDENTIFICADOS (item 7.2 do TVF) A fiscalização informa em seu TVF que nos itens sem vínculos com centros de custos a análise passou a ser feita através da identificação das colunas “descrição grupo mercadoria” e “descrição do material”. Estes foram classificados como centro de custo (i) agrícola, (ii) combustíveis não vinculados à produção, lubrificantes e graxas não vinculados à produção, (iii) embalagens não vinculadas à produção (transporte interno), (iv) materiais de uso não identificados ou insumos indiretos, (v) produtos químicos não vinculados à produção, e (vi) despesas portuárias. 12.1" AGRÍCOLA" (item 7.2.1 do TVF) Alega a Recorrente que a autoridade fiscal analisou os documentos contábeis entregues pela Recorrente, e ao apreciar diversos itens que não se encontravam vinculados a centro de custo, tais como peças e equipamentos utilizados em máquinas e caminhões agrícolas, fertilizantes e outros itens utilizados na lavoura, optou por glosálos, conforme demonstra o TVF: "(...) Selecionado os materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, fertilizantes e demais produtos utilizados na lavoura (...)". Consigna o Fisco que, selecionado os materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, fertilizantes e demais produtos utilizados na lavoura, estando identificados na coluna “Descrição Grupo Mercadoria” como: CARREGADEIRA DE CANA HIMA, CARREGADEIRA DE CANA IMPLANOR BEL, CARREGADEIRA DE CANA MOTOCANA, CARREGADEIRA DE CANA SANTAL, CARREGADEIRA DE CANA SERMAG, CARTEPILLAR RODAS DIANTEIRAS E TRASEIRAS E PESOS, CASE CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, CASE CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, CASE COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, CASE PAINEL INSTRUMENTOS EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, CASE PAINEL INSTRUMENTOS EQUIPAMENTOS INSTALACAO ELETRICA, CASE RODAS DIANTEIRAS E TRASEIRAS E PESOS, CASE SISTEMA HIDR PRINCIPAL LEVANTE E CONTROLE REMOTO, CASE SISTEMA HIDR PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, CASE TRANSM FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, CASE TRANSM. FROCA, EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, CAT TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, CATEEPILLAR EMBREAGEM PRINCIPAL E TRANSMISSAO, CATERPILLAR CHASSIS, Fl. 722DF CARF MF 70 ARM. CARROCERIA, CABINA BARRAS TRACAO, CATERPILLAR COMANDO FINAL SISTEMA DIFERENCIAL, SISTEMA FREIO, CATERPILLAR COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, CATERPILLAR COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR EXPLOSAO, CATERPILLAR CONTROLE ACESS OPERACAO C/ LAMINA ESCARIFICADOR, CATERPILLAR MAT. RODANTE, CHAS ARM. SUSP/DIANT CAB BAR TRACAO, CATERPILLAR PAINEL INSTRUMENTOS EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, CATERPILLAR PAINEL INSTRUMENTOS, EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, CATERPILLAR SISTEMA HIDR PRINCIPAL, LEVANTE CONTROLE REMOTO, CBT COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, CBT PAINEL DE INSTRUMENTOS EQUIPAMENTOS INSTALACAO ELETRICA, CBT TRANSM. DE FORCA, EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, CHASSIS E ACESSORIOS, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CAMEGO, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CASE, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA CLAAS, COLHEITADEIRA DE CANA PICADA JOHN DEERE,COLHEITADEIRA DE CANA PICADA SANTAL, COLHEITADEIRAS DE CANAS PICADA DIVERSAS, COMPONENTES ACESSORIOS P/ESCAVADEIRA/CARREGADEIRA MAXION, COMPONENTES ACESSORIOS TRATORES RODAS JOHNDEERE, COMPONENTES E ACESSORIOS P/ BALSAS MOTORIZADAS, COMPONENTES E ACESSORIOS P/ BARCACAS MOTORIZADAS, COMPRESSORES DE AR AUTOMOTIVOS, COMPRESSORES DIVERSOS, CORREIAS TRANSMISSAO AUTOMOTIVAS E ACESSORIOS, CORRETIVOS DE SOLO, ELEMENTOS, FILTROS, COMPONENTES E ACESSORIOS PARA FILTROS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESS COMBATE DE PRAGAS (PULVERIZ.), EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESSORIOS DE PLANTADEIRAS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESSORIOS DE ROCADEIRAS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESSORIOS DE SUBSOLADORES, EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESSORIOS DE SULCADORES, EQUIPAMENTOS COMPONENTES ACESSORIOS DE TRANSBORDOS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESS LANCACHAMAS (QUEIMA CANA), EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE ADUBADEIRAS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE ARADOS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE COBRIDORES DE CANA, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE COMPOSTADORES, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE CULTIVADORES, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DE IRRIGACAO, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS DISTR. TORTA/CALCARIO, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS ELIMINADORES SOCARIAS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS ENLEIRADEIRAS PALHAS, EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS GRADES ROTATIVAS, Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 689 71 EQUIPAMENTOS COMPONENTES E ACESSORIOS PLAINAS NIVELADORES, EQUIPAMENTOS E IMPLEMENTOS AGRICOLAS E DE IRRIGACAO, ESPALHANTES ADESIVOS, FERTILIZANTES, FIAT ALLIS CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, FIAT ALLIS COMANDO FINAL SISTEMA DIRECIONAL, SISTEMA FREIO, FIAT ALLIS COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, FIAT ALLIS CONTROLE ACESS OPERACAO C/LAMINA ESCARIFICADOR, FIAT ALLIS EMBREAGEM PRINCIPAL E TRANSMISSAO, FIAT ALLIS MAT RODANTE, CHAS/ARM. SUSP/DIANT CAB BAR TRACAO, FIAT ALLIS PAINEL INSTRUMENTOS, EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, FIAT ALLIS TRANSM FORCA,EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, FORD CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, FORD CHASSIS, CABINAS, CARROCERIAS, SUSP. DIANT E TRASEIRA, FORD COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, FORD COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, FORD CONJUNTO DE PEDAIS E SISTEMA DE ACELERACAO, FORD PAINEL INSTRUMENTOS EQUIPAMENTOS INSTALACAO ELETRICA, FORD PAINEL, INSTR. RQUIP. INSTALACAO ELETRICA E ACESSORIOS, FORD RODAS DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, FORD SISTEMA HIDR PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, FORD SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, FORD TRANSM FORCA EIXO TRAS E DANT SIST FREIO E DIRECAO, FORD TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, FORMICIDAS, GENERAL MOTORS CHASSIS, CABINAS, CARR, SUSP. DIANT TRASEIRA, GENERAL MOTORS CONJUNTO DE PEDAIS E SSITEMA DE ACELERACAO, GENERAL MOTORS PAINEL, INSTR. EQUIP. INST. ELETRICA E ACESS, GENERAL MOTORS TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, HERBICIDAS, IMPLEMENTOS AGRICOLAS DIVERSOS, INSETICIDAS, JOHNDEERE CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA BARRAS TRACAO, JOHNDEERE COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, JOHNDEERE PAINEL INSTR. EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, JOHNDEERE RODAS DIANTEIRA TRASEIRA E PESOS, JOHNDEERE SISTEMA HIDR. PRINCIPAL, LEVANTE CONTROLE REMOTO, JOHNDEERE TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST FREIO DIRECAO, KOMATSU CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, KOMATSU COMP. ACESSOSRIOS MOTOR DE EXPLOSAO, KOMATSU PAINEL INSTR. EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, KOMATSU SISTEMA HIDR PRINCIPAL LEVANTE CONTROLE REMOTO, KOMATSU TRANSM. DE FORCA EIXO TRAS/DIANT SIST. FREIO DIRECAO, MATERIAIS DIVERSOS OPERACAO PORTO, MAXION ESC/CARR. TRAN. FORCA EIXO TRAS/DIANT SIST FREIO DIR, MAXION ESC/CARREG. CHASSIS/ARM. CARR. CABINA E BARRAS TRACAO, MAXION ESC/CARREG. COMP. ACESS. MOTOR DE EXPLOSAO, MERCEDES BENZ CABINAS, CARROCERIAS, SUSP., DIANT E TRASEIRA, MERCEDES Fl. 724DF CARF MF 72 BENZ COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR EXPLOSAO, MERCEDES BENZ DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, MERCEDES BENZ DE PEDAIS E SITEMA DE ACELERACAO, MERCEDES BENZ INSTR, EQUIP, INSTALACAO ELETRICA E ACESSORIOS, MERCEDES BENZ TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, MFCHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, MFCOMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, MFPAINEL INSTRUMENTOS, EQUIPAMENTOS, INSTALACAO ELETRICA, MFRODAS DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, MFSISTEMA HIDRAULICO PRINCIPAL, LEVANTE E CONTROLE REMOTO, MFTRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO, MOTORES A DIESEL AGRALE, MOTORES A DIESEL CUMMINS, MOTORES A DIESEL E SEMIDIESEL, MOTORES A DIESEL MWM, MOTORES A GASOLINA, MOTORES E GERADORES, MOTORES MARITIMOS, MOTORES TRICOMBUSTIVEIS, REBOQUE SISTEMAS DE FREIO E RODAS, REBOQUE, CARROCERIAS, SUSP. DIANTEIRA E TRASEIRA, REDUTORES VELOCIDADE CONVERSORES TORQUE E CAIXAS MUDANCA, ROLAMENTOS AGULHAS, ROLAMENTOS AUTO EMBREAGEM, RODA, BOMBAS DE AGUA, ROLOS COMPACTADOR, SCANIA CHASSIS, CABINAS, CARROCERIAS, SUSP, DIANT TRASEIRA, SCANIA COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, SCANIA CONJUNTO DE PEDAIS E SISTEMA DE ACELERACAO, SCANIA PAINEL, INSTR, EQUIP. INSTALACAO ELETRICA ACESSORIOS, SCANIA SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, SCANIA TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, SEMENTES DIVERSAS, SISTEMA ARREFECIMENTO, SISTEMA DE COMBUSTIVEL E ALIMENTACAO, SISTEMA ELETRICO, TURBO COMPRESSORES, VALTRA CHASSIS, ARMACAO, CARROCERIA, CABINA, BARRAS TRACAO, VALTRA COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VALTRA PAINEL DE INSTRUMENTOS EQUIP. INSTALACAO ELETRICA, VALTRA RODAS DIANTEIRAS TRASEIRAS E PESOS, VALTRA SISTEMA HIDR. PRINCIPAL, LEVANTE CONTROLE REMOTO, VALTRA TRANSM. FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO DIRECAO, VOLKSWAGEN CABINAS, CARROCERIAS, SUSP. DIANTEIRA TRASEIRA, VOLKSWAGEN COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLKSWAGEN CONJUNTO DE PEDAIS E SISTEMA DE ACELERACAO, VOLKSWAGEN PAINEL, INSTR. EQUIP. INSTALACAO ELETRICA E ACESS, VOLKSWAGEN SISTEMA DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO RODAS, VOLKSWAGEN TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO, VOLVO CHASSIS, CABINAS, CARROCEIRAS, SUSP. DIANT E TRASEIRA, VOLVO CHASSIS/ARM. CARROCERIA, CABINA E BARRAS TRACAO, VOLVO COMPONENTES ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLVO COMPONENTES E ACESSORIOS MOTOR DE EXPLOSAO, VOLVO CONJUNTO DE PEDAIS E SISTEMA DE ACELERACAO, VOLVO PAINEL INSTR. EQUIP. E INSTALACAO ELETRICA, VOLVO PAINEL, INSTR. EQUIP. INSTALACAO ELETRICA E ACESSORIOS, VOLVO SISTEMA Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 690 73 HIDR PRINCIPAL LEVANTE CONTROLE REMOTO, VOLVO SISTEMAS DE FREIO E DIRECAO, EIXO DIANTEIRO E RODAS, VOLVO TRANSM FORCA EIXO TRAS/DIANT. SIST. FREIO E DIRECAO e VOLVO TRANSMISSAO DE FORCA E EIXO TRASEIRO. Informa a Recorrente que uma análise conjugada da coluna "descrição grupo mercadoria" com a coluna "texto breve material" nos permite verificar que todos os itens se tratam de bens utilizados no maquinário agrícola (peças para possibilitar a utilização de carregadeiras, plantadeiras, tratores, volvo, mercedes, etc.) e bens utilizados direto na lavoura (como herbicidas, fertilizantes etc), conforme afirmado pela própria autoridade fiscal. "(...) Aqui, devem ser adotadas as mesmas razões já expostas pela RECORRENTE nos itens anteriores, sendo de rigor reconhecer a validade daqueles créditos ante a evidente vinculação/essencialidade dos bens em tela para o desenvolvimento da atividade produtiva/industrial originária da canadeaçúcar. Todos os bens questionados pela D. Fiscalização, como já mencionado, e conforme se pode depreender da análise do Laudo/Parecer Técnico são imprescindíveis à obtenção do produto final (açúcar e etanol), motivo pelo qual devido e regular o direito ao crédito". Pois bem. Percebese que tais itens glosados neste tópico, trata se dos mesmo tipo glosado no item anterior, e que apenas foram segregados pela fiscalização em virtude de ainda não estarem vinculados a centros de custo, como pode ser observado no exposto do texto do recurso da Recorrente. Se fizer uma análise conjugada da coluna "descrição grupo de mercadoria" com a coluna "texto breve material", permite verificar que todos os itens se tratam de bens utilizados no maquinário agrícola da Recorrente, tais como: peças para possibilitar a utilização de carregadeiras, plantadeiras, tratores, Volvo, Mercedes, etc., bem como bens utilizados direto na lavoura, como calcário, herbicidas, feritilizantes, etc, conforme afirmado pela própria fiscalização em seu TVF: "Selecionado os materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, fertilizantes e demais produtos utilizados na lavoura (...)". Verificase que tratase de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados pela Recorrente, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumo, bem como alguns tipos de produtos (corretivos de solo) que são utilizados nos solos das lavouras. No entanto, entendo que todos os itens relacionados neste tópico não são dispêndios empregados na produção de açúcar e álcool, mas bens eventualmente passíveis de ativação e que, por Fl. 726DF CARF MF 74 conseguinte, apresentam uma sistemática própria para fins de creditamento de PIS e COFINS. Neste caso, os maquinários, implementos, materiais, componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões, etc. (de utilização na fase agrícola), entendo que devam integrar o ativo imobilizado da empresa, por representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorrer a sua aplicação, como definido pelo art. 346 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), passando a gerar os créditos com base na depreciação prevista no inciso III, do art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004. Quanto as despesas com aquisição de fertilizante, calcário, herbicidas, inseticidas e formicidas, ao meu sentir, se mostram essenciais ao processo produtivo da canadeaçúcar, conforme atesta o Laudo Técnico (fl. 116). Vejase trecho reproduzido: "(...) O calcário deve ser aplicado o mais uniforme possível sobre o solo (Figura 15). A época mais indicada para aplicação do calcário vai desde o ultimo após o corte da cana, durante a reforma do canavial, até antes da última gradagem de preparo do terreno antes do plantio. Dentro desse período, quanta mais cedo essa operação for executada maior será sua eficiência e os resultados positivos para a cadeia sucroenergética. A aplicação desse corretivo e feita por um trator equipado com espalhador de calcaria (...). "(...) O fertilizante, por sua vez, e aplicado no momenta do plantio." No entanto, conforme pode ser verificado no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, as alíquotas incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de PIS e da COFINS ficaram reduzidas a zero e, portanto, não geram direito a efetuar desconto de créditos. O artigo 3º, §2°, inciso II das Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003, veda expressamente o aproveitamento do crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Assim, incabível o desconto de crédito da contribuição calculado em relação à aquisição de bem sujeito a alíquota zero. Desta forma, neste tópico em particular, NEGO provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo ' AGRÍCOLA" (item 7.2.1, do TVF). 12.2 Centro Custo COMBUSTÍVEIS " Comb e lubr não util prod" (item 7.2.2) O Fisco informa que as Notas fiscais de aquisição de gasolina, óleo diesel, lubrificantes, graxas, ceras, utilizados em máquinas agrícolas e caminhões, não se tratando de insumo de produção. Estão identificados na coluna “descrição grupo mercadoria” como: GASOLINA; OLEO DIESEL; OLEOS P/ ISOLAMENTOS ELETRICOS; OLEOS, CERAS E GORDURAS DIVERSAS; OLEOS, FLUIDOS E GRAXAS AUTOMOTIVO. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 691 75 Por outro lado, aduz a Recorrente que "(...) Ora, a leitura do trecho materializado pelo item 7.2.2 do Termo de Verificação Fiscal, por si só, já é suficiente para destacar o descabimento da glosa realizada, na medida em que não há dúvida acerca da já demonstrada importância das máquinas agrícolas e caminhões para o desenvolvimento da atividade da RECORRENTE. Então, neste passo, igualmente latente o cabimento do direito de crédito sobre os insumos que permitem o funcionamento daquelas máquinas, sem os quais a sua utilidade seria nula. Resta evidenciado, com base no Laudo/Parecer Técnico da "ESALQ/USP", que a RECORRENTE utiliza diversas máquinas e equipamentos agrícolas na fase de produção da canadeaçúcar, as quais necessitam de combustível, óleos e graxas para seu perfeito funcionamento. Assim, demonstrada a essencialidade dos itens neste centro de custo para a produção da RECORRENTE. Compõe as glosas os grupos de mercadorias identificados como: óleos p/ isolamentos elétricos, óleos protetivos aditivos lubrificantes, óleos fluídos graxas automotivos, óleos fluidos graxas industriais, e no grupo “texto breve material”: graxa. Quanto ao item Graxa, verificase que o art. 3ª, II, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, dá direito ao desconto das contribuições pagas a título de bens e serviços, utilizados como insumos, inclusive combustíveis e lubrificantes. Neste particular, entendo que a Graxa é um tipo de lubrificante. Verificase que a motivação da glosa para parcela dos combustíveis creditados se dá pela utilização de tais bens nas máquinas agrícolas, ou seja, na fase agrícola da produção. Cabe lembrar que os combustíveis e lubrificantes são expressamente nominados pelos incisos II dos artigos 3o das leis que tratam dos insumos para as contribuições (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003). Admissível, assim, o creditamento em relação a combustíveis, bem como em relação às graxas que, ao meu ver, se enquadram no conceito de lubrificantes, conforme, inclusive, já decidiu este Tribunal administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 (...). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e Fl. 728DF CARF MF 76 desinfecção, inclusive diluentes; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes de mercadoria com destino a porto; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. (...). (CARF; 3a. T.O da 4a Câmara da 3a Seção; PTA n. 10925.905356/201124 ; Acórdão n. 3403002.477; Relator: Rosaldo Trevisan; em 24/09/2013) (Grifei). Assim, neste tópico, voto no sentido de reverter às glosas dos combustíveis e lubrificantes (e graxas) empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola produção da cana (item 7.2.2, do TVF). 12.3. Embalagem para transporte Interno" " Embalagens Transp" (item 7.2.3) Nesse ponto específico a DRJ corroborou o entendimento da fiscalização ao afirmar que somente podem gerar créditos da contribuição despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Informa o Fisco em seu TVF que (fl. 72): "(...) Embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização: Glosadas as aquisições de container big bag, pallet de madeira e sacos polipropileno para transporte de açúcar com capacidade para 50kg. São embalagens retornáveis utilizadas apenas para o transporte do açúcar que não atendem o previsto na legislação. Ou seja, a empresa não utiliza as chamas "embalagens de apresentação" aceitas pela legislação como dando direito ao crédito e sim as "embalagens de transporte". A embalagem de apresentação é aquela incorporada ao produto durante o processo de fabricação, há que se ter como tal aquela que é usualmente empregada para a venda do produto ao consumidor final e que contenha o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo; e também podese ter como tal aquela que, apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto; de outro lado, há que se ter como embalagens de transporte aquelas que se destinam apenas ao transporte dos produtos, por comportarem quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não conterem indicações promocionais destinadas à valorização do produto (são, geralmente, latas, caixas, engradados, tambores, as sacas de 50 kgs, etc). Essas embalagens não fazem parte do processo produtivo, o produto é embalado após a produção. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 692 77 Fundamentação legal: art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 c/c o artigo 66, § 5º, I da Instrução Normativa SRF nº 247/2002. Selecionados na coluna Descrição Grupo Mercadoria: EMBALAGENS PREFORMADAS PARA PRODUTOS ALIMENTICIOS, ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM DIVERSOS, SACOS P/ EMBALAGENS DE ACUCAR e na coluna Texto breve material contendo: big bag, pallet, container e saco pp 50 kg". (Grifei) Pois bem. Este mesmo tema já foi objeto de discussão neste Colegiado em processo dessa mesma empresa (Processo nº 10880.723059/201398), Acórdão nº 3402003.817, de 26/01/2017, de lavra do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que adoto como razões de decidir, fazendo algumas adaptações pontuais: Como se vê, neste tópico a fiscalização perpetrou a glosa de materiais de embalagem ou de transporte que não sejam ativáveis. No caso, esta turma julgadora já possui jurisprudência sedimentada a respeito deste assunto, consoante se depreende da ementa abaixo transcrita (acórdão n. 3402003.148): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 (...). CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador (...) (Grifei). Em voto vencedor e que conduziu essa questão, a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, bem pontuou que: (...). Entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nessa mesma linha já foi decidido por esta 3ª Seção do CARF, no Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Fl. 730DF CARF MF 78 "(...) Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente (...)". Este Colegiado, no Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de dezembro de 2015, também se manifestou nesse sentido: "(...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: (...) BIG BAGS, (...)". Pautado em tal fundamentação, voto por reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente a glosa dos seguintes itens: aquisições de container big bag, lacres, pallet de madeira e sacos polipropileno para transporte de açúcar com capacidade para 50kg, especificadados no item 7.2.3 do TVF. 12.4Insumos Indiretos materias de uso não identificado (item 7.2.4) Por meio do item 7.2.4 do TVF, o Fisco aduz que foram apresentados diversos itens utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes tanto na área agrícola como no parque industrial, sendo: eletrodos, abafadores, abraçadeiras, chapas de aço, adaptadores, anéis, anilhas, arruelas, barras cantoneiras, barras de aço, bielas, buchas, rolamentos, conectores, cotovelos, curvas, filtros, engates, flanges, luvas, lençóis de borracha, mancais, niples, perfis de aço, presilhas, protetores, reduções, tubos, válvulas e vigas de aço, para os quais a empresa não apresentou detalhes técnicos que garantam a sua utilização em máquinas que produzam diretamente álcool e açúcar, nem estão vinculados a centros de custos de produção. "(...) Em consequência, foram tratados como itens genéricos utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes no seu parque agrícola e industrial; assim sendo, tratamse de insumos indiretos de produção que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Estão identificados em “descrição grupo mercadoria” como: ACESSORIOS PARA ROLAMENTOS, BARRAS METALICAS FERROSOS, BARRAS METALICAS NAO FERROSOS, BLOCOS ROLDANAS ESTRODOS E CORRELATOS, BORRACHAS SISNTETICAS E NATURAL, CABOS DE ACO E ACESSORIOS, CHAPAS METALICAS FERROSOS, CHAPAS METALICAS NAO FERROSOS, CICLONES DIVERSOS, COMPONENTES E ACESSORIOS DIVERSOS, CONEXOES METALICOS FERROSOS, CONEXOES METALICOS NAO FERROSOS, EQUIPAMENTOS DIVERSOS, MANCAIS (CAIXAS/ Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 693 79 FLANGES), PERFIS ESTRUTURAIS METALICAS NAO FERROSOS, PERFIS ESTRUTURAIS METALICOS FERROSOS, ROLAMENTOS ESFERAS, ROLAMENTOS ROLOS CILINDRICOS, ROLAMENTOS ROLOS CONICOS, TECIDOS METALICOS FERROSOS, TECIDOS METALICOS NAO FERROSOS, TUBOS METALICOS FERROSOS, TUBOS METALICOS NAO FERROSOS, VALVULAS AUTOMATICAS E ACESSORIOS, VALVULAS DE SEGURANCA E ACESSORIOS, VALVULAS MANUAIS E ACESSORIOS, TRANSFORMADORES". Em seu recurso, aduz a Recorrente que "(...) Aqui cabem as mesmas indagações das feitas anteriormente: para que a RECORRENTE se utilizaria de válvulas, tubos metálicos, mancais, conexões metálicas, chapas não ferrosas, ciclones e perfis? A obviedade é de saltar aos olhos, e surpreende a D. Fiscalização ter glosado tais itens, pois até em sua acepção restritiva de insumo fundamentada nas Instruções Normativas tais itens poderiam ser considerados como insumos para possibilitar o creditamento. Esses itens são peças de reposição utilizados diretamente em indústrias". Pelo que se vê, tratase de glosa créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados pela Recorrente não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumo. No entanto, verificase que, de fato, que todos os itens acima não são dispêndios empregados na produção de açúcar e álcool (produto final), mas bens eventualmente passíveis de ativação e que como já abordado em outros itens anteriores, por conseguinte, apresentam uma sistemática própria para fins de creditamento de PIS e COFINS. Desta forma, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. 12.5 Produtos Químicos Não Utilizados na Produção (item 7.2.5) Analisando as despesas realizadas pela Recorrente, a fiscalização glosou produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial, sob o argumento de que tais dispêndios não estão relacionados ao processo produtivo, como se depreende do item 7.2.5 do TVF (fl. 73): "(...) Também foi considerado como não sendo insumo as despesas pertencentes aos grupos de mercadorias: PRODUTOS QUIMICOS DIVERSOS, PRODUTOS QUIMICOS P/ ANALISE (REAGENTES E CORANTES), PRODUTOS QUIMICOS P/ TRATAMENTO DE AGUA, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas catalizadores, removedores, limpadores, solventes, reagentes utilizados em tratamento de agua, análises laboratoriais, limpeza e outros fins não ligados à produção". Fl. 732DF CARF MF 80 É importante ressaltar que não se tratam de produtos químicos utilizados na lavoura da plantação da cana de acuar (mas sim em tratamento de água, laboratórios,etc.). Tratase de itens relacionados aos procedimentos laboratoriais (análise e pré análise de melhor momento para a colheita cana) e conforme constatado pelo Laudo/Parecer elaborado pela ESALQ. Tal trabalho técnico consiste em se apurar o momento em que a cana plantada apresenta seu apogeu biológico para gerar a maior quantidade e com maior qualidade o açúcar e o álcool, bem como para determinar a aplicação de corretivos no solo e, ainda, produzir insetos que atuam no controle de algumas pragas que atacam a produção de cana. Repisandose que há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. Diante deste quadro fático, toda esta etapa laboratorial, entendo que não são dispêndios empregados diretamente na produção da canadeaçúcar que irá gerar o açúcar e o álcool; tratase de controles paralelos, distantes da produção e portanto, não pode gerar direito a crédito de PIS e COFINS, o que redunda na manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização. 12.6 Despesas PORTUÁRIAS NOTAS FISCAIS ME (item 7.2.6) Aduz a Recorrente que, (...) Analisando as despesas realizadas pela Recorrente, a fiscalização glosou as despesas portuárias realizadas para armazenamento do açúcar e álcool produzido, crivando a glosa no item 7.2.8 do TVF". A fiscalização informa que em “descrição grupo mercadoria”: ANALISE LABORATORIAL ME, SERVICO CANCELAMENTO VENDA (WASH OUT), INSPECAO DE CARGA ME, SERVICO DESP ELEV PORT ME, SERVICO ESTUFAGEM ME, SERVICO MOVIMENTACAO MERCADORIA ME, SERVICO PEGAS CONTAINER, SERVICO POSICIONAMENTO ME, SERVICO PRESTACKING ME, SERVICO ROLAGEM CONTAINER ME, TRANSBORDOS, as despesas são compostas por serviços de análises, inspeções de carga e movimentação de containers efetuados em portos marítimos com açúcar e álcool destinados à exportação. Estas despesas não estão previstas no inciso IX do artigo 3º da Lei 10.833/03 que prevê apenas os fretes e a armazenagem na operação de venda". Em seu recurso a Recorrente alega que, "(...) Com exceção da despesa de análise laboratorial (primeiro grupo do trecho transcrito), cujas razões para serem admitidas como insumos já foram amplamente descritas no bojo deste Recurso Voluntário, as demais despesas se referem à atividade de exportação de açúcar e álcool da RECORRENTE. Essas despesas com exportação são absolutamente essenciais à atividade da RECORRENTE para viabilizar a comercialização internacional de seus produtos finais (açúcar e álcool), devendo ser admitidos como insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS". Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 694 81 A fiscalização e os julgadores a quo decidiram que as despesas glosadas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. Ora, da leitura dos registros que instruem o processo das despesas aqui glosadas não designam o que a Recorrente pretende ali esteja escrito ou deva significar. Concluo sublinhando que, a meu ver, as despesas glosadas não se confundem com o frete ou a armazenagem, nem podem ser consideradas insumos, como propõe a Recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Aduz também em seu recurso que "(...) O mesmo entendimento deve ser empregado ao frete realizado entre estabelecimentos da mesma empresa de produtos acabados, na medida em que igualmente compõe o custo do bem, isto de acordo com a legislação comercial". Ora, se os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa conferem direito de crédito, o que se dirá das despesas portuárias, necessárias para o desenvolvimento das atividades da RECORRENTE, na medida em que são custos de produção incorridos, figurando como responsável pela manutenção dos seus produtos em instalações portuárias antes da remessa ao exterior. Atinente a este tema, me valho de preciso voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido no Acórdão nº 3402002.881, que bem sintetiza essa questão: "(...). No que tange aos fretes, tanto aos glosados nas planilhas da linha 03, quanto aos glosados nas planilhas da linha 07, o entendimento que está se cristalizando no CARF foi resumido com maestria pelo Conselheiro Marcos Trachesi Ortiz, no excerto a seguir trancrito: "(...) Porque na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º , inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. Fl. 734DF CARF MF 82 De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. (...)" (Ac. 3403001.556, 25/04/2012, rel. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime) Sendo assim, com base nesse entendimento, devem ser revertidas as seguintes glosas de despesas com fretes: (i) vinculados à aquisição de matérias primas, materiais de embalagens e produtos intermediários aplicados no processo produtivo, sejam ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação; (ii) vinculados ao transporte de produtos inacabados entre os estabelecimentos industriais da recorrente e (iii) vinculados ao transporte na operação de venda, entendido este como aquele frete contratado para a entrega do produto ao cliente e desde que seja suportado pela recorrente. (Grifei). Isto posto, compartilho do entendimento firmado no aludido voto, ou seja, de que dá direito a crédito de PIS e COFINS o frete (i) vinculado à aquisição de matérias primas, materiais de embalagens e produtos intermediários aplicados no processo produtivo, sejam ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação; (ii) vinculados ao transporte de produtos inacabados entre os estabelecimentos industriais da recorrente; e, ainda (iii) vinculados ao transporte na operação de venda, entendido este como aquele frete contratado para a entrega do produto ao cliente e desde que seja suportado pela recorrente. Desta forma, no caso em tela as despesas de frete glosadas trata se em verdade de despesas de movimentação de produtos acabados dentro da área industrial. Logo, inadmissível o creditamento com base no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03. Desta feita, proponho negar provimento ao recurso neste aspecto, mantendose todas as glosas efetuado pela fiscalização neste tópico. 13. Das Glosas realizadas a título de DEPRECIAÇÃO (Item 8) A empresa argumenta que "(...) Por meio do item 8 do Termo de Verificação Fiscal, a D. Fiscalização incorreu em equívoco ao desconsiderar o quanto estabelecido pelo artigo 3º, inciso VI, da lei nª 10.637/02, cujo teor é reprisado na Lei nº 10.833/02 (COFINS), adotando as seguintes conclusões: sendo a atividade da empresa fabricação de açúcar e álcool, os valores relativos aos bens não utilizados na área industrial serão glosados". Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 695 83 para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) Ou seja, ao analisar a documentação fornecida pela Recorrente durante o período de fiscalização, o Fisco argumenta que os bens não utilizados na área industrial serão glosados, fincado na premissa de que a área agrícola não participa do processo produtivo da peticionaria. A fiscalização deixa consignado em seu TVF (fl. 74/75), que "Como a apuração de créditos em relação aos bens do ativo imobilizado está restrita àqueles adquiridos ou fabricados para a utilização de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e sendo a atividade da empresa fabricação de açúcar e álcool, os valores relativos aos bens não utilizados na área industrial serão glosados. É permitida a apuração de créditos sobre benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa, dessa forma foram mantidas todas as obras informadas". Relata que nas planilhas “Depreciação” de “Depreciação ate 300911” (outubro, novembro e dezembro) constam descrição do bem, o centro de custo, a data de aquisição e o valor da depreciação mensal. Em “Depreciação após 300911_MP540”, além das colunas citadas, são informados o valor de aquisição/residual, o número de parcelas e a opção da MP 540. Desta forma, a fiscalização dividiu as glosas de depreciação entre (i) os bens alocados na área agrícola, consignado no item 8.1 do TVF e (ii) os bens que não são ligados a produção (não lig prod, item 8.2 do TVF. 13.1 DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola " AGRÍCOLA" (ITEM 8.1) Aduz a Recorrente que albergada na equivocada premissa de que a etapa agrícola não faz parte do processo produtivo da Recorrente, a autoridade fiscal realizou a glosa de todos os bens alocadqs nesta etapa da produção, conforme afirma no item 8.1 do TVF. Por outro giro, a fiscalização informa que "Foram glosadas as depreciações de colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semirreboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, moto niveladora, motores, pá carregadeiras, transceptores, etc (...)" (relação constante do item 8.1, fls. 75/76 do eprocesso): Em “Depreciação” e “Depreciação até 300911” ADM./CONT.AGRIC.SERRA, ADM./CONTR.AGRÍC.COP, Adm.Agr.Corp.Geo Processamento, ADM.E CONT.AGRÍC.USH, Administração e Controle Agrícola, Administração/Controle AgrícolaBENÁLCO, Fl. 736DF CARF MF 84 Administração/Controle AgrícolaDC, Administração/Controle AgrícolaIPAUSSU, Agricola e Industria, Alojamento Agrícola –BARRA, Alojamento Agrícola – GASA, BALSA – DIAM, Borracharia – BARRA, Borracharia – BONFIM, Borracharia – DEST, Borracharia – GASA, BORRACHARIA B.RET, BORRACHARIA DIAM, BORRACHARIA JUNQ, BORRACHARIA MUND, BRIG COMB INC, BRIG.COMB.INC. B.RET, Brigada de Combate a Incêndio, Brigada de Combate a Incêndio – BARRA, Brigada de Combate a Incêndio – DC, Brigada de Combate a Incêndio – UNIV, CARREG/REB ADM IN – MUND, CAR/REB ADM INTJUNQ, Carreg / Reboque Cana Adm Inteira – GASA, Carreg / Reboque Cana Adm Inteira – UNIV, COLH. CANA PIC. B.RET, COLH.CANA PIC. DIAM, COLH.CANA PIC. IASF, COLH.CANA PIC. JUNQ, COLH.CANA PIC. RAF, COLH.CANA PIC.SERRA, COLH.CANA PICADA COP, COLH.CANA PICADA MUN, COLHED.CANA PIC. USH, Colhedeira de Cana Picada, Colhedeira de Cana Picada – BARRA, Colhedeira de Cana Picada – BENÁLCOOL, Colhedeira de Cana Picada – BONFIM, Colhedeira de Cana Picada – DC, Colhedeira de Cana Picada – DEST, Colhedeira de Cana Picada – GASA, Colhedeira de Cana Picada –IPAUSSU, Colhedeira de Cana Picada – TAMOIO, Colhedeira de Cana Picada – UNIV, COLHEITA CANA COPI, COMB.ABAST. B.RET, COMB.ABAST. COPI, COMB.ABAST. DIAM, COMB.ABAST. IASF, COMB.ABAST. JUNQ, COMB.ABAST. MUND, COMB.ABAST. RAF, COMB.ABAST. SERRA, COMB.ABAST. USH, Comboio de Abastecimento GASA, Comboio de Abastecimento – BARRA, Comboio de Abastecimento –BENÁLCOOL, Comboio de Abastecimento – BONFIM, Comboio de Abastecimento –DEST, Comboio de Abastecimento – IPAUSSU, Comboio de Abastecimento – TAMOIO, Comboio de Abastecimento – UNIV, DES.AGRONÔMICO IASF, DES.AGRONÔMICO USH, DESENV.AGRON. MUND, DESENV.AGRON. RAF, DESENV.AGRON.COPI, DESENV.AGRONOM. JUNQ, Desenvolvimento Agronômico, Desenvolvimento Agronômico –BARRA, Desenvolvimento Agronômico – DEST, Desenvolvimento Agronômico – GASA, Desenvolvimento Agronômico – UNIV, Estradas / Cercas / Pontes –BENÁLCOOL, IMPL.AGRÍCOLAS JUNQ, IMPL.AGRÍCOLAS B.RET, IMPL.AGRÍCOLAS DIAM, IMPL.AGRÍCOLAS MUND, IMPL.AGRÍCOLAS SERRA, IMPLEM.AGRÍCOLAS COP, IMPLEM.AGRÍCOLAS RAF, IMPLEM.AGRÍCOLAS USH, Implementos Agrícolas, Implementos Agrícolas – BARRA, Implementos Agrícolas – BENÁLCOOL, Implementos Agrícolas – BONFIM, Implementos Agrícolas – DEST, Implementos Agrícolas – GASA, Implementos Agrícolas –IPAUSSU, Implementos Agrícolas – TAMOIO, Implementos Agrícolas– UNIV, IMPLM.AGRÍCOLAS IASF, Lavador de Veículos – BARRA, Lavador de Veículos –IPAUSSU, Lavador de Veículos – UNIV, Lavador Veículos e Borracharia, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 696 85 Man.Elétr.Mecân/Instr./Refinaria – BARRA, MANUT.CAMPO COPI, MANUT.CAMPO DIAM, MANUT.CAMPO JUNQ, MANUT.CAMPO MUND, MANUT.CAMPO RAF, Manut.Elétrica Mecânica Instr.Refinaria, Manutenção de Campo, Manutenção de Campo –BARRA, Manutenção de Campo – BONFIM, Manutenção de Campo – DEST, Manutenção de Campo – GASA, Manutenção de Campo – UNIV, Mão de Obra Agrícola, Mão de Obra Agrícola – UNIV, MEC.MAQ.AMARELAS, MEC.MAQ.EXTR.PESADAS, MEC.MAQ.LEVES B.RET, MEC.MAQ.LEVES SERRA, MEC.MAQ.MÉDIAS B.RET, MEC.MAQ.MÉDIAS IASF, MEC.MAQ.MÉDIAS JUNQ, MEC.MAQ.MÉDIAS MUND, MEC.MAQ.MÉDIAS SERRA, MEC.MAQ.PES.B. RET, MEC.MAQ.PES.COPI, MEC.MAQ.PES.DIAM, MEC.MAQ.PES.IASF, MEC.MAQ.PES.JUNQ, MEC.MAQ.PES.MUND, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.MAQ.PES.SERRA, MEC.MAQ.PES.USH, MEC.PLANTIOMEC B.RET, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, MEC.PLANTIOMEC. MUND, MEC.PLANTIOMEC.COPI, MEC.PLANTIOMEC.RAF, MEC.PLANTIOMEC.SERRA, MECAN.MAQ.MÉDIAS USH, MECANIZ. AGR. JUNQ, MECANIZ. INDL. DIAM, MECANIZ.INDL. B.RET, MECANIZ.INDL. IASF, MECANIZ.INDL. JUNQ, MECANIZAÇÃO AGR.COPI, Mecanização Agrícola, Mecanização Agrícola – IPAUSSU, Mecanização Agrícola Colheita GASA, Mecanização Industrial, Mecanização Industrial – DEST, Mecanização Industrial – GASA, Mecanização Máquinas Amarelas – Barra, Mecanização Máquinas Amarelas – Tamoio, Mecanização Maquinas Extra PesadasBarra, Mecanização Maquinas Extra PesadasBonfi, Mecanização Maquinas Extra PesadasIpaus, Mecanização Máquinas Leves, Mecanização Máquinas Leves – BARRA, Mecanização Máquinas Leves –BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Leves – DEST, Mecanização Máquinas Leves – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Médias, Mecanização Máquinas Médias – BARRA, Mecanização Máquinas Médias –BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Médias –BONFIM, Mecanização Máquinas Médias – GASA, Mecanização Máquinas Médias – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Médias – UNIV, Mecanização Máquinas Pesadas, Mecanização Máquinas Pesadas – BARRA, Mecanização Máquinas Pesadas –BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Pesadas – BONFIM, Mecanização Máquinas Pesadas – DEST, Mecanização Máquinas Pesadas – GASA, Mecanização Máquinas Pesadas – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Pesadas – TAMOIO, Mecanização Máquinas Pesadas – UNIV, Mecanização Plantio Mecanizado, Mecanização Plantio Mecanizado – BARRA, Mecanização Plantio Mecanizado – BONFIM, Mecanização Plantio Mecanizado – DEST, Mecanização Plantio Mecanizado – GASA, Mecanização Plantio Mecanizado – IPAUSSU, Mecanização Plantio Mecanizado – TAMOIO, Mecanização Plantio Mecanizado – UNIV, MECZ.MAQ.MÉDIA COPI, MECZ.MAQ.MÉDIAS DIAM, MECZ.MAQ.MÉDIAS RAF, Meio Ambiente ISO 14000, Meio Fl. 738DF CARF MF 86 AmbienteISO 14000 Ind. –BARRA, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – DC, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – DEST, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – GASA, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – IPAUSSU, Meio AmbienteISO 14000 Ind. – UNIV, MO AG.COL.MIN. B.RET, MO AG.COL.MINEIRUSH, MO AGR.COLH.MIN. RAF, MO AGR.COLH.MIN.COPI, OF. IMPLEMENTOS USH, OF.IMPLEMENTOS IASF, OF.IMPLEMENTOS JUNQ, OF.IMPLEMENTOS RAF, OF.IMPLEMENTOSSERRA, OF.MEC.COLH. DIAM, OF.MEC.COLH. IASF, OF.MEC.COLHED. JUNQ, OF.MEC.COLHED. B.RET, OF.MEC.COLHED. MUND, OF.MEC.COLHED.SERRA, OF.MEC.COLHEDORA COP, OF.MEC.COLHEDORA RAF, OF.MEC.COLHEDORA USH, OF.MEC.TRATORES COPI, OF.MEC.TRATORES DIAM, OF.MEC.TRATORES IASF, OF.MEC.TRATORES JUNQ, OF.MEC.TRATORES MUND, OF.MEC.TRATORES RAF, OF.MEC.TRATORES USH, OF.MEC.VEÍCUL. B.RET, OF.MEC.VEÍCULOS COPI, OF.MEC.VEÍCULOS DIAM, OF.MEC.VEÍCULOS IASF, OF.MEC.VEÍCULOS JUNQ, OF.MEC.VEÍCULOS MUND, OF.MEC.VEÍCULOS RAF, OF.MEC.VEÍCULOS USH, Oficina Manutenção Colhedora, Oficina Manutenção Colhedora – BARRA, Oficina Manutenção Colhedora – BONFIM, Oficina Manutenção Colhedora – DEST, Oficina Manutenção Colhedora – GASA, Oficina Manutenção Colhedora – IPAUSSU, Oficina Manutenção Colhedora – TAMOIO, Oficina Manutenção Colhedora – UNIV, Oficina Mecânica, Oficina Mecânica – Tratores, Oficina Mecânica Tratores– BARRA, Oficina Mecânica Tratores– BONFIM, Oficina Mecânica Tratores–IPAUSSU, Oficina Mecânica Tratores– TAMOIO, Oficina Mecânica – UNIV, Oficina Mecânica – Veículos, Oficina Mecânica Veículos– BARRA, Oficina Mecânica Veículos– BONFIM, Oficina Mecânica Veículos– DEST, Oficina Mecânica Veículos– GASA, Oficina Mecânica Veículos– IPAUSSU, Oficina Mecânica Veículos– TAMOIO, Oficina Mecânica Veículos– UNIV, Oficinas de Implementos, Oficinas de Implementos – BARRA, Oficinas de Implementos – BONFIM, Oficinas de Implementos – DEST, Oficinas de Implementos – GASA, Oficinas de Implementos – IPAUSSU, Plantio, Plantio – BONFIM, Plantio – DEST, Plantio – GASA, Plantio – UNIV, PLANTIO MEC.MUND, Plantio Mecanizado, Plantio Mecanizado – DEST, Plantio Mecanizado – GASA, Plantio Mecanizado – UNIV, PLANTIOB. RET, PLANTIOSERRA, PORTOS – DIAM, PREPARO SOLOMUND, Reboque BARRA, REBOQUE B. RET, Reboque – BONFIM, REBOQUE– COPI, Reboque – DC, Reboque – DEST, REBOQUE – DIAM, Reboque –GASA, REBOQUE – IASF, Reboque – IPAUSSU, REBOQUE – JUNQ, REBOQUE – MUND, REBOQUE – RAF, REBOQUE –SERRA, Reboque – TAMOIO, Reboque – UNIV, REBOQUE – USH, Serviços de Tratos Culturais, Serviços de Tratos Culturais – UNIV, SUP.MAN.AGR.SERRA, SUP.MANUT.AGR.JUNQ, SUP.SERV.AGR.COPI, SUP.SERV.AGR.SERRA, Supervisão Manutenção Agrícola, Supervisão Manutenção Agrícola – BARRA, Supervisão Manutenção Agrícola – BONFIM, Supervisão Manutenção Agrícola – DEST, Supervisão Manutenção Agrícola – GASA, Supervisão Manutenção Agrícola Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 697 87 – IPAUSSU, Supervisão Manutenção Agrícola – TAMOIO, Supervisão Serviços Agrícolas, Supervisão Serviços Agrícolas – BARRA, Supervisão Serviços Agrícolas –BONFIM, Supervisão Serviços Agrícolas – DEST, Topografia, Topografia – BARRA, Topografia – BONFIM, TOPOGRAFIA – COPI, Topografia – GASA, TOPOGRAFIA –IASF, Topografia – IPAUSSU, TOPOGRAFIA – JUNQ, TOPOGRAFIA – MUND, TOPOGRAFIA – RAF, TOPOGRAFIA – SERRA, Topografia – TAMOIO, Topografia –UNIV, TOPOGRAFIA – USH, TRANS COLH – JUNQ, TRANS COLH – RAF, TRANS COLHE B. RET, TRANS COLHEI – COPI, TRANS COLHEITA – USH, TRANS COLHEITAIASF, TRANS. COLH – SERRA, TRANS.AG.COL. B.RET, TRANSP COLH – DIAM, TRANSP COLH – MUND, TRANSP. AGRÍCOLA RAF, TRANSP. AGRÍCOLA USH, Transp. Colheita –IPAUSSU, TRANSP.AG.COLH.SERRA, TRANSP.AGR.COLH. RAF, TRANSP.AGR.COLH.COPI, TRANSP.AGR.COLH.DIAM, TRANSP.AGR.COLH.IASF, TRANSP.AGR.COLH.JUNQ, TRANSP.AGR.COLH.MUND, TRANSP.AGR.COLH.USH, TRANSP.AGRIC. B.RET, TRANSP.AGRIC.SERRA, TRANSP.AGRÍCOLA COPI, TRANSP.AGRÍCOLA DIAM, TRANSP.AGRÍCOLA IASF, TRANSP.AGRÍCOLA JUNQ, TRANSP.AGRÍCOLA MUND, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola– BARRA, Transporte Agrícola – BENÁLCOOL, Transporte Agrícola – BONFIM, Transporte Agrícola – DEST, Transporte Agrícola – GASA, Transporte Agrícola – IPAUSSU, Transporte Agrícola –TAMOIO, Transporte Agrícola – UNIV, Transporte Agrícola Colheita, Transporte Agrícola Colheita – BARRA, Transporte Agrícola Colheita – BENÁLCOOL, Transporte Agrícola Colheita – BONFIM, Transporte Agrícola Colheita – DEST, Transporte Agrícola Colheita –GASA, Transporte Agrícola Colheita– IPAUSSU, Transporte Agrícola Colheita – TAMOIO, Transporte Agrícola Colheita – UNIV, Transporte Colheita BARRA, Transporte Colheita –BENÁLCOO, Transporte Colheita – BONFIM, Transporte Colheita – DEST, Transporte, Colheita – GASA, Transporte Colheita – TAMOIO, Transporte Colheita – UNIV, Transporte Industrial, Transporte Industrial – GASA, TRANSPORTES, Trato Soca, Trato Soca – BARRA, Trato Soca – GASA, TRATO SOCAJUNQ, Vinhaça, VINHAÇA B. RET, Vinhaça – BARRA, Vinhaça – BENÁLCOOL, Vinhaça – BONFIM, Vinhaça – DC, Vinhaça – DEST, VINHAÇA –DIAM, Vinhaça –GASA, Vinhaça – IPAUSSU, VINHAÇA – JUNQ, VINHAÇA – MUND, VINHAÇA – RAF, VINHAÇA – SERRA, Vinhaça – UNIV, VINHAÇA – USH e VINHAÇA COPI. Em Depreciação após 300911_MP540: ADM.AGR.CORP.COSAN, BALSA – DIAM, Borracharia – BONFIM, Borracharia – UNIV, Comboio de Abastecimento GASA, Comboio de Abastecimento – UNIV, DES.AGRONOM.SERRA, DES.AGRONÔM. DIAM, DESENV.AGRON. MUND, DESENV.AGRON. RAF, DESENV.AGRONOM. JUNQ, Desenvolvimento Agronômico, Desenvolvimento Agronômico – DC, IMPL.AGRÍCOLAS JUNQ, Fl. 740DF CARF MF 88 IMPLEM.AGRÍCOLAS COP, IMPLEM.AGRÍCOLAS RAF, IMPLM.AGRÍCOLAS IASF, IRRIGAÇÃO, Implementos Agrícolas, Implementos Agrícolas –BENÁLCOOL, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, MEC.PLANTIOMEC. MUND, MEC.PLANTIOMEC.SERRA, Mecanização Plantio Mecanizado, Mecanização Plantio Mecanizado – GASA, OF.MEC.COLH. IASF, OF.MEC.COLHED. MUND, OF.MEC.COLHEDORA COP, OF.MEC.VEÍCUL. B.RET, OF.MEC.VEÍCULOS COPI, OF.MEC.VEÍCULOS DIAM, OF.MEC.VEÍCULOS JUNQ, OF.MEC.VEÍCULOS MUND, OF.MEC.VEÍCULOS USH, Oficina Manutenção Colhedora, Oficina Mecânica – Tratores, Oficina Mecânica Tratores– BENÁLCOOL, Oficinas de Implementos, PLANTIO MEC.MUND, PORTOS –DIAM, Plantio, Plantio Mecanizado – DEST, Supervisão Manutenção Agrícola, TRANSP.AGRÍCOLA COPI, TRANSP.AGRÍCOLA JUNQ, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola Colheita, VINHAÇA B. RET, VINHAÇA – DIAM, VINHAÇA – JUNQ, VINHAÇA – MUND, VINHAÇA – RAF, VINHAÇA – SERRA, VINHAÇA – USH, VINHAÇA COPI e Vinhaça. Na decisão recorrida ficou definido que todas as glosas processadas devem ser mantidas, pois, os bens utilizados na etapa agrícola não dão direito aos aludidos créditos. Resta claro nos autos (analisandose o Parecer/Laudo Técnico), com exceção dos itens em negrito, que no processo de cultivo da canadeaçúcar para obtenção de açúcar e álcool, como os tratores, colhedeiras, motoniveladoras, caminhões e equipamentos usados neste maquinário (como computador de bordo, válvulas, motores, painéis etc.) são essenciais ao desempenho da atividade agrícola da Recorrente, e como estão devidamente incorporados no ativo imobilizado da empresa, devem conferir o direito ao crédito de PIS e COFINS com base no art. 3º, inciso VI, das leis 10.637/02 e 10.833/03. No entanto, há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. Como se verifica no Laudo Técnico apresentado, os caminhões são essenciais para transportar a cana até a unidade fabril. A mesma sorte segue as colhedeiras, motoniveladoras e tratores, as quais são utilizadas para a importante etapa de preparo do solo, devidamente descrita no item 4.3.9 do Laudo Técnico (fl. 30 do laudo), portanto, tais bens participam do processo produtivo. Desta forma, restando comprovado a etapa agrícola é essencial ao processo produtivo agrícola (produção da cana) para produção do açúcar e o álcool e considerando tudo o que já fora exposto no presente voto, não faz sentido impedir o creditamento de PIS e COFINS na fase agrícola no caso de agroindústrias, como é o caso da Recorrente. Assim, em relação à depreciação, voto no sentido de REVERTER as glosas dos seguintes bens do ativo imobilizada (não negritados), relacionados no centros de Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 698 89 custos "agrícolas" (correspondente a máquinas e equipamentos utilizados na fase agrícola), uma vez não encontrando fundamento legal a glosa perpetrada, devendo ser revertida para conferir o crédito de PIS e COFINS com fulcro no art. 3º, inciso VI, das leis 10.627/02 e 10.833/03): CARREG/REB ADM IN –MUND, CAR/REB ADM INTJUNQ, Carreg / Reboque Cana Adm Inteira – GASA, Carreg / Reboque Cana Adm Inteira – UNIV, COLH. CANA PIC. B.RET, COLH.CANA PIC. DIAM, COLH.CANA PIC. IASF, COLH.CANA PIC. JUNQ, COLH.CANA PIC. RAF, COLH.CANA PIC.SERRA, COLH.CANA PICADA COP, COLH.CANA PICADA MUN, COLHED.CANA PIC. USH, Colhedeira de Cana Picada, Colhedeira de Cana Picada – BARRA, Colhedeira de Cana Picada – BENÁLCOOL, Colhedeira de Cana Picada – BONFIM, Colhedeira de Cana Picada – DC, Colhedeira de Cana Picada – DEST, Colhedeira de Cana Picada – GASA, Colhedeira de Cana Picada IPAUSSU, Colhedeira de Cana Picada –TAMOIO, Colhedeira de Cana Picada – UNIV, IMPL.AGRÍCOLAS JUNQ, IMPL.AGRÍCOLAS B.RET, IMPL.AGRÍCOLAS DIAM, IMPL.AGRÍCOLAS MUND, IMPL.AGRÍCOLAS SERRA, IMPLEM.AGRÍCOLAS COP, IMPLEM.AGRÍCOLAS RAF, IMPLEM.AGRÍCOLAS USH, Implementos Agrícolas, Implementos Agrícolas – BARRA, Implementos Agrícolas – BENÁLCOOL, Implementos Agrícolas – BONFIM, Implementos Agrícolas – DEST, Implementos Agrícolas – GASA, Implementos Agrícolas –IPAUSSU, Implementos Agrícolas – TAMOIO, Implementos Agrícolas – UNIV, IMPLM.AGRÍCOLAS IASF, Lavador de Veículos –BARRA, Lavador de Veículos – IPAUSSU, Lavador de Veículos –UNIV, Lavador Veículos e Borracharia, MEC.MAQ.AMARELAS, MEC.MAQ.EXTR.PESADAS, MEC.MAQ.LEVES B.RET, MEC.MAQ.LEVES SERRA, MEC.MAQ.MÉDIAS B.RET, MEC.MAQ.MÉDIAS IASF, MEC.MAQ.MÉDIAS JUNQ, MEC.MAQ.MÉDIAS MUND, MEC.MAQ.MÉDIAS SERRA, MEC.MAQ.PES.B. RET, MEC.MAQ.PES.COPI, MEC.MAQ.PES.DIAM, MEC.MAQ.PES.IASF, MEC.MAQ.PES.JUNQ, MEC.MAQ.PES.MUND, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.MAQ.PES.SERRA, MEC.MAQ.PES.USH, MEC.PLANTIOMEC B.RET, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, MEC.PLANTIOMEC. MUND, MEC.PLANTIOMEC.COPI, MEC.PLANTIOMEC.RAF, MEC.PLANTIOMEC.SERRA, MECAN.MAQ.MÉDIAS USH, MECANIZ. AGR. JUNQ, MECANIZ. INDL. DIAM, MECANIZ.INDL. B.RET, MECANIZ.INDL. IASF, MECANIZ.INDL. JUNQ, MECANIZAÇÃO AGR.COPI, Mecanização Agrícola, Mecanização Agrícola –IPAUSSU, Mecanização Agrícola Colheita GASA, Mecanização Industrial, Mecanização Industrial – DEST, Mecanização Industrial – GASA, Mecanização Máquinas Amarelas –Barra, Mecanização Máquinas Amarelas – Tamoio, Mecanização Maquinas Extra PesadasBarra, Mecanização Maquinas Extra PesadasBonfi, Mecanização Fl. 742DF CARF MF 90 Maquinas Extra PesadasIpaus, Mecanização Máquinas Leves, Mecanização Máquinas Leves – BARRA, Mecanização Máquinas Leves –BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Leves – DEST, Mecanização Máquinas Leves – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Médias, Mecanização Máquinas Médias– BARRA, Mecanização Máquinas Médias – BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Médias –BONFIM, Mecanização Máquinas Médias – GASA, Mecanização Máquinas Médias –IPAUSSU, Mecanização Máquinas Médias – UNIV, Mecanização Máquinas Pesadas, Mecanização Máquinas Pesadas – BARRA, Mecanização Máquinas Pesadas – BENÁLCOOL, Mecanização Máquinas Pesadas – BONFIM, Mecanização Máquinas Pesadas – DEST, Mecanização Máquinas Pesadas – GASA, Mecanização Máquinas Pesadas – IPAUSSU, Mecanização Máquinas Pesadas – TAMOIO, Mecanização Máquinas Pesadas – UNIV, Mecanização Plantio Mecanizado, Mecanização Plantio Mecanizado – BARRA, Mecanização Plantio Mecanizado – BONFIM, Mecanização Plantio Mecanizado – DEST, Mecanização Plantio Mecanizado – GASA, Mecanização Plantio Mecanizado – IPAUSSU, Mecanização Plantio Mecanizado – TAMOIO, Mecanização Plantio Mecanizado – UNIV, MECZ.MAQ.MÉDIA COPI, MECZ.MAQ.MÉDIAS DIAM, MECZ.MAQ.MÉDIAS RAF, TRANS COLH – JUNQ, TRANS COLH – RAF, TRANS COLHE B. RET, TRANS COLHEI – COPI, TRANS COLHEITA – USH, TRANS COLHEITAIASF, TRANS. COLH – SERRA, TRANS.AG.COL. B.RET, TRANSP COLH – DIAM, TRANSP COLH – MUND, TRANSP. AGRÍCOLA RAF, TRANSP. AGRÍCOLA USH, Transp. Colheita – IPAUSSU, TRANSP.AG.COLH.SERRA, TRANSP.AGR.COLH. RAF, TRANSP.AGR.COLH.COPI, TRANSP.AGR.COLH.DIAM, TRANSP.AGR.COLH.IASF, TRANSP.AGR.COLH.JUNQ, TRANSP.AGR.COLH.MUND, TRANSP.AGR.COLH.USH, TRANSP.AGRIC. B.RET, TRANSP.AGRIC.SERRA, TRANSP.AGRÍCOLA COPI, TRANSP.AGRÍCOLA DIAM, TRANSP.AGRÍCOLA IASF, TRANSP.AGRÍCOLA JUNQ, TRANSP.AGRÍCOLA MUND, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola– BARRA, Transporte Agrícola – BENÁLCOOL, Transporte Agrícola – BONFIM, Transporte Agrícola – DEST, Transporte Agrícola – GASA, Transporte Agrícola – IPAUSSU, Transporte Agrícola – TAMOIO, Transporte Agrícola –UNIV, Transporte Agrícola Colheita, Transporte Agrícola Colheita – BARRA, Transporte Agrícola Colheita – BENÁLCOOL, Transporte Agrícola Colheita – BONFIM, Transporte Agrícola Colheita – DEST, Transporte Agrícola Colheita – GASA, Transporte Agrícola Colheita– IPAUSSU, Transporte Agrícola Colheita – TAMOIO, Transporte Agrícola Colheita– UNIV, Transporte Colheita BARRA, Transporte Colheita – BENÁLCOO, Transporte Colheita – BONFIM, Transporte Colheita – DEST, Transporte Colheita – GASA, Transporte Colheita – TAMOIO, Transporte Colheita – UNIV, Transporte Industrial, Transporte Industrial – GASA, TRANSPORTES, Trato Soca, Trato Soca – BARRA, Trato Soca – GASA, TRATO SOCAJUNQ, Vinhaça, VINHAÇA B. RET, Vinhaça – BARRA, Vinhaça –BENÁLCOOL, Vinhaça – BONFIM, Vinhaça – DC, Vinhaça – DEST, VINHAÇA – DIAM, Vinhaça –GASA, Vinhaça – IPAUSSU, VINHAÇA – JUNQ, VINHAÇA – MUND, Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 699 91 VINHAÇA –RAF, VINHAÇA – SERRA, Vinhaça – UNIV, VINHAÇA – USH e VINHAÇA COPI. Em Depreciação após 300911 _ MP540: IMPLEM.AGRÍCOLASJUNQ, IMPLEM.AGRÍCOLAS COP, IMPLEM.AGRÍCOLAS RAF, IMPLM.AGRÍCOLAS IASF, IRRIGAÇÃO, Implementos Agrícolas, Implementos Agrícolas – BENÁLCOOL, MEC.MAQ.PES.RAF, MEC.PLANTIOMEC. JUNQ, MEC.PLANTIOMEC. MUND, MEC.PLANTIOMEC.SERRA, Mecanização Plantio Mecanizado, Mecanização Plantio Mecanizado – GASA, PLANTIO MEC.MUND, PORTOS –DIAM, Plantio, Plantio Mecanizado – DEST, TRANSP.AGRÍCOLA COPI, TRANSP.AGRÍCOLA JUNQ, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola Colheita, VINHAÇA B. RET, VINHAÇA – DIAM, VINHAÇA –JUNQ, VINHAÇA – MUND, VINHAÇA – RAF, VINHAÇA – SERRA, VINHAÇA – USH, VINHAÇA COPI e Vinhaça. No meu sentir, as despesas glosadas (que se encontra negritadas) apresentada pela fiscalização, como bem apontado pelo Fisco, não tem uma relação direta com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa (não condizem com a produção agrícola em si; há um certo distanciamento). Também, verifico nos autos, que a Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da empresa. Tratase de despesas indiretas e que representam custo geral da produção da cana (fase agrícola), motivo pelo qual bens empregados em atividades gerais da pessoa jurídica ou em sua fase pré ou pósindustrial não geram direito ao crédito em questão, haja vista que não são aplicados ou consumidos diretamente e sim de forma indireta na produção da cana. Assim, por falta de comprovação de se tratar de insumo e, portanto, desprovido de amparo legal, se depreende que as despesas acima relacionadas, não atendem ao critério para caracterização como insumos e devem ser mantido a glosa perpetrada pelo Fisco. 13.2. DEPRECIAÇÃO Bens não ligados a Produção " não lig prod" (item 8.2) Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) A D. Fiscalização, por meio do item 8.2 do Termo de Verificação Fiscal, com base na indevida aplicação de um conceito totalmente restritivo do maquinário e equipamentos necessários para a produção de bens destinados à venda, para fins de validação do direito de crédito, procedeu com a glosa em relação aos seguintes bens: esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densímetros, desfibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, Fl. 744DF CARF MF 92 fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc. (...)". Por outro lado, informa o Fisco à fl. 77 do TVF, que foram glosados os bens acima. vinculados aos centros de custos: Em “Depreciação” e “Depreciação até 300911” AERONAVES, ARM. AÇÚCAR INT.IASF, ARM.AÇÚCAR INT.JUNQ, ARM.AÇÚCAR INT.RAF, ARM.AÇÚCAR INT.SERR, Administração Unidades, Almoxarifado – BARRA, Almoxarifado – DESTIVALE, Almoxarifado – IPAUSSU, Almoxarifado –UNVALEM, Armazém de Açúcar Ext.DICCapivari–UNIV, Armazém de Açúcar Externo, Armazém de Açúcar Externo Cnaga –UNIV, Armazém de Açúcar Interno, Armazém de Açúcar Interno –BARRA, Armazém de Açúcar Interno – BONFIM, Armazém de Açúcar Interno – DEST, Armazém de Açúcar Interno – IPAUSSU, Armazém de Açúcar Interno – TAMOIO, Armazém de Açúcar Interno – UNIV, Armazém de Açúcar Pallets – BARRA, Balança de Cana, CAPTAÇÃO DE ÁGUA USH, CAPTAÇÃO ÁGUA –IASF, CAPTAÇÃO ÁGUA B.RET, CAPTAÇÃO ÁGUA DIAM, CAPTAÇÃO ÁGUA JUNQ, CAPTAÇÃO ÁGUA MUND, CAPTAÇÃO ÁGUA RAF, CAPTAÇÃO ÁGUA SERRA, CENTR. AR COMP.SERRA, CENTRAL AR COMP.DIAM, CENTRAL AR COMP.JUNQ, CENTRAL AR COMP.MUND, Captação de Água, Captação de Água – BARRA, Captação de Água – DC, Captação de Água – DEST, Captação de Água – GASA, Captação de Água – IPAUSSU, Captação de Água – TAMOIO, Captação de Água –UNIV, Central Ar Comprimido –BONFIM, Central Ar Comprimido – DEST, Central de Ar Comprimido, Central de Ar Comprimido – BARRA, Central de Ar Comprimido – TAMOIO, ENERGELETR.COMP.RAF, ESCRIT. COML.COSAN, Expedição, Expedição Interna, FATURAM.BALANÇA, FATURAM.BALANÇAB. RE, FATURAM.BALANÇAIASF, HELPDESK, HIGIENE E MED.TRABAL, HelpDesk, Higiene e Medicina do Trabalho, INSTRUMENTAÇÃO B.RET, INSTRUMENTAÇÃO COPI, INSTRUMENTAÇÃO DIAM, INSTRUMENTAÇÃO IASF, INSTRUMENTAÇÃO JUNQ, INSTRUMENTAÇÃO MUND, INSTRUMENTAÇÃO SERRA, INSTRUMENTAÇÃO USH, Instrumentação, Instrumentação – BARRA, Instrumentação – BONFIM, Instrumentação – DC, Instrumentação – DEST, Instrumentação – GASA, Instrumentação – IPAUSSU, Instrumentação – TAMOIO, Instrumentação – UNIV, JURÍDICO, LAB.IND.E MICROB.USH, LAB.IND.MICROB. COPI, LAB.INDL E MICR. RAF, LAB.INDL E MICR.IASF, LAB.INDL/MICR. SERRA, LAB.INDL/MICRB.B.RET, LAB.INDL/MICROB.DIAM, LAB.INDL/MICROB.JUNQ, LAB.INDL/MICROB.MUND, LAB.MERISTEMA IASF, LAB.MERISTEMA RAF, LAB.TEOR SAC. COPI, LAB.TEOR SACAR. DIAM, LAB.TEOR SACAR. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 700 93 IASF, LAB.TEOR SACAR. JUNQ, LAB.TEOR SACAR.B.RET, LAB.TEOR SACAR.MUND, LAB.TEOR SACAR.SERRA, LAB.TEOR SACAROSEUSH, LABR.TEOR SACAR. RAF, LAV.VEÍCULOS DIAM, LIMP.OPERAT. COPI, LIMP.OPERAT. DIAM, LIMP.OPERAT. MUND, Labor.Industrial/Microbiológico –BARRA, Labor.Industrial/Microbiológico –BENÁLC, Labor.Industrial/Microbiológico –BONFIM, Labor.Industrial/Microbiológico – DC, Labor.Industrial/Microbiológico –DEST, Labor.Industrial/Microbiológico – GASA, Labor.Industrial/Microbiológico – TAMOIO, Labor.Industrial/Microbiológico –UNIV, Labor.Industrial/Microbiológico –IPAUSSU, Laboratório Cotesia, Laboratório Cotesia – BARRA, Laboratório Cotesia – BONFIM, Laboratório Cotesia – GASA, Laboratório Cotesia – UNIV, Laboratório Industrial e Microbiológico, Laboratório Metharizium, Laboratório Metharizium – BARRA, Laboratório Metharizium – BONFIM, Laboratório Metharizium – UNIV, Laboratório Teor Sacarose, Laboratório Teor Sacarose – BARRA, Laboratório Teor Sacarose – BENÁLCOOL, Laboratório Teor Sacarose – BONFIM, Laboratório Teor Sacarose – DC, Laboratório Teor Sacarose – DEST, Laboratório Teor Sacarose – GASA, Laboratório Teor Sacarose –IPAUSSU, Laboratório Teor Sacarose – TAMOIO, Laboratório Teor Sacarose – UNIV, Laboratório de Lubrificantes – BARRA, Laboratório de Lubrificantes – GASA, Laboratório de Lubrificação e Comboio, Limpeza Operativa –BARRA, M.A.ISO14 IND. B.RET, M.A.ISO14 IND. IASF, M.A.ISO14 IND. JUNQ, M.A.ISO14 IND. MUND, M.A.ISO14 IND. RAF, M.A.ISO14 IND. SERRA, M.A.ISO14 IND. USH, M.A.ISO14 IND.COPI, M.AMB.ISO14000 IASF, MAN.CSV.CIV.IND.COPI, MAN.CSV.CIV.IND.JUNQ, MAN.CSV.CIV.IND.MUND, MAN.CSV.CIV.IND.SERR, MAN.CSV.CIV.IND.USH, MANUT. MECÂNICA COPI, MANUT.BALANÇAS B.RE, MANUT.BALANÇAS COPI, MANUT.BALANÇAS DIAM, MANUT.BALANÇAS IASF, MANUT.BALANÇAS JUNQ, MANUT.BALANÇAS MUND, MANUT.BALANÇAS RAFA, MANUT.BALANÇAS USH, MANUT.MECÂNICA B.RET, MANUT.MECÂNICA DIAM, MANUT.MECÂNICA IASF, MANUT.MECÂNICA JUNQ, MANUT.MECÂNICA MUND, Manutenção Conserv.Civil Ind. – BONFIM, Manutenção Conserv.Civil Ind. – GASA, Manutenção Conservação Civil, Manutenção de Balanças – BARRA, Manutenção de Balanças – BONFIM, Manutenção de Balanças – DC, Manutenção de Balanças – DESTIVALE, Manutenção de Balanças –GASA, Manutenção de Balanças – IPAUSSU, Manutenção de Balanças – TAMOIO, Manutenção de Balanças – UNIVALEM, OFIC.ELÉTRICA – IASF, OFIC.ELÉTRICA B.RET, OFIC.ELÉTRICA JUNQ, OFIC.ELÉTRICA MUND, OFIC.ELÉTRICA SERRA, OFIC.MECÂNICA COPI, OFIC.MECÂNICA DIAM, OFIC.MECÂNICA IASF, OFIC.MECÂNICA JUNQ, OFIC.MECÂNICA MUND, OFIC.MECÂNICA SERRA, OFICINA ELÉTRICA COP, Fl. 746DF CARF MF 94 OFICINA ELÉTRICA RAF, OFICINA ELÉTRICA USH, OFICINA MECÂNICA RAF, OFICINA MECÂNICA USH, OPERAÇÕES DE ETANOL –DISTRIBUIÇÃO, OPERAÇÕES DE ETANOL – POSTOS, Oficina Elétrica, Oficina Elétrica – BARRA, Oficina Elétrica – BENÁLCOOL, Oficina Elétrica – BONFIM, Oficina Elétrica – DC, Oficina Elétrica – DEST, Oficina Elétrica – GASA, Oficina Elétrica –IPAUSSU, Oficina Elétrica – TAMOIO, Oficina Elétrica – UNIV, Oficina Mecânica –BARRA, Oficina Mecânica – BONFIM, Oficina Mecânica – DC, Oficina Mecânica –DEST, Oficina Mecânica – GASA, Oficina Mecânica –IPAUSSU, Oficina Mecânica –TAMOIO, PROG.ALIM.TRABALHADO, Posto de Abastecimento, Posto de Abastecimento–BENÁLCOOL, Posto de Abastecimento – DEST, Posto de Abastecimento – GASA, Posto de Abastecimento – IPAUSSU, Posto de Abastecimento – UNIV, Programa Alim.Trabalhador Ind. – BONFIM, Programa Alimentação Trabalhador, REDES, Redes, Refeitório Alojamento Agricola – TAMOIO, S/SEG.ISO18000 B.RET, S/SEG.ISO18000 JUNQ, S/SEG.ISO18000 RAF, SAÚDE/SEG.ISO18000C, SEGURANÇA PATRIMONIA, SERVIDORES, SESMT INDL. COPI, SESMT INDL. JUNQ, SESMT Indl. BARRA, SESMT Indl. BENALCOOL, SESMT Indl. GASA, SESMT Indl. IPAUSSU, SESMT Indl. TAMOIO, SESMT Indl. UNIVALEM, SISTEMAS CORPORATIVO, SUPORTE VDAS VAREJO, Saúde e Segurança ISO 18000, Segurança Patrimonial, Segurança do Trabalho, Segurança do Trabalho – BENÁLCOOL, Segurança do Trabalho – GASA, Segurança do Trabalho –IPAUSSU, Segurança do Trabalho – TAMOIO, Segurança do Trabalho – UNIV, Serviços Auxiliares, Serviços Auxiliares – DC, Serviços Médicos, Serviços Odontológicos, T&DTREIN. E DESENV., T&DTrein. e Desenv., TECNOL.DA INFORMAÇÃO, TRANSP. INDUAL COPI, TRAT.ÁGUA ETA COPI, TRAT.ÁGUA ETAJUNQ, TRAT.ÁGUAETA–RAF, TRAT.ÁGUAETA–USH, TRAT.ÁGUAETA– DIAM, TRATAMENTO.ÁGUAETA–MUND, TRAT.ÁGUAETASERRA, Tratamento de Água – ETA, Tratamento de Água ETA–BARRA, Tratamento de Água ETA– BENÁLCOOL, Tratamento de Água ETA– BONFIM, Tratamento de Água ETA– DEST, Tratamento de Água ETA– GASA, Tratamento de Água ETA– TAMOIO, Tratamento de Água ETA– UNIV, ÁGUAS RESID. B.RET, ÁGUAS RESIDS – SERRA, ÁGUAS RESIDUAIS COPI, ÁGUAS RESIDUAIS DIAM, ÁGUAS RESIDUAIS IASF, ÁGUAS RESIDUAIS JUNQ, ÁGUAS RESIDUAIS MUND, ÁGUAS RESIDUAIS USH, Águas Residuais, Águas Residuais – BARRA, Águas Residuais – DC, Águas Residuais – DEST, Águas Residuais – GASA, Águas Residuais –IPAUSSU, Águas Residuais – TAMOIO, Águas Residuais – UNIV e Águas Residuais. De “Depreciação após 300911_MP540” ADM. MATERIAIS, ALMOXARIFADO – RAFAR, ARM.AÇÚCAR INT.COPI, ARM.AÇÚCAR INT.IASF, ARM.AÇÚCAR INT.JUNQ, ARM.AÇÚCAR INT.RAF, ARM.AÇÚCAR INT.USH, Administr./Planejamento Indual – BENÁLCO, Administração / Planejamento Industrial, Almoxarifado – BENALCOOL, Almoxarifado – GASA, Almoxarifado – TAMOIO, Armazém de Açúcar Ext.DICCapivari–UNIV, Armazém de Açúcar Interno, Balança Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 701 95 de Cana, CAPTAÇÃO ÁGUA B.RET, Captação de Água, Central Ar Comprimido – DEST, Equipamentos Reservas –UNIV, Faturamento/Balança –DC, Ger.Proj.Ind.Barra, INFRAESTRUTURA, INSTRUMENTAÇÃO COPI, INSTRUMENTAÇÃO RAF, LAB.IND.E MICROB.USH, LAB.IND.MICROB. COPI, LAB.INDL E MICR. RAF, LAB.INDL E MICR.IASF, LAB.INDL/MICR. SERRA, LAB.INDL/MICRB.B.RET, LAB.INDL/MICROB.DIAM, LAB.INDL/MICROB.MUND, Labor.Industrial/Microbiológico – BENÁLC, Laboratório Cotesia, Laboratório Industrial e Microbiológico, MANUT. MECÂNICA RAF, MANUT. MECÂNICA COPI, MANUT.MECÂNICA DIAM, Manutenção Mecânica, OFIC.ELÉTRICA JUNQ, OFICINA MECÂNICA USH, OPERAÇÕES DE ETANOL – DISTRIBUIÇÃO, OPERAÇÕES DE ETANOL – POSTOS, Oficina Elétrica, Oficina Mecânica, PROCESSOS, Posto de Abastecimento, REDES, Redes, SERVIDORES, SESMT INDL. MUND e TRAT.ÁGUA ETA COPI. Verificase que nas glosas em tela, foram desconsiderados diversos bens utilizados para a adequação do sistema de águas industriais, materiais de laboratórios diversos e de sacarose, tanques para lavagem da cana, balança rodoviária para medição da cana, etc. A Recorrente afirma que "Dessa forma, demonstrado que todos estes itens são imprescindíveis à realização do processo produtivo da RECORRENTE, motivo pelo qual deve ser reconhecido o direito de crédito. A análise do Laudo/Parecer Técnico permite verificar a pertinência e a relevância de cada um daqueles itens para o desenvolvimento das atividades da RECORRENTE, isto aliado às alegações e comprovações já carreadas aos autos e à atual jurisprudência do CARF". Afirma que a adequação dos sistemas de água é imprescindível para utilização da água na lavagem da cana, não havendo que se falar em açúcar e álcool se não houverem bens destinados a filtragem da água utilizada. A mesma sorte seguem os tanques de aço, utilizados para tratar o alto volume de água utilizado no processo de industrialização. As balanças de cana são imprescindíveis para que o transporte das mesmas seja realizado em cumprimento da legislação de transporte, auferindo a carga máxima permite para conferir legalidade ao transporte. Sem estes bens, não haveria como cumprir a legislarão de trânsito, nem como verificar o volume de cana perdido durante o transporte. Quanto as sondas utilizadas nos laboratórios, estas se mostram essenciais para a verificação do teor de sacarose da cana que será produzido em açúcar e álcool, sendo impossível desenvolver uma produção empresarial de açúcar e álcool sem este e todos aqueles materiais destinados aos laboratórios. Assim, restando comprovado a etapa agrícola é essencial ao processo produtivo do açúcar e do álcool, considerando tudo o Fl. 748DF CARF MF 96 que já fora exposto no presente voto, não faz sentido impedir o creditamento de PIS e COFINS na fase agrícola no caso de agroindústrias, como é o caso da recorrente. Assim, em relação à depreciação, com fulcro no art. 3º, inciso VI, das leis 10.627/02 e 10.833/03, voto para reverter as glosas dos bens do ativo relacionados aos seguintes centros de custos "não lig prod" (item 8.2 do TVF): AERONAVES, Balança de Cana, LAB.TEOR SAC. COPI, LAB.TEOR SACAR. DIAM, LAB.TEOR SACAR. IASF, LAB.TEOR SACAR. JUNQ, LAB.TEOR SACAR.B.RET, LAB.TEOR SACAR.MUND, LAB.TEOR SACAR.SERRA, LAB.TEOR SACAROSEUSH, LABR.TEOR SACAR. RAF, Labor.Industrial/Microbiológico – BARRA, Labor.Industrial/Microbiológico –BENÁLC, Labor.Industrial/Microbiológico – BONFIM, Labor.Industrial/Microbiológico – DC, Labor.Industrial/Microbiológico –DEST, Labor.Industrial/Microbiológico – GASA, Labor.Industrial/Microbiológico – TAMOIO, Labor.Industrial/Microbiológico –UNIV, Labor.Industrial/Microbiológico –IPAUSSU, Laboratório Cotesia, Laboratório Cotesia – BARRA, Laboratório Cotesia – BONFIM, Laboratório Cotesia – GASA, Laboratório Cotesia – UNIV, Laboratório Industrial e Microbiológico, Laboratório Metharizium, Laboratório Metharizium –BARRA, Laboratório Metharizium – BONFIM, Laboratório Metharizium – UNIV, Laboratório Teor Sacarose, Laboratório Teor Sacarose – BARRA, Laboratório Teor Sacarose – BENÁLCOOL, Laboratório Teor Sacarose – BONFIM, Laboratório Teor Sacarose – DC, Laboratório Teor Sacarose –DEST, Laboratório Teor Sacarose – GASA, Laboratório Teor Sacarose – IPAUSSU, Laboratório Teor Sacarose – TAMOIO, Laboratório Teor Sacarose – UNIV, TRAT.ÁGUA ETA COPI, TRAT.ÁGUA ETAJUNQ, TRAT.ÁGUAETA– RAF, TRAT.ÁGUAETA– USH, TRAT.ÁGUAETA– DIAM, TRATAMENTO.ÁGUAETA– MUND, TRAT.ÁGUAETASERRA, Tratamento de Água – ETA, Tratamento de Água ETA– BARRA, Tratamento de Água ETA– BENÁLCOOL, Tratamento de Água ETA– BONFIM, Tratamento de Água ETA– DEST, Tratamento de Água ETA– GASA, Tratamento de Água ETA– TAMOIO, Tratamento de Água ETA– UNIV. De “Depreciação após 300911_MP540” Balança de Cana, CAPTAÇÃO ÁGUA B.RET, Captação de Água TRAT.ÁGUA ETA COPI. No meu sentir, as despesas glosadas (que não se encontram negritadas) apresentada pela fiscalização, como bem apontado pelo Fisco, não tem uma relação direta com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa (não condizem com a produção agrícola em si; há um certo distanciamento). Também, verifico nos autos, que a Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da empresa. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 702 97 Tratase de despesas indiretas e que representam custo geral da produção da cana (fase agrícola), motivo pelo qual bens empregados em atividades gerais da pessoa jurídica ou em sua fase pré ou pósindustrial não geram direito ao crédito em questão, haja vista que não são aplicados ou consumidos diretamente e sim de forma indireta na produção da cana. Assim, por falta de comprovação de se tratar de insumo e, portanto, desprovido de amparo legal, se depreende que as despesas acima relacionadas, não atendem ao critério para caracterização como insumos e devem ser mantido a glosa perpetrada pelo Fisco. 14. De outras glosas perpetradas pelo Fisco A Recorrente nada se pronunciou sobre as glosas do seguinte item do TVF: "7.4 não é locação". Como se sabe, regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso voluntário. 15. Do pedido de Diligência O pedido de diligência realizado na peça impugnatória foi indeferido pela DRJ, sob o argumento de que a mesma seria desnecessária ao julgamento do presente processo. No entanto a Recorrente alega que embora a Recorrente esteja segura de que todas as glosas foram robatidas de forma integral, juntandose todo o material probatório e comprovandose que todos os requisitos de classificação fiscal foram realizados em consonância com o ordenamento vigente atestando o direito creditório pleiteado, na remota hipótese de remanescer qualquer dúvida referente aos documentos apresentados, reitera seu requerimento para realização de diligência, nos termos do inciso IV, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Caso deferido, indica o nome dos assistentes, empresa e formula os quesitos. Ressaltase que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Primeiramente urge destacar que em relação à cadeia produtiva da Recorrente a mesma já foi objeto de análise pela fiscalização. Vejase que no inicio do procedimento fiscal foi solicitada o que segue (fl. 19.850): "5. Descrição do processo produtivo da empresa, no ano em questão, informando os produtos e os principais insumos utilizados em cada etapa e as respectivas classificações fiscais de acordo com as posições da NCM, especificando se os insumos se referem à produção de álcool, açúcar, outros produtos, comum,..." E desta forma foi respondido pela empresa (fl. 19.863), (...) No que concerne ao item 5 encaminhamos o Fl. 750DF CARF MF 98 Sumário Executivo da cadeia produtiva da industria sucro energética (...) (Doc. 3). Verificase claramente que o acima citado "Doc. 3" nada mais é do um resumo do Laudo Técnico confeccionado pela Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz da Universidade de São Paulo ESALQ/ USP, que atestaria tecnicamente a essencialidade de todos os itens glosados (fl. 20.784/20.934): "Nesta Impugnação, a IMPUGNANTE destacará, em detalhes, o tipo de atividade por ela desempenhada, com vistas a permitir que esta D. Autoridade Julgadora, amparada nessa exposição, bem como no Laudo elaborado pela Escola Superior de Agricultura Luíz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Doc. nº 05), possa verificar a essencialidade e a importância dos bens e serviços glosados pela D. Autoridade Fiscal dentro do processo industrial realizado pela IMPUGNANTE. Cada um dos pontos que justifica o direito aos créditos de PIS e de COFINS, será objeto de exposição individualizada, com vistas a facilitar a sua compreensão e visualização, permitindo verificar, de forma inequívoca, as falhas que fulminam as conclusões alcançadas no Auto de Infração ora combatido". Desta forma, não há dúvidas quanto ao processo produtivo da Recorrente. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. A divergência existente é em relação ao conceito de insumo. Portanto, em face da existência nos autos de elementos de provas suficientes para o julgamento do processo, tal como o Laudo Técnico apresentado, tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Não determinar diligências ou perícias desnecessárias, além de não ofender o princípio do devido processo legal ou do contraditório e da ampla defesa, obedece exatamente a preceito expresso da lei que rege o processo administrativo. Portanto, indefiro o pedido de diligência ou perícia. 16. Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido sentido: a) negar provimento ao Recurso de Ofício; e b) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos a seguir sintetizados: (i) manter todas as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas (conforme item 8 deste voto); (ii) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral, decorrentes da aquisição de canadeaçúcar (para produção do açúcar e ácool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 deste voto); Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 703 99 (iii) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 deste voto); (iv) dar PARCIAL provimento ao recurso interposto para reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1, deste voto; (v) NEGAR provimento ao recurso interposto, mantendose as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2, deste voto; (vi) NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendose as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3, deste voto; (vii) NEGAR provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO" AGRÍCOLA" (item 7.2.1, do TVF), com exceção dos produtos químicos utilizados na formação da cana deaçúcar: fertilizantes, calcário, herbicidas, inseticidas e formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1, deste voto; (viii) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2, deste voto; (ix) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3, deste voto; (x) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado " Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4, deste voto; (xi) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5, deste voto; Fl. 752DF CARF MF 100 (xii) manter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação, fretes produtod acabados, armazenagem, embarque e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias "PORTUÁRIAS NOTAS FISCAIS ME", conforme disposto no item 12.6, deste voto; (xiii) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola " AGRÍCOLA" (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1, deste voto; (xiv) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção " NÃO LIG PROD" (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2, deste voto. Há, por fim, algumas considerações a fazer. A primeira é que, a nosso juízo, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, também não ensejam o creditamento. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 704 101 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 2 2 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 754DF CARF MF 102 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma3, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de 3 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 705 103 canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. A segunda observação relacionase com o entendimento, agora objeto de parte do voto vencedor, que concluiu que, no cálculo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela. Ora, como bem demonstrado nos fundamentos do voto antes reproduzido, somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei, daí que, ao menos quanto a esta matéria, adotamos o entendimento exposto no voto vencido, para afastar, no caso, o crédito reclamado pela Recorrente. Porém, a despeito de não concordarmos com o voto vencedor quanto a esta primeira matéria, concordamos com a segunda. Afinal, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto, por exemplo, aos produtos químicos utilizados em análises laboratoriais (reagentes e corantes), tratamento de água, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, e reagentes utilizados em tratamento de água e limpeza etc. O voto vencedor bem enfrenta a controvérsia (inclusive, como se verá, quanto a outros itens nele referidos, os quais, em linha com a tese incorporada a este voto, também devem ser considerados no cálculo dos créditos de PIS/Cofins), razão porque, ao menos aqui, também passamos adotálo como razão de decidir: (ii) Dos produtos químicos não utilizados na produção 7. Aqui as glosas recaíram sobre créditos que, em razão do registro contábil que lhe fora atribuído pelo recorrente, não apresentariam vínculo com a produção, seja na fase agrícola seja na fase industrial. São os itens 11.2, 12.5, 13.1 e 13.2 do voto do Relator. Mais precisamente, os bens e serviços referem se à aquisição de: produtos químicos diversos; produtos químicos para análise (reagentes e corantes); produtos químicos para tratamento de água, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, e reagentes utilizados em tratamento de água; análises laboratoriais e limpeza. Conforme constatado pelo laudo ESALQ, tais itens são essenciais para o desenvolvimento da atividade perpetrada pela Recorrente. 8. Nesse sentido, em relação à atividade laboratorial, tal empreita é essencial para a devida apuração do momento em que a cana cultivada apresenta seu apogeu biológico para gerar a maior quantidade e com maior qualidade o açúcar e o álcool, bem como para determinar a aplicação de corretivos no solo e, ainda, produzir insetos que atuam no controle de algumas pragas que atacam a produção de canadeaçúcar. Este é o teor do citado estudo técnico: Fl. 756DF CARF MF 104 (...). O setor agrícola precisa então contar com laboratório de pré analise de cana para definir a época de colheita e iniciar o corte pelas variedades mais precoces e com maior índice de maturação (maior teor de sacarose). (...). A aplicação de corretivos no solo (calagem) deve ser precedida pela amostragem de solo para a análise química. Esta é uma operação que deve ser realizada em todas as áreas onde é feito o cultivo de canadeaçúcar. O procedimento consiste na coleta de amostras de terra no campo, de acordo com o tipo de solo e histórico da área e, o envio dessas ao laboratório de análises químicas. Nesse são determinados os teores dos nutrientes essenciais às plantas, e a partir destes resultados, determinamse as doses de corretivo e de fertilizante que devem ser aplicadas em cada hectare de solo. (...). Laboratório de controle biológico (Produção de cotésia4); (b) Aplicação de cotésia na lavoura de cana para o controle da brocadacana. (...). As determinações tecnológicas laboratoriais fornecem dados mais precisos do estádio de maturação da cana, sendo a rigor uma confirmação dos resultados do refratômetro de campo. Np laboratório são realizadas as determinações do brix, pol (porcentagem de sacarose aparente em massa), açúcares redutores (expresso em % de açúcar invertido em massa por volume) e calculada a pureza (P), segundo a fórmula. Por esses motivos, é essencial que a usina apresente um laboratório para as préanalises para determinar o momento ideal da colheita da cana. Com isso ter a possibilidade de se obter a maior recuperação de açúcar.transformação em etanol e em energia por hectare de lavoura. Quando há necessidade de se adiantar a colheita da cana, com base em análises laboratoriais, recomendase o uso de maturadores químicos. (...). 9. Diante deste quadro fático, toda esta etapa laboratorial também dá direito a crédito de PIS e COFINS, o que redunda na reversão das glosas indevidamente efetuadas pela fiscalização. 10. Já em relação às demais rubricas tratadas no presente item, o laudo técnico produzido pela ESALQ bem descreveu que a captação de água é essencial seja na fase agrícola seja na fase industrial da atividade de produção de açúcar e álcool já que, conforme atestado pelo citado laudo, a água é um dos principais insumos e, por conseguinte, custos da cadeia sucroenergética. 4 Tratase de uma pequena vespa da espécie "Cotesia flavipes" e que atua no controle de pragas que frequentemente atingem a produção de canadeaçúcar. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 706 105 11. Não obstante, o tratamento prévio desta água que depois será aproveitada no processo de produção, bem como o tratamento posterior das águas residuais, seja para a sua reutilização no processo produtivo seja para o seu adequado descarte no meioambiente também configuram atividades essenciais para o processo produtivo da recorrente, o que, consequentemente, gera direito a crédito. 12 Também dá direito a crédito o item denominado "rouguing", que foi assim definido pelo laudo ESALQ: Vigilância sanitária e “roguing” – formando o viveiro, tornase imprescindível a realização de inspeções sanitárias frequentes, no mínimo uma vez por mês. A finalidade dessas inspeções é a erradicação de toda touceira que exiba sintoma patológico ou características diferentes da variedade em cultivo. 13. Tal insumo foi glosado pela fiscalização por se referir a uma atividade essencialmente agrícola, fato este que, como visto no próprio voto do d. Relator, não é suficiente para macular o crédito tomado pelo contribuinte. Assim, tratandose de atividade essencial para o plantio da canadeaçúcar (produção e seleção da gema da cana), também reverto a presente glosa. 14. Também dá direito a crédito a chamada "limpeza operativa", cujo objetivo é eliminar incrustações formadas pelo aquecimento de caldo no interior de préevaporadores, evaporadores e cozedores a vácuo. 15. Em suma, tal atividade consiste na limpeza química das máquinas empregadas na fase industrial da produção de açúcar e álcool. Tal limpeza é essencial para evitar a contaminação do produto a ser produzido, bem como para potencializar a sua pureza e qualidade. Logo, tratase de atividade essencial à atividade empresarial aqui analisada, motivo pelo qual também reverto tais glosas. 16. Por fim, convém ainda destacar neste tópico a glosa incidente sobre "balança de cana", cuja glosa, portanto, decorreu do simples fato de, ao ver da fiscalização, tal ativo estar vinculado à fase agrícola o que, ainda segundo a ótica da fiscalização, impediria a manutenção do crédito. Como já exposto no presente voto, a fase agrícola compõe o processo produtivo do açúcar e do álcool para fins de creditamento de PIS e COFINS e, sendo tal bem um ativo imobilizado, dá direito a crédito nos termos dos artigos 3o, inciso VI das lei n.s 10.637/02 e 10.833/03. Por derradeiro, cabe discorrer sobre a glosa dos gastos despendidos pela Recorrente com o arrendamento de propriedades rurais, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade e que foi enfrentada na declaração apresentada no Acórdão nº 3402 004.759. Pois bem. Fl. 758DF CARF MF 106 Entendemos correta a posição – considerando, enfatizese, a possibilidade de considerar os gastos realizados na etapa agrícola na apuração de créditos para o PIS/Cofins – que compreende que os gastos com esta modalidade de arrendamento também devem ser computados para a mesma finalidade. É que, além de tudo o que já se disse na declaração de voto, a própria RFB já admite o creditamento, como comprova a ementa da Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21 de junho de 2017 (Publicada no DOU de 30/06/2017, seção 1, página 46): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 707 107 quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. Há que se fazer, porém, duas observações: a) somente quando o arrendador for pessoa jurídica, é que se afigura possível o crédito respectivo, haja vista que o art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, assim o exigem; b) a parcela reconhecida deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (p. ex., 90%). Na concessão do crédito, devese observar, outrossim, o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004. Por fim, há que se reconhecer o direito da Recorrente, não obstante a glosa como insumo, ao crédito da depreciação dos bens que deveriam ter sido ativados (conforme Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: (i) reverter as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas e deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (na concessão do crédito, devese observar o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004); (ii) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral, decorrentes da aquisição de canadeaçúcar (para produção do açúcar e álcool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 do voto acima reproduzido); (iii) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 voto acima reproduzido); (iv) reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1 do voto acima reproduzido; (v) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2 do voto acima reproduzido; (vi) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3 do voto acima reproduzido; (vii) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO" AGRÍCOLA" (item 7.2.1, do TVF), com exceção dos produtos químicos utilizados na formação da canadeaçúcar: fertilizantes, calcário, herbicidas, inseticidas e Fl. 760DF CARF MF 108 formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1 do voto acima reproduzido; (viii) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2 do voto acima reproduzido; (ix) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3 do voto acima reproduzido; (x) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado "Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4 do voto acima reproduzido; (xi) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5 do voto acima reproduzido; (xii) manter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação, armazenagem, embarque, despesas de movimentação de produtos acabados dentro do parque industrial e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias "PORTUÁRIAS NOTAS FISCAIS ME", conforme disposto no item 12.6 do voto acima reproduzido; (xiii) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola "AGRÍCOLA" (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1 do voto acima reproduzido; (xiv) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção "NÃO LIG PROD" (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2 do voto acima reproduzido. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10880.953113/201328 Acórdão n.º 3201004.166 S3C2T1 Fl. 708 109 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos logísticos portuários, item 12.6 do seu voto. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria5. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos, tais como que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. Desse modo, meu voto foi no sentido de que as glosas sobre os gastos logísticos portuários devam ser afastadas. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 5 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 762DF CARF MF 110 Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905484/2012-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão poderão ser corrigidas de ofício, quando não requerido pelo sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 3002-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário e determinar de ofício o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão poderão ser corrigidas de ofício, quando não requerido pelo sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário e determinar de ofício o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor original de R$ 196,55, relativo ao período de apuração em março/2001, com débitos de PIS/Pasep (fls. 2 a 5). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 84 /2 01 2- 25 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10480.905484/201225 Acórdão n.º 3002000.365 S3C0T2 Fl. 160 2 Tendo constatado que no PER/Dcomp destes autos foi informado que o crédito havia sido informado também em no PER/Dcomp nº 04999.98864.210206.1.2.049989, de outro sujeito passivo, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou o contribuinte a retificar a compensação, em caso de erro na prestação de informação (fl. 6). No processo consta que o contribuinte teve ciência do Termo de Intimação em 09/03/2009, mas não consta resposta à intimação (fl. 7). Em 2012, por meio de Despacho Decisório à fl. 8, a Delegacia decidiu pela não homologação da compensação porque constatou que o direito de utilização do crédito já estava extinto quando da transmissão do PER/Dcomp em 20/11/2008, por haver se passado mais de cinco anos da data de arrecadação do Darf, em 12/04/2001. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual informou que o pagamento a maior decorreria da revisão da base de cálculo das contribuições sociais em decorrência de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 e, em relação à decadência, informou que a transmissão da declaração original deuse em 20/02/2006. Por fim, para fins de economia processual, solicitou a reunião de 19 processos que tratariam da mesma matéria (fls. 12 a 21). Anexa atos de representação e de constituição da empresa, o Despacho Decisório, o Darf e o PER/Dcomp de final 9989 (da empresa Delta Automotores Ltda.), balancete relativo a março/2001 (fls. 22 a 96). A Delegacia de Julgamento no Recife proferiu o Acórdão nº 1141.544 (fls. 98 a 101), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o contribuinte não se manifestou sobre a decadência, não cabendo mais discutirse a inconstitucionalidade do dispositivo legal. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 MATÉRIA NÃO RECORRIDA. Considerase não recorrida a decadência do direito à restituição/compensação proferida pelo Despacho Decisório e que não foi objeto de questionamento na Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 15/12/2014, conforme Termo de Abertura de Documento constante à fl. 105, e protocolizou seu recurso em 14/01/2015, conforme carimbo na primeira página do Recurso, à fl. 110. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega quanto à decadência que, à época do julgamento em primeira instância, em 2013, a jurisprudência havia firmado a tese de que o prazo para a restituição de créditos decorrentes para tributos sujeitos ao lançamento por homologação era de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, acrescidos de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e que tal entendimento deve persistir no presente caso pois o STJ definiu, por meio do REsp nº 1.002.932/SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, que se aplica a legislação anterior aos pagamentos indevidos efetuados Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.905484/201225 Acórdão n.º 3002000.365 S3C0T2 Fl. 161 3 antes da vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Assim, como o tributo foi pago em 2001 e a compensação foi solicitada em 2008, estaria dentro do prazo decadencial de dez anos. Em relação à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, repisou os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Requer a reforma da decisão para reconhecimento do seu direito à restituição (fls. 110 a 116). Instruiu seu Recurso com o Acórdão da DRJ, Livro Razão referente a março/2001, atos de representação e de constituição da empresa (fls. 117 a 157). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. De pronto, constatase o equívoco no julgamento anterior ao afirmar que o contribuinte não se manifestou sobre a decadência e aplicar a preclusão à matéria. Transcreve se o trecho da Manifestação de Inconformidade no qual a questão é abordada (fl. 16): 3.2. A não ocorrência da decadência Conforme visto, o direito creditório da requerente foi negado sob a alegação de que teriam decorrido mais de cinco anos entre o pagamento que suporta o crédito, cujo aproveitamento se pleiteia, e a data de transmissão do respectivo pedido. Ocorre que o Sr. AFRFB não atentou para o fato de que, ao contrário do quanto por ele alegado, o pedido de restituição ora em tela foi realizado em 20.2.2006, data de transmissão do PER/COMP n. 04999.98864.210206.1.2.049989, conforme comprova a cópia que segue anexa (doc. 2). Ora, se o pagamento de R$ 3.498,26, a título de PIS, que embasa o direito creditório da requerente, foi realizado em 12.4.2001 e o PER/DCOMP n. 04999.98864.210206.1.2.049989 foi transmitido em 20.2.2006, forçoso reconhecer que não operou a decadência do direito de reaver os valores indevidamente recolhidos, dado que não se passou os cinco anos previstos no art. 168, inciso I do CTN, o que aconteceria apenas em 12.4.2006. Vejase que a informação de que o pedido de restituição original era o PER/DCOMP n. 04999.98864.210206.1.2.049989 era plenamente passível de ser aferida pelo fisco uma vez que tal informação constava do próprio PER/DCOMP n. 02068.65814.201108.1.3.046163 (doc. 3), por meio do qual foi realizada a compensação ora discutida, fato que revela uma vez mais a fragilidade do despacho decisório aqui atacado e que Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.905484/201225 Acórdão n.º 3002000.365 S3C0T2 Fl. 162 4 poderia facilmente ter sido esclarecido ao fisco, caso este tivesse cumprido com seu dever de fiscalização diligentemente. Assim, ante a inocorrência da decadência suscitada pelo despacho decisório, cumpre declararse a sua nulidade, homologandose a compensação realizada. No entanto, caso não se entenda pela sua nulidade – o que se admite apenas em caráter argumentativo , impõese igualmente a homologação da compensação em tela, dada a higidez do direito creditório sustentado pela requerente, conforme será demonstrado a seguir. Tal argumentação está acompanhada de cópia do PER/Dcomp nº 04999 98864.210206.1.2.049989 (fls. 50 a 52). Face à constatação de inexatidão material, devida a lapso manifesto na decisão de primeira instância, fazse necessário o retorno dos autos para novo julgamento, que contemple as considerações contidas na Manifestação de Inconformidade em sua integralidade, em obediência ao que dispõe o Decreto nº 7.574/2011: Art.67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. (grifado) Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720844/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
Simples Nacional. Decadência. Termo Inicial do Prazo.
O termo inicial do prazo de decadência, no caso de crédito tributário lançado na forma do Simples Nacional, é a data de ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-27T20:43:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-27T20:43:28Z; Last-Modified: 2018-09-27T20:43:28Z; dcterms:modified: 2018-09-27T20:43:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-09-27T20:43:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-27T20:43:28Z; meta:save-date: 2018-09-27T20:43:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-27T20:43:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-27T20:43:28Z; created: 2018-09-27T20:43:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2018-09-27T20:43:28Z; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-27T20:43:28Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 263 1 262 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720844/201449 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.367 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente AURORA COMÉRCIO DE ARGILAS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 SIMPLES NACIONAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. O termo inicial do prazo de decadência, no caso de crédito tributário lançado na forma do Simples Nacional, é a data de ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 08 44 /2 01 4- 49 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13971.720844/201449 Acórdão n.º 1301003.367 S1C3T1 Fl. 264 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AURORA COMÉRCIO DE ARGILAS EIRELI, já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0365.457, da 4ª Turma da DRJ Brasília, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo contra ela auto de infração que exigia crédito tributário no regime do Simples Nacional, em face das seguintes infrações: omissão de receitas evidenciada por passivo fictício; e insuficiência de recolhimentos em face da diferença de alíquotas. A Fiscalização constatou a existência de uma conta de passivo, intitulada 580 Mineração Tabatinga, cujo saldo, no início do ano de 2010, era de R$ 933.667,30, assim permanecendo, sem qualquer registro de movimentação, até 2012. Intimada a apresentar documentos que demonstrassem a composição do saldo inicial da referida conta, a recorrente nada apresentou, alegando que os fatos que deram ensejo aos lançamentos eram anteriores a 2005 e, dessa forma, a guarda dos documentos já não era exigida por lei. Diante disso, a autoridade fiscal considerou caracterizado o passivo fictício, e lançou crédito tributário por omissão de receitas. Contra o lançamento foi apresentada impugnação, a que a DRJ BSB negou provimento, em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA: PASSIVO FICTÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme disposição legal, caracterizase como uma omissão de receitas, sujeita a lançamento de oficio do SIMPLES NACIONAL, a manutenção em conta de passivo de obrigações com terceiros os quais já tenham sido pagas ou, ainda, a manutenção de obrigações com terceiros cuja a exigibilidade não seja comprovada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PREJUDICIAL NÃO ACATADA. EXIGÊNCIA FISCAL MANTIDA. No lançamento de ofício do SIMPLES NACIONAL o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; motivo pelo qual rejeitase a prejudicial de decadência suscitada, mantendose a exigência fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, Aurora Comércio de Argilas interpôs recurso, alegando que o Fisco tinha decaído do direito de constituir o crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Aduziu que os documentos relativos àquele saldo já não eram exigíveis, pois decorrido o prazo quinquenal. Pela mesma razão, também teria havido decadência do direito de lançar, porque o fato gerador, se existiu, ocorrera em 2005. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13971.720844/201449 Acórdão n.º 1301003.367 S1C3T1 Fl. 265 3 Com essas alegações, pugnou pela anulação do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da decadência, porquanto esse foi o único ponto suscitado no recurso. O lançamento foi motivado pela constatação de que havia uma conta de passivo, a qual, a despeito do valor, remanesceu sem qualquer alteração ao longo do período fiscalizado. A recorrente, instada a comprovar a existência daquela dívida, deixou de apresentar qualquer documento, sob a alegação de que aquele passivo remontava a 2005 e que, portanto, já não teria o dever de guarda dos respectivos documentos. O recurso, como se vê, ficou exclusivamente no plano da alegação. Não foi apresentado pela recorrente um único documento que pudesse, ainda que de forma tênue, vincular o passivo a qualquer negócio praticado em 2005 ou em outro período. Aliás, as circunstâncias do caso põem em dúvida a própria existência desse passivo. No balanço patrimonial, apresentado pela recorrente (fl. 68), a dívida de R$ 933.667,30 está classificada como empréstimo/financiamento, do qual o credor/mutuante seria a Mineração Tabatinga. Chama a atenção o fato de que, ao longo dos anos, não tenha sido imputado nenhum acréscimo a título de juros ao empréstimo, sobretudo considerando o valor (expressivo para uma microempresa) registrado no balanço. Causa perplexidade também que a recorrente, tendo recebido quantia elevada, não saiba dizer a que se refere, nem possa entrar em contato com o credor, que estava identificado no balanço. Entre entidades empresariais, constituídas com o fim de lucro, não existe liberalidade. Em resumo, se a recorrente não tem nenhum documento para provar a existência e a composição da dívida de R$ 933.667,30, não há como contestar o procedimento da autoridade fiscal. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910745/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 45 /2 00 8- 30 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.906, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.910745/200830 Acórdão n.º 3201004.116 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000995/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ementa.
Ano-calendário: 2002, 2003
LUCRO OPERACIONAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. LIMITES. DOAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO.
A dedutibilidade das despesas com contribuições e doações feitas
pelas pessoas jurídicas restringe-se àquelas expressamente
previstas na legislação tributária, observados, ainda, os limites
nela estabelecidos.
Cabível a exigência de ofício sobre a parcela de doação feita à
entidade civil sem fins lucrativos, relativa ao excedente a 2%
(dois por cento) do lucro operacional, deduzida do resultado
apurado e não adicionada na apuração do lucro real.
Numero da decisão: 1302-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a homologação tácita.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Anocalendário: 2002, 2003 LUCRO OPERACIONAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. LIMITES. DOAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. A dedutibilidade das despesas com contribuições e doações feitas pelas pessoas jurídicas restringese àquelas expressamente previstas na legislação tributária, observados, ainda, os limites nela estabelecidos. Cabível a exigência de ofício sobre a parcela de doação feita à entidade civil sem fins lucrativos, relativa ao excedente a 2% (dois por cento) do lucro operacional, deduzida do resultado apurado e não adicionada na apuração do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a homologação tácita. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Andre Ricardo Lemes da Silva e Irineu Bianchi Fl. 535DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 93/98, formalizado em 22/06/2006 contra a contribuinte em epígrafe para Fl. 536DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 3 3 constituir o crédito tributário no total de R$54.110,17, já incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até a lavratura. No TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 89/92, a autoridade autuante contextualiza o procedimento da seguinte forma: (...) Constatamos que o contribuinte fiscalizado apurou seu imposto de renda, relativo aos anoscalendário de 2002 e 2003 com base no lucro real anual, levantando balancetes mensais para apurar o imposto de renda (IRPJ) e a contribuição social (CSLL) devida. Anexamos às folhas 23 a 34 do presente processo a cópia da DIPJ/2004 do fiscalizado, relativa ao anocalendário de 2003. Durante a fiscalização realizada constatamos que o contribuinte em tela cometeu as seguintes infrações em relação ao imposto de renda pessoa jurídica: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA 4.1.1)Verificamos através das DIPJ/2003 e DIPJ/2004 do fiscalizado que o mesmo apurou o Imposto de Renda a Pagar a seguir discriminado: PERÍODO IRPJ A PAGAR 10/200219.142,59 11/200238.175,60 12/200281.219,21 12/200316.382,16 O contribuinte fiscalizado entregou sua DCTF RETIFICADORA, relativa ao 4º trimestre de 2002, em 31/05/2004, e relativa ao 4º trimestre de 2003 em 15/06/2004 (folha 41). Constamos através destas DCTFs que o fiscalizado compensou os valores do imposto de renda a pagar discriminados no item 4.1.1. deste Termo (folhas 42 a 45). Em 02/07/2004 o fiscalizado protocolizou na Agência da Receita Federal em São Caetano do Sul várias DENÚNCIAS ESPONTÂNEAS, onde compensou débitos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, após o prazo de vencimento destes, com créditos que ele teria através do sistema PER/DCOMP da Receita Federal. Anexamos às folhas 46 a 82 deste processo as cópias das DENÚNCIAS ESPONTÂNEAS realizadas pelo fiscalizado, referentes ao IRPJ devido, relativo aos períodos de 10/2002, 11/2002, 12/2002 e 12/2003, bem como as compensações realizadas através do sistema PER/DCOMP. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 4 4 Constatamos que todas as compensações do IRPJ realizadas pelo fiscalizado foram feitas no dia 31/05/2004, após o vencimento dos prazos do IRPJ compensado, e em todas elas o fiscalizado compensou o IRPJ devido acrescido apenas do juro de mora, sem o acréscimo da multa de mora. O artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. O parágrafo 2º deste artigo estabeleceu que o percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. O Acórdão 10513.995 da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes de 05/12/2002, publicado no DOU em 29/04/2003, estabelece que "È devida a multa de mora nos casos de recolhimento de tributos e contribuições com atraso, uma vez que o instituto da denúncia espontânea protege o sujeito passivo tãosomente da imposição da multa punitiva, decorrente de procedimento de ofício". O Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005 estabelece que "No silêncio do artigo 163 do Código Tributário Nacional, aplicase o disposto no artigo 167, por analogia e simetria. Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do 'principal', 'multa' e 'juros', de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional". Efetuamos a imputação das compensações do IRPJ realizadas pelo fiscalizado, conforme consta à folha 83 deste processo. Através da imputação dos pagamentos realizados obtivemos os valores originários do IRPJ compensados pelo fiscalizado. Elaboramos a planilha TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES COMPENSADOS PELO FISCALIZADO ATRAVÉS DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA SEM MULTA DE MORA, anexa à folha 84 deste processo, onde discriminamos as diferenças existentes entre os valores principais do IRPJ compensados pelo fiscalizado e os valores originários por nós obtidos, considerandose o pagamento da multa de mora pelo atraso. Tendo em vista que: o fiscalizado efetuou as compensações do IRPJ devidos fora do prazo de vencimento destes, sem o acréscimo da multa de mora, conforme PER/DCOMP anexos às folhas 48 a 82 deste processo; o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a multa de mora é devida para os pagamentos de tributos/contribuições realizados fora do prazo de vencimento; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 5 5 o Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005 estabelece que a amortização proporcional é a única admitida pelo CTN; Concluímos que devemos autuar o fiscalizado, lançando as diferenças existentes entre os valores principais do IRPJ compensados pelo fiscalizado através da PER/DCOMP e os valores originários do IRPJ por nós obtidos na planilha anexa à folha 84 deste processo. Discriminamos abaixo os períodos e valores do IRPJ a serem lançados por falta de pagamento: TRIBUTO PERÍODO VALOR A SER LANÇADO IRPJ10/20022.572,55 IRPJ11/20025.191,48 IRPJ12/200211.194,92 IRPJ12/20032.628,76 TOTAL21.587,71 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Verificamos através das DIPJ/2003 do fiscalizado que o mesmo declarou um total do Custo dos Bens e Serviços Vendidos no valor de R$11.153.370,98. Dentro deste Custo Total foram declarados R$536.562,54 relativos a Outros Custos (folha 26). Intimamos o fiscalizado a fazer uma decomposição analítica relativa a Outros Custos, no valor de R$536.562,54, bem como apresentar as Notas Fiscais que comprovassem estes custos relativos ao ano de 2002. Constatamos pela decomposição do item "Outros Custos", apresentada pelo fiscalizado, anexa à folha 85 deste processo, que um dos itens que entraram em sua composição foi "Doações e Contribuições", que ao longo do ano de 2002 atingiu o valor de R$42.099,31. O valor de R$42.099,31 relativo ao item "Doações e Contribuições", realizadas durante o ano de 2002, foi comprovado através do Razão do fiscalizado, cujas cópias foram anexadas às fls. 86 e 87 deste processo. O artigo 365 do RIR/99 estabelece que são vedadas as doações e contribuições, exceto as relacionadas a seguir: "II as doações, até o limite de 2º do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computadas a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem". Considerandose que: Fl. 539DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 6 6 o lucro operacional do fiscalizado, relativo ao no de 2002, após as "Doações e Contribuições" realizadas foi de R$982.183,45, conforme consta na DIPJ/2003 (folha 28); as "Doações e Contribuições" realizadas pelo fiscalizado, relativas ao ano de 2002, somaram R$42.099,31, conforme já citado neste Termo; o lucro operacional do fiscalizado, relativo ao ano de 2002, antes das "Doações e Contribuições" realizadas, somou R$1.024.282,76 (R$982.183,45 + R$42.099,31); o limite para as "Doações e Contribuições" realizadas pelo fiscalizado, relativas ao ano de 2002, é de R$20.152,66 (2% de R$1.024.282,76), conforme estabelece o artigo 365 do RIR/99; o fiscalizado deveria ter adicionado ao seu lucro real o valor de R$21.613,65, que corresponde ao valor das Doações e Contribuições que excedeu ao limite legal estabelecido pelo artigo 365 do RIR/99 (R$42.099,31 R$20.485,66); o fiscalizado adicionou na apuração do seu lucro real o valor de R$8.470,00, relativo a Donativos e Contribuições indedutíveis, conforme cópia do LALUR anexa à folha 88 deste processo; Concluímos que devemos autuar o fiscalizado pela adição não computada na apuração do seu lucro real no valor de R$13.143,65, que corresponde à diferença entre a adição que deveria ter sido realizada (R$21.613,35) e a que o mesmo realizou (R$8.470,00). Alimentandose o Sistema da Receita Federal com os meses em que o fiscalizado compensou o IRPJ devido, sem o acréscimo da multa de mora, e com os valores do IRPJ a serem lançados, discriminados no item '4.1.8)' deste Termo, bem como com a "Adição não Computada na Apuração de seu Lucro Real" discriminado no item '4.2.6)' deste Termo, obtivemos um crédito tributário total de R$54.110,17, sendo R$23.559,25 relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, R$12.881,49 relativos aos juros de mora calculados até 28/04/2006, e R$17.669,43 relativo à multa proporcional passível de redução, conforme Demonstrativo anexo à folha 03 deste processo. A descrição dos fatos e o enquadramento legal do auto de infração do IRPJ, fls. 93/98, são adiante reproduzidos: 001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, de despesas com contribuições e doações efetuadas, em virtude de exceder o limite estabelecido pela legislação do Imposto de Renda. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 7 7 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 13.143,65 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 13, §2º, da Lei nº 9.249/95; arts. 249, inciso I, e 365 do RIR/99 002 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento/compensação do imposto de renda devido apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 2.572,55 75,00 31/12/200 25.191,48 75,00 31/12/2002 11.194,92 75,00 31/12/2003 2.628,76 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 841, incisos III e IV, do RIR/99 Cientificada do lançamento em 22/06/2006, a contribuinte, por sua advogada e bastante procuradora (procuração à fl. 115) apresentou em 21/07/2006 a impugnação de fls. 103/114, alegando, em sua defesa, as razões adiante sintetizadas. Preliminarmente, discorre sobre a natureza da multa de mora, citando alguns doutrinadores no sentido de demonstrar que a multa aplicada nos autos sobre os valores de tributos compensados após o vencimento não seria indenizatória ou compensatória, mas sim sancionatória do ilícito tributário praticado, por transmissão de PER/DCOMP em atraso, de estimativas de IRPJ apuradas nos anos de 2002 e 2003, gerando a diferença de IRPJ totalizada no item '002' dos autos em R$21.587,71. A impugnante reforça seu entendimento de que em direito tributário são os juros que recompõem o patrimônio estatal lesado pelo tributo não pago. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizando o poder de compra da moeda. Portanto, multa e indenização não se confundem. Reproduz ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre a inexigibilidade da multa na denúncia espontânea. Assim, conclui pela insubsistência do item '002' do auto de infração, que acusa falta de recolhimento de imposto. No que concerne ao item '001', referente à falta de adição ao lucro líquido de 31/12/2002 do excedente de 2% do lucro operacional (antes de computada a dedução) das doações e contribuições deduzidas acima da autorização legal, a impugnante afirma que o enquadramento da exigência no art. 365 do RIR/1999, que tem como fundamento o art. 13 da Lei nº 9.249/95, trata do limite de doações feitas a entidades civis, enquanto teria ficado demonstrado ao longo do processo que a doação realizada pela contribuinte destinouse à pessoa jurídica de direito público, inclusive publicada no Diário Oficial do Estado. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 8 8 Assim, conclui a impugnante que a despesa referente à "doação e contribuição" realizada pela empresa não se encontra limitada a 2% do lucro operacional, visto que a regra restringese às doações realizadas a entidades civis em fins lucrativos, situação distinta do presente caso, de forma que a limitação citada nos autos não se aplica aos valores doados pela pessoa jurídica, devendo a exigência ser cancelada. A DRJ decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EFEITOS. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. A exclusão da responsabilidade operada pela denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) cingese à aplicação de penalidade por infração à legislação tributária, formalizada de ofício pela autoridade fiscal em caráter punitivo, a qual não se confunde com a exigência da multa de mora, de natureza compensatória, visto que expressamente determinada pela legislação tributária quando o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação. TRIBUTOS EM ATRASO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. .INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LUCRO OPERACIONAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. LIMITES. DOAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. A dedutibilidade das despesas com contribuições e doações feitas pelas pessoas jurídicas restringese àquelas expressamente previstas na legislação tributária, observados, ainda, os limites nela estabelecidos. Cabível a exigência de ofício sobre a parcela de doação feita à entidade civil sem fins lucrativos, relativa ao excedente a 2% (dois por cento) do lucro operacional, deduzida do resultado apurado e não adicionada na apuração do lucro real. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS EM DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. COBRANÇA EM PROCESSO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. Segundo orientação da administração tributária, as estimativas compensadas em Declaração de Compensação podem ser deduzidas integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final, vez que a não homologação das compensações implica cobrança dos débitos, por constituir a DCOMP Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 9 9 confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais. Comprovado o prosseguimento da cobrança de estimativas compensadas mediante processos, com não homologação de DCOMP já referendada pela DRJ CPS, cancelase a exigência de ofício por insuficiência de recolhimento de imposto no ajuste do período, visto caracterizar duplicidade de cobrança. Cientificada do acórdão DRJ em 24/11/2009, apresentou recurso em 24/12/2009. Em seu recurso alega que a limitação de 2% para a dedutibilidade de doações, prevista no art. 13 da Lei 9249, aplicase a doações realizadas a entidades civis sem fins lucrativos e que a doação da empresa destinouse a pessoa jurídica de direito público, não sendo aplicável o limite acima. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10805.000995/200609 Acórdão n.º 130200.476 S1C3T2 Fl. 10 10 Adoto a fundamentação do voto recorrido, pois com ela concordo plenamente: Logo, em se tratando de contribuições e doações a entidades sem fins lucrativos, apresentase correto o procedimento fiscal. Por outro lado, caso restasse confirmada a argüição da impugnante de tratarse de hipótese distinta, doação destinada a órgãos públicos, não haveria necessidade de se apurar o limite de dedução uma vez que todo o valor seria indedutível. Isto porque o art. 365 do RIR/99 veda todas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, excetuadas apenas as descritas nos incisos I e II, até os limites estabelecidos em relação ao lucro operacional da empresa, não estando ali relacionadas às contribuições a órgãos públicos. Por conseguinte, além de não haver previsão para dedução integral de qualquer doação, visto que há limite mesmo para aquelas admitidas entidades civis sem fins lucrativos ou instituições de ensino e pesquisa, autorizadas por lei federal, a despesa com doação destinada a órgão público, ao contrário do entendimento da impugnante, haveria que ser inteiramente adicionada ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. Não há base legal para a dedutibilidade das doações realizadas, pela recorrente, sendo necessário adicionar ao lucro líquido os valores indevidamente deduzidos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator designado ad hoc Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19311.720354/2014-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA. SIMILARIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA. CONHECIMENTO NEGADO.
Não constatada a similaridade fática entre o acórdão recorrido e o paradigma não se conhece do recurso especial de divergência interposto, pois não é possível estabelecer divergência de entendimentos sobre situações distintas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108.
Numero da decisão: 9303-007.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas no tocante aos juros moratórios aplicados sobre as multas de ofício e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA. SIMILARIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA. CONHECIMENTO NEGADO. Não constatada a similaridade fática entre o acórdão recorrido e o paradigma não se conhece do recurso especial de divergência interposto, pois não é possível estabelecer divergência de entendimentos sobre situações distintas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NATURA LOGÍSTICA E SERVIÇOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA. SIMILARIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA. CONHECIMENTO NEGADO. Não constatada a similaridade fática entre o acórdão recorrido e o paradigma não se conhece do recurso especial de divergência interposto, pois não é possível estabelecer divergência de entendimentos sobre situações distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Súmula CARF n° 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 54 /2 01 4- 01 Fl. 3251DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas no tocante aos juros moratórios aplicados sobre as multas de ofício e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de autos de infração de contribuições para o PIS e para a Cofins de efls. 1500 a 1503, e efls. 1504 a 1508, respectivamente, lavrados contra a contribuinte em 04/11/2014, por ter a fiscalização constatado que a empresa descontou os créditos da não cumulatividade em desacordo com os preceitos legais. Os créditos tributários constituídos são os abaixo descritos, calculados até novembro de 2011: PIS COFINS CONTRIBUIÇÃO 1.834.338,65 8.412.215,95 MULTA DE OFÍCIO 1.375.754,01 6.309.161,98 JUROS DE MORA 399.263,08 1.824.960,05 TOTAL 3.609.355,74 16.546.337,98 Em breve resumo, as exações decorreram da dedução de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos relativos a gastos com bens e serviços adquiridos para consumo sem aplicação direta na prestação de serviços, sem serem estes excepcionados na legislação de regência, conforme descritos no Termo de Verificação Fiscal, às efls. 1212 a 1498. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 1513 a 1592, em 05/12/2014. Em face da impugnação, a 1ª Turma da DRJ/BHE, na resolução nº 02 001.930, prolatada em 23/06/2015, às efls. 2462 a 2466, decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização procedesse a uma análise percuciente dos valores glosados na rubrica Assessoria, a fim de esclarecer se tais despesas estão intrinsecamente relacionadas aos serviços prestados pela Recorrente. A diligência resultou no relatório de efls. 2538 a 2541, do Serviço de Fiscalização da DRF em Jundiaí, que concluiu que os serviços cujos gastos foram contabilizados como Assessoria não se amoldavam no conceito de insumo por não serem consumidos diretamente na prestação dos serviços da contribuinte. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte se manifestou nos autos, através do documento de e fls. 2550 a 2565, no qual afirma a relevância e essencialidade dos gastos, não apuradas pela Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 9303007.363 CSRFT3 Fl. 3.252 3 fiscalização quando da elaboração dos autos de infração, o que reforçaria a argumentação de sua impugnação sobre a existência de vício que levaria ao cancelamento destes. Em face do resultado da diligência, bem como da manifestação da contribuinte, a mesma Turma da DRJ/BHE, em 10/05/2016, prolatou o acórdão de nº 02 68.383, às efls. 2572 a 2604, no qual julgou a impugnação procedente em parte. A parcial procedência se deu em face do restabelecimento de algumas despesas glosadas e do reconhecimento dos efeitos da suspensão da exigibilidade de PIS e Cofins incidentes sobre o Imposto Sobre Serviços ISS, em cumprimento à decisão em Mandado de Segurança favorável à contribuinte. A apuração das alterações decorrentes do acórdão, efetuada na diligência fiscal de efls. 2613 a 2648, implicaram redução acima do limite da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, resultando em recurso de ofício ao CARF, em 13/07/2016 (efl. 2776). Intimada do acórdão da DRJ em 07/07/2016 e dos resultados e encerramento da diligência de efls. 2613 a 2648 (efl. 2658), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 30/06/2016, às efls. 2784 a 2905, acompanhado de documentos comprobatórios de cálculos realizados pela contribuinte, às efls. 2908 a 2920. Repisou sua argumentação de impugnação e trouxe ainda as seguintes contestações: i) inconsistência na fundamentação para a manutenção da glosa de créditos relacionados ao serviços utilizados como backoffice; ii) omissão do julgamento da DRJ a respeito da glosa de créditos com serviços, que foram objeto da diligência durante o processo administrativo; iii) modificação de critério jurídico pela DRJ para manter determinadas glosas, em afronta ao artigo 146 do CTN. Os recursos voluntário e de ofício foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402 003.989, às efls. 2932 a 2963, que tem as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONTRIBUINTE PRESTADORA DE SERVIÇOS DE LOGÍSTICA, PICKING, BACKOFFICE E RECURSOS HUMANOS. SUBCONTRATAÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS os serviços contratados pela empresa prestadora de serviços (subcontratação), responsável pelas áreas de logística, picking, backoffice e recursos humanos do grupo econômico em que se insere, passíveis de serem enquadrados como custos de Fl. 3253DF CARF MF 4 produção, tendo em vista seu objeto social e os contratos firmados com as demais empresas do grupo. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) cancelar as glosas referentes a serviços de assessoria, consultoria, advocacia, gestão empresarial, produção de vídeos, gestão predial, telefonia, internet, linhas de transmissão de dados e voz, medicina do trabalho, administração de creche, despesas com eventos comemorativos, call center, certificação de produtos, saneamento, locação de veículos, locação de equipamentos para comemorações ou reuniões, viagens a serviço, hotelaria, refeições, transporte de empregados, vale alimentação, bem como mão de obra temporária, manutenção predial, ginástica laboral, dança, terapias e massagens; e b) para excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. No voto da relatora foram afastadas todos os pleitos relativos à nulidades por cerceamento de direito de defesa, e quanto às glosas de insumo, ficou expresso que (efl. 2959): (...) todas as glosas merecem ser canceladas, com exceção dos créditos tomados pela contratação de serviço de propaganda e marketing e despesas com telemarketing, que não se amoldam ao objeto social da Recorrente, tampouco aos contratos que foram apresentados nesse processo, razão pela qual os valores despendidos para seu pagamento não caracterizam custo de produção da Recorrente, e, por conseguinte, não podem dar direito ao crédito. No voto foi também afastado o pleito de reapuração dos créditos tributários levando em consideração os saldos de créditos da não cumulatividade gerados pelo reconhecimento da suspensão da exigibilidade das contribuições sobre o ISS, pois dependeriam da definitividade do julgado judicial, até então inexistente, e que poderia ser sanado por posterior repetição do indébito se definitivamente apurado. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3402 003.989 em 05/04/2017 (efl. 2964), e interpôs recurso especial de divergência em 16/05/2017, às efls. 2965 a 3017. Invoca a divergência em relação a quatro matérias: (a) conceito de insumo, (b) insumo e sua relação com o processo produtivo, (c) conceito de insumo na empresa prestadora de serviços e (d) juros de mora sobre multa de ofício. Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 9303007.363 CSRFT3 Fl. 3.253 5 (a) Conceito de insumo Com base no acórdão paradigma nº 20312.448, o qual decidiu que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente às contribuições para o PIS e Cofins não cumulativos, adotandose a tese da definição de "insumos" prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Já o acórdão recorrido flexibilizou o conceito de insumo, adotando o conceito alargado de custo de produção do IRPJ, admitindo como tal bens não utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens e serviços, destinados à venda. Por isso a Procuradora conclui: (b) Insumo e sua relação com o processo produtivo. Nessa matéria toma por paradigma o acórdão de nº 9303002.659, pelo qual os bens e serviços utilizados ou incorridos antes de iniciado ou depois de finalizado o processo produtivo não devam ser considerados insumos no âmbito da contribuições em apreço. (c) Conceito de insumo para empresa prestadora de serviços Aqui, toma por fulcro o acórdão paradigma nº 3301002.995, que apesar de utilizar uma interpretação de insumo mais ampla que a do IPI, não engloba aquela de despesa dedutível par afins de IRPJ e afasta a geração de créditos por gastos realizados com atividades administrativas na prestação de serviços, de forma que apenas gastos essenciais à dinâmica empresarial sejam admitidos como insumos. (d) Juros de mora sobre multa de ofício Por fim, para essa matéria, a Procuradora aponta dois acórdãos paradigmas, de nº 910101.191 e nº 920201.991, os quais admitem a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por entender que ela é parte do crédito tributário e por isso, com fulcro no art. 161 do CTN, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, podem ser exigidos. Diversamente, o acórdão a quo afirma que carece de base legal essa exigência. O Presidente da 4ª Câmara no despacho de efls. 3020 a 3026, em exame de admissibilidade do recurso, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, reconheceu existir divergência apenas em relação a matéria (d) juros de mora sobre multa de ofício, admitindo apenas essa divergência para análise da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Cientificada do despacho em 28/06/2017 (efl. 3027), a Procuradoria da Fazenda Nacional contra ele se insurgiu e agravou da decisão às efls. 3028 a 3031, em 30/06/2017. O então Presidente do CARF exarou despacho de agravo às efls. 3035 a 3039, com base no art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, em 19/07/2017, adicionalmente reconhecendo divergência em relação às matérias (a) e (c). Contrarrazões da contribuinte Fl. 3255DF CARF MF 6 A contribuinte foi intimada (efl. 3043) do acórdão nº 3402003.989, do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, do despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento e do despacho em agravo, de 19/07/2017, em 24/08/2017 (efl. 3046). Na sequência, apresentou contrarrazões em 08/09/2017, às efls. 3049 a 3121. Em 12/09/2017 (efl. 3122), a contribuinte apresentou novamente contrarrazões ao recurso especial de divergência, conforme documento de efls. 3124 a 3207. Nas contrarrazões de efls. 3049 a 3121, a contribuinte em resumo, pleiteia o não conhecimento das matérias admitidas pelo agravo e o não provimento de tudo o que foi admitido. I Conhecimento Afirma que não se deva conhecer das divergências com suporte nos acórdãos paradigmas: (i) nº 20312.448 e (ii) nº 3301002.995. Com relação ao paradigma (i), argumenta que a tese jurídica nele sustentada (utilização do conceito de insumo no contexto da legislação do IPI) está há muito superada na 3ª Turma da CSRF. Além disso, a situação fática do acórdão paradigma seria diversa da posta no recorrido, neste se trata de despesas de tomada de prestação de serviços para empresa que também presta serviços, naquele, tratase de fabricantes industriais com tomadores de prestação de serviços; situações fáticas absolutamente distintas e incompatíveis. Já em relação ao paradigma (ii), a contribuinte entende que este, na verdade, utiliza o mesmo critério adotado pelo recorrido para a análise dos créditos das contribuições, sem se restringir àqueles utilizados para o IPI, contudo, sem identificálo com o de despesas dedutíveis para fins de imposto de renda. Naquele caso foram negados os créditos apenas porque as despesas administrativas daquele contribuinte não eram utilizadas diretamente para prestação de serviços, enquanto no acórdão a quo, foi constatado, pelas suas particularidades, que as despesas foram vinculadas aos serviços prestados. Além disso, no acórdão paradigma não se tratava de impossibilidade de creditamento das contribuições por despesas incorridas na atividade administrativa, mas de determinadas despesas administrativas que não guardavam relação direta com a prestação de serviços daquele contribuinte. II Não provimento Quanto a matéria de direito, a autuada rediscute questões conceituais sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, pretende ver afastados o critérios dispostos na legislação do IPI, discorrendo sobre o conceito de insumos para pessoas jurídicas eminentemente prestadoras de serviços, pretendo ver afastada a idéia de "crédito físico"nessas atividades. Segue pela tentativa de demonstrar que os serviços por ela contratados são necessários, relevante e essenciais a sua atividade empresarial. Segue sua farta argumentação, descrevendo os diversos serviços por ela tomados de terceiros, procurando demonstrar suas relevâncias e essencialidades na atividade fim da empresa. Por fim, no tocante à discussão sobre a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício lançadas, objeta tratarse de exação sem fundamentação legal. Pelas razões apresentadas, a contribuinte requer não conhecimento do recurso especial do Procuradora ou, caso conhecido, o seu desprovimento. Requerimento Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 9303007.363 CSRFT3 Fl. 3.254 7 Já em 13/09/2017 (efl. 3208), a contribuinte apresentou petição intitulada: Pedido de Reexame de Admissibilidade, às efls. 3210 a 3232, na qual alega existência de erros de fato no despacho de efls. 3035 a 3039. Houve resposta à solicitação no despacho de efls. 3237 e 3238, da Presidente do CARF, em 20/02/2018, sendo nele consignado que o referido requerimento não se enquadra nos recursos regimentais e nem mesmo na correção de erros admitidas no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, pois o objetivo do pedido é, em verdade, a reformulação do juízo firmado no despacho questionado para atender à pretensão da contribuinte. Além disso, o despacho do Presidente que nega ou dá seguimento ao recurso especial é definitivo, de acordo com o § 6º, do art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. É o relatório. Voto O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Preliminar Como preâmbulo, há que se apreciar a admissão das contrarrazões apresentadas pela contribuinte. Ocorre que ela apresentou dois documentos a esse título. O primeiro, de efls. 3049 a 3121, com pedido de juntada em 08/09/2017 (efl. 3047) e o segundo, de efls. 3124 a 3207, com pedido de juntada em 12/09/2017 (efl. 3122). Como ela fora intimada (efl. 3043) do acórdão nº 3402003.989, do recurso especial interposto pela Fazenda , do despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento e do despacho em agravo, de 19/07/2017, em 24/08/2017 (efl. 3046), entendo que o segundo documento, juntado em 12/09/2017 era intempestivo, foi apresentado no 16º dia após a intimação o prazo regimental do art. 68 do RICARF é de 15 dias. Por isso não serão considerados os argumentos nele colocados. Conhecimento Das três matérias admitidas posteriormente ao despacho de agravo, a contribuinte contesta a admissão de duas, (a) Conceito de insumo, com base no paradigma nº 20312.448 e (c) Conceito de insumo para empresa prestadora de serviços, com fulcro no paradigma nº 3301002.995. No caso de (a) conceito de insumo, a autuada dá como um dos motivos para o não conhecimento é o fato de a matéria tratar de tese superada nesta 3ª Turma, contudo, regimentalmente isso não leva ao não conhecimento, o que não pode ter sido superado é o acórdão paradigma, por decisão de instância superior no CARF. Para o processo nº 13855.001586/200371 no qual foi prolatado o paradigma, não consta no sitio do CARF nenhum julgado posterior a ele, logo, não há como pleitear a superação da tese nele esposada. Além disso, a contribuinte não apontou qualquer outro impeditivo do § 12 do art 67 do RICARF que se aplicasse ao paradigma combatido. Todavia, relativamente à similaridade fática entre o paradigma e o recorrido, com a devida vênia do então Presidente do CARF, penso que melhor andou a contribuinte ao Fl. 3257DF CARF MF 8 se apegar à posição apresentada pelo Presidente da 4ª Câmara no despacho de efls. 3020 a 3026. No voto do relator do acórdão paradigma, se observa a seguinte passagem: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de "insumos" no contexto da expressão "insumos utilizados na fabricação de produtos". E como é sabido, o conceito de "insumo" já foi consagrado pelo Parecer Normativo n° 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas. A atividade do sujeito passivo no presente processo, é assim descrita no Termo de Verificação fiscal (efl. 1212): 3. O contribuinte tem por atividade econômica a prestação de serviços de assessoria logística, em gestão e tecnologia da informação, bem como de "backoffice' (serviços administrativos, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamentos de informações). Concluise que a empresa não fabrica, ou comercializa, sequer um alfinete. Por outro lado, observo que a atividade empresarial do contribuinte no processo do paradigma era industrial, fabricante de calçados, logo, a apreciação da matéria lá realizada nem mesmo cogitou da discussão em bases de empresa prestadora de serviços. Em face de situações fáticas tão distintas, não há como concluir que haveria o mesmo desfecho na análise jurídica do caso, pois à atividade industrial nada mais adequado que a aplicação de conceito de insumo derivado da legislação do IPI; mas, o que aplicar quando se está diante de pura prestação de serviços? O acórdão recorrido optou por aplicar critério distinto e não me parece que poderia ser o mesmo do paradigma, em face de tamanha distinção fática. Por essa razão, entendo que não há similitude fática suficiente para que paradigma e recorrido possam ser confrontados e apreciada a divergência. Destaco uma outra distinção, extraída do relatório do paradigma, o qual demonstra tratarse de processo sobre compensação: Trata o presente julgamento de analisar os argumentos trazidos pelo Recurso Voluntário contra decisão de piso que indeferiu integralmente a solicitação contida na Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório, que homologou em parte a compensação declarada, fl. 01, da Cofins, com saldo credor do PIS, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, o denominado PIS NãoCumulativo. A relatora do acórdão vergastado, por sua vez, salienta que nele se está a tratar de auto de infração, para o qual o ônus probatório é do fisco, o que ressalta como importante razão de decidir, à efl. 2950: Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 9303007.363 CSRFT3 Fl. 3.255 9 Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”) Logo, as diferenças fáticas entre os dois acórdãos me parecem suficientes para que a falta de similaridade permita verificar a divergência que suporte o recurso especial, por isso, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda nessa matéria. Para o conceito de insumo no caso de empresa prestadora de serviços de transporte, com fulcro no paradigma nº 3301002.995, também o que se buscou no acórdão comparado foi a análise de cada despesa cujo crédito foi originalmente glosado, para verificar sua necessidade ou essencialidade aos serviços prestados. Quanto ao critério jurídico, podese verificar o seguinte paralelo: Acórdão Recorrido (efls. 2949/2450) Acórdão paradigma Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.4 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/ 996 (Acórdão 3402002.881),7 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo Portanto, quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Também há relação estreita com o objeto social da empresa. Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico que o adotado pela Receita Federal nas suas instruções normativas no 247, de 21/11/2002 e 404, de 12/03/2004, conforme razões acima desenvolvidas, e mesmo admitindo que muitos desses serviços e gastos são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, alguns deles dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma direta, à atividade de prestação de serviços da recorrente. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Fl. 3259DF CARF MF 10 formativo da receita. Nisso, o paradigma não discrepa do acórdão recorrido, ambos têm por critério verificar a essencialidade dos alegados insumos, visando apurar os créditos. Logo, não vejo distinção no critério jurídico aplicado, apenas conclusões díspares quanto a análise dos insumos, mas não divergência de critério jurídico. Afinal, interpretar a necessidade ou essencialidade de determinada atividade para cumprir os serviços contratados não implica critério jurídico distinto, mas perquirição pelo interprete de como a atividadefim funciona e quais atividadesmeio são intrínsecas e essenciais para seu bom cumprimento. O recorrido considerou que as atividades para as quais cabia a compensação de créditos não eram de caráter meramente administrativo, pois decorriam de contratos da contribuinte, enquanto o paradigma para algumas atividades semelhantes porém sem contratos da mesma natureza o eram. Dessarte, não vejo distinção de critério jurídico para interpretação da realidade fática, mas sim dos próprios fatos que envolviam atividades de mesma natureza, mas acobertadas por distintos contratos sociais. Por isso, voto igualmente por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora no tocante à essa matéria. Relativamente ao conhecimento do recurso especial de divergência relativo aos juros de mora sobre multas de ofício, me alinho pelo seu conhecimento, tendo em vista atender a todos os requisitos regimentais para tal. Mérito Juros de mora sobre multa de ofício Quanto ao art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: (...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 19311.720354/201401 Acórdão n.º 9303007.363 CSRFT3 Fl. 3.256 11 sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Por fim, cabe referir que, recentemente foi aprovada a Súmula CARF n° 108, que sedimentou o entendimento sobre a matéria, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, há que se prover o recurso especial no tocante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício objeto de lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas no tocante aos juros moratórios aplicados sobre as multas de ofício para, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3261DF CARF MF 12 Fl. 3262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720239/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SÚMULA Nº 182 DO TFR. ENTENDIMENTO SUPERADO. LEI Nº 9.430/1996.
O entendimento consagrado no enunciado da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso tornou-se superado com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
DEPÓSITO BANCÁRIO
Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1201-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ENTENDIMENTO SUPERADO. LEI Nº 9.430/1996. O entendimento consagrado no enunciado da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso tornouse superado com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. DEPÓSITO BANCÁRIO Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 39 /2 01 3- 17 Fl. 493DF CARF MF 2 Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório MADEIREIRA REI DE MINAS LTDA ME recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 01 28.785, sessão de 17 março de 2014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnaão, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoo ao final: Trata o processo de lançamentos (fls. 02/97), ciência da pessoa jurídica em 25/07/2013 (fl. 391), decorrentes do SIMPLES (01/2009 a 12/2009) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 495.829,88, já acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2013. 2. Segundo Relatório Fiscal (fls. 93/97) as infrações foram: Omissão de Receitas –Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e Omissão de Receitas –Receitas Não Declaradas. Segundo aquele Relatório a empresa supracitada apresentou, referente ao ano de 2009, a Declaração Anual do Simples Nacional DASN registrando receitas no montante anual de R$ 491.245,92. Intimado, o contribuinte apresentou o Livro de Registro de Apuração do ICMS e os extratos bancários em meio papel, deixando de exibir os livros contábeis. Foi solicitado a apresentação das notas fiscais de vendas de mercadorias do ano de 2009, mas o contribuinte não as apresentou. Constatouse que o contribuinte efetuou várias vendas para órgãos do Governo Federal, cujo montante superava os valores Declarados na DASN, e diante da não apresentação das notas fiscais, foram efetuadas diligências nesses órgãos para solicitar cópias das notas fiscais. 3. O contribuinte não apresentou os extratos bancários em meio magnético no prazo estabelecido no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal. Com isso, solicitouse a Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), baseado no inciso VII do artigo 3° do Decreto nº. 3.724, de 10/01/2001. O contribuinte foi intimado para justificar, através de documentos hábeis e idôneos, a origem da operação constantes na planilha consolidada (depósitos bancários), fls. 366/368. Nas planilhas encaminhadas foram retiradas todas as transferências entre contas de mesma titularidade, devoluções de cheques compensados, estornos de lançamentos e liberação de empréstimos. O contribuinte não apresentou qualquer justificativa. Destacase ainda daquele Relatório Fiscal (fls. 93/97): “(...) Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10970.720239/201317 Acórdão n.º 1201002.369 S1C2T1 Fl. 494 3 9. A partir daí, elaboramos a planilha “Diferença entre os Créditos Consolidados e Declaração DASN2009”, anexo I do presente relatório, que demonstra a distorção entre os créditos bancários e a receita bruta declarada em DASN. Foi considerado, para se chegar à base de cálculo, como dedução todos os eventos relacionados na planilha “Dedução da Base de Cálculo”, anexo II deste relatório. O total global dos créditos sem comprovação para o ano de 2009 perfaz o total de R$ 3.133.623,92, sendo que dentro desse valor, a soma de R$ 928.902,52 corresponde ao valor total das notas fiscais apresentadas pelos Órgãos do Governo Federal e por conseqüência, o restou a importância de R$ 2.204.721,40 totalmente sem comprovação. 10. A planilha “Relação de Créditos – ano 2009”, anexo III deste relatório fiscal, lista os créditos diários lançados nas contas correntes dos bancos Brasil, Caixa Econômica Federal, CECM e CECCREDICOPA. 11. Assim, diante da ausência de justificativa quanto à superioridade dos valores creditados em conta bancária e a Receita Bruta declarada na DASN no valor de R$ 491.245,92, restou caracterizada a omissão de receita no ano de 2009, no montante de R$ 3.133.623,92. A planilha “Demonstrativo Consolidado dos Valores Devidos – Simples Nacional 2009”, anexo IV do relatório fiscal, evidencia todo o processo de apuração dos valores apurados e lançados no Auto de Infração. 12. A omissão de receitas resultou em apuração suplementar do imposto devido sob a sistemática do SIMPLES NACIONAL, conforme se observa na planilha “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃ0 SOBRE DIFERENÇAS APURADAS” que é parte integrante do Auto de Infração. As alíquotas são aquelas constantes do anexo I da Resolução CGSN nº 51, de 22/12/2008, ressaltandose que a partir de 09/2009 houve majoração de alíquota em 20% na parcela excedente à Receita Bruta Anual de R$ 2.400.000,00. A Receita Bruta Total em 12 meses – RBT12 – foi apurada a partir do valor declarado pelo contribuinte no mês de apuração de janeiro/2009, igual a R$ 184.697,66, contabilizandose, a partir de fevereiro, os novos valores apurados pela fiscalização no transcorrer do ano. 13. Ressaltamos que a base de cálculo foi lançada de duas formas: A primeira “omissão de receita – receita não escriturada” é referente aos valores apurados mensalmente pela soma das notas fiscais obtidas em diligencia fiscal e a segunda “omissão de receita – depósito bancário não escriturado” corresponde à soma mensal dos valores creditados nas contas correntes bancárias e que o contribuinte não apresentou nenhuma justificativa de sua origem. Os valores poderão ser verificados nos anexos do Auto de Infração denominados “Demonstrativo de Valores Devidos” e “Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição sobre Diferenças Apuradas.” Fl. 495DF CARF MF 4 (...)”. 4. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 395/399, em 26/08/2013, através da qual vem alegar que: (...). Em 10/06/2013 a empresa foi intimada para apresentar as notas fiscais de venda de mercadorias do ano de 2009, que não foram apresentadas pela empresa AUTUADA por não ter conseguido localizálas. Em decorrência das várias vendas efetuadas pela empresa AUTUADA para órgãos do governo Federal, cujo montante superava os valores Declarados na DASN. e ante a impossibilidade da AUTUADA em apresentar as notas físicas, com autorização de Mandados de Procedimento Fiscal, foram feitas diligências nesses órgãos para obtenção de cópias das notas fiscais, bem como requisição aos bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, CECM Comerciantes de Confecção de Uberlândia Ltda. e CEC dos Comerciantes do Oeste Mineiro Ltda.), para apresentação dos extratos bancários em meio magnético. Desta forma, o Fisco constatou que o total global dos créditos sem comprovação para o ano de 2009 perfaz o total de RS 3.133.623,92 sendo que dentro desse valor, a soma de R$ 928.902,52 corresponde ao valor total das notas fiscais apresentadas pelos órgãos do Governo Federal, remanescendo a importância de R$2.204.721,40 sem comprovação. Em apertada síntese é este o resumo dos fatos. (...) base de cálculo foi lançada de duas formas: 1ª) "Omissão de Receitareceita não escriturada" referente aos valores apurados mensalmente pela soma das Notas Fiscais obtidas em diligência fiscal (Anexo V); 2ª) "Omissão de Receita Depósito bancário não escriturado" referente à soma mensal dos valores creditados nas contas correntes bancárias (Anexo III) Da base de cálculo foi deduzida tão somente as transferências entre contas da mesma titularidade, devoluções de cheques compensados, estornos de lançamentos e liberação de empréstimos, conforme depreendese do Anexo II do Relatório Fiscal, Conforme elucidado no item 4 do Relatório FiscalAuto de Infração Simples Nacional à fl. 94, Notas Fiscais obtidas em diligência fiscal junto aos órgãos do Governo Federal relacionadas no Anexo V do Relatório Fiscal, referese à venda que a empresa AUTUADA efetuou junto a estes órgãos mediante PROCESSO L1C1TATÓRIO. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10970.720239/201317 Acórdão n.º 1201002.369 S1C2T1 Fl. 495 5 Como sabido, os órgãos públicos não efetuam o pagamento prontamente quando do recebimento da mercadoria, e sim após o empenho deste e SOMENTE mediante depósito bancário. Ou seja, a receita comprovada com as Notas Fiscais relacionadas no Anexo V no importe de R$ 928.902,53 INTEGRA o valor apurado dos depósitos bancários apurados no Anexo III Relação de Crédito ano 2009, visto que os órgãos públicos efetuaram o pagamento das relacionadas Notas Fiscais mediante depósito em conta bancária da AUTUADA. Os pagamentos NÃO eram efetuados quando da emissão da nota Fiscal e recebimento da mercadoria, e às vezes em um único depósito faziam o pagamento de mais de uma Nota Fiscal. A empresa AUTUADA não é detentora dos comprovantes de depósitos bancários referente aos pagamentos realizados pelos órgãos públicos, o que a impossibilita de apresentálos e em decorrência do decurso do lapso temporal, a empresa AUTUADA não possui o controle interno de acompanhamento de pagamento/depósito, que ocorria de modo arcaico com conferências diárias às movimentações bancárias. Outrossim, foi considerado pelo Fisco todo e qualquer depósito realizados em conta bancárias da empresa AUTUADA sem descrição de receita e/ou do fato gerador. (...) Destarte, o valor constante nos extratos bancárias sob a via de DEPÓSITO pode referirse tanto à RECEITA quanto à disponibilização de valores para redução de saldo negativo. A ausência de provas a demonstrar a ocorrência do fato gerador, com a descrição do fato e a sua comprovação, quanto à origem dos depósitos torna nula a autuação ora recorrida. A respeito, vejamos o recente entendimento do CARF, infra: Número do Processo: 13864.000534/201006 Data de Publicação: 22/08/2013 Contribuinte: TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. E nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material. Ademais, nos termos do art. 145, 1 do Código Tributário Nacional o lançamento pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de cálculo do tributo, de modo a primar, inclusive, pelo Princípio da Verdade Material. Fl. 497DF CARF MF 6 O princípio da verdade material decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade, o qual deve ser considerados todos os fatos, argumentos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. (...) Desta forma, ante a patente afronta aos princípios do non bis in idem, da Verdade Material e de vícios que maculam de legalidade o presente Auto de Infração, uma vez não deduzidos da Omissão Depósitos Não Comprovados, os depósitos bancários efetuados pelos órgãos públicos federais, bem como dos depósitos cujo fato gerador não restou configurado, a procedência da presente impugnação c medida que se impõe. IV. CONCLUSÃO Ex positis, requer a empresa AUTUADA seja o presente recurso conhecido, e no mérito requer seja intimado os órgãos públicos relacionados no Anexo V para apresentarem o comprovante de pagamento das respectivas Notas Fiscais, com a dedução dos respectivos valores da base de cálculo, assim como que seja devidamente deduzido os valores cujos fatos geradores não restaram devidamente comprovados, sob pena de nulidade do Auto de Infração 10.970.7200239/201317, ante o vício material existente, por ser de Direito e Inteira Justiça!”. O acórdão da DRJ/Belém encontrase consubstanciado nas seguintes ementas: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificados da decisão de Primeira Instância e com ela não se conformando, a contribuinte MADEIREIRA REI DE MINAS LTDA ME interpôs recurso voluntário no qual requer a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10970.720239/201317 Acórdão n.º 1201002.369 S1C2T1 Fl. 496 7 O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: 6. No que diz respeito às justificativas dos depósitos bancários, não ficando comprovada a origem dos depósitos bancários nas contas corrente de responsabilidade da autuada, procedente a presunção legal (conforme previsto na Lei 9.430/96, art.42) para aferir a receita omitida, em conseqüência dos depósitos bancários não justificados: "Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação, específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...)” 7. Importante destacar que a súmula 182, do extinto TRF, fundamentavase em legislação já revogada, razão pela qual não pode aqui ser considerada. Entre esta legislação incluise o Decretolei n.º 2.471, de 01 de setembro de 1988. Cabe considerar que a Lei n.º 8.021, editada em 12 de abril de 1990, da qual abaixo se transcreve alguns artigos, teria revogado dispositivo até então vigente, o tão conhecido Decretolei nº 2.471/88 que proibia a ação fiscal embasada exclusivamente em documentos relativos à movimentação bancária dos contribuintes, ou seja: “Lei n.º 8.021/90 (...) “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com Fl. 499DF CARF MF 8 base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.º. Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2.º. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3.º. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.º. No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações (grifei). §6.º. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte” .” 8. Pelas (então) novas regras, os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 9. A partir de 1997, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na nominada Lei n.º 8.021/90, estabelecido, então, pela Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desta forma, o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse caracterizado o montante do fato gerador, ou seja, os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais relativas – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda ou provento tributável. Alertese que não cabe à autoridade administrativa afastar a eficácia de lei. 10. O objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10970.720239/201317 Acórdão n.º 1201002.369 S1C2T1 Fl. 497 9 representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. 11. Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Alertese que a alegação genérica, não pode ser considerada como justificativa específica de cada depósito. Afirmação desacompanhada de comprovação não elide a tributação. 12. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. Ressaltese que do montante apurado como depósitos bancários de origem a ser comprovada, para o ano de 2009, que perfez um total de R$ 3.133.623,92, foi retirado a soma de R$ 928.902,52 corresponde ao valor total das notas fiscais apresentadas pelos Órgãos do Governo Federal (logo, este valor foi considerado como depósitos justificados) e por conseqüência, restou a importância de R$ 2.204.721,40 totalmente sem comprovação (e tributado com base no art. 42 da lei 9.430/96). 13. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96. Prescreve o citado artigo 42 que se caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento. Ou seja, não importa se foi um depósito em dinheiro vivo, uma transferência, um DOC... O que importa, para que se comprove a origem, é que tenha havido um crédito, um acréscimo no saldo da conta bancária. Dispensase a prova da origem no caso em que os créditos são decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica (§ 3°, I, do art. 42). Ou seja, quando houver a transferência de conta de qualquer outro titular não estará dispensada a prova da origem. 14. Importante destacar que os julgadores administrativos estão regimentalmente vinculados ao cumprimento das leis e normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, não podendo afastar as suas vigências. . 15. No que se refere à infração “omissão de receita – receita não escriturada”, os rendimentos (R$ 928.902,52) são referentes a valores apurados mensalmente pela soma das notas fiscais obtidas em diligencia fiscal junto a órgãos públicos. Estas receitas não se referem às registradas no Livro de Registro de Apuração do ICMS apresentado pelo contribuinte, por isso seu montante foi tributado como receita omitida. Ressaltese que do Fl. 501DF CARF MF 10 montante apurado como depósitos bancários de origem a ser comprovada, para o ano de 2009, que perfez um total de R$ 3.133.623,92, foi retirado a soma de R$ 928.902,52 corresponde ao valor total das notas fiscais apresentadas pelos Órgãos do Governo Federal e por conseqüência, restou a importância de R$ 2.204.721,40 totalmente sem comprovação (e tributado com base no art. 42 da lei 9.430/96). Logo, não há que se falar em bis in idem. 16. Na peça impugnatória consta solicitação para realização de diligência com o fito de produzir provas que dêem suporte ao que foi argumento naquele documento. A solicitação não deve prosseguir, pois a realização de diligência não se presta a produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória (adicionese que o valor pago devido aos serviços prestados aos órgãos públicos já foram excluídos dos depósitos bancários pela fiscalização). 17. Neste sentido, voto por considerar improcedente a impugnação. Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000085/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR DIVIDENDOS
A Disponibilização de dividendos no exterior obriga o beneficiário a adicionar o valor dos dividendos ao cálculo do lucro líquido do período de apuração do auferimento.
CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente.
Numero da decisão: 1302-000.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR DIVIDENDOS A Disponibilização de dividendos no exterior obriga o beneficiário a adicionar o valor dos dividendos ao cálculo do lucro líquido do período de apuração do auferimento. CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, , Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello Relatório Fl. 332DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 320 2 Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.71.00 2005000142 e prorrogações (fls.01) a Fiscalização da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais – DEAIN, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 168 a 174): A contribuinte é tributada com base no lucro real anual e, na DIPJ/2001, ano calendário 2000, apresenta participações societárias no exterior, conforme ficha 36 dessa DIPJ, listando a empresa Inversora Dirkon S/A.. Na DIPJ 2002 o patrimônio líquido declarado dessa empresa estava menor por distribuição de lucros aprovada pela Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 21/12/2001, que decidiu pela distribuição dos lucros auferidos no exterior , no valor de R$ 3.767.650,00 ( fls. 32 e 55 a 57) Esse valor foi registrado contabilmente no dia 31/12/2001, conforme lançamento a crédito na conta investimento e a débito na conta Dividendos a Receber, conforme fls. 53 e 54. Esse valor foi, posteriormente, utilizado para aumento de capital da própria empresa controlada (fls. 59). O fato jurídicotributário ocorrido está inscrito na hipóteses de incidência de IRPJ da alínea “b” do §1º da Lei nº 9.532/1997, mas a contribuinte na sua DIPJ 2002, não adicionou ao Lucro Líquido Ajustado os lucros auferidos no exterior pela controlada Inversora Dirkson S/A.. Em resposta à intimação fiscal, a fiscalizada apresentou, objetivando comprovar a adição ao lucro líquido, a DIPJ e o LALUR, referentes ao ano calendário de 2002. No LALUR 2001 (31/12), a contribuinte incluiu os dividendos do exterior dentre as despesa não dedutíveis (fls. 50). O valor declarado na DIPJ, no item 30 da ficha 05 A (R$ 11.164.389,05), Despesas operacionais, da DIPJ 2002, aproximase do valor constante no LALUR 2001, como somatória das despesas não dedutíveis (R$ 11.278.799,76), descontados alguns valores já declarados em outras linhas da Ficha 05 ª Com esse proceder, a contribuinte primeiro considerou os dividendos como despesas, o que diminui o lucro líquido da DIPJ 2002, para depois adicionar o mesmo valor na apuração do Lucro Real, neutralizando a conseqüência tributária da disponibilização dos lucros no exterior. De fato, essa equivocada adição – posto que dividendos a receber jamais poderiam figurar como despesas – teve apenas o efeito de neutralizar a também indevida redução do lucro liquido declarado na Ficha 05 A da DIPJ 2002, ao considerar os dividendos como despesas operacionais. Desse modo, a contribuinte deveria ter adicionado, na demonstração do Lucro Real, (Ficha 09 A , item 5) e no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Ficha 17, item 5) os lucros disponibilizados no exterior pela controlada, na data da provisão dos dividendos a receber do exterior ( 31/12/2001), conforme determina a citada Lei nº 9.532/1997. Desse modo, em 26/12/2006, foram lavrados os seguintes Autos de Infração Fl. 333DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 321 3 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ,(fls. 156 e 157 ), no valor de R$ 1.446.216,39, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/11/2006. Embasamento legal : Lei nº 9.532/1997; artigo 16 da Lei nº 9.430/96; artigos 249, inciso II, e 394, do RIR/99; artigo 3º da Lei nº 9.959/2000. Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL (fls. 161 e 162), no valor de R$ 874.890,02, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 31/11/2006. Embasamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 6º da MP nº 1.858/99 e reedições. Inconformada com a autuação fiscal, da qual foi cientificada em 27/12/2006, a interessada apresentou, em 26/01/2007, competente impugnação (fls. 197 e 198), expondo as razões, a seguir, em síntese: Alega que ocorreu mero erro de preenchimento da DIPJ, pois os dividendos foram adicionados erroneamente na linha 03 – Despesas Operacionais – soma das parcelas não dedutíveis da ficha 09 Demonstração do Lucro Real, levando o auditor fiscal a entender que os lucros disponibilizados foram para despesa e com a adição estaríamos apenas tirando o efeito da despesa sem ocorrer a adição efetiva. Alega que o que ocorreu foi o preenchimento errado da Ficha 06 A, linha 30, (coluna parcelas não dedutíveis) e, conseqüentemente, o transporte da ficha 06 A para a ficha 09 A, linha 3 também ficou errada. Alega que o montante em questão, apesar de estar preenchido erroneamente na linha 30 da ficha 06 A, na coluna parcela não dedutível (R$ 11.164.389,05), não está incluído dentro do montante de despesas que compõe a coluna total (R$ 20.674.050,73) conforme demonstrado em planilhas anexas, mesmo porque a contabilização como já mencionado foi entre contas patrimoniais – ativo x ativo. Alega que o correto seria efetuar a adição em linha própria que no caso, seria a Ficha 09 A, linha 5 e Ficha 17, linha 05 , argumentando que não retificou a DIPJ pois verificou o equívoco apenas após o questionamento do Fisco. Alega que por se tratar de equívoco no preenchimento da DIPJ e que a adição foi devidamente feita e o montante não ter transitado no resultado, não houve falta de recolhimento de IRPJ e CSLL. Por fim, requer que seja extinto totalmente o débito requerido no auto de infração. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR DIVIDENDOS A Disponibilização de dividendos no exterior obriga o beneficiário a adicionar o valor dos dividendos ao cálculo do lucro líquido do período de apuração do auferimento. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 322 4 PROVAS E DEMONSTRATIVOS Somente são aceitos demonstrativos que estejam embasados em documentação idônea que também deve ser apresentada. CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente. É relevante reproduzir o voto condutor do acórdão DRJ: A contribuinte apresentou varias planilhas visando demonstrar o que alega ou seja, houve apenas um erro de preenchimento da DIPJ, ao incluir na linha 30 da ficha 6 A (sic), o valor dos dividendos distribuídos, mas o valor não estaria incluído no total do montante das outras despesas operacionais (R$ 20.674.050,73), informando também que o transporte da ficha 06 A para a ficha 09 A, linha 3 também ficou errado. Por fim alega que o fato não prejudicou o Fisco pois os dividendos não deixaram de ser oferecidos à tributação e que também não retificou a DIPJ. Cabe esclarecer que a ficha 06 A citada pela contribuinte, trata da Demonstração do Resultado e a linha 30 – Outras receitas operacionais – está em branco, conforme se observa as fls. 227 a 230. O valor total declarado, na ficha 05 A (fls. 35) e não 06 A, como alega a contribuinte, linha 30, relativo a outras despesas operacionais não dedutíveis, soma R$ 11.164.389,05 e não comporiam o valor R$ 20.674.050,73. A declaração que no valor de R$ 20.674,050,73, não estaria incluído o valor das despesas operacionais nãodedutíveis, causa estranheza pois observase na ficha 05 A , que todos os valores de despesas indedutíveis preenchidos pela empresa, também estão preenchidos da coluna de despesas dedutíveis, ou seja, a empresa declara a despesa, diminuindo o lucro líquido e depois ajusta o valor, adicionando a despesa. Se para os outros itens dessa ficha, a contribuinte procedeu dessa maneira, porque não teria feito o mesmo no caso da linha 30 – Outras despesas operacionais? Para tentar provar o alegado, a fiscalizada apresenta varias planilhas de sua lavra (fls. 199 a 215), onde constam demonstrativos dos custos dos bens e serviços vendidos, despesas operacionais, demonstração do resultado, lucro real e base de cálculo de CSLL. Ocorre que esses demonstrativos apresentados não estão embasados em nenhuma documentação e sequer contém a identificação do responsável por essas informações, não podendo serem aceitos como prova idônea. O que se tem de concreto é a cópia do próprio LALUR apresentado pela empresa quando do procedimento fiscal onde Fl. 335DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 323 5 consta claramente a inclusão dos dividendos entre as despesas nãodedutíveis (fls. 50), mas nada consta que prove que o valor dessas despesas não estaria incluído no total das despesas operacionais. (negrito não consta do original) Desse modo, o lançamento fiscal deve ser mantido na sua totalidade. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 01/06/2009 e apresentou recurso em 01/07/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e especialmente afirma: A Dirkon, conforme Assembléia Geral Extraordinária ocorrida em 21/12/2001, definiu pela distribuição dos lucros auferidos no exterior, no valor de R$ 3.767.640,00. Tal valor foi registrado contabilmente na RR Donnnelley Moore Editora e Gráfica Ltda., no dia 1111 31/12/2001, a crédito da conta investimento (ativo) e a débito da conta Dividendos a Receber (ativo). Devido a disponibilização dos lucros, a RR Donnelley Moore Editora e Gráfica Ltda. efetuou a tributação do montante acima (R$ 3.767.640,00) para fins de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, adicionando esse montante no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Ocorre que, a RECORRENTE ao efetuar o preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2002, referente ao anocalendário 2001, erroneamente, incluiu essa adição na Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real, na linha 03— "Despesas Operacionais — Soma Parcelas Não Dedutíveis" ao invés de incluir em linha própria, linha 05 — "Lucros Disponibilizados do Exterior". O mesmo erro ocorreu para fins de preenchimento da Ficha 17 — Cálculo da CSLL. Ao invés de incluir tal adição na linha 05 — "Lucros Disponibilizados no Exterior", foi incluída na linha 03 — "Despesas não dedutíveis". Devido à forma de preenchimento da DIPJ, o fiscal entendeu que os lucros disponibilizados do exterior foram contabilizados em despesa e que com a adição estaríamos apenas neutralizando a redução do lucro líquido, sem ocorrer à tributação efetiva do IRPJ e CSLL. Diante da interpretação acima, o fiscal lavrou dois autos, um para fins de IRPJ e outro para CSLL. Inconformada com os autos a RECORRENTE apresentou a impugnação explicando que a contabilização ocorreu entre Fl. 336DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 324 6 contas do ativo. Apresentou também, demonstrativos das composições dos valores das Fichas 04A, 05A, 06A, 09A e 17, a fim de comprovar que tal valor não integrou o valor das despesas e que houve apenas um erro no preenchimento da coluna "Parcela não dedutível" da DIPJ 2002. Ocorre que as autoridades fiscais, em seu voto, entenderam que como os demonstrativos apresentados não estavam embasados em nenhuma documentação e não continham a identificação do responsável por essas informações, não poderiam ser aceitos como prova idônea. Com isso, considerou o lançamento procedente. Conforme citado no Acórdão n°1621.323, a distribuição de lucros foi registrada entre contas patrimoniais, conforme transcrevemos abaixo: "Esse valor foi registrado contabilmente no dia 31/12/2001, conforme lançamento a crédito na conta investimento e a débito na conta Dividendos a Receber, conforme fls. 53 e 54. Esse valor foi, posteriormente, utilizado para aumento de capital da própria empresa • controlada (fls. 59)." Sendo assim, não poderia os lucros auferidos no exterior ter sido lançado na conta de despesas, conforme comprovado na pelas próprias autoridades fiscais. O montante em questão, apesar de estar preenchida erroneamente na linha 30 da Ficha 05A na coluna parcela não dedutível (R$11. 164.389,05) não está incluído dentro do montante de despesas que compõe a coluna total (R$ 20.674.050,73) conforme demonstrado em planilha (Anexo I), devidamente assinadas pelo representante legal, mesmo porque a contabilização como já mencionado foi entre contas patrimoniais — ativo x ativo. Para suportar a planilha, anexamos também o balancete e balanço de 31 de dezembro de 2001 (Anexo II), o qual grifamos em amarelo os valores que compõe o valor de R$ 20.674.050,73. Seguem, também as planilhas demonstrando como deveriam ser preenchidas as fichas 04A, 05A, 06A, 09A e 17 (Anexo III), devidamente assinadas pelo representante legal. Não tendo a distribuição de lucros transitado pelo resultado, e sim, contabilizado entre contas patrimoniais e havendo a adição desse montante no lucro real e na base de cálculo da CSLL, não há em que se falar de falta de tributação. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 325 7 Não merecem acolhida os argumentos da recorrente . Em sede de recurso a recorrente traz como sustentação de sua argumentação de que teria incorrido em erro as mesmas planilhas apresentadas na impugnação, com a observação que desta feita tais planilhas vieram assinadas pelo representante legal. Embora a decisão recorrida tenha observado que as planilhas não vinham assinadas, isso foi utilizado apenas como reforço ao argumento principal, que era a falta de embasamento em documentação comprobatória, conforme fica evidenciado no trecho do voto condutor: “Ocorre que esses demonstrativos apresentados não estão embasados em nenhuma documentação e sequer contém a identificação do responsável por essas informações, não podendo serem aceitos como prova idônea.” Importante observar o que consta do termo de verificação fiscal de fls. 172: Na DIPJ 2002, conforme Ficha 09 A — Demonstração do Lucro Real, o contribuinte não adicionou ao Lucro Líquido Ajustado os lucros auferidos no exterior pela controlada INVERSORA DIRKSON S/A. Diante disso, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os documentos comprobatórios da adição ao lucro líquido dos lucros disponibilizados do exterior, conforme Intimação N°2 (fls. 8 e 9). Em resposta, o contribuinte apresentou, objetivando comprovar a adição ao lucro líquido, a DIPJ e o LALUR referentes ao anocalendário de 2002. A DIPJ 2002, como já havia sido verificado, não apresenta a referida adição na Demonstração do Lucro Real. No LALUR 2001 (31/12), o contribuinte incluiu os dividendos do exterior dentre as despesas não dedutíveis (fl. 50). De fato, o valor lançado no item 30 da Ficha 05 A — Despesas Operacionais da DIPJ 2002 (R$ 11.164.389,05) aproximase do valor constante do LALUR 2001 (31/12) como somatória das despesas não dedutíveis (R$ 11.278.799,76), descontados os valores R$ 45.437,25 (que já consta do item 9 da Ficha 05A) e R$ 42.220,00 (que já consta do item 10 da Ficha 09A), • demonstrando que o valor de R$ 3.767.640,00 está, de fato, equivocadamente considerado como "Outras Despesas Operacionais" na Ficha 05 A. O mesmo ocorreu com a base de cálculo da CSLL, conforme pode ser observado pelo confronto do doc. de fl. 51 com o item 3 da Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2002. Ocorre que, ao considerar tais dividendos dentre as despesas não dedutiveis, o contribuinte primeiro os considerou como despesas, o que diminuiu o lucro líquido declarado na DIPJ 2002, para depois adicionar o mesmo valor na apuração do Lucro Real, neutralizando a conseqüência tributária da disponibilização dos lucros do exterior. Portanto, essa adição — Fl. 338DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 326 8 posto que dividendos a receber jamais poderiam ser considerados despesas — teve apenas o efeito de neutralizar a também indevida redução do lucro líquido declarado na Ficha 6A da DIPJ 2002, ao considerar o valor dos dividendos dentre as despesas operacionais. Assim sendo, o contribuinte deveria ter adicionado na Demonstração do Lucro Real (Ficha 09A — item 5) e no Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Ficha 17 — item 5) os lucros disponibilizados do exterior pela controlada na data da provisão dos dividendos a receber do exterior (31.12.2001), conforme preceitua a Lei 9.532/97. Por óbvio, não há lançamento contábil do valor dos dividendos a receber como despesa, posto que a distribuição de dividendos é fato contábil permutativo, cujos lançamentos não afetam as contas de resultado. Ocorre que, ao fazer a transcrição dos valores contábeis distribuídos no seu plano de contas para a DIPJ 2002, o contribuinte agrupou uma série de contas e valores nos itens dispostos nas Fichas 04 A, 05A e 06A. Ao fazer tal declaração, primeiramente, o contribuinte define o que são "Outras Despesas Operacionais" (item 30 da Ficha 05 A), para depois discriminar a parcela não dedutível desse conjunto de despesas. Portanto, não há como o montante referente aos "dividendos a receber" estar contido na parcela não dedutível (2a coluna) sem que também esteja contido no total (l a coluna) do item 30 da Ficha 05A. No dia 21.12.2006 pp, o contribuinte apresentou cópias de parte do balancete de encerramento do ano de 2001 (fls. 143 a 155). No entanto, tais documentos não explicaram a composição dos vários itens da Ficha 04 A e 05A, tendo evidenciado apenas que o total dos custos e despesas registrados no balancete não coincide com o total dos valores declarados a esse título na DIPJ 2002. Não tenho reparo a fazer à conclusão da fiscalização, mantida pelo acórdão recorrido, de que a recorrente não demonstra documentalmente a ocorrência de erro ao preencher a DIPJ e o Lalur, sendo correta a conclusão que seu procedimento veio a neutralizar a adição dos lucros disponibilizados no exterior pela sua controlada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 339DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000085/200612 Acórdão n.º 130200.422 S1C3T2 Fl. 327 9 Fl. 340DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 28/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13005.901853/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira (relator), que dava provimento parcial, nos termos expostos na assentada anterior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira (relator), que dava provimento parcial, nos termos expostos na assentada anterior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3201000.897, de 24/05/2017, que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 01 85 3/ 20 12 -1 2 Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.020 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul/RS que, com base no Parecer DRF/SCS/SAFIS nº 50/2012, anexado às folhas 218/236 e link no sítio da Receita Federal na internet (https://www32.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes /SSL/ATRCE/SCC/detalhamentoCredito.asp?nr=024926006), deferiu o crédito no valor de R$4.878.603,43 e homologou parcialmente a compensação declarada pela contribuinte no PER/DCOMP nº 07119.35147.200112.1.3.093055. O direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da “Cofins nãocumulativa – exportação” relativo ao 1º trimestre de 2011, no valor total de R$14.997.375,42, objeto do PER nº 14561.92720.300112.1.5.095861. Cientificada do despacho decisório em 16/07/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 255, em 15/08/2012 a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. Preliminarmente, o despacho decisório é nulo por ausência de fundamentação, pois não foram descritos com precisão os fatos entendidos como irregulares, não permitindo a ampla defesa e o contraditório à manifestante; 2. Ao glosar o cálculo sobre crédito presumido de agroindústria, a autoridade fiscal sustenta, em síntese, que a manifestante calculou equivocadamente créditos presumidos das contribuições ao PIS/COFINS, tendo utilizado o percentual de 60% para todos os insumos adquiridos, enquanto que, supostamente, deveria ter utilizado as alíquotas de 60% e 30%, dependendo da natureza do insumo adquirido; 3. Para tanto, o fiscal apresentou uma listagem contendo o código da mercadoria, o código NCM, CFOP e descrição das notas fiscais por ele utilizadas para chegar aos percentuais que entende como devidos, sem qualquer fundamentação legal que embasasse a redução do percentual utilizado pela manifestante, fato este que a impede de compreender como a fiscalização chegou a tal resultado (base de cálculo menor), o que implica na violação do direito ao devido processo legal; 4. Ao não especificar os motivos pelos quais entende que deve ser aplicada a alíquota de 30% (trinta por cento), o despacho combatido acabou maculado de nulidade, por não oportunizar à manifestante que se defenda da suposta irregularidade, com a amplitude e o contraditório garantidos pela Constituição da República; Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.021 3 5. Ainda, o relatório fiscal foi omisso ao não descrever a fundamentação da glosa, referente aos insumos, novamente baseando se apenas em arquivos magnéticos, inexistindo no presente caso qualquer análise física das notas fiscais e verificação de como são realizados os serviços glosados; 6. A afirmação de que os serviços glosados não são insumos baseouse em mera presunção da fiscalização, ao classificar os serviços constantes nos arquivos magnéticos fornecidos 7. Assim, faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da manifestante e a possibilidade de defesa, o que fere frontalmente o Princípio Administrativo da Motivação estabelecido no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, o qual se refere à obrigatoriedade dos atos administrativos serem devidamente fundamentados, tanto em relação aos aspectos legais, quanto aos fatos a que se destinam, conforme doutrina transcrita; 8. A manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar, no item relativo às despesas de armazenagem, quais são os valores que supostamente não possuem os respectivos documentos comprobatórios, e qual a irregularidade do cálculo do rateio dos créditos, tendo a autoridade fazendária descumprido os dispositivos do Procedimento Tributário Administrativo, que no art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos, que devem obrigatoriamente ser motivados; 9. Quanto à glosa no valor de R$280.687,97 decorrente da divergência entre o valor solicitado em PER/DCOMP (R$14.997.375,42) e o demonstrado no Dacon (R$14.716.687,45), elucidase que o valor pleiteado está totalmente comprovado em documentos fiscais da empresa, sendo que, caso exista a diferença, tratase de mero erro de preenchimento do DACON, suscetível de ser remediado, não afetando de forma alguma a legitimidade do crédito objeto do pedido de ressarcimento, pois, como é cediço, no âmbito do processo tributário administrativo devese, muitas vezes, sopesar ou relevar determinados formalismos, com vistas a buscarse a verdade material; 10. É a supremacia da verdade real ante a formal, conforme doutrina e jurisprudência transcritas, não só em respeito da verdade material, princípio que norteia os processos administrativos, mas em observância dos princípios da moralidade e da eficiência administrativa consagrados no art. 37 da Constituição da República, sendo razoável e proporcional que o despacho recorrido seja reformado para o fim de reconhecer que é legítimo o direito ao ressarcimento dos créditos em favor da manifestante no montante de R$14.997.375,42; 11. Caso não se esteja convencido da legitimidade da integralidade do crédito, requerse a baixa do processo em diligência e a dilação de prazo para apresentação de documentação comprovando a existência e legitimidade do crédito pleiteado; 12. No que tange à glosa de créditos sobre fretes de exportação extemporâneos/preclusos), a legislação própria do PIS e da COFINS é Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.022 4 cristalina no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela autuada, de adjudicarse de créditos extemporâneos, no presente caso tão somente dos créditos originários dos 5 (cinco) anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; 13. Ademais, é cediço que na orma que está posta a não cumulatividade do PIS e da COFINS, os créditos mensais são proporcionalizados no Dacon de acordo com as características das receitas auferidas pelo contribuinte no mês do crédito (receita tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação), e no caso do crédito extemporâneo tal situação pode ser perfeitamente conciliada calculandose a proporcionalidade dos créditos tal como se fossem efetuados nos meses em que nasceu o direito de creditamento (ou mês de origem do crédito efetuado extemporanemente), materializando uma ficção que remonta perfeitamente a proporcionalidade do crédito; 14. A ausência de elementos para aferição dos citados créditos passíveis de ressarcimento não pode ser alegada pela fiscalização, eis que ela dispõe de todos os Dacon da manifestante, bem como poderia solicitar tais informações caso fossem necessárias; 15. O crédito sobre fretes marítimos na exportação foi glosado, primeiro, por supostamente terem sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, segundo, ainda que fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); 16. Porém, quanto à primeira alegação do Fisco, cumpre referir que todos os pagamentos de frete marítimo do período foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inscritas regulamente no CNPJ e contribuintes de PIS/COFINS, nos termos do art. 3°, § 3°, incisos I e II, da Lei n° 10.833, de 2003, e Lei n° 10.637, de 2002, conforme Conhecimentos de Embarque juntados por amostragem à Manifestação de Inconformidade (DOC. 05): 17. Portanto, sendo as despesas dos fretes internacionais suportados pela manifestante, cujos encargos foram pagos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, é medida de rigor que seja reconhecido o creditamento de tais despesas, em observação ao princípio da não cumulatividade consagrado, em relação ao PIS e à COFINS, no art. 195, § 12 da CRFB; 18. Também não merece prosperar o segundo argumento da fiscalização, de que os serviços de frete internacional não dariam direito a crédito por supostamente se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação), pois a base legal para o crédito da COFINS sobre fretes nas operações de venda está contida no inciso IX do artigo 3° da Lei 10.833, de 2003, aplicável ao PIS por força do art. 15 da mesma lei, observadas as exigências de que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país, conforme previsão do inciso II do §3° do seu art. 3°; Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.023 5 19. A vedação ao direito ao crédito prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, não é aplicável ao caso em tela justamente porque o serviço de frete internacional não é insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, como alegou a fiscalização, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 20. A Lei atribuiu especial tratamento ao caso de isenção, vedando a possibilidade de crédito sobre bens e serviços adquiridos com isenção de PIS e de COFINS apenas quando forem revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pelas contribuições, mas este não é caso da situação em tela, uma vez que o serviço de frete internacional não se enquadra no conceito de insumo previsto no artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, para o PIS, e no artigo 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 12 de março de 2004, para a COFINS, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 21. Em relação à glosa sobre o cálculo de crédito presumido, se não for acatada a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação legal, como já alegado, no mérito verificase que o artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, somente passou a ser aplicado com o advento da Instrução Normativa nº 1.157, de 16 de maio de 2011, portanto não poderia ser aplicado ao período ora em litígio, o 1º trimestre de 2011; 22. Apesar de a referida IN prever em seu artigo 22 que produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2011, não há como uma norma que veio para regulamentar a aplicação de um método de cálculo de crédito presumido determinar a aplicação a fatos geradores anteriores a sua vigência, tendo em vista que é justamente a partir do seu advento que foi possibilitado ao destinatário da norma utilizála; 23. Ademais, cumpre referir que a lei nova (Lei n° 12.350/2010) trouxe um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a autuada, não podendo, assim, retroagir; 24. De toda a sorte, independente do fato do artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, aplicarse apenas após o advento da IN RFB nº 1.157, de 2011, a manifestante observou estas regras para apuração do seu crédito presumido, somente aplicando de forma legal a alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos para a industrialização de produtos classificados nos Capítulos 02 a 04 (excluídos os produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), no capítulo 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM, conforme inciso I do § 3° do art. 8° da Lei nº 10.925, de 2004; 25. No entanto, ao analisar o crédito presumido apurado pela manifestante, a fiscalização, com base em um arquivo magnético, analisou as notas fiscais de aquisição de insumos e aplicou a alíquota de 30% prevista no artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010 – que é exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM – para praticamente todos os insumos adquiridos no período em análise, simplesmente desconsiderando o fato de que a manifestante fabrica e comercializa tanto produtos classificados no capítulo 2 da NCM, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.024 6 quanto produtos classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM; 26. Realizando uma leitura do artigo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; 27. Destarte, considerando que a manifestante também fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; 28. O entendimento esposado pela Fiscalização encontrase desprovido de razão, posto que, com a instituição do crédito presumido das contribuições ao PIS e à COFINS, o legislador visou beneficiar as atividades das empresas agroindustriais, dentre as quais se enquadra a empresa manifestante; 29. Assim, o critério eleito pelo legislador para a determinação da alíquota aplicável foi o produto fabricado pelo contribuinte, e não o insumo adquirido, haja vista que, no caso de a determinação da alíquota aplicável se dar pelo insumo adquirido, não resultaria benefício algum às empresas do setor agroindustrial, entendimento já manifestado pelo Conselho Administrativo e Recursos Fiscais – CARF; 30. Neste viés, de acordo com a legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal enquadradas nos códigos estipulados, e que sejam destinados à alimentação humana, estão autorizadas a deduzir das contribuições pagas ao PIS e à COFINS crédito presumido nas alíquotas de 60%, 50% e 35%; 31. Uma breve análise do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, permite constatar que as empresas produtoras de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 devem observar a alíquota de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos aplicados no processo produtivo para cálculo do respectivo crédito presumido, enquanto que o percentual de 50% se aplica para a soja e seus derivados, e a alíquota de 35% para os demais produtos; 32. Assim, em estrita obediência aos preceitos estabelecidos pela Lei nº 10.925, de 2004, a empresa calculou o crédito presumido do PIS e da COFINS à alíquota de 60%, tendo em vista que os produtos por ela produzidos encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3º do art. 8º do mencionado diploma legal; 33. Quanto à glosa sobre o cálculo de credito básico/reconhecimento crédito presumido, a fiscalização alega que a manifestante calcula crédito à alíquota integral para PIS/COFINS nas aquisições de preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de animais vivos classificados na posição 01.03 e 01.05, o que supostamente estaria em desacordo com a legislação pertinente à Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.025 7 matéria, haja vista que o art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, determina a aplicação de percentual correspondente a 30% da alíquota integral, para cálculo do montante do crédito presumido, incidente sobre o valor das aquisições destes produtos; 34. No entanto, elucidase que a manifestante não adquire produtos classificados na NCM 2309.90, e, para chegar a esta classificação, a fiscalização se baseou nos arquivos da IN 86, os quais podem conter erro de cadastro na classificação da NCM; 35. Assim, para elucidar a questão, mister se faz que seja determinada a realização de diligência para seja verificado, através de notas fiscais e análise das mercadorias in loco, se realmente os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM, pois inexistiu qualquer análise física pelo Fiscal das notas fiscais e mercadorias adquiridas e mencionadas nas notas fiscais objeto da autuação, o que impossibilita a verificação quanto à efetiva classificação das mesmas no código 2309.90 da NCM; 36. Assim, a Fiscalização baseouse em mera presunção da classificação constante nos arquivos da IN86, que podem conter erro, pois, como referido, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM; 37. Ademais, cumpre referir que com o advento da Lei nº 12.235, de 2010, nos termos do seu artigo 57, os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, deixaram de ser aplicados, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM; 38. O crédito presumido para pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido nos termos do artigo 55 da referida Lei nº 12.235 de 20 de dezembro de 2010; 39. Desta forma, passaram a existir duas possibilidades para apuração do crédito presumido, quais sejam, o crédito presumido calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, definido pelo artigo 55 da Lei nº 12.235, de 2010 – cuja regulamentação, contudo, somente ocorreu com a IN RFB nº 1.157, de 2011 –, e o crédito presumido calculado sobre os demais produtos e mercadorias, que continuou a ser regulado pelo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004; 40. O artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, não poderia ser aplicado ao período ora em análise, qual seja, 1º trimestre de 2011, ainda que o art. 22 da IN RFB n° 1.157, de 2011, preveja seus efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, pois a referida lei, ao estabelecer um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a manifestante, não pode retroagir; 41. Ademais, conforme referido anteriormente, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM, razão pela qual a glosa não pode subsistir; Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.026 8 42. Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, requer se com base no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, que seja reconhecida ao menos a alíquota de 60% (sessenta por cento) sobre as mercadorias adquiridas pela autuada, classificadas por equívoco no código 2309.90 da NCM, tendo em vista que, conforme explanado em item anterior, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas, e não dos insumos adquiridos; 43. No que concerne aos fretes referentes à remessa dos produtos em elaboração para outras unidades, não há dúvida de que, nesses casos, em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade da manifestante e tem o seu processamento final em outra, estamos diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa; 44. Para a remessa dos produtos em elaboração, é necessária a contratação de prestadoras de serviços de transporte, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade de propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade da manifestante; 45. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; 46. Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF e do TRF4 sobre o conceito de insumos para o PIS e a COFINS, verifica se que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, na forma do art. 290 do RIR/99, bem como são essenciais ao processo produtivo da manifestante. 47. Como a prestação de serviço de frete em elaboração é tributada pelo PIS e pela COFINS, e se revela como um custo essencial à atividade produtiva, não há razão para persistir a referida glosa; 48. Para a exportação de carnes de aves, inteiras ou em cortes, e de produtos elaborados como empanados, embutidos e pratos prontos, por uma questão de logística e de racionalização da operação, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, precedida de vendas aos compradores estrangeiros; 49. Dessa forma, é hialino que estas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833, de 2003, que garante o seu creditamento à COFINS e ao PIS; 50. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, as referidas despesas de frete poderão ser creditadas para efeitos de PIS e de COFINS, pois foram despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos da manifestante, e, como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS e da COFINS, de modo que o seu creditamento também pode ser reconhecido com base no art. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.027 9 3º, II, § 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, e nos art. 290 e 299 do RIR/99; 51. Ademais, conforme descrito no contrato social (doc. 02 em anexo), além da industrialização, a ora manifestante possui em seu objeto social a comercialização dos produtos fabricados, e nesse sentido todas as despesas com frete são maneiras de poder efetuar a comercialização/exportação dos produtos que fabrica; 52. A comercialização de produtos acabados é essencial para a consecução do objeto social da empresa, e é a comercialização que traz o elemento econômico para o ciclo produtivo, pois com a venda é que a empresa obtém receita; 53. A contrario sensu, se acaso a manifestante não comercializasse os produtos que fabrica, não haveria qualquer tipo de faturamento e, portanto, sequer deveria se falar em incidência de PIS/COFINS; 54. A Portaria n° 368, de 4 de setembro de 1997, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, traz o conceito de estabelecimento como sendo o local e a área que o circunda, onde se efetiva o conjunto de operações e processos que têm como finalidade a obtenção de um alimento elaborado, assim como o armazenamento e transporte de alimentos e/ou matéria prima, e em seguida determina que manipulação de alimentos são as operações que se efetuam sobre a matéria prima até o produto terminado, em qualquer etapa do seu processamento, armazenamento e transporte, conceituando que elaboração de alimentos é o conjunto de todas as operações e processos praticados para a obtenção de um alimento terminado; 55. Portanto, seja como frete na operação de venda, seja como despesa essencial à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido para o fim de que seja observada a nãocumulatividade do PIS e da COFINS; 56. Quanto à glosa sobre serviços não caracterizados como insumos, o autuante, realizando uma análise através de notas fiscais apresentadas em meio magnético, entendeu que diversos serviços não se caracterizam como insumos conforme definido nos incisos II do arts. 3º das Leis n° 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, nem se enquadram em nenhuma hipótese geradora de crédito, mas a fiscalização foi feita de uma forma genérica, sem sequer tentar entender como são utilizados os referidos serviços glosados, sem realizar a devida análise in loco na indústria, verificando como tais serviços são empregados no processo produtivo; 57. Em suma, a ausência de tais serviços prejudica o processo produtivo da manifestante, razão pela qual deverá ser determinada a anulação parcial do despacho decisório, para que as autoridades fazendárias de origem reanalisem in loco a cadeia produtiva envolvida, desde a aquisição da matéria prima até a obtenção do produto acabado e sua posterior comercialização, para que, então, possam fundamentar os motivos pelos quais deferem os créditos ou os indeferem; Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.028 10 58. A forma utilizada pela fiscalização para realizar a glosa dos serviços impede a manifestante de realizar a sua identificação e consequentemente defendêla; 59. Apesar disso, cumpre referir que todos os insumos utilizados no creditamento de PIS/COFINS encontramse perfeitamente enquadrados na concepção de insumo e de custos e despesas essenciais ao processo produtivo, bem como estão plenamente de acordo com o conceito de insumo previsto na legislação, devendose atentar para a evolução da interpretação da jurisprudência administrativa, firmada no âmbito do CARF; 60. Apesar de o acórdão transcrito do CARF tratar especificamente de indumentárias, no referido julgamento os conselheiros entenderam que produtos e serviços inerentes à produção, em face da sua essencialidade na atividade econômica da empresa, geram créditos que podem reduzir o valor final a ser recolhido do PIS e da Cofins; 61. Assim, de acordo com este entendimento, temse que a conceituação de "insumos", para efeitos de PIS/COFINS, se identifica ao conceito de "Custos e Despesas Operacionais" utilizado na legislação do Imposto de Renda IR, desde que essenciais ao processo produtivo; 62. Para fins de PIS/PASEP e COFINS, a essencialidade significa considerar todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes, e foi nesse contexto que foram apurados os créditos sobre os serviços glosados pela fiscalização; 63. Nesta ótica, insumos são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento; 64. É correta tal interpretação, haja vista que o conceito de insumo para o PIS e COFINS, em face do seu critério material de "obter receita ou faturamento" contido na sua regramatriz de incidência tributária, não pode se limitar ao conceito de insumo para o IPI, e para que seja realizada a nãocumulatividade das Contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; 65. Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS em análise na Manifestação de Inconformidade, devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; 66. No caso dos autos, além das glosas efetuadas pela fiscalização estarem plenamente de acordo com as Instruções Normativas SRF nº Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.029 11 247, de 2002, e nº 404, de 2004, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada levandose em consideração a sua essencialidade no processo produtivo, como foi proposto pela Câmara Superior da 3ª Seção do CARF, bem como o conceito de insumo de acordo com a legislação do Imposto de Renda, visto que também se enquadram como custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica e essenciais ao processo produtivo; 67. Em seguida, a manifestante descreve, sinteticamente, a essencialidade de cada serviço ao seu processo produtivo, requerendo, ao final, que caso assim não se entenda a legitimidade dos créditos realizados, seja determinada a baixa em diligência para análise dos referidos insumos na sede da empresa; 68. Devido ao grande volume de documentos fiscais a que se refere o presente processo, instrui a Manifestação de Inconformidade com documentos por amostragem, mas protesta pela possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar a comprovação dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal, tudo para comprovar os fatos expostos acima ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1535.354, de 25/04/2014, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2011 a 31/03/2011 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. FRETE INTERNACIONAL No regime de incidência nãocumulativa, podem ser apurados créditos da Cofins em relação ao frete internacional, cujo ônus seja suportado pela vendedora, vinculado à exportação de seus produtos, desde que os serviços de transporte sejam adquiridos de pessoa jurídica domiciliada Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.030 12 no País. Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente de transportador domiciliado no exterior. FRETE. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. O valor do frete contratado com pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de transferências de mercadorias entre estabelecimentos do sujeito passivo não pode ser utilizado como crédito a ser descontado da Cofins devida sob a forma nãocumulativa, por não integrar a operação de venda. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON E DCTF. RETIFICAÇÃO. No regime da nãocumulatividade, o ressarcimento e a compensação de créditos não aproveitados à época própria devem ser precedidos da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, sendo exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadores. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados e pleiteia a reforma do decisum. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. Submetido à julgamento neste Colegiado, na sessão de 26/06/2013, resolução nº 3201000.897, após conhecer do recurso voluntário decidiuse convertêlo em diligência para elaboração de laudo que descrevesse exatamente o processo produtivo da Recorrente, por entende a Turma tratarse de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de créditos de Cofins não cumulativos. Os termos da diligência determinada na resolução (fls. 420/421): [...] Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, intime o contribuinte para que apresente, no prazo de 60 dias: Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.031 13 (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados (apenas os insumos objeto do litígio) dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos insumos e sua descrição funcional dentro do processo produtivo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. (c) Esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; (d) Quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da empresa; e (e) Analisar se os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM. Posteriormente, a fiscalização elabore relatório fiscal sintético e conclusivo e por fim, dêse ciência do resultado da diligência para a recorrente, se manifestar, dandolhe prazo de 30 dias, antes da devolução do processo a esta Turma para prosseguimento no julgamento. [...] A contribuinte juntou Laudo Técnico elaborado por Ferrari Organização de Avaliações Patrimoniais Ltda (fl. 437/496), Certidão de Registro dessa pessoa jurídica no CREA/RS (fl. 500/501), a Anotação de Responsabilidade Técnica ART, nº 9287829 (fl. 503) e normas de órgãos públicos que prescrevem exigências quanto à materiais e serviços relacionados ao seu processo produtivo. Constatase que o Laudo não contém assinatura de seus responsáveis em que pese a indicação de "DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE". Compulsando os autos não se localizou documento que certifica tal assinatura. O Laudo descreve as etapas do processo produtivo apontando para a manipulação, tratamento e transportes dos insumos e produtos acabados, originários de aves e suínos. Conclui ao final: Diante do exposto nos capítulos acima, concluímos que os serviços avaliados no presente laudo no mês de setembro de 2017, são serviços integrantes ligados ao processo produtivo, sem os quais não seria possível obter; o produto em condições adequadas para o consumo, bem como dispor de instalações suficientemente higienizadas, obtendo desta forma a liberação pelos órgãos fiscalizadores, pelos mercados específicos atendidos pela empresa e a obtenção da certificação de produtos considerados Halal (permitido para consumo), pelo mercado islâmico. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.032 14 Os produtos glosados no processo de nº 13005.901853/201212 não se enquadram no NCM 2309.90 – Preparações do tipo utilizado na alimentação de animais/ outras. A Unidade de Origem elaborou Relatório Fiscal (fls. 960/969) assentando que os serviços elencados pela contribuinte no Laudo, ainda que necessários ao processo produtivo, não integram o conceito de insumos, em razão de que não são aplicados na etapa de produção de seu produto destinado à venda. Instada a se manifestar em relação ao teor do Relatório Fiscal, a contribuinte assevera que o Laudo atesta a pertinência de seu pleito, apontando para (fls. 1.007/1.012): i. Demonstração das etapas contínuas da industrialização com a identificação do vínculo dos insumos glosados ao processo produtivo; ii. Essencialidade dos materiais e serviços no contexto do processo produtivo e objeto social da mepresa; iii. Não enquadramento dos produtos glosados na NCM 2309.90; iv. Por fim, requer " que os créditos deferidos por esta Colenda Turma, sejam acrescidos da taxa SELIC, em conformidade com o que dispõe o art. 62A, do RICARF, a Súmula nº 411 do Superior Tribunal de Justiça e a atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais." É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Durante os debates orais realizados na sessão de julgamento, suscitouse a necessidade de conversão do processo em diligência para que a unidade de origem identifique as pessoas jurídicas que efetivamente prestaram o serviços de frete na venda para exportação das mercadorias saídas do estabelecimento da recorrente. Isto porque consta do recurso voluntário, e fora suscitado pelo patrono da contribuinte em sustentação oral, que "todos os fretes marítimos foram pagos para pessoas jurídicas nacionais, que realizaram o transporte marítimo, sendo que se por uma questão de organização interna, do grupo ao qual a empresa que realizou o transporte pertence, não consta cadastrado no CNAE da empresa o frete marítimo, tal fato não pode ser imputado a ora Recorrente". Da referida questão arguida discordei, por perfilhar o entendimento de que o agente marítimo emitente do conhecimento de carga e beneficiário do pagamento do frete é Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.033 15 mero representante do armador o efetivo prestador do serviço de transporte internacional de carga e sua função é de representálo comercialmente perante os contratantes de seus serviços e as autoridades administrativas dos portos de partida e destino. Fundamento, igualmente, minha posição em outro processo análogo da mesma contribuinte no qual a situação fática pareceume idêntica e o recurso não fora provido na matéria. Tratase do Acórdão nº 3201002.847, de 24/05/2017, julgado por esta mesma Turma. Por fim, a própria recorrente reconhece que no cadastramento da atividade do agente de carga não consta o frete marítimo. Assim, voto contrariamente à conversão do julgamento em diligência, por entender que o processo encontrase apto a ser julgado neste Conselho. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Redatora designada Tendo sido designada Redatora para o Voto Vencedor, passo a expor o posicionamento firmado pela maioria da Turma Julgadora em sessão de Julgamento Em que pesem as bem fundamentadas razões do nobre Relator, entendo que a questão posta em exame demanda maiores esclarecimentos fáticos. A divergência apontada relativamente ao que restou consignado pelo D. Relator em sua proposta de voto diz respeito aos pagamentos realizados a título de frete de venda na exportação de mercadorias pelo Recorrente. Argumenta o Recorrente que "todos os fretes marítimos foram pagos para pessoas jurídicas nacionais, que realizaram o transporte marítimo, sendo que se por uma questão de organização interna, do grupo ao qual a empresa que realizou o transporte pertence, não consta cadastrado no CNAE da empresa o frete marítimo, tal fato não pode ser imputado a ora Recorrente". A seu turno, defende a Fiscalização, notadamente o acórdão recorrido, que tais pagamentos foram, em verdade, realizados a pessoas jurídicas domiciliadas fora do país, o que impediria o reconhecimento do crédito respectivo. Isso porque o agente marítimo emissor do conhecimento de carga e beneficiário do pagamento é mero representante do armador, estrangeiro, sendo este o efetivo e real prestador do serviço de transporte internacional de carga. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.034 16 Inicialmente é de se esclarecer que o presente aspecto abordado pelo Recorrente em Impugnação e Recurso Voluntário não foi objeto da primeira diligência requerida no presente feito. Por essa razão, se faz necessário esta segunda diligência. O principal fundamento de glosa, conforme Parecer Fiscal, é: A Recorrente, em Manifestação de Inconformidade, argumentou que todos os pagamentos efetuados a título de frete marítimo foram realizados a pessoas jurídicas domiciliadas no país, anexando aos autos documentação comprobatória do seu direito, por amostragem. A DRJ assim examinou a questão: Contudo, quanto à exigência do inciso I do § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003 (“o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”), cumpre alertar que os serviços de transporte internacional adquiridos por intermédio de pessoas jurídicas domiciliadas no País, na condição de agentes de transportadores internacionais domiciliados no exterior, não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Os agentes são meros prepostos dos transportadores domiciliados no exterior, e apesar de o frete ser pago aos agentes, esse valor é apenas repassado ao transportador, efetivo responsável pela prestação do serviço. Neste sentido, não serão aceitos os documentos anexados a título exemplificativo pela manifestante às folhas 137/183, pois se trata de empresa de pequeno porte, cuja atividade principal, conforme consulta ao sítio da RFB, é “transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional” (código CNAE 4930202), e que tem como atividades secundárias “comissária de despacho” (código CNAE 5250801), “agenciamento de cargas, exceto para o transporte marítimo” (código CNAE 5250803) e “atividades de agenciamento marítimo” (código CNAE 523200). Em Recurso Voluntário, mais uma vez o Recorrente contesta a conclusão fiscal, insistindo no argumento de que a exigência legal é de que o pagamento tenha sido realizado a pessoa jurídica domiciliada no país, o que restaria comprovado pela documentação trazida na Manifestação de Inconformidade. E, sendo os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 13005.901853/201212 Resolução nº 3201001.420 S3C2T1 Fl. 1.035 17 no País, estão sujeitas à tributação pelo PIS e pela COFINS, gerando, por decorrência lógica, o direito ao crédito. Em sessão de julgamento, aventouse, ainda, a questão relativa à identificação do real transportador. Isso porque, a Fiscalização, afirma que o serviço prestado é de mero agenciamento e que o frete foi efetivamente realizado (e pago) a empresa estrangeira. Contudo, defende o Recorrente que o frete foi realizado por empresa nacional. Com efeito, em se presumindo que os pagamentos "glosados" foram efetuados a mero agenciadores, a conclusão de que o frete foi realizado por empresas estrangeiras ou nacionais não se depreende do imediato exame dos autos. Ademais, também se deve questionar, conforme debates empreendidos em sessão de julgamento, se o valor pago pelo Recorrente encontrase ou não sujeito ao pagamento do PIS e da COFINS (o que suportaria ou não o crédito apropriado). Assim, para efetiva elucidação da questão controvertida, devese requerer diligência à Autoridade Preparadora para que esclareça: 1. Os pagamentos efetuados a título de frete tiveram como destinatário Pessoa Jurídica nacional ou estrangeira? 2. Foram essas Pessoas Jurídicas beneficiárias dos pagamentos que efetivamente realizaram o transporte ou atuaram como mera agenciadoras? 3. Se aturaram como agenciadoras, foram de transportador brasileiro ou estrangeiro? 4. Nos pagamentos realizados, houve a devida retenção das contribuições sociais (dentre elas, PIS e COFINS); Pode a autoridade fiscal intimar a contribuinte a elaborar, caso assim entende mais eficiente/conveniente, tabela em que relacione as Notas Fiscais com os conhecimentos de carga (BL), comprovante de pagamento e as Pessoas Jurídicas envolvidas no transporte e agenciamento. Destacase que a presente verificação alcança também os créditos extemporâneos apropriados em DACON pelo contribuinte. Ao final, pedese a apresentação de Relatório com as informações solicitadas. Devese conceder ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1035DF CARF MF
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