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4668555 #
Numero do processo: 10768.007910/98-19
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Verificada a exatidão da decisão singular, é de se mante-la na íntegra, por seus jurídicos fundamentos. IRPJ – ERRO NA TRANSCRIÇÃO DE VALORES – Não cabe a autuação por erro dos valores que originaram o lucro real do período-base se tal decorre da transcrição errada de um desses valores. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 105-12894
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Nilton Pess

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IRPJ — ERRO NA TRANSCRIÇÃO DE VALORES — Não cabe a autuação por erro dos valores que originaram o lucro real do período-base se tal decorre da transcrição errada de um desses valores. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO/RJ. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. „ VERINALDO ilf" IQUE DA SILVA PRESIDENTE Ar NILTON PÉSS RELATOR FORMALIZADO EM: 2 3 co A 1999 , - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS PASSUELLO, LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA e IVO DE LIMA BARBOZA. Ausentes, justificadamente os Conselheiros ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. .1 -0 l ' 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 Recurso n.°. :119.021 Recorrente : DRJ - RIO DE JANEIRO/RJ Interessada : LATAS DE ALUMÍNIOS S/A - LATASA RELATÓRIO A interessada, LATAS DE ALUMÍNIOS S.A. LATASA, teve contra si lavrado Auto de Infração referente a IRPJ, originada da revisão sumária de sua declaração de rendimentos correspondente ao ano-calendário de 1993 (DIRPJ/94), Auto de Infração e anexos — folhas 82/87, indicando lucro real diferente da soma de suas parcelas e prejuízo fiscal indevidamente compensado no período-base de outubro do mesmo exercício. Em sua impugnação, o contribuinte alega que a diferença apurada decorre de um erro de datilografia na transposição do valor constante na linha 51 (lucro líquido do período-base) do quadro 04 do anexo I (demonstração do resultado do período- base) para a linha 01 (lucro líquido do período-base) do quadro 04 do anexo 2 (demonstração do lucro real), sendo o valor correto aquele constante da linha 51 do anexo 1, no valor de Cr$ 130.837.412,00, conforme pode ser verificado pela movimentação das contas do balancete de setembro de 1993. A autoridade julgadora monocrática, através da decisão DRJ/RJO 661/98 fls. 101/103), considera o lançamento improcedente, recorrendo de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes, de seu próprio ato decisório. É o relatório. 3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 VOTO CONSELHEIRO NILTON PÊSS - Relator. O recurso foi interposto de conformidade com o entendimento da autoridade julgadora, em atenção a legislação então vigente. Não vejo como alterar as razões de decidir da autoridade julgadora monocrática, pois o mesmo escudou-se em documentação anexada pelo impugnante, após a análise desenvolvida e descrita, que amparam e solidificaram sua decisão. Perfeitamente demonstrado no processo, a ocorrência de erro material na transcrição de valores, referente ao mês de setembro/93 — 130.837.412 (fls. 92 — linha 51), para 230.837.412 (fls. 96— linha 01). Assim, por apresentar a matéria desonerada valor superior ao atual limite de alçada, fixado de acordo com a Portaria MF n.° 333, de 11/12/97, conheço do recurso de oficio interposto, e voto por NEGAR provimento, devendo ser definitiva a decisão da autoridade julgadora singular, proferida no presente processo. É o meu voto. Sala das Sessões - D, 16 de julho de 1999. 40/111 .41 t NILTON PÊS 4 Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1

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4668673 #
Numero do processo: 10768.009953/2002-95
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, INSTITUÍDA PELO DECRETO-LEI Nº 2.295/86. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF PRECEDENTES JUDICIAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 191.044-5/SP (DJ de 31/10/1997) O RE 191.044-5/SP, interposto pela Fazenda Nacional, não foi conhecido pelo STF, ratificando-se assim a decisão exarada pelo TRF, no sentido de que o decreto-lei nº 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1998. Cogitar-se de que aquele julgado tenha declarado a inconstitucionalidade do citado diploma legal em face da Constituição de 1967 seria extrapolar os limites do recurso, afrontando-se assim os consagrados princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformatio in pejus. De resto, o voto-vista do Ministro Ilmar Galvão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que, até aquele momento, o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vício originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora - e nem poderia ter sido - declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a incostitucionalidade dos artigos 2º e 4º do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e ex nunc (e não ex tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos de procedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO Nº 2.346/97. As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto nº 2.346/97, a saber no controle difuso, os efeitos erga omnes e ex tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1º e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4º, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4º, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE Nº 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de inconformidade (repetição de indébito) DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, parece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação de decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução do Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn podem ser ajuizada a qualquer tempo, o considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada pra qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp nº 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT Nº 58/98 O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória nº 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória nº 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a quo do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselheiros de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF nº 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36.367
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Luis Antonio Flora, Walber José da Silva e Simone Cristina Bissoto votaram pela conclusão. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fatia Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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De resto, o voto-vista do Ministro Ilmar Galvão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que, até aquele momento, o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vício originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora - e nem poderia ter sido - declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a incostitucionalidade dos artigos 2º e 4º do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e ex nunc (e não ex tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos de procedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO Nº 2.346/97. As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto nº 2.346/97, a saber no controle difuso, os efeitos erga omnes e ex tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1º e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4º, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4º, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE Nº 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de inconformidade (repetição de indébito) DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, parece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação de decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução do Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn podem ser ajuizada a qualquer tempo, o considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada pra qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp nº 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT Nº 58/98 O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória nº 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória nº 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a quo do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselheiros de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF nº 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T00:17:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T00:17:13Z; Last-Modified: 2009-08-07T00:17:14Z; dcterms:modified: 2009-08-07T00:17:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T00:17:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T00:17:14Z; meta:save-date: 2009-08-07T00:17:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T00:17:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T00:17:13Z; created: 2009-08-07T00:17:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; Creation-Date: 2009-08-07T00:17:13Z; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T00:17:13Z | Conteúdo => •• • J. •::Rt_kr"^ _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE : 10768.009953/2002-95 : 14 de setembro de 2004 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 RECURSO N° : 129.095 RECORRENTE : MERCANTIL TRADING S/A RECORRIDA : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, INSTITUÍDA PELO DECRETO-LEI N° 2.295/86. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF • PRECEDENTES JUDICIAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO INI° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/1997) O RE 191.044-5/SP, interposto pela Fazenda Nacional, não foi conhecido pelo STF, ratificando-se assim a decisão exarada pelo TRF, no sentido de que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Cogitar-se de que aquele julgado tenha declarado a inconstitucionalidade do citado diploma legal em face da Constituição de 1967 seria extrapolar os limites do recurso, afrontando-se assim os consagrados princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformatio in pejus. De resto, o voto-vista do Ministro limar Gaivão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que até aquele momento o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vicio originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora — e nem poderia ter sido — declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N° 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. 55k. tIDC • MINISTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e a nunc (e não a tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos do precedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO N° 2.346/97 As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto n° 2.346/97, a saber: no controle difuso, os efeitos erga omnes e a tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1° e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4°, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver Oimpugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE N° 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 40, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata p_1, 2 _ _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de • inconformidade (repetição de indébito). DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação da decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução pelo Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn pode ser ajuizada a qualquer tempo, e considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito Tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada para qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp n° 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT N° 58/98 • O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória n° 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, yk 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA t ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange • ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória n° 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a atm do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF n° 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Luis Antonio Flora, Walber José da Silva e Simone Cristina Bissoto votaram pela O conclusão. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fatia Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento. Brasilia-DF, em 14 de setembro de 2004 _ HENRIQLV PRADO MEGDA Presidente AvIARIA HELENA COTTA CAlet 19 CUT 2004 Relat0ra Participou, ainda, do presente julgamento, a seguinte Conselheira: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL Esteve presente o Advogado Dr. GERALDO MAGELA PINTO GARCIA, OAB/MG — 84.890. 4 • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA fi • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 RECORRENTE : MERCANTIL TRADING S/A RECORRIDA : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC RELATOR(A) : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO A interessada apresentou, em 27/06/2002, por meio de seu procurador (instrumento de fls. 41), o pedido de restituição de fls. 01, no valor de R$ 82.375.305,89, referente a Cota de Contribuição sobre Exportação de Café, recolhida de maio de 1987 a março de 1990, com base no Decreto-lei n°2.295/86. O pedido foi apresentado na forma da Instrução Normativa SRF n°21/97. O pedido de restituição veio acompanhado de texto contendo fundamentação legal (fls. 04 a 10) e demais documentos de fls. 11 a 1.003. A fundamentação legal do pedido aponta, basicamente, os Recursos Extraordinários ifs 191.044-5/SP e 198.554-2/SP, cujos acórdãos foram publicados em 31/10/97, os Recursos Extraordinários nos 212.835/SP (01/02/99), 210.056 (03/04/98), 215.913 (03/04/98) e 237.712-8/MG (13/05/99), o parecer do consultor José Antonio Minatel, o Recurso n° 120.653, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2000, o Parecer PGFN/CRE n° 948/98, o Decreto n°2.346/97, a Instrução Normativa n°21/97, com a redação dada pela de n° 73/97 e a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL Em 04/07/2003, a Alfa'ndega do Porto do Rio de Janeiro/RJ, por meio do Parecer SEORT n°20/03 (fls. 1.010 a 1.013— Volume 3), denegou o pedido de restituição, assim concluindo: "O contribuinte pleiteia a restituição das contribuições pagas a titulo de cotas de contribuição sobre a exportação do café, extinta em 04/1990. Não tendo defendido o seu direito judicialmente, dentro do prazo de cinco anos, apela pela via administrativa doze anos após, com base em recursos extraordinários julgados pelo STF no exercício do controle difuso da constitucionalidade, que produz rj 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA op" • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eficácia meramente intraprocessual, sendo o tributo indevido somente para as partes litigantes, já que recorreram à tutela jurisdicional antes de decair o seu direito. Deve-se fazer a distinção dos dois momentos que ocorrem para a extinção do crédito tributário: um que o tributo era devido e ocorreu o pagamento, o outro em que ele deixou de ser devido, porque a Excelsa Corte assim o decidiu. São direitos diversos e para os dois há um prazo decadencial de cinco anos. O beneficiário da declaração de inconstitucionalidade da norma legal terá cinco anos a partir da decisão do STF para repetição do indébito. Quanto ao peticionário deste, não tendo nenhuma decisão judicial que o beneficie, a extinção do crédito tributário ocorreu com o pagamento da contribuição e portanto, houve caducidade do seu direito, que não pode mais ser exercido por nenhuma das duas vias (administrativa e judicial). Quanto à consolidação das normas de procedimento dada pelo Decreto n° 2.346/97, é inequívoco que afasta a possibilidade de revisão de matéria atingida pelo Instituto da Decadência e será excludente para todos os órgãos da Administração Pública, mesmo sendo competente para afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo STF." DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Por meio da Intimação n° 216/2003 (fls. 1.014 — Volume III), interessada foi instada a comparecer à Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, para tomar ciência do indeferimento do pleito. Às fls. 1.014/verso — Volume III, consta o AR-Aviso de Recebimento relativo à citada intimação, sem o registro da data de ciência do destinatário, porém com carimbo do Correio de Origem datado de 25/07/2003. Às fls. 1.013 — Volume III consta registro de ciência ocorrida em 09/09/2003, sem a identificação do signatário. Em 14/09/2003, a interessada apresentou, por seu advogado, a Manifestação de Inconformidade de fls. 1.117 a 1.137/Volume III, contendo os seguintes argumentos, em síntese: A inconstitucionalidade do DL 2.295/86 - o Supremo Tribunal Federal pacificou a controvérsia por ocasião dos RE n's 191.044-5/SP e 198.554-2/SP, cujos acórdãos, de igual teor, foram publicados no D.J.U. de 31/10/97, quando os nobres Ministros, em Sessão Plenária, por decisão unânime, não conheceram do recurso extraordinário interposto pela União tkj, 6 " MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESe SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Federal, sendo reconhecida a inconstitucionalidade das cotas de contribuição frente à ordem constitucional atual e pretérita, esta última objeto do voto do Ministro limar Gaivão (fls. 674 a 695 - Volume III); - no mesmo sentido inúmeros outros acórdãos, dentre os quais os RE rt's 212.835/SP, de 01/02/99, 210.056, de 03/04/98 e 215.913, de 03/04/98 (cita trecho de parecer do consultor José Antonio Minatel — fls. 697 a 721 — Volume III); - no RE n° 237.712-8/MG (fls. 964 a 975 — Volume III), o relator, depois de considerar que a matéria encontrava-se pacificada, após o julgamento no âmbito do plenário do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, restabelece o entendimento contido na sentença exarada por Sacha Calmon Navarro Coelho (fls. 968 a 975 — Volume III), reconhecendo o direito creditório relativo às cotas realizadas entre maio de 1987 e abril de 1990, com base em parecer de Gilberto de UlMa Canto (fls. 976 a 995 — Volume III), concluindo que a exação sempre padecera do vicio de inconstitucionalidade, estendido com redobrada força ao sistema introduzido pela Constituição de 1988; - formada a jurisprudência definitiva do STF sobre a questão, diversos acórdãos dos TRF reconhecendo indevidos todos os recolhimento efetuados a partir da entrada em vigor do Decreto-lei n° 2.295/86 já transitaram em julgado; - ressalta-se o julgamento proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do Recurso n° 120.653, Acórdão n° 303-29.433, em 17/10/2000, de relatoria do Conselheiro Zenaldo Loibman (fls. 996 a 1.003 — Volume III); - não existe impedimento ao julgamento da matéria, por inexistência de ato do Secretário da Receita Federal ou de Resolução do Senado, já que o Decreto n° 2.346/97 demonstra que a condição necessária e suficiente para a extensão dos efeitos de decisão plenária do STF é a de que esta fixe, de forma inequívoca e definitiva, interpretação de texto constitucional; - para exemplificar, no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução especifica do Senado Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, já transformadas em lei, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição; A Decadência do Direito - existem duas posições pacificadas na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; e? 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a primeira, que contempla os casos de indébito decorrente de situação fática não litigiosa (art. 165, incisos I e II, do CTN), é no sentido de que a • decadência do direito à restituição ocorre com o decurso de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento; - a segunda, que abrange os casos em que o indébito manifesta-se no contexto de solução jurídica conflituosa (art. 165, inciso III, do CTN), entende que o prazo prescricional se dá com o decurso de cinco anos, contados da data em que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a lei em que se fundamenta a questão, levando à conclusão de que todos os fatos geradores de pagamentos indevidos anteriores à data da declaração de inconstitucionalidade podem ser objeto de pedido de restituição nos cinco anos seguintes à data da manifestação do STF; - por estreita analogia, o mesmo tratamento deve ser dado aos casos de soluções jurídicas com eficácia erga omnes, como acontece nos casos de ADIn, na hipótese de resolução do Senado Federal que retira do ordenamento jurídico norma declarada inconstitucional, ou, ainda, nas situações em que é editada Medida Provisória ou ato administrativo com finalidade de reconhecer a impertinência da exação; - com efeito, a Coordenação do Sistema de Tributação, mediante o Parecer COSIT n° 58/98, traçou diretrizes inteiramente coincidentes com a orientação acima, emanadas da jurisprudência já pacificada pelo STJ; - o Ato Declaratório SRF n° 96/99 traduz mudança do entendimento oficial sobre a definição do termo inicial da decadência e prescrição na repetição do indébito, já que a Administração Tributária, por meio do Parecer COSIT n° 58/98 fIL tinha posicionamento diferente do defendido pela Procuradoria da Fazenda Nacional W no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, em que se apóia o primeiro dos atos declaratórios citados; - tal fato passa a mensagem de que a Receita Federal submeteu-se à deliberação da Procuradoria Geral da Fazenda, em mudança de entendimento que resultou em tratamento desigual entre contribuintes; - a decisão recorrida aplicou o entendimento do AD SRF n° 96/99, porém a certeza sobre a existência do indébito só aparece com a decisão final da Suprema Corte, o que geralmente acontece em época muito distante da data do pagamento; - devem ser demonstradas as razões jurídicas que invalidam o entendimento do AD 96/99 e, como este tem como único fundamento o Parecer/PGFN/CAT n° 1.538/99, os seus principais tópicos devem ser contraditados; yk_ 8 . . .. MINISTÉRIO DA FAZENDAe , * TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - o principal fundamento de dito parecer é que o entendimento de que o termo inicial para a contagem dos prazos decadenciais coincidente com a data • da publicação do acórdão que declara a inconstitucionalidade, é contrário ao princípio da segurança jurídica, por aplicar o efeito ex tunc de forma absoluta, sem atenuar sua eficácia, desfazendo situações jurídicas que, pela legislação regente, não seriam passíveis de revisão administrativa ou judicial; - ora, devolver tributo indevidamente recebido é situação perfeitamente reversível, cuja correção não ofende ao princípio da segurança jurídica, mas sim é imperativa em face do princípio da moralidade administrativa (art. 37 da CF/88); _ - ademais, obter "o abrandamento do efeito retroativo" da cláusula_ ex tunc significa trazer particularidades somente aplicáveis aos atos discricionários, exigindo juízo de conveniência e oportunidade incompatíveis com a prática dos atos administrativos em matéria tributária (cita jurisprudência do STJ); - uma das mais recentes manifestações do STJ sobre a matéria ocorreu no Recurso Especial n° 198.236-Sr', segundo o qual o prazo para compensação de créditos tributários deve ser contado a partir da decisão do STF que declarar a inconstitucionalidade da exação ou da homologação do lançamento; - assim, é impertinente a equivalência pretendida pelo AD SRF n° 96/99 entre a situação verificada diante de uma norma inconstitucional e a verificada diante da aplicação errada de uma lei válida; - o controle sobre a aplicação da lei válida se insere no campo de domínio do próprio contribuinte, que dispõe de prazo de cinco anos para pleitear a érestituição do pagamento indevido, com termo inicial na data da extinção do crédito tributário (que, conforme o STJ, ocorre na homologação do lançamento), já a inconstitucionalidade depende da ação do poder judiciário; - a solução do problema deve ser buscada no próprio CTN, porém sem a distorção perpetrada pelo Parecer da PFN; - aliás, a solução já foi adotada pelo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 108-05.791 (DOU de 27/10/99), de relatoria do então Conselheiro José Antonio Minatel, segundo o qual o pagamento indevido se materializa na data da decisão da Colenda Corte, sendo que o prazo para desconstituição da indevida incidência só tem início com a decisão definitiva da controvérsia; - para tal conclusão utilizou-se o método sistemático de 14interpretação, todavia se é para empregar a analogia, não é necessário maior esforço 9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CitMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 exegético para que se enxergue fluidos de "revogação, anulação, reforma" em toda a decisão que declara a inconstitucionalidade de lei, já que é inerente ao Poder Judiciário a eficácia de reformar, revogar e anular os efeitos da norma viciada permitindo a aplicação do inciso lido art. 168 do CTN; - liquidando a questão, cita-se o entendimento do RE n° 141.331-0, em que foi relator o Ministro Francisco Resek, referente ao empréstimo compulsório, segundo o qual, declarada a inconstitucionalidade da norma instituidora, surge para o contribuinte o direito à repetição do indébito, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido; Da Correção Monetária do Indébito g - conforme planilhas de cálculo constantes do processo, os valores em moeda da época são atualizados até 31/12/95, já expressos em Reais, com base nos índices previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97; - nas rotinas já normatizadas pela SRF, os pagamentos indevidos são corrigidos monetariamente pelos índices na norma acima, no entanto, conforme jurisprudência dos tribunais e do Conselho de Contribuintes, os chamados "expurgos" inflacionários devem ser aplicados, para obtenção da correção monetária integral. Ao final, a interessada pede a restituição das cotas de contribuição sobre a exportação do café, instituídas pelo Decreto-lei n° 2.245/86, conforme planilha de cálculos juntada aos autos, acrescidas de correção monetária plena e expurgos inflacionários, atualizadas ainda até o efetivo beneficio da contribuinte. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 24/10/2003, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC exarou o Acórdão DRJ/FNS n°3.217 (fls. 1.139 a 1.147 — Volume III), indeferindo a solicitação de restituição, conforme os seguintes argumentos, em resumo: - o pagamento de tributo indevido confere ao contribuinte direito à restituição, a extinguir-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme o disposto nos artigo 165 e 168 do CTN e Ato Declaratório SRF n° 96/99; - no caso em tela, os créditos tributários extinguiram-se, em princípio, nas datas dos pagamentos ou cobranças da exação (art. 156, inciso I, do CTN), portanto essas datas cpstituem os marcos iniciais dos prazos decadenciais (art.I 68, inciso I, do CTN); lo MINISTÉRIO DA FAZENDA , tRCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - o Decreto n° 2.346/97, cujas regras vinculam a Administração Pública Federal, determina que decisões proferidas pelo STF, declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, só alcançam os atos que ainda sejam passíveis de revisão (art. 1°, § 1°); - tal mandamento aplica-se inclusive aos casos em que a inconstitucionalidade seja proferida, incidenter tantum, pelo STF e haja suspensão de sua execução pelo Senado Federal (§ 2° do mesmo art. 1°); - o citado decreto não permite que órgãos julgadores administrativos, de qualquer instância, determinem a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida pelo STF em caso concreto, sem que haja prévia e expressa autorização do Presidente da República ou do Secretário da Receita Federal (arts. 1° e - assim, a decisão do STF declaratória de inconstitucionalidade, para a administração pública federal, salvo expressa determinação em contrário, é dotada de efeito ex tunc, que só será pleno se o ato praticado, com base na norma declarada inconstitucional, ainda for suscetível de revisão administrativa ou judicial; - portanto, o Decreto n° 2.346/97 só admite revisão, na esfera administrativa, daquilo que ainda seja passível de modificação, ou seja, quando não tenha ocorrido, por exemplo, a prescrição ou a decadência do direito, ou mesmo quando seja impossível, por qualquer razão, a reversão da situação; - o CTN não prevê tratamento diferenciado em virtude desta ou daquela hipótese, daí que a decadência se opera, peremptoriamente, com o término do prazo retrocitado, independentemente da situação jurídica que envolveu a extinção, O não importando se a lei que serviu de base à exigência foi posteriormente declarada inconstitucional, pois as relações que se concretizaram sob a sua égide só podem ser desfeitas se não houver expirado o prazo para revisão; - interpretação diversa traria desastrosas conseqüências para a segurança jurídica, ressaltando-se que o princípio da segurança jurídica não se aplica apenas ao administrado, mas também à Administração Pública; - a prosperar a tese defendida pela interessada, seria possível imaginar contribuintes reivindicando restituição décadas após o pagamento; - Aliomar Baleeiro já consignava que a restituição de tributo rege-se pelo CTN, independentemente da razão pela qual o pagamento se tomou indevido, e que a inconstitucionalidade era das causas mais freqüentes de aplicação do inciso I, do art. 165; tx"..._ II _ I MINISTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - se existe norma legal sobre a matéria, não pode o intérprete negar- lhe vigência e assumir a função legislativa; - conforme pronunciamento do STF no Recurso Extraordinário n° 57.310-PB, de 1964, "declarada inválida uma lei tributária, a conseqüência é a restituição das contribuições arrecadadas, salvo naturalmente as atingidas por prescrição"; - assim, deve ser rechaçada qualquer pretensão de se considerar as datas de publicação de Acórdão do STF ou de Resolução do Senado Federal como marcos iniciais dos prazos decadencial ou prescricional, _ - no presente caso, os supostos créditos se referem a fatos geradores ocorridos entre 08/05/87 e 07/03/90, portanto o direito de a contribuinte requerer a restituição dos recolhimentos mais recentes decaiu em 07/03/95; - ainda que se adotasse o critério que considera o prazo de cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento, os supostos créditos também teriam sido alcançados pela decadência, em 07/03/2000, já que o pedido de restituição foi protocolado em 27/06/2002; - destarte, fica demonstrada, preliminarmente, a necessidade de se indeferir o pleito, tomando-se desnecessária a análise do mérito do pedido; - não obstante, o presente pedido de restituição não reúne as mínimas condições para ser seriamente analisado, pelos motivos a seguir elencados; - a interessada não figurou como parte em nenhum processo judicial no qual tenha sido declarada a inconstitucionalidade de que se trata; - não existe decisão do STF, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, na qual tenha sido declarada a inconstitucionalidade dos atos normativos que instituíram a exação objeto do processo; - não existe Resolução do Senado Federal suspendendo a execução dos atos legais e normativos que instituíram a quota de contribuição ao IBC, embora existam decisões eventuais do STF, proferidas em sede de controle difuso, nas quais foi declarada a inconstitucionalidade dos atos mencionados; - não existe ato administrativo do Presidente da República ou do Secretário da Receita Federal que autorize a extensão administrativa dos efeitos de eventuais decisões proferidas pelo STF, em sede de controle difuso, nas quais tenha sido declarada a inconstitucionalidade dos referidos atos legais; t9.k_ 12 - _ • , MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a conjugação dos fatos descritos leva à conclusão de que os atos legais e normativos que instituíram a exação de que se trata são válidos em relação à • interessada, daí não poder a contribuinte pleitear a restituição de qualquer valor recolhido a esse título, ainda que o direito não houvesse sido alcançado pela decadência. DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada do Acórdão de primeira instância em 17/11/2003 (fls. 1.147 a 1.149 — Volume III, a interessada apresentou, em 05/12/2003, tempestivamente, por seu advogado, o recurso de fls. 1.150 a 1.176, acompanhado dos documentos de fls. 1.177 a 1.228 —Volume III. A peça de defesa reafirma as razões contidas na Manifestação de Inconformidade e acrescenta as seguintes alegações, em síntese: - pelos votos dos Ministros, exarados no Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, o STF julgou que a contribuição ao IBC, cobrada na exportação de café, já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade verificado na origem; - é indiscutível que, após a CF/88, a exação foi declarada inconstitucional e que, pelos votos dos demais Ministros, a inconstitucionalidade ocorrera na origem, portanto a interessada tem o direito de reaver tudo quanto pagou; - tais conclusões foram confirmadas por novos pronunciamentos dos Ministros Sepúlveda Pertence e Carlos Velloso, exarados nos RE n's 214.206-9 e 290.076-6; O - traçando-se um paralelo entre a questão do IAA e do IBC, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE n°214.206-9, pronunciou-se no sentido de que o Ministro limar Galvão, no RE n° 191.044, demonstrara a inconstitucionalidade originária do Decreto-lei n° 2.295/86; - o próprio Ministro Carlos Velloso, relator do leading case, em seu voto no RE n° 290.079, julgando a incidência do salário-educação, afirma que no julgamento da cota do IBC o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do Decreto-lei n° 2.295/86 em face da Constituição pretérita; - portanto, o Decreto-lei n° 2.295/86 foi definitivamente declarado inconstitucional pelo STF por conter vício na origem, ou seja, desde a sua edição já era incompatível com a Carta Magna passada; - importante salientar que, não sendo conhecido o recurso interposto pela Fazenda Nacional, como no caso do RE n° 191.044-SP, estabelece-se um 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 incidente processual em que não há o envio ao Senado Federal, para suspensão da execução da norma, apesar da declaração definitiva da inconstitucionalidade; - uma vez formada a jurisprudência definitiva do STF sobre a questão, diversos acórdãos dos TRF reconhecendo como indevidos todos os recolhimentos efetuados a partir da entrada em vigor do Decreto-lei n° 2.295/86 transitaram em julgado, sem distinção quanto às datas dos pagamentos; - não existe impedimento ao julgamento da matéria do ponto de vista constitucional, por inexistência de Resolução do Senado Federal acerca do Decreto-lei n° 2.295/86; - a pessoa jurídica que recolheu quota de contribuição do café sem questioná-la perante o Poder Judiciário tem o direito de pleitear a devolução dos valores pagos diretamente à autoridade administrativa, uma vez que para essa empresa o indébito nasce do contexto da decisão do STF, ainda que no controle difuso, considerando-se que, no caso em tela, a hipótese de ADIn ou da remessa do acórdão ao Senado Federal ficaram prejudicadas; - conforme art. 1° do Decreto n° 2.346/97, as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, devem ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, sob pena de violação do princípio da isonornia; - determinou também o Poder Executivo que, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo STF (parágrafo único do art. 4° do diploma legal acima); - a validade do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, conforme art. 37, caput, da Constituição Federal; - se a decisão recorrida está confirmando texto contrário ao texto constitucional, em detrimento do dispositivo constitucional acima, a autoridade administrativa superior deve proceder à sua revisão (cita doutrina de Aurélio Pitanga Seixas Filho); - a recorrente não pretende a declaração de inconstitucionalidade privativa do Poder Judiciário, mas impedir que se faça exigência em desacordo com o texto constitucional; 1_ 14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA •. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - nos meios fazendários, é comum confundir-se declaração jurisdicional de inconstitucionalidade de lei, com aplicação de princípio constitucional, que nada mais é que aplicação do princípio da legalidade ao caso concreto, - se a missão dos órgãos julgadores da Administração Fazendária é aplicar a lei tributária, assim deve se portar e, sendo a Constituição a lei das leis, deverá ser aplicada em primeiro lugar; - assim, a autoridade administrativa obriga-se a anular exigência incompatível com o texto constitucional, afastando ato contrário ao seu texto, conforme os princípios da ampla defesa e do devido processo legal, mesmo na hipótese de procedimento administrativo (cita doutrina de Edvaldo Brito); - o Parecer PGFN/CRE n° 948/98, em resposta a consulta da SRF acerca da competência dos Conselhos de Contribuintes para decidir sobre matéria constitucional, especialmente para aplicar aos casos sob seu julgamento pronunciamentos de inconstitucionalidade declarados pelo STF, assinalou expressamente que, no caso de decisões sem eficácia erga omnes, há uma regra especial exclusivamente aplicável aos órgãos julgadores da Administração Tributária, que devem (e não só podem) afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo STF, citando como base o art. 4°, parágrafo único, do Decreto-lei n° 2.346/97; - ainda, o citado parecer interpretou a expressão "as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional", constante do decreto acima, como "a decisão plenária transitada em julgado, ainda que única e mesmo quando decidida por maioria de votos, se nela foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela"; - assim, por tratar-se de decisão plenária, com mérito apreciado e efetiva declaração de inconstitucionalidade, o presente caso encontra-se em sintonia com o citado parecer, e seus efeitos devem ser respeitados pela Administração Pública; - isso porque a decisão plenária retira da norma a presunção de constitucionalidade, assim é necessário aplicar-lhe os efeitos quando da prática de atos administrativos, sobretudo em sede de julgamento (cita o RE n° 191.906-SC); - observe-se que os tribunais administrativos não estariam negando vigência a norma constitucionalmente editada, porque isso já teria sido declarado pelo STF; - os órgãos públicos estariam apenas dando efetividade a uma decisão alcançada com ânimo definitivo pelo STF, mantendo íntegra a decisão 15 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA• ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 constitucional pelo órgão máximo, o que suplanta qualquer restrição, já que tal dever ancora-se nos princípios da isonomia e da moralidade que devem nortear a atividade administrativa, sobretudo de julgamento; - em duas oportunidades tais pedidos foram providos pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdãos 302-34.812 e 303-29433); - não obstante o Secretário da Receita Federal, na interinidade como Ministro da Fazenda, tenha editado a Portaria n° 103/2002, buscando restringir a competência dos Conselhos de Contribuintes na apreciação de matérias de cunho constitucional, uma vez admitida a obrigação de a Administração acatar a declaração de inconstitucionalidade emanada de decisão plenária do STF, verifica-se que nesse processo não se trata de hipótese de aplicação de tal portaria, ou seja, não se trata de negar aplicação a dispositivo de lei ainda não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, portanto, de negar vigência à referida portaria; - quanto à alegação de ocorrência da decadência, a jurisprudência judiciária consolidou entendimento de que o prazo para repetição de indébito somente se conta quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, ainda que no controle difuso, conforme Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 43995/RS ; - saliente-se que, no caso do precedente acima, apreciado pelo STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis (RE n° 121.336), sendo que na data da conclusão do julgamento não havia sido editada qualquer resolução senatorial, exatamente como no presente caso; O - na mesma linha de raciocínio, cita-se a decisão do STJ no REsp 200909/RS, de relatoria do Ministro José Delgado; - a tese de que, declarada a inconstitucionalidade da exação, segue- se o direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento, podendo ser exercitado no prazo de cinco anos, a contar da decisão plenária declaratória, se ajusta, dentre outros, ao RE n° 136.883-RJ, de relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence; - o Conselho de Contribuintes também já apreciou a matéria, citando-se os Acórdãos trs 106-11.582/00, 107-05962/00, 108-06283 e CSRF/01- 03.239/2001; - não parece sensato, ou mesmo ético, pelo princípio da isonomia, que a tese defendida pela decisão recorrida (prazo decadencial de cinco anos contados a partir do pagamento indevido) amplamente derrotada nos tribunais e nos Conselhos 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 de Contribuintes, continue a nortear as decisões da administração, em prejuízo do • contribuinte que cumpriu regularmente suas obrigações, mesmo porque o Ato Declaratório SRF n° 96/99 há muito deveria ter sido revogado; - render-se à evidência dos fatos, no presente caso, também faz parte do interesse público, já que os processos desembocarão nas instâncias superiores, que vêm decidindo contrariamente a esta tese, acarretando maiores ônus aos interesses do Estado e do cidadão; - a questão toma-se pior quando se percebe que a questão preliminar da decadência, colocada pelos julgadores administrativos, apenas serve de pretexto para retardar a análise de mérito; - no que diz respeito à competência da SRF na administração da cota do IBC e à ausência de receita a ser anulada, a recorrente pede licença aos Conselheiros para que se adote o entendimento expresso no voto do Conselheiro Zenaldo Loibman no Recurso n° 120.653; - quanto à correção dos valores, a jurisprudência é no sentido de que a correção monetária constitui mera atualização de valor, visando garantir o equilíbrio das relações jurídicas e evitando o enriquecimento sem causa (REsp ti% 43.055-0, 51.007-1, 40.600-SP, dentre outros); - a Advocacia Geral da União, atendendo à solicitação do Ministro da Fazenda, emitiu o Parecer AGU n° GC-96/96 (DOU de 18/01/96), aprovado pelo Presidente da República, no qual se discute a incidência de correção monetária nas parcelas relativas a repetição de indébito tributário, anteriormente à Lei n° 8.383/91, que deve ser obrigatoriamente observado pelo Poder Executivo; - doutrina e jurisprudência reconhecem que a correção monetária nada adiciona à dívida, mas apenas impede que o devedor se beneficie da desvalorização da moeda (cita Arnold Wald e Álvaro Villaça de Azevedo, bem como julgados do STJ); - para que a correção monetária seja plena, evitando-se o enriquecimento sem causa da União, ela deverá incidir desde o recolhimento • indevido, pelos índices da inflação real, desprezados eventuais expurgos decorrentes de planos econômicos (cita julgado do STJ); - o recente Acórdão do STF (RE n° 226.855), referente ao FGTS, não deve ser interpretado como prejudicial à atualização dos indébitos tributários, já que o que se decidiu não foi propriamente acerca da correção monetária como meio de resguardar o poder aquisitivo da moeda, mas sim como decorrente do regime estatutário; 17 . . - , MINISTÉRIO DA FAZENDA i TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a UFIR somente foi utilizada para atualizar indébitos tributários pela Lei n° 8.383/91, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995, não existindo norma - legal expressa para o período anterior; - a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 veio uniformizar os índices a serem aplicados pela SRF e, considerando-se a formação dos coeficientes constantes de sua tabela, verifica-se que estes não contemplam diversos expurgos inflacionários (Planos Bresser, Verão e Collor I); - em resumo, os índices corretos de correção monetária a serem aplicados são aqueles constantes da tabela de fls. 1.168 — Volume III; _ - excluindo-se os índices constantes da citada norma de execução,—.. obtém-se a tabela de expurgos inflacionários a ser utilizada (fls. 1.168— Volume III); - acompanhando a jurisprudência dos tribunais, o Primeiro Conselho de Contribuintes tem garantido a correção de créditos tributários pelo IPC entre janeiro de 1989 e fevereiro de 1991, assumindo expurgos representativos e garantindo correção mais justa que a prevista na NE 08/97 (Acórdão n° 107-04.931/98), - cita-se ainda trecho do voto proferido no Recurso n° 123.370, de relatoria do Conselheiro Luiz Martins Valero (1° CC, 7' Câmara); - o entendimento acima foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/01-04.456; - conforme arts. 30 e 2° das Leis n's 9.249 e 9.250/95, respectivamente, os valores constantes da legislação tributária, expressos em UFIR, IP seriam convertidos em reais pelo valor da UFIR de 1°/01/96; - por outro lado, conforme art. 40 da Lei n° 9.250, a indexação pela UFIR foi substituída pela taxa Selic, a partir de 1 0/01/96, e, pelo art. 75, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, a partir de 1°/01/97, a UFIR passou a ser utilizada, no âmbito da legislação tributária federal, apenas para atualização dos créditos tributários objeto de parcelamento concedido até 31/12/94, sendo definitivamente extinta como indexador pelo art. 29 da MP n° 1973-67/2000; - concluindo, a requerente possui o direito de ver incluídos os índices expurgados na correção dos valores indevidamente recolhidos, garantindo-se assim a preservação dos direitos contidos nos arts. 5°, caput e incisos XXIV c/c XXII, 150, inciso II, e 37, da CF/88, bem como o respeito ao princípio da vedação do enriquecimento sem causa; is MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a interessada pede sejam as considerações e fundamentos legais do Acórdão n° 303-30.959 considerados como parte integrante do recurso. Ao final, a recorrente pede a restituição dos créditos referentes ao recolhimento das cotas de contribuição sobre a exportação de café, instituídas pelo Decreto-lei n° 2.245/86, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e a inclusão dos expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Pede ainda seja aplicado o disposto no art. 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, pelo princípio da economia processual. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 1.229 — Volume III (última), que trata da tramitação dos autos no âmbito deste Colegiado. É o relatório. )0\ 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA • , , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 VOTO O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de pedido de restituição da cota de contribuição incidente sobre exportações de café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86, recolhida de maio de 1987 a março de 1990 (fls. 12 a 39), denegado pela Alrandega do Porto do Rio de Janeiro/RJ (Parecer SEORT n° 20/03, às fls. 1.010 a 1.013 — Volume 3). Irresignada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, instaurando-se assim o contraditório. Levado o litígio ao exame da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, essa exarou o Acórdão DRJ/FNS n° 3.217, de 24/10/2003 (fls. 1.139 a 1.147/Volume III), declarando a decadência e considerando inconsistente o pedido, razão pela qual foi interposto recurso voluntário, aportando os autos a este Conselho de Contribuintes. Justificando o pedido de restituição, a interessada apresenta, em suas peças de defesa (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, incluindo argumentos do Acórdão n° 303-30.959, da 3° Câmara do 3° CC), alegações que podem ser agrupadas nos seguintes blocos: A) o Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), julgou que a exação de que se cuida já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade na origem, o que foi confirmado por acórdãos posteriores. Entretanto, o equívoco na formulação da ementa do citado precedente do STF, deixando-se de consignar a inconstitucionalidade originária e registrando-se apenas a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, comprometeu a possibilidade de envio de mensagem ao Senado Federal, para a edição de Resolução; B) cabe aos órgãos julgadores administrativos afastar os efeitos do Decreto-lei n° 2.295/86, com base no Decreto n° 2.346/97, efetuando-se a respectiva restituição, independentemente da inexistência de Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal nesse sentido; C) o Parecer PGFN/CRE n° 948/98 assinalou a existência de regra especial aplicável aos órgãos julgadores administrativos, no sentido de se afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo STF; 20 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA. . ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - D) quanto à decadência, doutrina e jurisprudência, inclusive do STJ, pontificam que, no caso de indébitos originários de pagamentos considerados indevidos no contexto de solução jurídica conflituosa, o termo inicial para o exercício- do direito à restituição é a publicação da respectiva decisão (no caso, a data de publicação do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, que ocorreu em 31/10/97); E) ainda com relação à decadência, o Parecer COSIT n° 58/98 já orientava no sentido da adoção de procedimentos uniformes na apreciação de pedidos de restituição/compensação, traçando diretrizes coincidentes com a jurisprudência do STJ; _ F) no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução do Senado_ Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição; G) a interessada tem direito à restituição dos créditos pleiteados, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e incluídos os expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Embora esta Conselheira considere a decadência como matéria de mérito (art. 269 do Código de Processo Civil), tal tema vem sendo tratado pelos Conselhos de Contribuintes como preliminar e, por isso mesmo, abordado em primeiro plano. Não obstante, no caso em questão, o posicionamento sobre a decadência passa necessariamente pela abordagem do próprio direito material 0 alegado, razão pela qual serão apresentadas considerações prévias ao exame da decadência que, sem dúvida alguma, encontram-se conectadas à operação de verificação sobre a perda do direito de pleitear a restituição em tela. Antes de mais nada, releva notar que a interessada não figurou como parte em nenhuma das ações judiciais cujos julgados são citados no processo. Por outro lado, em se tratando de Recurso Extraordinário, a manifestação do STF se dá pela via de exceção, também conhecida como controle difuso, incidental ou em concreto, cujos efeitos só atingiriam automaticamente as partes em litígio. Relativamente a terceiros não integrantes da lide, a decisão proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade só lhes poderia ser aplicada se dotada de efeitos erga omnes. c; I 21 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 A problemática aqui abordada traz a lume as diferenças verificadas, no que tange às suas atribuições, entre o Juiz e o Julgador Administrativo. Tais diferenças parecem ser desconhecidas da recorrente, que a todo o momento está a exigir do Julgador Administrativo providências que lhe são defesas, embora passíveis de implementação por parte do Juiz. Assim, é perfeitamente cabível a um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, ou mesmo a um Juiz Singular, estender efeitos de decisões do Supremo Tribunal Federal, ainda que proferidas em sede de controle difuso, a terceiro não participante do litígio, sem a necessidade de atendimento a determinados requisitos. Ora, se o próprio controle difuso de constitucionalidade pode ser exercido pelo Juiz Singular (o que significa deixar de aplicar, no caso concreto, lei que entenda inconstitucional), com muito mais razão este estará apto a automaticamente estender efeitos de inconstitucionalidade já declarada pela Suprema Corte. Nesse sentido, cabe trazer à colação trecho de Ronaldo Polettil: "O juiz singular, ao sentenciar, aplica a um caso concreto o comando abstrato contido na norma. Para isso, ele precisa escolher a norma, bem como, interpretá-la. Quando ele deixa de aplicar uma lei, por entendê-la contrária à Constituição, estará, pelo seu juízo, aplicando esta última e declarando a primeira inconstitucional. Não aplica a lei, formalmente válida, pois, contrária à Lei Maior, ela não é lei. A fundamentação de sua decisão, e ela própria, consubstanciam uma declaração de inconstitucionalidade." A atividade do Julgador Administrativo, por sua vez, possui limitações, uma vez que inserida no Poder Executivo, ao qual não é permitido o afastamento puro e simples da norma, já que sua função precípua é exatamente • cumprir e fazer cumprir a lei. Nesse passo, convém esclarecer desde logo que a declaração de inconstitucionalidade, ainda que exarada em Recurso Extraordinário no qual o mérito tenha sido expressamente conhecido e provido, não possui o condão de vincular o Julgador Administrativo, compelindo-o a estender os seus efeitos a terceiros estranhos à relação processual. Não obstante, tal extensão pode ser promovida em situações determinadas, conforme autorização contida no Decreto n° 2.346/97, a ser abordado ainda neste voto. Assim, passa-se à análise do item "A", que contém argumentação no sentido de que o Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário n" 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), teria julgado que a y.,k I POLETTI, Ronaldo. Controle da Constitucionalidade das Leis. Rio de Janeiro: Forense, 2000. P. 198/199. 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 • exação de que se cuida já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade na origem, mas que, entretanto, o equivoco na formulação da respectiva ementa, deixando-se de consignar a inconstitucionalidade originária e registrando-se apenas a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, teria comprometido a possibilidade de envio de mensagem ao Senado Federal, para a edição de Resolução. A decisão judicial de que se cuida é aquela proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), interposto pela União Federal contra decisão da 3° Turma do Tribunal Regional Federal da V Região, que não conhecera da apelação e negara provimento à remessa oficial, em acórdão assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL — TRIBUTÁRIO — APELAÇÃO — AUSÊNCIA DE RAZÕES — NÃO CONHECIMENTO — DECRETO-LEI 2295/86 — NÃO RECEPÇÃO PELA CARTA MAGNA VIGENTE. I — Apelação interposta pela União Federal não conhecida pela ausência de razões. II — O Decreto-lei 2.295/86 foi extirpado do nosso ordenamento jurídico, pela sua não recepção pelo Sistema Tributário Constitucional. III — O § 1 0, do art. 153, da Constituição atual, que dispõe sobre as hipóteses em que o Poder Executivo pode alterar alíquotas dos impostos, não prevê a contribuição na exportação de café. • IV — Apelação não conhecida. V —Remessa oficial a qual se nega provimento." Em face deste acórdão, a União Federal interpôs Recurso Extraordinário, fundado no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando violação de dispositivos constitucionais (art. 149 da Carta Magna, e 25, inciso I, e 34, § 50, do ADCT). O dispositivo constitucional acima negritado estabelece, verbis: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 III —julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição:" Ora, é sabido que as possibilidades de apresentação de Recurso Extraordinário estão limitadas aos permissivos constitucionais, materializados nas alíneas do artigo transcrito. Assim, antes de se conhecer do recurso, é feito o seu exame de admissibilidade, para a verificação do enquadramento do caso concreto ao permissivo. Não se configurando o enquadramento, o recurso não pode ser conhecido. No caso da alínea "a", em especial, a análise da admissibilidade do recurso se confunde com a própria análise do mérito, já que, se conhecido, o recurso obrigatoriamente terá de ser provido. Isso porque o ato de perquirir se a decisão recorrida contrariou ou não dispositivos da Constituição — no caso, o art. 149 do texto principal, e 25, inciso I, e 34, § 5°, do ADCT — envolve a análise do próprio mérito, ou seja, a análise sobre a constitucionalidade do ato inquinado (Decreto-lei n° 2.295/86). Explicando melhor: houve uma decisão a quo considerando um decreto-lei não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, portanto favorável ao sujeito passivo. Contra esse ato, é interposto recurso pela União Federal, cujo pressuposto de conhecimento é a inconstitucionalidade da decisão a quo. Cabe ao STF, para admitir tal recurso, constatar que a decisão recorrida era efetivamente inconstitucional. Para isso, a contrario sensu, o STF teria de concluir pela recepção do decreto-lei pela Constituição Federal de 1988, o que envolve obviamente a análise do mérito do recurso. Se o STF concluísse pela recepção do decreto-lei, é claro que o recurso teria de ser conhecido e provido. No caso em tela, essa análise foi feita, • concluindo o STF que o decreto-lei não fora efetivamente recepcionado pela Carta de 1988, portanto a decisão não contrariou os dispositivos alegados pela União Federal, daí a impossibilidade de conhecimento do recurso, uma vez que não há subsunção da hipótese ao permissivo da alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal. A problemática do permissivo referente ao Recurso Extraordinário, contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, repete-se na alínea "a", do inciso III, do art. 105, da Carta Magna, desta feita em relação ao Recurso Especial, cuja competência para julgamento é do Superior Tribunal de Justiça. Sobre a questão, a manifestação de Barbosa Moreira2 é válida para ambos os casos (REsp e RE), ressalvando-se que, no caso do STF, trata-se de contrariedade à Constituição, enquanto que o STJ trata de contrariedade a lei federal: 2 MOREIRA, José Carlos Barbosa. Que significa "não conhecer" de um recurso?. Revista da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro, Ano X, n° 9, 1° semestre de 1996, p. 193. )))1/4_, 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 "Ora, limitando o discurso, commoditatis causa, à hipótese de contrariedade a lei federal, não há quem não perceba que, tomada a Constituição ao pé da letra, se teria conferido ao Superior Tribunal de Justiça atribuição intrinsecamente contraditória. Ele deveria julgar o recurso especial apenas nos casos em que a decisão recorrida houvesse contrariado lei federal; ou, em outras palavras: apenas nos casos em que o recorrente tivesse razão Sucede que, para verificar se a lei federal foi mesmo contrariada, e portanto se assiste razão ao recorrente, o Superior Tribunal de Justiça precisa julgar o recurso especial! Quid iuris se, julgando-o, chega o tribunal à conclusão de que não se violou a lei, de sorte que o recorrente não tem razão? Literalmente entendido o texto constitucional, haveria o Superior Tribunal de Justiça andado mal em julgar o recurso: a decisão recorrida não contrariou lei federal, logo a espécie não se enquadra na moldura do art. 105, III, letra a ... Mas como poderia o tribunal, a priori, sem julgar o recurso, adivinhar o sentido em que viria a pronunciar-se, na eventualidade de julgá-lo? Eis o pobre Superior Tribunal de Justiça metido, sem culpa sua, em dilema implacável: diante do recurso especial, ou o julga, a fim de ver se a lei federal foi violada, e arrisca-se a, concluindo pela negativa, exceder os limites traçados pela Carta da República; ou então se abstém de julgá-lo, e assume o risco de descumprir a atribuição constitucional, porque sempre era possível que a lei federal tivesse realmente sido violada..." A questão também não passou despercebida ao Ministro Sepúlveda 111 Pertence, que assim assentou em seu voto, proferido no julgamento do Recurso Extraordinário n° 298.694 (DJ de 23/04/2004): "A dificuldade, quando se cuida de RE pela letra 'a', parece decorrer do dogma de que, então, conhecido, deva ele necessariamente ser provido. Ouso entender chegada a hora de rever a máxima, construída por motivos pragmáticos, que tenho recordado. Já denunciada pelo notável Castro Nunes ( ), a confusão entre a admissibilidade e o provimento do RE, 'a', tem sido objeto de crítica veemente e de inequívoca procedência de Barbosa Moreira )." 25 . , . - MINISTÉRIO DA FAZENDA i TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . _ SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Com efeito, a ementa do Recurso Extraordinário 191.044-5/SP, que tratou da contribuição que ora se examina, trazida à colação pela interessada às fls. 674 — Volume III, permite verificar que os Ministros do STF decidiram, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Extraordinário, inexistindo, por conseguinte, o julgamento formal do mérito. Claro está que, pelos motivos expostos, ligados ao permissivo constitucional, a análise sobre a admissibilidade se confimde com a análise do mérito. Assim, embora no recurso em questão o mérito tenha sido fartamente discutido, ele não foi expressamente julgado em todos os seus aspectos, como por exemplo, quanto aos limites temporais da inconstitucionalidade. O que se quer mostrar é que, embora _ este tema tenha sido tratado, não se sabe qual seria o resultado, uma vez que o recurso não foi conhecido.....7 O Sr. Ministro Relator Carlos Velloso considerou que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988, sendo forte na vigência da Emenda Constitucional de 1969. Nesse caso, tratar-se-ia de revogação do ato legal pela nova ordem constitucional, e somente seriam indevidas, - naquele caso concreto, as contribuições pagas após abril de 1989, por força do art. 25, I, do ADCT à CF/88. Já os Srs. Ministros limar Galvão e Marco Aurélio entenderam que o Decreto-lei n°2.295/86 já nasceu inconstitucional, pois que contrariava o art. 21, § 2°, da Emenda Constitucional n° 01/69. Seria um caso, pois, de inconstitucionalidade pretérita, e considerar-se-iam indevidas, no caso tratado no RE, as contribuições pagas desde a sua instituição. Quanto a esse último posicionamento, que a interessada insiste em O afirmar que foi objeto de decisão no RE n° 191.044-5/SP, releva notar que ele não poderia sequer ter sido votado, ainda que o recurso tivesse sido conhecido. Isso porque a hipótese configuraria reformatio in pejus, o que não é admitido no Direito Pátrio. Explicando melhor: o recurso da União Federal teve como objetivo a reforma da decisão do TRF que, considerando o Decreto-lei n° 2.295/86 não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, conseqüentemente tornou indevidas as contribuições pagas a partir dai (com a ressalva do ADCT, art. 25, inciso I). Assim, o STF jamais poderia, nesse mesmo Recurso Extraordinário, decidir pela inconstitucionalidade pretérita, já que tal decisão tomaria indevidas também as contribuições anteriores à Carta Magna de 1988. Destarte, a União Federal teria, ela própria, recorrido em seu maleficio, uma vez que, interpondo recurso para recuperar as contribuições posteriores à Constituição Federal de 1988, após o julgamento do STF estaria sem essas contribuições, e também sem as contribuições anteriores, o que constituiria y çverdadeiro absurdo processual. 26 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Claro está que o Ministro limar Gaivão só externou a tese da inconstitucionalidade pretérita para justificar sua mudança de posicionamento, pois, como consta de seu voto, até então o decreto-lei em comento era por ele considerado constitucional, apenas com a ressalva da alteração de alíquota pelo Poder Executivo, impossível de ser exercida, uma vez que o IBC já havia sido extinto. O não conhecimento do recurso por unanimidade de votos permite concluir que todos os Ministros concordaram com o fato de que a decisão recorrida não contrariou dispositivo constitucional, uma vez que, do contrário, o recurso teria sido conhecido e provido. Entretanto, não se pode dizer que o Acórdão do STF que aqui se analisa tenha feito coisa julgada, relativamente à inconstitucionalidade de que se cuida. Com efeito, não conhecido o recurso, ficou ratificada a decisão proferida pelo tribunal a quo, que entendeu que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Resta esclarecer que a problemática do permissivo contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, acima retratada, foi recentemente resolvida, por meio do Recurso Extraordinário n° 298.694, publicado em 23/04/2004, assim ementado: "II. Recurso extraordinário: letra 'a': alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, 'a', se for para dar-lhe provimento: distinção necessária entre o juízo de admissibilidade do RE, 'a' - para o qual é suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele prequestionados - e o juizo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário." (grifei) Diante de todo o exposto, conclui-se que, ao contrário do que afirma a recorrente (ao adotar como fundamento o Acórdão n° 303-30.959, deste Conselho), não houve qualquer erro quando da elaboração da ementa do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, e que dela não constou a inconstitucionalidade pretérita simplesmente porque tal tema não era sequer objeto de votação, nem tanto por não ter sido conhecido o recurso, mas principalmente pelo fato de que, naquele caso, o que se discutia era a não recepção do decreto-lei pela Constituição de 1988, nos estritos limites do Acórdão recorrido do TRF, conforme os princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformado in pejus. r 27 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA * TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Corroborando esse entendimento, convém trazer à colação trechos do voto proferido no Recurso Extraordinário n° 408.830-4/ES (publicado no DJ de 04/06/2004), em que o Relator, Ministro Carlos Velloso, deixa claro que, até aquele momento, o STF só havia decidido sobre a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988: "Nos RREE 191.044/SP, 191 .203/SP, 191.227/SP, 191.2461SP e 198.554/SP, por mim relatados, examinamos a questão sob o pálio da CF/88. Decidiu o Supremo Tribunal Federal, então, pela não- recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF188 sujeitou as contribuições de intervenção à lei complementar do art. 146, III, aos princípios da legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (C.F., art. 150, III, a) e da anterioridade (C.F., art. 150, III, b). (—) Quando do julgamento dos recursos extraordinários linhas atrás mencionados, em que o exame da matéria restringia-se à não-recepção, pela CF/88, da citada contribuição, o eminente Ministro limar Gaivão apreciou a questão também sob o pálio da CF/1967." (grifei) Para que não restem dúvidas, o parecer do Ministério Público, cujas conclusões constam do relatório do mesmo RE n° 408.830-4/ES, assim registra: A matéria ora em debate, no que tange à inconstitucionalidade originária do DL n° 2.295/86, não foi, entretanto, decidida pelo Plenário dessa Corte Suprema no RE 191.044/97, vez que o caso em análise naquele recurso dizia respeito à constitucionalidade da contribuição sobre a exportação do café no regime da CF/1988. No entanto, o Exmo. Sr. Ministro limar Gaivão, em seu voto vista, abordou a questão que ora se discute." (grifei) Assim, a inconstitucionalidade pretérita nunca poderia ter constado da ementa do RE n° 191.044-5/SP, pela simples razão de que o vicio originário não fora declarado naquele julgado, que se restringia à não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988. Por esse mesmo motivo não foi encaminhada qualquer mensagem do STF ao Senado Federal, já que esse trâmite é reservado aos casos de declaração de inconstitucionalidade, o que efetivamente não ocorrera no RE 191.044-5/SP, conforme reconhece o próprio Ministro Carlos Velloso no RE 408.830- 4/ES. Com efeito, a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86 só veio a ser declarada, ainda no controle difuso, sete anos depois, quando itsdk 28 - . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 do julgamento do mesmo Recurso Extraordinário n° 408.830-4/ES acima citado, cuja decisão, publicada no DJ de 04/06/2004, a seguir se transcreve: "Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por unanimidade, conhecer do recurso extraordinário e negar-lhe provimento, declarando, entretanto, incidenter tantum, a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, frente à Constituição de 1967. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e Nelson Jobim." Destarte, também cai por terra a afirmação da recorrente (contida no Acórdão n° 303-30.959, deste CC, que integra as razões de recurso), no sentido de que, no caso em tela, não se poderia esperar uma mensagem do Supremo Tribunal Federal para a edição de Resolução do Senado Federal. Isso porque, em 09/07/2004, por força do RE n° 408.830-4/ES — o primeiro a declarar a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86, cuja decisão foi acima transcrita — o Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal encaminhou o Oficio n° 1081P-MC ao Sr. Presidente do Senado Federal (informação disponível em www.stf.gov.br), com o seguinte teor: "Encaminho a Vossa Excelência, para os efeitos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, cópia do acórdão proferido no recurso extraordinário acima referido, mediante o qual o Plenário desta Corte declarou a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, frente à Constituição de 1967. Seguem, também, cópias da referida legislação, do parecer da Procuradoria Geral da República e da certidão de trânsito em julgado do acórdão, cuja publicação ocorreu no Diário da Justiça de 4 de junho de 2004." Diante do exposto, conclui-se que, relativamente aos precedentes do Terceiro Conselho de Contribuintes, trazidos à colação pela recorrente, exarados em 2000, 2001 e 2003, esses deram provimento a pedidos de restituição, estendendo a terceiros efeitos que nem o próprio STF havia concedido às partes litigantes no RE 191.044-5/SP, julgado em 1997. Explicando melhor, ditos precedentes administrativos não só declararam a inconstitucionalidade originária do Decreto-lei n° 2.295/86 alguns anos antes de o próprio STF fazê-lo (o que ocorreu somente em 2004), como também usurparam a competência do Senado Federal, arvorando-se em atribuir efeitos erga omnes acerca de inconstitucionalidade que só foi comunicada )3P\ 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 àquela Casa Legislativa em 09/07/2004. Tais impropriedades jurídicas dispensam explicações sobre a impossibilidade de adoção dos citados precedentes administrativos. Demonstrado que o RE n° 191.044-5/SP apenas tratou da não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, convém trazer à colação a questão da inconstitucionalidade superveniente, que remete a um aspecto extremamente polêmico, objeto de inúmeras manifestações por parte da doutrina e jurisprudência. Trata-se da forma de tratamento do ordenamento jurídico pré- existente, em face do advento de uma nova Constituição. A problemática foi muito bem delimitada por Marcio Augusto de Vasconcelos Diniz 3, como abaixo se - transcreve: "... sob o parâmetro do novo sistema constitucional, ou as normas anteriores são recepcionadas, porque com ele se harmonizam, ou são rejeitadas por serem incompatíveis. A incompatibilidade, aqui, dá origem, em princípio, à cessação de sua vigência. Até esse ponto, jurisprudência e doutrina convivem harmonicarnente. A dissonância passa a ocorrer quanto ao modo pelo qual é visualizada a colisão acima posta em destaque: pelo prisma do Direito Intertemporal - a incompatibilidade se resolve pela revogação - ou através do juízo de inconstitucionalidade." A conclusão do autor, à altura da seriedade do problema, não poderia ser diferente: O"Mesmo que se admita a tese da revogação (não de uma revogação pura e simples, mas de revogação como consequência da inconstitucionalidade), a necessidade de segurança jurídica torna oportuna e necessária a intervenção do Supremo Tribunal Federal, no controle concentrado, para decidir, em caráter 'erga omnes', se a norma está ou não revogada, eis que, no caso, a decisão pressupõe prévia interpretação de normas constitucionais. É bem verdade que, em virtude do controle difuso, aos juizes também poderia ser deferido o conhecimento da questão. Suas decisões, todavia, só produziriam efeitos 'inter partes' e 3 DINIZ, Marcio Augusto de Vasconcelos. Controle de Constitucionalidade e Teoria da Recepção. 4t1 Malheiros, p. 55/56 e 66 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 dependeriam, se e quando a Corte Maior as apreciasse em caráter definitivo, de um agir heterônomo (do Senado Federal, nos termos do art. 52, inc. X, da Constituição Federal) para vir a ter eficácia geral." (grifei) Este posicionamento também é adotado por Ronaldo Polear *, como a seguir se transcreve: "O problema não se resume apenas na questão do quorum necessário à declaração de inconstitucionalidade e despiciendo para a revogabilidade, nem no descabimento da ação direta, se o dispositivo a examinar-se for entendido revogado; nem mesmo na necessidade de o Senado suspender sua execução, a prevalecer a tese da revogação. A questão reside, primeiro, nos critérios para o exame da conformidade da norma com a Lei Maior, e, segundo, nos efeitos do juizo de inconstitucionalidade. Quanto ao primeiro aspecto, não há dúvida de que a lei anterior à Constituição merece igual presunção de constitucionalidade, senão maior, do que as outras. Deve, por isso, ser examinada, no tocante à sua conformidade hierárquica, com o maior rigor, e, somente em caso de radical incompatibilidade, justificar-se-á ser ela afastada de aplicação num caso concreto, se considerada inconstitucional ou revogada. Tal rigorismo se justifica em função da certeza do direito e da segurança jurídica, uma vez que até a data da promulgação do novo texto constitucional nenhuma dúvida se antepunha à lei, que, afinal vinha regendo relações jurídicas, sem qualquer oposição. No tocante aos efeitos, nasce um dilema. Se admitida a tese da inconstitucionalidade, a lei assim declarada não poderá ser declarada nula ex tune, senão a partir da promulgação do novo texto constitucional. Dessa forma, ou se abre uma exceção à doutrina de que a lei inconstitucional é nula desde sempre, não produzindo quaisquer efeitos, ou se admite a tese da revogação, cuja conclusão, todavia, há de ser cercada de iguais cautelas e cuidados daqueles recomendados para a conclusão de inconstitucionalidade. O paradoxo, no entanto, existe em termos deontológicos, pois a lei anterior, desconforme com a nova Lei Maior, estaria a merecer, também, a suspensão de sua execução pelo Senado, após a decisão definitiva do Supremo Tribunal, como forma de 4 POLETTL Ronaldo. Op. cit. p. 1761177. 31 _ • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 garantia e segurança nas relações sociais, qualificadas pelo Direito." (grifei) Assim, ainda que se analise a questão das contribuições recolhidas posteriormente à Constituição de 1988 em sede de aplicação do Direito Interternporal, admitindo-se a teoria da revogação, não estaria descartado, como entende a recorrente, o exame do ato pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Adin, com vistas à aplicação de efeitos erga omnes, nem a sua suspensão pelo Senado Federal, em atenção ao princípio da segurança jurídica. Adicione-se a questão da aferição sobre a ocorrência de prescrição/decadência. As considerações até aqui expostas, por diversas vezes sustentadas por esta Conselheira, visam tão-somente esclarecer quanto à natureza do julgado representado pelo RE n° 191.044-5/SP. Não obstante, reitera-se aqui o posicionamento adotado em outros votos, no sentido de que, ainda que o RE de que se cuida tivesse sido conhecido, declarando-se a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86 — como ocorreu com o RE 408.830-4/ES, julgado em 2004 — a aplicação da respectiva decisão a terceiros não integrantes da lide, ainda mais com a finalidade de promover-se restituição de quantias pagas, não poderia ser automática, conforme será explicitado nos itens seguintes. O argumento contido na letra "B" — afastamento dos efeitos do Decreto-lei n° 2.295/86, pela aplicação do Decreto n° 2.346/97 — requer profunda reflexão sobre o comportamento do Poder Executivo frente aos pronunciamentos do Excelso Pretório. Nesse passo, antes de mais nada, cabe relembrar o comando contido no art. 52, inciso X, da Constituição Federal: "Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: o X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;" Não obstante, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 77, estabeleceu: "Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: 1 - abster-se de constituí-los; crk 32 _ - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais." Como se vê, o dispositivo legal transcrito só prevê hipóteses em que o crédito tributário ainda não foi constituído (inciso I) ou, se o foi, ele ainda não se encontra extinto (incisos II e III). Claro está que o objetivo do artigo não é a desobediência ao mandamento constitucional (art. 52, X), mas sim a promoção da economia processual, evitando-se os gastos com lançamentos, cobranças, ações e recursos, no caso de exigências baseadas em atos legais que o próprio STF vem considerando inconstitucionais. Não se trata, portanto, da concessão de licença ao Poder Executivo para afastar a aplicação da lei, de forma ampla e irrestrita, mas sim de autorização para que sejam evitados procedimentos, de iniciativa da administração tributária, que levariam ao desperdício dos já escassos recursos humanos e materiais. Exercendo a competência atribuída pelo art. 77, acima, o Poder Executivo editou o Decreto n° 2.346, de 10/10/97 (argüido pela interessada em sua defesa), que estabeleceu os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, assim determinando: "Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tune, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. it 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 § 3° O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. (.-.) Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstihicionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo • Supremo Tribunal Federal." (grifei) Quanto ao art. I°, acima transcrito, este determina efetivamente que as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, devem ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, porém deixa claro que, para tal, devem ser obedecidos os procedimentos estabelecidos naquele diploma legal, vedada assim qualquer tentativa de ampliação das hipóteses nele contidas. No que tange aos parágrafos 1° e 2°, do art. 1°, do decreto em tela, não há dúvida de que esses dispositivos autorizam a aplicação dos efeitos erga omnes e ex tune tanto para decisões judiciais em sede de controle concentrado, como também nos casos de controle difuso em que haja Resolução do Senado Federal suspendendo o ato inquinado. Não obstante, a parte final do § 1° esclarece que tais efeitos submetem-se à verificação sobre a ocorrência de fatos impeditivos da revisão pR 34 . , ,, • MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 administrativa ou judicial, como é o caso da prescrição e da decadência (a ser abordada ainda no presente voto). Sem dúvida, a edição do Decreto n° 2.346/97 abriu à Administração Pública Federal um leque de possibilidades frente às decisões emanadas do Supremo Tribunal Federal. Relativamente às decisões definitivas proferidas em sede de controle difuso de constitucionalidade, que é o que interessa no presente processo, o citado decreto, acima transcrito, como não poderia deixar de ser, permaneceu fiel ao comando do art. 77, da Lei n° 9.430/96, como será demonstrado na seqüência. _ O art. 1°, parágrafo 2°, do citado decreto, como já foi dito, permite....._ que tais decisões tenham efeitos erga omnes (extensivos a terceiros não integrantes da lide) e ex tunc (retroativos), após a suspensão da lei ou ato normativo pelo Senado Federal. Tal hipótese não pode ser aplicada ao caso em questão, visto que não há notícia nos autos de que o Senado Federal já tenha suspendido a execução, no todo ou em parte, do Decreto-lei n° 2.295/86. Ainda que houvesse sido emitida dita Resolução, há que se atentar para a parte final do §1°, do art. 1°, do Decreto n° 2.346/97, que ressalva sobre as hipóteses de impossibilidade de revisão administrativa ou judicial (prescrição e decadência). Ressalte-se que o decreto de que se trata, ao mencionar a Resolução do Senado Federal como requisito para a aplicação dos efeitos erga omnes e ex tunc, não faz qualquer concessão aos casos em que eventualmente o Senado Federal possa se recusar a emitir Resolução, razão pela qual não cabe ao intérprete perquirir se se trata de norma já revogada, ou de qualquer outro motivo. • Também não consta dos autos prova de que o Presidente da República tenha autorizado a extensão dos efeitos jurídicos da decisão judicial proferida no presente caso, como faculta o art. 1 0, § 3°, do Decreto n° 2.346/97, embora o Chefe Maior do Executivo tenha sido cientificado da decisão no Recurso Extraordinário n° 408.8304/ES, em 23/04/2004, por meio da Mensagem n° 626, via telex, e também pela Mensagem n°21 (informações em www.stEgov.br ). Relativamente ao art. 4° e seus incisos, ainda que houvesse ato do Secretário da Receita Federal ou do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aplicando qualquer dos procedimentos previstos à cota de contribuição incidente sobre as exportações de café, tal ato só alcançaria os créditos tributários não constituídos (inciso I, primeira parte), ou constituídos e não pagos (inciso I, parte final, e incisos II a IV), hipóteses diversas do caso sob exame, que trata de restituição (crédito ,53‘ definitivamente constituído e extinto pelo pagamento). 35 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Claro está que as providências constantes dos incisos I a IV, do art. 4°, do Decreto n° 2.346/97, não são dirigidas aos Órgãos Julgadores Administrativos, mas sim aos órgãos Lançadores e Órgãos Preparadores do processo administrativo fiscal, já que se trata de não constituição, retificação e cancelamento de créditos tributários; não efetivação de inscrição e revisão de valores inscritos em Dívida Ativa da União; e desistência de ações de execução fiscal (a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional). Quanto aos órgãos Julgadores Administrativos, o parágrafo único, do art. 4°, do decreto em exame traz regra específica, segundo a qual este Conselho de Contribuintes poderia efetivamente afastar a aplicação de ato legal considerado inconstitucional. Entretanto, aquele dispositivo especifica em que situação isso pode ocorrer, ou seja, somente na hipótese de recurso contra a constituição de crédito tributário, ainda não definitivamente julgado. Ora, analisando-se o significado da expressão "recurso contra a constituição de crédito tributário", a única conclusão possível é a de que se trata de crédito tributário ainda não definitivamente constituído, objeto de impugnação e, posteriormente, de recurso. Aliás, essa interpretação guarda total sintonia com o objetivo de economia processual, evitando-se os custos de prosseguimento de um processo em que se discute a constituição de crédito tributário que o próprio STF não mais considera exigível. O dispositivo aqui tratado não prevê, de forma alguma, o afastamento amplo e irrestrito do ato legal inquinado, pois que tal atitude ofenderia frontalmente o art. 52, inciso X, da Constituição Federal, bem como o art. 77 da Lei n° 9.430/96. No caso em questão, em se tratando de pedido de restituição, o crédito tributário foi definitivamente constituído na esfera administrativa, tendo sido • inclusive extinto pelo pagamento (art. 156, inciso I, do CTN), razão pela qual não pode este Conselho de Contribuintes afastar a aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86. Tal procedimento seria exorbitar da competência que lhe foi atribuída pelo par. único, do art. 4°, do Decreto n° 2.346/97 que, como demonstrado, só admite o afastamento da lei inquinada nos casos de crédito tributário ainda em fase de constituição. Em síntese, o Decreto n° 2.346/97 claramente separa as possibilidades de atuação do Poder Executivo em face de decisões do STF em três frentes, a saber: - aplicação, por todos os Órgãos da Administração Pública Federal, direta ou autárquica, das decisões do STF, com efeitos erga omnes e ex tunc, nos casos de controle concentrado, ou no controle difuso, atendidos os requisitos representados pela Resolução do Senado Federal ou ato do Presidente da República (art. 1°, §§ 1°,2° e 3,13, 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N" : 302-36.367 - aplicação, pelos Órgãos Lançadores e Preparadores da Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (mediante ato específico do SRF ou do PGFN), das decisões do STF no controle difuso, apenas com a finalidade de evitar a constituição de crédito tributário, ou a cobrança de crédito tributário já constituído mas ainda não recolhido, o que obviamente descarta a efetivação de restituição, que pressupõe crédito já definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, incisos I a IV); - aplicação, pelos Órgãos Julgadores da Administração Fazendária, das decisões do STF no controle difuso, apenas com a finalidade de evitar a constituição de crédito tributário que está sendo discutido em sede de impugnação ou de recurso voluntário, o que obviamente não inclui pedidos de restituição, por se tratar, nesses casos, de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, parágrafo único). Assim, fica esclarecido que o efeito ex tunc (retroativo), conectado à possibilidade de repetição de indébito, é restrito aos casos elencados no art. 1° do Decreto n° 2.346/97. Quanto ao art. 4°, parágrafo único, do citado diploma legal, onde se inserem especificamente os Órgãos Julgadores da Administração Fazendária, não há que se falar em efeito ex tune, já que se cuida especificamente de créditos em fase de constituição. O que não impede que ditos órgãos, como qualquer outro órgão integrante da Administração Pública Federal, venham a aplicar o efeito ex tunc nos casos de ADIn, de Resolução do Senado Federal ou de ato do Presidente da República, sempre com a ressalva sobre a ocorrência de prescrição/decadência (art. 1°, § § 1°, 2° e 3°). Quanto ao argumento contido no item "C", de que o Parecer PGFN/CRE n° 948/98 teria assinalado a existência de regra especial aplicável aos órgãos julgadores administrativos, no sentido de se afastar a aplicação de lei • declarada inconstitucional pelo STF, cabe apenas reafirmar o que já foi exposto com relação ao item "B", acima, já que dito parecer nada faz além de interpretar o Decreto n° 2.346/97. Esclareça-se, por oportuno, que as conclusões do Parecer PGFN/CRE n° 948/98, em face do advento do Decreto n° 2.346/97, de forma alguma se chocam com aquelas exaradas no presente voto, conforme se observa da leitura do seguinte trecho de dito parecer: "As DRJs não só 'podem' como 'devem', no julgamento de impugnação, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (tanto na 'declaração por via direta', por força do art.1°, § 1°, como na 'por via indireta', com ou sem suspensão de execução da norma pelo Senado Federal, conforme os arts.1°, §§ 2° e 3°, e 4°, parágrafo único), procedimento este que, data venha à opinião do Sr. 31 g • . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Procurador-Chefe da PFN/MS, não está condicionado a prévia manifestação ou autorização do Sr. Secretário da Receita Federal, na precisa forma do já citado art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97 — todo este item vale, nos mesmos termos, para os Conselhos de Contribuintes;" (grifei) Como se vê, o parecer em tela deixa claro que o afastamento da aplicação da lei declarada inconstitucional, pelas DRJ e Conselhos de Contribuintes, não pode ser efetivado de forma ampla e irrestrita, mas sim na precisa forma do art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97. Assim, recordando o que já foi dito no item "B", acima, seguindo a precisa forma do parágrafo único, do art. 4°, do art. 2.346/97, as DRJ e os Conselhos de Contribuintes só podem afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional, no controle difuso, na ausência de Resolução do Senado Federal e de ato do Presidente da República, quando o crédito tributário ainda se encontrar em fase de constituição, o que obviamente exclui os pedidos de restituição. Tanto é assim que o parecer da PGFN de que se cuida menciona sempre a expressão "julgamento de impugnação" (item I, primeiro parágrafo e item 4, letra "b"), característica dos processos de constituição e exigência de crédito tributário, e não "Manifestação de Inconformidade", como é próprio dos processos de restituição. Pelos motivos expostos, considerando que, no presente caso, se trata de restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, conclui-se mais uma vez ser incabível o afastamento da aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86 por este Conselho de Contribuintes. Quanto aos argumentos apresentados pela recorrente nos itens "D" e "E", ambos abordam o instituto da decadência. O item "D" é no sentido de que doutrina e jurisprudência, inclusive do STJ, pontificam que, no caso de indébitos originários de pagamentos considerados indevidos no contexto de solução jurídica conflituosa, o termo inicial para o exercício do direito à restituição é a data de publicação da respectiva decisão que, no presente caso, seria o julgamento do Recurso Extraordinário n° 191.044, publicado no DJ de 31/10/97. De plano, cabe destacar que tal entendimento não encontra amparo no Código Tributário Nacional que, relativamente à restituição de tributos, menciona apenas os casos de pagamento indevido efetuado espontaneamente ou por força de decisão condenatória (art. 165). Na situação em apreço, não consta dos autos que a interessada tenha litigado, administrativa ou judicialmente, acerca da exação que ora se examina. Assim, conclui-se que os recolhimentos por ela efetuados foram espontâneos. Nesse caso, o CTN não promoveu qualquer distinção sobre o motivo de 38 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 o pagamento espontâneo ser considerado indevido — se por simples erro ou em função de posterior declaração de inconstitucionalidade — razão pela qual não cabe ao intérprete elaborar ficções. Esse ponto será ainda desenvolvido no presente voto. Quanto ao posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, releva notar a alternância de interpretações esposadas por essa Corte acerca do tema, ao longo do tempo, de sorte que, ao invés de se falar em "posição definitiva" do STJ, seria mais próprio se falar em "posição atual" daquele Tribunal Superior. Assim, o entendimento do STJ era no sentido de que, no caso do controle concentrado, o dies a quo da contagem do prazo decadencial seria o da publicação da declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Quanto ao controle difuso, o termo inicial seria a data da publicação da Resolução do Senado Federal retirando o ato inquinado do ordenamento jurídico. Dito posicionamento leva à seguinte reflexão: uma vez que a ADIn — Ação Direta de Inconstitucionalidade pode ser ajuizada a qualquer tempo, e tendo em vista a discricionariedade do Senado Federal para editar Resoluções, o STJ teria inaugurado hipótese de imprescritibilidade no Direito Tributário, o que não está previsto nem mesmo na Constituição Federal, salvo no âmbito do Direito Penal, relativamente à pretensão punitiva do Estado quanto à prática de racismo e à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5°, incisos XLII e XLIV). Por esse motivo, o entendimento do STJ vem sendo revisto, no sentido de prestigiar o dies a quo assinalado no CTN, conectado não à declaração de inconstitucionalidade do STF ou à Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário objeto do pedido de restituição. • Ilustrando a mudança de posicionamento dos Senhores Ministros do STJ, convém trazer à colação trecho da ementa do acórdão proferido no Recurso Especial 543.50211S1G (1)J de 16102/2004, p. 220), em que o Relator, Ministro Luiz Fux, ainda que se curvando à posição dominante à época, deixou registrado o seu ponto de vista: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. F1NSOCIAL. MAJORAÇÃO DAS AUQUOTAS. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem IA 39 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratando-se de controle difuso, somente na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do CTN. a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: (...)" (grifei) Mais recentemente, o entendimento do Ministro Luiz Fux, que figurava nos julgados apenas como uma ressalva, transformou-se em posicionamento vencedor, conforme se depreende dos trechos a seguir transcritos, retirados do Agravo Regimental no Recurso Especial 591.541, julgado em 03/06/2004. Nesse acórdão o Relator, Ministro José Delgado, passa a adotar o posicionamento do Ministro Luiz Fux, autor do voto-vista, que a seguir se transcreve: CD "O ilustre Relator negou provimento ao agravo regimental, sob o fundamento de que a Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que o prazo prescricional inicia-se a partir da data em que foi declarada inconstitucional a lei na qual se fundou a exação. Pedi vista dos autos para melhor exame da questão. No que pertine à prescrição da ação de repetição/compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial 435.835/SC, pacificou o entendimento de que deve ser aplicada a tese dos 5 (cinco) anos para a constituição do crédito e mais 5 (cinco) anos para a sua cobrança, restando irrelevante, para o estabelecimento do termo a quo do prazo prescricional, ao MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eventual declaração de inconstitucionalidade pelo Pretório Excelso. Conseqüentemente, o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado do termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. Confira-se a ementa do referido julgado: 'CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1* Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela • jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco.' Na hipótese dos autos, os autores ajuizaram a ação em 15/10/99, pretendendo o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de setembro/1989 a março/1996, o que, nos termos dos arts. 168, I, e 150, § 4°, do CTN, revela inequívoca a ocorrência da prescrição relativamente aos períodos anteriores a 15/10/1989, porquanto tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja prescrição opera-se 5 (cinco) anos após expirado o prazo para aquela atividade. 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Diante do exposto, dou parcial provimento ao presente agravo regimental, para prover parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a prescrição da pretensão de repetição e/ou compensação dos valores indevidamente recolhidos, cujos fatos geradores ocorreram em período anterior a 15/10/89. É como voto." (grifei) Após a leitura do voto-vista, o Relator, Ministro José Delgado, retificou o seu voto e adotou o posicionamento esposado pelo Ministro Luiz Fux, conforme Certidão de Julgamento: "Certifico que a egrégia Turma, ao apreciar o processo em e epígrafe, na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Luiz Fux e a retificação de voto do Sr. Ministro Relator, a Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." (Agravo Regimental em Recurso Especial 591.541, Relator Ministro José Delegado, DJ de 16/08/2004, p. 145) Assim, a tese trazida aos autos pela recorrente não mais encontra eco no STJ, que passou a prestigiar o dies a quo estabelecido no CTN (art. 168, inciso I), como forma de respeito à segurança jurídica. Nesse passo, a aferição sobre a tempestividade do pedido de restituição foi, nesse último Acórdão, conectada não à data da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, mas sim à data do recolhimento do tributo. ORessalvada a posição do Superior Tribunal de Justiça, que não mais se coaduna com a tese da requerente, passa-se à análise da restituição de tributos, à luz do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; ok. 42 _ - _ • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, na data da extinção do crédito tributário; II — na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." (grifei) No caso em apreço, como já assentado neste voto, trata-se obviamente de hipótese inserida no inciso I do art. 165, acima transcrito, uma vez que o pagamento foi espontâneo, realizado de acordo com decreto-lei que, embora posteriormente tenha sido declarado inconstitucional, à época dos recolhimentos encontrava-se em plena vigência. Ressalte-se que referido inciso menciona apenas o pagamento indevido, sem adentrar ao mérito do motivo do indébito, concluindo-se então que estão incluídos também os casos de pagamento indevido em função de posterior declaração de inconstitucionalidade da lei que obrigava ao pagamento. O Assim, na situação em tela, uma vez que os créditos tributários mais recentes foram extintos pelo pagamento em março de 1990 (art. 156, inciso I, do CTN), o direito de pleitear a respectiva restituição, na melhor das hipóteses, decaiu em março de 1995. Obviamente, o presente pedido de restituição, protocolado que foi em 27/06/2002, encontra-se inexoravelmente atingido pela decadência. Ainda que se aplicasse aqui a tese dos cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento ("cinco mais cinco") — como entende o STJ inclusive relativamente aos pagamentos indevidos em função de inconstitucionalidade — o direito também já teria perecido, desde março de 2000. Cabe esclarecer que a tese dos "cinco mais cinco" para os lançamentos por homologação foi trazida à colação apenas por amor ao debate, porém não está sendo adotada por esta Conselheira, tampouco encontra amparo nos Conselhos de Contribuintes, como demonstra a ementa a seguir transcrita,v4 43 . . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 representativa da maciça jurisprudência deste Colegiado, mesmo nos casos de exigência de crédito tributário, em que os dez anos só viriam a favorecer a Fazenda Nacional. "IRPJ - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA - O imposto de renda pessoa jurídica se submete ao lançamento por homologação, eis que é de iniciativa do contribuinte a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. _ Como o lançamento foi efetuado em 21/12/98, procede a decadência ..._ argüida em relação ao período de junho de 1992, pois o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, a teor do disposto no art. 150, par. 4°, do CTN, expira após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador." (Acórdão 107-06.490, de 06/12/2001, Relator Conselheiro Natanael Martins) Recapitulando, a tese defendida pela recorrente é no sentido de que o termo inicial para contagem da decadência seria a data de publicação do precedente do STF, porque somente a partir desse momento os pagamentos poderiam ser considerados indevidos. Tal tese não deixa de constituir argumentação dotada de coerência, tanto assim que chegou a encontrar abrigo no próprio STJ. Nesse passo, esta Conselheira, por ocasião do julgamento dos recursos n''s 123.979 (Acórdão n° 302- 35.343) e 124.274 (Acórdão n° 302-35.344), acompanhou o voto do Conselheiro Relator, no sentido de afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à DRJ, a para julgamento das demais questões envolvidas. Ir Não obstante, analisando-se mais detidamente a matéria, chega-se à conclusão de que tal tese, embora coerente, é totalmente desprovida de fundamento legal, de sorte que abraçá-la equivaleria à criação de nova hipótese de dies a quo para a decadência, totalmente à revelia do CTN. Examinando-se a questão da decadência com base no Código Tributário Nacional, as conclusões inarredáveis são aquelas esposadas no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, cujos principais trechos serão a seguir transcritos. "22. A nosso ver, é equivocada a afirmativa de que 'Inexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional', pois isto representa, indubitavelmente, negar vigência ao CTN, que cuidou expressamente da matéria no art. 168 c/c art. 165. Com 'g 44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 efeito, a leitura conjugada desses dispositivos conduz à conclusão única de que o direito ao contribuinte de pleitear a restituição de tributo extingue-se após cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses referidas nos incisos 1 a III do art. 165. 23. A Constituição, em seu art. 146, LII, 'tf, estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normais gerais sobre 'prescrição e decadência' tributárias; portanto, a norma legal a ser observada nesta matéria é o C1N - cuja recepção pela Carta de 1988, com status de lei complementar, é pacífica na doutrina e na jurisprudência -, que fixou, indistintamente, o prazo de cinco anos para a decadência do direito de pedir restituição de tributo indevido, independentemente da razão ou da situação em que se deu o pagamento. Se o legislador infraconstitucional, a quem compete dispor sobre a matéria, não diferenciou os prazos decadenciais, em função de o pagamento ser indevido por erro na aplicação da norma imponivel ou por inconstitucionalidade desta, ao intérprete é negado fazer tal diferença, por simples exercício de hermenêutica." (grifei) A falta de fundamentação legal da tese defendida pela recorrente, no que tange ao termo inicial para contagem do prazo decadencial, também foi registrada pela doutrina, aqui representada por Eurico Marcos Diniz de Santis: "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi O apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se- iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. 5 SANT!, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Limonad, 2000. P. 273/277). 45 • " • „ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação, serve tão só como novo fundamento jurídico para exercitar o direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (grifei) Assim, o fundamento do Parecer PGFN/CAT no 1.538/99, ao rechaçar a tese de ser a data de publicação da decisão judicial o termo inicial para contagem da decadência, não é apenas a ofensa ao princípio da segurança jurídica, como afirma a interessada em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1.128, último parágrafo — Volume III), mas também a ausência de fundamentação legal que dê suporte a tal argumento. Tanto é assim que o próprio STJ, como foi acima demonstrado, abandonou tal entendimento, para adotar, relativamente ao pagamento indevido em função de inconstitucionalidade, o mesmo dia a quo que adota para as situações de simples erro no pagamento. Na tentativa de suprir a lacuna, a interessada busca associar a hipótese dos autos ao inciso III do art. 165 do CTN e, conseqüentemente, beneficiar- se do termo inicial do prazo assinalado no inciso lido art. 168. Nesse sentido assevera (fls. 186, último parágrafo): "Para se chegar a tal conclusão bastou a adoção do método sistemático de interpretação, todavia, se é para empregar a analogia, não é necessário maior esforço exegético para enxergar fluidos de 'revogação, anulação, reforma' em toda decisão que declara a inconstitucionalidade da lei, visto que é inerente ao Poder Judiciário a eficácia de reformar, revogar e até mesmo anular os efeitos da norma viciada, permitindo a aplicação da previsão contida no inciso II do art. 168 do CTN..." A fragilidade do argumento acima dispensa comentários sobre a impossibilidade de sua aceitação. Nesse passo, convém relembrar que o inciso III do art. 165 do CTN, conectado ao termo inicial previsto no inciso II do art. 168, trata de situações em que o próprio pagamento do tributo foi efetuado em um contexto rt 46 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA ' • ' • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO INI° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 litigioso, sendo essa a grande diferença em relação aos incisos I e II do artigo 165 (conectados ao inciso I do art. 168), que tratam de pagamentos espontâneos, como no presente caso. A inaplicabilidade do inciso III do art. 165 do C'TN (e inciso II do art. 168) ao caso em apreço também é reconhecida pela doutrina, aqui representada por Hugo de Brito Machado6: "Na hipótese prevista no inciso I, do art. 168, tem-se que o prazo prescricional começa da extinção do crédito tributário em se tratando de (a) cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior ou maior que o devido, ou (b) erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota -e aplicável, no cálculo do montante do débito ou no preparo do documento relativo ao pagamento. Entende-se que se trata de pagamento não precedido de procedimento contencioso, seja administrativo ou judicial... (.-.) Na hipótese prevista no inciso II, do art. 168, do Código Tributário Nacional, o prazo prescricional começa, também, da extinção do crédito tributário. E diversa das anteriores pelo fato de que o pagamento não se deu espontaneamente, mas em face de decisão condenatória. O contribuinte fez o pagamento diante de uma decisão, administrativa ou judicial, que a tanto o condenou. Neste caso o prazo não tem inicio na data do pagamento, mas na data em que se toma definitiva a decisão que reformou, anulou, revogou ou rescindiu aquela decisão condenatória." (grifei) Com efeito, não consta dos autos que a interessada tenha efetuado os pagamentos em tela por força de condenação administrativa ou judicial, ou mesmo que tenha questionado, à época dos recolhimentos, a exação que ora se analisa. Ao contrário, por diversas vezes a recorrente alega em seu favor o fato de haver pacificamente se submetido ao Decreto-lei n° 2.295/86, enquanto que outros contribuintes contra ele se rebelaram. Assim, não há como aceitar a transmutação de um "pagamento espontâneo de tributo" em "pagamento de tributo efetuado por força de condenação, administrativa ou judicial", como quer a recorrente, com a finalidade de beneficiar-se do termo de inicio do prazo decadencial previsto no art. 168, inciso II, do CTN. 6 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 24 ed. São Paulo: Malbeiros, 2004. P. .,sk 196/197. 47 - ,•„ " • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Ressalte-se que as conclusões do Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, bem como as considerações apresentadas pelo Professor Eurico de Santi, acima transcritas, encontram-se em total sintonia com o Decreto n° 2.346/97, objeto de análise quando do exame das argumentações contidas no item "B", cabendo aqui recordar-se o texto de seu art. 1°, § 1°: "Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto." § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial." Conclui-se, portanto, que o efeito ex tunc de decisões do STF declarando a inconstitucionalidade de lei, ainda que em sede de ADIn, não é absoluto, encontrando limites nas hipóteses de prescrição e decadência, que efetivamente impedem a revisão administrativa ou judicial. Conseqüentemente, mesmo que o art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, autorizasse os Órgãos Julgadores da Administração Fazendária a promover também a restituição de quantias pagas, o que se admite apenas para argumentar, no presente caso isso não seria possível, tendo em vista a ocorrência da • decadência. Ainda com relação à decadência, a recorrente argumenta, conforme o item "E", que o Parecer COSIT n° 58/98 já orientava no sentido da adoção de procedimentos uniformes na apreciação de pedidos de restituição/compensação, traçando diretrizes, no âmbito administrativo, coincidentes com a jurisprudência do STJ. De plano, esclareça-se mais uma vez que o posicionamento do STJ, no que tange à decadência do direito à solicitação de restituição, no caso de pagamento indevido por inconstitucionalidade, é o mesmo posicionamento adotado em relação ao pagamento indevido pela simples ocorrência de erro, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco", de acordo com a jurisprudência já colacionada. yit 48 , • . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Quanto ao Parecer COSIT n° 58/98, cabe aqui a transcrição de suas conclusões acerca do termo inicial para contagem da decadência, não sem antes fornecer-se o posicionamento do ato em face do próprio direito à restituição: "13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de contribuintes que não foram parte nos processos que ensejaram a declaração de inconstitucionalidade — no caso de controle difuso, evidentemente —, para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido pago com base em lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeitos erga omnes, o que, conforme já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese prevista no art. 4° do Decreto n° 2.346/1997. 14. Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção a ela, determinada pela Medida Provisória n° 1.699- 40/1998, art. 18, § 2°, que dispõe: (...) 19. Logo, os delegados e inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder à restituição/compensação nos casos expressamente previstos na NIP n° 1.699-40/1998, art. 18... 1110(...) 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo, que: c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no de controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não-participantes da lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto n° 2.346/1997, art. 4"), bem assim nos casos r{ 49 o • " • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTFUBUTNTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 permitidos pela MP n° 1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicação: 1. da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do inciso 17; 2. da MP n° 1.110/1995, para os casos dos incisos II a VI18; 3. da Resolução do Senado n°49/1995, para o caso do inciso VII19; 4. da MP n° 1.490-15/1996, para o caso do inciso DC. I9" (grifei) Como se pode concluir, o Parecer COSIT n° 58/98, acima transcrito, de forma alguma endossa as alegações da recorrente. Em primeiro lugar, dito parecer reconhece que a simples declaração de inconstitucionalidade, no controle difuso, não tem o condão de ensejar restituições a terceiros não participantes da lide, sendo necessária a presença de elemento que confira efeitos erga omnes ao julgado do STF (Resolução do Senado Federal, ato do Secretário da Receita Federal ou substitutivo). Dessa premissa nasce a segunda conclusão do parecer, no sentido de que, relativamente ao terceiro que não participou da lide no controle difuso, como é o caso da recorrente, o termo inicial para a contagem da decadência seria a data da publicação de Resolução do Senado Federal ou de ato do Secretário da Receita Federal. O parecer em tela cogita, ainda, de uma exceção à exigência de Resolução do Senado ou ato do Secretário da Receita Federal, para a concessão de restituição administrativa, exceção essa representada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 1.699-40/1998 que, como já se viu, elenca várias matérias, cada qual com o seu termo inicial para contagem da decadência, porém dentre elas não consta a cota de contribuição sobre exportações de café. Conclui-se, portanto, que o Parecer COSIT n° 58/98 também não socorre a recorrente, uma vez que, no caso em apreço, não houve manifestação do Senado Federal, tampouco do Secretário da Receita Federal. Além disso, como já foi dito, a cota de contribuição incidente sobre exportações de café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86, não consta entre as matérias elencadas no art. 18 da Medida Provisória 1.699/40-1998, consideradas pelo parecer como passíveis de restituição administrativa. tt_ 7 1 - contribuição de que trata a Lei no 7.689/88; 8 II - empréstimo compulsório instituído pelo Decreto-lei no 2.288/86, sobre a aquisição de veículos automotores e de combustível; III - Finsocial; IV - IPMF; V - taxa de licenciamento de importação; VI - sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações; VII — adicional de tarifa portuária; 9 VIII - PIS - Programa de Integração Social; i° IX - Cofins. 50 • • " . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 De tudo o que foi exposto até o momento, verifica-se que, seja pelas determinações do Decreto n°2.346/1997, seja pela adoção do entendimento esposado nos Pareceres PGFN/CRE n° 948/98 e SRF/COSIT n° 58/98, em momento algum existe autorização para que o Julgador Administrativo suspenda a aplicação de lei ou ato normativo, com a finalidade de promover restituição de quantias pagas (conectada ao efeito ex tune), no controle difuso de constitucionalidade, relativamente a terceiros não integrantes da lide. Como se viu, tal autorização encontra-se condicionada ao atendimento de determinados requisitos, a saber: - Resolução do Senado Federal; ou - ato do Presidente da República, estendendo os efeitos da decisão judicial; ou - ato do Secretário da Receita Federal (essa interpretação, como já assinalado no presente voto, extrapola os limites do Decreto n° 2.346/97, uma vez que o seu art. 4° não trata de restituição). Assim, a conclusão lógica é de que, nas situações em que nenhum destes requisitos foi atendido, não há como conceder-se a restituição administrativa, por falta de previsão legal. Tal era o caso, dentre outros, do Finsocial, trazido como exemplo pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade, e que será objeto do item seguinte. No item "F", a interessada argumenta que, no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução do Senado Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando • em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição. Conforme se viu no item anterior, a restituição do Finsocial e de outras exações foi autorizada pela Medida Provisória n° 1.699-40/1998, a titulo de exceção à regra de exigência dos requisitos representados pela Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal. Note-se que esta conclusão está de acordo com a interpretação do Parecer COSIT n° 58/98, citado pela própria interessada em seu recurso. No caso da cota de contribuição sobre exportações de café, não houve ADIn nem existe Resolução do Senado Federal. Ainda assim, poderia ter sido editado ato do Presidente da República (estendendo os efeitos do precedente judicial), ou do Secretário da Receita Federal (como entende o Parecer COSIT n° 58/98), mas nada disso ocorreu. Tampouco a contribuição de que se trata constou dos incisos elencados no art. 18 da Medida Provisória n° 1.699-40/1998 (original Medida Fek 51 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Provisória n° 1.110/95), ou de qualquer outra MP ou ato legal nesse sentido, daí a conclusão de que a autoridade administrativa encontra-se impedida de autorizar a restituição pleiteada, mesmo pelo prisma extensivo do Parecer COSIT n° 58/98. A despeito de todos esses argumentos, fugindo totalmente à lógica, a recorrente entende, ao trazer como razões de recurso o voto proferido no Acórdão n° 303-30.959, do 3° CC, que a falta dos mencionados requisitos é exatamente o motivo que obrigaria a autoridade administrativa a efetuar a restituição. Ora, não existe qualquer dispositivo legal ou ato interpretativo que entenda que a ausência dos requisitos em tela enseje a pretendida restituição. Ao contrário, é a presença dos requisitos que autoriza a repetição administrativa do indébito. Tanto é assim que, no caso do Finsocial (trazido como paradigma pela- e interessada), em que também foi encaminhada mensagem ao Senado Federal para edição de Resolução (não emitida), foi necessária uma Medida Provisória para que se autorizasse a restituição. Nesse sentido é a jurisprudência majoritária dos Conselhos de Contribuintes e o Parecer COSIT n° 58/98, ambas as fontes citadas pela recorrente: "FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida • Provisória n° 1.110, de 31/08/95. Recurso ao qual se dá provimento." (Acórdão n°202-13.949) (grifei) A necessidade da presença de um dos requisitos elencados também é reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o Acórdão CSRF/01-03.239, citado no Acórdão n° 303-30.959 (fls. 262), que a interessada pede seja considerado em seu recurso: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: 52 e e 4 I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso conhecido e improvido." (grifei) Aliás, no caso do Finsocial, em que o STF desde logo, em decisão publicada em 02/04/93, declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos que haviam majorado as aliquotas, enviando mensagem ao Senado Federal, esta simples declaração, no controle difuso, não foi suficiente para promover-se a restituição dos valores indevidamente recolhidos, tanto assim que a decadência, conforme interpretação do Parecer COSIT n° 58/98 e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, citados como parâmetros pela recorrente, consideram como termo de inicio para a contagem do prazo decadencial a data da Medida Provisória n° 1.110/95, publicada somente em 30/08/95. Ora, o entendimento defendido pela interessada é de que o dies a quo do prazo decadencial marca o momento em que o pagamento passa a ser considerado indevido. Não obstante, constata-se que o próprio Parecer COSIT n° 58/98 e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes rechaçam a interpretação de que, no controle difuso, a simples declaração de inconstitucionalidade seria apta a autorizar a promoção da restituição de quantias pagas. Do contrário, no caso do Finsocial, considerariam como dies a quo do prazo decadencial a data de 02/04/93 (publicação da decisão do STF), e não de 30/08/95 (publicação da MP n° 1.110/95), como de fato consideram. Verifica-se, portanto, flagrante contradição na argumentação da interessada, a saber: - a recorrente quer a todo o custo que se promova restituição administrativa da cota do café apenas com a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, sem ato concessivo de efeitos erga omites, e ainda considerando como dies a quo da contagem do prazo decadencial a data do julgado do STF; - paradoxalmente, traz como suporte à sua tese atos administrativos interpretativos e jurisprudência que só confirmam o entendimento de que, no controle difuso, o precedente do STF, por si só, não enseja restituição a terceiro não participante da lide, sendo necessária a presença de elemento que confira efeitos erga 53 , . • • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA ••• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 omnes ao julgado (no caso do Finsocial, esse elemento foi representado por uma Medida Provisória). Não é necessário maior esforço para concluir que o arcabouço argtunentativo da recorrente não serve de suporte à sua tese. Enfim, os casos do Finsocial e da cota de contribuição sobre exportações de café só ilustram o perigo da criação de teses sem amparo legal, divorciadas do CTN, tendentes a buscar soluções discricionárias e casuísticas que, em última análise, logram dilatar indevidamente o prazo para pleitear a restituição de quantias pagas. Destarte, mais uma vez se constata que a jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, acerca da cota do café, trazida à colação pela recorrente, não pode ser acatada, por ser desprovida de fundamentação legal, uma vez que, no caso dessa exação, não se verificou o atendimento a nenhum dos requisitos que, mesmo sob o prisma extensivo do Parecer COSIT n° 58/98, autorizariam a restituição administrativa. Finalmente, no item "G", a interessada alega ter direito à restituição dos créditos pleiteados, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e incluídos os expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Os itens anteriores demonstraram à exaustão que a autoridade administrativa não pode conceder a restituição pleiteada. Ainda que assim não fosse, o suposto direito encontra-se inexoravelmente fulminado pela decadência. Daí não ILL haver sentido na discussão sobre os acréscimos a serem aplicados aos valores W recolhidos. Entretanto, apenas por amor ao debate, cabe esclarecer que as restituições administrativas seguem as normas estabelecidas nas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal, que refletem a legislação pertinente, inclusive relativamente a eventual aplicação de índices de correção. Por fim, cabe acrescentar que o entendimento esposado neste voto, especialmente no que tange ao Decreto n° 2.346/97, guarda sintonia com o art. 5° da Portaria MF n° 103/2002, que inseriu o art. 22-A no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF n° 55/98 - Anexo II): "Art. 22-A. No julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. tytk 54 , . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; II - objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; - que embasem a exigência de crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal." Destarte, no caso em questão, como ficou sobejamente demonstrado, não constam dos autos elementos que logrem atender a qualquer das hipóteses acima, portanto não há como afastar a aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86, mormente com a finalidade de promover a restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, cujo direito já foi alcançado pela decadência. Diante do exposto, seguindo a linha dos votos já proferidos nos Recursos Ws 120.655, 123.827 e 127.650, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. 111/ Sala das Sessões, em 14 de setembro de 2004 ittb.,,g-e- -G ck,oes -MARIA HELENA COTTA CARDGEO - Relatora 55 Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1

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4668844 #
Numero do processo: 10768.014100/99-08
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 INCENTIVO FISCAL - PERC - CONCESSÃO - REGULARIDADE FISCAL A prova da regularidade em relação ao tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei nº 9.069/95, há que ser verificada no momento da fruição do incentivo fiscal ou na sua concessão, assim considerado o momento em que a administração tributaria analisa a opção feita pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos. Entretanto, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita.
Numero da decisão: 107-09.477
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Luiz Martins Valero

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AV;4: 44- ).°,1;;-,.nr,- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SÉTIMA CÂMARA Processo n° 10768.014100/99-08 Recurso n° 153.757 Voluntário Matéria IRPJ - Ex.: 1997 Acórdão n° 107-09.477 Sessão de 14 DE AGOSTO DE 2008 Recorrente WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA Recorrida 8" TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 INCENTIVO FISCAL - PERC - CONCESSÃO - REGULARIDADE FISCAL A prova da regularidade em relação ao tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, há que ser verificada no momento da fruição do incentivo fiscal ou na sua concessão, assim considerado o momento em que a administração tributaria analisa a opção feita pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos. Entretanto, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o present- *ulgado. di MA r O: ' ICIUS NEDER DE LIMA Pre * ente 1 r• 1i. Processo n° 10768.0141r e 4 ,-08 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 2 ,i ILÓ) LU • ' TINS n ALERO _ Rela or I . Formalizado em: -2-4 si ad Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Jayme Juarez grotto, Lisa Marini Ferreira dos Santos, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausente, justificadamente a Conselheira Silvia Bessa Ribeiro Biar. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA contra Acórdão n° 8.396/2005 da 8 TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I que não acolheu a sua Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do Pedido de Revisão de Incentivos Fiscais - PERC, relativamente ao exercício de 1997. O indeferimento questionado deu-se pelo Despacho Decisório de fls. 823/824, por considerar a autoridade administrativa que a interessada não demonstrou a regularidade fiscal perante a Administração Pública Federal, estando com isso impedida de receber o beneficio fiscal, tendo em vista o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/95. Apontam-se irregularidades fiscais da empresa traduzidas em débitos, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, reportando-se às fls. 801/821. Na impugnação que inaugurou o litígio, a interessada alegou, em síntese, que estava regular perante o Fisco à época em que o despacho foi proferido, juntando as seguintes certidões: Certidão Positiva com Efeito de Negativa de fls. 858, fornecida pela PGFN; Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863; Certidão Positiva com Efeito de Negativa, obtida junto ao INSS, fls. 865 e Certidão Positiva com Efeito de Negativa, emitida pela Secretaria da Receita Federal, fls. 868. A Turma Julgadora de Primeiro Grau estribou-se nos seguintes fundamentos para indeferir a Manifestação de Inconformidade: 18. Na sua manifestação de inconformidade o contribuinte faz a juntada da Certidão Positiva com Efeito de Negativa de fls. 858/860, fornecida pela PGFN, com validade no período de 04/10/2004 a 04/04/2005; dos Certificado de Regularidade do FGTS, emitidos pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863, vigentes no período de 28/10/2004 a 25/12/2004, da Certidão Positiva com Efeito de Negativa, obtida junto ao INSS, fls. 865/866, válida no período de 16/09/2004 a 15/12/2004 e da Certidão Positiva com Efeito de Negativa, emitida pela Secretaria da Receita Federal, fls. 868, em 21/10/2004, e válida teaté 22/04/2005. Segundo argumenta o contribuinte, a apresentação de 2 Processo n° 10768.014100/99-08 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 3 tais certidões serviria para demonstrar sua regularidade fiscal à época do indeferimento do pedido, havido em 19/10/2004, fls. 824. (.) [...] da análise das certidões apresentadas verifica-se que os Certificados de Regularidade do FGTS, emitidos pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863, foram expedidos em 11/11/2004 e 29/11/2004 e a Certidão Positiva com Efeito de Negativa, da Secretaria da Receita Federal, fls. 868, em 21/10/2004. Portanto, havendo sido tais certidões emitidas em data posterior ao indeferimento do pedido não servem para comprovar a alegação do contribuinte de que em 19/10/2004 estaria regular perante o Fisco, posto não retroagirem no tempo. Para amparar a sua pretensão a impugnante deveria apresentar certidões que estivessem vigentes no período em que o seu pedido foi analisado e indeferido pela DIORT/DERAT/R1. " No recurso a este colegiado a interessada, em longo arrazoado, mostra-se inconformada com o fato de o indeferimento ter se dado por conta de datas de apresentação de Certidões de Regularidade. Reafirma que na data da análise as Certidões apresentadas eram válidas e eficazes. Junta novamente todas as Certidões para provar sua Regularidade Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro - LUIZ MARTINS VALERO, Relator. Este Colegiado tem analisado centenas de recurso contra indeferimento de PERC, sob os mais variados motivos. Prende-se a Receita Federal à disposição literal da legislação, mormente a Norma de Execução SRF/COSAR n° 6/98, que veicula interpretação no sentido de que a regularidade fiscal deve ser verificada no momento da concessão ou reconhecimento. E deve mesmo. Ocorre que não se pode negar o direito do contribuinte de mostrar, no curso do Processo Administrativo, que eventual irregularidade constatada à época da análise do Pedido de Revisão está sanada. A apresentação de Certidões Negativas, Certidões de Regularidade e Certidões Positivas com Efeito de Negativa, ainda que emitidas posteriormente ao despacho denegatório, provam a regularidade fiscal, objetivo maior visado pela Lei n° 9.069/95, art. 60. É o caso desses autos em que todas as vezes que foi instado pela administração tributária a provar sua regularidade o contribuinte apresentou as respectivas Certidões. E repete isso agora no Recurso. 3 Processo n° 10768.014100/99-08 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 4 Nessa ordem de juizo voto por se DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 14 de agosto de 2008. )1e9 ' EN/1''T VALERO 4 Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.031728/97-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PIS - COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS COM TDA - IMPOSSIBILIDADE - Por falta de previsão legal, não se admite a compensação de Títulos da Dívida Agrária - TDA com tributos e contribuições de competência da União Federal, como também para o pagamento das mesmas obrigações com tais títulos, ressalvada a previsão expressa do artigo 11 do Decreto nr. 578, de 24 de junho de 1992, segundo a qual os Títulos da Dívida Agrária - TDA poderão ser utilizados para pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-72706
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Geber Moreira

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O. U. d : -jo O 5) I 0 1:3 19 99 ..... C Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA ealt ussuzsenswen ~ir t‘'I SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 •Sessão 28 de. abril de. 999 Recurso : 110.599 Recorrente : SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida : DRJ no Rio de Janeiro — RJ PIS — COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS COM TDA — IMPOSSIBILIDADE — Por falta de previsão legal, não se admite a compensação de Títulos da Divida Agrária — TDA com tributos e contribuições de competência da União Federal, como também para o pagamento das mesmas obrigações com tais títulos, ressalvada a previsão expressa no artigo 11 do Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992, segundo a qual os Títulos da Divida Agrária — TDA poderão ser utilizados para pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de esril de 1999 //1/ Luiza Hel -41•‘<nte d , Moraes Presidenta itikliortteikti-jtANI4 R • !ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Valdemar Ludvig, Serafim Fernandes Corrêa e Sérgio Gomes Velloso. LDSS/CRT 3,3 MINISTÉRIO DA FAZENDA Sitht • Sek:t. 41, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 474 ?, Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 Recurso : 110.599 Recorrente : SAINT GERMAIN DISTRII3U1DORA DE VEICULOS LTDA, RELATÓRIO SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. apresentou, em 15/12/97, "denúncia espontânea cumulada com pedido de compensação". Pretende a contribuinte compensar débito de PIS, refe] ente ao mês de outubro/97, com crédito oriundo de Títulos da Dívida Agrária — TDA. Em 27/07/98, insurge-se contra decisão da DRF/RJ, que indeferiu o pleito. A decisão da autoridade administrativa calcou-se: a) na falta de previsão legal para a compensação pleiteada, sendo avocado o Decreto n° 578, de 24/06/92, que não enumerou a possibilidade de utilização dos TDA para quitação de débitos para com a Fazenda Nacional, exceção feita ao ITR (50%); e b) no fato de que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento relativo à matéria denunciada. Em sua peça impugnatória, a contribuinte alega, em resumo, o seguinte: a) a decisão recorrida violou a garantia constitucional de ampla defesa, por não ter abordado assuntos suscitados no pedido inicial, como: 1. a compensação não é mais regulamentada por lei ordinária, mas por lei complementar; e 2. a natureza jurídica dos Títulos da Dívida Agrária (TDA); b) sustenta que a compensação tributária é assegurada à contribuinte pelo art. 170 do CTN, que exige a existência de créditos tributários, em face dos créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública; c) caem por terra, enfatiza a recorrente, os argumentos da autoridade recorrida em estabelecer o sofisma da necessidade da existência de lei ordinária. E prossegue alegando que, vencido o título, sua liquidez e exigibilidade são imediatas, podendo o titular do crédito valer-se do mesmo, como se dinheiro fosse em relação ao seu emitente, ou seja, a Fazenda Pública Federal. Na espécie, o artigo encampado pela autoridade recorrida não tem qualquer aplicabilidade a direitos creditórios relativos aos TDA vencidos, já que estes têm conversibilidade imediata em 2 y MINISTÉRIO DA FAZENDA cg, • Attiilte:r. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4..tsibif Q4•,a7 Processo :. 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 moeda corrente quando de sua apresentação à União (arts. 1° e 3° do Decreto n° 578/92). Se a rigor devem os TDA serem liquidados de imediato quando do seu vencimento — conversibilidade pronta do valor devido em moeda corrente —, tem-se que podem ser empregados como meio de pagamento ou compensação; d) ao propor a compensação em questão, dentro do prazo de liquidação da obrigação tributária, pretendeu a reclamante a extinção integral — por compensação ou pagamento — da obrigação, de modo que, no caso, não há cogitar-se de atraso passível de indenização ou punição moratória; e) o próprio Ministro da Fazenda, Pedro Malan, encaminhou proposta de projeto de lei ao Presidente da República, que enviará ao Congresso Nacional, no qual PREVÊ A POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS TEIA NA QUITAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁMOS perante a Fazenda Nacional, pelo seu valor de face; e f) as multas que se pretende impor não podem subsistir, pois a conduta adotada pela impugnante não é passível de punição. Finalmente, requer seja: a) a reclamação encaminhada à DRJ/RJ para processamento, sob os efeitos do artigo 151,111, do CTN; b)julgada totalmente procedente a impugnação para ser: 1. reconhecida e decretada a nulidade da decisão recorrida, em face do exposto no item acima; e 2. reformada a decisão denegatória, se superado o pedido anterior e, por ato declaratório, ser reconhecida a compensação pretendida, excluídas eventuais multas de mora, com a conseqüente extinção da obrigação tributária, apontada na peça inicial Decidindo a espécie, a autoridade monocrática, calcada nas razões e conceitos invocados na decisão, resolveu: a) manter a decisão reclamada pela ausência de previsão legal, quer para a compensação pleiteada, quer para utilização dos TDA como meio de pagamento de tributos federais, exceção feita aos 50% do ITR; b) JULGAR improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, indeferindo a compensação pleiteada; e 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA '"NR,•tn,," SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 c) NÃO RECONHECER legitimidade à declaração de denúncia espontânea, não se operando os efeitos que lhes são próprios, porque desatendidos os requisitos do art. 138 do CTN. Inconformada, a contribuinte formula o Recurso Voluntário de fls. 58/67, renovando as alegações anteriores, requerendo seja o mesmo julgado totalmente procedente, reformando-se a decisão recorrida para, por ato declaratório, ser reconhecida a compensação pretendida, excluída eventual multa de mora, com a conseqüente extinção da obrigação tributária, apontada na peça inicial (art. 156, II, do Código Tributário Nacional). É o relatório. 4 3C MINISTÉRIO DA FAZENDA `,1:44nnl' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •-• Itínt Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão 201-72.706 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GEBER MOREIRA Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão monocrática que manteve o indeferimento de Pedido de Compensação de PIS com direitos creditorios representados por Títulos da Dívida Agrária — TDA, formulado por SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. A jurisprudência desta Egrégia Câmara pacificou, na espécie, a partir do judicioso voto proferido pela eminente Conselheira Luiza Helena Galante de Moraes, in Acórdão n° 201-71.069, ao qual me reporto pela precisão de suas razões e conceitos. Como sabido, Títulos da Dívida Agrária — TDA são títulos de crédito nominativos ou ao portador, emitidos pela União para pagamento de indenizações de desapropriações por interesse social de imóveis rurais para fins de reforma agrária, e são regidos por legislação específica que trata de emissão, valor, pagamento de juros e resgate, não tendo qualquer relação com créditos de natureza tributária. Alega a requerente que o seu direito à compensação estaria garantido pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional — CIN. Reza, com efeito, o artigo 170 do CTN, verbis: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo com a Fazenda Pública". Já o artigo 34 do ADCT-CF/88 dispõe: "O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda n° 01, de 1969, e pelas posteriores.". No seu § 5°, assim dispõe: 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Nti,35 4:14,Sfr-7,0„ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.;',at-jrrty Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 "Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos §§ 30 e 40.". Assim, o artigo 170 do CTN não deixa dúvida de que a compensação deve ser feita sob lei especifica, enquanto que o art. 34, § 5°, assegura a aplicação da legislação vigente anteriormente à nova Constituição, no que não sela incompatível com o novo Sistema Tributário Nacional. Ora, a Lei n° 4.504/64, em seu artigo 105, que trata da criação dos Títulos da Divida Agrária — TDA, cuidou, também, de seus resgates e utilizações. O § 1 0 deste artigo dispõe: "Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural". Já o artigo 184 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a utilização dos Títulos da Dívida Agrária — TDA será definida em lei. O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, e, tendo em vista o disposto nos artigos 184 da Constituição Federal, 105 da Lei n° 4.504/64 (Estatuto da Terra) e 50 da Lei n° 8.177/91, editou o Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992, dando nova regulamentação ao lançamento dos Títulos da Dívida Agrária — TDA. O artigo 11 deste decreto estabelece que os TDA poderão ser utilizados em: "I — PAGAMENTO DE ATÉ CINQÜENTA POR CENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL; II — PAGAMENTO DE. PREÇOS. DE TERRAS PÚBLICAS; II! — PRESTAÇÃO DE GARANTIA; IV — DEPÓSITO, PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO EM AÇÕES JUDICIAIS OU ADMINISTRATIVAS; V — CAUÇÃO, PARA GARANTIA DE: A) QUAISQUER CONTRATOS DE OBRAS OU SERVIÇOS CELEBRADOS COM A UNIÃO; 6 38. fik.r, MINISTÉRIO DA FAZENDA• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 B) EMPRESTEMOS OU FINANCIAMENTOS EM ESTABELECIMENTOS DA UNIÃO, AUTARQUIAS FEDERAIS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA, ENTIDADES OU FUNDOS DE APLICAÇÃO ÀS ATIVIDADES RURAIS PARA ESTE FIM. VI — A PARTIR DO SEU VENCIMENTO, EM AQUISIÇÕES DE AÇÕES DE EMPRESAS ESTATAIS INCLUÍDAS NO PROGRAMA NACIONAL DE DESESTAT/ZAÇÃO." Resta, pois, muito claro, que a compensação depende de lei específica (artigo 170 do CTN); que a Lei n° 4.504/64, anterior à CF/88, autorizava a utilização dos TDA em pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR; que esse diploma legal foi recepcionado pela nova Constituição Federal (art. 34, § 5 0, do ADCT); e que o Decreto n° 578/92 manteve o limite de utilização dos TDA, em até 50%, para pagamento do ITR e que, entre as utilizações desses títulos, elencados no artigo 11 deste decreto, não há qualquer tipo de compensação com créditos tributários devidos por sujeitos passivos à Fazenda Nacional. Isto posto, e forte no entendimento de que o uso dos TDA fora das hipóteses excepcionais em que tais títulos são admitidos, a compensação requerida como meio de quitação de tributos implica modalidade de pagamento inaceitável, no particular, por ausência de previsão legal. Assim, conheço do recurso, mas nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de abril de 1999 7

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Numero do processo: 10830.000550/99-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DECADÊNCIA - O prazo qüinqüenal para a restituição do tributo pago indevidamente, somente começa a fluir após a extinção do crédito tributário ou, a partir do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. IRPF - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO - Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, por constituírem-se rendimentos de natureza indenizatória. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-45.399
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka.
Nome do relator: Valmir Sandri

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ags". Processo n° 10830.000550/99-03 Recurso n°. 127.713 Matéria : IRPF - EX.: 1994 Recorrente : JAMIL KHATER Recorrida DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR Sessão de : 22 DE FEVEREIRO DE 2002 Acórdão n°. : 102-45.399 DECADÊNCIA — O prazo qüinqüenal para a restituição do tributo pago indevidamente, somente começa a fluir após a extinção do crédito tributário ou, a partir do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. IRPF — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO — Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, por constituírem-se rendimentos de natureza indenizatória. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JAMIL KHATER. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. ANTONIO E FREITAS DUTRA PRESIDENTE , c- SANDR1 RELATOR FORMALIZADO EM: 22 M A R 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, LEONARDO MUSSI DA SILVA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA (SUPLENTE CONVOCADO). Ausente, justificadamente, a Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2=% . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10830000550/99-03 Acórdão n° 102-45.399 Recurso n° 127.713 Recorrente JAMIL KHATER RELATÓRIO Trata o presente recurso do inconformismo do contribuinte, contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância, que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda na Fonte, relativo ao ano-calendário de 1993 — exercício de 1994, para que fossem excluídos da tributação os valores recebidos a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária O contribuinte ingressou com seu pedido de restituição em 26 de janeiro de 1999 (fl. 01), para que fossem excluídos da tributação os valores recebidos à título de PDV Posteriormente (fls. 18/19), a autoridade administrativa indeferiu seu pleito, por entender que o Direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (Art 168, I do CTN) Intimado da decisão administrativa, tempestivamente impugna o feito (fls.. 22/38) À vista de sua impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu seu pleito (fls. 48/51), sob a alegação de que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do recolhimento do crédito tributário 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10830 000550/99-03 Acórdão n°..: 102-45 399 Inconformado com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, tempestivamente, recorre para esse E Conselho de Contribuintes, aduzindo suas razões as fls 55/77 É o Relatório _ 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘2 • ; SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10830 000550/99-03 Acórdão n° 102-45399 VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator O recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento não havendo preliminar a ser analisada. No mérito, o que se discute no presente processo é a extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, ou seja, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial para que ele exerça esse direito, de vez que a exigência do tributo incidente sobre as verbas recebidas a título de incentivo a Programas de Demissão Voluntária, ou ainda, a título de incentivo a Programas de Aposentadoria Incentivada, já o foi afastado pelo Poder Judiciário, e posteriormente, pela própria Secretaria da Receita Federal, através da INSRF n 165, de 31 12 98, e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Pareceres ns. PGFN/CRJ n. 03, de 07 01 99 e 95, de 26 11 99 Logo, a questão cinge-se tão somente na extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, ou seja, quando começa a fluir o prazo decadencial de 5 anos, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional A essa indagação, me filio a corrente adotada por aqueles que entendem que o prazo para que o contribuinte ingresse com o pedido de restituição de pagamentos indevidos ou a maior que o devido só começa a fluir, a partir da homologação expressa pela autoridade administrativa do crédito tributário, ou da homologação tácita, pois, não ocorrendo a atividade administrativa em homologar o pagamento prévio efetuado pelo sujeito passivo, por ficção, considera-se MIM 4 --~ger MINISTÉRIO DA FAZENDA k "- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -2' SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10830.000550/99-03 Acórdão n°. : 102-45.399 homologado o procedimento de lançamento após cinco anos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e a partir daí, definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4, do CTN). Dessa forma, a extinção do direito do contribuinte de pedir a restituição do indébito tributário, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, só começa a fluir após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da homologação expressa ou tácita do crédito tributário. De outra forma, o prazo decadencial só começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte possa exercer o seu direito, que se exterioriza a partir do momento em que o Poder Judiciário afasta a norma por considerá-la inconstitucional ou a partir do ato da própria administração que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Nesse sentido, é oportuno transcrever a ementa do Acórdão n 108- 05.791, em que foi relator o ilustre conselheiro José Antonio Minatel: "RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN: O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia "erga omnes", pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida." 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10830.000550/99-03 Acórdão n°_ : 102-45.399 Nesse mesmo sentido a própria Secretaria da Receita Federal, através do Parecer COSIT n. 04, de 28.01.99, reconheceu o direito do contribuinte à restituição do tributo pago indevidamente, quando entendeu que: "Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição" Portanto, se o órgão competente — Secretaria da Receita Federal — reconheceu o direito do contribuinte à restituição de tributos pagos indevidamente sobre as verbas recebidas a título de incentivo a Adesão Voluntária, através da INSRF n. 165, de 31.12.98, não resta qualquer dúvida que o termo inicial da decadência para a repetição do indébito só começou a fluir a partir daquela data, quando seu direito passou a ser exercitável. Não fossem todos os argumentos acima despendidos, é de se observar que desde a data da entrega da declaração de rendimentos (30.05.94), o recorrente já se insurgia contra a exigência do imposto incidente sobre as referidas verbas, tendo, inclusive, a matéria sida discutido no Processo n. 10830.001779/95-88 (fls. 13/16), o que de plano, afastou a tão alegada decadência. À vista de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito do contribuinte à restituição do imposto de renda, recolhido indevidamente sobre a indenização recebida a título de Incentivo a Programas de Demissão Voluntária Sala das Sessões - DF, em 22 de fevereiro de 2002 1.• ANDRI 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10805.002676/92-81
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 107-03852
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para ajustar a exig~encia ao decidido no processo principal, através do Acórdão 107-03.705, de 04/12/96.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez

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MINISTÉRIO DA FAZENDA • •/ ^-r- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PROCESSO N°.: 10805.002676/92-81 RECURSO N°. : 08.610 MATÉRIA : 1RPF - Exs: 1990 e 1991 RECORRENTE : LUIZ AUGUSTO MORETTI RECORRIDA : DRJ EM CAMPINAS - SP SESSÃO DE : 09 de janeiro de 1997 ACÓRDÃO N°. : 107-03.852 IRPF - TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito existente entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ AUGUSTO MORETTI. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no processo principal, através do Acórdão n° 107-03.705, de 04/12/96, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. c___ICtxxxku. \-)i-NQ.“f)D Uii PRESIDE ILCA ASTRO LEMOS D PAULO BER CORTEZ RELAT - FORMALIZADO EM: 3 JU, 1 1997 vis/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10805.002676/92-81 ACÓRDÃO N°. : 107-03.852 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JONAS FRANCISCO DE OLIVEIRA, NATANAEL MARTINS, EDSON VIANNA DE BRITO, 1VIAURILIO LEOPOLDO SCHMITT e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente, justfficadamente, o Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10805.002676/92-81 ACÓRDÃO N°. : 107-03.852 RECURSO N°. : 08.610 RECORRENTE : LUIZ AUGUSTO MORETTI RELATÓRIO LUIZ AUGUSTO MORETTI, já qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 60/64, da decisão prolatada às fls. 54/55, da lavra do Sr. Delegado da Receita Federal em Campinas - SP, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 35, relativo ao imposto de renda pessoa fisica. A exigência fiscal em exame decorre da autuação contida no processo administrativo fiscal n° 10805.002676/92-81, o qual resultou em autuação por omissão de receitas na pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, gerando, por conseqüência, tributação na pessoa fisica do sócio beneficiário relativamente aos exercícios financeiros de 1990 e 1991. A autuação fiscal decorrente, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, tem como fundamento legal o disposto no artigo 396, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, c/c artigo 1°, inciso VI e § 2° da Lei n° 7.988/89. O autuado apresenta como peça irnpugnatória (fls. 38/40), os mesmos argumentos apresentados no processo principal. Informação fiscal às fls. 52, propondo a manutenção do auto de infração. Por seu turno, a decisão de primeira instância contida nas fls. 54/55, acompanha em suas conclusões, a decisão proferida no processo matriz, cuja ementa é a seguinte: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA Fiá'ICA/EX:90/91 DECORRÊNCIA: Traslada-se para o processo decorrente a decisão de mérito proferida no processo principal relativo ao IRPJ. Rendimentos distribuídos: a partir do exercício financeiro de 1990, período-base 1989, até o exercício financeiro de 1992, período-base 1991, será considerado, como rendimento automaticamente distribuído aos sócios ou ao titular das empresas optantes pela tributação pelo lucro presumido, no mínimo ff% da receita bruta total do período-base, distribuídos proporcionalmente à participação de coda sócio no capital da empresa, no caso de sociedade, ou integralmente, no caso de firma individual (Lei n° 7.988/89, art. I°, e § 2°). EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE " 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10805.002676/92-81 ACÓRDÃO /sr. : 107-03.852 Tendo tomado ciência da decisão de primeira instância em 16/02/96, como faz prova o A.R. de fls. 59, interpôs recurso voluntário de fls. 60/64, no qual o interessado reporta as mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. 4 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO : 10805.002676/92-81 ACÓRDÃO N°. : 107-03.852 VOTO CONSELHEIRO PAULO ROBERTO CORTEZ, RELATOR O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Discute-se nos presentes autos a tributação reflexa de Imposto de Renda Pessoa Física, inerente à distribuição automática de lucros decorrente de auto de infração lavrado contra pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido. O presente é decorrente do processo principal n° 10805.002672/92-21, julgado por esta Câmara, em Sessão realizada em 04 de dezembro de 1996, através do Acórdão n° 107-03.852 no qual, por unanimidade, foi dado provimento parcial ao recurso relativamente ao imposto de renda pessoa jurídica, que deu causa ao feito ora em discussão. Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento daquele apelo há de se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação por decorrência deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da intima correlação de causa e efeito. Em razão de todo o exposto e tudo mais que destes autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para dustar a exigência nos termos do processo principal. Sala das Ses "i• • -D, m 9 de janeiro de 1997. PAULO R • (TO C EZ 5 Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1

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4670995 #
Numero do processo: 10814.008256/98-95
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IMUNIDADE NA IMPORTAÇÃO O artigo 150, VI, a, da Constituição da República Federal do Brasil veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. O § 2° desse mesmo Artigo afirma que essa vedação é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. O Imposto de Importação não incide sobre o patrimônio, descabendo a imunidade pretendida. A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurídicas de direito público interno e às entidades vinculadas é regida pela Lei 8.032/90 e não ampara a questão em tela. Isenção não é imunidade tributária. RECURSO NEGADO
Numero da decisão: 302-34.730
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecer do recurso, por falta do competente depósito legal, argüida pelo Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, vencidos, também, os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto e Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Fernando Rodrigues Silva, relator, e Paulo Roberto Cuco Antunes. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior.
Nome do relator: HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA

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RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP IMUNIDADE NA IMPORTAÇÃO O artigo 150, VI, a, da Constituição da República Federal do Brasil veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. • O § 2° desse mesmo Artigo afirma que essa vedação é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. O Imposto de Importação não incide sobre o patrimônio, descabendo a imunidade pretendida. A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurídicas de direito público interno e às entidades vinculadas é regida pela Lei 8.032/90 e não ampara a questão em tela. Isenção não é imunidade tributária. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecer do recurso, por falta do competente depósito legal, argüida pelo Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, vencidos, também, os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto e Paulo Roberto Cuco 110 Antunes. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Hélio Fernando Rodrigues Silva, relator, e Paulo Roberto Cuco Antunes. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Brasília-DF, em 18 de abril de 2001 ENRIQ PRADO MEGDA Presidente PAUL AFFONSECA DE B • De • FARIA JÚNIOR 10 5 SET2001 Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, as seguintes Conselheiras: MARIA HELENA COTTA CARDOZO e LUCIANA PATO PEÇANHA (Suplente). Ausente o Conselheiro LUIS ANTONIO FLORA. unc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 RECORRENTE : FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA — CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA RELATOR DESIG. : PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR RELATÓRIO No desenvolvimento de despacho aduaneiro com vistas ao desembaraço para consumo de mercadoria importada pela Fundação Padre Anchieta • Centro Paulista de Rádio e TV Educativas, sob o amparo da DI 98/0711146-3, lavrou a fiscalização, regularmente, em 15/09/98, Auto de Infração contra a importador, formalizando a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 3.497,53 por entender que a mesma não fazia jus à imunidade pretendida e declarada. Intimado da exigência, mas com ela não concordando, apresentou, tempestivamente, o importador, através de procurador, Impugnação, constante das fls. 28 a 38, fundamentada, basicamente, no seguinte: a) A Fundação Padre Anchieta Centro Paulista de Rádio e TV Educativas é instituição criada e mantida pelo Estado de São Paulo, que na consecução de seus objetivos, como concessionária da União, dedica - se a operar emissoras de rádio e televisão voltadas para atividades educativas, conforme comprova farta documentação anexa ao processo; 4111 b) Como fundação mantida pelo Poder Público, tem direito ao benefício tributário da imunidade conforme dispositivo estabelecido artigo 150, inciso VI, alínea "a", parágrafo 2°, da Constituição da República de 1.988, abaixo reproduzido: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e ao Municípios: VI — Instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros Parágrafo 2°. A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se 2 lo MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 -ACÓRDÃO N° : 302-34.730 • refere ao patrimônio, a renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. 72 Pelo que julgou demonstrado, requereu a impugnante que fosse julgado integralmente insubsistente o Auto de Infração e extinta a exigibilidade do crédito tributário, multas e juros de mora nele propostos. A autoridade julgadora a quo conheceu da Impugnação, por tempestiva, para no mérito, deferi—Ia parcialmente quanto à aplicação da multa, mantendo a exigência do crédito tributário, em decisão assim ementada: • "IMUNIDADE TRIBUTÁRIA — FUNDAÇÃO PÚBLICA — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO A imunidade recíproca, extensível às fundações públicas, não se aplica ao Imposto de Importação, por não ser imposto sobre o patrimônio, renda ou serviços. Descabimento da multa por falta de pagamento do Imposto de Importação no caso de solicitação de reconhecimento de imunidade, conforme entendimento expresso em ato normativo. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" Regularmente intimada da decisão prolatada na instância monocrática e com ela inconformada, apresentou, tempestivamente, o importador, recurso 411 voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes, devidamente amparado pelas disposições da IN SRF n° 93, de 3 de agosto de 1.998, que estabeleceu a inexigência do depósito prévio recursal nos casos de recurso voluntário de pessoa jurídica. Em suas razões de apelação, a recorrente, em essência, contrapõe à decisão recorrida os mesmos argumentos já expostos na impugnação. Diante do exposto, considerando provado o que alegava, a recorrente requereu que fosse julgado insubsistente a ação fiscal e, consequentemente, anulado o crédito tributário nela exigido. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 VOTO VENCEDOR A Medida Provisória 1621-30, em sua reedição de 12/12/97, publicada no DOU de 15/12/97, em seu art. 32, deu nova redação ao Art. 33 do Decreto 70.235/72, inserindo um § 2° que diz: "Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente o instruir com prova de depósito de valor correspondente a, no mínimo, trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão". • A Medida Provisória, agora com n° 1973-63, de 29/06/2000, e subseqüentes, em seu art. 32, na nova redação que deu ao art. 33 do Decreto 70.235/72, acrescentou mais três §§ a ele, mantida a redação do § 2°, assim redigidos: § 3° - Alternativamente ao depósito referido no parágrafo anterior, o recorrente poderá prestar garantias ou arrolar, por sua iniciativa, bens e direitos de valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão, limitados ao ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. § 40 - A prestação de garantia e o arrolamento de que trata o parágrafo anterior serão realizados preferencialmente sobre bens imóveis. § 5° - O Poder Executivo editará as normas regulamentares 411 necessárias à operacionalização do depósito, da prestação de garantias e do arrolamento referidos nos parágrafos anteriores. O Decreto 3.717, de 03/01/2001, regulamentou a formalização dessas garantias e fala que a SRF expedirá normas complementares para a aplicação do disposto nesse Decreto, o qual e as Medidas Provisórias que o antecedem não fazem distinção entre pessoas jurídicas de direito público ou privado. Como é possível que um ato de hierarquia inferior às Medidas Provisórias e a um Decreto, qual a IN SRF 93/98, pode estabelecer que pessoa jurídica de direito público não se sujeite às determinações de uma Medida Provisória, ao contrário das de direito privado. E qual a razão para essa discriminação? Este processo deve, pois, retornar à Repartição preparadora, através da DRJ/SÃO PAULO, a fim de serem adotadas as providências necessárias ao cumprimento do disposto na NT 1973-68 e nas que a sucederam, nas formas alternativas estatuídas, caso o sujeito passivo assim o deseje. 4 1/{( MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Vencido nessa preliminar, passo ao julgamento no mérito. O Art. 150 da Constituição da República Federativa do Brasil, com as alterações trazidas pela Emenda Constitucional 03/93, no que respeita à matéria em debate, diz ser vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, em seu inciso VI, instituir impostos sobre: alínea a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. O § 2° desse Art. 150 assevera que a vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. • Deve-se agora examinar o § 3 0 desse mesmo artigo que reza: "As vedações do inciso VI, a, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exoneram o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel". Aqui cabe salientar que a Lei estadual 9.849 (26/09/67) que autorizou o Poder Executivo a constituir a Fundação, em seu art. 6°, II, menciona entre os recursos financeiros dela as receitas oriundas de suas atividades. Essa é uma das razões que impedem uma fundação mantida pelo setor público gozar de imunidade tributária. • E a Fundação tem usado em suas emissões o expediente de citar "apoios culturais" recebidos, que, na realidade, constituem recebimentos semelhantes a receitas de publicidade. Na esteira da decisão monocrática e do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF/03-02.448 de 19/08/96, do qual foi Relatora a douta Conselheira ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, a ora Recorrente buscava suporte, a meu ver indevido, no DL 37/66 até o advento da Lei 8.032/90 que revogou isenções e reduções do II e do IPI nas importações, deixando claro que se aplicava às importações realizadas por entidades da Administração Pública Indireta, federais, estaduais e municipais. E foi além. O seu art. 2° estatui que as isenções e reduções do II ficaram limitadas, exclusivamente, às importações realizadas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal, pelos Territórios, pelos Municípios e pelas respectivas autarquias (...). 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 • ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Em tal Lei não consta qualquer isenção ou redução beneficiando a interessada. Em verdade, "isenção/redução" não se confundem com "imunidade". A Constituição, in casu, cuida dos impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, dizendo respeito a tributos que têm como fato gerador os mesmos patrimônio, renda ou serviços, quando dispõe sobre IMUNIDADE. O II e o IPI-vinculado, são impostos sobre o comércio exterior, tendo fatos geradores distintos dos antes citados. O CTN, que regula o sistema tributário, estatui no art. 17 que os • impostos componentes do sistema tributário nacional são exclusivamente os que constam desse título com as competências e limitações nele previstas. E, verificando-se o art. 4 0 , tem-se que "a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação..." Com essas disposições, o CTN, ao definir cada um dos impostos, assim os classificou em capítulos, de acordo com o fato gerador, a saber: Capítulo I- Disposições Gerais. Capítulo II- Impostos sobre o Comércio Exterior. Capítulo 1111- Impostos sobre o Patrimônio e a Renda. Capítulo IV- Impostos sobre a Produção e Circulação. Capítulo V - Impostos Especiais. Ao se verificar o Capítulo III que trata dos Impostos sobre o Patrimônio e a Renda, não encontramos ali os Impostos em questão, ou seja, o II e o 111 Patrimônio mas, sim, Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana e Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (todos referentes a imóveis) e o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. No Capítulo II - Imposto sobre o Comércio Exterior, encontramos na Seção I o Imposto sobre a Importação e no Capítulo IV, Impostos sobre a Produção e Circulação, o Imposto sobre Produtos Industrializados. O que se deve considerar é a determinação legal que define a natureza dos Impostos, sendo que o Imposto sobre a Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados a ele vinculado não se caracterizam como Imposto sobre o Patrimônio, a Renda ou os Serviços, sendo tratados, respectivamente, nos Capítulos II e IV do CTN, e não no Capítulo III. 6 r)# MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 • Face ao exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2001 PAU5.-Á IIFONSECA E : • " OS FARIA JÚNIOR10 Relator Designado e • I 1 , 7 1\1‘.\ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 VOTO VENCIDO Pelo que se encontra consignado nos autos, evidencia-se que a adequada composição da lide entregue a exame exige, fundamentalmente, que se determine o alcance do disposto na parágrafo 2°, do art. 150 da CF/88 e, a partir dele, se verifique se a imunidade recíproca atinge as importações efetuadas pelas fundações públicas. • Assim, o voto que se inicia parte da análise interpretativa do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, conforme a seguir exposto DA DETERMINAÇÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO 2°, DO ART. 150 DA CF/88 1. A interpretação do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88 1.1. A determinação do alcance do parágrafo 2° do art. 150, da CF188 1.1.1. Análise interpretativa do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, segundo os métodos clássicos de interpretação jurídica. 1.1.1.1. Análise gramatical do disposto no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. O exame gramatical é o primeiro momento do processo de • interpretação da norma jurídica. O seu resultado será confrontado com aqueles decorrentes do emprego dos demais métodos de interpretação, em processo onde ele será utilizado como o parâmetro a partir do qual se verificará se, ao final, o resultado do processo interpretativo será meramente declarativo ou, ao contrário, deverá possuir índole corretiva. A explicitação do significado literal de determinada norma jurídica se dá em decorrência da análise semântica do respectivo texto, em um processo que, quando aplicado à norma constitucional, exige que o intérprete tenha em conta o seguinte: a) Por serem jurídicas as normas constitucionais, no processo interpretativo se perseguirá, especialmente, o significado técnico - 8 • °C% MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 jurídico de cada palavra do texto, sem, entretanto, perder-se de vista o fato de que, provavelmente, algumas das palavras a serem examinadas poderão possuir significados erigidos em um outro campo do saber que não o da ciência jurídica e que tais palavras não perderão seus significados originais tão somente por estarem inseridas em norma jurídica. b) Normas jurídicas não são, em regra, elaboradas por juristas, mas sim por homens oriundos de diversos segmentos da sociedade brasileira, em uma conjunção cultural de nível heterogêneo que, • muitas vezes, faz com que o emprego de palavras no produto final do processo legislativo não se dê conforme o seu significado técnico mais adequado, ou mesmo, conforme o uso correto na língua portuguesa. Nesse contexto, é freqüente a utilização de vocábulos técnicos não conforme sua acepção original, mas sim conforme o seu uso comum. Sobre a interpretação gramatical, vale, mais uma vez, trazer lição do professor Luís Roberto Barroso' na qual, se socorrendo de lição de Francesco Ferrara, expõe in verbis: "O intérprete da Constituição deve partir da premissa de que todas as palavras do Texto Constitucional têm uma função e um sentido próprios. Não há palavras supérfluas na Constituição, nem se deve partir do pressuposto de que o constituinte incorreu em contradição ou obrou com má técnica. Idealmente, ademais deve o constituinte, na medida do • possível, empregar as palavras com o mesmo sentido sempre que tenha que repeti-las em mais de uma passagem. De toda sorte , a eventual equivocidade do Texto deve ser remediada com a busca do espírito da norma e o recurso aos outros métodos de interpretação." A precisa interpretação gramatical, em resumo, deve perseguir o significado técnico jurídico das palavras que compõem o texto normativo, preservando, entretanto, o significado original de palavras que traduzem conceitos específicos de outra área do conhecimento, ainda que do trabalho interpretativo venha a evidenciar alguma incongruência entre o fim da norma e sua efetiva dicção. O exame gramatical de determinada norma jurídica exige que, de início, se identifiquem as palavras e expressões cuja determinação dos significados é fundamental para precisar o sentido literal do dispositivo sob exame. 1. BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. 3a Ed. São Paulo, Saraiva, 1.999, p. 130. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 E sendo desta forma, especificamente com relação ao parágrafo 2°, do art. 150, da mera leitura evidencia-se que esses termos e expressões fundamentais são: AUTARQUIA, FUNDAÇÃO PÚBLICA, PATRIMÔNIO, RENDA e SERVIÇOS. A AUTARQUIA, pessoa jurídica de Direito Público Interno, é ente administrativo com capacidade de autodeterminação sob controle estatal, criado por lei e possuidor de patrimônio próprio e atribuição pública típica. Helly Lopes Meirelles Meirelles2 , sobre autarquia, ensina in verbis: "A autarquia é forma de descentralização administrativa, através da personificação de um serviço retirado da Administração centralizada. Por essa razão, à autarquia só deve ser outorgado serviço público típico, e não atividades industriais ou econômicas, ainda que de interesse coletivo. A FUNDAÇÃO PÚBLICA, conforme tratamento da CF/88, é uma entidade de Direito Público, integrante da Administração Pública Indireta, destinada à realização de atividades não lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo. É pertinente lembrar que, embora do tratamento dado à fundação instituída pelo Poder Público pela CF/88 se possa dizer que ela é uma entidade de Direito Púbico, a doutrina não é unanime quanto a isso, entendendo alguns que ela é pessoa jurídica de direito privado. • A fundação pública não possui "FINALIDADE LUCRATIVA", podendo, entretanto, remunerar-se pelo desenvolvimento de suas atribuições próprias. Em face da aparente contradição entre o fim não lucrativo da fundação pública e a possibilidade de remuneração de seus serviços, para que se delineie com exatidão os limites de atuação da fundação pública para fins do desenvolvimento deste trabalho, é preciso verificar quais são as implicações de qualificar-se uma entidade administrativa como "sem fim lucrativo". E sendo assim, é preciso ressaltar desde logo que, ao contrário do que possa parecer a partir de um exame mais apressado da questão, a finalidade não lucrativa de uma fundação não impede que ela tenha lucro, mas tão somente obriga que a perseguição deste não seja a meta fundamental da fundação e, principalmente, que o lucro, quando ocorrer, seja aplicado na própria fundação, visando garantir a continuidade e o aperfeiçoamento de suas atividades. 2. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 20' Ed. São Paulo, Malheiros Editores, 1.995, p. 307 lo MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 O detalhamento dos conceitos de autarquia e fundação pública trouxe a necessidade lógica do entendimento de outro conceito, qual seja o de "serviço público". SERVIÇO PÚBLICO é conceituado de forma bem ampla, normalmente, tão somente como aquele serviço prestado pela Administração. A generalidade dessa definição deve-se à dificuldade da doutrina em indicar as atividades que podem ser classificadas como "serviços públicos", dada a variabilidade que o conjunto desses serviços pode sofrer em função da época e das exigências de cada sociedade. Embora não sendo a tônica na doutrina a enumeração dos serviços públicos, nela encontra-mo-lo classificado pelo mestre Helly Lopes Meirelles, a quem recorremos uma vez mais, segundo dois critérios de especial importância para a linha de raciocínio desenvolvida nesta etapa do trabalho, ou seja: quanto a essencialidade, em serviços públicos e de utilidade pública, e quanto a adequação, em próprios e impróprios. Os serviços públicos são aqueles prestados diretamente à população pelo Estado por este reconhecer a sua essencialidade à sobrevivência da sociedade ou do próprio Estado. Os serviços ditos de utilidade pública são aqueles que a Administração reconhecendo sua conveniência para sociedade, presta-os diretamente aos membros da coletividade ou concorda que sejam prestados por particulares. São exemplos de serviços de utilidade pública: transporte coletivo, gás, energia etc. • Os serviços públicos próprios são aqueles que se relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público (segurança, polícia, higiene e saúde pública etc). Os serviços públicos impróprios, por sua vez, são aqueles que não afetam substancialmente as necessidades da comunidade e, por isso, a Administração os presta de forma remunerada por seus órgãos ou entidades remuneradas. Considerando a importância da educação, creio vale ressaltar que ela é um serviço público daquele dito próprio ou típico, pois o Estado trás para si a responsabilidade de educar a população, permitindo a atuação de particulares nos três níveis de ensino, ou seja, fundamental, médio e superior, tão somente em caráter suplementar. E outra forma não poderia ser, pois uma sociedade de pessoas sem educação é uma sociedade incapaz de evoluir e, principalmente, de sobreviver no contexto internacional competitivo no qual estão, atualmente, inserido os Estados Nacionais. 11 cQ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Conforme definição encontrada no Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva3, são as seguintes das defmições de patrimônio, renda e serviços: a) PATRIMÔNIO é o conjunto de bens direitos e obrigações apreciáveis economicamente. A palavra patrimônio deriva do latim patrimonium, significando, originariamente, os bens da família ou os bens herdados dos pais. O vocábulo "patrimônio" é, portanto, um vocábulo próprio da ciência do Direito. b) RENDA possui diversas acepções, entretanto, aquela que mais se aproxima do contexto estabelecido pela norma jurídica sob exame, é aquela em que o vocábulo renda significa receita ou quantia • recebida. Nesta acepção, renda é vocábulo próprio da terminologia financeira. c) SERVIÇO é o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, bem como a execução de trabalho ou de obra intelectual. Serviço também é aplicado para distinguir o complexo de atividades exercidas por uma corporação ou por uma entidade jurídica constitui o desempenho de atividade ou trabalho intelectual. O vocábulo "serviço" do latim servitium, também é um vocábulo próprio da ciência do Direito. Em conclusão, pelo que aqui se descortinou, o disposto no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, ou seja: "§ 2°. A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes". Poderia ser reescrito, de forma literal, da seguinte maneira: " sç 2°. A vedação do inciso VI, a, é extensiva aos entes administrativos de Direito Público Interno com capacidade de autodeterminação e atribuição pública típica (autarquias) e aos destinados à realização de atividades não lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo (fundações públicas), no que se refere ao conjunto de bens direitos e obrigações apreciáveis economicamente, receita e atividades desenvolvidas, vinculados aos serviços públicos, próprios ou impróprios, por elas prestados ou as deles decorrentes". 3. SILVA, De Plácido. Vocabulário Jurídico. SILVA, De Plácido. Vocabulário Jurídico. 7' Ed. Rio De Janeiro, Forense, 1982. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 1.1.1.2. Análise histórica do disposto no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. A interpretação histórica, de um lado, busca revelar as intenções do legislador ao elaborar determinada norma jurídica, em função do contexto histórico no qual ele estava inserido à época da elaboração da mesma, e de outro, especula qual seria a vontade daquele mesmo legislador sob as condições em que se realiza o exame interpretativo. Ao iniciar o exame histórico do citado parágrafo 2°, impõe-se dizer que o conceito de "imunidade recíproca", consignado na Constituição brasileira vigente, Olk foi incorporado ao nosso direito constitucional positivo em 1891. Entretanto, sua origem remonta ao ano de 1819, quando a jurisprudência da Suprema Corte dos EUA iniciou sua construção. Destarte, o exame histórico da imunidade reciproca, exige que façamos o paralelo entre seu surgimento e evolução na jurisprudência norte - americana e sua inclusão expressa nos textos das constituições brasileiras. Assim, comecemos por dizer que quando Rui Barbosa redigiu o art. 10 da Constituição brasileira de 1891, o qual vedava "aos Estados tributar bens e rendas federais ou serviço a cargo da União, e reciprocamente", havia a norteá-lo o leading case de 1.819, Mc. Culloch vs. Maryland, e nele a sentença do famoso magistrado Marshall, na qual, de forma originária, se expôs o conceito de que não alcançavam às ações do Governo Federal as pretensões do Fisco dos Estados - Membros da Federação, sob o fundamento de que, nessa hipótese, seria como pretender submeter todos os cidadãos do Estado Federal à pretensão fiscal de apenas aqueles que estivessem domiciliados em alguns dos Estados - Membros da Federação. Em outras palavras, faltaria legitimidade à pretensão do Estado - Membro frente à União, por falta de representação na sua formação. Tal decisão, em síntese, entendia, de forma absoluta, como inconstitucional a tributação dos Estados - Membros sobre a União, bem assim sobre os instrumentos de ação dos seus poderes governamentais, e, ao contrário, por ser legitimada na representatividade, a imposição tributária da União sobre os Estados. É preciso ressaltar, que o julgado do Chief-justice Marshall foi prolatado em época onde ainda era tênue a coesão dos Estados - Membros da Federação, de modo que aquele julgado, assim como outros que se seguiram a partir de situações fáticas semelhantes, tinham como objetivo reforçar poder da União frente a sede de autonomia dos Estados. Tal construção jurisprudencial, entretanto, já a partir da Guerra da Secessão, foi mitigada de forma a permitir em determinados casos a tributação dos 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Estados sobre à União, em uma nova orientação que visava tolher a hipertrofia do poder da União. Vale ressaltar que, do conjunto de decisões da Suprema Corte dos EUA envolvendo os limites da imposição tributária recíproca entre a União e os Estados, evidenciou-se que a imunidade ampara os instrumentos e meios de ação para exercício de poderes governamentais dos Estados, mas não as explorações comerciais, industriais ou quase - privadas daqueles. Sobre esse aspecto em particular, vale recordar lição do professor Aliomar Baleeiro4: "Outro caso pacífico era e é o de que a imunidade ampara os instrumentos e meios de ação para exercício de poderes governamentais propriamente ditos e não as explorações comerciais, industriais ou quase - privadas dos Estados, isto é, aquelas que visam apenas proporcionar a estes, como proprietário ou empresário, preços quase-privados (private business ou proprietary character)". Nessa nova fase jurisprudencial, evoluída a partir do célebre julgado de 1891, completa-se o cerne do conceito daquilo que, hoje, encontra-se positivado no direito constitucional brasileiro como "imunidade recíproca". Verifica-se que, quando foi redigido o art. 10 da Constituição Federal de 1.891, já havia sido erigido jurisprudencialmente nos EUA o conceito de vedação de imposição tributária recíproca entre União e Estados, o que explica o texto daquele artigo, que proibia "aos Estados tributar bens e rendas federais ou serviços a cargo da União, e reciprocamente". • Nas Constituições de 1891 e 1937, a imunidade recíproca na forma em que foi consignada nos textos constitucionais, permitiu que se construísse uma interpretação jurisprudencial rígida negando a proibição de imposição tributária recíproca entre Estados e entre estes os municípios. Nas Constituições de 1946 e 1.969, segundo entendimento do professor Aliomar Baleeiro s , os dispositivos normativos que regiam a imunidade recíproca passaram também a proibir que os Estados exigissem tributos um dos outros e dos municípios. Já o artigo 150 da Constituição Federal vigente, consignando um conceito amplo de imunidade recíproca, desenvolvido a partir da experiência jurisprudencial do EUA mencionada, estabelece, in verbis: 4 BALEEIRO, Aliomar. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. 7a Ed. Rio de Janeiro, Editora Forense, 1.999, p. 237 5 Ob. cit. p. 250 14 àç\\\ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Como um desdobramento do conceito do conceito de imunidade recíproca mencionado, e ainda na esteira do desenvolvimento jurisprudencial da matéria na Suprema Corte dos EUA, trouxe a Constituição de 1988, o § 2°, do art. 150 citado, dispondo o seguinte: • "§ 2°. A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes". O desdobramento do conceito de imunidade recíproca consignada no parágrafo 2° mencionado acima, evidencia o caráter abrangente da imunidade recíproca trazida pela Constituição de 1988, a qual, expressamente, passa abranger às autarquias e fundações públicas, ambas tidas como instrumentos dos poderes governamentais, da União e dos Estados, nas ações voltadas para a consecução de seus objetivos próprios. Em conclusão, o que se verifica dessa breve síntese histórico- comparativa entre o conceito de imunidade recíproca construído pela jurisprudência da Suprema Corte dos EUA e aquele consignado no texto das nossas Constituições, é que este, apesar de, em essência, ter sido erigido como forma de fortalecer o princípio • constitucional do federalismo, tal qual aquele, assumiu contornos próprios, passando abranger, expressamente, conforme enunciado no § 2°, do art. 150, da Constituição Federal de 1.998, a imunidade recíproca entre a União, Estados e Municípios, além dos instrumentos de ação governamental destes. 1.1.1.3. Análise sistemática do disposto no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. O conjunto de normas constitucionais, conforme já visto, forma o subsistema nuclear do sistema do direito posto, o que faz com que se evidencie o método sistemático como especialmente importante no processo de interpretação das normas jurídicas constitucionais, uma vez que nesse método o sentido de uma norma não é analisado isoladamente, mas sim em conjunto com outras, em processo interpretativo compatível com o conceito comum de sistema de normas jurídicas, ou seja, um conjunto de normas coerentemente articuladas, no qual, potencialmente, uma norma pode determinar o perfeito alcance de outra. 15 4‘k. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Implícito na definição de sistema acima trazida, a possibilidade de argumentar-se em termos de subsistemas do sistema de normas jurídicas, isto é, partes ordenadas dentro do sistema, guardando uma relação particular de coerência entre si, que de forma unitária, por sua vez, relacionam-se com o sistema todo. Sobre a interpretação da norma constitucional conforme o conceito de sistema, vale trazer nova lição do professor Luís Roberto Barroso 6 , in verbis: "No centro do sistema, irradiando-se por todo o ordenamento, encontra-se a Constituição, principal elemento de sua unidade, porque • a ela se reconduzem todas as normas no âmbito do Estado. A Constituição, em si, em sua dimensão interna, constitui um sistema. Essa idéia de unidade interna da Lei Fundamental cunha um princípio específico, derivado da interpretação sistemática, que o princípio da unidade da Constituição, para o qual se abre um capítulo mais específico mais adiante. A Constituição interpreta-se como um todo harmônico, onde nenhum dispositivo deve ser considerado isoladamente. Mesmo as regras que regem situações específicas, particulares, devem ser interpretadas de forma que não se choquem com o plano geral da Carta.. Além dessa unidade interna, a Constituição é responsável pela unidade externa do sistema." Assim, com o exame interpretativo sistemático do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, pretende-se determinar seu real alcance ajustando seu sentido literal pela análise conjunta com outras normas do sistema. O questionamento que decorre, imediata e naturalmente, do raciocínio exposto, é em relação a qual sistema ou • subsistema se deve-se proceder a interpretação sistemática da norma constitucional. Considerando que o subsistema constitucional é o núcleo do sistema do direito posto, a partir do qual todas as outras normas derivam e/ou validam-se, constata-se que qualquer esforço no sentido de interpretar sistematicamente qualquer norma constitucional deve, primeira e fundamentalmente, buscar o alcance da norma investigada considerando o disposto nas demais normas do subsistema, em busca da vontade original do legislador constitucional ao estabelecê-la. Em outras palavras, não seria lógico, e por isso também não seria científico ou jurídico, querer, em sede de interpretação sistemática, buscar 'fora do subsistema constitucional, ainda que dentro do sistema do direito posto, elementos destinados a estabelecer o sentido de determinada norma constitucional, pois que é 6 Ob.cit. p. 135 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 exatamente ao subsistema constitucional que devemos ir para firmar o sentido de qualquer norma do ordenamento jurídico. 1.1.1.3.1. Análise do parágrafo 2°, do art. 150, da CF188 conjuntamente com disposto no parágrafo 3° do mesmo artigo. O parágrafo 3° do art. 150, da CF/88, assim dispõe: "§ 30. As vedações do inciso VI, a, do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel,". Como se pode verificar, o consignado no citado parágrafo 3° outra coisa não é senão a positivação no direito constitucional brasileiro da evolução jurisprudencial norte-americana sobre o tema, ou, em outras palavras, do conjunto de decisões da Suprema Corte dos EUA evidenciando que a imunidade ampara os instrumentos e meios de ação para exercício de poderes governamentais dos Estados, mas não as explorações comerciais, industriais ou quase - privadas daqueles. 1.1.1.3.2. Análise do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88 conjuntamente com disposições do Código Tributário Nacional. É recorrente na doutrina e nos tribunais, judiciais e administrativos, a argumentação de que a imunidade prevista no parágrafo 2° citado não se aplica ao imposto de importação por este não ser imposto sobre patrimônio, renda ou serviços, mas sim sobre o comércio exterior, conforme sistematização instituída pelo Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1.966). Sobre o cerne da argumentação acima, em que pese o quilate de alguns dos que a advogam, ab initio, atrevo-me a dizer que ela não se sustenta, se não por outras razões, simplesmente por não considerar um fato fundamental que contra ela depõe, ou seja, que as normas constitucionais formam o subsistema nuclear do sistema do direito posto pátrio, o que, por via de conseqüência, impede que se busque fora do sistema constitucional, que, ressalte-se, contém a vontade original do legislador constituinte, elementos de convicção destinados a estabelecer o alcance de normas daquele mesmo sistema. 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Ao que se disse vale somar outras considerações sobre a sistematização dos impostos no Código Tributário Nacional, iniciando por dizer que, quando da defesa de seu anteprojeto por Aliomar Baleeiro e mesmo antes, no início de sua elaboração na década de 50, por Rubens Gomes de Souza, seu grande idealizador, conforme ressaltou Ives Gandra da Silva Martins', as constituições brasileiras já traziam desde 1891, como visto anteriormente, o princípio que vedava a imposição tributária recíproca entre Estado e União sobre seus bens, rendas ou serviços, assim como sobre os instrumentos e meios de ação para exercício de seus poderes governamentais propriamente ditos. Em outras palavras, a sistematização trazida pelo CIN já encontrou a vontade dos constituintes proibindo a imposição tributária recíproca entre União e Estados sobre seus bens, rendas ou serviços e, também, sobre seus instrumentos e meios de ação, incluindo-se ai, obviamente, as autarquias e fundações públicas, de forma tal que qualquer interpretação restritiva que se queira dar ao desdobramento da "imunidade recíproca" consignada no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, baseada na sistematização de tributos trazida em 1966 pelo CTN, estará, em realidade, restringindo uma vontade constituinte histórica que visa, em síntese, preservar as rendas, serviços e patrimônio da União, Estados, Distrito Federal e, atualmente, Municípios, sem restrição à origem, nacional ou estrangeira, dos bens que compõem ou comporão aquele patrimônio. Cabe uma outra ordem de argumentação contrária à anteposição da citada sistematização à extensão da imunidade recíproca às importações realizadas pelas fundações públicas e autarquias, ou seja, se, juridicamente, comércio significa ato de intermediação de troca de bens, denominados mercadorias, com a finalidade do lucro, o imposto de importação, considerando seus reais efeitos sobre o domínio econômico, não pode ser classificado tão somente como imposto sobre o comércio, mais 011 especificamente sobre o comércio exterior, uma vez que o fato jurídico tributário daquele imposto não é a realização do negócio jurídico, mas sim a mera entrada física de um bem estrangeiro em território nacional. Em outras palavras, toda a entrada física de bem estrangeiro, potencialmente, dará causa à incidência do imposto de importação, entretanto, nem toda incidência do imposto de importação envolverá, tecnicamente, uma operação que se possa denominar como comercial. De outro lado, nos contratos de compra e venda no comércio exterior, o negócio jurídico comercial por excelência, a incidência do imposto de importação, quando o importador não é comerciante, afeta, em última análise, não a realização do negócio comercial, mas sim o patrimônio do importador, ao qual será incorporado, definitivamente, o bem importado. Em conclusão, em função de tudo o que aqui se argumentou, dizer que o imposto de importação é um imposto sobre o comércio exterior, é dar cunho geral à situação que não corresponde fielmente à fenomenologia daquele imposto, assim 7 MARTINS, Ives Gandra Da Silva (Coord.) et al. Comentários ao Código Tributário Nacional. l a Ed. Rio de Janeiro, Forense, 1997 18 . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 como, por via de conseqüência, dizer, pura e simplesmente, que a imunidade recíproca não atinge às importações efetuadas por fundações públicas e autarquias em razão da sistematização dos impostos trazidos pelo CTN, é, como já se argumentou anteriormente, restringir uma vontade constituinte histórica que visa, fundamentalmente, preservar as rendas, serviços e patrimônio da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como de seus instrumentos e meios de ação governamental. 1.1.1.4. Análise teleológica do disposto no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. As normas jurídicas são elaboradas para atender um fim e, • obviamente, a sua aplicação adequada é aquela que atende ao fim para o qual foi concebida. Nessa linha de raciocínio, não se pode deixar de verificar que, diante da necessidade de se interpretar a norma jurídica com vista a sua aplicação, o método de interpretação por excelência é o método teleológico. Além disso, por ser a Constituição o conjunto das normas jurídicas nucleares do Estado de Direito e por estarem essas normas impregnadas dos valores que vivificam do ordenamento jurídico, não poderia ser outro senão o teleológico método que possui a primazia na interpretação constitucional, conforme, alias, era o entendimento do mestre Carlos Maximiliano, já citado anteriormente. 1.1.1.4.1. O parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88 e o princípio federativo. Nessa ordem de raciocínio investigativo, deve ser questionado ab initio qual é o fim do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. E a esse questionamento, considerando, obviamente, o ali disposto em articulação com o consignado no art. 150, VI, "a", responde-se que o citado dispositivo se constitui em uma garantia de que as pessoas políticas não serão tolhidas em sua capacidade de autogestão por imposição tributária recíproca, ou mais precisamente, pela imposição recíproca de impostos. Assim, evidencia-se que os citados dispositivos, em conjunto, visam preservar ou garantir a autonomia dos entes federativos. Como a autonomia dos entes federativos é a idéia nuclear do princípio federativo, outro não é o fim do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, combinado com o disposto no inciso VI, "a", senão o de garantir o princípio federativo. Sobre a distinção entre garantias do art. 150 da Constituição e os interesses e as situações subjetivas constitucionais que tutelam, impõe-se trazer elucidativo magistério do professor Flávio Bauer Novellis 8 NOVELLI, Flávio Bauer. Norma Constitucional Inconstitucional? A Propósito do art. 2°, § 2 0, da EC. n° 3/93, in Revista Forense Vol. 330, p. 65 19 I) MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 "Tais disposições formam, como é sabido, com outras mais de conteúdo análogo, o importante art. 150 da Constituição e expressam um certo número de normas proibitivas que constituem no seu conjunto — segundo locução de raiz doutrinária hoje incorporada à linguagem constitucional — as chamadas limitações do poder de tributar(...) (...)ao estabelecerem tais limites ou deveres de abstenção, aquelas disposições asseguram, ispso facto, em contrapartida necessária, certas situações (jurídicas) favoráveis, isto é, direitos, ou antes, garantias, como as designa o próprio art. 150, caput(...) eDe sorte que as garantias do art. 150 da Constituição — e, dentre elas, no presente caso, notadamente a anterioridade e a chamada imunidade tributária recíproca — tutelam (estritamente no âmbito da tributação, vale frisar) os interesses ou situações subjetivas (constitucionais) que se identificam: a) a autonomia (institucional) dos entes políticos integrantes do estado federal, especialmente ao 6angulo financeiro, tendo em vista a incolumidade e o pleno desenvolvimento do princípio federativo que lhe serve de suporte." Ainda sobre garantia do art. 150 da Constituição, mas desta feita em relação, especificamente, ao princípio do federalismo por ela assegurado, vale trazer nova lição do professor Novelli9 : • . (...) Assim, como, em princípio, segundo esperamos haver demonstrado, não se confundem e não podem, pois, identificar-se o direito fundamental garantido e a respectiva garantia (formalmente disposta pela Constituição sob a espécie de limitação do poder de tributar), não há igualmente que confundir-se, sob qualquer ponto de vista, a garantia da imunidade recíproca ( Constituição, art. 150, VI, letra a) e o eminente interesse ou valor constitucional por ela indireta e parcialmente assegurado: o princípio institucional ou do federalismo, enquanto concretamente encarnando a forma federativa de Estado (cf. Constituição, arts. 1°, 18 e 60, §4°, I)." No contexto do que aqui se argumenta, oportuno é recordar o que ensina José Afonso da Silvai": 9 Ob. cit. p.71 20 d‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 "O federalismo, como expressão do Direito Constitucional, nasceu com a Constituição norte-americana de 1787. Baseia-se na união de coletividades políticas autônomas. Quando se fala em federalismo, me Direito Constitucional, quer-se referir a uma forma de Estado, denominada federação ou Estado federal, caracterizada pela união de coletividades públicas dotadas de autonomia político - constitucional, autonomia federativa." Em síntese, os dispositivos sob exame buscam garantir a autonomia da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como de seus instrumentos e meios de ação governamental, entendidos estes como as autarquias e fundações públicas, conforme explícito no citado parágrafo 2° supramencionado. 1.1.1.4.2. O parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88 e o princípio da capacidade contributiva. Não obstante, no subitem anterior, tenha se informado que a chamada "imunidade recíproca" explica-se como decorrência do princípio federativo, como é o entendimento da maioria da doutrina, é possível explicá-la também em função do princípio da capacidade contributiva, como ressalta, Misabel Abreu Machado Derzi, em nota na obra "Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar", de Aliomar Baleeiro": "Como acabamos de registrar, a imunidade recíproca é explicada pela maioria dos juristas como necessária decorrência da opção pela forma federal de Estado, assentando-se, em primeiro lugar, na autonomia das pessoas estatais. (..) Outros juristas, no entanto, preferem fundamentar as imunidades dos entes estatais na ausência de capacidade contributiva. Nesse caso, o principio se estenderia às municipalidades e entes autárquicos, mesmo sendo unitária a forma de Estado, uma vez que a riqueza estatal se destina a fins públicos. (Cf. Dino Jarach, El Hecho Imponible, Buenos Aires, Abeledo Perrot, p. 199; também Sacha Calmon N. Coelho, Comentários à Constituição de 1988, Sistema Tributário, Rio de Janeiro, Forense, 1991.) De fato esse é outro prisma pelo qual a questão também deve ser examinada, não se podendo reconhecer nas atividades estatais I ° SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 5° Ed. São Paulo, Editora Malheiros, 1992, p. 91 " Ob. cit. p. 294 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 próprias, como instrumentalidades governamentais, a capacidade inerente às atividades econômicas de fins lucrativos. Nem seria razoável tributar, decepando a renda, aquela atividade para cuja manutenção compulsoriamente devem contribuir os cidadãos. Tal ângulo de análise também explica por que motivo se excluem da imunidade as empresas públicas, organizadas em regime de Direito Privado." A respeito do principio da capacidade contributiva, vale recordar a seguinte lição Roque Antônio Carrazza12: • " O princípio da igualdade exige que a lei, tanto ao ser editada, quanto ao ser aplicada: a) não discrimine os contribuintes que se encontrem em situação jurídica equivalente; b) discrimine, na medida de suas desigualdades, os contribuintes que não se encontrem em situação jurídica equivalente. No caso dos impostos, estes objetivos são alcançados levando-se em conta a capacidade contributiva das pessoas (Nicas ou jurídicas)" Pelo que aqui se expôs, não se pode deixar de verificar que a imunidade reciproca pode ser vista como assentada tanto no principio da capacidade contributiva quanto no principio do federativo, embora, sem sombra de dúvida, seu aspecto mais significativo seja o decorrente deste último. 1.1.1.4.3. O parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88 e os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: Ao se interpretar teleologicamente os dispositivos já citados, não se pode deixar de considerar o que ali está consignado em função do que resta estabelecido da combinação dos artigos 1°, 3° e 18 da CF/88, a seguir transcritos: "Art. l. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui- se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Art. 3°. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: II — garantir o desenvolvimento nacional; 12 CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 14a Ed. São Paulo, Malheiros Editores, 2000, p. 67 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 /// — erradicar a pobreza e a marginaliza ção e reduzir as desigualdades sociais e regionais; Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição." E da conjugação das normas citadas acima, pode-se afirmar que a garantia de que os instrumentos e meios de ação governamental dos entes federativos (autarquias e fundações) não serão alcançadas pela imposição recíproca de impostos, visa assegurar que aqueles entes, autonomamente, possam cumprir, aos menores custos tributários, os objetivos da República Federativa a qual integram, conforme o art. 3° da CF/88. 1.1.1.4.4. As autarquias e fundações públicas como instrumentos de ação governo e os limites da imposição recíproca de impostos. Nos termos explícitos do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, e tendo em vista o princípio que o justifica, o do federalismo, impõe-se que as autarquias e fundações públicas, enquanto instrumentos pelos os quais os entes federativos buscam a consecução dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, através de ações próprias do Poder Público, dentre elas, a prestação de serviços públicos próprios, estão, reciprocamente, imunes à imposição de quaisquer impostos que afetem seu patrimônio, renda e serviços, mesmo que tais impostos não se classifiquem, formalmente, conforme a sistematização do CTN, dentre os impostos sobre o • patrimônio, renda ou serviços. 1.1.1.4.4.1. As autarquias e fundações públicas como instrumentos de governo, os limites da imposição recíproca de impostos e as explorações comerciais, industriais ou quase - privadas daqueles. As autarquias e fundações públicas, quando intervém no domínio econômico cobrando aos particulares por serviços prestados através de explorações comerciais, industriais ou quase — privadas, não estão atuando como instrumentalizações dos entes federativos no desenvolvimento de ações próprias de governo, e, por via de conseqüência, também não estão imunes à imposição recíproca de quaisquer impostos sobre seu patrimônio, rendas e serviços, pois, na hipótese, desenvolvem atividades que não estão relacionadas com atribuições próprias do Poder Público. 23 \\*. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Tal entendimento está positivado em nosso direito constitucional, mais precisamente no parágrafo 3° do art. 150, da CF/88, já abordado, e corresponde ao desenvolvimento da jurisprudência da Suprema Corte dos EUA envolvendo os limites da imposição tributária recíproca. Sobre esse tema, o insigne mestre Aliomar Baleeiro, na sua obra "Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar", manifesta o entendimento de que a imunidade recíproca não se restringe somente aos impostos que recaiam, formalmente, sobre o patrimônio, renda e serviços, mas, ao contrário, que a imunidade recíproca possui caráter geral, não se aplicando somente nos casos em que a pessoa de direito • público interno promover atividades não vinculadas à sua competência. Por ser o mestre Baleeiro uma das referências máximas de nosso direito tributário e, também, por ter sido um dos juristas de atuação mais destacada na elaboração do Código Tributário Nacional, vale trazer, in verbis, o entendimento mencionado": "Constituem o patrimônio todos os bens ou todas as coisas vinculadas à propriedade pública e integrantes do serviço público, móveis ou imóveis, corpóreas ou não, inclusive complexos de coisas, como uma empresa, universitas rerum. A imunidade não cobre só o patrimônio, considerado como a universalidade dos bens da pessoa de Direito Público ou entidade do art. 19, III, c, da Emenda n° 1, de 1969. Protege qualquer dos bens que o integram. Um a interpretação puramente literal conduzirá ao resultado de que todo bem, toda renda ou todo serviço, que pertença à União, Estados, Municípios e Distrito Federal, goza da imunidade do art. 19, III, a. Esse resultado não deve ser aceito porque leva o aplicador ao absurdo de que dispositivo concebido no objetivo de evitar a destruição de uma esfera de governo permita destruição de outra pela extensão de seu alcance. A Constituição não poderá ser interpretada de sorte que ameace a organização federal por ela instituída ou ponha em risco a coexistência harmoniosa e solidária da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 13 Baleeiro, Aliomar. Ob Cit. p. 251 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Essas considerações nos levam a supor que a interpretação do art. 19, III, a, importa a distinção entre bens e rendas vinculadas às atividades fundamentais de cada pessoa de direito público interno, dentro das atribuições de sua competência, como instrumentos desta, e bens ou rendas de todo alheios a essa competência, porque de caráter puramente especulativo ou patrimonial, sem a menor conexão com o interesse comum das demais esferas de governo." Mais adiante na obra supracitada, o professor Baleeiro aborda o tema da imunidade reciproca sob o enfoque do que chamou " critério econômico", em uma linha de argumentos que reforça o entendimento que a imunidade reciproca recai sobre 4111 todos os impostos de uma forma geral. Vale, por sua significação didática, também trazer esse entendimento": "Com relação aos impostos alfandegários, por exemplo, a União sempre se considerou com o direito de exigi-los aos Estados e Municípios, tanto assim que julgou necessária a votação de leis para beneficiá-los com isenções ou reduções de caráter geral ou especial. Isso aconteceu invariavelmente desde o regime de 1891, de sorte que correram os trâmites regimentais, no Congresso, de vários projetos de isenções para máquinas, pertences e materiais importados por Estados e Municípios. Se o art. 19, III, a, não admite distinções, então a imunidade dispensa essas leis, porque as coisas adquiridas no exterior por um Estado já são bens do patrimônio estadual antes de importadas. Mas isso não iria 'a extrema conseqüência de que o Estado poderia importar • coisas e revende-las, como um negociante qualquer. Parece-nos que a chave para solução há de procurar-se, em cada caso na pesquisa da destinação da mercadoria importada. Se ela é específica do serviço público, por exemplo, material rodante de extinção de incêndios, telescópios para observatório astronômico, sinaleiras de trânsito etc. -, ou se o Governo importador justifica o seu emprego no serviço público, cremos que o caso se enquadra na imunidade. (...)" O professor Roque Antônio Carrazza", após manifestar argumentar que a imunidade reciproca decorre naturalmente do principio federativo, o que, por si 14 Baleeiro, Aliomar. Ob. cit. p. 254 15 Ob. cit. p. 472 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 só, dispensaria qualquer artigo constitucional explicitando-a, manifesta o seguinte entendimento: "Postas estas idéias, fica fácil concluirmos que, no Brasil, a imunidade tributária da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios estende-se a todos os impostos, e não apenas aos impostos sobre "patrimônio, renda ou serviços, um dos outros" Em complemento a esse entendimento, trás o professor Carrazza dois argumentos: 41, "O primeiro: A Constituição usou, nesta passagem (como em tantas outras), de uma linguagem econômica e, portanto, não-jurídica. Lembramos que, para a Economia, todos os impostos ou são sobre a renda, ou sobre o patrimônio ou sobre serviços. Assim, por exemplo, para a Economia; são impostos sobre o patrimônio, dentre outros: a) o imposto sobre grandes fortunas; b) o imposto territorial rural; c) o imposto sobre a propriedade de veículos automotores; e d) o imposto predial e territorial urbano. Já, para o Direito, eles são impostos diferentes: os dois primeiros, de competência privativa da União; o terceiro, dos Estados-membros; o último, dos Municípios. Em suma, quando aludiu aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, ela, na verdade, fez referência a todos eles, sem exceção. O segundo: conforme já vimos, ainda que a Constituição tivesse silenciado a respeito, as pessoas políticas não poderiam exigir, uma • das outras, impostos." Na mesma obra citada, Roque Carrazzam, sobre as atividades das pessoas políticas em explorações comerciais, industriais ou quase - privadas daqueles, firma o seguinte entendimento: "(...) a imunidade recíproca não aproveita às pessoas políticas enquanto presta., pelo menos para fins de tributação. Invertendo, porém, o raciocínio, podemos logicamente concluir que as pessoas políticas são imunes a impostos quando prestam serviços públicos em que não haja "contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário" 16 Ob. cit. p. 473 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 O professor Sacha Calmon Navarro Coelho'', passando a advogar as teses do mestre Aliomar Baleeiro sobre a imunidade recíproca, expõe o que se segue: "Nas primeiras edições de nossos comentários à Constituição, não advogamos as teses de Baleeiro, delas fazendo apenas registro. Agora, contudo, urge meditar mais intensamente sobre elas. Alguns casos concretos parecem dar razão ao grande mestre baiano, senão vejamos: a) quando a Usiminas vende chapas de aço à Marinha Nacional, para consumo próprio, conquanto o contribuinte de jures seja a Usiminas, o repasse do ICMS no preço faz da União Federal o • contribuinte do imposto, sem dúvida. Não seria o caso de considerar a teoria da repercussão para atender atentamente a princípio constitucional da imunidade intergovernamental recíproca, sabendo-se que as pessoas políticas não possuem, por definição, capacidade contributiva, à luz do princípio constitucional? b) por ocasião do chamado "Plano Brasil Novo", já no mandato Collor, intentou a União cobrar imposto sobre o patrimônio mobiliário de Estados e Municípios (representado por títulos mobiliários), com o 10F, pago por quem detinha a riqueza e não por quem realizava a operação tributada (repercussão). O imposto era proporcional ao patrimônio do contribuinte, intrinsecamente desprezadas as operações em si mesmas. Com o ouro, a vera natureza de imposto sobre riqueza daquela exação restou claríssima, por isso que a CF impunha a tributação do ouro pelo IOF apenas sobre a primeira operação a uma alíquota nunca superior a 1%. Tributou-se a propriedade do ouro em custódia ou em certificados em 35%, outra vez. Seja lá como tenha sido, duas coisas • restaram evidentes: primeiramente, por não possuírem as pessoas políticas e suas instrumentalidades autárquicas capacidade contributiva (art. 145, §1° da CF), deveriam estar excluídas de quaisquer tributações. Em segundo lugar, consoante o exposto acima, dever-se-ia na consideração da intergovernamental evitar não apenas a incidência dos imposto que tivessem por fatos geradores o patrimônio, as rendas ou os serviços, mas, igualmente, os impostos que formalmente incidentes sobre outras realidades viessem a molestar o patrimônio ou a renda das mesmas, à luz do princípio da capacidade contributiva. Estamos propugnando, por isso, uma interpretação, a mais larga possível, da imunidade intergovernamental, na esteira de Baleeiro. 17 COELHO, Sacha Calmon Navarro. Manual de Direito Tributário. 1 a Ed. Rio de Janeiro, Forense, 2000,p. 146 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Este modo de ver a imunidade intergovernamental recíproca é o mais acorde com a realidade. O "telos" do princípio imunitário é, precisamente, não permitir que a coisa pública venha a ser molestada pela tributação: o patrimônio ( uma universitas rerum), as rendas, os serviços públicos. As pessoas políticas não possuem capacidade contributiva. Ao revés, são dotadas de competência para tributar, não porém umas às outras. De mais a mais, a questão entranha-se no intrico federativo. As • pessoas políticas que convivem na Federação estão voltadas, todas elas, ao bem comum. Não é admissivel que venham a se tributar mutuamente, estendendo-se a imunidade até as instrumentalidades dos Poderes Públicos. Aliás, foi por aí que a cogitação da imunidade teve início nos EEUU.(..) Finalmente, a professora Misabel Abreu Machado Derzi em nota na obra de Baleeiro, quando em tarefa de atualização da mesma, assim se manifesta sobre as imunidades recíprocas": "A Constituição de 1988 parece antes apontar mais no sentido de fortalecer a tese de Aliomar Baleeiro e de Geraldo de Ataliba do que na direção de uma interpretação literal, restritiva ou formal. Sua normatividade efetiva repele as ficções ou presunções que escondem os verdadeiros valores e princípios fundamentais. Se o art. 145 §1°, determina que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal S e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte"...., a interpretação sobre a extensão da imunidade recíproca deve levar em conta as repercussões dos impostos sobre o patrimônio público, o qual, sendo instrumento governamental, nem é signo de capacidade econômica nem, tampouco, se sujeita ao princípio da solidariedade no pagamento de imposto, porque já pertence à coletividade" Ainda em nota na obra de Baleeiro, sobre a "interpretação econômica", Misabel Abreu Machado Derzi reforça o entendimento do caráter geral que se deve dar à interpretação da imunidade recíproca, da seguinte formai': 18 Ob. cit. p. 301 19 Ob. cit. p. 303 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 "A verdadeira indagação que se coloca por detrás desse falso dilema, o econômico vs. o jurídico, está em descobrir a que princípios e valores jurídico - constitucionais deve os resultados de uma interpretação. A melhor interpretação é aquela que, de forma mais razoável e adequada, realiza os ditames constitucionais. Quando se conclui ser imperativo constitucional, na interpretação da imunidade recíproca, por força de valores e princípios fundamentais, a consideração da translação ou transferência do encargo de impostos, tal critério será jurídico e nunca meramente econômico. Ora, econômicos são os dados da realidade (ou morais, ou políticos - sociais) que só adquirem importância na medida em que a "lei" ou a Constituição s da não guarda nenhuma particularidade. Como lembra Isensee, a impropriamente chamada interpretação "econômica" é um método jurídico que não guarda nenhuma particularidade (Cf Josef Isensee, Die Typisierende Verewaltng, 1' ed., Berlim, Duncher & Humblott, 1976,p.83)" Em conclusão, nos termos da garantia ao princípio do federalismo consignada no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, evidencia-se que as autarquias e fundações públicas, quando não intervém no domínio econômico através de explorações comerciais, industriais ou quase — privadas, ou seja, enquanto instrumentos pelos os quais os entes federativos buscam a consecução dos objetivos fundamentais da República Federativa, através da realização de atos de governo ou da prestação de serviços públicos, estão, reciprocamente, imunes à imposição de quaisquer impostos que afetem seu patrimônio, renda e serviços, mesmo que tais impostos não se classifiquem, formalmente, conforme a sistematização do CTN, dentre os impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços. • 1.1.2. O alcance do parágrafo 2°, do art. 150 da CF/88 Pelo que se apurou em sede de interpretação literal do parágrafo 2° citado, a vedação do inciso VI, a, do mesmo art. 150, seria extensiva aos entes administrativos de direito público interno com capacidade de autodeterminação e atribuição pública típica (autarquias) e aos entes destinados à realização de atividades não lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo (fundações públicas), no que se refere a seus bens, direitos, obrigações apreciáveis economicamente, receitas, e atividades desenvolvidas, quando estes estiverem vinculados aos serviços públicos próprios ou impróprios por elas prestados ou as deles decorrentes. Então, considerando o significado literal apurado, não se aplicaria às importações efetuadas por autarquias e fundações públicas a vedação prevista no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, essencialmente, por dois motivos: 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 a) Por não ser o imposto de importação um imposto sobre patrimônio, renda ou serviços, mas sim sobre o comércio exterior, conforme sistematização instituída pelo Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1.966); b) Não se dá interpretação extensiva às normas que instituem as regras gerais, as que estabelecem benefícios e as punitivas e extensivamente as normas que asseguram direitos, estabelecem garantias e fixam prazos. Entretanto, da aplicação dos métodos de interpretação jurídica à • situação sob exame, verifica-se o seguinte: 1) Sobre a não aplicação da vedação prevista no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, ao imposto de importação em decorrência da sistematização efetuada pelo Código Tributário Nacional, é necessário dizer que esta argumentação não se sustenta, pois não se pode determinar o sentido daquela ou de qualquer outra norma constitucional, sem se considerar, especial e prioritariamente, os elementos de convicção que emanam da análise conjunta da norma sob exame com as demais normas da Constituição. Tal providência se impõe, como se verificou, porque as normas constitucionais formam o subsistema nuclear do sistema do direito posto pátrio, o qual contém a vontade original do legislador constituinte e que, por via conseqüência, também contém as normas que validam todas as demais normas do sistema jurídico normativo. • Além do que se disse sobre a sistematização dos impostos no Código Tributário Nacional, vale também argumentar que a sistematização trazida pelo CTN já encontrou, desde 1891, a vontade dos constituintes proibindo a imposição tributária recíproca entre União e Estados sobre seus bens, rendas ou serviços e, também, sobre seus instrumentos e meios de ação, de forma genérica, de tal modo que qualquer interpretação restritiva que se queira dar ao desdobramento da "imunidade recíproca" consignada no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, baseada na sistematização de tributos trazida em 1966 pelo CTN, estará, em realidade, restringindo uma vontade constituinte histórica que visa, em síntese, preservar as rendas, serviços e patrimônio da União, Estados, Distrito Federal e, atualmente, Municípios, sem restrição à origem, nacional ou estrangeira, dos bens que compõem ou comporão aquele patrimônio. 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Em outra ordem de argumentação, deve-se ressaltar que, cientificamente, o imposto de importação não pode ser classificado tão somente como imposto sobre o comércio, mais especificamente sobre o comércio exterior, uma vez que o fato jurídico tributário daquele não é a realização do negócio jurídico, mas sim a mera entrada física de um bem estrangeiro em território nacional. Em outras palavras, toda a entrada física de bem estrangeiro, potencialmente, dará causa à incidência do imposto de importação, entretanto, nem toda incidência do imposto de importação envolverá, tecnicamente, uma operação que se possa • denominar como comercial. 2) Sobre a suposta impossibilidade de dar interpretação extensiva à norma do parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88, pois que se trata de norma que estabelece benefício, como base em tudo o que já se expôs, é preciso firmar o entendimento, já exposto acima, que, em sede de interpretação de normas constitucionais, não se pode preconizar regras que permitam, a priori, estabelecer qual será o âmbito de abrangência de determinada norma apenas em função da verificação do seu estrito significado literal. Isto porque, em realidade, deve o interprete da norma constitucional, antes de mais nada, procurar verificar se sua expressão gramatical está em sintonia com âmbito de abrangência do princípio que a rege, para somente então, definir se é o caso de adotar - se uma interpretação declarativa, extensiva ou restritiva. • 3) Da aplicação do método de interpretação histórico, verificou-se que o conceito de imunidade, consignado nas Constituições brasileiras desde 1891, evoluído de construção jurisprudencial da Suprema Corte dos EUA, possui a finalidade de garantir o princípio constitucional do federativismo. 4) Da aplicação do método de interpretação sistemático, fica evidente que dizer que o imposto de importação é tão somente um imposto sobre o comércio exterior, é dar cunho geral à situação que não corresponde fielmente à fenomenologia daquele imposto, assim como, por via de conseqüência, dizer, pura e simplesmente, que a imunidade recíproca não atinge às importações efetuadas por fundações públicas e autarquias em razão da sistematização dos impostos trazidos pelo CTN, é, como já se argumentou anteriormente, restringir uma vontade constituinte histórica que visa, fundamentalmente, preservar as rendas, serviços e 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 patrimônio da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como de seus instrumentos e meios de ação governamental quando estes desenvolvem atribuições próprias do Poder Público. Com base em tudo o que se argumentou aqui, especialmente do que constatou da aplicação do método de interpretação teleológico, evidencia-se que a norma do parágrafo 2° do art. 150, da CF/88, alcança quaisquer impostos que sejam suportados pelas pessoas políticas, assim como pelas autarquias e fundações públicas por elas criadas, quando os mesmos afetem, direta ou indiretamente, o patrimônio, renda ou serviços daqueles que estejam vinculados ao desenvolvimento de atribuições próprias do Poder Público, das quais, por via de conseqüência, não poderá decorrer qualquer atividade que venha a intervir no domínio econômico através de explorações • comerciais, industriais ou quase—privadas. Em resumo, considerando o alcance da norma do parágrafo 2° do art. 150, da CF/88, estabelecido no subitem anterior, é forçoso dizer que as importações promovidas pelas autarquias e fundações instituídas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, somente estão amparadas pela imunidade recíproca quando os bens importados destinarem-se a serem empregados em atividades daquelas fundações e autarquias que sejam próprias do Poder Público, e das quais não se configure intervenção no domínio econômico através de explorações comerciais, industriais ou quase — privadas. DA VERIFICAÇÃO DA APLICAÇÃO DA IMUNIDADE RECÍPROCA A IMPORTAÇÃO EFETUADA PELA RECORRENTE ORA SOB EXAME. Assim, a verificação da aplicação da imunidade recíproca à importação efetuada pela Fundação Padre Anchieta ora sob exame, requer saber se tal importação atende aos requisitos estabelecidos quando da determinação do alcance do parágrafo 2°, do art. 150, ou seja: 1) se o importador é uma autarquia ou fundação instituída pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; 2) se os bens importados destinam-se a serem empregados em atividades daquelas fundações e autarquias que sejam próprias do Poder Público, e 3) se tais atividades não se configuram em intervenção no domínio econômico através de explorações comerciais, industriais ou quase — privadas. 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Ora, que a Recorrente é uma fundação instituída pelo Poder Público estadual, não resta dúvida, pois o próprio julgador inicia a fundamentação de sua decisão declarando isso. Quanto às atividades exercidas pela recorrente, seus estatutos que estão nos autos, atestam que ela é uma pessoa jurídica, sem fins lucrativos, instituída com a finalidade de promover atividades educativas e culturais. Então, se promove educação e cultura, promove atividade própria do Poder Público, prioritária em um país pobre e de imensa quantidade de analfabetos. Vale dizer que, ao contrário do que possa parecer a partir de um exame mais apressado da questão, a finalidade não lucrativa de uma fundação não impede que ela tenha lucro, mas tão-somente obriga que a perseguição deste não seja a meta fundamental da fundação e, principalmente, que o lucro, quando ocorrer, seja aplicado na própria fundação, visando garantir a continuidade e o aperfeiçoamento de suas atividades. Com relação aos bens por ela importados, verifica-se nos autos que é um sistema de rádio, sendo, portanto, um bem relacionado a sua atividade fim. Sobre não ser de uma exploração comercial, industrial ou quase — privada, verifica-se que por ser uma fundação pública do Estado de São Paulo, sem fim lucrativo, dedicada à promoção de educação e cultura através de rádios e tv's abertos, obviamente, não pode ser caracterizada como uma exploração comercial, industrial ou quase — privada. Enfim, por tudo o que se constatou, resta claro que a importação promovida pela recorrente ora sob exame está amparada pela imunidade recíproca, mais exatamente pelo seu desdobramento consignado no parágrafo 2°, do art. 150, da CF/88. Vale lembrar que, tal qual entendimento recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, decisão do STF admitiu a extensão da imunidade recíproca a imposto outro que não aqueles formalmente classificado no CTN como sobre o patrimônio, renda ou serviços: "IMUNIDADE RECÍPROCA — 10F — APLICAÇÕES FINANCEIRAS DO ESTADO Está ao amparo da imunidade tributária (art. 150, "a", da Constituição) a incidência do Imposto Sobre Operações Financeiras, em razão das aplicações realizadas, no mercado financeiro pelo Estado. (Ac. Un. do STF Pleno — ACOr 468-3-MS o Rel. Min. Octávio Galloti — j.11.11.96 — Pares: estado do mato Grosso do Sul e União Federal — DJU de 21.02.97, p.2823)" 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.614 ACÓRDÃO N° : 302-34.730 Em face de todo o exposto, conclamo os ilustres conselheiros a nova e cuidadosa reflexão sobre o tema, atentos às nuances jurídicas, dizendo que conheço do recurso, por tempestivo, para, no mérito, dar-lhe integral provimento. Assim é o voto. Sala das Sessões, em 18 d- abril de 2001 , 4 ,/ 111 • 41 ,01FERN DO RODRIGUES SILVA - Conselheiro • 34 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 2a CÂMARA_" Processo n°: 10814.008256/98-95 Recurso n.°: 121.614 TERMO DE INTIMAÇÃO le° . Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à 2a Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-34.730. Brasília-DF,"------/e) C9/(17/ MF — ar em i - - P..(do Álegda PresIdent3 Ij3 :"..• Chuta Ageek, IP" s ) q 1RD () 1 Ciente em: ) Àt ( - iit.P\JÇ) s, \-. 1 1 ,......, (\ kl AC). O t\i )42\ -) f' 9-D C\ , u 0, 90 D A 4/(\i1)1‘1 " Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.043161/95-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - EX.: 1995 - ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - MULTA - A entrega intempestiva da Declaração de Rendimentos, sujeita a pessoa física ao pagamento de multa, equivalente a 1% (um por cento), por mês ou fração, sobre o imposto devido apurado na Declaração, fixado este valor, a partir de 1995, em no mínimo 200 UFIR, ainda que dela não resulte imposto devido. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-42362
Decisão: POR MAIORIA DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. VENCIDO O CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA.
Nome do relator: Ursula Hansen

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ANTONIO DEFREITAS DUTRA PRESIDENTE / HANISEN - 4110! TORA FORMALIZADO EM 2 MAR 199q Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLAUDIA BRITO LEAL IVO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI Ausentes, justificadamente, as Conselheiras SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS MNS , 47,v ..•- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n0 10768.043161/95-12 Acórdão n° 102-42.362 Recurso n° 12.166 Recorrente TH EREZI N HA SILVA MARTI N HO RELATÓRIO THEREZINHA SILVA MARTINHO, inscrita no CPFMF sob o n° 072 370 127-03, recorre a este Colegiado de decisão que manteve a exigência de pagamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Rendimentos relativa ao exercício de 1995, ano-calendário 1994 Da Notificação de fls.. 02 e anexos constam, como enquadramento legal, os artigos 837, 838, 840,883, 884, 885, 886, 887, 900, 923, 985 e 988, todos do RIR194, aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/94, e artigos 1 0 , 40, 50 , parágrafo 50 do artigo 84 e artigo 88 da Lei n° 8.981, de 20101/95. A contribuinte, em sua impugnação de fls. 01, requer o cancelamento da exigência, alegando ter apresentado sua declaração espontaneamente, ainda que com atraso Após analisar as alegações da contribuinte e demais peças contidas nos autos, à vista da legislação de regência, a autoridade julgadora singular mantém a exigência, encontrando-se a decisão ementada como segue. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO: 1995 ANO - CALENDÁRIO: 1994 Multa por atraso na entrega da declaração Não havendo amparo legal à solicitação pretendida pelo impugnante, há de ser mantido o lançamento LANÇAMENTO PROCEDEN E — /V 2 ..___. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10768043t61/95-12 Acórdão n° . 102-42362 Em suas Razões de recurso, acostadas aos autos às fls. 16, o contribuinte reitera basicamente os argumentos já expendidos na fase impugnatória, ressaltando que o pleito de cancelamento da exigência encontra guarida no disposto no artigo 138 do CTN. Em consonância com o disposto na Portaria ME n° 260, de 24/10/95, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas Contra-Razões, juntadas às fls., 18/20. 4 É o Relatór/i 3 44- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768.043161/95-12 Acórdão n°. 102-42 362 VOTO Conselheira URSULA HANSEN, Relatara Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A entrega de Dectaração de Rendimentos pelas pessoas físicas e jurídicas é obrigação legal, e a falta ou atraso em seu cumprimento enseja na cobrança de multa A penalidade aplicável, encontra-se disciplinada, a partir de 1° de janeiro de 1995, pela Lei n° 8.981, que" Altera a legislação tributária federal e dá outras providências", e, em especial no disposto no seu artigo 88, verbis "Art. 88 - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica - à muita de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, [I - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido - O valor mínimo a ser aplicado será a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas, b) de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas. § 2 0 - A não regularização no prazo previsto na intimação, ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado § 30 - As reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 e art. 60 da Lei n° 8.383, de 1991 não se aplicam às multas previstas neste artigo § 4° - (Revogado pela Lei n° 9.065, de 20/06/199 " 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA z!-IP-;rjt: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768 043161/95-12 Acórdão n° 102-42.362 As normas sobre o valor das penalidades em vigor foram bastante divulgadas, tendo constado das instruções para preenchimento de declarações de ajuste, sendo o prazo de entrega destas, em 1995, prorrogado, para superar quaisquer dificuldades que pudessem ter ocorrido na obtenção de formulários e disquetes Não pode prosperar, também, a assertiva de que, correspondendo a entrega de Declaração urna obrigação acessória, a penalidade decorrente de seu não cumprimento somente subsistiria no caso de haver infração referente à obrigação principal Ou seja, não incidiria nos casos em que não houvesse apuração de imposto devido. A exigência de multa não se confunde com a apuração de imposto de renda O fato gerador da penalidade é o atraso no cumprimento da obrigação de prestar informações ao fisco A obrigação acessória converte-se em obrigação principal, conforme disposto no § 30 do artigo 113 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito "Art 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória § 1° - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 20 - A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos § 3° - A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." Por outro lado, não pode prosperar o entendimento de alguns, que pretendem caracterizar a cobrança da multa como um confisco A multa por atraso na entrega de Declaração de Ajuste constitui penalidade aplicada como sanção de 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DF CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768.043161/95-12 Acórdão n° 102-42,362 ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal A Constituição de 1988, veda expressamente a utilização de tributos com efeito de confisco, pelo que nem mesmo cabe a discussão sobre este tópico, haja visto tratar-se, nos presentes autos, de multa, penalidade pecuniária prevista em lei, conforme transcrito acima. Apenas a título de ilustração, transcreve-se definição constante da Lei 5.172/66 - Código Tributário Nacional "Artigo 3° - Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada " Sobejamente demonstrada a legalidade da cobrança da multa por atraso na entrega de declaração de imposto de renda, citados os dispositivos legais em que se fundamenta, a sua natureza de obrigação acessória e a decorrente impossibilidade de enquadrá-la como "confisco", cabe, finalmente, verificar se a ela pode ser oposta a figura da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN Reza o Artigo 138 do Código Tributário Nacional. "Art 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração Parágrafo único - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infrag o " 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA , •=g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10768 043161195-12 Acórdão n°. 102-42.362 O mestre ALIOMAR BALEEIRO, ao comentar o artigo acima transcrito (in Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 2 a Edição), assim se manifesta "EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE PELA CONFISSÃO - Libera-se o contribuinte ou o responsável, ainda mais, representante de qualquer deles, pela denúncia espontânea da infração acompanhada, se couber no caso do pagamento do tributo e juros moratórios, devendo segurar o Fisco com depósito arbitrado pela autoridade se o quantum da obrigação fiscal ainda depender de apuração. Há nessa hipótese, confissão e, ao mesmo tempo, desistência do proveito da infração. A disposição, até certo ponto, equipara-se ao art., 13 do C Penal: "O agente que, voluntariamente, desiste da consumação do crime ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados." A cláusula "voluntariamente" do C P é mais benigna do que a "espontaneamente" do C T N , que o § único desse art. 138, esclarece só ser espontânea a confissão oferecida antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração A contrario sensu, prevalece a exoneração se houve procedimento ou medida no processo sem conexão com a infração benigna amptiancia." Do texto transcrito se depreende que a outorga do benefício pressupõe uma confissão, uma denúncia. Segundo DE PLÁCIDO E SILVA (in Vocabulário Jurídico, Vol I e II, Ed. Forense) "CONFISSÃO - Derivado do latim confessio, de confiteri, possui na terminologia jurídica, seja civil ou criminal, o sentido de declaração da verdade feita por quem a pode faz-r 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768.043161/95-12 Acórdão n° 102-42 362 Em qualquer dos casos, é a confissão o reconhecimento da verdade feita pela própria pessoa diretamente interessada nela, quer no cívet, quer no crime, desde que ela própria é quem vem fazer a declaração de serem verdadeiros os fatos arguidos contra si, mesmo contrariando os seus interesses, e assumindo, por esta forma, a inteira responsabilidade sobre eles DENÚNCIA - Derivado do verbo latino denunfiare (anunciar, declarar, avisar, citar), é vocábulo que possui aplicação no Direito, quer Civil, quer Penal ou Fiscal, com o significado genérico de declaração, que se faz em juízo, ou notícia que ao mesmo se leva, de fato que deva ser comunicado Mas, propriamente, na técnica do Direito Penal ou do Direito Fiscal, melhor se entende a declaração de um delito, praticado por alguém, feita perante a autoridade a quem compete tomar a iniciativa de sua repressão 25 Segundo consta do Dicionário do Mestre AURÉLIO, denunciar significa "fazer ou dar denúncia de, acusar, delatar" "dar a conhecer, revelar, divulgar" "publicar, proclamar, anunciar" "dar a perceber, evidenciar" Em qualquer das acepções da palavra, existe o sentido de tornar pública, de conhecimento público um fato qualquer. No casa em exame, o fato concreto é conhecido da autoridade fiscal - existe um prazo legal, prefixado em que deve ser cumprida a obrigação. O descumprimento tempestivo da obrigação de fazer implica na imposição da multa Ocorrendo o fato gerador da multa no momento do decurso do prazo legal sem seu adimplemento, a cobrança, a obrigatoriedade do pagamento independe de o cumprimento extemporâneo da obrigação ser espontâneo, ou decorrente de intimação específica Resta claro que a contribuinte se omitiu no dever de informar, deixando de prestar auxílio à fiscalização no exercício pleno de seu devr:., 8 "lá MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DF CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768,043161/95-12 Acórdão n° 102-42.362 Pode-se afirmar, ainda, que a ausência de mecanismos de coerção legal, aplicáveis quando do não cumprimento de obrigações de prestação de informações, destituiriam a norma jurídica de justificativa para sua existência Considerando que a ora Recorrente em nenhum momento contesta o fato de haver procedido à entrega de sua Declaração de Rendimentos com atraso, ou especificamente o cálculo do valor da multa cobrada, Considerando que a ora Recorrente não logrou carrear aos autos quaisquer fatos, provas ou razões novas passíveis de elidir o acerto da decisão recorrida, Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso Sala das Sessões - DF, em 12 de novembro de 1997. / / i/ RS, - á NISEN 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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4673401 #
Numero do processo: 10830.002053/96-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2000
Ementa: DIFERENÇA IPC/BTNF- EXCLUSÃO- De acordo com a Instrução Normativa 96/93, o valor correspondente a 25% do saldo devedor da diferença IPC/BTNF poderá ser excluído em qualquer mês do ano-calendário de 1993. DESPESAS COM TRIBUTOS- DEDUTIBILIDADE NO MÊS DE PAGAMENTO- Constatado erro na apuração fiscal , que não considerou os pagamentos nas datas em que foram efetuados, e pelo seu valor em UFIR, deve ser revisto o cálculo. Recurso de ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 101-93096
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni

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Ë COMÉRCIO Sessão de : 09 de JUNHO de 2000 Acórdão : 101-93.096 DIFERENÇA itsétÉitNÉ- ÉCÕLuãÃõ- De acordo com a Instrução Normativa 96193, o valor correspondente a 25% do saldo devedor da diferença IPC/BTNF poderá ser excluído em qualquer mês do ano-calendário de 1993. DESPESAS COM TRIBUTOS- DEDUTIBILIDADE NO MÊS DE PAGAMENTO- Constatado erro na apuração fiscal , que não considerou os pagamentos nas datas em que foram efetuados, e pelo seu valor em UFIR, deve ser revisto o cálculo. Recurso de ofício a que se nega provimento._ Vietõã, reletedãã è diããutidoãôé Preeentee autot de rã-Cure-o de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em em CAMPINAS-SP. ACORDAM oe Mernbroà de PriMeire Cârnarà do Piei Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON P - á RODRIGUES PRESIB E SANDRA MARIA FARONI RELATORA Processo n°. 10830.002053196-99 Acórdão n°. 10143.096 FORMALIZADO É"M- 9 I,• fr), dó frétéiité júlõáffléiitd, ãã eõeíãélhéirçõãi. :IEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, KAZUKI SHI013ARA, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, CELSO ALVES FEITOSA è RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FILHO. Ausentes, justificadarnente os Conselheiros FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA-e RAUL PIMENTEL. Processo n°. 10830.002053196-99 Acórdão n°. : 101-93.096 Reotiraõ h°. : 120.254 - E( OFFICIO Recorrente -DRii EM CAMPINAS-SP Interessada : tÉ511t. tíNisÉdõL 871‘., ikib. É dõMÉÉrzdiõ 1-4 ELATÓR10 Contra Têxtil Tapecol S/A IndúStria é Coffiértio foi lavrado- álitõ de infração do Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, relativo aos anos-calendário de 1993e 1-994, por meio do qual foi formalizada exigência de crédito -tributária no valor de 6.293.126,44 UFIR. COriforine ConStã dó Terrno de Verifièação Fiaèã1 de fl. 34/36, exigência decorre de: a) exclusões indevidas do lucro líquido do saldo devedor integral da correção monetária do ano-base de 1990, efetuada em abril de 1993 no levantamento do lucro real e de tributos/contribuições neste mesmo mês, correspondente à diferença entre o previsto no art. 70 da Lei 8.541/92 e o efetivamente excluído pelo fiscalizado; b) Despesas indectutíveis referentes a tributos/contribuições de fato gerador no mês em curso, mas com recolhimento previsto para períodos subseqüentes não adicionadas ao lucro real, Este mesmo terffio regi -atra qüe, titianto à eXCItitão do Valor integral de Correção Monetária dó ano-base de 1990, a empresa impetrou mandado de segurança não acolhido em liminar, senda-lhe, ainda denegada a segurança. Em impugnação tempestiva _a contribuinte-suscitou, preliminar dê hülidedê do atito dê ¡fie-4;4d ode tée eétuitmité de áo'd fiéém ihiáiãdà é encerrada dentro da repartição fiscal, sem ação fiscalizadora direta e permanente no domicílio do contribuinte, conforme prescrito no art -950 do RIR194; aleip-ter ocorrido_erra na exigência, no tocante ao saldadevedor da_diferença dacorreção__ rnotietána ããniPtèràèritãr IPC/13TNP, di qiiè a hidedi.itibilidede dôs Váltirea relativos aos tributos e wrillibuições apurados no mês, iíta r10 psgos, foi apurada sem- exame- dos- documentos- comprobatórios dos pagamentos; protesta contra a, inobservância das disposições -do-art. 70 da Lei 8.541192, no tocante à Processo n°. : 10830.002053/96-99 Acórdão n°. : 101-93.096 exCluããô dõt Vai -ore-6 dõ$ tributõS põe iidatiãõ de Seu pa -garrientõ; afirtna qUe a fiscalização, por não ter procedido à recomposição do lucro real, com base nas exclusões consideradas indevidas, induziu à exigência de tributo mesmo na ocorrência de prejuízo fiscal; aponta como equívoco no lançamento a utilização, dõriiei bate dê dáldlilõ, dõ Vai& das adições que de- Veria- rã ter Sidõ efetuadas é date exclusões consideradas indevidas, tributando receitas ou despesas indedutíveis em lugar de lucro. Ainda como preliminar, aborda a questão da irrenunciabihdade da esfera administrativa, afirmando não haver coincidência de objetos entre a Matéria diããutida &ti jtiffõ é à diããutida adffliniStratiVarriente, põiS à açãõ judicial não tem por objeto a desconstituição do crédito tributário inerente ao impoblu de renda referente a períodos específicos. Após as preliminares, aborda o mérito da exigência, ressaltando aspectos das Leis 8.200/91-e 8 541/92, que seriam Considerando o conteúdo da impugnação; a autoridade julgadora solicitou a realização de diligência que, concluída, resultou -no Relatório Fiscal de lis 9271949, no qual foi _reconhecida a veracidade do saldo devedor de èbrreçãô hl- én -etária èõriipleffieritar IPC/13TNF alegadô hã iiUriàçãô, ãõiti à conseqüente retificação do valor da .~-o permitida em abril de 93: Foi, também, verificada a data do efetivo pagamento dos tributos, tendo a autoridade fiscal determinado as inwortánci—as a serem excluídas em cada período-base. Reaberto é peãíó- tiãrâ ihipuoão(s, à ériiPréta rhanifeStõii-Se alegando; em resumo; que deixou de ser observada a autorização constante da 1N1 96/93 e do MAJUR/94, que possibilitava a exclusão, em gnalquer mês ralendário, de até 25% do saldo, elaborando demonstrativo do excesso que entende ter haVidô ein abril dê 93. Aéreãèenta que, ati glritat é eXteSSõ eiti abril de 93, é Fisco esqueceu-se de considerar o direito da autuada de excluir mais 1-5% do saldo devedor originário no ano calendário seguinte, haja vista a autuação referir- se ao período 01/03/93 a 31/12194. No que se refere _à cledutibilidade dos tributos, diz que, apesar das retificações efetuadas pelo fiscal executor da diligência, os números ainda permanecem incorretos, uma vez que as bases de cálculo )1(') Processo n°. : 10830.002053/96-99 Acórdão n°. 101-93.096 negativas não repercutiram no ajuste das bases de cálculo positivas apuradas nos períodos-base seguintes. Além disso, entende que no caso de tributos pagos em processo de parcelamento, o valor que deveria ter sido excluído deve corresponder a urna fração em UFIR do valor do débito consolidado, sob pena de restarem valores em aberlo no LALUR mesmo após quitação do parcelamento. A . autoridade julgadora de primeira instância rejeitou as preliminares . Quanto à propugnada distinção dos objetos em litígio nas duas esferas (administrativa e judicial), fundamentada numa suposta diferença entre a relação jurídica tribUtária de direito material eiti tese e a mesma relação jurídica tdbutária de direito material formalizada no auto de infração, ressaltou ser elei insustentável, pois o crédito -tributário -formalizado -no lançamento , além de ser mera ,decorrência da relação jurídica obrigacional de ,natureza tributária, -tem a mesma natureza desta (art. 139 dõ CTN), diStinguindo-se, apenas, do ponto de vista formal;, Assevera a -autoridade que não se trata de diferentes objetos, , mas da mesma relação jurídica discutida em tAse ou materiall7ada Mediante -lançamento de ofício. Por isso, deixou de apreciar as questões de mérito das matérias em apreço, lembrando, contudo que outros aspectos relacionados ao lançamento, Guino a observância de requisitos formais ou quanto à composição da base -de cálculo, uma 'vez que não são objeto da demanda judicial, são passíveis de exame na esfera administrativa. Nesse mister, reconheceu o equívoco ãpohtado quanto à limitação da exclusão em abril/93, em desatendimento a autorização expressa do MAJUR/94, bem como às exclusões relativas aos tributos pagos em regime de parcelamento.. Reconheceu a autoridade julgadora que a fiscalização não considerou .a compensação dos prejuízos fiscais -apurados no presente lançarnentõ apÓS o ajuste do lt.idõ líqUidõ Corri as adições Obrigatóriat, mas justificou o procedimento fiscal porque, "uma vez julgadas as pedidos rfOrMulados pela interessada junto ao Poder Judiciário, qualquer exigência relativamente às matérias ali apreciadas estaria completamente superada. E, por outro lado, a adoção desse critério não impede, por ocasião da decisão definitiva desfavorável à interessada, -SOM reconhecidas as compensações dos prejuízos Processo n°. : 10830.002053196-99 Acórdão n°, : 101-93.09e apurados e ainda não contabilizados, bem COrno O direito de a autuada excluir no ano-cafendário de 1994, a parcela de 15% do saldo devedor da diferença de correção monetária IF'CIBTNF-90, compro vadamente ainda não utilizada". Decidiu, afinal, deixar de apreciar o mérito, face à proprositura da ação judicial, e, em relação ao valor tributável, julgou parcialmente procedente a exigência determinando sua redução conforme demonstrativo anexo à decisão, recorrendo de ofício a este Conselho. É o Relatório. Processo n°. : 10830.002053196-99 Acórdão n°, 101-93.096 VOTO ConSelheira SANDRA MARIA FARON1, Rei-alota O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. As parcelas eacluidas da -exigência e, portanto, submetidas à revisão necessária, dizem respeito à limitação da exclusão da diferença de Correção Monetária 1PC/13TNF, no friêt de abril de 93, erri 1/48 e àS dretpeSas deduzidas relativas aos tributos e contribuições apurados na mês, mas com pagamentos previstos para períodos seguintes. Quanto à diferença IPC/EITNF, a Instrução Normativa 96/93, ao preSdreVer que no ano calendário de 1993 poderá ser excluído valor correspondente a 25% do saldo devedor da diferença mencionada, deixa expresso que essa diferença poderá ser excluída em qualquer mês do ano-calendário correspondente. Portanto, equivocou-se a fiscalização ao limitar a exclusão em abril/93 sem observar a autorização constante da IN 96193. A retificação referente à dedução dos tributos decorreu, em parte, de diligência fiscal que apurou a data do efetivo pagamento dos tributos cuja dedução como despesa no mês de competência fora glosada, determinando as irriPoãáncias á Serern exCluídaS dó Montante tributável, é étii Paiíe, da consideração de que as exclusões relativas aos tributos 'pagos em regime de parcelamento deve ser feita pelo seu valor em UF1R. Também quanto a esse aspecto a decisão recorrida não merece reparos, eis que assim decidindo restou cumprido rigorosamente o previsto no artigo 7° da Lei 8.641/92. Processo n°. : 10830.002053/96-99 Acórdão n°. 101-93.096 Tendo efil ViSte Õ eAboStõ, flegÕ pi-õviffientb SC, reditiSes de ofício: Sele dèS Sessões - DF, etil 09 de junho de 2000 SANDRA MARIA FARONI Processo n°. : 10830.002053/96-99 Acórdão n°. : 101-93.096 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão_ supra, nos termos_ da parágrafo- Z), da artigo- 40, do Regimento Interno, com a redação dada pelo artigo 30 da Portaria Ministerial n°. 260, de 24/10/95 (D.O.U. de 30/10195). Brasília-DF, em 22 AC,':','.') Hoo sor,‘,.-- SON P '' - 1-,Ta RODRIGUES PRESIDEN / Ciénté étii 23 p.,, , RODRIG ,( -,,- o :. MELLO PROCURADOR o A FAZENDA NACIONAL Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.016162/98-47
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Somente são permitidas as exclusões da base de cálculo do PIS previstas na legislação de regência, e comprovadas através da documentação pertinente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONFISCO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não estando amparada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-16043
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar

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MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da União Fl. De .) 14 / / 05 Processo : 10768.016162/98-47 stte O Recurso : 126.525 Acórdão : 202-16.043 Recorrente : FLEX-A CARIOCA INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida : DRJ-II no Rio de Janeiro - RJ PIS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLèULO. Somente são permitidas as exclusões da base de cálculo do PIS previstas na legislação de regência, e comprovadas através da documentação ténti, CA FAZENO4 21 CC pertinente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS CONFEREACOM O a IGIN__AL ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÁO BRASiLlAar op OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo e/ somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao VISTO lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscaL LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MULTA DE OFICIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONFISCO. A multa de oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não estando amparada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FLEX-A CARIOCA INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2004 , 4:fe Henrique Pinheiro Torres Presidente n da Silva ar Relator Participaram, ainda, do present4 julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. imp/opr 1 • •á !Ill ?•. e .. .. ..M.,, 2° CC-MF '..5..-7.f. ;v Ministério da Fazenda MIN. DA FAZEDDA . 2' ce Fl. ?P:liz..,. 'e Segundo Conselho de Contribuintes •; 7k. D.D., j. CONFEREnC9A1 O nORiGINA, BRASILI LAga..L.,,....0t_j visa e '-Processo : 10768.016162/98-47 -"VelitAttca----Recurso : 126.525 Acórdão : 202-16.043 VISTO r—...... Recorrente : FLEX-A CARIOCA INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA. ‘ RELATÓRIO -- Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo, a seguir, o Relatório do Acórdão que compõe a Decisão Recorrida de fls. 174/175: "Versa o presente processo sobre o auto de infração de fls. 83/107, relativo ao não recolhimento do total devido para o PIS, referente aos fatos geradores dos meses de outubro/1993 a setembro/1994, janeiro/I996 a março/1997, e maio/I997 a maio/1998, consubstanciando exigência de crédito tributário referente à contribuição no valor de R$78.062,59, multa de oficio de 75%, no valor de R$58.546,99 e juros de mora, calculados até 30/06/1998, no montante de R$25.790,44, em um total de R$162.400,02. 2. Segundo a descrição dos fatos, de fl. 105, e o Termo de Verificação e Esclarecimento, de fls. 83/87, a impugnante foi autuada por ter excluído da base de cálculo do PIS diversos valores a título de despesas com vendas, custo dos produtos vendidos e IPI, tendo sido glosadas essas exclusões por não encontrar amparo legal. 3. Informa, ainda, a autoridade fiscal, que considerou os valores declarados nas DCTF's, e que, de janeiro/1997 até maio/I998 a empresa não declarou, nas DCTF's apresentadas o valor da COFINS devida. 3. O enquadramento legal para os fatos geradores objeto do auto de infração é o seguinte: . de 01/1995 até 10/1995: art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/1970, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, art. 83, inciso III, da Lei Complementar n° 8.981/1995; . de 11/1995 em diante: art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/1970, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, arts. 2°, inciso I, 3°e 8°, inciso!, e 9°, da MP n°1.212/1995, ara. 2°, inciso!, 3°, 8°, inciso!, e 9° da MP n°1.249/1995 e suas reedições 4. Inconformada, a interessada apresentou, em 17/08/1998, a petição de impugnação, delis. 111/120, alegando, em síntese, o seguinte: . Preliminarmente 4.1 o auto de infração é nulo pois o artigo 10 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo-fiscal da União, determina que o auto de infração será lavrado sempre no estabelecimento fiscalizado, e não havendo 4/caso fortuito ou de força maior a lavratura no loca do estabelecimento 2 o . rà 1 . 1 . ____________MIN. i),IFANDA :, 29 CC Fl. 22 CC-MF - -n .::: 4' Ministério da Fazenda ',0 Segundo Conselho de Contribuintes ',M-Al i', 5 CONFERE Rep,51 O ORIGINAL ' A ..i, Processo : 10768.016162/98-47 BRAS( - I Recurso : 126525 Acórdão : 202-16.043 VISTO caso fortuito ou de força maior a lavratura no local do estabelecimento fiscalizado, nem se tratando de fiscalização de estradas, barreiras e etc., o auto lavrado fora do estabelecimento é irrito; 1.. 4.2 houve cerceamento de defesa com alheamento a temas relevantes e quebra do contraditório pleno, de acordo com o art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, e do art. 145, inciso Ido Código Tributário Nacional; . Mérito 4.3 as provas documentais juntadas aos autos, no presente recurso impugnatório, demonstram não haver infração tributária cometida, nem muito menos _fraude, dolo ou má-fé; 4.4 a cobrança do PIS a partir de 0/01/1996, como estatuído pelo art. 71 do ADCT, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 1011996, não se compatibiliza com os princípios da irretroatividade das leis e o da anterioridade previstos, respectivamente, nos artigos 5°, 100CVI e 150, II!, "a", e art. 196, parágrafo 6°, todos da Constituição Federal; 4.5 A contribuição para o PIS, como contribuição destinada ao financiamento da seguridade social, encontra-se sujeita a esses princípios, de acordo com o art. 195, parágrafo 6°, da Constituição Federal; 4.6 o STF, ao julgar o ADIN n° 939-7, decidiu que os artigos acima mencionados, integram o núcleo de cláusulas pétreas, nos ditames do artigo 60, parágrafo 4°, inciso iv, da constituição, sendo assim intangíveis; 4.7 afirma, como resultado de um extenso arrazoado, que não pode incidir tributação sobre prejuízo; 4.8 considera, também que as alterações da base de cálculo do PIS, em relação às empresas prestadoras de serviço, somente poderiam ter eficácia após 90 dias da publicação da MP que venha a ser convertida em lei, e que não se verificou quanto à medida provisória n°1.212/1995: 4.9 aduz, ainda que, tendo o STF declarado inconstitucionais as majorações de alíquotas do FINSOCIAL (art. 7° da Lei n° 7.787/1989, art. 10 da Lei n° 7.894/1989 e art. 1° da Lei n° 8.147/1990), tem, por conseqüência, a impugnante, um crédito contra a Fazenda Nacional, de acordo com o art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e IN SRF n° 67/1992; 4.10 portanto, se duas pessoas são ao mesmo tempo credor e devedor, uma da outra, as duas obrigações extinguem-se até onde se compensarem; ir,ip 3 p .4, 1 22 CC-MF Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA 2° CC Fl. 'Yk..-r.:n *. Segundo Conselho de Contribuintes ;•• CONFERE _g:A O ORIGINAL BRASÍLIA :45 Cl6d. Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 Acórdão : 202-16.043 visro 4.11 acrescenta um texto à sua petição de impugnação, sem nenhuma conexão lógica com a lide tributária em julgamento, e sem conexão lógica interna, não trazendo nenhum novo argumento a qu'estão. N.. 5. Pelo exposto solicita o cancelamento do respectivo auto de infração. A autoridade singular, conforme Acórdão DRERJOII n°2.248, de 14 de março de 2003 (fls. 171), indefere o pleito da Requerente na ementa que abaixo se transcreve: "ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1993,1994,1996,1997,1998 Ementa: PIS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Somente são permitidas as exclusões da base de cálculo do PIS previstas na legislação de regência, e comprovadas através da documentação pertinente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993,1994,1996,1997,1998 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. LOCAL DA LAVRATURA DO AU7'0 DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de vercação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993,1994,1996,1997,1998 Ementa: MULTA DE OFICIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONFISCO. A multa de oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não estando amparada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. Lançamento Procedente." Em 08 de maio de 2003 a Recorrente tomou ciência da Decisão, fl. 183 (verso). 4 • • a, I • 43.zie Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA- 2° CD 1 CC-MF • n. Jfr Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE co" k1 O ORIGINAI. ERASILIAoit Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 VIST Acórdão : 202-16.043 Irresignada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, a Recorrente apresentou, em 05 de junho de 2003, fls. 188/196, Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e pugna pela reforma da decisão 1,jecorrkla e o conseqüente deferimento do pedido de compensação dos créditos pleiteados. É o relatório. 5 a , MIN. DA EA '''''''' . 29 ce 2° CGMF Ministério da Fazenda Fl.Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREeçp -0 cintut. Processo : 10768.016162/9847 SRASiLIAQL6 ottRecurso : 126.525 ......... Acórdão : 202-16.043 VIS VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RAIMAR DA SILVA AGUIAR Versa o presente processo sobre o auto de infração de fls. 83/107, relativo ao não recolhimento do total devido para o PIS, referente aos fatos geradores dos meses de outubro/1993 a setembro/1994, janeiro/1996 a março/1997 e maio/1997 a maio/1998, consubstanciando exigência de crédito tributário referente à contribuição no valor de R$78.062,59, multa de oficio de 75%, no valor de R$58.546,99 e juros de mora, calculados até 30/06/1998, no montante de R$25.790,44, em um total de R$162.400,02. Por bem enfrentar a matéria adoto os argumentos expendidos pela Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, pelos seus fundamentos, relativo ao Acórdão DRJ/RJOII N° 2.248, fls. 208/211, a seguir transcrito: "6. A impugnação é tempestiva pois, cientificada da autuação em 16/07/1998, de acordo com a assinatura no auto de infração, à fl. 53, a interessada protocolou-a em 17/08/1998 ül. 59). Além disso, reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 7. Com relação às questões preliminares aludidas pela interessada, temos a dizer o seguinte: Do cerceamento do direito de defesa 8. A afirmação genérica da interessada de que houve cerceamento do direito de defesa não pode prosperar, neste colegiado, pois não se vislumbra, de nenhuma forma, qualquer irregularidade na feitura do respectivo auto de infração, durante o curso do procedimento fiscal, que inviabilizasse a defesa da mesma. 9. Ao contrário, a interessada foi regularmente cientificada do inicio da ação fiscal, através do Termo de Inicio de Ação Fiscal, de lis. 1/2, foi, dentro do curso da fiscalização, intimada a apresentar os demonstrativos referentes ao PIS, e novamente intimada a explicar e justificar as exclusões efetuadas na base de cálculo da contribuição, bem como o conteúdo de algumas dessas rubricas. 10. A autoridade fiscal, ao elaborar as planilhas de cálculo, que deram origem ao valor devido do auto de infração, levou em consideração os próprios valores fornecidos pela interessada, glosando algumas das exclusões efetuadas pela interessada, de uma forma perfeitamente clara, e permitindo à mesma exercer na sua plenitude o seu legítimo direito de defesa, não se 6 .1 te I 4, • trr CC-MFMinistério da Fazenda MIN, 04 FAZENUA - 2° CC FI. • Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE diO P : O ORWIAI BRASÍLM„:1-gb I . . ! Processo : 10768.016162/98-47 —Recurso : 126.525 visTo Acórdão : 202-16.043 - cogitando em nenhum momento de qualquer resquício de cerceamento a esse direito. 11.Acrescente-se que a interessada exerceu plenaménte esse direito de acordo com a petição de impugnação apresentada. 12.Portanto, voto por rejeitar preliminar de cerceamento de defesa. Da lavratura do auto de infração fora do estabelecimento autuado 13. Sustenta a impugnante que os autos de infração devem ser decretados nulos em razão de não terem sido lavrados no local do estabelecimento da empresa, o que afrontaria ao disposto no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972. Este não é o melhor entendimento a respeito dessa norma. Dispõe o citado dispositivo: "Art. 10 - O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta conterá obrigatoriamente : 11- o local, a data e a hora da lavratura; (.)" (8-11) 13. Como se verifica do caput do art. 10 acima, o auto de infração deve ser lavrado no local da vercação da falta, o que não signca o estabelecimento do contribuinte ou outro local onde a falta foi praticada, mas sim aonde foi constatada. 14. Dispondo-se dos elementos suficientes para caracterizar a infração e formalizar o lançamento, o auto de infração pode ser lavrado dentro da própria repartição fiscal, o que não constitui irregularidade e não é motivo para nulidade do lançamento. 15.Não há que se confundir a confecção do auto de infração (processamento de informações), que é um procedimento material, desprovido de qualquer efeito jurídico apriorístico, com lavratura de auto de infração, procedimento formal e produtor de efeitos jurídicos previstos em lei. Caso contrário, o agente seria obrigado a levar seu computador e sua impressora até a sede da empresa e lá processar as informações e imprimir o auto de infração. Não há efeito jurídico que se possa extrair de tal raciocínio. 16.Assim, o local da vercação da falta não significa local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada. O local de verificação da falta está vinculado ao conceito de circunscrição, para prevenir a jurisdição ou -prorrogar a competência. 7 g , C•"' CGMFMinistério da Fazenda mut tin FA70+104 r CC Fl. el; Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE çç't O pliiSVAl., BRASÍLIA .20 09 Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 Acórdão : 202-16.043 VISTO 17. Esse é o entendimento manifestado pelas instâncias superiores em seus julgados, conforme acórdãos transcritos a seguir: "LOCAL DA LAVRA TURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. -- Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de venficação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. "(Ac. 1° CC 104-10.641/93 — DO 26/08/1996) "LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local da apuração da irregularidade, não se configurando, portanto, hipótese de nulidade o fato do mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. (.). "(Ac. 1° CC 105-7.910/93 — DO 25/10/1996) 18. Interessante, ainda, trazer as seguintes considerações no que respeita à força jurisdicionante e competência funcional da autoridade autuante, extraídas da obra IRPJ e OMISSÃO DE RECEITAS , de Neicyr de Almeida (Conselheiro do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda), nos seguintes termos: "A autoridade autuante (Auditor Fiscal da Receita Federal) tem força jurisdicionante e competência funcional em todo o território nacional e, entendida a jurisdição como aplicação da lei, não se restringe à competência a forma ou do aspecto material, do local especifico de seu judicatório, mas também deve ser entendida, 'lato sensu', como aspecto de territorialidade, mercê da sua disposição inata cumulativa. Segundo De Placido e Silva, é a faculdade conferida às autoridades administrativas para que conheçam de certos fatos ou negócios públicos, resolvendo-os, segundo as atribuições ou poderes, que, regularmente, lhe são conferidos. Assim sendo, a jurisdição mostra que a autoridade administrativa, no exercício de suas atividades ou funções, age em nome do poder público, que lhe deu poderes de limperium'. Ademais, local da verificação da falta não quer dizer, necessariamente, o local onde se encontra o estabelecimento do contribuinte. A lavratura em ambiência da SRF não majora a exigência e nem mesmo impede a manifestação do contraditório e da ampla defesa do contribuinte, principalmente quando plenamente ciente da infração, a partir do que ganha validade e eficácia; portanto não ofende os primados do art.59 e não pode premiar a absurda ilação de nulidade processual em antonímia a tudo que fora assentado." (g.n.) 19. Rejeito, portanto, também, a preliminar de nulidade argüida. Mérito 20. A afirmação da impugnante de que as provas documentais trazidas aos autos demonstram não haver infração tributária, não se sustentam, como se r' 8 • 41 , ds1.. •S, 22 CC-MF "";-c• -.; Ministério da Fazenda MiN. DA ir ArinnA • 2" 1:3'. Fl.Segundo Conselho de Contribuintes > CONFERE ADrIl MOINAI 13RASiLIA „DM ; 4 Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 VISTO Acórdão : 202-16.043 verá adiante, na continuação deste julgado, pois não trazem nenhuma comprovação dos argumentos expostos na sua petição de impugnação. 21. A interessada argumenta que teria um suposto crédito.de Finsocial por ter recolhido a maior, em função de terem sido declaradas inconstitucionais as majorações de aliquotas do Finsocial, pelo STF, e, por conseqüência, teria o direito de compensar com o PIS, essas eventuais diferenças recolhidas a maior, por força do disposto no art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e IN SRF o° 67/1992. 22. Ora, portanto, para o correto deslinde dessa questão há que se responder às seguintes perguntas: — a interessada recolheu a contribuição para o Finsocial, corretamente, com base na legislação vigente e que posteriormente, com a declaração de inconstitucionalidade da majoração das aliquotas pelo STF, resultou em um crédito a seu favor ? — esse eventual crédito existente de Finsocial pago supostamente a maior poderia ser compensado automaticamente com débitos de PIS vincendos ? — caso as duas primeiras perguntas tenham respostas afirmativas, a interessada demonstrou ou trouxe aos autos, em algum momento do processo administrativo-fiscal, durante a fase de fiscalização, ou juntada aos autos na fase de julgamento, alguma planilha ou documentação que demonstrasse que efetivamente se utilizou da compensação, que é uma das formas de extinção do crédito tributário, de acordo com o artigo 161 do CTN, para extinção do respectivo crédito? 22. Ora, do exame detalhado dos autos do processo verifica-se que a interessada limita-se a afirmar que detinha um crédito de Finsocial em virtude da declaração de inconstitucionalidade das majorações de aliquotas e que com base nesse eventual recolhimento, tinha o direito de compensar o mesmo com créditos de PIS, porém, em nenhum momento demonstra a existência desse recolhimento eventualmente feito a maior. 23. Também não demonstra, seja através de planilhas, ou de qualquer outro meio, acompanhados de documentação probante, que efetivamente realizou a compensação mencionada. 24. Verifica-se, como conclusão do exposto, que a interessada não respondeu corretamente às questões mencionadas, limitando-se a alegar que efetuou a compensação, sem trazer à lide tributária em julgamento, nenhum elemento para servir de base, a não ser os balanços patrimoniais, referentes aos anos de 1993 e 1994, às fls. 124/126, e cópias de partes de relatórios contábeis, às ve2esquaseilegiveis,àsjls.~osquoisoãonnenhuma f 9 s e 29 CC-MF •r• Ministério da Fazenda ::rllMIN. DA FA2:)A 2Q ce 'b' "t• t Segundo Conselho de Contribuintes CONCONFEREFl. BRASiLlA 220_1 "osi>„..... 0/5 - Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 NUTO Acórdão : 202-16.043 informação relevante para o julgamento em questão, limitando-se, portanto a simples alegações, que não merecem prosperar nesse colegiado. 25. Há ainda a acrescentar que, na confecção do 'indo de infração, a autoridade fiscal utilizou exatamente as informações fornecidas pela impugnante, tendo glosado o total das exclusões à base de cálculo, efetuadas pela contribuinte, relativas às rubricas "despesa com vendas" e "custo dos produtos vendidos", que efetivamente não eram exclusões permitidas pela legislação de regência, e parcialmente a exclusão na rubrica"IPI", o que não foi questionado pela interessada. Da multa com caráter confiscatório 26. A autuada alega, também, que o valor de multa aplicada é um confisco tributário, afrontando o inciso IV do art. 150 da Constituição FederaL O referido artigo está assim formulado: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (.) IV— utilizar tributo com efeito de confisco:" (grifei) 27 O conceito de tributo, por sua vez, é dado no art. 3° do CT1V: "Art. 30 Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito , instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." (grifei) 28. O próprio texto constitucional define tributos em seu art. 145 como sendo os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. 29. Como se vê, multa não é tributo, mas sim uma penalidade que visa punir a prática de ilicitude fiscal, não se aplicando, portanto, a vedação do art. 150 da Constituição FederaL 30. Com respeito às questões de constitucionalidade alegadas pela interessada, temos a dizer que estasfogem à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses que suscitem a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de normas legalmente inseridas no ordenamento jurídico nacionaL 31. Por via de conseqüência, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao mesmo. 10 n • L 29 CC-MF ra Ministério da Fazenda MIN. 04 FAZEPOA 2 1) CC BCROANsFrEdohpiaCr FL •fr..;. ,.' Segundo Conselho de Contribuintes ,• ---I .. ........ Processo : 10768.016162/98-47 Recurso : 126.525 VIS — Acórdão : 202-16.043 32. O poder das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, está adstrito ao exame da adequação dos atos praticados pelos agentes da administração tributária com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. 33. Nesse sentido, é dever da autoridade administrativa, tanto a lançadora, quanto a julgadora, observar a legislação em vigor e o entendimento que a ela dá o Poder Executivo, sob pena de responsabilidade funcional, em observância ao art. 142, parágrafo único do C77V, que dispõe que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. 34. Portanto, como conseqüência, deve a autoridade administrativa limitar-se a aplicar a legislação, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. 35. Ressalve-se, é claro, os casos de existência de decisão em processo judicial em que a interessada faça parte, ou de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo. 36. A jurisprudência administrativa é vasta nesse sentido, de acordo com algumas ementas reproduzidas abaixo: "IPI — CONS777'UCIONALIDADE — VIGÊNCIA DA LEI — À autoridade administrativa falece competência para apreciar a constitucionalidade e/ou a legalidade de legislação aplicável. Vincula ção do art. 142 do CIN." (2° CC - 3° Câmara —Acórdão n°203-00947) "NORMAS PROCESSUAIS — ARGUIÇÃO DE 1NCONS77TUCIONALIDADE — ESFERA ADMINISTRATIVA — IMPOSSIBILIDADE - O processo administrativo não é sede adequada para as discussões sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma ou de exigência tributária, posto que as declarações em tal sentido, mesmo em caráter incidental, são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Preliminar rejeitada." (CC. Acórdão 203-06409) "INCONS77TUCIONAL1DADE — Lei n°8.383/91 — A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo não é foro próprio para discussões desta natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre incon.stitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal." (1° CC - 6° Câmara — Acórdão 106-10694) 37. No mesmo diapasão é o Parecer Normativo da COS1T/SRF n° 329/1970, verbis: "Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera ti 11 gt , I h - ; • b: CC-MF `• ar: j, Ministério da Fazenda MIN. 04 FAZEM\ - 2" CC nL ttn ,:,;(5' Segundo Conselho de Contribuinte CONFERE Mal O gRfG1.4... BRASILIAOZPJ .4,._ I Processo : 10768.016162/98-47 Át Recurso : 126.525 v Acórdão : 202-16.043 ISTO administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucionaL " Da Preclusão. e• • A questão versada nos autos vem se constituindo em nova tese argüida pelos contribuintes e foi examinada por esta Câmara, restando repelida. Entre os entendimentos expostos, desfavoráveis à tese, ressalto o exarado pela ilustre Conselheira NAYRA BASTOS MANATTA (Recurso n° 106.854), pelo que, com a devida vênia da prolatora, transcrevo o voto de sua lavra, como segue: "Primeiramente há de se ressaltar que os argumentos de defesa trazidos pela recorrente em grau de recurso diferem totalmente daqueles apresentados na fase impugnatória. No primeiro caso referem-se à improcedência do lançamento considerando que não houve introdução irregular ou fraudulenta de mercadoria de procedência estrangeira no território nacionaL No segundo caso, os argumentos de defesa referem-se a impossibilidade de correção monetária da multa lançada. Nenhum argumento acerca do mérito em si foi trazido na impugnação, não denotando qualquer inconformidade da impugnante frente às infrações apontadas pelo Fisco. Verifica-se, portanto, que as razões de defesa contidas na impugnação não guardam qualquer relação com aquelas interpostas em grau de recurso. Como é de todos sabido, só é lícito deduzir novas alegações, em supressão de instância, quando: - relativas a direito superveniente; - competir ao julgador delas conhecer de oficio, a exemplo da decadência; ou - por expressa autorização legaL As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constitui-se ônus processual, pois, embora o ato possa ser praticado e é instituído a seu favor. Todavia, caso não seja praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de a praticá-lo posteriormente, ocorrendo o fenômeno processual denominado de preclusão. Daí, não tendo a contribuinte deduzido a tempo, em primeira instância, as razões apresentadas na fase recursal, não se pode delas conhecer." 12 • o- Ministério da Fazenda 211 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZZ:t”: - CL: n. CONFERE n1 O 9MIGIN,AL Processo : 10768.016162/98-47 BRASILIA V1_/ Recurso : 126325 Acórdão : 202-16.043 VISTO Isto posto, levando em consideração os argumentos da DRJ, nego provimento ao recurso, por discrepar das matérias relativas a este processo. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2004 RAIMAR DA SIL • r. GUIAR /V 13 Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067900.PDF Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069300.PDF Page 1 _0069500.PDF Page 1 _0069700.PDF Page 1

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